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IEFP - ISG

Ficha Técnica

C o l e c ç ã o MANUAIS PARA APOIO À FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS
C o l e c ç ã o MANUAIS PARA APOIO À FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS

Colecção

MANUAIS PARA APOIO À FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS EMPRESARIAIS

Título

Contabilidade Geral II

Suporte Didáctico

Guia do Formando

Coordenação e Revisão Pedagógica

IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional - Departamento de Formação Profissional

Coordenação e Revisão Técnica Autor Capa Maquetagem Montagem Impressão e Acabamento

ISG – Instituto Superior de Gestão Gracinda Santos/ISG IEFP ISG ISG JERAMA – Artes Gráficas, Lda.

Propriedade

Instituto do Emprego e Formação Profissional, Av. José Malhoa, 11 1099-018 Lisboa

Edição

Portugal, Lisboa, Dezembro de 2004

Tiragem

1000 exemplares

Depósito Legal

218232/04

ISBN

972-732-910-1

Copyright, 2004

Todos os direitos reservados ao IEFP

Nenhuma parte deste título pode ser reproduzido ou transmitido, por qualquer forma ou processo sem o conhecimento prévio, por escrito, do IEFP

ÍNDICE GERAL

IEFP

Índice Geral

I.

TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

1

1. Noção

4

2. Balancete de Verificação

6

3. Lançamento de Rectificação e Regularização

14

4. Balancete Rectificado

40

5. Apuramento de Resultados

50

6. Balancete Final

78

7. Balanço

88

8. Demonstração de Resultados

98

9. Anexos ao Balanço e Demonstração de Resultados

114

10. Demonstração das Origens e das Aplicações de Fundos - DOAF (Anteriormente Designada Mapa de

 

Origens e Aplicação de Fundos)

118

11. Encerramento das Contas

134

II.

TRABALHO COMPLEMENTAR DE FIM DE EXERCÍCIO

145

1. Reabertura das Contas

148

2. Aplicação de Resultados

152

QUESTÕES E EXERCÍCIOS

163

RESOLUÇÕES

164

BIBLIOGRAFIA

167

 

GLOSSÁRIO

169

ÍNDICE REMISSIVO

171

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO CONTABILIDADE GERAL II
I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO CONTABILIDADE GERAL II
CONTABILIDADE GERAL II
CONTABILIDADE
GERAL
II

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

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Objectivos

No final desta unidade temática o formando deverá estar apto a:

registar todas as operações necessárias ao apuramento de resultados e encerramento de contas;

efectuar o preenchimento e elaboração dos mapas obrigatórios e respectivos anexos.

Temas:

1. Noção

2. Balancete de verificação

3. Lançamento de rectificação e regularização

4. Balancete rectificado

5. Apuramento de resultados

6. Balancete Final

7. Balanço

8. Demonstração de Resultados

9. Anexos ao Balanço e Demonstração de Resultados

10. Demonstração das Origens e das Aplicações de Fundos (anteriormente designada Mapa de Origens e Aplicação de Fundos)

11. Encerramento das Contas

Resumo

Questões e Exercícios

Resoluções

Contabilidade Geral II

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I
3

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

Neste capítulo vamos estudar o trabalho contabilístico de fim de exercício, procedimentos a desenvolver e mapas a elaborar em cada uma das fases que o compõem.

1. NOÇÃO

Os trabalhos de fim de exercício envolvem a transformação de um conjunto de dados, coligidos manual ou automaticamente e armazenados de forma automática, noutro conjunto de dados apresentados de forma normalizada para permitirem comparações e análises diversas.

Estes trabalhos englobam três fases distintas:

Fase 1 - Trabalhos preparatórios à preparação das demonstrações financeiras, tais como

1. O inventário geral e o balancete de verificação,

2. Os lançamentos de rectificação e regularização ou a chamada regularização e rectificação de contas,

3. O balancete rectificado ou de inventário,

4. O apuramento de resultados,

5. O balancete final ou de apuramento de resultados,

Trata-se de uma fase de conferências e validações;

Fase 2 - Elaboração propriamente dita das demonstrações financeiras, sendo estas compostas por:

1. Balanço,

2. Demonstração de Resultados,

3. Anexos ao Balanço e Demonstração de Resultados,

4. Demonstração das Origens e da Aplicação de Fundos ,

Fase de preparação dos documentos a apresentar aos diversos utilizadores da informação financeira de cada organização;

Fase 3 - Encerramento das Contas, engloba:

1. Lançamentos de encerramento ou de fecho,

2. Balancete de fecho,

É a fase operacional, e pode ser total ou parcialmente automática. Corresponde ao fecho efectivo do exercício contabilístico e ao início do novo exercício contabilístico.

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I
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Contabilidade Geral II

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

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Esquematicamente podemos ter:

Trabalho corrente efectuado mensalmente

Balancetes de verificação

Lançamentos de rectificação e regularização

Balancete rectificado

Demonstração de Resultados

Lançamentos de Apuramento de Resultados

Balancete de Apuramento de Resultados

Balanço

Anexo ao Balanço e Demonstração de Resultados

Demonstração de Origem e Aplicações de Fundos

O trabalho corrente já foi alvo de estudo anterior pelo que vamos iniciar o nosso estudo a partir da etapa - Balancetes de verificação.

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

2. BALANCETE DE VERIFICAÇÃO

Este balancete dá a conhecer os saldos contabilísticos. É necessário fazer a verificação destes saldos em função dos saldos reais que através do inventário geral vão ser determinados. Por vezes existem divergências entre estes valores.

Inventário Geral

A inventariação dos bens, direitos e obrigações existentes no património de cada empresa implica a

sua determinação, descrição e valorização.

O Plano Oficial de Contabilidade (decreto-lei nº 410/89 de 21 de Novembro) determina os critérios

de valorimetria que deverão ser aplicados na inventariação das disponibilidades, das dívidas de terceiros e a terceiros, nas existências e nas imobilizações, no seu capítulo 5.

Além dos critérios valorimétricos há ainda que respeitar os princípios de contabilidade geralmente aceites, previstos no Plano Oficial de Contabilidade no seu capítulo 4, nomeadamente:

Princípio da continuidade – Considera-se que a empresa opera continuadamente, com duração ilimitada;

Principio da consistência – Considera-se que a empresa não altera as suas politicas contabilisticas de um exercicio para o outro;

Principio da especialização ou do acréscimo – Os Proveitos e os custos são reconhecidos quando obtidos ou incorridos, indepenedentemente do seu recebimento ou pagamento, devendo incluir-se nas demonstrações financeiras dos periodos a que respeitam;

Principio do custo histórico – Os registos contabilisticos devem basear-se em custos de aquisição ou de produção, quer a escudos nominais, quer a escudos constantes;

Principio da prudência – Significa que é possivel integrar nas contas um grau de precaução ao fazer as estimativas exigidas em condições de incertez sem, contudo, permitir a criação de reservas ocultas ou provisões excessivas ou a deliberada quantificação de activos e proveitos por defeito ou de passivos e custos por excesso;

Principio da substância sobre a forma – As operações devem ser contabilizadas atendendo à sua substância e à realidade financeira e não apenas à sua forma legal;

Principio da materialidade – As demosntrações financeiras devem evidenciar todos os elementos que sejam relevantes e que possam afectar avaliações ou decisões pelos utentes interessados.

O

inventário geral é obtido pela soma dos diversos inventários parcelares, designadamente:

inventário das existências;

inventário do imobilizado;

inventário das contas de terceiros e de disponibilidades.

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

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Vamos analisar cada um deles em particular.

O Inventário das Existências

Aplicado nas empresas comerciais e industriais, não se resume a uma simples contagem de existências, pois tem que ter em conta um conjunto de regras relacionadas com:

a definição da data de separação dos dois exercícios ou dos dois períodos de contabilização, chamada a data de “cut-off”, ou seja, a data--limite para considerar os movimentos contabilísticos e respectivos movimentos reais de mercadorias ou de produtos.

Imaginemos que a contabilização das facturas relativas às matérias primas adquiridas não é efectuada imediatamente com a entrada das mesmas, pois as matérias primas são acompanhadas da guia de remessa e a factura é endereçada à empresa por correio.

Pode acontecer que esta factura só seja recepcionada durante a primeira semana de Janeiro do ano (N+1), logo, no inventário de 31/12/N as matérias primas já estão em armazém, mas não estão registadas na contabilidade.

Para evitar distorções deverão ser verificadas:

as últimas facturas de compras e de vendas e sua movimentação física nos armazéns;

os últimos registos de entradas e saídas de armazém e sua movimentação contabilistica;

todos os documentos referentes a devolução aos fornecedores ou dos clientes;

as transferências verificadas entre armazéns, para evitar duplicações ou omissões.

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

As contagens devem ser efectuadas com rigor e método, devendo ser definidos de uma forma muito objectiva os seguintes factores:

a unidade da contagem - se observarmos a figura junta, constatamos que as caixas de cartão não apresentam um tamanho uniforme, há portanto que classificá-las e contá-las dentro dessas classificações;

a hora de realização da contagem - esta deverá ser definida de acordo com as possibilidades dos intervenientes, não esquecer que se for efectuada com o novo exercício iniciado, há que corrigir as entradas e saídas respectivas;

o método da contagem - dependendo do número de itens diferentes a contar e da sua diversidade assim se analisa se é possível fazer uma contagem integral ou por amostragem;

(Amostragem - processo de selecção de partes de um todo que nos permitem retirar conclusões sobre esse todo).

Este método depende também do tipo de inventário utilizado, se for o inventário permanente existirão listagens actualizadas que poderão ser confirmadas por amostragem, se for o inventário intermitente poderá ser necessário fazer uma contagem exaustiva de todos os bens.

os intervenientes - as pessoas que vão efectuar as leituras e medições, (tem que se definir quem observa o quê e em que medida, acautelando sempre o principio da segregação de funções).

(Principio da segregação de funções - o executante de uma tarefa não deve ser o único interveniente na inventariação dos grandezas associadas a essa tarefa).

Os intervenientes deverão assinar as listagens de inventário.

As existências podem ser valorizadas através de vários Métodos de Custeio, nomeadamente:

Custo Especifico;

Custo Médio Ponderado;

FIFO – First In First Out;

LIFO – Last In Fist Out;

Custo Padrão;

Este Métodos variam entre si pela forma como é efectuada a valorização dos bens saídos de armazém e consequentemente a valorização dos que ficam.

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

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O Inventário do Imobilizado

As empresas devem manter actualizados ficheiros relativos aos seus bens de imobilizado.

O artigo 51 do Código do IVA indica quais os elementos que devem constar desse registo:

1. Número de código;

2. Descrição do bem;

3. Localização do bem;

4. Data de aquisição;

5. Identificação do fornecedor;

6. Data de entrada em funcionamento;

7. Vida útil estimada;

8. Data do início da amortização;

9. Taxa anual de amortização;

10. Valor do IVA suportado ou deduzido;

11. Classificações contabilísticas;

12. Reavaliações verificadas;

13. Seguros;

14. Contratos de assistência.

O inventário de imobilizados tem que responder não só à verificação da existência dos bens, mas

também à verificação daqueles que se encontram obsoletos e dos que não estando em uso

apresentam características de bom funcionamento.

Teremos um registo do seguinte tipo:

Descrição

Local

Data aquisição

Data utilização

Fornecedor

Preço aquisição

Vida útil

1

Mesa reuniões

Sede

Mai-95

Mai-95

Mobel1

59.000

10

2

Computador

Fábrica

Jun-97

Jan-98

COPX

400.000

3

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I
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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

O Inventário das Contas de Terceiros e de Disponibilidades

Para garantir que os saldos evidenciados na contabilidade nas contas de Disponibilidades e de Terceiros são os verdadeiros, deveremos efectuar:

contagens de caixa, ou seja contar o dinheiro físico existente nos cofres da empresa no final do ano;

Ao fazermos uma contagem de caixa vamos elaborar um registo onde consta o número de notas e de moedas de cada valor, por exemplo da seguinte forma:

Contagem de caixa em 31/12/N efectuada por António Euro

Quantidade

Descrição

Valor unitário

Valor total

10

notas

10.000 u.m.

100.000

u.m.

5

notas

5.000

u.m.

25.000

u.m.

30

notas

2.000

u.m.

60.000

u.m.

12

notas

1.000

u.m.

12.000

u.m.

1

notas

500

u.m.

500

u.m.

   

Total em notas

197.500

u.m.

30

moedas

200

u.m.

6.000

u.m.

10

moedas

100

u.m.

1.000

u.m.

50

moedas

10 u.m.

500

u.m.

14

moedas

 

5 u.m.

70 u.m.

   

Total em

7.570

u.m.

moedas

 
   

Total do caixa

205.070

u.m.

circularização de saldos, aos bancos, aos clientes e aos fornecedores, ou seja, pedir aos bancos com que a empresa trabalha, aos devedores e aos credores que nos confirmem o valor do saldo das nossas contas.

Quando obtemos a resposta é necessário comparar o saldo que temos na contabilidade com a informação fornecida pelas entidades que foram alvo da circularização.

Quando os saldos não são coincidentes vamos efectuar a sua reconciliação, isto é, compatibilizar os saldos evidenciados pelos bancos, clientes ou fornecedores, com os da empresa. Esta prática é denominada de reconciliação de contas.

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

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No caso dos bancos as diferenças podem ocorrer por existirem:

depósitos em trânsito - são depósitos que já estão considerados como recebidos na nossa contabilidade mas ainda não chegaram ao banco, ou pelo contrário são depósitos efectuados por terceiras entidades que já estão movimentados na conta bancária, mas que a empresa ainda contabilizou;

cheques por descontar - a empresa emite os cheques e lança-os na contabilidade nessa altura, os beneficiários só procedem ao desconto desses cheques quando os recebem, logo entre a data em que o cheque sai da empresa e a data em é descontado esse cheque consta dos registos da empresa mas não consta dos registos do banco;

outros movimentos constantes dos registos contabilísticos mas não dos movimentos bancários - podem existir valores lançados por erro numa conta bancária que são de outra, ou cheques que não chegaram a ser utilizados por terem sido anulados, são situações de erro que devem ser corrigidas;

outros movimentos constantes dos registos bancários mas não dos contabilísticos - podem existir valores referentes a operações bancárias cujos documentos ainda não foram recepcionados na empresa, nomeadamente débito ou crédito de juros, débito de despesas, devoluções de cheques. Quando detectados, estes movimentos devem ser lançados na contabilidade tendo como suporte a cópia do extracto de conta. É necessário um cuidado acrescido para que ao recepcionarmos o documento definitivo não seja efectuado outro lançamento, mas apenas seja agrafado ao documento do lançamento já efectuado anteriormente.

A reconciliação dos saldos pode-se fazer da seguinte forma:

Ao saldo apresentado pela conta bancária na contabilidade da empresa vamos:

1. diminuir os movimentos a débito que estão na contabilidade da empresa mas ainda não constam do saldo bancário no banco;

2. adicionar os movimentos a crédito que estão na contabilidade da empresa mas ainda não constam do saldo bancário no banco;

3. adicionar os movimentos a débito que estão no saldo bancário do banco mas ainda não constam da contabilidade da empresa;

4. diminuir os movimentos a crédito que estão no saldo bancário do banco mas ainda não constam da contabilidade da empresa;

Depois destas operações chegamos ao valor apresentado pelo banco para o saldo da nossa conta bancária.

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

Exemplo de carta a dirigir ao banco para circularização de saldos:

Ao

Banco Avenida

Lisboa

Exmos senhores,

Vimos pela presente solicitar que nos informem dos saldos apresentados pelas seguintes contas à data de 31.12.N:

Conta de Depósitos à ordem nº 123456

Conta de Empréstimos nº 987654

Antecipadamente gratos, solicitamos a v/ resposta no envelope selado que anexamos.

A resposta do banco Avenida informou que os saldos eram os seguintes:

Conta de Depósitos à ordem nº 123456 - saldo credor de 123 u.m.

Conta de Empréstimos nº 987654

- saldo devedor de 100.000 u.m.

Na contabilidade da empresa os saldos apresentados são:

Conta de Depósitos à ordem nº 123456 - saldo devedor de 150 u.m.

Conta de Empréstimos nº 987654

- saldo credor de 100.000 u.m.

No tocante à conta de empréstimos está tudo correcto, enquanto na conta de depósitos à ordem o mesmo não acontece. Vamos observar o extracto bancário e detectamos que existe um cheque devolvido do cliente X, que ainda não foi recepcionado na empresa, que está por lançar no valor de 27 u.m

Teríamos a seguinte folha de reconciliação bancária.

Saldo da conta bancária na empresa

Movimento a crédito no banco e não considerado pela empresa - 27 u.m.

- 123 u.m.

Saldo da conta bancária no banco

- + 150 u.m.

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I
12

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

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No final do ano devemos efectuar este movimento e tentar que o documento chegue o mais rápido possível.

Também aos clientes e fornecedores devem ser dirigidas cartas a solicitar a confirmação dos saldos evidenciados na contabilidade, neste caso as cartas podem mencionar os saldos pedindo aos clientes e fornecedores que assinalem se estão ou não de acordo com o valor apresentado, ou não indicar o valor e esperar que os clientes e fornecedores nos informem do seu saldo.

Exemplo de carta dirigida a um cliente:

Ex.mos. Senhores

Francisco Pinguins Lda

Lisboa

Exmos Senhores,

Vimos pela presente solicitar que nos informem se concordam com o seguinte saldo evidenciado pela conta corrente nos nosso livros contabilísticos, à data de 31.12.N.

O saldo é de 1.250.000 u.m. a nosso favor:

Concordo

Não concordo

o saldo é de

Queiram fazer o favor de devolver esta carta devidamente assinada no envelope selado que juntamos.

Antecipadamente gratos,

Se o cliente responder que concorda, está tudo bem. Se o cliente responder que não concorda e indicar qual o seu saldo, vamos reconciliar os dois saldos e identificar as diferenças.

Imagine que este cliente informa que só nos deve 1.000.000 u.m

primeira semana de Janeiro do ano N+1 e confirmamos que foi recepcionado a 2 de Janeiro um cheque de 250.000 u.m., cheque este datado de 28/12/N. Está justificada a diferença, o cliente já tem o cheque abatido na sua contabilidade em 31.12.N, mas nós ainda não.

Vamos observar o extracto da

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I
13

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

3. LANÇAMENTO DE RECTIFICAÇÃO E REGULARIZAÇÃO

Os lançamentos de rectificação e de regularização apoiam-se nos inventários.

Estes lançamentos tem por objectivo adequar os saldos contabilísticos aos saldos reais apurados pelos inventários.

Tipo de Lançamentos de Rectificação e Regularização

Divergências entre os Saldos Contabilísticos e os Valores Apurados no Inventário Devidas a Erros ou Omissões

Nomeadamente:

Falhas de Caixa;

Diferenças entre os saldos das contas de bancos e os extractos correspondentes;

Movimentos anormais de stocks;

Facturas não lançadas de clientes ou fornecedores;

Imobilizados alienados e não evidenciados na contabilidade.

Falhas de Caixa;

Ao verificarem-se os valores existentes no Caixa podemos detectar diferenças entre o valor constante do balancete e o valor físico em dinheiro.São as denominadas Falhas de Caixa.

Devemos determinar a razão de ser destas diferenças e efectuar os movimentos respectivos.

Exemplo

Considere que o saldo de caixa apresentado no balancete era de 100 u.m., mas no inventário efectuado em 31.12.N o valor existente era de 95 u.m., sendo a diferença da responsabilidade do tesoureiro.

Efectuamos o seguinte lançamento:

1

a

26 - Outros Devedores e Credores

262 - Pessoal

2629 - Outras operações com o pessoal

11 Caixa

Diferença apurada em caixa

------------------------//---------------------------

5

5

I 14
I
14

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

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O saldo da conta Caixa fica corrigido sendo o tesoureiro responsável pela diferença.

Consideremos agora que esta diferença não era da responsabilidade de ninguém, tratou-se de um documento indevidamente eleborado, sendo considerada a diferença uma falha de caixa a contabilizar em custos extraordinários.

Teriamos o seguinte lançamento:

2

 

69

– Custos e Perdas Extraordinárias

   

698 – Outros Custos e Perdas Extraordinárias

6983 – Diferença de Caixa

a

11

Caixa

Diferença apurada em caixa

5

5

------------------------//---------------------------

Diferenças Entre os Saldos das Contas de Bancos e os Extractos Correspondentes

Conforme já referimos anteriormente, os saldos apurados no Inventário podem ser diferentes do balancete. Devemos em primeiro lugar encontrar justificação para essas diferenças e:

corrigir os lançamentos, quando se detectem erros, ou;

efectuar os lançamentos que sejam perfeitamente identificados em termos de cabimento no exercício económico que estamos a encerrar.

Exemplo

Ao efectuarmos as reconciliações bancárias referentes a 31/12/N das duas contas bancárias de que a empresa é titular, detectámos os seguintes factos:

Conta 129 - Banco do Sul - não está lançado na contabilidade o cheque número 800435 de 10.000 u.m. descontado no banco em 15/12/N;

Conta 126 - Banco do Oriente - a contabilidade apresenta um lançamento referente a um cheque com o número 800435 de 10.000 u.m. que não se encontra descontado no banco;

Como

regularização:

podemos

2

a

constatar

trata-se

do

mesmo

cheque,

12 - Depósitos à ordem

126 - Banco do Oriente

12 - Depósitos à ordem

129 - Banco do Sul

Regularização cheque 435

------------------------//---------------------------

vamos

efectuar

o

movimento

10.000

10.000

de

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I
15

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

Se na mesma reconciliação bancária for evidenciado que em 31/12/N foram-nos creditados pelo Banco do Oriente os juros da aplicação financeira Nº1 que se venceu nessa data no valor de 800 u.m., tendo havido retenção na fonte de IRC de 20%, podemos efectuar o lançamento e quando for recepcionado o documento respectivo juntá-lo-emos ao lançamento já efectuado:

3

 

Diversos

   

a

78

Proveitos e Ganhos Financeiros

781

- Juros Obtidos

7815

Outras aplicações de tesouraria

Contabilização dos juros da aplicação Nº3

12

- Depósitos à ordem

126

- Banco do Oriente

800

24

- Estado e outros entes públicos

241

Imposto sobre o rendimento

2412

Retenções na fonte

200

1.000

------------------------//---------------------------

Movimentos Anormais de Stocks

Uma empresa que utilize o Sistema de Inventário Permanente pode, através do inventário de existências, detectar diferenças substanciais.

Exemplo

O balancete evidencia um valor de 9.500 u.m. referentes a 950 peças pelo valor unitário de 10 u.m. cada e pelo inventário físico apenas se encontraram 450 peças.

Temos que analisar todos os movimentos de entrada e saída em armazém para justificar esta diferença e concluímos que não foi dada saída das mercadorias referentes a uma venda de 500 peças cujo custo era de 10 unidade. Vamos efectuar o lançamento correspondente:

4

I 16
I
16

a

61 - Custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas

612 - Mercadorias

32 - Mercadorias

321 - Peças

Regularização de existências

------------------------//---------------------------

500

500

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Contabilidade Geral II

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

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Facturas Não Lançadas de Clientes ou Fornecedores

Algumas facturas dos últimos dias do ano podem estar por lançar. Devemos sempre efectuar os lançamentos dentro do respectivo mês, com especial cuidado no encerramento do ano.

Exemplo

Estava por pagar e por registar uma factura do fornecedor Artez Lda, de material de escritório no valor de 170 u.m

5

a

62 - Fornecimentos e serviços externos

622 - Fornecimentos e serviços

62217 - Material de escritório

26 Outros devedores e credores

268 Devedores e credores diversos

2681 Artez Lda

------------------------//---------------------------

170

170

Imobilizados Alienados e Não Evidenciados na Contabilidade

No inventário de imobilizados detectou-se que a máquina de código 1234 foi alienada, não estando registado o seu abate, as informações relativas a esta máquina são as seguintes:

Aquisição no ano N-4;

Valor de aquisição de 5.000 u.m.;

Amortizações acumuladas na data da venda de 4.000 u.m.;

Valor de venda de 1.250 u.m

Vamos efectuar o correspondente lançamento de abate:

6

 

Diversos

   

a

Diversos

Alienação da máquina 1234

48

- Amortizações acumuladas

4.000

12

- Depósitos à ordem

1.250

a

42

- Imobilizações corpóreas

5.000

79

– Proveitos e ganhos extraordinários

250

5.250

------------------------//---------------------------

 

Contabilidade Geral II

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I 17
I
17

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

Divergências Entre os Saldos Contabilísticos e os Valores Apurados no Inventário

Divergências entre os saldos contabilísticos e os valores apurados no inventário devidas à incorrecta aplicação de critérios valorimétricos, nomeadamente:

Valorização das existências;

Critérios de valorimetria dos imobilizados.

A observância do principio da consistência obriga-nos a utilizar os critérios valorimétricos de uma forma consistente ao longo dos vários exercícios económicos, porque a sua alteração provoca alterações significativas nos resultados apresentados.

Tomemos o seguinte exemplo:

No inventário de existências observou-se a seguinte ficha de mercadorias:

Descrição

Quantidade

Preço unitário

Saldo final

(unidades)

(u.m.)

(u.m.)

Existências iniciais

1.000

50

50.000

Entrada

300

80

74.000

Saída

200

80

58.000

Como neste caso a empresa utilizou o LIFO (Last In First Out), o saldo final é composto por 1.000

unidades ao preço unitário de 50 u.m. e 100 unidades ao preço unitário de 80 u.m balanço: 58 000 u.m.

Valor total para

Se em alternativa utilizasse o FIFO (First In First Out) o saldo final seria determinado da forma seguinte:

Descrição

Quantidade

Preço unitário

Saldo final

(unidades)

(u.m.)

(u.m.)

Existências iniciais

1.000

50

50.000

Entrada

300

80

74.000

Saída

200

50

64.000

I 18
I
18

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Contabilidade Geral II

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

IEFP

O saldo final é composto por 800 unidades ao preço unitário de 50 u.m. e 300 unidades ao preço

unitário de 80 u.m

Valor total para balanço: 64 000 u.m

Como podemos observar da aplicação não consistente dos critérios de valorimetria das existências podem surgir grandes divergências nos resultados e nos valores apresentados no balanço.

Aplicação dos Princípios Contabilísticos

Para imputar ao exercício os custos/perdas, proveitos/ganhos respectivos é necessário observar os princípios de contabilidade geralmente aceites, nomeadamente:

Principio da especialização ou do acréscimo;

Principio da prudência

Princípio da Especialização ou do Acréscimo

No sentido de permitir registar os custos e proveitos nos exercícios a que respeitam existe no POC

a

conta 27 - Acréscimos e Diferimentos.

A

conta 27 - Acréscimos e Diferimentos é uma conta de ACTIVO com as sub-contas:

271 - Acréscimos de proveitos

272 - Custos diferidos

e

uma conta de PASSIVO com as sub-contas:

273 - Acréscimos de custos

274 - Proveitos diferidos

Vamos analisar em que condições se utiliza cada uma delas.

271 - Acréscimos de proveitos - registo de proveitos do exercício a receber em exercícios seguintes, por exemplo:

Juros de depósito a prazo.

Considere que uma empresa constituiu em 1/12/N um depósito a prazo com vencimento em 1/6/N+1, na data de vencimento serão creditados na nossa conta de depósitos à ordem juros no montante de 900 u.m. líquidos do respectivo imposto.

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I 19
I
19

IEFP

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

Em 31/12/N temos que contabilizar os juros já vencidos mas cujo recebimento só ocorrerá em

6/N+1:

Início

Recebimento

dos juros

1/12

31/12

1/6/N+1

Proveito do ano

Proveito

do

ano

N

N+1

Em 31/12/N o valor dos juros a receber é de:

900

/ 6 = 150 u.m.

 
 

4

 

27

- Acréscimos e diferimentos

     

271- Acréscimos de proveitos

2711

- Juros a receber

a

78

- Proveitos e ganhos financeiros

781 - Juros obtidos

7811

- Depósitos a prazo

Juros a receber em N+1

150

150

------------------------//---------------------------

272

- Custos diferidos - registo de despesas ocorridas no exercício correspondentes a custos de

exercícios seguintes:

Rendas e alugueres pagos por antecipação na utilização de bens imóveis ou móveis de terceiros;

Prémios de seguros pagos, cuja vigência ultrapassa o exercício económico;

Juros cobrados em operações financeiras em regime de desconto por dentro, “juros à cabeça”, que representam um custo futuro.

I 20
I
20

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

IEFP

Exemplo

Em Dezembro do ano N pagámos por cheque, a renda do estabelecimento no valor de 1.115 u.m. referente ao mês de Janeiro do ano N+1, vamos efectuar o seguinte lançamento:

1

 

27

Acréscimos e diferimentos

   

272

Custos diferidos

2721

Rendas de instalações

a

62

Fornecimentos e Serviços Externos

622

Fornecimentos e Serviços

62219

Rendas e Alugueres

Pagamento da renda de Janeiro

1.115

1.115

------------------------//---------------------------

Em Setembro do ano N foi pago o prémio do seguro de incêndio, cujo período é de 1/9/N a 31/8/N+1, no valor de 480 u.m., tendo sido contabilizado como custo do exercício na conta 62223 - seguros. Que se deve fazer?

O

custo não é só a este exercício económico mas também ao exercício económico seguinte:

 

Início

Fim

1/9

31/12

31/8/N+

 

1

 

Custo do ano N

Custo do ano N+1

4 meses

8 meses

O

custo mensal é de 480/12 = 40 u.m.

 

O

custo de 4 meses é de 4 x 40 u.m. = 160 u.m.

 

O

custo de 8 meses é de 8 x 40 u.m. = 320 u.m.

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I 21
I
21

IEFP

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

O lançamento a efectuar é o seguinte:

2

 

27

Acréscimos e diferimentos

   

272

Custos diferidos

2722

Seguros

a

62

-

Fornecimento e Serviços Externos

622

Fornecimentos e serviços

62

-

Fornecimento e Serviços Externos

320

320

Rectificação do pagamento

------------------------//---------------------------

A mesma empresa obteve em 1/9/N um financiamento de 70.000 u.m. cujos juros foram pagos

antecipadamente, tendo o valor líquido recebido sido de 68.255 u.m., sabendo que o prazo total é de 182 dias e que os dias decorridos de 1/9/N a 31/12/N são 121 devíamos efectuar o seguinte lançamento referente aos juros suportados (70.000 - 68.255 = 1.745):

Custo do ano N - Juros de 121 dias = 1.745 / 182 x 121 = 1.160 u.m.

Custo do ano N+1 - Juros dos restantes 61 dias = 1.745 / 182 x 61 = 585 u.m

I 22
I
22

3

 

Diversos

   

a

23

- Empréstimos obtidos

Empréstimo obtido em 1/9/N

12

- Depósitos à ordem

68.255

68

- Custos e perdas financeiras

681 - Juros suportados

 

6812

- Empréstimos obtidos

1.160

27

- Acréscimos e diferimentos

272- Custos diferidos

 

2723

- Juros pagos

585

70.000

------------------------//---------------------------

 

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

IEFP

273 - Acréscimos de custos - registo de custos do exercício a pagar em exercícios seguintes:

Juros de financiamentos obtidos;

Encargos com férias e subsídios de férias vencidos no exercício e cujo processamento ocorrerá no exercício seguinte;

Fornecimentos e serviços diversos que já se verificaram mas cujos documentos definitivos estão em falta, por exemplo consumos de água, electricidade ou telefones, que se pagam em Janeiro respeitantes ao mês de Dezembro.

Exemplo

A empresa Tudo Bem Lda contraiu um empréstimo de 50.000 u.m. em 1 de Setembro do ano N à taxa de juros de 8% ao ano com pagamento de juros ao semestre, qual o movimento a efectuar em

31.12.N?

Início

Pagamento

juros

1/9

31/12

1/3/N+1

Custo do ano N

Custo do ano N+1

Em 31/12/N o valor dos juros a pagar é de:

0,08

50.000,00 x -------- x 4 = 1.333 u.m.

12

1

 

68

- Custos e perdas financeiros

   

681

- Juros suportados

6811- Empréstimos bancários

a

27

- Acréscimos e diferimentos

273

- Acréscimos de custos

2733 - Juros a liquidar

Juros a pagar em N+1

1.333

1.333

------------------------//---------------------------

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I 23
I
23

IEFP

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

A mesma empresa não tinha ainda contabilizado o valor de encargos com férias e subsídio de

férias para no ano N+1 relativos ao ano N, sabendo que o valor mensal de ordenados é de 12.000 u.m. e que os encargos sociais representam 23,75% , que lançamento vamos efectuar?

Férias

 

12.000

u.m.

Subsídio de férias

 

12.000

u.m.

Sub - total

 

24.000

u.m.

Encargos

0,2375 x 24.000

5.700 u.m.

Total

 

29.700

u.m.

O lançamento a efectuar é o seguinte:

2

 

Diversos

   

a

27

- Acréscimos e diferimentos

273

- Acréscimos de custos

2732

- Remunerações a liquidar

Contabilização de férias e subsídio de férias a liquidar em N+1

64

- Custos com o pessoal

642

- Remunerações do pessoal

6421 - Vencimentos

12.000

6422 - Subsídio de férias

12.000

645

- Encargos sobre remunerações

5.700

29.700

------------------------//---------------------------

 

Vamos agora contabilizar o consumo estimado de energia referente ao mês de Dezembro, cuja factura apenas iremos receber em Janeiro de N+1, no montante de 49 u.m.:

I 24
I
24

3

a

62 - Fornecimentos e serviços externos

622 - Fornecimentos e serviços

62211 - Electricidade

27 - Acréscimos e diferimentos

273 - Acréscimos de custos

2734 - Consumos a liquidar

Energia a pagar em N+1

------------------------//---------------------------

49

49

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

IEFP

274 - Proveitos diferidos - registo de receitas ocorridas no exercício, correspondentes a proveitos

de exercícios seguintes, por exemplo:

Rendas e alugueres recebidos

Exemplo

Recebemos em Dezembro do ano N a renda de uma loja que temos alugada, referente ao mês de Janeiro do ano N+1, o lançamento a efectuar será o seguinte:

4

 

12

- Depósitos à ordem

   

a

27

- Acréscimos e diferimentos

274- Proveitos diferidos

2741 - Rendas recebidas

Recebimento da renda de Janeiro N+1

120

120

------------------------//---------------------------

Princípio da Prudência

O cumprimento deste princípio visa o registo das provisões do exercício por forma a efectuar as correcções dos valores dos activos que:

apresentem valores de realização inferiores aos do balanço, é o caso dos títulos e das existências;

apresentem dúvidas quanto à sua realização, como sejam os clientes que se mostrem difíceis de cobrar.

Respeita também a este princípio a constituição de provisões para fazer face a obrigações e encargos futuros.

Exemplo de constituição de provisões para depreciação de existências:

As existências em armazém foram avaliadas em 12.450 u.m

950 u.m. ao valor de aquisição das referidas existências.

O preço de mercado era inferior em

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I 25
I
25

IEFP

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

Vamos constituir provisão pelo valor de 950 u.m., o lançamento a efectuar será o seguinte:

1

a

67Provisões do exercício

673 - Para depreciação de existências

6732 - Mercadorias

39 - Provisões para depreciação de existências

392 - Mercadorias

Constituição de provisão

------------------------//---------------------------

950

950

Exemplo de constituição de provisões para cobrança duvidosa:

Relativamente ao saldo de clientes, obteve-se a seguinte informação em relação a atrasos de pagamento:

1 Dívidas a

30

dias

300

u.m.

2 Dívidas a

90

dias

400

u.m.

3 Dívidas a

120

dias

50

u.m.

4 Dívidas a

190

dias

40

u.m.

5 Dívidas a

380

dias

100

u.m.

6 Dívidas a

em processo judicial

410

u.m.

Vamos respeitar os critérios fiscais definidos no artigo 34 do Código do IRC, nomeadamente:

25 % para créditos em mora há mais de 6 meses e até 12 meses;

50 % para créditos em mora há mais de 12 meses e até 18 meses;

75 % para créditos em mora há mais de 18 meses e até 24 meses;

100 % para créditos em mora há mais de 24 meses.

I 26
I
26

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

IEFP

Assim teremos o seguinte valor de provisões:

     

Valor

Valor

 
 

Divida

Escalão

Taxa

dívida

provisão

30

dias

 

N/A

0

300

u.m.

0

u.m.

90

dias

 

N/A

0

400

u.m.

0

u.m.

120

dias

 

N/A

0

50

u.m.

0

u.m.

190

dias

 

6 a 12 meses

25%

40

u.m.

10

u.m.

380

dias

 

12 a 18 meses

50%

100

u.m.

50

u.m.

em processo judicial

Total

100%

410

u.m.

410 u.m.

Total

       

470 u.m.

 

2

 

67Provisões do exercício

   

671

- Para cobranças duvidosas

6711

- Dívidas de clientes

 

a

28 - Provisões para Cobranças duvidosas

281

- Dívidas de clientes

 

Constituição de provisão

 

470

470

------------------------//---------------------------

 

O lançamento a realizar será o seguinte:

Imaginemos agora que esta empresa apresentava um saldo na sua conta de provisões de 400 u.m., assim só teria que constituir a diferença entre 470 e 400 u.m., ou seja 70 u.m., o lançamento seria:

3

 

67

Provisões do exercício

   

671

Para cobranças duvidosas

6711

Dívidas de clientes

a

28

Provisões para Cobranças duvidosas

281

Dívidas de clientes

Reforço de provisão

70

70

------------------------//---------------------------

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I 27
I
27

IEFP

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

Se a empresa apresentasse um saldo de 500 u.m. teria que reuzir em 30 u.m. o seu saldo. Quando estamos perante uma redução da necessidade de provisões, ou seja variação negativa da estimatiova de riscos entre dois periodos contabilisticos consecutivos temos que utilizar um conta de Proveitos Extraordinários.

O lançamento a efectuar seria o seguinte:

4

 

28

Provisões para Cobranças Duvidosas

   

281

Dívidas de clientes

a

79 Proveitos e Ganhos Extraordinários

796 Redução de amortizações e de provisões

7962

Provisões

Redução de provisão

30

30

------------------------//---------------------------

Movimentação das Contas de Existências para Apuramento do Custo das Vendas e da Variação da Produção

hipótese de utilização do sistema de inventário permanente;

hipótese de utilização do sistema de inventário intermitente.

A principal característica que diferencia estes dois tipos de inventário é o facto de no primeiro

podermos permanentemente determinar, através dos registos contabilísticos, o custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas. As contagens físicas efectuadas na inventariação são muito importantes como meio de controlo.

Salvo se existirem diferenças entre os valores contabilísticos e os valores de inventário, não há necessidade de efectuar qualquer movimento contabilístico para apuramento do custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas.

Quando se utiliza o inventário intermitente o apuramento do custo das existências vendidas ou consumidas vai ser efectuado com base nas contagens físicas dos stocks.

Nas empresas que utilizam este tipo de inventário as seguintes contas vão apresentar saldos:

31 - Compras (devedor);

32 - Mercadorias (devedor).

38 - Regularização de existências (devedor ou credor).

I 28
I
28

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

IEFP

Para apurarmos o custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas (valor a constar na conta 61), iremos:

1. saldar a conta de compras por contrapartida da respectiva conta de existências;

2. saldar as contas de regularizações por contrapartida da respectiva conta de existências;

3. creditar a conta de existências pelo valor dos consumos efectuados, ou seja, pelo Custo das Mercadorias Vendidas e das Matérias Consumidas, debitando assim a conta 61 (CMVMC).

O CMVMC é determinado da seguinte forma:

CMVMC = Ei + C - Reg - Ef

Ei

- Existências inicias

C

- Compras

Reg - Regularizações

Ef - Existências finais

Exemplo

As contas da empresa apresentam os seguintes saldos:

31 - Compras - Saldo devedor de 100.000 u.m.;

32 - Mercadorias - Saldo devedor de 2.000 u.m.;

38 - Regularização de existências - Saldo credor de 400 u.m.

Do inventário realizado em 31/12/N soube-se que as existências finais ascendem a 1.250 unidades monetárias.

Vamos efectuar os movimentos de apuramento do custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas:

1. saldar a conta de compras por contrapartida da respectiva conta de existências:

1

 

32

- Existências

   

a

31

- Compras

Saldar conta de compras

100.000

100.000

------------------------//---------------------------

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I 29
I
29

IEFP

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

2. saldar as contas de regularizações por contrapartida da respectiva conta de existências:

2

 

38

- Regularização de existências

   

a

32

- Existências

Saldar conta de regularizações

400

400

------------------------//---------------------------

3. creditar a conta de existências pelo valor do Custo das Mercadorias Vendidas e das Matérias Consumidas por contrapartida da conta 61.

CMCMC = 2.000 + 100.000 - 400 - 1.250 = 100.350

3

 

61

- CMVMC

   

a

32

- Existências

Apuramento do CMVMC

100.350

100.350

------------------------//---------------------------

Os lançamentos no razão serão:

e

31- Compras

100.000 (1)

100.000

32 - Mercadorias

(1)

2.000 (2)

100.000 (3)

400

100.350

Saldo final = Ef = 1.250

38 - Regularização de existências

(2)

400

400

I 30
I
30

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

IEFP

61 - Custo Mercadorias Vendidas e das Matérias Consumidas

(3)

100.350

(3) 100.350

Contabilização de Amortizações do Exercicio

Anualmente são contabilizados os valores correspondentes á parcela proporcional á vida útil de cada bem a titulo de depreciação na rubrica de Amortizações,

A vida útil dos bens é o periodo durante o qual se reintegram ou amortizam os bens integralmente,

assim é expressa em anos ou meses.

As amortizações estão enquadradas pelo Decreto Regulamentar nº2/90 de 12 de Janeiro.

Neste Decreto estão definidos os diversos métodos de amortização e as taxas máximas e minimas

a que as mesmas podem ser calculdas.

Assim um equipamento adquirido em 1998 pelo valor de 10.000 u.m. cuja vida util estimada é de 5 anos poderá ser amortizado nesses cinco anos em parcelas mensais de 2.000 u.m. efectuando-se

o seguinte lançamento:

1

a

66 – Amortizações do exercicio

662 – Imobilizações corpóreas

42 – Imobilizações Corpóreas

423 – Equipamento Básico

Amortização anual Máquina X

------------------------//---------------------------

2.000

2.000

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I 31
I
31

IEFP

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

Exercícios Propostos

1.

A empresa Z Lda apresentava em 31.12.N um saldo contabilístico na conta de depósitos à

ordem devedor de 4.220 u.m extracto bancário era de 2.510 u.m

No entanto, o saldo evidenciado na mesma data pelo seu

Tendo presentes as informações a seguir indicadas, efectue a reconciliação dos dois saldos e prepare os lançamentos de rectificação ou de regularização a efectuar antes do encerramento de N:

1. em 31/12/N foram considerados depositados cheques no valor de 923 u.m. que, por problemas com o carro do paquete, apenas chegaram ao banco a 2/1/N+1;

2. estava lançado, com data de 28/12/N, no extracto de conta bancário a devolução do cheque do cliente Alberto Lda, no valor de 800 u.m.;

3. constam do extracto da empresa um conjunto de cheques cujos, beneficiários ainda não apresentaram a desconto junto do banco:

cheque 123 - 100 u.m.

cheque 148 -

4 u.m.

cheque 145 -

7 u.m.

cheque 432 -

15 u.m.

cheque 540 -

8 u.m.

cheque 840 -

4 u.m.

4. no extracto de conta bancário está debitado o valor de 125 u.m. referente ao pagamento de juros ocorrido em 31/12/N, a empresa ainda contabilizou este facto por não ter recebido o respectivo aviso de débito bancário.

I 32
I
32

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

IEFP

Resolução

1

Saldo da conta de depósitos à ordem na nossa contabilidade

4.200

2

Depósito não efectuado

-923

3

Cheque devolvido por lançar

-800

4

Cheques não descontados

+138

5

Juros debitados

-125

6

Saldo na conta de depósitos à ordem no Banco

2.510

Lançamentos a realizar:

1. Corrigir o depósito não efectuado, efectuar lançamento de estorno do depósito inicial:

 

1

 

21

- Clientes

   

211

- Clientes c/c

a

12

- Depósitos à ordem

Estorno de lançamento

923

923

------------------------//---------------------------

2. Lançar o cheque devolvido do cliente Alberto Lda.

 
 

2

 

21

- Clientes

   

211

- Clientes c/c

a

12

- Depósitos à ordem

Cheque devolvido de Alberto Lda.

800

800

------------------------//---------------------------

3. Lançar os juros debitados pelo banco.

 
 

3

 

68

- Custos e perdas financeiras

   

681

- Juros suportados

a

12

- Depósitos à ordem

Juros debitados em 31/12/N

125

125

------------------------//---------------------------

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I 33
I
33

IEFP

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

2. Com base nos elementos seguintes pretende-se que efectue a conferência da conta corrente do fornecedor de serviços informáticos “Silva Santos Lda.”

O fornecedor informou-nos que o saldo a seu favor é de 5.800 u.m. em 31/12/N, composto pelas seguintes facturas:

Factura 43 - 1.250 u.m. de 6/N

Factura 50 - 4.500 u.m. de 8/N

Factura 55 -

55 u.m. de 9/N

Na nossa contabilidade o extracto de conta corrente do referido fornecedor apresenta o seguinte movimento:

Data

Movimento

Débito

Crédito

Janeiro

Factura 2

 

1.000

Fevereiro

Factura 35

 

500

Março

Pagamento facturas 2 e 35

1.500

 

Abril

Factura 40

 

4.950

Abril

Pagamento factura 40

4.950

 

Agosto

Factura 50

 

4.500

Setembro

Factura 55

 

50

 

Totais

6.450

11.000

 

Saldo antes dos lançamentos

 

0

 

Saldos após os lançamentos

 

4.500

Resolução

Após a reconciliação da nossa conta com os valores apresentados pelo nosso fornecedor constatamos que não foi efectuado o lançamento da factura 43 de 1.250 u.m., que por lapso foi tomada por um recibo e como tal arquivada sem qualquer lançamento contabilístico.

O lançamento a efectuar é o seguinte.

1

a

62 - Fornecimentos e Serviços Externos

62236 - Trabalhos especializados

26 – Outros Devedores e Credores

268 – Devedores e Credores Diversos

2682 - Silva Santos Lda.

Factura 43

1.250

I 34
I
34

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I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

IEFP

3.

Com base no balancete de verificação seguinte efectue os lançamentos de regularização decorrentes do trabalho de inventário.

Empresa dos Parafusos Unidos Lda.

Conta

Nome da Conta

Saldo

Saldo

   

Devedor

Credor

11

Caixa

14.000

0

12

Depósitos à ordem

123.467

0

15

Títulos negociáveis

92.000

0

19

Provisões p/ aplicação tesouraria

0

4.400

21

Clientes

382.867

0

22

Fornecedores

10.000

284.400

24

Estado e outros entes públicos

83.333

92.000

26

Outros devedores e credores

8.600

15.333

28

Provisão para cobrança duvidosa

0

9.467

29

Provisão p/ riscos e encargos

0

16.600

31

Compras

1.639.067

0

32

Mercadorias

324.200

0

39

Provisão p/ depreciação existências

0

16.333

41

Investimentos financeiros

200.000

0

42

Imobilizações corpóreas

176.133

0

43

Imobilizações Incorpóreas

16.333

0

48

Amortizações acumuladas

0

83.000

51

Capital

0

333.333

55

Reservas

0

214.000

59

Resultados transitados

0

30.667

62

Fornecimentos e serviços externos

257.067

0

64

Custos com o pessoal

831.600

0

68

Custos e perdas financeiras

54.933

0

69

Custos e perdas extraordinárias

11.200

0

71

Vendas

0

3.041.333

72

Prestações de serviços

0

36.200

78

Proveitos e ganhos financeiros

0

35.467

79

Proveitos e ganhos extraordinários

0

12.267

   

4.224.800

4.224.800

Informações complementares:

As remunerações de férias e respectivo subsídio a processar no ano N+1 relativas ao trabalho prestado no ano N, foram pagos ascendem a 12.000 u.m., sendo os encargos de 23,75%;

Contabilidade Geral II

Guia do Formando

I 35
I
35

IEFP

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

Em Janeiro de N+1 consumos referentes ao ano N+1:

Água - 420 u.m. (Iva incluído a 5%)

Energia - 1.400 u.m. (Iva incluído a 5%)

Telefone - 1.160 u.m. (Iva incluído a 17%);

Na conta 78 está contabilizada a renda recebida em Dezembro, referente ao mês de Janeiro do ano N+1 da loja arrendada, o valor da renda líquida de IRC foi de 1.300 u.m. (a taxa de retenção na fonte é de 20%);

Existem dívidas em mora de clientes nos seguintes montantes e escalonadas em função da data de vencimento:

16.000 u.m. entre 6 e 12 meses;

10.000 u.m. entre 18 e 24 meses;

6.120 u.m. com mais de 24 meses.

O inventário de existências resultou em 375.000 u.m., no entanto verifica-se a existência de stock valorizados ao preço de custo de 27.000 u.m. cujo valor de mercado actualmente ronda os 23.420 u.m.;

O saldo da conta 15 - Títulos negociáveis é composto por 100 acções de valor nominal de 1.000 u.m. adquiridas por 920 u.m. cada, a cotação em 31.12/N é de 800 u.m.;

As amortizações do exercício serão as seguintes:

Para investimentos financeiros -

3.000 u.m.

Para imobilizações corpóreas

- 20.789 u.m.

Para imobilizações incorpóreas - 1.980 u.m.

O valor de Amortizações acumuladas reparte-se da seguinte forma:

Imobilizações corpóreas - 74.800 u.m.

Imobilizações incorpóreas - 8.200 u.m

I 36
I
36

Guia do Formando

Contabilidade Geral II

I. TRABALHO DE FIM DE EXERCÍCIO

IEFP

Lançamento a efectuar no diário:

1

 

64

- Custos com o pessoal

   
   

642

- remunerações do pessoal

   
 

a

27

- Acréscimos e diferimentos

   
   

273

- Acréscimos de custos

   
     

2732

- Remunerações a liquidar

   
   

Contabilização das férias e subsidio de férias (1)

29.700

29.700

   

---------------------------//---------------------------

   

2

 

Diversos

   
 

a

27

- Acréscimos e diferimentos

   
   

273

- Acréscimos de custos

   
     

2739

- Outros

   
   

Serviços referentes a Dezembro

   
   

62

- Fornecimentos e serviços externos

   
   

622

- Fornecimentos e serviços

   
     

62211

- Electricidade

1.333

 
     

62213

- Água

400

 
     

62222

- Comunicações

991

2.725

   

---------------------------//---------------------------

   

3

 

78

- Proveitos e ganhos financeiros