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Perto de você

evaluări:
3.5/5 (2 evaluări)
Lungime:
369 pages
7 hours
Lansat:
Mar 21, 2014
ISBN:
9788581634067
Format:
Carte

Descriere

Tudo o que pensamos é:
COMO ELA CONSEGUE RESISTIR?
Ser milionário e famoso nem sempre é o suficiente. Smith é um astro de Hollywood que tem o mundo aos seus pés, mas sente que falta alguma coisa.
Cada um dos seus irmãos está encontrando o par perfeito, e ele não quer mais ficar por aí, saindo com beldades que não significam nada depois que a noite termina.
Mesmo sendo a mais discreta e fria das mulheres, Valentina acaba chamando a atenção de Smith. Imediatamente, o galã investe na sua conquista, mas esse desafio o não será tão simples de vencer. Será que o charme dos irmãos Sullivan não é mais o mesmo?
Quando você pensa que não poderia ficar melhor, Bella Andre chega com um novo livro de tirar o fôlego. Bella Andre é conhecida pelas á tem um novo Sullivan preferido!
Lansat:
Mar 21, 2014
ISBN:
9788581634067
Format:
Carte

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Perto de você - Bella Andre

SUMÁRIO

Capa

Sumário

Folha de Rosto

Folha de Créditos

Um bilhete de Bella:

CAPÍTULO UM

CAPÍTULO DOIS

CAPÍTULO TRÊS

CAPÍTULO QUATRO

CAPÍTULO CINCO

CAPÍTULO SEIS

CAPÍTULO SETE

CAPÍTULO OITO

CAPÍTULO NOVE

CAPÍTULO DEZ

CAPÍTULO ONZE

CAPÍTULO DOZE

CAPÍTULO TREZE

CAPÍTULO CATORZE

CAPÍTULO QUINZE

CAPÍTULO DEZESSEIS

CAPÍTULO DEZESSETE

CAPÍTULO DEZOITO

CAPÍTULO DEZENOVE

CAPÍTULO VINTE

CAPÍTULO VINTE E UM

CAPÍTULO VINTE E DOIS

CAPÍTULO VINTE E TRÊS

CAPÍTULO VINTE E QUATRO

CAPÍTULO VINTE E CINCO

CAPÍTULO VINTE E SEIS

CAPÍTULO VINTE E SETE

CAPÍTULO VINTE E OITO

CAPÍTULO VINTE E NOVE

CAPÍTULO TRINTA

CAPÍTULO TRINTA E UM

EPÍLOGO

Conheça o mais novo livro de Bella Andre

Preciso do seu amor

Tradução

Ana Paula Doherty

Publicado sob acordo com o autor, c/o BAROR INTERNATIONAL, INC.,

Armonk, New York, USA

Copyright © 2012 Bella Andre

Copyright © 2014 Editora Novo Conceito

Todos os direitos reservados, incluindo o direito de reprodução total ou parcial.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência.

Versão digital — 2014

Produção editorial:

Equipe Novo Conceito

Este livro segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Andre, Bella

Perto de você / Bella Andre ; tradução Ana Paula Doherty. -- Ribeirão Preto, SP : Novo Conceito Editora, 2014.

Título original: Come a little bit closer.

ISBN 978-85-8163-406-7

1. Ficção norte-americana I. Título.

13-13960 | CDD-813

Índice para catálogo sistemático:

1. Ficção : Literatura norte-americana 813

Parte da renda deste livro será doada para a Fundação Abrinq – Save the Children, que promove a defesa dos direitos e o exercício da cidadania de crianças e adolescentes.

Saiba mais: www.fundabrinq.org.br

Rua Dr. Hugo Fortes, 1885 – Parque Industrial Lagoinha

14095­-260 – Ribeirão Preto – SP

www.grupoeditorialnovoconceito.com.br

Um bilhete de Bella:

Desde o início da série Os Sullivans, tenho esperado a oportunidade de escrever sobre Smith Sullivan. Como astro de cinema ele é extraordinário, mas também é um filho e um irmão incrivelmente carinhoso. Quando ele aparecia em cada livro e logo roubava a cena, eu pensava no que iria acontecer com Smith quando enfim se apaixonasse. E como seria possível ter um relacionamento normal com alguém que tem câmeras e jornalistas seguindo cada um de seus passos?

Eu amei demais cada minuto que passei com Smith e Valentina enquanto escrevia Perto de Você. Um homem forte como Smith precisa de uma mulher tão forte quanto; portanto, mal posso esperar para que você leia a história de amor deles — supersensual e tocante.

Também gostaria de aproveitar este momento para agradecê-lo, mais uma vez, por ler os meus livros! Impossível descrever o quanto significa para mim saber que você se apaixonou pelos meus Sullivans tanto quanto eu, e que tem ajudado a divulgá-los à sua família e a seus amigos. Seus e-mails, tuítes e postagens no Facebook e no Goodreads tornam ainda melhores os meus dias ocupados com mais um trabalho: o próximo livro sobre os Sullivans.

Mal posso esperar para ouvir os comentários depois que você terminar o livro sobre Smith. Especialmente a cena em que ele... Bem, é melhor deixar você mesmo descobrir, não é?

Boa leitura!

Bella Andre

CAPÍTULO UM

Smith Sullivan adorava suas fãs. Elas o apoiaram desde o início da carreira e ajudaram seus filmes a faturar perto de dois bilhões de dólares mundo afora. Sem elas, ele não estaria em São Francisco hoje, prestes a começar a rodar o filme mais importante de sua carreira.

Assim, mesmo tendo muitas coisas importantes a fazer antes de começar a filmar de novo, Smith caminhou em direção a um grupo de belas mulheres reunidas do lado de fora das barreiras que sua equipe colocara ao redor da Union Square, onde filmariam hoje. Algumas dessas mulheres trouxeram seus filhos pequenos, mas a maioria estava sozinha e, sem dúvida, disponível.

Ao se aproximar, ele disse bom dia com um sorriso que manteve no rosto mesmo quando a multidão chegou mais perto.

Um sorriso e duas palavrinhas bastaram para uma mulher esticar o braço e apertar a mão de Smith. Pressionou um pedacinho de papel com o nome e o número do telefone na palma da mão dele; ela usava uma camiseta justa com decote em V e um short curto, apesar da névoa fria que pairava sobre a praça.

— Estou tão empolgada com seu novo filme, Smith — ela ronronou. Passou a mão pelo braço dele, como se já tivessem se encontrado antes e se conhecessem bem a ponto de ele querer que ela o tocasse.

— Obrigado... — Ele esperou que ela dissesse seu nome, já que nunca a tinha visto antes dessa manhã.

— Brittany.

Ele sorriu para ela.

— Espero que você o assista, Brittany.

— Ah, mal posso esperar — ela respondeu, com voz rouca. — E quero que saiba que estou livre enquanto você estiver filmando, se quiser conversar sobre esse assunto ou — ela passou a língua sobre os lábios — para fazer qualquer coisa que quiser enquanto estiver em São Francisco.

Aproveitando a brecha, uma a uma, as mulheres o cumprimentaram e deram seus números de telefone enquanto diziam que ele era o ator preferido delas e que já tinham visto todos os seus filmes. A mesma cena já tinha se passado centenas de vezes nos últimos quinze anos, e a verdade é que, se ainda tivesse vinte, Smith ficaria mais do que satisfeito em escolher uma daquelas beldades e levá-la para casa para passar uma noite, uma semana, ou até mais, se a mulher fosse legal.

Com trinta e seis, porém, estava muito longe daqueles seus primeiros anos loucos... e ele estava cansado de acordar ao lado de mulheres nuas cujos nomes ele não lembrava, que nunca o fizeram rir, cujas famílias ele nunca conheceu. Que contraste com alguns de seus irmãos, que há pouco tempo encontraram o amor, se casaram e tiveram filhos. Toda semana ele atualizava a tela de proteção de seu celular com uma nova foto de sua pequena sobrinha, Emma. Logo, logo sua irmã Sophie teria seus gêmeos e ele mal podia esperar para colocar uma foto dos três bebês Sullivans no celular.

Ainda assim, mesmo depois de testemunhar o quanto a força do amor verdadeiro pode ser poderosa, e quantas coisas maravilhosas podem nascer desse amor, era difícil interromper o ciclo. Sem essas mulheres estranhas em sua cama, ele estava sozinho.

Sozinho em mais um hotel. Sozinho em outra cidade. Sozinho em outro país. Longe da família e dos amigos. Cercado por pessoas que queriam alguma coisa dele ou o tratavam como um deus, não como um homem normal.

Sim, ele poderia escolher uma daquelas mulheres, mas sabia o que elas queriam: sair com Smith Sullivan. Com o passar dos anos, ele começou a se questionar se algum dia encontraria uma mulher para quem ele não significasse apenas algumas horas picantes entre os lençóis, mas que também o quisesse não só por sua fama.

Ainda assim, Smith Sullivan era homem. Um homem muito sensual que adorava as mulheres de todas as formas e tamanhos. Isso queria dizer que, mesmo sabendo que algumas noites de sexo selvagem não acrescentariam nada em longo prazo, Smith nunca seria imune a lindas mulheres.

Mais especificamente a uma mulher que o atraía em particular, pensou enquanto Valentina Landon passava com um casaco de lã comprido e grosso para se proteger da friagem da manhã, as sobrancelhas levantadas ao observar as moças que se espremiam e davam risadinhas em volta dele.

— Valentina — ele chamou, com a intenção de fazê-la parar de caminhar.

Ela se virou para olhar sem o menor sinal de flerte, diferente de todas aquelas mulheres com as quais Smith falava.

— Sim?

— Você e Tatiana têm tudo de que precisam nesta manhã?

— Está tudo na mais perfeita ordem, obrigada — ela respondeu, com voz ríspida. — Você precisa que façamos alguma coisa antes de começar a filmagem em... — Ela olhou para o relógio delicado em seu pulso. — Uma hora?

— Só me avise se você ou Tatiana tiverem algum problema, ou se precisarem de mim para qualquer coisa.

Ela concordou com a cabeça, a linda boca relaxando de leve enquanto disse:

— Obrigada. Avisaremos.

Por falta de sorte, nesse exato momento o olhar dela recaiu sobre o monte de números de telefone colocados na mão dele, e ela semicerrou os olhos, enojada.

Ainda assim, mesmo quando se retirou com os lábios pressionados em sinal evidente de desaprovação, ela era linda.

Smith voltou-se para as fãs e, mais uma vez, agradeceu-lhes o apoio antes de seguir em direção ao trailer que também servia como seu escritório durante as filmagens. Jogando fora os números de telefone sem pensar duas vezes, pegou o roteiro e o laptop e saiu de novo. Ele estava se sentando no trailer de maquiagem quando seu celular tocou, alertando sobre um problema de iluminação que precisava ser resolvido antes que a filmagem começasse.

Era só o início do que seria um dia incrivelmente atribulado, em um set que, nessa ocasião, seria todo dele. Enquanto cuidava do primeiro problema, que, sem dúvida, seria um dos muitos do dia, Smith pensou que não gostaria de trocar sua carreira por nada. Nem pela beleza do vinhedo de seu irmão Marcus em Napa Valley, nem pela adrenalina das vitórias do World Series de Ryan, que jogava pelo Hawks, nem pela velocidade dos carros de corrida de Zach.

Smith mal podia esperar para começar a filmar Gravity.

A jovem no meio da calçada era maravilhosa, e, apesar disso, o modo como andava, se vestia, usava o cabelo com mechas cor-de-rosa, a maquiagem borrada com arte e os círculos escuros ao redor dos olhos logo a denunciavam como alguém na faixa dos vinte anos, assoberbada e sozinha na cidade grande pela primeira vez. Com os olhos bem abertos, ela sorveu São Francisco; os edifícios, o trânsito, as pessoas apressadas ao seu redor, a névoa que vinha da baía. Por um momento, sua boca quase se curvou em um sorriso, mas a pontada de algo muito semelhante ao medo impediu que o sorriso saísse de seus lábios carnudos.

Um cachorro perdido pisou sobre suas botas vermelhas de plástico barato, e a nostalgia no rosto da garota ao agachar para alcançar o animal sarnento era quase triste. Em vez de vir na direção de sua mão aberta, o cãozinho imundo virou-se e correu na direção oposta o mais rápido que pôde.

Os grandes olhos verdes de repente foram tomados pelo brilho sutil das lágrimas, suprimidas tão rápido quanto surgiram. Era impossível não desejar que a garota encontrasse a felicidade, o amor e tudo mais que viera buscar em São Francisco.

Um pouco mais para baixo na rua, um executivo vestido com um terno escuro feito sob medida e muito, muito caro conversava ao telefone e caminhava apressado, mais rápido do que qualquer um na calçada. A conversa lhe tomava toda a atenção, já que, com voz firme, dava instruções, uma após a outra. Tudo nele emanava poder... e o quanto seu coração era impenetrável.

A raiva atravessou o semblante do homem um segundo antes de ele esbravejar no telefone. Como sua atenção estava toda voltada à conversa, ele não notou ninguém na rua perto dele. Não houve nem mesmo uma pequena pausa em suas passadas quando ele chutou a garota, que continuava de cócoras, fitando o cachorro que não ousara confiar nela.

Os sapatos italianos de mil dólares golpearam com toda a força a barriga dela, e foi só quando ela gritou de dor que o homem enfim parou de xingar ao telefone, baixou os olhos para a calçada e percebeu sua presença.

Era a cena perfeita do fundo do poço ao qual a garota chegara. No entanto, naquele momento em que deveria abaixar a cabeça, seu medo e sua tristeza recuaram.

Dessa vez era ela quem estava zangada, e, apesar de o homem tê-la chutado forte o bastante a ponto de lhe arrancar o ar dos pulmões, a garota era jovem e ágil o suficiente para se levantar e ficar em pé na frente do rosto dele em menos de trinta segundos.

E daí que ela era muito menor do que ele? E daí que as roupas dele valiam mais do que ela tinha conseguido guardar durante todo o ano trabalhando em jornada dupla na sorveteria de sua cidade natal?

Para ela não importava nem que as pessoas tivessem parado na calçada para assistir a cena.

— Você acha que é a única pessoa na face da Terra? — ela gritou para ele. — Falando nesse seu telefone, ignorando todo mundo, chutando qualquer um que passe pelo seu caminho?

Antes que ele pudesse responder, ela chegou mais perto e lhe deu um empurrão no peito.

— Eu também existo! — Os lábios dela começaram a tremer, mas, de alguma forma, ela conseguiu se controlar ao esbravejar de novo. — Eu também existo!

Durante toda a encenação, o homem a encarava, o telefone ainda no ouvido, os olhos escuros absolutamente indecifráveis. Sem dúvida ele estava surpreso com o que acontecera. Não só por ter tropeçado nela, mas pela maneira como se levantara para gritar com ele. Contudo, havia mais do que surpresa nos olhos dele.

Havia uma percepção que não tinha nada a ver com a raiva... e tudo a ver com a incrível beleza dela, evidenciada ainda mais pelo rubor em seu rosto e pelo fogo em seus olhos.

Tudo o que os rodeava desaparecia conforme ela buscava algum tipo de reação no rosto do executivo, porém ele era indecifrável — e, com um gemido de desgosto, ela saiu de perto dele e começou a caminhar, descendo pela calçada.

Antes que pudesse se perder no meio da multidão, todavia, uma grande e forte mão envolveu seu braço e a impediu de fugir. Ela chacoalhou o braço, tentando se desvencilhar dele.

— Tire a mão...

— Desculpe.

A voz dele ressoava um autêntico arrependimento — mais profundo, mais verdadeiro do que qualquer pessoa que trabalhasse com ele pudesse pensar que ele fosse capaz de sentir. Talvez até ele mesmo.

A bravata foi o que mantivera a compostura dela até ali. E, naquele momento, quando um homem que nunca pedira desculpas por nada na vida o fez, a garota perdeu a força na qual estava se segurando pela ponta dos dedos.

A primeira lágrima mal tinha começado a cair quando ela por fim se desvencilhou dele e começou a correr por entre a multidão, querendo fugir do homem cuja desculpa a tocara mais do que gostaria.

A voz profunda do homem chamava pela garota com mechas cor-de-rosa no cabelo enquanto abria caminho pela multidão, mas ela era pequena e rápida e sumiu dele no cruzamento lotado da Union Square.

À medida que o restante do mundo corria de um lado para o outro e a maioria das pessoas falava ou enviava mensagens pelo telefone, com a atenção em qualquer outra coisa que não nas pessoas em volta, o homem permaneceu imóvel por completo.

E absolutamente sozinho.

Valentina Landon segurou a respiração até ouvir o Corta!. Momentos depois, aplausos e gritos de comemoração surgiram da equipe, que estivera enfeitiçada pela cena.

De alguma forma ela conseguiu que suas mãos se mexessem, se juntassem em algo parecido com um aplauso, porém estava muito tocada pelo que tinha visto para tentar esconder as emoções. Era a primeira cena do primeiro dia de filmagem de Gravity, mas a história havia mexido com ela e lhe revirado o estômago. A coisa tinha chegado a tal ponto que ela ficava quase se remoendo enquanto esperava para descobrir o que aconteceria depois. Smith Sullivan não só escrevera o roteiro, como também dirigia, produzia e estrelava o filme.

Tatiana Landon, a irmã mais nova de Valentina, era uma atriz talentosíssima, com dez anos de experiência. Já fora contratada para dezenas de episódios na TV, filmara alguns pilotos de sitcom ao longo dos anos e há pouco tempo teve papéis coadjuvantes importantes em dois filmes. Mas Gravity era seu primeiro papel principal em uma grande produção cinematográfica.

Valentina sempre sentiu muito orgulho da irmã, e o que acabaram de testemunhar sobre Tatiana tinha sido tão bom que Valentina ainda estava com dificuldade para recuperar o fôlego. E ela sabia por quê.

Smith Sullivan trouxe à tona até a última gota de magia que a irmã possuía.

Então, Tatiana caminhou de volta pela calçada em direção a Smith. Valentina conseguia compreender a irmã como um livro aberto, e, mesmo que estivesse sorrindo para os aplausos do restante do elenco e da equipe, estava claro que a pessoa de quem esperava o veredito final era Smith.

Assim como o personagem que estava interpretando, por um momento foi difícil ler a expressão no rosto dele até que esticou os braços para colocar as mãos nos ombros de Tatiana e dizer em alto e bom som, para todos ouvirem:

— Você. É. Perfeita. — Seu sorriso era aberto ao tascar um beijo na testa dela.

Tatiana piscou para Smith, prazer e orgulho se misturando às estrelas nos olhos da irmã um momento antes de dar o próprio sorriso ofuscante.

No lapso de um terrível batimento cardíaco, Valentina perdeu o chão enquanto observava a interação entre sua irmã e o astro de cinema, e cada um de seus medos pelo bem-estar da irmã foi colocado em primeiro plano.

Ela não conseguia esquecer a maneira como ele flertara e jogara charme para as fãs que o esperavam do lado de fora do set só para poderem dar uma olhadinha nele, o típico clichê de um astro de cinema. As mulheres se jogavam em cima dele, e Valentina não tinha dúvidas de que ele adorara cada segundo daquela atenção, isso sem falar nos números de telefone em sua mão. Valentina não tinha o menor problema em imaginar o quanto as mulheres estariam explodindo de curiosidade para saber qual delas seria escolhida para aquecer a cama dele esta noite.

Não seria a irmã dela nem matando!

Quando Smith voltou para ver a gravação, Valentina não pensou, não parou para analisar se estava agindo com bom senso quando se enfiou no meio da equipe para chegar até ele.

— Precisamos conversar. Em particular. Agora.

Ela manteve o tom de voz baixo e constante, embora soubesse que todos deviam estar cochichando sobre a audácia dela assim que eles saíram do set, tentando adivinhar qual seria o assunto tão importante que ela teria para tratar com o grande Smith Sullivan.

Valentina caminhou em direção ao trailer de Smith, que fora colocado em Union Square para o primeiro dia de filmagem, e, apesar de não ter esperado a resposta dele, podia sentir sua presença marcante atrás dela, a cada passo do caminho.

CAPÍTULO DOIS

Gravity era a história que Smith esperara toda a sua carreira para contar. Não era um blockbuster de arrasar, com um orçamento enorme. Nem era um filme de época, com figurino e sotaques pesquisados à exaustão. Em vez disso, era uma história pura e honesta sobre amor e família, e sobre o que de fato importa.

E ele estava arriscando toda a sua reputação em uma história aparentemente simples.

Se havia algum momento para ter foco, para concentração total e absoluta, era agora e durante as próximas oito semanas de filmagem. Ele não poderia se dar ao luxo de deixar qualquer coisa — ou qualquer pessoa — desviá-lo de realizar o melhor filme que já tivera nas mãos.

No entanto, ao seguir Valentina até seu trailer — sua cintura, seus quadris e suas lindas pernas dentro da saia-lápis —, ele já sabia que se ater ao foco não seria uma coisa fácil.

Valentina Landon o atraíra desde o início, com sua feição exótica que ela disfarçava com um estilo reservado de mulher de negócios. Ele não pôde deixar de notar o leve tom sedutor na voz dela, ou o fato de seu perfume ser de uma sensualidade pura e marcante. Se ela achava que estava enganando alguém com seus terninhos, os cabelos macios e dourados presos em um rabo de cavalo e os óculos de armação grossa que colocava toda vez que analisava os contratos, estava muito enganada.

Será que ela não sabia que todos aqueles elementos conservadores, calculados com cautela, faziam um cara como ele querer descobrir até onde chegavam as paixões dela? Ainda mais quando ela tinha a nítida intenção de escondê-las. Não que Valentina, algum dia, o tivesse deixado chegar perto o bastante a ponto de descobrir a resposta para aquela pergunta.

Durante os ensaios, ela estava sempre com a irmã ou saindo da sala no exato momento em que ele entrava. Smith ficara impressionado com a astúcia profissional dela durante as últimas semanas com relação à carreira de Tatiana, e também com a maneira como cuidava da irmã no nível pessoal. Valentina não pegava no pé, mas, ao mesmo tempo, estava por perto toda vez que Tatiana precisava dela.

Como o segundo mais velho de oito, Smith sabia como era difícil cuidar dos irmãos e irmãs e, ao mesmo tempo, deixá-los colocar as asas de fora e viver a própria vida sem sua interferência constante. A família era tudo para ele, mas havia também o anseio por sua independência e seu trabalho. Era um jogo de equilíbrio constante, do qual Smith não abriria mão nem por toda a paz, tranquilidade e tempo livre do mundo.

Desde o início de sua carreira, depois da faculdade, ele começou a fazer todo tipo de coisa que aparecia, e progrediu a partir daí. Ele sabia que as pessoas achavam que tinha recebido sua carreira de mão beijada, que sua aparência pavimentara a estrada com tijolos de ouro e estrelas de Hollywood. Na verdade, a beleza tornou tão difícil ser levado a sério que, depois dos primeiros dois anos de testes incontáveis, quase aceitou um dos muitos comerciais de cueca que lhe ofereceram. Até que, por fim, um ator mais velho lhe deu a chance de provar que não era só mais um rostinho bonito. Smith agarrou aquela oportunidade com unhas e dentes, e, quando o filme se tornou um sucesso de bilheteria, outras portas enfim começaram a se abrir.

Essa foi uma das razões por ele ter se interessado tanto em ter Tatiana Landon no elenco. Sim, a irmã mais nova de Valentina era linda. Sem dúvida seria uma estrela, de um jeito ou de outro. Quando ela atuava, Smith reconhecia e admirava muitas das suas qualidades. Determinação. Concentração. E alegria.

Enquanto Valentina abria a porta do trailer sem o esperar convidá-la para entrar, ele pensou que havia mesmo muita coisa a admirar nas mulheres da família Landon. Em especial a irmã mais velha, que ele não conseguira tirar da cabeça desde que a conhecera naquela primeira reunião do elenco, dois meses antes.

E que determinação e concentração. Era evidente que Valentina tinha ensinado tudo o que sabia à irmã. Quando Valentina estava com Tatiana, quando riam juntas do jeito que as irmãs fazem quando são muito próximas, a alegria dela ressoava forte e com clareza.

Smith acabara de subir os degraus e entrar, fechando a porta atrás de si, quando Valentina virou-se para encará-lo.

— Minha irmã não será um de seus brinquedinhos.

Pego de surpresa por um minuto, Smith simplesmente repetiu:

— Brinquedinhos?

Valentina não tinha a beleza óbvia e mais convencional de sua irmã mais nova, mas, para Smith, isso tornava o rosto dela ainda mais fascinante. Com Valentina, um homem precisaria olhar sob a superfície, e, assim que o fizesse, seria muito bem recompensado pelos contornos de suas maçãs do rosto, pelos cílios naturais incrivelmente longos, pelos olhos puxadinhos nos cantos e pelos lábios carnudos com o formato da flecha de cupido que exalava sexo e paixão, não importava o quanto estivessem cerrados.

De fato, do jeito exato como estavam cerrados agora.

— Tatiana e eu estamos neste negócio há dez anos — ela disse, com voz gélida. — Sei bem como este mundo funciona, Sr. Sullivan.

Ele tinha que interrompê-la, se não por outra coisa, porque odiava a maneira como ela usou o Sr. para tentar manter distância entre eles. Ninguém o tratava por Sr. Sullivan nesse set. Ele também não permitiria que ela o fizesse, sejam lá quais fossem as razões para querer manter distância.

— Pode me chamar de Smith.

Os lábios dela se apertaram ainda mais, os olhos pegando fogo de novo, mesmo quando assentiu e disse com voz suave — Smith. Seus dedos longos e magros se contorciam nos punhos fechados ao olhar de volta para ele.

— Você é mais velho. Você é bem-sucedido. Você é muito boni...

Ela parou um pouco antes de completar a palavra, e ele não conseguiu deixar de sorrir com o canto da boca. E de dizer:

— Obrigado, Valentina. Fico feliz em saber que você pensa assim.

Os olhos dela se arregalaram diante da maneira como ele pronunciara seu nome, mais do que apenas um desejo. Qualquer mulher que buscasse sua atenção teria notado que ela conseguira isso semanas antes. Mais uma vez, Valentina não estava querendo chamar a atenção dele — de fato, estava meio que fugindo disso.

Valentina era o oposto de todas as mulheres que ele conhecia em Hollywood. Em vez de tentar chamar a atenção para si mesma, esforçava-se para mantê-lo a distância. Smith já havia se transformado em tantos personagens diferentes durante a carreira que sabia que tudo o que precisava era fazer algumas pequenas mudanças no cabelo, nas roupas, na maquiagem e na maneira como ela colocava o corpo enquanto ficava na frente dele para mudar a mensagem de caia fora para chegue mais perto.

Valentina era uma mulher extremamente inteligente. Apesar disso, Smith achava que ela não percebia o quanto ele era levado por seus mistérios, o quanto queria descobrir quem era ela de verdade. E por que ela queria tanto desviar a atenção dos homens, em particular a dele.

Ela também não se dava conta do quanto era bom conseguir encontrar uma mulher que não estivesse pronta para se atirar aos pés de Smith Sullivan. Ainda mais quando ele começara a se preocupar que não haveria uma mulher no mundo capaz de enxergar além de sua fama e de todo o brilho que vinha junto com isso.

Agora, enquanto a observava tentar conter a raiva, ocorreu-lhe que ela poderia ter sido uma grande atriz. A emoção fervia sob a superfície de seus olhos; a boca, a pele, tudo coberto por uma calma exterior capaz de enganar até mesmo o observador mais cuidadoso. Um dom de família, mesmo que Valentina o tivesse aprimorado para usar na vida real, ao passo que a irmã o usava em frente às câmeras.

Uma irmã tão fechada, a outra tão despachada.

Smith não pôde deixar de se perguntar: será que Valentina tinha sacrificado sua sinceridade para que a irmã pudesse ter tal liberdade?

Ela apontou para a pilha de números de telefone amontoada sobre a mesa dele, o lábio superior curvado de leve.

— Você tem muitas mulheres aos seus pés. Mais do que suficiente para qualquer homem ter a vida inteira.

Se ele não estivesse com tanta pressa naquela manhã, teria jogado os números fora em vez de apenas colocá-los em cima da mesa. Com qualquer outra pessoa, ele teria explicado a situação; com Valentina, achou que não tinha de se defender, porque não fizera nada de errado.

— Estava falando sério quando pedi que falasse

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