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À imagem e semelhança [trecho do capítulo 19] Por Evana R.

CENA 14 - CASA DE LAYLA/QTO DE MICHAEL - INT - NOITE

Michael continua sentado na cama, com a revista no colo, olhando para a porta entreaberta. Valentina pára na porta e é possível ver uma parte de seu corpo através da porta entreaberta.

VALENTINA Michael, sou eu.

MICHAEL

Eu sei.

VALENTINA Posso entrar?

MICHAEL Valentina, eu disse à minha mãe que

VALENTINA Sim, eu sei! Você não quer me ver. Mas eu quero falar com você e não sairei daqui enquanto não fizer isso.

MICHAEL Por favor, Valentina, eu não quero que você perca tempo comigo!

VALENTINA Por que você está tão chateado? Se for por causa do que aconteceu no dia do acidente, eu já expliquei! Tive um plantão no hospital!

MICHAEL Eu entendi, mas

Valentina abre a porta e entra antes que Michael possa terminar a frase.

VALENTINA Vamos parar com isso, vamos.

Valentina senta-se no chão, perto da cama.

MICHAEL (dando-se por vencido) Está bem, vamos.

CONTINUANDO:

2.

VALENTINA Eu poderia perguntar por que você tem me evitado durante todo esse mês, mas não vou fazer isso. Também não vou perguntar porque você atravessou a rua correndo como um louco naquela noite, nada disso. Eu vim aqui só pra ver você e conversar banalidades! Amigos fazem isso, não é? E nós somos amigos.

MICHAEL É, nós somos

VALENTINA Suas irmãs me disseram que você ia começar sessões de fisioterapia.

MICHAEL Na verdade não tenho a menor vontade de fazer esses exercícios chatos. Minha perna esquerda ficou com seqüelas do acidente, mas dá pra andar bem com uma bengala.

VALENTINA Bengala não combina com

Ai, não

você. Daqui uns dez anos, quem

sabe

(ri)

Michael também ri.

VALENTINA Oba, estou fazendo progressos! Já consegui fazer você sorrir. Agora só falta você aceitar fazer logo essa fisioterapia e todos ficam felizes.

MICHAEL

Mas

VALENTINA Eu sei! As sessões são chatas. Mas não se preocupe com isso não. Se for necessário, eu venho pra cá e fico com você. Se for necessário, até conto piada. Não que eu seja muito boa nisso, mas pelo menos da minha cara você vai rir

CONTINUANDO:

3.

MICHAEL (rindo) Mas você não é engraçada.

VALENTINA Tá rindo do quê, então? (começa a rir junto)

MICHAEL Não é, mas agora está.

Os dois continuam rindo descontroladamente. Layla aparece na porta.

LAYLA Dá pra me contarem essa piada? Eu quero rir também!

VALENTINA Convenci seu filho a começar a fisioterapia!

LAYLA Finalmente! Filha, você conseguiu em cinco minutos o que eu não consegui em cinco semanas.

VALENTINA Então prepare-se para me ver todos os dias por aqui. Me comprometi a acompanhá-lo.

LAYLA Muito bem! Vou descer e avisar o seu pai.

MICHAEL Espera um pouco, mãe! Avisa lá embaixo que hoje temos companhia pro jantar. Valentina fica.

VALENTINA Mas eu não avisei a

MICHAEL Pegue o telefone e avise, oras. Faço questão de você jantando com a gente hoje.

VALENTINA Bom, já que é assim

obrigada! Vou telefonar para

Lucille agora.

Muito

CONTINUANDO:

4.

Valentina pega o telefone e sai. Layla sai com ela.

CORTA PARA

CENA 15 - ESPETINHO DO DÁRIO - EXT - NOITE

Há uma grande quantidade de pessoas na área onde se localiza o espetinho (uma carrocinha cercada de mesas, cadeiras e um potente equipamento de som). Um ônibus pára na frente do local. Dele descem Ana Paula, Jerri, Leon e Milena. Leon olha para o local, num misto de curiosidade e admiração.

ANA PAULA

Ô Erasmo! Você não tem grana? Então

por que trouxe a gente para esse pardieiro em vez de levar pra um

lugar mais legal tipo

Uma

pizzaria?

Querida

JERRI Eu gosto das coisas

simples da vida. Gosto do calor humano! Tem lugar mais calor humano do que esse aqui?

ANA PAULA Mas se chover, estamos ferrados.

MILENA (olha para o céu) Vai chover não, Aninha. O céu tá tão lindo! (tempo, suspira) Adoro noites de lua cheia.

LEON Onde é que fica a entrada?

JERRI Que entrada?

LEON

A entrada do bar, oras.

JERRI Ah, amiguinho! Primeiro, isso aqui não é um bar, é um espetinho. Segundo, não tem entrada nem saída.

LEON

E qual é a diferença entre bar e

espetinho?

CONTINUANDO:

5.

JERRI Não sei. Mas que existe diferença, ah, isso existe!

LEON Mas eu não tô vendo

Tá, tá

nenhuma mesa desocupada.

JERRI Deve ter alguma lá do outro lado. Vamos.

Jerri vai na frente, os outros o seguem. Um homem gordo e mal vestido, aparentando ser o dono do estabelecimento, indica uma mesa com quatro cadeiras num canto. Eles se sentam e começam a conversar. O som, extremamente alto, impede que se ouça o que dizem. Instantes depois, Jerri se levanta, vai até a carrocinha, fala com o dono, que pega uma lata de cerveja e três de refrigerante, junto com quatro copos descartáveis e entrega a Jerri, que volta à sua mesa tentando não derrubar as quatro latas. Quando Jerri começa a colocar as bebidas sobre a mesa com a ajuda das meninas, a música muda para um tema brega romântico. Vários casais levantam e começam a dançar. Jerri começa a balançar os braços conforme o ritmo da música. Leon bate com os dedos na mesa. Ana Paula e Milena apenas movem o corpo lentamente, de um lado para o outro. Leon e Milena trocam olhares e sorrisos tímidos. Jerri enche o seu copo de cerveja e o ergue a altura de sua cabeça.

JERRI Eu quero propor um brinde! Ao nosso querido Leon, por sua vitória. A primeira de muitas!

Milena, Leon e Ana Paula acompanham Jerri no brinde. Ana Paula sorri, como se tivesse acabado de perceber o clima entre Leon e Milena. A música termina, e a ela segue-se outra canção romântica. Os quatro se calam e continuam bebendo, até que as latas secam.

LEON Tô cansado de ficar aqui sentado. (levanta)

MILENA

Eu também. (levanta, um pouco

hesitante) Vamos volta?

Vamos dar uma

Vamos.

LEON

Os dois saem juntos. Jerri e Ana Paula ficam sozinhos.

CONTINUANDO:

6.

JERRI Vou pegar mais bebida. Quer alguma coisa?

ANA PAULA (séria) Tô com fome. Dá pra trazer algo de comer por favor?

JERRI Com certeza. Volto em um minuto.

Jerri se afasta. Ana Paula acompanha um grupo de rapazes bonitos que passam perto dela e sorri, com um leve desânimo.

ANA PAULA Enquanto isso, só a lontra daquele camelô olha pra mim. Ai, ai

CORTA PARA

CENA 16 - PRAÇA PRÓX. AO ESPETINHO - EXT - NOITE

Leon e Milena estão a certa distância do espetinho, mas ainda dá para ouvir nitidamente a música. Os dois estão em pé, perto de uma frondosa árvore. Milena toca o tronco da árvore.

MILENA No quintal da minha casa tinha uma árvore dessa aqui.

LEON Você deve ter muita saudade, não é?

MILENA Penso no papai todos os dias. Rezo

pra ele ficar bem

tenho vontade de voltar pra Toritama, principalmente quando nada parece dar certo. Mas é um sacrifício que eu faço pra ver minha vida melhorar. Um dia trago meu velhinho pra morar aqui em Recife. (sorri)

LEON E você subia em árvore?

Às vezes eu

CONTINUANDO:

7.

MILENA Claro, sempre! Já caí tanto! (ri) Você não?

LEON Não, minha mãe morria de medo que eu caísse e me quebrasse todo.

MILENA A minha mãe também. Mas como é que eu ia aprender se não caísse? Foi de tanto quebrar braço e perna que eu aprendi muita coisa nessa vida.

LEON É, você tem razão.

MILENA Falando nisso, agora me deu vontade de subir nessa árvore aí. E cantar com os pássaros.

LEON Acho que aí não tem pássaro nenhum pra cantar com você

Milena tira os sapatos de salto e começa a subir na árvore, sob o olhar admirado de Leon.

LEON Como você consegue fazer isso tão facilmente?

MILENA (subindo) São quinze anos de prática!

No meio do caminho, Milena escorrega em algo, não consegue se segurar e cai. Leon, rápido, a segura nos braços.

LEON Essa foi por pouco.

Valeu.

MILENA

Os dois não falam mais nada. Seus rostos se tornam mais próximos, até que se beijam longamente. Depois, Leon a coloca no chão. Os dois sorriem, tímidos.

Interese conexe