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NÍVEL DE PRESSÃO SONORA PRODUZIDO EM EXPERIMENTOS SOBRE A VELOCIDADE DO SOM E A SUA AÇÃO SOBRE O ORGANISMO HUMANO ¥

Maria Madalena Moretti * , Isaura Maria Mesquita Prado **

Moretti MM, Prado IMM. Nível de pressão sonora produzido em experimentos sobre a velocidade do som e a sua ação sobre o organismo humano. Arq Mudi. 2007;11(1):34-40.

RESUMO. O ruído é constituído por ondas sonoras, distribuídas anarquicamente, que provocam desconforto, podendo levar a distúrbios auditivos e não-auditivos. Durante a realização de experimentos de velocidade do som, oferecidos pela disciplina de Física Experimental II da Universidade Estadual de Maringá, acadêmicos e funcionários queixam-se de mal-estar. Neste trabalho, os níveis de pressão sonora produzidos no desenvolvimento desses experimentos foram

avaliados e relacionados com as possíveis ações sobre o organismo. Os experimentos foram montados

e as velocidades do som no ar e em meio sólido foram calculadas com o auxílio de fórmulas

específicas. O nível de pressão sonora foi medido com o auxílio de um medidor de nível de pressão sonora marca Lutron®, modelo SL-4011, tipo 2, para operação de circuito de compensação “A”, resposta lenta “slow”, e circuito de compensação “C”, resposta rápida “fast”, e um calibrador para decibilímetro marca Lutron®, modelo SC-940 A. A velocidade do som no ar calculada foi: 352, 2108; 348,469; 344,832, e 350,8 m/s, respectivamente, para as freqüências de 698±2, 802±2, 898±2 e 1000±2 Hz. O valor calculado para a velocidade do som em um sólido foi metal = 3.181,05 m/s. O experimento “Velocidade do som no ar” produziu nível de pressão sonora de 89 dB(A), e o “Velocidade do som em um sólido”, 91 dB(A). Os resultados demonstraram altos níveis de pressão sonora, entretanto, considerando o curto tempo de exposição, não comprometem a saúde.

PALAVRAS-CHAVE: ruído; pressão sonora; audição

Moretti MM, Prado IMM. Sound pressure level produced in experiments on the speed of sound and its action on the human organism. Arq Mudi. 2007;11(1):34-40.

ABSTRACT. Noise is made of randomly distributed sound waves that cause discomfort and can lead

to auditory and non-auditory disturbances. During experiments on the speed of sound, offered by the

discipline of Experimental Physics II of the State University of Maringá, students and employees complain of not feeling well. In this work, the sound pressure levels produced during these experiments were assessed and related to possible actions on the organism. The experiments were set and the speed of sound in air and in solid medium were calculated with the help of specific formulae. The sound pressure level was measured with the help of a Lutron® device, model SL-4011, type 2, for operation of compensation circuit “A”, slow response, and compensation circuit “C”, fast response, and a Lutron® calibrator for decibilimeter, model SC-940 A. The calculated speed of sound in air was

352.2108; 348.469; 344.832; and 350.8 m/s, respectively, for the frequencies of 698±2, 802±2, 898±2 and 1000±2 Hz. The calculated value for the speed of sound in a solid was metal = 3,181.05 m/s. The experiment “Speed of sound in air” produced a sound pressure level of 89 dB (A), and that of “Speed of sound in solid”, 91 dB (A). The results demonstrated high levels of sound pressure, however, considering the short time of exposure, they do not compromise health.

KEY WORDS: noise; sound pressure; audition

* Técnica em Laboratório, Departamento de Física, Universidade Estadual de Maringá; ** Docente do Departamento de Ciências Morfofisiológicas da Universidade Estadual de Maringá. Avenida Colombo, 5790 – Campus Universitário, 87020-900 – Maringá-PR

¥ Monografia apresentada junto ao Departamento de Ciências Morfofisiológicas da Universidade Estadual de Maringá para obtenção do título de especialista em Biologia: bases morfológicas e fisiológicas da integração do organismo com o meio ambiente.

Moretti MM, Prado IMM. Nível de pressão sonora produzido em experimentos sobre a velocidade do som e a sua ação sobre o organismo humano. Arq Mudi. 2007;11(1):34-40.

INTRODUÇÃO

O som é a sensação produzida quando

vibrações longitudinais do ambiente externo, isto é,

fases alternadas de condução e rarefação, atingem a membrana timpânica na orelha. As ondas percorrem o ar à velocidade aproximada de 344 m/s, à temperatura de 20ºC, ao nível do mar, estando diretamente relacionada com a temperatura e altitude (Ganong, 1975).

O volume de um som é correlacionado com a

amplitude da onda sonora, e sua altura com a freqüência. Quanto maior a amplitude, mais forte

será o som e quanto maior a freqüência, mais alto será. As ondas sonoras que têm padrões repetitivos, embora com ondas individuais complexas, são percebidas como sons musicais. Vibrações aperiódicas e não repetitivas causam sensações de ruídos. A palavra “ruído” deriva do latim rugitu – estrondo. O ruído é constituído por várias ondas sonoras, distribuídas anarquicamente, que provocam sensação desagradável, o qual pode ser contínuo, sem variação do nível de pressão sonora nem do espectro sonoro, ou de impacto ou impulsivo, com ruídos de alta energia que duram menos de 1 segundo (Almeida et al., 2000).

O som se caracteriza por variáveis físicas,

psicofísicas e de freqüência. As variáveis físicas incluem: freqüência, forma de onda e intensidade;

as psicofísicas: altura, timbre e audibilidade. A freqüência do som corresponde ao número de oscilações por segundo do movimento vibratório do som, variando conforme o meio de propagação, e é dada em hertz (Hz) (Okuno et al., 1982). O som se propaga em função das propriedades do meio transmissor e sua velocidade é diretamente proporcional à temperatura e inversamente proporcional à elasticidade desse meio (Heneine,

1996).

A amplitude ou intensidade de uma onda sonora pode ser expressa em termos de variação máxima de pressão ou da raiz quadrática média de pressão no tímpano, mas há uma escala relativa e mais conveniente, a escala decibel (dB), sendo 1 decibel igual a 0,1 bel. A intensidade de um som em bels é o logaritmo da relação das intensidades do som dado com a do som padrão (Ganong, 1975). A escala decibel é uma escala logarítmica,

assim, o valor de zero decibel não significa ausência de som, mas sim um nível sonoro de intensidade igual a do som padrão (Fernandes, 2002).

O aparelho auditivo é constituído pela orelha

externa, orelha média e orelha interna, esta última

contendo os mecanorreceptores responsáveis pela transdução da energia mecânica em impulso

nervoso. O aparelho auditivo humano é capaz de perceber variações de pressão de 0,00002 a 200 Newton/m 2 , no limiar de audibilidade de freqüência de 16 a 20.000 Hz (Almeida et al., 2000). O sentido da audição envolve estruturas corticais e subcorticais para filtrar e interpretar as informações acústicas, sendo que a análise dos sinais acústicos é fundamental para a comunicação e sobrevivência humana e animal. O ruído está presente no cotidiano humano, quer seja nas atividades de trabalho, de lazer ou mesmo durante o sono. Ainda que a orelha disponha de mecanismos de defesa próprios, ruídos agudos, de alta intensidade [≥120-135 dB(A)], produzem lesões mecânicas nas células ciliares cocleares. Por outro lado, intensidades mais baixas, com exposição prolongada, podem, também, causar lesões por exaustão metabólica, levando a perda auditiva (ISO, 1990). A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece o limite para a saúde da orelha em 70 dB(A) (WHO, 2001). Este é um motivo de alerta entre jovens e adolescentes que vêm apresentando precocemente sinais de perda auditiva, sendo, nesse sentido, fundamental o papel da educação (Babisch, 2005). Segundo a OMS, o limite tolerável de som à orelha humana é de 65 dB(A) e, acima disto, o organismo sofre estresse, aumentando o risco de doenças, sendo que ruídos acima de 85 dB(A) podem comprometer a audição (WHO, 2001). Assim, o Governo normatiza a emissão de ruídos domésticos, comerciais e industriais (Brasil, 1977; Maringá, 2005), visando o conforto acústico da comunidade. A Lei Federal nº 6514 de 22 de dezembro de 1977, em sua Portaria nº 3.214/78, NR 15, anexos 1 e 2, estabelece os limites de tolerância para ruído, relacionando o nível de pressão sonora com o tempo de exposição (Brasil,

1977).

Além dos efeitos diretos sobre a orelha, o ruído pode causar efeitos não-auditivos, mesmo em níveis sonoros seguros para a orelha se interferir cronicamente com as atividades de recreação, como o sono e o relaxamento; se ele atrapalha a comunicação e a inteligibilidade da fala, ou se ele interfere com o status mental em tarefas que exijam alto nível de atenção e concentração (Evans, Lepore, 1993). De fato, pesquisas têm demonstrado que altos níveis de ruído em salas de aula afetam o desempenho cognitivo dos alunos (Bistrup et al. apud Babisch, 2005) e prejudicam a leitura e memorização (Hygge et al., 2002). Além disso, distúrbios em outros sistemas foram relatados – sistema cardiovascular (Ising et al.,

Moretti MM, Prado IMM. Nível de pressão sonora produzido em experimentos sobre a velocidade do som e a sua ação sobre o organismo humano. Arq Mudi. 2007;11(1):34-40.

1997, 1999; Babisch, 2002, 2003, 2005; Babisch et al., 2001, 2003, 2005; Ising, Braun, 2000; Maschke et al., 2000; Passchier-Vermeer, Passchier, 2000; Souza et al., 2001; Davies et al., 2005); distúrbios do sono (Babisch, 2002, 2005; Gitanjali, Ananth, 2003), entre outros (Stansfeld et al., 2000; WHO, 2001; Babisch, 2005). Os impactos produzidos pelo ruído sobre a saúde são inúmeros (Quadro 1). A medição do nível de pressão sonora é feita por meio de um equipamento chamado “medidor de nível sonoro”, conhecido por “decibelímetro”, e é regulamentada pela NBR 10.151 (1987), revisada em junho de 2000 (ABNT, 2000), e Lei Federal nº 6514 de 22 de dezembro de 1977, Portaria nº 3.214/78, NR 15, anexos 1 e 2 (Brasil, 1977). Estas estabelecem o método para medição do ruído e a aplicação de correções dos níveis medidos para a avaliação de ruído em áreas habitadas, visando o conforto dos usuários. No processo de medição

são considerados não somente as especificações dos equipamentos como, também, variáveis como a distância de superfícies (paredes, teto, piso e móveis). A disciplina de Física Experimental II, oferecida pelo Departamento de Física da Universidade Estadual de Maringá, desenvolve uma atividade prática onde são realizados experimentos para calcular a velocidade do som no ar e em um meio sólido, durante os quais são emitidos sons característicos. Quando da execução da prática, alunos e servidores presentes no mesmo Bloco queixam-se de mal-estar, dores de cabeça, náuseas e estresse ao final do dia de trabalho. Este trabalho tem por objetivo medir o nível de pressão sonora emitido durante a atividade prática desenvolvidas na disciplina de Física Experimental II, relacionando os possíveis efeitos do ruído sobre o organismo humano.

Quadro 1. Impacto dos ruídos sobre a saúde humana, de acordo com nível de pressão sonora, reação do indivíduo e efeitos negativos, com exemplos de locais de exposição.

NÍVEL

DE

PRESSÃO

 

Reação

 

Efeitos negativos

 

Exemplos de locais

SONORA

 

Até 50 dB

Confortável

(limite

da

Nenhum

Rua sem tráfego

OMS)

 

Acima de 50 dB

 

O organismo humano começa a sofrer impactos do ruído

 

De 55 a 65 dB

 

A pessoa fica em estado de

Diminui

o

poder

de

Agência bancária

 

alerta não relaxada

 

concentração

e

prejudica

a

 

produtividade

no

trabalho

intelectual

De 65 a 70 dB (início das epidemias de ruídos)

O

organismo

reage

para

Aumenta o nível de cortisona no sangue, diminuindo a resistência imunológica. Induz

Bar

ou

restaurante

tentar

se

adequar

ao

lotado

 

ambiente,

minando

as

defesas

 

a liberação de endorfina, tornando o organismo dependente. É por isso que muitas pessoas só conseguem dormir em locais silenciosos com o rádio ou TV ligados. Aumenta a concentração de colesterol no sangue.

Acima de 70 dB

 

O

organismo fica sujeito a

Aumentam os riscos de enfarte, infecções, entre outras

Praça de alimentação em shopping centers, ruas de tráfego intenso.

 

estresse degenerativo, além

de

abalar a saúde mental.

doenças sérias.

 

Obs.: O quadro mostra ruídos inseridos no cotidiano das pessoas. Ruídos eventuais alcançam volumes mais altos. Um trio elétrico, por exemplo, chega facilmente a 130 dB(A), o que pode provocar perda auditiva induzida, temporária ou permanente. Fonte: www.omnicom.com.br/ocanal/ruído.html

MATERIAL E MÉTODO Foi realizada a avaliação do ruído produzido durante a realização da prática “Velocidade do som”, oferecida regularmente pelo Departamento de Física da Universidade Estadual de Maringá, na

disciplina de Física Experimental II (Weinand et al., 2002), divida em dois experimentos que permitem a “visibilização” da velocidade do som no ar e em um sólido. Os experimentos foram

Moretti MM, Prado IMM. Nível de pressão sonora produzido em experimentos sobre a velocidade do som e a sua ação sobre o organismo humano. Arq Mudi. 2007;11(1):34-40.

montados

e

desenvolvidos

na

ausência

dos

pressão da onda estacionária, ocorrendo um

acadêmicos.

acúmulo de partículas nas regiões dos antinodos,

Experimento 1: Velocidade do som no ar (adaptado de Weinand et al., 2002) Um tubo de vidro contém uma coluna de ar

que estão separados por zonas de rarefação (nodos). Há um antinodo de pressão, em cada extremidade e a distância entre dois antinodos

à

temperatura ambiente, sendo limitada na parte

sucessivos equivale a meio comprimento de onda

inferior por uma coluna de água que se comunica com um reservatório, de tal forma que o comprimento “L” da coluna de ar varia com o deslocamento da água (para cima e para baixo) do reservatório. Ondas sonoras, constituídas de

compressões e rarefações sucessivas, são enviadas para o interior do tubo, através de um alto-falante acoplado a um gerador de áudio, de freqüência conhecida. As ondas percorrem a coluna do ar, sendo refletidas no nível de água (extremidade fechada do tubo), com uma defasagem de 180°, retornando à extremidade aberta, onde são novamente refletidas, porém, sem inversão de fase. A interferência dessas ondas dá origem a ondas estacionárias, sempre que

a coluna de ar, de comprimento L, satisfizer a

condição de ressonância, isto é, vibrar com a mesma freqüência do gerador. Os antinodos de pressão (nodos de deslocamento) são percebidos pelo aumento da intensidade do som. Medindo a distância entre dois antinodos sucessivos, que equivale a meio comprimento de onda ( /2), e conhecendo a freqüência (f) do gerador, podemos determinar a velocidade do som, à temperatura ambiente, pela fórmula: = f.

Experimento 2: Velocidade do som em um sólido (adaptado de Weinand et al., 2002) Um tubo de vidro é fechado em uma das extremidades por um êmbolo móvel e em outra por um diafragma. O êmbolo é conectado a uma haste de latão de comprimento (l) que é fixa exatamente a ¼ de l, de cada extremidade, de forma que =l. A haste é posta a vibrar, longitudinalmente, mediante a fricção com um feltro em sua parte média. As vibrações longitudinais são enviadas para o interior do tubo de vidro, através do diafragma. O êmbolo móvel permite a variação do comprimento (L) da coluna de ar. Na extensão interna inferior do tubo, há uma fina camada de pó de cortiça, que permite observar a condição de ressonância, que ocorre quando o comprimento (L) da coluna de ar satisfizer a condição de onda estacionária. Nesse instante, observa-se o movimento das partículas do pó de cortiça, como resultado da diferença de

( /2). Conhecendo

, som no ar, podemos determinar a velocidade do som na haste de metal, à mesma temperatura pela

equação

e a velocidade do

metal

metal

ar

.

ar

ν

metal

= ν

ar

Nível de pressão sonora A medição do nível de pressão sonora foi realizada por equipe técnica da empresa “CESET – Segurança do Trabalho”, utilizando um medidor de nível de pressão sonora (decibilímetro), marca Lutron®, modelo SL-4011, tipo 2, para operação de circuito de compensação “A”, resposta lenta “slow”, e circuito de compensação “C”, resposta rápida “fast”, e um calibrador para decibilímetro marca Lutron®, modelo SC-940 A. As medições foram realizadas em sala de aula, sem a presença dos alunos. Foram realizadas medições em diferentes pontos próximos aos aparelhos causadores de ruído, com os mesmos em funcionamento.

RESULTADOS E DISCUSSÃO Para cada experimento foram calculadas as velocidades do som no ar (Tab. 1) e em um sólido (Tab. 2). A velocidade calculada foi de metal = 3.181,05 m/s.

Essa prática produziu níveis sonoros, como se segue:

Velocidade do som no ar

- 89 dB(A)

Velocidade do som em um sólido - 91 dB(A)

Os níveis de pressão sonora observados durante a realização dos experimentos mostram-se altos, contudo, considerando o curto tempo de exposição, não comprometem a saúde, conforme estabelecido na NR-15, Anexo 1 (Brasil, 1977). Os índices de poluição sonora aceitáveis estão determinados de acordo com a zona e horário (ABNT, 2000) (Quadro 3).

Moretti MM, Prado IMM. Nível de pressão sonora produzido em experimentos sobre a velocidade do som e a sua ação sobre o organismo humano. Arq Mudi. 2007;11(1):34-40.

Tabela 1. Medidas do comprimento de onda ( ) para diferentes freqüências (f), em Hertz, e da velocidade do som obtidas no experimento “velocidade do som no ar”. Maringá, PR, 2005.

Comprimento

f 1 (698±±±±2)

f 2 (802±±±±2)

f 3 (898±±±±2)

f 4 (1000+2)

de onda

/2 (m)

0,244

0,213

0,180

0,184

0,240

0,219

0,198

0,166

0,253

0,218

0,202

0,182

-

0,219

0,188

0,176

-

0,169

(m)

0,5046

0,4346

0,13840

0,3508

Velocidade a

28ºC (m/s)

352, 408

348,469

344,832

350,800

Tabela 2. Posição de cada antinodo de pressão em relação a uma origem obtida durante a realização do experimento velocidade do som em um sólido. Maringá, PR, 2005.

L X 1 (1) (m)

X 1 (2) (m)

X 1 (3)(m)

1 0,080

0,075

0,075

2 0,136

0,135

0,137

3 0,196

0,193

0,198

4 0,256

0,253

0,257

5 0,318

0,315

0,318

6 0,380

0,376

0, 379

Quadro 3. Diferentes áreas urbanas, segundo os níveis de pressão sonora aceitáveis, em decibéis, nos diferentes períodos do dia, de acordo com NBR 10.151.

 

Área

Período

Pressão sonora ( em dB)

Zona de hospitais

 

Diurno

45

Noturno

40

Zona residencial urbana

 

Diurno

55

 

Noturno

50

Centro da

cidade (negócios,

comércio,

Diurno

65

administração)

Noturno

60

Área predominantemente industrial

Diurno

70

Noturno

65

Fonte: Adaptado de ABNT (2000)

Níveis de pressão sonora acima de 85 dB(A), em longo tempo de exposição, podem causar perda auditiva por exaustão metabólica (ISO, 1990). Considera-se que esta exposição por 8 horas diárias pode produzir perda auditiva induzida por ruído (PAIR), em dois anos (Leme, 2001). A PAIR é definida como “diminuição gradual da acuidade auditiva decorrente da exposição continuada a níveis elevados de pressão sonora, provocando lesões nas células ciliadas externas e internas do órgão de Corti” (Harger, Barbosa-Branco, 2004).

Dentre os fatores de risco incluem-se as características físicas do ruído (tipo, espectro e nível de pressão), o tempo de exposição e a suscetibilidade individual (Harger, Barbosa-Branco,

2004).

A PAIR tem sido indicada como uma doença ocupacional de alta prevalência em vários setores produtivos (Leme, 2001; Maasen et al., 2001; Harger, Barbosa-Branco, 2004; Bistrup et al. apud Babisch, 2005), sendo objeto de preocupação em Saúde Pública (WHO, 2000). Com o aumento da

Moretti MM, Prado IMM. Nível de pressão sonora produzido em experimentos sobre a velocidade do som e a sua ação sobre o organismo humano. Arq Mudi. 2007;11(1):34-40.

exposição, a patologia envolve uma seqüência de eventos: 1. encurtamento temporário da radícula com inclinação dos cílios; 2. rompimento das radículas, e 3. ruptura da membrana basilar e de células ciliadas (Alberti, 1994). No trauma acústico observa-se, seqüencialmente: alteração precoce nas células ciliadas externas, com perda de estereocílios; deformação e desintegração do corpo celular; deterioração das células de sustentação, células de Deiters e de Hansen, a qual se inicia na espira basal progredindo para as cocleares, envolvendo as freqüências médias e baixas (Schuknecht apud Lee, 1995). Está mais ou menos bem estabelecido que o som e o ruído são estressantes psicossociais que ativam os sistemas simpático e endócrino e que o ruído agudo não ocorre somente em altos níveis de exposição ocupacional, como também em um ambiente de som relativamente baixo, quando certas atividades, como a concentração e o relaxamento durante o sono, são perturbadas (Babisch, 2003, 2005). Pessoas expostas a altos níveis de ruídos apresentam diminuição da resistência elétrica e da temperatura da pele e diminuição do fluxo sangüíneo periférico devido à vasoconstrição e ao aumento da pressão sangüínea e do débito cardíaco, indicando uma excitação do sistema nervoso autônomo e do endócrino (Maschke et al., 2000). Segundo alguns autores, o estresse crônico induzido pelo ruído pode acelerar o envelhecimento do miocárdio, aumentando o risco

de infarto. O mecanismo envolveria um aumento

agudo dos níveis de catecolaminas ou de cortisol e uma interação entre reações endócrinas e as trocas intracelulares de cálcio e magnésio (Ising et al.,

1999). Essas alterações podem ser transitórias, mas tornam-se patogênicas quando ativadas crônica e repetidamente (Davies et al., 2005). Dentre os distúrbios do sono decorrentes da exposição ocupacional, ou não, ao ruído destaca-se

a diminuição do sono REM, o que poderia

justificar comportamentos observados durante o dia (mudança de humor, dificuldade de concentração e irritabilidade) (Gitanjali, Ananth, 2003). Esta alteração possivelmente está relacionada com os níveis de cortisol (Gitanjali, Ananth, 2003). As alterações neuroendócrinas devido à exposição ao ruído são complexas e ainda pouco elucidadas. Aparentemente existe uma relação hormonal com o nível de pressão sonora (Ising,

Braun, 2000). Segundo estes autores, a exposição

ao ruído agudo intenso (próximo ao limiar da dor)

estimula a liberação de cortisol pela supra-renal, enquanto que a exposição aguda a níveis um pouco mais baixos [90-100 dB(A)] causa liberação de catecolaminas (Ising, Braun, 2000). Por outro lado, a habituação ao ruído também pode influenciar na liberação hormonal – ruído não-habituado estimula

a secreção adrenal de epinefrina, e o ruído

habituado produz um aumento crônico de secreção

de norepinefrina pelas sinapses simpáticas, com o

longo tempo de exposição, como acontece na

exposição ocupacional. Estudos relatam que a exposição ao som

ambiente [≥ 60 dB(A)] causa aumento da liberação

de catecolaminas se atividades como conversação,

concentração, recreação etc., forem perturbadas pelo ruído. Além disso, o ruído de tráfego [≥ 30 dB(A)] pode levar ao aumento agudo dos níveis de cortisol, que pode se tornar crônico com a exposição repetida, acrescido do aumento crônico de norepinefrina (Ising, Braun, 2000). Embora nossos resultados não indiquem comprometimento para a saúde (Brasil, 1977), as queixas dos usuários do ambiente, durante o desenvolvimento da prática, são freqüentes, demonstrando haver algum desconforto, o qual poderia ser explicado por essas alterações hormonais.

CONCLUSÃO Pela metodologia utilizada pode-se concluir que o experimento “velocidade do som no ar” teve velocidade de 352,2108 m/s; 348,469 m/s; 344,832 m/s, e 350,8 m/s, nas freqüências 698±2 Hz; 802±2 Hz; 898±2 Hz, e 1000±2 Hz, respectivamente. No experimento “velocidade do som em um sólido” a velocidade foi de metal = 3.181,05 m/s. Os níveis de pressão sonora foram

de 89 dB(A) para o experimento “velocidade do

som no ar” e 91 dB(A) para “velocidade do som em um sólido”. De acordo com a literatura consultada e considerando o tempo de exposição, esses níveis de pressão sonora não se mostram lesivos para o organismo humano, podendo,

contudo, promover alterações hormonais que poderiam justificar o desconforto causado.

AGRADECIMENTOS. Os autores agradecem o imprescindível apoio técnico da empresa “CESET – Segurança do Trabalho”, na medição do nível de pressão sonora durante os experimentos.

Moretti MM, Prado IMM. Nível de pressão sonora produzido em experimentos sobre a velocidade do som e a sua ação sobre o organismo humano. Arq Mudi. 2007;11(1):34-40.

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Recebido em: 20.01.06 Aceito em: 13.02.07

Revista indexada no Periodica, índice de revistas Latino Americanas em Ciências http://www.dgbiblio.unam.mx (ISSN 1980.959X).

Continuação de: Arquivos da Apadec (ISSN 1414.7149)