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Direito Penal – Parte Geral

Prof. Luiz Flávio Gomes

Apostila de março/03 – ps. 64-70

Observação: O preenchimento das lacunas foi feito pela equipe IELF e é de sua exclusiva responsabilidade.

IV - Lei penal temporária e lei excepcional

Consoante o disposto no CP, art. 3º, “A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante a sua vigência”.

Lei temporária: É A LEI QUE CONTA COM PERÍODO CERTO DE DURAÇÃO.

Lei excepcional: É A LEI EDITADA PARA REGER FATOS OCORRIDOS EM PERÍODO ANORMAL, EX.: INUNDAÇÃO, GUERRA, EPIDEMIA ETC.

A regra (no que concerne à lei temporária ou excepcional) é a do tempus regit actum (ou, como diz a doutrina, a da ultraatividade): A LEI É APLICADA PARA TODOS OS CRIMES OCORRIDOS DURANTE A SUA VIGÊNCIA.

O crime (nesses dois casos) passa a contar com um dado típico novo (por exemplo:

furto ocorrido durante inundação, seqüestro praticado sob a regência de uma lei temporária etc.): o Direito novo é distinto E NÃO RETROAGE. O ATO EXCEPCIONAL É REGIDO PELA LEI DO SEU TEMPO.

Sucessão de leis penais excepcionais ou temporárias: a lei excepcional “A” foi substituída pela lei excepcional “B”, que diminuiu a pena: APLICA-SE SEMPRE A MAIS FAVORÁVEL, POIS AMBAS SÃO EXCEPCIONAIS.

Lei penal em branco e modificação do complemento normativo: a alteração do complemento normativo pode ou não ter reflexos penais favoráveis. O tema deve ser resolvido mediante a aplicação de dois critérios: (a) da continuidade (ou descontinuidade) normativo-típica in concreto; (b) excepcionalidade ou não do complemento normativo.

a - se a modificação significar rompimento da continuidade normativo-típica in concreto (exclusão de uma droga - da maconha, v.g. - da lista de substâncias proibidas; exclusão de uma determinada doença da lista das consideradas contagiosas etc.) dá-se abolitio criminis.

b - de outro lado, se a mudança não afetar a continuidade normativo-típica in concreto (leia-se: a antijuridicidade), impõe-se considerar cada caso concreto e verificar se o complemento é ou não excepcional. Exemplo: alteração da tabela de preço nos crimes contra a economia popular – art. 2º, VI, da Lei 1.521/51.

Exercício 1: era proibido vender determinada mercadoria por preço acima de R$ 10,00. O comerciante vendeu-a por R$ 15,00. Depois a nova tabela passou a mencionar R$ 20,00. Essa mudança retroage em benefício do réu? NÃO HOUVE ABOLITIO CRIMINIS PORQUE A MUDANÇA DA TABELA NÃO ELIMINOU O CARÁTER ILÍCITO DO FATO.

Exercício 2: a maconha deixa de ser proibida, desaparece o crime? SIM, ABOLITIO CRIMINIS.

Exercício 3: em outubro de 1981 houve o contrabando de uma motocicleta do Paraguai, cuja importação achava-se proibida (CP, art. 334). Posteriormente, pela Portaria 56/90, do Ministério da Fazenda, a importação de motocicleta foi excluída da proibição (leia-se: passou a ser fato lícito). A modificação do complemento normativo do delito (de contrabando, art. 334 do CP) seria uma lex mitior retroativa?

É ABOLITIO CRIMINIS. UM PRODUTO PROIBIDO PASSOU A SER PERMITIDO.

O STF julgou o caso e entendeu que não (STF, HC 73.168-SP, Moreira Alves, Informativo do STF n. 41, p. 4).

Exercício 4: o motorista está sendo processado por imprudência porque trafegava à esquerda, isto é, na contramão de direção. Meses depois altera-se a mão de direção (a esquerda passa a ser o normal e a direita passa a ser a contramão). Houve abolitio criminis? NÃO, PORQUE NÃO DESAPARECEU A ILICITUDE DE TRAFEGAR NA CONTRAMÃO.

V - Conflito aparente de leis penais

Conceito: QUANDO A UM SÓ FATO, APARENTEMENTE, DUAS OU MAIS LEIS SÃO APLICÁVEIS.

Não se confunde com o conflito de leis penais no tempo: NO CONFLITO DE LEIS PENAIS NO TEMPO HÁ UMA SUCESSÃO DE LEIS PENAIS.

Fundamentos do conflito aparente de leis penais: 1) O DIREITO É UM SISTEMA COERENTE LOGO PRECISA RESOLVER SEUS CONFLITOS INTERNOS; 2) NINGUÉM PODE SER PUNIDO DUAS VEZES PELO MESMO CRIME.

Requisitos do conflito aparente de leis penais: 1) FATO ÚNICO; 2) DUAS OU MAIS LEIS VIGENTES APARENTEMENTE APLICÁVEIS.

O conflito aparente de leis penais, assim, não se confunde com o concurso de crimes: NO PRIMEIRO TEMOS DUAS LEIS VIGENTES E UM SÓ FATO (UM CRIME). NO SEGUNDO TEMOS VÁRIOS CRIMES.

Três são os princípios válidos para resolver o conflito aparente de leis penais: 1) ESPECIALIDADE; 2) SUBSIDIARIEDADE E 3) CONSUNÇÃO.

a) Princípio da especialidade

Pelo princípio da especialidade a lei especial derroga a lei geral: A LEI É ESPECIAL QUANDO CONTÉM TODOS OS REQUISITOS TÍPICOS DA LEI GERAL MAIS ALGUNS REQUISITOS ESPECÍFICOS.

O art. 302 do CTB, por exemplo (homicídio na direção de veículo automotor) é especial em relação ao art. 121, § 3º, do CP (homicídio culposo geral). No caso de morte em razão de acidente automobilístico com veículo automotor aplica-se o art. 302 (especial), não o 121, § 3º (que é regra geral). Por quê? Porque lex specialis derogat lex generali.

Por força do princípio em destaque, o tipo penal derivado (privilegiado ou qualificado) afasta a aplicação do tipo fundamental.

Não interessa se o crime especial é punido com pena maior ou menor. Não se trata de uma relação graduativa entre os injustos penais, senão de uma relação comparativo-descritiva in abstrato.

Exercício: quem importa cloreto de etila (lança-perfume) comete o delito de tráfico de

entorpecentes ou o de contrabando? TRÁFICO DE ENTORPECENTES.

(STF, HC 77.062, DJU de 01.09.98, p. 5; TRF 4ª Região, HC 2000.04.01.067526- 7-PR, rel. Silvia Goraieb, DJU de 08.08.00, p. 262).

b) Princípio da subsidiariedade

A subsidiariedade pode ser expressa ou tácita: é expressa (ou explícita) QUANDO A LEI EXPLICITAMENTE ASSIM O DIZ.

Exemplo: art. 10, § 1º, da Lei 9.437/97 (lei das armas de fogo): “disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que o fato não constitua crime mais grave”.

Há subsidiariedade tácita (ou implícita) QUANDO UM DELITO MENOR INTEGRA A DESCRIÇÃO TÍPICA DE UM CRIME MAIOR.

Exercício: o crime de furto é crime subsidiário frente ao roubo? SIM.

Nesse caso há uma relação de espécie e espécie (e não de gênero e espécie, como se passa no princípio da especialidade).

Em ambas as hipóteses (subsidiariedade expressa ou tácita), ocorrendo o delito principal (o maior), afasta-se a aplicação da regra subsidiária (lex primaria derogat lex subsidiariae).

Aplicação prática: no momento da denúncia, por exemplo, O PROMOTOR DEVE DENUNCIAR SÓ PELO CRIME MAIS GRAVE.

Na sentença final, na eventualidade de que o crime principal não resulte configurado (ou comprovado), pode dar-se a desclassificação da infração: PARA PUNIR O SUJEITO PELO CRIME SUBSIDIÁRIO.

Exercício: roubo cometido com emprego de arma de brinquedo: HÁ UM SÓ CRIME:

ROUBO. A ARMA DE BRINQUEDO NÃO AGRAVA O DELITO DE ROUBO. A SÚMULA 174 DO STJ FOI REVOGADA.

Cf. TACRIM-SP, na AC 1.192.153-5, rel. Devienne Ferraz, Rolo/flash 1337/343, j. 25.07.00. NÃO HÁ NO CASO O CRIME AUTÔNOMO PORQUE A ARMA FOI O MEIO DE EXECUÇÃO DO ROUBO. O FIM ABSORVE O MEIO.

c) Princípio da consunção ou da absorção

Em virtude do princípio da consunção ou da absorção devemos observar uma regra geral que é a seguinte: o fato de maior entidade consome ou absorve o de menor graduação (lex consumens derogat lex consumptae).

O princípio que acaba de ser enunciado aplica-se em várias situações:

a - o crime consumado absorve a tentativa: EX.: TENTOU MATAR DE MANHÃ E NÃO CONSEGUIU, MAS DEPOIS (DE NOITE) CONSEGUIU. RESPONDE PELO CRIME MAIOR.

b - a autoria absorve a participação precedente: EX: SUJEITO EMPRESTA O REVÓLVER PARA A REALIZAÇÃO DE UM ROUBO (É PARTÍCIPE), MAS O ROUBO NÃO OCORRE. MAIS TARDE O SUJEITO PARTICIPA DO ROUBO. É SOMENTE CO-AUTOR.

c - crime progressivo: SE DÁ QUANDO O AGENTE PARA ALCANÇAR UM

RESULTADO/ CRIME MAIS GRAVE PASSA, NECESSARIAMENTE, POR UM CRIME MENOS GRAVE, EX.: HOMICÍDIO.

d - Crime progressivo não é a mesma coisa que progressão criminosa. PROGRESSÃO CRIMINOSA É UM CRIME QUE SE DÁ EM DOIS MOMENTOS. PRIMEIRO O AGENTE QUER COMETER UM CRIME MENOS GRAVE E COMETE. DEPOIS, DELIBERA O CRIME MAIOR E COMETE. HOUVE UMA PROGRESSÃO CRIMINOSA.

As diferenças entre o crime progressivo e a progressão criminosa, em conseqüência, são as seguintes: NO CRIME PROGRESSIVO O AGENTE DESDE O PRINCÍPIO JÁ QUER O CRIME MAIS GRAVE. NA PROGRESSÃO, PRIMEIRO O SUJEITO QUER O CRIME MENOS GRAVE (E CONSUMA) E DEPOIS DELIBERA O MAIOR. EM AMBOS O RÉU RESPONDE POR UM SÓ CRIME.

e - crime complexo: É A FUSÃO DE DOIS OU MAIS CRIMES, EX.: LATROCÍNIO. NO CRIME COMPLEXO HÁ UM SÓ CRIME. O MAIOR ABSORVE O MENOR.

O princípio da consunção (ou da absorção) ainda é válido para resolver as seguintes

situações:

a - “antefactum” impunível: SÃO FATOS ANTERIORES QUE ESTÃO NA LINHA DE DESDOBRAMENTO DA OFENSA MAIS GRAVE.

b - “postfactum” impunível: OCORRE QUANDO O AGENTE INCREMENTA A LESÃO AO MESMO BEM JURÍDICO JÁ AFETADO.

c - o crime-fim absorve o crime-meio: EX.: O ESTELIONATO ABSORVE A FALSIDADE (Súmula 17 do STJ).

d

- Princípio da alternatividade

O

princípio da alternatividade tem validade e aplicação prática nos chamados

crimes de conteúdo múltiplo ou variado, que são os que contam com vários verbos como núcleos do tipo (cf. art. 12 da lei de tóxicos, art. 10 da lei das armas de fogo

etc.). Seu significado prático: QUANDO O SUJEITO REALIZA VÁRIOS VERBOS, PORÉM, NO MESMO CONTEXTO FÁTICO, HÁ UM SÓ CRIME.

Exercício 1: quem importa um quilo de cocaína e depois a armazena, tem consigo, guarda, distribui, vende, cede etc., HÁ UM SÓ CRIME. CONTEXTO FÁTICO ÚNICO DAQUELE QUILO.

Exercício 2: quem importar um quilo de cocaína e um de maconha e realizar vários verbos em relação a essas drogas: CRIME ÚNICO, CONTEXTO FÁTICO ÚNICO.

Exercício 3: o sujeito importou e distribuiu um quilo de cocaína no carnaval; depois, na semana santa, repetiu a conduta: DOIS CONTEXTOS FÁTICOS/ DOIS CRIMES.

Exercício 4: quem possui várias armas de fogo em seu poder sem licença da autoridade SÓ HÁ UM CRIME/CONTEXTO FÁTICO ÚNICO.

VI - Tempo do crime

CP, art. 4º: “Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado”.

Três teorias: (a) teoria da atividade (para ela o momento do crime é o da ação ou omissão); (b) teoria do resultado: o momento do crime é o do resultado naturalístico) e (c) teoria mista ou da ubiqüidade (momento do crime é o da ação ou omissão ou - indistintamente - o do resultado).

Nosso Código penal (art. 4º) adotou A TEORIA DA ATIVIDADE.

Exercício: menor com 17 anos que dispara contra a vítima que vem a morrer mais de um ano depois, só responde PELO ECA.

Crime no dia do 18º aniversário: nesse caso o agente responde pelo CP ou pelo ECA? PELO CP.

Importa o horário do nascimento? NÃO. PRIMEIRO SEGUNDO DEPOIS DA MEIA- NOITE DO DIA DO 18° ANIVERSÁRIO É PENAL E NÃO ECA.

Crime permanente e tempo do crime: Exercício: quem inicia um seqüestro (que é crime permanente) quando tem 17 anos e só libera a vítima um ano e meio depois,

responde pelo CP ou pelo ECA? CP (CONTINUOU COMETENDO O CRIME MESMO COM 18 ANOS).

Crime continuado e tempo do crime: Exercício: o sujeito pratica dois furtos quando menor (com 17 anos, 11 meses e 15 dias) e um terceiro quando maior (com 18 anos e 1 dia), de forma continuada.

Quid iuris? OS DOIS FURTOS PRATICADOS QUANDO MENOR SÃO PROBLEMAS DE ECA. O FURTO PRATICADO QUANDO MAIOR É PROBLEMA DO CP. O RÉU RESPONDE POR UM SÓ CRIME DENTRO DO CP, DESFAZ O CRIME CONTINUADO, E RESPONDERÁ (ATÉ 21 ANOS) PELOS DOIS FURTOS PELO ECA.

VII - Lei penal no espaço (CP, arts. 5º a 9º)

Direito penal internacional É A PARTE DO DIREITO PENAL QUE CUIDA DO ÂMBITO DE EFICÁCIA DAS LEIS PENAIS.

O Direito penal internacional faz parte do Direito público interno e não se confunde com o Direito internacional penal, que integra o Direito internacional e é voltado para a disciplina do ius puniendi nas relações entre os Estados.

Exercício 1: o Tribunal Penal Internacional que acaba de ser criado é o órgão jurisdicional máximo do Direito internacional penal (X) ou do Direito penal internacional ( ).

Exercício 2: A regra do art. 7º do CP que manda aplicar a lei penal brasileira para crimes ocorridos fora do Brasil é uma regra de Direito penal internacional (X) ou de Direito internacional penal ( ).

Princípio básico: princípio da territorialidade: ao crime ocorrido no território nacional, aplica-se a lei penal brasileira (CP, art. 5º: “Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional”).

Essa regra é absoluta? NÃO.

A todo crime ocorrido no Brasil aplicamos a lei penal brasileira? NEM SEMPRE, HÁ EXCEÇÃO (IMUNIDADE DIPLOMÁTICA). PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE RELATIVA.

Território nacional: ENVOLVE SOLO, MAR E AR.

Nosso mar territorial hoje compreende 12 milhas (Lei 8.617/93).

Zona contígua: MAIS 12 MILHAS. ZONA CONTÍGUA ESTÁ FORA DO TERRITÓRIO BRASILEIRO. É ALTO-MAR.

Espaço cósmico: é de uso comum de todos os países (cf. Tratado do Espaço Cósmico, da ONU, ratificado pelo Decreto 64.362/69).

Extensão do território nacional: CP, art. 5º, §§ 1º e 2º: “Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo

correspondente ou em alto-mar”; “É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil”.

Quatro regras fundamentais sobre a extensão do território brasileiro:

a - embarcações e aeronaves públicas brasileiras: APLICA-SE SEMPRE A LEI BRASILEIRA, ONDE QUER QUE SE ENCONTREM.

b - embarcações e aeronaves privadas brasileiras: APLICA-SE A LEI BRASILEIRA SE ESTÃO NO TERRITÓRIO NACIONAL OU EM ALTO MAR (observa-se aqui o princípio do pavilhão ou da bandeira);

c - embarcações e aeronaves privadas estrangeiras: SÓ SE APLICA A LEI BRASILEIRA SE ESTÃO EM TERRITÓRIO BRASILEIRO.

d - embarcações e aeronaves públicas estrangeiras: NÃO SE APLICA A LEI BRASILEIRA.

Hipótese excepcional: crime cometido a bordo de embarcações ou aeronaves privadas brasileiras, quando em território estrangeiro: em princípio, não se aplica a lei brasileira, salvo se o crime não for julgado no país em que foi concretizado (CP, art. 7º, II, “c”). Nesse caso, o Brasil representa o país onde se deu o crime. Princípio DA REPRESENTAÇÃO.

Exercício 1: crimes cometidos a bordo de navios ou aviões que se encontram dentro da extensão territorial brasileira são da competência DA JUSTIÇA FEDERAL.

Exercício 2: crime cometido dentro do território nacional, a bordo de avião, que apenas sobrevoou o país, sem pousar: TOCOU O BRASIL É BRASIL. APLICA, EM TESE, A LEI BRASILEIRA (RJTFR, 51, p. 46).

As embaixadas estrangeiras no Brasil são também território brasileiro (para fins penais): SIM, EMBAIXADA ESTRANGEIRA PARA FINS PENAIS É TERRITÓRIO BRASILEIRO, SALVO SE O AUTOR DO CRIME GOZA DE IMUNIDADE DIPLOMÁTICA.

VIII - Lugar do crime

CP, art. 6º: “Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado”.

Teoria acolhida: da atividade ( ), do resultado ( ) ou mista ou da ubiqüidade (X).

Chama-se crime a distância (ou de espaço máximo) O CRIME QUE ENVOLVE DOIS PAÍSES.

Distingue-se do crime plurilocal QUE É O CRIME QUE ENVOLVE DUAS COMARCAS NO MESMO PAÍS.

Diferencia-se também do crime em trânsito QUE É O CRIME QUE ENVOLVE MAIS DE DOIS PAÍSES.

Crime em trânsito, por seu turno, não se confunde com crime de trânsito QUE É O COMETIDO EM VIA PÚBLICA POR VEÍCULO AUTOMOTOR.

Crime de trânsito, por sua vez, não se identifica com crime no trânsito QUE NÃO ENVOLVE VEÍCULO AUTOMOTOR, MAS FOI NO TRÂNSITO, EX.: BICICLETA.

IX - Extraterritorialidade da lei penal brasileira

Extraterritorialidade da lei penal brasileira consiste na possibilidade de aplicação da

lei penal nacional a um fato ocorrido fora do nosso país (CP, art. 7º).

Aplica-se para as contravenções? NÃO (LCP, art. 2°).

A extraterritorialidade da lei penal brasileira pode ser (a) incondicionada (7º, I, e §

1º) ou condicionada (7º, II e §§ 2º e 3º): NA INCONDICIONADA A LEI PENAL TEM

APLICAÇÃO IMEDIATA/AUTOMÁTICA. NA CONDICIONADA SÓ SE APLICA A LEI BRASILEIRA SE PRESENTES TODAS AS CONDIÇÕES.

Hipóteses de extraterritorialidade incondicionada (CP, art. 7º, inc. I: Ficam sujeitos

à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro os crimes a) contra a vida ou a

liberdade do Presidente da República; b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil”.

Incide nas hipóteses do 7º, I, “a”, “b” e “c”: crime contra a vida do presidente, crime contra a União etc. o chamado princípio da defesa ou real ou de proteção. Na hipótese do art. 7º, I, “d”, tem lugar o princípio da justiça universal.

Hipóteses de extraterritorialidade condicionada (CP, art. 7º, inc. II: Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro os crimes a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; b) praticados por brasileiros; c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados”.

Também incide a lei brasileira ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições que veremos em seguida: a) não foi pedida ou foi negada a extradição; b) houve requisição do Ministro da Justiça” (cf. art. 7º, § 3º, do CP).

Observa-se o princípio da justiça universal na situação do art. 7º, II, “a” (crime que o Brasil deve reprimir em razão de tratado), o princípio da personalidade ativa no art. 7º, II, “b” (crime praticado por brasileiro fora do Brasil), princípio da representação no art. 7º, II, “c” (crime cometido a bordo de embarcação ou aeronave brasileira, privada, não julgado no estrangeiro). Na hipótese do art. 7º, § 3º (crime contra brasileiro), aplica-se o princípio da personalidade passiva ou da nacionalidade passiva (compreendida tão-somente a nacionalidade da vítima e independentemente da nacionalidade do autor do fato).

Nessas situações de extraterritorialidade condicionada a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições: a) entrar o agente no território brasileiro; b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável”.

As condições descritas nas alíneas “b” e “c” são condições objetivas de punibilidade. As demais são condições de procedibilidade.

Exercício: Márcio Scherer, brasileiro, em 1999, na cidade de Nova York, matou um empresário brasileiro num hotel. Pode ser julgado no Brasil? SIM, SITUAÇÃO DE EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA.

Hipótese especial de extraterritorialidade da lei penal brasileira: está prevista na Lei

de Tortura (Lei 9.455/97), que tem incidência: a) quando a vítima for brasileira

(princípio da proteção ou real ou da defesa); b) quando o agente está no território

brasileiro.

Direito Penal – Parte Geral

Prof. Luiz Flávio Gomes

Apostila de março/03 – ps. 71 -75

Aula do dia 31.03.03

Observação: O preenchimento das lacunas foi feito pela equipe IELF e é de sua exclusiva responsabilidade.

X - Dupla condenação pelo mesmo crime

O princípio do ne bis in idem possui dois aspectos: (a) um material (penal) e (b)

outro processual:

MATERIAL – NINGUÉM PODE SER CONDENADO DUAS VEZES PELO MESMO CRIME. PROCESSUSAL – NINGUÉM PODE SER PROCESSADO DUAS VEZES PELO MESMO CRIME.

Essa regra material é absoluta? NÃO É REGRA ABSOLUTA. EXCEÇÃO ESTÁ NA EXTRATERRITORIALIDADE.

Por força art. 8º do CP nessa hipótese, “a pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas”. Direito de compensação: PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO ATENUA A PENA IMPOSTA NO BRASIL.

XI - Execução de sentença estrangeira no Brasil

Em regra a sentença estrangeira não pode ser executada no Brasil.

O art. 9º do CP, entretanto, prevê exceções: “A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas conseqüências, pode ser homologada no Brasil para: I – obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis; II – sujeitá-lo a medida de segurança. Parágrafo único. A homologação depende: a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada; b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade judiciária emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro da Justiça”.

Para os efeitos previstos no art. 9º a sentença estrangeira depende de homologação do STF? SIM, EMITINDO O “EXEQUATUR” (EXECUTE-SE) (CF, art. 102, I, “h”). Para outros efeitos penais (reincidência, proibição do sursis etc.) a sentença estrangeira não depende de homologação do STF.

Juízo de delibação ou de prelibação? DELIBAÇÃO, PORQUE O STF NÃO ENTRA NO MÉRITO DA CONDENAÇÃO ESTRANGEIRA.

Acordos bilaterais de troca de presos: O BRASIL DESDE 1992 ESTÁ FAZENDO ACORDOS BILATERAIS DE TROCA DE PRESOS. O PRESO PRECISA CONSENTIR. DEPOIS QUE TROCOU CADA PAÍS QUE RECEBE O SEU PRESO PASSA A EXECUTAR.

1) JUÍZO DE DELIBAÇÃO: É O JUÍZO SUPERFICIAL QUE SE FAZ SOBRE A LEGALIDADE DE UM ATO; 2) JUÍZO DE PRELIBAÇÃO: É O JUÍZO QUE SE FAZ SOBRE A ADMISSIBILIDADE DOS REQUISITOS RECURSAIS E 3) JUÍZO DE MÉRITO:

SE DÁ QUANDO O JUIZ ABSOLVE OU CONDENA O RÉU.

XII - Extradição

Nossa Constituição Federal, no seu art. 5º, LI e LII, disciplina a matéria da seguinte forma:

Em regra não é possível a extradição de brasileiro, salvo o naturalizado (CF, art. 5º, incisos LI e LII).

Quando naturalizado pode ser extraditado? POR CRIME OCORRIDO ANTES DA NATURALIZAÇÃO E POR TRÁFICO DE ENTORPECENTES. BRASILEIRO NATO JAMAIS PODERÁ SER EXTRADITADO.

Quanto ao estrangeiro: jamais será extraditado por crime POLÍTICO OU DE OPINIÃO (LII).

Princípios que regem a extradição: (a) da preponderância dos tratados frente à lei reguladora da extradição; (b) da legalidade (só cabe extradição nos casos previstos em lei); (c) da tipicidade recíproca (ou dupla tipicidade: os tipos penais previstos na legislação dos dois países devem ser idênticos ou simétricos); (d) da preponderância da justiça nacional (frente à estrangeira); (e) da não extradição para o cumprimento de prisão perpétua ou pena de morte; (f) da detração (o tempo de prisão no Brasil deve ser computado em favor do extraditando)

XIII - Eficácia pessoal da lei penal

A lei penal é geral, isto é, por força do princípio da generalidade vale para todas as pessoas. Mas há algumas que exercem funções públicas (ou atividades de interesse púbico) relevantes e por isso desfrutam de algumas prerrogativas funcionais (ou profissionais).

Prerrogativas funcionais não se confundem com privilégios pessoais:

1) PRERROGATIVAS FUNCIONAIS - EXISTEM EM RAZÃO DA FUNÇÃO QUE A PESSOA EXERCE;

2) PRIVILÉGIOS PESSOAIS: É UM PRIVILÉGIO PARA A PESSOA, EX.: O REI DA ESPANHA, JUAN CARLOS, TEM O PRIVILÉGIO DE NÃO PODER SER PROCESSADO CRIMINALMENTE.

Vamos estudar quatro tipos de imunidades: (a) diplomática; (b) parlamentar; (c) do Presidente da República e (d) dos Advogados.

a) Da imunidade diplomática

Conceito: É A PRERROGATIVA DE RESPONDER PELO CRIME NO SEU PAÍS DE ORIGEM, EX.: SE A EMBAIXATRIZ AMERICANA COMETER CRIME NO BRASIL, RESPONDERÁ NOS ESTADOS UNIDOS.

Base internacional: Convenção de Viena aprovada pelo Decreto Legislativo 103/64. Efeito prático: NÃO PODE HAVER PROCESSO AQUI, NEM PRISÃO. O SUJEITO ESTÁ FORA DA JURISDIÇÃO BRASILEIRA. A POLÍCIA FEDERAL COLHE AS PROVAS E ENVIA PARA O PAÍS COMPETENTE.

Natureza jurídica:

a – doutrina: É UMA CAUSA PESSOAL DE ISENÇÃO DE PENA.

b - posição atual: CAUSA IMPEDITIVA DA PUNIBILIDADE.

Quem desfruta da imunidade diplomática? 1) Chefe de governo estrangeiro (OU CHEFE DE ESTADO), sua família e membros de sua comitiva; 2) Embaixador e sua família; 3) Funcionários estrangeiros do corpo diplomático e sua família; 4) Funcionários das organizações internacionais (ONU, OEA etc.) quando em serviço.

E o Cônsul? DEPENDE DOS TERMOS DO TRATADO.

Ao crime cometido na sede da embaixada estrangeira no Brasil: APLICA-SE A LEI BRASILEIRA, SALVO SE O AUTOR DO CRIME GOZA DE IMUNIDADE DIPLOMÁTICA. (TERRITÓRIO BRASILEIRO – SOLO, ESPAÇO AÉREO E MAR).

b) Da imunidade parlamentar

As imunidades parlamentares hoje, depois do advento da Emenda Constitucional n. 35/01, compreendem:

1 - a inviolabilidade penal prevista no 53, caput, da CF, que diz: “Os deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”.

Nexo funcional: É IMPRESCINDÍVEL. SE O PARLAMENTAR ESTÁ FORA DE SUAS FUNÇÕES NÃO TEM IMUNIDADE.

Não importa se a manifestação do parlamentar ocorreu fora do Congresso (TRF 4ª Região, Repr. 94.04.53933-3-PR, rel. Élcio Pinheiro de Castro, DJU de 03.07.02, p. 247, j. 19.06.02), fundamental é que tenha sido em razão da função.

É uma inviolabilidade ilimitada? NÃO

Alcança o suplente? NÃO. Alcança o parlamentar licenciado? NÃO, SE ESTÁ FORA DA FUNÇÃO NÃO GOZA DE IMUNIDADE.

Natureza jurídica: a doutrina fala em causa pessoal de isenção de pena, causa de exclusão da punibilidade etc. Na verdade, É UMA CAUSA DE ATIPICIDADE (TIPICIDADE CONGLOBANTE), FATO ATÍPICO.

Conseqüência prática: NÃO PODE HAVER PROCESSO (NÃO TEM INQUÉRITO).

Legítima defesa, sim, cabe contra o ato ofensivo do parlamentar. Havendo co-autor ou partícipe nesse ato, ele também não responde penalmente (se o fato é atípico para o autor principal, o é também para o participante). A Súmula 245 do STF (que diz que a imunidade parlamentar não se estende ao co-réu) só tem valor hoje para a imunidade processual.

2

-

a imunidade processual prevista no art. 53, § 3º, da

CF, nestes termos:

“Recebida a denúncia contra Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria e seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação”.

Licença prévia: ANTES DA EC 35, PARLAMENTAR SÓ PODERIA SER PROCESSADO MEDIANTE LICENÇA PRÉVIA DA CASA LEGISLATIVA.

O que a Casa pode fazer? AGORA A CASA PODE SUSTAR O ANDAMENTO DO PROCESSO E NESSE CASO TAMBÉM SUSPENDE A PRESCRIÇÃO.

A nova disciplina da imunidade parlamentar tem aplicação imediata e vale - segundo a jurisprudência do STF - inclusive para casos em que antes a Casa havia negado licença para o processamento.

3 - a imunidade prisional prevista no art. 53, § 2º, da CF; “Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão”.

Renúncia à inviolabilidade penal ou a qualquer outra imunidade: É IRRENUNCIÁVEL A IMUNIDADE PARLAMENTAR, POIS É DA FUNÇÃO.

Deputados estaduais: TEM AS MESMAS PRERROGATIVAS DO FEDERAL? SIM, A DIFERENÇA É QUE O ESTADUAL É JULGADO PELO TJ E O FEDERAL PELO STF.

Cabe ainda considerar que os parlamentares (DEPUTADO FEDERAL E SENADOR) têm direito a foro especial por prerrogativa de função, leia-se, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal (CF, art. 53, § 1º).

Em virtude do cancelamento da Súmula 394 do STF (em agosto de 1999), o parlamentar que deixava sua função, perdia automaticamente o foro especial. Mas por força da Lei 10.628/02, publicada no dia 26.12.02 (que entrou em vigor no mesmo dia), o tema voltou a contar com a mesma disciplina da Súmula 394 do STF.

É preciso, doravante, distinguir o seguinte:

a - crime cometido antes do início da função parlamentar: se havia processo em

andamento, a partir do início das funções parlamentares deve ser remetido para o

STF;

b - crime cometido durante o exercício das funções: está assegurado o foro especial, mesmo depois de cessado o seu exercício;

c - crime cometido após o exercício das funções: não conta com foro especial (Súmula 451 do STF).

Por último, recorde-se que o parlamentar também conta com certa imunidade probatória, isto é, não é obrigado a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações (CF, art. 53, § 6º).

Vereadores: - TEM IMUNIDADE MATERIAL (POR SUAS OPINIÕES, PALAVRAS E VOTOS). NÃO RESPONDE NA CIRCUNSCRIÇÃO DO MUNICÍPIO. - NÃO TEM IMUNIDADE PROCESSUAL. - NÃO TEM FORO ESPECIAL (É JULGADO PELO JUIZ DA COMARCA), SALVO QUANDO A CONSTITUIÇÃO ESTADUAL PREVÊ.

Prefeitos:

- NÃO TEM IMUNIDADE PENAL. – NÃO TEM IMUNIDADE PROCESSUAL (NÃO DEPENDE DE LICENÇA DA CÂMARA PARA PROCESSÁ-LO).- TEM FORO ESPECIAL (TJ), MAS SE AFETA INTERESSES DA UNIÃO, O TRF QUE JULGA.

Governadores: - NÃO TEM IMUNIDADE PENAL. - CONTA COM IMUNIDADE PROCESSUAL (SÓ PODE SER PROCESSADO SE HOUVER LICENÇA DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA). - FORO ESPECIAL (STJ - PELOS CRIMES COMUNS).

c) Da imunidade do Presidente da República – NÃO TEM IMUNIDADE MATERIAL

O Presidente da República goza das seguintes imunidades:

1) processual, que é dupla:

a - só pode ser processado se a acusação for admitida por dois terços da Câmara dos Deputados (CF,art. 86). LICENÇA DA CÂMARA.

Suspensão das funções: A SUSPENSÃO É AUTOMÁTICA (COM A LICENÇA DA CÂMARA), NÃO INTERESSA SE O CRIME É COMUM OU DE RESPONSABILIDADE.

Se decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído: O

PRESIDENTE REASSUME AS FUNÇÕES.

b - imunidade processual qualificada: o Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado (leia-se: processado) por atos estranhos

ao exercício de suas funções (CF, art. 86, § 4º). Corre prescrição? SIM.

2 - prisional: enquanto não sobrevém sentença condenatória (FINAL), nas infrações comuns, o Presidente da República não estará sujeito a prisão (CF, art. 86, § 3º).

Desfruta ainda de foro especial por prerrogativa de função: nos crimes comuns é julgado pelo Supremo Tribunal Federal e perante o Senado Federal (presidido pelo Presidente do STF) nos crimes de responsabilidade (CF, art. 86, caput).

Novidade: mesmo depois de cessadas suas funções, continua o foro especial para

os crimes cometidos durante o seu exercício (Lei 10.628/02).

d

- Da imunidade do Advogado

 

O

advogado, por força

do

art.

133

da

CF,

“é inviolável por seus

atos

e

manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”.

Cuida-se de imunidade absoluta? NÃO

Imunidade processual: O ADVOGADO NÃO TEM IMUNIDADE PROCESSUAL.

Imunidade prisional, isto é, estando no exercício da profissão, só pode ser preso em flagrante por crime inafiançável (art. 7º, § 3º, da Lei 8.906/94).

Imunidade material (penal): Nos termos do § 2º, do art. 7º, da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia), “o advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria, difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte, no

exercício da sua atividade, em juízo ou fora dele, sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB, pelos excessos que cometer”.

Crime de desacato: O STF ELIMINOU (EM UMA ADIN), O ADVOGADO NÃO TEM IMUNIDADE POR DESACATO. PODE SER PRESO POR DESACATO HOJE? NÃO, POIS:

1) DESACATO É CRIME AFIANÇÁVEL E 2) DESACATO É INFRAÇÃO DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO (E, PORTANTO, NÃO CABE FLAGRANTE).

Imunidade judiciária: o art. 142 do CP também ampara o advogado, salientando que não constitui injúria ou difamação punível a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador.

Alcança a calúnia? NÃO, SÓ INJÚRIA E DIFAMAÇÃO. Ofensas a terceiras pessoas? HÁ CRIME (ABUSOU RESPONDE).

Em

caso de mera retorsão, também não há que se falar em crime: STJ, HC 19.486-

PB,

Hamilton Carvalhido, DJU de 06.05.02, p. 326, j. 18.12.01: CASO EM QUE O

STJ ENTENDEU QUE O ADVOGADO NÃO COMETEU CRIME, MAS APENAS EXERCEU

O DIREITO DE RETORSÃO.

XIV - Contagem de prazo (art. 10 do CP)

Os prazos são penais ou processuais:

1) PENAIS: COMPUTA-SE O DIA DO INÍCIO;

2) PROCESSUAIS: NÃO SE COMPUTA O DIA DO INÍCIO, COMPUTA-SE O DIA DO VENCIMENTO.

O prazo penal é improrrogável: SIM.

O prazo penal, de outro lado, sempre vence às 24 horas. São contados os dias, os meses e os anos pelo calendário comum, que é o gregoriano (CP, art. 10).

Prazo de um dia: VENCE MEIA-NOITE.

Prazo de um mês: VENCE NO DIA ANTERIOR AO DO INÍCIO, NO MÊS SEGUINTE, EM REGRA, À MEIA-NOITE.

Prazo de um ano: VENCE NO DIA ANTERIOR AO DO INÍCIO, NO ANO SEGUINTE, EM REGRA.

Exercício 1: réu condenado a um mês de prisão; iniciou o cumprimento no dia

01.02.03. Que dia vence? 28.02.03

Exercício 2: réu condenado a um ano de prisão; iniciou o cumprimento no dia

01.01.03. Que dia vence? 31.12.03

Exercício 3: réu condenado a 10 dias de prisão; iniciou o cumprimento no dia

20.02.03. Que dia vence? 01.03.03

XV

- Frações não computáveis na pena (art. 11 do CP)

Por

força do art. 11 do CP, “desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas

restritivas de direitos, as frações de dia, e, na pena de multa, as frações de

cruzeiro”.

As frações de dia são as horas:

Exercício: 15 dias de prisão mais metade 15 DIAS + 7 DIAS E 12 HORAS = 22 DIAS

As frações de cruzeiro leia-se, de real, são os centavos: EX.: R$ 50,75 = R$ 50,00

A jurisprudência criou uma terceira regra: devem ser desprezadas as frações de um dia-multa. Exemplo: dez dias multa mais um terço: pela matemática daria

13,333333

Desprezando-se a fração, resulta 13 dias.

XVI - Aplicação das regras gerais do CP (art. 12 do CP)

Consoante o disposto no art. 12 do CP, “As regras gerais deste Código aplicam-se

aos

fatos incriminados por lei especial, se esta não dispuser de modo diverso”.

Em

virtude do princípio da especialidade, se a lei especial dispõe de modo diverso,

vale a lei especial. Exemplo: o CP pune a tentativa de crime (CP, art. 14 e seu

parágrafo), mas semelhante regra foi vetada pelo art. 4º da LCP. Logo, nas contravenções, vale a regra especial.

Direito Penal – Parte Geral

Prof. Luiz Flávio Gomes

Apostila de maio/03 – ps. 72-78

Aula do Dia: 12.05.03

Observação: O preenchimento das lacunas foi feito pela equipe IELF e é de sua exclusiva responsabilidade.

QUARTO REQUISITO DO FATO OFENSIVO TÍPICO: IMPUTAÇÃO OBJETIVA DA CONDUTA

A teoria da imputação objetiva consiste basicamente no seguinte: só pode ser responsabilizado penalmente por um fato (leia-se: a um sujeito só pode ser imputado o fato), se ele criou ou incrementou um risco proibido relevante e, ademais, se o resultado jurídico decorreu desse risco (isto é: se a lesão ou o perigo concreto de lesão ao bem jurídico decorreu desse risco).

Modalidades de imputação objetiva:

(a) DA CONDUTA – (QUESTIONAMENTO) A CONDUTA CRIOU OU INCREMENTOU UM RISCO PROIBIDO RELEVANTE?

(b) DO RESULTADO (QUESTIONAMENTO) O RESULTADO JURÍDICO TEM CONEXÃO DIRETA COM O RISCO PROIBIDO CRIADO?

A teoria da imputação objetiva difere da responsabilidade objetiva: (A) TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA: OCORRE QUANDO O SUJEITO É PUNIDO, APESAR DE TER AGIDO SEM DOLO OU CULPA. (B) TEORIA DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA:

QUANDO OCORRE CRIAÇÃO OU INCREMENTO DE RISCO PROIBITIVO RELEVANTE (CIRPR).

Difere ainda da imputabilidade penal: CAPACIDADE DO AGENTE DE ENTENDER E QUERER. INICIA-SE AOS 18 ANOS.

Referida teoria, de outro lado, complementa (não substitui) a teoria do nexo causal (art. 13 do CP – teoria da conditio sine qua non): O NEXO CAUSAL É UMA GARANTIA QUE NÃO PODE SER ELIMINADA.

Impende sublinhar que a teoria da imputação objetiva aplica-se a todos os delitos (materiais, formais, mera conduta, comissivos/omissivos etc.).

A imputação objetiva, de outra parte, é requisito normativo (ou axiológico) do fato ofensivo típico. É, ademais, requisito implícito do tipo penal.

Regras básicas da teoria da imputação objetiva da conduta:

PRIMEIRA: não há imputação objetiva quando o risco criado é permitido. Exemplos:

1º) situações de risco normal: é o caso de Henry George, instrutor americano, que deu aulas de pilotagem para o terrorista suicida Mohammed Atta, que jogou o avião da American Airlines contra a Torre Norte do WTC.;

2º) intervenções médicas: ANTIGAMENTE AS INTERVENÇÕES MÉDICAS ERAM TIDAS COMO EXCLUDENTES DE ANTIJURIDICIDADE, EM RAZÃO DO EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO. PORÉM, NA ATUALIDADE, CONSIDERAM-SE EXCLUDENTES DE TIPICIDADE, EM RAZÃO DA VERIFICAÇÃO DE RISCO PERMITIDO.

3º) lesões esportivas: IGUALMENTE AS INTERVENÇÕES MÉDICAS, AS LESÕES ESPORTIVAS ERAM TIDAS COMO EXCLUDENTES DE ANTIJURIDICIDADE. PORÉM, NA ATUALIDADE, CONSIDERAM-SE EXCLUDENTES DE TIPICIDADE, EM RAZÃO DA VERIFICAÇÃO DE RISCO PERMITIDO.

4º) teoria da confiança: TAMBÉM CONHECIDO COMO PRINCÍPIO DA CONFIANÇA, DETERMINA QUE AQUELES QUE CUMPREM DETERMINADAS REGRAS JURÍDICAS, PODEM CONFIAR QUE OUTROS TAMBÉM CUMPRIRÃO AS MESMAS REGRAS, SALVO INDICAÇÕES CONCRETAS EM CONTRÁRIO.

SEGUNDA: o sujeito só responde penalmente se ele criou ou incrementou um risco proibido relevante: CRIOU – EX. QUANDO O SUJEITO “A” DESFERE FACADAS CONTRA O SUJEITO “B”. A VIOLÊNCIA PRATICADA CRIOU RISCO DE VIDA À “B”. INCREMENTOU – EX. QUANDO O SUJEITO “A” DESFERE UMA PAULADA NO SUJEITO “B”, QUE JÁ ENCONTRAVA-SE FERIDO. PODE-SE OBSERVAR, NESTE CASO, QUE A VIOLÊNCIA PRATICADA, SOMENTE INCREMENTOU O RISCO À VIDA DE “B”.

TERCEIRA: o sujeito só responde nos limites do risco criado: VARIA DE ACORDO COM O “ANIMUS” DO AGENTE. EX. O SUJEITO “A” FERIU O SUJEITO “B” SEM O “ANIMUS NECANDI”. RESPONDERÁ, SOMENTE, POR LESÃO CORPORAL.

QUARTA: não há imputação objetiva quando o risco é tolerado (ou aceito amplamente pela comunidade): aqui, seja por força da teoria da imputação objetiva, seja em razão da teoria da adequação social, o fato é atípico: EXEMPLOS DE FATO ATÍPICO: 1. PERFURAÇÃO DA ORELHA; 2. MAUS TRATOS EM ANIMAIS, PRATICADOS EM RODEIO; 3. MOTÉIS; 4. PEQUENAS LESÕES NAS RELAÇÕES SEXUAIS.

QUINTA: não há imputação objetiva quando o risco proibido criado é insignificante (conduta insignificante): EXEMPLO DE CONDUTA INSIGNIFICANTE: A ADIÇÃO DE UM COPO DE ÁGUA À DETERMINADA REPRESA QUE VEM A ROMPER-SE POR EXCESSO DE LÍQUIDO.

QUINTO REQUISITO DO FATO OFENSIVO TÍPICO: RESULTADO JURÍDICO PENALMENTE RELEVANTE

Não há crime sem resultado jurídico, isto é, sem desvalor do resultado (que consiste na lesão ou perigo concreto de lesão ao bem jurídico): NÃO HÁ MAIS CRIME. NÃO HÁ MAIS ESPAÇO PARA O PERIGO ABSTRATO, SOMENTE PERIGO CONCRETO.

O resultado jurídico deve ser:

(a) relevante: SE O RESULTADO JURÍDICO FOR INSIGNIFICANTE NÃO HÁ FATO

ATÍPICO – EX. FURTO DE 01 (UMA) CEBOLA.

(b)

transcendental: OFENSA À TERCEIRA PESSOA – EX. TENTATIVA DE SUICÍDIO.

(c)

não fomentado ou tolerado ou autorizado ou determinado (criação de um dever

jurídico de agir) pelo ordenamento jurídico (tipicidade conglobante – Zaffaroni): NO

MOMENTO DA VERIFICAÇÃO DA RESPONSABILIDADE DEVEMOS ANALISAR TODA A CONDUTA. E SE ESTA ESTIVER AUTORIZADA NÃO PODE SER PUNIDA – EX. 1. ABORTO DECORRENTE DE ESTUPRO; 2. PRISÃO EM FLAGRANTE.

SEXTO REQUISITO DO FATO OFENSIVO TÍPICO: IMPUTAÇÃO OBJETIVA DO RESULTADO JURÍDICO

O resultado jurídico deve ser imputável objetivamente ao risco proibido criado ou incrementado, leia-se, o sujeito só responde pelo risco criado e nos limites do risco criado ou incrementado.

Regras básicas da imputação objetiva do resultado jurídico:

PRIMEIRA: não há imputação objetiva quando o resultado vai além ou está fora do risco proibido criado ou incrementado pela conduta: EX. QUANDO O PROPRIETÁRIO DE DETERMINADO VEÍCULO ACABA POR FALECER, EM RAZÃO DO FURTO DESTE AUTOMÓVEL, DE ENORME VALOR SENTIMENTAL. O SUJEITO ATIVO DO FURTO NÃO RESPONDE PELO EVENTO MORTE.

SEGUNDA: o sujeito só responde pelo resultado que está sob seu domínio (domínio do fato): EX. QUANDO O SOBRINHO QUER A MORTE DE SEU TIO VISANDO O RECEBIMENTO DE HERANÇA. PARA TANTO, ESTE COMBINA DE ENCONTRÁ-LO EM DETERMINADO BOSQUE, EM DIA CHUVOSO, NA ESPERANÇA QUE O TIO FOSSE ATINGIDO POR UM RAIO. VERIFICADA A OCORRÊNCIA DE TAL EVENTO, NÃO RESPONDERÁ, O SOBRINHO, PELA MORTE DO TIO, NA MEDIDA QUE ESTE NÃO DETÉM CONTROLE SOBRE OS ACONTECIMENTOS NATURAIS.

TERCEIRA: não há imputação objetiva do resultado quando o sujeito atua para diminuir o risco de maior dano: EX. O SUJEITO “A” DESFERE DISPAROS DE ARMA DE FOGO CONTRA O SUJEITO “B”. “C” NA LINHA DO PROJÉTIL, É EMPURRADO POR “D”, VINDO A FRATURAR O NARIZ. LOGO, O SUJEITO “D” NÃO RESPONDERÁ POR LESÕES CORPORAIS, NA MEDIDA QUE AGIU PARA MINORAR O RISCO DE MAIOR DANO.

QUARTA: não há imputação objetiva quando o resultado se correlaciona com condições pessoais da vítima ignoradas pelo agente: EX. NO CASO DE VÍTIMA HEMOFÍLICA. A HEMOFILIA É UMA CONCAUSA PREEXISTENTE AO CRIME. DESTE MODO, NA VISÃO DA TEORIA NATURALÍSTICA, SE UMA PESSOA SOFRE UM FERIMENTO SEM INTENÇÃO DE MORTE, MAS VINDO A FALECER EM RAZÃO DA HEMOFILIA. O AUTOR DO FERIMENTO RESPONDERIA PELO CRIME DE HOMICÍDIO, VEZ QUE PRESENTE O NEXO DE CAUSALIDADE. NO ENTANTO, AO VER DA TEORIA AXIOLÓGICA, O AUTOR DO FERIMENTO NÃO RESPONDERÁ PELO CRIME DE HOMICÍDIO, VEZ QUE TAL TEORIA EXCLUI A TIPICIDADE DO CRIME.

QUINTA: não há imputação objetiva na “ação da vítima a próprio risco”: EX. NOS CASOS DE OVERDOSE EM QUE O SUJEITO SE AUTO-APLICOU A DROGA. EX. OMISSÃO DE SOCORRO QUANDO A VÍTIMA SE AUTO-COLOCOU EM RISCO, OU SEJA, QUANDO ESTA RECUSA PRESTAÇÃO DE SOCORRO.

Teoria da imputação objetiva - exercícios:

(a) A provoca acidente de trânsito; a vítima, no hospital, morre em razão de um descuido médico ou da enfermeira. A responde pela morte?

(b) O médico X, podendo, deixa de prestar socorro a uma determinada vítima. O

medico não criou o risco inicial. Responde pelo delito?

(c) Vários amigos estão se drogando conjuntamente; um deles, em injeção própria,

se excede (overdose) e morre. Os outros respondem penalmente?

(d) O filho quer matar o pai; sabe que caem muitos raios num determinado local;

programa um passeio para o pai num dia chuvoso; este morre por força de um raio. O filho responde pela morte?

(e) A mãe se descuida e deixa o filho cair na piscina; um terceiro, tentando salvá-lo

morre. A mãe responde também por essa morte?

(f) A quer ferir o braço de B e o lesa; B é hemofílico, há hemorragia e morte. A

responde pela morte?

(g) A dispara contra B; C empurra e fere D, para afastá-lo da linha de tiro. C

responde pelo delito de lesão corporal?

(h) A seqüestra B; a mãe deste ao tomar conhecimento do fato morre. A responde

pela morte?

(i) Motorista faz proposta sexual para caronista. Esta pula do veículo em

movimento e sofre lesões graves. O motorista responde pelas lesões?

(j) A pratica roubo contra B, que é cardíaco e morre. A responde pela morte?

SÉTIMO REQUISITO DO FATO OFENSIVO TÍPICO: IMPUTAÇÃO SUBJETIVA (NOS CRIMES DOLOSOS).

Por força da teoria da congruência, nos crimes dolosos devem concorrer duas partes: a objetiva e a subjetiva: (A) SUBJETIVA: CONDUTA, RESULTADO NATURALÍSTICO E NEXO DE CAUSALIDADE; (B) IMPUTAÇÃO OBJETIVA DA CONDUTA, RESULTADO JURÍDICO E IMPUTAÇÃO OBJETIVA DO RESULTADO.

1. PARTE OBJETIVA

A parte objetiva do crime doloso compreende os requisitos objetivos do fato ofensivo típico

2.1. Requisito subjetivo geral (de todo crime doloso): é o dolo.

(a) definição de dolo: QUANDO O SUJEITO QUER O RESULTADO OU ASSUME O

RISCO DE PRODUZI-LO.

(b) requisitos do dolo: CONSCIÊNCIA (REQUISITO INTELECTUAL) + VONTADE DE

PRATICAR O FATO TÍPICO (REQUISITO VOLITIVO).

(c) teorias do dolo: (A) TEORIA DA VONTADE: QUANDO O SUJEITO QUER O

RESULTADO (DOLO DIRETO); (B) TEORIA DO ASSENTIMENTO OU CONSENTIMENTO: QUANDO O SUJEITO ASSUME O RISCO DE PRODUZIR TAL RESULTADO (DOLO EVENTUAL).

(d) espécies de dolo:

1) direto de primeiro grau: É O OBJETIVO DIRETAMENTE DESEJADO PELO AGENTE – EX. HOMICÍDIO.

2) direto de segundo grau: COMPREENDE RESULTADOS JURÍDICOS NÃO DESEJADOS PELO AGENTE, DIRETAMENTE, MAS DERIVADOS DO MEIO ESCOLHIDO (ESPÉCIE DE DOLO EVENTUAL).

3) dolo eventual: SUJEITO ASSUME O RISCO DE PRODUZIR O RESULTADO E ATUA COM INDIFERENÇA FRENTE AO BEM JURÍDICO. DIFERENCIA DA CULPA CONSCIENTE, QUE OCORRE QUANDO O SUJEITO PREVÊ O RESULTADO, PORÉM CONFIA, SINCERAMENTE, QUE TAL NÃO IRÁ OCORRER – EX. O CIRCENSE, ATIRADOR DE FACAS.

4) dolo alternativo: OCORRE QUANDO O SUJEITO ATIVO DE UMA CONDUTA VISA COMETER DETERMINADO CRIME, OU, ALTERNATIVAMENTE, OUTRO CRIME DIVERSO. NESTE CASO O SUJEITO RESPONDERÁ SEMPRE PELA HIPÓTESE MAIS GRAVOSA – EX. ARREMESSO DE UM TIJOLO, QUE VEM ATINGIR DETERMINADA PESSOA. RESPONDERÁ POR TENTATIVA DE HOMICÍDIO.

5) dolo genérico: DOLO EXIGIDO EM TODOS OS CRIMES DOLOSOS.

6) dolo específico: REQUISITO SUBJETIVO ESPECIAL, EXIGIDO EM ALGUNS

CRIMES – EX. EXTORSÃO: CONSTRANGER

PARA SI VANTAGEM ECONÔMICA; RAPTO: RAPTAR MULHER HONESTA

LIBIDINOSO.

ALGUÉM

COM O INTUITO DE OBTER

PARA FIM

7) dolo normativo ou jurídico (dolus malus): É O DOLO MAIS A CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE.

8) dolo natural: É O DOLO SEM A CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE (TEORIA FINALISTA DE WELZEL). MAJORITARIAMENTE ACOLHIDA.

9) DOLO GERAL: OCORRE QUANDO O SUJEITO PENSA QUE CONSUMOU O CRIME COM A PRÁTICA DE DETERMINADO ATO, NO ENTANTO AO PRATICAR NOVO ATO, OBTÉM VERDADEIRAMENTE, A CONSUMAÇÃO O CRIME PRETENDIDO – EX. O SUJEITO “A” DESFERE DISPAROS DE ARMA DE FOGO CONTRA “B”, QUE APESAR DE ATINGIDO, NÃO VEM A FALECER. ENTRETANTO, PENSANDO TER CONSUMADO O HOMICÍDIO, “A” DECIDE ARREMESSAR O CORPO DE “B” NO RIO, VINDO ESTE FALECER POR AFOGAMENTO.

2.2. Requisitos subjetivos especiais do tipo (ou requisitos subjetivos especiais do

injusto): Chamam-se delitos de intenção especial os que exigem do agente, além do dolo, um requisito subjetivo especial (leia-se: uma intenção ou um animus especial): EX. EXTORSÃO, RAPTO E TORTURA.

2.3. Dolo e especiais motivos de agir: MOTIVO DE AGIR: RAZÃO DE SER DO

CRIME. OS MOTIVOS MAIS COMUNS SÃO O MOTIVO FÚTIL, O MOTIVO TORPE, VINGANÇA, ÓDIO E PAIXÃO. OBS: CRIME POR MOTIVO NOBRE: REGISTRO DE NASCIMENTO DE FILHO ALHEIO EM CARTÓRIO, QUANDO ESTE É ACHADO NO LIXO.

Classificação dos tipos legais:

(a) fundamental (é o tipo legal que descreve os requisitos essenciais do crime.

Exemplo: art. 121, caput, do CP); derivado (é o tipo legal que emana do fundamental, para agravar ou diminuir a pena. Exemplo: homicídio qualificado – CP, art. 121, § 2º);

(b) incrimidador (é o que incrimina um fato. Exemplo: art. 213, incrimina o

estupro); permissivo (é o que estabelece uma causa de exclusão da ilicitude ou justificante. Exemplo: art. 25 – legítima defesa); exculpante (é o que cuida de uma causa de exclusão da culpabilidade. Exemplo: art. 26 − inimputabilidade por doença mental).

(c)

fechado (na conceituação clássica, é o que não exige nenhum juízo de valor.

Exemplo: CP, art. 121); aberto (é o que exige juízo de valor do juiz. Exemplo:

raptar mulher honesta; crime culposo; praticar ato obsceno etc.);

(d) normal (é o que não contém nenhum requisito subjetivo ou normativo.

Exemplo: art. 121, caput, do CP: homicídio simples); anormal (é o tipo legal que contém requisito subjetivo ou normativo. Exemplo: art. 155, furto − ânimo de ter a coisa para si −; art. 121, § 3º: homicídio culposo etc.).

(e) congruente (é o que não exige nenhum requisito subjetivo especial, leia-se,

nenhuma intenção além do dolo. Exemplo: art. 121, caput); incongruente (é o que

exige requisito subjetivo especial ou transcendental. Exemplo: art. 158:

constranger a vítima com a intenção de obter vantagem econômica).

Requisitos estruturais do tipo legal:

(a) objetivos (tudo que não pertence ao mundo anímico do agente); (b) subjetivos

(pertencem ao mundo anímico do agente).

Os objetivos são descritivos (exigem simples verificação sensorial) ou normativos (exigem juízo de valor).

Os requisitos normativos são: (a) da ilicitude contidos no tipo (indevidamente, sem justa causa etc.); ou (b) do próprio tipo legal, que se subdividem em: culturais (mulher honesta) e jurídicos (funcionário público; crime culposo etc.).

Nos crimes dolosos os requisitos subjetivos são: o dolo (requisito subjetivo geral) mais, eventualmente, requisitos subjetivos especiais (em alguns crimes). Exemplo:

crime de extorsão (CP, art. 158): constranger a vítima com a intenção de obter vantagem ilícita).

Nos crimes dolosos exige-se congruência entre os requisitos objetivos e os subjetivos (teoria da congruência).

Direito Penal – Parte Geral

Prof. Luiz Flávio Gomes

Aula do Dia: 19.05.03

Observação: O preenchimento das lacunas foi feito pela equipe IELF e é de sua exclusiva responsabilidade.

CAUSAS DE EXCLUSÃO DA TIPICIDADE:

(a) falta de requisito formal: EX. MULHER NÃO VIRGEM NO CRIME DE SEDUÇÃO;

EX. INEXISTÊNCIA DE FETO NO CRIME DE ABORTO.

(b) infração bagatelar e princípio da insignificância (da conduta ou do resultado):

EX. NO CRIME DE INUNDAÇÃO, A ADIÇÃO DE UM COPO DE ÁGUA À REPRESA QUE VEM A ROMPER-SE.

(c) princípio da adequação social: EX. PERFURAÇÃO DA ORELHA.

Exemplo paradigmático do que acaba de ser exposto é a perfuração de orelhas de crianças: a grande maioria delas, ainda em tenra idade, são vítimas de uma lesão corporal (em virtude da perfuração da orelha). Aparente e formalmente essa conduta é típica. Mas resulta evidente que em razão da sua adequação social está fora do âmbito do proibido pela norma. Há um resultado em sentido naturalístico (há um dano), mas não em sentido jurídico (mas não há lesão ao bem jurídico “integridade física”). Não há lesão a um bem jurídico porque não se trata de um dano desvalioso, quer dizer, de um dano valorado negativamente. Falta, em suma, o desvalor do resultado e inclusive o desvalor da ação. Precisamente por isso é que não se completa o juízo de tipicidade (em sentido material). Pois, a perfuração da orelha é uma conduta social e amplamente tolerada (aceita e praticada por todas as camadas sociais). É diferente, por exemplo, da eliminação do clitóris (admitida por certos setores religiosos), que, na maioria dos países, não só não conta com o apoio geral da população, porque praticada somente por um setor social, como na atualidade é objeto de intensa reprovação.

Outros exemplos patentes de condutas que naturalisticamente são danosas (por isso mesmo que podem não ser exemplares), mas socialmente adequadas (toleradas, aceitas) são: as crueldades contra animais nas touradas ou nos já tradicionais "rodeios" brasileiros. Ninguém nunca pretendeu processar seriamente os organizadores e participantes de um “rodeio” com base na lei ambiental. O “curandeirismo”, particularmente o "rural", também é amplamente aceito; a

manutenção de “motéis” para encontros libidinosos 1[1], o “topless”, sobretudo

durante o carnaval, etc

proibido. São somente "formal e aparentemente" típicas, porque a verdade é que o resultado danoso que elas produzem não é socialmente inadequado, quer dizer, não é desvalioso (logo, não se trata de lesão, isto é, não há que se falar em lesão ao bem jurídico). Na ausência do desvalor do resultado e/ou da ação, não se pode conceber o tipo penal, em sentido material. Pode-se até falar em tipicidade formal ou literal, nunca porém em tipicidade penal (material).

Todas as condutas descritas estão fora do âmbito do

(d) DO ERRO DE TIPO:

1. Evolução da teoria do delito: (a) teoria causal naturalista da ação: VON LIZST. DIVIDE-SE EM 02 (DUAS) PARTES: (A) OBJETIVA: TIPICIDADE E ANTIJURIDICIDADE; (B) SUBJETIVA: CULPABILIDADE – VÍNCULO DO AGENTE COM

O FATO POR DOLO OU CULPA.

(b) teoria finalista da ação: WELZEL – CONSIDERA QUE O DOLO E A CULPA NÃO

PERTENCEM À ANTIJURIDICIDADE, MAS SIM À TIPICIDADE.

2. CP antes da Reforma de 1984: distinguia o erro de fato do erro de direito: (a)

erro de fato (antigo art. 17) (excluía o dolo e, em conseqüência, a culpabilidade) ATÉ 1984 O CÓDIGO PENAL BRASILEIRO ERA CAUSALISTA. APÓS TAL DATA, DOLO

E CULPA PERTENCIAM À CULPABILIDADE. e (b) erro de direito (não escusava, salvo leis penais em branco e contravenções penais – art. 8º da LCP).

ATÉ 1984 ACOLHIA-SE NO DIREITO PENAL A TEORIA UNITÁRIA DO ERRO. QUALQUER ERRO RECAI SOBRE A CULPABILIDADE.

3. CP depois da Reforma de 1984: quatro principais modalidades de erro no CP:

(a)

erro de tipo (art. 20);

(b)

erro acidental (arts. 20, § 3º, 73, 74);

(c)

erro de proibição (art. 21) e

(d)

erro nas descriminantes putativas fáticas (chamado também de erro de tipo

permissivo) (art. 20, § 1º).

4.

Erro de tipo e erro de proibição (distinção):

(a) no erro de tipo (CP, art. 20, caput) o agente não tem ou não tem plena consciência da sua conduta (não sabe − exatamente − o que faz). Erro e ignorância = equivalência. Exclui o quê? EXCLUI O DOLO, EM CONSEQÜÊNCIA EXCLUI O INJUSTO PENAL – EX. VENDA DE BEBIDA ALCOÓLICA PARA MENOR DE 18 ANOS, SUPONDO SER ESTE MAIOR; MULHER QUE TRANSPORTA PACOTE CONTENDO COCAÍNA SEM SABER QUAL O SEU CONTEÚDO.

Exemplos: (a) sucata no RJ; (b) bebida para menor; (c) mulher de Presidente Prudente; (d) Fiat-Salvador

(b) no erro de proibição (CP, art. 21) o agente sabe o que faz e acredita que é lícito quando na verdade é ilícito (o agente não conhece a proibição); recai sobre a ilicitude do fato. Exclui ou atenua A CULPABILIDADE – EX. O TRANSPORTE DE LENHA SEM GUIA APÓS 1966 (PROMULGAÇÃO DE LEI QUE EXIGE GUIA ESPECÍFICA PARA O TRANSPORTE DE TAL MERCADORIA); EX. HOLANDÊS QUE PORTAVA MACONHA SUPONDO SER ESTA PERMITIDA NO BRASIL; EX. MARINHEIRO QUE COMPRA LANÇA-PERFUME NA ARGENTINA, FAZENDO USO DESTE NO BRASIL, POR CONSIDERAR SER PERMITIDO O CONSUMO DESTE NO TERRITÓRIO BRASILEIRO.

Exemplos: (a) transportador de lenha; (b) proveniente da Holanda com maconha; (c) marinheiro com lança-perfume etc.

5. Do erro de tipo (incriminador): recai sobre tipo incriminador e é o contrário

do dolo (art. 20). Sempre exclui o dolo; logo o fato TÍPICO. Pode haver resíduo culposo (no erro vencível).

6. Erro de tipo incriminador (também chamado erro de tipo essencial) recai

sobre: (a) elementares – efeito: exclui o crime (155) ou o desclassifica (312); (b)

qualificadoras – efeito: exclui a qualificadora (129-aborto); (c) causas de aumento de pena – efeito: exclui o aumento (transporte de valores); (d) agravantes – efeito: exclui a agravante (grávida; irmão). Pode ainda recair: sobre requisito normativo do tipo (219)

7. Erro de tipo (essencial) pode ser invencível ou vencível:

(a) invencível – art. 20, “caput”, 1ª parte: quando ocorre? OCORRE QUANDO

QUALQUER PESSOA COMETERIA O MESMO ERRO. EXCLUI O DOLO E NÃO TEM RESÍDUO CULPOSO.

É escusável (X) ou inescusável ( )

Exemplos; efeitos.

(b) vencível– art. 20, “caput”, 2ª parte: quando ocorre? OCORRE QUANDO O

AGENTE NÃO AGIU COM A DEVIDA CAUTELA, OU SEJA, AGIU ABRUPTAMENTE.

EXCLUI O DOLO, PORÉM DERIVA DA CULPA, SUBSISTINDO ESTA.

É escusável ( ) ou inescusável (X)

Exemplo (RT 663, p. 300); efeitos.

ERRO DE TIPO ACIDENTAL (HIPÓTESES):

1 - “error in personae” (art. 20, § 3º): vale a pessoa que queria atingir;

ERRO SOBRE A PESSOA. SUJEITO RESPONDE NORMALMENTE, NÃO BENEFICIA O RÉU. VALE A INTENÇÃO – EX. SUJEITO QUER MATAR O PRÓPRIO PAI E ACABA MATANDO PESSOA DIVERSA. RESPONDERÁ COMO SENDO HOMICÍDIO AGRAVADO, EM RAZÃO DE CONSIDERAR-SE A VÍTIMA COMO SENDO SEU PAI.

2 - “error in objecto”: E se sujeito furta cocaína?

RESPONDE NORMALMENTE. NA COCAÍNA TRATA-SE DE UM PRODUTO ILÍCITO, NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM FURTO. ENTRETANTO, QUANTO AO PORTAR A DROGA DEVE-SE CONSIDERAR A CONDUTA DO AGENTE. SE ESTE NÃO SABE SE TRATAR DE COCAÍNA, VERIFICA-SE O ERRO DE TIPO, EXCLUINDO O DOLO E, CONSEQÜENTEMENTE, A TIPICIDADE. MAS, SE NO ENTANTO, O SUJEITO TIVER PLENA CONSCIÊNCIA DE QUE SE TRATA DE COCAÍNA, SERÁ RESPONSABILIZADO POR TRAFICÂNCIA OU PELO USO, APÓS NOVA AVALIAÇÃO DE SUA CONDUTA.

3 - “aberratio ictus”: art. 73: relação pessoa/pessoa; vale a pessoa que queria

atingir; (a) resultado único: um só crime; (b) resultado duplo: concurso formal (crime doloso + crime culposo); concurso perfeito; e se o sujeito queria atingir os dois: concurso formal imperfeito.

EX. PAI DO EX-PRESIDENTE FERNANDO COLLOR DE MELO AO TENTOU MATAR OUTRO SENADOR DE ALAGOAS, ACERTOU SENADOR DO ESTADO DO ACRE.

Diferença entre “aberratio ictus” e “error in personae”: “ERROR IN PERSONAE” – OPERA-SE UM ERRO DE REPRESENTAÇÃO, OU SEJA, O AGENTE SUPÕE QUE DETERMINADA PESSOA SEJA A VÍTIMA DO CRIME, QUANDO ESTA, VERDADEIRAMENTE, NÃO O É. “ABERRATIO ICTUS” – A VÍTIMA EFETIVAMENTE ESTÁ NO LOCAL, MAS POR CIRCUNSTÂNCIAS ALHEIAS À VONTADE DO AGENTE, ELA NÃO É ATINGIDA. Concomitância dos dois erros: é possível.

4 - “aberratio criminis” : art. 74: relação coisa/pessoa; (a) resultado único:

sujeito responde por culpa; (b) resultado duplo: concurso formal (crime doloso + crime culposo);

E a relação coisa/coisa? AGENTE RESPONDE NORMALMENTE POR CRIME DOLOSO.

E a relação pessoa/coisa? AGENTE RESPONDE NORMALMENTE POR CRIME CULPOSO.

5 - “aberratio causae”: (a) erro sobre o nexo causal (um só ato); (b) dolo geral (dois atos = erro sucessivo).

Erro de tipo (agente supõe a ausência de requisito típico que está presente) e delito putativo por erro de tipo (supõe a presença de um requisito típico que está ausente): EX. A MULHER PENSA QUE ESTÁ GRÁVIDA, REALIZA ATOS ABORTIVOS, QUANDO NÃO HAVIA GRAVIDEZ. TRATA-SE DE UM FATO ATÍPICO, UMA HIPÓTESE DE CRIME IMPOSSÍVEL.

Pela teoria da congruência o crime doloso exige a presença do tipo objetivo + tipo subjetivo. Faltando um dos dois não há crime. Exemplo: sujeito se veste de macaco e caçador dispara, querendo cometer crime ambiental: NÃO HAVERÁ CRIME AMBIENTAL, PORQUE APESAR DE VERIFICAR-SE A EXISTÊNCIA DO REQUISITO SUBJETIVO (DOLO), NÃO EXISTE O REQUISITO OBJETIVO (ANIMAL). DO MESMO MODO, NÃO HÁ QUE SE FALAR EM HOMICÍDIO UMA VEZ QUE, APESAR DE VERIFICAR-SE O REQUISITO OBJETIVO (HUMANO MORTO), NÃO EXISTE O REQUISITO SUBJETIVO (DOLO).

DO CRIME CULPOSO:

1.

Definição do tipo de injusto culposo (CP, art. 18): imprudência, negligência ou

imperícia: 1. IMPRUDÊNCIA: O SUJEITO REALIZA UMA ATIVIDADE DESCUIDADA – EX. UMA ULTRAPASSAGEM COM O FAROL VERMELHO, UMA ULTRAPASSAGEM

SOBRE UMA LOMBADA; 2. NEGLIGÊNCIA: QUANDO O SUJEITO DEIXA DE TOMAR AS CAUTELAS DEVIDAS – EX. DEIXA DE PUXAR O FREIO-DE-MÃO DE UM CARRO ESTACIONADO NUMA LADEIRA; 3. IMPERÍCIA: QUANDO O SUJEITO NÃO TEM HABILIDADE (CONHECIMENTOS TÉCNICOS) – EX. DENTISTA CLÍNICO QUE REALIZA UMA CIRURGIA BUCAL SEM A DEVIDA TÉCNICA. (SOMENTE OCORRE NO ÂMBITO DAS PROFISSÕES). IMPERÍCIA DIFERENCIA-SE DE ERRO PROFISSIONAL, VEZ QUE NA IMPERÍCIA O SUJEITO NÃO TEM HABILIDADE, ENQUANTO QUE NO ERRO PROFISSIONAL, APESAR DO SUJEITO SER PERITO, ESTE ATUA COM NEGLIGÊNCIA OU IMPRUDÊNCIA – EX. UM CIRURGIÃO RENOMADO QUE, POR NEGLIGENCIA ESQUECE UMA GAZE DENTRO DE SEU PACIENTE.

A CULPA DIFERE-SE DA CULPABILIDADE, SENDO A PRIMEIRA REQUISITO DO FATO ATÍPICO E, A SEGUNDA, O TERCEIRO REQUISITO DO FATO PUNÍVEL. PRINCÍPIO DA EXCEPCIONALIDADE DO CRIME CULPOSO: OS CRIMES EM REGRA SÃO DOLOSOS. EXCEPCIONALMENTE SERÁ CULPOSO. EXISTINDO, SOMENTE, QUANDO A LEI EXPRESSAMENTE O DISSER. OBS: A CULPA É REQUISITO NORMATIVO DO TIPO – EXIGE UM JUÍZO DE VALOR (“O DOLO ESTÁ NA CABEÇA DO RÉU, A CULPA NA CABEÇA DO JUIZ”). CULPA É UM TIPO ABERTO, VEZ QUE EXIGE JUÍZO DE VALOR.

2. Requisitos do tipo injusto culposo:

DOUTRINA CLÁSSICA

DOUTRINA NOVA / FATO TÍPICO

1. CONDUTA;

1.

FÁTICO (A) CONDUTA

2. INOBSERVÂNCIA DE CUIDADO

(B)

RESULTADO NATURALÍSTICO

OBJETIVO NECESSÁRIO;

 

(C)

NEXO DE CAUSALIDADE.

3. PREVISIBILIDADE DE RESULTADO;

 

2.

AXIOLÓGICO (D) IMPUTAÇÃO

4. RESULTADO NÃO DESEJADO;

OBJETIVA DA CONDUTA

5. NEXO DE CAUSALIDADE;

(E)

RISCO JURÍDICO RELEVANTE

6. TIPICIDADE.

(F)

IMPUTAÇÃO OBJETIVA DO

RESULTADO.

RESULTADO.

3. Modalidades de culpa: IMPRUDÊNCIA, NEGLIGENCIA E IMPERÍCIA.

4. Espécies de culpa: 1. CULPA CONSCIENTE: OCORRE QUANDO O SUJEITO NÃO PREVÊ O RESULTADO; 2. CULPA CONSCIENTE: O SUJEITO PREVÊ O RESULTADO, MAS CONFIA SINCERAMENTE QUE ESTE NÃO IRÁ ACONTECER – EX. ATIRADOR DE FACAS. DIFERENCIA DO DOLO EVENTUAL, ONDE O SUJEITO PREVÊ E ADMITE O RESULTADO; 3. CULPA PRÓPRIA: QUANDO ELE NÃO QUER O RESULTADO; 4. CULPA IMPRÓPRIA: EXISTE A PREVISÃO E A INTENÇÃO DO RESULTADO, PORÉM ATUA EM RAZÃO DE ERRO VENCÍVEL – EX. NUM DIA CHUVOSO, O SUJEITO MATA O GUARDA NOTURNO PENSANDO SER ESTE UM LADRÃO; 5. CULPA MEDIATA OU INDIRETA: OCORRE QUANDO UM SUJEITO DÁ CAUSA A UM CRIME CULPOSO E OCORRENDO RESULTADO CONEXO A UM RESULTADO POSTERIOR. OBS: NÃO EXISTE CULPA INDIRETA NO DIREITO PENAL. 6. TENTATIVA: NÃO ADMITE, SALVO NA CULPA IMPRÓPRIA, ONDE TRATA-SE VERDADEIRAMENTE DE UM CRIME DOLOSO, PUNIDO DE FORMA CULPOSA; 7. COMPENSAÇÃO DE CULPAS: A CULPA DA VÍTIMA NÃO ELIMINA A CULPA DO RÉU; 8. CONCORRÊNCIA DE CULPAS:

OCORRE QUANDO 02 (DUAS) OU MAIS PESSOAS, DE FORMA INDEPENDENTE, CONCORREM PARA DETERMINADO RESULTADO – EX. “A” PASSA SINAL VERMELHO. “B”, EM ALTA VELOCIDADE (IMPRUDÊNCIA), DESVIA DE “A” E MATA UM PEDESTRE. AMBOS RESPONDERÃO PELO RESULTADO MORTE; 9. CO-AUTORIA:

DOUTRINA BRASILEIRA MAJORITÁRIA ADMITE, JURISPRUDÊNCIA MAJORITÁRIA ADMITE, MAS TECNICAMENTE NÃO EXISTE. 10. PARTICIPAÇÃO: JAMAIS ADMITIDA NO DIREITO BRASILEIRO.

CRIME PRETERDOLOSO (DOLO NO ANTECEDENTE E CULPA NO CONSEQÜENTE), TAMBÉM CONHECIDO COM PRETERINTENCIONAL – EX. LESÃO CORPORAL SEGUIDA DE MORTE. OBS: AGENTE SÓ RESPONDE PELO RESULTADO SE ESTE ERA PREVISÍVEL.

DO DELITO OMISSIVO:

1.Considerações gerais: NA OMISSÃO O SUJEITO NÃO REALIZA O QUE O ORDENAMENTO JURÍDICO DETERMINA – EX. NA OMISSÃO DE SOCORRO, O SUJEITO DEIXA DE AJUDAR, DEIXA DE SOCORRER. A OMISSÃO PENALMENTE RELEVANTE É PURAMENTE NORMATIVA. ISTO PORQUE, O JUIZ TEM DE EXAMINAR SE O SUJEITO TINHA A OBRIGAÇÃO DE AGIR, BEM COMO, SE PODIA AGIR.

2.

Crimes omissivos próprios: NÃO POSSUEM RESULTADO NATURALÍSTICO. NÃO

EXIGEM RESULTADO (OMITIU CONSUMOU). EXISTÊNCIA DE UMA SITUAÇÃO DE PERIGO. RESPONDE QUEM TEM O DEVER JURÍDICO DE AGIR, OU SEJA, TODAS AS PESSOAS (ART. 135 DO CP). DIVIDE-SE EM DOLOSO OU CULPOSO – DOLOSO EX. OMISSÃO DE SOCORRO PURA; CULPOSO – TOLERÂNCIA CULPOSA ART. 381 DO CÓDIGO PENAL MILITAR.

3. Crimes omissivos impróprios ou comissivos por omissão: POSSUI RESULTADO. O

AGENTE SOMENTE RESPONDE SE TINHA O DEVER JURÍDICO DE EVITAR O

RESULTADO. PODE SER DOLOSO OU CULPOSO.

4. Pressupostos fundamentais do crime omissivo: dever de agir e poder agir: CABE

AO JUIZ EXAMINAR AMBOS.

5. Fontes originadoras da posição de garantidor: 1. QUEM TEM OBRIGAÇÃO LEGAL

DE PROTEÇÃO – EX. PAI QUE DEIXA DE CUIDAR DO FILHO; 2. QUEM ASSUME A RESPONSABILIDADE PELA NÃO OCORRÊNCIA DE RESULTADO – EX. ENFERMEIRA CONTRATADA, INSTRUTOR DE NATAÇÃO; 3. QUEM CRIOU O RISCO PRECEDENTE – EX. QUEM PÕE FOGO NUM PRÉDIO TEM OBRIGAÇÃO DE SALVAMENTO.

1[1] De tão generalizada e aceita que era a conduta das “cartomantes”, uma recente lei no Brasil (9.521/97) acabou descriminalizando-a abolitio criminis).

Direito Penal – Parte Geral

Prof. Luiz Flávio Gomes

Apostila de junho/03 – ps. 102-108

Aula do Dia: 12.06.03

Observação: O preenchimento das lacunas foi feito pela equipe IELF e é de sua exclusiva responsabilidade.

DA ANTIJURIDICIDADE: SEGUNDO REQUISITO DO INJUSTO PENAL (OU DO FATO PUNÍVEL)

1.

Considerações gerais: É A RELAÇÃO DE CONTRARIEDADE ENTRE O FATO TÍPICO

E

O DIREITO.

2.

Terminologia: antijuridicidade e injusto penal: INJUSTO PENAL É O FATO JÁ

VALORADO COMO TÍPICO E ANTIJURÍDICO.

3. Antinormatividade e antijuridicidade: ANTINORMATIVIDADE É A CONTRADIÇÃO

DO FATO COM UMA NORMA ESPECÍFICA. ANTIJURIDICIDADE CONTRADIÇÃO DO FATO COM O DIREITO.

4. Ilicitude e antijuridicidade: SÃO EXPRESSÕES SINÔNIMAS.

5. Antijuridicidade formal e antijuridicidade material: FORMAL – MESMA COISA QUE

A ANTINORMATIVIDADE; MATERIAL – CONTRADIÇÃO DO FATO COM O DIREITO E

A CONSEQUENTE OFENSA AO BEM JURÍDICO. OBS: A DISTINÇÃO ENTRE AS DUAS

FORMAS É INÚTIL.

6.

Concepção unitária de antijuridicidade: A ANTIJURIDICIDADE É ÚNICA EM TODO

O

DIREITO.

7.

Antijuridicidade genérica e antijuridicidade específica: GENÉRICA –

CONTRADIÇÃO DO FATO COM O DIREITO EXIGIDA EM TODOS OS CRIMES; ESPECÍFICA – É A REFERÊNCIA EXPRESSA À ANTIJURIDICIDADE, QUE APARECE EM ALGUNS TIPOS PENAIS – EXS. DEVASSAR, INDEVIDAMENTE, CARTA (ART. 151 DO CP), DIVULGAR SEGREDO SEM JUSTA CAUSA (ART. 153 DO CP).

8.

Antijuridicidade objetiva e subjetiva: OBJETIVA – PARA ESTA, A

ANTIJURIDICIDADE DEVE SER EXAMINADA INDEPENDENTEMENTE DA CULPABILIDADE; SUBJETIVA – A ANTIJURIDICIDADE DEPENDE DA CULPABILIDADE DO AGENTE. É VÁLIDA A TEORIA OBJETIVA EM NOSSO ORDENAMENTO.

9. Antijuridicidade: aspecto positivo (tipicidade) e negativo (ausência de causas

justificantes): A ANTIJURIDICIDADE É ÚNICA, É REQUISITO DO CRIME, PRESSUPÕE A TIPICIDADE.

CAUSAS DE JUSTIFICAÇÃO:

1. Causas de justificação: SÃO CAUSAS QUE JUSTIFICAM UM FATO TÍPICO, QUE

TORNAM LÍCITOS OS FATOS TÍPICOS: 1. LEGÍTIMA DEFESA; 2. ESTADO DE NECESSIDADE.

2. natureza e efeitos: NATUREZA JURÍDICA – EXCLUDENTE DE ANTIJURIDICIDADE

(ILICITUDE); EFEITOS – EXCLUI A ANTIJURIDICIDADE, É DIZER, EXCLUI O CRIME.

3. causas justificantes # causas exculpantes: JUSTIFICANTES (DESCRIMINANTES):

ESTADO DE NECESSIDADE E LEGÍTIMA DEFESA – EXCLUEM A ANTIJURIDICIDADE; EXCULPANTES (DIRIMENTES – EXIMENTES): EXCLUEM A CULPABILIDADE – EX. LOUCURA, MENORIDADE E ETC.

4. requisitos subjetivos nas causas justificantes: O REQUISITO SUBJETIVO É

EXIGIDO NAS CAUSAS JUSTIFICANTES.

5. Legítima defesa (CP, art. 25): CAUSA EXCLUDENTE DA ANTIJURIDICIDADE.

REQUISITOS: (A) AGRESSÃO HUMANA INJUSTA, ATUAL OU IMINENTE – (AGRESSÃO HUMANA): EXCEÇÃO - QUANDO O SUJEITO UTILIZA O ANIMAL COMO INSTRUMENTO DO ATAQUE, A REAÇÃO É EM LEGÍTIMA DEFESA. (QUESTIONAMENTO): CABE LEGÍTIMA DEFESA EM ESTADO DE NECESSIDADE? R. NÃO, AMBAS AGRESSÕES SÃO JUSTAS. (ATUAL OU IMINENTE): PRESTES A OCORRER; (B) AMEAÇA DE DIREITO PRÓPRIO OU ALHEIO; (C) PROPORCIONALIDADE ENTRE A AGRESSÃO E A REAÇÃO (INDICADORES DE PROPORCIONALIDADE: 1. ESCOLHA DO MEIO NECESSÁRIO; 2. USO MODERADO DO MEIO. - OBS: MAIS VALE O SEGUNDO INDICADOR); (D) CONSCIÊNCIA DE QUE SE ATUA PARA SALVAGUARDAR UM BEM JURÍDICO.

OFENDÍCULOS: SÃO MEIOS DE PROTEÇÃO DE BENS JURÍDICOS – EXS. LANÇA, ARAME FARPADO, CERCA ELÉTRICA, BEM COMO DEFESA MECÂNICA PREDISPOSTA, DESDE QUE HAJA PROPORCIONALIDADE. (QUESTIONAMENTO): HONRA PODE SER OBJETO DE LEGÍTIMA DEFESA? R. SIM. (QUESTIONAMENTO): QUEM COLHE O CÔNJUGE EM ADULTÉRIO PODE MATAR? R. NÃO, POIS A HONRA É PESSOAL.

OBS1: LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA – OCORRE QUANDO A AGRESSÃO É IMAGINÁRIA, EXCLUI A CULPABILIDADE.

OBS2: LEGÍTIMA DEFESA SUBJETIVA – EXCESSO ESCUSÁVEL – EX. LUGAR ERMO E ESCURO, RECONHECIDAMENTE PERIGOSO, UM VULTO CHUTA DETERMINADA PESSOA, QUE O MATA COM SEIS TIROS. POSTERIORMENTE VEM-SE A SABER, QUE SE TRATAVA DE UM MENOR, COM 10 (DEZ) ANOS DE IDADE.

OBS3: LEGÍTIMA DEFESA SUCESSIVA: É A REAÇÃO CONTRA O EXCESSO, O INJUSTO.

6. Estado de necessidade (CP, art. 24): CAUSA JUSTIFICANTE, PREVISTA NO ART. 24 DO CP.

CARACTERÍSTICAS: 1. PRESSUPÕE UMA SITUAÇÃO DE PERIGO; 2. CONFLITO DE BENS JURÍDICOS – EX. NAUFRÁGIO, ONDE DUAS PESSOAS DISPUTAM UMA TÁBUA.

NATUREZA JURÍDICA: (A) TEORIA UNITÁRIA – O ESTADO DE NECESSIDADE SEMPRE EXCLUI A ANTIJURIDICIDADE (TEORIA ACOLHIDA NO ART. 24 DO CP); (B) TEORIA DIFERENCIADORA – VIGORA NA ALEMANHA (PARÁGRAFOS 34 E 35 DO CP ALEMÃO). DISPÕE QUE SE OS BENS JURÍDICOS SÃO IGUAIS, EXCLUI-SE A CULPABILIDADE, SE OS BENS JURÍDICOS FOREM DIFERENTES – EX. BOMBEIRO QUE ARREBENTA PAREDE PARA SALVAR CRIANÇA (PATRIMÔNIO X VIDA), NÃO HÁ O CRIME DE DANO, EXCLUI-SE A ANTIJURIDICIDADE. NO BRASIL, ADOTAMOS A TEORIA UNITÁRIA, EXCETO NO CÓDIGO PENAL MILITAR QUE SUSTENTA A DISTINÇÃO ENTRE BENS.

REQUISITOS: 1. PERIGO ATUAL OU IMINENTE; 2. PERIGO A DIREITO PRÓPRIO OU ALHEIO; 3. PERIGO NÃO PROVOCADO DOLOSAMENTE PELO AGENTE; 4. INEVITABILIDADE DA OFENSA; 5. PROPORCIONALIDADE ENTRE O BEM SACRIFICADO E O BEM PROTEGIDO; 6. CONSCIÊNCIA DE QUE SE DEFENDE UM DIREITO – OBS: NÃO PODE INVOCAR ESTADO DE NECESSIDADE, QUE

POSSUI O DEVER LEGAL DE ENFRENTAR O PERIGO. (QUESTIONAMENTO): TRATA- SE DE UM DIREITO ABSOLUTO? R. NÃO, HAVENDO TOTAL DESPROPORCIONALIDADE DE BENS O DEVER DESAPARECE – EX. VIDA HUMANA X VIDA ANIMAL.

OBS1: ESTADO DE NECESSIDADE AGRESSIVO – OCORRE QUANDO SE ATINGE TERCEIRO INOCENTE.

OBS2: ESTADO DE NECESSIDADE DEFENSIVO – ATINGE QUEM CAUSOU O PERIGO (IMPRESCINDÍVEL PARA EFEITOS DE INDENIZAÇÃO – EX. AGREDIU-SE INOCENTE, DEVE INDENIZAR, SE AGREDIU O CULPADO PELA SITUAÇÃO, NÃO SUBSISTE TAL DEVER).

7. Estrito cumprimento de dever legal (CP, art. 23): REQUISITOS: (A) DEVER

LEGAL (NÃO ABRANGE O MORAL, RELIGIOSO E ETC – EX. POLICIAL TEM O DEVER

DE PRENDER, O OFICIAL DE JUSTIÇA TEM O DEVER DE DESPEJAR

CUMPRIMENTO, NÃO PODE HAVER ABUSO; (C) CONSCIÊNCIA DE QUE SE CUMPRE

UM DEVER LEGAL.

); (B) ESTRITO

É EXCLUDENTE DA ANTIJURIDICIDADE (DOUTRINA CLÁSSICA), DOUTRINA NOVA EXCLUDENTE DE TIPICIDADE (DOUTRINA NOVA).

8. Exercício regular de um direito (CP, art. 23): REQUISITOS: 1. EXISTÊNCIA DE

UM DIREITO – EX. DIREITO DE OFENDÍCULOS, DIREITO DE EXPULSAR INVASOR DE TERRAS, DIREITO DE CRÍTICA E ETC; 2. REGULAR – NÃO PODE HAVER ABUSO; 3. CONSCIÊNCIA DE QUE SE EXERCITA UM DIREITO.

OBS: VIOLÊNCIA NO ESPORTE: O EXERCÍCIO DO FUTEBOL É EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO EXCLUI A ANTIJURIDICIDADE (DOUTRINA ANTIGA), EXCLUDENTE DE TITPICIDADE (DOUTRINA NOVA), POIS CRIA UM RISCO PERMITIDO.

OBS: MARIDO RESPONDE POR ESTUPRO CONTRA A PRÓPRIA MULHER? R. NÃO EXISTE O DIREITO AO SEXO, EXCETO QUANDO A MULHER TEM JUSTA CAUSA E HÁ CONCRETO RISCO AO BEM JURÍDICO – EX. QUANDO O HOMEM OBRIGA A MULHER A MANTER COM ESTE RELAÇÕES SEXUAIS, SABENDO QUE ESTA SE SUBMETEU A UMA CIRURGIA, E ESTÁ DE QUARENTENA.

9. O consentimento do ofendido: 1. EXCLUI A TIPICIDADE FÁTICA, QUANDO O

TIPO PENAL EXIGE O DISSENTIMENTO DA VÍTIMA – EX. INVASÃO DE DOMICÍLIO;

2. QUANDO SE TRATA DE BEM JURÍDICO DISPONÍVEL, HAVENDO CONSENTIMENTO

VÁLIDO, DADO ANTES OU DURANTE O CRIME, EXCLUI-SE O DELITO. SEGUNDO A DOUTRINA ANTIGA, EXCLUI-SE A ANTIJIRIDICIDADE, JÁ PELA DOUTRINA NOVA, EXCLUI-SE A TIPICIDADE AXIOLOGIA (CRIA UM RISCO PERMITIDO AUTORIZADO) – EX. VASECTOMIA, LAQUEADURA, CIRURGIA TRANSEXUAL E TATUAGEM; 3. EXCLUI A ANTIJURIDICIDADE QUANDO O BEM JURÍDICO FOR INDISPONÍVEL E O CONTEXTO JUSTIFICANTE – EX. DOAÇÃO DE RIM.

OBS: EXCESSO NAS CAUSAS JUSTIFICANTES PODE SER: A) EXTENSIVO E B) INTENSIVO. O PRIMEIRO OCORRE QUANDO O SUJEITO DESDE O INÍCIO ATUA ILICITAMENTE, ANTIJURIDICAMENTE. O SEGUNDO OCORRE QUANDO O SUJEITO, NO PRINCÍPIO, ATUOU COM LICITAMENTE, E SOMENTE DEPOIS, SE EXCEDEU.

OBS: O EXCESSO PODE SER DOLOSO, CULPOSO OU EXCULPANTE.

DA CULPABILIDADE

1. Terceiro requisito do fato punível (fato materialmente típico + antijuridicidade +

culpabilidade + punibilidade).

2. Em que consiste a culpabilidade?

(a) como valoração do objeto é juízo de reprovação ou de censura que recai sobre o autor de um injusto penal. Recai sobre o autor ou sobre o fato? SOBRE O AUTOR QUE PRATICOU O INJUSTO PENAL.

(b) como objeto da valoração consiste no poder de agir (concretamente) de modo diverso, isto é, conforme o Direito.

3. A essência da culpabilidade é a EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA – FATO

ADEQUADO À LEI COM OFENSA AO EBM JURÍDICO.

4. Culpa # culpabilidade: CUPLA É A FORMA DE CONDUTA HUMANA. ESTÁ NA

TIPICIDADE.

5. A culpabilidade é subjetiva ou normativa? É NORMATIVA. O dolo está na cabeça

do agente, já a culpabilidade está na cabeça do JUIZ.

6. Qual é a fonte (leia-se: de onde emana) a exigibilidade de conduta diversa? Da

norma primária IMPERATIVA (que estabelece e exige uma determinada pauta de conduta).

7.

Culpabilidade: é predicado (requisito) do crime ou pressuposto da pena? PARA A

TEORIA FINALISTA – PRESSUPOSTO DA PENA. PARA A TEORIA CONSITUCIONALISTA DO DELITO, É PREDICADO (REQUISITO) DO CRIME E PRESSUPOSTO DA PENA.

8. Seu tríplice significado: 1º) fundamento da pena; 2º) limite da pena (CP, art. 29:

CULPABILIDADE); 3º) fator de graduação da pena (CP, art. 59). Que é isso? É A POSIÇÃO DO AGENTE FRENTE AO BEM JURÍDICO. PODE SER: 1. DE MENOSPREZO (DOLO DIRETO); 2. DE INDIFERENÇA (DOLO EVENTUAL); 3. DESCUIDO FRENTE AO BEM JURÍDICO (CULPA).

9. Evolução histórica da culpabilidade:

(a) Teoria psicológica da culpabilidade (causalismo); posição do dolo e da culpa:

CULPABILIDADE É O VÍNCULO DO AGENTE COM SEU FATO, PELO DOLO OU CULPA.

Críticas: DOLO E CULPA DENTRO DA CULPABILIDADE.

(b) Teoria psicológico-normativa da culpabilidade (neokantismo); Frank: 1907:

EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA requisitos da culpabilidade:

IMPUTABILIDADE (DOLO E CULPA E EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA); críticas: CONSIDERAR DOLO E CULPA DENTRO DA CULPABILIDADE.

(c) Teoria normativa pura da culpabilidade (finalismo); requisitos da culpabilidade

(segundo o finalismo): 1º) Imputabilidade; 2º) Possibilidade de conhecimento da ilicitude do fato; 3º) Exigibilidade de conduta diversa; posição do dolo e da culpa:

REMETEU-OS PARA A TIPICIDADE. TEORIA ADOTADA EM CONCURSOS PÚBLICOS.

(d) Teoria complexa da culpabilidade: dolo e culpa possuem dupla função dentro da

teoria do delito: fazem parte da tipicidade e também são valoradas no âmbito da culpabilidade: É UMA TEORIA ABANDONADA.

(e) teoria moderna da culpabilidade (enfoque atual): a culpabilidade é puramente

normativa (consiste no poder de agir de modo diverso, isto é, culpabilidade é exigibilidade de conduta diversa); deriva da norma primária imperativa (que exige uma determinada pauta de conduta); tem como pressupostos a imputabilidade e a potencial consciência da ilicitude (= a culpabilidade pressupõe um sujeito maior,

capaz de entender e de querer o caráter ilícito do fato).

Direito Penal – Parte Geral

Prof. Luiz Flávio Gomes

Apostila de junho/03 – ps. 108-113

Aula do Dia: 18.06.03

Observação: O preenchimento das lacunas foi feito pela equipe IELF e é de sua exclusiva responsabilidade.

10. A imputabilidade é contemporânea ao delito (à conduta). Actio libera in

causa: não é exceção

coloca em situação de inimputabilidade já inicia a execução do crime

coloca em situação de inimputabilidade culposamente? O SUJEITO RESPONDE POR

CRIME CULPOSO SE ERA PREVISÍVEL O RESULTADO - EX. SUJEITO COLOCA BOMBA EM AVIÃO, EMBRIAGASSE, E DORME.

porque quem era livre na causa e propositadamente se

E quem se

11. Imputabilidade # responsabilidade: IMPUTABILIDADE DEVE SER EXAMINADA NO MOMENTO DA CONDUTA; RESPONSABILIDADE SÃO AS CONSEQÜÊNCIAS DA INFRAÇÃO PENAL.

CAUSAS EXCLUDENTES DA CULPABILIDADE (Outros nomes: causas DIRIMENTES ou EXIMENTES ou EXCULPANTES # justificantes).

Causas que excluem a imputabilidade:

1. Doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado (CP, art. 26, caput); sistema biológico ( ), psicológico (X) ou biopsicológico ( )? Por quê? É PRECISO COMPROVAR MENTAL, MAIS INCAPACIDADE TOTAL DE ENTENDER E DE QUERER.

Inteiramente incapaz: como se prova isso? PROVA-SE POR PERÍCIA, LAUDO MÉDICO PERICIAL. A periculosidade é presumida? SIM. Cabe medida de segurança? SIM. A sentença é ABSOLUTÓRIA IMPRÓPRIA.

2. Menoridade penal (CP, art. 27): sistema biológico; A inimputabilidade é presumida? SIM. Presunção absoluta ou relativa? ABSOLUTA. Responsabilidade pelo ECA; crime cometido no dia do 18º aniversário? C.P. DEPOIS DO PRIMEIRO

SEGUNDO. E no crime continuado? C.P. E no crime permanente? C.P. Rebaixamento da idade penal; CF, art. 228; minha posição.

3. Embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior (CP, art.

28, § 1º): as três fases da embriaguez (excitação, depressão e sono); Qual é a conseqüência jurídica? EX. SUJEITO IMPÕE A OUTRO INGERIR DETERMINADA

BEBIDA. ABSOLVERÁ O RÉU SE ESTA FOR COMPLETA. FASE MACACO, LEÃO E PORCO (CRIMES OMISSIVOS). É COMPLETA QUANDO A FASE LEÃO NÃO HÁ CONSEQÜÊNCIA JURÍDICA.

4. Espécies de embriaguez: fortuita ou acidental/NÃO DOLOSA NEM CULPOSA,

voluntária/DOLOSA, culposa/DERIVA DE CULPA DO AGENTE, premeditada/INTENCIONAL OU PROPOSITAL, patológica/QUANDO SE TRANSFORMA NUMA DOENÇA, momentânea ou habitual/ESPORÁDICA OU FREQÜENTE, privada ou pública/DENTRO OU FORA DO CASO;

Causas que não excluem a imputabilidade:

1ª) Semi-imputabilidade (CP, 26, parágrafo único: reduzida capacidade de

entender ou de querer

imputável sofre PENA DIMINUÍDA; causa obrigatória de diminuição da pena (de 1/3 a 2/3); excepcionalmente impõe-se medida de segurança: quando? EXCEPCIONALMENTE, MEDIDA DE SEGURANÇA QUANDO O SUJEITO NECESSITA DE ESPECIAL TRATAMENTO CURATIVO. Acabou o sistema do duplo binário? SIM, HOJE VIGORA O SISTEMA VICARIANTE.

):

A sentença é CONDENATÓRIA; em regra o semi-

2ª) emoção ou paixão (CP, art. 28, I): crime passional: EMOÇÃO – PASSAGEIRA; PAIXÃO – DURADOURA.

3ª) embriaguez voluntária ou culposa: CP, art. 28, II: AMBAS NÃO EXCLUEM A CULPABILIDADE.

4ª) embriaguez incompleta proveniente de caso fortuito ou força maior

(diminuição da pena – CP, art. 28, § 2º DIMINUIÇÃO DE PENA.

de 1/3 a 2/3

):

NÃO É CAUSA DE

Causas que excluem a potencial consciência da ilicitude:

1. DO ERRO DE PROIBIÇÃO

1. Erro de proibição: erro sobre a ilicitude do fato (art. 21 do CP); Exemplos:

HOLANDÊS COM MACONHA, DENTRO DO BRASIL; MARINHEIRO NORUEGUÊS VENDENDO LANÇA PERFUME NO BRASIL.

2. Efeito: exclui ou atenua a PENA e o erro de tipo? exclui o DOLO – ART. 20 DO

CP.

3. Erro de proibição e ignorância da lei. Normalmente quem atua em erro de

proibição ignora a lei. Exemplos: açúcar; bebida alcoólica para tribo indígena; bandeira nacional; importunação de cetáceos etc. A ignorância da lei não escusa (art. 21), salvo no que diz respeito às contravenções (art. 8º); é só atenuante (art. 65, II); o erro de proibição pode escusar

4. Espécies de erro de proibição: DIREITO (NÃO SABIA QUE ERA PROIBIDO) (recai

sobre norma proibitiva; efeitos) e INDIRETO (recai sobre causas justificantes; 2

hipóteses de descriminantes putativas) – (art. 21 do CP);

Erro de proibição indireto:

(a)

erro sobre a EXISTÊNCIA de uma causa justificante que não existe. Ex. injúria;

(b)

sujeito erra sobre os LIMITES de uma causa justificante. Ex: professor

QUE

BATE NO ALUNO QUE XINGOU SUA MÃE.

5. E como pode ser o erro de proibição? Invencível/ESCUSÁVEL (21, 1ª parte);

vencível/INESCUSÁVEL (21, 2ª parte). Efeitos

ABSOLVIDO; VENCÍVEL – O RÉU RESPONDE PELO CRIME COM PENA DIMINUÍDA

DE 1/3 À 1/6.

INVENCÍVEL – O RÉU É

6. Erro de proibição (exclui ou atenua a culpabilidade) e delito putativo por

erro de proibição. No primeiro o agente supõe lícito o que é ilícito (ex: HOLANDÊS COM MACONHA); no segundo DELITO PUTATIVO POR ERRO DE PROIBIÇÃO (ex:

INCESTO). Natureza jurídica: FATO ATÍPICO.

2.

DESCRIMINANTES PUTATIVAS FÁTICAS (ART. 20, § 1º)

1.

O erro nas descriminantes putativas: (a) erro sobre a existência (ex.) – art. 21;

(b)

erro sobre os limites (ex.) – art. 21; (c) erro sobre situação fática

(descriminante putativa fática) – art. 20, §1º. Exemplos: (a) guarda noturno; (b)

pai de Mogi etc.

2.

Hipóteses “a” e “b” configuram erro de proibição indireto (art. 21) e chamam-se

também erro de

–art. 20, § 1º

; hipótese “c” = erro de tipo

3. O erro de tipo permissivo é erro de tipo ou erro de proibição? Exclui o dolo ou a

culpabilidade? Exemplo

********LACUNAS ACIMA********

************* VIDE ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO**********

4. Teorias sobre o assunto:

(a)

teorias do dolo: é erro de tipo e exclui o dolo; se vencível há crime culposo

(b)

teoria limitada da culpabilidade (predominante no Brasil): é erro de tipo e

exclui o dolo; se vencível há crime culposo

(c) teoria extremada da culpabilidade (Welzel): é erro de proibição e exclui a

culpabilidade; se vencível o sujeito responde pela pena do crime doloso

diminuída

(d) teoria que remete à conseqüência jurídica: art. 20, § 1º: é erro de

proibição sui generis; erro plenamente justificado pelas circunstâncias = isenção

de pena

; erro vencível: sujeito responde pela pena do crime culposo

5. Nossa posição: é um erro de proibição “sui generis” porque nas conseqüências

difere do erro de proibição previsto no art. 21

6. Enfatizando: erro invencível: iguais conseqüências com erro de proibição; erro

vencível: conseqüências distintas do art. 21

7. Conclusão: no art. 20, § 1º, 2ª parte (erro vencível) temos, então, uma

hipótese de um crime DOLOSO POR QUE TEM A INTENÇÃO punido com a pena do crime CULPOSO. E pode um crime doloso ser punido com a pena do crime culposo? SIM.

Causas que excluem “diretamente” a exigibilidade de conduta diversa:

1. Coação moral irresistível (CP, art. 22); coação física # coação moral:

; coação

resistível # coação irresistível; quem responde pelo delito? QUEM RESPONDE É SÓ

O

CO-AUTOR. E se a coação for resistível? RESPONDE PELO CRIME AMBOS.

2.

Obediência hierárquica: (CP, art. 22): só vale nas relações públicas; ordem

legal # ordem ilegal; ordem manifestamente ilegal # ordem não manifestamente ilegal (ex.): ORDEM MANIFESTADAMENTE ILEGAL, AMBOS RESPONDEM PELO CRIME.

3. Inexigibilidade de conduta diversa como causa supralegal de exclusão

da culpabilidade (ex.) CRIME PREVIDENCIÁRIO.; posição da jurisprudência:

CAUSA SUPRALEGAL – ADMITE.

DA PUNIBILIDADE:

1. Considerações gerais (quarto requisito do fato punível)

PUNÍVEL QUANDO É AMEAÇADO COM PENA.

Conceito: O ATO É

2. Regra: TODO FATO TÍPICO É PUNÍVEL. Exceções: tentativa de contravenção,

escusas absolutórias etc.

3. Causas impeditivas da punibilidade (imunidade diplomática, ausência de

condição objetiva de punibilidade etc.);

4.

Causas suspensivas da punibilidade (refis);

5.

Causas extintivas da punibilidade (CP, art. 107). MORTE, “ABOLITIO CRIMINIS”

E

ETC.

FORMAS DE REALIZAÇÃO DO DELITO: Estudaremos: crime consumado e tentativa; autoria e participação e concurso de crimes.

1. CRIME CONSUMADO E TENTADO (DO ITER CRIMINIS):

1. Iter criminis: conjunto das fases que se sucedem cronologicamente no delito.

2. Duas fases: interna e externa:

3. Fase interna: fase da cogitação

materialização da conduta: SÓ EXISTE CRIME QUANDO O SUJEITO EXTERIORIZA A

CONDUTA.

é punível ( ) ou impunível (X). Princípio da

4.

Fase externa:

(a) atos preparatórios

Excepcionalmente são puníveis. Exemplos: QUADRILHA OU BANDO.

em geral são puníveis ( ) ou impuníveis (X).

(b)

atos executórios: começo de execução do verbo núcleo do tipo. Exemplo:

155

ou atos imediatamente anteriores dirigidos ao verbo núcleo do tipo (começo

de execução do crime). Ex.: ARROMBAMENTO DE COFRE PARA SUBTRAIR DÓLARES.

(c) consumação: CP, art. 14, I.: QUANDO NELE SE REÚNEM TODOS OS SEUS

REQUISITOS LEGAIS.

5. Não confundir consumação com exaurimento (que compreende acontecimentos

típicos posteriores à consumação). Ex. EXTORSÃO, NO MOMENTO EM QUE O

SUJEITO RECEBE A VANTAGEM.

6. Relevância do momento consumativo: prescrição, competência, flagrante:

COMEÇA A PARTIR DA CONSUMAÇÃO. QUANDO SE ESTÁ CONSUMANDO OU ACABA DE CONSUMAR.

7. Quando os crimes se consumam?

Consoante a doutrina clássica (enfoque naturalístico):

a) crimes materiais, culposos, omissivos impróprios: MOMENTO DA CONDUTA.

b) crimes de mera conduta, formais e crimes omissivos próprios: MOMENTO DA

CONDUTA.

c) crimes qualificados pelo resultado: QUANDO HÁ O RESULTADO.

d) crime permanente: A CONSUMAÇÃO SE PROLONGA NO TEMPO.

e) crimes habituais: SÓ SE CONSUMA QUANDO HÁ REITERAÇÃO.

f) crimes complexos: QUANDO OCORRE TODOS OS REQUISITOS LEGAIS.

Direito Penal – Parte Geral

Prof. Luiz Flávio Gomes

Apostila de junho/03

Aula do Dia 30.06.03

Observação: O preenchimento das lacunas foi feito pela equipe IELF e é de sua exclusiva responsabilidade.

Do crime tentado: CP, art. 14, II: tentativa é a execução iniciada de um crime que não se consuma por circunstâncias ALHEIAS À VONTADE DO AGENTE. A TENTATIVA EXIGE ATOS EXECUTÓRIOS. SEU NOME EM LATIM É “CONATUS”.

1.

PREPARATÓRIOS.

É

o

conatus.

Que

se

entende

por

conatus

remotus?

SÃO

OS

ATOS

2. Qual é a natureza jurídica do art. 14, II: É UM TIPO PENAL DE AMPLIAÇÃO DA

PUNIBILIDADE.

3. Requisitos da tentativa: (a) dolo; (b) início de execução do crime ou do verbo

núcleo do tipo; (c) não consumação do crime por circunstâncias alheias à vontade

do agente.

Espécies de tentativa:

(crime

falho):UTILIZA-SE TODOS OS MEIOS PARA A CONSUMAÇÃO DO CRIME, PORÉM ESTE NÃO CHEGA A SE CONSUMAR. TRATA-SE DE UM CRIME FALHO.

1. perfeita ou acabada (o sujeito esgota o processo de execução)

2. imperfeita ou inacabada (o sujeito não esgota o processo de execução): NÃO

CHEGA A FAZER TUDO O QUE PODIA.

3. tentativa idônea: QUANDO HÁ PERIGO CONCRETO AO BEM JURÍDICO.

4. tentativa inidônea: QUANDO O SUJEITO UTILIZA UM MEIO ABSOLUTAMENTE

INEFICAZ. É UMA HIPÓTESE DE CRIME IMPOSSÍVEL.

5. tentativa irreal ou supersticiosa

SUJEITO

MACUMBA.

(delito putativo): OCORRE QUANDO O

EX.

ACREDITA

NUMA

CAUSALIDADE

IMPOSSÍVEL,

IRREALIZÁVEL

6. tentativa branca/vermelha: BRANCA: QUANDO A VÍTIMA SAI ILESA; VERMELHA:

QUANDO A VÍTIMA É ATINGIDA, CONHECIDA TAMBÉM COMO CRUENTA.

7. tentativa abandonada (desistência voluntária e arrependimento eficaz)

Crimes que não admitem tentativa:

1. crimes culposos (salvo culpa imprópria): NÃO ADMITEM TENTATIVA POR QUE O

RESULTADO TENTATIVA, NÃO É AQUELE QUE SE ALMEJA. – EX. BARULHO À NOITE,

PESSOA ATIRA PENSANDO SER UM LADRÃO, PORÉM QUANDO SER VERIFICA TRATA-SE DE UM GUARDA NOTURNO (EXCEÇÃO ADMITIDA).

2. preterdolosos: NÃO ADMITE TENTATIVA QUANTO AO RESULTADO CULPOSO. NO

ENTANTO, QUANTO AO RESULATDO DOLOSO É PERFEITAMENTE ADMISSÍVEL.

3. omissivos próprios: NÃO ADMITEM TENTATIVA.

4. unissubisistentes: CRIME DE UM SÓ ATO. – EX. INJÚRIA VERBAL.

5. habituais: NÃO SE ADMITE EM RAZÃO DA REITERAÇÃO DA CONDUTA.

6. crimes de atentado

A

CONDUTA TENTADA SERÁ PUNÍVEL DA MESMA FORMA QUE A MODALIDADE CONSUMADA. LOGO, NÃO HÁ QUE SE FALAR EM TENTATIVA.

DESCRIÇÃO TÍPICA. ART. 352 DO CP – EVADIR OU TENTAR EVADIR, O PRESO

CRIME QUE JÁ PREVÊ A TENTATIVA NA

352:

É

O

7. crime continuado: NÃO ADMITE TENTATIVA POR QUE SUA UNIDADE PARA FIM

DE PENA É FICTÍCIA.

8. e as contravenções? ADMITE TENTATIVA, PORÉM NÃO É PUNÍVEL.

Responsabilidade penal na tentativa:

1.

teoria subjetiva: A PENA DO CRIME TENTADO É A MESMA DO CONSUMADO.

2.

CONSUMADO.

teoria

objetiva:

A

PENA

DA

TENTATIVA

É

MENOR

QUE

A

DO

CRIME

3. Código penal brasileiro: art. 14, parágrafo único: acolheu a teoria OBJETIVA

como regra. A pena é sempre diminuída de 1/3 a 2/3

[GG1] Comentário:

4. É causa obrigatória de diminuição da pena

graduação? QUANTO MAIS O CRIME SE APROXIMA DA CONSUMAÇÃO, MENOR SERÁ A DIMINUIÇÃO.

  [GG1] ? SIM . Como o juiz faz a
 

[GG1]? SIM.

Como

o juiz

faz

a

  [GG1] ? SIM . Como o juiz faz a 5. A regra do art. 14,

5. A regra do art. 14, parágrafo único, é absoluta? NÃO. Há exceções? SIM Ex. ART.

352 DO CP – EVADIR OU TENTAR EVADIR

6. art. 31 do CP: o ajuste, determinação, instigação ou auxílio são impuníveis

QUANDO O CRIME NEM SEQUER INICIA A EXECUÇÃO.

Desistência voluntária e arrependimento eficaz (CP, art. 15):

1. Desistência voluntária: ART. 15 DO CP – OCORRE QUANDO O SUJEITO PODE

PROSSEGUIR, CONSUMAR O CRIME, MAS DESISTE. Exemplo: CASO DO DEPUTADO

DE GOIÂNIA QUE AO SER FECHADO, NO TRÂNSITO POR UM MOTORISTA DE ÔNIBUS, DISPARA DIVERSOS TIROS CONTRA O MOTORISTA, DESISTINDO DE MATAR ESTE, QUANDO PODERIA.

1.1. Diferença entre desistência e tentativa: DESISTÊNCIA: O SUJEITO PODE CONSUMAR MAS NÃO QUER. TENTATIVA: O SUJEITO QUER CONSUMAR MAS NÃO CONSEGUE.

1.2. A desistência precisa ser voluntária (não precisa ser espontânea)

o motivo

não importa

suspensão da execução não é desistência: POUCO IMPORTA O MOTIVO.

1.3. Como fica a responsabilidade? (a) o agente não responde pela tentativa do delito que pretendia; (b) o agente só responde pelo que objetivamente causou.

2.

Arrependimento eficaz: OCORRE QUANDO O AGENTE, DEPOIS DE PRATICAR

ATOS EXECUTÓRIOS, SE ARREPENDE, PRATICANDO CONDUTA PARA SALVAR O BEM JURÍDICO AMEAÇADO – EX. QUANDO SE ENVENENA, MAS DEPOIS, MINISTRA-

SE O ANTIDOTO.

2.1. precisa ser eficaz? SIM e se ineficaz? MERA CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE.

2.2. distinção entre desistência voluntária e arrependimento eficaz: DESISTÊNCIA:

O AGENTE SE ABSTEM DE PROSSEGUIR. EFICAZ: SE ARREPENDE E PRETICA

CONDUTA POSITIVA PARA SALVAR O BEM JURÍDICO.

2.3. Natureza jurídica desses institutos: causas de exclusão da TIPICIDADE, logo,

comunica-se entre os agentes: sim (X) (não ( ).

2.4. responsabilidade penal nesses casos: (a) o agente não responde pela tentativa

do delito que pretendia; (b) o agente só responde pelo que objetivamente causou.

3. Diferença entre arrependimento eficaz e arrependimento posterior? EFICAZ –

ART. 15 DO CP; POSTERIOR – ART. 16 DO CP.

Do arrependimento posterior (CP, art. 16):

1. Natureza jurídica do art. 16: É UMA MERA CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA. EX.

QUANDO HÁ REPARAÇÃO DOS DANOS OU RESTITUIÇÃO DA COISA. Obrigatória ou facultativa? OBRIGATÓRIA.

2. Quando se aplica?

(a) quando o agente repara o dano ou restitui a coisa

integralmente

restituição não é apreensão;

restituição

ou reparação parcial? CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE;

(b) ato voluntário do agente

ART. 16 DO CP. DEVERÁ SER ATO DO AGENTE. Ato voluntário (não precisa ser espontâneo);

e se um terceiro reparou os danos? NÃO APLICA O

(c) antes do recebimento da denúncia ou da queixa.: REQUISITO TEMPORAL. SE

DEPOIS É MERA CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE.

(d) crime sem violência ou grave ameaça contra a pessoa

doloso ou culposo

BENEFÍCIO SERÁ DE 1/3 À 2/3 DE REDUÇÃO DA PENA.

crime

Violência culposa admite? SIM, O

“pessoa”

consumado ou tentado

3. Comunica-se entre os agentes? SIM, COMUNICA-SE (ÚNICA CIRCUNSTÂNCIA

OBJETIVA).

Da reparação dos danos no Direito penal:

1. art. 16 do CP: arrependimento posterior

2. reparação posterior ao recebimento da denúncia: É MEIO ATENUANTE.

3. no peculato culposo (CP, art. 312, § 3º): (a) antes da sentença final EXTINÇÃO

DA PUNIBILIDADE; (b) após a sentença final REDUZ A PENA PELA METADE;

4. crimes tributários: art. 34 da Lei 9.249/95: antes do recebimento da denúncia

EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE;

5. reparação dos danos nos juizados criminais: DEPENDE: QUANDO SE TRATAR DE

AÇÃO PENAL PRIVADA OU AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA, A REPARAÇÃO EXTINGUE A PUNIBILIDADE. SE FOR AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA, NÃO HAVERÁ EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE;

6. reparação dos danos e sursis: QUEM REPARAR OS DANOS TERÁ DIREITO A UM

SURSIS ESPECIAL, É DIZER, MENOS RIGOROSO QUE O NORMAL;

7. reparação dos danos é condição do livramento condicional, da suspensão

condicional do processo, da reabilitação criminal

8. não reparação dos danos pode revogar sursis, pode revogar suspensão condicional do processo SALVO QUANDO HÁ JUSTA CAUSA.

9. pagamento do cheque sem fundos antes do recebimento da denúncia: extingue a

punibilidade (Súmula 554 do STF). E por que não aplica o art. 16 do CP SEGUNDO A Súmula 246 do STF: não há fraude: FICÇÃO JURÍDICA.

Do crime impossível (CP, art. 17):

1. Ocorre quando ex post verifica-se que jamais se consumaria: O BEM JURÍDICO

NÃO SOFREU NENHUM PERIGO.

2. Duas hipóteses no art. 17:

1ª) absoluta ineficácia do meio

inidônea: MEIA COLHER DE CHÁ DE AÇÚCAR NÃO MATA NEM DIABÉTICO.

se relativa responde

ex. do açúcar

tentativa

2ª) impropriedade absoluta do objeto erro de tipo: EX. ARMA DE BRINQUEDO.

não há bem jurídico

delito putativo por

3. Responsabilidade penal do agente: NÃO RESPONDE POR NADA.

4. Natureza jurídica? FATO ATÍPICO.

5. Flagrante preparado

ARDILOSAMENTE, A PRATICAR O FATO – EX. EMPREGADORA QUE PREPARA UM FLAGRANTE PARA A DOMÉSTICA. A MODALIDADE ESPERADA HÁ POSSIBILIDADE DE PRISÃO EM FLAGRANTE – EX. CÂMERAS EM SUPERMERCADOS (CONDUTAS PRATICADAS ESPONTANEAMENTE).

Súmula 145 do STF: QUANDO O AGENTE É INDUZIDO,

2. AUTORIA E PARTICIPAÇÃO

1. Crime monossubjetivo: É O CRIME QUE PODE SER COMETIDO POR UMA SÓ PESSOA. Ex. ROUBO, HOMICÍDIO E FURTO; crime plurissubjetivo: EXIGE VÁRIAS PESSOAS (de condutas paralelas. Ex.: QUADRILHA OU BANDO; de condutas contrapostas. Ex.: RIXA (03 PESSOAS); de condutas convergentes. Ex. ADUTÉRIO, BIGAMIA);

2. Os crimes plurissubjetivos configuram crimes de concurso (de pessoas)

necessário

# Concurso eventual de pessoas

3.

O autor é diferente do partícipe?

a) teoria subjetiva ou extensiva: DIZ O AUTOR NÃO É DIFERENTE DO PARTÍCIPE;

b) teoria objetiva ou restritiva: O AUTOR É DIFERENTE DO PARTÍCIPE;

c) qual teoria vale? A RESTRITIVA, OBJETIVA. Que hoje é complementada pela

teoria do domínio do FATO. Há, portanto, duas formas de concurso eventual de

pessoas: (a) CO-AUTORIA; (b) PARTICIPAÇÃO.

4. Quem é autor? Quem executa o crime ou quem participa da execução do crime

ou quem tem o domínio do fato: AS TRÊS HIPÓTESES.

Quem é

o autor mediato? Quem tem o domínio do fato e se serve de outra pessoa para a

o

executor é um instrumento

(exclusivamente). Exemplos: COMERCIANTE QUER MATAR SEU VIZINHO. PARA

TANTO, COLOCA ARSÊNICO NO AÇÚCAR QUE É COMPRADO POR SUA EMPREGADA DOMÉSTICA. ESTA, AO FAZER O CAFÉ, SERVE O AÇÚCAR ENVENENADO AO VIZINHO QUE VEM A FALECER. RESPONSÁVEL SERÁ O COMERCIANTE POR AUTORIA MEDIATA.

execução do crime

quem responde pelo crime? AUTOR MEDIATO

5. A autoria por ser imediata (o sujeito executa o delito

) ou mediata

há pluralidade de pessoas, mas não concurso de pessoas

Não há autoria mediata: (a) quando o sujeito usa animais ou coisas

coação física irresistível

(c) no crime de mão própria

(b) na

6. Quando se dá a co-autoria? QUANDO VÁRIAS PESSOAS PARTICIPAM DA EXECUÇÃO DO CRIME.

7. É preciso distinguir: (a) o co-autor intelectual QUEM TEM O DOMÍNIO DO FATO;

(b) do co-autor executor QUEM PRATICA O VERBO, NÚCLEO DO TIPO; (c) do co- autor funcional QUEM PARTICIPA DA EXECUÇÃO SEM REALIZAR O VERBO NÚCLEO DO TIPO – EX. QUEM FICA NA PORTA DO BANCO DURANTE O ROUBO.

8. A co-autoria exige que todos os co-autores tenham o mesmo comportamento?

NÃO.

9. Para a adequação típica da co-autoria é dispensável o art. 29 do CP? SIM, QUEM CONCORRE PARA O CRIME, PARTICIPA DA EXECUÇÃO, DISPENSA-SE O ART. 29 DO CP.

10. Quando se dá a participação: quando O SUJEITO CONCORRE PARA O CRIME

SEM PARTICIPAR DA EXECUÇÃO.

11. Em que momento pode ocorrer a participação: ANTES OU DURANTE O CRIME,

JAMAIS DEPOIS DA CONSUMAÇÃO.

12. A participação pode ser: (a) comissiva ou (b) omissiva

a) a participação comissiva pode ser moral ou material; moral: induzimento: CRIA

IDÉIA DO CRIME NO AGENTE; instigação ESTIMULA IDÉIA CRIMINOSA EXISTENTE;

ou ajuste É A COMBINAÇÃO, ACORDO ENTRE PESSOAS; material: por auxílio COMISSIVO, FORNECE OS MEIOS.

b) participação omissiva: é possível. Quando? 1) quando o sujeito tinha o dever

jurídico de agir e evitar o resultado; 2) podia agir e não agiu; 3) quando há vínculo

subjetivo

Ex.: GUARDA NOTURNO MANCOMUNADO COM CRIMINOSOS.

13. Participação omissiva e conivência: CONVENIÊNCIA: QUANDO O SUJEITO NÃO

TEM O DEVER JURÍDICO DE AGIR OU QUANDO NÃO HÁ VÍNCULO SUBJETIVO.

CONIVENTE NÃO RESPONDE POR NADA.

14. Participação de participação: SIM, SE DÁ NA PARTICIPAÇÃO EM CADEIA, UM

PARTÍCIPE SABE DO OUTRO;

15. Participação sucessiva: QUANDO DUAS PESSOAS OU MAIS PARTICIPAM DE UM

CRIME SEM SABER UMA DAS OUTRAS;

16. Natureza jurídica da participação: é autônoma ou acessória? (a) teoria causal:

AUTÔNOMA, INDEPENDENTE; (b) teoria da acessoriedade: É ACESSÓRIA – TEORIA VÁLIDA.

17. Para se punir o partícipe o fato principal precisa ser: (a) só típico ( ); (b) típico e antijurídico (X); (c) típico, antijurídico e culpável e (d) típico, antijurídico,

culpável e punível ( ). Teoria da acessoriedade LIMITADA. FATO TÍPICO E ANTIJURÍDICO É O INJUSTO PENAL.

18. Requisitos do concurso de pessoas:

1º) pluralidade de condutas:

2º) relevância jurídica de cada conduta:

3º) vínculo subjetivo do co-autor ou do partícipe:

19. É necessário o prévio acordo (“pactum sceleris”) entre todos os participantes?

SIM. Ex.: EMPREGADA DOMÉSTICA, QUE POR INSATISFAÇÃO, ABRE AS PORTAS DA CASA PERMITINDO ROUBO POR TERCEIROS. SERÁ PARTÍCIPE SEM PACTO PRÉVIO.

20. É indispensável a homogeneidade subjetiva? SIM. Logo: 1ª) não há

participação culposa em crime doloso

2ª) não há participação dolosa em crime culposo.

participação

(o crime culposo admite co-autoria, não

);

21. Autoria colateral: várias pessoas executam o crime sem nenhum vínculo subjetivo entre elas. Como fica a responsabilidade penal? O AUTOR DO TIRO MORTAL, CRIME CONSUMADO, DEMAIS – TENTATIVA.

22. Autoria incerta: se dá quando, na autoria colateral, não se descobre quem

produziu o resultado TENTATIVA.

responsabilidade penal: TODOS RESPONDEM POR

23. Autoria ignorada: conceito de processo penal: QUANDO NÃO SE SABE QUEM

FOI O AUTOR DO CRIME.

24.

No concurso de pessoas há um só crime ou vários?

(a)

teoria unitária (ou monista ou monística): um só crime

(b)

teoria dualista: um crime para autores e outro para os partícipes

(c)

teoria pluralística: um crime para cada participante

25.

Nosso CP (art. 29) acolheu a teoria MONISTA; desclassificação para um

exceções? SIM. São as chamadas exceções PLURALÍSTICAS à teoria monista.

26. Responsabilidade penal no concurso de pessoas: (regras)

1ª) a responsabilidade penal é individual

2ª) cada um responde na medida da sua CULPABILIDADE (CP, art. 29);

3ª) participação de menor importância: CP, art. 29, § 1º

1/6 a 1/3

4ª) desvio subjetivo

crime menos grave (CP, art. 29, § 2º) pena de metade

quem quis participar de crime menos grave, responde pelo

e se era previsível o resultado: aumenta a

5ª) art. 31: o ajuste, a determinação, a instigação e o auxílio não são puníveis, quando NÃO SE INICIA A EXECUÇÃO.; exceções: QUADRILHA.

6ª) a pena é agravada em relação: a quem dirige a atividade dos demais; quem

quem pratica o crime mediante paga ou

coage ou induz

promessa de recompensa

instiga ou determina

(CP, art. 62)

7ª) Comunicação das elementares e das circunstâncias

CP, art. 30:

(a)

não se comunicam as circunstâncias de caráter pessoal

ex.: REINCIDÊNCIA.

(b)

as

circunstâncias

objetivas

comunicam-se,

desde

que

todos

tenham

conhecimento

(c) as elementares comunicam, desde que todos tenham conhecimento

E as qualificadoras? Seguem o regime das circunstâncias: SIM SEGUE O REGIME DAS CIRCUNSTÂNCIAS.

8ª) Concurso de pessoas no infanticídio:

(a) quem concorre para o infanticídio, responde por infanticídio: INFANTICÍDIO, POIS SE TRATA DE ELEMENTAR.

27. Arrependimento do partícipe:

(a) antes do início da execução NÃO RESPONDE;

(b)

durante a execução e foi eficaz ART. 15 DO CP;

(c)

durante a execução e foi ineficaz RESPONDE COM ATENUANTE;

(d) após a execução COMO PARTÍCIPE, NORMALMENTE.

DIREITO PENAL – PARTE GERAL

Prof. Luiz Flávio Gomes

Apostila de Agosto/03

Aula do dia 05.08.03

Observação: O preenchimento das lacunas foi feito pela equipe IELF e é de sua exclusiva responsabilidade

3. CONCURSO DE CRIMES

1. Conceito: ocorre quando o agente, mediante uma só conduta, ou mediante várias condutas, comete vários crimes;

# concurso de pessoas é possível concurso de crimes e concurso de pessoas conjuntamente;

# concurso aparente de leis penais – no concurso aparente há um só crime, aparentemente, duas ou mais leis aplicáveis.

2. Espécies: (a) concurso material ou real de crimes; (b) concurso formal ou ideal de crimes; (c) crime continuado.

3. Quais infrações admitem concurso de crimes: todas

comissivo e etc. É possível concurso entre um crime doloso e outro culposo? Sim, é possível. Ex. aberratio ictus, casos de concurso formal.

consumado, tentado,

4.

Não há concurso de crimes: (a) no crime complexo. É a fusão de dois ou

mais crimes – Ex. latrocínio (subtração + morte = único crime); (b) no crime permanente. Crime em que a consumação se prolonga no tempo – Ex. seqüestro; (c) no crime habitual. Crime que exige reiteração – Ex. curandeirismo; (d) no crime de conteúdo múltiplo ou variado. Crime que

descreve vários verbos – Ex. art. 12 da Lei de Tóxicos e art. 10 da Lei de Armas

de Fogo; (e) no crime de conduta única mas desdobrada em vários atos

crime de lesão corporal que pode ser praticado com uma, duas ou dez pauladas

(crime único). Ex. crime de estupro quando o agente mantém sete relações sexuais com a vítima.

Ex.

5. Concurso material (ou real) de crimes: CP, art. 69

pluralidade de condutas várias condutas; (b) pluralidade de crimes crimes.

Requisitos: (a)

vários

6. Espécies de concurso material: (a) homogêneo

crimes são idênticos;

Ex.: um roubo em julho e outro roubo no natal;

(b) heterogêneo

crimes não são idênticos. Ex.: roubo + estupro.

OBS: Crimes falimentares – os crimes praticados são considerados um único crime.

7.

Regras de fixação da pena: preenchimento somente em sala de aula.

(a)

as penas são aplicadas individualmente

(b)

as penas são cumuladas

(reclusão executa-se primeiro que detenção)

(c)

penas restritivas de direitos: serão cumpridas

as que

forem compatíveis; e

as que não forem

8. O concurso material de crimes gera por si só reincidência? Não. Se não havia condenação antes não gera.

9. Como se conta a prescrição? Cada crime tem seu prazo prescricional – art. 119 do CP.

10. Concurso formal (ideal) de crimes: (CP, art. 70)

conduta única ; (b) pluralidade de crimes

material no crime material há pluralidade de condutas, no crime formal, uma só

conduta; unidade de desígnio não é requisito do concurso formal objetiva) (mas há divergência na jurisprudência).

requisitos: (a)

;

concurso formal # concurso

(teoria

11.

Espécies de concurso formal:

 

1.

homogêneo: crimes idênticos

Ex.: acidente único, com duas mortes.

(b)

heterogêneo: crimes não idênticos

Ex.: acidente com uma morte e uma

lesão.

 

(c)

perfeito (ou normal ou próprio): quando não há desígnios autônomos

 

(d)

imperfeito (anormal ou impróprio): quando há desígnios autônomos

(só

ocorre nos dolosos

)

12. Vários roubos no mesmo contexto fático: Ex. sujeito no ônibus, com uma só

ameaça, ofende 10 pessoas. Concurso formal perfeito.

13.

Regras de fixação da pena: *preenchimento somente em sala de aula*

(a)

regra geral: juiz aplica uma só pena (a maior), aumentada de 1/6 a 1/2

(b)

juiz leva em conta cada caso concreto

número de infrações,

principalmente;

(c)

regras especiais:

1ª) no concurso formal, se a soma das penas é melhor para o réu (concurso material benéfico)

2ª) no concurso imperfeito as penas são somadas

Nas duas últimas hipóteses: o concurso é formal, mas as penas são aplicadas conforme o concurso

14.

Crime continuado (CP, art. 71 e parágrafo único)

15.

Há duas espécies de crime continuado: (a) genérico (CP, art. 71, caput);

(b)

específico (parágrafo único do art. 71)

16.

Do crime continuado genérico: art. 71, “caput”

dois ou mais crimes

da mesma espécie em continuação

17. Requisitos:

(a) pluralidade de condutas:

continuação.

condutas subseqüentes

# com concurso formal

# concurso material

ex.: vários furtos em

(b) pluralidade de crimes da mesma espécie

mesmo tipo penal # crimes do mesmo gênero; estupro e atentado violento ao

pudor? Não são da mesma espécie; roubo e latrocínio? Seriam da mesma espécie, mas o STF diz que não são.

que é isso? Crimes previstos no

(c) o elo de continuidade: 1) pelas condições de tempo: 30 (trinta) dias;

2) lugar: crimes na mesma comarca ou em comarcas vizinhas;

3) maneira de execução: “modos operandi”;

4) outras semelhantes: mesmos comparsas, mesmo instrumento do crime.

A unidade de desígnio não faz parte dos requisitos

(teoria objetiva pura)

18.

Natureza jurídica do crime continuado:

(a)

unidade real;

(b)

teoria mista: forma-se um terceiro crime;

(c)

teoria da ficção jurídica

Qual foi acolhida? Para efeito da aplicação da pena acolheu-se a teoria da ficção jurídica (uma só pena aumentada);

Para outros efeitos penais cada crime é um crime. Ex. prescrição – furto em janeiro, prescreve a partir de fevereiro.

19. É possível o crime continuado quando são atingidos bens jurídicos pessoais

(vida, integridade física etc.)? Sim. A Súmula 605 do STF foi cancelada

20.

Regras de fixação da pena: *preenchimento somente em sala de aula*

(a)

uma só pena (a maior), aumentada de 1/6 a 2/3

(b)

como o juiz faz o aumento?

21.

Crime continuado específico: parágrafo único do art. 71

(a) Requisitos: (a) crimes dolosos; (b) com vítimas diferentes; (c) cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa

(b) como o juiz fixa a pena? Aumentando até o triplo.

22. Pode o juiz fixar a pena além de 30 anos? Pode.

23. Quando há concurso formal e crime continuado, como é fixada a pena?

Somente incidirá o crime continuado.

24. Vários crimes em continuidade delitiva

gravosa. Qual se aplica? STF – leva-se em conta sempre a última lei.

surge lei penal nova mais

25. O crime continuado por si só gera reincidência? Não.

26. Crime continuado e crime habitual: qual é a diferença? O crime habitual é

crime único, porém, que exige reiteração.

27. Crime continuado e reiteração criminal: qual é a diferença? *preenchimento

somente em sala de aula*

28. Se o juiz não reconhece o crime continuado na sentença

*preenchimento somente em sala de aula*

quem faz isso?

29. A sentença que reconhece o crime continuado faz coisa julgada? *preenchimento somente em sala de aula*

DAS CONSEQUÊNCIAS JURÍDICAS DO FATO PUNÍVEL

PENAS: CONCEITO, PRINCÍPIOS E CLASSIFICAÇÃO

1. Sanção é um gênero ao qual pertencem: (a) as penas; (b) a medida de

segurança e (c) as medidas alternativas (lei dos juizados). b

2. Pena é a sanção (castigo) imposta pelo Estado (pela autoridade judicial

competente e de acordo com o devido processo legal) ao autor (culpável) de um fato punível.

3. Qual é a # entre pena e medidas alternativas?

*preenchimento somente em sala de aula*

4. Pena de prisão/prisão cautelar?

*preenchimento somente em sala de aula*

5.

Penas e medidas de segurança: diferenças: fundamento da pena é a

culpabilidade. Fundamento da medida de segurança é a periculosidade. A pena só é aplicável ao autor imputável de um injusto penal. A medida de segurança só pode ser aplicada aos inimputáveis por loucura. E o semi-imputável? Em regra sofre pena diminuída. Excepcionalmente medida de segurança. Quando? Quando necessita de especial tratamento curativo. A pena é retributivo- preventiva (CP, art. 59), enquanto a MS é puramente preventiva. A pena é imposta por tempo determinado. E a medida de segurança? indeterminado.

6. A inderrogabilidade (ou infalibilidade) é característica da pena? É (ou ao

menos deveria ser). A todo crime deve ser aplicada a pena correspondente. Beccaria (1764).

7. Princípios básicos relacionados com a pena:

1º) princípio da legalidade: não há pena sem prévia cominação legal (não há pena sem lei). Do princípio da legalidade emanam as seguintes dimensões de garantia:

1ª) lex scripta - lei escrita – somente lei escrita pode prever pena; 2ª) lex populi – lei aprovada pelo parlamento. É possível medida provisória? Não (CF, art. 62, § 1º, I, “b”); 3ª) lex certa lei induvidosa (princípio da taxatividade); 4ª) lex clara lei que o povo entenda; 5ª) lex proporcionalis a pena tem que ser proporcional ao crime. 6ª) lex stricta não se admite analogia contra o réu; 7ª) lex praevia primeiro a lei, só vale daí para frente (princípio da anterioridade).

2º) princípio da individualização da pena (CF, art. 5º, inc. XLVI): a pena deve ser individualizada em três momentos:

*preenchimento somente em sala de aula*

3º) princípio da proporcionalidade: significa que a pena deve ser proporcional à gravidade da infração.

4º) princípio da personalidade ou pessoalidade da pena: A pena não pode passar da pessoa do condenado (CF, art. 5º, inc. XLV). A prisão não passa ao sucessor. E a multa? Não. Quais obrigações passam aos sucessores?

*preenchimento somente em sala de aula*

5º) princípio da humanidade: (a) ninguém será submetido a tortura nem a

tratamento desumano ou degradante (CF, art. 5º, inc. III) pena cruel.

Não pode haver

6º) princípio da dignidade: a ninguém pode ser imposta uma pena ofensiva à dignidade humana (coleta de lixo da cidade por um advogado etc.).

8º) princípio da suficiência: *preenchimento somente em sala de aula* Classificação das penas 1. De

8º) princípio da suficiência: *preenchimento somente em sala de aula*

Classificação das penas

1. De acordo com o Código penal brasileiro, as penas classificam-se em: (a)

privativas de liberdade; (b) restritivas de direitos; e (c) multa. 4ª Hipótese não prevista na doutrina – as penas específicas do art. 92 do CP.

2. São penas privativas de liberdade: (a) a reclusão, (b) a detenção e (c) a

prisão simples.

3. As duas primeiras são cominadas para os crimes, enquanto a última o é para

as contravenções (cf. LICP, art. 1º).

4. Reclusão e detenção: diferenças:

(1) a reclusão permite qualquer regime inicial, a detenção, no início, no máximo regime semi-aberto; (2) procedimento da reclusão é mais demorado, detenção, mais rápido; (3) interceptação telefônica, só cabe na reclusão.

5. As penas restritivas de direitos são substitutivas da prisão. Quantas são: (1) prestação pecuniária; (2) prestação de outra natureza; (3) perda de bens e valores; (4) prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas; (5) interdição temporária de direitos (que possui quatro sub-modalidades); (6) limitação de fim de semana (CP, art. 43). No total temos: 09 (nove). E temos também a multa substitutiva. No total então temos 10 (dez) penas substitutivas.

6. Todas essas penas, dentro da estrutura do Código penal, são principais? Sim. Portanto, não são acessórias. Existem penas acessórias no CP? Não. E nas leis especiais? Sim, ex. crimes falimentares (proibição de exercer o comércio). As penas acessórias são automáticas? (a) posição legalista: são automáticas; (b) posição constitucionalista? Não são automáticas. O juiz tem que fundamentar. Penas acessórias + efeitos específicos do art. 92 do CP: são, na verdade, penas específicas.

Penas proibidas: acham-se proibidas no Brasil as seguintes penas: (a) de morte, salvo em caso de guerra declarada. Como se executa? Por fuzilamento; (b) de caráter perpétuo (ergastolo – prisão perpétua na Itália); (c) de trabalhos forçados; (d) de banimento; (e) cruéis. E as penas corporais? Não podem, são penas corporais (ex. chibatadas).

DA APLICAÇÃO DA PENA

INTRODUÇÂO

1. De acordo com o art. 59 do CP o juiz, na sentença condenatória, deve: (a) escolher a pena (quando cominadas alternativamente – CP, art. 135); (b) quantificar a pena; (c) fixar o regime inicial; (d) substituir, quando o caso, a pena de prisão.

Está correta essa ordem legal? Não; O art. 59 enumerou todas as etapas (possíveis em tese) na aplicação da pena? Não. Quantas e quais são essas etapas possíveis? 09 (nove) etapas:

(1ª) escolha da pena (quando alternativas);

(2ª) quantificação da pena de prisão (que segue o sistema trifásico);

(3ª) quantificação da pena de multa (que segue o sistema bifásico);

(4ª) aplicação de eventual efeito específico da condenação (CP, art. 92);

(5ª) eventual substituição da prisão;

(6ª) eventual aplicação do sursis;

(7ª) fixação do regime inicial;

(8ª) deliberação sobre o direito de apelar em liberdade;

(9ª) determinações finais (mandado de prisão, custas etc.).

PRIMEIRA ETAPA: escolha da pena, quando alternativas – ex. art. 135 do CP (crime de omissão de socorro – prisão ou multa).

2. O que o juiz leva em conta para a aplicação da pena? As circunstâncias judiciais do art.59 do CP, que são:

1ª) culpabilidade do agente: *preenchimento somente em sala de aula*

2ª) antecedentes do agente: é a vida pregressa, passada do agente, sua vida “anteacta”. São bons ou maus. Fato posterior ao crime anterior? Não é antecedente criminal. Vale para a personalidade do agente.

Conceito de maus antecedentes: duas correntes: *preenchimento somente em sala de aula*

Passagens pela Vara da Infância e Juventude: Não.

3ª) conduta social do agente: é a conduta do agente no trabalho, na sociedade, no clube etc.; pode ser boa ou má;

4ª) personalidade do agente: é o caráter, a índole do sujeito, que é extraída da sua maneira habitual de ser; pode ser voltada ou não para a delinqüência;

5ª) motivos do crime: são as razões do crime como ódio, amor, cupidez, inveja etc.; pode ser nobre (ex. registro de filho alheio como próprio) ou abominável (torpe);

6ª) circunstâncias do crime: não são as agravantes e atenuantes previstas no

art. 61 e ss

São: circunstâncias do fato.

7ª) conseqüências do crime: são os efeitos decorrentes dele, seus resultados, particularmente para a vítima, para sua família etc.;

8ª) comportamento da vítima: Serve para dosar a pena. A culpa da vítima elide a culpa do agente? Não, mas pode atenuar a pena.

3. Regras básicas para a fixação da pena:

1ª) necessidade de fundamentação concreta: (CF, art. 93, IX); *preenchimento somente em sala de aula*

2ª) proibição de mera referência genérica à lei: A sentença tem que ser fundada em fatos concretos (provados no processo);

3ª) proibição da dupla valoração de uma mesma circunstância (proibição do bis

in idem):

pode ser valorada duas vezes.

maus antecedentes e reincidência: uma mesma condenação não

3. REGRAS BÁSICAS PARA A FIXAÇÃO DA PENA:

1ª) NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA: (CF, ART. 93, IX):

A ESCOLHA DA PENA ASSIM COMO A FIXAÇÃO DE QUALQUER PENA DEVE SER FUNDAMENTADA.

PENA NO MÍNIMO, SEM FUNDAMENTAÇÃO: TOLERA-SE.

PENA ACIMA DO MÍNIMO, NÃO FUNDAMENTADA: SENTENÇA NULA, NO PONTO.

2ª) PROIBIÇÃO DE MERA REFERÊNCIA GENÉRICA À LEI: A SENTENÇA TEM QUE SER FUNDADA EM FATOS CONCRETOS (PROVADOS NO PROCESSO);

3ª) PROIBIÇÃO DA DUPLA VALORAÇÃO DE UMA MESMA CIRCUNSTÂNCIA (PROIBIÇÃO DO BIS IN IDEM): EX.: MAUS ANTECEDENTES E REINCIDÊNCIA.

2ª ETAPA: FIXAÇÃO DA PENA DE PRISÃO

1. EXISTEM DOIS MÉTODOS (DOIS SISTEMAS) A RESPEITO DA APLICAÇÃO DA PENA DE PRISÃO:

(A) MÉTODO TRIFÁSICO OU DE NÉLSON HUNGRIA: (B) MÉTODO BIFÁSICO OU DE ROBERTO LYRA:

A) PENA-BASE, CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES E AGRAVANTES E CAUSAS DE AUMENTO E DE DIMINUIÇÃO DA PENA.

B) PENA-BASE + CIRC. ATEN.E AGRAV. E CAUSAS DE AUMENTO OU DE DIMINUIÇÃO DA PENA.

NOSSO CP, ART. 68 – ADOTOU O SISTEMA TRIFÁSICO.

1ª FASE: FIXAÇÃO DA PENA-BASE:

EM CONTA? ART. 59.

(A) DENTRO DOS LIMITES LEGAIS; (B) O QUE O JUIZ LEVA

CRIME SIMPLES É # DO CRIME QUALIFICADO (EX.: FURTO).

CONCURSO DE QUALIFICADORAS: UMA SERVE COMO QUALIFICADORA; AS OUTRAS SÃO CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES OU ENTRAM NO ART. 59 DO CP.

LIMITE: É O LIMITE MÁXIMO LEGAL.

PRIMÁRIO E BONS ANTECEDENTES TEM DIREITO À PENA MÍNIMA? NÃO.

A PENA-BASE PODE SER A PENA DEFINITIVA? SIM.

2ª FASE: CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES E ATENUANTES: CIRCUNSTÂNCIA É # DE ELEMENTAR?

ELEMENTARES: DADOS ESSENCIAIS DO DELITO; CIRCUNSTÂNCIAS: DADOS QUE O LEGISLADOR AGREGRA AO TIPO FUNDAMENTAL PARA AGRAVAR OU DIMINUIR A PENA.

ARTS. 61 E 62: CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES.

ARTS. 65 E 66: CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES.

R EGRAS : 1 ª ) A AGRAVANTE “ SEMPRE ” AGRAVA ? N ÃO

REGRAS: 1ª) A AGRAVANTE SEMPREAGRAVA?

NÃO

2ª) A ATENUANTE SEMPREATENUA?

SÚMULA 231 STJ:_NÃO

;

NÃO

;

;

PENA AQUÉM DO MÍNIMO PODE?

3ª) PROIBIÇÃO DO BIS IN IDEM: QUANDO AS AGRAVANTES OU ATENUANTES CONSTITUEM OU QUALIFICAM O CRIMENÃO INCIDEM;

4ª) O QUANTUM: FICA POR CONTA DO JUIZ;

5ª) EXIGE-SE DOLO DO AGENTE? SIM.

6ª) AS AGRAVANTES INCIDEM NOS CRIMES CULPOSOS? EM REGRA NÃO, SALVO REINCIDÊNCIA. E NOS PRETERDOLOSOS? PREPONDERA ENTENDIMENTO NEGATIVO.

7ª) CONCURSO DE AGRAVANTES COM ATENUANTES: QUAIS PREVALECEM? ART. 67 DO CP: AS SUBJETIVAS (PERSONALIDADE, MOTIVOS E REINCIDÊNCIA).

8ª) MENORIDADE: É A CIRCUNSTÂNCIA QUE MAIS PREPONDERA. POR QUÊ? PORQUE O AGENTE ESTÁ COM PERSONALIDADE EM DESENVOLVIMENTO.

9ª) E SE AS CIRCUNSTÂNCIAS SE EQUIVALEM? UMA ANULA O EFEITO DA OUTRA.

10ª) COMPENSAÇÃO ENTRE AGRAVANTES OU ATENUANTES E CAUSAS DE AUMENTO OU DE DIMINUIÇÃO: IMPOSSÍVEL.

11ª: AGRAVANTE NÃO ARTICULADA NA DENÚNCIA? SEM PROBLEMA.

A PENA DA 2ª FASE PODE SER A PENA FINAL? SIM.