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COMO SABER

SE VOCÊ É DE FATO
UM CRISTÃO AUTÊNTICO
Jonathan Edwards
"Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem." (Tiago 2.19)

Como é que você sabe se você pertence a Deus? Vemos, nas palavras acima, um
argumento que algumas pessoas usam para comprovar que são aceitas por Deus.
Algumas pessoas pensam que estão bem com Deus se não forem tão ruins como
as outras pessoas más. Outras recorrem a seu histórico familiar ou ao fato de que são
membros de igreja para mostrar que são aprovadas diante de Deus.
Há um método evangelístico muito usado que faz algumas perguntas às pessoas.
Uma das perguntas é: "Imagine que você morra hoje. Por que razão Deus admitiria você
no céu?" Uma resposta muito comum é: "Porque eu creio em Deus". Parece que o
apóstolo Tiago conhecia pessoas que diziam essa mesma coisa: Sei que conto com o
favor de Deus porque conheço essas doutrinas da religião.
É evidente que Tiago reconhece que esse conhecimento é coisa boa. Não somente
é algo bom, mas é também necessário. Ninguém pode tornar-se cristão se não crê em
Deus; mais especificamente, no Único e Verdadeiro Deus. Isso era especialmente
verdade para aqueles que tinham o grande privilégio de conhecer o apóstolo, o qual
podia falar-lhes em primeira mão das experiências que tivera com Jesus, o Filho de
Deus. Quão grande pecado seria se alguém que conhecesse Tiago se recusasse a crer em
Deus! Isso sem dúvida tornaria mais grave a condenação dessas pessoas. Qualquer
cristão, sem dúvida, reconhece que esse crer no Único Deus é apenas o começo das boas
coisas, porque "é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e
que se torna galardoador dos que o buscam" (Hb 11.6).
Contudo, Tiago deixa evidente que, embora essa fé seja algo bom, definitivamente
não é prova de que a pessoa está salva. O que ele quer dizer é isto: "Você diz que é um
cristão e que goza do favor de Deus. Você pensa que Deus vai admiti-lo no céu, e que a
prova disso é que você crê em Deus. Mas isso não prova nada, porque os demônios
também crêem, e eles com toda certeza vão ser punidos no inferno". Os demônios
crêem em Deus — você pode estar certo disso! Eles não só crêem que Ele existe, mas
também crêem que Deus é um Deus santo, um Deus que odeia o pecado, um Deus
verdadeiro, que prometeu julgamentos, e que há de executar sua vingança contra os
demônios. É por essa razão que os demônios "tremem" com horror — eles conhecem a
Deus melhor do que a maioria dos seres humanos, e estão apavorados.
Contudo, nada do que há na mente do homem, e que os demônios podem
experimentar também, é sinal certo da graça de Deus em nossos corações. Talvez seja
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mais fácil se mudarmos a forma de argumentar. Imagine que os demônios possam, de


alguma forma, ter dentro deles alguma porção da graça salvadora de Deus — o que seria
prova de que eles iriam para o céu. Isso seria uma prova de que Tiago estaria errado.
Mas isso é um absurdo!
A Bíblia deixa bem claro que os demônios não têm esperança de salvação, e a
crença deles em Deus não afasta deles a condenação que virá no futuro. É por isso que
crer em Deus não é prova de salvação para os demônios, e podemos dizer, com toda
certeza, que também não é prova de salvação para as pessoas.
O assunto se esclarece com mais facilidade quando pensamos em como são os
demônios. Eles são pecaminosos: qualquer coisa que façam ou experimentem não pode
ser santo. O diabo é completamente mau. "Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis
satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na
verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é
próprio, porque é mentiroso e pai da mentira" (Jo 8.44). "Aquele que pratica o pecado
procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio" (1 Jo 3.8). É por isso
que os demônios são chamados de espíritos maus, espíritos impuros, poderes das trevas,
e assim por diante. "... porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra
os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as
forças espirituais do mal, nas regiões celestes" (Ef 6.12).
Dessa forma, fica evidente que não há nada na mente dos demônios que possa ser
santo, ou que conduza à verdadeira santidade. Os demônios conhecem de fato muitas
coisas sobre Deus e a religião, mas eles não têm um conhecimento santo. O que
conhecem na mente deles pode até afetar o coração deles — de fato, vemos que os
demônios têm sentimentos bastante fortes em relação a Deus; tão fortes, na verdade,
que eles "tremem". Mas esses não são sentimentos santos, porque não têm nada a ver
com a obra do Espírito Santo. Se isso é verdadeiro com respeito à experiência dos
demônios, também é fato com respeito à experiência dos homens. Preste bem atenção
nisto: não importa quão genuínos, sinceros e poderosos são esses pensamentos e
sentimentos.
Os demônios, que são criaturas espirituais, conhecem a Deus de uma forma que
os homens da terra não podem conhecer. O conhecimento que eles têm da existência de
Deus é mais concreto do que o conhecimento que qualquer homem poderia ter. Pelo
fato de os demônios estarem tão estreitamente envolvidos na luta contra as forças do
bem, eles também são muito sinceros no conhecimento que possuem. Em certa ocasião,
Jesus expulsou alguns demônios. "Que temos nós contigo, ó Filho de Deus!" gritaram
eles. "Vieste aqui atormentar-nos antes de tempo?" (Mt 829). O que poderia ser mais
claro que isso? Contudo, embora seus pensamentos e sentimentos sejam genuínos e
poderosos, contudo não são santos. Também podemos ver que, embora sejam santos os
objetos do pensamento deles, contudo isso não faz com que sejam santos os seus
pensamentos e sentimentos. Os demônios sabem que Deus existe! Mateus 8.29 nos diz
que eles sabem mais a respeito de Jesus do que muitas pessoas sabem! Eles estão
completamente certos de que Jesus vai julgá-los um dia, porque Ele é santo. Mas é
evidente que sentimentos e pensamentos genuínos, sinceros e poderosos a respeito de
coisas espirituais e santas não são prova da graça de Deus no coração.
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Os demônios têm essas coisas, e contudo estão destinados à condenação eterna


no inferno. Se os homens não têm nada mais do que os demônios têm, eles haverão de
sofrer da mesma forma. Baseados nessas verdades, podemos chegar a várias conclusões.
Primeira, que não importa quanto as pessoas possam conhecer a respeito de Deus e da
Bíblia, isso não é sinal seguro de salvação. O diabo, antes da sua queda, era uma das
brilhantes estrelas da manhã, uma chama de fogo, alguém excelente em força e sabedoria
(Is 14.12; Ez 28.12-19). Aparentemente, como um dos anjos principais, Satanás conhecia
muito sobre Deus. Agora que está caído, seu pecado não destruiu suas lembranças de
antes da queda.
O pecado destrói a natureza espiritual, mas não as habilidades naturais, como a
memória. Que os anjos caídos têm muitas habilidades naturais podemos ver de vários
versículos bíblicos, por exemplo Efésios 6.12: "... porque a nossa luta não é contra o
sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste
mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes". Da mesma
forma, a Bíblia diz que Satanás é "mais sagaz" do que as outras criaturas (Gn 3.1;
também 2 Co 11.3; At 13.10). Por isso podemos ver que o diabo teve sempre grande
habilidade mental e é capaz de conhecer muito sobre Deus, sobre o mundo visível e o
invisível, e sobre muitas outras coisas. Como o trabalho dele no início era ser o principal
anjo diante de Deus, é natural que sempre foi da maior importância que ele
compreendesse essas coisas, e que todas as suas atividades tenham relação com essas
áreas de pensamentos, sentimentos e conhecimento.
Pelo fato de que a ocupação original dele era ser um dos anjos que assistiria diante
da própria face de Deus, e pelo fato de que o pecado não lhe destruiu a memória, é
evidente que Satanás conhece mais a respeito de Deus do que qualquer outro ser criado.
Depois da queda, podemos reparar nas suas atividades como tentador, etc., (Mt 4.3) que
ele empregou seu tempo incrementando seu conhecimento e suas habilidades. Através
da sua astúcia quando tenta as pessoas, podemos ver que o seu conhecimento é grande.
A eficiência de suas mentiras revela quão astuto ele é. É evidente que ele não manejaria
tão bem o engano sem um verdadeiro e real conhecimento dos fatos. Esse
conhecimento de Deus e suas obras vêm desde o início. Satanás estava ali desde a
criação, como nos informa Jó 38.4-7: "Onde estavas tu, quando eu lançava os
fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento. ... quando as estrelas da alva,
juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?" Dessa forma, ele
com certeza sabe muito sobre a forma como Deus criou o mundo, e como Ele governa
todos os eventos no universo.
Além disso, Satanás viu como Deus operou seu plano de redenção no mundo; e
não como um inocente observador, mas como um inimigo ativo da graça de Deus. Ele
viu a obra de Deus na vida de Adão e Eva, em Noé, Abraão, e Davi. Ele com certeza se
interessou especialmente na vida de Jesus Cristo, o Salvador dos homens, a Palavra de
Deus encarnada. Quão próximo ele esteve, observando Cristo? Quão cuidadosamente
ele observou os Seus milagres e ouviu as Suas palavras? Foi por isso que Satanás se opôs
pessoalmente ao trabalho de Cristo, e é para o seu tormento e angústia que ele viu o
trabalho de Cristo ser coroado de êxito.
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Satanás, então, conhece muito a respeito de Deus e do trabalho de Deus. Ele


conhece o céu pessoalmente. Ele conhece também o inferno, com conhecimento
pessoal como seu primeiro habitante, e tem experimentado o seu tormento durante
todos esses milhares de anos. Ele deve ter um grande conhecimento da Bíblia: pelo
menos, podemos ver que ele conhece o suficiente para tentar nosso Salvador.
Além disso, ele tem tido anos de estudo do coração dos homens, seu campo de
batalha contra nosso Redentor. Quanto esforço, quanto empenho e quanto cuidado o
diabo empregou através dos séculos à medida que enganou os homens. Somente um ser
com o conhecimento dele e a noção que ele tem da ação de Deus e do coração humano,
poderia imitar de tal forma a verdadeira religião e transformar-se num anjo de luz (2 Co
11.14). É por essa razão que podemos ver que não há conhecimento de Deus e da
religião, em qualquer quantidade que seja, que pode provar que uma pessoa tenha sido
salva de seu pecado.
Um homem pode conversar sobre a Bíblia, sobre Deus e sobre a Trindade. Ele
pode ser hábil o suficiente para pregar um sermão sobre Jesus Cristo e tudo o que Ele
fez. Pense só, alguém pode ser hábil o suficiente para conversar sobre o caminho da
salvação e sobre a obra do Espírito Santo no coração dos pecadores, talvez até seja
capaz de mostrar aos outros como tornar-se cristão. Tudo isso pode edificar a igreja e
iluminar o mundo, mas isso não é uma prova segura da graça salvadora de Deus no
coração de um homem.
Também é possível constatar que o simples fato de as pessoas concordarem com
a Bíblia não é um sinal seguro de salvação. Tiago 2.19 mostra que os demônios de fato,
verdadeiramente, crêem na verdade. Exatamente como eles crêem que Deus é Um, eles
concordam com toda a verdade da Bíblia. O diabo não é um herético: todos os seus
artigos de fé estão firmemente estabelecidos sobre a verdade.
É preciso compreender que, quando a Bíblia fala sobre crer que Jesus é o Filho de
Deus, como uma prova da graça de Deus no coração, a Bíblia não quer dizer um mero
consentimento com a verdade, mas um outro tipo de crença. "Todo aquele que crê que
Jesus é o Cristo é nascido de Deus" (1 Jo 5.1). Esse outro tipo de fé é chamado "a fé que
é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade" (Tt 1.1).
Há um poder espiritual relacionado à verdade, que explicaremos mais adiante. Algumas
pessoas têm experiências religiosas muito fortes, e as consideram como prova da obra
de Deus no seu coração. Muitas vezes, essas experiências dão às pessoas um senso da
importância do mundo espiritual, e da realidade das coisas de Deus.
Contudo, essas experiências, também, não são provas infalíveis de salvação. Tanto
os demônios como homens condenados ao inferno têm muitas experiências espirituais
que têm grande efeito em suas atitudes íntimas do coração. Eles vivem no mundo
espiritual e vêem pessoalmente como é esse mundo. Os sofrimentos deles lhes mostram
o valor da salvação e o valor da alma humana, da forma mais poderosa que se pode
imaginar.
A parábola em Lucas capítulo 16 ensina isso claramente, como o homem em
tormento pede que Lázaro seja enviado para avisar seus irmãos para que evitem esse
lugar de tormento. Não há dúvida de que as pessoas no inferno agora têm uma clara
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idéia da imensidão da eternidade, e da brevidade da vida. Elas estão completamente


convencidas de que todas as coisas desta vida são sem importância se comparadas com
as experiências do mundo eterno. As pessoas que estão no inferno agora têm um grande
senso da preciosidade do tempo, e das maravilhosas oportunidades que as pessoas têm,
pessoas que têm o privilégio de ouvir o Evangelho. Elas estão completamente cônscias
da estupidez do seu pecado, da negligência das oportunidades, de desconsiderar as
advertências de Deus. Quando os pecadores experimentam pessoalmente o resultado
final do seu pecado, há "choro e ranger de dentes" (Mt 13.42). Dessa forma, as mais
poderosas experiências religiosas não são um sinal infalível da graça de Deus no coração.
Tanto demônios como pessoas condenadas ao inferno têm um forte senso da
majestade e do poder de Deus. O poder de Deus é expresso mais claramente quando Ele
executa sua vingança contra seus inimigos. "Que diremos, pois, se Deus, querendo
mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os
vasos de ira, preparados para a perdição" (Rm 9.22). É com tremor que os diabos
aguardam a sua punição final, debaixo do mais forte senso da majestade de Deus. Eles o
sentem agora, é claro, mas no futuro isso será demonstrado no mais algo grau, quando
"do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo" (2
Ts 1.7,8). Nesse dia, eles tentarão fugir, esconder-se da presença de Deus. "Eis que vem
com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra
se lamentarão sobre ele" (Ap 1.7). Dessa forma, todos o verão na glória do Seu Pai. Mas,
obviamente, nem todos os que o virem serão salvos.
É bem possível que algumas pessoas se oponham a tudo isso, dizendo que os
incrédulos deste mundo são completamente diferentes dos demônios. Estão debaixo de
circunstâncias diferentes e são seres de diferentes espécies.
Talvez alguém discorde dizendo: "Essas coisas que são visíveis e presentes aos
demônios são invisíveis e futuras aos homens. Além disso, as pessoas têm a
desvantagem de ter corpos, os quais restringem a alma, e impedem que as pessoas vejam
pessoalmente essas coisas espirituais. Por isso, mesmo que os demônios tenham grande
conhecimento e experiências pessoais com as coisas de Deus, e não têm a graça, esse
tipo de comparação não se aplica a mim." Ou, em outras palavras, se as pessoas
apresentam essas coisas nesta vida, isso pode muito bem ser um sinal seguro da graça de
Deus no coração delas.
Em resposta, digo que também concordo que nenhum homem nesta vida teve
jamais o grau de intensidade nas experiências que os demônios têm. Nenhuma pessoa
jamais tremeu com a mesma intensidade de medo que os demônios tremem. Nenhum
homem, nesta vida, pode chegar a ter o mesmo tipo de conhecimento que o Diabo tem.
É pacífico que os demônios e os homens condenados ao inferno entendem a vastidão da
eternidade e a importância do outro mundo mais que qualquer pessoa viva, e dessa
forma valorizam a salvação mais que tudo.
Mas podemos observar que os homens neste mundo podem ter experiências do
mesmo tipo das experiências dos demônios e os condenados. Elas têm a mesma
disposição mental, as mesmas opiniões e emoções, e a mesma espécie de impressões
mentais e no coração. Observe que, para o apóstolo Tiago, isso é um argumento
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convincente. Ele afirma que, se as pessoas pensam que acreditar em Deus é prova da
graça de Deus, isso não é prova, porque os demônios também crêem a mesma coisa.
Tiago não está se referindo ao mero ato de crer, mas também às emoções e ações que
acompanham essa fé.
Tremer é um exemplo de emoção que vem do coração. Isso revela que, se as
pessoas têm a mesma disposição mental, e reagem de coração da mesma forma, isso
tudo não é um sinal seguro da graça de Deus. A Bíblia não define o quanto as pessoas
deste mundo podem ver a glória de Deus, e contudo não ter a graça de Deus em seus
corações. Não nos é dito exatamente a intensidade com que Deus Se revela a certas
pessoas, e quanto elas corresponderão em seu coração. É muito tentador dizer que, se
uma pessoa tem certa quantidade de experiência religiosa, ou certa quantidade de
verdade, ela certamente deve ser salva. Talvez seja possível até mesmo que alguma
pessoa não-salva tenha experiências maiores do que alguns dos que têm graça em seu
coração!
Desta forma, é errado considerar experiência ou conhecimento em termos de
quantidade. Os homens que têm uma obra genuína do Espírito Santo no coração têm
experiências e conhecimento de uma espécie diferente. A esta altura, talvez alguém
responda a esses pensamentos dizendo: "Concordo com você. Vejo que crer em Deus,
ver Sua majestade e santidade, e saber que Jesus morreu pelos pecadores não é prova da
graça em meu coração. Concordo que os demônios podem conhecer essas coisas
também. Mas eu tenho algumas coisas que eles não têm. Tenho alegria, paz, e amor. Os
demônios não podem ter isso, de forma que isso é prova de que eu sou salvo". Certo, é
verdade que você tem alguma coisa a mais que o demônio não pode ter, mas isso não é
nada melhor do que o demônio poderia ter. A experiência que a pessoa tem de amor,
alegria, etc., pode ocorrer não porque ela tem dentro de si algo que o demônio não tem,
mas apenas por causa de circunstâncias diferentes. As causas, ou origens desses
sentimentos são os mesmos. É por isso que essas experiências não são melhores do que
as dos demônios.
Deixem-me explicar melhor: Todas as coisas que discutimos anteriormente sobre
demônios e pessoas condenadas, provêm de duas causas principais: entendimento
natural e amor-próprio. Quando pensam a respeito de si mesmos, essas duas coisas são
as que determinam os seus sentimentos e reações. O entendimento natural lhes mostra
que Deus é santo, enquanto eles são perversos. Deus é infinito, mas eles são limitados.
Deus é poderoso, e eles são fracos. O amor-próprio lhes dá o senso da importância da
religião, do mundo eterno, e um desejo pela salvação.
Quando essas duas causas operam juntas, tanto os demônios quanto os
condenados tornam-se cônscios da apavorante majestade de Deus, que eles sabem que
será Aquele que vai julgá-los. Eles sabem que o julgamento de Deus será perfeito e que a
sua punição será para sempre. Por isso, essas duas causas juntamente com o que eles
sentem haverão de gerar a sua angústia naquele dia de juízo, quando eles verão a glória
de Cristo e dos Seus santos.
A razão porque muitas pessoas sentem alegria, paz e amor, hoje, embora os
demônios não sintam isso, pode ser mais devido a suas circunstâncias, do que à
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diferença em seus corações. As causas em seus corações são as mesmas. Por exemplo, o
Espírito Santo está agora operando no mundo guardando toda a humanidade de tornar-
se tão perversa quanto poderia ser (2 Ts 2.17). Isso é diferente dos demônios, que são
tão perversos quanto podem ser, o tempo todo. Além do mais, Deus em Sua
misericórdia concede dons às pessoas, como chuva para as colheitas (Mt 5.45), calor do
sol, etc.
Não apenas isso, mas freqüentemente as pessoas recebem muitas coisas nesta vida
que lhes trazem alegria, como relacionamentos pessoais, prazeres, música, saúde, e assim
por diante. Mais importante que isso tudo, há muitas pessoas que têm ouvido novas de
esperança: Deus enviou um Salvador — Jesus Cristo — que morreu para salvar
pecadores. Nessas circunstâncias, o entendimento natural das pessoas pode fazer com
que elas sintam coisas que os demônios não podem sentir nunca.
O amor-próprio é uma força poderosa no coração dos homens, forte o suficiente
sem a graça para levar as pessoas a amar aqueles que as amam. "Se amais os que vos
amam, qual é a vossa recompensa: Porque até os pecadores amam aos que os amam" (Lc
6.32). É algo natural uma pessoa sentir-se segura do amor de Deus por si, ao ver Deus
ser misericordioso, e saber que ela não é tão má quanto poderia ser. Se o seu amor por
Deus provém apenas dos seus sentimentos de que Deus o ama, ou porque você ouviu
que Cristo morreu por você, ou algo parecido, a fonte do seu amor a Deus é unicamente
amor-próprio.
Isso impera no coração dos demônios também. Pense na situação dos demônios.
Eles sabem que não têm limites na sua perversidade. Eles sabem que Deus é seu inimigo
e tudo que os espera no futuro. Embora estejam completamente sem nenhuma
esperança, continuam ativos e lutando. Pense, o que seria se eles tivessem um pouquinho
da esperança que as pessoas têm? O que seria se os demônios, com o conhecimento que
têm de Deus, tivessem sua perversidade restringida? Pense se um demônio, depois de
todo o seu medo sobre o julgamento de Deus, fosse de repente autorizado a pensar que
Deus poderia ser seu Amigo? Que Deus poderia perdoá-lo e deixá-lo, com pecado e
tudo, entrar no céu? Oh, a alegria, a admiração, a gratidão que veríamos! Não se tornaria
esse demônio alguém de grande amor a Deus, como qualquer pessoa que ama as pessoas
de quem recebe ajuda? O que mais poderia causar sentimentos tão poderosos e sinceros?
Será de admirar que tantas pessoas são enganadas nisso? Especialmente porque são os
demônios que promovem essa ilusão. Eles têm promovido isso por muitos séculos e,
infelizmente, são muito bons nisso.
Chegamos, agora, à pergunta: Se todas essas variadas experiências e sentimentos
procedem de nenhum outro lugar senão dos demônios, qual é o tipo de experiência
então que é verdadeiramente espiritual e santa? O que é que eu tenho de encontrar
dentro de meu coração como sinal seguro da graça de Deus nele? O que é que indica que
esses sinais são do Espírito Santo?
Aqui está a resposta: esses sentimentos e experiências que são bons sinais da graça
de Deus no coração diferem da experiência dos demônios tanto na sua origem como nos
seus resultados. A sua origem é o senso da esmagadora beleza santa e amabilidade das
coisas de Deus. Quando uma pessoa compreende em sua mente, ou melhor ainda,
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quando ela sente o próprio coração cativo pela atração Divina, isso é um inconfundível
sinal da obra de Deus.
Os demônios e os condenados do inferno não conhecem, e nunca hão de
experimentar nada disso. Antes de cair, os demônios tinham esse senso de Deus. Mas
quando caíram, perderam isso, a única coisa que eles nunca deviam ter perdido do
conhecimento que eles tinham de Deus. Já vimos como os demônios têm uma idéia bem
clara sobre quão poderoso Deus é, sua justiça, santidade, e assim por diante. Eles
conhecem muitos fatos a respeito de Deus. Mas agora eles não têm a mínima noção de
como é Deus. Eles não podem saber como Deus é, não mais do que um cego pode
saber sobre cores!
Os demônios podem ter um forte senso da terrível majestade de Deus, mas eles
não vêem a sua amabilidade. Eles têm observado a Sua obra em favor da raça humana
através desses milhares de anos, com a maior atenção; mas não tiveram nunca a mais
vaga noção da Sua beleza. Não importa o quanto conheçam sobre Deus (e já vimos que
eles de fato conhecem muito), o conhecimento que eles têm nunca os trará ao elevado e
espiritual conhecimento de como Deus é. Pelo contrário, quanto mais eles sabem sobre
Deus, mais eles O odeiam. A beleza de Deus consiste primariamente na sua santidade,
ou na Sua excelência moral, e isso é o que eles mais odeiam. É porque Deus é santo que
os demônios O odeiam.
Talvez alguém pense que, se Deus fosse menos santo, os demônios O odiariam
menos. Não há dúvida que os demônios odiariam qualquer Ser santo, não importando a
que Ele se assemelhasse anteriormente. Mas com certeza eles odeiam esse Ser mais do
que tudo, por ser infinitamente santo, infinitamente sábio, e infinitamente poderoso! Os
condenados, inclusive os que ainda vivem hoje, no dia do juízo, verão tudo o que se
pode ver de Jesus Cristo, menos a Sua beleza e amabilidade. Não há nada a respeito de
Cristo que possamos imaginar que não será apresentado diante deles na mais forte luz
daquele dia esplendoroso. Os perversos verão Jesus "vir nas nuvens, com grande poder
e glória" (Mc 13.26). Verão a sua glória exterior, a qual é muito, muito maior do que
podemos imaginar agora. Os perversos serão completamente convencidos de tudo que
Cristo é. Serão convencidos de Sua onisciência, à medida que seus pecados forem
expostos e julgados. Conhecerão pessoalmente a justiça de Cristo, à medida que a sua
sentença for anunciada. Sua autoridade será completamente evidente quando todo joelho
se dobrar, e toda língua confessar Jesus como Senhor (Fp 2.10,11). A divina majestade
lhes será evidente de tal forma, que os perversos irão por si mesmos ao inferno, e
entrarão no seu estado final de sofrimento e morte (Ap 20.14,15). Quando isso
acontecer, todo o seu conhecimento de Deus, por mais verdadeiro e poderoso que possa
ser, de nada valerá, e menos do que nada, porque não verão a beleza de Cristo.
Por isso, é essa visão da amabilidade de Cristo que faz a diferença entre a graça
salvadora do Espírito Santo, e as experiências dos demônios. É essa visão, esse senso
que torna diferente a experiência cristã autêntica de tudo o mais. A fé do povo eleito de
Deus se baseia nisso. Quando uma pessoa vê a excelência do evangelho, ela sente a
beleza e a amabilidade do plano divino de salvação. Sua mente é convencida de que isso
é de Deus, e ela crê nisso de todo o coração. Como o apóstolo Paulo diz em 2 Co 4.3,4:
"Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está
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encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que
lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus".
Como já dissemos antes, os descrentes podem ver que há um evangelho, e entender os
fatos acerca dele, mas não vêem a sua luz. A luz do evangelho é a glória de Cristo, sua
santidade e beleza. Logo após isso, lemos em 2 Co 4.6: "Porque Deus, que disse: Das
trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação
do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo".
De forma clara, é essa divina luz, iluminando nosso corações, que nos capacita a
ver a beleza do evangelho e a ter fé salvadora em Cristo. Essa luz sobrenatural nos
mostra a suprema beleza e amabilidade de Jesus, e nos convence da Sua suficiência como
nosso Salvador. Somente um glorioso e majestoso Salvador como esse pode ser nosso
Mediador, colocando-se entre pecadores culpados, merecedores do inferno, como nós
somos, e um Deus infinitamente santo. Essa luz sobrenatural nos dá um senso de Cristo
que nos convence de uma forma que nada mais poderia fazer.
Quando um pecador perverso é levado a ver a divina amabilidade de Cristo, ele
não mais especula por que será que Deus está interessado nele, para salvá-lo. Antes
disso, ele poderia não entender como o sangue de Cristo poderia pagar a penalidade dos
pecados. Mas agora ele pode ver a preciosidade do sangue de Cristo, e como ele é digno
de ser aceito como libertação para o pior dos pecados. Agora a alma pode reconhecer
que é aceita por Deus, não por aquilo que ela é, mas por causa do valor que Deus dá ao
sangue, à obediência, e à intercessão de Cristo.
Ver esse valor e dignidade dá à pobre alma culpada o descanso que não se pode
encontrar em nenhum sermão ou livro. Quando uma pessoa chega a ver o fundamento
adequado da fé e da confiança com seus próprios olhos, isso é fé salvadora. "De fato, a
vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna"
(Jo 6.40). "Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu
mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. Agora, eles reconhecem que todas as
coisas que me tens dado provêm de ti; porque eu lhes tenho transmitido as palavras que
me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que
tu me enviaste" (Jo 17.6-8).
É essa visão da beleza divina de Cristo que cativa a vontade e atrai o coração dos
homens. Uma visão da manifesta grandeza de Deus e Sua glória pode aterrorizar os
homens, e ser mais do que eles podem suportar. Isso se verá no dia do juízo, quando os
perversos serão trazidos diante de Deus. Eles serão aterrorizados, sim, mas a hostilidade
do coração permanecerá com força total e a oposição da vontade continuará.
Mas por outro lado, um simples raio da glória moral e espiritual de Deus e da
suprema amabilidade de Cristo brilhando no coração vence toda a hostilidade. A alma se
inclina para amar a Deus como se fosse movida por um poder onipotente, de tal forma
que agora não apenas o entendimento, mas o ser inteiro recebe e abraça o amado
Salvador. Esse senso da beleza de Cristo é o início da verdadeira fé salvadora na vida de
um autêntico convertido. Isso é muito diferente de qualquer vago sentimento de que
Cristo o ama ou morreu por ele.
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Esse tipo de sentimento vago pode provocar um tipo de amor e alegria, porque a
pessoa sente uma gratidão por escapar da punição do seu pecado. Na verdade, esses
sentimentos são baseados em amor-próprio, e não num amor por Cristo de forma
alguma. É triste que tantas pessoas sejam ludibriadas por essa falsa fé. Por outro lado,
um vislumbre da glória de Deus na face de Jesus Cristo provoca no coração um supremo
e genuíno amor por Deus. Isso acontece porque a divina luz mostra a suprema
amabilidade da natureza de Deus. Um amor baseado nisso está muito, muito acima de
qualquer coisa vinda de amor-próprio, que tanto demônios como homens podem
possuir.
O verdadeiro amor de Deus que vem dessa visão da Sua beleza provoca uma
santa e espiritual alegria na alma; uma alegria em Deus, e exultação nEle. Não há
regozijo em nós mesmos, mas sim em Deus somente. A visão da beleza das coisas
divinas vai provocar verdadeiro desejo pelas coisas de Deus. Esses desejos são diferentes
dos anseios dos demônios, que ocorrem porque os demônios conhecem o destino que
os aguarda, e eles desejam que de alguma forma fosse diferente.
Os desejos que vêm dessa visão da beleza de Cristo são desejos livres naturais,
como o desejo que o bebê tem por leite. Por serem tão diferentes das suas imitações,
esses desejos ajudam a fazer distinção entre experiências genuínas da graça de Deus e as
falsas experiências. As experiências espirituais falsas têm a tendência de provocar
orgulho, que é o pecado peculiar do diabo. "... não seja neófito, para não suceder que se
ensoberbeça e incorra na condenação do diabo" (1 Tm 3.6).
O orgulho é o resultado inevitável das falsas experiências espirituais, mesmo
quando freqüentemente são cobertas com uma máscara de grande humildade. A falsa
experiência está enamorada de si mesma e cresce para si. Ela vive para mostrar-se de um
jeito ou de outro. Uma pessoa pode ter grande amor a Deus, e ter orgulho desse grande
amor. Pode ser muito humilde, e de fato muito orgulhosa de sua humildade. Mas as
emoções e experiências que vêm da graça de Deus são o exato oposto.
A verdadeira obra de Deus no coração produz humildade. Não gera nenhum tipo
de ostentação e auto-exaltação. Esse senso da apavorante, santa e gloriosa beleza de
Cristo mata o orgulho e humilha a alma. A luz da amabilidade de Deus, e ela somente,
mostra à alma a sua própria fealdade. Quando uma pessoa de fato entende isso, ela
inevitavelmente começa um processo de tornar Deus cada vez maior, e a ele mesmo
cada vez menor. Outro resultado da operação da graça de Deus no coração é que a
pessoa vai odiar todo e qualquer mal e será suscetível a Deus com um coração santo e
uma vida santa.
As falsas experiências podem até produzir certo zelo, e até um elevado grau
daquilo que comumente se chama religião. Contudo não é um zelo por boas obras. Sua
religião não é um serviço a Deus, mas antes um serviço a si mesmo. É dessa forma que o
apóstolo Tiago o coloca em nosso texto: "Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até
os demônios crêem e tremem. Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé
sem as obras é inoperante?" (Tg 2.19,20). Em outras palavras, obras — ou boas obras —
são evidência de uma experiência genuína da graça de Deus no coração. "Ora, sabemos
que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz:
11

Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a


verdade" (1 Jo 2.3,4).
Quando o coração foi cativado pela beleza de Cristo, de que outra forma ele pode
reagir? Quão excelente é essa bondade interior e essa religião verdadeira que vêm da
visão da beleza de Cristo! Eis aqui as mais maravilhosas experiências dos santos e dos
anjos do céu. Aqui temos a suprema experiência do próprio Senhor Jesus Cristo.
Embora sejamos meras criaturas, essa é uma espécie de participação da beleza do
próprio Deus. "...pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes
promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina" (2 Pe 1.4).
"Deus... nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua
santidade" (Hb 12.10). Em razão do poder dessa divina operação, há uma mútua
habitação de Deus em Seu povo e de Seu povo nEle. "Deus é amor, e aquele que
permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele" (1 Jo 4.16).
Esse relacionamento especial há de tornar a pessoa envolvida tão feliz e tão
abençoada quanto é possível alguém ser nesta vida. Essa é uma dádiva especial de Deus,
que Ele dá apenas a seus favoritos. Ouro, prata, diamantes e reinos terrenos são dados
por Deus às pessoas que a Bíblia chama de cães e porcos. Mas essa grande dádiva de
vislumbrar a beleza de Cristo, é a bênção especial de Deus a Seus amados filhos. Nem
carne nem sangue podem conceder essa dádiva: somente Deus pode dá-la. Foi por essa
dádiva especial que Cristo morreu, para obtê-la para seus eleitos. Ela é o mais alto
indício do seu amor eterno, o melhor fruto do seu penoso trabalho, e a mais preciosa
aquisição do seu sangue.
É através dessa dádiva, mais do que através de qualquer outra coisa, que os santos
resplandecem como luzeiros neste mundo. Essa dádiva, mais do que qualquer outra
coisa, é o conforto deles. É impossível que a alma que possui essa dádiva possa perecer,
jamais! Essa é a dádiva da vida eterna. É o início da vida eterna: os que a possuem não
podem morrer nunca. É o raiar da luz da glória. Ela vem do céu, tem qualidades
celestiais, e conduzirá seu possuidor ao céu. Aqueles que possuem essa dádiva talvez
vagueiem pelo deserto ou sejam agitados pelas ondas do mar, mas por fim hão de chegar
ao céu. Ali a centelha celestial será aumentada e aperfeiçoada. No céu, a alma dos santos
será transformada numa chama brilhante e pura, e eles reluzirão como o sol no reino do
seu Pai. Amém.

Este artigo originalmente chamava-se Distinção entre a Graça Verdadeira e as Experiências dos Demônios, escrito por Jonathan
Edwards, em 1752. Esta versão em linguagem moderna é de 1994, e tem copyright de William Carson. Concede-se permissão para
reproduzi-lo, com as seguintes condições: não alterar o texto, incluir esta nota final em toda e qualquer reprodução, e que o texto
não seja nunca usado para obter lucro.
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Tradução: Helio Kirchheim