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A EDUCAÇÃO E O ALIENADO CONSENSO À ORDEM DO CAPITAL ALINE DE CARVALHO MOURA – UERJ licacmoura@hotmail.com

RESUMO Pensar hoje, em negar que os processos educacionais e os processos sociais mais abrangentes de reprodução da ordem do capital estão intimamente ligados, seria no mínimo um equívoco. Segundo alguns estudiosos como Newton Duarte, Ricardo Antunes, István Mészáros, dentre outros, sobre o papel da educação na sociedade capitalista, pode-se revelar, que a Educação que poderia ser alicerce importante para a mudança, tornou-se um instrumento de apoio dos estigmas da sociedade capitalista, estabelecendo um consenso que favorece a perpetuação do sistema dominante. A lógica do sistema capitalista remete a Educação ao estatos de mercadoria, que abraça a falsa idéia de que todos são iguais diante da lei, restabelecendo os vínculos entre Educação e trabalho. Em “A Educação para além do capital”, Mészáros coloca o seguinte pensamento: “diga-me onde está o trabalho em um tipo de sociedade e eu te direi onde está a educação” (MÉSZÁROS, 2005, p.17). Este trabalho é apresentado com o objetivo de pensar criticamente a posição da Educação na ordem alienante do capital, onde o processo educativo limita-se às imposições do sistema, mascarando a verdadeira face das instituições educacionais. Para alcançar este objetivo, foi feito um levantamento teórico pautado em uma epistemologia marxista, fazendo uma reflexão filosófico-ontológica acerca da alienação no processo educacional, ressaltando que este conceito de alienação exposto aqui, não se apresenta com um fim em si mesmo, mas como um caminho para uma compreensão realmente crítica da Educação.

Palavras - chave: Educação, alienação e capital.

Referência Bibliográfica:

MÉSZÁROS, I. A educação para além do capital. 1930; tradução de Isa Tavares – SP. Boitempo, 2005.

A aprendizagem é a nossa própria vida, desde a juventude até a velhice, de fato quase até a morte; ninguém passa dez horas sem nada aprender. Paracelso (MÉSZÁROS, 2005)

Darei início a este trabalho com uma epígrafe de Paracelso, um grande pensador do século XVI, que no alvorecer da idade moderna já pensava os problemas e questões da educação (MÉSZÁROS, p. 21, 2005). Realmente, Paracelso estava certo em sua época e continua certo nos dias de hoje. O fato é que dentre as tantas coisas aprendidas, o difícil seria tornar consciente esse processo de aprendizagem, no intuito de maximizar o que de fato é importante para uma mudança radical que estimule uma pressão que rompa com a lógica do capital, minimizando as abstrações e generalizações vazias que circulam por este processo de aprendizagem. A grande questão abarcada por esta epígrafe é: o que estamos aprendendo e a serviço de quem estamos aprendendo? Deixo claro desde o início que minha discussão não se prende à questão da aprendizagem, nem tão pouco à questão das divergências no campo da educação, mas sim em relação à forma como está sendo conduzido o processo de perpetuação, consciente ou não, da ordem social alienante e definitivamente incontrolável do capital e conseqüentemente da sociedade capitalista na produção educacional, uma vez que penso ser o conhecimento científico o elemento necessário para transformar a realidade do sistema educacional atual. Não há como separar a batalha pedagógica da batalha política e social, pois toda situação política e social determina sensivelmente a educação. Para fazer uma ligação entre a educação e os processos sócio – políticos e econômicos, farei uso do conceito de alienação, conceito este tão utilizado por diferentes estudiosos e intelectuais ao longo da história, de formas muito distintas, sobre diversos sentidos, em diferentes campos de conhecimento, tanto científico, quanto do senso comum. O conceito de alienação exposto aqui, não se apresenta com um interesse em si mesmo, mas como um pensamento que será construído a longo prazo, ao longo de um estudo que prioriza a compreensão deste conceito na produção do conhecimento, vislumbrando um horizonte realmente mais crítico na

educação. Ressalto que meu intuito aqui não é de forma alguma desenvolver a questão da

alienação ou criar uma nova face para esta teoria já discutida e abordada por tantos autores

e pensadores. Meu principal tema de interesse, no qual tentarei deter minha

problematização, será a discussão do conceito da alienação na “dita” produção do

conhecimento dentro dos parâmetros imediatistas e experimentais; produção esta que nega muitas vezes a teoria e o saber científico, negligenciando o rigor teórico que deveria obrigatoriamente fazer parte das Universidades e principalmente de suas produções acadêmicas. Irei debruçar-me sobre a discussão de determinados autores que julgo contribuírem fortemente na crítica à hegemonia do pragmatismo neoliberal e ao ceticismo pós-moderno; autores como Newton Duarte, George Lukács, István Mészáros, Ricardo Antunes e, obviamente, Karl Marx. Serão exposto aqui, sem sobreposição, o conceito de alienação e suas questões na sociedade, e o processo de construção do conhecimento científico nas pesquisas educacionais. Começarei minha discussão com a questão da produção do conhecimento. A investigação do significado atribuído aos critérios teórico-metodológicos, na literatura sobre a produção do conhecimento em educação, exigiu, inicialmente, uma compreensão do que é o conhecimento. O conhecimento, ação humana, aparentemente simples, envolve diferentes aspectos que se constituem em aspectos centrais do ato cognitivo e que exigem um cuidado de compreensão. Ao realizar uma análise sobre o conhecimento, podemos entendê-lo como uma ação baseada na relação entre a teoria explicadora e aquilo que ela explica, encontramos essa relação expressa no trabalho dos seguintes autores: Gaston Bachelard (1884-1962) e Miriam Limoeiro Cardoso. Para estes autores, conduzir o raciocínio até o plano epistemológico permite compreender os fatores responsáveis pela elaboração do conhecimento, compreender as bases que formam o processo do conhecimento, para tal, devemos considerar as diferentes variações existentes entre as diversas concepções do quem vem a ser o conhecimento. O trabalho de investigação não encontra a tranqüilidade da certeza teórica com a escolha de um método, como afirma Cardoso “a formação do conhecimento não se faz em qualquer tempo ou lugar, de uma forma pura e desinteressada, mas ela é produto de uma inserção determinada no real.” (CARDOSO, p. 26, 1978). E nessa inserção determinada

no real, que a teoria formula e reformula o seu objeto, cada qual assumindo uma postura,

segundo os seus pressupostos. Nesse sentido, a ação realizada pelo pensamento se volta para o objeto, e nessa relação, é a realidade que importa, mas não é ela que comanda o processo de sua própria inteligibilidade (CARDOSO, p.64, 1976). Segundo Bachelard é fundamental para o conhecimento que os questionamentos de uma formulação despretensiosa assumam um sentido mediato, quando as marcas imediatas do real são retiradas do pensamento. Para Bachelard esse processo de abstração que ocorre no cerne do ato de conhecer gera conflitos, uma vez que, o acúmulo de imagens que acontece no decorrer da vida prejudica evidentemente a razão, porque o lado concreto das coisas nos é apresentado sem prudência, através de uma especulação direta, imediata. Os problemas reais são encarados sem as marcas do pensamento abstrato. Ao buscar as contribuições de Gaston Bachelard (1996), e Miriam Limoeiro Cardoso (1976; 1978) para este trabalho, penso que o processo do conhecimento é conduzido pela razão. Outro ponto importante da discussão apresentada nessas linhas gira em torno do conceito de alienação. O conceito de alienação é histórico, tendo uma aplicação analítica numa ligação entre sujeito, objeto e condições concretas específicas. É também um conceito vasto e pode englobar várias maneiras e formas de pensamento. O primeiro filosofo a abordar esse tema com os aspectos que serão colocados neste trabalho, foi Karl Marx. Isto está explicito em dois de seus trabalhos que respectivamente são: Manuscritos econômicos filosóficos (1844) e Elementos para a critica econômica política (1857), ambos enfatizam que o sistema capitalista é um sistema extremamente explorador e injusto, principalmente com as classes menos favorecidas economicamente, como a classe do proletariado. Marx se preocupava com a questão da alienação do homem. Procurava discutir a injustiça social que havia no capitalismo, se tratando de um regime econômico de exploração, sendo a mais - valia uma grande arma do sistema. Assim, a alienação se manifesta a partir do momento que o objeto produzido se torna alheio ao sujeito criador. Frente a essa colocação, a alienação no trabalho é gerada na sociedade devido à mercadoria, que são os produtos confeccionados pelos trabalhadores explorados, e o lucro, que vem a ser a usurpação do trabalhador para que mais mercadorias sejam produzidas e vendidas acima do preço investido no trabalhador, assim rompendo o homem de si mesmo. Acredito ter feito um apanhado muito simplificado e generalizado do rodeia a questão da alienação,

por isso, farei uso das palavras de Mészáros para reforçar estas colocações. "A atividade produtiva é, portanto, a fonte da consciência, e a ‘consciência alienada’ é o reflexo da atividade alienada ou da alienação da atividade, isto é, da auto-alienação do trabalho." Mészaros (1981, p.76). O capitalismo produz a alienação do homem afastando-o de si mesmo e dos outros homens. “Durante todo o dia são trabalhadores, porém não têm clareza do que fazem ao se depararem com as mercadorias produzidas. As mercadorias não lhes aparecem como objetos feitos por eles, mas sim na forma de mercadoria, pois no mercado elas ganham vida própria, e eles, os trabalhadores, se tornam objetos que seguem as regras do mercado. Se não as consumirem não existem são "excluídos do mercado" (SILVA, 2005).

Pensando na noção marxista de realidade concreta, a realidade das coisas não se apresenta imediatamente ao homem tal qual elas são. Karel Kosik (1986), em Dialética do concreto, denomina este fenômeno como pseudoconcreticidade, fenômeno que mostra parcialmente a realidade, escondendo nela, uma essência a ser desvendada, portanto “[ ] pesquisar o fenômeno é desvendar a essência oculta” (KOSIK, 1986). Nesta perspectiva, para Marx, a relação entre os homens produtores, que se estabelece no "capitalismo", pode ser pensada em uma relação social entre produtores. Tal relação não aparece dessa forma, mas é vista como uma relação em que os produtores não existem e a relação se dá entre os produtos de seus trabalhos. Marx inicia sua análise apontando a alienação como o fato econômico importante de sua época, a partir da seguinte questão:

“O trabalhador torna-se tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria tanto mais barata, quanto maior número de bens produz. Com a valorização do mundo das coisas, aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens. O trabalho não produz apenas mercadoria; produz-se também a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e justamente na mesma proporção com que produz bens” (MARX, p.111,

1844).

O conceito de alienação será aqui atribuído as questões voltadas para a educação e o processo educativo; a produção do conhecimento, perpassando pela “hegemonia” do saber cotidiano. Não há como ignorar que as instituições de ensino são “uma peça de uma engrenagem maior”, pois são partes integrantes dessa sociedade injusta e desigual, em que a regra de comportamento é “cada um por si e salve-se quem puder” (CECCON, p. 81, 1987). Ou seja, a educação empregada é reprodutora da ideologia dominante, logo, o que apresento com esta passagem, é que, se um indivíduo que vende sua força de trabalho hoje, trabalho alienado, devido à sua relação com o “não trabalhador”, é porque certamente sofre dentro do processo de alienação desde o mais tênue processo educativo. A concepção de alienação está intimamente ligada à relação existente entre sujeito e objeto; relação esta que se fundamenta a partir do momento em que o objeto torna-se estranho ao sujeito. O que quero apresentar com estas passagens é que, para que tenhamos hoje a alienação tão enraizada na questão sócio – político – econômica é porque este processo já vem de longo prazo na vida do indivíduo, como uma “bola de neve”, começando no início do processo educativo, desenrolando-se por toda formação acadêmica deste indivíduo. Quando este indivíduo tem a oportunidade de denunciar e lutar contra este intenso processo de alienação, ele se prende à hegemonia do saber cotidiano, experimental e acaba reproduzindo tudo que a sociedade impõe, alimentando cada vez mais o sistema capitalista, além de fazer da produção de conhecimento uma ponte para coisificação do saber, através da reificação dos conhecimentos tácitos (DUARTE, p. 620, 2003), que produzem conhecimento através de um caráter imediato, abstrato e alienado, transformando “tudo” em algo objetivo. A alienação vem sendo discutida há muito tempo, mas o interesse por ela, não diminuiu. Vamos pensar na alienação como uma atividade de “autotransformação” do homem, onde este, não sabe que seus desejos são determinados pelo sistema capitalista; não percebe a submissão do homem a outro homem ou a venda da força de trabalho, perdendo seu caráter de realização e libertação; não enxergando de fato toda a expressão de poder que impregna a sociedade. Vamos pensar também, na questão do “estranhamento”, analisando outra colocação sobre alienação, apresentada por John Holloway, que diz:

“Se humanidade é definida como atividade – pressuposto básico de Marx- então alienação

significa que a humanidade existe sob a forma de inumanidade, que os sujeitos humanos existem como objetos. Alienação é a objetificação do sujeito. O sujeito (homem ou mulher)

aliena sua subjetividade, e essa subjetividade é apropriada por outro [

tempo, como sujeito é transformado em objeto, o objeto que o sujeito produz, o capital, é

Ao mesmo

]

transformado no sujeito da sociedade. A objetificação do sujeito implica também a subjetificação do objeto.” (HOLLOWAY, 1997)

Frente a essa colocação de Holloway, Ricardo Antunes apresenta que a alienação não é um aspecto da luta de classes, ela é a luta do capital para existir, ou seja, é a luta do capital para sobreviver, é a luta do capital para subordinar o trabalho, resumindo, é a luta do capital pelo poder. Farei uma passagem sucinta pelo que entendo e li sobre o conceito de alienação utilizado por Marx após a obra “Manuscritos econômico-filosóficos”, quando redige severas críticas à economia política clássica, demonstrando uma interpretação deste conceito, ao mesmo tempo em que produz uma crítica à concepção Hegeliana, que fez deste conceito, algo fundamental em seu sistema de pensamento. Assim, o conceito de alienação em Marx compreende as manifestações do “estranhamento do homem em relação à natureza e a si mesmo” de um lado, e as expressões desse processo na relação entre homem-humanidade e homem e homem do outro (MÉSZÁROS, 2005). Não entrarei aqui, na discussão de alienação de Hegel nem tão pouco em sua relação com Marx; ou na controvérsia da separação entre o jovem Marx e o Marx maduro, pois não penso neste amadurecimento teórico como ruptura ou continuidade. Segundo Mészáros, desde a publicação dos “Manuscritos econômico – filosóficos” de 1844, muitos filósofos sustentaram que o jovem Marx deveria ser tratado separadamente, porque há uma ruptura entre o pensador que trata dos problemas da alienação e o velho Marx, que aspira a um socialismo científico (MÉSZÁROS, p. 197, 2006). Ao analisar a obra de Marx, Althusser (1967), identifica certo “descompasso” entre a filosofia, a política e a teoria em sua trajetória teórica, devido ao fato de que teoricamente Marx estaria preso ao humanismo teórico, mesmo que trouxesse com ele elementos proletários, trazidos da prática

revolucionária do proletariado. Ou seja, existem muitas controvérsias que rodeia as questões teóricas de Marx, logo, ficarei detida a discutir a alienação na educação. Penso estar intimamente associada à questão da alienação na educação, algumas contradições na pesquisa educacional, uma vez que ao direcionar seus estudos para um conhecimento tácito e imediatista, promove uma produção que nega muitas vezes a teoria e o saber científico, negligenciando o rigor teórico, como já foi apresentado acima. A partir da década de 1970, com a criação de cursos e mais cursos de pós- graduação, a produção acadêmica se ampliou consideravelmente, porém, juntamente com esse crescimento, surge também, como afirma Mazzotti, um empobrecimento teórico-metodológico na abordagem dos temas de pesquisa, devido ao grande número de estudos puramente descritivos e/ou “exploratórios”; pulverização e irrelevância dos temas escolhidos; adoção acrítica de modismos; e preocupação com a aplicabilidade imediata de resultados (MAZZOTTI, 2003). O que tento trazer com esta passagem é o fato de que os estudos quando colocados numa situação muito específica, tendem a cair em um relativismo que pouco ou nada contribuem para a construção de conhecimentos suficientemente relevantes, caindo em um “narcisismo investigativo”, que descamba principalmente no campo das ciências humanas e sociais, para um “vale-tudo” na pesquisa (MAZZOTTI, 2003). Com tamanha desorientação no processo educacional, poucos negariam que os processos educacionais e os processos sociais de reprodução estão intimamente ligados, a reprodução da ordem do capital se enraíza cada vez mais neste processo, abraçando os parâmetros estruturais fundamentais onde o capital permanece “incontestável”, o que limita uma mudança educacional radical que tente romper com a lógica da sociedade capitalista. Mészáros, ao parafrasear uma epígrafe de José Martí em seu livro “A educação para além do capital”, nos diz que “as soluções não podem ser apenas formais; elas devem ser essenciais”.

“A educação institucionalizada, especialmente nos últimos 150 anos, serviu – no seu todo- ao propósito de não só fornecer os conhecimentos e o pessoal necessário à máquina produtiva em expansão do sistema do capital, como também gerar e transmitir um quadro de valores que legitima os interesses dominantes, com se não pudesse haver nenhuma alternativa à gestão da sociedade, seja na forma “internalizada” (isto é, pelos indivíduos

devidamente “educados” e aceitos) ou através de uma dominação estrutural e uma submissão hierárquica e implacavelmente imposta.” (MÉSZAROS, p.35, 2005).

Fazendo uma análise sobre a questão da reprodução da sociedade pelas instituições educacionais, fica claro dentro de minhas perspectivas que toda sociedade necessita de um sistema próprio de educação, sistema esse que de alguma forma, dentro de um consenso alienante de formulações, reproduz em escalas sempre ampliadas às atividades produtivas que cercam o complexo sistema educacional da sociedade, que além destas formulações e reformulações, produz e reproduz valores nos quais os indivíduos “definem” seus próprios objetivos. Segundo Mészáros, as relações sociais de produção reificadas sob o capitalismo não se perpetuam automaticamente, uma vez que só o fazem porque os indivíduos interiorizam as pressões externas, adotando perspectivas gerais da sociedade. Neste contexto, o ideal educacional surge como um simples meio para um fim maior, que seria a manutenção dos pressupostos do capital, onde o homem torna-se apenas mais um indivíduo isolado no mundo capitalista, egoísta e seletivo. A educação formal está profundamente integrada na totalidade dos processos sociais. Em seu livro “A teoria da alienação em Marx”, Mészáros faz a seguinte colocação:

“A educação tem duas funções principais numa sociedade capitalista: (1) a produção das qualificações necessárias ao funcionamento da economia, e (2) a formação dos quadros e a elaboração dos métodos de controle político.” Logo, para que o plano político e o plano econômico funcionem com total vigor, é necessária uma boa base, ou seja, uma “boa” educação, para que a manutenção da máquina chamada capital. Penso que em um panorama mais geral, as necessidades econômicas e políticas que nascem com a base da “boa” educação, se dirigem a classe dominante, interessados à burguesia e aos interesses dos capitalistas individuais. Pegando uma citação em Mészáros (2006), Gramsci ressaltou em

] foi

excepcionalmente alargada. Eles foram produzidos em números imponentes pelo sistema social burocrático-democrático, muito além do que é justificado pelas necessidades sociais da produção, embora em dimensões justificadas pelas necessidades políticas da classe dominante fundamental”. Com isso, surgem as seguintes perguntas: Onde estão estes ditos intelectuais? Qual o grau de alienação no qual estão inseridos? Será que estes intelectuais

“The formation of intelectuals”: “No mundo moderno, a categoria dos intelectuais [

seriam capazes de criar alternativas verdadeiramente mais críticas contra a hegemonia das abstrações cotidianas da sociedade capitalista? Estes “intelectuais” já nascem impregnados de valores e pressupostos do capital, a própria vida se consolida sobre estes pilares capitalistas; nessa perspectiva, pode-se observar que a educação formal, não uma força ideológica primária que consolida o sistema do capital, nem tampouco seria capaz de por si só interiorizar, legitimar e assegurar o enraizamento total do capitalismo no indivíduo, mas sim, toda a hierarquia social e a conjuntura da sociedade, dentro de todo o processo histórico da consolidação da sociedade capitalista. Penso ser importante deixar claro que as instituições educacionais são certamente uma parte importante deste sistema de interiorização e legitimação, mas é apenas isso, uma parte. Para dar início as considerações finais, farei uso da apresentação do livro “A educação para além do capital” de István Mészáros (2005), uma vez que ele nos ensina que pensar a sociedade tendo como parâmetro o ser humano, exige a superação da lógica desumanizadora do capital, que tem no individualismo, no lucro e na competição seus fundamentos. Assim como Marx, Mészáros, dentre muitos outros estudiosos, também acredito que a sociedade só tem chance de se transformar verdadeiramente através da luta de classes, por isso, penso tanto a respeito das instituições educacionais como meras reprodutoras da ordem social capitalista, uma vez que acredito que a educação poderia ser uma “arma” essencial para mudanças. Porém, ao invés de ser usada como uma “arma” para transformações positivas e alternativas críticas e radicais dentro do processo de alienação e intolerância que regem a sociedade, é um instrumento que além de transmitir valores que legitimam os interesses dominantes, fornece conhecimentos e indivíduos que são indispensáveis na máquina produtiva chamada capital, estabelecendo e restabelecendo constantemente o injusto sistema de classes. A natureza da educação na sociedade capitalista está intimamente vinculada ao destino do trabalho. E ainda olhando por este panorama, pode-se pensar a educação, ela mesma, como uma mercadoria. Os processos de reprodução da sociedade capitalista são muito fortes e presentes nas instituições formais de educação. Triste pensar em um espaço tão rico de possibilidades e que se sujeita ao mero papel de fio condutor da ordem do capital. O que está em jogo, não é apenas a modificação política das instituições educacionais.

Fecho este trabalho fazendo uso de um trecho utilizado por Mészáros, que julgo apresentar uma clareza muito grande na relação entre educação e trabalho, abraçando também a idéia de alienação que rodeia todo o processo educativo, nos fazendo pensar na sociedade do capital, que coloca a educação e o trabalho subordinados a ordem alienante do capitalismo.

diga-me onde está o trabalho em um tipo de sociedade e eu te direi onde está a

educação.” (MÉSZÁROS, p. 17, 2005)

“[

]

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