ERIVAL DA SILVA OLIVEIRA
DIREITO
CONSTITUCIONAL
ll .a edição
revista e atualizada
1X 1 ELEMENTOS
[ 1Vil
1
DO DIREITO 1
Coordenação
Marco Antonio Araujo Jr.
Darlan Barroso
EDITORARi?
REVISTA DOS TRIBUNAIS
ERIVAL DA SILVA OLIVEIRA
Mestre em Direito pela Universidade
Presbiteriana Mackenzie.
Especialista em Direito Processual pela
Universidade Paulista - UNIP.
Professor Universitário (graduação e
pós-graduação). Professor e Coordenador
da cadeira de Direito Constitucional do
Complexo Educacional Damásio de Jesus no Curso Preparatório para o Exame da
OAB (l .a e 2.® fases). Professor de Direitos
Humanos. Professor do Programa Prova
Final veiculado pela TV Justiça/STF.
Assessor jurídico do Ministério Público
Federal em São Paulo. Autor de diversas
obras pela Editora Revista dos Tribunais. Conferencista e Advogado.
re ?
EDITORAI \i r
REVISTA DOS TRIBUNAIS
ATENDIMENTO AO CONSUMIDOR
Tel.: 0800-702-2433
www.rt.com.br
ERIVAL DA SILVA OLIVEIRA
DIREITO
CONSTITUCIONAL
1 l .a edição
revista e atualizada
IT U ELEMENTOS 1
I M T DO DIREITO
1
-
Coordenação
Marco Antonio Araujo Jr.
Darlan Barroso
edit or a l \ l r
REVISTA DOS TRIBUNAIS
2643
m ELEMENTOS 1
I vlr DO DIREITO 1
11 .a edição revista e atualizada
9 . i edição, 1. " tiragem: julho de 2009; 2.3tiragem: janeiro de 2010; 3.J tiragem: março de 2010;
4 . i tiragem: agosto de 2010; 10.i edição: 2010.
© desta edição
[2011]
Editora Revista dos Tribunais Ltda.
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dos direitos autorais é punível como crime (art. 184 e parágrafos, do Código Penal), com pena
de prisão e multa, conjuntamente com busca e apreensão e indenizações diversas (arts. 101 a
110 da Lei 9.610, de 19.02.1998, Lei dos Direitos Autorais).
Impresso no Brasil
[09.20111
Universitário (texto)
Fechamento da edição em [18.08.2011]
ISBN 978-85-203-4017-2
Agradecimentos
osprofessores Marco Antonio AraujoJúnior e Darlan Barroso , pelo respeito , apoio e reconhecimento do trabalho realizado por nós
docentes.
Aos amigos e colegas professores , que enfrentam diariamente a difícil
arte de ensinar.
Aos meus alunos , pelo carinho e respeito; e a minha amada esposa,
Rosa, que me incentiva e auxilia .
" Exerce o Senhor aJustiça ,
e a todos os oprimidos restitui o Direito .
"
Salmo 102:6
Nota da Editora
isandoampliar nossohorizonteeditorial paraoferecer livrosjurídicos específicos para a área de Concursos e Exame de Ordem , com a m es- ma excelência das obras publicadas em outras áreas , a Editora Revista dos Tribunais apresenta a nova edição da coleção Elementos do Direito.
Os livros foram reformulados tanto do ponto de vista de seu conteúdo
como na escolha e no desenvolvimento de projeto gráfico mais moderno quegarantisseao leitor boavisualização do texto, dosresumoseesquemas.
Além do tradicional e criterioso preparo editorial oferecido pela RT ,
para a coleção foram escolhidos coordenadores e autores com alto cabedal de experiência docente voltados para a preparação de candidatos a cargos
públicos e bacharéis que estejam buscando bons resultados em qualquer certamejurídico de que participem.
Apresentação da Coleção
Com orgulho e honra apresentamos a coleção Elementos do Di-
reito, fruto de cuidadoso trabalho , aplicação do conhecimento e
didática de professores experientes e especializados na preparação de
candidatosparaconcursospúblicoseExamedeOrdem . Por essa razão ,
os textos refletem uma abordagem objetiva e atualizada , importante
para auxiliar o candidato no estudo dos principais temas da ciência
jurídica que sejam objeto de arguição nesses certames.
Oslivrosapresentamprojetográficomoderno , oque tornaaleitura
visualmente muito agradável , e, mais importante, incluem quadros, resumos e destaques especialmente preparados para facilitar a fixação
|
e |
o aprendizado dos temas recorrentes em concursos e exames. |
|
Com a coleção , o candidato estarárespaldado para o aprendizado |
|
|
e |
para uma revisão completa , pois terá a sua disposição material atu- |
alizado de acordo com as diretrizes dajurisprudência e da doutrina
dominantes sobre cada tema.
Esperamos que a coleção Elementos do Direito continue cada vez
mais a fazer parte do sucesso profissional de seus leitores .
Marco Antonio AraujoJúnior
Darlan Barroso
Coordenadores
NOTA DA ED ITO RA.
APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO.
Sumário
7
9
|
1 . |
DIREITO CONSTITUCIONAL: CONCEITO E OBJETO. |
21 |
|
2 . |
CONSTITUIÇÃO: CONCEITO E OBJETO. |
23 |
3 . O VÍNCULO DA CONSTITUIÇÃO E DO DIREITO CONSTITUCIONAL
COM O ORDENAMENTO JURÍDICO.
25
4 . CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES.
1 .
Q uanto à forma.
1 Escrita.
. 1
1 Não escrita .
. 2
27
27
27
27
2 .
3 .
4 .
5 .
Quanto à elaboração.
2 . 1
2 . 2
Dogmática.
Histórica.
Quanto à origem.
27
27
27
28
3
3
3
|
. 1 |
Popular. |
28 |
|
. 2 |
Outorgada. |
28 |
|
. 3 |
Pactuada. |
28 |
Quanto à estabilidade, mutabilidade, consistência ou alterabilidade
4
4
. 1
. 2
4 . 3
4 . 4
Rígida.
Flexível.
Semirrígida ou semiflexível.
Q uanto à extensão.
5
5
. 1
. 2
Sintética ou concisa.
Analítica ou prolixa.
28
28
29
29
Imutável. 29
29
29
30
12 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
5
6 .
Quanto à função ou objeto.
6
6
6
. 1
. 2
. 3
Dirigente.
Garantia.
Balanço.
30
30
30
30
. FENÓMENOS QUE SURGEM COM UMA NOVA CONSTITUIÇÃO E A
ORDEM JURÍDICA ANTERIOR.
1
.
Revogação da legislação infraconstitucional incompatível.
33
33
2
3
.
.
4
.
|
Recepção. |
33 |
|
Repristinação. |
34 |
|
Desconstitucionalização. |
34 |
6 .
APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS.
37
1
.
Normas constitucionais de eficácia plena.
2 Normas constitucionais de eficácia contida.
.
3 Normas constitucionais de eficácia
.
limitada.
3 . 1
3 . 2
Normas de
Normas de
princípio institutivo.
princípio programático.
37
37
38
38
38
|
7 |
CONTEÚDO DAS NORMAS CONTITUCIONAIS. |
41 |
|
|
. |
|||
8 .
|
1 |
Normas materialmente constitucionais. |
41 |
|
|
. |
|||
|
2 |
Normas formalmente constitucionais. |
4 1 |
|
|
. |
|||
|
O PODER CONSTITUINTE. |
43 |
||
1
.
Poder constituinte originário, genuíno, primário ou de primeiro grau
2 Poder constituinte derivado de reforma ou de emendabilidade.
.
2 . 1
2 . 2
2 . 3
Revisão constitucional.
Emenda constitucional.
2 . 2 . 1
Limitações ao poder derivado de emenda.
Controle de constitucionalidade da reforma constitucional
3 Poder constituinte derivado decorrente.
.
43
44
44
45
45
46
47
9 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE.
.
1
.
Supremacia da Constituição.
2 Conceito do controle de constitucionalidade.
.
49
49
49
|
3 |
. Inconstitucionalidade por ação. |
50 |
|
|
4 . |
Inconstitucionalidade |
por omissão. |
52 |
|
5 |
. Classificação do controle de constitucionalidade. |
53 |
|
5 . 1 Quanto ao momento em que é exercido. 53
5 . 1 . 1
Preventivo, priorístico ou a priori.
53
5 . 2
5 . 1 . 2
SUMÁRIO
Repressivo, posterior, sucessivo ou a posteriori.
Quanto ao número de órgãos encarregados do controle.
13
54
54
|
5 |
. 2 . 1 |
Concentrado, reservado ou austríaco. |
54 |
|
|
5 |
. 2 . 2 |
Difuso, aberto ou norte-americano. |
55 |
|
|
5 . 3 |
Quanto à natureza do órgão controlador. |
55 |
||
6 .
7 .
5 . 3 . 1
5 . 3 . 2
Político.
Judiciário.
Classificação do controle judiciário.
6 . 1
Quanto à posição do controle em relação ao objeto da causa
6
6
.
1 .
1
. 1 . 2
Principal.
Incidental.
6 . 2
Quanto aos efeitos da decisão.
55
55
55
55
55
56
56
6 . 2 . 1
6 . 2 . 2
6 . 2 . 3
|
Inter partes. |
56 |
|
Erga omnes. |
56 |
|
Decisões no controle concentrado de constitucionali- |
|
|
dade. |
57 |
O controle de constitucionalidade no Brasil.
7 . 1
Preventivo.
58
58
7 . 2
7 . 1 .
7 . 1 .
1
2
Comissões de Constituição e Justiça.
Veto presidencial por inconstitucionalidade.
Repressivo.
7 . 2 . 1
Recurso extraordinário .
58
58
58
59
7 . 2 . 2
7 . 2 . 3
7 . 2 . 4
7 . 2 . 5
7 . 2 . 6
7 . 2 . 7
Mandado de injunção. 60 Ação direta de inconstitucionalidade genérica (ADIn/
ADI Genérica).
60
Ação
direta
de
inconstitucionalidade
interventiva
(ADIn/ADI Interventiva).
Ação direta de inconstitucionalidade supridora da
omissão ou por omissão (ADIn/ADI-SO/PO). 64 Ação declaratória de constitucionalidade (ADECON/
ADECO/ADC).
67
Arguição de descumprimento de preceito fundamental
62
(ADPF).
68
7.3 Atribuição do Advogado-Geral da União, do Procurador-Ge- ral da República e do amicus curiae no controle concentrado
de constitucionalidade.
74
7 . 4
Bloco de constitucionalidade.
76
14
DIREITO CONSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
10. FEDERALISMO .
79
|
1 |
Forma do Estado. |
79 |
|
|
. |
|||
2 .
3 .
1 . 1
1 . 2
Estado unitário.
Estado federal.
Federalismo no Brasil.
2 . 1
Componentes do Estado federal brasileiro.
79
79
79
80
2 . 1 . 1
2
2
2
. 1 . 2
. 1 . 3
. 1 . 4
2 . 1 . 5
|
União . |
80 |
|
Estados federados. |
80 |
|
Municípios. |
81 |
|
Distrito Federal. |
82 |
|
Territórios federais. |
84 |
|
2 . 2 |
Vedações constitucionais existentes no federalismo do Brasil |
84 |
|
Princípios constitucionais vinculados ao federalismo. |
85 |
|
|
3 . 1 Princípios estabelecidos. |
85 |
|
3 . 2 Princípios sensíveis . 85
3 . 3
Princípios extensíveis.
11. REPARTIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS.
1
.
Classificação referente às competências.
1 . 1
1 . 2
1 Quanto ao conteúdo.
Quanto à finalidade.
Quanto à origem.
. 3
1 Quanto à forma.
. 4
1 . 5
Quanto à extensão: a quem cabe.
12. INTERVENÇÃO FEDERAL.
13 .
1 .
Procedimento.
1 . 1
1 . 2
1 . 3
Iniciativa.
Fase judicial.
Decreto interventivo .
1 Controle político.
1 Controle jurisdicional.
. 4
. 5
ESTADO DE D EFESA.
85
87
87
87
88
88
88
89
93
93
93
94
94
95
95
99
|
1 |
Controle do Estado de defesa. |
99 |
|
|
. |
|||
1 . 1
1 . 2
Controle político.
Controle
jurisdicional.
99
100
SUMÁRIO
15
14. ESTADO DE SÍTIO.
1 .
Controle do Estado de sítio.
1 .
1
1 . 2
Controle político.
Controle
jurisdicional.
101
101
101
102
15. A SEPARAÇÃO DOS PODERES.
1 .
O Poder Legislativo.
1 . 1
Esfera federal.
105
105
105
2 .
1 . 2
1 . 3
1 .
1 . 1
1 . 1 . 2
Câmara dos Deputados.
Senado Federal.
Esfera estadual.
Esfera municipal.
Peculiaridades do Congresso Nacional.
106
106
106
107
107
2
. 1
2 . 2
2 . 3
. 4
2
Mesas da Câmara dos Deputados, do Senado e do Congresso
Nacional.
107
108
112
Comissões parlamentares.
Polícia e serviços administrativos.
Comissão representativa. 112
2
2
2
2
|
. 5 |
Funcionamento do Congresso Nacional. |
112 |
|||
|
. 6 |
Quorum para deliberação. |
113 |
|||
|
2 |
. 6 . 1 |
Maioria |
simples. |
113 |
|
|
2 |
. 6 . 2 |
Maioria absoluta. |
113 |
||
|
2 |
. 6 . 3 |
Maioria |
qualificada. |
114 |
|
|
. 7 |
Prerrogativas dos congressistas. |
114 |
|||
|
2 |
. 7 . 1 |
Inviolabilidade. |
114 |
||
|
2 |
. 7 . 2 |
Imunidade propriamente dita ou "imunidade formal ou |
|||
|
relativa " . |
114 |
||||
|
2 |
. 7 . 3 |
Privilégio de foro. |
115 |
||
|
2 |
. 7 . 4 |
Limitação ao dever de testemunhar. |
115 |
||
|
2 |
. 7 . 5 |
Isenção do serviço militar. |
116 |
||
|
. 8 |
Incompatibilidades dos congressistas. |
116 |
|||
2
2
. 9
. 10
2 . 8 . 1
2
2
. 8 . 2
. 8 . 3
Negociais.
Funcionais.
Profissionais.
Perda do mandato.
Tribunal de Contas da União.
116
116
116
116
117
16 DIREITO CO NSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
3 .
4 .
5 .
Espécies normativas.
3
. 1
3 . 2
3
. 3
Emenda constitucional.
Lei
complementar.
Lei ordinária.
119
119
119
119
3 . 3 . 1
3
. 3 . 2
3
. 3 . 3
3 . 3 . 4
Iniciativa.
119
120
121
122
122
Deliberação.
Fase complementar: promulgação e publicação.
Regime de urgência.
3 . 4
. 5
. 6
3
3 . 7
3
Medida provisória (art. 62 da CF/88).
Lei delegada. 124
Decreto legislativo. 125
Resolução.
125
127
Poder Executivo.
4
4
4
4
4
|
. 1 |
Esfera federal. |
127 |
|
. 2 |
Esfera estadual. |
127 |
|
. 3 |
Esfera municipal. |
127 |
|
. 4 |
Participação no processo legislativo. |
128 |
|
. 5 |
Regulamentação das normas. |
129 |
4 . 6 4 . 7
4 . 8
4 . 9
|
Atuação no plano internacional. |
129 |
|
Atuação quanto ao funcionalismo público federal. |
129 |
|
Atuação em relação às Forças Armadas. |
129 |
|
Nomeação de autoridades. |
129 |
|
Conselho da República e Conselho de Defesa Nacional. |
130 |
|
O impeachment. |
130 |
Processo e julgamento do Presidente da República nos crimes
comuns.
132
133
4
4
4
. 10
. 11
. 12
Poder Judiciário.
5
5
5
5
5
5
|
. 1 |
Garantias do Poder Judiciário. |
135 |
|
. 2 |
Principais características. |
135 |
|
. 3 |
Supremo Tribunal Federal. |
136 |
|
. 4 |
Superior Tribunal de Justiça. |
141 |
|
. 5 |
Principais pontos da EC 45/2004: reforma do Poder Judiciário |
144 |
|
. 6 |
Reclamação. |
158 |
16. DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS.
161
1 .
Diferença entre direitos e garantias.
162
SUMÁRIO
17
2 .
3 .
Destinatários da proteção (amplitude da proteção).
162
|
Dos direitos e deveres individuais e coletivos: art. 5.° da CF/88. |
163 |
|||
|
3 |
. 1 |
Direito |
á vida. |
163 |
|
3 |
. 2 |
Direito à igualdade. |
163 |
|
|
3 |
. 3 |
Direito à liberdade. |
164 |
|
|
3 |
. 4 |
Direito à propriedade. |
164 |
|
4 .
3.5 Direito à segurança.
Princípios constitucionais.
5 Remédios constitucionais.
.
165
166
167
|
5 |
. 1 |
O direito de petição. |
167 |
|
|
5 |
. 2 |
Habeas corpus. |
168 |
|
|
5 |
. 3 |
Habeas data. |
172 |
|
|
5 |
. 4 |
Mandado de injunção. |
174 |
|
|
5 |
. 5 |
Mandado |
de segurança. |
175 |
|
5 |
. 6 |
Mandado de segurança coletivo. |
180 |
|
5
5
. 7
. 8
Ação
popular.
Ação civil pública.
17. NACIO NALIDADE.
1 .
2
.
Natureza jurídica do direito da nacionalidade.
Espécies de nacionalidade e peculiaridades.
Primária, de origem ou originária. Secundária ou adquirida. Modos de aquisição da nacionalidade.
2
. 1
2
2
. 2
. 3
2 . 4
2 . 5
2 . 6
2 . 3 . 1
2 . 3 . 2
Critério da origem sanguínea (ius sanguinis).
Critério da origem territorial (ius solis).
Reflexos da nacionalidade.
A nacionalidade no direito constitucional brasileiro.
Os brasileiros natos.
2 . 7
2 . 6 . 1
2 . 6 . 2
2 . 6 . 3
Critério do ius solis (territorialidade).
Critério do ius sanguinis aliado ao serviço do Brasil
Critério do ius sanguinis mais a opção.
Os brasileiros naturalizados.
2 . 8
2 . 7 . 1
2 . 7 . 2
Naturalização ordinária.
Naturalização extraordinária.
Aspectos jurídicos do brasileiro nato e do naturalizado.
182
183
187
188
188
188
188
188
189
189
189
189
190
190
190
190
191
191
191
192
18 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
3 .
2 . 9
2
2
. 10
. 11
2 . 12
Perda da nacionalidade.
Reaquisição da nacionalidade brasileira.
Institutos ligados à nacionalidade.
2
. 11.1
. 11.2
2 . 11.3
2
Extradição.
Expulsão.
Deportação.
A língua e os símbolos nacionais.
ASSU NTO S PERTIN ENTES AO S ESTRANG EIRO S.
193
193
194
194
194
195
196
196
18. DIREITOS POLÍTICOS.
1 .
2
.
3 .
4 .
Cidadania.
1 . 1
Aquisição da cidadania.
Alistabilidade e elegibilidade.
Sistemas eleitorais.
3
3
. 1
. 2
Sistema
Sistema
majoritário.
proporcional.
Restrições aos direitos políticos.
199
199
200
200
201
201
202
203
5 .
6
.
Reaquisição dos direitos políticos. 203
204
Inelegibilidades.
6 . 1
6
. 2
|
Absolutas. |
204 |
|||
|
Relativas. |
204 |
|||
|
6 |
. 2 . 1 |
Restrição |
por motivos funcionais. |
205 |
6
6
6
6
. 2 . 2
. 2 . 3
. 2 . 4
. 2 . 5
Restrição por motivo de casamento, parentesco ou afi-
nidade.
Restrição dos militares. 206
Restrição por previsão de ordem legal.
Restrição por motivo de domicílio eleitoral na circuns-
206
205
crição.
7 .
Desincompatibilização.
8 Processo Judicial Eleitoral.
.
206
206
208
19 .
LEITU RA CO M PLEM ENTAR.
209
|
1 . |
Direito e sua classificação doutrinária. |
209 |
|
2 . |
Breve evolução das Constituições dos Estados. |
210 |
|
3 . |
Elementos das Constituições. |
211 |
3
3
. 1
. 2
3 . 3
Elementos orgânicos.
Elementos limitativos.
Elementos socioideológicos.
211
211
211
SUMÁRIO
19
4 .
5
.
6 .
7 .
3 . 4
3 . 5
História das Constituições brasileiras.
Elementos de estabilização constitucional.
Elementos formais de aplicabilidade.
212
212
212
4
4
4
4
. 1
. 2
. 3
. 4
Constituição de 1824. 212
Constituição de 1891. 213
Constituição de 1934. 213
Constituição de 1937. 214
4.5 Constituição de 1946.
214
|
4 |
. 6 |
Constituição de 1967. |
214 |
|
|
4 |
. 7 |
Constituição de 1969. |
215 |
|
|
4 |
. 8 |
Constituição de 1988. |
215 |
|
|
Princípios constitucionais da Administração Pública. |
216 |
|||
|
Origem do Tribunal de Contas. |
216 |
|||
|
Das funções essenciais à justiça. |
217 |
|||
|
7 |
. 1 |
O Ministério |
Público. |
217 |
|
7 |
. 2 |
A Advocacia Pública. |
219 |
|
|
7 |
. 3 |
Da Advocacia e da Defensoria Pública. |
220 |
|
8 .
9
.
Direitos sociais.
Sufrágio.
9 . 1
Formas de sufrágio.
10. Sistemas políticos.
10.1 Forma de Estado.
10.2 Forma de governo.
220
221
221
222
222
223
|
10.3 Regime político. |
223 |
|
10.3.1 Espécies de democracia. |
223 |
10.3.2 Institutos de participação direta do povo.
10.4 Regime ou sistema de governo.
224
225
|
10.4.1 O presidencialismo. |
225 |
|
10.4.2 O parlamentarismo. |
227 |
|
10.4.3 Convencional ou diretorial. |
229 |
BIBLIOG RAFIA E SITES.
23 1
|
ANEXO 1 SÚMULAS VINCULANTES. |
235 |
|
ANEXO 2 - ARTIGOS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 DE MAIOR INCIDÊNCIA EM CONCURSOS E DE LEITURA RECOMENDADA. |
239 |
Direito Constitucional:
Conceito e Objeto
O Direito Constitucional,segundo adoutrina, podeser definido como o
conhecimento sistematizadodaorganizaçãojurídicafundamental doEstado.
Tem-sequeo Direito Constitucional éumadisciplinajurídicaqueperten-
ceao ramo do Direito Público,poistutelaosinteressesgeraisdacoletividade.
O Direito Constitucional tem por objeto de estudo as Constituiçõesdos
Estados,bem como todososdemaisfatoresqueatuamaoredordelas, taiscomo fatoreshistóricos,sociais eeconómicos, refletindo osaspectosdecadaépoca.
Constituição: conceito
e objeto
Constituição, genericamente, é o ato de constituir, de estabelecer algo,
f
ou ainda signi i ca o modo pelo qual se constitui uma coisa.
No mundojurídico, a Constituição é a Lei Fundamental de um Estado e, desse modo, determinaria a organização dos seus elementos essenciais:
um sistema de normas jurídicas, escritas ou costumeiras, que regula as formas do Estado e de seu governo, o modo de aquisição e o exercício do poder, o estabelecimento de seus órgãos, os limites de sua ação, os direitos
fundamentaisdo homem easrespectivasgarantias. Em síntese, a Constituição
é o conjunto de normas que organiza os elementos constitutivos do Estado.
O objeto maior da Constituição é limitar o poder do Estado sobre as
pessoas e as instituições que o compõem.
N aatualidade , fortalece-senadoutrinaacorrentedoneoconstitucionalismo,
que procura dar e i cácia concreta à Constituição, em especial, com relação
f
aos direitos fundamentais.
Dessemodo, torna-seimperativono mundoconcreto realizar aprevisão
abstrata da Constituição. O Título II (DosDireitose Garantias Fundamentais
(arts. 5.° a 17, CF/88) e o Título VIII (Da Ordem Social - arts. 193 a 232,
CF/88) devem ser implementados para os sujeitos dos direitos e garantias
fundamentaisqueseencontrem no território nacional, desdequepreencham os requisitos estabelecidos. Tal ação deveria ser realizada voluntariamente pelo Estado, porém, diantedainércia, énecessário acionar o Poder Judiciário para efetivá-los.
Em grande parte dos casos é possível a utilização dos remédios constitucionais. Pode-se citar como exemplo, a utilização de uma ação civil
pública para a proteção ambiental, o fornecimento de medicamentos ou,
ainda, para a obtenção de assistência médica.
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Infere-sequeaConstituição , paraosneoconstitucionalistas, éumanorma jurídicasuperior eimperativa, quegaranteascondiçõesdignasmínimas. Sua
efetividadesepropaga em relaçãoaosparticulareseao Estado. Háimposição
dos valores referentes à dignidade da pessoa humana (aspecto axiológico
concreto).
Cumpre lembrar ainda que para a doutrina a Constituição pode ser
considerada umadecisão políticafundamental (Carl Schmitt), a soma dosfatoresreaisdo poder (Ferdinand Lassale), entreoutrosconceitos.
A atual Constituição Brasileira é composta de um preâmbulo , nov e títulos, um ato das disposições constitucionais transitórias, emendas cons-
titucionais e emendas constitucionais de revisão.
As normas contidas no Ato das Disposições Constitucionais
Transitóriasservemdeparâmetroparaocontroledeconstitu-
cionalidade. O preâmbulo não tem caráter coercitivo e não é
parâmetro parao controledeconstitucionalidade. Além disso,
a palavra " Deus" contida em seu texto não indica a adoção de uma religião oficial.
ilHflOfUI"*®
V
,-à
Conceito
A Constituição é o conjunto de normas que organiza os elementos
constitutivos do Estado.
Objeto Limitar o poder do Estado sobre
as pessoas e as instituições que o compõem.
O vínculo da Constituição
e do Direito Constitucional
com o Ordenamento
Jurídico
A Constituição eo Direito Constitucional estão ligadosao ordenamento
jurídico de um país, que é formado pela união da Constituição e das normas
infraconstitucionais. NoBrasil, o ordenamentojurídico éformadopelaCons-
tituição Federal de 1988 e, noplano infraconstitucional, pelas Constituições Estaduais dos 26 Estados-membros, pelas Leis Orgânicas dos Municípios e do Distrito Federal, bem como por todas as demais leis e normas vigentes.
Naatualidade,amaioriadospaíses édefinidacomo Estado Democrático
deDireito. O Estado (país) em questãopodeser definido como umaorganiza-
çãojurídica,administrativaepolíticaformadapor umapopulação, assentada em um território, dirigidapor um governo soberano etendo como finalidade
o Bem Comum. Éjurídica por ter por base uma Constituição e as normas
infraconstitucionais (ordenamentojurídico); é administrativa por envolver
o gerenciamento e a organização; por fim, é política por tratar do poder.
Tem-se que democráticodiz respeito à participação do povo (cidadãos = eleitores) na formaçãojurídica do Estado , pois os eleitores elegem os repre-
sentantes (Poder Legislativo) que irão fazer a Constituição (Assembleia Na-
cional Constituinte) easdemaisleis (Legislador Ordinário). Por fim, refere-se
também ao Direito, pois todos nesse Estado devem respeitar a Constituição
e as normas infraconstitucionais.
O Direito Constitucional, como visto, engloba a interpretação e a deli-
mitação dos institutos constitucionais.
O vínculo é externado pela relação de dependência que deve existir
entre as normas infraconstitucionais e a Constituição de determinado país. Não pode existir dentro de um Estado nenhuma norma ou lei contrária à
sua Constituição. No Brasil, por exemplo, não pode existir nenhuma norma
federal, estadual, distrital ou municipal contrária à Constituição Federal de 1988,poiselaéaLei Fundamental do Estado brasileiro. Seexistir umanorma
26
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
contrária à Constituição, poderá ser suscitada sua inconstitucionalidade,
como mais adiante será estudado.
Ordenamento jurídico: é a somatória da Constituição e das
demais normas infraconstitucionais de um Estado.
OJ
,
<
c
+
Constituição do Estado
Normas infraconstitucionais
note
BEM
Constituição Federal de 1988 + Dec. 6.429/2009
26 Constituições Estaduais
+ Leis Orgânicas municipais
Lei Orgânica do Distrito Federal
CP, CPP etc.
Classificação das
Constituições
Dentre as classi
f
i cações existentes , as mais recorrentes nos exames de
Ordem dos Advogados do Brasil e em concursos públicos são:
1 .
Q UANTO À FORMA
|
7 |
1 |
Escrita |
|
|
. |
|||
Éa Constituição codi i cadaesistematizadanum textoúnico , elaborado
f
por um órgão constituinte. Também conhecidapor instrumental. Por exem-
plo, a atual Constituição do Brasil.
7 . 2
Não escrita
É também chamada costumeira. É a Constituição cujas normas não
constam deum documento único esolene, masquesebaseiaprincipalmente
nos costumes, najurisprudência e em convocações e textos constitucionais esparsos. O exemplo clássico da doutrina é a Constituição inglesa.
2 . QUANTO À ELABORAÇÃO
2 . / Dogmática
Será sempre escrita e elaborada por um órgão constituinte, sistema- tizando os dogmas (pontos fundamentais de uma doutrina) ou as ideias
fundamentais da teoria política e do Direito dominante naquele momento.
Pode-se citar a atual Constituição do Brasil.
2 . 2
Histórica
Será sempre costumeira, não escrita e resultante de morosa formação histórica , do lento evoluir das tradições, dos fatossociopolíticos que secris-
28
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
talizam como normas fundamentais da organização de determinado Estado.
Cite-se a Constituição inglesa.
3 .
Q UANTO À ORIGEM
Popular
É a Constituição originária de um órgão constituinte composto por
representantes do povo, eleitos para o fi m de a elaborar e estabelecer, como
3 . 1
são exemplos as Constituições brasileiras de 1891, 1934, 1946 e 1988. De
regra, essas Constituições são promulgadas. É, também, conhecida por de-
mocrática ou promulgada.
3 . 2 Outorgada É a Constituição elaborada e estabelecida sem a participação do povo;
aquela imposta outorgada pelo governante (rei, imperador, presidente de juntagovernista, ditador), por si ou por interposta pessoa ou instituições, ao
povo, como o foram as Constituiçõesbrasileirasde 1824,1937,1967 e 1969.
Pode-se acrescentar aqui outro tipo de Constituição não propriamente
outorgadaou democrática, aindaquecriadacom aparticipação popular- éa
chamadaConstituiçãocesarista, porqueéformalizadapor " plebiscito " popu-
larsobreumprojetoelaboradopor umimperador (plebiscitonapoleónico) ou um ditador (plebiscito dePinochet no Chile). A participação popular, nesses casos, não é democrática, poisvisa apenas ratificar avontade do detentor do
poder. Tecnicamente seria um referendo.
f
Alguns doutrinadores a irmam que o processo de positivação ou efe-
tivação de uma Constituição pode se dar através da promulgação, outorga,
referendo ou plebiscito.
3 . 3
Pactuada
Éaconstituição que tem origem no pacto de duas forçaspolíticasinstá-
veis. Tem por exemplo a Constituição da Grécia de 1844.
4 . QUANTO À ESTABILIDADE, MUTABILIDADE, CONSISTÊNCIA
O U A LTERABILIDAD E
4 .
7
Rígida
Constituição somente alterável mediante processos, solenidades e
exigências formais especiais, diferentes e mais difíceis que os de formação
Cap. 4 . CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES
29
das leis ordinárias e complementares. A Constituição Federal vigente é um
exemplo (3/5 em dois turnos, nas duas Casas do Congresso Nacional - art.
60, §2.°, CF/88).
4 . 2
Flexível
Constituição que pode ser livremente modificada pelo legislador, se- gundo o mesmo processo de elaboração das leis ordinárias, sendo aprovada
por maioria simples.
4 . 3
Semirrígida ou semi flexível
Constituiçãoquecontémumaparterígidaeoutraflexível,comoaConsti-
tuiçãodoImpério,art. 178,quediz: "Ésóconstitucional oquedizrespeitoaos
limites eatribuiçõesrespectivasdospoderespolíticos eaos direitospolíticos eindividuaisdoscidadãos. Tudo o quenão éconstitucional podeser alterado sem as formalidades referidas, pelas legislaturas ordinárias "
.
4 . 4
Imutável
As Constituições que não podem ser alteradas são denominadas de " imutáveis". São também conhecidas por permanentes ou intocáveis.
Por fim, háquem classi ique uma Constituição como super-rígida, queé aquelaque,alémdeexigirumprocedimentomaiscomplexoparasuaalteração,
possuipartesimutáveispelolegislador ordinário. Trata-sedeumaConstituição
rígida com previsão de cláusulas pétreas, como éo caso danossa Constituição
Federal vigente para alguns doutrinadores. No entanto, a nossa Constituição
apenas impede alterações que reduzam direitos (art. 60, § 4. ° , CF/88): "Não
será objeto dedeliberação a proposta deemenda tendente aabolir: 1- aforma
federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a
f
separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais "
5 . Q UANTO À EXTENSÃO
.
5 .
/
Sintética ou concisa
Constituição que contém reduzido número de artigos, ou seja, contém apenas os princípios e normas referentes à estrutura do Estado (normas constitucionais materiais: nacionalidade, direitos políticos, separação dos
poderes, entreoutros.). É também conhecida por breve, sucinta, sumáriaou
básica. Por exemplo, a Constituição dos Estados Unidos.
30 DIREITO CONSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
5 . 2 Analítica ou prolixa
Constituição quecontémum número elevadodeartigos. Possui normas
constitucionaismateriais e formais (do meio ambiente , dos índios, da família,
entre outros). É também conhecida por extensa, volumosa ou ampla. Por
exemplo, a Constituição do Brasil.
6 . QUANTO À FUNÇÃO OU OBJETO
6 . /
Dirigente
ConstituiçãoquecontémumprojetopolíticodeEstadoaserdesenvolvido,
com o cumprimento de metas estabelecidas.
6 . 2
Garantia
Constituição que visa garantir a proteção dos componentes do Estado,
assegurando liberdades e limitando o poder existente.
6 . 3 Balanço
Constituição que descreve e registra o poder estabelecido. Estaria vin-
culada com a evolução socialista , procurando registrar as conquistas sociais
obtidas em cada etapa vencida.
Pode-se inferir que a Constituição Federal vigenteé escrita , dogmática,
popular, rígida e analítica, com normas constitucionais materiais e formais.
Além disso , seria dirigente, pois possui normas prevendo programas aserem
desenvolvidos , como a saúde, aprevidência social, a educação, a assistência social etc.; bem como garantia, poisestabelecedireitos egarantias, taiscomo
os previstos no Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais.
Para questões diferenciadas da OAB e de concursos públicos do Minis- tério Público ou da Magistratura , é bom destacar as seguintes classificações
doutrinárias:
a) quanto à sistematização ou estrutura:
|
. |
orgânicaou reduzida: contidaemumdocumentoúnico (unitária); |
|
. |
inorgânica ou variada: é a somatória de vários instrumentos |
norm ativos.
b) quanto à religião:
. teocráticaou confessional: éaquela Constituição queadota uma
religiãooficial (primeiraConstituiçãobrasileira- 1824; religião:
católica apostólica romana);
Cap. 4 . CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES
31
. laica (leiga ou não confessional): éaquela Constituição quenão
adota uma religião oficial (art. 19,1, CF/88).
c) constituição plástica: éaquela quesemodifica facilmente (constitui-
ção flexível), ou, para outros doutrinadores, éumaconstituição com
vários conceitos indeterminados.
d) constituição eclética: éaquelaqueconciliaideologiasopostas, prote-
gendoocapital privadoeestimulandoaassistênciasocial.
e) constituição ortodoxa: é aquela que adotaapenas uma ideologia.
Para muitos doutrinadoresa CF/88 era unitária até a entrada em
vigordo Decreto 6.949/2009 (Convençãoparaa proteçãodas pessoasportadorasdedeficiênciaeoseuprotocolofacultativo)
quefoi aprovado nostermosdo § 3. ° do art. 5.° da CF/88, sendo
equivalente a umaemenda constitucional.
V
.
resumindo
Quanto à forma
Quanto à elaboração
Quanto à origem
Quanto à estabilidade
Quanto à extensão
Quanto à função ou objeto
Quanto à sistematização ou
estrutura
Quanto à religião
a)
Escrita
b) Não escrita
a) Dogmática
b) Histórica
a)
Popular
b) Outorgada
a) Rígida
b) Flexível
c) Semirrigída
d) Imutável
a) Sintética ou concisa
b) Analítica ou prolixa
a) Dirigente
b) Garantia
c) Balanço
a) Orgânica ou reduzida
b) Inorgânica ou variada
a) Teocrática ou confessional
b) Laica, leiga ou não confessional
Fenómenos que
surgem com uma nova
Constituição e a ordem
jurídica anterior
Como o ordenamento jurídico de um país envolve o comportamento
político e socioideológico de um povo, por vezes são necessários ajustes,
inclusivecom a elaboração deuma nova Constituição , que revoga a anterior.
1 .
REVOGAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL
INCOMPATÍVEL
Normas infraconstitucionais materialmente incompatíveis com a nova Constituição são tidas por revogadas , segundo a regra de interpretação que
dizquenormasposterioresehierarquicamentesuperioresrevogamasnormas
anteriores e hierarquicamente inferiores.
2 .
RECEPÇÃO
Fenómeno que diz que toda legislação infraconstitucional anterior
compatível materialmentecomanovaConstituiçãocontinuaemplenovigor .
São exemplos: o Código de Processo Civil (Lei 5.869/1973) , o Código Penal
(Decreto-lei 2.848/1940), entre outros.
Destaque-sequeasnormasinfraconstitucionaisanterioresà Constituição
Federal vigente que a contrariarem formalmente podem continuar aviger ,
mas devem ser alteradas seguindo a nova determinação constitucional . Pode-se citar , como exemplo, o Código Penal, que, na origem, éum decreto-
lei , mas foi recepcionado como lei ordinária. Desse modo, para a criação
de um novo Código Penal basta a utilização de uma lei ordinária federal .
Percebe-se a recepção do Código Penal como lei ordinária com a leitura dos
incisos XXXIX (não há crime sem lei anterior que o defi na , nem pena sem
préviacominação legal) eXL (a lei penal não retroagirá, salvoparabene iciar o réu) do art. 5. ° da CF/88. O mesmo ocorreu com o Código de Processo
f
34 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Penal (Decreto-lei 3.689/1941), recepcionado como lei ordinária (art. 5.°,
XXXVIII eLX, da CF/88).
O Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966 - Lei Ordinária) foi
recepcionado como Lei Complementar (art. 146,1a III, da CF/88).
Por fim, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal não
admite a chamada inconstitucionalidade superveniente de ato normativo
produzido antes da nova Constituição perante o novo modelo. Neste caso,
hácompatibilidadeerecepçãoourevogaçãopor incompatibilidadematerial.
Tem-seo princípio dacontemporaneidade (umalei éconstitucional perante
o paradigma de confronto em relação ao qual ela foi produzida).
3 .
REPRISTINAÇÃO
Em tal fenómeno, a nova Constituição revalida a legislação
infraconstitucional revogada pela Constituição que a antecedeu. Essa restauração de eficácia, conhecida por repristinação, não deve ser admitida em nosso ordenamentoju í dico em virtudedosprincípiosdasegurançaeda
estabilidadedasrelaçõessociais. Não obstante, noplano infraconstitucional,
destaque-seo §30doart. 2.°doDecreto-lei 4.657/1942 (Lei deIntroduçãoàs NormasdeDireitoBrasileiro- conformeredaçãodadapelaLei 12.376/2010) e
oefeitorepristinatóriodedecisõesdoSupremoTribunal Federal emcontrole
concentrado de constitucionalidade (ADIn Genérica).
4 .
r
DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO
Nesse fenómeno, a nova Constituição recebeaanterior como legislação
infraconstitucional (lei ordinária). Essa tese não vigora entre nós, pois não
hájustificativa e lógica para que as leis constitucionais sejam rebaixadas
para legislação ordinária. Além disso, como já visto, a Constituição é a Lei
Fundamental de um Estado e, como tal, reflete juridicamente o que há de
mais importante nele.
Destaque-seque, paraalgunsautores, haveriaoinstitutodaprorrogação,
que seria a continuação de atos anteriores até a efetiva regulamentação de
acordo com a Constituição Federal de 1988. Por exemplo, art. 27, § 1. ° , art. 29, § 3.°, arts. 34 e 70, todos do ADCT da CF/88.
Cap. 5 . FENÓMENOS DA NOVA CONSTITUIÇÃO
35
Decisões sobre os temas:
"R epristinação. Limitaçãodosjuros(CF , art. 192, §3.°). Lei 4.595/1964.
DL167/1967. Recepção.Arecepçãodeleiordináriacomoleicomplementar
pelaConstituiçãoposterioraelasóocorrecomrelaçãoaosseusdispositivos
em vigor quando da promuIgação desta , não havendo que pretender-sea
ocorrênciadeefeito repristinatório , porqueo nossosistemajurídico, salvo
disposiçãoemcontrário, não admitea repristinação(LICC , art. 2.°, §3.°)"
(STF, AgAgRg235800/RS, 1.fT, rei. Min. MoreiraAlves). Obs.: A CF/88 foi alterada pela EC 40/2003 , que revogou o § 3.° do art. 192).
"R ecurso extraordinário. Lei 9.430/1996. COFINS. Isenção .
Revogação. Sociedadesdeprestaçãodeserviçosdeprofissão legalmente
regulamentada. Ressalva de óptica pessoal . O Plenário, apreciando
os Recursos Extraordinários 377.457-3/PR e 381 . 964-0/MG, concluiu
mostrar-se legítima a revogação , mediante o art. 56 da Lei 9.430/1996,
da isenção da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
- COFINS relativa às sociedades de prestação de serviços de profissão
legalmenteregulamentada , estabelecida noart. 6.°, II, daLei Complementar
70/1991"(STF, RE-AgR477099/RS , j. 16.12.2008, rei. Min. MarcoAurélio). " Agravo regimental no recurso extraordinário . IPTU. Alíquota
progressiva. Declaração incidental de inconstitucionalidade. Legislação anterior. Repristinação . Município de Porto Alegre. IPTU . Alíquota progressiva. LC 7/1973 , na redação dada pela LC 212/1989. Inconstitucionalidade da norma superveniente . Hipótese anterior à
promulgação da EC 29/2000. Agravo provido, para determinar a subida dos autos principais, para melhor exame" (STF , AI-AgR 465922/RS, j.
23.11.2004, rei. Min. Eros Grau).
RECEPÇÃO
REPRISTINAÇÃO
DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO
Toda legislação infraconstitucional
anterior compatível materialmente
com a nova Constituição continua em
pleno vigor.
A nova Constituição revalida a
legislação infraconstitucional revogada pela Constituição que a antecedeu.
A nova Constituição recebe a anterior
como legislação infraconstitucional (lei
ordinária).
Aplicabilidade das normas
constitucionais
Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica , porém nem todas possuem efetividade (aplicabilidade). Segundo a doutrina
majoritária , podem ser classificadas em:
1 .
NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA PLENA
São aquelas normas de aplicabilidade imediata , direta, integral,
independentemente de legislação infraconstitucional para sua inteira
operatividade (autoaplicáveis ou autoexecutáveis). Por exemplo , arts. 1. ° ; 2 . ° ; 13; 14, § 2.°; 17, § 4 0; 37, III; 44, parágrafo único; 69,76,145 § 2.°; entre
outros, da CF/88.
2 .
NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA CONTIDA
São aquelas normas que têm aplicabilidade imediata , integral, plena,
direta (autoaplicáveis ou autoexecutáveis) , mas podem ter
alcance pela atividade do legislador ordinário , em virtude de autorização
constitucional. São também chamadas de normas de eficácia redutível ou
restringível.
Por exemplo , inciso XIII do art. 5.° da CF/88: "É livre o exercício de
qualquertrabalho,ofícioouprofissão,atendidasasqualificaçõesprofissionais
que a lei estabelecer " ; inciso LVIII do art. 5.° da CF/88: "O civilmente
identificado não serásubmetido a identificação criminal , salvo nashipóteses
reduzido o seu
previstas em lei "
.
Bem com o os incisos VIII , XV, XXVII, XXXIII, LX, LXI do art. 5.°, o art.
9 . ° , caput c/c § 1. ° , o art. 170, parágrafo único, o art. 184, entre outros.
Destaque-se que a limitação das normas constitucionais pode ser
realizada não apenas por normas infraconstitucionais , mas também por
38 DIREITO
CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva
Oliveira
normas constitucionais. É o caso, por exemplo, da decretação de estado de
defesa e do estado de sítio, onde há a possibilidade de restrição de direitos constitucionais. São exemplos os arts. 136, § 1. ° , e 139 da CF/88.
3 .
NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA
São aquelas normas que dependem da emissão de uma normatividade
futura , em queo legislador ordinário, integrando-lhesaeficáciamediantelei,
lhesdêcapacidadedeexecução em termosde regulamentação dosinteresses
Sãotambém chamadasdee i cáciarelativaou
complementável - por exemplo, inciso XXVII doart. 7. ° da CF/88: "proteção
visados(aplicabilidadediferida).
em face de automação, na forma da lei "
.
f
São outros exemplos: arts. 5.°, XXVIII, XXIX e XXXII; 7.°, IV e XXIII;
37,1 e VII; 153, VII, CF/88.
Neste tópico pode ainda existir uma subdivisão classificatória:
3 . 7
Normas de princípio institutivo
Sãoaquelasquedependemdaleiparadar corpoàsinstituições, pessoase órgãosprevistosnaConstituição(organizativo). SãoexemplosdaConstituição
Federal vigente: § 3.° do art. 18, § 3.° do art. 25, art. 224, entre outros.
3 . 2 Normas de princípio programático
Sãoaquelasqueestabelecemprogramasaserem desenvolvidosmediante legislaçãointegrativadavontadeconstituinte. São exemplosdaConstituição
Federal vigente: arts. 196, 205, 214, 215, entre outros. As normas constitucionais de e i cácia limitada contêm efi cáciajurídica
indireta, independentemente de regulamentação, pois revogam a legislação
anteriorcontráriaaosditamesdanovaConstituição,bem como impossibilitam
a elaboração de leis e atos normativos contrários à Lei Fundamental. Além
disso, autorizam a busca da regulamentação através do Poder Judiciário
(mandado deinjunção ou ação direta de inconstitucionalidadesupridora da
omissão), como adiante será visto.
f
Cap. 6 . APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS
Atentar para a seguinte decisão:
cuidado
Sá
" Habeas corpus. Orientação plenária do Supremo Tribunal
Federal.
Ordem
concedida
de ofício.
1.
O
Plenário
do
Supremo Tribunal Federal firmou a orientação de que só é possível a prisão civil do ' responsável pelo inadimplemento
voluntário e inescusável de obrigação alimentícia ' (inciso
LXVII do
art.
5.° da CF/88).
Precedentes:
HCs 87.585 e
92.566, da relatoria do ministro Marco Aurélio. 2. A norma
que se extrai do inciso LXVII do artigo 5.° da Constituição Federal é de eficácia restringível. Pelo que as duas exceções
nela contidas podem ser aportadas por lei, quebrantando,
assim, a força protetora da proibição, como regra geral, da prisão civil por dívida. 3. O Pacto de San José da Costa Rica (ratificado pelo Brasil - Decreto 678, de 6 de novembro de
1992), para valer como norma jurídica interna do Brasil,
há de ter como fundamento de validade o § 2.° do art. 5.°
da Magna Carta. A se contrapor, então, a qualquer norma
ordinária originariamente brasileira que preveja a prisão civil por dívida. Noutrostermos: o Pacto de SanJosé da Costa Rica,
passando a ter como fundamento de validade o § 2. ° do art.
5 . ° da CF/88, prevalece como norma supralegal em nossa
ordem jurídica interna e, assim, proíbe a prisão civil por
dívida. Não é norma constitucional - à falta do rito exigido pelo § 3.° do art. 5.°-, mas a sua hierarquia intermediária de
norma supralegal autoriza afastar regra ordinária brasileira
que possibilite a prisão civil por dívida. 4. Na concreta situação dos autos, a prisão civil do paciente foi decretada
com base na não localização dos bens penhorados e a ele
confiados em depósito. A autorizar, portanto, a mitigação da Súmula 691. 5. Habeas corpus não conhecido. Ordem
concedida de ofício " (STF, HC 94935/SP, j. 10.02.2009, São
Paulo. rei. Min. Carlos Britto) - grifo nosso.
Posteriormente, foi editada a Súmula Vinculante 25, que determina ser
ilícita qualquer modalidade de prisão de depositário infiel.
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
note
PLENA
- Não dependem de regulamentação.
- Normas de a plicabilidade direta, imediata, integral.
- Independentes, absolutas, livres.
->
Di ca: via de regra, o verbo da norma é o verbo " ser " no presente do indicativo.
Não aparecem expressões como: "nos termos da
lei", "de acordo com a lei" etc. Ex.: art. 13 , CF
CONTIDA (eficácia redutível, restringível)
- Não dependem de regulamentação , mas a CF/88 au-
toriza o legislador ordinário a reduzir direito previsto
na CF/88.
Norm as
Constitucionais
de Eficácia:
->
Dica :
via de regra, o verbo da norma é o verbo
" se r " no presente do indicativo.
- > Vão aparecer expressões que envolvem ressalvas
vinculadas à "lei " :
" salvo hipóteses que a lei estabelecer" "salvo pre-
visão legal " , etc. Ex.: Art. 5.°, XIII, CF / art. 5.°, LXVII,
CF.
LIMITADA
- Dependem de regulamentação (norma infraconstitu -
cional).
. Limitada programática: estabelece programas a se-
rem desenvolvidos.
. Limitada institutiva: estabelece criação de órgãos ou
de entes.
- > Dica: o verbo da norma é voltado para o futuro.
- > Vão aparecer expressões como: "de acordo com a
lei", "definidos em lei" etc. Ex.: Art. 37 , VII, CF.
Conteúdo das normas
constitucionais
1 .
NO RMAS MATERIALM ENTE CONSTITUCIO NAIS
Sãoasnormasquetratamdeassuntostipicamenteconstitucionais , com o a forma do Estado , a forma de governo, o modo de aquisição e exercício do
poder, a definição dos principais órgãos estatais, a limitação do poder, entre
ou tros assu n tos.
Algumas normas tratam de matéria constitucional , mas não estão inse-
ridas na Constituição. Por exemplo , o Código Eleitoral trata de regras sobre
aquisição do poder , tema tipicamente constitucional, mas de maneira formal
não passadeumalei ordinária , podendoser revogadopor outralei demesmo
nível hierárquico.
2 .
NO RMAS FO RMALM ENTE CONSTITUCIONAIS
São constitucionais por estarem previstas na Constituição. Trata-se de
umaquestãodelocalizaçãooutopografia. Ressalte-sequetaisnormaspodem
ser retiradasda Constituição sem alterar a estruturado Estado . São exemplos
da Constituição Federal vigente: Do desporto (art . 217), Da ciência e tecno-
logia (art. 218) , Da família, da criança, do adolescente e do idoso (art. 226),
o Colégio Pedro II , localizado na cidade do Rio deJaneiro, será mantido na
órbita federal (art. 242 , § 2.°), entre outros.
No Brasi I, se uma norma formalmente constitucional estabele-
cer umdireito seráconsiderada limitação material àsmudanças
constitucionais (cláusula pétrea) não podendo ser retirada da
Constituição Federal (art. 60, § 4.°, IV , CF/88).
O poder constituinte
O poder constituinte pode ser classificado em originário , derivado de
reforma e derivado decorrente.
É a expressão da vontade suprema do povo , social ejuridicamente or-
ganizado.
1 .
PODER CONSTITUINTEORIGINÁRIO, GENUÍNO, PRIMÁRIO
O U D E PRIM EIRO G RAU
É um poder de fato que institui a Constituição de um Estado , com as
seguintescaracterísticas: inicial , absoluto,soberano, ilimitado, independente
eincondicionado. EsseEstadopodetersidocriadonaqueleinstanteeporisso
necessita de uma Constituição para estruturá-lo , ou ele já existia anterior-
mente, e , em razão disso,jápossuíauma Constituição, porém estase tornou
ultrapassadaem relaçãoàevoluçãosociopolíticocultural , entre outros fatores. O limitepossível éavedação do retrocesso em relaçãodireitoshumanos
previstos em tratados internacionais. Desse modo, ao elaborar uma nova
constituição o paísdeverespeitar os direitos humanos previstosem tratados
internacionais que ele seja parte. Também conhecido como efeito "cliquet"
(ampliação de direitos).
Características do
Poder Constituinte
Originário
Inicial: Começa um novo país juridicamente;
Absoluto: É soberano; Soberano: É absoluto;
Ilimitado: Não tem limites;
Independente: Não depende de outro país; Incondicionado: Não depende de preencher condições .
Obs. Atentar para vedação do retrocesso.
44 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
|
2 |
PODER CONSTITUINTE DERIVADO DE REFO RMA O U D E |
|
|
. |
||
EM EN DA BILIDAD E
Este poder pressupõe a existência de uma Constituição, e nesta há a
expressa previsão de como poderá ser alterado o texto constitucional, tare- fa que cabe ao legislador ordinário. Este tipo de poder possui as seguintes
características: secundário, relativo, condicionado e limitado. É um poder
de direito resultante do texto constitucional, também chamado de poder de
revisão , de reforma, secundário reformador, de segundo grau ou poder de
emendabilidade, que edita emendas constitucionais. Podem-se citar como exemplos: o art. 60 da Constituição Federal de 1988 e o art. 3. ° do ADCT.
Na atualidade, somente será possível alterar a Constituição Federal
mediante o procedimento previsto no art. 60. Destaque-se que o sistema de
aprovação das emendas constitucionais é o mesmo para a constitucionali- zação de tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos (art.
5 . ° , §3.°, CF/88).
Por fim, é possível, no plano informal, quea doutrinaeajurisprudência
realizem a mutação constitucional sem mudar o texto literal da Constituição.
Por exemplo, o conceito decasa, do art. 5.°, XI, da CF/88, podeser domicílio,
residência, local de trabalho, entre outros.
2 . 1
Revisão constitucional
Prevê a Constituição Federal, no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), mais precisamenteem seu art. 3.°: "A revisão constitu-
cional será realizada após cinco anos, contados da promulgação da Consti- tuição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional,
em sessão unicameral "
Dessa forma, a revisão constitucional só poderia iniciar-se após 05.10.1993, fato que realmenteocorreu com aedição dasseis emendas cons-
titucionaisderevisão,sendo aprimeirapromulgadaem01.03.1994eaúltima
em 07.06.1994 (ADIn 815/96 e ADIn 981/93 - emendas constitucionais de
revisão " um a só vez " e não podem mais ser utilizadas).
Havia, portanto, uma limitação temporal ao tempo da reforma. A revi-
são da Constituição Federal de 1988 só seria possível após cinco anos de sua
promulgação e somente uma vez (devendo respeitar as cláusulas pétreas). No que tange às emendas constitucionais comuns, não existe esse tipo de
limitação, deduzindo-se que atualmente só pode ser alterada a Constituição
por meio de emendas constitucionais (art. 60, CF/88).
.
Cap. 8 . O PODER CONSTITUINTE
45
2 . 2
Emenda constitucional
Art. 59,1, e art. 60 da Constituição Federal de 1988.
2 . 2 . 1
Limitações ao poder derivado de emenda
Existem limitações ao poder de emenda de três índoles diversas:
Limitaçõesprocedimentaisou formais- Relaciona-seaoprocedimentoou
ao mecanismo a ser adotado para modificar a Constituição. O art. 60,1, II e
III, trata da iniciativa, ou seja, de quem pode propor um projeto de emenda
constitucional; nosseus §§ 2. ° , 3.°e5.°, ecomo deveser oprocedimentopara
emendar a Constituição.
Iniciativa: deno mínimo um terço dosDeputadosou SenadoresFederais,
do Presidenteda República ou de um projeto com a anuência de mais da me-
tade das Assembleias Legislativas da Federação brasileira, manifestando-se
a maioria relativa de seus membros em cada uma delas.
Trâmite: a proposta será discutida e votada na Câmara dos Deputados
e no Senado Federal, em dois turnos, com a obtenção em cada um deles de
três quintos dos votos dos respectivos membros de cada Casa. Se aprovada,
a emendaconstitucional serápromulgadapelasMesasda CâmaradosDepu- tados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem (presidente,
1 . ° vice-presidente, 2.°vice-presidente, 1.°, 2.°, 3.° e4.°secretários). Cumpre destacar queamatéria constante de emenda constitucional rejeitada ou pre-
judicadanão poderáser objeto denovapropostana mesmasessão legislativa.
Limitaçõescircunstanciais- O art. 60, em seu § 1.°, estabeleceque, haven- dodeterminadascircunstâncias,a Constituiçãonãopoderáser emendada. São
os casos de vigência de intervenção federal (arts. 34 a 36, CF/88), de estado
de defesa (art. 136, CF/88) ou de estado de sítio (arts. 137 a 139, CF/88).
Limitações materiais - São as chamadas limitações materiais explícitas,
cláusulas pétreas, cerne fixo, cláusulas de inamovibilidade, cláusulas ina-
bolíveis, cláusulas inamovíveis ou núcleos constitucionais intangíveis, ou
seja , partes da Constituição que não podem ser modificadas por emendas constitucionais para abolir direitos.
As cláusulas pétreas só poderão ser retiradas da Constituição se houver
nova Assembleia Nacional Constituinte, que, como se sabe, não encontra
limites. As cláusulas pétreas explícitas estão previstas no § 4 0 do art. 60 e
são os seguintes casos: a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto,
universal e periódico; a separação dos Poderes; e os direitos e garantias indi-
46
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
viduais. Cabe observar que o próprio dispositivo que contém tais vedações é também intangível.
Cumpre lembrar que existem as cláusulas pétreas implícitas , que são
mandamentos constitucionais que, apesar de não estarem previstos no § 4. °
do art. 60 , não podem ser retirados da Constituição, pois o espírito do órgão
constituinte assim o desejou. São exemplos o próprio procedimento das
emendas constitucionais e os arts. 127 e 142: " Art. 127.0
é instituição permanente
pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais
"Art. 142. As Forças Armadas, constituídas
Ministério Público
permanentes e regulares (
) " (grifos nossos).
- Ver também art . 144, §§ 1.°, 2.°e3.°, da CF/88.
- Lembrar do adjetivo "permanente(s)" constante do texto constitucional, queéum indicativodecláusulapétrea implícita.
note
BEM
2 . 3
Controle de constitucionalidade da reforma constitucional
Todamodificaçãoconstitucional feitacomdesrespeito do procedimento
especial estabelecido ou de preceito que não possa ser objeto de emenda pa-
decerádevício deinconstitucionalidadeformal (limitaçõesprocedimentaise
circunstanciais) ou material (limitações materiais), conforme o caso, e assim
fi cará sujeita ao controle de constitucionalidade peloJudiciário, tal como se
dá com as leis ordinárias.
Decisões sobre o tema:
" Éjuridicamentepossível ocontroleabstratodeconstitucionalidadeque
tenha porobjetoemendaà Constituição Federal quando sealegaviolação das cláusulas pétreas inscritas no art. 60, § 4.°, da CF. Precedente citado:
ADIn 939/DF (RTJ 151/755)" (STF, ADIn 1,946/DF, Pleno, j. 07.04.1999, rei. Min. Sydney Sanches, DJ, Seção I, 16.04.1999, p. 2).
" OSupremoTribunal Federal admitea legitimidadedo parlamentar- e
somente do parlamentar - para impetrar mandado de segurança com a
finalidade de coibir atos praticados no processo de aprovação de lei ou
emenda constitucional incompatíveis com disposições constitucionais
que disciplinam o processo legislativo. Precedentes do STF (
)
" (STF,
MS24.667-AgR, j. 04.12.2003, rei. Min. CarlosVelloso, DJ23.04.2004).
Cap. 8 . O PODER CONSTITUINTE
3 .
PO D ER CO NSTITUINTE DERIVADO DECO RRENTE
47
É o poder dos Estados-membros da Federação de se constituírem, ou
seja, de elaborarem suas próprias Constituições, respeitando os princípios constitucionais da Lei Fundamental da União (Constituição Federal vigen- te). Também chamado de poder secundário federativo. Fundamento legal:
art. 25 (Estados). Note-se que é possível ampliar esse poder para englobar
os Municípios (art. 29) e o Distrito Federal (art. 32), destacando queestesse
regem por Lei Orgânica. Paraalgunsdoutrinadores, aLei OrgânicaMunicipal não seria um a " Constituição", tendo caráter de lei ordinária, e, portanto, não
caberia controle de constitucionalidade, mas de legalidade. Nesse caso, não
haveria poder constituinte decorrente.
Cumpre destacar o art. 11 do ADCT, que assim estabelece: "Art. 11. Cada Assembleia Legislativa, com poderes constituintes, elaborará a Constituição do Estado, no prazo de um ano, contado da promulgação da Constituição Federal, obedecidos os princípios desta. Parágrafo único. Promulgada a Constituição do Estado, caberá à Câmara Municipal, no
prazo de seis meses, votar a Lei Orgânica respectiva, em dois turnos de
discussão e votação, respeitado o disposto na Constituição Federal e na
Constituição Estadual".
Por fim, atitularidade do poder constituinte pertence ao povo. As assembleias constituintes não titularizam o poder consti- tuinte, sendoapenasórgãosaosquaisseatribui, pordelegação
popular, o exercício de tal prerrogativa. Da mesma forma, o
Congresso Nacional não é o titular do poder de revisão cons- titucional, mas apenas o instrumento para tal fim.
note
BEM
48 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
Originário (1.° grau, genuíno, primário) - Poder para fazer a 1 . a ou nova constituição para um Estado.
" O povo elege a Assembleia Nacional Constituinte para fazer
Poder
Constituinte
uma Constituição "
(Povo: titular do poder constituinte/ ANC:
quem exercera o poder constituinte / Objeto: Constituição).
- Características: inicial, soberano, absoluto, ilimitado, indepen-
dente e incondicionado. Salvo em relação aos direitos humanos
(vedação do retrocesso).
Derivado Reformador (2 ° grau, de revisão, de emendabilidade,
secundário de mudança ou derivado de reforma)
- Depende do Poder Originário . Se a Constituição for imutável,
não haverá esse poder.
- Características: secundário, relativo, condicionado e limitado.
- Art. 3.° do ADCT - Emendas Constitucionais de Revisão. São
apenas seis - não podem mais ser usadas por decisão do STF
(ADIN 815 e 981).
- Art. 60 da CF/88 - Emendas Constitucionais (único meio de modificar a CF/88).
Derivado Decorrente (decorrente, secundário federativo)
- Depende do Poder Originário.
- É o poder que autoriza os entes federativos a elaborarem suas
normas fundamentais.
- Art . 25, caput, da CF/88: Cada Estado-membro pode elaborar sua Constituição Estadual, respeitando a CF.
- Art. 32, caput, da CF/88: O DF pode elaborar Lei Orgânica,
respeitando a CF.
- Art. 29, caput, da CF/88: Os Municípios podem fazer suas Leis
Orgânicas, respeitando a CE e a CF/88.
Controle de
constitucionalidade
1 .
SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO
OEstadojuridicamenteorganizadotemsustentaçãoemumaConstituição.
Todososatosrealizadosdentro desse Estado queimpliquem em umarelação jurídica devem estar de acordo com a Constituição.
2 .
CO NCEITO DO CO NTRO LE D E CO NSTITUCIO NALIDAD E
O controle de constitucionalidade é a verificação da compatibilidade
vertical que necessariamente deve haver entre a Constituição e as normas
infraconstitucionais a ela subordinadas.
A doutrina destaca que o controle de constitucionalidade surgiu nos Estados Unidos, em uma Constituição que não o previa expressamente. Porém, ojuizJohn Marshall, presidentedaSuprema Cortenorte-americana ,
ao decidir o caso Marbury x Madison , de 1803, deduziu de seu sistema esse
controle e reconheceu pertencer ele aoJudiciário. No caso, William Marbury foranomeado parao cargo dejuiz de Paz , n o
condado deWashington, no distritodeColúmbia , de acordo com os trâmites
constitucionais; porém, o Secretário de Estado James Madison não queria
entregaro títulodecomissãoaMarbury,queporsuavezrecorreu aoJudiciário ,
momentoemqueojuizMarshall demonstrou que , se a Constituição americana
era a base do direito e imutável por meios ordinários , as leis comuns que a
contradissessem não eram verdadeiramente leis , não eram direito. Assim, essas
leisseriam nulas,não obrigandoosparticulares. Além disso , demonstrou que, cabendo aoJudiciário dizer o que é o direito , é a ele que compete indagar da
constitucionalidade de uma lei.
Sobre o tema controle de constitucionalidade concentrado , é necessário
destacar: "Hápaísesque, aoinvésdeadotarem o sistemadajurisdiçãodifusa ,
50 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
adotam de modo explícito os procedimentos particularespara o controle de constitucionalidade. Na Europa inteira, há somente um país (Irlanda) que confere, expressamente, o controle de constitucionalidade à magistratura
e mesmo assim com temperamentos, pois atribui o controle apenas a duas
Cortessuperiores. Apartirdaprimeiraguerramundial, umasériecrescentede constituiçõestemadotadoum terceirocaminho,ouseja,nãoéatribuídonemao
próprioLegislativo,nemaojudiciário,opoderdedecidiraconstitucionalidade
dasleis. Tal poder elesconferem aum órgãoespecial, decaráter constitucional
edenaturezajurídico-política. SãoasCortesConstitucionais(Áustria, 1920,
sob influênciadeKelsen;Tchecoslováquia, 1920; EspanhaRepublicana, 1931;
Turquia, 1961). Foram, também, adotadas na América Latina (Guatemala,
1965; Chile, 1925). A Constituição austríaca de 1920, ao dispor sobre a jurisdição do Estado, estabelecequeos tribunais não têm o direito deapreciar
a validade das leis regularmente publicadas. Se um tribunal tiver contra a
aplicação de um regulamento objeções deduzidas desua ilegalidade, deverá interromper o processo e requerer àAlta Corte Constitucional acassação do
regulamento em tela (art. 89). Essa disposição, porém, não se aplica à Corte
Constitucional (art. 140, 5), que tem importantes competências (arts. 137 e
ss.), entreelasadejulgar sobreainconstitucionalidadedasleis, ou deofício,
nosprocessosquelheforemsubmetidos,ou apedido doGoverno Federal,em relação às leis provinciais, ou a pedido dos Governos provinciais em relação
às Leis Federais (art. 140,1)" (Ronaldo Rebello de Britto Poletti, Controle de
constitucionalidade das leis, 2. ed., Rio deJaneiro, Forense, 1997, p. 62-63).
3 .
INCONSTITUCIONALIDADE PORAÇÃO
Essefenómenosurgecomaproduçãodeatoslegislativosouadministrativos
que não estejam de acordo com as normas ou princípios da Constituição:
a) sãoatoslegislativos:asemendasàConstituição,asleiscomplementares, asleisordinárias, asleisdelegadas, asmedidasprovisórias, osdecretos
legislativos e as resoluções;
b) sãoatosnormativos (administrativos): resoluções,decretos, portarias,
entre outros editados pelo Poder Executivo, além das normas
regimentais dos tribunais federais e estaduais.
O fundamento dessa inconstitucionalidade está ligado ao princípio da
supremacia da Constituição, ou seja, só devem existir no mundojurídico as
normas que estejam de acordo com a Constituição.
Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
5 1
Saliente-se que existe inconstitucionalidade formal ou orgânica se há o
desrespeito ao procedimento previsto na Constituição para a realização de um atojurídico. Por exemplo: se é exigida a assinatura de 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal para a propositura de um projeto de emenda constitucional (art. 60, I, CF/88), qualquer número
inferior ao estabelecido caracteriza uma inconstitucionalidade formal. De
regra, acarreta uma nulidade total. São outros exemplos: violar o sistema de
aprovação de uma norma (art. 69 , CF/88) ou a espécie normativa específica
(art. 161, CF/88).
Decisão sobre o tema:
" Por ofensa ao art. 61, § 1.°, II, ae c, da CF/88 - que atribuem ao chefe do Poder Executivo a iniciativa de leis que disponham sobre a remunera- ção e o regime jurídico de servidores públicos-, oTribunal, por maioria, julgou procedente o pedido formulado em ação direta ajuizada pelo Governador do Estado da Paraíba, para declarar a inconstitucionalidade formal do art. 39 da Constituição, do mesmo Estado, que assegurava a servidores públicos, em cada nível de vencimento, como garantia do princípio da hierarquia salarial, 'um acréscimo nunca inferior a cinco por
centodo nível imediatamente antecedente, e a fixação, entre cada classe,
referênciaoupadrão, dediferença não inferioracincoporcento ' . Vencidos os Ministros Carlos Britto e Marco Aurélio, que julgavam improcedente a ação relativamente ao alegado vício formal. Precedente citado: ADIn 1 . 977/PB {DJV02.05.2003)" (STF, ADIn 2.863/PB, j. 11.09.2003, rei. Min.
Nelson Jobim, (ADIn 2.863).
A chamada inconstitucionalidade material é a adoção de atosjurídicos que violem as cláusulas pétreas (art. 60, § 4.°, CF/88) ou direitos materiais constitucionais. Por exemplo: uma emenda constitucional que estabeleça a pena de prisão perpétua estaria violando o inciso IV do § 4. ° do art. 60, ou seja, estariaviolando umagarantiafundamental previstano art. 5. ° , XLVII, b.
Dependendo do caso concreto , podehaver nulidadetotal (uma lei quepossui só um artigo que é inconstitucional) ou parcial (apenas um artigo de uma lei
que possui vários artigos).
Decisão sobre o tema:
" O Supremo Tribunal Federal já assentou o entendimento de que é
admissível aação diretade inconstitucionalidadedeemenda constitucional
quando se alega, na inicial, que esta contraria princípios imutáveis ou as chamadas cláusulas pétreasda Constituição originária (art. 60, § 4.°, CF).
Precedente:ADIn 939 (RTJ151/755)" (STF , ADIn 1.946-MC, j. 29.04.1999,
rei. Min. Sydney Sanches, DJ 14.09.2001).
52 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
Parafinsdeconcurso, lembre-sequeoart. 5.° da CF/88 écláusulapétrea.
Além disso, normas infraconstitucionais anteriores à CF/88 podem ser
recepcionadas mesmo que haja incompatibilidade formal - como exemplos clássicos temos o Código Penal e o Código de Processo Penal, que foram
criados através de Decreto-lei mas foram recepcionados como lei ordinária
federal.
Cumpre destacar a inconstitucionalidade progressiva, que é aquela que acontece quando há uma norma constitucional de eficácia limitada não regulamentada e as leis anteriores atuariam sobre o tema até a edição da
normainfraconstitucional (lei em trânsitoparaainconstitucionalidade). Por
exemplo, art. 68do CPP (enquanto nãoimplementadaaDefensoria Pública,
o Ministério Público promoverá a ação civil ex delicto).
Inconstitucionalidade por arrastamento: uma parte da norma
é inconstitucional e atrai o resto da norma ou os atos de
regulamentação; inconstitucionalidade direta: há uma norma
contrária à Constituição; inconstitucionalidade reflexa ou
oblíqua: atoregulamentarcontrariaa lei; inconstitucionalidade derivada ou consequente: a norma e seusatos regulamentares
contrariam a Constituição.
4 .
INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO
_
note
BEM
Há uma norma constitucional de eficácia limitada que não foi regulamentada, ouseja, existeum direitoassegurado na Constituição, porém
não é possível exercê-lo em virtude da ausência de regulamentação.
Pode-se citar como exemplo o art. 7.°, XXVII, da CF/88, que prevê a
proteção dos trabalhadores em face da automação, na forma da lei, mas, se
essa proteção não se formalizar por omissão do legislador em produzir a lei
aí referida e necessária à plena aplicação da norma, estar-se-á diante de uma
omissãopassível deinterposiçãodeumaaçãodiretadeinconstitucionalidade
por omissão ou de um mandado de injunção, visando obter do legislador a
elaboração da lei em referência. Outros exemplos da Constituição Federal
vigente: arts. 7. ° , IV e XXIII; 37,1 e VII; 153, VII; 207, § 1.°, entre outros.
Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
53
Decisão sobre o tema:
"O T ribunal julgou três mandados de injunção impetrados, respectivamente, pelo Sindicato dos Servidores da Polícia Civil no Estado do Espírito Santo- SINDIPOL, pelo Sindicato dosTrabalhadores em Educação do Município de João Pessoa - SINTEM e pelo Sindicato
dosTrabalhadoresdo PoderJudiciário do Estado do Pará- SINJEP, em que
sepretendiafossegarantido aosseusassociadoso exercício dodireito de
greve previsto no art. 37, VII, da CF( i art. 37. (
):
VII - o direito de greve
será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica; ' ) - O
Tribunal, por maioria, conheceu dos mandados de injunção e propôs
a solução para a omissão legislativa com a aplicação, no que couber, da Lei 7.783/1989, que dispõe sobre o exercício do direito de greve
na iniciativa privada " (STF, Ml 670/ES, j. 25.10.2007, rei. orig. Min. Maurício Corrêa, rei. p/o acórdão Min. GilmarMendes;STF, Ml 708/DF,
j . 25.10.2007, rei. Min. Gilmar Mendes, STF, Ml 712/PA, j. 25.10.2007,
5 .
5 . /
rei. Min. Eros Grau).
CLASSIFICAÇÃO DO CONTROLE DECONSTITUCIONALIDADE
Quanto ao momento em que é exercido
5 . 1 . 1Preventivo, priorístico ou a priori
Opera antes que o ato (particularmente a lei) se aperfeiçoe, ou seja, o controleéfeitosobreoprojetodelei. NoBrasil, ocontrolepreventivo éexercido
pelo Poder Legislativo (Comissões de Constituição eJustiça) e pelo Poder
Executivo pormeio dovetopresidencialpor inconstitucionalidade (art. 66, §
1 . ° , CF/88). Nadaimpedequeo PoderJudiciáriooexerçaexcepcionalmente, por exemplo,pormandadodesegurançapropostoporparlamentar federal no STFreferenteaprocessolegislativo emandamento (InformativodoSTF320).
Decisões sobre o tema:
" OSupremoTribunal Federal admitea legitimidadedo parlamentar- e somentedo parlamentar- para impetrar mandado desegurança com a
finalidade de coibir atos praticados no processo de aprovação de lei ou emenda constitucional incompatíveiscom disposiçõesconstitucionais
que disciplinam o processo legislativo. Precedentes do STF (
)
" (STF,
MS24.667-AgR,j.04.12.2003, rei. Min. CarlosVelloso, D/23.04.2004). " Asançãodoprojetodelei nãoconvalidaovíciodeinconstitucionalidade
resultante da usurpação do poder de iniciativa. A ulterior aquiescência do Chefe do Poder Executivo, mediante sanção do projeto de lei, ainda quando dele seja a prerrogativa usurpada, não tem o condão de sanar o
54
DIREITO CO NSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
vício radical da inconstitucionalidade. Insubsistência da Súmula 5/STF
.
Doutrina. Precedentes" (ADIn 2.867, j. 03.12.2003 , rei. Min. Celso de
Mello, D/09.02.2007). No mesmo sentido: ADIn 1.963-MCe 1 . 070-MC .
5 . 1 . 2
Repressivo, posterior sucessivo ou a posteriori
É o controle exercido sobre a lei ou ato normativo , de regra,já existente
no ordenamentojurídico. A exceção ocorrecomasnormasconstitucionaisde
eficácia limitada ainda não regulamentadas (casos de mandado de injunção
ou de ADIn/ADI supridora da omissão). No Brasil , o controle repressivo é
confiado ao Poder Judiciário. Excepcionalmente , a Constituição Federal
vigente admite que o Poder Legislativo retire a efetividade de certas normas
infraconstitucionais. Sãoosseguintescasos: a) medidasprovisóriasrejeitadas
pelo Congresso Nacional por não atenderem aos requisitos de relevância e
urgênciaou outrainconstitucionalidade (art. 62 , § 5.°); b) decreto legislativo
doCongressoNacionalvisandosustaratosnormativosdoPoderExecutivoque exorbitemdopoder regulamentar ou doslimitesdadelegação legislativa (art.
49, V, c/c art. 84 , IV, e 68); c) resolução do Senado que suspende a execução, no todo ou em parte , de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva
do Supremo Tribunal Federal em controle difuso de constitucionalidade
(art. 52, X).
Decisão sobre o tema:
"C onforme entendimento consolidado da Corte, os requisitos
constitucionais legitimadoresda edição de medidasprovisórias , vertidos nos conceitos jurídicos indeterminados de 'relevância' e 'urgência' (art . 62 da CF), apenasem caráterexcepcional se submetem ao crivo do Poder Judiciário, por força da regra da separação de poderes (art. 2.° da CF)
(ADIn 2.213, rei. Min. Celso de Mello, Dl 23.04.2004; ADIn 1.647, rei.
Min. CarlosVelloso, D/26.03.1999; ADIn 1.753-MC, rei. Min. Sepúlveda
Pertence, Dl 12.06.1998; ADIn 162-MC, rei. Min. Moreira Alves , Dl
19.09.1997)" (ADC 11 -MC, voto do Min. Cezar Peluso , j. 28.03.2007,
D) 29.06.2007).
5 . 2 Quanto ao número de órgãos encarregados do controle
5 . 2 . 1
Concentrado>, reservado ou austríaco
Um único órgão desempenha esta função. Exemplo: Supremo Tribunal
Federal parajulgar asADIn , ADECON e ADPE Também chamado de controle
fechado , abstrato ou objetivo. Foi idealizado por Hans Kelsen.
Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
5 . 2 . 2
Difuso, aberto ou norte-americano
55
Todos os magistrados, ao julgarem seus processos, podem exercer o
controle de constitucionalidade dentro da sua competência jurisdicional.
Por exemplo, RE, MS, MI e HC. Também chamado de indireto, concreto,
incidental e subjetivo.
O STFtambém realiza o controle difuso (art. 102, 1, d, /*, /, q, r,
II, III, da CF/88).
O Brasil adota os dois sistemas.
5 . 3
Quanto à natureza do órgão controlador
5 . 3 . 1
Político
note
BEM
v
Quando o controle é exercido por órgão não pertencente ao Poder
Judiciário, como as Comissões de Constituição eJustiça e a Presidência da
República , no Brasil, no controle preventivo. Destaque-se a existência de
tribunais constitucionais em alguns países (Alemanha, França, Itália etc.).
5 . 3 . 2
Judiciário
Sempre que a averiguação de concordância entre um ato e as regras
constitucionais é conferida a um órgão do PoderJudiciário.
6 .
6 .
CLASSIFICAÇÃO DO CONTROLEJUDICIÁRIO
7
Quanto à posição do controle em relação ao objeto da causa
6 . 1 . 1
Principal
Quando o objeto da causa éúnicaeexclusivamenteaanálise da questão
constitucional. A decisão limita-se a declarar a constitucionalidade ou a
inconstitucionalidadedoato impugnado. Oato (geralmentealei) éexaminado
em teseedesvinculado de qualquer caso concreto. Se for ato normativo, este
deve ser genérico, impessoal e abstrato.
É o controle por via de ação direta e em controle abstrato da constitu-
cionalidade.
56 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
6 . 1 . 2
Incidental
A constitucionalidadeémeraquestãopreliminar queprecisaser resolvida
para que possa ser solucionada a questão principal.
Por exemplo , um contribuinte quer deixar de recolher um imposto
por considerar inconstitucional a norma que o criou. A questão da
constitucionalidadedanormadeveserresolvidaem primeiro , para que então possa ser decidido se o recolhimento do imposto é ou não devido.
É o chamado controle concreto (porque está vinculado a um caso
concreto),porviadeexceçãooudefesa. Deregra , tem efeito extunc (retroativo), mas pode ter efeito ex nunc (em diante) (modulação de efeitos , semelhante
à Adin/ADI Genérica - RE 353657/PR e RE 370682/SC , Informativo do STF
473).
6 . 2
Quanto aos efeitos da decisão
6 . 2 . 1
Inter partes
Os efeitos da declaração de inconstitucionalidade atingem apenas as
partes litigantes. Pessoas na mesma situação devem propor suas próprias
ações, para nelas receberem idêntica decisão. É o efeito existente , de regra,
no caso concreto (arts. 480 a 482 , CPC). Podendoser ampliadopor resolução
do
Senado Federal nos termos do art. 52, X , da CF/88 (suspensão da norma,
qualquer que seja a espécie- erga omnes).
6 . 2 . 2
Erga omnes
As decisões defi nitivas de mérito , proferidaspelo STF, nasaçõesdiretas
de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade
de lei ou ato normativo federal ou estadual , produzirão efi cácia contra
todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder
Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual emunicipal (art. 102 , § 2.°, CF/88). É o efeito existente no controle
concentrado.
Cumpre observar que, em se tratando de decisão de tribunal , esta deve
ser tomada necessariamente pela maioria absoluta do Plenário ou do órgão
especial (art. 97 c/c art. 93 , IX, CF/88).
Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
Atentar para o art. 97 da CF/88 e SúmulaVinculante 10.
" Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei
ou ato normativo do Poder Público. "
SúmulaVinculante 10: "Violaa cláusuladereservadeplenário
(CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário de Tribunal que, embora não declareexpressamentea inconstitucionalidadede lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte "
.
importante
6 . 2 . 3
Decisões no controle concentrado de constitucionalidade
Se o STF declarar uma lei inconstitucional, ela é nula, não produzindo nenhumefeitojurídicoválido. Segundo adoutrina , asdeclaraçõesdenulidade de lei podem ser:
a) nulidade total: a lei inteira é declarada inconstitucional , normalmente,
por vício formal (iniciativa, quorum, procedimento legislativo, entre
outros);
b) nulidade parcial: apenas parte da lei é declarada inconstitucional;
c) nulidadeparcialsemreduçãodetexto:declara-seainconstitucionalidade
apenas de determinada hipótese de aplicação da lei , reconhecendo
a possibilidade de aplicação da lei a outras hipóteses (não cobrança
de tributo no mesmo exercício financeiro , porém nos próximos
exercícios financeiros será possível exigi-lo);
d) interpretação conforme a Constituição: havendo duas ou mais
interpretações possíveis de uma lei , declara-se aquela que deve ser
do art . 7. ° do EOAB
adotada (constitucional). Por exemplo, o § 3 0
(o advogado somente poderá ser preso em flagrante, por motivo de
exercício da profissão, em caso decrime ina iançável
f
) não abrange
ahipótesededesacatoàautoridadejudiciária (ADIn 1.127-8). Outro exemplo , sem reduçãodetexto, éo casodaAdin 2.924/SP: pagamentos complementares são somente aqueles decorrentes de erro material e inexatidão aritmética contidos no precatório original , bem assim da substituição , por força da lei, do índice aplicado (art. 336, V,
Regimento InternodoTJSP, eart. 100 , CF/88-InformativodoSTF478).
58 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
7 .
7 .
O CO NTRO LE D E CONSTITUCIO NALIDADE NO BRASIL
/
Preventivo
7 . 1 . 1
Comissões de Constituição eJustiça
Na esfera federal, previstas nos regimentos internos da Câmara dos
DeputadosedoSenadoFederal, examinamaconstitucionalidadedosprojetos
de lei, dando parecer sujeito à apreciação do Plenário. Somente na esfera federal o mesmo projeto de lei passa por duas Comissões de Constituição e Justiça (Câmara dos Deputados e Senado Federal).
7 . 1 . 2
Veto presidencial por inconstitucionalidade
A Constituição Federal vigente, no art. 66, § 1.°, prevê o veto por dois
motivos: contrariedadeao interessepúblicoeinconstitucionalidadedoprojeto
delei. Noprimeirocaso, oveto nãosignificacontroledeconstitucionalidade,
pois seu motivo é a simples discordância do Presidente em relação à
vontade do Congresso (veto político). No segundo caso, sim, é controle de constitucionalidade, porque o Presidente veta o projeto por considerá-lo
contrário à Constituição (vetojurídico).
note
É possível que o Poder Judiciário, excepcionalmente, realize
o controle preventivo. Cite-se, como exemplo, a propositura de mandado de segurança para realizar o controle de
constitucionalidadedifusonoSTFporparlamentares(Deputados ou Senadores Federais) no processo legislativo em andamento
- Informativo do STF 320).
7 . 2 Repressivo
Como já visto, o PoderJudiciário é que realiza esse controle, porém a Constituição Federal vigente admite que o Poder Legislativo (Congresso
Nacional) retire a efetividade de certas normasinfraconstitucionaisatravés da
rejeição demedidasprovisóriasinconstitucionais (art. 62, § 5. ° ) e da adoção dedecretolegislativovisandosustaratosnormativosdoPoder Executivo que
exorbitemdopoder regulamentar ou doslimitesdadelegaçãolegislativa(art.
49, V, c/c arts. 84, IV, e 68).
Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
59
Cumpre observar que o Senado Federal realiza o controle repressivo de
constitucionalidade ao suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declaradainconstitucionalpordecisãodefinitivadoSupremoTribunal Federal
em controle difuso de constitucionalidade (art. 52, X, CF/88).
No mais das vezes, os casos a seguir descritos são os mais comuns em
co n cu rso .
Preventivo: Projeto de Lei
Repressivo: Lei ou ato normativo em
vigor
7 . 2 . /
Recurso extraordinário
Regra
a) Poder Legislativo: Comissão de
Constituição e Justiça
b) Poder Executivo: Veto por
Inconstitucionalidade (Veto Jurídico)
Regra Poder Judiciário - Controle difuso e
concentrado
O recurso extraordinário é a última etapa do controle difuso realizado
pelosjuízes e tribunais do País eé o mecanismo por meio do qual o Supremo Tribunal Federal dáapalavrafinalsobreumaquestãoconstitucional. Podeser
interpostocontradecisãodeTribunal proferidaemúnicaou últimainstância.
É controle incidental (por via de exceção) e repressivo.
Ashipótesesdecabimento do recursoextraordináriosãoapenasaquelas previstas no art. 102, III, da Constituição Federal vigente.
Os efeitos da decisão proferida no recurso extraordinário atingem, em
princípio, apenas as partes litigantes. Porém, quando o Supremo Tribunal
Federal declarar uma lei inconstitucional, por decisão definitiva, o Senado Federal poderá, mediante resolução, suspender a execução da lei em todo o território nacional (art. 52, X, CF/88), dando assim eficácia erga omnes à
decisão do Supremo.
No recurso extraordinário o recorrentedeverádemonstrar arepercussão
geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros (art. 102, §
3 . ° , CF/88).
60
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
note
A Lei 11.418/2006 regulamentou a repercussão geral.
7 . 2 . 2
Mandado de injunção
Art. 5.° , LXXI, da CF/88: "Conceder-se-á mandado de injunção sempre
quea falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade , à
soberania e à cidadania "
.
Qualquer direito ou liberdade constitucional não regulamentada pode ser objeto de um mandado de injunção. Esse remédio constitucional será apreciado, detidamente, mais adiante.
7 . 2 . 3 Ação direta de inconstitucionalidadegenérica (ADIn/ADI
Genérica)
Objetivo: banirdo ordenamentojurídico alei ou oatonormativo estadual ou federal em teseatingidospelovíciodainconstitucionalidade (art. 102 , 1 , a ,
CF/88). Admite-se, também, aADln Genérica contra emenda constitucional.
Por ausência de previsão constitucional , o STF não admite ações diretas de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos municipais em face da
Constituição Federal (impossibilidadejurídica do pedido). É possível o
controle difuso, podendo chegar pela via recursal ao STF (RE) , produzindo efeitosentreaspartes. Seumalei municipal contrariar aConstituiçãoEstadual
é possível umaADln Genérica estadual proposta no Tribunal deJustiça (art.
125 , §2.°, CF/88).
O STF tem admitido o controle concentrado sobre o decreto autónomo
(art. 84, VI e XII, CF/88) ou sobre os decretos que tenham extravasado o poder regulamentar do Poder Executivo, invadindo matéria reservada à lei.
Legitimidade ativa: as pessoas elencadas no art. 103 , 1 a IX, da CF/88
e no art. 2. ° da Lei 9.868/1999. Saliente-se que as Mesas das Assembleias
Legislativas e da Câmara Legislativa, os Governadores dos Estados e do
Distrito Federal e as confederações sindicais (organizadas com no mínimo três federações, estabelecidas em pelo menos três Estados, nos termos do
art. 535 da CLT - ADln 939-7/DF) e entidades de classe de âmbito nacional
Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
61
devemdemonstrarapertinênciatemática(interesse) paraproporaaçãodireta
de inconstitucionalidade, e por isso são também denominados de autores
especiais ou interessados. Por outro lado, o Presidente da República, as
MesasdoSenado Federal edaCâmaradosDeputados, o Procurador-Geral da
República, o Conselho Federal da Ordem dosAdvogadosdo Brasil e partido
políticocomrepresentaçãonoCongressoNacional nãonecessitamdemonstrar
interesseespecial paraaproposituradaaçãodeinconstitucionalidade, sendo
por isso denominados de autores universais ou neutros.
Competênciapara julgar: SupremoTribunal Federal (art. 102,1,a, CF/88).
Quórum de instalação: oito Ministros (2/3 de seus membros- art. 22 da
Lei 9.868/1999).
Quórum de aprovação: maioria absoluta, ou seja, pelo menos seis dos
onze Ministros do STF devem manifestar-se pela inconstitucionalidade (art.
97, CF/88).
Admite-semedidacautelar emaçãodiretadeinconstitucionalidade (arts.
10 a 12 da Lei 9.868/1999).
Efeitos: declarada inconstitucional, a lei torna-se inaplicável, fazendo a decisão coisa julgada, com efeitos erga omnes e vinculante, de acordo
com o art. 102, § 2. ° , da CF/88 (relativamente aos demais órgãos do Poder
Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal) e a Lei 9.868/1999 (parágrafo único do art. 28). Além disso, deregra, tem efeito ex tunc, podendo ser dado efeito ex nunc se houver
manifestação de 2/3 dos Ministros (art. 27, Lei 9.868/1999 - modulação dos
efeitos ou mutação temporal). A cautelar tem efeito ex nunc, podendo ser
concedido o efeito ex tunc (art. 11, § 1. ° , Lei 9.868/1999). De acordo com o
STF, o Poder Legislativo, em sua função típica de legislar, não estávinculado
às decisões de ADIn .
Cumpre observar que a petição inicial deverá ser apresentada em duas
vias , devendo conter cópias da lei ou do ato normativo impugnado e dos documentos necessários para comprovar a impugnação, nos termos do art. 3 . ° , parágrafo único, da Lei 9.868/1999.
Decisões sobre o tema:
" Ação direta de inconstitucionalidade. ADIn. Inadmissibilidade. Art.
14, § 4.°, da CF. Norma constitucional originária. Objeto nomológico insuscetível de controle de constitucionalidade. Princípio da unidade
hierárquico-normativaecaráterrígidodaConstituiçãobrasileira. Doutrina.
Precedentes. Carência da ação. Inépcia reconhecida. Indeferimento da
62
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
petição inicial. Agravo improvido. Não se admite controle concentrado
ou difuso de constitucionalidade de normas produzidas pelo poder
constituinte originário " (ADIn 4.097-AgR, j. 08.10.2008, rei. Min. Cezar
Peluso, D/f 07.11.2008).
" Açãodiretadeinconstitucionalidade.Condição. Objeto. Decretoque
criacargospúblicosremuneradoseestabeleceasrespectivasdenominações ,
competências e remunerações. Execução de lei inconstitucional.
Caráter residual de decreto autónomo. Possibilidade jurídica do pedido.
Precedentes. Éadmissível controleconcentrado deconstitucionalidadede decreto que, dando execução a lei inconstitucional , crie cargos públicos
remunerados e estabeleça as respectivas denominações , competências, atribuiçõese remunerações. Inconstitucionalidade.Ação direta. Art. 5.° da
Lei 1.124/2000, do Estado doTocantins. Administração pública. Criação
decargosefunções. Fixaçãodeatribuiçõeseremuneraçãodosservidores. Efeitos jurídicos delegados a decretos do Chefe do Executivo. Aumento
de despesas. Inadmissibilidade. Necessidade de lei em sentido formal ,
de iniciativa privativa daquele. Ofensa aos arts. 61 , § 1.°, II, a, e 84, VI, a, da CF. Precedentes. Ações julgadas procedentes. São inconstitucionais a
lei que autorize o Chefe do Poder Executivo a dispor, mediante decreto,
sobre criação de cargos públicos remunerados, bem como os decretos
que lhe deem execução " (ADIn 3.232, j. 14.08.2008, rei. Min. Cezar
Peluso, D)E 03.10.2008). No mesmo sentido: ADIn 3.983 e ADIn 3.990 ,
j . 14.08.2008, rei. Min. Cezar Peluso, Informativo 515.
Súmula 642 do STF: "Não cabe ação direta de incons-
titucionalidade de lei do Distrito Federal derivada da sua
competência legislativa municipal".
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7 . 2 . 4
Ação direta de inconstitucionalidade interventiva (ADIn/
ADI Interventiva)
Objetivo: restabelecer orespeitodosprincípiosconstitucionaisprevistos
no inciso VII do art. 34 da CF/88 (princípios constitucionais sensíveis). Legitimidade ativa: Procurador-Geral da República - PGR - Chefe do
Ministério Público da União (arts. 129 , IV, e 36, III, CF/88)
.
Competênciapara julgar: SupremoTribunalFederal (art. 102 , 1 , a , CF/88).
Quórum de instalação: oito Ministros (2/3 de seus membros - art. 22,
Lei 9.868/1999).
Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
63
Quórum de aprovação: maioria absoluta, ou seja, pelo menos seis dos
onze Ministrosdo STF devem manifestar-se pela inconstitucionalidade (art.
97 da CF/88).
Efeitos: restaurar asupremacia constitucional, com efeitos erga omnes e
vinculante. Além disso, tem efeito ex nunc.
Cumpre destacar que é possível a ADIn Interventiva Estadual com as
devidas adaptações (art. 35, IV, da CF/88). Assim vejamos:
Objetivo: restabelecer orespeitodosprincípiosconstitucionaisestaduais desrespeitados por lei municipal (art. 35, IV, CF/88).
Legitimidade ativa: Procurador-Geral deJustiça do Estado - Chefe do
Ministério Público Estadual PGJ/MPE (art. 129, IV, CF/88).
Competênciaparajulgar: Tribunal deJustiça (art. 35, IV, CF/88).
Quórum de instalação: 2/3 dosmembrosdo Tribunal ou do órgão especial.
Quórum de aprovação: maioria absoluta (art. 97, CF/88).
Efeitos: restaurar a supremaciaconstitucional, com efeitos ergaomnese
vinculante. Além disso, tem efeito ex nunc.
Em ambos os casos, federal ou estadual, a decisão do Poder Judiciário será comunicada ao chefe do Poder Executivo respectivo, que, por meio
de decreto, suspenderá a execução do ato impugnado; caso tal ato não seja
suficiente para restabelecer a constitucionalidade, poderá o chefe do Poder
Executivo decretar a intervenção, nomeando interventor eusando dosdemais
atos constritivos necessários.
Sobre o tema é importante a competência do Presidente da República para expedir decretos (art. 84, IV e X, CF/88).
Cumpre observar que a petição inicial deverá ser apresentada em duas
vias, devendo conter cópias da lei ou do ato normativo impugnado e dos
documentos necessários para comprovar a impugnação, nos termos do art.
3 . ° , parágrafo único, da Lei 9.868/1999.
Decisões sobre o tema:
" O descumprimento voluntário e intencional de decisão transitada em julgado configura pressuposto indispensável ao acolhimento do
pedido de intervenção federal. A ausência de voluntariedade em não
pagar precatórios, consubstanciada na insuficiência de recursos para
satisfazer os créditos contra a Fazenda Estadual no prazo previsto no § 1 . ° do art. 100 da Constituição da República, não legitima a subtração
temporária da autonomia estadual, mormente quando o ente público,
apesar da exaustão do erário, vem sendo zeloso, na medida do possível,
64
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
com suasobrigações derivadasde provimentosjudiciais" (IF 1 . 91 7-AgR,
j . 17.03.2004, rei. Min. Maurício Corrêa, Dl 03.08.2007) .
" Precatóriosjudiciais. Nãoconfiguraçãodeatuaçãodolosaedeliberada do Estado de São Paulo com finalidade de não pagamento . Estado sujeito
a quadro de múltiplas obrigações de idêntica hierarquia . Necessidade
degarantir eficácia a outras normasconstitucionais , como, por exemplo,
a continuidade de prestação de serviços públicos. A intervenção , como
medida extrema, deve atender à máxima da proporcionalidade . Adoção da chamada relação de precedência condicionada entre princípios
constitucionais concorrentes" (IF 298 , j. 03.02.2003, rei. p/ o ac. Min.
Gilmar Mendes, DJ 27.02.2004).
7 . 2 . 5 Ação direta de inconstitucionalidade supridora da omissão
ou por omissão (ADIn/ADI-SO/PO)
Objetivo: pleitear a regulamentação de uma norma constitucional . Há
a omissão do legislador , que deixa de criar a lei necessária à aplicabilidade e eficácia de normas constitucionais , ou a do administrador, que não adota as
providências necessárias para tornar efetiva a medida constitucional. Existe
uma norma constitucional de eficácia limitada ainda não regulamentada
(inconstitucionalidade por omissão).
Legitimidade ativa: as pessoas indicadas no art. 103 , 1 a IX, da CF/88 e
no art. 12-A da Lei 9.868/1999. Saliente-se que as Mesas das Assembleias
Legislativas e da Câmara Legislativa , os Governadores dos Estados e do
Distrito Federal e as confederações sindicais (organizadas com no mínimo três federações, estabelecidas em pelo menos três Estados , nos termos do
art. 535 da CLT - ADIn 939-7/DF) e entidades de classe de âmbito nacional
devemdemonstrar apertinênciatemática(interesse) paraproporaaçãodireta
de inconstitucionalidade , e por isso são também denominados de autores
especiais ou interessados. Por outro lado , o Presidente da República, as
Mesasdo Senado Federal eda CâmaradosDeputados , o Procurador-Geral da República, o Conselho Federal da Ordem dosAdvogadosdo Brasil e partido
políticocomrepresentaçãono CongressoNacionalnãonecessitamdemonstrar
interesse especial para a propositura da ação deinconstitucionalidade , e por
isso são denominados de autores universais ou neutros.
Competência parajulgar: STF (art. 102,1, a, CF/88).
Quórum de instalação: oito Ministros (2/3 de seus membros - art. 22,
Lei 9.868/1999).
Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
65
Quórum de aprovação: maioria absoluta, ou seja, pelo menos seis dos onze Ministrosdo STFdevem manifestar-sepela inconstitucionalidade (art.
97 da CF/88).
A Lei 12.063/2009 alterou a Lei 9.868/1999 e inovou ao incluir e
estabelecer no art. 12-F a possibilidade de medida cautelar na ADI PO.
" Em caso deexcepcional urgênciae relevânciada matéria, oTribunal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, observado o disposto
no art. 22, poderá conceder medida cautelar, após a audiência dos
órgãos ou autoridades responsáveis pela omissão inconstitucional, que deverão pronunciar-se no prazo de 5 (cinco) dias. § 10A medida cautelar
poderá consistir na suspensão da aplicação da lei ou do ato normativo
questionado, no caso de omissão parcial, bem como na suspensão de processos judiciais ou de procedimentos administrativos, ou ainda em
outra providência a ser fixada pelo Tribunal. § 2 " O relator, julgando
indispensável, ouvirá o Procurador-Geral da República, no prazo de 3 (três) dias. § 3° No julgamento do pedido de medida cautelar, será
facultada sustentação oral aos representantes judiciais do requerente e
das autoridades ou órgãos responsáveis pela omissão inconstitucional, na forma estabelecida no Regimento doTribunal. "
Efeitos: declarando-se a inconstitucionalidade por omissão , o Supremo Tribunal Federal deverá dar ciência ao poder competente para que sejam tomadas as medidas necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em 30 dias (art. 103, § 2. ° , da CF/88). Destaque-se que o § 1.° do art. 12-H da Lei 9.868/1999 estabelece que em caso de omissão de órgão
administrativo as providências deverão ser adotadas no prazo de trinta dias, ou em prazo razoável aser estipulado excepcionalmentepelo Tribunal, tendo
emvistaascircunstânciasespecíficasdo caso eo interessepúblicoenvolvido.
Cumpre observar que a petição inicial deverá ser apresentada em duas
vias , devendo conter cópias da lei ou do ato normativo impugnado e dos documentos necessários para comprovar a impugnação, nos termos do art.
12-B, parágrafo único, da Lei 9.868/1999.
Decisões sobre o tema:
" Não é necessária a manifestação do Advogado-Geral da União, art.
103, § 3.°, da Constituição, em ação direta de inconstitucionalidade
por omissão " (ADIn 480, j. 13.10.1994, rei. Min. Paulo Brossard, DJ
25.11.1994).
Sobre a criação de municípios: "OTribunal, por unanimidade, julgou procedente pedido formulado em ação direta de inconstitucionalidade por omissão ajuizada pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
Grosso, para reconhecer a mora do Congresso Nacional emelaborar a lei complementarfederalaqueserefereo§4. ° doart. 18daCF, naredaçãodada pela EC15/1996, e, pormaioria, estabeleceuo prazo de 18 mesespara que
este adote todas as providências legislativas ao cumprimento da referida
Em seguida, quanto ao mérito, salientou-se
que, considerado o lapso temporal de mais de 10 anos, desde a data da publicação da EC 15/96, à primeira vista, seria evidente a inatividade
do legislador em relação ao cumprimento do dever constitucional de legislar (CF, art. 18, § 4.°- norma de eficácia limitada). Asseverou-se,
entretanto, que não se poderia afirmar uma total inércia legislativa, haja
vista osváriosprojetosde lei complementar apresentadosediscutidos no âmbito das Casas Legislativas. Não obstante, entendeu-se que a inertia deliberandi (discussão e votação) também poderia configurar omissão passível de vir a ser reputada morosa, no caso de os órgãos legislativos não deliberarem dentro de um prazo razoável sobre o projeto de lei em
tramitação. Aduziu-se que, na espécie, apesar dos diversos projetos de
lei apresentados, restaria configurada a omissão inconstitucional quanto
à efetiva deliberação da lei complementar em questão, sobretudo tendo
em conta a pletora de Municípios criados mesmo depois do advento da
norma constitucional. (
)
EC 15/1996, com base em requisitos definidos em antigas legislações estaduais, alguns declarados inconstitucionais pelo Supremo, ou seja, uma realidade quase que imposta por um modelo que, adotado pela
aludida emenda constitucional, ainda não teria sido implementado, em toda a sua plenitude, em razão da falta da lei complementar a que alude o mencionado dispositivo constitucional. Afirmou-se, ademais, que a
decisãoqueconstataaexistênciadeomissãoconstitucional edeterminaao legisladorqueempreendaasmedidasnecessáriasà colmataçãoda lacuna
inconstitucional constitui sentença de caráter nitidamente mandamental,
que impõe, ao legislador em mora, o dever, dentro de um prazo razoável,
de proceder à eliminação do estado de inconstitucionalidade, eque, em
razão de esse estado decorrente da omissão poder ter produzido efeitos
no passado, faz-se mister, muitas vezes, que o ato destinado a corrigir a
omissão inconstitucional tenha caráter retroativo. Considerou-se que, no caso, a omissão legislativa inconstitucional produzira evidentes efeitos
durante o longo tempo transcorrido desde o advento da EC 15/1996,
no qual vários Estados-membros legislaram sobre o tema e diversos
Municípiosforamefetivãmentecriados, comeleiçõesrealizadas, poderes
municipaisestruturados, tributosrecolhidos, ou seja, toda uma realidade
fática e jurídica gerada sem fundamento legal ou constitucional, mas
que não poderia ser ignorada pelo legislador na elaboração da lei
complementar federal. Em razão disso, concluiu-se pela fixação de um
parâmetrotemporal razoável - 18 meses- para queo Congresso Nacional
edite a lei complementar federal reclamada, a qual deverá conter normas
específicasdestinadasasolvero problemadosMunicípiosjácriados. (
)
"
(ADIn3.682/MT,j. 09.05.2007, rei. Min. Gilmar Mendes, j. 09.05.2007).
Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
67
7 . 2 . 6
Ação declaratória de constitucionalidade (ADECON/
ADECO/ADC)
Objetivo: definir a constitucionalidade de lei ou de ato normativo federal
(art. 102,1,a, daCF/88), impugnadaem processosconcretos, tendo recebido, nas instâncias inferiores , maioria de decisões desfavoráveis. A prova da controvérsia deve acompanhar a petição inicial (art. 14 da Lei 9.868/99).
Legitimidadeativa: aspessoaselencadasno art. 103da CF/88 (Presidente
da República, Mesa do Senado Federal, Mesa da Câmara dos Deputados,
Mesa da Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito
Federal , Governador de Estado ou do Distrito Federal, Procurador-Geral da
República , Conselho Federal daOAB,partido políticocom representação no Congresso Nacional, confederação sindical - organizadas com no mínimo
três federações, estabelecidas em pelo menos três Estados, nos termosdo art.
535 da CLT - ADln 939-7/DF - ou entidade de classe de âmbito nacional).
Competênciapara julgar: SupremoTribunal Federal (art. 102,1,a, CF/88).
Quórum de instalação: oito Ministros (2/3 de seus membros - art. 22,
Lei 9.868/1999).
Quórum de aprovação: maioria absoluta, ou seja, pelo menos seis dos
onze Ministros do STF devem manifestar-se pela constitucionalidade (art.
97, CF/88).
Admite-se medida cautelar em ação declaratória de constitucionalidade
(art. 21 da Lei 9.868/1999).
Efeitos: ergaomnes, vinculante, deacordo com o art. 102 , § 2.°, da CF/88
e parágrafo único do art. 28 da Lei 9.868/1999 (relativamente aos demais
órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta , n as
esferas
federal , estadual e municipal), e ex tunc.
Cumpre destacar que a decisão que declara a constitucionalidade ou
a inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo em ação direta ou em
ação declaratória é irrecorrível, ressalvada a interposição de embargos
declaratórios, não podendo, igualmente,ser objeto deação rescisória (art. 26,
Lei 9.868/1999). Deregra, oAdvogado-Geral daUnião não participadaADC. Observe-se que a petição inicial deverá ser apresentada em duas vias ,
devendo conter cópias do ato normativo questionado e dos documentos
necessários para comprovar a procedência do pedido de declaração de
constitucionalidade,nostermosdoart. 14,parágrafoúnico,daLei 9.868/1999.
Decisão sobre o tema:
68
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
"A s decisões plenárias do Supremo Tribunal Federal - que deferem
medida cautelar em sede de ação declaratória de constitucionalidade
- revestem-se de eficácia vinculante. Os provimentos de natureza
cautelar acham-se instrumentalmente destinados a conferir efetividade
ao julgamento final resultante do processo principal, assegurando, desse modo, exante, plenaeficáciaàtutelajurisdicional do Estado, inclusive no
queconcerneàsdecisõesque, fundadasnopodercautelargeral - inerente
a qualquerórgão do PoderJudiciário-, emergem do processo decontrole normativo abstrato, instaurado medianteajuizamento da pertinenteação
declaratória de constitucionalidade" (Rcl 1.770, j. 29.05.2002, rei. Min.
Celso de Mello, D) 07.02.2003).
Açõesdúplices ou ambivalentes: o nome da ação não vincula
a decisão. No julgamento de uma ADIn o STF pode declarar
a norma constitucional e no julgamento de uma ADCo STF
pode declarar a norma inconstitucional.
_ nrtílIllG
IImP ®"
7 . 2 . 7 Arguição de descumprimento de preceito fundamental
(ADPF)
Regulamentação: a Lei 9.882/1999 regulamentou a Arguição de DescumprimentodePreceitoFundamentalprevistanoart. 102, § 1,°,da CF/88.
Objetivo: evitar ou reparar lesão a preceito fundamental resultante de ato do Poder Público (art. 1. ° , caput, da Lei 9.882/1999). Caberá também quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei
ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à
Constituição (art. 1.°, parágrafo único, da Lei 9.882/1999). A ADIn 2231-8/ DF, emmedidaliminar,suspendeu em parteaaplicação desseparágrafo único
(ampliação da competência do STF por lei ordinária - lei ou ato normativo
municipal, e incluídos os anteriores à Constituição).
Princípio da subsidiariedade (art. 4.°, § 1.°, da Lei 9.882/1999): não
f
se admite a ADPF quando houver qualquer outro meio e i caz de sanar a
lesividade.
Legitimidade ativa: as mesmas pessoas legitimadas para propor a
ADIn (art. 2.°, Lei 9.882/1999): art. 103, 1 a IX, da CF/88 e art. 2.° da Lei
9 . 868/1999. Saliente-se que as Mesas das Assembleias Legislativas e da
Câmara Legislativa, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal e as confederações sindicais (organizadas com no mínimo três federações,
estabelecidas em pelo menos três Estados, nos termos do art. 535 da CLT -
ADIn 939-7/DF) e entidades de classe de âmbito nacional devem demonstrar
Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
69
apertinênciatemática (interesse) parapropor aarguiçãodedescumprimento de preceito fundamental, e por isso são também denominados de autores especiais ou interessados. Por outro lado, o Presidente da República, as
Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, o Procurador-Geral
da República, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e partido político com representação no Congresso Nacional não necessitam demonstrar interesseespecial paraaproposituradareferidaação, e por isso
sãodenominadosdeautoresuniversaisou neutros. Háquem entendanãoser necessáriaapertinênciatemática, poisum preceito fundamental foi violado.
Competênciaparajulgar: STF (art. 102, § 1.°, CF/88).
Quórum de instalação: oito Ministros (2/3 de seus membros - art. 8.°,
Lei 9.882/1999).
Quórumdeaprovação: maioriaabsoluta,ouseja,pelomenosseisdosonze MinistrosdoSTFdevemmanifestar-sepelaviolaçãodepreceitofundamental
(art. 97, CF/88).
Admite-se medidaliminar em arguição de descumprimento depreceito
fundamental (art. 5.° da Lei 9.882/1999).
Efeitos: fixaascondiçõeseomododeinterpretaçãoeaplicaçãodopreceito
fundamental (art. 10, caput, Lei 9.882/1999), "com e i cácia contra todos e
f
efeitovinculanterelativamenteaosdemaisórgãosdo Poder Público " (art. 10,
§ 3.°, Lei 9.882/1999). Além disso, de regra, tem efeito ex tunc, podendo ser
dado efeito ex nuncse houver manifestação de 2/3 dos Ministros (modulação
temporal ou mutação de efeitos- art. 11, Lei 9.882/1999). A liminar poderá
determinar a suspensão de processos e decisõesjudiciais, respeitada a coisa
julgada (art. 5.°, § 3.°, Lei 9.882/1999).
Por fim, a decisão quejulgar procedente ou improcedente o pedido em
arguição de descumprimento de preceito fundamental é irrecorrível, não
podendo ser objeto de ação rescisória (art. 12, Lei 9.882/1999).
Decisões sobre o tema:
" Prevista no§ 1.° do art. 102 daConstituição da República, a arguição de descumprimento de preceito fundamental foi regulamentada pela Lei 9 . 882/1999, que dispõe no art. 1.°: 'Art. 1,°A arguição prevista no § 1.° do
art. 102 daConstituição Federal será proposta peranteo SupremoTribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público ' . E, no art. 3.°: 'Art. 3.°A petição inicial
deverá conter: I - a indicação do preceito fundamental que se considera violado; II - a indicação do ato questionado; III - a prova da violação do preceito fundamental; IV- o pedido, com suasespecificações;V- seforo caso, acomprovaçãodaexistênciadecontrovérsiajudicial relevantesobre
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
aaplicaçãodopreceitofundamental queseconsideraviolado'.Aarguente
funda o pedido em exemplos de atuação do Ministério Público Federal
(fls. 23/25), mas desprovidos todos de qualquer conteúdo concreto e
específicoqueimpliquedescumprimentodealgumpreceitofundamental . Não há, pois, a rigor, objeto determinado na demanda , que apenas revela
discordância com formas de atuação do Ministério Público doTrabalho ,
ao qual a arguente nega competência constitucional para propor ações civis públicas e sugerir assinatura de ajuste de conduta. Ainda que assim não fosse, o conhecimento da ação encontraria óbice no princípio da
subsidiariedade. Éque a Lei 9.882/1999 prescreve , no art. 4.°, § 1.°, que
se não admitirá arguição de descumprimento de preceito fundamental
quando houver outro meio eficaz de sanar a lesividade. Ora, no caso,
é fora de dúvida que o ordenamento jurídico prevê outros remédios
processuais ordinários que, postos à disposição da arguente, são aptos e
eficazesparalhesatisfazerdetodoapretensãosubstantivaquetransparece
a esta demanda. Éo que, aliás, já reconheceu esta Corte , em decisão do
Min. Gilmar Mendes, na ADPF 96 (DJ 19.10.2006) , onde, em termos
idênticos, se questionava atuação do Ministério Público doTrabalho" (ADPF 94, j. 18.05.2007, rei. Min. Cezar Peluso, decisão monocrática,
Dl 25.05.2007)" .
" A possibilidade de instauração, no âmbito do Estado-membro , de
processo objetivo de fiscalização normativa abstrata de leis municipais
contestadas em face da Constituição Estadual (CF, art. 125, § 2.°) torna
inadmissível, porefeito da incidênciadoprincípiodasubsidiariedade(Lei
. 882/1999, art. 4.°, § 1.°), oacesso imediatoàarguiçãodedescumprimento
9
de preceito fundamental. Éque, nesse processo de controle abstrato de
normas locais, permite-se, ao Tribunal de Justiça estadual , a concessão,
até mesmo in limine, de provimento cautelar neutralizador da suposta lesividade do diploma legislativo impugnado, a evidenciar a existência, no plano local, de instrumento processual decaráterobjetivoaptoasanar , de modo pronto e eficaz, a situação de lesividade, atual ou potencial , alegadamente provocada por leis ou atos normativos editados pelo
Município. Doutrina. Precedentes. (
).A
merapossibilidadede utilização
deoutrosmeiosprocessuais, contudo, não basta, só porsi , parajustificara invocação do princípioda subsidiariedade, pois, para queessepostulado
possa legitimamente incidir- impedindo, desse modo, oacesso imediato à
arguiçãodedescumprimentodepreceitofundamental - revela-seessencial
que os instrumentos disponíveis mostrem-se capazes de neutralizar, de
maneira eficaz , a situação de lesividade que se busca obstar com o
ajuizamento desse writ constitucional. (
).
Incide , na espécie, por isso
mesmo, o pressuposto negativo de admissibilidade a que se refere o art .
4 . ° , § 1.°, da Lei 9.882/1999, circunstância esta que torna plenamente
invocável, no caso, a cláusula da subsidiariedade, que atua - ante as razões já expostas - como causa obstativa do ajuizamento, perante esta
Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
7 1
Suprema Corte, daarguiçãodedescumprimentodepreceitofundamental.
Sendo assim, tendoem consideração asrazões invocadas, não conheço da
presente ação constitucional, restando prejudicado, em consequência, o
exame do pedido de medida liminar " (ADPF 100-MC, j. 15.12.2008, rei.
Min. Celso de Melo, decisão monocrática, DJE 18.12.2008).
ADPF 130/ DF- Ementa: Lei de Imprensa.Adequação da ação. Regime constitucional da "liberdade de informação jornalística " , expressão sinónima de liberdade de imprensa. A " plena " liberdade de imprensa
como categoria jurídica proibitiva de qualquer tipo de censura prévia.
A plenitude da liberdade de imprensa como reforço ou sobretutela das
Iiberdadesde manifestação do pensamento, de informação edeexpressão artística, científica, intelectual e comunicacional. Liberdades que dão conteúdo às relações de imprensa e que se põem como superiores bens de personalidade e mais direta emanação do princípio da dignidade da pessoa humana. O capítulo constitucional da comunicação social como segmento prolongador dasliberdadesde manifestaçãodo pensamento, de informaçãoedeexpressãoartística, científica, intelectual ecomunicacional. Transpasse da fundamentalidade dos direitos prolongados ao capítulo prolongador. Ponderação diretamente constitucional entre blocos de bensdepersonalidade: o bloco dosdireitosquedão conteúdo à liberdade de imprensa e o bloco dos direitos à imagem, honra, intimidade e vida
privada. Precedênciado primeirobloco. Incidênciaaposteriorido segundo
bloco dedireitos, paraoefeito deasseguraro direito de respostaeassentar responsabilidadespenal, civil eadministrativa, entreoutrasconsequências doplenogozoda liberdade de imprensa. Peculiarfórmula constitucional de proteção a interesses privados que, mesmo incidindo aposteriori, atua sobreascausaspara inibirabusosporparteda imprensa. Proporcionalidade
entre liberdade de imprensa e responsabilidade civil por danos morais e materiais a terceiros. Relação de mútua causalidade entre liberdade de
imprensa e democracia. Relação de inerência entre pensamento crítico
e imprensa livre. A imprensa como instância natural de formação da
opinião públ icae como alternativa àversão oficial dosfatos. Proibição de
monopol izarou oligopolizarórgãosde imprensacomo novo e autónomo fator de inibição de abusos. Núcleo da liberdade de imprensa e matérias apenas perifericamente de imprensa. Autorregulação e regulação social
daatividadede imprensa. Não recepção em bloco da Lei 5.250/1967 pela nova ordem constitucional. Efeitos jurídicos da decisão, procedência da
12. Procedência da ação. Total procedência da ADPF, para o
efeito de declarar como não recepcionado pela Constituição de 88 todo
o conjunto de dispositivosda Lei federal 5.250, de9 defevereiro de 1967. (STF, ADPF 130/DF- Distrito Federal, Tribunal Pleno, j. 30.04.2009, rei.
Min. Carlos Britto, DJ 06-11-2009).
ADPF 187 - Liberdades fundamentais e "Marcha da Maconha"- Por
ação. (
)
entender que o exercício dos direitos fundamentais de reunião e de livre
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
manifestação do pensamento devem ser garantidos a todas as pessoas ,
o Plenário julgou procedente pedido formulado em ação de descumpri-
mento de preceito fundamental para dar ao art . 287 do CP, com efeito
vinculante , interpretação conforme a Constituição, de forma a excluir
qualquer exegeseque possa ensejar a criminalização da defesa da lega- lização das drogas, ou de qualquer substância entorpecente específica ,
inclusive através de manifestaçõese eventos públicos . Preliminarmente,
rejeitou-sepleitosuscitadopela Presidênciada RepúblicaepelaAdvoca-
cia-Geral da União no sentido do não-conhecimento da ação , visto que, conforme sustentado, a via eleita não seria adequada para se deliberar
sobre a interpretação
conforme. Alegava-se , no ponto, que a linha ténue
entre o tipo penal e a liberdade de expressão só seria verificável no caso
concreto. Aduziu-se que setrataria de arguição autónoma , cujos pressu-
postosdeadmissibilidadeestariam presentes. Salientou-sea observância,
na espécie, do princípio da subsidiariedade. Ocorre que a regra penal
em comento teria caráter pré-constitucional e, portanto , não poderia
constituir objeto de controle abstrato mediante ações diretas , de acordo
com a jurisprudência da Corte. Assim, não haveria outro modo eficaz
de se sanar a lesividade arguida , senão pelo meio adotado. Enfatizou-se
a multiplicidade de interpretações às quais a norma penal em questão
estaria submetida, consubstanciadasem decisõesa permitir e a não per-
mitir a denominada "Marcha da Maconha" por todo o país . Ressaltou-se
existirem graves consequências resultantes da censura à liberdade de
expressão e de reunião, realizada por agentes estatais em cumprimento
de ordens emanadas do Judiciário. Frisou-se que, diante do quadro de
incertezas hermenêuticas em torno da aludida norma , a revelar efetiva e
relevantecontrovérsiaconstitucional, oscidadãosestariampreocupados
em externar, de modo livre e responsável , as convicções que desejariam
transmitir à coletividade por meio da pacífica utilização dos espaços
públicos (ADPF 187/DF, rei. Min. Celso de Mello, 15.06.2011).
ADPF 4.277 - Relação homoafetiva e entidade familiar - A norma
constantedoart. 1.723 doCódigoCivil - CC("Éreconhecidacomoenti-
dade familiar a união estável entre o homem e a mulher , configurada na
convivência pública, contínuaeduradouraeestabelecidacomo objetivo
de constituição de família") não obsta que a união de pessoas do mes-
mo sexo possa ser reconhecida como entidade familiar apta a merecer proteção estatal (ADIn 4277/DF, rei. Min. Ayres Britto, 04 e 05.05.2011).
Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
73
AÇÕES DE CONTROLE CONCENTRADO
AÇÃO
ADIN/
AD I
ESPÉCIE
GENÉRICA
SUPRIDO RA
DA OMISSÃO
/ POR OMIS-
SÃO
INTERVENTI-
VA FEDERAL
OBJETO
Lei ou ato normativo
federal ou
estadual
Inconstitu-
- cional
(Art. 102, 1,
" a " , CF)
LEG .
ATIVA
art .
103
CF
Norma Cons-
titucional
de eficácia
limitada
não regu-
lamentada
art .
103
CF
FO RO
STF
Quórum de
Instalação:
2/3 (8 minis-
tros)
Quórum de
Aprovação:
maioria
absoluta (6
ministros)
STF
Quórum de
Instalação:
2/3 (8 minis-
tros)
(inconstitu- Quórum de
cionalidade
por omissão)
União irá
intervir
nos Estados
/ Distrito
Federal
Por violação
aos princí-
pios cons-
titucio-nais
sensíveis (art.
34, VII)
PGR
Aprovação:
maioria
absoluta (6
ministros)
STF
Quórum de
Instalação:
2/3 (8 minis- tros)
Quórum de
Aprovação:
maioria
absoluta (6
ministros)
EFEITO S
Erga omnes e
vinculante
Ex tunc (em
regra)
Ciência (notifi-
cação)
Poder Omisso
(Legislativo):
mera ciência
Órgão Adm
(Executivo):
prazo de 30
dias ou em
prazo razoável
a ser estipulado
excepcional-
- mente pelo
Tribunal - cir-
cunstâncias do
caso e interesse
público
Decreto do
Presidente
Intervenção no
ente federado
Em regra ex
n un c
74
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
AÇÕES DE CONTROLE CONCENTRADO
AÇÃO
ADECO N
AD PF
ESPÉCIE
OBJETO
Lei ou ato normativo
federal que
está sendo
LEC .
ATIVA
|
Art. |
||
|
julgado inconstitucio- |
103 |
|
|
- nal em |
CF |
|
|
processos |
||
|
j udiciais |
||
|
Lesão de |
||
|
preceito |
||
|
fundamental |
||
|
por órgão pú- |
||
|
blico (lei |
ou |
Art. |
|
ato norm a- |
103 |
|
tivo federal,
estadual ou
municipal,
inclusive an-
terior a CF)
CF
FO RO
STF - Quó-
rum de Ins-
talação: 2/3
(8 ministros)
e Quórum
de Aprova-
ção: maioria
absoluta (6
ministros)
STF- Quórum
de Instala-
ção: 2/3 (8
ministros) e
Quórum de
Aprovação:
maioria
absoluta (6
ministros)
EFEITO S
Erga omnes,
vinculante, ex
tunc
Erga omnes,
vinculante, ex
tunc
7 . 3 Atribuição do Advogado-Geral da União, do Procurador-Geral
da República e do amicus curiae no controle concentrado de
constitucionalidade
O Advogado-Geral da União tem por atribuição defender a lei ou ato
normativo federal ou estadual impugnado na ação direta de inconstitucio-
nalidade , sustentando apresunção deconstitucionalidadedas normas infra- constitucionais elaboradas pelo poder público (art. 103, § 3. ° , CF/88 e art.
8 . ° , Lei 9.868/1999). Poderá o AGU ser ouvido em caso de ADPF (art. 5.°, §
2 . ° , Lei 9.882/1999) e no caso de ADI PO (art. 12-E, § 20, Lei 9.868/1999).
Segundo decisõesdo Supremo Tribunal Federal édesnecessária a oitiva doAGU no processo daaçãodeclaratóriaconstitucionalidade , em ação direta
de inconstitucionalidade por omissão (ADIn 480-8) , bem como não está
obrigado a defender tese jurídica se sobre ela o Supremo Tribunal Federal já fixou entendimento pela sua inconstitucionalidade (ADIn 1.616-4/PE).
O PGR é ouvido previamente nas ações de inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do STF (art. 103 , § 1.°, CF/88).
Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
75
O amicuscuriaecorrespondeàpossibilidadedaparticipação deórgãose entidadesestranhosàcausa, por despachodo Ministrorelator, considerando
a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes (art. 7. ° , § 2.°,
da Lei 9.868/1999), em que pese a não admissão da intervenção de terceiros no processo de ação direta de inconstitucionalidade (art. 7. ° , caput, da Lei 9 . 868/1999). Háquementendaqueoamicuscuriaeestariafundamentadonos
arts. 9. ° , § 1 °, e 20, § 1.°, daLei 9.868/1999 enoart. 6°, § 1.°, da Lei 9.882/1999.
Nada impede que no controle concreto (difuso) de constitucionalidade
também exista a figura do amicus curiae.
Importante destacar a lição do Min. Gilmar Mendes sobre o tema:
" Constitui, todavia, inovação significativa no âmbito da ação direta de inconstitucionalidadeaautorizaçãoparaorelator,considerandoarelevânciada matériaearepresentatividadedospostulantes, admitaamanifestaçãodeoutros
órgãosouentidades (art. 7.°, § 2.°). Positiva-se, assim, afiguradoamicuscuriae
no processo de controle de constitucionalidade, ensejando a possibilidade de o Tribunal decidir as causas com pleno conhecimento de todas as suas
implicações ou repercussões. Trata-se de providência que confere caráter pluralistaaoprocessoobjetivodecontroleabstratodeconstitucionalidade. No
que concerne ao prazo para o exercício do direito de manifestação (art. 7. ° ) ,
parecequetal postulação hádese fazer dentro do lapso temporal ixado para a apresentação das informações por parte dasautoridades responsáveis pela
f
ediçãodoato. Épossível,porém, cogitardehipótesesdeadmissãode " amicus
curiae " fora do prazo das informações na ADIn (art. 9.°, § 1.°), especialmente
diante darelevânciado caso ou, ainda, em faceda notória contribuição que a
manifestação possa trazer para ojulgamento da causa. Quanto à atuação do
amicus curiae, após ter entendido que ela haveria se limitar à manifestação escrita, houvepor bem o Tribunal admitir asustentação oral por partedesses
peculiares partícipes do processo constitucional " (Gilmar Ferreira Mendes,
Inocêncio Mártires Coelho, Paulo Gustavo Gonet Branco, Curso de direito
constitucional, São Paulo, Saraiva, 2007, p. 1.070).
Decisões sobre o tema:
" Em face do art. 6.°, § 1.°, da Lei 9.882/ 1999, admito a manifestação de Conectas Direitos Humanos, Centro de Defesa da Criança e do
Adolescente do Ceará- CEDECA/CE, Centro de Direitos Humanos- CDH,
União Nacional dosDirigentesMunicipaisde Educação- UNCME, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação - UNDIME, Centro de Cultura Professor Luiz FreireeSociedadedeApoio aos Direitos Humanos/
Movimento Nacional de Direitos Humanos, que intervirão no feito na
76
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
condição de amicus curiae " (ADPF 71, j. 27.05.2005, rei. Min. Gilmar Mendes, decisão monocrática, DJ03.06.2005) (grifos nossos). "Ad missão de amicus curiae mesmo após terem sido prestadas as
informações. Em face da relevância da questão , e com o objetivo de
pluralizarodebateconstitucional, aplico analogicamentea norma inscrita
no§2.°doart. 7.°da Lei 9.868/1999, admitindoo ingressoda peticionária,
na qualidadedeamicuscuriae, observando-se, quantoàsustentação oral , o disposto no art. 131, § 3.°, do RISTF, na redação dada pela Emenda Regimental 15/2004" (ADPF73, j. 01.08.2005, rei. Min. ErosGrau , decisão
monocrática, Dl 08.08.2005) (grifos nossos).
" Açãodiretadeinconstitucionalidade. Embargosdedeclaração opostos por amicus curiae. Ausência de legitimidade. Interpretação do § 2.° do art. 7 . ° da Lei 9.868/1999. A jurisprudência deste Supremo Tribunal é assente
quanto ao não cabimento de recursos interpostos por terceiros estranhos à
relaçãoprocessual nosprocessosobjetivosdecontroledeconstitucionalidade. Exceção apenas para impugnar decisão de não admissibilidade de sua
intervenção nos autos. Precedentes" (ADln 3.615-ED , j . 17.03.2008, rei.
Min . Carmen Lúcia , DJE 25.04.2008). No mesmo sentido: ADln 2.591-ED, j . 14.12.2006, rei. Min. Eros Grau, DJ 13.04.2007).
7 . 4
Bloco de
constitucionalidade
Segundo a doutrina e ajurisprudência, o bloco de constitucionalidade
é a reunião de vários diplomas legais considerados como constitucionais,
não obstante terem sido elaborados em momentos diferentes. A França é um
exemplo recorrente de país que adota o bloco de constitucionalidade , pois
convivem com status constitucional a Declaração de Direitos do Homem e
do Cidadão (1789), a Constituição de 1946 (parte económica e social) e a
Constituição de 1958.
No Brasil, a Emenda Constitucional 45/2004 inseriu o § 3.° ao art. 5.°
da CF/88 , possibilitando que tratados e convenções internacionais sobre
direitoshumanosqueforemaprovados, em cadacasado Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos seus membros, sejam equivalentes às
emendas constitucionais. Nota-se que tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos, que segundo o STF tinham natureza jurídica de normasinfraconstitucionais,poderãoser elevadosparaacondição denormas
constitucionais.
Háapenasum tratadointernacional com statusdeemendaconstitucional.
É o Decreto 6.949/2009 que promulga a Convenção Internacional sobre os
Cap. 9 . CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
77
Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados
em Nova York, em 30 de março de 2007.
Saliente-se que os tratados e convenções internacionais sobre direitos
humanos, que,segundooSupremoTribunal Federal, tinhamnaturezajurídica
de normas infraconstitucionais, poderão ser elevados à condição de normas
constitucionais.
Há quem sustente que o bloco de constitucionalidadejá seria possível
em relação aos tratados e convenções internacionaissobre direitos humanos
desde a vigência da Constituição Federal de 1988, em virtude do conteúdo
dos §§ 1.° e 2.° do art. 5.°. Nesse sentido ensina Flávia Piovesan, em sua obra
Direitos humanos e o direito constitucional internacional (7. ed., São Paulo,
Saraiva, p. 55).
Decisão sobre o tema:
" Em conclusão de julgamento, o Tribunal concedeu habeas corpus
em que se questionava a legitimidade da ordem de prisão, por 60 dias, decretadaemdesfavordo pacienteque, intimado aentregaro bemdo qual
depositário, não adimplira a obrigação contratual - v. Informativos 471, 477 e 498. Entendeu-se que a circunstância de o Brasil haver subscrito o Pacto de São José da Costa Rica, que restringe a prisão civil por dívida ao
descumprimento inescusável deprestaçãoalimentícia(art. 7.°, 7), conduz
à inexistência de balizas visando à eficácia do que previsto no art. 5.°,
LXVII, da CF ('não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia
e a do depositário infiel ' ) . Concluiu-se, assim, que, com a introdução do aludido Pacto no ordenamento jurídico nacional, restaram derrogadasas
normas estritamente legais definidoras da custódia do depositário infiel. Prevaleceu, no julgamento, por fim, a tese do status de supralegalidade
da referidaConvenção, inicialmentedefendidapelo Min. Gilmar Mendes
no julgamento do RE 466.343/SP, abaixo relatado. Vencidos, no ponto,
os Ministros Celso de Mello, Cezar Peluso, Eilen Graciee Eros Grau, que
a ela davam a qualificação constitucional, perfilhando o entendimento
expendidopeloprimeiro novotoqueproferira nesserecurso. O Min. Marco
Aurélio, relativamentea essaquestão, seabstevede pronunciamento" (HC
87.585/TO, j. 03.12.2008, rei. Min. Marco Aurélio).
Federalismo
O federalismo, como expressão do direito constitucional, nasceu com
a Constituição norte-americana de 1787. Baseia-se na união de coletivi-
dades políticas autónomas. Refere-se a uma forma de Estado denominada
Federação ou Estado Federal, caracterizada pela união de coletividades públicas dotadas de autonomia político-constitucional, ou seja, de auto-
nomia federativa.
Como já visto, o Estado pode ser definido como uma organização ju-
rídica , administrativa e política formada por uma população, assentada em
um território, dirigida por um governo soberano e tendo como finalidade o
bem comum .
|
1 |
FO RM A DO ESTADO |
|
|
. |
||
/ . /
Estado unitário
Quando existe um único centro dotado decapacidadelegislativa, admi-
nistrativaepolítica,doqual emanam todososcomandosnormativos. Também
chamado de Estado simples. Exemplo: Cuba.
1 . 2
Estado federal
Quando existe uma repartição constitucional de competências e mais
de um centro dotado de capacidade política. É a própria Constituição que
estabelece a estrutura federativa, proibindo sua abolição. Também chamado de Estado composto. Exemplo: Brasil, EUA, Alemanha, entre outros.
|
2 |
FEDERALISM O NO BRASIL |
|
|
. |
||
No Brasil , os entes que compõem a federação são: a União, os Estados-
- membros, o Distrito Federal e os Municípios (art. 18, caput, CF/88). A
80
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Constituição falaaindaem territórios, divisõespolítico-administrativasque,
atualmente, não existem mais. O Brasil assumiu a forma de Estado federal em 1889, com a Proclamação
da República, o que foi confirmado pela Constituição de 1891 emantido nas
Constituições posteriores. O Brasil evoluiu de um Estado unitário para um Estado federal (federalismo por segregação).
2 . 1
Componentes do
2 . 1 . 1
União
Estado federal brasileiro
Pessoajurídica de Direito Público com capacidade política , exercendo umaparceladasoberaniabrasileira. Internamente,atuacomoumadaspessoas
jurídicasdeDireito Público quecompõem a Federação. Externamente, dian- te de Estados estrangeiros, a União exerce a soberania do Estado brasileiro ,
fazendo valer seus direitos e assumindo suas obrigações.
Poder Legislativo: arts. 44 a 75 da CF/88 (Congresso Nacional , integra- do pela Câmara dos Deputados- composta por Deputados Federais- e pelo
Senado Federal - composto por Senadores Federais. Atualmente, são 513
Deputados Federais e 81 Senadores Federais).
Poder Executivo: arts. 76 a 91 da CF/88 (Presidente e Vice-Presidente
da República).
PoderJudiciário: arts. 101 a 124 da CF/88.
Bens da União: art. 20 da CF/88.
Impostos da União: art. 153 da CF/88.
2 . 1 . 2
Estados federados
São entes detentores de autonomia política e administrativa. Têm ca-
pacidade de elaborar suas próprias Constituições estaduais, observadas as
diretrizes da Constituição Federal.
Poder Legislativo: art. 27 da CF/88 (Assembleia Legislativa , composta
por Deputados Estaduais em número calculado com base no art. 27, caput,
da CF/88) (são 94 Deputados Estaduais no Estado de São Paulo).
Poder Executivo: art. 28 da CF/88 (Governador e Vice-Governador).
PoderJudiciário: arts. 125 e 126 da CF/88.
Bens dos Estados: art. 26 da CF/88.
Cap. 10 . FEDERALISMO
8 1
Impostos dos Estados: art. 155 da CF/88.
Criação eextinção: osEstadospodem incorporar-seentresi , subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados.
Para isso , precisam daaprovação da população diretamente interessada, por
meio de plebiscito, e do Congresso Nacional , por lei complementar (art. 18,
§3.°, da CF/88).
2 . 1 . 3
Municípios
São entesdetentoresdeautonomia política eadministrativa. Têm capa-
cidade de elaborar sua Lei Orgânica Municipal. PoderLegislativo: arts. 29 e31 daCF/88 (exercido pela CâmaraMunici-
pal,compostaporVereadores,de9a55,dependendodapopulaçãomunicipal,
conforme art. 29, IV, da CF/88).
Poder Executivo: arts. 29 e 31 da CF/88 (Prefeito e Vice-Prefeito).
PoderJudiciário: não háJustiça Municipal. Impostos dos Municípios: art. 156 da CF/88.
Criação eextinção - art. 18, § 4.°, da CF/88: "A criação, a incorporação,
a fusão e o desmembramento de Municípios far-se-ão por lei estadual , den- tro do período determinado por lei complementar federal, e dependerão de
consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envol- vidos, após divulgação dos Estudos deViabilidade Municipal , apresentados
e publicados na forma da lei "
.
Sobre o tema competência municipal o STF se manifestou no
seguinte sentido:
" OTribunal, por maioria, declarou incidentalmentea inconsti-
tucionalidadedo art. 1 .°da Lei 10.991/1991, do Município de
São Paulo, o qual estabelecia que a licença de localização de
novasfarmáciase drogarias seria concedida somente quando
o estabelecimento ficasse situado a uma distância mínima de
duzentos metros da farmácia ou drogaria mais próxima, já
existente. Entendeu-sevioladoo disposto no art. 170, IVeV da
CF ("A ordem económica, fundada na valorização do
note
BEM
82
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar
a todos existência digna
observados os seguintes princí-
pios:
IV
- livre concorrência; V - defesa do consumidor. " ).
note
BEM
Vencido o Min. Carlos Velloso, relator, que entendia que a lei municipal - inserida na competência do Município para legislar sobre assuntos de interesse local e para suplementar
a legislação federal e estadual no que couber (CF, art. 30, I e
II) -, ao disciplinar o uso do solo distribuindo as farmácias de
modo a evitara concentração delasem determinado local, não
estabeleceu uma " reserva de mercado " . Precedente citado:
RE 203.909-SC (DJU de 06.02.1998). STF, RE 193.749-SP, j.
04.06.1998, rei. originário Min. CarlosVelloso, rei. p/acórdão
Min. Maurício Corrêa."
" Com base nos mesmos fundamentos do julgamento acima
referido, o Tribunal, por maioria, declarou incidentalmente a
inconstitucionalidade do art. 1.° da Lei 6.545/1991, do Mu-
nicípio de Campinas, que restringia a instalação de farmácias
e drogarias a um raio de distância de quinhentos metros uma
da outra. Vencido o Min. CarlosVelloso. STF, RE 199.517-SP,
j . 4.6.98, rei. originário Min. Carlos Velloso, rei. p/ acórdão
Min. Maurício Corrêa".
2
. 7 . 4
Distrito Federal
Ente detentor deautonomiapolítica eadministrativa. Tem capacidade de elaborar sua Lei Orgânica e possui capacidade legislativa, administra-
tiva ejudiciária, com as mesmas competências legislativas atribuídas aos Estados e aos Municípios (art. 32, § 1.°, CF/88). O Distrito Federal não pode ser dividido em Municípios (não tem eleições municipais). Assim
como os Estados, o Distrito Federal elege três Senadores e Deputados
Federais em número definido por lei complementar; além disso, elege também Deputados Distritais. Lembre-se que Brasília é a capital do Brasil
(art. 18, § 1.°, CF/88).
Poder Legislativo: art. 32, §§ 2.° e 3.°, da CF/88 (Câmara Legislativa
composta por Deputados Distritais).
Poder Executivo: art. 32, § 2.°, da CF/88 (Governador e Vice-Governa-
dor).
PoderJudiciário: organizado por lei federal (art. 48, IX, CF/88).
Cap. 10 . FEDERALISMO
83
Bens do Distrito Federal: definidos por lei federal (art. 16 , § 3.°, ADCT
da CF/88).
Impostos do Distrito Federal: arts. 147 e 155 da CF/88. Pode arrecadar
impostos estaduais e municipais.
Sobre o tema o STF tem o seguinte posicionamento:
" O Distrito Federal é uma unidadefederativadecomposturasin-
gular, dado que: a) desfruta de competênciasque são próprias
dos Estadose dos Municípios, cumulativamente (art. 32, § 1.°,
CF); b) algumasde suasinstituiçõeselementaressão organiza-
dase mantidaspela União (art. 21, XIII eXIV, CF); c) os serviços públicos a cuja prestação está jungido são financiados, em parte, pela mesma pessoa federada central, que é a União
(art. 21, XIV, partefinal, CF). 3. Conquanto submetido a regi-
me constitucional diferenciado, o Distrito Federal está bem
maispróximo da estruturação dos Estados-membros do que
da arquitetura constitucional dosMunicípios. Isto porque: a) ao tratar da competência concorrente, a Lei Maior colocou
o Distrito Federal em pé de igualdade com os Estados e a
União (art. 24); b) ao versar o tema da intervenção, a Cons-
tituição dispôs que a 'União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal ' (art. 34), reservando para os Municípios um artigo em apartado (art. 35); c) o Distrito Federal tem, em plenitude, os três orgânicos Poderes estatais, ao passo que os Municípios somente dois (inc. I do art. 29); d) a Consti-
tuição tratou de maneira uniforme os Estados-membros e o
Distrito Federal quanto ao número de deputados distritais , à duração dos respectivos mandatos, aos subsídios dos parla- mentares, etc. (§ 3.° do art. 32); e) no tocante à legitimação
para propositura de ação direta de inconstitucionalidade perante o STF, a Magna Carta dispensou à Mesa da Câmara
Legislativa do Distrito Federal o mesmo tratamento dado às Assembleias Legislativas estaduais (inc. IV do art. 103); f) no
modelo constitucional brasileiro, o Distrito Federal se coloca
ao lado dos Estados-membros para compor a pessoa jurídi-
ca da União; g) tanto os Estados-membros como o Distrito
Federal participam da formação da vontade legislativa da
União (arts. 45 e 46)" (STF, ADIn 3.756. j. 21.06.2007, rei.
note
BEM
Min. Carlos Britto, DJ 19.10.2007).
84 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
2.1.5 Territórios federais
São meras divisões administrativas da União, podendo ser divididos
ou reunidos (art. 33, CF/88). Neles existe autonomia administrativa, mas
não política. Os Territórios Federais elegem quatro Deputados Federais
(art. 45, § 2.°, CF/88), mas não elegem Senadores. Atualmente é apenas uma possibilidadejurídica,já que o art. 15 do ADCT da CF/88 extinguiu os últimosexistentes, podendo, no entanto, ser criadosoutros Territórios
Federais.
Os Territórios Federais do Amapá e Roraima foram transformados em
Estados (art. 14 do ADCT, CF/88). O Território Federal de Fernando de No-
ronhafoi reincorporadoaoEstadodePernambuco (art. 15doADCT, CF/88).
A CF/88 estabelece: "Art. 33. A lei disporá sobre a organização adminis-
trativa ejudiciária dosTerritórios. § 1.° OsTerritóriospoderão ser divididos em Municípios, aosquaisse aplicará, no que couber, o disposto no Capítulo
IV deste Título. § 2.° As contas do Governo do Território serão submetidas
ao Congresso Nacional, comparecer prévio doTribunal de ContasdaUnião.
§ 3.° Nos Territórios Federais com mais de cem mil habitantes, além do Go-
vernadornomeado naformadestaConstituição,haveráórgãosjudiciáriosde
primeira e segunda instância, membros do Ministério Público e defensores públicos federais; a lei disporá sobre as eleições para a Câmara Territorial e
sua competência deliberativa "
Sobre a competência tributária dosTerritórios, o art. 147 da CF/88 afir-
m a: " Competem à União, em Território Federal, os impostos estaduais e, se
o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos
.
municipais; ao Distrito Federal cabem os impostos municipais "
.
2 . 2 Vedações constitucionais existentes no federalismo do Brasil
A ConstituiçãoFederal vigenteestabelece: "Art. 19. ÉvedadoàUnião,
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - estabelecer cultos
religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento
ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou
aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II -
recusar fé aos documentos públicos; III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si "
.
O Estado brasileiro é laico, bem como é livre o exercício dos cultos
religiosos e é garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a
Cap. 10 . FEDERALISMO
85
suas liturgias (art. 5. ° , VI, CF/88). Nada impede, como estabelece o texto
constitucional, a colaboração de interesse público (manutenção de asilos ,
creches , entre outros).
Os documentos públicos gozam de presunção de veracidade, não po- dendoser recusadosem razão daorigem (escrituras , certidões, entre outros).
Os entes federativos não podem estabelecer distinções ou preferências
entre brasileiros em razão de sua origem (Estado , Distrito Federal ou Mu-
nicípio).
3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VINCULADOS AO
.
3 . 1
FED ERALISM O
Princípios estabelecidos
Sãolimitaçõesdiretas eindiretasaosentesfederativos. Por exemplo , art. 19 (explícitas) e art. 149 (implícitas).
3 . 2 Princípios sensíveis
Geram intervenção federal no Estado-membro ou no Distrito Federal -
ADIn Interventiva Federal (art. 34 , VII, CF/88). São também conhecidospor princípiosconstitucionaisexpressos. Estão previstosno incisoVII doart. 34.
3 . 3 Princípios extensíveis
A organização da União é extensível aos demais entes federativos , n a medidadesuaspeculiaridades. São exemplosoprocesso legislativo , a eleição do Poder Executivo, matériaorçamentária, organização e funcionamento do
Tribunal de Contas ,
constitucional.
entre outros. É a simetria federativa ou o paralelismo
impo**®!i*®
Bicameralismo só na esfera federal.
86
DIREITO CONSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
Fundamentos da Re-
pública Federativa do
Brasil:
(Art. 1° da CF/88)
I - a soberania; II - a cidadania;
III - a dignidade da pes-
soa humana;
IV - os valores sociais
do trabalho e da livre
iniciativa;
V - o pluralismo polí-
tico .
Objetivos fundamentais
da República Federativa
do Brasil:
(Art. 30 da CF/88)
I
-
construir uma socie-
dade livre, justa e soli-
dária;
II - garantir o desenvol-
vimento nacional;
note
BEM
República Federativa do Brasil rege-se nas suas
relações internacionais
pelos seguintes princí-
pios: (Art. 4 ° da CF/88)
I - independência na-
cional;
II - prevalência dos di-
reitos humanos;
III - autodeterminação
|
III |
- erradicar a pobreza |
dos povos; |
|
e |
a marginalização e |
IV - não intervenção; |
reduzir as desigualdades
sociais e regionais;
IV - promover o bem de
todos, sem preconceitos
de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer
outras formas de discri-
minação.
V - igualdade entre os
Estados;
VI - defesa da paz; VII - solução pacífica
dos conflitos;
VIII - repúdio ao terro-
rismo e ao racismo;
IX - cooperação entre os
povos para o progresso
da humanidade;
X - concessão de asilo
político.
Repartição das competências
constitucionais
Competência, emsentidoestrito, éafaculdadejuridicamenteatribuídaa
umaentidadeou aumórgãoou agentedo Poder Públicoparaemitir decisões.
Pode ainda ser considerada como a capacidade de distribuir poder.
NaConstituiçãoFederalvigente,em relação ãrepartição decompetências entreasentidades federativas, há o princípio dapredominância do interesse,
segundo o qual à União caberão as matérias e questões de predominante interessegeral, aosEstadosficarãoasmatériaseassuntosdeinteresseregional
e aos Municípios as questões de predominante interesse local.
Os poderesdaUniãosão enumeradosnosarts. 21 e22; osEstadosficam
com os poderes remanescentes (art. 25, § 1. ° ); e os Municípios ficam com os poderes indicados genericamente no art. 30 da CF/88. Alguns poderes
podem ser delegados, como o poder da União para legislar a respeito de
certas matérias. Nesse caso, o art. 22, parágrafo único, da CF/88 autoriza a
delegação daatribuição legislativaaosEstados, mediantelei complementar.
Em determinadas áreas, permite-se a atuação concorrente entre União,
Estado, Distrito Federal e Municípios (arts. 24 e 30, II, CF/88). Por fim, há a
competência comum entre os entes federativos (art. 23, CF/88).
1 .
CLASSIFICAÇÃO REFERENTEÀSCOMPETÊNCIAS
Aseguir, temosaclassifi caçãodascompetênciasconstitucionaisadotada
pela posição majoritária da doutrina:
7 . /
Quanto à finalidade
Refere-se a qual objetivo está vinculada a competência.
a) Material: refere-se à prática de atos políticos e administrativos. Pode
ser :
88
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
|
. |
Exclusiva: cabe apenas e exclusivamente a uma única entidade , sem possibilidade de delegação (art. 21, CF/88); |
|
. |
Cumulativa ou paralela: é a que afeta concomitantemente mais |
de uma entidade (art. 23, CF/88).
b) Legislativa: refere-se aos atos legislativos. Pode ser:
|
. |
Exclusiva: cabeapenasaumaentidade o poder de legislar , sendo |
|
|
inadmissível qualquer delegação (art. 21 , CF/88); |
||
|
. |
Privativa: cabe apenas a uma entidade o poder de legislar , mas é |
|
|
possível a delegação de competência a outras entidades (art. 22 e parágrafo único , CF/88); |
||
|
. |
Concorrente: pode legislar a respeito de certa matéria |
|
|
concomitantemente mais de uma entidade (art. 24, CF/88); |
||
|
. |
Suplementar: cabe a uma dasentidadesestabelecer regrasgerais |
|
|
eã outra acomplementação dos comandos normativos (arts. 24 |
, |
|
7 . 2
§ 2.°, e 30, II, CF/88).
Quarito à origem
Diz respeito à fonte da competência (ao início) , e será:
a) Originária: quando desde o início é estabelecida em favor de uma entidade. Por exemplo, Constituição Federal de 1988.
b) Delegada: quando a entidade recebe sua competência por delegação daquelaqueatem originariamente. Por exemplo , parágrafo único do
art. 22 da CF/88.
1 . 3
Quanto ao conteúdo
Pode ser política , social, financeira, económica, administrativa e
tributária.
1 . 4
Quanto à forma
De que modo a competência é externada:
a) enumeradaou expressa: quando estabelecidademodo expresso . Por
exemplo, arts. 21 e 22 da CF/88;
b) expressamente incluída naenumeração. Éa competência quesobra
reservada ou remanescente: quando compreende toda a matéria não
paraumaentidadeapósacompetênciadeoutra (art. 25, § 1,°, CF/88);
Cap. 11 . REPARTIÇÃO DASCOMPETÊNCIASCONSTITUCIONAIS
89
c) residual: é a competência que sobra após enumeração exaustiva
das competências de todas as entidades. Assim , é possível que uma
entidade tenha competência enumerada e residual ,
pois pode ainda
sobrar competência após a enumeração de todas. É a competência
que a União tem em matéria tributária (art. 154,1, CF/88);
d) implícita ou resultante: quando decorrente da natureza dos poderes expressos, sendo estes absolutamente necessários para que possam
ser exercidos. Nem precisam ser mencionados , pois sua existência é
mera decorrência natural dos expressos.
7 . 5 Quanto à extensão: a quem cabe
a) Exclusiva: cabe apenas a uma entidade , com exclusão das demais,
sem possibilidade de delegação (art. 21 , CF/88).
b) Privativa: épassível dedelegação , emborasejaprópriadeumaentidade (art. 22, parágrafo único, CF/88).
c) Comum, paralelaoucumulativa: quandoexistirumcampodeatuação
comum àsváriasentidades,sem queo exercíciodeumavenhaexcluir a competência da outra, atuando todasjuntas e em pé de igualdade
(art. 23, CF/88).
d) Concorrente: quando houver possibilidade de disposição sobre o
m esm o assunto ou m atéria , por maisdeumaentidadefederativa, com
primazia da União no que tange às regras gerais (art. 24, CF/88).
e) Suplementar: éopoderdeformularnormasquedesdobremoconteúdo de princípios ou de normas gerais , ou que supram a ausência ou a
omissão destas (art.
24 , §§ 1.° a 4.°, CF/88).
Em síntese , para o Exame de Ordem dosAdvogados do Brasil, devemos
lembrar o seguinte:
a) Competência não legislativa (administrativa):
|
. |
Exclusiva da União (art . 21, CF/88); |
|
. |
Comum da União , dos Estados, do Distrito Federal e dos |
Municípios: todos os entes da Federação podem agir de forma
independente (art. 23 , CF/88).
b) Competência legislativa:
.
Exclusiva: cabeapenas aumaentidade o poder delegislar, sendo inadmissível qualquer delegação (art . 21, CF/88);
90
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
.
.
Privativa: da União , delegável aos Estadospor lei complementar
(art. 22, parágrafo único, CF/88);
Concorrente: da União , dos Estados e do Distrito Federal, que
devem agir de forma coordenada, segundo estabelecido nos
parágrafos do art. 24 da CF/88: " § 1.° No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. § 2. ° A competência da União para legislar sobre normas geraisnão exclui a competência suplementar dos Estados.
§ 3.° Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados
exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas
peculiaridades. §4. ° Asuperveniênciadelei federal sobrenormas
geraissuspendeaeficáciadalei estadual,noquelheforcontrá i o " ;
r
Residual dos Estados: art . 25, § 1.°, da CF/88: "São reservadas
aosEstadosascompetênciasquenãolhessejamvedadaspor esta
Constituição" - isto é, aquelas não entregues expressamente à
União ou aos Municípios;
Local: privativa dos Municípios para legislar sobre assuntos de
interesse local: art. 30,1, da CF/88;
Obs. Suplementar dos Municípios em relação à legislação federal e
.
.
estadual: art. 30, II, da CF/88.
4 cuidado
à O Município pode legislar em matéria decompetencia legislativa
,
,
,
, .
,
concorrentedesdequesuplementea legislaçãofederal eestadual
e que a matéria seja de interesse local: art. 30, I e II,
art. 24, CF/88).
c/c § 2. ° do
. Cumulativa do Distrito Federal: art . 32, § 1.°, CF/88: "Ao Distrito
Federal são atribuídasascompetênciaslegislativasreservadasaos
Estados e Municípios".
Destaque-se a previsão constitucional dos arts. 147 e 155 da CF/88:
" Art. 147. Competem à União, em Território Federal, os impostos estaduais
e , se o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os
impostos municipais; ao Distrito Federal cabem os impostos municipais"; " Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos
Cap. 11 . REPARTIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS
9 1
sobre: I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de
serviçosdetransporteinterestadual eintermunicipal edecomunicação , ainda
que as operações e as prestações se iniciem no exterior; III - propriedade de
veículos automotores "
.
Competências Constitucionais Privativas.
"C
ompetência privativa da União para legislar sobre serviço
postal. É pacífico o entendimento deste Supremo Tribunal
quanto à inconstitucionalidade de normas estaduais que te-
nham como objeto matériasdecompetência legislativa priva-
tiva da União. Precedentes: Adins 2.815, Sepúlveda Pertence (propagandacomercial), 2.796-MC, Gilmar Mendes(trânsito), 1 . 918, Maurício Corrêa(propriedadee intervenção nodomínio
económico), 1.704, CarlosVelloso(trânsito), 953, Eilen Gracie
(relaçõesdetrabalho), 2.336, NelsonJobim (direitoprocessual),
2 . 064, Maurício Corrêa (trânsito)e 329, Eilen Gracie (atividades
nucleares). O serviço postal está no rol das matérias cuja nor-
matizaçãoédecompetênciaprivativada União (CF, art.22,V).
Éa União, ainda, porforçadoart. 21, XdaConstituição, oente
note
BEM
da Federação responsável pela manutençãodesta modalidade de serviço público" (STF, ADI 3.080, j. 02.08.2004, rei. Min.
Eilen Gracie, DJde 27-08-2004).
" Invadeacompetênciada União, normaestadual quedisciplina
matéria referenteaovalorquedevaserdado a umacausa, tema especificamente inserido no campo do direito processual " (STF, ADIn 2.655, j. 09.03.2004, rei. Min. Eilen Gracie, DJ
26.03.2004). "OTribunal concedeu medida liminar em ação
diretade inconstitucionalidadeajuizadapeloConselho Federal
da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB para suspender a
eficácia, ex nunc, do art. 7.° da Lei 6.816/2007, do Estado de
Alagoas, quecondiciona a interposição de recurso inominado
cível nos Juizados Especiais do referido Estado-membro ao recolhimento das custas judiciais e do depósito recursal.
Entendeu-se que a norma impugnada, em princípio, usurpa
a competência privativa da União para legislar sobre direito
bemcomoofendeasgarantiasdo amploacesso
à jurisdição, do devido processo legal, da ampla defesa e do
" (STF, ADIn 4.161-MC, j. 29.10.2008, rei.
processual (
),
contraditório (
)
Min. Menezes Direito, Informativo 526).
92 DIREITO CONSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
"O Tribunal , por maioria, concedeu habeascorpus impetrado
em favor de condenado pela prática do delito previsto no
art. 157, § 2. ° ,
I e II, do CP, e declarou, incidenter tantum, a
inconstitucionalidade formal da Lei paulista 11.819/2005,
que previu a utilização de aparelho de videoconferência nos procedimentos judiciais destinados ao interrogatório e
à audiência de presos - v. Informativo 518. Na espécie, o
interrogatório do paciente, a despeito da discordância de sua
defesa, realizara-se sem a presença do paciente na sala da audiência, por meio da videoconferência. Entendeu-se que a norma em questão teria invadido a competência privativa da
União para legislarsobredireito processual" (STF, HC90.900,
rei. p/oac. Min. Menezes Direito, j. 30.10.2008, Informativo
526). No mesmo sentido: HC 91.859, j. 04.11.2008, rei. Min.
Carlos Britto, 1 ,aT., DJe 13.03.2009.
Intervenção federal
No Estado Federal , a autonomiadosentesfederativos (Estados, Distrito
Federal eMunicípios) temcomocaracterísticaacapacidadedeautoconstitui-
ção enormatização,autogovernoeautoadministração. No entanto,admite-se
o afastamento dessa autonomia política com o objetivo de preservar a exis- tência e a unidade da própria Federação por meio da intervenção.
Aintervençãoémedidaexcepcional esódeveocorrernoscasosprevistos
expressamente na Constituição (arts. 34 e 35 , CF/88).
Na atualidade , a União poderá intervir nos Estados-membros e no Dis-
trito Federal , enquanto os Estados-membros somente poderão intervir nos Municípios localizados em seus respectivos territórios .
Infere-se que a União não pode intervir diretamente nos Municípios
brasileiros , salvo selocalizadosem Território Federal (art. 35, caput, CF/88).
Cumpre lembrar que atualmente não existem Territórios Federais .
1 .
1 .
1
PRO C ED IM ENTO
Iniciativa
A Constituição Federal vigente , dependendo da hipótese prevista para a intervenção federal , indica quem poderá deflagrar o procedimento inter-
ventivo. Estão previstos:
a) o Presidente da República , nas hipóteses dos incisos I, II, III e V do
art. 34, pode, de ofício, decretar a intervenção federal (intervenção espontânea);
b) solicitação dos Poderes locais (art. 34 , IV): os Poderes Legislativo
(Assembleia ou Câmara Legislativa) e Executivo (Governador do
Estado ou do Distrito Federal) locais solicitarão ao Presidente da
94 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
República a decretação de intervenção no caso de estarem sofrendo
coação no exercício de suas funções.
O PoderJudiciário local, por sua vez, solicitará a intervenção ao Supre- mo Tribunal Federal (STF), que, se for o caso, a requisitará ao Presidente da República;
c) requisição do STF (Supremo Tribunal Federal), do STJ (Superior
Tribunal de Justiça) ou do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), na
hipótese dedesobediência a ordem ou decisãojudiciária (art. 34, VI, segunda parte). Desse modo, o STJ e o TSE requisitam ao Presidente daRepúblicaadecretaçãodaintervençãosedescumpridassuasordens judiciárias. Ao STF, além do descumprimento de suas ordens ou decisõesjudiciais, cabe exclusivamente a requisição de intervenção
paraassegurar a execução de decisõesdasjustiças Federal, Estadual, do Trabalho ou Militar. Cumpre destacar quesomente o Tribunal de
Justiça local tem legitimidade para encaminhar ao STF o pedido de
intervenção baseado em descumprimento desuasprópriasdecisões;
d)ações propostas pelo Procurador-Geral da República (PGR)
nas hipóteses do art. 34, VI e VII, endereçadas ao STF (Ação de
Executoriedade de Lei Federal e ADIn Interventiva - art. 36, III).
7 . 2 Fasejudicial
Somente nos casos previstos no item IV supracitado o Procurador-
- Geral da República tem legitimidade para propor as ações, e o STF, para
prosseguimento da intervenção, devejulgar procedentesasaçõespropostas,
encaminhando a decisão ao Presidente da República para fins do decreto
interventivo. Nesses casos, a decretação da intervenção é ato vinculado, e o
PresidenteapenasformalizaadecisãotomadapeloórgãodoPoderjudiciário.
1 . 3
Decreto interventivo
O decreto presidencial formalizaa intervenção (art. 84, X, CF/88), e, ao ser publicado, tornar-se-á imediatamente eficaz, legitimando osdemaisatos
atinentes à intervenção.
O decreto deintervenção deveespecificar aamplitude, o prazo eas con-
diçõesde execução e, senecessário, afastar asautoridadeslocais e nomear um
interventor, submetendo essadecisão àapreciação do Congresso Nacional no
prazo de 24 horas (art. 36, § 1. °
, da CF/88; obs.: a autorização é por decreto
legislativo- art. 49, IV, da CF/88). É medida temporária e excepcional.
Cap. 12 . INTERVENÇÃO FEDERAL
95
Nos casos de intervenções de ofício , previstos no art. 34,1, II, III e V, o
Presidente ouvirá os Conselhos da República (art . 90,1, CF/88) e de Defesa
Nacional (art. 91 , § 1.°, II, CF/88), que opinarão a respeito. Após, poderá
discricionariamente decretar a intervenção no Estado-membro .
O interventor é considerado , para todososefeitos legais, como servidor públicofederal, esuacompetênciaefunçõesdependerãodoslimitesprevistos
no decreto intervçntivo.
1 . 4 Controlepolítico
Realizado pelo Congresso Nacional , noprazo de 24 horasdesuadecreta-
ção,quepoderárejeitarou, mediantedecretolegislativo,aprovaraintervenção
federal (art. 49 , IV, da CF/88).
Se o Congresso Nacional não aprovar a intervenção , o Presidente deverá
cassá-la imediatamente , sob pena de crime de responsabilidade (art. 85, II,
CF/88).
Nas hipóteses do art. 34 , VI e VII, o controle político será dispensado
(art. 36, § 3.°, CF/88); bem como no caso do art. 34, IV, por requisição do
STFacionadopeloPoderJudiciárioEstadual (TJ) coagido (art. 36 , 1 , CF/88).
7 . 5 Controlejurisdicional
Destaque-sequeo PoderJudiciário deverá corrigir osabusos e as ilega-
lidades cometidos durante a intervenção federal .
Quadro comparativo da Intervenção Federal:
Intervenção federal comum
ou recorrente
Art. 34 da CF/88 - Da União nos Esta-
dos-membros e no Distrito Federal
Intervenção federal comum ou recorrente
A) De ofício: art. 34, incisos I, II, III e V
Intervenção federal anómala
ou incomum
Art. 35 da CF/88 - 2.a parte - Da União
nos municípios localizados em territó-
rio federal
B) Por solicitação dos poderes: art. 34, inciso IV
C) Por requisição judicial: art. 34, incisos VI eVIl
9 6
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Sobreotema intervençãoo STFjásemanifestou noseguinte
sentido:
note
" Em conclusão, o Tribunal, por maioria, julgou improcedente
pedido formulado em ação direta de inconstitucionalidade pro- postapelo Procurador-Geral da Repúblicacontrao art. 5. ° da Lei 11.105/2005 (Lei da Biossegurança), que permite, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias
obtidasdeembriõeshumanosproduzidosporfertilização/V?vitro enão usadosnorespectivo procedimento, eestabelececondições
para essa utilização - v. Informativo 497. Prevaleceu o voto do
Min. Carlos Britto, relator. Nos termos do seu voto, salientou,
inicialmente, queoartigo impugnadoseria um bem concatenado bloco normativo que, sob condições de incidência explícitas, cumulativaserazoáveis, contribuiriaparaodesenvolvimentodeli-
nhasdepesquisacientíficadassupostaspropriedadesterapêuticas
de células extraídas de embrião humano in vitro. Esclareceu que
ascélulas-troncoembrionárias,pluripotentes,ouseja, capazesde originar todos ostecidos de um indivíduo adulto, constituiriam,
por isso, tipologiacelularqueofereceriamelhorespossibilidades
de recuperação da saúde de pessoas físicas ou naturais em situ- ações de anomalias ou graves incómodos genéticos. Asseverou
que as pessoasfísicasou naturais seriam apenas as que sobrevi-
vem ao parto, dotadasdo atributo a queo art. 2. ° do Código CiviI
denomina personalidade civil, assentando que a Constituição
Federal, quando se refere à "dignidade da pessoa humana" (art.
1 . ° , III), aos "direitosda pessoa humana" (art. 34, VII, b), ao "livre
exercício dos direitos
individuais " (art. 85, III) e aos "direitos e
garantias individuais " (art. 60, §4.°, IV), estaria falando
dedireitos
egarantiasdo indivíduo-pessoa. Assim, numa primeira síntese, a
Carta Magnanãofariadetodoequalquerestádiodavida humana
um autonomizado bem jurídico, masda vida quejá é própria de
umaconcretapessoa, porquenativiva, equeainviolabiIidadede
quetrata seu art. 5. ° diria respeito exclusivamentea um indivíduo
jápersonalizado" (STF,ADI 351O/DF, j.28e29.05.2008, rei. Min.
Carlos Britto).
Veja-se também a recente decisão do STF:
" Intervenção Federal no Distrito Federal e Crise Institucional. O
Tribunal, por maioria, julgou improcedente pedido de interven- ção federal no Distrito Federal, formulado pelo Procurador-Geral
da República, por alegada violação aos princípios republicano
Cap. 12 . INTERVENÇÃO FEDERAL
e democrático, bem como ao sistema representativo (CF , art.
34, II. Na espécie, o pedido de intervenção federal teria como
causa petendi, em suma, a alegação da existência de esquema
de corrupção que envolveria o ex-Covernador do DF , alguns
Deputados Distritais e suplentes, investigados pelo STJ , e cujo
concerto estaria promovendo a desmoralização das instituições
públicasecomprometendo ahigidezdo Estado Federal.Taisfatos
revelariamconspícuacriseinstitucional hábil acolocarem riscoas
atribuiçõespolítico-constitucionaisdosPoderesExecutivoeLegis-
lativoeprovocar instabilidadedaordemconstitucional brasileira. Preliminarmente, a Corte , por maioria, rejeitou requerimento do
Procurador-Geral da República nosentidodeadiarojulgamento da causa para a primeira data do mês de agosto em que a Corte
estivessecom suacomposição plena. Ao salientar a ansiedadeda
populaçãoporumarespostaprontadaCortequantoaopedidode
intervençãoeaproximidadedo inícioformal doperíodoeleitoral , reputou-seestar-sediantedequestão importantequedemandaria decisão o mais célere possível.Vencidos , no ponto, os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello que deferiam o adiamento , por considerarem que a análise da matéria recomendaria a presença
do quórum completo dos integrantes do Tribunal. No mérito ,
entendeu-se que o perfil do momento político-administrativo do Distrito Federal já não autorizaria a decretação de intervenção
federal, a qual se revelaria , agora, inadmissível perante a disso-
lução do quadro que se preordenaria a remediar . Asseverou-se que, desdearevelaçãodosfatos, osdiversosPodereseinstituições
públicascompetentesteriamdesencadeado, nodesempenho de
suas atribuições constitucionais , ações adequadas para pôr fim
à crise decorrente de um esquema sorrateiro de corrupção no
Distrito Federal. Observou-se, assim , que os fatos recentes não
deixariamdúvidadeque a metástasedacorrupção anunciada na
representação interventiva teria sido controlada por outros me-
canismos institucionais , menosagressivosaoorganismo distrital,
revelando a desnecessidade de se recorrer , neste momento, ao
antídoto extremo da intervenção , debaixo do pretexto de salvar
o ente público.Vencido o Min. Ayres Britto quejulgavao pedido
procedente. IF 5179/DF, rei. Min. Cezar Peluso, 30.06.2010" -
Informativo 593 do STF.
97
note
BEM
Estado de defesa
Éumasituaçãoemqueseorganizammedidasdestinadasadebelaramea-
çasàordem públicaeàpazsocial. Consistenainstauraçãodeumalegalidade
extraordináriapor certo tempo, em locais restritosedeterminados , mediante
decreto do Presidente da República, ouvidos o Conselho de República e o Conselho de DefesaNacional, parapreservar a ordem públicaou apaz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza (art. 136, CF/88).
O Conselho daRepúblicaeo deDefesaNacional são órgãos consultivos,
cuja opinião ou manifestação não vinculam o Presidente da República.
Constarãododecreto o tempo deduração, quenão poderásersuperior a
30dias, podendoser prorrogadoapenasumavez, por igual período ou menor ,
se persistirem as razões, a especificação das áreas abrangidas, a indicação de
medidas coercitivas , tais como restrições aos direitos de reunião, sigilo de
correspondência e de comunicação telegráfica e telefónica e também a ocu-
pação e o uso temporário de bens e serviços públicos (se a hipótese for de calamidadepública, respondendoaUnião pelosdanosecustosdecorrentes).
1 .
/ . /
CO NTRO LE D O ESTA DO D E D EFESA
Controle político
Depois de baixar o decreto , o Presidente da República, no prazo de 24
horas, o enviará com ajustificativa ao Congresso Nacional , que decidirá por
maioria absoluta (a autorização é dada por decreto legislativo - art . 49, IV,
CF/88). Se estiver em recesso , haverá convocação extraordinária em 5 dias.
O Congresso deve apreciar o decreto no prazo de 10 dias, a contar do seu re-
cebimento. Rejeitado o decreto, cessa imediatamenteo estado dedefesa , sem prejuízo da responsabilidade dos executores (art. 136, §§ 4.° a 7.°, CF/88).
100
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Concomitantemente, nos termos do art. 140 da CF/88, a Mesa do Con-
gresso Nacional designará comissão composta por cinco de seus membros
(das Mesas do Senado e da Câmara) paraacompanhar e fiscalizar a execução
das medidas.
Sucessivamente (parágrafo único do art. 141 da CF/88), logo que cessar o estado de defesa as medidas aplicadas na sua vigência serão relatadas pelo Presidenteda República em mensagem ao Congresso Nacional, com relação
nominal dosatingidoseindicação dasrestriçõesaplicadas. Seo Congresso não
aceitar ajustifi cativa, poderáser tipifi cado algum crime de responsabilidade
(art. 85 da CF/88 e Lei 1.079/1950).
1 . 2 Controlejurisdicional É previsto no § 3.° do art. 136 da CF/88. Quando da prisão por crime
contra o Estado, determinada pelo executor da medida, este a comunicará
imediatamente ao juiz, que a relaxará, se não for legal, facultado ao preso
requerer o exame de corpo de delito à autoridade policial (inciso I).
O estado físico e mental do detido no momento da autuação será decla-
rado pela autoridade (inciso II).
A prisão ou adetenção dequalquer pessoa não poderáser superior adez dias, salvo se autorizada pelo PoderJudiciário (inciso III).
Durante e ao término do estado de defesa, poderá ocorrer o controle
jurisdicional dos atos dos executores da medida que incorreram em abusos
ou ilícitos.
Estado de Defesa
Fundamento Constitucional: arts. 136 e 140/14 1 da CF/88
Motivo: Preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determi- nados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente insta- bilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na
natureza.
Prazo: Não será superior a trinta dias, podendo ser prorrogado uma vez, por igual período, se persistirem as razões que justificaram a sua decretação.
Direitos que podem ser limitados: a) reunião, ainda que exercida no seio das associações; b) sigilo de correspondência; c) sigilo de comunicação telegráfica e
telefónica.
Estado de sítio
cl KJ
Éainstauraçãodeumalegalidadeextraordinária , pordeterminado tempo
e em certa área, com o fim de preservar ou restaurar a normalidade constitu- cional perturbada por motivo de comoção grave de repercussão nacional ou por declaraçãodeestadodeguerraou respostaaagressãoarmadaestrangeira
- situação de beligerância com
Estado estrangeiro (arts .
137 a 139 , CF/88).
Além disso , pode ocorrer em virtude da ineficácia de medida tomada
durante o estado de defesa.
Comoção grave de repercussão nacional ocorre nos casos de rebelião
ou revolução interna.
No procedimento devem ser ouvidos os Conselhos de República e o de
DefesaNacional ehánecessidadedeautorizaçãopelovotodamaioriaabsoluta doCongressoNacional parasuadecretação (aautorização édadapordecreto
legislativo- art. 49 , IV, CF/88), em atendimento à solicitação fundamentada
do Presidente da República (art. 137 , CF/88).
Se o Congresso Nacional estiver em recesso , será convocado extraordi-
nariamentepelo Presidentedo Senado , parasereunir no prazo de5dias, afim deapreciar a solicitação. Caso conceda o estado desítio , deverá o Congresso Nacional permanecer em funcionamento (art . 138, CF/88).
O decreto de estado de sítio indicará sua duração (exceto em caso de
guerra), as normas necessáriasà sua execução e asgarantias constitucionais
queficarãosuspensas(somenteasdoart. 139nocasodo art. 137,1, daCF/88).
Em caso de guerra , a Constituição não estabelece limites.
1 .
/ . /
CONTROLE DO ESTADO DE SÍTIO
Controle político
a) Prévio: dependedeautorização do Congresso Nacional pelo voto da
maioria absoluta
(art. 137 , parágrafo único, CF/88); a autorização é
dada por decreto legislativo - art . 49, IV, CF/88).
102
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
b) Concomitante: cinco membrosda Mesado Congresso Nacional (art.
140, CF/88).
c) Sucessivo: relatório do Presidente da República em mensagem ao
Congresso Nacional (art. 141, parágrafo único, CF/88).
1 . 2 Controlejurisdicional
Durante o período de exceção, deverá o Poder Judiciário corrigir os
abusos e as ilegalidades, podendo ser usado o habeas corpus ou o mandado
de segurança. Da mesma forma, haverá a atuação desse órgão após o estado
de sítio.
Estado de sítio (artigos 137/141 da CF/88)
Motivo
Comoção grave de repercussão nacio- nal ou ocorrência de fatos que com- provem a ineficácia de medida toma-
da durante o estado de defesa;
Prazo: não poderá ser decretado por
mais de trinta dias, nem prorrogado,
de cada vez, por prazo superior;
Limites: art. 139 da CF/88 (I - obriga- ção de permanência em localidade
determinada; II - detenção em edifício
não destinado a acusados ou conde-
nados por crimes comuns; III - restri-
ções relativas à inviolabilidade da cor- respondência, ao sigilo das comunica- ções, à prestação de informações e à
liberdade de imprensa, radiodifusão e
televisão, na forma da lei; IV - suspen-
são da liberdade de reunião; V - busca
e apreensão em domicílio; VI - inter-
venção nas empresas de serviços pú-
blicos; VII - requisição de bens.)
Motivo
Declaração de estado de guerra ou res-
posta a agressão armada estrangeira.
Prazo: poderá ser decretado por todo o
tempo que perdurar a guerra ou a agres- são armada estrangeira.
Limites: não há limites em artigo espe-
cífico da Constituição, sendo possível a
pena de morte.
Cap. 14 . ESTADO DE SÍTIO
103
Coincidências entre Intervenção Federal, Estado de Defesa e Estado
de Sítio:
- Os três são cria dos por decreto do Presidente da República;
- Os três são limitações circunstanciais às emendas constitucionais
(art. 60, §1.°, CF);
- Os três são legalidades extraordinárias temporárias;
- Normalmente, devem ser ouvidos os Conselhos da República e de Defesa Nacional, sem prejuízo do controle político, feito pelo
Congresso Nacional, salvo nos casos de intervenção federal por
requisiçãojudicial.
iTlTl
AseparaçãodosPoderesfoi necessáriaemvirtudedosabusoscometidos pelos detentores do poder político. Foi estudada por diversos autores, tais
comoAristóteles, naobraPolítica;John Locke, emseu Tratadosobreogoverno;
Jean-Jacques Rousseau, no Contrato social; e Montesquieu, em sua célebre
obra O espírito das leis.
A divisão tenta impedir o arbítrio, estabelecendo um sistema de freios
econtrapesosem queos trêsPoderessão independentes, massubordinados
ao princípio daharmonia. Estenão significa nem domínio deum pelo outro nem usurpação de atribuições, mas a consciente colaboração e o controle
recíproco.
1 .
O PODER LEGISLATIVO
OPoderLegislativotemcomoconceitoclássicoopoderdefazer,emendar,
alterar e revogar as leis (arts. 44-75, CF/88). Entre nós, elesedivide em três
esferas.
7 . /
Esfera federal
O Congresso Nacional se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, integrados respectivamente por Deputados e Senadores
Federais. A organizaçãodoPoder Legislativofederal em doisramos- sistema
denominado bicameralismo (com restriçõesde 1934a 1937)- éuma tradição
constitucional brasileira.
Nobicameralismofederativobrasileironãohápredominânciasubstancial de uma Casa sobre a outra. Formalmente (procedimentalmente), contudo, a Câmara dos Deputados tem o privilégio referente ao início do processo
legislativofederal,poiséperanteelaqueoPresidentedaRepública,oSupremo
106
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Tribunal Federal , o Superior Tribunal deJustiça e os cidadãos promovem a
iniciativa do processo de elaboração das leis . Por conta disso , a Câmara dos DeputadoséchamadadeCasa iniciadora (arts. 61, § 2.°, 64 e 62 , § 8.°, CF/88).
Deve-seesclarecerqueasleisnacionaisou federaisdevemseraprovadas
pelasduasCasasdo CongressoNacional; dessemodo, depoisdeseraprovado
pela CâmaradosDeputados, o projetodelei deveser encaminhadoao Senado
Federal , que neste caso recebe o nome de Casa revisora (art. 65, CF/88).
Além disso , é possível que o Senado Federal seja a Casa iniciadora e a
Câmara dos Deputados seja a revisora se a iniciativa legislativa partir dos
Senadores.
1 .
1 .
1
Câmara dos Deputados
A CâmaradosDeputadosécompostaporrepresentantesdopovo , eleitos
atualmente pelos Estados e pelo Distrito Federal de acordo com o sistema
proporcional.
Oart. 45daConstituiçãoFederal estabelecequeaCâmaradosDeputados
terárepresentação proporcional ao númerodecadeirasdopartido políticode
cada unidade federativa e à população de cada Estado e do Distrito Federal . Cumpre observar que nenhuma das unidades federativas terá menos de oito
ou maisdesetentaDeputadosFederais , com exceção dosTerritóriosFederais
(se voltarem a existir), que elegerão quatro Deputados Federais.
7 . 7 . 2
Senado Federal
No sistema federalista , adotou-se a tese da necessidade do Senado como
câmara representativados Estados federados. Como versa o art . 46 da CF/88,
o Senado Federal serácomposto por representantesdosEstadosedo Distrito
Federal , eleitos segundo o princípio majoritário.
O número de Senadores é fi xo por unidade federativa , e cada Estado e o
Distrito Federal elegerão três Senadores , com mandato de8 anos. Destaque-
se que cada Senador será eleito com dois suplentes.
A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de
quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços.
7 . 2
Esfera estadual
O Poder Legislativo é composto por Deputados Estaduais , eleitos pelo sistema proporcional para um mandato de quatro anos . Sua Casa legislativa
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
107
éconhecidacomoAssembleiaLegislativa. O Distrito Federal possui Câmara
Legislativa, onde se reúnem os Deputados Distritais, também eleitos
pelo sistema proporcional para um mandato de quatro anos. As regras
da Constituição Federal de 1988 referentes aos membros do Congresso
Nacional aplicam-seaosDeputadosEstaduaiseDistritais (sistemaeleitoral,
inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda do mandato, licença,
impedimentos e incorporação às Forças Armadas- art. 27, § 1.°, e art. 32, §
3 . ° , da CF/88).
1 . 3 Esfera municipal
Temos os Vereadores Municipais compondo o Poder Legislativo. São
eleitos pelo sistema proporcional para um mandato de quatro anos, e sua
Casalegislativaéconhecidacomo CâmaraMunicipal. OsVereadoresgozam apenas das imunidades materiais (art. 29, VIII, CF/88). São em número de
9 a 55 (art. 29, IV, CF/88). Vereador também pode ser chamado de "edil".
2 .
PECULIARIDADES DO CONGRESSO NACIONAL
Funções atípicas: controle das contas públicas federais, autorização
para instauração de processo contra certas autoridades, julgamento de
crimesderesponsabilidade, alémdefunçõesmeramentedeliberativas, como autorizações paraviagens do Presidente, plebiscitos e referendos.
Aatividadede fi scalizaçãocontábil, fi nanceira,orçamentária,operacional
e patrimonial da União e de entidades da administração direta e indireta é
feitaporcadaPoder, internamente, epeloCongressoNacional, comoauxílio
do Tribunal de Contas da União (arts. 70-74, CF/88), abordado no
f
inal do
presentetópico. ExistemtambémTribunaisdeContasnosEstados,noDistrito Federal e em alguns Municípios (art. 75, CF/88).
A Câmara dos Deputados e o Senado Federal possuem seus respectivos
regimentos internos e órgãos próprios destinados a ordenar seus trabalhos.
Abaixo constam seus principais órgãos.
2 . 1 Mesas da Câmara dos Deputados, do Senado e do Congresso
Nacional
As Mesas são órgãos diretivos da Câmara dos Deputados, do Senado e do Congresso Nacional. Normalmente, são compostas pelo Presidente,
dois Vice-Presidentes, quatro secretários e quatro suplentes, podendo sua
composição ser alterada pelos regimentos.
108
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Para assegurar a autonomia das Casas legislativas , as Mesas serão
compostaspormembrospertencentesaseusquadroseeleitosporseuspares .
O mandato para ocupar cargo na Mesa da respectiva Casa será de dois
an o s , elegendo-seosocupantesnoprimeiroanodalegislaturaesendovedada
a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente
(art. 57, § 4.°, CF/88). Porém, pode haver a reeleição se a Mesa for eleita nos dois últimos anos da legislatura.
A Mesado Congresso Nacional éconstituídapor membrosdasMesasdo
Senado e da Câmara. A presidência é exercida pelo Presidente do Senado , e
os demaiscargosserão ocupadosalternadamente pelosocupantesdecargos
equivalentes na Câmara dos Deputados e no Senado Federal (art . 57, § 5.° ,
CF/88).
A Constituição Federal estabelece certas atribuições para as Mesas ,
tais como convocar Ministros para comparecimento (art . 50 , § 1.°, CF/88);
solicitar porescritoinformaçõesaosMinistrosdeEstado (art . 50, § 2.°, CF/88);
provocar a perda de mandato (art. 55, § 2.°, da CF/88); declarar a perda do
mandato (art. 55 , § 3.°, CF/88); propor ação de inconstitucionalidade (art.
103 , II e III, CF/88).
2 . 2 Comissõesparlamentares
As comissões parlamentares são comissões formadas por membros
do Poder Legislativo encarregadas de estudar e examinar as proposições
legislativas e apresentar pareceres .
As comissões parlamentares podem ser temporárias ou especiais ,
permanentes, mistas e de inquérito.
As comissões parlamentares temporárias ou especiais são constituídas
paraopinarsobredeterminadasmatériaseseextinguemcomopreenchimento
do fim a que se destinam.
Ascomissõesparlamentarespermanentessãoasquesubsistematravésdas
legislaturas, organizando-se em razão da matéria . Normalmente , coincidem com o campo funcional dos Ministérios (art. 58 , § 2.°, CF/88). São também
chamadas de comissões temáticas.
As comissões parlamentares mistas são as compostas por Deputados e Senadoresfederaiscomoobjetivodeapreciarassuntosexpressamentefixados ,
em especial aquelesquedevam ser decididospelo Congresso Nacional (arts .
62, §9.°, 72,166, § 1.°, CF/88).
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
109
A comissão parlamentar de inquérito é uma comissão nomeada por
uma Câmara, composta por membros desta e que agem em seu nome para realizar umainvestigaçãosobredeterminadoobjeto. Esseobjeto podeser um fato ou um conjunto de fatosalusivos a acontecimentospolíticos, abusos ou
ilegalidades da Administração, questões financeiras, agrícolas, industriais,
entre outros, desde que atinentes à boa atividade do Estado.
No direito brasileiro, a comissão parlamentar de inquérito pode ser
constituída no âmbito federal, bem como na esfera estadual, municipal e distrital. Na esfera federal e distrital é também chamada de CPI, enquanto
nas esferas estadual e municipal, além dessa denominação, é conhecida por Comissão Especial de Inquérito (CEI). Observe-se que uma CPI no Distrito Federal (distrital),ou seja , promovidapelaCâmaraLegislativa,podeinvestigar
matérias de competência estadual e municipal, em virtude da competência
legislativa cumulativa do Distrito Federal (art. 32, § 1.°, CF/88).
Genericamente, uma comissão parlamentar de inquérito costuma ser
designadaporcomissãoespecial deinvestigaçãoou comissãodeinvestigação
parlamentar.
SãorequisitosconstitucionaisdeumaCPI naesferafederal: requerimento
de 1/3dosmembrosdarespectivacasa, parainvestigar fatodeterminado epor
prazocerto, com poderesprópriosdeautoridadesjudiciais. Suasconclusões, se for o caso, serão encaminhadas ao Ministério Público, que promoverá a
responsabilidade civil e criminal dos infratores (art. 58, § 3. ° , CF/88).
Na atualidade, a Lei 1.579, de 18.03.1952, a Lei 4.595, de 31.12.1964, a
Lei 10.001 , de04.09.2000, ea Lei 10.679, de 23.05.2003, são asleis ordinárias
federais a tratar das comissões parlamentares de inquérito. A primeira regulamentaainvestigaçãoparlamentarprevistano art. 53 daConstituiçãode 1946;asegundaampliaopoder dascomissõesparlamentaresdeinquérito, ao
autorizar a quebrado sigilo bancário; e a terceiraestabeleceuma " prioridade "
de providências que devem ser adotadas nos procedimentos encaminhados
pelas CPIs. Destaque-se que a Lei 10.679/2003, alterando o art. 3. ° da Lei 1 . 579/1952 estabeleceu: "§ 2.° O depoente poderá fazer-se acompanhar de
advogado, aindaque em reunião secreta " . Por fim, aLei Complementar 105, de 10.01.2001, em seu art. 4.°, possibilita expressamente a quebra do sigilo
bancário pelas CPIs federais.
As comissões parlamentares de inquérito não podem ter mais poderes
que o Congresso ou Casa legislativa respectiva, ou reservados aos Poderes Executivo eJudiciário, ou que se contraponham aos direitos individuais.
110
DIREITO CO NSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Negam-se certos poderes compulsórios às comissões parlamentares de inquérito para o fi m de investigação. Elas não têm a faculdade de proceder , por si próprias, a sequestros, buscas e apreensões, de determinar prisões
provisórias, indisponibilidadedebens, interceptaçõestelefónicasedosdemais
meiosdecomunicação; não têm acesso aoslivrosmercantiseàescrituração das
sociedades mercantis , pois estas são atividades da órbita do PoderJudiciário
(reserva de jurisdição). Nada impede que, se houver necessidade de tais medidas, as CPIs recorram a este Poder para viabilizá-las. Osparlamentaresquecompõemascomissõesparlamentaresdeinquérito
nãodevemanteciparopiniõesefazeracusações,bemcomodesconheceropapel
do advogado. Além disso , não devem transformá-las em palanques eleitorais ou em instrumento de ofensa à dignidade dos cidadãos convocados a depor.
Exigem-se dos parlamentares imparcialidade , discrição, respeito aos
direitos constitucionais e ao formalismo processual atinente a qualquer investigação,sobpenadeinvalidaçãodostrabalhosdeinvestigaçãopelo Poder Judiciário, que tem o importantíssimo papel de assegurar que as comissões parlamentares de inquérito, bem como todos os demais entes da sociedade,
atuem no estreito caminho da legalidade.
O início dos trabalhos de uma comissão parlamentar de inquérito não
impede quese proceda a uma investigação pelos órgãos do Poder Executivo
ou do PoderJudiciário, e vice-versa.
Não cabe a uma comissão parlamentar de inquérito questionar a
discricionariedade de atos administrativos ou a fundamentação jurídica de uma decisãojudicial, uma vez que existem mecanismos legais para tanto.
Os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito devem , no máximo, findar com a legislatura que a instituiu, ou antes, pelo decurso do prazo
estabelecidonoRegimentoInternooupelarealizaçãodosfinsaquesedestinou.
Os mecanismos de instrução das comissões parlamentares de inquérito podem ser os mesmos utilizados nos juízos civil, administrativo e penal. No Brasil , de regra, são usadas as disposições do Código de Processo Penal, havendo liberdade para que os parlamentares conduzam as investigações da maneira que melhor lhes aprouver, desde que não cometam abusos ou
ilegalidades. Dessaforma , podem fazer visitasem determinadoslocais,pedir
perícias ou exames laboratoriais, notifi car pessoas, realizar oitivas, pedir a
quebradosigilo telefónico, bancário, (art. 4. ° , § 1.°, LC105/2001), telemático
e fi scal (nessescasosdequebradesigilo, podemrealizá-laas CPIsfederais- da
Câmara dos Deputados, do Senado Federal e mista), entre outros. Destaque- se que, no segundo semestre de 2004, o STF autorizou queas CPIs estaduais
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
111
quebrassem diretamente o sigilo bancário (mandado de segurança movido pela Assembleia Legislativa do Rio deJaneiro contra ato do Banco Central - CPI da Loterj-, Informativo doSTF 408, de 16.11.2005, ACO 730/RJ).
Ao findarem seus trabalhos, devem as comissões parlamentares de inquérito apresentarum relatório, quepodeconter adecisãodearquivamento ouderemessadoprocedimentoàsautoridadescompetentesparaqueprocedam
na forma da lei (ver art. 58, § 3. ° , da CF/88).
Quanto à limitação de poderes das CPIs, é recomendada a leitura do Informativodo5TF416: "CPI- Poderes- Presençadeadvogado".Normalmente, cabe mandado de segurança ou habeas corpus contra os abusos cometidos
por parlamentares na condução dos trabalhos investigatórios: se for contra
representantes do Congresso Nacional ou de suas Casas, o foro é o Supremo
Tribunal Federal; se for contra representantes das Assembleias Legislativas
ou da Câmara Legislativa, o foro é o Tribunal deJustiça local; e se for contra representantes da Câmara Municipal, o foro é ojuiz de direito da comarca.
note
Conforme decidiu o STF, nenhuma CPI pode determinar a interceptaçãotelefónica(grampo), expedirmandadode prisão
(só quem pode expedir o mandado de prisão é a autoridade judicial. Nãoconfundircom prisãoemflagrante, poisesta pode
ser feita por qualquer do povo) e expedir mandado de busca
e apreensão - (STF, MS27.483, j. 14.08.2008, rei. Min. Cezar Peluso, DJ de 10.10.2008 e, STF, MS 23.652, j. 22.11.2000,
rei. Min. Celso de Mello, DJ de 16.02.2001.)
AsCPIsfederais,estaduaisedistritaispodemrequererdiretamente
aosórgãos, desdequeofaçamfundamentadamente, asquebras
desigilo: bancário (extratos), telefónico (extratos)efiscal (cópia
da declaração de imposto de renda) - (STF, MS 23.466, j.
04.05.2000, rei. Min. Sepúlveda Pertence, DJ06.04.2001. As CPIs Municipais, se quiserem, devem requerer ao juiz
criminal da Comarca.
Cada CPI investiga aquilo que o respectivo legislativo pode
legislar ou fiscalizar.
" AsComissões Parlamentaresde Inquérito não podem decretar
a condução coercitiva de testemunha, busca e apreensões,
indisponibilidade de bens e prisão temporária" (STF, HC
88.015/DF e MS 25.832/DF- Informativo 416).
112
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
2 . 3 Polícia e serviços administrativos
AsCasasdoCongressoNacionalpossuemumcorpodesegurançapróprio ,
destinado ao policiamento interno , bem como há serviços administrativos,
que são as secretarias, incluindo serviços gráficos, bibliotecas e assessorias,
regulados nos respectivos regimentos internos .
2 . 4 Comissão representativa
A Comissão representativa tem por função representar o Congresso
Nacional duranteorecessoparlamentar (art . 58, §4.°). Orecessoparlamentar
ocorre normalmente nos períodos de 18 a 31 dejulho e de 23 de dezembro
a 1. ° de fevereiro.
2 . 5 Funcionamento do Congresso Nacional
O Congresso Nacional realiza suas atividades por legislaturas , sessões
legislativasordináriasouextraordinárias , sessõesordináriasou extraordinárias.
A legislatura tem duração de quatro anos (parágrafo único do art . 44 ,
CF/88) ecorrespondeao período quevai do início do mandato dos membros
da Câmara dos Deputados até seu término , pois o Senado é contínuo, sendo
renovado apenasparcialmente (por um terço edois terços) em cadaperíodo
de quatro anos (§ 2.° do art. 46 , CF/88).
SessãoLegislativaOrdinária: éoperíodoanual emquedeveestarreunido
o Congresso para os trabalhos legislativos . Divide-se em dois períodos: de
02.02 a 17.07 e de 01.08 a 22.12. Cumpre observar que não há interrupção
da sessão legislativa se o projeto de lei de diretrizes orçamentárias não for
aprovado (art. 57 , caput e § 2. ° , CF/88). Noprimeiroanodalegislaturaasessão
legislativa ordinária começa em 01.02 (art . 57, § 4.° , CF/88).
Recesso Parlamentar: é o intervalo entre osperíodos legislativos eserve paraodescansodosparlamentares. Duranteorecesso, oCongressoNacional
só funciona se for convocado extraordinariamente . Nesseperíodo , como visto,
funcionará a Comissão representativa do Congresso (art . 58, § 4.°, CF/88).
A convocação extraordinária está regulada no art . 57, §§ 6.° e 7.°, CF/88. Se
esta ocorrer ,
teremos a sessão legislativa extraordinária.
Sessões Ordinárias: são as reuniões diárias dos congressistas , que se processam nos dias úteis (de segunda a sexta-feira). São reguladas pelos
regimentos internos.
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
113
Nesse horário ou em outro realizam-se também sessões solenes de
comemoração de datas ou feitos históricos , de reverência à memória de
pessoas ilustres ou de recepção de personalidades estrangeiras em visita
ao País. E no início decadalegislaturaocorrem , a partir de 1. ° de fevereiro,
as sessões preparatórias e as sessões de organização do Congresso e de
suas Casas.
Sessões Extraordinárias: são aquelas realizadas fora do horário prees- tabelecido para apreciar matéria determinada ou concluir a apreciação do quejá tenha tido a discussão iniciada.
Reuniões Conjuntas: a Constituição prevê hipóteses em que as Casas do Congresso Nacional sereunirãoemsessãoconjunta (art. 57, § 3.°, da CF/88) , por exemplo, parainaugurar asessão legislativa, conhecerdoveto esobreele
deliberar, entre outras finalidades.
2 . 6 Quorum para deliberação
2 . 6 . 1
Maioria simples
" Salvo disposição constitucional em contrário , as deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos , presente
a maioria absoluta de seus membros "
(art. 47 da CF/88). Levam-se em
consideração os presentes. Só haverá necessidade de maioria absoluta ou de
maioria qualificada quando a Constituição o exigir expressamente.
2 . 6 . 2
Maioria absoluta
Correspondeaoprimeironúmerointeirosuperior àmetadedosmembros
doCongresso, desuasCasasoudesuasComissões. Énecessária , por exemplo,
para alguns casos de perda do mandato parlamentar (art. 55, § 2.°, CF/88),
a rejeição do veto presidencial (art. 66, § 4.°, CF/88), a aprovação de leis complementares (art. 69 da CF/88), a aprovação, pelo Senado Federal , de indicação do Presidente da República para o cargo de Ministro do STF (art. 101 , parágrafo único, CF/88), bem como a aprovação dos Ministros do STJ
(art. 104, parágrafo único, CF/88), entre outros.
Naatualidade, taisnúmerosnaesferafederal são: CâmaradosDeputados:
513 DeputadosFederais; maioriaabsoluta: 257 DeputadosFederais; Senado
Federal: 81 Senadores Federais; maioria absoluta: 41 Senadores Federais;
Congresso Nacional: 594 membros; maioria absoluta: 298 membros.
114
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
2 . 6 . 3
Maioria qualificada
Correspondea um número superior à maioriaabsoluta. Esses casossão
apenas os determinados expressamente pela Constituição. Exemplos: 2/3
dos Deputados Federais para autorizar a instauração de processo contra o Presidente da República (art. 51,1, CF/88); 3/5 dos membros de cada Casa para aprovação de projeto de emenda constitucional (art. 60, § 2. ° , CF/88); 2/3 do Senado Federal no julgamento do Presidente da República e outros por crime de responsabilidade (art. 52,1e II, c/c parágrafo único).
2 . 7 Prerrogativas dos congressistas
As prerrogativas dos congressistas são benefícios ligados ao cargo:
2 . 7 . 1
In violabilidade
Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer opiniões, palavras evotos. Isso significa que não cometem crime, pois não háilicitude (ato contrário à lei), nem respondem na ordem civil por
tais atos. A doutrina denomina essa inviolabilidade de "imunidade material
ou absoluta " (art. 53, caput, CF/88). A doutrina e ajurisprudência destacam que os referidos atos devem estar vinculados ao " exercício da atividade
parlamentar " . Desse modo, um parlamentar embriagado, em uma boate, na
madrugada, ofendendoaspessoas, nãoestaráprotegidopelainviolabilidade.
Destaque-se sobre o tema a seguinte decisão do STF: "A imunidade
material prevista no art. 53, caput, da Constituição não é absoluta, pois
somente se verifica nos casos em que a conduta possa ter alguma relação
com o exercício do mandato parlamentar. Embora a atividade jornalística
exercida pelo querelado não seja incompatível com atividade política, há indícios suficientemente robustos de que as declarações do querelado, além
de exorbitarem o limite da simples opinião, foram por ele proferidas na condição exclusiva de jornalista " (STF, Inq. 2,134, j. 23.03.2006, rei. Min.
Joaquim Barbosa, DJ de 02.02.2007).
2 . 7 . 2
Imunidadepropriamente dita ou "imunidade formal ou
relativa "
N este caso , o crime existe, porém podem ocorrer restrições quanto ao
processo ou à prisão do parlamentar.
Desdeaexpedição do diploma, osmembrosdo Congresso Nacional não
poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os
Cap. 15 .
A SEPARAÇÃO DOS PODERES
115
autos serão remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva , para que, pelo
voto da maioria de seus membros , resolvasobreaprisão (art. 53, § 2.°, CF/88). Recebida a denúncia contra Senador ou Deputado , por crime ocorrido
apósadiplomação , oSupremoTribunal Federal daráciênciaàCasarespectiva, que, por iniciativadepartidopolíticonelarepresentado epelovotodamaioria
de seus membros, poderá , até a decisão final, sustar o andamento da ação
(art. 53, §3.°, CF/88).
O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de 45 dias do seu recebimento pela Mesa Diretora (art . 53, §
4 . ° , CF/88).
A sustaçãodoprocessosuspendeaprescriçãoenquantodurar omandato
(art. 53, §5.°, CF/88).
Asimunidadesde Deputados ou Senadoressubsistirão duranteo estado
de sítio , só podendo ser suspensas mediante o voto de 2/3 dos membros da
Casa respectiva , nos casos de atos praticados fora do recinto do Congresso
Nacional incompatíveis com a execução da medida (art . 53, § 8.°, CF/88).
Ressalte-sequeambasasprerrogativascitadasaplicam-seaosDeputados
Estaduais e Distritais , com as devidas adaptações.
note
BEM
" A imunidade parlamentar não se estende ao corréu sem essa
prerrogativa " (Súmula 245 do STF).
2 . 7 . 3
Privilégio de foro
Os Deputados e Senadores Federais , desde a expedição do diploma, são
julgados perante o Supremo Tribunal Federal (art. 53, § 1.°, CF/88).
2 . 7 . 4
Limitação ao dever de testemunhar
O Código de Processo Penal estabelece , em seu art. 221, que, dentre
outras autoridades , os Deputados e Senadores Federais serão inquiridos em
local , dia e hora previamente ajustados entre eles e ojuiz. Os congressistas,
contudo , não serão obrigadosa testemunhar sobreinformaçõesrecebidasou
prestadas em razão do exercício do mandato nem sobre as pessoas que lhes
confiaram ou deles receberam informações (art . 53, § 6.°, CF/88).
116
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
2 . 7 . 5
Isenção do serviço militar
A incorporação dos congressistas (mesmo se militares e em caso de
guerra) às Forças Armadas depende da prévia licença da respectiva Casa
legislativa, salvo se renunciar ao mandato (art. 53, § 7.°, CF/88).
2 . 8 Incompatibilidades dos congressistas
As incompatibilidades dizem respeito a vedações impostas aos
congressistas e podem ser classificadas da seguinte forma:
2 . 8 . 7
Negociais
Vinculam-se a atos comerciais (desde a diplomação). É o caso do art.
54,1, a, da CF/88.
2 . 8 . 2
Funcionais
Dizem respeitobasicamenteaaceitarcargoou função. São oscasosdoart.
54,1, b (desde a diplomação), e II, b e d (desde a posse), da CF/88. Exceção:
art. 56,1, da CF/88.
2 . 8 . 3
Profissionais
Relacionam-se ao exercício de uma atividade laborativa. São os casos do
art. 54, II, a e c, da CF/88 (desde a posse).
2 . 9
Perda do mandato
Os casos de perda de mandato dos congressistas estão previstos no art.
55 da CF/88.
A doutrina, dentro doscasosdeperda, costumadiferençar acassação da extinção do mandato. A primeira refere-se à perda do mandato em virtude
de o parlamentar ter cometido falta funcional;já a segunda está relacionada
com a ocorrência de ato ou fato que torna automaticamente inexistente o mandato (morte, renúncia, ausência injustificada, entre outros).
Oscasosdecassação (incs. I,II eVI doart. 55da CF/88) são decididospela
maioriaabsolutadarespectivaCasa, porvotosecreto,medianteprovocaçãoda respectivaMesa ou de partido político representado no Congresso Nacional
(§ 2.° do art. 55 da CF/88).
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
117
Nos casos de extinção (incs. III a V do art. 55 da CF/88) , a perda será
apenas declarada pela Mesa da respectiva Casa legislativa , de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros ou de partido político
representado no Congresso Nacional (§ 3 . ° do art. 55 CF/88). Destaque-se que em ambos os casos é assegurada constitucionalmente
a ampla defesa.
2 . 10
Tribunal de Contas da União
OTribunal deContasdaUnião écompostopor noveMinistrosetemsede
noDistritoFederal. Temquadroprópriodepessoal ejurisdição(competência)
em todo o território nacional. Exerce , no que couber, as atividadesprevistas
no art. 96 (art. 73 , CF/88).
Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre os
brasileiros possuidores dos seguintes requisitos (§ 1 . ° do art. 73 da CF/88):
mais de 35 e menos de 65 anosde idade (inc . I); idoneidademoral ereputação
ilibada (inc. II); notórios conhecimentosjurídicos , contábeis, económicos e
financeirosou deadministraçãopública (inc . III); maisde dez anos de exercício
de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos
mencionados
anteriormente (inc. IV) .
Deverãoser escolhidosdaseguinteforma (§ 2 . ° do art. 73 da CF/88): 1/3 pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal, sendo dois
alternadamente dentre auditores e membros do Ministério Público , junto
ao Tribunal , indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo critérios de
antiguidade e merecimento; 2/3 pelo Congresso Nacional .
Cumprelembrarque , emboraos Membrosdo Tribunal de ContasdaUnião
sejam designados Ministros , não são eles magistrados. Todavia, por força do
art. 73, § 3. ° , da Constituição Federal de 1988, gozam das mesmasgarantias,
prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do
Superior Tribunal deJustiça. No que diz respeito à aposentadoria e pensão ,
deverão respeitar as regras contidas no art . 40 da Constituição.
Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte
legítimapara , naformadalei, denunciarirregularidadeouilegalidadeperante
oTribunal deContasdaUnião. Trata-sedaparticipaçãopopularnafiscalização
dos atos do Estado , exercida por meio do direito de petição (art. 5.°, XXXIV,
a , c/c art. 74, §2. ° da CF/88).
118 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
As Constituições Estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas
respectivos, que serão integrados por sete conselheiros (art. 75, parágrafo
único, CF/88).
De acordo com o texto constitucional, poderão existir também os TribunaisdeContasno DistritoFederal enosMunicípios,como, porexemplo,
em São Paulo e no Rio deJaneiro (arts. 75 e 31, CF/88).
Ressalte-se que o § 4.° do art. 31 da Constituição vigenteveda a criação
de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.
Dessemodo, osTribunaisdeContasMunicipaisqueexistem,sãoaqueles
criados até a entrada em vigor da Constituição Federal de 1988.
A doutrina afirma que o Tribunal de Contas é um órgão técnico e não jurisdicional; além disso,julgar contas ou a legalidade de atos para registro
é manifestamente atribuição de caráter técnico.
Na atual Constituição Federal, o Tribunal de Contas da União (TCU)
está previsto no art. 71 como auxiliar do Congresso Nacional, embora a ele não vinculado, cujas incumbências incluem: apreciar as contas prestadas
anualmentepeloPresidentedaRepública, medianteparecerprévioquedeverá
serelaboradonoprazode60diasacontardeseurecebimento;realizarinspeções
e auditorias de natureza contábil, financeira e orçamentária, além de outras
tarefas.
SúmulaVinculante 3: "Nos processos perante o Tribunal de
Contasda União asseguram-seo contraditório e a ampla de- fesaquandodadecisão puderresultaranulaçãoou revogação
deato administrativo quebeneficieo interessado, excetuada
a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão. "
" OTribunal deContas, noexercíciodesuasatribuições, pode
apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder
público. " (Súmula 347 do STF).
Além disso, o plenário do STF, no julgamento do MS25.092, firmou o entendimento de que as sociedades de economia
mista e asempresas públicasestão sujeitas à fiscalização do
Tribunal de Contas da União.
_
note
BEM
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
|
3 |
ESPÉCIES NORMATIVAS |
|
|
. |
||
3 .
/
Emenda constitucional
119
É um mecanismojurídico utilizado para alterar a Constituição (art. 60
da CF/88). Matériajáabordadaanteriormenteno tópico "Poder constituinte
derivado de reforma ou de emendabilidade".
3 . 2 Lei complementar
Tem o mesmo processo legislativo das leis ordinárias , com exceção do quorum, pois o art. 69 da CF/88 exige maioria absoluta. Desse modo , as matérias reservadas à lei complementar não podem ser tratadas por medida provisória ou lei delegada.
Destaque-se que a lei complementar só existe quando expressamente requisitada sua edição na própria Constituição (especificidade de matéria). Exemplos: impostosobregrandesfortunas (art. 153 , VII, da CF/88), Estatuto da Magistratura (art. 93 , caput, da CF/88), finançaspúblicas (art. 163,1aVII,
da CF/88), entre outros.
O quorum para aprovação é o de maioria absoluta; no mais, segue o
processo legislativo para elaboração das leis ordinárias. Destaque-se que todasasdeliberaçõesnasComissõeseno Plenárioserão tomadaspor maioria
absoluta, sob pena de inconstitucionalidade.
Não há proibição para a existência de Lei Complementar Estadual ,
Distrital ou Municipal , basta a previsão na respectiva norma fundamental
(Constituição Estadual, Lei Orgânica Distrital ou Lei Orgânica Municipal).
3 . 3
Lei ordinária
É a chamada lei comum , ou seja, tem incidência quando não háprevisão
específica.
A elaboração das leis ordinárias abrange três fases: a iniciativa , a
deliberação propriamente dita e a fase complementar.
3 . 3 . 1
Iniciativa
Designa a fase de apresentação do projeto de lei. O projeto de lei deve
ser articulado e devidamente fundamentado e justificado. São espécies de
iniciativa:
120 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Iniciativa geral - Projetos relativos a matérias não reservadas a órgãos
ou auto i dades específicas. Cabe ao eleitorado (iniciativa popular - art. 61, § 2.°, da CF/88: "A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à
Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelomenospor cinco Estados, com
não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles " ), ao Presidente da República, a qualquer membro ou comissão do Congresso ou
de suas Casas. Tal iniciativa também é chamada de concorrente.
Iniciativa reservada - Apresentada por certas autoridades em matérias
específicas, como o Presidente da República (arts. 61, § 1. ° , e 165 CF/88), o
Supremo Tribunal Federal (arts. 93 e 96, II, CF/88), os Tribunais Superiores
(art. 96, II, da CF/88) e os Procuradores-Gerais (art. 128, § 5.°, da CF/88).
r
3 . 3 . 2
Deliberação
Abrange os debates nas Comissões e no Plenário, podendo haver apresentaçãodeemendasemcadaumadasCasasdoCongressoeamanifestação
do Presidente da República.
A deliberaçãoéfeitaem cadaumadasCasasdo Congressoseparadamente,
devendo o projeto ser aprovado por maioria simples (art. 47 da CF/88). Trâmite:deregra,oprojetopassapelaComissãodeConstituiçãoejustiça,
que examina sua constitucionalidade nos aspectos material e formal, e por
comissões relacionadas à matéria debatida (educação, transportes, defesa
etc.). Em seguida, normalmente, o projeto é remetido ao Plenário para votação. Destaque-sequetanto nasComissõesquanto no Plenário podem ser
apresentadasemendasaoprojeto, istoé,proposiçõesacessó i asquemodificam
r
o texto original. Dependendo da matéria, pode ser dispensada a apreciação
do Plenário (art. 58, § 2.°, I, CF/88).
Aprovado o projeto na Casa iniciadora, ele é remetido à Casa revisora.
Lá passa também pelas Comissões e pelo Plenário, podendo ser rejeitado,
emendado ou aprovado (art. 65 da CF/88). Se for rejeitado, é arquivado, só podendo ser novamente apresentado na mesma sessão legislativa por
manifestação da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do
Congresso Nacional (art. 67 da CF/88). Se for aprovado por ambasas Casas,
o projeto éencaminhado paraaelaboração doautógrafo, queéo instrumento
formal deaprovação do Congresso Nacional. Depois, o projeto é remetido ao
Presidente da República para sanção ou veto.
Seoprojetofor emendado,voltaráà Casa iniciadora (art. 65 eparágrafo
único da CF/88), que apreciará apenas as emendas da Casa revisora
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
12 1
(princípio da primazia da apresentação do projeto), e será remetido em seguida para o autógrafo e depois para o Presidente da República para
sanção ou veto.
A sanção é a concordância do Presidente da República ao projeto de lei
aprovado pelo Poder Legislativo. A concordância pode ser expressa ou tácita
(noprazode 15dias, osilêncioimportarásanção: art. 66, § 3.°, daCF/88). Pela lógica,são 15diasúteis,pois,comoadianteseverá,ovetopodeser apresentado
nesse período, que é maior que 15 dias corridos. Não dependem de sanção do Presidente da República a emenda constitucional, o decreto legislativo,
resoluções das Casas legislativas, a convocação de plebiscito ou referendo,
en tre ou tros .
O veto é a discordância do Presidente da República em relação ao
projeto de lei aprovado, por entendê-lo inconstitucional ou contrário ao
interessepúblico. Oveto deveser apresentadoem 15diasúteis,eseusmotivos
comunicados ao Presidente do Senado em 48 horas (art. 66, § 1. ° , CF/88).
O veto pode abranger todo o projeto ou apenas parte dele, visto que "o veto parcial somenteabrangerá textointegral deartigo, deparágrafo, deinciso ou
de alínea" (art. 66, § 2.°, CF/88).
Noprazode30diasapartir dorecebimentopeloPresidentedo Senado, o
Congresso Nacional, em sessão conjunta, poderejeitar em escrutíniosecreto
o veto pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores (art. 66, §
4 . ° , CF/88). Se não houver deliberação em 30 dias, o projeto entra na ordem
do dia, impedindo deliberação sobre outras matérias (art. 66, § 6.°, CF/88).
Encerrada a apreciação do veto, o projeto é enviado ao Presidente da
República para promulgação. Se este não o fizer, o Presidente do Senado o fará. Sehouver a negativadeste, caberáao Vice-Presidente do Senado fazê-lo
(art. 66, §7.°, CF/88).
3 . 3 . 3
Fase complementar: promulgação e publicação
Apromulgaçãoéacomunicaçãodacriaçãodaleiaosseusdestinatários.É
atomeramenteformal eobrigatório, noqual aautoridadecompetenteafirma
que a norma foi criada segundo as regras pertinentes, passando a integrar
o ordenamento jurídico. Cabe ao Presidente da República promulgar a lei
no prazo de 48 horas após a sanção ou derrubada do veto. Se não o fizer, como visto anteriormente, devem fazê-lo em igual prazo, sucessivamente, o
Presidente ou o Vice-Presidente do Senado.
A publicação é o ato pelo qual se leva ao conhecimento público a existência da lei. A partir da publicação ou após o período de vacância, a lei
122
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
se torna exigível, obrigatória, e ninguém podedeixar de cumpri-la alegando
seu desconhecimento .
3 . 3 . 4
Regime de urgência
O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação
de projetos de sua iniciativa (art. 64, § 1.°, CF/88). Nesse caso, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal devem se manifestar sobre a proposição,
cada qual sucessivamente, em até 45 dias, sobrestando-se todas as demais deliberações legislativas da respectiva Casa, com exceção das que tenham
prazo constitucional determinado, até que se ultime a votação (art. 64, §
2 . ° , CF/88). Os prazos em questão não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos de código (art. 64, § 4.°,
CF/88). A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos
Deputados será feita no prazo de 10 dias (art. 64, § 3.°, CF/88).
3 . 4 Medida provisória (art. 62 da CF/88)
Em casoderelevânciaeurgência,o PresidentedaRepúblicapoderáadotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.
No § 1.° há o rol de matérias que não podem ser objeto de edição de
medidas provisórias:
" I - relativa a:
a) nacionalidade,cidadania,direitospolíticos, partidospolíticosedireito
eleitoral;
|
b) |
direito penal, processual penal e processual civil; |
|
c) |
organização do Poderjudiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; |
|
d) |
planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3. ° ; |
|
II |
- que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou |
qualquer outro ativo financeiro;
III - reservada a lei complementar;
IV-jádisciplinadaem projetodelei aprovadopelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do presidente da República "
.
No § 2.° háa previsão de que, através de medida provisória, é possível a instituição ou a majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153,1,
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
123
II , IV, V, e 154, II, massóproduzirá efeitosno exercício financeiro seguintese
a medida provisória houver sido convertida em lei até o último dia daquele
em que foi editada.
Atentar para a novidade introduzida pela EC 42/2003, ou seja, para a noventena, ou princípiodaanterioridadequalificadaou nonagesimal previstanoart. 150, III, c, daCF/88, queestabelece
o prazo de 90 dias da publicação da lei para a cobrança de
tributos.
note
BEM
No § 3.° há prazo para a eficácia da medida provisória: ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12, perderão a eficácia, desde a edição, se não forem
convertidasem lei no prazo de 60 dias, prorrogável, nos termosdo § 7. ° , um a
vezporigual período,devendoo CongressoNacional disciplinar,por decreto
legislativo, as relaçõesjurídicas delas decorrentes.
O §4.°estabelece: "Oprazoaqueserefereo §3.°contar-se-ádapublicação
da medida provisória, suspendendo-se durante os períodos de recesso do
Congresso Nacional".
O § 5.° prevê que a deliberação em cada uma das Casas do Congresso
Nacional sobre o mérito das medidas provisórias dependerá dejuízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais.
O § 6.° estabelece o regime de urgência: "Se a medida provisória não for
apreciadaematéquarentaecincodiascontadosdesuapublicação, entraráem
regimedeurgência,subsequentemente, emcadaumadascasasdoCongresso
Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais
deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando".
O § 7.° prevê que será prorrogada uma única vez, por igual período,
a vigência da medida provisória que, no prazo de 60 dias, contado da sua
publicação, não tiver sua votação encerrada nas duas Casas do Congresso
Nacional.
O § 8.° determina que a Câmara dos Deputados é a Casa iniciadora: "As
medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados "
.
O § 9.° estabelece a criação de uma comissão mista de Deputados e Senadores para examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer,
antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo Plenário de cada uma
das Casas do Congresso Nacional.
124
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
O § 10 prevê a vedação para reedição , na mesma sessão legislativa
(ordinária anual), de medida provisória que tenha sido rejeitada ou perdido
sua eficácia por decurso de prazo.
O § 11 estabeleceapossibilidadedeperpetuaçãoderelaçõesjurídicasem
virtudedainérciado Congresso Nacional: " Nãoeditado o decretolegislativo
a que se refere o § 3. ° até sessenta dias após a rejeição ou perda de efi cácia de
medida provisória , as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas".
O § 12 determina que, aprovado projeto de lei de conversão alterando
o texto original da medida provisória , esta será mantida integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto.
Destaque-se que existea possibilidade de regulamentação de artigosda
ConstituiçãoFederalvigentepormedidaprovisóriaapósapromulgaçãodaEC 32, de 11.09.2001, conformeseinferedaalteração feitanoart. 246: "Évedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada entre 1.°
dejaneiro de 1995 até a promulgação desta emenda , inclusive".
O art. 2.° daEC 32/2001 estabelece queas medidasprovisóriaseditadas em dataanterior àdapublicação desta emenda (11.09.2001 , pois tal emenda
foi publicadaem 12.09.2001) continuamemvigoratéquemedidaprovisória ulterior asrevogueexplicitamenteou atédeliberaçãodefinitivado Congresso
Nacional.
i m , deve-se esclarecer que, se a medida provisória (projeto de
conversão) for aprovada sem alteração em seu texto original , haverá
a promulgação pelo Presidente da Mesa do Congresso Nacional para a
publicação no Diário O i cial da União. Se houver alteração no projeto de
conversão da medida provisória, deverá ser seguido o processo legislativo
comum,ouseja,seráencaminhadoparaoPresidentedaRepúblicaparasanção
ou veto. Posteriormente, havendo a sanção ou derrubada do veto , segue-se
a promulgação e publicação do texto da lei pelo Presidente da República (previsão na Resolução 1/02-CN, arts. 12 e 13).
f
Por
f
3 . 5 Lei delegada
Trata-se da possibilidade de o Presidente da República pedir ao
Congresso Nacional, através de mensagem, delegação para legislar sobre
i xará os limites
certos assuntos. A delegação se efetiva por resolução que
f
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
125
(art. 68 da CF/88) e, eventualmente, a necessidade deaprovação do projeto
do Presidente pelo Congresso, em votação única, vedada qualquer emenda
(art. 68, §3.°, CF/88).
Nãopodemserobjetodelei delegadamatériasdecompetênciaexclusiva doCongressoNacional edesuasCasas,matériasreservadasàlei complementar
e relativas ao orçamento, à organização do Ministério Público e do Poder Judiciário eaquestõesreferentesàcidadania,aosdireitosindividuais,políticos
e eleitorais (art. 68, § 1. ° , CF/88).
As leis delegadas são pouco utilizadas, pois é mais fácil o Presidente da
República editar medida provisória.
3 . 6 Decreto legislativo
É uma espécie normativa de competência exclusiva do Congresso
Nacional, sendopromulgadopeloPresidentedo Senado, não sujeitoasanção
ou veto (art. 59, VI, CF/88). Pode tratar de matéria concreta (art. 49, II a VI, IX , XII, XVII, CF/88), de atos normativos e de matéria abstrata (art. 49, VII
e VIII, CF/88).
3.7 Resolução
Vincula-se às competências privativas de cada uma das Casas do Congresso Nacional (arts. 59, VII, 51 e 52 CF/88). Não estásujeitaasanção ou veto, sendo promulgada pela Mesa da Casa que a editou. Se for ato do Congresso Nacional, será promulgada pela Mesa do Senado (art. 68, § 2.°,
da CF/88).
São também previstasalgumas resoluçõescom efeitosexternos, como as
quevisam concretizar adelegaçãodecompetências, emcaráter temporário,do
Legislativo parao Executivo (art. 68 , § 2.°, CF/88), asuspensão daeficáciadelei
declaradainconstitucionalpelo SupremoTribunal Federal em controledifuso
de constitucionalidade (recurso extraordinário) (art. 52, X, CF/88) ou ainda
a fixação dealíquotasaplicáveisacertasoperações (art. 155, § 2. ° , IV, CF/88).
126
DIREITO CO NSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
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Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
|
4 |
PO DER EXECUTIVO |
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. |
||
127
O Poder Executivo é aquele que tem a finalidade (função típica) de
administrar egerenciar oEstado. RealizaatosdechefiadeEstado,degovernoe deadministração. Alémdisso, também exerceafunçãolegislativapormeiode
medidasprovisóriaseleisdelegadas. Participa, ainda, doprocessolegislativo
pelainiciativa,sançãoouvetoepromulgaçãodasleis. O Poder Executivoestá
previsto na Constituição Federal vigente no Capítulo 11 do Título IV (arts.
76-91). No Brasil, ele existe nas três esferas político-administrativas.
|
4 |
/ |
Esfera federal |
|
|
. |
|||
Échefiado pelo PresidentedaRepública (cidadão brasileiro nato, idade
mínima de 35 anos- art. 14, § 3 ° , VI, a, CF/88), tendo como auxiliaresdiretos
o Vice-Presidente e os Ministros de Estado.
4 . 2
Esfera estadual
ÉchefiadopeloGovernadordoEstado (cidadãobrasileiro, idademínima
de 30 anos - art. 14, § 3.°, VI, b, CF/88), tendo como auxiliares diretos o
Vice-Governador e os Secretários Estaduais. No Distrito Federal há também
Governador e Vice-Governador, porém existem Secretários Distritais.
4 . 3 Esfera municipal
Échefiadopelo PrefeitodoMunicípio (cidadãobrasileiro, idademínima
de 21 anos - art. 14, § 3.°, VI, c, CF/88), tendo como auxiliares diretos o
Vice-Prefeito e os Secretários Municipais. Destaque-se que em Municípios
com 200.000 eleitores ou menos a eleição é feita em um só turno (art. 29, II,
da CF/88).
O mandato dos chefes do Poder Executivo é de quatro anos , sendo
possível a reeleição por apenas um período subsequente (§ 5. ° do art. 14 da
CF/88). A eleição do Presidente da República e do Vice-Presidente com ele
registrado será realizada no primeiro domingo de outubro (primeiro turno)
e, se necessário, também no último domingo de outubro (segundo turno) do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente (art. 77 da
CF/88). Os vencedores devem alcançar a maioria absoluta de votos válidos
(sistemamajoritárioabsoluto),nãocomputadososbrancoseosnulos(art. 77,
§ 2.°, CF/88). Aposse seráno dia 1.° dejaneiro do ano seguinteàsua eleição,
perante o Congresso Nacional (art. 82 da CF/88). Se a posse de qualquer
128
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
deles não ocorrer em até 10 dias depois desse prazo , salvo motivo de força
m aior , o cargo será considerado vago (parágrafo único do art. 78 da CF/88).
Sobre a sucessão e a substituição do Presidente da República pode-se afirmar o que segue (arts. 79-81 , CF/88).
Em caso de sucessão , o Presidente da República não retornará mais
ao cargo que ocupava. São exemplos a morte , a invalidez permanente, o
impeachment , entre outros.
Havendo substituição , o Presidenteseafastapararetornarposteriormente
ao cargo. Por exemplo: a suspensão de suas funções em processo comum ou
de responsabilidade movido contra ele (art. 86 , § 1.°, CF/88), a licença para
tratamento de saúde etc.
O Presidente será substituído e sucedido pelo Vice-Presidente (art . 79 da CF/88) , e na falta deste, sucessivamente, pelo Presidente da Câmara dos
Deputados , peloPresidentedoSenadoFederal epeloPresidentedoSupremo
Tribunal Federal (art. 80 da CF/88).
A sucessão pelos três últimos é sempre provisória , pois, se vagarem os
cargos tanto dePresidentequanto deVice-Presidenteda República , deverão ser realizadas novas eleiçõespara o preenchimento deambos os cargos , e os
eleitosapenascompletarãooperíodoremanescentedomandatopresidencial
(art. 81, § 2.°, CF/88). No momento em que ocorrer a vacância de ambos os cargos, se faltarem maisde doisanospara o término do mandato , as eleições
serão diretas e realizadas em 90 dias (art. 81 , caput, CF/88). Se faltar período
inferior a dois anos , a eleição será indireta, pelo Congresso Nacional, em 30
dias (art. 81, § 1.°, CF/88).
O PresidenteeoVice-Presidentenãopoderão , sem licençado Congresso
Nacional, ausentar-se do País por período superior a 15 dias , sob pena de
perda do cargo (art. 83 da CF/88). O Presidente exerce o Poder Executivo auxiliado pelos Ministros de
Estado , nomeando-os e demitindo-os livremente. Os Ministros de Estado
serão escolhidos dentre brasileiros maiores de 21 anos e no exercício dos
direitos políticos. Destaque-se que o Ministro de Estado da Defesa deve ser
brasileiro nato. Suas funções estão descritas no art. 87 da CF/88 .
Compete ao Presidente da República (art. 84 da CF/88) , em especial:
4 . 4 Participação no processo legislativo
Nas leis ordinárias e complementares , o Presidente participa da fase de
iniciativa(apresentando projetos) , dafasedeliberativa (pormeiodasançãoou
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
129
doveto) edafasecomplementar (por meiodapromulgaçãoedeterminaçãode
publicação) - art. 84, III aV, da CF/88. Além disso, podeapresentar projetos
de emenda constitucional, editar medidas provisórias com força de lei (art. 84, XXVI, CF/88) e elaborar leis delegadas (art. 68 da CF/88).
4 . 5
Regulamentação das normas
Elaboração de decretos e regulamentos para assegurar a fiel execução
dasleis- o decreto éoveículo demanifestação do PresidentedaRepública. O presidenteexpede decretos denomeação, deremoção ou dedemissão. Além
disso, ao Executivo cabe regulamentar a lei para lhe dar aplicação .
4 . 6 Atuação no plano internacional
Cabeao Presidentemanter relaçõescom Estadosestrangeiroseacreditar seus representantes diplomáticos (art. 84 , VII, CF/88), celebrar tratados,
convençõese atosinternacionais ,
sujeitosaoreferendodoCongressoNacional
(art. 84, VIII, CF/88), declarar a guerra (art. 84, XIX, CF/88), celebrar a paz
(art. 84, XX, CF/88) e, ainda, autorizar, nos termosdelei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam
temporariamente (art. 84 , XXII, CF/88).
4 . 7 Atuação quanto ao funcionalismo público federal
Ao Presidente da República compete nomear e exonerar os Ministros de Estado livremente (art. 84 , I, CF/88), exercer a direção superior da administração federal (art. 84 , II, CF/88), dispor, mediante decreto, sobre sua organização e funcionamento (art. 84 , VI, CF/88) eprover e extinguir os cargos públicos federais (art. 84 , XXV, CF/88).
4 . 8 Atuação em relação às Forças Armadas
Ao Presidentecompeteexercer ocomandosupremodasForçasArmadas
(art. 84, XIII, da CF/88).
4 . 9 Nomeação de autoridades
Compete ao Presidente nomear , com a aprovação do Senado Federal,
os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores , os Governadores de Territórios , o Procurador-Geral daRepública, o Presidente
e os Diretores do Banco Central , os Ministros do Tribunal de Contas da
União (art. 84, XIV e XV , CF/88), e nomear livremente os magistrados, o
130 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Advogado-Geral da União, nos casos previstos na Constituição (art. 84,
XVI , CF/88), osmembrosdo Conselho de República, nos termosdo art. 89, VII, da CF/88 (art. 84, XVII, CF/88), os membros do Conselho Nacional
do Ministério Público e do Conselho Nacional de Justiça (arts. 130-A e
103-B da CF/88).
4 . 10
Conselho da República e Conselho de Defesa Nacional
Ambos são órgãos de consulta do Presidente da República e emitem pareceres não vinculativos, podendo ser acolhidos ou não. Conselho da República: órgão superior de consulta do Presidente da Repúblicacompostopor autoridadespúblicas, membrosdo Congressoeseis
cidadãos brasileiros natos (art. 89, VII, da CF/88), dois eleitos pela Câmara
dosDeputadosedoispeloSenado Federal (arts. 51, V, e 52, XIV, da CF/88) e
dois nomeados pelo Presidente da República.
O Conselho da República pronuncia-se sobre intervenção federal,
decretação de estado de defesa e estado de sítio e outras questões relevantes
paraa estabilidadedasinstituiçõesdemocráticas (art. 90 da CF/88).
Conselho de Defesa Nacional: composto pelo Vice-Presidente da
República,pelosPresidentesdaCâmaradosDeputadosedoSenadoFederal, pelosMinistrosdajustiça, deEstadoda Defesa, dasRelaçõesExterioresedo
PlanejamentoepelosComandantesdaMarinha, doExércitoedaAeronáutica
(art. 91 da CF/88).
Competeatal Conselhoopinaremmatériasrelativasàdefesadoterritório nacional, especialmente nas áreas de fronteiras, em decretação de estado de
defesa ou de sítio e intervenção federal.
4 . 11
Oimpeachment
O impeachment (impedimento) deveserentendidocomooprocessopelo
qual o Poder Legislativo puneaconduta daautoridadepúblicaquecometeu crimederesponsabilidade, destituindo-a do cargo eimpondo-lheuma pena
de caráter político.
No Brasil, o impeachment está previsto desde a Constituição de 1824 e
esteve presente em todas as Constituições republicanas.
Oart.86daConstituiçãoFederalvigentedivideoprocessodeimpeachment
em duas fases:
a) ACâmaradosDeputados,apósadmitidaaacusaçãofeitaporqualquer cidadão, limita-se pela maioria de 2/3 de seus membros a receber
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
131
ou não a denúncia. Esse ato de recebimento ou não da denúncia
,
decisão quenãojulgao mérito do processo , échamado peladoutrina
dejuízo de admissibilidade (tribunal de pronúncia - art. 80 da Lei
1 . 079/1950).
Tal pronúncia , realizadapelaCâmaradosDeputados, implicatãosomente
na processabilidade do Presidente da República ou de seus Ministros , se realizarem crimes conexos com aquele , ou seja, a Câmara considerou haver
indícios e razoáveis provas do ato imputado ao acusado . Se não constatasse
tal situação, poderia opinar pelo arquivamento.
b) A acusação é encaminhada ao Senado Federal (crimes de respon-
sabilidade), que, seinstaurar o processo , suspenderá o Presidentede
suas funções (art. 86, § 1.° , II, da CF/88). Se, decorrido o prazo de
180 dias , ojulgamento não estiver concluído, cessará o afastamento
do Presidente , sem prejuízo do regular prosseguimento do processo
(art. 86, §2.°, da CF/88).
Opapel doSenado,aoapreciaraimputaçãoaoacusadodeatosatentatórios
à Constituição e à lei , previstos de forma genérica no art. 85 da CF/88 e
especificados em lei ordinária especial (Lei 1 . 079/1950) , deverá limitar- se à verificação da adequação deles às hipóteses legais . É uma atividade
jurisdicional.
Ojulgamento, presidido pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal
,
poderá resultar em absolvição, com o arquivamento do processo, ou em
condenação por 2/3 dos votos do Senado Federal , limitando-se a decisão à
perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função
pública, semprejuízodasdemaissançõesjudiciaiscabíveis(art. 52, parágrafo
único, da CF/88).
Além do Presidente da República e do Vice-Presidente , de acordo com
a Constituição Federal , podem ser passíveis de punição pelo cometimento de crimes de responsabilidade os Ministros de Estado e os Comandantes da
Marinha, do Exército e da Aeronáutica , nos crimes conexos com aqueles
praticados pelo Presidente; os Ministros do Supremo Tribunal Federal,
os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do
M inistério Público , o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral
da
União (art. 52 , 1 e II , da CF/88).
As condutas definidas como crimes de responsabilidade do Presidente
da República estão elencadas no art. 85 da CF/88 e na Lei 1 . 079/1950.
132
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Inote
BEM
Governadores (Lei 1.079/1950) e Prefeitos (Decreto lei
201/1967).
4 . 12 Processo ejulgamento do Presidente da República nos crimes
co m u n s
Autorizado oprocessopelaCâmaradosDeputados, esteseráinstaurado
pelo Supremo Tribunal Federal, com o recebimento da denúncia (oferecida
pelo Procurador-Geral da República), tendo como consequência imediata
,
a suspensão do Presidente da República de suas funções (art. 86, § 1. ° da CF/88), prosseguindo o processo nos termos do regimento interno do Supremo Tribunal e da legislação pertinente (Lei 8.038/1990).
Nesse caso, a condenação do Presidente importa em consequências de natureza penal e, somente por efeitos reflexos e indiretos, na perda do cargo (art. 15, III, da CF/88). Destaque-sequeo PresidentedaRepúblicasópodeser
julgado por crimecomum em razão da função (irresponsabilidaderelativa-
imunidade temporária- prescrição suspensa).
Art. 86, §§ 3.° e 4.°, da CF/88: "§ 3.° Enquanto não sobrevier
sentença condenatória, nas infrações comuns, o Presidente
da República não estará sujeito a prisão. § 4.° O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser
responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas
funções".
note
IBEM
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
133
Federal:
- Presidente da República + vice-presidente
(brasileiros natos)
- Mandato: 4 anos (possível reeleição)
- Sistema majoritário abso luto
Estadual:
- Governador do Estado + vice-governador
- Mandato: 4 anos (possível reeleição)
- Sistema majoritário absoluto
Poder Executivo no
Brasil
(Art. 76/91, CF)
Distrital
- Governador Distrital + vice-governador - Mandato: 4 anos (possível reeleição)
- Sistema majoritário absoluto
Municipal
- Prefeito Municipal + vice-prefeito
- Mandato: 4 anos (possível reeleição)
Obs.:
- > Sistema majoritário absoluto = município com +
de 200.000 eleitores
Sistema majoritário simples = município com até
5 .
200.000 eleitores
PODERJUDICIÁRIO
O Poder Judiciário tem afunçãodeexercer ajurisdição, ou seja,compete a ele resolver as lides (arts. 92-126 da CF/88). Desse modo, com o objetivo de resolver o litígio, deve aplicar o direito ao caso concreto.
O Judiciário, além de sua função típica, que é a jurisdicional , exerce
funções atípicas quando administra ou legisla: administra quando concede
licençaefériasaosseusmembroseserventuários (art. 96,1,/, CF/88);elegisla
quando edita normas regimentais (art. 96,1, a, CF/88).
No Brasil , o Poderjudiciáriopodeser dividido em umajustiçadeâmbito
federal (comum ou especializada) e em uma justiça estadual (residual - o quenão for competência federal comum ou especializada). AJustiça Federal comum de primeira instância tem a competência estabelecida no art. 109
da CF/88. Consideram-se como Justiça especializada federal asJustiças Trabalhista, Eleitoral e Militar (arts. 111-124 da CF/88). Destaque-se que há
134 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
autorização constitucional paraacri ação dejuizadosEspeciaisedajustiçade
Paz (art. 98,1e II, CF/88) e dajustiça Militar estadual (art. 125, § 3.°, CF/88).
A Constituição Federal de 1988 estabeleceosórgãosdo PoderJudiciário
no art. 92, onde temos: o Supremo Tri bunal Federal (tutela constitucional),
o Conselho Nacional deJustiça, o Superior Tribunal deJustiça, os Tribunais
Regionais Federais eJuízes Federais, os Tribunais eJuízes do Trabalho, os
Tribunais eJuízes Eleitorais, os Tribunais eJuízes Militares, os Tribunais e
Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.
O ingresso na carreira é feito por meio de concurso público de provas
e títulos, cujo cargo será o dejuiz substituto, com a participação da Ordem
dos Advogados do Brasil em todas assuas fases, exigindo-se do bacharel em
direito, no mínimo, três anos de atividadejurídica e obedecendo-se à ordem
de classifi cação nas nomeações (art. 93,1, CF/88).
Destaque-se que 1/5 dos lugares dos Tribunais Regionais Federais, dos
Tribunais dos Estados e do Distrito Federal e Territórios será composto por
membros do Ministério Público e por advogados com mais de 10 anos de carreiraou deefetivaatividadeprofi ssional, indicadosem listasêxtuplapelos
órgãos de representação das respectivas classes. Recebidas as indicações, o
i bunal formará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo, que nos 20
T
dias subsequentes escolherá um de seus integrantes para nomeação (art. 94
e parágrafo único da CF/88). A EC 45/2004 inseriu o quinto constitucional
naJustiça do Trabalho: nos Tribunais Regionais do Trabalho - art. 115,1, da
r
CF/88 e no Tribunal Superior do Trabalho - art. 111-A, I, da CF/88.
Com o objetivo de assegurar a imparcialidade e a tranquilidade dos
magistrados no exercício de suas funções, foram estabelecidas as seguintes
garantias (art. 95 da CF/88):
a) vitaliciedade: asseguraao magistrado aprerrogativadesóser demitido
após o trânsito emjulgado da decisãojudicial. A vitaliciedade, no primeiro grau de jurisdição, é adquirida após dois anos de estágio probatório, que
se inicia com o efetivo exercício depois da posse. Já no segundo grau de
jurisdição, avitaliciedadesedá com o efetivo exercício, que ocorredepoisda
posse (quinto constitucional). Também énecessáriaa participação em curso
oficial ou reconhecido por escola nacional de formação e aperfeiçoamento de magistrados: art. 93, IV, da CF/88.
b) inamovibilidade: é a vedação de remoção do magistrado de um cargo para outro, salvo por motivo de interesse público, mediante decisão por
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
voto da maioria absoluta do respectivo Tribunal ou do Conselho Nacional
dejustiça, assegurada ampla defesa (art. 93, VIII, da CF/88).
c) irredutibilidade de subsídio: assegura que o magistrado não tenha
diminuído o valor de seus subsídios, salvo imposição legal (ressalvado o disposto nosarts. 37, X e XI, 39, § 4.°, 150, II, 153, III, e 153, § 2.°, I, CF/88).
5 . /
Garantias do Poder Judiciário
Estão definidas nos arts. 99 e 96 da CF/88: autonomia administrativa e
financeira, elaboração de regimentos internos, organização das secretarias e serviços auxiliares, iniciativa reservada de projetos de lei de interesse do
Judiciário, entre outras.
Proibições: objetivando assegurar a imparcialidade dos magistrados,
a Constituição Federal vigente proíbe determinadas atividades no art. 95,
parágrafo único, como, por exemplo, a dedicação a atividade político-
partidáriaeo recebimento decustasou participação nosprocessosquedevem
julgar. Destaquem-seasproibiçõesrecentes, acrescentadaspelaEC45/2004:
" IV - receber , a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de
pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstasem lei;V- exercer aadvocacianojuízo ou tribunal doqual seafastou, antes dedecorridos três anosdo afastamento do cargo por aposentadoria ou
exoneração " (quarentena).
5 . 2 Principais características
A definitividade é um traço marcante da jurisdição. As soluções de litígiospelaAdministração não são definitivas. Poderão , sempre, ser levadas aoJudiciário, para que ali, escoados os recursos, se opere a definitividade da
decisão.
Oscrimesde responsabiIidade (art. 52,1e 11, CF/88), cujasdecisões
definitivas são proferidas pelo Senado Federal.
Étambémcaracterísticadafunçãojurisdicional anecessidadedelitígio ,
a existência de um conflito qualificado por uma pretensão resistida. Trata-
136
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
se, portanto, de função provocada, pois aaplicação da lei não sedáde forma espontânea e automática. O lesado tem de comparecer diante do Poder
Judiciário.
Ressalte-se a importância da Lei de Arbitragem (Lei 9.307/1996) como
mecanismo para a solução das lides que envolvem direitos patrimoniais
disponíveis.
5 . 3 Supremo Tribunal Federal
OSupremoTribunal Federal (STF) éoórgãomáximodoPoderjudiciário.
Acha-seinstaladonaCapital Federal (art. 92, § 1,°, CF/88) etemcomofunção fundamental a guarda da Constituição Federal (art. 102 da CF/88). Composição: 11 membros denominados Ministros, escolhidos dentre
cidadãosbrasileiros natos, com mais de 35 e menos de 65 anos de idade, com
notável saberjurídico e reputação ilibada. Forma de nomeação: nomeados pelo Presidente da República com
aprovaçãopréviadoSenadopormaioriaabsolutadevotos(art. 101,parágrafo
único, CF/88).
Competência do STF:
a) originária (art. 102, I, CF/88): ADln, ADECON e ADPF; julgar
as infrações penais comuns do Presidente da República, do Vice-
Presidente, dos membros do Congresso Nacional, de seus próprios
Ministros e do Procurador-Geral da República; as infrações penais
comuns e os crimes de responsabilidade dos Ministros de Estado e
dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, exceto
oscrimesderesponsabilidadeconexoscomoPresidentedaRepública
(art. 52, I, CF/88), dos Membros dos Tribunais Superiores, dos
Membros do Tribunal de Contas da União e dos chefes de missão
diplomática de caráter permanente, entre outros casos;
b) recursal ordinária (art. 102, II, CF/88): julgar, em recurso ordinário,
o habeascorpus, o mandado desegurança, o habeasdataeomandado
deinjunçãodecididosemúnicainstânciapelosTribunaisSuperiores,
se denegatória a decisão, e o crime político;
c) recursal extraordinária (art. 102, III, CF/88): julgar, em recurso
extraordinário, as causas decididas em única ou última instância,
quando a decisão recorrida contrariar dispositivo da Constituição,
declarar ainconstitucionalidadedetratadoou lei federal,julgarválida
lei ou ato de governo local contestado em face da Constituição ou
julgar válida lei local contestada em face de lei federal.
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
137
Observe-se que, napropositurado recurso extraordinário, o recorrente
deverádemonstrararepercussãogeraldasquestõesconstitucionaisdiscutidas
n o caso , nos termos da lei, a
f
im de que o Tribunal examine a admissão do
recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de
seus membros (art. 102, § 3 ° , CF/88). A Lei 11.418/2006 regulamentou a
repercussão geral das questões constitucionais para admissão do recurso
extraordinário (a existência, ou não, de questões relevantes do ponto de
vista económico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses
subjetivos da causa- art. 543-A, § 1, ° , CPC; haverá repercussão geral sempre
que o recurso impugnar decisão contrária a súmula ou jurisprudência
dominante do Tribunal - art. 543-A, § 3.°, CPC).
Súmulas do Supremo Tribunal Federal sobre recurso extraordinário:
Súmula 279: "Para simples reexame de prova não cabe recurso
extraordinário "
.
Súmula 281: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando couber
naJustiça de origem recurso ordinário da decisão impugnada "
.
Súmula 282: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada "
.
Súmula283: "Éinadmissível orecursoextraordinário, quandoadecisão
recorrida assenta em mais de um fundamento su i ciente e o recurso não
abrange todos eles "
.
Súmula 284: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a
defi ciência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da
controvérsia "
.
Súmula 285: "Não sendo razoável a arguição de inconstitucionalidade,
não se conhece do recurso extraordinário fundado na letra c do art. 101,111,
da Constituição Federal" (refere-seà CF/1946- videart. 102, III, c, da CF/88).
Súmula 286: "Não se conhece do recurso extraordinário fundado em
divergênciajurisprudencial, quando a orientação do plenário do Supremo
Tribunal Federaljá se
Súmula 287: "Nega-se provimento ao agravo, quando a deficiência na
sua fundamentação, ou na do recurso extraordinário, não permitir a exata
f
irmou no mesmo sentido da decisão recorrida".
compreensão da controvérsia "
.
Súmula 288: "Nega-se provimento a agravo para subida de recurso extraordinário, quando faltar no traslado o despacho agravado, a decisão
138
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
recorrida , a petição de recurso extraordiná i o ou qualquer peça essencial à
compreensão da controvérsia "
.
r
Súmula289: "O provimento do agravopor umadasTurmasdo Supremo Tribunal Federal,aindaquesemressalva , nãoprejudicaaquestãodocabimento
do recurso extraordinário".
Súmula 299: "O recurso ordinário e o extraordinário interpostos no
mesmo processo de mandado de segurança , ou de habeas corpus, serão
julgados conjuntamente pelo Tribunal Pleno "
.
Súmula369: "Julgadosdo mesmo tribunal nãoservem parafundamentar o recurso extraordinário por divergênciajurisprudencial " Súmula 454: "Simples interpretação de cláusulas contratuais não dá lugar a recurso extraordinário".
Súmula 456: "O Supremo Tribunal Federal , conhecendo do recurso
extraordinário,julgará a causa, aplicando o direito à espécie " Súmula 634: "Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder
medidacautelarparadar efeitosuspensivoarecursoextraordinárioqueainda não foi objeto dejuízo de admissibilidade na origem "
Súmula635: "Cabeao PresidentedoTribunaldeorigemdecidir opedido
de medida cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo
de admissibilidade" .
Súmula 636: "Não cabe recurso extraordinário por contrariedade ao
princípioconstitucional dalegalidade, quandoasuaveri i cação pressuponha
.
.
.
f
rever a interpretação dada a normas infraconstitucionais pela decisão
recorrida "
.
Súmula 637: "Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de Tribunal
deJustiça que defere pedido de intervenção estadual em Município".
Súmula 638: "A controvérsia sobre a incidência , ou não, de correção
monetária em operações de crédito rural é de natureza infraconstitucional ,
não viabilizando recurso extraordinário "
.
Súmula639: "Aplica-seaSúmula 288quando não constaremdo traslado do agravo de instrumento as cópias das peças necessárias à verificação
da tempestividade do recurso extraordinário não admitido pela decisão agravada "
.
Súmula640: "Écabível recursoextraordináriocontradecisãoproferida
por juiz de primeiro grau nas causas de alçada, ou por turma recursal de
juizado especial cível e criminal".
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
139
Súmula727: "NãopodeomagistradodeixardeencaminharaoSupremo Tribunal Federal o agravo de instrumento interposto da decisão que não
admite recurso extraordinário, ainda que referente a causa instaurada no âmbito dosjuizados especiais".
Súmula 728: "É de três dias o prazo para a interposição de recurso
extraordinário contra decisão do Tribunal Superior Eleitoral, contado,
quando for o caso, a partir da publicação do acórdão, na própria sessão de julgamento, nos termos do art. 12 da Lei 6.055/1974, que não foi revogado
pela Lei 8.950/1994 "
.
Súmula 733: "Não caberecurso extraordinário contradecisão proferida no processamento de precatórios " Súmula735: "Não caberecursoextraordináriocontraacórdão quedefere
medida liminar "
.
.
O SupremoTribunal Federal, desde de 1.° de agosto de 2010,
exige que sejam protocoladas na Corte exclusivamente por
meio eletrônico as seguintes peças: Ação Cautelar; Ação Rescisória; HabeasCorpus; MandadodeSegurança; Mandado
de Injunção; Suspensão de Liminar; Suspensão de Segurança
e Suspensão deTutela Antecipada. As três últimas classes são processosde competência da Presidência da Corte.
Em fevereiro de 2010, passaram a tramitar de forma exclusivamente eletrônica seis tipos de ações originárias,
ou seja, que têm início no STF: Reclamações, Ações
Diretas de Inconstitucionalidade, Ações Declaratórias de
Constitucionalidade, Ações Diretas de Inconstitucionalidade
por Omissão, Arguições de Descumprimento de Preceito
note
BEM
Fundamental e Propostas de SúmulaVinculante.
O Recurso Extraordináriofoi oprecursordo processoeletrônico na Corte, com início em junho de 2007.
Súmula vinculante: art. 103-A (acrescentado pela EC 45/2004):
" Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por
provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a
partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em
140
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
relação aosdemaisórgãos do PoderJudiciário e à administração pública direta e indireta , nas esferas federal, estadual e municipal, bem como
proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.
§ 1.°A súmula terá porobjetivo avalidade, a interpretação e aeficácia
de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre
órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete
grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre
questão idêntica.
§ 2.° Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação,
revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade.
§3 . ° Doato administrativoou decisãojudicial quecontrariarasúmula
aplicável ouqueindevidamenteaaplicar, caberáreclamaçãoaoSupremo
Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo
ou cassará a decisão judicial reclamada , e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso."
A Lei 11.417/2006 regulamentou a súmula vinculante , e dentre as
novidadeshouveaampliaçãodalegitimidadeativaparaproporacriação , revisão
ou cancelamento da súmula vinculante (Defensor Público-Geral da União , Tribunais Superiores , Tribunais deJustiça de Estados ou do Distrito Federal
e Territórios , Tribunais Regionais Federais, Tribunais Regionais do Trabalho,
Tribunais Regionais Eleitorais e Tribunais Militares. Além disso , admite-se
incidentalmentea propositura pelos Municípios- art . 3.°, VI, XI e § 1.°).
O Supremo Tribunal Federal, desde de 1.° de agosto de 2010,
exigequesejamprotocoladasnaCorteexclusivamentepor meio
eletrônico as seguintes peças: Ação Cautelar; Ação Rescisória;
HabeasCorpus; Mandado de Segurança; Mandado de Injunção; Suspensão de Liminar; Suspensão de Segurança e Suspensão de Tutela Antecipada. As três últimas classes são processos de competência da Presidência da Corte.
Em fevereiro de2010 passaram a tramitar unicamente naforma eletrônica, seistiposdeaçõesoriginárias, ou seja, quetêm início
no STF: Reclamações, Ações Diretas de Inconstitucionalidade,
Ações Declaratórias de Constitucionalidade, Ações Diretas
de Inconstitucionalidade por Omissão, Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental e Propostas de Súmula Vinculante. O Recurso Extraordinário foi o precursor do processo eletrônico na Corte, com início em junho de2007.
note
BEM
W
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
5 . 4 Superior Tribunal de Justiça
14 1
O Superior Tribunal dejustiça (STJ) foi criado pelaConstituiçãoFederal
de 1988 e acha-se instalado na Capital Federal (art. 92, § 1.°, CF/88), tendo
como função principal assegurar a supremacia da legislação federal em todo
o País (art. 105 da CF/88).
Composição: no mínimo 33 Ministros (art. 104, caput, CF/88).
Forma de nomeação: nomeados pelo Presidente da República , dentre
brasileiros com mais de 35 e menos de 65 anos de idade, de notável saber
jurídico e reputação ilibada, depois de aprovada a escolha pela maioria
absolutado Senado Federal, sendo: 1/3dentredesembargadoresfederaisdos
Tribunais RegionaisFederais e 1/3 dentredesembargadoresdosTribunaisde
Justiça, indicados em lista trípliceelaborada pelo próprio Tribunal; e 1/3, em
partes iguais, dentre advogados e membros do Ministério Público Federal,
Estadual, do Distrito Federal e Territórios, alternadamente, indicados na
forma do art. 94 da CF/88 (art. 104, parágrafo único, I e II, CF/88).
Competência do STJ:
a) originária(art. 105,1, CF/88): processar ejulgar, noscrimescomuns,
os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e nestes e nos de
responsabilidade os desembargadores dos Tribunais dejustiça dos
Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas
dosEstadosedo Distrito Federal, osdosTribunais RegionaisFederais,
dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os dos Conselhos
ou Tribunaisde ContasdosMunicípioseosdo Ministério Público da União que oficiem perante Tribunais; a homologação de sentenças estrangeiras eaconcessão de exequaturàs cartas rogatórias (art. 105,
I , i, CF/88, acrescentado pela EC 45/2004), entre outros casos;
b) recursal ordinária (art. 105, II, CF/88):julgar,em recurso ordinário,os
habeascorpusdecididosem únicaou últimainstânciapelosTribunais
RegionaisFederaisou pelosTribunaisdosEstados, do Distrito Federal eTerritórios, osmandadosdesegurançadecididosemúnicainstância
pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados,
do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão, e
as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional, deum lado, e, do outro, Município ou pessoaresidente
ou domiciliada no País;
142
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
c) recursal especial (art. 105 , III, CF/88): julgar, em recurso especial, as causas decididas em única ou última instância pelos Tribunais
RegionaisFederaisou pelosTribunaisdosEstados , do Distrito Federal
e Territórios quando a decisão recorrida: contrariar tratado ou lei
federal ou negar-lhes vigência; julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; e der a lei federal interpretação
divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal .
Súmulas do Superior Tribunal deJustiça sobre recurso especial:
Súmula 5: "A simples interpretação de cláusula contratual não enseja
recurso especial "
.
Súmula7: "A pretensão desimplesreexamedeprovanãoensejarecurso
especial "
.
Súmula 13: "A divergênciaentrejulgadosdomesmoTribunal nãoenseja
recurso especial "
.
Súmula83: "Nãoseconhecedorecursoespecial peladivergência , quando
a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida"
.
Súmula 86: "Cabe recurso especial contra acórdão proferido no julga-
mento de agravo de instrumento "
.
Súmula98: "Embargosdedeclaração manifestadoscom notóriopropó-
sito de prequestionamento não têm caráter protelatório "
.
Súmula 115: "Na instânciaespecial éinexistenterecurso interpostopor
advogado sem procuração nos autos "
.
Súmula 116: "A Fazenda Publica e o Ministério Público têm prazo em
dobro para interpor agravo regimental no
Superior Tribunal deJustiça" .
Súmula 123: "A decisão que admite , ou não, o recurso especial deve ser
fundamentada , comoexamedosseuspressupostosgeraiseconstitucionais".
Súmula 126: "Éinadmissível recurso especial , quando o acórdão recor-
rido assenta em fundamentos constitucional
e infraconstitucional , qualquer
deles suficiente, por si só , para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta
recurso extraordinário "
.
Súmula 187: "É deserto o recurso interposto para o Superior Tribunal
de Justiça , quando o recorrente não recolhe, na origem, a importância das
despesas de remessa e retorno dos autos".
Súmula 203: "Não cabe recurso especial contra decisão proferida por
órgão de segundo grau dosJuizados Especiais".
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO
DOS PODERES
14 3
Súmula 211: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a
despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tri-
bunal a quo".
Súmula 216: "A tempestividade de recurso interposto no Superior Tri-
bunal deJustiça éaferida pelo registro no protocolo da Secretaria enão pela
data da entrega na agência do correio".
Súmula315: "Não cabem embargosdedivergência noâmbitodoagravo de instrumento que não admite recurso especial". Súmula 316: "Cabem embargos de divergência contra acórdão que, em
agravo regimental, decide recurso especial " Súmula320: "A questão federal somenteventiladano voto vencido não
.
atende ao requisito do prequestionamento "
.
Destaque-se que funcionará junto ao Superior Tribunal deJustiça o
Conselho dajustiçaFederal, cabendo-lhe, naformadalei, exercer asupervisão
administrativaeorçamentáriadaJustiçaFederal deprimeiroesegundograus,
como órgão central do sistema e com poderes correcionais, cujas decisões
terão carátervinculante (art. 105, parágrafoúnico, II, da CF/88). Além disso, funcionaráaescolanacional de formação eaperfeiçoamentodemagistrados,
cabendo-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o
ingresso e promoção na carreira (art. 105, parágrafo único, I, CF/88).
Art. 102 da CF/1988
Inciso I - competência originária - STF:
ADI, ADC, ADPF, Extradição, entre
outros.
Atentar para as hipóteses de HC, MS e
M l
Inciso II - competência ordinária -
RO C
Indeferimento HC em única instância
por Tribunal Superior, entre outros
Inciso III - RE (observar o § 3.° do art.
102 que prevê repercussão geral para
admissão do RE, disciplinada por Lei
11.418/2006 - arts. 543-A e 543-B, CPC)
Art. 105 da CF/1988
Inciso I - competência originária - STJ:
Governador de Estado que comete
crime comum, homologação de
sentença estrangeira, entre outros.
Atentar para as hipóteses de HC, MS e
M l
Inciso II - competência ordinária -
RO C
Indeferimento HC em única ou última
instância porTJ/TRF, entre outros.
Inciso III - REsp.
144
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
5 . 5 Principais pontos da EC45/2004: reforma do Poder Judiciário
a) instituiçãodoprincípiodaceleridade: art. 5.° , LXXVIII, da CF/88 (art.
7 . ° , §§ 4", 50e 60, art. 80, § I0e 25 § I0da Convenção Americana sobre
DireitosHumanospromulgadapelo Decreto 678/1992: celeridadena
instrução);
Também conhecido por princípio da brevidade ou razoável duração
do processo, determina que todos os processos , sejam administrativos ou
judiciais, devem ser decididos o mais breve possível, respeitando todas as
garantias constitucionais.
Cumpre lembrar que já havia tal previsão na Convenção Americana
sobre Direitos Humanos (Pacto deSãoJoséda Costa Rica) , promulgada pelo
Decreto 678, de 06.11.1992): "Art. 7.° Direito à liberdade pessoal: (
) 6.
Todapessoaprivada da liberdade tem direito a recorrer a umjuiz ou tribunal
competente, a fim de que este decida , sem demora, sobre a legalidade desua
prisãooudetençãoeordenesuasoltura,seaprisãoouadetençãoforemilegais.
); Art. 8.° Garantiasjudiciais: 1. Todapessoa tem direito aser ouvida, com
(
as devidas garantias e dentro de um prazo razoável , por um juiz ou tribunal
competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei,
formuladacontraela , ou para que se
determinem seus direitos ou obrigações de natureza civil , trabalhista, fiscal
naapuraçãodequalquer acusação penal
ou de qualquer outra natureza. (
)
"
Decisãojudicial sobre o tema:
" Habeascorpus. Writ impetrado noSuperior Tribunal deJustiça . Demora
no julgamento. Direito à razoável duração do processo . Natureza mesm a
do habeas corpus. Primazia sobre qualquer outra ação. Ordem concedida. O habeas corpus é a via processual que tutela especificamente a liberdade de locomoção, bem jurídico mais fortemente protegido por uma dada ação constitucional. O direito à razoável duração do processo , do ângulo do indivíduo , transmuta-se em tradicional garantia de acesso eficaz ao Poder
Judiciário. Direito esse a que corresponde o dever estatal de julgar. No habeascorpus, o dever dedecidir se marcapor um tônusdeprestezamáxima.
Assiste ao Supremo Tribunal Federal determinar aos Tribunais Superiores o julgamento de mérito de habeas corpus, se entender irrazoável a demora
no julgamento. Isso, é claro , sempre que o impetrante se desincumbir do
seu dever processual depré-constituir a prova de que se encontra padecente
de 'violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
145
abuso de poder , (inc. LXVIII do art. 5.° da CF). Ordem concedida para que
a autoridade impetrada apresente em mesa, na primeirasessão da Turma em
que oficia, o writ ali ajuizado " (HC 91.041, j. 05.06.2007, rei. p/ o ac. Min. Carlos Britto, DJ 17.08.2007);
b) "constitucionalização dos tratadose convençõesinternacionaissobre
direitos humanos", com aprovação do Congresso Nacional, em dois
turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros- serão
equivalentes às emendas constitucionais: art. 5. ° , § 3.°, da CF/88
(possibilidade do bloco de constitucionalidade);
Trata-sedeumafaculdadeatribuídaao CongressoNacional deelevarum
tratadointernacional sobredireitoshumanosdacondiçãodenormasupralegal
paraacondiçãodeemendaconstitucional. Cite-se, comoexemplo, oDecreto
Legislativo 186, de 09 dejulho de 2008, que aprova o texto da Convenção
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo,
assinados em Nova York em 30 de março de 2007, que foi promulgado pelo Decreto 6.949, de 25 de agosto de 2009.
Sobre o tema "status normativo do direito internacional dos direitos
humanos no direito interno brasileiro" são importantes as observações de
Luiz Flávio Gomes, que sintetiza da seguinte forma: uma primeira corrente sustentavaasupraconstitucionalidadedostratadoseconvençõesemmatéria
de direitos humanos (Celso Duvivier de Albuquerque Mello, apud Gilmar
Ferreira Mendes et al, Curso de direito constitucional, São Paulo, Saraiva,
2007, p. 654); parte dadoutrinasustentaa tesedeque os tratados dedireitos
humanos contariam com status constitucional, por força do art. 5.°, § 2.°, da Constituição Federal (FláviaPiovesan eAntonioAugusto CançadoTrindade
- tese sustentada pelo Min. Celso de Mello no HC 87.585/TO); o Supremo
Tribunal Federal tradicionalmente entendia, desde a década de 70 do século
passado,quequalquer tratadointernacional, inclusiveosdedireitoshumanos,
tinham o mesmo valor de uma lei ordinária, mesmo após a Constituição
Federal de 1988 (HC 72.131/RJ, ADln 1.480-3/DF, entre outros); de acordo
com o voto proferido pelo Min. Gilmar Mendes no RE 466.343/SP, rei. Min. Cezar Peluso, j. 22.11.2006, tais tratados contariam com status de direito
supralegal (estão acima das leis ordinárias, mas abaixo da Constituição).
Nesse sentido, Constituição Federal da Alemanha (art. 25), Constituição
francesa (art. 55) e Constituição da Grécia (art. 28).
No histórico julgamento de 03.12.2008, preponderou no Pleno do Supremo Tribunal Federal o voto do Min. Gilmar Mendes. Venceu a tese da
146
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
supralegalidadedostratados, ou seja, ostratadosjávigentesnoBrasil possuem valor supralegal (HC 90.172/SP).
Anteriormente à Emenda Constitucional 45/2004 , os tratados interna-
cionais , segundo o Supremo Tribunal Federal, se incorporavam ao ordena-
mento jurídico brasileiro como normas infraconstitucionais, com status de
lei ordinária. Nesse sentido , por maioria de votos, manifestou-se o Pretório
Excelso (ADIn 1480-3/ML, rei. Min. Celso de Mello , RTJ 83:809; RO em HC
79.785-3/RJ, rei. Min. Moreira Alves, DJ 22.11.2002; HC 72.131-1/RJ, rei.
Min. Marco Aurélio , DJ 01.08.2003).
Após a EC 45/2004 houve a possibilidade de "constitucionalização
de tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos", ou seja,
utilizando o mesmo sistema de aprovação de uma emenda constitucional ,
pode-se elevar um tratado internacional sobre direitos humanos em que o
Brasil faça parte ao status de norma constitucional.
Tal situação caracteriza o chamado "bloco de constitucionalidade" ,
que é a somatória de vários diplomas legais considerados como normas
constitucionais, não obstante terem sido elaborados em momentosdiferentes.
Destaque-se que ilustres doutrinadores entendem que o "bloco de
constitucionalidade " já era admitido no direito brasileiro com fundamento
no art. 5. ° , § 2.°, da CF/88, ondese lê: "Osdireitosegarantias expressos nesta
Constituição não excluem outrosdecorrentesdo regimeedosprincípiospor ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa
do Brasil seja parte";
c) submissão do Brasil à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a
cuja criação tenha manifestado adesão: art. 5. ° , § 4.°, da CF/88; O Estatutode Roma,quecriaoTribunal Penal Internacional, foi aprovado
em 17.07.1998, na Conferência de Roma. O Brasil o assinou em 07.02.2000
e o Congresso Nacional o aprovou através do Decreto Legislativo 112, de
06.06.2002, sendo promulgado pelo Decreto 4.388, em 25.09.2002.
A EC 45 , de 08.12.2004, acrescentou o § 4.° ao art. 5.° da CF/88, que
possui aseguinteredação: " O Brasil sesubmeteàjurisdiçãodeTribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão". Dessemodo,pode-seafirmarqueoBrasil tambémadmitiu expressamente
em sua Constituição a adesão ao Tribunal Penal Internacional.
São precedenteshistóricosdacriaçãodo Tribunal Penal Internacional os
Tribunaisde Nuremberg, deTóquio, daBósnia (ex-Iugoslávia) ede Ruanda.
O Tribunal Penal Internacional, nos termos do art. 1.° do Estatuto de
Roma , surgecomoaparatocomplementar àscortesnacionais, com o objetivo
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
147
de assegurar o fim da impunidade para os crimes mais graves em casos de
omissão ou incapacidade dos Estados. De acordo com o art. 3. ° , o Tribunal
Penal Internacional tem sede em Haia, na Holanda.
O Tribunal Penal Internacional é competente para o julgamento dos seguintes crimes (art. 5. ° ): a) crime de genocídio, tal como definido no Art. II da Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio de 1948enoart. 6"doEstatuto: homicídiodemembrosdogrupo; ofensasgraves
àintegridadefísicaou mental demembrosdogrupo; sujeição intencional do grupoacondiçõesdevidacomvistaaprovocar asuadestruiçãofísicatotal ou parcial; imposição de medidas destinadas a impedir nascimentos no seio do
grupo;etransferência,àforça,decriançasdogrupoparaoutrogrupo;b) crimes
contra a humanidade, definidos no art. 7. ° , incluindo ataquesgeneralizadose
sistemáticoscontraapopulação civil, sob a formade homicídio, extermínio,
escravidão, deportação, encarceramento, tortura, violência sexual, estupro,
prostituição, gravidez e esterilização forçadas, desaparecimento forçado de
pessoas, o crimede apartheid, entre outrosqueatentem gravemente contra a
integridade física ou mental; c) crimesdeguerra, definidos, no art. 8.°, como
violaçõesaodireitointernacional humanitário, especialmenteàsConvenções
de Genebra de 1949; d) crimes de agressão.
OscrimesdecompetênciadoTribunal Penal Internacionalnãoprescrevem
(art. 29).
O Estatuto de Roma, em seu art. 120, não admite reservas, e o art.
5 . ° , §4.°, daCF/88estabelecequeo Brasil sesubmeteàjurisdição deTribunal Penal Internacional cuja criação tenha manifestado adesão. O próprio Estatuto, no art. 102, estabelece a diferença
entre os institutos da entrega e da extradição:
a) por " entrega " entende-se a entrega de uma pessoa por um
Estado aoTribunal nos termos do presente Estatuto;
b) por "extradição" entende-se a entrega de uma pessoa por um
Estadoaoutro Estadoconformeprevistoem um tratado, em uma
convenção ou no direito interno "
.
_
note
BEM
A CF/88, no art. 5.°, LI, determina: "Nenhum brasileiro será
extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum,
praticadoantesdanaturaIização,oudecomprovadoenvolvimento emtráfico iIícitodeentorpecentesedrogasafins, naformada lei "
.
148
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Dacomparaçãodascitadasnormaspercebe-seoafastamentodo aparente
conflito, sendo possível a entrega de brasileiros natos ou naturalizados para
o Tribunal Penal Internacional, pois a Constituição veda a extradição , não a entrega. Alémdisso,oBrasil aderiu constitucionalmenteaoEstatuto deRoma;
d) exigência do bacharel em direito de três anos de atividade jurídica
para ingresso na magistratura e no Ministério Público: arts. 93,1, e 129, § 3.°, respectivamente da CF/88.
De acordo com o art. 59 da Resolução 75/2009 do CNJ , considera-se
atividade jurídica: - aquela exercida com exclusividade por bacharel em
Direito; - o efetivo exercício de advocacia , inclusive voluntária, mediante
a participação anual mínima em cinco atos privativos de advogado (art. 1 . ° da Lei 8.906/1994) em causas ou questões distintas; - o exercício de cargos, empregos ou funções, inclusive de magistério superior, que exija a utilização preponderante de conhecimentojurídico;- o exercício da função deconciliadorjuntoàTribunaisjudiciais,Juizadosespeciais,Varasespeciais,
anexos deJuizados especiais ou de Varasjudiciais , no mínimo de 16 horas
mensais e durante um ano; - o exercício da atividade de mediação ou de
arbitragem na composição de litígios.
É vedada contagem do estágio académico ou qualquer outra atividade
anterior à obtenção do grau de bacharel em Direito.
Nos termos do § 2.° do art. 59 da referida Resolução, a comprovação do tempo de atividade jurídica relativa a cargos , empregos ou funções
não privativos de bacharel em Direito será realizada mediante certidão circunstanciada, expedida pelo órgão competente, indicando as respectivas atribuiçõeseapráticareiteradadeatosqueexijam autilização preponderante de conhecimento jurídico, cabendo à Comissão de Concurso, em decisão
fundamentada, analisar a validade do documento.
Sobre o tema recomenda-se a leitura das decisões judiciais do STF
referentes aos seguintes processos: MS 27.608/2009, MS 26.682/2008 , MS
26.690/2008 e Recl. 4.939/2007;
e) fim das férias coletivas: a atividade jurisdicional será ininterrupta, sendo vedado fériascoletivas nosjuízos e tribunaisdesegundo grau,
funcionando,nosdiasem quenão houver expedienteforensenormal,
juízes em plantão permanente: art. 93, XII, da CF/88. "A EC 45/04 ao vedar as férias coletivas nosjuízos e tribunais de segundo grau ,
revogou os atos normativos inferiores que a ela se referiam , sendo pacífico o entendimento, desta Corte, no sentido de não ser cabível
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
149
a ADI contra ato revogado " (STF, ADI 3.085,j. 17.02.2005, rei. Min.
Eros Grau, DJ 28.4.2006);
0 para o vitaliciamento passa a ser etapa obrigatória a participação
em curso oficial ou reconhecido por escola nacional de formação e
aperfeiçoamento de magistrados: art. 93, IV, da CF/88; g) não será promovido ojuiz que, injustificadamente, retiver autos em seu poder além do prazo legal, não podendo devolvê-los ao cartório
sem o devido despacho ou decisão: art. 93, II, e, da CF/88;
h) controle externo da magistratura e do Ministério Público: art. 103-B
e 130-A, respectivamente, da CF/88.
A criação do CNJ e do CNMP tem a função de implementar o chamado controle externo da magistratura e do Ministério Público. Na atualidade,
constata-se a importância de tais Conselhos que realizam
f
i scalizações e
corrigem desviosdecondutademembrosdasrespectivascarreirasjurídicas.
§ 1.° O Conselho será presidido pelo Presidente do
Supremo Tribunal Federal e, nas suas ausências e impedimentos, pelo Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal. § 2.° Os demais membros do
Conselho serão nomeados pelo Presidente da República , depois deaprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. § 3. ° Não efetuadas, no prazo legal, as indicaçõesprevistasnesteartigo, caberáa escolhaao Supremo Tribunal Federal. §4.° Competeao Conselho [Nacional dejustiça] o controle
daatuação administrativa e financeirado Poderjudiciário edo cumprimento dosdeveresfuncionaisdosjuízes,cabendo-lhe,alémdeoutrasatribuiçõesque
lhe forem conferidaspelo Estatuto da Magistratura: I - zelar pela autonomia doPoderjudiciárioepelocumprimentodoEstatutodaMagistratura , podendo
expedir atosregulamentares, no âmbito desua competência, ou recomendar
providências; II - zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou
mediante provocação, a legalidade dos atos administrativos praticados por
membros ou órgãos do Poderjudiciário, podendo desconstituí-los , revê-
ixar prazo para que se adotem as providências necessárias ao exato
los ou
cumprimento da lei, sem prejuízo da competência do Tribunal de Contasda União; III - receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos
do Poderjudiciário, inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e
órgãosprestadoresdeserviçosnotariais ederegistroqueatuempor delegação
do poder público ou ofi cializados, sem prejuízo da competênciadisciplinar e correicional dos tribunais, podendo avocar processosdisciplinares em curso edeterminar a remoção, adisponibilidadeou a aposentadoria com subsídios
" Art. 103-B. (
)
f
150
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa; IV - representar ao Ministério
Público , no caso de crime contra a administração pública ou de abuso
de autoridade; V - rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de juízes e membros de tribunais julgados há menos de um ano; VI - elaborar semestralmente relatório estatístico sobre processos e sentenças prolatadas, por unidade da Federação, nos diferentes órgãos do PoderJudiciário;VII- elaborar relatório anual, propondoasprovidênciasque
julgar necessárias, sobreasituação do PoderJudiciário no Paíseasatividades do Conselho, o qual deve integrar mensagem do Presidente do Supremo
Tribunal Federal a ser remetida ao Congresso Nacional, por ocasião da aberturadasessão legislativa. § 5. ° O MinistrodoSuperior Tribunal deJustiça exercerá a função de Ministro-Corregedor e ficará excluído da distribuição de processos no Tribunal, competindo-lhe, além das atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura, as seguintes: I - receber as reclamaçõesedenúncias, dequalquer interessado, relativasaos magistrados e aos serviços judiciários; II - exercer funções executivas do Conselho, de inspeção e de correição geral; III - requisitar e designar magistrados,
delegando-lhes atribuições, e requisitar servidores de juízos ou tribunais,
inclusive nos Estados , Distrito Federal e Territórios. § 6.°Junto ao Conselho
oficiarãooProcurador-Geral daRepúblicaeoPresidentedo ConselhoFederal da Ordem dos Advogados do Brasil. § 7.° A União, inclusive no Distrito Federal e nos Territórios, criará ouvidorias de justiça, competentes para
receber reclamaçõesedenúnciasdequalquerinteressado contramembrosou
órgãosdo Poder Judiciário, ou contraseusserviçosauxiliares, representando
diretamente ao Conselho Nacional deJustiça".
"A rt. 130-A. (
)
§ 1. ° Os membros do Conselho oriundos do Ministério
PúblicoserãoindicadospelosrespectivosMinistériosPúblicos, naformadalei (Lei 11.372/2006). § 20Competeao Conselho Nacional doMinistérioPúblico
o controle da atuação administrativa e financeira do Ministério Público e do
cumprimentodosdeveresfuncionaisdeseusmembros, cabendo-lhe: I- zelar pela autonomia funcional e administrativa do Ministério Público, podendo expedir atosregulamentares, no âmbito desuacompetência, ou recomendar providências; II - zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou
mediante provocação, a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Ministério Público da União e dos Estados, podendo
desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo da competência
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
15 1
dos Tribunais de Contas; III - receber e conhecer das reclamações contra
membrosou órgãosdoMinistérioPúblicodaUniãooudosEstados, inclusive
contra seus serviços auxiliares, sem prejuízo da competência disciplinar e correicional dainstituição,podendoavocar processosdisciplinaresem curso, determinar a remoção, a disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios
ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa; IV - rever, de ofício ou mediante provocação, osprocessosdisciplinaresdemembrosdoMinistérioPúblicoda
Uniãoou dosEstadosjulgadoshámenosde 1 (um) ano;V- elaborarrelatório
anual, propondo as providências quejulgar necessárias sobre a situação do
Ministério Público no País e as atividades do Conselho, o qual deve integrar
a mensagem prevista no art. 84, XI. § 3. ° O Conselho escolherá, em votação
secreta, um Corregedor nacional, dentre os membros do Ministério Público
que o integram, vedadaa recondução, competindo-lhe, além dasatribuições
que lhe forem conferidas pela lei, as seguintes: I - receber reclamações e
denúncias, de qualquer interessado, relativas aos membros do Ministério
Público e dos seus serviços auxiliares; II - exercer funções executivas do
Conselho, de inspeção e correição geral; III - requisitar e designar membros
do Ministério Público, delegando-lhes atribuições, e requisitar servidores
de órgãos do Ministério Público. § 4.° O Presidente do Conselho Federal da
OrdemdosAdvogadosdoBrasil oficiarájuntoaoConselho. § 5.°LeisdaUnião
e dos Estados criarão ouvidorias do Ministério Público, competentes para
receber reclamações e denúncias de qualquer interessado contra membros ou órgãos do Ministério Público, inclusive contra seus serviços auxiliares,
representando diretamente ao Conselho Nacional do Ministério Público " Compete ao Presidente da República nomear, com a aprovação do
Senado Federal por maioriaabsoluta, os membros do Conselho Nacional do Ministério Público (art. 130-A, caput, da CF/88) e do Conselho Nacional de
Justiça, salvo o Presidente do CNJ que é o Presidente do STF (art. 103-B, §§
.
1 . ° e 2.°, da CF/88).
A ConstituiçãoFederal de 1988 estabeleceosórgãosdo Poderjudiciário
no art. 92 , onde temos: o Supremo Tribunal Federal (tutela constitucional),
o Conselho Nacional deJustiça, o Superior Tribunal deJustiça, os Tribunais Regionais Federais eJuízes Federais, os Tribunais eJuízes do Trabalho, os
Tribunais eJuízes Eleitorais, os Tribunais eJuízes Militares, os Tribunais e
Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.
A competência originária do Supremo Tribunal Federal parajulgar as
ações contra os Conselhos é prevista no art. 102,1, r, da CF/88, que assim
152 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
estabelece: " CompeteaoSupremoTribunal Federal,precipuamente, aguarda
da Constituição, cabendo-lhe: I - processar ejulgar , originariamente: (
r)
)
asaçõescontra o Conselho Nacional dejustiçaecontra o Conselho Nacional
do Ministério Público; (
)";
i) justiça itinerante e descentralizada: arts. 107 , §§ 2.° e 3.° (JF)> 115,
§§ 1.° e 2.° (JT), e 125, §§ 6.° e 7.° (TJ), todos da CF/88;
j) extinção dos Tribunais de Alçada: art. 4.° da EC 45/2004;
k) instituição da "quarentena" dos membros da magistratura e do
Ministério Público (trêsanos) paraoexercíciodaadvocacianosjuízos
ou tribunais de que se afastaram: arts. 95, parágrafo único , V, e 128,
|
1) |
§ 6.°, respectivamente, da CF/88; ampliação da legitimidade ativa (todosos entes previstos no art. 103 |
|
da CF/88) da ação declaratória de constitucionalidade (ADECON); |
|
|
m) |
o STFjulgará a causa cuja decisãojulgou válida lei local contestada |
em facedelei federal: art. 102,III,d,daCF/88 (verifica-setal hipótese
no desrespeito às regras de competência legislativa concorrente
previstas no art. 24 da CF/88): " Art. 102. Compete ao Supremo
TribunalFederal,precipuamente,aguardadaConstituição , cabendo-
lhe: (
decididasem únicaou últimainstância, quandoadecisãorecorrida:
)
III - julgar , mediante recurso extraordinário, as causas
(
) d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal".
O recurso extraordinário é a última etapa do controle difuso de
constitucionalidade e é o mecanismo por meio do qual o Supremo Tribunal Federaldáapalavra final sobreumaquestãoconstitucional. Podeserinterposto
contradecisãodeTribunal proferidaemúnicaouúltimainstância. Écontrole
incidental (por via de exceção) e repressivo.
Ashipótesesdecabimento do recurso extraordinário sãoapenasaquelas
previstas no art. 102, III, da Constituição Federal vigente.
Os efeitos da decisão proferida no recurso extraordinário atingem , em
princípio, apenas as partes litigantes. Porém, quando o Supremo Tribunal
Federal declarar uma lei inconstitucional , por decisão definitiva, o Senado
Federal poderá , mediante resolução, suspender a execução da lei em todo o
território nacional (art. 52, X, da CF/88), dando assim eficácia erga omnes à
decisão do Supremo;
n) repercussão geral das questões constitucionais , nos termos da lei, a
fim de que o STF examinea admissão do recurso extraordinário: art .
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
153
102, § 3.°, da CF/88; (Lei 11.418/2006 eEmenda Regimental do STF 21, de 30.04.2007, publicada em 03.05.2007)
" Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou
não, de questões relevantes do ponto de vista económico, político, social
oujurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa " (art. 543-A,
§ 1.°, do CPC). "Haverá repercussão geral sempre que o recurso impugnar decisão contrária a súmula ou jurisprudência dominante do Tribunal" (art.
543-A, §3.°, do CPC).
" O recorrente deverá demonstrar, em preliminar do recurso, para
apreciaçãoexclusivadoSupremoTribunal Federal,aexistênciadarepercussão
geral " (art. 543-A, § 2.°, do CPC).
O Supremo Tribunal Federal já decidiu sobre matérias que têm e que
não têm repercussão geral - ver no site <www.stf.jus.br>;
o) o STJ julgará a causa cuja decisão julgou válido ato de governo
local contestado em face de lei federal (art. 105, III, b, da CF/88), a
homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias (art. 105,1, i, da CF/88). Nesses casos, houve uma trocadecompetências, poisahomologaçãodesentençasestrangeiras eaconcessão deexequatur àscartasrogatóriaspertenciam ao Supremo Tribunal Federal (art. 102,1, h, da CF/88, alínea hoje revogada). Daalíneabdoinc. III doart. 105 daCF/88 (recursoespecial) foi excluída adecisão quejulgou válidalei local contestadaem facedelei federal, deslocada para a competência do STF (art. 102, III, d, da CF/88);
p) a federalização dos crimes contra os direitos humanos, mediante incidente suscitado pelo Procurador-Geral da República no STJ, deslocando a competência para aJustiça Federal: art. 109, V-A e §
5 . ° , da CF/88;
A primeiravez quese pediu a federalização (incidentededeslocamento
de competência) envolveu a apuração da morte da Irmã Dorothy Stang, que
foi assassinada , com seis tiros, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro
de 2005, em uma estrada de terra de difícil acesso a 53 quilómetros da sede do município deAnapu, no Estado do Pará, por ordem deum fazendeiro em virtude desuaatividade em prol da reformaagrária e de melhores condições
de vida para o povo paraense.
No citado caso, o Superior Tribunal deJustiça indeferiu o pedido de deslocamentodecompetênciapor entender quefoi corretaaatuaçãoda Justiça
154 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
local , conforme se verifica: " Constitucional - Penal e processual penal -
Homicídiodolosoqualificado (vítimaIrmãDorothyStang)- Crimepraticado
com grave violação aos direitos humanos - Incidente de deslocamento de
competência - IDC - Inépcia da peça inaugural - Norma constitucional de
eficácia contida - Preliminares rejeitadas - Violação ao princípio do juiz natural e ã autonomia da unidade da Federação - Aplicação do princípio
da proporcionalidade - Risco de descumprimento de tratado internacional
irmadopeloBrasilsobreamatérianãoconfiguradonahipótese- Indeferimento
do pedido. 1. Todo homicídiodoloso , independentementedacondiçãopessoal
da vítima e/ou da repercussão do fato no cenário nacional ou internacional representa grave violação ao maior e mais importante de todos os direitos do ser humano, que é o direito à vida , previsto no art. 4. ° , 1, da Convenção
,
f
Americana sobre Direitos Humanos , daqual oBrasil ésignatáriopor forçado
Decreto 678 , de 06.11.1992, razão por que não há falar em inépcia da peça
inaugural. 2. Dadaaamplitudeeamagnitudedaexpressão'direitoshumanos, , é verossímil que o constituinte derivado tenha optado por não definir o rol doscrimesquepassariam paraacompetênciadaJustiçaFederal , sob penade
restringiroscasosdeincidênciadodispositivo (CF , art. 109, § 5. ° ) , afastando-o de sua finalidade precípua , que é assegurar o cumprimento de obrigações
decorrentes de tratados internacionais firmados pelo Brasil sobre a matéria ,
examinando-se cada situação de fato , suas circunstâncias e peculiaridades
detidamente, motivo pelo qual não há falar em norma de efi cácia limitada .
Ademais, não é próprio de texto constitucional tais definições . 3. Aparente
incompatibilidadedo IDC , criadopelaEmendaConstitucional 45/2004, com
qualquer outro princípio constitucional ou com asistemática processual em vigor deve ser resolvida aplicando-se os princípios da proporcionalidade
e da razoabilidade. 4. Na espécie , as autoridades estaduais encontram-se
empenhadas na apuração dos fatos que resultaram na morte da missionária
norte-americana Dorothy Stang , com o objetivo de punir os responsáveis,
refletindo a intenção de o Estado do Parádar resposta eficienteà violação do
maior e mais importante dos direitos humanos , o que afasta a necessidade
de deslocamento da competência originária para aJustiça Federal , de forma subsidiária, sob pena , inclusive, de difi cultar o andamento do processo
criminal e atrasar o seu desfecho , utilizando-se o instrumento criado pela
aludida norma em desfavor de seu fi m , que é combater a impunidade dos
crimespraticadoscomgraveviolação dedireitoshumanos . 5.0 deslocamento
decompetência- emqueaexistênciade crimepraticado com graveviolação
aos direitos humanos é pressuposto de admissibilidade do pedido - deve
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
155
entreosMunicípiosdePedrasdeFogoeItambé.
Pedido indeferido
,
atender ao princípio da proporcionalidade (adequação, necessidade e
proporcionalidade em sentido estrito), compreendido na demonstração
concreta derisco de descumprimento de obrigaçõesdecorrentes de tratados
internacionais firmados pelo Brasil, resultante da inércia, negligência, falta
de vontade política ou de condições reais do Estado-membro, por suas
instituições, em proceder à devida persecução penal. No caso, não há a
cumulatividade de tais requisitos, a justificar que se acolha o incidente. 6.
° , III, da Lei 10.446, de
sem prejuízo do disposto no art. 1,
08.05.2002" (STJ, IDC l/PA 2005/0029378-4, 3.a Seção, j. 07.06.2005, rei.
Min. Arnaldo Esteves Lima, DJ 10.10.2005, p. 217, RSTJ 198/435);
Em 27deoutubrode 2010, houvea primeiradecisão favorável àfedera-
lização. Trata-se do caso Manoel Mattos (IDC 2 DF 2009/0121262-6).
Por maioria de votos, a Terceira Seção do Superior Tribunal deJustiça
(STJ) acolheu o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) paraque
o crime contra o ex-vereador Manoel Mattos fosse processado pelaJustiça
Federal. O caso é de responsabilidade daJustiça Federal da Paraíba.
Oa
dvogado pernambucano Manoel Bezerra de Mattos Neto foi assassi-
nado em 24.01.2009, no Município de Pitimbu/PB, depois desofrer diversas
ameaças e vários atentados, em decorrência, ao que tudo leva a crer, de sua
persistenteeconhecidaatuaçãocontragruposdeextermínioqueagem impu-
nes há mais de uma década na divisa dos Estados da Paraíba e de Pernambuco,
Ficou consignadonadecisãoqueoriscoderesponsabilizaçãointernacio-
nal pelodescumprimentodeobrigaçõesderivadasdetratadosinternacionais
aos quais o Brasil anuiu (dentre eles, vale destacar, a Convenção Americana
de Direitos Humanos) é bastante considerável, mormente pelo fato dejá ter
havidopronunciamentosdaComissão InteramericanadeDireitosFlumanos,
com expressa recomendação ao Brasil para adoção de medidas cautelares de
proteção a pessoas ameaçadas pelo tão propalado grupo de extermínio atu-
ante na divisa dos Estados da Paraíba e Pernambuco, as quais, no entanto,
ou deixaram de ser cumpridas ou não foram efetivas. Além do homicídio
de Manoel Mattos, outras três testemunhas da CPI da Câmara dos Deputa-
dos foram mortos, dentre eles Luiz Tomé da Silva Filho, ex-pistoleiro, que
decidiu denunciar e testemunhar contra os outros delinquentes. Também
Flávio Manoel da Silva, testemunha da CPI da Pistolagem e do Narcotráfico
da Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba, foi assassinado a tiros em
Pedra de Fogo
,
Paraíba, quatro diasapós ter prestado depoimento à Relatora
156
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Especial da ONU sobre Execuções Sumárias , Arbitrárias ou Extrajudiciais.
E , m ais recentem ente , uma das testemunhas do caso Manoel Mattos, Maxi-
miano Rodrigues Alves , sofreu um atentado à bala no município de Itambé,
Pernambuco, e escapou por pouco.
Há conhecidas ameaças de morte contra Promotores eJuízes do Estado
da Paraíba, que exercem suas funções no local do crime, bem assim contra a
família da vítima Manoel Mattos e contra dois Deputados Federais.
Ascircunstânciasapontaram paraanecessidadedeaçõesestatais firmese
eficientes, asquais, por muito tempo, asautoridadeslocaisnão foramcapazes
de adotar, até porque a zona limítrofe potencializa as difi culdades de coor-
denação entre os órgãos dos dois Estados. Mostrou-se , portanto, oportuno
e conveniente a imediata entrega das investigações e do processamento da
ação penal em tela aos órgãos federais.
A ministra Laurita Vaz , relatora, acolheu algumaspropostasdealteração
dovotoparamelhor definiçãodoalcancedo deslocamento. Entreasprincipais
propostas, estáaalteração da SeçãoJudiciáriaa que seria atribuída a compe-
tência. Inicialmente, a relatora propôs que a competênciase deslocasse para
aJustiça Federal de Pernambuco, mas prevaleceu o entendimento de que o
caso deveria ser processado pelaJustiça Federal competente para o local do fato principal, isto é, o homicídio de Manoel Mattos. Outros casos conexos também fi carão a cargo dajustiça Federal, mas a Seção não acolheu o pedido daProcuradoriaGeral daRepública(PGR) deque
outras investigações, abstratamente vinculadas, também fossem deslocadas
para as instituições federais. A relatora também acolheu proposta de modi i cação para que informa- çõessobre condutas irregularesde autoridadeslocaissejam comunicadas às corregedorias de cada órgão, em vez de serem repassadas para os conselhos
nacionais do Ministério Público (CNMP) e deJustiça (CNJ).
Com os ajustes, acompanharam a relatora os ministros Napoleão Maia Filho,Jorge Mussi e Og Fernandes e o desembargador convocado Haroldo Rodrigues. Votaram contrao deslocamento osdesembargadoresconvocados Celso Limongi eHonildo deMello Castro. A ministra MariaTherezadeAssis
Moura presidiu o julgamento, e só votaria em caso de empate. O ministro
Gilson Dipp ocupava o cargo decorregedor Nacional deJustiça àépocaenão participou do início dojulgamento. Dessemodo, o pedido ministerial foi parcialmenteacolhidoparadeferir
o deslocamento de competência para aJustiça Federal no Estado da Paraíba
f
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
157
da ação penal 022.2009.000.127-8, a ser distribuída para oJuízo Federal
Criminal comjurisdiçãonolocal dofatoprincipal, bemcomodainvestigação
de fatos diretamente relacionados ao crime em tela.
q) ampliaçãodacompetênciadajustiçadoTrabalho (art. 114da CF/88)
e do número de Ministros do TST (de 17 para 27): art. 111-A e 115 da CF/88 (quinto constitucional);
É afastada a competência dajustiça do Trabalho para a apreciação de
causas que sejam instauradas entre o Poder Público e seus servidores, a ele
vinculados por típica relação de ordem estatutária ou de caráter jurídico- administrativo, regidos pela Lei 8.112/90 que continuam sob competência
dajustiça Federal - ADI 3.395/2005
Outro tema interessante decidido pelo Supremo Tribunal Federal diz respeito ao interdito proibitório. No julgamento do RE 579.648/MG ficou
consignado que é da competência dajustiça do Trabalho o julgamento de interdito proibitório em que se busca garantir o livre acesso de funcionários e de clientes a agências bancárias sob o risco de serem interditadas em decorrênciademovimentogrevista. Considerou-sequeseestádiantedeação que envolve o exercício do direito de greve, matéria afeta à competência da
Justiça Trabalhista, conforme disposto no art. 114, II, da CF/88.
" Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e
sete Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e
menosdesessentaecinco anos, nomeadospelo Presidenteda Repúblicaapós
aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: I - um quinto
dentreadvogadoscommaisde 10 (dez) anosdeefetivaatividadeprofissional
e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de 10 (dez) anos de
efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; II - os demaisdentrejuízes
dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da magistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior".
" Art. 115. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se de, no mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região, e nomeadospelo Presidenteda Repúblicadentrebrasileiroscom maisdetrinta
e menos de sessenta e cinco anos, sendo: I - um quinto dentre advogados com mais de 10 (dez) anos de efetiva atividade profissional e membros do
Ministério Público do Trabalho com maisde 10 (dez) anos de efetivo exercício ,
observado o disposto no art. 94; II - osdemais, mediantepromoção dejuízes do trabalho por antiguidade e merecimento, alternadamente". O quinto constitucional foi criação de Getúlio Vargas, sendo mantido
pela reforma do PoderJudiciário e, inclusive, ampliado. Nos citados casos, a
158
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
nomeação será feita pelo Presidente da República. Destaque-se que , n o caso
do quinto constitucional no Tribunal Superior do Trabalho , há necessidade de prévia aprovação do indicado pelo Senado Federal por maioria absoluta;
r) súmula vinculante: art. 103-A da CF/88;
OtemasúmulavinculantefoiregulamentadopormeiodaLei 11.417/2006.
É importante ler todas as súmulas vinculantes , especialmente a 10, 11, 13,
14 e 25;
s) possibilidade de o Tribunal de Justiça propor a criação de varas
especializadas, para dirimir conflitos fundiários , com competência exclusiva para questões agrárias: art. 126 da CF/88;
t) estabelecimento da maioria absoluta (somado ao interesse público)
para violação da inamovibilidade dos magistrados e membros do
Ministério Público: arts. 93, VIII, e 128, § 5.°, I , b, da CF/88. Nos dois
casosfoi reduzido oquorumdedoisterços (maioriaqualificada) para
a maioria absoluta;
u) autonomia funcional e administrativa das Defensorias Públicas Estaduais: art. 134, § 2.°, da CF/88;
v) as atuaissúmulas do STF somenteproduzirão efeito vinculanteapós sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa ofi cial: art. 8.° da EC 45/2004.
5 . 6 Reclamação
A reclamação tem por objetivo preservar a competência e garantir a autoridade das decisões do Supremo Tribunal Federal ou do Superior
Tribunal deJustiça (art. 13 da Lei 8.038/1990). Admite-se , também, em face
da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de
súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente (art. 7. °
caput, da Lei 11.417/2006 e art. 103-A, § 3.°, da CF/88).
,
Legitimidade ativa: a parte interessada (reclamante) ou o Ministério
Público (art. 13 da Lei 8.038/1990).
Legitimidadepassiva: autoridadereclamadaaquem forimputadaaprática
do ato (art. 14,1, da Lei 8.038/1990). Será pessoa ou ente de qualquer órgão
que descumpra a decisão judicial. Se for por usurpação de competência, o
sujeito passivo será órgãojurisdicional.
Foro: Supremo Tribunal Federal (art. 102,1, /, da CF/88) ou Superior
Tribunal deJustiça (art. 105 , 1 ,/, da CF/88).
Cap. 15 . A SEPARAÇÃO DOS PODERES
159
A petição inicial será endereçada ao Presidente do Tribunal e deverá estar instruída com prova documental pré-constituída, nos termos do art. 13, parágrafo único, daLei 8.038/1990. Aodespachar ainicial da reclamação
(art. 14 da Lei 8.038/1990), o relator requisitará informações daautoridadea
quem for imputadaaprática do ato impugnado, que terá 10diasparafazê-lo;
ordenará, senecessário,paraevitar danoirreparável, asuspensão do processo ou do ato impugnado.
Interessante observar que qualquer interessado poderá impugnar o
pedido do reclamante, nos termos do art. 15 da Lei 8.038/1990.
O Ministério Público, nas reclamações que não houver formulado,
terá vista do processo, por cinco dias, após as informações (art. 16 da Lei
8 . 038/1990).
Efeitos: julgado procedente o pedido feito na reclamação, o Tribunal cassaráadecisãoexorbitantedoseujulgado ou determinarámedidaadequada à preservação de sua competência (arts. 17 e 18 da Lei 8.038/1990). Se a reclamação for por desrespeito a enunciado de súmula vinculante, julgado procedenteopedido, o Supremo Tribunal Federal anularáoato administrativo
ou cassará a decisãojudicial impugnada , nos termos do art. 7. ° , § 2.°, da Lei
11.417/2006.
Decisões sobre o tema:
" Reclamação. Naturezajurídica.Alegadodesrespeito a autoridadede
decisão emanada do STF. Inocorrência. Improcedência. A reclamação,
qualquerque seja a qualificação que se lhe dê- ação (Pontesde Miranda,
Comentários ao Código de Processo Civil, t. V/384, Forense), recurso ou
sucedâneo recursal (Moacyr Amaral Santos, RTJ56/546-548; Alcides de
Mendonça Lima, O Poder Judiciário e a nova Constituição, p. 80, 1989,
Aide), remédio incomum (Orozimbo Nonato, apud Cordeiro de Mello, Oprocesso no Supremo Tribunal Federal, v. 1/280), incidente processual
(Moniz de Aragão, A correição parcial, p. 110, 1969), medida de direito
processual constitucional (José Frederico Marques, Manual de direito
processual civil, v. 3, 2. " parte, p. 199, item 653, 9. ed., 1987, Saraiva)
ou medida processual de caráter excepcional (Min. Djaci Falcão, RTJ 1 12/518-522) configura, modernamente, instrumento de extração constitucional, inobstante a origem pretoriana de sua criação (RTI
112/504), destinado a viabilizar, na concretização de sua dupla função
de ordem político-jurídica, a preservação da competência e a garantia
da autoridade das decisões do Supremo Tribunal
Federal (CF, art. 102, 1,
/) e do Superior Tribunal de Justiça (CF, art. 105, I, /). Não constitui ato
ofensivo à autoridade de decisão emanada do SupremoTribunal Federal
o procedimento de magistrado inferior que, motivado pela existência de
160
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
váriasexecuçõespenaisainda em curso , referentesa outrascondenações
não desconstituídas pelo writ, deixa de ordenar a soltura imediata de paciente beneficiado por habeas corpus concedido, em caso diverso e
específico, por esta Corte " (Rcl 336/DF, rei. Min. Celso de Mello).
Reclamação. Constituiçãoestadual. Admissibilidade. Éadmissível ao
Estado-membro criar, em sua Constituição, o instrumento processual da reclamação para a preservação dacompetência dostribunaisestaduaise
garantia do respeito às suas decisões" (STF, ADIn 2.212-1/CE, Pleno, rei
Min. Eilen Gracie).
Dos direitos e garantias
fundamentais
d
Como já abordado, um Estado Democrático de Direito caracteriza-se
pela participação do povo na formaçãojurídica e estrutural do Estado, bem
como pelo respeito de todos às leis.
As Constituições escritas, em sua maioria, surgiram após a Revolução Francesa , com o intuito de estabelecer limite\s ao poder dos governantes, prevendo, inclusive, os direitos mínimos subjetivos (vida, liberdade e pro- priedade) considerados direitos fundamentais.
Os direitos egarantias fundamentais correspondem às normas quepos-
sibilitam as condições mínimas para a convivência em sociedade, estabele- cendo direitoselimitaçõesaosparticulareseao Estado, enormalmenteestão expressamente previstos nas Constituições dos Estados contemporâneos. A Constituição Federal de 1988 estabeleceosdireitosegarantiasfunda-
mentais do cidadão em seu Título II - " Dosdireitosegarantiasfundamentais"
- , subdividindo-os em cinco capítulos: direitos individuais e coletivos (art.
5 . ° ) , direitos sociais (arts. 6.° a 11), nacionalidade (arts. 12 e 13), direitos
políticos e partidos políticos (arts. 14 a 17). Na atualidade, os doutrinadores mais requeridos em concurso público
classi i cam osdireitos fundamentais em deprimeira até terceirageração. Há, porém, quem entenda existir uma quarta geração de direitos.
Osdireitos fundamentais de l.ageração são os direitos e garantias indi-
viduais e políticos clássicos (liberdades públicas: direito à vida, à liberdade, à expressão e à locomoção). Osdireitosfundamentaisde2.f geraçãosão osdireitossociais, económi- coseculturaissurgidosno início do século XX (direito ao trabalho, ao seguro
social, à subsistência, amparo à doença, à velhice, entre outros). Os direitos fundamentais de 3.a geração, também chamados de soli-
dariedade ou fraternidade , englobam um meio ambiente ecologicamente
f
162 DIREITO CONSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
equilibrado, a paz, uma qualidade de vidasaudável, aautodeterminação dos
povos, além de outros direitos difusos.
Os direitos fundamentais de 4.a geração, também chamados de direito
dospovos,sãoprovenientesdaúltimafasedaestruturaçãodo "Estado Social" (globalização do Estado Neoliberal), e englobam o direito à democracia, à
informação, ao pluralismo, do patrimônio genético, entre outros. Há quem entenda ser o direito vinculado à evolução da ciência (genética, DNA, clo- nagem, biodireito, biotecnologia, entre outros).
Noordenamentojurídicobrasileiro, osdireitosegarantiasfundamentais
têm anaturezajurídicadedireitosconstitucionais,poisestão expressamente elencadosnoTítuloII daConstituiçãoFederalvigente. Taisdireitosegarantias fundamentais, de regra, têm aplicação imediata (§ 1.°, art. 5.°). Porém, para seu efetivo exercício, por vezes, é necessária regulamentação infraconstitu- cional (são exemplososincisos XXXII, XLI, LXXVI do art. 5. ° , entre outros).
1 .
DIFERENÇA ENTRE DIREITOS E GARANTIAS
Direitos são disposições declaratórias de poder sobre determinados
bens e pessoas. Representam por si sós certos bens. São principais e visam a
realizaçãodaspessoas. Direitoéopoderpararealizaralgo, poisoordenamento
jurídico possibilita.
Garantias, emsentidoestrito,são osmecanismosdeproteção ededefesa dos direitos. Traduzem-se na garantia de os cidadãos exigirem dos Poderes
Públicosaproteção dosseusdireitos, bem como o reconhecimento demeios processuaisadequadosaessafinalidade. Por exemplo: habeascorpus, mandado de segurança, entre outros. São acessórios, estando vinculados aos direitos.
2 .
DESTINATÁRIOS DA PROTEÇÃO (AMPLITUDE DA PROTEÇÃO)
A CF/88, em seu art. 5.°, estabelece: "Todossão iguaisperante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estran-
geiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes".
Abrangência: assegurar a validade e gozo dos direitos fundamentais
dentro do território brasileiro, não se excluindo o estrangeiro em trânsito.
São protegidas também as pessoasjurídicas. Dessa forma, são titulares dos
direitos e garantias fundamentais: os brasileiros, os estrangeiros, as pessoas
físicas ejurídicas.
Cap. 16
. DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
163
3 .
DO S DIREITO S E D EVERES INDIVIDUAIS E CO LETIVO S: ART. 5.° DA CF/88
O rol dedireitoselencados no art. 5.° eseus 78 incisos éexemplificativo,
e não exaustivo, o quese deduz do § 2. ° do art. 5.°, que dispõe: "Os direitos e
garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados , ou dos tratados internacionais em
que a República Federativa do Brasil seja parte "
.
Direitos protegidos no art. 5.° , caput, da CF/88:
3 . 1
Direito à vida
Éo primeiro e mais importante dosdireitos fundamentais.
O Estado deveproteger avidademaneiraglobal, inclusiveavidauterina ,
além de viabilizar a subsistência dos necessitados.
O direito ã vida engloba a não interrupção do processo vital senão pela
morte espontânea e inevitável. Exceção: pena de morte em caso de guerra
declarada (art. 5.°, XLVII, a, da CF/88).
3 . 2 Direito à igualdade
As Constituições reconhecem a igualdade no sentido jurídico-formal , ou seja, a igualdade perante a lei. Neste sentido , encontra-se o caput do art.
5 . ° , onde se lê que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
n atu reza .
Também se pode notar no mesmo art. 5.° , I, que declara: "Homens e
mulheres são iguais em direitos e obrigações " . Depois, no art. 7.°, XXX e
XXXI, há regras de igualdade material que proíbem distinções fundadas em
certos fatores, ao vedarem " diferença de salários , de exercício de funções
e de critério de admissão por motivo de sexo , idade, cor ou estado civil" e
" qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do tra- balhador portador de deficiência". Ver , também, arts. 3.°, 111 e IV, 7 0, XXXIV,
170 , 193 , 196 e 205 .
O legislador, ao criar as normas, não poderá se afastar do princípio da
igualdade , sob pena de incorrer em inconstitucionalidade, sujeitando-se ao
controle de constitucionalidade.
O intérprete ou a autoridade pública não poderá aplicar as leis e osatos
normativos aos casos concretos de forma a criar ou aumentar desigualdades
arbitrárias.
164
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Por fim, oparticular nãopoderápautar-sepor condutasdiscriminatórias, preconceituosas ou racistas, sob pena de responsabilidade civil e penal nos
termos da legislação em vigor.
3 . 3
Direito à liberdade
A liberdade, em sentido genérico, tem vinculação estreita com o conhecimento. O conteúdo da liberdade se amplia com a evolução da
humanidade; portanto, a liberdade é uma conquista constante.
De acordo com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de
1789 , " aliberdadeconsisteempoder fazertudoquenãoprejudiqueopróximo:
assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos
mesmos direitos. Esses limites apenas podem ser determinados pela lei "
Genericamente, podem ser elencados, na CF/88, os seguintes direitos, cujo objeto é a liberdade: de locomoção (art. 5. ° , LXV1II); de pensamento
(art. 5.°, IV, VI, VII, VIII e IX); de reunião (art. 5.°, XVI); de associação (art.
5 . ° , XVII aXXI); depro i ssão (art. 5.°, XIII); deação (art. 5.°, II); deliberdade
.
f
sindical (art. 8. ° ); e de greve (art. 9.°).
3 . 4 Direito à propriedade
O art. 1.228 do Código Civil (Lei 10.406/2002) asseguraao proprietário
o direito deusar, gozar edispor deseus bens e o direito de reavê-los do poder
de quem quer que injustamente os possua ou detenha.
Apropri edade,bem comoosdemaisdireitosfundamentais,devesujeitar- - se às limitações exigidas pelo bem comum, podendo ser perdida em favor do Estado quando o interesse público o reclamar.
Na CF/88, sobre a propriedade podem-se citar as seguintes normas
constitucionais: art. 5. ° , XXII (em geral), XXIII (função social), XXIV (desa-
propriação); artística, literáriaecientí
art. 5. ° , XXX e XXXI.
A CF/88, no art. 5.°, XXII, XXIII e XXIV, reconhece o direito de proprie- dade, cujo uso deverá ser condicionado ao bem-estar social. Esse direito é
garantido pela exigência deque todaexpropriação se faça mediante prévia e
i ca: art. 5. ° , XXVII a XXIX; hereditária:
f
justa indenização, que em princípio deve ser paga em dinheiro.
A desapropriação é uma evolução jurídica, pois no início o monarca
apropriava-se das terrasque desejassesem qualquer espéciede indenização.
Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
165
Não existiaproteçãojurídicasobreodireitodepropriedadecontraoconfi sco
do Estado. Com a evolução histórica, o liberalismo fez nascer o Estado de
Direito , limitando o poder do monarca às leis.
Ao con i sco (não indenizável, imotivado, fruto do caprichoedavolunta-
f
riedade) sucedeadesapropriação (indenizável,deacordo com alei, mediante
prévia ejusta indenização).
Função social - Art. 182, § 2.° (propriedade urbana), art. 186
(propriedaderural), usucapiãoconstitucional urbano (art. 183)
e rural (art. 191), desapropriação rural para reforma agrária
(art. 184). Destaque-se que há o confisco previsto no art. 243
da CF/88 .
note
BEM
3 . 5 Direito à segurança
É considerado um conjunto de garantias e direitos composto por si-
tuações, proibições, limitações e procedimentos destinados a assegurar o
exercício e o gozo de algum direito individual fundamental. Por exemplo:
a) a segurança do domicílio (art. 5. ° , XI): "A casa é
asilo inviolável do
indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do
morador, salvo em caso deflagrantedelito ou desastre, ou paraprestar
socorro, ou, durante o dia, por determinaçãojudicial " Paraaaplicação do citado dispositivo, deveser observado oquedispõeo
Código Penal (Dec.-lei 2.848/1940), no art. 150, § 4.°, ondese lê: "A expres-
são ' casa , compreende: I - qualquer compartimento habitado; II - aposento
ocupado de habitação coletiva; III - compartimento não aberto ao público,
onde alguém exerce pro i ssão ou atividade "
.
f
.
O § 5.°do artigo em referênciadestaca: "Não se compreendem
na expressão ' c asa ' : I - hospedaria, estalagem ou qualquer
outra habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do n. II do parágrafo anterior II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo género".
166
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
b) a segurança de comunicações pessoais (art. 5.° , XII);
c) a segurança em matéria penal (art. 5.° , XXXVII a XLVII);
d) a segurança em matéria tributária (art. 150).
Destaque-se quea leiturado art. 5.° da CF/88 (caput , 78 incisos e quatro
parágrafos) éimprescindível paraentender aamplitudeeacomplexidadedo
tema "direitos egarantias fundamentais". Além disso , este é tema recorrente
nos concursos públicos brasileiros.
Após a EC 45/2004 houve: (a) a "constitucionalização" dos tratados
e convenções internacionais sobre direitos humanos aprovados , em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos , por três quintos dos votos
dos respectivos membros (art. 5.° , § 3.°, da CF/88); (b) o Brasil se submete à
jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado
adesão (art. 5. ° , §
4.°, da CF/88).
4 .
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
No art. 5.° da CF/88 podemos encontrar alguns dos grandes princípios
do direito, tais como:
a) Princípio da isonomia: " homens e mulheres são iguais em direitos e
obrigações, nos termos desta Constituição " (art. 5.°, I).
Doutrina ejurisprudência assentam que o princípio da igualdadejurí-
dicaconsisteem assegurar àspessoasdesituaçõesiguaisosmesmosdireitos ,
prerrogativas e vantagens, com as obrigaçõescorrespondentes, ou, segundo
a forma clássica , " tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais ,
na proporção em quese desigualam " . Por isso, a isonomia tanto admite , por exemplo, que a licença-maternidade seja maior que a licença-paternidade (em razão da diferença entrehomensemulheresquanto àgravidez), quanto assegura que a licença-maternidade de todas as mulheres seja definida pela
lei com igual alcance.
b) Princípio da legalidade: "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei" (art. 5.° , II).
c) Princípio da irretroatividade da lei: " a lei não prejudicará o direito adquirido, o atojurídico perfeito eacoisajulgada " (art. 5.°, XXXVI).
d) Princípio do acesso aojudiciário: "a lei não excluirá da apreciação do
PoderJudiciário lesão ou ameaça a direito" (art. 5.° , XXXV).
e) Princípio dojuiz natural: " não haverájuízo ou tribunal de exceção " e " ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade
competente " (art. 5.°, XXXVII e LIII).
Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
f) Princípiododevidoprocessolegal: "ninguémseráprivadodaliberdade
ou de seus bens sem o devido processo legal " (art. 5.°, LIV).
g) Princípio do contraditório e da ampla defesa: " aos litigantes, em
processojudicial ou administrativo, e aos acusados em geral são as- segurados o contraditório e ampla defesa, com os meios erecursos a
ela inerentes " (art. 5.°, LV).
h) Princípio da celeridade: "a todos, no âmbitojudicial e administrati-
v o , são assegurados a razoável duração do processo e os meios que
garantam a celeridade de sua tramitação " (art. 5 0, LXXVIII).
5 .
REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS
Os remédios constitucionais são meios postos à disposição dos indiví- duos e doscidadãosparaprovocar a intervenção dasautoridades competen-
tes, visando corrigir ilegalidade ou abuso de poder em prejuízo de direitos
e interesses individuais. São também chamados de garantias individuais ou
ações constitucionais.
Consideram-se remédios constitucionais o direito de petição, o habeas corpus, o mandado de segurança, o mandado de injunção, o habeas data e a
ação popular.
cuidado
Alguns doutrinadores consideram a ação civil pública remédio
constitucional.
5 . /
O direito de petição
Historicamente, o direito de petição nasceu na Inglaterra, durante a
Idade Média, permitindo aos súditos que dirigissem petições ao rei (Bill of
Rights- 1689).
O direito de petição é aquele que pertence a uma pessoa ou grupo de pessoas de invocar a atenção dos Poderes Públicos (nas três esferas) sobre
uma questão ou situação.
O art. 5.°, XXXIV, a, da CF/88 estabeleceo direito depetição aos Poderes
Públicos,assegurando-oatodos, independentementedopagamentodetaxas, em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder.
168
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Adoutrinaentendequeodireitodepetição éum instrumentodepartici- paçãopolítico- iscalizatóriodosnegóciosdoEstado, que tempor finalidadea
f
defesadalegalidadeconstitucional edointeressepúblicogeral. Seu exercício não estávinculadoãcomprovaçãodeexistênciadequalquer lesãoainteresses
próprios do peticionário.
A titularidade desse direito podeser exercida por pessoas físicas , jurídi-
cas, nacionais ou estrangeiras.
Por fim, a finalidade do direito de petição é dar notícia de fato ilegal ou abusivo ao Poder Público, para que este providencie as medidas adequadas.
A materialização do direito de petição pode ser por documento escrito , de-
núncia oral , que será reduzida
a termo, entre outros.
5 . 2 Habeas corpus
O art. 5.°, LXVIII, estabelece: "Conceder-se-á habeascorpussempreque
alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder".
Origem: segundo amaioriadosautores, o habeascorpussurgiu naMagna
CartadeJoão Sem-Terra, em 1215, quandooinstitutofoi incluídoporpressão
do clero e da nobreza.
Porém,demodoefetivo, em 1679, no reinadodeCarlosII,surgeoHabeas
Corpus Act, consagrando o Writ of Habeas Corpus como remédio eficaz para
a soltura de pessoa ilegalmente presa ou detida.
No Brasil , o habeas corpus foi previsto pela primeira vez, de modo
expresso, no Código de Processo Criminal de 1832, no art. 340. Constitu-
cionalmente foi previsto pela primeira vez na Constituição Republicana de
1891 (art. 72, §22).
Naturezajurí dica: é uma ação penal de natureza constitucional.
Finalidade: prevenir ou sanar a ocorrência de violência ou coação na liberdade de locomoção por ilegalidade ou abuso de poder.
Sujeito ativo (impetrante): qualquer pessoa, maior ou menor de idade,
brasileiro ou estrangeiro, inclusive pessoajurídica.
Paciente (vítima): qualquer pessoa física, maior ou menor de idade, brasileiro ou estrangeiro.
Sobreo tema,emvirtudedesuagrandeincidênciaem concursospúblicos, é importantea leitura daalínea d do inciso I do art. 102 eda alínea c do inciso
Cap. 16 .
DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
169
I do art. 105 da CF/88. O primeiro dispositivo dispõe que compete ao STF
processar ejulgar, originariamente, o habeascorpus, seo pacientefor o Presi- dentedaRepública, oVice-Presidente, osmembrosdo CongressoNacional,o
Procurador-Geral da República, os MinistrosdeEstado, os Comandantesda
Marinha, do Exército e da Aeronáutica, os membros dos Tribunais Superio-
res , os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráterpermanente). O outrodispositivodispõequecaberá, originariamente, ao Superior Tribunal deJustiçajulgar o habeascorpus, seo coator ou paciente
for Governador dos Estados edo Distrito Federal, desembargador dosTribu-
nais deJustiça dos Estados e do Distrito Federal, membro dos Tribunais de
Contas dos Estados e do Distrito Federal, dos Tribunais Regionais Federais,
dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, membro dos Conselhos
ou Tribunais de Contas dos Municípios e do Ministério Público da União que o i cie perante tribunais, ou quando o coator for tribunal sujeito ã sua
jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou
f
da Aeronáutica, ressalvada a competência daJustiça Eleitoral.
A pessoa jurídica, para uma menor parte da doutrina, pode
uti 1izaro habeascorpus paratrancaro inquérito ou o processo criminal ilegal ou abusivo.
note
BEM
r
Sujeito passivo: autoridade ou agente público.
Espécies:
a) preventivo: para evitar a ocorrência de uma violação à liberdade.
Expede-se "salvo conduto" pelojuiz, para impedir a prisão ou a de-
tenção pelo motivo alegado;
b) liberatório ou repressivo: objetiva a cessação da efetiva coação ao direito de ir e vir. Ojuiz expede o alvará de soltura. Pede-seum contramandadosehouvermandadodeprisãonão cumprido.
Regulamentação: arts. 647 a 667 do CPP (Dec.-lei 3.689/1941).
Decisões sobre o tema:
O Supremo Tribunal Federal tem admitido autilização do habeascorpus
para desentranhamento de prova ilícita em procedimento penal, bem como
170
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
parao trancamentodeinquérito policial ou açãopenal ondeseconstatailega-
lidadeou abuso depoder. Nessesentido , HC 80.949, HC 80.420, entre outros.
AsComissõesParlamentaresdeInquérito nãopodemdecretar acondução
coercitivadetestemunha,buscaseapreensões,indisponibilidadedebensepri-
sãotemporária(InformativodoSTF416doSTf; HC88.015/DFeMS25.832/DF).
Asauditoriasmilitaresestaduaissomentepodemjulgar policiaismilitares
ebombeirosmilitares, mas não civis. (STF, HC 70.604/SP, HC 72.022-PR, entre
outros).
De acordo com o Supremo Tribunal Federal, os tratados e convenções
internacionais são incorporados como normas infraconstitucionais (STF ,
RFIC 80.035/SC , entre outros). Não se trata de uma obrigação, mas sim de
uma faculdade atribuída ao Congresso Nacional de equipará-los a emendas
constitucionais.
O talonário de cheques e os cartões de crédito não podem ser objeto
de receptação (STJ, RO/HC 17.596/DF, STJ, RO/HC 2113/SP, entre outros).
É inconstitucional o art. 2.°, § 1.°, da Lei 8.072/1990 - Lei dos Crimes
Hediondos, que dispunha que as penas ali previstas seriam cumpridas inte-
gralmente no regime fechado, por afrontar o princípio da individualização da pena, previsto no art. 5.°, XLVI, da CF/88 (HC 82.959/SP, rei. Min. Marco Aurélio,j. 23.02.2006).
Súmula471 do STJ: "Oscondenadospor crimes hediondosou
assemelhadoscometidosantesda vigência da Lei 11.464/2007
sujeitam-se ao disposto no art. 112 da Lei 7.210/1984 (Lei de
Execução Penal) para a progressão de regime prisional."
note
BEM
A gravação de conversa entre duas pessoas, feita por uma delas sem
o consentimento da outra, registrando o fato para prevenir uma negação
futura, é considerada lícita, sendo possível a utilização do registro como meio de defesa. Esse tipo de gravação clandestina é considerado lícito
somente para utilização como meio de defesa. Nesse sentido, podem ser
citadas, como exemplo, asseguintes decisões: STF, HC 74678/SP, 1. a T . ; STF, AgRgAg 503617/PR, 2.a T.
Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
17 1
Compete àJustiça Federal processar ejulgar prefeito municipal por desvio de verba sujeita a prestação de contas perante órgão federal. Nesse
sentido há decisão do STF (HC 80.867-l/PIJ . 12.04.2002).
O Supremo Tribunal Federal, mudando seu antigo posicionamento,
decidiu que o habeas corpus impetrado contra ato de Turma Recursal é de competência do Tribunal deJustiça. A competência do STF está prevista de
forma exaustiva no art. 102,1, da CF/88. Deixa de se aplicar a Súmula 690. " Competência. Habeas corpus. Definição. A competência para ojulgamento do habeas corpus é defi nida pelos envolvidos - paciente e impetrante. Com-
petência. Habeas corpus. Ato deTurma Recursal. Estando os integrantes das
turmasrecursaisdosjuizadosespeciaissubmetidos, noscrimescomunsenos
de responsabilidade, àjurisdição do Tribunal deJustiça ou do Tribunal Re- gional Federal, incumbeacadaqual, conformeocaso,julgar oshabeascorpus
impetrados contra ato que tenham praticado. Competência. Habeas corpus.
Liminar. Umavez ocorridaadeclinação da competência, cumprepreservar o
quadrodecisóriodecorrentedodeferimentodemedidaacauteladora, fi cando
a manutenção, ou não, a critério do órgão competente " (STF, HC 86.834/SP,
Tribunal Pleno,j. 23.08.2006, rei. Min. Marco Aurélio, DJ 09.03.2007).
O SupremoTribunal Federal concedeu habeascorpusem quesequestio-
navaalegitimidadedaordemdeprisão,por 60dias, decretadaem desfavordo pacienteque,intimadoaentregar obemdoqual eradepositário, nãoadimplira a obrigação contratual (Informativo do STF 531, Plenário, HC 87.585/TO).
O SupremoTribunal Federal , por maioria, concedeu habeascorpusimpe-
trado em favor dedepositáriojudicial, eaverbou expressamentearevogação daSúmula619 ("aprisãododepositáriojudicial podeser decretadanopróprio processoem queseconstituiu o encargo, independentementedapropositura da ação de depósito") (Informativo do STF 531, Plenário, HC 92.566/SP).
Súmulas do STF sobre o tema:
395: "Não se conhece do recurso de habeas corpus cujo objeto seja
resolver sobre o ónus das custas, por não estar mais em causa a liberdade
de locomoção".
431: "É nulo o julgamento de recurso criminal na segunda instância
sem prévia intimação ou publicação da pauta, salvo em habeas corpus
"
.
692: "Não se conhece de habeas corpus contra omissão de relator de
extradição, se fundado em fato ou direito estrangeiro cuja prova não constava dos autos, nem foi ele provocado a respeito "
.
172
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
693: "Não cabe habeascorpuscontra decisão condenatória a pena de
multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena
pecuniária seja a única cominada".
694: "Não cabe habeascorpuscontra a imposição da pena deexclusão de militar ou de perda de patente ou de função pública".
695: "Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de
liberdade".
Súmulas do STJ sobre o tema:
21: "Pronunciadoo réu, fica superada a alegaçãodoconstrangimento
ilegal da prisão por excesso de prazo na instrução".
52: "Encerrada a instrução criminal , ficasuperadaaalegação decons-
trangimento por excesso de prazo".
64: "Não constitui constrangimento ilegal o excesso de prazo na ins- trução, provocado pela defesa".
5.3 Habeas data
Oart. 5.°, LXXII, enuncia: "Conceder-se-áhabeasdata: a) paraassegurar o conhecimento deinformaçõesrelativasàpessoadoimpetrante , constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter
público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por
processo sigiloso,judicial ou administrativo "
Conceito: é um remédio constitucional que tem por finalidade proteger
a esfera íntima dos indivíduos (pessoas físicas ou jurídicas) , possibilitando
a obtenção e a retificação de dados e informações constantes de entidades
governamentais ou de caráter público. Por exemplo: dados sobre a origem racial, ideológica , religiosa, política, filiaçãopartidáriaousindical, orientação sexual, regularidade fiscal, entre outros.
Naturezajurídica: é uma ação constitucional; portanto , é um pedido
de tutela jurisdicional, devendo preencher as condições e os pressupostos
processuais.
Finalidade: assegurar o direito deacesso e o conhecimento de informa- ções relativas à pessoa do impetrante e o direito de retificação desses dados.
Caracte í stica: de regra, é ação personalíssima , não se admitindo pedi- do de terceiros nem sucessão no direito de pedir; porém, existem decisões
.
r
Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
173
judiciais admitindo que os herdeiros legítimos do falecido ou seu cônjuge
supérstite possam impetrá-lo.
É necessário esgotar a via administrativa, sob pena de carência de ação por falta de interesse de agir (art. 8 0 , parágrafo único, I, Lei 9.507/1997).
Polopassivo: devem figurar sempre asentidadesgovernamentais ou de
caráterpúblico. Portanto, podemfigurarcomosujeitospassivososórgãosda
administração direta e indireta, bem como das entidades de caráter público,
ou seja, entidadesprivadasqueprestamserviçopúblico por meiodeconces-
são, permissão, licença ou autorização. O § 4. ° do art. 43 da Lei 8.078/1990
estabelece: " Os bancos de dados e cadastros relativos a consumidores, os
serviços deproteção ao crédito e congéneres são considerados entidades de
caráter público "
.
Vertambémart. 1
parágrafo único, da Lei 9.507/1997("Con-
note
BEM
sidera-se de caráter público todo registro ou banco de dados
contendo informações que sejam ou que possam ser transmi-
tidasa terceirosou que não sejam do uso privativo doórgão ou
entidade produtoraou depositária das informações " ).
Regulamentação: Lei 9.507/1997.
Decisões sobre o tema:
A utilização de habeas data como remédiojurídico constitucional pro-
cessual destinadoagarantir odireitodeacessoaregistrospúblicosederetifi-
caçãodestesdependedecondiçõesprévias. Éoprevistonoart.
8. ° , parágrafo
único, incisos I, II e III da Lei 9.507/1997. Nesse sentido é a decisão do STF,
Pleno, RHD 22/DE
" O habeas data configura remédio jurídico-processual, de natureza
constitucional, quesedestinaagarantir, emfavorda pessoa interessada, o exercíciodapretensãojurídicadiscernível emseu trípliceaspecto: (a)direi- todeacesso aosregistrosexistentes; (b) direito de retificação dosregistros erróneos; e (c) direito de complementação dos registros insuficientes ou
incompletos.Trata-sede relevante instrumento de ativação dajurisdição
constitucional das liberdades, que representa, no plano institucional, a maisexpressiva reaçãojurídicado Estadoàssituações que lesem, efetiva
174
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
ou potencialmente, os direitos fundamentais da pessoa , quaisquer que sejam as dimensõesem que estes se projetem" (STF , HD 75/DF, rei. Min.
Celso de Mello).
5 . 4 Mandado de injunção
O art.
5.° , LXXI,estabelece: "Conceder-se-ámandadodeinjunçãosempre
que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dosdireitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade , à
soberania e à cidadania "
.
Origem: remonta aos fi ns do século XIV , na Inglaterra, onde existia sob
a formadeordem deum tribunal para quealguém fizesseou seabstivesse de
fazer algum ato , sob pena de desobediência à corte.
Fundamento: existe uma norma constitucional de efi cácia limitada ainda
não regulamentada impedindo o exercício de um direito em caso concreto.
Finalidade: o tribunal deve determinar ao poder competente que edite
a norma geral dentro de certo prazo , sob pena de, decorrido este prazo, ser
devolvida ao tribunal a faculdade de edição da norma.
O Supremo Tribunal Federal entendia haver apenas uma mera reco- mendação ao Poder Legislativo para que editasse a norma , sem qualquer
consequência no caso de não atendimento .
Segundo a doutrina , pode haver asolução apenasdocaso concreto pelo
PoderJudiciário. Este é o atual posicionamento do STF (MI 670 e 721) .
uma ação constitucional , pois há um pedido de
proteçãojurisdicional previsto na Constituição.
Sujeito ativo: qualquer pessoa , física oujurídica, interessadanaquestão.
Também podem ser impetrantes as associações , desde que haja autorização
expressa dos associados.
Naturezajurídica: é
Sujeitopassivo: em facedeórgãoou poderincumbidodeelaborar anorma .
QuandoaelaboraçãodanormaforatribuiçãodoPresidentedaRepública,
do Congresso Nacional , da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das
Mesas de uma dessas Casas Legislativas , do Tribunal de Contas da União, de um dosTribunaisSuperiores , ou do próprio Supremo Tribunal Federal caberá ao STFjulgar (art. 102 , 1 , q, da CF/88).
Procedimento: se não houver necessidade de produção de prova , é igual
ao mandado de segurança; caso contrário , o procedimento é o ordinário.
Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
175
Previsões constitucionais: art. 102,1, q (STF), art. 105,1, h (STJ), 121, §
4 . ° , V (TSE), e 125, § 1.° (TJ).
Decisões sobre o tema:
A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal admite legitimidade
ativa adcausamaossindicatos para a instauração, em favor de seus mem-
bros ou associados, do mandado de injunção coletivo (STF, Ml 472-2, j. 16.11.1994, rei. Min. CelsodeMello; STF, Ml 102/PE, Pleno, j. 12.02.1998,
rei. Min. CarlosVelloso).
O Supremo Tribunal Federal atribuiu efeito concreto ao pedido re- querido pela parte em face da omissão do Poder Legislativo (Ml 670/ES,
721/DF e 712/PA).
" A jurisprudência do STF admite legitimidade ativa ad causam aos
sindicatos para a instauração, em favor de seus membros ou associados,
do mandado de injunção coletivo." (STF, Ml 102, j. 12.02.1998, rei. p/o
ac. Min. CarlosVelloso, DJ 25.10.2002).
5 . 5 Mandado de segurança
O art. 5.°, LXIX, preceitua: "Conceder-se-á mandado de segurança para
proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas
data, quandooresponsável pelailegalidadeou abusodepoder forautoridade pública ou agente de pessoajurídica no exercício de atribuições do Poder
Público" .
Direito líquido e certo é o quese apresenta manifesto nasua existência,
delimitado nasuaextensão eapto aser exercidonomomentodaimpetração-
dessemodo, odireitodevevir expresso emnormalegal etrazer emsi todosos requisitosecondiçõesdesuaaplicaçãoaoimpetrante. Deregra, comprova-se
documentalmente. Caso contrário, ou seja, havendo dúvida sobre o direito, deve-se ingressar com uma ação ordinária para demonstrá-lo e exigi-lo.
Sujeito ativo: somente o próprio titular do direito violado tem legitimi- dade para impetrar o mandado de segurança individual. Pode ser qualquer
pessoa, físicaoujurídica, desdeque tenha capacidadededireito eseja titular
do direito violado.
Sujeitos passivos:
a) autoridadespúblicas: compreende todososagentespúblicos, ou seja,
todas as pessoas físicas que exercem alguma função estatal, como os
agentes políticos e os agentes administrativos;
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
b) agentesdepessoasjurídicascom atribuiçõesdePoder Público: todos
os agentes de pessoas jurídicas privadas que executem , a qualquer
título, atividades , serviços e obras públicas - por exemplo, univer- sidades privadas.
Cumpre destacar que o mandado de segurança não deve ser proposto
contra a pessoajurídicade direito público , mas contra a autoridade coatora.
A autoridade coatoraserá a pessoa física que concretiza a lesão a direito
individual como decorrência de sua vontade. Não se levam em consideração
aspessoasqueestabelecem regrasedeterminaçõesgenéricas , nem tampouco
aquelasque meramenteexecutam a ordem. Infere-seque osatos normativos
geraisnão estão sujeitosamandado desegurança. Além disso, não cabeman-
dado desegurança contra ato de particular e mérito de decisão impugnada .
Naturezajurídica: ação constitucional de natureza civil .
Procedimento: recebida a inicial , notifica-se a autoridade coatora para
prestar informações em dez dias; após, os autos, com tais informações, irão
paraoMinistérioPúblicoparaconfecçãodeparecer emcincodias,seguindo-se
asentença. Destaque-se quenão hádilação deprazoparaprova testemunhal ,
pericial ou vistorias. Além disso, a liminar pode ser concedida se em virtude
da demora ocorrer dano irreparável.
A participação do Ministério Público é indispensável , justificada na tutela do interesse público.
Prazo decadencial: 120 dias a contar da data em que o interessado tiver conhecimento oficial do ato a ser impugnado (art. 23 da Lei 12.016/2009). Tal prazo não se suspende nem se interrompe.
Regulamentação: Lei 12.016/2009.
cuidado
A Lei 12.016/2009 trata do procedimento do mandado de
segurança, traz disposições específicas sobre o mandado de
segurança individual e coletivo, bem como outrasdisposições
não previstas na Lei anterior.
Decisões sobre o tema:
As Comissões Parlamentares deInquérito não podem decretar acondu-
ção coercitivadetestemunha, buscaseapreensões, indisponibilidadedebens
eprisão temporária(InformativodoSTF416,HC88.015/DFeMS25.832/DF).
Oprocessolegislativo daemendaconstitucional pode, por meiodeman-
dadodesegurançainterpostoperanteo SupremoTribunal Federal (STF),ser
objeto de controle de constitucionalidade, para o qual estariam legitimados
os parlamentares federais (deputados federais e senadores). Nesses termos:
STF, MS 20.247/DF e MS 20.471/DF
Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, o Ministério
Público pode requisitar diretamente, ou seja, sem intervenção judicial, in-
formações revestidas de sigilo bancá i o ou fiscal quando se tratar de verbas
r
públicas. No art. 129, VI, da CF lê-se: " Art. 129. São funções institucionais
doMinistérioPúblico: VI - expedir noti i caçõesnosprocedimentosadminis-
f
trativos de sua competência, requisitando informações e documentos para
instruí-los, na forma da lei complementar respectiva". No art. 8.°, VIII, da
LC 75/1993 lê-se: "Ter acesso incondicional a qualquer banco de dados de
caráter público ou relativo a serviço de relevância pública " (MS 21.729/DF,
MS 21.172/DF, entre outros).
Asgarantiasinstitucionais, uma decorrência dosdireitosfundamentais
de segunda geração, tiveram papel importante na transformação do Estado
em agente concretizador dos direitos coletivos ou de coletividades, sociais, culturais eeconómicos. Acentuamoprincípio daigualdade (STF, MS22.164/ SP, Pleno,j. 30.10.1995).
Conformeentendimento do SupremoTribunal Federal,asuniversidades
públicasse submetem ao controle do Tribunal de Contasda União. Aplica-se
o art. 71, II, da CF (STF, RMS-Agr 22.047/DF, entre outros).
O mandado desegurança pode ser utilizado para suscitar o controle de
constitucionalidade, inclusive de emendas constitucionais. Nesse sentido é
a doutrina e ajurisprudência: STF, MS-MC-Agr 21.077/G0 .
178
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Súmulas do STF sobre o tema:
101: "O mandado de segurança não substitui a ação popular".
248: "É competente, originariamente, o Supremo Tribunal Federal,
para mandado de segurança contra ato doTribunal de Contasda União".
266: "Não cabe mandado de segurança contra lei em tese".
267: "Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível
de recurso ou correição".
268: "Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado".
269: "O mandado de segurança não é substitutivo de ação de co-
brança".
270: "Nãocabe mandadodesegurança para impugnarenquadramento
da Lei 3.780, de 12.07.1960, queenvolvaexame de prova ou de situação funcional complexa".
271: "Concessão de mandado de segurança não produz efeitos patri-
moniais em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria".
272: "Não se admite como ordinário recurso extraordinário de decisão
denegatória de mandado de segurança".
294: "São inadmissíveis embargos infringentes contra decisão do SupremoTribunal Federal em mandado de segurança".
299: "O recurso ordinário e o extraordinário interpostos no mesmo
processo de mandado de segurança, ou de hcibeas corpus, serão julgados
conjuntamente peloTribunal Pleno "
304: "Decisão denegatória de mandado de segurança, não fazendo
.
coisa julgada contra o impetrante, não impede o uso da ação própria "
.
319: "O prazo do recurso ordinário para o SupremoTribunal Federal,
em habeas corpus ou mandado de segurança, é de cinco dias "
.
330: "O SupremoTribunal Federal nãoécompetenteparaconhecer de mandado de segurança contra atos dosTribunais de Justiça dos Estados".
405: "Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no jul- gamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida,
retroagindo os efeitos da decisão contrária "
.
429: "Aexistênciade recursoadministrativocomefeitosuspensivo não
impede o uso do mandado de segurança contra omissão da autoridade".
430: "Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o mandado de segurança
"
.
Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
179
433: "ÉcompetenteoTribunal Regional doTrabalhoparajulgar man-
dadodesegurançacontraatodeseupresidenteemexecuçãodesentença
trabalhista".
474: "Não há direito líquido e certo, amparado pelo mandado de se-
gurança, quando seescuda em lei cujosefeitosforam anuladospor outra,
declarada constitucional pelo SupremoTribunal Federal".
510: "Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contraelacabeo mandadodesegurançaou a medidajudicial".
512: "Não cabe condenação em honorários de advogado na ação de
mandado de segurança
"
.
597: "Nãocabemembargosinfringentesdeacórdão que, em mandado
de segurança, decidiu, por maioria de votos, a apelação". 622: "Não cabe agravo regimental contra decisão do relator que con- cede ou indefere liminar em mandado de segurança
623: "Não geraporsi sóacompetênciaorigináriadoSupremoTribunal Federal para conhecer do mandado desegurança com base no art. 102,1,
n, da Constituição, dirigir-se o pedido contra deliberação administrativa
doTribunal de origem, da qual haja participado a maioria ou a totalidade
de seus membros".
624: "Nãocompeteao SupremoTribunal Federal conheceroriginaria-
mente de mandado de segurança contra atos de outros tribunais "
"
.
.
625: "Controvérsiasobre matéria dedireito não impedeconcessão de mandado de segurança 626: "A suspensão da liminar em mandado de segurança, salvo de-
terminação em contrário da decisão que a deferir, vigorará até o trânsito
emjulgado da decisão definitiva deconcessão da segurança ou, havendo
recurso, atéa sua manutenção pelo SupremoTribunal Federal, desdeque
o objeto da liminar deferida coincida, total ou parcialmente, com o da
"
.
impetração".
627: "No mandadodesegurança contraa nomeação de magistrado da
competência do Presidente da República, este é considerado autoridade
coatora, ainda que o fundamento da impetração seja nulidade ocorrida em fase anterior do procedimento " 629: "A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade
de classe em favor dos associados independe da autorização destes".
630: "A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segu- rança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte
da respectiva categoria". 631: "Extingue-se o processo de mandado de segurança se o impe- trante não promove, no prazo assinado, a citação do litisconsorte passivo
necessário "
.
.
180
DIREITO CONSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
632: "Éconstitucional lei que fixa o prazo de decadência para a im-
petração de mandado de segurança
701: "No mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público contra decisão proferida em processo penal, é obrigatória a citação do réu como litisconsorte passivo "
"
.
.
Súmulas do STJ sobre o tema:
41: "O SuperiorTribunal deJustiça não tem competência para proces-
sar ejulgar, originariamente, mandado desegurança contra ato de outros
tribunais ou dos respectivos órgãos".
105: "Na ação de mandado de segurança não se admite condenação
em honorários advocatícios "
.
1 69: "São inadmissíveis embargos infringentes no processo de man- dado de segurança".
"O SuperiorTribunal de Justiça é incompetente para processar
e julgar, originariamente, mandado de segurança contra ato de órgão colegiado presidido por Ministro de Estado".
213: "O mandado de segurança constitui ação adequada para a de- claração do direito à compensação tributária "
333: "Cabe mandado de segurança contra ato praticado em licitação
1 77:
.
promovida por sociedade de economia mista ou empresa pública "
.
376: "Compete a turma recursal processar e julgar o mandado de
segurança contra ato de juizado especial "
.
5 . 6 Mandado de segurança coletivo
O art. 5.°, LXX, enuncia: "O mandado de segurança coletivo pode ser
impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente consti-
tuída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses
de seus membros ou associados" .
Nas alíneas citadas há a legitimação para propositura do mandado de
segurança coletivo, destacando-se que, no caso da alínea b, ele deverá ser
propostoapenasparaadefesadeseusmembroseassociados. Omesmoocorre
no caso de partidospolíticos. É um remédio constitucional corporativo.
Saliente-se que devem estar preenchidos os demais requisitos do man- dado de segurança individual.
Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
18 1
O art. 21 da Lei 12.016/2009 determina que: "O mandado de seguran-
ça coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no
Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantesou àfinalidadepartidária, ou por organização sindical, entidade declasseou associação legalmenteconstituídaeem funcionamento há, pelo
menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade,
ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desdequepertinentesàssuasfinalidades, dispensada, paratanto, autorização especial. Parágrafoúnico. Osdireitosprotegidospelomandadodesegurança
coletivo podem ser: I - coletivos, assim entendidos, para efeitosdesta Lei os
transindividuais, denaturezaindivisível, dequesejatitular grupo oucategoria
depessoasligadasentresi ou com apartecontráriapor umarelaçãojurídica
de base; II - individuais homogéneos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante."
note
Podehaveradispensadoprazodeumanotendoemvistaodirei- BEM
toaserprotegido(art. 82, § 1
daLei 8.078/1990- "manifesto
interesse social evidenciado pela dimensão ou característica
dodano, ou pela relevânciado bemjurídico a ser protegido").
Decisão sobre o tema:
r
Segundo posicionamentodoSupremoTribunal Federal, nosmandados desegurançacoletivosimpetradosporsindicatoemdefesadedireitosubjetivo
comum aos integrantes da categoria não se exige, na inicial, a autorização
expressa dos sindicalizados (Súmula 629 do STF). É caso de legitimidade
extraordinária- substituição processual (MS 22.132/RJ, entre outros).
Súmulas do STF sobre o tema:
629: "A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade
de classe em favor dos associados independe da autorização destes".
630: "A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segu-
rança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte
da respectiva categoria".
182
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
Inote
BEM
A Lei 12.016/2009 trata do procedimento do mandado de
segurança, traz disposições específicas sobre o mandado de
segurança individual ecoletivo, bemcomooutrasdisposições
não previstas na Lei anterior.
5 . 7 Ação popular
O art. 5.°, LXXIII , estabelece: " Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou
de entidadede que o Estado participe , à moralidade administrativa, ao meio
ambienteeao patrimônio histórico ecultural , ficandooautor, salvocompro- vada má-fé , isento de custas judiciais e do ónus da sucumbência".
Finalidade: invalidar atos ou contratos administrativosilegais e lesivos
ao patrimônio federal , estadual ou municipal, ou de entesjurídicossubven-
cionados com o dinheiro público (mais de 50% do patrimônio) .
Sujeito ativo: cidadão brasileiro (eleitor).
Sujeitopassivo: o administrador da entidade lesada e os beneficiários.
Naturezajurídica: ação constitucional de natureza civil .
Formas:
a) preventiva: ajuizadaantesdaconsumaçãodosefeitosdoato , podendo
ser deferida a suspensão liminar do ato impugnado;
b) repressiva: visa corrigir os atos danosos consumados;
c) supridora da omissão (supletiva): o autor obriga a Administração
omissa a atuar.
Cabimento: em casos como incompetência de quem praticou os atos
danosos, forma não prescrita em lei , desvio de finalidade, ilegalidade do
objeto, entre outros.
Saliente-sequeascausasintentadascontraaUniãopoderãoseraforadas
na seção judiciária em que for domiciliado o autor , naquela onde houver
ocorrido o ato ou fato que deu origem à demanda ou onde esteja situada a
coisa, ou, ainda , no Distrito Federal (art. 109, § 2.°, da CF/88).
Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
183
O Ministério Público deve funcionar como
f
i scal da lei e substituir o
autor, caso venha este a desistir da ação (art. 9. ° , Lei 4.717/65).
Na sentença , normalmente, ojuiz deverádeterminar a invalidadedoatoe
acondenaçãoao ressarcimentodasperdasedanospor partedosresponsáveis. A sentençadeimprocedênciadaação, por faltade fundamento dapretensão,
faz coisajulgada; porém, se a improcedência foi por insu i ciência de provas,
f
não faz coisajulgada, podendo a ação ser proposta novamente.
Execução: pode ser feita pelo autor, qualquer outro cidadão ou o Minis- tério Público (se o autor não promove a execução em 60 dias da publicação
da sentença - art. 16, Lei 4.717/65). Destaque-se que a execução é contra os
responsáveis pelo ato.
Regulamentação: Lei 4.717/1965.
Decisões sobre o tema:
A ação popular eaação civil públicapodem ser utilizadasno controlede
constitucionalidade incidental, ou seja, desde que a questão constitucional seja aventada como fundamento de outra pretensão, que não a mera decla-
ração de inconstitucionalidade da norma. Nesse sentido estão as seguintes
decisões: STF, Rcl 721-0/AL- MedidaLiminar, Pleno,j. 10.02.1998; STF, Rcl 554-2/MG, Pleno,j. 26.11.1997, entre outros.
" O mandado de segurança não substitui a ação popular" (Súmula 101
do STF).
" Pessoajurídica não tem legitimidade para propor ação popular" (Sú-
mula 365 do STF).
ÉcompetenteajustiçaComumparajulgaraçãopopularcontraoSEBRAE
(RE 366.168/SC; Súmula 516 do STF: "O Serviço Social da Indústria - SESI
está sujeito àjurisdição daJustiça Estadual " ) .
5 . 8 Ação civil pública
O art. 129, III, estabelece: "São funções institucionais do Ministério
Público: (
)
III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a
proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros inte-
resses difusos e coletivos "
.
Origem efinalidade: foi introduzidano Brasil pelaLei 7.347/1985, paraa proteção dos direitos do consumidor, do meio ambiente, dos bens e direitos
de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, da ordem eco-
184 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
nômica e urbanística. Posteriormente, outras leis ampliaram ou reforçaram o seu âmbito de proteção: Lei 7.853/1989: pessoas portadoras de deficiência (necessidades especiais); Lei 7.913/1989: investidores no mercado de valo-
res mobiliários; Lei 8.069/1990: Estatuto da Criança e do Adolescente; Lei
8 . 078/1990: Código de Defesa do Consumidor; Lei 8.429/1992: probidade
administrativa , entre outras.
Naturezajurídica: é uma ação constitucional.
Competência: funcional e absoluta do lugar do dano (art. 2.° da Lei
7 . 347/1985).
Sujeito ativo: Ministério Público, Defensoria Pública, União, Estados,
Distrito Federal , Municípios, autarquias, empresas públicas, fundações, sociedades de economia mista, associações constituídas há pelo menos um ano, nos termos da lei civil, e que tenham por fim a proteção de interesses
difusos e coletivos (art. 5.°, caput, I a V , da Lei 7.347/1985).
note
Podehaveradispensadoprazodeumanotendoemvistaodirei- BEM
to a ser protegido (art. 82, § 1 °, da Lei 8.078/1990- "manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou característica do dano, ou pela relevânciado bem jurídico a ser protegido").
Sujeitopassivo: a Administração Pública ou o particular.
O Ministério Público intervém obrigatoriamenteem todasasaçõescivis
públicas, seja como parte, seja como fiscal da lei. É possível o litisconsórcio
facultativo entre os Ministérios Públicos da União , do Distrito Federal e dos
Estados (art. 5.° , §§ 1.° e 5.°, da Lei 7.347/1985). Em caso de desistência in-
fundadaouabandonodaaçãopor associaçãolegitimada , o Ministério Público
ou outro legitimado assumirá a titularidade da ação (art. 5.° , § 3.°, da Lei 7 . 347/1985). Inquérito civil é um procedimento administrativo preliminar por meio do qual o membro do Ministério Público apura a existência ou não de atos lesivos aos interesses difusos, coletivos ou individuais homogéneos
para a propositura de ação civil pública (art. 8.°, § 1.°, da Lei 7.347/1985).
O inquérito civil é dispensável sejá houver provas su icientes para a ação.
f
Termo de ajustamento de conduta: é possível a transação mediante com-
promisso de ajustamento de conduta celebrado pelos órgãos públicos (art.
Cap. 16 . DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
185
5 . ° , § 6.°, da Lei 7.347/1985). As associações civis, empresas públicas, fun-
daçõesesociedades de economiamista não podem transacionar. Trata-se de um acordo extrajudicial, não se exigindo homologaçãojudicial. Porém, se o
acordofor celebradoemaçãojudicial,seránecessáriaahomologaçãojudicial
para extinguir o processo.
Destaque-se que, no mandado de segurança coletivo e na ação civil pública, a liminar será concedida, quando cabível, após a audiência do
representantejudicial da pessoajurídica de direito público, que deverá se
pronunciar no prazo de 72 horas (art. 2. ° da Lei 8.437/1992; art. 22, § 2.°, da
Lei 12.016/2009).
Condenação e execução: a ação civil poderá ter por objeto a condenação
em dinheiro ou o cumprimentodeobrigaçãodefazer ou não fazer (art. 3. ° da
Lei 7.347/1985). Qualquer doscolegitimadospodepromover aexecução, eo
Ministério Público deverá promover a execução se for autor da ação ou se o
colegitimadonãopromover aexecuçãoem60diasdo trânsitoemjulgadoda
sentença (art. 15 da Lei 7.347/1985). Ojuiz poderá determinar multa diária
em razão do não cumprimento da sentença (astreinte), que reverterá para
um fundo destinado à reconstituição dos bens lesados. Tal fundo também
receberá osvalores provenientes de condenação em dinheiro.
Interesses difusos: os titulares não são pessoas determinadas ou deter- mináveis, mas se encontram ligados por uma situação de fato, possuindo interessesindivisíveis- por exemplo, viver emmeioambientesadio, respeito
aos direitos humanos, entre outros.
Interesses coletivos: seus titulares são pessoas determináveis, que se
encontram ligadas por um vínculo jurídico, possuindo interesses indivisí-
veis- por exemplo, reajuste de mensalidade de uma entidade particular de
ensino, entre outros.
Interesses individuais homogéneos: seus titulares são pessoas determina-
das, queseencontramligadasporumasituaçãodefato, possuindointeresses divisíveis - por exemplo, compradores de veículos com o mesmo defeito,
en tre ou tros.
Decisão sobre o tema:
A ação civil públicapodeser utilizadacomo instrumento decontrolede
constitucionalidadedasleisdesdequeosejaincidentalmente, istoé, nocurso
deumprocessoconcreto. Nessecaso,osefeitosestarãovinculadosàspartesdo
processo. Cabeobservar que,seaquestãoconstitucional foroobjetoprincipal
186
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
da demanda, nãose admitiráa ação civil pública , poisosseusefeitossão erga
omnes, edessemodo haveriaequiparaçãoaosefeitosdo controleconcentrado
e usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. Nessesentidojá
se manifestou o Pretório Excelso nos seguintes julgados: Rcl 633-6/SP , rei.
Min. Francisco Rezek; Rcl 1733/SP , rei. Min. Celso de Mello, entre outros.
Súmulas sobre o tema:
329, STj: "O Ministério Público tem legitimidade para propor ação
civil pública em defesa do patrimônio público".
643, STF: "OMinistério Públicotem legitimidadepara promoveração civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensali-
dades escolares".
Nacionalidade
AnacionalidadedefineoeloqueuneoindivíduoaumEstadodeterminado,
ouseja,éateoriaquetemporobjetoindicaroEstadodequedependecadaum.
Como já visto, o Estado é o poder soberano de um governo, exercido
sobreumapopulação assentada em um território, voltado auma finalidade.
O vínculo da nacionalidade decorre da relação entre o elemento humano
(população) e o território, submetendo-se à ordenaçãojurídico-política ali
existente.
Anacionalidadetem fundamental importânciaparaum Estadosoberano,
demodo queamaioriadospaísesdeterminao modo deaquisição eperdada
nacionalidade nas suas Constituições.
Para melhor compreensão do tema, há a necessidade de conhecimento
de alguns conceitos correlatos à nacionalidade:
a) população: é o conjunto dosresidentesno território, sejam nacionais
ou estrangeiros. São oshabitantesdeum território submetidosaum
governo soberano;
b) povo: éoconjuntodehabitantesdotadosdecapacidadeeleitoral ativa
e/ou passiva. Pode ser entendido como o conjunto dos eleitores que se qualificam pela posse da cidadania;
c) nação: é o conjunto de pessoas que partilham a mesma identidade
sócio e étnico-cultural.
Podemosdeduzir queháumcritériodemocráticoparade inirpopulação,
f
um crité i o político para o conceito de povo e um critério étnico-cultural
r
para a nação. Destaque-se que o termo nacionalidade, em seu enfoque jurídico, podesedistanciar do conceito denação, poisserão nacionaistodos
aqueles unidos por um vínculo político com o Estado, independentemente
de afinidades étnico-culturais.
188
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
d) nacional: é o brasileiro nato ou naturalizado , ou seja, aquele que se
vincula por nascimento ou naturalização ao território brasileiro;
e) cidadão: é o termo que qualifica o nacional no gozo dos direitos
1 .
políticos.
Não se deve confundir nacionalidade com naturalidade , pois
esta é o local físico onde se nasce e não necessariamente
coincidecoma nacionalidade. Porexemplo , o indivíduo pode
ser londrino, por ter nascido em Londres , mas ser brasileiro
nato, por ser filho de diplomata brasileiro que lá se encontra
em serviço (art. 12, 1, ò, CF).
gm Inote
BEM
NATUREZA JURÍDICA DO DIREITO DA NACIONALIDADE
No Brasil , anacionalidadeéum direito deordem constitucional (material
e formalmente).
2 .
ESPÉCIES DE NACIONALIDADE E PECULIARIDADES
2 . 7 Primária , de origem ou originária
Estaespéciedenacionalidadeestávinculadaaofatonaturaldonascimento .
Adotam-se dois critérios:
a) daterritorialidade(iussolis): atribui anacionalidadeaquemnasceno
território do Estado de que se trata; e
b) da consanguinidade (ius sanguinis): são nacionais os descendentes
de nacionais.
No caso da nacionalidade primária , teremos o brasileiro nato.
Secundária ou adquirida
É a nacionalidade adquirida pela vontade do indivíduo ou do Estado
por meio da naturalização (fato artificial). Nesse caso, temos o brasileiro
naturalizado.
2 . 2
2 . 3 Modosdeaquisiçãodanacionalidade
Os modos de aquisição da nacionalidade dependem de cada Estado ,
mas em qualquer deles é involuntária sua aquisição originária (primária) ,
Cap. 17 . NACIONALIDADE
189
decorrendo da ligação do fato natural do nascimento com um critério estabelecido pelo Estado, enquanto sua aquisição secundária é voluntária.
Comojávisto,doissãooscritériosparaadeterminaçãodanacionalidade
primária (nascimento):
2 . 3 . 1Critério da origem sanguínea (ius sanguinisj
Éanacionalidadeconferidaemfunçãodovínculodosangue, reputando-se
nacionais os descendentes de nacionais.
2 . 3 . 2
Critério da origem territorial fius solisj
Segundo esse critério, atribui-se a nacionalidade ao nascimento em determinado território, ou seja, a criança deve nascer em determinado
território para possuir aquela nacionalidade.
Historicamente, os Estados de emigração (maioria dos europeus -
metrópoles) preferem o critério do ius sanguinis, pois mesmo com a saída
de sua população para outros países não há a diminuição de seus nacionais.
Por suavez, osEstadosde imigração (maioriadosamericanos- ex-colônias)
acolhem o critério do ius solis, pelo qual os filhos e demais descendentes da
massa dos imigrantes passam a ter sua nacionalidade.
2 . 4
Reflexos da nacionalidade
Em virtude dos dois critérios adotados para a determinação da
nacionalidade primária, pode-se ter um polipátrida ou um apátrida.
Opolipátridaéoindivíduoquepossui maisdeumanacionalidade, oque
acontece, por exemplo, quando seu nascimento sevinculaaos dois critérios
de determinação da nacionalidade primária. É o caso dos filhos cujos pais
são oriundos de Estado que adota o critério do ius sanguinis e nascem num
Estado que adota o do ius solis. Apátrida ou Heimatlos (expressão alemã) significa sem pátria, ou seja,
indica que um indivíduo é desprovido de nacionalidade. É o caso dos filhos
cujospaissão oriundosdeEstadoqueadotaocritériodo iussolisequenascem
num Estado que adota o do ius sanguinis.
2 . 5 A nacionalidade no direito constitucional brasileiro
A aquisição da nacionalidade brasileira está prevista no art. 12 da
Constituição Federal vigente. De acordo com a citada regra, os brasileiros
190
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
podem ser: natos, que correspondem aos de nacionalidade primária (art. 12,1); e naturalizados , que são os estrangeiros que adotam a nacionalidade
brasileira (art. 12, II).
No que diz respeito à legislação infraconstitucional referente à nacionalidade , existe o Estatuto dos Estrangeiros (Lei 6.815/1980, com alteração da Lei 6.964/1981), definindo a situação jurídica do estrangeiro
no Brasil .
2 . 6
Os brasileiros natos
A Constituição considera brasileiro nato aquele que adquire a
nacionalidade brasileira pelo fator nascimento. Somente o art. 12 , I, da
Constituição Federal de 1988 fornece os critérios e pressupostos para que
alguém seja considerado brasileiro nato , a saber:
2 . 6 .
/
Critério do ius solis (territorialidade)
São brasileiros natos os nascidos em território brasileiro, excetuados os
filhos de pais estrangeiros quando no Brasil a serviço de seu país- art. 12 , 1 ,
a, da CF/88.
Comojávisto,oterritórioéolimiteespacialdentrodoqualoEstadoexercede modoexclusivo opoderdeimpériosobreaspessoaseosbens. Sãoconsiderados
territórios brasileiros: as terras delimitadas pelas fronteiras geográficas, seus
rios , lagos, baías, golfos, ilhas, bem como o espaço aéreo e o mar territorial; os
navioseaeronavesdeguerrabrasileiros , ondequerqueseencontrem; osnavios
mercantesbrasileirosemalto-maroudepassagememmarterritorial estrangeiro; as aeronaves civis brasileiras em voo sobre o alto-mar ou de passagem sobre
águas territoriais ou espaços aéreos estrangeiros.
2 . 6 . 2
Critério do ius sanguinis aliado ao serviço do Brasil
Sãobrasileirosnatososnascidosnoestrangeiro, depai brasileiro ou mãe
brasileira, desdequequalquer delesestejaaserviçodaRepúblicaFederativado Brasil (União, Estado, Município, Distrito Federal, Território eaté entidades
daadministração indireta). Não estão descartadososserviçosrealizadospara
empresas privadas contratadas por entes públicos (art. 12,1, b, da CF/88).
2 . 6 . 3
Critério do ius sanguinis mais a opção
São exigidas as seguintes condições: ser nascido no estrangeiro; ser
nascido de brasileiro ou brasileira, nato ou naturalizado; ser registrado em
Cap. 17 . NACIONALIDADE
19 1
repartição brasileira competente; vir, a qualquer tempo, a residir no Brasil; optar, também a qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira, depois de
atingida a maioridade (art. 12,1, c, da CF/88).
Tem-se, então, a aquisição da nacionalidade primária, unindo-se o
critério do ius sanguinis, o vínculo territorial e ainda a manifestação da
vontade do interessado maior de idade, à semelhança da nacionalidade
secundária. Saliente-se que a EC 54, de 20.09.2007, determinou que os filhos de brasileiros nascidos no estrangeiro serão brasileiros natos, desde
que seus pais providenciem o registro de seu nascimento em repartição brasileira competente (repartição diplomática ou consular). Por fim, o art.
2 . ° da citada EC 54/2007 acrescentou o art. 95 ao ADCT, estabelecendo: "Os
nascidos no estrangeiro entre 7 de junho de 1994 e a data da promulgação
desta Emenda Constitucional (20.09.2007), filhos de pai brasileiro ou mãe brasileira, poderão ser registrados em repartição diplomática ou consular brasileiracompetenteou em ofícioderegistro,sevierem aresidir naRepública Federativa do Brasil" (grifo nosso).
2 . 7
Os brasileiros naturalizados
Osbrasileirosnaturalizadossãoosestrangeirosque,por meio doprocesso
de naturalização, adquirirem a nacionalidade brasileira. O art. 12, II, da CF/88 vislumbra tal situação. Além da previsão constitucional, existe a legislação infraconstitucional complementando as regras da naturalização
(Lei 818/1949, Lei 6.815/1980, Lei 6.964/1981 e Decreto 86.715/1981).
Atualmente,sósereconheceanaturalização expressa, ou seja,aquelaque
dependederequerimento do naturalizando. Esta, deacordo com a doutrina, compreende duas classes:
2 . 7 .
/
Naturalização ordinária
É a que se concede ao estrangeiro, residente no País, que preencha os
requisitosprevistosna lei denaturalização, exigidasaosorigináriosdepaíses delínguaportuguesa (Portugal,Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Açores, Cabo Verde, Príncipe, Goa, Gamão, Dio, Macau e Timor): apenas residência
por um ano ininterrupto e idoneidade moral (art. 12, II, a, da CF/88).
2 . 7 . 2
Naturalização extraordinária
Éa reconhecida aos estrangeirosdequalquer nacionalidade, residentes
no Brasil há mais de 15 anosininterruptosesem condenação penal (no Brasil
192
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
e no exterior), desde que requeiram a nacionalidade brasileira (art. 12 , II, b, da CF/88). Adquire-se pelo simples fato de residência no País , por 15 anos ininterruptos, sem condenação penal. Justificativa: quem colaborou com
o Estado brasileiro por tanto tempo sem ter condenação penal merece esse
reconhecimento. Trata-sedeumdireitosubjetivodo estrangeirodequalquer nacionalidade, residente no País, facultando-lhe pleitear a naturalização por
mero requerimento.
2 . 8 Aspectosjurídicos do brasileiro nato e do naturalizado
Quando a Constituição mencionar em seu texto o termo "brasileiro",
sem qualquer predicativo, entende-se que a expressão inclui o brasileiro nato e o naturalizado. Quando o constituinte quiser excluir o brasileiro
naturalizado , mencionará expressamente em seu texto a expressão
" brasileiro nato".
As distinções existentes entre o brasileiro nato e o naturalizado são
somenteaquelasconsignadasnaConstituição. Nissoelafoi expressanoart. 12 ,
§ 2.°, segundo o qual "a lei não poderá estabelecer distinção entrebrasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição "
.
A Constituição Federal impõe, atualmente, as seguintes limitações aos
brasileiros naturalizados:
a) são privativos aos brasileiros natos os cargos de Presidente e Vice- Presidente da República, Presidente da Câmara dos Deputados , PresidentedoSenado Federal,MinistrodoSupremoTribunal Federal , carreiradiplomática, oficial dasForçasArmadaseMinistro deEstado
da Defesa (art. 12, § 3.°);
b) éprivativadecidadãobrasileironatoa funçãodemembrodo Conselho da República (art. 89, VII);
c) obrasileironaturalizadohámenosde 10anosnãopodeserproprietário
de empresajornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens
(art. 222). Devem ser observados os §§ l.°e 2.° do referido artigo, que
restringem a participação de brasileiros naturalizados há 10 anos ou
menos nos meios de comunicação;
d) o brasileiro nato não pode ser extraditado, o que pode ocorrer com o
naturalizadoemcasodecrimecomum,praticadoantesdanaturalização, ou decomprovado envolvimento em tráfico ilícito deentorpecentes e drogas afins, na forma da lei (art. 5.°, LI).
Cap. 17 . NACIONALIDADE
2 . 9
Perda da nacionalidade
193
O caput e o § 4.° do art. 12 da CF/88 estabelecem: Serádeclaradaaperda
da nacionalidade do brasileiro que: "I - tiver cancelada sua naturalização,
por sentençajudicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional; II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: a) de reconhecimento de nacionalidadeorigináriapelalei estrangeira; b) deimposiçãodenaturalização, pelanorma estrangeira, ao brasileiro residente em Estado estrangeiro, como
condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos
civis "
.
O primeiro caso atingirá o brasileiro naturalizado e trata do cancelamento da naturalização válida e eficaz, por sentença judicial, obedecido o devido processo legal, ondese constatao exercício deatividade
nociva ao interessenacional. O efeito do cancelamento é dedesconstituição
da naturalização e atinge o ato com o trânsito em julgado da sentença,
tendo efeito ex nunc.
O segundo caso de perda da nacionalidade refere-se tanto ao brasileiro
nato quanto ao naturalizado e decorre da aquisição de outra nacionalidade
por naturalização voluntária, ou seja, o nacional adquire voluntariamente outra nacionalidade. Esse ato engloba tanto o pedido como a aceitação da
naturalização oferecida por outro Estado.
2 . / 0 Reaquisição da nacionalidade brasileira
Obrasileironaturalizadoqueteveanaturalizaçãocanceladaporatividade nocivaaointeressenacional poderárecuperá-laseocancelamento for desfeito
por ação rescisória.
A ação rescisória é um remédio processual que serve para desconstituir
ou revogar acórdão ou sentença de mérito transitada em julgado. Essa ação
deverá ser proposta dentro de dois anos contados do trânsito emjulgado da
decisão (art. 485 do CPC).
O que perdeu a nacionalidade por naturalização voluntária poderá
readquiri-la , por decreto do Presidente da República, se estiver domiciliado no Brasil (art. 36 da Lei 818/1949). Destaque-se que essa reaquisição tem
efeitos ex nunc , e o nacional readquire a condição que perdera, ou seja, de
brasileiro nato ou naturalizado.
194 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
O Decreto 3.453/2000 delegaao Ministro daJustiçaacompe-
tência para declarar a perda e a reaquisição da nacionalidade
brasileira.
impo tante
r
2 . / 7 Institutos ligados à nacionalidade
2 . 11.1 Extradição
É o ato pelo qual um Estado entrega àJustiça de outro Estado um
indivíduoacusadodeumdelitooujácondenado,por considerá-locompetente parajulgá-lo e puni-lo.
Compete à União legislar sobre extradição (art. 22, XV), vigorando a
respeito os arts. 76 a 94 da Lei 6.815/1980 , alterada pela Lei 6.964/1981.
Limites constitucionais à extradição:
a) art. 5. ° , LI, da CF/88:
"Nenhum brasileiro será extraditado, salvo
o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da
naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de
entorpecentes e drogasafins, na forma da lei " ;
b) art. 5.°, LII, da CF/88: "Não será concedidaextradição de estrangeiro
por crime político ou de opinião "
.
CompeteaoSupremoTribunal Federal processar ejulgar originariamente a extradição solicitada por Estado estrangeiro (art. 102,1, g , da CF/88).
" Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditando casado
com brasileira ou ter filho brasileiro " (Súmula 421, STF).
Se for crime impuro cabe extradição - cláusula de atentado
(violência contra pessoas) (art. 77, § 3.°, da Lei 6.815/1980).
2 . 11.2 Expulsão
note
BEM
Expulsão é um modo coativo de retirar o estrangeiro do território
nacional por delito, infração ou ato que o torne inconveniente à defesa e à
Cap. 17 . NACIONALIDADE
195
conservação da ordem interna do Estado. A União é a entidade política que
tem a competência para legislar sobre expulsão (art. 22, XV, da CF/88).
É passível de expulsão o estrangeiro que, de qualquer forma, atentar
contra a segurança nacional, a ordem política ou social, a tranquilidade ou
moralidade pública e a economia popular, ou cujo procedimento o torne
nocivo à convivência e aos interesses nacionais, entre outros casos previstos em lei (Lei 6.815/1980, com alterações da Lei 6.964/1981, arts. 65 a 75).
Compete exclusivamente ao Presidente da República resolver sobre a
conveniência e a oportunidade da expulsão, ou sua revogação, que se fará por decreto passível de controle de constitucionalidade e de legalidade pelo
Poderjudiciário.
Nãoocorreráaexpulsãoseestaimplicar em extradição nãoadmitidapelo
direito brasileiro ou quando o estrangeiro tiver (art. 75 da Lei 6.815/1980):
a) cônjugebrasileiro do qual não esteja divorciado ou separado, de fato
ou dedireito, edesdequeo casamento tenhasidocelebrado hámaisde5 anos;
b) filho brasileiro que comprovadamente esteja sob sua guarda e dele
dependa economicamente.
2 . 11.3 Deportação
É a saída compulsória do estrangeiro que ingressou ou permanece
irregularmenteno território nacional, ou seja, éo modocoativo dedevolver o
estrangeiroaoexterior emvirtudededesobediênciaao ordenamentojurídico
que trata da entrada e permanência no Brasil (art. 5. ° , XV, da CF/88).
A deportação não decorre da prática de delito no território, mas do não cumprimentodosrequisitosparaentrarou permanecer noterritório. Quando
oestrangeironãoseretirarvoluntariamenteno prazodeterminado,seráfeita
adeportação parao paísdeorigem ou deprocedênciadele, ou paraoutro que
consinta em recebê-lo. Não sendo ela exequível ou existindo indícios sérios
de periculosidade ou de indesejabilidadedo estrangeiro, proceder-se-á asua expulsão. Masnão sedaráadeportação seestaimplicar emextradiçãovedada pela lei brasileira (Lei 6.815/1980).
Em resum o :
a) extradição: háumdelitopraticadoforadoterritórionacional. Évedada
de modo absoluto a de brasileiro nato, sendo possível a de brasileiro
naturalizado;
b) expulsão: háumdelitopraticadono território nacionalporestrangeiro,
tendo como restrição casamento com brasileiro há mais de 5 anos ou
196
DIREITO CO NSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
existência de filho sob sua guarda ou dependência. Não há expulsão
de brasileiro;
c) deportação: é a devolução compulsória de estrangeiro pelo não cumprimentodosrequisitosparaentrar ou permanecer no território. Não há deportação de brasileiro. Cumpre destacar que não existemais o instituto do banimento, que era
o envio compulsório de brasileiro para o exterior. Há , inclusive, a vedação
constitucional de seu restabelecimento no art. 5. ° , XLVII,d, da CF/88. Segundo
a doutrina, o banimento temporário é chamado de ostracismo.
Se naquestão de provaforfeita menção ao termo entregatrata-
se do tema Tribunal Penal Internacional (Estatuto de Roma
- Decreto 4.388/2002). Nesse caso, podem ser entregues brasileiros natosou naturalizadose estrangeiros aoTPI.
2 . 12 A língua e os símbolos nacionais
A línguaportuguesaéo idiomao i cial da RepúblicaFederativado Brasil
f
(art. 13,caput,daCF/88),podendoascomunidadesindígenasutilizar também
suas línguas maternas (art. 210, § 2. ° , da CF/88).
A bandeira , o hino, asarmaseo selo nacional são símbolosdaRepública Federativa do Brasil , podendo os Estados, o Distrito Federal eosMunicípios
ter símbolos próprios (art. 13, §§ l.°e2.°, da CF/88).
3 .
ASSUNTO S PERTINENTES AO S ESTRANGEIRO S
Locomoção no território nacional: é livrecomo a qualquer brasileiro (art. 5 . ° , XV, da CF/88). A lei, contudo, disciplina o direito de qualquer pessoa
entrar no território nacional, nele permanecer ou dele sair só ou com seus
bens (art. 5.°, XV, da CF/88). A lei que regula esses preceitos no tocante aos
estrangeiros é o Estatuto do Estrangeiro supracitado.
Entrada: todo estrangeiro pode entrar no País , desde que preencha os
requisitoslegaiseobtenhavistodeentrada(detrânsito,deturista, temporário , permanente, de cortesia, ofi cial ou diplomático). Não se concede visto a estrangeiro menor de 18 anos, desacompanhado de seu responsável.
Cap. 17 . NACIONALIDADE
197
Permanência: deverá registrar-se no Ministério da Justiça e obter o Registro Nacional de Estrangeiro (RNE).
Saída: deve obter o visto de saída. Se for registrado como permanente,
poderá retornar independentemente de visto, se o fizer dentro de dois anos.
Aquisição e perda dos direitos civis: a lei não distingue nacionais e estrangeirosquanto à aquisição egozo dosdireitos civis. Só haverádistinção
quando a Constituição autorizar.
Limitações: a Constituição determina que cabe à lei disciplinar os investimentos de capital estrangeiro e regular a remessa de lucros para o
exterior (art. 172 da CF/88).
" A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se refere o caput deste artigo [jazidas e demais recursos
minerais e os potenciais de energia hidráulica] somente poderão ser
efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse
nacional, por brasileirosouporempresaconstituída sob as leisbrasileirase
quetenhasuasedeeadministração no Raís, naformada lei, queestabelecerá
as condições específicas quando essas atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas" (art. 176, § 1.°, da CF/88).
Não podem também os estrangeiros ser proprietários de empresas jornalísticas e deradiodifusão sonora e desonseimagens, nem responsáveis
por sua administração e orientação intelectual (art. 222 da CF/88).
Aquisição de direitos políticos: os estrangeiros não adquirem direitos
políticos, não podem votar nem ser votados (art. 14, § 2. ° , da CF/88), nem intentar ação popular (art. 5.° , LXXIII, da CF/88).
Asilopolítico:éorecebimentodeestrangeironoterritórionacional , sem os requisitosdeingresso , aseu pedido,paraevitarpunição ou perseguição noseu país de origem, por delito de natureza política ou ideológica. A Constituição
Federal vigente prevêa concessão deasilo político (art. 4.° , X). O asilado não
poderásair do Paíssem préviaautorizaçãodogovernobrasileiro,sobpenade
renúncia ao asilo e de impedimento de reingresso nessa condição.
Portugueses residentes no Brasil: ver Decreto 3.927/2001 - Tratado de
Amizade (art. 12 , § 1.°, da CF/88).
Decisões sobre o tema:
" As hipóteses de outorga da nacionalidade brasileira, quer se trate de nacionalidade primária ou originária (da qual emana a condição de brasileiro nato), quersecuidedenacionalidadesecundáriaou derivada(da
qual resultaostatusdebrasileiro naturalizado), decorrem, exclusivamente,
198 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
em função desua natureza mesma, do texto constitucional, poisaquestão
da nacionalidadetraduz matéria quesesujeita, unicamente, quanto àsua definição, ao poder soberano do Estado brasileiro" (HC 83.113-QO, j.
26.06.2003, rei. Min. Celso de Mello, D)29.08.2003).
" O brasileiro nato, quaisquerquesejam ascircunstânciasea natureza
do delito, não pode ser extraditado, pelo Brasil, a pedido de governo estrangeiro, pois a Constituição da República, em cláusula que não
comporta exceção, impede, em caráter absoluto, a efetivação da entrega
extradicional daquele que é titular, seja pelo critério do jus solis, seja
pelo critério do jus sanguinis, de nacionalidade brasileira primária ou
originária. Esse privilégio constitucional, que beneficia, sem exceção, o
brasileiro nato (CF, art. 5.°, LI), não sedescaracteriza pelo fato deo Estado estrangeiro, por lei própria, haver-lhe reconhecido a condição de titular de nacionalidade originária pertinente a esse mesmo Estado (CF, art. 12, § 4.°, II, a). Se a extradição não puder ser concedida, por inadmissível,
em face de a pessoa reclamada ostentar a condição de brasileira nata,
legitimar-se-á a possibilidade de o Estado brasileiro, mediante aplicação
extraterritoriaI desua própria lei penal (CP, art. 7.°, 11, ò, e respectivo §2.°)-
econsiderando, ainda, oquedispõeoTratadode Extradição Brasil/Portugal (art. IV) -, fazer instaurar, perante órgão judiciário nacional competente (CPP, art. 88), a concernentepersecutiocriminis, em ordem a impedir, por razões de caráter ético-jurídico, que práticas delituosas, supostamente cometidas, no exterior, por brasileiros (natos ou naturalizados), fiquem impunes" (HC 83.113-QO, j. 26.06.2003, rei. Min. Celso de Mello, D/
29.08.2003).
Direitos políticos
Osdireitospolíticosmerecemumrelevoespecial naestruturado Estado contemporâneo. Com o advento dademocracia, a cadadiaumasomamaior
de pessoas interfere na vida política do País e o faz por intermédio do uso e
gozodosdireitospolíticos. Taisdireitosimplicamemumconjuntoderegras que possibilita a participação dos cidadãos (eleitores) na distribuição do
poder no Estado. No Brasil, o cidadão participa ativamente da composição
dos Poderes Legislativo e Executivo. Demodo geral, osdireitospolíticossão osqueasseguram aparticipação
do indivíduo no governo deseu país, sejavotando ou sendo votado.
Infere-sequeosdireitospolíticosestãointimamenteligadosàcidadania
e consistem na reunião dos meios necessários ao exercício da chamada so-
beraniapopular, ou seja, o poder que os cidadãos têm por meio dovoto para
interferir na estrutura do governo de um Estado.
1 .
CIDADANIA
A doutrina afirma que a cidadania formal é a participação dos cidadãos
(eleitores) navidado Estadopor meio dovoto, eacidadaniamaterial ou real vai alémdesseato, comaparticipaçãodapopulaçãonafiscalizaçãoeresolução dosproblemasdoEstado. Podeser externadapelascampanhasdemoralização
das instituições públicas, de formação de organizações não governamentais
paraincentivo eauxílionasatividadesdoEstado, dedenúnciasdecorrupção
e desvio de verbas públicas, entre outros.
Emsentidoestrito (jurídico), cidadãoéoindivíduodotadodecapacidade
eleitoral ativa (votar), podendo,sepreencher determinadasexigênciaslegais,
possuir também a capacidade eleitoral passiva (ser votado).
200
DIREITO CONSTITUCIONAL- Erival da Silva Oliveira
1 . 1 Aquisição da cidadania Os direitos da cidadania adquirem-se mediante alistamento eleitoral
na forma da lei. O alistamento se faz pela qualificação e inscrição da pessoa
como eleitor perante ajustiça Eleitoral.
A qualidade de eleitor decorre do alistamento , obrigatório para os bra-
sileiros de ambos os sexos , maioresde 18 anos de idade, e facultativo para os
analfabetos, os maiores de 70 anos e os maiores de 16 e menores de 18 (art .
14, § 1.° , I e II, da CF/88).
Nãosãoalistáveiscomo eleitoresosestrangeiroseosconscritosdurante
o serviço militar obrigatório (art. 14 , § 2.°, da CF/88). Os conscritos são os
nacionaisconvocadosparaoserviçomilitarobrigatório; porém , sese engaja-
rem no serviço militar permanente , serão obrigadosasealistar comoeleitores. Segundo a legislação infraconstitucional , as providências para o alis-
tamento deverão se efetivar ao brasileiro nato até os 19 anos de idade e ao
naturalizado até um ano depois de adquirida a nacionalidade brasileira , sob
pena de incorrer em multa. Em suma, a cidadania é adquirida com a obtenção do título de eleitor
válido, qualificando o nacional como eleitor .
2 .
ALISTABILIDADEE ELEGIBILIDAD E
A alistabilidade diz respeito à capacidade eleitoral ativa , ou seja, à ca-
pacidade de ser eleitor, e a elegibilidade diz respeito à capacidade eleitoral
passiva, ou seja, à capacidade de ser eleito.
Vale lembrar que nem sempreda alistabilidade decorrea elegibilidade .
Na forma da lei , existem as seguintes condições de elegibilidade (art.
14, §3.° , da CF/88):
a) nacionalidade brasileira. No caso de candidato a Presidente e a
Vice-Presidente da República , exige-se ser brasileiro nato;
b) alistamento eleitoral (título de eleitor);
c) pleno exercício dos direitos políticos (direito de votar e ser votado);
d) domicílio eleitoral na circunscrição eleitoral correspondente (Presidente- será todo o País; Governadores, Senadores, Deputados
Federais, Estaduais e Distritais - será o Estado ou o Distrito Federal;
Prefeitos e Vereadores- será o Município) .
Cap. 18
. DIREITOS POLÍTICOS
20 1
Sobre o tema domicílio eleitoral o STF assim decidiu:
note
BiM
"O d omicílio eleitoral na circunscrição e a filiação partidária,
constituindo condições de elegibilidade (CF, art. 14, § 3.°),
revelam-se passíveisdeválidadisciplinação mediantesimples
lei ordinária. OsrequisitosdeelegibiIidadenãoseconfundem, noplanojurídico-conceitual comashipótesesde inelegibilida- de, cujadefinição-alémdassituaçõesjáprevistasdiretamente
pelo próprio texto constitucional (CF, art. 14, § 5.° a § 8.°) - só
pode derivar de norma inscrita em lei complementar (CF, art. 14, § 9.°)" - STF, AD11.063-MC, j. 18.05.1994, rei. Min. Celso
de Mello, DJ 27.04.2001.
e) filiação partidária;
f) idademínima(conformeocaso: 35anosparaPresidentedaRepública ,
Vice-Presidente e Senador; 30 anospara Governador e Vice-Governador; 21 anosparaDeputado, Prefeito eVice-Prefeito,JuizdePazeMinistro deEstado;
e 18 anos para Vereador).
Ressalte-se que os inalistáveis e os analfabetos são inelegíveis.
Por fim, devemos observar que elegibilidade e inelegibilidade são ma-
térias da Constituição Federal e de competência legislativa federal naquilo em que a própria Constituição permitaser objeto de lei complementar ou de
lei ordinária , pois cabe à União legislar sobre cidadania (direitos políticos) e
direito eleitoral (art. 22, XIII e I, da CF/88).
|
3 |
SISTEMAS ELEITO RAIS |
|
|
. |
||
O sistema eleitoral é um conjunto de regras que tem por fim organizar
as eleições. No Brasil , atualmente, pode ser de dois tipos:
3 /
.
Sistema majoritário
É o sistema em que vence a eleição o candidato que obtiver a maioria
dos votos. Pode ser:
a) maioria simples (ou sistema de escrutínio a um só turno) , pelo qual, por uma única votação, se proclama o candidato que tiver obtido a
maioria simples ou relativa; b) maioria absoluta, segundo o qual somente se considerará eleito
o candidato que obtiver a maioria absoluta de votos em primeiro
202
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
turno. Se nenhum candidato conseguir, será feito o segundo turno,
normalmente entre os dois mais votados, e desse modo um deverá
alcançar a maioriaabsoluta dosvotos. Por esse motivo, o sistemapor maioria absoluta é também conhecido por a dois turnos ou sistema
de escrutínio a dois turnos.
O sistema majoritário, de acordo com a Constituição Federal, é usado da seguinte forma:
a) por maioria absoluta (se necessário por dois turnos) para a eleição de Presidente e Vice-Presidente da República (art. 77, § 2.°); de
Governador eVice-Governador de Estado (art. 28) ou Distrito Federal
(§ 2.° do art. 32); e de Prefeito e Vice-Prefeito para Municípios com
mais de 200 mil eleitores (art. 29, II);
b) por maioria relativa para a eleição de Senadores Federais (art. 46) e Prefeitos de Municípios com 200 mil eleitores ou menos (art. 29, II).
3 . 2 Sistema proporcional
Nestesistema, arepresentaçãosedánamesmaproporção dapreferência
do eleitorado pelos partidospolíticos. É o sistema adotado para a eleição de
Deputados Federais (art. 45), Deputados Estaduais (§ 1.° do art. 27), Depu-
tados Distritais (§ 3.° do art. 32) e Vereadores por extensão.
Mecanismo a ser adotado:
a) determinar os votos válidos (dados à legenda e aos candidatos);
b) determinar oquocienteeleitoral, dividindoonúmerodevotosválidos pelo número delugaresapreencher. Deacordo como caso, despreza- se a fração igual ou inferior a 0,5 e arredonda-se para uma fração
superior a 0,5;
c) determinar o quociente partidário, queé o número de lugares cabível
a cada partido, que se obtém dividindo o número de votos obtidos pela legenda (incluindo os dos candidatos) pelo quociente eleitoral, desprezada a fração;
d) distribuição dos restos: podem sobrar lugares a serem preenchidos
em consequênciaderestosdevotosem cadalegendanão suficientes para fazer mais um eleito. O direito brasileiro adotou o método de maior média, que consiste em adicionar mais um lugar aos obtidospor cada um dospartidos, depoispegar o número devotos
válidos atribuídos a cada partido e dividi-lo por aquela soma. O
Cap. 18 . DIREITOS POLÍTICOS
203
primeiro lugar a preencher caberá ao partido que obtiver a maior
média , repetindo-se a mesma operação tantasvezesquantosforem
os lugares restantes que devam ser preenchidos, até sua total distribuição entre os partidos (Código Eleitoral, art. 109). Cabe observar que somente concorrerão a essa distribuição os partidos que tiverem quociente eleitoral, ou seja, que elegeram pelo menos
um candidato.
4 .
RESTRIÇÕESAOS DIREITOS POLÍTICOS
Asrestriçõesaosdireitospolíticospodem ser entendidascomo asregras
queproíbem apessoadevotaredesereleita, previstasnaConstituiçãoFederal
e na legislação infraconstitucional.
A privação defi nitivadenomina-seperdadosdireitos políticos, eapriva-
ção temporária é conhecida como suspensão. A CF/88, no art. 15, não indica expressamentequaisoscasosdeperdaedesuspensão, masadoutrinaprocura elucidar essa questão, de modo que são casos de suspensão:
a) inciso II: incapacidade civil absoluta (interdição do incapaz) - por
exemplo, enfermos mentais, os menores de 16 anos de idade, entre
ou tros ;
b) inciso III: condenação criminal transitada em julgado, enquanto
durarem seus efeitos;
c) inciso V: improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4. °
da CF/88;
,
d) inciso IV: recusa em cumprir obrigação a todos imposta ou prestação
alternativa, nos termos do art. 5. ° , VIII, da CF/88.
Por conseguinte, é caso de perda o inciso I do mesmo art. 15: cancela-
mento da naturalização por sentença transitada em julgado, atentando-se
para o prazo de dois anos da ação rescisória.
A competência para decidir sobre a perda ou suspensão dos direitos
políticos é do PoderJudiciário (art. 5. ° , XXXV, da CF/88).
5 .
REAQUISIÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS
A reaquisição dos direitospolíticossuspensossedaráautomaticamente,
com a cessação dos motivos que determinaram a suspensão.
No caso da escusa de consciência (art. 15, IV, da CF/88), pode a pessoa
readquiri-losaodeclarar , peranteaautoridadecompetente (MinistrodaJustiça
204
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
ou outro órgão a que a lei der competência), que está pronta para suportar o
ónus que recusou. A Lei 8.239/1991 prevê essa reaquisição , quando diz que
o inadimplente poderá a qualquer tempo regularizar sua situação mediante cumprimento das ob i gações devidas (art. 4. ° , § 2.°).
No caso de perda dos direitos políticos por cancelamento da naturali- zação , o indivíduo não os readquirirá mais, a menos que, por ação rescisória (prazo dedoisanosdo trânsitoemjulgado),sejarescindidoojulgado, demodo que o naturalizado recuperará a nacionalidade brasileira, ficando obrigado
a novo alistamento eleitoral.
r
|
6 |
INELEGIBILIDAD ES |
|
|
. |
||
São os impedimentosà capacidadeeleitoral passiva. Os casos estão pre-
vistos dos §§ 4. ° a 7." do art. 14 da CF/88.
As normas constitucionais sobre inelegibilidade são de eficácia plena e
de aplicação imediata.
As inelegibilidades podem ser:
|
6 |
/ |
Absolutas |
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. |
|||
Impedemqueo indivíduo concorraaqualquer cargo eletivo. Éum caso
excepcional e deve ser previsto apenas pela Constituição Federal. São os
seguintes casos:
a) os analfabetos podem votar, porém, não podem concorrer a nenhum
cargo político eletivo (executivo ou legislativo). Possuem apenas a
capacidade eleitoral ativa;
b) os inalistáveis são aquelas pessoas que não podem se alistar nas repartições eleitorais, ou seja, não podem adquirir o título de
eleitor e, por consequência, não podem votar nem ser votados.
São eles os menores de 16 anos de idade, os estrangeiros, os conscritos e os privados definitiva ou temporariamente dos seus direitos políticos.
6 . 2
Relativas
Consistem em restrições à elegibilidade para determinados mandatos
em razão de situações especiais em que, no momento da eleição, se encontre o cidadão. Podem ser previstas na Constituição e na legislação infraconsti-
tucional. O cidadão é elegível, mas sofre certas restrições.
Cap. 18 . DIREITOS POLÍTICOS
205
Espécies:
6 . 2 . /
Restrição por motivos funcionais
a) para o mesmo cargo: não existe mais (EC 16/1997 - reeleição). Os ocupantes dos cargos do Poder Executivo podem ser reeleitos para
um único período subsequente (art . 14 , § 5.°);
b) para outros cargos: são inelegíveis para concorrer a outros cargos
os titulares de cargos do Poder Executivo que não renunciarem aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito . É uma das hipóteses da chamada desincompatibilização , concretizada pela
renúncia (art. 14 , § 6.°).
note
" Presidente da Câmara Municipal que substitui ou sucede o
prefeito nos seis meses anteriores ao pleito é inelegível para
o cargo de vereador (CF, art. 14, § 6.°) , inaplicabilidade das
regras do § 5.° e do § 7.° do art. 14 da CF" - RE 345. 822,
Rei
Min. CarlosVelloso, julgamentoem 18.11.03 , DJ de 12.12.03.
6 . 2 . 2
Restrição por motivo de casamento , parentesco ou afinidade
São inelegíveis , no territóriodacircunscrição (enãodejurisdição, como
prevêa CF/88no art. 14, § 7.°) do titular, o cônjugeeosparentesconsanguí-
neos ou a
doscargosdo Poder Executivo ou dequem oshajasubstituídodentro dosseis
meses anteriores ao pleito , salvo sejá titular de mandato eletivo e candidato
àreeleição. Essarestrição étambém conhecidacomoinelegibilidadereflexa .
Por exemplo: o cônjuge e parentes até o 2 . ° grau consanguíneos ou afi ns de Prefeito nãopodemsecandidatar aVereadorou Prefeito . Ocônjugeeparentes até 2. ° grau consanguíneosou afinsdeGovernadornãopoderãosecandidatar a qualquer cargo eletivo no Estado (Vereador , Prefeito, Deputado Estadual,
Deputado Federal , Senador
Cumpreobservar quea Constituição permitequeconcorram àreeleição o cônjuge, parente ou afim quejá possuir mandato eletivo .
i ns (sogra , cunhado), até o 2.° grau ou por adoção, dos ocupantes
f
e Governador do mesmo Estado).
206 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
6 . 2 . 3
Restrição dos militares
O militar alistável éelegível, nasseguintescondições: secontar com me-
nosde 10 anosdeserviço, deverá afastar-sedaatividade; secontar com maisde
10anosdeserviço,seráagregadopelaautoridadesuperior e, seeleito, passará
automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade (art. 14, § 8. ° ) .
6 . 2 . 4
Restrição por previsão de ordem legal
A Constituição Federal, no § 9.° do art. 14, autorizou a edição de lei
complementar (Leis Complementares64/1990 e81/1994) paradispor sobre
outroscasosdeinelegibilidadeeosprazosdesuacessação. Infere-sequealei
complementar éa única espécienormativa autorizada constitucionalmente
paradisciplinaracriaçãoeestabelecerosprazosdeduraçãodeoutrasinelegi-
bilidadesrelativas,sendo-lheproibidaacriaçãodehipótesesdeinelegibilidade
absoluta, pois estas são previstas expressamente.
6.2.5 Restrição por motivo de domicílio eleitoral na circunscrição
Os candidatos aos cargos, tanto do Executivo quanto do Legislativo,
deverão ter domicílio eleitoral na circunscrição em que concorrerem.
7 .
DESINCOMPATIBILIZAÇÃO
Éo ato pelo qual o candidato se desvencilhada inelegibilidade a tempo
de concorrer à eleição. Em algumas hipóteses, a desincompatibilização só
se dará com o afastamento de i nitivo da situação funcional em que se ache
f
o candidato, o cônjuge ou parente. Em outros casos, basta o licenciamento (autoridades policiais, agentes administrativos, entre outros).
O § 6.° do art. 14 da CF/88 estabelece: "Paraconcorrerem aoutroscargos,
o PresidentedaRepública, osGovernadoresdeEstado edo Distrito Federal e
os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes
do pleito".
Decisões sobre o tema:
" OTribunal, por maioria, julgou improcedente pedido formulado em
duas ações diretasde inconstitucionalidade, a primeira ajuizada contra a
Resolução 22.610/2007, pelo Partido Social Cristão - PSC, e a segunda,
também contra a Resolução 22.733/2008, pelo Procurador-Geral da Re-
pública, ambasdoTribunal Superior Eleitoral -TSE, as quaisdisciplinam
o processo deperdadecargoeletivoemdecorrênciadedesfiIiação parti-
dáriasemjustacausa, bemcomodejustificação dedesfiliação partidária.
Cap. 18 . DIREITOS POLÍTICOS
207
No
mérito, juIgaram-seválidasasresoluções impugnadasatéqueoCongresso Nacional disponhasobrea matéria. Considerou-seaorientação fixada pelo
Supremo nojulgamento dosMS26.602/DF(DJE17.10.2008), 26.603/DF
(j. 04.10.2007) e 26.604/DF(DJE03.10.2008), no sentido de reconhecer
aos partidos políticoso direito de postular o respeito ao princípio da fide-
lidade partidária peranteo Judiciário, ede, afim deconferir-lhes um meio processual paraassegurarconcretamenteasconsequênciasdecorrentesde eventual desrespeitoao referido princípio, declararacompetênciadoTSE
para dispor sobre a matéria durante o silêncio do Legislativo. Asseverou-se
que de pouco adiantaria a Corte admitir a existência de um dever, qual seja, a fidelidade partidária, mas não colocar à disposição um mecanis- mo ou um instrumental legal para garantir sua observância. Salientando que a ausência do mecanismo leva a quadro de exceção, interpretou-se a adequação das resoluções atacadas ao art. 23, IX , do Código Eleitoral, este interpretadoconformeaCF. Concluiu-sequeaatividadenormativado TSErecebeu seu amparo daextraordináriacircunstânciadeoSupremoter
reconhecidoafidelidadepartidária como requisitopara permanênciaem cargo eletivo e a ausência expressa de mecanismo destinado a assegurá-
- lo"(ADIn 3.999eADIn 4.086, j. 12.11.2008, rei. Min. Joaquim Barbosa,
Informativo 528). No mesmo sentido: Al 733.387, j. 16.12.2008, rei. Min.
Celso de Mello, Informativo 533.
Preliminarmente, o Tribunal, por maioria, conheceu das ações (
).
" Inelegibilidade.Art. 14, § 7.°, da Constituição do Brasil. O art. 14, § 7.°, daConstituição do Brasil deveser interpretadode maneira a dareficáciae efetividadeaospostulados republicanosedemocráticosda Constituição, evitando-sea perpetuidadeou alongadapresençadefamiIiares no poder "
(RE 543.117-AgR, j. 24.06.2008, rei. Min. Eros Grau, DJE 22.08.2008).
" Elegibilidade de ex-cônjuge de prefeito reeleito. Cargo de vereador.
Impossibilidade. Art. 14, § 7.° , da Constituição. Separação judicial no
cursodo segundo mandato eletivo. Separação defato nocurso doprimeiro
) A
mandato eletivo. Oportuna desincompatibilização. Inocorrência. (
dissolução da sociedade conjugal, nocursodo mandato, não afasta a ine-
legibilidadeprevista noart. 14, § 7.°, da CF. Seaseparação judicial ocorrer em meio à gestão do titular do cargo que gera a vedação, o vínculo de parentesco, para osfinsde inelegibi Iidade, persisteatéo término do man- dato, inviabilizando a candidatura do ex-cônjuge ao pleito subsequente,
na mesma circunscrição, a não ser que aquele se desincompatibilize seis
meses antes das eleições " (RE 568.596, j. 01.10.2008, rei. Min. Ricardo
Lewandowski, DJE 21.11.2008).
" Presidente da Câmara Municipal que substitui ou sucede o Prefeito nos seis meses anteriores ao pleito é inelegível para o cargo de vereador. CF, art. 14, § 6.°. Inaplicabilida-de das regras dos §§ 5.° e 7.° do art. 14,
CF" (RE 345.822, j. 18.11.2003, rei. Min. CarlosVelloso, DJ12.12.2003).
208
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
8 .
PROCESSO
JUDICIAL ELEITORAL
O processo eleitoral é o conjunto de atos e procedimentos relacionados às eleições, desdeas convenções partidárias (escolha de candidatos e coliga-
ções) atéadiplomação. Saliente-sequefatosanterioresàconvençãopartidária poderão serjulgadospelajustiça Eleitoral, tal como abuso do poder político
ou económico .
Oprocessoeleitoral écélere, possui regraspróprias, esparsasem diversos
diplomas legais, aplicando-se,subsidiariamente, o Código deProcesso Civil.
Em regra, noprocesso eleitoral são legitimadosativosparaapropositura das ações: o Ministério Público, os candidatos, os partidos e as coligações.
Os prazos do processo eleitoral são peremptórios e contínuos, e correm em Secretaria ou Cartório e, a partir da data do encerramento do prazo para
registro decandidatos (cinco dejulho doano daseleições) nãosesuspendem aos sábados , domingos e feriados (artigo 16 - Lei Complementar 64/1990). Com relação aosprazos, deve-seobservar o artigo 184do Código deProcesso
Civil.
Não há custas e preparo, exceção feita ao recurso extraordinário.
Normalmente, são usados os seguintes mecanismos processuais: im- pugnaçãoao registro dacandidatura, açõesdeinvestigaçãojudicial eleitoral,
recurso contraa diplomação , ação de impugnação de mandato eletivo, entre
ou tros .
Leitura complementar
No intuito de complementar os assuntos referentes ao Direito Consti-
tucional, são indicados alguns temas:
1 .
DIREITO ESUA
CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA
Três expressões latinas podem nos dar uma noção do que é o Direito:
a) ubi homo,
ibijus - onde está o homem , aí está o Direito;
b) ubi homo, ibi societas - onde está o homem , aí está a sociedade;
c) ubi societas , ibijus- onde está a sociedade, aí está o Direito.
Podemosinferir queoDireito existiráenquantoexistir sociedade , e esta,
por sua vez, depende dos homens.
Os operadores do Direito em geral costumam defini-lo singelamente
como o conjunto de normasjurídicas que possibilitam a vida em sociedade ,
ou, ainda, a técnica para tornar possível a coexistência humana .
Classificação doutrinária do Direito:
Atualmente , a doutrina divide o Direito em três ramos:
a) Direito Público: éaquelequetutelaosinteressesgeraisdasociedadee ,
deregra, nãoadmitetransação. Sãoexemplos: DireitoConstitucional
,
Administrativo, Processual , Penal, Tributário, Internacional, entre
ou tros;
b) Direito Privado: é aquele que tutela os interesses dos particulares
e, de regra , admite transação. São exemplos: Direito Civil e Direito
Comercial;
c) DireitoSocial: éaquelequetutelaosinteressesdosparticulares , sendo
queo Estado ofereceprestaçõespositivasdiretaou indiretamenteaos
mais fracos para sua melhora de vida .
É o Estado cuidando daqueles
210
DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
que o construíram. São exemplos: Direito Previdenciário e Direito
do Trabalho.
2 .
BREVE EVOLUÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES DOS ESTADOS
A Constituição, nos moldes que conhecemos hoje em dia, tem como
marco histórico a Revolução Francesade 1789, que, como tal, visavaestabe-
lecer e limitar o uso do poder pelo Estado.
A ideia de controle do poder teve lenta evolução histórica e cultural.
Temoscomo exemplo, primeiro, a Magna Cartade 1215, pela qual o ReiJoão Sem-Terra pactuou com os súditos revoltados sobre direitos a serem respei-
tados. Para os doutrinadores, a previsão legal do habeas corpus em matéria
constitucional está consignada em seu art. 48: " Ninguém poderá ser detido , preso ou despojado deseus costumes e liberdade senão em virtude dejulga-
mento de seus pares, de acordo com as leis do país "
Em 1628, temosa "Petition of Rights" (Petição de Direitos), uma decla- ração formal onde foram reafirmadas as liberdades públicas fundamentais e
o respeito às leis de habeas corpus impostas ao rei Carlos I da Inglaterra. Um importante avanço histórico ejurídico são os contratos de coloni-
zação, típicos da história das colónias da América do Norte, que, apesar da anuência real,já se aproximam da ideia setecentista de Constituição.
Nessesentido, Manoel GonçalvesFerreira Filho destacaque osperegri-
nos, mormentepuritanos, chegadosàAméricaimbuídosdeigualitarismo,não
encontrando nanova terrapoder estabelecido, fixaram por mútuo consenso
as regras pelas quais haveriam de se governar. Firma-se, assim, pelos chefes
de família a bordo do "May l ower", o célebre "compact" de 1620, e, desse
.
f
modo , estabelecem as " Fundamental Orders of Connecticut" de 1639, mais
tardeconfirmadaspelo rei Carlos II, queasincorporou à Cartaoutorgada em 1662. Tem-se, então, a ideia de estabelecimento e organização do governo pelos próprios governados (Curso de direito constitucional, p. 5).
A ideiade Constituição evoluiu associadaàsconcepçõesdo iluminismo,
quevalorizaarazão e o indivíduo em detrimento do Estado, considerado um
mal necessário. É a ideologia revolucionária do século XVIII.
Montesquieu, para prevenir eventuais abusos por parte dos monarcas, sugere a separação dos poderes, teorizada na obra O espírito das leis.
Manoel GonçalvesFerreira Filho afirmaque ao surgir, ligada queestava a essa doutrina liberal, a ideia de Constituição escrita tinha um caráter polé-
Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR
21 1
mico. Não designavaqualquer organização fundamental , masapenas a ideia que desse ao Estado uma estrutura conforme aos princípios do liberalismo.
Era , pois, umaarmaideológicacontrao antigo regime, contrao absolutismo,
contra a confusão entre o monarca e o Estado , contraumaorganização acusada
de ser irracional. Propunha substituir tudo isso por um governo moderado , incapazdeabusos,zelosodefensor dasliberdadesindividuais (Cursodedireito
constitucional p. 7).
Esse conceito polemico está contemplado em uma fórmula célebre prevista no art. 16 da Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão de
1789: "A sociedadeem quenão estejaasseguradaagarantiadosdireitosnem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição "
.
Aliado ao iluminismo há o liberalismo , movimento que busca libertar
a sociedade da opressão dos monarcas. Para esse movimento , Constituição
é um documento escrito e solene que organiza o Estado , adotando necessa- riamente a separação dos Poderes e visando garantir os direitos do homem .
3
.
ELEMENTOS DASCONSTITUIÇÕES
Os elementos das Constituições correspondem aos seus componentes , que, em geral, são agrupados em títulos, capítulos e seções, em função da conexão do conteúdo específico que os vincula.
Diversa é a classificação doutrinária a respeito do tema . Adotou-se a
prevalente, a saber:
3 . 7
Elementos orgânicos
São normas que regulam a estrutura do Estado e do poder. Podemos elencar, como exemplo, o Título III (Da organização do Estado) da CF/88.
3 . 2
Elementos limitativos
São aquelas normas que limitam aatuação do Estado. Manifestam-seex- pressamenteno elencodosdireitosegarantiasfundamentais, ou seja, noTítulo
II da Constituição Federal. Devem ser excetuados , porém, os direitos sociais,
quecompõem o Capítulo II de tal título, poisingressam nacategoriaseguinte.
3 . 3 Elementos socioideológicos
São normasqueexpressam o compromisso das Constituiçõesmodernas
no que tange a diferençar o Estado individualistado Estado social. Na Cons-
212
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
tituição Federal de 1988, são encontradosno Capítulo II do Título II, ou seja,
sob a denominação " Dos direitos sociais", e também nos Títulos VII e VIII,
respectivamente ,
" Da ordem económica e financeira" e "Da ordem social".
3 . 4 Elementos de estabilização constitucional
São normas que possibilitam a integração e a harmonia constitucional. Asseguram a solução dos conflitos constitucionais, a defesa da Constitui-
ção, do Estado e das instituições democráticas, estabelecendo os meios e as
técnicascontra sua alteração e infringência, bem como sua modificação. São
encontradosnosarts. 34a36 (Daintervenção nosEstadoseMunicípios), nos
arts. 59,1, e 60 (Da emenda à Constituição), nos arts. 102 e 103 (jurisdição
constitucional) e no Capítulo I do Título V, intitulado " Do estado de defesa
e do estado de sítio "
.
3 . 5 Elementos formais de aplicabilidade
São normasqueestabelecem regrasdeaplicação dasConstituições, como o preâmbulo, o Título IX ( " Das disposições constitucionais gerais"), o Ato
das Disposições Constitucionais Transitórias, bem como o § 1.° do art. 5.°, segundo o qual asnormas definidoras dos direitos e garantias fundamentais
têm aplicação imediata.
4
.
4 . 1
HISTÓRIA DAS CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS
Constituição de 1824
Constituição política do Império do Brasil outorgada em 25.03.1824. Também conhecida como Carta Imperial, outorgada por D. Pedro I, adotou a formamonárquicadegoverno, dividiu o território emprovíncias, queeram
as antigas capitanias então existentes, definiu o catolicismo como religião
oficial do Império, edessemodo sóoscatólicosapostólicosromanospodiam ser eleitospara os cargos oficiais. Instituiu-se a formulação quadripartite de
poder, de Benjamim Constant, ou seja, os Poderes Legislativo, Executivo,
Judiciário e Moderador.
O Poder Moderador era exercido privativamente pelo Imperador, como chefesupremo daNação, epor seu primeiro representante, paraque incessan-
tementevelassepelamanutençãodaindependência,peloequilíbrioeharmonia
dosdemaispoderespolíticos. O Poder Executivo, exercido pelosMinistrosde Estado, tinha o Imperador como chefe. O PoderJudiciário era composto por
Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR
213
juízesejurados,eoPoderLegislativoeracompostoporDeputadoseSenadores,
sendoosprimeiroseletivosetemporárioseosdemais,integradospormembros
vitalícios nomeados pelo Imperador dentrecomponentesdeuma lista tríplice
eleita por província. O sufrágio era indireto e censitário. Sob a égide desta Constituição, houve pela primeira vez a implantação do regime parlamentarista de governo , que vigorou de 1847 até 1889. Por fim , caberessaltar que foi instituída a forma unitáriade Estado, com
forte centralização político-administrativa.
4 . 2 Constituição de 1891
Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil promulgada
em 24.02.1891.
Adotou como forma de governo a República , constituída pela união
perpétua e indissolúvel das suas antigas províncias (21) em Estados Unidos
do Brasil. Cada uma das antigas províncias formou um Estado-membro , e o
antigo Município neutro se transformou no Distrito Federal , que continuou
a ser a capital da União. Nasceu, portanto , o Estado Federal brasileiro. Adotou aformulação clássicadeseparaçãodePoderes , ou seja, adoutrina tripartitedeMontesquieu, estabelecendo como órgãosdasoberanianacional os Poderes Legislativo , Executivo eJudiciário, harmónicos e independen-
tes entre si. Estabeleceu-se o presidencialismo como regime de governo , abolindo-se o parlamentarismo , sendo o Presidente da República eleito pelo
sufrágio direto do povo.
Ampliou adeclaraçãodedireitoshumanos , introduzindoexpressamente pela primeira vez o instituto do habeas corpus (§ 22 do art. 72).
4 . 3 Constituição de 1934
Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, promulgada
em 16.07.1934.
Manteve a estrutura fundamental anterior , asaber: a República, a Fede-
ração, a divisão dos Poderes , o presidencialismo e o regime representativo. Aumentou os poderes do Executivo , definiu os direitos políticos e o sistema
eleitoral, admitindo o voto secreto, estendido às mulheres. Estabeleceu al-
guns direitos trabalhistas, como salário-mínimo, descanso semanal, férias,
e regulamentou o trabalho das mulheres e dos menores. Inovação no plano
constitucional foi a integração daJustiça Militar e daJustiça Eleitoral como
órgãos do PoderJudiciário, bem como previu aJustiça do Trabalho.
214 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
Introduziu o ensino primário gratuito eobrigatório ecriou, no plano da declaração de direitos, o mandado de segurança e a ação popular. Instituiu,
ao lado do Ministério Público e do Tribunal de Contas, os conselhos técnicos
como órgãos de cooperação nas atividades governamentais.
Inspirada na Constituição alemã de Weimar de 1919, houve a adoção de capítulos referentes à ordem económica e social, à família, à educação e
à cultura. Além disso, devem-se citar as normas relativas ao funcionalismo
público e às Forças Armadas.
4 . 4 Constituição de 1937
Constituição da RepúblicadosEstadosUnidos do Brasil, outorgadapor
GetúlioVargasem 10.11.1937. Inspiradana ConstituiçãofascistadaPolónia,
recebeu o apelido de " Polaca" .
O Brasil passou aserum Estadoapenasformalmentefederal,despojando
das unidades federativas sua autonomia.
Há o fortalecimento do Poder Executivo federal, ou seja, concentram- - senas mãos do Presidente da República os Poderes Executivo e Legislativo.
Getúlio Vargaslegislaporviadedecretos-leisqueelepróprio depoisaplicava como órgão do Executivo.
Nesse período, háasuspensão dos institutosdo mandado desegurança
e da ação popular, bem como o surgimento do " quinto constitucional "
.
4 . 5 Constituição
de 1946
Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, promulgada
em 18.09.1946 .
Restaurou a autonomia das entidades federadas, criou novamente o
cargo de Vice-Presidente da República, extinto nas Constituições de 1934 e 1937 , reintroduziu osremédiosdo mandado desegurança edaação popular. Fortaleceu o regime democrático, assegurando o pluripartidarismo.
Sob o comando desta Constituição, houve a reintrodução do regime
parlamentarista no Brasil, que durou de 1961 até 1963.
4 . 6 Constituição de 1967
O Ato Institucional 4, de 07.12.1966, convocou o Congresso Nacional
para se reunir extraordinariamente de 12.12.1966 a 24.01.1967 e promul-
Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR
215
gar (Mesa da Câmara e do Senado Federal) o projeto de Constituição que o
governo apresentou.
Em 24.01.1967 foi ela promulgada, entrando em vigor em 15.03.1967,
quandoassumiaaPresidênciaoMarechal ArthurdaCostaeSilva. Preocupou- - se fundamentalmentecom asegurançanacional, promoveu a centralização
dos Poderes no Executivo federal, reduziu a autonomia individual, permi-
tindo a suspensão dos direitos e garantias constitucionais, e, por fim, criou
as eleições indiretas para Presidente da República (Colégio Eleitoral).
4 . 7 Constituição de 1969
Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em
17.10.1969, como Emenda Constitucional 1 à Constituição do Brasil de
1967, para entrar em vigor em 30.10.1969.
Teóricae tecnicamentenãosetratou deemenda, poisumaemendacons-
titucional é um mecanismo paraalterar uma parte deuma Constituição, não
fazer uma nova. A emenda só serviu como mecanismo de outorga, uma vez
que, na verdade, foi promulgado um texto integralmente reformulado. Em quepeseotextodoart. 34doADCT daCF/88, adoutrinaprevalenteentende
que tal emenda é umaverdadeira Constituição.
Outorgada por três Ministros militares (Augusto Hamann Rademaker
Grúnewald, Aurélio de Lyra Tavares e Márcio de Souza Mello), promoveu
grande concentração do poder político nas mãos do Executivo federal, à
semelhança da Constituição anterior.
4 . 8 Constituição de 1988
ConstituiçãodaRepúblicaFederativadoBrasil, promulgadaepublicada
conhecida como a " Constituição Cidadã", instituiu o Estado
em 05.10.1988. É
Democrático de Direito, autolimitando o poder do Estado ao cumprimento
das leisquea todossubordinam, assegurou alivreparticipação dos cidadãos
na vida política, o sufrágio passou a ser universal, direto e secreto nas três
esferasadministrativas, osanalfabetosconquistaram o direitoaovoto ejovens
acima de 16 anos deidade receberam o direito facultativo de votar. Estabeleceu
também opluripartidarismo, fortaleceu o federalismo, conferindomaior au-
tonomiaaosEstados, ao Distrito Federal eaosMunicípios, criou osremédios constitucionais do habeas data, do mandado de injunção e do mandado de
segurança coletivo, acabou com a censura aos meios de comunicação, entre
outras inovações.
216
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
5
. PRINCÍPIOSCONSTITUCIONAIS DAADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA
A Administração Pública brasileira deve obedecer , dentre outros, aos
princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência (art. 37, caput, da CF/88).
A legalidadeimplicaemquetodososatosrealizadospelaAdministração
Públicadevem estar em consonânciacom oordenamentojurídicobrasileiro ,
inclusive quando realiza atos discricionários.
Aimpessoalidadepossui duasvertentes , asaber: aAdministração, quan- do age, não o faz em nome de determinado administrador , mas em nome do entepolítico-administrativo (União, Estados , MunicípioseDistrito Federal).
De outro lado , a ação da Administração deve beneficiar toda a coletividade,
alcançando o bem comum, e não alguns poucos privilegiados.
A moralidadeimplicaem queosatosdaAdministração devem ao menos
respeitar as normasjurídicas , porque pressupõem a correção e a ética na sua
elaboração. A moralidadealmeja o amor àverdade , a busca do melhor e mais
justo para a sociedade. Para a proteção da probidade administrativa, existe
a Lei 8.429/1992.
A publicidadeindicaqueosatosrealizadospelaAdministração Pública ,
de regra , devem ser públicos, ou seja, levados a conhecimento de todos os
componentes da sociedade , salvo imposição legal de sigilo.
A eficiência determina que as ações da Administração Pública devem
buscar o maior resultado com o menor custo, sejaoperacional ou financeiro.
6 .
O RIGEM DO TRIBUNA L D E CO NTAS
A doutrina ensina quejá na Antiguidade havia , em Atenas, uma corte
de contas constituída por 10 membros eleitos anualmente pela assembleia
popular, encarregada de fiscalizar as contas públicas e dejulgar o peculato.
No Brasil Império , embora não existisse uma corte especializada, as
contas públicasjá eram fiscalizadas pelo Poder Legislativo. A Constituição de 1824 exigia a apresentação dos orçamentos à Câmara dos Deputados ,
nos termos do art. 172, assim redigido: " O Ministro de Estado da Fazenda
,
havendo recebido dos outros ministros os orçamentos relativos às despesas das suas repartições, fará na Câmara dos Deputados , anualmente, logo que esta estiver reunida , um balanço geral de todas as despesas públicas do ano
futuro e da importância de todas as contribuições e rendas públicas".
Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR
217
Em 07.11.1890, o Decreto 966-A criou no Brasil o Tribunal de Contas,
porém estenão chegou aser executado nem teve regulamentação. A Consti-
tuição republicana de 1891, no seu art. 89, o instituiu, com a seguinte reda-
ção: "
Éinstituído um Tribunal de Contasparaliquidar ascontasdareceita e
despesa everificar asua legalidade, antes deserem prestadasao Congresso".
Houve a regulamentação infraconstitucional por meio do Decreto 1.116, de
17.12.1892 , permitindo o efetivo funcionamento.
Estava assim implantado, no Direito brasileiro, o Tribunal de Contas,
como órgão auxiliar do Poder Legislativo no controleexterno dasatividades
financeira e orçamentária da União.
7 .
7 .
DAS FUNÇÕES ESSENCIAISÀJUSTIÇA
/
O Ministério Público
A doutrina ensina que o Ministério Público (Parquet) surgiu histori-
camente com o advento da divisão de Poderes do Estado moderno. Por tal
motivo, sua proximidade mais direta é com os advogados e procuradores
criados no século XIV, na França. Os advogados do rei tinham atribuições
exclusivamente cíveis, enquanto os procuradores, além das funções de de-
fesa do fisco , tinham funções de natureza criminal. O Ministério Público francês nasceu da fusão dessas duas instituições , unidas pela ideia básica de
defender osinteressesdosoberano, querepresentavaosinteressesdo próprio
Estado. Posteriormente , na França, o Ministério Público veio a ser de i nido
f
de maneira mais clara com os Códigos Napoleónicos , em especial o Código
de Instrução Criminal e a Lei de 20.04.1810, que lhe conferiu o importante
papel de Promotor da Ação Penal.
No Brasil, o Ministério Público encontra suas raízes no Direito lusita-
no, vigente no País nos períodos colonial, imperial e início da República. As
Ordenações Manuelinas de 1521 já mencionavam o Promotor deJustiça e
suas obrigações perante as Casas de Suplicação e nosJuízos das Terras. O
promotor atuava como um
f
iscal da lei e de sua execução.
Cumpredestacar quea "Lei do Ventre Livre" (Lei 2.040, de 28.09.1871) dava ao promotor dejustiça a função de protetor do fraco e indefeso (os in-
divíduos hipossu i cientes), ao estabelecer que a ele cabia zelar para que os filhos livres de mulheres escravas fossem devidamente registrados.
O Decreto 848, de 11.09.1890, que criava e regulamentava a Justiça
Federal, dispôs sobre a estrutura do Ministério Público Federal. O decreto
f
218 DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
foi elaborado pelo Ministro daJustiça Campos Salles, que por tal motivo foi
considerado o patrono do Ministério Público.
A Constituição Federal de 1937 criou o "quinto constitucional". A
Constituição Federal de 1946 tratou doMinistério Públicoem títuloespecial, sem vinculação a qualquer dos outros Poderes da República, e instituiu os
Ministérios Públicos Federal e Estadual, garantindo-lhes a estabilidade na função, o concurso de provas e títulos, a promoção e a remoção apenas por
representação da Procuradoria-Geral.
A Constituição Federal de 1967 subordinou o Ministério Público ao
PoderJudiciário e acabou com os "concursos internos". Ao integrar o Poder Judiciário, o Ministério Público deu grande passo na conquista de sua auto-
nomia e independência por meio da equiparação com os magistrados. Tais
conquistas somente foram consagradas na Constituição Federal de 1988.
A Constituição Federal de 1969 (Emenda Constitucional 1) retirou as
mesmas condições de aposentadoria e vencimentos atribuídos aos juízes (retirou o parágrafo único do art. 139) e retirou do Ministério Público a in-
dependência pela subordinação no capítulo do Poder Executivo.
A Emenda Constitucional 7 de 1977 alterou o art. 96 da Constituição
de 1969 e autorizou os Ministérios Públicos a se organizarem em carreira por leis estaduais.
A Constituição Federal de 1988 tratado Ministério Público nosarts. 127
a 130. Podem ser considerados como pontos principais:
a) O Ministério Público é instituição permanente. Isso significa que,
enquanto o Brasil for regido por essa Constituição, o Ministério
Público nãopoderáser extinto. Esteéum exemplodecláusulapétrea
implícita.
b) Aunidade,aindivisibilidadeeaindependênciafuncional sãoprincípios
institucionais do Ministério Público.
c) Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e
administrativa.
d) O ingresso na carreira do Ministério Público é feito por meio de concurso deprovase títulos, asseguradaaparticipação da Ordem dos
Advogados do Brasil em sua realização, exigindo-se do bacharel em
direito, no mínimo, três anos de atividadejurídica e observando-se,
nas nomeações, a ordem de classificação.
Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR
219
e) NoBrasil, o MinistérioPúblicoabrangeo MinistérioPúblicodaUnião
e os Ministérios Públicos dos Estados. O Ministério Público da União
compreende os Ministérios Públicos Federal, do Trabalho, Militar,
do Distrito Federal e Territórios (art. 128).
0 O chefe do Ministério Público da União é o Procurador-Geral da
República (nomeado pelo Presidente da República após aprovação
pelamaioriaabsolutadosmembrosdoSenadoFederal- § l. ° , art. 128),
e os chefes dos Ministérios Públicos Estaduais têm a denominação de
Procurador-Geral deJustiça.
g) São garantias constitucionais do Ministério Público: vitaliciedade,
após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por sentençajudicial transitada em julgado; inamovibilidade (restrição
à transferência), salvo por motivo de interesse público, mediante
decisão do órgão colegiado competente do Ministério Público, por
voto damaioriaabsolutadeseusmembros, asseguradaampladefesa;
e irredutibilidade de subsídio.
h) ÉfunçãoinstitucionaldoMinistérioPúblicopromover,p i vativamente,
r
a ação penal pública, o inquérito civil e a ação civil pública para
proteçãodopatrimôniopúblicoesocial,domeioambienteedeoutros
interesses difusos e coletivos, entre outros.
i) O Conselho Nacional do Ministério Público foi acrescentado pela EC
45/2004 no art. 130-A .
7 . 2
A
Advocacia Pública
De acordo com a Constituição Federal vigente, a Advocacia Pública da
União é exercida pela Advocacia-Geral da União (AGU), que representa a Uniãojudicial ou extrajudicialmente, inclusivenasatividadesdeconsultoria
e assessoramento jurídico do Poder Executivo. O chefe da instituição é o
Advogado-Geral da União, de livre nomeação pelo Presidente da República
dentre cidadãos maiores de 35 anos de idade, de notável saber jurídico e re-
putação ilibada. O ingresso nas classesiniciaisdacarreira é feito por meio de concurso de provas e títulos (art. 131, §§ 1. ° e 2.°, da CF/88).
Na esfera dos Estados e do Distrito Federal existirão os Procuradores dos
Estados e do Distrito Federal, que exercerão a representaçãojudicial e a con- sultoriajurídicadasrespectivasunidadesfederadas. Oingresso nacarreiraserá
por meio de concurso de provas e títulos, com a participação da Ordem dos AdvogadosdoBrasil em todasassuasfases. Apóstrêsanosdeefetivoexercício
220
DIREITO CO NSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
e de avaliações dos órgãospróprios, inclusive das Corregedorias , ao Procura-
dor é assegurada a estabilidade (art. 132 , caput eparágrafo único, da CF/88).
Destaque-se que na execução da dívida ativa de natureza tributária a
representação daUnião cabeà Procuradoria-Geral daFazendaNacional (art .
131, §3.°, da CF/88).
7 . 3
Da Advocacia e da Defensor ia Pública
A Constituição Federal vigente afirma em seu art. 133: "O advogado é
indispensável á administração da justiça , sendo inviolável por seus atos e
manifestações no exercício da pro
f
issão , nos limites da lei " (Lei 8.906/1994
- Estatuto da Advocacia e Ordem dos Advogados do Brasil - OAB) .
Para ser advogado é necessário ser bacharel em Direito e ter aprovação no exame de Ordem dos Advogados do Brasil.
A DefensoriaPúblicaéo órgãopúblicoincumbidodaorientaçãojurídica
e da defesa, em todos os graus, dos necessitados (arts. 5.° , LXXIV, e 134 da
CF/88).
ÀsDefensoriasPúblicasEstaduaissãoasseguradasautonomiafuncional
eadministrativaeainiciativadesuapropostaorçamentáriadentro doslimites
estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias e subordinação ao disposto
no art. 99, § 2. ° , da CF/88 (art. 134, § 2.°, da CF/88).
O ingresso na carreira será por concurso de provas e títulos, garantida
a inamovibilidade e vedado o exercício da advocacia fora das atribuições
institucionais (art. 134, § 1,° , da CF/88 eLC 80/1994- organizaa Defensoria
PúblicadaUnião eprescrevenormasgeraisparasuaorganizaçãonosEstados).
Em alguns EstadosexisteaDefensoria Pública (MG , SPe RJ); em outros,
as Procuradorias dos Estados realizam a função das Defensorias Públicas.
8 .
DIREITO S SOCIAIS
Osdireitossociaisvinculam-searealizaçõesproporcionadaspelo Estado , direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais que possi- bilitam melhores condições de vida aos mais fracos, buscando a igualização
de situações sociais desiguais.
Segundoadoutrina, osdireitossociaispodemser classificadosem cinco
classes: (a) relativosao trabalhador; (b) relativosàseguridadesocial (direito à
saúde, àprevidência eassistênciasocial); (c) relativosàeducação eàcultura;
Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR
22 1
(d) relativos à família, à criança, ao adolescente e ao idoso; (e) relativos ao
meio ambiente.
Além dessa, outra classificação é apresentada:
a) direitos sociais do homem como produtor: liberdade de instituição sindical, direito de greve, direito de determinar as condições de
trabalho, direito de cooperar na gestão da empresa e direito de obter
um emprego (arts. 7. ° a 11 da CF/88);
b) direitos sociais do homem como consumidor: direito à saúde,
à alimentação, à segurança social (segurança material), ao
desenvolvimento intelectual, igual acesso das crianças e adultos à instrução, à formação profissional e à cultura e garantia ao
desenvolvimento da família (art. 6.° e Título Vlll - Da ordem social).
9 .
SUFRÁGIO
É o direito público subjetivo de natureza política que tem o cidadão de
eleger, ser eleito e participar do governo.
9 .
7
Formas de sufrágio
Quanto à extensão, pode ser:
a) universal: éo direito devotar titularizado por todosos nacionaiscom
capacidadepolítica. Essa éa formaacolhidapelanossa Constituição
Federal vigente em seu art. 14, caput;
b) restrito: é o direito de voto conferido a indivíduos qualificados por condições económicas (censitário) ou intelectuais (capacitário). Quanto à igualdade, pode ser:
a) igual: os votossão iguais, ou seja, têm o mesmo valor;
b) desigual: concede-seacertoseleitoresemvirtudedesituaçõesespeciais
o direito de votar mais de uma vez ou de dispor de mais de um voto
para prover o mesmo cargo.
Espécies:
a) voto múltiplo: o eleitor tem o direitodevotar maisdeumavez, ou seja,
em mais de umacircunscrição eleitoral, epodevotar, por exemplo, na circunscriçãodoseu domicílio,nodeseu localdetrabalho,entreoutros;
b) voto plural: o eleitor pode votar mais de uma vez em uma mesma circunscrição, ou seja, poderá votar duas ou mais vezes no mesmo
local;
222
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
c) voto familiar: o eleitor chefe de família (pai) dispõe de um ou mais
votos em função do número dos membros do núcleo familiar .
Cabe observar queo voto é a manifestação do sufrágio no plano prático .
Éo ato político que materializa na prática o direito de votar .
O voto tem como características ser secreto (ninguém , além do eleitor,
deve conhecer o candidato quando davotação); igual (mesmo peso político para todos os eleitores); livre (o cidadão vota em quem quiser e se quiser,
poispodevotar em branco ou anular ovoto); pessoal (nãoseadmitevoto por
correspondência ou procuração); direto (os eleitores escolhem por si e sem
intermediários osgovernantes e representantes); e , por fim, deacordo com a nossa Constituição Federal vigente , é também obrigatório (os eleitores não podem se eximir de votar, salvo motivojusto).
Cumpre lembrar que escrutínio é o modo pelo qual os votos são reco- lhidos e apurados nas eleições.
Desse modo , sufrágio é um direito; voto é o exercício desse direito; e escrutínio é o modo de apuração dos votos.
10. SISTEMAS POLÍTICOS
Os sistemas políticos são mecanismos relacionados ao poder e são ex- ternados basicamente por meio de quatro critérios:
10. 1
Forma de Estado
Vincula-se ao modo pelo qual está estruturado o Estado , identificando
o modo deexercício do poder , podendo ser centralizado ou descentralizado.
Seexistir um únicocentro dotado decapacidadelegislativa , administra- tiva e política, que concentra todas as competências constitucionais , haverá
o Estado unitário ou a forma unitária de Estado.
O centro único de competências
pode , por sua exclusiva vontade, dele-
gar capacidade legislativa e administrativa - dessa forma, o próprio Estado
unitário podeser centralizado ou descentralizado , conforme delegueou não
parte da sua competência exclusiva.
De outro modo, se a Constituição do Estado atribui aos entes regionais (Estados-membros) capacidades políticas, legislativas e administrativas, possibilitando autonomias próprias, surge o Estado Federal ou a forma fe- derativa de Estado. Caracteriza-se pela descentralização constitucional do poder no Estado.
Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR
10.2 Forma de governo
223
Diz respeito a quem ede que modo exerce o poder no Estado.
Seopoder for exercidopelopovo, porintermédioderepresentanteselei-
tostemporariamente, surgeaformadegovernorepublicana (república), que tem as seguintes características: (a) natureza representativa; (b) eletividade
dos mandatários; (c) temporariedade dos mandatos eletivos.
Se o poder é exercido por quem o detém naturalmente, sem representar
o povo através de mandato, surge a forma de governo monárquica (monar-
quia), que tem como características: (a) vitaliciedade; (b) hereditariedade;
(c) ausência de representatividade eletiva.
10 . 3 Regimepolítico
Vincula-se ao acesso dosgovernadosao processo de formação do poder no Estado, ou seja, é um mecanismo de participação no poder. O regime
político pode ser dividido em:
a) regime democrático: o povo participa da formação e manutenção do
poder noEstado, deregrapormeiodeeleições (o podervemdebaixo
para cima);
b) regime não democrático: caracteriza-se pela ausência ou restrição da participação do povo no poder de um Estado (o poder vem de cimaparabaixo), subdividindo-seem totalitário (existênciadeum grandepartidodominante), ditatorial (háumcentroúnico depoder)
e autoritário (limitado pluralismo político).
10.3.1 Espécies de democracia
Aparticipação democráticadopovonopoderdeumEstadopodecarac-
terizar as seguintes espécies de democracia:
a) democraciadireta:opovoexercediretamenteospoderesgovernamentais, fazendo leis, administrando e julgando. Exemplo: democracia
ateniense e cantões suíços;
b) democracia indireta ou representativa: o poder emana do povo, que,
não podendo dirigir os negócios do Estado diariamente, em face da
complexidade de determinadas situações (o tamanho do território, a densidade demográfica, os problemas económicos e sociais), delega, por meio de eleições periódicas, as funções de governo para
representantes. Exemplo: Estados Unidos da América;
224
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
c) democraciasemidireta: háumademocraciarepresentativacomalguns
institutos de participação direta do povo nas funções do governo .
Exemplo: Brasil.
A Constituição Federal de 1988aproxima-sedademocraciasemidireta ,
pois combina itensda democracia representativa com outros da democracia
direta.
Verifica-se tal assertiva no parágrafo único do art. 1.° , onde se lê: " Todo
o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou
diretamente , nos termos
desta Constituição "
.
A representação é constatada por meio das eleições periódicas para
os titulares dos Poderes Legislativo e Executivo (arts. 45 , 46, 77, entre
outros).
10.3.2 Institutos departicipação direta do povo
Iniciativa popular - O povo (conjunto de eleitores) pode apresentar
projetos de lei, desde que subscritos por no mínimo 1% do eleitorado nacio-
nal, distribuídos em pelo menos cinco Estados , com não menos de 0,3% dos
eleitoresdecadaumdeles. Devem ser apresentadosàCâmaradosDeputados
(art. 14, III, e art. 61, § 20, da CF/88).
Referendopopular- Éumaconsultapopularemqueexistearatificação
do povo sobre projetos de lei, já aprovados pelo Legislativo , de modo que o
projeto só será aprovado se receber votação favorável do corpo eleitoral - do
contrário, reputar-se-árejeitado (art. 14 , 11
, daCF/88). Éatribuição exclusiva
do Congresso Nacional autorizá-lo (art. 49 , XV, da CF/88).
Plebiscito - Consiste , também, em uma consulta popular evisa decidir previamenteumassunto institucional ou políticoantesdostrâmiteslegislati- vos (art. 14 , 1 , da CF/88). Por essemotivosediferenciado referendo popular, que, como visto acima, versa sobreaaprovação de textos de projeto de lei ou
de emenda constitucionaljá aprovados pelo Poder Legislativo.
Oplebiscitopodeautorizar oinício deumprocesso legislativo , enquanto
o referendo ratifica ou rejeita projetojá elaborado.
O plebiscito éindicado em casosespecíficos , como a formação de novos
Estados e de novos Municípios (art. 18 , §§ 3.° e 4.°). Compete ao Congresso
Nacional convocar o plebiscito (art. 49 , XV, da CF/1988).
Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR
Art. 2.° do ADCT da CF/88: "No dia 7 de setembro de 1993 o
eleitorado definirá, através de plebiscito, a forma (república
ou monarquia constitucional) e o sistema de governo (parla-
mentarismo ou presidencialismo) quedevemvigorar no País "
.
note
BEM
* .
225
Cumpre destacar que os três institutosjurídico-constitucionais men- cionados foram regulamentados pela Lei 9.709/1998.
/ 0.4 Regime ou sistema de governo
Refere-se ao modo pelo qual se relacionam os Poderes Executivo e Le- gislativo. A doutrina majoritária elenca três sistemas básicos:
10.4.1 Opresidencialismo
Origem - Pinto Ferreira informa que o esquema político do presiden-
cialismo nasceu nos Estados Unidos daAmérica, com a entrada em vigor da suaConstituição Federal de 17.09.1787,apósaRevoluçãodaIndependência,
quando as 13 colónias se confederaram e depois se uniram em um regime
federativo pelainfluênciadegrandesestadistasepensadores,comoJefferson,
Madison eWashington, orientandoseu povocomsabedoriadentrodasnovas
circunstânciasdapolíticanacional, paraenfrentar aslutascontraaInglaterra (Curso de direito constitucional, p. 365).
Houve uma Assembleia Constituinte, formada pelos delegados das ex-
- colônias americanas que se reuniram na Filadélfia, de maio a setembro de 1787, daí surgindo a Constituição Federal Norte-Americana, que criou o regime presidencialista.
Pinto Ferreira (Curso de direito constitucional, p. 366-367) aponta as distinções entre o regime presidencialista americano e o brasileiro.
Assim, o presidencialismo norte-americano tem três e lementos funda-
mentais em sua estrutura (presidencialismo puro):
a) o PresidentedaRepúblicadesignaosseussecretáriosdeEstadosempre
com a anuência do Senado;
226
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
b) a iniciativa de legislar compete exclusivamente ao Congresso ,
representado pelo Senado e pela Câmara dos Representantes , sendo
vedada qualquer possibilidade ao Presidente, ou ao seu ministério ,
de encaminhar projetos de lei , outrossim, vedando-se qualquer
comparecimento pessoal dos Ministrosao Congresso;
c) nos EUA, o Presidente tem o poder de veto (desaprovação dada pelo chefedeEstadoaumprojetodelei). O Congresso , no entanto, poderá,
mediante maioria qualificada de 2/3 dos seus membros , em votação isolada das ditas Câmaras , sobrepor-se ao veto presidencial.
O presidencialismo brasileiro (presidencialismo misto) - O Presidente
da República éeleito dentreos cidadãos maiores de35 anos, sendo brasileiro
nato e no pleno gozo do exercício dos direitos políticos.
O Presidente escolhe o Ministério a seu contento, sem estar sujeito à
interferência do Senado como nos EUA , e tem, no tocante aos poderes de
legislação , uma competência mais ampla que no governo norte-americano, pois pode encaminhar projetos de lei ao Congresso, o que éespeci i camente
f
vedado ao regime presidencial norte-americano. Tem afinal o poder de veto ,
segundo a estrutura clássica do presidencialismo, sendo que o Congresso poderá derrubá-lo, desde que, reunido em sessão conjunta, obtenha o voto da maioria absoluta dos congressistas , em escrutínio secreto (art. 66, § 4. ° ) .
Características do presidencialismo:
a) É típico dos Estados que adotam a formadegoverno republicana.
b) OPresidentedaRepúblicaexerceo
Poder Executivoemsuaplenitude ,
acumulando as funções de chefe de Estado , chefede governo echefe
da administração pública.
c) Háo cumprimentodeum mandato por tempo fixo, que não depende
f
da con i ança do Poder Legislativo para a sua investidura ou para o
exercício do governo.
d) O Poder Legislativo (Congresso, Assembleia e Câmara) não é
parlamento, pois não participa do governo (aprovação do plano de governo) , além do que seus membros são eleitos por período
determinado de mandato, não se sujeitando a dissolução.
e) Háseparação dos Poderes, quesão independentes eharmónicos.
f) Os Ministros de Estado são simples auxiliares do Presidente da
República,queosnomeiaeexoneraaoseu livrearbítrio. OsMinistros
funcionam cadaqualporsi (isoladamente) , tratandodeseusproblemas
Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR
227
sem levar em conta os vínculos com os outros Ministérios (não tem
organicidade).
g) O eventual plano de governo, mesmo quando aprovado por lei,
dependeexclusivamentedacoordenaçãodoPresidentedaRepública,
que o executará ou não, sem dar satisfação jurídica a outro Poder
(exceto noscasosdeprestação de contas financeiras e orçamentárias
anuais). Executando-o mal ou mesmo não o executando, continuarão
o Presidente da República e seus Ministros no poder.
10.4.2 O parlamentarismo
Origem- Pinto Ferreiradestacaqueo parlamentarismo éfruto delonga
evolução histórica e política, vivenciada na Inglaterra. No ano de 1254, o parlamentobritânicosedesdobrou em doisramos- a Câmarados Lordes ea
CâmaradosComuns- ,ocorrendo, pelaprimeiravez, umaeleição. A Câmara dos Lordes era hereditária e a Câmara dos Comuns, eletiva. A partir desse
momento começavaalutaentreambaspelasupremaciapolítica. Antesdessa
datao parlamento inglês eraformado apenaspor nobresligadosàpessoado
monarca (Curso de direito constitucional, p. 395-396). No século XVII, a Câmara dos Comuns conseguiu a preponderância
(maioria) política, quando, após a Revolução Parlamentarista de 1688, o
monarca da Inglaterra, Guilherme III, chamou pelaprimeiravez, no ano de
1689, o chefe do partido vitorioso para formar um gabinete.
Assim, o monarca inglês deixou de convidar os favoritos da monarquia
paraconstituíremogabineteepassouaconvidar aqueleschefesquelideravam a política da Câmara dos Comuns, fazendo surgir em 1689, na Inglaterra, o
regime parlamentarista.
O parlamentarismono Brasil - O parlamentarismo noBrasil teveinício
naépocado Impériobrasileiro, quandosecriou ocargo deprimeiro-ministro,
por Decreto de 20 dejulho de 1847, perdurando até aépoca da Proclamação
da República, em 1889. Neste período existiram 32 Ministérios, dos quais
23 foram presididos por nordestinos. José Afonso da Silva destaca que, com o objetivo de se evitar que o Vice-
- PresidenteJoão Goulart tomasse posse como Presidente da República, em
virtudeda renúnciadeJânio Quadrosapóssete meses degoverno, éaprovada
a Emenda Constitucional Parlamentarista 4/1961. Tem-se a reintrodução do
regimeparlamentaristanoBrasil, quedurou pouco tempo, sendoextinto com
aEmendaConstitucional 6/1963,apósplebiscitoqueadotou avoltado regime
presidencialista (Cursodedireito constitucional positivo, p. 86-87).
228 DIREITO CO NSTITUCIO NAL - Erival da Silva Oliveira
Características do parlamentarismo:
a) É um sistema que se originou nas monarquias constitucionais e se
estendeu inicialmente às repúblicas europeias , para depois ganhar o
mundo.
b) O Poder Executivo é dividido em duas partes:
- achefia do Estado éexercidapelo monarca ou pelo Presidente da República (representação);
- a chefia de governo é exercida pelo 1 . ° Ministro ou Presidente do Conselho, que dirige o Gabinete de Ministros ou Conselho
de Ministros.
c) O governo é, assim , um corpo coletivo orgânico, de sorte que as
medidas governamentais implicam a atividade de todos os Ministros
e M inistérios.
d) 0 1.° Ministro é nomeado ou indicado pelo Chefedo Executivo , e os demaisMinistrosquecompõemo Conselho (gabinetes) sãoindicados
ou nomeados pelo 1. ° Ministro , ou indicados por este e nomeados pelo PresidentedaRepública. A investiduradefinitivado 1,° Ministro
e sua permanência no cargo dependem da confiança do Parlamento .
e) A aprovação do 1.° Ministro e , consequentemente, de seu Conselho
de Ministros pelo Parlamento faz-se pela aceitação do plano de
governo por eles apresentado. Aceitando-o, o Parlamento assume
responsabilidadedegoverno , empenhando-sepoliticamenteperante
o povo .
f) O Parlamento (participa do governo) é responsável perante os eleitores, de maneira que a responsabilidade política se realiza do
Governo para com o Parlamento e do Parlamento para com o povo;
g) O Governo é responsável perante o Parlamento, o que significa
que o governo depende de seu apoio e confiança para governar. Significa que , se o Parlamento retirar a confiança no governo,
ele cai, exonera-se, porque não tem mandato , nem investidura a
tempo certo, mas investidura de confiança- perdidaesta , o quepode decorrerdeumvotodecensuraou moção (proposta) dedesconfiança , exonera-se para dar lugar à constituição de outro Governo.
Pode ocorrer que, em vez da exoneração dos membros do governo que perdeu a confiança do Parlamento, se prefira apurar a confiança do povo, e
Cap. 19 . LEITURA COMPLEMENTAR
229
então se utiliza o mecanismo da dissolução da Câmara, convocando-se elei-
ções extraordinárias para a formação de outro Parlamento.
10.4.3 Convencional ou diretorial
Manoel Gonçalves Ferreira Filho ensina que o sistema diretorial, co- nhecido também como convencional ou governo de Assembleia, tem como
característica a concentração na Assembleia das decisões sobre a elaboração
dasleis e as concernentes a sua aplicação (Legislativo somado ao Executivo) (Curso de direito constitucional, p. 149-151).
Em outras palavras, ocorre o domínio do sistema político pela Assem- bleia, não havendo Executivo separado, e, seexiste um chefe de Estado, ele é
figuradecorativa, nem hágovernoseparado, porqueesteéexercido por uma
comissão daAssembleia. A Suíça é o exemplo mais conhecido desse sistema.
O PoderJudiciário existe, sendo independente e especializado.
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www.prsp.mpf.gov.br
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www.cjf.gov.br.
Anexo 1 -
Súmulas Vinculantes
SUPREMOTRIBUNAL FEDERAL - STF
1 . Ofendeagarantiaconstitucional doatojurídicoperfeito adecisãoque,
sem ponderar ascircunstânciasdo caso concreto, desconsideraavalidez ea
eficáciadeacordo constantedetermo deadesão instituídopelaLC110/2001.
2 . É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que
disponhasobresistemasdeconsórciosesorteios, inclusivebingoseloterias.
3 . Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação
ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, re-
forma e pensão.
4 . Salvonoscasosprevistosna Constituição, osalário mínimonãopode
serusadocomoindexadordebasedecálculodevantagemdeservidor público
ou de empregado, nem ser substituído por decisãojudicial.
5 . A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo
disciplinar não ofende a Constituição. 6 . Não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração inferior
ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial.
7 . A normado § 3.° do art. 192da CF/88, revogadapelaEC40/2003, que
limitavaa taxadejurosreaisa 12%ao ano, tinhasuaaplicação condicionada
à edição de lei complementar.
8 . São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5.° do Dec.-lei
1 . 569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam de prescrição e
decadência de crédito tributário.
236
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
9 . O disposto no art. 127 da Lei 7.210/1984 (Lei de Execução Penal)
foi recebido pela ordem constitucional vigente , e não se lhe aplica o limite
temporal previsto no caput do art. 58 .
10. Viola a cláusula de reserva de plenário (CF/88 , art. 97) a decisão de órgão fracionário de Tribunal que , embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua
incidência , no todo ou em parte. 11. Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado
receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia , por parte
do preso ou de terceiros , justificadaaexcepcionalidadepor escrito, sob pena
de responsabilidade disciplinar , civil e penal do agente ou da autoridade e
de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere , sem prejuízo da
responsabilidade civil
do Estado .
12.A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas viola o
disposto no art. 206 , IV, da CF/88.
13.A nomeação decônjuge , companheiroou parenteem linhareta, cola-
teral ou por afinidade , até o terceiro grau, inclusive, daautoridadenomeante
ou deservidordamesmapessoajurídicainvestidoem cargodedireção , chefia
o u assessoram en to , para o exercício de cargo em comissão ou de confiança
ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta
em qualquer dos Poderes da União , dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios , compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola
a Constituição Federal.
14.É direito do defensor , no interessedorepresentado, ter acessoamplo aoselementosdeprovaque , jádocumentadosemprocedimentoinvestigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária , digam respeito
ao exercício do direito de defesa.
15.0 cálculodegratificaçõeseoutrasvantagensdoservidorpúbliconão
incide sobre o abono utilizado para se atingir o salário mínimo .
ló.Osarts. 7.°, IV, e 39, § 3.° (redação da EC 19/1998) , da Constituição,
referem-se ao total da remuneração percebida pelo servidor público .
17."Duranteo períodoprevistonoparágrafo 1,°do artigo 100daConsti-
tuição, nãoincidemjurosdemorasobreosprecatóriosquenelesejampagos" .
18. "A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal , no curso do mandato , não afasta a inelegibilidade prevista no § 7.° do artigo 14 da Cons-
tituição Federal "
.
ANEXO 1 - SÚMULASVINCULANTES
237
19. "A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção etratamento ou destinação de lixo ou resíduosprovenientes de imóveis, não viola o artigo 145, II, da Constituição Federal".
20. "A gratifi cação dedesempenho deatividade técnico-administrativa
- GDATA, instituídapelaLei 10.404/2002, deveser deferidaaosinativosnos
valorescorrespondentesa37,5 (trintaesetevírgulacinco) pontosnoperíodo
de fevereiro a maio de 2002 e, nos termos do artigo 5.°, parágrafo único, da Lei 10.404/2002, no período dejunho de 2002atéa conclusãodosefeitosdo último ciclo de avaliação a que se refere o artigo 1.° da medida provisória no 198/2004 , a partir da qual passa a ser de 60 (sessenta) pontos "
21. "É inconstitucional aexigênciadedepósito ou arrolamento prévios
de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo".
22."AJustiçado Trabalho écompetente para processar ejulgar asações
de indenização por danos morais e patrimoniaisdecorrentesdeacidente de
trabalho propostas por empregado contra empregador, inclusive aquelas
que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da
.
promulgação da Emenda Constitucional 45/2004 "
.
23. "AJustiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação
possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos
trabalhadores da
iniciativa privada "
.
24. "Não se tipi ica crime material contra a ordem tributária, previsto
f
no art. 1. ° , incisos I a IV, da Lei 8.137/90, antes do lançamento defi nitivo do
tributo" .
25. "Éilícitaaprisão civil dedepositário in
f
iel, qualquer que seja a mo-
dalidade do depósito".
26. "Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por
crime hediondo, ou equiparado, ojuízo da execução observaráa inconstitu-
cionalidade do art. 2. ° da Lei 8.072, de 25 dejulho de 1990, sem prejuízo de
avaliar seo condenado preenche, ou não, osrequisitosobjetivosesubjetivos
do benefício, podendo determinar, para tal
realização de exame criminológico "
.
f
im, de modo fundamentado, a
27. "Compete àjustiça estadual julgar causas entre consumidor e con-
cessionária deserviço público de telefonia, quando a ANATEL não seja litis-
|
" |
||
|
consorte passiva necessária, assistente, nem opoente |
. |
|
28."Éinconstitucional aexigênciadedepósitopréviocomorequisitode
admissibilidade de açãojudicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade
de crédito tributário" .
238
DIREITO CONSTITUCIONAL - Erival da Silva Oliveira
29. "É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa , de um ou
mais elementos da base de cálculo própria de determinado imposto , desde
que não haja integral identidade entre uma base e outra".
31. "Éinconstitucional aincidênciadoImpostoSobreServiçosdeQual-
quer Natureza - ISSsobre operações de locação de bens móveis".
32. O ICMS não incide sobre alienação de salvados de sinistro pelas
seguradoras.
Anexo 2 - Artigos da Constituição
Federal de 1988 de maior
incidência em concursos
e de leitura recomendada
Recomenda-se a leitura de toda a Constituição, não obstante segue-se
a lista dos artigos de maior incidência nas provas da OAB e nos concursos
públicos: 5. ° , 12,14 a 17, 20 a 25, 29 a 32, 34 a 41, 51 a 58, 60 a 69, 77, 80 a
81,84 a 86,89 a 91,93 a 95,97, 10 1 a 105, 107 a 109, 127 a 130, 136 a 139,
150
a
156, 18 1 a
19 1 e 243 .
Diagramação eletrônica:
Editora Revista dos Tribunais Ltda., CNP) 60 . 501.293/0001-12 .
Impressão e encadernação:
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