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REMÉDIOS E TRATAMENTOS NA MEDICINA AYURVÉDICA PARA DOENÇAS COMUNS

REMÉDIOS E TRATAMENTOS NA MEDICINA AYURVÉDICA PARA DOENÇAS COMUNS

Dr. Bhagwan Dash, Ph.D.

Traduzido por:

Williams Ribeiro de Farias Dra. Yeda Ribeiro de Farias

EDITORA CHAKPORI

2

Título Original: “Ayurvedic Remedies – Ayurvedic Cures For Common Diseases”

Direitos autorais adquiridos por:

EDITORA CHAKPORI

3

ÍNDICE

ÍNDICE

4

INTRODUÇÃO

8

PRINCÍPIOS

FUNDAMENTAIS DO AYURVEDA

10

PRINCÍPIOS

DO TRATAMENTO AYURVÉDICO

26

CONDUTA PARA O HORÁRIO DIURNO

34

FEBRES

44

GRIPE

44

MALÁRIA

48

SARAMPO

52

CAXUMBA

53

FILARIOSE

54

DOENÇAS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO

57

ASMA BRÔNQUICA

57

BRONQUITE

60

HEMOPTISE

64

SOLUÇOS

64

PLEURITE

65

TUBERCULOSE

67

DOENÇAS DA PELE E DOS CABELOS

72

CALVÍCIE

72

ECZEMAS

74

4

BRANQUEAMENTO DOS CABELOS

76

LEUCODERMIA

79

BROTOEJAS

81

PSORÍASE

82

TINHA

84

ESCABIOSE

85

URTICÁRIA

86

DOENÇAS DO SANGUE E DO SISTEMA

CARDIOVASCULAR

90

ANEMIA

90

CARDIOPATIAS ANGINA PECTORIS

94

HIPERTENSÃO

97

ICTERÍCIA

103

EDEMA

105

ESCORBUTO

107

DOENÇAS OCULARES

110

CATARATA

110

MIOPIA

112

TERÇOL

115

DOENÇAS DOS ÓRGÃOS GENITAIS

117

ESTERILIDADE FEMININA

117

LEUCORRÉIA

120

ESTERILIDADE MASCULINA

123

MENORRAGIA

127

MENSTRUAÇÃO DOLOROSA

128

DOENÇAS PSÍQUICAS E DOENÇAS DO SISTEMA

NERVOSO

132

CÃIBRAS

132

EPILEPSIA

134

PARALISIA FACIAL

137

PERDA DA MEMÓRIA

139

HISTERIA

141

5

ESQUIZOFRENIA

143

CIATALGIA

145

INSÔNIA

148

DOENÇAS DO SISTEMA DIGESTIVO

151

DISENTERIA AMEBIANA

151

CIRROSE HEPÁTICA

153

CÓLICAS

155

ÚLCERA DUODENAL

158

FLATULÊNCIA

160

GASTRITE

162

HEMATÊMESE

164

INDIGESTÃO

164

DIARRÉIA INFANTIL

167

HEMORRÓIDAS

171

SÍNDROME DO ESPRU

172

SEDE

176

VÔMITOS

177

PARASITAS INTESTINAIS

179

CONSTIPAÇÃO CRÔNICA

180

DOENÇAS METABÓLICAS, ENDÓCRINAS E

ARTICULARES

185

ESPONDILOSE CERVICAL

185

DIABETES

188

BÓCIO

190

GOTA

192

LOMBALGIA

193

OBESIDADE

194

REUMATISMO

198

ARTRITE REUMATÓIDE

200

DOENÇAS DO SISTEMA URINÁRIO

203

ENURESE NOTURNA

203

DISÚRIA

206

NEFRITE

210

HIPERTROFIA DA PRÓSTATA

211

6

CÁLCULOS RENAIS

213

HEMATÚRIA

215

DOENÇAS DOS OUVIDOS , NARIZ E GARGANTA

217

EPISTAXE

217

GLOSSITE

220

ROUQUIDÃO

221

OTITE

222

PIORRÉIA

223

ESPIRROS

225

ESTOMATITE

227

AMIGDALITE

229

DOENÇAS DA CABEÇA

232

CEFALÉIA

232

ENXAQUECA

235

MEDICAMENTOS AYURVÉDICOS PARA O PLANEJAMENTO FAMILIAR

238

7

INTRODUÇÃO

A palavra Ayurveda é composta de dois termos, Ayush que significa vida e Veda que significa conhecimento ou ciência.

Portanto, etmologicamente, Ayurveda significa a ciência da vida ou Biologia. Além da medicina, vários outros aspectos da vida são abordados pelo Ayurveda. Sob uma perspectiva mais ampla, inclui a saúde e o tratamento das doenças dos animais e também das plantas. Assim, na Índia antiga, havia matérias especializadas como Ashva Ayurveda (para o tratamento dos cavalos), Gaja Ayurveda (para o tratamento de bois) e Vriksha Ayurveda (para o tratamento das doenças das plantas). Tratados sobre estas ciências foram escritos por eminentes estudiosos como Nakula, Shalihotra e Parashara.

O Ayurveda fornece procedimentos racionais de tratamento

para muitas doenças que são consideradas crônicas e incuráveis por outros sistemas de medicina. Simultaneamente, enfatiza a manutenção da saúde positiva de um indivíduo. Isto auxilia tanto na prevenção quanto na cura das doenças. O Ayurveda estuda

também a natureza básica do ser humano, e as necessidades

naturais como a fome, a sede, o sono, o sexo, etc., e fornece medidas para a adoção de um modo de vida disciplinado e livre das doenças.

A prática do Ayurveda caiu em desuso após as repetidas

invasões que aconteceram na Índia. Os trabalhos originais foram

8

destruídos, e os charlatões prosperaram, introduzindo modificações não autorizadas no sistema. No final do século XIX e início do século XX, as pessoas começaram a pensar no desenvolvimento do Ayurveda. Este pensamento ganhou ímpeto com o movimento swadeshi. Muitos comitês de especialistas foram constituídos pelo Governo para investigar os problemas desta ciência e sugerir medidas para resolvê-los. Após a independência, o Governo nacional mostrou profundo interesse em colocar os negócios do Ayurveda em linhas científicas e desenvolvê-lo de forma que muitas universidades, consultórios, hospitais e farmácias ayurvédicas foram estabelecidas em diferentes partes do país. Este manual fornece uma análise geral da teoria e prática do Ayurveda. Direcionado para a família, a ênfase deste trabalho é para o tratamento geral das doenças comuns que pode ser administrado em casa. A parte teórica deste livro é, portanto, breve e não técnica. Tenho profunda esperança de que os leitores achem esta publicação útil em seu dia-a-dia.

Dr. Bhagwan Dash New Delhi, Índia

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Capítulo 1

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO AYURVEDA

O corpo humano, de acordo com o Ayurveda, é composto de três elementos fundamentais denominados doshas, dhatus e malas. Os doshas governam as atividades fisiológicas e físico- químicas do corpo. Os dhatus entram na formação da estrutura básica de cada célula do corpo, realizando através disso, algumas ações específicas. Os malas constituem substâncias que são parcialmente utilizadas pelo corpo e parcialmente excretadas de uma forma modificada depois de exercerem suas funções fisiológicas. Estes três elementos estão em um equilíbrio dinâmico uns com os outros para promover a manutenção da saúde. Qualquer desequilíbrio ou predominância de um deles resulta em doença ou sofrimento.

Pancha Mahabhutas O homem possui cinco sentidos e através destes sentidos ele percebe o mundo exterior de cinco maneiras diferentes. Os órgãos dos sentidos são os ouvidos, a pele, os olhos, a língua e o nariz. Através destes órgãos sensoriais, o objeto externo não é apenas percebido, mas também absorvido para dentro do corpo humano

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na forma de energia. Eles são a base na qual todo o universo está dividido, agrupado ou classificado, de cinco maneiras diferentes, sendo conhecidos como os cinco Mahabhutas 1 . São denominados akasa (céu), vayu (ar), agni (fogo), jala (água) e prithvi (terra). Os equivalentes em língua Ocidental, no entanto, não possuem a conotação correta e a totalidade das implicações destes termos. Por exemplo, a água comum não contém apenas jala mahabhuta, mas é composta de todos os cinco mahabhutas. É a força de coesão ou o poder de atração que é inerente em jala ou na água, sendo esta a principal característica de jala mahabhuta. Da mesma forma, o ar não é apenas vayu mahabhuta, mas contém os elementos que pertencem aos demais mahabhutas também. Por exemplo, o oxigênio estará mais próximo de agni mahabhuta e o hidrogênio, mais próximo de jala mahabhuta. A física e a química modernas dividem a matéria disponível no universo em alguns elementos básicos. Estes elementos diferem uns dos outros em certos aspectos. Todos estes elementos podem ser classificados em cinco categorias de mahabhutas. Por outro lado, cada átomo possui os aspectos característicos de todos os cinco mahabhutas. Os elétrons, pósitrons, nêutrons, etc. presentes dentro dos átomos, representam prithvi mahabhuta. A força ou coesão que os mantém atraídos entre si é um atributo característico de jala mahabhuta. A energia produzida no interior do átomo quando este é rompido e a energia que permanece latente, na forma integral, representam atributos de agni mahabhuta. A força de movimento dos elétrons representa o aspecto característico de vayu mahabhuta e o espaço no qual se movem é o atributo primário de akasha mahabhuta.

1 Os cinco “elementos” ou conceitos fundamentais formadores do Universo.

11

Diferentes escolas de filosofia tentaram explicar a teoria dos Pancha Mahabhutas de diferentes maneiras. Enquanto algumas explicações são basicamente as mesmas, outras são amplamente diferentes. No entanto, todas as escolas de filosofia teológica possuem um fundamento comum em sua crença na criação do universo através dos Pancha Mahabhutas. Entre as demais escolas de filosofia, algumas, como a de Charvaka, não acreditam na existência do quinto mahabhuta, ou seja, akasha, porque não é perceptível ao sentido da visão comum. No entanto, o Ayurveda é muito claro sobre este assunto e baseia-se na teoria do Pancha Mahabhuta. De acordo com o Ayurveda, o corpo de um indivíduo é composto de cinco mahabhutas. Da mesma forma, nas outras formas materiais também existem cinco mahabhutas. No corpo humano, estes cinco mahabhutas estão representados na forma dos doshas, dhatus e malas. Fora do corpo, eles formam os ingredientes básicos das drogas e dos alimentos. Os atributos característicos dos cinco mahabhutas são explicados em termos dos sabores ou rasa, das qualidades ou gunas, das potências ou viryas e dos sabores que se manifestam após a digestão e o metabolismo da substância, ou vipaka. No corpo normal de um ser vivo, estas substâncias permanecem em uma determinada proporção. Entretanto, por causa da ação enzimática no interior do corpo humano, esta razão entre os cinco mahabhutas, ou o seu equilíbrio, torna-se alterado. O corpo, no entanto, possui a tendência natural de manter o equilíbrio. Desta forma, ele elimina alguns dos mahabhutas que estão em excesso e absorve outros mahabhutas que estejam deficientes. Este déficit de mahabhutas é preenchido com os ingredientes que compõem os alimentos, as bebidas, o ar, o calor, a luz do sol, etc. O processo pelo qual os Pancha mahabhutas

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exógenos são convertidos em Pancha mahabhutas endógenos será discutido em um estágio posterior. Mesmo durante o processo da morte, estes cinco bhutas representam um papel muito importante. Eles podem ser separados em duas formas diferentes denominadas, literalmente, de forma grosseira e forma sutil. As cinco categorias de mahabhutas sutis no interior do corpo impregnam os cinco sentidos por cinco vezes e, então, eles se separam destes cinco sentidos, ocorrendo assim a morte. O corpo morto perde os cinco sentidos e torna-se composto, portanto, apenas dos cinco mahabhutas grosseiros.

O conceito dos Tridoshas Como descrito anteriormente, no interior do corpo existem três doshas que governam as atividades físico-químicas e fisiológicas. Estes três doshas são denominados vayu, pitta e kapha. Os equivalentes mais próximos a estes termos em língua Ocidental são ar, bile e fleuma. Todos os constituintes do corpo são derivados dos cinco mahabhutas. Portanto, os doshas também são compostos de cinco mahabhutas. Todos os doshas possuem todos os cinco mahabhutas em sua composição. O dosha vayu é dominado pelos mahabhutas akasha (espaço) e vayu (ar). No dosha pitta predominam o mahabhuta agni (fogo) e no dosha kapha predominam os mahabhutas jala (água) e prithvi (terra). A doutrina dos doshas representa um importante papel no Ayurveda considerando que eles formam a base para a manutenção da saúde positiva e para o diagnóstico, assim como para o tratamento das doenças. Uma correta apreciação desta doutrina é, portanto, essencial para a adequada compreensão e avaliação da teoria e prática do Ayurveda. Quando estão em seu estado natural, sustentam o corpo e qualquer distúrbio em seu

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equilíbrio resulta em doença e sofrimento. Estes três doshas penetram em todo o corpo. Há, no entanto, alguns elementos ou órgãos do corpo nos quais eles estão primariamente localizados. Por exemplo, a bexiga, os intestinos, a região pélvica, as coxas, pernas e ossos são primariamente sítios de vayu. Os sítios primários de pitta são a linfa, o suor, o sangue e o estômago. Da mesma forma, os sítios primários de kapha são o tórax, a cabeça, o pescoço, as articulações, a porção superior do estômago e o tecido adiposo. Cada um destes três doshas são novamente divididos em cinco tipos. Estas cinco divisões representam apenas cinco diferentes aspectos dos mesmos doshas e deve ficar claro que não constituem cinco diferentes entidades no corpo. As localizações e as funções destas divisões de vayu, pitta e kapha são fornecidas na tabela abaixo.

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Doshas

Localização

Função normal

Doenças causadas pelo desequilíbrio

VAYU

1. Prana

Coração

Respiração e

Soluços, bronquite, asma, resfriado,

deglutição

rouquidão

2. Udana

Garganta

Fala e voz

Várias doenças dos

olhos, ouvidos, nariz

e

garganta

3. Samana

Estômago e

Auxilia na ação das enzimas digestivas, na assimilação dos produtos finais da digestão e na separação em seus vários elementos teciduais

Indigestão, diarréia

Intestino

e

falhas na

delgado

assimilação

4. Apana

Cólon e órgãos pélvicos

Eliminação de fezes, urina, sêmen e sangue menstrual

Doenças da bexiga, do ânus, dos testículos, doenças urinárias crônicas, incluindo diabetes

5. Vyana

Coração

Auxilia na função de circulação dos canais, como os vasos sangüíneos

Dificuldade na circulação dos canais e doenças como febre e

diarréia

15

PITTA

 

1. Pachaka

Estômago e

Digestão

Indigestão

intestino

delgado

2. Ranjaka

Fígado, baço e estômago

Formação do

Anemia, icterícia,

sangue

etc.

3. Sadhaka

Coração

Memória e outras funções mentais

Distúrbios psíquicos

4. Alochaka

Olhos

Visão

Dificuldades visuais

5. Bhrajaka

Pele

Coloração e

Leucoderma e outras doenças de pele

revestimento da

pele

KAPHA

 

1.

Kledaka

Estômago

Umedece o

Dificuldades na

 

alimento,

digestão

auxiliando a

digestão

2.

Avalambaka

Coração

Energia para os membros

Preguiça

3.

Bodhaka

Língua

Percepção do

Deficiência do

 

sabor

paladar

4.

Tarpaka

Coração

Nutrição dos

Perda da memória e falha na função dos órgãos sensoriais

 

órgãos sensoriais

5.

Sleshaka

Articulações

Lubrificação das

Dor nas articulações e falha na função articular

 

articulações

16

Pode-se observar através da apresentação acima que os doshas e suas divisões estão localizados em quase todos os órgãos vitais do corpo e regulam todas as funções do corpo e da mente.

Durante as diferentes estações do ano, estes doshas passam por certas mudanças. Por exemplo, vayu torna-se desequilibrado no final do verão. Pitta torna-se desequilibrado durante o outono e kapha tende a se desequilibrar durante a primavera. Se determinadas precauções não forem tomadas durante estas estações a pessoa expõe-se a certas doenças causadas por estes doshas. As precauções a serem tomadas nestas estações serão descritas posteriormente. Nos textos clássicos do Ayurveda, sugere-se que para promover a saúde positiva e prevenir a ocorrência de doenças, a pessoa deve submeter-se a um enema medicinal no final do verão, a uma purgação durante o outono e a uma terapia emética durante a primavera.

Conceito de Sapta Dathu Os elementos teciduais básicos do corpo são conhecidos como dhatus no Ayurveda. O termo dhatu significa, etmologicamente, aquele que ajuda o corpo ou que entra na formação da estrutura básica do corpo como um todo. Os dhatus são sete e estão relacionados a seguir:

1. Rasa ou quilo, inclui a linfa.

2. Rakta ou a fração hemoglobínica do sangue.

3. Mamsa ou tecido muscular.

4. Medas ou tecido adiposo.

5. Asthi ou tecido ósseo.

6. Majja ou medula óssea

17

7. Sukra ou tecido regenerativo, esperma no homem e óvulo na mulher. Estes sete dhatus são compostos dos cinco mahabhutas.

- Prithvi mahabhuta (terra) predomina nos tecidos muscular e adiposo.

- Jala mahabhuta (água) predomina na linfa e no quilo.

- Tejas mahabhuta (fogo) constitui a fração hemoglobínica do sangue.

- Vayu mahabhuta (ar) compõe o osso.

- Akasha mahabhuta (espaço) compõe os poros no interior do osso. Deve estar claro, no entanto, que todos os sete dhatus são compostos de todos os cinco mahabhutas e apenas os mahabhutas predominantes foram descritos acima. Estes dhatus permanecem no interior do corpo humano em uma proporção particular, e qualquer alteração em seu equilíbrio leva à doença e ao sofrimento.

Conceito de Mala As fezes, a urina e o suor são três importantes malas reconhecidos no Ayurveda. São produtos residuais do corpo e sua eliminação apropriada é essencial para a manutenção da saúde do indivíduo. Afirma-se que as fezes são compostas apenas de resíduos da alimentação ingerida pelo indivíduo, mas, na verdade, elas contém substâncias que são eliminadas dos tecidos celulares do corpo. A evacuação adequada é, portanto, essencial para a manutenção dos tecidos em seu estado de saúde perfeita. Se houver eliminação inadequada, as doenças ocorrem não apenas no trato gastrointestinal, mas também em outras partes do corpo. Nas doenças como a lombalgia, o reumatismo, a ciatalgia e a paralisia, e mesmo bronquite e asma, as precauções para assegurar uma adequada eliminação das fezes são essenciais

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antes de se iniciar qualquer tratamento ayurvédico. Se não for adequadamente evacuado, este mala fornece um ambiente propício para o crescimento de diferentes tipos de microrganismos intestinais e isto, às vezes, afeta o crescimento de algumas bactérias amigáveis no cólon que auxiliam na síntese de substâncias úteis ao corpo. A urina é outro produto residual através da qual muitos resíduos corporais são eliminados. Mesmo que a pessoa com excesso de micções seja considerada doente, no Ayurveda aconselha-se que uma quantidade adequada de água deva ser ingerida, tanto no verão como no inverno, de forma que ocorram no mínimo seis micções durante do período diurno. A sudorese é essencial para a manutenção da saúde da pele. Exercícios apropriados, terapias como fomentação e certas drogas ajudam o organismo a transpirar e através da transpiração uma grande quantidade de produtos residuais é eliminada do corpo. Normalmente, as fezes, a urina e a sudorese possuem cheiro desagradável. Mas, eventualmente, o odor torna-se intolerável e o indivíduo precisa tomar certos medicamentos para corrigir este mau cheiro.

Srotas ou Canais de Circulação O corpo inteiro é composto de muitos tipos de canais de circulação através dos quais os elementos teciduais básicos, os doshas e alguns produtos residuais circulam ou se movem de um local para o outro constantemente e continuamente. Para o adequado funcionamento do organismo, é necessário que estes canais permaneçam perfeitos e que o processo de circulação continue ininterruptamente. Uma das mais importantes funções destes canais é transportar os produtos dos alimentos do trato gastrointestinal e torná-los disponíveis aos elementos teciduais básicos, ajudando em sua nutrição. Em resumo, incluem todos os

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grandes canais do corpo como o trato gastrointestinal, as artérias, os vasos linfáticos e o trato gênito-urinário, que são macroscópicos, até os minúsculos capilares que são microscópicos. O Ayurveda reconhece 13 canais no corpo humano. Estes srotas ou canais de circulação representam um importante papel no advento da doença. Se o movimento ou a circulação nestes canais é interrompida ou bloqueada por fatores internos ou externos, isto resulta no acúmulo das substâncias que estão sendo transportadas naquele canal em particular e o metabolismo no tecido é afetado, dando origem, portanto, a produtos imaturos ou não metabolizados. Estes produtos incompletamente metabolizados não se acumulam apenas no local, mas podem circular através de todo o corpo sendo desviados para outros canais que ainda estejam funcionando. Estas substâncias bloqueiam as atividades daqueles canais, resultando na manifestação de uma doença. Para conservar os canais em perfeito estado ou em condições adequadas de funcionamento, muitas prescrições e proibições são apresentadas nos textos ayurvédicos. Algumas destas recomendações dizem respeito ao horário das refeições, à eliminação das fezes, ao atendimento das necessidades naturais do corpo e aos exercícios físicos.

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Digestão e Metabolismo O alimento que vem do mundo externo ao corpo deve ser triturado, absorvido e assimilado. Uma substância heterogênea deve ser transformada em homogênea. Os fatores responsáveis por estas atividades no corpo são conhecidos como agnis. Eles representam os vários tipos de enzimas que atuam no trato gastrointestinal, no fígado e nos tecidos celulares. Quando os doshas do corpo estão em um estado de equilíbrio, estes agnis ou enzimas funcionam normalmente. No entanto, quando há qualquer distúrbio neste equilíbrio, ocorre um bloqueio nas funções destes agnis. Os quatro estados dos agnis estão resumidos abaixo:

Estado do Agni

Sintomas

Observações

1

2

3

1. Vishamagni

Algumas vezes digere lentamente, algumas vezes normalmente e outras vezes ainda, produz adhamana (distensão abdominal), shula (cólicas), udavarta (movimento ascendente de vayu estômago), atisara (diarréia), jathara (ascites), gaurava (sensação de peso), antrakujana (ruídos abdominais), pravahana (disenteria).

Um estado irregular de agni surge como resultado da influência de vata, em uma condição denominada vishamagni. Neste estado, algumas vezes o processo de digestão completa-se e em outras, produz distensão abdominal, dores em cólicas, constipação, disenteria, ascites, peso nos membros e mesmo a perda do controle dos movimentos.

21

 

1

2

 

3

2.

Tikshnagni

Digere grandes quantidades de tudo, até mesmo em freqüentes refeições. Após a digestão produz gala shosha e daha (garganta seca), oshtha shosha e daha

A

ação do jatharagni neste

 

estado é influenciado predominantemente por pitta. O agni nesta condição

é

considerado

excessivamente estimulado

 

e,

portanto, é conhecido

(lábios secos), talushosha e daha (palato seco) e santapa (sensação de queimação)

como tikshnagni. Neste estado, o agni digere facilmente mesmo alimentos pesados, em pouco espaço de tempo. Causa fome voraz uma condição geralmente denominada atyagni (ou bhasmaka por certos especialistas). Possibilita a um glutão digerir todas as suas freqüentes refeições.

3.

Mandagni

Não consegue digerir adequadamente, mesmo a dieta normal causando udara gaurava (sensação de peso no abdome), shiro gaurava (sensação de peso na cabeça), kasa (tosse), shvasa (dispnéia), praseka (salivação), chhardi (vômitos) e gatra sadana (fraqueza no corpo)

Este é um estado no qual a ação do jatharagni é considerada inibida devido a influência dominante de kapha. Portanto, neste estado o agni é conhecido como mandagni. Neste caso, o agni é incapaz de digerir e metabolizar mesmo pequenas quantidades de qualquer alimento facilmente digerível.

22

1

2

3

4. Samagni

Digere adequadamente a dieta normal.

No bem equilibrado estado de funcionamento dos tridoshas, o jatharagni também está com sua função normalizada. Este estado tem sido descrito como samagni. Em outras palavras, quando os tridoshas estão em um estado equilibrado de funcionamento, jatharagni assegura a completa digestão do alimento, no período apropriado, sem quaisquer irregularidades.

O conceito de agni no Ayurveda, que se refere a múltiplas funções relacionadas com pitta, é prontamente compreensível. Inclui não apenas os agentes químicos responsáveis pelo aharapachana no kashtha (corresponde à digestão gastrointestinal), que leva à separação do sarabhaga (fração nutritiva) do ahara (alimento) de seu kittabhaga (resíduo não digerível do alimento), mas também por eventos metabólicos síntese de energia e manutenção do metabolismo. Além disso, compreende os processos de foto e quimiossíntese. Pachaka pitta, conhecido às vezes como jatharagni, koshthagni, antaragni, pachakagni e dehagni, quando localizado em seu próprio sítio, em uma área entre amashaya e pakvashaya, participa diretamente na digestão do alimento e ao mesmo tempo dá suporte e incrementa a função dos demais pittas presentes em outros lugares do corpo, ou seja, ranjaka (fígado, baço e estômago), sadhaka (coração), alochaka (olhos) e bhrajaka (pele). Acredita-se que pachaka pitta

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contribua com metade de sua totalidade para a ação dos sete dhatvagnis (enzimas localizadas nos elementos teciduais), e sustenta e eleva a função destes últimos.

Diferentes tipos de Agnis:

1

Tipo de Jatharagni

5

Tipos de Bhutagnis e

7 Tipos de Dhatvagnis. O Jatharagni refere-se ao fenômeno da digestão gastrointestinal. Os Bhutagnis auxiliam na transformação dos Mahabhutas externos em Mahabhutas internos. A função dos Bhutagnis é tornar homólogos os Mahabhutas exógenos. Os dhatvagnis ou enzimas estão localizados nos tecidos do corpo. Eles auxiliam na assimilação e na transformação do material nutriente recebido depois da transformação pelos Bhutagnis em substâncias homólogas aos elementos teciduais. O Ayurveda coloca muita ênfase em todos estes agnis de forma que todos são tratados como sinônimos de corpo físico. Antes de iniciar um tratamento para qualquer doença, os problemas com estes agnis são localizados e esforços são despendidos para corrigi-los. A maioria dos medicamentos utilizados no Ayurveda contém substâncias que estimulam o funcionamento destas enzimas em diferentes níveis. Algumas terapias de eliminação são também prescritas no Ayurveda tendo em vista a limpeza dos canais de circulação e a remoção dos produtos residuais neles acumulados. Este procedimento ajuda no adequado funcionamento dos agnis. Na infância, o estado dos agnis é moderado e com a idade o poder dos agnis aumenta, resultando em melhor digestão e metabolismo. Isto auxilia no processo de crescimento do corpo. Após os 40 anos, o poder dos agnis permanece estável até que o indivíduo alcance os 60. Após os 60, seu poder declina. Os tecidos

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corporais não conseguem nutrição adequada, reduzem-se em número, tamanho e qualidade. Isto dá origem ao processo de envelhecimento. Quando o indivíduo morre, o funcionamento das enzimas se interrompe. Através da Terapia de rejuvenescimento dirige-se o procedimento para rejuvenescer e revitalizar estas enzimas de forma que elas possam manter ou aumentar suas atividades. Isto ajudará a prevenir o envelhecimento e as doenças associadas ao mesmo. Os alimentos que ingerimos se convertem em diferentes elementos teciduais e para todos estes tecidos há um tempo necessário para esta conversão. Este tempo de conversão dos alimentos em um tipo particular de tecido pode ser alterado através do uso de alguns medicamentos. Por exemplo, se o agni ou as enzimas forem estimuladas através de certas ações, os afrodisíacos ou estimulantes sexuais aumentam a produção de esperma e óvulo a partir dos ingredientes dos alimentos. A doença é causada pela obstrução dos canais de circulação. A obstrução é causada pelo acúmulo de produtos residuais. Estes produtos residuais ou material não digerido (no Ayurveda diz-se também material não cozido pelas enzimas digestivas) podem ser convertidos ou eliminados se os agnis ou enzimas responsáveis aí localizadas são estimulados. Esta é a função da maioria dos medicamentos ayurvédicos e esta é maneira como as doenças são controladas e curadas.

25

Capítulo 2

PRINCÍPIOS DO TRATAMENTO AYURVÉDICO

Os doshas, denominados vayu, pitta e kapha, estão distribuídos em todo o corpo. Eles regulam as funções de todos as células teciduais e estão presentes em cada uma delas. Quando o esperma e o óvulo unem-se no útero da mãe para formar um zigoto, os doshas presentes neles e fora deles, no útero, produzem certos aspectos característicos que na terminologia ayurvédica são conhecidos como prakriti. Se todos os doshas estão em um estado de equilíbrio, geram um feto saudável, e a criança nascida deste feto leva uma vida muito saudável. Se os doshas estão em um estado muito desequilibrado, podem tanto evitar a concepção, não permitir que o zigoto se desenvolva quanto resultar em malformações. Se, no entanto, um ou dois doshas estão em excesso, dão origem a um tipo de constituição física e temperamento psíquico no indivíduo nascido destes doshas alterados. Estas características do corpo e da mente permanecem com o indivíduo durante toda sua vida. Não sofrem alterações e qualquer sinal de mudança nestas características é

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sinal de morte. Sete tipos de prakriti 2 são reconhecidos no Ayurveda, com suas características específicas.

Para o tratamento ayurvédico, o conhecimento do prakriti é muito importante. Por exemplo, uma pessoa que seja vata prakriti

é sempre muito provável que adquira uma doença do tipo vatika,

sendo que as doenças de outros tipos não lhe trazem muitos problemas, ou são facilmente curáveis. Para prevenir a ocorrência de doenças, o indivíduo que possui vata prakriti deve evitar constantemente alguns fatores que agravam vata e recorrer a alimentos, bebidas e condutas que aliviem vata. Alimentos oleosos

e picantes em geral vão satisfazê-lo, enquanto que uma pessoa

pitta prakriti vai achar mais adequada a ingestão e as condutas frias. Da mesma forma com os medicamentos: para um paciente pitta prakriti devem ser administrados drogas frias e um paciente kapha prakriti deve receber medicamentos que aqueçam, possuindo características como amargor, secura, aspereza, etc. O quinino, por exemplo, pode ser prescrito seguramente para um paciente kapha prakriti, não será muito adequado para um indivíduo vata prakriti e será prejudicial se for administrado em um paciente pitta prakriti.

Composição das Drogas Como outras coisas no universo, uma droga é composta dos cinco mahabhutas, ou seja, akasha, vayu, tejas, jala e prithvi. É difícil precisar a composição bháutika de uma droga apenas através da análise de sua aparência física. Esta composição bháutika deve ser verificada com base no sabor destas drogas. Por exemplo, se uma droga possui o sabor doce, deve-se deduzir que há uma predominância dos mahabhutas prithvi (terra), jala (água) e agni

2 Ver “Fundamentos da Medicina Ayurvédica”, Dr. Bhagwan Dash, Editora Chakpori, 1998.

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(fogo). Se possuir um sabor salgado, predominam os mahabhutas prithvi (terra) e agni (fogo). Se possuir sabor picante, é dominado pelos mahabhutas agni (fogo) e vayu (ar). Se tiver sabor amargo, é dominado pelos mahabhutas vayu (ar) e akasha (espaço) e se tiver sabor adstringente, predominam os mahabhutas prithvi (terra)

e vayu (ar). Como foi descrito anteriormente, os doshas no corpo também são compostos destes cinco mahabhutas, ou seja, kapha

é dominado pelos mahabhutas prithvi (terra) e jala (água), pitta é

dominado pelo mahabhuta agni (fogo) e vayu é dominado pelos mahabhutas vayu (ar) e akasha (espaço) Se uma doença for causada por um desequilíbrio de kapha dosha, então pode-se prescrever bebidas e drogas que tenham menor proporção dos mahabhutas prithvi (terra) e jala (água), e maior proporção de agni (fogo), vayu (ar) e akasha (espaço). Sendo assim, drogas com sabor picante, amargo e adstringente (o último apenas parcialmente) contém estes três mahabhutas. Portanto, medicamentos com estes sabores (picante, amargo e adstringente) são administrados ao paciente portador de uma doença dominada por kapha dosha. A mesma regra prevalecerá na seleção de drogas para doenças causadas por outros doshas também. O exposto acima é apenas uma breve explicação da ação das drogas ayurvédicas. Há muitos outros fatores que são levados em consideração durante a seleção de uma droga. São eles: os atributos (gunas), a potência (virya), o sabor apresentado depois que o material é digerido (vipaka) e a ação específica (prabhava). Todos estes fatores no interior da droga são interrelacionados e interdependentes, porque representam diferentes aspectos dos mahabhutas dos quais a droga é composta.

Classificação das Drogas Ayurvédicas

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As drogas ayurvédicas incluem produtos vegetais, minerais e animais. Podem ser classificados em cinco categorias:

A) Drogas cientificamente estudadas: Algumas drogas simples e preparações compostas, como por exemplo Sarpagandha e Yogaraja guggulu, foram estudadas cientificamente e os benefícios terapêuticos declarados a seu respeito foram verificados. Sarpagandha é útil nas hipertensões e Yogaraja guggulu, para reumatismo.

B) Drogas populares não-tóxicas: Alguns medicamentos ayurvédicos são populares por sua utilidade terapêutica e sua característica não-tóxica. Um destes medicamentos é a Chyavanaprasa. A planta amalaki (Emblica officinalis) é o ingrediente mais importante desta droga, útil no tratamento de doenças pulmonares como as bronquites.

C) Drogas eficazes mas tóxicas: Há algumas drogas, por exemplo, Bhallatakavaleha, que possuem conhecidos valores terapêuticos mas que produzem grave toxicidade se utilizadas indiscriminadamente. Bhallataka (Semecarpus anacardium) é o mais importante ingrediente deste medicamento que é útil no tratamento de doenças de pele crônicas e de difícil tratamento.

D) Drogas raramente usadas: Algumas drogas, por exemplo, Shrivishnu taila, apesar de serem mencionadas nos clássicos ayurvédicos, não são extensivamente utilizadas. Apenas médicos de algumas regiões da Índia utilizam-nas e reconhecem sua eficácia.

E) Drogas hereditárias e patenteadas: Alguns médicos especializaram-se na cura de determinadas doenças. As fórmulas e os métodos de preparação das drogas que administram são conhecidos apenas pelos mesmos, ou por membros de confiança de suas famílias. Enquanto algumas destas drogas não são efetivas como afirmam que sejam,

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outras foram verificadas serem muito eficazes. Na maioria dos casos os médicos não concordam em revelar a fórmula.

Denominação das Drogas Os nomes das formulações são geralmente baseados nos seguintes seis fatores:

a) Ingrediente importante: Algumas preparações são nomeadas após o ingrediente mais importante, por exemplo, Amalaki rasayana (Preparação com Emblica officinalis).

b) Autoria: O nome do estudioso ou rishi (sábio) que primeiramente descobriu ou padronizou a fórmula é empregado para denominar a droga, por exemplo, Agastya haritaki.

c) Propriedades terapêuticas: A doença para a qual a fórmula está indicada, eventualmente, é utilizada para denominar a preparação, por exemplo, Kusthaghna lepa.

d) O primeiro ingrediente da fórmula: O primeiro ingrediente da fórmula é, às vezes, utilizado para dar nome à preparação, como por exemplo, Pippalyasava.

e) Quantidade da droga: O nome do tipo de preparação aparece depois de especificada a quantidade de droga que é utilizada, por exemplo, Shatpala ghrita.

f) Parte da planta: O tipo de preparação é especificada após a parte da planta que é empregada, por exemplo, Dasamula kashaya.

Processos Farmacêuticos

No Ayurveda, diferentes processos farmacêuticos são seguidos na preparação das drogas. Além de ajudar no isolamento da fração terapeuticamente ativa das drogas, estes processos ajudam a tornar os medicamentos:

1. Facilmente administráveis;

2. Agradáveis ao paladar;

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3. Digestivos e assimiláveis;

4. Terapeuticamente mais eficazes;

5. Menos tóxicos e mais toleráveis e

6. Preserváveis por mais tempo.

Sodhana ou Purificação Algumas drogas in natura necessitam passar pelo processo denominado Sodhana para serem utilizadas. O significado literal da palavra sodhana é purificação. Mas, freqüentemente, o processo é mal interpretado como se o processo tornasse a substância física e quimicamente pura. Sodhana, sem dúvida, proporciona alguma pureza física e química mas, às vezes, mais impurezas são adicionadas à substância durante certos estágios

do processo. Através desta adição, a droga torna-se menos tóxica

e terapeuticamente mais eficaz. O acônito puro, por exemplo, não

pode ser administrado tão livremente na forma sodhita. O acônito, que inibe a função cardíaca, torna-se um estimulante cardíaco após o processo de Sodhana. Portanto, este processo requer um estudo detalhado e a exatidão na preparação das drogas sujeitas

a estes processos deve ser avaliada pelo efeito terapêutico dos

produtos finais. Algumas gomas resinas, tais como guggulu (Commiphora mukul) e algumas drogas contendo óleos voláteis, tais como kustha (Saussurea lappa), são submetidos ao Sodhana através da fervura com leite, urina de vaca, etc. Ferver, no entanto, reduz o

conteúdo de óleos voláteis da droga que se supõe serem terapeuticamente muito ativos.

A Racionalidade do Uso de Medicamentos Metálicos Metais, minerais e pedras preciosas são utilizadas na medicina desde o período Védico. Muitos sábios budistas realizaram pesquisas e compuseram trabalhos sobre

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medicamentos com ingredientes metálicos. Alguns destes metais, como o mercúrio, o chumbo e o arsênico são reconhecidamente tóxicos para o organismo e outros ainda não são capazes de serem absorvidos dos intestinos para o sangue. Portanto, todos os metais, minerais e pedras preciosas são processados tendo em vista os seguintes objetivos:

a) Torná-los absolutamente não tóxicos;

b) Torná-los facilmente absorvíveis através da mucosa intestinal e torná-los assimiláveis através das membranas celulares;

c) Aumentar sua eficácia terapêutica de forma que possa ser administrado em doses bastante reduzidas;

d) Ampliar seus efeitos terapêuticos e

e) Torná-los saborosos.

Para os propósitos acima mencionados, estes metais, etc.,

são, primeiramente submetidos ao processo de Sodhana (literalmente, purificação). Durante este processo, as moléculas do metal tornam-se frágeis e não tóxicas. Isto é feito através da fervura e trituração com diversas ervas e produtos animais. Assim,

o metal inorgânico é convertido em um composto orgânico. Depois, as substâncias passam por um outro processo, denominado marana (literalmente, neutralização). Durante este processo, o metal é friccionado com várias plantas e produtos

animais e calcinado por exposição ao calor intenso. Este processo

é repetido muitas vezes até que o metal seja reduzido a um estado

de pulverização. Durante cada processo, o pó metálico é totalmente triturado para que chegue a este objetivo. Finalmente, o metal é submetido a um processo chamado amritikarna (literalmente, conversão em ambrosia). Diferentes métodos de sodhana, marana e amritikarna são prescritos para diferentes metais, minerais e pedras preciosas. O produto final é geralmente chamado bhasma ou pó calcinado. São absolutamente

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não tóxicos, seguros e benéficos. Além de curar as doenças, auxiliam no rejuvenescimento do corpo e na preservação assim como na promoção da saúde positiva. São empregados apenas em doses terapêuticas mínimas. As propriedades destes bhasmas (pós calcinados) são inteiramente diferentes daquelas dos metais, minerais e pedras preciosas não processados, in natura. Eles são freqüentemente empregados nas prescrições ayurvédicas juntamente com vegetais e produtos animais pelos seguintes aspectos:

a) São efetivos em dose mínima;

b) Não produzem qualquer sabor desagradável;

c) Eles produzem seus efeitos terapêuticos curando as doenças rapidamente. Muitas doenças crônicas e até mesmo incuráveis são eliminadas por estas preparações metálicas.

Pelos aspectos acima mencionados, o sistema de tratamento com formulações contendo metais, etc. é denominado daivi chikitsa (tratamento divino). Tanto os distúrbios comuns como muitas doenças que necessitam de cirurgia convencional são pacificadas com estas preparações metálicas.

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Capítulo 3

CONDUTA PARA O HORÁRIO DIURNO

Deve-se levantar da cama pela manhã bem cedo, antes do sol nascer. É considerado auspicioso este horário em que o ar está fresco e há menos ruído na atmosfera. A pessoa deve fazer algum tipo de meditação. Antes de se levantar realmente da cama, deve-se pensar sobre a programação do seu dia.

Limpeza da face: A pessoa deve lavar sua face com água imediatamente após levantar-se da cama. Esta conduta ajuda a limpar os resíduos acumulados nos olhos, no nariz e na boca durante a noite e dá uma sensação de frescor. No inverno, pode- se utilizar água morna para este fim.

Proteger a visão: Ao lavar a face, deve-se encher a boca de água, manter a boca fechada e conservar os olhos abertos, tanto quanto possível, respingando água fria sobre eles. Esta conduta é considerada muito útil para a preservação e melhora da visão. Depois de respingar a água, as pálpebras devem ser suavemente esfregadas de forma a massagear levemente os globos oculares.

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Ingerir um copo de água: Após lavar a face e a boca, deve-se tomar um copo de água. Isto está prescrito para todas as estações

e em todos os dias. Esta conduta ajuda a fazer com que as fezes e

a urina sejam eliminadas sem dificuldades. Algumas pessoas tem

o hábito de ingerir um chá quente para este propósito. A ação reflexa produzida pelo chá quente é diferente daquela causada pelo copo de água fria. Este último produz apenas uma pressão que estimula os intestinos para que este comece seu movimento para a evacuação. O chá, estando quente, estimula os intestinos tão fortemente que perde este efeito após alguns dias de forma que a pessoa começa a apresentar sinais de constipação. A cafeína contida no chá ou no café produz alguns efeitos adversos sobre as glândulas do estômago e intestinos, que a água fria não produz. Além disso, a água fria é um bom tônico para o corpo. No entanto, a água fria está proibida se o paciente estiver resfriado, com tosse ou lesão na garganta.

Evacuação dos intestinos: A pessoa deve ter o hábito de evacuar os intestinos imediatamente após levantar-se da cama. Há dois motivos para que a pessoa não sinta a necessidade de evacuar pela manhã: ou o alimento não foi adequadamente digerido, ou o indivíduo não teve um sono adequado. O hábito de beber um copo de água fria pela manhã vence a dificuldade causada pela indigestão e pelo sono inadequado, de forma que o indivíduo consegue um movimento de limpeza. As pessoas que pensam muito ou aquelas que são explosivas, sensíveis ou furiosas acumulam muito vento em seu estômago. Este vento se acumula nos intestinos durante a noite. O vento também é formado pela ingestão de certos grãos e frituras e se o indivíduo não ingere vegetais folhosos e frutas em quantidade adequada. Qualquer que seja a causa, quando ocorre a formação de vento, cria-se alguma obstrução na mobilidade intestinal. A pessoa pode achar que

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houve evacuação completa, mas depois de algum tempo ela sente novamente a necessidade de evacuar. Há pessoas que evacuam 3 a 4 vezes pela manhã para sentirem-se satisfeitas quanto a esta necessidade. Isto causa inconvenientes e em muitos casos a evacuação permanece incompleta, causando supressão do apetite, indigestão, cefaléia, a pessoa sente-se pouco à vontade, com fadiga e insônia. O vento, quando formado em excesso, exerce pressão sobre o coração e pode levar a palpitação. É necessário que a pessoa estabeleça algumas regras em sua alimentação, nas bebidas, no sono, de forma que consiga um movimento de limpeza pela manhã. No entanto, se houver necessidade de evacuação uma segunda vez, isto não deve ser forçosamente interrompido. A inibição não é saudável.

Limpeza dos dentes: A pessoa deve usar um pequeno ramo de neem (Azadirachta indica), babul (Acacia arabica) ou de qualquer outra árvore que tenha sabor adstringente, picante ou amargo. A extremidade do ramo deve ser macerada para ficar macia de forma que as gengivas não sejam machucadas. Esta conduta remove o mau cheiro e a falta de paladar. Remove os resíduos da língua, dos dentes e da boca.

Raspagem da língua: Os raspadores de língua, que são curvados e não possuem superfície cortante, são disponíveis em metal, como ouro, prata, cobre, estanho e latão. Os resíduos depositados na base da língua obstruem a respiração e causam mau hálito. Assim, a língua deve ser raspada regularmente.

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Uso de gotas nasais: Deve-se inalar Anu taila 3 durante a estação chuvosa, o outono e a primavera. Aqueles que praticam a terapia nasal de acordo com o método prescrito, não são afetados por doenças dos olhos, do nariz e dos ouvidos. Seus cabelos e barba não se tornam esbranquiçados e nunca apresenta episódios de queda de cabelos.

Gargarejos: O gargarejo com Til taila (óleo de gergelim) é benéfico para fortalecer as mandíbulas, a profundidade da voz, a sensação do paladar e para melhorar o sabor dos alimentos. A pessoa que utiliza o hábito de fazer gargarejos nunca adquire afecções da garganta, lábios rachados, alterações na respiração ou dores de dentes.

Aplicação de óleo sobre a cabeça: Aquele que tem como hábito aplicar regularmente óleo sobre a cabeça não sofre de cefaléias, calvície ou branqueamento dos cabelos. O cabelo permanece preto, longo e profundamente enraizado. A pele da face torna-se brilhante e a pessoa tem sono profundo.

Gotas de óleo nos ouvidos: As doenças dos ouvidos causadas por desequilíbrio de vata, torcicolos, rigidez nas mandíbulas, dificuldade auditiva e surdez são evitadas se a pessoa tem como hábito a aplicação regular de óleo no ouvido externo.

Massagem com óleo: Vayu predomina no órgão sensorial do tato, e este órgão está alojado na pele. A massagem é extremamente benéfica para a pele, de forma que as pessoas devem praticar

3 Ver no livro “Massagem Terapêutica na Medicina Ayurvédica”, por Dr. B. Dash, Editora Chakpori, a fórmula denominada Anu Taila ou Sadabindu taila, na página 183.

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regularmente a massagem com óleo. As pessoas que seguem esta conduta possuem uma boa estrutura física, força e elegância. Com a aplicação regular de óleo, o impacto do envelhecimento é diminuído.

Exercícios: Os exercícios físicos proporcionam leveza, habilidade para trabalhar, estabilidade, resistência ao desconforto e aliviam os três doshas (especialmente kapha). Também estimulam o poder digestivo. No entanto, o excesso de exercícios físicos pode causar exaustão, consumo das forças, sede, sangramento por diferentes partes do corpo (rakta pitta), podem causar pratamaka (um tipo de dispnéia), tosse, febre e vômitos. A perspiração, a melhora da respiração, o brilho no corpo, a melhora dos batimentos cardíacos e de outros órgãos são indicações de que os exercícios estão sendo realizados corretamente. Os exercícios são contra-indicados para pessoas que emagreceram por causa de atividade sexual excessiva, para aqueles que já estão cansados, que estão segurando a raiva, que estão tristes, com medo e para pessoas de constituição vatika e cuja profissão exige que falem demasiadamente. Não se deve fazer exercícios quando sentir fome ou sede.

Banhos: O banho é purificador, estimula a libido e promove a vida. Esta conduta remove a fadiga, o suor e os resíduos. Produz vigor corporal e é um auxiliar por excelência do aprimoramento de ojas 4 .

4 Ojas pode ser traduzido como Vigor. Possui três variedades: Sahaja bala

(hereditário), Kalakrta bala (obtido durante os estágios da vida) e Yuktikrta bala (resultante da dieta, conduta e medicamentos apropriados).

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Vestimentas: O uso de roupas limpas aumenta a atração física, a reputação, a longevidade e a sorte. Produz prazer, graça, competência e boa aparência.

Uso de perfumes: O uso de essências e flores estimula a libido, dá ao corpo um cheiro agradável, promove a longevidade e a elegância. Produz corpulência e vigor no corpo, além de ser agradável para a mente.

Uso de ornamentos: Usar enfeites e jóias aumenta a prosperidade, a auspiciosidade, a longevidade e a elegância, evita o perigo de cobras e energia perversas, etc. É agradável e charmoso. Também conduz ao ojas (Vigor).

Cuidados com os cabelos e as unhas: Arrumar e cortar os cabelos, a barba (incluindo os bigodes) e as unhas, etc. aumenta a corpulência, a libido, a longevidade, a limpeza e a beleza.

Alimentação: A pessoa deve ingerir a quantidade adequada de alimentos. A quantidade depende do poder digestivo (incluindo o metabolismo). A porção de alimentos que, sem alterar o equilíbrio dos doshas (os três humores) e dhatus (os sete elementos teciduais) do corpo, consegue ser digerida assim como metabolizada no período de tempo apropriado, é considerada a quantidade adequada. Gêneros alimentícios como sali, sastika (duas variedades de Oryza sativa), mudga (Phaseolus radiatus), codorna comum, perdiz cinza, antílope, coelho, sambar indiano, etc., mesmo sendo por natureza de fácil digestão, devem ser ingeridos de acordo com a quantidade prescrita. Da mesma forma, preparações à base de farinha, açúcar de cana e leite, gergelim, masha (Phaseolus radiatus) e carnes de animais aquáticos e que habitam áreas

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pantanosas, mesmo sendo pesados, por natureza, e de difícil digestão, também devem ser ingeridos em quantidades adequadas. Os alimentos leves possuem qualidades predominantemente vayu (ar) e agni (fogo), e as pesadas, possuem predominantemente os mahabhutas prithvi (terra) e jala (água). Portanto, de acordo com suas qualidades, os alimentos leves, sendo estimulantes do apetite, são considerados menos prejudiciais, mesmo se ingeridos além da quantidade prescrita. Por outro lado, alimentos pesados são naturalmente inibidores do apetite e prejudiciais se ingeridos em excesso, a menos que haja um poder de digestão e metabolismo poderosos adquiridos através de exercícios físicos. Se o alimento é pesado, apenas três quartos ou metade da capacidade do estômago deve ser preenchida. Mesmo no caso de gêneros alimentícios leves, a ingestão excessiva não possibilita a manutenção do poder digestivo e metabólico. Ingerindo quantidades apropriadas, o alimento certamente auxilia o indivíduo na obtenção de vigor, jovialidade, felicidade e longevidade sem perturbar o equilíbrio dos dhatus (elementos teciduais) e dos doshas (vayu, pitta e kapha) do corpo.

Uso de colírio: A pessoa deve aplicar o colírio feito de antimônio regularmente pois esta conduta é benéfica para os olhos. Rasanjana (extrato de Berberis aristata) deve ser aplicada uma vez durante cinco ou oito noites para promover o lacrimejamento dos olhos. Dentre todos os mahabhutas, predomina nos olhos o tejas 5 (fogo). Portanto, a terapia, capaz de aliviar kapha, é útil para conservar a visão clara. Não deve ser aplicado um colírio muito forte nos olhos durante o período diurno, pois os olhos,

5 Produto resultante do metabolismo do Mahabhuta agni (fogo)

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enfraquecidos pela drenagem, serão adversamente afetados pela luz solar.

Fumo: No Ayurveda, diferentes tipos de cigarros são prescritos para o ato de fumar. Eles são feitos de ingredientes vegetais e não contém tabaco ou narcóticos como a Cannabis. O fumo trata a sensação de peso na cabeça, cefaléias, rinite, hemicrania, otalgia, dor nos olhos, tosse, soluços, dispnéia, obstrução da garganta, fraqueza nos dentes, secreções patológicas pelos ouvidos, pelo nariz e pelos olhos, elimina o odor purulento do nariz e da boca, odontalgias, anorexia, rigidez nas mandíbulas, torcicolo, prurido, as condições relacionadas aos processos infecciosos, a palidez da face, o excesso de salivação, a debilidade da voz, a tonsilite, a uvulite, alopécia, branqueamento dos cabelos, queda dos cabelos, espirros, sonolência excessiva, perda da consciência e hipersomnia. Fortalece também os cabelos, os ossos do crânio, os órgãos e a voz. São prescritos oito horários para o ato de fumar, horários em que vata, pitta e kapha tornam-se desequilibrados. São eles: após o banho, após a refeição, após a raspagem da língua, após espirrar, após escovar os dentes, após a inalação de substâncias medicinais, após a aplicação de colírio e após dormir.

Estudos: Não se deve estudar se não houver iluminação suficiente, durante um incêndio, durante um terremoto, durante festivais importantes, durante queda de meteoros, durante eclipse solar e lunar, durante a mudança para lua nova e nem durante os horários do amanhecer e do anoitecer. A pessoa não deve estudar sem ter sido iniciado por um professor. Enquanto estiver estudando, não se deve dizer as palavras como sons incompletos, nem em voz alterada nem com voz rouca, também não se deve dizer as palavras sem a acentuação adequada e sem a apropriada

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simetria morfológica, nem demasiadamente rápido nem demasiadamente lento, com volume nem muito alto nem muito baixo.

Refeições noturnas: Os alimentos devem ser ingeridos o mais cedo possível, no início da noite. Deve haver um intervalo suficiente entre o horário da refeição e o horário de dormir. Isto facilita a digestão dos alimentos o que resultará em um bom sono também. O alimento deve ser o mais leve possível e facilmente digerível.

Uso de iogurte no período noturno: É estritamente proibida a ingestão de iogurte durante a noite. Nos demais horários é o iogurte é benéfico para a saúde, apesar de possuir um efeito prejudicial sobre os canais de circulação, podendo obstruí-los. Isto resulta em distúrbios do sono e da mobilidade, especialmente para pacientes que estão sofrendo de asma, bronquite e reumatismo.

Sexo: A pessoa não deve ter relações sexuais com um parceiro que esteja sofrendo de uma doença, ou que seja impuro ou que tenha um processo infeccioso. O homem não deve ter relações sexuais com uma mulher que esteja menstruada. Não se deve ter relações sexuais com um parceiro ou parceira de aparência desagradável, que tenha má conduta ou maus hábitos ou que seja desprovida de habilidades. A pessoa não deve ter relações sexuais com um parceiro ou parceira com a qual não tenha amizade, ou que não tenha desejo, que esteja ligada emocionalmente a alguém, ou que seja casada com alguém. A atividade sexual em qualquer órgão que não seja o órgão genital é proibido. As atividades sexuais também são proibidas sob árvores sagradas, em locais públicos, em ruas, em um jardim, em um cemitério, em abatedores, na água, em clínicas médicas, na casa

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de brahmins ou em templos. Tais atividades devem ser evitadas durante o amanhecer e o anoitecer, ou em dias não propícios. Não se deve ter atividades sexuais quando se está impuro e sujo ou sem intenso desejo. Não se deve ter relações sexuais com o pensamento direcionado à raiva, inveja, etc. Não se deve realizar atividades sexuais sem ter ingerido alimentos ou quando a pessoa ingeriu alimentos em excesso, ou em local inadequado, quando se está com necessidade de urinar, após esforço físico, após exercício físico, em jejum, quando se está exausto e em locais em que não haja privacidade. A pessoa deve adquirir o hábito de beber um copo de leite com açúcar após o ato sexual.

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Gripe

Capítulo 4

FEBRES

A gripe ou influenza é uma doença infecciosa, caracterizada por depressão, febre intensa, inflamação aguda e catarral do nariz, da laringe e dos brônquios, dores musculares e nevrálgicas e distúrbios gastrointestinais. O distúrbio é causado por um vírus que consegue passar através dos filtros que retém bactérias. A doença ocorre freqüentemente na forma epidêmica. Ocorre geralmente durante as alterações sazonais. No Ayurveda esta doença é chamada Vata-shalaishmika jwara. Em um indivíduo normal, durante o período das mudanças de estações, o equilíbrio dos doshas é ligeiramente perturbado, ou seja, vata, pitta e kapha, torna-se ligeiramente alterado devido às mudanças de temperatura, às chuvas, etc. Mas, se ocorrem anormalidades na alteração de temperatura e na quantidade das chuvas, o equilíbrio dos doshas torna-se excessivamente alterado, resultando nesta doença. Pessoas com tendência à constipação, com deficiência das membranas da mucosa nasal ou da garganta são mais propensos a adquirir este distúrbio.

Tratamento: Como a doença está geralmente associada com

distúrbios gástricos, a substância medicinal pippali (Piper longum)

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é considerada um medicamento útil para esta condição. Ela deve

ser pulverizada e meia colher de chá deste pó deve ser administrado ao paciente, misturado com cerca de duas colheres de chá de mel e meia colher de chá de suco de gengibre. Esta preparação deve ser prescrita três vezes ao dia. Se esta droga for administrada no primeiro surto de febre, observa-se um aumento de temperatura logo depois. Isto fortalece a resistência do paciente contra os sinais de bronquite e a congestão da garganta. Tulasi (Ocimum sanctum; em português, manjericão) é uma outra droga de escolha para esta condição. As folhas desta planta,

misturada com igual quantidade de pó de gengibre seco são um excelente substituto para chá nesta doença. A preparação deve ser administrada adicionando-se açúcar e leite três a quatro vezes por dia. Um remédio simples mas eficaz para esta doença é a substância haridra (Curcuma longa; em português, açafrão-da-índia). Uma colher de chá do pó ou da pasta desta droga, adicionada a uma xícara de leite (pode-se adicionar açúcar ao mesmo) é prescrito ao paciente 3 vezes ao dia. Ela propicia uma recuperação mais rápida. Cura o mal estar e elimina a constipação, se houver. Esta preparação conserva o pulmão limpo da fleuma e ativa o fígado. Tribhuvana kirti rasa é comumente utilizada pelos médicos para o tratamento da influenza. É disponível tanto em pó como em forma de tabletes. Mistura-se 250 mg. (dois tabletes) da droga com uma colher de chá de mel e administra-se. A preparação é dada 3 a 4 vezes ao dia dependendo da condição da febre. Se a febre estiver associada com tosse também, adiciona-se uma colher de chá de suco de gengibre à mistura acima.

Dieta: Depois que a temperatura se eleva, é melhor conservar

o

paciente sem alimentos ou com comida leve durante pelo menos

duas refeições. Deve ser oferecido ao paciente água com cevada ou sagu fervido com leite e açúcar. Pão, biscoitos, sopa de carne

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ou de vegetais também podem ser fornecidos. Alho, cru ou frito com ghee 6 ou manteiga, é muito benéfico. Cerca de 10 dentes de alho podem ser oferecidos ao paciente. Gengibre verde pode ser adicionado à sopa ou aos vegetais.

6 Manteiga purificada indiana: a manteiga é derretida e depois coada com um pano fino para retirar a porção branca.

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Figura 1: Piper longum (pippali) 47

Figura 1: Piper longum (pippali)

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Alimentos pesados como carne, galinha, peixe e ovos, arroz, chapati (pão de trigo, fino como papel), frituras como parontha e alimentos azedos incluindo o iogurte são estritamente proibidos durante a febre. O paciente deve comer banana, goiaba e outras frutas azedas devem ser ingeridas. Chás não são benéficos nesta condição. O café em pequenas quantidades pode ser ingerido.

Condutas: A exposição ao vento frio, banho, exercícios, não dormir durante a noite, terapias que envolvem massagem com óleo e esforço mental devem ser evitados.

Malária

É causada por um tipo de protozoário pertencente ao gênero Plasmodium, que infecta os glóbulos vermelhos e origina febre periódica, esplenomegalia e anemia. A patologia é transmitida pela fêmea do mosquito Anopheles. No Ayurveda a doença é conhecida como Vishama jwara.

Sinais e sintomas: Antes da manifestação da doença, o

paciente pode sofrer de cefaléia transitória, dorsalgia, dor generalizada e sensibilidade na área do fígado. Pode haver ligeiro aumento da temperatura também. O início da febre pode ser súbito ou a elevação pode ser lenta. Antes da febre, o paciente pode sentir cansaço, rigidez dos músculos do pescoço, dores musculares e ósseas e anorexia. Quando surge, a febre está geralmente associada com cefaléia, dorsalgia, dores nos ossos, mal estar e fadiga. Geralmente, no início da febre há calafrios. Mas em certos tipos de malária, estes calafrios estão ausentes. Náuseas, anorexia e vômitos são muito comuns. Em um estágio posterior da doença, o baço sofre um aumento de volume. A febre é caracterizada por sua natureza intermitente e, na maioria das vezes, associada com desconforto na região do estômago,

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vômitos biliosos e fezes com coloração de chocolate. O aumento da temperatura começa geralmente pela manhã ou à tarde. Esta febre é caracterizada pelos três estágios seguintes:

a) Estágio frio: O paciente sente-se inquieto, desenvolve cefaléia,

dor nas costas e sente calafrios, e os tremores começam. A face torna-se contraída e a pele torna-se fria e azulada. O paciente precisa ser coberto com cobertores e mantas na tentativa de conservá-lo quente. As náuseas e os vômitos são freqüentes durante a elevação da febre. Em cerca de meia a duas horas a febre sobe para 39,5C a 41C.

b) Estágio quente: A pele parece estar queimando de tão quente e todas as roupas e mantas são retiradas. A face torna-se vermelha e o pulso é rápido. O paciente pode referir cefaléia e em casos severos, pode haver delírio. Este estágio pode durar entre 8 a 10 horas.

c) Estágio de sudorificação: A pele torna-se úmida seguida por

profusa sudorese. A cefaléia e as dores desaparecem e o pulso torna-se lento. A temperatura cai no final da crise, e o paciente sente-se melhor. Consequentemente aos repetidos surtos de febre, nos casos crônicos, o baço torna-se duro e aumentado. O paciente torna-se anêmico. Quando a febre entra em remissão, surge infecção por herpes nos lábios e na face.

Tratamento: A droga de escolha para o tratamento desta doença é a formulação Sudarshana churna. Deve-se administrar a droga três vezes ao dia em doses de uma colher de chá. Para torná-la agradável ao paladar, deve ser adicionado mel e formar uma pasta que é fornecida ao paciente. O ingrediente mais importante da Sudarshana churna é a planta Chirayata (Swertia chirata). Também podem ser administradas seis colheres de chá, três vezes ao dia. Em todos estes casos, o mel é adicionado.

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Figura 2: Tinospora cordifolia (guduci) A planta guduci (Tinospora cordifolia) é freqüentemente empregada no

Figura 2: Tinospora cordifolia (guduci)

A planta guduci (Tinospora cordifolia) é freqüentemente empregada no tratamento desta doença. Devem ser dadas ao

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paciente seis colheres de chá do seu suco três vezes ao dia. A kutaja (Holarrhena antidysenterica) também é útil no tratamento da malária. O pó desta droga é administrado ao paciente na dose de uma colher de chá, três vezes ao dia, misturado com mel.

O tratamento do paciente com estes medicamentos deve ser

prolongado mesmo após estar livre da febre. Se administrados

durante um tempo suficientemente longo, aumentam a imunidade

do corpo contra a doença. Eventualmente, a febre é curada e a

esplenomegalia e a anemia continuam. Os medicamentos acima mencionados serão úteis e devem ser administrados

continuamente até que o paciente não tenha mais quaisquer sinais

de malária.

Dieta: Durante as crises febris e mesmo após, o paciente

geralmente sofre de anorexia. O alimento não deve ser dado de maneira forçada. Podem ser oferecidas sopas e cevada com água e leite. Após a redução da febre o apetite é restaurado. Mas mesmo durante este período, não deve ser permitido que o paciente se alimente com tudo que lhe agrade. Ele deve ingerir trigo e arroz, mas com o cuidado de não sobrecarregar o estômago. Vegetais crus e amargos são sempre úteis para tais pacientes. Ele deve ingerir frutas em quantidades adequadas. Vegetais folhosos como feno-grego (Trigonella foenum-graecum), assa-fétida (Ferula assafaetida), gengibre e alho são extremamente benéficos para estes pacientes. Devem, no entanto, evitar ingestão de picles, frituras e bebidas frias.

Conduta: O paciente deve utilizar telas de proteção contra

mosquitos hospedeiros de forma a prevenir infecções. Como o paciente fica enfraquecido, ele não deve se esforçar ou fazer qualquer exercício pesado. Ele deve repousar adequadamente, mas dormir durante o dia está proibido.

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Sarampo

É uma doença altamente contagiosa caracterizada por muco nas vias respiratórias e uma erupção generalizada sobre a pele. No Ayurveda é conhecido como Romantika. Ocorre geralmente durante a primavera e o outono. No início o paciente apresenta tosse, frio e febre. Os olhos tornam-se vermelhos, seguido por sonolência, anorexia e até mesmo diarréia. As erupções começam na testa e são pequenas e vermelhas. Em cerca de 3 a 4 dias, espalham-se por todo o corpo. Quando as erupções desaparecem por completo, a febre diminui e os demais sintomas como tosse e frio também desaparecem. Às vezes, os brônquios também são afetados e o paciente apresenta tosse e febre.

Tratamento: Afeta geralmente as crianças. A fórmula Pravala

pishti é muito útil tanto para prevenção como para a cura da doença. Pequenos pedaços de coral (pravala) são triturados e pulverizados em um pilão com socador. Adiciona-se um pouco de água e tritura-se até que os pedaços desapareçam e tudo esteja na forma de um fino pó. Às crianças, administra-se uma dose de 200 mg. a 500 mg., três vezes ao dia, misturados com mel. Como medida preventiva, é recomendada a mesma dose uma vez ao dia, de estômago vazio.

Dieta: O paciente deve ingerir uma dieta leve como papa de cevada e suco de frutas.

Condutas: O paciente não deve se expor ao vento frio e à

chuva. É estritamente proibido banhar-se durante os surtos da doença.

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Caxumba

É uma infecção aguda caracterizada por aumento das glândulas parótidas, próximo às orelhas. No Ayurveda é conhecida como Pashana gardabha.

O edema da glândula parótida é, geralmente, a primeira

manifestação da doença. Pode ser precedida por um ou dois dias

de dor e rigidez na região próxima às orelhas. O paciente pode

sentir-se febril. Podem ocorrer tremores e lesão na garganta. No início apenas a glândula é afetada. Como complicação da doença, pode haver processo inflamatório nos testículos.

Tratamento: O pó de Daru haridra (Berberis aristata) é

comumente utilizado para o tratamento desta condição. A madeira

da planta é transformada em um pó fino e misturada com mel e

ghee (manteiga purificada indiana). É aquecida levemente e

aplicada sobre a região afetada. Isto deve ser feito de preferência

na hora de dormir. As áreas afetadas devem ser tratadas com

fomentação quente e seca. Internamente, a formulação Naradiya Lakshmivilasa deve ser administrada numa dose de 2 tabletes, 3 vezes ao dia, misturada com mel.

Dieta: Enquanto estiver doente, o paciente geralmente

apresentará anorexia. Apenas líquidos devem ser ingeridos. Ele deve evitar frituras, e alimentos azedos. Alho, gengibre, pimenta

preta e Piper longum são muito benéficas nesta condição.

Condutas: O paciente deve evitar ingerir alimentos sólidos e

quentes e não deve se expor ao vento frio e à chuva. Ele deve manter um cachecol de lã enrolado no pescoço e na cabeça, conservando estas regiões aquecidas para uma recuperação mais

rápida.

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Filariose

Esta doença é geralmente causada pelo parasita denominado Filaria bancrofti. Embriões do parasita penetram o corpo do homem saudável através da picada de mosquitos. No Ayurveda esta condição é chamada Shlipada. Os primeiros sintomas desta doença são urticária, inflamação dos nódulos linfáticos, assim como dos vasos linfáticos, inflamação dos testículos e febre. Os nódulos linfáticos tornam-se endurecidos e os canais linfáticos tornam-se hiperemiados. A febre geralmente começa com calafrios e continua por 3 dias. Em geral, são primeiramente afetados os linfonodos da região inguinal. Crises recorrentes de febre, que são comuns, levam à elefantíase. A pele da região edemaciada da perna vai aos poucos se tornando grossa e áspera. Subseqüentemente, podem surgir abscessos e estes podem levar a ulcerações. Podem surgir também protuberâncias sobre a pele e esta pode tornar-se dura como couro. O volume aumentado dos testículos e o edema das pernas pode impedir os movimentos do paciente.

Tratamento: Esta doença é mais comum em áreas pantanosas

onde existe água estagnada. Beber água de poços e lagos e água encanada vinda destas áreas torna a pessoa suscetível aos ataques deste parasita. É necessário portanto, que o habitante de tais localidades beba água fervida. Pode-se prevenir a infecção pela ingestão desta água quando ela é fervida juntamente com

gengibre seco. Para evitar a picada do mosquito, devem ser utilizadas, regularmente, redes de proteção contra mosquitos. As folhas da árvore do marmelo (Aegle marmelos) são muito úteis no tratamento desta doença. A ingestão de 3 folhas por dia ajuda tanto na prevenção como na cura da filariose. A droga popularmente utilizada é a Nityananda rasa. Ela deve ser administrada ao paciente em uma dose de 500 mg. duas vezes ao

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dia, de estômago vazio. Geralmente, este medicamento é encontrado na forma de tabletes, cada tablete contendo 500 mg. Deve-se amassar o tablete e transformá-lo em pó, em um socador de porcelana e depois ele é misturado com mel antes de ser oferecido ao paciente. A adição do suco de folhas de marmelo a este medicamento fortalece sua ação. Esta formulação, Nityananda rasa, é muito bem tolerada durante o inverno. Produz um pouco de calor e, portanto, uma dose maior deste medicamento não pode ser fornecida ao paciente durante o verão. No inverno e nas estações chuvosas, a dose pode ser aumentada. Para que este medicamento aja no organismo, deve ser tomado continuamente por um período de dois meses. Nas condições agudas, quando há processo inflamatório, como hiperemia e endurecimento dos nódulos e dos canais linfáticos, e febre, este medicamento age imediatamente. Mas, mesmo com a interrupção dos sintomas, ele deve ser continuado por um tempo suficientemente longo de forma a criar um ambiente inadequado para a sobrevivência do parasita filária no organismo do paciente. Para alívio da dor, da ulceração, do edema, etc. nas áreas afetadas, utiliza-se freqüentemente a formulação Malla sindura. Esta droga é disponível em forma de cristais pois é preparada pelo processo de sublimação. Ela deve ser transformada em um pó fino, triturando em um socador de porcelana, e fornecida ao paciente em uma dose de 250 mg., duas vezes ao dia. No verão, a dose deve ser reduzida para 125 mg., duas vezes ao dia. Deve ser misturada com mel antes do paciente ingeri-la. Esta formulação contém arsênico associado com outros ingredientes. Mas durante o processo de manipulação, o efeito adverso do arsênico é neutralizado e normalmente não produz qualquer efeito tóxico mesmo se administrado por período prolongado.

Dieta: Alimentos conservados e azedos, como iogurte ou picles

devem ser evitados. O paciente deve ingerir alimentos amargos

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como iogurte amargo, as folhas da árvore neem (Azadirachta indica), da variedade amarga da Cassia fistula, banana verde, patola (Trichosanthes dioica), berinjela, repolho e couve-flor. Alho e gengibre são muito úteis para tais pacientes. Cerca de 10 dentes de alho podem ser dados ao paciente todos os dias, se ele tolerar seu odor. No entanto, o alho pode ser frito na manteiga ou no ghee (manteiga purificada indiana). A água fervida com gengibre seco deve ser usada para o paciente beber.

Conduta: O paciente deve evitar habitar áreas pantanosas. Na

estação das chuvas, ele deveria evitar a exposição à chuva. Tanto

no inverno quanto nas estações chuvosas, o paciente deve tomar banho com água quente e sempre que possível, beber água quente.

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Capítulo 5

DOENÇAS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO

Asma Brônquica

Há muitos tipos de asma, sendo a mais comum a asma brônquica. No Ayurveda esta doença é conhecida como Tamaka shvasa e considera-se que tenha origem de distúrbios do estômago e outras áreas do trato gastrointestinal. Na maioria dos casos, portanto, seja no início da doença ou antes de cada crise, o paciente sofre de indigestão, constipação ou mesmo diarréia. O sítio de manifestação da doença são os pulmões. Devido à pressão, o coração também acaba sendo envolvido. Geralmente, antes da crise, o paciente apresenta congestão nasal, podendo haver obstrução e espirros. No Ayurveda, portanto, tanto para prevenção quanto para a cura da doença, a atenção é dirigida primeiramente ao estômago, aos intestinos, ao nariz e aos pulmões. Simultaneamente, nos casos crônicos, deve-se cuidar de fortalecer o coração.

Tratamento: Para esta doença, os medicamentos comumente

usados no Ayurveda são Chyavana prasha e Agastya rasayana. Estas duas drogas são compostas de muitos ingredientes. Mas o

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ingrediente principal do Chyavana Prasha é a fruta amalaki (Emblica officinalis). Esta substância é uma importante fonte de vitamina C. Esta vitamina é comumente encontrada em muitas frutas cítricas, mas é destruída quando exposta ao fogo e ao calor do sol. O amalaki, no entanto, é uma exceção e a vitamina C nela contida não é destruída quando fervida por um período considerável.

A fruta do haritaki (Terminalia chebula) é o principal ingrediente do

outro medicamento, Agastya rasayana. Em alguns clássicos, é chamado de Agastya haritaki.

Dentre estes dois, ou seja, Chyavana prasha e Agastya rasayana,

o primeiro é utilizado mais como um tônico e é especificamente

indicado nos casos de asma no qual o paciente esteja emagrecido

e debilitado. Agastya rasayana é empregado no paciente com

asma brônquica que está constipado e para aqueles que apresentam espirros, obstrução nasal e congestão da garganta. Ambas as drogas são preparadas na forma de linctus e podem ser ingeridas na dose de duas colheres de chá, três vezes ao dia. Deve-se observar com cuidado se o apetite normal do paciente se mantém. Se ingeridas em doses elevadas, pode haver, eventualmente, redução no apetite, e neste caso, a dose deve ser diminuída. Agastya rasayana, se administrada em doses altas, pode causar perda dos movimentos e neste caso a dose do medicamento também deve ser reduzida. Estes medicamentos devem ser ingeridos antes da refeição, de preferência com o estômago vazio, e na hora de dormir. Devem ser administrados durante ou após a crise de asma. Possuem efeitos curativos e preventivos. Leva algum tempo para que a ação destes medicamentos seja observada. Apesar de proporcionarem algum alívio imediatamente após sua ingestão, geralmente levam duas a três semanas para agirem integralmente. Nos casos crônicos, podem levar um tempo maior ainda. Por esta razão, o

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paciente não deve ter dúvidas sobre sua eficácia se a crise não se interromper imediatamente após sua ingestão. Mas eles reduzirão a fase aguda da crise imediatamente, e a duração desta crise será comparativamente menor. Mesmo o intervalo entre as crises aumentará e o paciente terá tempo para restaurar sua saúde de forma a conseguir enfrentar com sucesso o próximo ataque. Juntamente com este procedimento, pode ser administrada a preparação Sitopaladi churna, três a quatro vezes ao dia, na dose de uma colher de chá, misturado com mel. O pó, se ingerido sozinho, pode causar uma leve irritação na garganta. Desta forma, ele deve ser completamente misturado com mel e transformado em uma pasta consistente antes de ser ingerido. Da mesma maneira, e na mesma dose, pode também ser prescrito o pó de pippali (Piper longum). Existem muitos outros medicamentos no Ayurveda para o tratamento da asma brônquica. Alguns, contendo produtos minerais, são úteis na remissão imediata da crise de asma. São eles: Shvasa kasa chintamani rasa, Suvarna pushpasuga rasa, Kanakasava, etc. Estes medicamentos podem, eventualmente, produzir efeitos colaterais. Portanto, eles devem ser preferencialmente administrados sob a supervisão de um médico experiente.

Dieta: É estritamente proibida a ingestão de iogurte, manteiga,

banana, goiaba e frituras. À noite, o paciente deve ingerir alimentos leves e deve evitar, tanto quanto possível, todos os alimentos azedos. Uvas secas, feijões do tipo kulattha (Dolichos biflorus) são úteis nesta condição. O cigarro deve ser evitado e a ingestão de café ou chá deve ser reduzida ao mínimo não mais que duas xícaras no total. Bebidas alcoólicas podem ser tomadas, mas apenas em pequena quantidade.

Conduta: O paciente não deve se expor à chuva e ao vento frio forte. Ele não deve realizar exercícios pesados.

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Bronquite

A doença conhecida como bronquite é caracterizada por

inflamação dos brônquios pulmonares, resultando em tosse produtiva, com expectoração de muco purulento, comumente conhecida como fleuma. Há diversos tipos, dependendo da natureza da expectoração. A bronquite pode ocorrer como um sintoma de muitas outras doenças, como a tuberculose. Em todos

os casos, um ou outro tipo de microorganismo é considerado o

causador da doença. No Ayurveda, esta doença é conhecida como Kasa roga. Os germes ou krimis são considerados causas da bronquite. No entanto, não são considerados os fatores causais primários da doença. O Ayurveda considera que a bronquite ou Kasa roga é causada primariamente por uma deficiência na digestão. Para tratar a bronquite, portanto, drogas contendo propriedades para corrigir tanto os pulmões como o estômago são selecionadas pelos médicos ayurvédicos.

Tratamento: Seja qual for a causa, o tratamento mais simples

para a bronquite é prescrever ao paciente uma colher de chá de haridra (Curcuma longa) em pó, misturado com uma xícara de leite, duas a três vezes por dia, dependendo da gravidade do problema. Sua ação é melhorada se administrado com estômago vazio. Esta é uma fórmula absolutamente inofensiva que pode ser administrada a qualquer paciente, sem distinção de idade, sexo ou condição da doença. A fórmula popular, comumente utilizada como um remédio caseiro para esta condição é o pó de sunthi (gengibre seco), pippali (Piper longum) e marica (Piper nigrum), todos os três misturados em iguais quantidades. A mistura é tomada em doses de meia colher

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de chá, três a quatro vezes ao dia, dependendo da severidade da

doença. Este pó pode ser adicionado ao chá ou café, e ingerido.

Todos estes três ingredientes, quando associados são conhecidos no Ayurveda como Trikatu ou Tryushana, e são muito recomendados por sua ação sobre os pulmões e o estômago. Eles

promovem a digestão e o metabolismo no corpo e portanto, inibem

a produção dos fatores responsáveis pela infecção e pela

inflamação dos brônquios. Simultaneamente, auxiliam na expectoração da fleuma acumulada tornando a respiração mais fácil. Às vezes, por causa do processo infeccioso, o paciente apresenta também febre, para a qual este medicamento também está indicado por serem antipiréticos e devido a seus efeitos estimulantes. Estas drogas criam uma alteração no ambiente (ou seja, o corpo), especialmente nos pulmões, de forma a torná-los não propícios para o metabolismo dos microorganismos, sem falar de seu crescimento e multiplicação. Todas estas três drogas também são utilizadas na cozinha como condimentos, por conseguinte, elas não possuem quaisquer efeitos prejudiciais sobre o corpo. Se ingeridos em excesso, podem produzir uma leve sensação de queimação no peito, e neste caso, a dose deve ser reduzida, ou um pouco de mel deve ser adicionado ao pó, e depois ingerido. Uma planta medicinal chamada vasa (Adhatoda vasica) é muito útil na cura da tosse e bronquite, especialmente quando ambos se tornam crônicas. O suco das folhas desta planta é geralmente empregado em uma dose de duas colheres de chá, três vezes ao dia. O sabor deste suco é ligeiramente amargo. Para torná-lo agradável, uma mesma quantidade de mel deve ser adicionada. Esta planta cresce naturalmente em quase todas as partes da Índia, exceto em desertos e nos picos gelados das montanhas. A bronquite está freqüentemente associada com a congestão da garganta. Neste caso, a preparação Khadiradi vati deve ser

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conservada na boca e engolida lentamente. Podem ser utilizados cerca de cinco tabletes por dia. Isto produz um efeito calmante sobre a garganta e alivia a congestão. O principal ingrediente deste remédio é khadira (Acacia catechu).

Dieta: Iogurte e outros alimentos azedos devem ser evitados.

Frutas azedas, incluindo a banana e a goiaba também são contra- indicadas.

Conduta: A exposição ao vento frio e à chuva deve ser evitada.

Banhos na água fria, especialmente no inverno, é contra indicado,

principalmente quando a bronquite está na fase aguda.

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Figura 3: Adhatoda vasica (vasa) 63

Figura 3: Adhatoda vasica (vasa)

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Hemoptise

A eliminação de sangue durante a tosse é chamada hemoptise. É principalmente causada por doenças como a tuberculose e o câncer dos pulmões. No Ayurveda, esta doença está incluída no grupo das Urdhvaga rakta pitta. O paciente elimina sangue pela boca enquanto tosse. Às vezes o sangue é acompanhado com muco.

Tratamento: Vasaka (Adhatoda vasica) é a droga de escolha

para o tratamento desta condição. É administrado na forma de suco em uma dose de duas colheres de chá quatro vezes ao dia. Tem sabor amargo e, portanto, fornecido ao paciente misturado com mel. Pravala pishti, uma preparação de coral, é a droga de escolha para o tratamento desta doença. É administrada em uma dose de 1 g., quatro vezes ao dia, misturado com mel.

Dieta: Alimentos quentes e picantes devem ser evitados e o

paciente deve ingerir romã (Punica granatum), amalaki (Emblica officinalis) leite de vaca e água. Arroz envelhecido, sopa de patola (Trichosanthes dioica), moong (Phaseolus mungo), masur (Lens

culinaris) e carne podem ser ingeridos .

Conduta: O paciente não deve fazer exercícios e sim, fazer completo repouso. Ele deve evitar o sol.

Soluços

Os soluços são caracterizados pelo som inspiratório agudo produzido pelo espasmo da glote e do diafragma. No Ayurveda esta condição é conhecida como Hikka roga. Dependendo dos doshas envolvidos na patogênese da doença, diferentes tipos de sintomas se manifestam.

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Tratamento: Cinzas de penas de pavão são consideradas a

melhor droga para esta condição. É administrada na dose de 125 mg., seis vezes ao dia, misturadas com mel. Eladi vati, droga que contém cardamomo como um importante ingrediente, é popularmente empregada para o tratamento desta condição. É

ingerida com mel e engolida lentamente na dose de um tablete, seis vezes ao dia. Para aliviar o movimento ascendente de vayu (um dos três humores, responsável pela regulação de todas as funções motoras e sensoriais do sistema nervoso), deve ser administrado Sukumara ghrita na dose de uma colher de chá, três vezes ao dia, com leite.

Dieta: Kulattha (Dolichos biflorus) é muito benéfico nesta

condição. O suco, a sopa, a preparação tipo dal da planta kulattha podem ser oferecidos ao paciente. Arroz envelhecido, patola (Trichosanthes dioica), rabanete fresca, limão, leite de vaca e alho

também devem ser ingeridos. Estão contra-indicados nesta condição os alimentos gordurosos, pesados e frios, além de masha (Phaseolus radiatus).

Conduta: O paciente deve se submeter à psicoterapia se os

soluços forem causados por condições neuróticas. O paciente

deve repousar e ele não deve suprimir suas necessidades de forma alguma.

Pleurite

A inflamação da pleura, a membrana que recobre os pulmões, é denominada pleurite. É normalmente classificada em três categorias, dependendo dos efeitos produzidos por esta inflamação. Se este processo inflamatório produzir depósitos fibrosos, isto é descrito como pleurite seca. Se, no entanto, grandes quantidades de fluidos são exsudados durante o processo

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inflamatório e depositados na cavidade pleural, esta condição chama-se pleurite com derrame. E, finalmente, se há presença de pus, a condição é denominada empiema pleural. Está geralmente associada com dor torácica durante o movimento, tosse, dificuldade respiratória e temperatura elevada. O paciente sente dificuldades para permanecer deitado. No Ayurveda esta condição é denominada Parshva shula e é causada primariamente por um desequilíbrio de vayu e kapha. 7 Tratamento: A formulação Shringa bhasma é considerada específica para o tratamento da pleurite. A fórmula é preparada com chifre de veado, que é cortado em pequenos pedaços, processado, e transformado em cinzas. Tritura-se até que se torne um pó fino e desta forma é utilizado como medicamento. Meia grama desta substância é administrada, três a quatro vezes ao dia, dependendo da condição ser severa ou aguda. Ao ser fornecido ao paciente, deve ser misturado com mel. Se a pleurite estiver acompanhada de edema, 250 mg. de Naradiya lakshmivilasa deve ser adicionado a este pó e administrado quatro vezes ao dia. Caso haja tosse e muco, então, aos dois medicamentos acima deve-se adicionar 125 mg. de Rasa sindoora (a cada uma das doses). Rasa sindoora é preparado com mercúrio e enxofre especialmente processados sobre o fogo. Deve-se tomar cuidado com o uso deste medicamento por um período de tempo muito longo. Assim que a tosse e a dor sejam dominadas, este medicamento deve ser retirado e os dois primeiros devem ser mantidos.

7 Vayu e kapha são dois dos três humores (doshas) do corpo: Vayu ou Vata regula todas as funções motoras e sensoriais do sistema nervoso. Pitta regula todas as reações enzimáticas incluindo a digestão e o metabolismo corporal. Kapha ou slesma conserva os órgãos sensoriais unidos facilitando assim seu funcionamento harmonioso.

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Caso haja formação de pus neste fluido e se, consequentemente,

o paciente estiver apresentando febre, é aconselhável adicionar

125 mg. de Suvarna vasanta malati e todos os outros medicamentos, quatro vezes ao dia, misturado com mel.

Dieta: É estritamente proibido ingerir frituras. O paciente não

pode ingerir alimentos frios. Iogurte amargo, patola (Trichosanthes dioica), berinjela, quiabo, couve-flor, repolho e batatas podem ser dados ao paciente. Normalmente, o paciente perde o apetite e torna-se, portanto, constipado. Caso isto aconteça, devem ser despendidos esforços para a remissão da constipação. Isto trará

muito conforto ao paciente.

Conduta: O paciente deve evitar qualquer exercício físico,

relações sexuais, exposição ao vento frio e chuva. O repouso na cama é essencial a este tipo de paciente; mas durante o inverno, não se deve permitir que ele durma durante o dia.

Tuberculose

A tuberculose é causada pelo bacilo da tuberculose. Afeta

primariamente o pulmão. Outros órgãos como ossos, nódulos linfáticos e intestinos também são afetados. No Ayurveda esta doença é conhecida como Rajayakshma, que significa literalmente o tipo de doença. No Ayurveda, os bacilos são considerados fatores causais da

doença. No entanto, eles são classificados como um dos fatores secundários para o aparecimento desta doença. O fator primário é

o desequilíbrio dos doshas (humores) e a deficiência dos dhatus

ou elementos teciduais no corpo. Os bacilos da tuberculose estão

presentes na garganta de muitos indivíduos sem que eles sofram

da doença. Da mesma forma como uma semente permanece dormente, sem germinar, em uma terra árida, o bacilo da

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tuberculose não é capaz de tornar manifestada a doença a menos que os doshas (humores) estejam simultaneamente desequilibrados. Para que estes doshas tornem-se desequilibrados, os seguintes quatro fatores são considerados muito importantes do ponto de vista ayurvédico:

1)

Irregularidade na ingestão dos alimentos

2) Realização de exercícios ou trabalho pesado além da capacidade do indivíduo

3)

4) Relações sexuais excessivas

A supressão das necessidades básicas

O paciente que sofre de tuberculose perde peso rapidamente e

apresenta febre e tosse. Há também rouquidão, anorexia, dores no

peito, expectoração com muco contendo sangue, cefaléia, dores no corpo e fraqueza. O paciente sente uma sensação de queimação na sola dos pés e palmas das mãos. Esta doença é freqüentemente caracterizada por sudorese noturna. Tratamento: A planta vasa (Adhatoda vasica) é comumente utilizada pelos médicos ayurvédicos no tratamento desta doença. O suco das folhas desta planta é administrada na dose de 30 ml.,

quatro vezes ao dia, misturado com mel. Reduz a tosse, auxilia na expectoração e cura a sensação de queimação.

A formulação Naradiya mahalakshmi vilasa que contém entre

outros ingredientes, o ouro, é a droga de escolha para o tratamento desta doença. Deve ser administrada na dose de 200 mg., três vezes ao dia, com mel. Ela funciona de forma excelente quando o paciente sofre de bronquite crônica e frio. Quando há febre excessiva, sudorese noturna e uma sensação de queimação na palma das mãos e na sola dos pés, a droga de escolha é Svarna vasanta malati que contém, entre outros ingredientes, pérolas e ouro.

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Lasuna ou alho é um medicamento muito útil na medicina para o tratamento desta doença. Ferve-se 30 g. de alho em cerca de 500 ml. de leite e 500 ml. de água. Após entrar em ebulição, a solução deve ser reduzida a um quarto do volume inicial e depois filtrada. Este leite medicinal deve ser administrado ao paciente duas vezes ao dia. Para melhorar a digestão do paciente, deve ser administrado 30 ml. de Drakshasava após a refeição com igual quantidade de água. Chyavana prasha também é administrado ao paciente que sofre de tuberculose. Contém amalaki (Emblica officinalis) que é um de seus importantes ingredientes. É muito nutritivo e útil em todos os tipos de doenças torácicas. É administrado na dose de duas colheres de chá, duas vezes ao dia, com leite e o paciente deve estar com estômago vazio. Com a melhora do poder de digestão, deve ser aumentada a dose deste medicamento. Ele é mais um alimento que um medicamento, de forma que até 50 a 100 g. podem ser administrados por dia. A formulação Chyavana prasha pode suprimir o apetite até certo ponto, mas o paciente adquire um enorme benefício do mesmo. Pippali (Piper longum) também é empregada no tratamento da tuberculose. É também uma importante ingrediente de Chyavana prasha. É administrada isoladamente em forma de pó na dose de uma colher de chá, três vezes ao dia, com mel. Todas as frutas secas, em especial as uvas passas, e o óleo de amêndoas são úteis nesta condição. As uvas passas são benéficas na cura da doença, além de seu efeito nutritivo sobre o corpo humano. Entre os vegetais, a Cassia fistula, patola (Trichosanthes dioica) e kunduru (Coccinia indica) são muito úteis nesta condição.

Dieta: O paciente deve ingerir muito arroz, trigo e feijão se ele gostar destes alimentos. Alimentos nutritivos como leite e ovos devem ser oferecidos ao paciente. O leite de cabra e as carnes são benéficas também. São contra indicados os alimentos azedos

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como iogurte e outros alimentos que desequilibram kapha (um dos três humores), tais como a banana e a goiaba. O leite de vaca e seus derivados, especialmente o ghee (manteiga purificada indiana) e a manteiga são muito úteis.

Conduta: O paciente não deve realizar qualquer exercício físico pesado ou esforço mental. Ele deve evitar as relações sexuais. Uma caminhada suave no início da manhã ao ar livre é benéfico. Ele deve evitar a raiva, a tristeza e a ansiedade.

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Figura 4: Rasona ou Lasuna ( Allium sativum) 71

Figura 4: Rasona ou Lasuna ( Allium sativum)

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Capítulo 6

DOENÇAS DA PELE E DOS CABELOS

Calvície

A calvície pode ser local ou generalizada. Normalmente, as

pessoas apresentam falta de cabelos sobre uma área circunscrita

do crânio ou da barba. Nos casos mais severos, os cabelos da

barba, dos cílios, das sobrancelhas, das axilas e da região púbica também vão ficando ausentes. No Ayurveda esta condição é

denominada Khalitya. As preocupações mentais excessivas, a ansiedade e a raiva são consideradas fatores causais para este distúrbio. Um tipo de organismo patogênico também pode ser considerado causador da perda de cabelos do corpo, incluindo da cabeça. Mesmo não causando qualquer dor física, esta condição gera muitos problemas psíquicos. Um tipo de complexo de inferioridade desenvolve-se na mente do paciente, especialmente por causa do efeito da calvície sobre a beleza.

Tratamento: Bhringaraja (Eclipta alba) é a droga de escolha para o tratamento da doença. Maha bhringaraja taila ou

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Nilibhringadi taila 8 é comumente prescrito pelos médicos. Estes óleos devem ser suavemente massageados sobre o crânio cerca de uma hora antes do banho. Através desta massagem, alguns cabelos que estão enfraquecidos também irão cair. Portanto, no início, o cabelo parecerá mais ralo e a calvície irá parecer mais acentuada. O paciente não deve se assustar com isto. Na verdade, é preferível que a cabeça seja raspada para que a massagem com óleo seja empregada. O procedimento deve ser contínuo durante seis meses antes que qualquer resultado significativo possa ser conseguido. O pó de Bhringaraja (Eclipta alba) deve ser administrado ao paciente via oral. Uma colher de chá deste pó é misturado com mel, duas vezes ao dia, e administrado estando o paciente de estômago vazio. O marfim do elefante é muito usado popularmente e indicado pelos médicos ayurvédicos para o tratamento da calvície. O marfim é cortado em pedaços pequenos e queimados até se transformar em cinzas. Este pó é esfregado juntamente com manteiga ou mel sobre as áreas diariamente. Isto deve ser feito de preferência durante a noite de forma que as cinzas (ou bhasma) de marfim de elefante permaneçam em contato com a pele do crânio a noite toda. Algumas substâncias irritantes também são empregadas no tratamento, pois funcionam muito bem se a calvície aparece no jovem. A formulação Ashvakanchuki rasa é empregada para este propósito. É basicamente um potente purgativo. Seus tabletes são triturados, misturados com mel e aplicados externamente. A mistura é aplicada sobre a cabeça de tarde e deixada secar. O paciente dorme sem lavar a cabeça. No início, a aplicação deste

8 As formulações Maha bhringaraja taila e Nilibhringadi taila são descritas no livro “Massagem Terapêutica na Medicina Ayurvédica”, pelo mesmo autor, Editora Chakpori, págs. 150 e 167.

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medicamento acusa irritação e hiperemia no crânio, mas lentamente, os cabelos começam a crescer.

Dieta: O enfraquecimento é geralmente a causa da queda de

cabelos e o paciente deve, portanto, ingerir uma dieta nutritiva. Carne, peixe, manteiga, ghee (manteiga purificada indiana), leite e

outros alimentos altamente protéicos são normalmente recomendados. Deve-se cuidar para que o fígado não seja sobrecarregado. Portanto, frituras são estritamente proibidas para este paciente.

Conduta: A preocupação é uma das principais causas da

calvície. O paciente deve, portanto, tentar manter uma disposição tranqüila e evitar a ansiedade. Passar noites sem dormir, excesso nas relações sexuais e a supressão das necessidades básicas de defecar e urinar devem ser terminantemente evitadas. Um paciente com constipação é mais propenso a ter um sono perturbado. A tensão posterior piora a calvície. O paciente deve, portanto, tentar manter os movimentos intestinais livres diariamente. Um copo de água no início da manhã será bastante útil para o paciente. Será necessário que ele caminhe cerca de 2 a 3 quilômetros pela manhã e à noite. Muitos óleos de cabelos são anunciados em jornais e revistas para curar a calvície. A maioria faz declarações exageradas. O paciente, portanto, não deve deixar de consultar um médico.

Eczemas

Eczema significa “ferver” na superfície da pele e é caracterizada por erupções cutâneas espontâneas. É caracterizada clinicamente por erupções pápulo-vesiculosas. No Ayurveda é denominada Vicharchika. Poder ser primariamente de dois tipos, o eczema seco e o úmido. No primeiro, não há exsudação, enquanto que no

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último tipo, pode haver secreção de água das lesões, ou por que o paciente coça-se ou mesmo sem a fricção.

Tratamento: A área afetada pelo eczema deve ser limpa todos

os

dias com água morna fervida com a casca da árvore neem

(Azadirachta indica). Depois de limpa, deve ser aplicada sobre a pele a pasta da casca desta árvore (Azadirachta indica), deixando- a secar. A formulação Paradadi malham é muito utilizada pelos médicos ayurvédicos nestes distúrbios. Ela contém, entre outros, o mercúrio e o enxofre como ingredientes e deve ser aplicada três vezes ao dia. Para uso interno, a formulação Shuddha gandhaka

deve ser administrada ao paciente na dose de 200 mg., duas vezes ao dia, misturada com mel, de estômago vazio. Nos casos crônicos e resistentes, a droga Rasa manikya pode ser prescrita também Consiste de uma preparação com arsênico e deve ser administrada com os cuidados adequados. Normalmente, a dose é de 125 mg., duas vezes ao dia, misturada com mel. Está disponível em forma graduada e em pequenos pedaços. Antes de

ser

administrada, deve ser transformada em um pó fino.

No

caso de eczemas em crianças, tanto as formulações Paradadi

malham como Rasa manikya não devem ser empregadas. Elas

contém ingredientes tóxicos e podem causar outras complicações. Para aplicação externa, os óleos Guduchyadi taila ou Brihat marichyadi taila devem ser empregados.

O paciente não deve ficar constipado. Caso apresenta este

sintoma, deve ser administrada uma colher de chá de pó de triphala 9 na hora de dormir, regularmente.

Dieta: A ingestão de sal deve ser reduzida, principalmente se o

paciente estiver recebendo Rasa manikya internamente. Alimentos azedos, incluindo picles, a variedade azeda da Cassia fistula e

9 Denominação coletiva para os três frutos mirabólanos, ou seja, Terminalia chebula, Terminalia belerica e Emblica officinalis.

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flores de neem são muito úteis para estes pacientes. Açafrão é muito benéfico quando o paciente apresenta este tipo de patologia. Pode ser aplicado externamente sobre a área eczematosa e também internamente, juntamente com leite, na dose de uma colher de chá, duas vezes por dia.

Conduta: Certos tipos de ornamentos interferem com a

evaporação do suor. Náilons, poliéster e outros tecidos sintéticos,

devem, portanto, ser evitados. O paciente deve usar pouca roupa, principalmente sobre a lesão. As áreas eczematosas devem ser mantidas, particularmente, livres de qualquer tecido apertado.

Branqueamento dos cabelos

O cabelo grisalho é geralmente considerado um sinal da idade. Às vezes, começa na idade jovem, e então, é considerada uma doença. No Ayurveda, é conhecida como Palitya. De acordo com o Ayurveda, a paixão, na forma de desejos e apegos, a raiva e o esforço psíquico excessivos dão origem a esta doença. Os indivíduos que possuem o tipo constitucional paittika são mais propensos a desenvolverem um branqueamento prematuro dos cabelos. As pessoas que sofrem de resfriados crônicos e sinusite e aquelas que usam água morna para lavarem os cabelos são mais propensos a serem vítimas desta condição.

Tratamento: As plantas Bhringaraja (Eclipta alba) e amalaki

(Emblica officinalis) são popularmente utilizadas nestes casos. O óleo medicinal, cuja preparação consiste na ebulição destas duas plantas, recebe a denominação Maha bhringaraja taila e é empregado externamente para massagem do couro cabeludo. O óleo medicinal preparado com as sementes da árvore neem é utilizado para inalação duas vezes ao dia, durante cerca de um

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mês. Concomitantemente, o paciente deve ser orientado a ingerir somente leite como dieta. Outra droga popularmente empregada é a bhallataka (Semecarpus anacardium). Ela possui um efeito ligeiramente alergênico. Portanto, esta substância deve ser processada cuidadosamente antes de ser utilizada. Normalmente, prescreve-se esta droga na forma de pasta (linctus) na dose de uma colher de chá, duas vezes ao dia, seguido de leite.

Dieta: Estas terapias serão eficazes somente se o paciente

observar as restrições dietéticas. Ele deve tomar leite sempre que

possível e deve evitar o sal. Alimentos azedos como o iogurte não são benéficos. Devem ser evitados os alimentos picantes, penetrantes e as especiarias.

Conduta: O paciente não deve ficar acordado por longo tempo

durante à noite, e deve estar livre de preocupações, ansiedade e paixões. Se apresentar sinusite e resfriado, o tratamento deve ser imediato e cuidadoso. Nunca deve ser empregada água quente para a lavagem do cabelo e para o banho deve ser utilizada água fria.

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Figura 5: Eclipta alba (bhringaraja) 78

Figura 5: Eclipta alba (bhringaraja)

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Leucodermia

Esta doença é caracterizada por perda da pigmentação da pele em áreas localizadas. De acordo com o Ayurveda, é causada por fatores mórbidos durante a vida que resultam em deficiente produção de pitta. Estas áreas brancas de leucodermia, em geral, evoluem sem quaisquer alteração física. No entanto, causa muitos aborrecimentos ao paciente portador do problema, por causa da desfiguração que ocorre. Esta doença também é hereditária e, desta forma, o casamento dos filhos do paciente com alguém que sofre de leucodermia torna-se um problema. Há um estigma social com relação a esta doença. No Ayurveda, ela é considerada um tipo de Kushtha. As pessoas que ignoram as reais implicações destes termos técnicos consideram a leucodermia um tipo de lepra, e por esta razão, evitam o paciente. Isto é resultado de um mau entendimento. Na verdade, no Ayurveda, o termo Kushtha refere-se a qualquer doença de pele de difícil tratamento ou crônica, incluindo a hanseníase. Por ser a leucodermia uma doença de pele crônica, foi incluída neste grupo de patologias e não tem qualquer relação com a hanseníase. Às vezes, estas manchas na pele tornam-se marrom avermelhadas, e pequenas erupções aparecem sobre elas. Elas provocam prurido consideravelmente intenso, seguido de exsudação aquosa e sensação de queimação. De acordo com o Ayurveda, a leucodermia que se localiza na área de transição entre a pele e a membrana mucosa é difícil de curar. Esta doença também é difícil de tratar quando atinge pessoas idosas. Tratamento: A leucodermia é freqüentemente causada por distúrbios digestivos. As pessoas que sofrem de disenteria crônica são mais propensas a serem afetadas por esta patologia. Portanto, o primeiro passo é corrigir os problemas digestivos e a disenteria,

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se estiverem presentes. A droga de escolha é Kutaja (Holarrhena

antidysenterica). A casca desta planta é empregada na forma de

um pó, administrado na dose de uma colher de chá, três vezes ao

dia. Alguns outros carminativos e laxantes podem ser administrados em uma dose de quatro tabletes, três vezes ao dia (um total de 12 tabletes). O ingrediente mais importante da formulação é a planta katuki (Picrorhiza kurroa). Esta droga estimula o fígado e corrige seu desequilíbrio, auxiliando na cura da leucodermia. A fórmula também contém cobre na forma de bhasma (pó calcinado). Este metal age sobre o metabolismo e a

síntese de pigmentos (melanina).

A outra droga comumente utilizada para o tratamento desta

doença é Bhallataka (Semecarpus anacardium). É preparada na forma de pasta (linctus) com adição de outras substâncias. É administrada na dose de uma colher de chá, duas vezes ao dia.

Este medicamento pode provocar alguns efeitos adversos sobre o corpo. Estes efeitos podem ser evitados adotando-se ações adequadas antes da aplicação. Assim, a área mais interna da mucosa deve ser coberta com uma camada de manteiga ou ghee,

de forma que a pasta nunca entre em contato direto com a

membrana mucosa. Imediatamente após a aplicação do produto, deve ser oferecido leite ao paciente. Enquanto estiver utilizando o medicamento, o paciente deve evitar condutas e alimentos quentes e não deve se expor ao sol ou ao calor. Caso apareçam erupções na pele, apesar de todas as precauções tomadas, o

paciente deve ingerir a polpa do coco cru. Isto elimina todas as manifestações tóxicas da droga.

A droga Bakuci (Psoralea corylifolia) é muito utilizada

popularmente para o tratamento desta doença, tanto no Ayurveda como na alopatia. Uma pasta preparada com as sementes desta planta deve ser aplicada externamente. O pó desta droga

misturado com a decocção de khadira (Acacia catechu) e amalaki

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(Emblica officinalis) é administrado ao paciente na dose de 1/2 colher de chá, duas vezes ao dia. O óleo preparado com gunja (Abrus precatorius) fervido também é aconselhável para o tratamento da leucodermia.

Dieta: O paciente não deve ingerir sal de forma nenhuma.

Quanto mais ele evitar o sal, mais rapidamente a droga agirá. Se for necessário, o paciente pode ingerir sal-gema em uma quantidade pequena apenas. As especiarias e outras substâncias penetrantes devem ser evitadas. Vegetais que possuem sabor amargo como iogurte amargo e a variedade amarga da Cassia

fistula são benéficos.

Conduta: O paciente não deve se expor ao calor ou ao sol

excessivamente. Fatores psíquicos são reconhecidamente responsáveis pela precipitação e agravação da doença. O paciente, portanto, deve tentar se manter longe de preocupações,

ansiedade e outras formas de stress mental. Permanecer acordado à noite por longos períodos deve ser evitado. Os medicamentos sugeridos agem melhor se o paciente não estiver constipado.

Brotoejas

É uma forma aguda de erupção cutânea associada com sudorese excessiva, especialmente durante o clima úmido. No Ayurveda esta condição é conhecida como Pidaka. Consiste de pequenas erupções superficiais que se parecem com grãos de areia. Afeta quase todas as partes do corpo. O prurido, a sensação de queimação e as picadas causam muito desconforto, e pode causar infecção bacteriana secundária.

Tratamento: As pessoas com o tipo paittika de constituição

física são mais propensas a adquirir este problema de pele.

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Sempre que possível, estes pacientes devem evitar o calor e a umidade. A ingestão de Pravala pishti na dose de 500 mg. duas vezes ao dia, com mel, age tanto na prevenção como na cura desta doença.

Dieta: Amêndoas, óleo de amêndoas e uvas, especialmente a

uva passa, são muito benéficos para estes paciente. Sucos de frutas devem ser ingeridos em grande quantidade.

Conduta: O contato com ar fresco e os exercícios físicos são

úteis na cura e prevenção desta condição. Deve-se tomar o cuidado de não permitir que o suor permaneça no corpo tão logo

seja eliminado pela pele.

Psoríase

Trata-se de uma doença de pele pápulo-escamosa crônica e recorrente, que apresenta lesões cinza prateadas que se descamam. Apesar de ocorrer em qualquer parte do corpo, afeta mais freqüentemente as áreas sobre os joelhos e cotovelos. No Ayurveda é conhecida como Eka-kushtha. As impurezas do sangue associadas com alguns fatores emocionais são mencionadas no Ayurveda como alguns fatores causais para o surgimento da doença. Ocorre grave irritação sobre as áreas afetadas e o paciente é incapaz de resistir ao ato de coçar-se. Com isso, as escamas são retiradas das lesões e expõem uma pele brilhante e prateada logo abaixo das mesmas, sendo este o aspecto característico desta doença. Eventualmente, por violenta fricção, há exsudação aquosa e sangramento na região, produzindo uma sensação de queimação.

Tratamento: A formulação Kustha rakshasa taila (um tipo de

óleo medicinal) é muito eficaz no tratamento desta patologia. É

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aplicada externamente sobre as áreas afetadas e nas adjacentes especialmente quando o paciente sente o prurido. Administra-se a droga Guggulu tiktaka ghrita (uma preparação na forma de manteiga medicinal), que contém, entre outras substâncias a planta guggulu (Commiphora mukul) e outros cinco ingredientes amargos. Ela conserva os intestinos limpos, promove a digestão, estimula o fígado, purifica o sangue e produz lubrificação no organismo. Deve-se iniciar com a dose de uma colher de chá, duas vezes ao dia, em jejum, misturada com uma xícara de leite morno. A dose deve ser gradualmente aumentada até seis colheres de chá da manteiga medicinal, duas vezes ao dia, ou até que surjam sinais de que o organismo está adequadamente lubrificado. É um tratamento preparatório e, em geral, é prescrito ao paciente antes da administração da terapia específica. Outra formulação bastante utilizada no Ayurveda é a Chanda maruta. Esta droga contém, entre outros ingredientes, mercúrio e arsênico. É geralmente administrada na dose de 125 mg., duas vezes ao dia, misturada com mel e em jejum. Como alguns ingredientes da droga são altamente tóxicos, cuidados apropriados devem ser tomados durante sua administração.

Dieta: Devem ser evitados os alimentos picantes e especiarias.

O paciente deve evitar também o sal e o iogurte. Caso seja necessário, pode-se utilizar o sal-gema em pequenas quantidades. Todos os vegetais com sabor amargo como a abóbora amarga, a variedade amarga da Cassia fistula e as flores da árvore neem

(Azadirachta indica) são muito benéficos nesta condição.

Conduta: O paciente deve evitar o uso de tecidos sintéticos.

Ele não deve usar suas unhas para friccionar as áreas pruriginosas. Sempre que houver sensação de prurido, o paciente deve ser aconselhado a esfregar Kushtha rakshasa taila sobre as

lesões.

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Tinha

Esta é uma doença de pele causada por fungos. No Ayurveda é denominada Dadru. A infecção dissemina-se do centro para a periferia e a cura inicia-se centralmente resultando em lesões em forma de anéis com uma borda vesicular ou escamosa e uma zona central de pele normal ou cicatrizada.

Tratamento: O paciente deve tomar banhos regulares e vestir

roupas limpas e secas. O banho com água quente e fervida com folhas de neem (Azadirachta indica) é extremamente benéfico nesta condição. É aconselhável a aplicação de uma pasta preparada com as folhas desta árvore (Azadirachta indica) sobre a pele. Nos pacientes crônicos, o uso de Paradadi malham ou Dadrughna lepa provou ser muito útil. Uma droga denominada Edgaja ou edagaja (Cassia tora) é freqüentemente utilizada para o tratamento. As sementes desta planta são transformadas em pó e aplicadas sobre a área afetada na forma de pasta. Internamente, administra-se Shuddha gandhaka, cuja ação é comprovadamente útil nestes casos. Deve ser prescrito na dose de 200 mg., duas vezes ao dia, misturado com mel. Estes medicamentos, tanto de uso interno quanto externo, devem ser continuados por algum tempo, mesmo após a lesão ter sido curada, uma vez que há sempre a possibilidade de recorrência desta doença. Portanto, a medicação deve ser mantida durante sete dias após o desaparecimento das lesões.

Dieta: Alimentos azedos, incluindo iogurtes e picles devem ser evitados.

Conduta: O paciente deve vestir roupas limpas e banhar-se

com água fervida com as folhas da árvore neem (Azadirachta

indica) diariamente.

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Escabiose

A escabiose é uma infestação parasitária e se dissemina

geralmente por contato físico. No Ayurveda é conhecida como

Kachchhu.

Em geral, a escabiose afeta as regiões de pele fina abaixo da linha

do colarinho. Portanto, nos membros superiores, costuma afetar

as áreas da face anterior dos cotovelos, a face medial das articulações dos punhos e mãos e a área entre os dedos. No tronco, as regiões mais afetadas são as mamas nas mulheres, o abdome, os órgãos genitais e as nádegas. Nos membros inferiores, afeta as coxas, os tornozelos e os pés. Surgem pápulas pruriginosas que são caracterizadas por inflamação, formação de pus, eczema e prurido.

Tratamento: O enxofre purificado é freqüentemente utilizado no

tratamento da escabiose. Cerca de 2 gramas de enxofre puro é colocado em uma colher grande e adiciona-se um pouco de manteiga purificada de leite de vaca (ghee), de forma a encobrir todo o enxofre. Esta colher é colocada sobre o fogão e aquecida. Quando o ghee começa a ferver, o enxofre derrete e mistura-se com o mesmo. Em outro recipiente, adiciona-se leite de vaca. A boca do recipiente é coberta com um pano fino. Sobre este pano, o ghee quente contendo enxofre é derramado e através deste pano o enxofre é filtrado para dentro do recipiente. Ao entrar em contato com o leite, o enxofre se solidifica. Deve ser retirado do

leite e lavado com água morna. Este processo deve ser repetido sete vezes. O enxofre, desta forma, fica livre de impurezas, tornando-se também atóxico e terapeuticamente mais eficaz quando administrado internamente. Este enxofre deve ser transformado em pó e conservado em um recipiente seco. Deve ser prescrito na dose de 200 mg., duas vezes ao dia, misturado com mel e em jejum. A manteiga que sai do leite ao qual o enxofre

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foi adicionado também é muito útil para a aplicação externa. Este tipo de enxofre também é muito tolerado por crianças. Deve-se tomar o cuidado necessário para assegurar que os movimentos intestinais estejam livres. Caso não estejam, deve ser administrado um laxante. As partes do corpo afetadas pela escabiose devem ser lavadas diariamente com água fervida com as folhas da neem (Azadirachta indica). O sabão preparado com o óleo desta árvore é muito útil. As folhas da árvore neem podem ser mascadas e usadas internamente também. As folhas novas da neem, que não são muito amargas, são transformadas em pílulas do tamanho de ervilhas e dadas ao paciente duas vezes ao dia.

Dieta: Alimentos doces e azedos não devem ser ingeridos.

Picles, iogurte e melaço são estritamente proibidos.

Conduta: O paciente deve desenvolver hábitos de limpeza.

Deve tomar banho diariamente, se possível com água fervida com as folhas da neem (Azadirachta indica). Exercícios, rápidas caminhadas ao ar livre pela manhã e ao entardecer são muito benéficos para o paciente.

Urticária

É uma reação vascular da pele caracterizada pelo aparecimento transitório de áreas elevadas, mais vermelhas ou mais pálidas que as áreas adjacentes e que apresentam prurido. No Ayurveda é denominada Shita pitta. Os fatores causais mais importantes são os alérgenos, banhos frios imediatamente após exercícios, quando o corpo ainda está quente e a excitação mental. Os vermes intestinais e a exposição ao vento frio causam urticárias freqüentes. Estas lesões aparecem sobre toda a pele do corpo subitamente ou gradualmente. Pode

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haver prurido intenso. O paciente está freqüentemente constipado. Ele pode ter crises de resfriados, tosse, bronquite e distúrbios gástricos.

Tratamento: A planta haridra (Curcuma longa) é um dos

remédios caseiros mais populares. É normalmente usada no tempero curry (à base de açafrão). Uma quantidade maior deste tempero, adicionado aos vegetais, previne e cura a urticária. Na forma de pasta, triturando-se seu pó com água, é administrada ao paciente na dose de duas colheres de chá, três vezes ao dia. Possui um sabor ligeiramente amargo. Desta forma se o pó puro

não agradar o paciente, pode ser administrado com adição de leite

e açúcar. Uma preparação mais saborosa com a planta haridra

(Curcuma longa) é conhecida como Haridra khanda. É vendida na forma de grânulos e pode ser oferecido ao paciente na dose de uma colher de chá três vezes ao dia seguido de uma xícara de água morna. Gairika (ocra vermelha) também é popularmente utilizada nesta doença. Depois de processada, é administrada na dose de uma colher de chá, três vezes ao dia, misturada com mel. A formulação Kamadugha rasa, que contém gairika em quantidade significativamente maior, também é prescrita ao paciente na dose de 500 mg., quatro vezes ao dia, com mel. Se o paciente estiver constipado, deve ser prescrito o pó da haridra (Curcuma longa), na dose de duas colheres de chá, com água quente no horário de dormir.

Dieta: O paciente deve ingerir uma dieta sem sal tanto quanto

possível. Alimentos azedos, como o iogurte, são proibidos. Todos

os vegetais que possuem sabor amargo, como a abóbora amarga

e a variedade amarga da Cassia fistula, são benéficos nesta

condição. O alho e a cebola podem ser ingeridos em grande

quantidade.

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Conduta: Durante crises agudas de urticária, o paciente deve

ser esfregado com óleo de mostarda misturado com o sal-gema em pó. Depois, o corpo inteiro deve ser exposto ao sol e suavemente friccionado com uma moeda de cobre. Isto promove alívio instantâneo. Se o paciente apresentar parasitose intestinal,

este distúrbio deve ser tratado. Caso contrário, a urticária irá reaparecer novamente.

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Figura 6: Curcuma longa (haridra ou rajani) 89

Figura 6: Curcuma longa (haridra ou rajani)

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Capítulo 7

DOENÇAS DO SANGUE E DO SISTEMA CARDIOVASCULAR

Anemia

No Ayurveda, a anemia é conhecida como Pandu. O termo anemia

significa falta de glóbulos vermelhos ou hemoglobina no sangue. Pode ser causada por: (1) hemorragias conseqüentes a lesões, hemorróidas, epistaxe, sangramentos pela boca, pelos pulmões, pelo ânus, pelo trato genital, etc., (2) suprimento inadequado de ingredientes formadores de sangue, através da alimentação, (3) destruição de células sangüíneas após sua formação, e (4) deficiência na produção de sangue por deficiência na função de alguns órgãos como o estômago, o fígado e a medula óssea.

O oxigênio é muito importante para a manutenção e

funcionamento das células corporais, e este oxigênio é transportado dos pulmões para diferentes partes do corpo através

dos glóbulos vermelhos. Quando o sangue torna-se deficiente, o

paciente apresenta fraqueza, mesmo após um pequeno esforço, e há sinais de palidez na face assim como em outras áreas do corpo.

Tratamento: Há diferentes causas para os sangramentos por

diferentes áreas do corpo, e se a anemia é causada por um destes

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fatores, então a causa do sangramento deve ser tratada em primeiro lugar. Nas deficiências nutricionais, devem ser ingeridos gêneros alimentícios contendo ferro. Se a anemia (Pandu roga) é causada pelo mal funcionamento de quaisquer dos órgãos ou vísceras do corpo, como o fígado, estômago e medula óssea, o medicamento freqüentemente indicado pelos habilidosos médicos ayurvédicos é Punarnavadi mandura ou Punarnava mandura, que contém 22 ingredientes. O ingrediente mais importante desta fórmula é mandura, um subproduto do minério de ferro, e é considerado rico na forma assimilável do ferro. Vários processos farmacêuticos são prescritos para prepará-lo em um pó, também chamado de bhasma, tornando-o mais assimilável também. Punarnava (Boerhaavia diffusa), o próximo ingrediente importante desta fórmula, possui propriedades rejuvenescedoras. A víscera, ou parte da mesma, cujo desequilíbrio causou a anemia, torna-se recuperada através do uso desta droga. Outras substâncias incluídas nesta droga também estimulam os órgãos afetados e equilibram suas funções. Algumas aumentam o apetite, e portanto, o alimento é adequadamente digerido, absorvido e assimilado. Este medicamento não é tóxico, pode ser administrado até mesmo a um homem saudável, para o qual a droga agirá como um tônico. Normalmente, 1 grama desta droga é administrada quatro vezes ao dia. Ela deve ser bem misturada com mel ou qualquer outro xarope de forma a adquirir uma consistência de uma pasta (linctus) e depois ingerido. Para crianças, a dose deve ser proporcionalmente reduzida. Dieta: Nas anemias, alimentos azedos, especialmente o iogurte, e as frituras, que interferem no funcionamento normal do fígado, são proibidos. Vegetais verdes são considerados benéficos. Doces preparados com as sementes de til (Sesamum indicum) adicionados a um xarope preparado com gur (açúcar doce) é considerado bastante benéfico. Este produto deve ser

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ingerido principalmente quando a função fígado está afetada. A casca das sementes de gergelim (Sesamum indicum) contém muito ferro, e portanto, não deve ser removida na preparação dos doces.

Conduta: A anemia, de acordo com o Ayurveda, é considerada

um tipo de desequilíbrio de pitta. A purgação é considerada a melhor terapia para o tratamento de pitta. Portanto, no tratamento destes casos, a constipação é imediatamente corrigida. No paciente constipado, os medicamentos mencionados acima tem eficácia reduzida. Punarnava mandura age como um laxante suave quando administrado em uma dose maior. Mas se o paciente permanecer constipado, mesmo sob a ação do remédio, deve ser prescrita a água triphala 10 que deve ser ingerida todos os dias pela manhã, em jejum. Além do medicamento acima descrito, existem muitos outros remédios mencionados no Ayurveda, que devem ser prescritos em tipos específicos de anemia. Alguns destes medicamentos podem ser um pouco tóxicos se não forem empregados na dose adequada. Nos casos sérios de anemia, estas drogas devem ser utilizadas sob a supervisão apropriada de um médico ayurvédico.

10 Triphala: Designação dada às três frutas mirabólanos: Terminalia chebula, Terminalia belerica e Emblica officinalis.

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Figura 7: Boerhaavia diffusa (punarnava) 93

Figura 7: Boerhaavia diffusa (punarnava)

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Cardiopatias Angina pectoris

Trata-se essencialmente de uma síndrome clínica de dor torácica característica produzida pelo aumento do trabalho do coração. Em geral, a dor tem alívio com o repouso. Na maioria dos casos, manifesta-se na região anterior do tórax e principalmente sobre o esterno. A dor irradia para o lado esquerdo do corpo, com freqüência. Pode atingir os braços, pescoço, mandíbula e também

a parte superior do abdome. O ombro esquerdo e o braço

esquerdo são muito freqüentemente acometidos pela dor. É mais conhecida como doença do coração. No Ayurveda é denominada Hridroga. São muitos tipos dependendo dos aspectos característicos da dor. Se a dor é aguda, e de natureza móvel,

passa a ser chamada Vatika hridroga. Se estiver associada com sensação de queimação, chama-se Paittika hridroga. Na Kaphaja hridroga, a dor é em geral muito suave e está associada com sensação de peso, náuseas e tosse.

A patologia é causada por obstrução nas artérias coronárias, os

vasos sangüíneos que atravessam a parede do coração e nutrem

o músculo cardíaco. Como o músculo cardíaco despende uma

imensa quantidade de energia, necessita de nutrição ininterrupta.

Isto naturalmente demanda um bom suprimento de sangue. Qualquer bloqueio nestes vasos sangüíneos interferem com o

adequado fluxo de sangue para os músculos cardíacos. Se o fluxo

de sangue for significativamente reduzido, o coração sinaliza suas

dificuldades com o registro de dor ou desconforto no peito.

Tratamento: Arjuna (Terminalia arjuna) é a droga de escolha

para o tratamento desta doença. Trata-se de uma árvore de porte

elevado e sua casca é utilizada como medicamento. O pó ou a decocção de sua casca é administrada durante e mesmo depois

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da crise. O pó é administrado na dose de 1 grama, quatro vezes ao dia. Se a doença cardíaca for do tipo vatika, o medicamento é misturado ao ghee. Se for do tipo paittika, emprega-se o leite. No tipo kaphaja de doença cardíaca, a droga é misturada ao mel ou com o pó de pippali (Piper longum). Para preparar a decocção, geralmente 30 gramas do pó puro da casca da árvore é fervido com aproximadamente 500 ml de água até que seja reduzido a um quarto. Passa-se à filtração, adiciona-se mel ou ghee e pode ser administrado ao paciente. Se for adicionado mel, a decocção deve estar fria antes da mistura. O ghee é misturado quando a decocção está morna e é fornecida ao paciente nesta temperatura. Existem muitas preparações que utilizam esta planta, a arjuna (Terminalia arjuna). Os médicos usam freqüentemente a formulação Arjunarishta. Seis colheres de chá desta droga na forma líquida são administradas ao paciente duas vezes ao dia após a refeição, com igual quantidade de água. Arjuna (Terminalia arjuna) é fervida em manteiga de vaca, e este ghee medicinal é administrado ao paciente na dose de uma colher de chá duas vezes por dia, em jejum, misturado com uma xícara de leite morno. Esta preparação é conhecida como Arjuna ghrita. Este medicamento não deve ser prescrito para um paciente obeso. Seria acrescentar mais gordura e isto poderia criar mais problemas. Outros medicamentos utilizados para diferentes tipos de doenças cardíacas são Hridayarnava rasa e Prabhakara vati. Estes medicamentos são disponíveis na forma de tabletes. Devem ser prescritos dois tabletes, três a quatro vezes ao dia, dependendo da gravidade da doença. No momento dos ataques agudos, Mrigamadasava é a droga ideal. Trata-se de um medicamento em forma de líquido, administrado na dose de 1/2 a 1 colher de chá, misturada com igual quantidade de água. Estes medicamentos são utilizados

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mesmo depois da remissão da crise. Com o esforço, o paciente pode apresentar um ataque a qualquer momento. Torna-se, portanto, necessário que utilize os medicamentos acima mencionados durante seis meses continuamente.

Dieta: Estão proibidas as frituras, os grãos de leguminosas, e

suas preparações, e óleo de amendoim. Os médicos ayurvédicos permitem a manteiga ou o ghee, mas não o óleo de amendoim. O ghee de leite de vaca, o leite de vaca e a manteiga de leite de vaca são muito benéficos ao paciente. O ghee de leite de búfala e o leite de búfala não são recomendados. Estimulantes como chá,

café e bebidas alcoólicas são muito prejudiciais para tais pacientes.

Condutas: O Ayurveda considera interligadas as funções do

coração e da mente. Os distúrbios de um afetam o outro. Então, pacientes com doenças cardíacas são aconselhados pelos médicos ayurvédicos a evitar a ansiedade, a preocupação, a atividade sexual excessiva e a disposição irada. Todos os esforços devem ser feitos para que o paciente tenha um bom sono à noite. Mesmo um descanso durante o dia é essencial. Ele nunca deve permanecer acordado até tarde da noite. Os intestinos devem estar funcionando regularmente. Se apresentar constipação, deve ser aconselhado a ingerir um copo de água pela manhã bem cedo e sair para caminhar todos os dias.

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Figura 8: Terminalia arjuna (arjuna) Hipertensão O sangue é bombeado pelo coração para todas as

Figura 8: Terminalia arjuna (arjuna)

Hipertensão

O sangue é bombeado pelo coração para todas as partes do corpo através das artérias, seus ramos e inúmeros capilares. Quando o coração contrai, o sangue é forçado para dentro das artérias e portanto, exerce uma pressão positiva sobre as paredes destes canais. Quando o coração dilata, a pressão nas artérias é reduzida e cria-se uma pressão negativa. As paredes das artérias são elásticas para acomodar tanto as pressões negativas quanto as

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positivas. Durante a contração do coração, a pressão exercida sobre as paredes das artérias é chamada sistólica e durante a dilatação do coração, a pressão exercida é chamada diastólica. A pressão do sangue varia de pessoa para pessoa dependendo da idade, sexo, trabalho físico e mental. Os homens, tanto aqueles que estão idosos quanto aqueles que estão expostos a um maior esforço físico e mental mantém, normalmente, uma pressão mais elevada que outros. Em condições fisiológicas, a pressão do sangue aumenta durante situações de medo, raiva e excitação. Uma pessoa durante o sono e o período de repouso mantém uma pressão mais baixa. Além dos fatores físicos e emocionais mencionados acima, a pressão sangüínea pode se elevar por um desequilíbrio de vayu. Tanto os fatores físicos e psíquicos, incluindo o clima são responsáveis por esta alteração. A ingestão excessiva de sal, a falta de exercícios, a preocupação mental, a insônia e as doenças dos rins, entre outras, são responsáveis pela pressão elevada na terceira idade; especialmente quando o rim está afetado, a pressão se eleva. Por causa do acúmulo de sais nas paredes das artérias, sua elasticidade é reduzida e, portanto, mesmo um pequeno esforço do coração exerce pressão sobre estas paredes. Uma pessoa com hipertensão não dorme bem à noite. Palpitação, tontura, perda da estabilidade, perda do equilíbrio, dispnéia aos mínimos esforços, fraqueza e dificuldades digestivas são sintomas apresentados. Quando a hipertensão torna-se crônica, por causa da perda da elasticidade das artérias, os capilares que suprem sangue aos olhos, especialmente para a retina, são afetados resultando em hemorragia local e perda da visão. Quando a doença torna-se mais grave, com o passar do tempo, agride também as artérias que nutrem de sangue o cérebro. Por causa da perda de elasticidade, podem romper-se e ocorre hemorragia. Este sangramento é conhecido como hemorragia cerebral. Resulta em

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paralisia. Os movimentos de vários órgãos do corpo são controlados por estes centros localizados no cérebro. O centro afetado pela hemorragia é responsável pela paralisia do órgão correspondente. Tratamento: Todos os medicamentos que aliviam vayu e promovem o vigor do sistema nervoso são benéficos nesta condição. Lasuna ou alho é uma excelente droga. O alho possui um efeito aquecedor sobre o corpo quando ingerido cru. O alho transformado em pasta e misturado com manteiga de leite é muito eficaz no tratamento desta patologia. Deve-se começar com uma grama de alho três vezes ao dia. Esta deve ser gradualmente elevada para 3 gramas três vezes ao dia. Outro método muito utilizado é a fritura do alho no ghee. Isto reduz o cheiro e torna-o mais agradável ao paladar. Sarpagandha (Rauwolfia serpentina) é uma formulação freqüentemente utilizada no tratamento da hipertensão pelos médicos ayurvédicos. A droga também é largamente prescrita no sistema de medicina alopático. Muitos alcalóides tem sido isolados desta droga e sua eficácia foi comprovada na redução da pressão sangüínea. No Ayurveda, a raiz desta droga é empregada em seu estado natural. O pó desta planta é administrado a um paciente adulto na dose de meia colher de chá, três vezes ao dia. A forma de tabletes é preparada a partir do extrato aquoso da planta e deve ser administrado na dose de dois tabletes, três vezes ao dia. Frações isoladas (alcalóides), quando administradas por período prolongado, produzem alguns efeitos adversos. Tais efeitos indesejáveis não são encontrados quando a droga inteira é transformada em pó ou em tablete. Para pacientes que sofrem de hipertensão crônica, a terapia dhara 11 é considerada a mais eficaz. Para este fim, utiliza-se o

11 Ver “Massagem Terapêutica na Medicina Ayurvédica”, Editora Chakpori.

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óleo medicinal fervido com bala (Sida rhombifolia) e leite. O óleo é colocado em um recipiente de barro pendurado em um apoio, tipo pedestal, ou no teto da sala. O paciente deve deitar-se de costas.

O óleo medicinal é derramado sobre a testa do paciente (entre as

sobrancelhas), de um pequeno buraco feito no fundo do recipiente

de barro. Esta terapia é aplicada uma vez ao dia, de preferência pela manhã, durante cerca de uma hora. Através do uso desta terapia, o paciente dorme profundamente à noite e a pressão sangüínea gradualmente torna-se mais baixa. O mesmo óleo também pode ser utilizado para massagear a cabeça, assim como

o corpo. Este óleo, preparado através da ebulição de bala (Sida

rhombifolia) com leite, repetidamente, por cem vezes, é denominado Shatavartita kshirabala taila. Cinco gotas deste óleo devem ser administradas internamente com uma xícara de leite, todos os dias. É bastante conhecido por sua eficácia na redução

da pressão sangüínea. Dieta: O paciente não deve ingerir alimentos picantes e especiarias, e deve evitar o sal tanto quanto possível. Óleos e gorduras hidrogenadas devem ser estritamente proibidos. O paciente pode utilizar o ghee ou a manteiga preparada com leite de vaca. O ghee e a manteiga preparados com leite de búfala não são aconselháveis. O paciente deve ingerir vegetais que auxiliem na limpeza dos intestinos. A abóbora amarga, a Cassia fistula, patola (Trichosanthes dioica) e bimbi (Coccinia indica) são os vegetais mais benéficos. O paciente deve evitar colocasia e a variedade amarela da abóbora. Ele pode ingerir todos os tipos de frutas secas. Laranja, banana, goiaba e maça são consideradas muito úteis . O óleo de amêndoas pode ser administrado na dose de uma colher de chá em uma xícara de leite na hora de dormir. Isto ajuda a tranqüilizar o nervos, reduzindo assim a pressão. Frutas e vegetais fervidos são melhores que cereais e grãos de leguminosas para estes pacientes.

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Conduta: O paciente não deve ficar acordado à noite durante

um tempo demasiadamente longo, e ele deve descansar o máximo possível. Esforço mental de qualquer forma deve ser evitado. Ele pode realizar exercícios físicos leves, mas exercícios físicos pesados, especialmente levantamento de pesos, etc., devem ser evitados. Ele deve ser equilibrado em seus hábitos alimentares e naqueles relacionados à evacuação intestinal. Ele deve dedicar-se algum tempo a meditação e relaxamento, os quais lhe trarão paz e tranqüilidade mentais.

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Figura 9: Rauwolfia serpentina (sarpagandha) 102

Figura 9: Rauwolfia serpentina (sarpagandha)

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Icterícia

A icterícia é caracterizada pelo aparecimento de cor amarelada nos olhos e na pele. No Ayurveda é denominada Kamala. É causada pela excessiva circulação de pitta (pigmentos biliares) no sangue. O fígado é responsável pela produção de pitta. Se houver qualquer obstrução nos ductos biliares, ou falha nas funções do fígado, ou excessiva destruição de células vermelhas do sangue, pitta apresenta-se em excesso no sangue. Normalmente, é eliminado do corpo através da urina e das fezes. No entanto, se surgir uma obstrução nos ductos biliares, não há eliminação para os intestinos. As fezes normais possuem uma coloração característica por causa da bile, de forma que se houver uma obstrução nos ductos biliares, as fezes tornam-se brancas, pálidas na coloração. A urina, no entanto, permanece excessivamente amarela em todos os tipos de icterícia. Além de tornar a pele e os olhos amarelos, muitos outros sintomas se manifestam, dependendo do caso. A digestão, especialmente das gorduras, está deficiente e, consequentemente, o paciente torna-se fisicamente debilitado. A destruição das células sangüíneas, e o excesso de circulação de pigmentos biliares resultam no bloqueio da oxidação dos tecidos celulares, causando defeitos no metabolismo e queixas relacionadas. Pode haver prurido em todo o corpo. Tratamento: No Ayurveda, em tais condições, aplica-se a terapia purgativa logo no início. Como o paciente está debilitado, purgativos potentes estão contra-indicados. Apenas purgativos do tipo colagogo, que estimulam a função do fígado e aumentam o fluxo de bile nas vias biliares são empregados. Trivrit (Operculina turpethum) e kutaki (Picrorhiza kurroa) são as duas drogas de escolha para este tratamento. A casca da raiz de trivrit e o rizoma de kutaki são utilizadas separadamente ou associados, na forma

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de pó. Dependendo do vigor do paciente, da gravidade e do estágio da doença, o pó destas drogas é administrado na dose de 1 a 2 colheres de chá, duas vezes ao dia, com água quente. Duas preparações freqüentemente utilizadas para esta condição são Avipattikara churna e Arogya vardhini vati. A planta trivrit (Operculina turpethum) é um importante ingrediente da primeira fórmula e katuki (Picrorhiza kurroa), da última. A primeira droga é vendida na forma de um pó e administrado na dose de uma colher de chá, duas vezes ao dia, com água quente. A última, na forma de tabletes de 250 mg. cada, é administrada na dose de dois tabletes, três vezes ao dia, seguido por água quente ou misturado com mel. Bhumyamalaki (Phyllanthus niruri) é comumente empregado no tratamento de todos os tipos de kamala (icterícia). Trata-se de uma erva pequena, com cerca de seis polegadas de altura. O suco desta planta é administrado ao paciente na dose de uma colher de chá, três vezes ao dia, misturado com mel. Pode ser administrado também na forma de pasta. Outras drogas também utilizadas são:

vasaka (Adhatoda vasica), kakamachi (Solanum nigrum) e triphala (as três frutas: Terminalia chebula, Terminalia belerica e Emblica officinalis) Dieta: Alimentos doces e líquidos como suco da cana-de- açúcar, o suco da laranja e uvas passas devem ser ingeridos em grande quantidade. Esta alimentação ajudará a estimular a micção, auxiliando assim na eliminação dos pigmentos biliares que estão em excesso no sangue. Podem entrar na dieta os vegetais e as sopas de carne. Vegetais com sabor amargo são úteis nesta condição. Alimentos azedos e com sabor penetrante, assim como especiarias, não são benéficos. O sal deve ser utilizado em quantidade limitada. A romã (Punica granatum), apesar de azeda, é benéfica. O iogurte não deve ser oferecido ao paciente. Mas a manteiga feita de iogurte pode ser oferecida ao paciente em

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grandes quantidades, pois não é muito azeda. Álcool, de qualquer forma, está contra-indicado.

Conduta: O paciente deve estar em completo repouso. Deve

evitar o calor, o sol, o sexo e fatores psíquicos como a raiva e a

ansiedade.

o sol, o sexo e fatores psíquicos como a raiva e a ansiedade. Figura 10: Phyllanthus

Figura 10: Phyllanthus niruri (bhumyamalaki)

Edema

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O edema, não inflamatório, surge por diversas razões. Doenças do coração, fígado e rim, assim como anemia são algumas das importantes causas para o edema. Em todos os tipos de edemas, seja qual for sua causa, há acúmulo excessivo de líquidos nos tecidos. É necessário que estes líquidos sejam eliminados do corpo. Tratamento: Punarnava (Boerhaavia diffusa) é a droga de escolha para o tratamento desta condição. É uma pequena trepadeira, encontrada em quase toda a Índia, exceto nas grandes altitudes. Cresce abundantemente após o início das chuvas. Em certas regiões, as pessoas usam esta planta como vegetal folhoso. Existem dois tipos de Punarnava, uma variedade vermelha e uma branca. Ambas são empregadas na medicina. A planta inteira pode ser administrada, mas suas raízes atuam melhor que outras partes da planta na cura do edema. A preparação mais utilizada popularmente nos casos de edemas é conhecida como Punarnava mandura. Trata-se de uma preparação à base de ferro na qual é adicionada a planta Punarnava (Boerhaavia diffusa). É normalmente disponível na forma de pó e administrada ao paciente em doses que variam dependendo da causa da doença e de sua característica aguda. Normalmente, a dose é de 2 gramas, três vezes ao dia, misturada com mel. Dá uma coloração negra às fezes. Caso haja constipação, ajuda indiretamente em seu alívio e uma certa quantidade de fluidos é eliminada do corpo através das fezes. A droga também melhora a função dos rins e promove a micção. Uma preparação alcoólica desta droga é conhecida como Punarnavadyarishta. É administrada na dose de 6 colheres de chá, após as refeições, duas vezes ao dia. Deve ser diluída em igual quantidade de água antes de ser administrada ao paciente. Se o edema for causado por algum distúrbio do fígado, esta droga deve ser administrada em dose menor.

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Outras drogas necessárias para promover a cura da causa do edema devem ser administradas simultaneamente, ou seja, juntamente com a preparação de Punarnava.

Dieta: Sal, frituras e iogurte estão estritamente proibidos.

Vegetais como Cassia fistula, banana verde, abóbora, patola (Trichosanthes dioica) e abóbora amarga são úteis para este tipo de paciente. Se houver constipação, o paciente deve ingerir mamão papaia maduro em quantidade. O mamão papaia verde também é útil como vegetal neste distúrbio. O excesso de gordura tanto de origem vegetal como animal deve ser evitado. Óleo de

amendoim e suas preparações são estritamente proibidos.

Conduta: O paciente deve ser aconselhado a não dormir

durante o dia. Em todos os tipos de edema, se ele se sente fatigado, pode descansar, mas seus olhos devem permanecer abertos. Tanto quanto possível, ele deve se movimentar e evitar

hábitos sedentários.

Escorbuto

Esta doença é causada pela deficiência de vitamina C, caracterizada por fraqueza, anemia, alterações nas gengivas e hemorragias muco-cutâneas. Os sangramentos ocorrem à princípio nas gengivas. Podem ocorrer também dos capilares sob a pele. A presença de vitamina C é essencial para a coagulação do sangue. Na sua ausência, o sangue não coagula e a parede dos capilares torna-se muito frágil. Eles se rompem com muita facilidade e o sangramento não se interrompe mesmo após um período de tempo considerável. Esta alteração ocorre geralmente no exército e entre as pessoas que se alimentam apenas de enlatados e conservas. A fervura excessiva dos vegetais destrói a

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vitamina C e as pessoas acostumadas com este tipo de alimento são mais propensos a apresentar esta doença.

Tratamento: A droga de escolha é amalaki (Emblica officinalis)

no

tratamento desta patologia. O fruto maduro deve ser coletado e

posto a secar na sombra. Depois é transformado em pó. Este pó

deve ser misturado com igual quantidade de açúcar e ingerida na dose de uma colher de chá, três vezes ao dia, com leite.

A formulação Chyavana prasha, que contém amalaki (Emblica

officinalis) entre seus ingredientes mais importantes, é administrado na dose de uma colher de chá, três vezes ao dia,

com leite.

Dieta: Frutas frescas, assim como vegetais folhosos e verdes devem ser ingeridos em grande quantidade. A romã (Punica granatum) e a banana são muito benéficas nesta condição. As frutas devem estar cruas.

Conduta: O paciente não deve se expor demasiadamente ao sol e ao calor e deve fazer muito repouso.

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Figura 11: Aegle marmelos (bilva) 109

Figura 11: Aegle marmelos (bilva)

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Capítulo 8

DOENÇAS OCULARES

Catarata

É a opacificação do cristalino ou de sua cápsula, suficiente para interferir com a visão do olho. No Ayurveda esta doença é denominada Timira ou Linga nasha. Considera-se que o vayu desequilibrado seja o responsável pela manifestação desta doença. Uma das funções de vayu é manter as estruturas secas. Quando o cristalino e sua cápsula perdem suas características e tornam-se ásperos, apresentam-se opacos e os raios de luz vindos dos objetos são incapazes de penetrar através deles. Quando os raios luminosos não atravessam o cristalino, a retina torna-se incapaz de recebê-los, de forma que a percepção da visão é bloqueada. No primeiro estágio da catarata, apenas parte do cristalino e sua cápsula estão afetados, havendo, portanto, apenas um bloqueio parcial da visão. O objeto, dessa forma, pode parecer desfocado.

Tratamento: Primeiramente, deve ser corrigido o vayu alterado.

Ghee é uma das mais importantes substâncias capazes de corrigir vayu. O composto Triphala fornece nutrição e fortalece os nervos e outros tecidos do globo ocular. Maha Triphala ghrita consiste da composição de ghee (manteiga purificada) com Triphala (as três frutas), entre outros ingredientes, é popularmente utilizado no tratamento desta doença. Se a catarata estiver em estágio avançado, torna-se bastante difícil corrigi-la. Este medicamento,

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portanto, age muito bem, mas apenas no primeiro estágio de desenvolvimento deste distúrbio. Este ghee medicinal é administrado na dose de duas colheres de chá, duas vezes ao dia, cerca de uma hora antes das refeições, misturada com uma xícara de leite morno. Chandrodaya varti é utilizado externamente nesta condição. A formulação é friccionada com um pouco de água e a pasta é aplicada na forma de colírio. É ligeiramente irritante. Promove a circulação sangüínea e o lacrimejamento. O colírio também promove nutrição aos tecidos dos olhos. Para a prevenção desta doença e também para curá-la quando ela está no início, a água de Triphala é muito benéfica. O pó de Triphala deve ser administrado na dose de uma colher de sopa do pó para um copo de água, à noite. A mistura é conservada durante 12 horas, bem coberta. Pela manhã, deve ser misturada e filtrada através de um pedaço de pano limpo, ou filtro de papel. O filtrado, assim obtido, deve ser usado para lavar os olhos e para ser administrado internamente. Para conservar os olhos sem qualquer doença, é necessário manter o paciente sem constipação. Tanto Maha Triphala ghrita quanto a água de triphala ajudam a conservar o paciente longe da constipação.

Dieta: Manteiga de leite de vaca, leite e manteiga são úteis. O

paciente pode ingerir arroz, trigo, feijões, banana (tanto verde quanto madura), methi (Trigonella foenum-graecum), espinafre, patola (Trichosanthes dioica), a variedade doce da koshataki (Luffa acutangula), Cassia fistula da Índia, quiabos, uvas, romãs, maçãs e laranjas. Os alimentos com sabor penetrante, azedo e salgado devem ser evitados. O sal marinho nunca deve ser utilizado, mesmo nos vegetais. Apenas sal-gema deve ser empregado, mas também em pequena quantidade.

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Conduta: A exposição excessiva ao calor e ao sol é proibida.

Preocupações excessivas, ansiedade e raiva ajudam a agravar vayu e pitta, cujos desequilíbrios ajudam na causa da doença. Tais fatores emocionais devem ser evitados.

Miopia

A miopia geralmente ocorre nos jovens e o paciente experimenta

uma dificuldade em enxergar objetos à distância. A causa desta

dificuldade é que os raios paralelos transmitidos pelos objetos são focalizados em frente à retina, provavelmente por uma alteração na curvatura da superfície de refração do olho ou por refração anormal no meio do olho. Normalmente, após o uso de óculos com lentes côncavas de curvatura apropriada, o paciente sente alívio do sintoma. Mas ele precisa continuar a usar as lentes indefinidamente. Em determinado tipo de miopia, a morbidade continua a aumentar na idade adulta. Esta patologia recebe a denominação de “miopia progressiva” e o paciente precisa mudar suas lentes para números maiores. No Ayurveda esta condição é conhecida como Drishti dosha. No Ayurveda, as pessoas que sofrem de resfriados crônicos e constipação são consideradas propensas a tornarem-se míopes. A debilidade dos nervos também é considerada um fator que pode dar origem a esta doença. No início, o paciente apresenta a visão embaçada da matéria escrita no quadro negro ou da tela do cinema. O paciente experimenta uma pequena dificuldade em reconhecer as pessoas

a uma certa distância. Pode haver lacrimejamento, prurido e uma

sensação de peso e queimação nos globos oculares. Pode resultar

em dor de cabeça e distúrbios no sono.

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Tratamento: Durante o tratamento deste problema, deve-se tomar as providências necessárias para curar a constipação e o resfriado crônico do paciente, se estiverem presentes. A composição Triphala é comumente utilizada pelos médicos ayurvédicos para o tratamento desta condição. Uma colher de sopa deste pó é adicionado a um copo de água à noite, e conservado durante a noite. No dia seguinte, o pó deve ser filtrado através de um pano limpo e a água assim obtida deve ser usada tanto para respingar os olhos como para beber. Cerca de 120 ml. desta água deve ser ingerida. Em alguns casos, a solução pode causar diarréia, e em outros, não haverá qualquer alteração intestinal. Portanto, a dose deve ser adequada de forma que o paciente consiga evacuar todas as manhãs. Podem ser necessários dois a três dias para que a dose possa ser adequada. Depois, deve ser administrada por cerca de 15 dias, sendo que após a remoção da tendência à constipação, a solução não causará mais diarréia. Esta dose deve ser continuada por cerca de três meses para que aja como tônico sobre os olhos. Esta água deve ser respingada suavemente sobre os olhos pela manhã. Outro medicamento de escolha é Yasthi madhu (Glycyrrhiza glabra). A raiz ou o rizoma desta planta é usada para propósitos medicinais. É muito fibrosa e por isso a preparação de um pó a partir desta raiz é um processo muito trabalhoso. Um colher de chá deste pó deve ser misturada com meia colher de chá de ghee puro

e uma colher de chá de mel puro. Isto deve ser tomado duas

vezes ao dia, em jejum uma vez pela manhã, antes do desjejum

e uma vez à tarde antes do lanche, quando o estômago está

quase vazio. Se a miopia é causada por debilidade nervosa então, um composto preparado com esta droga, denominado Saptamrita lauha é empregado. Neste composto, são combinados triphala,

yasthi madhu, lauha bhasma, ghee e mel. Uma colher de chá

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deste pó é adicionado a uma xícara de leite e ingerida duas vezes

ao dia.

Para controle da miopia progressiva, o ghee medicinal preparado pela ebulição de triphala (as três frutas) e algumas outras drogas é prescrito. Esta preparação é denominada Maha Triphala ghrita. Se

o ghee de leite de vaca for utilizado na preparação deste

medicamento, produz resultados excessivamente bons em curto espaço de tempo. Uma colher de chá deste ghee deve ser utilizado duas vezes ao dia, com leite. Se houver tendência a constipação, a dose deste ghee deve ser aumentada para 3

colheres de chá , duas vezes ao dia.

Para curar o paciente do resfriado e congestão nasal, um óleo medicinal, preparado pela ebulição de alguns ingredientes no óleo

de mostarda, chamado Shadbindu taila 12 é prescrito. Seis gotas

deste óleo é pingado em cada narina e profundamente inalado uma vez pela manhã. No início, esta inalação pode causar ligeira irritação no nariz e causar também espirros. mas quando utilizado habitualmente, isto não ocorre.

Dieta: Alimentos penetrante e azedos como especiarias, picles,

e iogurte são contra-indicados. Os alimentos que causam constipação e congestão nasal devem ser evitados. O ghee de leite de vaca é considerado bastante benéfico nesta condição. Pode ser ingerido juntamente com o alimento. Frituras não são benéficas e não devem ser ingeridas.

Conduta: O paciente não deve forçar seus olhos durante seus

estudos. Ele deve dar algum descanso aos olhos após a leitura de algumas páginas. Escrever durante a noite deve ser evitado sempre que possível. Costurar e pintar à noite são consideradas atividades que forçam os olhos demasiadamente. Durante a

12 A formulação Shadbindu taila encontra-se no livro “Massagem Terapêutica na Medicina Ayurvédica” pelo mesmo autor, pág. 183.

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leitura, a pessoa deve manter a postura adequada e o livro de ser conservado a uma distância na qual possa ser lido confortavelmente. A leitura enquanto está deitado na cama é contra-indicada. O paciente não pode permanecer acordado à noite, especialmente quando for para estudar e assistir filmes na televisão. Uma caminhada pela manhã por cerca de 3 quilômetros diariamente é muito útil para a interrupção do progresso da doença.

Terçol

Trata-se de uma pequena inflamação tumoral sobre a pálpebra. É geralmente causada por uma saúde deficiente, conjuntivite, infecção nas pálpebras e falta de limpeza. Causam dor e desconforto. Demora cerca de 5 a 8 dias para que este pequeno tumor na pálpebra supure e para que, com isto, o paciente sinta alívio da dor, de forma que todo o processo entra em remissão. Há tendência de que estas lesões apareçam repetidamente.

Tratamento: De acordo com o Ayurveda, a constipação é uma

das causas comuns para o terçol. Portanto, antes do início do tratamento, o paciente deve ingerir purgativos. Geralmente, o pó de triphala (as três frutas) é o medicamento de escolha para este propósito. O paciente deve ingerir uma colher de chá deste pó de triphala na hora de dormir, com uma xícara de leite quente. Outra colher de chá do pó deve ser colocada em um copo de água e conservado durante a noite. Na manhã seguinte, deve ser agitado e filtrado, e o líquido obtido é utilizado para lavagem dos olhos. Para prevenir as recorrências, um colírio é freqüentemente prescrito pelos médicos ayurvédicos. Ele é conhecido como Chandrodaya varti. É encontrado em forma de varetas com as extremidades afiladas. Estes pedaços de varetas arredondadas

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devem ser trituradas com algumas gotas de mel sobre um prato e

o colírio assim preparado é aplicado suavemente sobre os olhos.

Isto causa uma ligeira irritação e pode haver lacrimejamento dos olhos. Mas a irritação cessa em cerca de 5 a 10 minutos após a aplicação.

Dieta: O paciente deve evitar todas as bebidas e alimentos

azedos. O iogurte, está especialmente proibido. Alimentos amargos e aqueles que ajudam a estimular os intestinos são sempre indicados para estes pacientes.

Conduta: O paciente não deve permanecer acordado durante a

noite por longo tempo. A leitura não é aconselhada. Ele deve evitar

o sol, não deve lavar a cabeça e não deve se expor ao vento muito frio e à chuva.

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Capítulo 9

DOENÇAS DOS ÓRGÃOS GENITAIS

Esterilidade Feminina

A união do esperma com o óvulo e sua implantação na parede do útero leva ao desenvolvimento do feto. Para que haja o adequado desenvolvimento de um feto, deve haver nutrição apropriada através da mãe, e esta deve estar livre de doenças durante o período da concepção e gestação. A esterilidade em mulheres, portanto, é resultado de falhas do ovário, do útero, das trompas de Falópio ou dos hormônios que controlam estes órgãos assim como de uma doença que acometa a mãe. Falhas nos órgãos genitais podem ser estruturais (orgânicas) ou funcionais. Para corrigir os defeitos orgânicos, medidas cirúrgicas devem ser tomadas. Os defeitos funcionais destes órgãos podem ser tratados satisfatoriamente com medicamentos ayurvédicos. A condição denominada Bandhyatva no Ayurveda, é considerada responsável pela deficiência simultânea dos três humores (doshas). Tratamento: A preparação Phala ghrita é muito eficaz no tratamento da esterilidade feminina. É administrada na dose de duas colheres de chá, duas vezes por dia, em jejum, misturado

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com leite. Vanga bhasma é o medicamento de escolha para o tratamento desta condição. A dose é de 125 mg., duas vezes ao dia, misturado ao mel. Shilajit ou silajatu (exsudato liberado por rochas quando expostas ao sol) é uma das drogas mais eficazes na cura da esterilidade. É administrado à paciente na dose de uma colher de chá, duas vezes ao dia. Bala é utilizada localmente e internamente. A raiz desta planta é fervida em óleo e leite. É empregada com água quente como uma ducha. Ela produz uma alteração na membrana mucosa do trato genital que auxilia a efetivar a combinação do óvulo e do espermatozóide no útero. Este óleo medicinal também é usado internamente na dose de uma colher de chá pela manhã, com um copo de leite.

Dieta: Alimentos penetrantes e alcalinos não devem ser

ingeridos por pessoas que apresentam esterilidade. Elas devem

ingerir frutas e alimentos doces, em grande quantidade.

Conduta: A obesidade excessiva geralmente resulta em

esterilidade. Nestes casos o peso deve ser reduzido por regulação da dieta e através de exercícios.

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Figura 12: Sida rhombifolia (bala) 119

Figura 12: Sida rhombifolia (bala)

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Leucorréia

É caracterizado pela eliminação de secreções do trato genital

feminino. Está freqüentemente associada à infecção do trato genital por alguns organismos. Além destes organismos, alguns distúrbios metabólicos e hormonais são responsáveis pela doença. A secreção eliminada

pelo trato genital produz cheiro desagradável se houver infecção.

A consistência das secreções variam de paciente para paciente

dependendo da idade e da fase do ciclo menstrual . No Ayurveda, acredita-se que a causa seja o desequilíbrio ou enfraquecimento do kapha dosha. Ocorre geralmente em pacientes debilitados, emagrecidos e anêmicos. Pacientes que sofrem de leucorréia crônica tornam-se irritadiças e com freqüência possuem mais distúrbios digestivos. Há sempre alguma dificuldade com relação aos movimentos intestinais. A paciente desenvolve uma mancha circular escura em torno dos olhos que é muito característica do ponto de vista do diagnóstico. Permanecer acordada até tarde da noite precipita o problema. Há um ciclo vicioso de leucorréia e preocupação mental.

Tratamento: Para o tratamento desta doença, é sempre necessário localizar o fator causal exato para este problema. Duchas regulares do trato genital com a decocção das cascas das árvores banyan (figueira de bengala) e da figueira são úteis nesta condição. Uma colher de sopa de cada uma das cascas deve ser fervida em um litro de água e reduzida à metade. A decocção deve ser filtrada e o pó é separado. Quando estiver ligeiramente morno, deve ser utilizado como ducha. Esta decocção conserva as células teciduais desta área saudáveis. O medicamento mais empregado popularmente pelos médicos ayurvédicos nesta doença é Pradarantaka lauha. Esta droga contém alguns bhasmas de metais (contém metais calcinados). O mais importante é o bhasma

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de ferro. Para a preparação deste medicamento, os ingredientes são triturados com o suco de kumari (Aloe barbadensis). A paciente deve ingerir 250 mg. desta droga, três vezes ao dia, com mel. Kumari (Aloe barbadensis) também é utilizada nestas condições. Ela tonifica as células teciduais do útero e do trato genital e previne a exsudação de fluidos anormais. A kumari é plantada como cercas vivas nos jardins. Quando totalmente madura, esta planta produz lindas flores cor de rosa. Cresce abundantemente em regiões arenosas. Quando a pele externa da folha desta planta é retirada, uma polpa carnosa aparece e é empregada para a extração do suco. Deve ser administrado 30 ml. deste suco, duas vezes ao dia, com um pouco de mel, preferivelmente em jejum. Este suco estimula o fígado, promove a digestão e regula os intestinos. Possui ainda em efeito regulador sobre desequilíbrios hormonais dos órgãos genitais, tonificando-os. Lodhra (Symplocus racemosa) também é prescrita com a finalidade de ser usada em duchas. A casca desta árvore é empregada e a decocção é preparada da mesma forma como descrito acima. Este medicamento também é utilizado na forma de Lodhra asava. A fração alcoólica solúvel desta droga é extraída através de um processo especial durante ao qual algumas outras drogas são adicionadas. É administrada na dose de 30 ml., duas vezes ao dia, após as refeições, com igual quantidade de água.

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