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Pós-Graduação a Distância Gramática da Língua Portuguesa I Brasília-DF, 2010. Direito Reservado ao PosEAD. 1

Pós-Graduação a Distância

Gramática da Língua Portuguesa I

Pós-Graduação a Distância Gramática da Língua Portuguesa I Brasília-DF, 2010. Direito Reservado ao PosEAD. 1
Pós-Graduação a Distância Gramática da Língua Portuguesa I Brasília-DF, 2010. Direito Reservado ao PosEAD. 1
Pós-Graduação a Distância Gramática da Língua Portuguesa I Brasília-DF, 2010. Direito Reservado ao PosEAD. 1

Brasília-DF, 2010.

Direito Reservado ao PosEAD.

1
1
Gramática da Língua Portuguesa I Elaboração: Marcelo Whately Paiva Produção: Equipe Técnica de Avaliação,

Gramática da Língua Portuguesa I

Elaboração:

Marcelo Whately Paiva

Produção:

Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração

Sumário

Pós-Graduação a Distância

Apresentação

04

Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa

05

Organização da Disciplina

06

Introdução

08

Unidade I – Introdução à Língua Portuguesa

09

Capítulo 1 – História da Língua Portuguesa

09

Capítulo 2 – Novo Acordo Ortográfico

12

Capítulo 3 – Acentuação Gráfica

20

Capítulo 4 – Classes de Palavras

25

Unidade II – Aspectos Gramaticais e Semânticos

43

Capítulo 5 – Emprego do Acento Indicativo de Crase

43

Capítulo 6 – Processo de Formação de Palavras

49

Capítulo 7 – Semântica I

55

Capítulo 8 – Semântica II

66

Referências

69

Apresentação

Gramática da Língua Portuguesa I

Caro aluno,

Bem-vindo ao estudo do módulo complementar Gramática da Lingua Portuguesa I.

Este é o nosso Caderno de Estudos e Pesquisa, material elaborado com o objetivo de contribuir para a realização e o desenvolvimento de seus estudos, assim como para a ampliação de seus conhecimentos.

Para que você se informe sobre o conteúdo a ser estudado nas próximas semanas, conheça os objetivos da disciplina, a organização dos temas e o número aproximado de horas de estudo que devem ser dedicadas a cada unidade.

A carga horária desta disciplina é de 40 (quarenta) horas, cabendo a você administrar o tempo conforme a sua disponibilidade. Mas, lembre-se, há um prazo para a conclusão da disciplina, incluindo a apresentação ao seu tutor das atividades avaliativas indicadas.

Os conteúdos foram organizados em unidades de estudo, subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, que farão parte das atividades avaliativas do curso; serão indicadas, também, fontes de consulta para aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares.

Desejamos a você um trabalho proveitoso sobre os temas abordados nesta disciplina. Lembre-se de que, apesar de distantes, podemos estar muito próximos.

A Coordenação do PosEAD

Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa

Pós-Graduação a Distância

Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa

Apresentação: Mensagem da Coordenação do PosEAD.

Organização da Disciplina: Apresentação dos objetivos e carga horária das unidades.

Introdução: Contextualização do estudo a ser desenvolvido pelo aluno na disciplina, indicando a importância desta para

a sua formação acadêmica.

Ícones utilizados no material didático:

acadêmica. Ícones utilizados no material didático: Provocação : Pensamentos inseridos no material didático

Provocação: Pensamentos inseridos no material didático para provocar a reflexão sobre sua prática e seus sentimentos ao desenvolver os estudos em cada disciplina.

Para refletir: Questões inseridas durante o estudo da disciplina, para estimulá-lo a pensar a respeito do assunto proposto. Registre aqui a sua visão, sem se preocupar com o conteúdo do texto. O importante

é verificar seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. É fundamental que você reflita sobre as questões propostas. Elas são o ponto de partida de nosso trabalho.

propostas. Elas são o ponto de partida de nosso trabalho. Textos para leitura complementar : Novos
propostas. Elas são o ponto de partida de nosso trabalho. Textos para leitura complementar : Novos

Textos para leitura complementar: Novos textos, trechos de textos referenciais, conceitos de dicionários, exemplos e sugestões, para apresentar novas visões sobre o tema abordado no texto básico.

novas visões sobre o tema abordado no texto básico. Sugestão de leituras, filmes, sites e pesquisas

Sugestão de leituras, filmes, sites e pesquisas: Aprofundamento das discussões.

sites e pesquisas : Aprofundamento das discussões. Para (não) finalizar : Texto, ao final do Caderno,

Para (não) finalizar: Texto, ao final do Caderno, com a intenção de instigá-lo a prosseguir na reflexão.

com a intenção de instigá-lo a prosseguir na reflexão. Sintetizando e enriquecendo nossas informações : Espaço

Sintetizando e enriquecendo nossas informações: Espaço para você fazer uma síntese dos textos

e enriquecê-los com a sua contribuição pessoal.

textos e enriquecê-los com a sua contribuição pessoal. Praticando : Atividades sugeridas, no decorrer das leituras,

Praticando: Atividades sugeridas, no decorrer das leituras, com o objetivo pedagógico de fortalecer

o processo de aprendizagem.

pedagógico de fortalecer o processo de aprendizagem. Referências : Bibliografia citada na elaboração da

Referências: Bibliografia citada na elaboração da disciplina.

Organização da Disciplina

Gramática da Língua Portuguesa I

Ementa:

Conhecimentos normatizados aplicados aos aspectos morfossintáticos da Língua Portuguesa no âmbito da gramática normatizada e suas variações. Ênfase na parte morfológica (substantivo, adjetivo, pronome, numeral, verbo, artigo, preposição, conjunção, advérbio) e sua importância no uso adequado do idioma.

Objetivos:

• Conhecer a história e a importância da Língua Portuguesa.

• Aprender as reformas que o novo acordo ortográfico promoverá no idioma.

• Introduzir os principais conceitos morfológicos e semânticos da Língua Portuguesa e sua importância para a perfeita comunicação.

• Desenvolver a capacidade de usar a linguagem adequadamente.

Unidade I – Introdução à Língua Portuguesa

Carga horária: 20 horas

Conteúdo

Capítulo

História da Língua Portuguesa

1

Novo Acordo Ortográfico

2

Acentuação Gráfica

3

Classes de Palavras

4

Unidade II – Aspectos Gramaticais e Semânticos

Carga horária: 20 horas

Conteúdo

Capítulo

Emprego do Acento Indicativo de Crase

5

Processos de Formação de Palavras

6

Semântica I

7

Semântica II

8

Introdução

Pós-Graduação a Distância

O estudo profundo da gramática da Língua Portuguesa é componente essencial e base de todo o programa do curso que

você faz. Optamos por organizar um conhecimento de conteúdos que visem à prática da disciplina. Pesquisas em diversas universidades e fundações brasileiras e portuguesas indicam que Faculdades de Pedagogia, Letras, Comunicação, Direito

e tantas outras que dependem do uso adequado do idioma não preparam o básico: o domínio seguro de nossa Gramática.

Nosso objetivo é justamente que você tenha um suporte amplo e profundo de forma dinâmica e prática. A teoria será usada para capacitar você a saber usar corretamente as regras gramaticais em atividades acadêmicas e profissionais.

A antropóloga Eunice Durham, uma das maiores especialistas em ensino superior brasileiro, afirma que a causa da

ineficiência e insegurança dos graduados é o excesso de teoria na sala de aula e pouca prática. Supervaloriza-se a ideologia da linguagem e ensina-se muito pouco o que realmente o estudante necessitará.

As aulas neste curso serão extremamente voltadas para a sua necessidade imediata. Há espaço para divergências, comentários, embasamentos teóricos de diversas linhas de pensamento. Porém, o formando deve sair do curso sabendo as regras gramaticais com segurança seja para ensinar, interpretar, produzir ou revisar um texto. Esse é o nosso principal objetivo.

Na disciplina “Gramática da Língua Portuguesa I”, o enfoque será nos aspectos morfológicos, ortográficos e semânticos. Na continuidade, “Gramática da Língua Portuguesa II”, a ênfase será nos aspectos morfossintáticos e semânticos.

Marcelo Paiva

Gramática da Língua Portuguesa I 8

Gramática da Língua Portuguesa I

Pós-Graduação a Distância

Introdução à Língua Portuguesa U n i d a d e U n i d

Introdução à Língua Portuguesa

Introdução à Língua Portuguesa U n i d a d e U n i d a
Introdução à Língua Portuguesa U n i d a d e U n i d a

UnidadeUnidade II

Introdução à Língua Portuguesa U n i d a d e U n i d a

Introdução à Língua Portuguesa

n i d a d e I I Introdução à Língua Portuguesa Capítulo 1 – História

Capítulo 1 – História da Língua Portuguesa

Portuguesa Capítulo 1 – História da Língua Portuguesa A formação do povo brasileiro é caracterizada pela

A formação do povo brasileiro é caracterizada pela presença de três povos: branco, índio e negro.

No entanto, afirmamos que o nosso idioma é o Português. Vamos refletir sobre o assunto, pois quero a sua opinião. Temos regras morfossintáticas semelhantes às de Portugal. Ao visitarmos Portugal, apesar de um pequeno esforço no cuidado dos termos, conseguimos nos comunicar sem problema. Sob esse aspecto, nosso idioma é o mesmo. Por outro lado, o Brasil é a única ex-colônia portuguesa que não apresenta o sotaque lusitano. E isto se deve à influência das línguas indígenas e africanas. Estudos indicam que um terço de nosso vocabulário tem origem em palavras indígenas ou africanas.

vocabulário tem origem em palavras indígenas ou africanas. Erro de português Quando o português chegou Debaixo

Erro de português Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio

Que pena! Fosse uma manhã de sol

O

índio tinha despido

O

português

Oswald de Andrade

O Português é o idioma nativo de aproximadamente 200 milhões de pessoas em todo o mundo. É o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Outras regiões da Índia portuguesa ainda o usam como segunda língua: Goa, Damão, Diu e Dadrá e Nagar-Aveli. Devido ao crescimento econômico do Brasil e sua importância política cada vez mais marcante no mundo globalizado, a Língua Portuguesa ganha destaque e interesse em diversos países.

O Português é considerado a última flor do Lácio, por ser a última língua formada do latim. Assim como o castelhano,

o catalão, o italiano, o francês, romeno e outros idiomas ocidentais, nossa origem é românica e a evolução histórica moldou nosso idioma de forma única.

Gramática da Língua Portuguesa I

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

Origem

A primeira fase do idioma surgiu na região norte de Portugal (Galícia) inicialmente com o nome de galaico-português

ou galego-português. Geograficamente, o local é a última região ocidental europeia latina e, durante séculos, recebeu habitantes de outras regiões, que ali formaram vilas. Com a chegada dos soldados romanos, o latim vulgar se misturou ao idioma local e formou uma língua com características próprias. Ainda hoje resistem marcas profundas dessa influência galega ao norte da penísula ibérica lusa. É uma fase totalmente oral, pois não há registros escritos importantes que possam assegurar o emprego fonético ou sintático da época.

A segunda fase do Português ocorre com a queda do Império Romano, durante as invasões bárbaras no século V. Nesse

momento, passamos a ter textos escritos e documentados no novo idioma. Percebem-se alterações fonéticas e lexicais em relação a outros idiomas latinos.

No século IX, o Português passa a ser registrado formalmente em diversos documentos e cresce como língua organizada por várias vilas. Durante o período, revela-se uma literatura bastante rica e diversificada em sua expressão.

A independência de Portugal, em 1143, dinamizou a língua antiga por toda a região. Em 1290, o rei Dom Dinis cria, em

Lisboa, a primeira universidade em território português e decreta que o idioma passe a receber o nome de Português e seja usado em comunicações oficiais. Mesmo assim, ele continua a ser conhecido como galego-português.

Portugal, na época dos grandes navegações, levou o idioma a diversos continentes: Ásia, África e América. A língua, na época, era o português arcaico e se espalhou rapidamente por novos países que se formavam. Em cada lugar, a fusão entre o idioma português e o nativo alteravam muito a fonética, o léxico e a sintaxe original.

Pode-se dizer que o Português moderno nasce simbolicamente com a publicação da obra “Cancioneiro Geral”, de Garcia de Resende, em 1516. Desde então, o idioma cresceu muito em número de vocábulos, principalmente com o Renascimento.

O povo português sempre viajou muito e acrescentava à língua novos termos constantemente.

O Português no Brasil

A descoberta do Brasil não garantiu o uso do idioma português de imediato. Até a metade do século XVIII, as línguas

indígenas ocupavam a maior parte das comunicações entre os viajantes pela colônia. O Português era falado entre os lusos. No entanto, estes acabavam por aprender línguas indígenas para se comunicar com a população nativa, que se

recusava a aprender o idioma europeu.

O problema tornou-se tão sério que o Marquês de Pombal obriga o uso do Português na colônia e reprime o uso de outro idioma, sobretudo o Tupi, nas comunicações. A questão foi totalmente política.

Esta revolução cultural não foi tarefa fácil nem pacífica. Chegou-se a considerar em documentos oficiais o Tupi como uma língua do diabo. A repressão foi tamanha que aprender a língua portuguesa se tornou questão de sobrevivência na colônia.

A

independência brasileira, em 1822, trouxe milhares de imigrantes europeus, que se instalaram principalmente no centro

e

no sul do novo país que se formava. O idioma sofre nova influência. Isso explica certas modalidades de pronúncia

algumas mudanças superficiais de léxico que existem entre as regiões do Brasil, que variam de acordo com o fluxo migratório que cada uma recebeu. A manutenção de um idioma único em todo o território foi uma vitória da unidade do país como um todo.

e

Todas essas influências contribuíram para que o idioma usado no Brasil se distanciasse cada vez mais do europeu. A literatura brasileira se tornou forte e expressiva. O país foi crescendo e construindo características próprias, inclusive no idioma. O recente acordo ortográfico auxilia no uso único de um idioma em sua ortografia. No entanto, Brasil e Portugal possuem uma única língua com variações linguísticas imensas de fonética e sintaxe.

Pós-Graduação a Distância

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

Distância Introdução à Língua Portuguesa Unidade I Português, a língua oficial do Brasil O idioma

Português, a língua oficial do Brasil

O idioma português chegou ao território brasileiro a bordo das naus portuguesas, no Século XVI, para se juntar

à família linguística tupi-guarani, em especial o Tupinambá, um dos dialetos Tupi. Os índios, subjugados ou aculturados, ensinaram o dialeto aos europeus que, mais tarde, passaram a se comunicar nessa “língua geral”

– o Tupinambá. Em 1694, a língua geral reinava na então colônia portuguesa, com características de língua literária, pois os missionários traduziam peças sacras, orações e hinos, na catequese.

Com a chegada do idioma iorubá (Nigéria) e do quimbundo (Angola), por meio dos escravos trazidos da África,

e com novos colonizadores, a Corte Portuguesa quis garantir uma maior presença política. Uma das primeiras medidas que adotou, então, foi obrigar o ensino da Língua Portuguesa aos índios.

Lei do Diretório

Em seguida, o Marques de Pombal promulgou a Lei do Diretório (1757) que abrangia a área compreendida pelos estados do Pará e do Maranhão, um terço do território brasileiro de então. Essa lei considerava a língua geral uma “invenção verdadeiramente abominável e diabólica” e proibia às crianças, filhos de portugueses, e aos indígenas aprenderem outro idioma que não o português.

Em 1759, um alvará ampliou a Lei do Diretório: tornou obrigatório o uso da língua portuguesa como idioma oficial em todo o território nacional. Portanto, ao longo de dois séculos, o Brasil possuiu dois idiomas: a língua geral ou tupinambá e o português.

http://www.medio.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=804&Itemid=39

Para saber mais sobre o assunto, leia: História da

Para saber mais sobre o assunto, leia:

História da Língua Portuguesa Amini Boainain Hauy Ática Editora

História e Estrutura da Língua Portuguesa Nilce S. Martins Ática Editora

História Viva José Honório Rodrigues Editora Global Universitária

História da Língua Portuguesa Serafim da Silva Neto Livros de Portugal

Para navegar e aprender mais sobre o assunto, acesse:

http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/brasil/idioma-do-brasil.php

http://www.scielo.br/pdf/tem/v12n23/v12n23a03.pdf

http://www.camaraportuguesa.com.br/default.asp?pag=noticias

&id_noticia=14333

Gramática da Língua Portuguesa I

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

Capítulo 2 – Novo Acordo Ortográfico

Unidade I Capítulo 2 – Novo Acordo Ortográfico A gramatização do português brasileiro, mais do que

A gramatização do português brasileiro, mais do que um processo de construção de um saber sobre a língua nacional, tem como consequência algo mais substancial e definidor: a constituição de um sujeito nacional, um cidadão brasileiro com sua língua própria, visível na gramática. São processos de individualização que são desencadeados: individualiza-se o país, individualiza-se o seu saber, individualiza-se seu sujeito político e social.

Euni Puccinelli Orlandi

seu sujeito político e social. Euni Puccinelli Orlandi “Quanto mais depressa for aplicado, mais depressa é

“Quanto mais depressa for aplicado, mais depressa é possível desenvolver a política internacional da Língua Portuguesa.”

José António Pinto Ribeiro

“É impossível continuar a viver esta língua sem um novo Acordo.“

Gilberto Gil

“Os escritores continuarão a escrever como lhes apetece, mas, do ponto de vista estratégico e político, reconheço que há alguma necessidade de oficilizar uma ortografia única.”

Francisco José Viegas

“Queria que os meus tremas ficassem onde estão.”

Leia o capítulo e dê a sua opinião

João Ubaldo Ribeiro

O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa é um documento internacional entre os países lusófonos com objetivo de

unificar a ortografia para o idioma. Foi assinado por representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau,

Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, ao fim de uma negociação entre

a Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras iniciada em 1980. Timor-Leste aderiu ao Acordo em 2004.

O Acordo visa à padronização e à simplificação do sistema ortográfico. Vários aspectos são enumerados como fundamentais

para a reforma, pois a existência de duas ortografias oficiais é prejudicial ao idioma em um mundo globalizado. A padronização unificará a expressão da Língua em termos científicos e jurídicos internacionalmente, no estudo do idioma

por instituições educacionais em todos os continentes, na linguagem de trabalho por organismos internacionais. Além disso,

o governo brasileiro e o português esperam que o idioma, finalmente torne-se uma das línguas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU).

Pós-Graduação a Distância

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

O castelhano deve ser citado como exemplo do objetivo esperado. Embora o idioma apresente variação na pronúncia e

no vocabulário entre a Espanha e a América hispânica, sua ortografia é única e regulada pela Associação de Academias da Língua Espanhola. Também o inglês, o Francês e diversos outros idiomas possuem ortografia única. As diferenças no uso da linguagem existem, mas as normas ortográficas são padronizadas. Das grandes línguas ocidentais, apenas o Português mantinha-se dividido.

Outra razão diz respeito ao próprio valor histórico e dinâmico da língua. Apesar das diferenças semânticas e fonéticas,

o

idioma é um só com características diferentes por seus falantes. É certo que existem inúmeras diversidades entre

o

idioma no Brasil e em Portugal. No entanto, a base linguística é a mesma e muitos são os pontos convergentes. O

Acordo busca ampliar o vocabulário e as regras de forma a possibilitar diferentes formas de expressão. Não se busca

um retrocesso, mas um avanço.

Assim como no Brasil há diversidades fonéticas e vocabulares imensas entre suas regiões, também o português reflete diversidades entre os países lusófonos. Isso não impede a uniformidade ortográfica no Brasil. Também não deve impedir a padronização entre nações. A crítica de que os idiomas são diferentes não é correta. O uso do vocabulário e de construções sintáticas é amplo e permite diferentes formas de expressão.

Principais alterações

O novo alfabeto

As letras “k”, “w” e “y” passarão a ser oficialmente incorporadas ao alfabeto da língua portuguesa. Os dicionários já registram há muito essas letras, que figuram em palavras como kafkiano, wagneriano, hollywoodesco etc. e os países africanos possuem muitas palavras escritas com elas, como kizomba. Assim, o alfabeto da língua portuguesa passa legalmente a ser formado por vinte e seis letras: A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, V, W, X, Y, Z.

Trema

Outra regra consiste na completa eliminação da diérese (mais conhecida por trema) em palavras formadas por qü e gü em que o u é pronunciado de forma átona, como em freqüência e lingüiça. Passa-se a escrever frequência e linguiça respectivamente. Portugal já havia retirado o sinal. A mudança afeta a ortografia no Brasil.

Acentuação gráfica

Poucos idiomas no mundo fazem uso de regras tão complexas na acentuação gráfica de suas palavras como o português. As divergências entre Brasil e Portugal eram muitas. As reformas de 1971 (Brasil) e 1973 (Portugal) avançaram bastante, mas não unificaram as regras de acentuação. Optou-se, no novo acordo, por aceitar dupla grafia em alguns casos e eliminar o acento em outros.

Palavras com diferenças de pronúncia

Algumas palavras são pronunciadas em Portugal com o som tônico aberto e recebem acento agudo. No Brasil, a pronúncia

é fechada e o acento é o circunflexo. O Acordo passa a permitir as duas grafias como corretas no idioma.

Portugal

Brasil

cómodo

cômodo

fenómeno

fenômeno

tónico

tônico

génio

gênio

bebé

bebê

António

Antônio

Académico

Acadêmico

Amazónia

Amazônia

Gramática da Língua Portuguesa I

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

Acentuação gráfica por outros motivos

Com relação à acentuação gráfica das palavras, o Novo Acordo estabelece regras de acentuação com base na posição da sílaba tônica (oxítonas, paroxítonas, proparoxítonas, considerando oxítonos os monossílabos tônicos). O Acordo reduz o número de palavras acentuadas e só modifica as regras de palavras paroxítonas.

Modificação 1: o acento gráfico nos ditongos abertos tônicos “éu”, “ói” e “éi” nas palavras paroxítonas desaparece. Nos vocábulos oxítonas, ele se mantém.

Antes

Acordo

idéia

ideia

jibóia

jiboia

heróico

heroico

Modificação 2: o hiato “oo(s)” das palavras paroxítonas deixa de receber acento circunflexo.

Antes

Acordo

abençôo

abençoo

enjôo

enjoo

vôo

voo

Modificação 3: o hiato “eem” das formas verbais dos verbos crer, dar, ler, ver (e seus derivados) deixa de receber acento circunflexo.

Antes

Acordo

crêem

creem

dêem

deem

descrêem

descreem

lêem

leem

prevêem

preveem

relêem

releem

vêem

veem

Observação: os acentos nas formas “têm”, “vêm” e termos derivados “mantém”, “mantêm” não sofrem alteração alguma. Apenas as formas verbais que dobram o “e”.

Modificação 4: os hiatos tônicos formados por “i” e “u” deixam de receber acento após ditongo quando paroxítonas.

Antes

Acordo

feiúra

feiura

baiúca

baiuca

Observação: quando oxítonas, a regra continua a mesma: Piauí.

Modificação 5: não se acentua mais a vogal “u” tônica dos encontros gue, gui, que, qui.

Antes

Acordo

apazigúe

apazigue

averigúe

averigue

Pós-Graduação a Distância

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

Modificação 6: não se coloca mais acento diferencial nas palavras homógrafas heterofônicas. No entanto, o Acordo prevê dois acentos diferenciais obrigatórios (pôde e pôr) e dois facultativos (fôrma e dêmos).

Antes

Acordo

pára

para

pólo

polo

pêra

pera

côa

coa

Alterações ortográficas devido à fonética

O Novo Acordo privilegia o critério fonético sobre o critério etimológico. É o que ocorre com a supressão, do lado

lusoafricano, das chamadas consoantes mudas em palavras como ato (e não acto), direção (e não direcção), ótimo (e não óptimo). Esta supressão, há muito consagrada do lado brasileiro, facilita a aprendizagem e o ensino da ortografia nas escolas. Estudos indicam que haverá, em Portugal, alteração de aproximadamente 0,54% dos vocábulos. Embora a quantidade possa parecer pequena, muitas dessas palavras são de uso frequente no dia a dia lusitano.

Antes

Acordo

accionamento

acionamento

coleccionador

colecionador

leccionar

lecionar

acção

ação

colecção

coleção

fracção

fração

acta

ata

Mantêm-se inalterados vocábulos em que a pronúncia da consoante for percebida: ficcional, perfeccionismo, convicção, sucção, bactéria, néctar, núpcias, corrupção, opção, adepto, inepto, erupção, rapto, opcional, egípcio.

De forma a contemplar as diferenças fonéticas, existem abundantes casos de exceções previstas no Acordo. Admite-se, assim, a dupla grafia em muitas palavras: facto-fato, secção-seção, aspeto-aspecto, amnistia-anistia, dicção-dição, sector-setor, caraterística-característica, intersecção-interseção, olfacto-olfato, concepção-conceção, académico-acadêmico, bónus-bônus, ingénuo-ingênuo, abdómen-abdômen.

Hífen

A convenção anterior revelava dificuldade extrema na aplicação das regras de uso do hífen. O Acordo simplifica as regras.

Modificação 1: elimina-se o hífen nas formações por prefixação e recomposição em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o elemento seguinte começa por “r” ou “s”, dobrando-se as consoantes.

Antes

Acordo

auto-realização

autorrealização

auto-retrato

autorretrato

auto-serviço

autosserviço

auto-suficiência

autossuficiência

auto-sustentável

autossustentável

co-réu

corréu

co-redator

corredator

co-responsabilidade

corresponsabilidade

co-seno

cosseno

co-signatário

cossignatário

Gramática da Língua Portuguesa I

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

anti-racional

antirracional

anti-roubo

antirroubo

anti-social

antissocial

semi-real

semirreal

semi-reta

semirreta

semi-secular

semissecular

supra-realizado

suprarrealizado

supra-sumo

suprassumo

mega-sena

megassena

ultra-som

ultrassom

ultra-rápido

ultrarrápido

Modificação 2: elimina-se o emprego do hífen nas formações por prefixação e recomposição em que o prefixo ou

pseudoprefixo termina em vogal e o elemento seguinte começa por vogal diferente daquela. Emprega-se, no entanto,

o hífen sempre que, nas formações por prefixação ou recomposição, o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o

elemento seguinte começa por vogal igual àquela, exceto o prefixo “co-“, que ocorre em geral aglutinado, mesmo quando

o elemento seguinte começa por “o”: anti-ibérico, contra-almirante, micro-ondas, cooperação, semi-interno, intra-arterial, arqui-inimigo.

Antes

Acordo

Agro-industrial

agroindustrial

Anti-aéreo

antiaéreo

Auto-estrada

autoestrada

Co-autor

coautor

Co-avalista

coavalista

Extra-escolar

extraescolar

Extra-oficial

extraoficial

Auto-atendimento

autoatendimento

Auto-ajuda

autoajuda

Auto-estima

autoestima

Contra-indicação

contraindicação

Contra-oferta

contraoferta

Contra-almirante

contra-almirante

Microondas

micro-ondas

Modificação 3: palavras compostas que designam espécies na área da botânica e da zoologia, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento, escrevem-se sempre com hífen: couve-flor, erva-doce, feijão-verde, bem-me-quer, formiga-branca.

Modificação 4: ligações da preposição “de” com as formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo “haver” não recebem hífen: hei de, hás de, há de, hão de.

Uso de minúscula

O Novo Acordo sistematiza a utilização de minúscula em início de palavra. Assim, e como já acontece nos nomes dos dias das semana, escrevem-se com inicial minúscula:

a) meses do ano: janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro.

b) pontos cardeais e colaterais: norte, sul, este, oeste, nordeste, noroeste, sudeste, sudoeste, és-nordeste, és-sudeste, nor-noroeste, nor-nordeste, oés-noroeste, oés-sudoeste, su-sudeste, su-sudoeste.

Pós-Graduação a Distância

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

Observação: mantém-se inicial maiúscula nas abreviaturas dos pontos cardeais e colaterais, assim como na designação de regiões com os mesmos pontos: O avião virou-se para N. O Sul está em festa.

c) designações usadas para mencionar alguém cujo nome se desconhece ou não se quer mencionar e que são sinônimas de sujeito, pessoas, indivíduo: fulano, beltrano, sicrano.

Uso de maiúscula ou minúscula

O Novo Acordo prevê o emprego opcional de maiúscula ou minúscula em início de palavra nos seguintes casos:

a) títulos de livros ou obras equiparadas, devendo o primeiro elemento ser sempre grafado com maiúscula inicial, assim como os nomes próprios aí existentes: As pupilas do senhor reitor ou As Pupilas do Senhor Reitor; A ilustre casa de Ramires ou A Ilustre Casa de Ramires.

b) formas de tratamento, expressões que exprimem reverência, hierarquia, cortesia: Senhor Professor ou senhor professor; Vossa Senhoria ou vossa senhoria.

c) nomes que designam domínios do saber, cursos e disciplinas escolares: Português ou português; Língua e Cultura Portuguesa ou língua e cultura portuguesa.

d) logradouros públicos, templos ou edifícios: Avenida da Liberdade ou avenida da liberdade.

Uso do “h”

O idioma, por força da etimologia ou adoção convencional, possui inúmeras palavras com “h” inicial: haver, hélice, hoje, hora, homem, humor, hã, hum. No entanto, deixam de existir em alguns termos:

Antes

Depois

Herva

erva

Húmido

úmido

Observação: algumas formas eruditas mantêm-se com “h”: herbáceo, herbanário, herboso.

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Unidade I

I Introdução à Língua Portuguesa Unidade I “Alguns países entenderam que as novas normas seriam

“Alguns países entenderam que as novas normas seriam ruins para suas identidades nacionais, por isso a demora na ratificação”, disse a professora Stella Maris Bortoni-Ricardo, linguista e membro da Comissão de Língua Portuguesa (COLIP) no ministério da Educação (MEC), que, juntamente com o ministério das Relações Exteriores e da Cultura, lidou com a questão da reforma ortográfica no Brasil.

“Mas é importante lembrar que a questão não é a liderança de qualquer um dos países na imposição de regras, mas uma postura de colaboração”, disse a Stella, lembrando o fato de muitos portugueses acreditarem que o acordo foi uma imposição de regras brasileiras, devido ao fato de o País ter a maioria dos falantes da língua (segundo a professora de cada três pessoas que falam português, uma é brasileira).

Essa colaboração é de extrema importância se os países lusófonos quiserem que a Língua Portuguesa ganhe destaque mundial, acrescentou a professora. Atualmente, a sétima língua mais falada do mundo ainda não conseguiu entrar para

o rol das línguas oficiais de órgãos internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU). Isso por que, todos os

documentos publicados em português têm que ser disponibilizados em duas vias: português brasileiro e português de Portugal.

“Essa é uma medida de política de idioma que, além de dar importância para a Língua Portuguesa, facilitaria a difusão e troca de publicações entre países lusófonos, favorecendo, inclusive, os países mais pobres, no recebimento de reforço de material didático”, disse Stella. “Essa reforma é de extrema importância porque é a primeira feita pela Comunidade dos países de Língua Portuguesa (COLP) em conjunto, e não individualmente”, acrescentou.

Quanto à adaptação às mudanças, a professora acredita que será feita de maneira fácil, pois o acordo muda menos de 1% do percentual falado da língua. Ela ressaltou, ainda, o papel da mídia na difusão das novas normas de ortografia.

Vale lembrar que Portugal estabeleceu um prazo de seis anos para esse processo, enquanto o Brasil optou pela metade. Isso quer dizer que, se entrar em vigor a partir de janeiro de 2009, as escolas brasileiras terão até 2011 para cobrarem as mudanças.

“Com os professores brasileiros nas condições em que estão – mal-pagos, mal-formados –, essa mudança pode gerar alguma dificuldade de adaptação.” É o que acredita a professora Eleonora Cavalcante Albano da Unicamp. “Essa mudança vai fazer muito pouca diferença na facilidade de comunicação entre países”, acrescentou.

Diferenças

Como fica claro, não foi só em Portugal que o novo acordo dividiu opiniões. Segundo Sírio Possenti, professor do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, do ponto de vista linguístico e da educação, a preocupação com a unificação de regras gramaticais é “uma bobagem absoluta.” “O valor dessa mudança é muito mais simbólico que prático. Na prática, não são necessárias leis que normatizem a gramática e a ortografia”, disse.

Segundo o professor, é mais importante garantir que alguém entenda textos e saiba relacioná-los do que uma ortografia perfeita. “Variações de ortografia mudam muito pouco a compreensão de um texto, escrever diferente não é um problema linguístico em nenhum país”, acrescentou o professor.

É o que pensa também a professora de linguística da Unicamp Maria Irma Hadler Coudry que, embora ache interessante que os países lusófonos comunguem de uma familiaridade, acredita que cada um tem sua especificidade cultural. “Não é preciso que se escreva exatamente igual para que haja entendimento mútuo e não é porque se estabeleceu uma regra comum que se falará perfeitamente igual em todos os países.”

Segundo Maria Irma, do ponto de vista político, essa é uma má política linguística. “É importante respeitar as diferenças no modo como as pessoas falam.”

(O Estado de São Paulo, 16 de maio de 2008)

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Distância Introdução à Língua Portuguesa Unidade I Para saber mais sobre o assunto, leia: Novo Acordo

Para saber mais sobre o assunto, leia:

Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa Marcelo Whately Paiva Editora Domus

Acordo Ortográfico Guia Prático Porto Editora

Para navegar e aprender mais sobre o assunto, acesse:

http://www.priberam.pt/docs/AcOrtog90.pdf

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6583.htm

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Capítulo 3 – Acentuação Gráfica

Unidade I Capítulo 3 – Acentuação Gráfica As alterações na regra de acentuação ocorrem por motivos

As alterações na regra de acentuação ocorrem por motivos políticos e técnicos. No primeiro caso, a intenção é unificar o português para facilitar a comunicação em todo o mundo. No segundo, simplificar, pois alguns acentos são realmente desnecessários. Quero saber sua opinião a respeito.

desnecessários. Quero saber sua opinião a respeito. Segundo a ONU, existem no mundo mais de 6.000

Segundo a ONU, existem no mundo mais de 6.000 idiomas. Pouco mais de 100 possuem acentuação gráfica. Isso representa em torno de 2% de todos os idiomas.

Poucas línguas no mundo fazem uso de acento gráfico. O Português tem necessidade desse sinal por dois motivos principais:

identificar a sílaba tônica e a sonoridade (aberta, fechada ou nasal) da vogal. Os acentos podem ser os seguintes:

Agudo (´): para indicar a vogal tônica em algumas palavras.

Grave (`): exclusivamente para indicar a ocorrência de crase.

Circunflexo (^): para marcar a tonicidade da vogal a nasal (lâmpada, câncer, espontâneo), das vogais fechadas e ou o (gênero, tênue, bônus, robô).

Til (~): para indicar a nasalidade em a e o (cristã, cristão, pães, cãibra; corações, põe(s), põem).

Regras para indicar a sílaba tônica

Quanto à Tonicidade

1. Proparoxítonas: todas as palavras proparoxítonas recebem acento:

Sábado, ônibus, câmara, Chácara, árabe, cáustico, Cleópatra, esquálido, exército, hidráulico, líquido, míope, músico, plástico, público, rústico, último.

Observações:

a) seguem essa regra as proparoxítonas eventuais, ou seja, as terminadas em ditongo crescente: ministério, ofício, previdência, homogêneo, ambíguo, Ásia, Rondônia.

b) o novo acordo ortográfico passa a aceitar acento agudo ou circunflexo nas palavras proparoxítonas, reais ou aparentes, cujas vogais e ou o seguidas de consoantes nasais grafadas m ou n, conforme o seu timbre aberto ou fechado nas pronúncias: académico/acadêmico, anatómico/anatômico, cénico/cênico, cómodo/cômodo, fenómeno/ fenômeno, género/gênero, topónimo/topônimo; Amazónia/Amazônia, António/Antônio, blasfémia/ blasfêmia, fémea/fêmea, gémeo/gêmeo, génio/gênio, ténue/tênue.

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2. Paroxítonas: são acentuadas quando terminam em:

i(s):

júri(s), táxi(s), lápis, tênis;

us:

bônus, vírus, Vênus;

ã(s), -ão(s):

órfã, ímã, órfãs, órgão, órgãos, bênção, bênçãos;

om, -ons:

rádom (ou radônio), iâmdom, nêutron, elétron, nêutrons;

um, -uns:

fórum, álbum, fóruns, álbuns;

l:

estável, estéril, difícil, cônsul, útil;

n:

hífen, pólen, líquen;

r:

açúcar, éter, mártir, fêmur;

x:

látex, fênix, sílex, tórax;

ps:

bíceps, fórceps.

Observações:

a) A regra de acentuar paroxítonas terminadas em i ou r não se aplica aos prefixos terminados nessas letras:

anti-, semi-, hemi-, arqui-, super-, hiper-, alter, inter- etc.

b) Atente para o fato de que a regra das paroxítonas terminadas em -en não se aplica ao plural dessas palavras nem a outras com a terminação -ens: liquens, hifens, itens, homens, nuvens etc.

3. Oxítonas: são acentuadas quando terminadas em:

a(s):

guaraná, atrás, Amapá, Pará;

e(s):

tevê, clichê, cortês, português, pajé, convés;

o(s):

complô, robô, avô, avós, após;

em, -ens:

armazém, armazéns, também, (ele) provém (eles) detêm .

Observação:

As palavras tônicas que possuem apenas uma sílaba (monossílabos) terminadas em a, e e o seguem também essa regra: pá, pé pó, (tu) dás, três, mês, (ele) pôs, má, más; assim também os monossílabos verbais seguidos de pronome:

dá-la, tê-lo, pô-la etc.

Quanto aos Encontros Vocálicos

1. Regra dos ditongos

Ditongos abertos tônicos: os ditongos ei, eu, oi têm a primeira vogal acentuada graficamente quando forem abertos:

papéis, réis, mausoléu, céus, corrói, heróis. Com o acordo ortográfico, deixam de ser acentuadas as palavras paroxítonas com esse ditongo na sílaba tônica.

Antes

Acordo

idéia

ideia

jibóia

jiboia

heróico

heroico

2. Regra dos hiatos

a) Hiatos em i e u tônicos, com ou sem s, levam acento agudo quando não forem seguidos de nh, não repetirem a vogal e não formarem sílaba com consoante que não seja o “s”: ensaísta, saída, juízes, país, baú(s), saúde,

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reúne, amiúde, viúvo. No entanto, rainha (precede “nh”), xiita (repetição de vogal) e juiz (forma sílaba com consoante que não seja o “s”) não recebem acento.

b) O acordo ortográfico retira o acento dos hiatos tônicos paroxítonos após ditongo: feiura, baiuca. Se o termo não for paroxítono, o acento se mantém: Piauí.

c) O acordo ortográfico retira o acento dos hiatos -eem e -oo(s).

Antes

Acordo

vôo

voo

enjôo

enjoo

crêem

creem

lêem

leem

d) O acordo ortográfico não permite mais o acento na vogal “u” tônica dos encontros gue, gui, que, qui.

Antes

Acordo

apazigúe

apazigue

averigúe

averigue

Regra do acento diferencial

O acordo ortográfico altera significativamente a regra do acento diferencial. Antes do acordo, a regra valia para os seguintes casos:

• têm (eles) para distingui-lo de tem (ele), e vêm (eles), distinto de vem (ele); (vale nos derivados: eles detêm, provêm, distinto de detém, provém (ele);

• pôde (pretérito perfeito) distinto de pode (presente);

• fôrma (substantivo) distinto de forma (verbo formar);

• vocábulos tônicos (abertos ´/fechados ^) que têm homógrafos átonos:

tônicos

côa, côas (v. coar) pára (v. parar) péla, pélas (v. pelar e s.f.) pélo (v. pelar), pêlo, pêlos péra, péras (pedra), pêra pêro, Pêro póra(s) (surra); pôla(s) (broto vegetal) pólo(s) (eixo, jogo); pôlo(s) (filhote de gavião) pôr (verbo)

átonos

coa, coas (com a, com as) para (preposição) pela, pelas (por a(s) pelo, pelos (por o(s) pera (forma arcaica de para) pero (forma arcaica de mas)

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pola(s) (forma arcaica de por a(s)) polo(s) (forma arcaica de por o(s)) por (preposição).

O acordo mantém apenas os seguintes casos obrigatórios:

• têm (eles) para distingui-lo de tem (ele), e vêm (eles), distinto de vem (ele); (vale nos derivados: eles detêm, provêm, distinto de detém, provém (ele);

• pôde (pretérito perfeito) distinto de pode (presente);

• pôr (verbo) para diferenciar da preposição por.

Dois casos facultativos: fôrma e dêmos (usado em Portugal).

casos facultativos: fôrma e dêmos (usado em Portugal). Praticando Acentue as palavras e justifique a regra.

Praticando

Acentue as palavras e justifique a regra.

1. Porem, jacare, sofa, pele, alguem, parabens, pa, pe, po, vovo, refens, te-lo, casa-lo.

Justificativa:

2. Carater, lapis, juri, facil, tonus, fenix, medium, ima, orfã, biceps.

Justificativa:

3. Estupido, onibus, vendessemos, politico, macula, nivea, ligia.

Justificativa:

4. Bau, saida, saistes, esgoista, juizo, Luisa, construi-lo.

Justificativa:

5. Ceu, escarceu, reu, papeis, heroi.

Justificativa:

Acentue as palavras quando necessário.

6.

Quem conhece seus defeitos esta muito proximo de corrigi-los.

7.

A virtude e comunicavel, porem o vicio e contagioso.

8.

Saude ou inteligencia, eis duas recompensas da vida.

9.

A historia glorifica os herois, a vida santifica os martires.

10.

Este plano de emprestimo nao nos convem.

11.

Poucas pessoas detem o poder na gloria.

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12.

Esta caixa contem alguns episodios da historia.

13.

Os professores reveem as provas.

14.

Ela vem à reuniao.

15.

Elas vem a reuniões.

16.

Ele rele a obra.

17.

Eles releem a obra.

18.

Os refens veem os soldados como criminosos.

19.

Todas as palavras estão corretas em:

a) raiz, raízes, saí, apóio, Grajau;

b) carretéis, funis, índio, hifens, atrás;

c) juriti, ápto, âmbar, difícil, almoço;

d) órfã, afável, cândido, caráter, Cristovão;

e) chapéu, rainha, Bangu, fossil, conteúdo.

20.

um vocábulo incorreto em:

a) elétrodo, biótipo, biquini;

b) dúplex, ravióli, soror;

c) bávaro, íbero, azíago;

d) ruím, reptil, pólens;

e) necropsia, récorde, púdico.

d) ruím, reptil, pólens; e) necropsia, récorde, púdico.

http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=gramatica/

docs/acentuacao

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Capítulo 4 – Classes de Palavras

Portuguesa Unidade I Capítulo 4 – Classes de Palavras Muitos reclamam ao estudar morfologia. No entanto,

Muitos reclamam ao estudar morfologia. No entanto, sem o conhecimento das classes gramaticais, não se pode ter certeza da concordância, pontuação e, muitas vezes, do elemento de coesão adequado. Ao se dizer “Cerveja é bom”, o último vocábulo é advérbio ou adjetivo? Você saberia responder por que a concordância não foi feita com “cerveja”?

por que a concordância não foi feita com “cerveja”? O domínio de um idioma faz-se com

O domínio de um idioma faz-se com base em suas estruturas fundamentais. A morfologia é a base de uma língua ao lado de seu vocabulário.

Substantivo

É o nome de todos os seres que existem ou supomos existir: janela, muro, trabalho, Deus, alma.

Tipos de substantivo

Comum: refere-se a todos os seres da mesma espécie: país, aluno, cidade.

Próprio: refere-se a um ser específico: Brasil, Marta, Brasília.

Simples: possui apenas um radical: amor.

Composto: possui mais de um radical: amor-perfeito.

Primitivo: é o termo que dá origem a outros: amor.

Derivado: origina-se de outro termo: amizade.

Concreto: ser de existência independente: casa, vaca, homem.

Abstrato: termo que depende de outro para existir: amor, alegria.

Observações:

1. Deus, alma, fada, bruxa são substantivos concretos.

2. São substantivos abstratos aqueles que indicam ações (trabalho, casamento, ameaça) e estado ou qualidade (riqueza, sonho, morte, inteligência, esperteza).

3. Os substantivos coletivos são classificados como comuns.

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Gênero dos substantivos

Os substantivos podem ser divididos em dois gêneros: masculino e feminino. A flexão de gênero ocorre de forma uniforme ou biforme.

Uniforme:

Epicenos (macho-fêmea): a cobra, o tatu, a onça.

Comuns de dois (o-a): cliente, colega, dentista, jornalista, jovem.

Sobrecomuns (sem flexão do artigo): a criança, a vítima, o cônjuge, o ídolo.

• Biforme:

Flexão na desinência: amigo-amiga, barão-baronesa.

Heterônimos: cavalheiro-dama, cavalo-égua.

Observações:

1. Cólera é nome feminino em qualquer sentido: ira ou doença.

2. Personagem e usucapião são nomes femininos pela origem, porém já se encontram também como masculinos em diversos dicionários.

3. As siglas que se usam como nomes próprios têm o gênero do nome inicial da locução. Assim Detran (Departamento de Trânsito) é palavra masculina e Cica (Companhia Industrial de Conservas Alimentícias) é palavra feminina.

4. Milhão é nome masculino: um milhão de pessoas; muitos milhões de ações.

Plural dos substantivos

Quanto à flexão de número, os substantivos podem estar no singular ou no plural.

Regral geral: substantivos terminados em vogal ou ditongo fazem o plural acrescentando-se –s ao singular: sala-salas, amigo-amigos, pai-pais, lei-leis. Incluem-se na regra geral os substantivos terminados em vogal nasal representada pela letra -m. Muda-se o –m por –n e acrescenta-se o –s: bem-bens, flautim-flautins, som-sons.

Regras especiais:

1. Os substantivos terminados em –ão formam o plural de três formas:

a) a maioria altera a terminação –ão em –ões: coração-corações, leão-leões.

b) Alguns poucos substantivos alteram a terminação –ão em –ães: alemão-alemães.

c) Todos os substantivos paroxítonos terminados em –ão e alguns oxítonos com a mesma terminação simplesmente acrescentam o –s: bênção-bênçãos, órgão-órgãos, irmão-irmãos.

Observações:

1. Os monossílabos tônicos chão, grão, mão e vão fazem o plural com o –s.

2. Alguns substantivos finalizados em –ão aceitam diferentes formas: ermitão (ermitães, ermitãos ou ermitões), vilão (vilãos ou vilões) etc.

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2. Plural com alteração de timbre da vogal tônica.

Alguns substantivos cuja vogal tônica é “o” fechado, além de receberem o –s no plural, alteram também o “o” fechado para aberto: corpo, fogo, imposto, jogo, tijolo etc. Isso recebe o nome de metafonia.

3. Substantivos terminados em consoantes.

a) Os substantivos terminados em –r, –z e –n formam o plural acrescentando –es ao termo singular: mar- mares, reitor-reitores, rapaz-rapazes, raiz-raízes, dólmen-dólmenes.

Observação: o plural de caráter é caracteres, com deslocamento da vogal tônica. Também alteram a vogal tônica no plural os termos espécimem, Júpiter e Lúcifer: especímenes, Jupíteres e Lucíferes.

b) Os substantivos oxítonos terminados em -s formam o plural acrescentando –es. Os demais substantivos terminados em –s são invariáveis: o país – os países, o lápis – os lápis.

Os paroxítonos terminados em –x também são invariáveis: os tórax.

c) Os substantivos terminados em –al, –el, –ol e –ul alteram no plural o –l por –is: animal-animais, papel-papéis, álcool-álcoois.

Excetuam-se os termos mal e cônsul: males e cônsules. Também o termo real constitui uma exceção, mas atualmente aplicamos a regra geral: réis ou reais.

d) Os substantivos terminados em –il alteram o –l em –s: funil-funis, ardil-ardis.

e) Os substantivos paroxítonos terminados em –il alteram a terminação por –eis: fóssil-fósseis, réptil-répteis.

4. Plural nos diminutivos formados com o sufixo –Zinho(a) ou zito(a).

Tanto o substantivo primitivo como o sufixo vão para o plural: balãozinho – balõezinhos, florzinha – florezinhas.

5. Substantivos de um só número.

Existem substantivos que são empregados apenas no plural: anais, fezes, primícias, óculos.

6. Substantivos compostos.

a) Quando o substantivo composto é formado por palavras que se unem sem o auxílio do hífen, forma o plural como se fosse uma palavra só: pontapé-pontapés, vaivém-vaivéns.

b) Quando os termos se unem por hífen e são termos variáveis, os dois seguem para o plural: obra-prima – obras-primas, couve-flor – couves-flores.

c) Quando o primeiro termo do composto é verbo ou palavra invariável e o segundo é palavra variável, apenas

o segundo aceita o plural: guarda-chuva – guarda-chuvas, bate-boca – bate-bocas.

d) Quando os termos se ligam por preposição, só o primeiro aceita o plural: pé-de-moleque – pés-de-moleque.

e) Quando o segundo termo da expressão é um substantivo que funciona como determinante específico, apenas

o primeiro pode variar (mais culto) ou os dois sofrem variações (coloquial): salário-família – salários-família ou salários-famílias.

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f) Nas onomatopeias, apenas o último elemento sobre variação: o reco-reco – os reco-recos, o tique-taque – os tique-taques.

Observações:

a) No passado, usava-se apenas parabém. Hoje, empregamos no plural: parabéns.

b) Existem substantivos que possuem uma só forma para singular ou plural: conta-gota, ourives, pires, porta-aviões, oásis etc.

c) As siglas fazem o plural mediante o acréscimo de –s, sem o emprego de apóstrofo: IPVAs, CPIs.

Adjetivo

É a palavra que indica qualidade, defeito, estado, característica ou origem de um substantivo.

Tipos de adjetivo

Uniforme: uma só forma para os dois gêneros: jovem, alegre, feliz.

Biforme: uma forma para cada gênero: bom, boa.

Simples: possui apenas um radical: estudioso

Composto: possui mais de um radical: anglo-germânico.

Variações do adjetivo

Gênero: masculino (bom) ou feminino (boa).

Número: singular (bom) ou plural (bons).

Grau: comparativo de igualdade: Ele é tão alto quanto eu.

comparativo de superioridade: Ele é mais alto do que eu.

comparativo de inferioridade: Ele é menos alto do que eu.

superlativo absoluto analítico: Ele é muito esperto.

superlativo absoluto sintético: Ele é espertíssimo.

superlativo relativo de superioridade: Ele é o mais esperto.

superlativo relativo de inferioridade: Ele é o menos esperto.

Observações:

a) Os adjetivos compostos fazem o feminino com variação apenas do último termo: acordo luso-brasileiro, festa luso-brasileira.

b) Os adjetivos compostos fazem o plural com variação apenas do último termo: política social-democrata, políticas social-democratas.

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c)

Os adjetivos compostos indicadores de cor não variam quando um dos elementos é substantivo: carro cor-de-rosa, carros cor-de-rosa. Da mesma forma, não ocorre variação com o termo simples: camisa cinza, camisas cinza.

d)

O

plural de surdo-mudo é surdos-mudos.

e)

Alguns adjetivos compostos não sofrem qualquer variação no plural: azul-marinho, azul-celeste, furta-cor e sem-sal.

f)

Adjetivos terminados em –eio fazem o superlativo com dois “ii”: sério-seriíssimo.

g)

É

comum usar-se o adjetivo com valor de substantivo. Basta incluir um artigo antes dele: A bonita chegou.

Pronome

É a classe de palavra que substitui ou acompanha um substantivo. Ao substituir o substantivo, recebe o nome de pronome substantivo. Ao substituir o adjetivo, recebe o nome de pronome adjetivo.

Pronome pessoal

Definição: como o próprio nome esclarece, este pronome está relacionado, geralmente, a pessoas. No entanto, designa também coisas. Observe o quadro abaixo:

Retos

Oblíquos

Átonos

Tônicos

eu

me

mim, comigo

tu

te

ti, contigo

ele, ela

o, a, lhe, se

si, consigo

nós

nos

nós, conosco

vós

vos

vós, convosco

eles, elas

os, as, lhes, se

si, consigo

Características:

1.

Os pronomes pessoais do caso reto exercem a função sintática de sujeito.

Ele saiu. Nós voltamos. Elas chegaram.

2.

Os pronomes pessoais do caso oblíquo exercem a função sintática de complemento.

Maria encontrou-nos. O prefeito nos convidou.

3.

língua culta prefere “entre si” a “entre eles”, sempre que for possível a posposição do pronome mesmos. Caso o sujeito da construção não esteja na terceira pessoa do plural, usa-se “entre eles”.

A

Os amigos conversavam entre si. (entre si mesmos.)

Nada ocorreu entre eles.

4.

O pronome oblíquo “o”, “a” e suas variações adquirem a forma “lo”, “la” e suas variações, quando posposto

a formas verbais terminadas em “r”, “s” e “z”.

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Encontrar + o = encontrá-lo. Fizemos + o = fizemo-la. Fez + as = fê-las.

5.

Se a forma verbal termina em som nasal, o pronome se transforma em “no” e suas variações, sem omissão de letra.

Encontraram + o = encontraram-no.

6.

Os pronomes tônicos “com nós” e “com vós” se usam apenas quando precedem palavra de ênfase.

O

prefeito deseja falar conosco.

O

prefeito deseja falar com nós (inadequado).

O

prefeito deseja falar com nós mesmos (adequado).

7.

Embora o pronome pessoal de caso reto exerça a função de sujeito, pode aparecer na função de complemento, quando ao lado do pronome “todo” em construção na ordem indireta.

Encontrei-os no quarto chorando. Todos eles encontrei no quarto chorando.

8.

Os verbos pronominais não devem ser empregados com o pronome “se” indicando sujeito indeterminado.

Não se deve arrepender pelo que se fez (inadequado). Ninguém deve arrepender-se pelo que fez (adequado).

9.

Quando um mesmo pronome oblíquo está relacionado a dois ou mais verbos, deve-se usar o complemento apenas junto ao primeiro.

Nós o encontramos e o abraçamos (inadequado). Nós o encontramos e abraçamos (adequado).

10.

Quando o pronome átono está na função de objeto direto e é seguido por aposto, este deve ser preposicionado.

Encontrei-o, ao verdadeiro ladrão, na casa da namorada.

11.

O

pronome “nós” assume o papel de singular em duas situações: plural majestático ou plural de modéstia.

Nós seremos maiores do que tudo, disse o rei (plural majestático). Nós somos agradecidos a você, disse o rapaz (plural de modéstia).

12.

contração de dois pronomes pessoais oblíquos em funções sintáticas diferentes pode ocorrer da seguinte maneira:

A

Não enviaram a revista a ele. = Não lha enviaram. Não enviaram o livro a ela. = Não lho enviaram. Alguém disse os assuntos aos jornalistas. = Alguém lhos disse.

A mesma regra vale para os pronomes “me”, “te”, “nos” e “vos”.

Pronome possessivo

Definição: é o pronome que apresenta ideia de posse: meu, teu, seu, nosso, vosso, seus e variações.

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Características:

1.

os pronomes possessivos concordam em gênero e número com seus referentes.

2.

os pronomes oblíquos átonos “me”, “te”, “nos”, “vos”, “lhe” (e variações) podem indicar posse, quando ligados

a

substantivo e podem ser substituídos por pronome possessivo.

Posso beijar-lhe o rosto. = Posso beijar o seu rosto. Quebraram-me o estojo. = Quebraram o meu estojo.

3.

Antes de nomes que indicam partes do corpo, peças de vestuário e estados da razão não há necessidade de possessivo quando se referem à própria pessoa a que se faz referência.

Machuquei o dedo (adequado). Machuquei o meu dedo (inadequado). Ela perdeu o juízo (adequado). Ela perdeu o seu juízo (inadequado).

4.

É

facultativo o uso do artigo antes do pronome possessivo.

Encontrei a minha namorada ou Encontrei minha namorada.

5.

O

uso do artigo antes do possessivo pode alterar o sentido da construção.

Aquela casa é minha (induz-se a pensar que tenho outras casas também). Aquela casa é a minha (induz-se a pensar que é a minha única casa)

Pronomes demonstrativos

Definição: o pronome demonstrativo (este, esse, aquele – e variações) tem diversas funções dentro da construção: pode indicar a pessoa do discurso, a relação a tempo, o referente adequado, retomar ou antecipar ideia presente no texto etc.

Características:

1. em relação à pessoa do discurso, deve-se empregar o pronome demonstrativo da seguinte forma:

este, esta, isto: refere-se à pessoa que fala ou escreve (apresenta a ideia do aqui).

esse, essa, isso: refere-se à pessoa que ouve ou lê (apresenta a ideia do aí).

aquele, aquela, aquilo: refere-se à pessoa que se encontra distante (apresenta a ideia do lá).

Este relatório que seguro. Esse relatório que você segura. Aquele relatório que se encontra na outra sala.

2. em relação à posição da ideia a que se refere, deve-se empregar da seguinte forma:

este, esta, isto: em relação a uma ideia que ainda aparecerá no texto (termo catafórico).

Quero lhe pedir isto: não volte mais aqui.

esse, essa, isso: em relação a uma ideia que já apareceu no texto (termo anafórico).

Não volte mais aqui. Era isso que eu queria lhe pedir.

Gramática da Língua Portuguesa I

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

3. em relação a tempo, deve-se empregar da seguinte forma:

a) em referência a um momento atual, usa-se “este, esta ou isto”:

Este dia está maravilhoso (dia atual). Esta semana está maravilhosa (semana atual). Este mês está maravilhoso (mês atual) Este ano está maravilhoso (ano atual). Este assunto que conversamos (assunto atual).

b) em relação a momento futuro próximo,usa-se também “este, esta ou isto”:

Agora pela manhã chove, mas esta noite promete ser bonita (próxima noite). Esta reunião de hoje à tarde será interessante (a reunião está próxima de ocorrer). Hoje é quinta-feira e neste fim de semana viajarei. (próximo fim de semana).

c) em relação a momento futuro distante, usa-se “esse, essa ou isso”:

Um dia você será capaz de entender o que ocorreu. Nesse dia, você me perdoará .

d) em relação a momento passado recente, usa-se “esse, essa ou isso”:

Nesse fim de semana, fui a São Paulo (último fim de semana). Nessa reunião, fiquei feliz (reunião que ocorreu recentemente).

e) em relação a tempo passado muito distante, usa-se “aquele, aquela ou aquilo”:

Aquele fim de semana foi maravilhoso (fim de semana distante). Naquela reunião, fiquei feliz (reunião que ocorreu há muito tempo).

4. para diferenciar referentes citados anteriormente, usa-se “este, esta ou isto” para indicar o mais próximo ao pronome e usa-se “aquele, aquela e aquilo” para indicar o mais distante.

O processo e o parecer já chegaram. Este (o parecer) está ótimo, mas aquele (o processo) ainda está incompleto.

5. Outros usos estilísticos:

a) ao iniciar uma oração, desacompanhado de substantivo, que retoma ideia anterior e pode ser substituído por “isso”, pode-se empregar “este, esse ou aquele”:

Não estudei o necessário. Este (ou “esse”) foi meu pecado.

b) podem-se colocar os pronomes “este” ou “esse” e suas variações após o substantivo para indicar ênfase:

Encontrei uma linda e inteligente mulher há alguns anos em Brasília, mulher esta (ou “essa”) que se tornou minha esposa.

c) os pronomes “este, esse ou aquele – e variações”, quando contraídos com a preposição “de” e pospostos a substantivos, devem ser empregados sempre no plural:

Ele resolveu problema daqueles.

Pós-Graduação a Distância

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

d) as palavras “o”, “próprio”, “semelhante” e “tal” – e variações – podem assumir papel de pronome “mesmo”, demonstrativo.

Comprei o que você pediu. Lúcia mesma fez o trabalho.

Pronome indefinido

São aqueles que se referem a pessoas ou coisas de maneira imprecisa ou indefinida.

Invariáveis: algo, alguém, nada, ninguém, tudo, cada, outrem, que, quem.

Variáveis: algum, nenhum, todo, muito, pouco, certo, diverso, vário, outro, quanto, tanto, qual, qualquer, um (quando isolado).

São locuções pronominais indefinidas: todo o mundo, cada um, cada qual, qualquer um, todo aquele que, seja qual for, seja quem for, um ou outro, um e outro etc.

Características:

1. o pronome “cada” funciona sempre como adjetivo, não devendo ser usado como pronome substantivo.

Comprei dois livros a R$ 15,00 cada (inadequado). Comprei dois livros a R$ 15,00 cada um (adequado).

2. embora muito empregado, é inadequado, segundo a norma culta, o uso de uma palavra negativa e os pronomes indefinidos.

Não tenho problema nenhum (inadequado). Não tenho problema algum (adequado).

3. o plural “todos” e variações, quando aparecem antes de um nome, devem sempre estar acompanhados de artigo. A regra não vale quando antecede outro pronome.

Todos os relatórios já chegaram (adequado). Todos relatórios já chegaram (inadequado). Todas essas coisas me fazem bem (adequado).

Pronome relativo

Definição: são aqueles que se relacionam com um termo que o antecede.

O livro que comprei é bom.

que = equivale a livro.

A casa onde moro é bonita.

Onde = equivale a casa.

Inariáveis: que, quem, onde, quando.

Variáveis: o qual, cujo, quanto (após os indefinidos tudo, todo e tanto).

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Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

Características:

1. o pronome “que” pode se relacionar a coisa ou pessoa, mas só pode ocorrer quando precedido de preposição monossilábica:

O

processo que você leu está interessante (adequado).

O

processo de que você precisa está interessante (adequado).

O

processo sobre que você comentou está interessante (inadequado).

O

processo sobre o qual você comentou está interessante (adequado).

2. A preposição “sem” e “sob” devem ser usadas com o pronome “o qual” e suas variações.

O

juiz perdeu a caneta sem a qual não conseguia escrever coisa alguma.

O

sol sob o qual estamos está forte.

3. Quando ocorrerem dois termos anteriores ao pronome relativo e este produzir ambiguidade em relação a qual referente está ligado, deve-se usar o pronome “que” para indicar o mais próximo e “o qual” – e suas variações – para indicar o mais distante.

O

amigo do deputado que está em Brasília é alto (“que” se refere a “deputado”).

O

amigo do deputado o qual está em Brasília é alto (“o qual” se refere a “amigo”).

O

filho do deputado que tem cinco anos está em Brasília (“que” se refere a “filho” pois não existe ambiguidade).

O filho do deputado o qual tem cinco anos está em Brasília (“o qual” se refere a “filho” pois não existe ambiguidade).

4. o pronome “quem” deve ser usado apenas relacionado a pessoas e antecedido por preposição.

Ela é a namorada a quem dedico toda a atenção de minha vida. Ele é o promotor de quem preciso.

5. é chamado de “relativo indefinido” o pronome que aparece sem nome antecedente.

Quem não estuda não entende o assunto.

6. o pronome relativo que exprime posse e se relaciona tanto com o termo anterior quanto com o posterior deve ser representado por “cujo” e suas variações. Não existe “cujo o”, “cuja a” e “o cujo”. A única possibilidade de ocorrer “a cuja” é quando se tratar de um “a” preposição.

O

carro cujo dono está trabalhando é grande.

O

artigo cuja editora é nova ficou bom.

O

prédio cujos moradores saíram é branco.

7. o pronome relativo “onde” só pode ser usado para indicar lugar.

A escola onde estudei fechou (adequado).

A situação onde me encontro é terrível (inadequado).

A situação em que me encontro é terrível (adequado).

8. “quando” funciona como pronome relativo sempre que antecedido por uma ideia de tempo e equivale a “em que”.

Chegará o momento quando resolveremos o problema.

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Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

Distância Introdução à Língua Portuguesa Unidade I Praticando 1. Assinale a opção que completa adequadamente

Praticando

1. Assinale a opção que completa adequadamente as lacunas da frase seguinte:

Os pesquisadores e o Governo frequentemente assumem posições distintas ante os problemas nacionais:

se preocupam com a fundamentação científica, enquanto pelos interesses políticos.

a) aqueles, este

b) esses, aquele

c) estes, esse

d) estes, aquele

e) aqueles, aquele

se guia mais

2. Usando os pronomes demonstrativos adequados, complete as lacunas do texto:

Por favor, passe desenhar.

a) aquela-esta-mim.

b) esta-esta-mim.

c) essa-esta-eu.

d) essa-essa-mim.

e) aquela-esta-eu.

caneta que está aí perto de você;

3. Aponte a opção em que muito é pronome indefinido:

a) O soldado amarelo falava muito bem.

b) Havia muito bichinho ruim.

c) Fabiano era muito desconfiado.

d) Fabiano vacilava muito para tomar decisão.

e) Muito eficiente era o soldado amarelo.

aqui não serve para

4. Na frase: “Chegou Pedro, Maria e o seu filho dela”, o pronome possessivo está reforçado para:

a) ênfase

b) elegância e estilo

c) figura de harmonia

d) clareza

e) n.d.a

Gramática da Língua Portuguesa I

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

5. Assinale a opção que apresenta o emprego correto do pronome, de acordo com a norma culta:

a) O diretor mandou eu entrar na sala.

b) Preciso falar consigo o mais rápido possível.

c) Cumprimentei-lhe assim que cheguei.

d) Ele só sabe elogiar a si mesmo.

e) Após a prova, os candidatos conversaram entre eles.

6. Assinale a opção em que houve erro no emprego do pronome pessoal:

a) Ele entregou um texto para mim corrigir.

b) Para mim, a leitura está fácil.

c) Isto é para eu fazer agora.

d) Não saia sem mim.

e) Entre mim e ele há uma grande diferença.

7. Pronome empregado incorretamente:

8.

a) Nada existe entre eu e você.

b) Deixaram-me fazer o serviço.

c) Fez tudo para eu viajar.

d) Hoje, Maria irá sem mim.

e) Meus conselhos fizeram-no refletir.

“Se é para

dizer o que penso, creio que a escolha se dará entre

.”

a) mim, eu e tu

d) eu, mim e tu

b) mim, mim e ti

e) eu, eu e ti

c) eu, mim e ti

9. A única frase em que há erro no emprego do pronome oblíquo é:

a) Eu o conheço muito bem.

b) Devemos preveni-lo do perigo.

c) Faltava-lhe experiência.

d) A mãe amava-a muito.

e) Farei tudo para livrar-lhe desta situação.

Pós-Graduação a Distância

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

10. Assinale a opção em que o pronome pessoal está empregado corretamente:

a) Este é um problema para mim resolver.

b) Entre eu e tu não há mais nada.

c) A questão deve ser resolvida por eu e você.

d) Para mim, viajar de avião é um suplício.

e) Quanto voltei a si, não sabia onde me encontrava.

11. Assinale o item em que há erro quanto ao emprego dos pronomes se, si ou consigo:

a) Feriu-se quando brincava com o revólver e o virou para si.

b) Ele só cuidava de si.

c) Quando V. S a vier, traga consigo a informação pedida.

d) Ele se arroga o direito de vetar tais artigos.

e) Espere um momento, pois tenho de falar consigo.

12. Marque a opção em que houve substituição incorreta do termo sublinhado.

a) Daria a eles uma resposta adequada.

Dar-lhes-ia uma resposta adequada.

b) Enviamos o presente aos nossos amigos.

Enviamos-lhes o presente.

c) Mandamos as crianças saírem.

Mandamos-as saírem.

d) Não pediria isso a você em hipótese alguma.

Não lho pediria em hipótese alguma.

Verbo

É a palavra de forma variável que exprime ação, estado, fenômeno.

Flexão de número : singular ou plural.

Flexão de pessoa: indica a pessoa do discurso (primeira, segunda ou terceira).

Flexão de modo: indica a maneira como o fato se realiza: indicativo, subjuntivo ou imperativo.

Flexão de tempo: indica o momento em que se realiza o fato: presente, pretérito ou futuro.

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Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

Classificação dos verbos

Regular: não sofrem modificação no radical durante a conjugação.

Observe a conjugação dos verbos amar, vender e partir.

Irregular: sofrem alguma modificação no radical na conjugação.

Defectivos: não possuem todas as conjugações.

Abundantes: possuem mais de uma conjugação.

Auxiliares: acompanham a conjugação do verbo principal.

Pessoais: possuem sujeito.

Impessoais: não possuem sujeito.

Tempo verbal

Quanto ao tempo verbal, eles apresentam os seguintes valores:

1. presente do indicativo: indica um fato real situado no momento ou época em que se fala;

2. presente do subjuntivo: indica um fato provável, duvidoso ou hipotético situado no momento ou época em que se fala;

3. pretérito perfeito do indicativo: indica um fato real cuja ação foi iniciada e concluída no passado;

4. pretérito imperfeito do indicativo: indica um fato real cuja ação foi iniciada no passado, mas não foi concluída ou era uma ação costumeira no passado;

5. pretérito imperfeito do subjuntivo: indica um fato provável, duvidoso ou hipotético cuja ação foi iniciada mas não concluída no passado;

6. pretérito mais-que-perfeito do indicativo: indica um fato real cuja ação é anterior a outra ação já passada;

7. futuro do presente do indicativo: indica um fato real situado em momento ou época vindoura;

8. futuro do pretérito do indicativo: indica um fato possível, hipotético, situado num momento futuro, mas ligado a um momento passado;

9. futuro do subjuntivo: indica um fato provável, duvidoso, hipotético, situado num momento ou época futura;

Formação dos tempos

Os chamados tempos simples podem ser primitivos (presente e pretérito perfeito do indicativo e o infinitivo impessoal) e derivados:

São derivados do presente do indicativo:

pretérito imperfeito do indicativo: TEMA do presente + VA (1ª conj.) ou IA (2ª e 3ª conj.) + Desinência número pessoal (DNP);

presente do subjuntivo: RAD da 1ª pessoa singular do presente + E (1ª conj.) ou A (2ª e 3ª conj.) + DNP;

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Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

Os verbos em -ear têm duplo “e” em vez de “ei” na 1ª pessoa do plural (passeio, mas passeemos).

imperativo negativo (todo derivado do presente do subjuntivo) e imperativo afirmativo (as 2ª pessoas vêm do presente do indicativo sem S, as demais também vêm do presente do subjuntivo).

Voz verbal

É a relação entre o sujeito e o verbo. São três as vozes verbais:

Voz ativa: o sujeito é agente em relação ao verbo.

Lucas comprou o livro.

Voz passiva: o sujeito é paciente em relação ao verbo. Divide-se em analítica e sintética.

Analítica (possui locução verbal): O livro foi comprado por Lucas.

Sintética (possui partícula apassivadora): Comprou-se o livro.

Voz reflexiva: o sujeito é agente e paciente.

Lucas cortou-se.

Observações:

a) A voz recíproca pertence à voz reflexiva. Ocorre quando um sujeito faz ação para outro sujeito: Lucas e Isabela beijaram-se.

b) Alguns verbos usados em sentido denotativo (nascer, morrer, viver, dormir, acordar, sonhar etc) não possuem voz verbal, porque não há relação de agente ou paciente com o verbo.

c) Algumas construções podem confundir o estudante. Em “João levou uma surra”, temos um verbo com sentido passivo, mas não existe no caso voz passiva. Voz passiva não aceita objeto direto. No caso, o sujeito é classificado como “em passividade”.

d) Apenas verbos com objeto direto na ativa aceitam a transformação da oração em voz passiva. A voz passiva não aceita objeto direto, mas obrigatoriamente pede um verbo transitivo direto na ativa.

Locução verbal

É o conjunto verbo auxiliar + verbo principal (no gerúndio ou no infinitivo). Em análise sintática, a locução verbal corresponde a apenas um verbo.

Vou sair = locução verbal.

Ela está cantando = locução verbal.

Ela está a cantar = locução verbal.

Quando o infinitivo pode ser transformado em uma oração, não temos aí locução verbal. Observe:

Roberto finge aprender o assunto. = Roberto finge que aprende o assunto.

Penso estar feliz. = Penso que estou feliz.

Ela acredita entender tudo. = Ela acredita que entende tudo.

Em tais casos, temos período composto, com duas orações.

Gramática da Língua Portuguesa I

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

Locução verbal e tempo composto

O tempo composto traz sempre um verbo principal e um verbo no particípio. A locução verbal tem o verbo principal no gerúndio ou no infinitivo.

Formas rizotônicas e arrizotônicas

Formas rizotônicas são aquelas com a vogal tônica no radical. Formas arrizotônicas são aquelas com a vogal tônica fora do radical.

Amo = rizotônica.

com a vogal tônica fora do radical. Amo = rizotônica. Praticando Amemos = arrizotônica. 1. A

Praticando

Amemos = arrizotônica.

1. A forma correta do verbo submeter-se, na primeira pessoa do plural do imperativo afirmativo é:

a) submetamo-nos

b) submeta-se

c) submete-te

d) submetei-vos

2. mesmo que és capaz de vencer;

e não

a) Mostra a ti – decide-te – desanime

 

b) Mostre a ti – decida-te – desanimes

c) Mostra a ti – decida-te – desanimes

d) Mostra a ti – decide-te – desanimes

3. Depois que o sol se

,

haverão de

as atividades.

a) pôr – suspender

b) por – suspenderem

c) puser – suspender

d) puser – suspenderem

4. Não se deixe dominar pela atenção à transbordante linguagem das coisas e

a) Descobre – presta – vê

b) Descubra – presta – vê

c) Descubra – preste – veja

d) Descubra – presta – veja

a vida que há nas formas da natureza, o mundo pelo qual transita distraído.

Pós-Graduação a Distância

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

5.

Se

a interferência do Ministro nos programas de televisão e se ele

,

não

ocorreriam certos abusos.

 

a)

requerêssemos – interviesse

b)

requiséssemos – interviesse

c)

requerêssemos – intervisse

d)

requizéssemos – interviesse

6.

Se

o livro, não

com ele;

onde combinamos.

 

a)

reouveres – fiques – põe-no

b)

reouveres – fiques – põe-lo

c)

reaveres – fica – ponha-o

d)

reaveres fique – ponha-o

7.

Se eles

suas razões e

 

suas teses, não os

 

a) expuserem – mantiverem – censura

 

b) expuserem – mantiverem – censures

 

c) exporem – manterem – censures

 

d) exporem – manterem – censura

8.

Se o

por perto,

;

ele

o esforço construtivo de qualquer pessoa.

a) veres – precavenha-se – obstrue

 

b) vires – precavém-te – obstrui

c) veres – acautela-te – obstrui

d) vires – acautela-te – obstrui

9.

Se ele se

em sua exposição,

 

bem. Não te

a) deter – ouça-lhe – precipites

 

b) deter – ouve-lhe – precipita

c) detiver – ouve-o – precipita

d) detiver – ouve-o – precipites

10.

Os habitantes da ilha acreditam que, quando Jesus de abençoá-los.

e

todos em paz, haverá

a) vier – os ver

b) vir – os ver

c) vier – os vir

d) vier – lhes vir

Gramática da Língua Portuguesa I

Introdução à Língua Portuguesa

Unidade I

I Introdução à Língua Portuguesa Unidade I Significado das palavras por meio dos elementos mórficos

Significado das palavras por meio dos elementos mórficos

Pode-se identificar o significado de algumas palavras por meio de seus elementos estruturadores. Assim, o conhecimento de palavras cognatas auxilia não só na delimitação dos elementos mórficos, mas também na descoberta do significado de um vocábulo desconhecido.

Aqui seguem algumas palavras com seus elementos formadores e sua significação. Entretanto, a quantidade de prefixos, sufixos e radicais é grande e seus significados também múltiplos, merecendo um estudo mais aprofundado. Veja alguns exemplo com prefixos retirados do site: http://www.graudez.com.br/portugues/

ch03s02.html.

Ambi

Duplicidade

ambíguo, ambidestro

bene/bem/ben

bem, muito bom

beneficente, benfeitor

Cis

do lado de cá, aquém

Cisplatino

De

de cima para baixo

decrescer, declive

Justa

ao lado

Justaposição

Ob

em frente

Obstáculo

Per

movimento através

perfurar, percorrer

Pro

para frente, em lugar de

progresso, pronome, prólogo

Sesqui

um e meio

Sesquicentenário

vice/vis

no lugar de, inferior a

vice-presidente, visconde

Anfi

em torno, duplicidade

anfiteatro, anfíbio

arqui/arc/arque/arce

Superioridade

arcebispo, arcanjo, arqueduque

Catá

de cima para baixo

Catálogo

Dis

dificuldade, mau estado

disenteria, dispneia

endo/end

interior, movimento para dentro

Endovenoso

Epi

superior, posterioridade

epiderme, epitáfio, epílogo

eu/ev

bem, bom

eufonia, evangelho, eufemismo

Hipó

inferior, escassez

hipocrisia, hipodérmico

sin/sim/si

simultaneidade, companhia

sinfonia, sílaba

sin/sim/si simultaneidade, companhia sinfonia, sílaba

http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/classes-de-palavras

http://www.educacaopublica.rj.gov.br/oficinas/lportuguesa/index.html

http://www.filologia.org.br/viiicnlf/resumos/modernaperspectiva.htm

Pós-Graduação a Distância

U n i d a d e U n i d a d e I

UnidadeUnidadeIIII

Aspectos Gramaticais e Semânticos

U n i d a d e U n i d a d e I I
U n i d a d e U n i d a d e I I
U n i d a d e U n i d a d e I I

Aspectos Gramaticais e Semânticos

Gramaticais e Semânticos Aspectos Gramaticais e Semânticos Capítulo 5 – Emprego do Acento Indicativo de Crase

Capítulo 5 – Emprego do Acento Indicativo de Crase

Capítulo 5 – Emprego do Acento Indicativo de Crase Uma deputada brasileira apresentou projeto de lei

Uma deputada brasileira apresentou projeto de lei para retirar

o acento grave (crase) de nosso idioma. Infelizmente, isso não

é possível. Se você tivesse o poder de alterar algo, o que você modificaria em nossa língua?

de alterar algo, o que você modificaria em nossa língua? A semântica é a primeira parte

A semântica é a primeira parte do idioma a sofrer modificações por influência de fatores culturais, políticos, sociais. Isso ocorre por conta dos neologismos, estrangeirismos e tantos outros ismos que invadem o Português. Alguns estudiosos criticam tal dinamismo. Outros afirmam que se trata do mecanismo de atualização da própria língua. Como você analisa a situação?

Crase é a fusão de duas vogais em uma só. Embora exista na versificação literária a crase poética, nosso interesse será apenas a contração indicada pelo acento grave.

Casos em que ocorre a fusão da preposição “a” com:

1. O artigo feminino “a” ou “as”.

Fiz referência

a

+

a

prep.+ art.

revista

=

Fiz referência à revista.

2. Locuções adverbiais, prepositivas ou conjuntivas femininas.

Encontro você às dez horas. Todos estavam à vontade em casa. Estou à disposição. Às vezes, ele me encontra em casa. O amante saiu às pressas da casa. Quem vive à espera de facilidades, encontra falsidades. Amo mais você à medida que a conheço.

Gramática da Língua Portuguesa I

Aspectos Gramaticais e Semânticos

Unidade II

Observações:

a) Em alguns casos, o acento grave evita ambiguidade na construção.

Observe:

O rapaz cheirava a bebida.

(aspirava o cheiro da bebida)

O rapaz cheirava à bebida.

(exalava o cheiro da bebida)

Encontrou a prima a tia. (construção com ambiguidade). Encontrou a prima à tia. (construção sem ambiguidade).

A presença do acento grave indica que “a tia” é objeto direto preposicionado.

b) Em relação à crase nas locuções adverbiais, há divergência entre alguns gramáticos; porem há consenso nos casos em que possa haver ambiguidade:

Fique a vontade na sala.

É sujeito ou adj. Adv. modo?

3) o pronome demonstrativo “aquela”, “aquele”, “as”

Fiz referência a + aquele rapaz. = Fiz referência àquele rapaz. Fiz referência a + aquela menina. = Fiz referência àquela menina. Fiz referência a + aquilo. = Fiz referência àquilo. Fiz referência a + a que saiu. = Fiz referência à que saiu. Fiz referência a + as que saíram. = Fiz referência às que saíram.

Observação: É comum o aluno encontrar certa dúvida no uso do acento grave antes de “que”. Procure substituir a expressão por “a aquela que” ou “a aquelas que”.

Esta caneta é igual à que comprei. (Esta caneta é igual a aquela que comprei).

Casos que merecem atenção redobrada.

1.

Antes da expressão “a moda de”, expressa ou subentendida.

Ele se veste à Caetano Veloso. Ele se veste à moda de Caetano Veloso.

Ela fez uma comida à mineira. Ela fez comida à moda mineira.

2.

Antes de “a qual” e “as quais”.

Observe bem cada caso abaixo para entender quando existe o acento grave ou não.

O

livro o qual comprei sumiu.

O

livro ao qual me refiro sumiu.

A

revista a qual comprei sumiu.

A

revista à qual me refiro sumiu.

Pós-Graduação a Distância

Aspectos Gramaticais e Semânticos

Unidade II

3. Crase antes de nomes de lugares

Ocorrerá crase e, portanto, acento grave, se houver necessidade do artigo “a” para a localidade.

Vou a Brasília. Venho de Brasília.

Observe que não ocorreu crase, pois “Brasília” não pede o artigo “a”.

Vou à Bahia. Venho da Bahia.

Ocorreu crase, pois “Bahia” pede o artigo “a”.

4. Com a palavra “casa”

A ocorrência do acento grave dependerá se a palavra, no contexto, solicitará ou não a presença do artigo “a”.

Vou a casa. Venho de casa.

Observe que no exemplo acima não ocorreu crase.

Vou à casa de meu melhor amigo. Venho da casa de meu melhor amigo.

No último exemplo, no entanto, observa-se a necessidade do artigo “a”.

5. com a palavra “terra”

A palavra “terra” em nossa língua pode representar, dependendo do contexto, sentidos diversos: terra firme (oposto

de água); determinado lugar; o planeta; e, finalmente, o solo. Nos três últimos casos, a regra a ser observada é a geral. No primeiro caso, no entanto, não ocorre crase pois o vocábulo não pede o artigo “a”.

Os marinheiros foram a terra visitar a família.

6. com a palavra “distância”

A locução adverbial “a distância” não recebe o acento grave quando não estiver determinada.

Fique a distância de mim. (sem determinação.) Fique à distância de dois metros. (com determinação.)

Observação:

Não recebe acento grave quando aparece na construção a seguir:

Fique a dois metros de distância.

Crase facultativa

1. Nomes de mulheres.

Falei o assunto a/à Denise. Refiro-me a/à Paula.

Gramática da Língua Portuguesa I

Aspectos Gramaticais e Semânticos

Unidade II

Observações:

a) Quando o nome aparecer determinado por uma qualidade ou característica, o artigo será obrigatório.

Falei o assunto à Denise, minha irmã. Refiro-me à Paula, minha esposa.

b) Quando o nome aparecer determinado por sobrenome, o artigo não ocorrerá.

Falei o assunto a Denise Moura. Refiro-me a Rosa Paula Rodrigues.

2. Pronomes possessivos adjetivos.

Falei a/à minha secretária. Refiro-me a/à minha secretária.

3. Expressão “até”

Observe a expressão “até” seguido de palavra masculina.

Vou até o teatro. Vou até ao teatro.

Como se observa, o uso da preposição “a” não é obrigatório.

Vou até a esquina. Vou até à esquina.

é obrigatório. Vou até a esquina. Vou até à esquina. Praticando Escolha a opção correta para

Praticando

Escolha a opção correta para completar as lacunas.

1.

Ela estava

a)

a – a – à

b)

à – à – à

d)

a – à – a

c)

à – a – a

e)

à – a – à

disposição e pediu

todos que

2. O presidente retorna

a) a – a

b) há – há

c) a – há

d) à – há

e) há – a

Brasília daqui

pouco.

ouvissem com atenção.

Pós-Graduação a Distância

Aspectos Gramaticais e Semânticos

Unidade II

3.

4.

Diga

elas que estejam daqui

à – há – a

b)

c) a – há – à

d) a – a – à

e) a – a – a

a)

à – a – a

pouco

entrada principal.

Peço

Vossa Senhoria

à – a – à

à – a – a

c) a – a- à

d) a – a – a

à – à – a

a)

b)

e)

solução

respeito do problema ocorrido.

Informe

5. todos que o diretor não autorizou

medida, pois não foi encaminhada corretamente

diretoria.

a) a – a – a

b) à – à – a

c) a – à – a

d) à – a – à

e) a – a – à

6. secretaria que o relatório chegou e solicite

Informe

encarregada o código do arquivo

que se

deve juntar.

a) a – a – a

b) a – à – à

à – a – à à – à – à à – à – a

c)

d)

e)

7. Assinale a frase incorreta.

a) Trata-se de uma tradição há muito inserida nas práticas legislativas do País e que não deve estar condicionada

à deliberação do plenário.

b) A publicação constitui a forma pela qual se dá ciência da promulgação da lei à sociedade

c) O presidente vai à sala de reuniões às oito horas dar as informações à todos.

d) Com respeito às questões operacionais colocadas pela necessidade de divulgação das leis, é preciso avaliar os custos de implantação de novos parques gráficos.

e) Andava à toa pelas ruas, à procura de fictícios amigos.

8. Não se empregará a crase na frase:

a) Referiu-se a pessoas que não cheguei a conhecer.

b) Fui visitá-lo as quinze horas, mas não o encontrei.

c) Compareci a festa em que se coroou a rainha Sissi.

d) Dirigiram-se a Policlínica para uma visita a doentes.

e) A tarde, iremos a casa de meus pais.

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9.

Assinale a alternativa correta.

 

a) O ministro não se prendia à nenhuma dificuldade burocrática.

b) O Presidente ia a pé, mas a guarda oficial ia à cavalo.

 

c) Ouviu-se uma voz igual à que nos chamara antes.

d) Peço à V. Ex a . que considere os fatos em questão.

e) Não insista em ir à terra agora: o próximo porto está próximo.

10.

Afeito

solidão, esquivava-se

comparecer

comemorações sociais.

a) à – a – a

b) à – à – a

c) à – a – à

d) a – à – a

e) a – a – à

– a c) à – a – à d) a – à – a e) a

http://www.brasilescola.com/gramatica/crase.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Crase

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Capítulo 6 – Processo de Formação de Palavras

II Capítulo 6 – Processo de Formação de Palavras As línguas mudam constantemente. O novo acordo

As línguas mudam constantemente. O novo acordo ortográfico é prova disso. No entanto, as principais alterações ocorrem no dia a dia. Palavras nascem e morrem diariamente na Língua Portuguesa. O estudo da etimologia nos revela significados peculiares de cada termo. Por exemplo, você sabe o significado dos vocábulos “entusiasmo”, “adoração”, “professor”, “educação”?

“adoração”, “professor”, “educação”? Ao conhecermos uma pessoa, geralmente a chamamos, no

Ao conhecermos uma pessoa, geralmente a chamamos, no início, pelo nome. Com o tempo, pode-se usar um apelido. No caso de companheiros ou companheiras, criamos vocábulos próprios:

mor, mô, vida e tantos outros. Tente identificar quais termos são característicos em sua relação amorosa ou familiar.

O vocabulário da língua sofre constante influência de outras línguas e da criatividade do próprio povo. Assim, nosso

idioma reflete o dinamismo presente e importante. Novas palavras nascem a todo momento. É impossível imaginar a comunicação diária sem os vocábulos apartamento, assassinato, avenida, bicicleta, chance, elite, envelope, restaurante (de origem francesa) ou bar, bife, clube, esporte, futebol, lanche, pudim, repórter, revólver, teste (origem inglesa). Outras são frutos da imaginação e do sentido figurado: mensalão, arrastão etc.

A estrutura da palavra

Os elementos que compõem uma palavra chamam-se morfemas ou elementos mórficos. Esses morfemas podem ser lexicais ou gramaticais. Os lexicais contêm o sentido básico da palavra e os gramaticais indicam noções puramente gramaticais, isto é, gênero, número, pessoa, modo, tempo. Assim, em “bela” o morfema lexical é bel-. O “a” é morfema gramatical,

já que designa o gênero. As palavras que apresentam o mesmo morfema lexical (radical) são chamadas cognatas e pertencem à mesma família etimológica.

Os elementos mórficos são os seguintes:

Radical: é o elemento básico da palavra, responsável por sua significação primária. A ele podem ser acrescidos outros elementos mórficos.

Exemplos: legalizar (radical: legal); alto (radical: alt-).

Vogal temática: é vogal que acrescenta ao radical para formar o tema. Serve de base para o acréscimo de desinências. Aparece em nomes (substantivos e adjetivos), em pronomes e em verbos.

Exemplos: rosa (vogal temática: a); amas (vogal temática: a).

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Nos verbos, a vogal temática indica a que conjunção pertence o verbo:

cantar – vogal temática -a (1 a conjugação) vender – vogal temática -e (2 a conjugação) partir – vogal temática -i (3 a conjugação)

O verbo “pôr” e seus derivados não apresentam esse elemento. Antigamente a forma do verbo “pôr” era “poer”, por isso pertence à 2 a conjugação. Em algumas formas (põe, pões, põem), ainda pode ser encontrada a vogal temática.

Nos nomes, aparece em derivados de verbos (por exemplo: pensamento) e em substantivos e adjetivos terminados em -a, -e, -o átonos (casa, dente, livro). Os nomes terminados em vogal tônica não apresentam vogal temática (sofá, urubu, dendê). Nos nomes terminados em consoante, ela aparece apenas no plural (mares).

Tema: é o radical acrescido da vogal temática.

Exemplos: pedra (radical: pedr; vogal temática: a); amar (radical: am-; vogal temática: a; tema: ama).

Desinência: são elementos de valor gramatical que aparecem no final da palavra. As desinências podem ser:

Nominais: indicam o gênero (-a) e o número (-s) dos substantivos e adjetivos.

Exemplos: menina (a é desinência de gênero); cafés (s é desinência de número)

Verbais: indicam modo, tempo, número e pessoa nas formas verbais.

Exemplos: amas (-s é desinência de número-pessoal); amava (-va é desinência modo-temporal).

Afixos: são elementos de valor gramatical que se juntam ao radical, modificando seu significado. Podem ser prefixos (aparecem antes do radical) ou sufixos (ocorrem depois do radical).

Exemplos: infeliz (prefixo in-); desleal (prefixo des-); lealdade (sufixo –dade); utilizar (sufixo –izar).

Vogais e consoantes de ligação: são fonemas que não têm valor significativo, apenas facilitam a pronúncia das palavras.

Exemplos: gasômetro (vogal de ligação: ô); cafezinho (consoante de ligação: z).

Processos de formação das palavras

Palavras novas surgem diariamente em nossa língua. Os principais processos de formação de palavras são: derivação, composição, onomatopeia, abreviação, híbridismo e neologismo.

Derivação

É a formação de uma palavra nova a partir de um outro vocábulo. Divide-se em:

1. Prefixal: inclusão de um prefixo: infeliz, retornar, contrapor, desleal, intrometer.

2. Sufixal: inclusão de um sufixo: jornaleiro, algodoal, sulista, civilizar, guerrear.

3. Parassintética: inclusão simultânea de prefixo e sufixo: anoitecer, espernear, empobrecer, despedaçar, desalmado, subterrâneo.

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4. Regressiva: como o nome afirma, é a redação de uma palavra. Ocorre principalmente com substantivos abstratos derivados de verbo: luta (lutar), atraso (atrasar), venda (vender), combate (combater), ataque (atacar), desprezo (desprezar). Existem alguns casos em que o substantivo concreto deriva regressivamente de outro substantivo: boteco (botequim), sarampo (sarampão), burro (burrico), aço (aceiro), bença (bênção), malandro (malandrim), espora (esporão), transa (transação).

5. Imprópria: consiste na mudança da classe gramatical da palavra: Foi um comício monstro (o substantivo passa a adjetivo). O viver é difícil (o verbo passa a substantivo). Eles falavam alto (o adjetivo passa a advérbio). Misericórdia! (o substantivo passa a interjeição).

6. Prefixal e sufixal: é feita com o emprego de prefixo e sufixo, mas a inclusão não é simultânea: deslealdade, infelizmente, ilegalidade, desconhecimento, desanimado. Alguns gramáticos a consideram também com o nome de progressiva. Cuidado para não confundir com a parassintética. Na progressiva, sempre se consegue retirar ou o prefixo ou o sufixo. Na parassintética, não.

Composição

É a união de duas ou mais palavras que formam uma nova. Divide-se em:

1. Justaposição: unem-se palavras sem qualquer alteração no som original: beija-flor, guarda-chuva, amor- perfeito, madrepérola, pontapé, passatempo.

2. Aglutinação: unem-se palavras com alteração no som original: planalto (plano + alto), embora (em boa hora), carroça (carro da roça), outrora (outra + hora), aguardente (água + ardente), fidalgo (filho de algo).

Onomatopeia

É a palavra que reproduz ou procura reproduzir sons: reco-reco, tique-taque, bem-te-vi, tlintlim, pingue-pongue, tilintar.

Abreviação

É a redução de uma palavra desde que não interfira na compreensão: moto (motocicleta), pneu (pneumático), foto (fotografia), auto (automóvel), cine (cinema/cinematógrafo).

Hibridismo

É a união de palavras cujos radicais provêm de línguas diferentes: automóvel (Grego + Latim), televisão (Grego + Português), burocracia (Francês + Grego), alcoômetro (Árabe + Grego), zincografia (Alemão + Grego).

alcoômetro (Árabe + Grego), zincografia (Alemão + Grego). Praticando 1. A sequência de vocábulos em que

Praticando

1.

A

sequência de vocábulos em que se observa o mesmo processo de formação de EUROPEIA, REFAZER

e

MALMEQUER, respectivamente, é:

a)

desventura/vice-rei/tragicômico

b)

histórica/auriverde/supra-renal

c)

prosaico/corpulento/contrapeso

d)

inquisitorial/emigrar/pernilongo

e)