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Na capa:

O mítico rei-ferreiro

Ngola Mussuri (Ngola Musudi)

ae Vtontecìcïãtã Ìmeaaos

,.- _lqr-rE

"Missione

do Padre João António Cavaãzi

Evangetica

",

manuscrito panicurar d" il;üõ;ü,

do sec.

XV[).

er"raiiúóã"-r"ììâi"l

FICHA TÉCMCA

Autor:

Joseph C. Miller Título:

Poder político e parentesco.

Os antigos estados Mbundu em Angola.

Título original:

Kings and Kinsmen. Early Mbundu States in Angola.

Copyright @ 1976 Oxford University press ïbadução:

Maria da Conceição Neto

Edlçãor

- ARQUIVO HISTÓRICO NACIONAL

Ministério da Cultura

Execução gráÍical

Fotocomposição e montagem: Litocor,Lda., Rua Emílio Mbidi, 6g-A

.*.e:

Impressão e acabamentos: Litotipo,Lda.,

Rua 1

Congresso,

39/41

Capa: Sérgio Carvalho

Depósito legal n," 1430/96

Tiragem: I 500 exemplares

1. edição: Luanda, Dezembro de 1995

20

ANTvERSÁRro DA TNDErENDÊNcrA

DE ANcoLA

EDrÇÃO SUBSIDTADA PELA COOPERAçÃO PORTUGTIESA E O INSTITUTO CAMÕES

NOTA DO EDITOR

O Arquivo Histórico Nacional tem como função principal a salva-

guarda, tratamento e classificação do vasto acervo documental do país,

sobre variados supoúes de informação, e ainda o desenvolvimento da pesquisa histórica. Dando hoje à estampa a obra do professor Joseph Miller, Kings and Kinsmen - Early Mbundu States in Angola, numa

primeira edição em língua portuguesa, pretende, deste modo, cumprir a

função de divulgação de obras de carácter científico cuja difusão, na maioria dos casos, se condicionada pelas leis do mercado, porqué

estas não se compadecem com os interesses dum

público muito especí-

fico (e entre nós ainda limitado) das ciências sociais. pensamos que compete às instituições do Estado ajudar a suprir esta lacuna,

desempenhando sempre e cada vez mais o papel de mola impulsio-

nadorâ para que o cônhecimento da História e demais Ciências possa

coabitar Connosco, na proporção dos interesses dos investigadores e dos

interesses úais gerais da nossa sociedade.

Esta publicação não teria sido possível sem o empenho do

Ministério da Cultura que, no âmbito do programa de actividades do

20" Aniversário da Independência de Angola, financiou a tradução, e

sem o apoio da Embaixada de Portugal; graÇas ao qual a Cooperação

Portuguesa e o Instituto Camões financiaram a edição.

Abriu o Arquivo Histórico Nacional esta vertente editorial ele-

gendo o trabalho do Professor Miller porque entende que ele responde aos anseios de uma historiografia renovada que se reclama entre nós e

se constrói corn base numa metodologia de complementaridade das

fontes disponíveis para o exercício do "fazer" histórico. O recurso às fontes orais, aliado à exploração das fontes escritas, como se demons- tra no trabalho rigoroso de Josefh Miller, reveste-se de uma importân-

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cia capital, tendo em

conta as características das sociedades africanas

reconstituir. Não sendo novidade no meio

do que

nunca,

se reconhece a

o estudo das

Angola,

o

cujo passado pretendemos

científico

tal prática, pois hoje, mais

importância do

sociedade africanas, é

trabalho do professor Miller

testemúnho- ori .o,,,o irfr"rcindível para

também^verdade que, pÍìra o caso de

foi pioneiio.

Ëxemplo a. in""rtfiaao

Au

entffiogu

onde se

relacionam os métodos da História

"

(com apoio da

Linguística), abriu urn "urnrnto essencial ao conheci-

mento do passado angolano.

.Outra

razã,o para esta escolha prende_se com

simultaneamente

no sécuio dezassete, o .rpuço onde

o próprio

da obra,

origem- e formação do Estado

profunda análise interpretativa de factos

.

conteúdo

contribuìo à problemática teórica sobre

n"

a

noriu-região de África e uma

hiítóricos qu"-,,,ui-"uru,

emergiu

a

Angola

decisivamente,

o

actual' o impacto

como

dos Imbangara e da instituiçao do kiïomio', ulrirn

entr

conflito

poderescentrarizadoiqilïüi:;i,lïn:ï,ïïHrn:ïïï::

de língua

Kimbundu e dos,célebr". ,rruã,

do Ndongo e Matamba.

pesquisa sobre Kasa_

Cokwe,

Luvale,

O presente livro,

cujo ponto de partida foi uma

nje, envolve também

aspectos dã história dos Lunda,

Kongo, ovimbundu e, nà

domínio merod;ú;ico, e iguãiÀ"nàlipor-

hoje

são

parte integru""r" ã.

ï"g;i;ï;,

arquivo Histórico ríuJnur

tante para outros povos que.

portanto, com justificada satisfação que o

entrega esta obra ao público de língúa portuguesa.

Rosa Cruz e Silva Directora do A.H.N.

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207

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220

221

228

237

24"1

260

261

266

2'75

 

2'/9

Glossário de termos africanos usados no texto

296

Índiceremissivo

299

À memória de meu pai, John W. Miller

t903-t974

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NOTA DE TRADUÇÃO

O autor, há vinte anos, explicou as

suas razões para a grafia usada

Actualmente existJjá, embora

grafia angoìana oficial para o

qu. não se afasta muito da

leitores e da sua formação, tradução para o português

ãpção discutível mas

nos.vocábulos em línguas bantu (p. xvi).

ainda não suficientemente divulgada, uma

Kimbundu e ouüas línguas presentes no texto,

que Miller usou. Considerando a variedade de

em distintos países, decidimos nesta primeira

manter no essencial a ortografia da versão original,

que pareceu o menor

línguas bantu resultaria

eruditos. Alterámos o sá da

dos males. A tentaüva de .,aportuguesar,, termos das

em distorções grors"irur,'r*ao mal aceite pelos

versão inglesa para x, dado que aqui coincidem

portuguesa (leia-se como em ,.xadrês,,).

independentemente do género e

ncioiam como adjectivos.

língü

ponuguesa,

é uso

T

lfog:1, bantu e a língua

Os etnónimos mantiveram-se_invariáveis,

número, com maiúscula inicial mesmo quanoo n

Recoúecendo o barbarismo que tal repiesenta na

consagrado internacionalmente

menos familiarizados

com as

e pareceu-nos de seluir. Lemtramos aos

línguas

bantu que o g õ te sempre como em

^.ìro lue seia intervocálico,

rupo',,

e cidades .,portuguesas,,(no século

manteve_r, o norn. por eÌe usado,

"gato", o r sempre como em

e o c coÍÍesponde ao som próximo de tcá.

Quando o autor se refere a vilas dezassete ou à data da pesquisa, 1969),

colocaàdo-se entre [ ] o nome angolano actual.

Prefácio

Embora os historiadores estejam acostumados a trabalhar com infor-

mação registada de úAo imperfeito, ou pelo menos imperfeito em relação

aos objectivos de cada um, os dados em que se apoia este estudo têm

características especiais que exigem uma declaração preliminar sobre a

maneiÍa como foram recolhidos e as técnicas que forÍÌm utilizadas paÍa os

aÍìalisar. Qualquer estudo que se proponha combinar dados diversos, obti-

dos a partir de materiais etnográficos, linguísticos, documentais e trans-

imbuído dos estudos pioneiros do

mitidos oralmente, está necessariamente

Professor Jan Vansina sobre o significado histórico dos testemunhos não escritos. Visto que o nosso conhecimento dos primórdios da formação do Estado entre os Mbundu depende de todo este tipo de fontes e, sobretudo, visto que alguns destes dados foram registados muito antes de qualquer

uma destas disciplinas ter atingido o seu grau actual de sofisticação, o problema da metodologia adquire uma importância superior àquela que

habitualmente teria.

Os dados recolhidos durante o meu trabalho de campo de 1969-70

entre os Imbangala de Angola requerem uma análise o mais aprofundada possível. Consistem em cerca de trinta horas de entrevistas gravadas em Kimbundu e em Pornrguês; paÍa além disso, uma quantidade um pouco mais pequena de traduções inglesas dos textos em Kimbündu. Muito mais horas de enftevistâs foram registadas sob forma de notas manuscritas, em

bruto, e desenvolvidas depois sob a forma de fichas de trabalho dactilo-

grafadas. Actualmente, todo este material está na minha posse e enconaa-se, evidentemente, à disposição de quem desejar utiüzá-lo paÍa fins de investi- gação. Espero que num futuro próximo se possÍrm colocar cópias em locais adequados em África e nos arqúvos orais da Universidade de Indiana. Gravei as primeiras entrevistas na íntegra, com a intenção de prepa- rar transcrições e traduções segundo os padrões delineados pelo Professor Philip D. Curtin,r mas as condições locais rapidamente fizeram com que

fosse mais úúl abandonar a gravação e continuar com notas de campo escritas. Não consegui obter nenhum tradutor capaz de produzir uma tradução portuguesa correcta - ou mesmo coerente - dos textos em Kimbundu. Isso obrigou-me a entrevistar tanto quanto possível em Por- tuguês. Embora um certo número de entrevistas tenha sido gravado em

' Philip D. Curtin (1968b).

xll

PREFÁCIo

Português, os problemas decorrentes de se

numa língua estrangeira, num contexto totalmente

niuïarem histórias Imbangala

,rtifi;i"1";"*e

elimi_

características de subtilez a a cuja captação o gruuuao, ,"

nou aquelas

adapta melhor.

o modelo de entrevista gravada também se

tornou ineficaz devido a

ulte-

um certo

desvio do conteúdo abrangido no decorrer d"

riores com os informantes. A maior parte dos testemunto,

"onu"rraçã"s

fãrt"rior",

consistiu em genealogias e discussões informais sobre inrormaçao

tica e etnográfica, as to e eficaz por meio

Embora no decurso das

composições narrativas dignas

de as repetir para

deste tipo que ficou por

por outro lado, a vantagem de

de serem gravadas (no

geralJas

da do que a que permitiria a gravação,

demasiado sensíveis para serem discutidos

ringuís-

quais podiam ser preservadas de um modo tão exac-

de notas escritas como por meio de um gravador.

-entrevistas posteriores tenham surgido argumas

tentativas

gravação falharam), foirelativamentã pouco o material

gravar. A utilização de apontamentos escritos

permitir uma invèstiguçao -uir upràfunda-

teve,

sobre vários assuntos considerados

diante de un' g.uuuJo '

"o-o "áu,

restrições às

As limitações de tempo e de dinheiro, assim

actividades de pesquisa em portugal e possibilidade de pôr em prática o prano de

em Angola, restringiiam_me a

pesquisa que seria tãoricamente

implicadas.

Naquela epoca, era

upi.r.içou-

óptimo. É óbvio que os historiador"r a" Ári.u

fontes disponíveis quando abordarem

mente tanto as línguas como as culturas

utilizarão prenamente as

os dados obtidos oominanão racit-

difícil para um historiadol n.1o residente aoquirir o n"."rràrio

mento nestes domínios. As devidamente estudadas e,

linguas africanas de Angola ainda não foram

embora se possa adquirir em Lisboa um

Kimbunáu suficiente para t abalhar, uma

negrigência

seÃeurante e

conhecimento duma variante de

verdadeiramente útil, .*ig.-.rtuao,

no 'terreno. A etnografia angolana sofre de uma

iTpo" ao pesquisador constrangimentos da mesma ordem. De um modo

familiaridade com a ìíngua, que seja

ideal,

uma prorongada

o historiador deveria fazer preceder os seus estudos históricos de

aprendizagem lirrguística e de uma pesquisu

dispor de materiais importantes fora

"rnÇari.u,

de ïngota

condições em Angoia tomavam impossível

metódico, que se estendesse por viírios

eficiente juntar a maiãr quanti_

mas a impossibilidade de toma isso impossíver. As

planificar um projecto de pesquisa

meses ou anos. por isso, considerei mais

dade de informação possível.num curto espaço de de lado um rigoroso e preliminar trabalho àe fundo,

co, preferindo gravar o

mente que fosse exequível.

ltiTo

durante os cinco

tanpo e optei poàei*a,

"tnograd"o

"'ri"guírri_

mais

,ãpiAu_

de informação acessúl

o

Esta estratégia orientou a minta-perquira

meses que passei vivãndo perto dos Imbaniala, no

Distrito de Malanje.

pRBr'Ácto

xiit

Comecei por localizar os indivíduos que, de um modo geral, eram

considerados como tendo maior probabilidade de fomecer uma informação

abrangente e exacta sobre o passado dos Imbangala. AfortunadaÍnentl, tendo em conta as limitações prevalecentes no plano da pesquisa,

revelou-se que a maior parte das tradições históricas Imbangala sobrevi- ventes eram coúecidas por apenas um punhado de indivíduos, dos quais todos falavam um pouco de Português. Estes homens, o ndala lçandumbu

(historiador oficial da corte do antigo estado de Kasanje) e os balu a musendo ("hi$toriadores" não oficiais mas profissionais) tornaram-se os

informantes primários deste estudo. Tornou-se claro que a maioria das ou' tras potenciais fontes de informação, a que poderemos dar o nome de infor-

mantes secundários, pouco poderiam acrescentar aos dados que se podiam

obter dos informantes primários. Contudo, a presença de um informante secundário numa entrevista, estimulava muitas vezes um informante

primário (agiçrdo ostensivamente como intérprete) a recordar alguma infor' mação que, de outro modo, não lhe viria tão prontamente à memória'

A maior parte das entrevistas começavam com uma declaragão

voluntária por parte do informante, em que este dava a sua versão pessoal

da história do seu título e/ou linhagem. No caso de informantcs

muitas vezes expressas sem uma habili'

secundários, estas declarações,

dade ou mestria particulares,

incompletas. Alguns informantes secundários decidiam omitir esta fasO da

enffevista. O informante primário, que no geral me acompanhava nas

entrevistas aos informantes secundários, a seguir à declaração inicial fazia

perguntas que se destinavam a incitar o informante secundário a aPer' feiçoar ou resolver contradições internas. O informante primário acom'

panhante dava então a sua versão pessoal da mesma história, com o pts-

texto de inspirar o informante secundário. A maior parte das entrevistgs

terminavam com as minhas perguntas sobre pontos pouco claros, contradi- ções que eu úúa notado e novos conceitos e termos que tinham surgido

no decorrer da entrevista.

As entrevistas iniciais com informantes primários seguiram mais ou

menos o mesmo formato, mas levaram a toda uma óérie de enconEos subse'

quentes que tinham uma amplitude muito maior, não seguindo neúum

modelo particular. No geral, eu abria as sessões posteriores com um ponto

tinham tendência paÍa ser muito brevos c

histórico retirado de uma entrevista prévia e pedia ao informante que o

repetisse ou se alargasse sobre ele. Geralmente, a discussão avançava rapidamente, por meio de mais perguntas e respostas, para problemas

etnogËíficos e linguísticos gerais, à medida que o informante tentava

esclarecer pontos obscuros. O formato destas enüevistas posteriores, muitas vezes repetitivo, de pergunta-e-resposta, tornou supérflua a utili-

zaçáo do gravador para a maior parte delas.

xtv

PREFÁCIO

Embora tarvez tivesse sido merhor basear

os no método de observação participante, desenvolvido

obstáculos que os

Angola impossibilitavam-nos de etnográfica deste estudç provém

pareciam imporranres à luz do mat"rii

método ríe' invesügação.foi o de_

mos em Kimbundu retirados de

recuam até ao século dezasseis. Eu

aos informantes,

perguntava_lhes

significava. Esta técnica abriu

se a conheciam

inquéritos etnográficos

pelos antropólogos, os

investigadores estrangeiros brancos enfrentavam em

viver nuría ardeia. Alguma inrormaçao

de perguntas directas sobre pontos que

histórico ror-a. úã- r"gunoo

base numa lista de ter_

que

"r-iÃï*ï"ra,

cadã palavra

o qu"

fazer perguntas com

fonües ãscritas ,"u.

simplesmente apresentava

",

.uro uR*ìJ*,

caminhou u,uu, novas e frutuosas linhas de

bastante inesperados. outras

concrusões

ro.iJ àãs Imbangara emergiram duma

rorn'ui. como de outros dados.

antropólogos que teúam

o,

ehográfica

sistemática.

coligir

aos ,"u, .Çu,

uma inv".tiiaçao

.onririiï numa tentativa de

iid".to, o.irntui, ir-,ouunou,

em hgação

com os seus estu_

geral permitiu

disponíveis

pesquisa, muitas vezes em sítios

sobre a estrutura e a cosmologiu

análise posterior, tanto das ãirtó.iu.

O historiador tem de^ rogar

paciência perante a farti de

A pesquisa ringuística de base

vocabulários de 200 palavras em todos

com base na lista que os

linguistas ut'izarÃ

dos sobre glotocronorogiul e

melhorar a compreensãolinguísticu,,

in*rrÇçáo etnogriífica

àiu"rros dicionários

sobre as línguas bantu de

engofa.ornpi.-rn"n,aram

A documentação escrita sobre

aquelas listas.

a,Angola dos séculos dezasseis e dezas-

t c, continenás,-;;i;;"""r.

sete encon*a-se

agora disseminada pú

A colecção rte longe mais

importuntr in"oìna-se nos vários arquivos de

çà",

de manuscritos da Bibrioteca

Lisboa, grande parte da quâr nur .ot

T:"1on{, do Arquivo Nâcional au roi" ão Tombo e da Bibrioteca da

duda' Especialistas

de vez em quando,

Solicitei, mas nunca

Biblioteca

curso na Biblioteca

9:

qit uma pequena

estrangeiros interessados em temas

"onrultar

que

africanos

viram,

restringiao o u."*o ï ag;ì, ã"*l'ï"iïn'"","r.,

1ceUi,

da

uuroriruçao

iara

a colecção da

Nacional, elquT.to qu" u .ão.gu*zaçao

Ajuda " Ton dJromuã

se dizia estar em

me impeaiir ae u". ,,,ui,

parte, do importantc material que aí se enconrra.

Lisboa, ."f""ã""t" de versões pubricadas da

encontram no Arquivo

excepçaà aos qu" ,"

a,ior ãrì"úmentos

coúecidos

gÀ0" quantidade de documen_

os mais importantes muitas

do sécu_

Fiquei por conseguinte, em

maior parte dos documentos, à

Histórico ultramarino. por sorte,

lo dezasseis e anteriores, assim como u.u

tação do século dezassete foram publicud;,;

vezes em diversos sítios. Dos'muitos ãã*,n"nro, que se enconüam

'

t

D.

H. Hymes (1960), n.6.

Sobre as experiências de um outro estrangeiro, ver Salvadorini (1969), pp. 16_19.

PREFÁCIO

XV

espalhados pela Itiília, Espanha, Inglaterra, França e Brasil, para nomear apenas os repositórios mais importantes, só foi me possível consultar pes- soalmente os do Museu Britânico. As riquezas pouco exploradas do Arqui-

vo Histórico de Angola, que estavam facilmente acessíveis, dizem intei-

ramente respeito a períodos ulteriores. Dadas aq limitações criadas pelas condições acima sintetizadas, ten-

tei tomar um mmo entre Cila e Caribde, ou seja, entre reconhecer as

imperfeições dos dados a ponto de não dizer coisa nenhuma e buscar uma reconstrução coerente de acontecimentos que projectasse os dados para

além das limitações que lhes são inerentes. Este dilema tem uma importân-

cia especial no que respeita aos materiais orais, que são menos bem conhecidos que, os escritos e que a análise depende deles em muitos aspectos. Por isso dediquei uma secção do Capítulo I à descrição das histórias formais e informais dos Imbangalâ e a uma análise do seu sig- nificado para os historiadores ocidentais. Dito isto, apenas necessito

explicar as considerações que me levaram a utilizar as tradições do modo como o fiz. Estas tradições são susceptíveis de serem estudadas a muitos

outros úveis - nomeadamente, a intrigante possibilidade de uma crítica

literária formal que vem sendo desenvolvida pelo Professor Harold

Scheub da Universidade de Wisconsin - mas os constrangimentos que

actuavam neste caso tomaram necessária a elaboração de um "denomi-

nador comum" de um nível relativamente baixo, que fìzesse com que as tradições que eu coligi em 1969 pudessem ser comparadas a outras

variantes registadas por escrito nos séculos dezassete, dezanove e início do

século vinte.

O método escolhido, dada a situação anofiada das tradições, não

poderia estar dependente da comparação de um grande número de

variantes que deixaram de existir. Nem poderia exigir um grau de

facilidade linguística impossível de obter neste caso. Foi também

necessário recoúecer que -todas as tradições publicadas evidenciavam

mudanças drásticas em relação ao que deve ter sido a sua forma oral

original. As versões destas mesmas tradições por mim recolhidas sofrem de mutilações semelhantes (embora menos extensas) que fui incapaz de

assegurar transcrições exactas ou traduções dos textos em Kimbundu.

Mesmo as versões gravadas em Português devem ter sofrido modificações

consideráveis à medida que o informante as ia traduzindo, no meu

interesse. Tal como fica claro no Capítulo I, assim espero, mesmo o facto de se recitarem estas histórias para um investigador vindo de fora in- fluenciou inevitavelmente a maneira como foram narradas. Não podia ser

empregue nenhuma análise que dependesse da explicação literal do texto;

as próprias palavras ou não tiúam sido gravadas, ou não podiam ser

suficientemente compreendidas para justificar tal abordagem.

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xvl

PREFÁCIO

A pesquisa que conduziu

ao presente estudo começou como uma

história de Kasanje, o rËino tmuangata

por

escorher como tema deste

facto de os estudos

investigação, bastante vaga, sobre a

.

fundado no finar do período que acabei

trabalho.

existentes

A mudança de períodó e de tema resurtou do

não fornecerem antecedentes úteis sobre os Kasanje.,No geral, a bibliografia confundia o.

quui, uur"u, urnu

r-u-gula

com

história de

os chamados

"Jaga", guerreiros famoús e temíveis que, provavelmente,

maneira como foram descritos. Além áirro, náo tiúam

sistemáticos sobre a etnografia dos Mbundu, em

os Imbangala. Resúnindo,

Imbangãa fundaram

i.porrfu"t

K;j;,;mesmo

rn" p*-

"ru

io século dezassete. Náo

nunca existiram da

sido publicados estudos

geral, e menos ainda sobre

descrever o ambiente:. qu: os

saber quem tiúam sido os Imbangara

cia que se pudesse esperar escrever uma história daquere reino, qu" n""rr"

sentido, sem uma certa compreensão das

condições qu"

ilb;;ala en-

contraram quando atingiram o seu rar actual e

razoale.lm-e1le s.eguro das

r"À up ,ànrr"ii,n"nro

"r

sobre

tendências que trouxeram consigo.

A incidência do presente

trabarho em processos de forinação do Esta-

de que pouco do que havia lido

do resultou da minha.compreensão

a emergência de estado_s farava do qu"

r*tiu qu".*r,i*r, " pr"brema

central no espírito dos Imbangala cõm suas lealdades ao parentesco e o seu

vista. geral da bibliografia sobre o tema .oìurn."u-*e

"o

quem tinha falado: a tensão entre as

iespeito pelos r"ir. ún,uli,n"i.u

de que a experiên-

cia. dos Mbundu africana que tinha

ptzeÍ

poderia. realçar um aspecto da história pàrrti.u'J ,o"ia

passado relativamente despercebido. Foi com.bastante

que

enquanto estava a escrever este estudo,

na Nigéria, como Abdulrúi smiú, Robin

teoria

e

factos,

"*porio

duma manãira

próprio p"nrÀ"nio

que

" .*pi'i'ãï^""*,

oo,

ur.ao rouÃãfãiJuao

aor úúur,ãïpla, ,".

que descobri,

historiadores e antropólogos Horton e E.J. Alagoa, tinham

de imediato clarificou o meu

incertezas persistenres que obscurãciam a rninha

Mbundu. Espero que eles concordem que a hisróriu

sujeita ao tipo de análise de que eles fóram pioneÌros.

Na

ausência de uma ortografia oficialmente padronizada

empregar uma versão da "ortografia prática das

I

do Ki_

línguas

mbundu, tentei

africanas", simprificada

para se adaptar às possibilidades dum alfabeto

.A.*i"r

ãivergenìia entre o rirtr.u sugerioo

cultoru, Africanas "

qu.

de Línguas ã

para indicar o som repre-

poderá teva, a

padrão da língua ingres.a.o

pelo Instituto Inrernacionar

utilizei aqui, é a minha rtilização doiJ" francês

sentado pol -r- na palavra inglesa pleasure. irto não

ambiguidades, já que o ' j" inglês não ocorre em Kimbundì. e ortograna

mffi,,ofer,i"unLanguagesandCultures(l930).ParaestaediçãoemPortuguês,

PREFÁCIO

xvii

é mais fonémica do que fonética e assim, por exemplo, a pronúncia

ci- Mbangala/Cokwe/Lunda surge aqui na forma geral em Kimbundu, Èi-.

As referências nas notas de rodapé são dadas de forma abreviada,

mas a bibliografia contém as habituais citações completas que, assim espero, virão clarificar algumas das referências obscuras que se enconffam

em'muitas publicações mais antigas sobre este tema. Muitos dos docu- mentos utilizados foram publicados em vários sítios por diversos editores e, nestes casos, tentei incluir todas as localizações que conhecia. Ao pôr os nomes portugueses por ordem alfabética, segú as regras da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, embora a maior parte dos leitores devam

estar conscientes de que diferentes bibliotecas (sobretudo as localizadas

fora dos Estados Unidos) podem seguir convenções diferentes. As citações do "testemunho" de um indivíduo fazem referência, em todos os casos, a

entrevistas realizadas durante o meu trabalho de campo em Angola

(para a lista de informantes, ver Bibliografia).

Segui a convenção inglesa, geralmeúe aceite, de não utiüzar prefixos

Bantu antes dos nomes de'grupos etnolinguísticos, à excepção do nome

Ovimbundu (correctamenüe, os Mbundu) para distinguir esses habitantes dos

planaltos do Sul, dos Mbundu que vivem a norte do Kwanza. O plural da rnaior parte das palawas Bantu apaÍece ente parênteses depois da sua

primeta ocorrência no texto e um glossário de term