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Rodrigo Castilho Procurador do Trabalho Mestre em Direito Ambiental pela Universidade do Estado do Amazonas

O ESTUDO PRÉVIO DE IMPACTO AMBIENTAL E O MEIO AMBIENTE DO TRABALHO

Este ensaio pretende analisar um instrumento específico da Política Nacional do Meio Ambiente: o estudo prévio de impacto ambiental. O objeto da pesquisa será delimitado a uma relação social determinada – trabalho humano – e o espaço em que ela se desenvolve. E a hipótese perseguida abordará a necessidade de o Poder Público exigir e o particular elaborar, estudo prévio de impacto ambiental para o desenvolvimento de atividade ou operação de máquinas e equipamentos potencialmente causadores de significativa degradação ao ambiente de trabalho e à saúde e segurança dos trabalhadores.

Adotaremos, ao longo de todo o desenvolvimento deste trabalho, uma leitura de matiz antropocêntrica do meio ambiente. Compartilhamos do entendimento de que o destinatário e titular da pretensão ao bem jurídico protegido é o ser humano. Essa visão antropocêntrica do meio ambiente tem o homem como ator principal e centro das preocupações ambientais. Julgamos que a prevenção e a proteção ambiental direcionam-se para o homem e nele encontram sua justificativa maior. Sem desconhecer a importância em si mesmo dos demais seres vivos e dos elementos inorgânicos componentes do meio para o movimento regular, dinâmico e contínuo da vida, temos que a sociedade organiza-se em torno do homem, para preservar sua dignidade como pessoa visando o bem-estar comum. Portanto, todas as questões relacionadas ao meio ambiente devem ser pensadas e descortinadas a partir do homem e para o homem, em uma inclinação antropocêntrica do meio ambiente, enlevando seu aspecto social, visando alcançar o ideal de qualidade de vida com dignidade. Esse ideal, conforme pretendemos demonstrar, somente pode ser alcançado em um meio ambiente ecologicamente equilibrado e saudável. Portanto, as normas de proteção ambiental são elaboradas pelo homem e para o homem, com a finalidade de assegurar a sua (sobre)vivência com qualidade e dignidade.

Por conceituação, o meio ambiente é o espaço em que a vida se desenvolve. É tudo aquilo que cerca o homem e os demais seres vivos. O lugar, a casa do homem e das espécies. É o entorno que envolve. O conceito é ampliativo e não se restringe aos elementos naturais. O ambiente traduz um conjunto unitário em relação de equilíbrio, de concerto holístico, vale dizer, todos os componentes devem se conformar em benefício recíproco para uma finalidade comum: o desenvolvimento da vida. Trata-se de uma unidade em comunhão sistêmica com vocação expansiva, uma totalidade da qual o homem é uma de suas partes integrantes.

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expansiva, uma totalidade da qual o homem é uma de suas partes integrantes. https://rodrigocastilho.wordpress.com

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A Lei da Política Nacional do Meio Ambiente 1 define meio ambiente como “o

conjunto de condições, leis, influências e alterações de ordem física, química e biológica,

que permite, abriga e rege a vida em todas as formas2 e o considera “um patrimônio

público, a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo3 . O

conceito normativo permite idealizar o meio ambiente como uma totalidade. Essa visão

holística, sistêmica, globalizada, integrada é decorrente da própria natureza unitária do

bem ambiental.

A Constituição Federal de 1988 classifica o meio ambiente como um bem de uso

comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida 4 . Por essa ontológica relação com a

qualidade de vida, o direito ao meio ambiente equilibrado e saudável adquire

fundamentalidade material 5 , por se inserir no mínimo existencial para a dignidade da

pessoa humana 6 . Entendemos os direitos humanos como prerrogativas ou situações

jurídicas de vantagem essenciais ao pleno desenvolvimento do homem em busca de uma

vida com qualidade, vinculados etiologicamente à dignidade da pessoa humana, e, por sua

relevância na sociedade, entendidos como valores partilhados pelo consenso social,

verdadeiros alicerces da ordem jurídica de uma comunidade histórica e espacialmente

situada. Por seu lado, os direitos fundamentais são essas mesmas prerrogativas ou

situações jurídicas de vantagem positivadas no ordenamento normativo de determinada

sociedade, limitada espacial e territorialmente 7 .

Por essa ordem de ideias, podemos afirmar que o ordenamento jurídico brasileiro

reconhece a todos o direito ao meio ambiente saudável e ecologicamente equilibrado para

assegurar a dignidade da pessoa humana e uma vida com qualidade. Na voz conclusiva de

Sandro Nahmias Melo, “o direito ao meio ambiente equilibrado é, sim, direito

fundamental, materialmente considerado, uma vez que está inexoravelmente ligado ao

direito à vida8 .

A caracterização de unidade complexa do meio ambiente, entretanto, não impede a

apreensão dos elementos que a compõem. Permite também reunir esses diversos elementos

do todo em grupos homogêneos para melhor compreensão acadêmica e tratamento da

matéria. A divisão, inclusive, é promovida pelo legislador ao estabelecer normas

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6

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Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981.

Artigo 3º, inciso I.

Artigo 2º, inciso I.

Artigo 225, caput .

SA R LET, Ingo Wolfgan g. A Eficácia dos Direitos Fundamentais . 6 . ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado,

2006.

SARMENTO, Daniel. Direitos Fundamentais e Relações Privadas . Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2004.

CANOTILHO, J.J. Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constitu ição . 7. e d. Coimbra: Edições Almedina, 2003 . p. 393.

MELO, Sandro Nahmias. Meio Ambiente do Trabalho : direito fundamental. São Paulo: LTr, 2001. p. 68.

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Meio Ambiente do Trabalho : direito fundamental. São Paulo: LTr, 2001. p. 68. https://rodrigocastilho.wordpress.com

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específicas direcionadas à proteção dos bens naturais, à segurança e medicina do

trabalhador, aos valores culturais e ao espaço urbano. Portanto, apesar de o meio ambiente

ser uno e indivisível, para fins didáticos e de percepção da evolução histórica do Direito

Ambiental, mencionaremos sua divisão em aspectos distintos, conforme introduzida por

José Afonso da Silva 9 .

O meio ambiente apresenta quatro aspectos delimitados: meio ambiente natural,

meio ambiente artificial, meio ambiente cultural e meio ambiente do trabalho. O primeiro,

constituído pelo solo, água, ar atmosférico, flora e fauna. O segundo refere-se ao espaço

urbano construído. O terceiro compreendido pelo patrimônio histórico, artístico,

arqueológico, paisagístico, turístico, ou seja, um espaço também artificial, construído pelo

homem, mas que incorporou valor especial. E o quarto e último diz com o local de

trabalho, aspecto que será analisado com profundidade a seguir. O cuidado que se deve ter

é não transportar essa divisão exclusivamente pedagógica – teórica – para justificar uma

segmentação equivocada da proteção do meio ambiente e de seus instrumentos de tutela –

prática. A proposta desse ensaio é, inclusive, promover a aglutinação de todos os

elementos constitutivos da unidade complexa meio ambiente no procedimento de

licenciamento ambiental e seu principal instrumento formal: o estudo prévio de impacto

ambiental.

O meio ambiente do trabalho é o local, o espaço, o lugar onde o trabalhador exerce

suas atividades de labor, quais sejam, a produção de bens e a prestação de serviços. Em

conceituação simples e direta, o Ministério do Trabalho e Emprego informa-nos: “local de

trabalho é a área onde são executados os trabalhos10 . Cabe-nos aqui reforçar que o

conceito de trabalho humano ou de trabalhador, para fins da conceituação de ambiente de

trabalho, não está atrelado a uma relação de emprego subjacente e sim a uma atividade

produtiva. Todos aqueles que prestam trabalho nessas condições têm o direito fundamental

de realizá-lo em um local seguro e saudável, tanto o empregado clássico quanto os

trabalhadores autônomos, terceirizados, informais, eventuais e outros. Todos, enfim, que

disponibilizam sua energia física e mental para o benefício de outrem, inseridos em uma

dinâmica produtiva. O conceito de meio ambiente do trabalho deve abranger, sobretudo, as

relações interpessoais – relações subjetivas –, principalmente as hierárquicas e

subordinativas, pois a defesa desse bem ambiental espraia-se, em primeiro plano, na

totalidade de reflexos na saúde física e mental do trabalhador.

Concluímos, nesse sentido, que o meio ambiente do trabalho engloba o espaço e as

relações pessoais. O conceito abrange a relação do homem com o meio – elemento espacial

de viés objetivo – e a relação do homem com o homem – elemento social de viés subjetivo.

9 SILVA, José Afonso da. Direito Ambiental Constitucional . 6. ed. São Paulo: Malheiros, 2007 . p. 20.

10 Norma Regulamentadora nº 01 (NR - 1), item 1.6, alínea h .

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2007 . p. 20. 1 0 Norma Regulamentadora nº 01 (NR - 1), item 1.6, alínea

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Trata-se, assim, de uma dinâmica complexa de múltiplos fatores, não se restringindo,

somente, a um espaço geográfico delimitado e estático. Meio ambiente do trabalho é, em

síntese, “a conjugação do elemento espacial (local de trabalho) com o fator ato de

trabalhar11 .

Percebemos, pela exposição conceitual, que há uma relação de simbiose entre os

elementos integrantes da totalidade meio ambiente. Uma relação de interdependência, na

qual uma das partes não pode alcançar o perfeito equilíbrio sem que as demais também

estejam em idêntico patamar. Uma unidade não pode apresentar partes em desnível. Um

local de trabalho saudável e seguro depende de um ambiente equilibrado integralmente –

tanto no lugar da prestação de serviço, quanto no entorno. E o meio ambiente

ecologicamente sadio e com qualidade necessita de uma ambiência de trabalho em

perfeitas condições de conforto, higiene e segurança. Trata-se de uma relação circular, de

uma situação de retroalimentação entre partes de igual valor de um todo. Entendemos, por

essa razão, que a prevenção e a proteção do bem ambiental devem ser integral, totalizante,

abrangendo, sincreticamente, o meio ambiente natural, cultural, artificial e do trabalho, e

seus respectivos instrumentos de tutela todos em conjunto.

Para assegurar o exercício e proteger o direito ao meio ambiente saudável, o

legislador brasileiro estabeleceu a Política Nacional do Meio Ambiente com objetivo de

preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida12 e

indicou, expressamente, instrumentos para promoção desta específica política pública,

dentre eles, a avaliação de impacto ambiental 13 e o licenciamento de atividades efetiva ou

potencialmente poluidoras 14 . De nada adiantaria a instituição de uma política pública de

defesa do meio ambiente sem a previsão de medidas adequadas para a tutela do bem

ambiental protegido.

O licenciamento ambiental é um procedimento administrativo complexo de polícia

estatal. Por ele, “a Administração Pública estabelece condições e limites para o exercício

das atividades utilizadoras de recursos ambientais15 .

A Constituição Federal de 1988 não se reporta, explicitamente, ao licenciamento

ambiental. Apenas recepciona – qualificadamente – o estudo prévio de impacto ambiental

e sua exigência às atividades potencialmente causadoras de significativa degradação

11 FIGUEIREDO, Guilherme José Purvin de. Direito Ambiental e a Saúde dos Trabalhadores : controle da poluição, proteção do meio ambiente, da vida e da saúde dos trabalhadores no direito internacional, na união européia e no M ercosul. 2 . ed. São Paulo: LTr, 2007. p. 42.

12 Artigo 2º.

13 Artigo 9º, inciso III.

14 Artigo 9º, inciso IV.

15 ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito Ambiental . 10 . ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007. p. 127.

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de Bessa. Direito Ambiental . 10 . ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007. p. 127.

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ambiental 16 , reservando ao legislador infraconstitucional a integração normativa. Ajustada

rigorosamente aos balizamentos constitucionais, a Lei da Política Nacional do Meio

Ambiente determina que a construção, instalação, ampliação e funcionamento de

estabelecimentos e atividades utilizadores de recursos ambientais, considerados efetiva e

potencialmente poluidores, bem como capazes, sob qualquer forma, de causar degradação

ambiental, dependerão de prévio licenciamento, sem prejuízo de outras licenças

exigíveis 17 .

É importante observar que, pela relevância do bem ambiental e sua necessidade de

preservação e proteção, o legislador ordinário referendou a exigência de outras licenças

para construção, instalação, ampliação e funcionamento de atividade potencialmente

causadora de significativa degradação ambiental por órgãos públicos distintos daqueles

que já detêm a competência originalmente atribuída pela Lei da Política Nacional do Meio

Ambiente e seus atos normativos de regulamentação. Por essa abertura legislativa, um

estabelecimento ou atividade pode vir a ter que se submeter a mais de um procedimento

administrativo de licenciamento ambiental, sem que tal duplicidade acarrete ilegalidade ou

abuso de autoridade. “A duplicidade de autorizações, de licenças e de registros poderá

existir, desde que amparada em lei18 . Acreditamos na possibilidade de duplicidade – ou

mais – de procedimentos de licenciamento ambiental, embora essa situação de

multiplicidade não seja o ideal para uma melhor eficiência burocrática administrativa.

Nossa proposta de estudo, pelo contrário, pende-se para a aglutinação das diversas

modalidades de licenciamento ambiental em um único procedimento administrativo global.

Toda ação humana produz alteração no meio. O objetivo do licenciamento

ambiental é definir os limites de tolerância que a sociedade está disposta a aceitar pela

intervenção do homem no meio ambiente, em razão do benefício decorrente da utilização

dos recursos ambientais pela atividade econômica, de modo a preservar uma qualidade

ambiental adequada. O licenciamento ambiental é, assim, um instrumento de tutela

preventiva do meio ambiente, na medida em que, antecipando-se aos danos, estabelece

previamente os comportamentos de risco, os critérios e padrões razoáveis para utilização

dos recursos ambientais e os limites de tolerância para a interferência do homem no meio

ambiente. Nada mais do que a concretização do princípio da prevenção.

Merece ressaltar que em nem todos os procedimentos de licenciamento ambiental

será

necessário

elaborar

o

estudo

prévio

de

impacto

ambiental.

Este

somente

é

exigido

para

aquelas

atividades

ou

obras

potencialmente

causadoras

de

significativa

degradação

16 Artigo 225, §1º, inciso I V.

17 Artigo 10.

18 MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro . 15 . ed . São Paulo: Malheiros Editores, 2006. p. 277.

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Ambiental Brasileiro . 15 . ed . São Paulo: Malheiros Editores, 2006. p. 277. https://rodrigocastilho.wordpress.com

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ambiental ou modificadoras do meio ambiente. Mas o certo é que, atualmente, alguma modalidade de avaliação ou estudo ambiental revela-se de apresentação obrigatória no procedimento de licenciamento para se obter o ato administrativo final de concessão da autorização para instalação, implementação ou operação do empreendimento, inclusive para aqueles de diminuta ou nenhuma intervenção negativa no meio ambiente. Basta a utilização de recursos naturais ou de outro bem ambiental, e nos permitimos avançar para abarcar todos os aspectos ambientais, para a necessidade de outorga do Poder Público e, por conseqüência, a elaboração de algum estudo de avaliação ambiental.

Posicionamo-nos por uma leitura ainda mais ampliativa. Todo e qualquer empreendimento necessita do fator mão-de-obra para sua execução. O trabalho humano é imprescindível para a atividade econômica e deve ser prestado em um local definido, chamado de meio ambiente do trabalho. Pelo viés antropocêntrico que adotamos neste ensaio, o meio ambiente do trabalho é o aspecto mais relevante da totalidade meio ambiente, eis que sua prevenção e proteção refletem na qualidade de vida e dignidade da pessoa humana do trabalhador. Nesse compasso, toda atividade, obra ou equipamento deve se submeter ao licenciamento ambiental para avaliação do meio ambiente de trabalho e sua adequação prévia aos preceitos normativos de segurança e medicina do trabalho, bem como os reflexos na saúde e na segurança dos trabalhadores.

O estudo prévio de impacto ambiental para atividades potencialmente causadoras de significativa degradação ambiental ou modificadoras do meio ambiente é o mais importante instrumento formal do licenciamento ambiental e tem o objetivo de (i) avaliar as consequências da ação humana e as alterações no meio ambiente e (ii) apresentar alternativas, tecnológicas e locacionais, para neutralizar ou diminuir ou compensar os danos pelas intervenções ambientais adversas previstas no estudo técnico, para que a escolha sobre a viabilidade do empreendimento recaia naquela atividade ou localização que gere o menor impacto ambiental possível. Temos aqui uma análise técnica e científica antecipada dos custos e benefícios ambientais dos projetos de atividade econômica, “uma análise custo/benefício do projeto, tomando-se como parâmetro a repercussão sobre o meio ambiente19 . Não se trata, com efeito, de uma análise valorativa decisória. Pelo contrário, a avaliação de impacto ambiental proporciona uma análise puramente técnica e científica, apoiada em uma ampla e completa base informativa. O juízo de valor sobre a execução ou não do projeto, e suas alternativas tecnológicas e locacionais em razão das interferências ambientais, cabe aos órgãos licenciantes competentes e à sociedade participativa.

Todo empreendimento gera resultados almejados pelo empreendedor e outros não

19 ANTUNES, Paulo de Bessa. O p. cit. , p. 249.

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pelo empreendedor e outros não 1 9 ANTUNES, Paulo de Bessa. O p. cit. , p.

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desejados. Estes são tratados como externalidades – consequências –, positivas ou negativas, que podem ser previstas pelo empreendedor. Os estudos de impacto ambiental são uma avaliação das externalidades, dos efeitos positivos e negativos significativos dos projetos voltados para as interferências no meio ambiental.

A finalidade desse estudo técnico-científico é promover o inventário completo das

modificações impostas ao meio ambiente pelo projeto, de modo a oferecer uma base de informação sólida e segura para que o Poder Público possa decidir sobre a viabilidade ambiental do empreendimento e conceder a licença administrativa. Nada mais do que uma compilação dos efeitos positivos e negativos da ação humana no meio ambiente e das alternativas tecnológicas e locacionais para minimizar ou evitar degradações significativas ao ambiente envolvido ou compensar os danos inevitáveis, porém aceitáveis. Folgamos em dizer que contemplar alternativas, opções de escolha entre diferentes situações para a execução do projeto é o ponto nevrálgico, o âmago, a parte mais essencial da avaliação ambiental. Aqueles estudos prévios de impacto ambiental que são encomendados pelo empreendedor especialmente para referendar uma decisão já irretratável, com a apresentação de alternativas inviáveis ou irracionais, apenas para reforçar os argumentos em torno da imprescindibilidade da execução do projeto tal como vislumbrado inicialmente, revelando toda sua face de parcialidade, são ilegítimos e devem ser declarados nulos pela Administração Pública.

A decisão do órgão licenciante pode, inclusive, recair sobre a não execução do

projeto, em razão de os benefícios do empreendimento não superarem os custos – irreversíveis em alguns casos – da possível degradação ambiental. A submissão de uma atividade ou empreendimento ao procedimento de licenciamento ambiental não é garantia de execução do projeto. A avaliação de impacto ambiental deve, portanto, incorporar em seus cálculos comparativos os efeitos da realização ou não do projeto. É a chamada opção zero: nada fazer, em razão de inexistir qualquer alternativa ambientalmente positiva que supere o desestímulo e o prejuízo decorrentes de se impedir um novo empreendimento. Claro que esse resultado pela inércia deve ser de todo evitado e um estudo de impacto ambiental completo precisa abordar todas as alternativas para a implementação da atividade econômica, buscando opções de pequeno potencial ofensivo ao meio ambiente e grande benefício social e econômico.

Os estudos prévios de impacto ambiental devem analisar a intervenção do homem na complexidade meio ambiente, abrangendo todos os aspectos da unidade ambiental. Não obstante a relevância de se incluir o meio ambiente do trabalho nos estudos de impacto ambiental, para a efetiva concretização do princípio da prevenção e a adoção de posturas antecipadas ao risco e seu resultado dano, muitas vezes irreversível ou irreparável, infelizmente a prática cotidiana nos mostra que tal orientação ampliativa do meio

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infelizmente a prática cotidiana nos mostra que tal orientação ampliativa do meio https://rodrigocastilho.wordpress.com

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ambiente, com uma análise totalizante da influência dos empreendimentos sobre todos os

aspectos ambientais, não vem sendo aplicada nos procedimentos de licenciamento e

incorporada nos estudos de impacto ambientais. Em regra, os estudos de impacto

ambiental analisam o trabalho humano isoladamente do futuro local em que as relações de

trabalho serão aperfeiçoadas, sem a devida imbricação entre a pessoa do trabalhador e o

espaço de labor. O trabalho humano é tomado em si mesmo, na perspectiva numérica dos

postos de trabalho gerados, na dimensão quantitativa da mão-de-obra, de pessoas

abstratas, indetermináveis e potencialmente interessadas em obter emprego e renda. O

meio ambiente do trabalho é algo praticamente desprezado nas avaliações de impacto

ambiental e nos procedimentos administrativos de licenciamento, ainda recebendo um

tratamento menor, tanto do Poder Público quanto das empresas.

Raimundo Simão de Melo compartilha desse sentimento de frustração:

“Trata-se, como se vê, o Estudo Prévio de Impacto Ambiental, para o

âmbito trabalhista, de importante instrumento de tutela ambiental

que, não obstante isso, infelizmente é pouco utilizado, mas que deve

ser incentivado e perquirido pelas autoridades competentes do

Ministério do Trabalho e Emprego, como forma de se prevenir

efetivamente os riscos ambientais e os conseqüentes danos à saúde e

integridade física e psíquica dos trabalhadores. Realmente, se toda

empresa, antes de se instalar, tivesse a fiscalização e aprovação do

Ministério do Trabalho e Emprego, inclusive sobre os equipamentos

utilizados, menores seriam os casos de acidentes de trabalho e

doenças ocupacionais.” 20

Fábio Fernandes tem idêntico prognóstico:

Todavia, na pesquisa que empreendemos, constatamos que se tem

dispensado pouca ou nenhuma importância aos efeitos do

empreendimento em termos de degradação do meio ambiente do

trabalho e da saúde do trabalhador. A questão geralmente é

tangenciada, ressaltando-se, quando muito, nos Relatórios de

Impacto Ambiental (RIMA) levados à discussão nas Audiências

Públicas, a geração de empregos diretos e indiretos em função da

implantação, como se isto dispensasse o empregador do cumprimento

de fornecer um local de trabalho sadio que não prejudique a vida e a

20 MELO, Raimundo Simão de. Direito Ambiental do Trabalho e a Saúde do Trabalhador : responsabilidades legais, dano material, dano moral, dano estético, perda de uma chance. 2. ed . São Paulo: LTr, 2006. p. 79.

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moral, dano estético, perda de uma chance. 2. ed . São Paulo: LTr, 2006. p. 79.

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saúde do trabalhador e da população do entorno.” 21

Talvez por isso, pela estreita percepção do meio ambiente do trabalho nas

avaliações de impacto ambiental, o Ministro de Estado do Meio Ambiente e o Presidente

do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA

resolveram expedir a Portaria Conjunta nº 259, de 07 de agosto de 2009, com a seguinte

orientação impositiva:

Art. 1º Fica obrigado o empreendedor a incluir no Estudo de

Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto Ambiental -

EIA/RIMA, capítulo específico sobre as alternativas de tecnologia

mais limpa para reduzir os impactos na saúde do trabalhador e no

meio ambiente, incluindo poluição térmica, sonora e emissões

nocivas ao sistema respiratório.”

Sustentamos que tal diretiva sempre teve guarida no ordenamento jurídico por uma

interpretação sistemática das leis ambientais. A obrigatoriedade de se incluir o meio

ambiente do trabalho nas avaliações de impacto ambiental decorre da unidade conceitual

do bem objeto de proteção, a não admitir segmentação de seus aspectos em

compartimentos estanques. O meio ambiente é uma totalidade e deve ser analisado em sua

completude. Daí nossa proposta de incorporação de todas as variáveis do meio ambiente

em um único procedimento de licenciamento ambiental.

A proteção do meio ambiente do trabalho e a garantia de um estado de completo

bem-estar aos trabalhadores, impedindo a ocorrência de acidentes e doenças profissionais,

à semelhança dos demais aspectos ambientais, impõem medidas preventivas. Pela

importância do bem ambiental e dos reflexos direto na qualidade de vida do trabalhador,

como também pela irreversibilidade dos danos, a proteção do local de trabalho deve ser

aperfeiçoada por ações preventivas, de modo a (i) inventariar os comportamentos de risco,

(ii) analisar os efeitos positivos e negativos da atividade econômica e seus reflexos no

trabalho humano e (iii) conformar o local de trabalho, as máquinas e os equipamentos aos

preceitos legais de segurança e medicina do trabalho.

A legislação de proteção social do valor trabalho confirma essa orientação

preventiva voltada para identificar as condutas de risco, debelar a ameaça de dano e evitar

sua concretização. A Constituição Federal de 1988, com muito acerto, esclarece que o

trabalhador tem o direito fundamental à redução dos riscos, por meio de normas de saúde,

21 FERNANDES, Fábio. Meio Ambiente Geral e Meio Ambiente do Trabalho : uma visão sistêmica. São Paulo:

LTr, 2009 . p. 89.

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e Meio Ambiente do Trabalho : uma visão sistêmica. São Paulo: LTr, 2009 . p. 89.

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higiene e segurança 22 . A preocupação do constituinte repousa nos riscos da atividade

econômica à integridade psicossomática do trabalhador, pois determina a expedição de ato

normativo para que a ameaça de perigo seja prevista e, com antecipação, anulado o

resultado dano.

De seu lado, a Consolidação das Leis do Trabalho tem capítulo específico 23 com

diversas normas sobre saúde e segurança no trabalho, com a característica marcante de

prevenção dos danos futuros. Interessa-nos de perto a inspeção prévia. Diz o artigo 160

que “nenhum estabelecimento poderá iniciar suas atividades sem prévia inspeção e

aprovação das respectivas instalações pela autoridade regional competente em matéria de

segurança e medicina do trabalho”. E prossegue, por seu parágrafo primeiro, declarando a

obrigatoriedade de nova inspeção “quando ocorrer modificação substancial nas

instalações, inclusive equipamentos, que a empresa fica obrigada a comunicar,

prontamente, à Delegacia Regional do Trabalho”.

Ao nosso sentir, há uma íntima relação da inspeção prévia e da certificação de

aprovação das instalações com a licença de operação da Lei da Política Nacional do Meio

Ambiente. Em ambas, o órgão ambiental competente analisa a adequação do

empreendimento às normas de proteção ambiental e concede a outorga de funcionamento.

Sustentamos, contudo, que tal segmentação não se justifica pela lógica racional e pelos

princípios da eficiência e da economicidade dos atos administrativos. Os dois

instrumentos de tutela do meio ambiente têm vocação idêntica: prevenir situações de risco

e evitar o dano. A inspeção prévia de estabelecimento é uma avaliação antecipada dos

impactos ambientais da atividade, obra ou equipamento no local de trabalho pelo órgão

competente. Dessa maneira, o estudo prévio de impacto ambiental, conforme delineado

pela Lei nº 6.038/81, por ser mais abrangente, deve incorporar a inspeção prévia do órgão

de polícia ambiental das relações de trabalho em sua avaliação técnica. Tudo, em um único

procedimento administrativo.

Em paridade com a legislação ambiental, a Consolidação das Leis do Trabalho

incumbe ao órgão de âmbito nacional competente em matéria de segurança e medicina do

trabalho estabelecer normas, critérios e padrões de qualidade do meio ambiente do

trabalho, em complemento aos preceitos das leis ordinárias 24 . A dita autoridade

competente é o Ministério do Trabalho e Emprego, órgão de fiscalização, deliberação e

julgador das matérias afetas ao meio ambiente do trabalho, à semelhança do IBAMA 25 e do

22 Artigo 7 º, inciso XXII.

23 Capítulo V, artigos 154 usque 201.

24 Artigos 155 e 200. 25 Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.

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2 5 Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. https://rodrigocastilho.wordpress.com

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CONAMA 26 .

Dentre as dezenas de atos administrativos expedidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego no uso de sua competência regulamentar, voltamos nossa atenção para a Norma Regulamentadora nº 02, publicada originalmente pela Portaria Ministerial nº 3.214, de 08 de junho de 1978, e que detalhou a inspeção prévia do artigo 160 da Consolidação das Leis do Trabalho. Alterada e revisitada definitivamente pela Portaria nº 35, de 28 de dezembro de 1983, o ato normativo dispõe que “todo estabelecimento novo, antes de iniciar suas atividades, deverá solicitar aprovação de suas instalações ao órgão regional do MTb” e que “o órgão regional do MTb, após realizar a inspeção prévia, emitirá o Certificado de Aprovação de Instalações – CAI”. O descumprimento desse preceito legal obrigacional sujeita o infrator à interdição de seu estabelecimento, nos seguintes termos:

2.6. A inspeção prévia e a declaração de instalações, referidas nos itens 2.1 e 2.3, constituem os elementos capazes de assegurar que o novo estabelecimento inicie suas atividades livre de riscos de acidentes e/ou de doenças do trabalho, razão pela qual o estabelecimento que não atender ao disposto naqueles itens fica sujeito ao impedimento de seu funcionamento, conforme estabelece o art. 160 da CLT, até que seja cumprida a exigência deste artigo.”

Entendemos que o certificado de aprovação de instalação é uma licença ambiental, integrante de um procedimento administrativo de licenciamento. A inspeção prévia de estabelecimento, ao nosso juízo, é o principal ato ou fase desse procedimento, pois com base no relatório do agente público que realizou a inspeção, o órgão ambiental licenciante deve analisar o futuro local de trabalho, os riscos para a saúde do trabalhador, os possíveis danos a incolumidade psicossomática das pessoas que lá prestarão serviços, a adequação do estabelecimento, máquinas e equipamentos às normas de segurança e medicina do trabalho, e decidir sobre a concessão ou não da autorização para o funcionamento.

Nossa proposta é incluir a inspeção prévia do órgão competente em matéria de segurança e medicina do trabalho no procedimento de licenciamento ambiental tal qual previsto na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, como uma de suas fases específicas. Essa proposta decorre da similitude em finalidade do licenciamento ambiental trabalhista com o licenciamento ambiental delineado pela Lei nº 6.938/81. Entendemos que os diversos licenciamentos ambientais devem ser aglutinados todos em um único ato administrativo complexo, de modo a abranger todos os aspectos ambientais.

26 Conselho Nacional do Meio Ambiente.

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a abranger todos os aspectos ambientais. 2 6 Conselho Nacional do Meio Ambiente. https://rodrigocastilho.wordpress.com

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A nota distintiva entre esses dois procedimentos de licenciamento ambiental é que as licenças previstas pela legislação social de proteção ao trabalho são direcionadas para momento posterior ao planejamento e à instalação do empreendimento, análises de impacto ambiental ex post facto, posteriores à concessão das licenças prévia e de instalação. São outorgas concedidas após a atividade econômica promover a instalação de seu estabelecimento, vale dizer, a Administração Pública volta-se para a operação do empreendimento. Essa diferenciação entre o licenciamento ambiental modulado pela Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, que exige a licença prévia ainda na fase preliminar de planejamento da atividade econômica, e o licenciamento ambiental configurado pelo órgão de polícia administrativa das relações do trabalho, com sua licença de operação apenas, não nos parece aceitável. Primeiro, pela natureza unitária do meio ambiente. Depois, pelo princípio da proteção, os instrumentos de tutela comportam uma interpretação mais favorável ao meio ambiente. Por último, por nossa proposta sempre invocada de que o licenciamento ambiental deve abranger todos os aspectos do meio ambiente em um único procedimento administrativo globalizante.

Para

dirimir

tais

divergências

de

entendimento

e

firmar

posição,

a

citada

Portaria Conjunta nº 259, de 07 de agosto de 2009, do MMA e do IBAMA determina que:

Art. 2º No âmbito do seu Programa Básico Ambiental - PBA, exigido para obtenção da Licença de Instalação, o empreendedor deverá propor programa específico de Segurança, Meio Ambiente e Saúde - SMS do trabalhador.”

Tal orientação de sentido confirma nossa proposta principal de que o licenciamento ambiental e a avaliação de impacto ambiental devem incluir o meio ambiente do trabalho em seu corpo, para análise integral do bem ambiental em todos os seus aspectos e em um único procedimento administrativo. E ainda aponta, conforme vimos sustentando, que a adequação do empreendimento às normas de medicina e segurança no trabalho deve ser averiguada ainda na fase inicial de planejamento da atividade econômica, de modo a dar efetividade ao princípio da prevenção e impedir, desde o nascedouro, a instalação de uma atividade, obra ou equipamento em desacordo com a legislação ambiental do trabalho. Por esse contexto, o empreendedor, já na fase embrionária de gestação dos projetos, deve adotar todas as cautelas e esforços para se alinhar à legislação de proteção ao trabalho e inventariar os impactos negativos de sua atividade no meio ambiente do trabalho. Tal obrigatoriedade de enlevar o meio ambiente do trabalho no licenciamento ambiental é requisito necessário também para a obtenção da licença de prévia, pois as avaliações de impacto ambiental devem preceder qualquer licença ambiental e se destinam a analisar o meio ambiente integralmente, incluindo, por óbvio, o do trabalho. O ato normativo sob foco, ao determinar a proposição de programa específico de saúde e segurança do

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foco, ao determinar a proposição de programa específico de saúde e segurança do https://rodrigocastilho.wordpress.com

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trabalhador para a obtenção da licença de instalação, tem enorme importância na concretização do princípio da prevenção e proteção ambiental, pois condiciona a atividade econômica ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e focaliza na neutralização ou diminuição dos danos à integridade psicossomática dos trabalhadores, por prever, antecipadamente, posturas de risco acentuado e ameaça de acidentes e doenças ocupacionais.

É importante consignar afinal que os assuntos relacionados ao meio ambiente do trabalho são de interesse primordial dos trabalhadores. Portanto, as associações civis de defesa dos interesses dos trabalhadores, sobretudo as entidades integrantes da organização sindical, devem participar, ativamente, do procedimento de licenciamento ambiental e tomar assento em seu ato democrático maior: a audiência pública. Sustentamos, assim, que o órgão licenciante deve convocar o sindicato de classe representativo daquela categoria profissional preponderante da atividade econômica que se pretende desenvolver, para se manifestar sobre as conclusões do relatório de impacto ambiental, esclarecer dúvidas sobre o projeto, externar críticas e sugestões de melhoria e firmar posição sobre a aceitação ou não do empreendimento.

Da mesma forma, a participação do Ministério do Trabalho e Emprego, órgão de fiscalização das relações do trabalho e incumbido de inspecionar os novos estabelecimentos para averiguar sua adequação às normas de segurança e medicina do trabalho, é fundamental e imprescindível. De um lado, o órgão do Poder Executivo Federal competente em matéria de trabalho deve promover a análise do meio ambiente do trabalho dos novos empreendimentos, por ser a entidade pública com melhor capacidade e desenvoltura para realizar tal mister. Por outro, o Ministério do Trabalho e Emprego somente logrará atingir seu objetivo final de proteção do trabalho, com a garantia de um local de trabalho seguro, saudável e asséptico, com uma atuação preventiva para verificar as posturas de risco e evitar o resultado dano. Isso apenas é possível lançando mão de ferramentas antecipatórias, de medidas preventivas, inventariando o meio ambiente de trabalho antes da implementação da atividade econômica, averiguando o local de trabalho previamente ao início do funcionamento do empreendimento.

Nossa proposta destina-se a que o Ministério do Trabalho e Emprego atue de forma combinada com o órgão licenciador ambiental da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente. Propomos uma ação concertada, uma atuação sinérgica de todos os órgãos com competência para o licenciamento ambiental, em um único e amplo procedimento administrativo. Logo, o Ministério do Trabalho e Emprego deve participar do procedimento de licenciamento e suas avaliações de impacto ambiental não como espectador ou mero manifestante em audiência pública, mas sim como órgão licenciante, com competência para analisar e decidir sobre a viabilidade do projeto e suas alternativas.

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para analisar e decidir sobre a viabilidade do projeto e suas alternativas. https://rodrigocastilho.wordpress.com

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Nessa direção, também o Ministério Público do Trabalho tem papel determinante no

licenciamento ambiental. Segundo a ordenação constitucional, o Ministério Público é uma

instituição permanente, incumbida da defesa da ordem jurídica, do regime democrático e

dos interesses sociais e individuais indisponíveis 27 . Diz ainda a Constituição Federal de

1988 que o Ministério Público tem por função institucional promover o inquérito civil e a

ação civil pública para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de

outros interesses difusos e coletivos 28 . O Ministério Público do Trabalho, ramo distinto do

Ministério Público da União 29 , tem a atribuição específica de defender os interesses

coletivos e os direitos sociais constitucionais 30 . O meio ambiente do trabalho é um direito

social constitucional de todo trabalhador 31 . Logo, o Ministério Público do Trabalho tem o

dever de defender a qualidade do meio ambiente do trabalho e envidar seus esforços para

eliminar – ou ao menos reduzir – os riscos da atividade econômica à segurança do trabalho

e impedir danos à incolumidade psicossomático da pessoa humana do trabalhador.

Para a efetivação desse desiderato constitucional, o Ministério Público do Trabalho

deve exercer uma atuação prioritariamente preventiva na defesa do meio ambiente do

trabalho, voltando-se para as posturas de ameaça de violação aos direitos sociais em

momento antecipado ao resultado dano, com atenção para as situações de risco à saúde e

segurança do trabalhador. O procedimento de licenciamento ambiental é o instrumento

preventivo essencial para a proteção do meio ambiente e, portanto, a participação do

Ministério Público do Trabalho nos procedimentos administrativos de licenciamento, em

todas as suas fases, é medida necessária para a completa e integral defesa dos direitos.

Sustentamos que o Ministério Público do Trabalho deve ser comunicado,

pessoalmente, do relatório de impacto ambiental - RIMA e do programa específico de

segurança, meio ambiente e saúde do trabalhador - SMS, facultando-lhe manifestação.

Julgamos ainda fundamental que o parquet laboral seja cientificado, concomitantemente,

das inspeções prévias do Ministério do Trabalho e Emprego para a expedição do

certificado de aprovação de instalação, na medida em que tais informações têm o condão

de auxiliá-lo em sua atuação institucional, instando-lhe a promover inquérito civil público

nos casos de verificação de irregularidade, ou ainda servir de elemento de prova nos

procedimentos investigativos em andamento. E entendemos, ao fim e ao cabo, que o

Ministério Público do Trabalho tem legitimidade para propor a realização da audiência

pública ambiental e para participar do evento como curador especial da sociedade na

defesa do meio ambiente do trabalho, devendo ser convocado, prévia e expressamente,

27 Artigo 127, caput .

28 Artigo 129, inciso III.

29 Artigo 128, inciso I, alínea b.

30 Lei Complementar nº 75, de 20 de maio de 1993, artigo 83, inciso III.

31 Artigo 7º, inciso XXII.

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75, de 20 de maio de 1993, artigo 83, inciso III. 3 1 Artigo 7º, inciso

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para dela tomar assento.

Concluímos, por tudo, que o estudo prévio de impacto ambiental deve abranger todos os aspectos do meio ambiente com destaque para o meio ambiente do trabalho, por sua vinculação com a qualidade de vida com dignidade para o homem, fundamental maior da proteção ambiental.

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de vida com dignidade para o homem, fundamental maior da proteção ambiental. https://rodrigocastilho.wordpress.com

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