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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Constituição é a norma fundamental de organização do Estado e de

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Constituição é a norma fundamental de organização do Estado e de seu

Constituição é a norma fundamental de organização do Estado

e de seu povo, que tem como objetivo primordial - estruturar e de-

limitar o poder político do Estado e garantir direitos fundamentais ao povo. Desde 1964 estava o Brasil sob o regime da ditadura militar,

e desde 1967 (particularmente subjugado às alterações decorrentes dos Atos Institucionais) sob uma Constituição imposta pelo go- verno.

O regime de exceção, em que as garantias individuais e so-

O regime de exceção, em que as garantias individuais e so- era garantir os interesses da

era garantir os interesses da ditadura (internalizado em conceitos como segurança nacional, restrição das garantias fundamentais, etc.) fez crescer, durante o processo de abertura política, o anseio por dotar o Brasil de uma nova Constituição, defensora dos valores

o Brasil de uma nova Constituição, defensora dos valores ditadura militar e a redemocratização do Brasil,

ditadura militar e a redemocratização do Brasil, a partir de 1985. Independentemente das controvérsias de cunho político, a Constituição Federal de 1988 assegurou diversas garantias consti- tucionais, com o objetivo de dar maior efetividade aos direitos fun- damentais, permitindo a participação do Poder Judiciário sempre que houver lesão ou ameaça de lesão a direitos. Para demonstrar a mudança que estava havendo no sistema governamental brasileiro, que saíra de um regime autoritário recentemente, a constituição

de um regime autoritário recentemente, a constituição armadas contra o estado democrático e a ordem

armadas contra o estado democrático e a ordem constitucional, criando assim dispositivos constitucionais para bloquear golpes de qualquer natureza. Com a nova constituição, o direito maior de um cidadão que vive em uma democracia foi conquistado: foi deter- minada a eleição direta para os cargos de Presidente da República, Governador do Estado e do Distrito Federal, Prefeito, Deputado Federal, Estadual e Distrital, Senador e Vereador. A nova Cons-

Estadual e Distrital, Senador e Vereador. A nova Cons- propriedade privada urbana, prevendo a existência de
Estadual e Distrital, Senador e Vereador. A nova Cons- propriedade privada urbana, prevendo a existência de

propriedade privada urbana, prevendo a existência de instrumen-

tos urbanísticos que, interferindo no direito de propriedade (que a partir de agora não mais seria considerado inviolável), teriam por

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ção e regulamentação de tais instrumentos, porém, deu-se apenas

com a promulgação do Estatuto da Cidade em 2001.

A Constituição de 1988 está dividida em dez títulos (o pre-

âmbulo não é título). Vamos observar o que diz o preâmbulo da

Constituição Federal da República Federativa do Brasil:

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assem- bléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democráti- co, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e indivi- duais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento,

a igualdade e a justiça como valores supremos de uma socieda-

de fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia

social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a

e comprometida, na ordem interna e internacional, com a de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA

de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERA- TIVA DO BRASIL.

As temáticas de cada título são:

Título I - Princípios Fundamentais: Do artigo 1º ao 4º temos os fundamentos sob os quais constitui-se a República Federativa do Brasil.

Título II - Direitos e Garantias Fundamentais: Os artigos 5º ao 17 elencam uma série de direitos e garantias, reunidas em cinco grupos básicos:

a) individuais;

b) coletivos;

c) sociais;

d) de nacionalidade;

e) políticos.

As garantias ali inseridas representaram um marco na história brasileira.

Título III - Organização do Estado: Os artigos 18 a 43 tratam

da organização político-administrativa (ou seja, das atribuições de cada ente da federação (União, Estados, Distrito Federal e Mu- nicípios); além disso, tratam das situações excepcionais de inter- venção nos entes federativos, versam sobre administração pública

e servidores públicos militares e civis, e também das regiões dos

públicos militares e civis, e também das regiões dos Título IV - Organização dos Poderes :

Título IV - Organização dos Poderes: Os artigos 44 a 135 de-

IV - Organização dos Poderes : Os artigos 44 a 135 de- Poder Legislativo e Poder

Poder Legislativo e Poder Judiciário), bem como de seus agentes

Legislativo e Poder Judiciário), bem como de seus agentes os que emendam a Constituição. Título V

os que emendam a Constituição.

Título V - Defesa do Estado e das Instituições: Os artigos 136

a 144 tratam do Estado de Defesa, Estado de Sítio, das Forças Ar- madas e da Segurança Pública.

Título VI - Tributação e Orçamento: Os artigos 145 a 169

VI - Tributação e Orçamento: Os artigos 145 a 169 o sistema tributário e detalha os

o sistema tributário e detalha os tipos de tributos e a quem cabe

cobrá-los. Trata ainda da repartição das receitas e de normas para

a elaboração do orçamento público.

Título VII -
Título VII -

normas de política urbana, agrícola, fundiária e reforma agrária,

política urbana, agrícola, fundiária e reforma agrária, Título VIII - Ordem Social: Os artigos 193 a

Título VIII - Ordem Social: Os artigos 193 a 232 tratam de

temas para o bom convívio e desenvolvimento social do cidadão,

a saber: Seguridade Social; Educação, Cultura e Desporto; Ciên-

cia e Tecnologia; Comunicação Social; Meio Ambiente; Família (incluindo nesta acepção crianças, adolescentes e idosos); e popu- lações indígenas.

Título IX - Disposições Gerais: Os artigos que vão do 234 (o artigo 233 foi revogado) ao 250. São disposições esparsas versan- do sobre temáticas variadas e que não foram inseridas em outros

temáticas variadas e que não foram inseridas em outros Título X - Ato das Disposições Constitucionais

Título X - Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.

foram inseridas em outros Título X - Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Didatismo e Conhecimento 1

Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL O poder constituinte pertence ao povo, que o exerce por meio

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

O poder constituinte pertence ao povo, que o exerce por meio dos seus representantes (Assembléia Nacional Constituinte). Ob- servem o que diz o parágrafo único do artigo 1º da Constituição Federal (CF):

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos des-

ta Constituição.

Tendo em vista que o Poder Legislativo, Executivo e Judiciário são poderes constituídos, podemos concluir que existe um poder maior que os constituiu; o Poder Constituinte. Assim, a Constituição Federal é fruto de um poder distinto daqueles que ela institui.

Espécies de Poder Constituinte:

1) Poder Constituinte Originário: Também é denominado de poder genuíno ou poder de 1º grau ou poder inaugural. É aquele

capaz de estabelecer uma nova ordem constitucional, isto é, de dar conformação nova ao Estado, rompendo com a ordem constitucio- nal anterior.

a) Histórico: É aquele capaz de editar a primeira Constituição

do Estado, isto é, de estruturar pela primeira vez o Estado.

b) Revolucionário: São todos aqueles posteriores ao históri-

co, que rompem com a ordem constitucional anterior e instauram uma nova.

2) Poder Constituinte Derivado: Também é denominado de poder instituído, constituído, secundário ou poder de 2º grau.

a) Reformador: É aquele criado pelo poder constituinte ori-

a) Reformador: É aquele criado pelo poder constituinte ori- reformulação se dá através das emendas constitucionais.

reformulação se dá através das emendas constitucionais. O consti- tuinte, ao elaborar uma nova ordem jurídica, desde logo constitui um poder constituinte derivado reformador, pois sabe que a Cons- tituição não se perpetuará no tempo. Entretanto, trouxe limites ao poder de reforma constitucional. b) Decorrente: Também foi criado pelo poder constituinte originário. É o poder de que foram investidos os estados-mem- bros para elaborar a sua própria constituição (capacidade de auto-

elaborar a sua própria constituição (capacidade de auto- capacidade de auto-organização, autogoverno,

capacidade de auto-organização, autogoverno, auto-administração

e autolegislação, mas não são soberanos, pois devem observar a

Constituição Federal. “Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição” (art. 25 da CF). Desta forma, o poder constituin- te decorrente também encontra limitações. O exercício do poder constituinte decorrente foi conferido às Assembléias legislativas. “Cada Assembléia Legislativa, com poderes constituintes, elabo- rará a Constituição do Estado, no prazo de um ano, contando da promulgação da Constituição Federal, obedecidos os princípios desta” (art. 11 dos ADCT).

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tabelecida com o intuito de adequar a Constituição à realidade que

a sociedade apontasse como necessária. O artigo 3º dos ADCT es-

tabeleceu que a revisão constitucional seria realizada após 5 anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unica-

dos membros do Congresso Nacional, em sessão unica- pois neste segundo exige-se sessão bicameral e 3/5

pois neste segundo exige-se sessão bicameral e 3/5 dos votos.

INTERPRETAÇÃO:

Hermenêutica é o exame do saber sobre os pressupostos, a metodologia e a interpretação do direito. Esta ligada à mitologia greco-latina. O Deus Hermes era um mensageiro dos deuses, era a divindade incumbida de levar a mensagem dos homens aos deuses

e a mensagem dos deuses aos homens. A interpretação em geral,

e a interpretação jurídica, é uma atividade de mediação comuni- cativa.

A hermenêutica constitucional será entendida como o saber

que se propõe a estudar os princípios, os fatos, e compreender os institutos da Constituição para colocá-la diante da sociedade. O poder constituinte é o responsável pela criação da Constituição. O poder constituinte pode ser visualizado como um emissor de uma mensagem, ou conjunto de mensagens (Constituição) normativas,

ou conjunto de mensagens (Constituição) normativas, Noutro pólo da relação comunicativa, podemos colocar a

Noutro pólo da relação comunicativa, podemos colocar a so- ciedade/comunidade jurídica que seria a receptora desse conjunto

de mensagens normativas, estabelecendo aqui a relação comuni- cativa. A interpretação constitucional, feita pelos intérpretes da Constituição, vem mediar a relação comunicativa entre os dois pó- los Relação circular circularidade hermenêutica. Isso faz com a Constituição se concretize no âmbito da sociedade.

A hermenêutica constitucional é guiada por métodos. Dentro

da teoria do conhecimento o método é a forma de ser alcançar o

conhecimento. Uma polêmica desde já instaurada é aquela rela- tiva à existência de métodos próprios (constitucionais) para essa análise, ou se esses métodos podem ser os mesmos utilizados pela hermenêutica jurídica.

A interpretação constitucional consiste num processo inte-

lectivo por meio do qual enunciados linguísticos que compõem a constituição transformam-se em normas (princípios e regras cons- titucionais), isto é, adquirem conteúdo normativo. Paulo Bonavides destaca três métodos de interpretação consti-

; b) método

tucional: a) tópico; c) método concretista.

método tucional: a) tópico ; c) método concretista . O método in- foi desenvolvido por juristas
método tucional: a) tópico ; c) método concretista . O método in- foi desenvolvido por juristas
método tucional: a) tópico ; c) método concretista . O método in- foi desenvolvido por juristas
método tucional: a) tópico ; c) método concretista . O método in- foi desenvolvido por juristas

O método in- foi desenvolvido por juristas alemães, capitaneado por Rudolf Smend. Na doutrina de Rudolf Smend, a base de valoração, vale dizer, os valores expressos e tute-

de valoração, vale dizer, os valores expressos e tute- operam como valores de interpretação coletivos dos

operam como valores de interpretação coletivos dos cidadãos e, destarte, devem ser compreendidos e aplicados.

A concepção de Smend é precursoramente sistêmica e espi-

ritualista: vê na Constituição um conjunto de distintos fatores in-

tegrativos com distintos graus de legitimidade. Esses fatores são

a parte fundamental do sistema, tanto quanto o território é a sua

parte mais concreta. O intérprete constitucional deve prender-se sempre à realidade da vida, à “concretude” da existência, compre-

endida esta sobretudo pelo que tem de espiritual, enquanto pro- cesso unitário e renovador da própria realidade, submetida à lei de sua integração.

Método tópico: Foi desenvolvido pelos juristas alemães The- odor Viehweg e Josef Esser. A primeira obra sobre o assunto, de- nominada “Tópica e Jurisprudência”, de autoria de Viehweg, foi publicada em 1953.

de- nominada “Tópica e Jurisprudência”, de autoria de Viehweg, foi publicada em 1953. Didatismo e Conhecimento

Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL   O método tópico caracteriza-se como uma “arte de invenção” Para

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

 

O

método tópico caracteriza-se como uma “arte de invenção”

Para Hesse, a concretização e a compreensão só são possíveis em face do problema concreto, de forma que a determinação do sentido da norma constitucional e a sua aplicação ao caso concreto constituem um processo unitário.

e, como tal, uma “técnica de pensar o problema”, elegendo-se o critério ou os critérios recomendáveis para uma solução adequada.

 

Da tópica clássica, concebida como uma simples técnica de

argumentação, a corrente restauradora, encabeçada por aquele ju-

 
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Método concretista de Friedrich Müller: O método con- cretista de Friedrich Müller, tem sua base medular ou inspiração

cer o problema por via do debate e da descoberta de argumentos

ou formas de argumentação que possam, de maneira relevante e persuasiva, contribuir para solucioná-lo satisfatoriamente.

diversos pontos para poder chegar aos resultados da metodologia proposta. Para Friedrich Müller, o texto

diversos pontos para poder chegar aos resultados da metodologia proposta. Para Friedrich Müller, o texto de um preceito jurídico positivo

principal crítica feita ao método tópico é a de que “além de

poder conduzir a um casuísmo sem limites, a interpretação não deve partir do problema para a norma, mas desta para os proble- mas.” Com a tópica, a norma e o sistema perdem o primado: são rebaixados à condição de meros pontos de vista, cedendo lugar à hegemonia do problema.

A

Método concretista: Foi desenvolvido por três juristas ale- mães Konrad Hesse, Friedrich Müller e Peter Häberle. Cada um

é

apenas a parte descoberta do iceberg normativo, que, após inter-

pretado, transforma-se no programa normativo. Além do texto, a norma constitucional compreende também um domínio normativo, isto é, pedaço da realidade concreta, que o programa normativo só parcialmente contempla. Segundo Friedrich Müller, a norma constitucional não se con- funde com o texto da norma. Ela é mais que isso: é formada pelo programa normativo e pelo domínio normativo. De sorte que a interpretação ou concretização de uma norma transcende a inter- pretação do texto, ao contrário portanto do que acontece com os processos hermenêuticos tradicionais no campo jurídico.

Método concretista de Peter Häberle: A construção teórica

deles ofereceu valiosos contributos para o desenvolvimento desse método.

 

O

método concretista gravita em torno de três elementos es-

senciais: a norma que vai concretizar, a compreensão prévia do intérprete e o problema concreto a solucionar. Como salienta Paulo Bonavides:

“Os intérpretes concretistas têm da Constituição normativa uma concepção diferente daquela esposada pelos adeptos de ou-

de Häberle parece desdobrar-se através de três pontos principais:

o

primeiro, o largamento do círculo de intérprete da Constituição;

tros métodos, porquanto não consideram a Constituição um siste- ma hierárquico-axiológico, como os partidários da interpretação

o

segundo, o conceito de interpretação como um processo aber-

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se conceito à Constituição mesma, como realidade constituída e “publicização”. No processo de interpretação constitucional estão potencialmente vinculados todos os órgãos estatais, todas as po- tências públicas, todos os cidadãos e grupos, não sendo possível numerus clausus

os órgãos estatais, todas as po- tências públicas, todos os cidadãos e grupos, não sendo possível

-sistemático, como os positivistas mais modernos. Ao contrário, rejeitam o emprego da idéia de sistema e unidade da Constituição

normativa, aplicando um “procedimento tópico”de interpretação, que busca orientações, pontos de vista ou critérios-chaves, adota- dos consoante a norma e o problema a ser objeto de concretiza- ção. É uma espécie de metodologia positivista, de teor empírico

de intérpretes da Constituição.

e

casuístico, que aplica as categorias constitucionais à solução

Sendo a hermenêutica constitucional uma hermenêutica de princípios, é inegável que o ponto de partida do intérprete há de ser os princípios constitucionais, que “são o conjunto de normas que espelham a ideologia da Constituição, seus postulados básicos

constitucionais, que “são o conjunto de normas que espelham a ideologia da Constituição, seus postulados básicos

direta dos problemas, sempre atenta a uma realidade concreta, impossível de conter-se em formalismos meramente abstratos ou explicar-se pela fundamentação lógica e clássica dos silogismos jurídicos”

são as normas eleitas pelo constituinte como fundamentos ou qua-

 

Método concretista de konrad Hesse: O método concretista

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guinte vamos estudar os princípios constitucionais, indispensáveis para a interpretação. Interpretação conforme a

guinte vamos estudar os princípios constitucionais, indispensáveis para a interpretação.

Interpretação conforme a Constituição:

Gadamer. Para Hesse, o teor da norma só se completa no ato in- terpretativo. A concretização da norma pelo intérprete pressupõe um compreensão desta; essa compreensão pressupõe uma pré- -compreensão. Como lembra Lenio Luiz Streck:

“Assim, partindo de Gadamer, Hesse mostra como o momen-

A interpretação conforme a Constituição se constitui funda- mentalmente num mecanismo de controle, eis que sua principal função é assegurar um razoável grau de constitucionalidade das normas no exercício de interpretação das leis. A interpretação conforme a Constituição determina que, quan- do o aplicador de determinado texto legal se encontrar frente a

conforme a Constituição determina que, quan- do o aplicador de determinado texto legal se encontrar frente

to

da pré-compreensão determina o processo de concretização: a

concretização pressupõe a compreensão do conteúdo do texto ju- rídico a concretizar, a qual não cabe desvincular nem da pré-com- preensão do intérprete nem do problema concreto a solucionar. O intérprete não pode captar o conteúdo da norma desde o ponto de vista quase arquimédico situado fora da existência histórica, senão unicamente desde a concreta situação histórica na qual se encontra, cuja elaboração (maturidade) conformou seus hábitos mentais, condicionando seus conhecimentos e seus pré-juízos.”

deve priorizar a interpretação que possua um sentido em confor-

midade com a Constituição. Por conseguinte, uma lei não pode ser declarada nula quando puder ser interpretada em consonância com

o

texto constitucional.

declarada nula quando puder ser interpretada em consonância com o texto constitucional. Didatismo e Conhecimento 3

Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL A interpretação conforme a Constituição pode ter lugar tam- bém quando

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

A interpretação conforme a Constituição pode ter lugar tam-

bém quando um conteúdo ambíguo e indeterminado de uma norma resultar coerente graças ao conteúdo da Constituição.

É sabido que se permite ao magistrado, no exercício de

prestação jurisdicional, realizar um juízo de constitucionalidade da lei. No caso de duas ou mais interpretações possíveis, há de se preferir aquela que se revele compatível com a Constituição. Essa função de interpretar conforme a Constituição cabe dire- tamente ao órgão competente de cada país. No Brasil, por exem-

plo, cabe ao Supremo Tribunal Federal a tarefa de guardião má- ximo do texto constitucional. Já na Alemanha, tal tarefa cabe ao Tribunal Constitucional Alemão (Bundesverfassungsgericht). É justamente o Tribunal competente, no exercício de suas funções, que declara qual das possíveis interpretações se revela compatível com a Lei Fundamental.

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ca alterar o conteúdo da lei. Até mesmo porque, se assim fosse, tratar-se-ia de uma intervenção extremamente drástica na esfera de competência do legislador – mais drástica do que a própria decla- ração de nulidade dessa mesma lei. Tal hipótese permitiria ao ente legiferante a possibilidade de uma nova conformação da matéria, traindo, portanto, a eminente natureza de sua tarefa primitiva. Nessa acepção, poder-se-ia entender a interpretação conforme

a Constituição como uma declaração de nulidade sem redução do

texto, na medida em que se restringe as possibilidades de interpre-

tação, reconhecendo a validade da lei com a exclusão da interpre- tação considerada inconstitucional. No entanto, a declaração de nulidade sem redução de texto e

a interpretação conforme a Constituição não se confundem. Tomá-

conforme a Constituição não se confundem. Tomá- como uma regra geral de hermenêutica ou princípio ampla
conforme a Constituição não se confundem. Tomá- como uma regra geral de hermenêutica ou princípio ampla

como uma regra geral de hermenêutica ou princípio ampla e larga- mente utilizado, que a mesma verdadeiramente se constitui. Com extrema clareza, Gilmar Ferreira Mendes assim trata a distinção:

Ainda que se não possa negar a semelhança dessas categorias

e a proximidade do resultado prático de sua utilização, é certo que, enquanto, na interpretação conforme a Constituição, se tem, dog- maticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com

a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constata-

-se, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de

aplicação (Anwendungsfälle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal.

A interpretação conforme a Constituição, portanto, existe

sempre que determinada disposição legal oferece diferentes pos- sibilidades de interpretação, sendo algumas delas incompatíveis com a própria Constituição. Implica, necessariamente, dizer que excluem-se as possibilidades de interpretação consideradas in- constitucionais. Pode-se perceber, com maior clareza no Brasil nas decisões do Supremo Tribunal Federal, duas dimensões abarcadas pelas possi- bilidades de interpretação conforme a Constituição. Por um lado, sua utilização em casos concretos vincularia apenas as partes en- volvidas pela decisão, por meio do controle difuso de constitucio- nalidade. Por outro, a interpretação conforme a Constituição pode ser justamente utilizada no controle abstrato de normas. Em ambas

as situações, limita-se o órgão judiciário a declarar a legitimidade do ato questionado desde que interpretado em conformidade com

a Constituição.

Além disso, a interpretação conforme a Constituição compor- taria várias dimensões, as quais se traduziriam em princípios de-

correntes desse tipo de interpretação, tais como: o princípio da pre- valência da Constituição; o princípio da conservação das normas e

o princípio da exclusão da interpretação conforme a Constituição,

mas contra legem. Entende-se pelo princípio da prevalência da Constituição que

a única possibilidade de escolha viável seria aquela que não fosse contrária ao texto ou ao programa da norma ou normas consti-

tucionais. O princípio da conservação das normas, por sua vez, considera que uma dada norma, suscetível de ser interpretada con- forme a Constituição, não deve ser declarada inconstitucional. Já

o princípio da exclusão da interpretação conforme a Constituição,

mas contra legem, impõe que o aplicador de uma norma não pode

contrariar a letra e o sentido dessa norma através de uma interpre-

tação conforme a Constituição, mesmo que por meio desta consiga uma concordância entre a norma infraconstitucional (tais como as leis ordinárias) e as normas constitucionais.

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cessidade de formação e conformação práticas da implantação da justiça constitucional através da Lei Fundamental. Os fundamentos da interpretação conforme a Constituição são visualizados a partir do momento em que se analisa suas funções

e utilidades. Primeiramente, percebe-se a interpretação conforme a Cons- tituição como elemento de concretização do princípio da unidade da ordem jurídica. Em poucas palavras, pode-se dizer que por esse princípio deve-se entender a Constituição como contexto superior das demais normas jurídicas.

Trabalha de acordo com o pensamento favor legis, segundo o qual o legislador não poderia ter pretendido votar lei inconstitucio- nal. Entende-se aqui uma presunção de constitucionalidade da lei, resultante do próprio controle de constitucionalidade. Nessa pers- pectiva, perseguem-se ainda outros princípios decorrentes desse mesmo princípio anterior, tais como: o ideal de segurança jurídica,

a presunção de um funcionamento regular da atividade legislativa

de um funcionamento regular da atividade legislativa e realizar a Constituição. A interpretação conforme a

e realizar a Constituição. A interpretação conforme a Constituição serve ainda para pre-

encher as lacunas existentes no ordenamento jurídico. Tratar-se-ia, portanto, de uma otimização constitucional, segundo a acepção de

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tação possibilita uma construção, em conformidade com a Cons- tituição, mediante analogia, redução, ou mediante derivação de premissas normativas constantes da própria Constituição. A interpretação conforme a Constituição, realizada de forma legítima e escorreita, pressupõe a reunião de determinados ele- mentos. É imprescindível a existência de um espaço de decisão, ou seja, que uma determinada questão comporte e aceite como ad- missíveis várias propostas interpretativas. Por outro lado, embora os órgãos judiciários rejeitem ou não apliquem as normas incons- titucionais, proíbe-se a correção de norma jurídica em contradi- ção inequívoca com a Constituição, já que se trataria, em última análise, de uma nova conformação da matéria elaborada pelo ente legiferante. Impõe-se, necessariamente, o afastamento da interpre- tação conforme a Constituição se, no lugar da vontade do legis- lador, obtém-se uma regulação nova e distinta. Caracterizar-se-ia uma clara contradição com o sentido literal ou o sentido objetivo evidentemente recognoscível da lei, ou com a manifesta vontade

do legislador.

sentido objetivo evidentemente recognoscível da lei, ou com a manifesta vontade do legislador. Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Não se trata aqui de dizer que a vontade do legislador

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Não se trata aqui de dizer que a vontade do legislador é deter- minante. Ela não o é unicamente. Entretanto, o órgão legiferante, no exercício de suas funções deve procurar aproximar-se ao má- ximo do escopo idealizado primordialmente pelo legislador. Até mesmo porque, se assim não fosse, não haveria sentido na impor- tância e na manutenção de sua atividade. Inadmissível, portanto, a interpretação conforme a Constitui- ção que tenha como resultado uma ordem contra o texto e o sentido

tenha como resultado uma ordem contra o texto e o sentido Numa perspectiva jurídico-material, faz-se necessário

Numa perspectiva jurídico-material, faz-se necessário uma coordenação de funções dos órgãos que intervém no processo de concretização das normas constitucionais. Ao se analisar a relação entre jurisdição constitucional e legislação, nota-se que a vontade e a conduta do legislador democrático gozam de uma presunção de constitucionalidade, a qual corresponde a uma conformação jurí- dica das relações sociais. Obviamente, tal presunção surge como conseqüência do escopo do legislador democrático em procurar abarcar e conformar a realidade social à sua volta com o máximo

e conformar a realidade social à sua volta com o máximo Contudo, a primazia do legislador

Contudo, a primazia do legislador democrático se produz à cus-

a primazia do legislador democrático se produz à cus- Tribunal Constitucional. Quanto mais o Tribunal

Tribunal Constitucional. Quanto mais o Tribunal “corrige” o legis- lador, mais se aproxima desses limites jurídico-funcionais, os quais são extremamente difíceis de se precisar com absoluta nitidez. Já numa perspectiva jurídico-funcional, a interpretação con- forme a Constituição aparece como um princípio de auto-limitação

aparece como um princípio de auto-limitação democrático o poder de conformação jurídica do complexo

democrático o poder de conformação jurídica do complexo de re- lações relevantes da vida. Surgem, portanto, como limites imedia- tos à interpretação conforme a Constituição a expressão literal da lei e os propósitos perseguidos pelo legislador. Logo, se partirmos da idéia de que tanto a relação material quanto a relação funcional se baseiam numa linha de manuten- ção da lei, a interpretação conforme a Constituição tratará a norma constitucional, dentro do possível, no mesmo sentido da tentativa de concretização por parte do legislador. No Brasil, a própria jurisprudência do Supremo Tribunal Federal admite que a interpretação conforme a Constituição co- nhece limites. Esses limites resultam tanto da expressão literal da lei quanto da vontade do legislador. A interpretação conforme a

da vontade do legislador. A interpretação conforme a normativo, que implicaria uma mudança na própria
da vontade do legislador. A interpretação conforme a normativo, que implicaria uma mudança na própria

normativo, que implicaria uma mudança na própria concepção ori- ginal do legislador.

mudança na própria concepção ori- ginal do legislador. Os princípios constitucionais são aqueles que guardam os

Os princípios constitucionais são aqueles que guardam os valores fundamentais da ordem jurídica. Nos princípios constitu- cionais, condensa-se bens e valores considerados fundamentos de validade de todo o sistema jurídico. Os princípios constituem ideias gerais e abstratas, que expres- sam em menor ou maior escala todas as normas que compõem a seara do direito. Poderíamos dizer que cada área do direito retrata a concretização de certo número de princípios, que constituem o seu

núcleo central. Eles possuem uma força que permeia todo o campo sob seu alcance. Daí por que todas as normas que compõem o di- reito constitucional devem ser estudadas, interpretadas, compreen- didas à luz desses princípios. Os princípios consagrados constitu- cionalmente, servem, a um só tempo, como objeto da interpretação constitucional e como diretriz para a atividade interpretativa, como guias a nortear a opção de interpretação. Os princípios constituem a base, o alicerce de um sistema ju- rídico. São verdadeiras proposições lógicas que fundamentam e sustentam um sistema. Sabe-se que os princípios, ao lado das regras, são normas jurí- dicas. Os princípios, porém, exercem dentro do sistema normativo um papel diferente dos das regras. As regras, por descreverem fa- tos hipotéticos, possuem a nítida função de regular, direta ou in- diretamente, as relações jurídicas que se enquadrem nas molduras típicas por elas descritas. Não é assim com os princípios, que são normas generalíssimas dentro do sistema. Serve o princípio como limite de atuação do jurista. No mes- mo passo em que funciona como vetor de interpretação, o princí- pio tem como função limitar a vontade subjetiva do aplicador do direito, vale dizer, os princípios estabelecem balizamentos dentro dos quais o jurista exercitará sua criatividade, seu senso do razoá- vel e sua capacidade de fazer a justiça do caso concreto. Os princípios constitucionais estão contidos nos artigos 1º ao 4º da Constituição Federal (CF).

Artigo 1º da CF: A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Fe- deral, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa hu- mana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, o plu- ralismo político. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. Governo (República) em duas palavras “República

Governo (República) em duas palavras “República Federativa”, “formada pela União indissolúvel” (nenhum ente pode pretender se separar), numa Federação não existe a hipótese de separação, “constitui em Estado Democrático de Direito”. Essa expressão trás em si a ideia do Estado formado a partir da vontade do povo, voltado para o povo e ao interesse do povo (o povo tem uma parti-

cipação ativa, sempre com o respeito aos Direitos e garantias fun- damentais), e tem por fundamentos:

1)

Cidadania.

2)

Soberania.

3)

Dignidade da pessoa humana.

4)

Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e

5)

Pluralismo político.

Artigo 2º da CF: São poderes da União, independentes e har-

2º da CF: São poderes da União, independentes e har- a) O Poder Executivo é um

a) O Poder Executivo é um dos poderes governamentais, se-

gundo a teoria da separação dos poderes cuja responsabilidade é a de implementar, ou executar, as leis e a agenda diária do governo ou do Estado.). O poder executivo varia de país a país. Nos países pre-

sidencialistas, o poder executivo é representado pelo seu presidente, que acumula as funções de chefe de governo e chefe de estado.

b) O Poder Legislativo é o poder de legislar, criar leis. No

sistema de três poderes proposto por Montesquieu, o poder legisla-

de legislar, criar leis. No sistema de três poderes proposto por Montesquieu, o poder legisla- Didatismo

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL tivo é representado pelos legisladores, homens que devem elaborar as leis

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

tivo é representado pelos legisladores, homens que devem elaborar as leis que regulam o Estado. O poder legislativo na maioria das repúblicas e monarquias é constituído por um congresso, parla- mento, assembleias ou câmaras. O objetivo do poder legislativo é elaborar normas de direito de abrangência geral (ou, raramente, de abrangência individual) que são estabelecidas aos cidadãos ou às instituições públicas nas suas relações recíprocas. c) O Poder judiciário é um dos três poderes do Estado mo- derno na divisão preconizada por Montesquieu em sua teoria da separação dos poderes. Ele possui a capacidade de julgar, de acor- do com as leis criadas pelo Poder Legislativo e de acordo com as regras constitucionais em determinado país. Ministros, desembar- gadores e Juízes formam a classe dos magistrados (os que julgam).

Artigo 3º da CF: Traz os objetivos da República Federativa do Brasil. É uma norma programática. Constituem objetivos fun- damentais da República Federativa do Brasil: construir uma socie- dade livre, justa e solidária, garantir o desenvolvimento nacional, erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais, promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discri- minação.

Artigo 4º da CF: Traz os princípios que regem o Brasil nas suas relações internacionais. A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princí- pios: independência nacional, prevalência dos direitos humanos, autodeterminação dos povos, não intervenção, igualdade entre os

dos povos, não intervenção, igualdade entre os terrorismo e ao racismo, cooperação entre os povos para

terrorismo e ao racismo, cooperação entre os povos para o progres- so da humanidade, concessão de asilo político. A República Fede-

concessão de asilo político. A República Fede- cultural dos povos da América Latina, visando à formação

cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

TÍTULO I DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, cons- titui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamen- tos:

I - a soberania;

II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V - o pluralismo político.

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos des-

ta Constituição.

Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Fe- derativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desi-

gualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas re- lações internacionais pelos seguintes princípios:

I - independência nacional;

II - prevalência dos direitos humanos;

III - autodeterminação dos povos;

IV - não intervenção;

V - igualdade entre os Estados;

VI - defesa da paz;

V - igualdade entre os Estados; VI - defesa da paz; VIII - repúdio ao terrorismo

VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;

IX - cooperação entre os povos para o progresso da humani-

dade;

X - concessão de asilo político.

Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará

único. A República Federativa do Brasil buscará América Latina, visando à formação de uma comunidade

América Latina, visando à formação de uma comunidade latino- -americana de nações.

Além dos princípios estampados nos artigos 1º ao 4º da Cons- tituição Federal, podemos observar outros princípios destinados a melhor aplicabilidade dos direitos constitucionais

PRINCÍPIO DA UNIDADE DA CONSTITUIÇÃO: Na con- formidade desse princípio, as normas constitucionais devem ser consideradas não como normas isoladas e dispersas, mas sim inte- gradas num sistema interno unitário de princípios e regras.

PRINCÍPIO DA CONCORDÂNCIA PRÁTICA OU DA HARMONIZAÇÃO: Formulado por Konrad Hesse, esse princípio

impõe ao intérprete que os bens constitucionalmente protegidos,

-
-

só se alcança na aplicação ou na prática do texto.

PRINCÍPIO DA FORÇA NORMATIVA DA CONSTITUI- ÇÃO: Também formulado por Konrad Hesse, esse princípio esta- belece que, na interpretação constitucional, deve-se dar primazia às soluções ou pontos de vista que, levando em conta os limites e pressupostos do texto constitucional, possibilitem a atualização de

do texto constitucional, possibilitem a atualização de PRINCÍPIO DA MÁXIMA EFETIVIDADE: Segundo esse princípio,

PRINCÍPIO DA MÁXIMA EFETIVIDADE: Segundo esse princípio, na interpretação das normas constitucionais, deve-se

na interpretação das normas constitucionais, deve-se as normas constitucionais devem ser tomadas como normas

as normas constitucionais devem ser tomadas como normas atuais e não como preceitos de uma Constituição futura, destituída de princípio da máxima efetividade abandono da hermenêutica tradicional, ao reconhecer a normativi- dade dos princípios e valores constitucionais, principalmente em sede de direitos fundamentais.

principalmente em sede de direitos fundamentais. PRINCÍPIO DO EFEITO INTEGRADOR: De acordo com esse
principalmente em sede de direitos fundamentais. PRINCÍPIO DO EFEITO INTEGRADOR: De acordo com esse

PRINCÍPIO DO EFEITO INTEGRADOR: De acordo com esse princípio, na resolução dos problemas jurídico-constitucio- nais, deve-se dar prioridade às interpretações ou pontos de vista que favoreçam a integração política e social e possibilitem o re-

ou pontos de vista que favoreçam a integração política e social e possibilitem o re- Didatismo

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL - constitucionais, a interpretação deve levar a soluções pluralistica- mente

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

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-

constitucionais, a interpretação deve levar a soluções pluralistica- mente integradoras.

PRINCÍPIO DA INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONS- TITUIÇÃO: A aplicação do princípio da interpretação conforme

possível quando, em face de normas infracons

- - -

a Constituição só é possível quando, em face de normas infracons

só é possível quando, em face de normas infracons alternativas de interpretação, umas em desconformidade e

alternativas de interpretação, umas em desconformidade e outras de acordo com a Constituição, sendo que estas devem ser prefe- ridas àquelas. Entretanto, na hipótese de se chegar a uma inter- pretação manifestamente contrária à Constituição, impõe-se que a norma seja declarada inconstitucional.

PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE: Esse princípio, conquanto tenha tido aplicação clássica no Direito Administrati- vo, foi descoberto nas últimas décadas pelos constitucionalistas, quando as declarações de direitos passaram a ser atos de legislação vinculados. Trata-se de norma essencial para a proteção dos direi- tos fundamentais, porque estabelece critérios para a delimitação desses direitos. O princípio da proporcionalidade constitui uma verdadeira garantia constitucional, protegendo os cidadãos contra o uso desatado do poder estatal e auxiliando o juiz na tarefa de interpretar as normas constitucionais.

o juiz na tarefa de interpretar as normas constitucionais. CONSTITUIÇÃO FEDERAL: TÍTULO II DOS DIREITOS E

CONSTITUIÇÃO FEDERAL:

TÍTULO II DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

CAPÍTULO I DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Artigo 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estran- geiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

O artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 pode ser caracterizado como um dos mais importantes

de 1988 pode ser caracterizado como um dos mais importantes razão de que o mesmo apresenta,

razão de que o mesmo apresenta, em seu bojo, a proteção dos bens jurídicos mais importantes para os cidadãos, quais sejam: vida, li- berdade, igualdade, segurança e propriedade. Tais bens jurídicos, taxados de invioláveis, não são passíveis de transação, possuem o caráter de indisponibilidade e impenho- rabilidade.

Todavia, os mesmos não são absolutos, possuindo caráter de relatividade. Isso decorre não somente pelo fato de que tais bens jurídicos são indispensáveis ao cidadão, mas também das caracte- rísticas dos direitos humanos. É importante salientar que além de serem caracterizados como direitos fundamentais, tais bens jurídi- cos possuem a característica de serem considerados como direitos humanos.

Um exemplo acerca da relatividade da aplicação desses bens jurídicos está disposto no próprio bem jurídico vida. Como é possí- vel perceber há existência de alguns institutos jurídicos que permi- tem atos atentatórios contra a vida, que, em tese, não são punidos. Pode-se citar como exemplo, as excludentes da antijuridicidade, dispostas no Código Penal. São excludentes da antijuridicade: a legítima defesa, o estado de necessidade, o exercício regular de um direito e o estrito cumprimento do dever legal. Ademais, outro exemplo estabelecido pela própria Consti- tuição da República Federativa do Brasil está disposto no artigo 84, XIX, onde demonstra ser possível a aplicabilidade da pena de morte. Assim, uma grande característica desses bens jurídicos, taxa- dos como direitos fundamentais e humanos, é a relatividade dos mesmos. Outrossim, o referido artigo apresenta outros bens jurídi- cos, como a liberdade, igualdade, segurança e propriedade.

É importante salientar que o caput do artigo 5º da CF 88 garante

tanto aos brasileiros como aos estrangeiros a inviolabilidade dos direitos a vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade. Desta maneira, tantos os brasileiros natos ou naturalizados, como os estrangeiros residentes no Brasil, possuem os bens jurí- dicos supracitados abarcados pelo Constituição Federal. Todavia, existe uma corrente na doutrina brasileira que admite a inviolabi- lidade dos bens jurídicos citados aos estrangeiros que estejam pro- visoriamente ou de passagem pelo nosso país. Assim, de acordo com essa corrente, seria perfeitamente possível a um estrangeiro que estivesse de passagem por nosso país e viesse a sofrer coação em seu direito de locomoção, impetrar o remédio constitucional denominado de habeas corpus.

I- homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

O inciso supracitado traz, em seu bojo, um dos princípios mais

importantes existentes no ordenamento jurídico brasileiro, qual seja, o princípio da isonomia ou da igualdade. Tal princípio igua- lou os direitos e obrigações dos homens e mulheres, todavia, per- mitindo as diferenciações realizadas nos termos da Constituição.

II- ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

O inciso supracitado contém em seu conteúdo o princípio da

legalidade. Tal princípio tem por escopo explicitar que nenhum

cidadão será obrigado a realizar ou deixar de realizar condutas que

-
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cípio da legalidade sob a ótica do administrador público, o enten- dimento é diverso. O princípio da legalidade que rege a conduta do administrador explicita que o mesmo só poderá tomar decisões e realizar condutas que estejam abarcadas por lei, sob pena de res- ponsabilização.

decisões e realizar condutas que estejam abarcadas por lei, sob pena de res- ponsabilização. Didatismo e

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL III- ninguém será submetido a tortura nem a tratamento de- sumano

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

III- ninguém será submetido a tortura nem a tratamento de- sumano ou degradante;

O inciso em questão garante que nenhum cidadão será sub-

metido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. Tal

assertiva se alicerça no fato de que o sujeito que cometer tortura

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saltar, ainda, que a prática de tortura caracteriza-se como crime

ainda, que a prática de tortura caracteriza-se como crime características anteriormente citadas, o crime de tortura

características anteriormente citadas, o crime de tortura ainda é considerado hediondo, conforme explicita a Lei nº 8072/90. Cri- mes hediondos são aqueles considerados como repugnantes, de extrema gravidade, os quais a sociedade não compactua com a sua realização. São exemplos de crimes hediondos: tortura, homicídio

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nerável, dentre outros.

IV- é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

Este inciso garante a liberdade de manifestação de pensamen- to, até como uma resposta à limitação desses direitos no período da ditadura militar. Não somente por este inciso, mas por todo o con- teúdo, que a Constituição da República Federativa de 1988 consa- grou-se como a “Constituição Cidadã”. Um ponto importante a ser citado neste inciso é a proibição do anominato. Cabe ressaltar que

inciso é a proibição do anominato. Cabe ressaltar que inciso, mas tão somente o anominato na

inciso, mas tão somente o anominato na manifestação do pensa- mento.

V- é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agra- vo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

O referido inciso traz, em seu bojo, uma norma assecuratória

de direitos fundamentais, onde se encontra assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização correspon- dente ao dano causado. Um exemplo corriqueiro da aplicação deste inciso encontra-se nas propagandas partidárias, quando um eventu- al candidato realiza ofensas ao outro. Desta maneira, o candidato ofendido possui o direito de resposta proporcional à ofensa, ou seja, a resposta deverá ser realizada nos mesmos parâmetros que a ofen- sa. Assim, se a resposta deverá possuir o mesmo tempo que durou a ofensa, deverá ocorrer no mesmo veículo de comunicação em que

foi realizada a conduta ofensiva. Não obstante, o horário obedecido para a resposta deverá ser o mesmo que o da ofensa. Em que pese haja a existência do direito de resposta propor- cional ao agravo, ainda há possibilidade de ajuizamento de ação de indenização por danos materiais, morais ou à imagem. Assim, estando presente a conduta lesiva, que tenha causando um resul- tado danoso e seja provado o nexo de causalidade com o eventual elemento subjetivo constatado, ou seja, a culpa, demonstra-se me- dida de rigor, o arbitramento de indenização ao indivíduo lesado.

VI- é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sen- do assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção ao locais de culto e a suas liturgias;

Este inciso demonstra a liberdade de escolha da religião pe- las pessoas. Não obstante, a segunda parte do mesmo resguarda a

liberdade de culto, garantindo, na forma da lei, a proteção aos lo- cais de culto e liturgias. Existem doutrinadores que entendem que a liberdade expressa neste inciso é absoluta, inexistindo qualquer tipo de restrição a tal direito. Todavia, entendo não ser correto tal

a tal direito. Todavia, entendo não ser correto tal exemplo. Imaginemos que uma determinada religião utiliza

exemplo. Imaginemos que uma determinada religião utiliza em

seu culto, alta sonorização, que causa transtornos aos vizinhos do recinto. Aqui estamos diante de dois direitos constitucionalmen- te tutelados. O primeiro que diz respeito à liberdade de culto e o segundo, referente ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, explicitado pelo artigo 225 da CF 88. Como é possível perceber com a alta sonorização empregada, estamos diante de um caso de poluição sonora, ou seja, uma conduta lesiva ao meio ambiente.

sonora, ou seja, uma conduta lesiva ao meio ambiente. culto e o direito ao meio ambiente

culto e o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, ambos direitos constitucionalmente expressos. Como solucionar

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ção do princípio da cedência recíproca, ou seja, cada direito deverá ceder em seu campo de aplicabilidade, para que ambos possam conviver harmonicamente no ordenamento jurídico brasileiro. Desta maneira, como foi possível perceber a liberdade de culto não é absoluta, possuindo, portanto, caráter relativo, haja vista a exis- tência de eventuais restrições ao exercício de tal direito consagrado.

VII – é assegurada, nos termos da lei, a prestação de as- sistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;

Neste inciso encontra-se assegurado o direito de prestação de assistência religiosa em entidades civis e militares de internação coletiva. Quando o inciso se refere às entidades civis e militares de internação coletiva está abarcando os sanatórios, hospitais, quar- téis, dentre outros. Cabe ressaltar que a assistência religiosa não abrange somente uma religião, mas todas. Logo, por exemplo, os protestantes não serão obrigados a assistirem os cultos religiosos das demais religi- ões, e vice versa.

VIII- ninguém será privado de direitos por motivo de crença

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car para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-

eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar- Este inciso expressa a possibilidade de perda

Este inciso expressa a possibilidade de perda dos direitos pelo cidadão que para não cumprir obrigação legal imposta a todos e para recusar o cumprimento de prestação alternativa alega como

recusar o cumprimento de prestação alternativa alega como Um exemplo de obrigação estipulada por lei a

Um exemplo de obrigação estipulada por lei a todos os cida- dãos do sexo masculino é a prestação de serviço militar obrigató- rio. Nesse passo, se um cidadão deixar de prestar o serviço militar obrigatório alegando como motivo a crença em determinada reli- gião que o proíba poderá sofrer privação nos seus direitos.

IX – é livre a expressão de atividade intelectual, artística,

é livre a expressão de atividade intelectual, artística, licença; Este inciso tem por escopo a proteção

licença;

Este inciso tem por escopo a proteção da liberdade de expres- são, sendo expressamente vedada a censura e a licença. Como é

da liberdade de expres- são, sendo expressamente vedada a censura e a licença. Como é Didatismo

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL possível perceber, mais uma vez nossa Constituição visa proteger o cidadão

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

possível perceber, mais uma vez nossa Constituição visa proteger

o cidadão de alguns direitos fundamentais que foram abolidos

durante o período da ditadura militar. Para melhor compreensão

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samento a ser divulgado e as normas existentes no ordenamento. Desta maneira, a Constituição veda o emprego de tal mecanismo, visando garantir ampla liberdade ao cidadão, taxado como um bem jurídico inviolável do cidadão, expressamente disposto no caput do artigo 5º.

X- são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

O inciso em questão traz, em seu bojo, alguns casos onde é

perceptível a existência de limitações à liberdade de pensamento. Isso ocorre pelo fato de que se fosse total a liberdade de pensamen- to, sem a existência de algumas limitações, sérios danos à intimi- dade, vida privada, honra e imagem das pessoas, poderiam ocorrer. Assim, o artigo em questão traz a possibilidade de ajuizamen-

to de ação que vise a indenização por danos materiais ou morais

decorrentes da violação dos direitos expressamente tutelados. En- tende-se como dano material, o prejuízo sofrido na esfera patrimo-

como dano material, o prejuízo sofrido na esfera patrimo- indivíduo, mas sim que causa ofensa à

indivíduo, mas sim que causa ofensa à honra do indivíduo lesado.

Não obstante a responsabilização na esfera civil, ainda é pos- sível constatar que a agressão a tais direitos também encontra gua- rida no âmbito penal. Tal fato se abaliza na existência dos crimes

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digo Penal Brasileiro.

XI- a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela po- dendo penetrar sem consentimento do morador , salvo em caso

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rante o dia, por determinação judicial;

O referido inciso traz a inviolabilidade do domicílio do indiví-

duo. Todavia, tal inviolabilidade não possui cunho absoluto, sendo

que o mesmo artigo explicita os casos em que há possibilidade de penetração no domicílio sem o consentimento do morador. Os casos em que é possível a penetração do domicílio são:

- Durante a noite – há possibilidade de ingresso no domicílio

a noite – há possibilidade de ingresso no domicílio delito, desastre ou para prestar socorro. -

delito, desastre ou para prestar socorro.

- Durante o dia- será possível ingressar no domicílio do indiví-

o dia- será possível ingressar no domicílio do indiví- desastre, para prestar socorro e, ainda, por

desastre, para prestar socorro e, ainda, por determinação judicial. Note-se que o ingresso em domicílio por determinação judi- cial somente é passível de realização durante o dia. Tal ingresso deverá ser realizado com ordem judicial expedida por autoridade judicial competente, sob pena de considerar-se o ingresso despro-

competente, sob pena de considerar-se o ingresso despro- crime de Violação de domicílio, que se encontra

crime de Violação de domicílio, que se encontra disposto no artigo 150 do Código Penal.

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tem entendimentos que consideram o dia como o período em que paira o sol, enquanto a noite onde há a existência do crepúsculo.

sol, enquanto a noite onde há a existência do crepúsculo. a existência no nosso país do

a existência no nosso país do horário de verão adotado por alguns

Estados e não por outros, o que pode gerar confusão na interpreta-

e não por outros, o que pode gerar confusão na interpreta- quanto à interpretação, entendemos que

quanto à interpretação, entendemos que o dia pode ser compreen-

dido entre as 06 horas e às 18 horas, enquanto o período noturno das 18 horas às 06 horas.

XII- é inviolável o sigilo da correspondência e das comu-

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instrução processual penal;

Este inciso tem por escopo demonstrar a inviolabilidade do si-

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que respeite a lei, para que seja possível a investigação criminal e instrução processual penal.

a investigação criminal e instrução processual penal. vejamos: Sigilo de Correspondência: Possui como regra a

vejamos:

Sigilo de Correspondência: Possui como regra a inviola- bilidade trazida no Texto Constitucional. Todavia, em caso de de- cretação de estado de defesa ou estado de sítio poderá haver limi- tação a tal inviolabilidade. Outra possibilidade de quebra de sigilo de correspondência entendida pelo Supremo Tribunal Federal diz respeito às correspondências dos presidiários. Visando a segurança pública e a preservação da ordem jurídica o Supremo Tribunal Fe- deral entendeu ser possível a quebra do sigilo de correspondência

dos presidiários. Um dos motivos desse entendimento da Suprema Corte é que o direito constitucional de inviolabilidade de sigilo de correspondência não pode servir de guarida aos criminosos para a prática de condutas ilícitas.

aos criminosos para a prática de condutas ilícitas. é da inviolabilidade do sigilo, sendo, todavia, possível
aos criminosos para a prática de condutas ilícitas. é da inviolabilidade do sigilo, sendo, todavia, possível

é da inviolabilidade do sigilo, sendo, todavia, possível a quebra do mesmo em caso de estado de defesa e estado de sítio.

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labilidade de tal direito. Todavia a própria Constituição traz no in- ciso supracitado a exceção. Assim, será possível a quebra do sigilo

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toridade competente para que seja possível a instrução processual penal e a investigação criminal. O inciso em questão ainda exige para a quebra do sigilo a obediência de lei. Essa lei entrou em vigor em 1996, sob o nº 9296/96. A lei em questão, traz em seu bojo, alguns requisitos que devem ser observados para que seja possível

requisitos que devem ser observados para que seja possível Isso demonstra que não será possível a

Isso demonstra que não será possível a quebra dos sigilos supracitados por motivos banais, haja vista estarmos diante de um direito constitucionalmente tutelado.

XIII- é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou pro-

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lecer;

Aqui estamos diante de uma norma de aplicabilidade contida.

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dendo, todavia, de uma lei posterior que reduza a aplicabilidade da primeira. Como é possível perceber o inciso em questão demonstra

no entanto, serem obede
no entanto, serem obede
da primeira. Como é possível perceber o inciso em questão demonstra no entanto, serem obede Didatismo

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL a lei posterior estabeleça. Note-se que essa lei posterior reduz os

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

a lei posterior estabeleça. Note-se que essa lei posterior reduz os

efeitos de aplicabilidade da lei anterior que garante a liberdade de

de aplicabilidade da lei anterior que garante a liberdade de Um exemplo muito utilizado pela doutrina

Um exemplo muito utilizado pela doutrina é o do Exame aplicado pela Ordem dos Advogados do Brasil aos bacharéis em Direito, para que os mesmos obtenham habilitação para exercer a

para que os mesmos obtenham habilitação para exercer a de trabalho, sendo, no entanto, que a

de trabalho, sendo, no entanto, que a lei posterior, ou seja, o Esta- tuto da OAB, prevê a realização do exame para que seja possível o

prevê a realização do exame para que seja possível o XIV- é assegurado a todos o

XIV- é assegurado a todos o acesso à informação e resguarda-

é assegurado a todos o acesso à informação e resguarda- Este inciso prega a proteção ao

Este inciso prega a proteção ao direito de liberdade de infor- mação. Aqui estamos tratando do direito de informar, como tam- bém o de ser informado. Tal é a importância da proteção desse

direito que a própria Constituição trouxe no bojo do seu artigo 5º, mais precisamente no seu inciso XXXIII, que todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particu- lar ou de interesse coletivo ou geral. É importante salientar que no caso de desrespeito a tal direito, há existência de um remédio constitucional, denominado habeas data, que tem por objetivo dar às pessoas informações constantes em bancos de dados, bem como

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nistrativo. Cabe ressaltar, ainda, que o referido inciso traz a possi- bilidade de se resguardar o sigilo da fonte. Esse sigilo diz respeito àquela pessoa que prestou as informações. Todavia, esse sigilo não possui conotação absoluta, haja vista que há possibilidade de reve- lação da fonte informadora, em casos expressos na lei.

lação da fonte informadora, em casos expressos na lei. paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da

paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;

O inciso em questão prega o direito de locomoção. Esse di- reito abrange o fato de se entrar, permanecer, transitar e sair do país, com ou sem bens. Quando o texto constitucional explicita que qualquer pessoa está abrangida pelo direito de locomoção, não há diferenciação entre brasileiros natos e naturalizados, bem como nenhuma questão atinente aos estrangeiros. Assim, entendo que no presente caso a Constituição tutela não somente o direito de locomoção do brasileiro nato, bem como o do naturalizado e do estrangeiro. Todavia, como é possível perceber a locomoção será livre em tempo de paz. Nesse passo, se estivermos diante do estado de sí- tio ou estado de defesa tal direito poderá ser restringido. Assim, podemos concluir que o direito de locomoção é relativo, podendo ser restringido em casos expressamente dispostos na Constituição, como por exemplo, no estado de defesa e no estado de sítio.

como por exemplo, no estado de defesa e no estado de sítio. locais abertos ao público,

locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autori- dade competente;

Neste inciso encontra-se presente outro direito constitucional,

qual seja: o direito de reunião. A grande característica da reunião é

a descontinuidade, ou seja, pessoas se reúnem para discutirem de-

ou seja, pessoas se reúnem para discutirem de- a reunião se encerra. Cabe ressaltar que a

a reunião se encerra. Cabe

ressaltar que a diferença entre reunião e associação está intima- mente ligada a tal característica. Enquanto a reunião não é contí- nua, a associação tem caráter permanente. Explicita o referido inciso, a possibilidade da realização de reuniões em locais abertos ao público, desde que não haja pre- sença de armas e que não frustre reunião previamente convocada.

É importante salientar que o texto constitucional não exige que a

reunião seja autorizada, mas tão somente haja uma prévia comuni- cação à autoridade competente. De forma similar ao direito de locomoção, o direito de reunião também é relativo, pois poderá ser restringido em caso de estado de defesa e estado de sítio.

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dada a de caráter paramilitar;

Como foi explicitado na explicação referente ao inciso ante- rior, a maior diferença entre reunião e associação está na descon- tinuidade da primeira e na permanência da segunda. Este inciso prega a liberdade de associação. É importante salientar que a as-

liberdade de associação. É importante salientar que a as- traz, em seu bojo, uma vedação. A
liberdade de associação. É importante salientar que a as- traz, em seu bojo, uma vedação. A

traz, em seu bojo, uma vedação. A vedação consiste no fato da

proibição de criação de associações com caráter paramilitar. Quan- do falamos em associações com caráter paramilitar estamos nos referindo àquelas que buscam se estruturar de maneira análoga às forças armadas ou policiais. Desta maneira, para que não haja a existência de tais espécies de associações a texto constitucional traz expressamente a vedação.

XVIII- a criação de associações e, na forma da lei, a de coo- perativas independem de autorização, sendo vedada a interferên- cia estatal em seu funcionamento;

Neste inciso está presente o desdobramento da liberdade de associação, onde a criação de cooperativas e associações inde- pendem de autorização. É importante salientar que o constituinte também trouxe no bojo deste inciso uma vedação no que diz res- peito à interferência estatal no funcionamento de tais órgãos. O constituinte vedou a possibilidade de interferência estatal no fun- cionamento das associações e cooperativas obedecendo a própria liberdade de associação.

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solvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;

O texto constitucional traz expressamente as questões refe- rentes à dissolução e suspensão das atividades das associações. Neste inciso estamos diante de duas situações diversas. Quando

a questão for referente à suspensão de atividades da associação, a

mesma somente se concretizará através de decisão judicial. Toda- via, quando falamos em dissolução compulsória das entidades as- sociativas, é importante salientar que a mesma somente alcançará êxito através de decisão judicial transitada em julgado. Logo, para ambas as situações, seja na dissolução compulsó- ria, seja na suspensão de atividades, será necessária decisão judi- cial. Todavia, como a dissolução compulsória possui uma maior gravidade exige-se o trânsito em julgado da decisão judicial.

compulsória possui uma maior gravidade exige-se o trânsito em julgado da decisão judicial. Didatismo e Conhecimento

Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Para uma compreensão mais simples do inciso em questão, o Como

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Para uma compreensão mais simples do inciso em questão, o

Como é possível perceber no parágrafo supracitado, a proprie- dade urbana estará atendendo sua função social quando atender as

que podemos entender como decisão judicial transitada em julga-

- exigências expressas no plano diretor. O plano diretor consiste em um instrumento de política

-

exigências expressas no plano diretor. O plano diretor consiste em um instrumento de política desenvolvimentista, obrigatório para as cidades que possuam mais de vinte mil habitantes. Tal plano tem por objetivo traçar metas que serão obedecidas para o desenvolvi- mento das cidades. Não obstante a necessidade de obediência da função social nas propriedades urbanas, há existência da função social da pro- priedade rural, que se encontra disposta no artigo 186 da Consti- tuição Federal de 1988. Dispõe o referido artigo:

Artigo 186 – A função social é cumprida quando a proprie-

cisão emanada pelo Poder Judiciário onde não seja mais possível a interposição de recursos.

XX- ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a per- manecer associado;

Aqui se encontra outro desdobramento da liberdade de asso- ciação. Estamos diante da liberdade associativa, ou seja, do fato que ninguém será obrigado a associar-se ou a permanecer asso- ciado.

XXI- as entidades associativas, quando expressamente auto-

dade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos:

I- aproveitamento racional e adequado;

I-

aproveitamento racional e adequado;

ou extrajudicialmente;

II-

utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e

preservação do meio ambiente;

Este inciso expressa a possibilidade das entidades associati-

III-

observância das disposições que regulam as relações de

- trabalho;

-

trabalho;

dos judicial ou extrajudicialmente. Cabe ressaltar que, de acordo

IV-

exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e

com a legislação processual civil, ninguém poderá alegar em nome próprio direito alheio, ou seja, o próprio titular do direito buscará a sua efetivação. Todavia, aqui estamos diante de uma exceção a tal regra, ou seja, há existência de legitimidade extraordinária

dos trabalhadores.

O

artigo 186, acima disposto, traz, em seu bojo, a função so-

cial da propriedade rural. Atualmente, a doutrina apresenta tam-

- bém a função socioambiental da propriedade rural. Essa espécie de função social da propriedade,

-

bém a função socioambiental da propriedade rural. Essa espécie de função social da propriedade, disposta no inciso II, do artigo

mente previsto no estatuto social, as entidades associativas passam

- 186, explicita a necessidade de utilização adequada dos recursos naturais e a preservação do

-

186, explicita a necessidade de utilização adequada dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente. Não obstante a presença dessas espécies restrições ao direito de propriedade, existem outras, como por exemplo: A desapropria- ção, as limitações administrativas, as servidões administrativas, dentre outras.

dicialmente. Quando falamos em legitimidade na esfera judicial, estamos nos referindo à tutela dos interesses no Poder Judiciário. Todavia, quando falamos em tutela extrajudicial a tutela pode ser realizada administrativamente.

XXII- é garantido o direito de propriedade;

Este inciso traz a tutela de um dos direitos mais importantes na esfera jurídica, qual seja: a propriedade. Em que pese tenha o artigo 5º, caput, consagrado a propriedade como um direito fun- damental, o inciso em questão garante o direito de propriedade. De acordo com a doutrina civilista, o direito de propriedade carac- teriza-se pelo uso, gozo e disposição de um bem. Todavia, como veremos oportunamente, o direito de propriedade não é absoluto, pois existem restrições ao seu exercício, como por exemplo, a obe- diência à função social da mesma.

XXIV- a lei estabelecerá o procedimento para desapropria- ção por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;

O

inciso XXIV traz o instituto da desapropriação. A desapro-

priação é um instituto jurídico no qual o proprietário pode ser pri- vado da coisa, desde que sejam obedecidos alguns requisitos. São eles:

- Necessidade pública;

 

- Utilidade pública;

XXIII- a propriedade atenderá a sua função social;

- Interesse social;

- Justa e prévia indenização; e

Neste inciso encontra-se presente uma das limitações ao di- reito de propriedade, qual seja: a função social. A função social da propriedade na área urbana está expressamente prevista no artigo 182, § 2º, da Constituição Federal. Dispõe o referido artigo:

Artigo 182 – A política de desenvolvimento urbano, executada

- Indenização em dinheiro.

Desta maneira, obedecidos aos requisitos supracitados, o pro-

prietário poderá ter subtraída a coisa de sua propriedade.

XXV- no caso de iminente perigo público, a autoridade com- petente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;

ao proprietário indenização ulterior, se houver dano; por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções

por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes. §2º - A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.

No caso do inciso XXV estamos diante do instituto da requi- sição administrativa. Este instituto, como o próprio inciso denota, permite à autoridade competente utilizar propriedades particulares em caso de iminente perigo público. Desta maneira, utilizada a

propriedades particulares em caso de iminente perigo público. Desta maneira, utilizada a Didatismo e Conhecimento 11

Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL propriedade o mesmo será indenizado, posteriormente, caso seja constatada a

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

propriedade o mesmo será indenizado, posteriormente, caso seja constatada a existência de dano. Em caso negativo, o mesmo não será indenizado. Um exemplo típico do instituto da requisição ad-

-
-

cativo, se o nosso país estivesse em guerra, propriedades particula- res poderiam ser utilizadas e, caso fosse comprovada a ocorrência de danos, os proprietários seriam indenizados.

ocorrência de danos, os proprietários seriam indenizados. desde que trabalhada pela família, não será objeto de

desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora

para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produ-

-
-

vimento;

Este inciso traz a impenhorabilidade da pequena propriedade rural. É importante salientar que a regra de impenhorabilidade da pequena propriedade rural para pagamento de débitos decorrentes da atividade produtiva abrange somente aquela trabalhada pela fa- mília. Cabe ressaltar que essa proteção acaba por trazer consequ- ências negativas para os pequenos produtores. Tal assertiva se jus-

negativas para os pequenos produtores. Tal assertiva se jus- de penhora, com certeza a busca pelo

de penhora, com certeza a busca pelo crédito será mais difícil, haja

com certeza a busca pelo crédito será mais difícil, haja XXVII – aos autores pertence o

XXVII – aos autores pertence o direito exclusivo de utiliza- ção, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos

ou reprodução de suas obras, transmissível aos Este inciso tem por escopo a tutela do direito

Este inciso tem por escopo a tutela do direito de propriedade intelectual, quais sejam: a propriedade industrial e os direitos do autor. Como é possível extrair do inciso supracitado esses direitos são passiveis de transmissão por herança, sendo, todavia, submeti-

de transmissão por herança, sendo, todavia, submeti- fato de ser herdeiro do autor de uma determinada

fato de ser herdeiro do autor de uma determinada obra que lhe será garantida a propriedade da mesma, pois a lei estabelecerá um tempo para que os herdeiros possam explorar a obra. Após o tempo estabelecido a obra pertencerá a todos.

XXVIII- são assegurados, nos termos da lei:

a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas ativida- des desportivas;

e voz humanas, inclusive nas ativida- des desportivas; obras que criarem ou de que participarem aos

obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos in- térpretes e às respectivas representações sindicais e associativas;

Este inciso preza a proteção dos direitos individuais do au- tor quando participe de uma obra coletiva. Um exemplo que pode ilustrar o conteúdo da alínea “a” diz respeito à gravação de um CD por diversos cantores. Não é pelo simples fato da gravação ser co- letiva que não serão garantidos os direitos autorais individuais dos cantores. Pelo contrário, serão respeitados os direitos individuais de cada cantor.

-
-

zação do aproveitamento das obras. A alínea em questão expressa

do aproveitamento das obras. A alínea em questão expressa da obra, bem como os intérpretes, representações

da obra, bem como os intérpretes, representações sindicais e as- sociações.

XXIX- a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e

a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o

signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o Este inciso trata, ainda, da tutela

Este inciso trata, ainda, da tutela do direito de propriedade

inciso trata, ainda, da tutela do direito de propriedade obras, haja vista a limitação temporal de

obras, haja vista a limitação temporal de exploração por lei. Isso ocorre pelo fato que há imbuído um grande interesse da sociedade em conhecer o conteúdo das pesquisas e inventos que podem tra-

zer maior qualidade de vida à população.

XXX- é garantido o direito de herança;

Como um desdobramento do direito de propriedade, a Cons- tituição consagra, no presente inciso, o direito de herança. Segun- do Maria Helena Diniz “o objeto da sucessão causa mortis é a herança, dado que, com a abertura da sucessão, ocorre a mutação de cujus, que se transmite aos seus her- deiros, os quais se sub-rogam nas relações jurídicas do defunto, tanto no ativo como no passivo até os limites da herança”. De acordo com a citação da doutrinadora supracitada, pode- mos concluir que a herança é o objeto da sucessão. Com a morte

que a herança é o objeto da sucessão. Com a morte falecido aos seus herdeiros. É
que a herança é o objeto da sucessão. Com a morte falecido aos seus herdeiros. É

falecido aos seus herdeiros. É importante salientar que são transfe- ridos aos herdeiros tanto créditos (ativo) como dívidas (passivo), até que seja satisfeita a totalidade da herança.

XXXI- a sucessão de bens de estrangeiros situados no País

XXXI- a sucessão de bens de estrangeiros situados no País pessoa do de cujus; Neste inciso

pessoa do de cujus;

Neste inciso estamos diante da sucessão de bens de estran- geiros situados no nosso país. A regra, conforme denota o inciso supracitado, é que a sucessão dos bens do estrangeiro será regula-

da pela lei brasileira. Todavia, o próprio inciso traz uma exceção, que admite a possibilidade da sucessão ser regulada pela lei do

-
-

sileiros.

XXXII- o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;

Este inciso traz, em seu conteúdo, a intenção do Estado em

inciso traz, em seu conteúdo, a intenção do Estado em da relação de consumo. O inciso

da relação de consumo. O inciso supracitado explicita que o Es- tado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor. A lei citada pelo inciso entrou em vigor no dia 11 de setembro de 1990 e foi denominada como Código de Defesa do Consumidor, sob o nº 8078/90.

-
-

formações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que será prestadas no prazo da lei, sob pena de respon- sabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;

ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Aqui encontramos um desdobramento do direito à informa- ção. Como é

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Aqui encontramos um desdobramento do direito à informa- ção. Como é cediço é direito fundamental ao cidadão informar

e ser informado. Desta maneira, todos tem direito a receber dos

órgãos públicos informações de seu interesse ou de interesse cole- tivo ou geral. Para que seja efetivado o direito de informação, em

caso de descumprimento, o ofendido poderá utilizar-se do remédio constitucional denominado habeas data, que tem por escopo asse- gurar o conhecimento das informações dos indivíduos que estejam

-
-

jam incorretas, por meio sigiloso, judicial ou administrativo. É importante salientar que as informações deverão ser prestadas dentro do prazo estipulado em lei, sob pena de responsabilidade.

do prazo estipulado em lei, sob pena de responsabilidade. liberdade de informação qual seja: a restrição

liberdade de informação qual seja: a restrição aos dados cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado.

XXXIV- são a todos assegurados, independentemente do pa- gamento de taxas:

a) o direito de petição aos Poder Públicos em defesa de direi-

tos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;

b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para de-

fesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;

Preliminarmente, é importante salientar que tanto o direito de petição ao Poder Público, como o direito de obtenção de certidões

em repartições públicas são assegurados, independentemente, do pagamento de taxas. Isso não quer dizer que o exercício desses di- reitos seja realizado gratuitamente, mas sim, que podem ser isentos de taxas para as pessoas reconhecidamente pobres. A alínea “a” traz, em seu bojo, o direito de petição. Tal direito consiste na possibilidade de levar ao conhecimento do Poder Públi- co a ocorrência de atos eivados de ilegalidade ou abuso de poder. Posteriormente, a alínea “b” trata da obtenção de certidões em repartições públicas. De acordo com a Lei nº 9051/95 o prazo para

o esclarecimento de situações e expedição de certidões é de quinze

dias. Todavia, se a certidão não for expedida a medida jurídica ca- bível é a impetração do mandado de segurança e não o habeas data.

XXXV- a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;

Neste inciso encontra-se consagrado o princípio da inafastabi- lidade da jurisdição. Como explicita o próprio conteúdo do inciso supracitado, não poderão haver óbices para o acesso ao Poder Ju- diciário. Havendo lesão ou ameaça de lesão a direito, tal questão deverá ser levada até o Poder Judiciário para que possa ser di- rimida. Quando a lesão acontecer no âmbito administrativo não será necessário o esgotamento das vias administrativas. Assim, o

lesado poderá ingressar com a medida cabível no Poder Judiciá- rio, independentemente do esgotamento das vias administrativas. Todavia, há uma exceção a essa regra. Tal exceção diz respeito à Justiça Desportiva, que exige para o ingresso no Poder Judiciário,

o esgotamento de todos os recursos administrativos cabíveis.

XXXVI- a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurí- dico perfeito e a coisa julgada;

Quando este inciso explicita que a lei não prejudicará o direito

adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, a real intenção

é a preservação da segurança jurídica, pois com a observância do mesmo estaremos diante da estabilidade das relações jurídicas.

Para um melhor entendimento, o conceito dos institutos supraci-

tados estão dispostos no artigo 6º da LICC ( Lei de Introdução ao Código Civil). São eles:

Direito adquirido: Direito que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício

ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício - bítrio de outrem; Ato jurídico perfeito:
-
-

bítrio de outrem;

Ato jurídico perfeito: Ato já consumado segundo a leicomo aqueles cujo começo do exercício - bítrio de outrem; vigente ao tempo em que se

vigente ao tempo em que se efetuou; Coisa julgada: Decisão judicial de que não caiba mais

recurso.

julgada: Decisão judicial de que não caiba mais recurso. Estes institutos são de extrema relevância no

Estes institutos são de extrema relevância no ordenamento jurídico brasileiro, pois eles garantem a estabilidade de relações

brasileiro, pois eles garantem a estabilidade de relações diante de total insegurança e anarquia jurídica, pois,
brasileiro, pois eles garantem a estabilidade de relações diante de total insegurança e anarquia jurídica, pois,

diante de total insegurança e anarquia jurídica, pois, transações

total insegurança e anarquia jurídica, pois, transações alteradas pela superveniência de um ato normativo

alteradas pela superveniência de um ato normativo publicado. As- sim, com a existência de tais institutos jurídicos, uma lei posterior

existência de tais institutos jurídicos, uma lei posterior enseja ao jurisdicionado um sentimento de segurança ao

enseja ao jurisdicionado um sentimento de segurança ao buscar o acesso ao Poder Judiciário.

XXXVII- não haverá juízo ou tribunal de exceção;

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988

apresenta no inciso supracitado, a impossibilidade de adoção no ordenamento jurídico brasileiro, do juízo ou tribunal de exceção. São considerados juízos ou tribunais de exceção aqueles organi- zados posteriormente à ocorrência do caso concreto. O juízo de exceção é caracterizado pela transitoriedade e pela arbitrariedade aplicada a cada caso concreto. Esse juízo ofende claramente ao princípio do juiz natural, que prevê a garantia de ser julgado por autoridade judiciária previamente competente.

XXXVIII- é reconhecida a instituição do júri, com a organi- zação que lhe der a lei, assegurados:

a) a plenitude da defesa;

b) o sigilo das votações;

c) a soberania dos veredictos;

d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos con-

tra a vida;

A instituição do Tribunal do Júri foi criada originariamente

com o escopo de julgar os crimes de imprensa. Todavia, com o passar dos tempos, essa instituição passou a ser utilizada com a

dos tempos, essa instituição passou a ser utilizada com a Os crimes contra a vida compreendidos

Os crimes contra a vida compreendidos entre os artigos 121

a 128 do Código Penal são os seguintes: homicídio; induzimento,

instigação e auxílio ao suicídio, infanticídio e aborto. Cabe ressal-

tar que a instituição do júri somente é competente para o julgamen-

to dos crimes dolosos contra a vida, cabendo ao juízo monocrático

ou singular o julgamento dos crimes culposos. Crime doloso, segundo o Código Penal, é aquele onde o su-

jeito praticante da conduta lesiva quer que o resultado lesivo se produza ou assume o risco de produzi-lo.

Já, o crime culposo, é aquele onde o sujeito ativo praticante da

conduta agiu sob imprudência, negligência ou imperícia.

onde o sujeito ativo praticante da conduta agiu sob imprudência, negligência ou imperícia. Didatismo e Conhecimento

Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Desta maneira, o Tribunal do Júri somente é competente para julgar

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Desta maneira, o Tribunal do Júri somente é competente para julgar os crimes dolosos contra vida, cabendo ao juízo singular o julgamento das demais espécies de crimes e dos culposos. Como característica dessa instituição está a plenitude de defe- sa. A plenitude de defesa admite a possibilidade de todos os meios de defesa, sendo caracterizado como um nível maior de defesa do que a ampla defesa, defendida em todos os procedimentos judi- ciais, sob pena de nulidade processual. Outra característica importante acerca da instituição do Tri- bunal do Júri é o sigilo das votações. No dia do julgamento em plenário, após os debates, o juiz presidente do Tribunal do Júri efetua a leitura dos quesitos formulados acerca do crime para os sete jurados, que compõe o Conselho de Sentença, e os questiona

jurados, que compõe o Conselho de Sentença, e os questiona os mesmos serão encaminhados, juntamente com

os mesmos serão encaminhados, juntamente com o magistrado até uma sala onde será realizada a votação. Neste ato, o juiz efetua

onde será realizada a votação. Neste ato, o juiz efetua contendo as palavras sim e não

contendo as palavras sim e não aos jurados. Posteriormente, as mesmas são recolhidas, para que seja possível chegar ao resultado

são recolhidas, para que seja possível chegar ao resultado de sigilo atribuída à votação deriva do

de sigilo atribuída à votação deriva do fato que inexiste possibi- lidade de se descobrir qual o voto explicitado pelos jurados indi-

de se descobrir qual o voto explicitado pelos jurados indi- cédulas utilizadas para a votação. A

cédulas utilizadas para a votação. A última característica referente à instituição do Tribunal do Júri diz respeito à soberania dos veredictos. Essa característica pressupõe que as decisões tomadas pelo Tribunal do Júri não po- derão ser alteradas pelo Tribunal de Justiça respectivo. Todavia, um entendimento doutrinário atual considera a possibilidade de alteração da sentença condenatória prolatada no Tribunal do Júri, quando estiver pairando questão pertinente aos princípios da pleni- tude de defesa, do devido processo legal e da verdade real.

tude de defesa, do devido processo legal e da verdade real. pena sem prévia cominação legal;

pena sem prévia cominação legal;

Nesse inciso encontra-se consagrado o princípio da legalida- de. Esse princípio, muito utilizado no Direito Penal, encontra-se bipartido em dois subprincípios, quais sejam: subprincípio da re- serva legal e subprincípio da anterioridade. O primeiro explicita

legal e subprincípio da anterioridade. O primeiro explicita possível imputar determinado crime a um indivíduo, sem

possível imputar determinado crime a um indivíduo, sem que a

imputar determinado crime a um indivíduo, sem que a em lei como crime. Ainda o subprincípio

em lei como crime. Ainda o subprincípio da reserva legal explicita que não haverá pena sem cominação legal. Já, o subprincípio da anterioridade, demonstra que há necessidade uma lei anterior ao cometimento da conduta para que seja imputado o crime ao sujeito ativo praticante da conduta lesiva. Outrossim, não será possível

a aplicabilidade de pena, sem uma cominação legal estabelecida previamente.

de pena, sem uma cominação legal estabelecida previamente. Nesse caso estamos diante da irretroatividade da lei

Nesse caso estamos diante da irretroatividade da lei penal. Como é possível perceber o inciso em questão veda expressamente

a retroatividade da lei penal. Todavia, a retroatividade, exceção ex- pressamente prevista, somente será possível no caso de aplicação

ca ao réu.prevista, somente será possível no caso de aplicação Cabe ressaltar que o réu é o sujeito

Cabe ressaltar que o réu é o sujeito ativo praticante da con-

ressaltar que o réu é o sujeito ativo praticante da con- imaginemos: o artigo 121, caput
ressaltar que o réu é o sujeito ativo praticante da con- imaginemos: o artigo 121, caput

imaginemos: o artigo 121, caput, do Código Penal explicita que

o indivíduo que cometa o crime de homicídio (matar alguém) terá

contra si aplicada pena de 6 a 20 anos. Um indivíduo que cometa essa conduta na vigência desta lei terá contra si aplicada a pena su- pracitada. Agora, imaginemos que após a realização de tal conduta seja publicada uma lei que aumente o limite de pena a ser aplicada

aos praticantes do crime de homicídio para 10 a 30 anos. Essa lei poderá retroagir e atingir a situação processual do indivíduo

retroagir e atingir a situação processual do indivíduo resposta é negativa. Isso ocorre pelo fato de

resposta é negativa. Isso ocorre pelo fato de que não é possível a

negativa. Isso ocorre pelo fato de que não é possível a Agora, imaginemos que após a

Agora, imaginemos que após a realização da conduta crimino- sa haja a superveniência de uma lei que reduza a pena aplicada ao sujeito ativo praticante do crime de homicídio para 1 a 3 anos ou determine que a prática de tal conduta não será mais considerada

que a prática de tal conduta não será mais considerada - reitos e liberdades fundamentais; Este
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reitos e liberdades fundamentais;

Este inciso garante que a lei punirá qualquer conduta discri- minatória que atente contra os direitos e liberdades fundamentais. Todavia, como é possível perceber há necessidade da existência de uma lei que descreva a punição aos sujeitos praticantes dessas condutas, tendo em vista a obediência ao princípio da legalidade.

tendo em vista a obediência ao princípio da legalidade. imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos

imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;

Atualmente, um dos grandes objetivos da sociedade global é a luta pela extinção do racismo no mundo. A nossa Constituição no

inciso supracitado foi muito feliz em abordar tal assunto, haja vista

a importância do mesmo dentro da conjectura social do nosso país. De acordo com o inciso XLII, a prática de racismo constitui

De acordo com o inciso XLII, a prática de racismo constitui pecuniária ou prestação de obrigações
De acordo com o inciso XLII, a prática de racismo constitui pecuniária ou prestação de obrigações
De acordo com o inciso XLII, a prática de racismo constitui pecuniária ou prestação de obrigações
De acordo com o inciso XLII, a prática de racismo constitui pecuniária ou prestação de obrigações

pecuniária ou prestação de obrigações que garantem a liberdade ao indivíduo até sentença condenatória. Outrossim, a prática do racismo constitui crime imprescrití-

a prática do racismo constitui crime imprescrití- supracitado é necessário entendermos em que consiste o

supracitado é necessário entendermos em que consiste o instituto da prescrição. A prescrição consiste na perda do direito de punir pelo Estado, em razão do elevado tempo para apuração dos fatos. Cabe ressaltar que existem diversas espécies de prescrição, toda- via, nos ateremos somente ao gênero para uma noção do instituto tratado. Desta maneira, a prática de racismo está eivada pela impres- critibilidade, ou seja, o Estado não possui um tempo delimitado para apuração do fato delituoso, podendo o procedimento perdurar por vários anos. Ademais, o inciso estabelece que o crime em questão será su- jeito à pena de reclusão. A reclusão é uma modalidade de pena pri-

Didatismo e Conhecimentoestabelece que o crime em questão será su- jeito à pena de reclusão. A reclusão é

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL vativa de liberdade que comporta alguns regimes prisionais, quais sejam: o

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

vativa de liberdade que comporta alguns regimes prisionais, quais sejam: o fechado, o semiaberto e o aberto.

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hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

O inciso em questão tem por objetivo vetar alguns benefícios processuais aos praticantes de crimes considerados como repug- nantes pela sociedade. Os crimes explicitados pelo inciso são: tor-

sociedade. Os crimes explicitados pelo inciso são: tor- e os hediondos. Os crimes hediondos, expressamente dispostos

e os hediondos.

Os crimes hediondos, expressamente dispostos no artigo 1º, da Lei nº 8072/90 são os seguintes:

a) homicídio quando praticado em atividade típica de grupo

de extermínio, ainda que cometido por um só agente e homicídio

ainda que cometido por um só agente e homicídio b) latrocínio (roubo seguido de morte); c)

b) latrocínio (roubo seguido de morte);

c) extorsão mediante sequestro;

(roubo seguido de morte); c) extorsão mediante sequestro; e) estupro; f) atentado violento ao pudor; g)

e) estupro;

f) atentado violento ao pudor;

g) epidemia com resultado morte;

h) genocídio.

Como é possível perceber, tanto os crimes hediondos como

Como é possível perceber, tanto os crimes hediondos como de graça ou anistia. O legislador buscou

de graça ou anistia. O legislador buscou com essa vedação não garantir a possibilidade de extinção da punibilidade aos autores dos crimes em questão. Ademais, cabe ressaltar que as consequ- ências pela prática desses delitos abrangem os autores, mandantes, executores e os que se omitiram, quando da possibilidade de evitar que o mesmo se perpetuasse.

da possibilidade de evitar que o mesmo se perpetuasse. grupos armados, civis ou militares, contra a

grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucio- nal e o Estado Democrático;

contra a ordem constitucio- nal e o Estado Democrático; da ação de grupos, armados, civis ou

da ação de grupos, armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. Como já foi explicitado anteriormente, o cometimento de tais crimes não são submetidos

o cometimento de tais crimes não são submetidos possa aguardar em liberdade eventual sentença

possa aguardar em liberdade eventual sentença condenatória. Não obstante, a prática de tais ações se caracterizam como imprescrití- veis, ou seja, o Estado não possui um tempo delimitado para apu- ração dos fatos, podendo levar anos para solucionar o caso.

XLV- nenhuma pena passará da pessoa do condenado, po- dendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra

ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra Neste inciso estamos diante do princípio

Neste inciso estamos diante do princípio da personalização da pena. Preliminarmente, para melhor compreensão do inciso é necessário explicitar que estamos diante de responsabilidades nos âmbitos civil e penal.

No âmbito penal, a pena é personalíssima, ou seja, deverá ser cumprida pelo sujeito praticante do delito, não podendo ser trans-

pelo sujeito praticante do delito, não podendo ser trans- se o condenado falecer, de acordo com

se o condenado falecer, de acordo com o artigo 107 do Código

Penal, será extinta a punibilidade do mesmo. Todavia, quando tratamos de responsabilidade no âmbito ci-

vil, a interpretação é realizada de maneira diversa. De acordo com

o inciso supracitado, a obrigação de reparar o dano e a decretação de perdimento de bens podem se estender aos sucessores do con-

-
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nio transferido. Isso ocorre pelo fato que no âmbito civil a pena não possui o caráter personalíssimo.

XLVI- a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:

a) privação ou restrição de liberdade;

b) perda de bens;

c) multa;

d) prestação social alternativa;

e) suspensão ou interdição de direitos;

Este inciso expressa o princípio da individualização da pena. Desta maneira, além do principio da personalização da pena, há

o emprego da individualização no cumprimento da pena, pois é

necessário que exista uma correspondência entre a conduta exter-

nalizada pelo sujeito e a punição descrita pelo texto legal. Nesse passo, o inciso XLVI traz, em seu bojo, as espécies de penas admissíveis de aplicação no Direito Pátrio. São elas:

a) privação ou restrição de direitos

b) perda de bens;

c) multa;

d) prestação social alternativa;

e) suspensão ou interdição de direitos.

alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos. admissíveis no ordenamento jurídico brasileiro, para,

admissíveis no ordenamento jurídico brasileiro, para, posterior- mente, no inciso subsequente expressar as espécies de penas ve- dadas.

XLVII- não haverá penas:

a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos

do artigo 84, XIX;

b) de caráter perpétuo;

c) de trabalhos forçados;

d) de banimento;

e) cruéis;

Aqui estamos diante do rol taxativo de penas não passíveis de aplicação no ordenamento jurídico brasileiro. São elas:

Pena de morte – em regra, não será admitida sua aplicação no Direito Pátrio. Todavia, a própria alínea “a” demonstra a possibili- dade de aplicação de tal pena nos casos de guerra declarada.

Pena de caráter perpétuo: Não é admissível sua aplica- ção, pois uma das características inerentes da pena é o caráter de provisoriedade.de aplicação de tal pena nos casos de guerra declarada. Pena de trabalhos forçados: Essa espécie

Pena de trabalhos forçados: Essa espécie de pena proí- be o trabalho infamante, prejudicial ao condenado, em condições muito difíceis. No entanto, é importante salientar que a proibição de trabalhos forçados não impede o trabalho penitenciário, utiliza- do como sistemática de recuperação.ção, pois uma das características inerentes da pena é o caráter de provisoriedade. Didatismo e Conhecimento

Didatismo e Conhecimentode trabalhos forçados não impede o trabalho penitenciário, utiliza- do como sistemática de recuperação. 15

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Pena de banimento: A pena de banimento consiste na ex- pulsão

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Pena de banimento: A pena de banimento consiste na ex- pulsão do

Pena de banimento: A pena de banimento consiste na ex- pulsão do brasileiro do território nacional. Tal pena é proibida pela nossa Constituição sem qualquer ressalva. Pena cruel: Essa espécie de pena é vedada pelo ordena-

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plexa, haja vista se tratar de questão subjetiva, pois cada pessoa

pode atribuir um conceito diverso a tal expressão.

XLVIII- a pena será cumprida em estabelecimentos distin- tos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do ape- nado;

De acordo com o inciso supracitado a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, devendo-se levar em conta critérios, como: natureza do delito, idade e sexo do apenado. Um exemplo a ser citado é o da FEBEM, para onde são destinados os adolescen- tes que cometem atos infracionais.

XLIX- é assegurado aos presos o respeito à integridade fí- sica e moral;

Este inciso protege a integridade física e moral dos presidiá- rios. É importante salientar que este inciso é um desdobramento do princípio da dignidade da pessoa humana, pois, independente- mente do instinto criminoso, o preso é uma pessoa que possui seus direitos protegidos pela Carta Magna.

L- às presidiárias serão asseguradas condições para que

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mentação;

Neste inciso não se busca a proteção dos direitos da presidiá-

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tância a alimentação das crianças com leite materno, bem como a

convivência com a mãe nos primeiros dias de vida.

LI- nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturaliza-

do, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização,

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O presente inciso demonstra a impossibilidade do brasileiro nato. Em hipótese alguma o brasileiro nato será extraditado. To- davia, o brasileiro naturalizado, poderá ser extraditado desde que ocorram as seguintes situações:

Antes da naturalização – prática de crime comum, com- Depois da naturalização – comprovado envolvimento
Antes da naturalização – prática de crime comum, com-
Depois da naturalização – comprovado envolvimento em

LII- não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;

Este inciso traz as únicas hipóteses em que o estrangeiro não será extraditado, quais sejam: O cometimento de crime político ou de opinião. É importante não confundir a expressão “crime polí- tico” com a expressão “crime eleitoral”. Essa diferenciação é de extrema importância, pois crimes políticos são aqueles que aten-

tam contra a estrutura política de um Estado, enquanto os crimes eleitorais são aqueles referentes ao processo eleitoral, explicitados pelo Código respectivo.

LIII- ninguém será processado nem sentenciado senão por autoridade competente;

Este inciso expressa a existência de dois princípios consagrados pela doutrina. O primeiro diz respeito ao princípio do promotor na- tural e o segundo ao princípio do juiz natural. O princípio do promo- tor natural consiste no fato que ninguém será processado, senão por autoridade competente, ou seja, será necessária a existência de um Promotor de Justiça previamente competente ao caso, não se admi- tindo, portanto, a designação de uma autoridade para atuar em deter- minado caso. Já a segunda parte do inciso demonstra a presença do princípio do juiz natural, onde há a consagração que ninguém será sentenciado, senão por autoridade competente. Isso importa dizer que não será possível existência de juízos ou tribunais de exceção,

possível existência de juízos ou tribunais de exceção, LIV- ninguém será privado da liberdade ou de

LIV- ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;

Este inciso denota o princípio constitucional do devido pro- cesso legal. Tal princípio dispõe que ninguém será privado da li- berdade ou de seus bens sem o devido processo legal. Esse princí- pio abrange várias questões. Para que haja um processo legal, há necessidade da observância do contraditório e da ampla defesa,

não poderão ser utilizadas provas ilícitas, bem como não poderá haver julgamento por autoridade incompetente. Como é possível perceber, o princípio do devido processo legal abrange vários ou- tros princípios, visando, desta maneira, chegar a um provimento

jurisdicional satisfativo.

LV- aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e

aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e defesa, com os meios e recursos a ela

defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

Neste inciso estamos diante dos princípios do contraditório e da

inciso estamos diante dos princípios do contraditório e da importantes existentes no ordenamento jurídico. É

importantes existentes no ordenamento jurídico. É importante salien- tar que o contraditório e a ampla defesa devem ser observados não somente em processos judiciais, mas também nos administrativos. Todavia, existem questões controversas acerca do contraditó- rio e da ampla defesa. Uma delas diz respeito ao inquérito policial. Cabe ressaltar não ser admissível a aplicação de tais princípios no inquérito, pois inexiste a presença de acusação no mesmo. O in- quérito somente consiste em um instrumento administrativo, ten- dente a coleta de provas que visem embasar a propositura da ação penal pelo membro do Ministério Público. Desta maneira, inexistem a acusação neste caso, não há que se cogitar da aplicação dos princípios do contraditório e da ampla defesa.

LVI- são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;

Quando passamos a discutir o assunto referente às provas ilícitas, é necessário tecer alguns comentários. A Constituição ao

referente às provas ilícitas, é necessário tecer alguns comentários. A Constituição ao Didatismo e Conhecimento 16

Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL explicitar serem inadmissíveis no processo, as provas obtidas por meios ilícitos,

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

explicitar serem inadmissíveis no processo, as provas obtidas por meios ilícitos, trata das provas que afetam diretamente o Direi- to Material ou Substantivo. Todavia, quando falamos em Direito Processual ou Adjetivo, as provas não são mais taxadas de ilícitas, mas sim de ilegítimas. Em que pese essas considerações, ambos os tipos de provas são inadmissíveis no processo, sob pena de nuli- dade do mesmo.

LVII- ninguém será considerado culpado até o trânsito em

LVII- ninguém será considerado culpado até o trânsito em Aqui estamos diante do princípio da presunção

Aqui estamos diante do princípio da presunção de inocência ou da não-culpabilidade. Conforme dispõe o próprio inciso, nin- guém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sen- tença penal condenatória. Quando falamos em trânsito em julgado da sentença penal condenatória, estamos diante de uma sentença que condenou alguém pela prática de um crime e não há mais pos- sibilidade de interposição de recursos. Assim, após o trânsito em julgado da sentença será possível lançar o nome do réu no rol dos culpados. Uma consequência desse princípio é a impossibilidade de lan- çamento do nome do réu nos rol dos culpados após a sentença de pronúncia. A sentença de pronúncia é aquela que encerra a primei-

A sentença de pronúncia é aquela que encerra a primei- autoria e materialidade. Como já dito

autoria e materialidade. Como já dito anteriormente, não é possível efetuar o lançamento do nome do réu no rol dos culpados após essa sentença, pois o mesmo ainda será julgado pelo Tribunal do Júri, constitucionalmente competente para julgar os crimes dolo- sos contra a vida. Outro ponto controverso diz respeito à prisão preventiva. Muito se discutiu se a prisão preventiva afetaria ao princípio da presunção de inocência. Todavia, esse assunto já foi dirimido pela

de inocência. Todavia, esse assunto já foi dirimido pela o princípio exposado no inciso em questão.

o princípio exposado no inciso em questão.

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A regra admitida pelo Texto Constitucional é que o indivíduo

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A Lei nº 10.054/00, traz em seu artigo 3º, as hipóteses em que

nº 10.054/00, traz em seu artigo 3º, as hipóteses em que São elas: Estiver indiciado ou

São elas:

Estiver indiciado ou acusado pela prática de homicídio
Estiver indiciado ou acusado pela prática de homicídio

de documento de identidade; O estado de conservação ou a distância temporal da ex- pedição de documento apresentado impossibilite a completa iden-

de documento apresentado impossibilite a completa iden- Constar de registros policiais o uso de outros nomes
de documento apresentado impossibilite a completa iden- Constar de registros policiais o uso de outros nomes

Constar de registros policiais o uso de outros nomes ou

Houver registro de extravio do documento de identidade; Indiciado ou acusado não comprovar, em quarenta e oito horas, sua ide

LIX- será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal;

O inciso LIX consagra a possibilidade de ajuizamento da ação

penal privada subsidiária da pública. Preliminarmente, antes de

tecer quaisquer comentários acerca dessa espécie de ação, cabe

ressaltar que as ações penais se dividem em: ações penais públicas

e ações penais privadas. As ações penais públicas, que possuem o Ministério Público como legitimado privativo na sua proposição, se dividem em ações penais públicas incondicionadas e ações penais públicas condicio- nadas. As ações penais públicas incondicionadas independem de qualquer espécie de condição para a sua propositura. Neste caso, se o membro do Ministério Público, após a análise do caso con- creto, se convencer da ocorrência de crime, deverá oferecer a de- núncia, peça processual inaugural da ação penal. Como é possível perceber, na ação penal pública incondicionada, o Ministério Pú- blico poderá iniciar a ação penal sem a necessidade de obediência de qualquer condição. Noutro passo, as ações penais condicionadas dependem da obediência de algumas condições para que o Ministério Público possa oferecer a denúncia, e assim, dar início à ação penal que levará a uma sentença penal que poderá ter cunho condenatório ou absolutório. As condições a serem obedecidas são as seguintes: represen- tação do ofendido e requisição do Ministro da Justiça. Desta forma, os crimes onde imperem ações penais condicio-

nadas, seja à representação, seja à requisição do Ministro da Justi- ça, dependeram da obediência dos mesmos, para que seja possível

o Ministério Público oferecer a denúncia e dar início à ação penal.

É importante salientar que os crimes onde seja necessário o

ajuizamento de ação penal pública condicionada e os de ação penal

privada serão expressamente dispostos. Assim, podemos chegar

a conclusão de que, subtraídos os crimes de ação penal pública

condicionada e os crimes de ação penal privada, os demais serão de ação penal pública incondicionada. Os crimes de ação penal privada são aqueles em que o Estado

transferiu a titularidade do ajuizamento da ação ao ofendido, ou

seja, à vítima do crime.

A ação penal privada se divide em algumas espécies, mas va-

mos nos ater à ação penal privada subsidiária da pública, objeto do inciso em estudo.

Essa espécie de ação penal privada irá entrar em cena quando

o Ministério Público, legitimado privativa ao exercício da ação pe-

nal pública, agir com inércia, ou seja, deixar, por exemplo, de ofe- recer a denúncia. Assim, em caso de inércia do Ministério Público,

o próprio ofendido poderá ajuizar a ação penal. Cabe ressaltar, no

presente caso, que mesmo havendo a inércia do Ministério Público

e o eventual ajuizamento da ação pelo ofendido, a legitimidade

privativa no ajuizamento da ação penal conferida ao Ministério

Público não é transferida.

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cessuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;

A regra, de acordo com o artigo 93, inciso IX, da Constituição

da República Federativa do Brasil de 1988, é a publicidade de todos

IX, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, é a publicidade de todos Didatismo

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL os atos processuais. Todavia o inciso LX, dispõe que poderá haver

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

os atos processuais. Todavia o inciso LX, dispõe que poderá haver restrição da publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem. Um exemplo do pre- sente caso diz respeito às questões referentes ao Direito de Família.

respeito às questões referentes ao Direito de Família. ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária

ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária compe- tente, salvo nos caso de transgressão militar ou crime propria-

salvo nos caso de transgressão militar ou crime propria- A liberdade é um direito do cidadão

A liberdade é um direito do cidadão constitucionalmente tu- telado. Todavia, a prisão constitui uma das restrições à aplicabi- lidade do direito à liberdade. Este inciso explicita que ninguém

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damentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos

de autoridade judiciária competente, salvo nos casos em lei. De acordo com este inciso só existem

em lei. De acordo com este inciso só existem duas maneiras de se efetuar a prisão de um indivíduo. A primeira se dá através da prisão

de um indivíduo. A primeira se dá através da prisão praticando o crime. É importante salientar

praticando o crime. É importante salientar que existem diversas

o crime. É importante salientar que existem diversas ao gênero para entendimento deste inciso. Cabe ressaltar

ao gênero para entendimento deste inciso.

Cabe ressaltar que a

gênero para entendimento deste inciso. Cabe ressaltar que a fundamentada de juiz competente, pois este tipo

fundamentada de juiz competente, pois este tipo de prisão pode ser realizada por qualquer pessoa. Já a segunda maneira é a prisão realizada por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. É importante ressaltar que existem diversas espécies de prisão, tais como: prisão preventiva, prisão temporária, dentre outras. Essas prisões pres- supõem a existência de um mandado de prisão assinado pelo juiz competente. Em que pese a garantia de que ninguém será preso senão atra- vés das hipóteses supracitadas, cabe ressaltar que para os militares

supracitadas, cabe ressaltar que para os militares comentado, os militares poderão ser presos em razão de

comentado, os militares poderão ser presos em razão de transgres- são militar ou pelo cometimento de crime militar, previstos em lei.

LXII- a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família ou à pessoa por ele indicada;

Este inciso de demonstra alguns dos direitos do preso, dentre eles a comunicação à família ou pessoa por ele indicada. Ademais, é importante salientar que o juiz competente também será comuni- cado para que tome as medidas cabíveis.

LXIII- o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistên- cia da família e de advogado;

Neste inciso, outros direitos do preso estão presentes, quais sejam: o de permanecer calado, de assistência da família e de ad- vogado. O primeiro deles, trata da possibilidade do preso perma- necer calado, haja vista que o mesmo não é obrigado a produzir prova contra si. Ademais, os outros garantem que seja assegurado ao mesmo a assistência de sua família e de um advogado.

ao mesmo a assistência de sua família e de um advogado. responsáveis pela prisão ou pelo
ao mesmo a assistência de sua família e de um advogado. responsáveis pela prisão ou pelo

responsáveis pela prisão ou pelo interrogatório, pois com a identi-

pela prisão ou pelo interrogatório, pois com a identi- eventuais atos abusivos cometidos contra o preso.

eventuais atos abusivos cometidos contra o preso.

LXV- a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela au- toridade judiciária;

Este inciso demonstra-se de extrema relevância, pois permite

o relaxamento da prisão do indivíduo que porventura tenha sofrido

cerceamento em sua liberdade por uma prisão que esteja eivada pela ilegalidade. Este ilegalidade pode ocorrer por diversos moti-

vos, como por exemplo, nulidades, abuso de autoridade no ato da

prisão, dentre outros. Desta maneira, comprovada a ilegalidade da prisão, demons- tra-se medida de rigor o relaxamento da mesma, ou seja, a liberta- ção do indivíduo do cárcere.

LXVI- ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quan-

ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quan- Diferentemente do inciso anterior, onde a prisão

Diferentemente do inciso anterior, onde a prisão encontrava- -se eivada pela ilegalidade, aqui estamos diante de prisão legal- mente realizada, sem ocorrência de nulidades, vícios ou abusos. Todavia, o Código de Processo Penal Brasileiro admite que o indi- víduo responda ao processo pelo crime que cometeu em liberdade,

responda ao processo pelo crime que cometeu em liberdade, existem outros casos em que é admissível

existem outros casos em que é admissível a liberdade provisória,

outros casos em que é admissível a liberdade provisória, Cabe ressaltar que a liberdade provisória com

Cabe ressaltar que a liberdade provisória com o pagamento de

ressaltar que a liberdade provisória com o pagamento de deverá ser analisada somente pelo Juiz de
ressaltar que a liberdade provisória com o pagamento de deverá ser analisada somente pelo Juiz de

deverá ser analisada somente pelo Juiz de Direito.

LXVII- não haverá prisão civil por dívida, salvo a do respon- sável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação

inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação Este inciso consagra, em regra, a impossibilidade de prisão

Este inciso consagra, em regra, a impossibilidade de prisão ci- vil por dívida no ordenamento jurídico brasileiro. Todavia, a parte

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veis de prisão civil no Brasil. A primeira delas será aplicada ao responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obri-

gação alimentícia, ou seja, o indivíduo que tem o dever de efetuar

o pagamento de “pensão alimentícia” e não o efetua, sem qualquer

de “pensão alimentícia” e não o efetua, sem qualquer A outra hipótese de admissibilidade de prisão

A outra hipótese de admissibilidade de prisão civil em nosso

outra hipótese de admissibilidade de prisão civil em nosso recebeu a incumbência de guardar e zelar

recebeu a incumbência de guardar e zelar por determinada coisa, com a obrigação de devolvê-la, e no momento que for solicitado não o faz, poderá ser preso. Será considerado neste caso como de-

poderá ser preso. Será considerado neste caso como de- Todavia segundo a Súmula Vinculante Nº 25

Todavia segundo a Súmula Vinculante Nº 25 do STF: “É

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LXVIII- conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;

violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; Didatismo e

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Neste inciso estamos diante de um dos remédios constitucio- nais processuais

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Neste inciso estamos diante de um dos remédios constitucio- nais processuais mais importantes existentes no ordenamento jurí- dico, qual seja: o habeas corpus. Este remédio constitucional tem por escopo assegurar a efeti- va aplicação do direito de locomoção, ou seja, o direito de ir, vir e permanecer em um determinado local. Como é possível perceber, este remédio constitucional poderá ser utilizado tanto no caso de iminência de violência ou coação à liberdade de locomoção, como no caso de efetiva ocorrência de ato atentatório à liberdade supracitada. Assim, são duas as espécies de habeas corpus:

Preventivo: Neste caso o habeas corpus será impetrado pelo indivíduo que se achar ameaçado de sofrer violência ou coa- ção em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Esta espécie de habeas corpus será impetrada na iminência de ocorrência de violência ou coação à liberdade de locomoção,

de violência ou coação à liberdade de locomoção, um livre trânsito em sua liberdade de locomoção
de violência ou coação à liberdade de locomoção, um livre trânsito em sua liberdade de locomoção

um livre trânsito em sua liberdade de locomoção (ir, vir e perma- necer).

Repressivo: Aqui haverá a impetração quando alguém sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Assim, estamos diante de um ato atentatório já realizado contra a liberdade de locomoção do indiví-em sua liberdade de locomoção (ir, vir e perma- necer). de obter a expedição de um

já realizado contra a liberdade de locomoção do indiví- de obter a expedição de um alvará

de obter a expedição de um alvará de soltura.

LXIX- conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou ha- beas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições de Poder Público;

O mandado de segurança é um outro importante remédio

constitucional que tem por objetivo a tutela de direito líquido e certo, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso do poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.

De acordo com o inciso supracitado, o objeto desta ação cons-

titucional é a proteção de direito líquido e certo. Direito líquido e certo é aquele que pode ser demonstrado de plano, através de prova pré-constituída, sendo, portanto, dispensada a dilação probatória.

É importante salientar que somente será possível a impetração de mandado de segurança, nos casos não amparados por habeas corpus ou habeas data. Isso ocorre pelo fato de que é necessário utilizar o remédio processual adequado ao caso. Caber ressaltar que um dos requisitos mais importantes para a impetração do

um dos requisitos mais importantes para a impetração do ilegalidade ou abuso do poder. De acordo

ilegalidade ou abuso do poder. De acordo com o inciso em questão a autoridade poderá ser pública ou agente de pessoa jurídica no

poderá ser pública ou agente de pessoa jurídica no de mandado de segurança, autoridade é o

de mandado de segurança, autoridade é o agente investido no poder de decisão. É importante tal caracterização, pois, desta maneira, não há o risco de ilegitimidade passiva na impetração do mandado de segurança. Similarmente ao habeas corpus, existem duas espécies de mandado de segurança:

Preventivo: Quando estamos diante de ameaça ao direito líquido e certo, por ilegalidade ou abuso de poder. Repressivo: Quando a ilegalidade ou abuso de poder já foram praticados.

Quando a ilegalidade ou abuso de poder já foram praticados. LXX- o mandado de segurança coletivo
Quando a ilegalidade ou abuso de poder já foram praticados. LXX- o mandado de segurança coletivo

LXX- o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado

por:

a) partido político com representação no Congresso Nacional;

b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;

Neste inciso encontra-se presente o remédio constitucional denominado de mandado de segurança coletivo. Este remédio

denominado de mandado de segurança coletivo. Este remédio certo, não amparado por habeas corpus ou habeas

certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, por ile- galidade ou abuso de poder referente à proteção ou reparação de interesses da coletividade.

É importante salientar que somente serão legitimados para

a impetração do mandado de segurança coletivo os disposto no

inciso supracitado. São eles:

Partido político com representação no Congresso Nacio-

nal;

Organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída há pelo menos um ano, em defesa dos inte- resses de seus membros ou associados. Cabe frisar que deverão ser obedecidos todos os requisitos es- tabelecidos para que seja possível a impetração do remédio consti- tucional. Cabe ressaltar que uma associação legalmente constituí- da há menos de um ano não pode impetrar mandado de segurança coletivo, pois há necessidade da menos de um ano não pode impetrar mandado de segurança coletivo, pois há necessidade da constituição legal da mesma por, no mínimo, um ano. Ademais, há necessidade de que o objeto da tutela seja a defesa dos interesses dos membros ou associados, sob pena de não consagração do remédio constitucional supracitado. Outrossim, para que os partidos políticos sejam legitimados ativos para a impetração de mandado de segurança coletivo há ne- cessidade de que os mesmos possuam representação no Congresso Nacional.

que os mesmos possuam representação no Congresso Nacional. LXXI- conceder-se-á mandado de injunção sempre que a

LXXI- conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas ineren- tes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;

Este inciso traz, em seu bojo, o mandado de injunção, que tem por escopo principal combater a inefetividade das normas cons- titucionais. Para que seja possível a impetração de mandado de injunção há necessidade da presença de dois requisitos:

Existência de norma constitucional que preveja o exer- cício de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Inexistência de norma regulamentadora que torne inviá- vel o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prer- rogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.

A grande consequência do mandado de injunção consiste na

comunicação ao Poder Legislativo para que elabore a lei necessá-

ria ao exercício dos direitos e liberdades constitucionais.

ria ao exercício dos direitos e liberdades constitucionais. LXXII- conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o
ria ao exercício dos direitos e liberdades constitucionais. LXXII- conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o

LXXII- conceder-se-á habeas data:

a) para assegurar o conhecimento de informações relativas

à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de da- dos de entidades governamentais ou de caráter público;

da- dos de entidades governamentais ou de caráter público; por processo sigiloso, judicial ou administrativo; Didatismo

por processo sigiloso, judicial ou administrativo;

governamentais ou de caráter público; por processo sigiloso, judicial ou administrativo; Didatismo e Conhecimento 19

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL O habeas data, considerado como um remédio constitucional, tem por escopo

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

O habeas data, considerado como um remédio constitucional, tem por escopo assegurar o direito de informação consagrado no artigo 5º, XXXIII, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. De acordo com o princípio da informação todos têm direito de receber informações dos órgãos públicos, sendo apresentadas algumas ressalvas. Assim, o habeas data é o remédio constitucional adequado à tutela do direito de informação, pois, através dele busca-se assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constante de registros ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público.

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so sigiloso, judicial ou administrativo.

LXXIII- qualquer cidadão é parte legítima para propor ação

qualquer cidadão é parte legítima para propor ação entidade de que o Estado participe, à moralidade

entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa,

de que o Estado participe, à moralidade administrativa, o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas

o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do

salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do Neste inciso estamos diante da Ação Popular,

Neste inciso estamos diante da Ação Popular, efetivo instru- mento processual utilizado para anulação de atos lesivos ao pa-

processual utilizado para anulação de atos lesivos ao pa- importância como o meio ambiente. Tal instrumento,

importância como o meio ambiente. Tal instrumento, regido pela Lei nº 4.717/65, confere legitimi-

dade de propositura ao cidadão, imbuído de direitos políticos, civis

e sociais. Este remédio constitucional, cuja legitimidade para pro- positura, é do cidadão, visa um provimento jurisdicional (senten-

é do cidadão, visa um provimento jurisdicional (senten- Quando o inciso em questão explicita que qualquer

Quando o inciso em questão explicita que qualquer cidadão poderá ser parte legítima para proporá a ação popular, é necessário ter em mente que somente aquele que se encontra no gozo dos direitos políticos, ou seja, possa votar e ser votado, será detentor de tal prerrogativa. Existe um grande debate na doutrina sobre um eventual con-

Existe um grande debate na doutrina sobre um eventual con- A ação civil pública, explicitada pela

A ação civil pública, explicitada pela lei nº 7347/85, é um ins-

trumento processual tendente a tutelar interesses difusos, coletivos

e individuais homogêneos. Neste caso, a Lei da Ação Civil Públi-

ca, dispõe, em seu artigo 5º, um rol de legitimados à propositura da ação, como por exemplo: a União, os Estados, os Municípios,

o Distrito Federal, o Ministério Público, dentre outros. Desta ma-

neira, se formos analisar minuciosamente o conteúdo disposto no artigo 5º, podemos perceber que o cidadão individualmente con- siderado, detentor de direitos políticos, não é legitimado para a

detentor de direitos políticos, não é legitimado para a essas ações, pois, indubitavelmente, ambas se completam

essas ações, pois, indubitavelmente, ambas se completam em seus objetos.

LXXIV- o Estado prestará assistência jurídica integral e

LXXIV- o Estado prestará assistência jurídica integral e De acordo com o inciso supracitado será dever

De acordo com o inciso supracitado será dever do Estado a

prestação de assistência jurídica integral e gratuita aos que com-

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de de atender aos indivíduos mais necessitados, a própria Consti- tuição em seu artigo 134, trata da Defensoria Pública, instituição

seu artigo 134, trata da Defensoria Pública, instituição a Defensoria Pública é instituição essencial à função

a Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados, na forma do artigo 5º, LXXIV.

LXXV- o Estado indenizará o condenado por erro judiciário,

LXXV- o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, Este inciso consagra o dever de indenização

Este inciso consagra o dever de indenização do Estado no caso

inciso consagra o dever de indenização do Estado no caso Aqui estamos diante de responsabilidade objetiva

Aqui estamos diante de responsabilidade objetiva do Estado, ou seja, comprovado o nexo de causalidade entre a conduta e o resul-

tado danoso, será exigível a indenização, independentemente da comprovação de culpa ou dolo.

LXXVI- são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei:

a) o registro civil de nascimento;

pobres, na forma da lei: a) o registro civil de nascimento; Conforme explicita o inciso em

Conforme explicita o inciso em tela, a Constituição garante aos reconhecidamente pobres a gratuidade do registro civil de nas- cimento e da certidão de óbito. É importante salientar que a gratui- dade somente alcança aos reconhecidamente pobres.

LXXVII- são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data e, na forma da lei, os atos necessário ao exercício da cida- dania;

Este inciso expressa a gratuidade das ações de habeas corpus

e habeas data, além dos atos necessários ao exercício da cidadania,

como por exemplo, a emissão do título de eleitor, que garante ao indi-

a emissão do título de eleitor, que garante ao indi- LXXVIII- a todos, no âmbito judicial

LXXVIII- a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que ga- rantam a celeridade de sua tramitação.

Visando combater a morosidade do Poder Judiciário, este in- ciso trouxe ao ordenamento jurídico brasileiro a garantia de ra- zoabilidade na duração do processo. Como é possível perceber, a duração razoável do processo deverá ser empregada tanto na esfera judicial, como administrativa, fazendo com que o jurisdicionado não necessite aguardar longos anos à espera de um provimento jurisdicional. Não obstante o inciso em questão ainda denota que serão assegurados os meio que garantam a celeridade da tramita- ção do processo.

que garantam a celeridade da tramita- ção do processo. fundamentais têm aplicação imediata. O parágrafo em

fundamentais têm aplicação imediata.

O parágrafo em tela demonstra que os direitos e garantias

fundamentais constantes no bojo de toda a Carta Magna passaram

a ter total validade com a entrada em vigor da Constituição, in- dependentemente, da necessidade de regulamentação de algumas matérias por lei infraconstitucional.

§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição

não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.

adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. Didatismo e

Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL O parágrafo 2º explicita que os direitos e garantias expressos em

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

O parágrafo 2º explicita que os direitos e garantias expressos

em toda a Constituição não excluem outros decorrentes do regime

e dos princípios adotados pela mesma, ou dos tratados internacio-

nais em que o Brasil seja parte. Desta maneira, além dos direitos

e garantias já existentes, este parágrafo consagra a possibilidade

de existência de outros decorrentes do regime democrático. Não obstante, o parágrafo supracitado não exclui outros princípios de- rivados de tratados internacionais em que o Brasil seja signatário. Quando o assunto abordado diz respeito aos tratados, cabe res-

saltar a importante alteração trazida pela Emenda Constitucional nº 45/04, que inseriu o parágrafo 3º, que será analisado posterior- mente.

§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos

humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos das respectivos membros, será equivalentes às emendas constitucionais.

Este parágrafo trouxe uma novidade inserida pela Emenda Constitucional nº 45/04 (Reforma do Judiciário). A novidade con- siste em atribuir aos tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos o mesmo valor de emendas constitucionais, des- de que sejam aprovados pelo rito necessário. Para que as emen- das alcancem tal caráter é necessária a aprovação em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos do votos dos membros. Todavia, cabe ressaltar que este parágrafo somen- te abrange os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. Assim, os demais tratados serão recepcionados pelo or- denamento jurídico brasileiro com o caráter de lei ordinária, dife- rentemente do tratamento dado aos tratados de direitos humanos, com a edição da Emenda 45/04. Desta maneira, com a edição da emenda supracitada um gran- de debate doutrinário foi suscitado com o escopo de esclarecer al-

doutrinário foi suscitado com o escopo de esclarecer al- seguinte: os tratados internacionais, cujo objeto de

seguinte: os tratados internacionais, cujo objeto de tutela sejam os direitos humanos, editados anteriormente à Reforma do Judiciário,

humanos, editados anteriormente à Reforma do Judiciário, A doutrina não é unânime no tocante ao assunto

A doutrina não é unânime no tocante ao assunto supracitado,

mas considero mais correta a corrente que permite a equiparação às emendas constitucionais dos tratados internacionais de direitos humanos inseridos no ordenamento jurídico brasileiro anterior- mente à Reforma do Judiciário, desde que sejam submetidos ao rito exigido para a aprovação das emendas constitucionais. Caso contrário, deverão continuar com o caráter de Lei Ordinária.

§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal

Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.

Este parágrafo é outra novidade inserida ao ordenamento ju-

rídico pela Emenda Constitucional nº 45/04. Nos moldes do pará- grafo supracitado o Brasil se submete à jurisdição do TPI (Tribunal Penal Internacional) a cuja criação tenha manifestado adesão. Este parágrafo incorre na problemática citada nos comentários do pará- grafo anterior, pois o assunto aqui é referente a direitos humanos. Com a inclusão do parágrafo anterior, essas espécies de tratados serão equiparadas às emendas constitucionais, desde que tenham passado pelo rito de aprovação dessa espécie normativa. Todavia,

a criação do TPI e sua posterior adesão pelo nosso país ocorreram

antes da emenda constitucional nº 45/04. Nesse passo, tal tratado

foi equiparado no ordenamento jurídico brasileiro às leis ordiná- rias. Em que pese tenha adquirido este caráter, entendo que para que tal tratado seja equipara às emendas constitucionais deverá passar pelo rito de aprovação das mesmas.

NACIONALIDADE

Nacionalidade é o vínculo jurídico de uma pessoa com deter-

minado Estado Soberano. Vínculo que gera direitos, porém, tam- bém acarreta deveres. Cidadão é aquele que está no pleno gozo de seus direitos políticos. Geralmente, cidadão é o nacional, mas pode ocorrer de ser nacional e não ser cidadão (Exemplo: Um indivíduo preso é na- cional, mas não é cidadão, visto estarem suspensos seus direitos políticos). Povo é o elemento humano da nação, do país soberano. É o

-
-

ba nacionais e estrangeiros. Envolve todas as pessoas que estão em

um território num dado momento histórico.

A nacionalidade apresenta-se de duas formas:

a) Nacionalidade originária: Também denominada na-

cionalidade primária ou involuntária, é a nacionalidade dos natos,

não dependendo de qualquer requerimento. É um direito subjetivo, potestativo, que nasce com a pessoa. É potestativo, pois depende exclusivamente de seu titular. Somente a CF poderá estabelecer quem são os natos.

b) Nacionalidade secundária: Também denominada nacio-

nalidade adquirida ou voluntária, é a nacionalidade dos naturaliza- dos, sempre dependendo de um requerimento sujeito à apreciação. Em geral, não é um direito potestativo, visto não ser automático. A pessoa é livre para escolher sua nacionalidade ou optar por outra. A pessoa não pode ser constrangida a manter sua nacionali- dade, podendo optar por outra, sendo aceita ou não.

jus

loci, o critério do jus sanguinis e o critério misto. Critério jus loci: É considerado brasileiro nato aquele que nasce na República Federativa do Brasil, ainda que de pais

estrangeiros, desde que nenhum deles esteja a serviço de seu país.

A República Federativa do Brasil é o seu território nacional mais

suas extensões materiais e jurídicas. Se o estrangeiro estiver em território nacional a serviço de um terceiro país, que não o seu de

nacional a serviço de um terceiro país, que não o seu de Critério jus sanguinis: de
Critério jus sanguinis:
Critério jus sanguinis:

de brasileiros que nascer no estrangeiro estando qualquer um dos pais a serviço da República Federativa do Brasil. Como República Federativa do Brasil entende-se a União, os Estados, os Municí- pios, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas e

as sociedades de economia mista, ou seja, o brasileiro deve estar

a serviço da Administração Direta ou da Administração Indireta. Critério Misto: Também poderá exigir a nacionalidade, os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, des- de que sejam registrados em repartição brasileira competente ou

venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionali- dade brasileira.

e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionali- dade brasileira. Didatismo e

Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Distinção entre Brasileiro Nato e Naturalizado: Somente a CF/88 pode estabelecer

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Distinção entre Brasileiro Nato e Naturalizado: Somente

a CF/88 pode estabelecer distinções entre brasileiros natos e na-

turalizados. Alguns cargos são reservados aos brasileiros natos:

Presidente e Vice-Presidente da República: Só poderão concorrer ao cargo brasileiros natos;

Presidente da Câmara dos Deputados e Presidente do Senado Federal: estão na linha de substituição do Presidente da República, portanto deverão ser brasileiros natos; Presidente do STF: Considerando que todos os Ministros do STF poderão ocupar o cargo de presidência do órgão, também deverão ser brasileiros natos. Os demais cargos do Poder Judiciá- rio poderão ser ocupados por brasileiros natos ou naturalizados; Ministro de Defesa: Cargo criado pela Emenda Constitu- cional 23/99, deverá necessariamente ser ocupado por um brasilei- ro nato;

Membros da Carreira Diplomática: Deverão ser, neces- sariamente, brasileiros natos. Não se impõe essa condição ao Mi- nistro das Relações Exteriores; Parte dos Conselheiros da República (art. 89, VII, da CF/88): O Conselho da República é um órgão consultivo do Pre- sidente da República, devendo ser composto por seis brasileiros natos;

As empresas jornalísticas, de radiodifusão, som e ima- gem são privativas de brasileiros natos ou naturalizados.

gem são privativas de brasileiros natos ou naturalizados. Estatuto da Igualdade (Quase Nacionalidade): O Estatu- to
gem são privativas de brasileiros natos ou naturalizados. Estatuto da Igualdade (Quase Nacionalidade): O Estatu- to
gem são privativas de brasileiros natos ou naturalizados. Estatuto da Igualdade (Quase Nacionalidade): O Estatu- to
gem são privativas de brasileiros natos ou naturalizados. Estatuto da Igualdade (Quase Nacionalidade): O Estatu- to
gem são privativas de brasileiros natos ou naturalizados. Estatuto da Igualdade (Quase Nacionalidade): O Estatu- to
gem são privativas de brasileiros natos ou naturalizados. Estatuto da Igualdade (Quase Nacionalidade): O Estatu- to
gem são privativas de brasileiros natos ou naturalizados. Estatuto da Igualdade (Quase Nacionalidade): O Estatu- to

Estatuto da Igualdade (Quase Nacionalidade): O Estatu- to da Igualdade é decorrente do Tratado entre Brasil e Portugal de 1971. Quando são conferidos direitos especiais aos brasileiros residentes em Portugal são conferidos os mesmos direitos aos por- tugueses residentes no Brasil. O núcleo do Estatuto é a reciproci- dade. Os portugueses que possuem capacidade civil e residência permanente no Brasil podem requerer os benefícios do Estatuto da Igualdade e, consequentemente, há reciprocidade em favor dos brasileiros que residem em Portugal.

Perda da Nacionalidade: Perde a nacionalidade brasileira o brasileiro naturalizado que tiver cancelada a sua naturalização ou adquirir voluntária e ativamente outra nacionalidade.

ou adquirir voluntária e ativamente outra nacionalidade. a) Cancelamento da Naturalização: O elemento básico que

a) Cancelamento da Naturalização: O elemento básico que gera o cancelamento é a prática de atividade nociva ao interesse nacional, reconhecida por sentença judicial transitada em julgado. Entende-se que a prática de atividade nociva tem pressuposto cri- minal (deve ser fato típico considerado como crime). A sentença tem efeitos ex nunc e atinge brasileiros naturalizados. A reaquisi- ção deve ser requerida por meio de ação rescisória. b) Aquisição voluntária e ativa de outra nacionalidade: Atin- ge tanto os brasileiros natos quanto os naturalizados. O instrumen-

to que explicita a perda da nacionalidade nesta hipótese é o decreto

do Presidente da República. Essa perda ocorre por meio de um processo administrativo que culmina com o decreto do Presidente da República, que tem natureza meramente declaratória e efeitos ex nunc. A situação que impõe a perda é a aquisição da outra na- cionalidade. O decreto somente irá reconhecer essa aquisição. A reaquisição deve ser feita por decreto do Presidente da República. Nem sempre a aquisição de outra nacionalidade implica a perda da nacionalidade brasileira. O Brasil, além de admitir a du-

pla nacionalidade, admite a múltipla nacionalidade. Em regra, a aquisição de outra nacionalidade implica a perda da nacionalidade brasileira, entretanto, há exceções.

Símbolos nacionais: Bandeira Nacional, Hino Nacional, Se- los Nacionais, Armas Nacionais. Vamos conferir os artigos pertinentes da Constituição Federal:

CAPÍTULO III DA NACIONALIDADE

Art. 12. São brasileiros:

I - natos:

a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que

de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país;

b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe bra-

sileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil;

c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe bra-

sileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira com-

petente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira;

II - naturalizados:

a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade bra-

sileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;

b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na

República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininter-

ruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a naciona- lidade brasileira.

§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País,

se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta

Constituição.

§ 2º - A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros

natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição.

§ 3º - São privativos de brasileiro nato os cargos:

I - de Presidente e Vice-Presidente da República;

II - de Presidente da Câmara dos Deputados;

III - de Presidente do Senado Federal;

IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;

V - da carreira diplomática;

do Supremo Tribunal Federal; V - da carreira diplomática; VII - de Ministro de Estado da

VII - de Ministro de Estado da Defesa

§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro

que:

I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional;

II - adquirir outra nacionalidade, salvo no casos:

a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei

estrangeira;

b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao

brasileiro residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis;

permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis; Federativa do Brasil. Didatismo e

Federativa do Brasil.

permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis; Federativa do Brasil. Didatismo e

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL § 1º - São símbolos da República Federativa do Brasil a

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

§ 1º - São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais. § 2º - Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos próprios.

DIREITOS POLÍTICOS PARTIDOS POLÍTICOS

Direitos políticos: São as regras que disciplinam o exercício da soberania popular e a participação nos negócios jurídicos do Estado.

Regime de Governo ou Regime Político: É um complexo

-
-

minada concepção do Estado e da Sociedade, e que inspiram seu ordenamento jurídico.

Estado de Direito: É aquele em que todos estão igualmente submetidos à força das leis.

Estado Democrático de Direito: É aquele que permite a efe- tiva participação do povo na administração da coisa pública, vi- sando sobretudo alcançar uma sociedade livre, justa e solidária em que todos (inclusive os governantes) estão igualmente submetidos à força da lei.

Cidadão: Na linguagem popular, povo, população e nacio- nalidade são expressões que se confundem. Juridicamente, po- rém, cidadão é aquele nacional que está no gozo de seus direitos políticos, sobretudo o voto.

População:

de seus direitos políticos, sobretudo o voto. População: Povo : É o conjunto dos cidadãos. Cidadania

Povo: É o conjunto dos cidadãos.

Cidadania: É conjunto de direitos fundamentais e de parti- cipação nos destinos do Estado. Tem sua face ativa (direito de es- colher os governantes) e sua face passiva (direito de ser escolhido governante). Alguns, porém, por imposição constitucional, podem exercer a cidadania ativa (ser eleitor), mas não podem exercer a cidadania passiva (ser candidato), a exemplo dos analfabetos (art. 14, § 4.º, da CF). Alguns atributos da cidadania são adquiridos gradativamente, a exemplo da idade mínima exigida para alguém concorrer a um cargo eletivo (18 anos para Vereador, 21 anos para Deputado etc.).

Sufrágio: Do latim sufragium, apoio. Representa o direito de votar e ser votado e é considerado universal quando se outorga o direito de votar a todos que preencham requisitos básicos previstos na Constituição, sem restrições derivadas de condição de raça, de fortuna, de instrução, de sexo ou de convicção religiosa. O su-

de instrução, de sexo ou de convicção religiosa. O su- preencham determinadas condições de nascimento, de

preencham determinadas condições de nascimento, de fortuna etc. Pode ser restrito censitário (quando impõe restrições vinculadas à

censitário (quando impõe restrições vinculadas à de 1891 e 1934 vedavam o voto dos mendigos) ou

de 1891 e 1934 vedavam o voto dos mendigos) ou restrito capa- citário (pela Constituição Federal de 67 e até a Emenda Constitu-

(pela Constituição Federal de 67 e até a Emenda Constitu- um sistema no qual o voto

um sistema no qual o voto é um dos instrumentos de deliberação.

Voto: É personalíssimo (não pode ser exercido por procura- ção), pode ser direto (como determina a atual CF) ou indireto. É direto quando os eleitores escolhem seus representantes e gover- nantes sem intermediários. É indireto quando os eleitores (denomi- nados de 1º grau) escolhem seus representantes ou governantes por intermédio de delegados (eleitores de 2º grau), que participarão de um Colégio Eleitoral ou órgão semelhante. Observe-se que há exceção ao voto direto no § 1º do art. 81 da CF, que prevê eleição indireta para o cargo de Presidente da República se houver impe- dimento do Presidente e do Vice-Presidente nos dois últimos anos do mandato. O voto é secreto para garantir a lisura das votações,

inibindo a intimidação e o suborno. O voto com valor igual para todos é a aplicação do Direito Político da garantia de que todos são

iguais perante a lei (cada eleitor vale um único voto – one man,

one vote). Não se confunde voto direto com democracia direta. Na verdade, a democracia direta em que os cidadãos se reúnem e exercem sem intermediários os poderes governamentais, adminis-

-
-

de suas administrações já não permitem tal forma de participação (costuma-se citar como exceção alguns cantões suíços, com pe- quenas populações).

Iniciativa Popular, o Referendo e o Plebiscito: Os princi- pais institutos da democracia direta (participativa) no Brasil são a iniciativa popular, o referendo popular e o plebiscito.

a) Iniciativa popular: Uma das formas de o povo exercer

diretamente seu poder é a iniciativa popular, pela qual 1% do eleitorado nacional, distribuídos por pelo menos cinco Estados-

-Membros, com não menos de três décimos de 1% dos eleitores de cada um deles, apresenta à Câmara dos Deputados um projeto de lei (complementar ou ordinária).

b) Referendo: O referendo popular é a forma de manifestação

popular pela qual o eleitor aprova ou rejeita uma atitude gover-

pela qual o eleitor aprova ou rejeita uma atitude gover- emenda constitucional ou um projeto de

emenda constitucional ou um projeto de lei aprovado pelo Poder Legislativo é submetido à aprovação ou rejeição dos cidadãos an- tes de entrar em vigor. Nas questões de relevância nacional, de competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo (matéria constitucional, administrativa ou legislativa), bem como no caso

do § 3.º do art. 18 da CF (incorporação, subdivisão ou desmembra- mento de um Estado), a autorização e a convocação do referendo popular e do plebiscito são da competência exclusiva do Congres-

so Nacional, nos termos do art. 49, XV, da Constituição Federal,

combinado com a Lei nº 9.709/98 (em especial os artigos 2º e 3º).

A iniciativa da proposta do referendo ou do plebiscito deve partir

de 1/3 dos Deputados Federais ou de 1/3 dos Senadores. A aprova- ção da proposta é manifestada (exteriorizada) por decreto legisla- tivo que exige o voto favorável da maioria simples dos Deputados Federais e dos Senadores (voto favorável de mais da metade dos presentes à sessão, observando-se que para a votação ser iniciada exige-se a presença de mais da metade de todos os parlamentares da casa). O referendo deve ser convocado no prazo de trinta dias,

a contar da promulgação da lei ou da adoção de medida adminis-

trativa sobre a qual se mostra conveniente a manifestação popular direta.

c) Plebiscito: O plebiscito é a consulta popular prévia pela

qual os cidadãos decidem ou demostram sua posição sobre deter- minadas questões. A convocação de plebiscitos é de competência exclusiva do Congresso Nacional quando a questão for de interes-

se nacional.

de competência exclusiva do Congresso Nacional quando a questão for de interes- se nacional. Didatismo e

Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL Veto popular: O veto popular é um modo de consulta ao

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Veto popular: O veto popular é um modo de consulta ao elei- torado sobre uma lei existente, visando revogá-la pela votação di- reta. Foi aprovado em 1º turno pela Assembleia Nacional Consti- tuinte, mas acabou sendo rejeitado no 2º turno, não sendo incluído na Constituição Federal de 1988.

Recall: É a chamada para voltar, que também não está prevista em nosso sistema constitucional. É uma forma de revogação de mandato, de destituição, pelos próprios eleitores, de um representante eleito, que é submetido a uma reeleição antes do término do seu mandato.

Pluralismo político: Há que se relembrar inexistir uma demo- cracia substancial sem a garantia do pluralismo político, caracte-

substancial sem a garantia do pluralismo político, caracte- Para tanto, há que se garantir a ampla

Para tanto, há que se garantir a ampla participação de todos (inclu- sive das minorias) na escolha dos membros das casas legislativas, reconhecer a legitimidade das alianças (sem barganhas espúrias) que sustentam o Poder Executivo e preservar a independência e

sustentam o Poder Executivo e preservar a independência e lesão ou ameaça de lesão possa ser

lesão ou ameaça de lesão possa ser legitimamente reparada por um órgão imparcial do Estado.

Alistamento Eleitoral (Capacidade Eleitoral Ativa): Cabe privativamente à União legislar sobre matéria eleitoral. Tanto o Presidente da República quanto o Tribunal Superior Eleitoral po- dem expedir as instruções que julgarem convenientes à boa execu- ção das leis eleitorais; poder regulamentar que excepcionalmente pode ser exercido também pelos Tribunais Regionais Eleitorais nas suas respectivas circunscrições.

-
-

crição) e o voto são obrigatórios para os maiores de dezoito anos. São facultativos, contudo, para o analfabeto, para os maiores de dezesseis anos (até a data do pleito, conforme prevê o art. 12 da Resolução n. 20.132/98) e menores de dezoito, bem como para os maiores de setenta anos.

de dezoito, bem como para os maiores de setenta anos. inobserva a obrigatoriedade de se alistar

inobserva a obrigatoriedade de se alistar e votar. Sem a prova de

-
-

cou devidamente, o eleitor não poderá obter passaporte ou carteira de identidade, inscrever-se em concurso público, receber remune- ração dos entes estatais ou paraestatais, renovar matrícula em esta-

entes estatais ou paraestatais, renovar matrícula em esta- Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e,

Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante

o

serviço militar obrigatório, o conscrito (aquele que, regularmen-

te

convocado, presta o serviço militar obrigatório ou serviço alter-

nativo, incluindo-se no conceito os médicos, dentistas, farmacêuti- cos e veterinários que prestam o serviço militar obrigatório após o encerramento da faculdade). O conscrito que se alistou e adquiriu

o direito de voto antes da conscrição tem sua inscrição mantida,

mas não pode exercer o direito de voto até que o serviço militar ou

alternativo esteja cumprido.

Condições de Elegibilidade (Capacidade Eleitoral Passi- va): São condições de elegibilidade, na forma da lei:

A nacionalidade brasileira (observada a questão da reci- procidade, antes destacada quanto aos portugueses, e que apenas alguns cargos são privativos de brasileiros natos);va): São condições de elegibilidade, na forma da lei: O pleno exercício dos direitos políticos; O

O pleno exercício dos direitos políticos;apenas alguns cargos são privativos de brasileiros natos); O alistamento eleitoral (só pode ser votado quem

O alistamento eleitoral (só pode ser votado quem pode

votar, embora nem todos que votam possam ser votados – como o analfabeto e o menor de 18 e maior de 16 anos);

– como o analfabeto e o menor de 18 e maior de 16 anos); O domicílio
O domicílio eleitoral na; -
O domicílio eleitoral na;
-

ções, nos termos do art. 18 da Lei Federal n. 9.096/95);

A idade mínima de 35 anos para Presidente da Repúbli-

ca, Vice- Presidente da República e Senador; a idade mínima de

Vice- Presidente da República e Senador; a idade mínima de 30 anos para Governador e Vice-Governador;

30

anos para Governador e Vice-Governador; a idade mínima de

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anos para Deputado (Federal, Distrital ou Estadual), Prefeito,

Vice-Prefeito e Juiz de Paz (mandato de 4 anos – art. 98, II, da CF)

e a idade mínima de 18 anos para Vereador.

A aquisição da elegibilidade, portanto, ocorre gradativamen- te. De acordo com o § 2.º do art. 11 da Lei nº 9.504/97, a idade mínima deve estar preenchida até a data da posse. Há, contudo, entendimento jurisprudencial no sentido de que o requisito da ida- de mínima deve estar satisfeito na data do pleito. Não há idade máxima limitando o acesso aos cargos eletivos.

As inelegibilidades (que podem ser previstas pela CF ou por lei complementar: São absolutamente inelegíveis, ou seja, inele- gíveis para qualquer cargo eletivo em todo o território nacional, os inalistáveis (incluídos os conscritos e os estrangeiros) e os analfa- betos. O exercício do mandato não afasta a inelegibilidade, confor- me estabelece a Súmula nº 15 do TSE. São relativamente inelegíveis (só atinge a eleição para deter- minados cargos ou em determinadas regiões) os menores de 35 anos de idade (que não podem ser candidatos a Senador, Presiden- te da República ou Vice-Presidente da República) e, no território

ou Vice-Presidente da República) e, no território adoção, do Presidente da República, de Governador, de
ou Vice-Presidente da República) e, no território adoção, do Presidente da República, de Governador, de

adoção, do Presidente da República, de Governador, de Prefeito ou de quem os haja substituído nos seis meses anteriores ao pleito, salvo se o candidato já for titular de mandato eletivo e concorrer à

candidato já for titular de mandato eletivo e concorrer à porém, são elegíveis para quaisquer cargos

porém, são elegíveis para quaisquer cargos fora da jurisdição do respectivo titular do mandato e mesmo para cargo de jurisdição mais ampla.

-
-

to a Deputado, a Senador, a Governador ou a Presidente da Repú- blica, ainda que não haja desincompatibilização de seu pai.

Perda e Suspensão dos Direitos Políticos: É vedada a

Perda e Suspensão dos Direitos Políticos: É vedada a suspensão (privação temporária) se dará nos casos

suspensão (privação temporária) se dará nos casos de:

a) Cancelamento da naturalização por sentença transitada

em julgado: Somente os nacionais (natos ou naturalizados) e os portugueses com residência permanente no Brasil (preenchido o requisito da reciprocidade) podem alistar-se como eleitores e can- didatos. O cancelamento da naturalização é hipótese de perda dos direitos políticos, e a Lei nº 818/49 prevê sua incidência em caso

de atividades nocivas ao interesse nacional.

b) Recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou presta-

ção alternativa: A recusa de cumprir obrigações a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VII, da CF, implica

a perda dos direitos políticos, pois não há hipótese de restabele- cimento automático. A Lei nº 8.239/91 incluiu a hipótese como sendo de suspensão dos direitos políticos, pois a qualquer tempo

o interessado pode cumprir as obrigações devidas e regularizar a sua situação.

tempo o interessado pode cumprir as obrigações devidas e regularizar a sua situação. Didatismo e Conhecimento

Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL c) Incapacidade civil absoluta: São as hipóteses previstas na lei civil,

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

c) Incapacidade civil absoluta: São as hipóteses previstas na

lei civil, em especial no art. 5º do Código Civil, e supervenientes

à aquisição dos direitos políticos. Desde a Constituição Federal de 1946, a incapacidade civil absoluta está incluída como causa de suspensão dos direitos políticos.

d) Condenação criminal transitada em julgado: A condena-

ção criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos,

é causa de suspensão dos direitos políticos.

e) Improbidade administrativa (art. 15, V, da CF): A im -

probidade administrativa, prevista no art. 37, §4º, da CF, é uma imoralidade caracterizada pelo uso indevido da Administração Pú- blica em benefício do autor da improbidade ou de terceiros, não

em benefício do autor da improbidade ou de terceiros, não Seu reconhecimento gera a suspensão dos

Seu reconhecimento gera a suspensão dos direitos políticos do im- probo.

f) Condenação por crime de responsabilidade: A condenação

por crime de responsabilidade, pode resultar na inelegibilidade do

condenado por até oito anos, mas não afeta o direito de votar. Façamos a leitura do texto constitucional.

CAPÍTULO IV DOS DIREITOS POLÍTICOS

Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio uni- versal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:

I - plebiscito;

II - referendo;

III - iniciativa popular.

§ 1º - O alistamento eleitoral e o voto são:

I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;

II - facultativos para:

a) os analfabetos;

b) os maiores de setenta anos;

c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.

§ 2º - Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e,

durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos.

§ 3º - São condições de elegibilidade, na forma da lei:

I - a nacionalidade brasileira;

II - o pleno exercício dos direitos políticos;

III - o alistamento eleitoral;

IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;

eleitoral; IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; VI - a idade mínima de: a) trinta

VI - a idade mínima de:

a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da

República e Senador;

b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado

e do Distrito Federal;

c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadu-

al ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;

d) dezoito anos para Vereador.

§ 4º - São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.

§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado

e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente.

§ 6º - Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da

República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.

§ 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o

inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o ou por adoção, do Presidente da República, de

ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.

§ 8º - O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:

I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;

II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela

autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.

§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de

§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de probidade administrativa, a moralidade para exercício de

probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e

considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e ou o abuso do exercício de função,

ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta.

§ 10 - O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça

Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída

no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída fraude. § 11 - A ação de

fraude.

§ 11 - A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo

de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.

Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:

I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;

II - incapacidade civil absoluta;

III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto

durarem seus efeitos;

IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou presta-

ção alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;

V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.

Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.

CAPÍTULO V DOS PARTIDOS POLÍTICOS

Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos:

I - caráter nacional;

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dade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes;

III - prestação de contas à Justiça Eleitoral;

IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.

IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei. sua estrutura interna, organização e funcionamento e

sua estrutura interna, organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos delidade partidária.

nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos delidade partidária. Didatismo e Conhecimento 25
nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos delidade partidária. Didatismo e Conhecimento 25

Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL §2º - Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

§2º - Os partidos políticos, após adquirirem personalidade

jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral.

§ 3º - Os partidos políticos têm direito a recursos do fundo

partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei.

§ 4º - É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar.

pelos partidos políticos de organização paramilitar. A forma federal do Estado tem, modernamente, inspiração

A forma federal do Estado tem, modernamente, inspiração norte-americana. Esse modo de ser do Estado tem como consec- tário o desatrelamento recíproco dos entes políticos participantes, de modo a que sejam, a um só tempo, a diversidade e a unidade, no que poderia constituir-se num paradoxo, não fosse a matura-

que poderia constituir-se num paradoxo, não fosse a matura- em seus partícipes, a autonomia e a

em seus partícipes, a autonomia e a mútua dependência. De fato, conhecem-se, em doutrina, duas grandes formas assumidas pelos Estados Federais, em modalidades a que se tem denominado de Estados de Federação dualista ou clássica e Estados de Fede- ração Cooperativa. No primeiro caso, o do Federalismo Dual, existe uma rígida repartição de competências, do tipo horizontal. Vale dizer, cada ente federativo recebe da constituição um rol exaustivo de com- petências. Inexistiria, em regimes assim, lugar para as chamadas competências residuais, remanescentes, consagradas entre nós, por exemplo, nas disciplinas contidas nos artigos 24, 146 e 155, § 2º, XII, da Constituição Federal de 1988. Com tal técnica, marcada pela repartição estanque de com- petências, fortalece-se a autonomia dos entes parciais, tolhendo uma superposição do ente mais abrangente. Este foi o modo de ser adotado pela federação americana até o advento da grande depres- são de 1930. A partir daí, por necessidade da implementação de uma política mais vigorosa de expansão dos investimentos públi-

mais vigorosa de expansão dos investimentos públi- entendeu-se urgente o municiamento do poder central –

entendeu-se urgente o municiamento do poder central – entenda-se União federal – a ele se outorgando poderes de emissão de normas gerais em determinadas matérias. Com o fortalecimento da estrutura central ganha-se efetiva- mente em agilidade, no tocante às políticas públicas – macroe-

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prias, dispõe a União da chamada competência concorrente, por meio da qual edita normas gerais sobre assuntos previamente de- limitados. Karl Loewenstein lembra ser a aglutinação de poderes em mãos da União, uma tendência do Estado Federal Moderno, acompanhada do crescimento do intervencionismo em detrimento do liberalismo de outros tempos. A federação repousa exatamente sobre o conceito de autono- mia, pois que em nome da unidade do Estado, outorga-se, em nível interno, a especial prerrogativa de que os entes políticos venham a

determinar suas ações, sempre segundo os limites constitucional- mente postos. A extensão dessa autonomia é que comporta graus, variáveis quase que de ordenamento para ordenamento, no ponto em que se albergue uma ou outra das formas federais acima deli- neadas. Tais caracteres, relativos à autonomia dos entes políticos, transparecem nítidos em vários pontos da Constituição Federal de 1988 e, especialmente, nos termos dos artigos 1 o e 18, cuja redação assim se tem:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, cons- titui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamen- tos:

I - a soberania;

II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V - o pluralismo político.

Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição.

O Estado brasileiro compõe-se de diferentes entidades: “A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os

compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Fica bem claro nesse texto que

Fica bem claro nesse texto que o Brasil é um Estado federado. Com efeito cada uma das unidades político-administrativas em que

cada uma das unidades político-administrativas em que A organização político-administrativa do Brasil adota a

A organização político-administrativa do Brasil adota a tripar- tição do poder em três áreas (Legislativo, Executivo e Judiciário)

é feita em três níveis, com bases territoriais: federal, estadual e municipal. Os Estados: Cada estado, respeitado os limites impostos pela Constituição federal, organiza-se e rege-se pela Constituição

leis que adotar. Baseiam-se as constituições estaduais na federal, mantendo no âmbito regional, a separação entre os poderes Legis- lativo, Executivo e Judiciário. O Distrito Federal: Com a Constituição de 1988, o Dis-

e

e

O Distrito Federal: Com a Constituição de 1988, o Dis- e e - ra, passando a
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ra, passando a ter Lei Orgânica própria, governador e Assembleia Legislativa. O governador e os deputados do Distrito Federal são eleitos segundo as mesmas regras válidas para os estados. Como a Constituição proíbe a divisão do Distrito Federal em municípios, seu governo acumula as competências reservadas aos estados e aos municípios.

A capital da União: Brasília é a capital federal, diz aas competências reservadas aos estados e aos municípios. Constituição. Situada no Planalto Central, e construída

Constituição. Situada no Planalto Central, e construída por inicia- tiva do presidente Juscelino Kubitschek, Brasília acolhe o Gover- no Federal desde 21 de abril de 1960. Os Territórios Federais: Os territórios federais são cria- dos e organizados pela União. Como não gozam de autonomia político-administrativa, não têm Assembleia Legislativa e são ad- ministrados pelo Governo Federal. Podem, se for o caso, ser divi- didos em municípios. Os Municípios: As unidades da Federação, com exceção do Distrito Federal; são divididas em municípios. Célula da orga-

com exceção do Distrito Federal; são divididas em municípios. Célula da orga- Didatismo e Conhecimento 26
com exceção do Distrito Federal; são divididas em municípios. Célula da orga- Didatismo e Conhecimento 26
com exceção do Distrito Federal; são divididas em municípios. Célula da orga- Didatismo e Conhecimento 26

Didatismo e Conhecimento

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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL nização político-administrativa, o Município tem sua autonomia regulada pelas

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

nização político-administrativa, o Município tem sua autonomia regulada pelas constituições federal e estadual. No âmbito munici- pal há dois poderes: o Legislativo (unicameral) e o Executivo.

Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da popula- ção diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.

A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de

Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período deter- minado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta

prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envol- vidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados.

É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos

Municípios:

Estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná- -los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;

na forma da lei, a colaboração de interesse público; Recusar fé aos documentos públicos; Criar distinções
Recusar fé aos documentos públicos;

Recusar fé aos documentos públicos;

Criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.

Criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.

O

pressuposto da autonomia dos entes federados nos conduz

às características da federação, apartando essa forma de Estado daquelas outras, politicamente centralizadas. Deste modo, aponta a doutrina o que seria a moldura do Es-

tado Federal. Ensina ser da sua essência a capacidade de auto- -organização, por meio da edição de suas próprias constituições;

a participação da vontade parcial na formação da vontade ge-

ral e a atribuição de funções, efetuada diretamente do Texto Constitucional Federal, corolária, esta última, da própria ideia de autonomia política e administrativa. No Estado brasileiro esses caracteres encontram-se presen-

No Estado brasileiro esses caracteres encontram-se presen- assertiva não desconhece, à evidência, as especiais

assertiva não desconhece, à evidência, as especiais características que podem ser imprimidas à Federação, em cada Estado, como resultado dos atributos da atividade constituinte originária, a que

Deste modo, guardado algum
Deste modo, guardado algum

, observam-se variações de forma entre federações diversas. No Bra- sil, como se ressalta frequentemente, temos como peculiaridade a situação do Município, gozando especial posicionamento, como ente federal, segundo entendemos, ou como leciona José Afonso da Silva, componente da federação, mas não entidade federativa. No tocante à atribuição de competências, cuidam-se de po- deres inerentes aos atos de legislar e de administrar, no que tem sido denominado de competência legislativa e material. Tais atri-

buições em muito se resumiriam no ato de legislar, por estar presa

a administração pública ao princípio da legalidade, não podendo

desbordar de tais autorizações legislativas, no desempenhar de seu mister. Assim, no tocante às atribuições da União, temos em nível constitucional, os termos do artigo 21, caracterizadores da com- petência administrativa ou material; do artigo 22, outorgando a esse ente político a competência legislativa privativa; do artigo 23, autorizando o exercício de atribuições de desempenho comum às

o exercício de atribuições de desempenho comum às artigo 24, consagrador da competência legislativa

artigo 24, consagrador da competência legislativa concorrente

entre União, Estados e Distrito Federal, não se olvidando o fato de

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-se análise sistemática, integradora daquele ente nessa modalidade de competência, por força do que preceitua o artigo 30, inciso II,

a

suplementação da legislação federal e estadual, no que couber. No tocante aos Estados e ao Distrito Federal, cuidam de tal outorga os termos do artigo 25 e incisos. Finalmente, quanto às atribuições municipais, são aquelas trazidas pelo artigo 30 e inci- sos, sobressaindo a dicção do inciso I, segundo o qual essa pessoa política legisla sobre assuntos locais. Aliás, nessa seara, cam- peiam as mesmas perplexidades observadas em torno da extensão do termo normas gerais. Com efeito, tem a doutrina e a juris- prudência tratado de modo casuístico o que vem a ser a extensão da locução assuntos de interesse local, demonstrando sua difícil apreensão, a priori.

local , demonstrando sua difícil apreensão, a priori . DA UNIÃO São bens da União: Os

DA UNIÃO

São bens da União:

apreensão, a priori . DA UNIÃO São bens da União: Os que atualmente lhe pertencem e

Os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos; As terras devolutas indispensáveis à defesa das frontei-

As terras devolutas indispensáveis à defesa das frontei- Os lagos, rios e quaisquer correntes de água

Os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias

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tros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras,

excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II: