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Até Você Voltar

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Até Você Voltar

evaluări:
5/5 (3 evaluări)
Lungime:
755 pages
13 hours
Lansat:
Jul 18, 2018
ISBN:
9780463364659
Format:
Carte

Descriere

Eles causaram o fim de tudo.
O último reencontro.
A última decepção.

Quando Jared decidiu que era sua vez de partir, a vida se tornou mais vazia. Ele passou tempo demais vivendo a espera da única mulher por quem já se apaixonou. Gwen deixou sua vida outra vez e ele viu que ficaria preso no círculo vicioso que era o relacionamento deles. Partir se tornou o único jeito de não deixar seu antigo amor afundá-lo.
Mas ele caiu do mesmo jeito.

Tudo que Gwen mais queria era refazer sua vida e quando conseguiu, o vazio que Jared deixou ficou insuportável. Decidida a não repetir o passado, ela desfaz tudo que ele planejou e acaba virando a vida e os sentimentos de ambos de ponta-cabeça. Especialmente sua resolução de não ser arrebatada por tudo que sente por ele.

Jared não pode mais fingir que não a ama desesperadamente por receio que ela vá embora outra vez.
E Gwen não pode mais fugir da força dos sentimentos dele se quiser que tenham um futuro. Mas como superar um passado que repetiram tantas vezes? E encontrar segurança num amor tão volátil que domina suas decisões e desafia a lógica de suas ações.
O novo reencontro torna-se um ultimato. Eles finalmente assumirão os riscos de amar um ao outro ou se destruirão de vez.

*Esse livro é o 2o de uma DUOLOGIA. Deve ser lido após o livro: ATÉ VOCÊ PARTIR. (também disponível aqui na loja)*

Lansat:
Jul 18, 2018
ISBN:
9780463364659
Format:
Carte

Despre autor

Lucy Vargas é uma jornalista e escritora carioca que escreve romances de época e contemporâneos. Revelada nas plataformas digitais, best-seller da Amazon, iTunes, Kobo e do Google Play, a Lucy já vendeu milhares de e-books e foi a primeira autora independente brasileira a ser convidada pelo Google a publicar na Play Store. Lucy é a primeira autora independente e brasileira a chegar as listas de mais vendidos de todas essas livrarias online.


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Até Você Voltar - Lucy Vargas

ruim.

Índice

Até Você Voltar

Índice

Parte IV: Reencontro

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Capítulo 11

Capítulo 12

Capítulo 13

Capítulo 14

Capítulo 15

Capítulo 16

Capítulo 17

Capítulo 18

Capítulo 19

Capítulo 20

Capítulo 21

Capítulo 22

Capítulo 23

Capítulo 24

Capítulo 25

Capítulo 26

Capítulo 27

Capítulo 28

Capítulo 29

Capítulo 30

Parte V: Escolha

Capítulo 31

Capítulo 32

Capítulo 33

Capítulo 34

Capítulo 35

Capítulo 36

Capítulo 37

Capítulo 38

Capítulo 39

Capítulo 40

Capítulo 41

Capítulo 42

Capítulo 43

Capítulo 44

Capítulo 45

Capítulo 46

Capítulo 47

Nota da Autora

Sobre a Série Ward

Sobre a Autora

Conheça outros livros da Lucy Vargas

Parte I: Perda

Parte II: Fuga e Reconstrução

Parte III: Atrito e Separação

Parte IV: Reencontro

Parte V: Escolha

Parte IV: Reencontro

Capítulo 1

Era tudo escuridão. Desde o momento em que o levaram daquela porta e a última visão dele foi a garota correndo ao longe, com as mãos firmes sobre sua barriga arredondada. Havia a chance de ela sequer conseguir fugir, mas ele precisava tentar.

Porém, a verdade é que Jared ainda viu as sombras naquele corredor obscuro, pois ele lutou muito para impedi-los de passar. Tempo suficiente para a garota sumir. Mas eles o nocautearam, eram muitos.

E o levaram para algum outro buraco, já que aquele prédio estava comprometido.

Jared já havia acordado antes daquele momento, porém, a última memória que seu cérebro registrara foi a garota. Ele acordou de novo, alguém o soltou das amarras e lhe jogou água de um balde. Só para ter certeza que ele estava acordado.

— Não vai dizer como chegou aqui? — Perguntou o cara que o manuseava. — Temos todo o tempo do mundo.

— Vocês não têm tempo... — murmurou ele.

— O que foi que esse filho da puta disse? — perguntou outro cara que estava ajudando a pressioná-lo por respostas.

— Sei lá, ele deve estar delirando — o homem deu um tapa no rosto de Jared que já havia cuspido e babado tanto sangue que nem se importava mais em senti-lo descendo pelas laterais do seu queixo.

— Fala logo. Quem foi que entregou a informação? Quem te mandou aqui.

— Que horas são? — Indagou Jared.

Ele cuspiu mais sangue, estava se esforçando para falar claramente. A boca estava toda machucada, por dentro e nos lábios. Mas a dor vinha mesmo de outros pontos do seu corpo. Com certeza estava com as costelas quebradas. Por que as pessoas tinham mania de surrar seus prisioneiros a partir do torso? Não que manter prisioneiros fosse normal, mas...

— Para que você quer saber as horas? — Perguntou o terceiro homem que estava sentado, com as pernas para cima da mesa. Ele parecia ser a pessoa no comando e havia comido ali mesmo, sem se incomodar com os sons da surra.

Dava para perceber que o sotaque dele era mais carregado do que os outros dois. Seu inglês era difícil de compreender, mas era notável que os três conhecessem a língua o suficiente para fazer perguntas e ameaças. Porém, frequentemente se comunicavam entre si em outros dois idiomas. Jared só tinha certeza que um dos idiomas que escutou foi russo, pois esse ele também falava. Então, quando estava consciente, entendia os planos macabros que os três estavam discutindo.

— Anoiteceu, amor — disse o homem que havia ajudado a bater nele, esse ao menos tinha senso de humor. Fazia umas piadas enquanto perguntava e surrava. Dava até para sentir uma certa simpatia. Depois que o babaca estivesse morto. — É melhor falar logo, essa hora ninguém vai ver quando jogarmos seu corpo na beira da estrada.

— Se você contar tudo direitinho, a gente manda uma pista para polícia — prometeu o outro. — Minha religião me obriga a sempre enterrar os mortos. Sou solidário — continuou ele, fazendo o cara lá da mesa rir.

Mas Jared riu também. Se era noite agora, ele estava ali desde ontem. Apagou mais de uma vez. Quando o pegaram, era final de tarde. Já fazia quase vinte e quatro horas. Sabiam onde eles tinham o pegado.

— Não adianta fingir loucura — o cara lhe deu um chute e o derrubou. — Vai ter que falar.

Mãos fortes o agarraram e o jogaram em cima de um estrado, uma espécie de cama de ferro, só que sem colchão. E toda furada, provavelmente para o sangue fluir. As manchas embaixo diziam que essa era uma forte possibilidade.

E Jared sabia que iam furá-lo e cortá-lo e ele já apanhara demais, estava desidratado e faminto e sem força suficiente para pular dali e subjugar o cara mais próximo, antes que um dos outros dois lhe desse um tiro. Ele havia feito aquela conta, havia reparado na arma em cima da mesa, perto do prato do homem no comando. Os dois homens que mexiam com ele tinham tirado suas armas, como se soubessem que isso passaria pela sua cabeça.

Mesmo com essa maravilhosa perspectiva, ele soltou o ar em uma risada. Dessas que saem em prestações, como se a pessoa não tivesse fôlego ou força suficiente para soltar uma risada completa. Era parcialmente o caso dele. Metade do motivo era pelo prazer do sarcasmo e de tirar onda em um momento que você sabe que pode ser o seu último. A qualquer momento ali, eles podiam termina-lo. Se não o fizessem...

— Sabe, eu tenho um primo — comentou Jared. — Ele sabe um bando de coisa.

— Vai jogar essa merda de que não pode entregar família? — Perguntou o segundo homem, aproximando-se.

— E ele é um filho da puta. Ele encontra tudo, é incrível, simplesmente encontra — continuou Jared. 

— Diga o nome dele, a gente entrega os dois corpos para sua família enterrar.

— Fica quieto — mandou o cara da mesa. — Esse seu primo, a gente conhece? Se o cara nos traiu, a gente troca sua vida pela dele. 

Aí mesmo que Jared riu. Mas era uma risada amarga e debochada, os outros não sabiam o que fazer disso, talvez ele estivesse rindo à beira da morte. Os caras realmente acreditavam que para Jared estar ali, alguém de dentro estava passando informação e eles queriam saber quem era. Antes que essa pessoa pusesse outros locais e sistemas internos em perigo.

— O problema é que vocês viram a minha cara. E esse meu primo... — ele tossiu e sua garganta doía, de tanto que já haviam simulado esganá-lo. — Eu acho que às vezes ele é meio sádico. Sei lá, quando pegam algo dele, o cara fica louco. Sorte a minha que me considera um irmão.

O cara que estava mais perto o agarrou e bateu nele de novo, mas não o suficiente para desacordá-lo. Eles achavam que Jared estava precisando de um incentivo para delatar seu primo ou iria morrer no lugar dele.

— Ou ele ou você — ofereceu um dos homens.

— Vocês vão me matar de qualquer jeito — respondeu, recuperando o ar.

— A gente negocia — ofereceu o chefe, lá da mesa. — Você o entrega, se ele for de dentro, nós te jogamos na rua, ainda vivo.

Ao soltar o ar, Jared sentiu todo corpo doer. Mas foi uma risada, ele achava engraçado que os caras quisessem trocá-lo pelo primo.

— Vocês não têm muito tempo, essa hora ele já deve estar vindo. Ele tem uns amigos também. Muito doentes — ele abriu um sorriso vermelho. — Eu gosto muito dele. Posso confiar minha vida a ele.

— Não pode, odeio babacas leais — o outro cara o jogou em cima do estrado de ferro outra vez.

Jared perdeu o ar quando foi jogado ali. Mas se virou e agarrou o cara pelo pescoço, cortando seu ar na hora e o puxou para perto e bateu com sua testa na quina do estrado onde estava. Houve um som de corrida e o parceiro do cara deu um soco tão forte nas suas costas que Jared podia jurar que sua coluna não voltaria para o lugar. Ele soltou o outro homem, este tossiu e levou a mão a garganta.

— Eu pensei que vocês o tinham quebrado — disse o chefe dos dois, ajeitando seus pés sobre a mesa.

A dor ainda era tão forte, que Jared pensava se poderia levantar, mas o bom de doer era que ele sabia que seu corpo ainda estava funcionando. Sentia a agonia de sua cabeça dolorida até as pontas dos seus dedos ainda apertados nas botas.

— Que horas são? — Jared olhou para o homem ao seu lado, tentou pegar seu pulso para ver o relógio, o cara bateu nele, mas ele viu mesmo assim.

— Me dá a faca! — Gritou o homem que Jared havia agarrado pelo pescoço, ele estava com uma linha vermelha na testa de onde atingiu o estrado. — Se está falando é porque está vivo demais!

Apesar de toda sua banca, o homem lembrou bem do aperto no seu pescoço, forte demais e foi no lugar certo, aquele que a pessoa não tinha chance de soltar e viver. Ele foi até a mesa e pegou a tal faca que na verdade era improvisada. Era redonda, como um pequeno pedaço de cano fino e muito pontudo. Assim a dor era maior.

— Segura ele! — Exigiu do seu companheiro.

Jared lutou. Ah, não, ele não ia enfiar aquele negócio nele. Ia causar um estrago imenso. Talvez irreversível. Isso estava demorando muito e ele precisava ficar vivo. Os dois tiveram que bater nele, para fazê-lo parar no lugar. E o homem da mesa, perguntava se as duas maricas precisavam de ajuda. O que só os deixava mais putos.

Com os golpes, Jared viu tudo rodar e sua visão ficou turva. Por fim, caiu contra o estrado, deixando sua cabeça descansar. Agora ela pulsava demais, não queria perder a consciência outra vez.

— Me solta e eu digo para matarem vocês rapidamente — ele abriu um dos olhos, então riu da cara de revolta e descrédito que o homem ao lado fazia.

— Está ouvindo essa merda? — O outro olhou por cima do ombro.

Demorou mais uns segundos até eles verem que o cara da mesa não respondia. Quando eles se viraram, o chefe tombou. E deu para ver sangue no chão, escorrendo a partir do seu pescoço. O homem maior, ainda abismado, pegou a arma e se aproximou rapidamente da mesa. Foi quando surgiu Claude. Aquele brutamontes.

— Mata ele! — Mandou o homem que tinha o tal senso de humor mais afiado.

Um dos capangas agarrou o pescoço de Jared, que mesmo de olhos fechados, segurou suas mãos para soltar o aperto. Porém, não pôde impedi-lo de lhe dar o golpe que vinha prometendo com aquela arma personalizada. Não deu para saber se doeu mais quando ele a enfiou no abdômen de Jared ou quando a arrancou para desferir outro golpe.

Mas antes que o atingisse novamente, o homem foi tirado dali. E Jared só abriu um olho. Ao longe, provavelmente nos cômodos em volta, ele ouvia sons de baques e tiros. E bem ali ao seu lado, alguém estava batendo tanto no cara que o acertou com a faca, que os sons eram assustadores.

Eram daquelas porradas de quebrar a pessoa ao meio. Porque não era para sair ninguém vivo dali. Jared avisou que não era para tirar a sua máscara e ficaram muito tempo com ele, essa hora ele já devia estar morto se não estivesse em tão boa forma e se não estivessem tão interessados em descobrir o suposto informante interno antes que mais locais fossem comprometidos.

Assim que os sons de pancada pararam, a pessoa que esteve o produzindo se aproximou. E tocou seu pescoço, sentiu seus batimentos e então tirou as luvas e passou as mãos pela sua cabeça. Alisando o cabelo que cortaram e arrancaram. Só uma pessoa ali faria isso. Jared piscou algumas vezes até poder ver algo e olhos cor de turquesa estavam o encarando. Logo depois Sean abaixou a máscara e seu rosto tomou todo seu campo de visão. 

— Tudo bem para te moverem? — indagou ele, seus olhos vasculharam o estrago e voltaram a encará-lo.

Olha, naquele momento Jared entendeu o que as garotas viam de tão especial nos olhos coloridos do seu primo, porque no momento, era a melhor visão que podia pedir na vida.

— Não dava para você trazer alguém diferente antes de me acordar do sono da morte? Contratava uma mulher, olhos castanhos e bonitos, cabelo escuro caindo sobre mim. Isso que quero ver quando volto a vida. Não a sua cara feia. Por que você demorou tanto? Pensei que ia ter que dançar para eles.

Sean deu um sorriso e se inclinou, não apoiou o peso, mas o abraçou por um breve momento. Não era uma reação típica de Sean, mas ele achou que iria chegar tarde demais e que chegaria ali para recuperar o corpo dele. E isso mexeu muito com sua cabeça e seu emocional. Ele se afastou e logo depois, Claude também enfiou aquela cara enorme no campo de visão de Jared.

— Tudo de boa aí, chefe? Bom te ver.

— Ah, não. Vocês estão me zoando. Não foi isso que sonhei quando estava apagado. Vai para o lado, você é mais feio ainda — resmungou ele.

Claude riu também e mandou trazerem a prancha de transporte.

— Todo quebrado? — Indagou Sean, olhando seriamente para os seus ferimentos.

— Mais moído do que carne de hambúrguer. Você trouxe comida?

— Umas barras — disse Sean.

— Me devolve para o além — Jared fechou os olhos e trincou os dentes, a dor era forte. — Eu quero uma vaca inteira, tostada, com sal grosso e pimenta. Vocês não vão me dar nada para dor? Seus filhos da puta! — Ele tossiu no final, mas não precisava mais pressionar o próprio ferimento, Sean já fazia isso.

Eles sempre tinham um médico na missão, mas para azar de Jared, sequer era uma das médicas. Era Igor, que ele diria que era ainda mais feio que Claude. Igor se aproximou para checar a situação dele e depois que não conseguiu estancar bem o ferimento, balançou a cabeça para Sean e fez sinal de urgência.

Apesar de toda a falação, eles não paravam de trabalhar para falar. Era tudo no ponto. Com a situação limpa, Igor entrou, checou Jared, aplicou a morfina, eles o passaram para a prancha e no momento seguinte a van saía e a equipe de limpeza entrava. Hoje ia ser desinfetante, gasolina e fogo. Para exterminar vestígios físicos ou qualquer DNA deixado para trás.

Amadas! Vocês viram o jornal? Eu quero matar o DerekW que liberou essa informação pra BBC antes da gente saber! Jared Ward sofreu um grave acidente de carro! Mas o que ele estava fazendo na Alemanha? Não sou muito fã de lá, nas duas vezes que fui só me dei mal, perdi meu crush e tudo. Aí peguei implicância. Agora meu Ward amado quer morrer lá? SIM! MORRER! Ele foi internado! E ninguém diz em que estado ele está! Estão fazendo um segredo danado! Quando ficam nesse segredo todo é porque a pessoa está morrendo! NÃAAAOOOO! Eu não vou aguentar!! Alguém me segura, eu não estou bem! Está tudo rodando! Eu não me recuperei do acidente do SW! Como que agora o JW acaba em mais um acidente de carro? A BeaW sofreu um há pouco tempo! Depois de um quase sequestro relâmpago!! Alguém precisa proibir os Ward de entrar em aventuras! Ai, meu coração! Nadine, traz o calmante!

— Deodore para o blog/madeinlondon.co.uk (556 comentários)

Capítulo 2

— Ele está internado, disseram que é grave, houve hemorragia interna. A operação demorou! Tenho certeza que estão escondendo tudo e é ainda pior! — Contava Candace enquanto seguia pelo corredor do aeroporto, mesmo para embarcar no seu jatinho, ela precisava passar pela segurança primeiro.

Aquele dia não estava nada normal. Gwen acordou com Candace ligando. Segundo ela, Jared havia precisado passar por uma cirurgia de emergência. Sean ligou para a mãe e disse que foi um acidente de carro. E assim que escutou isso, Gwen teve duas reações: ficou desesperada e correu para o banheiro. Colocou tudo para fora. Depois entrou embaixo do chuveiro e enquanto a água caía, ela lembrou que Sean e Bea estiveram envolvidos em um sequestro relâmpago que resultou em um acidente de carro.

Agora Jared estava em um acidente e pelo desespero de Candace — que geralmente falava tudo com clareza, a não ser quando um dos seus se machucava — era muito sério.

— E eles esconderam! Ele foi operado ontem ou talvez anteontem. Hoje eu nem sei o que está acontecendo. Sean diz que ele está em recuperação, e que temos que esperar. Toda vez que algo acontece, a gente só tem que esperar. Fazem só alguns meses que era ele internado. E eu não vou esperar de novo. Esconderam tudo e me ligaram para dizer que meu filho estava na UTI e agora é o Jared. Ele é como meu outro filho, o mais velho!

Candace parou de falar enquanto estavam perto de outras pessoas, mas foram para a saída que dava para a pista e ela continuou, pois falar estava lhe ajudando a se acalmar.

— Mas eu liguei para Beatrice! E adivinha! Ela está ficando tão esquiva quanto Sean, pois não contou que ele lhe pediu para ir encontrá-lo. Mas disse que ele viajou já tem três dias! Três! E só agora aparece essa notícia. Você não sabe o que eu passo nessa família!

Gwen teve que andar no passo dela, pois Candace andava rápido e apertava a sua mão, como se precisasse do apoio. Essa era mais uma das situações que contando, as pessoas que só conheciam ou trabalhavam com Candace não acreditariam. Ela não era sempre plácida e blasé. E em menos de um ano, essa era a terceira vez que Gwen testemunhava um dos seus momentos de maior preocupação.

***

— Ele vai ficar bem — Sean já havia repetido isso umas cinquenta vezes.

No começo, dizia apenas mentalmente, enquanto Jared sangrava para todo lado e havia apagado de vez. Quando tudo começou a apitar e declararam parada cardíaca, ele teve uma visão que não era sua. Era exatamente do seu primo, contando como se sentiu quando eram adolescentes e ele teve que ver Sean entrar em parada cardíaca, por razões diferentes. Mas os motivos não divergiam tanto assim.

De lá para cá, eles já haviam se ferido várias vezes, mas não costumavam precisar de uma equipe médica em cima de seu corpo, revivendo seu coração.

Depois que Jared voltou da operação, Sean começou a repetir isso para as pessoas. Primeiro para Claude e Vance, aqueles dois homens enormes que o olhavam como dois garotos precisando ser convencidos. Isso enquanto tentavam parecer seguranças durões e calmos. Dava para imaginar a combinação desastrosa.

Saiu no jornal que dois imóveis foram incendiados, na verdade um deles explodiu. A polícia desconfiava de tráfico de entorpecentes no primeiro e os bombeiros não tinham terminado o relatório, mas indicavam o fogo como um curto circuito criminoso. Isso porque apesar do curto ter existido, eles encontraram muitos vestígios de combustível depois que apagaram o fogo.

Nesse ponto, a polícia estava relacionando isso ao primeiro depósito, como um acerto de contas de uma rede de tráfico de drogas. No fim era isso mesmo, eles contrabandeavam drogas e pessoas. Não era incomum.

E havia o acidente de carro. Eles tiveram pouco tempo para ser criativos com aquela surpresa sobre Jared. Sean ficou sem chão. Claude parecia que ia chorar, seria cômico se não fosse trágico. E destruíram um Aston Martin de 230 mil dólares para encenar aquela história. A frente deu perda total. Depois de feito, Vance disse que sentiu até dor de ver aquela obra de arte automobilística ser destruída de propósito.

Eles o bateram com um Toyota velho, por causa do efeito cômico e a distração que isso ia causar. As pessoas se distraíam muito fácil nas notícias e gastariam tempo ficando indignadas que um cara em um mísero Toyota tinha causado aquele estrago.

O cara que tinha morrido, supostamente era um turista não identificado. Um dos capangas que eles pegaram no depósito e criaram uma identidade falsa como garantia. De qualquer forma, com a explosão, não sobrou nada. De onde o homem vinha, não existia a possibilidade de identificar um corpo pela arcada dentária. As séries de investigação enganavam muito com essas facilidades. Não existia nada disso em boa parte do mundo.

Os médicos achavam que algum destroço do carro tinha perfurado o abdômen de Jared. Isso era o de menos. Difícil era explicar o resto. O cara apanhou mais que boneco de sacrifício. Se podia mentir pela costela quebrada, as torções, alguns ferimentos, os hematomas... Sean não estava preocupado com os médicos. Agora que tudo estava preparado, ele tinha que falar com as pessoas. E pior, pessoas da sua família.

Depois de Derek e Greg que faziam o trabalho sujo, ele falou com Gabriel, sobre tirarem Jared da Alemanha, no instante que o médico liberasse. Depois com Hud que queria que alguém lhe desse o nome do hospital imediatamente, senão ia rodar todos que existissem no país. E Hud ainda não sabia nada do que eles faziam. Eles tinham contado uma história tão mirabolante quando ele era mais novo, que até hoje tinham certeza que Hud sabia que era mentira, mas preferiu não questionar. 

Hud era família. Ele seguia com o plano. Sabendo de tudo ou não.

O primeiro problema familiar foi a tia-avó, acusando Sean de esconder coisas da própria família. E dizendo que isso era traição. Eles eram os Ward e não eram muitos naquele núcleo. E todos escondiam o que precisasse pela família e não dela. E avisou que estava ligando do seu jato e que era bom ele estar esperando no aeroporto. Ela não gostava de ser recepcionada em países estranhos por pessoas estranhas. Aparentemente, ela também não tinha lá muita simpatia pelo local, apesar de o GW atuar no país.

Depois os Ward ficavam insultados quando os outros diziam que pareciam uma máfia, olha só o tipo de assunto que eles tratavam trivialmente. E Anne serviria perfeitamente para ser chefe de um clã criminoso.

Em seguida foi Eleonor, que passava longe de ser histérica, mas podia ser absolutamente insuportável quando queria. Assim, ninguém queria atendê-la. Sabendo disso, a primeira coisa que Sean fez foi convocar Sienna e deu o celular para ela lidar. Ela estava bem perturbada por Jared estar internado, mas ele havia lhe dito que ela trabalharia em "situações adversas".

Só agora ela havia entendido o quão adversas poderiam ser.

Alguém tinha que ligar para Isidore. Porque ele não acompanhava o jornal e a internet. Mas se por acaso estivesse bebendo — algo que ele prometera parar — e visse a notícia, daria um show em algum lugar. No caso ele era o único membro da família que não podia saber verdades, pois quando bebia saía do plano.

— É em horas como essa que eu percebo que na verdade, essa família é um circo — comentou Sean, sentando-se ao lado de Hud.

— E não é qualquer circo de praça não, é nível Cirque du Soleil — resmungou ele, concordando.

Nesse horário, Jared havia acabado de ser levado para o quarto. E já havia acordado, falado, tentado se mover e visto tudo rodar. Havia sido levado para exames e recebera mais morfina. A enfermeira levou uma sopa e ele olhou como se fosse um rato morto. E quando a visitação foi liberada, era restrita, mas quem disse? Respeitaram só o um de cada vez.

Bem, às vezes.

Beatrice apertou a mão de Jared e olhou para Sean quando ele entrou.

— Quando eu estava mal, ele ficou lá comigo. Até minha família chegar. Depois foi me ver de novo e em casa. Você estava mal também. Aí depois você quase morreu e Jared ficou o tempo todo comigo. Eu não sei como teria feito sem ele.

Sean ficou o olhando por um momento. Antes da parada familiar começar, ele havia entrado lá com uma tesoura. A enfermeira o ajudou a atenuar o que tinham feito na cabeça dele, eram circunstancias diferentes. Então o ferimento ganhou um curativo novo, com a gaze envolvendo a cabeça, só para não terem mais perguntas para responder. Eles já eram profissionais em esconder coisas, mas às vezes tinham que se superar.

— Mas apesar de... você sabe. Essas coisas que vocês fazem. Eu não pensei que pegaria um avião para vir vê-lo numa cama de hospital — ela olhou para seu rosto e fungou.

— Ele vai ficar bem — Sean já tinha perdido as contas de quantas vezes usara essa frase. Ele abriu a mão para ela. — Vem, vou te levar para comer alguma coisa. Minha mãe está lá fora.

Ela pegou sua mão e foi com ele. Candace tinha entrado ali mais cedo, assim que liberaram a visita. Mas ficou emocional e saiu para falar com Anne Ward, pois ela com certeza já havia obrigado o médico a lhe dizer a verdade. Hud entrou por um momento só para olhar o irmão, mas voltou até a porta e parou.

— Você está sem coragem de entrar? — Indagou a Gwen.

Ela abriu a boca e só balançou a cabeça. Desde que Candace a levara até ali, ela passava o tempo encostada em cantos, enfiada em seu casaco e se abraçando silenciosamente. Estava com uma horrível sensação de déjà vu. Era outro país, anos depois, mas o hospital parecia o mesmo. Só que tinham trocado os personagens. Era ela que continuava na mesma posição. E lembrava que anos atrás, quando entrou no quarto, não aguentou o que viu, voltou correndo e botou tudo para fora numa lixeira enorme do hospital.

Dessa vez ela nem precisou ver para devolver tudo que tinha no estomago. Nem lembrava a última vez que passou mal. Bem, lembrava daquela vez, depois disso, não. Tudo bem que ela tinha quinze anos e ainda era muito ingênua. Mas aquela sensação de que ia colocar tudo para fora ainda persistia. Quinze anos depois.

— Não é tão ruim quanto parece — disse Hud. — Eu não mentiria para você. Na verdade, para o que aconteceu, ele está ótimo. Assim que sair daqui seu novo apelido será Mister Acidente. Galante até na UTI.

— Ele vai ficar muito tempo aqui?

— Segundo o médico, está em observação.

— E por que ele está apagado?

— Porque tomou aquela sopa horrorosa e acredito que desmaiou de pavor. Daqui a pouco eu vou chamar a enfermeira.

— Hud... — ela balançou a cabeça, mas a alegação fazia tanto sentido que aliviou um pouco.

— O quê? Se fosse ele aqui fora, com certeza estaria dizendo as mesmas besteiras.

Gwen finalmente entrou e olhou Jared na cama. Ela seria sua última visita do dia. E ficou ali parada, lembrando que há anos, quando entrou no quarto do primo dele, havia pensado sobre Sean estar tão machucado que poderia ser um acidente de carro brutal. Disseram que Jared esteve em um acidente. Eram muitas coincidências. Mas o que a perturbou ainda mais, foi parar ao lado da cabeceira dele e ver que tiveram de cortar seu cabelo. Nem pensou em tocar, apenas se inclinou.

Ela não tinha como saber que não foram os médicos que cortaram para fazer o curativo, eles só tinham raspado um pedaço. E jamais imaginaria a violência com que arrancaram tufos do seu cabelo. Gwen apenas sabia que Jared sempre usou o cabelo mais longo.

Quando ele tinha uns 10 anos, ninguém cortou seu cabelo por um tempo e chegou aos seus ombros. Era negro e macio e quando um adulto o penteava ficava a coisa mais fofa. Ela guardava essa lembrança. Assim como guardava as memórias do adolescente irresistível e sempre despenteado daquele jeito que as garotas achavam o máximo. Era só um dos detalhes sobre ele.

A única coisa que ela sabia era que havia doído quando machucaram sua cabeça. Ele tinha um curativo em volta de parte da cabeça, mas olhando de perto, ela achou que aquilo não era normal. 

Então se achou paranoica. O que mais poderia ter lhe acontecido além de um acidente?

— Quebrado... todo quebrado, Jared. E eu me preocupei tanto com aqueles hematomas bobos.

Gwen acariciou o braço dele com as pontas dos dedos, mas quando Jared se moveu, ela deu um passo para trás e não emitiu nenhum som. Ele ia acordar. Ela se virou e saiu rapidamente do quarto. A despedida deles foi horrível. Eles se separaram para não voltar a se ver. Ele foi embora e com certeza não ia querer vê-la agora.

E antes de Candace ligar, ela também não queria vê-lo. Para quê? Seria só mais um momento doloroso. Ainda não teriam o que dizer. Não poderiam mudar nada. E às vezes ela queria chorar quando lembrava de tudo que aconteceu em Londres, tudo que ela passou e superou com o apoio dele. E olha como terminaram. 

***

— Quando eu vou embora? — Indagou Jared.

— Amanhã — disse Sean.

— Agora que sabem que não vou morrer, todo mundo já foi?

— Sua mãe vai conosco — lembrou ele, já que Eleonor não saiu do seu lado desde que ele foi para o quarto.

Beatrice entrou, ela ia voltar para Nova York sem Sean, que disse ter que resolver mais uma coisa. E ela tinha que voltar ao trabalho, pois estava planejando a casa de verão de Angelo Pagani. E ia acabar passando uns dias com Tess enquanto estivesse por lá.

— Fique bem, ok? — Ela beijou o rosto de Jared e o olhou. — E sem carros por um tempo. Você sabe do que eu estou falando.

Ela foi saindo e só lançou um olhar para Sean como se ele tivesse aprontado algo. Já que Jared ainda estava se recuperando, ela ia jogar para ele as acusações de inconsequência que levaram ao acidente. Sean levantou e foi até a porta. Era um hospital, ele não queria incomodar os outros, usou o melhor tom baixo que conseguiu para chamá-la.

— Ei! Você já vai para o aeroporto?

Ela nem parou.

— Agora. Com a sua mãe.

Sean umedeceu os lábios e balançou a cabeça. Para conseguir manter aquele tom baixo e exclamativo, ele teve que dar uns passos no corredor.

— Sem falar comigo? Nada?

Ela parou e se virou para ele.

— Depois que você resolver essas pendências que eu sei que ficaram, passe lá na Tess.

— Você está me dizendo isso agora porque não vai falar comigo depois?

Beatrice só estreitou o olhar para ele. Estava claro que ela ia falar com ele, mas que ideia!

— Você não está de castigo, Sean. Pare com isso! — ela torceu a boca, debochando e se virou.

Ele correu e a capturou, girando-a para ele antes de lhe dar um beijo.

— Eu volto logo — Sean a beijou de novo e voltou correndo, como se fugisse de uma traquinagem.

Assim que ele entrou no quarto outra vez, Jared comentou:

— Você continua correndo atrás dela — ele riria, mas rir doía, então só sorriu.

— Sempre — disse Sean.

Jared franziu a testa e soltou um som de dor e frustração quando tentou levantar um pouco na cama, mas seu ferimento, sua costela quebrada e outros problemas deram fisgadas para lembrá-lo do que aconteceu.

— Calma aí, cara — Sean o ajudou.

Assim que estava em uma posição mais confortável, Jared o olhou.

— Beatrice vai voltar para Nova York com a minha tia?

— Sim.

— Eu escutei a voz da Gwen aqui, eu estava sonhando?

— Eu diria que você estava em um nirvana pessoal, mas não era sonho.

Jared virou a cabeça e passou a mão pelo rosto machucado e a ponta dos seus dedos esfregaram a raiz do seu cabelo, sentindo-o eriçado pelo corte. Completamente diferente do que ele estava acostumado. Não era só isso, ele sentia-se diferente, estranho.

— Eu não quero vê-la agora — ele esfregou um ponto dolorido na sua cabeça.

Sean cruzou os braços enquanto o observava, Jared escondera parte do rosto com a mão.

— Mas que porra aconteceu com vocês? — indagou Sean.

Jared só balançou a cabeça. Ele não queria se importar por ela tê-lo visto assim. Para os padrões de afastamento deles, era muito recente. Mais ainda por que era para não ter volta ao que era antes. Para isso, eles precisavam de mais tempo.

— Se você quer saber, eu acho que ela só veio porque achou que você estava morrendo e aí tinha que dar o último Adeus. Imagine a dor na consciência depois. E também porque minha mãe não lhe deu escolha.

Se você sempre podia contar com o talento de Jared para transformar uma situação difícil em algo mais leve e dizer a coisa certa, mesmo que aliviando um pouco a realidade. Por outro lado, podia contar com Sean para jogar na sua cara a verdade ou mesmo uma teoria da forma mais cortante possível. Ele não poupava recursos. Devia ser um dos motivos para os dois se completarem tão bem. Não que eles não pudessem inverter, principalmente quando não deviam.

Capítulo 3

Eles voltaram a Londres e Gabriel disse que viria todo dia infernizar a mente de Jared e olhar seus curativos, ele tinha dois mais críticos, no abdômen e na cabeça. O resto ia curar ou sumir com o tempo e com os medicamentos receitados.

— Você e Sean combinaram em se revezar ou estão competindo sobre quem morre primeiro? — Gabriel guardou suas coisas na maleta. — Um toma uns tiros, cai de uma montanha de neve e é perfurado por uma faca de caça. O outro some, volta todo quebrado, leva umas pauladas na cabeça e é perfurado por um objeto não identificado. Assim não dá para trabalhar nessa família.

Ele se afastou da cama, dizendo que daqui a pouco teria que largar seus pacientes e fazer só atendimento familiar.

— E vocês nunca inventam de morrer no país em que eu estou. Eu ia adorar operar os dois.

— Ninguém ia deixar — lembrou Sean.

— Eu fingiria loucura, diria que meu nome era Word, não Ward. Só para cortar vocês.

Eles ficaram sozinhos e Sean continuou sentado na poltrona que ele puxou para mais perto da cama.

— Eu já sei o que você vai dizer — murmurou Jared.

— Não, não sabe. Eu não vou fazer discurso reverso.

— Eu tinha que salvar aquela garota.

— Isso é exatamente o que você me acusava de dizer todas as vezes em que eu acabava em situações parecidas.

— Eu sei. Não deu para sair.

— Você escolheu ficar para trás.

— Não dava para arrastar a garota, eu nem sei se ela conseguiu. Ela estava fraca e grávida. Droga, eu a soltei de um cativeiro para o inferno das ruas. Não tenho como encontrá-la.

Sean apoiou os cotovelos nos joelhos e tampou o rosto. Ele não dormia direito desde que chegou a notícia de que tinham levado o seu primo. Seus olhos ardiam, qualquer luz fazia sua cabeça doer.

— Eu já fiz tanta merda que não tenho moral para te criticar. Mas sabe o que nunca rolou comigo? Nunca me levaram em um dos nossos trabalhos. Você sabe que quando nos levam é para morrer. Aqueles putos só o mantiveram vivo porque tinham certeza que você sabia quem estava os traindo e precisavam descobrir.

— O informante está morto. Perdemos a fonte.

— Você deveria estar morto — Sean continuava com os olhos cobertos. Mas levantou de repente e disse: — Lembra daquela frase que você me dizia? Você está interditado. Então, agora você está, até se recuperar e sair dessa fase maníaca. E se a gente deixou coisas para trás, eu vou no seu lugar resolver.

Ele saiu e Jared ficou ali deitado, esticou o braço e apagou o abajur mais próximo. Depois descansou as mãos sobre o peito e olhou o teto. Sentia dor, raiva, remorso e um vazio enorme. Não queria repensar o trajeto, para ver se podia ter mudado. Ele sabia que havia algo errado na sua mente naquele dia. Mas não se arrependia do final. A garota sumiu. E ele esperava que houvesse sumido para aqueles caras também. Talvez ela conseguisse voltar para casa por conta própria.

Era a primeira vez em cerca de uma década envolvido nisso que ele simplesmente perdia uma pessoa que havia salvado. Nesse caso, falhou na missão. Sim, eles já haviam presenciado a morte de pessoas que tentaram salvar, já haviam chegado para encontrar apenas corpos. Nesses casos não tinha remédio. Mas nunca perderam alguém assim. Ele a salvou e a perdeu. E isso o estava devorando. Ele nunca mais a veria. E teria de aprender a lidar com isso.

***

Duas semanas depois

Sienna entrou bem cedo no quarto de Jared e abriu as cortinas.

— Vamos! De pé! Já está atrasado! Só porque não pode malhar, você está abusando!

Jared tampou o rosto e ficou parado por um minuto, depois olhou o relógio no criado mudo.

— Eu não incluí despertador humano na lista de tarefas de assistente pessoal.

— Quem disse? Rico me falou que vocês sempre dizem isso. E que eu não deveria ter medo. Acho bom você estar vestido. Vou arrancá-lo dessa cama se precisar. Não tem nenhuma mulher escondida embaixo desse seu cobertor gigante, tem?

Jared sentou e ainda teve humor para levantar o cobertor e olhar, como se procurasse para ver se havia mais alguém.

— Eu sei que não, você ainda não está em condições para essas coisas — Sienna pegou uma garrafa e uns copos e juntou tudo. — Mas suas amigas estão muito preocupadas. Não param de ligar e mandar presentes. E você não vai beber mais. Sabia que Virgie está angustiada? Está até tomando calmante. Por sua causa.

Ele deixou o corpo cair para trás de novo e sua cabeça afundou no travesseiro. Sienna notou que Jared não vinha demonstrando a usual disposição para pular da cama logo cedo. Havia emagrecido e apesar de na última semana ter se recuperado daquele aspecto de uma pessoa se curando de uma cirurgia, não parecia ele mesmo. Ia voltar ao trabalho, mas os exercícios e treinos, tão inerentes a sua vida, ainda não haviam sido liberados. Sienna não sabia tudo que se passara com ele e esperava que a volta a rotina o trouxesse de volta ao Jared de sempre.

— Eu vou ligar o chuveiro — avisou ela e parou antes de sair, agarrada a garrafas e copos. — Eu juro, juro pela minha mãe que se eu voltar, correndo o risco de perder o emprego, eu vou jogar água gelada em você! Seu primeiro compromisso é às 9 horas. Graças a mim que o movi das 8 horas. Viu, já sou pura eficiência, não ouse me despedir.

Ela saiu e Jared aproveitou o silêncio. Nesse caso, ela estava falando tanto e num tom tão alto, de propósito. Mas a cabeça dele latejava do mesmo jeito. Quando ela voltou, com a bandeja de café da manhã que pretendia enfiar por sua goela abaixo de qualquer forma, Jared já estava fora do banho. Ainda não estava 100 por cento, mas fazia tudo sozinho.

— Ótimo — Sienna deixou a bandeja na mesinha do outro ambiente. — Terno azul-escuro. Gravata vermelho-escuro. Vai ficar incrível. Gostou do xampu novo? É para o seu tipo de cabelo. O condicionador vai ajudar a crescer de novo.

Jared passou a toalha pelo cabelo úmido e pensou em dizer a Sean para mandar Rico parar de dar dicas de gerenciamento pessoal para Sienna. Essa história de xampu era uma piada antiga e interna sobre Rico e suas intervenções na vida pessoal de Sean.

— Aliás, você tem horário no cabeleireiro. Agora que tiraram o curativo, dá para ver que está estranho. 

Ele começou a se vestir, ainda sentindo um pouco de dor nas costelas que saravam, os locais dos hematomas já não doíam quando se movia. O ferimento no abdômen estava cicatrizado, havia tirado os pontos e podia voltar ao trabalho.

— Sabe, Jared — Sienna estava sentada lá na mesa, comendo uma tigela de cereais com iogurte. — É muito estranho conviver com sua versão calada. Eu estou acostumada com falação e boas tiradas. Essa versão várias doses de uísque, também não é legal. Virgie disse que vai jogar tudo fora, porque você não está normal. E quando se der conta, vai se arrepender.

O visor do celular dele acendeu e apareceu a foto de Sean, Jared achou estranho, pois ele estava em Nova York e lá ainda era madrugada. Assim que atendeu, ele ouviu a voz animada do primo:

— Eu vou ser pai!! — gritou Sean.

A frase era tão absurda que Jared achou que estava delirando.

— Você disse que vai ser pai?

— Sim, você escutou! Eu vou ser pai!

— Você andou bebendo? Aconteceu algo aí?

— Não estou bêbado, cacete! Nós vamos ter um filho! — respondeu Sean.

— Há quanto tempo você sabe disso? Ficou esperando eu me recuperar para contar? Todo mundo na família já sabe? — Interrogou, já acreditando.

— Não, eu acabei de saber. Sim, você é minha primeira ligação, seu idiota ciumento.

— Se eu não for o padrinho dessa criança, eu vou cancelar meus compromissos agora e vou pegar um voo, mesmo contra as indicações médicas.

Sean contou para Bea o que Jared disse e óbvio que ele seria o padrinho, não havia dúvida. Ele desligou e sentou na poltrona, para calçar as meias, mas ficou lá parado.

— Tudo bem?

— Sean vai ser pai — contou ele, parecendo bem mais animado do que ao acordar.

— Mentira!

— Sim.

— Quem adivinharia que ele teria filhos primeiro — Sienna franzia o cenho, pensando no Sean que ela conheceu. Aquela versão dele não parecia que algum dia ligaria para dar essa notícia.

— Não é? — concordou ele. — Vou ser tio e padrinho.

Queridas! Vocês não vão acreditar em quem foi visto na rua! Jared Ward! SIM, ELE ESTÁ VIVO! Eu sei que ele havia desaparecido e estávamos todas desesperadas. E achando que havia acontecido o pior e os Ward estavam escondendo sua morte. Porém, ele está VIVO! Já ajoelhamos aqui, agradecendo. Vai ter sorvete mais tarde para comemorar. A foto está bem de longe, acho que os paparazzi já tinham desistido de esperar em frente do prédio do GW. Então alguém tirou essa foto com um celular. Só tem um problema... O QUE ACONTECEU COM AQUELE CABELO NEGRO, LINDO, BRILHANTE, CORTE MAIS PEDIDO DOS SALÕES MASCULINOS E MATERIAL DOS NOSSOS SONHOS ERÓTICOS?

Eu sei que só escrevo em caps em momentos de extrema emoção. Mas imaginávamos a maciez daquele cabelo há tantos anos. Já cheguei a perguntar a umas amiguinhas dele. E as danadas confirmaram que é maravilhoso de tocar, esfregaram na minha cara!

Vocês lembram do acidente. Disseram que ele teve um ferimento na cabeça. Esse homem realmente quase morreu, senhoras! E aquela família mafiosa dele encobriu tudo! Cadê meu chá? Eu não estou em condições!

— Steve para o richlondoners.com (723 comentários)

Depois do almoço, Jared já estava no meio do dia de trabalho no GW. Além do que já havia chegado a sua casa, um lado da sua sala estava repleto de cartões, bilhetes, mensagens e até flores e bombons desejando melhoras. O telefone tocou na linha direta, poucas pessoas podiam ligar nela.

— Você me ligou no fixo para ter certeza que eu estou na minha sala? — Indagou Jared.

— Também — respondeu Sean. — Eu queria saber como você está.

— Bem.

— De verdade. Tirou os pontos?

— Tudo.

— Eu... — ele hesitou, ia dizer outra coisa, mas mudou de ideia. — Eu já te disse que vou ser pai?

— Se essa hora da tarde você não tivesse dito, aí seria um problema.

— Eu estou preocupado.

— Com a Bea?

— Com você.

— Logo hoje?

— Nós vamos ter um bebê. Já estou meio insano com isso. E preciso de você para ser o melhor tio. Não sei lidar com você mais fodido do que eu. Não desse jeito.

— Eu estou ótimo, vou ser tio e padrinho.

— Você já voltou a beber chá e aquela coisa doce, gasosa e vermelha? — Indagou Sean, num raro momento sutil, indagando se Jared já tinha parado de beber. De novo. Pois o Jared normal só bebia socialmente e bem pouco.

Jared se inclinou sobre a mesa, deixou a testa descansar em sua mão. Pelo canto do olho, via o enorme copo do seu café preferido. Cesar mandara comprar e deixara ali para agradá-lo. Ele não sabia que seu chefe vinha quebrando uma de suas próprias regras. 

— Sim, limonada gaseificada com xarope de cereja... não tem nada melhor.

— A melhor que existe é feita aqui. Vou mandar litros para sua casa — ele pausou. — Eu sei que você não quer voltar ao começo. A gente se ferrava demais.

— Eu preciso de mais um tempo. Não dá para fazer esse trabalho hesitando ou... pirando.

— Você ainda está interditado — apareceu um pouco de humor na voz de Sean. — E a gente não vai falar sobre o que aconteceu no último trabalho.

— Tudo bem.

Houve uma pausa e Sean acabou dizendo:

— Eu vou trocar de psicólogo.

— Não está dando certo?

— Não, não mesmo... E agora, eu preciso continuar.

— Você vai ser um pai incrível, Sean — Jared estava sorrindo e ao mesmo tempo sentiu os olhos arderem e passou a mão pelo rosto.

Ele estava um pouco anestesiado desde que voltou do incidente na Alemanha. E de repente Sean lhe causava uma descarga de emoções variadas com aquela notícia. E agora, com essa conversa que estava sendo mais difícil do que parecia.

— Mas eu preciso de você no processo. E eu também não tenho talento para ser o irmão mais velho da relação. Fico preocupado — completou Sean.

— Eu não estou ferrando com tudo. Eu...

— Você já pensou em ir ver um médico?

— Você quer dizer um psi alguma coisa?

— Um deles. Você escolhe.

— Eu já fui lá.

— Há anos. Se eu consigo, você consegue. Eu nunca pensei que eu iria te dizer isso em vez do contrário. Mas eu sempre soube que em algum momento nós dois teríamos que encarar essa realidade.

— Tudo bem. Eu vou.

***

Depois de alguns meses de muito trabalho, Gwen terminou seu novo MBA e quase ao mesmo tempo, mais um curso de mercado internacional. Ela tinha voltado há uma semana da última viagem que fez. Depois de alguns anos de formada e empregada, tinha aceitado ser trainee outra vez, tudo pelo seu currículo e atualização. E pelo recomeço no qual se empenhara tanto.

Porém, seu contrato acabou e seu último curso também. E ela estava livre. Por um lado, sentiu-se confortável novamente por estar em Nova York. Por outro, adorou voltar a viajar e tratar de assuntos diversos fora da cidade. E sua experiência não era ali. Havia acabado de esbarrar novamente em um impasse. Há meses que mal dormia, estudava o tempo todo, trabalhava o resto do tempo e chegou a parecer que estava de volta a época da faculdade.

Mas no momento que parou, imaginou se estava fazendo isso tudo também para não pensar em mais nada. Seu aniversário passou e ela só saiu para jantar e voltou cedo porque tinha curso no dia seguinte.

— Temos que comemorar! Acabamos! Enfim! — disse Alice, provavelmente a única pessoa com quem ela criou afinidade durante o MBA.

Era o segundo dela. Várias pessoas na turma eram mais novas, fazendo o primeiro, algumas nem tinham realmente trabalhado. Estavam presas no ciclo de acumular títulos e nenhuma experiência. Enquanto ela viveu até pouco tempo, fazendo as duas coisas.

Então sua vida desmoronou por cerca de dois anos.

E lá estava ela, fazendo tudo de novo, agora com alguma bagagem.

— Claro, agora não preciso acordar tão cedo — Gwen abaixou o celular e disfarçou.

Ainda era o super celular que Hud lhe dera e ele ainda mandava atualizações.

— Dá até para encontrar alguém! O Andy ainda está lambendo o chão que você anda.

Ah, Andy era Andrew. Um cara do MBA. Tinha uns 29 anos, ela não lembrava bem. Há umas semanas, Gwen cometeu o erro de aceitar sair com ele. Ao menos agora ela chamava de erro. Na época, chamou de teste e experimentação.

Era seu primeiro encontro em anos.

Gwen só aceitou ir a lugares públicos e não queria nada muito intimista. Ela se achou uma vencedora quando aceitou tomar uns drinks com ele.

Comeram algo, nada demais. No fim, ele já queria pegar nela. E Gwen queria a conta.

Foi uma merda.

Ao menos ela achou um saco. E imaginou se não estava nova demais para já estar sem saco para o círculo dos encontros.

— Andrew era bem fofinho — comentou.

— Fofinho? Ai, Gwen. Ele é um adulto! — Riu ela. — Deve ser por isso que você não deu bola para ele. Fofinho... — Alice riu.

Gwen sentiu vontade de dizer que tinha o dedo podre para homens. Mas ela teve um relacionamento muito ruim. E abusivo. Fora isso, não namorou muito na vida. Ela era o tipo que namorava. Preferia conhecer alguém e passar seu tempo só com essa pessoa.

E aí pensou que talvez o problema estivesse aí. Foi com esse negócio de insistir e acreditar em investir na pessoa que ela acabou naquele relacionamento sério e horrível. Não, esse não era o problema. Ela respirou fundo, saindo de mais um dos buracos em que mulheres caíam tentando explicar algo claro. O problema não foi ela, seus costumes ou o modo como preferia se relacionar. O problema foi um homem abusivo.

O que não significava que agora que estava livre, ela não podia tentar algo diferente, para ver como era.

— Ótimo! Nos vemos mais tarde! — Alice sorriu e fez sinal para um táxi.

Capítulo 4

Mais tarde significava depois das 9 da noite. Lá em Chelsea, em um bar legal e animado. Não era desses intimistas. Na verdade, estava um pouco barulhento, apesar da música não ser alta.

Alice estava bebendo seu terceiro drink enquanto dançava com sua companhia atual, um cara que não era do curso dela. Todo mundo estava ali, haviam feito um brinde mais cedo e comeram juntos. Mas com o avançar da noite, acabaram se dispersando e em alguns momentos se encontravam em pequenos grupos.

Andy — que Gwen só chamava de Andrew — havia até beijado sua mão. Ela o achava brega. Não lembrava exatamente o que a fez sair com ele, mas não ia rolar um segundo encontro. Por outro lado, sabia porque deu bola para Cooper, a droga do professor deles. Era um cara era um pouco mais velho e maduro.

Gwen gostava de homens maduros e ela não estava falando só da idade, mas de gente adulta mentalmente, não se sentia atraída por homens infantis. Mas daí que Cooper estava dando em cima dela com força. Já até criticara Andy sutilmente só porque notou que ele também estava de olho nela.

Seu novo problema começou quando Gwen olhou seu Instagram e viu uma foto de Beatrice com uma barriga enorme, pertinho de ter o bebê. Pensou que agora que estava com a agenda livre, precisava lhe fazer uma visita antes que ela desse à luz. Pois grávida ou não, Bea continuava com a agenda cheia, na última mensagem disse que estava adiantando tudo que podia.

Logo depois, ela viu uma foto de Tess, posando com Angelo na nova casa que Beatrice havia decorado inteira. A reforma na fachada também já acabara. E depois tinha uma foto de Tibby que parecia ter crescido mais do que devia. Em seguida, ela viu Candace em um jantar chique, ostentando com seu ainda namorado, Victor Prescott. Ele continuava o cinquentão mais hot do pedaço.

Até Sean, aquela pessoa reservada, estava mais ativo nas redes sociais. Ele postou um vídeo bem legal dele correndo junto com Brianna, por baixo de árvores enormes. Com a cadela levantando um bando de folhas caídas. Agora que o perfil dele não estava mais privado, o número de curtidas e comentários era insano. Só Beatrice conseguia batê-lo. Ela tinha milhões de seguidores, pois o perfil dela era público desde o início.

Ou... Jared. No ranking de fama da família, eles deviam vir juntinhos. Jared tinha mais seguidores, pois ele também sempre teve o perfil público. E lá estava ele, recuperado, pois parecia bem saudável. Aproveitando um evento ao ar livre na Escócia. E adivinha só, tinha uma mulher linda agarrada ao braço dele.

Gwen queria fingir que não estava nem aí. Ele que se ferrasse. Estava bem novamente, voltou a aparecer em público. E com certeza tinha amigas novas!

Daí que uma coisa levou a outra. E ela tentou achar Cooper interessante. Porque falando sério, ele era. Bastante. Não significava que ela queria transar com ele. Mas podiam, sei lá... Se conhecer melhor. A essência dela não mudaria, sempre precisava conhecer melhor uma pessoa antes de se abrir e se tornar íntima.

— Eu te achei a mais promissora desde o início. Sabia que aquela vaga seria sua — disse Cooper, misturando paquera com papo profissional.

— Eu consegui porque tenho experiência — disse Gwen, sem saber se na parte do flerte devia ter dito algo mais convidativo.

Ele estava todo sorrisos, não cheirava a bebida, mas às 23h30 ali no bar, todo mundo já exalava um pouco dos drinks que consumiu. Ela pôde sentir uma mistura de vodca com pera, quando ele chegou perto demais. Cheio das mãos e de ânimo para beijos tardios.

Foi quando ele passou dos limites que a noite dela ficou estranha. Era só seu segundo encontro em anos e esse nem foi planejado. E ela já estava engatinhando por baixo de uma mesa para conseguir sair do canto do estofado. Ele havia a beijado, depois se empolgou com as mãos e começou a querer lamber a orelha dela. E pior, a prendeu ali naquele cantinho mal iluminado. Isso não funcionou para ela.

— Vou pegar outra bebida!

— Vem cá, a gente pede! Sem pressa — ele abriu um sorriso.

Gwen bateu com a cabeça quando ficou de pé e rodou no lugar. Estava usando sandálias de salto. Perdeu o equilíbrio, um cara a segurou e disse uma piadinha sobre ela estar perdida e ele ter encontrado. Seu salto virou e ela basicamente caiu para longe dele. Não foi ao chão, porque colidiu com outra pessoa que também vinha rapidamente, aos trancos e barrancos.

— Segura a onda, gata! A noite ainda não acabou!

Ela olhou para o seu novo colega de trancos, na verdade, um segurou o outro.

— Ué, eu te conheço! Você é aquela amiga do bofe Ward que agora é BFF da Bea! — disse Hartie, ainda se segurando a ela e a escorando.

— E você é o assistente!

— Assistente barra designer iniciante. Fui promovido! — Ele baixou o olhar por ela e se ajeitou. — O que você está fazendo aqui? Curtindo a noite?

Gwen se apoiou no ombro dele para colocar a sandália no lugar.

— Eu estava meio que fugindo de um cara...

Eles escutaram alguém chamando e Hartie olhou por cima do ombro.

— Ah, Deus! Eu também! — Ele agarrou Gwen pelo braço e a puxou com ele, ela saiu tropeçando junto. 

Ele a levou por um ziguezague em meio as pessoas, sempre olhando por cima do ombro, até que pararam e ela já nem sabia mais onde era a mesa de onde saiu.

— Aquele bofe peludo maldito quer me comer! Eu não quero saber dele! Superei essa fase! Odeio bofe que a gente pega uma vez e ele fica com amor de pica. Cruzes!

— Mas você deu o fora nele? — indagou Gwen.

— Eu não estou nessa fase. Eu já disse a ele que superei e vou voltar a sair com mulher.

— Você vai?

— Não! Quer dizer, quem sabe, né? Mas meu crush está aqui, queria dar uns pegas nele, mas ele... Olha lá, o maldito! — Ele apontou.

— É um problema fugir de macho chato — Gwen revirou os olhos.

— Nem me diga. Você estava fugindo de um?

— Basicamente.

— Aquele ali?

— Ah, droga!

Hartie a surpreendeu ao rodá-la no lugar.

— Anda, gata! Finge que está me beijando!

— O quê?

— Fecha a boca e finge! Vou esfregar na cara dele!

Não deu tempo de perguntar. Hartie a segurou e para esconder o fato de que ela era mais alta do que ele, inclinou-a um pouco e grudou

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