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Director 06 real people 54 Central Parq

Francisco Vaz Fernandes gilles laumonier design


francisco@parqmag.com por Ana Canadas wieki somers
por Carla Carbone
Direcção de Arte 08 real people
Alva the correspondents 58 Central Parq
www.alva-alva.com por Pedro Lima design
portofoliodays
Publicidade 10 real people por Francisco Vaz Fernandes
Francisco Vaz Fernandes tommy ton
francisco@parqmag.com por Roger Winstanley 60 Moda
the caribbean girl
Cláudia Santos 12 real people por André Brito
claudia@parqmag.com sandra e Sílvia
por Maria João Teixeira 68 Moda
flesh is the colour
14 you must shopping por Manuel Sousa
por Manuel Sousa

18 You Must

30 Shopping

32 Soundstation
lcd soundsystem
por Davide Pinheiro
PARQ periocidade TEXTOS
Número 21 Mensal Ana Canadas 34 Soundstation 74 Parq Here
julho + julho 2010 Carla Carbone Hilfiger denim live miss jones & Ray Monde
Depósito legal Cláudia Gavinho por Pedro Lima Bocca
272758/08 Claúdia Matos Silva
Registo ERC Davide Pinheiro 36 Soundstation 76 Parq Here
125392 Francisco Vaz Fernandes sharon jones places
Nuno Adragna por Rui Miguel Abreu bica do sapato + swatch
Edição Margarida Brito Paes
Conforto Moderno Uni, Lda. Maria João Teixeira 38 Viewpoint 77 Parq Here
número de contribuinte: 508 399 289 Maria São Miguel reebok places
Miss Jones por Mr. Dheo conceito x + temporary
PARQ Pedro Lima shop
Rua Quirino da Fonseca, 25 – 2ºesq. Pedro Mota 44 Central Parq
1000-251 Lisboa Ray Monde Grande Entrevista 78 Parq Here
Roger Winstanley pedro cabrita reis gourmet - cocktails
00351.218 473 379 Rui Catalão por Francisco Vaz Fernandes absolut+ jameson
Rui Miguel Abreu
Impressão 48 Central Parq 80 Parq Here
BeProfit / SOGAPAL arte were where you?
Rua Mário Castelhano · Queluz de Baixo a arte de viajar nike sportswear +
2730-120 Barcarena por Francisco Vaz Fernandes storytailors
20.000 exemplares FOTOS

Felizmente
André Brito 50 Central Parq 82 Dia Positivo
distribuição Javier Domenech cultura assim na terra como

temos o futebol
Conforto Moderno Uni, Lda. Manuel de Sousa geração arco-íris no céu
Ricardo Gomes por Cláudia Gavinho por Cláudia Matos Silva
A reprodução de todo o material é Rui Vieira t — francisco vaz fernandes
expressamente proibida sem a permissão
da Parq.Todos os direitos reservados.
Copyright © 2008 Parq. Às portas do mundial (que, de que Portugal não seja uma das
esperamos, corra muitíssimo bem principais potências no mundo do
Assinatura anual 15€. STYLING para que a onda de furor possa invadir futebol. Esse estatuto deve-se às
Ana Canadas todos os ramos da nossa sociedade), infra-estruturas e a uma cultura que
www.parqmag.com Juliana Lapa já todos percebemos o quanto apoia as ambições de muitos jovens,
temos de mudar para alcançar o um fenómeno que deveria ser
capa nível de vida médio europeu que contagiante ao resto da sociedade.
Iasha veste camisa H&M e tanto almejamos. Digo isto cheio É fácil de entender, olhando para o
óculos Chilli Beans. de esperança, tanto na contribuição caso do futebol, como se conseguem
FOTO rui vieira ilustração da PARQ como dos seus leitores resultados para os quais toda
produção kind&naked bráulio amado para um mundo melhor. Sem uma sociedade se empenha. Não
hair + Make-up kind mr. dheo fatalismos, sem resignação e com fizemos uma edição sobre futebol,
stylist naked esse entusiasmo de construir que outras publicações especializadas
todos os processos criativos geram. o farão, mas não deixamos de
Sociedades que não encontram ser contagiados pelo entusiasmo
apoio na massa crítica e na sua e temos alguns artigos que se
juventude são menos dinâmicas e relacionam com o campeonato
perdem em termos globais. Nos do mundo, nomeadamente, um
últimos anos, em certos aspectos texto que questiona a cultura
e em certas áreas, até conseguimos pós‑apartheid —a cultura que vai
almejar lugares cimeiros com receber todos aqueles que este ano
grande reconhecimento mundial. forem a África do Sul.
O problema é que todos esses
casos acabam por se tornar Vamos descansar e só voltamos em
excepções contribuindo pouco para Setembro por isso, até lá, boas férias
uma imagem global de um país e não se esqueçam de levar a PARQ
criativo. Restam poucas dúvidas a passear.
Porque escolheram Vivienne
Westwood para a primeira
colaboração com a Lee e
por quantas estações se vai
manter essa relação?
(gargalhada) Penso na Lee como
um produto puro e original com
uma longa história, tal como a
criadora Vivienne Westwood também
pode ser apreciada pelo seu lado
genuíno e original. Neste sentido,
havia uma aproximação natural
e, na verdade, ambas as partes
experimentaram um certo conforto
nesta primeira colaboração, Parece-me que, no mundo do
assegurando uma linha de jeans com denim, já tudo foi feito em termos
um verdadeiro valor vintage, como de cortes, técnicas de confecção
a Vivienne Westwood desejava, com e lavagens. Hoje, facilmente
a garantia da Lee. A colecção podemos encontrar um par
ficou fantástica, com 50 modelos de jeans a menos de 50 euros.
de pares de calças para homem e Como esperas manter este teu
mulher. projecto novo e excitante?
Aposto no ângulo da qualidade,
acho que temos um público que
tem confiança na marca e que
reconhece a grande qualidade dos
nossos materiais, é daqueles casos
que alicerça uma tradição de bem
fazer. Além disso, a Lee sempre
foi uma marca que esteve do lado
da inovação. Fomos os primeiros
a pôr um zip num par de jeans e os
primeiros a realizar um corte
estreito dirigido a um cowboy
urbano. As pessoas sabem avaliar a
experiência de uma marca com a qual

s
lil nier
estabelecem laços emocionais. Daí

e
que tenham grandes expectativas
sobre o desenvolvimento dos nossos
produtos.

g mo
aL u +
www.
parqmag.
com/
blog
www.
lee.
com

O belga que, em cinco anos, Conseguiste que as colaborações


revolucionou a Eastpak, a partir funcionassem com sucesso na
de colaborações com designers Eastpak, com Raf Simmons
de renome, é agora o novo e Rick Owens. Que razão te
director da Lee Internacional. leva a acreditar que o mesmo
Começa por coordenar a primeira Este projecto com Vivienne poderá acontecer com jeans?
colaboração desta marca de denim Westwood é um ponto de Acho que os jeans fazem parte do
com Vivienne Westwood. Uma partida para futuras colaborações nosso mundo. Usamos jeans para
colecção que entra no mercado com outros designers? tanta coisa, tanto em ocasiões de
em Agosto que promete ser apenas Tem havido muito burburinho em lazer como no trabalho. Por isso,
o primeiro abanão para fazer torno do assunto, o que já é porque não elaborar um produto que
despertar a bela adormecida que positivo para uma marca com um tem uma utilidade muito ampla?
lhe caiu em braços. enorme potencial, mas que tem Não vejo nenhum problema quanto
estado adormecida. Esta questão ao nível da aceitação, porque
está ao nível do que se passa naturalmente já é um produto muito Quando é que as peças
na indústria de automóvel, procurado. dessa colaboração com
onde é sempre necessário dar Vivienne Westwood
novas energias às marcas, vão estar disponíveis?
independentemente do prestígio A primeira colecção será
alcançado. Não temos ainda comercializada a partir de
previsto novas colaborações, Agosto e vai estar nas lojas da
nem mesmo com Vivienne Westwood, Vivienne Westwood e em poucos,
com quem a resposta, em Milão e mas seleccionados pontos chaves
Hong Kong, tem sido tão positiva de venda, nas principais capitais.
que gostaríamos de continuar nas
próximas estações. Estamos em
negociação.

006 – real People t — Ana Canadas + Roger Winstaley i — Bráulio Amado


t s
myspace.com/
thecorrespondentsmusic

de n
n
ht e espo
rr
co

A vossa energia parece ser


altamente contagiante. Como
explicam o frenesim que
provocam nos concertos ao vivo?
Mr B: Eu apenas fico super excitado
e este estado de exaltação, como
dizes, pode ser contagiante.
Dançar até ficar suado é uma
sensação incrível. Penso que a
maioria das pessoas tem vontade
de o fazer, só precisa de um
catalisador adequado.

Onde vão buscar a inspiração


burlesca de palhaços,
Swing e sapateado?
Mr C: (risos) Isso, acho que vais
ter de perguntar ao Mr. Bruce!
Mr B: Bem, eu tento cantar sobre
um estilo de vida de cabaret, meio
doido e elegante, que aspiro, mas
muitas vezes não consigo levar.
Neste momento, o meu objectivo é
escrever uma canção mais pessoal
–uma canção que apele mais ao
coração.

The Correspondents é um duo A vossa música desafia géneros Apontam algumas influências,
swing-hop britânico, formado pelo e períodos de tempo. Como desde Ella Fitzgerald
MC Mr. Bruce e o DJ/Produtor descrevem o vosso som? a Fatboy Slim, Billie
Mr. Chuckles, que explora um Mr Chuckles: Essa é traiçoeira. Holiday a Nightmares
novo conceito sonoro. Hip hop Basicamente, é uma mistura das on Wax. Esta combinação
para os anos 30, orquestras jazz nossas influências: Jazz, Swing, Hip improvável foi consciente
apontadas para o futuro, num Hop, Drum & Bass e um pouco de tudo ou surgiu naturalmente?
misto de música de cabaret com o resto! Mr C: Eu comecei a produzir Jazzy
roupagem de gentleman, swing, synths Mr Bruce: Passados dois anos e Hip Hop há cerca de quatro ou
e muito sapateado. meio, ainda não chegámos a uma cinco anos, e desde então que
definição polida! Eu costumo comecei a acelerar um pouco a Depois do EP The Rogue em
chamá-lo Swing contemporâneo. batida. Agora, acho que o Swing 2008, quais são os vossos
Electro Swing é um termo que tem é um género perfeito para ir planos para o futuro?
sido bastante usado. retirando elementos, porque é tão Mr C: Temos um álbum em curso.
imaculado e tem tanta coisa boa Esperamos que lá para o final
para explorar. do ano esteja concluído. De
Mr B: Acho que para ambos surgiu momento, estamos só a escrever
muito naturalmente. Eu cresci numa e a tentar definir que direcções
dieta saudável de Drum & Bass, mas queremos seguir e como evitar usar
desenvolvi uma paixão pelo Swing e demasiados samples.
penso que a minha inclinação por Mr B: Eu vou estar ocupado a
aquela elegância de alta costura construir engenhos de palco, como
que representava surgiu daí. Mas uma plataforma elevatória para
foi só quando ouvi a produção de dançar e coisas do género. Poderia
Mr. Chuckles que percebi que isto até começar a desenhar uma nova
podia realmente funcionar. linha de meias de padrões…

008 – real People t — pedro lima (stereobox.com) i — Bráulio Amado


www.
jakandjil.
com

m y
ot m
ot n
No “Style.com”, tens alguém
para organizar a tua
agenda de convites?
Faço tudo sozinho. Sou muito
independente e dispenso motorista.
Gosto de manter à minha volta um Publicaste recentemente
certo nível básico e prático. imagens da Tavi para a Vogue
Prefiro andar de comboio, de Paris. Como foi a experiência?
autocarro, ou então a pé. Quando A coisa que mais queria no
estou a cobrir um evento de moda, mundo desde que comecei a ter
nunca aceito boleias nem nunca pretensões em tornar-me fotógrafo
tenho pressa de sair dos lugares era publicar algo na Vogue Paris.
dos desfiles, vou-me mantendo Mesmo se fosse só uma imagem,
a espera de momentos únicos e entraria em êxtase e sentiria
importantes. É preciso saber cumprida a minha missão. Por isso
olhar, ser-se paciente porque este primeiro convite foi de um
nunca sabes o que poderá suceder. grande simbolismo para mim e sinto
Porque que motivo o teu ter concretizado um sonho que me
blog tem o nome Jak &Jil? enche de orgulho. Mandaram‑me um
Tem direito a um lugar na Em 2005, quando comecei o meu e-mail e perguntaram-me se queria
primeira fila nos desfiles de blog, queria atingir o público Achas que as empresas preferem fazer essas páginas. Por acaso
moda. Contudo, há ainda quem se masculino e feminino e Jack and actualmente os bloggers para era Tavi* que tinha que ser
interrogue sobre a identidade Jill, personagens do meu universo fazer as suas campanhas fotografada, por isso tive que
deste jovem canadiano, de infantil, representavam esses publicitárias ou catálogos porque voar para Chicago e foi engraçado
origem asiática, fundador do dois mundos. Infelizmente, não acham que são algo inovador ou porque ela é parecida comigo. É
blog Jakandjil. A popularidade podia patentear esse nome porque apenas como resposta à influência uma criança dos subúrbios que
das suas fotografias e a sua já existia, daí que tivesse da net junto dos consumidores? adora o universo da moda e que
forma de ver a moda valeram- que retirar algumas letras, Concerteza já perceberam o poder quer partilhar essa paixão através
lhe a entrada para a equipa da conservando a mesma sonoridade e influência da blogesfera e é do seu blog.
Style.com, substituindo Scott e assim manter o meu propósito. muito natural que alguém como
Schuman do blog Sartorialist, um Recentemente, tenho‑me questionado Sartorialist fotografasse a campanha
gesto emblemático que faz de sobre a razão de manter esse nome de Donna Karen e de muitas outras
Tommy Ton o blogger do momento. que hoje até me parece de gosto marcas. Contudo, não deixei de
duvidoso. Mas o certo é que Jak & Jil ficar surpreendido quando a Lane
se impôs e conseguiu estabelecer- Crowford de Hong-Kong se lembrou
se como uma marca que está para de mim para fazer a campanha
além do blog. Eu suponho que Tommy deles. Acho que me escolheram
Ton possa já representar alguma porque as minhas fotos e o meu blog
coisa no mundo da moda. Mas, na se dirigem a um público que está
verdade, as pessoas procuram no realmente interessado na moda.
essencial a marca Jak & Jil. Agora Queriam que a sua nova campanha
que estou demasiado focado no apelasse exactamente ao que o
“Style.com”, tenho tido queixas dos meu blog representa: high fashion com
que seguem o blog, mas também tenho fotos dos grandes nomes da moda. *Tavi é uma adolescente que criou um
que pagar as contas e “Style.com” é Sabem que posso atrair um certo blog de moda que se tornou um sucesso de
o meu principal empregador. tipo de público para o site deles. popularidade quando tinha apenas 13 anos.

010 – real People t — Roger Winstanley i — Bráulio Amado


d oj .

r.
l ww
co e s a
m ta
w

dr a
n
sa ílvia
& S

Que momentos consideram


mais importantes para
a afirmação da loja?
SG: O reconhecimento dos clientes,
dos fornecedores, dos autores
de blogs trend makers, como o swiss
miss ou o designworklife, ou o
lovely package no nosso primeiro
produto de criação própria! Todos
aqueles que gostam do que nós
Como surgiu esta ideia? criámos e vamos criando sem sequer
SS: Para mim, este tipo de terem visto a nossa cara. Dá-nos
projecto sempre foi um sonho que uma força tremenda! Reforça e
trazia na carteira. No entanto, conforta as nossas escolhas. Se o
até o iniciar com a Sandra, nunca mercado, no sentido lato, tivesse
tinha feito nada de concreto por olhado para nós com indiferença,
ele! Mais do que ter uma loja, provavelmente acabaríamos por
desde sempre pensei em criar concluir que estávamos a fazer
conteúdos, fossem eles produtos, o que os outros todos já fazem.
palavras, histórias, músicas ou Essa é a nossa grande vitória:
ambientes. A Sandra surgiu de estamos a cimentar uma posição
repente com a possibilidade de diferenciada que é reconhecida
criar uma pequena loja física como tal.
que não se materializou, mas Qual o conceito que vos orienta?
Em 2009, Sandra e Sílvia depois dessa esquina que afinal SS: tudo começou por um projecto
decidiram mudar de vida e se revelou uma rotunda percebemos a que na altura chamámos
criaram a Loja de Estar, onde que juntas tínhamos um potencial Foradacaixa (que hoje é uma das
cabe tudo, mas em forma de que não queríamos perder. A partir marcas registadas da loja). Não
sonho. Já marcam presença daí, foi sempre a partir pedra e a foi possível usar o nome para
assídua nos sites e blogues de andar para a frente! Partilhamos a empresa, pois já não estava
tendências internacionais e um conceito de vida e um conjunto disponível. Sendo ainda um local
são, actualmente, um projecto de objectivos que passam por viver virtual, procurámos criar um
incontornável da blogosfera. perto e perto das pessoas que ambiente visual que consiga, nem
amamos, uma vontade de conseguir que seja por breves segundos, Que caminhos vão
criar um trabalho que seja mais transportar o visitante para o desbravar a seguir?
do que um emprego. Um modo de espaço que imaginámos. Não somos SS: A curto prazo, pretendemos
vida, que se misture com o nosso “orientadas ao conceito”, fazemos essencialmente desenvolver as
dia-a-dia e com quem nós somos de as coisas porque gostamos e como duas marcas associadas à loja, a
forma natural. gostamos. Foradacaixa e as Raparigascomonos.
SG: E é um projecto em forma de Esta última é um projecto mais
sonho. Um espaço onde tu vais rir pessoal, mas que não deixa de
O que faziam até à Loja de Estar? e chorar com os amigos ao som de estar inserido na Loja de Estar.
Sílvia Silva: Pulava para dentro música apropriada. Ou onde vais Num futuro bem mais alargado,
e fora da caixa, entre um trabalho ouvir um tipo a falar sobre como queremos ter uma porta gigante
nas áreas da gestão e uma paixão conseguir equilibrar a loucura de de madeira azul traineira para
pelo teatro numa companhia ter um papel social e profissional abrir, um pequeno palco, um jardim
amadora. que todos assumem que tu ÉS, mas nas traseiras, uma boa exposição
Sandra Gouveia: Tenho um curso que não te satisfaz, que vestes e solar e gente, muita gente. Ah,
porque sim e depois, ao sabor despes todos os dias, porque o que e não ter de consultar a conta
da vida, tornei-me aprendiz de tu queres mesmo é fazer escultura da loja cada vez que fazemos uma
consultora. e pintar com as mãos. encomenda (risos).

012 – real People t — Maria João Teixeira i — Bráulio Amado


b o n d a g e
f o r f o t o — m an u e l
g
s o u s a  S t y l i n g —
i r l s
ana c ana d a s

Mala LOUIS VUITTON / óculos de Sol MIU MIU /


garrafa de vidro,copo de gelado e dome branco AREA /pulseira LOUIS VUITTON / vestido H&M / boleira da produção /
014 – You Must shopping f — manuel sousa —
S ana canadas
óculos COSTUME NACIONAL na óptica Sacramento /
mala rosa DIESEL /
porta moedas da ANDY WARHOL By PEPE JEANS / calções da H&M /
óculos da D&G /tenis rosa da NIKE
SPORTSWEAR / sapatos brancos da REPETTO/ sandálias MELISSA BY ISABELA CAPETO / compacto de maquilhagem com perfume NARCISO RODRIGUEZ / perfume, creme hidratante
de corpo e creme solar DIOR / óculos CHLOE /lenço ANDY WARHOL BY PEPE JEANS / sandálias HAVAIANAS
b o n d a g e
f o r
f o t o — m an u e l s o u s a 
b
S t y l i n g — ana
o
c ana d a s
y s
Manta vermelha da AREA / tenis verde menta da NIKE SPORTSWEAR /copo preto AREA /
bola da ADIDAS oficial do Mundial /
tenis pretos da ADIDAS ORIGINALS /
óculos

016 – You Must shopping


cinzentos RETROSUPERFUTURE /
camisa ANDY WARHOL BY PEPE JEANS /óculos da THAKOON /
tenis da CONVERSE /
garrafa vermelha AREA / laço preto da produção / perfume
ISSEY MIYAKE / perfume PRADA /
chapéu REPLAY /mala castanha DIESEL /
câmara LOMO /
lenço ANDY WARHOL BY PEPE JEANS /
saco cinzento DIESEL / ténis da MERRELL /
ténis
Cohibas / óculos THAKOON /
gravata em malha da produção
O festival Próximo Futuro,
que decorre de 18 de Junho a 11 de
Julho na Fundação Calouste
G u l b en k i an é, este ano,
dedicado ao que de mais moderno e
contemporâneo se faz em África e na
América Latina.

Comissariado por A ntó n i o


Pinto Ribeiro, o festival funciona
como uma mostra de manifestações
artísticas e culturais destes países. No
campo das artes visuais, destaque para
as obras de arte pública dos brasileiros
Barr ão e Kilian Gl aser,
da portuguesa Inês Lobo e do
camaronês Barthélemy Toguo.
Das muitas palestras e conferências,
destaque para a do antropólogo
e sociólogo argentino Néstor
Garcia Canclini. Haverá ainda
filmes de realizadores africanos e
sul‑americanos e muita música. A
+ info — www.parqmag.com/blog
não perder, o concerto voodoo funk de
uma orquestra do Benim e a voz da

próximo portuguesa Lula Pena.

os gémeos futuro fundação calouste gulbenkian


t — francisco vaz fernandes t — francisco vaz fernandes 18 de junho a 11 de julho
. .
www proximofuturo gulbenkian pt .

Os irmãos Gustavo e Otávio as suas pinturas. São essencialmente


Pandolfo, de 35 anos, conhecidos trabalhos bidimenssionais, sem perder
por Gémeos, começaram a pintar o sentido de mural, mas algumas
nas ruas de São Paulo. Com um vezes subevertidos por aspectos
percurso semelhante ao de qualquer tridimensionais ou de mudança de
grafiter, viram em 1998, graças ao seu escala. Os Gémeos são detentores
traço único, a influente galeria de um traço facilmente identificável que
Deitch Project de Nova Iorque, os afasta dos tradicionais grafiters. A sua
colocá‑los no estrelato. Desde então, força plástica é baseada num desenho
os brasileiros não pararam de circular com grande expressividade poética,
entre os mais prestigiados centros de fundado numa realidade descritiva e
arte e os pedidos de colaboração das por cores suaves que transmitem uma
empresas são contínuos. Fizeram várias certa melancolia. Em geral, as suas
colaborações para a Nike, durante o personagens de cor amarela e membros
último mundial, inserido no projecto finos, baseiam-se na sua vivência e, por
“Joga Bonito”, que celebrava a arte de isso, são pessoas reais, emblemáticas
jogar à bola dos brasileiros. Há dois anos, com as quais o público se identificar.
desenvolveram um grande mural, que Algumas vezes, são acompanhadas
cobria a Tate Modern de Londres de frases discretas, como segredos
e, no ano passado, fizeram o mesmo, ou soluços da vida. Eles são os vilões
mas no castelo escocês Kelburn. do bairro, os inocentes, os destraídos,
Em boa hora chegam a Lisboa, onde pais, mães, velhos e novos, um mundo
são praticamente desconhecidos. A pintado em cores de pastel, capaz de
convite do Museu Berardo, criaram deixar transparecer a doçura que os
uma instalação desenvolvida em artistas brasileiros nutrem pela vida
duas grandes salas. Nesta exposição, em geral e, em especial, pelo mundo
aparecem alguns aspectos recorrentes caótico e cheio de discrepância que se
na sua linguagem plástica, como vive no Brasil. 12 gémeos, no museu
berardo, 2010
superfícies recicladas. Desta vez, portas
3 Barthélemy Toguo, Centro
de madeira, mas também instrumentos museu berardo. de Arte BandjounStation,
Costa do Marfim, 2007
de som ou transmissores antigos são a até 19 de Setembro
base plástica onde, depois, desenvolvem . .
www museuberardo com

018 – You Must



F ricardo gomes
Styling ana canadas
M— Ioana {l'agence}
Make-up sara menitra
Hair flávio passos
{facto lab}

de saia estarão expostos na marina


de cascais. Nomes como Ana
Salazar, Dino Alves, Filipe
Faísca, Nuno Baltazar e

fest i va l cu rta s Ricardo Dourado criaram


modelos exclusivos especialmente

vila do conde Estoril para esta exposição, que já conta com


saias históricas, como as usadas pelos

Fashionart
t — francisco vaz fernandes bailarinos Joaquin Cortés e
Rudolf Nureyev.

À falta de conceito uniforme, podemos Haverá diversas competições, nacionais Fest i va l Fazem também parte do programa uma
considerar uma curta-metragem e internacionais, olhares retrospectivos, t — maria joão teixeira exposição de camisas costumizadas e
um filme com duração inferior a 30 e oportunidade de apresentar longas um desfile de um criador espanhol.
minutos. Muitos ainda as consideram quem já lá apresentou curtas.

reis de portugal
uma espécie de parente pobre das A Moda Lisboa pode até ter Um festival a não perder, onde Arte e
longas, nada de mais errado! Talvez a A destacar? Difícil, mas tentem ver voltado para a capital, mas o Estoril Moda se expõem lado a lado, dando‑nos
insistência de Festivais como este e o Amália Remix, espectáculo multimédia não foi esquecido. A moda volta a a perceber como são, cada vez mais, t — francisco vaz fernandes
reconhecimento internacional dado a do projecto Dead Combo com o pisar os palcos de Cascais no Estoril duas disciplinas que se cruzam, na
Arena , de João Salavisa, venham cineasta Bruno de Almeida, dia Fashionart Festival, um projecto medida em que constróem ambas
consolidar uma perspectiva diferente. 10 de Julho. Destaque também para que se inicia este ano e que tem como reflexos perfeitos da cultura e da Após um período de ausência na Moda surgiu num processo de pesquisa sobre impacto visual porque, como explica, o passado torna-se uma forma de
uma retrospectiva da obra singular dos objectivo não apenas dar visibilidade sociedade! Lisboa, classificado de estruturante, a formação de padrões psicológicos, padrão estabelece inconscientemente construir o presente, com irreverência,
Vila do Conde volta este ano a irmãos Larrieu, na secção In Focus, e aos designers de moda, mas também já que passou por uma mudança tanto individuais como colectivos. Só uma relação entre a forma e a emoção, individualidade e liberdade, elementos
dedicar‑lhes nove dias, com a para a exposição dedicada ao realizador a outros artistas. Esta estreia está e concepção de um novo espaço no decurso da investigação, começou desencadeando uma forte reacção que estão na base de toda a reflexão
preocupação em divulgar trabalhos Ken Jacobs, pioneiro do cinema de marcada para dia 30 de Junho, com de criação, Lidija Kolovrat a analisar o caso português e a desejar emocional. Longe de ser um manifesto deste trabalho.
experimentais, alternativos, por vezes vanguarda norte-americano. Ao todo, uma dezena de instalações ao longo apresentou uma colecção cápsula — expressar as suas convicções a partir monárquico, até porque a artista de
muito arredados do mainstream. são nove dias, a não perder em Vila do do eixo Estoril‑Cascais, onde se podem Heritage & Futurism— que tem por base de um padrão impresso. Para Lidija origem bósnia não tem qualquer relação
Conde. assistir a desfiles, debates e exposições, um padrão constituído por estampagens Kolovrat, o carácter colectivo directa com a história de Portugal,
A sua programação é diversificada e até dia 14 de Julho. 1 dino alves dos reis de Portugal. Foram impressos português mantém uma relação este projecto apela à dessacralização
2 filipe faísca
surpreendente. Muito para além de Curtas Vila do Conde 3 ricardo dourado em lona, algodão ou seda e permitiram a muito forte com a sua história e como dos padrões antigos, propondo uma
simples sessões de curtas. Haverá Hombressenfalda é a exposição que
F— Pedro Ferreira
produção de t-shirts, lenços, almofadas, os seus líderes, daí a padronização ter presença descontextualizada das
18 Festival internacional de Cinema M— Rodrigo Santos
{Best Models}
kolovrat store
cinema, música, exposições e 3 a 11 de Julho todos querem ver. Depois de Madrid, candeeiros e sofás. Segundo a artista, recaído nos retratos oficiais dos reis figuras reais em t-shirts ou lenços. Rua Dom Pedro V, nº 79
combinações improváveis. . .
www curtas pt Valência e Sevilha, os 110 manequins a padronização dos reis de Portugal de Portugal. É um trabalho de grande Neste sentido, usar os reis do nosso (ao Príncipe Real) Lisboa

020 – You Must 021 – You Must


havaianas t — maria são miguel

Para que este mês de Junho não


tenhamos que escolher entre o Verão
e o Mundial, a Havaianas lança uma
nova colecção, que representará os 32
países que participam no Mundial. 32
modelos inspirados no equipamento
dos grandes jogadores (com o número
10 nas costas, claro!) e indicados
para todos os que querem descobrir
uma nova forma de viver o chamado
desporto-Rei. O futebol, como se sente
no Rio de Janeiro, descalço na areia, com
Havaianas marcando a baliza, e o
futebol como o vive a Havaianas,
onde tudo é possível, onde o sentimento
pelas cores da selecção é maior e a
liberdade de aproveitar a espontaneidade
do espírito brasileiro está ao rubro.

. .
www havaianas com

l igh t fashion
novo t — maria são miguel

keds champion clássico


sneakers cohibas A Compal Light lança sumos com A sensualidade de outros tempos
novos sabores e pede a 4 criadores de também está presente na proposta de
t — maria são miguel t — maria são miguel moda portugueses para desenharem as Bruno Baltazar, conhecido pelas
suas embalagens, de acordo com o seu suas criações românticas, muitas vezes
universo pessoal. Este produto, que pode ligadas às divas do cinema americano.
A KEDS foi a primeira marca a criar Ao contrário da indústria têxtil, a ser encontrado nos supermercados, Procurou dar ao sabor morango/maçã
sapatos com sola de borracha, fruto produção de calçado soube aliar leva assim uma nota de “moda” a um apelo sensual, associando-o à
de uma ideia genial da US Rubber a tradição ao desenvolvimento todos aqueles que se preocupam com imagem de Marilyn Monroe
Company. Estávamos em 1916. Entre tecnológico que um novo design exige. a beleza. a cantar Diamonds are the girl’s best
os seus modelos, ficariam imortalizados Neste panorama, uma das marcas friend , criando para a embalagem uma
o Champion , um sapato em lona usado nacionais que mais se tem destacado Luís Buchinho criou uma gravitação de brilhantes facetados.

gas para o desporto e para actividades ao ar é a Cohibas. Capaz de se diferenciar ilustração para o sabor tropical cenoura
livre, que depressa seria adoptado pelas pela produção de sapatos em pele com um toque de Miami Vice. Não Este aspecto de preciosidade também

xxv years estrelas de cinema como Marilyn que procuram reconstruir linhas faltaram raparigas de cabelo solto, entre esteve na mente de Miguel Vieira,
Monroe, Paul Newman, clássicas com carácter desportivo a palmeiras, para sugerir um cenário de que tinha que trabalhar o sabor manga/
t — maria são miguel Ginger Rogers e Audrey partir de transformações e inovações férias em paragens exóticas. Foi o único laranja. Sem grandes referências ao
Hepburn entre outros. A história tecnológicas que permitem maior leveza criador que pensou a sua bebida para um conteúdo do pacote, Miguel Vieira
da Keds confunde-se com a própria e conforto. Nesta estação, destacamos final de tarde, depois de uma ida a praia, preferiu reproduzir num fundo branco
Durante a Feira de Design simbolizando as nove fases da máquina história do calçado tipo sneakers, porque da sua colecção os sapatos com peles naquele momento em que apetece ter uma das suas jóias em ouro branco e
de Milão, no mês de Abril, a Gas por onde passa a produção de um par diz-se que estes ténis silenciosos eram brilhantes envernizadas com manchas à mão um sumo fresco e hidratante. onde o característico logo do criador
apresentou um livro comemorativo dos de jeans. Há capítulos com entrevistas ideais para sneak (espiar), nascendo de desgaste, assim como as camurças, do Porto se evidencia. Pacotes para
seus 25 anos, resultado de um encontro com responsáveis e simpatizantes, assim o termo que nos EUA acabou por ou ainda as texturas. Os perfis baixos e Já os Storytailors optaram por criar verdadeiros fãs da moda.
entre responsáveis da marca com 15 manifestos e intenções, projectos dos ficar para sempre associado a quaisquer biqueira arredondada acompanham as uma embalagem com um ambiente
jovens criativos de diferentes áreas, criadores, para além das memórias da ténis. Para esta estação, para além das orientações internacionais. Em sola de retro, com referência a tatuagens.
recrutados através de um concurso. Gas. A apresentação do livro segue um recriações do Champion , em diferentes borracha ou sola, mais desportivo ou Tendo-lhes calhado o sumo ananás/
Durante um mês, estes jovens viveram périplo por várias lojas chave da Europa. cores fortes, existem ainda modelos clássico, o calçado Cohibas é sempre côco jogaram com a palavra inglesa
em comunidade numas instalações, com estampagens, assim como um um elemento de distinção, dirigido a pineaple e criaram uma pin-up , tal
criadas na sede da marca, em Vicenza, . .
www gasjeans com modelo de cano alto. um público urbano que gosta de seguir como aparecia em muitos produtos
e puderam reflectir sobre o legado da tendências. alimentares dos anos 50, indo assim
marca, projectando-a para o futuro. O também ao fundo das suas referências
livro é constituído por nove capítulos, . .
www keds com . .
www evereste pt enquanto criadores. . .
www compal pt

022 – You Must 023 – You Must


F— ricardo gomes
M — jonathan moron {just models}
M— joana hamrol {dxl models}
Make-up sara menitra
Hair flávio passos {facto lab}

uslu
airlines 2 0 1
t — maria são miguel t — margarida brito paes

rare O ambiente disco da Saturday Night O 201 é um dos modelos mais antigos
Fever está de volta, até porque para curar da Levis e aparece como uma das

prints a ressaca económica a palavra de ordem peças chave nesta colecção Fall10.
é Party e se for com uma maquilhagem Seguindo a filosofia da marca, Product
t — cláudia gavinho vistosa, melhor! Quem o diz é Feride with Roots, estas calças distinguem‑se
Uslu, uma maquilhadora que domina facilmente dos outros modelos da
os grandes eventos nocturnos de Berlim Levis por não serem um clássico “5
Foram concebidos durante a Segunda e que agora promete aplicar as suas pockets”, por apenas terem um bolso
Guerra Mundial para os pilotos da Força capacidades criativas na costumização traseiro, como era habitual nas calças
Aérea nos EUA mas, actualmente, os de sneakers, numa colaboração proposta da classe trabalhadora americana, que
óculos Ray-Ban são imprescindíveis pela Reebok. De origem turca, viveu optava no labor oficinal pela resistência
em qualquer guarda-roupa. Modelos em Madrid e em Nova Iorque, estando do denim. As 201 que aparecem nas
lendários, como os Wayfarer e os a sua arte dos pincéis regularmente primeiras colecções da Levis foram
Clubmaster, que já conhecíamos com em foco em várias revistas de moda. agora modernizadas, ajustadas na perna,
cores vivas e exuberantes, chegam-nos Contudo, foi a sua imagem e a constante mas mantém um gancho amplo que
agora com pinturas raras —Rare Prints— presença na noite que a ajudaram a fazem com que se conserve bastante
gravadas no interior ou no exterior das tornar-se uma figura pública e a lançar folgado em torno das ancas. Perfeitas
armações. uma linha própria de cosmética, a Uslu para conseguir um look vintage, relaxado e
Airlines. A assinatura da sua marca onde nem faltam as habituais virolas ao
O modelo Wayfarer surge com um aparece ao lado da Reebok, tanto no fundo, adaptando as calças ao tamanho
estampado floral, disponível em várias modelo Bal , que faz lembrar uma bola de perna pretendido. Um perfil para se
cores, ou com um estampado do mapa de espelhos, como num outro pack manter simples e descontraído.
do metropolitano de Nova Iorque. O anterior, que se destacava pelo seu
modelo Clubma ster aparece com padrão florescente. São dois modelos . .
www levis com
riscas coloridas, criando um estilo que diferentes, mas ambos para atmosferas
combina o revivalismo da década de feéricas e que nascem da mesma base:
50 do século XX, com uma imagem um Reebok Retro Pop Mid . Se o
forte dos dias de hoje. Para ambos os brilho dos espelhos do Bal não chegar
modelos, há ainda um estampado para expressar a tua personalidade
“Ray-Ban mania” que decora, de forma exuberante, este pack feminino traz
nova e divertida, os clássicos modelos ainda um outro argumento, um frasco
da marca, destacando-os no meio da de verniz da Uslu Airlines, com
multidão e tornando-os absolutamente uma cor fiel à tendência Disco Party.
únicos.
. .
www reebok com
.
www ray-ban com . . .
www ferideuslu com

024 – You Must 025 – You Must


Str awberry
fields
forever
sapato de vel a t — maria são miguel
t — maria são miguel

Mia Jafari, recém-licenciada


Alternativa aos modelos de lona, os pelas prestigiadas St. Martins College
sapatos vela tem-se imposto como e Goldsmiths, acaba de lançar uma
uma das tendências mais importantes colecção de lenços de seda no mínimo
nesta estação, prevendo‑se que diferente. A colecção Ladybirds—
continuem em alta nos próximos Strawberry Cosmos distingue-se por
anos. A acompanhar esse interesse uma estética uber kitch, muito urbana
internacional, entra agora no mercado e divertida, que brinca com os padrões
português a Sperry, a marca clássicos dos lenços de senhora. Uma
1 jiwon jahng
americana com maior tradição em 2 hampus bernhoff explosão inesperada e psicadélica de
calçado próprio para o deco de veleiros. cores, cupcakes , ferraduras, frascos

zizi damasco
O seu modelo mais emblemático, de perfume vintage e caveiras… Um
oTop Sider, foi criado em 1935. Era já must‑have no guarda-roupa deste Verão!
então, como hoje continua a ser, um t — maria são miguel t — margarida brito paes
género mocassim azul com sola de . . .
www miajafari co uk
borracha branca. Contudo, a colecção
da Sperry é muito mais vasta e a sua Depois de ter aparecido nas páginas Em Julho, início de temporada, chegam
relação com o universo da moda dá os da revista New York Times alguns dos mais apetecíveis acessórios
primeiros passos com reinterpretações calçada com uns Zizi da Repetto, a do desfile de Outono Inverno da Louis
desenvolvidas pelos criadores da Band actriz Charlotte Gainsbourg Vuitton. Uma colecção marcada
of Outside, que introduziram os relembrou, mais tarde, que a sua por um revivalismo dos anos 50, com
seus modelos na semana da moda de preferência vem de uma tradição amplas saias rodadas, a lembrar um
Nova Iorque. A conhecer modelos de familiar, porque o pai, Serge look imposto por Chistian Dior

flash not just a label


camurça com solas cor de tijolo ou então Gainsbourg, não calçava outros. na era Eisenhower, em pleno
um modelo com meio cano, um género Segundo a actriz francesa, o pai tinha uns sonho americano. No que diz respeito
t — maria são miguel de bota com as características de um t — ana canadas pés sensíveis, não gostava de andar a pé às malas, a speddy foi provavelmente a
sapato náutico. e nunca calçava botas, preferindo esse maior constante entre os coordenados
sapato em verniz branco ou preto. Com do desfile. Mas o realce vai para os tons
Para brilhar nesta estação, a Furla Not Just A Label é uma plataforma outros. Mas à medida que foi crescendo, uma pele muito fina e uma sola muito metálicos do tecido adamascado que
apresenta-lhe a colecção Flash , com . .
www sperry com de divulgação criada em Maio de 2009 passou a permitir aos designers flexível, os Zizi foram criados por uma surge em grande parte dos modelos.
malas feitas totalmente de borracha que para a promoção de novos designers submeterem por email as suas peças marca francesa de sapatos de ballet, a Foi um dos pontos chaves para a
nos fazem lembrar o experimentalismo de moda. Funciona como uma rede para uma selecção mais abrangente e Repetto. Originalmente concebida construção de um look retro-chic, com
dos anos 60, nomeadamente as de auto-promoção, disponibilizando democrática. Fazer parte do projecto por Rose Repetto para a sua nora um apontamento folk, magistralmente
criações de Courrèges. Em cores contactos e permitindo a venda das é simples: basta criar uma página no a bailarina, Zizi Jeanmaire, veio a interpretado por Marc Jacobs.
primárias: amarelo, laranja e vermelho, suas criações. Começou por ser um site, fazer o upload de imagens relativas ser popularizada por uma boémia Rive
podemos reviver o futurismo utópico website, convertendo-se numa loja online, a lookbooks, colecções, peças, preencher Gauche parisiense que escondia os
neste bem sucedido modelo da marca onde é possível adquirir peças únicas de dados e submeter, eventualmente, seus cantores de charme entre nuvens
italiana. designers de todo o mundo. Inicialmente, trabalhos para a loja online. de fumo dos seus clubs de Jazz. Daí que
as peças da loja eram seleccionadas por esse modelo também seja conhecido
curadores convidados, como Lady como sendo um sapato de Jazz.
Gaga, Beth Dito, Amanda
. .
www furla com Lepore e Diane Pernet entre . .
www notjustlabel com . .
www repetto com . .
www louisvuitton com

026 – You Must 027 – You Must


fashion peles
bike
t — margarida brito paes exigentes
t — cláudia gavinho

Estão presentes em todos os sites e


blogs de moda, são protagonistas dos A Sisley lançou um novo ecrã solar,
editoriais mais cool das revistas. As que alia protecção a uma hidratação
bicicletas já são, oficialmente, um optimizada. Ideal para condições
acessório de moda! extremas (sol dos trópicos, neve ou
montanha), para fototipos muito claros,
Depois de marcas como a Fendi e zonas do corpo extremamente sensíveis

summer
Chanel, chegou a vez da Gant ou intolerantes ao sol ou, simplesmente,
lançar o seu modelo de bicicleta. para as primeiras exposições a um sol

fragance
Desenhada por Christopher intenso. A protecção solar UVA e UVB
Bastien, o novo homem forte do life reforça as defesas naturais da pele contra
style americano, recentemente recrutado t — cláudia gavinho os radicais livres. A manteiga de karité, o
para fazer uma linha para a Gant, foi extracto de pepino e os óleos essenciais
totalmente projectada e produzida pela acalmam, protegem e regeneram a
marca. O guiador leve e os pneus de Neste Verão, as fragrâncias feminina pele. A linha solar inclui ainda produtos
espessura fina dão a esta bicicleta um e masculina da Burberry surgem específicos para o rosto e corpo.
conforto único. Mas são os detalhes re-interpretadas e, por isso, mais leves
de couro cozido à mão e a caixa de e frescas. À semelhança das colecções Super Écran Solaire Visage
ferramentas Brooks que a tornam tão de Christopher Bailey, estas SPF 50+, Sisley, 114€
especial. Cada exemplar desta edição águas-de-colónia assumem um estilo
limitada está numerado e tem gravado clássico com um toque de elegância

Sony
o emblema em metal e esmalte. Uma descontraída.
verdadeira relíquia, que está disponível

NEX-3/ NEX-5
em lojas Gant seleccionadas pelo valor Burberry Summer for Women, Eau

ultr a
de 685€. de toilette spray, 100 ml, 56€
t — miguel moreira Burberry Summer for Men, Eau de

volume,
. .
www gant com toilette spray, 100 ml, 46€

ultr a
As ultra compactas Sony Nex-3
e Nex 5 prometem revolucionar o

brilho
mercado das máquinas digitais, ao
tornar as imagens com qualidade DSLR

sls amg
acessíveis a todos. Esta é a mais pequena t — cláudia gavinho
e mais leve máquina que permite alterar
as lentes, através da aplicação de um t — rui catalão {www.designmyride.blogspot.com}
dispositivo extra, com mais de 30 lentes Inspirada nos backstages dos desfiles
diferentes. Também não tem flash, sendo de John Galliano para a Dior,
necessário adaptá-lo, como acontecia Há automóveis que nos arrebatam vencedor histórico da marca germânica. a nova linha Addict Ultra-Gloss vai

alta protecç ão
nas antigas máquinas analógicas. É a imaginação. Que nos dão vontade Nas linhas conseguimos sentir a sua mais longe e reinventa-se, conciliando
uma máquina que não tem mais de 25 de andar depressa e compreender o presença através de pormenores, como os extremos com audácia: brilho
mm de espessura e consegue imagens extremo a que uma máquina de 4 rodas a abertura de portas em estilo asas de t — cláudia gavinho espectacular, volume oversize e uma
a 14 mega pixels, com o atractivo de nos consegue levar. gaivota, e na frente longa e afiada a paleta de cores envolvidas num voile de
conseguir produzir imagens 3D. Ao sugerir uma ideia de agressividade, ideal uma suavidade incomparável. Tyen,
nível prático, é bastante versátil porque Após o lançamento do seu novíssimo para devorar o vento. Animado por um Mais do que oferecer alta-protecção, tecnologia protege e repara os danos o Diretor Criativo de maquilhagem
fácil de ser utilizada por um principiante modelo SLS AMG, a Mercedes motor de AMG V8 de 6.3 litros, muito a nova geração de solares da provocados pelo sol, preservando o da marca, volta a reinventar uma
da fotografia, conseguindo, no entanto, atira‑nos com uma versão hard core, semelhante à versão de série, este SLS Lancaster tem uma função capital de juventude da pele. A linha, colecção de 18 tons couture, reforçada
responder a um nível profissional em pronta para provocar arrepios em AMG GT3 consegue levar o seu "piloto" anti‑idade. Sun Age Control protege composta por seis produtos, inclui com três efeitos: glow, pearl e flash. O
condições pouco vistas em máquinas qualquer pista do mundo. O seu a atingir a marca dos 300 km/h. Uma a pele contra os danos causados solares com SPF 15 e 30, bálsamo para resultado é uma gradação em vários
compactas. Ou seja, ideal para que nome: SLS AMG GT3. Um automóvel velocidade condizente com esta obra pelos raios UVA e UVB ao estimular olhos e lábios, creme reparador après tons (nude, rosa, framboesa, pêssego,
qualquer amador possa crescer com pensado estritamente para corridas de de arte carregada de fibra de carbono a reparação do ADN, atrasando o soleil e tratamento para peles maduras bronze, ameixa) frescos, audaciosos
ela. Tudo excelentes razões para olhar longa distância e que explora a sua e apêndices aerodinâmicos e que faz envelhecimento como um verdadeiro com SPF 30 e 50. e ultra‑vibrantes. Três acabamentos
com atenção para esta máquina, com capacidade aerodinâmica com um sonhar o espírito competitivo que existe produto de cuidado anti-idade. A pele e dezoito cores diferentes garantem
um design retro, que estará no mercado visual purista e muito diferenciador. em nós. Basta esperar pelo Outono para fica protegida graças a uma combinação um conforto absoluto e um brilho
a €500 e €600. Este SLS AMG GT3 é uma homenagem fazer a encomenda. de filtros foto-estáveis e a um complexo espectacular de longa duração.
digna ao mítico Mercedes 300 SL anti-oxidante exclusivo, que bloqueia Sun Age Control SPF 30,
. .
www sony pt Gullwing de 1952, um verdadeiro . .
www mercedes-benz pt até 95% dos radicais livres. Esta nova Lancaster, 54,33€ Dior Addict Ultra-Gloss, Dior, 26€

028 – You Must 029 – You Must


1 2 3 1 2 3

4 5 4 5

6 6

7 8 7 8

9 10 9

11 12 10 11

1 Vans 2 Nike Sportswear 3 Ray-Ban 4 Louis Vuitton 5 Reebook 6 Nike Sportswear 1 Merrell 2 Nike Sportswear 3 Havaianas 4 Adidas Originals 5 Tous 6 Louis Vuitton
7 Fred Perry 8 Adidas Originals 9 Lacoste 1 0 Cohibas 1 1 Reebok modelo Brasil 7 Nike Sportswear 8 puma 9 Fly London 10 CAT 1 1 FLY London
1 2 Havaianas

030 – Shopping 031 – Shopping


james murphy

l
c d
sou n dsyste m
e assim acontece...

De entre as centenas de bandas que vêm aos festivais de Verão, os LCD


Soundsystem são uma das que vale realmente a pena ver. Não só porque
o novo álbum This Is Happening é uma reflexão sobre o presente
como também pelo já anunciado fim da banda, algures no tempo.

É impressionante como uma A visita ao Optimus Alive! 2010, T his Is Happening é a síntese Esses são cada vez menos, pelo que
música que faz da citação uma em que vão actuar na derradeira perfeita de uma década, tal os festivais se obrigam a viver
ferramenta de trabalho pode soar noite de 10 de Julho, reveste-se como California, dos Mr. Bungle, essencialmente de conceitos. O
tão personalizada. Quanto aos LCD de capital importância sobretudo reflectiu a ideia de caos nos anos Optimus Alive! 2010 –provavelmente
Soundsystem, o objectivo já era a se tida em conta a possibilidade de 90. Por isso, podemos usá-lo para aquele que tem um alinhamento mais
reflexão mas o de um presente em se poderem finar enquanto banda, uma temporada de festivais em que completo e estimulante– é como se
que as bandas hipster pop se serviam entretanto. Uma das razões pelas há características que sobressaem: oscilasse entre o novo revivalismo
da década de 80 para criar. James quais os LCD não vão poder lançar a aposta inteligente da maioria da década de 90 e o desfile de
Murphy, o patrão da DFA, tem mais achas para o futuro poderá dos promotores em alguns dos alguns dos fenómenos indie mais
certamente a discografia completa explicar-se pela transição para mais importantes e interessantes aguardados como XX, La Roux ou
dos Talking Heads e dos New Order a década de 90 que os anos 10 se produtores de música electrónica; Florence & The Machine. Voltando
em vinil, até pela sua faceta estão a encarregar de reproduzir. a recuperação da década de 90 à à casa de partida, é no meio de
de DJ, mas os LCD Soundsystem Não é essa a praia de Murphy, boleia de Pearl Jam, Alice In muita gente com inspiração que
sempre foram mais do que isso. Do ainda que classificar o trabalho Chains, Faith No More, Deftones os LCD Soundsystem vão infiltrar
krautrock à cena disco nova-iorquina, de um homem que é responsável por ou Skunk Anansi, no Optimus Alive! o disco.
sempre tiveram na ideia produzir ter posto no mapa The Rapture, The 2010; a pop sintetizada no Super
canções de dança com cabeça. A Juan Maclean, Hot Chip, Hercules & Bock Super Rock, quer com os
brincadeira primordial tornou‑se Love Affair, Yacht ou Holy Ghost clássicos Pet Shop Boys, quer
mais séria e o que seria um como meramente derivativo mereça com os contemporâneos Empire of
colectivo sem pressões tornou-se punição severa. Para além dos The Sun e Cut Copy.
num dos principais responsáveis LCD Soundsystem, quantos foram
pela crença na frescura que a aqueles que nos fizeram acreditar Aparte o já terminado Rock
música ainda pode transmitir, que nem tudo foi inventado? Muito In Rio e em tempo de férias
ao contrário do que muitos dos poucos. E mais do que ditarem dos festivais –a excepção é o
que Murphy observava sugeriam. A tendências, ainda foram capazes Ericeira Surf Fest– motivadas
seriedade com que se passaram a de reflectir sobre o presente, pela paragem cerebral a que o
levar obrigou This Is Happening"a não só da música propriamente dita Mundial de Futebol praticamente
ser anunciado como o epitáfio, como também da sua capacidade de obriga, há mais talento em bruto
numa discografia curta –apenas ser uma bússola de comportamentos no horizonte do que nomes capazes
três álbuns– mas em que cada sociais. O single de apresentação de arrastar milhares e milhares
momento foi representativo de um do novo álbum, Drunk Girls, é a de espectadores.
tempo. prova se dúvidas ainda restassem.

032 – Soundstation t — davide pinheiro 033 – lcd soundsystem


matt&kim

h i lfi g er
den i m li v e
uma noite no paraíso

A antiga igreja transformada em club foi local de peregrinação para


os amantes do indie-rock e do electro, numa noite em que moda e a
música dançaram lado a lado na festa Hilfiger Denim Live.

No passado mês de Maio, a Parq A noite, marcada por vários Com uma sala no limite das suas Sem tempo para recuperar o fôlego,
esteve em Amesterdão, no Club momentos altos, contagiou os capacidades, foi a vez da banda passámos do punk ao afro-beat, com
Paradiso, para assistir à festa três pisos desta antiga igreja, por quem todos estavam à espera, os Major Lazer e a suas batidas
organizada pelo designer de moda palmilhada por centenas de o duo revelação Matt & Kim, que electrónicas a mostrarem as
Tommy Hilfiger. O evento voltou pessoas, empenhando roupagens voltou a arrastar a assistência garras de animal feroz. DJ Diplo
a marcar presença na cidade, numa trendy e looks aprumados, em perfeita até ao estado de insanidade, fez-se acompanhar pelo artista
festa que fundiu de forma única sintonia com o estilo de vida numa performance grandiosa. reggae jamaicano Vybz Kartel e
a música e a moda, o rock e as rocker. Deixámo-nos levar pelo Kimberly Schifino, poderosa na duas bailarinas implacáveis nas
batidas electrónicas, através batimento cardíaco da festa em sua bateria, apresentou-se com suas coreografias, que cantaram
de performances excepcionais de ebulição. uma expressão plena de felicidade, e dançaram num ritmo visceral
artistas americanos como Matt & com um sorriso epidémico que de fusão ska, dubstep, hip-hop e pop.
Kim, The Drums, Major Lazer ou não passou despercebido. Matt Com as notas a surgirem em jeito
French Horn Rebellion e holandeses Johnson, nas teclas e voz, de armada, o produtor levou um
como os Kraak & Smaak, Le Le, saltou, trepou colunas, agarrou público rendido ao transe, num
Parra Soundsystem ou Dj Arnold. o público arrebatado numa hora espectáculo de alta tensão a
de concerto suado, com os temas rondar a demência, com crocodilos
do mais recente álbum Grand, insufláveis a saltar de mão em
Lessons Learned e Daylight, a mão, um dançarino vestido de cão
serem cantados de peito aberto. de peluche, samples de Ace of Base
Um live emotivo e memorável, com e uma massa humana a terminar em
direito a stage diving, com Kim a peso em cima do palco.
sobrevoar a sala em braços, e um
fecho apoteótico, ao som de Final
Countdown dos Europe.
O espectáculo ainda agora estava a
começar e explodiu-nos na cara com
a entrada de The Drums, a “nova
Desde cedo inspirado pelo rock, banda mais cool de Nova Iorque”, Saldo positivo para esta noite
o designer norte-americano tem segundo a revista NME. O quarteto, de êxtase, que contou ainda com
apostado, em particular na sua conhecido pelos seus concertos de apresentações de nomes como French
linha Hilfiger Denim, nesta energia contagiante, rapidamente Horn Rebellion, Le Le, Javelin,
fórmula vencedora, associando conquistou o público em euforia Parra Soundsystem ou o trio de
talentos da cena indie-rock às com a sua sonoridade surf-pop e indie- veteranos Kraak & Smaak, num set
suas campanhas publicitárias rock anos 60, em temas como Let´s de DJing inspirado no electro funk e
e oferecendo-lhes lugar de Go Surfing, Best Friend ou Forever disco, que deu tréguas às batalhas
destaque nestes eventos. Foi o que and Ever, Amen. Destaque especial campais que aconteciam no andar de
aconteceu com a dupla dance-punk para as coreografias teatrais de cima. A Hilfiger Denim Live vai
Matt & Kim, cabeças de cartaz da Jonathan Pierce e Jacob Graham, estar, ainda este ano, em Itália,
edição deste ano e protagonistas curiosamente reminiscentes de Alemanha e Dinamarca e promete
da campanha Primavera/Verão 2010 António Variações, que fizeram continuar a ser, sem sombra de
da marca. soltar os dançarinos mais tímidos. dúvida, um evento a não perder.

034 – Soundstation t— pedro lima 035 – hilfiger denim live


{www.stereobeatbox.com}
s ha ron
jon e s
rainha da soul

Sharon Jones esteve em 2005 em Portugal para um dos mais incríveis concertos que
a memória alinhada com o groove guarda. Regressa agora para o Super Bock Super
Rock, com um novo e incrível álbum na bagagem: I Learned The Hard Way.

Quem esteve presente no Santiago De certa maneira, pode pensar‑se Ronson até Gabriel Roth e ao seu encaixar-se nela como uma luva.
Alquimista a 11 de Julho de 2005 que Gabriel Roth e a sua Daptone estúdio de Brooklyn. Do encontro, Há cordas, há espaço, atmosfera
guarda certamente na memória um –a editora que criou depois de Ronson trouxe seis canções para a e canções absolutamente tocantes:
dos melhores concertos a que se desfazer a parceria que tinha com jovem cantora que se encontrava Better Things, Money, She Ain’t a
assistiu em Portugal nesta década. Philip Lehman na Desco Records– então a produzir: Rehab e You Child No More… Na verdade, esta
E não há uma grama de exagero passaram a maior parte desta Know I’m No Good são dois dos enumeração é escusada, porque o
nesta frase: Sharon Jones e os década a tentar encontrar um som. temas do segundo álbum de Amy álbum não possui uma falha. Todas
fiéis Dap Kings trouxeram, nesse O arranque da Daptone coincidiu Winehouse – Back to Black – que as canções merecem estar neste
dia, a boa nova até aos devotos igualmente com a edição do primeiro incluem a mestria instrumental alinhamento. Todas as canções
seguidores do groove e deram uma álbum de Sharon Jones & The Dap dos Dap Kings. O sucesso massivo têm mesmo que estar aqui. Sob
lição inesquecível de soul e Kings –Dap Dippin’ With (2002)– e de Amy Winehouse deixou claro pena de afectar um delicado
funk, arrasadora de tão intensa, logo aí se percebeu que o rigor que a arquitectura clássica da equilíbrio. Claro que Roth mantém
apaixonante de tão sensual. Sharon estético professado por Roth se Daptone poderia produzir efeitos os ouvidos colados aos clássicos
Jones, percebeu-se aí, era a filha traduzia num certo fundamentalismo tremendos se combinada com as –os Impressions de Curtis
que James Brown nunca tinha tido, tecnológico: gravadores de fita, canções certas. Gabriel Roth, de Mayfield, os Delfonics, a Motown
a herdeira do espírito de Vicky processadores analógicos, nada de facto, aprendeu da maneira mais e a Hi, os Four Tops, os Isley
Anderson, Marva Whitney ou Lyn computadores. Na verdade, esse difícil –judeu apaixonado por Brothers… –mas Sharon canta como
Collins. Sharon Jones, mais até voltar de costas às possibilidades música negra, a escrever canções nunca, com alma na garganta e
do que tudo isso, era o próprio tecnológicas da era pró-tools estava para formações de gospel, a tocar coração nas mãos. E o material
espírito americano –cantou na simplesmente ligado à procura em igrejas baptistas, a reinventar que tem disponível –as palavras
igreja em criança, fez funk e de uma certa verdade sonora, o seu mundo, apresenta agora a e as melodias– são do tamanho
disco sem sucesso nos anos 70, tentando encontrar no grão e sua obra-prima. das maiores pérolas que a soul nos
foi guarda prisional na notória no calor da fita magnética o foi dando. Ainda há espaço para
Ryker’s Island até que, nos anos carácter que sempre foi claro I Learned The Hard Way vai ser um a perfeição! E todos a poderão
90, ajudou Philip Lehman e Gabriel nas velhas gravações, com que dos factos mais importantes de testemunhar no próximo dia 18 de
Roth a navegarem contra a corrente Willie Mitchell surpreendia o 2010. Um álbum desmedido onde Julho, no Super Bock Super Rock.
oferecendo a voz a uma série de mundo nos anos 60, a partir das Roth, os Kings e Jones encontram,
singles de vinil que não passavam espiras dos seus lançamentos na finalmente, o equilíbrio perfeito
de exercícios de fantasia de quem Hi Records, incluindo os discos de entre a forma e o conteúdo, entre
achava que a soul e o funk não um tal Al Green. Essa demanda da a arquitectura e o design interior
precisavam de ficar encerrados verdade marcou praticamente todo o das canções, com as palavras e
no passado. Agora, uma dúzia de catálogo da Daptone e sobretudo os as melodias certas para elevarem
anos depois, Sharon Jones edita álbuns da ponta‑de‑lança da casa, aquele groove até aos céus. Esta
com os Dap Kings a sua primeira Sharon Jones: além da já citada é a verdade. De The Game Gets Old
obra-prima– I Learned The Hard Way, estreia de 2002, Naturally (de a Mama Don’t Like My Man, Roth
o seu quarto álbum ou a verdade 2005, o álbum que veio na altura consegue a proeza de equilibrar
feita música. promover a Portugal) e 100 Days, 100 sofisticação e alma, com arranjos
Nights (de 2007). Na verdade, essa complexos mas transparentes
investigação da autenticidade do e carregados de luz, pensados
groove e da arquitectura clássica exclusivamente para fazer a canção
do som foi o que conduziu Mark brilhar e a voz de Sharon Jones

036 – Soundstation t — rui miguel abreu 037 – sharon jones


r e em b o k
b y R e e b o k
r
P u m p
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A e r o b i c s
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— m u l h e r —

038 – viewpoint 039 – reebok by mr.dheo


r e em b o k
R e e b o k
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C h i n e s e
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E d i t i o n
e o
Y e a r o f t h e O X "
— h o m e m —

040 – viewpoint 041 – reebok by mr.dheo


Mr.Dheo esteve sempre
ligado à Arte. Aos três
anos de idade começou
a copiar frases de
jornais e revistas e a
desenhar sozinho. Sem
frequentar qualquer
curso de arte, como
autodidacta, o seu
primeiro contacto
com o graffiti
surgiu aos quinze
anos e rapidamente
os seus desenhos
transformaram‑se em
inúmeros estudos de
letras. Hoje
–depois de dez anos
de trabalho contínuo–
Mr.Dheo colabora com
conhecidas marcas e
empresas internacionais
apesar de eleger a rua
como o local perfeito
para criar. Versátil,
dedica-se sobretudo a
produções foto realistas
que, conjugadas com
componentes gráficas,
lhe conferem um
estilo próprio em
constante crescimento
e desenvolvimento.

. .
www myspace com/mrdheo

. .
www mrdheo com

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042 – viewpoint 043 – reebok by mr.dheo


A partir da Europália, em 1994, Pedro Cabrita Reis soube
aproveitar essa primeira presença internacional para
solidificar uma teia de relações que o levariam até à
Bienal de Veneza. Actualmente, é raro expor em Portugal
e tornou-se uma figura ausente da vida social e cultural
lisboeta. Na véspera da inauguração de um projecto
simultâneo em duas galerias de Lisboa, fomos encontrá-
lo junto à varanda da galeria Caroline Pagès, um local
que qualifica de origem já que viveu toda a sua infância
e adolescência naquele espaço. Foi numa dessas salas
que pintou as primeiras telas. Como foi ali também que,
uns anos antes, gravitava o seu centro das brincadeiras
com os miúdos dos prédios traseiros.
044 – Central Parq | Grande Entrevista 045 – pedro cabrita reis t — francisco vaz fernandes f — javier domenech
É curioso que tenhas que falado em por ter ali um objecto que reúne
Picasso porque no alinhamento das em si todas estas questões
Galeria Miguel Nabinho
Rua Tenente Ferreira minhas perguntas tinha preparado que podem ser encaradas como
Durão, 18B, Lisboa
www.miguelnabinho.com uma para explorar a tua relação com expressão ou contaminação, indo
a figura de Picasso. É que encontro da pintura para a escultura e
alguns traços de personalidade vice-versa. Nunca me preocupei
comuns… com as questões das transgressões
Para mim, ele é o último grande da interdisciplinariedade. Tudo
pintor do Século XIX, assim como que me é dado a fazer faço,
e Barnett Newman e Ad Reinhardt com os modos e os meios que
partilham a qualidade de serem encontro no momento. Desde a
os primeiros grandes pintores do precariedade das coisas que
Galeria Caroline Pagès Século XX e é desse universo que encontro no chão até ao desígnio
Rua Tenente Ferreira
Durão, 12-1°Dto, Lisboa eu parto. É um universo que já vem de um trabalho planificado,
www.carolinepages.com
de Manet, Goya e Velásquez, só entregue a uma empresa para o
para nomear alguns. Encontro‑me, realizar. Não encontro diferença
vejo-me e revejo-me e aprendo ética ou de juízo entre uma e
nessa linha de tradição. outra circunstância ou qualquer
outra. Ao artista é dado o mundo
Mas aquele culto de génio em inteiro para trabalhar. Não há
Picasso aparece muitas vezes constrangimento geográficos não
envolto. Não é um traço que também há limites dos meios, tudo pode
cultivas? ser representado, tudo pode ser
Picasso cultivava a sua própria objecto de análise, tudo pode
vida, que é o que eu faço no ser objecto de uma obra de arte,
dia-a-dia. O que há é que desde as coisas mais hediondas
porque o faz de uma forma tão até às coisas mais doces e
autoral, tão própria e por ser delicadas. O artista tem um pacto
tão desabridamente afirmativo com o mundo que é nunca adormecer
Há muito tempo que não expunhas a frente, que perscruta o caminho Que idade tinhas? Os trabalhos que tens na galeria De qualquer forma, este trabalho Independentemente desta questão, e por se estar nas tintas e ao ter a sua curiosidade e os
em Lisboa, pelo menos num e é esse caminhar que te vai Catorze, quinze anos. Os meus M iguel Na bi nho baseiam-se também se relaciona com um outro é evidente a tua presença física. Ela para os cânones que poderiam olhos bem abertos, tem que ver
espaço comercial. Tem sido uma dar o teu lugar no mundo. De primeiros quadros pintados a em retratos fotográficos teus. As tema recorrente que é o auto-retrato. integra em geral a tua obra, é um criar constrangimentos ao seu tudo. Tudo inclui o horror e a
vontade deliberada ou apenas uma certa forma, a história é mais óleo são de 1961. Ao contrário anotações, o carácter de diário, Aliás, é curioso que num dos painéis, elemento presente e circunstancial comportamento, Picasso acabou por paz, da tragédia à beleza. A
contingência? correcta pelo que não se escreve do que parece ser costume, eu tudo isso parece configurar uma relativo a um determinado ano, entre no teu espaço vital. Eu colocaria a se reduzir a um case study, objecto única coisa que tem que fazer é
Como todas as coisas boas da vida, nas obras dos artistas, dado que nunca tive qualquer oposição espécie de experiência voyeurista. outras coisas, apareça documentado pergunta desta forma: como vês esta de interesse analítico literário transformar isso numa projecção
acabou por acontecer por acaso. ela identifica a humanidade que dos meus pais em relação às Concordas? todo o processo que está na base da questão de artistas da tua geração e mediático fora do comum e que, do mundo. Neste particular, tudo
Não conhecia a Caroline e bati a eles representam, pois há tudo minhas aspirações de vir a ser Eu imagino que sim, que possa série de retratos os cegos… terem uma opção oposta à tua, a a meu ver, nada lhe acrescentou. é legitimamente meu. Voltava ao
porta porque queria ver a minha aquilo que é o resto, ou seja artista e de frequentar um curso também encantar por esse lado. Exactamente. Mostra como foram de um certo apagamento da marca Temos que deixar passar uns anos Picasso, quando ele dizia: não
antiga casa. Apresentámo-nos e a guerra, os efeitos políticos, de Belas Artes. Não cheguei a A mim interessa-me ver esta obra feitos, se bem que não era autoral e dos resquícios do gesto e limpar uma quantidade de lixo procuro, encontro e roubo tudo
da conversa e da circunstância os incidentes religiosos, etc. terminar o 7º ano do liceu da como uma obliteração do sujeito que não se percebesse. Pode artístico, enquanto tu continuas a que se escreveu em torno dele e da o que vejo.
de estar numa espaço que me altura e candidatei-me a Belas pelo excesso de representação inscrever‑se numa fracção do meu cultivar essa marca autoral dentro sua obra para voltar a recolocar
trazia tantas memórias, achei Voltando ao exercício de memória, Artes porque na altura ainda era desse mesmo sujeito. A dada processo criativo, que tem a ver de uma tradição humanista? Picasso no lugar devido. Todas estas questões têm uma
que deveria fazer um projecto na qual a lembranças mais forte que possível fazê-lo, com o 5º ano, altura, tens tanta informação com as questões da representação. São posições antagónicas. ligação for te com a ideia de
galeria. Nasceu então a ideia de este espaço onde viveste te desperta? fazendo a admissão com a prova de sobre esse sujeito que se torna Neste caso, levando as coisas Uma baseia-se numa tradição Ultimamente, tens-te referido a construção e do construtor, que tem
fazer qualquer coisa a propósito São memórias difusas e Desenho. As memórias desta casa impossível descortinar para mais longe, usando apenas pós‑duchampiana e eu estou numa ti próprio como pintor. Mas, para também a ver com a tua formação
desta revisitação do lugar. O fragmentadas, como sempre a são de coisas que já não existem. lá dessa espécie de muro de trabalhos feitos por outros. Se posição claramente retiniana e além da tua obra inicial, o que vimos ideológica e, mais uma vez, com uma
projecto acabou por se alargar, memória o é. Estamos aqui nesta Lembro-me de descer a rua, de imagens que aparentemente são os cegos eram feitos por mim, a aurática. Considero que continua foram essencialmente esculturas, raiz humanista?
tinha andado há algum tempo a sala que hoje é o escritório da ir comprar batatas ou cenouras oferecidas. No final, fica a partir de imagens que outros de a ser um conceito produtivo e mais tarde instalações, que um dia A ideia da massa humana e a
fazer um inventário das imagens da Caroline e estamos a olhar para ao senhor José, que ainda vinha pergunta: quem é essa pessoa? mim fizeram, neste caso há uma sê-lo-á sempre. Trata-se de um passaram a ter uma relação com a beleza do trabalho são temas que
minha vida e chegámos à conclusão essa varanda corrida e lembro‑me com uma carroça. Recordo-me de Haverá mesmo quem entenda erosão à erosão do autor, que é entendimento da aura como inerente arquitectura. Só em 1997, na Bienal cultivo. Tenho uma inclinação
que era necessário alastrá-lo ao perfeitamente que ali era o palco virem a casa trazer o leite. Por isso como uma forma perversa apenas o representado feito por ao processo da criação artística, de Veneza, vimos umas peças que para uma estética que se liga ao
vizinho mais próximo, a galeria de brincadeiras sem fim, de isso, são também memórias de um de criar ainda mais ocultação outrem. Fica no ar se deveríamos o que implica a unicidade e a tinham umas portas de vidro que mundo do trabalho e da produção
Miguel Nabinho. cowboys e índios, com dois amigos Portugal que se desvaneceu muito do que propriamente revelação incluir isto na categoria de individualidade autoral. Não eram pintadas, estendendo essa e dos valores que supostamente
que viviam nos prédios traseiros. rapidamente e ainda bem. sobre o sujeito do trabalho. A auto‑retratos. Aqui, já não eram concebo que uma obra de arte relação da escultura à arquitectura cimentariam uma ideologia para
O tema da memória é um tema Cavalgámos muita pradaria ocultação tem um propósito, em auto-retratos, mas representações possa ser feita em conjunto, a e da arquitectura à pintura… transformar o mundo dado pela
recorrente na tua obra. Andavas nesta varanda! Foi o lugar de última análise é o que a arte a partir de fotografia e tanto o não ser por questões de interesse Todas estas componentes foram massa. Interessa-me mais isto do
a procura deste local para uma um círculo infinito de sonhos tem como objectivo. A arte não eram que, inclusivamente, eram económico, como acontece com o entrando no meu trabalho em tempos que qualquer outro dispositivo
exposição cujos contornos estavam e de brincadeiras de criança. clarifica, não esclarece, antes representações com os olhos casal Kabakov. Mas a par destes diferentes, com pertinências ideológico.
já definidos? Aqui, fiz o meu primeiro carro pelo contrário, introduz-nos num fechados, o que contraria, pequenos cinismos e maldades da também diferentes e foram sempre,
Não propriamente. Tinha, de de rolamentos, experimentado território sombrio das perguntas de imediato, o protocolo do vida real, de facto, uma obra é a meu ver, observadas e vividas
facto, a ideia de desenvolver no Jardim da Estrela. Construi e incertezas. Esse é o único auto‑retrato. Acontece-me individual, portadora de aura e a partir do ponto de vista do
a revisitação de um local de também aqui um trenó… território que é potencialmente fotografar-me frequentemente. propõe-se, única e exclusivamente, pensamento da pintura. Hás-de
origem, mas estava a pensá-lo enriquecedor, é o território que Fotografo-me nos hotéis, nas substituir o mundo. É o mundo reparar que muitos dos meus
mais ao nível dos objectos, como nos leva a origem, ao princípio. casas de banho a partir de inteiro em cada objecto. Eu objectos tridimencionais são
aqueles restos que ficam nas Ao artista é O território da clarificação espelhos, mas a maior parte das coloco-me neste território, que esculturas de parede, mas que
casas: tachos, panelas pratos... dado o mundo não te dá isso. Esta espécie de fotografias que aparece neste é um território demiúrgico, numa continuam a debater questões da
Neste caso particular, achei que inteiro para escuridão dada por um excesso de trabalho pertence a outros. A perspectiva clássica que vai pintura. Posso dizer-te, a título Nunca foste maoísta no teu tempo de
o mais interessante seria cingir trabalhar, não há informação, ainda assim, leva-te pergunta é: continuamos a falar de de Picasso para trás. Recuso a meramente de referência, que estudante, em pleno 25 de Abril de 74?
o projecto, quer no Miguel quer constrangimento a essa necessidade do princípio. auto retratos? De representação? perspectiva de Beuys. todas aquelas séries com vidro Começo implicado na política
na Caroline, ao suporte plano, geográficos não pintados por trás retomam questões ainda antes do 25 de Abril, quando
a algo mais mental. No caso da há limites dos que, aparentemente, não estão ou ainda era estudante do liceu.
galeria do Miguel, a proposta é um meios, tudo pode jamais estarão resolvidas dentro Gravito em organizações marxistas
inventário excessivo e obsessivo ser representado da pintura, que são os problemas leninistas, que se viriam a
de imagens. Na Caroline, há um Quando fazias esses trabalhos tudo pode ser da abstracção e da representação. fundir no que ficou conhecido
trabalho sobre a própria planta oficinais, já te imaginavas um objecto de análise, Ao fazeres as pinturas em vidros como UDP. Por essa altura, por
da casa. Ambos estão ligados a artista? tudo pode ser e ao transformá-los praticamente volta de 77, abandonei qualquer
uma das fontes mais evidentes do Nessa altura ainda não. Mas objecto de uma em espelhos, introduzes a actividade política organizada
entendimento do meu trabalho, que nesta mesma casa, numa das salas obra de arte, representação do que é exterior por ter concluído que o que
é uma aproximação à memória, esta da frente, montei um pequeno desde as coisas através de “reflexo”. E contudo, poderia dar ou fazer para mudar
nunca entendida como exercício ateliê onde pintava. Lembro-me mais hediondas são pinturas abstractas o mundo faria melhor através
de nostalgia, mais sim como perfeitamente do cheiro a tintas até as coisas mais monocromáticas. São aliás do meus trabalho, pintando, do
exercício de identificação. É quando chegava a casa depois doces e delicadas objectos a que as molduras dão que passando dias a fio a colar
uma memória que se projecta para do liceu. uma dimensão escultural. Acabas cartazes e em reuniões.

046 – Central Parq | Grande Entrevista 047 – pedro cabrita reis


Num sétimo andar de Champs Elysées, com uma vista fantástica
sobre Paris, a Louis Vuitton tem um centro de arte dedicado à Arte
Contemporânea, com um programa de curadoria a partir do conceito
de viagem e que tem acolhido artistas de todo o mundo.

Situado no sétimo andar de um não chegam por uma qualquer dos seus produtos em parcerias Provavelmente, porque grande
edifício Art Déco, em Champs associação exótica, mas por se com artistas. A mais conhecida fôlego tem sido dispendido na
Elysées, o Espace Culturel da inserirem dentro de uma lógica aconteceu em 2003, com mediático Maison Louis Vuitton em Londres, a
Louis Vuitton tem desde Janeiro de Arte Contemporânea, ainda que Takashi Murakami a criar um padrão exposição que este Verão poderemos
de 2006 uma programação regular, explorem nos seus trabalhos as jovial de flores que se misturavam ver no Espace Culturel parece ser
centrada na promoção de Arte suas tradições e as questões de com os monogramas clássicos da de menor investimento. Perspectives
Contemporânea. Com 400 m2, este identidade, em resposta à pressão casa francesa, ganhando assim um reúne o trabalho de duas artistas
espaço de exposição merece ser de um mundo homogéneo e global. ar lúdico. A relação da marca francesas, uma arquitecta,
visitado nem que seja pela vista É essa tensão entre modernidade com a Arte Contemporânea é óbvia co‑autora do MACRO, Museu de Arte
panorâmica. Fica acima da loja e tradição que muitas vezes porque na prática traduz-se na Contemporânea de Roma, a outra
da Louis Vuitton, em Champs está implícita nas obras destes aproximação ao seu melhor tipo de uma artista revelação com alguns
Elysées, mas o acesso faz-se artistas e que foi particularmente público-alvo: culto, informado, prémios recentes. Odile Decq
pelas traseiras, pela rue de visível na primeira exposição ávido de novidades e pronto para tem um fascínio pelo horizonte
Bassano, subindo-se ao último do Espace Culturel, que juntou receber e se adaptar a novas e concebeu para esta exposição
andar do edifício a partir de artistas indianos e europeus ideias que tenham um lugar de três instalações que combinam
um elevador criado por Olafur com conhecimento da Índia. A destaque no mundo. Esse é, de aço, metal e vidro, lançando
Eliasson, provavelmente o artista escolha de uma exposição sobre facto, o público que melhor poderá um desafio à nossa percepção.
convidado do Espace Cultural a índia para inaugurar o espaço contribuir para a dessacralização As peças jogam com a ilusão de
mais mediático até ao momento. não foi ao acaso, já que a Louis da marca que, durante muitos anos, profundidade onde ela não existe.
Este artista dinamarquês, Vuitton tem uma longa relação esteve envolvida numa redoma de Ilusão óptica e surpresa dominam
que trabalha regularmente com histórica com este país, graças luxo que não permitia qualquer esta obra arquitectónica frontal,
iluminação, fazendo alusão à às encomendas de artigos de viagem perspectiva de desenvolvimento e sensível e divertida, marcada por
experiência psicadélica das feitas por marajás. Esta lógica sobrevivência a longo prazo. Neste uma precisão extraordinária. Já
luzes de discoteca, estendeu a de aliança com locais onde a aspecto, Marc Jacobs tem sido a Camille Henrot observa o mundo
seu projecto às montras da loja, marca está presente e desenvolve pílula milagrosa que faltava à a partir de uma perspectiva
criando formas circulares em luzes laços comerciais já levou também marca, pela mais valia da relação extraordinariamente incisiva e
de néon que dificilmente passariam a Paris exposições de artistas privilegiada que mantém com o alternativa. Através das suas
despercebidas. russos e uma de coreanos. Também mundo artístico nova-iorquino e leituras e criações, construiu
no que respeita a artistas do que em muito contribui para que uma antropologia pessoal da qual
Em geral, a programação do Oriente, o histórico trajecto da seja apontado como “o Andy Warhol” esta exposição é o anfiteatro.
Espace Culturel da Louis Vuitton Rota da Seda foi o propósito para deste século. E no fundo, a nova Com recurso ao vídeo, escultura,
procura reflectir os valores da juntar no mesmo espaço chineses, Maison Louis Vuitton, que acaba desenho, gravação, fotografia,
marca e o conceito de viagem, japoneses, afegãos, iranianos e de abrir as portas em Londres, tecelagem, etc., ela explora
propondo essencialmente projectos libaneses. Recentemente, surgiu na Old Bond Street, continua a as viagens e os mal-entendidos,
colectivos temáticos, alguns uma abordagem ao Chile, numa consagrar essa relação com o a compreensão impossível do
deles, centrados em artistas exposição que reuniu 11 jovens mundo das artes. Na inauguração, outro. O seu trabalho consiste
ocidentais consagrados. Contudo, artistas de uma geração que saltaram à vista trabalhos de na reapreciação de objectos que
o projecto mostra-se bastante procura libertar-se do isolamento Gilbert&George, Jeff Koons e Amish ela distorce, deforma, expande,
plural, como não poderia deixar traumático do regime Pinochet e Kapoor, algumas das estrelas mais tal como telemóvel, o símbolo
de ser quando se explora a ideia alcançar o mundo contemporâneo. mediáticas do momento. A Maison da modernidade, mergulhado em
de viagem. Nesse sentido, a não foi desenhada para ser uma alcatrão para sublinhar a perda
programação tem sabido inserir As relações da Louis Vuitton loja, mas também não é um centro de autenticidade dos objectos.
artistas de outras partes do com a Arte Contemporânea não de arte. Ensaia-se aqui um novo
mundo, muitos deles a estrear- são recentes. Há alguns anos conceito de espaço de fusão, onde GOLDEN LEGENDS – SAINT
AGATHA OF CATANIA, 2010
se a expor em Paris e até mesmo que vamos acompanhando a edição a experiência destes dois mundos Engraving on paper,
dry-point technique
na Europa. São artistas que regular de séries especiais se conjugam. . .
www louisvuitton com/espaceculturel on zinc. 58x71x4cm
© Camille Henrot

048 – Central Parq | arte t — francisco vaz fernandes 049 – a arte de viajar
1

g er ação
r co-íri
a s

A cultur a pós-apartheid

Como em qualquer parte do mundo, há, em Joanesburgo, uma tribo que usa cores
garridas, óculos de massa a sair da cara, t-shirts com caveiras estampadas e
lenços árabes ao pescoço. Têm um estatuto que foi negado aos seus antepassados:
são cidadãos livres. Vivem em democracia e não se envolvem directamente na
política. Interessam-se pelas tendências internacionais da moda e da música.
Dançam ao som do kwaito e do hip hop. É a primeira geração a atingir a
maioridade depois da queda do regime apartheid. É esta a geração arco-íris?

Bloqueio cultural Arte contemporânea


África do Sul é conhecida neste país. África do Sul pode A artista plástica Ângela explora de forma complexa os
como a nação arco-íris pela agora escolher o seu destino. Mas Ferreira (n. 1958) viveu conceitos de nacionalidade e de
sua diversidade cultural. nem sempre foi assim. Durante os intensamente esse período. Como identidade. A sua obra tem vindo a
Dos africanos aos europeus, mais de quarenta anos de regime tantos outros portugueses de ganhar atenção internacional por
dos judeus aos muçulmanos, segregacionista, encontrava-se Moçambique, mudou-se para África levantar questões relacionadas
do capitalismo à economia de dividida entre os que nasciam com do Sul depois do 25 de Abril, com a raça e a etnia mas também
subsistência tribal, o país e os que nasciam sem direitos. A mais precisamente para a Cidade com a masculinidade e o género.
alberga realidades sociais muito partir dos anos 60, o país foi do Cabo, para continuar os seus
diferentes. A coexistência dessas alvo de um boicote cultural por estudos. Num país culturalmente As novas indústrias
disparidades tem sido um longo parte de actores, escritores, isolado e distante dos centros As marcas do apartheid ainda são
caminho para a liberdade, como músicos e intelectuais europeus de produção de arte, Ângela visíveis, tanto nas comunidades
diz o título da auto‑biografia que se recusavam a actuar ou a Ferreira tomou conhecimento das que vivem nos subúrbios das
de Nelson Mandela. Hoje em dia, promover as suas obras enquanto correntes artísticas de forma grandes cidades como nas
as correntes e as produções houvesse apartheid. O resultado indirecta. Apesar da teoria fazer populações do interior do país.
artísticas chegam a África do desta acção de protesto, que parte dos programas da Escola de Uma das piores heranças do regime
Sul de igual modo que em qualquer durou até à queda do regime, Arte da Cidade do Cabo, a sua é a concentração de terras. A
outro país democrático: através foi um atraso no desenvolvimento materialização nunca se chegou reforma agrária ainda não foi
dos meios de comunicação, de das instituições educativas e a concretizar. Actualmente a realizada e a terra continua a
forma globalizada, homogénea e culturais do país. Apesar de viver em Portugal, continua ser controlada, maioritariamente,
massificada. Concorde-se ou não afectar apenas directamente a a trabalhar sobre conceitos por brancos. Os subúrbios são
com a globalização e com os seus população branca –beneficiária geopolíticos e a reflectir sobre habitados por bairros de lata
efeitos sobre o desaparecimento das melhores escolas e hospitais, a prática artística “derivada” onde não existem esgotos, água
das culturas locais, a verdade ao nível de qualquer país dos originais. Da nova geração ou electricidade. A taxa de
é que seria muito difícil, para civilizado– o bloqueio isolou a de artistas sul-africanos, Ângela desemprego é altíssima e os dados
não dizer inevitável, escapar a África do Sul do resto do mundo. Ferreira destaca o trabalho de oficiais revelam que quase metade
este modelo de economia global Nicholas Hlobo (n. 1975), que da população negra vive abaixo da

050 – Central Parq | cultura t — cláudia gavinho 051 – geração arco-íris


2 4 5 6 7 8

3
9

linha de pobreza. As diferenças desconstrução e reinterpretação nunca tinha acontecido. Fica a influenciado pela música de dança e conta sempre uma história”. Em
levam tempo a esbater‑se. dos trajes tradicionais. pergunta: poderá algo semelhante e mais pelo hip hop, onde encontra relação à música kwaito afirma:
Enquanto isso, têm vindo a I’m Black and I’m Proud suceder com o Campeonato do Mundo semelhanças, nomeadamente, na “Pessoalmente, acho que morreu há
ser implementadas políticas de Algumas das revoltas e pontos de resistência Rugby vs futebol de Futebol? origem (ghetto music), na estética muito tempo. As coisas evoluíram.
igualdade de oportunidades e de contra o apartheid estão registados em forma No dia-a-dia, há pequenas coisas (no uso ostensivo de jóias e África do Sul faz muito bom hip hop
integração de jovens negros em de documentário. Em exibição na Cinemateca que dividem os sul-africanos. Geração kwaito diamantes como símbolos de e música house. E a banda indie The
sectores sociais e económicos. nos dias 23 e 24 deste mês chega, através Os brancos apreciam rugby, os Mistura de música de dança com poder) e na objectificação da Parlotones é grande!” Perguntámos
Uma das indústrias mais fortes do festival Próximo Futuro, organizado pela negros futebol. O filme Invictus ritmos africanos, o kwaito surgiu mulher, aspectos pelo qual é a Funeka se a nova geração
de África do Sul, o vinho, tem Fundação Calouste Gulbenkian, When We Were de Clint Eastwood, retrata de em Joanesburgo na década de 90. muitas vezes criticado. Outro incorpora, orgulhosamente, a
programas de incentivo para Black, do realizador Khalo Matabane. O filme forma exemplar um episódio A chegada do house e do techno uns dos motivos é ser considerado cultura africana nas suas vidas.
jovens empresários. Outro exemplo conta a história verídica de um adolescente que se passou em 1995 com anos antes favoreceu o cruzamento um género apolítico e passar ao “A globalização está a ganhar
é o da escola de cinema Big Fish, negro que, apaixonado por uma jovem activista Nelson Mandela, quando quis entre estes estilos e as melodias lado da temática apartheid. Niq terreno. A nossa cultura está
em Randeburgo, que aposta no política e para ganhar a sua afeição, entra conciliar e satisfazer os dois tradicionais africanas. A maioria Mhlongo, autor de Dog Eat Dog, lentamente a dissipar-se e somos,
ensino de uma carreira ligada no mundo da luta revolucionária contra o lados. Mostrando uma sabedoria dos porta-vozes do kwaito vêm de um livro que celebra a geração cada vez mais, influenciados pelas
à indústria cinematográfica. Há apartheid. Este seu envolvimento político terá política exemplar, o recém‑eleito áreas suburbanas e empobrecidas, kwaito, conta a sua experiência tendências globais. Na moda e na
uma nova classe média emergente como consequência a sua morte precoce a 16 presidente aproveitou a como o Soweto, subúrbio da cidade de crescer no Soweto e de estudar música, estamos constantemente à
e uma nova elite de executivos, de Junho de 1976, naquele que é conhecido oportunidade do Campeonato de Joanesburgo, conhecido como na Universidade de Witwatersrand, procura do reconhecimento e da
de empresários, de artistas e de para a história como o “Massacre do Soweto”, Mundial de Rugby e abriu uma um dos baluartes da resistência em Joanesburgo. Numa entrevista aprovação do Ocidente, como se
políticos. Mas ainda há muito a uma data simbólica para a comunidade negra vaga na sua apertada agenda para anti-racista. Um dos primeiros recente Niq afirma: “O fim do isso representasse uma garantia
fazer para diminuir as diferenças sul‑africana. Através desta história, o receber o capitão da selecção êxitos foi Don't call me kaffir, apartheid deu origem a uma geração de qualidade.
e as distâncias sociais entre filme conduz‑nos tanto ao ambiente da nacional de rugby, François lançado em 1995 por Arthur híbrida, a uma geração que se
brancos e negros, entre ricos e luta anti‑apartheid como ao ambiente das ruas Pienaar. A atitude do presidente Mafokate. A palavra kaffir tem expressa através do afro-pop, Para a maioria dos jovens faz
pobres, entre homens e mulheres. do subúrbio, protagonizado por jovens de confundiu tudo e todos. A selecção origem árabe e significa infiel unida em torno da luta contra a mais sentido cortar com o
A indústria de moda reflecte o sapatos de verniz e calças reluzentes, nem sequer fazia parte do leque ou não-crente e era usada de sida, a pobreza, a xenofobia, o passado e abraçar novas causas
percurso do país. As marcas e os dançando ao som de Stevie Wonder, Marvin das favoritas para ganhar o forma depreciativa, com o mesmo desemprego e a criminalidade”. e novas lutas, importantes para
designers incorporam o legado Gaye e Aretha Franklin, com penteados campeonato e nenhum dos lados significado da palavra nigger as suas vidas. Querem dançar e
da luta anti-apartheid de forma afro e a palavra de ordem I’m Black and I’m entendia o alcance do esforço. nos Estados Unidos. A letra Cultura global divertir‑se. E isso aproxima-os
diversa nas suas criações. A Proud. Outro registo sobre a resistência é Alguns consideravam simplesmente da música fala sobre a queda Funeka Ngwevela, 25 anos, mais da sua geração de qualquer
Stoned Cherrie, por exemplo, o documentário, ainda em fase de rodagem, ridículo que o presidente se do regime e a libertação desse produtora de moda, define o seu parte do mundo do que dos valores
usa a figura do activista Steve Punk in Africa, do jornalista, realizador e ocupasse de um assunto desportivo estereotipo. Boom Shaka, Mandoza estilo como “Vintage, inspirado defendidos pelos seus pais e
Biko estampada nas suas t-shirts. produtor Deon Maas. O filme mostra o papel num momento em que o país se e Zola, são outros dos pioneiros nas décadas de 20 e de 60, com avós. Mas até ao esbatimento das
A Sun Goddess usa tecidos da música punk como forma de luta contra debatia com problemas sociais do kwaito. Cantam as suas músicas influências indie rock”. Tem um blogue diferenças sociais, a promessa
indígenas, a par das tendências os regimes colonialistas em quatro países e económicos dramáticos. Mas, em afrikaans, inglês ou em línguas onde vai colocando regularmente da nação arco-iris ficará por
1 khalo matabane, when we
internacionais. A dupla Black africanos: Zimbabué, Moçambique, Quénia e contra todas as expectativas, os nativas como o zulu e, apesar fotografias do seu trabalho cumprir. were black, 2006, cor, 240'
2+3+5+6+9 funeka ngwevela
Coffee, de Jacques van der Watt e África do Sul. Deon Maas é também autor do Springboks venceram a selecção do aparecimento de novos www.thequirkystylista.blogspot.com. 4 nicholas lhobo
7+8 black coffee
Danica Lepen, é a mais conhecida documentário Durban Poison, de 2008, que conta neo-zelandesa e ganharam o estilos de música, continuam A sua inspiração é o trabalho do
e apresenta as suas colecções nas a história do Stable Theatre, o primeiro campeonato. No fim, o esforço a ser considerados verdadeiras fotógrafo britânico Craig McDean.
semanas de moda de Nova Iorque e teatro independente fundado por negros na protagonizado por Mandela fora de celebridades, aparecendo Como revelou à PARQ, o designer
de Berlim. A herança africana é África do Sul, em 1975, na cidade de Durban. campo e pelo capitão da equipa, constantemente em revistas e de moda sul-africano que mais
assumida de forma mais subtil, dentro dele, alcançou o mérito em programas de televisão. aprecia é David Tlale. “Cada peça
com uma abordagem pós-moderna de de unir o país como até ali Actualmente, o kwaito é menos que ele cria é forte, dramática

052 – Central Parq | cultura 053 – geração


Joost van
arco-íris
Bleiswijk
Pequenas flores, delicadas e finas, rodeiam as jarras brancas. Fazem de caules e de
asas, adornam e compõem as peças, tornando-as subtilmente coloridas. Mostram‑nos
como a natureza é frágil. Como as flores colhidas nos despertam a vontade de
eternizar cada momento. Pois nada dura eternamente. Nem mesmo a lisura de uma flor.

As flores congeladas evocam as modo poético. Por um dia apenas, superfície dessa pele é um tema A Academia de Design de Eindhoven
naturais –quase que se pedia os passeios, as bicicletas e as que tem acompanhado a carreira de trouxe a Wieki a preocupação
que fossem naturais– “são em árvores cobriram-se de uma fina Wieki, como são exemplo as peças de um design conceptual. Um
seda, uma escolha prática, mas camada translúcida e pareceram High Tea Pot, Bathboat e Merry-go- conceptualismo mais concentrado
parecem‑se com as verdadeiras”, fundir-se num só. Os carros, round Coat. na questão do porquê e menos
diz-nos Somers. Para a aparência, esses ficaram subitamente imóveis centrado no como. Wieki parece
quase fiel, do gelo, a designer e colados às estradas. Quando Wieki Somers diz-nos, também dar valor a ambos: “existe no
procurou uma resina líquida, o gelo começou a derreter, os no texto de Schouwenberg, o nosso trabalho um processo
UV Topcoat, como é designada: carros continuaram o seu rumo seguinte: “Sempre me interessei intuitivo de experimentação.
“procurámos uma resina que não e as árvores desenvolveram os pelas características e pelas Há todo um processo exaustivo
endurecesse tão rapidamente. O seus ramos. potencialidades dos materiais, de investigação, sobretudo nas
material, UV Topcoat, só solidifica porque acredito que neles qualidades tácteis e funcionais
à luz do dia”. O que intrigou Wieki foram as há estórias que permanecem dos materiais e técnicas,
formas ténues, escondidas por escondidas e que podem ser suas referências culturais e
O projecto Frozen in Time partiu detrás de uma delicada pele libertadas, muito como os históricas”. É precisamente por
da simpatia da designer por um transparente. Despertando- escultores clássicos faziam. estas referências culturais que
fenómeno que aconteceu em 1987, lhe, com os objectos e Não era Michelangelo que dizia Wieki privilegia as memórias que
quando uma chuva de gelo espessa plantas assim envernizados, um que as figuras estavam à espera se evidenciam nos objectos.
se abateu sobre uma região do sentimento forte de melancolia. no mármore justamente para
norte da Holanda. O fenómeno Paradoxalmente, revelava-se com que o artista as libertasse?
produziu uma camada de gelo que a cobertura gelada o que até Em comparação com essa ideia,
cobriu tudo: desde flores a ramos então permanecia oculto. Segundo sempre tive a convicção de que os
de árvores, até roupas penduradas Louise Schouwenberg, esta tensão materiais tinham um significado
em cordas. Semi-transparente, entre a superfície dos objectos oculto”.
o gelo ligava as coisas de um e o que se esconde para lá da

054 – Central Parq | design t — carla carbone 055 – wieki somers


056 – Central Parq | design 057 – wieki somers
exogon
da Tonon
criada por
Franco Poli

portofoliodays
Uma entrevista de tr abalho

Na área do Design, mais do que o curriculum, a experiência e a carreira o que


vinga é o espírito criativo e nada como prová-lo a partir de um documento
demonstrativo das aptidões que, em geral, conhecemos por portfólio. Para
debater este problemática, inserido num concurso dirigido a jovens designers
e com a dinamização da Associação Futuro, a Interforma traz ao seu espaço
em Alfragide, em Julho, algumas das estrelas do Design Industrial.

PORTFOLIODAYS responder melhor às expectativas de Artes Visuais de Hamburgo, evento. As palestras começam
No sentido de dar a conhecer do mercado. Ou seja, será um estudou Arte na Universidade com Miguel Rios, um jovem designer
as necessidades que envolvem momento único onde, rodeados da Califórnia, em San Diego com um percurso já consolidado
a edição de peças de design, a dos grandes profissionais (EUA). Em 1966, criou o Atelier e que se tem distinguido por
Interforma, uma das empresas que os avaliam, podem medir Centrale, com Dirk Danielsen, um trabalho experimental que
portuguesas líderes na as reais possibilidades de dedicado ao planeamento de Design questiona as próprias fronteiras
comercialização das marcas de passarem esquiços do papel de Interiores, Design de Produto, do design. Seguem-se dois designers
prestígio que representa, a para uma outra escala, testarem exposições e apresentações de de renome: Franco Poli, que
Hulsta e a Rolf Benz, oferece a 15 as suas visões em fases de lojas. Desde 2003 que coordena o marcou o design italiano durante
jovens portugueses a oportunidade produção e de comercialização. Departamento de Gestão de Produto três décadas, conhecido pelas
de partilharem com alguns experts da A consciencialização de todas da Rolf Benz, sendo a responsável texturas e pelo preciosismo
área do design as suas experiências as limitações que envolvem a pela concepção e desenvolvimento técnico das suas criações
acumuladas. Vão poder estabelecer produção de um projecto e o de mobiliário da marca alemã. –grande parte lançada pela Tonon–
contacto com Bern Gobel, Filipe seu sucesso são essenciais para Bettina Hermann fica com a missão e Stefan Heiliger, conhecido
Alarcão, Henrique Ralheta, a compreensão e gestão de um crucial de orientar os candidatos, por algumas das cadeiras mais
Orlando Almeida, Bettina Hermann, carreira numa área tão desejada dando‑lhes a oportunidade de icónicas do Século XX. As suas
Franco Polie, Stefan Heiliger, e para o qual poucos reúnem todas interrogar e aperfeiçoar os seus criações assimétricas resultam
Carla Cardoso e Namalimba Coelho, as aptidões necessárias. portfólios. O workshop revela- de estudos que se prolongam
agentes activos na criação, se um momento determinante no até a anatomia do corpo humano,
produção, comercialização e Destes dias de discussão, de processo de selecção e decisão de forma a garantir a máxima
promoção de objectos de design portfólio e da fase de workshop, das propostas vencedoras, cabendo comodidade possível.
industrial. no dia seguinte (02 de Julho) ao júri a derradeira escolha dos
sairá a atribuição de um prémio dois premiados. No final, para além de serem
Todo o programa se desenvolve a aos dois melhores: a oportunidade anunciados os vencedores dos
partir da selecção dos melhores de estagiar na Hulsta e na Conferência estágios, a sessão abre-se à
portfólios enviados através Rolf Benz, apesar de todos os A conferência é o momento discussão, com a possibilidade do
deste concurso público que elementos seleccionados serem culminante dos 3 dias de público intervir directamente com
habilita os pré-seleccionados a convidados a participar numa intensa discussão e é também os conferencistas e membros do
discutir formas e processos de exposição itinerante, que, entre o momento público, aberto júri, assim como com os restantes
apresentação dos seus projectos Setembro e Dezembro estará nas a todos os interessados, profissionais convidados. Este
com um júri, constituído por diversas lojas de norte a sul da profissionais, estudantes ou momento será com certeza marcante
profissionais da área. Com eles, Interforma. simples curiosos. No dia 3 de para muitos, até pela hipótese de
no primeiro dia de Julho, vão Julho, na loja da Interforma, debate sobre uma área vital para
poder analisar os seus próprios Workshop em Alfragide, reúnem‑se todos Portugal. É que apesar do crescente
trabalhos, tendo como instrumento Em termos de programa, um dos os participantes e o público número de infra-estruturas de
base um portfólio. Obviamente que pontos altos para os candidatos em geral para assistirem a formação e do reconhecimento
é apenas um pretexto para que será sem dúvida o workshop, a diferentes palestras, debates internacional de alguns designers
os jovens profissionais possam, cargo de Bettina Hermann, um dos com a apresentação de case- portugueses, continuamos longe
sem intermediários, entrar em membros do júri internacional, studies, tratados por alguns dos de nos conseguirmos impor
discurso directo com os problemas em representação da Interforma. protagonistas do Design nacional verdadeiramente no mundo do design.
e as perspectivas reais das Bettina Hermann é Licenciada em e internacional, bem como CEO’s
empresas do meio e, assim, poderem Design Industrial pela Universidade de empresas, convidados para o . .
www interformamakeitreal com pt .

058 – Central Parq |design t — francisco vaz fernandes 059 – portofoliodays


calção e écharpe AMERICAN
VINTAGE, top beige
DIESEL, top verde foto andré brito
MANGO, cinto STRASS,
capa W LES FEMMES A s s. f o t o h e l d e r b e n t o s t y l i n g j u l i a n a l a p a m a k e- u p t i n o c a h a i r r u i
na Loggia boutiques r o c h a c e n o g r a f i a f il i pa tava r e s m o d el o d a n i elly s ilva (j u s t m o d el s)
A g r a d e c i m e n t o s: L o g g i a B o u t i q u e s + L a n i d o r + C a s a B ata l h a
calças IRO, top MISS
MISS, casaco malha
DONNA ELENA, botas
CAT, cinto e lenço STRASS
na Loggia Boutiques

ela: ELE:
calças DIESEL, colete leggings QUINZE
MANGO, cinto PEPE HEURES TRENTE,
JEANS, casaco KOSMIKA, capa W LES FEMMES
lenços STRASS na Loggia na Loggia boutiques
Boutiques, socas LANIDOR
calção MANGO, top
DEBY DEBO, Colete
LM LULU, colares
STRASS, lenço PLEASE
na Loggia Boutiques
vestido renda LM
LULU, casaco MARY
C, cinto Strass na
Loggia Boutiques,
colares LANIDOR e
CASA BATALHA
ruben: jessica:
vestido PVC PEDRO PEDRO macacão AMERICAN
Fall10/11, camisa LACOSTE , VINTAGE, casaco de PVC
gravata OUTRA FACE DA LUA PEDRO PEDRO Fall10/11

F l e s h
i s
t h e
C o l o u r
foto manuel sousa
ruben:
st yl i n g a n a c a n a d a s m a k e-u p l ol a p é r e z gabardina e laço GANT,
m odelos j e ss i c a r o d r i g u e s ( l'a g e n c e ) + r u b e n ( b e s t m odels) calções HENRY COTTONS,
pólo OUTRA FACE DA LUA
jessica:
casaco pulseira e brincos H&M,
leggings com lantejoulas
PATRIZIA PEPE, echarpe
usada como turbante
AMERICAN VINTAGE

jessica: jessica: ruben:


camisa e calções H&M, chapéu casaco de PVC PEDRO PEDRO Fall10/11 sobre camisola LACOSTE,
OUTRA FACE DA LUA, echarpe usada como turbante AMERICAN VINTAGE, calções MANGO
colar na cabeça AITA leggings bordados PATRIZIA PEPE, óculos de
sol OUTRA FACE DA LUA, correntes H&M
ruben: jessica:
t-shirt e colete MANGO, saia REPETTO, top de cabedal,
calças SACOOR, cinto, mala e pulseiras H&M,
sapatos FRED PERRY, pulseira branca AITA,
óculos PERSOL chapéu vintage OUTRA FACE
DA LUA, sandálias ZILIAN

ruben:
lenço camisa DINO ALVES,
calças LACOSTE, echarpe
usada como turbante MANGO,
alpargatas HAVAIANAS
As boas línguas de
Miss Jones &
Ray Monde

bocca
t — miss jones & ray monde

Pedras e Pêssegos
Uma doçura primaveril, assistida de tomate com espuma de favas e uma Apesar de um agrado notável e pleno Bocca
pelo bailar desvairado das andorinhas, mini espetada de polvo à Lagareiro, foi impossível resistir aos sorvetes. Miss Rua Rodrigo da Fonseca, 87 1250-
conjugada com uma alegria de apesar de fria manteve-se muito Jones escolheu um de tangerina/ 190 Lisboa De 3a a Sábado,
regresso a uma casa de consolação, saborosa e a combinação interessante; figo e foi frescamente recompensada almoços e jantares
assim cogitavam Miss Jones e Ray umas sardinhas marinadas com enquanto Ray Monde, mais por Tel.: 213 808 383
Monde enquanto caminhavam óleo de cebolinho e basílico crocante expectativa que verdadeira necessidade, .
reservas@bocca pt
para o Bocca. O motivo era simples: colocadas numa ardósia e salpicadas provou o de azeitona verde, curiosidade

Armazém . warehouse
conhecer uma outra versão das com minúsculas flores, sem acidez para também satisfeita… um cálice de
capacidades do chefe Alexandre o nosso espanto e deleite; uns uramaki moscatel ROXO e um café findaram

Rua do Almada 556


S i lva … u m n ovo co n ce i t o , com tomate confitado e maki de atum o jantar.
exclusivamente pratos frios para uma e salmão fumado com manga; uma

4050-034 Porto
escolha despreocupada ou cumulativa, degustação de 6 ostras do Sado, as A saída foi seguida de um diálogo que
ou seja, o desejo é um convite ‘a picar’, mais untuosas, e 6 da Ria Formosa, as confirmou o talento inventivo da cozinha

Loja . Store
numa nova sala, de ambiente sossegado mais rijas, acompanhadas por pequenas e a afabilidade da casa.
e desprendido. pirâmides de gelatinas de tomate, aipo/

Praça Coronel Pacheco 34


aneto e limão…
Para dar as boas vindas vieram uma

4050-463 Porto
cazuela de maracujá e champagne para Neste ponto, tanto Miss Jones como
Miss Jones e a habitual margarita para Ray Monde, impuseram-se um

http://www.pedrasepessegos.com
Ray Monde. E um pequeno prato intervalo neste continum de paladares.
atravessado por um fio de azeite e pães

http://pedrasepessegos.blogspot.com
variados para abrir o apetite, assim se Uma massa soba com vieiras salteadas
iniciou o bródio. no topo, estas espessas e perfeitamente
confeccionadas, foi escoltada por
Este encabeçado por um shot em uma ligeira sensação de gula que
estado sólido de guacamole com ovas rapidamente se desfez perante a fineza
de lumpo, refrescante; um gaspacho do prato…

074 – Parq Here | miss jones & ray monde


x
ice marks
dunes the spot
t — sofia saunders t — sofia saunders

Muito em breve, todas as lojas Swatch A Conceito X, loja dedicada ao


do mundo terão um novo visual. Ice urbanwear, inaugura o seu segundo
Dunes é um novo conceito de loja que espaço em Braga, na Rua de Santa
coloca o produto no centro de tudo. Este Margarida. Para além de representar
projecto arrancou no final de 2009 na algumas marcas de referência traz
megastore de Times Square, em Nova como novidade, a My Box, uma

bica temporary
Iorque. Em Portugal, a primeira loja Ice galeria de arte, adjacente dedicado a
Dunes abriu em Lisboa, em Maio, diferentes expressões artísticas urbanas.

do sapato store
no Centro Comercial Vasco da Gama. Na Inauguração expõem trabalhos de
Segue-se a loja de Braga e só depois a Júlio Dolbeth e Rui Vitorino
t — maria são miguel marca irá estender a mudança, de forma dos Santos, os dinamizadores do t — sofia saunders
gradual, aos outros dez pontos de venda site, Pandora Complexa. A
do nosso país. Todos os elementos programação deste espaço será rotativa,
A Bica do Sapato abre a sua Miranda, criaram as condições para Ice Dunes são modulares e de fácil dando assim a conhecer a vasta oferta A Loja das Meias acaba de inaugurar à venda de máquinas e de cápsulas da
esplanada entre a hora do almoço e que a esplanada funcionasse à tarde. montagem. O ambiente é branco, puro do panorama artístico português, nas um novo espaço na Baixa lisboeta. Situada marca nacional e alberga uma exposição
do jantar. É uma casa que dispensa Para além de uma carta de bebidas, e límpido. Com as cores dos produtos suas mais variadas linguagens. Para nos antigos Armazéns da JB Fernandes, inédita de graffitis. Conceituados artistas
qualquer apresentação, aparece em oferece uma ementa própria que em evidência, os relógios e as jóias marcar o arranque desta nova aventura a temporary store está dividida plásticos como Hium, Ram, Smile,
qualquer guia da cidade como lugar vai desde um leve petisco (pratos de Swatch são os grandes protagonistas. do Conceito X em Braga irá abrir as por vários espaços: um outlet, um café Pariz One, Nomem, Wek, Klit,
obrigatório para quem quiser usufruir do pasteis de massa tenra, croquetes, tábua A loja, o palco. suas portas, no dia 26 de Junho, às 22h, a e uma galeria de arte. Na entrada Ixi e Gonçalo produziram telas
melhor de Lisboa. A sua esplanada não de queijos) até pratos mais completos todos os seus amigos, seguindo a festa encontram-se as colecções pronto- exclusivas que podem ser adquiridas na
é propriamente uma novidade já que no como diferentes pastas, saladas e até depois na discoteca Sardinha Biba, a-vestir de anos anteriores, tais como loja. Num outro espaço estão as marcas
tempo quente sempre foi possível jantar um bitoque de lombo. com DJ’s convidados. Lanvin, Chloé, Fendi, Celine, direccionadas para uma faixa etária mais
ao ar livre aproveitando melhor a vista do Stella McCartney, Salvatore jovem, como a A.Style, Melissa,
rio. No entanto, depois de algumas obras bica do sapato Ferragamo, entre muitas outras. Sanjo, Converse e Lacoste. A
já no final do Verão passado, que deram Av Infante D. Henrique Swatch conceito x No chão, um amontoado de paletes não perder!
à esplanada dois bares e um sistema de Cais da Pedra Sta Apolónia, Lisboa Centro Comercial Vasco da Gama Rua de Sta Margarida, 60 Braga dá a conhecer os vários acessórios
toldo que permite que se possa estar Tel: 218 810 320 Loja 2.042, Piso 2 de marcas exclusivas como Marc Loja das Meias Temporary Store
de forma confortável ao meio da tarde, . .
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Fernando Fernandes e José . .
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076 – Parq Here | Places 077 – Parq Here | Places


RECEBE UMA REVISTA PARQ,
EM CADA ENCOMENDA.

john
wood
t — nuno adragna

Quando se fala de whiskey irlandês John Wood


lembramo-nos imediatamente do
whiskey Jameson, originário de • 2 partes de Jameson
uma velha destilaria na Bow Street • 4 partes de vermute
em Dublin, fundada em 1780 por • 2 partes de sumo de limão
John Jameson. É um dos whiskeys • 1 parte Kummel

sex on preferidos dos portugueses e resulta (licor à base cominhos)


de um processo de destilação que lhe • Gotas de Angoustura Bitters

the beach confere maior suavidade. (El Corte Inglês/Club del Gourmet)

t — nuno adragna Ao contrário dos escoceses, é filtrado Juntar tudo num shaker com um pouco
três vezes e é produzido a partir de um de gelo e verter o conteúdo num copo
conjunto de cereais. Resultado: a menor de whiskey com gelo.
Com o calor a subir a todos os níveis Absolut Sex percentagem de cevada maltada e o
sabe sempre bem refrescamo-nos no
final de um dia na praia. Peça num bar ou
on the Beach
• 1 parte de Absolut Peach
envelhecimento em cascos de sherry
dão-lhe um sabor mais complexo. No
www.nomenuhomeservice.pt
faça em casa o nosso Absolut Sex (de preferência já gelado) final, Jameson é um whiskey com uma
on the Beach, sem qualquer grau • 2 partes de sumo Arándano cor bonita que desce redondo e deixa
de dificuldade. É um long drink à base vermelho (Cramberry) um sabor agradável na boca. A maior
de sumo de frutas, pouco alcoólico e • 2 partes de sumo de laranja parte dos seus apreciadores prefere
revigorante, que reúne forças para um
bom momento em boa companhia. Num shake , misture todos os
bebê-lo simples ou com água, com
ou sem gelo, mas por ser um whiskey
Basta marcar:
ingredientes com alguns cubos do gelo com sabores extremamente bem
e verta o conteúdo para um copo alto, equilibrados, presta-se às combinações LISBOA 213 813 939 / 933 813 939
cheio de cubos de gelo. Em algumas de um cocktail. A presença de whiskey em PARQUE DAS NAÇÕES 213 813 939 / 933 813 939
versões do Sex on the Beach, cocktails é antiga e a combinação com OEIRAS 214 412 807 / 934 412 807
existe a presença do sumo de ananás vermute está na base de muitas receitas
CASCAIS 214 867 249 / 914 860 940
e, nesse caso, reduz-se uma parte do clássicas, sendo o sabor e o perfume
sumo de laranja para acrescentar o sumo doce de um Jameson perfeito para ALMADA 212 580 163 / 917 164 591
de ananás. Enjoy! concretização desta receita. COSTA DA CAPARICA 212 580 163 / 917 164 591
COIMBRA 239 714 307 / 961 014 220
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078 – Parq Here | gourmet


Defende as tuas cores
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O dia da boda
storytailors
Lx maio/2010

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965 www.aforest-design.com Bing Punch: R. do Norte, 73 — Bairro Alto — Lisboa telf. 213 423 987 Carhartt Shop: R. do Norte,

guia de
64 — Bairro Alto — Lisboa www.carhartt-streetwear.com Carolina Herrera: Av. da Liberdade, 150 — Lisboa Cat Bedivar: telf.
219 946 810 Chloé: Fátima Mendes e Gatsby (Porto) Loja das Meias e Stivali (Lisboa) Cheyenne: ACQUA Roma – Av de Roma —

compras:
Lisboa Colcci: Rua Ivens, 59-61 — Lisboa Converse Proged: telf. 214 412 705 www.converse.pt Decode: Tivoli Forum – Av da
Liberdade, 180 Lj 3B — Lisboa Diesel Store: Prç Luís de Camões, 28 — Lisboa telf 213 421 974 Dior Joalharia: David Rosas
– Av. da Liberdade — Lisboa Machado Joalharia – Av. Boavista — Porto Eastpak – Morais&Gonçalves, lda: telf. 219 174 211
Emergildo Zenha: Av. da Liberdade, 151 telf. 213 433 710 Energie – Sixty Portugal: telf. 223 770 230 Epicurista: Rua do
Instituto Industrial, nº 7H — Lisboa telf. 223 770 230 Fabrico infinito: Rua D. Pedro V, 74 — Lisboa Fashion Clinic: Tivoli Forum – Av. da Liberdade, 180, lj 2 e lj
5 — Lisboa C.C. Amoreiras Lj 2663/4 — Lisboa R. Pedro Homem de Melo, 125/127 — Porto Fátima Mendes: Av. Londres, B1 1º Piso — Guimarães R. Pedro Homem de Melo, 357 —
Porto FILIPE FAÍSCA: Calçada do Combro, 95 — Lisboa Firetrap – Buscavisual, lda: telf. 917 449 778 FLY LONDON: telf. 253 559 140 www.flylondon.com Fornarina: telf. 912
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telf. 214 601 420 Norteshoping, Porto, telf. 229 548 444 zillian: Av. António Augusto de Aguiar, 29 D —Lisboa

80 ––Parq
080 ParqHere
Here||English
were where
Version
you? 81 – Parq Here | English Version
Diapositivo
Cláudia matos silva

a s s i m n a
t e r r a c o m o
n o c é u

Esganiçava, até as veias lhe própria missão. Falar d’Ele com merecia, mas na hora de conseguir
saltarem do pescoço, aquela que o respeito que lhe é devido e um emprego há que jogar com todos
viria a elevar o Papa João Paulo quem sabe, assim garantir o meu os trunfos.
II a figura Pop. Madonna, no final passaporte para o reino dos céus.
dos anos 80 e início dos anos Quem sabe, Senhor Papa. Senhor?
90, declarou “guerra aberta” ao Descodificando a palavra Papa, do Estarei a falar do Senhor da
Clero. A resposta surgiria num grego para Português, significa mercearia do bairro? Sem talento
tom igualmente contundente com Pai. O meu pai dorme com meias, para cortar fiambre mas com um
a proibição da provocante «Blond arrota ao final das refeições, truque excepcional para esconder a
Ambition Tour» no Vaticano. A adora a covinha no queixo da fruta podre, afugentando de forma
conclusão é que convém não criar Sandra Bullock e refere-se aos surpreendente, os mosquitos que
má vizinhança com quem está mais benfiquistas como lampiões e poderiam denunciar tal situação.
perto de Deus. É, por isso, leiteiros. Convenhamos, um
sensível falar do Papa, e talvez comportamento pouco católico. Bento XVI? Não admira que os
escrever, não seja uma ideia muito mais distraídos julguem tratar-
melhor. Mas desde a visita ao Nunca me senti confortável a se do nova reforço do Sporting.
nosso país, do maior representante chamar o Papa de Papa. Lembra-me É um facto que o clube dos verdes
da Igreja, que tenho a minha um puto rufia que todos temiam precisa de um verdadeiro milagre
na escola e andava sempre com para quebrar o feitiço do Natal.
um abafão no bolso a roubar Embora muitos se refiram a Ele
os berlindes alheios. O mesmo, como Santo, com tantos problemas
adorava jogar ao espeta com a para revolver por esse mundo, não
sua naifa pontiaguda, e sem dó fará sentido preocupar-se com uma
nem piedade conquistava o nosso equipa que vive os seus momentos
pequeno mundinho, desenhado na gloriosos num estádio com azulejos
areia molhada, apenas com a ponta de casa de banho.
da sua navalha.
Perdi tanto tempo nesta missão
Que tal mascarar a palavra Papa gorada, que Ele percorre
com Excelência? Não. Não. Não. agora o cimo da minha rua.
Foram anos a fio de cartas e O melhor é não dizer
Currículos enviados a empresas absolutamente nada.
e entidades, esperando encontrar Desço as escadas do
o meu pequeno lugar ao sol. prédio e corro,
Cartas que começavam pela palavra quando aceno,
“Excelência”, seguiam com “venho vislumbro-O. Agora,
por este meio” e terminavam com resta-me esperar
o inevitável “atenciosamente”. que seja feita a Sua
Talvez tenha elevado ao estatuto vontade, assim na
de Excelência, quem realmente não terra como no céu…

082 – Parq Here | diapositivo t — cláudia matos silva I — bráulio amado