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Material didático de apoio à disciplina BVE 270

Atenção: Material provisório ainda em fase de redação e correção. Por favo, não reproduza. Espere a versão devidamente corrigida. Correção parcial efetuada em 07/05/2003

SSíínntteessee ddee ccaarrbbooiiddrraattooss ddee rreesseerrvvaass ee RReessppiirraaççããoo

Prof. Marcelo Ehlers Loureiro Prof. Marco Aurélio Pedron e Silva

Revisão de texto: Pedro Eisenlohr

1) Sintese de Reservas pelas Folhas: Síntese de Amido e Sacarose

1

2) Regulação da Sintese de Amido

3

3) Regulação da Sintese de Sacarose

4

4)

Respiração

 

5

4.1) Aspectos Gerais

5

 

4.2)

Mitocôndria

6

4.3)

Glicólise

7

4.4) Ciclo de Krebs

9

4.4.1) Oxidação do Piruvato

9

4.4.2) Ciclo do ácido cítrico

9

4.4.3) Cadeia de transporte de elétrons e fosforilação oxidativa

10

4.4.4) Vias alternativas de mitocôndrias de plantas

Erro! Indicador não definido.

5) Regulação da glicólise

16

6) Alterações na Glicólise em Plantas sob Condições de Hipoxia

18

7) Via da pentose-fostato (PPP)

18

8) Fatores que afetam a respiração

20

8.1) Disponibilidade de substrato

20

 

8.2)

Disponibilidade

de

Oxigênio

20

8.3)

Temperatura

22

8.4) Tipo e idade da planta

 

22

11)) SSíínntteessee ddee RReesseerrvvaass ppeellaass FFoollhhaass:: SSíínntteessee ddee AAmmiiddoo ee SSaaccaarroossee

A fotossíntese transforma a energia luminosa em energia bioquímica, a qual é utilizada nas reações biossintéticas de outras moléculas necessárias às células. Essa energia encontra-se armazenada na molécula de triose-fosfato (triose-P) produzida no Ciclo de Calvin. Essa triose (gliceraldeído-3-fosfato, 3-PAG - em português: 3-GAP - ou dihidroxiacetona-3-fosfato) pode ser utilizada no próprio cloroplasto para a síntese do amido transitório, ou pode ser transportada para o citosol por uma proteína de membrana chamada “translocador de triose”. Para que esse transporte ocorra, deverá ocorrer o contra-transporte de um Pi, do citosol para o cloroplasto. Para cada triose transportada para o citosol, um Pi será transportado para o cloroplasto. A triose que chega ao citosol poderá ser utilizada nas reações de síntese de sacarose (ou alternativamente, na respiração), que ocorrem basicamente no citosol da célula da folha.

Fig. 1. Destinos da triose produzida pelo ciclo de Calvin para a síntese de reservas

Fig. 1. Destinos da triose produzida pelo ciclo de Calvin para a síntese de reservas energéticas pela planta.

As trioses-P produzidas pelo Ciclo de Calvin podem seguir duas rotas metabólicas distintas:

ou permanecem no estroma e seguem à síntese de amido, ou são transportadas ao citosol para a síntese de sacarose. A síntese de amido só ocorre durante o dia, visto que o acúmulo de triose para a sua síntese só ocorre na presença da luz. Na síntese de amido, primeiro as trioses-P são utilizadas para a síntese de hexoses, as quais são transportadas como ADP-glicose (ADPG) pela enzima ADPGase (Pirofosforilase da ADPG), enzima-chave no controle da síntese de amido. ADPGase é ativada pelo sistema ferredoxina-tioredoxina, o qual também só é ativo durante o dia. O acúmulo de grandes quantidades de amido nos cloroplastos pode levar a um desarranjo nas membranas dos tilacóides, afetando a perfeita estrutura dos fotossistemas e, conseqüentemente, afetando a captação de energia luminosa e diminuição das taxas fotossintéticas. Assim, o controle da síntese de amido é essencial, de forma a não prejudicar a fotossíntese.

é essencial, de forma a não prejudicar a fotossíntese. Fig.2: Micrografia eletrônica mostrando a acumulação.

Fig.2: Micrografia eletrônica mostrando a acumulação. Tanto a região mais clara como a mais escura faz parte do grão de amido.

A triose transportada ao citosol é utilizada na síntese da sacarose, em várias reações similares àquelas da síntese de amido. A síntese da sacarose leva à liberação de quatro fosfatos (Pi), que são essenciais para que o transporte de triose continue (Fig.3). Visto que a taxa de síntese de sacarose excede em até 10 vezes a taxa de síntese de amido, a maior parte da triose produzida no Ciclo de Calvin é transportada para o citosol e utilizada na síntese da sacarose. O principal destino da sacarose sintetizada no citosol é sua exportação para os órgãos dreno (órgãos que não sintetizam a energia suficiente que precisam). Também ocorre um transporte de sacarose para dentro do vacúolo, o qual, junto com o amido transitório do cloroplasto, servem como substrato para manter a respiração e o transporte de sacarose à noite, período no qual não há síntese de triose-P. Em algumas plantas, como cevada, não é acumulado amido transitório durante o dia, sendo a sacarose ou os frutanos acumulados no vacúolo a principal fonte energética para sustentar a respiração

a principal fonte energética para sustentar a respiração noturna . Fig. 3. Rota biossintética da sacarose,

noturna.

Fig. 3. Rota biossintética da sacarose, mostrando os grupos Pi liberados na rota e sua importância para o transporte das trioses-P para o citosol.

22)) RReegguullaaççããoo ddaa SSiinntteessee ddee AAmmiiddoo

Como comentado no item anterior, a síntese de sacarose é cerca de 10 vezes superior à síntese de amido. A enzima-chave na regulação desse processo é a ADPGase, a qual é regulada alostericamente pelos metabólitos Pi (inibidor da atividade enzimática) e pelo 3-PGA (glicerato 3- fosfato - ativador da atividade enzimática). O Pi oriundo da própria síntese do amido ou oriundo do citosol (produto da síntese da sacarose) pode se acumular no cloroplasto e inibir a ADPGase alostericamente. Isso ocorre, por exemplo, quando uma redução significativa nas reações

fotoquímicas ocorre. Essas reações consomem a grande maioria do Pi, para que possam sintetizar

ATP. Se houver redução nas reações fotoquímicas, acumular-se-á Pi no cloroplasto, inibindo então

a ADPGase. Essa inibição é importante para evitar que a síntese de amido compita com o Ciclo de

Calvin, visto que ambas as rotas bioquímicas utilizam a triose-P como substrato. Assim, a acumulação da reserva na forma de amido não ocorre de forma a prejudicar o Ciclo de Calvin. A

inibição pelo Pi pode ser superada pelo estímulo do regulador alostérico 3-PGA. Assim, se a síntese de amido aumentar muito, ao mesmo tempo muito Pi se acumulará no cloroplasto, inibindo a ADPGase. Essa regulação da síntese do amido por Pi e 3-PGA vem explicar o mecanismo pelo qual

a síntese de amido é uma válvula de superfluxo de produção de energia na forma de carboidratos:

quando a sacarose se acumula, devido à saturação de seu transporte (ou inibição), menos Pi é liberado no citosol, diminuindo também o Pi no cloroplasto, acumulando-se triose-P. Diminuição de Pi no cloroplasto significa alívio da inibição da ADPGase pelo Pi, e acúmulo de triose significa também acúmulo de 3-PGA, o regulador positivo da ADPGase. Assim, aumenta dramaticamente a

atividade da ADPGase quando diminui a síntese da sacarose, visto que aumenta a concentração do estimulador e diminui a do inibidor.

- +
-
+

Fig 4: Esquema da regulação da ADPGase, enzima-chave da síntese de amido, pelos seus efetores (Pi e 3- fosfoglicerato).

33)) RReegguullaaççããoo ddaa SSiinntteessee ddee SSaaccaarroossee

Duas enzimas-chaves são os principais responsáveis pela regulação da síntese da sacarose:

SPS (Sintase da sacarose-fosfato) e FBPase (frutose 1,6-bifosfatase). A regulação da enzima FBPase será abordada no ítem “Regulação da Glicólise”. Concentraremo-nos agora somente na regulação da SPS. A enzima SPS, quando fosforilada pela enzima cinase da SPS, transforma-se em sua forma menos ativa. A ativação da SPS, ao contrário, depende de sua desfosforilação pela enzima SPS- fosfatase. Dois metabólitos regulam o nível da forma ativa (fosforilada) da SPS, bem como do nível de atividade enzimática da forma ativada. Glicose-6-fosfato (G-6-P) inibe a cinase da SPS, inibindo, portanto, a sua inativação. A G-6-P é, também, um regulador alostérico da SPS ativa: ela

liga-se à enzima diretamente, aumentando a sua velocidade de reação. G-6-P é um sinal, traduzindo

o tamanho do “reservatório de hexoses de uma célula”, o que ajuda no equilíbrio entre duas rotas

competitivas: fotossíntese e glicólise. Traduz, também, o nível de triose, indicando o nível de

atuação do Ciclo de Calvin. Assim, se G-6-P é alto, significa que a glicólise está “satisfeita”, e que

o ciclo de Calvin está atuando em níveis elevados, sendo, então, o sinal verde para a síntese da

sacarose. Por outro lado está o Pi, cujo efeito é exatamente o contrário ao da G-6-P. Alta concentração de Pi no citosol significa alta síntese de sacarose, e/ou alta taxa de metabolismo + respiração insuficiente a essa demanda, ou redução do nível de atividade do Ciclo de Calvin (menos triose sendo transportada para o citosol, acumulando Pi no citosol). Pi é um freio à síntese de sacarose, e esse freio é importante de forma a permitir que a célula de uma folha não sacrifique outras rotas metabólicas à custa da exportação da sacarose pela folha. Pi então inibe a fosfatase, que ativaria a SPS, e atua também ao nível da enzima SPS ativada (desfosforilada), inibindo a velocidade da reação catalisada por essa enzima. Pi também regula a síntese da sacarose, quando da

regulação da enzima FBPase (ver adiante).

quando da regulação da enzima FBPase (ver adiante). Fig. 5: Regulação da síntese da sacarose através

Fig. 5: Regulação da síntese da sacarose através da regulação da SPS

44)) RReessppiirraaççããoo

44 11))

AAssppeeccttooss GGeerraaiiss

A respiração é um processo de óxido-redução, no qual a energia armazenada nas moléculas orgânicas reduzidas (compostos orgânicos de reserva) é liberada de forma controlada. A respiração aeróbica é comum a todos os organismos eucariontes e, em termos gerais, o processo respiratório nas células vegetais e animais é similar.

A equação simplificada da respiração, geralmente, é representada pela oxidação de uma molécula

de glicose:

C 6 H 12 O 6

+

6O 2 + 6H 2 O

C 6 H 1 2 O 6 + 6O 2 + 6H 2 O 12H 2

12H 2 O + 6CO 2

(Gº = -2880 kJ/mol glicose)

Nesta equação, que representa uma reação de óxido-redução, a glicose é completamente oxidada

a CO 2. O oxigênio, que serve como último aceptor de elétrons, é reduzido para formar água. Geralmente, a glicose é citada como o substrato respiratório. As fontes de glicose são polímeros, como o amido, ou dissacarídeos, como a sacarose. No entanto, no metabolismo celular, outros açúcares, lipídeos (principalmente triacilglicerol), ácidos orgânicos e, em determinadas circunstâncias, proteínas, podem ser utilizados como substratos respiratórios.

A respiração celular ocorre em três etapas definidas:

-A glicólise, catalisada por enzimas solúveis localizadas no citosol, que permite a oxidação de uma molécula de glicose, produzindo dois piruvatos, ATP e gerando NADH; -O ciclo de Krebs (ou ciclo do ácido cítrico ou ainda ciclo dos ácidos tricarboxílicos), que ocorre na matriz da mitocôndria, através do qual o piruvato é oxidado completamente, liberando CO 2 , gerando ATP e uma considerável quantidade de NADH; -A cadeia de transporte de elétrons, que ocorre na membrana interna das mitocôndrias, através da qual são transferidos elétrons do NADH para o O 2 , gerando-se um gradiente eletroquímico de prótons que permite a síntese de ATP via enzima sintetase do ATP (comumente referida como ATPase).

4.2) Mitocôndria

A mitocôndria é uma organela celular de poucos micrômetros (µm) de diâmetro e comprimento, onde ocorre o ciclo de Krebs e a cadeia de transporte de elétrons. Esta organela está limitada por duas membranas, uma externa e uma interna invaginada. A fase aquosa do interior da membrana interna é denominada matriz. A região limitada pelas duas membranas é o espaço intermembranar. As invaginações da membrana interna formam estruturas denominadas cristas. As cristas permitem incrementar significativamente a área superficial da membrana interna.

Fig. 6 – A mitocôndria A teoria endossimbionte hipotetiza que um microrganismo foi absorvido por

Fig. 6 – A mitocôndria

A teoria endossimbionte hipotetiza que um microrganismo foi absorvido por outro, desenvolvendo um processo de endossimbiose, o que levou ao surgimento da mitocôndria (como também citado para a origem do cloroplasto). Como evidências, temos, na mitocôndria, a presença de cromossoma e ribossomas de procariotos, e a presença de um processo de replicação, transcrição e tradução, também característicos de eucariotos. Durante a evolução, também vemos um processo contínuo de fluxo gênico, possuindo os mamíferos um genoma mitocondrial muito menor do que o genoma mitocondrial das plantas, as quais são menos evoluídas.

4.3) Glicólise

A degradação da sacarose é considerada uma primeira fase da glicólise. Duas rotas de degradação da sacarose são possíveis: uma via invertase e outra via sintase da sacarose (SuSy; Fig 7). A reação via invertase é irreversível, e não aproveita a energia glicosídica que ligava a frutose à glicose na molécula de sacarose. A reação catalisada pela SuSy aproveita essa energia, a qual é mantida na ligação UDP-glicose, e aproveitada finalmente na reação seguinte na produção de UTP. Qualquer via de degradação irá originar, no final, frutose-6-fosfato (F-6-P), a qual segue então para a segunda fase da glicólise (Fig.7).

Fig. 7: Primeira fase da glicólise. A degradação da sacarose pode ocorrer por duas rotas

Fig. 7: Primeira fase da glicólise. A degradação da sacarose pode ocorrer por duas rotas distintas, as quais confluem para o mesmo ponto final (produção de frutose 6-fosfato).

para o mesmo ponto final (produção de frutose 6-fosfato). Até a formação de 3-GAP, a partir

Até a formação de 3-GAP, a partir de uma hexose (imagine a hexose ou a frutose formada pela reação da invertase), ocorre o gasto de duas moléculas de ATP. Mas a função da respiração é exatamente o contrário (transformar a energia presente nas ligações químicas de uma molécula de açúcar em ATP). Na verdade, essas primeiras reações estão preparando a molécula de açúcar, de forma que as reações posteriores possam aproveitar melhor a energia presente. A produção de energia começa a partir do 3-GAP. Esse aldeído é transformado em um ácido, sendo sua energia utilizada na incorporação de mais um fosfato à molécula, bem como na geração de um NADH. Esse fosfato introduzido nessa reação poderá, então, ser utilizado na próxima reação, onde 1,3-PGA é transformado em PGA, produzindo ATP. A última reação produtora de energia na glicólise é a formação de piruvato a partir do fosfoenolpiruvato (PEP), onde será, então, produzido um ATP. Cada hexose oxidada na glicólise consumirá, portanto, 2 ATPs, e produzirá 4 ATPs (saldo líquido de 2 ATPs) e 2 NADH.

Fig. 8: Esquema das reações da glicólise a partir da F-6-P.

Sob condições de anaerobiose, os NADH produzidos na glicólise não podem ser reciclados na

cadeia mitocondrial de transporte de elétrons. Assim sendo, ainda no citosol, o piruvato pode ser utilizado

como substrato para a Fermentação Láctica ou para a Fermentação Alcoólica. Na Fermentação Láctica, o

próprio piruvato é reduzido a lactato, utilizando-se o poder redutor do NADH, visando a recuperação de

NAD + . Na Fermentação Alcoólica, o piruvato é inicialmente descarboxilado, resultando em acetaldeído, e

este é reduzido (utilizando o poder redutor do NADH), resultando em álcool etílico. As fermentações

caracterizam-se por envolverem uma oxidação apenas parcial do substrato orgânico inicial (glicose, em

geral), e pelo fato de um composto orgânico ser o aceptor final de elétrons. Assim sendo, compostos

orgânicos estão entre os produtos finais (lactato ou álcool etílico + CO 2 ) e o rendimento energético é de

apenas 2 ATPs, que correspondem ao saldo da glicólise.

4.4) Ciclo de Krebs

Sob condições aeróbicas, o piruvato é transportado para o interior das mitocôndrias, onde é oxidado completamente, no ciclo de Krebs, liberando CO 2 . O ciclo de Krebs, também denominado de ciclo do ácido cítrico ou dos ácidos tricarboxílicos (TCA), ocorre fundamentalmente na matriz mitocondrial. Na verdade, a oxidação mitocondrial do piruvato ocorre em duas etapas. Na primeira, o piruvato é oxidado até acetil-CoA. Na segunda, os grupamentos de acetil são oxidados completamente a CO 2 , no ciclo do ácido cítrico.

4.4.1) Oxidação do Piruvato Na oxidação do piruvato, uma molécula de piruvato é convertida em acetil, em uma série cíclica de reações que removem dois elétrons, dois H + e um carbono na forma de CO 2 . Os elétrons e prótons são utilizados para reduzirem o NAD + a NADH. A unidade acetil é transferida para a coenzima A, para formar acetil-CoA. As unidades acetil, carregadas pela acetil-CoA, servem como “combustível” intermediário para alimentar o ciclo do ácido cítrico. Os elétrons carregados pelo NADH representam energia potencial que é eventualmente utilizada para síntese de ATP, como conseqüência da operação da cadeia de transporte de elétrons.

acetil + 3NAD + + FAD + ADP + Pi

acetil + 3NAD + + FAD + ADP + Pi 2CO 2 + 3NADH + FADH

2CO 2 + 3NADH + FADH 2 + ATP

4.4.2) Ciclo do ácido cítrico No ciclo de Krebs, os dois carbonos do acetil, carregados pela acetil-CoA, são transferidos para o oxaloacetato para formar citrato, que é um ácido tricarboxílico. Essa primeira reação é catalisada pela citrato sintase, principal enzima reguladora do ciclo. Nas etapas seguintes, o citrato é oxidado, formando diversos ácidos orgânicos tri ou dicarboxílicos. Nas diferentes etapas do ciclo, elétrons e prótons são transferidos ao NAD + e FAD + para formar NADH e FADH 2 , respectivamente. Ocorre, também, síntese direta de ATP (fosforilação ao nível de substrato) e a formação de intermediários, utilizáveis em outros processos biossintéticos.

piruvato + coenzima A + NAD +

piruvato + coenzima A + NAD + acetil CoA + NADH + CO 2

acetil CoA + NADH + CO 2

Fig. 9: O ciclo de Krebs 4.4.3) Cadeia de transporte de elétrons e fosforilação oxidativa

Fig. 9: O ciclo de Krebs

4.4.3) Cadeia de transporte de elétrons e fosforilação oxidativa

O sistema de transporte de elétrons é formado por quatro complexos protéicos inseridos na membrana interna da mitocôndria:

-Complexo I

-Complexo II = Succinato desidrogenase (succinato-ubiquinona oxidoredutase)

-Complexo III = Citocromo b-c 1 (ubiquinona-citocromo c oxidoredutase) -Complexo IV = Oxidase terminal (citocromo c - O 2 oxidoredutase)

= NADH desidrogenase (NADH-ubiquinona oxidoredutase)

Fig. 10 – A cadeia transportadora de elétrons Nesse sistema, elétrons do NADH são transferidos

Fig. 10 – A cadeia transportadora de elétrons

Nesse sistema, elétrons do NADH são transferidos de um complexo a outro até o aceptor final, que é o oxigênio. Além dos complexos indicados, também participam do transporte as ubiquinonas e o citocromo c. A passagem dos elétrons através dos complexos resulta em um transporte vetorial de prótons da matriz para o espaço intermembranar. Esse bombeamento de prótons gera um gradiente eletroquímico de prótons (força próton-motora), que é utilizado posteriormente para a síntese de ATP.

que é utilizado posteriormente para a síntese de ATP. Fig. 11: Representação esquemática dos complexos 1
que é utilizado posteriormente para a síntese de ATP. Fig. 11: Representação esquemática dos complexos 1

Fig. 11: Representação esquemática dos complexos 1 e 2, indicando o transporte de elétrons através desses dois complexos

Fig. 12: Representação esquemática dos complexos 3 e 4, indicando o transporte de elétrons através
Fig. 12: Representação esquemática dos complexos 3 e 4, indicando o transporte de elétrons através

Fig. 12: Representação esquemática dos complexos 3 e 4, indicando o transporte de elétrons através desses dois complexos. As duas figuras do complexo 3 representam a oxidação sucessiva de duas moléculas de ubiquinona reduzida e a realização de um ciclo Q, regenerando uma segunda molécula de ubiquinona reduzida.

O gradiente de prótons gerado permite a síntese de ATP no complexo sintetase do ATP, quando os prótons retornam do espaço intermembranar para a matriz, através do canal protônico deste complexo. Este tipo de síntese de ATP, que utiliza a energia do gradiente eletroquímico de prótons, é denominado fosforilação oxidativa. Neste caso, diz-se que a fosforilação está acoplada ao funcionamento da cadeia de transporte de elétrons. É por isso que a sintase do ATP também é denominada Fator de acoplamento. Assim, para cada NADH oxidado na cadeia respiratória, são sintetizados 3 ATPs, e a oxidação de cada FADH 2 resulta na síntese de 2 ATPs. Energeticamente, a oxidação completa de 2 piruvatos permite a formação de 8 NADH e 2 FADH 2 , que possibilita a síntese de 28 ATPs que, somados aos 2 ATPs sintetizados diretamente na fosforilação ao nível de substrato, perfazem um total de 30 ATPs. Na glicólise, são produzidos 2 ATPs ao nível do substrato e 2 NADH. Os NADH citoplasmáticos não conseguem penetrar no interior das mitocôndrias e não têm acesso direto ao complexo I da cadeia respiratória. Entretanto, os seus elétrons podem ser transferidos para alguns dos transportadores da cadeia respiratória, via “sistema de lançadeira” (catapulta de NADH) ou através de uma NADH desidrogenase adicional, localizada na face externa da membrana mitocondrial interna, presente apenas em mitocôndrias de plantas. Neste caso, a energia liberada é suficiente para a produção de apenas 2 ATPs para cada NADH citoplasmático que for oxidado.

Figura 13: Reações metabólicas da Catapulta de NADH. Ao invés do PEP originar piruvato na

Figura 13: Reações metabólicas da Catapulta de NADH. Ao invés do PEP originar piruvato na série de reações glicolíticas normais, ele originará malato, consumindo NADH no citosol. O malato é então transportado para a mitocôndria aonde será transformado em piruvato ou oxalacetato, gerando o NADH agora dentro da mitocôndria, o qual poderá entãoser utilizado pelo complexo 1.

Em resumo, a oxidação completa de 1 mol de glicose pelo processo respiratório permite recuperar 36 ATPs que, energeticamente representam 40% do total da energia contida em um mol de glicose.

Na verdade, este rendimento pode variar, dependendo de estarem, ou não, em operação as chamadas “vias alternativas”, que podem estar presentes nas mitocôndrias vegetais.

4.4.4) Vias alternativas de mitocôndrias de plantas

Na figura abaixo podemos visualizar a via predominante e algumas vias alternativas encontradas nas mitocôndrias das plantas:

vias alternativas encontradas nas mitocôndrias das plantas: Fig 14: Esquema representativo do transporte de elétrons

Fig 14: Esquema representativo do transporte de elétrons pelas vias normais e alternativas na membrana interna da mitocôndria.

As mitocôndrias de tecidos vegetais podem apresentar certos complexos protéicos adicionais na sua membrana interna, que não ocorrem nas organelas de animais. Tais complexos são constituintes do sistema de transporte de elétrons, sendo considerados como vias alternativas, que estariam atuantes apenas em certas situações especiais. Eles são (ver também figura acima):

a- Uma NAD(P)H desidrogenase adicional externa, localizada na face externa da membrana interna mitocondrial. Ela é capaz de oxidar NADH e NADPH provenientes do citosol, dirigindo os pares de elétrons e hidrogênios para as ubiquinonas, que seguem o caminho normal do restante da cadeia de transporte de elétrons. Neste caso, os elétrons não passam pelo complexo I, não havendo, portanto, a conservação de energia correspondente ao primeiro sítio de ejeção de prótons. É por isso que a oxidação de cada NAD(P)H citoplasmático rende apenas 2 ATPs; b- Uma NADH desidrogenase adicional interna, localizada na face interna da membrana interna mitocondrial. Ela é capaz de oxidar NADH da matriz mitocondrial, embora tenha menor afinidade que o complexo I por estas coenzimas. Também neste caso, os elétrons não passam pelo primeiro sítio de conservação de energia (complexo I), resultando na síntese de apenas 2 ATPs por NADH que entra na cadeia respiratória por esta via; c- Uma oxidase terminal alternativa, localizada na face interna da membrana interna mitocondrial. Ela é também denominada de oxidase insensível ao cianeto, pelo fato de não ser inibida por cianeto, ao contrário do que acontece com a citocromo oxidase. Esta oxidase alternativa recebe elétrons diretamente das ubiquinonas, entregando-os definitivamente ao O 2 , para formar H 2 O. Neste caso, os elétrons não passam pelos complexos citocromo bc 1 e citocromo oxidase. Sem o envolvimento destes dois sítios de ejeção de prótons, a produção de ATP é reduzida, podendo resultar em apenas 1 ATP para cada NADH, caso a cadeia tenha se iniciado pelo complexo I. Se a cadeia respiratória for iniciada por uma das NADH desidrogenases adicionais e finalizada pela oxidase terminal alternativa, nenhum ATP será produzido, e toda a energia terá sido perdida como calor; d- Uma enzima desacopladora PUMP, localizada na membrana interna mitocondrial, a qual, através do transporte de fosfolipídeos, provoca o transporte de prótons do espaço intermembranar para a matriz mitocondrial. Essa enzima pode ser ativada em plantas sob baixas temperaturas e na presença de outros estresses abióticos (mostrada somente na figura abaixo).

Fig. 15: Mecanismo proposto para a ação da PUMP. As funções fisiológicas destas vias não

Fig. 15: Mecanismo proposto para a ação da PUMP.

As funções fisiológicas destas vias não estão ainda completamente esclarecidas. Dentre elas, considera-se que as “vias alternativas” sejam importantes para:

1- Possibilitar a oxidação mitocondrial de NADH e NADPH produzidos no citoplasma; 2- permitir a operação da glicólise e do ciclo de Krebs mesmo sob níveis elevados de ATP, no sentido de garantir a produção de intermediários metabólicos, que podem ser desviados para outras vias metabólicas; 3- permitir a continuidade de operação da cadeia respiratória (visando reciclar NAD + ), quando a via que envolve os citocromos estiver saturada; 4- em certos casos, canalizar a energia da respiração para a produção de calor (rompimento da camada de gelo ou volatização de compostos para atração de insetos polinizadores); 5- contribuir para um mecanismo antioxidativo, reduzindo a sobrecarga de elétrons ou a excessiva polarização da membrana interna da mitocôndria, reduzindo o nível de produção de radicais livres.

Merece destaque a situação especial que ocorre nas espádices de algumas espécies da família das Aráceas. Nestes casos, a maturidade funcional das inflorescências é acompanhada por uma acentuada expressão da oxidase terminal alternativa. As reservas energéticas são oxidadas rápida e intensamente e a operação desta via alternativa resulta em liberação de calor, que pode elevar a temperatura das inflorescências em até cerca de 15ºC acima da temperatura ambiente. Isto permite a volatilização de compostos aromáticos, importantes na atração de insetos para a polinização.

55)) RReegguullaaççããoo ddaa gglliiccóólliissee

No metabolismo de carbono de folhas de plantas, a regulação da glicólise está intimamente ligada

à regulação da síntese da sacarose.

A regulação da glicólise é realizada principalmente por duas enzimas-chaves, que catalisam duas

reações praticamente irreversíveis, e que decidem se a frutose-1,6-bifosfato, formada a partir da triose que

foi transportada do cloroplasto ao citosol, segue em direção à síntese de sacarose ou a piruvato via glicólise. Estas enzimas são a PFK-PPi e a FBPase. Essas duas enzimas são antagonicamente reguladas por um metabólito presente em concentrações muito baixas: a frutose-2,6-bifosfato (F-2,6-BP). A concentração desse metabólito regulador é, por sua vez, regulada pela concentração de Pi no citosol, o qual regulará a atividade de duas enzimas ligadas à síntese / degradação da F-2,6-BP (Fig. 9).

A síntese de F-2,6-BP depende da atividade da cinase da F-6-BP, enquanto a degradação depende

da fosfatase da F-2,6-BP. É o balanço entre a atividade dessa cinase e atividade da fosfatase que determinará

a concentração desse metabólito regulador (F-2,6-BP) no citosol de uma folha.

metabólito regulador (F-2,6-BP) no citosol de uma folha. Fig.16 : Esquema da regulação da glicó lise,

Fig.16 : Esquema da regulação da glicólise, apresentando a regulação por metabólitos das enzimas envolvidas na síntese e degradação da F-2,6-BP, e seu conseqüente efeito no direcionamento ou não da F-6-P para a glicólise.

Como comentado anteriormente, a síntese da sacarose compete com a glicólise pela F-1,6- BP. Um freio é necessário para controlar a síntese da sacarose, de forma a não colocar em risco a respiração. Assim, a concentração de Pi no citosol aumenta quando da síntese da sacarose, o que ativa a cinase da F-6-P e inibe a atividade da fosfatase da F-2,6-BP, resultando em um dramático aumento da concentração de F-2,6-BP no citosol. Esse aumento resulta na ativação da PFK-PPi e na inibição da FBPase, o que acarreta aumento dos níveis da glicólise e diminuição da síntese de sacarose. Essa regulação resulta, então, na diminuição da síntese de sacarose, evitando a redução da glicólise a níveis críticos, que poderiam prejudicar o metabolismo da planta.

Outros níveis de regulação ocorrem ao nível da regulação alostérica de outras enzimas, as quais respondem a sinais de fome e de saciedade, os quais muitas vezes atuam ao nível de uma mesma enzima (veja figura abaixo).

atuam ao nível de uma mesma enzima (veja figura abaixo). Fig. 17: Efeito de diferentes metabólitos

Fig. 17: Efeito de diferentes metabólitos na regulação da respiração pela demanda. Triângulos representam efeito positivo dos efetores metabólitos enumerados ao lado.Círculos com um “x”s, em vermelho, representam efeito negativo dos efetores metabólitos enumerados ao lado.

Entre os efetores alostéricos de sinais de fome, estão, principalmente, o Pi, AMP e o ADP, os quais resultam na ativação das enzimas, resultando em estímulo à respiração (estímulo à síntese de ATP). São sinais de fartura os metabólitos ATP, PEP, NADH, os quais, quando possuem suas concentrações celulares acrescidas, promovem a inibição da respiração (inibição da síntese de ATP e NADH). A atuação em conjunto desses sinais metabólicos é essencial na regulação da respiração pela demanda energética da célula, e também mantém a homeostase das concentrações dos metabólitos da respiração.

66)) AAlltteerraaççõõeess nnaa GGlliiccóólliissee eemm PPllaannttaass ssoobb CCoonnddiiççõõeess ddee HHiippooxxiiaa

Em condições de hipoxia, ocorre uma dramática inibição do Ciclo de Krebs e da cadeia de transporte de elétrons, resultando em um acúmulo de piruvato no citosol. Esse acúmulo é o “gatilho” que irá acionar a respiração anaeróbica. A inibição dessas duas outras fases da respiração resulta, então, em dramática redução do ATP ao nível celular. Para sobreviver à essa deficiência, plantas desenvolveram mecanismos de tolerância à hipoxia Duas formas de fermentação ocorrem em plantas: a láctica e a etanólica. Energeticamente, a láctica é mais favorável, sendo sempre a primeira forma de respiração anaeróbica que ocorre em plantas, sendo seguida da fermentação etanólica, a qual leva a maior perda de energia (tanto na descarboxilação do piruvato como na “queima” do NADH). As plantas possuem uma capacidade limitada para a fermentação láctica, devido ao fato de que o lactato resulta em decréscimo do pH celular, prejudicando o metabolismo da planta. Assim a redução no pH inibe a enzima lactato desidrogenase e ativa a piruvato descarboxilase; isto faz com que a planta mude para uma fermentação etanólica, a qual predomina em relação à láctica.

Fig. 18: Regulação das rotas fermentativas nas plantas. Mecanismo também explica a predominância da fermentação etanólica em relação a fermentação lática (efeito diferencial do pH nas duas enzimas apresentadas.

(efeito diferencial do pH nas duas enzimas apresentadas. A função da respiração anaeróbica é repor o

A função da respiração anaeróbica é repor o NAD + oxidado, substrato da glicólise, sem a qual o resultado seria a inibição da glicólise.

77)) VViiaa ddaa ppeennttoossee--ffoossttaattoo ((PPPPPP))

Também denominada de Via Oxidativa das Pentoses, Desvio da Hexose-Fosfato, ou Via do Fosfogluconato. Corresponde a uma oxidação da molécula de glicose, onde um dos primeiros intermediários é o gluconato-6-fosfato, que sofre uma oxidação descarboxilativa, resultando em ribulose-5- fosfato e NADPH. Os dois produtos principais são o aldeído fosfoglicérico (PAG) e a frutose-6-fosfato, ambos também intermediários da glicólise e do ciclo de Calvin. A via da pentose-fosfato, além de ser uma fonte de poder redutor (NADPH) no citosol, apresenta ribose-5-fosfato e eritrose-4-fosfato como intermediários importantes, que podem ser desviados para a síntese de nucleotídeos e de compostos

fenólicos, respectivamente. Esta via ocorre principalmente no citosol, mas à noite também ocorre nos

cloroplastos, onde é inibida pela luz e por NADPH.

Fig. 19: A via da pentose-fosfato
Fig. 19: A via da pentose-fosfato

A seguinte equação simplificada pode representar globalmente o que ocorre nesta via:

6 Glicoses

6 Glicoses 6 CO 2 + 5 Glicoses + 12 NADPH

6 CO 2 + 5 Glicoses + 12 NADPH

6 Glicoses 6 CO 2 + 5 Glicoses + 12 NADPH

Os NADPH produzidos podem ser oxidados nas mitocôndrias, com consumo de O 2 e aproveitamento da energia para síntese de ATP, ou podem ser utilizados em processos biossintéticos diversos, como a síntese de lipídeos.

88)) FFaattoorreess qquuee aaffeettaamm aa rreessppiirraaççããoo

8.1) Disponibilidade de substrato

Dentre os compostos orgânicos disponíveis, os carboidratos são os mais freqüentemente utilizados. Como, de um modo geral, os carboidratos são os compostos produzidos de imediato pela fotossíntese, a taxa respiratória vai depender da quantidade de carboidratos que será direcionada para os processos oxidativos. Assim, quanto maiores forem as taxas fotossintéticas, maior será a disponibilidade de substratos e maiores tendem a ser as taxas de respiração. Conseqüentemente, fatores diversos, como a posição e a idade da folha, assim como o período do dia, interferem na intensidade das taxas respiratórias. Assim, a respiração é mais elevada durante o dia que à noite, menor numa folha mantida à sombra do que numa folha sob luz solar, e menor no final do período noturno do que logo após o anoitecer.

8.2) Disponibilidade de Oxigênio

Em condições normais, o oxigênio raramente chega a representar problema para a respiração das plantas. Isto porque a citocromo oxidase tem afinidade extremamente elevada pelo oxigênio, podendo operar sob tensões de 0,05% da tensão de O 2 do ar.

operar sob tensões de 0,05% da tensão de O 2 do ar. Fig 20: Efeito da

Fig 20: Efeito da concentração de oxigênio na taxa respiratória. O incremento da respiração a baixas tensões de oxigênio é chamado de Efeito Pasteur

Limitações à respiração podem ocorrer em órgãos volumosos, que podem apresentar menor nível de oxigênio disponível na parte mais interna dos tecidos. Neste caso, é importante a participação dos espaços intercelulares na difusão de gases, do exterior até o interior do órgão. Tais espaços podem representar de 2 a 45% do volume total do órgão. Por exemplo, em batata existe cerca de 1% de espaços aéreos, que se elevam para 8% em raízes de milho, chegando a 26 % em raízes de arroz. Em raízes de

plantas mantidas em solos alagados (sob condições de hipoxia ou anoxia), podem ocorrer adaptações, como o desenvolvimento de aerênquimas, raízes adventíceas, ou de pneumatóforos (típicos de plantas de mangue).

ou de pneumatóforos (típicos de plantas de mangue). Fig 21: Mecanismos de tolerância do sistema radicular

Fig 21: Mecanismos de tolerância do sistema radicular a baixos níveis de oxigênio no solo.

De um modo geral, quando se submete um órgão a tensões reduzidas de O 2 , observa-se uma redução da sua atividade respiratória, proporcional à concentração de O 2 utilizada. Entretanto, se o O 2 cair a níveis muito baixos (próximos da anoxia), a atividade fermentativa é estimulada, resultando em consumo intenso dos substratos respiratórios e conseqüente liberação de grandes quantidades de CO 2 (Figura 34). Este estímulo à liberação de CO 2 (pela fermentação), resultante de baixas tensões de O 2 , é denominado Efeito Pasteur. Por isto, quando se armazena frutos sob atmosfera controlada (geralmente com redução na tensão de O 2 , aumento na concentração de CO 2 e redução da temperatura), deve-se tomar o cuidado para não reduzir demais a concentração de O 2 da câmara.

A fermentação é freqüente em algumas sementes (especialmente as de maior tamanho), pelo menos no início da germinação, uma vez que seus tegumentos tendem a ser impermeáveis, dificultando a penetração tanto de água como de O 2 . Existe um caso extremo de adaptação, apresentado por sementes de arroz. Se tais sementes estiverem germinando em solos alagados, a sua atividade fermentativa é suficiente para garantir, em primeiro lugar, o desenvolvimento do coleóptile, ao invés da radícula, como acontece na maioria das sementes. A parte aérea da plântula continua o seu alongamento, até que seja atingida a atmosfera, quando os ramos transferem oxigênio para permitir a iniciação e o crescimento das raízes.

As plantas apresentam as seguintes estratégias de tolerância a hipoxia:

1) Aumento da glicólise e paralela indução da fermentação anaeróbica: resultam no aumento da

mobilização das reservas, de forma a manter os níveis mínimos de ATP requeridos para a sobrevivência e/ou crescimento. Diferenciação de tecidos ou órgãos de forma a aumentar o transporte de ar entre os diferentes órgãos da

2)

o transporte de ar entre os diferentes órgãos da 2) planta (Ex: lenticelas, raízes adventícias,

planta (Ex: lenticelas, raízes adventícias, pneumatóforos, diferenciação do aerênquima)

Fig. 22: Representação esquemática do mecanismo de diferenciação de um aerênquima lisígeno por uma raiz na presença de baixos níveis de oxigênio.

8.3) Temperatura

A temperatura afeta de maneira ampla a atividade de respiração. Ela é capaz de alterar a difusão de gases, a integridade de membranas e, especialmente, a atividade enzimática. A temperatura ótima varia com a espécie e o tecido considerado. Em geral, a respiração aumenta até cerca de 30-35 ºC, sendo que em torno de 40 ºC inicia-se o processo de desnaturação das enzimas. Comparativamente, o efeito da temperatura é mais pronunciado na fotossíntese do que na respiração.

8.4) Tipo e idade da planta

A taxa respiratória dos diversos órgãos vegetais pode variar amplamente, dependendo dos

diversos tipos celulares que podem estar presentes. Por exemplo, órgãos que apresentem grande número de

células muito vacuoladas ou uma grande proporção de células mortas (como no lenho), tendem a apresentar taxa respiratória média reduzida, apesar de terem atividade respiratória semelhante a de um outro órgão qualquer. A atividade similar torna-se evidente quando se expressa a respiração em relação ao conteúdo de proteínas do órgão. Em geral, existe uma correlação direta entre a taxa de crescimento da planta e a taxa de respiração. Assim, a respiração é elevada durante o período de maior crescimento vegetativo e, após um período de estabilidade, observa-se uma queda gradual da taxa respiratória global com a idade da planta, embora ela possa manter-se alta em certas partes, como folhas, raízes e flores em crescimento (Figura 35). Em sementes, é comum encontrarmos taxas respiratórias extremamente baixas, podendo chegar a zero em certos casos, onde a dessecação resulta no desligamento do metabolismo.

onde a dessecação resulta no desligamento do metabolismo. Fig 23: Taxa respiratória durante o desenvolvime nto

Fig 23: Taxa respiratória durante o desenvolvimento de uma espécie de planta de ciclo anual.

Em frutos, a taxa de respiração é elevada durante a sua formação, quando as células estão se dividindo e crescendo rapidamente. Em seguida, a respiração declina gradualmente. Entretanto, alguns tipos de frutos, durante a sua maturação, voltam a apresentar um pico respiratório, denominado climatério, acompanhado por uma rápida aceleração no processo de amadurecimento (Figura 36). Maçãs, tomates, abacates, bananas e caquis são alguns exemplos de frutos climatéricos. Ao contrário, laranjas, uvas, abacaxis e morangos são exemplos de frutos não climatéricos.

Fig. 24: Respiração em frutos climatéricos e não climatéricos . Frutos climatéricos apresent am um

Fig. 24: Respiração em frutos climatéricos e não climatéricos. Frutos climatéricos apresentam um surto respiratório após o final da maturação de um fruto.

Este aumento da respiração em frutos climatéricos corresponde a um pico na produção de etileno (um hormônio), o qual é proposto estar associado ao aumento da respiração e à indução da expressão gênica de proteínas envolvidas em modificações no metabolismo de carboidratos (transformação de amido em açúcares solúveis) e da parede celular (degradação de componentes da parede por poligalacturonase, galactosidases, por exemplo). Nos frutos não climatéricos, essas modificações já se realizaram durante todo o período de maturação do fruto, enquanto nos frutos climatéricos, essa fase se concentra no final da maturação.