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Economia & Negócios · Sociedade · Turismo
Economia & Negócios · Sociedade · Turismo

ISSN 1647-3574

ano ii · revista nº08 · set/out 2009 350 kwanzas · 4,50 usd · 3,25 euros

Arquitectura & Construção · Inovação & Desenvolvimento · Luxos · Desporto · Cultura & Lazer · Personalidades

Luxos · Desporto · Cultura & Lazer · Personalidades o valor do desporto Num período em

o valor do desporto

Num período em que só se fala em crise, surge um oásis onde se gere milhões. Um mundo paralelo, detentor de um poder inigualável, numa economia em suposta recessão. Saiba quais os nomes dos novos multimilionários

o sólido golias

O sector bancário é um dos protagonistas do momento. O seu contributo para o progresso tornaram a banca fundamental para a expansão económica e social. Nesta edição, descubra a força do gigante

casa do futuro

Design, conforto e qualidade. Eis os critérios porque se pautam as habitações do Século XXI. Um bom investimento para quem deseja aliar a excelência à eficiência. Não perca as mais recentes inovações

novo round

União Económica e Monetária em África. Sonho ou realidade? Países preparam integração financeira com a criação de blocos regionais para se unir a Europa em novas parcerias estratégicas

COMUNICARE - Portugal J&D - Consultores em Comunicação, Lda. NPC: 508 336 783 | Capital
COMUNICARE - Portugal
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in loco
revista bimestral nº08 - set/out 2009
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Direcção Executiva
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Direcção Editorial
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Redacção
Patrícia Alves Tavares - ptavares@comunicare.pt
Mónica Mendes - mmendes@comunicare.pt
Colaborador Especial
João Paulo Jardim - jpjardim@comunicare.pt
Design Gráfico
Bruno Tavares · Patrícia Ferreira
design@comunicare.pt
Desengane-se quem imagina África como um
conjunto de países afastados da realidade
mundial, longe da ‘movida’ desportiva, desco-
nhecedores das vantagens e existência de tele-
comunicações e da banca, conduzindo viaturas
obsoletas e espantando-se com os automó-
veis europeus. O continente, que Angola tanto
dignifica, servindo de exemplo para as nações
menos evoluídas, está a fervilhar de progresso
o
Fotografia
Ana Rita Rodrigues · Shutterstock · Fotolia
e os seus habitantes aproximam-se cada vez
Serviços Administrativos e Agenda
Maria Sá - agenda@comunicare.pt
mais dos cidadãos mundiais, adoptando as
suas marcas, estilos de vida e produtos.
Revisão
Marta Gomes
Nesta edição, a Angola’in debruça-se sobre
Direcção de Marketing
Pedro Posser Brandão
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a modernidade angolana e aborda a evolu-
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João Tavares - jtavares@comunicare.pt
Daniel Gomes - dgomes@comunicare.pt
ção dos sectores de actividade responsáveis
por incrementar a qualidade de vida. E fa-
lando em poder de compra, é inevitável fu-
gir a uma área que marca um estilo e uma
identidade que não flutua ao sabor da crise.
É o mundo do desporto que merece a nos-
A
ASSINATURAS - assinaturas@comunicare.pt
Envie o seu pedido para:
Rua Rainha Ginga, Porta 7
Mutamba - Luanda - Angola
sa atenção. Todos se recordam das declara-
ções de Platini, que no final da última época
apelava aos clubes para que fossem pruden-
Departamento Financeiro
Sílvia Coelho
tes na gestão dos seus recursos financeiros.
Contudo, as recentes notícias provam que as
modalidades não se deixam afectar pela con-
e
Departamento Jurídico
a
Nicolau Vieira
Impressão
Multitema
Distribuição
Africana Distribuidora Expresso
Luanda - Angola
Tiragem
10.000 exemplares
ISSN 1647-3574
DEPÓSITO LEGAL Nº 297695/09
Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos,
fotografias e ilustrações, sob quaisquer meios e para
quaisquer fins, inclusive comerciais
tenção económica. As avultadas receitas ge-
radas pela publicidade, direitos televisivos,
bilheteiras, patrocínios e todo o merchandi-
sing envolvente revelam que o desporto gera
milhões e que são modalidades como a Fór-
mula 1, o ténis ou o golfe que se assumem
como as marcas mais valiosas. O futebol não
lidera o ranking, mas encontra-se no topo e
é certamente aquele que move mais segui-
A Direcção
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1 ANO 17,55 EUROS (10% DESCONTO)
2 ANOS 31,20 EUROS (20% DESCONTO)

ECOS DO MUNDO OCIDENTAL

dores. A Angola’in apresenta-lhe um dossier exclusivamente dedicado à matéria, em que

mundo do desporto-rei, devido às recentes

transferências astronómicas como a de Cris-

tiano Ronaldo, merecem especial enfoque.

Na edição deste mês fazemos também o ba- lanço da actividade do sector bancário, cuja implementação no país tem sofrido profundas evoluções, nomeadamente no que concerne ao alargamento da rede a diversas zonas rurais e municípios mais longínquos. O sucesso e cres- cente procura da banca é reflexo do desenvol- vimento económico e respectiva reconstrução nacional, bem como da integração monetária em África, onde já se fala inclusive na criação de uma moeda única, à semelhança do que aconteceu com o Euro na União Europeia.

população angolana está cada vez mais cos-

mopolita e a procura de produtos bancários re- flecte o aumento do poder de compra, que se traduz na crescente demanda de automóveis

das telecomunicações. A Angola’in analisa

sociedade do século XXI e demonstra nes-

te número como os angolanos já não sabem viver sem os telemóveis e como a constante procura de viaturas novas e das marcas inter- nacionais motivou a criação da primeira fábri- ca nacional de produção automóvel. São sinais dos tempos modernos e de uma população ca- da vez mais próxima dos hábitos globais.

população ca- da vez mais próxima dos hábitos globais. Esta revista utiliza papel produzido e impresso

Esta revista utiliza papel produzido e impresso por

empresa certificada segundo a norma ISO 9001:2000

(Certificação do Sistema de Gestão da Qualidade)

IN LOCO · ANGOLA’IN |

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86 DESPORTO vício dos telemóveis Com 7,5 milhões de utilizadores, o ‘assalto’ ao sector das
86 DESPORTO vício dos telemóveis Com 7,5 milhões de utilizadores, o ‘assalto’ ao sector das
86 DESPORTO vício dos telemóveis Com 7,5 milhões de utilizadores, o ‘assalto’ ao sector das
86 DESPORTO vício dos telemóveis Com 7,5 milhões de utilizadores, o ‘assalto’ ao sector das
86 DESPORTO vício dos telemóveis Com 7,5 milhões de utilizadores, o ‘assalto’ ao sector das
86 DESPORTO vício dos telemóveis Com 7,5 milhões de utilizadores, o ‘assalto’ ao sector das
86 DESPORTO vício dos telemóveis Com 7,5 milhões de utilizadores, o ‘assalto’ ao sector das
86 DESPORTO vício dos telemóveis Com 7,5 milhões de utilizadores, o ‘assalto’ ao sector das
86
DESPORTO
vício dos
telemóveis
Com 7,5 milhões de utilizadores, o
‘assalto’ ao sector das telecomunicações
não pára de crescer. Unitel e Movicel
apostam na inovação para captar mais
clientes. Marcas investem em novos
modelos para combater a concorrência.
Conheça as últimas novidades do mercado
a concorrência. Conheça as últimas novidades do mercado 22 IN FOCO ‘áfrica negra’ nigéria - retrato
a concorrência. Conheça as últimas novidades do mercado 22 IN FOCO ‘áfrica negra’ nigéria - retrato
a concorrência. Conheça as últimas novidades do mercado 22 IN FOCO ‘áfrica negra’ nigéria - retrato
22 IN FOCO
22
IN FOCO

‘áfrica negra’

nigéria - retrato de uma potência

Os africanos têm razões para sorrir. O continente tem- -se afirmado mundialmente e as medidas desenvolvi- das no âmbito do fomento económico e das condições de vida são evidentes. A Nigéria é uma das economias que tem merecido destaque. Apesar dos conflitos in- ternos, este país é uma das potências em ascensão. Compreenda o que faz da Nigéria um império

76
76

INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO

crédito ao carbono

O mercado do carbono merece destaque nesta edi-

ção, uma vez que é um sector de actividade que co- meça a captar a atenção dos governantes. A emissão

de gases poluentes é um facto. É fundamental regu-

lar esta actividade e aplicar medidas que protejam o ambiente, numa altura em que o país está a crescer a um ritmo galopante e a poluição aumenta diaria- mente

ANGOLA IN PRESENTE

03

IN LOCO

12

INSIDE

50

SOCIEDADE

10

EDITORIAL

18

MUNDO

56

GRANDE ENTREVISTA

28

ECONOMIA & NEGÓCIOS

‘o sólido golias’

Quase inexistente há 20 anos, o sector bancário sofreu um forte impulso nos últimos anos. O final da guerra e a es- tabilidade económica permitiram novas apostas e a banca encontrou as condições necessárias para florescer. A re- construção nacional tem fomentado este sector, que recebe um incremento de pedidos de crédito e de novos clientes. Conheça as entidades mais poderosas e a sua expansão em todo o território

32 pirâmide invertida

Índia. O continente asiático tem-se assumido indiscutivel- mente como uma economia em constante crescimento, cujo poder económico começa a ser respeitado entre os gi- gantes do mundo, como EUA e os grandes da Europa. A Ín- dia é um desses exemplos de desenvolvimento e evolução financeira. A inovação, modernidade e franca expansão co- meçam a dar cartas no panorama internacional

44 comunicar com êxito

Conhecida mundialmente, a Nokia lidera e está na vanguar- da na concepção de telemóveis, que aliam a tecnologia de ponta a um design inovador. A Angola’in traça a evolução do maior produtor de telefones sem fios, cujos modelos con- quistam pequenos e graúdos

66

TURISMO

jamaica e camboja

Esta edição sugere dois espaços distintos para passar as suas férias. Para os que preferem climas tropicais, com belas praias, temperaturas altas e população simpática e descontraída, a Jamaica é a escolha certa. Os amantes de circuitos culturais e que procuram conhecer melhor a his- tória mundial encontram na Cidade Perdida de Angkor a oportunidade de descobrir uma civilização ímpar e única

90

DESPORTO

patins vitoriosos

O desporto tem longa tradição. O hóquei em patins é uma das modalidades com maior potencial, em que os masculi- nos séniores se destacam pelos bons desempenhos a nível nacional e internacional. O inédito sexto lugar alcançado no último mundial revela o talento dos hoquistas, cujas pres- tações da selecção fazem os grandes respeitá-la

106

ESTILOS

Lisete Pote, prestigiada estilista nacional, com provas da- das em todo mundo, tendo realizado desfiles em países como Portugal, Espanha, França, Suécia, Japão, Namíbia, Benin e Moçambique, entre outros, é a mais recente aqui-

82

INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO

império das quatro rodas

A evolução do sector automóvel é a imagem do angolano moderno. Requintado e apaixonado por viaturas de elevado calibre, o homem actual não dispensa o carro e prefere as marcas internacionais, preterindo os automóveis usados. Esta edição faz o balanço do desenvolvimento deste mercado, num período em que arranca a primeira unidade fabril nacional para fazer face à procura

sição da Angola’in para a rubrica Estilos. Admirada pelo seu perfil e carácter inovador e experiente promete fazer furor com os seus conselhos de moda. A não perder!

126

CULTURA & LAZER

imagemvalemaisquemilpalavras

O seu aparecimento acompanha a evolução da humanida- de. As artes plásticas manifestam-se sob diversas formas, tendo surgido nos primórdios das pinturas rupestres. Em Angola, esta arte, que se caracteriza pela diversidade de estilos, desenvolveu-se ao ritmo dos momentos históricos que marcaram o país

130

PERSONALIDADES

angolano de alma e coração

Apaixonado pelo movimento interventivo nacional e pela li- teratura, Luandino Vieira é um dos escritores mais consa- grados, que esteve ligado à fundação da União de Escritores Angolanos. Nasceu em Portugal, mas cresceu em Angola. Sempre reivindicou a condição de luandense e interveio na libertação nacional

condição de luandense e interveio na libertação nacional 60 72 FOTO REPORTAGEM ARQUITECTURA & CONSTRUÇÃO 96

60

72

FOTO REPORTAGEM

ARQUITECTURA & CONSTRUÇÃO

96

LUXOS

112

LIVING

118 VINHOS & COMPANHIA

editorial continente on-line On-line com o mundo! A frase pode parecer, numa primeira leitura, algo
editorial
continente on-line
On-line com o mundo! A frase pode parecer, numa
primeira leitura, algo intangível, mas de facto é esse
to. Com uma projecção de custos de 650 milhões de
dólares, esta ligação tem rota traçada para percorrer
o poder que as novas tecnologias oferecem aos seus
o Quénia, Madagáscar, Moçambique e Tanzânia com
usuários nos dias de hoje. A dar passos largos no mun-
uma rede de banda larga internacional conectada com
do da informação digital, África continua, no entanto,
a ser um info-excluído por força dos elevados preços
a África do Sul, Índia e Europa, com conclusão prevista
para o início de 2010.
de acesso, ligações lentas e por
vezes estagnadas, que sofrem
ainda com os problemas ener-
géticos que afectam grande
parte dos países. Pouco mais
Ligar África à Europa
por fibra óptica vai
transformar o panorama
de 4% da população do conti-
das telecomunicações no
continente e ter um impacto
nente pode aceder à Internet.
A dificuldade deste número
atingir os dois dígitos faz com
que os poucos utilizadores se-
directo e positivo a nível
económico e social
Três outros projectos desti-
nam-se a espalhar as liga-
ções de fibra óptica por cerca
de 22 países por toda a Áfri-
ca Subsariana. Falando so-
bre o projecto que agora vai
ser financiado, Lars Thunell,
vice-presidente executivo do
IFC, sector privado do Banco
jam obrigados a pagar taxas demasiado elevadas pa-
Mundial dedicado aos em-
préstimos, sublinha que «os custos normais de
ra
usufruírem de ligações demasiado lentas. Lentas
ou
mesmo estagnadas, esperando pela boa vontade
da
conhecida teimosia do sistema de electricidade de
grande parte dos países. Inúmeros projectos tentam
levar a cabo operações de conexão do continente à re-
de,
mas os custos são normalmente uma barreira difí-
cil
de derrubar. Agora, um consórcio de empresas que
planeia a instalação de uma ligação através de cabo
subaquático para ligar África à Europa recebeu o finan-
ciamento necessário para arrancar com o projecto. Es-
acesso à Internet na África Oriental são de 200 ou
300 dólares mensais, o que significa que são dos
mais elevados do mundo». Expectativas para o pa-
norama deste sector depois de terminado o projec-
to? «Esperamos que os preços caiam cerca de dois
terços assim que este projecto esteja concluído e
que continuem a descer depois», afirmou Thunell
recentemente. Para além da descida dos preços de
acesso, o outro objectivo assumido pelo consórcio
é
fazer triplicar os subscritores, proporcionando o
ta auto-estrada, onde o alcatrão cede lugar ao cabo de
fibra óptica, com cerca de 10000 mil quilómetros, que
pretendem vinte e um países (Europa e Regiões Este,
Oeste e Sul de África), já começou a ser construída e
espera-se que entre em funcionamento até ao próxi-
mo ano. O financiamento, no valor de 70.7 milhões de
dólares, foi atribuído por cinco instituições financeiras
internacionais: a Corporação Financeira Internacional
(IFC) do Banco Mundial, o Banco Europeu de Investi-
mento, o Banco Africano para o Desenvolvimento, a
Agência Francesa para o Desenvolvimento e o Banco
Alemão para o Desenvolvimento. Um outro projecto,
denominado SEACOM, que ostenta um plano ainda
mais ambicioso garantiu também o seu financiamen-
acesso à Internet a cerca de um quarto dos africa-
nos - 250 milhões de pessoas. Lars Thunell não tem
quaisquer dúvidas relativamente à importância do
projecto: «este projecto vai transformar o panorama
das telecomunicações em África e vai ter um directo
e positivo impacto nos negócios da África Oriental»,
assegura. Depois de concluída uma primeira fase do
projecto, outros treze países serão também incluí-
dos na rede através ligações adicionais. Esses paí-
ses são o Botswana, Burundi, a República Central
do Congo, Chade, Etiópia, Lesoto, Malawi, Ruanda,
Suazilândia, Uganda, Zâmbia e Zimbabué. Sem dú-
vida, um projecto megalómano, há muito esperado
no continente!

mbartolo@comunicare.pt

um projecto megalómano, há muito esperado no continente! mbartolo@comunicare.pt 1 0 | ANGOLA’IN · EDITORIAL

INSIDE

| patrícia alves tavares

SAÚDE

MÉDICOS CUBANOS VÃO REFORÇAR HOSPITAIS

Mais de duas dezenas de profissionais de saúde cubanos vão deslocar-se para Angola,

ainda este ano, com o objectivo de reforçar

o sistema de saúde nacional. O intercâm-

bio surge no âmbito de um acordo assinado entre os governos de Angola e Cuba. Actual- mente, actuam no país cerca de 605 médicos

cubanos, dos quais 200 encontram-se a tra-

balhar em hospitais e unidades periféricas.

A notícia foi divulgada pelo ministro da Saú-

de, José Van-Dúnem, que preferiu não adian- tar a data de chegada dos 239 profissionais. Questionado acerca da carência de médicos

ao nível das províncias, o responsável admi- tiu que os 2400 médicos existentes no país correspondem a um “número bastante redu- zido”, argumentando que está a ser feito tu- do para ultrapassar esta dificuldade, uma vez que existe apenas um médico para cada 10 mil habitantes (OMS recomenda um profissional para cada mil pessoas). “Os esforços consubs- tanciam-se na criação de cinco faculdades de medicina”, esclareceu. Van-Dúnem informou ainda que “há um programa com Cuba”, no sentido de trabalhar em conjunto “numa va- cina contra a cólera”.

TECNOLOGIA

INFRASAT APRESENTA UNIDADE MÓVEL

A Infrasat, empresa do grupo Angola Te-

lecom, dispõe de uma unidade móvel, que permitirá assegurar as situações críticas e pontuais, no que concerne às novas tecnolo- gias de comunicação. O novo veículo, recen- temente apresentado, dispõe de uma antena móvel, capaz de funcionar com energia eléc- trica ou gerador, de modo a poder atender serviços de transmissão de voz, dados, inter-

net e vídeo, em situações de emergência ou necessidades especiais. De acordo com o di- rector executivo, Eduardo Continentino, o no- vo dispositivo representa um grande avanço para o país, uma vez que se apresenta como uma solução alternativa para os problemas

de quebra da Internet, geralmente relaciona-

dos com a danificação de fibras ópticas, que podem afectar o funcionamento dos mais variados serviços, nomeadamente a banca, instituições de ensino e saúde, radiodifusão

e telefonia móvel e fixa. No caso de uma fa- lha na ligação web de uma empresa, a uni- dade móvel (também apelidada de ‘antena móvel’) pode garantir a normalização do ser- viço, de forma célere e eficaz. A vantagem do novo mecanismo consiste no facto de es- te poder ser instalado em qualquer parte do território nacional, inclusive onde não exis- tem infra-estruturas físicas no âmbito das novas tecnologias, resistindo a condições at- mosféricas adversas.

resistindo a condições at- mosféricas adversas. INTERNET ANGOLA TELECOM LANÇA A BANDA LARGA A empresa

INTERNET

ANGOLA TELECOM LANÇA A BANDA LARGA

A empresa pública de telecomunicações e multimédia Angola Telecom

apresentou a sua mais recente oferta, o sistema de Internet com quatro

megas em banda larga, que se destina às pequenas e médias empre-

sas. Segundo João Avelino, presidente do conselho de administração,

o sistema permitirá resolver os problemas de acesso à Internet e da

qualidade telefónica. A tecnologia, denominada de “SuperNet ADSL”, é um meio capaz de manipular o grande fluxo de informação, que pode

ser usado por utilizadores que trabalhem com elevadas quantidades de dados. A Internet em banda larga permite aos empresários usufruírem

de um serviço de alta velocidade, com consequências altamente favo-

ráveis para os negócios. O sistema baseia-se em ligações ADSL, pelo que é possível usar a linha telefónica e aceder à Web em simultâneo.

SEGURANÇA

BANCOS COM SISTEMA DE VIDEOVIGILÂNCIA

As agências bancárias deverão ser aconselhadas a adoptar o sistema de videovigilância, com vista a travar a onda de assal- tos, em que os bancos são os principais visados. A decisão foi tomada durante um encontro entre o Governo da Província de Luanda, a Polícia Nacional e a Associação dos Bancos de Angola. Luanda é a região onde se regista o maior número de roubos, situação que tem gerado alguma instabilidade entre os clientes das instituições. Desta forma, de acordo com declarações de Domingos Francisco, governador para a área económica de Luanda, “a implementação de um sis- tema de videovigilância permitirá à polícia ter elementos que permitam analisar e investigar”, sempre que se re- gistar um assalto. Grande parte das dependências dos bancos comerciais já tem este serviço instalado, pelo que as autoridades recomendam que se aplique o dis- positivo à medida que se proceda à expansão da re- de bancária. Por outro lado, a polícia argumenta que a maioria dos bancos assaltados não possuía sistemas de vigilância.

INSIDE

INSIDE
INSIDE DESENVOLVIMENTO CIMANGOLA AUMENTA PRODUÇÃO A Nova Cimangola pretende aumentar a sua produção para um milhão

DESENVOLVIMENTO

CIMANGOLA AUMENTA PRODUÇÃO

A Nova Cimangola pretende aumentar a sua

produção para um milhão e 200 mil toneladas de cimento Portland. A meta será executada

ainda este ano. O referido acréscimo enquadra- se no modelo de gestão que a empresa está

a implementar, que deverá ser eficiente e efi-

caz. Em 2008, a fábrica produziu pouco mais de um milhão de matéria-prima, ocupando 30

por cento da quota de mercado. O assessor do organismo explicou que a produtora de cimen-

to tem apostado em manufacturar mais com

menos recursos, recorrendo a tecnologia anti- ga. Quanto à necessidade de implantar novos

meios, como forma de aumentar a produtivida-

de, o responsável admitiu que essa opção con- duziria à redução de mão-de-obra da empresa

de

842 para 200 trabalhadores. Aliás, a empre-

sa

anunciou recentemente que está em curso

um processo de recrutamento para as áreas de

debilidade. A nova gestão da cimenteira englo-

ba a implementação de um plano de carreiras e

melhoria das condições sociais, com vista a re- juvenescer e envolver todos os trabalhadores. A

Nova Cimangola compõe o conjunto de empre- sas licenciadas pelo Ministério das Obras Públi- cas, que estão autorizadas a importar cimento, de acordo com as necessidades do mercado nacional. No entanto, o organismo não encara esta actividade como a melhor saída, centran- do-se essencialmente na produção de cimento.

A fábrica labora desde 1957 e é constituída pe-

los accionistas da Ciminvest (49 por cento), da Cimangola (40 por cento) e do Banco Africano

de Investimento (9,5 por cento).

INVESTIMENTO SINOPEC QUER ADQUIRIR 20% DA MARATHON A empresa Sinopec, constituída pela China Petroleum &
INVESTIMENTO
SINOPEC QUER ADQUIRIR 20% DA MARATHON
A empresa Sinopec, constituída pela China Petroleum & Chemical e pela CNOOC vai
pagar 1,3 mil milhões de dólares pela compra da participação em 20 por cento da Ma-
rathon Oil, no bloco 32 de Angola. O referido espaço petrolífero offshore de águas pro-
fundas é detido em cinco por cento pela Galp. A Marathon é actualmente a quarta
maior petrolífera dos Estados Unidos da América e vai manter uma posição de dez por
cento no bloco 32, onde já foram encontrados 12 poços de petróleo, facto que motivou
todos os parceiros da empresa norte-americana a disputar os seus 20 por cento. Para
tal, terão que igualar a oferta da Sinopec. A Galp é a companhia que detém a posição
mais pequena naquele bloco. A operadora do espaço é a Total, com 30 por cento, se-
guindo-se a Sonangol com 20 por cento. Este é já o quarto desinvestimento da Mara-
thon em termos de participação na exploração e produção de energia.
de participação na exploração e produção de energia. PETRÓLEO ODEBRECHT DESCOBRE NOVA JAZIDA A construtora

PETRÓLEO

ODEBRECHT DESCOBRE NOVA JAZIDA

A construtora brasileira Odebrecht encontrou pe-

tróleo na costa angolana, revelando que a aposta

no sector do petróleo e gás tem sido bem sucedi- da, alcançando assim o primeiro êxito. “Trata-se de crude leve, de boa qualidade e foi encontrado

a uma profundidade de 4.725 metros, a 315 qui-

lómetros da costa de Luanda”, congratulou-se o presidente da companhia, Miguel Gradin. O gru- po brasileiro tem uma participação de 15 por cen- to no consórcio operado pela Maersk OIl, que por sua vez detém 50 por cento da empresa estatal angolana Sonangol.

PRESIDÊNCIA DA OPEP

CORTES NA PRODUÇÃO

O actual presidente da Organização dos

Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e ministro angolano dos Petróleos, Bote-

lho de Vasconcelos garantiu que os mem-

bros da organização estão a cumprir com

os

cortes de produção, estabelecidos pe-

lo

cartel em Maio último. As reduções têm

oscilado entre 78 e 80 por cento, facto que permitiu reduzir significativamente a vo- latilidade antes registada no mercado in-

ternacional do crude. Quanto às oscilações de preços no âmbito internacional, Bote- lho Vasconcelos lembrou que alguns dos fundamentos do mercado ainda não estão totalmente controlados, pelo que ainda existe muito petróleo armazenado, con- duzindo a algumas especulações do mer- cado. O dirigente afirmou ser urgente que

o sector petrolífero tenha em considera-

ção a vertente da responsabilidade social, ou seja, o incentivo à criação de coopera- tivas deve ser alargado a todas as provín- cias, para que funcione como alavanca do

desenvolvimento económico do país.

INSIDE

INSIDE INOVAÇÃO GÁS DE COZINHA NO MERCADO A Sonangol colocou este ano 8.200 novas gar- rafas
INOVAÇÃO GÁS DE COZINHA NO MERCADO A Sonangol colocou este ano 8.200 novas gar- rafas
INOVAÇÃO
GÁS DE COZINHA NO MERCADO
A Sonangol colocou este ano 8.200 novas gar-
rafas de gás de cozinha no mercado. A pro-
víncia de Bié foi a maior beneficiária, devido à
crescente procura do produto no mercado lo-
cal. De acordo com o delegado de vendas da
“Sonangol Distribuidora” no Bié, Manuel Nu-
nes, as botijas são comercializadas pelo preço
único de 12.200 Kwanzas, pelo que até ao mo-
mento já foram vendidas quatro mil garrafas.
A venda abrange todos os municípios do inte-
rior da província. Com esta medida, além de
satisfazer as necessidades dos consumidores,
será possível estender os serviços às restan-
tes localidades da região. O delegado explicou
que a transportação do produto também me-
lhorou nos últimos tempos, graças à requalifi-
cação dos troços rodoviários.

MERCADOS

BOLSA DE VALORES ARRANCA EM 2010

Cruz Lima, coordenador da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), adiantou que a Bol-

sa de Valores e Derivados de Angola (BVDA) vai arrancar no primeiro semestre de 2010.

O responsável assegurou que desde Julho estão a “ser criadas as condições necessárias

para o funcionamento da Bolsa”. O dirigente da CMC explicou que a abertura do referido

organismo é uma prioridade para o Primeiro-Ministro. “Estamos a cumprir as orienta- ções do Governo”, ressalvou, recordando que “seria uma falha inaceitável e indesculpável do programa governamental”, caso não contemplasse a criação da Bolsa de Valores. Sem revelar os nomes e números das empresas que podem participar no futuro projecto, Cruz Lima admitiu que as entidades petrolíferas, diamantíferas, cervejeiras, transportadoras aéreas, energia, águas e telecomunicações “são indispensáveis para o mercado bolsista”.

O coordenador assegura ainda que o país dispõe de todas as potencialidades para se tor- nar numa praça financeira regional importante, esperando-se que no primeiro ano venha assumir o quinto ou sétimo lugar no ranking dos mercados africanos.

JUSTIÇA

SISTEMA DOS PALOP NA INTERNET

A ministra da Justiça de Angola, Guilher-

mina Prata, apresentou a base de dados online, que contém informações sobre os sistemas de justiça de todos os países dos PALOP. O acesso ao portal baseia-se em subscrições, que serão definidas de acordo com a realidade financeira de to- dos os Estados. O mecanismo consta do programa do Fundo Europeu de Desen- volvimento (FED) e está orçado em 9,8 milhões de euros. A página Web terá co- mo funções divulgar e facilitar o acesso à legislação, jurisprudência e doutrina dos órgãos de administração da Justiça des- ses países. A gestão dos conteúdos fica ao cargo de técnicos dos ministérios da Justiça, que receberão formação especí- fica. Os critérios de acesso ao portal de- vem-se à necessidade de assegurar os encargos financeiros da manutenção do site. A ideia da base de dados surgiu em 2003, mas a fase II do projecto apenas fi- cou concluída este ano.

AVIAÇÃO

LUANDA E DUBAI COM LIGAÇÃO DIRECTA

A partir de 25 de Outubro voos directos vão aproximar Dubai e Luanda. A notícia foi divulgada

pela companhia de aviação comercial ‘Emirates’, que assegurará o transporte dos passageiros.

A circulação entre os dois países decorrerá três vezes por semana (terça-feira, quarta-feira e do-

mingo). A nova linha insere-se no plano de extensão das ligações aéreas internacionais, nomea- damente em África. O Boeing 777-300 é o avião que vai fazer o itinerário e dispõe de 364 lugares

divididos pelas classes Económica, Business e Primeira Classe.

MUNDO
MUNDO

| patrícia alves tavares

MUNDO | patrícia alves tavares tecnologia Mais de 2 mil milhões de internautas em 2013 A

tecnologia

Mais de 2 mil milhões de internautas em 2013

A Forrester Research, uma companhia independente especializada em estudos de mercado na

área da tecnologia, acredita que, em 2013, o número de internautas no mundo deverá chegar aos

2,2 mil milhões contra os actuais 1,5 milhões. De acordo com o estudo recentemente divulgado, 43 por cento desses novos utilizadores serão asiáticos, dos quais 17 por cento correspondem apenas

à China. “Apesar da desaceleração económica global, um número crescente de consumidores con-

verte-se anualmente à Internet”, esclarece a analista Zia Widger, que prevê um aumento de novos cibernautas na ordem dos 45 por cento, entre 2008 e 2013. O continente asiático registará o maior crescimento, enquanto a Europa rondará os 22 por cento e a América do Norte os 17 por cento. Por seu lado, na América Latina as futuras conexões à Internet deverão manter-se nos 11 por cento. O documento revela ainda que a China ultrapassará os Estados Unidos, que conjuntamente com os restantes países industrializados registará uma fraca progressão nos próximos cinco anos.

efeméride

Homem rumo a Marte

A 20 de Julho de 1969, o mundo parou para

ver Neil Armstrong a pisar a Lua pela primei- ra vez. Por ocasião das comemorações da data, Buzz Aldrin, o segundo homem a pôr

o pé no satélite da Terra falou sobre o futu- ro da exploração do espaço extraterrestre. Durante uma conferência comemorativa, organizada pela Nasa, em Washington, os sete astronautas pioneiros da Lua aponta- ram Marte como a meta para o futuro. Al- drin mostrou-se surpreendido pelo facto do Homem ainda não ter alcançado Marte no fi- nal da primeira década do século XXI. O as- tronauta defende há muito a concretização de uma viagem tripulada ao planeta vizinho da Terra, argumentando que a solução para reduzir o impacto dos custos e dificuldades técnicas pode passar por uma expedição sem regresso, com colonos espaciais dispostos a

não voltar à Terra. Por outro lado, o grupo de veteranos criticou ainda o pouco investimen-

to financeiro que os EUA têm conferido à ex-

ploração espacial.

que os EUA têm conferido à ex- ploração espacial. literatura Nasce a maior e-livraria do mundo

literatura

Nasce a maior e-livraria do mundo

A maior cadeia de livrarias do mundo, a Barnes &

Noble anunciou que vai criar a maior loja online de livros electrónicos nos Estados Unidos. O es-

paço virtual albergará as obras digitalizadas pelo Google. O projecto tem como finalidade facilitar

o acesso às diversas compilações, uma vez que o

presidente da marca, William Lynch acredita que “os leitores devem ter acesso aos livros a partir de qualquer dispositivo, a partir de qualquer lugar

e a qualquer momento”. A futura loja virtual será

considerada a maior livraria online de livros elec- trónicos, em todo o mundo. No total, serão dis- ponibilizados mais de 700 mil títulos, dos quais

meio milhão consiste em obras livres de direitos de autor, oferecidas através do Google Books. As

obras digitais serão compatíveis com vários siste- mas operativos e leitores electrónicos, bem como os conhecidos telefones “inteligentes”. Contudo,

a empresa está a desenvolver uma parceria com

a britânica Plastic Logic, para criar um leitor que possa competir com o Kindle e o Sony Reader.

internet

Google chega à Lua

No ano em que se comemoram os 40 anos da chegada do Homem à Lua, o Goo- gle resolve assinalar a efeméride com o lançamento de uma ferramenta, que per- mite ver imagens de satélite, fotografias e vídeos das várias expedições da Nasa.

O novo serviço, intitulado Google Moon, faz parte do Google Earth, que consiste

numa aplicação para download gratuito e que tem como função permitir a visua- lização de imagens da Terra, captadas por satélite. Esta nova ferramenta integra ainda mapas geográficos e topológicos, informação sobre os muitos artefactos

humanos que foram à Lua e uma visita virtual conduzida por Buzz Aldrin e por Ja-

ck Schmitt, da missão Apolo 17. O Google Moon é produto de um acordo assinado

com a Nasa, em 2006.

ambiente

Alterações climáticas afectam peixes

Os peixes das águas europeias perderam metade da sua massa cor- poral, em apenas algumas décadas, devido aos efeitos das alterações climáticas. A conclusão é de um estudo do Cemagref, um instituto especializado na gestão saudável das águas e dos territórios. Durante o período em análise, os investigadores observaram as populações de peixes nos rios europeus, no Mar do Norte e no Mar Báltico. O relatório indica que os habitantes aquáticos perderam em média 50 por cento da massa corporal, nos últimos 20 ou 30 anos. Isto verificou-se em todas as espécies, sendo que os peixes das águas europeias perde- ram cerca de 60 por cento. Os investigadores explicaram que as águas quentes são habitadas por espécies mais pequenas e que o seu aque- cimento afecta as migrações e os hábitos de reprodução dos animais. Os impactos são “enormes”, uma vez que os peixes mais pequenos têm menos crias e são presas mais fáceis para os predadores, tendo consequências graves na cadeia alimentar e no ecossistema.

banca

Deutsche Bank investigado

O maior banco da Alemanha, o Deutsche Bank, pode ser

acusado de espionagem. Segundo a imprensa interna- cional, a instituição corre o risco de ser investigada por

alegada espionagem de administradores, executivos de topo e accionistas. Os jornais adiantam que dois altos funcionários terão sido entretanto despedidos, por te-

rem tido responsabilidade nas acções de vigilância, que

a justiça pretende indagar. Aliás, um dos quadros demi- tidos era responsável pelo departamento da seguran-

ça e outro pelas relações com os investidores. Ainda de acordo com o Deutsche Bank, os procuradores alemães estão a reunir a documentação necessária para verificar

se existem bases para avançar com um processo criminal

contra o banco. “O Deutsche Bank foi, obviamente, lon- ge de mais nas acções de espionagem”, frisou Wolfgang Gerke, presidente do Centro Bávaro de Finanças de Muni- que, em declarações à agência Bloomberg.

de Muni- que, em declarações à agência Bloomberg. internet Brasil lidera Twitter Um estudo do Ibope

internet

Brasil lidera Twitter

Um estudo do Ibope Nielsen Online anunciou que o Brasil assumiu o lugar de líder mundial ao nível da participação no Twitter, tendo registado cinco milhões de utilizadores nos últimos meses, representando um acréscimo de 71 por cento em relação a Maio. O documento revela que o país não tem o maior número de utilizadores do site, mas que é a região com maior penetração da ferramenta web. Em se- gundo lugar, ficaram os EUA e em terceiro o Reino Unido.

gundo lugar, fi caram os EUA e em terceiro o Reino Unido. guantánamo Fecho da prisão

guantánamo

Fecho da prisão em risco de ser adiado

O relatório encomendado por Obama foi adiado por seis meses, levando os ana- listas a acreditar que o encerramento da prisão de Guantánamo, marcado para Ja- neiro, poderá não ser cumprido. O documento, encomendado pelo Presidente dos Estados Unidos, é crucial para a avaliação daquela prisão militar norte-americana e surgiu no âmbito dos esforços da nova Administração para encerrar aquele polé- mico centro de detenção de suspeitos de terrorismo. A extensão do prazo está re- lacionada com a necessidade de se fazer uma “análise o mais detalhada possível” sobre a situação de Guantánamo, explicaram os conselheiros de Obama, ligados à equipa encarregue de elaborar o relatório. Os mesmos garantem que o adiamento por seis meses não provocará atrasos em relação à data estabelecida para o en- cerramento da prisão de alta segurança. Até ao momento, o presidente americano apenas tomou conhecimento do documento interno, que enumera as opções de que a Casa Branca dispõe, nomeadamente julgar os suspeitos em tribunais cíveis ou transferi-los para outros países. Já, os analistas encaram com alguma renitên- cia o cumprimento dos prazos de encerramento.

MUNDO saúde Obesidade pode tirar dez anos de vida Um estudo, publicado na revista científica

MUNDO

MUNDO

saúde

Obesidade pode tirar dez anos de vida

Um estudo, publicado na revista científica “Lancet”, analisou 900 mil pessoas durante 20 anos e provou que a obesidade pode chegar a tirar até dez anos de vida. A investigação foi conduzida pela Universidade de Oxford e analisou 57 estudos sobre o tema, que incidiram sobre as populações da Europa e da América do Norte. “O excesso de peso diminui a esperança de vida. Em países como a Inglaterra ou os EUA, pesar um terço a mais do que seria óptimo encurta o tempo de vida em cerca de três anos”, enuncia Gary Whitlock, médico da referida faculdade e um dos autores do estudo. Das pessoas que participaram na investigação, uma centena morreu durante as duas décadas de acompanhamento. Os estudiosos usaram o Índice de Mas- sa Cultural (IMC) para definirem a obesidade, dividindo o peso de uma pessoa pelo quadrado da sua altura. A população com um IMC entre 30 e 35 (o normal vai dos 18,5 aos 25) morreu três anos mais cedo do que aque- les que tinham um peso normal. Os casos de obesidade severa viveram dez anos a menos, o mesmo tempo que um fumador. Doenças cardiovasculares, diabetes, cancro e complicações relacionadas com os pulmões foram as principais patologias associadas pelos investigadores à obesidade.

patologias associadas pelos investigadores à obesidade. literatura Fãs de Graham Greene podem terminar inédito Um

literatura

Fãs de Graham Greene podem terminar inédito

Um romance inacabado de Graham Greene (1904

– 1991) está a ser publicado numa revista norte-

americana, convidando os fãs de policiais a ter-

minar o enredo desta história, que data dos anos 20. “The Empty Chair” (“A cadeira vazia”) possui apenas cinco capítulos concluídos e conta a histó- ria de um assassinato misterioso. O enredo des- ta obra faz recordar os misteriosos assassinatos cometidos nas casas de campo, típicos de Agatha Christie. O autor iniciou o livro em 1926, quando tinha apenas 22 anos e foi encontrado no ano pas- sado por François Gallix, um estudioso das obras de Greene. O romance encontrava-se no Cen- tro de Humanidades da Universidade do Texas e corresponde ao ano mais importante na vida do escritor, período em que atingiu o sucesso. “The Strand Magazine” publica um capítulo por sema- na e pondera lançar um concurso para completar

a história. Graham Greene é conhecido internacio-

nalmente pelas obras “O Condenado”, “O nosso agente em Havana”, “O poder e a glória”, “O ame- ricano tranquilo” e “Monsenhor Quixote”.

eua

Lulas invadem Califórnia

Milhares de lulas gigantes, que atacam seres humanos, invadiram a costa de San Diego, na Califórnia, estando a causar o pânico entre os habitantes. As lula-de-humboldt frequentam habitualmente as águas profundas do México e são conhecidas por atacar os humanos. Es- tas podem medir até 1,5 metros e pesar até 45 quilos. Os cientistas explicam que as lulas gi- gantes podem ter saído do seu habitat natu- ral devido à escassez de alimentos, provocado pelo aquecimento global. Este facto pode es- tar na origem da sua deslocação para a zona costeira californiana. Não é a primeira vez que as praias de San Diego são invadidas por lu- las. A última vez foi em 2005, período em que estes animais apareceram mortos na costa de Orange County.

honduras

EUA emitem aviso

Hilary Clinton, secretária de Esta- do norte-americana ameaçou sus- pender a ajuda às Honduras, caso as negociações promovidas pelo pre- sidente costa-riquenho Óscar Árias falhem. De acordo com o porta-voz do departamento, Philip Crowley, a dirigente mostrou-se muito firme na conversa telefónica com o pre- sidente de facto das Honduras, Ro- berto Micheletti, firmando assim a posição dos EUA.

astronomia

Ásia assiste a eclipse

Ásia, Japão e Pacífico assistiram a um eclipse total do sol, o mais longo do sé- culo XXI, com duração superior a cinco minutos. O fenómeno teve início no gol- fo de Khambhat, a Norte de Bombaím e moveu-se para Este, escurecendo pri- meiro a Índia e depois o Nepal, Burma, Bangladesh, Butão e China, respectiva- mente. Prosseguiu para o Japão, tendo sido visto pela última vez a partir da ilha de Nikumaroro, no Kiribati. O eclip- se durou cerca de quatro horas. O últi- mo acontecimento idêntico ocorreu em Agosto de 2008 e durou pouco mais de dois minutos. A longa duração do eclip- se permitiu aos cientistas estudar os fenómenos solares.

IN FOCO
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| manuela bártolo

ÁFRICA ‘NEGRA’

NIGÉRIA

retrato de uma potência

Com mais de 120 milhões de habitantes e uma densidade populacional de 131 habitantes/ quilómetro2, a Nigéria é um dos maiores produtores mundiais de petróleo e pode vir a definir- se como uma das principais potências económicas da África Negra. Após o longo período de instabilidade política, nos anos setenta, dá-se a explosão da sua economia, resultante da abundância do petróleo na zona do Delta do Níger e na sua exploração acelerada provocada pelo aumento elevado da procura mundial dessa matéria-prima. Hoje, o país é destino de grandes fluxos de imigração provenientes de todos os países da zona. No início dos anos 80 as crises petrolíferas conduziram à queda dos preços e os estrangeiros em situação irregular são expulsos do país, o que envolveu cerca de 2 milhões de pessoas, obrigadas a regressar por qualquer meio para os territórios de origem. Mesmo assim, o país continua com uma grande densidade populacional e um valor do rendimento médio por habitante reduzido, estando a concentração das políticas económicas nas mãos dos grupos do poder, visto pelos organismos internacionais como “corrupto”. A estrutura urbana é essencial e, além da gigantesca concentração urbanística de Lagos, conta também com um grande número de cidades com 200 mil a 300 mil habitantes que elevam a taxa de urbanização para os 50%. Números que não encontram representação nas infra-estruturas e serviços, ainda bastante pobres. As perspectivas, no início do século XXI são elevadas. Aqui fica o retrato actual de uma Nigéria de contrastes.

POLÍTICA Outro dos aspectos negativos apontados pe- la população é a dificuldade em arranjar em- prego e a escalada dos preços. Após a eleição de Obasanjo em 1999, uma nova Constituição foi aprovada que garante que haja eleições de quatro em quatro anos. Obasanjo ganhou em 2003, muito embora as eleições tenham sido consideradas falseadas. O PDP que está no poder, fortaleceu a sua posição tanto na As- sembleia Nacional, como nos 36 estados que constituem a Nigéria, 31 dos quais têm gover- nadores do partido do governo. Uma tenta- tiva de amendar a Constituição para permitir que o presidente se candidatasse ao terceiro mandato foi reprovada em 2006. As eleições presidenciais de 2007 permitiram a primeira transferência de poder civil no país desde a independência. Os três principais candidatos presidenciais (todos muçulmanos do Norte), reflectiram a crença que o cargo de líder da nação deve pertencer a um nortenho, depois de Obasanjo ter estado no poder. Atiku Abubakar candidatou-se pelo partido do Congresso da Acção, mas foi impedido de o fazer por acusações de corrupção que até hoje nega. No entanto, o Supremo Tribunal decidiu que a Comissão de Eleições não tem o poder de impedir que nenhum candidato concorra ao lugar. Contudo, um dos maiores progressos políticos dos últimos oito anos é que o exér-

cito foi politicamente neutralizado. Quaisquer generais com ambições políticas foram afas- tados e outros têm estado num esquema de rotação que os impede de se agarrarem ao po- der. A nova geração de oficiais são profissio- nais e, pela primeira vez em décadas, todos os observadores concordam que um golpe militar

é

pouco provável. A nível regional, a Nigéria é

o

poder predominante no Oeste africano e es-

tiveram na origem da Comunidade Económi- ca dos Estados da África Ocidental (ECOWAS), através da qual tiveram um papel preponde- rante na resolução de conflitos, principalmen-

te na Libéria e na Serra Leoa. Num panorama mais alargado, o presidente Obasanjo foi um dos principais fundadores da Nova Parceria para o Desenvolvimento Africa- no (NEPAD) e foi presidente da União Africana em 2005/06, promovendo conversações de paz com o Sudão. A Nigéria tem a aspiração de ter um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Durante os dois mandatos do Presidente Olusegun Obasanjo, o país pagou quase na totalidade a dívida estrangeira de 35.9 mil milhões de dólares. Estima-se que restem 5 mil milhões

ECONOMIA

A Nigéria é a grande potência económica do

Oeste africano, contribuindo com quase 50%

do PIB da região. Economicamente, o país es-

tá dependente do sector do petróleo e do gás.

Membro da Organização de Países Produtores de Petróleo (OPEP), é o oitavo maior exporta- dor mundial de crude. Os lucros da associação nigeriana de gás, a NLNG (Nigerian Liquefied

Natural Gas Ltd) vão superar os lucros de petró- leo nos próximos dez anos. Ainda que o crude produzido precise de pouca refinação, o país até agora foi incapaz de construir as suas próprias refinarias e trabalhar na produção de petróleo.

Os produtos refinados são todos importados. O

aumento da criminalidade na região do Delta do Niger lançou dúvidas se será possível haver

eleições nos estados de Rivers, Delta e Bayelsa. No período de um ano (Abril de 2006 a Abril de 2007) mais de 100 trabalhadores estrangeiros foram raptados, 70 dos quais em 2007. Os ata- ques às plataformas de petróleo levaram a que

a Nigéria reduzisse 20% a 25% da sua produção

de crude. Uma das áreas em expansão é o sector

das telecomunicações. Há aproximadamente 1.25 milhões de linhas terrestres telefónicas no

país, enquanto o número de utilizadores de te- lemóveis ascende os 30 milhões. Vários analis- tas acreditam que o crescimento vai continuar,

com a Nigéria a ultrapassar a África do Sul como

o maior mercado africano deste sector. Durante

os dois mandatos do Presidente Olusegun Oba-

sanjo, o país pagou quase na totalidade a dívida estrangeira de 35.9 mil milhões de dólares. Esti- ma-se que restam 5 mil milhões. Após o acordo com o Clube de Paris (instituição de crédito en- tre governos) em 2005, a Nigéria liquidou 12.4 mil milhões de dólares da dívida. Está também prestes a pagar 900 milhões de dólares ao Clu-

be de Londres (instituição de crédito privada), a

quem já tinha pago 1.4 mil milhões de dólares. O outro credor é o Banco Mundial, que já afirmou publicamente que a forma como a Nigéria tem liquidado a sua dívida de 2.07 mil milhões de dó-

lares é “muito boa”. No entanto, a Transparência

Internacional ainda refere o país como um dos países mais corruptos a nível mundial. Dados oficiais dizem que metade dos lucros anuais de crude estimados em 40 mil milhões de dólares, são roubados ou desperdiçados.

Muitos nigerianos queixam- se que não tem havido pro- gressos nas infra-estruturas básicas como a luz, água e saneamento básico. Outro dos aspectos negativos apontados pela população é a dificuldade em arranjar emprego e a esca- lada dos preços

SOCIEDADE

O país tem dos piores Índices de Desenvolvi- mento do mundo: uma em cada cinco crian- ças morre antes de chegar aos cinco anos.

Doze milhões de crianças não estão na escola

e há quase 2 milhões de orfãos devido ao ví-

rus do HIV/Sida. Mais de metade da popula- ção (75 milhões de pessoas) vivem abaixo do limiar de pobreza, num país onde a esperança

média de vida é de 47 anos. Após os progra- mas de privatização introduzidos pelo Presi-

dente Obasanjo, os nigerianos ainda estão à espera de um fornecimento de electricidade eficaz, de uma rede de água potável, de ser-

viços de saneamento, de melhorias nos cami- nhos de ferro, nas estradas e nos telefones.

A capital Abuja é a cidade mais cara da Ni-

géria, seguida de Port Harcourt, uma cidade

rica em petróleo, e pela maior cidade Lagos, que é a capital comercial do país. Em Maio de 2004, Obasanjo promoveu um programa de reformas económicas chamado NEEDS que pretendeu promover a disciplina fiscal,

a reforma dos serviços civis e bancários, bem

como o início de privatizações e transparên- cia. Os direitos humanos melhoraram consi- deravelmente desde 1999, ainda que o país continue com a pena de morte. O governo de Obasanjo estabeleceu um painel para in- vestigar os abusos de direitos humanos nas organizações militares e criou uma comissão

de direitos humanos. Há no país uma vasta

e activa sociedade civil. Os orgãos de comu-

nicação social são livres e independentes. No entanto, ainda surgem informações de es- pancamentos e execuções sumárias, que as pessoas atribuem à má preparação das forças de segurança.

IN FOCO

IN FOCO

RELIGIÃO

O país com mais população de África pas-

sou de um regime militar à democracia. No entanto, a liberdade não permitiu alterar os constantes cenários de violência religiosa e étnica. De facto, a população nigeriana tem

fama de ser controversa, violenta e sobre ela pairam alegações de manipulação e fraudes.

Os censos de 2006 decorreram de uma forma

geralmente pacífica, mas houve casos de vio- lência - incluíndo mortes - e o crescimento de

tensões étnicas e políticas. Os censos incluem questões sobre a educação, o emprego, rendi- mento, tamanho da residência, fornecimento

de água, saneamento básico, tipo de combus-

tíveis usados, acesso a rádio, televisão e tele- fones, mas na tentativa de impedir conflitos, não inclui temas religiosos. Grupos religiosos e étnicos mostraram preocupação quanto aos resultados dos censos que incluíssem dados religiosos, pois acreditavam que os mesmos fossem afectar a sua posição na sociedade, nos fundos governamentais e a influência po-

lítica que têm na sua região. Os muçulmanos

Um dos maiores progressos políticos dos últimos oito anos é que o exército foi politicamente neutralizado. Quaisquer generais com ambições políticas foram afastados e outros têm estado num esquema de rotação que os impede de se agarrarem ao poder. A nova geração de oficiais são profissionais e, pela primeira vez em décadas, todos os observadores concordam que um golpe militar é pouco provável

estão em maioria na grande parte dos esta- dos do Norte, que adoptaram a lei islâmica, também conhecida como Sharia. Os estados de Kanu e Niger não são regulados segundo a Sharia, mas são muitas vezes descritos como sendo 50% cristãos e 50% muçulmanos. Os estados do Centro do país também são uma mistura de cristãos e muçulmanos, enquanto os estados do Sul são na sua maioria cristãos e animistas.

estados do Sul são na sua maioria cristãos e animistas. A African Business, revista pan-africana publicada
estados do Sul são na sua maioria cristãos e animistas. A African Business, revista pan-africana publicada

A African Business, revista pan-africana publicada em Londres, coloca a Nigéria em terceiro lugar numa lista das empresas de países africanos mais cotadas no continente. Entre as 200 empresas mais cotadas de África, trinta são nigerianas. E as estatísticas regionais da revista para a África Ocidental são ainda mais reveladoras. Na classificação das 50 maiores empresas da África Ocidental estabelecida pela revista, a Nigéria tem 45 empresas

24 | ANGOLA’IN · IN FOCO

ECONOMIA & NEGÓCIOS

| manuela bártolo

novo round’

A integração económica

e política tem sido des-

de sempre um objectivo

para África e para o po-

vo africano. Esse é aliás o

maior desígnio da União

Africana (UA), em concílio com a promoção

da união no continente e a prevenção da dis-

persão dos países em campos rivais. O seu

papel na cooperação pan-africana e na eman- cipação das nações tem sido exímio a todos

os níveis, sendo que um dos maiores desa-

fios actuais é precisamente a integração mo-

netária e financeira. A sua grande debilidade tem criado obstáculos à convergência macro- económica desejada no “continente negro”, gerando também dificuldades para a concre- tização das parcerias económicas definidas,

há cerca de um ano, na Cimeira Europa/Áfri-

ca. Esta é a conclusão contida num estudo

conjunto da Comissão Económica para Áfri-

ca (CEA), órgão das Nações Unidas, e UA, em

que são destacadas as dificuldades sentidas

A não integração monetária e financeira do continente é responsável pelos sucessivos

avanços e recuos nas negociações com vista às parcerias económicas entre a Europa co-

munitária e os 54 Estados africanos

nas políticas integradas dos diferentes blo- cos regionais africanos. “Os países africanos estão a passar por enormes problemas para aplicar os critérios de convergência macroe- conómica estabelecidos pelas comunidades económicas regionais do continente”, lê-se no documento, em que se sublinha também os obstáculos que tais disparidades provocam nas desejadas parcerias com os “27”. Essa questão é uma das razões para os su- cessivos avanços e recuos nas negociações para as parcerias eco-

nómicas entre a Euro- pa comunitária e os 54 Estados africanos, num impasse desde o fim da cimeira que se realizou

união económica e monetária

em Lisboa em Dezembro de 2007. No estudo, intitulado “Estado da Integração Regional em África”, foram analisados os planos macroeco- nómicos e financeiros da Comunidade Econó- mica e Monetária da África Central (CEMAC), União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA) e Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Subjacente à cria- ção da UA, o objectivo de integração regional dos diferentes blocos tem “fracassado”, uma vez que está ainda longe a harmonização, en- quadrada num acordo comum, dos equilíbrios orçamentais e da redução da inflação e da dí- vida pública. Nesse sentido, a segunda fase do Centro Africano para as Políticas Comer- ciais (CAPC) ficou mandatado de identificar uma nova estratégia global, tendo como pano de fundo a definição de critérios para a nego- ciação de acordos comerciais regionais, como as parcerias económicas com a UE e de livre comércio com outras regiões ou blocos. Cabe agora ao CAPC dar às comunidades económi-

O objectivo de integração regional dos diferentes blocos tem “fracassado”, uma vez que está ainda longe a harmonização, enquadrada num acordo comum, dos equilíbrios orçamentais e da redução da inflação e da dívida pública

cas regionais a possibilidade de criar capaci- dades comerciais integradas e outras globais

a todos os agentes económicos. Paralela-

mente, são apresentadas “recomendações” para que os governos africanos integrem os objectivos macroeconómicos nas suas estra- tégias nacionais de desenvolvimento e que

“dêem prova de sentido de responsabilidade” na elaboração dessas políticas, definindo as suas próprias prioridades em matérias como

as taxas de câmbio e de juro e ainda a política

orçamental.

SÉCULO DA MUDANÇA

Reformas estruturais têm sido levadas a ca-

bo com relativo sucesso em diversos países do

continente. Políticas tendentes à liberalização de mercados, à promoção do sector privado e

à transição para a economia de mercado es-

tão a ser implementadas um pouco por toda a África, coadjuvados com a adopção de crité- rios de rigor na gestão macroeconómica e na criação de um ambiente favorável ao inves- timento directo externo. A infraestruturação económica do continente avança, designa-

damente nos domínios dos transportes, das telecomunicações, da energia, água e sanea- mento; atenção especial começa a ser dada à

ciência e tecnologia e à valorização dos recur- sos humanos, na perspectiva da formação, da promoção da saúde e da luta contra a pobreza;

a integração económica e financeira consoli-

dou-se e aprofundou-se em algumas regiões.

O objectivo passou a ser o de evitar a todo o

te africano - comparáveis aos dos chamados tigres da Ásia - retiram fundamento a pes- simismos em relação à possibilidade do pro-

gresso em África: o sentimento crescente é o de que também é possível obter bons resul- tados económicos, e com eles, a prazo vencer

a pobreza. O que está a ser feito no Gana, no

Botsuana, no Uganda, no Burkina-Faso, em Moçambique, em Cabo Verde e noutros paí- ses africanos, engajados na modernização e no desenvolvimento, é disso prova. O esforço de renovação é tão grande que os países in- dustrializados não podem deixar de o notar. A evolução é encorajadora. Começam a existir, cada vez mais, pólos de democracia no conti- nente, com um certo nível de desenvolvimen- to económico - como é o caso de Angola, que exerce uma influência positiva, a um tempo

catalizadora e estabilizadora nos sistemas po- líticos africanos e no desenvolvimento de Áfri- ca. Reestruturação do Estado e do seu papel, democratização, boa governação, desenvolvi- mento dos recursos humanos, um ambiente institucional, legal e social incentivador do in- vestimento privado, gestão macroeconómica rigorosa, infraestruturação, integração regio- nal e uma conjuntura internacional favorável ao investimento directo externo e a uma coo- peração alargada que permita a transferência de tecnologia e de saber-fazer são vias exequí- veis, e nalguns casos, já em curso, que levarão

o continente africano a vencer, desta vez, o

grande desafio do desenvolvimento. A boa vi- zinhança e o diálogo re-

gional devem, por isso, prevalecer, asseguran- do um clima de esta- bilidade e de distensão permanentes. As difi- culdades encontradas

são ainda relevantes, mas é incontornável que se está a proceder a avanços na moder- nização do continente, pelo que a sua econo- mia, encabeçada por diversos países, está a integrar-se de uma forma dinâmica e susten-

tada na economia mundial.

custo a exclusão da economia global, acertar o passo com o resto do mundo, criar condições de bem-estar económico, lançar as bases de uma paz social alargada e promover a estabi- lidade política tanto nacional, como regional. Um desafio enorme que África enfrenta atra- vés de uma transformação progressiva para uma economia aberta, dinâmica, autosusten- tada e inserida de modo dinâmico na econo- mia mundial. O salto na taxa de crescimento económico do continente, de 1.4% no período 1990/1994, para 4%, em 1995 e 5% em 1997 é o resultado desse esforço e sinal da seriedade que muitos dos novos governantes africanos põem na prossecução do seu objectivo de in- tegrar África na economia mundial. O fluxo de capital privado estrangeiro captado por vários países africanos - no valor de cerca de 12 bili- ões de dólares - embora ainda muito aquém do desejável, traduz também o sucesso já ob-

Começam a existir pólos de democracia no con- tinente, com um certo nível de desenvolvimento económico - como é o caso de Angola, que exer- ce uma influência positiva, a um tempo catali- zadora e estabilizadora nos sistemas políticos africanos e no desenvolvimento de África

tido na execução de políticas económicas ade- quadas e rigorosas e é igualmente um sinal de confiança, que reforça o optimismo em relação ao futuro. Taxas de crescimento económico de 7%, 10% e 12% em alguns países do continen-

ECONOMIA & NEGÓCIOS IA & NEGÓCIOS | | manuela bártolo manuela bártolo FINANCIAR FIN O
ECONOMIA & NEGÓCIOS
IA & NEGÓCIOS
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manuela bártolo
FINANCIAR FIN O FUTURO
O O
mercado financeiro angolano, sobretudo
o o
bancário, b cuja concorrência conta já com
16 16
bancos comerciais, tem vindo, à medida
do do possível, a responder positivamente aos
novos nov desafios do país ligados à reconstru-
ção ção e à modernização das infra-estruturas,
ao ao
rubricar em 2007 com o Governo acordos
avaliados ava em USD mil milhões, para o finan-
ciamento cia de projectos estruturantes, visando
o o
desenvolvimento d económico e social que
os os
angolanos tanto desejam. A estabilidade
política pol e macroeconómica, assim como a va-
lorização lori da moeda nacional (Kwanza) permi-
tiram tira com que, num espaço de tempo de dois
anos, ano quatro acordos financeiros, visando fi-
nanciar nan vários projectos de infra-estruturas
em em execução no país, fossem rubricados en-
tre tre o Governo angolano, representado pelo
Ministério Min das Finanças, e os sindicatos dos
16 16
bancos b comerciais que operam no país. Es-
ses ses financiamentos garantidos pela banca
nacional nac são empréstimos realizados através
da da
emissão de Obrigações do Tesouro. O pri-
meiro me desta série de acordos está relacionado
com com o financiamento do projecto de aquisição
sector bancário
da da
nova frota de aeronaves da Taag, do qual
o o
sindicato s de bancos nacionais (BAI, Besa e
BFA) BFA concedeu pelo menos 250 milhões de
dólares. dól O segundo, rubricado em Dezembro

o sólido golias

Nos últimos seis anos, têm-se vindo a verificar progressos significativos na economia angolana, reflectidos numa taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), pelo quarto ano consecutivo na ordem dos dois dígitos, o que traduz uma das mais eleva- das quando comparado com os restantes países da África Subsariana. Os drivers do de- senvolvimento económico angolano assentam fundamentalmente, em três importantes factores – político, económico e social. A estabilidade política e social desde 2002, as- sociada a uma maior consciencialização e esforço de governação no sentido da criação de uma economia sustentável, e a consolidação do processo democrático, com a con- sequente estabilidade da gestão económica do país, como demonstrado nas recentes eleições legislativas, foram sem dúvida os factores mais importantes para o crescimento económico do país. A par disso, há a estabilidade macroeconómica e as suas naturais consequências positivas, bem como o esforço de transparência e abertura da economia. O aumento do peso de variáveis macroeconómicas internas no PIB como o consumo das famílias e o investimento privado (interno e externo), em contraponto com a diminuição da participação das despesas públicas totais foram também, segundo uma pesquisa ao sector bancário em Angola, elaborado pela KPMG, decisivos neste progresso. Nesse sen- tido, as políticas de dinamização da economia nacional, cada vez mais focalizadas no sector não petrolífero, têm vindo a incrementar o desenvolvimento da capacidade pro- dutiva angolana, em simultâneo com os benefícios marcados pela conjuntura internacio- nal no que respeita ao preço de petróleo. Dados extremamentes satisfatórios para o país que vê na evolução do sector bancário a construção de uma economia sólida e com maior poder de influência quer no próprio continente, quer a nível mundial. gestão do tempo e das atitudes. O que conta é ter mais tempo para dedicar às pessoas.

de

2006, está ligado à conclusão da segun-

da

fase do projecto habitacional “Nova Vida”,

localizado a sul da cidade de Luanda, um em- préstimo avaliado em 12,6 biliões de kwanzas, equivalentes a 157 milhões de dólares norte- americanos. O terceiro acordo, assinado em Março do ano passado, entre o Governo e o sindicato de bancos integrado pelo BFA, BPC

e BAI, está avaliado em 400 milhões de dó-

lares norte-americanos e visa financiar obras de investimentos públicos, no domínio da construção de estradas via expressa Luanda/ Viana, Luanda/Cacuaco e Boavista/Samba, pela marginal. Esse financiamento contem- pla também a construção das linhas de trans- porte de energia eléctrica e as respectivas subestações no percurso Capanda/Lucala/ Luanda (Viana). Atento ao crescimento dos depósitos dos bancos comerciais, agora esti- mados em mais de 10 mil milhões de dólares, metade dos quais transformados já em cré-

dito, e a capacidade de liquidez destas insti- tuições bancárias, o Executivo angolano fez, pela quarta vez, em Outubro de 2007, recurso

à banca nacional, ao assinar o maior acordo fi- nanceiro interno de todo os tempos, avaliado em 3,5 biliões de dólares norte-americanos, para dar sequência ao financiamento de pro- gramas de investimentos públicos, ligados às

obras de reconstrução nacional, em curso em todo o território nacional. Por tratar-se de um nanciamento bastante volumoso, os credo- res decidiram disponibilizar o montante em três tranches, num período de 36 meses, para facilitar o planeamento dos rácios de liquidez por parte dos bancos, de modo a acomodar esta operação ao longo dos três anos. A pri- meira tranche do financiamento (um bilião de dólares), cuja operação global é assegurada 80% pelo BAI e BESA, começou a ser dispo- nibilizada no decurso de 2007 e tem um perí- odo de reembolso de cinco anos. A segunda tranche, avaliada num bilião e 500 milhões de dólares, começou a ser disponibilizada no exercício económico de 2008 e o terceiro pa- cote, calculado num bilião, está disponível a partir deste ano, indo o período de carência de sete a nove anos. A disponibilização desses valores, por parte das 16 unidades bancárias comerciais, evidência, por um lado, que os bancos acreditam no desenvolvimento eco- nómico do país e nas políticas macroeconó- micas, que têm vindo a ser implementadas pelo Governo, por outro, mostra que há saú- de financeira e patrimonial da própria banca nacional, medida pelos rácios estabelecidos pela supervisão bancária com base nas regras de Basileia. A dinâmica que o sector bancário vem registando nos últimos anos, consubs- tanciada numa concorrência agressiva entre os operadores, no aumento dos depósitos e créditos, está a permitir com que o Governo, na execução e gestão da sua política econó- mica, não faça apenas recurso a credores in- ternacionais para financiar grandes projectos de investimentos públicos, quebrando deste modo um ciclo que durava décadas. Os resul- tados espectaculares que a banca tem vin- do a obter nos três últimos anos, em função da sua rentabilidade, mostram que as con- tas bancárias da população estão a ser ope- radas por instituições financeiras eficientes, capazes de gerar lucros, em vez de prejuízos, o que constitui um marco na histórica eco- nómica de Angola. Graças a esses lucros, os bancos angolanos dispõem agora de maiores fundos próprios para alavancar o crescimen- to das suas operações de crédito à econo- mia sem o risco de incumprir com os rácios prudenciais. A título de exemplo, o Banco In- ternacional de Crédito (BIC), instituição finan- ceira que iniciou a sua actividade em Maio de 2005, fechou o ano de 2007 com um bilião e 300 milhões de dólares de crédito disponibi- lizado, enquanto o aprovado está cifrado em USD um bilião e 600 milhões. Os fundos pró- prios do banco estão calculados num valor superior a USD 140 milhões. Assim, para trás

NOVAS MEDIDAS

várias

estabilização das reservas obrigatórias em divisas nos bancos comerciais.Ainiciativasurgenumaalturaemquesãoapontadas maiores dificuldades na concessão de crédito por parte dos bancos devido ao aumento das suas reservas obrigatórias. O aumento de 20 para 30% nas reservas obrigatórias dos bancos comerciais é ainda apontado por vários economistas como a principal razão para as recentes dificuldades em transferir dividas

O

Governo

tem

em

curso

medidas

que

visam

a

para o exterior, especialmente dólares norte-americanos. O ministro das Finanças, Severim

de Morais, explicou que este cenário resultou da queda das receitas em divisas no país, que

ascendiam a 1,2 mil milhões de dólares por mês, quando o preço do barril de petróleo rondava

os 140 dólares em Julho de 2008, e que “de repente” baixaram para 400 milhões de dólares. Em declarações à imprensa afirmou: “é evidente que isso obrigou à tomada de medidas porque

as receitas quando caem abruptamente, as despesas não acompanham de imediato”, pelo

que “estas têm de ser reanalisadas e recontratadas”. Neste sentido, o Governo avançou com

diferentes acções como a redefinição das reservas obrigatórias, permitindo que uma parte destas seja feita em títulos de Tesouro de qualquer prazo. “É uma medida nova em relação à anterior. Anteriormente só permitíamos que fossem títulos do tesouro de maturidade até um ano. Neste momento, permitimos que os bancos cumpram parte das suas obrigações com as reservas obrigatórias em títulos de Tesouro de qualquer maturidade, precisamente para incentivar e

dar mais confiança ao sistema bancário”, salientou recentemente Severim de Morais. Quanto à

revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) para este ano, face à crise económica e financeira mundial, o ministro das Finanças antecipou que o Governo continua a fazer um “exercício comedido”, por desconhecer o comportamento futuro da economia nos próximos anos. O novo orçamento teve como referência o petróleo a 37 dólares o barril, quando o anterior colocava essa mesma referência nos 55 dólares. O sector petrolífero contribui actualmente com mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do país

caram os “dias negros” em que os bancos tinham problemas de liquidez e tesouraria, hoje, fruto da estabilidade macroeconómi- ca, empresários e particulares têm acredita- do cada vez mais nas instituições bancárias, pelo facto de nas suas operações comerciais terem preferencialmente os bancos como canais de intermediação, permitindo deste modo que grande parte da massa monetária que circula no circuito informal comece, pau- latinamente, a entrar para o mercado formal. Tendo em conta a necessidade de se finan- ciar projectos de desenvolvimento a médio

e longo prazos, dois acontecimentos históri- cos económicos foram assinaláveis em 2007:

o início das operações de financiamento do

Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), constituído 100% por capitais do Estado, e o começo das actividades do VTB-África, uma instituição de capitais russos e angolanos, cuja missão é financiar grandes projectos, co- mo a construção estradas, portos, aeroportos, barragens, caminhos de ferro, entre outras in- fra-estruturas. O BDA, criado em 2006, cons- titui um instrumento privilegiado do Estado para o financiamento, nesta primeira fase, do desenvolvimento da economia angolana,

especialmente os investimentos do sector privado, ligados preferencialmente às cadeias produtivas do milho, feijão, algodão e mate-

riais de construção civil. O banco, cuja missão

é financiar o desenvolvimento de Angola, à

luz do Plano Nacional e da Estratégia de De- senvolvimento de Longo Prazo, aprovou, em Outubro de 2007, 31 projectos para a conces- são de créditos, fruto de um trabalho acentu- ado junto dos empreendedores das províncias do Bengo, Benguela, Bié, Cabinda, Kwanza Sul, Huíla e Huambo. No total, foram abran- gidos por esses primeiros financiamentos pe- lo menos 157 beneficiários, entre pequenos e médios empresários e produtores, a título in- dividual ou enquadrados em cooperativas de produção, localizadas nas referidas regiões. Entretanto, não obstante o seu carácter ain- da relativamente embrionário, o sector ban- cário angolano está a registar uma dinâmica muito acentuada, visível num conjunto de

modificações profundas que abrangem, en- tre outros aspectos, a entrada de vários novos operadores, o lançamento de novos produtos

e serviços financeiros, alterações significativas

ao seu quadro legislativo e regulamentar e, por último, as consequências decorrentes da polí-

ECONOMIA & NEGÓCIOS

tica de estabilização macroeconómica que tem sido seguida pelo Governo angolano.

CRÉDITO À ECONOMIA Fruto do crescimento, em 2006, dos depósitos na ordem de 62%, o crédito à economia, so- bretudo à indústria, à importação e à habita-

ção está a crescer muito, tendo este último um impacto positivo para o crescimento do sector imobiliário, com a consequente criação de no- vos empregos. De acordo com um estudo sobre

o comportamento da banca angolana em 2007,

da empresa de consultoria Delloite, de Janeiro

a Junho desse ano, o crédito cresceu 30%, um

ritmo superior à evolução da base dos depósi- tos. Com o alcance da paz em Abril de 2002, Angola começou a trilhar irreversivelmente a rota do desenvolvimento e tal desiderato de- verá ser assegurado por um sistema bancário nacional forte, capaz de dar resposta às neces- sidades do mercado, facto sustentado pelos indicadores dos quatro maiores bancos comer- ciais do país (BPC, BIC, BAI e BFA), publicados

de distribuição, considerada uma prioridade em função da abertura próxima do mercado de capitais no país.

Os valores dos activos do sector bancário, tal como se tem veri- ficado nos últimos anos, con- tinuam a apresentar níveis de crescimento elevados

ACTIVOS Na análise à estrutura do activo, em termos gerais, verifica-se o aumento dos pesos dos activos de crédito (de 26% para 38%) e das

obrigações e títulos (de 22% para 26%) no to-

tal dos activos do sector. O aumento do crédito

concedido resulta do esforço de reconstrução nacional, da revitalização de outros sectores que não o petrolífero e do reforço da rede ha- bitacional do país. O incremento do nível de obrigações de tesouro dos bancos resulta, es- sencialmente, das emissões de OT’s lideradas e colocadas nas instituições de crédito angolana.

concentração dos depósitos ainda permanece elevado. Assim, os 4 primeiros bancos concen- tram 74% do total dos depósitos, facto que re- vela, contudo, uma maior dispersão face a 2006, quando estes concentravam cerca de 76%.

CRÉDITO No ano de 2007, o total de crédito líquido con- cedido pelo sector bancário manteve a ten- dência de crescimento dos anos anteriores, apresentando um incremento, face ao ano transacto, de cerca de 83% (sem considerar os activos de crédito do BDA).

O total do crédito vencido, apesar do cresci-

mento de 25%, em termos absolutos, apre- senta, em termos relativos, um decréscimo importante, o que é revelador da maior pru- dência do sector na avaliação dos activos de crédito (passou dos 3,69% de 2006 para os 3,30% em 2007).

O crédito líquido concedido re-

gistou um crescimento de 83%

nos últimos estudos sobre a banca angolana. Os estudos mostram que estas instituições e

DEPÓSITOS

O

crédito em moeda estrangeira representa-

outras estão a apoiar, à medida do possível, a

O

crescimento exponencial dos bancos an-

va

cerca de 69% do crédito concedido no final

reconstrução das infra-estruturas, o relança- mento da actividade produtiva e a expansão

goEm 2007, o total de depósitos continuou a apresentar um crescimento significativo, na

de 2007, versus os 70% registados em 2006. Continua, desta forma, a verificar-se um de-

da actividade comercial em todo o território.

ordem dos 45%, passando dos 617 biliões AKZ

sequilíbrio evidente entre o peso do Kwanza

Segundo estimativas do Banco Mundial, se

para os 896 biliões AKZ (vs. crescimento de

no total dos depósitos angariados e do crédi-

Angola manter, nos próximos tempos, a actu-

cerca de 61% em 2006). Os depósitos à ordem,

to

concedido pelo sector. Os bancos BFA, BPC,

al

tendência de crescimento na ordem de 18%

no

nal de 2007, representavam cerca de 80%

BIC e BESA detêm, em conjunto, um peso bas-

ao ano, até 2010 o Produto Interno Bruto (PIB)

do

total de depósitos, revelando um acréscimo

tante significativo de 73% sobre o total do

poderá atingir os 100 mil milhões de dólares.

de

10 p.p. face a 2006, e totalizando cerca de

crédito, cabendo ao primeiro a liderança nes-

Se assim acontecer, o país estará muito pró-

714 biliões AKZ. Já no que toca à estrutura dos

te

indicador. O rácio de transformação (Crédito

ximo de alcançar a segunda maior economia da África Subsahariana, a Nigéria. Para que tal crescimento seja sustentável, a longo prazo,

depósitos por moeda, assistiu-se a uma maior confiança dos clientes na moeda nacional, re- sultado das políticas macroeconómicas de es-

Líquido sobre Depósitos Totais) manteve a sua trajectória de crescimento, passando de 45% para 56%. Este acréscimo, resulta, como an-

é

necessário que os 16 existentes no merca-

tabilização do Kwanza por parte do governo,

teriormente já tinha sido referido, da dinâmica

do (BPC, BAI, BIC, BFA, Besa, BDA, VTB-África,

tendo o peso dos mesmos aumentado para

de reconstrução e revitalização do país, aliado

Tota Angola, Millennium, BCI BCA, BNI, BANC,

41% em 2007.

à

maior confiança do Estado na Banca Ango-

Keve, BPA e Sol) alarguem os seus financia- mentos a projectos ligados ao ressurgimento da indústria de aço, metalúrgicas, estaleiros

Os depósitos angariados regis- taram um crescimento de 45%

lana. Neste indicador em particular, realça-se a performance dos operadores BNI, BMA, BFA, BESA e BRK durante 2007.

navais, agricultura, investigação científica, daí

a necessidade urgente de se diversificar o cré- dito para estas áreas de actividade.

BANCA AO PORMENOR

O crescimento exponencial dos bancos ango-

lanos nos últimos anos permite que existam hoje operadores que, pela sua actual dimen- são, estão próximos de figurar no ranking dos 1000 maiores bancos do mundo. O forte de- senvolvimento operado pelo sector bancário, aliado à actual crise financeira global implica, no entanto, maiores responsabilidades para a gestão dos seus operadores ao nível da mo-

dernização das práticas bancárias e dos canais

Registou-se uma alteração nas quotas de mercado, por depósitos, dos diversos operado-

res, face a 2006. Assim, o BFA, que liderava no final de 2006 com uma quota de 23%, seguido

do BAI (21%) e do BPC (20%), foi ultrapassado

por estes dois bancos em 2007. O BAI registou uma quota de mercado de 24%, face aos 20% apresentados pelo BPC e os 17% do BFA.

O BAI passou a liderar o ranking da banca por depósitos

Embora se tenha registado a entrada de dois no- vos operadores no mercado em 2007, o grau de

O BNI apresenta o rácio de

transformação mais elevado do sector

RENTABILIDADE E PRODUTIVIDADE Em 2007, o sector bancário angolano regis- tou um crescimento positivo da sua rentabi- lidade. Assim, em termos gerais, assiste-se a uma evolução positiva do agregado ROE – lu- cros líquidos do sector sobre capitais próprios investidos, que em 2006 apresentava um rá- cio de 26,96% e, em 2007, atingiu os 28,86%. Este aumento resultou, essencialmente, do acréscimo da actividade creditícia dos ban-

cos e da ligeira subida do spread de juros, factores que se reflectiram no maior peso da margem financeira sobre o produto bancário (57% em 2007, vs. 49% em 2006). A rentabili- dade dos activos médios (ROAA), de cerca de 3,08%, manteve-se praticamente inalterada, reflexo do forte in- vestimento dos operadores na expansão da sua actividade. Numa análise por entidade

bancária, assistimos a uma liderança por par-

te do BIC, cujo ROE registou um acréscimo de

48% em 2006, para 52% em 2007, sendo se-

guido pelo BESA (47%) e pelo BNI (42%). Pe-

la negativa, destaca-se o decréscimo no seu

ROE operado pelo BFA, de 34% para 27%.

O ROE atingiu os 28,9%, em 2007

O spread de juros do sector registou uma li-

geira subida, passando de 5,63% em 2006 para 5,88% em 2007. No sector bancário an- golano, o BFA e o BAI são os bancos que apre-

sentam o resultado antes de impostos (RAI)

mais elevado: USD 143 milhões e USD 114 mi- lhões, respectivamente. A performance do BAI permitiria colocar este banco na 16ª po- sição do TOP 20 da África Subsariana, caso tivesse sido incluído no estudo anual promo- vido pela The Banker. No que toca à rentabi- lidade dos activos totais (ROA), os 5 maiores bancos angolanos apresentam rentabilidades entre os 1,7% e 3,7%, demonstrativa da maior rentabilidade do sector nacional, em compa- ração com os bancos subsarianos listados no ranking.

EFICIÊNCIA Em 2007, o cost-to-income do sector (o rácio entre a soma dos gastos gerais administra- tivos mais amortizações do exercício sobre o produto bancário) apresentou uma melhoria face a 2006, diminuindo de 46% para 42%. Todavia, os valores destes rácios ainda se en- contram distantes dos níveis de eficiência da banca internacional. A necessidade de reforço dos sistemas de controlo interno e análise de risco global das instituições de crédito, e o in-

vestimento essencial em canais alternativos ao tradicional front-office poderá, no curto

prazo, vir a agravar este indicador. No que res- peita a este indicador, o banco BAI assumiu a liderança do mercado, melhorando o seu grau de eficiência dos 40% para 27% em 2007, e apesar do esforço empreendido na expansão da sua rede de balcões. Em seguida figuram

o BTA, o BNI e o BFA, com níveis de eficiência

na ordem dos 29%, para o primeiro e de 31% para os últimos dois operadores citados. Anali- sando o rácio dos custos de transformação por balcão, registou-se, em 2007, a um aumento face ao ano anterior, passando o seu valor de 82 milhões de AKZ para os 88 milhões de AKZ. Simultaneamente, verificou-se um melho- ramento do índice de produtividade (produto bancário sobre o número médio de emprega-

dos), o qual passou dos 10 milhões de AKZ pa-

ra os 12 milhões de AKZ em 2007. Analisando o

rácio cost-to-income do TOP 20 do The Banker relativo à África Subsariana, conclui-se que o nível de eficiência da banca angolana em ter- mos consolidados é excelente. *tica de estabi- lização macroeconómica que tem sido seguida

pelo Governo angolano.

fonte: the banker e relatório dos bancos de angola

top 20 áfrica subsariana

 

usd’000’000

posição

banco

país

activos

1

Standard Bank Group (Stanbank)

África do Sul

174.920

2

Firstrand Banking Group

África do Sul

76.901

3

Nedbank

África do Sul

71.454

4

Investec

África do Sul

46.813

5

Intercontinental Bank Pic

Nigéria

11.781

6

Access Bank

Nigéria

10.055

7

United Bank for Africa

Nigéria

9.479

8

Zenith Bank

Nigéria

8.716

9

Oceanic Bank

Nigéria

8.265

10

First Bank of Nigeria

Nigéria

6.855

1

Guaranty Trust bank

Nigéria

6.225

12

Union Bank of Nigeria

Nigéria

5.460

n/a

BAI

Angola

3.574

13

Ecobank Transnational

Togo

3.504

14

Mauritius Commercial Bank

Maurícias

3.479

n/a

BFA

Angola

3.474

15

Platinium-Habib Bank

Nigéria

3.001

n/a

BPC

Angola

2.787

n/a

BIC

Angola

2.276

n/a

BESA

Angola

1.890

(

)

18

African Bank

África do Sul

1.051

19

Spring Bank

Nigéria

992

20

IBTC Chartered Bank

Nigéria

861

fonte: bna e relatórios dos bancos nota: o bda não foi sujeito a análise

banco

ano

Banco de Poupança e Crédito, S.A.R.L.

1976

Banco de Comércio e Indústria, S.A.R.L.

1991

Banco Totta de Angola, S.A.

1993

Banco de Fomento, S.A.R.L.

1993

Banco Africano de Investimentos, S.A.

1997

Banco Comercial Angolano, S.A.R.L.

1999

Banco Sol, S.A.R.L.

2001

Banco Espírito Santo Angola, S.A.R.L.

2002

Banco Regional do Keve, S.A.

2003

Novo Banco, S.A.

2004

Banco Bic, S.A.

2005

Banco Privado do Atlântico, S.A.

2006

Banco Millennium Angola, S.A.

2006

Banco de Negócios Internacional, S.A.

2006

Banco de Desenvolvimento de Angola

2007

Banco VTB - África, S.A.

2007

Banco Angolano de Negócios e Comércio, S.A.

2007

Finibanco Angola, S.A.

2008

ECONOMIA & NEGÓCIOS

| manuela bártolo

pirâmide invertida

& NEGÓCIOS | manuela bártolo pirâmide invertida O sonho é da pirâmide social invertida, onde mais

O sonho é da pirâmide social invertida, onde mais e mais pessoas tenham acesso a canais de crescimento e de qualidade de vida, para que possam promover o próprio sustento e dedicarem-se ao progresso das suas comunidades

Como a Índia se tornou uma referência mundial no desenvolvimento de produtos e serviços para a população mais pobre

INOVAÇÃO, COMPETIÇÃO E RIQUEZA Após dois anos de pesquisas e um investi- mento de 6,9 milhões de dólares, o Massachu-

setts Institute of Technology (MIT), celebrado centro de ensino e investigação norte-ameri- cano, desenvolveu a prótese de pé e tornozelo mais avançada do mundo. O modelo é equipa- do com um pequeno motor e sensores eletró- nicos que, entre outros avanços, reproduzem de maneira espantosa o trabalho de músculos

e tendões. “É uma simulação quase perfeita

do andar humano”, afirma Hugh Herr, chefe do grupo de investigadores. “Não dá para notar se a pessoa que utiliza a prótese está a man- car.” O pé biónico do MIT deve chegar ao mer-

cado até ao final deste ano, mas será acessível

a poucos. Cada prótese custará cerca de 25 mil

dólares, o que a torna uma possibilidade dis- tante para 85% dos mais de 20 milhões de pessoas no mundo que sofreram amputação abaixo do joelho. A maioria dos mutilados vi- ve em países pobres e perdeu parte dos mem- bros inferiores em tragédias como guerras e

doenças. Para eles, a melhor opção disponí- vel no mercado é uma prótese desenvolvida

por uma equipa de especialistas da cidade de Jaipur, na região noroeste da Índia. Feito de madeira, borracha vulcanizada e alumínio, o produto evidentemente não tem o mesmo as- pecto moderno e os recursos do equipamento do MIT, mas funciona admiravelmente bem. O Jaipur Foot, como foi baptizado, permite que o usuário volte a andar, correr, conduzir, pedalar, subir árvores e levar uma vida sem as limita- ções de uma cadeira de rodas ou de um par de muletas. Além disso, tem a grande vantagem de custar apenas 40 dólares — o que significa que o dinheiro pago por uma prótese desen- volvida pelo MIT compraria 625 unidades do Jaipur Foot. “Este é um grande exemplo de co- mo usar a criatividade para atender o mercado de baixa renda”, afirma o consultor indiano C.K. Prahalad, professor de economia da Universi- dade de Michigan, nos Estados Unidos, e autor do livro ‘A Riqueza na Base da Pirâmide’. Cerca de 90 mil unidades do Jaipur Foot são distri- buídas actualmente por ano em países como o Afeganistão, Angola e Camboja. As primei- ras unidades foram desenvolvidas em 1968 e até hoje, apesar das inúmeras tentativas de

concorrentes, ninguém conseguiu chegar a um produto com a mesma relação custo/be- nefício. A prótese surgiu de uma parceria entre dois indianos, o médico Pramod Karan Sethi e o artesão Ram Chandra. Os dois conheceram- se nos anos 60 quando trabalhavam no Sawai Man Singh Hospital, em Jaipur. Na época, Sethi fazia parte de uma equipa que tentava desen- volver um modelo de prótese com materiais mais baratos, sem perda de resistência. Chan- dra entrou na história por acaso. Certa vez, ao levar o pneu da sua bicicleta para um conserto, prestou atenção na borracha vulcanizada utili- zada para tapar o buraco. Saiu de lá com a im- pressão de que o material poderia ser útil aos colegas do hospital que pesquisavam a nova prótese. Sethi gostou da sugestão e os dois passaram a trabalhar juntos. Enquanto o mé- dico construiu as articulações da prótese, o ar- tesão encarregou-se de dar forma estética ao produto. O resultado foi a prótese adaptada às necessidades de moradores de países pobres — andar descalço, realizar trabalhos braçais, caminhar e correr sobre pisos molhados — e re- sistente para durar mais de cinco anos.

A Índia tornou-se o maior laboratório do mundo para o desenvolvimento de um conjunto de produtos e serviços presentes numa ampla galeria de inovações in- dianas destinadas a um público consumidor com pouco poder aquisitivo

EM PROL DOS MAIS NECESSITADOS

A mais famosa das inovações indianas não

tem fins lucrativos. O Jaipur Foot é distribuí-

do gratuitamente pela ONG indiana Bhagwan

Mahaveer Viklan Sahayata Samiti (BMVSS).

A entidade foi criada pelo economista D.R.

Mehta, que tomou contacto com o Jaipur Foot em circunstâncias trágicas. Em 1969, sofreu um grave acidente de carro e precisou de dois anos e meio de fisioterapia para não perder a perna esquerda. Durante esse período, Mehta acompanhou as agruras dos amputados que precisavam de uma prótese e acabou a conhe- cer o Jaipur Foot. “Era o único produto adap- tado às necessidades dos indianos”, revela Mehta à revista Exame. Nessa época, porém, poucos tinham acesso ao invento. O hospital que o desenvolveu doava o produto, mas ti- nha capacidade de fabricar apenas 50 próte- ses por ano. Mehta criou, em 1975, a BMVSS com o objectivo de levar o Jaipur Foot a um número muito maior de pessoas. Ao longo de mais de três décadas de actuação, a ONG

já forneceu cerca de 1,2 milhão de próteses a

amputados de 25 países. Cerca de 40% do or- çamento da BMVSS vem de repasses do Go- verno, outros 15% de doações particulares e o restante de empresas como a americana Dow Chemical. Mehta, hoje com 72 anos, conti- nua na administração da BMVSS, sediada em Jaipur. Na véspera de completar 40 anos de existência, o Jaipur Foot continua a ser aper- feiçoado. Com a ajuda do Centro de Pesqui- sa Espacial da Índia, a borracha vulcanizada foi substituída por poliuretano (um polímero orgânico com textura semelhante à da bor- racha, mas muito mais leve) e no lugar das

articulações de metal foi adoptado um ma- terial plástico igualmente articulado e resis- tente. De 850 gramas, o Jaipur Foot passou

a pesar apenas 350 gramas. Mais recente-

mente, a Universidade Stanford, nos Estados Unidos, contribuiu para a BMVSS através da criação exclusiva para o produto de uma má-

quina de molde a vácuo de quatro mil dólares.

O equipamento industrializa uma etapa que

até hoje é feita manualmente, o que poderá aumentar de 100 para 1 500 o número de am- putados atendidos diariamente pela ONG. O Jaipur Foot é uma tecnologia de domínio pú- blico, quem sabe quantos milhões de dólares ela não valeria se tivesse sido patenteada?

A ASCENSÃO DOS POBRES Esta prótese faz hoje parte de uma ampla ga- leria de inovações indianas destinadas a um público consumidor com pouco poder aquisi- tivo. Não é por acaso que o país se tornou o maior laboratório do mundo para o desenvol- vimento desse tipo de produto e serviço. Se- gundo um estudo recente do Banco Mundial, o número de indianos abaixo do limiar míni- mo de pobreza é de 456 milhões de pessoas (o equivalente a 35,5% da sua população). Esse contingente sobrevive com uma renda média até 40 dólares por mês. Consideran- do-se o restante da população, existem 390 milhões de habitantes com renda a rondar os 100 dólares por mês. “Esse é um imenso mercado consumidor que não pode ser igno- rado”, diz Stuart Hart, professor de negócios globais sustentáveis da Universidade de Mi- chigan. Para incluir essas pessoas no mercado de consumo, as empresas locais têm-se des- dobrado. O Instituto de Ciências da Índia, em parceria com a British Petroleum, criou, em 2006, o fogão Oorja (que significa “energia” no idioma hindu). Tradicionalmente, as cozi- nhas indianas são equipadas com fogões que utilizam lenha ou querosene, combustíveis caros e que produzem muito fumo. O Oorja, além do preço atraente (17 dólares), elimina o

problema do fumo utilizando apenas gás de cozinha e biomassa. Desde o seu lançamento, o fogão flex já vendeu cinco mil unidades em distritos rurais. Em tese, são os mesmos con- sumidores da Bomba d’Água de Bambu. Feito, como o nome sugere, quase inteiramente de bambu, o equipamento custa 40 dólares e é desenvolvido para pequenos agricultores, que utilizam dois pedais para puxar água deposi- tada até sete metros abaixo do solo.

EXEMPLOS QUE TRIUNFAM Uma das grandes vantagens dos indianos na criação de produtos e serviços a preços mais acessíveis é a oferta de mão-de-obra bara- ta no país, mesmo em sectores qualificados, como a medicina. Em diversas especialida- des, os profissionais do país viraram sinóni- mo de qualidade e honorários baratos. Por causa disso, a Índia recebeu no ano passado mais de 450 mil turistas estrangeiros em bus- ca de serviços médicos. Uma das áreas mais procuradas é a oftalmologia. Em todo o país, são realizadas 3,6 milhões de cirurgias nessa área por ano. Procedimentos como uma cirur- gia às cataratas custam 45 dólares — 15 vezes menos que o valor cobrado, por exemplo, nos Estados Unidos. O mesmo princípio vale para as cirurgias cardíacas. Uma operação de ponte

Uma das grandes vantagens dos indianos é a oferta de mão-de-obra barata no país, mesmo em sectores qualifica- dos, como a medicina

ECONOMIA & NEGÓCIOS
ECONOMIA & NEGÓCIOS

de safena na Índia custa sete mil dólares, con- tra os cem mil dólares num hospital america- no. A tradição de boa qualidade de ensino no país também é uma vantagem no desenvol- vimento de inovações. Centros de excelência, como as universidades da cidade de Bangalo- re, também conhecida como o Vale do Silício indiano, tornaram-se nos últimos anos gran- des incubadoras de patentes. Uma das últi- mas criações surgidas por lá foi um telemóvel popular de 15 dólares. Desenvolvido pela em- presa local Spice, deve chegar ao mercado até Dezembro. Para baixar o valor do produto, os engenheiros da Spice eliminaram o visor, a me- mória da agenda telefónica e outros recursos. “Vendemos apenas o telefone, nada mais”, diz Bhupendra Kumar Modi, presidente da Spice. “Continuamos a pesquisar para baixar o preço até 10 dólares num futuro próximo.” O poten- cial de vendas do produto é enorme. Do 1,1 bi- liões de indianos, estima-se que 870 milhões ainda não tenham um telemóvel.

‘O que falta às empresas e instituições financeiras é o ensino de como lidar com a chamada “base da pirâmi- de” económica e social’, C.K. Prahalad

pelas camadas que se encontram no estrato mais baixo da sociedade, em função da sua experiência e conhecimento da Índia. País pe- lo qual viajou em função da sua consultoria e na busca de uma solução para a pobreza no mundo. C.K. Prahalad desafia a ordem eco- nómica ao propor a “base da pirâmide” como um mercado potencial para qualquer compa- nhia explorar, defendendo a ideia de que: “A fonte real do mercado não são os consumi- dores médios ou emergentes que surgem no mundo, mas sim biliões de pobres que aspi- ram uma oportunidade de entrar num merca- do do qual sempre ficaram à margem.” Para Prahlad o que falta às empresas e instituições financeiras é o ensino de como lidar com essa chamada “base da pirâmide” económica e so-

cial. Há no mundo quatro biliões de pessoas que vivem com cinco dólares por dia. Um terço dessa população sobrevive com menos de um dólar. Se as empresas, agindo em seu próprio interesse, melhorarem a vida dessas pesso- as, segundo Prahalad, estarão a abrir um gi- gantesco mercado, ávido e capaz de consumir produtos e serviços criados sobre medida para essa parcela da humanidade. Para isso é preci- so inovar, baixando custos e colocando na pra- teleira aquilo que é alcançável por quem está nesse estrato sócio-económico. No seu livro mais recente – O Futuro da Competição -, es- crito em parceria com Venkat Ramaswamy - Prahalad desafia a noção tradicional de valor e de criação de valor. Para ele as empresas não fazem o suficiente para aproveitar as oportu- nidades que surgem com a globalização. Nes- te novo mundo, o cliente é uma figura mais pró-activa, logo as regras do jogo mudaram:

não basta apenas servir, é necessário criar um valor real para o consumidor. Pois o conceito de valor já é outro. Para isso, além de admitir limitações, é necessário sair do que eles cha- mam de “zona de conforto” para ingressar nas novas “zonas de oportunidades”.

RIQUEZA NA BASE DA PIRÂMIDE Coimbatore Krishnao Prahalad, ou C.K. Praha- lad como é conhecido, é um indiano de nas- cimento, naturalizado americano, físico por formação na Universidade de Madras (Che- nai), que iniciou a sua carreira como gerente da Union Carbide. Para complementar os seus estudos formou-se PhD em Harvard, dedican- do-se, desde então, à sua carreira académica, tanto na Índia, como nos Estados Unidos. Ho- je é professor titular de Estratégia Corporativa do programa de MBA da Universidade de Mi- chigan e também conselheiro do Governo in- diano para o empreendedorismo. Sem dúvida que C.K. Prahalad é um dos maiores pensado- res do mundo dos negócios, além de ser um dos mais influentes especialistas em estra- tégia empresarial da actualidade. Consagra- do internacionalmente pela sua inestimável contribuição ao pensamento estratégico cor- porativo, é considerado um dos dez maiores especialistas em administração e negócios do mundo. Consultor e membro do conselho de administração de empresas de classe mun- dial, tem entre os seus clientes companhias como o Citigroup, Colgate Palmolive, Cargill, Motorola, Whirlpool, Oracle, Philips e Unilever. No seu livro - ‘A Riqueza na Base da Pirâmide’ - Prahalad demonstra um interesse profundo

exemplos de sucesso 1. Prótese Jaipur Foot Inventores – Ram Chandra Sharma e o médico
exemplos de sucesso
1. Prótese Jaipur Foot
Inventores – Ram Chandra Sharma e o médico Pramod Karan Sethi
Características – A prótese é feita de borracha, montada numa base de madeira e alumínio
Preço – 40 dólares
2. Fogão Flex
Inventores – British Petroleum e Instituto de Ciências da Índia
Características – A sua base é feita de cerâmica e funciona tanto a gás, como com biomassa
Preço – 17 dólares
3. Bomba d’água de Bambu
Inventores - Gunnar Barnes de Rangpur e Dinapjur Rural Service
Características – Ao invés de um motor, o equipamento vem com dois pedais acoplados
para o próprio agricultor fazer a força necessária para bombear a água
Preço - 40 dólares

34 | ANGOLA’IN · ECONOMIA & NEGÓCIOS

ECONOMIA & NEGÓCIOS

| manuela bártolo

os gigantes também caem?

O Japão é um país pouco dotado de recursos naturais e que sustenta uma população de mais de 120 milhões de habitantes numa área relativamente pequena

A

economia do Japão é um florescente complexo de indústria, comércio, finanças, agricultura

e

todos os outros elementos de uma estrutura económica moderna. O país encontra-se num

avançado estágio de industrialização, suprida por um poderoso fluxo de informação e uma rede de transportes altamente desenvolvida. Um dos seus traços é a importante contribuição da indústria e da prestação de serviços, tais como o transporte, do comércio grossista e reta- lhista e dos bancos ao produto interno líquido do país, no qual os sectores primários, como a agricultura e a pesca, têm hoje em dia uma quota menor. Outro dado relevante é a importância relativa do comércio internacional na economia japonesa. O Japão é um país pouco dotado de recursos naturais e que sustenta uma população de mais de 120 milhões de habitantes numa área relativamente pequena. Contudo, apesar dessas condições restritivas e da devastação do seu parque industrial durante a II Guerra Mundial, o país conseguiu não apenas reconstruir

a sua economia, mas também tornar-se uma das principais nações industrializadas do mun-

do. Ao mesmo tempo, o processo de rápida expansão industrial, junto com as mudanças nas condições económicas japonesas e internacionais ocorridas nos últimos anos, criaram vários problemas económicos que o país enfrenta hoje em dia.

DIAS NEGROS Lamentamos profundamente. A frase, profe- rida pelo presidente da Yamato Life Insurance Co., Takeo Nakazono, antes de fazer uma lon- ga reverência diante das câmaras de televisão, tratava-se do anúncio, à boa maneira oriental, da primeira quebra de uma instituição finan- ceira japonesa esmagada pela crise mundial de crédito. A maior parte dos bancos e instituições financeiras no Japão evitou prejuízos mais gra- ves até ao momento, situação diferente dos seus pares americanos e europeus. A Yamato, uma seguradora de porte médio e de capital fechado, com aproximadamente 1000 empre- gados e 1 trilião de ienes (US$ 10 biliões) em apólices individuais de seguros parece ser um caso atípico. Nakazono divulgou que o rombo da seguradora é de 11 triliões de ienes (US$ 111 biliões) devido a uma descida rápida e drásti- ca nos preços mundiais de acções provocada pela crise, cuja alavanca foram as hipotecas de alto risco nos EUA. A empresa vinha acti- vamente a procurar retornos de investimentos para cobrir altos custos operacionais, alocando uma proporção relativamente alta dos seus in- vestimentos em activos alternativos, incluin- do fundos de hedge. A maior parte dos 170 mil contratos individuais da Yamato serão prote- gidos pela Life Insurance Corporation do Japão, mas o dinheiro assegurado e os benefícios po- dem ser cortados, informou um porta-voz da Yamato. Ministros japoneses e participantes do mercado disseram que a Yamato, que pro- curou investimentos de alto risco, não é uma empresa típica do sector de seguros do Japão e que o colapso da companhia não significa que outras instituições financeiras terão o mesmo destino. A quebra da Yamato ocorreu a meio de uma forte desvalorização da bolsa de Tó- quio. O pânico dos investidores estrangeiros em fuga fez com que esta registasse a maior queda percentual num único dia. O índice Ni- kkei, que agrupa, sobretudo, papéis da indús- tria eletrónica, desceu 9,62%, para fechar no nível mais baixo dos últimos cinco anos. Este pânico foi também fortemente influenciado pela bancarrota do primeiro fundo fiduciário imobiliário do país cotado na bolsa, o New City Residence Investment.

A participação directa do Estado nas actividades económicas é limitada, embora o controlo oficial e a sua influência sobre as empresas seja maior e mais intenso que na maioria dos países com economia de mercado

INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA

O Japão tem uma economia próspera e bem

desenvolvida, baseada principalmente em produtos industriais e serviços. No entanto, o seu sistema de gestão apresenta característi- cas muito peculiares. Ainda que a participação directa do Estado nas actividades económicas seja limitada, o controlo oficial e a sua influ-

ência sobre as empresas é maior e mais inten- so que na maioria dos países com economia de mercado. Esse controlo não se exerce por meio de legislação ou acção administrativa, mas pela orientação constante do sector pri- vado e pela intervenção indirecta nas activi- dades bancárias. Existem, também, várias agências e departamentos estatais relacio- nados com diversos aspectos da economia, como exportações, importações, investimen- tos e preços, assim como desenvolvimento económico. O objectivo dos organismos ad-

ministrativos é interpretar todos os indicado- res económicos e responder imediatamente

e com eficácia às mudanças conjunturais.

A mais importante dessas instituições é a

Agência de Planeamento Económico, subme- tida ao controlo directo do primeiro-minis- tro, que tem a importante missão de dirigir dia-a-dia o curso da economia nacional e o planeamento a longo prazo. De maneira ge- ral, esse sistema funciona satisfatoriamen- te e sem crises nas relações entre Governo

e empresas, devido à excepcional autodisci-

plina dos empregados japoneses em relação às autoridades e ao profundo conhecimento do governo sobre as funções, necessidades e problemas dos negócios. O ministro da Finan- ças e o Banco do Japão exercem considerável influência nas decisões sobre investimentos de capital, devido à estreita interdependência entre as empresas, os bancos comerciais e o banco central. As Ferrovias Nacionais Japone- sas são a única empresa estatal.

O grau de dependência entre o Banco do Japão, os bancos comerciais e a indústria é muito superior em relação aos demais países industrializados

FINANÇAS

O sistema financeiro japonês apresenta al-

gumas peculiaridades se comparado a outros países desenvolvidos. Em primeiro lugar, o crédito bancário desempenha um papel pri- mordial na acumulação de bens de capital. Em segundo lugar, o grau de dependência entre o banco central (Banco do Japão, criado em 1882), os bancos comerciais e a indústria

EM ANÁLISE

O PIB (Produto Interno Bruto) do Japão recuou, no último trimestre do ano passado, 12,7%,

sendo esta a maior queda percentual do PIB dos últimos 35 anos. Este é o resultado da pior crise vivida no país desde o fim da II Guerra Mundial (1939-1945), facto que coloca a segunda maior economia do mundo --atrás apenas dos Estados Unidos-- num cenário de grave recessão. Duran-

te todo o ano de 2008, a economia japonesa caiu 0,7%, pela primeira vez em nove anos. Actual-

mente o país está aplicar um novo pacote de estímulo económico para combater a crise. Uma ajuda que pode chegar a US$ 109 biliões. As medidas iniciadas pelo Governo prevêem o finan- ciamento de grandes projectos públicos, como a reconstrução de aeroportos e outras obras de infraestrutura, ao mesmo tempo que estimula o desenvolvimento de empresas com projectos ecologicamente sustentáveis. Segundo vários analistas, a recuperação da economia japonesa só chegará no último trimestre deste ano, altura em que estima um crescimento de 0,97% após seis trimestres consecutivos de contracção. A pior recessão no Japão durou 36 meses, no início dos anos 80, quando a economia do país foi atingida pelas consequências dos choques do petróleo

é muito superior em relação aos demais pa-

íses industrializados. Tóquio é um dos mais importantes centros financeiros do mundo e

o seu mercado de acções equipara-se aos de Londres e Nova Iorque.

principalmente ao rápido crescimento dos in- vestimentos, à concentração da indústria em grandes empresas e à cooperação entre Go- verno e empresários. A sólida posição indus- trial do Japão, tanto em qualidade, como em

indus- trial do Japão, tanto em qualidade, como em INDÚSTRIA preços, tem permitido ao país exportar

INDÚSTRIA

preços, tem permitido ao país exportar gran-

TRANSPORTES

A

característica mais notável do crescimen-

de parte dos seus produtos manufacturados

to

económico do Japão após a II Guerra Mun-

e equilibrar a balança comercial. Por outro la-

dial foi a rápida industrialização. O “milagre económico” japonês ficou patente tanto no crescimento quantitativo, como na qualida- de e variedade dos produtos e no alto nível tecnológico. O país alcançou, com os Estados Unidos, a liderança da produção em quase to- dos os sectores industriais. Uma das nações mais industrializadas do mundo, é também um dos maiores produtores de navios, auto- móveis, fibras e resinas sintéticas, papel, ci- mento e aço, além de produtos eletrónicos de alta precisão e equipamentos de telecomuni- cações. O crescimento económico atribui-se

do, a expansão internacional das empresas permitiu a ampliação do mercado nos países consumidores de produtos japoneses, por meio da construção ou compra de fábricas, ou por associação com produtores desses pa- íses. Essa estratégia observa-se claramente no sector automóvel: as principais empresas japonesas estabeleceram parcerias com gru- pos noutros países.

Até ao fim do século XIX, a maior parte dos japoneses viajava a pé. A primeira ferrovia foi

ECONOMIA & NEGÓCIOS

ECONOMIA & NEGÓCIOS

Uma das nações mais industrializadas do mundo, é também um dos maiores produtores de navios, automóveis, fibras e resinas sintéticas, papel, cimento e aço, além de produtos eletrónicos de alta precisão e equipamentos de telecomunicações

construída em 1872, entre Tóquio e Yokohama. Na segunda metade do século XX, estabele-

ceram-se no Japão as ferrovias mais rápidas e automatizadas do mundo e a quantidade de veículos e camiões cresceu exponencialmente.

A rede de comunicações e os correios são de pri-

meira qualidade. O país possui uma das princi- pais frotas mercantes do mundo e as suas linhas aéreas chegam a todos os grandes aeroportos internacionais. As zonas industriais -- Tóquio, a área metropolitana de Osaka (que inclui Osaka, Kobe e Kyoto) e a de Nagoya -- apresentam ex- celente rede de transporte. Os principais portos são Yokohama, Kobe, Nagoya, Kawasaki, Chiba, Kita-Kyushu, Mizushima e Sakai.

NOVAS ELEIÇÕES

A recente dissolução do parlamento japonês,

Dieta, e a convocação de novas eleições vão modificar as relações de forças políticas na Câ- mara Baixa no Japão. Afectado pelas disputas

políticas nacionais e pelos problemas econó- micos internacionais, o último Governo termi- na antes de completar um ano. As dificuldades que se apresentaram ao longo desse período de governação, frustraram as expectativas de que esse governo japonês pudesse ter boas re- alizações. Havia expectativas optimistas em relação ao mandato de Aso, pois era tido co- mo um líder carismático e de opinião própria, características que o aproximava do perfil de Junichiro Koizumi, que permaneceu no cargo de primeiro-ministro por um período longo

- Abril de 2001 a Setembro de 2006 - e con-

seguiu bons resultados económicos. Os objec- tivos imediatos do primeiro-ministro Aso era a recuperação da dinâmica económica do país e, com isso, buscar a revitalização do partido que já apresentava popularidade decrescente. No entanto, sabia-se que não seriam tarefas fá-

ceis, pois o seu partido (PLD) havia perdido a maioria na Câmara Alta em 2007, ainda na ges- tão de Shinzo Abe, sucessor de Koizumi. Essa realidade tornara muito difícil a aprovação de medidas pelo Governo, enfraquecendo a capa- cidade de gestão de Aso. Em 2008, foi a crise económica internacional, que teve o pedido de concordata pelo quarto maior banco de inves- timentos dos Estados Unidos, Lehman Bro- thers, em meados de Setembro como um dos seus ícones, que atingindo de maneira direc-

ta a economia japonesa aprofundou as dificul- dades para o governo de Aso. O PIB real do Japão contraiu -3,6% no últi- mo trimestre de 2008

e -3,8% no primeiro tri- mestre de 2009, o que em termos anuais, comparando com os mesmos períodos do ano anterior, reduziram respectivamente -13,5% e

-14,2%. As exportações também foram afecta- das. De acordo com os dados da Japan External Trade Organization, a queda no primeiro tri- mestre 2009 foi de –38,7%, comparadas com o período homólogo. Esses factos antecederam

o início do Governo, mas o primeiro-ministro

Aso também contribui para o seu enfraqueci- mento. Em razão dos fracos resultados eco- nómicos, no início de 2009, a popularidade de Aso estava ao redor de 10%. E o episódio de embriaguês do Ministro das Finanças, Shoichi Nakagawa, durante uma apresentação na en- trevista colectiva do G-7, realizada em Roma em Fevereiro, contribuiu para deteriorar a ima-

gem do gabinete. Desde a ascensão de Aso ao cargo, a oposição reivindicava a dissolução da Câmara Baixa e a convocação de eleições, por causa da fraqueza do Governo e da baixa po- pularidade. A esperança de Aso era de que as medidas económicas pudessem surtir efeito e fortalecer a sua posição para somente então convocar novas eleições. O facto é que o Ja- pão continuou a viver dificuldades económicas

e a baixa popularidade fortaleceu as pressões

dentro do PLD para que este deixasse o car- go. Actualmente, o partido está diante de um grande desafio, que é conseguir manter a sua representação na próxima eleição. Em Julho, de acordo com a pesquisa do jornal Asahi Shim- bun antes do anúncio da dissolução da Câma-

ra, o apoio da população ao PLD era de cerca de 20% e, de acordo com o mesmo estudo, a ex- pectativa já era de que o Partido Democrático

do Japão iria aumentar a participação na Câma-

ra. A investigação realizada pelo jornal Mainichi Shimbun, confirmou essa posição da popula- ção ao apresentar que 56% da opinião pública japonesa deseja que o Partido Democrático do Japão (PDJ) vença as próximas eleições. E, caso

ocorra, a mudança na relação de forças políti- cas no Japão, desta vez, pode ser mais dura- doura do que aconteceu no inicio da década de 1990, quando a oposição chegou ao poder co- mo Morihiro Hosokawa pelo Novo Partido do Japão. O novo governo poderá ser beneficiado pela melhoria da economia internacional, cujos resultados positivos começam a surgir e po- derão influenciar positivamente a situação no Japão. E possíveis bons resultados podem dar maior popularidade ao novo ministro que será eleito em Setembro. Caso o PDJ conquiste uma maioria que permita eleger o primeiro-minis- tro, terá também como ponto favorável a go- vernabilidade derivada do facto de já possuir, juntamente com partidos da sua coligação, 118 cadeiras, entre as 242 da Câmara Alta. Não é uma maioria absoluta, mas é uma representa- ção bem mais confortável que a do PLD com 81 assentos. Esses factos podem contribuir pa- ra o início de um novo período na política ja- ponesa. A possibilidade da oposição chegar ao comando do poder político do Japão é real, con- forme mostram as pesquisas já mencionadas. Entretanto, a sua capacidade de se manter como governo ainda é incerta. Alguns fatores que contribuem para esse cepticismo são: a) a identificação do PDJ como principal partido de oposição é discutível, uma vez que a sua lide- rança é formada por dissidentes do PLD. Yukio Hatoyama, o actual presidente foi membro do PLD até 1993; b) o próprio PDJ foi recentemen- te atingido por escândalos. O presidente do partido até Maio deste ano, Ichiro Ozawa, que foi secretário geral do PLD em 1989, renunciou por causa de denúncias que o acusavem de re- ceber doações ilegais e que envolviam o seu secretário; c) não deverão ocorrer grandes mu- danças. Os actuais líderes do PDJ além de se- rem dissidentes do PLD, não apresentaram até ao momento propostas inéditas para o país. Is- so poderá fazer com que a população frustre as suas expectativas de transformação. O quadro da política japonesa é, portanto, de expectati- vas. Devemos provavelmente ver mudanças de nomes, de lideranças no governo, no entanto, reais transformações políticas não serão fac- tos consumados mesmo com uma possível vi- tória da oposição.

tos consumados mesmo com uma possível vi- tória da oposição. 3 8 | ANGOLA’IN · ECONOMIA

ECONOMIA & NEGÓCIOS

| manuela bártolo

o desafio da liquidez

No início de 2008, os empréstimos empresariais dirigiam-se para um ano recorde. Mas entretanto o mercado parou. Consegue explicar porquê? ‘Uma crise de liquidez pode ser actualmente uma via muito mais rápida para a morte do que os desafios operacionais’

Os economistas podem falar sobre se esta crise se compara à crise do início dos anos 80 do sé- culo XX, mas, em Dezembro de 2008, o preço do risco do crédito empresarial chegou ao ní-

vel mais alto desde a Grande Depressão, como relata a história. Razão pela qual, uma crise de liquidez pode ser actualmente uma via muito mais rápida para a morte do que os desafios operacionais. E muitas das empresas moder- nas enfrentam ambos os problemas. Com os preços das acções a atingirem mínimos e o apetite pelo risco a arruinar o mercado de ca- pitais, onde podem as empresas satisfazer as suas necessidades de capital? Para um futuro imediato e previsível, terão de se virar para si próprias. A importância da força financeira e da liquidez estratégica nos mercados de ho-

je não pode ser exagerada. Esta proporciona

uma força que impulsiona o valor da empre-

sa e ajuda a manter as operações, a aumentar

o poder de negociação, a melhorar a posição

competitiva e a apoiar o investimento durante épocas mais turbulentas. Tudo isto sugere al-

guns imperativos financeiros novos:

• Implementar um programa melhor de gestão de risco financeiro

As empresas não conseguem lidar com a volatilidade da fluidez do dinheiro imposta pelas maté- rias-primas, pelas divisas e pelas flutuações nas taxas de juro. Mas poucas empresas dedicaram atenção suficiente a quantificar, analisar e gerir a sua exposição líquida. Muitos gestores finan- ceiros não compreendem totalmente as suas exposições, acreditam que já estão naturalmente precavidas, acham que a precaução é demasiado dispendiosa ou relegam a precaução para o mundo da “engenharia financeira”. Isso tem de mudar.

• Desenvolver ou comprar liquidez estratégica

Relacionado com a gestão de risco está a concepção de uma estrutura de capital. Durante anos, as empresas com boas classificações de crédito e com grandes quantidades de capital eram al- vos preferenciais de banqueiros de investimento que defendiam os programas de reaquisição de acções e de aumento de dívidas. Mas agora o capital é um bem estratégico. As empresas líde- res de mercado estão a reter o capital, a vender bens inactivos e a cortar nos créditos bancários. Estão a explorar outros veículos para uma liquidez secundária: linhas de crédito de apoio, finan- ciamentos, vendas “leaseback” (vendas seguidas de locação) e mais contractos flexíveis de com- pras e outsourcing. As empresas estão a inverter a tendência dos programas de compras para programas e dividendos de reaquisições. Também há um aumento nos métodos criativos para reduzir a pressão e aumentar a força financeira.

• Gerir o portefólio empresarial pelo valor e não pelo desempenho

Quando avaliam as unidades de negócio, a maioria das empresas ainda confia nas métricas tra- dicionais de desempenho financeiro, como as margens, as receitas de operação e o retorno do capital investido. Presume-se que estes são os parâmetros do valor. Mas, na verdade, este de- sempenho já se reflecte nos valores de mercado dos bens e estas métricas são inapropriadas para as decisões relacionadas com o portefólio. Em vez disso, devem tomar decisões com base

no valor das receitas esperadas (fluxos de fundo reduzidos ou FFR) contra o valor que obteriam se eliminassem a unidade. A abordagem convencional de vender “cães” (unidades que crescem pouco e têm poucos retornos) e de adquirir “estrelas” (unidades que crescem muito e rendem muito) pode ser a estratégia mais dispendiosa, principalmente em época de crise. Mantenham os bens, em vez disso, quando acreditam que o FFR é maior do que os resultados líquidos de uma venda.

• Controlar as fontes de valor

Hoje em dia, mais do que nunca, as estratégias falham na altura da execução e não por causa da visão. A execução da qualidade exige que inúmeras decisões económicas e com base nos valores sejam tomadas em todos os níveis da empresa – incluindo integrações, disposições, encerra- mentos, outsourcing, promoções, alterações nos preços e proposições de valor. Estas decisões dependem de uma base abrangente de factores económicos, mas a maior parte dos sistemas de informação permanece concentrada na entrega de dados para as necessidades das entidades le- gais. Se um painel significativo de clientes, produtos e unidades em stock permanece um sonho por realizar na sua empresa, está na hora de acordar e começar a usá-lo.

• Mover na direcção do crescimento, principalmente em mercados emergentes

Os lucros empresariais tornaram-se cada vez mais dependentes da procura externa, com os lucros internacionais a serem actualmente responsáveis por quase um terço dos lucros empresariais. A sua estratégia global deve ter como base capacidades distintas desenvolvidas deliberadamente:

através de esforços internos orgânicos, de aquisições escolhidas para as capacidades que serão obtidas através delas ou de acordos de colaboração.

• Avaliar as defesas contra aquisições. Os preços das acções actuais criam uma janela

de oportunidade para os compradores Isso faz com que os executivos se assegurem de que têm o tempo necessário para conceber e executar uma resposta a um pedido de aquisição. Uma auditoria às defesas cobre quatro tópicos básicos: estado geral e leis de aquisições empresariais, estrutura das políticas e da administra- ção da empresa, processos de votação dos accionistas e preparação para uma aquisição (incluin- do estratégias para evitar aquisições indesejadas) dentro das estruturas de gestão da empresa.

indesejadas) dentro das estruturas de gestão da empresa. COMPREENDER O FENÓMENO Actualmente é cada vez mais

COMPREENDER O FENÓMENO Actualmente é cada vez mais importante compreender a definição de “crise de liquidez”. Senão vejamos, a tarefa clássica dos bancos é atrair depósitos e fazer empréstimos, que di- ferem numa característica fundamental - a du- ração ou maturidade. Num depósito à ordem, eu empresto ao banco a curto prazo, podendo levantar o dinheiro a qualquer momento, mas quando o banco me empresta dinheiro para eu comprar, por exemplo, uma casa, só vai rece- ber a 30 anos. O banco consegue transformar curto em longo pazo aproveitando-se de duas regularidades estatísticas. Primeiro, por cada levantamento costuma haver um novo depó- sito. Mesmo que eu deposite 100 euros hoje e os levante amanhã para pagar uns sapatos, o dono da sapataria vai depositar esses 100 eu- ros amanhã no banco, para por sua vez pagar ao fornecedor que os volta a depositar, e por aí adiante. Por isso, embora cada depósito indi- vidual seja a curto prazo, a sua sucessão per- mite um financiamento regular. Segundo, só uma percentagem pequena dos depósitos é levantada cada dia, pelo que basta ao banco guardar em caixa essa percentagem para sa- tisfazer as suas obrigações. O restante pode ser emprestado. O risco é que estas regulari- dades falhem. Imagine que circula um rumor

Com os preços das acções

a atingirem mínimos

e o apetite pelo risco a arruinar o mercado de

capitais, onde podem as empresas satisfazer as suas necessidades de

capital?

que o banco vai falir. Então, vou correr para o balcão para tentar ser o primeiro a levantar o meu depósito enquanto há dinheiro em caixa

e guardo-o fora do sistema bancário. A primei-

ra regularidade falha, pois o dinheiro que sai

não volta a entrar nos bancos. Porque todos

pensam o mesmo e correm para o banco para

fechar as suas contas, a segunda regularidade também falha. Ocorre uma crise de liquidez e, sem nenhuma intervenção, o banco vai a fa- lência. Os bancos centrais tentam evitar es- tas crises, emprestando dinheiro aos bancos

a curto prazo (“injectando liquidez”) na espe-

rança que entretanto as pessoas se acalmem. Viremo-nos agora para a crise recente nos mercados financeiros. Nos últimos 20 anos, tornou-se comum reunir e vender carteiras com muitas hipotecas, conferindo direito ao seu fluxo de pagamentos (MBS para ‘mort- gage-backed securities’). Tornou-se também comum comprar várias MBS ou outros acti- vos como obrigações e créditos a empresas, rearranjar os seus componentes em diferen- tes pacotes e revendê-los como novos títu- los (CDO ou ‘collateralized debt obligations’).

O risco destes pacotes era avaliado por ‘ra-

ting agencies’ e transaccionados num merca- do normalmente muito activo. Durante Julho,

descobriu-se que algumas hipotecas de alto

ECONOMIA & NEGÓCIOS

risco estavam a dar prejuízo, pelo que as su-

as MBS caíram em valor. Algumas empresas

neste (pequeno) mercado faliram, mas havia muitos mais investidores com CDO supor- tados pelas MBS. Muitos, sobretudo ‘hedge funds’, investiam com dinheiro emprestado dando CDO como garantia. Porque a garantia

desceu de valor, eles tentaram vender os CDO, mas porque toda a gente os queria vender e quase ninguém os queria comprar, o merca-

do dos CDO praticamente fechou. Por sua vez,

dentro dos bancos existem fundos (SIV para ‘structured investment vehicles’) que ven- dem CDO a curto prazo e investem a longo prazo. Quando o mercado de CDO fechou, cor- reram para a casa-mãe para se refinanciarem. Foi como se milhares de depositantes apare-

cessem à porta, gerando a crise de liquidez e

a intervenção dos bancos centrais que saltou

para as notícias. Os principais SIV com proble- mas eram alemães, pelo que a intervenção do BCE foi enorme, mas é nos EUA que estão muitos dos investidores apoiados em CDO.

O desafio para a Reserva Federal é por isso

enorme. Por um lado, a macroeconomia su- gere uma manutenção das taxas de juro. Por outro lado, os mercados financeiros esperam que as taxas caiam 0,5% para restabelecer a

calma e reactivar o mercado dos CDO. Manter

as taxas pode levar a falências em catadupa

e causar uma crise financeira; descê-las deve

aquecer a economia e gerar inflação.

As empresas não conseguem lidar com a volatilidade da fluidez do dinheiro imposta pelas matérias-primas

TURBULÊNCIA DOS MERCADOS

O mercado internacional passa pelo maior

desafio das últimas décadas, com perspecti-

va de uma recessão prolongada em boa parte

do mundo, temor quanto à saúde das insti-

tuições financeiras e forte queda nas bolsas. Neste contexto pouco animador, um dos prin- cipais elementos é a crise de liquidez que as- sola o mercado. Mas você sabe exactamente

o

que isso significa? Antes de aprofundar es-

te

conceito, é importante conhecer um pouco

melhor qual o papel das instituições financei- ras, pois é na percepção da fragilidade destas

que reside boa parte do problema actual.

INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA Em poucas palavras, os bancos são responsá- veis pela intermediação financeira dentro do mercado financeiro moderno. Isso significa que são os bancos que captam recursos junto a uma parte do mercado (poupadores) e repassam es- te dinheiro a quem necessita destes recursos (tomadores). Sempre que você deixa o seu di- nheiro na conta corrente ou investe num CDB de banco, você está suprindo a instituição com recursos. Após captar o seu dinheiro (e de todos os outros poupadores que são seus clientes), a tarefa do banco é repassar estes recursos para os tomadores, que podem ser pessoas físicas, empresas, governos ou outros bancos, a uma taxa de juro superior àquela na qual foi feita a captação. Portanto, de forma simplificada, fica claro o papel central do sistema financeiro: fa- zer com que o dinheiro circule na economia.

FLUXO INTERROMPIDO

A crise de liquidez ocorre quando este fluxo de

circulação dos recursos na economia é interrom- pido ou severamente reduzido. Num ambiente conturbado como o actual, muitos bancos mos-

tram-se receosos em repassar os recursos, te- mendo que o tomador não tenha condições de repagar a dívida. Caso o tomador seja uma pessoa física, isso significa que ele pode não ter recursos para consumir ou pagar o seu en- dividamento. Para as empresas, uma redução do fluxo pode reduzir o seu capital de gestão, comprimir os seus investimentos ou criar pro-

blemas na hora de pagar outras dívidas já exis- tentes. Mas o que acontece quando o tomador

é outro banco?

BANCOS E BANCOS A resposta depende muito da situação e con- dição de cada banco. Por exemplo, os bancos comerciais, que possuem forte actividade jun- to do sector retalhista têm como fonte prin- cipal de captação pessoas físicas e empresas, sem precisar de recorrer a outros bancos para obter recursos. Numa situação como a actual, eles acabam a sofrer menos, pois boa parte da sua captação não é afectada. Mas, para os bancos que não têm uma base de captação junto ao retalho, como os chamados bancos de investimento, a situação pode ser muito diferente. Essas instituições não têm uma base de captação de recursos diversificada, dependendo de recursos de grandes clientes ou mesmo de outros bancos, no que é cha- mado de mercado interbancário. Em situa- ções onde existe temor em relação à saúde de algumas instituições financeiras, os ban- cos que têm recursos a seu dispor reduzem ou interrompem o fluxo para bancos vistos como potenciais problemas. Foi exactamen- te o que aconteceu com o banco de investi- mentos norte-americano Lehman Brothers, que foi à falência após ter as suas linhas de crédito (boa parte das quais provenientes de outras instituições financeiras) cortadas, de forma que não teve mais condições de cum- prir com as suas obrigações. Portanto, em cenários como este a desconfiança acaba a tornar-se um facto: se um banco é visto como potencial problema, o crédito (principalmente de grandes clientes e outros bancos) é rapida- mente cortado ou reduzido e a questão foge do controlo.

rapida- mente cortado ou reduzido e a questão foge do controlo. 4 2 | ANGOLA’IN ·

TAXAS INTERBANCÁRIAS E A CRISE DE LIQUIDEZ

E como saber se existe uma crise de liquidez?

Simples! Basta analisar as taxas de juros co- bradas no mercado interbancário, ou seja, nas transacções entre bancos. Actualmente as taxas encontram-se em patamares historica- mente elevados, evidenciando que os recur- sos disponíveis para instituições financeiras, estejam elas com problemas ou não, são es- cassos. Esta crise de liquidez, que pode ser traduzida como falta de recursos disponíveis no sistema, explica muito do que tem ocorri- do no mercado actualmente. A crise de liqui- dez também contribui para a queda da bolsa de valores, na medida em que diminui a quan- tidade de recursos disponíveis para comprar acções e também acaba reduzindo as opções daqueles que necessitam de recursos, mas têm açcões em carteira. Esta é a situação, por exemplo, de investidores como os hedge funds, que tomam dinheiro emprestado para investir. Com o crédito mais caro ou mesmo interrompido, a única opção disponível é gerar caixa através da venda de activos, no caso as acções em seu poder. Portanto, mesmo com preços baixos não resta outra opção.

ANGOLA A RAIO-X

A auditora e consultora KPMG Angola alertou,

recentemente, as instituições que operam no

mercado angolano para os “perigos” das es- tratégias exclusivamente orientadas para o crescimento. “A crise que se vive actualmente nos mercados financeiros internacionais de- verá servir de alerta para as instituições que actuam no mercado angolano relativamente aos perigos que se escondem por detrás de estratégias exclusivamente orientadas para o crescimento”, frisa a KPMG, no relatório “De- safios da gestão de risco em Angola”. A con- sultoria reconhece que “a conjuntura de paz

e estabilidade social e política que se vive em

Angola vem criar as condições necessárias pa- ra a continuação ou mesmo aceleração do es- forço de reconstrução e modernização do país, não sendo difícil perspectivar o crescimento da economia como um processo irreversível”. “A rapidez e a magnitude das transformações que estão a acontecer no país irão traduzir- se no aumento das necessidades da socie- dade e do tecido empresarial angolano e na elevação do seu nível de exigência e sofisti- cação, tornando imprescindível a existência de um sector financeiro competitivo e prepa- rado para responder às solicitações cada vez mais complexas dos seus clientes”, aponta

o relatório. A KPMG considera que o merca-

do financeiro angolano enfrenta dois grandes desafios: “potencializar o seu crescimento, ti- rando partido das oportunidades oferecidas pelo dinamismo da economia”, e “conseguir

A ausência de instrumentos modernos de mitigação de risco de crédito, de mercado, operacional e de liquidez, poderá cons- tituir um sério obstáculo ao crescimento da área financeira

um sério obstáculo ao crescimento da área fi nanceira gerir de forma eficiente os riscos subjacentes

gerir de forma eficiente os riscos subjacentes

a um processo de transformação acelerado”.

No texto, a consultoria define como “crucial

a convergência de esforços entre as entida-

des governamentais, órgãos de regulação e os próprios agentes que operam no mercado, no sentido de dotar o país das infra-estruturas e

dos instrumentos indispensáveis à moderni- zação do sector financeiro”. Contudo, o docu- mento frisa que “a ausência de instrumentos modernos de mitigação de risco de crédito,

de mercado, operacional e de liquidez, pode-

rá constituir um sério obstáculo ao crescimen-

to da área”. “Os problemas relacionados com

o registo de propriedade e a protecção jurídi-

ca dos direitos dos credores têm contribuído para limitar a utilização de garantias como instrumento essencial de mitigação do risco”, acrescenta. A consultoria exalta a anunciada abertura, em curto prazo, do mercado angola- no de capitais, mas afirma que a dualidade de moeda que caracteriza o sistema financeiro angolano “expõe as instituições financeiras às flutuações do dólar norte-americano, impli- cando a necessidade de adopção de mecanis- mos eficazes de gestão de risco cambial”. Por fim, o estudo diz que “as deficiências ao nível das infra-estruturas continua expondo as ins- tituições a quebras de serviço originadas por falhas no fornecimento de energia, problemas no sistema de informática e de comunicação, ou falta de água”.

Hoje em dia, mais do que nunca, as estratégias falham na altura da execução e não por causa da falta de visão

ECONOMIA & NEGÓCIOS IN(TO) BUSINESS | manuela bártolo comunicar com êxito
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comunicar com êxito
IN(TO) BUSINESS | manuela bártolo comunicar com êxito PESSOAS REAIS Uma velha e sábia frase diz

PESSOAS REAIS

Uma velha e sábia frase diz que o homem não

é uma ilha. Metaforicamente, defende a ideia de que ninguém vive isolado. No mundo con-

temporâneo, ir contra essa realidade é quase uma missão impossível: mais de seis biliões de pessoas povoam a Terra e as formas de se comunicar são incontáveis. A básica, e acre- dito que a mais utilizada, é a fala. Aliás, esta deve ser também a mais antiga. Se os docu- mentários da BBC estiverem correctos, desde os primórdios que os nossos antepassados se comunicavam através de grunhidos, que em todo caso são sons que provêm da boca, logo, se não forem, podem ser equiparados à fala. Falar é bom, porém exige um certo treino, isto porque actualmente o exercício deste acto se desmembra em vários meios de comunicação, como o telefone, por exemplo. Este aparelho tem favorecido ao longo das últimas déca- das a comunicação, permitindo ter a reacção do interlocutor em tempo real, facto que len- tamente produziu uma transformação no mundo. A escrita é também uma forma de co- municação por excelência. Nela a comunicação flui plenamente e aspectos subjectivos, como

a voz desagradável ou os problemas de dic-

ção, se esvaem. Paralelamente, exige-se mais

do conhecimento do que da habilidade de se comunicar e é aí que vejo a grande vantagem da escrita: expõe, de forma crua, as reais ca- pacidades intelectuais de cada um. Evidente que não se pode determinar o potencial das pessoas simplesmente com base na sua ca- pacidade de escrita, mas que este é um bom ponto de partida para tal isso é. Fora as van- tagens já mencionadas, na escrita tem-se to- da a calma do mundo para pensar, repensar,

retificar erros, enfim, fazer uma análise crítica

e rígida sobre o que se deseja transmitir aos

demais. As possibilidades de erros e gafes ca- em drasticamente (embora ainda existam).

Comunicar é, por isso, uma actividade que to- dos nós fazemos, todos os dias, mas que ain- da assim, merece atenção especial. O que é, em regra, simples, pode vir a ser uma arte - a arte de se comunicar. Quem não fica fascinado com um palestrante que consegue envolver a plateia e passar, de maneira leve e quase su- bliminar, a sua mensagem? Ou então, quem não fica espantado com uma declaração, vin- da de quem menos se espera, e de maneira tão bem arranjada que chega a ser desconcer- tante? São inúmeras as possibilidades, e elas só existem, felizmente, porque o homem não

é uma ilha.

Comunicar é uma actividade que todos nós fazemos, todos os dias, mas que ainda assim, merece especial atenção. O que é, em regra, simples, pode vir a ser uma arte - a arte de se comunicar. E a Nokia sabe-o bem

MENTES SEM FRONTEIRAS Como vimos, a comunicação está intimamen- te associada ao ser humano, seja ela no modo visual, verbal ou corporal. Entretanto, exis- te uma forma de linguagem que está em as- censão nos dias actuais – a publicidade que permite a propagação de princípios, ideias, co- nhecimentos ou teorias; ela é a arte e técnica de planear, conceber, criar, executar e veicular mensagens geralmente de caráter informati- vo e persuasivo, por parte da marca identifi- cada. Compreendo que esse género não tem apenas como objectivo a venda dos seus pro- dutos, visa também a venda de comporta- mentos, de qualidade de vida que, na maioria das vezes, fica implícita, mas que tem valor igual ou superior à estratégia de venda dos produtos. Com as práticas de persuasão po-

tencializadas nos últimos anos, a publicidade alcançou um nível elevado de refinação na so- ciedade
tencializadas nos últimos anos, a publicidade alcançou um nível elevado de refinação na so- ciedade
tencializadas nos últimos anos, a publicidade alcançou um nível elevado de refinação na so- ciedade
tencializadas nos últimos anos, a publicidade alcançou um nível elevado de refinação na so- ciedade
tencializadas nos últimos anos, a publicidade alcançou um nível elevado de refinação na so- ciedade

tencializadas nos últimos anos, a publicidade alcançou um nível elevado de refinação na so- ciedade de massas do século XX e tornou-se uma arma poderosa. Hoje ela protagoniza a mobilização de forças físicas, intelectuais ou morais, para vencer uma resistência ou difi- culdade, para atingir algum fim, orientando convicções, atitudes ou acções de um gran- de número de pessoas para certo objectivo, criando no público uma imagem positiva ou negativa de certo fenómeno (ideia, facto, mo- vimento ou pessoa), induzindo dessa forma a um comportamento desejado. A Nokia perce- beu estes pressupostos desde cedo, motivo pelo qual a sua publicidade exerce sempre um carácter influenciador no quotidiano do seu público. Sendo ela uma empresa na área das telecomunicações, utiliza de forma primorosa as palavras, as imagens e os sons como es- tratégias de persuasão. Com o esforço siste- mático de irradiar ideias e comportamentos, a publicidade da marca revela que a evolução tecnológica está a um nível bastante avança- do, impondo um pensamento sem fronteiras, em que são transpostos os limites e as barrei- ras à nossa forma de…comunicar. Os resulta- dos positivos da marca têm sido construídos a partir de uma matéria-prima básica, que ha- bita em noções rudimentares conscientes e inconscientes presentes na totalidade da po- pulação – a de que ninguém vive sem comu- nicar. Todas as pessoas têm necessidade de partilhar. A Nokia tem como estratégia prin- cipal ajudar as pessoas a darem resposta a essa necessidade, fazendo com que estas se sintam mais perto de tudo o que para elas é importante. A empresa centra-se no objectivo

de oferecer aos seus utilizadores uma tecno- logia humana, isto é uma tecnologia intuiti- va, com uma forma de utilização agradável

e uma qualidade estética elevada. A mesma

defende a ideia de que vivemos numa era em que a conectividade se está a tornar realmen- te ubíqua. A indústria das comunicações está

em constante mudança e a internet está no centro desta transformação. Razão pela qual, actualmente, este é o grande desafio para a Nokia.

O carácter decisivo do sector torna, ainda mais relevante

e preocupante uma questão:

a da acessibilidade, ou seja, a

questão da “fractura digital”. Algo a que a empresa está atenta ao democratizar, cada vez mais, os seus serviços

ÍCONE GLOBAL

A Nokia é um verdadeiro ícone global. Os nú-

meros deste gigante mundial assustam: a ca- da três meses vende mais de 100 milhões de telemóveis em todo o mundo (mais do que a Motorola, Samsung e Sony-Ericsson juntas), ao ritmo de 13 unidades por segundo; tem participação de mercado de 38,7% nas ven- das globais e lança mais de 50 novos modelos

de telemóveis por ano. Além disso, a marca apareceu em quinto lugar na lista das marcas globais mais valiosas de 2007, (divulgada pela revista BusinessWeek), sendo também a 20ª empresa mais admirada do mundo, segundo

a lista deste ano da revista norte-americana

Jorma Ollila

DADOS CORPORATIVOS

Origem: Finlândia

Fundação: 1865

Fundador: Fredrik Idestam

Sede mundial: Espoo, Finlândia

Proprietário da marca: Nokia Corporation

Capital aberto: Sim (1915)

Chairman: Jorma Ollila

CEO & Presidente: Olli-Pekka Kallasvuo

Facturação: 50.7 biliões (2008)

Lucro: 3.98 biliões (2008)

Valor de mercado: 30.7 biliões (Fevereiro/2009)

Valor da marca: US$ 35.94 biliões (2008)

Lojas-Conceito: 10

Clientes: 1 bilião

Vendas: 430 milhões telemóveis/ano

Presença global: 185 países

Funcionários: 128.000

Segmento: Telecomunicações

Principais produtos: Telemóveis, sistemas de co- municação, computadores

Outros negócios: Vertu (marca de telemóveis de luxo), Navteq

Principal slogan: Connecting People

Fortune. Nada menos que um bilião de pesso- as em todo o mundo têm hoje um telemóvel da Nokia. Isso é mais do que qualquer fabri- cante de bens de consumo, de qualquer sec- tor e em qualquer época jamais conseguiu até hoje. A sua liderança é incontestável e pode ser traduzida pelo slogan da empresa: Con- necting People. Com sede localizada em Es- poo, região metropolitana de Helsínquia, é a maior fabricante mundial de telemóveis, es- tando actualmente presente em 185 países a nível mundial. A empresa conta com mais de

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só para gurus!

só para gurus!

A empresa lançou recentemente um pro- grama para reconhecer e afiliar os usu- ários que conhecem melhor a marca. O Nokia Guru reunirá consumidores que possuem conhecimento sobre as soluções da empresa. O objectivo de cada guru será actuar como frente de relacionamento da marca nas plataformas de comunicações social global (Orkut, fóruns, e-groups, Yahoo respostas, Twitter, blog pessoal, etc). Esta troca de experiências com ou- tros consumidores será recompensada. Após ter a solicitação aprovada, o guru re- ceberá um selo que será usado no seu blog pessoal, site, comunidade ou fórum para servir de identidade. A cada solução apon- tada, dúvida resolvida ou suporte dado são contabilizados 100 pontos. Todos os meses, os três primeiros vencedores são premiados com aparelhos e acessórios Nokia. Desta forma, a gigante finlandesa tenta criar uma comunidade de contactos ainda maior em torno dos seus produtos, estimulando os usuários a ajudarem-se uns aos outros e a produzirem conteúdos espontâneos sobre a marca

128 mil funcionários, sendo que 1/3 dos mes- mos trabalha em exclusivo na área da investi- gação e desenvolvimento. Esta é, aliás, uma aposta forte da empresa, que possui nove la- boratórios de pesquisa espalhados em seis países. As 11 fábricas da marca estão sedea- das em nove países diferentes (Brasil, China, Finlândia, Alemanha, Hungria, México, Coreia, Roménia, Reino Unido e Índia), sendo que o grupo é formado por duas unidades de negó- cio - Nokia Networks (Nokia Redes) e Nokia Mobile Phones (Telemóveis), detendo tam- bém uma organização separada denominada Nokia Ventures Organization e o Nokia Rese- arch Center (Centro de Investigação). A em- presa ainda possui uma unidade de luxo que fabrica telemóveis com a marca VERTU. A Nokia tem 350 mil pontos de venda em todo o mundo, entre as lojas das operadoras, redes de retalho tradicionais e as suas próprias lo- jas. Desde a sua criação até hoje, a empresa foi responsável pelo fabrico de um terço dos telemóveis existentes no mundo. Em cada seis habitantes do planeta, um possui um te- lemóveil Nokia.

habitantes do planeta, um possui um te- lemóveil Nokia. O QUE É O NOKIA TRENDS? É

O QUE É O NOKIA TRENDS?

É uma plataforma de marketing baseada em arte multimédia e música avançada para estimu-

lar as novas formas de consumo de informação a partir de meios eletrónicos, não só tradicio- nais, mas sobretudo os móveis. A plataforma é permeada por eventos para trazer ao público

em geral o que é tendência, equilibrando o novo e o consagrado. Desde que foi criado no Brasil, em 2004, o Nokia Trends já atraiu quase 270 mil pessoas em eventos realizados em São Paulo

e no Rio de Janeiro, com apresentações de bandas e Dj’s, como Fatboy Slim, LCD Soundsystem

e Laurent Garnier, Chemical Brothers, Human League e Asian Dub Foundation. A plataforma foi exportada para Argentina e mais recentemente para o México

Os números deste gigante assustam: a cada três meses vende mais de 100 milhões de telemóveis em todo o mundo. Desde a sua criação até hoje, a empresa foi responsável pelo fabrico de um terço dos telemóveis existentes no mundo. Em cada seis habitantes do planeta, um possui um telemóvel Nokia

A visão da Nokia é a de

um mundo em que todos possam estar ligados entre si (Connecting People)

O GÉNIO POR DETRÁS DA MARCA Desde que assumiu a liderança da empresa, o novo presidente mundial da Nokia, Olli-Pekka

Kallasvuo, conhecido simplesmente por OPK, vive sob a sombra de Jorma Ollila, uma figu- ra histórica na NOKIA. Como CEO, de 1990 a 2006, comandou a transição da empresa do seu pior momento para a sua época de gló- ria. Sucedeu a Kari Kairamo, responsável pela trágica gestão da empresa nos anos 80. Uma época de expansão indiscriminada para novos campos, principalmente por meio de aquisi- ções. O resultado da dispersão de receitas foi

a maior crise da história da empresa, que cul- minou com o suicídio de Kairamo, em 1988,

e com a venda das unidades de televisores e

computadores pessoais. Coube a Jorma Olli- la, corajosamente, estreitar o foco em tele- comunicações, uma área então deficitária na

empresa. Essa decisão temerária deu origem

à Nokia que hoje se conhece. O seu sucesso

naturalmente chamou a atenção do mundo corporativo e o seu “passe” acabou parcial- mente comprado, no ano passado, pela Shell. Desde então, acumula os cargos de presiden- te dos conselhos de administração das duas empresas.

CENTRO DE INVESTIGAÇÃO Um dos principais motivos do enorme sucesso da Nokia pode ser creditado no seu moderno Centro de Pesquisa e Design e no investimento

anual de US$ 7.7 biliões nessa área. Localizado na cidade de Espoo, região metropolitana de Helsínquia, abriga uma equipa composta por mais de 200 designers (quantos exactamente

é segredo), oriundos de mais de 45 nacionali- dades. Diariamente, os designers usam blogs para comunicarem com usuários e “futuris-

tas” são empregados para traçar cenários. In- vestiga-se, no momento, a comunicação por hologramas e a confecção de telefones com materiais biodegradáveis. Eventuais cho- ques culturais com a ala formal da empre- sa são amortecidos pelos valores defendidos pela Nokia. Todos os funcionários são iguais.

O vice-presidente e o estagiário fazem as re-

feições na mesma cantina. Usar piercing ou sandálias havaianas, tudo bem. Cada um tem liberdade para ser como realmente é. A Nokia tem hoje dois centros de design global: o da

matriz e um outro, localizado em Londres. Há também estúdios nos principais mercados da empresa no mundo e “oásis de desenho” em lugares que os designers considerem inspira- dores, como o Rio de Janeiro.

A revolução digital tem um

potencial para acelerar o acesso daqueles que têm tradicionalmente sido excluídos do saber, da informação e dos mercados.

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ECONOMIA & NEGÓCIOS IN(TO) BUSINESS Os três “C” da inclusão: Conectabilidade - quem não se pode

Os três “C” da inclusão:

Conectabilidade - quem não se pode conectar está excluído da Sociedade de Informação; Capacidade – é preciso poder compreender a informação; Conteúdos – a maioria dos con- teúdos são escritos em inglês

EMPRESA DO FUTURO A mudança da Nokia em direcção à web coin- cide rigorosamente com a ascensão de OPK à presidência da empresa, em Junho de 2006. O mesmo deu início a uma frenética temporada de aquisições de empresas de internet. Já em Agosto, investiu US$ 60 milhões na compra da distribuidora de música on-line Loudeye. Na sequência, adquiriu a Gate5, uma peque- na empresa alemã de software de navegação com GPS. O ataque foi retomado no ano se- guinte, em Julho, com a compra do Twango, um pequeno site de partilha de fotos e víde- os. Criado em 2004 por cinco ex-executivos da Microsoft, o portal tinha somente dez funcio- nários, mas, apesar de pequeno, era possivel- mente o único realmente multimédia do seu

sector. A mais recente aquisição foi a da ame- ricana Avvenu, especializada em partilha de arquivos. Como uma espécie de cereja nesse bolo de parcerias, a Nokia assinou um acordo com a Microsoft para que versões de serviços como Hotmail e Messenger sejam carregados nos aparelhos da sua Série 60 de telemóveis inteligentes. Também anunciou uma parce- ria com a Universal Music, que permitirá aos clientes da empresa o downdload gratuito e ilimitado de músicas pelo período de um ano. Ao todo a Nokia já gastou mais de US$ 10 bi- liões em aquisições de empresas de tecnolo- gia e Internet. Porém a mais nova aposta da empresa atende pelo nome de Ovi (porta em finlandês). Trata-se de um portal onde fica- rão hospedados uma infinidade de produtos como álbum de fotos, música, biblioteca de livros, etc, capazes de se comunicar com o te- lemóvel, o laptop e o computador pessoal do usuário. Basta arrastar os ícones com o mou- se. O acesso é totalmente gratuito, usando uma única senha.

LOJAS-CONCEITO A empresa decidiu, em 2005, abrir algumas das chamadas Lojas-Conceito em determina-

dos países para que o usuário pudesse “de-

gustar” toda a linha de produtos e acessórios, tirar dúvidas sobre o seu funcionamento e, claro, comprá-los. A estratégia era gerar uma experiência de mobilidade com os produtos e serviços da Nokia. A primeira delas foi aber-

ta em Moscovo e hoje já existem outras lojas-

conceito da marca em Londres, Helsínquia, Nova Iorque, Cidade do México e Shangai.

Neste tipo de loja, o consumidor tem acesso

a demonstrações de experiência móvel, en-

globando música, navegação, vídeo, imagens, Internet e jogos. Cada aparelho em demons- tração está conectado à Internet por uma rede WiFi e equipado com acessórios, como caixas de som, fones de ouvido, telas de LCD, im- pressoras fotográficas e laptops. Uma área da loja é dedicada a palestras, cursos, eventos e capacitação personalizados.

O VALOR

Segundo a consultora britânica InterBrand, somente a marca Nokia está avaliada em US$ 35.94 biliões, ocupando a posição de número 5 no ranking das marcas mais valio- sas do mundo. Além disso, a Nokia é a 88ª maior empresa do mundo de acordo com a Fortune 500 de 2008

quem inventou o telefone? Alexander Graham Bell (1847-1922), físico escocês, realizou a primeira experiência com
quem inventou o telefone?
quem inventou o telefone?

Alexander Graham Bell (1847-1922), físico escocês, realizou a primeira experiência com o telefone em 1876 na Filadélfia, Estados Uni- dos. Nesse mesmo ano por intermédio do seu advogado, solicitou a patente do invento que chamou de “telefone eléctrico falante”. Após patentear o invento, Bell apresentou-o nu- ma exposição na Filadélfia. O invento gerou muita curiosidade e interesse e fez com que Graham Bell fosse premiado. Antes dele, ou- tros inventores tentaram transmitir a voz hu- mana via electricidade, porém sem sucesso. No telefone primitivo, havia uma manivela que ao ser girada produzia a corrente necessá- ria para a sinalização na central. A invenção de Graham Bell evoluiu tanto que hoje po- demos comunicar com pessoas em qualquer lugar do mundo, estando as mesmas num lugar fixo ou em deslocação (via telemóvel). Razão pela qual, o telefone ajuda a aproximar pessoas e minimizar distâncias. Ideia a que a Nokia se associou através do seu célebre slo- gan “Connecting People”

curiosidade

curiosidade

De onde vem o nome Nokia? Na verdade esse é o nome de um pequeno mamífero que habi- ta a região na qual estão localizados o rio e a cidade onde está a sede principal da empresa

o rio e a cidade onde está a sede principal da empresa A HISTÓRIA A história
o rio e a cidade onde está a sede principal da empresa A HISTÓRIA A história

A HISTÓRIA

A história da Nokia começou em 1865, quan-

do o engenheiro de mineração Fredrik Ides- tam fundou uma fábrica de celulose na cidade

de Tampere, no sudoeste da Finlândia, logo

transferida para o município vizinho de Nokia e baptizada Nokia Wood Mills, localizada às mar- gens do rio com o mesmo nome. A partir daí,

a empresa teve um crescimento meteórico, e

pouco depois da I Guerra Mundial, a empresa fundiu-se com a Finnish Cable Works, fabri- cante local de telefones e cabos telegráficos, fundada em 1898. Era o embrião do que, em 1967, se transformaria na Nokia Corporation, um conglomerado produtor de papel, bicicle-

sabia que…

sabia que…

A Nokia é a maior empresa da Finlândia, responsável por um terço do valor de mercado da Bolsa de Valores de Helsínquia, correspon- dente a cerca de 3.5% do PIB e quase um quarto das exportações do país. No ano passado, pela primeira vez na história, a facturação da empresa superou o orçamento nacional do país

tas, pneus, botas de borracha, computadores, cabos, televisores e dezenas de outros itens. Os primeiros passos para uma grande mudan- ça nos rumos da empresa tiveram início na década de 60, com o nascimento do departa- mento de electrónica da Nokia que tinha como

principal objectivo pesquisar rádiotransmissão.

A tecnologia da empresa para comunicação via

rádio foi aproveitada, a partir da década de 80, para o desenvolvimento de telefones sem fio.

O pioneiro foi o Mobira Senator, lançado em 1982, como equipamento para automóveis,

que pesava 9,8 quilos. Cinco anos depois, saiu

o Mobira Cityman 900, para muitos, o primeiro

telefone realmente portátil: pesava 800 gra- mas e custava o equivalente a US$ 6.150 nos

dias de hoje. Nas décadas seguintes, os produ- tos de infra-estrutura dos telefones móveis e

de telecomunicações chegaram aos mercados

internacionais, e nos anos 90, a Nokia já era uma das líderes mundiais em tecnologia de comunicação digital (em 1998 vendeu cerca de 40 milhões de telefones celulares, tornando-

se a empresa número 1 no mundo nessa cate-

goria, ultrapassando a Motorola). Observando

o mercado agora, é fácil esquecer que a Nokia

nem sempre foi dominante. Em meados dos anos 90, a Motorola dava as cartas no merca- do, desfrutando o enorme sucesso do telemó- vel StarTac. Silenciosamente, porém, a Nokia iniciava a sua ofensiva, adicionando elementos inovadores de design aos telefones, na forma de capas substituíveis e diferentes ringtones (toques). Mais importante, começou a operar à escala global, lançando mais modelos num nú- mero cada vez maior de países. Os finlandeses apostaram cedo no desenvolvimento de pla-

taformas básicas para celulares, a partir das quais é possível produzir variações de produtos com grande economia de escala. Actualmente

a NOKIA, além de ser um gigante, está a mu-

dar a forma como as pessoas se comunicam. As suas próximas apostas foram apresenta- das, no final de 2007, aos mercados, a come- çar pelo europeu: a loja virtual de música Nokia Music Store, os novos jogos para telemóvel da série N-Gage e a linha de aparelhos que nave-

gam na Internet criados para concorrer com o iPhone da Apple. E ainda provoca a poderosa empresa americana: “Quando eles lançaram o iPhone, conseguiram uma publicidade sensa- cional, tudo para vender 270 mil aparelhos em dois dias”, diz o inglês Mark Selby, vice-presi- dente mundial de vendas da empresa. “Isso é mais ou menos o número de telemóveis que vendemos em seis horas”. Há poucas compa- nhias com a marca, o alcance e a tecnologia necessários para liderar a convergência digital.

A Nokia é uma delas.

SOCIEDADE
SOCIEDADE

| patrícia alves tavares

A febre do telefone portátil

O telemóvel entrou no mercado nacional no início desta década e a adesão foi tão intensa, que este pequeno aparelho, que permite contactar com os outros em qualquer ponto do país ou do mundo, já faz parte do dia- a-dia dos angolanos. Com 7,5 milhões de utilizadores, Angola é um dos países africanos com maior potencial de crescimento na procura das comunicações móveis.

Ninguém dispensa o uso do telemóvel e pou- cos imaginam a sua vida sem ele. Em 2006, apenas em Luanda, 25 por cento dos seus habitantes, com mais de 15 anos já possuía telemóvel e 80 por cento manifestava inte-

resse em adquiri-lo, a curto prazo. Esse dese-