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Introdução

Os transtornos alimentares são aqueles que tem como características marcante a


perturbação no comportamento alimentar. Dentre eles vamos estudar de forma mais
detalhada a Bulimia Nervosa
Se um indivíduo vem ingerindo, mais de duas vezes por semana, um grande número de
alimentos num curto espaço de tempo, e se ainda esses episódios ocorrerem a três
meses, sendo essa prática usa de meios não muito adequados para não apresentar
ganho de peso como: vômito induzido, uso de purgantes (laxantes e diuréticos),
prática de ginástica excessiva, pois tem uma extrema preocupação com sua forma
física. O diagnóstico certamente será de Bulimia Nervosa.
Esses distúrbios têm crescido muito nos últimos anos, fato que pode estar
relacionado com grandes interesses econômicos, como a indústria do emagrecimento e
os meios de comunicação, que vendem a imagem de que para ter um corpo perfeito é
necessário ser magro. As pessoas buscam esse objetivo a qualquer custo e acabam
pagando, no final das contas, um preço muito alto .

Histórico

A Bulimia começou a ser mais estudada a partir de 1940, quando foi descrita junto
com a anorexia. Russel teve uma participação marcante nessa época, pois desenvolveu
um trabalho que se tornou muito importante na caracterização da Bulimia Nervosa, e
nas histórias dos transtornos alimentares em geral.
A partir dos anos 60 começou a crescer o interesse pelos transtornos alimentares no
campo da pesquisa e no público de maneira geral; com o aumento de divulgação da
mídia, a ocorrência em pessoas famosas e a maior valorização da forma física.
A Bulimia não tinha sido reconhecida como um transtorno psiquiátrico até os anos
70, sendo que apareceu no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
III (DSM III) somente nos anos 80.
A partir daí, houve uma maior conscientização deste transtorno e o aprimoramento
das técnicas do diagnóstico e dos métodos de tratamento.

Conceituação e Características Clínicas

Segundo o DSM IV, a Bulimia Nervosa caracteriza-se pela ingestão recorrente de


grandes quantidades de alimentos, onde o binge-eating (comer compulsivamente) tem
que ocorrer pelo menos duas vezes por semana nos últimos três meses. Sendo ainda,
acompanhados por um sentimento de culpa e de falta de controle. O indivíduo
apresenta também comportamentos compensatórios recorrentes, tais como: vômitos
auto-induzidos, uso de laxantes ou diuréticos, regimes rígidos, jejum ou exercícios
vigorosos para evitar ganho de peso. Existe normalmente existe uma preocupação
persistente e exagerada com a forma física.
Durante o ataque são ingeridos em torno de 2000 kcal, embora já tenha sido relatada
a ingestão de mais de 6000 kcal. Os alimentos mais utilizados durante estes ataques
tem alto teor de carboidratos e gordura como, por exemplo, sorvete, pães, doces
etc.. Os alimentos são ingeridos secreta e rapidamente, às vezes sequer é
mastigado, sendo que na maioria das vezes o indivíduo nem sente o gosto do
alimento.
O vômito é um dos comportamentos compensatórios utilizados, geralmente é induzido
pela colocação do dedo na garganta, embora com o passar do tempo, os vômitos
tornam-se reflexos. Essa prática diminui a dor abdominal e a sensação de inchação,
permitindo que o indivíduo continue comendo sem medo de ganhar peso.
O DSM IV acrescenta ainda dois tipos de Bulimia, o subtipo purgativo e o não
purgativo.
O subtipo purgativo caracteriza-se pelo fato de métodos como o vômito induzido e o
uso inadequado de laxantes e diuréticos serem usados para compensar a ingestão de
grandes quantidades de alimento.
O uso inadequado de laxantes, pode causar problemas estomacais e digestivos, além
do perigo de causar a desidratação, falta de potássio no organismo do indivíduo.
O subtipo não purgativo é aquele no qual os métodos compensatórios utilizados são:
o jejum prolongado, ou ainda a prática excessiva de exercícios físicos, porém sem
fazer uso da purgação e nem chegando a induzir o vômito após um episódio de binge-
eating .
Alguns sintomas podem ser notados no indivíduo bulêmico, tais como: fadiga, dor de
cabeça, constipações, inchaços, dores abdominais, ciclos menstruais irregulares,
erosão do esmalte dentário, machucados nas mãos e nos dedos causados pela indução
do vômito.
Pode ainda apresentar episódios de Tricotilomia (arrancar os próprios cabelos) e
Tricolofagia (comê-los), e episódios de Cleptomania e de Depressão.

Etiologia

A Bulimia se desenvolve a partir de alguns fatores, como os que são descritos


abaixo:

Fatores Biológicos:
Foram feitas entrevistas clínicas e testes de personalidade com 2.163 gêmeos
idênticos e fraternos. Dentre as gêmeos do sexo feminino foi percebido que a
hereditariedade do binge-eating ( comer compulsivamente) é muito alta.
De acordo com um estudo retirado da Internet, quando uma das gêmeas monozigóticas,
ou seja idênticas, desenvolve Bulimia, a chance da outra também vir a desenvolver é
de 23%, essa porcentagem é 8 vezes maior do que a da população em geral.
Já para gêmeas dizigóticas, ou seja fraternas, a possibilidade da outra vir a
desenvolver é de 9%, sendo 3 vezes maior do que a taxa para a população em geral.
Outras pesquisas apontaram que os níveis de endorfina plasmática estão aumentados
em alguns pacientes com Bulimia Nervosa, que vomitam, levando a possibilidade de
que os sentimentos de bem estar experimentados por alguns deles após o vômito,
possam ser mediados por aumento nos níveis de endorfinas.

Fatores Sociais:
O contexto social em que o indivíduo está inserido influencia seu auto conceito,
temos como exemplo a mídia, que veicula a imagem de que para ser bonita e feliz é
necessário estar com um corpo magro, criando assim uma pressão para que as pessoas
tentem se adequar a este padrão.
Fatores Familiares:
Em uma pesquisa retirada da Internet, foi constatado que os indivíduos que
desenvolvem Bulimia pertencem a uma família que em geral dá extrema importância à
aparência. Ao menos um dos pais é muito exigente e crítico com relação aos filhos,
são aqueles pais que comparam seus filhos entre si, e o indivíduo que
posteriormente vem a desenvolver Bulimia é, normalmente, o mais desvalorizado.
Nessas famílias ocorre muita proteção por parte dos pais, pois estes não dão
autonomia aos filhos, sendo na maior parte do tempo rígidos a mudanças,
apresentando dificuldades em aceitar o crescimento do indivíduo. Há ainda uma
dificuldade na comunicação e expressão dos sentimentos, o que dificulta ainda mais
a solução do problema.

Fatores Psicológicos:
Os indivíduos com tendência a desenvolver Bulimia, são auto críticos,
perfeccionistas e sensíveis a críticas, o que os deixam vulneráveis às pressões
sociais. Usualmente esses indivíduos tem baixa auto estima e têm algum quadro de
ansiedade.
Pacientes com Bulimia apresentam dificuldades em controlar seus impulsos, o que
pode levar a dependência em substâncias, como por exemplo o álcool, além de comer
compulsivamente e induzir a purgação; sendo que as duas últimas são
características marcantes desse transtorno alimentar.

Epidemiologia

A Bulimia é um transtorno difícil de ser detectado, pois a maioria dos pacientes


não se consideram doentes, ou ocultam seus sintomas por vergonha. Contudo, as
estimativas de Bulimia Nervosa variam de 1 a 3% das mulheres adolescentes e no
início da vida adulta, conforme está descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico
de Transtornos Mentais IV (DSM IV).
Em crianças a ocorrência é baixa, sendo que foram detectados apenas 70 casos nos
últimos 5 anos.
Em homens a Bulimia é rara, sendo que varia de 4 a 13% da população total de
pacientes que apresentaram o transtorno. A idade média de aparecimento em homens é
de 21 a 24 anos de idade.
A maior incidência é em mulheres ( mais de 90%) das classes média e alta, sendo
mais freqüente na raça branca. Pessoas com profissão ou atividades que valorizam a
forma física – por exemplo, modelos, bailarinas e atletas – são mais suscetíveis. A
Bulimia parece ser bem mais prevalente em sociedades industrializadas, onde há
abundância de alimentos e onde a beleza está associada à magreza ( Estados Unidos
da América, Canadá, Europa, etc.)
Em uma pesquisa realizada nos E.U.A. com 2000 mulheres ( estudantes do colegial) em
1986, foi percebido que um número próximo de 5% dessa população já teve algum
transtorno alimentar e aproximadamente 4% dessa população admitiram ter sintomas
de Bulimia.
Diagnóstico Diferencial e Comorbidade

O diagnóstico da Bulimia Nervosa não deve ser feito se os comportamentos de


compulsão e purgação não forem exibidos com freqüência, e ocorrerem exclusivamente
durante episódios de Anorexia Nervosa. Neste caso o diagnóstico seria sem dúvida de
Anorexia.
Aproximadamente 40% dos pacientes que desenvolveram Bulimia, já tiveram um episódio
de Anorexia, embora a ocorrência de Bulimia seja, pelo menos, duas ou três vezes
mais comum que a Anorexia.
Outra característica que diferencia de forma marcante a Anorexia da Bulimia, é que
os anoréticos apresentam grande perda de peso, além do desejo de estar sempre
reduzindo ainda mais o seu peso, enquanto que os bulímicos transformam o ato de
comer numa forma de adquirir uma satisfação psicológica e biológica, pois comer
reduz a ansiedade do indivíduo, o que também é uma forma de obtenção de prazer –
satisfação psicológica- e biologicamente satisfaz suas necessidades físicas.
O médico deve ter certeza de que o paciente não possui nenhuma doença neurológica
como, por exemplo, epilepsia, tumores no Sistema Nervoso Central, Síndrome de
Kleine-Levin, ou ainda Síndrome de Kluver-Bucyr. As características dessa última
são: agnosia visual, lamber e morder complusivos, o indivíduo leva os objetos à
boca, incapacidade de ignorar qualquer estímulo, placidez, hipersexualidade,
hábitos alimentares alterados, principalmente a hiperfagia - esta Síndrome é rara -
e dificilmente seu diagnóstico é confundido com o de Bulimia. A síndrome de Kleine-
Levin caracteriza-se por hipersonia periódica, que dura de duas a três semanas, e
ainda hiperfagia. Esta síndrome ocorre mais com homens.
Os pacientes com Transtornos de Borderline, às vezes tem episódios de compulsão
alimentar, porém este ato está associado com outras características do transtorno.
Outro transtorno que pode ser diferenciado de Bulimia, é o Transtorno de Humor, o
qual é difícil definir se aparece antes ou após os episódios que caracterizam o
quadro bulêmico, uma vez que eles podem se desenvolver ao mesmo tempo. Muitas vezes
a diferenciação só pode ser feita após a recuperação parcial do indivíduo.
O Transtorno Disfórmico Corporal só deve ser considerado se a distorção de
percepção do paciente não está ligada somente ao forma e tamanho do corpo, por
exemplo, a preocupação de que um dos olhos não esteja simétrico ao outro.
Alguns distúrbios gastro intestinais, que podem ser sérios ou até mesmo fatais,
ocorrem associados à Bulimia, como dilatação gástrica aguda inclusive com a
possibilidade de ruptura, hipertrofia de parótidas, desgaste do esmalte dentário,
esofagite, ruptura esofagiana, esvaziamento gástrico intestinal, Síndrome do Cólon
irritável, hipopotassemia, que ocorre com alguma freqüência, por estar associada
aos vômitos crônicos e ao uso de diuréticos e laxantes.
A Bulimia pode ocorrer, ainda, em pacientes com altas taxas do Transtorno de
Controle dos Impulsos. Pode co-existir com a dependência de álcool, Transtorno
Bipolar l, Transtornos Dissociativos , histórias de Abuso Sexual, Transtorno
Depressivo, e ainda alguma história de Obesidade na vida do indivíduo.
Um terço dos pacientes com Bulimia apresentam Sazonalidade, ou seja, a Bulimia é
mais forte no inverno e nos dias nublados, com pouco luminosidade.
Mulheres diabéticas evitam o ganho de peso após um episódio de binge-eating,
diminuindo a dose de insulina.

Tratamento
Tratamento cognitivo Comportamental:

O tratamento Cognitivo Comportamental para os distúrbios alimentares é baseado num


grupo de itens, que são usados de maneira individual, pois leva-se em consideração
as particularidades de cada paciente. Os principais objetivos deste tratamento, no
caso da Bulimia, consiste na interrupção do círculo vicioso, que é formado pela
ingestão de grandes quantidades de alimento, seguido pela indução do vômito; para
isso utiliza-se como estratégia: dar informações ao indivíduo sobre nutrição e
computação de ordem médica provocadas pela indução do vômito ou uso de purgativos,
pedir ao paciente que se vigie, através de um registro que deverá conter o local,
horário, tipo e quantidade de alimento consumido e também, a ocorrência de binges,
além de introduzir uma dieta adequada e introduzir técnicas que orientem o
paciente, para que ele direcione sua ansiedade para outros comportamentos que não
sejam os comportamentos purgativos.
Um outro objetivo deste tratamento é justamente reduzir a culpa que ligada aos
binges, portanto orienta-se o indivíduo no sentido de que ele reconheça e entenda
os sentimentos desagradáveis. O indivíduo é também estimulado a aumento do círculo
de amizades, desenvolver a auto-estima, a auto-confiança, a elaboração do
sentimento de culpa e a discussão sobre outros conflitos que podem ser
desencadeados do quadro bulêmico.
Em casos mais graves ( quando percebe-se que o indivíduo corre risco de vida),
recomenda-se a internação, sempre acompanhada de um tratamento terapêutico.
Por fim, podemos considerar ainda a utilização de psicoterapia de grupo.
Lacey é defensor desta idéia, pois acha que o grupo passa segurança e assim o
indivíduo começa a explorar suas idéias e pensamentos e remove sentimentos de
isolamento.

Tratamento Hospitalar:

A estrutura hospitalar é importante, pois facilita o estabelecimento de uma dieta


regular, balanceada e a melhor supervisão dos comportamentos inadequados.
Os programas de tratamento em hospitais costumam usar no início técnicas
comportamentais e restritivas, onde o indivíduo ganha recompensas a medida em que
estabiliza seu peso e que consegue controlar o uso de métodos purgativos.
Existem reforçadores imediatos como, por exemplo, participação em determinadas
atividades do hospital se apenas um número X de calorias for consumida, e
reforçadores de longo prazo, como, receber visitas quando deixa de exibir métodos
de purgação.
À medida que os hábitos alimentares melhoram, é dada ao paciente maior autonomia e
ele pode, por exemplo, escolher suas próprias refeições, sendo também incentivado a
comer fora do hospital, sozinho, com a família ou com os outros amigos.
Vários hospitais promovem, ainda, atividades em grupo. Esse procedimento age
diminuindo o sentimento de solidão e a ansiedade social, além de dar ao indivíduo
um feedback de seu comportamento.
Quando o paciente faz a transição para o tratamento ambulatorial, é necessário
atenção, pois o indivíduo volta a ter contato com os estímulos externos. Porém se
este processo de transição for realizado de forma gradual e com a ajuda da família,
existirá uma possibilidade maior de se manter os ganhos já alcançados.

Envolvimento Familiar:

A colaboração da família no tratamento pode agir como um facilitador de mudanças no


comportamento do indivíduo. Para isso discute-se de que forma o transtorno influi
na relação entre os membros da família.
O objetivo deste tratamento é aumentar a comunicação, corrigir as percepções
distorcidas, melhorar as formas de se solucionar os conflitos e fazer com que os
membros da família respeitem o limite uns dos outros e suas diferenças individuais,
facilitando então o processo de independência do paciente.

Tratamento medicamentoso:

A principal hipótese para explicar as causas químicas dos transtornos alimentares


seria a diminuição da produção da serotonina, neurotransmissor (transmite
informações entre as células) responsável pela regulação do comportamento
alimentar. Dependendo do receptor, localizado na membrana
da célula nervosa, ao qual a serotonina vai se ligar, a necessidade de se alimentar
pode ser inibida ou estimulada.
No caso dos transtornos alimentares, a Bulimia nervosa, predominam os receptores
que levam a uma diminuição da vontade de comer.

O mais novo medicamento aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration) é o
Prozac (fluoxetine), o qual inibe a recaptação de serotonina nas terminações
sinápticas.

1) Indicações:
Em Bulimia, Prozac vem mostrando uma redução significante do episódio de comer
compulsivamente.

2) Dosagem:
Adultos: a dosagem recomendada é de 60 mg/dia, embora estudos mostram que doses
menores também podem ser eficazes.
Crianças: o tratamento seguro e eficaz em pacientes com menos de 18 anos de idade,
ainda não foi administrado.

3) Precauções:
Ansiedade e Insônia:
Durante o período de tratamento, a ansiedade e a insônia foram notados em 10 a 15%
dos pacientes. Esses sintomas foram a causa de 5% das pessoas interromperem o
tratamento.

Mudança de Peso:
A perda significativa de peso pode ser um resultado não muito desejado no
tratamento com Fluoxetine.

4) Efeitos Colaterais:
Em uma pesquisa retirada da Internet, Prozac foi receitado para 5.600 pessoas.
Aproximadamente 4% destas desenvolveram erupções na pele e/ou urticária. Embora
esses eventos sejam raros, eles podem se tronar sérios, envolvendo os pulmões, os
rins ou ainda o fígado. Uma vez constatada a aparição de erupções na pele ou alguma
outro tipo de alergia, na qual etiologia não pode ser identificada, deve-se
interromper o uso de Prozac. Em pacientes que já tiveram alguma história de reação
alérgica, deve-se ter um cuidado especial com o medicamento.

5) Overdose:
Náuseas ou vômitos são proeminentes em overdoses, incluindo doses altas de
fluoxetine.
É recomendado que o indivíduo fique em um lugar ventilado. O carvão ativado, que
pode ser usado com Sorbitol, é tão ou mais efetivo que a lavagem estomacal.
Deve-se monitorar as funções cardíacas e vitais do paciente.
Não existem antídotos específicos para Fluoxetine.
As partes ativas do Prozac demoram de 1 a 2 meses para serem eliminadas do
organismo.
O fígado pode afetar a eliminação pelo organismo: em pacientes com cirroses causada
pelo alcoolismo, a eliminação de Fluoxetine foi prolongada. Isso denota que o uso
de Prozac deve ser administrado com cautela.

Entrevista

Realizada com a Psicóloga Neide Colleti Bruno, CRP n.º 067-6780-1

Por que existem mais mulheres do que homens que desenvolvem Bulimia?
“ Eu vejo assim, curiosamente eu trabalhei com emagrecimento, a parte psicológica,
mental do emagrecimento, da dificuldade da pessoa para emagrecer e neste tempo, meu
trabalho era muito focado, o que eu pude observar é realmente isso, como a fobia de
dirigir, raramente você vê um homem, não existe, eu tenho 22 anos de consultório e
não tive nenhum caso de fobia de trânsito que viesse buscar tratamento (homem).
Tanto a fobia de dirigir quanto a Bulimia é mais comum em mulher. E no caso da
Bulimia é essa perfeição, é o corpo perfeito, é essa coisa toda de ter que manter
o peso, é esse culto ao corpo, que não é nem um pouco positivo a gente sabe, eu
trabalhei muito nessa área, a gente vê cada aberração, primeiro uma desinformação
muito grande, você vê, querem emagrecer 10 quilos em uma semana, não dá para
acreditar que tenha uma coisa dessas e tudo isso para que tenha um corpo perfeito,
você tem que ser magra, esquelética, eu falo que é aquele peso da Barbie, porque se
não é anormal quando a gente fala de peso tem o peso factível, é o peso da pessoa,
e o peso ideal que não é aquele que você está dentro das normas de saúde, mas
aquele que você se sente bem física, visual e cinestesicamente, quando a pessoa não
incorpora isso, não sabe fazer esse ajuste, vamos dizer assim, como é que eu me
sinto bem, ela vai buscar uma forma de emagrecimento, o corpo trabalha com um
mecanismo de auto-compensação, não adianta, se faltou alguma coisa ele vai buscar
de alguma forma, então vem uma vontade de comer e essa pessoa passa a comer, e o
que acontece, esse é um problema genético, o objetivo é a nutrição corporal, e se a
pessoa mexe com esse mecanismo – por isso é tão longo o tratamento- mexe nesse
programa que é genético, se a pessoa mexe com isso ela perde seu limite de
saciedade, “comi, estou me sentindo satisfeita, agora meu organismo já
digeriu...vou comer de novo” ela tem no final a sensação de saciedade, na Bulimia a
pessoa perde esse controle completamente, ela come come come, é genético, ela come
porque tem fome, se alimenta e não deixa de engordar. Pois bem é o componente
cultural que faz com que as mulheres apresentem mais esse problema, porque somos
vítimas do peso.”

Podemos dizer que existe um fator desencadeante para o surgimento do transtorno ?


“Alguma coisa que mexa, que desestabiliza, então ela começa a apresentar esse
problema. Eu vejo, existe um fator determinante, já existe uma predisposição, às
vezes o fator não é tão evidente, a pessoa já tem uma estrutura, e se brigar com o
namorado, perder o emprego, então se a pessoa já tinha uma predisposição e
desenvolve o transtorno. Porém houve casos de literatura que o comportamento vai
surgindo aos poucos não acontece de repente, não houve um fator desencadeante, o
fator é toda a dinâmica em que a pessoa vive, geralmente nestes casos é uma
dinâmica familiar muito complicada.”

A senhora acredita em pré-disposição genética?


“Não sei se há, não tenho essa informação, genético é uma predisposição, como nós
sabemos para esquizofrenia e até para depressão alguma coisa assim, não tenho
informação a respeito disso. Mas acredito que não. Quando você diz ter pessoas
próximas, pode ser mais por modelagem, por aprendizagem, nós sabemos que o medo de
barata vem da vó, bisavó, como as fobias e outros distúrbios também. Por que o que
é o distúrbio? Deixando de lado a hereditariedade, é como a criança aprende a
responder, a lidar com as emoções e responder aos estímulos externos, tem uma parte
aí que a gente tem que dar importância, que é a aprendizagem, modelos que são
próximos, modelos que muitas vezes vem de uma identificação, por exemplo, a Barbie,
então aí pode surgir a Bulimia.”

Quais os sintomas mais freqüentes de Bulimia, que apareceram nos casos que a
senhora tratou ?
“Quase sempre, nas experiências que eu tive, a pessoa foi trazida pela família, não
é próprio a pessoa vir pedir ajuda, um “help”. Primeiro porque nós temos que pensar
que em todos os distúrbios que se manifestam através do somático, isso tem uma
função para a pessoa.
No caso de uma jovem que eu tive, ela foi trazida pela família. Geneticamente ela
tinha uma predisposição muito grande para a obesidade, a família do pai era obesa,
da mãe não, mas ela herdou os genes do pai, ela tinha muita dificuldade em manter
seu peso, ela estava com 30 quilos e pouco. O pai se chocava, porque seus amigos
ficam com boatos de que ela está com AIDS, e essa história toda...ela relutou
porque para ela...ela achava que ia conseguir se manter magra através da privação e
depois detonando a geladeira e tinha a função principal, era enfrentar o pai, era
a coisa da autoridade, ela tinha descendência alemã, então a coisa era muito
rígida, e nessa família o que eu observei é que tudo se relacionava a alimentação,
na linha do tempo, lá no passado, essa garotinha já tinha brigas homéricas com a
mãe porque não queria levar lanche para a escola, a mãe colocava na lancheira e
quando voltava da escola, a mãe ia verificar se ela tinha comido, e a menina não
tinha comido, não tinha nada a ver com o problema de peso até então , pois ela era
uma garotinha de 5, 6 anos. Já era a forma dela contrariar a autoridade parental,
somatizando a problemática familiar. Ela era louca, a doente quando todo mundo ali
estava precisando de um “help”.”

Em sua experiência qual o transtorno que mais aparece associado à Bulimia? Por
que ?
“A depressão, por ser uma auto destruição...”

6) Em qual estágio de desenvolvimento do transtorno as pessoas costumam procurar


ajuda ?
“A água já está no raso...quando as pessoas procuram terapia, não é só num país
como o nosso em que não existe prevenção. Você não vê a pessoa te procurar e dizer
“eu quero mudar, me fortalecer..” ou seja a prevenção.., então no caso de Bulimia,
muitas famílias quando vai já está tarde, a pessoa já emagreceu. Normalmente os
pacientes já estão com a parte biológica arrasada.”

7) Qual a abordagem que a senhora trabalha?


“Meu trabalho é muito focado, corpo mente, inclusive escrito junto, o que eu uso
mais, a minha linha mestra, eu já passei por bioenergética, atualmente a minha
linha mestra é a Neurolingüística, trabalha o programa da pessoa ..”

8) Quais as técnicas de intervenção dessa abordagem?


“Eu trabalho com a Neurolingüística, que lida com uma “programação”, então nós
fazemos alguns exercícios onde a pessoa volta em seu passado mentalmente, e então
eu proponho a ela que pense o que faria se estivesse lá novamente, nisso ela “muda”
seu passado e com isso aprende a viver melhor.”

9) Qual a média do tempo usado no tratamento ?


“ O tratamento é longo, depende do paciente, como ele progride, isso é
particular...mas na maioria das vezes demora...”

10) Sabemos que hoje em dia o medicamento aprovado para tratamento de Bulimia é o
Prozac. Em sua opinião, quais seriam as vantagens e des-
vantagens do uso desse medicamento?
“Para algumas pessoas dá resultado a nível de peso, na perda da peso, inclusive ele
é indicado por alguns médicos com o intuito de emagrecer, mas ele é um anti-
depressivo e para algumas pessoas tem efeito de emagrecer e outras não. Essa moça
que eu citei para vocês já tinha danos no aparelho digestivo e ela fez uso do
Prozac e foi muito bom.”

11) Tendo em vista sua experiência, como a família pode ajudar no tratamento de um
indivíduo bulêmico? Isso vem acontecendo na maioria dos casos?
“Na maioria das vezes a família atrapalha...a gente tem que pensar sempre no
sujeito-problema, ele é o que somatiza, isso não quer dizer que ele é o mais
comprometido, às vezes nem é; ele é aquele que tem coragem, que vai, que faz, que
desafia, que vai procurar terapia, encontrar uma família que ajude é um sonho.”

Conclusão

Com base em toda pesquisa que foi realizada, concluímos que a Bulimia Nervosa é um
transtorno que tem se tornado cada vez mais freqüente
A sociedade em que vivemos, tem privilegiado, cada dia mais, um padrão de beleza
no qual a figura de destaque é aquela que ostenta um corpo magro. Esse padrão de
beleza é mantido por interesses econômicos por parte das indústrias do
emagrecimento, através dos meios de comunicação, que vendem a idéia de que sucesso
e felicidade, só podem ser alcançados se a pessoa tiver determinada forma física.
Ao mesmo tempo é lançado no mercado um número grande de produtos de alto valor
calórico e de rápido consumo, os quais estão presentes na alimentação cotidiana dos
indivíduos, por diversas razões, das quais podemos destacar a falta de tempo para
fazer uma refeição balanceada, saudável.
A procura por esse tipo de alimento, faz grande parte da população ter complicações
com o próprio peso, levando ao desenvolvimento de transtornos como a Bulimia.
Concluímos, ainda, que a Psicologia pode agir no sentido de mostrar às pessoas que,
para alcançarem seus objetivos, não é necessário estar dentro de padrões rígidos,
estabelecidos pela cultura na qual estamos inseridos, mas que é preciso respeitar
nossos próprios limites.

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Autoras:
Mônica Soligueto
Priscila Rebouças de Carvalho Molina (pri8@hotmail.com)
UNIVERSIDADE MACKENZIE, Novem