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Capítulo 1
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ȈA resistência à maquinaria é descrita como uma conduta arcaica, rebelião
espontânea de Ǯprimitivosǯ da revolta, ato de fúria cega, guiada pelo instinto
de conservação.
ȈFunção política da divisão de trabalho e da maquinaria nos processos de
acumulação do capital: instrumentos de uma estratégia patronal para o
controle da produção e a imposição da obediência a trabalhadores cuja
competência profissional garantia uma incomoda autonomia.
ȈA origem e o êxito da fábrica não se explicam por uma superioridade
tecnológica, mas pelo fato de ela retira do operário todo e qualquer controle e
dá ao capitalista o poder de prescrever a natureza do trabalho e a quantidade
a produzir.


 
 
   

ȈA existência de uma mão-de-obra abundante e barata limitava o recurso às
máquinas.
Ȉo patronato não tinha um projeto mecanizador, o discurso dominante
continua sendo o do emprego, não o da produção.
ȈSalários altos e reivindicações dos operários urbanos fazem com que
manufaturas sejam implantadas no campo (longe das cidades caras) Ȃ
desindustrialização
ȈAs grandes cidades mantêm as industrias altamente qualificadas cuja
mecanização ainda não se tornou possível.
ȈMecanização que permite empregar crianças
ȈA máquina permite romper o nó de estrangulamento das pretensões
operárias.
ȈA máquina é uma arma de guerra dirigida contra essa barreira de resistência
que são os operários de ofício. Ela permite eliminá -los, substituí-los por uma
equipe de engenheiros e técnicos, racionalizadores por natureza, mais ligados
à direção da empresa. Permite que o patronato se assenhoreie da totalidade
do processo de produção.
ȈO que esta em jogo é o controle das matérias primas, dos produtos em
qualidade e quantidade, dos ritmos e dos homens. É um instrumento de
disciplina cujos efeitos precisam ser vistos concretamente.

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ȈA resistência francesa à maquinaria tem foco, principalmente por parte dos
trabalhadores a domicílio, em uma oposição mais global à industrialização.
ȈEssa resistência é muitas vezes organizada, modulada, seletiva; distingue
entre os diversos tipos de máquinas.
Ȉ Inúmeras ações coletivas marcam a oposição dos trabalhadores, e sses
impulsos coincidem com as crises econômicas e políticas.
ȈAs máquinas são mais Ǯaceitasǯ em períodos de prosperidade, de falta de
braços. Mas vem o desemprego e elas são postas em causa.
Ȉludismo: destruição das máquinas
ȈAs primeiras crises são de caráter agrícola, em que ocorre uma coincidência
entre o alto preço do pão e o impulso ludista.
ȈOs operários tentam se aproveitar das mudanças de governo, apelando para
o paternalismo dos prefeitos, para conseguir a retirada das máquinas.
ȈChave da 1ª Rev. Ind. (final do sec XVIII) -> setor têxtil.
ȈNovas técnicas visam eliminar os Ǯprivilégiosǯ dos operários.
ȈAs industrias leves foram as primeiras a serem mecanizadas
ȈA metalurgia pesada tinha um reino dos profissionais que guardavam suas
técnicas em segredo, esses acusados pelos industrialistas de freiar o
crescimento.
ȈAs inovações técnicas da segunda metade do sec.XIX acabam com isso
quando passam aos engenheiros a maioria das tarefas que pertenciam aos
operários.
ȈNa siderurgia as máquinas que substituem o esforço humano parecem mais
necessárias, e o operário se mantém como operador.
ȈA disciplina mecânica é sutil, favorável à interiorização.
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    As grandes que exigiam
construções novas e implicavam em um reordenamento no espaço produtivo
na fábrica.
ȈAs pequenas, capazes de se tornarem domesticas, eram aceitas e até
procuradas. Instrumentos de oficinas ou domésticos eram aperfeiçoados.
ȈA atitude operária não é absolutamente hostil ao progresso técnico, desde
que ela o governe.
ȈV Os operários de ofício, os mais qualificados, instruídos, e
organizados, estão na frente da resistência às máquinas que vão substituí-los.

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"Na fábrica a máquina reproduz e até aprofunda a divisão tradicional dos
sexos e a subordinação feminina.
ȈAs mulheres dos operários assumem o pepel das donas -de-casa que
defendem o nível da família (trabalho e pão Ȃ motins por alimento as vezes se
misturam ao ludismo)
ȈNa Rev. elas se exigem trabalho a domicílio.
ȈDefendem, assim como os homens, seu direito de emprego.
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 Ela
atendia as condições desejadas pelas mulheres, mas elas primeiro foram
instaladas nas oficinas e só depois se tornaram objeto doméstico.

 


ȈAlgumas surgem no calor da ação, outras implicam em modelos mais
avançados de organização:reuniões, associações, petições, cartazes..
ȈAs petições mostram a vontade legalista dos operários, afirmam sua
confiança nas autoridades que garantem emprego em troca de impostos
(desempregados não tem dinheiro para pagar impostos)
ȈOs cartazes anônimos criticam e censuram a dureza, indiferença e o
desprezo dos patrões.
ȈOs operários dos ofícios tradicionais interditam as oficinas mecanizadas.
ȈTanto quanto (e mas que) uma luta de classes, a oposição às máquinas, à
produtividade industrial e seus ritmos é aqui a defesa de um estilo de vida
mais folgado e autônomo.

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Ȉludismo simbólico: a máquina é um refém e a destruição dela é um meio de
pressão num conflito.
ȈAo longo de todo o séc. XIX este tipo de violência será para os trabalhadores
o meio de expressão de sua fúria.
ȈEssa forma declina à medida que os instrumentos e produção se tornam
mais caros e de substituição mais difícil, os operários passam a respeitar suas
ferramentas de trabalho.
ȈPassada essa onda a destruição raramente aparece como gesto de um
arrebatamento súbito, a passagem para a ação é lenta e as vezes hesitante.
ȈA destruição das máquinas tem uma certa sistemática que visa à aniquilação.
ȈAs multidões ludistas são massivas, misturadas e populares.

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ȈOs trabalhadores domésticos se opuseram à mecanização pois isso
significava o ingresso na fábrica

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ȈNo séc.XIX os tecelões ocupavam uma posição econômica importante, por
isso tinham salários relativamente altos e extrema liberdade.
ȈEles se opõem de uma forma passiva, próxima da sabotagem. A má vontade e
a irregularidade causam a falência de diversos estabelecimentos.
ȈEles se obstinam, preferindo aceitar baixas salariais, ao invés de deixar seu
local de trabalho (sua casa).

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ȈSó aceitaram seu tear depois de torná-lo domestico, e empenharam-se em
aperfeiçoá-los para torná-los mais produtivos.
ȈAlguns trabalhadores usam em proveito próprio o progresso técnico para a
defesa da liberdade.
ȈContra essa resistência, ao longo do sec.XIX o patronato tenta difundir a
fábrica rural, e cria as tecelagens mecânicas com mão de obra infantil e
feminina.
ȈContribuição da Igreja a industrialização: por no trabalho populações pobres
ou delinqüentes, mulheres e crianças trabalhando em oficinas de caridade,
fornecer um pessoal para supervisão da disciplina, trestar-se à fase de
experimentação técnica.
ȈA máquina é uma arma de estratégia de dominação que controla o processo
de produção.
ȈOs trabalhadores querem defender sua liberdade.

 

ȈEla não demonstra uma hostilidade contra a máquina, mas existe um debate.
ȈA solução para o desemprego é política: é preciso controlar e orientar o
progresso, criar um poder central e protetor que regula todos os pr ogressos e
ameniza todos os sofrimentos.
ȈSegunda metade do sec.XIX, denunciam as conseqüências da mecanização:
superprodução, má qualidade, especialização excessiva.
ȈTambém reivindicam um uso social e moral das máquinas, aderindo ao
mesmo tempo ao crescimento e ao poderio racionalizante da sociedade
industrial.
Ȉ—  A formação de uma elite técnica sempre foi um
dos objetivos do poder, pois sua inexistência era um dos principais obstáculos
à introdução das máquinas.
ȈPara isso foi desenvolvido uma pedagogia mecânica, onde as máquinas
ocupam lugar de destaque, verdadeiro empreendimento de exaltação
industrial, de criação de uma psicologia cientificista -> elite operária técnica.

Capítulo 2
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ȈA sociedade industrial implica ordem e racionalidade
ȈSua instauração supõe não só transformações econômicas e tecnológicas,
mas também a criação de novas disciplinas.
ȈNunca uma evolução se fez em linha reta. Os sistemas de sobrepõem e
coexistem.

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ȈA visibilidade e a vigilância também são os princípios da disciplina nas
fábricas.
ȈO trabalho manual predomina, com uma intensa divisão de trabalho que
estrutura a organização em oficinas diversas e fornece os princípios de
ordenamento do espaço.
ȈPrincípios que regem a organização espacial nas grandes manufaturas
integradas: 
   a beleza das construções demonstra o poder e o
privilégio industrial concedido por ele; 
 
 circulação de
matéria-prima facilitada, racionalização do espaço; 
   
 pátios fechados.
ȈModelos disciplinares: religioso (silêncio) e militar (hierarquia, disposição
em fileiras)
ȈǯRegulamento de segurançaǯ, no sec XVIII cada novo manufatura tinha o seu.


   

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ȈPeça chave no emprego de crianças.
ȈAs primeiras manufaturas e fábricas estão instaladas no campo, próximas as
fontes de mão-de-obra.
ȈA célula familiar é o núcleo do sistema. Os fabricantes procuram empregar
toda a família para garantir o recrutamento e a fidelidade de mão-de-obra.
ȈOs pais são responsáveis pelo trabalho e pela subordinação de seus filhos.
ȈUma revolta dos jovens contra a fábrica fira uma revolta contra os pais.
ȈFamília é a base desse 1º tipo de administração industrial Ȃ paternalismo
ȈCaracterística: presença física do patrão nos locais de produção, as relações
sociais do trabalho são concebidas conforme o modelo familiar (o patrão é o
pai e os operários os filhos), os trabalhadores aceitam essa forma de
interação e até a reivindicam pois têm orgulho de pertencer à empresa com a
qual se identificam (explicação do pq tantas empresas ignoraram a greve).

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