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IDEIAS

5

DF

MARÇO

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2

CHARLES

C I'

i)

,

r; "J O SEMANARIO

R.

BOXER

EMBORAa minha

correspondência

com

o Pro-

fessor Charles Boxer se inicie em 1977- e estive pela primeira vez na sua casa-biblio- teca de Ringshall End (Hertfordshire) em 1979-, foram as suas obras publicadas que me inspiraram na fase de jovem investiga- dor. Foram de particular importância neste sentido a sua grande síntese histórica, The Portuguese Seaborne Empire, 1415-1825 (l-Iutcrunson ofLondon, 1969)e algunsdos seus numerosos artigos como ')\ tentative check-list of Indo-Portuguese Imprints, 1556-1674"(Panjim, Goa, Boletim do Insti- tuto Vasco da Gama, n.o 73, 1956) oU"A Glimpse of the Goa Archives" (Londres, BulIetin of the School of Oriental and Afri- can Studies, XIV (1952),publicado logo após o seu primeiro contacto directo com Goa em Setembro-Outubro de 195',para o qual beneficiou e reconheceu com grati- dão o patrocínio do ministro do Ultramar, M. Sarmento Rodrigues, e da hospitalida- de em Goa do governador-geral, coman- dante F.de Quintanilha e Mendonça Dias. Estive em Portugal pela primeira vez durante quase meio ano antes do 25deAbril

para consultar os arquivos. Portugal estava ainda com relações cortadas com a Índia após a ocupação de Goa, mas, por inter- médio do co-jesuíta c grande amigo, Padre Doutor Bacelare Oliveira,eu conseguiraob- ter das autoridades portuh",esasum visto es- pecial.

CHARlES R. BOXER (8/3/1904-27/4/2000)

Historiador, Mest're e Amigo

)~

Em 8 de Março. (ie',1'?O4,co.mpletaria

",I,:.

.~

Io.o.ano.s de

vida

o.histo.riado.r lnglê{, Ch!!;{lef R. Bo.xer que, mai~

do. que ninguéTn;dtvulgo.u

: dignifico.u

no. mundo.

,

I.

I

anglo.-saxónico.,

e não. só, .asifaçanhas

históricas

da

expansão.po.rt';lguesa

no.imu1:fdo

A

Slf,a carreira

de

histo.riado.r-investigado.r

duro.u quas!

mais'de

meio. ,

século

É um dever de gratidão. ,eamizade lembrar-se

,

de alguém

que entra na no.ssa vida

ç no.s ajuda

a

'

apro.veitá-Ia

melho.r. É co.m este sentimento.

de deve;

e

quando já pairava no ar a chegada da Revo- lução dos Cravos, fui aconselhado a deixar

o País. Continuei as minhas pesquisas nos

arquivos em Madrid e Paris. Quis visitar Londres e encontrar-mecom o ProfessorBo- xer, mas com um passaporte indiano não foi possívelobter um visto dentro do tempo dis- ponivel na altura. A obra de Charles Boxer convenceu- -me que o público necessita de sínteses, mas que tais sínteses podem ter um valor quase-perene somente quando assentam numa investigação séria e paciente nos ar- quivoseonde for necessário ir buscar a evi- dência. O citado guia analítico de Charles

Boxer para os arquivos de Goa, e outros ticosda historiografiaportuguesa. Nãopac- guias e apontamentos que ele publicou so- tuava com a instrumentalização do passa- bre as fontes para a história dos portugue- do, nem para o glorificar,nem para o denegrir

ses no Oriente, na África e no Brasil, con- tinuam a ser de utilidade para investigadores

até aos nossos dias. Foi uma decisão muito Embora não tenho dados parademons-

trarque tivessemarúfesto interesse especial

dição de toda a obra do Professor Charles pelo funcionamento da Academia Portu-

feliz da Fundação Oriente investir na ree-

tavaa escrita da história em Portugal e fez regularmentee publicouos seusbalançoscrí-

Depois da pré-revolução

abortada

que quero. deixar

histo.riado.r Charl!f

que resumir

palavras

diria

aqui

um registo. daquilo. que o.

-~-'-

llQ.,ierf2!p'at:,a- mi'!t:. ~dJ

~--

!ive~s~,

-.

este meu sentimento.

'e evo.car em duas

que guardo. de Charles Bo.xer,

a memória

que foi

um "mestre

amigo.", não. muito. diferente

para

um indiano

les Boxer manteve a sua opinião apesar de Gilberto Freyre ter-lhe dedicado (junta- mente com Anlérico Castro e Roger Cail- lois),em 1961,o seu IivroThe Portuguese and the Tropics. Charles Boxer tentou ser sem- pre moderado e manter equilfbrio na sua apreciação da historiografia portuguesa. Soube apreciar os trabalhos desenvolvidos por Gago Coutinho, Visconde de Lagoa, Armando Cortesão, Orlando Ribeiro, Tei- xeira de Mota e Luís de Albuquerque, todos eles ligados às instituições da Marinha e aos centros universitários de Portugal. Te- ve divergênciassobre o luso-tropicalismo de alguns deles, mas soube apreciar a sua eru- dição positivista nas áreas de navegação e geografia que dominavam muito bem. Só com Armando Cortesão as relações de amizade sofreram uma crise séria após a publicação de Race Relations in the Portu-

guese Colonial Empire, ,815-1825(Oxford, CIarendon Press, 1963),em que Charles Bo- xer punha em questão a tese luso-tropica- lista e algumas declarações de Salazar e do

com que

pretendiam

suas colónias a.fricanas.Cha.rlesBoxer não

achava correcta a pactuação dos historiado-

res portugueses,

de Ar-

ter tratado as populações das

seu governo sobre o "respeito'

e especialmente

mando Cortesão, com os seus políticos na hofa da verdade, quando os povos coloni- zados daÁfrica tinharniníciado a guerra pe- la sua independência. Se até então o Estado Novo fizera apro- veitamento dos estudos e da fama de Cha.r-

les Boxer para glorificação dos Descobri- mentos portugueses e o agraciara com um

doutoramento

honoris causa pela Univer-

de guru-sishya

como estratégia para justificar ou condenar as opções políticas da actualidade.

Boxer, mas, apesar desta nobre iniciativa, muita obra vai continuar a não ter versões portuguesas e continuar a ser pouco apro-

veitada pela grande maioria dos portugue- Virgínia Rau, Marcelo Caetano e António

ses,que,pelarealidadequeeu conheço e con- da SilvaRego, embora todos

sidero representatiya,

vontade de ler obras escritas em inglês.Per- Diogo Ramada Curto, a quem aFunda-

gunto-me amim quantos terão lido em Por-

ção Oriente incumbiu o projecto dareedi-

nas instituições públicas do Estado Novo.

elesservissem

guesade História, admirava e apreciava aI- guns dos seus sócios.Manifestou sentimen- tos de respeito e apreciação pela obra de

não sente grande

tugal a biografia em 616páginas de grande ção das obras completas de Charles Boxer, formato publicada por Dauril AJden em afirma e bem na Introdução ao 3.0volume 2001, tanlbém com o apoio da Fundação da edição de Opera Minora (Lisboa, Fun-

dação Oriente, 2002) que o historiador in- glês demarcou-se dos "preconceitos" 1deo- lógicos de alguns ensaístas e historiadores

permitecompreenderoespíriJoiÍuearúma- portugueses conhecidos pela sua clara fi-

Oriente? Resultado de muita pesquisa nas

instituições onde Charles Boxerviveu e tra- balhou durante a sua vida, esta ,biografia

va este historiador e que lhe permitiu pro- ~

duzir uma obra de grande fôlego em'termos !

de ãmbito geográficoe cronológico,utilizan- .dinho. Mas conheço textos em que não os

do fontes a.rquivísticas em várias Únguas t de~decitarpelosseusaspectosestimuJan- europeias e japonesa, e cobtindo bupos I tes e pela sua utilização e leitura crítica de

sociais e aspectos que tinJ1am meêecido

pouca atenção na história colonialportugue-

sa

liação republicana e democrática, como António Sérgio e VitorinoMagalhães Go-

' fontes.Foicapaztambémdesugeriremal- t; guns dos seus estudos que a paixão que Gil- .

berto Fte)'!e manifestou pelo luso-tropica-

de viagem pelo

na \ua

narrativa

e holandesa.

.

,"

'r'veu e praticou Oofício de hiStodad6r coin-, Império pO~tuguês,publicada como AveIi-

O tempo eIl?queÇh""les

R. Bdxer vi-llismo

cidiu em grande parte com 8Estado Novo em Portugal. Charles Boxer acompanhou com particular atenção a política que a.fec-

rura e Rotina (Rio de Janeiro, 1953),expri- mia antes un\a preocupação pela realidade que reflecnaexactarnente o contrário. Char-

sidade

de Lisboa

(1952) e condecorações

da

. Ordem de Santiagoda Espada e com a

Grande Cruz da Ordem do Infante Dom

Hemique (1962),a partir de 1963a sua obra

seria proscrita.

persona nongrata em Portugal. A situação só mudou após a morte de Salazar.Charles

Boxervoltou a Portugal em '973, isto é, du-

rante o regime de Marcelo Caetano, e furam publicadas versões portuguesas de algumas das suas obras, tais corno O Império Marí- timo Português, RelaçõesRaciais no Impé-

rio Colonial Português, A Igreja e aExpan-

são Ibérica

Charles Boxer tornou-se

e A Mulher

na Expansão

Ultramarina Ibérica somente depois de 25 de Abril.

- Enquanto Charles Boxer eravisto como "traidor" pelo Estado Novo, Boxer via a conversão de Armando Cortesão à política do Estado Novo em 1952com grande per- plexidade e como falta de coerência ou co- ragem moral. Dos seus 20 anos em exílio (desde 1932),Armando Cortesão viveu em grande parte (1935-46)em Londres, com apoios académjco e frnanceiro de Charles Boxer, segundo um estudo de investigação recentemente publicado por].S. Cummins e L.de Sousa Rebelo na revista inglesa Por- tuguese Studies, vol. 17(zoo,), utilizando a

correspondência trocada entr~ Armando

Cortesão e a esposa de Charles Boxer em '945 e outras fontes citadas no mesmo en- saio. Boxcr encontrava-se envolvido nessa altura na Grande Guerra como agente se- creto dos ingleses. Foi ferido e ficou detido pelos japoneses após a ocupação de Hong- Kong. Lê-se no citado artigo que, numa das cartas de Armando Cortesão, datada de 18 de Março, ele decla.rava-se"firme defensor da verdadeira democracia, no melhor sen- tido da palavra". Quando a família Boxer pôde voltar a reunir-se no Reino Unido após o fim da Guerra, Armando Cortesão era um visitan- te frequente da família e foi uma vez con- vidado pelo Professor Boxer,em Dezembro de 1950,para fazer uma conferência no seu Departamento em King's College. Arman- do Cortesão declarava nesta ocasião que Boxer era um dos historiadores britânicos que estudou os Descobrimentos portugue- ses com "impa.rcialidade e justiça". Quando Armando Cortesão passaraa ser um firme defensor de Salazar,ele teria con- fessado publicamente emMrican Realities and Delusions (Lisboa,AgênciaGeral do Ul- tramar, 1962,p. n) e num discurso que pro- nunciou no mesmo ano na Sociedade de Geografia de Lisboa, que era impossível re- jeitar o nobre apelo do Chefe do Estado português, e não imita.r o exemplo do ho- mem que, na sua avançada idade, enfrenta- va com muita dificuldade os adversários do

património português no ultramar, o patri- mónio colectivo de todos os portugueses, sem discriminação de crenças políticas e religiosas, e sem distinção da cor das peles. Tanlbém Charles Boxer tinha tido a sua conversão. Os anos que viveu na sociedade' colonial em Hong- Kong e a experiência da guerra convenceram Charles Boxer que os dias dos impérios estavam contados Isso

levou-o a insurgir-se contra a superioridade

imperial e contra a atitude de superiorida- de e paternalismo europeu nas colónias. Em '946, recusou a alta condecoração MBE do governo britânico, e voltaria a recusa.ra condecoração CBE em '975. Muito recen- temente. e após a sua morte, estas recusas foram interpretadas por um HyweI Wtl- liarns,no jornal Guardian de Londres (24de Fevereiro), como motivadas pela consciên- cia culpada de ter traÍdo os seus colegas presos pelos japoneses, denunciando a uti- lizaçãode un1transmissoI:Insinuavaque Bo-

xer tinha recebido em troca um tratamento

preferencial. Foram publicadas no mesmo

jornal várias e fortes contestações desta inter- pretação e em defesa de Charles Boxer. O tra- tamento preferencial era devido à rara habi- lidade que Charles Boxer tinha demonstrado em comunicar-se com os japoneses na sua língua e respeitaras seus costumes. Como se

pode

Hahn (mãe da sua filha Carola e mais tarde

sua esposa), intitulada China to Me (.944), Oda e Hattori, oficiais dos negócios estran-

geiros japoneses estacionados em Hong- Kongdurante o período da ocupação japone- sa, nutriam uma grande admiração por Charles Boxer, e o último governador japonês de Hong-Kong, general Suginami, já tinha conhe- cido Boxer no Reino Unido. Charles Boxer

não precisava de fazer qualquer jogo sujo. Não há dúvidas que Boxer alargara o âm-

bito das suas investigações. De historiador re- gionalista, ealgo amador até então, passara

a ser um historiador do império. É quando co-

meça a dcspender mais tempo

internacionais. Já se nota este novo papel na

sua obra The GoldenAge ofBrazil (.960), on- de aparecem os prenúncios da crítica, que reaparece na sua pré-síntese Four Centuries

ofPortuguese Expansion, 1415-1825 (1961), e que ganha força e consistência na polémica obra Race Relations, em 1963.

aceitar

líticas que não correspondessem à realidade histórica das colônias portuguesas.

ler na autobiografia

parcial

de Emily

nos arquivos

Boxer recusava

as declarações

po-

Enquanto

não tinha havido reacções ofi-

ciais às publicações

referiam

ferência

do livro que fez toda a diferença. -Iàm bém o último parágrafo não deixava de ser provoca-

do Dr. Sa- alinham

com ele no que respeita à permanência de Portugal em África. Apesar do que quer que possam sentir os trabalhadores e camponeses portugueses acercado passado, do presente e do futuro de Portugal como poder colonial, a

grande

do passado

dor: "Os opositores

se

anteriores

que também

ao mesmo assunto,

desta vez foi a re-

parágrafo

a Salazar logo no primeiro

de toda

a vida

Cortesão,

!azar, como o Df. Armando

maioria

das classes cultas tem orgulllO

histórico

e das

realizações

pre-

sentes no ultramar, e estão resolvidas a não ab-

dicarvoluntariamente no futuro previsível." Para além da troca de nomes pouco corteses

e outros galhardetes no Diário Popular de

Lisboa, em Dezembro:1aneiro de 1963-1964,

o governo de Salazar pediu ao governo britâ-

nico a exclusão

junta Anglo-Lusa. Quando isto não foi acei-

te pelo governo britânico, Portugal decidiu suspender a Comissão, que só voltaria a reu- nir-se após a morte de Salazar- Apesar de tu- do o que acontecera, quando Boxer fez sair a segunda edição de Fidalgos in the Far East, em 1968, ele manteve a dedicação da obra a Ar-

mando e Carlota Cortesão! Mas dez anos mais

tarde Armando Cortesão

ma Oriental omitindo a dedicatória a Char-

lesBoxer, "a quem a história dos portugueses

no Oriente deve tanto" na primeira edição! Mas

entre

Carlos deAzevedo

e incondicionalmente fiéis amigos de Charles Boxer durante a tempestade, enquanto al- guns outros, como António da Silva Rego,

Luís Ferrand deAlmeida,

meida, assumiram uma postura critica, mas res-

peitosa.

de Boxer

da Comissão

Con-

reeditava

Carlos

a sua Su-

os portugueses,

Estorninho

e

manifesta

Lopes deA!-

mantiveram-se

Manuel

Querendo

minha

desta

voltar

para

o aspecto

pessoal

evocação,

além

de memórias

pessoais

de vários encontros

com o Professor

Charlés

Boxer em sua casa de Ringshall

End;

que não distava muito da residência da minha irmã, casada e estabelecida em Dunstable

(Luron)

há 25 anos, guardo

algumas

dezenas

de cartas

recebidas

do Professor

Charles

Bo-

xer. Agrande parte da correspondência é dos anos 1979-1985, mas continuou até 1995. As últimas missivas escritas à máquina e assina-

CHARLES

R.

"."

CAD'""OSEMANÁRIO'SDEMARÇOOE2001

I

B O X E R

IDEIAS

mI

.

'C

das por Charles Boxer foram os prefácios pa- ra a versão portuguesa dos meus livros Goa Medieval (Lisboa, Editorial Estampa, 1993)e Goa to Me (Nova Deli,1994),um livro-adeus quando decidi sair de Goa e recuperar a na- cionalidade portuguesa. Como referi na in- trodução, o título desse livro foi inspirado por China to Me, de Emily Hahn. Embora já o tenha dito implicitamente, a maior parte da correspondência do Profes- sor Charles Boxer é-me dirigida durante a minha vivênciana Companhia deJesus (.967- 1994).É sobejamente conhecida a admiração que Charles Boxer sempre nutriu pela Com- panhiadeJesus. Explica-sepelos seus conhe- cimentos e pela sua contribuição para a his- tória do Japão e de Macau. A sua obra The Christian Century of Japan (1951)tornarao mundialmente conhecido, e a Companhia de Jesus sentiu-se endividada para com ele. Desenvolveu outras pesquisassobre a Or- dem no Oriente e na América Latina. Char-

les Boxer mantinha contactos pessoais e ad-

mirava as pesquisasdos historiadores jeslÚtas, como Schurhammer, w,cki, Sebes, Schutte,

todos eles pertencentes ao Instituto

rico dosJesuítas em Roma, e autores I edito-

res de montes de documentação sobre osle- suítas no Oriente. Para Boxer a Companhia deJesus representava o que o Padmado por- tuguês tinha introduzido de melhore dequa- lidade no Oriente. RefIectem-se estes senti- mentos na correspondência que guardo. Era

uma admiração pela instituição,

por isso falhou na sua amizade pessoal quan- do lhe manifestei a minha decisão para sairda Companhia deJesus. Escrevia-me no dia de Santa Úrsula e as

Onze Mil Virgens (com raras excepções, era seu hábito utilizaro calendáriolitúrgico na sua correspondênciapara comigo):"I certainlywilI remain your firrnfriend and admirer,whether you remain in or out of the Society" [Conti- nuarei a ser seo amigo dedicado e admira- dor, seja dentro da Companhia, seja fora de-

la]. Mas

noutras

preocupações, desejando que os jesuítas de

Histó-

mas nem

revela

cartas

as suas

.Goa continuem a aproveitar-se dos meus ser-

viços e apreciar a contribuição que eu tinha

Charles Boxer acompanhou

feito. Desejava que me tratassem como um novo Fernão Mendes Pinto, sem nutrir sen-

timentos

Maffei, que entrevistou Fernão Mendes Pin-

to antes de ele morrer. Numa outra carta do

dia de São Pedro e São Paulo, avisava-!l'eso- bre a política do presente Papa de dificultar

a concessão de dispensa aos padres para se ca- sarem. Descrevia a burocracia doVaticanoco- mo muito lenta nessas matérias, salvo em ca-

sos privilegiados, como o da bigamia ou relações de incesto de D. Pedro II de Portu- gal com a sua cunhada francesa em 1667-68.

E acabava o resto da carta em português:

"Paciência, pois que não há outro remédio." Servi-me destas breves passagens na corres- pondência para ilustrar o interesse e preocu- pações humanas do Professor Charles Bo- xer pelos seus amigos. Correspondem à sua maneira de fechar a maioria das cartas que me dirigia "com um abraço apertado do amigo e admirador fideIíssimo".

Na correspondência que cobre o período 1977-1993,eu estava sempre informado acer-

ca dos projectos, conferências e viagens do

Professor Charles Boxer. Procurava sempre ter o mesmo tipo de informações acerca das

minhas actividades. Há referências às publi-

cações importantes que tivessem saído e da-

va a sua apreciação delas. Sempre quc tinha

uma oportunidade e descobria talento e se- riedade de esforços, tinha uma palavra de en-

corajamento. Não tolerava era qualquer tipo

de

Não posso deixar de registar aqui a orga- nização em Goa (27-30de Novembro de 1978)

de um seoúnário que juntou pela primeira

vez, depois da restauração das relações di-

plomáticas entre Portugal e Índia (1974),os

historiadores dos dois países, e de muitos

tros, para fazerem um ponto da situação e ini- ciar um processo de actualização da historio- grafia indo-portuguesa. Foi uma iniciativa

negativos, e referia-se ao Jesuíta

pretensões.

ou-

do

PadreJohn Correia-Afonso,Jesuítagoês

da

Província de Bombaim. Fui seu colabora-

dor priricipal na organização desse seoúnário

e também um participante activo com uma

comunicação. Estiveram presentes algumas figuras distintas da historiografia portugue-

com particular

atenção

a política que afectava a escrita da história em

Portugal efez regularmente epublicou os seus

balanços críticos da historiografia

portuguesa.

Não pactuava

nem para

com a instrumentalização

nem para

do passado,

o glorificar,

o denegrir como

estratégia para Justificar

ou 'condenar 'as opções:

políticas

da actualidade.

sa: António

Costa, Luísde Albuqoerque, LuísFilipeTho- maz. Outros do estrangeiro incllÚam Char- les Boxer,G.V Scammell e Pierre Yves-Man-

guino Silva Rego e Boxer voltavam a encontrar-se em Goa depois do seu primei- ro encontro nos arquivos de Goa em 1951.

Escrevia-me o Professor Charles Boxer a seguir a esse 1.°encontro dos Seminários de História Indo-Portuguesa [realizou-se em 21-25de Setembro último em Goa o 11.°en- contro, completando 25 anos de trabalhos de colaboração verdadeiranlente internacio-

da Silva Rego, José Pereira da

nal]:"Gostei imenso do evento em Goa e es- pero que haja outro igual em breve. Achei que as duas melhores comunicações eram de Ashin Das Gupta e de Pierre-Yves Manguin. A terceira melhor era a de Teotá- nio de Souza. Não estou de acordo com a

crítica que Scanlmel teceu, e acho que a sua foi a contribuição mais original. Palavra!" Quando recebeu o exemplar da minha tese de doutoramento, escrevia:'~cabei de fa- zer uma recensão do seu excelente livro Goa

Medieval.Já entreguei o textO para dactilo- grafar. Segue em breve para a revista Indi- ca." [XVII, n.o I, 1980,pp. 87-89] Dizia nu-

ma outra

aspecto inovador: Trata pela primeira vez de

aspectos da sociedade local que até agora es- tiveram ausentes na historiogra/ia indopor- tuguesa." A carta de 9 de Setembro de 1979trazia

o seu convite para visitá-Ia no decurso da mi- nha viagem para Lisboa: "Fico contente em saber que vai passar por aqui em Outubro.

Quero que reserve um dia para estar comigo

e ver os meus manuscritos sobre Ásia portu-

guesa e algunslivrosraros da minha colecção. Pode ser em 11ou 12de Outubro. Ligue-me quando chegara Londres para 044-284-2219. Há comboios de (e para) Euston com inter- valos de meia hora. É fácilchegar aqui". Des-

de então até 1994,passar um dia em casa de

Charles Boxer, sempre que eu passasse por Londres, com sherry e almoço de trabalho à

espera, e com oportunidade de actualizar os meus conhecimentos, era a melhor parte das minhas excursões internacionais.

carta: "Goa

Medieval tem um

Houve troca de muitas cartas quando eu

decidi publicarem Goa,João de Barros: Por-

tuguese Humanist and Historian of Ásia (No-

va Deli, 1981),uma das suasúltimas obras que

o próprio Boxer considerava importante, e

assim o con/irrnao seu biógrafo Alden Dau-

ru. Para Charles Boxer,João de Barrosera um

modelo para a sua inspiração pessoal, não só como um historiador "seguro"nautilizaçãodas

fontes, mas principalmente um escritOrcapaz de informar sobre o vasto império português desde o Maranhão até às Malucas. Asua car-

ta do dia de São Mateus ApóstOlo mostra-se

contente com a excelente recensão feita por

A. Coimbra Manins na revista Portugal

Hoje, de 4 de Setembro de 1981.Refere também à impressão muito positiva de Pina Martins.

Para prestar a melhor homenagem que eu podia ao meu mestre-amigo historiador por ocasiãoda comemoração do centenário do seu nascimento, decidi antecipar o evento com

a publicação da 1.'versão portuguesa da obra que acabei de mencionar. João de Barros:

Humanista Português e Historiador da Ásia foi lançado na Sociedade de Geografia de LisboaemJaneiro de 2002 com a chancela do

Centro

Asiático (CEPESA) e com o apoio da Funda- ção CaIouste Gulbenkian.1

Português

de Estudos do Sudeste

"I,

Professor Doutor Teotónio R. de Soir:'a

.

[Universidade

Lusófona

de Humanidades

e Tecnologias]

Sócio

Correspondente

da Academia

Portuguesa

de História

Sócio

Efectivo

da Sociedade

de Geografia

de LIsboa