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Apelação Cível em Mandado de Segurança n. 2013.012903-2, de Criciúma Relator: Des. Newton Trisotto

CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. INTERDIÇÃO DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL (POSTO DE REVENDA DE COMBUSTÍVEIS) POR FALTA DE LICENÇA AMBIENTAL DE OPERAÇÃO (LAO). MANDADO DE SEGURANÇA. SENTENÇA

QUE REJEITOU A PRETENSÃO DO IMPETRANTE. RECURSO DESPROVIDO.

01. -'O mandado de segurança resta prejudicado se o

impetrante, antes do julgamento, obtém o que postulara' (STJ, Primeira Seção, MS n. 91, Min. Luiz Vicente Cernicchiaro; Terceira Seção, MS n. 9.282, Min. Paulo Medina)- (MS n. 2008.034657-7, Des. Newton Trisotto). Cessada a causa geradora da interdição do estabelecimento comercial – não renovação da Licença

Ambiental de Operação (LAO) –, resta sem objeto o recurso interposto da sentença denegatória do mandado de segurança na parte em que o impetrante pretende a suspensão daquele ato.

02. Empresa que não renova a Licença Ambiental de

Operação (LAO), quando necessária, pratica infração administrativa, à qual é cominada pena de multa. Não se presta o mandado de segurança para postular o cancelamento da multa se a pretensão estiver fundada em fato que dependa de comprovação (existência ou não de efetivo dano ambiental). Como é cediço, -enquanto, para as ações em geral, a primeira condição para a sentença favorável é a existência da vontade da lei cuja atuação se reclama, no mandado de segurança isto é insuficiente; é preciso não apenas que haja o direito alegado, mas também que ele seja líquido e certo. Se ele existir, mas sem essas características, ensejará o exercício da ação por outros ritos, mas não pelo específico do mandado de segurança- (Celso Agrícola Barbi).

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível em Mandado de Segurança n. 2013.012903-2, da Comarca de Criciúma (2ª Vara da Fazenda), em que é apelante Auto Posto Giordani Ltda., e apelados Estado de Santa Catarina e outro:

A Primeira Câmara de Direito Público decidiu, por votação unânime,

negar provimento ao recurso. Custas na forma da lei.

O julgamento, realizado no dia 18 de junho de 2013, foi presidido pelo

Excelentíssimo Senhor Desembargador Gaspar Rubick, e dele participaram os Excelentíssimos Senhores Desembargadores Jorge Luiz de Borba e Paulo Henrique Moritz Martins da Silva.

Florianópolis, 19 de junho de 2013

Newton Trisotto RELATOR

Gabinete Des. Newton Trisotto

RELATÓRIO

Auto Posto Giordani Ltda. ME impetrou mandado de segurança contra o Comandante do 2º Pelotão da 3ª Companhia do Batalhão de Polícia Militar Ambiental de Maracajá. Prestadas as informações (fls. 93/101) e ouvido o representante do Ministério Público (fls. 104/109), o Juiz Rogério Mariano do Nascimento prolatou a sentença. Pelas razões a seguir reproduzidas, as quais revelam a natureza do litígio, denegou a segurança:

-Cuida-se de mandado de segurança impetrado por Auto Posto Giordani Ltda. ME em face do Sd. Gibran Rezende Greci do Comando do 2° Pelotão da 3ª Companhia do Batalhão de Polícia Militar Ambiental de Maracajá/SC, em que pretende o impetrante a nulidade do Auto de Infração Ambiental n. 33192 e do Termo de Embargo/Interdição ou Suspensão n. 32834, conforme pormenorizado na inicial. Antes de mais nada, há que se salientar que, tocante às informações prestadas pelo Comandante do 2° Pelotão da 3ª Companhia do Batalhão de

Polícia Militar Ambiental, não há provas nos autos de que a Licença Ambiental de Operação pretendida pelo impetrante foi expedida e que, consequentemente, suas atividades foram retomadas. Assim, não há que se falar em carência da ação pela perda do objeto. Paralelamente a isso, cumpre salientar que, embora o presente mandado de segurança tenha sido impetrado contra ato supostamente ilegal

e abusivo praticado pelo Sd. Gibran Rezende Greci, mero executor do ato,

não se pode perder de vista que o ato acoimado de ilegal foi encampado e defendido pelo Comandante do 2° Pelotão da 3ª Companhia do Batalhão de

Polícia Militar Ambiental, autoridade competente e hierarquicamente superior,

o que o legitima a compor o polo passivo do writ. [ ] Superadas essas questões, passo à análise do meritum causae. Segundo Pontes de Miranda, direito líquido e certo 'é aquele que não desperta dúvidas, que está isento de obscuridades, que não precisa ser acarado com o exame de provas em dilações; que é de si mesmo, concludente e inconcusso' (Comentários à Constituição de 1946, vol. 4, 1953, p. 369-370). In casu, extrai-se dos autos que, em 17-2-2012, o impetrante foi autuado pela Polícia Militar Ambiental por 'fazer funcionar atividade potencialmente poluidora – comércio de combustíveis líquidos com lubrificação ou lavação – sem o devido licenciamento ambiental', o que levou à imposição de embargo ambiental proibindo o funcionamento de suas atividades (fls. 10/11). Depreende-se, ainda, que a última Licença Ambiental de Operação expedida em favor do impetrante tinha validade até 27-4-2011, sendo que sua renovação deveria ser requerida dentro do prazo de 120 (cento e vinte) dias

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antes do vencimento, ou seja, no mais tardar, até o final de dezembro de 2010 (fls. 17-v e 18). Vislumbra-se dos autos, outrossim, que, somente em 8-1-2012, o impetrante requereu a renovação da sua Licença Ambiental de Operação (fls.

14/15).

Pois bem. A questão trazida à tona é de simples desfecho, dispensando maiores delongas. Dos elementos constantes nos autos, resta incontroverso que o impetrante, ao menos à época da autuação – diante da notícia, não comprovada, de suposto levantamento do embargo – explorava sua atividade comercial de revenda de combustíveis – potencialmente poluidora, diga-se de passagem – sem a devida Licença Ambiental de Operação para tanto. Tal circunstância, por si só, já afasta a pecha de ilegalidade ou abusividade do ato impugnado. [ ] Vale frisar: o impetrante deixou de renovar sua Licença Ambiental de Operação dentro do prazo previsto para tanto, continuando a explorar sua atividade comercial à revelia da mencionada autorização ambiental. Deixou para formular o pedido de renovação somente em janeiro deste ano, quando deveria tê-lo feito ainda em dezembro de 2010. O fato de o pedido de renovação da Licença Ambiental de Operação encontrar-se em trâmite na Fundação do Meio Ambiente – FATMA – quando da autuação e imposição da penalidade de embargo, não é causa o bastante para tornar líquido e certo o seu direito de exercer sua atividade comercial – sobretudo diante da sua desídia em requerer a renovação da licença- (fls. 110/114).

Não se conformando com o veredicto, o impetrante interpôs apelação, sustentando, em síntese, que: a) na autuação da polícia militar ambiental não há imputação -de dano ambiental efetivo, o que impediria a retomada das atividades até a regularização. De sorte que nada impediria que a LAO fosse providenciada posteriormente, desde que não houvesse efetivo dano ambiental devidamente comprovado-; b) -em 08 de janeiro requereu a renovação da licença ambiental- e, -apesar de ter atendido todas as exigências legais, até então não havia obtido uma resposta- (fls. 137/141). Respondido o recurso (fls. 146/156), manifestou-se o Procurador de Justiça Alexandre Herculano Abreu no sentido do seu desprovimento (fls. 175/177).

VOTO

01. Ao julgar o Agravo de Instrumento n. 2012.011389-2, interposto contra a decisão que denegou o pedido de antecipação da tutela, decidiu a Câmara:

-01. 'O Estado detém poderes políticos e administrativos. Nesses se

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insere o poder de polícia, definido como o 'conjunto de atribuições concedidas

à Administração para disciplinar e restringir, em favor do interesse público

adequado, direitos e liberdades individuais' (Caio Tácito). O poder de polícia administrativa tem como atributos a discricionariedade, a autoexecutoriedade

e a coercibilidade. O atributo da autoexecutoriedade consiste na 'faculdade de

a Administração decidir e executar diretamente sua decisão por seus próprios

meios, sem intervenção do Judiciário' (Hely Lopes Meirelles). A Administração Pública 'pode aplicar sanção sumariamente e sem defesa (principalmente as de interdição de atividade, apreensão ou destruição de coisas) nos casos urgentes que ponham em risco a segurança ou a saúde pública, ou quando se tratar de infração instantânea surpreendida na sua flagrância, aquela ou esta comprovada pelo respectivo auto de infração, lavrado regularmente'

(Hely Lopes Meirelles). O ato administrativo de interdição da atividade geradora de poluição ambiental não ofende o princípio do devido processo

legal. O contraditório estabelece-se a partir da notificação do infrator' (ACMS n. 2007.014239-2, Des. Newton Trisotto). Todavia, se o dano ao meio ambiente, se o risco de dano à saúde das pessoas que residem nas proximidades do estabelecimento industrial, depende de comprovação em perícia técnica, não pode a autoridade administrativa decretar, sumariamente,

a 'interdição de atividade' (RNMS n. 2010.035846-9, Des. Newton Trisotto). 02. Sendo incontroverso que a sociedade empresária impetrante, que explora o comércio de revenda de combustíveis automotivos, não renovou a Licença Ambiental de Operação (LAO), fato determinante da interdição do estabelecimento, não há fumaça do bom direito (fumus boni juris) com densidade suficiente de modo a autorizar o levantamento do embargo- (Des. Newton Trisotto).

No voto que integra o acórdão, inscrevi:

-As decisões do Juiz Rogério Mariano do Nascimento e do Desembargador Substituto Stanley da Silva Braga e o parecer do Procurador de Justiça Alexandre Herculano Abreu estão apoiadas na correta premissa de que a licença ambiental é condição para o desenvolvimento da atividade comercial de revenda de combustíveis automotivos. Dos autos se extrai que a impetrante: a) deixou de renovar a Licença Ambiental de Operação (fls. 29/30); b) formulou o pedido de renovação em seguida à lavratura do Auto de Infração Ambiental (fls. 22/27). Conforme anotado no parecer do Procurador de Justiça Alexandre Herculano Abreu, a Fundação do Meio Ambiente – Fatma 'atesta que a agravante está operando com todos os controles ambientais devidamente instalados e que encaminhou os documentos necessários para a renovação da licença, de modo que nada impede que continue exercendo suas atividades, em nome dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que informam a Administração Pública'. À luz do contido nessa 'Declaração', penso que a interdição do

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estabelecimento contraria os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Conforme Cícero: summum jus, summa injuria. Todavia, impende considerar que há muito se exauriu o prazo para a Fatma decidir o requerimento da impetrante; prazo para conceder ou não a Licença Ambiental de Operação (LAO). Se concedida, por certo o embargo já terá sido levantado; se não concedida, será forçoso concluir que as exigências legais não foram satisfeitas. Nesse contexto, impõe-se o rejeitamento da pretensão da agravante-.

Reafirmo os fundamentos expressos no voto transcrito, aos quais

acrescento:

01.01. Na resposta aos recursos, o impetrado acostou cópia da Licença Ambiental de Operação n. 1794/2012, concedida à empresa impetrante em 05.03.2012 (fls. 157/159). Portanto, relativamente à interdição do estabelecimento, o recurso perdeu o objeto. 01.02. Como é cediço, -a licença ambiental é condição para o desenvolvimento da atividade comercial de revenda de combustíveis automotivos- (Lei n. 6.938/1981, art. 10, e Resolução n. 003/2008, do Conselho Estadual do Meio Ambiente, n. 42.32.10). A Licença Ambiental de Operação (LAO) n. 134/2009, datada de 27.04.2009, tinha validade -pelo período de 24 (vinte e quatro) meses a contar da presente data- (fl. 17-v.). Consta do item 4.12 que cumpria à empresa licenciada -solicitar a renovação desta LAO, num prazo de 120 (cento e vinte) dias antes do seu vencimento- (fl. 18). O -FORMULÁRIO DE CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO INTEGRADO - FCEI-, por meio do qual o impetrante postulou a -RENOVAÇÃO DA LAO- (fl. 16-v), foi preenchido em 01.07.2011, quando decorridos mais de 2 (dois) meses do vencimento da licença. Estando operando sem a LAO, a impetrante cometeu, em tese, ilícito administrativo, ao qual é cominada pena de multa. No mandado de segurança não há como isentá-la dessa sanção. Os argumentos deduzidos estão relacionados a fatos que dependem de comprovação (existência ou não de efetivo dano ambiental). E, como é cediço, -não se presta o mandado de segurança para proteger direito que não seja líquido e certo (CR, art. 5º, LXIX; Lei n. 12.016/2009, art. 1º); 'enquanto, para as ações em geral, a primeira condição para a sentença favorável é a existência da vontade da lei cuja atuação se reclama, no mandado de segurança isto é insuficiente; é preciso não apenas que haja o direito alegado, mas também que ele seja líquido e certo. Se ele existir, mas sem essas características, ensejará o exercício da ação por outros ritos, mas não pelo específico do mandado de segurança' (Celso Agrícola Barbi). 'Circunstâncias factuais sombream a via do mandamus, que não pode ser adelgado por afirmações filiadas à verificação de natureza probatória' (MS n. 6.593, Min. Milton Luiz Pereira)- (MS n. 2012.086052-0, Des. Newton Trisotto).

02. À vista do exposto, nego provimento ao recurso.

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