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O Homem e o Design 1

Tradução de Carmen Cecília de Araújo dos Santos Laranjeira 2

1. DESIGN E HOMINALIDADE

Victor Papanek define design como ”O esforço consciente para estabelecer uma ordem significativa . Se, de acordo com esta definição, design pressupõe consciência, ou seja, conhecimento do que se faz e do que se procura; significado, ou seja, relação meio-fim-meio, que se consegue mediante uma ordenação dos elementos com que contamos e de uma seqüência de ações que denominamos esforço, então, podemos afirmar que o ser humano fez sua aparição na terra como designer.

Os fósseis mais antigos de hominídeos que conhecemos nos proporcionam evidências de utensílios elementares que usavam e elaboravam nossos mais remotos antepassados para organizar suas vidas e suas relações com o meio ambiente. Este fato desloca o mérito do homo sapiens ser o ponto diferenciador da espécie humana com relação aos demais integrantes do mundo animal, para o “homo habilis” por sua capacidade para fabricar sistematicamente ferramentas, usá-las em seus afazeres e destrezas requeridas para a confecção e manejo delas.

A elaboração de utensílios e ferramentas é o ponto de partida das espetaculares mudanças que experimentou a espécie humana em suas relações com o meio circundante. Fazer uma ferramenta, por mais rudimentar que seja, supõe um processo de design. Si aceitamos a definição de Papanek, ser designer, isto é, ser capaz de projetar seria o elemento distintivo básico para diferenciar o homem do animal, o que justificaria a afirmação de que – no longo processo de evolução das espécies – o homem aparece na terra como designer.

2. O HOMEM, ANIMAL SOCIAL

Ao nascer, o homem é o mais desprotegido de todos os animais. Sua subsistência biológica depende da ajuda que outro ser – quase sempre humano – lhe preste. Esta íntima relação de dependência se prolonga necessariamente por um período de tempo muito mais longo que em outras espécies do reino animal. O homem nasce dotado de uma série de aptidões subjacentes, biológicas e sociológicas, que se desenvolvem e progridem quando há uma inter -relação sistemática com outros homens (como é caso da linguagem; não a herdamos, a aprendemos de nossos semelhantes mediante um processo de inter-relação sistemática). Não somos animais sociais porque em algum momento decidimos sê-lo, mas porque nossa

subsistência

incontestavelmente ligados à inter-relação com nossos semelhantes, ou seja, à vida em sociedade por mais elementar que ela seja. O caráter social do ser humano, unido a seu psiquismo superior, gera toda uma série de sistemas de organização coletiva que estruturam o comportamento do homem, tanto coletivo como individual. Este complexo organizado de pautas de comportamento, idéias e crenças é denominado cultura. Entre os animais há um predomínio do instinto como fator organizador se sua conduta, de suas relações com o meio e de suas relações com os outros animais da mesma espéc ie. No homem há um predomínio da cultura enquanto elemento organizador de seu comportamento, de suas relações com o meio circundante e de suas relações com outros homens.

e

o

desenvolvimento

de

nossa

estrutura

biológica

e

psíquica

estão

3. HOMEM, CULTURA E DESENHO

Diferente da conduta instintiva que, já está programada internamente, a conduta humana é criativa. O homem tende, permanentemente, a procurar novos artifícios que lhe permitam um acoplamento mais adequado a seu meio físico e a seu contexto social. Esta constante inquietação dá lugar a esforços conscientes para estabelecer uma ordem significativa”, ou seja, projetar. Os projetos exitosos se incorporam à coletividade e, muito freqüentemente, modificam o sistema tradicional de organização, propondo novas necessidades antes não existentes.

Como exemplo, se pode citar o caso do aparecimento da metalurgia no desenvolvimento da sociedade humana: a procura de materiais, que lhe permitissem superar as limitações da pedra, levou ao desenvolvimento de uma complexa tecnologia necessária para à metalurgia; quando a metalurgia se impôs na sociedade, a organização social teve que mudar profundamente, já que se requeria de uma organização do trabalho mais complexa em cada uma de suas etapas, de uma hierarquização social segundo as tarefas que vão desde a extração das minas até a elaboração definitiva do artefato em metal. A prática da metalurgia requer de uma forma de vida sedentária, sendo incompatível com o nomadismo, etc.

Em resumo, a atividade que denominamos design supõe uma permanente interrelação com a cultura. Mudanças culturais que requerem modificações na conduta humana social geram transformações do meio e novos tipos de ordenamento significativo da realidade circundante. Por outro lado, as mudanças significativas da realidade circundante dão lugar a transformações na ordem social e na cultura. O design assim entendido é um elemento essencial e fundamental da cultura.

Bibliografia:

GONZALEZ, Claudio Malo, Diseño Atesanal y Cultura Popular , retirado do livro Diseño e Artesania de VVAA (1990). Cuenca: CIDAP.

1 Trecho do texto “Diseño Artesanal y Cultura Popular”, de Claudio Malo Gonzalez, em Diseño y Artesania, pp. 18- 2 1, traduzido em 2003, pela profa. Carmen C.A S. Laranjeira. 2 Carmen Cecília de Araújo dos Santos Laranjeira é pesquisadora pela Universidad de Barcelona, doutoranda do curso “Ensino e Aprendizagem das Artes Visuais” da mesma universidade, é mestre em “Comunicação e Poéticas Visuais”, pela UNESP, e é licenciada em “Educação Artística com Habilitação em Artes Plásticas”, pela Universidade de Bauru.