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Adriana Arrojado Correia Pereira Mariana Imbelloni Braga Albuquerque Valesca de Souza Almeida

Guerra Civil Americana:

Adriana Arrojado Correia Pereira Mariana Imbelloni Braga Albuquerque Valesca de Souza Almeida Guerra Civil Americana :

Um conflito de sociedades? Representação dos exércitos do Norte e do Sul.

Causas do conflito

Um dos mais sangrentos conflitos do século XIX, a Guerra Civil Americana (1861-1865) foi o maior confronto já ocorrido no território dos Estados Unidos. Nela morreram mais de 618.000 combatentes, chegando a ter em uma só batalha mais de 28.000 baixas. Tal guerra foi, basicamente, um conflito entre as diferentes sociedades dos estados do Norte e do Sul do país. Frutos de distintas colonizações, cada área apresentava, em meados do século XIX, uma forma própria de organização. As antigas colônias do Sul formavam um conjunto de estados escravistas e de

economia agrária, voltados principalmente para a produção do algodão. A sociedade sulista era profundamente hierarquizada e possuía a política dominada pela elite proprietária de terras, com exclusão da maior parte da população, constituída, em grande parte, por escravos. O desenvolvimento do Norte, pelo contrário, relacionava-se ao crescimento industrial, baseado no qual floresceu uma política democrática com predominância de trabalhadores livres e consumidores dos produtos industrializados. Já a região Oeste foi, inicialmente, uma área de expansão dos dois modelos. No período em questão, porém, havia se consolidado como uma zona de agricultura comercial mais ligada à economia nortista. Tal aproximação é justamente um dos pontos de conflito entre as sociedades sulista e

nortista. Cada uma dessas regiões possuía uma forma diversa de organização social e econômica, e durante o povoamento do Oeste

visou estendê-la para os novos territórios. Também era ponto de discordância entre Norte e Sul o estabelecimento de tarifas protecionistas. Ao norte industrial interessavam medidas que diminuíssem a entrada de produtos ingleses concorrentes, ao passo que à economia agrária sulista seria mais interessante a abertura do mercado para facilitar a exportação de algodão para a Inglaterra. Além disso, havia a possibilidade de importar mercadorias de melhor qualidade

“Uma casa dividida contra si mesma não

subsistirá. Acredito que esse governo, meio escravocrata e meio livre, não poderá durar para sempre. Não espero que a União se dissolva; não espero que

a casa caia; mas espero que deixe de ser dividida. Ela se transformará só numa

coisa ou só na outra”.

Abraham Lincoln, discurso em que é indicado à candidatura da presidência. 1858.

que as nortistas. Juntamente à questão das tarifas, o capitalismo industrial do Norte requeria outras preferências por parte do governo, como uma rede eficiente de transportes, uma moeda firme e um sistema bancário central. Medidas que, indo ou não de encontro à vontade sulista, não lhe interessava diretamente. Para além dessa discordância de políticas econômicas, a divisão Norte-Sul passava pela questão moral e política da escravidão. Enquanto os sulistas promoviam e defendiam a legitimidade do sistema escravista, base de sua produção, os nortistas valorizavam o caráter democrático do trabalho livre. Embora sejam essenciais para a compreensão da divisão entre as regiões, nem a questão escravista nem a diferenciação de sistemas econômicos explicam sozinhos a Guerra, como se quis durante muito tempo. Contrariando a visão tradicional, o historiador Barrington Moore mostra que, apesar de divergentes, os dois sistemas econômicos foram desde a Independência complementares, sendo muito do desenvolvimento do capitalismo industrial devido aos lucros da economia agrária sulista. Se esses lucros eram provenientes de um sistema escravista e, ainda

que as nortistas. Juntamente à questão das tarifas, o capitalismo industrial do Norte requeria outras preferências

Eu não sou um homem ou um irmão? A ideologia escravista colocava em questão a própria humanidade do

escravo.

assim, beneficiavam a economia do Norte, nota-se que o escravismo não era o entrave econômico que

anteriormente se via. Mesmo visto como questão moral, não havia no Norte uma total repulsa pela escravidão. A nova perspectiva de Moore vai além desses conflitos específicos para olhar as causas políticas da Guerra Civil. Para esse historiador, a questão chave do conflito se dá quando o aparelho de política federal se vê obrigado a favorecer somente um dos sistemas. Tal obrigação decorre do rompimento do equilíbrio anterior a partir da entrada dos novos estados do Oeste. Num primeiro momento se manteve a proporção na representatividade dos modelos escravista e não escravista. Porém, a aproximação Norte e Oeste deslocou o eixo de prioridades governamentais, que acabaram por favorecer o sistema dessas áreas. Também foi colocada em questão a autonomia dos estados frente à federação, uma vez que os interesses gerais

não eram os mesmos. Esta situação se agravou com a eleição de Abraham Lincoln em 1860. O fato de a presidência ser exercida por um

“Não procuramos conquista alguma, nem

enaltecimento, nem concessão alguma de qualquer espécie dos Estados dos quais faz pouco tempo

éramos confederados. Tudo que pedimos é sermos deixados em paz; que aqueles que nunca mandaram em nós agora não tentem subjugar-nos pela força

das armas”.

Jefferson Davis, primeira fala ao Congresso dos Estados Confederados da América, 1861

republicano nortista foi visto pelo Sul como uma ameaça à sua autonomia e interesses, bem como ao sistema escravista. Assim, mesmo antes da posse de Lincoln, em 1861, sete estados sulistas liderados pela Carolina do Sul decretam sua separação (sua secessão) da União, formando os Estados Confederados da América,

presididos por Jefferson Davis. Tão logo toma posse, Lincoln declara guerra aos Confederados, visando reatar a União. Apesar de uma reconhecida superioridade bélica e do maior número de combatentes do Norte, a Guerra se estendeu por quatro anos, devido, principalmente, às bem sucedidas estratégias sulistas. É importante ressaltar que somente no meio do conflito, em 1863, a questão da escravidão tornou-se assumidamente a principal, com a

presididos por Jefferson Davis. Tão logo toma posse, Lincoln declara guerra aos Confederados, visando reatar a

Mapa dos Estados Unidos no período da Secessão. Em verde estão os Estados Confederados.

proclamação da “emancipação”

(mesmo que não realizada) de todos os escravos do Sul por Lincoln. A vitória da União veio, enfim, em 1865, com a rendição completa do Sul. Nesse mesmo ano, Lincoln foi assassinado por um sulista radical logo após sua reeleição. Após a

Guerra, o Sul encontrava-se numa dupla situação de devastação interna e prejudicado economicamente pela concorrência internacional, passando por um longo processo de reconstrução. Nessa conjuntura, a preponderância do Norte levou à adoção de políticas favoráveis à expansão de sua forma capitalista industrial. Como aspecto mais marcante, no entanto, está a possibilidade de consolidação de uma sociedade fundamentada nos ideais democráticos, no trabalho livre e na propriedade privada. A real extinção da escravidão e os direitos dos ex-escravos foram resoluções posteriores ao conflito, ou seja, permaneceram graves questões sociais. A Reconstrução do Sul, entre o fim da Guerra e 1877, foi marcada, após a queda do grupo mais radical, por decisões desfavoráveis aos ex-escravos, que permaneceram em condição inferior na sociedade sulista até meados do século XX. Dessa forma, a Guerra Civil Americana, com a expansão política do modelo nortista, remove um obstáculo formal à implantação da democracia estadunidense em todo território. Se até então os escravos sulistas não se enquadravam sequer na condição de homens americanos, a partir de sua emancipação, o são. Mesmo que ainda estivessem longe da real aquisição de direitos civis e políticos, há a

possibilidade de buscá-los. A democracia plena, que abrange toda população (se considerarmos que tal democracia realmente existe) é um feito somente do século XX. Mas suas bases foram, em certa medida, lançadas com a Guerra Civil. Conflito que, apesar de não tornar todos cidadãos, conseguiu igualá-os na categoria de “livres”.

Cronologia

  • 1820 Compromisso de Missouri: estabelecimento da proibição da escravidão acima

de determinada latitude. Separação entre escravistas e não escravistas.

  • 1854 Lei do Kansas-Nebraska: discussões sobre a autonomia dos Estados frente à

União.

1857

Caso Dred Scott:

decisão da suprema corte reafirmando

propriedade do branco sobre seu escravo.

  • 1860 Eleição de Abraham Lincoln

o

direito de

  • 1861

Antes da posse do presidente, Estados do Sul decretam a Secessão. Ao

assumir, Lincoln decreta guerra da União aos Confederados.

  • 1863 Proclamação da Emancipação de todos os escravos do Sul por Lincoln.

  • 1865 Vitória do Norte e assassinato de Lincoln.

1865-1877 Reconstrução do Sul

  • 1964 Fim da Segregação Oficial no Sul, aprovação da Lei de Direitos Civis

Bibliografia

EISENBERG, Peter L. Guerra Civil Americana. São Paulo: Brasiliense, 1982.

MOORE Jr., Barrington. “A Guerra civil americana: a última revolução capitalista”. In:

As origens sociais da ditadura e da democracia: senhores e camponeses na construção do mundo moderno. São Paulo: Martins Fontes, 1983.

NARO, Nancy P.S. A formação dos Estados Unidos. São Paulo: Atual, 1991.

SELLERS, Charles. MAY, Henry. McMILLEN, Neil. Uma Reavaliação da História dos Estados Unidos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1990.

SYRETT, Harold C. Documentos Históricos dos Estados Unidos. São Paulo: Editora Cultrix, 1960. REMOND, René. História dos Estados Unidos. São Paulo: Editora Cultrix, 1990.

Sugestão de Filme

E o vento levou. (EUA- 1939) Direção de Victor Fleming. Produção de David Selznick. Clark Gable e Vivian Leigh. Drama que ocorre durante a guerra e a reconstrução do sul.