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MOÇÃO COM VISTA À SUSPENSÃO DA APLICAÇÃO DO NOVO MODELO DE


AVALIAÇÃO EM NOME DE UMA AVALIAÇÃO PROMOTORA DO SUCESSO E DA
DIGNIFICAÇÃO DA CARREIRA DOCENTE

Exma Sra

Presidente do Conselho Pedagógico da

Escola E.B.2,3 de Santo António:

Os professores da Escola E.B. 2 ,3 de Santo António em Faro abaixo


assinados declaram o seu mais veemente protesto e desacordo perante o
novo modelo de Avaliação de Desempenho introduzido pelo Decreto
Regulamentar nº 2/2008 .

Os critérios que nortearam o primeiro concurso de acesso a professor


titular geraram uma divisão artificial e gratuita entre “professores titulares”
e “professores”, valorizando apenas a ocupação de cargos nos últimos sete
anos, independentemente de qualquer avaliação da sua competência
pedagógica, científica ou técnica e certificação da mesma. Nesta “lotaria
ministerial” ficaram de fora muitos professores com currículos altamente
qualificados, com anos de trabalho dedicado ao serviço da educação e com
investimento na sua formação pessoal, gerando nas escolas injustiças
aviltantes. Semeia-se terreno para, no nosso quotidiano, se desencadearem
situações paradoxais, como por exemplo, os avaliadores possuírem
formação científica e pedagógica inferior à dos avaliados, ou avaliarem
grupos disciplinares para os quais não possuem qualquer formação
académica….

Por outro lado, a sua apressada implementação tem desviado as


funções dos professores para tarefas burocráticas de elaboração e
reformulação de documentos legais necessários à implementação deste
modelo de avaliação, em detrimento das funções pedagógicas. Estes
documentos têm sido o resultado de um trabalho meramente técnico por
parte dos professores, consistindo, quase todos, num agregado de
propostas às já elaboradas por outras escolas, e não um trabalho
pedagógico e consistentemente estruturado no Projecto Educativo das
escolas.

As escolas são, neste momento, cenário de professores afogados em


burocracia, instabilidade e insegurança, situação inconciliável com o
verdadeiro propósito da docência.

Como pode haver ensino de qualidade e sucesso escolar se os professores


investem a maior parte do seu tempo (de momento ultrapassa largamente
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as 35 horas semanais), na elaboração de um emaranhado de documentos


burocráticos nos quais ancora este modelo de avaliação?

Não é legítimo que a avaliação de desempenho dos professores e a


sua progressão na carreira se subordine a parâmetros como o sucesso dos
alunos e o abandono escolar. Desprezam-se variáveis inerentes à realidade
social, económica, cultural e familiar dos alunos que escapam ao controlo e
responsabilidade do professor e que são fortemente condicionadoras do
sucesso educativo.

Os docentes desta escola rejeitam a penalização nos critérios de


obtenção de Muito Bom e Excelente, quando recorrem a direitos
constitucionalmente garantidos, como sejam, a maternidade/paternidade,
doença, participação em eventos de reconhecida relevância social ou
académica, cumprimento de obrigações legais e nojo.

Rejeitam, igualmente, um modelo que impõe uma avaliação entre


pares, parcial e perigosa, porque criadora de um péssimo ambiente na
escola. Esta avaliação é, por demais, injusta e geradora de desigualdades,
na medida em que, aqueles que vão avaliar (coordenadores e avaliadores)
não serão avaliados por um inspector, pelo menos, no presente ano lectivo.
Por outro lado, a grande maioria não tem formação, nem experiência, em
supervisão que lhe permita a avaliação dos seus pares. A formação que o
Ministério tem vindo recentemente a proporcionar aos avaliadores, para
além de não abranger uma parte significativa dos mesmos, é perfeitamente
extemporânea, dado que decorreu, em grande parte, já depois do início do
novo ano escolar, numa fase em que tudo já deveria estar pronto para o
dito “processo avaliativo”, encontrando-se os professores sobrecarregados
em actividades inerentes ao lançamento do novo ano lectivo.

O horário de trabalho imposto pelo Ministério de Educação é


demasiado escasso para responder às inúmeras tarefas e funções que lhe
são distribuídas ou solicitadas. As horas destinadas ao trabalho individual
não são suficientes para a planificação de aulas, análise de estratégias mais
adequadas, criação de recursos diversificados e inovadores, elaboração de
recursos para o apoio educativo, elaboração de materiais para os alunos
com necessidades educativas especiais, preparação de instrumentos de
avaliação diagnóstica, formativa e sumativa, correcção dos mesmos,
reflexão sobre os resultados, reformulação de práticas, tudo isto
multiplicado por uma média de cem alunos, cinco, seis ou sete turmas, dois,
três ou quatro níveis diferentes. Para além ainda do tempo destinado à
participação em reuniões dos órgãos de gestão intermédia,
dinamização/participação em actividades extra-curriculares, intenção
comunitária, etc.

O regime de quotas impõe uma manipulação dos resultados da


avaliação, gerando nas escolas situações de profunda injustiça e
parcialidade, devido aos acertos impostos pela existência de percentagens
máximas para a atribuição das menções qualitativas de Excelente e Muito
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Bom, estipuladas pelo Despacho nº 20131/2008, e que reflectem


claramente o objectivo economicista que subjaz a este modelo de avaliação.

Enquanto todas as limitações, arbitrariedades, incoerências e


injustiças que enformam este modelo de avaliação não forem corrigidas, os
professores signatários desta moção solicitam ao Conselho pedagógico a
suspensão de toda e qualquer iniciativa relacionada com o modelo de
avaliação preconizado, por não lhe reconhecerem qualquer efeito positivo
sobre a qualidade de educação e do seu desempenho profissional.

Escola E.B. 2,3 de Santo António, 30 de Outubro de 2008

Os professores signatários:

MOÇÃO COM VISTA À SUSPENSÃO DA APLICAÇÃO DO NOVO MODELO DE AVALIAÇÃO EM


NOME DE UMA AVALIAÇÃO PROMOTORA DO SUCESSO E DA DIGNIFICAÇÃO DA CARREIRA
DOCENTE

NOME
Assinatura

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