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No Invisível: Espiritismo e Mediunidade

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No Invisível: Espiritismo e Mediunidade

evaluări:
5/5 (3 evaluări)
Lungime:
540 pages
10 hours
Editor:
Lansat:
Jun 7, 2016
ISBN:
9788572975520
Format:
Carte

Descriere

'Lentamente, uma ciência nova se destaca dos estudos espíritas; mas ao espírito de pesquisa científica é preciso juntar a elevação do pensamento, o sentimento, os impulsos do coração. Sem o quê, a comunhão com os seres superiores se torna irrealizável; não se obtém qualquer auxílio da parte deles, qualquer proteção eficaz. Ora, tudo está lá, na experimentação. Não há êxito possível, não há resultado seguro sem a assistência e a proteção do Alto. Só se a obtém através do treinamento mental, através de uma vida pura e digna.'

Editor:
Lansat:
Jun 7, 2016
ISBN:
9788572975520
Format:
Carte

Despre autor

Léon Denis (né à Foug, le 1er janvier 1846, décédé à Tours, le 12 avril 1927) fut un philosophe spirite et, aux côtés de Gabriel Delanne et Camille Flammarion, un des principaux continuateurs du spiritisme après le décès d'Allan Kardec. Il fit des conférences à travers toute l'Europe dans des congrès internationaux spirites et spiritualistes, défendant activement l'idée de la survie de l'âme et ses conséquences dans le domaine de l'éthique dans les relations humaines.


Legat de No Invisível

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No Invisível - Léon Denis

CIP - BRASIL - CATALOGAÇÃO-NA-FONTE

SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ.

D459n

Denis, Léon, 1846-1927

No Invisível: Espiritismo e Mediunidade: Tratado de Espiritualismo Experimental / Léon Denis; tradução de Maria Lucia Alcantara de Carvalho. — 1. ed. — Rio de Janeiro: CELD, 2016.

Tradução de: Dans l’Invisible, Spiritisme et Médiumnité.

440pp.; 21cm.

ISBN 978-85-7297-552-0

1. Mediunidade. 2. Espiritismo

I. Título.

04-3158.

CDD 133.93

CDU 133.9

NO INVISÍVEL

Léon Denis

Do original francês:

Dans l’Invisible, Spiritisme et Mediumnité, de 1911.

1ª Edição: março de 2016;

1ª tiragem, do 1º ao 3º milheiro.

L2650205

Tradução e revisão de originais:

Maria Lucia Alcantara de Carvalho

Capa e diagramação:

Rogério Mota

Composição:

Luiz de Almeida Jr. e Márcio de Almeida

Arte-final:

Márcio de Almeida

Revisão tipográfica:

Teresa Cunha

Elizabeth Paiva

Produção de ebook:

S2 Books

Para pedidos de livros, dirija-se ao

Centro Espírita Léon Denis

(Distribuidora)

Rua João Vicente, 1.445, Bento Ribeiro,

Rio de Janeiro, RJ. CEP 21610-210

Telefax (21) 2452-7700

E-mail: grafica@leondenis.com.br

Site: leondenis.com.br

Centro Espírita Léon Denis

Rua Abílio dos Santos, 137, Bento Ribeiro,

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CNPJ 27.921.931/0001-89

IE 82.209.980

Tel. (21) 2452-1846

E-mail: editora@celd.org.br

Site: www.celd.org.br

Remessa via Correios e transportadora.

Todo produto desta edição é destinado à manutenção das obras sociais do Centro Espírita Léon Denis.

SUMÁRIO

Capa

Ficha catalográfica

Folha de rosto

Créditos

Introdução

Prefácio da Nova Edição (1911)

Primeira parte. O espiritismo experimental: As leis

I. A Ciência Espírita

II. A Marcha Ascendente; os Modos de Estudo

III. O Espírito e sua Forma

IV. A Mediunidade

V. Educação e Papel dos Médiuns

VI. Comunhão dos Vivos e dos Mortos

VII. O Espiritismo e a Mulher

VIII. As Leis da Comunicação Espírita

IX. Condições de Experimentação

X. Formação e Direção dos Grupos. Primeiras Experiências

XI. Aplicação Moral e Frutos do Espiritismo

Segunda parte. O espiritismo experimental: Os fatos

XII. Exteriorização do Ser Humano. Telepatia. Desdobramento. Os Fantasmas dos Vivos

XIII. Sonhos Premonitórios. Clarividência. Pressentimentos

XIV. Visão e Audição Psíquicas em Estado de Vigília

XV. A Força Psíquica. Os Fluidos. O Magnetismo

XVI. Fenômenos Espontâneos. Casas Mal-assombradas. Tiptologia

XVII. Fenômenos Físicos. As Mesas

XVIII. Escrita Direta ou Psicografia. Escrita Medianímica

XIX. Transe e Incorporações

XX. Aparições e Materializações de Espíritos

XXI. Identidade dos Espíritos

Terceira parte. Grandeza e misérias da mediunidade

XXII. Prática e Perigos da Mediunidade

XXIII. Hipóteses e Objeções

XXIV. Abusos da Mediunidade

XXV. O Martirológio dos Médiuns

XXVI. A Mediunidade Gloriosa

Introdução

Há cinquenta anos, uma comunicação íntima e frequente tem se estabelecido entre o mundo dos homens e o dos espíritos. Os véus da morte entreabriram-se; em vez de uma face lúgubre, é um semblante sorridente e bom que nos tem aparecido. As almas têm falado; sua linguagem tem consolado muitas tristezas, acalmado muitas dores, reerguido muitas coragens enfraquecidas. O destino humano revelou-se, não mais duro, implacável, como o queriam antigas crenças, mas atraente, equitativo para todos, iluminado pelos raios da divina misericórdia.

O Espiritismo propagou-se. Invadiu o mundo. Desprezado, desacreditado no início, acabou por atrair a atenção, por despertar o interesse. Todos aqueles que não conservaram as andadeiras do preconceito e da rotina e que o abordaram com franqueza, foram conquistados por ele. Agora, ele penetra em toda a parte, senta-se em todas as mesas, instala-se em todos os lares. Aos seus apelos, as velhas fortalezas seculares, a Ciência e a Igreja,[1] elas próprias, hermeticamente fechadas até aqui, rebaixam suas muralhas, entreabrem suas portas. Logo, impor-se-á como um senhor.

O que ele traz consigo? Será sempre e por toda a parte a esperança, a luz, a verdade? Ao lado das consolações que caem sobre a alma como uma gota de orvalho sobre a flor, ao lado do raio que dissipa as angústias do pesquisador e clareia o caminho, não haverá também uma parte de erros e de decepções?

O Espiritismo será o que dele fizerem os homens. Similia Similibus![2] Ao contato com a Humanidade, as verdades mais elevadas desnaturam-se, às vezes, e se velam. Elas podem se tornar uma fonte de abusos. A gota de chuva, conforme o ponto onde cai, permanece como pérola ou se transforma em lama.

Uma causa de inquietação para nós é a tendência de certos adeptos de negligenciar o lado elevado do Espiritismo, a fonte dos puros ensinamentos e das elevadas inspirações, para se confinar na experimentação terra-a-terra, na pesquisa exclusiva do fenômeno físico.

Gostariam de deitar o Espiritismo no leito estreito da Ciência oficial; mas esta, inteiramente impregnada pelas teorias materialistas, repugna essa aliança. O estudo da alma, já difícil e profundo, permaneceu como letra morta para ela. Seus métodos, na sua indigência, não se prestam mais ao estudo, mais vasto, do mundo dos espíritos. A Ciência do invisível ultrapassará sempre os métodos humanos. Há, no Espiritismo, um lado, não o menor, que escapa ao controle, à análise; é a ação do espírito livre no Espaço, é a natureza das forças das quais ele dispõe.

Lentamente, uma Ciência nova se destaca dos estudos espíritas; mas, ao espírito de pesquisa científica, é preciso juntar a elevação do pensamento, o sentimento, os impulsos do coração. Sem o quê, a comunhão com os seres superiores se torna irrealizável; não se obtém qualquer auxílio da parte deles, qualquer proteção eficaz. Ora, tudo está lá, na experimentação. Não há êxito possível, não há resultado seguro sem a assistência e a proteção do Alto. Só se a obtém através do treinamento mental, através de uma vida pura e digna.

Todo adepto deve saber que a regra por excelência das relações com o invisível é a lei das afinidades e das atrações. Nesse domínio, aquele que busca as coisas baixas as encontra e se rebaixa com elas; aquele que aspira aos cimos elevados, cedo ou tarde, os atinge e deles faz um novo meio de ascensão. Se quereis manifestações de uma ordem elevada, fazei esforço para vos elevar a vós mesmos. A experimentação, naquilo que ela tem de belo e grande, a comunhão com o mundo superior não a obtém o mais sábio, porém o mais digno, o melhor, aquele que tem mais paciência, consciência, moralidade!

Diminuindo o Espiritismo, imprimindo-lhe um caráter exclusivamente experimental, acredita-se dar satisfação ao espírito positivo do século, espera-se atrair os sábios para o que se tem chamado de Psiquismo. Por aí, chega-se, sobretudo, a pôr-se em relação com os elementos inferiores do Além, com essa multidão de espíritos atrasados, cuja influência funesta envolve, oprime os médiuns, empurra-os para a fraude, espalha sobre os experimentadores eflúvios malévolos e, frequentemente, com eles, o erro e a mistificação.

Num ardor de proselitismo louvável, sem dúvida, quanto ao sentimento que o inspira, porém excessivo e perigoso nas suas consequências, querem-se fatos a qualquer preço. Na agitação nervosa com a qual se persegue o fenômeno, vêm-se a proclamar, verdadeiros, fatos fictícios ou duvidosos. Pelas disposições mentais que demonstramos nas experiências, atraímos os espíritos levianos, que pululam em torno de nós. As manifestações de mau gosto, as obsessões se multiplicam. Numerosos experimentadores tornam-se vítimas das energias que eles creem dominar. Numerosos espíritas, médiuns, por falta de método e de elevação moral, tornam-se instrumentos das forças inconscientes ou dos espíritos maus.

Os abusos são numerosos e os adversários do Espiritismo aí encontram os elementos de uma crítica pérfida e de uma fácil difamação.

O interesse e a dignidade da Causa ordenam reagir contra essa experimentação banal, contra essa maré excitante de fenômenos vulgares que ameaça submergir os píncaros da ideia.

* * *

O Espiritismo representa uma nova fase da evolução humana. A lei que, através dos tempos, tem conduzido as diferentes frações da Humanidade, há muito tempo separadas, a se reaproximar gradualmente, essa lei começa a produzir seus efeitos no Além. Os modos de correspondência que ligam os homens vivos sobre a Terra estendem-se, pouco a pouco, aos habitantes do mundo invisível, enquanto aguardam que atinjam, através dos novos processos, as famílias humanas que povoam as terras do Espaço.

Todavia, nas ampliações sucessivas do seu campo de ação, a Humanidade se choca com numerosas dificuldades. As relações, multiplicando-se, nem sempre trazem resultados favoráveis; elas apresentam também perigos, sobretudo no que concerne ao mundo oculto, mais difícil de penetrar, de analisar, que o nosso. Lá, como aqui, o saber e a ignorância, a verdade e o erro, a virtude e o vício se misturam, com essa agravante de que, fazendo sentir em tudo sua influência, eles permanecem mascarados aos nossos olhos. Daí, a necessidade de abordar o terreno da experimentação com uma extrema prudência, após longos e pacientes estudos.

É preciso unir os conhecimentos teóricos ao espírito de controle e à elevação moral para estar apto para discernir, no Espiritismo, o bem do mal, o verdadeiro do falso, a realidade da ilusão. É preciso perceber o verdadeiro caráter da mediunidade, as responsabilidades que ela ocasiona, os fins em vista dos quais ela nos é concedida.

O Espiritismo não é apenas a demonstração da sobrevivência através dos fatos, é também o caminho por onde as inspirações do mundo superior descem sobre a Humanidade. A esse título, ele é mais do que uma Ciência; é o ensinamento do Céu à Terra, a reconstituição ampliada e vulgarizada das tradições secretas do passado, o despertar dessa escola profética que foi a mais célebre escola de médiuns do Oriente. Com o Espiritismo, as faculdades que outrora foram o privilégio de alguns, espalham-se sobre um grande número. A mediunidade se propaga, mas ao lado das vantagens que obtém, não se deve dissimular seus escolhos e seus perigos.

Na realidade, há dois espiritismos. Um nos coloca em comunicação com os espíritos superiores e, também, com as almas queridas que temos conhecido na Terra e que têm sido a alegria de nossa existência. Através dele, efetua-se a revelação permanente, a iniciação do homem nas leis supremas. É a fonte poderosa da inspiração, a descida do espírito ao envoltório humano, ao organismo do médium que, sob a influência sagrada, pode fazer ouvir palavras de vida e de luz, sobre cuja natureza não poderia equivocar-se, pois elas penetram e reaquecem a alma; esclarecem os obscuros problemas do destino. A impressão de grandeza que se destaca dessas manifestações deixa sempre uma marca profunda nas inteligências e nos corações. Aqueles que nunca a sentiram não podem compreender o que é o verdadeiro Espiritismo.

Depois, há um outro gênero de experimentação, frívolo, mundano, que nos coloca em contato com os elementos inferiores do mundo invisível, e tende a amesquinhar o respeito devido ao Além. É uma espécie de profanação da religião da morte, da manifestação solene daqueles que deixaram o envoltório de carne.

Entretanto, é preciso reconhecer: esse espiritismo de baixo escalão tem ainda sua utilidade. Ele nos familiariza com todo um lado do mundo oculto. Os fenômenos vulgares, as manifestações triviais fornecem, às vezes, provas brilhantes de identidade; traços característicos delas se destacam e forçam a convicção dos pesquisadores. Porém, não se deve apegar a eles, senão na medida em que esse estudo nos é proveitoso, onde nossa ação pode se exercer de uma maneira eficaz sobre os espíritos atrasados que os produzem. Sua influência é malsã e deprimente para os médiuns. É preciso aspirar mais alto, subir pelo pensamento para regiões mais puras, para as elevadas moradas do espírito. Apenas lá, o homem encontra as verdadeiras consolações, os socorros, as forças espirituais.

Não seria demais repeti-lo. Nesse domínio, obtemos apenas efeitos de nossa condição. Todo homem que, através dos seus desejos, dos seus apelos, entra em contato com o mundo invisível, atrai, fatalmente, para si seres em afinidade com seu próprio estado mental e moral. O vasto império das almas está povoado de entidades, benévolas e malévolas; elas se dispõem em todos os degraus da escala infinita, desde as almas mais baixas e mais grosseiras, aquelas que se confinam na animalidade, até aos mais nobres e puros espíritos, mensageiros de luz, que vão levar a todas as margens do tempo e do Espaço as irradiações do pensamento divino. Se não sabemos ou não queremos orientar nossas aspirações, nossas vibrações fluídicas, na direção dos seres superiores e obter sua assistência, permanecemos à mercê das más influências que nos cercam e que, em muitos casos, levaram o experimentador imprudente às piores decepções.

Se, ao contrário, libertando-nos, pela vontade, das sugestões inferiores, afastando de nós as preocupações pueris, egoístas, materiais, buscamos no Espiritismo um meio de elevação e de aperfeiçoamento moral, então, poderemos entrar em comunhão com as grandes almas, mensageiras da verdade; fluidos vivificantes, regeneradores, descerão em nós; sopros poderosos nos conduzirão às regiões serenas de onde o espírito contempla o espetáculo da vida universal, a majestosa harmonia das leis e dos mundos.

Prefácio da Nova Edição (1911)

Desde a aparição dessa obra, dez anos se passaram, no decorrer dos quais o Espiritismo prosseguiu a sua marcha ascendente e se enriqueceu de experiências e de testemunhos de grande valor. Os de Lodge, Myers, Lombroso, notadamente, vieram ressaltar seu prestígio, dar-lhe, com a autoridade científica que ainda lhe faltava, uma espécie de consagração definitiva. Por outro lado, os abusos e as fraudes, que assinalávamos, precedentemente, multiplicaram-se. Seria, portanto, uma lei da História? O que uma ideia ganha em extensão, deverá perdê-lo em qualidade, em força, em penetração?

Do ponto de vista dos testemunhos recolhidos e dos progressos realizados, a situação do Espiritismo não é a mesma na França do que em alguns países estrangeiros. Enquanto na Inglaterra e na Itália conquistou, nos meios acadêmicos, retumbantes adesões, a maioria dos sábios franceses tomou, diante dele, uma atitude desdenhosa, de desprezo mesmo.[3] Mostraram, com isso, pouca clarividência, pois a ideia espírita, se, às vezes, apresenta exageros, repousa sobre fatos incontestáveis e responde às necessidades imperiosas do nosso tempo.

Todo espírito imparcial deve reconhecer que nem a Ciência oficial, nem a religião satisfizeram às necessidades intelectuais e às aspirações da maior parte da Humanidade. Portanto, não se deve admirar que tantos homens tenham procurado em domínios pouco explorados, embora muito ricos em recursos psicológicos, soluções, esclarecimentos, que as velhas instituições são impotentes para lhes fornecer. Este gênero de estudos pode desagradar a alguns espíritos timoratos; pode ser criticado por eles, condenado. Vãos propósitos que o vento leva! Apesar das exigências, das repreensões e dos anátemas, as inteligências irão sempre na direção do que lhes parece mais justo, mais claro e melhor. Os desprezos de uns, as condenações de outros aí nada farão. Dai mais e melhor, responder-lhes-ão. Padres e sábios, vós que podeis vos consagrar aos lazeres do pensamento, em lugar de escarnecer ou de fulminar no vazio, sabei consolar, levantar aqueles que estão curvados sob o peso de um penoso trabalho material, sabei explicar o porquê de seus males e lhes fornecer as provas das compensações futuras. Este será o único meio de conservar a vossa supremacia!

Pode-se perguntar, além disso, qual o mais apto para julgar os fatos e discernir a verdade; se um cérebro cheio de prevenções e de teorias preconcebidas, ou então, um espírito livre, desligado de qualquer rotina científica e religiosa? A História responde por nós.

Certamente, os sábios oficiais têm prestado serviços eminentes ao pensamento; eles lhe têm evitado muitos extravios; porém quanta obstrução não opuseram, em muitos casos, à ampliação do conhecimento verdadeiro e integral!

O professor Charles Richet, que é um juiz competente, ressaltou, vigorosamente, nos Anais das Ciências Psíquicas de janeiro de 1905, os erros e as fraquezas da Ciência oficial.

Ainda hoje, a rotina exerce o seu império nos meios acadêmicos; todo sábio que se recusa a seguir o hábito traçado é considerado como um herético e afastado das gordas prebendas. O exemplo do doutor Paul Gibier, obrigado a se expatriar para criar para si uma situação, é a penosa demonstração disso.

Sobre esse ponto, a democracia não se tem mostrado menos absolutista, menos tirânica do que os regimes decaídos. Ela aspira ao nivelamento das inteligências e proscreve aqueles que procuram arrancá-la das materialidades vulgares. O rebaixamento dos estudos empobreceu o pensamento universitário, enfraqueceu os caracteres, paralisou as iniciativas.

É em vão que se procuraria na França, entre nossos sábios, um exemplo de coragem moral comparável àqueles que deram, na Inglaterra, William Crookes, Russell Wallace, Lodge, etc.; Lombroso e outros, na Itália. A única preocupação dos homens em situação semelhante é de modelar suas opiniões pelas dos senhores do momento, a fim de se beneficiarem dos proventos de que esses últimos são os dispensadores.

Em matéria de psiquismo, o bom senso vulgar faz falta à maioria dos sábios. O professor Flournoy o confessa: Para toda a Humanidade das antigas eras, hoje, ainda, para a sua grande massa, é a hipótese espírita que é verdadeiramente a única conforme o bom senso mais elementar; enquanto que para nós, alimentados de Ciência farta de mecanismo naturalista desde os bancos de colégio, essa mesma hipótese revolta até as profundezas do nosso bom senso, igualmente mais elementar.[4]

Em apoio aos seus dizeres, cita os dois exemplos seguintes,[5] que se aplicam a um fato universalmente reconhecido como verdadeiro:

O grande Helmholtz — relata o Sr. Barrett — certa vez, me dizia que nem o testemunho de todos os membros da Sociedade Real, nem a evidência de seus próprios sentidos poderiam fazê-lo acreditar sequer na transmissão do pensamento, sendo esse fenômeno impossível.

Um biologista ilustre — relata também o Sr. William James — me dizia, um dia, que mesmo que as provas da telepatia fossem verdadeiras, os sábios deveriam unir-se entre si, para suprimi-las ou mantê-las ocultas, porque tais fatos perturbariam a uniformidade da Natureza e todas as espécies de outras coisas de que os sábios não podem abrir mão para continuar suas pesquisas.

Entretanto, os fatos espíritas se multiplicaram, impostos com tanta força, que os sábios tiveram que tentar explicá-los. Porém, não são as elucubrações psico-fisiológicas de Pierre Janet, as teorias poligonais do doutor Grasset, nem a criptomnésia de Théodore Flournoy que podem satisfazer os pesquisadores independentes. Quando se tem alguma experiência dos fenômenos psíquicos, fica-se confuso com a pobreza dos raciocínios dos críticos científicos do Espiritismo. Eles sempre escolhem, numa multidão de fatos, alguns casos que se aproximam de suas teorias, e deixam passar, cuidadosamente, em silêncio, todos aqueles, inumeráveis, que os contradizem. O procedimento será verdadeiramente digno de verdadeiros sábios?

Os estudos imparciais e persistentes levam a outras conclusões. Falando do Espiritismo, Oliver Lodge, reitor da Universidade de Birmingham e membro da Real Academia, pôde dizer: Fui, pessoalmente, conduzido à certeza da existência futura através das provas que repousam em base puramente científica. (Anais das Ciências Psíquicas, 1897, pág. 158.)

James Hyslop, professor da Universidade de Columbia, escrevia: A prudência e a reserva não são contrárias à opinião de que a explicação espírita é, até o presente, a mais racional.

Como se vê, se as zombarias não têm faltado aos espíritas, nos meios científicos, há, entretanto, sábios que têm sabido lhes fazer justiça. O professor Barrett, da Universidade de Dublin, exprimia-se assim, quando de sua instalação na presidência da Society for Psychical Research, em 29 de janeiro de 1904:[6]

Bom número dos meus ouvintes se recorda, certamente, da cruzada outrora empreendida contra o hipnotismo, que, então, se chamava mesmerismo. As primeiras pessoas que se ocuparam com esses estudos foram, de um lado, alvo dos ataques incessantes da parte do mundo médico e científico, de outro, do mundo religioso. Elas foram denunciadas como impostoras, rejeitadas como párias, postas, sem cerimônia, na porta das sinagogas da Ciência e da religião. Isso se passava numa época bastante próxima de nós, para que eu próprio pudesse disso me lembrar. A ciência fisiológica e médica não pode deixar de abaixar a cabeça, envergonhada, pensando nesse tempo, e vendo, atualmente, o hipnotismo e seu valor terapêutico reconhecidos, tornados parte integrante do ensino científico em várias escolas médicas, sobretudo no Continente!... Não devemos reverenciar, atualmente, a memória desses pesquisadores corajosos, que foram os pioneiros desse ramo dos estudos psíquicos?

Da mesma maneira, não devemos esquecer, absolutamente, desse pequeno número de pesquisadores que, antes do nosso tempo, tiveram a coragem, após pacientes pesquisas, de proclamar sua crença nesses fenômenos, que chamaram espiríticos... Sem dúvida, seus métodos de investigação não estiveram ao abrigo de qualquer crítica; entretanto, eles foram pesquisadores da verdade, tão honestos e devotados quanto pretendemos sê-lo, e merecem tanto mais a nossa estima, quanto mais oposição e zombaria encontraram. Os espíritos fortes sorriam, então, como agora, daqueles que se mostravam melhor informados do que eles. Suponho que todos somos levados a considerar nosso próprio discernimento como superior ao do nosso próximo. Finalmente, porém, não são o bom senso, os cuidados, a paciência, o estudo contínuo dos fenômenos psíquicos que dão mais valor à opinião a que se chegou, e não ao espírito de penetração, ou o cepticismo do observador?

Não devemos perder de vista que o que é afirmado, mesmo pelo mais humilde dos homens, em consequência de sua experiência pessoal, é sempre digno de deter a nossa atenção, enquanto que o que é negado, mesmo pelos homens mais reputados, quando ignoram a coisa, jamais merece que lhe demos importância.

Esse espírito poderoso e perspicaz que era o professor De Morgan, o grande denunciador do charlatanismo científico, teve a coragem de publicar, já há muito tempo, que não adianta tentar ridicularizar os espíritas, eles não estão menos no caminho que conduz a todo o adiantamento dos conhecimentos humanos, porque possuem o espírito e o método dos primeiros tempos, quando as estradas deviam ser abertas através das florestas virgens, nas quais, agora, podemos avançar com toda a facilidade.

* * *

Rendendo homenagem aos espíritas, o professor Barrett, como juiz imparcial, reconhecia que seu zelo não estava isento de críticas. Hoje, como então, essa opinião poderia se verificar. A exaltação de alguns adeptos, seu ardor em proclamar fatos imaginários ou duvidosos, a insuficiência de controle nas experiências, têm, frequentemente, prejudicado a causa que acreditavam servir. Talvez aí esteja o que justifica, de uma certa maneira, a atitude suspeita, às vezes, hostil, de alguns sábios com relação ao Espiritismo.

O professor Charles Richet escrevia nos Anais das Ciências Psíquicas de janeiro de 1905, pág. 211: Se os espíritas foram muito audaciosos, foram, que pena, pouco rigorosos, e é uma lamentável história a de suas aberrações... Quanto ao presente, basta ter estabelecido que tinham o direito de ser muito audaciosos e que não podemos, em nome de nossa Ciência falível, incompleta, ainda embrionária, censurar-lhes essa audácia. Seria preciso agradecer-lhes, ao contrário, o terem sido tão audaciosos.

As reservas do Sr. Richet não são menos fundadas do que seus elogios. Muitos experimentadores não conduzem seus estudos com a ponderação, a prudência necessárias. Procuram, de preferência, as manifestações barulhentas, as materializações numerosas e repetidas, os fenômenos ruidosos, sem perceberem que a mediunidade não pode produzir fatos dessa natureza senão, excepcionalmente, de quando em quando. Quando se tem um médium profissional dessa ordem, atormentam-no, sobrecarregam-no, levam-no a dar sessões frequentes. Fatalmente, fazem-no deslizar pelo declive da simulação. Daí as fraudes, as mistificações assinaladas por tantas folhas públicas.

Bem preferíveis, a meu ver, são os fatos medianímicos de ordem modesta e mais íntimo, as sessões onde reinam a ordem, a harmonia, a comunhão dos pensamentos, através da qual fluem as coisas celestes como um orvalho sobre a alma alterada, esclarecem-na, consolam-na, tornam-na melhor. As sessões de efeitos físicos, mesmo quando sinceras, sempre deixaram em mim uma impressão de vazio, de desgosto, de mal-estar, em consequência das influências que nelas dominavam.

Sem dúvida, sábios, como Crookes, Hyslop, Lombroso, etc., deveram a médiuns profissionais os belos resultados que obtinham; porém, cercavam-se, nas suas experiências, de precauções de que os espíritas não estavam acostumados. No decorrer de sessões de materializações realizadas em Paris, por um médium americano, em 1906 e 1907, e que tiveram uma desagradável repercussão, os espíritas tinham estabelecido um regulamento, que os assistentes se comprometiam a observar e cujas estipulações tinham como consequência imprevista, liberar o médium de qualquer controle eficaz. A obscuridade era quase completa, no momento das aparições. Os assistentes deviam conversar em voz alta, cantar, dar as mãos, formando uma corrente magnética e se abster, além de tudo, de tocar nas formas materializadas. Dessa maneira, a visão, a audição, o tato encontrar-se-iam quase anulados. Essas condições, é verdade, eram ditadas por uma intenção louvável, pois, em tese geral, como o veremos no decorrer desta obra, favorecem a produção dos fatos; porém, na circunstância, também ajudariam a mascarar as fraudes. As faculdades do médium eram reais, todavia, e, nas primeiras sessões, produziram-se fenômenos autênticos, que relatamos mais adiante. Depois, houve uma mistura de fatos reais e simulados. Enfim, a fraude se torna evidente e contínua. Após ter indicado, numa revista especial, os fenômenos que assinalam garantias de sinceridade, encontrei-me, em consequência, moralmente constrangido a denunciar fraudes averiguadas e comprometedoras.

Depois de uma longa pesquisa e maduras reflexões, nada tenho que retirar de minhas apreciações anteriores. Fiz justiça a esse médium, indicando o que havia de real em suas sessões, porém não hesitei em denunciar suas simulações, no dia em que numerosos e autorizados testemunhos as tornaram evidentes. Dentre esses testemunhos, encontra-se o de um magistrado da Corte de Apelação, que é, ao mesmo tempo, um eminente psiquista.

Guardando silêncio sobre essas fraudes, cobrindo-as com uma espécie de tácita aprovação, abrimos a porta a todo um cortejo de abusos, que têm desacreditado o Espiritismo, em certos meios, e detido seu desenvolvimento. Em consequência do hábil simulador, já se viam acorrer entre nós, fraudadores condenados pelos tribunais dos países vizinhos. Mais recentemente, o médium Abendt, foi desmascarado em Berlim, em circunstâncias idênticas. Depois, foi Carancini em Londres e Bailey em Grenoble. Sem o grito de alarme lançado por nós, arriscávamo-nos a deslizar por um declive fatal e chegar a algum desmoronamento.

Os espíritas são homens de fé e de convicção. Mas se a fé esclarecida atrai para nós, nos planos espiritual e material, almas nobres e elevadas, a credulidade, no plano terrestre, atrai os charlatães, os exploradores de todas as ordens, a nuvem dos cavaleiros de indústria que só procuram nos ludibriar. Aí está o perigo do Espiritismo. Cabe a todos aqueles que têm no coração o zelo com a dignidade e a verdade dessa causa, conjurá-lo. Tem-se repetido à saciedade: O Espiritismo será científico ou não será! Acrescentaremos: O Espiritismo deve, antes de tudo, ser honesto!

* * *

Ainda mais algumas palavras a propósito da doutrina do Espiritismo, síntese das revelações medianímicas concordantes, obtidas em todo o mundo, sob a inspiração dos grandes espíritos. Ela se afirma cada vez mais, essa doutrina, e se vulgariza. Não há, mesmo entre os nossos próprios contraditores quem não se veja na obrigação moral de fazer-lhe justiça, constatando todos os seus benefícios e as consolações inefáveis que tem espalhado sobre as almas sofredoras.

O professor Flournoy, da Universidade de Genebra, fala disso, nesses termos, no seu livro: Espíritos e Médiuns: Isenta de todas as complicações e sutilezas da teoria do conhecimento e dos problemas de alta metafísica, essa filosofia simplista encontra-se, por isso mesmo, muito bem adaptada às necessidades da massa.

De seu lado, James Maxwell, advogado geral na Corte de Apelação de Paris, exprimia-se, assim, na sua obra: Fenômenos Psíquicos: A extensão que a Doutrina Espírita toma é um dos mais curiosos fenômenos da época atual. Tenho a impressão de assistir ao nascimento de um movimento religioso chamado a grandes destinos.

Além disso, Théodore Flournoy, após uma investigação cujos resultados relata na sua obra precitada, entrega-se aos seguintes comentários:[7]

Aqui, há um coro geral de elogios sobre a beleza e a excelência da filosofia espírita, um testemunho quase unânime, devido à sua influência salutar sobre a vida intelectual, moral e religiosa de seus adeptos. Mesmo as pessoas que vieram a desconfiar completamente dos fenômenos e os desdenham, por assim dizer, pelas decepções e dúvidas que eles deixaram depois de si, reconhecem os benefícios que retiraram das doutrinas.

E mais adiante:

Encontram-se espíritas que nunca assistiram a uma experiência e nem mesmo experimentam-lhe o desejo, mas que afirmam terem sido conquistados pela simplicidade, a beleza, a evidência moral e religiosa dos ensinos espíritas (existências sucessivas, progresso indefinido da alma, etc.). Não é preciso, pois, denegrir o valor dessas crenças, valor inegável, visto que numerosas almas declaram nelas viver e aí ter encontrado uma tábua de salvação entre a ortodoxia, de um lado, da qual não podiam mais aceitar alguns dogmas repugnantes (como o das penas eternas), e, de outro lado, as negações desesperantes do materialismo ateu.[8]

Todavia, mesmo no seio do campo espírita, não obstante o que diz o Sr. Flournoy, as objeções não faltaram. Dentre aqueles que o lado científico do Espiritismo atrai, há os que fazem pouco caso da Filosofia. É que, para apreciar toda a grandeza da doutrina dos espíritos, é preciso ter sofrido. As pessoas felizes são sempre mais ou menos egoístas e não podem compreender que fonte de consolações ela encerra. Os fenômenos podem interessar-lhes, porém, para nelas atiçar a chama interior, são necessários os sopros frios da adversidade. As verdades profundas não aparecem na sua plenitude, senão aos espíritos amadurecidos pela prova e pela dor.

Nessas matérias, tudo depende das predisposições anteriores. Uns, cativados pelos fatos, interessam-se, de preferência, pela experimentação. Outros, esclarecidos pela experiência dos séculos percorridos ou pelas lições da vida presente, colocam o ensino acima de tudo. A sabedoria consiste em reunir os dois lados do Espiritismo num conjunto harmonioso.

Como se verá no decorrer desta obra, a experimentação exige qualidades raras. Muitos, baldos de perseverança, afastam-se após algumas tentativas infrutíferas e caem novamente na indiferença por não terem obtido, tão rapidamente quanto o desejaram, as provas que buscaram.

Os que sabem persistir, encontram, cedo ou tarde, os elementos sólidos e probatórios sobre os quais se edificará uma convicção inabalável. Este foi o meu caso. Logo cedo, a doutrina dos espíritos me seduziu; mas as provas experimentais foram morosas. Só após dez ou quinze anos de pesquisas é que elas se produziram, abundantes, irresistíveis. Agora, encontro explicação dessa longa espera, essas numerosas experiências atingem resultados incoerentes e, frequentemente, contraditórios. Eu ainda não estava maduro para uma divulgação completa das verdades elevadas. Porém, à medida que avançava no caminho traçado, a comunhão com meus protetores invisíveis se tornava mais estreita, mais profunda. Sentia-me guiado através das ciladas e das dificuldades de minha tarefa. Nas horas de provação, ternas consolações desciam sobre mim. Atualmente, chego a sentir a presença frequente dos espíritos, a distinguir, com o auxílio de um sentido íntimo e muito seguro, a natureza e a personalidade daqueles que me influenciam e me inspiram. Não posso, evidentemente, fornecer a outrem as sensações intensas que percebo. Elas explicam minha certeza do Além, minha convicção absoluta da existência do mundo invisível. É por isso que todas as tentativas feitas para desviar-me da minha estrada têm sido e serão vãs. Minha confiança e minha fé são sustentadas por manifestações cotidianas; minha existência tornou-se uma vida, em parte, dupla, dividida entre os homens e os espíritos. É também para mim um dever sagrado trabalhar para difundir, para colocar ao alcance de todos, o conhecimento das leis que ligam a Humanidade da Terra à do Espaço e traçam para todas as almas o caminho da evolução sem-fim.

Setembro de 1911.

Primeira Parte

O ESPIRITISMO

EXPERIMENTAL: AS LEIS

I. A Ciência Espírita

À medida que o homem avança a passos lentos no caminho do conhecimento, o horizonte se alarga e novas perspectivas se abrem diante dele. Sua Ciência é limitada, mas a Natureza é sem limites.

A Ciência é apenas o conjunto das concepções de um século que a Ciência do século seguinte ultrapassa e submerge. Tudo nela é provisório e incompleto. Ela estuda as leis do movimento, as manifestações da força e da vida; todavia, nada sabe ainda das causas agentes, da força e do movimento em seu princípio. O problema da vida lhe escapa e a essência das coisas permanece para ela um mistério impenetrável.

Apesar das negações obstinadas e a cegueira de certos sábios, a cada dia suas visões se encontram desmentidas sobre algum ponto. É o que acontece com os representantes das escolas materialistas e positivistas. O estudo e a observação dos fenômenos psíquicos vêm perturbar suas teorias sobre a Natureza e o destino dos seres.

A alma humana não é, como elas o afirmavam, uma resultante do organismo, dissipando-se com ele; é uma causa que preexiste e sobrevive ao corpo.

A experiência nos demonstra, a cada dia, que a alma é provida de uma forma fluídica, de um organismo íntimo e sutil, do qual ela é inseparável. Esse organismo imponderável, que tem seus sentidos próprios, distintos dos sentidos corporais, é único em ação quando ela exerce seus poderes superiores. Graças a ele, a alma pode, durante a vida e durante o sono, libertar-se do envoltório físico, penetrar a matéria, transpor o espaço, perceber as realidades do mundo invisível. Dessa forma fluídica destacam-se irradiações, eflúvios que podem se exteriorizar em camadas concêntricas ao corpo humano,[9] e até, em certos casos, condensar-se em graus diversos e se materializar ao ponto de impressionar placas fotográficas e aparelhos gravadores.[10]

A ação de uma alma sobre uma outra, a distância, é estabelecida através dos fenômenos telepáticos e magnéticos, a transmissão do pensamento, a exteriorização dos sentidos e das faculdades. As vibrações do pensamento podem propagar-se no espaço, como a luz e o som, e impressionar um outro organismo fluídico em afinidade com o do manifestante. As ondas psíquicas se propagam ao longe e vão despertar no envoltório do sensitivo impressões de natureza variada, segundo seu estado dinâmico: visões, vozes ou movimentos.

Às vezes, a própria alma, durante o sono, deixa seu envoltório material e, sob sua forma fluídica, aparece a distância. Certas aparições foram vistas por várias pessoas ao mesmo tempo; outras exerceram uma ação sobre a matéria, abriram portas, deslocaram objetos, deixaram traços de sua passagem. Algumas impressionaram animais.[11]

As aparições de moribundos foram constatadas milhares de vezes. Os processos verbais da Sociedade das Pesquisas Psíquicas, de Londres, os Anais das Ciências Psíquicas, de Paris, assinalam-lhe em grande número. O Sr. Flammarion, no seu belo livro O Desconhecido e os Problemas Psíquicos, relata uma centena de casos, com coincidência de morte, o que não permite neles ver simples alucinações, porém fatos reais, com relação de causa ao efeito.

Esses fenômenos foram constatados tão frequentemente, eles se apoiam em testemunhos tão numerosos e tão importantes, que sábios de uma prudência excessiva, como o Sr. Charles Richet, da Academia de Medicina de Paris, pôde dizer: Encontramos uma tal quantidade de fatos impossíveis de explicar de outra forma a não ser pela telepatia, que é preciso admitir uma ação a distância... o fato parece provado e absolutamente provado.

Nesses fenômenos, já encontramos uma demonstração positiva da independência da alma. Com efeito, se a inteligência fosse uma propriedade da matéria e devesse extinguir-se com a morte, não se poderia explicar como, no momento em que o corpo se abate, em que o organismo deixa de funcionar, essa inteligência se manifesta, às vezes, com uma intensidade mais viva, com uma recrudescência de atividade.

Os casos de lucidez, de clarividência, de previsão de futuro são frequentes nos moribundos. Nesses casos, o desprendimento do envoltório abre ao espírito um novo campo de percepção. A alma se revela, no momento da morte, com faculdades, qualidades superiores àquelas que possuía na vida normal. É preciso ver aí uma prova de que nossa personalidade psíquica não é uma resultante do organismo, estreitamente ligada a ele, mas que goza de uma vida profunda, diferente da do corpo, sendo este para ela muito mais uma prisão temporária e um obstáculo.

Essa demonstração se faz mais evidente ainda quando, após a morte, o espírito desencarnado pode encontrar, no envoltório físico dos médiuns, os elementos necessários para se materializar e tornar-se suscetível sob a ação dos sentidos.

Pode-se constatar, então, com o auxílio de balanças munidas de aparelhos registradores, que o corpo do médium perde uma parte de seu peso, e a diferença se reencontra na aparição materializada.[12]

* * *

A cada ano, os fatos se multiplicam, os atestados se acumulam, a existência do mundo dos espíritos se afirma com uma autoridade e um poder crescentes. Há meio século, o estudo da alma passou do domínio da metafísica e dos conceitos puros para o da observação e da experiência.

A vida se revela sob um duplo aspecto: físico e suprafísico. O homem participa de dois modos de existência. Pelo seu corpo físico, ele pertence ao mundo visível; pelo seu corpo fluídico, ao mundo invisível. Esses dois corpos nele coexistem durante a vida. A morte é a sua separação.

Acima de nossa Humanidade material, agita-se uma humanidade invisível composta dos seres que viveram na Terra e que despojaram a vestimenta de carne. Acima dos vivos, encarnados num corpo mortal, os sobreviventes prosseguem, no Espaço, a vida livre do espírito.

Essas duas humanidades se renovam uma pela outra, através do nascimento e da morte. Elas se penetram, se influenciam, reciprocamente, e podem entrar em relação através de certos indivíduos, dotados de faculdades especiais, chamados médiuns.

De cada alma, encarnada ou desencarnada, emana e irradia uma força, produtora de fenômenos, a que nós chamamos de força psíquica.

A existência dessa força é estabelecida através de numerosas experiências. Pode-se constatar seus efeitos pelos levantamentos de mesas, os deslocamentos de objetos sem contato, os casos de levitação, etc.

A ação dos invisíveis revela-se nos fenômenos de escrita direta, nos casos de incorporação, nas materializações e aparições temporárias, nas fotografias e nos moldes.

Aparições materializadas foram fotografadas na presença de numerosas testemunhas: como o Espírito Katie King, na casa de William Crookes; os Espíritos Yolande e Lélia, na casa da Sr.ª d’Espérance; Abdullah, fixado sobre uma placa sensível por Aksakof.[13]

Impressões e moldes de mãos, pés, rostos, deixados em substâncias moles ou friáveis por formas materializadas, foram recolhidos por Zöllner, astrônomo alemão,

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