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IBP1652 _12 DETERMINAÇÃO DA FAIXA OPERACIONAL DE PRODUÇÃO DE POÇOS DA BACIA DE SANTOS COM

IBP1652_12

DETERMINAÇÃO DA FAIXA OPERACIONAL DE PRODUÇÃO DE POÇOS DA BACIA DE SANTOS COM ALTA RAZÃO GÁS- ÓLEO Guilherme Rosário dos Santos 1 , Patricia Soares Loureiro 2

Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo

O desenvolvimento da produção da Bacia de Santos apresenta vários desafios a serem ultrapassados como longas

distâncias da costa, reservatórios profundos e com baixas temperaturas, altos níveis de pressão, longos comprimentos de linha e riser e lâmina d’água profunda entre outros. Existem características do óleo (teor de parafinas, alta razão de solubilidade) que também devem ser observados. A alta razão de solubilidade irá implicar numa grande quantidade de gás liberada de solução dado os altos níveis de vazão desses poços.O objetivo desse trabalho é mostrar a relevância dessa quantidade de gás presente na produção em termos de resfriamento da mistura gás e óleo (efeito Joule Thomson devido à despressurização), havendo implicações na área de garantia de escoamento (parafinas). A cristalização dessas parafinas depende das condições termodinâmicas do escoamento, particularmente da temperatura. Os óleos da Bacia de Santos apresentam elevada TIAC (temperatura de início de aparecimento de cristais) e moderada temperatura de segundo evento

de cristalização. A operação abaixo da temperatura do segundo evento de cristalização implica na cristalização das

parafinas mais pesadas, aumentando a severidade do problema e repercutindo em queda acentuada da produção. O resfriamento do fluido causado pelo efeito Joule Thomson predominantemente no riser pode implicar nessa cristalização

de parafinas. A deposição dessas parafinas cristalizadas na parede interna da tubulação depende ainda de um gradiente

entre a temperatura do fluido que escoa e a temperatura da parede interna da tubulação. O perfil de temperatura do ambiente marinho favorece a existência desse gradiente.Esse trabalho compreende etapas de calibração do modelo de escoamento multifásico, levantamento de dados de campo e identificação de condições de produção visando a não cristalização da parafina. Foram comparadas as faixas operacionais de produção de poços que operam nas mesmas condições de pressão/temperatura no reservatório e plataforma.

Abstract

The production development in the Santos Basin presents several challenges to overcome such as long distances from the coast, deep reservoirs with low temperatures, high pressure levels, deep water and others. There are some oil characteristics (wax percentage, high gas ratio solubility) which must be observed. The high gas ratio solubility imply a huge amount of gas due the high flow rates. The objective of this work is to show the relevance of the gas amount in the production, particularly the cooling of gas and oil mixture (Joule Thomson effect during despressurization), and the consequences to the flow assurance (wax deposition). The wax crystallization is controlled by the thermodynamic conditions of the flow, mainly temperature. The oil from Santos Basin presents high WAT (Wax Appearance Temperature) and moderate temperature of the second crystallization event. The production under the second crystallization temperature implies in the deposition of higher weight paraffin, increasing the problem and decreasing the production. This multiphase mixture cooling caused by Joule Thomson effect in the riser can imply in wax deposition and depends on the thermal gradient between fluid temperature and internal wall temperature. The sea environment temperature profile generates conditions that contribute to the existence of this gradient. This work can be divided in two steps: calibration model of multiphase flow and a comparison with field data in order to establish optimized well

1 Mestre, Engenheiro de Petróleo – PETRÓLEO BRASILEIRO S.A.

2 Engenheira de Petróleo – PETRÓLEO BRASILEIRO S.A.

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

conditions to avoid wax deposition. Moreover, the operational production range of wells in which the pressure and temperature conditions of reservoir and platform are the same were compared.

1. Introdução

O desenvolvimento da produção da Bacia de Santos apresenta vários desafios a serem ultrapassados como longas

distâncias da costa brasileira, reservatórios profundos e com baixas temperaturas, operações envolvendo altos níveis de pressão, riscos ambientais devido à alta produtividade dos poços, longos comprimentos de linha e riser, lâmina d’água profunda entre outros. Por outro lado, existem características do óleo (teor de parafinas, alta razão de solubilidade) que também devem ser observados. Os testes de longa duração realizados nesses poços têm como objetivo a coleta de informações sobre os níveis de produtividade desses poços, estabelecendo limites que devem ser observados. A alta razão de solubilidade irá implicar numa grande quantidade de gás liberada de solução dado os altos níveis de vazão desses poços.

O objetivo desse trabalho é mostrar a relevância dessa quantidade de gás presente na produção em termos de

resfriamento da mistura gás e óleo. À medida que há um aumento da vazão multifásica, há um aumento de temperatura dos fluidos que são entregues à plataforma (mecanismo regido por troca térmica). Num determinado momento, a despressurização que acontece no riser aliada à alta quantidade de gás liberado de solução produz o chamado efeito Joule Thomson pelo qual a mistura é resfriada como o todo. Esse resfriamento depende dos níveis de pressão a que estão

submetidos linhas e risers, vazão de óleo e de maneira genérica razão gás-óleo. Por outro lado, o efeito desse resfriamento tem implicações em garantia de escoamento, mais especificamente parafinas. A cristalização dessas parafinas depende das condições termodinâmicas do escoamento, particularmente da temperatura. Os óleos da Bacia de Santos apresentam elevada TIAC (temperatura de início de aparecimento de cristais) e moderada temperatura de segundo evento de cristalização. Quando se produz entre a TIAC e a temperatura de segundo evento é esperada a cristalização das parafinas mais leves que não ocasionam grandes perdas de produção. Já a operação abaixo da temperatura do segundo evento de cristalização implica na cristalização das parafinas mais pesadas, aumentando a severidade do problema e repercutindo em queda acentuada da produção.

O resfriamento do fluido causado pelo efeito Joule Thomson predominantemente no riser pode implicar nessa

cristalização de parafinas. A deposição dessas parafinas cristalizadas na parede interna da tubulação depende ainda de um gradiente entre a temperatura do fluido que escoa e a temperatura da parede interna da tubulação. O perfil de temperatura ambiente marinho favorece a existência de uma condição de deposição, isto é, gradiente térmico entre fluido e parede interna da tubulação. A equação 1 descreve como determinar o efeito Joule Thomson, onde T é a temperatura e P é a pressão:

j

=

∂ T ∂ P
T
P

h

(1)

Esse trabalho compreende, resumidamente, as etapas de calibração do modelo de escoamento multifásico, levantamento de dados de campo e identificação de condições de produção visando a não cristalização da parafina nas diversas situações operacionais enfrentadas. Foram comparadas as curvas de produção de poços de um mesmo campo com características particulares, mas que operam com condições de contorno (pressão e temperatura no reservatório e na plataforma) similares. Além disso, são mostrados os fatores que favorecem ou não o fenômeno do resfriamento numa ótica acoplada de reservatório e sistema de elevação e escoamento.

2. Construção do Modelo de Escoamento Multifásico

Nesse trabalho, foi construído um modelo de escoamento multifásico num software desenvolvido pela Petrobras para dois poços. Foram escolhidos dois poços de um mesmo campo com características semelhantes. A figura 1 mostra de maneira esquemática o modelo construído cuja análise compreende desde o fundo do poço até a plataforma. Nesse modelo, é adotado um modelo linear de IPR (inflow pressure relationship) para modelar o fluxo no meio poroso.

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Figura 1. Esquema do Modelo do Simulador de

Figura 1. Esquema do Modelo do Simulador de Escoamento Multifásico

Na figura 1, a parte em azul corresponde onde há a flowline e riser de produção (trecho submarino), enquanto que a parte em amarelo escuro corresponde ao trecho onde há a formação rochosa (poço). O reservatório e a plataforma estão indicados também nesta representação.

2.1. Dados do Modelo para o Poço 1

Para a construção desse modelo do poço 1, foi utilizado um riser e uma flowline de 2300 e 2360 m, respectivamente, cujos diâmetros são de 6 polegadas. Esse poço tem lâmina d’água de 2150 m. O óleo tem um °API de 28,5, apresentando uma TIAC de 36,5°C e temperatura de segundo evento de cristalização igual a 20°C. Nos três primeiros períodos foi adotada uma razão gás óleo (RGO) do gás de formação para simulação de 277 Sm 3 /Sm 3 enquanto que para os três períodos restantes foi adotada uma RGO do gás de formação de 310 Sm 3 /Sm 3 . ‘

2.2. Dados do Modelo para o Poço 2

Para a construção do modelo do poço2, foi utilizado um riser e uma flowline de 2800 e 3915 m, respectivamente, cujos diâmetros são de 6 polegadas. Esse poço tem lâmina d’água de 2166 m. O óleo tem um °API de 28,1, apresentando uma TIAC de 35°C e temperatura de segundo evento de cristalização igual a 20°C. A RGO do gás de formação adotada foi de 267 Sm 3 /Sm 3 .

3. Calibração do Modelo de Escoamento Multifásico

Essa etapa consistiu em ajustar o modelo de escoamento desde o fundo do poço até a plataforma com os dados observados em campo. Esses dados de campo são pressões e temperaturas obtidos por medidores instalados ao longo do trajeto fundo do poço-plataforma. Em relação a esses medidores, foram instalados um sensor de pressão e temperatura no fundo do poço ( PDG - pressure downhole gauge), um sensor de pressão e temperatura na árvore de natal molhada (sensor TPT) e um sensor de pressão e temperatura a montante do choke de superfície instalado na plataforma.

3.1. Calibração do Modelo do Poço 1

As figuras 2 e 3 mostram os perfis de pressão e temperatura para a calibração do modelo de escoamento, bem como os valores obtidos em campo (pressões e temperaturas no PDG e TPT). Nessa modelagem, foi adotada a mesma pressão obtida em campo a montante do choke na superfície.

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

 

Perfil de Pressão do Poço 1

1928

m3/d (simulada-período 1)

Pressão (kgf/cm 2 )

1845

m3/d (simulada-período 2)

 

0

200

400

600

2117

m3/d (simulada-período 3)

 

0

2030

3375

3587

 

m3/d (simulada-período 4)

 

1000

 

m3/d (simulada-período 5)

Comprimento Medido (m)

2000

m3/d (simulada-período 6)

3000

4000

m3/d (medida PI-período 1) 1918 m3/d (medida PI-período 2) 1847 m3/d (medida PI-período 3) 2205

m3/d (medida PI-período 1)1918 m3/d (medida PI-período 2) 1847 m3/d (medida PI-período 3) 2205 m3/d (medida PI-período 4)

1918

m3/d (medida PI-período 2)m3/d (medida PI-período 1) 1918 1847 m3/d (medida PI-período 3) 2205 m3/d (medida PI-período 4) 1993

1847

m3/d (medida PI-período 3)(medida PI-período 1) 1918 m3/d (medida PI-período 2) 1847 2205 m3/d (medida PI-período 4) 1993 m3/d

2205

m3/d (medida PI-período 4)1) 1918 m3/d (medida PI-período 2) 1847 m3/d (medida PI-período 3) 2205 1993 m3/d (medida PI-período

1993

m3/d (medida PI-período 5)1) 1918 m3/d (medida PI-período 2) 1847 m3/d (medida PI-período 3) 2205 m3/d (medida PI-período 4)

3495

5000

6000

 

7000

8000

 

m3/d (medida PI-período 6)3717

3717

 

Figura 2. Perfil de Pressão do Poço 1 desde o Fundo do Poço até a Plataforma

 

Perfil Térmico do Poço 1

 
 

1928

m3/d (simulada-período 1)

 

Temperatura (°C)

1845

m3/d (simulada-período 2)

 

0

20

40

60

 

0

2117 2030 3375 3587
2117 2030 3375 3587

2117

2030

3375

3587

m3/d (simulada-período 3)

1000

m3/d (simulada-período 4)

 

m3/d (simulada-período 5)

Comprimento Medido (m)

2000

m3/d (simulada-período 6)

3000

m3/d (medida PI-período 1)m3/d (medida PI-período 2) 1918 1847

m3/d (medida PI-período 2)m3/d (medida PI-período 1) 1918 1847

1918

1847

4000

 

5000

m3/d (medida PI-período 3) m3/d (medida PI-período 4) m3/d (medida PI-período 5) m3/d (medida PI-período

m3/d (medida PI-período 3)m3/d (medida PI-período 4) m3/d (medida PI-período 5) m3/d (medida PI-período 6) 2205 1993 3495

m3/d (medida PI-período 4)m3/d (medida PI-período 3) m3/d (medida PI-período 5) m3/d (medida PI-período 6) 2205 1993 3495 3717

m3/d (medida PI-período 5)m3/d (medida PI-período 3) m3/d (medida PI-período 4) m3/d (medida PI-período 6) 2205 1993 3495 3717

m3/d (medida PI-período 6)3) m3/d (medida PI-período 4) m3/d (medida PI-período 5) 2205 1993 3495 3717 1°Evento Cristalização (TIAC)

2205

1993

3495

3717

1°Evento Cristalização (TIAC)PI-período 4) m3/d (medida PI-período 5) m3/d (medida PI-período 6) 2205 1993 3495 3717 2°Evento Cristalização

2°Evento Cristalização4) m3/d (medida PI-período 5) m3/d (medida PI-período 6) 2205 1993 3495 3717 1°Evento Cristalização (TIAC)

6000

 
 

7000

8000

Figura 3. Perfil de Temperatura do Poço 1 desde o Fundo do Poço até a Plataforma

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

A tabela 1 mostra os níveis de produção atingidos pelo poço 1 em alguns momentos de sua vida produtiva. Os dados dos gráficos das figuras 1 e 2 são mostrados em detalhes nas tabelas de 1 a 5. Os dados de vazão, pressão e temperatura nas tabelas 1, 2, 3, 4 e 5 são valores médios ponderados no tempo, isto é, levam em consideração as oscilações naturais do poço. Os períodos de avaliação mostrados correspondem a intervalos em regime permanente nos quais as oscilações dessas variáveis são pequenas em torno de um determinado valor médio.

Tabela 1. Comparação entre valores de vazão observados em campo e simulados do poço 1

Período

Vazão Medida (m 3 /d)

Vazão Simulada (m 3 /d)

1

1918

1928

2

1847

1845

3

2205

2117

4

1993

2030

5

3495

3375

6

3717

3587

Na tabela 1, o máximo desvio simulado observado foi de 3.5 % em relação aos valores medidos, o que é considerado satisfatório. As tabelas 2 e 3 mostram os valores de pressão e temperatura no fundo do poço:

Tabela 2. Comparação entre valores de pressão de fundo observados em campo e simulados

Período

Pressão de Fundo Medida (kgf/cm 2 )

Pressão de Fundo Simulada (kgf/cm 2 )

1

503,5

503,9

2

504,0

505,8

3

497,1

499,3

4

500,0

501,1

5

468,1

461,4

6

461,6

453,1

Tabela 3. Comparação entre valores de temperatura de fundo observados em campo e simulados

Período

Temperatura de Fundo Medida (C)

Temperatura de Fundo Simulada (C)

1

56,9

57,5

2

56,9

57,4

3

57,1

57,7

4

57,1

57,6

5

57,8

59,5

6

58,0

59,9

Nas tabelas 2 e 3, os máximos desvios observados foram de 1,8 % e 3,3% em relação aos valores medidos para as pressões e temperaturas no fundo do poço, respectivamente, considerados satisfatórios.

As tabelas 4 e 5 mostram os valores de pressão e temperatura observados na árvore de natal molhada:

Tabela 4. Comparação entre valores de pressão no TPT observados em campo e simulados

Período

Pressão no TPT Medida (kgf/cm 2 )

Pressão no TPT Simulada (kgf/cm 2 )

1

324,5

322,1

2

326,3

324,3

3

319,6

317,3

4

324,1

322,6

5

284,9

283,1

6

277,5

277,9

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

Tabela 5. Comparação entre valores de temperatura no TPT observados em campo e simulados

Período

Temperatura no TPT Medida (C)

Temperatura no TPT Simulada (C)

1

49,8

47,8

2

49,9

47,4

3

50,6

48,5

4

50,4

48,3

5

52,0

52,3

6

52,3

52,9

Nas tabelas 4 e 5, os máximos desvios observados foram de 0,8 % e 5,0 % em relação aos valores medidos para as pressões e temperaturas no TPT, respectivamente, considerados satisfatórios.

3.2. Calibração do Modelo do Poço 2

A figura 4 e 5 mostram os perfis de pressão e temperatura para a calibração do modelo de escoamento, bem como os valores obtidos em campo (pressões e temperaturas no PDG e TPT). Nessa modelagem, foi adotada a mesma pressão obtida em campo a montante do choke na superfície.

Perfil de Pressão do Poço 2

Pressão (kgf/cm 2 )

0 200 400 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000 10000 Comprimento
0
200
400
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
7000
8000
9000
10000
Comprimento Medido (m)

3088

m3/d (simulada-período 1)

2832

m3/d (simulada-período 2)

2189

m3/d (simulada-período 3)

2293

m3/d (simulada-período 4)

2419

m3/d (simulada-período 5)

2555

m3/d (simulada-período 6)

1976

m3/d (simulada-período 7)

m3/d (medida PI-peírodo 1)3219

3219

m3/d (medida PI-período 2)2905

2905

m3/d (medida PI-período 3)2222

2222

m3/d (medida PI-período 4)2299

2299

m3/d (medida PI-período 5)2426

2426

m3/d (medida PI-período 6)2570

2570

m3/d (medida PI-período 7)1927

1927

Figura 4. Perfil de Pressão do Poço 2 desde o Fundo do Poço até a Plataforma

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

Perfil Térmico do Poço 2

Pressão (kgf/cm 2 )

0 10 20 30 40 50 60 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000
0
10
20
30
40
50
60
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
7000
8000
9000
10000
Comprimento Medido (m

3088

m3/d (simulada-período 1)

2832

m3/d (simulada-período 2)

2189

m3/d (simulada-período 3)

2293

m3/d (simulada-período 4)

2419

m3/d (simulada-período 5)

2555

m3/d (simulada-período 6)

1976

m3/d (simulada-período 7)

m3/d (medida PI-peírodo 1)3219

3219

m3/d (medida PI-período 2)2905

2905

m3/d (medida PI-período 3)2222

2222

m3/d (medida PI-período 4)2299

2299

m3/d (medida PI-período 5)2426

2426

m3/d (medida PI-período 6)2570

2570

5) 2426 m3/d (medida PI-período 6) 2570 1927 m3/d (medida PI-período 7) 1 Evento Cristalização

1927 m3/d (medida PI-período 7)

1 Evento Cristalização TIAC

2 Evento Cristalização

Figura 5. Perfil de Temperatura do Poço 2 desde o Fundo do Poço até a Plataforma

A tabela 6 mostra os níveis de produção atingidos pelo poço 2 em alguns momentos da vida produtiva. Os dados dos gráficos das figuras 4 e 5 são mostrados em detalhes nas tabelas de 6 a 12. Os dados de vazão, pressão e temperatura nas tabelas 6, 7, 8, 9 e 10 são valores médios ponderados no tempo, isto é, levam em consideração as oscilações naturais do poço. Os períodos de avaliação mostrados correspondem a intervalos em regime permanente nos quais as oscilações dessas variáveis são pequenas em torno de um determinado valor médio.

Tabela 6. Comparação entre valores de vazão observados em campo e simulados do poço 2

Período

Vazão Medida (m 3 /d)

Vazão Simulada (m 3 /d)

1

3219

3088

2

2905

2832

3

2222

2189

4

2299

2293

5

2426

2419

6

2570

2555

7

1927

1976

Na tabela 1, o máximo desvio observado foi de 4,0 % em relação aos valores medidos, o que é considerado satisfatório. As tabelas 7 e 8 mostram os valores de pressão e temperatura no fundo do poço:

Tabela 7. Comparação entre valores de pressão de fundo observados em campo e simulados do poço 2

Período

Pressão de Fundo Medida (kgf/cm 2 )

Pressão de Fundo Simulada (kgf/cm 2 )

1

438,1

434,1

2

446,4

444,3

3

471,1

469,5

4

466,1

465,5

5

464,2

460,6

6

455,8

455,3

7

476,0

477,7

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

Tabela 8. Comparação entre valores de temperatura de fundo observados em campo e simulados do poço 2

Período

Temperatura de Fundo Medida (C)

Temperatura de Fundo Simulada (C)

1

59,0

59,6

2

59,0

59,5

3

59,0

59,3

4

59,0

59,3

5

59,0

59,4

6

59,0

59,4

7

59,0

59,2

Nas tabelas 7 e 8, os máximos desvios observados foram de 2,0 % e 1,0% em relação aos valores medidos para as pressões e temperaturas no fundo do poço, respectivamente, considerados satisfatórios. A tabela 9 mostra os valores de pressão na árvore de natal molhada. Na tabela 10, são mostrados os valores de temperatura a montante do choke na superfície medidos e simulados:

Tabela 9. Comparação entre valores de pressão no TPT observados em campo e simulados do poço 2

Período

Pressão no TPT Medida (kgf/cm 2 )

Pressão no TPT Simulada (kgf/cm 2 )

1

227,7

232,4

2

241,0

244,8

3

274,5

274,5

4

268,9

269,8

5

262,6

264,0

6

255,4

257,5

7

283,7

284,1

Tabela 10. Comparação entre valores de temperatura montante do choke na superfície observados em campo e simulados do poço 2

Período

Temperatura Medida a Montante do Choke (°C)

Temperatura Simulada a Montante do Choke (°C)

1

27,0

24,2

2

28,8

26,3

3

27,0

28,5

4

28,9

28,5

5

28,0

28,3

6

28,1

27,8

7

26,4

28,2

Nas tabelas 9 e 10, os máximos desvios observados foram de 2,0 % e 10 % em relação aos valores medidos para as pressões e temperaturas no TPT, respectivamente, considerados satisfatórios.

4. Faixa Operacional dos Poços com Alto RGO

Após a calibração dos modelos para os poços 1 e 2, são levantadas as curvas da temperatura a montante do choke em função da vazão de líquido conforme as figuras 6 e 7:

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Faixa Operacional Poço 1

 
 

40

  40

Temperatura a Montante Choke (°C)

35

Curva Vazão x Temp.Mont. ChokeTemperatura a Montante Choke (°C) 35

30

TIAC30

25

2°Evento Cristalização25

20

20 Dados PI

Dados PI

15

 

10

5

 

0

 

0

1.000

2.000

3.000

4.000

5.000

 

Vazão (m3/d)

 
 

Figura 6. Faixa Operacional do poço 1 com alto RGO

 

Faixa Operacional Poço 2

 
 

40

Curva Vazão x Temp.Mont. ChokeTIAC 2°Evento Cristalização

TIACCurva Vazão x Temp.Mont. Choke 2°Evento Cristalização

2°Evento CristalizaçãoCurva Vazão x Temp.Mont. Choke TIAC

Temperatura a Montante Choke (°C)

35

30

25

25 Dados PI
25 Dados PI

Dados PI

20

 

15

10

5

 

0

 

0

1.000

2.000

3.000

4.000

 

Vazão (m3/d)

 

Figura 7. Faixa Operacional do poço 2 com alto RGO

Nas figuras 6 e 7, podemos notar que existe um valor máximo de vazão a partir do qual ocorre um resfriamento do fluido. Em outras palavras, o fenômeno é regido por troca térmica até esse valor máximo, isto é, quanto maior a vazão, maior será a temperatura a montante do choke de superfície. A partir desse valor máximo, o efeito Joule Thomson começa a prevalecer, resfriando a mistura multifásica de óleo e gás, o que explica o formato das duas curvas das figuras 6 e 7. Para o poço 1, o máximo valor de vazão a partir do qual começa o resfriamento é de 2840 m 3 /d. Já o poço 2, esse valor é de 2185 m 3 /d. Observando-se as figuras 6 e 7, o poço 1 produz com temperaturas a montante do choke maiores que o poço 2. Nos gráficos dos perfis de pressão de ambos os poços, podemos observar que o poço 2 opera com níveis

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menores de pressão (sensores PDG e TPT), isto é, o poço 2 é submetido a maiores diferenciais de pressão, o que acentua

o efeito Joule Thomson segundo a equação 1. Pode ser estabelecida uma faixa de operação para estes poços com o objetivo de minimizar a precipitação severa de parafinas mais pesadas. Estas faixas de vazão são delimitadas pelos pontos de interseção das curvas com a linha base da temperatura de 2° evento de cristalização, neste caso 20°C para ambos os poços; a faixa de operação do poço 1 é de 911 m 3 /d a 4300 m 3 /d, enquanto a faixa do poço 2 é de 1000 m 3 /d a 3350 m 3 /d.

5. Conclusões

Em poços com alto RGO, altos níveis de pressão e vazão, existe um resfriamento significativo da mistura líquido

e gás a montante do choke na superfície. Esse resfriamento causado por um efeito Joule Thomson pode propiciar a

precipitação de parafinas na região onde ocorre esse resfriamento. Existe, portanto, uma faixa operacional de produção desse tipo de sistema (poço, linha e riser), dentro da qual a severidade do problema está sob controle operacional.

6. Agradecimentos

Os autores agradecem a Petrobras pela permissão da publicação deste trabalho, assim como aos profissionais que contribuíram para a realização deste estudo.

7. Referências

BEGGS, H.D. e BRILL, J.P., A Study of Two-Phase Flow in Inclined Pipes, JPT, p.607-617, mai., 1973. EATON, B.A. et al., The Prediction of Flow Patterns, Liquid Holdup and Pressure Losses Occurring During Continuous Two-Phase Flow in Horizontal Pipelines, JPT, p. 815-828, jun., 1967. FANCHER, G.H. e BROWN, K.E., Prediction of Pressure Gradients for Multiphase Flow in Tubing, SPE J., p. 59-69, mar. 1963. MORAN, M. J., SHAPIRO, H. N. Fundamentals of Engineering Thermodynamics, third edition, John Wiley & Sons, Inc., ISBN 0-471-07681-3.