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ERIVAL DA SILVA OLIVEIRA

DIREITO

CONSTITUCIONAL

ll .a edição

revista e atualizada

1X 1 ELEMENTOS

[ 1Vil

1

DO DIREITO 1

Coordenação

Marco Antonio Araujo Jr.

Darlan Barroso

EDITORARi?

REVISTA DOS TRIBUNAIS

ERIVAL DA SILVA OLIVEIRA

Mestre em Direito pela Universidade

Presbiteriana Mackenzie.

Especialista em Direito Processual pela

Universidade Paulista - UNIP.

Professor Universitário (graduação e

pós-graduação). Professor e Coordenador

da cadeira de Direito Constitucional do

Complexo Educacional Damásio de Jesus no Curso Preparatório para o Exame da

OAB (l .a e 2.® fases). Professor de Direitos

Humanos. Professor do Programa Prova

Final veiculado pela TV Justiça/STF.

Assessor jurídico do Ministério Público

Federal em São Paulo. Autor de diversas

obras pela Editora Revista dos Tribunais. Conferencista e Advogado.

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EDITORAI \i r

REVISTA DOS TRIBUNAIS

ATENDIMENTO AO CONSUMIDOR

Tel.: 0800-702-2433

www.rt.com.br

ERIVAL DA SILVA OLIVEIRA

DIREITO

CONSTITUCIONAL

1 l .a edição

revista e atualizada

IT U ELEMENTOS 1

I M T DO DIREITO

1

-

Coordenação

Marco Antonio Araujo Jr.

Darlan Barroso

edit or a l \ l r

REVISTA DOS TRIBUNAIS

2643

m ELEMENTOS 1

I vlr DO DIREITO 1

11 .a edição revista e atualizada

9 . i edição, 1. " tiragem: julho de 2009; 2.3tiragem: janeiro de 2010; 3.J tiragem: março de 2010;

4 . i tiragem: agosto de 2010; 10.i edição: 2010.

© desta edição

[2011]

Editora Revista dos Tribunais Ltda.

Antonio Belinelo

Diretor responsável

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Central de Relacionamento RT

(atendimento, em dias úteis, das 8 às 17 horas)

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todos os direitos rf.servados. Proibida a reprodução tolal ou parcial, por qualquer meio ou

processo, especialmente por sistemasgráficos, microfílmicos, fotográficos, reprográficos, fono- gráficos, videográficos. Vedada a memorização e/ou a recuperação total ou parcial, bem como a inclusãode qualquer parte desta obra em qualquer sistema de processamento dedados. Essas proibiçõesaplicam-se também àscaracterísticasgráficasda obra eà sua editoração. A violação

dos direitos autorais é punível como crime (art. 184 e parágrafos, do Código Penal), com pena

de prisão e multa, conjuntamente com busca e apreensão e indenizações diversas (arts. 101 a

110 da Lei 9.610, de 19.02.1998, Lei dos Direitos Autorais).

Impresso no Brasil

[09.20111

Universitário (texto)

Fechamento da edição em [18.08.2011]

ISBN 978-85-203-4017-2

Agradecimentos

osprofessores Marco Antonio AraujoJúnior e Darlan Barroso , pelo respeito , apoio e reconhecimento do trabalho realizado por nós

docentes.

Aos amigos e colegas professores , que enfrentam diariamente a difícil

arte de ensinar.

Aos meus alunos , pelo carinho e respeito; e a minha amada esposa,

Rosa, que me incentiva e auxilia .

" Exerce o Senhor aJustiça ,

e a todos os oprimidos restitui o Direito .

"

Nota da Editora

isandoampliar nossohorizonteeditorial paraoferecer livrosjurídicos específicos para a área de Concursos e Exame de Ordem , com a m es- ma excelência das obras publicadas em outras áreas , a Editora Revista dos Tribunais apresenta a nova edição da coleção Elementos do Direito.

Os livros foram reformulados tanto do ponto de vista de seu conteúdo

como na escolha e no desenvolvimento de projeto gráfico mais moderno quegarantisseao leitor boavisualização do texto, dosresumoseesquemas.

Além do tradicional e criterioso preparo editorial oferecido pela RT ,

para a coleção foram escolhidos coordenadores e autores com alto cabedal de experiência docente voltados para a preparação de candidatos a cargos

públicos e bacharéis que estejam buscando bons resultados em qualquer certamejurídico de que participem.

Apresentação da Coleção

Com orgulho e honra apresentamos a coleção Elementos do Di-

reito, fruto de cuidadoso trabalho , aplicação do conhecimento e

didática de professores experientes e especializados na preparação de

candidatosparaconcursospúblicoseExamedeOrdem . Por essa razão ,

os textos refletem uma abordagem objetiva e atualizada , importante

para auxiliar o candidato no estudo dos principais temas da ciência

jurídica que sejam objeto de arguição nesses certames.

Oslivrosapresentamprojetográficomoderno , oque tornaaleitura

visualmente muito agradável , e, mais importante, incluem quadros, resumos e destaques especialmente preparados para facilitar a fixação

e

o aprendizado dos temas recorrentes em concursos e exames.

Com a coleção , o candidato estarárespaldado para o aprendizado

e

para uma revisão completa , pois terá a sua disposição material atu-

alizado de acordo com as diretrizes dajurisprudência e da doutrina

dominantes sobre cada tema.

Esperamos que a coleção Elementos do Direito continue cada vez

mais a fazer parte do sucesso profissional de seus leitores .

Marco Antonio AraujoJúnior

Darlan Barroso

Coordenadores

NOTA DA ED ITO RA.

APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO.

Sumário

7

9

1 .

DIREITO CONSTITUCIONAL: CONCEITO E OBJETO.

21

2 .

CONSTITUIÇÃO: CONCEITO E OBJETO.

23

3 . O VÍNCULO DA CONSTITUIÇÃO E DO DIREITO CONSTITUCIONAL

COM O ORDENAMENTO JURÍDICO.

25

4 . CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES.

1 .

Q uanto à forma.

1 Escrita.

. 1

1 Não escrita .

. 2

27

27

27

27

2 .

3 .

4 .

5 .

Quanto à elaboração.

2 . 1

2 . 2

Dogmática.

Histórica.

Quanto à origem.

27

27

27

28

3

3

3

. 1

Popular.

28

. 2

Outorgada.

28

. 3

Pactuada.

28

Quanto à estabilidade, mutabilidade, consistência ou alterabilidade

4

4

. 1

. 2

4 . 3

4 . 4

Rígida.

Flexível.

Semirrígida ou semiflexível.

Q uanto à extensão.

5

5

. 1

. 2

Sintética ou concisa.

Analítica ou prolixa.

28

28

29

29

Imutável. 29

29

29

30

12 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

5

6 .

Quanto à função ou objeto.

6

6

6

. 1

. 2

. 3

Dirigente.

Garantia.

Balanço.

30

30

30

30

. FENÓMENOS QUE SURGEM COM UMA NOVA CONSTITUIÇÃO E A

ORDEM JURÍDICA ANTERIOR.

1

.

Revogação da legislação infraconstitucional incompatível.

33

33

2

3

.

.

4

.

Recepção.

33

Repristinação.

34

Desconstitucionalização.

34

6 .

APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS.

37

1

.

Normas constitucionais de eficácia plena.

2 Normas constitucionais de eficácia contida.

.

3 Normas constitucionais de eficácia

.

limitada.

3 . 1

3 . 2

Normas de

Normas de

princípio institutivo.

princípio programático.

37

37

38

38

38

7

CONTEÚDO DAS NORMAS CONTITUCIONAIS.

41

 

.

8 .

1

Normas materialmente constitucionais.

41

 

.

2

Normas

formalmente constitucionais.

4 1

 

.

O PODER

CONSTITUINTE.

43

1

.

Poder constituinte originário, genuíno, primário ou de primeiro grau

2 Poder constituinte derivado de reforma ou de emendabilidade.

.

2 . 1

2 . 2

2 . 3

Revisão constitucional.

Emenda constitucional.

2 . 2 . 1

Limitações ao poder derivado de emenda.

Controle de constitucionalidade da reforma constitucional

3 Poder constituinte derivado decorrente.

.

43

44

44

45

45

46

47

9 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE.

.

1

.

Supremacia da Constituição.

2 Conceito do controle de constitucionalidade.

.

49

49

49

3

.

Inconstitucionalidade por ação.

50

4 .

Inconstitucionalidade

por omissão.

52

5

.

Classificação do controle de constitucionalidade.

53

5 . 1 Quanto ao momento em que é exercido. 53

5 . 2

5 . 1 . 2

SUMÁRIO

Repressivo, posterior, sucessivo ou a posteriori.

Quanto ao número de órgãos encarregados do controle.

13

54

54

 

5

. 2 . 1

Concentrado, reservado ou austríaco.

54

5

. 2 . 2

Difuso, aberto ou norte-americano.

55

5 . 3

Quanto à natureza do órgão controlador.

55

6 .

7 .

5 . 3 . 1

5 . 3 . 2

Político.

Judiciário.

Classificação do controle judiciário.

6 . 1

Quanto à posição do controle em relação ao objeto da causa

6

6

.

1 .

1

. 1 . 2

Principal.

Incidental.

6 . 2

Quanto aos efeitos da decisão.

55

55

55

55

55

56

56

6 . 2 . 1

6 . 2 . 2

6 . 2 . 3

Inter partes.

56

Erga omnes.

56

Decisões no controle concentrado de constitucionali-

dade.

57

O controle de constitucionalidade no Brasil.

7 . 1

Preventivo.

58

58

7 . 2

7 . 1 .

7 . 1 .

1

2

Comissões de Constituição e Justiça.

Veto presidencial por inconstitucionalidade.

Repressivo.

7 . 2 . 1

Recurso extraordinário .

58

58

58

59

7 . 2 . 2

7 . 2 . 3

7 . 2 . 4

7 . 2 . 5

7 . 2 . 6

7 . 2 . 7

Mandado de injunção. 60 Ação direta de inconstitucionalidade genérica (ADIn/

ADI Genérica).

60

Ação

direta

de

inconstitucionalidade

interventiva

(ADIn/ADI Interventiva).

Ação direta de inconstitucionalidade supridora da

omissão ou por omissão (ADIn/ADI-SO/PO). 64 Ação declaratória de constitucionalidade (ADECON/

ADECO/ADC).

67

Arguição de descumprimento de preceito fundamental

62

(ADPF).

68

7.3 Atribuição do Advogado-Geral da União, do Procurador-Ge- ral da República e do amicus curiae no controle concentrado

de constitucionalidade.

74

14

DIREITO CONSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

10. FEDERALISMO .

79

1

Forma do Estado.

79

 

.

2 .

3 .

1 . 1

1 . 2

Estado unitário.

Estado federal.

Federalismo no Brasil.

2 . 1

Componentes do Estado federal brasileiro.

79

79

79

80

2 . 1 . 1

2

2

2

. 1 . 2

. 1 . 3

. 1 . 4

2 . 1 . 5

União .

80

Estados federados.

80

Municípios.

81

Distrito Federal.

82

Territórios federais.

84

2 . 2

Vedações constitucionais existentes no federalismo do Brasil

84

Princípios constitucionais vinculados ao federalismo.

85

3 . 1 Princípios estabelecidos.

85

3 . 2 Princípios sensíveis . 85

3 . 3

Princípios extensíveis.

11. REPARTIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS.

1

.

Classificação referente às competências.

1 . 1

1 . 2

1 Quanto ao conteúdo.

Quanto à finalidade.

Quanto à origem.

. 3

1 Quanto à forma.

. 4

1 . 5

Quanto à extensão: a quem cabe.

12. INTERVENÇÃO FEDERAL.

13 .

1 .

Procedimento.

1 . 1

1 . 2

1 . 3

Iniciativa.

Fase judicial.

Decreto interventivo .

1 Controle político.

1 Controle jurisdicional.

. 4

. 5

ESTADO DE D EFESA.

85

87

87

87

88

88

88

89

93

93

93

94

94

95

95

99

1

Controle do Estado de defesa.

99

 

.

1 . 1

1 . 2

Controle político.

Controle

jurisdicional.

99

100

SUMÁRIO

15

14. ESTADO DE SÍTIO.

1 .

Controle do Estado de sítio.

1 .

1

1 . 2

Controle político.

Controle

jurisdicional.

101

101

101

102

15. A SEPARAÇÃO DOS PODERES.

1 .

O Poder Legislativo.

1 . 1

Esfera federal.

105

105

105

2 .

1 . 2

1 . 3

1 .

1 . 1

1 . 1 . 2

Câmara dos Deputados.

Senado Federal.

Esfera estadual.

Esfera municipal.

Peculiaridades do Congresso Nacional.

106

106

106

107

107

2

. 1

2 . 2

2 . 3

. 4

2

Mesas da Câmara dos Deputados, do Senado e do Congresso

Nacional.

107

108

112

Comissões parlamentares.

Polícia e serviços administrativos.

Comissão representativa. 112

2

2

2

2

. 5

Funcionamento do Congresso Nacional.

112

. 6

Quorum para deliberação.

113

2

. 6 . 1

Maioria

simples.

113

2

. 6 . 2

Maioria absoluta.

113

2

. 6 . 3

Maioria

qualificada.

114

. 7

Prerrogativas dos congressistas.

114

2

. 7 . 1

Inviolabilidade.

114

2

. 7 . 2

Imunidade propriamente dita ou "imunidade formal ou

 

relativa " .

114

 

2

. 7 . 3

Privilégio de foro.

115

2

. 7 . 4

Limitação ao dever de testemunhar.

115

2

. 7 . 5

Isenção do serviço militar.

116

. 8

Incompatibilidades dos congressistas.

116

2

2

. 9

. 10

2 . 8 . 1

2

2

. 8 . 2

. 8 . 3

Negociais.

Funcionais.

Profissionais.

Perda do mandato.

Tribunal de Contas da União.

116

116

116

116

117

16 DIREITO CO NSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

3 .

4 .

5 .

Espécies normativas.

3

. 1

3 . 2

3

. 3

Emenda constitucional.

Lei

complementar.

Lei ordinária.

119

119

119

119

3 . 3 . 1

3

. 3 . 2

3

. 3 . 3

3 . 3 . 4

Iniciativa.

119

120

121

122

122

Deliberação.

Fase complementar: promulgação e publicação.

Regime de urgência.

3 . 4

. 5

. 6

3

3 . 7

3

Medida provisória (art. 62 da CF/88).

Lei delegada. 124

Decreto legislativo. 125

Resolução.

125

127

Poder Executivo.

4

4

4

4

4

. 1

Esfera federal.

127

. 2

Esfera estadual.

127

. 3

Esfera municipal.

127

. 4

Participação no processo legislativo.

128

. 5

Regulamentação das normas.

129

4 . 6 4 . 7

4 . 8

4 . 9

Atuação no plano internacional.

129

Atuação quanto ao funcionalismo público federal.

129

Atuação em relação às Forças Armadas.

129

Nomeação de autoridades.

129

Conselho da República e Conselho de Defesa Nacional.

130

O impeachment.

130

Processo e julgamento do Presidente da República nos crimes

comuns.

132

133

4

4

4

. 10

. 11

. 12

Poder Judiciário.

5

5

5

5

5

5

. 1

Garantias do Poder Judiciário.

135

. 2

Principais características.

135

. 3

Supremo Tribunal Federal.

136

. 4

Superior Tribunal de Justiça.

141

. 5

Principais pontos da EC 45/2004: reforma do Poder Judiciário

144

. 6

Reclamação.

158

16. DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS.

161

SUMÁRIO

17

2 .

3 .

Destinatários da proteção (amplitude da proteção).

162

Dos direitos e deveres individuais e coletivos: art. 5.° da CF/88.

163

3

. 1

Direito

á vida.

163

3

. 2

Direito à igualdade.

163

3

. 3

Direito à liberdade.

164

3

. 4

Direito à propriedade.

164

4 .

3.5 Direito à segurança.

Princípios constitucionais.

5 Remédios constitucionais.

.

165

166

167

5

. 1

O direito de petição.

167

5

. 2

Habeas corpus.

168

5

. 3

Habeas data.

172

5

. 4

Mandado de injunção.

174

5

. 5

Mandado

de segurança.

175

5

. 6

Mandado de segurança coletivo.

180

5

5

. 7

. 8

Ação

popular.

Ação civil pública.

17. NACIO NALIDADE.

1 .

2

.

Natureza jurídica do direito da nacionalidade.

Espécies de nacionalidade e peculiaridades.

Primária, de origem ou originária. Secundária ou adquirida. Modos de aquisição da nacionalidade.

2

. 1

2

2

. 2

. 3

2 . 4

2 . 5

2 . 6

2 . 3 . 1

2 . 3 . 2

Critério da origem sanguínea (ius sanguinis).

Critério da origem territorial (ius solis).

Reflexos da nacionalidade.

A nacionalidade no direito constitucional brasileiro.

Os brasileiros natos.

2 . 7

2 . 6 . 1

2 . 6 . 2

2 . 6 . 3

Critério do ius solis (territorialidade).

Critério do ius sanguinis aliado ao serviço do Brasil

Critério do ius sanguinis mais a opção.

Os brasileiros naturalizados.

2 . 8

2 . 7 . 1

2 . 7 . 2

Naturalização ordinária.

Naturalização extraordinária.

Aspectos jurídicos do brasileiro nato e do naturalizado.

182

183

187

188

188

188

188

188

189

189

189

189

190

190

190

190

191

191

191

192

18 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

3 .

2 . 9

2

2

. 10

. 11

2 . 12

Perda da nacionalidade.

Reaquisição da nacionalidade brasileira.

Institutos ligados à nacionalidade.

2

. 11.1

. 11.2

2 . 11.3

2

Extradição.

Expulsão.

Deportação.

A língua e os símbolos nacionais.

ASSU NTO S PERTIN ENTES AO S ESTRANG EIRO S.

193

193

194

194

194

195

196

196

18. DIREITOS POLÍTICOS.

1 .

2

.

3 .

4 .

Cidadania.

1 . 1

Aquisição da cidadania.

Alistabilidade e elegibilidade.

Sistemas eleitorais.

3

3

. 1

. 2

Sistema

Sistema

majoritário.

proporcional.

Restrições aos direitos políticos.

199

199

200

200

201

201

202

203

5 .

6

.

Reaquisição dos direitos políticos. 203

204

Inelegibilidades.

6 . 1

6

. 2

Absolutas.

204

Relativas.

204

6

. 2 . 1

Restrição

por motivos funcionais.

205

6

6

6

6

. 2 . 2

. 2 . 3

. 2 . 4

. 2 . 5

Restrição por motivo de casamento, parentesco ou afi-

nidade.

Restrição dos militares. 206

Restrição por previsão de ordem legal.

Restrição por motivo de domicílio eleitoral na circuns-

206

205

crição.

7 .

Desincompatibilização.

8 Processo Judicial Eleitoral.

.

206

206

208

19 .

LEITU RA CO M PLEM ENTAR.

209

1 .

Direito e sua classificação doutrinária.

209

2 .

Breve evolução das Constituições dos Estados.

210

3

.

Elementos das Constituições.

211

3

3

. 1

. 2

3 . 3

Elementos orgânicos.

Elementos limitativos.

Elementos socioideológicos.

211

211

211

SUMÁRIO

19

4 .

5

.

6 .

7 .

3 . 4

3 . 5

História das Constituições brasileiras.

Elementos de estabilização constitucional.

Elementos formais de aplicabilidade.

212

212

212

4

4

4

4

. 1

. 2

. 3

. 4

Constituição de 1824. 212

Constituição de 1891. 213

Constituição de 1934. 213

Constituição de 1937. 214

4.5 Constituição de 1946.

214

4

. 6

Constituição de 1967.

214

4

. 7

Constituição de 1969.

215

4

. 8

Constituição de 1988.

215

Princípios constitucionais da Administração Pública.

216

Origem do Tribunal de Contas.

216

Das funções essenciais à justiça.

217

7

. 1

O Ministério

Público.

217

7

. 2

A Advocacia Pública.

219

7

. 3

Da Advocacia e da Defensoria Pública.

220

8 .

9

.

Direitos sociais.

Sufrágio.

9 . 1

Formas de sufrágio.

10. Sistemas políticos.

10.1 Forma de Estado.

10.2 Forma de governo.

220

221

221

222

222

223

10.3 Regime político.

223

10.3.1 Espécies de democracia.

223

10.3.2 Institutos de participação direta do povo.

10.4 Regime ou sistema de governo.

224

225

10.4.1 O presidencialismo.

225

10.4.2 O parlamentarismo.

227

10.4.3 Convencional ou diretorial.

229

BIBLIOG RAFIA E SITES.

23 1

ANEXO 1 SÚMULAS VINCULANTES.

235

ANEXO 2 - ARTIGOS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 DE MAIOR

INCIDÊNCIA EM CONCURSOS E DE LEITURA RECOMENDADA.

239

Direito Constitucional:

Conceito e Objeto

O Direito Constitucional,segundo adoutrina, podeser definido como o

conhecimento sistematizadodaorganizaçãojurídicafundamental doEstado.

Tem-sequeo Direito Constitucional éumadisciplinajurídicaqueperten-

ceao ramo do Direito Público,poistutelaosinteressesgeraisdacoletividade.

O Direito Constitucional tem por objeto de estudo as Constituiçõesdos

Estados,bem como todososdemaisfatoresqueatuamaoredordelas, taiscomo fatoreshistóricos,sociais eeconómicos, refletindo osaspectosdecadaépoca.

Constituição: conceito

e objeto

Constituição, genericamente, é o ato de constituir, de estabelecer algo,

f

ou ainda signi i ca o modo pelo qual se constitui uma coisa.

No mundojurídico, a Constituição é a Lei Fundamental de um Estado e, desse modo, determinaria a organização dos seus elementos essenciais:

um sistema de normas jurídicas, escritas ou costumeiras, que regula as formas do Estado e de seu governo, o modo de aquisição e o exercício do poder, o estabelecimento de seus órgãos, os limites de sua ação, os direitos

fundamentaisdo homem easrespectivasgarantias. Em síntese, a Constituição

é o conjunto de normas que organiza os elementos constitutivos do Estado.

O objeto maior da Constituição é limitar o poder do Estado sobre as

pessoas e as instituições que o compõem.

N aatualidade , fortalece-senadoutrinaacorrentedoneoconstitucionalismo,

que procura dar e i cácia concreta à Constituição, em especial, com relação

f

aos direitos fundamentais.

Dessemodo, torna-seimperativono mundoconcreto realizar aprevisão

abstrata da Constituição. O Título II (DosDireitose Garantias Fundamentais

(arts. 5.° a 17, CF/88) e o Título VIII (Da Ordem Social - arts. 193 a 232,

CF/88) devem ser implementados para os sujeitos dos direitos e garantias

fundamentaisqueseencontrem no território nacional, desdequepreencham os requisitos estabelecidos. Tal ação deveria ser realizada voluntariamente pelo Estado, porém, diantedainércia, énecessário acionar o Poder Judiciário para efetivá-los.

Em grande parte dos casos é possível a utilização dos remédios constitucionais. Pode-se citar como exemplo, a utilização de uma ação civil

pública para a proteção ambiental, o fornecimento de medicamentos ou,

ainda, para a obtenção de assistência médica.

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Infere-sequeaConstituição , paraosneoconstitucionalistas, éumanorma jurídicasuperior eimperativa, quegaranteascondiçõesdignasmínimas. Sua

efetividadesepropaga em relaçãoaosparticulareseao Estado. Háimposição

dos valores referentes à dignidade da pessoa humana (aspecto axiológico

concreto).

Cumpre lembrar ainda que para a doutrina a Constituição pode ser

considerada umadecisão políticafundamental (Carl Schmitt), a soma dosfatoresreaisdo poder (Ferdinand Lassale), entreoutrosconceitos.

A atual Constituição Brasileira é composta de um preâmbulo , nov e títulos, um ato das disposições constitucionais transitórias, emendas cons-

titucionais e emendas constitucionais de revisão.

As normas contidas no Ato das Disposições Constitucionais

Transitóriasservemdeparâmetroparaocontroledeconstitu-

cionalidade. O preâmbulo não tem caráter coercitivo e não é

parâmetro parao controledeconstitucionalidade. Além disso,

a palavra " Deus" contida em seu texto não indica a adoção de uma religião oficial.

ilHflOfUI"*®

V

,-à

Conceito

A Constituição é o conjunto de normas que organiza os elementos

constitutivos do Estado.

Objeto Limitar o poder do Estado sobre

as pessoas e as instituições que o compõem.

O vínculo da Constituição

e do Direito Constitucional

com o Ordenamento

Jurídico

A Constituição eo Direito Constitucional estão ligadosao ordenamento

jurídico de um país, que é formado pela união da Constituição e das normas

infraconstitucionais. NoBrasil, o ordenamentojurídico éformadopelaCons-

tituição Federal de 1988 e, noplano infraconstitucional, pelas Constituições Estaduais dos 26 Estados-membros, pelas Leis Orgânicas dos Municípios e do Distrito Federal, bem como por todas as demais leis e normas vigentes.

Naatualidade,amaioriadospaíses édefinidacomo Estado Democrático

deDireito. O Estado (país) em questãopodeser definido como umaorganiza-

çãojurídica,administrativaepolíticaformadapor umapopulação, assentada em um território, dirigidapor um governo soberano etendo como finalidade

o Bem Comum. Éjurídica por ter por base uma Constituição e as normas

infraconstitucionais (ordenamentojurídico); é administrativa por envolver

o gerenciamento e a organização; por fim, é política por tratar do poder.

Tem-se que democráticodiz respeito à participação do povo (cidadãos = eleitores) na formaçãojurídica do Estado , pois os eleitores elegem os repre-

sentantes (Poder Legislativo) que irão fazer a Constituição (Assembleia Na-

cional Constituinte) easdemaisleis (Legislador Ordinário). Por fim, refere-se

também ao Direito, pois todos nesse Estado devem respeitar a Constituição

e as normas infraconstitucionais.

O Direito Constitucional, como visto, engloba a interpretação e a deli-

mitação dos institutos constitucionais.

O vínculo é externado pela relação de dependência que deve existir

entre as normas infraconstitucionais e a Constituição de determinado país. Não pode existir dentro de um Estado nenhuma norma ou lei contrária à

sua Constituição. No Brasil, por exemplo, não pode existir nenhuma norma

federal, estadual, distrital ou municipal contrária à Constituição Federal de 1988,poiselaéaLei Fundamental do Estado brasileiro. Seexistir umanorma

26

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

contrária à Constituição, poderá ser suscitada sua inconstitucionalidade,

como mais adiante será estudado.

Ordenamento jurídico: é a somatória da Constituição e das

demais normas infraconstitucionais de um Estado.

OJ

,

<

c

+

Constituição do Estado

Normas infraconstitucionais

note

BEM

Constituição Federal de 1988 + Dec. 6.429/2009

26 Constituições Estaduais

+ Leis Orgânicas municipais

Lei Orgânica do Distrito Federal

CP, CPP etc.

Classificação das

Constituições

Dentre as classi

f

i cações existentes , as mais recorrentes nos exames de

Ordem dos Advogados do Brasil e em concursos públicos são:

1 .

Q UANTO À FORMA

7

1

Escrita

 

.

Éa Constituição codi i cadaesistematizadanum textoúnico , elaborado

f

por um órgão constituinte. Também conhecidapor instrumental. Por exem-

plo, a atual Constituição do Brasil.

7 . 2

Não escrita

É também chamada costumeira. É a Constituição cujas normas não

constam deum documento único esolene, masquesebaseiaprincipalmente

nos costumes, najurisprudência e em convocações e textos constitucionais esparsos. O exemplo clássico da doutrina é a Constituição inglesa.

2 . QUANTO À ELABORAÇÃO

2 . / Dogmática

Será sempre escrita e elaborada por um órgão constituinte, sistema- tizando os dogmas (pontos fundamentais de uma doutrina) ou as ideias

fundamentais da teoria política e do Direito dominante naquele momento.

Pode-se citar a atual Constituição do Brasil.

2 . 2

Histórica

Será sempre costumeira, não escrita e resultante de morosa formação histórica , do lento evoluir das tradições, dos fatossociopolíticos que secris-

28

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

talizam como normas fundamentais da organização de determinado Estado.

Cite-se a Constituição inglesa.

3 .

Q UANTO À ORIGEM

Popular

É a Constituição originária de um órgão constituinte composto por

representantes do povo, eleitos para o fi m de a elaborar e estabelecer, como

3 . 1

são exemplos as Constituições brasileiras de 1891, 1934, 1946 e 1988. De

regra, essas Constituições são promulgadas. É, também, conhecida por de-

mocrática ou promulgada.

3 . 2 Outorgada É a Constituição elaborada e estabelecida sem a participação do povo;

aquela imposta outorgada pelo governante (rei, imperador, presidente de juntagovernista, ditador), por si ou por interposta pessoa ou instituições, ao

povo, como o foram as Constituiçõesbrasileirasde 1824,1937,1967 e 1969.

Pode-se acrescentar aqui outro tipo de Constituição não propriamente

outorgadaou democrática, aindaquecriadacom aparticipação popular- éa

chamadaConstituiçãocesarista, porqueéformalizadapor " plebiscito " popu-

larsobreumprojetoelaboradopor umimperador (plebiscitonapoleónico) ou um ditador (plebiscito dePinochet no Chile). A participação popular, nesses casos, não é democrática, poisvisa apenas ratificar avontade do detentor do

poder. Tecnicamente seria um referendo.

f

Alguns doutrinadores a irmam que o processo de positivação ou efe-

tivação de uma Constituição pode se dar através da promulgação, outorga,

referendo ou plebiscito.

3 . 3

Pactuada

Éaconstituição que tem origem no pacto de duas forçaspolíticasinstá-

veis. Tem por exemplo a Constituição da Grécia de 1844.

4 . QUANTO À ESTABILIDADE, MUTABILIDADE, CONSISTÊNCIA

O U A LTERABILIDAD E

4 .

7

Rígida

Constituição somente alterável mediante processos, solenidades e

exigências formais especiais, diferentes e mais difíceis que os de formação

Cap. 4 . CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES

29

das leis ordinárias e complementares. A Constituição Federal vigente é um

exemplo (3/5 em dois turnos, nas duas Casas do Congresso Nacional - art.

60, §2.°, CF/88).

4 . 2

Flexível

Constituição que pode ser livremente modificada pelo legislador, se- gundo o mesmo processo de elaboração das leis ordinárias, sendo aprovada

por maioria simples.

4 . 3

Semirrígida ou semi flexível

Constituiçãoquecontémumaparterígidaeoutraflexível,comoaConsti-

tuiçãodoImpério,art. 178,quediz: "Ésóconstitucional oquedizrespeitoaos

limites eatribuiçõesrespectivasdospoderespolíticos eaos direitospolíticos eindividuaisdoscidadãos. Tudo o quenão éconstitucional podeser alterado sem as formalidades referidas, pelas legislaturas ordinárias "

.

4 . 4

Imutável

As Constituições que não podem ser alteradas são denominadas de " imutáveis". São também conhecidas por permanentes ou intocáveis.

Por fim, háquem classi ique uma Constituição como super-rígida, queé aquelaque,alémdeexigirumprocedimentomaiscomplexoparasuaalteração,

possuipartesimutáveispelolegislador ordinário. Trata-sedeumaConstituição

rígida com previsão de cláusulas pétreas, como éo caso danossa Constituição

Federal vigente para alguns doutrinadores. No entanto, a nossa Constituição

apenas impede alterações que reduzam direitos (art. 60, § 4. ° , CF/88): "Não

será objeto dedeliberação a proposta deemenda tendente aabolir: 1- aforma

federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a

f

separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais "

5 . Q UANTO À EXTENSÃO

.

5 .

/

Sintética ou concisa

Constituição que contém reduzido número de artigos, ou seja, contém apenas os princípios e normas referentes à estrutura do Estado (normas constitucionais materiais: nacionalidade, direitos políticos, separação dos

poderes, entreoutros.). É também conhecida por breve, sucinta, sumáriaou

básica. Por exemplo, a Constituição dos Estados Unidos.

30 DIREITO CONSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

5 . 2 Analítica ou prolixa

Constituição quecontémum número elevadodeartigos. Possui normas

constitucionaismateriais e formais (do meio ambiente , dos índios, da família,

entre outros). É também conhecida por extensa, volumosa ou ampla. Por

exemplo, a Constituição do Brasil.

6 . QUANTO À FUNÇÃO OU OBJETO

6 . /

Dirigente

ConstituiçãoquecontémumprojetopolíticodeEstadoaserdesenvolvido,

com o cumprimento de metas estabelecidas.

6 . 2

Garantia

Constituição que visa garantir a proteção dos componentes do Estado,

assegurando liberdades e limitando o poder existente.

6 . 3 Balanço

Constituição que descreve e registra o poder estabelecido. Estaria vin-

culada com a evolução socialista , procurando registrar as conquistas sociais

obtidas em cada etapa vencida.

Pode-se inferir que a Constituição Federal vigenteé escrita , dogmática,

popular, rígida e analítica, com normas constitucionais materiais e formais.

Além disso , seria dirigente, pois possui normas prevendo programas aserem

desenvolvidos , como a saúde, aprevidência social, a educação, a assistência social etc.; bem como garantia, poisestabelecedireitos egarantias, taiscomo

os previstos no Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais.

Para questões diferenciadas da OAB e de concursos públicos do Minis- tério Público ou da Magistratura , é bom destacar as seguintes classificações

doutrinárias:

a) quanto à sistematização ou estrutura:

.

orgânicaou reduzida: contidaemumdocumentoúnico (unitária);

.

inorgânica ou variada: é a somatória de vários instrumentos

norm ativos.

b) quanto à religião:

. teocráticaou confessional: éaquela Constituição queadota uma

religiãooficial (primeiraConstituiçãobrasileira- 1824; religião:

católica apostólica romana);

Cap. 4 . CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES

31

. laica (leiga ou não confessional): éaquela Constituição quenão

adota uma religião oficial (art. 19,1, CF/88).

c) constituição plástica: éaquela quesemodifica facilmente (constitui-

ção flexível), ou, para outros doutrinadores, éumaconstituição com

vários conceitos indeterminados.

d) constituição eclética: éaquelaqueconciliaideologiasopostas, prote-

gendoocapital privadoeestimulandoaassistênciasocial.

e) constituição ortodoxa: é aquela que adotaapenas uma ideologia.

Para muitos doutrinadoresa CF/88 era unitária até a entrada em

vigordo Decreto 6.949/2009 (Convençãoparaa proteçãodas pessoasportadorasdedeficiênciaeoseuprotocolofacultativo)

quefoi aprovado nostermosdo § 3. ° do art. 5.° da CF/88, sendo

equivalente a umaemenda constitucional.

V

.

resumindo

Quanto à forma

Quanto à elaboração

Quanto à origem

Quanto à estabilidade

Quanto à extensão

Quanto à função ou objeto

Quanto à sistematização ou

estrutura

Quanto à religião

a)

Escrita

b) Não escrita

a) Dogmática

b) Histórica

a)

Popular

b) Outorgada

a) Rígida

b) Flexível

c) Semirrigída

d) Imutável

a) Sintética ou concisa

b) Analítica ou prolixa

a) Dirigente

b) Garantia

c) Balanço

a) Orgânica ou reduzida

b) Inorgânica ou variada

a) Teocrática ou confessional

b) Laica, leiga ou não confessional

Fenómenos que

surgem com uma nova

Constituição e a ordem

jurídica anterior

Como o ordenamento jurídico de um país envolve o comportamento

político e socioideológico de um povo, por vezes são necessários ajustes,

inclusivecom a elaboração deuma nova Constituição , que revoga a anterior.

1 .

REVOGAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL

INCOMPATÍVEL

Normas infraconstitucionais materialmente incompatíveis com a nova Constituição são tidas por revogadas , segundo a regra de interpretação que

dizquenormasposterioresehierarquicamentesuperioresrevogamasnormas

anteriores e hierarquicamente inferiores.

2 .

RECEPÇÃO

Fenómeno que diz que toda legislação infraconstitucional anterior

compatível materialmentecomanovaConstituiçãocontinuaemplenovigor .

São exemplos: o Código de Processo Civil (Lei 5.869/1973) , o Código Penal

(Decreto-lei 2.848/1940), entre outros.

Destaque-sequeasnormasinfraconstitucionaisanterioresà Constituição

Federal vigente que a contrariarem formalmente podem continuar aviger ,

mas devem ser alteradas seguindo a nova determinação constitucional . Pode-se citar , como exemplo, o Código Penal, que, na origem, éum decreto-

lei , mas foi recepcionado como lei ordinária. Desse modo, para a criação

de um novo Código Penal basta a utilização de uma lei ordinária federal .

Percebe-se a recepção do Código Penal como lei ordinária com a leitura dos

incisos XXXIX (não há crime sem lei anterior que o defi na , nem pena sem

préviacominação legal) eXL (a lei penal não retroagirá, salvoparabene iciar o réu) do art. 5. ° da CF/88. O mesmo ocorreu com o Código de Processo

f

34 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Penal (Decreto-lei 3.689/1941), recepcionado como lei ordinária (art. 5.°,

XXXVIII eLX, da CF/88).

O Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966 - Lei Ordinária) foi

recepcionado como Lei Complementar (art. 146,1a III, da CF/88).

Por fim, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal não

admite a chamada inconstitucionalidade superveniente de ato normativo

produzido antes da nova Constituição perante o novo modelo. Neste caso,

hácompatibilidadeerecepçãoourevogaçãopor incompatibilidadematerial.

Tem-seo princípio dacontemporaneidade (umalei éconstitucional perante

o paradigma de confronto em relação ao qual ela foi produzida).

3 .

REPRISTINAÇÃO

Em tal fenómeno, a nova Constituição revalida a legislação

infraconstitucional revogada pela Constituição que a antecedeu. Essa restauração de eficácia, conhecida por repristinação, não deve ser admitida em nosso ordenamentoju í dico em virtudedosprincípiosdasegurançaeda

estabilidadedasrelaçõessociais. Não obstante, noplano infraconstitucional,

destaque-seo §30doart. 2.°doDecreto-lei 4.657/1942 (Lei deIntroduçãoàs NormasdeDireitoBrasileiro- conformeredaçãodadapelaLei 12.376/2010) e

oefeitorepristinatóriodedecisõesdoSupremoTribunal Federal emcontrole

concentrado de constitucionalidade (ADIn Genérica).

4 .

r

DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO

Nesse fenómeno, a nova Constituição recebeaanterior como legislação

infraconstitucional (lei ordinária). Essa tese não vigora entre nós, pois não

hájustificativa e lógica para que as leis constitucionais sejam rebaixadas

para legislação ordinária. Além disso, como já visto, a Constituição é a Lei

Fundamental de um Estado e, como tal, reflete juridicamente o que há de

mais importante nele.

Destaque-seque, paraalgunsautores, haveriaoinstitutodaprorrogação,

que seria a continuação de atos anteriores até a efetiva regulamentação de

acordo com a Constituição Federal de 1988. Por exemplo, art. 27, § 1. ° , art. 29, § 3.°, arts. 34 e 70, todos do ADCT da CF/88.

Cap. 5 . FENÓMENOS DA NOVA CONSTITUIÇÃO

35

Decisões sobre os temas:

"R epristinação. Limitaçãodosjuros(CF , art. 192, §3.°). Lei 4.595/1964.

DL167/1967. Recepção.Arecepçãodeleiordináriacomoleicomplementar

pelaConstituiçãoposterioraelasóocorrecomrelaçãoaosseusdispositivos

em vigor quando da promuIgação desta , não havendo que pretender-sea

ocorrênciadeefeito repristinatório , porqueo nossosistemajurídico, salvo

disposiçãoemcontrário, não admitea repristinação(LICC , art. 2.°, §3.°)"

(STF, AgAgRg235800/RS, 1.fT, rei. Min. MoreiraAlves). Obs.: A CF/88 foi alterada pela EC 40/2003 , que revogou o § 3.° do art. 192).

"R ecurso extraordinário. Lei 9.430/1996. COFINS. Isenção .

Revogação. Sociedadesdeprestaçãodeserviçosdeprofissão legalmente

regulamentada. Ressalva de óptica pessoal . O Plenário, apreciando

os Recursos Extraordinários 377.457-3/PR e 381 . 964-0/MG, concluiu

mostrar-se legítima a revogação , mediante o art. 56 da Lei 9.430/1996,

da isenção da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social

- COFINS relativa às sociedades de prestação de serviços de profissão

legalmenteregulamentada , estabelecida noart. 6.°, II, daLei Complementar

70/1991"(STF, RE-AgR477099/RS , j. 16.12.2008, rei. Min. MarcoAurélio). " Agravo regimental no recurso extraordinário . IPTU. Alíquota

progressiva. Declaração incidental de inconstitucionalidade. Legislação anterior. Repristinação . Município de Porto Alegre. IPTU . Alíquota progressiva. LC 7/1973 , na redação dada pela LC 212/1989. Inconstitucionalidade da norma superveniente . Hipótese anterior à

promulgação da EC 29/2000. Agravo provido, para determinar a subida dos autos principais, para melhor exame" (STF , AI-AgR 465922/RS, j.

23.11.2004, rei. Min. Eros Grau).

RECEPÇÃO

REPRISTINAÇÃO

DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO

Toda legislação infraconstitucional

anterior compatível materialmente

com a nova Constituição continua em

pleno vigor.

A nova Constituição revalida a

legislação infraconstitucional revogada pela Constituição que a antecedeu.

A nova Constituição recebe a anterior

como legislação infraconstitucional (lei

ordinária).

Aplicabilidade das normas

constitucionais

Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica , porém nem todas possuem efetividade (aplicabilidade). Segundo a doutrina

majoritária , podem ser classificadas em:

1 .

NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA PLENA

São aquelas normas de aplicabilidade imediata , direta, integral,

independentemente de legislação infraconstitucional para sua inteira

operatividade (autoaplicáveis ou autoexecutáveis). Por exemplo , arts. 1. ° ; 2 . ° ; 13; 14, § 2.°; 17, § 4 0; 37, III; 44, parágrafo único; 69,76,145 § 2.°; entre

outros, da CF/88.

2 .

NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA CONTIDA

São aquelas normas que têm aplicabilidade imediata , integral, plena,

direta (autoaplicáveis ou autoexecutáveis) , mas podem ter

alcance pela atividade do legislador ordinário , em virtude de autorização

constitucional. São também chamadas de normas de eficácia redutível ou

restringível.

Por exemplo , inciso XIII do art. 5.° da CF/88: "É livre o exercício de

qualquertrabalho,ofícioouprofissão,atendidasasqualificaçõesprofissionais

que a lei estabelecer " ; inciso LVIII do art. 5.° da CF/88: "O civilmente

identificado não serásubmetido a identificação criminal , salvo nashipóteses

reduzido o seu

previstas em lei "

.

Bem com o os incisos VIII , XV, XXVII, XXXIII, LX, LXI do art. 5.°, o art.

9 . ° , caput c/c § 1. ° , o art. 170, parágrafo único, o art. 184, entre outros.

Destaque-se que a limitação das normas constitucionais pode ser

realizada não apenas por normas infraconstitucionais , mas também por

38 DIREITO

CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva

Oliveira

normas constitucionais. É o caso, por exemplo, da decretação de estado de

defesa e do estado de sítio, onde há a possibilidade de restrição de direitos constitucionais. São exemplos os arts. 136, § 1. ° , e 139 da CF/88.

3 .

NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA

São aquelas normas que dependem da emissão de uma normatividade

futura , em queo legislador ordinário, integrando-lhesaeficáciamediantelei,

lhesdêcapacidadedeexecução em termosde regulamentação dosinteresses

Sãotambém chamadasdee i cáciarelativaou

complementável - por exemplo, inciso XXVII doart. 7. ° da CF/88: "proteção

visados(aplicabilidadediferida).

em face de automação, na forma da lei "

.

f

São outros exemplos: arts. 5.°, XXVIII, XXIX e XXXII; 7.°, IV e XXIII;

37,1 e VII; 153, VII, CF/88.

Neste tópico pode ainda existir uma subdivisão classificatória:

3 . 7

Normas de princípio institutivo

Sãoaquelasquedependemdaleiparadar corpoàsinstituições, pessoase órgãosprevistosnaConstituição(organizativo). SãoexemplosdaConstituição

Federal vigente: § 3.° do art. 18, § 3.° do art. 25, art. 224, entre outros.

3 . 2 Normas de princípio programático

Sãoaquelasqueestabelecemprogramasaserem desenvolvidosmediante legislaçãointegrativadavontadeconstituinte. São exemplosdaConstituição

Federal vigente: arts. 196, 205, 214, 215, entre outros. As normas constitucionais de e i cácia limitada contêm efi cáciajurídica

indireta, independentemente de regulamentação, pois revogam a legislação

anteriorcontráriaaosditamesdanovaConstituição,bem como impossibilitam

a elaboração de leis e atos normativos contrários à Lei Fundamental. Além

disso, autorizam a busca da regulamentação através do Poder Judiciário

(mandado deinjunção ou ação direta de inconstitucionalidadesupridora da

omissão), como adiante será visto.

f

Cap. 6 . APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS

Atentar para a seguinte decisão:

cuidado

" Habeas corpus. Orientação plenária do Supremo Tribunal

Federal.

Ordem

concedida

de ofício.

1.

O

Plenário

do

Supremo Tribunal Federal firmou a orientação de que só é possível a prisão civil do ' responsável pelo inadimplemento

voluntário e inescusável de obrigação alimentícia ' (inciso

LXVII do

art.

5.° da CF/88).

Precedentes:

HCs 87.585 e

92.566, da relatoria do ministro Marco Aurélio. 2. A norma

que se extrai do inciso LXVII do artigo 5.° da Constituição Federal é de eficácia restringível. Pelo que as duas exceções

nela contidas podem ser aportadas por lei, quebrantando,

assim, a força protetora da proibição, como regra geral, da prisão civil por dívida. 3. O Pacto de San José da Costa Rica (ratificado pelo Brasil - Decreto 678, de 6 de novembro de

1992), para valer como norma jurídica interna do Brasil,

há de ter como fundamento de validade o § 2.° do art. 5.°

da Magna Carta. A se contrapor, então, a qualquer norma

ordinária originariamente brasileira que preveja a prisão civil por dívida. Noutrostermos: o Pacto de SanJosé da Costa Rica,

passando a ter como fundamento de validade o § 2. ° do art.

5 . ° da CF/88, prevalece como norma supralegal em nossa

ordem jurídica interna e, assim, proíbe a prisão civil por

dívida. Não é norma constitucional - à falta do rito exigido pelo § 3.° do art. 5.°-, mas a sua hierarquia intermediária de

norma supralegal autoriza afastar regra ordinária brasileira

que possibilite a prisão civil por dívida. 4. Na concreta situação dos autos, a prisão civil do paciente foi decretada

com base na não localização dos bens penhorados e a ele

confiados em depósito. A autorizar, portanto, a mitigação da Súmula 691. 5. Habeas corpus não conhecido. Ordem

concedida de ofício " (STF, HC 94935/SP, j. 10.02.2009, São

Paulo. rei. Min. Carlos Britto) - grifo nosso.

Posteriormente, foi editada a Súmula Vinculante 25, que determina ser

ilícita qualquer modalidade de prisão de depositário infiel.

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

note

PLENA

- Não dependem de regulamentação.

- Normas de a plicabilidade direta, imediata, integral.

- Independentes, absolutas, livres.

->

Di ca: via de regra, o verbo da norma é o verbo " ser " no presente do indicativo.

Não aparecem expressões como: "nos termos da

lei", "de acordo com a lei" etc. Ex.: art. 13 , CF

CONTIDA (eficácia redutível, restringível)

- Não dependem de regulamentação , mas a CF/88 au-

toriza o legislador ordinário a reduzir direito previsto

na CF/88.

Norm as

Constitucionais

de Eficácia:

->

Dica :

via de regra, o verbo da norma é o verbo

" se r " no presente do indicativo.

- > Vão aparecer expressões que envolvem ressalvas

vinculadas à "lei " :

" salvo hipóteses que a lei estabelecer" "salvo pre-

visão legal " , etc. Ex.: Art. 5.°, XIII, CF / art. 5.°, LXVII,

CF.

LIMITADA

- Dependem de regulamentação (norma infraconstitu -

cional).

. Limitada programática: estabelece programas a se-

rem desenvolvidos.

. Limitada institutiva: estabelece criação de órgãos ou

de entes.

- > Dica: o verbo da norma é voltado para o futuro.

- > Vão aparecer expressões como: "de acordo com a

lei", "definidos em lei" etc. Ex.: Art. 37 , VII, CF.

Conteúdo das normas

constitucionais

1 .

NO RMAS MATERIALM ENTE CONSTITUCIO NAIS

Sãoasnormasquetratamdeassuntostipicamenteconstitucionais , com o a forma do Estado , a forma de governo, o modo de aquisição e exercício do

poder, a definição dos principais órgãos estatais, a limitação do poder, entre

ou tros assu n tos.

Algumas normas tratam de matéria constitucional , mas não estão inse-

ridas na Constituição. Por exemplo , o Código Eleitoral trata de regras sobre

aquisição do poder , tema tipicamente constitucional, mas de maneira formal

não passadeumalei ordinária , podendoser revogadopor outralei demesmo

nível hierárquico.

2 .

NO RMAS FO RMALM ENTE CONSTITUCIONAIS

São constitucionais por estarem previstas na Constituição. Trata-se de

umaquestãodelocalizaçãooutopografia. Ressalte-sequetaisnormaspodem

ser retiradasda Constituição sem alterar a estruturado Estado . São exemplos

da Constituição Federal vigente: Do desporto (art . 217), Da ciência e tecno-

logia (art. 218) , Da família, da criança, do adolescente e do idoso (art. 226),

o Colégio Pedro II , localizado na cidade do Rio deJaneiro, será mantido na

órbita federal (art. 242 , § 2.°), entre outros.

No Brasi I, se uma norma formalmente constitucional estabele-

cer umdireito seráconsiderada limitação material àsmudanças

constitucionais (cláusula pétrea) não podendo ser retirada da

Constituição Federal (art. 60, § 4.°, IV , CF/88).

O poder constituinte

O poder constituinte pode ser classificado em originário , derivado de

reforma e derivado decorrente.

É a expressão da vontade suprema do povo , social ejuridicamente or-

ganizado.

1 .

PODER CONSTITUINTEORIGINÁRIO, GENUÍNO, PRIMÁRIO

O U D E PRIM EIRO G RAU

É um poder de fato que institui a Constituição de um Estado , com as

seguintescaracterísticas: inicial , absoluto,soberano, ilimitado, independente

eincondicionado. EsseEstadopodetersidocriadonaqueleinstanteeporisso

necessita de uma Constituição para estruturá-lo , ou ele já existia anterior-

mente, e , em razão disso,jápossuíauma Constituição, porém estase tornou

ultrapassadaem relaçãoàevoluçãosociopolíticocultural , entre outros fatores. O limitepossível éavedação do retrocesso em relaçãodireitoshumanos

previstos em tratados internacionais. Desse modo, ao elaborar uma nova

constituição o paísdeverespeitar os direitos humanos previstosem tratados

internacionais que ele seja parte. Também conhecido como efeito "cliquet"

(ampliação de direitos).

Características do

Poder Constituinte

Originário

Inicial: Começa um novo país juridicamente;

Absoluto: É soberano; Soberano: É absoluto;

Ilimitado: Não tem limites;

Independente: Não depende de outro país; Incondicionado: Não depende de preencher condições .

Obs. Atentar para vedação do retrocesso.

44 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

2

PODER CONSTITUINTE DERIVADO DE REFO RMA O U D E

 

.

EM EN DA BILIDAD E

Este poder pressupõe a existência de uma Constituição, e nesta há a

expressa previsão de como poderá ser alterado o texto constitucional, tare- fa que cabe ao legislador ordinário. Este tipo de poder possui as seguintes

características: secundário, relativo, condicionado e limitado. É um poder

de direito resultante do texto constitucional, também chamado de poder de

revisão , de reforma, secundário reformador, de segundo grau ou poder de

emendabilidade, que edita emendas constitucionais. Podem-se citar como exemplos: o art. 60 da Constituição Federal de 1988 e o art. 3. ° do ADCT.

Na atualidade, somente será possível alterar a Constituição Federal

mediante o procedimento previsto no art. 60. Destaque-se que o sistema de

aprovação das emendas constitucionais é o mesmo para a constitucionali- zação de tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos (art.

5 . ° , §3.°, CF/88).

Por fim, é possível, no plano informal, quea doutrinaeajurisprudência

realizem a mutação constitucional sem mudar o texto literal da Constituição.

Por exemplo, o conceito decasa, do art. 5.°, XI, da CF/88, podeser domicílio,

residência, local de trabalho, entre outros.

2 . 1

Revisão constitucional

Prevê a Constituição Federal, no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), mais precisamenteem seu art. 3.°: "A revisão constitu-

cional será realizada após cinco anos, contados da promulgação da Consti- tuição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional,

em sessão unicameral "

Dessa forma, a revisão constitucional só poderia iniciar-se após 05.10.1993, fato que realmenteocorreu com aedição dasseis emendas cons-

titucionaisderevisão,sendo aprimeirapromulgadaem01.03.1994eaúltima

em 07.06.1994 (ADIn 815/96 e ADIn 981/93 - emendas constitucionais de

revisão " um a só vez " e não podem mais ser utilizadas).

Havia, portanto, uma limitação temporal ao tempo da reforma. A revi-

são da Constituição Federal de 1988 só seria possível após cinco anos de sua

promulgação e somente uma vez (devendo respeitar as cláusulas pétreas). No que tange às emendas constitucionais comuns, não existe esse tipo de

limitação, deduzindo-se que atualmente só pode ser alterada a Constituição

por meio de emendas constitucionais (art. 60, CF/88).

.

Cap. 8 . O PODER CONSTITUINTE

45

2 . 2

Emenda constitucional

Art. 59,1, e art. 60 da Constituição Federal de 1988.

2 . 2 . 1

Limitações ao poder derivado de emenda

Existem limitações ao poder de emenda de três índoles diversas:

Limitaçõesprocedimentaisou formais- Relaciona-seaoprocedimentoou

ao mecanismo a ser adotado para modificar a Constituição. O art. 60,1, II e

III, trata da iniciativa, ou seja, de quem pode propor um projeto de emenda

constitucional; nosseus §§ 2. ° , 3.°e5.°, ecomo deveser oprocedimentopara

emendar a Constituição.

Iniciativa: deno mínimo um terço dosDeputadosou SenadoresFederais,

do Presidenteda República ou de um projeto com a anuência de mais da me-

tade das Assembleias Legislativas da Federação brasileira, manifestando-se

a maioria relativa de seus membros em cada uma delas.

Trâmite: a proposta será discutida e votada na Câmara dos Deputados

e no Senado Federal, em dois turnos, com a obtenção em cada um deles de

três quintos dos votos dos respectivos membros de cada Casa. Se aprovada,

a emendaconstitucional serápromulgadapelasMesasda CâmaradosDepu- tados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem (presidente,

1 . ° vice-presidente, 2.°vice-presidente, 1.°, 2.°, 3.° e4.°secretários). Cumpre destacar queamatéria constante de emenda constitucional rejeitada ou pre-

judicadanão poderáser objeto denovapropostana mesmasessão legislativa.

Limitaçõescircunstanciais- O art. 60, em seu § 1.°, estabeleceque, haven- dodeterminadascircunstâncias,a Constituiçãonãopoderáser emendada. São

os casos de vigência de intervenção federal (arts. 34 a 36, CF/88), de estado

de defesa (art. 136, CF/88) ou de estado de sítio (arts. 137 a 139, CF/88).

Limitações materiais - São as chamadas limitações materiais explícitas,

cláusulas pétreas, cerne fixo, cláusulas de inamovibilidade, cláusulas ina-

bolíveis, cláusulas inamovíveis ou núcleos constitucionais intangíveis, ou

seja , partes da Constituição que não podem ser modificadas por emendas constitucionais para abolir direitos.

As cláusulas pétreas só poderão ser retiradas da Constituição se houver

nova Assembleia Nacional Constituinte, que, como se sabe, não encontra

limites. As cláusulas pétreas explícitas estão previstas no § 4 0 do art. 60 e

são os seguintes casos: a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto,

universal e periódico; a separação dos Poderes; e os direitos e garantias indi-

46

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

viduais. Cabe observar que o próprio dispositivo que contém tais vedações é também intangível.

Cumpre lembrar que existem as cláusulas pétreas implícitas , que são

mandamentos constitucionais que, apesar de não estarem previstos no § 4. °

do art. 60 , não podem ser retirados da Constituição, pois o espírito do órgão

constituinte assim o desejou. São exemplos o próprio procedimento das

emendas constitucionais e os arts. 127 e 142: " Art. 127.0

é instituição permanente

pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais

"Art. 142. As Forças Armadas, constituídas

Ministério Público

permanentes e regulares (

) " (grifos nossos).

- Ver também art . 144, §§ 1.°, 2.°e3.°, da CF/88.

- Lembrar do adjetivo "permanente(s)" constante do texto constitucional, queéum indicativodecláusulapétrea implícita.

note

BEM

2 . 3

Controle de constitucionalidade da reforma constitucional

Todamodificaçãoconstitucional feitacomdesrespeito do procedimento

especial estabelecido ou de preceito que não possa ser objeto de emenda pa-

decerádevício deinconstitucionalidadeformal (limitaçõesprocedimentaise

circunstanciais) ou material (limitações materiais), conforme o caso, e assim

fi cará sujeita ao controle de constitucionalidade peloJudiciário, tal como se

dá com as leis ordinárias.

Decisões sobre o tema:

" Éjuridicamentepossível ocontroleabstratodeconstitucionalidadeque

tenha porobjetoemendaà Constituição Federal quando sealegaviolação das cláusulas pétreas inscritas no art. 60, § 4.°, da CF. Precedente citado:

ADIn 939/DF (RTJ 151/755)" (STF, ADIn 1,946/DF, Pleno, j. 07.04.1999, rei. Min. Sydney Sanches, DJ, Seção I, 16.04.1999, p. 2).

" OSupremoTribunal Federal admitea legitimidadedo parlamentar- e

somente do parlamentar - para impetrar mandado de segurança com a

finalidade de coibir atos praticados no processo de aprovação de lei ou

emenda constitucional incompatíveis com disposições constitucionais

que disciplinam o processo legislativo. Precedentes do STF (

)

" (STF,

MS24.667-AgR, j. 04.12.2003, rei. Min. CarlosVelloso, DJ23.04.2004).

Cap. 8 . O PODER CONSTITUINTE

3 .

PO D ER CO NSTITUINTE DERIVADO DECO RRENTE

47

É o poder dos Estados-membros da Federação de se constituírem, ou

seja, de elaborarem suas próprias Constituições, respeitando os princípios constitucionais da Lei Fundamental da União (Constituição Federal vigen- te). Também chamado de poder secundário federativo. Fundamento legal:

art. 25 (Estados). Note-se que é possível ampliar esse poder para englobar

os Municípios (art. 29) e o Distrito Federal (art. 32), destacando queestesse

regem por Lei Orgânica. Paraalgunsdoutrinadores, aLei OrgânicaMunicipal não seria um a " Constituição", tendo caráter de lei ordinária, e, portanto, não

caberia controle de constitucionalidade, mas de legalidade. Nesse caso, não

haveria poder constituinte decorrente.

Cumpre destacar o art. 11 do ADCT, que assim estabelece: "Art. 11. Cada Assembleia Legislativa, com poderes constituintes, elaborará a Constituição do Estado, no prazo de um ano, contado da promulgação da Constituição Federal, obedecidos os princípios desta. Parágrafo único. Promulgada a Constituição do Estado, caberá à Câmara Municipal, no

prazo de seis meses, votar a Lei Orgânica respectiva, em dois turnos de

discussão e votação, respeitado o disposto na Constituição Federal e na

Constituição Estadual".

Por fim, atitularidade do poder constituinte pertence ao povo. As assembleias constituintes não titularizam o poder consti- tuinte, sendoapenasórgãosaosquaisseatribui, pordelegação

popular, o exercício de tal prerrogativa. Da mesma forma, o

Congresso Nacional não é o titular do poder de revisão cons- titucional, mas apenas o instrumento para tal fim.

note

BEM

48 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

Originário (1.° grau, genuíno, primário) - Poder para fazer a 1 . a ou nova constituição para um Estado.

" O povo elege a Assembleia Nacional Constituinte para fazer

Poder

Constituinte

uma Constituição "

(Povo: titular do poder constituinte/ ANC:

quem exercera o poder constituinte / Objeto: Constituição).

- Características: inicial, soberano, absoluto, ilimitado, indepen-

dente e incondicionado. Salvo em relação aos direitos humanos

(vedação do retrocesso).

Derivado Reformador (2 ° grau, de revisão, de emendabilidade,

secundário de mudança ou derivado de reforma)

- Depende do Poder Originário . Se a Constituição for imutável,

não haverá esse poder.

- Características: secundário, relativo, condicionado e limitado.

- Art. 3.° do ADCT - Emendas Constitucionais de Revisão. São

apenas seis - não podem mais ser usadas por decisão do STF

(ADIN 815 e 981).

- Art. 60 da CF/88 - Emendas Constitucionais (único meio de modificar a CF/88).

Derivado Decorrente (decorrente, secundário federativo)

- Depende do Poder Originário.

- É o poder que autoriza os entes federativos a elaborarem suas

normas fundamentais.

- Art . 25, caput, da CF/88: Cada Estado-membro pode elaborar sua Constituição Estadual, respeitando a CF.

- Art. 32, caput, da CF/88: O DF pode elaborar Lei Orgânica,

respeitando a CF.

- Art. 29, caput, da CF/88: Os Municípios podem fazer suas Leis

Orgânicas, respeitando a CE e a CF/88.

Controle de

constitucionalidade

1 .

SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO

OEstadojuridicamenteorganizadotemsustentaçãoemumaConstituição.

Todososatosrealizadosdentro desse Estado queimpliquem em umarelação jurídica devem estar de acordo com a Constituição.

2 .

CO NCEITO DO CO NTRO LE D E CO NSTITUCIO NALIDAD E

O controle de constitucionalidade é a verificação da compatibilidade

vertical que necessariamente deve haver entre a Constituição e as normas

infraconstitucionais a ela subordinadas.

A doutrina destaca que o controle de constitucionalidade surgiu nos Estados Unidos, em uma Constituição que não o previa expressamente. Porém, ojuizJohn Marshall, presidentedaSuprema Cortenorte-americana ,

ao decidir o caso Marbury x Madison , de 1803, deduziu de seu sistema esse

controle e reconheceu pertencer ele aoJudiciário. No caso, William Marbury foranomeado parao cargo dejuiz de Paz , n o

condado deWashington, no distritodeColúmbia , de acordo com os trâmites

constitucionais; porém, o Secretário de Estado James Madison não queria

entregaro títulodecomissãoaMarbury,queporsuavezrecorreu aoJudiciário ,

momentoemqueojuizMarshall demonstrou que , se a Constituição americana

era a base do direito e imutável por meios ordinários , as leis comuns que a

contradissessem não eram verdadeiramente leis , não eram direito. Assim, essas

leisseriam nulas,não obrigandoosparticulares. Além disso , demonstrou que, cabendo aoJudiciário dizer o que é o direito , é a ele que compete indagar da

constitucionalidade de uma lei.

Sobre o tema controle de constitucionalidade concentrado , é necessário

destacar: "Hápaísesque, aoinvésdeadotarem o sistemadajurisdiçãodifusa ,

50 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

adotam de modo explícito os procedimentos particularespara o controle de constitucionalidade. Na Europa inteira, há somente um país (Irlanda) que confere, expressamente, o controle de constitucionalidade à magistratura

e mesmo assim com temperamentos, pois atribui o controle apenas a duas

Cortessuperiores. Apartirdaprimeiraguerramundial, umasériecrescentede constituiçõestemadotadoum terceirocaminho,ouseja,nãoéatribuídonemao

próprioLegislativo,nemaojudiciário,opoderdedecidiraconstitucionalidade

dasleis. Tal poder elesconferem aum órgãoespecial, decaráter constitucional

edenaturezajurídico-política. SãoasCortesConstitucionais(Áustria, 1920,

sob influênciadeKelsen;Tchecoslováquia, 1920; EspanhaRepublicana, 1931;

Turquia, 1961). Foram, também, adotadas na América Latina (Guatemala,

1965; Chile, 1925). A Constituição austríaca de 1920, ao dispor sobre a jurisdição do Estado, estabelecequeos tribunais não têm o direito deapreciar

a validade das leis regularmente publicadas. Se um tribunal tiver contra a

aplicação de um regulamento objeções deduzidas desua ilegalidade, deverá interromper o processo e requerer àAlta Corte Constitucional acassação do

regulamento em tela (art. 89). Essa disposição, porém, não se aplica à Corte

Constitucional (art. 140, 5), que tem importantes competências (arts. 137 e

ss.), entreelasadejulgar sobreainconstitucionalidadedasleis, ou deofício,

nosprocessosquelheforemsubmetidos,ou apedido doGoverno Federal,em relação às leis provinciais, ou a pedido dos Governos provinciais em relação

às Leis Federais (art. 140,1)" (Ronaldo Rebello de Britto Poletti, Controle de

constitucionalidade das leis, 2. ed., Rio deJaneiro, Forense, 1997, p. 62-63).

3 .

INCONSTITUCIONALIDADE PORAÇÃO

Essefenómenosurgecomaproduçãodeatoslegislativosouadministrativos

que não estejam de acordo com as normas ou princípios da Constituição:

a) sãoatoslegislativos:asemendasàConstituição,asleiscomplementares, asleisordinárias, asleisdelegadas, asmedidasprovisórias, osdecretos

legislativos e as resoluções;

b) sãoatosnormativos (administrativos): resoluções,decretos, portarias,

entre outros editados pelo Poder Executivo, além das normas

regimentais dos tribunais federais e estaduais.

O fundamento dessa inconstitucionalidade está ligado ao princípio da

supremacia da Constituição, ou seja, só devem existir no mundojurídico as

normas que estejam de acordo com a Constituição.

Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

5 1

Saliente-se que existe inconstitucionalidade formal ou orgânica se há o

desrespeito ao procedimento previsto na Constituição para a realização de um atojurídico. Por exemplo: se é exigida a assinatura de 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal para a propositura de um projeto de emenda constitucional (art. 60, I, CF/88), qualquer número

inferior ao estabelecido caracteriza uma inconstitucionalidade formal. De

regra, acarreta uma nulidade total. São outros exemplos: violar o sistema de

aprovação de uma norma (art. 69 , CF/88) ou a espécie normativa específica

(art. 161, CF/88).

Decisão sobre o tema:

" Por ofensa ao art. 61, § 1.°, II, ae c, da CF/88 - que atribuem ao chefe do Poder Executivo a iniciativa de leis que disponham sobre a remunera- ção e o regime jurídico de servidores públicos-, oTribunal, por maioria, julgou procedente o pedido formulado em ação direta ajuizada pelo Governador do Estado da Paraíba, para declarar a inconstitucionalidade formal do art. 39 da Constituição, do mesmo Estado, que assegurava a servidores públicos, em cada nível de vencimento, como garantia do princípio da hierarquia salarial, 'um acréscimo nunca inferior a cinco por

centodo nível imediatamente antecedente, e a fixação, entre cada classe,

referênciaoupadrão, dediferença não inferioracincoporcento ' . Vencidos os Ministros Carlos Britto e Marco Aurélio, que julgavam improcedente a ação relativamente ao alegado vício formal. Precedente citado: ADIn 1 . 977/PB {DJV02.05.2003)" (STF, ADIn 2.863/PB, j. 11.09.2003, rei. Min.

Nelson Jobim, (ADIn 2.863).

A chamada inconstitucionalidade material é a adoção de atosjurídicos que violem as cláusulas pétreas (art. 60, § 4.°, CF/88) ou direitos materiais constitucionais. Por exemplo: uma emenda constitucional que estabeleça a pena de prisão perpétua estaria violando o inciso IV do § 4. ° do art. 60, ou seja, estariaviolando umagarantiafundamental previstano art. 5. ° , XLVII, b.

Dependendo do caso concreto , podehaver nulidadetotal (uma lei quepossui só um artigo que é inconstitucional) ou parcial (apenas um artigo de uma lei

que possui vários artigos).

Decisão sobre o tema:

" O Supremo Tribunal Federal já assentou o entendimento de que é

admissível aação diretade inconstitucionalidadedeemenda constitucional

quando se alega, na inicial, que esta contraria princípios imutáveis ou as chamadas cláusulas pétreasda Constituição originária (art. 60, § 4.°, CF).

Precedente:ADIn 939 (RTJ151/755)" (STF , ADIn 1.946-MC, j. 29.04.1999,

52 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

Parafinsdeconcurso, lembre-sequeoart. 5.° da CF/88 écláusulapétrea.

Além disso, normas infraconstitucionais anteriores à CF/88 podem ser

recepcionadas mesmo que haja incompatibilidade formal - como exemplos clássicos temos o Código Penal e o Código de Processo Penal, que foram

criados através de Decreto-lei mas foram recepcionados como lei ordinária

federal.

Cumpre destacar a inconstitucionalidade progressiva, que é aquela que acontece quando há uma norma constitucional de eficácia limitada não regulamentada e as leis anteriores atuariam sobre o tema até a edição da

normainfraconstitucional (lei em trânsitoparaainconstitucionalidade). Por

exemplo, art. 68do CPP (enquanto nãoimplementadaaDefensoria Pública,

o Ministério Público promoverá a ação civil ex delicto).

Inconstitucionalidade por arrastamento: uma parte da norma

é inconstitucional e atrai o resto da norma ou os atos de

regulamentação; inconstitucionalidade direta: há uma norma

contrária à Constituição; inconstitucionalidade reflexa ou

oblíqua: atoregulamentarcontrariaa lei; inconstitucionalidade derivada ou consequente: a norma e seusatos regulamentares

contrariam a Constituição.

4 .

INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO

_

note

BEM

Há uma norma constitucional de eficácia limitada que não foi regulamentada, ouseja, existeum direitoassegurado na Constituição, porém

não é possível exercê-lo em virtude da ausência de regulamentação.

Pode-se citar como exemplo o art. 7.°, XXVII, da CF/88, que prevê a

proteção dos trabalhadores em face da automação, na forma da lei, mas, se

essa proteção não se formalizar por omissão do legislador em produzir a lei

aí referida e necessária à plena aplicação da norma, estar-se-á diante de uma

omissãopassível deinterposiçãodeumaaçãodiretadeinconstitucionalidade

por omissão ou de um mandado de injunção, visando obter do legislador a

elaboração da lei em referência. Outros exemplos da Constituição Federal

vigente: arts. 7. ° , IV e XXIII; 37,1 e VII; 153, VII; 207, § 1.°, entre outros.

Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

53

Decisão sobre o tema:

"O T ribunal julgou três mandados de injunção impetrados, respectivamente, pelo Sindicato dos Servidores da Polícia Civil no Estado do Espírito Santo- SINDIPOL, pelo Sindicato dosTrabalhadores em Educação do Município de João Pessoa - SINTEM e pelo Sindicato

dosTrabalhadoresdo PoderJudiciário do Estado do Pará- SINJEP, em que

sepretendiafossegarantido aosseusassociadoso exercício dodireito de

greve previsto no art. 37, VII, da CF( i art. 37. (

):

VII - o direito de greve

será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica; ' ) - O

Tribunal, por maioria, conheceu dos mandados de injunção e propôs

a solução para a omissão legislativa com a aplicação, no que couber, da Lei 7.783/1989, que dispõe sobre o exercício do direito de greve

na iniciativa privada " (STF, Ml 670/ES, j. 25.10.2007, rei. orig. Min. Maurício Corrêa, rei. p/o acórdão Min. GilmarMendes;STF, Ml 708/DF,

j . 25.10.2007, rei. Min. Gilmar Mendes, STF, Ml 712/PA, j. 25.10.2007,

5 .

5 . /

rei. Min. Eros Grau).

CLASSIFICAÇÃO DO CONTROLE DECONSTITUCIONALIDADE

Quanto ao momento em que é exercido

5 . 1 . 1Preventivo, priorístico ou a priori

Opera antes que o ato (particularmente a lei) se aperfeiçoe, ou seja, o controleéfeitosobreoprojetodelei. NoBrasil, ocontrolepreventivo éexercido

pelo Poder Legislativo (Comissões de Constituição eJustiça) e pelo Poder

Executivo pormeio dovetopresidencialpor inconstitucionalidade (art. 66, §

1 . ° , CF/88). Nadaimpedequeo PoderJudiciáriooexerçaexcepcionalmente, por exemplo,pormandadodesegurançapropostoporparlamentar federal no STFreferenteaprocessolegislativo emandamento (InformativodoSTF320).

Decisões sobre o tema:

" OSupremoTribunal Federal admitea legitimidadedo parlamentar- e somentedo parlamentar- para impetrar mandado desegurança com a

finalidade de coibir atos praticados no processo de aprovação de lei ou emenda constitucional incompatíveiscom disposiçõesconstitucionais

que disciplinam o processo legislativo. Precedentes do STF (

)

" (STF,

MS24.667-AgR,j.04.12.2003, rei. Min. CarlosVelloso, D/23.04.2004). " Asançãodoprojetodelei nãoconvalidaovíciodeinconstitucionalidade

resultante da usurpação do poder de iniciativa. A ulterior aquiescência do Chefe do Poder Executivo, mediante sanção do projeto de lei, ainda quando dele seja a prerrogativa usurpada, não tem o condão de sanar o

54

DIREITO CO NSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

vício radical da inconstitucionalidade. Insubsistência da Súmula 5/STF

.

Doutrina. Precedentes" (ADIn 2.867, j. 03.12.2003 , rei. Min. Celso de

Mello, D/09.02.2007). No mesmo sentido: ADIn 1.963-MCe 1 . 070-MC .

5 . 1 . 2

Repressivo, posterior sucessivo ou a posteriori

É o controle exercido sobre a lei ou ato normativo , de regra,já existente

no ordenamentojurídico. A exceção ocorrecomasnormasconstitucionaisde

eficácia limitada ainda não regulamentadas (casos de mandado de injunção

ou de ADIn/ADI supridora da omissão). No Brasil , o controle repressivo é

confiado ao Poder Judiciário. Excepcionalmente , a Constituição Federal

vigente admite que o Poder Legislativo retire a efetividade de certas normas

infraconstitucionais. Sãoosseguintescasos: a) medidasprovisóriasrejeitadas

pelo Congresso Nacional por não atenderem aos requisitos de relevância e

urgênciaou outrainconstitucionalidade (art. 62 , § 5.°); b) decreto legislativo

doCongressoNacionalvisandosustaratosnormativosdoPoderExecutivoque exorbitemdopoder regulamentar ou doslimitesdadelegação legislativa (art.

49, V, c/c art. 84 , IV, e 68); c) resolução do Senado que suspende a execução, no todo ou em parte , de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva

do Supremo Tribunal Federal em controle difuso de constitucionalidade

(art. 52, X).

Decisão sobre o tema:

"C onforme entendimento consolidado da Corte, os requisitos

constitucionais legitimadoresda edição de medidasprovisórias , vertidos nos conceitos jurídicos indeterminados de 'relevância' e 'urgência' (art . 62 da CF), apenasem caráterexcepcional se submetem ao crivo do Poder Judiciário, por força da regra da separação de poderes (art. 2.° da CF)

(ADIn 2.213, rei. Min. Celso de Mello, Dl 23.04.2004; ADIn 1.647, rei.

Min. CarlosVelloso, D/26.03.1999; ADIn 1.753-MC, rei. Min. Sepúlveda

Pertence, Dl 12.06.1998; ADIn 162-MC, rei. Min. Moreira Alves , Dl

19.09.1997)" (ADC 11 -MC, voto do Min. Cezar Peluso , j. 28.03.2007,

D) 29.06.2007).

5 . 2 Quanto ao número de órgãos encarregados do controle

5 . 2 . 1

Concentrado>, reservado ou austríaco

Um único órgão desempenha esta função. Exemplo: Supremo Tribunal

Federal parajulgar asADIn , ADECON e ADPE Também chamado de controle

fechado , abstrato ou objetivo. Foi idealizado por Hans Kelsen.

Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

5 . 2 . 2

Difuso, aberto ou norte-americano

55

Todos os magistrados, ao julgarem seus processos, podem exercer o

controle de constitucionalidade dentro da sua competência jurisdicional.

Por exemplo, RE, MS, MI e HC. Também chamado de indireto, concreto,

incidental e subjetivo.

O STFtambém realiza o controle difuso (art. 102, 1, d, /*, /, q, r,

II, III, da CF/88).

O Brasil adota os dois sistemas.

5 . 3

Quanto à natureza do órgão controlador

5 . 3 . 1

Político

note

BEM

v

Quando o controle é exercido por órgão não pertencente ao Poder

Judiciário, como as Comissões de Constituição eJustiça e a Presidência da

República , no Brasil, no controle preventivo. Destaque-se a existência de

tribunais constitucionais em alguns países (Alemanha, França, Itália etc.).

5 . 3 . 2

Judiciário

Sempre que a averiguação de concordância entre um ato e as regras

constitucionais é conferida a um órgão do PoderJudiciário.

6 .

6 .

CLASSIFICAÇÃO DO CONTROLEJUDICIÁRIO

7

Quanto à posição do controle em relação ao objeto da causa

6 . 1 . 1

Principal

Quando o objeto da causa éúnicaeexclusivamenteaanálise da questão

constitucional. A decisão limita-se a declarar a constitucionalidade ou a

inconstitucionalidadedoato impugnado. Oato (geralmentealei) éexaminado

em teseedesvinculado de qualquer caso concreto. Se for ato normativo, este

deve ser genérico, impessoal e abstrato.

É o controle por via de ação direta e em controle abstrato da constitu-

cionalidade.

56 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

6 . 1 . 2

Incidental

A constitucionalidadeémeraquestãopreliminar queprecisaser resolvida

para que possa ser solucionada a questão principal.

Por exemplo , um contribuinte quer deixar de recolher um imposto

por considerar inconstitucional a norma que o criou. A questão da

constitucionalidadedanormadeveserresolvidaem primeiro , para que então possa ser decidido se o recolhimento do imposto é ou não devido.

É o chamado controle concreto (porque está vinculado a um caso

concreto),porviadeexceçãooudefesa. Deregra , tem efeito extunc (retroativo), mas pode ter efeito ex nunc (em diante) (modulação de efeitos , semelhante

à Adin/ADI Genérica - RE 353657/PR e RE 370682/SC , Informativo do STF

473).

6 . 2

Quanto aos efeitos da decisão

6 . 2 . 1

Inter partes

Os efeitos da declaração de inconstitucionalidade atingem apenas as

partes litigantes. Pessoas na mesma situação devem propor suas próprias

ações, para nelas receberem idêntica decisão. É o efeito existente , de regra,

no caso concreto (arts. 480 a 482 , CPC). Podendoser ampliadopor resolução

do

Senado Federal nos termos do art. 52, X , da CF/88 (suspensão da norma,

qualquer que seja a espécie- erga omnes).

6 . 2 . 2

Erga omnes

As decisões defi nitivas de mérito , proferidaspelo STF, nasaçõesdiretas

de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade

de lei ou ato normativo federal ou estadual , produzirão efi cácia contra

todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder

Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,

estadual emunicipal (art. 102 , § 2.°, CF/88). É o efeito existente no controle

concentrado.

Cumpre observar que, em se tratando de decisão de tribunal , esta deve

ser tomada necessariamente pela maioria absoluta do Plenário ou do órgão

especial (art. 97 c/c art. 93 , IX, CF/88).

Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

Atentar para o art. 97 da CF/88 e SúmulaVinculante 10.

" Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei

ou ato normativo do Poder Público. "

SúmulaVinculante 10: "Violaa cláusuladereservadeplenário

(CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário de Tribunal que, embora não declareexpressamentea inconstitucionalidadede lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte "

.

importante

6 . 2 . 3

Decisões no controle concentrado de constitucionalidade

Se o STF declarar uma lei inconstitucional, ela é nula, não produzindo nenhumefeitojurídicoválido. Segundo adoutrina , asdeclaraçõesdenulidade de lei podem ser:

a) nulidade total: a lei inteira é declarada inconstitucional , normalmente,

por vício formal (iniciativa, quorum, procedimento legislativo, entre

outros);

b) nulidade parcial: apenas parte da lei é declarada inconstitucional;

c) nulidadeparcialsemreduçãodetexto:declara-seainconstitucionalidade

apenas de determinada hipótese de aplicação da lei , reconhecendo

a possibilidade de aplicação da lei a outras hipóteses (não cobrança

de tributo no mesmo exercício financeiro , porém nos próximos

exercícios financeiros será possível exigi-lo);

d) interpretação conforme a Constituição: havendo duas ou mais

interpretações possíveis de uma lei , declara-se aquela que deve ser

do art . 7. ° do EOAB

adotada (constitucional). Por exemplo, o § 3 0

(o advogado somente poderá ser preso em flagrante, por motivo de

exercício da profissão, em caso decrime ina iançável

f

) não abrange

ahipótesededesacatoàautoridadejudiciária (ADIn 1.127-8). Outro exemplo , sem reduçãodetexto, éo casodaAdin 2.924/SP: pagamentos complementares são somente aqueles decorrentes de erro material e inexatidão aritmética contidos no precatório original , bem assim da substituição , por força da lei, do índice aplicado (art. 336, V,

Regimento InternodoTJSP, eart. 100 , CF/88-InformativodoSTF478).

58 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

7 .

7 .

O CO NTRO LE D E CONSTITUCIO NALIDADE NO BRASIL

/

Preventivo

7 . 1 . 1

Comissões de Constituição eJustiça

Na esfera federal, previstas nos regimentos internos da Câmara dos

DeputadosedoSenadoFederal, examinamaconstitucionalidadedosprojetos

de lei, dando parecer sujeito à apreciação do Plenário. Somente na esfera federal o mesmo projeto de lei passa por duas Comissões de Constituição e Justiça (Câmara dos Deputados e Senado Federal).

7 . 1 . 2

Veto presidencial por inconstitucionalidade

A Constituição Federal vigente, no art. 66, § 1.°, prevê o veto por dois

motivos: contrariedadeao interessepúblicoeinconstitucionalidadedoprojeto

delei. Noprimeirocaso, oveto nãosignificacontroledeconstitucionalidade,

pois seu motivo é a simples discordância do Presidente em relação à

vontade do Congresso (veto político). No segundo caso, sim, é controle de constitucionalidade, porque o Presidente veta o projeto por considerá-lo

contrário à Constituição (vetojurídico).

note

É possível que o Poder Judiciário, excepcionalmente, realize

o controle preventivo. Cite-se, como exemplo, a propositura de mandado de segurança para realizar o controle de

constitucionalidadedifusonoSTFporparlamentares(Deputados ou Senadores Federais) no processo legislativo em andamento

- Informativo do STF 320).

7 . 2 Repressivo

Como já visto, o PoderJudiciário é que realiza esse controle, porém a Constituição Federal vigente admite que o Poder Legislativo (Congresso

Nacional) retire a efetividade de certas normasinfraconstitucionaisatravés da

rejeição demedidasprovisóriasinconstitucionais (art. 62, § 5. ° ) e da adoção dedecretolegislativovisandosustaratosnormativosdoPoder Executivo que

exorbitemdopoder regulamentar ou doslimitesdadelegaçãolegislativa(art.

Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

59

Cumpre observar que o Senado Federal realiza o controle repressivo de

constitucionalidade ao suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declaradainconstitucionalpordecisãodefinitivadoSupremoTribunal Federal

em controle difuso de constitucionalidade (art. 52, X, CF/88).

No mais das vezes, os casos a seguir descritos são os mais comuns em

co n cu rso .

Preventivo: Projeto de Lei

Repressivo: Lei ou ato normativo em

vigor

7 . 2 . /

Recurso extraordinário

Regra

a) Poder Legislativo: Comissão de

Constituição e Justiça

b) Poder Executivo: Veto por

Inconstitucionalidade (Veto Jurídico)

Regra Poder Judiciário - Controle difuso e

concentrado

O recurso extraordinário é a última etapa do controle difuso realizado

pelosjuízes e tribunais do País eé o mecanismo por meio do qual o Supremo Tribunal Federal dáapalavrafinalsobreumaquestãoconstitucional. Podeser

interpostocontradecisãodeTribunal proferidaemúnicaou últimainstância.

É controle incidental (por via de exceção) e repressivo.

Ashipótesesdecabimento do recursoextraordináriosãoapenasaquelas previstas no art. 102, III, da Constituição Federal vigente.

Os efeitos da decisão proferida no recurso extraordinário atingem, em

princípio, apenas as partes litigantes. Porém, quando o Supremo Tribunal

Federal declarar uma lei inconstitucional, por decisão definitiva, o Senado Federal poderá, mediante resolução, suspender a execução da lei em todo o território nacional (art. 52, X, CF/88), dando assim eficácia erga omnes à

decisão do Supremo.

No recurso extraordinário o recorrentedeverádemonstrar arepercussão

geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros (art. 102, §

3 . ° , CF/88).

60

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

note

A Lei 11.418/2006 regulamentou a repercussão geral.

7 . 2 . 2

Mandado de injunção

Art. 5.° , LXXI, da CF/88: "Conceder-se-á mandado de injunção sempre

quea falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade , à

soberania e à cidadania "

.

Qualquer direito ou liberdade constitucional não regulamentada pode ser objeto de um mandado de injunção. Esse remédio constitucional será apreciado, detidamente, mais adiante.

7 . 2 . 3 Ação direta de inconstitucionalidadegenérica (ADIn/ADI

Genérica)

Objetivo: banirdo ordenamentojurídico alei ou oatonormativo estadual ou federal em teseatingidospelovíciodainconstitucionalidade (art. 102 , 1 , a ,

CF/88). Admite-se, também, aADln Genérica contra emenda constitucional.

Por ausência de previsão constitucional , o STF não admite ações diretas de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos municipais em face da

Constituição Federal (impossibilidadejurídica do pedido). É possível o

controle difuso, podendo chegar pela via recursal ao STF (RE) , produzindo efeitosentreaspartes. Seumalei municipal contrariar aConstituiçãoEstadual

é possível umaADln Genérica estadual proposta no Tribunal deJustiça (art.

125 , §2.°, CF/88).

O STF tem admitido o controle concentrado sobre o decreto autónomo

(art. 84, VI e XII, CF/88) ou sobre os decretos que tenham extravasado o poder regulamentar do Poder Executivo, invadindo matéria reservada à lei.

Legitimidade ativa: as pessoas elencadas no art. 103 , 1 a IX, da CF/88

e no art. 2. ° da Lei 9.868/1999. Saliente-se que as Mesas das Assembleias

Legislativas e da Câmara Legislativa, os Governadores dos Estados e do

Distrito Federal e as confederações sindicais (organizadas com no mínimo três federações, estabelecidas em pelo menos três Estados, nos termos do

art. 535 da CLT - ADln 939-7/DF) e entidades de classe de âmbito nacional

Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

61

devemdemonstrarapertinênciatemática(interesse) paraproporaaçãodireta

de inconstitucionalidade, e por isso são também denominados de autores

especiais ou interessados. Por outro lado, o Presidente da República, as

MesasdoSenado Federal edaCâmaradosDeputados, o Procurador-Geral da

República, o Conselho Federal da Ordem dosAdvogadosdo Brasil e partido

políticocomrepresentaçãonoCongressoNacional nãonecessitamdemonstrar

interesseespecial paraaproposituradaaçãodeinconstitucionalidade, sendo

por isso denominados de autores universais ou neutros.

Competênciapara julgar: SupremoTribunal Federal (art. 102,1,a, CF/88).

Quórum de instalação: oito Ministros (2/3 de seus membros- art. 22 da

Lei 9.868/1999).

Quórum de aprovação: maioria absoluta, ou seja, pelo menos seis dos

onze Ministros do STF devem manifestar-se pela inconstitucionalidade (art.

97, CF/88).

Admite-semedidacautelar emaçãodiretadeinconstitucionalidade (arts.

10 a 12 da Lei 9.868/1999).

Efeitos: declarada inconstitucional, a lei torna-se inaplicável, fazendo a decisão coisa julgada, com efeitos erga omnes e vinculante, de acordo

com o art. 102, § 2. ° , da CF/88 (relativamente aos demais órgãos do Poder

Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal) e a Lei 9.868/1999 (parágrafo único do art. 28). Além disso, deregra, tem efeito ex tunc, podendo ser dado efeito ex nunc se houver

manifestação de 2/3 dos Ministros (art. 27, Lei 9.868/1999 - modulação dos

efeitos ou mutação temporal). A cautelar tem efeito ex nunc, podendo ser

concedido o efeito ex tunc (art. 11, § 1. ° , Lei 9.868/1999). De acordo com o

STF, o Poder Legislativo, em sua função típica de legislar, não estávinculado

às decisões de ADIn .

Cumpre observar que a petição inicial deverá ser apresentada em duas

vias , devendo conter cópias da lei ou do ato normativo impugnado e dos documentos necessários para comprovar a impugnação, nos termos do art. 3 . ° , parágrafo único, da Lei 9.868/1999.

Decisões sobre o tema:

" Ação direta de inconstitucionalidade. ADIn. Inadmissibilidade. Art.

14, § 4.°, da CF. Norma constitucional originária. Objeto nomológico insuscetível de controle de constitucionalidade. Princípio da unidade

hierárquico-normativaecaráterrígidodaConstituiçãobrasileira. Doutrina.

Precedentes. Carência da ação. Inépcia reconhecida. Indeferimento da

62

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

petição inicial. Agravo improvido. Não se admite controle concentrado

ou difuso de constitucionalidade de normas produzidas pelo poder

constituinte originário " (ADIn 4.097-AgR, j. 08.10.2008, rei. Min. Cezar

Peluso, D/f 07.11.2008).

" Açãodiretadeinconstitucionalidade.Condição. Objeto. Decretoque

criacargospúblicosremuneradoseestabeleceasrespectivasdenominações ,

competências e remunerações. Execução de lei inconstitucional.

Caráter residual de decreto autónomo. Possibilidade jurídica do pedido.

Precedentes. Éadmissível controleconcentrado deconstitucionalidadede decreto que, dando execução a lei inconstitucional , crie cargos públicos

remunerados e estabeleça as respectivas denominações , competências, atribuiçõese remunerações. Inconstitucionalidade.Ação direta. Art. 5.° da

Lei 1.124/2000, do Estado doTocantins. Administração pública. Criação

decargosefunções. Fixaçãodeatribuiçõeseremuneraçãodosservidores. Efeitos jurídicos delegados a decretos do Chefe do Executivo. Aumento

de despesas. Inadmissibilidade. Necessidade de lei em sentido formal ,

de iniciativa privativa daquele. Ofensa aos arts. 61 , § 1.°, II, a, e 84, VI, a, da CF. Precedentes. Ações julgadas procedentes. São inconstitucionais a

lei que autorize o Chefe do Poder Executivo a dispor, mediante decreto,

sobre criação de cargos públicos remunerados, bem como os decretos

que lhe deem execução " (ADIn 3.232, j. 14.08.2008, rei. Min. Cezar

Peluso, D)E 03.10.2008). No mesmo sentido: ADIn 3.983 e ADIn 3.990 ,

j . 14.08.2008, rei. Min. Cezar Peluso, Informativo 515.

Súmula 642 do STF: "Não cabe ação direta de incons-

titucionalidade de lei do Distrito Federal derivada da sua

competência legislativa municipal".

fflHIOrt ®® *

7 . 2 . 4

Ação direta de inconstitucionalidade interventiva (ADIn/

ADI Interventiva)

Objetivo: restabelecer orespeitodosprincípiosconstitucionaisprevistos

no inciso VII do art. 34 da CF/88 (princípios constitucionais sensíveis). Legitimidade ativa: Procurador-Geral da República - PGR - Chefe do

Ministério Público da União (arts. 129 , IV, e 36, III, CF/88)

.

Competênciapara julgar: SupremoTribunalFederal (art. 102 , 1 , a , CF/88).

Quórum de instalação: oito Ministros (2/3 de seus membros - art. 22,

Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

63

Quórum de aprovação: maioria absoluta, ou seja, pelo menos seis dos

onze Ministrosdo STF devem manifestar-se pela inconstitucionalidade (art.

97 da CF/88).

Efeitos: restaurar asupremacia constitucional, com efeitos erga omnes e

vinculante. Além disso, tem efeito ex nunc.

Cumpre destacar que é possível a ADIn Interventiva Estadual com as

devidas adaptações (art. 35, IV, da CF/88). Assim vejamos:

Objetivo: restabelecer orespeitodosprincípiosconstitucionaisestaduais desrespeitados por lei municipal (art. 35, IV, CF/88).

Legitimidade ativa: Procurador-Geral deJustiça do Estado - Chefe do

Ministério Público Estadual PGJ/MPE (art. 129, IV, CF/88).

Competênciaparajulgar: Tribunal deJustiça (art. 35, IV, CF/88).

Quórum de instalação: 2/3 dosmembrosdo Tribunal ou do órgão especial.

Quórum de aprovação: maioria absoluta (art. 97, CF/88).

Efeitos: restaurar a supremaciaconstitucional, com efeitos ergaomnese

vinculante. Além disso, tem efeito ex nunc.

Em ambos os casos, federal ou estadual, a decisão do Poder Judiciário será comunicada ao chefe do Poder Executivo respectivo, que, por meio

de decreto, suspenderá a execução do ato impugnado; caso tal ato não seja

suficiente para restabelecer a constitucionalidade, poderá o chefe do Poder

Executivo decretar a intervenção, nomeando interventor eusando dosdemais

atos constritivos necessários.

Sobre o tema é importante a competência do Presidente da República para expedir decretos (art. 84, IV e X, CF/88).

Cumpre observar que a petição inicial deverá ser apresentada em duas

vias, devendo conter cópias da lei ou do ato normativo impugnado e dos

documentos necessários para comprovar a impugnação, nos termos do art.

3 . ° , parágrafo único, da Lei 9.868/1999.

Decisões sobre o tema:

" O descumprimento voluntário e intencional de decisão transitada em julgado configura pressuposto indispensável ao acolhimento do

pedido de intervenção federal. A ausência de voluntariedade em não

pagar precatórios, consubstanciada na insuficiência de recursos para

satisfazer os créditos contra a Fazenda Estadual no prazo previsto no § 1 . ° do art. 100 da Constituição da República, não legitima a subtração

temporária da autonomia estadual, mormente quando o ente público,

apesar da exaustão do erário, vem sendo zeloso, na medida do possível,

64

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

com suasobrigações derivadasde provimentosjudiciais" (IF 1 . 91 7-AgR,

j . 17.03.2004, rei. Min. Maurício Corrêa, Dl 03.08.2007) .

" Precatóriosjudiciais. Nãoconfiguraçãodeatuaçãodolosaedeliberada do Estado de São Paulo com finalidade de não pagamento . Estado sujeito

a quadro de múltiplas obrigações de idêntica hierarquia . Necessidade

degarantir eficácia a outras normasconstitucionais , como, por exemplo,

a continuidade de prestação de serviços públicos. A intervenção , como

medida extrema, deve atender à máxima da proporcionalidade . Adoção da chamada relação de precedência condicionada entre princípios

constitucionais concorrentes" (IF 298 , j. 03.02.2003, rei. p/ o ac. Min.

Gilmar Mendes, DJ 27.02.2004).

7 . 2 . 5 Ação direta de inconstitucionalidade supridora da omissão

ou por omissão (ADIn/ADI-SO/PO)

Objetivo: pleitear a regulamentação de uma norma constitucional .

a omissão do legislador , que deixa de criar a lei necessária à aplicabilidade e eficácia de normas constitucionais , ou a do administrador, que não adota as

providências necessárias para tornar efetiva a medida constitucional. Existe

uma norma constitucional de eficácia limitada ainda não regulamentada

(inconstitucionalidade por omissão).

Legitimidade ativa: as pessoas indicadas no art. 103 , 1 a IX, da CF/88 e

no art. 12-A da Lei 9.868/1999. Saliente-se que as Mesas das Assembleias

Legislativas e da Câmara Legislativa , os Governadores dos Estados e do

Distrito Federal e as confederações sindicais (organizadas com no mínimo três federações, estabelecidas em pelo menos três Estados , nos termos do

art. 535 da CLT - ADIn 939-7/DF) e entidades de classe de âmbito nacional

devemdemonstrar apertinênciatemática(interesse) paraproporaaçãodireta

de inconstitucionalidade , e por isso são também denominados de autores

especiais ou interessados. Por outro lado , o Presidente da República, as

Mesasdo Senado Federal eda CâmaradosDeputados , o Procurador-Geral da República, o Conselho Federal da Ordem dosAdvogadosdo Brasil e partido

políticocomrepresentaçãono CongressoNacionalnãonecessitamdemonstrar

interesse especial para a propositura da ação deinconstitucionalidade , e por

isso são denominados de autores universais ou neutros.

Competência parajulgar: STF (art. 102,1, a, CF/88).

Quórum de instalação: oito Ministros (2/3 de seus membros - art. 22,

Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

65

Quórum de aprovação: maioria absoluta, ou seja, pelo menos seis dos onze Ministrosdo STFdevem manifestar-sepela inconstitucionalidade (art.

97 da CF/88).

A Lei 12.063/2009 alterou a Lei 9.868/1999 e inovou ao incluir e

estabelecer no art. 12-F a possibilidade de medida cautelar na ADI PO.

" Em caso deexcepcional urgênciae relevânciada matéria, oTribunal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, observado o disposto

no art. 22, poderá conceder medida cautelar, após a audiência dos

órgãos ou autoridades responsáveis pela omissão inconstitucional, que deverão pronunciar-se no prazo de 5 (cinco) dias. § 10A medida cautelar

poderá consistir na suspensão da aplicação da lei ou do ato normativo

questionado, no caso de omissão parcial, bem como na suspensão de processos judiciais ou de procedimentos administrativos, ou ainda em

outra providência a ser fixada pelo Tribunal. § 2 " O relator, julgando

indispensável, ouvirá o Procurador-Geral da República, no prazo de 3 (três) dias. § 3° No julgamento do pedido de medida cautelar, será

facultada sustentação oral aos representantes judiciais do requerente e

das autoridades ou órgãos responsáveis pela omissão inconstitucional, na forma estabelecida no Regimento doTribunal. "

Efeitos: declarando-se a inconstitucionalidade por omissão , o Supremo Tribunal Federal deverá dar ciência ao poder competente para que sejam tomadas as medidas necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em 30 dias (art. 103, § 2. ° , da CF/88). Destaque-se que o § 1.° do art. 12-H da Lei 9.868/1999 estabelece que em caso de omissão de órgão

administrativo as providências deverão ser adotadas no prazo de trinta dias, ou em prazo razoável aser estipulado excepcionalmentepelo Tribunal, tendo

emvistaascircunstânciasespecíficasdo caso eo interessepúblicoenvolvido.

Cumpre observar que a petição inicial deverá ser apresentada em duas

vias , devendo conter cópias da lei ou do ato normativo impugnado e dos documentos necessários para comprovar a impugnação, nos termos do art.

12-B, parágrafo único, da Lei 9.868/1999.

Decisões sobre o tema:

" Não é necessária a manifestação do Advogado-Geral da União, art.

103, § 3.°, da Constituição, em ação direta de inconstitucionalidade

por omissão " (ADIn 480, j. 13.10.1994, rei. Min. Paulo Brossard, DJ

25.11.1994).

Sobre a criação de municípios: "OTribunal, por unanimidade, julgou procedente pedido formulado em ação direta de inconstitucionalidade por omissão ajuizada pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

Grosso, para reconhecer a mora do Congresso Nacional emelaborar a lei complementarfederalaqueserefereo§4. ° doart. 18daCF, naredaçãodada pela EC15/1996, e, pormaioria, estabeleceuo prazo de 18 mesespara que

este adote todas as providências legislativas ao cumprimento da referida

Em seguida, quanto ao mérito, salientou-se

que, considerado o lapso temporal de mais de 10 anos, desde a data da publicação da EC 15/96, à primeira vista, seria evidente a inatividade

do legislador em relação ao cumprimento do dever constitucional de legislar (CF, art. 18, § 4.°- norma de eficácia limitada). Asseverou-se,

entretanto, que não se poderia afirmar uma total inércia legislativa, haja

vista osváriosprojetosde lei complementar apresentadosediscutidos no âmbito das Casas Legislativas. Não obstante, entendeu-se que a inertia deliberandi (discussão e votação) também poderia configurar omissão passível de vir a ser reputada morosa, no caso de os órgãos legislativos não deliberarem dentro de um prazo razoável sobre o projeto de lei em

tramitação. Aduziu-se que, na espécie, apesar dos diversos projetos de

lei apresentados, restaria configurada a omissão inconstitucional quanto

à efetiva deliberação da lei complementar em questão, sobretudo tendo

em conta a pletora de Municípios criados mesmo depois do advento da

norma constitucional. (

)

EC 15/1996, com base em requisitos definidos em antigas legislações estaduais, alguns declarados inconstitucionais pelo Supremo, ou seja, uma realidade quase que imposta por um modelo que, adotado pela

aludida emenda constitucional, ainda não teria sido implementado, em toda a sua plenitude, em razão da falta da lei complementar a que alude o mencionado dispositivo constitucional. Afirmou-se, ademais, que a

decisãoqueconstataaexistênciadeomissãoconstitucional edeterminaao legisladorqueempreendaasmedidasnecessáriasà colmataçãoda lacuna

inconstitucional constitui sentença de caráter nitidamente mandamental,

que impõe, ao legislador em mora, o dever, dentro de um prazo razoável,

de proceder à eliminação do estado de inconstitucionalidade, eque, em

razão de esse estado decorrente da omissão poder ter produzido efeitos

no passado, faz-se mister, muitas vezes, que o ato destinado a corrigir a

omissão inconstitucional tenha caráter retroativo. Considerou-se que, no caso, a omissão legislativa inconstitucional produzira evidentes efeitos

durante o longo tempo transcorrido desde o advento da EC 15/1996,

no qual vários Estados-membros legislaram sobre o tema e diversos

Municípiosforamefetivãmentecriados, comeleiçõesrealizadas, poderes

municipaisestruturados, tributosrecolhidos, ou seja, toda uma realidade

fática e jurídica gerada sem fundamento legal ou constitucional, mas

que não poderia ser ignorada pelo legislador na elaboração da lei

complementar federal. Em razão disso, concluiu-se pela fixação de um

parâmetrotemporal razoável - 18 meses- para queo Congresso Nacional

edite a lei complementar federal reclamada, a qual deverá conter normas

específicasdestinadasasolvero problemadosMunicípiosjácriados. (

)

"

Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

67

7 . 2 . 6

Ação declaratória de constitucionalidade (ADECON/

ADECO/ADC)

Objetivo: definir a constitucionalidade de lei ou de ato normativo federal

(art. 102,1,a, daCF/88), impugnadaem processosconcretos, tendo recebido, nas instâncias inferiores , maioria de decisões desfavoráveis. A prova da controvérsia deve acompanhar a petição inicial (art. 14 da Lei 9.868/99).

Legitimidadeativa: aspessoaselencadasno art. 103da CF/88 (Presidente

da República, Mesa do Senado Federal, Mesa da Câmara dos Deputados,

Mesa da Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito

Federal , Governador de Estado ou do Distrito Federal, Procurador-Geral da

República , Conselho Federal daOAB,partido políticocom representação no Congresso Nacional, confederação sindical - organizadas com no mínimo

três federações, estabelecidas em pelo menos três Estados, nos termosdo art.

535 da CLT - ADln 939-7/DF - ou entidade de classe de âmbito nacional).

Competênciapara julgar: SupremoTribunal Federal (art. 102,1,a, CF/88).

Quórum de instalação: oito Ministros (2/3 de seus membros - art. 22,

Lei 9.868/1999).

Quórum de aprovação: maioria absoluta, ou seja, pelo menos seis dos

onze Ministros do STF devem manifestar-se pela constitucionalidade (art.

97, CF/88).

Admite-se medida cautelar em ação declaratória de constitucionalidade

(art. 21 da Lei 9.868/1999).

Efeitos: ergaomnes, vinculante, deacordo com o art. 102 , § 2.°, da CF/88

e parágrafo único do art. 28 da Lei 9.868/1999 (relativamente aos demais

órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta , n as

esferas

federal , estadual e municipal), e ex tunc.

Cumpre destacar que a decisão que declara a constitucionalidade ou

a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo em ação direta ou em

ação declaratória é irrecorrível, ressalvada a interposição de embargos

declaratórios, não podendo, igualmente,ser objeto deação rescisória (art. 26,

Lei 9.868/1999). Deregra, oAdvogado-Geral daUnião não participadaADC. Observe-se que a petição inicial deverá ser apresentada em duas vias ,

devendo conter cópias do ato normativo questionado e dos documentos

necessários para comprovar a procedência do pedido de declaração de

constitucionalidade,nostermosdoart. 14,parágrafoúnico,daLei 9.868/1999.

Decisão sobre o tema:

68

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

"A s decisões plenárias do Supremo Tribunal Federal - que deferem

medida cautelar em sede de ação declaratória de constitucionalidade

- revestem-se de eficácia vinculante. Os provimentos de natureza

cautelar acham-se instrumentalmente destinados a conferir efetividade

ao julgamento final resultante do processo principal, assegurando, desse modo, exante, plenaeficáciaàtutelajurisdicional do Estado, inclusive no

queconcerneàsdecisõesque, fundadasnopodercautelargeral - inerente

a qualquerórgão do PoderJudiciário-, emergem do processo decontrole normativo abstrato, instaurado medianteajuizamento da pertinenteação

declaratória de constitucionalidade" (Rcl 1.770, j. 29.05.2002, rei. Min.

Celso de Mello, D) 07.02.2003).

Açõesdúplices ou ambivalentes: o nome da ação não vincula

a decisão. No julgamento de uma ADIn o STF pode declarar

a norma constitucional e no julgamento de uma ADCo STF

pode declarar a norma inconstitucional.

_ nrtílIllG

IImP ®"

7 . 2 . 7 Arguição de descumprimento de preceito fundamental

(ADPF)

Regulamentação: a Lei 9.882/1999 regulamentou a Arguição de DescumprimentodePreceitoFundamentalprevistanoart. 102, § 1,°,da CF/88.

Objetivo: evitar ou reparar lesão a preceito fundamental resultante de ato do Poder Público (art. 1. ° , caput, da Lei 9.882/1999). Caberá também quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei

ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à

Constituição (art. 1.°, parágrafo único, da Lei 9.882/1999). A ADIn 2231-8/ DF, emmedidaliminar,suspendeu em parteaaplicação desseparágrafo único

(ampliação da competência do STF por lei ordinária - lei ou ato normativo

municipal, e incluídos os anteriores à Constituição).

Princípio da subsidiariedade (art. 4.°, § 1.°, da Lei 9.882/1999): não

f

se admite a ADPF quando houver qualquer outro meio e i caz de sanar a

lesividade.

Legitimidade ativa: as mesmas pessoas legitimadas para propor a

ADIn (art. 2.°, Lei 9.882/1999): art. 103, 1 a IX, da CF/88 e art. 2.° da Lei

9 . 868/1999. Saliente-se que as Mesas das Assembleias Legislativas e da

Câmara Legislativa, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal e as confederações sindicais (organizadas com no mínimo três federações,

estabelecidas em pelo menos três Estados, nos termos do art. 535 da CLT -

ADIn 939-7/DF) e entidades de classe de âmbito nacional devem demonstrar

Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

69

apertinênciatemática (interesse) parapropor aarguiçãodedescumprimento de preceito fundamental, e por isso são também denominados de autores especiais ou interessados. Por outro lado, o Presidente da República, as

Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, o Procurador-Geral

da República, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e partido político com representação no Congresso Nacional não necessitam demonstrar interesseespecial paraaproposituradareferidaação, e por isso

sãodenominadosdeautoresuniversaisou neutros. Háquem entendanãoser necessáriaapertinênciatemática, poisum preceito fundamental foi violado.

Competênciaparajulgar: STF (art. 102, § 1.°, CF/88).

Quórum de instalação: oito Ministros (2/3 de seus membros - art. 8.°,

Lei 9.882/1999).

Quórumdeaprovação: maioriaabsoluta,ouseja,pelomenosseisdosonze MinistrosdoSTFdevemmanifestar-sepelaviolaçãodepreceitofundamental

(art. 97, CF/88).

Admite-se medidaliminar em arguição de descumprimento depreceito

fundamental (art. 5.° da Lei 9.882/1999).

Efeitos: fixaascondiçõeseomododeinterpretaçãoeaplicaçãodopreceito

fundamental (art. 10, caput, Lei 9.882/1999), "com e i cácia contra todos e

f

efeitovinculanterelativamenteaosdemaisórgãosdo Poder Público " (art. 10,

§ 3.°, Lei 9.882/1999). Além disso, de regra, tem efeito ex tunc, podendo ser

dado efeito ex nuncse houver manifestação de 2/3 dos Ministros (modulação

temporal ou mutação de efeitos- art. 11, Lei 9.882/1999). A liminar poderá

determinar a suspensão de processos e decisõesjudiciais, respeitada a coisa

julgada (art. 5.°, § 3.°, Lei 9.882/1999).

Por fim, a decisão quejulgar procedente ou improcedente o pedido em

arguição de descumprimento de preceito fundamental é irrecorrível, não

podendo ser objeto de ação rescisória (art. 12, Lei 9.882/1999).

Decisões sobre o tema:

" Prevista no§ 1.° do art. 102 daConstituição da República, a arguição de descumprimento de preceito fundamental foi regulamentada pela Lei 9 . 882/1999, que dispõe no art. 1.°: 'Art. 1,°A arguição prevista no § 1.° do

art. 102 daConstituição Federal será proposta peranteo SupremoTribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público ' . E, no art. 3.°: 'Art. 3.°A petição inicial

deverá conter: I - a indicação do preceito fundamental que se considera violado; II - a indicação do ato questionado; III - a prova da violação do preceito fundamental; IV- o pedido, com suasespecificações;V- seforo caso, acomprovaçãodaexistênciadecontrovérsiajudicial relevantesobre

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

aaplicaçãodopreceitofundamental queseconsideraviolado'.Aarguente

funda o pedido em exemplos de atuação do Ministério Público Federal

(fls. 23/25), mas desprovidos todos de qualquer conteúdo concreto e

específicoqueimpliquedescumprimentodealgumpreceitofundamental . Não há, pois, a rigor, objeto determinado na demanda , que apenas revela

discordância com formas de atuação do Ministério Público doTrabalho ,

ao qual a arguente nega competência constitucional para propor ações civis públicas e sugerir assinatura de ajuste de conduta. Ainda que assim não fosse, o conhecimento da ação encontraria óbice no princípio da

subsidiariedade. Éque a Lei 9.882/1999 prescreve , no art. 4.°, § 1.°, que

se não admitirá arguição de descumprimento de preceito fundamental

quando houver outro meio eficaz de sanar a lesividade. Ora, no caso,

é fora de dúvida que o ordenamento jurídico prevê outros remédios

processuais ordinários que, postos à disposição da arguente, são aptos e

eficazesparalhesatisfazerdetodoapretensãosubstantivaquetransparece

a esta demanda. Éo que, aliás, já reconheceu esta Corte , em decisão do

Min. Gilmar Mendes, na ADPF 96 (DJ 19.10.2006) , onde, em termos

idênticos, se questionava atuação do Ministério Público doTrabalho" (ADPF 94, j. 18.05.2007, rei. Min. Cezar Peluso, decisão monocrática,

Dl 25.05.2007)" .

" A possibilidade de instauração, no âmbito do Estado-membro , de

processo objetivo de fiscalização normativa abstrata de leis municipais

contestadas em face da Constituição Estadual (CF, art. 125, § 2.°) torna

inadmissível, porefeito da incidênciadoprincípiodasubsidiariedade(Lei

. 882/1999, art. 4.°, § 1.°), oacesso imediatoàarguiçãodedescumprimento

9

de preceito fundamental. Éque, nesse processo de controle abstrato de

normas locais, permite-se, ao Tribunal de Justiça estadual , a concessão,

até mesmo in limine, de provimento cautelar neutralizador da suposta lesividade do diploma legislativo impugnado, a evidenciar a existência, no plano local, de instrumento processual decaráterobjetivoaptoasanar , de modo pronto e eficaz, a situação de lesividade, atual ou potencial , alegadamente provocada por leis ou atos normativos editados pelo

Município. Doutrina. Precedentes. (

).A

merapossibilidadede utilização

deoutrosmeiosprocessuais, contudo, não basta, só porsi , parajustificara invocação do princípioda subsidiariedade, pois, para queessepostulado

possa legitimamente incidir- impedindo, desse modo, oacesso imediato à

arguiçãodedescumprimentodepreceitofundamental - revela-seessencial

que os instrumentos disponíveis mostrem-se capazes de neutralizar, de

maneira eficaz , a situação de lesividade que se busca obstar com o

ajuizamento desse writ constitucional. (

).

Incide , na espécie, por isso

mesmo, o pressuposto negativo de admissibilidade a que se refere o art .

4 . ° , § 1.°, da Lei 9.882/1999, circunstância esta que torna plenamente

invocável, no caso, a cláusula da subsidiariedade, que atua - ante as razões já expostas - como causa obstativa do ajuizamento, perante esta

Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

7 1

Suprema Corte, daarguiçãodedescumprimentodepreceitofundamental.

Sendo assim, tendoem consideração asrazões invocadas, não conheço da

presente ação constitucional, restando prejudicado, em consequência, o

exame do pedido de medida liminar " (ADPF 100-MC, j. 15.12.2008, rei.

Min. Celso de Melo, decisão monocrática, DJE 18.12.2008).

ADPF 130/ DF- Ementa: Lei de Imprensa.Adequação da ação. Regime constitucional da "liberdade de informação jornalística " , expressão sinónima de liberdade de imprensa. A " plena " liberdade de imprensa

como categoria jurídica proibitiva de qualquer tipo de censura prévia.

A plenitude da liberdade de imprensa como reforço ou sobretutela das

Iiberdadesde manifestação do pensamento, de informação edeexpressão artística, científica, intelectual e comunicacional. Liberdades que dão conteúdo às relações de imprensa e que se põem como superiores bens de personalidade e mais direta emanação do princípio da dignidade da pessoa humana. O capítulo constitucional da comunicação social como segmento prolongador dasliberdadesde manifestaçãodo pensamento, de informaçãoedeexpressãoartística, científica, intelectual ecomunicacional. Transpasse da fundamentalidade dos direitos prolongados ao capítulo prolongador. Ponderação diretamente constitucional entre blocos de bensdepersonalidade: o bloco dosdireitosquedão conteúdo à liberdade de imprensa e o bloco dos direitos à imagem, honra, intimidade e vida

privada. Precedênciado primeirobloco. Incidênciaaposteriorido segundo

bloco dedireitos, paraoefeito deasseguraro direito de respostaeassentar responsabilidadespenal, civil eadministrativa, entreoutrasconsequências doplenogozoda liberdade de imprensa. Peculiarfórmula constitucional de proteção a interesses privados que, mesmo incidindo aposteriori, atua sobreascausaspara inibirabusosporparteda imprensa. Proporcionalidade

entre liberdade de imprensa e responsabilidade civil por danos morais e materiais a terceiros. Relação de mútua causalidade entre liberdade de

imprensa e democracia. Relação de inerência entre pensamento crítico

e imprensa livre. A imprensa como instância natural de formação da

opinião públ icae como alternativa àversão oficial dosfatos. Proibição de

monopol izarou oligopolizarórgãosde imprensacomo novo e autónomo fator de inibição de abusos. Núcleo da liberdade de imprensa e matérias apenas perifericamente de imprensa. Autorregulação e regulação social

daatividadede imprensa. Não recepção em bloco da Lei 5.250/1967 pela nova ordem constitucional. Efeitos jurídicos da decisão, procedência da

12. Procedência da ação. Total procedência da ADPF, para o

efeito de declarar como não recepcionado pela Constituição de 88 todo

o conjunto de dispositivosda Lei federal 5.250, de9 defevereiro de 1967. (STF, ADPF 130/DF- Distrito Federal, Tribunal Pleno, j. 30.04.2009, rei.

Min. Carlos Britto, DJ 06-11-2009).

ADPF 187 - Liberdades fundamentais e "Marcha da Maconha"- Por

ação. (

)

entender que o exercício dos direitos fundamentais de reunião e de livre

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

manifestação do pensamento devem ser garantidos a todas as pessoas ,

o Plenário julgou procedente pedido formulado em ação de descumpri-

mento de preceito fundamental para dar ao art . 287 do CP, com efeito

vinculante , interpretação conforme a Constituição, de forma a excluir

qualquer exegeseque possa ensejar a criminalização da defesa da lega- lização das drogas, ou de qualquer substância entorpecente específica ,

inclusive através de manifestaçõese eventos públicos . Preliminarmente,

rejeitou-sepleitosuscitadopela Presidênciada RepúblicaepelaAdvoca-

cia-Geral da União no sentido do não-conhecimento da ação , visto que, conforme sustentado, a via eleita não seria adequada para se deliberar

sobre a interpretação

conforme. Alegava-se , no ponto, que a linha ténue

entre o tipo penal e a liberdade de expressão só seria verificável no caso

concreto. Aduziu-se que setrataria de arguição autónoma , cujos pressu-

postosdeadmissibilidadeestariam presentes. Salientou-sea observância,

na espécie, do princípio da subsidiariedade. Ocorre que a regra penal

em comento teria caráter pré-constitucional e, portanto , não poderia

constituir objeto de controle abstrato mediante ações diretas , de acordo

com a jurisprudência da Corte. Assim, não haveria outro modo eficaz

de se sanar a lesividade arguida , senão pelo meio adotado. Enfatizou-se

a multiplicidade de interpretações às quais a norma penal em questão

estaria submetida, consubstanciadasem decisõesa permitir e a não per-

mitir a denominada "Marcha da Maconha" por todo o país . Ressaltou-se

existirem graves consequências resultantes da censura à liberdade de

expressão e de reunião, realizada por agentes estatais em cumprimento

de ordens emanadas do Judiciário. Frisou-se que, diante do quadro de

incertezas hermenêuticas em torno da aludida norma , a revelar efetiva e

relevantecontrovérsiaconstitucional, oscidadãosestariampreocupados

em externar, de modo livre e responsável , as convicções que desejariam

transmitir à coletividade por meio da pacífica utilização dos espaços

públicos (ADPF 187/DF, rei. Min. Celso de Mello, 15.06.2011).

ADPF 4.277 - Relação homoafetiva e entidade familiar - A norma

constantedoart. 1.723 doCódigoCivil - CC("Éreconhecidacomoenti-

dade familiar a união estável entre o homem e a mulher , configurada na

convivência pública, contínuaeduradouraeestabelecidacomo objetivo

de constituição de família") não obsta que a união de pessoas do mes-

mo sexo possa ser reconhecida como entidade familiar apta a merecer proteção estatal (ADIn 4277/DF, rei. Min. Ayres Britto, 04 e 05.05.2011).

Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

73

AÇÕES DE CONTROLE CONCENTRADO

AÇÃO

ADIN/

AD I

ESPÉCIE

GENÉRICA

SUPRIDO RA

DA OMISSÃO

/ POR OMIS-

SÃO

INTERVENTI-

VA FEDERAL

OBJETO

Lei ou ato normativo

federal ou

estadual

Inconstitu-

- cional

(Art. 102, 1,

" a " , CF)

LEG .

ATIVA

art .

103

CF

Norma Cons-

titucional

de eficácia

limitada

não regu-

lamentada

art .

103

CF

FO RO

STF

Quórum de

Instalação:

2/3 (8 minis-

tros)

Quórum de

Aprovação:

maioria

absoluta (6

ministros)

STF

Quórum de

Instalação:

2/3 (8 minis-

tros)

(inconstitu- Quórum de

cionalidade

por omissão)

União irá

intervir

nos Estados

/ Distrito

Federal

Por violação

aos princí-

pios cons-

titucio-nais

sensíveis (art.

34, VII)

PGR

Aprovação:

maioria

absoluta (6

ministros)

STF

Quórum de

Instalação:

2/3 (8 minis- tros)

Quórum de

Aprovação:

maioria

absoluta (6

ministros)

EFEITO S

Erga omnes e

vinculante

Ex tunc (em

regra)

Ciência (notifi-

cação)

Poder Omisso

(Legislativo):

mera ciência

Órgão Adm

(Executivo):

prazo de 30

dias ou em

prazo razoável

a ser estipulado

excepcional-

- mente pelo

Tribunal - cir-

cunstâncias do

caso e interesse

público

Decreto do

Presidente

Intervenção no

ente federado

Em regra ex

n un c

74

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

AÇÕES DE CONTROLE CONCENTRADO

AÇÃO

ADECO N

AD PF

ESPÉCIE

OBJETO

Lei ou ato normativo

federal que

está sendo

LEC .

ATIVA

 

Art.

julgado

inconstitucio-

103

- nal em

CF

processos

j udiciais

Lesão de

preceito

fundamental

 

por órgão pú-

blico (lei

ou

Art.

ato

norm a-

103

tivo federal,

estadual ou

municipal,

inclusive an-

terior a CF)

CF

FO RO

STF - Quó-

rum de Ins-

talação: 2/3

(8 ministros)

e Quórum

de Aprova-

ção: maioria

absoluta (6

ministros)

STF- Quórum

de Instala-

ção: 2/3 (8

ministros) e

Quórum de

Aprovação:

maioria

absoluta (6

ministros)

EFEITO S

Erga omnes,

vinculante, ex

tunc

Erga omnes,

vinculante, ex

tunc

7 . 3 Atribuição do Advogado-Geral da União, do Procurador-Geral

da República e do amicus curiae no controle concentrado de

constitucionalidade

O Advogado-Geral da União tem por atribuição defender a lei ou ato

normativo federal ou estadual impugnado na ação direta de inconstitucio-

nalidade , sustentando apresunção deconstitucionalidadedas normas infra- constitucionais elaboradas pelo poder público (art. 103, § 3. ° , CF/88 e art.

8 . ° , Lei 9.868/1999). Poderá o AGU ser ouvido em caso de ADPF (art. 5.°, §

2 . ° , Lei 9.882/1999) e no caso de ADI PO (art. 12-E, § 20, Lei 9.868/1999).

Segundo decisõesdo Supremo Tribunal Federal édesnecessária a oitiva doAGU no processo daaçãodeclaratóriaconstitucionalidade , em ação direta

de inconstitucionalidade por omissão (ADIn 480-8) , bem como não está

obrigado a defender tese jurídica se sobre ela o Supremo Tribunal Federal já fixou entendimento pela sua inconstitucionalidade (ADIn 1.616-4/PE).

O PGR é ouvido previamente nas ações de inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do STF (art. 103 , § 1.°, CF/88).

Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

75

O amicuscuriaecorrespondeàpossibilidadedaparticipação deórgãose entidadesestranhosàcausa, por despachodo Ministrorelator, considerando

a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes (art. 7. ° , § 2.°,

da Lei 9.868/1999), em que pese a não admissão da intervenção de terceiros no processo de ação direta de inconstitucionalidade (art. 7. ° , caput, da Lei 9 . 868/1999). Háquementendaqueoamicuscuriaeestariafundamentadonos

arts. 9. ° , § 1 °, e 20, § 1.°, daLei 9.868/1999 enoart. 6°, § 1.°, da Lei 9.882/1999.

Nada impede que no controle concreto (difuso) de constitucionalidade

também exista a figura do amicus curiae.

Importante destacar a lição do Min. Gilmar Mendes sobre o tema:

" Constitui, todavia, inovação significativa no âmbito da ação direta de inconstitucionalidadeaautorizaçãoparaorelator,considerandoarelevânciada matériaearepresentatividadedospostulantes, admitaamanifestaçãodeoutros

órgãosouentidades (art. 7.°, § 2.°). Positiva-se, assim, afiguradoamicuscuriae

no processo de controle de constitucionalidade, ensejando a possibilidade de o Tribunal decidir as causas com pleno conhecimento de todas as suas

implicações ou repercussões. Trata-se de providência que confere caráter pluralistaaoprocessoobjetivodecontroleabstratodeconstitucionalidade. No

que concerne ao prazo para o exercício do direito de manifestação (art. 7. ° ) ,

parecequetal postulação hádese fazer dentro do lapso temporal ixado para a apresentação das informações por parte dasautoridades responsáveis pela

f

ediçãodoato. Épossível,porém, cogitardehipótesesdeadmissãode " amicus

curiae " fora do prazo das informações na ADIn (art. 9.°, § 1.°), especialmente

diante darelevânciado caso ou, ainda, em faceda notória contribuição que a

manifestação possa trazer para ojulgamento da causa. Quanto à atuação do

amicus curiae, após ter entendido que ela haveria se limitar à manifestação escrita, houvepor bem o Tribunal admitir asustentação oral por partedesses

peculiares partícipes do processo constitucional " (Gilmar Ferreira Mendes,

Inocêncio Mártires Coelho, Paulo Gustavo Gonet Branco, Curso de direito

constitucional, São Paulo, Saraiva, 2007, p. 1.070).

Decisões sobre o tema:

" Em face do art. 6.°, § 1.°, da Lei 9.882/ 1999, admito a manifestação de Conectas Direitos Humanos, Centro de Defesa da Criança e do

Adolescente do Ceará- CEDECA/CE, Centro de Direitos Humanos- CDH,

União Nacional dosDirigentesMunicipaisde Educação- UNCME, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação - UNDIME, Centro de Cultura Professor Luiz FreireeSociedadedeApoio aos Direitos Humanos/

Movimento Nacional de Direitos Humanos, que intervirão no feito na

76

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

condição de amicus curiae " (ADPF 71, j. 27.05.2005, rei. Min. Gilmar Mendes, decisão monocrática, DJ03.06.2005) (grifos nossos). "Ad missão de amicus curiae mesmo após terem sido prestadas as

informações. Em face da relevância da questão , e com o objetivo de

pluralizarodebateconstitucional, aplico analogicamentea norma inscrita

no§2.°doart. 7.°da Lei 9.868/1999, admitindoo ingressoda peticionária,

na qualidadedeamicuscuriae, observando-se, quantoàsustentação oral , o disposto no art. 131, § 3.°, do RISTF, na redação dada pela Emenda Regimental 15/2004" (ADPF73, j. 01.08.2005, rei. Min. ErosGrau , decisão

monocrática, Dl 08.08.2005) (grifos nossos).

" Açãodiretadeinconstitucionalidade. Embargosdedeclaração opostos por amicus curiae. Ausência de legitimidade. Interpretação do § 2.° do art. 7 . ° da Lei 9.868/1999. A jurisprudência deste Supremo Tribunal é assente

quanto ao não cabimento de recursos interpostos por terceiros estranhos à

relaçãoprocessual nosprocessosobjetivosdecontroledeconstitucionalidade. Exceção apenas para impugnar decisão de não admissibilidade de sua

intervenção nos autos. Precedentes" (ADln 3.615-ED , j . 17.03.2008, rei.

Min . Carmen Lúcia , DJE 25.04.2008). No mesmo sentido: ADln 2.591-ED, j . 14.12.2006, rei. Min. Eros Grau, DJ 13.04.2007).

7 . 4

Bloco de

constitucionalidade

Segundo a doutrina e ajurisprudência, o bloco de constitucionalidade

é a reunião de vários diplomas legais considerados como constitucionais,

não obstante terem sido elaborados em momentos diferentes. A França é um

exemplo recorrente de país que adota o bloco de constitucionalidade , pois

convivem com status constitucional a Declaração de Direitos do Homem e

do Cidadão (1789), a Constituição de 1946 (parte económica e social) e a

Constituição de 1958.

No Brasil, a Emenda Constitucional 45/2004 inseriu o § 3.° ao art. 5.°

da CF/88 , possibilitando que tratados e convenções internacionais sobre

direitoshumanosqueforemaprovados, em cadacasado Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos seus membros, sejam equivalentes às

emendas constitucionais. Nota-se que tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos, que segundo o STF tinham natureza jurídica de normasinfraconstitucionais,poderãoser elevadosparaacondição denormas

constitucionais.

Háapenasum tratadointernacional com statusdeemendaconstitucional.

É o Decreto 6.949/2009 que promulga a Convenção Internacional sobre os

Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

77

Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados

em Nova York, em 30 de março de 2007.

Saliente-se que os tratados e convenções internacionais sobre direitos

humanos, que,segundooSupremoTribunal Federal, tinhamnaturezajurídica

de normas infraconstitucionais, poderão ser elevados à condição de normas

constitucionais.

Há quem sustente que o bloco de constitucionalidadejá seria possível

em relação aos tratados e convenções internacionaissobre direitos humanos

desde a vigência da Constituição Federal de 1988, em virtude do conteúdo

dos §§ 1.° e 2.° do art. 5.°. Nesse sentido ensina Flávia Piovesan, em sua obra

Direitos humanos e o direito constitucional internacional (7. ed., São Paulo,

Saraiva, p. 55).

Decisão sobre o tema:

" Em conclusão de julgamento, o Tribunal concedeu habeas corpus

em que se questionava a legitimidade da ordem de prisão, por 60 dias, decretadaemdesfavordo pacienteque, intimado aentregaro bemdo qual

depositário, não adimplira a obrigação contratual - v. Informativos 471, 477 e 498. Entendeu-se que a circunstância de o Brasil haver subscrito o Pacto de São José da Costa Rica, que restringe a prisão civil por dívida ao

descumprimento inescusável deprestaçãoalimentícia(art. 7.°, 7), conduz

à inexistência de balizas visando à eficácia do que previsto no art. 5.°,

LXVII, da CF ('não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia

e a do depositário infiel ' ) . Concluiu-se, assim, que, com a introdução do aludido Pacto no ordenamento jurídico nacional, restaram derrogadasas

normas estritamente legais definidoras da custódia do depositário infiel. Prevaleceu, no julgamento, por fim, a tese do status de supralegalidade

da referidaConvenção, inicialmentedefendidapelo Min. Gilmar Mendes

no julgamento do RE 466.343/SP, abaixo relatado. Vencidos, no ponto,

os Ministros Celso de Mello, Cezar Peluso, Eilen Graciee Eros Grau, que

a ela davam a qualificação constitucional, perfilhando o entendimento

expendidopeloprimeiro novotoqueproferira nesserecurso. O Min. Marco

Aurélio, relativamentea essaquestão, seabstevede pronunciamento" (HC

87.585/TO, j. 03.12.2008, rei. Min. Marco Aurélio).

Federalismo

O federalismo, como expressão do direito constitucional, nasceu com

a Constituição norte-americana de 1787. Baseia-se na união de coletivi-

dades políticas autónomas. Refere-se a uma forma de Estado denominada

Federação ou Estado Federal, caracterizada pela união de coletividades públicas dotadas de autonomia político-constitucional, ou seja, de auto-

nomia federativa.

Como já visto, o Estado pode ser definido como uma organização ju-

rídica , administrativa e política formada por uma população, assentada em

um território, dirigida por um governo soberano e tendo como finalidade o

bem comum .

1

FO RM A DO ESTADO

 

.

/ . /

Estado unitário

Quando existe um único centro dotado decapacidadelegislativa, admi-

nistrativaepolítica,doqual emanam todososcomandosnormativos. Também

chamado de Estado simples. Exemplo: Cuba.

1 . 2

Estado federal

Quando existe uma repartição constitucional de competências e mais

de um centro dotado de capacidade política. É a própria Constituição que

estabelece a estrutura federativa, proibindo sua abolição. Também chamado de Estado composto. Exemplo: Brasil, EUA, Alemanha, entre outros.

2

FEDERALISM O NO BRASIL

 

.

No Brasil , os entes que compõem a federação são: a União, os Estados-

- membros, o Distrito Federal e os Municípios (art. 18, caput, CF/88). A

80

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Constituição falaaindaem territórios, divisõespolítico-administrativasque,

atualmente, não existem mais. O Brasil assumiu a forma de Estado federal em 1889, com a Proclamação

da República, o que foi confirmado pela Constituição de 1891 emantido nas

Constituições posteriores. O Brasil evoluiu de um Estado unitário para um Estado federal (federalismo por segregação).

2 . 1

Componentes do

2 . 1 . 1

União

Estado federal brasileiro

Pessoajurídica de Direito Público com capacidade política , exercendo umaparceladasoberaniabrasileira. Internamente,atuacomoumadaspessoas

jurídicasdeDireito Público quecompõem a Federação. Externamente, dian- te de Estados estrangeiros, a União exerce a soberania do Estado brasileiro ,

fazendo valer seus direitos e assumindo suas obrigações.

Poder Legislativo: arts. 44 a 75 da CF/88 (Congresso Nacional , integra- do pela Câmara dos Deputados- composta por Deputados Federais- e pelo

Senado Federal - composto por Senadores Federais. Atualmente, são 513

Deputados Federais e 81 Senadores Federais).

Poder Executivo: arts. 76 a 91 da CF/88 (Presidente e Vice-Presidente

da República).

PoderJudiciário: arts. 101 a 124 da CF/88.

Bens da União: art. 20 da CF/88.

Impostos da União: art. 153 da CF/88.

2 . 1 . 2

Estados federados

São entes detentores de autonomia política e administrativa. Têm ca-

pacidade de elaborar suas próprias Constituições estaduais, observadas as

diretrizes da Constituição Federal.

Poder Legislativo: art. 27 da CF/88 (Assembleia Legislativa , composta

por Deputados Estaduais em número calculado com base no art. 27, caput,

da CF/88) (são 94 Deputados Estaduais no Estado de São Paulo).

Poder Executivo: art. 28 da CF/88 (Governador e Vice-Governador).

PoderJudiciário: arts. 125 e 126 da CF/88.

Bens dos Estados: art. 26 da CF/88.

Cap. 10 . FEDERALISMO

8 1

Impostos dos Estados: art. 155 da CF/88.

Criação eextinção: osEstadospodem incorporar-seentresi , subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados.

Para isso , precisam daaprovação da população diretamente interessada, por

meio de plebiscito, e do Congresso Nacional , por lei complementar (art. 18,

§3.°, da CF/88).

2 . 1 . 3

Municípios

São entesdetentoresdeautonomia política eadministrativa. Têm capa-

cidade de elaborar sua Lei Orgânica Municipal. PoderLegislativo: arts. 29 e31 daCF/88 (exercido pela CâmaraMunici-

pal,compostaporVereadores,de9a55,dependendodapopulaçãomunicipal,

conforme art. 29, IV, da CF/88).

Poder Executivo: arts. 29 e 31 da CF/88 (Prefeito e Vice-Prefeito).

PoderJudiciário: não háJustiça Municipal. Impostos dos Municípios: art. 156 da CF/88.

Criação eextinção - art. 18, § 4.°, da CF/88: "A criação, a incorporação,

a fusão e o desmembramento de Municípios far-se-ão por lei estadual , den- tro do período determinado por lei complementar federal, e dependerão de

consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envol- vidos, após divulgação dos Estudos deViabilidade Municipal , apresentados

e publicados na forma da lei "

.

Sobre o tema competência municipal o STF se manifestou no

seguinte sentido:

" OTribunal, por maioria, declarou incidentalmentea inconsti-

tucionalidadedo art. 1 .°da Lei 10.991/1991, do Município de

São Paulo, o qual estabelecia que a licença de localização de

novasfarmáciase drogarias seria concedida somente quando

o estabelecimento ficasse situado a uma distância mínima de

duzentos metros da farmácia ou drogaria mais próxima, já

existente. Entendeu-sevioladoo disposto no art. 170, IVeV da

CF ("A ordem económica, fundada na valorização do

note

BEM

82

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar

a todos existência digna

observados os seguintes princí-

pios:

IV

- livre concorrência; V - defesa do consumidor. " ).

note

BEM

Vencido o Min. Carlos Velloso, relator, que entendia que a lei municipal - inserida na competência do Município para legislar sobre assuntos de interesse local e para suplementar

a legislação federal e estadual no que couber (CF, art. 30, I e

II) -, ao disciplinar o uso do solo distribuindo as farmácias de

modo a evitara concentração delasem determinado local, não

estabeleceu uma " reserva de mercado " . Precedente citado:

RE 203.909-SC (DJU de 06.02.1998). STF, RE 193.749-SP, j.

04.06.1998, rei. originário Min. CarlosVelloso, rei. p/acórdão

Min. Maurício Corrêa."

" Com base nos mesmos fundamentos do julgamento acima

referido, o Tribunal, por maioria, declarou incidentalmente a

inconstitucionalidade do art. 1.° da Lei 6.545/1991, do Mu-

nicípio de Campinas, que restringia a instalação de farmácias

e drogarias a um raio de distância de quinhentos metros uma

da outra. Vencido o Min. CarlosVelloso. STF, RE 199.517-SP,

j . 4.6.98, rei. originário Min. Carlos Velloso, rei. p/ acórdão

Min. Maurício Corrêa".

2

. 7 . 4

Distrito Federal

Ente detentor deautonomiapolítica eadministrativa. Tem capacidade de elaborar sua Lei Orgânica e possui capacidade legislativa, administra-

tiva ejudiciária, com as mesmas competências legislativas atribuídas aos Estados e aos Municípios (art. 32, § 1.°, CF/88). O Distrito Federal não pode ser dividido em Municípios (não tem eleições municipais). Assim

como os Estados, o Distrito Federal elege três Senadores e Deputados

Federais em número definido por lei complementar; além disso, elege também Deputados Distritais. Lembre-se que Brasília é a capital do Brasil

(art. 18, § 1.°, CF/88).

Poder Legislativo: art. 32, §§ 2.° e 3.°, da CF/88 (Câmara Legislativa

composta por Deputados Distritais).

Poder Executivo: art. 32, § 2.°, da CF/88 (Governador e Vice-Governa-

dor).

PoderJudiciário: organizado por lei federal (art. 48, IX, CF/88).

Cap. 10 . FEDERALISMO

83

Bens do Distrito Federal: definidos por lei federal (art. 16 , § 3.°, ADCT

da CF/88).

Impostos do Distrito Federal: arts. 147 e 155 da CF/88. Pode arrecadar

impostos estaduais e municipais.

Sobre o tema o STF tem o seguinte posicionamento:

" O Distrito Federal é uma unidadefederativadecomposturasin-

gular, dado que: a) desfruta de competênciasque são próprias

dos Estadose dos Municípios, cumulativamente (art. 32, § 1.°,

CF); b) algumasde suasinstituiçõeselementaressão organiza-

dase mantidaspela União (art. 21, XIII eXIV, CF); c) os serviços públicos a cuja prestação está jungido são financiados, em parte, pela mesma pessoa federada central, que é a União

(art. 21, XIV, partefinal, CF). 3. Conquanto submetido a regi-

me constitucional diferenciado, o Distrito Federal está bem

maispróximo da estruturação dos Estados-membros do que

da arquitetura constitucional dosMunicípios. Isto porque: a) ao tratar da competência concorrente, a Lei Maior colocou

o Distrito Federal em pé de igualdade com os Estados e a

União (art. 24); b) ao versar o tema da intervenção, a Cons-

tituição dispôs que a 'União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal ' (art. 34), reservando para os Municípios um artigo em apartado (art. 35); c) o Distrito Federal tem, em plenitude, os três orgânicos Poderes estatais, ao passo que os Municípios somente dois (inc. I do art. 29); d) a Consti-

tuição tratou de maneira uniforme os Estados-membros e o

Distrito Federal quanto ao número de deputados distritais , à duração dos respectivos mandatos, aos subsídios dos parla- mentares, etc. (§ 3.° do art. 32); e) no tocante à legitimação

para propositura de ação direta de inconstitucionalidade perante o STF, a Magna Carta dispensou à Mesa da Câmara

Legislativa do Distrito Federal o mesmo tratamento dado às Assembleias Legislativas estaduais (inc. IV do art. 103); f) no

modelo constitucional brasileiro, o Distrito Federal se coloca

ao lado dos Estados-membros para compor a pessoa jurídi-

ca da União; g) tanto os Estados-membros como o Distrito

Federal participam da formação da vontade legislativa da

União (arts. 45 e 46)" (STF, ADIn 3.756. j. 21.06.2007, rei.

note

BEM

84 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

2.1.5 Territórios federais

São meras divisões administrativas da União, podendo ser divididos

ou reunidos (art. 33, CF/88). Neles existe autonomia administrativa, mas

não política. Os Territórios Federais elegem quatro Deputados Federais

(art. 45, § 2.°, CF/88), mas não elegem Senadores. Atualmente é apenas uma possibilidadejurídica,já que o art. 15 do ADCT da CF/88 extinguiu os últimosexistentes, podendo, no entanto, ser criadosoutros Territórios

Federais.

Os Territórios Federais do Amapá e Roraima foram transformados em

Estados (art. 14 do ADCT, CF/88). O Território Federal de Fernando de No-

ronhafoi reincorporadoaoEstadodePernambuco (art. 15doADCT, CF/88).

A CF/88 estabelece: "Art. 33. A lei disporá sobre a organização adminis-

trativa ejudiciária dosTerritórios. § 1.° OsTerritóriospoderão ser divididos em Municípios, aosquaisse aplicará, no que couber, o disposto no Capítulo

IV deste Título. § 2.° As contas do Governo do Território serão submetidas

ao Congresso Nacional, comparecer prévio doTribunal de ContasdaUnião.

§ 3.° Nos Territórios Federais com mais de cem mil habitantes, além do Go-

vernadornomeado naformadestaConstituição,haveráórgãosjudiciáriosde

primeira e segunda instância, membros do Ministério Público e defensores públicos federais; a lei disporá sobre as eleições para a Câmara Territorial e

sua competência deliberativa "

Sobre a competência tributária dosTerritórios, o art. 147 da CF/88 afir-

m a: " Competem à União, em Território Federal, os impostos estaduais e, se

o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos

.

municipais; ao Distrito Federal cabem os impostos municipais "

.

2 . 2 Vedações constitucionais existentes no federalismo do Brasil

A ConstituiçãoFederal vigenteestabelece: "Art. 19. ÉvedadoàUnião,

aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - estabelecer cultos

religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento

ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou

aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II -

recusar fé aos documentos públicos; III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si "

.

O Estado brasileiro é laico, bem como é livre o exercício dos cultos

religiosos e é garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a

Cap. 10 . FEDERALISMO

85

suas liturgias (art. 5. ° , VI, CF/88). Nada impede, como estabelece o texto

constitucional, a colaboração de interesse público (manutenção de asilos ,

creches , entre outros).

Os documentos públicos gozam de presunção de veracidade, não po- dendoser recusadosem razão daorigem (escrituras , certidões, entre outros).

Os entes federativos não podem estabelecer distinções ou preferências

entre brasileiros em razão de sua origem (Estado , Distrito Federal ou Mu-

nicípio).

3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VINCULADOS AO

.

3 . 1

FED ERALISM O

Princípios estabelecidos

Sãolimitaçõesdiretas eindiretasaosentesfederativos. Por exemplo , art. 19 (explícitas) e art. 149 (implícitas).

3 . 2 Princípios sensíveis

Geram intervenção federal no Estado-membro ou no Distrito Federal -

ADIn Interventiva Federal (art. 34 , VII, CF/88). São também conhecidospor princípiosconstitucionaisexpressos. Estão previstosno incisoVII doart. 34.

3 . 3 Princípios extensíveis

A organização da União é extensível aos demais entes federativos , n a medidadesuaspeculiaridades. São exemplosoprocesso legislativo , a eleição do Poder Executivo, matériaorçamentária, organização e funcionamento do

Tribunal de Contas ,

constitucional.

entre outros. É a simetria federativa ou o paralelismo

impo**®!i*®

Bicameralismo só na esfera federal.

86

DIREITO CONSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

Fundamentos da Re-

pública Federativa do

Brasil:

(Art. 1° da CF/88)

I - a soberania; II - a cidadania;

III - a dignidade da pes-

soa humana;

IV - os valores sociais

do trabalho e da livre

iniciativa;

V - o pluralismo polí-

tico .

Objetivos fundamentais

da República Federativa

do Brasil:

(Art. 30 da CF/88)

I

-

construir uma socie-

dade livre, justa e soli-

dária;

II - garantir o desenvol-

vimento nacional;

note

BEM

República Federativa do Brasil rege-se nas suas

relações internacionais

pelos seguintes princí-

pios: (Art. 4 ° da CF/88)

I - independência na-

cional;

II - prevalência dos di-

reitos humanos;

III - autodeterminação

III

- erradicar a pobreza

dos povos;

e

a marginalização e

IV - não intervenção;

reduzir as desigualdades

sociais e regionais;

IV - promover o bem de

todos, sem preconceitos

de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer

outras formas de discri-

minação.

V - igualdade entre os

Estados;

VI - defesa da paz; VII - solução pacífica

dos conflitos;

VIII - repúdio ao terro-

rismo e ao racismo;

IX - cooperação entre os

povos para o progresso

da humanidade;

X - concessão de asilo

político.

Repartição das competências

constitucionais

Competência, emsentidoestrito, éafaculdadejuridicamenteatribuídaa

umaentidadeou aumórgãoou agentedo Poder Públicoparaemitir decisões.

Pode ainda ser considerada como a capacidade de distribuir poder.

NaConstituiçãoFederalvigente,em relação ãrepartição decompetências entreasentidades federativas, há o princípio dapredominância do interesse,

segundo o qual à União caberão as matérias e questões de predominante interessegeral, aosEstadosficarãoasmatériaseassuntosdeinteresseregional

e aos Municípios as questões de predominante interesse local.

Os poderesdaUniãosão enumeradosnosarts. 21 e22; osEstadosficam

com os poderes remanescentes (art. 25, § 1. ° ); e os Municípios ficam com os poderes indicados genericamente no art. 30 da CF/88. Alguns poderes

podem ser delegados, como o poder da União para legislar a respeito de

certas matérias. Nesse caso, o art. 22, parágrafo único, da CF/88 autoriza a

delegação daatribuição legislativaaosEstados, mediantelei complementar.

Em determinadas áreas, permite-se a atuação concorrente entre União,

Estado, Distrito Federal e Municípios (arts. 24 e 30, II, CF/88). Por fim, há a

competência comum entre os entes federativos (art. 23, CF/88).

1 .

CLASSIFICAÇÃO REFERENTEÀSCOMPETÊNCIAS

Aseguir, temosaclassifi caçãodascompetênciasconstitucionaisadotada

pela posição majoritária da doutrina:

7 . /

Quanto à finalidade

Refere-se a qual objetivo está vinculada a competência.

a) Material: refere-se à prática de atos políticos e administrativos. Pode

ser :

88

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

.

Exclusiva: cabe apenas e exclusivamente a uma única entidade , sem possibilidade de delegação (art. 21, CF/88);

.

Cumulativa ou paralela: é a que afeta concomitantemente mais

de uma entidade (art. 23, CF/88).

b) Legislativa: refere-se aos atos legislativos. Pode ser:

.

Exclusiva: cabeapenasaumaentidade o poder de legislar , sendo

inadmissível qualquer delegação (art. 21 , CF/88);

.

Privativa: cabe apenas a uma entidade o poder de legislar , mas é

possível a delegação de competência a outras entidades (art. 22 e parágrafo único , CF/88);

.

Concorrente: pode legislar a respeito de certa matéria

concomitantemente mais de uma entidade (art. 24, CF/88);

.

Suplementar: cabe a uma dasentidadesestabelecer regrasgerais

eã outra acomplementação dos comandos normativos (arts. 24

,

7 . 2

§ 2.°, e 30, II, CF/88).

Quarito à origem

Diz respeito à fonte da competência (ao início) , e será:

a) Originária: quando desde o início é estabelecida em favor de uma entidade. Por exemplo, Constituição Federal de 1988.

b) Delegada: quando a entidade recebe sua competência por delegação daquelaqueatem originariamente. Por exemplo , parágrafo único do

art. 22 da CF/88.

1 . 3

Quanto ao conteúdo

Pode ser política , social, financeira, económica, administrativa e

tributária.

1 . 4

Quanto à forma

De que modo a competência é externada:

a) enumeradaou expressa: quando estabelecidademodo expresso . Por

exemplo, arts. 21 e 22 da CF/88;

b) expressamente incluída naenumeração. Éa competência quesobra

reservada ou remanescente: quando compreende toda a matéria não

paraumaentidadeapósacompetênciadeoutra (art. 25, § 1,°, CF/88);

Cap. 11 . REPARTIÇÃO DASCOMPETÊNCIASCONSTITUCIONAIS

89

c) residual: é a competência que sobra após enumeração exaustiva

das competências de todas as entidades. Assim , é possível que uma

entidade tenha competência enumerada e residual ,

pois pode ainda

sobrar competência após a enumeração de todas. É a competência

que a União tem em matéria tributária (art. 154,1, CF/88);

d) implícita ou resultante: quando decorrente da natureza dos poderes expressos, sendo estes absolutamente necessários para que possam

ser exercidos. Nem precisam ser mencionados , pois sua existência é

mera decorrência natural dos expressos.

7 . 5 Quanto à extensão: a quem cabe

a) Exclusiva: cabe apenas a uma entidade , com exclusão das demais,

sem possibilidade de delegação (art. 21 , CF/88).

b) Privativa: épassível dedelegação , emborasejaprópriadeumaentidade (art. 22, parágrafo único, CF/88).

c) Comum, paralelaoucumulativa: quandoexistirumcampodeatuação

comum àsváriasentidades,sem queo exercíciodeumavenhaexcluir a competência da outra, atuando todasjuntas e em pé de igualdade

(art. 23, CF/88).

d) Concorrente: quando houver possibilidade de disposição sobre o

m esm o assunto ou m atéria , por maisdeumaentidadefederativa, com

primazia da União no que tange às regras gerais (art. 24, CF/88).

e) Suplementar: éopoderdeformularnormasquedesdobremoconteúdo de princípios ou de normas gerais , ou que supram a ausência ou a

omissão destas (art.

24 , §§ 1.° a 4.°, CF/88).

Em síntese , para o Exame de Ordem dosAdvogados do Brasil, devemos

lembrar o seguinte:

a) Competência não legislativa (administrativa):

.

Exclusiva da União (art . 21, CF/88);

.

Comum da União , dos Estados, do Distrito Federal e dos

Municípios: todos os entes da Federação podem agir de forma

independente (art. 23 , CF/88).

b) Competência legislativa:

90

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

.

.

Privativa: da União , delegável aos Estadospor lei complementar

(art. 22, parágrafo único, CF/88);

Concorrente: da União , dos Estados e do Distrito Federal, que

devem agir de forma coordenada, segundo estabelecido nos

parágrafos do art. 24 da CF/88: " § 1.° No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. § 2. ° A competência da União para legislar sobre normas geraisnão exclui a competência suplementar dos Estados.

§ 3.° Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados

exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas

peculiaridades. §4. ° Asuperveniênciadelei federal sobrenormas

geraissuspendeaeficáciadalei estadual,noquelheforcontrá i o " ;

r

Residual dos Estados: art . 25, § 1.°, da CF/88: "São reservadas

aosEstadosascompetênciasquenãolhessejamvedadaspor esta

Constituição" - isto é, aquelas não entregues expressamente à

União ou aos Municípios;

Local: privativa dos Municípios para legislar sobre assuntos de

interesse local: art. 30,1, da CF/88;

Obs. Suplementar dos Municípios em relação à legislação federal e

.

.

estadual: art. 30, II, da CF/88.

4 cuidado

à O Município pode legislar em matéria decompetencia legislativa

,

,

,

, .

,

concorrentedesdequesuplementea legislaçãofederal eestadual

e que a matéria seja de interesse local: art. 30, I e II,

art. 24, CF/88).

c/c § 2. ° do

. Cumulativa do Distrito Federal: art . 32, § 1.°, CF/88: "Ao Distrito

Federal são atribuídasascompetênciaslegislativasreservadasaos

Estados e Municípios".

Destaque-se a previsão constitucional dos arts. 147 e 155 da CF/88:

" Art. 147. Competem à União, em Território Federal, os impostos estaduais

e , se o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os

impostos municipais; ao Distrito Federal cabem os impostos municipais"; " Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos

Cap. 11 . REPARTIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS

9 1

sobre: I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de

serviçosdetransporteinterestadual eintermunicipal edecomunicação , ainda

que as operações e as prestações se iniciem no exterior; III - propriedade de

veículos automotores "

.

Competências Constitucionais Privativas.

"C

ompetência privativa da União para legislar sobre serviço

postal. É pacífico o entendimento deste Supremo Tribunal

quanto à inconstitucionalidade de normas estaduais que te-

nham como objeto matériasdecompetência legislativa priva-

tiva da União. Precedentes: Adins 2.815, Sepúlveda Pertence (propagandacomercial), 2.796-MC, Gilmar Mendes(trânsito), 1 . 918, Maurício Corrêa(propriedadee intervenção nodomínio

económico), 1.704, CarlosVelloso(trânsito), 953, Eilen Gracie

(relaçõesdetrabalho), 2.336, NelsonJobim (direitoprocessual),

2 . 064, Maurício Corrêa (trânsito)e 329, Eilen Gracie (atividades

nucleares). O serviço postal está no rol das matérias cuja nor-

matizaçãoédecompetênciaprivativada União (CF, art.22,V).

Éa União, ainda, porforçadoart. 21, XdaConstituição, oente

note

BEM

da Federação responsável pela manutençãodesta modalidade de serviço público" (STF, ADI 3.080, j. 02.08.2004, rei. Min.

Eilen Gracie, DJde 27-08-2004).

" Invadeacompetênciada União, normaestadual quedisciplina

matéria referenteaovalorquedevaserdado a umacausa, tema especificamente inserido no campo do direito processual " (STF, ADIn 2.655, j. 09.03.2004, rei. Min. Eilen Gracie, DJ

26.03.2004). "OTribunal concedeu medida liminar em ação

diretade inconstitucionalidadeajuizadapeloConselho Federal

da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB para suspender a

eficácia, ex nunc, do art. 7.° da Lei 6.816/2007, do Estado de

Alagoas, quecondiciona a interposição de recurso inominado

cível nos Juizados Especiais do referido Estado-membro ao recolhimento das custas judiciais e do depósito recursal.

Entendeu-se que a norma impugnada, em princípio, usurpa

a competência privativa da União para legislar sobre direito

bemcomoofendeasgarantiasdo amploacesso

à jurisdição, do devido processo legal, da ampla defesa e do

" (STF, ADIn 4.161-MC, j. 29.10.2008, rei.

processual (

),

contraditório (

)

Min. Menezes Direito, Informativo 526).

92 DIREITO CONSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

"O Tribunal , por maioria, concedeu habeascorpus impetrado

em favor de condenado pela prática do delito previsto no

art. 157, § 2. ° ,

I e II, do CP, e declarou, incidenter tantum, a

inconstitucionalidade formal da Lei paulista 11.819/2005,

que previu a utilização de aparelho de videoconferência nos procedimentos judiciais destinados ao interrogatório e

à audiência de presos - v. Informativo 518. Na espécie, o

interrogatório do paciente, a despeito da discordância de sua

defesa, realizara-se sem a presença do paciente na sala da audiência, por meio da videoconferência. Entendeu-se que a norma em questão teria invadido a competência privativa da

União para legislarsobredireito processual" (STF, HC90.900,

rei. p/oac. Min. Menezes Direito, j. 30.10.2008, Informativo

526). No mesmo sentido: HC 91.859, j. 04.11.2008, rei. Min.

Carlos Britto, 1 ,aT., DJe 13.03.2009.

Intervenção federal

No Estado Federal , a autonomiadosentesfederativos (Estados, Distrito

Federal eMunicípios) temcomocaracterísticaacapacidadedeautoconstitui-

ção enormatização,autogovernoeautoadministração. No entanto,admite-se

o afastamento dessa autonomia política com o objetivo de preservar a exis- tência e a unidade da própria Federação por meio da intervenção.

Aintervençãoémedidaexcepcional esódeveocorrernoscasosprevistos

expressamente na Constituição (arts. 34 e 35 , CF/88).

Na atualidade , a União poderá intervir nos Estados-membros e no Dis-

trito Federal , enquanto os Estados-membros somente poderão intervir nos Municípios localizados em seus respectivos territórios .

Infere-se que a União não pode intervir diretamente nos Municípios

brasileiros , salvo selocalizadosem Território Federal (art. 35, caput, CF/88).

Cumpre lembrar que atualmente não existem Territórios Federais .

1 .

1 .

1

PRO C ED IM ENTO

Iniciativa

A Constituição Federal vigente , dependendo da hipótese prevista para a intervenção federal , indica quem poderá deflagrar o procedimento inter-

ventivo. Estão previstos:

a) o Presidente da República , nas hipóteses dos incisos I, II, III e V do

art. 34, pode, de ofício, decretar a intervenção federal (intervenção espontânea);

b) solicitação dos Poderes locais (art. 34 , IV): os Poderes Legislativo

(Assembleia ou Câmara Legislativa) e Executivo (Governador do

Estado ou do Distrito Federal) locais solicitarão ao Presidente da

94 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

República a decretação de intervenção no caso de estarem sofrendo

coação no exercício de suas funções.

O PoderJudiciário local, por sua vez, solicitará a intervenção ao Supre- mo Tribunal Federal (STF), que, se for o caso, a requisitará ao Presidente da República;

c) requisição do STF (Supremo Tribunal Federal), do STJ (Superior

Tribunal de Justiça) ou do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), na

hipótese dedesobediência a ordem ou decisãojudiciária (art. 34, VI, segunda parte). Desse modo, o STJ e o TSE requisitam ao Presidente daRepúblicaadecretaçãodaintervençãosedescumpridassuasordens judiciárias. Ao STF, além do descumprimento de suas ordens ou decisõesjudiciais, cabe exclusivamente a requisição de intervenção

paraassegurar a execução de decisõesdasjustiças Federal, Estadual, do Trabalho ou Militar. Cumpre destacar quesomente o Tribunal de

Justiça local tem legitimidade para encaminhar ao STF o pedido de

intervenção baseado em descumprimento desuasprópriasdecisões;

d)ações propostas pelo Procurador-Geral da República (PGR)

nas hipóteses do art. 34, VI e VII, endereçadas ao STF (Ação de

Executoriedade de Lei Federal e ADIn Interventiva - art. 36, III).

7 . 2 Fasejudicial

Somente nos casos previstos no item IV supracitado o Procurador-

- Geral da República tem legitimidade para propor as ações, e o STF, para

prosseguimento da intervenção, devejulgar procedentesasaçõespropostas,

encaminhando a decisão ao Presidente da República para fins do decreto

interventivo. Nesses casos, a decretação da intervenção é ato vinculado, e o

PresidenteapenasformalizaadecisãotomadapeloórgãodoPoderjudiciário.

1 . 3

Decreto interventivo

O decreto presidencial formalizaa intervenção (art. 84, X, CF/88), e, ao ser publicado, tornar-se-á imediatamente eficaz, legitimando osdemaisatos

atinentes à intervenção.

O decreto deintervenção deveespecificar aamplitude, o prazo eas con-

diçõesde execução e, senecessário, afastar asautoridadeslocais e nomear um

interventor, submetendo essadecisão àapreciação do Congresso Nacional no

prazo de 24 horas (art. 36, § 1. °

, da CF/88; obs.: a autorização é por decreto

legislativo- art. 49, IV, da CF/88). É medida temporária e excepcional.

Cap. 12 . INTERVENÇÃO FEDERAL

95

Nos casos de intervenções de ofício , previstos no art. 34,1, II, III e V, o

Presidente ouvirá os Conselhos da República (art . 90,1, CF/88) e de Defesa

Nacional (art. 91 , § 1.°, II, CF/88), que opinarão a respeito. Após, poderá

discricionariamente decretar a intervenção no Estado-membro .

O interventor é considerado , para todososefeitos legais, como servidor públicofederal, esuacompetênciaefunçõesdependerãodoslimitesprevistos

no decreto intervçntivo.

1 . 4 Controlepolítico

Realizado pelo Congresso Nacional , noprazo de 24 horasdesuadecreta-

ção,quepoderárejeitarou, mediantedecretolegislativo,aprovaraintervenção

federal (art. 49 , IV, da CF/88).

Se o Congresso Nacional não aprovar a intervenção , o Presidente deverá

cassá-la imediatamente , sob pena de crime de responsabilidade (art. 85, II,

CF/88).

Nas hipóteses do art. 34 , VI e VII, o controle político será dispensado

(art. 36, § 3.°, CF/88); bem como no caso do art. 34, IV, por requisição do

STFacionadopeloPoderJudiciárioEstadual (TJ) coagido (art. 36 , 1 , CF/88).

7 . 5 Controlejurisdicional

Destaque-sequeo PoderJudiciário deverá corrigir osabusos e as ilega-

lidades cometidos durante a intervenção federal .

Quadro comparativo da Intervenção Federal:

Intervenção federal comum

ou recorrente

Art. 34 da CF/88 - Da União nos Esta-

dos-membros e no Distrito Federal

Intervenção federal comum ou recorrente

A) De ofício: art. 34, incisos I, II, III e V

Intervenção federal anómala

ou incomum

Art. 35 da CF/88 - 2.a parte - Da União

nos municípios localizados em territó-

rio federal

B) Por solicitação dos poderes: art. 34, inciso IV

C) Por requisição judicial: art. 34, incisos VI eVIl

9 6

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Sobreotema intervençãoo STFjásemanifestou noseguinte

sentido:

note

" Em conclusão, o Tribunal, por maioria, julgou improcedente

pedido formulado em ação direta de inconstitucionalidade pro- postapelo Procurador-Geral da Repúblicacontrao art. 5. ° da Lei 11.105/2005 (Lei da Biossegurança), que permite, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias

obtidasdeembriõeshumanosproduzidosporfertilização/V?vitro enão usadosnorespectivo procedimento, eestabelececondições

para essa utilização - v. Informativo 497. Prevaleceu o voto do

Min. Carlos Britto, relator. Nos termos do seu voto, salientou,

inicialmente, queoartigo impugnadoseria um bem concatenado bloco normativo que, sob condições de incidência explícitas, cumulativaserazoáveis, contribuiriaparaodesenvolvimentodeli-

nhasdepesquisacientíficadassupostaspropriedadesterapêuticas

de células extraídas de embrião humano in vitro. Esclareceu que

ascélulas-troncoembrionárias,pluripotentes,ouseja, capazesde originar todos ostecidos de um indivíduo adulto, constituiriam,

por isso, tipologiacelularqueofereceriamelhorespossibilidades

de recuperação da saúde de pessoas físicas ou naturais em situ- ações de anomalias ou graves incómodos genéticos. Asseverou

que as pessoasfísicasou naturais seriam apenas as que sobrevi-

vem ao parto, dotadasdo atributo a queo art. 2. ° do Código CiviI

denomina personalidade civil, assentando que a Constituição

Federal, quando se refere à "dignidade da pessoa humana" (art.

1 . ° , III), aos "direitosda pessoa humana" (art. 34, VII, b), ao "livre

exercício dos direitos

individuais " (art. 85, III) e aos "direitos e

garantias individuais " (art. 60, §4.°, IV), estaria falando

dedireitos

egarantiasdo indivíduo-pessoa. Assim, numa primeira síntese, a

Carta Magnanãofariadetodoequalquerestádiodavida humana

um autonomizado bem jurídico, masda vida quejá é própria de

umaconcretapessoa, porquenativiva, equeainviolabiIidadede

quetrata seu art. 5. ° diria respeito exclusivamentea um indivíduo

jápersonalizado" (STF,ADI 351O/DF, j.28e29.05.2008, rei. Min.

Carlos Britto).

Veja-se também a recente decisão do STF:

" Intervenção Federal no Distrito Federal e Crise Institucional. O

Tribunal, por maioria, julgou improcedente pedido de interven- ção federal no Distrito Federal, formulado pelo Procurador-Geral

da República, por alegada violação aos princípios republicano

Cap. 12 . INTERVENÇÃO FEDERAL

e democrático, bem como ao sistema representativo (CF , art.

34, II. Na espécie, o pedido de intervenção federal teria como

causa petendi, em suma, a alegação da existência de esquema

de corrupção que envolveria o ex-Covernador do DF , alguns

Deputados Distritais e suplentes, investigados pelo STJ , e cujo

concerto estaria promovendo a desmoralização das instituições

públicasecomprometendo ahigidezdo Estado Federal.Taisfatos

revelariamconspícuacriseinstitucional hábil acolocarem riscoas

atribuiçõespolítico-constitucionaisdosPoderesExecutivoeLegis-

lativoeprovocar instabilidadedaordemconstitucional brasileira. Preliminarmente, a Corte , por maioria, rejeitou requerimento do

Procurador-Geral da República nosentidodeadiarojulgamento da causa para a primeira data do mês de agosto em que a Corte

estivessecom suacomposição plena. Ao salientar a ansiedadeda

populaçãoporumarespostaprontadaCortequantoaopedidode

intervençãoeaproximidadedo inícioformal doperíodoeleitoral , reputou-seestar-sediantedequestão importantequedemandaria decisão o mais célere possível.Vencidos , no ponto, os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello que deferiam o adiamento , por considerarem que a análise da matéria recomendaria a presença

do quórum completo dos integrantes do Tribunal. No mérito ,

entendeu-se que o perfil do momento político-administrativo do Distrito Federal já não autorizaria a decretação de intervenção

federal, a qual se revelaria , agora, inadmissível perante a disso-

lução do quadro que se preordenaria a remediar . Asseverou-se que, desdearevelaçãodosfatos, osdiversosPodereseinstituições

públicascompetentesteriamdesencadeado, nodesempenho de

suas atribuições constitucionais , ações adequadas para pôr fim

à crise decorrente de um esquema sorrateiro de corrupção no

Distrito Federal. Observou-se, assim , que os fatos recentes não

deixariamdúvidadeque a metástasedacorrupção anunciada na

representação interventiva teria sido controlada por outros me-

canismos institucionais , menosagressivosaoorganismo distrital,

revelando a desnecessidade de se recorrer , neste momento, ao

antídoto extremo da intervenção , debaixo do pretexto de salvar

o ente público.Vencido o Min. Ayres Britto quejulgavao pedido

procedente. IF 5179/DF, rei. Min. Cezar Peluso, 30.06.2010" -

Informativo 593 do STF.

97

note

BEM

Estado de defesa

Éumasituaçãoemqueseorganizammedidasdestinadasadebelaramea-

çasàordem públicaeàpazsocial. Consistenainstauraçãodeumalegalidade

extraordináriapor certo tempo, em locais restritosedeterminados , mediante

decreto do Presidente da República, ouvidos o Conselho de República e o Conselho de DefesaNacional, parapreservar a ordem públicaou apaz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza (art. 136, CF/88).

O Conselho daRepúblicaeo deDefesaNacional são órgãos consultivos,

cuja opinião ou manifestação não vinculam o Presidente da República.

Constarãododecreto o tempo deduração, quenão poderásersuperior a

30dias, podendoser prorrogadoapenasumavez, por igual período ou menor ,

se persistirem as razões, a especificação das áreas abrangidas, a indicação de

medidas coercitivas , tais como restrições aos direitos de reunião, sigilo de

correspondência e de comunicação telegráfica e telefónica e também a ocu-

pação e o uso temporário de bens e serviços públicos (se a hipótese for de calamidadepública, respondendoaUnião pelosdanosecustosdecorrentes).

1 .

/ . /

CO NTRO LE D O ESTA DO D E D EFESA

Controle político

Depois de baixar o decreto , o Presidente da República, no prazo de 24

horas, o enviará com ajustificativa ao Congresso Nacional , que decidirá por

maioria absoluta (a autorização é dada por decreto legislativo - art . 49, IV,

CF/88). Se estiver em recesso , haverá convocação extraordinária em 5 dias.

O Congresso deve apreciar o decreto no prazo de 10 dias, a contar do seu re-

cebimento. Rejeitado o decreto, cessa imediatamenteo estado dedefesa , sem prejuízo da responsabilidade dos executores (art. 136, §§ 4.° a 7.°, CF/88).

100

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Concomitantemente, nos termos do art. 140 da CF/88, a Mesa do Con-

gresso Nacional designará comissão composta por cinco de seus membros

(das Mesas do Senado e da Câmara) paraacompanhar e fiscalizar a execução

das medidas.

Sucessivamente (parágrafo único do art. 141 da CF/88), logo que cessar o estado de defesa as medidas aplicadas na sua vigência serão relatadas pelo Presidenteda República em mensagem ao Congresso Nacional, com relação

nominal dosatingidoseindicação dasrestriçõesaplicadas. Seo Congresso não

aceitar ajustifi cativa, poderáser tipifi cado algum crime de responsabilidade

(art. 85 da CF/88 e Lei 1.079/1950).

1 . 2 Controlejurisdicional É previsto no § 3.° do art. 136 da CF/88. Quando da prisão por crime

contra o Estado, determinada pelo executor da medida, este a comunicará

imediatamente ao juiz, que a relaxará, se não for legal, facultado ao preso

requerer o exame de corpo de delito à autoridade policial (inciso I).

O estado físico e mental do detido no momento da autuação será decla-

rado pela autoridade (inciso II).

A prisão ou adetenção dequalquer pessoa não poderáser superior adez dias, salvo se autorizada pelo PoderJudiciário (inciso III).

Durante e ao término do estado de defesa, poderá ocorrer o controle

jurisdicional dos atos dos executores da medida que incorreram em abusos

ou ilícitos.

Estado de Defesa

Fundamento Constitucional: arts. 136 e 140/14 1 da CF/88

Motivo: Preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determi- nados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente insta- bilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na

natureza.

Prazo: Não será superior a trinta dias, podendo ser prorrogado uma vez, por igual período, se persistirem as razões que justificaram a sua decretação.

Direitos que podem ser limitados: a) reunião, ainda que exercida no seio das associações; b) sigilo de correspondência; c) sigilo de comunicação telegráfica e

telefónica.

Estado de sítio

cl KJ

Éainstauraçãodeumalegalidadeextraordinária , pordeterminado tempo

e em certa área, com o fim de preservar ou restaurar a normalidade constitu- cional perturbada por motivo de comoção grave de repercussão nacional ou por declaraçãodeestadodeguerraou respostaaagressãoarmadaestrangeira

- situação de beligerância com

Estado estrangeiro (arts .

137 a 139 , CF/88).

Além disso , pode ocorrer em virtude da ineficácia de medida tomada

durante o estado de defesa.

Comoção grave de repercussão nacional ocorre nos casos de rebelião

ou revolução interna.

No procedimento devem ser ouvidos os Conselhos de República e o de

DefesaNacional ehánecessidadedeautorizaçãopelovotodamaioriaabsoluta doCongressoNacional parasuadecretação (aautorização édadapordecreto

legislativo- art. 49 , IV, CF/88), em atendimento à solicitação fundamentada

do Presidente da República (art. 137 , CF/88).

Se o Congresso Nacional estiver em recesso , será convocado extraordi-

nariamentepelo Presidentedo Senado , parasereunir no prazo de5dias, afim deapreciar a solicitação. Caso conceda o estado desítio , deverá o Congresso Nacional permanecer em funcionamento (art . 138, CF/88).

O decreto de estado de sítio indicará sua duração (exceto em caso de

guerra), as normas necessáriasà sua execução e asgarantias constitucionais

queficarãosuspensas(somenteasdoart. 139nocasodo art. 137,1, daCF/88).

Em caso de guerra , a Constituição não estabelece limites.

1 .

/ . /

CONTROLE DO ESTADO DE SÍTIO

Controle político

a) Prévio: dependedeautorização do Congresso Nacional pelo voto da

maioria absoluta

(art. 137 , parágrafo único, CF/88); a autorização é

dada por decreto legislativo - art . 49, IV, CF/88).

102

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

b) Concomitante: cinco membrosda Mesado Congresso Nacional (art.

140, CF/88).

c) Sucessivo: relatório do Presidente da República em mensagem ao

Congresso Nacional (art. 141, parágrafo único, CF/88).

1 . 2 Controlejurisdicional

Durante o período de exceção, deverá o Poder Judiciário corrigir os

abusos e as ilegalidades, podendo ser usado o habeas corpus ou o mandado

de segurança. Da mesma forma, haverá a atuação desse órgão após o estado

de sítio.

Estado de sítio (artigos 137/141 da CF/88)

Motivo

Comoção grave de repercussão nacio- nal ou ocorrência de fatos que com- provem a ineficácia de medida toma-

da durante o estado de defesa;

Prazo: não poderá ser decretado por

mais de trinta dias, nem prorrogado,

de cada vez, por prazo superior;

Limites: art. 139 da CF/88 (I - obriga- ção de permanência em localidade

determinada; II - detenção em edifício

não destinado a acusados ou conde-

nados por crimes comuns; III - restri-

ções relativas à inviolabilidade da cor- respondência, ao sigilo das comunica- ções, à prestação de informações e à

liberdade de imprensa, radiodifusão e

televisão, na forma da lei; IV - suspen-

são da liberdade de reunião; V - busca

e apreensão em domicílio; VI - inter-

venção nas empresas de serviços pú-

blicos; VII - requisição de bens.)

Motivo

Declaração de estado de guerra ou res-

posta a agressão armada estrangeira.

Prazo: poderá ser decretado por todo o

tempo que perdurar a guerra ou a agres- são armada estrangeira.

Limites: não há limites em artigo espe-

cífico da Constituição, sendo possível a

pena de morte.

Cap. 14 . ESTADO DE SÍTIO

103

Coincidências entre Intervenção Federal, Estado de Defesa e Estado

de Sítio:

- Os três são cria dos por decreto do Presidente da República;

- Os três são limitações circunstanciais às emendas constitucionais

(art. 60, §1.°, CF);

- Os três são legalidades extraordinárias temporárias;

- Normalmente, devem ser ouvidos os Conselhos da República e de Defesa Nacional, sem prejuízo do controle político, feito pelo

Congresso Nacional, salvo nos casos de intervenção federal por

requisiçãojudicial.

iTlTl

AseparaçãodosPoderesfoi necessáriaemvirtudedosabusoscometidos pelos detentores do poder político. Foi estudada por diversos autores, tais

comoAristóteles, naobraPolítica;John Locke, emseu Tratadosobreogoverno;

Jean-Jacques Rousseau, no Contrato social; e Montesquieu, em sua célebre

obra O espírito das leis.

A divisão tenta impedir o arbítrio, estabelecendo um sistema de freios

econtrapesosem queos trêsPoderessão independentes, massubordinados

ao princípio daharmonia. Estenão significa nem domínio deum pelo outro nem usurpação de atribuições, mas a consciente colaboração e o controle

recíproco.

1 .

O PODER LEGISLATIVO

OPoderLegislativotemcomoconceitoclássicoopoderdefazer,emendar,

alterar e revogar as leis (arts. 44-75, CF/88). Entre nós, elesedivide em três

esferas.

7 . /

Esfera federal

O Congresso Nacional se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, integrados respectivamente por Deputados e Senadores

Federais. A organizaçãodoPoder Legislativofederal em doisramos- sistema

denominado bicameralismo (com restriçõesde 1934a 1937)- éuma tradição

constitucional brasileira.

Nobicameralismofederativobrasileironãohápredominânciasubstancial de uma Casa sobre a outra. Formalmente (procedimentalmente), contudo, a Câmara dos Deputados tem o privilégio referente ao início do processo

legislativofederal,poiséperanteelaqueoPresidentedaRepública,oSupremo

106

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Tribunal Federal , o Superior Tribunal deJustiça e os cidadãos promovem a

iniciativa do processo de elaboração das leis . Por conta disso , a Câmara dos DeputadoséchamadadeCasa iniciadora (arts. 61, § 2.°, 64 e 62 , § 8.°, CF/88).

Deve-seesclarecerqueasleisnacionaisou federaisdevemseraprovadas

pelasduasCasasdo CongressoNacional; dessemodo, depoisdeseraprovado

pela CâmaradosDeputados, o projetodelei deveser encaminhadoao Senado

Federal , que neste caso recebe o nome de Casa revisora (art. 65, CF/88).

Além disso , é possível que o Senado Federal seja a Casa iniciadora e a

Câmara dos Deputados seja a revisora se a iniciativa legislativa partir dos

Senadores.

1 .

1 .

1

Câmara dos Deputados

A CâmaradosDeputadosécompostaporrepresentantesdopovo , eleitos

atualmente pelos Estados e pelo Distrito Federal de acordo com o sistema

proporcional.

Oart. 45daConstituiçãoFederal estabelecequeaCâmaradosDeputados

terárepresentação proporcional ao númerodecadeirasdopartido políticode

cada unidade federativa e à população de cada Estado e do Distrito Federal . Cumpre observar que nenhuma das unidades federativas terá menos de oito

ou maisdesetentaDeputadosFederais , com exceção dosTerritóriosFederais

(se voltarem a existir), que elegerão quatro Deputados Federais.

7 . 7 . 2

Senado Federal

No sistema federalista , adotou-se a tese da necessidade do Senado como

câmara representativados Estados federados. Como versa o art . 46 da CF/88,

o Senado Federal serácomposto por representantesdosEstadosedo Distrito

Federal , eleitos segundo o princípio majoritário.

O número de Senadores é fi xo por unidade federativa , e cada Estado e o

Distrito Federal elegerão três Senadores , com mandato de8 anos. Destaque-

se que cada Senador será eleito com dois suplentes.

A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de

quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços.

7 . 2

Esfera estadual

O Poder Legislativo é composto por Deputados Estaduais , eleitos pelo sistema proporcional para um mandato de quatro anos . Sua Casa legislativa

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

107

éconhecidacomoAssembleiaLegislativa. O Distrito Federal possui Câmara

Legislativa, onde se reúnem os Deputados Distritais, também eleitos

pelo sistema proporcional para um mandato de quatro anos. As regras

da Constituição Federal de 1988 referentes aos membros do Congresso

Nacional aplicam-seaosDeputadosEstaduaiseDistritais (sistemaeleitoral,

inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda do mandato, licença,

impedimentos e incorporação às Forças Armadas- art. 27, § 1.°, e art. 32, §

3 . ° , da CF/88).

1 . 3 Esfera municipal

Temos os Vereadores Municipais compondo o Poder Legislativo. São

eleitos pelo sistema proporcional para um mandato de quatro anos, e sua

Casalegislativaéconhecidacomo CâmaraMunicipal. OsVereadoresgozam apenas das imunidades materiais (art. 29, VIII, CF/88). São em número de

9 a 55 (art. 29, IV, CF/88). Vereador também pode ser chamado de "edil".

2 .

PECULIARIDADES DO CONGRESSO NACIONAL

Funções atípicas: controle das contas públicas federais, autorização

para instauração de processo contra certas autoridades, julgamento de

crimesderesponsabilidade, alémdefunçõesmeramentedeliberativas, como autorizações paraviagens do Presidente, plebiscitos e referendos.

Aatividadede fi scalizaçãocontábil, fi nanceira,orçamentária,operacional

e patrimonial da União e de entidades da administração direta e indireta é

feitaporcadaPoder, internamente, epeloCongressoNacional, comoauxílio

do Tribunal de Contas da União (arts. 70-74, CF/88), abordado no

f

inal do

presentetópico. ExistemtambémTribunaisdeContasnosEstados,noDistrito Federal e em alguns Municípios (art. 75, CF/88).

A Câmara dos Deputados e o Senado Federal possuem seus respectivos

regimentos internos e órgãos próprios destinados a ordenar seus trabalhos.

Abaixo constam seus principais órgãos.

2 . 1 Mesas da Câmara dos Deputados, do Senado e do Congresso

Nacional

As Mesas são órgãos diretivos da Câmara dos Deputados, do Senado e do Congresso Nacional. Normalmente, são compostas pelo Presidente,

dois Vice-Presidentes, quatro secretários e quatro suplentes, podendo sua

composição ser alterada pelos regimentos.

108

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Para assegurar a autonomia das Casas legislativas , as Mesas serão

compostaspormembrospertencentesaseusquadroseeleitosporseuspares .

O mandato para ocupar cargo na Mesa da respectiva Casa será de dois

an o s , elegendo-seosocupantesnoprimeiroanodalegislaturaesendovedada

a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente

(art. 57, § 4.°, CF/88). Porém, pode haver a reeleição se a Mesa for eleita nos dois últimos anos da legislatura.

A Mesado Congresso Nacional éconstituídapor membrosdasMesasdo

Senado e da Câmara. A presidência é exercida pelo Presidente do Senado , e

os demaiscargosserão ocupadosalternadamente pelosocupantesdecargos

equivalentes na Câmara dos Deputados e no Senado Federal (art . 57, § 5.° ,

CF/88).

A Constituição Federal estabelece certas atribuições para as Mesas ,

tais como convocar Ministros para comparecimento (art . 50 , § 1.°, CF/88);

solicitar porescritoinformaçõesaosMinistrosdeEstado (art . 50, § 2.°, CF/88);

provocar a perda de mandato (art. 55, § 2.°, da CF/88); declarar a perda do

mandato (art. 55 , § 3.°, CF/88); propor ação de inconstitucionalidade (art.

103 , II e III, CF/88).

2 . 2 Comissõesparlamentares

As comissões parlamentares são comissões formadas por membros

do Poder Legislativo encarregadas de estudar e examinar as proposições

legislativas e apresentar pareceres .

As comissões parlamentares podem ser temporárias ou especiais ,

permanentes, mistas e de inquérito.

As comissões parlamentares temporárias ou especiais são constituídas

paraopinarsobredeterminadasmatériaseseextinguemcomopreenchimento

do fim a que se destinam.

Ascomissõesparlamentarespermanentessãoasquesubsistematravésdas

legislaturas, organizando-se em razão da matéria . Normalmente , coincidem com o campo funcional dos Ministérios (art. 58 , § 2.°, CF/88). São também

chamadas de comissões temáticas.

As comissões parlamentares mistas são as compostas por Deputados e Senadoresfederaiscomoobjetivodeapreciarassuntosexpressamentefixados ,

em especial aquelesquedevam ser decididospelo Congresso Nacional (arts .

62, §9.°, 72,166, § 1.°, CF/88).

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

109

A comissão parlamentar de inquérito é uma comissão nomeada por

uma Câmara, composta por membros desta e que agem em seu nome para realizar umainvestigaçãosobredeterminadoobjeto. Esseobjeto podeser um fato ou um conjunto de fatosalusivos a acontecimentospolíticos, abusos ou

ilegalidades da Administração, questões financeiras, agrícolas, industriais,

entre outros, desde que atinentes à boa atividade do Estado.

No direito brasileiro, a comissão parlamentar de inquérito pode ser

constituída no âmbito federal, bem como na esfera estadual, municipal e distrital. Na esfera federal e distrital é também chamada de CPI, enquanto

nas esferas estadual e municipal, além dessa denominação, é conhecida por Comissão Especial de Inquérito (CEI). Observe-se que uma CPI no Distrito Federal (distrital),ou seja , promovidapelaCâmaraLegislativa,podeinvestigar

matérias de competência estadual e municipal, em virtude da competência

legislativa cumulativa do Distrito Federal (art. 32, § 1.°, CF/88).

Genericamente, uma comissão parlamentar de inquérito costuma ser

designadaporcomissãoespecial deinvestigaçãoou comissãodeinvestigação

parlamentar.

SãorequisitosconstitucionaisdeumaCPI naesferafederal: requerimento

de 1/3dosmembrosdarespectivacasa, parainvestigar fatodeterminado epor

prazocerto, com poderesprópriosdeautoridadesjudiciais. Suasconclusões, se for o caso, serão encaminhadas ao Ministério Público, que promoverá a

responsabilidade civil e criminal dos infratores (art. 58, § 3. ° , CF/88).

Na atualidade, a Lei 1.579, de 18.03.1952, a Lei 4.595, de 31.12.1964, a

Lei 10.001 , de04.09.2000, ea Lei 10.679, de 23.05.2003, são asleis ordinárias

federais a tratar das comissões parlamentares de inquérito. A primeira regulamentaainvestigaçãoparlamentarprevistano art. 53 daConstituiçãode 1946;asegundaampliaopoder dascomissõesparlamentaresdeinquérito, ao

autorizar a quebrado sigilo bancário; e a terceiraestabeleceuma " prioridade "

de providências que devem ser adotadas nos procedimentos encaminhados

pelas CPIs. Destaque-se que a Lei 10.679/2003, alterando o art. 3. ° da Lei 1 . 579/1952 estabeleceu: "§ 2.° O depoente poderá fazer-se acompanhar de

advogado, aindaque em reunião secreta " . Por fim, aLei Complementar 105, de 10.01.2001, em seu art. 4.°, possibilita expressamente a quebra do sigilo

bancário pelas CPIs federais.

As comissões parlamentares de inquérito não podem ter mais poderes

que o Congresso ou Casa legislativa respectiva, ou reservados aos Poderes Executivo eJudiciário, ou que se contraponham aos direitos individuais.

110

DIREITO CO NSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Negam-se certos poderes compulsórios às comissões parlamentares de inquérito para o fi m de investigação. Elas não têm a faculdade de proceder , por si próprias, a sequestros, buscas e apreensões, de determinar prisões

provisórias, indisponibilidadedebens, interceptaçõestelefónicasedosdemais

meiosdecomunicação; não têm acesso aoslivrosmercantiseàescrituração das

sociedades mercantis , pois estas são atividades da órbita do PoderJudiciário

(reserva de jurisdição). Nada impede que, se houver necessidade de tais medidas, as CPIs recorram a este Poder para viabilizá-las. Osparlamentaresquecompõemascomissõesparlamentaresdeinquérito

nãodevemanteciparopiniõesefazeracusações,bemcomodesconheceropapel

do advogado. Além disso , não devem transformá-las em palanques eleitorais ou em instrumento de ofensa à dignidade dos cidadãos convocados a depor.

Exigem-se dos parlamentares imparcialidade , discrição, respeito aos

direitos constitucionais e ao formalismo processual atinente a qualquer investigação,sobpenadeinvalidaçãodostrabalhosdeinvestigaçãopelo Poder Judiciário, que tem o importantíssimo papel de assegurar que as comissões parlamentares de inquérito, bem como todos os demais entes da sociedade,

atuem no estreito caminho da legalidade.

O início dos trabalhos de uma comissão parlamentar de inquérito não

impede quese proceda a uma investigação pelos órgãos do Poder Executivo

ou do PoderJudiciário, e vice-versa.

Não cabe a uma comissão parlamentar de inquérito questionar a

discricionariedade de atos administrativos ou a fundamentação jurídica de uma decisãojudicial, uma vez que existem mecanismos legais para tanto.

Os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito devem , no máximo, findar com a legislatura que a instituiu, ou antes, pelo decurso do prazo

estabelecidonoRegimentoInternooupelarealizaçãodosfinsaquesedestinou.

Os mecanismos de instrução das comissões parlamentares de inquérito podem ser os mesmos utilizados nos juízos civil, administrativo e penal. No Brasil , de regra, são usadas as disposições do Código de Processo Penal, havendo liberdade para que os parlamentares conduzam as investigações da maneira que melhor lhes aprouver, desde que não cometam abusos ou

ilegalidades. Dessaforma , podem fazer visitasem determinadoslocais,pedir

perícias ou exames laboratoriais, notifi car pessoas, realizar oitivas, pedir a

quebradosigilo telefónico, bancário, (art. 4. ° , § 1.°, LC105/2001), telemático

e fi scal (nessescasosdequebradesigilo, podemrealizá-laas CPIsfederais- da

Câmara dos Deputados, do Senado Federal e mista), entre outros. Destaque- se que, no segundo semestre de 2004, o STF autorizou queas CPIs estaduais

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

111

quebrassem diretamente o sigilo bancário (mandado de segurança movido pela Assembleia Legislativa do Rio deJaneiro contra ato do Banco Central - CPI da Loterj-, Informativo doSTF 408, de 16.11.2005, ACO 730/RJ).

Ao findarem seus trabalhos, devem as comissões parlamentares de inquérito apresentarum relatório, quepodeconter adecisãodearquivamento ouderemessadoprocedimentoàsautoridadescompetentesparaqueprocedam

na forma da lei (ver art. 58, § 3. ° , da CF/88).

Quanto à limitação de poderes das CPIs, é recomendada a leitura do Informativodo5TF416: "CPI- Poderes- Presençadeadvogado".Normalmente, cabe mandado de segurança ou habeas corpus contra os abusos cometidos

por parlamentares na condução dos trabalhos investigatórios: se for contra

representantes do Congresso Nacional ou de suas Casas, o foro é o Supremo

Tribunal Federal; se for contra representantes das Assembleias Legislativas

ou da Câmara Legislativa, o foro é o Tribunal deJustiça local; e se for contra representantes da Câmara Municipal, o foro é ojuiz de direito da comarca.

note

Conforme decidiu o STF, nenhuma CPI pode determinar a interceptaçãotelefónica(grampo), expedirmandadode prisão

(só quem pode expedir o mandado de prisão é a autoridade judicial. Nãoconfundircom prisãoemflagrante, poisesta pode

ser feita por qualquer do povo) e expedir mandado de busca

e apreensão - (STF, MS27.483, j. 14.08.2008, rei. Min. Cezar Peluso, DJ de 10.10.2008 e, STF, MS 23.652, j. 22.11.2000,

rei. Min. Celso de Mello, DJ de 16.02.2001.)

AsCPIsfederais,estaduaisedistritaispodemrequererdiretamente

aosórgãos, desdequeofaçamfundamentadamente, asquebras

desigilo: bancário (extratos), telefónico (extratos)efiscal (cópia

da declaração de imposto de renda) - (STF, MS 23.466, j.

04.05.2000, rei. Min. Sepúlveda Pertence, DJ06.04.2001. As CPIs Municipais, se quiserem, devem requerer ao juiz

criminal da Comarca.

Cada CPI investiga aquilo que o respectivo legislativo pode

legislar ou fiscalizar.

" AsComissões Parlamentaresde Inquérito não podem decretar

a condução coercitiva de testemunha, busca e apreensões,

indisponibilidade de bens e prisão temporária" (STF, HC

88.015/DF e MS 25.832/DF- Informativo 416).

112

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

2 . 3 Polícia e serviços administrativos

AsCasasdoCongressoNacionalpossuemumcorpodesegurançapróprio ,

destinado ao policiamento interno , bem como há serviços administrativos,

que são as secretarias, incluindo serviços gráficos, bibliotecas e assessorias,

regulados nos respectivos regimentos internos .

2 . 4 Comissão representativa

A Comissão representativa tem por função representar o Congresso

Nacional duranteorecessoparlamentar (art . 58, §4.°). Orecessoparlamentar

ocorre normalmente nos períodos de 18 a 31 dejulho e de 23 de dezembro

a 1. ° de fevereiro.

2 . 5 Funcionamento do Congresso Nacional

O Congresso Nacional realiza suas atividades por legislaturas , sessões

legislativasordináriasouextraordinárias , sessõesordináriasou extraordinárias.

A legislatura tem duração de quatro anos (parágrafo único do art . 44 ,

CF/88) ecorrespondeao período quevai do início do mandato dos membros

da Câmara dos Deputados até seu término , pois o Senado é contínuo, sendo

renovado apenasparcialmente (por um terço edois terços) em cadaperíodo

de quatro anos (§ 2.° do art. 46 , CF/88).

SessãoLegislativaOrdinária: éoperíodoanual emquedeveestarreunido

o Congresso para os trabalhos legislativos . Divide-se em dois períodos: de

02.02 a 17.07 e de 01.08 a 22.12. Cumpre observar que não há interrupção

da sessão legislativa se o projeto de lei de diretrizes orçamentárias não for

aprovado (art. 57 , caput e § 2. ° , CF/88). Noprimeiroanodalegislaturaasessão

legislativa ordinária começa em 01.02 (art . 57, § 4.° , CF/88).

Recesso Parlamentar: é o intervalo entre osperíodos legislativos eserve paraodescansodosparlamentares. Duranteorecesso, oCongressoNacional

só funciona se for convocado extraordinariamente . Nesseperíodo , como visto,

funcionará a Comissão representativa do Congresso (art . 58, § 4.°, CF/88).

A convocação extraordinária está regulada no art . 57, §§ 6.° e 7.°, CF/88. Se

esta ocorrer ,

teremos a sessão legislativa extraordinária.

Sessões Ordinárias: são as reuniões diárias dos congressistas , que se processam nos dias úteis (de segunda a sexta-feira). São reguladas pelos

regimentos internos.

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

113

Nesse horário ou em outro realizam-se também sessões solenes de

comemoração de datas ou feitos históricos , de reverência à memória de

pessoas ilustres ou de recepção de personalidades estrangeiras em visita

ao País. E no início decadalegislaturaocorrem , a partir de 1. ° de fevereiro,

as sessões preparatórias e as sessões de organização do Congresso e de

suas Casas.

Sessões Extraordinárias: são aquelas realizadas fora do horário prees- tabelecido para apreciar matéria determinada ou concluir a apreciação do quejá tenha tido a discussão iniciada.

Reuniões Conjuntas: a Constituição prevê hipóteses em que as Casas do Congresso Nacional sereunirãoemsessãoconjunta (art. 57, § 3.°, da CF/88) , por exemplo, parainaugurar asessão legislativa, conhecerdoveto esobreele

deliberar, entre outras finalidades.

2 . 6 Quorum para deliberação

2 . 6 . 1

Maioria simples

" Salvo disposição constitucional em contrário , as deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos , presente

a maioria absoluta de seus membros "

(art. 47 da CF/88). Levam-se em

consideração os presentes. Só haverá necessidade de maioria absoluta ou de

maioria qualificada quando a Constituição o exigir expressamente.

2 . 6 . 2

Maioria absoluta

Correspondeaoprimeironúmerointeirosuperior àmetadedosmembros

doCongresso, desuasCasasoudesuasComissões. Énecessária , por exemplo,

para alguns casos de perda do mandato parlamentar (art. 55, § 2.°, CF/88),

a rejeição do veto presidencial (art. 66, § 4.°, CF/88), a aprovação de leis complementares (art. 69 da CF/88), a aprovação, pelo Senado Federal , de indicação do Presidente da República para o cargo de Ministro do STF (art. 101 , parágrafo único, CF/88), bem como a aprovação dos Ministros do STJ

(art. 104, parágrafo único, CF/88), entre outros.

Naatualidade, taisnúmerosnaesferafederal são: CâmaradosDeputados:

513 DeputadosFederais; maioriaabsoluta: 257 DeputadosFederais; Senado

Federal: 81 Senadores Federais; maioria absoluta: 41 Senadores Federais;

Congresso Nacional: 594 membros; maioria absoluta: 298 membros.

114

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

2 . 6 . 3

Maioria qualificada

Correspondea um número superior à maioriaabsoluta. Esses casossão

apenas os determinados expressamente pela Constituição. Exemplos: 2/3

dos Deputados Federais para autorizar a instauração de processo contra o Presidente da República (art. 51,1, CF/88); 3/5 dos membros de cada Casa para aprovação de projeto de emenda constitucional (art. 60, § 2. ° , CF/88); 2/3 do Senado Federal no julgamento do Presidente da República e outros por crime de responsabilidade (art. 52,1e II, c/c parágrafo único).

2 . 7 Prerrogativas dos congressistas

As prerrogativas dos congressistas são benefícios ligados ao cargo:

2 . 7 . 1

In violabilidade

Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer opiniões, palavras evotos. Isso significa que não cometem crime, pois não háilicitude (ato contrário à lei), nem respondem na ordem civil por

tais atos. A doutrina denomina essa inviolabilidade de "imunidade material

ou absoluta " (art. 53, caput, CF/88). A doutrina e ajurisprudência destacam que os referidos atos devem estar vinculados ao " exercício da atividade

parlamentar " . Desse modo, um parlamentar embriagado, em uma boate, na

madrugada, ofendendoaspessoas, nãoestaráprotegidopelainviolabilidade.

Destaque-se sobre o tema a seguinte decisão do STF: "A imunidade

material prevista no art. 53, caput, da Constituição não é absoluta, pois

somente se verifica nos casos em que a conduta possa ter alguma relação

com o exercício do mandato parlamentar. Embora a atividade jornalística

exercida pelo querelado não seja incompatível com atividade política, há indícios suficientemente robustos de que as declarações do querelado, além

de exorbitarem o limite da simples opinião, foram por ele proferidas na condição exclusiva de jornalista " (STF, Inq. 2,134, j. 23.03.2006, rei. Min.

Joaquim Barbosa, DJ de 02.02.2007).

2 . 7 . 2

Imunidadepropriamente dita ou "imunidade formal ou

relativa "

N este caso , o crime existe, porém podem ocorrer restrições quanto ao

processo ou à prisão do parlamentar.

Desdeaexpedição do diploma, osmembrosdo Congresso Nacional não

poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os

Cap. 15 .

A SEPARAÇÃO DOS PODERES

115

autos serão remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva , para que, pelo

voto da maioria de seus membros , resolvasobreaprisão (art. 53, § 2.°, CF/88). Recebida a denúncia contra Senador ou Deputado , por crime ocorrido

apósadiplomação , oSupremoTribunal Federal daráciênciaàCasarespectiva, que, por iniciativadepartidopolíticonelarepresentado epelovotodamaioria

de seus membros, poderá , até a decisão final, sustar o andamento da ação

(art. 53, §3.°, CF/88).

O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de 45 dias do seu recebimento pela Mesa Diretora (art . 53, §

4 . ° , CF/88).

A sustaçãodoprocessosuspendeaprescriçãoenquantodurar omandato

(art. 53, §5.°, CF/88).

Asimunidadesde Deputados ou Senadoressubsistirão duranteo estado

de sítio , só podendo ser suspensas mediante o voto de 2/3 dos membros da

Casa respectiva , nos casos de atos praticados fora do recinto do Congresso

Nacional incompatíveis com a execução da medida (art . 53, § 8.°, CF/88).

Ressalte-sequeambasasprerrogativascitadasaplicam-seaosDeputados

Estaduais e Distritais , com as devidas adaptações.

note

BEM

" A imunidade parlamentar não se estende ao corréu sem essa

prerrogativa " (Súmula 245 do STF).

2 . 7 . 3

Privilégio de foro

Os Deputados e Senadores Federais , desde a expedição do diploma, são

julgados perante o Supremo Tribunal Federal (art. 53, § 1.°, CF/88).

2 . 7 . 4

Limitação ao dever de testemunhar

O Código de Processo Penal estabelece , em seu art. 221, que, dentre

outras autoridades , os Deputados e Senadores Federais serão inquiridos em

local , dia e hora previamente ajustados entre eles e ojuiz. Os congressistas,

contudo , não serão obrigadosa testemunhar sobreinformaçõesrecebidasou

prestadas em razão do exercício do mandato nem sobre as pessoas que lhes

confiaram ou deles receberam informações (art . 53, § 6.°, CF/88).

116

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

2 . 7 . 5

Isenção do serviço militar

A incorporação dos congressistas (mesmo se militares e em caso de

guerra) às Forças Armadas depende da prévia licença da respectiva Casa

legislativa, salvo se renunciar ao mandato (art. 53, § 7.°, CF/88).

2 . 8 Incompatibilidades dos congressistas

As incompatibilidades dizem respeito a vedações impostas aos

congressistas e podem ser classificadas da seguinte forma:

2 . 8 . 7

Negociais

Vinculam-se a atos comerciais (desde a diplomação). É o caso do art.

54,1, a, da CF/88.

2 . 8 . 2

Funcionais

Dizem respeitobasicamenteaaceitarcargoou função. São oscasosdoart.

54,1, b (desde a diplomação), e II, b e d (desde a posse), da CF/88. Exceção:

art. 56,1, da CF/88.

2 . 8 . 3

Profissionais

Relacionam-se ao exercício de uma atividade laborativa. São os casos do

art. 54, II, a e c, da CF/88 (desde a posse).

2 . 9

Perda do mandato

Os casos de perda de mandato dos congressistas estão previstos no art.

55 da CF/88.

A doutrina, dentro doscasosdeperda, costumadiferençar acassação da extinção do mandato. A primeira refere-se à perda do mandato em virtude

de o parlamentar ter cometido falta funcional;já a segunda está relacionada

com a ocorrência de ato ou fato que torna automaticamente inexistente o mandato (morte, renúncia, ausência injustificada, entre outros).

Oscasosdecassação (incs. I,II eVI doart. 55da CF/88) são decididospela

maioriaabsolutadarespectivaCasa, porvotosecreto,medianteprovocaçãoda respectivaMesa ou de partido político representado no Congresso Nacional

(§ 2.° do art. 55 da CF/88).

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

117

Nos casos de extinção (incs. III a V do art. 55 da CF/88) , a perda será

apenas declarada pela Mesa da respectiva Casa legislativa , de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros ou de partido político

representado no Congresso Nacional (§ 3 . ° do art. 55 CF/88). Destaque-se que em ambos os casos é assegurada constitucionalmente

a ampla defesa.

2 . 10

Tribunal de Contas da União

OTribunal deContasdaUnião écompostopor noveMinistrosetemsede

noDistritoFederal. Temquadroprópriodepessoal ejurisdição(competência)

em todo o território nacional. Exerce , no que couber, as atividadesprevistas

no art. 96 (art. 73 , CF/88).

Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre os

brasileiros possuidores dos seguintes requisitos (§ 1 . ° do art. 73 da CF/88):

mais de 35 e menos de 65 anosde idade (inc . I); idoneidademoral ereputação

ilibada (inc. II); notórios conhecimentosjurídicos , contábeis, económicos e

financeirosou deadministraçãopública (inc . III); maisde dez anos de exercício

de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos

mencionados

anteriormente (inc. IV) .

Deverãoser escolhidosdaseguinteforma (§ 2 . ° do art. 73 da CF/88): 1/3 pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal, sendo dois

alternadamente dentre auditores e membros do Ministério Público , junto

ao Tribunal , indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo critérios de

antiguidade e merecimento; 2/3 pelo Congresso Nacional .

Cumprelembrarque , emboraos Membrosdo Tribunal de ContasdaUnião

sejam designados Ministros , não são eles magistrados. Todavia, por força do

art. 73, § 3. ° , da Constituição Federal de 1988, gozam das mesmasgarantias,

prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do

Superior Tribunal deJustiça. No que diz respeito à aposentadoria e pensão ,

deverão respeitar as regras contidas no art . 40 da Constituição.

Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte

legítimapara , naformadalei, denunciarirregularidadeouilegalidadeperante

oTribunal deContasdaUnião. Trata-sedaparticipaçãopopularnafiscalização

dos atos do Estado , exercida por meio do direito de petição (art. 5.°, XXXIV,

a , c/c art. 74, §2. ° da CF/88).

118 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

As Constituições Estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas

respectivos, que serão integrados por sete conselheiros (art. 75, parágrafo

único, CF/88).

De acordo com o texto constitucional, poderão existir também os TribunaisdeContasno DistritoFederal enosMunicípios,como, porexemplo,

em São Paulo e no Rio deJaneiro (arts. 75 e 31, CF/88).

Ressalte-se que o § 4.° do art. 31 da Constituição vigenteveda a criação

de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.

Dessemodo, osTribunaisdeContasMunicipaisqueexistem,sãoaqueles

criados até a entrada em vigor da Constituição Federal de 1988.

A doutrina afirma que o Tribunal de Contas é um órgão técnico e não jurisdicional; além disso,julgar contas ou a legalidade de atos para registro

é manifestamente atribuição de caráter técnico.

Na atual Constituição Federal, o Tribunal de Contas da União (TCU)

está previsto no art. 71 como auxiliar do Congresso Nacional, embora a ele não vinculado, cujas incumbências incluem: apreciar as contas prestadas

anualmentepeloPresidentedaRepública, medianteparecerprévioquedeverá

serelaboradonoprazode60diasacontardeseurecebimento;realizarinspeções

e auditorias de natureza contábil, financeira e orçamentária, além de outras

tarefas.

SúmulaVinculante 3: "Nos processos perante o Tribunal de

Contasda União asseguram-seo contraditório e a ampla de- fesaquandodadecisão puderresultaranulaçãoou revogação

deato administrativo quebeneficieo interessado, excetuada

a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão. "

" OTribunal deContas, noexercíciodesuasatribuições, pode

apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder

público. " (Súmula 347 do STF).

Além disso, o plenário do STF, no julgamento do MS25.092, firmou o entendimento de que as sociedades de economia

mista e asempresas públicasestão sujeitas à fiscalização do

Tribunal de Contas da União.

_

note

BEM

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

3

ESPÉCIES NORMATIVAS

 

.

3 .

/

Emenda constitucional

119

É um mecanismojurídico utilizado para alterar a Constituição (art. 60

da CF/88). Matériajáabordadaanteriormenteno tópico "Poder constituinte

derivado de reforma ou de emendabilidade".

3 . 2 Lei complementar

Tem o mesmo processo legislativo das leis ordinárias , com exceção do quorum, pois o art. 69 da CF/88 exige maioria absoluta. Desse modo , as matérias reservadas à lei complementar não podem ser tratadas por medida provisória ou lei delegada.

Destaque-se que a lei complementar só existe quando expressamente requisitada sua edição na própria Constituição (especificidade de matéria). Exemplos: impostosobregrandesfortunas (art. 153 , VII, da CF/88), Estatuto da Magistratura (art. 93 , caput, da CF/88), finançaspúblicas (art. 163,1aVII,

da CF/88), entre outros.

O quorum para aprovação é o de maioria absoluta; no mais, segue o

processo legislativo para elaboração das leis ordinárias. Destaque-se que todasasdeliberaçõesnasComissõeseno Plenárioserão tomadaspor maioria

absoluta, sob pena de inconstitucionalidade.

Não há proibição para a existência de Lei Complementar Estadual ,

Distrital ou Municipal , basta a previsão na respectiva norma fundamental

(Constituição Estadual, Lei Orgânica Distrital ou Lei Orgânica Municipal).

3 . 3

Lei ordinária

É a chamada lei comum , ou seja, tem incidência quando não háprevisão

específica.

A elaboração das leis ordinárias abrange três fases: a iniciativa , a

deliberação propriamente dita e a fase complementar.

3 . 3 . 1

Iniciativa

Designa a fase de apresentação do projeto de lei. O projeto de lei deve

ser articulado e devidamente fundamentado e justificado. São espécies de

iniciativa:

120 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Iniciativa geral - Projetos relativos a matérias não reservadas a órgãos

ou auto i dades específicas. Cabe ao eleitorado (iniciativa popular - art. 61, § 2.°, da CF/88: "A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à

Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelomenospor cinco Estados, com

não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles " ), ao Presidente da República, a qualquer membro ou comissão do Congresso ou

de suas Casas. Tal iniciativa também é chamada de concorrente.

Iniciativa reservada - Apresentada por certas autoridades em matérias

específicas, como o Presidente da República (arts. 61, § 1. ° , e 165 CF/88), o

Supremo Tribunal Federal (arts. 93 e 96, II, CF/88), os Tribunais Superiores

(art. 96, II, da CF/88) e os Procuradores-Gerais (art. 128, § 5.°, da CF/88).

r

3 . 3 . 2

Deliberação

Abrange os debates nas Comissões e no Plenário, podendo haver apresentaçãodeemendasemcadaumadasCasasdoCongressoeamanifestação

do Presidente da República.

A deliberaçãoéfeitaem cadaumadasCasasdo Congressoseparadamente,

devendo o projeto ser aprovado por maioria simples (art. 47 da CF/88). Trâmite:deregra,oprojetopassapelaComissãodeConstituiçãoejustiça,

que examina sua constitucionalidade nos aspectos material e formal, e por

comissões relacionadas à matéria debatida (educação, transportes, defesa

etc.). Em seguida, normalmente, o projeto é remetido ao Plenário para votação. Destaque-sequetanto nasComissõesquanto no Plenário podem ser

apresentadasemendasaoprojeto, istoé,proposiçõesacessó i asquemodificam

r

o texto original. Dependendo da matéria, pode ser dispensada a apreciação

do Plenário (art. 58, § 2.°, I, CF/88).

Aprovado o projeto na Casa iniciadora, ele é remetido à Casa revisora.

Lá passa também pelas Comissões e pelo Plenário, podendo ser rejeitado,

emendado ou aprovado (art. 65 da CF/88). Se for rejeitado, é arquivado, só podendo ser novamente apresentado na mesma sessão legislativa por

manifestação da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do

Congresso Nacional (art. 67 da CF/88). Se for aprovado por ambasas Casas,

o projeto éencaminhado paraaelaboração doautógrafo, queéo instrumento

formal deaprovação do Congresso Nacional. Depois, o projeto é remetido ao

Presidente da República para sanção ou veto.

Seoprojetofor emendado,voltaráà Casa iniciadora (art. 65 eparágrafo

único da CF/88), que apreciará apenas as emendas da Casa revisora

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

12 1

(princípio da primazia da apresentação do projeto), e será remetido em seguida para o autógrafo e depois para o Presidente da República para

sanção ou veto.

A sanção é a concordância do Presidente da República ao projeto de lei

aprovado pelo Poder Legislativo. A concordância pode ser expressa ou tácita

(noprazode 15dias, osilêncioimportarásanção: art. 66, § 3.°, daCF/88). Pela lógica,são 15diasúteis,pois,comoadianteseverá,ovetopodeser apresentado

nesse período, que é maior que 15 dias corridos. Não dependem de sanção do Presidente da República a emenda constitucional, o decreto legislativo,

resoluções das Casas legislativas, a convocação de plebiscito ou referendo,

en tre ou tros .

O veto é a discordância do Presidente da República em relação ao

projeto de lei aprovado, por entendê-lo inconstitucional ou contrário ao

interessepúblico. Oveto deveser apresentadoem 15diasúteis,eseusmotivos

comunicados ao Presidente do Senado em 48 horas (art. 66, § 1. ° , CF/88).

O veto pode abranger todo o projeto ou apenas parte dele, visto que "o veto parcial somenteabrangerá textointegral deartigo, deparágrafo, deinciso ou

de alínea" (art. 66, § 2.°, CF/88).

Noprazode30diasapartir dorecebimentopeloPresidentedo Senado, o

Congresso Nacional, em sessão conjunta, poderejeitar em escrutíniosecreto

o veto pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores (art. 66, §

4 . ° , CF/88). Se não houver deliberação em 30 dias, o projeto entra na ordem

do dia, impedindo deliberação sobre outras matérias (art. 66, § 6.°, CF/88).

Encerrada a apreciação do veto, o projeto é enviado ao Presidente da

República para promulgação. Se este não o fizer, o Presidente do Senado o fará. Sehouver a negativadeste, caberáao Vice-Presidente do Senado fazê-lo

(art. 66, §7.°, CF/88).

3 . 3 . 3

Fase complementar: promulgação e publicação

Apromulgaçãoéacomunicaçãodacriaçãodaleiaosseusdestinatários.É

atomeramenteformal eobrigatório, noqual aautoridadecompetenteafirma

que a norma foi criada segundo as regras pertinentes, passando a integrar

o ordenamento jurídico. Cabe ao Presidente da República promulgar a lei

no prazo de 48 horas após a sanção ou derrubada do veto. Se não o fizer, como visto anteriormente, devem fazê-lo em igual prazo, sucessivamente, o

Presidente ou o Vice-Presidente do Senado.

A publicação é o ato pelo qual se leva ao conhecimento público a existência da lei. A partir da publicação ou após o período de vacância, a lei

122

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

se torna exigível, obrigatória, e ninguém podedeixar de cumpri-la alegando

seu desconhecimento .

3 . 3 . 4

Regime de urgência

O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação

de projetos de sua iniciativa (art. 64, § 1.°, CF/88). Nesse caso, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal devem se manifestar sobre a proposição,

cada qual sucessivamente, em até 45 dias, sobrestando-se todas as demais deliberações legislativas da respectiva Casa, com exceção das que tenham

prazo constitucional determinado, até que se ultime a votação (art. 64, §

2 . ° , CF/88). Os prazos em questão não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos de código (art. 64, § 4.°,

CF/88). A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos

Deputados será feita no prazo de 10 dias (art. 64, § 3.°, CF/88).

3 . 4 Medida provisória (art. 62 da CF/88)

Em casoderelevânciaeurgência,o PresidentedaRepúblicapoderáadotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.

No § 1.° há o rol de matérias que não podem ser objeto de edição de

medidas provisórias:

" I - relativa a:

a) nacionalidade,cidadania,direitospolíticos, partidospolíticosedireito

eleitoral;

b)

direito penal, processual penal e processual civil;

c)

organização do Poderjudiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;

d)

planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3. ° ;

II

- que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou

qualquer outro ativo financeiro;

III - reservada a lei complementar;

IV-jádisciplinadaem projetodelei aprovadopelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do presidente da República "

.

No § 2.° háa previsão de que, através de medida provisória, é possível a instituição ou a majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153,1,

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

123

II , IV, V, e 154, II, massóproduzirá efeitosno exercício financeiro seguintese

a medida provisória houver sido convertida em lei até o último dia daquele

em que foi editada.

Atentar para a novidade introduzida pela EC 42/2003, ou seja, para a noventena, ou princípiodaanterioridadequalificadaou nonagesimal previstanoart. 150, III, c, daCF/88, queestabelece

o prazo de 90 dias da publicação da lei para a cobrança de

tributos.

note

BEM

No § 3.° há prazo para a eficácia da medida provisória: ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12, perderão a eficácia, desde a edição, se não forem

convertidasem lei no prazo de 60 dias, prorrogável, nos termosdo § 7. ° , um a

vezporigual período,devendoo CongressoNacional disciplinar,por decreto

legislativo, as relaçõesjurídicas delas decorrentes.

O §4.°estabelece: "Oprazoaqueserefereo §3.°contar-se-ádapublicação

da medida provisória, suspendendo-se durante os períodos de recesso do

Congresso Nacional".

O § 5.° prevê que a deliberação em cada uma das Casas do Congresso

Nacional sobre o mérito das medidas provisórias dependerá dejuízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais.

O § 6.° estabelece o regime de urgência: "Se a medida provisória não for

apreciadaematéquarentaecincodiascontadosdesuapublicação, entraráem

regimedeurgência,subsequentemente, emcadaumadascasasdoCongresso

Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais

deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando".

O § 7.° prevê que será prorrogada uma única vez, por igual período,

a vigência da medida provisória que, no prazo de 60 dias, contado da sua

publicação, não tiver sua votação encerrada nas duas Casas do Congresso

Nacional.

O § 8.° determina que a Câmara dos Deputados é a Casa iniciadora: "As

medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados "

.

O § 9.° estabelece a criação de uma comissão mista de Deputados e Senadores para examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer,

antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo Plenário de cada uma

das Casas do Congresso Nacional.

124

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

O § 10 prevê a vedação para reedição , na mesma sessão legislativa

(ordinária anual), de medida provisória que tenha sido rejeitada ou perdido

sua eficácia por decurso de prazo.

O § 11 estabeleceapossibilidadedeperpetuaçãoderelaçõesjurídicasem

virtudedainérciado Congresso Nacional: " Nãoeditado o decretolegislativo

a que se refere o § 3. ° até sessenta dias após a rejeição ou perda de efi cácia de

medida provisória , as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas".

O § 12 determina que, aprovado projeto de lei de conversão alterando

o texto original da medida provisória , esta será mantida integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto.

Destaque-se que existea possibilidade de regulamentação de artigosda

ConstituiçãoFederalvigentepormedidaprovisóriaapósapromulgaçãodaEC 32, de 11.09.2001, conformeseinferedaalteração feitanoart. 246: "Évedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada entre 1.°

dejaneiro de 1995 até a promulgação desta emenda , inclusive".

O art. 2.° daEC 32/2001 estabelece queas medidasprovisóriaseditadas em dataanterior àdapublicação desta emenda (11.09.2001 , pois tal emenda

foi publicadaem 12.09.2001) continuamemvigoratéquemedidaprovisória ulterior asrevogueexplicitamenteou atédeliberaçãodefinitivado Congresso

Nacional.

i m , deve-se esclarecer que, se a medida provisória (projeto de

conversão) for aprovada sem alteração em seu texto original , haverá

a promulgação pelo Presidente da Mesa do Congresso Nacional para a

publicação no Diário O i cial da União. Se houver alteração no projeto de

conversão da medida provisória, deverá ser seguido o processo legislativo

comum,ouseja,seráencaminhadoparaoPresidentedaRepúblicaparasanção

ou veto. Posteriormente, havendo a sanção ou derrubada do veto , segue-se

a promulgação e publicação do texto da lei pelo Presidente da República (previsão na Resolução 1/02-CN, arts. 12 e 13).

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Por

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3 . 5 Lei delegada

Trata-se da possibilidade de o Presidente da República pedir ao

Congresso Nacional, através de mensagem, delegação para legislar sobre

i xará os limites

certos assuntos. A delegação se efetiva por resolução que

f

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

125

(art. 68 da CF/88) e, eventualmente, a necessidade deaprovação do projeto

do Presidente pelo Congresso, em votação única, vedada qualquer emenda

(art. 68, §3.°, CF/88).

Nãopodemserobjetodelei delegadamatériasdecompetênciaexclusiva doCongressoNacional edesuasCasas,matériasreservadasàlei complementar

e relativas ao orçamento, à organização do Ministério Público e do Poder Judiciário eaquestõesreferentesàcidadania,aosdireitosindividuais,políticos

e eleitorais (art. 68, § 1. ° , CF/88).

As leis delegadas são pouco utilizadas, pois é mais fácil o Presidente da

República editar medida provisória.

3 . 6 Decreto legislativo

É uma espécie normativa de competência exclusiva do Congresso

Nacional, sendopromulgadopeloPresidentedo Senado, não sujeitoasanção

ou veto (art. 59, VI, CF/88). Pode tratar de matéria concreta (art. 49, II a VI, IX , XII, XVII, CF/88), de atos normativos e de matéria abstrata (art. 49, VII

e VIII, CF/88).

3.7 Resolução

Vincula-se às competências privativas de cada uma das Casas do Congresso Nacional (arts. 59, VII, 51 e 52 CF/88). Não estásujeitaasanção ou veto, sendo promulgada pela Mesa da Casa que a editou. Se for ato do Congresso Nacional, será promulgada pela Mesa do Senado (art. 68, § 2.°,

da CF/88).

São também previstasalgumas resoluçõescom efeitosexternos, como as

quevisam concretizar adelegaçãodecompetências, emcaráter temporário,do

Legislativo parao Executivo (art. 68 , § 2.°, CF/88), asuspensão daeficáciadelei

declaradainconstitucionalpelo SupremoTribunal Federal em controledifuso

de constitucionalidade (recurso extraordinário) (art. 52, X, CF/88) ou ainda

a fixação dealíquotasaplicáveisacertasoperações (art. 155, § 2. ° , IV, CF/88).

126

DIREITO CO NSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

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§

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

4

PO DER EXECUTIVO

 

.

127

O Poder Executivo é aquele que tem a finalidade (função típica) de

administrar egerenciar oEstado. RealizaatosdechefiadeEstado,degovernoe deadministração. Alémdisso, também exerceafunçãolegislativapormeiode

medidasprovisóriaseleisdelegadas. Participa, ainda, doprocessolegislativo

pelainiciativa,sançãoouvetoepromulgaçãodasleis. O Poder Executivoestá

previsto na Constituição Federal vigente no Capítulo 11 do Título IV (arts.

76-91). No Brasil, ele existe nas três esferas político-administrativas.

4

/

Esfera federal

 

.

Échefiado pelo PresidentedaRepública (cidadão brasileiro nato, idade

mínima de 35 anos- art. 14, § 3 ° , VI, a, CF/88), tendo como auxiliaresdiretos

o Vice-Presidente e os Ministros de Estado.

4 . 2

Esfera estadual

ÉchefiadopeloGovernadordoEstado (cidadãobrasileiro, idademínima

de 30 anos - art. 14, § 3.°, VI, b, CF/88), tendo como auxiliares diretos o

Vice-Governador e os Secretários Estaduais. No Distrito Federal há também

Governador e Vice-Governador, porém existem Secretários Distritais.

4 . 3 Esfera municipal

Échefiadopelo PrefeitodoMunicípio (cidadãobrasileiro, idademínima

de 21 anos - art. 14, § 3.°, VI, c, CF/88), tendo como auxiliares diretos o

Vice-Prefeito e os Secretários Municipais. Destaque-se que em Municípios

com 200.000 eleitores ou menos a eleição é feita em um só turno (art. 29, II,

da CF/88).

O mandato dos chefes do Poder Executivo é de quatro anos , sendo

possível a reeleição por apenas um período subsequente (§ 5. ° do art. 14 da

CF/88). A eleição do Presidente da República e do Vice-Presidente com ele

registrado será realizada no primeiro domingo de outubro (primeiro turno)

e, se necessário, também no último domingo de outubro (segundo turno) do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente (art. 77 da

CF/88). Os vencedores devem alcançar a maioria absoluta de votos válidos

(sistemamajoritárioabsoluto),nãocomputadososbrancoseosnulos(art. 77,

§ 2.°, CF/88). Aposse seráno dia 1.° dejaneiro do ano seguinteàsua eleição,

perante o Congresso Nacional (art. 82 da CF/88). Se a posse de qualquer

128

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

deles não ocorrer em até 10 dias depois desse prazo , salvo motivo de força

m aior , o cargo será considerado vago (parágrafo único do art. 78 da CF/88).

Sobre a sucessão e a substituição do Presidente da República pode-se afirmar o que segue (arts. 79-81 , CF/88).

Em caso de sucessão , o Presidente da República não retornará mais

ao cargo que ocupava. São exemplos a morte , a invalidez permanente, o

impeachment , entre outros.

Havendo substituição , o Presidenteseafastapararetornarposteriormente

ao cargo. Por exemplo: a suspensão de suas funções em processo comum ou

de responsabilidade movido contra ele (art. 86 , § 1.°, CF/88), a licença para

tratamento de saúde etc.

O Presidente será substituído e sucedido pelo Vice-Presidente (art . 79 da CF/88) , e na falta deste, sucessivamente, pelo Presidente da Câmara dos

Deputados , peloPresidentedoSenadoFederal epeloPresidentedoSupremo

Tribunal Federal (art. 80 da CF/88).

A sucessão pelos três últimos é sempre provisória , pois, se vagarem os

cargos tanto dePresidentequanto deVice-Presidenteda República , deverão ser realizadas novas eleiçõespara o preenchimento deambos os cargos , e os

eleitosapenascompletarãooperíodoremanescentedomandatopresidencial

(art. 81, § 2.°, CF/88). No momento em que ocorrer a vacância de ambos os cargos, se faltarem maisde doisanospara o término do mandato , as eleições

serão diretas e realizadas em 90 dias (art. 81 , caput, CF/88). Se faltar período

inferior a dois anos , a eleição será indireta, pelo Congresso Nacional, em 30

dias (art. 81, § 1.°, CF/88).

O PresidenteeoVice-Presidentenãopoderão , sem licençado Congresso

Nacional, ausentar-se do País por período superior a 15 dias , sob pena de

perda do cargo (art. 83 da CF/88). O Presidente exerce o Poder Executivo auxiliado pelos Ministros de

Estado , nomeando-os e demitindo-os livremente. Os Ministros de Estado

serão escolhidos dentre brasileiros maiores de 21 anos e no exercício dos

direitos políticos. Destaque-se que o Ministro de Estado da Defesa deve ser

brasileiro nato. Suas funções estão descritas no art. 87 da CF/88 .

Compete ao Presidente da República (art. 84 da CF/88) , em especial:

4 . 4 Participação no processo legislativo

Nas leis ordinárias e complementares , o Presidente participa da fase de

iniciativa(apresentando projetos) , dafasedeliberativa (pormeiodasançãoou

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

129

doveto) edafasecomplementar (por meiodapromulgaçãoedeterminaçãode

publicação) - art. 84, III aV, da CF/88. Além disso, podeapresentar projetos

de emenda constitucional, editar medidas provisórias com força de lei (art. 84, XXVI, CF/88) e elaborar leis delegadas (art. 68 da CF/88).

4 . 5

Regulamentação das normas

Elaboração de decretos e regulamentos para assegurar a fiel execução

dasleis- o decreto éoveículo demanifestação do PresidentedaRepública. O presidenteexpede decretos denomeação, deremoção ou dedemissão. Além

disso, ao Executivo cabe regulamentar a lei para lhe dar aplicação .

4 . 6 Atuação no plano internacional

Cabeao Presidentemanter relaçõescom Estadosestrangeiroseacreditar seus representantes diplomáticos (art. 84 , VII, CF/88), celebrar tratados,

convençõese atosinternacionais ,

sujeitosaoreferendodoCongressoNacional

(art. 84, VIII, CF/88), declarar a guerra (art. 84, XIX, CF/88), celebrar a paz

(art. 84, XX, CF/88) e, ainda, autorizar, nos termosdelei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam

temporariamente (art. 84 , XXII, CF/88).

4 . 7 Atuação quanto ao funcionalismo público federal

Ao Presidente da República compete nomear e exonerar os Ministros de Estado livremente (art. 84 , I, CF/88), exercer a direção superior da administração federal (art. 84 , II, CF/88), dispor, mediante decreto, sobre sua organização e funcionamento (art. 84 , VI, CF/88) eprover e extinguir os cargos públicos federais (art. 84 , XXV, CF/88).

4 . 8 Atuação em relação às Forças Armadas

Ao Presidentecompeteexercer ocomandosupremodasForçasArmadas

(art. 84, XIII, da CF/88).

4 . 9 Nomeação de autoridades

Compete ao Presidente nomear , com a aprovação do Senado Federal,

os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores , os Governadores de Territórios , o Procurador-Geral daRepública, o Presidente

e os Diretores do Banco Central , os Ministros do Tribunal de Contas da

União (art. 84, XIV e XV , CF/88), e nomear livremente os magistrados, o

130 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Advogado-Geral da União, nos casos previstos na Constituição (art. 84,

XVI , CF/88), osmembrosdo Conselho de República, nos termosdo art. 89, VII, da CF/88 (art. 84, XVII, CF/88), os membros do Conselho Nacional

do Ministério Público e do Conselho Nacional de Justiça (arts. 130-A e

103-B da CF/88).

4 . 10

Conselho da República e Conselho de Defesa Nacional

Ambos são órgãos de consulta do Presidente da República e emitem pareceres não vinculativos, podendo ser acolhidos ou não. Conselho da República: órgão superior de consulta do Presidente da Repúblicacompostopor autoridadespúblicas, membrosdo Congressoeseis

cidadãos brasileiros natos (art. 89, VII, da CF/88), dois eleitos pela Câmara

dosDeputadosedoispeloSenado Federal (arts. 51, V, e 52, XIV, da CF/88) e

dois nomeados pelo Presidente da República.

O Conselho da República pronuncia-se sobre intervenção federal,

decretação de estado de defesa e estado de sítio e outras questões relevantes

paraa estabilidadedasinstituiçõesdemocráticas (art. 90 da CF/88).

Conselho de Defesa Nacional: composto pelo Vice-Presidente da

República,pelosPresidentesdaCâmaradosDeputadosedoSenadoFederal, pelosMinistrosdajustiça, deEstadoda Defesa, dasRelaçõesExterioresedo

PlanejamentoepelosComandantesdaMarinha, doExércitoedaAeronáutica

(art. 91 da CF/88).

Competeatal Conselhoopinaremmatériasrelativasàdefesadoterritório nacional, especialmente nas áreas de fronteiras, em decretação de estado de

defesa ou de sítio e intervenção federal.

4 . 11

Oimpeachment

O impeachment (impedimento) deveserentendidocomooprocessopelo

qual o Poder Legislativo puneaconduta daautoridadepúblicaquecometeu crimederesponsabilidade, destituindo-a do cargo eimpondo-lheuma pena

de caráter político.

No Brasil, o impeachment está previsto desde a Constituição de 1824 e

esteve presente em todas as Constituições republicanas.

Oart.86daConstituiçãoFederalvigentedivideoprocessodeimpeachment

em duas fases:

a) ACâmaradosDeputados,apósadmitidaaacusaçãofeitaporqualquer cidadão, limita-se pela maioria de 2/3 de seus membros a receber

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

131

ou não a denúncia. Esse ato de recebimento ou não da denúncia

,

decisão quenãojulgao mérito do processo , échamado peladoutrina

dejuízo de admissibilidade (tribunal de pronúncia - art. 80 da Lei

1 . 079/1950).

Tal pronúncia , realizadapelaCâmaradosDeputados, implicatãosomente

na processabilidade do Presidente da República ou de seus Ministros , se realizarem crimes conexos com aquele , ou seja, a Câmara considerou haver

indícios e razoáveis provas do ato imputado ao acusado . Se não constatasse

tal situação, poderia opinar pelo arquivamento.

b) A acusação é encaminhada ao Senado Federal (crimes de respon-

sabilidade), que, seinstaurar o processo , suspenderá o Presidentede

suas funções (art. 86, § 1.° , II, da CF/88). Se, decorrido o prazo de

180 dias , ojulgamento não estiver concluído, cessará o afastamento

do Presidente , sem prejuízo do regular prosseguimento do processo

(art. 86, §2.°, da CF/88).

Opapel doSenado,aoapreciaraimputaçãoaoacusadodeatosatentatórios

à Constituição e à lei , previstos de forma genérica no art. 85 da CF/88 e

especificados em lei ordinária especial (Lei 1 . 079/1950) , deverá limitar- se à verificação da adequação deles às hipóteses legais . É uma atividade

jurisdicional.

Ojulgamento, presidido pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal

,

poderá resultar em absolvição, com o arquivamento do processo, ou em

condenação por 2/3 dos votos do Senado Federal , limitando-se a decisão à

perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função

pública, semprejuízodasdemaissançõesjudiciaiscabíveis(art. 52, parágrafo

único, da CF/88).

Além do Presidente da República e do Vice-Presidente , de acordo com

a Constituição Federal , podem ser passíveis de punição pelo cometimento de crimes de responsabilidade os Ministros de Estado e os Comandantes da

Marinha, do Exército e da Aeronáutica , nos crimes conexos com aqueles

praticados pelo Presidente; os Ministros do Supremo Tribunal Federal,

os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do

M inistério Público , o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral

da

União (art. 52 , 1 e II , da CF/88).

As condutas definidas como crimes de responsabilidade do Presidente

132

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Inote

BEM

Governadores (Lei 1.079/1950) e Prefeitos (Decreto lei

201/1967).

4 . 12 Processo ejulgamento do Presidente da República nos crimes

co m u n s

Autorizado oprocessopelaCâmaradosDeputados, esteseráinstaurado

pelo Supremo Tribunal Federal, com o recebimento da denúncia (oferecida

pelo Procurador-Geral da República), tendo como consequência imediata

,

a suspensão do Presidente da República de suas funções (art. 86, § 1. ° da CF/88), prosseguindo o processo nos termos do regimento interno do Supremo Tribunal e da legislação pertinente (Lei 8.038/1990).

Nesse caso, a condenação do Presidente importa em consequências de natureza penal e, somente por efeitos reflexos e indiretos, na perda do cargo (art. 15, III, da CF/88). Destaque-sequeo PresidentedaRepúblicasópodeser

julgado por crimecomum em razão da função (irresponsabilidaderelativa-

imunidade temporária- prescrição suspensa).

Art. 86, §§ 3.° e 4.°, da CF/88: "§ 3.° Enquanto não sobrevier

sentença condenatória, nas infrações comuns, o Presidente

da República não estará sujeito a prisão. § 4.° O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser

responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas

funções".

note

IBEM

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

133

Federal:

- Presidente da República + vice-presidente

(brasileiros natos)

- Mandato: 4 anos (possível reeleição)

- Sistema majoritário abso luto

Estadual:

- Governador do Estado + vice-governador

- Mandato: 4 anos (possível reeleição)

- Sistema majoritário absoluto

Poder Executivo no

Brasil

(Art. 76/91, CF)

Distrital

- Governador Distrital + vice-governador - Mandato: 4 anos (possível reeleição)

- Sistema majoritário absoluto

Municipal

- Prefeito Municipal + vice-prefeito

- Mandato: 4 anos (possível reeleição)

Obs.:

- > Sistema majoritário absoluto = município com +

de 200.000 eleitores

Sistema majoritário simples = município com até

5 .

200.000 eleitores

PODERJUDICIÁRIO

O Poder Judiciário tem afunçãodeexercer ajurisdição, ou seja,compete a ele resolver as lides (arts. 92-126 da CF/88). Desse modo, com o objetivo de resolver o litígio, deve aplicar o direito ao caso concreto.

O Judiciário, além de sua função típica, que é a jurisdicional , exerce

funções atípicas quando administra ou legisla: administra quando concede

licençaefériasaosseusmembroseserventuários (art. 96,1,/, CF/88);elegisla

quando edita normas regimentais (art. 96,1, a, CF/88).

No Brasil , o Poderjudiciáriopodeser dividido em umajustiçadeâmbito

federal (comum ou especializada) e em uma justiça estadual (residual - o quenão for competência federal comum ou especializada). AJustiça Federal comum de primeira instância tem a competência estabelecida no art. 109

da CF/88. Consideram-se como Justiça especializada federal asJustiças Trabalhista, Eleitoral e Militar (arts. 111-124 da CF/88). Destaque-se que há

134 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

autorização constitucional paraacri ação dejuizadosEspeciaisedajustiçade

Paz (art. 98,1e II, CF/88) e dajustiça Militar estadual (art. 125, § 3.°, CF/88).

A Constituição Federal de 1988 estabeleceosórgãosdo PoderJudiciário

no art. 92, onde temos: o Supremo Tri bunal Federal (tutela constitucional),

o Conselho Nacional deJustiça, o Superior Tribunal deJustiça, os Tribunais

Regionais Federais eJuízes Federais, os Tribunais eJuízes do Trabalho, os

Tribunais eJuízes Eleitorais, os Tribunais eJuízes Militares, os Tribunais e

Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.

O ingresso na carreira é feito por meio de concurso público de provas

e títulos, cujo cargo será o dejuiz substituto, com a participação da Ordem

dos Advogados do Brasil em todas assuas fases, exigindo-se do bacharel em

direito, no mínimo, três anos de atividadejurídica e obedecendo-se à ordem

de classifi cação nas nomeações (art. 93,1, CF/88).

Destaque-se que 1/5 dos lugares dos Tribunais Regionais Federais, dos

Tribunais dos Estados e do Distrito Federal e Territórios será composto por

membros do Ministério Público e por advogados com mais de 10 anos de carreiraou deefetivaatividadeprofi ssional, indicadosem listasêxtuplapelos

órgãos de representação das respectivas classes. Recebidas as indicações, o

i bunal formará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo, que nos 20

T

dias subsequentes escolherá um de seus integrantes para nomeação (art. 94

e parágrafo único da CF/88). A EC 45/2004 inseriu o quinto constitucional

naJustiça do Trabalho: nos Tribunais Regionais do Trabalho - art. 115,1, da

r

CF/88 e no Tribunal Superior do Trabalho - art. 111-A, I, da CF/88.

Com o objetivo de assegurar a imparcialidade e a tranquilidade dos

magistrados no exercício de suas funções, foram estabelecidas as seguintes

garantias (art. 95 da CF/88):

a) vitaliciedade: asseguraao magistrado aprerrogativadesóser demitido

após o trânsito emjulgado da decisãojudicial. A vitaliciedade, no primeiro grau de jurisdição, é adquirida após dois anos de estágio probatório, que

se inicia com o efetivo exercício depois da posse. Já no segundo grau de

jurisdição, avitaliciedadesedá com o efetivo exercício, que ocorredepoisda

posse (quinto constitucional). Também énecessáriaa participação em curso

oficial ou reconhecido por escola nacional de formação e aperfeiçoamento de magistrados: art. 93, IV, da CF/88.

b) inamovibilidade: é a vedação de remoção do magistrado de um cargo para outro, salvo por motivo de interesse público, mediante decisão por

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

voto da maioria absoluta do respectivo Tribunal ou do Conselho Nacional

dejustiça, assegurada ampla defesa (art. 93, VIII, da CF/88).

c) irredutibilidade de subsídio: assegura que o magistrado não tenha

diminuído o valor de seus subsídios, salvo imposição legal (ressalvado o disposto nosarts. 37, X e XI, 39, § 4.°, 150, II, 153, III, e 153, § 2.°, I, CF/88).

5 . /

Garantias do Poder Judiciário

Estão definidas nos arts. 99 e 96 da CF/88: autonomia administrativa e

financeira, elaboração de regimentos internos, organização das secretarias e serviços auxiliares, iniciativa reservada de projetos de lei de interesse do

Judiciário, entre outras.

Proibições: objetivando assegurar a imparcialidade dos magistrados,

a Constituição Federal vigente proíbe determinadas atividades no art. 95,

parágrafo único, como, por exemplo, a dedicação a atividade político-

partidáriaeo recebimento decustasou participação nosprocessosquedevem

julgar. Destaquem-seasproibiçõesrecentes, acrescentadaspelaEC45/2004:

" IV - receber , a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de

pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstasem lei;V- exercer aadvocacianojuízo ou tribunal doqual seafastou, antes dedecorridos três anosdo afastamento do cargo por aposentadoria ou

exoneração " (quarentena).

5 . 2 Principais características

A definitividade é um traço marcante da jurisdição. As soluções de litígiospelaAdministração não são definitivas. Poderão , sempre, ser levadas aoJudiciário, para que ali, escoados os recursos, se opere a definitividade da

decisão.

Oscrimesde responsabiIidade (art. 52,1e 11, CF/88), cujasdecisões

definitivas são proferidas pelo Senado Federal.

Étambémcaracterísticadafunçãojurisdicional anecessidadedelitígio ,

a existência de um conflito qualificado por uma pretensão resistida. Trata-

136

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

se, portanto, de função provocada, pois aaplicação da lei não sedáde forma espontânea e automática. O lesado tem de comparecer diante do Poder

Judiciário.

Ressalte-se a importância da Lei de Arbitragem (Lei 9.307/1996) como

mecanismo para a solução das lides que envolvem direitos patrimoniais

disponíveis.

5 . 3 Supremo Tribunal Federal

OSupremoTribunal Federal (STF) éoórgãomáximodoPoderjudiciário.

Acha-seinstaladonaCapital Federal (art. 92, § 1,°, CF/88) etemcomofunção fundamental a guarda da Constituição Federal (art. 102 da CF/88). Composição: 11 membros denominados Ministros, escolhidos dentre

cidadãosbrasileiros natos, com mais de 35 e menos de 65 anos de idade, com

notável saberjurídico e reputação ilibada. Forma de nomeação: nomeados pelo Presidente da República com

aprovaçãopréviadoSenadopormaioriaabsolutadevotos(art. 101,parágrafo

único, CF/88).

Competência do STF:

a) originária (art. 102, I, CF/88): ADln, ADECON e ADPF; julgar

as infrações penais comuns do Presidente da República, do Vice-

Presidente, dos membros do Congresso Nacional, de seus próprios

Ministros e do Procurador-Geral da República; as infrações penais

comuns e os crimes de responsabilidade dos Ministros de Estado e

dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, exceto

oscrimesderesponsabilidadeconexoscomoPresidentedaRepública

(art. 52, I, CF/88), dos Membros dos Tribunais Superiores, dos

Membros do Tribunal de Contas da União e dos chefes de missão

diplomática de caráter permanente, entre outros casos;

b) recursal ordinária (art. 102, II, CF/88): julgar, em recurso ordinário,

o habeascorpus, o mandado desegurança, o habeasdataeomandado

deinjunçãodecididosemúnicainstânciapelosTribunaisSuperiores,

se denegatória a decisão, e o crime político;

c) recursal extraordinária (art. 102, III, CF/88): julgar, em recurso

extraordinário, as causas decididas em única ou última instância,

quando a decisão recorrida contrariar dispositivo da Constituição,

declarar ainconstitucionalidadedetratadoou lei federal,julgarválida

lei ou ato de governo local contestado em face da Constituição ou

julgar válida lei local contestada em face de lei federal.

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

137

Observe-se que, napropositurado recurso extraordinário, o recorrente

deverádemonstrararepercussãogeraldasquestõesconstitucionaisdiscutidas

n o caso , nos termos da lei, a

f

im de que o Tribunal examine a admissão do

recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de

seus membros (art. 102, § 3 ° , CF/88). A Lei 11.418/2006 regulamentou a

repercussão geral das questões constitucionais para admissão do recurso

extraordinário (a existência, ou não, de questões relevantes do ponto de

vista económico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses

subjetivos da causa- art. 543-A, § 1, ° , CPC; haverá repercussão geral sempre

que o recurso impugnar decisão contrária a súmula ou jurisprudência

dominante do Tribunal - art. 543-A, § 3.°, CPC).

Súmulas do Supremo Tribunal Federal sobre recurso extraordinário:

Súmula 279: "Para simples reexame de prova não cabe recurso

extraordinário "

.

Súmula 281: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando couber

naJustiça de origem recurso ordinário da decisão impugnada "

.

Súmula 282: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada "

.

Súmula283: "Éinadmissível orecursoextraordinário, quandoadecisão

recorrida assenta em mais de um fundamento su i ciente e o recurso não

abrange todos eles "

.

Súmula 284: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a

defi ciência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da

controvérsia "

.

Súmula 285: "Não sendo razoável a arguição de inconstitucionalidade,

não se conhece do recurso extraordinário fundado na letra c do art. 101,111,

da Constituição Federal" (refere-seà CF/1946- videart. 102, III, c, da CF/88).

Súmula 286: "Não se conhece do recurso extraordinário fundado em

divergênciajurisprudencial, quando a orientação do plenário do Supremo

Tribunal Federaljá se

Súmula 287: "Nega-se provimento ao agravo, quando a deficiência na

sua fundamentação, ou na do recurso extraordinário, não permitir a exata

f

irmou no mesmo sentido da decisão recorrida".

compreensão da controvérsia "

.

Súmula 288: "Nega-se provimento a agravo para subida de recurso extraordinário, quando faltar no traslado o despacho agravado, a decisão

138

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

recorrida , a petição de recurso extraordiná i o ou qualquer peça essencial à

compreensão da controvérsia "

.

r

Súmula289: "O provimento do agravopor umadasTurmasdo Supremo Tribunal Federal,aindaquesemressalva , nãoprejudicaaquestãodocabimento

do recurso extraordinário".

Súmula 299: "O recurso ordinário e o extraordinário interpostos no

mesmo processo de mandado de segurança , ou de habeas corpus, serão

julgados conjuntamente pelo Tribunal Pleno "

.

Súmula369: "Julgadosdo mesmo tribunal nãoservem parafundamentar o recurso extraordinário por divergênciajurisprudencial " Súmula 454: "Simples interpretação de cláusulas contratuais não dá lugar a recurso extraordinário".

Súmula 456: "O Supremo Tribunal Federal , conhecendo do recurso

extraordinário,julgará a causa, aplicando o direito à espécie " Súmula 634: "Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder

medidacautelarparadar efeitosuspensivoarecursoextraordinárioqueainda não foi objeto dejuízo de admissibilidade na origem "

Súmula635: "Cabeao PresidentedoTribunaldeorigemdecidir opedido

de medida cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo

de admissibilidade" .

Súmula 636: "Não cabe recurso extraordinário por contrariedade ao

princípioconstitucional dalegalidade, quandoasuaveri i cação pressuponha

.

.

.

f

rever a interpretação dada a normas infraconstitucionais pela decisão

recorrida "

.

Súmula 637: "Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de Tribunal

deJustiça que defere pedido de intervenção estadual em Município".

Súmula 638: "A controvérsia sobre a incidência , ou não, de correção

monetária em operações de crédito rural é de natureza infraconstitucional ,

não viabilizando recurso extraordinário "

.

Súmula639: "Aplica-seaSúmula 288quando não constaremdo traslado do agravo de instrumento as cópias das peças necessárias à verificação

da tempestividade do recurso extraordinário não admitido pela decisão agravada "

.

Súmula640: "Écabível recursoextraordináriocontradecisãoproferida

por juiz de primeiro grau nas causas de alçada, ou por turma recursal de

juizado especial cível e criminal".

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

139

Súmula727: "NãopodeomagistradodeixardeencaminharaoSupremo Tribunal Federal o agravo de instrumento interposto da decisão que não

admite recurso extraordinário, ainda que referente a causa instaurada no âmbito dosjuizados especiais".

Súmula 728: "É de três dias o prazo para a interposição de recurso

extraordinário contra decisão do Tribunal Superior Eleitoral, contado,

quando for o caso, a partir da publicação do acórdão, na própria sessão de julgamento, nos termos do art. 12 da Lei 6.055/1974, que não foi revogado

pela Lei 8.950/1994 "

.

Súmula 733: "Não caberecurso extraordinário contradecisão proferida no processamento de precatórios " Súmula735: "Não caberecursoextraordináriocontraacórdão quedefere

medida liminar "

.

.

O SupremoTribunal Federal, desde de 1.° de agosto de 2010,

exige que sejam protocoladas na Corte exclusivamente por

meio eletrônico as seguintes peças: Ação Cautelar; Ação Rescisória; HabeasCorpus; MandadodeSegurança; Mandado

de Injunção; Suspensão de Liminar; Suspensão de Segurança

e Suspensão deTutela Antecipada. As três últimas classes são processosde competência da Presidência da Corte.

Em fevereiro de 2010, passaram a tramitar de forma exclusivamente eletrônica seis tipos de ações originárias,

ou seja, que têm início no STF: Reclamações, Ações

Diretas de Inconstitucionalidade, Ações Declaratórias de

Constitucionalidade, Ações Diretas de Inconstitucionalidade

por Omissão, Arguições de Descumprimento de Preceito

note

BEM

Fundamental e Propostas de SúmulaVinculante.

O Recurso Extraordináriofoi oprecursordo processoeletrônico na Corte, com início em junho de 2007.

Súmula vinculante: art. 103-A (acrescentado pela EC 45/2004):

" Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por

provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a

partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em

140

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

relação aosdemaisórgãos do PoderJudiciário e à administração pública direta e indireta , nas esferas federal, estadual e municipal, bem como

proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.

§ 1.°A súmula terá porobjetivo avalidade, a interpretação e aeficácia

de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre

órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete

grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre

questão idêntica.

§ 2.° Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação,

revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade.

§3 . ° Doato administrativoou decisãojudicial quecontrariarasúmula

aplicável ouqueindevidamenteaaplicar, caberáreclamaçãoaoSupremo

Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo

ou cassará a decisão judicial reclamada , e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso."

A Lei 11.417/2006 regulamentou a súmula vinculante , e dentre as

novidadeshouveaampliaçãodalegitimidadeativaparaproporacriação , revisão

ou cancelamento da súmula vinculante (Defensor Público-Geral da União , Tribunais Superiores , Tribunais deJustiça de Estados ou do Distrito Federal

e Territórios , Tribunais Regionais Federais, Tribunais Regionais do Trabalho,

Tribunais Regionais Eleitorais e Tribunais Militares. Além disso , admite-se

incidentalmentea propositura pelos Municípios- art . 3.°, VI, XI e § 1.°).

O Supremo Tribunal Federal, desde de 1.° de agosto de 2010,

exigequesejamprotocoladasnaCorteexclusivamentepor meio

eletrônico as seguintes peças: Ação Cautelar; Ação Rescisória;

HabeasCorpus; Mandado de Segurança; Mandado de Injunção; Suspensão de Liminar; Suspensão de Segurança e Suspensão de Tutela Antecipada. As três últimas classes são processos de competência da Presidência da Corte.

Em fevereiro de2010 passaram a tramitar unicamente naforma eletrônica, seistiposdeaçõesoriginárias, ou seja, quetêm início

no STF: Reclamações, Ações Diretas de Inconstitucionalidade,

Ações Declaratórias de Constitucionalidade, Ações Diretas

de Inconstitucionalidade por Omissão, Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental e Propostas de Súmula Vinculante. O Recurso Extraordinário foi o precursor do processo eletrônico na Corte, com início em junho de2007.

note

BEM

W

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

5 . 4 Superior Tribunal de Justiça

14 1

O Superior Tribunal dejustiça (STJ) foi criado pelaConstituiçãoFederal

de 1988 e acha-se instalado na Capital Federal (art. 92, § 1.°, CF/88), tendo

como função principal assegurar a supremacia da legislação federal em todo

o País (art. 105 da CF/88).

Composição: no mínimo 33 Ministros (art. 104, caput, CF/88).

Forma de nomeação: nomeados pelo Presidente da República , dentre

brasileiros com mais de 35 e menos de 65 anos de idade, de notável saber

jurídico e reputação ilibada, depois de aprovada a escolha pela maioria

absolutado Senado Federal, sendo: 1/3dentredesembargadoresfederaisdos

Tribunais RegionaisFederais e 1/3 dentredesembargadoresdosTribunaisde

Justiça, indicados em lista trípliceelaborada pelo próprio Tribunal; e 1/3, em

partes iguais, dentre advogados e membros do Ministério Público Federal,

Estadual, do Distrito Federal e Territórios, alternadamente, indicados na

forma do art. 94 da CF/88 (art. 104, parágrafo único, I e II, CF/88).

Competência do STJ:

a) originária(art. 105,1, CF/88): processar ejulgar, noscrimescomuns,

os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e nestes e nos de

responsabilidade os desembargadores dos Tribunais dejustiça dos

Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas

dosEstadosedo Distrito Federal, osdosTribunais RegionaisFederais,

dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os dos Conselhos

ou Tribunaisde ContasdosMunicípioseosdo Ministério Público da União que oficiem perante Tribunais; a homologação de sentenças estrangeiras eaconcessão de exequaturàs cartas rogatórias (art. 105,

I , i, CF/88, acrescentado pela EC 45/2004), entre outros casos;

b) recursal ordinária (art. 105, II, CF/88):julgar,em recurso ordinário,os

habeascorpusdecididosem únicaou últimainstânciapelosTribunais

RegionaisFederaisou pelosTribunaisdosEstados, do Distrito Federal eTerritórios, osmandadosdesegurançadecididosemúnicainstância

pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados,

do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão, e

as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional, deum lado, e, do outro, Município ou pessoaresidente

ou domiciliada no País;

142

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

c) recursal especial (art. 105 , III, CF/88): julgar, em recurso especial, as causas decididas em única ou última instância pelos Tribunais

RegionaisFederaisou pelosTribunaisdosEstados , do Distrito Federal

e Territórios quando a decisão recorrida: contrariar tratado ou lei

federal ou negar-lhes vigência; julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; e der a lei federal interpretação

divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal .

Súmulas do Superior Tribunal deJustiça sobre recurso especial:

Súmula 5: "A simples interpretação de cláusula contratual não enseja

recurso especial "

.

Súmula7: "A pretensão desimplesreexamedeprovanãoensejarecurso

especial "

.

Súmula 13: "A divergênciaentrejulgadosdomesmoTribunal nãoenseja

recurso especial "

.

Súmula83: "Nãoseconhecedorecursoespecial peladivergência , quando

a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida"

.

Súmula 86: "Cabe recurso especial contra acórdão proferido no julga-

mento de agravo de instrumento "

.

Súmula98: "Embargosdedeclaração manifestadoscom notóriopropó-

sito de prequestionamento não têm caráter protelatório "

.

Súmula 115: "Na instânciaespecial éinexistenterecurso interpostopor

advogado sem procuração nos autos "

.

Súmula 116: "A Fazenda Publica e o Ministério Público têm prazo em

dobro para interpor agravo regimental no

Superior Tribunal deJustiça" .

Súmula 123: "A decisão que admite , ou não, o recurso especial deve ser

fundamentada , comoexamedosseuspressupostosgeraiseconstitucionais".

Súmula 126: "Éinadmissível recurso especial , quando o acórdão recor-

rido assenta em fundamentos constitucional

e infraconstitucional , qualquer

deles suficiente, por si só , para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta

recurso extraordinário "

.

Súmula 187: "É deserto o recurso interposto para o Superior Tribunal

de Justiça , quando o recorrente não recolhe, na origem, a importância das

despesas de remessa e retorno dos autos".

Súmula 203: "Não cabe recurso especial contra decisão proferida por

órgão de segundo grau dosJuizados Especiais".

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO

DOS PODERES

14 3

Súmula 211: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a

despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tri-

bunal a quo".

Súmula 216: "A tempestividade de recurso interposto no Superior Tri-

bunal deJustiça éaferida pelo registro no protocolo da Secretaria enão pela

data da entrega na agência do correio".

Súmula315: "Não cabem embargosdedivergência noâmbitodoagravo de instrumento que não admite recurso especial". Súmula 316: "Cabem embargos de divergência contra acórdão que, em

agravo regimental, decide recurso especial " Súmula320: "A questão federal somenteventiladano voto vencido não

.

atende ao requisito do prequestionamento "

.

Destaque-se que funcionará junto ao Superior Tribunal deJustiça o

Conselho dajustiçaFederal, cabendo-lhe, naformadalei, exercer asupervisão

administrativaeorçamentáriadaJustiçaFederal deprimeiroesegundograus,

como órgão central do sistema e com poderes correcionais, cujas decisões

terão carátervinculante (art. 105, parágrafoúnico, II, da CF/88). Além disso, funcionaráaescolanacional de formação eaperfeiçoamentodemagistrados,

cabendo-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o

ingresso e promoção na carreira (art. 105, parágrafo único, I, CF/88).

Art. 102 da CF/1988

Inciso I - competência originária - STF:

ADI, ADC, ADPF, Extradição, entre

outros.

Atentar para as hipóteses de HC, MS e

M l

Inciso II - competência ordinária -

RO C

Indeferimento HC em única instância

por Tribunal Superior, entre outros

Inciso III - RE (observar o § 3.° do art.

102 que prevê repercussão geral para

admissão do RE, disciplinada por Lei

11.418/2006 - arts. 543-A e 543-B, CPC)

Art. 105 da CF/1988

Inciso I - competência originária - STJ:

Governador de Estado que comete

crime comum, homologação de

sentença estrangeira, entre outros.

Atentar para as hipóteses de HC, MS e

M l

Inciso II - competência ordinária -

RO C

Indeferimento HC em única ou última

instância porTJ/TRF, entre outros.

Inciso III - REsp.

144

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

5 . 5 Principais pontos da EC45/2004: reforma do Poder Judiciário

a) instituiçãodoprincípiodaceleridade: art. 5.° , LXXVIII, da CF/88 (art.

7 . ° , §§ 4", 50e 60, art. 80, § I0e 25 § I0da Convenção Americana sobre

DireitosHumanospromulgadapelo Decreto 678/1992: celeridadena

instrução);

Também conhecido por princípio da brevidade ou razoável duração

do processo, determina que todos os processos , sejam administrativos ou

judiciais, devem ser decididos o mais breve possível, respeitando todas as

garantias constitucionais.

Cumpre lembrar que já havia tal previsão na Convenção Americana

sobre Direitos Humanos (Pacto deSãoJoséda Costa Rica) , promulgada pelo

Decreto 678, de 06.11.1992): "Art. 7.° Direito à liberdade pessoal: (

) 6.

Todapessoaprivada da liberdade tem direito a recorrer a umjuiz ou tribunal

competente, a fim de que este decida , sem demora, sobre a legalidade desua

prisãooudetençãoeordenesuasoltura,seaprisãoouadetençãoforemilegais.

); Art. 8.° Garantiasjudiciais: 1. Todapessoa tem direito aser ouvida, com

(

as devidas garantias e dentro de um prazo razoável , por um juiz ou tribunal

competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei,

formuladacontraela , ou para que se

determinem seus direitos ou obrigações de natureza civil , trabalhista, fiscal

naapuraçãodequalquer acusação penal

ou de qualquer outra natureza. (

)

"

Decisãojudicial sobre o tema:

" Habeascorpus. Writ impetrado noSuperior Tribunal deJustiça . Demora

no julgamento. Direito à razoável duração do processo . Natureza mesm a

do habeas corpus. Primazia sobre qualquer outra ação. Ordem concedida. O habeas corpus é a via processual que tutela especificamente a liberdade de locomoção, bem jurídico mais fortemente protegido por uma dada ação constitucional. O direito à razoável duração do processo , do ângulo do indivíduo , transmuta-se em tradicional garantia de acesso eficaz ao Poder

Judiciário. Direito esse a que corresponde o dever estatal de julgar. No habeascorpus, o dever dedecidir se marcapor um tônusdeprestezamáxima.

Assiste ao Supremo Tribunal Federal determinar aos Tribunais Superiores o julgamento de mérito de habeas corpus, se entender irrazoável a demora

no julgamento. Isso, é claro , sempre que o impetrante se desincumbir do

seu dever processual depré-constituir a prova de que se encontra padecente

de 'violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

145

abuso de poder , (inc. LXVIII do art. 5.° da CF). Ordem concedida para que

a autoridade impetrada apresente em mesa, na primeirasessão da Turma em

que oficia, o writ ali ajuizado " (HC 91.041, j. 05.06.2007, rei. p/ o ac. Min. Carlos Britto, DJ 17.08.2007);

b) "constitucionalização dos tratadose convençõesinternacionaissobre

direitos humanos", com aprovação do Congresso Nacional, em dois

turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros- serão

equivalentes às emendas constitucionais: art. 5. ° , § 3.°, da CF/88

(possibilidade do bloco de constitucionalidade);

Trata-sedeumafaculdadeatribuídaao CongressoNacional deelevarum

tratadointernacional sobredireitoshumanosdacondiçãodenormasupralegal

paraacondiçãodeemendaconstitucional. Cite-se, comoexemplo, oDecreto

Legislativo 186, de 09 dejulho de 2008, que aprova o texto da Convenção

sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo,

assinados em Nova York em 30 de março de 2007, que foi promulgado pelo Decreto 6.949, de 25 de agosto de 2009.

Sobre o tema "status normativo do direito internacional dos direitos

humanos no direito interno brasileiro" são importantes as observações de

Luiz Flávio Gomes, que sintetiza da seguinte forma: uma primeira corrente sustentavaasupraconstitucionalidadedostratadoseconvençõesemmatéria

de direitos humanos (Celso Duvivier de Albuquerque Mello, apud Gilmar

Ferreira Mendes et al, Curso de direito constitucional, São Paulo, Saraiva,

2007, p. 654); parte dadoutrinasustentaa tesedeque os tratados dedireitos

humanos contariam com status constitucional, por força do art. 5.°, § 2.°, da Constituição Federal (FláviaPiovesan eAntonioAugusto CançadoTrindade

- tese sustentada pelo Min. Celso de Mello no HC 87.585/TO); o Supremo

Tribunal Federal tradicionalmente entendia, desde a década de 70 do século

passado,quequalquer tratadointernacional, inclusiveosdedireitoshumanos,

tinham o mesmo valor de uma lei ordinária, mesmo após a Constituição

Federal de 1988 (HC 72.131/RJ, ADln 1.480-3/DF, entre outros); de acordo

com o voto proferido pelo Min. Gilmar Mendes no RE 466.343/SP, rei. Min. Cezar Peluso, j. 22.11.2006, tais tratados contariam com status de direito

supralegal (estão acima das leis ordinárias, mas abaixo da Constituição).

Nesse sentido, Constituição Federal da Alemanha (art. 25), Constituição

francesa (art. 55) e Constituição da Grécia (art. 28).

No histórico julgamento de 03.12.2008, preponderou no Pleno do Supremo Tribunal Federal o voto do Min. Gilmar Mendes. Venceu a tese da

146

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

supralegalidadedostratados, ou seja, ostratadosjávigentesnoBrasil possuem valor supralegal (HC 90.172/SP).

Anteriormente à Emenda Constitucional 45/2004 , os tratados interna-

cionais , segundo o Supremo Tribunal Federal, se incorporavam ao ordena-

mento jurídico brasileiro como normas infraconstitucionais, com status de

lei ordinária. Nesse sentido , por maioria de votos, manifestou-se o Pretório

Excelso (ADIn 1480-3/ML, rei. Min. Celso de Mello , RTJ 83:809; RO em HC

79.785-3/RJ, rei. Min. Moreira Alves, DJ 22.11.2002; HC 72.131-1/RJ, rei.

Min. Marco Aurélio , DJ 01.08.2003).

Após a EC 45/2004 houve a possibilidade de "constitucionalização

de tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos", ou seja,

utilizando o mesmo sistema de aprovação de uma emenda constitucional ,

pode-se elevar um tratado internacional sobre direitos humanos em que o

Brasil faça parte ao status de norma constitucional.

Tal situação caracteriza o chamado "bloco de constitucionalidade" ,

que é a somatória de vários diplomas legais considerados como normas

constitucionais, não obstante terem sido elaborados em momentosdiferentes.

Destaque-se que ilustres doutrinadores entendem que o "bloco de

constitucionalidade " já era admitido no direito brasileiro com fundamento

no art. 5. ° , § 2.°, da CF/88, ondese lê: "Osdireitosegarantias expressos nesta

Constituição não excluem outrosdecorrentesdo regimeedosprincípiospor ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa

do Brasil seja parte";

c) submissão do Brasil à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a

cuja criação tenha manifestado adesão: art. 5. ° , § 4.°, da CF/88; O Estatutode Roma,quecriaoTribunal Penal Internacional, foi aprovado

em 17.07.1998, na Conferência de Roma. O Brasil o assinou em 07.02.2000

e o Congresso Nacional o aprovou através do Decreto Legislativo 112, de

06.06.2002, sendo promulgado pelo Decreto 4.388, em 25.09.2002.

A EC 45 , de 08.12.2004, acrescentou o § 4.° ao art. 5.° da CF/88, que

possui aseguinteredação: " O Brasil sesubmeteàjurisdiçãodeTribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão". Dessemodo,pode-seafirmarqueoBrasil tambémadmitiu expressamente

em sua Constituição a adesão ao Tribunal Penal Internacional.

São precedenteshistóricosdacriaçãodo Tribunal Penal Internacional os

Tribunaisde Nuremberg, deTóquio, daBósnia (ex-Iugoslávia) ede Ruanda.

O Tribunal Penal Internacional, nos termos do art. 1.° do Estatuto de

Roma , surgecomoaparatocomplementar àscortesnacionais, com o objetivo

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

147

de assegurar o fim da impunidade para os crimes mais graves em casos de

omissão ou incapacidade dos Estados. De acordo com o art. 3. ° , o Tribunal

Penal Internacional tem sede em Haia, na Holanda.

O Tribunal Penal Internacional é competente para o julgamento dos seguintes crimes (art. 5. ° ): a) crime de genocídio, tal como definido no Art. II da Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio de 1948enoart. 6"doEstatuto: homicídiodemembrosdogrupo; ofensasgraves

àintegridadefísicaou mental demembrosdogrupo; sujeição intencional do grupoacondiçõesdevidacomvistaaprovocar asuadestruiçãofísicatotal ou parcial; imposição de medidas destinadas a impedir nascimentos no seio do

grupo;etransferência,àforça,decriançasdogrupoparaoutrogrupo;b) crimes

contra a humanidade, definidos no art. 7. ° , incluindo ataquesgeneralizadose

sistemáticoscontraapopulação civil, sob a formade homicídio, extermínio,

escravidão, deportação, encarceramento, tortura, violência sexual, estupro,

prostituição, gravidez e esterilização forçadas, desaparecimento forçado de

pessoas, o crimede apartheid, entre outrosqueatentem gravemente contra a

integridade física ou mental; c) crimesdeguerra, definidos, no art. 8.°, como

violaçõesaodireitointernacional humanitário, especialmenteàsConvenções

de Genebra de 1949; d) crimes de agressão.

OscrimesdecompetênciadoTribunal Penal Internacionalnãoprescrevem

(art. 29).

O Estatuto de Roma, em seu art. 120, não admite reservas, e o art.

5 . ° , §4.°, daCF/88estabelecequeo Brasil sesubmeteàjurisdição deTribunal Penal Internacional cuja criação tenha manifestado adesão. O próprio Estatuto, no art. 102, estabelece a diferença

entre os institutos da entrega e da extradição:

a) por " entrega " entende-se a entrega de uma pessoa por um

Estado aoTribunal nos termos do presente Estatuto;

b) por "extradição" entende-se a entrega de uma pessoa por um

Estadoaoutro Estadoconformeprevistoem um tratado, em uma

convenção ou no direito interno "

.

_

note

BEM

A CF/88, no art. 5.°, LI, determina: "Nenhum brasileiro será

extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum,

praticadoantesdanaturaIização,oudecomprovadoenvolvimento emtráfico iIícitodeentorpecentesedrogasafins, naformada lei "

.

148

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Dacomparaçãodascitadasnormaspercebe-seoafastamentodo aparente

conflito, sendo possível a entrega de brasileiros natos ou naturalizados para

o Tribunal Penal Internacional, pois a Constituição veda a extradição , não a entrega. Alémdisso,oBrasil aderiu constitucionalmenteaoEstatuto deRoma;

d) exigência do bacharel em direito de três anos de atividade jurídica

para ingresso na magistratura e no Ministério Público: arts. 93,1, e 129, § 3.°, respectivamente da CF/88.

De acordo com o art. 59 da Resolução 75/2009 do CNJ , considera-se

atividade jurídica: - aquela exercida com exclusividade por bacharel em

Direito; - o efetivo exercício de advocacia , inclusive voluntária, mediante

a participação anual mínima em cinco atos privativos de advogado (art. 1 . ° da Lei 8.906/1994) em causas ou questões distintas; - o exercício de cargos, empregos ou funções, inclusive de magistério superior, que exija a utilização preponderante de conhecimentojurídico;- o exercício da função deconciliadorjuntoàTribunaisjudiciais,Juizadosespeciais,Varasespeciais,

anexos deJuizados especiais ou de Varasjudiciais , no mínimo de 16 horas

mensais e durante um ano; - o exercício da atividade de mediação ou de

arbitragem na composição de litígios.

É vedada contagem do estágio académico ou qualquer outra atividade

anterior à obtenção do grau de bacharel em Direito.

Nos termos do § 2.° do art. 59 da referida Resolução, a comprovação do tempo de atividade jurídica relativa a cargos , empregos ou funções

não privativos de bacharel em Direito será realizada mediante certidão circunstanciada, expedida pelo órgão competente, indicando as respectivas atribuiçõeseapráticareiteradadeatosqueexijam autilização preponderante de conhecimento jurídico, cabendo à Comissão de Concurso, em decisão

fundamentada, analisar a validade do documento.

Sobre o tema recomenda-se a leitura das decisões judiciais do STF

referentes aos seguintes processos: MS 27.608/2009, MS 26.682/2008 , MS

26.690/2008 e Recl. 4.939/2007;

e) fim das férias coletivas: a atividade jurisdicional será ininterrupta, sendo vedado fériascoletivas nosjuízos e tribunaisdesegundo grau,

funcionando,nosdiasem quenão houver expedienteforensenormal,

juízes em plantão permanente: art. 93, XII, da CF/88. "A EC 45/04 ao vedar as férias coletivas nosjuízos e tribunais de segundo grau ,

revogou os atos normativos inferiores que a ela se referiam , sendo pacífico o entendimento, desta Corte, no sentido de não ser cabível

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

149

a ADI contra ato revogado " (STF, ADI 3.085,j. 17.02.2005, rei. Min.

Eros Grau, DJ 28.4.2006);

0 para o vitaliciamento passa a ser etapa obrigatória a participação

em curso oficial ou reconhecido por escola nacional de formação e

aperfeiçoamento de magistrados: art. 93, IV, da CF/88; g) não será promovido ojuiz que, injustificadamente, retiver autos em seu poder além do prazo legal, não podendo devolvê-los ao cartório

sem o devido despacho ou decisão: art. 93, II, e, da CF/88;

h) controle externo da magistratura e do Ministério Público: art. 103-B

e 130-A, respectivamente, da CF/88.

A criação do CNJ e do CNMP tem a função de implementar o chamado controle externo da magistratura e do Ministério Público. Na atualidade,

constata-se a importância de tais Conselhos que realizam

f

i scalizações e

corrigem desviosdecondutademembrosdasrespectivascarreirasjurídicas.

§ 1.° O Conselho será presidido pelo Presidente do

Supremo Tribunal Federal e, nas suas ausências e impedimentos, pelo Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal. § 2.° Os demais membros do

Conselho serão nomeados pelo Presidente da República , depois deaprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. § 3. ° Não efetuadas, no prazo legal, as indicaçõesprevistasnesteartigo, caberáa escolhaao Supremo Tribunal Federal. §4.° Competeao Conselho [Nacional dejustiça] o controle

daatuação administrativa e financeirado Poderjudiciário edo cumprimento dosdeveresfuncionaisdosjuízes,cabendo-lhe,alémdeoutrasatribuiçõesque

lhe forem conferidaspelo Estatuto da Magistratura: I - zelar pela autonomia doPoderjudiciárioepelocumprimentodoEstatutodaMagistratura , podendo

expedir atosregulamentares, no âmbito desua competência, ou recomendar

providências; II - zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou

mediante provocação, a legalidade dos atos administrativos praticados por

membros ou órgãos do Poderjudiciário, podendo desconstituí-los , revê-

ixar prazo para que se adotem as providências necessárias ao exato

los ou

cumprimento da lei, sem prejuízo da competência do Tribunal de Contasda União; III - receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos

do Poderjudiciário, inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e

órgãosprestadoresdeserviçosnotariais ederegistroqueatuempor delegação

do poder público ou ofi cializados, sem prejuízo da competênciadisciplinar e correicional dos tribunais, podendo avocar processosdisciplinares em curso edeterminar a remoção, adisponibilidadeou a aposentadoria com subsídios

" Art. 103-B. (

)

f

150

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa; IV - representar ao Ministério

Público , no caso de crime contra a administração pública ou de abuso

de autoridade; V - rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de juízes e membros de tribunais julgados há menos de um ano; VI - elaborar semestralmente relatório estatístico sobre processos e sentenças prolatadas, por unidade da Federação, nos diferentes órgãos do PoderJudiciário;VII- elaborar relatório anual, propondoasprovidênciasque

julgar necessárias, sobreasituação do PoderJudiciário no Paíseasatividades do Conselho, o qual deve integrar mensagem do Presidente do Supremo

Tribunal Federal a ser remetida ao Congresso Nacional, por ocasião da aberturadasessão legislativa. § 5. ° O MinistrodoSuperior Tribunal deJustiça exercerá a função de Ministro-Corregedor e ficará excluído da distribuição de processos no Tribunal, competindo-lhe, além das atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura, as seguintes: I - receber as reclamaçõesedenúncias, dequalquer interessado, relativasaos magistrados e aos serviços judiciários; II - exercer funções executivas do Conselho, de inspeção e de correição geral; III - requisitar e designar magistrados,

delegando-lhes atribuições, e requisitar servidores de juízos ou tribunais,

inclusive nos Estados , Distrito Federal e Territórios. § 6.°Junto ao Conselho

oficiarãooProcurador-Geral daRepúblicaeoPresidentedo ConselhoFederal da Ordem dos Advogados do Brasil. § 7.° A União, inclusive no Distrito Federal e nos Territórios, criará ouvidorias de justiça, competentes para

receber reclamaçõesedenúnciasdequalquerinteressado contramembrosou

órgãosdo Poder Judiciário, ou contraseusserviçosauxiliares, representando

diretamente ao Conselho Nacional deJustiça".

"A rt. 130-A. (

)

§ 1. ° Os membros do Conselho oriundos do Ministério

PúblicoserãoindicadospelosrespectivosMinistériosPúblicos, naformadalei (Lei 11.372/2006). § 20Competeao Conselho Nacional doMinistérioPúblico

o controle da atuação administrativa e financeira do Ministério Público e do

cumprimentodosdeveresfuncionaisdeseusmembros, cabendo-lhe: I- zelar pela autonomia funcional e administrativa do Ministério Público, podendo expedir atosregulamentares, no âmbito desuacompetência, ou recomendar providências; II - zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou

mediante provocação, a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Ministério Público da União e dos Estados, podendo

desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo da competência

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

15 1

dos Tribunais de Contas; III - receber e conhecer das reclamações contra

membrosou órgãosdoMinistérioPúblicodaUniãooudosEstados, inclusive

contra seus serviços auxiliares, sem prejuízo da competência disciplinar e correicional dainstituição,podendoavocar processosdisciplinaresem curso, determinar a remoção, a disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios

ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa; IV - rever, de ofício ou mediante provocação, osprocessosdisciplinaresdemembrosdoMinistérioPúblicoda

Uniãoou dosEstadosjulgadoshámenosde 1 (um) ano;V- elaborarrelatório

anual, propondo as providências quejulgar necessárias sobre a situação do

Ministério Público no País e as atividades do Conselho, o qual deve integrar

a mensagem prevista no art. 84, XI. § 3. ° O Conselho escolherá, em votação

secreta, um Corregedor nacional, dentre os membros do Ministério Público

que o integram, vedadaa recondução, competindo-lhe, além dasatribuições

que lhe forem conferidas pela lei, as seguintes: I - receber reclamações e

denúncias, de qualquer interessado, relativas aos membros do Ministério

Público e dos seus serviços auxiliares; II - exercer funções executivas do

Conselho, de inspeção e correição geral; III - requisitar e designar membros

do Ministério Público, delegando-lhes atribuições, e requisitar servidores

de órgãos do Ministério Público. § 4.° O Presidente do Conselho Federal da

OrdemdosAdvogadosdoBrasil oficiarájuntoaoConselho. § 5.°LeisdaUnião

e dos Estados criarão ouvidorias do Ministério Público, competentes para

receber reclamações e denúncias de qualquer interessado contra membros ou órgãos do Ministério Público, inclusive contra seus serviços auxiliares,

representando diretamente ao Conselho Nacional do Ministério Público " Compete ao Presidente da República nomear, com a aprovação do

Senado Federal por maioriaabsoluta, os membros do Conselho Nacional do Ministério Público (art. 130-A, caput, da CF/88) e do Conselho Nacional de

Justiça, salvo o Presidente do CNJ que é o Presidente do STF (art. 103-B, §§

.

1 . ° e 2.°, da CF/88).

A ConstituiçãoFederal de 1988 estabeleceosórgãosdo Poderjudiciário

no art. 92 , onde temos: o Supremo Tribunal Federal (tutela constitucional),

o Conselho Nacional deJustiça, o Superior Tribunal deJustiça, os Tribunais Regionais Federais eJuízes Federais, os Tribunais eJuízes do Trabalho, os

Tribunais eJuízes Eleitorais, os Tribunais eJuízes Militares, os Tribunais e

Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.

A competência originária do Supremo Tribunal Federal parajulgar as

ações contra os Conselhos é prevista no art. 102,1, r, da CF/88, que assim

152 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

estabelece: " CompeteaoSupremoTribunal Federal,precipuamente, aguarda

da Constituição, cabendo-lhe: I - processar ejulgar , originariamente: (

r)

)

asaçõescontra o Conselho Nacional dejustiçaecontra o Conselho Nacional

do Ministério Público; (

)";

i) justiça itinerante e descentralizada: arts. 107 , §§ 2.° e 3.° (JF)> 115,

§§ 1.° e 2.° (JT), e 125, §§ 6.° e 7.° (TJ), todos da CF/88;

j) extinção dos Tribunais de Alçada: art. 4.° da EC 45/2004;

k) instituição da "quarentena" dos membros da magistratura e do

Ministério Público (trêsanos) paraoexercíciodaadvocacianosjuízos

ou tribunais de que se afastaram: arts. 95, parágrafo único , V, e 128,

1)

§ 6.°, respectivamente, da CF/88; ampliação da legitimidade ativa (todosos entes previstos no art. 103

da CF/88) da ação declaratória de constitucionalidade (ADECON);

m)

o STFjulgará a causa cuja decisãojulgou válida lei local contestada

em facedelei federal: art. 102,III,d,daCF/88 (verifica-setal hipótese

no desrespeito às regras de competência legislativa concorrente

previstas no art. 24 da CF/88): " Art. 102. Compete ao Supremo

TribunalFederal,precipuamente,aguardadaConstituição , cabendo-

lhe: (

decididasem únicaou últimainstância, quandoadecisãorecorrida:

)

III - julgar , mediante recurso extraordinário, as causas

(

) d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal".

O recurso extraordinário é a última etapa do controle difuso de

constitucionalidade e é o mecanismo por meio do qual o Supremo Tribunal Federaldáapalavra final sobreumaquestãoconstitucional. Podeserinterposto

contradecisãodeTribunal proferidaemúnicaouúltimainstância. Écontrole

incidental (por via de exceção) e repressivo.

Ashipótesesdecabimento do recurso extraordinário sãoapenasaquelas

previstas no art. 102, III, da Constituição Federal vigente.

Os efeitos da decisão proferida no recurso extraordinário atingem , em

princípio, apenas as partes litigantes. Porém, quando o Supremo Tribunal

Federal declarar uma lei inconstitucional , por decisão definitiva, o Senado

Federal poderá , mediante resolução, suspender a execução da lei em todo o

território nacional (art. 52, X, da CF/88), dando assim eficácia erga omnes à

decisão do Supremo;

n) repercussão geral das questões constitucionais , nos termos da lei, a

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

153

102, § 3.°, da CF/88; (Lei 11.418/2006 eEmenda Regimental do STF 21, de 30.04.2007, publicada em 03.05.2007)

" Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou

não, de questões relevantes do ponto de vista económico, político, social

oujurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa " (art. 543-A,

§ 1.°, do CPC). "Haverá repercussão geral sempre que o recurso impugnar decisão contrária a súmula ou jurisprudência dominante do Tribunal" (art.

543-A, §3.°, do CPC).

" O recorrente deverá demonstrar, em preliminar do recurso, para

apreciaçãoexclusivadoSupremoTribunal Federal,aexistênciadarepercussão

geral " (art. 543-A, § 2.°, do CPC).

O Supremo Tribunal Federal já decidiu sobre matérias que têm e que

não têm repercussão geral - ver no site <www.stf.jus.br>;

o) o STJ julgará a causa cuja decisão julgou válido ato de governo

local contestado em face de lei federal (art. 105, III, b, da CF/88), a

homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias (art. 105,1, i, da CF/88). Nesses casos, houve uma trocadecompetências, poisahomologaçãodesentençasestrangeiras eaconcessão deexequatur àscartasrogatóriaspertenciam ao Supremo Tribunal Federal (art. 102,1, h, da CF/88, alínea hoje revogada). Daalíneabdoinc. III doart. 105 daCF/88 (recursoespecial) foi excluída adecisão quejulgou válidalei local contestadaem facedelei federal, deslocada para a competência do STF (art. 102, III, d, da CF/88);

p) a federalização dos crimes contra os direitos humanos, mediante incidente suscitado pelo Procurador-Geral da República no STJ, deslocando a competência para aJustiça Federal: art. 109, V-A e §

5 . ° , da CF/88;

A primeiravez quese pediu a federalização (incidentededeslocamento

de competência) envolveu a apuração da morte da Irmã Dorothy Stang, que

foi assassinada , com seis tiros, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro

de 2005, em uma estrada de terra de difícil acesso a 53 quilómetros da sede do município deAnapu, no Estado do Pará, por ordem deum fazendeiro em virtude desuaatividade em prol da reformaagrária e de melhores condições

de vida para o povo paraense.

No citado caso, o Superior Tribunal deJustiça indeferiu o pedido de deslocamentodecompetênciapor entender quefoi corretaaatuaçãoda Justiça

154 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

local , conforme se verifica: " Constitucional - Penal e processual penal -

Homicídiodolosoqualificado (vítimaIrmãDorothyStang)- Crimepraticado

com grave violação aos direitos humanos - Incidente de deslocamento de

competência - IDC - Inépcia da peça inaugural - Norma constitucional de

eficácia contida - Preliminares rejeitadas - Violação ao princípio do juiz natural e ã autonomia da unidade da Federação - Aplicação do princípio

da proporcionalidade - Risco de descumprimento de tratado internacional

irmadopeloBrasilsobreamatérianãoconfiguradonahipótese- Indeferimento

do pedido. 1. Todo homicídiodoloso , independentementedacondiçãopessoal

da vítima e/ou da repercussão do fato no cenário nacional ou internacional representa grave violação ao maior e mais importante de todos os direitos do ser humano, que é o direito à vida , previsto no art. 4. ° , 1, da Convenção

,

f

Americana sobre Direitos Humanos , daqual oBrasil ésignatáriopor forçado

Decreto 678 , de 06.11.1992, razão por que não há falar em inépcia da peça

inaugural. 2. Dadaaamplitudeeamagnitudedaexpressão'direitoshumanos, , é verossímil que o constituinte derivado tenha optado por não definir o rol doscrimesquepassariam paraacompetênciadaJustiçaFederal , sob penade

restringiroscasosdeincidênciadodispositivo (CF , art. 109, § 5. ° ) , afastando-o de sua finalidade precípua , que é assegurar o cumprimento de obrigações

decorrentes de tratados internacionais firmados pelo Brasil sobre a matéria ,

examinando-se cada situação de fato , suas circunstâncias e peculiaridades

detidamente, motivo pelo qual não há falar em norma de efi cácia limitada .

Ademais, não é próprio de texto constitucional tais definições . 3. Aparente

incompatibilidadedo IDC , criadopelaEmendaConstitucional 45/2004, com

qualquer outro princípio constitucional ou com asistemática processual em vigor deve ser resolvida aplicando-se os princípios da proporcionalidade

e da razoabilidade. 4. Na espécie , as autoridades estaduais encontram-se

empenhadas na apuração dos fatos que resultaram na morte da missionária

norte-americana Dorothy Stang , com o objetivo de punir os responsáveis,

refletindo a intenção de o Estado do Parádar resposta eficienteà violação do

maior e mais importante dos direitos humanos , o que afasta a necessidade

de deslocamento da competência originária para aJustiça Federal , de forma subsidiária, sob pena , inclusive, de difi cultar o andamento do processo

criminal e atrasar o seu desfecho , utilizando-se o instrumento criado pela

aludida norma em desfavor de seu fi m , que é combater a impunidade dos

crimespraticadoscomgraveviolação dedireitoshumanos . 5.0 deslocamento

decompetência- emqueaexistênciade crimepraticado com graveviolação

aos direitos humanos é pressuposto de admissibilidade do pedido - deve

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

155

entreosMunicípiosdePedrasdeFogoeItambé.

Pedido indeferido

,

atender ao princípio da proporcionalidade (adequação, necessidade e

proporcionalidade em sentido estrito), compreendido na demonstração

concreta derisco de descumprimento de obrigaçõesdecorrentes de tratados

internacionais firmados pelo Brasil, resultante da inércia, negligência, falta

de vontade política ou de condições reais do Estado-membro, por suas

instituições, em proceder à devida persecução penal. No caso, não há a

cumulatividade de tais requisitos, a justificar que se acolha o incidente. 6.

° , III, da Lei 10.446, de

sem prejuízo do disposto no art. 1,

08.05.2002" (STJ, IDC l/PA 2005/0029378-4, 3.a Seção, j. 07.06.2005, rei.

Min. Arnaldo Esteves Lima, DJ 10.10.2005, p. 217, RSTJ 198/435);

Em 27deoutubrode 2010, houvea primeiradecisão favorável àfedera-

lização. Trata-se do caso Manoel Mattos (IDC 2 DF 2009/0121262-6).

Por maioria de votos, a Terceira Seção do Superior Tribunal deJustiça

(STJ) acolheu o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) paraque

o crime contra o ex-vereador Manoel Mattos fosse processado pelaJustiça

Federal. O caso é de responsabilidade daJustiça Federal da Paraíba.

Oa

dvogado pernambucano Manoel Bezerra de Mattos Neto foi assassi-

nado em 24.01.2009, no Município de Pitimbu/PB, depois desofrer diversas

ameaças e vários atentados, em decorrência, ao que tudo leva a crer, de sua

persistenteeconhecidaatuaçãocontragruposdeextermínioqueagem impu-

nes há mais de uma década na divisa dos Estados da Paraíba e de Pernambuco,

Ficou consignadonadecisãoqueoriscoderesponsabilizaçãointernacio-

nal pelodescumprimentodeobrigaçõesderivadasdetratadosinternacionais

aos quais o Brasil anuiu (dentre eles, vale destacar, a Convenção Americana

de Direitos Humanos) é bastante considerável, mormente pelo fato dejá ter

havidopronunciamentosdaComissão InteramericanadeDireitosFlumanos,

com expressa recomendação ao Brasil para adoção de medidas cautelares de

proteção a pessoas ameaçadas pelo tão propalado grupo de extermínio atu-

ante na divisa dos Estados da Paraíba e Pernambuco, as quais, no entanto,

ou deixaram de ser cumpridas ou não foram efetivas. Além do homicídio

de Manoel Mattos, outras três testemunhas da CPI da Câmara dos Deputa-

dos foram mortos, dentre eles Luiz Tomé da Silva Filho, ex-pistoleiro, que

decidiu denunciar e testemunhar contra os outros delinquentes. Também

Flávio Manoel da Silva, testemunha da CPI da Pistolagem e do Narcotráfico

da Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba, foi assassinado a tiros em

Pedra de Fogo

,

Paraíba, quatro diasapós ter prestado depoimento à Relatora

156

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Especial da ONU sobre Execuções Sumárias , Arbitrárias ou Extrajudiciais.

E , m ais recentem ente , uma das testemunhas do caso Manoel Mattos, Maxi-

miano Rodrigues Alves , sofreu um atentado à bala no município de Itambé,

Pernambuco, e escapou por pouco.

Há conhecidas ameaças de morte contra Promotores eJuízes do Estado

da Paraíba, que exercem suas funções no local do crime, bem assim contra a

família da vítima Manoel Mattos e contra dois Deputados Federais.

Ascircunstânciasapontaram paraanecessidadedeaçõesestatais firmese

eficientes, asquais, por muito tempo, asautoridadeslocaisnão foramcapazes

de adotar, até porque a zona limítrofe potencializa as difi culdades de coor-

denação entre os órgãos dos dois Estados. Mostrou-se , portanto, oportuno

e conveniente a imediata entrega das investigações e do processamento da

ação penal em tela aos órgãos federais.

A ministra Laurita Vaz , relatora, acolheu algumaspropostasdealteração

dovotoparamelhor definiçãodoalcancedo deslocamento. Entreasprincipais

propostas, estáaalteração da SeçãoJudiciáriaa que seria atribuída a compe-

tência. Inicialmente, a relatora propôs que a competênciase deslocasse para

aJustiça Federal de Pernambuco, mas prevaleceu o entendimento de que o

caso deveria ser processado pelaJustiça Federal competente para o local do fato principal, isto é, o homicídio de Manoel Mattos. Outros casos conexos também fi carão a cargo dajustiça Federal, mas a Seção não acolheu o pedido daProcuradoriaGeral daRepública(PGR) deque

outras investigações, abstratamente vinculadas, também fossem deslocadas

para as instituições federais. A relatora também acolheu proposta de modi i cação para que informa- çõessobre condutas irregularesde autoridadeslocaissejam comunicadas às corregedorias de cada órgão, em vez de serem repassadas para os conselhos

nacionais do Ministério Público (CNMP) e deJustiça (CNJ).

Com os ajustes, acompanharam a relatora os ministros Napoleão Maia Filho,Jorge Mussi e Og Fernandes e o desembargador convocado Haroldo Rodrigues. Votaram contrao deslocamento osdesembargadoresconvocados Celso Limongi eHonildo deMello Castro. A ministra MariaTherezadeAssis

Moura presidiu o julgamento, e só votaria em caso de empate. O ministro

Gilson Dipp ocupava o cargo decorregedor Nacional deJustiça àépocaenão participou do início dojulgamento. Dessemodo, o pedido ministerial foi parcialmenteacolhidoparadeferir

o deslocamento de competência para aJustiça Federal no Estado da Paraíba

f

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

157

da ação penal 022.2009.000.127-8, a ser distribuída para oJuízo Federal

Criminal comjurisdiçãonolocal dofatoprincipal, bemcomodainvestigação

de fatos diretamente relacionados ao crime em tela.

q) ampliaçãodacompetênciadajustiçadoTrabalho (art. 114da CF/88)

e do número de Ministros do TST (de 17 para 27): art. 111-A e 115 da CF/88 (quinto constitucional);

É afastada a competência dajustiça do Trabalho para a apreciação de

causas que sejam instauradas entre o Poder Público e seus servidores, a ele

vinculados por típica relação de ordem estatutária ou de caráter jurídico- administrativo, regidos pela Lei 8.112/90 que continuam sob competência

dajustiça Federal - ADI 3.395/2005

Outro tema interessante decidido pelo Supremo Tribunal Federal diz respeito ao interdito proibitório. No julgamento do RE 579.648/MG ficou

consignado que é da competência dajustiça do Trabalho o julgamento de interdito proibitório em que se busca garantir o livre acesso de funcionários e de clientes a agências bancárias sob o risco de serem interditadas em decorrênciademovimentogrevista. Considerou-sequeseestádiantedeação que envolve o exercício do direito de greve, matéria afeta à competência da

Justiça Trabalhista, conforme disposto no art. 114, II, da CF/88.

" Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e

sete Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e

menosdesessentaecinco anos, nomeadospelo Presidenteda Repúblicaapós

aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: I - um quinto

dentreadvogadoscommaisde 10 (dez) anosdeefetivaatividadeprofissional

e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de 10 (dez) anos de

efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; II - os demaisdentrejuízes

dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da magistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior".

" Art. 115. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se de, no mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região, e nomeadospelo Presidenteda Repúblicadentrebrasileiroscom maisdetrinta

e menos de sessenta e cinco anos, sendo: I - um quinto dentre advogados com mais de 10 (dez) anos de efetiva atividade profissional e membros do

Ministério Público do Trabalho com maisde 10 (dez) anos de efetivo exercício ,

observado o disposto no art. 94; II - osdemais, mediantepromoção dejuízes do trabalho por antiguidade e merecimento, alternadamente". O quinto constitucional foi criação de Getúlio Vargas, sendo mantido

pela reforma do PoderJudiciário e, inclusive, ampliado. Nos citados casos, a

158

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

nomeação será feita pelo Presidente da República. Destaque-se que , n o caso

do quinto constitucional no Tribunal Superior do Trabalho , há necessidade de prévia aprovação do indicado pelo Senado Federal por maioria absoluta;

r) súmula vinculante: art. 103-A da CF/88;

OtemasúmulavinculantefoiregulamentadopormeiodaLei 11.417/2006.

É importante ler todas as súmulas vinculantes , especialmente a 10, 11, 13,

14 e 25;

s) possibilidade de o Tribunal de Justiça propor a criação de varas

especializadas, para dirimir conflitos fundiários , com competência exclusiva para questões agrárias: art. 126 da CF/88;

t) estabelecimento da maioria absoluta (somado ao interesse público)

para violação da inamovibilidade dos magistrados e membros do

Ministério Público: arts. 93, VIII, e 128, § 5.°, I , b, da CF/88. Nos dois

casosfoi reduzido oquorumdedoisterços (maioriaqualificada) para

a maioria absoluta;

u) autonomia funcional e administrativa das Defensorias Públicas Estaduais: art. 134, § 2.°, da CF/88;

v) as atuaissúmulas do STF somenteproduzirão efeito vinculanteapós sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa ofi cial: art. 8.° da EC 45/2004.

5 . 6 Reclamação

A reclamação tem por objetivo preservar a competência e garantir a autoridade das decisões do Supremo Tribunal Federal ou do Superior

Tribunal deJustiça (art. 13 da Lei 8.038/1990). Admite-se , também, em face

da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de

súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente (art. 7. °

caput, da Lei 11.417/2006 e art. 103-A, § 3.°, da CF/88).

,

Legitimidade ativa: a parte interessada (reclamante) ou o Ministério

Público (art. 13 da Lei 8.038/1990).

Legitimidadepassiva: autoridadereclamadaaquem forimputadaaprática

do ato (art. 14,1, da Lei 8.038/1990). Será pessoa ou ente de qualquer órgão

que descumpra a decisão judicial. Se for por usurpação de competência, o

sujeito passivo será órgãojurisdicional.

Foro: Supremo Tribunal Federal (art. 102,1, /, da CF/88) ou Superior

Tribunal deJustiça (art. 105 , 1 ,/, da CF/88).

Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES

159

A petição inicial será endereçada ao Presidente do Tribunal e deverá estar instruída com prova documental pré-constituída, nos termos do art. 13, parágrafo único, daLei 8.038/1990. Aodespachar ainicial da reclamação

(art. 14 da Lei 8.038/1990), o relator requisitará informações daautoridadea

quem for imputadaaprática do ato impugnado, que terá 10diasparafazê-lo;

ordenará, senecessário,paraevitar danoirreparável, asuspensão do processo ou do ato impugnado.

Interessante observar que qualquer interessado poderá impugnar o

pedido do reclamante, nos termos do art. 15 da Lei 8.038/1990.

O Ministério Público, nas reclamações que não houver formulado,

terá vista do processo, por cinco dias, após as informações (art. 16 da Lei

8 . 038/1990).

Efeitos: julgado procedente o pedido feito na reclamação, o Tribunal cassaráadecisãoexorbitantedoseujulgado ou determinarámedidaadequada à preservação de sua competência (arts. 17 e 18 da Lei 8.038/1990). Se a reclamação for por desrespeito a enunciado de súmula vinculante, julgado procedenteopedido, o Supremo Tribunal Federal anularáoato administrativo

ou cassará a decisãojudicial impugnada , nos termos do art. 7. ° , § 2.°, da Lei

11.417/2006.

Decisões sobre o tema:

" Reclamação. Naturezajurídica.Alegadodesrespeito a autoridadede

decisão emanada do STF. Inocorrência. Improcedência. A reclamação,

qualquerque seja a qualificação que se lhe dê- ação (Pontesde Miranda,

Comentários ao Código de Processo Civil, t. V/384, Forense), recurso ou

sucedâneo recursal (Moacyr Amaral Santos, RTJ56/546-548; Alcides de

Mendonça Lima, O Poder Judiciário e a nova Constituição, p. 80, 1989,

Aide), remédio incomum (Orozimbo Nonato, apud Cordeiro de Mello, Oprocesso no Supremo Tribunal Federal, v. 1/280), incidente processual

(Moniz de Aragão, A correição parcial, p. 110, 1969), medida de direito

processual constitucional (José Frederico Marques, Manual de direito

processual civil, v. 3, 2. " parte, p. 199, item 653, 9. ed., 1987, Saraiva)

ou medida processual de caráter excepcional (Min. Djaci Falcão, RTJ 1 12/518-522) configura, modernamente, instrumento de extração constitucional, inobstante a origem pretoriana de sua criação (RTI

112/504), destinado a viabilizar, na concretização de sua dupla função

de ordem político-jurídica, a preservação da competência e a garantia

da autoridade das decisões do Supremo Tribunal

Federal (CF, art. 102, 1,

/) e do Superior Tribunal de Justiça (CF, art. 105, I, /). Não constitui ato

ofensivo à autoridade de decisão emanada do SupremoTribunal Federal

o procedimento de magistrado inferior que, motivado pela existência de

160

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

váriasexecuçõespenaisainda em curso , referentesa outrascondenações

não desconstituídas pelo writ, deixa de ordenar a soltura imediata de paciente beneficiado por habeas corpus concedido, em caso diverso e

específico, por esta Corte " (Rcl 336/DF, rei. Min. Celso de Mello).

Reclamação. Constituiçãoestadual. Admissibilidade. Éadmissível ao

Estado-membro criar, em sua Constituição, o instrumento processual da reclamação para a preservação dacompetência dostribunaisestaduaise

garantia do respeito às suas decisões" (STF, ADIn 2.212-1/CE, Pleno, rei

Min. Eilen Gracie).

Dos direitos e garantias

fundamentais

d

Como já abordado, um Estado Democrático de Direito caracteriza-se

pela participação do povo na formaçãojurídica e estrutural do Estado, bem

como pelo respeito de todos às leis.

As Constituições escritas, em sua maioria, surgiram após a Revolução Francesa , com o intuito de estabelecer limite\s ao poder dos governantes, prevendo, inclusive, os direitos mínimos subjetivos (vida, liberdade e pro- priedade) considerados direitos fundamentais.

Os direitos egarantias fundamentais correspondem às normas quepos-

sibilitam as condições mínimas para a convivência em sociedade, estabele- cendo direitoselimitaçõesaosparticulareseao Estado, enormalmenteestão expressamente previstos nas Constituições dos Estados contemporâneos. A Constituição Federal de 1988 estabeleceosdireitosegarantiasfunda-

mentais do cidadão em seu Título II - " Dosdireitosegarantiasfundamentais"

- , subdividindo-os em cinco capítulos: direitos individuais e coletivos (art.

5 . ° ) , direitos sociais (arts. 6.° a 11), nacionalidade (arts. 12 e 13), direitos

políticos e partidos políticos (arts. 14 a 17). Na atualidade, os doutrinadores mais requeridos em concurso público

classi i cam osdireitos fundamentais em deprimeira até terceirageração. Há, porém, quem entenda existir uma quarta geração de direitos.

Osdireitos fundamentais de l.ageração são os direitos e garantias indi-

viduais e políticos clássicos (liberdades públicas: direito à vida, à liberdade, à expressão e à locomoção). Osdireitosfundamentaisde2.f geraçãosão osdireitossociais, económi- coseculturaissurgidosno início do século XX (direito ao trabalho, ao seguro

social, à subsistência, amparo à doença, à velhice, entre outros). Os direitos fundamentais de 3.a geração, também chamados de soli-

dariedade ou fraternidade , englobam um meio ambiente ecologicamente

f

162 DIREITO CONSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

equilibrado, a paz, uma qualidade de vidasaudável, aautodeterminação dos

povos, além de outros direitos difusos.

Os direitos fundamentais de 4.a geração, também chamados de direito

dospovos,sãoprovenientesdaúltimafasedaestruturaçãodo "Estado Social" (globalização do Estado Neoliberal), e englobam o direito à democracia, à

informação, ao pluralismo, do patrimônio genético, entre outros. Há quem entenda ser o direito vinculado à evolução da ciência (genética, DNA, clo- nagem, biodireito, biotecnologia, entre outros).

Noordenamentojurídicobrasileiro, osdireitosegarantiasfundamentais

têm anaturezajurídicadedireitosconstitucionais,poisestão expressamente elencadosnoTítuloII daConstituiçãoFederalvigente. Taisdireitosegarantias fundamentais, de regra, têm aplicação imediata (§ 1.°, art. 5.°). Porém, para seu efetivo exercício, por vezes, é necessária regulamentação infraconstitu- cional (são exemplososincisos XXXII, XLI, LXXVI do art. 5. ° , entre outros).

1 .

DIFERENÇA ENTRE DIREITOS E GARANTIAS

Direitos são disposições declaratórias de poder sobre determinados

bens e pessoas. Representam por si sós certos bens. São principais e visam a

realizaçãodaspessoas. Direitoéopoderpararealizaralgo, poisoordenamento

jurídico possibilita.

Garantias, emsentidoestrito,são osmecanismosdeproteção ededefesa dos direitos. Traduzem-se na garantia de os cidadãos exigirem dos Poderes

Públicosaproteção dosseusdireitos, bem como o reconhecimento demeios processuaisadequadosaessafinalidade. Por exemplo: habeascorpus, mandado de segurança, entre outros. São acessórios, estando vinculados aos direitos.

2 .

DESTINATÁRIOS DA PROTEÇÃO (AMPLITUDE DA PROTEÇÃO)

A CF/88, em seu art. 5.°, estabelece: "Todossão iguaisperante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estran-

geiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à

igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes".

Abrangência: assegurar a validade e gozo dos direitos fundamentais

dentro do território brasileiro, não se excluindo o estrangeiro em trânsito.

São protegidas também as pessoasjurídicas. Dessa forma, são titulares dos

direitos e garantias fundamentais: os brasileiros, os estrangeiros, as pessoas

físicas ejurídicas.

Cap. 16

. DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

163

3 .

DO S DIREITO S E D EVERES INDIVIDUAIS E CO LETIVO S: ART. 5.° DA CF/88

O rol dedireitoselencados no art. 5.° eseus 78 incisos éexemplificativo,

e não exaustivo, o quese deduz do § 2. ° do art. 5.°, que dispõe: "Os direitos e

garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados , ou dos tratados internacionais em

que a República Federativa do Brasil seja parte "

.

Direitos protegidos no art. 5.° , caput, da CF/88:

3 . 1

Direito à vida

Éo primeiro e mais importante dosdireitos fundamentais.

O Estado deveproteger avidademaneiraglobal, inclusiveavidauterina ,

além de viabilizar a subsistência dos necessitados.

O direito ã vida engloba a não interrupção do processo vital senão pela

morte espontânea e inevitável. Exceção: pena de morte em caso de guerra

declarada (art. 5.°, XLVII, a, da CF/88).

3 . 2 Direito à igualdade

As Constituições reconhecem a igualdade no sentido jurídico-formal , ou seja, a igualdade perante a lei. Neste sentido , encontra-se o caput do art.

5 . ° , onde se lê que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer

n atu reza .

Também se pode notar no mesmo art. 5.° , I, que declara: "Homens e

mulheres são iguais em direitos e obrigações " . Depois, no art. 7.°, XXX e

XXXI, há regras de igualdade material que proíbem distinções fundadas em

certos fatores, ao vedarem " diferença de salários , de exercício de funções

e de critério de admissão por motivo de sexo , idade, cor ou estado civil" e

" qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do tra- balhador portador de deficiência". Ver , também, arts. 3.°, 111 e IV, 7 0, XXXIV,

170 , 193 , 196 e 205 .

O legislador, ao criar as normas, não poderá se afastar do princípio da

igualdade , sob pena de incorrer em inconstitucionalidade, sujeitando-se ao

controle de constitucionalidade.

O intérprete ou a autoridade pública não poderá aplicar as leis e osatos

normativos aos casos concretos de forma a criar ou aumentar desigualdades

arbitrárias.

164

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Por fim, oparticular nãopoderápautar-sepor condutasdiscriminatórias, preconceituosas ou racistas, sob pena de responsabilidade civil e penal nos

termos da legislação em vigor.

3 . 3

Direito à liberdade

A liberdade, em sentido genérico, tem vinculação estreita com o conhecimento. O conteúdo da liberdade se amplia com a evolução da

humanidade; portanto, a liberdade é uma conquista constante.

De acordo com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de

1789 , " aliberdadeconsisteempoder fazertudoquenãoprejudiqueopróximo:

assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos

mesmos direitos. Esses limites apenas podem ser determinados pela lei "

Genericamente, podem ser elencados, na CF/88, os seguintes direitos, cujo objeto é a liberdade: de locomoção (art. 5. ° , LXV1II); de pensamento

(art. 5.°, IV, VI, VII, VIII e IX); de reunião (art. 5.°, XVI); de associação (art.

5 . ° , XVII aXXI); depro i ssão (art. 5.°, XIII); deação (art. 5.°, II); deliberdade

.

f

sindical (art. 8. ° ); e de greve (art. 9.°).

3 . 4 Direito à propriedade

O art. 1.228 do Código Civil (Lei 10.406/2002) asseguraao proprietário

o direito deusar, gozar edispor deseus bens e o direito de reavê-los do poder

de quem quer que injustamente os possua ou detenha.

Apropri edade,bem comoosdemaisdireitosfundamentais,devesujeitar- - se às limitações exigidas pelo bem comum, podendo ser perdida em favor do Estado quando o interesse público o reclamar.

Na CF/88, sobre a propriedade podem-se citar as seguintes normas

constitucionais: art. 5. ° , XXII (em geral), XXIII (função social), XXIV (desa-

propriação); artística, literáriaecientí

art. 5. ° , XXX e XXXI.

A CF/88, no art. 5.°, XXII, XXIII e XXIV, reconhece o direito de proprie- dade, cujo uso deverá ser condicionado ao bem-estar social. Esse direito é

garantido pela exigência deque todaexpropriação se faça mediante prévia e

i ca: art. 5. ° , XXVII a XXIX; hereditária:

f

justa indenização, que em princípio deve ser paga em dinheiro.

A desapropriação é uma evolução jurídica, pois no início o monarca

apropriava-se das terrasque desejassesem qualquer espéciede indenização.

Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

165

Não existiaproteçãojurídicasobreodireitodepropriedadecontraoconfi sco

do Estado. Com a evolução histórica, o liberalismo fez nascer o Estado de

Direito , limitando o poder do monarca às leis.

Ao con i sco (não indenizável, imotivado, fruto do caprichoedavolunta-

f

riedade) sucedeadesapropriação (indenizável,deacordo com alei, mediante

prévia ejusta indenização).

Função social - Art. 182, § 2.° (propriedade urbana), art. 186

(propriedaderural), usucapiãoconstitucional urbano (art. 183)

e rural (art. 191), desapropriação rural para reforma agrária

(art. 184). Destaque-se que há o confisco previsto no art. 243

da CF/88 .

note

BEM

3 . 5 Direito à segurança

É considerado um conjunto de garantias e direitos composto por si-

tuações, proibições, limitações e procedimentos destinados a assegurar o

exercício e o gozo de algum direito individual fundamental. Por exemplo:

a) a segurança do domicílio (art. 5. ° , XI): "A casa é

asilo inviolável do

indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do

morador, salvo em caso deflagrantedelito ou desastre, ou paraprestar

socorro, ou, durante o dia, por determinaçãojudicial " Paraaaplicação do citado dispositivo, deveser observado oquedispõeo

Código Penal (Dec.-lei 2.848/1940), no art. 150, § 4.°, ondese lê: "A expres-

são ' casa , compreende: I - qualquer compartimento habitado; II - aposento

ocupado de habitação coletiva; III - compartimento não aberto ao público,

onde alguém exerce pro i ssão ou atividade "

.

f

.

O § 5.°do artigo em referênciadestaca: "Não se compreendem

na expressão ' c asa ' : I - hospedaria, estalagem ou qualquer

outra habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do n. II do parágrafo anterior II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo género".

166

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

b) a segurança de comunicações pessoais (art. 5.° , XII);

c) a segurança em matéria penal (art. 5.° , XXXVII a XLVII);

d) a segurança em matéria tributária (art. 150).

Destaque-se quea leiturado art. 5.° da CF/88 (caput , 78 incisos e quatro

parágrafos) éimprescindível paraentender aamplitudeeacomplexidadedo

tema "direitos egarantias fundamentais". Além disso , este é tema recorrente

nos concursos públicos brasileiros.

Após a EC 45/2004 houve: (a) a "constitucionalização" dos tratados

e convenções internacionais sobre direitos humanos aprovados , em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos , por três quintos dos votos

dos respectivos membros (art. 5.° , § 3.°, da CF/88); (b) o Brasil se submete à

jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado

adesão (art. 5. ° , §

4.°, da CF/88).

4 .

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS

No art. 5.° da CF/88 podemos encontrar alguns dos grandes princípios

do direito, tais como:

a) Princípio da isonomia: " homens e mulheres são iguais em direitos e

obrigações, nos termos desta Constituição " (art. 5.°, I).

Doutrina ejurisprudência assentam que o princípio da igualdadejurí-

dicaconsisteem assegurar àspessoasdesituaçõesiguaisosmesmosdireitos ,

prerrogativas e vantagens, com as obrigaçõescorrespondentes, ou, segundo

a forma clássica , " tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais ,

na proporção em quese desigualam " . Por isso, a isonomia tanto admite , por exemplo, que a licença-maternidade seja maior que a licença-paternidade (em razão da diferença entrehomensemulheresquanto àgravidez), quanto assegura que a licença-maternidade de todas as mulheres seja definida pela

lei com igual alcance.

b) Princípio da legalidade: "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei" (art. 5.° , II).

c) Princípio da irretroatividade da lei: " a lei não prejudicará o direito adquirido, o atojurídico perfeito eacoisajulgada " (art. 5.°, XXXVI).

d) Princípio do acesso aojudiciário: "a lei não excluirá da apreciação do

PoderJudiciário lesão ou ameaça a direito" (art. 5.° , XXXV).

e) Princípio dojuiz natural: " não haverájuízo ou tribunal de exceção " e " ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade

competente " (art. 5.°, XXXVII e LIII).

Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

f) Princípiododevidoprocessolegal: "ninguémseráprivadodaliberdade

ou de seus bens sem o devido processo legal " (art. 5.°, LIV).

g) Princípio do contraditório e da ampla defesa: " aos litigantes, em

processojudicial ou administrativo, e aos acusados em geral são as- segurados o contraditório e ampla defesa, com os meios erecursos a

ela inerentes " (art. 5.°, LV).

h) Princípio da celeridade: "a todos, no âmbitojudicial e administrati-

v o , são assegurados a razoável duração do processo e os meios que

garantam a celeridade de sua tramitação " (art. 5 0, LXXVIII).

5 .

REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS

Os remédios constitucionais são meios postos à disposição dos indiví- duos e doscidadãosparaprovocar a intervenção dasautoridades competen-

tes, visando corrigir ilegalidade ou abuso de poder em prejuízo de direitos

e interesses individuais. São também chamados de garantias individuais ou

ações constitucionais.

Consideram-se remédios constitucionais o direito de petição, o habeas corpus, o mandado de segurança, o mandado de injunção, o habeas data e a

ação popular.

cuidado

Alguns doutrinadores consideram a ação civil pública remédio

constitucional.

5 . /

O direito de petição

Historicamente, o direito de petição nasceu na Inglaterra, durante a

Idade Média, permitindo aos súditos que dirigissem petições ao rei (Bill of

Rights- 1689).

O direito de petição é aquele que pertence a uma pessoa ou grupo de pessoas de invocar a atenção dos Poderes Públicos (nas três esferas) sobre

uma questão ou situação.

O art. 5.°, XXXIV, a, da CF/88 estabeleceo direito depetição aos Poderes

Públicos,assegurando-oatodos, independentementedopagamentodetaxas, em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder.

168

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Adoutrinaentendequeodireitodepetição éum instrumentodepartici- paçãopolítico- iscalizatóriodosnegóciosdoEstado, que tempor finalidadea

f

defesadalegalidadeconstitucional edointeressepúblicogeral. Seu exercício não estávinculadoãcomprovaçãodeexistênciadequalquer lesãoainteresses

próprios do peticionário.

A titularidade desse direito podeser exercida por pessoas físicas , jurídi-

cas, nacionais ou estrangeiras.

Por fim, a finalidade do direito de petição é dar notícia de fato ilegal ou abusivo ao Poder Público, para que este providencie as medidas adequadas.

A materialização do direito de petição pode ser por documento escrito , de-

núncia oral , que será reduzida

a termo, entre outros.

5 . 2 Habeas corpus

O art. 5.°, LXVIII, estabelece: "Conceder-se-á habeascorpussempreque

alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder".

Origem: segundo amaioriadosautores, o habeascorpussurgiu naMagna

CartadeJoão Sem-Terra, em 1215, quandooinstitutofoi incluídoporpressão

do clero e da nobreza.

Porém,demodoefetivo, em 1679, no reinadodeCarlosII,surgeoHabeas

Corpus Act, consagrando o Writ of Habeas Corpus como remédio eficaz para

a soltura de pessoa ilegalmente presa ou detida.

No Brasil , o habeas corpus foi previsto pela primeira vez, de modo

expresso, no Código de Processo Criminal de 1832, no art. 340. Constitu-

cionalmente foi previsto pela primeira vez na Constituição Republicana de

1891 (art. 72, §22).

Naturezajurí dica: é uma ação penal de natureza constitucional.

Finalidade: prevenir ou sanar a ocorrência de violência ou coação na liberdade de locomoção por ilegalidade ou abuso de poder.

Sujeito ativo (impetrante): qualquer pessoa, maior ou menor de idade,

brasileiro ou estrangeiro, inclusive pessoajurídica.

Paciente (vítima): qualquer pessoa física, maior ou menor de idade, brasileiro ou estrangeiro.

Sobreo tema,emvirtudedesuagrandeincidênciaem concursospúblicos, é importantea leitura daalínea d do inciso I do art. 102 eda alínea c do inciso

Cap. 16 .

DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

169

I do art. 105 da CF/88. O primeiro dispositivo dispõe que compete ao STF

processar ejulgar, originariamente, o habeascorpus, seo pacientefor o Presi- dentedaRepública, oVice-Presidente, osmembrosdo CongressoNacional,o

Procurador-Geral da República, os MinistrosdeEstado, os Comandantesda

Marinha, do Exército e da Aeronáutica, os membros dos Tribunais Superio-

res , os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráterpermanente). O outrodispositivodispõequecaberá, originariamente, ao Superior Tribunal deJustiçajulgar o habeascorpus, seo coator ou paciente

for Governador dos Estados edo Distrito Federal, desembargador dosTribu-

nais deJustiça dos Estados e do Distrito Federal, membro dos Tribunais de

Contas dos Estados e do Distrito Federal, dos Tribunais Regionais Federais,

dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, membro dos Conselhos

ou Tribunais de Contas dos Municípios e do Ministério Público da União que o i cie perante tribunais, ou quando o coator for tribunal sujeito ã sua

jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou

f

da Aeronáutica, ressalvada a competência daJustiça Eleitoral.

A pessoa jurídica, para uma menor parte da doutrina, pode

uti 1izaro habeascorpus paratrancaro inquérito ou o processo criminal ilegal ou abusivo.

note

BEM

r

Sujeito passivo: autoridade ou agente público.

Espécies:

a) preventivo: para evitar a ocorrência de uma violação à liberdade.

Expede-se "salvo conduto" pelojuiz, para impedir a prisão ou a de-

tenção pelo motivo alegado;

b) liberatório ou repressivo: objetiva a cessação da efetiva coação ao direito de ir e vir. Ojuiz expede o alvará de soltura. Pede-seum contramandadosehouvermandadodeprisãonão cumprido.

Regulamentação: arts. 647 a 667 do CPP (Dec.-lei 3.689/1941).

Decisões sobre o tema:

O Supremo Tribunal Federal tem admitido autilização do habeascorpus

para desentranhamento de prova ilícita em procedimento penal, bem como

170

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

parao trancamentodeinquérito policial ou açãopenal ondeseconstatailega-

lidadeou abuso depoder. Nessesentido , HC 80.949, HC 80.420, entre outros.

AsComissõesParlamentaresdeInquérito nãopodemdecretar acondução

coercitivadetestemunha,buscaseapreensões,indisponibilidadedebensepri-

sãotemporária(InformativodoSTF416doSTf; HC88.015/DFeMS25.832/DF).

Asauditoriasmilitaresestaduaissomentepodemjulgar policiaismilitares

ebombeirosmilitares, mas não civis. (STF, HC 70.604/SP, HC 72.022-PR, entre

outros).

De acordo com o Supremo Tribunal Federal, os tratados e convenções

internacionais são incorporados como normas infraconstitucionais (STF ,

RFIC 80.035/SC , entre outros). Não se trata de uma obrigação, mas sim de

uma faculdade atribuída ao Congresso Nacional de equipará-los a emendas

constitucionais.

O talonário de cheques e os cartões de crédito não podem ser objeto

de receptação (STJ, RO/HC 17.596/DF, STJ, RO/HC 2113/SP, entre outros).

É inconstitucional o art. 2.°, § 1.°, da Lei 8.072/1990 - Lei dos Crimes

Hediondos, que dispunha que as penas ali previstas seriam cumpridas inte-

gralmente no regime fechado, por afrontar o princípio da individualização da pena, previsto no art. 5.°, XLVI, da CF/88 (HC 82.959/SP, rei. Min. Marco Aurélio,j. 23.02.2006).

Súmula471 do STJ: "Oscondenadospor crimes hediondosou

assemelhadoscometidosantesda vigência da Lei 11.464/2007

sujeitam-se ao disposto no art. 112 da Lei 7.210/1984 (Lei de

Execução Penal) para a progressão de regime prisional."

note

BEM

A gravação de conversa entre duas pessoas, feita por uma delas sem

o consentimento da outra, registrando o fato para prevenir uma negação

futura, é considerada lícita, sendo possível a utilização do registro como meio de defesa. Esse tipo de gravação clandestina é considerado lícito

somente para utilização como meio de defesa. Nesse sentido, podem ser

citadas, como exemplo, asseguintes decisões: STF, HC 74678/SP, 1. a T . ; STF, AgRgAg 503617/PR, 2.a T.

Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

17 1

Compete àJustiça Federal processar ejulgar prefeito municipal por desvio de verba sujeita a prestação de contas perante órgão federal. Nesse

sentido há decisão do STF (HC 80.867-l/PIJ . 12.04.2002).

O Supremo Tribunal Federal, mudando seu antigo posicionamento,

decidiu que o habeas corpus impetrado contra ato de Turma Recursal é de competência do Tribunal deJustiça. A competência do STF está prevista de

forma exaustiva no art. 102,1, da CF/88. Deixa de se aplicar a Súmula 690. " Competência. Habeas corpus. Definição. A competência para ojulgamento do habeas corpus é defi nida pelos envolvidos - paciente e impetrante. Com-

petência. Habeas corpus. Ato deTurma Recursal. Estando os integrantes das

turmasrecursaisdosjuizadosespeciaissubmetidos, noscrimescomunsenos

de responsabilidade, àjurisdição do Tribunal deJustiça ou do Tribunal Re- gional Federal, incumbeacadaqual, conformeocaso,julgar oshabeascorpus

impetrados contra ato que tenham praticado. Competência. Habeas corpus.

Liminar. Umavez ocorridaadeclinação da competência, cumprepreservar o

quadrodecisóriodecorrentedodeferimentodemedidaacauteladora, fi cando

a manutenção, ou não, a critério do órgão competente " (STF, HC 86.834/SP,

Tribunal Pleno,j. 23.08.2006, rei. Min. Marco Aurélio, DJ 09.03.2007).

O SupremoTribunal Federal concedeu habeascorpusem quesequestio-

navaalegitimidadedaordemdeprisão,por 60dias, decretadaem desfavordo pacienteque,intimadoaentregar obemdoqual eradepositário, nãoadimplira a obrigação contratual (Informativo do STF 531, Plenário, HC 87.585/TO).

O SupremoTribunal Federal , por maioria, concedeu habeascorpusimpe-

trado em favor dedepositáriojudicial, eaverbou expressamentearevogação daSúmula619 ("aprisãododepositáriojudicial podeser decretadanopróprio processoem queseconstituiu o encargo, independentementedapropositura da ação de depósito") (Informativo do STF 531, Plenário, HC 92.566/SP).

Súmulas do STF sobre o tema:

395: "Não se conhece do recurso de habeas corpus cujo objeto seja

resolver sobre o ónus das custas, por não estar mais em causa a liberdade

de locomoção".

431: "É nulo o julgamento de recurso criminal na segunda instância

sem prévia intimação ou publicação da pauta, salvo em habeas corpus

"

.

692: "Não se conhece de habeas corpus contra omissão de relator de

extradição, se fundado em fato ou direito estrangeiro cuja prova não constava dos autos, nem foi ele provocado a respeito "

.

172

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

693: "Não cabe habeascorpuscontra decisão condenatória a pena de

multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena

pecuniária seja a única cominada".

694: "Não cabe habeascorpuscontra a imposição da pena deexclusão de militar ou de perda de patente ou de função pública".

695: "Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de

liberdade".

Súmulas do STJ sobre o tema:

21: "Pronunciadoo réu, fica superada a alegaçãodoconstrangimento

ilegal da prisão por excesso de prazo na instrução".

52: "Encerrada a instrução criminal , ficasuperadaaalegação decons-

trangimento por excesso de prazo".

64: "Não constitui constrangimento ilegal o excesso de prazo na ins- trução, provocado pela defesa".

5.3 Habeas data

Oart. 5.°, LXXII, enuncia: "Conceder-se-áhabeasdata: a) paraassegurar o conhecimento deinformaçõesrelativasàpessoadoimpetrante , constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter

público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por

processo sigiloso,judicial ou administrativo "

Conceito: é um remédio constitucional que tem por finalidade proteger

a esfera íntima dos indivíduos (pessoas físicas ou jurídicas) , possibilitando

a obtenção e a retificação de dados e informações constantes de entidades

governamentais ou de caráter público. Por exemplo: dados sobre a origem racial, ideológica , religiosa, política, filiaçãopartidáriaousindical, orientação sexual, regularidade fiscal, entre outros.

Naturezajurídica: é uma ação constitucional; portanto , é um pedido

de tutela jurisdicional, devendo preencher as condições e os pressupostos

processuais.

Finalidade: assegurar o direito deacesso e o conhecimento de informa- ções relativas à pessoa do impetrante e o direito de retificação desses dados.

Caracte í stica: de regra, é ação personalíssima , não se admitindo pedi- do de terceiros nem sucessão no direito de pedir; porém, existem decisões

.

r

Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

173

judiciais admitindo que os herdeiros legítimos do falecido ou seu cônjuge

supérstite possam impetrá-lo.

É necessário esgotar a via administrativa, sob pena de carência de ação por falta de interesse de agir (art. 8 0 , parágrafo único, I, Lei 9.507/1997).

Polopassivo: devem figurar sempre asentidadesgovernamentais ou de

caráterpúblico. Portanto, podemfigurarcomosujeitospassivososórgãosda

administração direta e indireta, bem como das entidades de caráter público,

ou seja, entidadesprivadasqueprestamserviçopúblico por meiodeconces-

são, permissão, licença ou autorização. O § 4. ° do art. 43 da Lei 8.078/1990

estabelece: " Os bancos de dados e cadastros relativos a consumidores, os

serviços deproteção ao crédito e congéneres são considerados entidades de

caráter público "

.

Vertambémart. 1

parágrafo único, da Lei 9.507/1997("Con-

note

BEM

sidera-se de caráter público todo registro ou banco de dados

contendo informações que sejam ou que possam ser transmi-

tidasa terceirosou que não sejam do uso privativo doórgão ou

entidade produtoraou depositária das informações " ).

Regulamentação: Lei 9.507/1997.

Decisões sobre o tema:

A utilização de habeas data como remédiojurídico constitucional pro-

cessual destinadoagarantir odireitodeacessoaregistrospúblicosederetifi-

caçãodestesdependedecondiçõesprévias. Éoprevistonoart.

8. ° , parágrafo

único, incisos I, II e III da Lei 9.507/1997. Nesse sentido é a decisão do STF,

Pleno, RHD 22/DE

" O habeas data configura remédio jurídico-processual, de natureza

constitucional, quesedestinaagarantir, emfavorda pessoa interessada, o exercíciodapretensãojurídicadiscernível emseu trípliceaspecto: (a)direi- todeacesso aosregistrosexistentes; (b) direito de retificação dosregistros erróneos; e (c) direito de complementação dos registros insuficientes ou

incompletos.Trata-sede relevante instrumento de ativação dajurisdição

constitucional das liberdades, que representa, no plano institucional, a maisexpressiva reaçãojurídicado Estadoàssituações que lesem, efetiva

174

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

ou potencialmente, os direitos fundamentais da pessoa , quaisquer que sejam as dimensõesem que estes se projetem" (STF , HD 75/DF, rei. Min.

Celso de Mello).

5 . 4 Mandado de injunção

O art.

5.° , LXXI,estabelece: "Conceder-se-ámandadodeinjunçãosempre

que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dosdireitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade , à

soberania e à cidadania "

.

Origem: remonta aos fi ns do século XIV , na Inglaterra, onde existia sob

a formadeordem deum tribunal para quealguém fizesseou seabstivesse de

fazer algum ato , sob pena de desobediência à corte.

Fundamento: existe uma norma constitucional de efi cácia limitada ainda

não regulamentada impedindo o exercício de um direito em caso concreto.

Finalidade: o tribunal deve determinar ao poder competente que edite

a norma geral dentro de certo prazo , sob pena de, decorrido este prazo, ser

devolvida ao tribunal a faculdade de edição da norma.

O Supremo Tribunal Federal entendia haver apenas uma mera reco- mendação ao Poder Legislativo para que editasse a norma , sem qualquer

consequência no caso de não atendimento .

Segundo a doutrina , pode haver asolução apenasdocaso concreto pelo

PoderJudiciário. Este é o atual posicionamento do STF (MI 670 e 721) .

uma ação constitucional , pois há um pedido de

proteçãojurisdicional previsto na Constituição.

Sujeito ativo: qualquer pessoa , física oujurídica, interessadanaquestão.

Também podem ser impetrantes as associações , desde que haja autorização

expressa dos associados.

Naturezajurídica: é

Sujeitopassivo: em facedeórgãoou poderincumbidodeelaborar anorma .

QuandoaelaboraçãodanormaforatribuiçãodoPresidentedaRepública,

do Congresso Nacional , da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das

Mesas de uma dessas Casas Legislativas , do Tribunal de Contas da União, de um dosTribunaisSuperiores , ou do próprio Supremo Tribunal Federal caberá ao STFjulgar (art. 102 , 1 , q, da CF/88).

Procedimento: se não houver necessidade de produção de prova , é igual

ao mandado de segurança; caso contrário , o procedimento é o ordinário.

Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

175

Previsões constitucionais: art. 102,1, q (STF), art. 105,1, h (STJ), 121, §

4 . ° , V (TSE), e 125, § 1.° (TJ).

Decisões sobre o tema:

A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal admite legitimidade

ativa adcausamaossindicatos para a instauração, em favor de seus mem-

bros ou associados, do mandado de injunção coletivo (STF, Ml 472-2, j. 16.11.1994, rei. Min. CelsodeMello; STF, Ml 102/PE, Pleno, j. 12.02.1998,

rei. Min. CarlosVelloso).

O Supremo Tribunal Federal atribuiu efeito concreto ao pedido re- querido pela parte em face da omissão do Poder Legislativo (Ml 670/ES,

721/DF e 712/PA).

" A jurisprudência do STF admite legitimidade ativa ad causam aos

sindicatos para a instauração, em favor de seus membros ou associados,

do mandado de injunção coletivo." (STF, Ml 102, j. 12.02.1998, rei. p/o

ac. Min. CarlosVelloso, DJ 25.10.2002).

5 . 5 Mandado de segurança

O art. 5.°, LXIX, preceitua: "Conceder-se-á mandado de segurança para

proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas

data, quandooresponsável pelailegalidadeou abusodepoder forautoridade pública ou agente de pessoajurídica no exercício de atribuições do Poder

Público" .

Direito líquido e certo é o quese apresenta manifesto nasua existência,

delimitado nasuaextensão eapto aser exercidonomomentodaimpetração-

dessemodo, odireitodevevir expresso emnormalegal etrazer emsi todosos requisitosecondiçõesdesuaaplicaçãoaoimpetrante. Deregra, comprova-se

documentalmente. Caso contrário, ou seja, havendo dúvida sobre o direito, deve-se ingressar com uma ação ordinária para demonstrá-lo e exigi-lo.

Sujeito ativo: somente o próprio titular do direito violado tem legitimi- dade para impetrar o mandado de segurança individual. Pode ser qualquer

pessoa, físicaoujurídica, desdeque tenha capacidadededireito eseja titular

do direito violado.

Sujeitos passivos:

a) autoridadespúblicas: compreende todososagentespúblicos, ou seja,

todas as pessoas físicas que exercem alguma função estatal, como os

agentes políticos e os agentes administrativos;

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

b) agentesdepessoasjurídicascom atribuiçõesdePoder Público: todos

os agentes de pessoas jurídicas privadas que executem , a qualquer

título, atividades , serviços e obras públicas - por exemplo, univer- sidades privadas.

Cumpre destacar que o mandado de segurança não deve ser proposto

contra a pessoajurídicade direito público , mas contra a autoridade coatora.

A autoridade coatoraserá a pessoa física que concretiza a lesão a direito

individual como decorrência de sua vontade. Não se levam em consideração

aspessoasqueestabelecem regrasedeterminaçõesgenéricas , nem tampouco

aquelasque meramenteexecutam a ordem. Infere-seque osatos normativos

geraisnão estão sujeitosamandado desegurança. Além disso, não cabeman-

dado desegurança contra ato de particular e mérito de decisão impugnada .

Naturezajurídica: ação constitucional de natureza civil .

Procedimento: recebida a inicial , notifica-se a autoridade coatora para

prestar informações em dez dias; após, os autos, com tais informações, irão

paraoMinistérioPúblicoparaconfecçãodeparecer emcincodias,seguindo-se

asentença. Destaque-se quenão hádilação deprazoparaprova testemunhal ,

pericial ou vistorias. Além disso, a liminar pode ser concedida se em virtude

da demora ocorrer dano irreparável.

A participação do Ministério Público é indispensável , justificada na tutela do interesse público.

Prazo decadencial: 120 dias a contar da data em que o interessado tiver conhecimento oficial do ato a ser impugnado (art. 23 da Lei 12.016/2009). Tal prazo não se suspende nem se interrompe.

Regulamentação: Lei 12.016/2009.

cuidado

A Lei 12.016/2009 trata do procedimento do mandado de

segurança, traz disposições específicas sobre o mandado de

segurança individual e coletivo, bem como outrasdisposições

não previstas na Lei anterior.

Decisões sobre o tema:

As Comissões Parlamentares deInquérito não podem decretar acondu-

ção coercitivadetestemunha, buscaseapreensões, indisponibilidadedebens

eprisão temporária(InformativodoSTF416,HC88.015/DFeMS25.832/DF).

Oprocessolegislativo daemendaconstitucional pode, por meiodeman-

dadodesegurançainterpostoperanteo SupremoTribunal Federal (STF),ser

objeto de controle de constitucionalidade, para o qual estariam legitimados

os parlamentares federais (deputados federais e senadores). Nesses termos:

STF, MS 20.247/DF e MS 20.471/DF

Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, o Ministério

Público pode requisitar diretamente, ou seja, sem intervenção judicial, in-

formações revestidas de sigilo bancá i o ou fiscal quando se tratar de verbas

r

públicas. No art. 129, VI, da CF lê-se: " Art. 129. São funções institucionais

doMinistérioPúblico: VI - expedir noti i caçõesnosprocedimentosadminis-

f

trativos de sua competência, requisitando informações e documentos para

instruí-los, na forma da lei complementar respectiva". No art. 8.°, VIII, da

LC 75/1993 lê-se: "Ter acesso incondicional a qualquer banco de dados de

caráter público ou relativo a serviço de relevância pública " (MS 21.729/DF,

MS 21.172/DF, entre outros).

Asgarantiasinstitucionais, uma decorrência dosdireitosfundamentais

de segunda geração, tiveram papel importante na transformação do Estado

em agente concretizador dos direitos coletivos ou de coletividades, sociais, culturais eeconómicos. Acentuamoprincípio daigualdade (STF, MS22.164/ SP, Pleno,j. 30.10.1995).

Conformeentendimento do SupremoTribunal Federal,asuniversidades

públicasse submetem ao controle do Tribunal de Contasda União. Aplica-se

o art. 71, II, da CF (STF, RMS-Agr 22.047/DF, entre outros).

O mandado desegurança pode ser utilizado para suscitar o controle de

constitucionalidade, inclusive de emendas constitucionais. Nesse sentido é

178

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Súmulas do STF sobre o tema:

101: "O mandado de segurança não substitui a ação popular".

248: "É competente, originariamente, o Supremo Tribunal Federal,

para mandado de segurança contra ato doTribunal de Contasda União".

266: "Não cabe mandado de segurança contra lei em tese".

267: "Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível

de recurso ou correição".

268: "Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado".

269: "O mandado de segurança não é substitutivo de ação de co-

brança".

270: "Nãocabe mandadodesegurança para impugnarenquadramento

da Lei 3.780, de 12.07.1960, queenvolvaexame de prova ou de situação funcional complexa".

271: "Concessão de mandado de segurança não produz efeitos patri-

moniais em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria".

272: "Não se admite como ordinário recurso extraordinário de decisão

denegatória de mandado de segurança".

294: "São inadmissíveis embargos infringentes contra decisão do SupremoTribunal Federal em mandado de segurança".

299: "O recurso ordinário e o extraordinário interpostos no mesmo

processo de mandado de segurança, ou de hcibeas corpus, serão julgados

conjuntamente peloTribunal Pleno "

304: "Decisão denegatória de mandado de segurança, não fazendo

.

coisa julgada contra o impetrante, não impede o uso da ação própria "

.

319: "O prazo do recurso ordinário para o SupremoTribunal Federal,

em habeas corpus ou mandado de segurança, é de cinco dias "

.

330: "O SupremoTribunal Federal nãoécompetenteparaconhecer de mandado de segurança contra atos dosTribunais de Justiça dos Estados".

405: "Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no jul- gamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida,

retroagindo os efeitos da decisão contrária "

.

429: "Aexistênciade recursoadministrativocomefeitosuspensivo não

impede o uso do mandado de segurança contra omissão da autoridade".

430: "Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o mandado de segurança

"

.

Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

179

433: "ÉcompetenteoTribunal Regional doTrabalhoparajulgar man-

dadodesegurançacontraatodeseupresidenteemexecuçãodesentença

trabalhista".

474: "Não há direito líquido e certo, amparado pelo mandado de se-

gurança, quando seescuda em lei cujosefeitosforam anuladospor outra,

declarada constitucional pelo SupremoTribunal Federal".

510: "Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contraelacabeo mandadodesegurançaou a medidajudicial".

512: "Não cabe condenação em honorários de advogado na ação de

mandado de segurança

"

.

597: "Nãocabemembargosinfringentesdeacórdão que, em mandado

de segurança, decidiu, por maioria de votos, a apelação". 622: "Não cabe agravo regimental contra decisão do relator que con- cede ou indefere liminar em mandado de segurança

623: "Não geraporsi sóacompetênciaorigináriadoSupremoTribunal Federal para conhecer do mandado desegurança com base no art. 102,1,

n, da Constituição, dirigir-se o pedido contra deliberação administrativa

doTribunal de origem, da qual haja participado a maioria ou a totalidade

de seus membros".

624: "Nãocompeteao SupremoTribunal Federal conheceroriginaria-

mente de mandado de segurança contra atos de outros tribunais "

"

.

.

625: "Controvérsiasobre matéria dedireito não impedeconcessão de mandado de segurança 626: "A suspensão da liminar em mandado de segurança, salvo de-

terminação em contrário da decisão que a deferir, vigorará até o trânsito

emjulgado da decisão definitiva deconcessão da segurança ou, havendo

recurso, atéa sua manutenção pelo SupremoTribunal Federal, desdeque

o objeto da liminar deferida coincida, total ou parcialmente, com o da

"

.

impetração".

627: "No mandadodesegurança contraa nomeação de magistrado da

competência do Presidente da República, este é considerado autoridade

coatora, ainda que o fundamento da impetração seja nulidade ocorrida em fase anterior do procedimento " 629: "A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade

de classe em favor dos associados independe da autorização destes".

630: "A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segu- rança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte

da respectiva categoria". 631: "Extingue-se o processo de mandado de segurança se o impe- trante não promove, no prazo assinado, a citação do litisconsorte passivo

necessário "

.

.

180

DIREITO CONSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

632: "Éconstitucional lei que fixa o prazo de decadência para a im-

petração de mandado de segurança

701: "No mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público contra decisão proferida em processo penal, é obrigatória a citação do réu como litisconsorte passivo "

"

.

.

Súmulas do STJ sobre o tema:

41: "O SuperiorTribunal deJustiça não tem competência para proces-

sar ejulgar, originariamente, mandado desegurança contra ato de outros

tribunais ou dos respectivos órgãos".

105: "Na ação de mandado de segurança não se admite condenação

em honorários advocatícios "

.

1 69: "São inadmissíveis embargos infringentes no processo de man- dado de segurança".

"O SuperiorTribunal de Justiça é incompetente para processar

e julgar, originariamente, mandado de segurança contra ato de órgão colegiado presidido por Ministro de Estado".

213: "O mandado de segurança constitui ação adequada para a de- claração do direito à compensação tributária "

333: "Cabe mandado de segurança contra ato praticado em licitação

1 77:

.

promovida por sociedade de economia mista ou empresa pública "

.

376: "Compete a turma recursal processar e julgar o mandado de

segurança contra ato de juizado especial "

.

5 . 6 Mandado de segurança coletivo

O art. 5.°, LXX, enuncia: "O mandado de segurança coletivo pode ser

impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional;

b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente consti-

tuída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses

de seus membros ou associados" .

Nas alíneas citadas há a legitimação para propositura do mandado de

segurança coletivo, destacando-se que, no caso da alínea b, ele deverá ser

propostoapenasparaadefesadeseusmembroseassociados. Omesmoocorre

no caso de partidospolíticos. É um remédio constitucional corporativo.

Saliente-se que devem estar preenchidos os demais requisitos do man- dado de segurança individual.

Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

18 1

O art. 21 da Lei 12.016/2009 determina que: "O mandado de seguran-

ça coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no

Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantesou àfinalidadepartidária, ou por organização sindical, entidade declasseou associação legalmenteconstituídaeem funcionamento há, pelo

menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade,

ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desdequepertinentesàssuasfinalidades, dispensada, paratanto, autorização especial. Parágrafoúnico. Osdireitosprotegidospelomandadodesegurança

coletivo podem ser: I - coletivos, assim entendidos, para efeitosdesta Lei os

transindividuais, denaturezaindivisível, dequesejatitular grupo oucategoria

depessoasligadasentresi ou com apartecontráriapor umarelaçãojurídica

de base; II - individuais homogéneos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante."

note

Podehaveradispensadoprazodeumanotendoemvistaodirei- BEM

toaserprotegido(art. 82, § 1

daLei 8.078/1990- "manifesto

interesse social evidenciado pela dimensão ou característica

dodano, ou pela relevânciado bemjurídico a ser protegido").

Decisão sobre o tema:

r

Segundo posicionamentodoSupremoTribunal Federal, nosmandados desegurançacoletivosimpetradosporsindicatoemdefesadedireitosubjetivo

comum aos integrantes da categoria não se exige, na inicial, a autorização

expressa dos sindicalizados (Súmula 629 do STF). É caso de legitimidade

extraordinária- substituição processual (MS 22.132/RJ, entre outros).

Súmulas do STF sobre o tema:

629: "A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade

de classe em favor dos associados independe da autorização destes".

630: "A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segu-

rança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte

da respectiva categoria".

182

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

Inote

BEM

A Lei 12.016/2009 trata do procedimento do mandado de

segurança, traz disposições específicas sobre o mandado de

segurança individual ecoletivo, bemcomooutrasdisposições

não previstas na Lei anterior.

5 . 7 Ação popular

O art. 5.°, LXXIII , estabelece: " Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou

de entidadede que o Estado participe , à moralidade administrativa, ao meio

ambienteeao patrimônio histórico ecultural , ficandooautor, salvocompro- vada má-fé , isento de custas judiciais e do ónus da sucumbência".

Finalidade: invalidar atos ou contratos administrativosilegais e lesivos

ao patrimônio federal , estadual ou municipal, ou de entesjurídicossubven-

cionados com o dinheiro público (mais de 50% do patrimônio) .

Sujeito ativo: cidadão brasileiro (eleitor).

Sujeitopassivo: o administrador da entidade lesada e os beneficiários.

Naturezajurídica: ação constitucional de natureza civil .

Formas:

a) preventiva: ajuizadaantesdaconsumaçãodosefeitosdoato , podendo

ser deferida a suspensão liminar do ato impugnado;

b) repressiva: visa corrigir os atos danosos consumados;

c) supridora da omissão (supletiva): o autor obriga a Administração

omissa a atuar.

Cabimento: em casos como incompetência de quem praticou os atos

danosos, forma não prescrita em lei , desvio de finalidade, ilegalidade do

objeto, entre outros.

Saliente-sequeascausasintentadascontraaUniãopoderãoseraforadas

na seção judiciária em que for domiciliado o autor , naquela onde houver

ocorrido o ato ou fato que deu origem à demanda ou onde esteja situada a

coisa, ou, ainda , no Distrito Federal (art. 109, § 2.°, da CF/88).

Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

183

O Ministério Público deve funcionar como

f

i scal da lei e substituir o

autor, caso venha este a desistir da ação (art. 9. ° , Lei 4.717/65).

Na sentença , normalmente, ojuiz deverádeterminar a invalidadedoatoe

acondenaçãoao ressarcimentodasperdasedanospor partedosresponsáveis. A sentençadeimprocedênciadaação, por faltade fundamento dapretensão,

faz coisajulgada; porém, se a improcedência foi por insu i ciência de provas,

f

não faz coisajulgada, podendo a ação ser proposta novamente.

Execução: pode ser feita pelo autor, qualquer outro cidadão ou o Minis- tério Público (se o autor não promove a execução em 60 dias da publicação

da sentença - art. 16, Lei 4.717/65). Destaque-se que a execução é contra os

responsáveis pelo ato.

Regulamentação: Lei 4.717/1965.

Decisões sobre o tema:

A ação popular eaação civil públicapodem ser utilizadasno controlede

constitucionalidade incidental, ou seja, desde que a questão constitucional seja aventada como fundamento de outra pretensão, que não a mera decla-

ração de inconstitucionalidade da norma. Nesse sentido estão as seguintes

decisões: STF, Rcl 721-0/AL- MedidaLiminar, Pleno,j. 10.02.1998; STF, Rcl 554-2/MG, Pleno,j. 26.11.1997, entre outros.

" O mandado de segurança não substitui a ação popular" (Súmula 101

do STF).

" Pessoajurídica não tem legitimidade para propor ação popular" (Sú-

mula 365 do STF).

ÉcompetenteajustiçaComumparajulgaraçãopopularcontraoSEBRAE

(RE 366.168/SC; Súmula 516 do STF: "O Serviço Social da Indústria - SESI

está sujeito àjurisdição daJustiça Estadual " ) .

5 . 8 Ação civil pública

O art. 129, III, estabelece: "São funções institucionais do Ministério

Público: (

)

III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a

proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros inte-

resses difusos e coletivos "

.

Origem efinalidade: foi introduzidano Brasil pelaLei 7.347/1985, paraa proteção dos direitos do consumidor, do meio ambiente, dos bens e direitos

de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, da ordem eco-

184 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

nômica e urbanística. Posteriormente, outras leis ampliaram ou reforçaram o seu âmbito de proteção: Lei 7.853/1989: pessoas portadoras de deficiência (necessidades especiais); Lei 7.913/1989: investidores no mercado de valo-

res mobiliários; Lei 8.069/1990: Estatuto da Criança e do Adolescente; Lei

8 . 078/1990: Código de Defesa do Consumidor; Lei 8.429/1992: probidade

administrativa , entre outras.

Naturezajurídica: é uma ação constitucional.

Competência: funcional e absoluta do lugar do dano (art. 2.° da Lei

7 . 347/1985).

Sujeito ativo: Ministério Público, Defensoria Pública, União, Estados,

Distrito Federal , Municípios, autarquias, empresas públicas, fundações, sociedades de economia mista, associações constituídas há pelo menos um ano, nos termos da lei civil, e que tenham por fim a proteção de interesses

difusos e coletivos (art. 5.°, caput, I a V , da Lei 7.347/1985).

note

Podehaveradispensadoprazodeumanotendoemvistaodirei- BEM

to a ser protegido (art. 82, § 1 °, da Lei 8.078/1990- "manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou característica do dano, ou pela relevânciado bem jurídico a ser protegido").

Sujeitopassivo: a Administração Pública ou o particular.

O Ministério Público intervém obrigatoriamenteem todasasaçõescivis

públicas, seja como parte, seja como fiscal da lei. É possível o litisconsórcio

facultativo entre os Ministérios Públicos da União , do Distrito Federal e dos

Estados (art. 5.° , §§ 1.° e 5.°, da Lei 7.347/1985). Em caso de desistência in-

fundadaouabandonodaaçãopor associaçãolegitimada , o Ministério Público

ou outro legitimado assumirá a titularidade da ação (art. 5.° , § 3.°, da Lei 7 . 347/1985). Inquérito civil é um procedimento administrativo preliminar por meio do qual o membro do Ministério Público apura a existência ou não de atos lesivos aos interesses difusos, coletivos ou individuais homogéneos

para a propositura de ação civil pública (art. 8.°, § 1.°, da Lei 7.347/1985).

O inquérito civil é dispensável sejá houver provas su icientes para a ação.

f

Termo de ajustamento de conduta: é possível a transação mediante com-

promisso de ajustamento de conduta celebrado pelos órgãos públicos (art.

Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

185

5 . ° , § 6.°, da Lei 7.347/1985). As associações civis, empresas públicas, fun-

daçõesesociedades de economiamista não podem transacionar. Trata-se de um acordo extrajudicial, não se exigindo homologaçãojudicial. Porém, se o

acordofor celebradoemaçãojudicial,seránecessáriaahomologaçãojudicial

para extinguir o processo.

Destaque-se que, no mandado de segurança coletivo e na ação civil pública, a liminar será concedida, quando cabível, após a audiência do

representantejudicial da pessoajurídica de direito público, que deverá se

pronunciar no prazo de 72 horas (art. 2. ° da Lei 8.437/1992; art. 22, § 2.°, da

Lei 12.016/2009).

Condenação e execução: a ação civil poderá ter por objeto a condenação

em dinheiro ou o cumprimentodeobrigaçãodefazer ou não fazer (art. 3. ° da

Lei 7.347/1985). Qualquer doscolegitimadospodepromover aexecução, eo

Ministério Público deverá promover a execução se for autor da ação ou se o

colegitimadonãopromover aexecuçãoem60diasdo trânsitoemjulgadoda

sentença (art. 15 da Lei 7.347/1985). Ojuiz poderá determinar multa diária

em razão do não cumprimento da sentença (astreinte), que reverterá para

um fundo destinado à reconstituição dos bens lesados. Tal fundo também

receberá osvalores provenientes de condenação em dinheiro.

Interesses difusos: os titulares não são pessoas determinadas ou deter- mináveis, mas se encontram ligados por uma situação de fato, possuindo interessesindivisíveis- por exemplo, viver emmeioambientesadio, respeito

aos direitos humanos, entre outros.

Interesses coletivos: seus titulares são pessoas determináveis, que se

encontram ligadas por um vínculo jurídico, possuindo interesses indivisí-

veis- por exemplo, reajuste de mensalidade de uma entidade particular de

ensino, entre outros.

Interesses individuais homogéneos: seus titulares são pessoas determina-

das, queseencontramligadasporumasituaçãodefato, possuindointeresses divisíveis - por exemplo, compradores de veículos com o mesmo defeito,

en tre ou tros.

Decisão sobre o tema:

A ação civil públicapodeser utilizadacomo instrumento decontrolede

constitucionalidadedasleisdesdequeosejaincidentalmente, istoé, nocurso

deumprocessoconcreto. Nessecaso,osefeitosestarãovinculadosàspartesdo

processo. Cabeobservar que,seaquestãoconstitucional foroobjetoprincipal

186

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

da demanda, nãose admitiráa ação civil pública , poisosseusefeitossão erga

omnes, edessemodo haveriaequiparaçãoaosefeitosdo controleconcentrado

e usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. Nessesentidojá

se manifestou o Pretório Excelso nos seguintes julgados: Rcl 633-6/SP , rei.

Min. Francisco Rezek; Rcl 1733/SP , rei. Min. Celso de Mello, entre outros.

Súmulas sobre o tema:

329, STj: "O Ministério Público tem legitimidade para propor ação

civil pública em defesa do patrimônio público".

643, STF: "OMinistério Públicotem legitimidadepara promoveração civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensali-

dades escolares".

Nacionalidade

AnacionalidadedefineoeloqueuneoindivíduoaumEstadodeterminado,

ouseja,éateoriaquetemporobjetoindicaroEstadodequedependecadaum.

Como já visto, o Estado é o poder soberano de um governo, exercido

sobreumapopulação assentada em um território, voltado auma finalidade.

O vínculo da nacionalidade decorre da relação entre o elemento humano

(população) e o território, submetendo-se à ordenaçãojurídico-política ali

existente.

Anacionalidadetem fundamental importânciaparaum Estadosoberano,

demodo queamaioriadospaísesdeterminao modo deaquisição eperdada

nacionalidade nas suas Constituições.

Para melhor compreensão do tema, há a necessidade de conhecimento

de alguns conceitos correlatos à nacionalidade:

a) população: é o conjunto dosresidentesno território, sejam nacionais

ou estrangeiros. São oshabitantesdeum território submetidosaum

governo soberano;

b) povo: éoconjuntodehabitantesdotadosdecapacidadeeleitoral ativa

e/ou passiva. Pode ser entendido como o conjunto dos eleitores que se qualificam pela posse da cidadania;

c) nação: é o conjunto de pessoas que partilham a mesma identidade

sócio e étnico-cultural.

Podemosdeduzir queháumcritériodemocráticoparade inirpopulação,

f

um crité i o político para o conceito de povo e um critério étnico-cultural

r

para a nação. Destaque-se que o termo nacionalidade, em seu enfoque jurídico, podesedistanciar do conceito denação, poisserão nacionaistodos

aqueles unidos por um vínculo político com o Estado, independentemente

de afinidades étnico-culturais.

188

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

d) nacional: é o brasileiro nato ou naturalizado , ou seja, aquele que se

vincula por nascimento ou naturalização ao território brasileiro;

e) cidadão: é o termo que qualifica o nacional no gozo dos direitos

1 .

políticos.

Não se deve confundir nacionalidade com naturalidade , pois

esta é o local físico onde se nasce e não necessariamente

coincidecoma nacionalidade. Porexemplo , o indivíduo pode

ser londrino, por ter nascido em Londres , mas ser brasileiro

nato, por ser filho de diplomata brasileiro que lá se encontra

em serviço (art. 12, 1, ò, CF).

gm Inote

BEM

NATUREZA JURÍDICA DO DIREITO DA NACIONALIDADE

No Brasil , anacionalidadeéum direito deordem constitucional (material

e formalmente).

2 .

ESPÉCIES DE NACIONALIDADE E PECULIARIDADES

2 . 7 Primária , de origem ou originária

Estaespéciedenacionalidadeestávinculadaaofatonaturaldonascimento .

Adotam-se dois critérios:

a) daterritorialidade(iussolis): atribui anacionalidadeaquemnasceno

território do Estado de que se trata; e

b) da consanguinidade (ius sanguinis): são nacionais os descendentes

de nacionais.

No caso da nacionalidade primária , teremos o brasileiro nato.

Secundária ou adquirida

É a nacionalidade adquirida pela vontade do indivíduo ou do Estado

por meio da naturalização (fato artificial). Nesse caso, temos o brasileiro

naturalizado.

2 . 2

2 . 3 Modosdeaquisiçãodanacionalidade

Os modos de aquisição da nacionalidade dependem de cada Estado ,

mas em qualquer deles é involuntária sua aquisição originária (primária) ,

Cap. 17 . NACIONALIDADE

189

decorrendo da ligação do fato natural do nascimento com um critério estabelecido pelo Estado, enquanto sua aquisição secundária é voluntária.

Comojávisto,doissãooscritériosparaadeterminaçãodanacionalidade

primária (nascimento):

2 . 3 . 1Critério da origem sanguínea (ius sanguinisj

Éanacionalidadeconferidaemfunçãodovínculodosangue, reputando-se

nacionais os descendentes de nacionais.

2 . 3 . 2

Critério da origem territorial fius solisj

Segundo esse critério, atribui-se a nacionalidade ao nascimento em determinado território, ou seja, a criança deve nascer em determinado

território para possuir aquela nacionalidade.

Historicamente, os Estados de emigração (maioria dos europeus -

metrópoles) preferem o critério do ius sanguinis, pois mesmo com a saída

de sua população para outros países não há a diminuição de seus nacionais.

Por suavez, osEstadosde imigração (maioriadosamericanos- ex-colônias)

acolhem o critério do ius solis, pelo qual os filhos e demais descendentes da

massa dos imigrantes passam a ter sua nacionalidade.

2 . 4

Reflexos da nacionalidade

Em virtude dos dois critérios adotados para a determinação da

nacionalidade primária, pode-se ter um polipátrida ou um apátrida.

Opolipátridaéoindivíduoquepossui maisdeumanacionalidade, oque

acontece, por exemplo, quando seu nascimento sevinculaaos dois critérios

de determinação da nacionalidade primária. É o caso dos filhos cujos pais

são oriundos de Estado que adota o critério do ius sanguinis e nascem num

Estado que adota o do ius solis. Apátrida ou Heimatlos (expressão alemã) significa sem pátria, ou seja,

indica que um indivíduo é desprovido de nacionalidade. É o caso dos filhos

cujospaissão oriundosdeEstadoqueadotaocritériodo iussolisequenascem

num Estado que adota o do ius sanguinis.

2 . 5 A nacionalidade no direito constitucional brasileiro

A aquisição da nacionalidade brasileira está prevista no art. 12 da

Constituição Federal vigente. De acordo com a citada regra, os brasileiros

190

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

podem ser: natos, que correspondem aos de nacionalidade primária (art. 12,1); e naturalizados , que são os estrangeiros que adotam a nacionalidade

brasileira (art. 12, II).

No que diz respeito à legislação infraconstitucional referente à nacionalidade , existe o Estatuto dos Estrangeiros (Lei 6.815/1980, com alteração da Lei 6.964/1981), definindo a situação jurídica do estrangeiro

no Brasil .

2 . 6

Os brasileiros natos

A Constituição considera brasileiro nato aquele que adquire a

nacionalidade brasileira pelo fator nascimento. Somente o art. 12 , I, da

Constituição Federal de 1988 fornece os critérios e pressupostos para que

alguém seja considerado brasileiro nato , a saber:

2 . 6 .

/

Critério do ius solis (territorialidade)

São brasileiros natos os nascidos em território brasileiro, excetuados os

filhos de pais estrangeiros quando no Brasil a serviço de seu país- art. 12 , 1 ,

a, da CF/88.

Comojávisto,oterritórioéolimiteespacialdentrodoqualoEstadoexercede modoexclusivo opoderdeimpériosobreaspessoaseosbens. Sãoconsiderados

territórios brasileiros: as terras delimitadas pelas fronteiras geográficas, seus

rios , lagos, baías, golfos, ilhas, bem como o espaço aéreo e o mar territorial; os

navioseaeronavesdeguerrabrasileiros , ondequerqueseencontrem; osnavios

mercantesbrasileirosemalto-maroudepassagememmarterritorial estrangeiro; as aeronaves civis brasileiras em voo sobre o alto-mar ou de passagem sobre

águas territoriais ou espaços aéreos estrangeiros.

2 . 6 . 2

Critério do ius sanguinis aliado ao serviço do Brasil

Sãobrasileirosnatososnascidosnoestrangeiro, depai brasileiro ou mãe

brasileira, desdequequalquer delesestejaaserviçodaRepúblicaFederativado Brasil (União, Estado, Município, Distrito Federal, Território eaté entidades

daadministração indireta). Não estão descartadososserviçosrealizadospara

empresas privadas contratadas por entes públicos (art. 12,1, b, da CF/88).

2 . 6 . 3

Critério do ius sanguinis mais a opção

São exigidas as seguintes condições: ser nascido no estrangeiro; ser

nascido de brasileiro ou brasileira, nato ou naturalizado; ser registrado em

Cap. 17 . NACIONALIDADE

19 1

repartição brasileira competente; vir, a qualquer tempo, a residir no Brasil; optar, também a qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira, depois de

atingida a maioridade (art. 12,1, c, da CF/88).

Tem-se, então, a aquisição da nacionalidade primária, unindo-se o

critério do ius sanguinis, o vínculo territorial e ainda a manifestação da

vontade do interessado maior de idade, à semelhança da nacionalidade

secundária. Saliente-se que a EC 54, de 20.09.2007, determinou que os filhos de brasileiros nascidos no estrangeiro serão brasileiros natos, desde

que seus pais providenciem o registro de seu nascimento em repartição brasileira competente (repartição diplomática ou consular). Por fim, o art.

2 . ° da citada EC 54/2007 acrescentou o art. 95 ao ADCT, estabelecendo: "Os

nascidos no estrangeiro entre 7 de junho de 1994 e a data da promulgação

desta Emenda Constitucional (20.09.2007), filhos de pai brasileiro ou mãe brasileira, poderão ser registrados em repartição diplomática ou consular brasileiracompetenteou em ofícioderegistro,sevierem aresidir naRepública Federativa do Brasil" (grifo nosso).

2 . 7

Os brasileiros naturalizados

Osbrasileirosnaturalizadossãoosestrangeirosque,por meio doprocesso

de naturalização, adquirirem a nacionalidade brasileira. O art. 12, II, da CF/88 vislumbra tal situação. Além da previsão constitucional, existe a legislação infraconstitucional complementando as regras da naturalização

(Lei 818/1949, Lei 6.815/1980, Lei 6.964/1981 e Decreto 86.715/1981).

Atualmente,sósereconheceanaturalização expressa, ou seja,aquelaque

dependederequerimento do naturalizando. Esta, deacordo com a doutrina, compreende duas classes:

2 . 7 .

/

Naturalização ordinária

É a que se concede ao estrangeiro, residente no País, que preencha os

requisitosprevistosna lei denaturalização, exigidasaosorigináriosdepaíses delínguaportuguesa (Portugal,Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Açores, Cabo Verde, Príncipe, Goa, Gamão, Dio, Macau e Timor): apenas residência

por um ano ininterrupto e idoneidade moral (art. 12, II, a, da CF/88).

2 . 7 . 2

Naturalização extraordinária

Éa reconhecida aos estrangeirosdequalquer nacionalidade, residentes

no Brasil há mais de 15 anosininterruptosesem condenação penal (no Brasil

192

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

e no exterior), desde que requeiram a nacionalidade brasileira (art. 12 , II, b, da CF/88). Adquire-se pelo simples fato de residência no País , por 15 anos ininterruptos, sem condenação penal. Justificativa: quem colaborou com

o Estado brasileiro por tanto tempo sem ter condenação penal merece esse

reconhecimento. Trata-sedeumdireitosubjetivodo estrangeirodequalquer nacionalidade, residente no País, facultando-lhe pleitear a naturalização por

mero requerimento.

2 . 8 Aspectosjurídicos do brasileiro nato e do naturalizado

Quando a Constituição mencionar em seu texto o termo "brasileiro",

sem qualquer predicativo, entende-se que a expressão inclui o brasileiro nato e o naturalizado. Quando o constituinte quiser excluir o brasileiro

naturalizado , mencionará expressamente em seu texto a expressão

" brasileiro nato".

As distinções existentes entre o brasileiro nato e o naturalizado são

somenteaquelasconsignadasnaConstituição. Nissoelafoi expressanoart. 12 ,

§ 2.°, segundo o qual "a lei não poderá estabelecer distinção entrebrasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição "

.

A Constituição Federal impõe, atualmente, as seguintes limitações aos

brasileiros naturalizados:

a) são privativos aos brasileiros natos os cargos de Presidente e Vice- Presidente da República, Presidente da Câmara dos Deputados , PresidentedoSenado Federal,MinistrodoSupremoTribunal Federal , carreiradiplomática, oficial dasForçasArmadaseMinistro deEstado

da Defesa (art. 12, § 3.°);

b) éprivativadecidadãobrasileironatoa funçãodemembrodo Conselho da República (art. 89, VII);

c) obrasileironaturalizadohámenosde 10anosnãopodeserproprietário

de empresajornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens

(art. 222). Devem ser observados os §§ l.°e 2.° do referido artigo, que

restringem a participação de brasileiros naturalizados há 10 anos ou

menos nos meios de comunicação;

d) o brasileiro nato não pode ser extraditado, o que pode ocorrer com o

naturalizadoemcasodecrimecomum,praticadoantesdanaturalização, ou decomprovado envolvimento em tráfico ilícito deentorpecentes e drogas afins, na forma da lei (art. 5.°, LI).

Cap. 17 . NACIONALIDADE

2 . 9

Perda da nacionalidade

193

O caput e o § 4.° do art. 12 da CF/88 estabelecem: Serádeclaradaaperda

da nacionalidade do brasileiro que: "I - tiver cancelada sua naturalização,

por sentençajudicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional; II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: a) de reconhecimento de nacionalidadeorigináriapelalei estrangeira; b) deimposiçãodenaturalização, pelanorma estrangeira, ao brasileiro residente em Estado estrangeiro, como

condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos

civis "

.

O primeiro caso atingirá o brasileiro naturalizado e trata do cancelamento da naturalização válida e eficaz, por sentença judicial, obedecido o devido processo legal, ondese constatao exercício deatividade

nociva ao interessenacional. O efeito do cancelamento é dedesconstituição

da naturalização e atinge o ato com o trânsito em julgado da sentença,

tendo efeito ex nunc.

O segundo caso de perda da nacionalidade refere-se tanto ao brasileiro

nato quanto ao naturalizado e decorre da aquisição de outra nacionalidade

por naturalização voluntária, ou seja, o nacional adquire voluntariamente outra nacionalidade. Esse ato engloba tanto o pedido como a aceitação da

naturalização oferecida por outro Estado.

2 . / 0 Reaquisição da nacionalidade brasileira

Obrasileironaturalizadoqueteveanaturalizaçãocanceladaporatividade nocivaaointeressenacional poderárecuperá-laseocancelamento for desfeito

por ação rescisória.

A ação rescisória é um remédio processual que serve para desconstituir

ou revogar acórdão ou sentença de mérito transitada em julgado. Essa ação

deverá ser proposta dentro de dois anos contados do trânsito emjulgado da

decisão (art. 485 do CPC).

O que perdeu a nacionalidade por naturalização voluntária poderá

readquiri-la , por decreto do Presidente da República, se estiver domiciliado no Brasil (art. 36 da Lei 818/1949). Destaque-se que essa reaquisição tem

efeitos ex nunc , e o nacional readquire a condição que perdera, ou seja, de

brasileiro nato ou naturalizado.

194 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

O Decreto 3.453/2000 delegaao Ministro daJustiçaacompe-

tência para declarar a perda e a reaquisição da nacionalidade

brasileira.

impo tante

r

2 . / 7 Institutos ligados à nacionalidade

2 . 11.1 Extradição

É o ato pelo qual um Estado entrega àJustiça de outro Estado um

indivíduoacusadodeumdelitooujácondenado,por considerá-locompetente parajulgá-lo e puni-lo.

Compete à União legislar sobre extradição (art. 22, XV), vigorando a

respeito os arts. 76 a 94 da Lei 6.815/1980 , alterada pela Lei 6.964/1981.

Limites constitucionais à extradição:

a) art. 5. ° , LI, da CF/88:

"Nenhum brasileiro será extraditado, salvo

o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da

naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de

entorpecentes e drogasafins, na forma da lei " ;

b) art. 5.°, LII, da CF/88: "Não será concedidaextradição de estrangeiro

por crime político ou de opinião "

.

CompeteaoSupremoTribunal Federal processar ejulgar originariamente a extradição solicitada por Estado estrangeiro (art. 102,1, g , da CF/88).

" Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditando casado

com brasileira ou ter filho brasileiro " (Súmula 421, STF).

Se for crime impuro cabe extradição - cláusula de atentado

(violência contra pessoas) (art. 77, § 3.°, da Lei 6.815/1980).

2 . 11.2 Expulsão

note

BEM

Expulsão é um modo coativo de retirar o estrangeiro do território

nacional por delito, infração ou ato que o torne inconveniente à defesa e à

Cap. 17 . NACIONALIDADE

195

conservação da ordem interna do Estado. A União é a entidade política que

tem a competência para legislar sobre expulsão (art. 22, XV, da CF/88).

É passível de expulsão o estrangeiro que, de qualquer forma, atentar

contra a segurança nacional, a ordem política ou social, a tranquilidade ou

moralidade pública e a economia popular, ou cujo procedimento o torne

nocivo à convivência e aos interesses nacionais, entre outros casos previstos em lei (Lei 6.815/1980, com alterações da Lei 6.964/1981, arts. 65 a 75).

Compete exclusivamente ao Presidente da República resolver sobre a

conveniência e a oportunidade da expulsão, ou sua revogação, que se fará por decreto passível de controle de constitucionalidade e de legalidade pelo

Poderjudiciário.

Nãoocorreráaexpulsãoseestaimplicar em extradição nãoadmitidapelo

direito brasileiro ou quando o estrangeiro tiver (art. 75 da Lei 6.815/1980):

a) cônjugebrasileiro do qual não esteja divorciado ou separado, de fato

ou dedireito, edesdequeo casamento tenhasidocelebrado hámaisde5 anos;

b) filho brasileiro que comprovadamente esteja sob sua guarda e dele

dependa economicamente.

2 . 11.3 Deportação

É a saída compulsória do estrangeiro que ingressou ou permanece

irregularmenteno território nacional, ou seja, éo modocoativo dedevolver o

estrangeiroaoexterior emvirtudededesobediênciaao ordenamentojurídico

que trata da entrada e permanência no Brasil (art. 5. ° , XV, da CF/88).

A deportação não decorre da prática de delito no território, mas do não cumprimentodosrequisitosparaentrarou permanecer noterritório. Quando

oestrangeironãoseretirarvoluntariamenteno prazodeterminado,seráfeita

adeportação parao paísdeorigem ou deprocedênciadele, ou paraoutro que

consinta em recebê-lo. Não sendo ela exequível ou existindo indícios sérios

de periculosidade ou de indesejabilidadedo estrangeiro, proceder-se-á asua expulsão. Masnão sedaráadeportação seestaimplicar emextradiçãovedada pela lei brasileira (Lei 6.815/1980).

Em resum o :

a) extradição: háumdelitopraticadoforadoterritórionacional. Évedada

de modo absoluto a de brasileiro nato, sendo possível a de brasileiro

naturalizado;

b) expulsão: háumdelitopraticadono território nacionalporestrangeiro,

tendo como restrição casamento com brasileiro há mais de 5 anos ou

196

DIREITO CO NSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

existência de filho sob sua guarda ou dependência. Não há expulsão

de brasileiro;

c) deportação: é a devolução compulsória de estrangeiro pelo não cumprimentodosrequisitosparaentrar ou permanecer no território. Não há deportação de brasileiro. Cumpre destacar que não existemais o instituto do banimento, que era

o envio compulsório de brasileiro para o exterior. Há , inclusive, a vedação

constitucional de seu restabelecimento no art. 5. ° , XLVII,d, da CF/88. Segundo

a doutrina, o banimento temporário é chamado de ostracismo.

Se naquestão de provaforfeita menção ao termo entregatrata-

se do tema Tribunal Penal Internacional (Estatuto de Roma

- Decreto 4.388/2002). Nesse caso, podem ser entregues brasileiros natosou naturalizadose estrangeiros aoTPI.

2 . 12 A língua e os símbolos nacionais

A línguaportuguesaéo idiomao i cial da RepúblicaFederativado Brasil

f

(art. 13,caput,daCF/88),podendoascomunidadesindígenasutilizar também

suas línguas maternas (art. 210, § 2. ° , da CF/88).

A bandeira , o hino, asarmaseo selo nacional são símbolosdaRepública Federativa do Brasil , podendo os Estados, o Distrito Federal eosMunicípios

ter símbolos próprios (art. 13, §§ l.°e2.°, da CF/88).

3 .

ASSUNTO S PERTINENTES AO S ESTRANGEIRO S

Locomoção no território nacional: é livrecomo a qualquer brasileiro (art. 5 . ° , XV, da CF/88). A lei, contudo, disciplina o direito de qualquer pessoa

entrar no território nacional, nele permanecer ou dele sair só ou com seus

bens (art. 5.°, XV, da CF/88). A lei que regula esses preceitos no tocante aos

estrangeiros é o Estatuto do Estrangeiro supracitado.

Entrada: todo estrangeiro pode entrar no País , desde que preencha os

requisitoslegaiseobtenhavistodeentrada(detrânsito,deturista, temporário , permanente, de cortesia, ofi cial ou diplomático). Não se concede visto a estrangeiro menor de 18 anos, desacompanhado de seu responsável.

Cap. 17 . NACIONALIDADE

197

Permanência: deverá registrar-se no Ministério da Justiça e obter o Registro Nacional de Estrangeiro (RNE).

Saída: deve obter o visto de saída. Se for registrado como permanente,

poderá retornar independentemente de visto, se o fizer dentro de dois anos.

Aquisição e perda dos direitos civis: a lei não distingue nacionais e estrangeirosquanto à aquisição egozo dosdireitos civis. Só haverádistinção

quando a Constituição autorizar.

Limitações: a Constituição determina que cabe à lei disciplinar os investimentos de capital estrangeiro e regular a remessa de lucros para o

exterior (art. 172 da CF/88).

" A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se refere o caput deste artigo [jazidas e demais recursos

minerais e os potenciais de energia hidráulica] somente poderão ser

efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse

nacional, por brasileirosouporempresaconstituída sob as leisbrasileirase

quetenhasuasedeeadministração no Raís, naformada lei, queestabelecerá

as condições específicas quando essas atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas" (art. 176, § 1.°, da CF/88).

Não podem também os estrangeiros ser proprietários de empresas jornalísticas e deradiodifusão sonora e desonseimagens, nem responsáveis

por sua administração e orientação intelectual (art. 222 da CF/88).

Aquisição de direitos políticos: os estrangeiros não adquirem direitos

políticos, não podem votar nem ser votados (art. 14, § 2. ° , da CF/88), nem intentar ação popular (art. 5.° , LXXIII, da CF/88).

Asilopolítico:éorecebimentodeestrangeironoterritórionacional , sem os requisitosdeingresso , aseu pedido,paraevitarpunição ou perseguição noseu país de origem, por delito de natureza política ou ideológica. A Constituição

Federal vigente prevêa concessão deasilo político (art. 4.° , X). O asilado não

poderásair do Paíssem préviaautorizaçãodogovernobrasileiro,sobpenade

renúncia ao asilo e de impedimento de reingresso nessa condição.

Portugueses residentes no Brasil: ver Decreto 3.927/2001 - Tratado de

Amizade (art. 12 , § 1.°, da CF/88).

Decisões sobre o tema:

" As hipóteses de outorga da nacionalidade brasileira, quer se trate de nacionalidade primária ou originária (da qual emana a condição de brasileiro nato), quersecuidedenacionalidadesecundáriaou derivada(da

qual resultaostatusdebrasileiro naturalizado), decorrem, exclusivamente,

198 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

em função desua natureza mesma, do texto constitucional, poisaquestão

da nacionalidadetraduz matéria quesesujeita, unicamente, quanto àsua definição, ao poder soberano do Estado brasileiro" (HC 83.113-QO, j.

26.06.2003, rei. Min. Celso de Mello, D)29.08.2003).

" O brasileiro nato, quaisquerquesejam ascircunstânciasea natureza

do delito, não pode ser extraditado, pelo Brasil, a pedido de governo estrangeiro, pois a Constituição da República, em cláusula que não

comporta exceção, impede, em caráter absoluto, a efetivação da entrega

extradicional daquele que é titular, seja pelo critério do jus solis, seja

pelo critério do jus sanguinis, de nacionalidade brasileira primária ou

originária. Esse privilégio constitucional, que beneficia, sem exceção, o

brasileiro nato (CF, art. 5.°, LI), não sedescaracteriza pelo fato deo Estado estrangeiro, por lei própria, haver-lhe reconhecido a condição de titular de nacionalidade originária pertinente a esse mesmo Estado (CF, art. 12, § 4.°, II, a). Se a extradição não puder ser concedida, por inadmissível,

em face de a pessoa reclamada ostentar a condição de brasileira nata,

legitimar-se-á a possibilidade de o Estado brasileiro, mediante aplicação

extraterritoriaI desua própria lei penal (CP, art. 7.°, 11, ò, e respectivo §2.°)-

econsiderando, ainda, oquedispõeoTratadode Extradição Brasil/Portugal (art. IV) -, fazer instaurar, perante órgão judiciário nacional competente (CPP, art. 88), a concernentepersecutiocriminis, em ordem a impedir, por razões de caráter ético-jurídico, que práticas delituosas, supostamente cometidas, no exterior, por brasileiros (natos ou naturalizados), fiquem impunes" (HC 83.113-QO, j. 26.06.2003, rei. Min. Celso de Mello, D/

29.08.2003).

Direitos políticos

Osdireitospolíticosmerecemumrelevoespecial naestruturado Estado contemporâneo. Com o advento dademocracia, a cadadiaumasomamaior

de pessoas interfere na vida política do País e o faz por intermédio do uso e

gozodosdireitospolíticos. Taisdireitosimplicamemumconjuntoderegras que possibilita a participação dos cidadãos (eleitores) na distribuição do

poder no Estado. No Brasil, o cidadão participa ativamente da composição

dos Poderes Legislativo e Executivo. Demodo geral, osdireitospolíticossão osqueasseguram aparticipação

do indivíduo no governo deseu país, sejavotando ou sendo votado.

Infere-sequeosdireitospolíticosestãointimamenteligadosàcidadania

e consistem na reunião dos meios necessários ao exercício da chamada so-

beraniapopular, ou seja, o poder que os cidadãos têm por meio dovoto para

interferir na estrutura do governo de um Estado.

1 .

CIDADANIA

A doutrina afirma que a cidadania formal é a participação dos cidadãos

(eleitores) navidado Estadopor meio dovoto, eacidadaniamaterial ou real vai alémdesseato, comaparticipaçãodapopulaçãonafiscalizaçãoeresolução dosproblemasdoEstado. Podeser externadapelascampanhasdemoralização

das instituições públicas, de formação de organizações não governamentais

paraincentivo eauxílionasatividadesdoEstado, dedenúnciasdecorrupção

e desvio de verbas públicas, entre outros.

Emsentidoestrito (jurídico), cidadãoéoindivíduodotadodecapacidade

eleitoral ativa (votar), podendo,sepreencher determinadasexigênciaslegais,

possuir também a capacidade eleitoral passiva (ser votado).

200

DIREITO CONSTITUCIONAL- Erival da Silva Oliveira

1 . 1 Aquisição da cidadania Os direitos da cidadania adquirem-se mediante alistamento eleitoral

na forma da lei. O alistamento se faz pela qualificação e inscrição da pessoa

como eleitor perante ajustiça Eleitoral.

A qualidade de eleitor decorre do alistamento , obrigatório para os bra-

sileiros de ambos os sexos , maioresde 18 anos de idade, e facultativo para os

analfabetos, os maiores de 70 anos e os maiores de 16 e menores de 18 (art .

14, § 1.° , I e II, da CF/88).

Nãosãoalistáveiscomo eleitoresosestrangeiroseosconscritosdurante

o serviço militar obrigatório (art. 14 , § 2.°, da CF/88). Os conscritos são os

nacionaisconvocadosparaoserviçomilitarobrigatório; porém , sese engaja-

rem no serviço militar permanente , serão obrigadosasealistar comoeleitores. Segundo a legislação infraconstitucional , as providências para o alis-

tamento deverão se efetivar ao brasileiro nato até os 19 anos de idade e ao

naturalizado até um ano depois de adquirida a nacionalidade brasileira , sob

pena de incorrer em multa. Em suma, a cidadania é adquirida com a obtenção do título de eleitor

válido, qualificando o nacional como eleitor .

2 .

ALISTABILIDADEE ELEGIBILIDAD E

A alistabilidade diz respeito à capacidade eleitoral ativa , ou seja, à ca-

pacidade de ser eleitor, e a elegibilidade diz respeito à capacidade eleitoral

passiva, ou seja, à capacidade de ser eleito.

Vale lembrar que nem sempreda alistabilidade decorrea elegibilidade .

Na forma da lei , existem as seguintes condições de elegibilidade (art.

14, §3.° , da CF/88):

a) nacionalidade brasileira. No caso de candidato a Presidente e a

Vice-Presidente da República , exige-se ser brasileiro nato;

b) alistamento eleitoral (título de eleitor);

c) pleno exercício dos direitos políticos (direito de votar e ser votado);

d) domicílio eleitoral na circunscrição eleitoral correspondente (Presidente- será todo o País; Governadores, Senadores, Deputados

Federais, Estaduais e Distritais - será o Estado ou o Distrito Federal;

Cap. 18

. DIREITOS POLÍTICOS

20 1

Sobre o tema domicílio eleitoral o STF assim decidiu:

note

BiM

"O d omicílio eleitoral na circunscrição e a filiação partidária,

constituindo condições de elegibilidade (CF, art. 14, § 3.°),

revelam-se passíveisdeválidadisciplinação mediantesimples

lei ordinária. OsrequisitosdeelegibiIidadenãoseconfundem, noplanojurídico-conceitual comashipótesesde inelegibilida- de, cujadefinição-alémdassituaçõesjáprevistasdiretamente

pelo próprio texto constitucional (CF, art. 14, § 5.° a § 8.°) - só

pode derivar de norma inscrita em lei complementar (CF, art. 14, § 9.°)" - STF, AD11.063-MC, j. 18.05.1994, rei. Min. Celso

de Mello, DJ 27.04.2001.

e) filiação partidária;

f) idademínima(conformeocaso: 35anosparaPresidentedaRepública ,

Vice-Presidente e Senador; 30 anospara Governador e Vice-Governador; 21 anosparaDeputado, Prefeito eVice-Prefeito,JuizdePazeMinistro deEstado;

e 18 anos para Vereador).

Ressalte-se que os inalistáveis e os analfabetos são inelegíveis.

Por fim, devemos observar que elegibilidade e inelegibilidade são ma-

térias da Constituição Federal e de competência legislativa federal naquilo em que a própria Constituição permitaser objeto de lei complementar ou de

lei ordinária , pois cabe à União legislar sobre cidadania (direitos políticos) e

direito eleitoral (art. 22, XIII e I, da CF/88).

3

SISTEMAS ELEITO RAIS

 

.

O sistema eleitoral é um conjunto de regras que tem por fim organizar

as eleições. No Brasil , atualmente, pode ser de dois tipos:

3 /

.

Sistema majoritário

É o sistema em que vence a eleição o candidato que obtiver a maioria

dos votos. Pode ser:

a) maioria simples (ou sistema de escrutínio a um só turno) , pelo qual, por uma única votação, se proclama o candidato que tiver obtido a

maioria simples ou relativa; b) maioria absoluta, segundo o qual somente se considerará eleito

o candidato que obtiver a maioria absoluta de votos em primeiro

202

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

turno. Se nenhum candidato conseguir, será feito o segundo turno,

normalmente entre os dois mais votados, e desse modo um deverá

alcançar a maioriaabsoluta dosvotos. Por esse motivo, o sistemapor maioria absoluta é também conhecido por a dois turnos ou sistema

de escrutínio a dois turnos.

O sistema majoritário, de acordo com a Constituição Federal, é usado da seguinte forma:

a) por maioria absoluta (se necessário por dois turnos) para a eleição de Presidente e Vice-Presidente da República (art. 77, § 2.°); de

Governador eVice-Governador de Estado (art. 28) ou Distrito Federal

(§ 2.° do art. 32); e de Prefeito e Vice-Prefeito para Municípios com

mais de 200 mil eleitores (art. 29, II);

b) por maioria relativa para a eleição de Senadores Federais (art. 46) e Prefeitos de Municípios com 200 mil eleitores ou menos (art. 29, II).

3 . 2 Sistema proporcional

Nestesistema, arepresentaçãosedánamesmaproporção dapreferência

do eleitorado pelos partidospolíticos. É o sistema adotado para a eleição de

Deputados Federais (art. 45), Deputados Estaduais (§ 1.° do art. 27), Depu-

tados Distritais (§ 3.° do art. 32) e Vereadores por extensão.

Mecanismo a ser adotado:

a) determinar os votos válidos (dados à legenda e aos candidatos);

b) determinar oquocienteeleitoral, dividindoonúmerodevotosválidos pelo número delugaresapreencher. Deacordo como caso, despreza- se a fração igual ou inferior a 0,5 e arredonda-se para uma fração

superior a 0,5;

c) determinar o quociente partidário, queé o número de lugares cabível

a cada partido, que se obtém dividindo o número de votos obtidos pela legenda (incluindo os dos candidatos) pelo quociente eleitoral, desprezada a fração;

d) distribuição dos restos: podem sobrar lugares a serem preenchidos

em consequênciaderestosdevotosem cadalegendanão suficientes para fazer mais um eleito. O direito brasileiro adotou o método de maior média, que consiste em adicionar mais um lugar aos obtidospor cada um dospartidos, depoispegar o número devotos

válidos atribuídos a cada partido e dividi-lo por aquela soma. O

Cap. 18 . DIREITOS POLÍTICOS

203

primeiro lugar a preencher caberá ao partido que obtiver a maior

média , repetindo-se a mesma operação tantasvezesquantosforem

os lugares restantes que devam ser preenchidos, até sua total distribuição entre os partidos (Código Eleitoral, art. 109). Cabe observar que somente concorrerão a essa distribuição os partidos que tiverem quociente eleitoral, ou seja, que elegeram pelo menos

um candidato.

4 .

RESTRIÇÕESAOS DIREITOS POLÍTICOS

Asrestriçõesaosdireitospolíticospodem ser entendidascomo asregras

queproíbem apessoadevotaredesereleita, previstasnaConstituiçãoFederal

e na legislação infraconstitucional.

A privação defi nitivadenomina-seperdadosdireitos políticos, eapriva-

ção temporária é conhecida como suspensão. A CF/88, no art. 15, não indica expressamentequaisoscasosdeperdaedesuspensão, masadoutrinaprocura elucidar essa questão, de modo que são casos de suspensão:

a) inciso II: incapacidade civil absoluta (interdição do incapaz) - por

exemplo, enfermos mentais, os menores de 16 anos de idade, entre

ou tros ;

b) inciso III: condenação criminal transitada em julgado, enquanto

durarem seus efeitos;

c) inciso V: improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4. °

da CF/88;

,

d) inciso IV: recusa em cumprir obrigação a todos imposta ou prestação

alternativa, nos termos do art. 5. ° , VIII, da CF/88.

Por conseguinte, é caso de perda o inciso I do mesmo art. 15: cancela-

mento da naturalização por sentença transitada em julgado, atentando-se

para o prazo de dois anos da ação rescisória.

A competência para decidir sobre a perda ou suspensão dos direitos

políticos é do PoderJudiciário (art. 5. ° , XXXV, da CF/88).

5 .

REAQUISIÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS

A reaquisição dos direitospolíticossuspensossedaráautomaticamente,

com a cessação dos motivos que determinaram a suspensão.

No caso da escusa de consciência (art. 15, IV, da CF/88), pode a pessoa

readquiri-losaodeclarar , peranteaautoridadecompetente (MinistrodaJustiça

204

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

ou outro órgão a que a lei der competência), que está pronta para suportar o

ónus que recusou. A Lei 8.239/1991 prevê essa reaquisição , quando diz que

o inadimplente poderá a qualquer tempo regularizar sua situação mediante cumprimento das ob i gações devidas (art. 4. ° , § 2.°).

No caso de perda dos direitos políticos por cancelamento da naturali- zação , o indivíduo não os readquirirá mais, a menos que, por ação rescisória (prazo dedoisanosdo trânsitoemjulgado),sejarescindidoojulgado, demodo que o naturalizado recuperará a nacionalidade brasileira, ficando obrigado

a novo alistamento eleitoral.

r

6

INELEGIBILIDAD ES

 

.

São os impedimentosà capacidadeeleitoral passiva. Os casos estão pre-

vistos dos §§ 4. ° a 7." do art. 14 da CF/88.

As normas constitucionais sobre inelegibilidade são de eficácia plena e

de aplicação imediata.

As inelegibilidades podem ser:

6

/

Absolutas

 

.

Impedemqueo indivíduo concorraaqualquer cargo eletivo. Éum caso

excepcional e deve ser previsto apenas pela Constituição Federal. São os

seguintes casos:

a) os analfabetos podem votar, porém, não podem concorrer a nenhum

cargo político eletivo (executivo ou legislativo). Possuem apenas a

capacidade eleitoral ativa;

b) os inalistáveis são aquelas pessoas que não podem se alistar nas repartições eleitorais, ou seja, não podem adquirir o título de

eleitor e, por consequência, não podem votar nem ser votados.

São eles os menores de 16 anos de idade, os estrangeiros, os conscritos e os privados definitiva ou temporariamente dos seus direitos políticos.

6 . 2

Relativas

Consistem em restrições à elegibilidade para determinados mandatos

em razão de situações especiais em que, no momento da eleição, se encontre o cidadão. Podem ser previstas na Constituição e na legislação infraconsti-

tucional. O cidadão é elegível, mas sofre certas restrições.

Cap. 18 . DIREITOS POLÍTICOS

205

Espécies:

6 . 2 . /

Restrição por motivos funcionais

a) para o mesmo cargo: não existe mais (EC 16/1997 - reeleição). Os ocupantes dos cargos do Poder Executivo podem ser reeleitos para

um único período subsequente (art . 14 , § 5.°);

b) para outros cargos: são inelegíveis para concorrer a outros cargos

os titulares de cargos do Poder Executivo que não renunciarem aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito . É uma das hipóteses da chamada desincompatibilização , concretizada pela

renúncia (art. 14 , § 6.°).

note

" Presidente da Câmara Municipal que substitui ou sucede o

prefeito nos seis meses anteriores ao pleito é inelegível para

o cargo de vereador (CF, art. 14, § 6.°) , inaplicabilidade das

regras do § 5.° e do § 7.° do art. 14 da CF" - RE 345. 822,

Rei

Min. CarlosVelloso, julgamentoem 18.11.03 , DJ de 12.12.03.

6 . 2 . 2

Restrição por motivo de casamento , parentesco ou afinidade

São inelegíveis , no territóriodacircunscrição (enãodejurisdição, como

prevêa CF/88no art. 14, § 7.°) do titular, o cônjugeeosparentesconsanguí-

neos ou a

doscargosdo Poder Executivo ou dequem oshajasubstituídodentro dosseis

meses anteriores ao pleito , salvo sejá titular de mandato eletivo e candidato

àreeleição. Essarestrição étambém conhecidacomoinelegibilidadereflexa .

Por exemplo: o cônjuge e parentes até o 2 . ° grau consanguíneos ou afi ns de Prefeito nãopodemsecandidatar aVereadorou Prefeito . Ocônjugeeparentes até 2. ° grau consanguíneosou afinsdeGovernadornãopoderãosecandidatar a qualquer cargo eletivo no Estado (Vereador , Prefeito, Deputado Estadual,

Deputado Federal , Senador

Cumpreobservar quea Constituição permitequeconcorram àreeleição o cônjuge, parente ou afim quejá possuir mandato eletivo .

i ns (sogra , cunhado), até o 2.° grau ou por adoção, dos ocupantes

f

e Governador do mesmo Estado).

206 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

6 . 2 . 3

Restrição dos militares

O militar alistável éelegível, nasseguintescondições: secontar com me-

nosde 10 anosdeserviço, deverá afastar-sedaatividade; secontar com maisde

10anosdeserviço,seráagregadopelaautoridadesuperior e, seeleito, passará

automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade (art. 14, § 8. ° ) .

6 . 2 . 4

Restrição por previsão de ordem legal

A Constituição Federal, no § 9.° do art. 14, autorizou a edição de lei

complementar (Leis Complementares64/1990 e81/1994) paradispor sobre

outroscasosdeinelegibilidadeeosprazosdesuacessação. Infere-sequealei

complementar éa única espécienormativa autorizada constitucionalmente

paradisciplinaracriaçãoeestabelecerosprazosdeduraçãodeoutrasinelegi-

bilidadesrelativas,sendo-lheproibidaacriaçãodehipótesesdeinelegibilidade

absoluta, pois estas são previstas expressamente.

6.2.5 Restrição por motivo de domicílio eleitoral na circunscrição

Os candidatos aos cargos, tanto do Executivo quanto do Legislativo,

deverão ter domicílio eleitoral na circunscrição em que concorrerem.

7 .

DESINCOMPATIBILIZAÇÃO

Éo ato pelo qual o candidato se desvencilhada inelegibilidade a tempo

de concorrer à eleição. Em algumas hipóteses, a desincompatibilização só

se dará com o afastamento de i nitivo da situação funcional em que se ache

f

o candidato, o cônjuge ou parente. Em outros casos, basta o licenciamento (autoridades policiais, agentes administrativos, entre outros).

O § 6.° do art. 14 da CF/88 estabelece: "Paraconcorrerem aoutroscargos,

o PresidentedaRepública, osGovernadoresdeEstado edo Distrito Federal e

os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes

do pleito".

Decisões sobre o tema:

" OTribunal, por maioria, julgou improcedente pedido formulado em

duas ações diretasde inconstitucionalidade, a primeira ajuizada contra a

Resolução 22.610/2007, pelo Partido Social Cristão - PSC, e a segunda,

também contra a Resolução 22.733/2008, pelo Procurador-Geral da Re-

pública, ambasdoTribunal Superior Eleitoral -TSE, as quaisdisciplinam

o processo deperdadecargoeletivoemdecorrênciadedesfiIiação parti-

dáriasemjustacausa, bemcomodejustificação dedesfiliação partidária.

Cap. 18 . DIREITOS POLÍTICOS

207

No

mérito, juIgaram-seválidasasresoluções impugnadasatéqueoCongresso Nacional disponhasobrea matéria. Considerou-seaorientação fixada pelo

Supremo nojulgamento dosMS26.602/DF(DJE17.10.2008), 26.603/DF

(j. 04.10.2007) e 26.604/DF(DJE03.10.2008), no sentido de reconhecer

aos partidos políticoso direito de postular o respeito ao princípio da fide-

lidade partidária peranteo Judiciário, ede, afim deconferir-lhes um meio processual paraassegurarconcretamenteasconsequênciasdecorrentesde eventual desrespeitoao referido princípio, declararacompetênciadoTSE

para dispor sobre a matéria durante o silêncio do Legislativo. Asseverou-se

que de pouco adiantaria a Corte admitir a existência de um dever, qual seja, a fidelidade partidária, mas não colocar à disposição um mecanis- mo ou um instrumental legal para garantir sua observância. Salientando que a ausência do mecanismo leva a quadro de exceção, interpretou-se a adequação das resoluções atacadas ao art. 23, IX , do Código Eleitoral, este interpretadoconformeaCF. Concluiu-sequeaatividadenormativado TSErecebeu seu amparo daextraordináriacircunstânciadeoSupremoter

reconhecidoafidelidadepartidária como requisitopara permanênciaem cargo eletivo e a ausência expressa de mecanismo destinado a assegurá-

- lo"(ADIn 3.999eADIn 4.086, j. 12.11.2008, rei. Min. Joaquim Barbosa,

Informativo 528). No mesmo sentido: Al 733.387, j. 16.12.2008, rei. Min.

Celso de Mello, Informativo 533.

Preliminarmente, o Tribunal, por maioria, conheceu das ações (

).

" Inelegibilidade.Art. 14, § 7.°, da Constituição do Brasil. O art. 14, § 7.°, daConstituição do Brasil deveser interpretadode maneira a dareficáciae efetividadeaospostulados republicanosedemocráticosda Constituição, evitando-sea perpetuidadeou alongadapresençadefamiIiares no poder "

(RE 543.117-AgR, j. 24.06.2008, rei. Min. Eros Grau, DJE 22.08.2008).

" Elegibilidade de ex-cônjuge de prefeito reeleito. Cargo de vereador.

Impossibilidade. Art. 14, § 7.° , da Constituição. Separação judicial no

cursodo segundo mandato eletivo. Separação defato nocurso doprimeiro

) A

mandato eletivo. Oportuna desincompatibilização. Inocorrência. (

dissolução da sociedade conjugal, nocursodo mandato, não afasta a ine-

legibilidadeprevista noart. 14, § 7.°, da CF. Seaseparação judicial ocorrer em meio à gestão do titular do cargo que gera a vedação, o vínculo de parentesco, para osfinsde inelegibi Iidade, persisteatéo término do man- dato, inviabilizando a candidatura do ex-cônjuge ao pleito subsequente,

na mesma circunscrição, a não ser que aquele se desincompatibilize seis

meses antes das eleições " (RE 568.596, j. 01.10.2008, rei. Min. Ricardo

Lewandowski, DJE 21.11.2008).

" Presidente da Câmara Municipal que substitui ou sucede o Prefeito nos seis meses anteriores ao pleito é inelegível para o cargo de vereador. CF, art. 14, § 6.°. Inaplicabilida-de das regras dos §§ 5.° e 7.° do art. 14,

CF" (RE 345.822, j. 18.11.2003, rei. Min. CarlosVelloso, DJ12.12.2003).

208

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

8 .

PROCESSO

JUDICIAL ELEITORAL

O processo eleitoral é o conjunto de atos e procedimentos relacionados às eleições, desdeas convenções partidárias (escolha de candidatos e coliga-

ções) atéadiplomação. Saliente-sequefatosanterioresàconvençãopartidária poderão serjulgadospelajustiça Eleitoral, tal como abuso do poder político

ou económico .

Oprocessoeleitoral écélere, possui regraspróprias, esparsasem diversos

diplomas legais, aplicando-se,subsidiariamente, o Código deProcesso Civil.

Em regra, noprocesso eleitoral são legitimadosativosparaapropositura das ações: o Ministério Público, os candidatos, os partidos e as coligações.

Os prazos do processo eleitoral são peremptórios e contínuos, e correm em Secretaria ou Cartório e, a partir da data do encerramento do prazo para

registro decandidatos (cinco dejulho doano daseleições) nãosesuspendem aos sábados , domingos e feriados (artigo 16 - Lei Complementar 64/1990). Com relação aosprazos, deve-seobservar o artigo 184do Código deProcesso

Civil.

Não há custas e preparo, exceção feita ao recurso extraordinário.

Normalmente, são usados os seguintes mecanismos processuais: im- pugnaçãoao registro dacandidatura, açõesdeinvestigaçãojudicial eleitoral,

recurso contraa diplomação , ação de impugnação de mandato eletivo, entre

ou tros .

Leitura complementar

No intuito de complementar os assuntos referentes ao Direito Consti-

tucional, são indicados alguns temas:

1 .

DIREITO ESUA

CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA

Três expressões latinas podem nos dar uma noção do que é o Direito:

a) ubi homo,

ibijus - onde está o homem , aí está o Direito;

b) ubi homo, ibi societas - onde está o homem , aí está a sociedade;

c) ubi societas , ibijus- onde está a sociedade, aí está o Direito.

Podemosinferir queoDireito existiráenquantoexistir sociedade , e esta,

por sua vez, depende dos homens.

Os operadores do Direito em geral costumam defini-lo singelamente

como o conjunto de normasjurídicas que possibilitam a vida em sociedade ,

ou, ainda, a técnica para tornar possível a coexistência humana .

Classificação doutrinária do Direito:

Atualmente , a doutrina divide o Direito em três ramos:

a) Direito Público: éaquelequetutelaosinteressesgeraisdasociedadee ,

deregra, nãoadmitetransação. Sãoexemplos: DireitoConstitucional

,

Administrativo, Processual , Penal, Tributário, Internacional, entre

ou tros;

b) Direito Privado: é aquele que tutela os interesses dos particulares

e, de regra , admite transação. São exemplos: Direito Civil e Direito

Comercial;

c) DireitoSocial: éaquelequetutelaosinteressesdosparticulares , sendo

queo Estado ofereceprestaçõespositivasdiretaou indiretamenteaos

mais fracos para sua melhora de vida .

É o Estado cuidando daqueles

210

DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

que o construíram. São exemplos: Direito Previdenciário e Direito

do Trabalho.

2 .

BREVE EVOLUÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES DOS ESTADOS

A Constituição, nos moldes que conhecemos hoje em dia, tem como

marco histórico a Revolução Francesade 1789, que, como tal, visavaestabe-

lecer e limitar o uso do poder pelo Estado.

A ideia de controle do poder teve lenta evolução histórica e cultural.

Temoscomo exemplo, primeiro, a Magna Cartade 1215, pela qual o ReiJoão Sem-Terra pactuou com os súditos revoltados sobre direitos a serem respei-

tados. Para os doutrinadores, a previsão legal do habeas corpus em matéria

constitucional está consignada em seu art. 48: " Ninguém poderá ser detido , preso ou despojado deseus costumes e liberdade senão em virtude dejulga-

mento de seus pares, de acordo com as leis do país "

Em 1628, temosa "Petition of Rights" (Petição de Direitos), uma decla- ração formal onde foram reafirmadas as liberdades públicas fundamentais e

o respeito às leis de habeas corpus impostas ao rei Carlos I da Inglaterra. Um importante avanço histórico ejurídico são os contratos de coloni-

zação, típicos da história das colónias da América do Norte, que, apesar da anuência real,já se aproximam da ideia setecentista de Constituição.

Nessesentido, Manoel GonçalvesFerreira Filho destacaque osperegri-

nos, mormentepuritanos, chegadosàAméricaimbuídosdeigualitarismo,não

encontrando nanova terrapoder estabelecido, fixaram por mútuo consenso

as regras pelas quais haveriam de se governar. Firma-se, assim, pelos chefes

de família a bordo do "May l ower", o célebre "compact" de 1620, e, desse

.

f

modo , estabelecem as " Fundamental Orders of Connecticut" de 1639, mais

tardeconfirmadaspelo rei Carlos II, queasincorporou à Cartaoutorgada em 1662. Tem-se, então, a ideia de estabelecimento e organização do governo pelos próprios governados (Curso de direito constitucional, p. 5).

A ideiade Constituição evoluiu associadaàsconcepçõesdo iluminismo,

quevalorizaarazão e o indivíduo em detrimento do Estado, considerado um

mal necessário. É a ideologia revolucionária do século XVIII.

Montesquieu, para prevenir eventuais abusos por parte dos monarcas, sugere a separação dos poderes, teorizada na obra O espírito das leis.

Manoel GonçalvesFerreira Filho afirmaque ao surgir, ligada queestava a essa doutrina liberal, a ideia de Constituição escrita tinha um caráter polé-

Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR

21 1

mico. Não designavaqualquer organização fundamental , masapenas a ideia que desse ao Estado uma estrutura conforme aos princípios do liberalismo.

Era , pois, umaarmaideológicacontrao antigo regime, contrao absolutismo,

contra a confusão entre o monarca e o Estado , contraumaorganização acusada

de ser irracional. Propunha substituir tudo isso por um governo moderado , incapazdeabusos,zelosodefensor dasliberdadesindividuais (Cursodedireito

constitucional p. 7).

Esse conceito polemico está contemplado em uma fórmula célebre prevista no art. 16 da Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão de

1789: "A sociedadeem quenão estejaasseguradaagarantiadosdireitosnem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição "

.

Aliado ao iluminismo há o liberalismo , movimento que busca libertar

a sociedade da opressão dos monarcas. Para esse movimento , Constituição

é um documento escrito e solene que organiza o Estado , adotando necessa- riamente a separação dos Poderes e visando garantir os direitos do homem .

3

.

ELEMENTOS DASCONSTITUIÇÕES

Os elementos das Constituições correspondem aos seus componentes , que, em geral, são agrupados em títulos, capítulos e seções, em função da conexão do conteúdo específico que os vincula.

Diversa é a classificação doutrinária a respeito do tema . Adotou-se a

prevalente, a saber:

3 . 7

Elementos orgânicos

São normas que regulam a estrutura do Estado e do poder. Podemos elencar, como exemplo, o Título III (Da organização do Estado) da CF/88.

3 . 2

Elementos limitativos

São aquelas normas que limitam aatuação do Estado. Manifestam-seex- pressamenteno elencodosdireitosegarantiasfundamentais, ou seja, noTítulo

II da Constituição Federal. Devem ser excetuados , porém, os direitos sociais,

quecompõem o Capítulo II de tal título, poisingressam nacategoriaseguinte.

3 . 3 Elementos socioideológicos

São normasqueexpressam o compromisso das Constituiçõesmodernas

no que tange a diferençar o Estado individualistado Estado social. Na Cons-

212

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

tituição Federal de 1988, são encontradosno Capítulo II do Título II, ou seja,

sob a denominação " Dos direitos sociais", e também nos Títulos VII e VIII,

respectivamente ,

" Da ordem económica e financeira" e "Da ordem social".

3 . 4 Elementos de estabilização constitucional

São normas que possibilitam a integração e a harmonia constitucional. Asseguram a solução dos conflitos constitucionais, a defesa da Constitui-

ção, do Estado e das instituições democráticas, estabelecendo os meios e as

técnicascontra sua alteração e infringência, bem como sua modificação. São

encontradosnosarts. 34a36 (Daintervenção nosEstadoseMunicípios), nos

arts. 59,1, e 60 (Da emenda à Constituição), nos arts. 102 e 103 (jurisdição

constitucional) e no Capítulo I do Título V, intitulado " Do estado de defesa

e do estado de sítio "

.

3 . 5 Elementos formais de aplicabilidade

São normasqueestabelecem regrasdeaplicação dasConstituições, como o preâmbulo, o Título IX ( " Das disposições constitucionais gerais"), o Ato

das Disposições Constitucionais Transitórias, bem como o § 1.° do art. 5.°, segundo o qual asnormas definidoras dos direitos e garantias fundamentais

têm aplicação imediata.

4

.

4 . 1

HISTÓRIA DAS CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

Constituição de 1824

Constituição política do Império do Brasil outorgada em 25.03.1824. Também conhecida como Carta Imperial, outorgada por D. Pedro I, adotou a formamonárquicadegoverno, dividiu o território emprovíncias, queeram

as antigas capitanias então existentes, definiu o catolicismo como religião

oficial do Império, edessemodo sóoscatólicosapostólicosromanospodiam ser eleitospara os cargos oficiais. Instituiu-se a formulação quadripartite de

poder, de Benjamim Constant, ou seja, os Poderes Legislativo, Executivo,

Judiciário e Moderador.

O Poder Moderador era exercido privativamente pelo Imperador, como chefesupremo daNação, epor seu primeiro representante, paraque incessan-

tementevelassepelamanutençãodaindependência,peloequilíbrioeharmonia

dosdemaispoderespolíticos. O Poder Executivo, exercido pelosMinistrosde Estado, tinha o Imperador como chefe. O PoderJudiciário era composto por

Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR

213

juízesejurados,eoPoderLegislativoeracompostoporDeputadoseSenadores,

sendoosprimeiroseletivosetemporárioseosdemais,integradospormembros

vitalícios nomeados pelo Imperador dentrecomponentesdeuma lista tríplice

eleita por província. O sufrágio era indireto e censitário. Sob a égide desta Constituição, houve pela primeira vez a implantação do regime parlamentarista de governo , que vigorou de 1847 até 1889. Por fim , caberessaltar que foi instituída a forma unitáriade Estado, com

forte centralização político-administrativa.

4 . 2 Constituição de 1891

Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil promulgada

em 24.02.1891.

Adotou como forma de governo a República , constituída pela união

perpétua e indissolúvel das suas antigas províncias (21) em Estados Unidos

do Brasil. Cada uma das antigas províncias formou um Estado-membro , e o

antigo Município neutro se transformou no Distrito Federal , que continuou

a ser a capital da União. Nasceu, portanto , o Estado Federal brasileiro. Adotou aformulação clássicadeseparaçãodePoderes , ou seja, adoutrina tripartitedeMontesquieu, estabelecendo como órgãosdasoberanianacional os Poderes Legislativo , Executivo eJudiciário, harmónicos e independen-

tes entre si. Estabeleceu-se o presidencialismo como regime de governo , abolindo-se o parlamentarismo , sendo o Presidente da República eleito pelo

sufrágio direto do povo.

Ampliou adeclaraçãodedireitoshumanos , introduzindoexpressamente pela primeira vez o instituto do habeas corpus (§ 22 do art. 72).

4 . 3 Constituição de 1934

Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, promulgada

em 16.07.1934.

Manteve a estrutura fundamental anterior , asaber: a República, a Fede-

ração, a divisão dos Poderes , o presidencialismo e o regime representativo. Aumentou os poderes do Executivo , definiu os direitos políticos e o sistema

eleitoral, admitindo o voto secreto, estendido às mulheres. Estabeleceu al-

guns direitos trabalhistas, como salário-mínimo, descanso semanal, férias,

e regulamentou o trabalho das mulheres e dos menores. Inovação no plano

constitucional foi a integração daJustiça Militar e daJustiça Eleitoral como

órgãos do PoderJudiciário, bem como previu aJustiça do Trabalho.

214 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

Introduziu o ensino primário gratuito eobrigatório ecriou, no plano da declaração de direitos, o mandado de segurança e a ação popular. Instituiu,

ao lado do Ministério Público e do Tribunal de Contas, os conselhos técnicos

como órgãos de cooperação nas atividades governamentais.

Inspirada na Constituição alemã de Weimar de 1919, houve a adoção de capítulos referentes à ordem económica e social, à família, à educação e

à cultura. Além disso, devem-se citar as normas relativas ao funcionalismo

público e às Forças Armadas.

4 . 4 Constituição de 1937

Constituição da RepúblicadosEstadosUnidos do Brasil, outorgadapor

GetúlioVargasem 10.11.1937. Inspiradana ConstituiçãofascistadaPolónia,

recebeu o apelido de " Polaca" .

O Brasil passou aserum Estadoapenasformalmentefederal,despojando

das unidades federativas sua autonomia.

Há o fortalecimento do Poder Executivo federal, ou seja, concentram- - senas mãos do Presidente da República os Poderes Executivo e Legislativo.

Getúlio Vargaslegislaporviadedecretos-leisqueelepróprio depoisaplicava como órgão do Executivo.

Nesse período, háasuspensão dos institutosdo mandado desegurança

e da ação popular, bem como o surgimento do " quinto constitucional "

.

4 . 5 Constituição

de 1946

Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, promulgada

em 18.09.1946 .

Restaurou a autonomia das entidades federadas, criou novamente o

cargo de Vice-Presidente da República, extinto nas Constituições de 1934 e 1937 , reintroduziu osremédiosdo mandado desegurança edaação popular. Fortaleceu o regime democrático, assegurando o pluripartidarismo.

Sob o comando desta Constituição, houve a reintrodução do regime

parlamentarista no Brasil, que durou de 1961 até 1963.

4 . 6 Constituição de 1967

O Ato Institucional 4, de 07.12.1966, convocou o Congresso Nacional

para se reunir extraordinariamente de 12.12.1966 a 24.01.1967 e promul-

Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR

215

gar (Mesa da Câmara e do Senado Federal) o projeto de Constituição que o

governo apresentou.

Em 24.01.1967 foi ela promulgada, entrando em vigor em 15.03.1967,

quandoassumiaaPresidênciaoMarechal ArthurdaCostaeSilva. Preocupou- - se fundamentalmentecom asegurançanacional, promoveu a centralização

dos Poderes no Executivo federal, reduziu a autonomia individual, permi-

tindo a suspensão dos direitos e garantias constitucionais, e, por fim, criou

as eleições indiretas para Presidente da República (Colégio Eleitoral).

4 . 7 Constituição de 1969

Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em

17.10.1969, como Emenda Constitucional 1 à Constituição do Brasil de

1967, para entrar em vigor em 30.10.1969.

Teóricae tecnicamentenãosetratou deemenda, poisumaemendacons-

titucional é um mecanismo paraalterar uma parte deuma Constituição, não

fazer uma nova. A emenda só serviu como mecanismo de outorga, uma vez

que, na verdade, foi promulgado um texto integralmente reformulado. Em quepeseotextodoart. 34doADCT daCF/88, adoutrinaprevalenteentende

que tal emenda é umaverdadeira Constituição.

Outorgada por três Ministros militares (Augusto Hamann Rademaker

Grúnewald, Aurélio de Lyra Tavares e Márcio de Souza Mello), promoveu

grande concentração do poder político nas mãos do Executivo federal, à

semelhança da Constituição anterior.

4 . 8 Constituição de 1988

ConstituiçãodaRepúblicaFederativadoBrasil, promulgadaepublicada

conhecida como a " Constituição Cidadã", instituiu o Estado

em 05.10.1988. É

Democrático de Direito, autolimitando o poder do Estado ao cumprimento

das leisquea todossubordinam, assegurou alivreparticipação dos cidadãos

na vida política, o sufrágio passou a ser universal, direto e secreto nas três

esferasadministrativas, osanalfabetosconquistaram o direitoaovoto ejovens

acima de 16 anos deidade receberam o direito facultativo de votar. Estabeleceu

também opluripartidarismo, fortaleceu o federalismo, conferindomaior au-

tonomiaaosEstados, ao Distrito Federal eaosMunicípios, criou osremédios constitucionais do habeas data, do mandado de injunção e do mandado de

segurança coletivo, acabou com a censura aos meios de comunicação, entre

outras inovações.

216

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

5

. PRINCÍPIOSCONSTITUCIONAIS DAADMINISTRAÇÃO

PÚBLICA

A Administração Pública brasileira deve obedecer , dentre outros, aos

princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência (art. 37, caput, da CF/88).

A legalidadeimplicaemquetodososatosrealizadospelaAdministração

Públicadevem estar em consonânciacom oordenamentojurídicobrasileiro ,

inclusive quando realiza atos discricionários.

Aimpessoalidadepossui duasvertentes , asaber: aAdministração, quan- do age, não o faz em nome de determinado administrador , mas em nome do entepolítico-administrativo (União, Estados , MunicípioseDistrito Federal).

De outro lado , a ação da Administração deve beneficiar toda a coletividade,

alcançando o bem comum, e não alguns poucos privilegiados.

A moralidadeimplicaem queosatosdaAdministração devem ao menos

respeitar as normasjurídicas , porque pressupõem a correção e a ética na sua

elaboração. A moralidadealmeja o amor àverdade , a busca do melhor e mais

justo para a sociedade. Para a proteção da probidade administrativa, existe

a Lei 8.429/1992.

A publicidadeindicaqueosatosrealizadospelaAdministração Pública ,

de regra , devem ser públicos, ou seja, levados a conhecimento de todos os

componentes da sociedade , salvo imposição legal de sigilo.

A eficiência determina que as ações da Administração Pública devem

buscar o maior resultado com o menor custo, sejaoperacional ou financeiro.

6 .

O RIGEM DO TRIBUNA L D E CO NTAS

A doutrina ensina quejá na Antiguidade havia , em Atenas, uma corte

de contas constituída por 10 membros eleitos anualmente pela assembleia

popular, encarregada de fiscalizar as contas públicas e dejulgar o peculato.

No Brasil Império , embora não existisse uma corte especializada, as

contas públicasjá eram fiscalizadas pelo Poder Legislativo. A Constituição de 1824 exigia a apresentação dos orçamentos à Câmara dos Deputados ,

nos termos do art. 172, assim redigido: " O Ministro de Estado da Fazenda

,

havendo recebido dos outros ministros os orçamentos relativos às despesas das suas repartições, fará na Câmara dos Deputados , anualmente, logo que esta estiver reunida , um balanço geral de todas as despesas públicas do ano

futuro e da importância de todas as contribuições e rendas públicas".

Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR

217

Em 07.11.1890, o Decreto 966-A criou no Brasil o Tribunal de Contas,

porém estenão chegou aser executado nem teve regulamentação. A Consti-

tuição republicana de 1891, no seu art. 89, o instituiu, com a seguinte reda-

ção: "

Éinstituído um Tribunal de Contasparaliquidar ascontasdareceita e

despesa everificar asua legalidade, antes deserem prestadasao Congresso".

Houve a regulamentação infraconstitucional por meio do Decreto 1.116, de

17.12.1892 , permitindo o efetivo funcionamento.

Estava assim implantado, no Direito brasileiro, o Tribunal de Contas,

como órgão auxiliar do Poder Legislativo no controleexterno dasatividades

financeira e orçamentária da União.

7 .

7 .

DAS FUNÇÕES ESSENCIAISÀJUSTIÇA

/

O Ministério Público

A doutrina ensina que o Ministério Público (Parquet) surgiu histori-

camente com o advento da divisão de Poderes do Estado moderno. Por tal

motivo, sua proximidade mais direta é com os advogados e procuradores

criados no século XIV, na França. Os advogados do rei tinham atribuições

exclusivamente cíveis, enquanto os procuradores, além das funções de de-

fesa do fisco , tinham funções de natureza criminal. O Ministério Público francês nasceu da fusão dessas duas instituições , unidas pela ideia básica de

defender osinteressesdosoberano, querepresentavaosinteressesdo próprio

Estado. Posteriormente , na França, o Ministério Público veio a ser de i nido

f

de maneira mais clara com os Códigos Napoleónicos , em especial o Código

de Instrução Criminal e a Lei de 20.04.1810, que lhe conferiu o importante

papel de Promotor da Ação Penal.

No Brasil, o Ministério Público encontra suas raízes no Direito lusita-

no, vigente no País nos períodos colonial, imperial e início da República. As

Ordenações Manuelinas de 1521 já mencionavam o Promotor deJustiça e

suas obrigações perante as Casas de Suplicação e nosJuízos das Terras. O

promotor atuava como um

f

iscal da lei e de sua execução.

Cumpredestacar quea "Lei do Ventre Livre" (Lei 2.040, de 28.09.1871) dava ao promotor dejustiça a função de protetor do fraco e indefeso (os in-

divíduos hipossu i cientes), ao estabelecer que a ele cabia zelar para que os filhos livres de mulheres escravas fossem devidamente registrados.

O Decreto 848, de 11.09.1890, que criava e regulamentava a Justiça

Federal, dispôs sobre a estrutura do Ministério Público Federal. O decreto

f

218 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

foi elaborado pelo Ministro daJustiça Campos Salles, que por tal motivo foi

considerado o patrono do Ministério Público.

A Constituição Federal de 1937 criou o "quinto constitucional". A

Constituição Federal de 1946 tratou doMinistério Públicoem títuloespecial, sem vinculação a qualquer dos outros Poderes da República, e instituiu os

Ministérios Públicos Federal e Estadual, garantindo-lhes a estabilidade na função, o concurso de provas e títulos, a promoção e a remoção apenas por

representação da Procuradoria-Geral.

A Constituição Federal de 1967 subordinou o Ministério Público ao

PoderJudiciário e acabou com os "concursos internos". Ao integrar o Poder Judiciário, o Ministério Público deu grande passo na conquista de sua auto-

nomia e independência por meio da equiparação com os magistrados. Tais

conquistas somente foram consagradas na Constituição Federal de 1988.

A Constituição Federal de 1969 (Emenda Constitucional 1) retirou as

mesmas condições de aposentadoria e vencimentos atribuídos aos juízes (retirou o parágrafo único do art. 139) e retirou do Ministério Público a in-

dependência pela subordinação no capítulo do Poder Executivo.

A Emenda Constitucional 7 de 1977 alterou o art. 96 da Constituição

de 1969 e autorizou os Ministérios Públicos a se organizarem em carreira por leis estaduais.

A Constituição Federal de 1988 tratado Ministério Público nosarts. 127

a 130. Podem ser considerados como pontos principais:

a) O Ministério Público é instituição permanente. Isso significa que,

enquanto o Brasil for regido por essa Constituição, o Ministério

Público nãopoderáser extinto. Esteéum exemplodecláusulapétrea

implícita.

b) Aunidade,aindivisibilidadeeaindependênciafuncional sãoprincípios

institucionais do Ministério Público.

c) Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e

administrativa.

d) O ingresso na carreira do Ministério Público é feito por meio de concurso deprovase títulos, asseguradaaparticipação da Ordem dos

Advogados do Brasil em sua realização, exigindo-se do bacharel em

direito, no mínimo, três anos de atividadejurídica e observando-se,

nas nomeações, a ordem de classificação.

Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR

219

e) NoBrasil, o MinistérioPúblicoabrangeo MinistérioPúblicodaUnião

e os Ministérios Públicos dos Estados. O Ministério Público da União

compreende os Ministérios Públicos Federal, do Trabalho, Militar,

do Distrito Federal e Territórios (art. 128).

0 O chefe do Ministério Público da União é o Procurador-Geral da

República (nomeado pelo Presidente da República após aprovação

pelamaioriaabsolutadosmembrosdoSenadoFederal- § l. ° , art. 128),

e os chefes dos Ministérios Públicos Estaduais têm a denominação de

Procurador-Geral deJustiça.

g) São garantias constitucionais do Ministério Público: vitaliciedade,

após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por sentençajudicial transitada em julgado; inamovibilidade (restrição

à transferência), salvo por motivo de interesse público, mediante

decisão do órgão colegiado competente do Ministério Público, por

voto damaioriaabsolutadeseusmembros, asseguradaampladefesa;

e irredutibilidade de subsídio.

h) ÉfunçãoinstitucionaldoMinistérioPúblicopromover,p i vativamente,

r

a ação penal pública, o inquérito civil e a ação civil pública para

proteçãodopatrimôniopúblicoesocial,domeioambienteedeoutros

interesses difusos e coletivos, entre outros.

i) O Conselho Nacional do Ministério Público foi acrescentado pela EC

45/2004 no art. 130-A .

7 . 2

A

Advocacia Pública

De acordo com a Constituição Federal vigente, a Advocacia Pública da

União é exercida pela Advocacia-Geral da União (AGU), que representa a Uniãojudicial ou extrajudicialmente, inclusivenasatividadesdeconsultoria

e assessoramento jurídico do Poder Executivo. O chefe da instituição é o

Advogado-Geral da União, de livre nomeação pelo Presidente da República

dentre cidadãos maiores de 35 anos de idade, de notável saber jurídico e re-

putação ilibada. O ingresso nas classesiniciaisdacarreira é feito por meio de concurso de provas e títulos (art. 131, §§ 1. ° e 2.°, da CF/88).

Na esfera dos Estados e do Distrito Federal existirão os Procuradores dos

Estados e do Distrito Federal, que exercerão a representaçãojudicial e a con- sultoriajurídicadasrespectivasunidadesfederadas. Oingresso nacarreiraserá

por meio de concurso de provas e títulos, com a participação da Ordem dos AdvogadosdoBrasil em todasassuasfases. Apóstrêsanosdeefetivoexercício

220

DIREITO CO NSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

e de avaliações dos órgãospróprios, inclusive das Corregedorias , ao Procura-

dor é assegurada a estabilidade (art. 132 , caput eparágrafo único, da CF/88).

Destaque-se que na execução da dívida ativa de natureza tributária a

representação daUnião cabeà Procuradoria-Geral daFazendaNacional (art .

131, §3.°, da CF/88).

7 . 3

Da Advocacia e da Defensor ia Pública

A Constituição Federal vigente afirma em seu art. 133: "O advogado é

indispensável á administração da justiça , sendo inviolável por seus atos e

manifestações no exercício da pro

f

issão , nos limites da lei " (Lei 8.906/1994

- Estatuto da Advocacia e Ordem dos Advogados do Brasil - OAB) .

Para ser advogado é necessário ser bacharel em Direito e ter aprovação no exame de Ordem dos Advogados do Brasil.

A DefensoriaPúblicaéo órgãopúblicoincumbidodaorientaçãojurídica

e da defesa, em todos os graus, dos necessitados (arts. 5.° , LXXIV, e 134 da

CF/88).

ÀsDefensoriasPúblicasEstaduaissãoasseguradasautonomiafuncional

eadministrativaeainiciativadesuapropostaorçamentáriadentro doslimites

estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias e subordinação ao disposto

no art. 99, § 2. ° , da CF/88 (art. 134, § 2.°, da CF/88).

O ingresso na carreira será por concurso de provas e títulos, garantida

a inamovibilidade e vedado o exercício da advocacia fora das atribuições

institucionais (art. 134, § 1,° , da CF/88 eLC 80/1994- organizaa Defensoria

PúblicadaUnião eprescrevenormasgeraisparasuaorganizaçãonosEstados).

Em alguns EstadosexisteaDefensoria Pública (MG , SPe RJ); em outros,

as Procuradorias dos Estados realizam a função das Defensorias Públicas.

8 .

DIREITO S SOCIAIS

Osdireitossociaisvinculam-searealizaçõesproporcionadaspelo Estado , direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais que possi- bilitam melhores condições de vida aos mais fracos, buscando a igualização

de situações sociais desiguais.

Segundoadoutrina, osdireitossociaispodemser classificadosem cinco

classes: (a) relativosao trabalhador; (b) relativosàseguridadesocial (direito à

saúde, àprevidência eassistênciasocial); (c) relativosàeducação eàcultura;

Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR

22 1

(d) relativos à família, à criança, ao adolescente e ao idoso; (e) relativos ao

meio ambiente.

Além dessa, outra classificação é apresentada:

a) direitos sociais do homem como produtor: liberdade de instituição sindical, direito de greve, direito de determinar as condições de

trabalho, direito de cooperar na gestão da empresa e direito de obter

um emprego (arts. 7. ° a 11 da CF/88);

b) direitos sociais do homem como consumidor: direito à saúde,

à alimentação, à segurança social (segurança material), ao

desenvolvimento intelectual, igual acesso das crianças e adultos à instrução, à formação profissional e à cultura e garantia ao

desenvolvimento da família (art. 6.° e Título Vlll - Da ordem social).

9 .

SUFRÁGIO

É o direito público subjetivo de natureza política que tem o cidadão de

eleger, ser eleito e participar do governo.

9 .

7

Formas de sufrágio

Quanto à extensão, pode ser:

a) universal: éo direito devotar titularizado por todosos nacionaiscom

capacidadepolítica. Essa éa formaacolhidapelanossa Constituição

Federal vigente em seu art. 14, caput;

b) restrito: é o direito de voto conferido a indivíduos qualificados por condições económicas (censitário) ou intelectuais (capacitário). Quanto à igualdade, pode ser:

a) igual: os votossão iguais, ou seja, têm o mesmo valor;

b) desigual: concede-seacertoseleitoresemvirtudedesituaçõesespeciais

o direito de votar mais de uma vez ou de dispor de mais de um voto

para prover o mesmo cargo.

Espécies:

a) voto múltiplo: o eleitor tem o direitodevotar maisdeumavez, ou seja,

em mais de umacircunscrição eleitoral, epodevotar, por exemplo, na circunscriçãodoseu domicílio,nodeseu localdetrabalho,entreoutros;

b) voto plural: o eleitor pode votar mais de uma vez em uma mesma circunscrição, ou seja, poderá votar duas ou mais vezes no mesmo

local;

222

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

c) voto familiar: o eleitor chefe de família (pai) dispõe de um ou mais

votos em função do número dos membros do núcleo familiar .

Cabe observar queo voto é a manifestação do sufrágio no plano prático .

Éo ato político que materializa na prática o direito de votar .

O voto tem como características ser secreto (ninguém , além do eleitor,

deve conhecer o candidato quando davotação); igual (mesmo peso político para todos os eleitores); livre (o cidadão vota em quem quiser e se quiser,

poispodevotar em branco ou anular ovoto); pessoal (nãoseadmitevoto por

correspondência ou procuração); direto (os eleitores escolhem por si e sem

intermediários osgovernantes e representantes); e , por fim, deacordo com a nossa Constituição Federal vigente , é também obrigatório (os eleitores não podem se eximir de votar, salvo motivojusto).

Cumpre lembrar que escrutínio é o modo pelo qual os votos são reco- lhidos e apurados nas eleições.

Desse modo , sufrágio é um direito; voto é o exercício desse direito; e escrutínio é o modo de apuração dos votos.

10. SISTEMAS POLÍTICOS

Os sistemas políticos são mecanismos relacionados ao poder e são ex- ternados basicamente por meio de quatro critérios:

10. 1

Forma de Estado

Vincula-se ao modo pelo qual está estruturado o Estado , identificando

o modo deexercício do poder , podendo ser centralizado ou descentralizado.

Seexistir um únicocentro dotado decapacidadelegislativa , administra- tiva e política, que concentra todas as competências constitucionais , haverá

o Estado unitário ou a forma unitária de Estado.

O centro único de competências

pode , por sua exclusiva vontade, dele-

gar capacidade legislativa e administrativa - dessa forma, o próprio Estado

unitário podeser centralizado ou descentralizado , conforme delegueou não

parte da sua competência exclusiva.

De outro modo, se a Constituição do Estado atribui aos entes regionais (Estados-membros) capacidades políticas, legislativas e administrativas, possibilitando autonomias próprias, surge o Estado Federal ou a forma fe- derativa de Estado. Caracteriza-se pela descentralização constitucional do poder no Estado.

Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR

10.2 Forma de governo

223

Diz respeito a quem ede que modo exerce o poder no Estado.

Seopoder for exercidopelopovo, porintermédioderepresentanteselei-

tostemporariamente, surgeaformadegovernorepublicana (república), que tem as seguintes características: (a) natureza representativa; (b) eletividade

dos mandatários; (c) temporariedade dos mandatos eletivos.

Se o poder é exercido por quem o detém naturalmente, sem representar

o povo através de mandato, surge a forma de governo monárquica (monar-

quia), que tem como características: (a) vitaliciedade; (b) hereditariedade;

(c) ausência de representatividade eletiva.

10 . 3 Regimepolítico

Vincula-se ao acesso dosgovernadosao processo de formação do poder no Estado, ou seja, é um mecanismo de participação no poder. O regime

político pode ser dividido em:

a) regime democrático: o povo participa da formação e manutenção do

poder noEstado, deregrapormeiodeeleições (o podervemdebaixo

para cima);

b) regime não democrático: caracteriza-se pela ausência ou restrição da participação do povo no poder de um Estado (o poder vem de cimaparabaixo), subdividindo-seem totalitário (existênciadeum grandepartidodominante), ditatorial (háumcentroúnico depoder)

e autoritário (limitado pluralismo político).

10.3.1 Espécies de democracia

Aparticipação democráticadopovonopoderdeumEstadopodecarac-

terizar as seguintes espécies de democracia:

a) democraciadireta:opovoexercediretamenteospoderesgovernamentais, fazendo leis, administrando e julgando. Exemplo: democracia

ateniense e cantões suíços;

b) democracia indireta ou representativa: o poder emana do povo, que,

não podendo dirigir os negócios do Estado diariamente, em face da

complexidade de determinadas situações (o tamanho do território, a densidade demográfica, os problemas económicos e sociais), delega, por meio de eleições periódicas, as funções de governo para

representantes. Exemplo: Estados Unidos da América;

224

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

c) democraciasemidireta: háumademocraciarepresentativacomalguns

institutos de participação direta do povo nas funções do governo .

Exemplo: Brasil.

A Constituição Federal de 1988aproxima-sedademocraciasemidireta ,

pois combina itensda democracia representativa com outros da democracia

direta.

Verifica-se tal assertiva no parágrafo único do art. 1.° , onde se lê: " Todo

o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou

diretamente , nos termos

desta Constituição "

.

A representação é constatada por meio das eleições periódicas para

os titulares dos Poderes Legislativo e Executivo (arts. 45 , 46, 77, entre

outros).

10.3.2 Institutos departicipação direta do povo

Iniciativa popular - O povo (conjunto de eleitores) pode apresentar

projetos de lei, desde que subscritos por no mínimo 1% do eleitorado nacio-

nal, distribuídos em pelo menos cinco Estados , com não menos de 0,3% dos

eleitoresdecadaumdeles. Devem ser apresentadosàCâmaradosDeputados

(art. 14, III, e art. 61, § 20, da CF/88).

Referendopopular- Éumaconsultapopularemqueexistearatificação

do povo sobre projetos de lei, já aprovados pelo Legislativo , de modo que o

projeto só será aprovado se receber votação favorável do corpo eleitoral - do

contrário, reputar-se-árejeitado (art. 14 , 11

, daCF/88). Éatribuição exclusiva

do Congresso Nacional autorizá-lo (art. 49 , XV, da CF/88).

Plebiscito - Consiste , também, em uma consulta popular evisa decidir previamenteumassunto institucional ou políticoantesdostrâmiteslegislati- vos (art. 14 , 1 , da CF/88). Por essemotivosediferenciado referendo popular, que, como visto acima, versa sobreaaprovação de textos de projeto de lei ou

de emenda constitucionaljá aprovados pelo Poder Legislativo.

Oplebiscitopodeautorizar oinício deumprocesso legislativo , enquanto

o referendo ratifica ou rejeita projetojá elaborado.

O plebiscito éindicado em casosespecíficos , como a formação de novos

Estados e de novos Municípios (art. 18 , §§ 3.° e 4.°). Compete ao Congresso

Nacional convocar o plebiscito (art. 49 , XV, da CF/1988).

Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR

Art. 2.° do ADCT da CF/88: "No dia 7 de setembro de 1993 o

eleitorado definirá, através de plebiscito, a forma (república

ou monarquia constitucional) e o sistema de governo (parla-

mentarismo ou presidencialismo) quedevemvigorar no País "

.

note

BEM

* .

225

Cumpre destacar que os três institutosjurídico-constitucionais men- cionados foram regulamentados pela Lei 9.709/1998.

/ 0.4 Regime ou sistema de governo

Refere-se ao modo pelo qual se relacionam os Poderes Executivo e Le- gislativo. A doutrina majoritária elenca três sistemas básicos:

10.4.1 Opresidencialismo

Origem - Pinto Ferreira informa que o esquema político do presiden-

cialismo nasceu nos Estados Unidos daAmérica, com a entrada em vigor da suaConstituição Federal de 17.09.1787,apósaRevoluçãodaIndependência,

quando as 13 colónias se confederaram e depois se uniram em um regime

federativo pelainfluênciadegrandesestadistasepensadores,comoJefferson,

Madison eWashington, orientandoseu povocomsabedoriadentrodasnovas

circunstânciasdapolíticanacional, paraenfrentar aslutascontraaInglaterra (Curso de direito constitucional, p. 365).

Houve uma Assembleia Constituinte, formada pelos delegados das ex-

- colônias americanas que se reuniram na Filadélfia, de maio a setembro de 1787, daí surgindo a Constituição Federal Norte-Americana, que criou o regime presidencialista.

Pinto Ferreira (Curso de direito constitucional, p. 366-367) aponta as distinções entre o regime presidencialista americano e o brasileiro.

Assim, o presidencialismo norte-americano tem três e lementos funda-

mentais em sua estrutura (presidencialismo puro):

a) o PresidentedaRepúblicadesignaosseussecretáriosdeEstadosempre

com a anuência do Senado;

226

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

b) a iniciativa de legislar compete exclusivamente ao Congresso ,

representado pelo Senado e pela Câmara dos Representantes , sendo

vedada qualquer possibilidade ao Presidente, ou ao seu ministério ,

de encaminhar projetos de lei , outrossim, vedando-se qualquer

comparecimento pessoal dos Ministrosao Congresso;

c) nos EUA, o Presidente tem o poder de veto (desaprovação dada pelo chefedeEstadoaumprojetodelei). O Congresso , no entanto, poderá,

mediante maioria qualificada de 2/3 dos seus membros , em votação isolada das ditas Câmaras , sobrepor-se ao veto presidencial.

O presidencialismo brasileiro (presidencialismo misto) - O Presidente

da República éeleito dentreos cidadãos maiores de35 anos, sendo brasileiro

nato e no pleno gozo do exercício dos direitos políticos.

O Presidente escolhe o Ministério a seu contento, sem estar sujeito à

interferência do Senado como nos EUA , e tem, no tocante aos poderes de

legislação , uma competência mais ampla que no governo norte-americano, pois pode encaminhar projetos de lei ao Congresso, o que éespeci i camente

f

vedado ao regime presidencial norte-americano. Tem afinal o poder de veto ,

segundo a estrutura clássica do presidencialismo, sendo que o Congresso poderá derrubá-lo, desde que, reunido em sessão conjunta, obtenha o voto da maioria absoluta dos congressistas , em escrutínio secreto (art. 66, § 4. ° ) .

Características do presidencialismo:

a) É típico dos Estados que adotam a formadegoverno republicana.

b) OPresidentedaRepúblicaexerceo

Poder Executivoemsuaplenitude ,

acumulando as funções de chefe de Estado , chefede governo echefe

da administração pública.

c) Háo cumprimentodeum mandato por tempo fixo, que não depende

f

da con i ança do Poder Legislativo para a sua investidura ou para o

exercício do governo.

d) O Poder Legislativo (Congresso, Assembleia e Câmara) não é

parlamento, pois não participa do governo (aprovação do plano de governo) , além do que seus membros são eleitos por período

determinado de mandato, não se sujeitando a dissolução.

e) Háseparação dos Poderes, quesão independentes eharmónicos.

f) Os Ministros de Estado são simples auxiliares do Presidente da

República,queosnomeiaeexoneraaoseu livrearbítrio. OsMinistros

funcionam cadaqualporsi (isoladamente) , tratandodeseusproblemas

Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR

227

sem levar em conta os vínculos com os outros Ministérios (não tem

organicidade).

g) O eventual plano de governo, mesmo quando aprovado por lei,

dependeexclusivamentedacoordenaçãodoPresidentedaRepública,

que o executará ou não, sem dar satisfação jurídica a outro Poder

(exceto noscasosdeprestação de contas financeiras e orçamentárias

anuais). Executando-o mal ou mesmo não o executando, continuarão

o Presidente da República e seus Ministros no poder.

10.4.2 O parlamentarismo

Origem- Pinto Ferreiradestacaqueo parlamentarismo éfruto delonga

evolução histórica e política, vivenciada na Inglaterra. No ano de 1254, o parlamentobritânicosedesdobrou em doisramos- a Câmarados Lordes ea

CâmaradosComuns- ,ocorrendo, pelaprimeiravez, umaeleição. A Câmara dos Lordes era hereditária e a Câmara dos Comuns, eletiva. A partir desse

momento começavaalutaentreambaspelasupremaciapolítica. Antesdessa

datao parlamento inglês eraformado apenaspor nobresligadosàpessoado

monarca (Curso de direito constitucional, p. 395-396). No século XVII, a Câmara dos Comuns conseguiu a preponderância

(maioria) política, quando, após a Revolução Parlamentarista de 1688, o

monarca da Inglaterra, Guilherme III, chamou pelaprimeiravez, no ano de

1689, o chefe do partido vitorioso para formar um gabinete.

Assim, o monarca inglês deixou de convidar os favoritos da monarquia

paraconstituíremogabineteepassouaconvidar aqueleschefesquelideravam a política da Câmara dos Comuns, fazendo surgir em 1689, na Inglaterra, o

regime parlamentarista.

O parlamentarismono Brasil - O parlamentarismo noBrasil teveinício

naépocado Impériobrasileiro, quandosecriou ocargo deprimeiro-ministro,

por Decreto de 20 dejulho de 1847, perdurando até aépoca da Proclamação

da República, em 1889. Neste período existiram 32 Ministérios, dos quais

23 foram presididos por nordestinos. José Afonso da Silva destaca que, com o objetivo de se evitar que o Vice-

- PresidenteJoão Goulart tomasse posse como Presidente da República, em

virtudeda renúnciadeJânio Quadrosapóssete meses degoverno, éaprovada

a Emenda Constitucional Parlamentarista 4/1961. Tem-se a reintrodução do

regimeparlamentaristanoBrasil, quedurou pouco tempo, sendoextinto com

aEmendaConstitucional 6/1963,apósplebiscitoqueadotou avoltado regime

228 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira

Características do parlamentarismo:

a) É um sistema que se originou nas monarquias constitucionais e se

estendeu inicialmente às repúblicas europeias , para depois ganhar o

mundo.

b) O Poder Executivo é dividido em duas partes:

- achefia do Estado éexercidapelo monarca ou pelo Presidente da República (representação);

- a chefia de governo é exercida pelo 1 . ° Ministro ou Presidente do Conselho, que dirige o Gabinete de Ministros ou Conselho

de Ministros.

c) O governo é, assim , um corpo coletivo orgânico, de sorte que as

medidas governamentais implicam a atividade de todos os Ministros

e M inistérios.

d) 0 1.° Ministro é nomeado ou indicado pelo Chefedo Executivo , e os demaisMinistrosquecompõemo Conselho (gabinetes) sãoindicados

ou nomeados pelo 1. ° Ministro , ou indicados por este e nomeados pelo PresidentedaRepública. A investiduradefinitivado 1,° Ministro

e sua permanência no cargo dependem da confiança do Parlamento .

e) A aprovação do 1.° Ministro e , consequentemente, de seu Conselho

de Ministros pelo Parlamento faz-se pela aceitação do plano de

governo por eles apresentado. Aceitando-o, o Parlamento assume

responsabilidadedegoverno , empenhando-sepoliticamenteperante

o povo .

f) O Parlamento (participa do governo) é responsável perante os eleitores, de maneira que a responsabilidade política se realiza do

Governo para com o Parlamento e do Parlamento para com o povo;

g) O Governo é responsável perante o Parlamento, o que significa

que o governo depende de seu apoio e confiança para governar. Significa que , se o Parlamento retirar a confiança no governo,

ele cai, exonera-se, porque não tem mandato , nem investidura a

tempo certo, mas investidura de confiança- perdidaesta , o quepode decorrerdeumvotodecensuraou moção (proposta) dedesconfiança , exonera-se para dar lugar à constituição de outro Governo.

Pode ocorrer que, em vez da exoneração dos membros do governo que perdeu a confiança do Parlamento, se prefira apurar a confiança do povo, e

Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR

229

então se utiliza o mecanismo da dissolução da Câmara, convocando-se elei-

ções extraordinárias para a formação de outro Parlamento.

10.4.3 Convencional ou diretorial

Manoel Gonçalves Ferreira Filho ensina que o sistema diretorial, co- nhecido também como convencional ou governo de Assembleia, tem como

característica a concentração na Assembleia das decisões sobre a elaboração

dasleis e as concernentes a sua aplicação (Legislativo somado ao Executivo) (Curso de direito constitucional, p. 149-151).

Em outras palavras, ocorre o domínio do sistema político pela Assem- bleia, não havendo Executivo separado, e, seexiste um chefe de Estado, ele é

figuradecorativa, nem hágovernoseparado, porqueesteéexercido por uma

comissão daAssembleia. A Suíça é o exemplo mais conhecido desse sistema.

O PoderJudiciário existe, sendo independente e especializado.

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233

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www.stf.jus.br

www.stj.jus.br

www.oabsp.org.br

www.prsp.mpf.gov.br

www.google.com.br

www.cjf.gov.br.

Anexo 1 -

Súmulas Vinculantes

SUPREMOTRIBUNAL FEDERAL - STF

1 . Ofendeagarantiaconstitucional doatojurídicoperfeito adecisãoque,

sem ponderar ascircunstânciasdo caso concreto, desconsideraavalidez ea

eficáciadeacordo constantedetermo deadesão instituídopelaLC110/2001.

2 . É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que

disponhasobresistemasdeconsórciosesorteios, inclusivebingoseloterias.

3 . Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação

ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, re-

forma e pensão.

4 . Salvonoscasosprevistosna Constituição, osalário mínimonãopode

serusadocomoindexadordebasedecálculodevantagemdeservidor público

ou de empregado, nem ser substituído por decisãojudicial.

5 . A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo

disciplinar não ofende a Constituição. 6 . Não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração inferior

ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial.

7 . A normado § 3.° do art. 192da CF/88, revogadapelaEC40/2003, que

limitavaa taxadejurosreaisa 12%ao ano, tinhasuaaplicação condicionada

à edição de lei complementar.

8 . São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5.° do Dec.-lei

1 . 569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam de prescrição e

decadência de crédito tributário.

236

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

9 . O disposto no art. 127 da Lei 7.210/1984 (Lei de Execução Penal)

foi recebido pela ordem constitucional vigente , e não se lhe aplica o limite

temporal previsto no caput do art. 58 .

10. Viola a cláusula de reserva de plenário (CF/88 , art. 97) a decisão de órgão fracionário de Tribunal que , embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua

incidência , no todo ou em parte. 11. Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado

receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia , por parte

do preso ou de terceiros , justificadaaexcepcionalidadepor escrito, sob pena

de responsabilidade disciplinar , civil e penal do agente ou da autoridade e

de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere , sem prejuízo da

responsabilidade civil

do Estado .

12.A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas viola o

disposto no art. 206 , IV, da CF/88.

13.A nomeação decônjuge , companheiroou parenteem linhareta, cola-

teral ou por afinidade , até o terceiro grau, inclusive, daautoridadenomeante

ou deservidordamesmapessoajurídicainvestidoem cargodedireção , chefia

o u assessoram en to , para o exercício de cargo em comissão ou de confiança

ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta

em qualquer dos Poderes da União , dos Estados, do Distrito Federal e dos

Municípios , compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola

a Constituição Federal.

14.É direito do defensor , no interessedorepresentado, ter acessoamplo aoselementosdeprovaque , jádocumentadosemprocedimentoinvestigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária , digam respeito

ao exercício do direito de defesa.

15.0 cálculodegratificaçõeseoutrasvantagensdoservidorpúbliconão

incide sobre o abono utilizado para se atingir o salário mínimo .

ló.Osarts. 7.°, IV, e 39, § 3.° (redação da EC 19/1998) , da Constituição,

referem-se ao total da remuneração percebida pelo servidor público .

17."Duranteo períodoprevistonoparágrafo 1,°do artigo 100daConsti-

tuição, nãoincidemjurosdemorasobreosprecatóriosquenelesejampagos" .

18. "A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal , no curso do mandato , não afasta a inelegibilidade prevista no § 7.° do artigo 14 da Cons-

ANEXO 1 - SÚMULASVINCULANTES

237

19. "A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção etratamento ou destinação de lixo ou resíduosprovenientes de imóveis, não viola o artigo 145, II, da Constituição Federal".

20. "A gratifi cação dedesempenho deatividade técnico-administrativa

- GDATA, instituídapelaLei 10.404/2002, deveser deferidaaosinativosnos

valorescorrespondentesa37,5 (trintaesetevírgulacinco) pontosnoperíodo

de fevereiro a maio de 2002 e, nos termos do artigo 5.°, parágrafo único, da Lei 10.404/2002, no período dejunho de 2002atéa conclusãodosefeitosdo último ciclo de avaliação a que se refere o artigo 1.° da medida provisória no 198/2004 , a partir da qual passa a ser de 60 (sessenta) pontos "

21. "É inconstitucional aexigênciadedepósito ou arrolamento prévios

de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo".

22."AJustiçado Trabalho écompetente para processar ejulgar asações

de indenização por danos morais e patrimoniaisdecorrentesdeacidente de

trabalho propostas por empregado contra empregador, inclusive aquelas

que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da

.

promulgação da Emenda Constitucional 45/2004 "

.

23. "AJustiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação

possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos

trabalhadores da

iniciativa privada "

.

24. "Não se tipi ica crime material contra a ordem tributária, previsto

f

no art. 1. ° , incisos I a IV, da Lei 8.137/90, antes do lançamento defi nitivo do

tributo" .

25. "Éilícitaaprisão civil dedepositário in

f

iel, qualquer que seja a mo-

dalidade do depósito".

26. "Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por

crime hediondo, ou equiparado, ojuízo da execução observaráa inconstitu-

cionalidade do art. 2. ° da Lei 8.072, de 25 dejulho de 1990, sem prejuízo de

avaliar seo condenado preenche, ou não, osrequisitosobjetivosesubjetivos

do benefício, podendo determinar, para tal

realização de exame criminológico "

.

f

im, de modo fundamentado, a

27. "Compete àjustiça estadual julgar causas entre consumidor e con-

cessionária deserviço público de telefonia, quando a ANATEL não seja litis-

 

"

consorte passiva necessária, assistente, nem opoente

.

28."Éinconstitucional aexigênciadedepósitopréviocomorequisitode

admissibilidade de açãojudicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade

238

DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira

29. "É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa , de um ou

mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto , desde

que não haja integral identidade entre uma base e outra".

31. "Éinconstitucional aincidênciadoImpostoSobreServiçosdeQual-

quer Natureza - ISSsobre operações de locação de bens móveis".

32. O ICMS não incide sobre alienação de salvados de sinistro pelas

seguradoras.

Anexo 2 - Artigos da Constituição

Federal de 1988 de maior

incidência em concursos

e de leitura recomendada

Recomenda-se a leitura de toda a Constituição, não obstante segue-se

a lista dos artigos de maior incidência nas provas da OAB e nos concursos

públicos: 5. ° , 12,14 a 17, 20 a 25, 29 a 32, 34 a 41, 51 a 58, 60 a 69, 77, 80 a

81,84 a 86,89 a 91,93 a 95,97, 10 1 a 105, 107 a 109, 127 a 130, 136 a 139,

150

a

156, 18 1 a

19 1 e 243 .

Diagramação eletrônica:

Editora Revista dos Tribunais Ltda., CNP) 60 . 501.293/0001-12 .

Impressão e encadernação:

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