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CURSO DE DESIGN - UNIJUÍ - Materiais e Processos Industriais

Capítulo 1 – Madeira e Derivados

A madeira é um dos principais materiais não metálicos utilizados na indústria, não só pela facilidade de obtenção e manuseio como também pelas propriedades que apresentam de resistência mecânica, dureza e baixa densidade. É o material que apresenta maior resistência à compressão em relação ao seu peso. A madeira para exploração comercial (construção civil, mobiliário, revestimentos etc.) é derivada do tronco de árvores coníferas (gimnospermas – sem frutos para geração de sementes) e as folhosas ou frondosas (angiosperma – sementes nos frutos).

1.1 Partes que compõem o tronco (Seção transversal)

1.1.1 Medula – É a parte central da seção apresentando um tecido esponjoso não estrutural, sendo,

por esta razão, rejeitado para a maioria das aplicações possíveis para a madeira.

1.1.2 Casca – Tem a função de proteger a árvore do ataque de agentes externos (fungos, bactérias

etc.), sendo comercializada em algumas espécies (cortiça). No Brasil a árvore característica é o

angico rajado e a corticeira e na Europa o carvalho e o sobreiro;

1.1.3 Alburno ou branco – Possui menor resistência que o lenho, sendo mais atacado pelos agentes

destruidores. É responsável pelo transporte de seiva da árvore viva. A madeira perde o valor quando

a sua camada é muito espessa;

1.1.4 Lenho ou cerne - É a parte aproveitada na construção e possui função de sustentação estrutural

da árvore. Consta de vários tecidos:

Tecido vascular ou condutor - A função é o transporte da seiva;

Tecido de sustentação - As células são alongadas e dispostas longitudinalmente;

Tecido radial - As células se dirigem do eixo do tronco (medula) para as camadas periféricas, tem como função promover a circulação da seiva neste sentido e armazenamento das matérias alimentícias.

Observação: A madeira não é uma matéria homogênea. As propriedades dependem da espécie.

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1.2 Cortes ou Seções

Seção transversal – corresponde ao plano perpendicular ao eixo da árvore, onde é possível observar as partes que compõem o tronco;

Seção tangencial – é um corte paralelo ao eixo da árvore, onde é possível verificar a superfície dos anéis de crescimento;

Seção radial – é corte longitudinal que contém o eixo da árvore (e perpendicular a seção transversal).

1.3 Classificação

1.3.1 Duras ou de lei

Provenientes de árvores frondosas, de ótima qualidade, utilizadas principalmente em trabalhos definitivos. Tem densidade elevada, resistência mecânica, elasticidade e dureza. Ex.: Carvalho, Acácia, Eucalipto, Peroba do Campo, Peroba Rosa, Canela, Imbuia, Jacarandá, Sucupira, Maçaranduba, Aroeira, Gaurabú etc.

1.3.2 Brandas ou tenras

São menos duras, mais leves e mais claras. Ex.: Álamo, Pinho, Castanheiro da Índia, Cedro etc.

1.3.3 Finas

São duras, distinguindo-se das primeiras pela melhor homogeneidade dos tecidos. Aceitam bom polimento e possuem coloração agradável à vista. Ex.: Pereira, Cerejeira, Peroba do Campo, etc.

1.3.4 Resinosas

De baixo peso e elevada dureza e resistência. Ex.: Óleo Vermelho, Copaíba etc.

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1.3.5 Exóticas

Madeiras de clima tropical de grande densidade, difíceis de trabalhar. Ex.: Palissandro, Ébano, Imbuia, Gonçalo etc.

1.4 Ramos da Carpintaria

Carpintaria de edificação;

Carpintaria decorativa (entalharia);

Carpintaria de móveis comuns (marcenaria);

Carpintaria de viaturas (segearia);

Carpintaria mecânica (modelagem);

Carpintaria de embalagem (caixotaria).

1.5 Principais defeitos das madeiras

1.5.1 Excessos de nós

Nas vizinhanças do nó as fibras se desviam e os anéis de crescimento se deformam ocasionando uma redução da resistência especialmente à tração e diminuindo a trabalhabilidade.

1.5.2 Anomalias de crescimento

Fibras reversas, não paralelas ao eixo da peça, podem produzir asperezas. Também ocorrem

o abaulamento, curvamento no sentido transversal das fibras (largura), e a arqueadura,

empenamento no sentido longitudinal da peça (comprimento). Ainda pode ocorrer a excentricidade

da medula, ou seja, o crescimento da medula fora do centro geométrico do tronco.

1.5.3 Feridas

Aberturas das extremidades das peças, produzidas pela secagem ou choques, tomam o nome

de fendas. As gretas são separações descontínuas que se apresentam entre fibras vizinhas, causadas

pela ação das intempéries ou em virtude de tratamento inadequado na secagem.

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Existem ainda outros defeitos como furos de larvas causadas por insetos. O bolor, que é o primeiro estágio da desintegração da madeira, causado por fungos. A podridão que é a desintegração avançada da madeira, também ocasionada por fungos.

1.6 Propriedades da Madeira

1.6.1

Propriedades Naturais

Cor – Está associado à presença de diversos elementos que constitui a parede das células como o tanino e as resinas. Quando maior a presença de lignina (material de natureza fenólica) mais escura e dura será a madeira (ipê e roxinho), do contrário, ela será mais clara e macia (pinho e balsa);

Brilho – Expressa a capacidade de reflexão da luz pelas paredes das células da madeira;

Textura – Pode ser classificada como fina, média ou grossa de acordo com o posicionamento, a quantidade e o tamanho das células que a compõe.

Grã – Corresponde a disposição das fibras ao longo do eixo do tronco. Existem três tipos:

direita, ondulada e reversa.

1.6.2

Propriedades Físicas

Pu Ps

Umidade – É dada pela relação Pu = peso da madeira úmida Ps = peso da madeira seca

Ps

x100

onde:

Um corpo de prova com 2x2x3cm é pesado com aproximação de 0,01g. Em seguida é

levado a uma estufa sob temperatura de 100 a 105C até a constância de peso. Isto é, até que a última pesagem não difira da anterior em mais de 1%.

O teor de água nas árvores varia de 15 a 50% do peso total. Após o corte a madeira começa

a perder umidade e contrair. Esta contração é de aproximadamente 0,1% no comprimento, 5% no

diâmetro e 6 a 10% no perímetro.

Retratabilidade

É a perda de volume devido à perda de umidade. A madeira sendo altamente higroscópica

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aumenta de peso e volume com a absorção de água. É comum a expressão madeira inchada, para mais de 20% de umidade. Em ambiente seco a madeira perde água, e em conseqüência encolhe ou míngua.

Peso Específico

O peso específico real é constante para todas as espécies e é igual a 1,56g/cm3, que

corresponde ao peso específico de celulose lenhificada.

O peso específico aparente é variável de espécie para espécie, de árvore para árvore e na

mesma árvore conforme o local de onde foi extraído o corpo de prova. Também varia com o teor de

umidade. O peso específico deve ser determinado para a umidade normal de 15%.

1.6.3

Propriedades mecânicas

Compressão paralela às fibras;

Flexão estática;

Flexão dinâmica por choque;

Tração normal às fibras;

Fendilhamento;

Dureza;

Cisalhamento.

1.7 Produção da Madeira

1.7.1 Corte das Árvores

Inicia com levantamento dendrométrico que fornecerá dados sobre o aproveitamento econômico adequado, avaliação e cubagem dos exemplares a serem abatidos. O corte ou derrubada

é realizado em épocas apropriadas, geralmente durante o inverno, pois a madeira seca lentamente

sem rachar ou fendilhar e é menos suscetível ao ataque de fungos e insetos por não conter seiva elaborada nos tecidos. No Brasil o corte costuma ser realizado nos meses sem “r”.

É recomendável abrir um “talho” ou “barriga” no lado “seco” da árvore, onde o lenho é mais resistente por ser o lado dos ventos predominantes. O corte é concluído no lado oposto evitando que

o tronco fendilhe de alto a baixo ou tombe sobre o operador.

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1.7.2 Toragem

É feito o desgalhamento e demarcação em toras de 5 a 6 metros para facilitar o transporte. Na ocasião podem ser descascadas ou descortiçadas e também serem “falquejadas” tirando-se as quatro costaneiras, quando o tronco assume uma seção grosseiramente retangular.

1.7.3 Desdobramento

É a operação final na produção de peças estruturais de madeira bruta. Realiza-se nas

serrarias em serras de fita contínua ou alternada. Quando a lâmina é única e reforçada é chamada

serra americana, a serra francesa é constituída de várias lâminas paralelas. As toras podem estar dispostas vertical ou horizontalmente, sendo levadas contra as lâminas

por um carro porta-tora. Elas podem ser desdobradas em três tipos de cortes: corte tangencial ou de pranchas paralelas, corte radial e corte misto.

O corte radial produz pranchas de melhor qualidade indicadas para aplicações especiais:

construção aeronáutica, instrumentos musicais, móveis de estilo etc. O corte tangencial é o mais

utilizado, entretanto podem ser efetuados cortes mistos.

A tora pode também ser utilizada como elemento estrutural sem estar completamente

desdobrada. Pode-se obter a maior área possível inscrita dentro do diâmetro da tora, um quadrado. Ainda pode-se obter uma peça com o maior momento resistente, um retângulo com lados de 0,57 e

0,82 do diâmetro da tora.

Nomenclatura e dimensões da madeira serrada e beneficiada segundo norma PB 5 da ABNT:

Nomenclatura das peças de madeira serrada

Nome da peça

Espessura em cm

Largura em cm

Pranchões

> 7,0

>20,0

Prancha

4,0 – 7,0

>20,0

Viga

4,0

11,0 – 20,0

Vigota

4,0 – 8,0

8,0 – 11,0

Caibro

4,0 – 8,0

5,0 – 8,0

Tábua

1,0 – 4,0

>10,0

Sarrafo

2,0 – 4,0

2,0 – 10,0

Professor: José Paulo Medeiros da Silva - E-mail: jose.medeiros@unijui.edu.br

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Ripa

<2,0

<10,0

Dimensões da madeira serrada

Nome

 

Dimensões

 

Área (cm 2 )

   

15,0 x 22,0

 

345,0

Pranchão

 

10,0 x 20,0

 

200,0

 

7,5 x 23,0

 

172,5

   

15,0 x 15,0

 

225,0

 

7,5 x 15,0

 

112,5

Vigas

 

7,5 x 15,0

 

86,3

 

5,0 x 20,0

 

100,0

 

5,0 x 15,0

 

75,0

Caibros

 

7,5 x 7,5

 

56,3

 

7,5 x 5,0

 

37,5

   

5,0 x 7,0

 

35,0

 

5,0 x 6,0

 

30,0

Sarrafos

 

2,8 x 7,5

 

28,5

 

2,2 x 7,5

 

16,5

   

2,5 x 23,0

 

57,5

Tábuas

 

2,5 x 15,0

 

37,5

 

2,5 x 11,5

 

28,8

Ripas

 

1,2 x 5,0

 

6,0

Dimensões da madeira beneficiada

Tipo

Dimensões

Soalho

2,0 x 10,0

Forro

1,0 x 10,0

Batentes

4,5 x 14,5

Rodapé

1,5 x 15,0

Rodapé

1,5 x 10,0

Tacos

2,0 x 2,1

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1.8 Secagem da madeira

Para a boa conservação da madeira é necessário que antes de empregá-la esteja convenientemente seca, pois, a seiva é de composição facilmente alterável, ocasionando a putrefação do material. As principais vantagens da secagem são: redução de peso, redução da contração, melhor aderência da pintura e melhor penetração de conservantes.

1.8.1 Tipos de Secagem:

Natural - Feita lentamente ao ar, com a madeira sendo empilhada geralmente em pé, conforme a quantidade de água poderá levar de 1 a 3 anos.

Artificial - Feita em poucos dias com ventilação forçada ou em estufas aquecidas de 45 a 70C. O tempo decorrido é de 10 a 30 dias para cada polegada de espessura da peça, partindo-se da madeira verde.

1.9 Derivados da Madeira

As madeiras são constituídas de fibras, que, em sua grande maioria, são bastante resistentes. A resistência das peças de madeira, porém, é influenciada não tanto pela resistência individual das fibras, mas pela orientação uniforme do conjunto de fibras. Sabe-se que as madeiras apresentam constituição heterogênea e anisotrópica (qualidade de reagir diferentemente a um determinado fenômeno físico), isto é, uma mesma peça apresenta diferenças de constituição e resistência. Para sanar estes problemas existem processos que buscam a reestruturação do material com rearranjo das fibras.

1.9.1 Chapa de Madeira Sarrafeada (Compensado Sarrafeado)

São tábuas com espessura reduzida (25 mm) sobrepostas ao fio e coladas entre si. Podem assumir a forma de vigas (peças rígidas de madeira), de seção retangular e de duplo “T”. Ocorre um aumento significativo da resistência à flexão e compressão, cerca de 70%. No Brasil, o Pinho-do- Paraná é a madeira mais indicada para este tipo de aplicação, porque possui fibras regularmente distribuídas, massa específica média e altos valores de tensões admissíveis.

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Dimensões: 2,20 x 1,60 m ou 2,75 x 1,60 m com espessuras de 15, 18, 20, 25 e 30 mm.

1.9.2

Chapa de Madeira Laminada ou Contraplacados de Madeira (Compensado Laminado)

É constituída de diversas lâminas finas de madeira, coladas umas sobre as outras, de maneira que as fibras de uma se disponham perpendicularmente às das lâminas vizinhas O de “três folhas” pode ser utilizado para serviços de marcenaria e revestimentos. São heterogêneos e tem características muito variáveis e fracas. O de “cinco folhas” é considerado homogêneo sob certas condições, porém não se comporta de maneira adequada quando submetido à flexão. Os compensados de “sete ou mais folhas” são considerados homogêneos e comportam-se de maneira previsível sob qualquer esforço. As folhas são obtidas do desenrolar contínuo de um lençol de madeira quando uma tora é colocada em um torno mecânico provido de uma lâmina de grande comprimento. A espessura varia de 1 a 6 mm. De uma tora de 1 metro de diâmetro se obtém 180 metros de laminado com 1,5 milímetros de espessura.

Dimensões: 2,20 x 1,10 m com espessuras de 4, 6, 10, 12, 14, 17 ou 20 mm.

Aplicações: Móveis modulares residenciais ou de escritórios, divisórias etc. Permite a aplicação de diversos revestimentos (laminados ou melamínicos), sendo o corte executado através de maquinário e ferramentas, razoável para usinar e tupiar, impossível de curvar, sendo desaconselhável o uso de lixas.

1.9.3

Chapa de Madeira Aglomerada (Aglomerado)

Material composto feito a partir de fragmentos menores de madeira – aparas, maravalhas, virutas – são aglomerados com cimentos minerais ou resinas, sob pressão variada. O aglomerante usado, a granulometria dos fragmentos e a pressão exercida na compactação da mistura, durante a fabricação, diferenciam os tipos de placas e as características físico-mecânicas finais.

Dimensões: 2,60 x 1,83 m com espessuras de 10, 12, 15, 18 mm (para móveis) e 24, 32, 40 mm (para painéis e divisórias).

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1.9.4 Chapa Madeira Reconstituída (Chapa de Fibra ou Chapa Dura)

No último estágio de fragmentação mecânica o tecido lenhoso é reduzido a uma polpa de fibras dispersas. A reaglomeração sob pressão dessas fibras, usando-se resinas como aglomerante, dá origem a um novo material no qual as fibras deixam de ter orientação predominante.

O desfibramento pode ser realizado por procedimentos mecânicos ou pelo processo Mason,

de explosão do vapor em autoclave (aparelho utilizado para desinfecção por meio do vapor a alta pressão e temperatura). As fibras são lavadas, peneiradas, esparramadas e então compactadas em prensas ou rolos aquecidos. Os aglomerantes são resinas sintéticas fenólicas ou a própria resina natural da madeira, a lignina. Entre os produtos comerciais encontram-se: Masonite, Celotex, Duratex, Eucatex etc.

Dimensões: 2,75 x 1,22 m com espessuras mais comuns de 2,5 e 3,0 mm.

1.9.5

MDF (Medium Density Fiberboard)

A fibra de madeira de média densidade é um produto derivado de madeira de florestas

renováveis como o pínus. Caracteriza-se por sua composição homogênea, tanto nas superfícies como no seu interior. É fabricado a partir das fibras do tecido lenhoso que são tratadas e reaglomeradas pela adição de resina sintética uréia-formaldeído e parafina sendo, posteriormente, submetido à ação de pressão e calor. Graças a sua resistência, estabilidade, uniformidade e superfícies sem imperfeições, são possíveis obter excelentes acabamentos utilizando equipamentos industriais ou máquinas e ferramentas convencionais para a madeira maciça. Em destaque a possibilidade de ser pintado, envernizado, folheado ou laqueado com excelente qualidade, podendo também ser cortado, lixado, entalhado, perfurado, usinado, fresado, colado, pregado, parafusado, encaixado e moldurado, dentre outros.

Dimensões: 2,60 x 1,83 m com espessuras na faixa de 4, 5,5, 9, 12, 15, 18, 20 e 25 mm; 2,40 x 2,10 m com espessura de 3 mm (para fechamento de móveis, fundos de gaveta etc).

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1.9.6 OSB (Oriented Standart Board)

É um painel estrutural de tiras de madeira orientadas perpendicularmente, em diversas camadas, o que aumenta sua resistência mecânica e rigidez. Essas tiras possuem espessura em torno de 1 mm, com largura e comprimento maiores, entre 10 mm e 50 mm, sendo unidas através de resinas e prensadas sob alta temperatura. As chapas são constituídas por três camadas. Nas superfícies inferior e superior, as lascas são orientadas no mesmo sentido. Já, na camada interna, a orientação é perpendicular às camadas da superfície, ou aleatória.

Dimensões: 2,44 x 1,22 m com espessuras de 6, 10, 15, 18 e 20 mm.

Aplicações: Indústria civil, carrocerias de caminhões, embalagens, displays, estruturas de móveis e estofados etc.

2. Tipos de Madeiras

São apresentadas descrições das propriedades das madeiras mais comuns, bem como algumas de suas possíveis aplicações.

Balsa - Leve, macia, exige o emprego de ferramentas afiadas para que o acabamento seja perfeito. É utilizada na confecção de caixas e no modelismo.

Bicuíba - Madeira dura, forte, sólida; cerne de coloração pardo-clara, passando ao vermelho em exposição ao ar. Utilizada na confecção de aberturas (janelas e portas) e obras internas.

Braúna - Muito dura, pesada, compacta, forte, um tanto difícil de trabalhar, durável; cerne castanho-escuro ou preto. Usada principalmente em obras internas.

Cabriúva - Muito dura, pesada, compacta, forte, durável; existem a de cor parda e a de cor vermelha. Aplicada em tornearia, laminado, utensílios domésticos, obras internas, trabalhos manuais, móveis, entalhação e para fabricação de compensado.

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Canela-Parda - Moderadamente dura e pesada, fácil de trabalhar, durável; cerne de amarelo-esverdeado a castanho-oliva-escuro. Utilizada em tornearia, janelas e portas, laminado, utensílios domésticos, rodapés, móveis e entalhação.

Carvalho Brasileiro - Madeira um tanto pesada; cerne róseo-arroxeado; apresenta belo desenho na face radial. Usada em tornearia, laminado, utensílios domésticos, trabalhos manuais e entalhações.

Cedro - Madeira cujo peso não está classificado, não é leve, nem relativamente pesada, muito fácil de trabalhar, de grande durabilidade; cerne quase alvo ou amarelo-claro para róseo ou vermelho. Utilizada em tornearia, janelas e portas, utensílios domésticos, obras internas, caixas, trabalhos manuais e entalhações.

Gonçalo-Alves - Dura, pesada, forte, durável; o cerne escurece depois de cortado. Aplicada em tornearia, janelas e portas, utensílios domésticos, obras internas, trabalhos manuais, rodapés, móveis e equipamentos de esportes.

Imbuia - Dura, forte; cerne de cor extremamente variável do pardo-claro-amarelado ao pardo acastanhado. Utilizada em tornearia, janelas e portas, laminado, utensílios domésticos, obras internas, rodapés, móveis e entalhações.

Ipê - Madeira pesada, muito densa, durável, difícil de trabalhar; cerne pardo-havana-claro, escuro ou acastanhado (ipê-tabaco). Usada na confecção de janelas, portas e rodapés.

Jacarandá-da-Bahia - Dura, pesada, fácil de trabalhar, de grande durabilidade; cerne geralmente pardo-escuro-arroxeado. Aplicada em tornearia, laminado, utensílios domésticos, obras internas, trabalhos manuais, móveis e entalhações.

Jacarandá-Roxo - Madeira dura, compacta, pesada, durável; o cerne pode ter cor parda- violácea-escura. Usada em tornearia, laminado, utensílios domésticos, obras internas, trabalhos manuais, móveis e entalhação.

Jatobá - Muito dura, pesada, sólida, de longa duração; cerne de cor muito variável. Utilizada em tornearia e entalhações.

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Jequitibá - Madeira cujo peso não está classificado, não é leve nem relativamente pesada, fácil de trabalhar. Existe nas variedades branca e rosa. Aplicada em tornearia, janelas e portas, caixas, trabalhos manuais, rodapés, móveis, compensado, equipamentos de esportes e instrumentos de desenho.

Maçaranduba - Madeira dura, pesada, sólida, de grande durabilidade, não está classificada quanto à facilidade de ser trabalhada, por isso ela é considerada nem fácil nem moderadamente difícil de trabalhar; cerne vermelho-chocolate. Usada em tornearia, caixas, móveis, compensado, equipamentos de esportes e cabos de ferramentas.

Pau-Marfim - Madeira dura, pesada, compacta, sólida, elástica, fácil de trabalhar. Utilizada em tornearia, laminado, obras internas, móveis e compensado.

Pau-Rosa - Madeira dura, pesada, forte; cerne bege-amarelado uniforme, com leves reflexos rosados. Utilizada em tornearia, utensílios domésticos, caixas.

Peroba-Rosa - Madeira dura, pesada, fácil de trabalhar, de média durabilidade; cerne variando de róseo-amarelado ao amarelo-queimado. Aplicada em tornearia, rodapés, entalhação e cabos de ferramentas.

Perobinha - Madeira dura, pesada, firme; cerne amarelado-pardacento. Usada em móveis e entalhação.

Pinheirinho - Madeira leve, fácil de traballhar; cerne branco-palha-amarelado, com veios mais escuros. Utilizada principalmente em tornearia.

Pinho-do-Paraná - Madeira mole, flexível, moderadamente elástica, leve, forte, muito fácil de trabalhar; cerne em várias tonalidades do castanho. Aplicada bruta em construção e beneficiada em laminado, utensílios domésticos, oras internas, caixas, móveis e compensado.

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Sucupira-Parda - Madeira dura, pesada, sólida, resistente, durável, um tanto difícil de trabalhar; cerne variando do pardo-acastanhado ao castanho-escuro, com veios mais claros. Usada em tornearia, aberturas, utensílios domésticos, móveis e cabos de ferramentas.

Vinhático - Madeira leve, não está classificada quanto à sua dureza, é considerada nem macia nem moderadamente dura, é muito difícil de trabalhar; cerne variando do amarelo- dourado ao amarelo-queimado ou castanho-amarelado. Utilizada em tornearia, aberturas, laminado, utensílios domésticos, obras internas, móveis e entalhação.

2.1 Processos envolvendo madeira maciça e derivados

Madeira Maciça

Seqüência básica do trabalho dentro de uma marcenaria:

Serra Fita Matéria-Prima > e/ou > Desempenadeira > Desengrossadeira > Tupia > Furadeira Serra Circular > Respigadeira > Lixadeira > Acabamento > Montagem

As indústrias típicas do setor adquirem a madeira maciça na forma de pranchões que são armazenados em local protegido contra a ação do tempo e da umidade.

Derivados

Seqüência básica do trabalho sobre materiais derivados da madeira (MDF, aglomerado etc):

Serra circular

Esquadrejadeira

Matéria-Prima >

Máquina combinada (Madeira Maciça) > Acabamento > Montagem

e/ou

> Coladeira de Bordos > Furadeira Múltipla > Tupia

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As indústrias que utilizam materiais derivados da madeira possuem um custo inferior se comparado aos relativos à madeira maciça e uma significativa redução das operações industriais necessárias para obtenção do produto. Em contrapartida existe uma considerável limitação formal imposta pela geometria e pela característica do material.

2.11 Equipamentos Utilizados

Serra Destopadeira

Utilizada para cortar as extremidades das tábuas.

Serra Circular

Utilizada para cortar longitudinalmente tábuas e chapas (Figura 14).

para cortar longitudinalmente tábuas e chapas (Figura 14). Figura 14. Serra Circular ∑ Serra Esquadrejadeira

Figura 14. Serra Circular

Serra Esquadrejadeira

Utilizada para cortar tábuas e chapas, possui um carro de transporte e uma régua paralela para manter o esquadro (Figura 15).

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CURSO DE DESIGN - UNIJUÍ - Materiais e Processos Industriais Figura 15. Serra Esquadrejadeira ∑ Desengrossadeira

Figura 15. Serra Esquadrejadeira

Desengrossadeira

Utilizada para reduzir a espessura das tábuas. Possui lâminas rotativas cuja altura em relação à base pode ser regulada para retirar um quantidade maior ou menor de cavacos (Figura 16).

retirar um quantidade maior ou menor de cavacos (Figura 16). Figura 16. Desengrossadeira ∑ Plaina O

Figura 16. Desengrossadeira

Plaina

O princípio é o mesmo da desengrossadeira, porém a sua mesa permite manter o paralelismo das faces e corrigir defeitos das tábuas, como o arqueamento e o abaulamento. Possui lâminas rotativas cuja altura em relação à base pode ser regulada para retirar uma quantidade maior ou menor de cavacos.

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Serra Fita

Serra formada por uma fita flexível que gira entre duas rodas. Permite cortes curvos respeitados certos limites (Figura 17).

cortes curvos respeitados certos limites (Figura 17). ∑ Serra de Corrente Figura 17. Serra Fita Serra

Serra de Corrente

Figura 17. Serra Fita

Serra formada por uma corrente de elos com lâminas, semelhante ao sabre de uma motoserra. Permite a abertura de rasgos como os utilizados em encaixes de venezianas.

Torno

Equipamento para formar peças de revolução. A madeira é presa em uma placa de arrasto que ao girar provoca a rotação da peça. Um suporte frontal permite o trabalho manual com formões ou então existe a possibilidade de trabalhar com um gabarito quando o torno é do tipo com copiador.

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Tupia

Equipamento utilizado para acabamento de bordas, confecção de rasgos macho e fêmea para encaixes e execução de perfis decorativos. Trabalha em alta rotação e utiliza ferramentas chamadas fresas. O equipamento permite regular a altura da fresa e sua penetração na tábua (Figura 18).

a altura da fresa e sua penetração na tábua (Figura 18). ∑ Furadeira Horizontal Figura 18.

Furadeira Horizontal

Figura 18. Tupia

Permite realizar furos e ao mesmo tempo deslocar lateralmente o mandril produzindo um rasgo. Devem ser utilizadas brocas ou fresas específicas que possuam a capacidade de corte lateral (Figura 19).

que possuam a capacidade de corte lateral (Figura 19). Figura 19. Furadeira Horizontal Professor: José Paulo

Figura 19. Furadeira Horizontal

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Furadeira Múltipla

Permite

realizar

diversos

furos

simultaneamente

com

passo

(distância

entre

furos)

normatizada em valores múltiplos de 32 mm e diâmetro em torno de 5 mm.

Lixadeira Combinada (Disco e Cinta)

A lixadeira de cinta permite lixar peças planas e a lixadeira de disco se presta a lixar peças curvas ou com bordas em ângulo. As lixas são escolhidas de acordo com sua granulometria e são trocadas periodicamente após desgaste.

Lixadeira de Disco

Utilizada para lixar peças curvas ou com bordas em ângulo.

Lixadeira de Cinta

Utilizada para lixar peças de grande área plana, como um tampo de mesa ou porta. A peça é instalada sobre um suporte deslizante na parte inferior e a lixa é pressionada com o auxílio de um empeno (Figura 20).

lixa é pressionada com o auxílio de um empeno (Figura 20). Figura 20. Lixadeira de Cinta

Figura 20. Lixadeira de Cinta

CURSO DE DESIGN - UNIJUÍ - Materiais e Processos Industriais

Coladeira de Bordas

Máquinas empregadas para revestir as bordas de chapas. Podem ser manuais ou automáticas. As fitas de borda, em forma de bobinas, podem vir já adesivadas ou então o adesivo, líquido ou granulado, é aplicado na hora e ativado através de uma fonte de calor. Os equipamentos podem ter incorporado também refiladores para cortar o excedente superior e inferior da fita (Figura 21).

cortar o excedente superior e inferior da fita (Figura 21). Figura 21. Coladeira de Bordas Professor:

Figura 21. Coladeira de Bordas