GUIA de IDENTIFICAÇÃO dos
CANÍDEOS SILVESTRES BRASILEIROS
Valdir A. Ramos Júnior
-
Cecília Pessutti
-
Cleyde A. F. S. Chieregatto
Agradecimentos
Para a realização deste primeiro trabalho, ainda por mais simples que seja, contamos com o auxílio de diversas pessoas e instituições. Por esta razão, gostaríamos de agradecer a todos que participaram de alguma forma e em especial:
- À Fundação RIOZOO, ao Zoológico Municipal Quinzinho de Barros e ao Zoológico Municipal de São Bernardo do Campo, por terem cedido seus profissionais para a elaboração deste Guia;
- À Associação Pró-Carnivoros, pelo envio de informações e fotografias;
- Aos amigos Adriano Gambarini, Márcia Chame, Márcia Mocelin, Gabriella Landau-Remy, Maria Renata Pitman e Raquel Von Hohendorff, pela cessão de fotografias;
- Aos integrantes do Grupo de Trabalho de Canídeos / GTC.
- A Gabriella Landau-Remy pelo apoio durante a elaboração do guia e compilação das informações,
- Ao companheiro Valme de Almeida, pela revisão dos textos, a Danielle Craveiro pela compilação dos dados,
- À Sociedade de Zoológicos do Brasil, a partir do Fundo para Publicações, que patrocinou o Guia de Identificação dos Canídeos Silvestres Brasileiros.
Ficha Catalográfica
599.74442 Ramos Jr. Valdir de Almeida
Guia de Identificação dos Canídeos Silvestres Brasileiros / Valdir de Almeida Ramos Jr., Cecília Pessutti, Cleyde Angélica Ferreira da Silva Chieregatto - Sorocaba, JoyJoy Studio Ltda. - Comunicação Ambiental, 2003. 35 páginas: 32x20 cm / Formato digital
Inclui bibliografia 1. Guia, 2. Identificação, 3.Carnivoros, 4. Canídeos, 5. GTC I. Ramos Jr, Valdir de Almeida II. Pessutti, Cecília III. Chieregatto, Cleyde Angélica Ferreira da Silva
Carnívoros
Canídeos
Família Canidae no Mundo
Família Canidae no Brasil
GTC - Grupo de Trabalho de Canídeos
Identidicação de Animais
Biometria
Guia de Biometria
Dados Biométricos
Ficha de Observação
Status Conservacionista Censo de Canídeos da SZB - Sociedade de Zoológicos do Brasil
Studbook
Studbook - Lobo Guará
Studbook - Cachorro do Mato Vinagre
Lobo Guará - Chrysocyon brachyurus
Cachorro do Mato - Cerdocyon thous
Cachorro do Mato de Orelha Curta - Atelocynus microtis
Cachorro do Mato Vinagre - Speothos venaticus
Raposa do Campo - Lycalopex vetulus
Graxaim do Campo - Pseudalopex gymnocercus
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Endereços dos Integrantes do Grupo de Estudos de Canídeos
Créditos das Fotografias da Capa
Informações para a aquisição do Guia
Organização
CARNÍVOROS
A ordem carnívora compreende duas sub-ordens: os Contudo, existe uma tendência convergente em evoluir da
carnívoros aquáticos ou Pinnipedia e os carnívoros
terrestres ou Fissipedia,
classificados como uma ordem própria. pelos Canidae, alguns Viverridae e alguns Mustelidae. Apresentam os dedos do membro anterior prefencialmente
forma de cursor para a condição de semiplantígrado, que culmina no tipo de locomoção digitígrado exemplificado
que
são
freqüentemente
Os carnívoros terrestres são classicamente divididos
com unhas ao invés de garras retráteis.
em dois grupos: Arctoidea, que inclui civeta, mangusto, hienas e gatos, e Canoidea, um grupo heterogêneo que A evolução do comportamento social exibe muitos
abrange os demais carnívoros terrestres. contrastes interessantes. Os carnívoros menores e noturnos são solitários, exceto no período de acasalamento
Muitas são as características anatômicas que distinguem os carnívoros, entre elas a forma, número e arranjo dos dentes. Os quartos pré-molares superiores e os primeiros molares inferiores são denominados carnassiais e funcionam como tesoura, possibilitando a quebra adequada dos alimentos. Segundo Eisenberg (1981), os carnívoros modernos mantiveram uma forte tendência para um
sistema digestivo simples e uma dentição conservativa. canídeos, tais como Canis aureus e Canis mesomelas,
o
filhote do ano anterior pode permanecer com os pais e auxiliar em vários aspectos no cuidado da próxima cria.
De modo geral, os carnívoros atuais mantiveram a utilização do sistema olfatório como a principal via de
captação de informação sensorial, sendo esta via de menor Os carnívoros sofreram uma rápida dispersão inicial,
importância para os felinos. Estes animais apresentam grande variedade de adaptações reprodutivas e grande
variação no tamanho relativo do cérebro. de muitas áreas do mundo, exceto Austrália e Nova Zelândia.
Muitos membros dessa ordem são plantígrados, isto é, colocam a sola do pé inteiramente no chão quando andam.
sendo que as linhagens foram bem diferenciadas no Eoceno e Oligoceno. Carnívoros de diferentes espécies são próprios
e durante a manutenção da unidade fêmea-filhote. Porém, m u i t o s c a r n í vo r o s d e s e nvo l ve ra m m e c a n i s m o s comportamentais que promovem a sociabilidade. Tem sido observada uma tendência entre os canídeos de formarem pares monogâmicos durante o cuidado dos jovens. Freqüentemente, os machos auxiliam a fêmea no fornecimento de alimento e, em algumas espécies de
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CANÍDEOS
Dentre os animais carnívoros, os representantes da família Canidae podem ser facilmente reconhecidos. Geralmente são fortes, possuem focinho longo e pontudo, orelhas eretas, cauda com pelos em forma de tufos, unhas não retráteis e geralmente são cursoriais. Embora de hábito alimentar carnívoro, algumas espécies se alimentam também de matéria vegetal e insetos. A formação de casais normalmente é constante na natureza, sendo que os machos participam da tarefa de prover alimento e de dar proteção aos filhotes.
que mostram uma redução dos dentes a partir do número básico 42 e a Caninae, que inclui os demais canídeos, como cães, chacais, lobos e raposas, com número clássico de dentes. Segundo Eisenberg (1981), a redução no número de dentes que caracteriza o cachorro do mato vinagre, o "dhole", e o "Cape hunting dog" pode refletir uma convergência na especialização da dieta mais que uma afinidade genética especial.
A família Canidae, sub-família Caninae no Brasil compreende gêneros de médio e grande porte. Os de médio porte, com comprimento médio de aproximadamente 71 cm, estão representados por:
Hennemann III et al. (1983) descreve os animais da família Canidae como terrestres, predadores cursoriais, que possuem hábitos alimentares que
variam de estritamente carnívoro a altamente onívoro. Atelocynus, com 1 espécie monotípica, Cerdocyon, com 1 espécie monotípica e 7 subespécies, Lycalopex,
A família Canidae apresenta ampla distribuição, podendo ser encontrada desde os trópicos até o Ártico (Hennemann III, et al. 1983). É c l a s s i c a m e n t e dividida em três sub-famílias, de acordo com o número de dentes. As três sub-famílias são: Otocyoninae (raposa orelha de morcego), com 46 a 50 dentes, Simocyoninae (incluindo Speothos, Cuon, e Lycaon),
com 1 espécie monotípica e Pseudalopex, com 5 espécies. O representante do gênero de grande porte é o Chrysocyon, que é o maior dos canídeos sul- americanos, com comprimento médio de aproximadamente 130 cm.
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Família Canidae no Mundo
A família Canidae contém 16 gêneros e 36 espécies com ampla distribuição, podendo ser encontrada desde os trópicos até o Ártico (Hennemann III, et al, 1983). É classicamente dividida em três sub-familias, de acordo com o número de dentes. São elas: Otocyninae, com 46 a 50 dentes; Symocyoninae, que apresenta um número inferior a 42 dentes; e Caninae, com o número clássico de dentes, ou seja, 42 dentes. Segundo Eisenberg (1981), a redução no numero de dentes que caracteriza o Cachorro-do-Mato-Vinagre, o Dhole e o African Wild Dog, pode refletir mais uma convergência na especialização da dieta do que uma afinidade genética especial. A sub-familia Otocyninae esta representada somente pelo gênero Otocyon e a Symocyoninae pelos gêneros Speothos, Cuon e Lycaon. Os gêneros da sub-familia Caninae são Canis, Alopex, Fennecus, Urocyon, Nyctereutes, Dusicyon, Cerdocyon, Atelocynus e Chrysocyon.
Família Canidae no Brasil
No Brasil possuímos 06 espécies de canídeos silvestres, sendo uma delas da sub-familia Symocyoninae, a Speothos venaticus, e as demais da sub-familia Caninae: Chrysocyon brachyurus, Cerdocyon thous, Lycalopex vetulus, Pseudalopex gymnocercus e Atelocynus microtis.
Das espécies citadas acima, a de biologia mais conhecida é de Chrysocyon brachyurus, o Lobo-Guara, seguida de Speothos venaticus, o Cachorro-do-Mato Vinagre e as demais com informações insuficientes.
Nem todas as espécies estão representadas nos zoológicos brasileiros, como e o caso de Atelocynus microtis. O Cachorro-do-Mato e o Lobo-Guara são as espécies mais constantes nos planteis brasileiros, chegando a alguns zoológicos a terem animais excedentes em sua coleções, situação causada pelo grande número de nascimentos em cativeiro e animais provenientes de natureza.
Abaixo, ressaltamos algumas informações sobre a biologia das espécies brasileiras.
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GTC - Grupo de Trabalho de Canídeos
O Plano de Manejo para o Lobo Guará foi implantado em 1989. No ano de 1995 criou-se o Grupo de Trabalho
de Canídeos, reconhecido oficialmente pelo IBAMA por meio da portaria n° 1883 , de 25/09/1995. A partir desta data, o GTC passou a gerenciar as demais espécies de cães selvagens brasileiros, alem do Lobo-Guara.
O funcionamento de um plano de manejo se dá por meio da organização de um comitê que congrega sete
especialistas (estando representados no comitê, os vários órgãos como zoológicos, ONGs e IBAMA). Esse comitê tem caráter consultivo, atuando junto às instituições mantenedoras, sugerindo a elas um manejo reprodutivo adequado, sempre levando em conta a integridade genética de cada espécie, dietas apropriadas, cuidados com filhotes, programas de imunização contra doenças, programas de educação ambiental, integração com pesquisadores em natureza, pesquisa, conservação, livro de registro genealógico, elaboração de protocolos de manejo entre outras atividades.
Desde que foi iniciado o programa, as pesquisas, tanto em natureza quanto em cativeiro, tiveram um grande aumento, o que resultou na melhoria da qualidade de vida desses animais principalmente em cativeiro. O desenvolvimento de vacinas específicas para algumas espécie foi também uma grande conquista.
Com a conclusão de mais um trabalho do GTC, estamos entregando à comunidade zoológica o Guia de Identificação de Canídeos Silvestres Brasileiros, o qual, temos certeza, irá auxiliar no dia-a-dia dos profissionais que atuam tanto in situ quanto ex situ. Gostaríamos que os usuários deste guia nos auxilia-se com críticas e sugestões.
MSc Cecília Pessutti Coordenadora GTC
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Identificação de Animais
A identificação de espécies é fator preponderante para um correto manejo alimentar, reprodutivo, genético
e conservacionista tanto no cativeiro quanto em vida livre.
O reconhecimento e classificação utilizando-se de chaves taxonômicas, guias de campo com pranchas e/ou fotografias são algumas das ferramentas que auxiliam o pesquisador em seu trabalho. Os canídeos brasileiros são ainda fonte de dúvidas principalmente quando encontrados fora do ambiente natural e sem referencias ao local de onde tais animais foram encontrados ou capturados.
Outro agravante a correta identificação por parte de pesquisadores e profissionais que atuam em cativeiro é a possibilidade de formação de casais de espécies distintas mas fenotípicamente semelhantes levando a hibridização.
BIOMETRIA
A biometria é uma das mais antigas formas de obter informações morfológicas sobre espécies.
Os instrumentos utilizados são paquímetro, fita métrica, trena, régua.
Existem diferenças entre as medidas segundo a classe animal que se está estudando.
Para se tomar medidas de animais vivos há a necessidade dos mesmos estarem imobilizados, em cativeiro muitas vezes o manejo médico veterinário pode ser associado ao manejo biológico e assim ser realizada a biometria.
As medidas mais comumente utilizadas para mamíferos são estão esboçadas na página seguinte.
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Oe
FT
Cabeça
FT: Focinho–Temporal LM: Largura de Mandíbula IO: Inter-Olhos Oe: Orelha externa OI: Orelha Interna
Pata
Lpt: Largura Cpt: Comprimento
Almofadas
1,2,3,4 e 5 L: Largura C: Comprimento
Co
Corpo
Co = Comprimento do corpo Ca = Comprimento da cauda CP = Circunferência do Pescoço CA = Circunferência Abdominal CT = Circunferência Torácica pt = pata traseira pd = pata dianteira
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10
11
Entre as cinco espécies de canídeos há uma
existindo em relativa abundância em natureza, o
diferenciação quanto ao grau de ameaça entre elas. mesmo não acontece com o segundo. De fato, o lobo
A classificação adotado
agências de manejo de animais, sendo elas o IBAMA, a
IUCN e o CITES. 1976), é classificado como espécie ameaçada de extinção pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente
(IBAMA, 1989) e é colocado como Apêndice II do CITES (Convention for the International Trade of Endangered Species.
selvagem e em 1989 publicou a Lista Oficial de Espécies Ameaçadas de Extinção, a IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza)
pelo GTC segue às três maiores
gu ar á é co ns id erad o vu ln er áv el pe la
Un iã o
Internacional para Conservação da Natureza (IUCN,
O IBAMA é o órgão nacional de gestão de vida
publicou em 2002 o Red List of Threatened Species Devido
que contém todas as espécies ameaçadas de extinção e o CITES (Convention for International Transport Endangered Species) que regulamenta o transporte e
transferência de animais entre os países. aptos a no futuro servirem a repovoamento de habitats onde eles já existiram ou são raros. O Brasil, desde
à sua classificação o Lobo Guará se
tornou alvo de um plano mundial de manejo reprodutivo, que visa aumentar a população cativa, mantendo sua diversidade genética e com espécimens
1989, através da Sociedade de Zoológicos do Brasil, vem participando ativamente deste programa de
ou mais publicações citadas anteriormente. reprodução, buscando resolver os problemas mais comumente encontrados em cativeiro no país. Além de
pesquisas biológicas, tra balhos em educação ambiental vêm reforçando a necessidade de se conservar esta espécie.
se em níveis diferentes de ameaça. Enquanto o primeiro está livre de ser considerado ameaçado,
Com exceção da raposinha do campo as demais espécies de canídeos brasileiros são listadas em uma
O cachorro-do-mato e o lobo-guará encontram-
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Censo de Canídeos
SZB - Sociedade de Zoológicos do Brasil
As tabelas abaixo apresentam o número total de animais de cada espécie, o número de zoológicos que as mantém, os nascimentos que ocorreram no ano de 2001, os óbitos de filhotes com menos de 30 dias e a mortalidade geral.
O Censo da SZB para o ano de 2001 representa aproximadamente 34% dos zoológicos brasileiros.
O graxaim do campo é mantido em algumas instituições do sul do país mas infelizmente não houve registro para o ano de 2001.
LOBO GUARÁ
Chrysocyon brachyurus
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CACHORRO do
MATO
VINAGRE
Speothos venaticus
Nº espécimes
Nº zoológicos
Nascimentos nos últimos 12 meses
Óbito nos primeiros 30 dias
Mortalidade geral
|
20 |
|
11 |
|
|
4 |
|
|
0 |
|
|
3 |
|
|
CACHORRO DO MATO |
Cerdocyon thous |
Nº espécimes
Nº zoológicos
Nascimentos nos últimos 12 meses
Óbito nos primeiros 30 dias
Mortalidade geral
|
96 |
|
29 |
|
|
7 |
|
|
2 |
|
|
13 |
RAPOSINHA DO CAMPO
Lycalopex vetulus
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Studbook
O livro de registro da árvore genealógica (pedigree) de uma dada espécie é também conhecido
por studbook e compreende o registro de todos os animais, vivos e mortos que descendem de um grupo de ancestrais selvagens (fundadores) nascidos na natureza.
O primeiro livro de registro genealógico para uma espécie selvagem foi publicado nos anos 20
para o bisão europeu Bison bonasus.
Os studbooks são extensas bases de dados de linhagens de animais e desempenham um papel muito importante nos planos de sobrevivência ou manejo de espécies ameaçadas de extinção. Hoje em dia existem vários studbooks tanto regionais (compilação informações de um dado país ou região) quanto internacionais (possuem informações em nível mundial) .
Dentre os canídeos brasileiros duas espécies possuem studbook tanto internacional regional, são ela o lobo guará e o cachorro do mato vinagre.
quanto
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Studbooks - Canídeos Brasileiros Ameaçados de Extinção
LLoboobo GuaráGuará
Em 1980 foi publicado o primeiro studbook internacional para o lobo guará sob o gerenciamento do zoológico de Frankfurt e em 1990 o zoológico de Sorocaba organizou o primeiro regional.
As informações abaixo são referentes às instituições brasileiras compreendendo zoológicos e criadouros conservacionistas.
LOBO GUARÁ
Chrysocyon brachyurus
Fonte: Studbook Internacional 2001
As informações abaixo são referentes a todas as instituições inclusive as brasileiras.
LOBO GUARÁ
Chrysocyon brachyurus
Fonte: Studbook Internacional Lobo Guará 2001
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CachorroCachorro dodo MatoMato VinagreVinagre
Em 1979 sob o gerenciamento do zoológico de Kopenhagen foi publicado o primeiro studbook internacional para o cachorro do mato vinagre e em 2002 o zoológico de São Bernardo do Campo organizou o primeiro regional.
As informações abaixo são referentes às instituições brasileiras compreendendo zoológicos e criadouros conservacionistas.
CACHORRO do MATO VINAGRE
Speothos venaticus
Fonte: Studbook Internacional Cachorro do Mato Vinagre 2001
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Lobo Lobo Guará Guará
- - Chrysocyon Chrysocyon brachyurus brachyurus
Lobo de Juba, Lobo de Crina, Lobo ou Maned Wolf
Alimentação São onívoros, alimentando - se de pequenas presas, sapos, lagartos, roedores, insetos, pequenas aves, ovos, tatus, raízes e frutas diversas.
Coloração Cor geral castanho avermelhada claro, crina sobre a nuca e dorso com pelos pretos, assim como as quatro patas. A ponta da cauda, parte interna das orelhas e região gular são brancos.
Distribuição Geográfica
Centro-Sul e Nordeste do Brasil em áreas abertas, Sul da Bolívia, Paraguai, Norte da Argentina e Uruguai.
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Nome cientifico
Chrysocyon
Nome vulgar
alimentando de pequenos vertebrados e invertebrados
e grande quantidade de frutas, em especial as do
brachyurus (Illiger, 1815) Solanum lycocarpum, conhecidas como lobeira ou fruta
do lobo. O adulto pesa cerca de 20 a 23 quilos e mede de 145 a 190 centímetros de comprimento e 80 centímetros de altura.
Lobo guará
IBAMA: Ameaçado de Extinção CITES: II
O Lobo Guará apresenta pelagem longa e avermelhada, longas pernas e orelhas grandes. E o maior canídeo da América do Sul. Possui as patas negras, assim como sua crina, que se estende do alto do crânio ate as primeiras vértebras lombares e a ponta do longo e afilado focinho. Apresenta o final da cauda e o interior das orelhas com coloração branca.
São encontrados em toda a região compreendida pelo Planalto Central, Pantanal mato-grossense, sul da bacia amazônica, chegando ate áreas de Mata Atlântica dos estados da Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Ocorrem também em regiões do sul da Bolívia, Paraguai e Argentina.
A espécie esta classificada pela UICN como Vulnerável, de acordo com o Livro Vermelho, de 1994. Uma das principais ameaças a esta espécie e a constante perda de habitat, seja pelo crescimento urbano ou pela agricultura, onde os animais estão mais sujeitos as pressões de caça. Existem também as crenças populares, onde os animais são caçados para se retirar apenas algumas partes do corpo que serão utilizadas como amuletos ou ate mesmo para curar doenças. Atualmente, existem vários programas de conservação e proteção dentro de alguns parques, aonde ainda existem os animais, para evitar que a espécie desapareça.
São animais solitários e os indivíduos adultos são territorialistas. Durante o período do acasalamento o macho pode ficar mais tempo com a fêmea, ate o nascimento do filhote. A gestação dura aproximadamente de 62 a 66 dias e a maioria dos nascimentos ocorrem entre junho e setembro. O filhote nasce com aproximadamente 350 gramas e abre os
olhos entre 8 e 9 dias. Na natureza, o macho não
no cuidado a prole, mas defende o território onde estão.
Fazem marcação de território por cheiro e casais se comunicam a longa distancia através de vocalizações. Apresentam hábitos noturnos - crepusculares, evitando regiões de ocupação humana mas estes encontros estão cada vez mais comuns. São onívoros, se
ajuda
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CachorroCachorro dodo MatoMato -- CerdocyonCerdocyon thousthous
Cachorro do Mato, Crab Eating Fox, Common Fox, Forest Fox, Zorro Comum, Zorro de Monte, Zorro Sabanero, Zorro Perro
Alimentação Pequenos vertebrados, crustáceos, insetos, ovos, animais mortos e frutas.
Coloração Pelagem cinza, com alguns pelos negros, pernas, pés e pontas das orelhas negras. Variações individuais.
Distribuição Geográfica
Colômbia, Venezuela, Suriname, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Brasil e norte da Argentina.
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variando sua alimentação nas épocas de chuva e secas, de acordo com os recursos mais abundantes.
Nome cientifico
Cerdocyon thous
Nome vulgar Vivem em grupos de aproximadamente três casais e
o território e marcado através de urina e vocalizações. Os casais formados tendem a permanecer juntos por um longo período e o acasalamento não ocorre em épocas certas do ano, ocorrendo apenas uma ninhada por ano. A gestação dura cerca de dois meses, onde nascem de 3 a 6 filhotes. A amamentação e feita ate os três meses de idade e depois já aprendem a caçar com os pais, passando a acompanha-los. A longevidade e de aproximadamente 11 anos.
Cachorro do mato
CITES: II
Canídeo mais comum do continente sul- americano, apresenta coloração grisalha (cinza), com alguns pelos negros, que podem variar individualmente, apresentando alguns indivíduos uma coloração mais amarelada e outros quase negros. Possui as pernas e pés mais escurecidos e pelo relativamente curto. O adulto pesa de 6 a 7 quilos.
Ocorrem da Colômbia ate a Argentina e por grande parte do Brasil, habitando vários ambientes, sendo mais encontrados em cerrados ou florestas de galeria.
Possuem hábitos noturnos, se alimentam de insetos e pequenos vertebrados e invertebrados, alem de frutos, tendo preferencia por pequenos roedores. Sua dieta apresenta certa sazonalidade,
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CachorroCachorro dodo MatoMato dede OrelhaOrelha CurtaCurta -- AtelocynusAtelocynus microtismicrotis
Alimentação Peixes, frutos, anfíbios, insetos e pequenos mamíferos.
Coloração Dorso cinza escuro, cabeça castanho escuro, cauda negra, pernas pretas ou marrom escuro e partes inferiores castanho.
Distribuição Geográfica
Florestas tropicais de planícies da América do Sul ao leste dos Andes na Colômbia, Equador e Peru, na bacia do Amazonas. No Brasil, ao sul do Amazonas, do Rio Tocantins ao Mato Grosso.
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Swarner & Leite Pitman, 2002
Nome cientifico
Atelocynus microtis (Sclater, 1883) Animal de hábitos solitários, só se reunindo em Nome vulgar casais na época do acasalamento. O macho possui Cachorro do mato de orelhas curtas uma glândula anal que produz uma secreção com CITES: não consta cheiro forte, usada como marcação de território. Apresentam hábitos de herbivoria e sua dieta e
constituída por pequenos mamíferos, incluindo roedores. Em comparação com outros canídeos,
Canídeo de médio porte, com um rostro bastante longo e orelhas externas curtas. O comprimento da cabeça ate o corpo varia de 90 centímetros a 1 metro e a cauda varia de 25 a 35 centímetros. A coloração típica e marrom escuro, podendo apresentar pelos brancos mesclados com a pelagem, dando uma aparência grisalha e ate mesmo formando uma linha mais clara na região mediana dorsal, apresentando a cauda preta. Esta espécie e facilmente diferenciada dos outros
canídeos neotropicais pelo tamanho da orelha, A biologia desta espécie ainda é muito comprimento do corpo e coloração. desconhecida, principalmente por não haver animais em cativeiro. Em 2000 uma pesquisadora
insuficientemente conhecida, com sugestões de alguns autores para classificá-la como vulnerável, para que medidas mais efetivas de conservação sejam tomadas.
apresenta um repertório vocal limitado. Segundo informações do Livro Vermelho de 1994, esta
espécie estava classificada
pela
UICN
como
Está distribuído pela Colômbia, Bolívia, Equador, Peru e no Brasil, pela bacia amazônica, ao sul dos rios Amazonas e Negro e do rio Tocantins ao Mato Grosso, na bacia do rio Paraguai. São encontrados nas florestas primarias continuas de baixada, ate 1000 metros de altitude.
da universidade
Associação Pró-Carnivoros iniciou o primeiro estudo
em natureza com este animal na floresta amazônica peruana.
de Duke-USA e membro da
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CachorroCachorro dodo MatoMato VinagreVinagre -- SpeothosSpeothos venaticusvenaticus
Cachorro Vinagre, Cachorro do Mato, Janaui, Janauaíra, Cachorro Putoco, Bush Dog
Alimentação Pacas, cutias, pássaros, pequenos vertebrados e frutos.
Coloração Cabeça e pescoço até os ombros, marrom claro, escurecendo gradualmente para os quartos traseiros até o marrom escuro. Ventre e peito muito escuros, algumas vezes com manchas brancas no peito.
Distribuição Geográfica
Panamá, Colômbia, Venezuela, Guianas, Sul do Peru, Brasil, Sul da Bolívia, Paraguai e Norte da Argentina.
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próximo a cursos d´agua. Sua alimentação e
Speothos venaticus constituída de peixes, grandes roedores como Nome vulgar cutias, pacas e capivaras, de pequenos cervídeos, Cachorro do mato vinagre incluindo também outros mamíferos de pequeno IBAMA: Ameaçado de Extinção porte. A utilização de animais maiores do que o
próprio S. venaticus para alimentação e possível através da caça cooperativa, onde vários indivíduos do grupo participam. A espécie aparenta ser rara em seu habitat, sendo mais suscetível a destruição do habitat e consequentemente perda de suas presas, pelo mesmo problema.
Canídeo de pequeno porte, medindo de 55 a 75 centímetros da cabeça ao corpo e pesando aproximadamente de 5 a 7 quilos. Apresenta como características marcantes as orelhas redondas e extremamente curtas, assim suas patas e cauda. E
considerado o canídeo mais social, pois vive em Esta espécie foi classificada pela UICN como
grupos de 4 a 7 indivíduos. Estes grupos podem ser compostos pelo casal e sua prole e estar ou não associado a outros indivíduos. A gestação dura aproximadamente 67 dias e a prole varia entre 1 a 6 filhotes, que são amamentados por oito semanas. A longevidade e de aproximadamente 10 anos. São encontrados no Panamá, Colômbia, Venezuela, Guianas, leste do Peru, Brasil, Sul da Bolívia, Paraguai e nordeste da Argentina. Habitam florestas a áreas de savana úmida, sendo encontrado em diversos habitats, como florestas de galeria e floresta tropical úmida, de preferencia
vulnerável, de acordo com o Livro Vermelho, de 1994. Este canídeo parece ser extremamente raro dentro de sua área de ocorrência, o que o torna mais suscetível a destruição do habitat.
CITES : I
Nome cientifico
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RaposaRaposa dodo CampoCampo -- LLycalopexycalopex vetulusvetulus
Raposa do Campo, Hoary Fox
Alimentação Formigas e outros insetos, roedores, pequenas aves, e ovos.
Coloração Pelagem cinza, parte externa dos membros amarelada, queixo cinza e pescoço branco. A extremidade da cauda é preta.
Distribuição Geográfica
Centro e Sudeste do Brasil, Minas Gerais e Mato Grosso, até o Oeste de São Paulo.
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A gestação dura em media dois meses, onde
Lycalopex vetulus (Lund, 1842) nascem de 2 a 5 filhotes, que ficam em buracos ou
tocas, procurados pela mãe. E um animal tímido,
Raposinha do Campo mas quando ameaçado pode ser bastante CITES: não consta territorialista, defendendo sua prole. Longevidade
Nome vulgar
Nome cientifico
de 13 anos, aproximadamente.
Canídeo de pequeno porte, com coloração marrom acinzentado, com uma linha negra na Nas regiões urbanas próximas a agricultura,
região mediana dorsal. Apresenta manchas negras na cauda. Uma característica muito importante e que esta espécie possui a base das orelhas e partes das patas amareladas e queixo branco. Mede aproximadamente 60 centímetros e pesa cerca de 4 quilos.
estes animais são caçados pelo homem por serem considerados uma ameaça a criação de galinhas e outros animais domésticos, já que em raros casos se alimentam destes pela redução e perda de seu habitat e proximidade com fazendas.
Vive nas vegetações do cerrado e caatinga do Brasil, como campos de vegetação aberta e poucas arvores. Ocorre desde o Ceara, passando por parte de São Paulo e pelos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato grosso e Mato Grosso do Sul.
Se alimenta sazonalmente de invertebrados, especialmente térmites e outros insetos e de pequenos roedores e pássaros.
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GraxaimGraxaim dodo CampoCampo
-- PPseudalopexseudalopex gymnocercusgymnocercus
Raposa Sul Americana, Guaraxaim, Graxaim do Campo, South American Fox
Alimentação São onívoros, alimentando-se de roedores, pássaros, lagartos, anfíbios e frutas.
Coloração Cinza amarelada com a cabeça e nuca mais escuras. Orelhas, focinho e patas amarelo claras.
Distribuição Geográfica
Sul do Brasil, Paraguai, Norte da Argentina e Uruguai
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Nome cientifico
Pseudalopex gymnocercus
Nome vulgar
Graxaim do Campo
CITES: II
Este canídeo apresenta uma coloração cinza amarelada, com a região da cabeça mais escura que o resto do corpo. Possui patas amarelo claras, assim como as orelhas e o focinho afilado na extremidade.
Canídeo típico do Rio Grande do Sul, aparecendo em regiões abertas como capoeiras e campos. Sua distribuição e do Sul do Brasil, Paraguai, Norte da Argentina e Uruguai. Possui hábitos noturnos - crepusculares, permanecendo durante o dia em tocas. São solitários, formando casais na época da reprodução. A fêmea tem uma prole de 4 a 5 filhotes. O adulto pesa de 3 a 5 kg, o comprimento da cabeça ao corpo e de 80 a 100 cm e da cauda e de 40 cm.
São onívoros, se alimentando de pequenos mamíferos como roedores, pássaros, lagartos, rãs e frutas. São animais ainda muito pouco estudados ,
principalmente devido ao plantel reduzido nos zoológicos brasileiros. São também muito confundidos com a Raposa-do-Campo (P. vetulus), distinguindo-se apenas em sua distribuição e porte.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Endereços dos Integrantes do Grupo de Estudos de Canídeos
Cecília Pessutti Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros Sorocaba - SP. Tel.: 0 xx 15 227 5454 Fax: 0 xx 15 227 5454 Email: cpessutti@ig.com.br
Valdir Ramos Júnior Fundação RIOZOO - Rio de Janeiro - RJ. Tel. : 0 xx 21 2569 2024 Fax : 0 xx 21 2569 3403 Email: vramosjr@ig.com.br
Gianfranco I. Marino Zoológico Municipal de Mogi Mirim - SP. Tel.: 0 xx 19 3805 4370 Fax : 0 xx 19 3805 4370 Email: zoomogimirim@ig.com.br
Rose Lilian G. Morato Associação Pró-Carnívoros Tel.:0 xx 11 6232 6256 Fax: 0 xx 11 6232 6256 Email: rose@procarnivoros.org.br
Ana Maria Viana Freire Antunes CENAP / IBAMA Tel.: 0 xx 15 3281 3053 / 3281 3702 / 3281 3625 Fax: 0 xx 15 3281 3053 Email: cnap@splicenet.com.br
Rogério de Paula Cunha CENAP / IBAMA Tel.: 0 xx 15 3281 3053 / 3281 3702 / 3281 3625 Fax: 0 xx 15 3281 3053 Email: rogerio.cenap@uol.com.br
Cleyde A. F. S. Chieregatto Parque Estoril Zoológico Municipal de São Bernardo do Campo - SP. Tel.: 0 xx 11 4354 9087 Fax: 0 xx 11 4354 9318 Email: cleydechieregatto@ig.com.br
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Créditos das Fotografias da Capa
Gabriella Landau-Remy
Raquel Von Hohendorff
Swarner & Leite Pitman, 2002
Valdir Ramos Jr.
INFORMAÇÕES PARA A AQUISIÇÃO DO GUIA
Para maiores informações envie um email para o Grupo de Trabalho de Canídeos gtc@ibest.com.br
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