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SUMÁRIO

1. Introdução
2. Espaço público
3. Configuração e tipologias
4. Cidades como centros convergentes da vida comunitária
5. O bairro - unidade urbana
6. Noções de polícia comunitária
7. O papel do município
8. Guarda municipal comunitária
9. Resolução de problemas
10.Organização comunitária
11.Encaminhamentos de problemas encontrados na comunidade
12.Referências
1. Introdução

Gangues urbanas, pixações, depredação do espaço público, o trânsito caótico, as praças


malcuidadas, sujeira em período eleitoral compõem o quadro da perda da qualidade de vida nas
cidades. Certamente, o tráfico de drogas, talvez a ramificação mais visível do crime organizado,
acentua esse quadro, sobretudo nas grandes e problemáticas periferias.
Hoje, no Brasil, a violência, que antes estava presente nas grandes cidades, espalha-se para
cidades menores, à medida que o crime organizado procura novos espaços. Além das dificuldades
das instituições de segurança pública em conter o processo de interiorização da violência, a
degradação urbana contribui decisivamente para ele, já que a pobreza, a desigualdade social, o
baixo acesso popular à justiça não são mais problemas exclusivos das grandes metrópoles.

2. Espaço Público

O estudo da ocupação do espaço público urbano é importante para a adequada


compreensão do fenômeno da violência urbana. É nesse espaço que se vive, convive,
sobrevive. No espaço público a vida acontece. As pessoas se relacionam. Definitivamente, a
manutenção do espaço urbano é necessária para o estabelecimento de uma cultura de paz.

O espaço público é considerado como aquele


que, dentro do território urbano tradicional
(especialmente nas cidades capitalistas, onde a
presença do privado é predominante), seja de uso
comum e posse coletiva (pertence ao poder
público). A rua é considerada o espaço público
por excelência.

A rua como o espaço público por excelência

A idéia de que as cidades possuem uma esfera pública, pertencente e usada pela
coletividade e uma esfera privada, cuja posse e manutenção respondem aos interesses de
um ou mais indivíduos específicos, é bastante antiga, mas virá a se definir plenamente com
a urbanística grega durante a Antigüidade Clássica. Para os gregos, a ágora era o espaço
que inserido na pólis, representava o espírito público desejado pela coletividade da
população e onde se exercia a cidadania. A definição clara do limite entre os espaços
públicos e privados, porém, perdeu-se em vários momentos ao longo da história. As cidades
européias medievais construíram-se através de uma constante apropriação da terra pública
e da definição desordenada de ruas, normalmente estreitas e insalubres. Tal situação
repetiu-se, grosso modo, até o advento do urbanismo sanitarista no século XIX, através das
intervenções de Georges-Eugène Haussmann em Paris e de Ildelfons Cerdá em Barcelona.
Ainda que baseados em um discurso muito mais estatizador que público, estas intervenções
colocaram o desenho das áreas públicas (grandes avenidas, especialmente) como
prioritárias na definição da paisagem urbana.

3. Configuração e tipologias
A caracterização de um espaço público é bastante variada:
• Os espaços públicos livres podem se definir como espaços de circulação (como a rua
ou a praça), espaços de lazer e recreação (como uma praça ou parque urbano), de
contemplação (como um jardim público) ou de preservação ou conservação (como
um grande parque ou mesmo uma reserva ecológica). Nestes locais, o direito de ir e
vir é total.

• Existem ainda os espaços que, ainda que possuam uma certa restrição ao acesso e à
circulação, pertencem à esfera do público: portanto, nestes espaços, a presença do
privado deve ser teoricamente controlada e, até mesmo, evitado. São, em geral, os
edifícios e equipamentos públicos, como instituições de ensino, hospitais, centros de
cultura etc

4. Cidades Como Centros Convergentes Da Vida Comunitária

O homem é um animal político. A cidade é o lugar de sua história.


ARISTÓTELES

As cidades, com certeza, são os centros de convergências de todos os anseios e


desejos sociais de uma sociedade estruturada. Lá, todas as pessoas se dirigem para
viver, conviver, sobreviver.
Na Antigüidade foram os centros de convergências das ciências, artes e cultura
das sociedades cosmopolitas que então se formavam (privilégio até então das elites
dominantes). Com o decorrer dos tempos, cidades foram ligadas a outras cidades,
através de estradas bem-estruturadas (uma das boas heranças deixadas por gregos e
romanos) e eram utilizadas habitualmente para atividades militares e comerciais.
As cidades antigas, que antecederam a polis e as cidades-estado, eram
pequenas e mantinham tradições do homem do campo. Com o surgimento das grandes
civilizações, foram surgindo as cidades com características cosmopolitas, ou seja,
aquelas que se constituíam nos grandes centros políticos e comerciais, que exigiam
condições mínimas de infra-estrutura e desenvolvimento urbano. Os exemplos mais
clássicos são os de Roma e Atenas, que possuíam rede de esgotos, sistema viário,
escolas públicas e até policiamento ostensivo na área urbana.
A partir do século XIX GIDDENS (1997, p.35) 9 dirigiu seu estudo para concluir
que:

“ a população mundial aumentou maciçamente (e continua


aumentando), surgindo as grandes cidades devido até o
desenvolvimento industrial e cultural da sociedade mundial que
passa a ser cosmopolita na essência, escolhendo as cidades como
os centros do planeta. Como afirma em seus estudos, existem
atualmente no mundo 1.700 cidades com mais de 100 mil
habitantes, 250 cidades com mais de 500 mil habitantes e quase
duas dezenas de cidades com mais de10 milhões de habitantes.”

Urbanização

Urbanização é o deslocamento de um
grande contingente de pessoas que saem da
área rural (sitios,chácaras etc.) para os
centros urbanos (as cidades). Para que um
país seja considerado urbanizado, a
quantidade de pessoas que vivem nas cidades
deve ser maior a quantidade que vive do
campo.

Vista de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.


As cidades podem ser classificadas de acordo com seu tamanho, atividade econômica,
importância regional entre outras características:
Municípios: são as menores divisões político-administrativas, todo município possui
governo próprio, sua área de atuação compreende a parte urbana e rural pertencente ao
município.
Cidade: é a sede do município, independente do número de habitantes que possa ter, as
atividades econômicas nas cidades diferem das do campo, as atividades principais são
centralizadas nos setor secundário(O setor secundário é o setor da economia que
transforma produtos naturais produzidos pelo setor primário em produtos de consumo, ou
em máquinas industriais/ produtos a serem utilizados por outros estabelecimentos do setor
secundário). e terciário(O setor terciário no contexto da economia, envolve a
comercialização de produtos em geral, e o oferecimento de serviços comerciais, pessoais ou
comunitários, a terceiros).
Macrocefalia urbana: caracteriza-se pelo crescimento acelerado dos centros urbanos,
principalmente nas metrópoles, provocando o processo de marginalização das pessoas que
por falta de oportunidade e baixa renda residem em bairros que não possuem os serviços
públicos básicos, e com isso enfatiza o desemprego, contribui para a formação de favelas,
resultando na exclusão social de todas as formas.
Metrópoles: são as cidades que sediam regiões metropolitanas. Exemplo: São Paulo, Rio
de Janeiro, Belo Horizonte.
Conurbações: é o fenômeno em que um município ultrapassa seus limites por causa do
crescimento e com isso encontra-se com os municípios vizinhos. Exemplo: Rio de Janeiro ou
São Paulo, com os respectivos municípios das regiões metropolitanas.
Regiões metropolitanas: É a união de dois ou mais municípios formando uma grande
malha urbana, é comum nas cidades sedes de estados. Exemplo: Goiânia, Aparecida de
Goiânia e cidades do entorno.
Megalópole: É a união de duas ou mais regiões metropolitanas.
Cidades formais: são cidades planejadas, que comportam rede de saneamento básico e
ruas planejadas com suporte ao trânsito.
Cidades informais: são compostas pelas regiões periféricas, regiões onde não existe infra-
estrutura suficiente
Bairro: é uma comunidade ou região dentro de uma cidade ou município. Bairros existem na maioria
das médias e grandes cidades do mundo.

Ponta Negra, bairro em Manaus.


No Brasil os bairros têm um papel de localização, sem função administrativa
específica. Em alguns municípios têm definição territorial definida quanto aos limites,
enquanto que em outros, a divisão decorre apenas do uso popular. No mesmo país existem
nomenclaturas que classificam os bairros por suas características sócio-econômicas, tais
como: bairro nobre e bairro proletário.

5. O BAIRRO - UNIDADE URBANA

Como principal núcleo urbano, o bairro talvez seja o grande centro de confluência dos
interesses comuns da comunidade, em uma cidade.
O bairro constitui hoje a unidade urbana mais legítima da espacialidade de sua
população (...). Corresponde à dimensão de território ideal para a reivindicação coletiva. Em
território maior, na região administrativa, surgem conflitos de prioridade entre um bairro e
outro; em escala menor, na rua domiciliar, as reivindicações esgotam-se rapidamente (...). É
na escala do bairro que se luta por obras civis, por segurança, por escolas e centros de
saúde, transporte e mais lazer. Esta especificidade do bairro torna-o uma unidade
politicamente importante (...).Do ponto de vista físico, os cenários dos bairros variam: os
mais antigos possuem estruturas de pequenas cidades, com suas ruas levando
naturalmente a um pólo centralizador, catalisando as atividades comerciais e atraindo os
pontos de embarque; freqüentemente a igreja do bairro e sua praça constituem pontos de
encontro preservados com o passar do tempo. Daí a importância em se entender que o
bairro é o local físico onde o cidadão mora e se identifica com sua coletividade seja ela de
negócios, social, etc., ou seja, é no bairro que o indivíduo adquire identidade de valores
coletivos e de cidadania. [...] O indivíduo sente-se seguro na medida em que lhe seja
reconhecido seu papel na sociedade e possa contar com o reconhecimento do grupo em
que vive, estuda e trabalha; (...) WILHEIM (1982, p.63)

6. Noções De Polícia Comunitária

A idéia central da Polícia Comunitária reside na possibilidade de propiciar uma


aproximação dos profissionais de segurança junto à comunidade onde atua, como um
Médico, um advogado local; ou um comerciante da esquina; enfim, dar característica
humana ao profissional de polícia, e não apenas um número de telefone ou uma instalação
física referencial. Para isto realiza um amplo trabalho sistemático, planejado e detalhado. Já,
o Policiamento Comunitário, segundo Wadman (1994)18, é uma maneira inovadora e mais
poderosa de concentrar as energias e os talentos do departamento policial na direção das
condições que freqüentemente dão origem ao crime e a repetidas chamadas por auxílio
local.
Como afirma Fernandes (1994)19: um serviço policial que se aproxime das pessoas,
com nome e cara bem definidos, com um comportamento regulado pela freqüência pública
cotidiana; submetido, portanto, às regras de convivência cidadã, pode parecer um ovo de
Colombo (algo difícil, mas não é).
Trojanowicz (1994)17 faz uma definição clara do que é Polícia Comunitária

“É uma filosofia e estratégia organizacional que proporciona uma nova


parceria entre a população e a polícia. Baseia-se na premissa de que
tanto a polícia quanto a comunidade devem trabalhar juntas para
identificar, priorizar e resolver problemas contemporâneos tais como
crime, drogas, medo do crime, desordens físicas e morais, e em geral a
decadência do bairro, com o objetivo de melhorar a qualidade geral da
vida na área.”

A Constituição Federal no seu Art. 144, define as 5 (cinco) Polícias que tem existência
legal, autorizando a criação da Guarda Municipal, não deixando qualquer dúvida a respeito.
O mesmo Art. 144, diz que a segurança pública é direito e responsabilidade de todos,
o que nos leva a inferir que além dos policiais, cabe a qualquer cidadão uma parcela de
responsabilidade pela segurança. O cidadão na medida de sua capacidade, competência, e
da natureza de seu trabalho, bem como, em função das solicitações da própria comunidade,
deve colaborar, no que puder na segurança e no bem estar coletivo. A nossa pretensão é
procurar congregar todos os cidadãos da comunidade através do trabalho da Polícia, no
esforço da segurança. O policial é uma referência muito cedo internalizada entre os
componentes da comunidade. A noção de medo da polícia, erroneamente transmitida na
educação e às vezes na mídia, será revertida desde que, o policial se faça perceber por sua
ação protetora e amiga.
O espírito de Polícia Comunitária que apregoamos se expressa de acordo com as
seguintes idéias:
- A primeira imagem da POLÍCIA é formada na família;
- A POLÍCIA protetora e amiga transmitirá na família, imagem favorável que será transferida
às crianças desenvolvendo-se um traço na cultura da comunidade que aproximará as
pessoas da organização policial;
- O POLICIAL, junto à comunidade, além de garantir segurança, deverá exercer função
didático-pedagógica, visando a orientar na educação e no sentido da solidariedade social;
- A orientação educacional do policial deverá objetivar o respeito à “Ordem Jurídica” e aos
direitos fundamentais estabelecidos na Constituição Federal;
- A expectativa da comunidade de ter no policial o cidadão íntegro, homem interessado na
preservação do ambiente, no socorro em calamidades públicas, nas ações de defesa civil,
na proteção e orientação do trânsito, no transporte de feridos em acidentes ou vítimas de
delitos,
nos salvamentos e combates a incêndios;
- A participação do cidadão se dá de forma permanente, constante e motivadora, buscando
melhorar a qualidade de vida.
Antes porém, de ser apresentada definições de Polícia Comunitária e Policiamento
Comunitário vale a pena verificar os aspectos que auxiliam caracterizar comunidade e
segurança.

Comunidade - características
Para não correr o risco de definições ou conceitos unilaterais, preferimos apresentar
alguns traços que caracterizam uma comunidade:
- Forte solidariedade social;
- Aproximação dos homens e mulheres em freqüentes relacionamentos interpessoais;
- Discussão e soluções de problemas comuns;
- Sentido de organização possibilitando uma vida social durável.

Segurança
Jorge Wilheim, diz que a segurança do indivíduo envolve:
- Reconhecimento do seu papel na sociedade;
- A auto-estima e a auto-sustentação;
- A clareza dos valores morais que lhe permitam distinguir o bem do mal
- O sentimento de que não será perseguido por preconceito racial, religioso ou de outra
natureza;
- A expectativa de que não será vítima de agressão física, moral ou de seu patrimônio;
- A possibilidade de viver num clima de solidariedade e de esperança.

7. O papel do município

Os municípios, por sua maior proximidade em relação ao cotidiano das


comunidades, de suas vivências e expectativas, constituem a instância governamental mais
adequada à execução de políticas participativas, de cunho preventivo, no campo da
segurança e ordem pública.
O amplo campo de atuação preventiva dos municípios divide-se, basicamente, em
duas frentes de trabalho complementares: a primeira volta-se para o ambiente, a ocupação e
dinamização do espaço público e as condições de infra-estrutura básica; a segunda focaliza
os fatores de vulnerabilidade social para certos segmentos: a desigualdade social, a
fragilização dos vínculos familiares / sociais, a cultura do tráfico de drogas, a violência
interpessoal e intrafamiliar.
Algumas linhas para o desenvolvimento de programas de prevenção que podem
ser trabalhadas pelo município são apresentadas abaixo:

(a) Melhoria das condições de segurança dos espaços públicos e das condições de vida,
na cidade, em particular a revitalização urbana dos espaços públicos, com intervenções na
iluminação pública;
(b) Requalificação de espaços públicos de convivência e lazer, qualificação do entorno
das escolas e parques públicos, regularização fundiária, adoção de estratégias que
previnam a formação de guetos em zonas urbanas e que evitem conflitos entre grupos
vizinhos etc;
(c) Programas de prevenção primária para a juventude e suas famílias como programas
de acesso a atividades culturais e esportivas, educação e qualificação profissional, geração
de trabalho, emprego e renda, saúde;
(d) Adoção de instrumentos e ações voltados para o favorecimento das relações
interpessoais pacíficas e o fortalecimento de grupos de convivência nas comunidades mais
vulneráveis;
(e) Educação e promoção da cultura da paz e dos direitos fundamentais, em
colaboração com o sistema educacional e de saúde;
(f) Mobilização social, associativismo e promoção de cultura da paz urbana como o
apoio à formação e fortalecimento de lideranças, organizações e redes comunitárias,
campanhas de comunicação social, programas de educação para a cidadania, promoção de
eventos públicos;
(g) Enfrentamento de fatores e dinâmicas de risco como consumo abusivo de álcool e
outras drogas, disponibilidade de armas de fogo e outros fatores identificados em cada local;
(h) Acesso à justiça e a mecanismos de reinserção social de egressos do sistema
penitenciário e do sistema de medidas sócio-educativas.
Discussão: Envolvimento da comunidade para resolução de problemas locais
O fenômeno da violência e da criminalidade é extremamente complexo,
multifacetado e dinâmico, exigindo uma abordagem integrada, multi-setorial, que envolva a
sociedade como um todo na busca de soluções efetivas e sustentáveis. Intervenções que
acionem apenas as instituições policiais ou de justiça criminal, desarticuladas, não oferecem
resultados duráveis, até porque o campo de ação destas instâncias sobre as possíveis
causas do fenômeno é limitado.
Nas discussões nacionais e internacionais sobre Segurança Pública, cresce cada
vez mais a importância das cidades. A instância governamental mais próxima dos
problemas vividos pelos cidadãos tem papel crucial na implementação de soluções
ajustadas aos contextos específicos da comunidade como atuar preventivamente sobre
fatores como a degradação
ambiental, o desemprego, problemas de saneamento, iluminação pública e falta de opções
de lazer, a chamada “prevenção primária”. Desta forma, os governos locais podem ajudar e
muito as ações das organizações policiais e trazer benefícios efetivos para a Segurança
Pública.
Por outro lado, os efeitos cotidianos da violência e da criminalidade são sentidos,
em primeiro lugar, pela comunidade e seus membros, seja sob a forma de eventos
concretos, seja através da “sensação de insegurança”. A participação comunitária,
portanto, é fundamental para a consolidação de uma verdadeira política pública.
Em que sentido ela é tão fundamental? Primeiro, para que as instituições de
segurança pública possam atuar conhecendo as demandas e problemas concretos da
comunidade.
Para uma atuação preventiva, é preciso ouvir os atores locais; segundo, para que
a própria comunidade e as outras instituições da prefeitura possam identificar as causas do
crime e da violência podendo atuar mais diretamente nas ações de prevenção; Portanto, é
fundamental criar mecanismos eficazes de participação e colaboração da comunidade no
processo de planejamento e execução das políticas públicas de prevenção da violência.
Nesse sentido, as igrejas, organizações religiosas e comunitárias, ONGs e
movimentos sociais presentes na localidade podem desempenhar um papel chave na
discussão e implementação de conselhos comunitários a fim de buscar soluções com o
Poder Público para a construção de medidas na prevenção da violência.
8. Guarda Municipal Comunitária
Ainda não existem estudos abrangentes sobre as atividades de uma Guarda
Municipal Comunitária. No entanto, as ações policiais nesta área se confundem, o que
implica dizer que os papéis das diversas polícias são praticamente iguais, pois trabalham
numa inteira relação com a comunidade.
Assim, tanto a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Guarda Municipal apresentam
atividades semelhantes de policiamento comunitário. Portanto, os termos “polícia” e “policial”
frequentemente apresentados ao longo dos textos, podem significar qualquer órgão ou
agente de Segurança Pública que interaja com a comunidade.
É o reconhecimento do potencial que a comunidade pode oferecer às organizações
responsáveis pela segurança pública na resolução de problemas que afetam diretamente a
vida de ambos: comunidade e polícia. A contribuição pode variar desde a identificação de
problemas até o planejamento de uma ação para combater e solucionar os problemas de
segurança pública, em seu sentido mais amplo.
Deve-se incentivar a participação do diálogo com a comunidade, envolvendo policiais
em eventos cívicos, culturais e de negócios, trabalhando juntamente com agências sociais e
tomando parte de atividades educacionais e recreativas com crianças em escolas. O objetivo
é inserir a polícia como parte integrante da comunidade. Assim como a igreja e a associação
de bairro, a polícia será vista como mais um integrante desta comunidade, permitindo que
esta interfira na definição de prioridades e alocação de recursos.
Deve-se, para incentivar esta parceria, fortalecer dois grupos essencialmente:
- O grupo externo, a comunidade;
- Os policiais de ponta de linha.
Eles são a quem se dirige o serviço público, e os policiais de ponta de linha são o
contato imediato entre polícia e comunidade. Deve-se ter sempre em mente que a ação de
um policial pode comprometer o trabalho de todos, e no limite, de toda a instituição.
O policial, inserido na comunidade deve ser um catalisador e um facilitador das
mudanças e do desenvolvimento da comunidade.
Nessa atividade em conjunta, não se deve ter as tradicionais dualidade:
profissional X paisano; antigo X moderno; autoridade X subordinado. Toda forma de
subestimar o potencial alheio deve ser fortemente reprimido, já que Policiamento
Comunitário é a tentativa de juntar todas as forças vivas, de dentro da instituição e de fora,
da comunidade. Todos têm um potencial de cooperação que deve ser incentivado e
ampliado.
Por fim, toda a instituição policial deve estar ao lado da comunidade quando essa dela
depender.

9. Resolução De Problemas

Se a polícia reconhece que sua atividade está em ajudar a comunidade a resolver


seus problemas, haverá por parte das pessoas um constante crescimento de confiança na
polícia e este círculo é essencial para o sucesso da Polícia Comunitária. Este processo
requer uma consciência muito grande por parte dos policiais em relação às preocupações da
comunidade.
Os problemas mais importantes para a população podem não ser os mais importantes
para a polícia. Caso não seja um problema específico da polícia, esta deve agir em conjunto
com outras agências públicas.

Problemas para comunidade:


- Estacionamento de carros em regiões escolares;
- Pichações;
- Problemas com trânsito;
- Indivíduos que perturbam comunidades;
- Arrombamentos de estabelecimentos públicos;
- Problemas com tráfego de carros;
- Problemas urbanos: falta de luz, saneamento etc;

Como solucionar:
- Sempre fazendo trabalho conjunto com a comunidade e outras agências públicas
especializadas;
- Trabalhos educacionais: escolas, trânsito, redução de lesões corporais etc;
- Reabilitação de centros para drogados;
- Melhorando condições urbanas (reabilitação de prédios que possibilitem conduta
criminosa; melhoria do meio ambiente; iluminação de ruas; remoção de matagais, interdição
de prédios vazios etc.)
O fim último da instituição é promover segurança à população através do policiamento
ostensivo. Logo, ela tem de ser medida pela sua capacidade de realização de seu principal
serviço: segurança.

10. Organização Comunitária


Organização ou mobilização comunitária significa unir questões diferentes, pessoas
diferentes em objetivos comuns. Para muitas organizações comunitárias, organizar significa
um processo contínuo de capacitação de residentes locais, especialmente o incentivo à
participação de cidadãos em decisões relacionadas à qualidade de vida do bairro.
Todos sabemos que o investimento no social é papel do executivo. Porém, os órgãos
de segurança pública, na busca do controle social, podem desenvolver atividades sociais na
comunidade, através de seus agentes. Essas ações têm importante papel na resolução de
alguns problemas, além de aproximar o agente de segurança à comunidade.

Sugestões de atividades a serem desenvolvidas na comunidade

1. Seminário comunitário para o jovem


Envolver todas as entidades do bairro
Buscar parcerias e locais para os eventos

2. Desempregados no bairro
Fazer cadastro coletivo
Buscar parcerias

3. Calçada com passeio livre


Elaborar cartilha educativa
Fazer parcerias (órgãos de trânsito)

4. Gincanas de mobilização de jovens


Envolver comunidade e escolas
Buscar parcerias

5. Adote uma árvore


Autorização e co-responsabilidade do morador
Órgão competente distribui as mudas, conforme norma pré-estabelecida
Buscar parcerias

6. Muro colorido
Autorização e co-responsabilidade do morador (desenho ou grafite)
Os artistas devem ser todos da comunidade local
Buscar parcerias

7. Caminhada matinal
Montar cadastro de participantes
Buscar parcerias
Profissionais que trabalham na área (voluntários), com auxílio de equipamentos para
medição de pressão arterial, peso, altura, etc.
Determinar local

8. Feira de cacarecos
Elaborar cadastro de participantes
Elaborar calendário
Buscar parcerias e local

9. Trabalhos para a terceira idade


Elaborar atividades com profissionais
Buscar parcerias e local

Promover oficinas de cidadania


 Integrar a comunidade
 Diminuição da criminalidade
 Conhecer Leis, normas e regras sociais
 Propiciar alternativas de trabalho, cultura e lazer
 Melhorar a qualificação profissional do trabalhador
 Incentivar a participação da comunidade
 Melhorar a qualidade de vida da população

Áreas de integração social:


Oficinas de cidadania: Noções de direito (consumidor, Direitos humanos, ECA, penal, civil,
etc), valores sociais, deveres sociais,
Oficinas de atividades (requalificação profissional) – SEBRAE, SENAI, SESI,
Oficinas de atividades e iniciação: adolescentes e jovens em geral (primeiro emprego), ser
trabalhador - SEBRAE, SENAI, SESI

Oficinas de apoio: Aulas complementares para a atividade profissional (informática, inglês,


espanhol, redação)
Oficinas culturais: pintura, música, dança, texto
Oficinas de lazer: integrada a oficina cultural
Locais: Sociedade Comunitária/ Escolas públicas

Público alvo: crianças, adolescentes, jovens, idosos, trabalhadores e famílias buscando uma
nova fonte de renda, bem como atividades de cultura e lazer.

Combater os agenciamentos
Agenciamento é a condição ou fator imediato que torna possível a emergência do ato
delituoso e/ou violento e que, uma vez conhecido, pode ser superado.
Procurar os órgãos públicos competentes

Exemplos de agenciamentos
 Ruas e praças mal iluminadas
 Matagal na área urbana
 Locais públicos abandonados
 Bares da periferia abertos até tarde da noite
 Prédios públicos subutilizados
 Construções abandonadas
 Recolher mendigos, velhos e crianças abandonadas
 Esgotos à céu aberto

11. Encaminhamentos De Problemas Encontrados Na Comunidade

Durante a sua atividade diária o Guarda Municipal se depara com diversas situações
que demandam de sua interferência, enquanto agente público. Muitas dessas situações são
problemas simples que podem ser resolvidos no local, ora com uma advertência do guarda,
ora com algumas orientações. No entanto, não raramente aparecem problemas mais
complexos que não podem ser resolvidos no local, mas que precisam de adequado
encaminhamento para quem de direito, ou seja, para a instituição responsável pela sua
resolução.
Dentre as diversas situações que se apresentam, podemos destacar as seguintes,
com os respectivos encaminhamentos:
Problemas de ordem social

Situação Encaminhamento
Ruas e praças mal iluminadas Oficiar a prefeitura
Matagal na área urbana Oficiar a prefeitura
Crianças abandonadas Encaminhar ao Conselho Tutelar/pais
Prédios públicos subutilizados Oficiar a prefeitura
Velhos abandonados Encaminhar a abrigos
Construções abandonadas Oficiar prefeitura p/ notificar proprietário
Crianças em situação de risco Conduzir ao Conselho Tutelar
Doente Mental Acionar PM/Hospital de Base
Pessoas perdidas Orientar
Greves/Piquetes Acionar PM

Problemas de ordem criminal

Situação Encaminhamento
Carro com som abusivo Acionar PM
Encontro de cadáver Acionar PM/DPT
Arrombamento em Estabelecimento público Acionar PM/Polícia Civil
Crimes diversos Acionar PM
Estacionamento em locais proibidos Acionar Settran
Acidente de trânsito Acionar Settran
Indivíduos que perturbam comunidades Acionar PM
Pichações Registrar o fato em relatório/Delegacia
Elementos suspeitos Efetuar abordagem/acionar PM
Elementos em uso de drogas Acionar PM
Poluição das águas Secretaria Municipal de Meio-Ambiente

Deve ficar muito claro que todos os problemas encontrados pelos guardas municipais
devem ser registrados em relatórios ou livros, para posterior conhecimento do comando da
instituição.
O encaminhamento da situação encontrada se dará após o guarda esgotar sua
capacidade de resolução. Ele deve, a priori, buscar ferramentas oriundas de sua
capacitação técnica, e, caso o problema não seja de sua alçada, o profissional deverá
buscar o adequado encaminhamento.
A intervenção nos casos em que envolvem prática de crime deve ser levada a cabo
com todo cuidado possível, observando a prudência, e, sobretudo, o emprego da técnica.
Ainda, o guarda municipal deve buscar respaldo legal para suas ações.
Referências Bibliográficas
3. ARANTES, Antônio Augusto; O espaço da diferença; São Paulo: Editora Papirus,
2000.

4. BENEVOLO, Leonardo; A história da cidade; São Paulo: Editora Perspectiva, 1999

5. Cartilha: Segurança Pública e Desenvolvimento Institucional das Polícias. ONG Viva


Rio. Julho / Agosto / Setembro 2006

6. CHOAY, Françoise; O Urbanismo: Utopia e realidades de uma antologia; São Paulo:


Editora Perspectiva, 2003.
7. COSTA,Carlos Magno Miqueri. Direito Urbanístico Comparado - Planejamento
Urbano - Das Constituições aos Tribunais Luso-Brasileiros. Editora Juruá. 2009.
8. Curso Nacional de Promotor de Polícia Comunitária / Grupo de Trabalho, Portaria.
SENASP nº 002/2007 - Brasília – DF: Secretaria Nacional de Segurança Pública –
SENASP.2007.

9. FERNANDES, Rubem César. in: Policiamento Comunitário: Como Começar. RJ:


POLICIALERJ, 1994
10. GIDDENS,Anthony. Sociologia – Uma Breve Porém Crítica. Rio de Janeiro:
ZAHAR,1997
11. HALL, Peter; Cidades do amanhã: uma história intelectual do planejamento e do
projeto urbanos no século XX; Editora Perspectiva
12. HARVEY, David; A condição pós-moderna; São Paulo: Editora Loyola, 1998.
13. LE CORBUSIER Planejamento urbano; São Paulo: Editora Perspectiva, 2004,
14. TROJANOWICZ, Robert; BUCQUEROUX, Bonnie. Policiamento Comunitário:
Como Começar. RJ: POLICIALERJ, 1994, p.04.

15. WADMAN, Robert C. in: Policiamento Comunitário: Como Começar. RJ:


POLICIALERJ, 1994. Prefácio.

16.WILHEIM, Jorge. Projeto São Paulo: Propostas para a Melhoria da Vida Urbana. RJ: Paz
e Terra,1982.p.63.

17. http://pt.wikipedia.org/wiki/Espa%C3%A7o_p%C3%BAblico.Acesso em 09/07/2010.

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