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DIREITO PROCESSUAL e PENAL MILITAR Intensivo III Prof. Renato Brasileiro

2010

DIREITO PROCESSUAL E PENAL MILITAR Renato Brasileiro

 

Justiça Militar da União

Justiça Militar dos Estados

Competência criminal: crimes militares pouco importado se o crime foi praticado por militar ou civil (CRFB/1988 - art. 124)

Competência criminal: processar e julgar os militares dos estados, pelos crimes militares definidos em Lei, ações judiciais contra atos disciplinares militares (CRFB/1988 - art. 125, §§4º e 5º)

Não é dotada de competência para julgar ações judiciais contra atos disciplinares militares. Obs.: tramita no Congresso Nacional uma PEC para ampliar a competência da Justiça Militar da União.

Competência para julgar ações judiciais para atos disciplinares militares (EC45/04).

Acusado:

 

Acusado: só pode julgar militares dos Estados.

É

uma

competência

“ratione

É uma competência “ratione materiae” (crimes militares) + “ratione personae” (só pode julgar militares dos estados).

materiae”,

pois

julga

crimes

militares

 

Órgão jurisdicional: será sempre um conselho de Justiça

Órgão jurisdicional: 02 órgãos:

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-

Juiz de direito do juízo militar:

julga singularmente crimes militares cometidos contra civis e ações judiciais contra atos disciplinares militares.

-

conselho de justiça: julga os

demais crimes militares, desde

que o crime militar não tenha sido cometido contra civis.

CRFB/1988. Art. 124. à Justiça Militar compete processar e julgar os crimes militares definidos em lei. Parágrafo único. A lei disporá sobre a organização, o funcionamento e a competência da Justiça Militar.

Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos nesta Constituição. § 1º - A competência dos tribunais será definida na Constituição do Estado, sendo a lei de organização judiciária de iniciativa do Tribunal de Justiça. § 2º - Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais

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em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão. § 3º - A lei estadual poderá criar, mediante proposta do Tribunal de Justiça, a Justiça Militar estadual, constituída, em primeiro grau, pelos Conselhos de Justiça e, em segundo, pelo próprio Tribunal de Justiça, ou por Tribunal de Justiça Militar nos Estados em que o efetivo da polícia militar seja superior a vinte mil integrantes. § 4º - Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os policiais militares e bombeiros militares nos crimes militares, definidos em lei, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças.

§ 3º A lei estadual poderá criar, mediante proposta do T ribunal de Justiça, a Justiça Militar estadual, constituída, em primeiro grau, pelos juízes de direito e pelos Conselhos de Justiça e, em segundo grau, pelo próprio Tribunal de Justiça, ou por Tribunal de Justiça Militar nos Estados em que o efetivo militar seja superior a vinte mil integrantes. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares

dos Estados, nos crimes militares definidos em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a competência do júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 5º Compete aos juízes de direito do juízo militar processar e julgar, singularmente, os crimes militares cometidos contra civis e as ações

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judiciais contra atos disciplinares militares, cabendo ao Conselho de Justiça, sob a presidência de juiz de direito, processar e julgar os demais crimes militares. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 6º O Tribunal de Justiça poderá funcionar descentralizadamente, constituindo Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 7º O Tribunal de Justiça instalará a justiça itinerante, com a realização de audiências e demais funções da atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e comunitários. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de

2004)

CPM Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:

I - os crimes de que trata êste Código, quando definidos de modo diverso na lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial; II - os crimes previstos neste Código, embora também o sejam com igual definição na lei penal comum, quando praticados:

a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma situação ou assemelhado;

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b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar

sujeito à administração militar, contra militar da reserva, ou reformado,

ou assemelhado, ou civil;

por militar em serviço, em comissão de natureza militar, ou em

formatura, ainda que fora do lugar sujeito a administração militar contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil; c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à administração militar contra militar da reserva, ou reformado, ou civil; (Redação dada pela Lei nº 9.299, de 8.8.1996)

d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra

militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;

e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o

patrimônio sob a administração militar, ou a ordem administrativa militar;

por militar em situação de atividade ou assemelhado que, embora

não estando em serviço, use armamento de propriedade militar ou

qualquer material bélico, sob guarda, fiscalização ou administração militar, para a prática de ato ilegal;

c)

f)

f) revogada. (Vide Lei nº 9.299, de 8.8.1996)

III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil, contra as instituições militares, considerando-se como tais não só os compreendidos no inciso I, como os do inciso II, nos seguintes

casos:

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a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a

ordem administrativa militar; b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de atividade ou assemelhado, ou contra funcionário de

Ministério militar ou da Justiça Militar, no exercício de função inerente ao seu cargo; c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância, observação, exploração, exercício, acampamento, acantonamento ou manobras;

d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra

militar em função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância, garantia e preservação da ordem pública, administrativa ou judiciária, quando legalmente requisitado para aquêle fim, ou em obediência a determinação legal superior. Crimes militares em tempo de guerra Parágrafo único. Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos contra civil, serão da competência da justiça comum. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.299, de 8.8.1996)

Ex: quem julga crime de abuso de autoridade praticado por um PM em serviço? O abuso de autoridade não é considerado crime militar, portanto, não pode ser julgado pela Justiça Militar, pois esta só julga crimes militares. Abuso de autoridade é crime comum, julgado pela justiça comum estadual ou federal. Se é um PM, Justiça Comum. Se militar das forças armadas, Justiça Comum Federal. * Súmula 172 STJ:

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compete à justiça comum processar e julgar militares por crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em serviço.

E se acaso houver conexão entre crime militar e crime comum? Mesmo que haja conexão probatória, teleológica entre crime militar e crime comum, será obrigado a separar os processos, crime militar será julgado na Justiça Militar e crime comum, na Justiça Comum. CPPM art. 102, diz que a conexão e a continência determinando a nulidade do processo, salvo no concurso entre a jurisdição militar e a comum (STJ C C 77.138 – trata de furto de armas do exercito que foram utilizadas para a pratica de homicídio fora do exército, furto de armas – Justiça Militar, homicídio – Tribunal Juri, STF e RHC 69.129).

Ações Judiciais contra atos disciplinares militares: Ex: ações ordinárias de reintegração no cargo; ação anulatória de licenciamento a bem da disciplina; MS contra atos disciplinares.

Qual seria o juízo competente para o julgamento de ação civil pública de improbidade administrativa por atos praticados por militares? * para o STJ, ação civil pública por improbidade administrativa contra militares é da competência da Justiça Comum (STJ C C 100.682). Se PM, Justiça Comum Estadual. Se militar das forças armadas, Justiça Comum Federal.

* E o HC no âmbito disciplinar? CRFB/1988 - art. 142, §2º: trata do HC no âmbito militar. Não cabe HC com relação ao mérito da punição

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disciplinar, porém quando o questionamento estiver relacionado a legalidade da punição disciplinar, será cabível o HC. (ex: competência da autoridade, falta de previsão legal, inobservância das formalidades etc.) STF RE 338.840. Esse HC é uma ação contra ato disciplinar militar. Competência: Justiça Militar Estadual (militar estadual); Justiça Federal (militar da das forças armadas).

CRFB/1988 Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha,

pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes

e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a

autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de

qualquer destes, da lei e da ordem.

§ 1º - Lei complementar estabelecerá as normas gerais a serem adotadas na organização, no preparo e no emprego das Forças Armadas.

§ 2º - Não caberá "habeas-corpus" em relação a punições disciplinares

militares. § 3º Os membros das Forças Armadas são denominados militares, aplicando-se-lhes, além das que vierem a ser fixadas em lei, as seguintes disposições: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) I - as patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a elas inerentes, são conferidas pelo Presidente da República e asseguradas em plenitude aos oficiais da ativa, da reserva ou reformados, sendo-lhes privativos os títulos e postos militares e, juntamente com os demais membros, o uso

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dos uniformes das Forças Armadas; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

II - o militar em atividade que tomar posse em cargo ou emprego público civil permanente será transferido para a reserva, nos termos da lei; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

III - O militar da ativa que, de acordo com a lei, tomar posse em cargo,

emprego ou função pública civil temporária, não eletiva, ainda que da administração indireta, ficará agregado ao respectivo quadro e somente poderá, enquanto permanecer nessa situação, ser promovido por antigüidade, contando-se-lhe o tempo de serviço apenas para aquela promoção e transferência para a reserva, sendo depois de dois anos de

afastamento, contínuos ou não, transferido para a reserva, nos termos da lei; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

IV - ao militar são proibidas a sindicalização e a greve; (Incluído pela

Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

V - o militar, enquanto em serviço ativo, não pode estar filiado a partidos políticos; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

VI - o oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do

oficialato ou com ele incompatível, por decisão de tribunal militar de

caráter permanente, em tempo de paz, ou de tribunal especial, em tempo

de guerra; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

VII - o oficial condenado na justiça comum ou militar a pena privativa de liberdade superior a dois anos, por sentença transitada em julgado, será submetido ao julgamento previsto no inciso anterior; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

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VIII - aplica-se aos militares o disposto no art. 7º, incisos VIII, XII, XVII,

XVIII, XIX e XXV e no art. 37, incisos XI, XIII, XIV e XV; (Incluído pela

Emenda Constitucional nº 18, de 1998) IX - aplica-se aos militares e a seus pensionistas o disposto no art. 40, §§ 4º,5º e 6º; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) IX - aplica-se aos militares e a seus pensionistas o disposto no art. 40, §§ 7º e 8º; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 11998)(Revogado pela Emenda Constitucional nº 41, de 19.12.2003) X - a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas, os limites de idade, a estabilidade e outras condições de transferência do militar para a inatividade, os direitos, os deveres, a remuneração, as prerrogativas e outras situações especiais dos militares, consideradas as peculiaridades

de suas atividades, inclusive aquelas cumpridas por força de

compromissos internacionais e de guerra. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

Na Justiça Estadual, somente os militares dos estados poderão ocupar o pólo passivo da ação penal.

Estelionato: de civil x militar das forças armadas, competência da Justiça Militar da União porque a Justiça Militar da União julga civil ou militar, diferentemente da Justiça Militar dos Estados que só julga militar dos estados.

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Militares dos Estados: policiais militares, bombeiros e também os integrantes da polícia rodoviária militar estadual. Obs.: guardas metropolitanos não são considerados militares estaduais.

Concurso de pessoas entre policial militar e civil. Ex: PM com um civil estupram uma mulher dentro do quartel. Se o crime foi cometido por um militar em serviço, dentro de um quartel, trata-se de crime militar. Nesse caso, haverá separação de processos (PM: Justiça Militar dos Estados; civil Justiça Estadual). Contudo, se for militar das forcas armadas, o civil também será julgado na Justiça Militar da União.

Quando a condição de militar estadual deve ser aferida? Essa condição de militar estadual deve ser aferida no momento da prática do crime (“tempus delicti”), pouco importando posterior exoneração do PM. Súmula 53 STJ): a justiça militar estadual, não pode julgar civis, somente militares dos estados.

Ementa COMPETE A JUSTIÇA COMUM ESTADUAL PROCESSAR E JULGAR CIVIL ACUSADO DE PRATICA DE CRIME CONTRA INSTITUIÇÕES MILITARES ESTADUAIS.

Obs.: Militares dos Estados. * para o STJ o policial militar voluntário não pode ser considerado militar do Estado (Lei 10.029/00). Essa Lei é uma Lei federal e vai disciplinar o PM voluntário. A ele é vedado o uso e o

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porte de arma de fogo e o poder de polícia, desenvolvendo funções administrativas e sociais. (STJ HC 62.100)

A doutrina diz que a competência da Justiça Militar da União é uma competência ratione matéria. A Justiça Militar dos Estados julga crimes militares, mas só julga crimes militares.

Em SP, MG, RS há concursos específico para o cargo de Juiz militar porque há o Tribunal de Justiça Militar. Nos demais estados, como não há o Tribunal Justiça Militar, o Juiz Militar será exercido por Juiz Estadual.

Conselho de justiça: 04 militares (oficiais) e 01 Juiz auditor.

Conselhos:

1) Conselho Permanente de Justiça: tem competência para julgar militares que não sejam oficiais (praças) e também civis. A cada 03 meses o conselho vai sendo formado. Na Justiça Militar da União há uma conselho permanente para cada uma das armas das forças armadas.

2) conselho Especial de Justiça: julga os oficiais. Quando um oficial praticar um crime militar, será constituído um conselho especial específico para o seu julgamento e esse conselho só será extinto após o

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julgamento do processo. Os militares que julgam o processo tem que ser de hierarquia superior à do acusado.

Lei 8.457/92, art. 16, 24 e 27: organiza a Justiça Militar da União e vai dispor sobre estes conselhos.

Obs.:

militares.

oficiais-generais sempre

serão julgados

pelo

STM

nos

crimes

SEÇÃO II Da Composição dos Conselhos

Art. 16. São duas as espécies de Conselhos de Justiça:

a) Conselho Especial de Justiça, constituído pelo Juiz-Auditor e quatro Juízes

militares, sob a presidência, dentre estes, de um oficial-general ou oficial

superior, de posto mais elevado que o dos demais juízes, ou de maior antigüidade, no caso de igualdade;

b) Conselho Permanente de Justiça, constituído pelo Juiz-Auditor, por um oficial

superior, que será o presidente, e três oficiais de posto até capitão-tenente ou capitão.

Art. 24. O Conselho Permanente, uma vez constituído, funcionará durante três meses consecutivos, coincidindo com os trimestres do ano civil, podendo o prazo de sua jurisdição ser prorrogado nos casos previstos em lei.

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Parágrafo único. O oficial que tiver integrado Conselho Permanente não será sorteado para o trimestre imediato, salvo se para sua constituição houver insuficiência de oficiais. SEÇÃO III Da Competência dos Conselhos de Justiça Art. 27. Compete aos conselhos:

I - Especial de Justiça, processar e julgar oficiais, exceto oficiais-generais, nos delitos previstos na legislação penal militar, II - Permanente de Justiça, processar e julgar acusados que não sejam oficiais, nos delitos de que trata o inciso anterior, excetuado o disposto no art. 6º, inciso I, alínea b, desta lei.

CAPÍTULO II Da Competência SEÇÃO I Da Competência do Superior Tribunal Militar Art. 6º Compete ao Superior Tribunal Militar:

Nota: Ver ADI 788 I - processar e julgar originariamente:

a) os oficiais generais das Forças Armadas, nos crimes militares definidos em lei; (Redação dada pela Lei nº 8.719, de 19.10.1993) b) (Revogada pela Lei nº 8.179, de 19.10.1993) Nota: Assim dispunha a alínea revogada b) o Juiz-Auditor Corregedor, os Juízes-Auditores, os Juízes-Auditores Substitutos, os membros do Ministério Público Militar e os Defensores

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Públicos junto à Justiça Militar, nos crimes referidos na alínea a deste artigo;

c) os pedidos de habeas corpus e habeas data, nos casos permitidos em lei;

d) o mandado de segurança contra seus atos, os do Presidente do Tribunal e de

outras autoridades da Justiça Militar;

e) a revisão dos processos findos na Justiça Militar;

f) a reclamação para preservar a integridade da competência ou assegurar a autoridade de seu julgado;

g) os procedimentos administrativos para decretação da perda do cargo e da

disponibilidade de seus membros e demais magistrados da Justiça Militar, bem como para remoção, por motivo de interesse público, destes últimos, observado o Estatuto da Magistratura; h) a representação para decretação de indignidade de oficial ou sua incompatibilidade para com o oficialato;

i) a representação formulada pelo Ministério Público Militar, Conselho de

Justiça, Juiz-Auditor e advogado, no interesse da Justiça Militar; II - julgar:

a) os embargos apostos às suas decisões;

b) os pedidos de correição parcial;

c) as apelações e os recursos de decisões dos juízes de primeiro grau;

d) os incidentes processuais previstos em lei;

e) os agravos regimentais e recursos contra despacho de relator, previstos em lei

processual militar ou no regimento interno; f) os feitos originários dos Conselhos de Justificação;

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g) os conflitos de competência entre Conselhos de Justiça, entre Juízes- Auditores, ou entre estes e aqueles, bem como os de atribuição entre autoridades administrativa e judiciária militares;

h) os pedidos de desaforamento; i) as questões administrativas e recursos interpostos contra atos administrativos praticados pelo Presidente do Tribunal; j) os recursos de penas disciplinares aplicadas pelo Presidente do Tribunal, Corregedor da Justiça Militar e Juiz-Auditor;

III - declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público,

pelo voto da maioria absoluta de seus membros; IV - restabelecer a sua competência quando invadida por juiz de primeira instância, mediante avocatória;

V - resolver questão prejudicial surgida no curso de processo submetido a seu

julgamento;

VI - determinar medidas preventivas e assecuratórias previstas na lei processual

penal militar, em processo originário ou durante julgamento de recurso, em decisão sua ou por intermédio do relator; VII - decretar prisão preventiva, revogá-la ou restabelecê-la, de ofício ou

mediante representação da autoridade competente, nos feitos de sua competência

originária;

VIII conceder ou revogar menagem e liberdade provisória, bem como aplicar medida provisória de segurança nos feitos de sua competência originária;

IX determinar a restauração de autos extraviados ou destruídos, na forma da lei;

X remeter à autoridade competente cópia de peça ou documento constante de

processo sob seu julgamento, para o procedimento legal cabível, quando verificar a existência de indícios de crime;

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XI deliberar sobre o plano de correição proposto pelo Corregedor da Justiça

Militar e determinar a realização de correição geral ou especial em Auditoria;

XII

elaborar seu regimento interno com observância das normas de processo e

das

garantias processuais das partes, dispondo sobre a competência e

funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos, bem

como

decidir os pedidos de uniformização de sua jurisprudência;

XIII

organizar suas Secretarias e Serviços Auxiliares, bem como dos juízos que

lhe forem subordinados, provendo-lhes os cargos, na forma da lei;

XIV propor ao Poder Legislativo, observado o disposto na Constituição Federal:

a)

alteração do número de membros dos tribunais inferiores;

b)

a criação e a extinção de cargos e fixação de vencimentos dos seus membros,

do

Juiz-Auditor Corregedor, dos Juízes-Auditores, dos Juízes-Auditores

Substitutos e dos Serviços Auxiliares;

c) a criação ou a extinção de Auditoria da Justiça Militar;

d) a alteração da organização e da divisão judiciária militar;

XV eleger seu Presidente e Vice-Presidente e dar-lhes posse; dar posse a seus

membros, deferindo-lhes o compromisso legal;

XVI conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros, ao Juiz-

Auditor Corregedor, aos Juízes-Auditores, Juízes-Auditores Substitutos e servidores que lhe forem imediatamente vinculados;

XVII aplicar sanções disciplinares aos magistrados;

XVIII deliberar, para efeito de aposentadoria, sobre processo de verificação de

invalidez de magistrado;

XIX nomear Juiz-Auditor Substituto e promovê-lo, pelos critérios alternados de

antigüidade e merecimento;

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XX determinar a instauração de sindicância, inquérito e processo

administrativo, quando envolvido magistrado ou servidores da Justiça Militar; XXI demitir servidores integrantes dos Serviços Auxiliares;

XXII aprovar instruções para realização de concurso para ingresso na carreira

da Magistratura e para o provimento dos cargos dos Serviços Auxiliares; XXIII homologar o resultado de concurso público e de processo seletivo interno;

XXIV remover Juiz-Auditor e Juiz-Auditor Substituto, a pedido ou por motivo de interesse público;

XXV remover, a pedido ou ex officio, servidores dos Serviços Auxiliares;

XXVI apreciar reclamação apresentada contra lista de antigüidade dos

magistrados;

XXVII apreciar e aprovar proposta orçamentária elaborada pela Presidência do

Tribunal, dentro dos limites estipulados conjuntamente com os demais Poderes na Lei de Diretrizes Orçamentárias;

XXVIII praticar os demais atos que lhe são conferidos por lei.

§ 1º O Tribunal pode delegar competência a seu Presidente para concessão de

licenças, férias e outros afastamentos a magistrados de primeira instância e servidores que lhe sejam imediatamente vinculados, bem como para o provimento de cargos dos Serviços Auxiliares.

§ 2º Ao Conselho de Administração, após a sua instituição, caberá deliberar

sobre matéria administrativa, conforme dispuser o Regimento Interno. (Incluído

pela Lei nº 9.283, de 13.06.1996)

§ 3º É de dois terços dos membros do Tribunal o quorum para julgamento das

hipóteses previstas nos incisos I, alíneas h e i, II, alínea f, XVIII e XXIV, parte

final, deste artigo. (Renumerado pela Lei nº 9.283, de 13.06.1996)

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§ 4º As decisões do Tribunal, judiciais e administrativas, são tomadas por

maioria de votos, com a presença de, no mínimo, oito ministros, dos quais, pelo menos, quatro militares e dois civis, salvo quorum especial exigido em lei. (Renumerado pela Lei nº 9.283, de 13.06.1996)

* E se houver oficial e civil envolvidos? E se o oficial morre durante o processo? Os dois serão julgados perante o Conselho Especial. Mesmo que o oficial seja posteriormente excluído do processo, permanece a competência do Conselho Especial. Aplica-se a regra da “perpetuatio jurisdicionis”. Art. 23, §3º, da Lei 8.457/92.

Art. 23. Os juízes militares que integrarem os Conselhos Especiais serão de posto superior ao do acusado, ou do mesmo posto e de maior antigüidade.

§ 1º O Conselho Especial é constituído para cada processo e dissolvido após

conclusão dos seus trabalhos, reunindo-se, novamente, se sobrevier nulidade do processo ou do julgamento, ou diligência determinada pela instância superior.

§ 2º No caso de pluralidade de agentes, servirá de base à constituição do Conselho Especial a patente do acusado de maior posto.

§ 3º Se a acusação abranger oficial e praça ou civil, responderão todos perante o mesmo conselho, ainda que excluído do processo o oficial.

§ 4º No caso de impedimento de algum dos juízes, será sorteado outro para

substituí-lo. (NR) ( Parágrafo alterado pela Lei nº 10.445, de 07.05.2002) Nota: Assim dispunha o parágrafo alterado:

§ 4º No caso de impedimento de algum dos juízes, será sorteado outro para

substituí-lo, observado o disposto no parágrafo único do art. 21 desta lei.

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Conselho de Justiça: 05 membros. Os conselhos podem atuar por maioria, sendo que na sessão de julgamento a presença de todos é obrigatória. Quem é o Presidente do Conselho? Na Justiça Militar da União quem preside o conselho é o oficial de posto mais elevado. Na Justiça Militar dos Estados, quem preside o conselho é o próprio Juiz de direito do juízo militar.

Quem é o órgão jurisdicional ad quem?

a) Justiça Militar da União. No âmbito da Justiça Militar da União quem faz as fezes de Tribunal de Apelação é o STM. O STM apesar de ser um Tribunal Superior é basicamente um Tribunal de Apelação, ou seja, recursos dos julgamentos de 1º grau (CRFB/1988 - art. 122). Dos conselhos, já vai direto para o STM. STM é composto de 15 ministros: 10 militares e 05 civis (CRFB/1988 - art. 123).

Seção VII DOS TRIBUNAIS E JUÍZES MILITARES Art. 122. São órgãos da Justiça Militar:

I - o Superior Tribunal Militar; II - os Tribunais e Juízes Militares instituídos por lei.

Art. 123. O Superior Tribunal Militar compor-se-á de quinze Ministros vitalícios, nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a indicação pelo Senado Federal, sendo três dentre oficiais-generais da

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Marinha, quatro dentre oficiais-generais do Exército, três dentre oficiais- generais da Aeronáutica, todos da ativa e do posto mais elevado da carreira, e cinco dentre civis. Parágrafo único. Os Ministros civis serão escolhidos pelo Presidente da República dentre brasileiros maiores de trinta e cinco anos, sendo:

I - três dentre advogados de notório saber jurídico e conduta ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional; II - dois, por escolha paritária, dentre juízes auditores e membros do Ministério Público da Justiça Militar.

1ª Instância: Conselho, não é auditoria. Auditoria é o local. Conselho Permanente de Justiça.

2ª instância: STM que é um Tribunal de Apelação. Se condenado pelo STM, caberá RE para o STF, não caberá RESP contra decisão de Tribunal Superior para STJ. RESP só cabe de decisão de TJ ou TRF.

b) Justiça Militar dos Estados: TJM (RS, SP e MG) e TJ (demais estados)

Soldado da PM pratica crime militar contra civil. Na 1ª instância o PM que praticou crime militar contra civil, na Justiça Estadual, será julgado singularmente pelo Juiz de direito do juízo militar. A 2ª instância será o TJM (RS, SP e MG) e TJ para os estados que não possuem TJM. Na Justiça Militar dos Estados, como o julgamento e pelo TJM ou pelo TJ, caberá o RE para o STJ ou RESP para o STJ. O STM não atua na Justiça Militar dos

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Estados, só atuando na Justiça Militar da União da mesma forma que o STJ só julga quanto a Justiça Estadual.

Órgão ministerial:

Na Justiça Militar da União, atua como parquet o MPM (ministério público militar) que é um dos ramos da MPU (Ministério público da União - composto por MPF, MPT, MPDFT e MPM)

Na Justiça Militar dos Estados, atuará o MP dos Estados.

CRIMES MILITARES

1. Crime propriamente militar:

CRFB/1988

propriamente militar.

Art.

5º,

LXI:

tal

dispositivo

faz

menção

ao

crime

Crime propriamente militar é aquele delito que só pode ser praticado por militar, pois consiste da violação de deveres restritos que lhe são próprios (Jorge Alberto Romero). Ou seja, É a infração específica e funcional do militar.

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Ex: Deserção (CPM – art. 187). Ex: soldado se ausentou do quartel em 06/03, quando é que se consuma o crime de deserção. Os oito dias começa a contar do dia 06 ou do dia 07. O código diz mais de 08 dias. O prazo de 08 dias começa a contar a partir da 00 hora e 00 min do dia seguinte a data da ausência (CPPM - art. 451, §1º). No caso, o prazo começa a contar a partir de 00h00min do dia 07/03. o crime se consuma às 00h00min do dia 15/03.

Outros exemplos de crimes propriamente militares: embriagues em serviço (CPM art. 202); dormir em serviço (art. 203)

Art. 187. Ausentar-se o militar, sem licença, da unidade em que serve, ou do lugar em que deve permanecer, por mais de oito dias:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos; se oficial, a pena é agravada.

Cpm Art. 451. Consumado o crime de deserção, nos casos previstos na lei penal militar, o comandante ou autoridade correspondente, ou ainda a autoridade superior, fará lavrar, sem demora, o respectivo têrmo, que poderá ser impresso ou datilografado, sendo por êle assinado e por duas testemunhas, além do militar incumbido da lavratura. Parágrafo único. No caso previsto no artigo 190 do Código Penal Militar, a lavratura do têrmo será imediata. CPM Art. 451. Consumado o crime de deserção, nos casos previsto na lei penal militar, o comandante da unidade, ou autoridade correspondente, ou ainda autoridade superior, fará lavrar o respectivo

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termo, imediatamente, que poderá ser impresso ou datilografado, sendo por ele assinado e por duas testemunhas idôneas, além do militar

incumbido da lavratura. (Redação dada pela Lei nº 8.236, de 20.9.1991)

§ 1º A contagem dos dias de ausência, para efeito da lavratura do termo

de deserção, iniciar-se-á a zero hora do dia seguinte àquele em que for verificada a falta injustificada do militar. (Redação dada pela Lei nº 8.236, de 20.9.1991)

§ 2º No caso de deserção especial, prevista no art. 190 do Código Penal

Militar, a lavratura do termo será, também, imediata. (Redação dada pela Lei nº 8.236, de 20.9.1991)

CPM Art. 202. Embriagar-se o militar, quando em serviço, ou apresentar- se embriagado para prestá-lo:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos. Dormir em serviço CPM Art. 203. Dormir o militar, quando em serviço, como oficial de quarto ou de ronda, ou em situação equivalente, ou, não sendo oficial, em serviço de sentinela, vigia, plantão às máquinas, ao leme, de ronda ou em qualquer serviço de natureza semelhante:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

Crime Propriamente Militar

Alguns doutrinadores dizem que o conceito de crime propriamente militar não se confunde com o conceito de crime próprio. Crime militar

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próprio é aquele que não pode ser praticado por qualquer militar, mas só aqueles que se encontrem em determinada posição. Ex: CPM – art. 176 (ofensa aviltante a inferior), art. 157 (praticar violência contra superior).

Civil pode responder por crime propriamente militar? Doutrina MAJORITÁRIA diz que não. * STF (HC 81.438): apesar de o civil não ser militar, como estava junto com o sargento e como a condição de militar é elementar do crime de violência contra inferior, poderá se comunicar essa condição ao civil. É o mesmo raciocínio do peculato praticado por civil.

** Crime de Insubmissão: qual a natureza jurídica desse delito? Quando você comete este delito, ainda é civil, posto que foi convocado, mas ainda não se apresentou. Para a maioria da doutrina trata-se de crime propriamente militar, apesar de ser praticado por um civil. Porém, para que a denúncia possa ser oferecida deve esse civil adquirir a condição de milita, isso se da quando do exame médico se considera o indivíduo apto ao serviço militar.

Insubmissão Art. 183. Deixar de apresentar-se o convocado à incorporação, dentro do prazo que lhe foi marcado, ou, apresentando-se, ausentar-se antes do ato oficial de incorporação:

Pena - impedimento, de três meses a um ano. Caso assimilado

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§ 1º Na mesma pena incorre quem, dispensado temporàriamente da incorporação, deixa de se apresentar, decorrido o prazo de licenciamento. Diminuição da pena

§ 2º A pena é diminuída de um têrço:

a) pela ignorância ou a errada compreensão dos atos da convocação militar, quando escusáveis; b) pela apresentação voluntária dentro do prazo de um ano, contado do último dia marcado para a apresentação. Criação ou simulação de incapacidade física

2. Crime impropriamente militar

É aquela infração penal prevista no CPM, cuja prática é possível a qualquer cidadão, seja ele civil ou militar.

Ex: dois civis brigam, um dá soco contra o outro. Crime de lesão corporal leve. Se mesmo crime ocorre no quartel entre dois militares, há o crime de lesão corporal no CPM – art. 209: crimes de lesão corporal. Também previsto como crime militar.

* Cuidado com o STF HC 93.076 (STF Informativo 517): crime impropriamente militar seria crime militar cometido contra civil (Min. Celso de Melo). Tal conceito está equivocado, pois crime militar

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impróprio pode ser praticado por civil ou militar. Ex: a lesão corporal por ser praticada contra civil ou militar dentro de um quartel.

3. crime militar de tipificação direta

São aqueles crimes previstos no CPM, quando definidos de modo diverso na Lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente civil ou militar.

Tem crimes militares que só existem no CPM - art. Ex: deserção, embriagues em serviço, violência contra inferior etc.

É importante, porque se houver previsão somente no CPM bastará a simples referencia. Se houver previsão no CP, não poderá ser crime de tipificação direta.

Ex: Renato, soldado, praticou o crime no art. 183.

4. crime militar de tipificação indireta

São aqueles crimes militares que também estão previstos na Lei penal comum. Nesse caso, é indispensável apontar o porque desse crime ser considerado militar, devendo o juízo de tipicidade ser conjugado com uma das alíneas dos incisos, II e III do art. 9º CPM.

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Ex: estelionato (CP, art. 171 – CPM, art. 251)

Na hora de oferecer a denúncia, o MP deverá narrar o fato e capitular no CPM art. 25, estelionato. É preciso que se diga por que é crime militar, combinando o CPM art., 251 com o art. 9º, III, a

Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:

I - os crimes de que trata êste Código, quando definidos de modo

diverso na lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial; II - os crimes previstos neste Código, embora também o sejam com igual definição na lei penal comum, quando praticados:

a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra

militar na mesma situação ou assemelhado;

b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar

sujeito à administração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;

por militar em serviço, em comissão de natureza militar, ou em

formatura, ainda que fora do lugar sujeito a administração militar contra

militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;

c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em

comissão de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à administração militar contra militar da reserva, ou reformado,

ou civil; (Redação dada pela Lei nº 9.299, de 8.8.1996)

c)

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d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra

militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;

e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o

patrimônio sob a administração militar, ou a ordem administrativa

militar;

por militar em situação de atividade ou assemelhado que, embora

não estando em serviço, use armamento de propriedade militar ou qualquer material bélico, sob guarda, fiscalização ou administração militar, para a prática de ato ilegal;

f)

f) revogada. (Vide Lei nº 9.299, de 8.8.1996)

III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou

por civil, contra as instituições militares, considerando-se como tais não só os compreendidos no inciso I, como os do inciso II, nos seguintes casos:

a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem administrativa militar; b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de atividade ou assemelhado, ou contra funcionário de Ministério militar ou da Justiça Militar, no exercício de função inerente ao seu cargo; c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância, observação, exploração, exercício, acampamento, acantonamento ou manobras;

d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra

militar em função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de

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vigilância, garantia e preservação da ordem pública, administrativa ou judiciária, quando legalmente requisitado para aquêle fim, ou em obediência a determinação legal superior.

5. dos crimes militares em tempo de paz

O CPM, na parte especial, tem dois grandes livros: crimes praticados em tempo de paz e crimes praticados em tempo de guerra, (CPM - art. 355 e ss.).

Traição Art. 355. Tomar o nacional armas contra o Brasil ou Estado aliado, ou prestar serviço nas fôrças armadas de nação em guerra contra o Brasil:

Pena - morte, grau máximo; reclusão, de vinte anos, grau mínimo. Favor ao inimigo

Análise do art. 9º do CPM

5.1. Do Inciso I do art. 9º do CPM

Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:

I - os crimes de que trata êste Código, quando definidos de modo diverso na lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial;

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O sujeito ativo tanto pode ser um militar quanto um civil.

Trata de crimes militares definidos de modo diverso na Lei penal comum, ou nela não previstos.

Ex1 CPM, art. 149 (motim)

Ex2: CPM – art. 160 (desrespeito a superior)

Ex3: CPM - art. 172 (uso indevido de uniforme, distintivo ou insígnia militar por qualquer pessoa).

Ex4: CPM art. 302 ingresso clandestino

Obs.: em relação a esses delitos; para que seja feito o juízo de tipicidade, não é necessário fazer menção ao art. 9º do CPM.

São crimes militares de tipificação direta.

3. ANÁLISE DO ART. 9º, CPM 3.1. INCISO I “I - os crimes de que trata êste Código, quando definidos de modo diverso na lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial;

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Pode ser cometido por qualquer pessoa (civil ou militar) e refere-se aos crimes militares não previstos na lei penal comum e refere-se também aos crimes militares previstos de modo diverso na lei penal comum. Todos esses tipos são de tipificação direta. 3.2. INCISO II “II - os crimes previstos neste Código, embora também o sejam com igual definição na lei penal comum, quando praticados: a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma situação ou assemelhado; b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à administração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil; c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à administração militar contra militar da reserva, ou reformado, ou civil; (Redação dada pela Lei nº 9.299, de 8.8.1996) d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil; e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o patrimônio sob a administração militar, ou a ordem administrativa militar; f) revogada. (Vide Lei nº 9.299, de 8.8.1996)” Tem sempre como sujeito ativo o militar em situação de atividade. (L. 6.880/80 – estatuto dos militares = militar de carreira, sargentos, os incorporados às Forças Armadas durante o serviço obrigatório, o oficial da reserva quando convocado etc.). Ex. Tenente do exército está assistindo aula, é um militar em situação de atividade? Sim. Situação de atividade significa o militar da ativa (é aquele previsto no art. 3º, §1º, a, da L. 6.880/80), o que é diferente de militar em exercício. “Art. 3º, § 1° Os militares encontram-se em uma das seguintes situações: a) na ativa: I - os de carreira; II - os incorporados às Forças

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Armadas para prestação de serviço militar inicial, durante os prazos previstos na legislação que trata do serviço militar, ou durante as prorrogações daqueles prazos; III - os componentes da reserva das Forças Armadas quando convocados, reincluídos, designados ou mobilizados; IV - os alunos de órgão de formação de militares da ativa e da reserva; e V - em tempo de guerra, todo cidadão brasileiro mobilizado para o serviço ativo nas Forças Armadas.” Militar da ativa – essa condição inicia-se com a incorporação e deixa de existir com a passagem do militar para a inatividade. É considerado da ativa aquele que está em férias, de licença, etc. Há uma diferença entre o militar para a justiça da união é o militar das forças armadas, contudo para a justiça militar dos estados só os militares dos estados. E se estiverem nas justiças de forma trocada serão considerados civis. Militar brasileiro em missão no estrangeiro – (ex. brasileiro no Haiti). Se por acaso militar praticar crime militar no Haiti, vai se submeter a jurisdição militar do Brasil. (art. 7º, CPM). Sendo submetido a competencia da auditoria de Brasília. Art. 91 do CPPM.“Art. 7º Aplica-se a lei penal militar, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido, no todo ou em parte no território nacional, ou fora dêle, ainda que, neste caso, o agente esteja sendo processado ou tenha sido julgado pela justiça estrangeira. TERRITÓRIO NACIONAL POR EXTENSÃO 1° Para os efeitos da lei penal militar consideram-se como extensão do território nacional as aeronaves e os navios brasileiros, onde quer que se encontrem, sob comando militar ou militarmente utilizados ou ocupados por ordem legal de autoridade competente, ainda que de

propriedade privada. AMPLIAÇÃO A AERONAVES OU NAVIOS ESTRANGEIROS 2º É também

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aplicável a lei penal militar ao crime praticado a bordo de aeronaves ou navios estrangeiros, desde que em lugar sujeito à administração militar, e o crime atente contra as instituições militares. CONCEITO DE NAVIO 3º Para efeito da aplicação dêste Código, considera-se navio tôda embarcação sob comando militar.” “Art. 91. Os crimes militares cometidos fora do território nacional serão, de regra, processados em Auditoria da Capital da União, observado, entretanto, o disposto no artigo seguinte.”

MILITAR NA INATIVIDADE – para fins de aplicação da lei penal militar é considerado um civil (art. 3º, 1º, b, da L. 6.880) “Art. 3º, § 1° Os militares encontram-se em uma das seguintes situações: b) na inatividade: I - os da reserva remunerada, quando pertençam à reserva das Forças Armadas e percebam remuneração da União, porém sujeitos, ainda, à prestação de serviço na ativa, mediante convocação ou mobilização; e II - os reformados (se aproxima da aposentadoria por invalidez), quando, tendo passado por uma das situações anteriores estejam dispensados, definitivamente, da prestação de serviço na ativa, mas continuem a perceber remuneração da União. III - os da reserva remunerada, e, excepcionalmente, os reformados, executado tarefa por tempo certo, segundo regulamentação para cada Força Armada. (Redação dada pela Lei nº 9.442, de 14.3.1997) (Vide Decreto nº 4.307, de 2002)”. Os militares reformados e os da reserva são os militares na inatividade, essa condição deve ser analisada ao tempo do crime. Militar (para JMU) – é aquele incorporado às Forças Armadas. (ex. PM perante a JMU é considerado civil). Militar (para JME) – é somente os militares dos Estados – PMs, a PM Estadual e Bombeiros.

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Ex. Tenente do exército é parado em blitz da PM. Se o tenente resolve agredir o PM, quem julgará? (lesão corporal) – Pode ser julgado pela JME? O Tenente é considerado civil pela Estadual. Julgado pela JMU? Tenente da ativa, mas não está a trabalho e nem em exercício e nem em lugar da administração militar, será considerado civil não podendo ser nela julgar. O crime é da competência da Justiça comum estadual (crime praticado por militar federal de folga contra policial militar em serviço deve ser processado e julgado pela justiça comum estadual – STF, CC. 7.051 “EMENTA: CONFLITO DE COMPETÊNCIA. JUSTIÇA ESTADUAL COMUM E JUSTIÇA MILITAR. CRIME DE LESÕES CORPORAIS LEVES - AGENTES: CONSCRITOS DO EXÉRCITO BRASILEIRO - VÍTIMA: PRAÇA DA POLÍCIA MILITAR. 1. Praça da Polícia Militar, em serviço, procedendo à revista de dois conscritos do exército, de folga, fora da área de administração militar, veio a ser agredido física e moralmente por estes, resultando lesões corporais leves. 2. A leitura do artigo 42 da Constituição Federal não autoriza o intérprete a concluir pela equiparação dos integrantes das Polícias Militares Estaduais aos Componentes das Forças Armadas, para fins de Justiça. 3. Impossibilidade de enquadramento no artigo 9º e incisos, do Código Penal Militar, que enumera, taxativamente os crimes de natureza militar. Precedentes da Corte. Conflito conhecido, assegurada a competência da Justiça Comum.” e STF, HC. 83.003 “EMENTA:

"HABEAS CORPUS" - CRIME MILITAR EM SENTIDO IMPRÓPRIO - INFRAÇÃO PENAL PRATICADA POR MILITAR FORA DE SERVIÇO CONTRA POLICIAL MILITAR EM SITUAÇÃO DE ATIVIDADE -

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INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR - PEDIDO DEFERIDO. OS

CRIMES DE RESISTÊNCIA, LESÕES CORPORAIS LEVES E

DESACATO QUALIFICAM-SE COMO DELITOS MILITARES EM

SENTIDO IMPRÓPRIO. - O ordenamento positivo, ao dispor sobre os

elementos que compõem a estrutura típica do crime militar ("essentialia

delicti"), considera, como ilícito castrense, embora em sentido

impróprio, aquele que, previsto no Código Penal Militar - e igualmente

tipificado, com idêntica definição, na lei penal comum (RTJ 186/252-253)

-, vem a ser praticado "por militar em situação de atividade ( contra

)

militar na mesma situação ( (CPM, art. 9º, II, "a"). - A natureza

castrense do fato delituoso - embora esteja ele igualmente definido como

delito na legislação penal comum - resulta da conjugação de diversos

elementos de configuração típica, dentre os quais se destacam a

condição funcional do agente e a do sujeito passivo da ação delituosa,

descaracterizando-se, no entanto, ainda que presente tal contexto, a

índole militar desse ilícito penal, se o agente não se encontrar em

situação de atividade. Hipótese ocorrente na espécie, eis que os delitos

de resistência, lesões leves e desacato teriam sido cometidos por

sargento do Exército (fora de serviço) contra soldados e cabos da Polícia

Militar (em atividade). A QUESTÃO DA COMPETÊNCIA PENAL DA

JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO E A NECESSÁRIA OBSERVÂNCIA,

PELOS ÓRGÃOS JUDICIÁRIOS CASTRENSES, DO PRINCÍPIO

CONSTITUCIONAL DO JUIZ NATURAL. - A competência penal da

Justiça Militar da União não se limita, apenas, aos integrantes das

Forças Armadas, nem se define, por isso mesmo, "ratione personae". É

aferível, objetivamente, a partir da subsunção do comportamento do

)"

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agente - qualquer agente, mesmo o civil, ainda que em tempo de paz - ao preceito primário incriminador consubstanciado nos tipos penais definidos em lei (o Código Penal Militar). - O foro especial da Justiça Militar da União não existe para os crimes dos militares, mas, sim, para os delitos militares, "tout court". E o crime militar, comissível por agente militar ou, até mesmo, por civil, só existe quando o autor procede e atua nas circunstâncias taxativamente referidas pelo art. 9º do Código Penal Militar, que prevê a possibilidade jurídica de configuração de delito castrense eventualmente praticado por civil, mesmo em tempo de paz. O POSTULADO DO JUIZ NATURAL REPRESENTA GARANTIA CONSTITUCIONAL INDISPONÍVEL, ASSEGURADA A QUALQUER RÉU, EM SEDE DE PERSECUÇÃO PENAL, MESMO QUANDO INSTAURADA PERANTE A JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO. - É irrecusável, em nosso sistema de direito constitucional positivo - considerado o princípio do juiz natural -, que ninguém poderá ser privado de sua liberdade senão mediante julgamento pela autoridade judiciária competente. Nenhuma pessoa, em conseqüência, poderá ser subtraída ao seu juiz natural. A nova Constituição do Brasil, ao proclamar as liberdades públicas - que representam limitações expressivas aos poderes do Estado -, consagrou, de modo explícito, o postulado fundamental do juiz natural. O art. 5º, LIII, da Carta Política prescreve que "ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente". CONSIDERAÇÕES EM TORNO DO CARÁTER ESTRITO DA COMPETÊNCIA PENAL DA JUSTIÇA MILITAR DOS ESTADOS-MEMBROS. - A jurisdição penal dos órgãos integrantes da estrutura institucional da Justiça Militar dos Estados-

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membros

não

se

estende,

constitucionalmente,

aos

integrantes

das

Forças Armadas nem abrange os civis (RTJ 158/513-514, Rel. Min. CELSO DE MELLO), ainda que a todos eles haja sido imputada a suposta prática de delitos militares contra a própria Polícia Militar do

Estado ou os agentes que a compõem. Precedentes.”).

Militar:

1. para efeito de aplicação da lei penal militar pela JMU – somente é

considerado militar aquele incorporado às Forças Armadas. São considerados civis, portanto, os militares dos Estados, os militares federais na inatividade e os civis.

2. para fins de aplicação da lei penal militar perante a JME – são os

militares dos Estados na ativa. Portanto, são considerados civis os militares das Forças Armadas, os militares estaduais na inatividade e os

civis

3. Assemelhado – consta do art. 21 do CPM “Art. 21. Considera-se assemelhado o servidor, efetivo ou não, dos Ministérios da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, submetido a preceito de disciplina militar, em virtude de lei ou regulamento.” Essa figura foi abolida há mais de 60 anos, não existe mais essa figura. Extinta pelo Dec. 23.203 de 1947.

3.2.1 Art. 9º, II ALÍNEA “A” – CONTRA MILITAR DA ATIVA

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Militar da ativa contra militar da ativa – “Art. 9º, II, a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma situação ou assemelhado;” Ex.: Se os militares estiverem de folga? Ou o crime foi cometido por militar em férias contra outro militar em férias – de quem é a competência pra processar e julgar? Para doutrina continuamos diante de um crime militar. Afinal de contas mesmo estando de folga os militares são considerados da ativa, pois isso não se confunde com o militar em serviço. Trata-se de crime militar com base no art. 9º, II, a, CPM. (STJ, CC. 85.607 “CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. PROCESSUAL PENAL. CRIME PRATICADO POR MILITAR EM ATIVIDADE CONTRA MILITAR EM IDÊNTICA SITUAÇÃO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR. 1. Compete à Justiça Militar processar e julgar crime praticado por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma situação ou assemelhado (art. 9º, inciso II, alínea "a", do Código Penal Militar). 2. Militar em situação de atividade quer dizer "da ativa" e não "em serviço", em oposição a militar da reserva ou aposentado. 3. Precedentes do STJ e do STF. 4. Conflito conhecido para declarar competente a Justiça Militar, juízo suscitante.” e CC. 96.330 “CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA. PROCESSUAL PENAL. CRIME PRATICADO POR MILITAR EM ATIVIDADE CONTRA MILITAR EM IDÊNTICA SITUAÇÃO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR. 1. Compete à Justiça Castrense processar e julgar crime praticado por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma situação ou assemelhado. (CC 85.607/SP, Rel. Min. OG FERNANDES, DJ 8/9/08) 2. Militar em situação

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de atividade quer dizer "da ativa" e não "em serviço", em oposição a militar da reserva ou aposentado. 3. Conheço do conflito para declarar competente o Juízo de Direito da 3ª Auditoria da Justiça Militar do Estado de São Paulo, ora suscitado.”). Para o STF, se os militares não estão em serviço, deve ser verificado se o crime guarda uma relação com a condição de militar. STF, HC 80.122 “EMENTA: HABEAS CORPUS - CRIME MILITAR - ALUNO MATRICULADO EM ÓRGÃO DE FORMAÇÃO DE MILITARES DA ATIVA E DA RESERVA (ESCOLA DE ESPECIALISTAS DA AERONÁUTICA, NO CASO) - QUALIFICAÇÃO JURÍDICA COMO MILITAR EM SITUAÇÃO DE ATIVIDADE - ESTATUTO DOS MILITARES - PRAÇA ESPECIAL - SUJEITO ATIVO DE CRIME MILITAR - RECONHECIMENTO DA COMPETÊNCIA PENAL DA JUSTIÇA MILITAR - RECURSO IMPROVIDO. - Os Alunos regularmente matriculados em órgão de formação de militares da ativa e da reserva - que possuem, nessa particular condição, a graduação de praças especiais - são considerados militares em situação de atividade, podendo qualificar-se, em conseqüência, como sujeitos ativos de crime militar, submetendo-se, desse modo, quando da prática de ilícitos castrenses, à jurisdição penal da Justiça Militar. Doutrina.” e CC. 7.071 “EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL, PENAL E PROCESSUAL PENAL MILITAR. JURISDIÇÃO. COMPETÊNCIA. CRIME MILITAR. 1. Considera-se crime militar o doloso contra a vida, praticado por militar em situação de atividade, contra militar, na mesma situação, ainda que fora do recinto da administração militar, mesmo por razões estranhas ao serviço. 2. Por isso mesmo, compete à Justiça Militar - e não à Comum - o respectivo processo e julgamento. 3. Interpretação do

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art. 9°, II, "a", do Código Penal Militar. 4. Conflito conhecido pelo S.T.F., já que envolve Tribunais Superiores (o Superior Tribunal de Justiça e o Superior Tribunal Militar) (art. 102, I, "o", da C.F.) e julgado procedente, com a declaração de competência da Justiça Militar, para prosseguir nos demais atos do processo. 5. Precedentes.”. STJ: Em sentido contrário. Não basta que o crime seja cometido por militar da ativa contra militar da ativa, sendo indispensável que o militar esteja em efetivo exercício funcional (STJ, CC. 91.267 “CONFLITO DE COMPETÊNCIA. TENTATIVA DE HOMICÍDIO. 1. CRIME DOLOSO CONTRA A VIDA. AUTOR E VÍTIMA POLICIAIS MILITARES. CRIME MILITAR. INEXISTÊNCIA. 2. CRIME COMETIDO FORA DE SITUAÇÃO DE ATIVIDADE OU ASSEMELHADO E FORA DE ÁREA DE ADMINISTRAÇÃO MILITAR. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR. INOCORRÊNCIA. 3. COMPETÊNCIA DO JUÍZO SUSCITANTE. 1. Ainda que se trate de crime doloso contra a vida cometido por militar contra outro militar, a competência não é atraída pela Justiça Militar se os fatos não se enquadram nas hipótese do artigo 9º do CPM, que caracterizam o crime militar. 2. Crime cometido fora do exercício do serviço, sem farda, e com motivação completamente alheia à função, a indicar a ocorrência de crime comum, e não militar. 3. Competente o juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri do Foro Regional de Santana - Comarca de São Paulo, o juízo suscitante.”).

Subtração de folha de cheque de militar da ativa por outro militar da ativa em local sujeito a administração militar, com posterior obtenção de vantagem ilícita.

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Para os tribunais se o prejuízo for suportado pelo militar o delito será julgado pela justiça militar; se o prejuízo for suportado pela instituição bancária a competência será da justiça comum. 3.2.2. Art. 9º, II, ALÍNEA “B” – CONTRA CIVIL EM LUGAR SUJEITO À ADMINISTRAÇÃO MILITAR “Art. 9º, II, b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à administração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;” Militar da ativa contra civil em lugar sujeito à administração militar. Civil = conceito lato sensu. Lugar sujeito à administração militar - é o local que pertence ao patrimônio das forças armadas, da polícia militar ou do corpo de bombeiros, ou que se encontre sob a administração dessas instituições militares, podendo ser móvel ou imóvel.

Esse civil pode ser pessoa jurídica? Não

somente pessoa física. (STJ,

REsp 705.514 “PROCESSO PENAL. RECURSO ESPECIAL. DANO PRATICADO POR MILITAR CONTRA PATRIMÔNIO DE EMPRESA PÚBLICA. COMPETÊNCIA JUSTIÇA COMUM. A alínea "c" do inciso II do art. 9o do Código Penal Militar determina que será militar o crime praticado por castrense, em serviço, contra "militar da reserva, reformado, ou civil", não alcançando o dano praticado contra empresa pública, porquanto pessoa jurídica. O Código Penal Militar é claro ao classificar como delitos militares os atos ilícitos perpetrados "contra o patrimônio sob a administração militar, ou a ordem administrativa militar", hipótese não ocorrida na espécie. Recurso especial a que se nega provimento. Acórdão”)

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A vila militar é lugar sujeito à administração militar? (PNR – Próprio

Nacional Residencial – e a casa do militar.) A vila militar é lugar sujeito à administração militar, porém somente no que tange à área comum, entendendo a jurisprudência que a residência do militar, o PNR, não é lugar sujeito à administração militar.

Se um coronel estupra a esposa dentro do PNR é crime comum, art. 213

do CP, contudo se for na área sujeita a administração militar é crime militar, art. 232 do CPM Crime cometido dentro do STM e das auditorias militares – são parte do poder judiciário da União, assim, não são lugares sujeitos à administração militar. 3.2.3. Art. 9º, II, ALÍNEA “C” “Art. 9º, II, c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à administração militar contra militar da reserva, ou reformado, ou civil; (Redação dada pela Lei nº 9.299, de 8.8.1996)

Esse é um crime militar praticado por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à administração militar contra civil.

Entender civil como também militar da reserva e militar reformado. Quando o CP diz “militar em situação de atividade” ele usa essa expressão como sinônimo de militar da ativa.

Militar da ativa

Militar da ativa

É

aquele que não é da reserva,

nem reformado.

nem reformado.

Militar em serviço

É aquele que está atuando em razão da função.

É aquele que está atuando em razão da função.

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Ex. militar em sala de aula é militar da ativa, mas não militar em serviço.

Na alínea “a” basta ser militar da ativa. Na “c” tem que estar em serviço, logo também é da ativa.

Parque ocupado temporariamente para acampamento militar não é lugar sujeito à administração militar. Militar acampado sai e vai até a escola onde aborda um adolescente, praticando ato libidinoso. Isto é crime militar? Não é crime militar, pois a abordagem não está dentre a atuação do serviço. É preciso guardar vínculo com o serviço. É crime comum. Vai responder perante a Justiça Comum Estadual.

Portanto, para a configuração desse crime militar deve existir o denominado nexo funcional (propter officium) sob pena de configuração de crime comum.

Ex. soldado abandona o quartel sem autorização e assalta posto de gasolina. Praticou crime militar de abandono de posto (art. 195 de CPM “Art. 195. Abandonar, sem ordem superior, o pôsto ou lugar de serviço que lhe tenha sido designado, ou o serviço que lhe cumpria, antes de terminá-lo: Pena - detenção, de três meses a um ano.”). Responde por esse crime por força do inciso I do Art. 9º do CPM “Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz: I - os crimes de que trata êste Código, quando definidos de modo diverso

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na lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial;”. O CRIME PATRIMONIAL PRATICADO COM ARMA DA CORPORAÇÃO NÃO É CRIME MILITAR. Abandono de posto será julgado pela justiça militar, enquanto que o crime patrimonial será julgado pela justiça comum. STF, HC 91.658 “EMENTA: AÇÃO PENAL. competência. crime de roubo. Fato praticado, com abandono de posto e arma da corporação, fora da área sujeita à administração castrense. Incompetência da Justiça Militar. Feito da competência da Justiça Comum, sem prejuízo da competência daquela para o delito de abandono de posto. HC concedido para o reconhecer. Inteligência do art. 124 da CF. Precedentes. Ação penal por delito cometido por militar, com abandono de posto e arma da corporação, fora da área sujeita à administração castrense, não tem por objeto delito militar e, pois, é da competência da Justiça Comum, sem prejuízo da competência da Justiça Militar para o delito de abandono de posto.

A lei não exige que essa função seja militar. Portanto, mesmo que o policial militar e o bombeiro militar encontrem-se em serviço de policiamento ostensivo e de trânsito, ou no exercício de função policial civil eventual crime por eles cometido será considerado crime militar. Em algumas cidades do interior não há polícia civil e o militar é obrigado a exercer tal função. SÚM. 297, STF – ESTÁ ULTRAPASSADA. Súmula 297 - OFICIAIS E PRAÇAS DAS MILÍCIAS DOS ESTADOS, NO EXERCÍCIO DE FUNÇÃO POLICIAL CIVIL, NÃO SÃO CONSIDERADOS MILITARES PARA EFEITOS PENAIS, SENDO COMPETENTE A JUSTIÇA COMUM PARA

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JULGAR OS CRIMES COMETIDOS POR OU CONTRA ELES (VIDE OBSERVAÇÃO). Observação - No julgamento do RHC 56049 (RTJ 87/47), em sessão plenária, considerando a vigência da Emenda Constitucional 7/1977, foi acolhida a proposta de reformulação da Súmula 297, encaminhando-se a decisão à Comissão de Revisão da Súmula, para efeito de nova redação. Sobre a superação da Súmula 297 veja HC 69571 (DJ de 25/9/1992) e HC 82142 (RTJ 187/670). - Código de Processo Penal Militar de 1969, Título VIII, art. 82, art.

84.

STJ, RHC 11.376 “RHC. DESACATO A POLICIAL MILITAR. PATRULHAMENTO DE TRÂNSITO. FUNÇÃO CIVIL. JUSTIÇA MILITAR. INCOMPETÊNCIA. NULIDADE DO PROCESSO. Conforme jurisprudência desta Corte e do C. STF, não pode ser considerada como função de natureza militar, para a configuração de crime militar, nos termos do art. 9º, inciso III, "d" e 299, ambos do CPM, atividade de policiamento e fiscalização do trânsito. Nulidade do processo a partir da denúncia, inclusive, ante a flagrante incompetência da Justiça Militar para julgar o feito. Remessa dos autos à Justiça Comum. Recurso provido.”. STF, RHC 56.049 “HABEAS CORPUS. COMPETÊNCIA. POLICIA MILITAR DO ESTADO. NOS TERMOS DO ART. 144, § 1º, "D", DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, COM A REDAÇÃO DADA PELA EMENDA CONSTITUCIONAL N. 7 DE 13 DE ABRIL DE 1977, A JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL É COMPETENTE PARA PROCESSAR E JULGAR OS INTEGRANTES DAS POLICIAS MILITARES, NOS CRIMES MILITARES DEFINIDOS EM LEI. CRIME COMETIDO POR

DO

NOS CRIMES MILITARES DEFINIDOS EM LEI. CRIME COMETIDO POR DO POLICIAIS MILITARES NO POLICIAMENTO OSTENSIVO TRÂNSITO.

POLICIAIS

MILITARES

NO

POLICIAMENTO

OSTENSIVO

TRÂNSITO. - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR. PROPOSTA

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DE REFORMULAÇÃO DA SÚMULA 297 ACOLHIDA. RECURSO DE

EMENTA:

HABEAS-CORPUS. POLICIAL MILITAR. CONDUTA RELACIONADA COM ATUAÇÃO FUNCIONAL. CRIMES TAMBÉM DE NATUREZA PENAL MILITAR. COMPETÊNCIA RECONHECIDA. 1. Policial militar. Existência de delitos tipificados ao mesmo tempo no CP e no CPM. Condutas que guardam relação com as funções regulares do servidor. Crime militar impróprio. Competência da Justiça Militar para o julgamento (CF, artigo 124). 2. Departamento de Operações de Fronteira do Estado de Mato Grosso do Sul. Polícia mista. Mesmo nas hipóteses em que entre as atividades do policial militar estejam aquelas pertinentes ao policiamento civil, os desvios de condutas decorrentes de suas atribuições específicas e associadas à atividade militar, que caracterizem crime, perpetradas contra civil ou a ordem administrativa castrense, constituem-se em crimes militares, ainda que ocorridos fora do lugar sujeito à administração militar (CPM, artigo 9º, II, "c" e "e"). 3. Nesses casos a competência para processar e julgar o agente público é da Justiça Militar. Enunciado da Súmula/STF 297 há muito tempo superado. 4. Crime de formação de quadrilha (CP, artigo 288). Delito que não encontra tipificação correspondente no Código Penal Militar. Competência, nessa parte, da Justiça Comum. Habeas-corpus deferido em parte.”, HC 69.571 “JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL:

COMPETÊNCIA: CRIME MILITAR PRATICADO POR POLICIAL MILITAR, AINDA QUE EM FUNÇÃO DE POLICIAMENTO CIVIL:

SUPERAÇÃO, NO PONTO DA SUM. 297, DESDE A INOVAÇÃO DA

"HABEAS

CORPUS"

NÃO

PROVIDO.”,

HC

82.142

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EC

7/77

(CF.

RHC

56.049,

ALCKMIN,

RTJ

87/47),

QUE

A

CONSTITUIÇÃO MANTEVE.”.

“mesmo nas hipóteses

constituem-se crimes militares”

Súm. 6 STJ diz que vai ser crime militar se autor e vítima forem policiais militares em situação de atividade. Ela está em contradição com a alínea “c”. Ela surgiu com Código de Transito Brasileiro. “Súmula: 6 COMPETE A JUSTIÇA COMUM ESTADUAL PROCESSAR E JULGAR DELITO DECORRENTE DE ACIDENTE DE TRANSITO ENVOLVENDO VIATURA DE POLICIA MILITAR, SALVO SE AUTOR E VITIMA FOREM POLICIAIS MILITARES EM SITUAÇÃO DE ATIVIDADE.” Se o crime for praticado por militar em serviço, ainda que contra civil, a competência será da justiça militar com base no art. 9º, II, “c”, mas desde que esse delito esteja previsto no CPM (ex. lesão corporal culposa, homicídio culposo). Caso este crime não esteja previsto no CPM, a competência será da justiça comum. O mesmo ocorre com o crime de abuso de autoridade. O próprio STJ (CC 34.749 “CRIMINAL. VIATURA MILITAR. ACIDENTE DE TRÂNSITO. VÍTIMAS CIVIS E MILITARES. COMPETÊNCIA. JUSTIÇA MILITAR. Compete à Justiça Militar Estadual processar e julgar o delito decorrente de acidente de trânsito envolvendo viatura da Polícia Militar, quando o autor for policial militar, em serviço, e as vítimas forem civis e policiais militares, em situação de atividade. Conflito conhecido para declarar competente o MM. Juízo Auditor da Auditoria Militar de Passo Fundo (RS).”) e o STF (RE 146.816 “EMENTA: Conflito de competência. Acidente de trânsito. Viatura militar e civil. Compete à Justiça Militar processar e julgar delito decorrente de acidente de

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trânsito envolvendo viatura de policial militar. Recurso conhecido e provido.”) decidiram pela competência da justiça militar contra civil.

Como policiais militares tem o dever de agir, ao interferir em uma ocorrência policial na hipótese de flagrante delito, mesmo usando arma particular, estaria na situação de ter se colocado em serviço. Portanto, eventual crime praticado nesse momento seria considerado militar com base na letra “c” do inciso II do art. 9º. Esse raciocínio não se aplica aos militares das forças armadas, pois suas funções de polícia judiciária e administrativa estão restritas as infrações penais militares.

Esse crime praticado pelo militar em serviço deve estar previsto no CPM, sob pena de configuração de crime comum. Ex. crime de aborto praticado por médico militar dentro do hospital é julgado onde? O aborto não está previsto no CPM. Ele não é considerado crime militar, portanto, seu julgamento ficará a cargo da Justiça comum. Ex. abuso de autoridade cometido por militar em serviço não é crime militar. (Lei 4.898/65) – súm 172 do STJ – “Súmula: 172 COMPETE A JUSTIÇA COMUM PROCESSAR E JULGAR MILITAR POR CRIME DE ABUSO DE AUTORIDADE, AINDA QUE PRATICADO EM SERVIÇO.”. Ele não está previsto no CPM.

Se no mesmo contexto fático, praticar o militar o crime de abuso de autoridade e um outro crime militar, deverá ocorrer a separação de

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processos (ex. invasão de domicílio, lesão corporal). Aplica-se nessa hipótese a súm. 90 do STJ – “Súmula: 90 COMPETE A JUSTIÇA ESTADUAL MILITAR PROCESSAR E JULGAR O POLICIAL MILITAR PELA PRATICA DO CRIME MILITAR, E A COMUM PELA PRATICA DO CRIME COMUM SIMULTANEO AQUELE.”.

Crime de tortura não é crime militar. É comum. (L. 9.455/97). É julgado pela justiça comum.

Disparo de arma de fogo (L. 10.826/03 – art. 15 “Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.”). Policial que efetua disparo contra pneu de caminhão para evitar fuga não comete crime militar. Tal crime é comum. Não guarda previsão no CPM (CC 90131 STJ “CONFLITO DE COMPETÊNCIA. 1. DISPARO DE ARMA DE FOGO EM VIA PÚBLICA. ART. 15 DA LEI 10.826/03. POLICIAL MILITAR QUE ATIRA NO PNEU DO CARRO DE CAMINHÃO PARA EVITAR A FUGA DE POSSÍVEL INFRATOR. CRIME QUE NÃO ENCONTRA CORRESPONDÊNCIA NO CÓDIGO PENAL MILITAR. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR AFASTADA. 2. COMPETÊNCIA DO JUÍZO SUSCITANTE. 1. Tratando-se da conduta de efetuar disparos de arma de fogo em via pública, cometida por policial militar em situação de atividade, crime que não encontra correspondente previsão legal no Código Penal Militar, é de se afastar a competência da Justiça castrense. 2. Reconhecida a competência do juízo de Direito da Vara Criminal de Inquéritos Policiais de

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Belo Horizonte/MG, suscitado, para conhecer de eventual denúncia oferecida contra o investigado e processá-lo e julgá-lo se for o caso.”).

Atentado contra a segurança do transporte aéreo. Acidente com o Boing da Gol no Município de Peixoto de Azevedo no Mato Grosso (STJ – CC 91.016 “PENAL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. ACIDENTE AÉREO. ATENTADO CONTRA A SEGURANÇA DE TRANSPORTE AÉREO. INOBSERVÂNCIA DE LEI, REGULAMENTO OU INSTRUÇÃO E HOMICÍDIO CULPOSO. DELITOS PRATICADOS POR MILITARES, CONTROLADORES DE VÔO. CRIMES DE NATUREZA MILITAR E COMUM. DESMEMBRAMENTO. PRINCÍPIO DO NE BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA DE CONFLITO. 1. Não ofende o princípio do ne bis in idem o fato dos controladores de vôo estarem respondendo a processo na Justiça Militar e na Justiça comum pelo mesmo fato da vida, qual seja o acidente aéreo que ocasionou a queda do Boeing 737/800 da Gol Linhas Aéreas no Município de Peixoto de Azevedo, no Estado do Mato Grosso, com a morte de todos os seus ocupantes, uma vez que as imputações são distintas. 2. Solução que se encontra, mutatis mutandis, no enunciado da Súmula 90/STJ: "Compete à Justiça Militar processar e julgar o policial militar pela prática do crime militar, e à Comum pela prática do crime comum simultâneo àquele". 3. Conflito não conhecido.”).

Sargentos foram denunciados. Eles trabalhavam no controle de tráfego aéreo. Os dois pilotos do jato Legaci foram denunciados pelo art. 261, §3º C/c art. 263 “Art. 261 - Expor a perigo embarcação ou aeronave, própria ou alheia, ou praticar qualquer ato tendente a impedir ou dificultar navegação

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marítima, fluvial ou aérea: § 3º - No caso de culpa, se ocorre o sinistro: Pena - detenção, de seis meses a dois anos. C/c Art. 263 - Se de qualquer dos crimes previstos nos arts. 260 a 262, no caso de desastre ou sinistro, resulta lesão corporal ou morte, aplica-se o disposto no art. 258.”, com pena prevista no art. 258 c/c art. 121, §4º, “Art. 258 - Se do crime doloso de perigo comum resulta lesão corporal de natureza grave, a pena privativa de liberdade é aumentada de metade; se resulta morte, é aplicada em dobro. No caso de culpa, se do fato resulta lesão corporal, a pena aumenta-se de metade; se resulta morte, aplica-se a pena cominada ao homicídio culposo, aumentada de um terço. C/c o Art. 121. Matar alguem: § 4 o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)” todos do CP.

Os controladores de vôo e sargentos da aeronáutica foram denunciados por 2 crimes dolosos de atentado contra a segurança do transporte aéreo em concurso formal, sendo 1 na modalidade fundamental (jato legaci) e o outro qualificado por 154 mortes (boing da gol).

Perante a justiça militar, os controladores de vôo foram denunciados pela prática do crime do art. 324, CPM “Art. 324. Deixar, no exercício de função, de observar lei, regulamento ou instrução, dando causa direta à prática de ato prejudicial à administração militar: Pena - se o fato foi praticado por

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tolerância, detenção até seis meses; se por negligência, suspensão do exercício do pôsto, graduação, cargo ou função, de três meses a um ano.” (inobservância de lei regulamento ou instrução), e contra 1 deles pela prática de homicídio culposo (art. 206, §1º e 2º, CPM “Art. 206. Se o homicídio é culposo: Pena - detenção, de um a quatro anos. § 1° A pena pode ser agravada se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima. MULTIPLICIDADE DE VÍTIMAS § 2º Se, em conseqüência de uma só ação ou omissão culposa, ocorre morte de mais de uma pessoa ou também lesões corporais em outras pessoas, a pena é aumentada de um sexto até metade.”)

STJ entendeu que o fato de o mesmo fato da vida resultar em 2 crimes não é novidade. Não há problema algum em responder perante a justiça militar e a federal.

Tráfico de drogas praticado por militares em serviço em lugar não sujeito a administração militar. Art. 290, CPM “Art. 290. Receber, preparar, produzir, vender, fornecer, ainda que gratuitamente, ter em depósito, transportar, trazer consigo, ainda que para uso próprio, guardar, ministrar ou entregar de qualquer forma a consumo substância entorpecente, ou que determine dependência física ou psíquica, em lugar sujeito à administração militar, sem autorização ou em desacôrdo com determinação legal ou regulamentar: Pena - reclusão, até cinco anos. CASOS ASSIMILADOS 1º Na mesma pena incorre, ainda que o fato incriminado ocorra em lugar não sujeito à administração militar: I - o militar que fornece, de qualquer forma, substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica

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a outro militar; II - o militar que, em serviço ou em missão de natureza militar,

no país ou no estrangeiro, pratica qualquer dos fatos especificados no artigo; III

- quem fornece, ministra ou entrega, de qualquer forma, substância entorpecente

ou que determine dependência física ou psíquica a militar em serviço, ou em manobras ou exercício. FORMA QUALIFICADA 2º Se o agente é farmacêutico, médico, dentista ou veterinário: Pena - reclusão, de dois a oito anos. Receita ilegal.”.

Para que responda pelo crime do art. 290 as condutas deve se dar em lugar sujeito a administração militar. AQUI O CPM DEU A PENA MÁXIMA, MAS NÃO DEU A PENA MÍNIMA, COMO A PENA MÍNIMA É DE RECLUSÃO SERÁ DE 1 ANO E SE FOR DE DETENÇÃO A PENA SERÁ DE 30 DIAS No exemplo dado, o militar responderá pelo art. 33 da Lei de Drogas “Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.”. Cumpre observar que a pena do art. 290 do CPM é de 1 ano e máximo de 5 anos.

Posse irregular de arma de fogo ou porte ilegal de arma de fogo, ainda que de origem estrangeira e de uso restrito, e mesmo que praticados por militar dentro de estabelecimento militar, não são considerados crimes militares, pois tais delitos não estão previstos no CPM. Portanto a competência será da Justiça Comum Estadual (STJ CC 28.251

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CONFLITO DE COMPETÊNCIA. PROCESSUAL PENAL. PORTE ILEGAL DE ARMA. PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. CRIME MILITAR. COMPETÊNCIA. NATUREZA DA INFRAÇÃO E NÃO CONDIÇÃO PESSOAL DO AGENTE. CONFLITO CONHECIDO. COMPETÊNCIA DO JUÍZO ESTADUAL 1. O fato do agente manter guardada em armário do quartel, a que serve arma de origem estrangeira e de uso restrito, não afasta a competência da Justiça Estadual, vez que não traduz a ocorrência de crime em detrimento de bens, serviços ou interesse da União, de suas autarquias e empresas públicas. 2. A competência militar não é firmada pela condição pessoal de militar do réu, mas sim, pela natureza militar da infração, configurada no disposto no art. 9º do Código Penal Militar. 3. Conflito conhecido, mas para declarar que ambos os Juízos, suscitante e suscitado, são incompetentes. Determino de ofício, que os autos retornem à origem para que sejam encaminhados ao Juízo Estadual.” e CC 49.689 “CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. PENAL. MILITAR. GUARDA DE ARMA PARTICULAR SEM PORTE E SEM REGISTRO DENTRO DE ESTABELECIMENTO MILITAR. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM. 1. Delito de posse irregular de arma de fogo em estabelecimento militar não se enquadra nas hipóteses previstas no art. 9º do Código Penal Militar. 2. Competência militar não é firmada pela condição pessoal de militar, mas pela natureza da infração. Militar não agiu em razão de suas funções, não havendo, pois, que se falar em crime militar. 3. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo de Direito da 2ª Vara Criminal de Bangu – RJ, juízo suscitante.”).

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Arma de uso privativo das forças armadas não significa dizer que essa arma seja das forças armadas.

Cidadão encontrado na rua com pistola. Ele responde por esse crime onde? 1- se a pistola é de propriedade da PM responde pelo crime de receptação (art. 180, CP) e porte ilegal de arma de fogo na justiça comum. Os dois delitos deverão ser julgados na justiça estadual comum, porque civil não pode ser julgado pela Justiça Militar Estadual. 2. Se a arma é do exercito, responde pela receptação (art. 254, CPM c/c art. 9º, III, a) na Justiça Militar da União. Isto não afasta a possibilidade do porte ilegal de arma de fogo ser julgado pela justiça estadual comum. 3. Se a arma é da polícia federal. A receptação (art. 180, CP) é julgada pela Justiça Federal. O patrimônio é da União. O porte ilegal de arma de fogo é julgado pela Justiça Federal. Súm. 122 STJ “Súmula: 122 COMPETE A JUSTIÇA FEDERAL O PROCESSO E JULGAMENTO UNIFICADO DOS CRIMES CONEXOS DE COMPETENCIA FEDERAL E ESTADUAL, NÃO SE APLICANDO A REGRA DO ART. 78, II, "A", DO CODIGO DE PROCESSO PENAL.”, fala que prevalece a competência da Justiça Federal.

Lei Complementar 97/99 art. 15 (“Art. 15. O emprego das Forças Armadas na defesa da Pátria e na garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem, e na participação em operações de paz, é de

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responsabilidade do Presidente da República, que determinará ao Ministro de Estado da Defesa a ativação de órgãos operacionais, observada a seguinte forma de subordinação: I - diretamente ao Comandante Supremo, no caso de Comandos Combinados, compostos por meios adjudicados pelas Forças Armadas e, quando necessário, por outros órgãos; II - diretamente ao Ministro de Estado da Defesa, para fim de adestramento, em operações combinadas, ou quando da participação brasileira em operações de paz; III - diretamente ao respectivo Comandante da Força, respeitada a direção superior do Ministro de Estado da Defesa, no caso de emprego isolado de meios de uma única Força. § 1 o Compete ao Presidente da República a decisão do emprego das Forças Armadas, por iniciativa própria ou em atendimento a pedido manifestado por quaisquer dos poderes constitucionais, por intermédio dos Presidentes do Supremo Tribunal Federal, do Senado Federal ou da Câmara dos Deputados. § 2 o A atuação das Forças Armadas, na garantia da lei e da ordem, por iniciativa de quaisquer dos poderes constitucionais, ocorrerá de acordo com as diretrizes baixadas em ato do Presidente da República, após esgotados os instrumentos destinados à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, relacionados no art. 144 da Constituição Federal. § 3 o Consideram-se esgotados os instrumentos relacionados no art. 144 da Constituição Federal quando, em determinado momento, forem eles formalmente reconhecidos pelo respectivo Chefe do Poder Executivo Federal ou Estadual como indisponíveis, inexistentes ou insuficientes ao desempenho regular de sua missão constitucional. (Incluído pela Lei Complementar nº 117, de 2004) § 4 o Na hipótese de emprego nas condições previstas no § 3 o deste artigo, após mensagem do Presidente da República, serão ativados os órgãos operacionais das Forças Armadas, que desenvolverão, de forma episódica, em área previamente estabelecida e por tempo

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limitado, as ações de caráter preventivo e repressivo necessárias para assegurar o resultado das operações na garantia da lei e da ordem. (Incluído pela Lei Complementar nº 117, de 2004) § 5 o Determinado o emprego das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem, caberá à autoridade competente, mediante ato formal, transferir o controle operacional dos órgãos de segurança pública necessários ao desenvolvimento das ações para a autoridade encarregada das operações, a qual deverá constituir um centro de coordenação de operações, composto por representantes dos órgãos públicos sob seu controle operacional ou com interesses afins.(Incluído pela Lei Complementar nº 117, de 2004) § 6 o Considera-se controle operacional, para fins de aplicação desta Lei Complementar, o poder conferido à autoridade encarregada das operações, para atribuir e coordenar missões ou tarefas específicas a serem desempenhadas por efetivos dos órgãos de segurança pública, obedecidas as suas competências constitucionais ou legais. (Incluído pela Lei Complementar nº 117, de 2004) § 7 o O emprego e o preparo das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem são considerados atividade militar para fins de aplicação do art. 9 o , inciso II, alínea c, do Decreto-Lei n o 1.001, de 21 de outubro de 1969 - Código Penal Militar. (Incluído pela Lei Complementar nº 117, de 2004)”) – possibilidade de utilização das forças armadas na garantia dos poderes constitucionais e por iniciativa de qualquer destes da lei e da ordem Art. 142, CF Esses casos de atuação das forças armadas na garantia da Lei e da ordem são considerados atividades militar para fins de aplicação do art. 9º, II, c, do CPM (art. 15, §7º)

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Ex. no rio de janeiro, militares estavam atuando em favela. Pegaram 3 moradores de 1 morro e levaram para o rival. Foram julgados por tribunal do Júri Federal. Há crime militar de insubordinação, abandono de posto. Os homicídios que ocorrem na Justiça Federal, pois não é crime militar.

3.2.4. Art. 9º, II, ALÍNEA “D”

Crime militar praticado por militar durante o período de manobras ou exercícios contra civil, significa qualquer movimentação da tropa militar destinada ao treinamento, por outro lado exercício é a atividade destinada ao preparo físico e treinamento do militar. Ex. desfiles militares, treinamentos, qualquer movimentação de tropa destinada ao treinamento.

3.2.5. Art. 9º, II, ALÍNEA “E”

Crime militar praticado por militar contra o patrimônio sob a administração militar ou a ordem administrativa militar. Não é necessário que o bem pertença ao patrimônio militar, sendo suficiente que esteja legalmente sob a sua administração. (STJ, CC 48.014 e STF, RHC 96.814). Ex.: veículos cedidos para determinados fins.

Crime contra a ordem administrativa militar são as infrações que atingem a organização, a existência e a finalidade das forças armadas, bem como o prestigio moral da administração militar.

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Ex. militar promove a fuga de quem está preso. Sum. 75 do STJ “Súmula:

75 - COMPETE A JUSTIÇA COMUM ESTADUAL PROCESSAR E JULGAR O POLICIAL MILITAR POR CRIME DE PROMOVER OU FACILITAR A FUGA DE PRESO DE ESTABELECIMENTO PENAL.”:

Cuidado para não confundir o crime do art. 178, CPM com o crime do art. 351, CP. Se o preso estiver recolhido a cadeia pública, penitenciária ou outro estabelecimento prisional comum ter-se-á crime comum (art. 351, CP). Se a pessoa estiver recolhida a estabelecimento penal sob administração militar ou se não for no estabelecimento prisional comum a competência será da Justiça Militar, pois tal crime configurará ofensa à administração militar (art. 178, CPM).

3.2.6 Art. 9º, II, ALÍNEA “F” – Revogada Revogação pela L. 9.299/96 – é a lei Rambo. Era o crime militar praticado por militar da ativa que embora não estando em serviço, use arma da corporação. Súm. 199, do TFR e Súm. 47 do STJ “Súmula: 47 – COMPETE A JUSTIÇA MILITAR PROCESSAR E JULGAR CRIME COMETIDO POR MILITAR CONTRA CIVIL, COM EMPREGO DE ARMA PERTENCENTE A CORPORAÇÃO, MESMO NÃO ESTANDO EM SERVIÇO.” estão ultrapassadas. O crime descrito nelas é considerado crime comum.

4. Art. 9º, INCISO III

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Art. 9º, III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil, contra as instituições militares, considerando-se como tais não só os compreendidos no inciso I, como os do inciso II, nos seguintes casos:

Este crime do inciso III é somente para o civil como sujeito civil (o que abrange o militar da reserva e o militar reformado e o civil).

O INCISO III SÓ TEM APLICAÇÃO NA JUSTIÇA MILITAR DA

UNIÃO, POIS CIVIL NÃO É JULGADO PELA JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL.

Os tribunais (STF e STJ) tem adotado uma interpretação bastante

restritiva em relação aos crimes militares cometidos por civis, somente

caracterizando o crime como militar em hipóteses excepcionais e desde que esteja presente o intuito de atingir de qualquer modo as

forças armadas, no sentido de impedir frustrar, desmoralizar o militar

o evento em que estiver empenhado. Ex. homicídio praticado por civil contra militares que estavam transportando fardamento para organização militar. Para o STF apesar das vítimas estarem em serviço, não ficou comprovada a vontade do caminhoneiro de se voltar contra as forças armadas. (HC 86.216)

se

ou

Ex. lesão corporal culposa praticada por civil contra oficial do exército atuando em escolta de comboio militar ou que desempenhava missão de balizamento de transito em quartel general STF - HC 99671. Mesma coisa

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do exemplo anterior. STF entendeu que como não havia dolo direto, não havia intenção do agente de atentar contra as forças armadas.

Dano culposo existe? No CP não existe crime culposo, todo crime de dano é doloso, art. 163 do CP. Já no CPM há a figura do dano culposo no art. 266. Ex. para o STF o crime de dano culposo, apesar de estar previsto no CPM, somente pode ser praticado pelo militar. Art. 266 do CPM “Art. 266. Se o crime dos arts. 262, 263, 264 e 265 é culposo, a pena é de detenção de seis meses a dois anos; ou, se o agente é oficial, suspensão do exercício do pôsto de um a três anos, ou reforma; se resulta lesão corporal ou morte, aplica-se também a pena cominada ao crime culposo contra a pessoa, podendo ainda, se o agente é oficial, ser imposta a pena de reforma.”, art. 264 do CPM “Art. 264. Praticar dano: I - em aeronave, hangar, depósito, pista ou instalações de campo de aviação, engenho de guerra motomecanizado, viatura em comboio militar, arsenal, dique, doca, armazém, quartel, alojamento ou em qualquer outra instalação militar; II - em estabelecimento militar sob regime industrial, ou centro industrial a serviço de construção ou fabricação militar: Pena - reclusão, de dois a dez anos. Parágrafo único. Aplica-se o disposto nos parágrafos do artigo anterior.” Art. 264, tanto pode ser praticado por civil quanto por militar, mas na forma culposa, apenas por este em razão do CP não haver dano culposo. (STF, HC 67.579).

4.1 Art. 9º, III, ALÍNEA “A”

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Crime praticado por civil contra o patrimônio sob a administração militar ou contra a ordem administrativa militar. Ex. estelionato está previsto no CPM (art. 251 “Art. 251. Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em êrro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento:

Pena - reclusão, de dois a sete anos. § 1º Nas mesmas penas incorre quem:

DISPOSIÇÃO DE COISA ALHEIA COMO PRÓPRIA I - vende, permuta, dá em pagamento, em

locação ou em garantia, coisa alheia como própria;

FRAUDULENTA DE COISA PRÓPRIA II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em prestações, silenciando sôbre qualquer dessas circunstâncias; DEFRAUDAÇÃO DE PENHOR III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado; FRAUDE NA ENTREGA DE COISA IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que entrega a adquirente; FRAUDE NO PAGAMENTO DE CHEQUE V - defrauda de qualquer modo o pagamento de cheque que emitiu a favor de alguém. 2º Os crimes previstos nos ns. I a V do parágrafo anterior são considerados militares sòmente nos casos do art. 9º, nº II, letras a e e . AGRAVAÇÃO DE PENA 3º A pena é agravada, se o crime é

cometido em detrimento da administração militar.”). Sujeito responde pelo art. 251 c/c art. 9º, III, a, CPM. Se continuar recebendo pensão de militar falecido.

ALIENAÇÃO

OU

ONERAÇÃO

QUANDO A LEI NÃO DIZ O QUANTO DE AGRAVAMENTO O AUMENTO É DE 1/3. NA VERDADE, TRATA-SE DE CAUSA DE AUMENTO DE PENA. (ART. 251, §3º, CPM).

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Os tribunais tem interpretado que o fato do patrimônio estar sob a administração militar é uma elementar do crime. Majorar a pena por esta razão seria bis in idem.

A causa de aumento de pena do art. 251, §3º somente se aplica ao militar,

pois em relação ao civil, sua aplicação caracterizaria bis in idem

Cuidado!!! Tanto faz o crime ser doloso ou culposo. Em relação a esse crime militar pouco importa o elemento subjetivo do agente (dolo ou culpa). Ex. não interessa se o agente sabia ou não que o objeto era de propriedade da administração militar.

CRIMES CONTRA ORDEM ADMINISTRATIVA MILITAR E FALSIFICAÇÃO Regras:

1º) em se tratando de crime de falsificação, a competência será determinada pelo ente responsável pela confecção do documento. Ex. suponha-se a falsificação de certificado de saúde emitido por uma organização militar (hospital militar) (STJ CC 37.893).

2º Em se tratando de crime de uso de documento falso por terceiros que

não tenha sido o responsável pela falsificação, a competência será

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determinada em virtude da pessoa física ou jurídica prejudicada pelo uso. Ex. comprar carteira de identidade militar. Como quem foi prejudicado foi empresa financeira a competência é da justiça comum.

3º em caso de uso de documento falso pelo próprio autor da falsificação estará caracterizado um só delito, qual seja, o de falsificação, razão pela qual a competência será determinada pela natureza do documento, independentemente de sua utilização. A utilização é mero exaurimento. Pelo princípio da consunção responde apenas por um delito.

4º Em se tratando de falsificação ou de uso de documentos falsos cometidos como crime meio para a prática de estelionato, a competência será determinada pelo sujeito passivo do crime patrimonial. Ex. crime de falsificação de carteira de habilitação de Arraes amador utilizada para pilotar embarcações é crime da competência da justiça comum Federal para o STF. Quem emite o documento é a marinha em atribuição secundária que lhe foi delegada. Não há interesse das forças armadas.

4.2. Art. 9º, III, ALÍNEA “B” Art. 9o, III, b - em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de atividade ou assemelhado, ou contra funcionário de

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Ministério militar ou da Justiça Militar, no exercício de função inerente ao seu cargo; Crime militar praticado por civil em lugar sujeito a administração militar contra militar da ativa.

Cuidado!!! A parte final da alínea pode induzir a erro. Quanto ao assemelhado já não existe mais. O funcionário de ministério militar ou da justiça militar não é militar, mas sim um funcionário público federal, razão pela qual eventual crime cometido por civil contra ele deve ser julgado pela justiça federal.

Art. 82, II CPPM – este dispositivo NÃO FOI RECEPCIONADO PELA CF. os auditores a que ele se refere é o juiz auditor. “Art. 82, II - nos crimes funcionais contra a administração militar ou contra a administração da Justiça Militar, os auditores, os membros do Ministério Público, os advogados de ofício e os funcionários da Justiça Militar.” Um juiz auditor é considerado juiz da União. Crime praticado por juiz auditor ou por membro do MP militar, que atua na primeira instância será julgado perante o respectivo TRF. O advogado de ofício é hoje o DPU. Advogados de ofício, DPU e funcionários da Justiça militar são julgados na Justiça Federal de 1ª instância.

4.3. ALÍNEA “C” e “D”

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Art. 9º, III, c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância, bservação, exploração, exercício, acampamento, acantonamento ou manobras; d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar em função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância, garantia e preservação da ordem pública, administrativa ou judiciária, quando legalmente requisitado para aquêle fim, ou em obediência a determinação legal superior. Acompanhamento = estacionamento das tropas, temporário, em regra, obrigando-se em barracas. Acantonamento = estacionamento das tropas, porém, aproveitando-se de instalação já existentes.

Para a jurisprudência essa função de natureza militar a que se refere a alínea “d” deve estar relacionada as atribuições primárias das forças armadas, delimitadas pelo art. 142, da CF “Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. § 1º - Lei complementar estabelecerá as normas gerais a serem adotadas na organização, no preparo e no emprego das Forças Armadas.(lei complementar 97/99) § 2º - Não caberá "habeas-corpus" em relação a

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punições disciplinares militares. § 3º Os membros das Forças Armadas são denominados militares, aplicando-se-lhes, além das que vierem a ser fixadas em lei, as seguintes disposições: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) I - as patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a elas inerentes, são conferidas pelo Presidente da República e asseguradas em plenitude aos oficiais da ativa, da reserva ou reformados, sendo-lhes privativos os títulos e postos militares e, juntamente com os demais membros, o uso dos uniformes das Forças Armadas; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) II - o militar em atividade que tomar posse em cargo ou emprego público civil permanente será transferido para a reserva, nos termos da lei; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) III - O militar da ativa que, de acordo com a lei, tomar posse em cargo, emprego ou função pública civil temporária, não eletiva, ainda que da administração indireta, ficará agregado ao respectivo quadro e somente poderá, enquanto permanecer nessa situação, ser promovido por antigüidade, contando-se-lhe o tempo de serviço apenas para aquela promoção e transferência para a reserva, sendo depois de dois anos de afastamento, contínuos ou não, transferido para a reserva, nos termos da lei; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) IV - ao militar são proibidas a sindicalização e a greve; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) V - o militar, enquanto em serviço ativo, não pode estar filiado a partidos políticos; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) VI - o oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível, por decisão de tribunal militar de caráter permanente, em tempo de paz, ou de tribunal especial, em tempo de guerra; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) VII - o oficial condenado na justiça comum ou militar a pena privativa de liberdade superior a dois anos, por sentença

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transitada em julgado, será submetido ao julgamento previsto no inciso anterior; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) VIII - aplica-se aos militares o disposto no art. 7º, incisos VIII (VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;), XII (XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)), XVII (XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal;), XVIII ( XVIII - licença

à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de

cento e vinte dias;), XIX (XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;) e XXV ( XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde

o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas;

(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)) e no art. 37, incisos XI (XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o sub-

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sídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tri-bunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)), XIII (XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)), XIV (XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem acumulados para fins de concessão de acréscimos ulteriores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)) e XV (XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)); (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) IX - (Revogado pela Emenda Constitucional nº 41, de 19.12.2003) X - a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas, os limites de idade, a estabilidade e outras condições de transferência do militar para a inatividade, os direitos, os deveres, a remuneração, as prerrogativas e outras situações especiais dos militares, consideradas as peculiaridades de suas atividades, inclusive aquelas cumpridas por força de compromissos internacionais e de guerra. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998).”.

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Art. 9º, parágrafo único, CPM – foi acrescentado pela L. 9.299/96 que entrou em vigor em 08/08/96 Art.9º, Parágrafo único. Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos contra civil, serão da competência da justiça comum. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.299, de 8.8.1996)

Quando estivermos diante de crime doloso contra a vida praticado por militar contra civil, mesmo estando o militar em serviço esse crime, a partir de 1996, tornou-se crime comum. É julgado pelo tribunal do júri. Para o STM o art. 9º, parágrafo único é inconstitucional, HC 102227 do STJ, e o RE 260404. Militar que mata civil? PM – Tribunal do Júri Estadual. Membro das Forças Armadas – Tribunal do Júri Federal

Sargento da PM que mata tentente do exercito? Vai para o júri contudo se estava de serviço será o júri federal, se estava de férias ou a paisano vai para o júri estadual. Se o civil que mata soldado do exercito dentro do quartel será julgado pela Justiça Militar da União, HC 91003 do STF. Matar civil até 08/08/06 seria competência da Justiça Militar. Após essa data seria competência da Justiça Comum. Aplica-se a regra da perpetuação de jurisdição prevista no art. 87 do CPC “Art. 87. Determina- se a competência no momento em que a ação é proposta. São irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo

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quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a competência em razão da matéria ou da hierarquia.”. Ex. militar quer matar outro militar, mas acerta um civil que estava logo atrás. É exemplo de aberratio ictus (erro na execução)- art. 73, CP “Art. 73. A publicação da sentença é decretada de ofício pelo juiz, sempre que o exija o interesse público. § 1º A publicação é feita em jornal de ampla circulação, à custa do condenado, ou se este é insolvente, em jornal oficial. § 2° A sentença é publicada em resumo, salvo razões especiais que justifiquem a publicação na íntegra.” No caso como houve alteração da competência em razão da matéria, a L. 9.299/96 teve aplicação imediata, com a conseqüente remessa dos autos ao Tribunal do Júri estadual ou federal, salvo se já houve sentença relativa ao mérito, hipótese em que o processo deveria seguir na jurisdição em que a decisão foi prolatada (STF, HC 76.510) Para o STJ, como a competência é fixada com base em critérios objetivos, independentemente, da análise do elemento subjetivo do agente, nas hipóteses de aberratio ictus deve ser levado em consideração para fins de fixação da competência a pessoa sobre a qual efetivamente recaiu a conduta, independentemente da chamada vítima virtual. (STJ CC 27.368)

Lei que altera a competência tem natureza processual. Tem aplicação imediata

Ex. em 1995 militar da ativa em serviço cometeu art. 205, §2º, IV, c/c art. 9º, II, c do CPM. (pena de 12 a 30 anos). Em 1996 entra em vigor a L.

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9.299/96. O inquérito foi para o tribunal do júri. O militar então vai ser denunciado por art. 121, §2º, IV (pena de 12 a 30 anos). Ocorre que o homicídio qualificado no CP é crime hediondo, enquanto o do CPM não era. Neste exemplo, a lei altera a competência, mas também traz evidente comprometimento para a liberdade do agente. Em relação ao homicídio qualificado a L. 9.299/96 tem natureza processual material. Ao deslocar a competência para a Justiça Comum sujeitou o agente aos ditames gravosos da Lei dos crimes hediondos. Há duas soluções possíveis:

- manter o processo na justiça militar; - mandar tudo para a justiça comum com a ressalva de não aplicar a lei dos crimes hediondos (melhor adotar a 2ª solução).

DESCLASSIFICAÇÃO DA IMPUTAÇÃO DE HOMICÍDIO PELO JUIZ SUMARIANTE. Caso ao final da primeira fase do procedimento do júri, o juiz sumariante conclua que não se trata de crime doloso contra a vida praticado por militar contra civil deverá proceder a desclassificação remetendo os autos a justiça militar. Nesse caso o juízo militar não está vinculado à decisão do juiz sumariante podendo suscitar um conflito negativo de competência. Esse conflito suscitado será julgado:

Se for conflito entre auditoria militar da união e a vara do júri estadual- quem julga é o STJ;

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Se for conflito entre o STM e a vara do júri estadual – quem julga é o STF;

Se for conflito entre juiz de direito militar e juiz criminal – vai depender

do estado pois se houver TJM e TJ no estado e um juiz pertencente a um e o outro a outro quem vai decidir é o STJ, mas se não houver o TJM quem decide é o próprio TJ.

DESCLASSIFICAÇÃO PELOS JURADOS PARA CRIME NÃO DOLOSO CONTRA A VIDA E COMPETENCIA PARA JULGÁ-LO.

O crime doloso contra a vida deve ser julgado pelo júri, mas na hora da

votação os jurados desclassificam, nesse caso quem vai julgar esse delito

desclassificado é o juiz presidente, mas se se tratar de crime militar esse não será julgado pelo juiz presidente que se verá obrigado a remeter os autos para a justiça militar. Em suma, via de regra, diante de desclassificação pelos jurados, a competência para julgar passar as mãos do juiz presidente. Porém se em virtude da desclassificação for reconhecida a existência de um crime militar, deve o juiz presidente encaminhar os autos a justiça militar. RHC

80718

Justiça Militar julga homicídio doloso? Será julgado pela Justiça Militar:

1º homicídio doloso cometido por militar da ativa contra militar da ativa

(STJ CC 96.330) Obs: o militar de folga é militar da ativa.

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CC 91.267 – entendeu o STJ que apesar do crime ter sido praticado por

militar contra outro militar a competência seria da justiça comum, pois o

delito fora cometido fora do serviço e sem farda, além de motivação alheia a função. Para o professor, este julgado é equivocado. O STJ lê como se “militar em situação de atividade” fosse “militar em serviço” (art. 9º, II, a)

Motivação não é critério para fixar competência. 2º homicídio doloso cometido por civil contra militar das forças armadas

em serviço (STF, HC 91.003). STF entendeu que a CF também prevê a

competência da Justiça Militar não afrontando a previsão do tribunal do júri.

TENTATIVA NO CÓDIGO PENAL MILITAR Aqui se for reconhecida a tentativa poderá a pena ser reduzida de 1/3 a 2/3, no CPM o juiz pode mesmo o caso de o crime sendo tentado o juiz pode aplicar a mesma pena do delito consumado. Art. 30 do CPM. Art. 30. Diz-se o crime:

Crime consumado I - consumado, quando nêle se reúnem todos os elementos de sua definição legal; Tentativa II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. Pena de tentativa

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Parágrafo único. Pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime, diminuída de um a dois terços, podendo o juiz, no caso de excepcional gravidade, aplicar a pena do crime consumado.

ESTADO DE NECESSIDADE O CP adota a teoria unitária, ou seja, todo estado de necessidade é considerado excludente de ilicitude. Já o CPM adota-se a teoria dualista que abrange o estado de necessidade exculpante, art. 39 do CPM, e no art. 43 do CPM, e o estado de necessidade excludente da ilicitude. Art. 39. Não é igualmente culpado quem, para proteger direito próprio ou de pessoa a quem está ligado por estreitas relações de parentesco ou afeição, contra perigo certo e atual, que não provocou, nem podia de outro modo evitar, sacrifica direito alheio, ainda quando superior ao direito protegido, desde que não lhe era razoàvelmente exigível conduta diversa. Art. 43. Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para preservar direito seu ou alheio, de perigo certo e atual, que não provocou, nem podia de outro modo evitar, desde que o mal causado, por sua natureza e importância, é consideràvelmente inferior ao mal evitado, e o agente não era legalmente obrigado a arrostar o perigo. STM Súmula nº 3 - Excludentes de Culpabilidade - Crimes de Deserção e Insubmissão - Alegações – Provas - Não constituem excludentes de culpabilidade, nos crimes de deserção e insubmissão, alegações de ordem particular ou familiar desacompanhadas de provas. Meras alegações não podem, mas se provar pode.

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ESTUDO DA CULPABILIDADE DO CPM. No CP o dolo e a culpa estão localizado dentro do fato típico prevalecendo a teoria normativo pura da culpabilidade. Já o CPM quando se refere a culpabilidade insere o dolo e a culpa dentro dessa. Art. 33 do CPM. Art. 33. Diz-se o crime:

Culpabilidade I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo; II - culposo, quando o agente, deixando de empregar a cautela, atenção, ou diligência ordinária, ou especial, a que estava obrigado em face das circunstâncias, não prevê o resultado que podia prever ou, prevendo-o, supõe levianamente que não se realizaria ou que poderia evitá-lo. Excepcionalidade do crime culposo Parágrafo único. Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.

1 . APLICAÇÃO DO CPP NO CPPM Pode se aplicar a legislação processual penal comum no processo penal militar? Sim, desde que no CPPM não haja regulamentação específica, ou seja, o CPP é de aplicação subsidiária.

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CPPM - Art. 3º Os casos omissos neste Código serão supridos:

a) pela legislação de processo penal comum, quando aplicável ao caso

concreto e sem prejuízo da índole do processo penal militar; Liberdade provisória sem fiança do art. 310, parágrafo único do CPP. CPP - Art. 310. Quando o juiz verificar pelo auto de prisão em flagrante que o agente praticou o fato, nas condições do art. 19, I, II e III, ( leia-se art. 23 )

do Código Penal, poderá, depois de ouvir o Ministério Público, conceder ao réu liberdade provisória, mediante termo de comparecimento a todos os atos do processo, sob pena de revogação. Parágrafo único. Igual procedimento será adotado quando o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, a inocorrência de qualquer das hipóteses que autorizam a prisão preventiva (arts. 311 e 312). (Incluído pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977) É bastante comum essa aplicação subsidiaria do CPP no CPPM. Art. 270 do CPPM.

No CPPM só tem a liberdade provisória sem fiança. Art. 270. O indiciado ou acusado livrar-se-á sôlto no caso de infração a que não fôr cominada pena privativa de liberdade. Parágrafo único. Poderá livrar-se sôlto:

a) no caso de infração culposa, salvo se compreendida entre as previstas

no Livro I, Título I, da Parte Especial, do Código Penal Militar;

b) no caso de infração punida com pena de detenção não superior a dois

anos, salvo as previstas nos arts. 157, 160, 161, 162, 163, 164, 166, 173, 176,

177, 178, 187(é o crime de deserção), 192, 235, 299 e 302, do Código Penal Militar.

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No caso de porte de drogas para consumo pessoal, aplica-se de forma subsidiária de acordo com a jurisprudência do CPP.

POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 366 DO CPP NO

PROCESSO PENAL MILITAR. Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312. (Redação dada pela Lei nº 9.271, de

17.4.1996)

§ 1 o (Revogado pela Lei nº 11.719, de 2008).

§ 2 o (Revogado pela Lei nº 11.719, de 2008).

No CPPM temos o art. 412, 413 e 414. Art. 412. Será considerado revel o acusado que, estando sôlto e tendo sido regularmente citado, não atender ao chamado judicial para o início da instrução criminal, ou que, sem justa causa, se prèviamente cientificado, deixar de comparecer a ato do processo em que sua presença seja indispensável. Art. 413. O revel que comparecer após o início do processo acompanhá- lo-á nos têrmos em que êste estiver, não tendo direito à repetição de qualquer ato. Art. 414. O curador do acusado revel se incumbirá da sua defesa até o julgamento, podendo interpor os recursos legais, excetuada a apelação de sentença condenatória.

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O art. 292 do CPPM fala da citação. Art. 292. O processo seguirá à revelia do acusado que, citado, intimado ou notificado para qualquer ato do processo, deixar de comparecer sem motivo justificado.

CITAÇAO POR EDITAL NO CPP

CITAÇÃO

POR

EDITAL

NO

CPPM

Aplica-se o art. 366 do CPP.

1 . O juiz vai decretar a revelia caso o réu não se apresente, e assim o processo seguirá o seu curso normal com a nomeação de defensor público.

1

. Se citado por edital haverá a

suspensão do processo, essa suspensão se dará de acordo com o STF por prazo indeterminado até o dia em que o acusado seja

encontrado; entretanto o STJ diz na Sum. 415 - Súmula: 415 - O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo da pena cominada. Ou seja, só pelo tempo máximo da pena.

 

2

. Se citado por edital haverá a

suspensão da prescrição. 3 . Se citado por edital poderá haver a produção antecipada de provas. A prova testemunhal deve ser produzida nesse momento? O

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argumento de que a testemunha pode se esquecer dos fatos, por si só não autoriza a produção antecipada dessa prova. 4 . Se citado por edital o juiz pode decretar a prisão preventiva, contudo não pode ser de efeito automático, ou seja, desde que presentes os pressupostos do art. 312 do CPP. Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. (Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994)

houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. (Redação dada pela Lei nº

A aplicação do art. 366 do CPP no processo penal militar não pode ocorrer, pois há normatização expressa no CPPM, o art. 366 do CPP traz

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a suspensão da prescrição o que é prejudicial para o acusado. Dessa

forma a aplicação do art. 366 do CPP no processo penal militar com a

conseqüente suspensão da prescrição não é possível sob pena de analogia “in malam partem”.

2

. INQUÉRITO POLICIAL MILITAR - IPM

O

grande problema aqui é que não se tem uma polícia especializada,

assim o IPM não tem um bom nível técnico de investigação.

2 . 1 . POLÍCIA JUDICIÁRIA MILITAR

Finalidades:

I . Apuração dos crimes militares – se dá geralmente através de IPM, mas

nada impede que se instale sindicâncias.

II . Prestar a Justiça Militar e ao MPM as informações necessárias, bem

como realizar as diligências requisitadas.

III . Cumprir Mandados de Prisão expedidos pela justiça militar.

IV . Requisitar das Polícias Civil e Federal as pesquisas e exames necessários para complementar o IPM. As finalidades estão no art. 8º do CPPM. Competência da polícia judiciária militar Art. 8º Compete à Polícia judiciária militar:

a) apurar os crimes militares, bem como os que, por lei especial, estão sujeitos à jurisdição militar, e sua autoria; b) prestar aos órgãos e juízes da Justiça Militar e aos membros do Ministério Público as informações necessárias à instrução e julgamento

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dos processos, bem como realizar as diligências que por êles lhe forem requisitadas;

c) cumprir os mandados de prisão expedidos pela Justiça Militar;

d) representar a autoridades judiciárias militares acêrca da prisão

preventiva e da insanidade mental do indiciado; e) cumprir as determinações da Justiça Militar relativas aos presos sob sua guarda e responsabilidade, bem como as demais prescrições dêste Código, nesse sentido;

f) solicitar das autoridades civis as informações e medidas que julgar

úteis à elucidação das infrações penais, que esteja a seu cargo;

g) requisitar da polícia civil e das repartições técnicas civis as pesquisas e

exames necessários ao complemento e subsídio de inquérito policial militar; h) atender, com observância dos regulamentos militares, a pedido de apresentação de militar ou funcionário de repartição militar à autoridade civil competente, desde que legal e fundamentado o pedido. Quem é o responsável pelo exercício das funções da polícia judiciária militar? Art. 7º do CPPM.

Art. 7º A polícia judiciária militar é exercida nos têrmos do art. 8º, pelas seguintes autoridades, conforme as respectivas jurisdições:

a) pelos ministros da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, em todo o

território nacional e fora dêle, em relação às fôrças e órgãos que constituem seus Ministérios, bem como a militares que, neste caráter,

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desempenhem missão oficial, permanente ou transitória, em país

estrangeiro;

b) pelo chefe do Estado-Maior das Fôrças Armadas, em relação a

entidades que, por disposição legal, estejam sob sua jurisdição;

c) pelos chefes de Estado-Maior e pelo secretário-geral da Marinha, nos

órgãos, fôrças e unidades que lhes são subordinados;

d) pelos comandantes de Exército e pelo comandante-chefe da Esquadra,

nos órgãos, fôrças e unidades compreendidos no âmbito da respectiva

ação de comando;

e) pelos comandantes de Região Militar, Distrito Naval ou Zona Aérea,

nos órgãos e unidades dos respectivos territórios;

f) pelo secretário do Ministério do Exército e pelo chefe de Gabinete do

Ministério da Aeronáutica, nos órgãos e serviços que lhes são

subordinados;

g) pelos diretores e chefes de órgãos, repartições, estabelecimentos ou

serviços previstos nas leis de organização básica da Marinha, do Exército

e da Aeronáutica;

h) pelos comandantes de fôrças, unidades ou navios; geralmente o

comandante delega suas atribuições a um encarregado. Delegação do exercício 1º Obedecidas as normas regulamentares de jurisdição, hierarquia e

comando, as atribuições enumeradas neste artigo poderão ser delegadas

a oficiais da ativa, para fins especificados e por tempo limitado.

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2º Em se tratando de delegação para instauração de inquérito policial militar, deverá aquela recair em oficial de pôsto superior ao do indiciado, seja êste oficial da ativa, da reserva, remunerada ou não, ou reformado. 3º Não sendo possível a designação de oficial de pôsto superior ao do indiciado, poderá ser feita a de oficial do mesmo pôsto, desde que mais antigo. 4º Se o indiciado é oficial da reserva ou reformado, não prevalece, para a delegação, a antiguidade de pôsto. Designação de delegado e avocamento de inquérito pelo ministro 5º Se o pôsto e a antiguidade de oficial da ativa excluírem, de modo absoluto, a existência de outro oficial da ativa nas condições do § 3º, caberá ao ministro competente a designação de oficial da reserva de pôsto mais elevado para a instauração do inquérito policial militar; e, se êste estiver iniciado, avocá-lo, para tomar essa providência.

2 . 2 . CONCEITO DE IPM É o procedimento de natureza administrativa e inquisitorial, presidido pela autoridade de Polícia Judiciária Militar, e terá como finalidade a apuração de crime militar, fornecendo elementos necessários a propositura da Ação Penal. Há um crime que não é julgado pela justiça militar mas é investigado por ipm? É o homicídio doloso praticado por militar contra civil. Art. 82, § 2° do CPPM

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CPPM - Art. 82, § 2° Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a Justiça Militar encaminhará os autos do inquérito policial militar à justiça comum. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.299, de 7.8.1996)

2 . 3 . SIGILO DO IPM

Art. 16 do CPPM. CPPM - Art. 16. O inquérito é sigiloso, mas seu encarregado pode permitir que dêle tome conhecimento o advogado do indiciado. A lei 8906/94, no art. 7º, XIV, que é o estatuto da OAB assegura o acesso ao inquérito policial, bem como a sumula vinculante 14 do STF. Art. 7º, XIV - examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de inquérito, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos; Súmula Vinculante 14 - É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

2 . 4 . INCOMUNICABILIDADE DO PRESO NO IPM

Art. 17 do CPPM. Contudo tal artigo não foi recepcionado pela CF/88.

Art. 17. O encarregado do inquérito poderá manter incomunicável o indiciado, que estiver legalmente prêso, por três dias no máximo. (Não recepcionado pela CF/88)

2 . 5 . DETENÇÃO DE INDICIADO

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Art. 18 do CPPM. Art. 18. Independentemente de flagrante delito, o indiciado poderá ficar

detido, durante as investigações policiais, até trinta dias, comunicando- se a detenção à autoridade judiciária competente. Êsse prazo poderá ser prorrogado, por mais vinte dias, pelo comandante da Região, Distrito Naval ou Zona Aérea, mediante solicitação fundamentada do encarregado do inquérito e por via hierárquica. Parágrafo único. Se entender necessário, o encarregado do inquérito solicitará, dentro do mesmo prazo ou sua prorrogação, justificando-a, a decretação da prisão preventiva ou de menagem, do indiciado.

A CF/88 no art. 5º, LXI diz:

CF/88 - Art. 5º, LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;

Fazendo se uma interpretação conforme pode se dizer que a prisão sem autorização judicial prevista no art. 18 do CPPM só é possível em relação aos crimes propriamente militares de acordo com a CF/88 no art. 5º, LXI.

A deserção é um crime a prazo e não um crime permanente.

2 . 6 . PRAZO PARA CONCLUSÃO DO IPM. Se o individuo estiver preso é de 20 dias se solto é de 40 dias. Art. 20 do CPPM. CPPM - Art 20. O inquérito deverá terminar dentro em vinte dias, se o indiciado estiver prêso, contado esse prazo a partir do dia em que se executar a ordem de prisão; ou no prazo de quarenta dias, quando o

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indiciado estiver sôlto, contados a partir da data em que se instaurar o inquérito. 1º Êste último prazo poderá ser prorrogado por mais vinte dias pela autoridade militar superior, desde que não estejam concluídos exames ou perícias já iniciados, ou haja necessidade de diligência, indispensáveis à elucidação do fato. O pedido de prorrogação deve ser feito em tempo oportuno, de modo a ser atendido antes da terminação do prazo. 2º Não haverá mais prorrogação, além da prevista no § 1º, salvo dificuldade insuperável, a juízo do ministro de Estado competente. Os laudos de perícias ou exames não concluídos nessa prorrogação, bem como os documentos colhidos depois dela, serão posteriormente remetidos ao juiz, para a juntada ao processo. Ainda, no seu relatório, poderá o encarregado do inquérito indicar, mencionando, se possível, o lugar onde se encontram as testemunhas que deixaram de ser ouvidas, por qualquer impedimento. 3º São deduzidas dos prazos referidos neste artigo as interrupções pelo motivo previsto no § 5º do art. 10. 2 . 7 . SUFICIÊNCIA DO AUTO DE PRISÃO DE FLAGRANTE DELITO Se o APF for suficiente para a elucidação do fato, não será necessária a instauração de um IPM. Já no processo penal comum o APF é a peça inaugural do IP. Art. 27 do CPPM. CPPM - Art. 27. Se, por si só, fôr suficiente para a elucidação do fato e sua autoria, o auto de flagrante delito constituirá o inquérito,

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dispensando outras diligências, salvo o exame de corpo de delito no crime que deixe vestígios, a identificação da coisa e a sua avaliação,

quando o seu valor influir na aplicação da pena. A remessa dos autos, com breve relatório da autoridade policial militar, far-se-á sem demora ao juiz competente, nos têrmos do art. 20. 2 . 8 . ARQUIVAMENTO DOS AUTOS DO IPM NA JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO

O MPM encaminha ao juiz auditor uma promoção de arquivamento, que

pode concordar ou não. SE NÃO CONCORDAR:

O juiz encaminhará para a Câmara de coordenação e revisão do MPM, a

manifestação da Câmara tem caráter apenas opinativo, sendo que é o PGJM que decidirá se arquiva, designa novas diligências ou nomeia outro procurador para oferecer a denúncia. SE CONCORDAR:

Quando o Juiz-Auditor concorda com o arquivamento, ele tem que remeter para o Juiz-Corregedor. Se esse concordar, os autos estarão definitivamente arquivado. Se o STM negar provimento a essa representação os autos estarão arquivados, mas se o STM der provimento a representação os autos serão encaminhados a Câmara de Coordenação e Revisão do MPM, com decisão opinativa, que em caso de concordância os autos serão enviados para o PGJM que dará a decisão final. Lei 12234/10

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Essa lei entra em vigor no dia 06/05/2010 e altera os artigos 109 e 110 do CP.

Essa lei entra em vigor para excluir a prescrição retroativa de acordo com seu art. 1º.

O

art. 109 do CP traz a prescrição da pretensão punitiva abstrata.

O

art. 110 do CP traz a prescrição da pretensão punitiva executória.

A

prescrição retroativa tinha dois marcos temporais que era entre a data

do fato e o recebimento da denuncia e entre o recebimento da denuncia e

a sentença condenatória.

Com a lei 12.234/10 foi extinta a prescrição retroativa entre a data do fato delituoso e o recebimento da denúncia; subsiste, no entanto, a

possibilidade de prescrição retroativa entre a data do recebimento da denúncia e a publicação da sentença condenatória.

NOVAS SÚMULAS DO STJ

O STJ não admite a prescrição com fundamento em pena hipotética.

Súmula: 438

É inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da

pretensão punitiva com fundamento em pena hipotética, independentemente da existência ou sorte do processo penal.

Súmula: 439 Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada.

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Súmula: 440 Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito.

Súmula: 441

A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento

condicional.

Súmula: 442 É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a majorante do roubo.

Súmula: 443

O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo

circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua exasperação a mera indicação do número de majorantes.

Súmula: 444 É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena-base. É ligada ao princípio de presunção de inocência.

3

. AÇÃO PENAL MILITAR

3

. 1 . AÇÃO PENAL PÚBLICA

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Em regra é uma ação penal publica incondicionada, tendo exceção no art. 31 do CPPM.

Art. 31. Nos crimes previstos nos arts. 136 a 141 do Código Penal Militar,

a ação penal; quando o agente fôr militar ou assemelhado, depende de

requisição, que será feita ao procurador-geral da Justiça Militar, pelo Ministério a que o agente estiver subordinado; no caso do art. 141 do mesmo Código, quando o agente fôr civil e não houver co-autor militar,

a requisição será do Ministério da Justiça.

Parágrafo único. Sem prejuízo dessa disposição, o procurador-geral da Justiça Militar dará conhecimento ao procurador-geral da República de fato apurado em inquérito que tenha relação com qualquer dos crimes

referidos neste artigo. Em se tratando dos crimes de segurança externa nacional são os arts 136

a

141 do CPM.

3

. 2 AÇÃO PENAL PRIVADA

Pode se ter no processo penal militar!? Sim, no caso de ação penal privada subsidiária da pública. Art. 5º, LIX da

CF/88.

Art. 5º, LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal;

3 . 3 . REQUISITOS DA DENÚNCIA

I . designação do juiz a que se dirigir:

Na justiça militar estadual é o juiz de direito militar, e na justiça militar federal é ao juiz auditor

II . Qualificação do acusado.

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III . Exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias.

IV . Classificação do crime.

V . Rol de testemunhas com no máximo de 06.

VI . Razões de convicção ou de presunção da delinqüência.

Art. 77 do CPPM. Art. 77. A denúncia conterá:

a) a designação do juiz a que se dirigir;

b) o nome, idade, profissão e residência do acusado, ou esclarecimentos

pelos quais possa ser qualificado;

c) o tempo e o lugar do crime;

d) a qualificação do ofendido e a designação da pessoa jurídica ou

instituição prejudicada ou atingida, sempre que possível;

e) a exposição do fato criminoso, com tôdas as suas circunstâncias;

f) as razões de convicção ou presunção da delinqüência;

g) a classificação do crime;

h) o rol das testemunhas, em número não superior a seis, com a

indicação da sua profissão e residência; e o das informantes com a mesma indicação. Parágrafo único. O rol de testemunhas poderá ser dispensado, se o Ministério Público dispuser de prova documental suficiente para oferecer a denúncia. 3 . 4 . INÍCIO DO PROCESSO PENAL MILITAR No processo penal militar há dispositivo expresso que é o art. 35 do CPPM.

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Art. 35. O processo inicia-se com o recebimento da denúncia pelo juiz, efetiva-se com a citação do acusado e extingue-se no momento em que a

sentença definitiva se torna irrecorrível, quer resolva o mérito, quer não. Parágrafo único. O processo suspende-se ou extingue-se nos casos previstos neste Código.

3 . 5 . PRAZO PARA O OFERECIMENTO DA DENÚNICA

Se o individuo estiver preso é de 05 dias e se solto é de 15 dias. Art. 79 do CPPM. Art. 79. A denúncia deverá ser oferecida, se o acusado estiver prêso, dentro do prazo de cinco dias, contados da data do recebimento dos autos para aquêle fim; e, dentro do prazo de quinze dias, se o acusado estiver sôlto. O auditor deverá manifestar-se sôbre a denúncia, dentro do prazo de quinze dias. 1º O prazo para o oferecimento da denúncia poderá, por despacho do juiz, ser prorrogado ao dôbro; ou ao triplo, em caso excepcional e se o acusado não estiver prêso. 2º Se o Ministério Público não oferecer a denúncia dentro dêste último prazo, ficará sujeito à pena disciplinar que no caso couber, sem prejuízo da responsabilidade penal em que incorrer, competindo ao juiz

providenciar no sentido de ser a denúncia oferecida pelo substituto legal, dirigindo-se, para êste fim, ao procurador-geral, que, na falta ou impedimento do substituto, designará outro procurador.

4 . COMPETÊNCIA NO PROCESSO PENAL MILITAR Art. 88 do CPPM.

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Art. 88. A competência será, de regra, determinada pelo lugar da infração; e, no caso de tentativa, pelo lugar em que fôr praticado o último ato de execução. Aqui temos o lugar em que foi consumado o delito. No âmbito da justiça militar estadual há uma vara única funcionando na capital do estado.

4 . 1 . CRIMES COMETIDOS FORA DO TERRITÓRIO NACIONAL.

Se um crime militar for cometido no Haiti será julgado na auditoria de

Brasília. Art. 91 do CPPM. Art. 91. Os crimes militares cometidos fora do território nacional serão, de regra, processados em Auditoria da Capital da União, observado, entretanto, o disposto no artigo seguinte.

4 . 2 . DESAFORAMENTO

No CPPM o desaforamento pode acontecer em relação a qualquer delito.

Art. 109 do CPPM. Caso de desaforamento

Art. 109. O desaforamento do processo poderá ocorrer:

a) no interêsse da ordem pública, da Justiça ou da disciplina militar;

b) em benefício da segurança pessoal do acusado;

c) pela impossibilidade de se constituir o Conselho de Justiça ou quando

a dificuldade de constituí-lo ou mantê-lo retarde demasiadamente o curso do processo. Competência do Superior Tribunal Militar

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1º O pedido de desaforamento poderá ser feito ao Superior Tribunal Militar:

Autoridades que podem pedir

a) pelos Ministros da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica;

b) pelos comandantes de Região Militar, Distrito Naval ou Zona Aérea, ou autoridades que lhe forem superiores, conforme a respectiva jurisdição;

c) pelos Conselhos de Justiça ou pelo auditor;

d) mediante representação do Ministério Público ou do acusado.

Justificação do pedido e audiência do procurador-geral 2º Em qualquer dos casos, o pedido deverá ser justificado e sôbre êle ouvido o procurador-geral, se não provier de representação dêste. Audiência a autoridades 3º Nos casos das alíneas c e d , o Superior Tribunal Militar, antes da audiência ao procurador-geral ou a pedido dêste, poderá ouvir autoridades a que se refere a alínea b . Auditoria onde correrá o processo 4º Se deferir o pedido, o Superior Tribunal Militar designará a Auditoria onde deva ter curso o processo. 4 . 3 . ARGUIÇÃO DE INCOMPETÊNCIA NA JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO

PROCESSO PENAL COMUM

PROCESSO PENAL MILITAR

Ajuíza-se uma argüição de incompetência e caso o juiz não concorde ocorre o arquivamento

O MPM fará uma argüição

de

incompetência para o juiz auditor que dará uma decisão de

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indireto dos autos. Art. 28 do CPP.

indeferimento da argüição de incompetência, aqui cabe o recurso inominado. Art. 146 do CPPM. Art. 146. O órgão do Ministério Público poderá alegar a incompetência do juízo, antes de oferecer a denúncia. A argüição será apreciada pelo auditor, em primeira instância; e, no Superior Tribunal Militar, pelo relator, em se tratando de processo originário. Em ambos os casos, se rejeitada a argüição, poderá, pelo órgão do Ministério Público, ser impetrado recurso, nos próprios autos, para aquêle Tribunal. Se o STM da provimento ao recurso a conseqüência será de incompetência da justiça militar, ocorrerá a remissão dos autos da justiça militar para o juízo competente. Se o STM negar provimento ao recurso ele reconhece a competência da justiça militar e

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negando seguimento a argüição. O processo será encaminhado para o PGJM que seguirá o mesmo

negando seguimento a argüição. O processo será encaminhado para o PGJM que seguirá o mesmo raciocínio do art. 28 do CPP, ou seja, pode ofertar a denúncia, ou arquiva o processo, ou designa outro procurador para oferecer a denúncia ou oferecer outra argüição de incompetência.

5 . PROCEDIMENTO COMUM/ORDINÁRIO DO CPPM. I . Começa com o oferecimento da denúncia, que pode ser aceita ou rejeitada pelo juízo. Art. 78 do CPPM. Rejeição de denúncia Art. 78. A denúncia não será recebida pelo juiz:

a) se não contiver os requisitos expressos no artigo anterior;

b) se o fato narrado não constituir evidentemente crime da competência

da Justiça Militar;

c) se já estiver extinta a punibilidade;

d) se fôr manifesta a incompetência do juiz ou a ilegitimidade do acusador. Preenchimento de requisitos 1º No caso da alínea a , o juiz antes de rejeitar a denúncia, mandará, em despacho fundamentado, remeter o processo ao órgão do Ministério

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Público para que, dentro do prazo de três dias, contados da data do recebimento dos autos, sejam preenchidos os requisitos que não o tenham sido. Ilegitimidade do acusador

2º No caso de ilegitimidade do acusador, a rejeição da denúncia não

obstará o exercício da ação penal, desde que promovida depois por

acusador legítimo, a quem o juiz determinará a apresentação dos autos. Incompetência do juiz. Declaração

3º No caso de incompetência do juiz, êste a declarará em despacho

fundamentado, determinando a remessa do processo ao juiz competente. II . Recebimento da denúncia, o juiz tem 15 dias para recebê-la.

III . Citação – não existe citação por hora certa, assim so pode ser feita a

citação pessoal cumprida por oficial de justiça através de mandado e

pode ser a citação por edital. Art. 277 do CPPM.

Art. 277. A citação far-se-á por oficial de justiça:

I — mediante mandado, quando o acusado estiver servindo ou residindo

na

sede do juízo em que se promove a ação penal;

II

— mediante precatória, quando o acusado estiver servindo ou

residindo fora dessa sede, mas no País;

III — mediante requisição, nos casos dos arts. 280 e 282;

IV — pelo correio, mediante expedição de carta;

V — por edital:

a) quando o acusado se ocultar ou opuser obstáculo para não ser citado;

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b) quando estiver asilado em lugar que goze de extraterritorialidade de

país estrangeiro;

c) quando não fôr encontrado;

d) quando estiver em lugar incerto ou não sabido;

e) quando incerta a pessoa que tiver de ser citada. Parágrafo único. Nos casos das letras a, c e d , o oficial de justiça, depois

de procurar o acusado por duas vêzes, em dias diferentes, certificará, cada vez, a impossibilidade da citação pessoal e o motivo. No caso da letra b , o oficial de justiça certificará qual o lugar em que o acusado está asilado. Não se aplica o art. 366 do CPP, no CPPM. IV . INTERROGATÓRIO DO ACUSADO Art. 302 e 303 do CPPM. Art. 302. O acusado será qualificado e interrogado num só ato, no lugar, dia e hora designados pelo juiz, após o recebimento da denúncia; e, se presente à instrução criminal ou prêso, antes de ouvidas as testemunhas. Comparecimento no curso do processo Parágrafo único. A qualificação e o interrogatório do acusado que se apresentar ou fôr prêso no curso do processo, serão feitos logo que ele comparecer perante o juiz. Interrogatório pelo juiz Art. 303. O interrogatório será feito, obrigatòriamente, pelo juiz, não sendo nêle permitida a intervenção de qualquer outra pessoa. Questões de ordem – é se houve alguma irregularidade ou se alguma que deveria ser feita e não o foi.

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Parágrafo único. Findo o interrogatório, poderão as partes levantar questões de ordem, que o juiz resolverá de plano, fazendo-as consignar em ata com a respectiva solução, se assim lhe fôr requerido. Cuidado com o art. 308 do CPPM. Art. 308. O silêncio do acusado não importará confissão, mas poderá constituir elemento para a formação do convencimento do juiz.

A parte final do art. 308 do CPPM, não foi recepcionada pela CF/88, pois viola o direito ao silêncio.

V . OITIVA DO OFENDIDO E DAS TESTEMUNHAS ARROLADAS

PELA ACUSAÇÃO. Após a oitiva das testemunhas de acusação o juiz questiona o mpm se há

interesse na oitiva de outras testemunhas. VI . VISTA A DEFESA PARA APRESENTAR O ROL DE TESTEMUNHAS. ART. 417 DO cppm.

Art. 417. Serão ouvidas, em primeiro lugar, as testemunhas arroladas na denúncia e as referidas por estas, além das que forem substituídas ou incluídas posteriormente pelo Ministério Público, de acôrdo com o § 4º dêste artigo. Após estas, serão ouvidas as testemunhas indicadas pela defesa. Inclusão de outras testemunhas

1º Havendo mais de três acusados, o procurador poderá requerer a

inquirição de mais três testemunhas numerárias, além das arroladas na

denúncia. Indicação das testemunhas de defesa

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2º As testemunhas de defesa poderão ser indicadas em qualquer fase da instrução criminal, desde que não seja excedido o prazo de cinco dias, após a inquirição da última testemunha de acusação. Cada acusado poderá indicar até três testemunhas, podendo ainda requerer sejam ouvidas testemunhas referidas ou informantes, nos têrmos do § 3º. Testemunhas referidas e informantes

3º As testemunhas referidas, assim como as informantes, não poderão

exceder a três.

Substituição, desistência e inclusão

4º Quer o Ministério Público quer a defesa poderá requerer a

substituição ou desistência de testemunha arrolada ou indicada, bem

como a inclusão de outras, até o número permitido.

VII . OITIVA DE TESTEMUNHAS ARROLADAS PELA DEFESA.

VIII . VISTA AS PARTES PARA REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIAS.

É a fase do art. 427 do CPPM. Essa diligencias devem se referir a

necessidades que tenham surgido ao longo da instrução. Art. 427. Após a inquirição da última testemunha de defesa, os autos irão conclusos ao auditor, que dêles determinará vista em cartório às partes,

por cinco dias, para requererem, se não o tiverem feito, o que fôr de

direito, nos têrmos dêste Código. Determinação de ofício e fixação de prazo Parágrafo único. Ao auditor, que poderá determinar de ofício as medidas que julgar convenientes ao processo, caberá fixar os prazos necessários à

respectiva execução, se, a êsse respeito, não existir disposição especial.

IX . VISTAS AS PARTES DE ALEGAÇÕES ESCRITAS.

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Art. 428 do CPPM. Art. 428. Findo o prazo aludido no artigo 427 e se não tiver havido requerimento ou despacho para os fins nêle previstos, o auditor determinará ao escrivão abertura de vista dos autos para alegações escritas, sucessivamente, por oito dias, ao representante do Ministério Público e ao advogado do acusado. Se houver assistente, constituído até o encerramento da instrução criminal, ser-lhe-á dada vista dos autos, se o requerer, por cinco dias, imediatamente após as alegações apresentadas pelo representante do Ministério Público. Dilatação do prazo 1º Se ao processo responderem mais de cinco acusados e diferentes forem os advogados, o prazo de vista será de doze dias, correndo em cartório e em comum para todos. O mesmo prazo terá o representante do Ministério Público. Certidão do recebimento das alegações. Desentranhamento 2° O escrivão certificará, com a declaração do dia e hora, o recebimento das alegações escritas, à medida da apresentação. Se recebidas fora do prazo, o auditor mandará desentranhá-las dos autos, salvo prova imediata de que a demora resultou de óbice irremovível materialmente. Não apresentação de alegações escritas da defesa! No processo penal comum a não apresentação de memoriais é causa de nulidade absoluta, por violação ao princípio da ampla defesa; no processo penal militar a não apresentação de alegações escritas por parte da defesa não é causa de nulidade, na medida em que posteriormente

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haverá uma sessão de julgamento, em que a defesa técnica deverá obrigatoriamente se manifestar.

O CPPM art. 390 prevê um prazo para a conclusão da instrução, inovando na legislação, sendo de 50 dias para o acusado preso e 90 dias para o acusado solto cotados do recebimento da denúncia.

Obs.: seguindo a jurisprudência sobretudo para o réu preso (50 dias), teria este prazo natureza relativa, podendo ser dilatado em virtude da complexidade da causa e / ou do número de acusados.

Para os Tribunais haverá excesso de prazo nas seguintes hipóteses:

a) quando o excesso de prazo for causado por diligências requeridas exclusivamente pela acusação.

b) quando a inércia for causada pelo Poder Judiciário. Obs.: De modo algum se refere aqui quanto a responsabilidade do Juiz. Obs.: Outra questão a se observar é quando não há escolta para condução do preso.

Obs.: não se esta aqui a referir sobre a responsabilidade do Juiz.

c) quando o excesso for incompatível com o princípio da razoabilidade lesando a garantia da razoável duração do processo.

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6. Sessão de Julgamento na Justiça Militar

Todos

julgamento.

os

processos

criminais

acabam

resultando

numa

sessão

de

Obs.: na Justiça Comum, com a previsão de audiência UNA as alegações passam a poder ser orais. Na Justiça Militar, sempre haverá a produção de alegações orais que ocorre nesta sessão.

Exceção: Justiça Militar Estadual nos temos dois órgãos jurisprudenciais:

o Juiz de Direito e o Conselho de Justiça (CRFB/1988 - art.325). O Juiz de Direito do Juízo julga singularmente os crimes militares cometidos contra civis, cabendo ao Conselho de Justiça processar e julgar os demais crimes militares. Doutrina majoritária: nos crimes de competência singular do Juiz de Direito do Juízo Militar (Crimes Militares Cometidos contra Civis), parte da doutrina entende que não há necessidade de sessão de julgamento. Neste caso, as alegações finais escritas que devem ser obrigatoriamente apresentados.

Obs.: Durante a instrução processual não é necessária a presença de todos os integrantes do Conselho. Bastando o comparecimento da maioria deles (art. 390, § 6º, CPPM). Contudo, no dia do julgamento o Conselho tem que estar completo.

6. Ausência à Sessão de Julgamento.

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a) Ausência do MP

Não é possível julgamento sem a presença do MP (“sociedade indefesa”)

b) Ausência do acusado

O acusado solto é intimado, mas não é obrigado a comparecer ao julgamento. Art. 431, §4º: pode ser que o acusado manifeste seu desinteresse em comparecer à sessão de julgamento, mas não havendo manifestação poderá ser adiada a sessão de julgamento por uma vez.

Na segunda ausência, salvo força maior comprovada, será o advogado substituído caso este também não compareça e a sessão será realizada.

E no caso do acusado preso? Ele tem direito de ser levado ao julgamento. (art. 431, §3º).

6.2. Debates entre as partes.

A acusação fala durante 03 horas.

A defesa igualmente fala durante 03 horas.

Se necessário:

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Réplica: mais 01 hora.

Tréplica: 01 hora.

Obs.: quem concede o aparte é a parte contrária (art. 433, §8º)

Obs.: no júri quem concede o aparte é o Juiz presidente e não poderá exceder 03 minutos, devendo esse tempo ser restituído à outra parte.

6.3. Pronunciamento dos Juízes.

O pronunciamento dos juízes se dá numa sessão pública ou secreta? De acordo com o art. 435 c / c art. 387, ambos do CPPM o Conselho delibera em sessão secreta. Isso está de acordo com a CRFB/1988? O STF afirmou que em regra a deliberação do Conselho deve ser aberta ao público. Em regra, devendo vigorar a chamada publicidade ampla. Ou seja o julgamento e a deliberação dos juízes militares deve se dar com a presença de todos e não só das partes. Vale observar que há casos de publicidade restrita autorizada pela própria CRFB/1988.

Motivos para restrição da publicidade:

- quando houver interesse social (CRFB/1988 - art. 5º, LX)

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- para a defesa da intimidade (CRFB/1988 - art. 93, IX)

- quando houver risco de comoção social ou de desordem (CPP - art. 792,

1º)

Quem vota primeiro da hora do pronunciamento dos juízes (o Juiz e mais quatro militares)?

- 1º é o Juiz Auditor (Justiça Militar da União) ou o Juiz de direito da Justiça Militar (Justiça Militar dos Estados)

- 2º Militares por ordem inversa de hierarquia: tenente, capitão, major e

coronel. Isto para evitar que a decisão do militar de posto mais avançado

influencie na decisão do inferior.

Obs.: Os juízes militares decidem sobre tudo: absolvição, condenação, dosimetria da pena.

Obs.: quem redige a sentença é sempre o Juiz de Auditor ou o Juiz de Direito da Justiça Militar, mesmo que tenham sido vencidos (art. 438, §3º, CPPM).

A sentença é lida no dia do julgamento ou não? No dia do julgamento será proferida a decisão pelo Conselho, sendo que a sentença pode ser

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lida na mesma sessão de julgamento ou dentro do prazo de 08 dias. Isto é importante para fins recursais.

Obs.: o prazo recursal começa a contar a partir da leitura da sentença.

6.4. Emendatio e Mutatio Libelli no CPPM

Em relação à “mutatio libelli”, não há previsão no CPPM, devendo ser aplicado subsidiariamente o art. 384 do CPP. Quando surge uma elementar ou uma circunstância, o Juiz abre vista a defesa para manifestação e produção de prova.

A “emendatio libelli” (correção da classificação), por outro lado, tem previsão no CPPM . *** Requisito que não consta do CPP: para que ocorra a “emendatio libelli” no processo penal militar deve haver pedido do MP em alegações escritas, dando-se oportunidade à outra parte para responder. Neste ponto, o CPPM é mais evoluído do que o CPP. CPPM art. 437, “a”.

7. Procedimento Especial de Deserção de Praças sem estabilidade (CPM - art. 187)

Art. 187. Ausentar-se o militar, sem licença, da unidade em que serve, ou do lugar em que deve permanecer, por mais de oito dias:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos; se oficial, a pena é agravada.

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Ex: no dia 10 de maio verifica-se a ausência do militar. O prazo da deserção começa a ser contado a partir da 00h do dia 11 de maio. O Termino do prazo seria dia 18 de maio, mas neste dia ainda pode ser que o militar retorne. A consumação da deserção se dá a 00h do dia 19 de maio, pois a ausência deve ocorrer por mais de 08 dias.

Consumado o delito de deserção deve comandante lavrar um Termo de Deserção.

Antigamente entendia-se que durante este prazo de 08 dias teríamos o período de graça. Antigamente, havia um entendimento de que o militar ausente deveria ser localizado, mas essas diligencias de localização não são obrigatórias. (art. 451 do CPPM).

Art. 451. Consumado o crime de deserção, nos casos previsto na lei penal militar, o comandante da unidade, ou autoridade correspondente, ou ainda autoridade superior, fará lavrar o respectivo termo, imediatamente, que poderá ser impresso ou datilografado, sendo por ele assinado e por duas testemunhas idôneas, além do militar incumbido da lavratura. (Redação dada pela Lei nº 8.236, de 20.9.1991) § 1º A contagem dos dias de ausência, para efeito da lavratura do termo de deserção, iniciar-se-á a zero hora do dia seguinte àquele em que for verificada a falta injustificada do militar. (Redação dada pela Lei nº 8.236, de 20.9.1991)

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§ 2º No caso de deserção especial, prevista no art. 190 do Código Penal Militar, a lavratura do termo será, também, imediata. (Redação dada pela Lei nº 8.236, de 20.9.1991)

O Termo de Deserção é importante por que? CPPM - art. 452. Nesses

crimes de deserção não há instauração do Inquérito Policial Militar. O Termo de Deserção acaba sendo a instrução provisória da deserção possibilitando o oferecimento da denúncia e a até mesmo prisão.

Art. 452. O termo de deserção tem o caráter de instrução provisória e

destina-se a fornecer os elementos necessários à propositura da ação penal, sujeitando, desde logo, o desertor à prisão. (Redação dada pela Lei

nº 8.236, de 20.9.1991)

Procedimento da Deserção

a) O Comandante manda lavrar o Termo de Deserção e

b) determina que se faça um inventário dos bens do desertor.

c) Depois disso, no caso de ser um praça sem estabilidade

ocorrerá exclusão do militar das formas armadas.

d) Aguarda-se a captura ou a apresentação voluntária do

desertor. Em ambas as hipóteses o militar será preso. Esta prisão é

possível, mesma sem previa autorização judicial, porque se trata de crime propriamente militar.

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e) Estando preso, submete-se o militar a uma inspeção de

saúde. Essa inspeção é chamada de “inspeção de saúde para fins de

reinclusão”. Se ele for reconhecido como incapaz, ele estará isento do processo criminal.

- Súmula 08 do STM: o desertor sem estabilidade e o insubimisso (aquele

que não se apresenta depois de convocado) que por apresentação voluntária ou em razão de captura em inspeção de saúde, para fins de reinclusão à incorporação, incapazes para o serviço militar, podem ser isentos do processo após o pronunciamento do MP”).

- Se for reconhecida sua capacidade, a conseqüência será a sua reinclusão

às Forças Armadas. *** Obs.: essa reinclusão às Forças Armadas é condição de procedibilidade no crime de deserção e de insubmissão. Súmula 12 do STM: “a praça sem estabilidade não pode ser denunciada por deserção sem ter readquirido o “status” de militar, condição de procedibilidade para a “persecutio criminis”, através da reinclusão. Para a praça estável, a condição de procedibilidade é a reversão ao serviço ativo.

f) preenchida a condição de procedibilidade será oferecida denúncia.

g) demais etapas já vistas

Prazo em que o desertor pode permanecer preso

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Diz o art. 453 do CPPM que se o desertor não for julgado em até 60 dias deverá ser colocado em liberdade.

Cabe liberdade provisória para o desertor do transcurso do prazo de 60 dias? De acordo com o art. 270, parágrafo único, “b”, não cabe liberdade provisória no crime de deserção (art. 187).

Súmula 10 STM: não se concede liberdade provisória a preso por deserção antes de decorrido o prazo previsto no CPPM 453.

*** Para o STF não é possível vedar-se a liberdade provisória de maneira absoluta em relação ao crime de deserção.

Obs.: a Justiça Militar tem concedido liberdade provisória, a despeito do que afirma o CPPM , especialmente quando nos casos de apresentação voluntária.

8. Habeas Corpus na Justiça Militar da União

Art. 469 do CPPM tal dispositivo diz que somente o STM poderia apreciar pedido de HC. Será que esse dispositivo está de acordo com a CRFB/1988? A doutrina diz que não se pode privar do Juiz a possibilidade de analisar pedido de HC. Por isso esse dispositivo deve ser considerado como não recepcionado.

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