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CURSO ON-LINE – ADM PÚBLICA EM EXERCÍCIOS – AFRFB E AFT PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS

Aula Demonstrativa

Olá, Pessoal!

Esta é a aula demonstrativa do curso de Administração Pública em Exercícios para Auditor Fiscal da Receita Federal e Auditor Fiscal do Trabalho. O curso é voltado para os dois cargos porque o edital deles é praticamente igual; a única diferença está no fato de o edital de AFT não prever Ética no exercício da função pública. Todavia, existe uma matéria específica de Ética na Administração Pública, ou seja, o conteúdo cai também para AFT.

Este curso será apenas de comentários de exercícios, na forma de simulados. Vou comentar 30 questões por aula, divididas em três simulados de 10 questões, como foi nos últimos concursos dos dois cargos. Também comentarei uma questão discursiva por aula. O curso será composto de 07 aulas, às quartas-feiras, começando no dia 16/11.

Veremos muitas questões da ESAF, mas também comentarei questões de outras bancas e questões formuladas por mim. Serão questões próximas ao estilo que a ESAF utiliza e, em muitos casos, as bancas usam os mesmos textos para formular suas questões. Assim, poderemos abordar aspectos que ainda não foram cobrados pela ESAF, mas que podem fazer parte de suas provas no futuro.

Agora, vou me apresentar. Sou Auditor Federal de Controle Externo do Tribunal de Contas da União. Já fui Analista Tributário da Receita Federal do Brasil e escriturário da Caixa Econômica Federal, além de ter trabalhado em outras instituições financeiras da iniciativa privada. Sou formado em jornalismo, graduando em economia e tenho especialização em Orçamento Público. Sou professor de cursinhos para concursos desde 2008, tendo dado aulas em cursinhos de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Cuiabá. Também dou aula em cursos de pós-graduação.

Nesta aula demonstrativa, vocês poderão ter uma ideia de como será nosso curso, nela estou comentando a prova do concurso de AFRFB de 2009. Espero que gostem e que tenhamos uma jornada proveitosa pela frente.

Boa Aula!

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Sumário

1 QUESTÕES COMENTADAS

2

1.1 SIMULADO 1 – PROVA DE AFRFB 2009

2

1.2 QUESTÃO DISCURSIVA

35

2 LISTA DAS QUESTÕES

42

2.1 SIMULADO 1 – PROVA DE AFRFB 2009

42

2.2 QUESTÃO DISCURSIVA

46

3 GABARITO

46

4 PONTOS IMPORTANTES DA AULA

46

5 LEITURA SUGERIDA

ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.

1 Questões Comentadas

1.1 SIMULADO 1 – PROVA DE AFRFB 2009

1. (ESAF/AFRFB/2009) Sobre a organização do Estado brasileiro, é correto

afirmar que:

a) administrativamente, os municípios se submetem aos estados, e estes,

por sua vez, submetem-se à União.

b) quando instituídas, as regiões metropolitanas podem gozar de prerrogativas políticas, administrativas e financeiras diferenciadas em relação aos demais municípios do estado.

c) quando existentes, os territórios federais gozam da mesma autonomia

político-administrativa que os estados e o Distrito Federal.

d) o Distrito Federal é a capital federal.

e) embora, por princípio, todos os entes federados sejam autônomos, em

determinados casos, os estados podem intervir em seus municípios.

Essa questão pode ser enquadrada mais como de Direito Constitucional do que como de Administração Pública. Isso é normal nas questões que cobram o item “Organização do Estado e da Administração Pública”. Normalmente são abordados mais aspectos legais, vistos também em direito administrativo,

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A letra “A” é errada, já que todos os entes possuem autonomia administrativa

e não se submetem aos demais. Na federação não há hierarquia entre os entes.

Segundo Georges Scelle o sistema federativo repousa sobre dois princípios

essenciais:

a lei da participação: os estados membros tomam parte da formação da vontade estatal referida a toda ordem federativa.

a lei da autonomia: há competência constitucional própria e primária para organizar, estatuir e gerir o seu ordenamento, dentro dos limites traçados pela Constituição federal. Não depende da União naquilo que constitui a esfera de suas atribuições específicas. É dotado de poder constituinte

O poder político é compartilhado pela União e pelas unidades federadas. Além

do governo federal, existem governos estaduais dotados de autonomia política, podendo fixar sua própria orientação nos assuntos de seu interesse, desde que

não contrariem a Constituição Federal.

Podemos dizer que são três os tipos de autonomia de que são dotadas as unidades federadas:

Auto-Organização:

refere-se

ao

poder

de

os

entes

federados

elaborarem suas próprias constituições e leis;

 

Autogoverno: refere-se à eleição dos governadores e dos Deputados Estaduais, que governarão o estado sem nenhuma intervenção da União. Refere-se também a possibilidade de montarem seus próprios poderes.

Auto-Administração: manifesta a capacidade de cada ente político para prestar os serviços e desempenhar as atividades a eles cometidas.

A Constituição Federal de 1988, já no seu primeiro artigo, coloca que:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

Uma das grandes inovações da Carta Magna foi a inclusão dos municípios como entes federativos. Abrúcio afirma que:

Pela primeira vez na história, os municípios transformaram-se em entes federativos, constitucionalmente com o mesmo status jurídico que os estados e a União. Não obstante essa autonomia, os governos locais respeitam uma linha hierárquica quanto à sua capacidade jurídica – a Lei

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Orgânica, por exemplo, não pode contrariar frontalmente a Constituição estadual –, e são, no mais das vezes, muito dependentes dos níveis superiores de governo no que tange às questões políticas, financeiras e administrativas.

Com a CF88, um novo federalismo nascia no Brasil. Foi estabelecido de um amplo processo de descentralização, tanto em termos financeiros como políticos. Em relação aos Municípios, as Leis Orgânicas estão sujeitas a uma dupla vinculação: devem obedecer tanto a Constituição Federal quanto a Constituição Estadual. Além disso, os Municípios não possuem representantes no Senado Federal, e os Prefeitos e as Câmaras Municipais, coletivamente, não têm competência para o oferecimento de proposta de emenda à Constituição.

Enfim, o regramento constitucional dos Municípios distingue-se em aspectos relevantes do regramento constitucional da União, dos Estados e do Distrito Federal. Essas diferenças de tratamento jurídico, entre outras considerações, fizeram com que, nos anos imediatamente subsequentes à entrada em vigor da Constituição Federal, muitos de nossos doutrinadores negassem aos Municípios a condição de verdadeiros entes federativos.

Entretanto, apesar de posicionamentos desse teor, paulatinamente foi-se consolidando o entendimento de que os Municípios são verdadeiros membros de nossa Federação, e que as peculiaridades de seu tratamento constitucional de forma alguma os coloca em nível hierárquico inferior ao dos demais entes federativos. O STF e o STJ já emitiram pronunciamentos no sentido de que os Municípios são efetivamente entes federados, gozando das três capacidades que integram a autonomia política.

A letra “B” é errada porque as regiões metropolitanas (RM) não constituem

entes federativos, como os municípios, e não possuem prerrogativas políticas.

É unânime a doutrina no sentido de que a região metropolitana configura um instrumento meramente administrativo, sem poder político.

A CF88 dispõe sobre as Regiões Metropolitanas no art. 25, que trata da

organização dos estados:

Art. 25, § 3º - Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.

Primeiro ponto importante aqui é o fato das regiões metropolitanas serem criadas pelos estados. Na Constituição de 1967, era a União que tinham esta competência. Outro ponto interessante é que era compulsório aos municípios

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participarem da RM. Segundo José Nilo de Castro, esse caráter compulsório foi mantido na CF88.

Desse texto, interessante notar a expressão “funções públicas”, ao invés de serviços públicos. Segundo José Nilo de Castro:

Função pública é conceito mais restrito do que o de serviço público. Informa, pois, a função pública o interesse regional, aqui qualificado. Nem todos os serviços públicos podem ser transmutados em interesse regional. É dizer: só alguns serviços públicos é que se pode desmunicipalizar, obtendo- se ai o que o constituinte previu como função pública. E a função pública é toda atividade estatal e, em se tratando daqueles de interesse comum a vários municípios, perfaz-se o interesse metropolitano, o interesse regional.

Vamos ver agora a diferença entre os tipos de reuniões de municípios, nas palavras de Alexandre de Moraes:

Regiões metropolitanas: conjuntos de Municípios limítrofes, com certa continuidade urbana, que se reúnem em tomo de um município-polo, também denominado município-mãe.

Microrregiões: também se constituem por municípios limítrofes, que apresentam características homogêneas e problemas em comum, mas que não se encontram ligados por certa continuidade urbana. Será estabelecido um município-sede.

Aglomerados urbanos: áreas urbanas de municípios limítrofes, sem um polo, ou mesmo uma sede. Caracterizam-se pela grande densidade demográfica e continuidade urbana.

A letra “C” é errada porque os territórios federais não são entes federativos

como os estados, eles estão submetidos à União. Segundo a CF88:

Art. 18, § 2º - Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar.

Atualmente não existe nenhum território no Brasil, mas eles são figuras relativamente recentes, como os estados do Roraima e Amapá que foram transformados em estados na CF88.

A letra “D” é errada. Segundo a CF88:

Art. 18, § 1º - Brasília é a Capital Federal.

Assim, Brasília, e não o Distrito Federal, é a capital federal. Porém, todavia, entretanto, temos que tomar muito cuidado nesse tipo de questão, pois a ESAF

já cometeu algumas bobagens. Na prova do concurso da CGU de 2008 ela deu

como certa a seguinte afirmação:

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1. (ESAF/CGU/2008) O Distrito Federal é chamado de Brasília e com esse nome constitui a Capital Federal.

É um entendimento equivocado. O Distrito Federal não é chamado de Brasília, são duas coisas diferentes: Brasília é a Capital Federal, enquanto o Distrito Federal é um dos entes que integram o nosso Estado Federal. Na Constituição Federal de 1969 o Distrito Federal era considerado a capital federal:

Art. 2º O Distrito Federal é a Capital da União.

Já a CF88 é clara ao distinguir Brasília do Distrito Federa, estabelecendo a

primeira como a capital federal. Se as duas fossem a mesma coisa, a letra “D”

desta questão da prova de AFRFB de 2009 deveria estar certa.

A letra “E” é certa, existe autonomia dos municípios, pois são entes

federativos, mas existe a possibilidade de intervenção neles por parte dos estados, e da União nos estados. Segundo a CF88:

Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto

para:

I - manter a integridade nacional;

II - repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra;

III - pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;

IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da

Federação;

V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:

a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos

consecutivos, salvo motivo de força maior;

b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta

Constituição, dentro dos prazos estabelecidos em lei;

VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;

VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:

a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;

b) direitos da pessoa humana;

c) autonomia municipal;

d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.

e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais,

compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde.

Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território Federal, exceto quando:

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I

consecutivos, a dívida fundada;

II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;

III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino;

III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos

maior, por dois anos

-

deixar

de

ser

paga, sem motivo

de força

de

saúde;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

IV

- o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a

observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover

a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial.

Gabarito: E.

2. (ESAF/AFRFB/2009) Considerando os modelos teóricos de Administração Pública, é incorreto afirmar que, em nosso país:

a) o maior trunfo do gerencialismo foi fazer com que o modelo burocrático

incorporasse valores de eficiência, eficácia e competitividade.

b) o patrimonialismo pré-burocrático ainda sobrevive, por meio das evidências de nepotismo, gerontocracia e designações para cargos públicos baseadas na lealdade política.

c) a abordagem gerencial foi claramente inspirada na teoria administrativa

moderna, trazendo, para os administradores públicos, a linguagem e as

ferramentas da administração privada.

d) no Núcleo Estratégico do Estado, a prevalência do modelo burocrático se

justifica pela segurança que ele proporciona.

e) tal como acontece com o modelo burocrático, o modelo gerencial adotado

também se preocupa com a função controle.

A letra “A” é errada. A administração gerencial substituiu o modelo burocrático. Ela não irá incorporar a ele os valores de eficiência, eficácia e competitividade, uma vez que ela está se colocando em seu lugar. Apesar dessa substituição, não podemos entender que a administração gerencial abandone todos os princípios da burocracia. O seguinte trecho do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado é importante, já foi cobrado algumas vezes:

A administração pública gerencial constitui um avanço e até um certo ponto

um rompimento com a administração pública burocrática. Isto não significa, entretanto, que negue todos os seus princípios. Pelo contrário, a administração pública gerencial está apoiada na anterior, da qual conserva,

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embora flexibilizando, alguns dos seus princípios fundamentais, como a admissão segundo rígidos critérios de mérito, a existência de um sistema estruturado e universal de remuneração, as carreiras, a avaliação constante de desempenho, o treinamento sistemático. A diferença fundamental está na forma de controle, que deixa de basear-se nos processos para concentrar-se nos resultados, e não na rigorosa profissionalização da administração pública, que continua um princípio fundamental.

Assim, muitos dos princípios defendidos pela administração burocrática permanecem na administração gerencial. Como afirma o PDRAE, a administração gerencial pode até ser considerada um rompimento, mas princípios como a impessoalidade, a divisão do trabalho, a avaliação de desempenho são mantidos. Vamos ver uma questão da ESAF:

2. (ESAF/EPPGG-MPOG/2009) Acerca do modelo de administração pública gerencial, é correto afirmar que nega todos os princípios da administração pública patrimonialista e da administração pública burocrática.

A questão é certa, pois muitos dos princípios da administração burocrática são

mantidos. Quando aos princípios do patrimonialismo, podemos dizer que são

negados, pois se referem à confusão entre o público e o privado.

A letra “B” é certa. Outra coisa importante em provas de administração pública

é que, apesar de os modelos anteriores serem substituídos, não podemos dizer que eles tenham sido extintos, que suas características não estejam mais presentes. Assim, tanto o patrimonialismo quanto a burocracia existem em nossa administração, apesar de prevalecer a administração gerencial. O

patrimonialismo ainda está bastante presente em nosso país, vide os casos de corrupção que aparecem a todo o momento na mídia. Gerontocracia é o “governo dos mais velhos”. Essa permanência dos demais modelos é cobrada

recorrentemente:

3. (ESAF/SUSEP/2010) De certa forma, patrimonialismo, burocracia e gerencialismo convivem em nossa administração contemporânea.

4. (ESAF/APO-MPOG/2010) com o gerencialismo, a ordem administrativa se reestrutura, porém sem abolir o patrimonialismo e a burocracia que, a seu modo e com nova roupagem, continuam existindo.

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5. (ESAF/ISS-RJ/2010) No Brasil, o modelo de administração burocrática foi completamente substituído pelo modelo gerencial implantado ao final do século XX.

As duas primeiras questões são certas e a última é errada.

A

letra “C” é certa. A administração burocrática entra em crise juntamente com

o

Estado de Bem-Estar Social, a partir da década de 1970, em função da crise

fiscal. De um lado, os governos se viam pressionados pelas demandas crescentes da população por políticas públicas; de outro, não tinham os recursos necessários para suprir estas demandas. Para conseguir gerar mais serviços com menos recursos era preciso ser eficiente, e a burocracia estava longe disso.

As críticas ao modelo burocrático não se restringiam apenas ao campo da administração pública. Há muito tempo as teorias da administração geral já apontavam a necessidade de maior flexibilidade nas organizações. Tanto que, ao mesmo tempo em que criticavam a burocracia, as pessoas defendiam uma aproximação com a gestão privada, defendendo as técnicas gerenciais que já eram adotadas por ela.

Por isso o uso do termo gerencialismo, que tem uma ligação estreita com a adoção de práticas da administração privada na gestão das organizações públicas. É com esse espírito que o setor público assume o discurso da modernização, da orientação para os clientes, da flexibilidade, da estrutura enxuta e desburocratizada. As modernas ferramentas de gestão, como qualidade total, planejamento estratégico, reengenharia downsizing, benchmarking e terceirização, invadem as organizações públicas e os projetos dos gestores públicos.

A letra “D” é certa. Ela afirma que no núcleo estratégico deve prevalecer o modelo burocrático. Segundo o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do

Estado:

Nestes termos, no núcleo estratégico, em que o essencial é a correção das decisões tomadas e o princípio administrativo fundamental é o da efetividade, entendido como a capacidade de ver obedecidas e implementadas com segurança as decisões tomadas, é mais adequado que haja um misto de administração pública burocrática e gerencial.

Bresser Pereira (2003), que foi Ministro da Administração e Reforma do Estado do governo FHC e principal idealizador da reforma, afirma que:

Por outro lado, a combinação de princípios gerenciais e burocráticos deverá variar de acordo com o setor. A grande qualidade da administração pública

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burocrática é a sua segurança e efetividade. Por isso, no núcleo estratégico, onde essas características são muito importantes, ela deverá estar ainda presente, em conjunto com a administração pública gerencial. Já nos demais setores, onde o requisito de eficiência é fundamental dado o grande número de servidores e de cidadãos-clientes ou usuários envolvidos, o peso da administração pública burocrática deverá ir diminuindo até praticamente desaparecer no setor das empresas estatais.

Pode-se observar que, na realidade, os textos não falam que deve prevalecer o modelo burocrático, mas sim que deve haver um misto entre administração burocrática e gerencial. Contudo, o posicionamento da ESAF foi mantido, ou seja, no núcleo estratégico deve prevalecer a administração burocrática.

A letra “E” é certa. Uma coisa importante é não achar que a administração

gerencial não se preocupa com o controle, ela se preocupa sim, o que muda é

a forma de controle, dos processos a priori passa para os resultados a posteriori. Segundo Bresser Pereira:

A administração pública gerencial emergiu, na segunda metade deste século, como resposta à crise do Estado; como modo de enfrentar a crise fiscal; como estratégia para reduzir custos e tornar mais eficiente a administração dos imensos serviços que cabem ao Estado; e como um instrumento para proteger o patrimônio público contra os interesses do rent-seeking ou da corrupção aberta. Mais especificamente, desde os anos 60 ou, pelo menos, desde o início da década dos 70, crescia uma insatisfação, amplamente disseminada, em relação à administração pública burocrática.

Portanto, a administração gerencial também é justificada pela necessidade de controle do patrimônio público. A burocracia não dava mais conta das novas formas de corrupção, como o rent seeking, termo que surgiu na década de 1970 para descrever a atuação de determinados grupos com o objetivo de tirar vantagem do Estado, por isso é chamado também de parasitismo político. Traduzindo literalmente, é o ato de “buscar rendas”, ou seja, de tentar se apropriar do patrimônio público sem contribuir na mesma medida.

Podemos citar como exemplos os subornos direcionados à venda ou concessão de subsídios, impostos privilegiados, manutenção de preços e tarifas, estabelecimentos de cotas de importação, concessão de licenças, pagamentos de elevados salários ou pagamentos de adicionais.

Gabarito: A.

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3. (ESAF/AFRFB/2009) O estudo das experiências de reformas administrativas havidas em nosso país permite concluir, acertadamente, que:

a) a retórica da reforma dos anos 1930 avançou do ponto de vista dos

princípios políticos que a orientaram, a saber: participação, accountability e

controle social.

b) a tentativa de modernização do aparelho de Estado, especialmente a da

década de 1960, teve como consequência o fortalecimento da administração

direta, em detrimento da administração indireta.

c) no sentido weberiano do termo, o Brasil nunca chegou a ter um modelo

de burocracia pública consolidada.

d) ao contrário de outros países, o modelo de nova gestão pública, adotado

a partir dos anos 1990, possuiu inspiração autóctone e em nada se valeu

das experiências britânica e estadunidense.

e) a partir da década de 1990, caminhamos rumo a uma nova administração

pública, de caráter gerencialista, visando consolidar o ideário keynesiano e o

estado do bem-estar social.

A letra “A” é errada porque a reforma da década de 1930 foi autoritária, dentro do Estado Novo de Getúlio Vargas. Assim, não trazia praticamente nada de participação, accountability ou controle social. A evolução da burocracia no Brasil destoa um pouco do ocorreu no mundo. Lá fora, a burocracia surgiu em função do capitalismo e da democracia. O desenvolvimento industrial e a maior complexidade da economia exigiam uma administração racional e eficiente. De outro lado, a noção de res publica e a ampliação dos valores democráticos fez com que as pessoas não aceitassem mais o patrimonialismo.

Já no Brasil, o capitalismo foi o propulsor da burocracia, mas a democracia não. Ela foi implantada por um governo autoritário. Na realidade, no Brasil, a democracia sempre caminhou em sentido contrário à burocracia. Segundo Humberto Falcão Martins:

Sobretudo, dada a peculiaridade do nosso processo histórico de construção nacional, a construção da ordem burocrática se chocou com a construção da ordem democrática. Só conseguimos fortalecer de forma mais significativa o universalismo de procedimentos e a capacidade de realização da burocracia governamental em regimes autoritários, ao arrepio da democracia.

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Tanto em 1945, com a saída de Vargas e o fim do Estado Novo, quanto em 1985, com o fim da ditadura, o retorno da democracia foi marcado por uma acentuação das práticas patrimonialistas. O CESPE já cobrou isso:

6. (CESPE/SEAD/2001) O processo histórico de construção nacional no Brasil seguiu uma trajetória caracterizada por ciclos de construção de uma ordem burocrática que se alternaram com ciclos de construção de uma ordem democrática de forma mutuamente disfuncional.

A questão é certa.

A letra “B” é errada porque tanto no governo JK quanto na ditadura de 1964

foi fortalecida a administração indireta em detrimento da direta. Nesses dois períodos foi promovida a chamada Administração para o Desenvolvimento, um conjunto de ideias em voga na América Latina da época que defendia que o Estado deveria se modernizar para permitir um maior desenvolvimento do país. Outro princípio desta corrente era a necessidade de planejar o desenvolvimento, visando estabelecer prioridades de investimento de recursos escassos para utilizá-los da melhor forma possível. Assim, a ação do governo deveria estar intimamente relacionada com o planejamento.

A aplicação da administração para o desenvolvimento no Brasil resultou, tanto

no governo de JK quanto na ditadura, no crescimento da administração indireta. Como se defendia a adequação da administração pública às necessidades desenvolvimentistas do país, eram necessárias estruturas administrativas mais flexíveis do que a rigidez do modelo burocrático implantado pelo DASP. O governo JK diagnosticou a incompatibilidade entre a estrutura burocrática vigente e o novo projeto nacional. Além da sobrevivência de valores tradicionais no núcleo da burocracia, a implementação do Programa de Metas exigia estruturas flexíveis, não burocráticas e uma capacidade de coordenação dos esforços de planejamento.

A estratégia de JK para enfrentar possíveis embates com a burocracia foi a

constituição de estruturas paralelas para promover as reformas. Ganhou vulto

a aurtarquização de órgãos da administração direta, mediante a criação de

várias autarquias e sociedades de economia mista, mecanismos mais ágeis e

flexíveis.

Na ditadura ocorreu a mesma coisa. Segundo Bresser Pereira:

O aspecto mais marcante da Reforma Desenvolvimentista de 1967 foi a desconcentração para a administração indireta, particularmente para as

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fundações de direito privado criadas pelo Estado, as empresas públicas e as empresas de economia mista, além das autarquias, que já existiam desde

1938.

Bresser fala em “desconcentração para a administração indireta”, mas o correto seria “descentralização”.

A letra “C” é certa. Apesar da modernização conseguida em diversos campos,

ainda permaneceu marcada por aspectos patrimonialistas. Segundo o Plano

Diretor:

A

administração pública brasileira, embora marcada pela cultura burocrática

e

regida pelo princípio do mérito profissional, não chegou a se consolidar,

no conjunto, como uma burocracia profissional nos moldes weberianos. Formaram-se grupos de reconhecida competência, como é o caso das carreiras acima descritas, bem como em áreas da administração indireta, mas os concursos jamais foram rotinizados e o valor de sua remuneração real variou intensamente em função de políticas salariais instáveis. Os instrumentos de seleção, avaliação, promoção e treinamento que deram suporte a esse modelo estão superados.

Isso já foi cobrado várias vezes pela ESAF:

7. (ESAF/APO-MPOG/2008) A despeito das diversas tentativas, nunca se logrou implantar uma burocracia do tipo weberiano no Brasil, porque os textos legais que mais se aproximaram desse ideal abriam brechas que se contrapunham ao espírito da burocracia racional-legal ou propunham a superação desta.

Essa questão foi copiada do texto "As reformas administrativas no Brasil:

modelos, sucessos e fracassos", muito usado pela ESAF e disponível em:

http://www.enap.gov.br/index.php?option=com docman&task=doc view&gid

=1563

A questão é certa, segundo o texto:

Finalmente, cabe concluir, com base na literatura que analisa as várias reformas administrativas e as propostas não efetivadas, que o País, de fato, nunca logrou implantar uma burocracia do tipo weberiano. Até porque, os textos legais que mais se aproximaram desse ideal abriam brechas que se contrapunham ao espírito da burocracia racional-legal. Creio que, independentemente de regime político e de governo, o país sempre conviveu com segmentos dispersos de uma burocracia weberiana em vários níveis da administração, interpenetrada e convivendo com um alto teor de

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patrimonialismo burocrático, nunca de fato completamente extirpado da administração pública. Contrapondo-se a essa administração, essencialmente amorfa, destacavam-se as “ilhas de excelência”, aspecto de resto já salientado por todos os estudiosos da política e da administração pública: “ilhas”, porque razoavelmente imunes ao processo político; “de excelência”, dada a competência de seus membros.

é errada porque a reforma de 1995 praticamente copiou as

reformas britânica e americana. “Autóctone” significa que algo é natural de determinada região, que teve origem na região onde é encontrado. Assim, a reforma gerencial não é própria do Brasil, não foi originada aqui, mas sim trazida de outros países.

A letra “E” é errada. Caminhamos no sentido contrário, de redução das

A letra “D”

atividades estatais. O Keynesianismo surge na década de 1930, com a crise da bolsa de Nova York em 1929, que levou o mundo inteiro a uma recessão profunda. Para sair da crise, John Maynard Keynes defendia um papel mais interventor do Estado na economia de forma a estimular a demanda e, por consequência, o crescimento.

O Estado de Bem-Estar Social tem início na década de 1940, como o princípio

de que:

Independentemente de sua renda, todos os cidadãos, como tais, têm direito de ser protegidos – com pagamento em dinheiro ou com serviços – contra situações de dependência de longa duração (velhice, invalidez) ou de curta (doença, desemprego, maternidade).

É Estado que deve prover os direitos sociais a todos os cidadãos,

entendendo como um direito de cidadania. No pós-Segunda Guerra, diversos países desenvolvidos irão ampliar suas políticas sociais e o Estado irá

aumentar sua intervenção na economia.

O problema foi que, com a crise fiscal da década de 1970, os países não

tinham mais recursos para financiar tais políticas. Assim, de um lado, assistimos a um crescimento das demandas da sociedade por mais políticas sociais. De outro, reduziam os recursos disponíveis para que tais políticas fossem implementadas. Por isso que muitos autores a crise tem origem numa sobrecarga de demandas, em que o sistema política não tem condições de suprir às exigências dos grupos sociais, resultando numa crise de governabilidade.

A crise do Estado de Bem-Estar Social vai estar atrelada à crise da burocracia. Os governos tinham que produzir uma série de serviços e bens exigidos pela sociedade, mas não possuíam recursos suficientes. Eles precisavam, então, de

um

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eficiência, o que estava longe de ser proporcionado pelo modelo burocrático, que era rígido, lento, caro e não dava atenção às necessidades da população.

Com toda a insatisfação da sociedade em relação ao modelo burocrático, começam a surgir as teorias em busca de uma administração gerencial. Ao mesmo tempo, a crise fiscal demonstra que o Estado de bem-estar social era inviável, o que provocou o aparecimento das teorias neoliberais. Segundo Bresser Pereira:

A administração pública gerencial é frequentemente identificada com as ideias neoliberais por outra razão. As técnicas de gerenciamento são quase sempre introduzidas ao mesmo tempo em que se implantam programas de ajuste estrutural que visam enfrentar a crise fiscal do Estado.

Essa insatisfação da sociedade irá levar ao poder governos conservadores como o de Ronald Reagan, nos EUA, e de Margareth Thatcher, na Inglaterra, no início dos anos 1980, que irão adotar reformas segundo os princípios do Consenso de Washington e do Neoliberalismo.

Gabarito: C.

4. (ESAF/AFRFB/2009) Uma correta análise da adoção da chamada Nova

Gestão Pública, pelo Brasil, revela que:

a) em sua forma original, a Constituição Federal de 1988 já disponibilizava a

base legal suficiente para a implementação daquele novo modelo de gestão,

sem a necessidade de reformas.

b) toda a máquina pública passou a adotar o controle por resultados, razão

pela qual foram descontinuados alguns mecanismos de controle financeiro e

orçamentário até então existentes.

c) com o aumento da descentralização, visava-se reduzir o nível de accountability a que se submeteriam os órgãos reguladores.

d) no plano federal, a implementação das Organizações Sociais sagrou-se vitoriosa, havendo, hoje, milhares delas espalhadas pelo país, prestando serviços públicos essenciais.

e) o Estado tinha por objetivo atuar mais como regulador e promotor dos

serviços públicos, buscando, preferencialmente, a descentralização, a

desburocratização e o aumento da autonomia de gestão.

Com a redemocratização do país em 1985, embora

representasse uma grande vitória da sociedade, ocorreu o loteamento dos

A letra

“A” é errada.

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cargos públicos. O processo de expansão da administração indireta decorrente da descentralização implementada pelo Decreto-Lei 200/1967 fora diagnosticado como danoso ao Estado, que teria perdido o controle operacional da máquina pública por excesso de flexibilidade administrativa. A autonomia da administração indireta foi considerada excessiva e responsável pelo enfraquecimento dos mecanismos de controle administrativo.

Por considerar que o excesso de flexibilização concedido à administração indireta era uma das causas da crise do Estado, a Constituição de 1988 dá um passo atrás na caminhada rumo à administração gerencial, representando um retrocesso, já que traz de volta a rigidez burocrática. Assim, enquanto o mundo caminhava para a Nova Gestão Pública, a CF88 irá para o sentido contrário, de burocratização.

Portanto, a CF88 enrijeceu a administração pública e a implantação da administração gerencial precisou sim reformar o texto constitucional, surgindo daí a Emenda Constitucional 19/1998. Como inovações desta emenda temos:

Inclusão do princípio da eficiência no caput do art. 37;

Previsão de lei que trate das formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta;

Previsão do contrato de gestão como instrumento de gestão por resultados;

Possibilidade de perda do cargo em avaliação periódica de desempenho;

Possibilidade de exoneração de servidores não estáveis em função de excesso de gastos com pessoal;

Quebra do regime jurídico único.

O STF suspendeu o dispositivo que derrubou o RJU, por isso ele ainda está

valendo.

A letra “B” é errada. Vimos que a administração burocrática não será abandonada com a reforma gerencial no Brasil, principalmente no núcleo estratégico, em que deveria ainda prevalecer. Além disso, apesar da reforma ter como um dos objetivos implantar o controle de resultados, não podemos dizer que isso realmente se concretizou em toda a administração pública, permanecendo uma série de controles financeiros e orçamentários.

A letra “C” é errada. A descentralização tem como objetivo aproximar a

sociedade da gestão dos serviços públicos, transferindo para os estados e municípios as decisões sobre as políticas públicas. Isso irá permitir uma maior

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participação e controle da sociedade, aumentando assim a accountability. Esta pode ser dividida em três aspectos: obrigação de prestar contas, responsabilização e responsividade.

Elementos do Conceito de Accountability

Obrigação em prestar contas Responsabilização pelos atos e resultados Responsividade

A descentralização facilita a transparência e a prestação de contas. O gestor

também é mais facilmente responsabilizado, pois as pessoas podem avaliar melhor sua gestão e retirá-lo do poder nas eleições. Por fim, a descentralização facilita a responsividade, que significa a capacidade do gestor em interpretar as necessidades e interesses da sociedade e agir conforme eles.

A letra “D” é errada. Não são milhares de Organizações Sociais no plano federal, nem mesmo considerando os três níveis da federação. Um estudo do Ministério do Planejamento levantou o número existente de Organizações Sociais e OSCIP:

192 Organizações Sociais:

5.050 OSCIPs:

o

6 federais

o

4.856 federais

o

115 estaduais

o

167 estaduais

o

71 municipais

o

27 municipais.

A letra “E” é certa. Com a nova gestão pública, o Estado se retira da execução

dos serviços públicos para se concentrar na regulação e no incentivo, ampliando a descentralização e a autonomia.

Gabarito: E.

5. (ESAF/AFRFB/2009) Sobre o tema ‘governabilidade, governança e accountability’, assinale a opção incorreta.

a) A accountability visa a fortalecer o controle social e político, em detrimento do controle burocrático.

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b) Governança pode ser entendida como um modelo horizontal de relação

entre atores públicos e privados no processo de elaboração de políticas

públicas.

c) O conceito de governança possui um caráter mais amplo que o conceito

de governabilidade.

d) As parcerias público-privadas (PPPs) constituem um exemplo de coordenação de atores estatais e não estatais, típico da governança.

e) A governabilidade refere-se mais à dimensão estatal do exercício do

poder.

A letra “A” é errada. A accountability busca fortalecer o controle social e político, mas sem perda do controle burocrático. O conceito vem evoluindo ao longo do tempo, acompanhando a evolução da própria administração pública. Assim, ao longo do tempo foram incorporados aspectos relacionados com o controle de resultados e o controle social. Segundo Fernando Abrucio e Maria Rita Loureiro:

Normalmente, a literatura sobre a accountability trata do controle dos atos dos governantes em relação ao programa de governo, à corrupção ou à preservação de direitos fundamentais dos cidadãos. Mais recentemente, esse tema tem sido estudado em sua intersecção com a reforma do Estado, analisando como o aperfeiçoamento das instituições estatais pode contemplar, ao mesmo tempo, a melhoria do desempenho dos programas governamentais e sua maior transparência e responsabilização do poder público frente à sociedade.

A letra “B” é certa. Definição copiada de Leonardo Secchi, no texto “Modelos organizacionais e reformas da administração pública”, disponível em:

http://www.scielo.br/pdf/rap/v43n2/v43n2a04.pdf

Segundo o autor:

A interpretação de governança adotada neste artigo é a derivada das ciências políticas e administração pública, como um modelo horizontal de relação entre atores públicos e privados no processo de elaboração de políticas públicas.

O conceito de governança normalmente era utilizado para designar a capacidade de determinado governo em implementar as políticas públicas, uma capacidade de gestão em termos financeiros, gerenciais e técnicos. A discussão mais recente do conceito ultrapassa o marco operacional para incorporar questões relativas a padrões de articulação e cooperação entre atores sociais e políticos e arranjos institucionais que coordenam e regulam

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transações dentro e através das fronteiras do sistema econômico. Portanto, a governança passa a ser entendida como a capacidade de implementação de políticas públicas por uma rede de atores públicos e privados, que conseguem cooperar para a geração de resultados. Torna-se importante também no conceito a participação da sociedade. Segundo Löffer:

A governança pode ser entendida como uma nova geração de reformas administrativas e de Estado, que têm como objeto a ação conjunta, levada a efeito de forma eficaz, transparente e compartilhada, pelo Estado, pelas empresas e pela sociedade civil, visando uma solução inovadora dos problemas sociais e criando possibilidades e chances de um desenvolvimento futuro sustentável para todos os participantes.

A letra “C” foi dada como certa. Ela foi copiada de Alcindo Gonçalves, no texto “O conceito de governança”, disponível em:

http://www.ligiatavares.com/gerencia/uploads/arquivos/24cccb375b45d32a6df

8b183f8122058.pdf

Segundo o autor:

Já a governança tem um caráter mais amplo. Pode englobar dimensões presentes na governabilidade, mas vai além. Veja-se, por exemplo, a definição de Melo: “refere-se ao modus operandi das políticas governamentais – que inclui, dentre outras, questões ligadas ao formato político-institucional do processo decisório, à definição do mix apropriado de financiamento de políticas e ao alcance geral dos programas”. Como bem salienta Santos “o conceito (de governança) não se restringe, contudo, aos aspectos gerenciais e administrativos do Estado, tampouco ao funcionamento eficaz do aparelho de Estado”.

Discordo desse entendimento. Vamos ver as definições de governabilidade e governança de Vinícius de Carvalho, muito cobradas em provas. O texto dele é “A conceituação de governabilidade e governança, da sua relação entre si e com o conjunto da reforma do Estado e do seu aparelho”, disponível em:

www.enap.gov.br/index.php?option=com docman&task=doc download&gid=1

649

Segundo o autor:

As definições de governabilidade e governança do Vinicius de Carvalho também são muito cobradas em provas, vale à pena dar uma olhada.

Em uma definição genérica, podemos dizer que a governabilidade refere-se às próprias condições substantivas/materiais de exercício do poder e de legitimidade do Estado e do seu governo derivadas da sua postura diante da sociedade civil e do mercado (em um regime democrático, claro). Pode ser concebida como a autoridade política do Estado em si, entendida como a

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capacidade que este tem para agregar os múltiplos interesses dispersos pela sociedade e apresentar-lhes um objetivo comum para os curto, médio

e longo prazos.

Já a governança pode ser entendida como a outra face de um mesmo processo, ou seja, como os aspectos adjetivos/instrumentais da governabilidade. Em geral, entende-se a governança como a capacidade que um determinado governo tem para formular e implementar as suas políticas. Esta capacidade pode ser decomposta analiticamente em financeira, gerencial e técnica, todas importantes para a consecução das metas coletivas definidas que compõem o programa de um determinado governo, legitimado pelas urnas.

O autor afirma ainda que:

Sobre a governança, as tipologias também convergem. Esta nada mais seria do que os aspectos adjetivos/instrumentais da governabilidade, constituindo uma variável auxiliar desta última.

Se a governança constitui um aspecto instrumental da governabilidade, uma

variável auxiliar desta, não pode ser considerada um conceito mais amplo. Mas o que importa é a posição da banca, e ela deu que a governança é um conceito

mais amplo.

A letra “D” é certa. A governança envolve o relacionamento entre atores públicos e privados. A governança pode ser classificada em interna e externa.

A primeira se refere a capacidade de gestão dos recursos humanos,

financeiros, materiais de que a organização dispõe. A externa envolve a capacidade de as organizações atuarem conjuntamente. As abordagens mais

recentes de governança tratam de ampliar o seu significado, fazendo-o

avançar sobre as fronteiras semânticas do conceito de governabilidade. Isso se

dá a partir do momento em que essas novas concepções passam a considerar

“questões mais amplas relativas a padrões de coordenação e cooperação entre atores sociais”. Assim, as Parcerias Público-Privadas se enquadram no conceito de governança, pois abrangem uma relação de cooperação entre atores públicos e privados para implementação de políticas públicas.

o conceito de governança deixa de estar restrito ao campo da gestão, para

ganhar contornos políticos, tanto que Frederickson afirma que “a definição

implica que a governança é inerentemente política, que envolve barganha e compromisso entre atores com interesses diversos”. E o conceito de legitimidade deixa de ser algo inerente apenas à governabilidade. Para Edmilson Francisco de Oliveira:

Esse esforço teórico mostrou que a principal diferença entre governabilidade

e governança está na forma como a legitimidade das ações dos governos é

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entendida. Enquanto no conceito de governabilidade a legitimidade vem da capacidade do governo de representar os interesses de suas próprias instituições. No conceito de governança, parte de sua legitimidade vem do processo, do entendimento de que, quando grupos específicos da população quando participam da elaboração e implantação de uma política pública, ela tem mais chances de ser bem sucedida em seus objetivos.

Podemos ver aqui que a legitimidade não é mais associada apenas ao conceito

de governabilidade, ela passa a integrar também o conceito de governança.

Portanto, temos que tomar MUITO CUIDADO.

Na governabilidade, a legitimidade está relacionada com a representação de

interesses, se a sociedade percebe o governo como um legítimo intermediário

na disputa de interesses entre os diversos grupos da sociedade ou se ele é

visto como direcionado para determinado grupo. Na governança, a legitimidade está relacionada com a participação da sociedade nas decisões, se as políticas são formadas e implementadas junto com a sociedade.

As bancas de concursos normalmente não tratam desses nuances, elas ficam

em torno de pontos que são mais consensuais e superficiais. Porém, algumas vezes elas passam a incorporar mudanças mais recentes nos conceitos, e a ESAF já fez isso uma vez com esse conceito de governança. Vamos ver a questão:

8. (ESAF/CGU/2008) Durante a crise do Estado dos anos 1980 e 1990, palavras e expressões foram forjadas para possibilitar o entendimento de suas diferentes dimensões e propiciar a busca de soluções. Neste contexto, quando um governo está preocupado em legitimar decisões e ações se diz que ele está buscando maior

Complete a frase com a opção correta.

a) governabilidade.

b) efetividade.

c) governança.

d) accountability.

e) eficiência.

A questão fala em legitimidade, por isso a tendência é marcarmos

governabilidade. Só que ela fala em legitimidade das “decisões e ações”, ou seja, abrange um aspecto mais da gestão, não da política. Portanto, podemos

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perceber que eles estavam trazendo as tendências mais recentes do conceito

de governança. Tanto que a resposta da questão era a letra “C”. Todavia, como choveu recursos de pessoas que associaram a legitimidade com a governabilidade, a ESAF anulou a questão. Mas, vejam que ela não quis alterar

o gabarito para a letra “A”, ou seja, ela voltou a trás, mas nem tanto.

A letra “E” é certa. Segundo Alcindo Gonçalves:

A governabilidade refere-se mais à dimensão estatal do exercício do poder.

Diz respeito às “condições sistêmicas e institucionais sob as quais se dá o

exercício do poder, tais como as características do sistema político, a forma de governo, as relações entre os Poderes, o sistema de intermediação de interesses”. Ainda segundo Luciano Martins, o termo governabilidade refere-

se à arquitetura institucional, distinto, portanto de governança, basicamente

ligada à performance dos atores e sua capacidade no exercício da

autoridade política.

Importante destacar que nem sempre que falarmos em poder vamos estar nos referindo à governabilidade. Vamos ver a definição do Banco Mundial para governança.

O exercício da autoridade, controle, administração, poder de governo. É a

maneira pela qual o poder é exercido na administração dos recursos sociais

e econômicos de um país visando o desenvolvimento, implicando a

capacidade dos governos de planejar, formular e implementar políticas e cumprir funções.

Podemos ver que o exercício do poder na administração dos recursos sociais e econômicos refere-se à governança.

Gabarito: A.

6. (ESAF/AFRFB/2009) Sob o ponto de vista do cidadão, podemos afirmar

que os seguintes mecanismos, todos acessíveis pela Internet, são mantidos pelo governo federal como instrumentos de transparência, exceto:

a) ComprasNet.

b) SIAFI.

c) Portal Brasil.

d) Portal da Transparência.

e) Portal de Convênios.

Entre os sistemas acima, todos possuem como objetivo proporcionar transparência para a sociedade. O Comprasnet é o portal de compras do

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governo federal, nele existe o módulo SIDEC, que divulga as licitações que ocorrem na administração pública. No site, as pessoas podem ter acesso às informações das licitações que estão sendo realizadas pelo governo federal.

O SIAFI tem como objetivo proporcionar transparência. Segundo a Instrução

Normativa nº 03 de 23 de maio de 2001, da Secretaria do Tesouro Nacional:

CAPÍTULO II – OBJETIVOS DO SIAFI

1. O Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal –

SIAFI tem como objetivos:

[ ]

5. Permitir aos segmentos da sociedade obterem a necessária transparência

dos gastos públicos;

O Portal Brasil é o site “www.brasil.gov.br”, que possui uma série de informações sobre o governo.

O Portal da Transparência é mantido pela CGU e disponibiliza demonstrativos

dos gastos do governo.

O Portal de Convênios (SICONV) foi uma exigência do TCU para que houvesse

um instrumento que permitisse o controle dos convênios realizados pelo governo com outros entes e entidades privadas.

O único que não é acessível pela internet, pelo cidadão, é o SIAFI.

Como medidas de transparência em termos de governo eletrônico, podemos mencionar ainda o site: www.transparência.gov.br. Não é portal da transparência. Também não confundam com o site da Transparência Brasil,

que é uma ONG voltada para o controle social do poder público. Este outro dispõe sobre os sites relacionados à transparência dentro dos portais dos diversos órgãos do governo federal. Segundo a Portaria Interministerial

140/2006:

Art. 2º Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal deverão manter em seus respectivos sítios eletrônicos na rede mundial de computadores página denominada “Transparência Pública”, tendo por conteúdo mínimo as informações previstas nesta Portaria.

O Conselho Nacional de Justiça publicou a Portaria 79/2009 que regulamenta a

transparência no Judiciário. Nela ele coloca como princípio a

livre acessibilidade a qualquer pessoa, integralidade, exatidão e integridade das informações alusivas à gestão administrativa, financeira e orçamentária dos tribunais e conselhos, devendo seus respectivos sítios eletrônicos na rede mundial de computadores dispor de campo de informações denominado "transparência" onde se alojem os dados concernentes à

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programação e execução orçamentária, integrados a sistema informatizado de administração financeira e controle.

Assim, os diversos órgãos do Judiciário, como os Tribunais estaduais, tiveram que criar portais da transparência.

No legislativo, no portal da Câmara dos Deputados temo a parte do Orçamento Brasil, que traz informações sobre os gastos públicos, e no Senado tem o SigaBrasil, um sistema em que é possível também consultar os gastos e outras informações sobre o orçamento.

Gabarito: B.

7. (ESAF/AFRFB/2009)

dos seguintes

comportamentos, exceto:

a) participação dos cidadãos nos momentos de tomada de decisão.

b) substituição do foco no controle dos inputs pelo controle dos outputs e

seus impactos.

c) criação de mecanismos de competição dentro das organizações públicas e

entre organizações públicas e privadas.

d) adoção de uma postura reativa, em detrimento da proativa, e elaboração

de planejamento estratégico, de modo a antever problemas potenciais.

e) aumento de ganhos por meio de aplicações financeiras e ampliação da

prestação de serviços remunerados.

empreendedorismo

administração pública, o

No

âmbito

a

da

pressupõe

incorporação

No tópico do empreendedorismo governamental, são normalmente cobrados conteúdos relacionados com o livro “Reinventando o Governo: Como o espírito empreendedor está transformando o setor público”, de David Osborne e Ted Gaebler. Lançado no início da década de 1990, nele os autores analisam diversas iniciativas de administrações públicas, principalmente municipais, que demonstram que o Estado poderia eliminar a burocracia, superando a crise que se instalara em todo o mundo. Podemos dizer que o empreendedorismo é uma escola que se insere dentro da administração gerencial, vocês vão ver que muitos de seus princípios são bastante semelhantes.

Analisando diversas iniciativas inovadoras de administrações públicas americanas, os autores identificaram alguns traços comuns a todos esses esforços. A partir deles, enumeraram os 10 princípios do governo empreendedor. Vamos dar uma olhada neles.

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Princípios do Governo Empreendedor

I . Preferência às alternativas de produção externa de bens e serviços:

terceirização, parcerias governo-sociedade civil, voluntarismo etc.;

II . Gestão participativa de programas e projetos com clientes;

III . Estímulo à competição interna e externa;

IV

. Desregulamentação interna, simplificação organizacional e

clarificação de papeis e missões;

V . Avaliação e financiamentos baseados em resultados;

VI

. Imagem do cliente como consumidor: com direito a escolhas,

pesquisas de preferências e atitudes, treinamento de atendimento e

formulários de sugestões;

VII . Criação de centros de resultados financeiros, promovendo ação pública rentável;

VIII . Antevisão estratégica de serviços;

IX

. Descentralização e desconcentração: controle hierárquico versus

autoridade, desenvolvimento de equipes (team building), gestão participativa, cooperação trabalhadores-gerentes, círculos de controle de qualidade e programas de desenvolvimento gerencial; e

X . Atingimento das finalidades governamentais através da reestruturação do mercado.

A letra “A” é certa, está no princípio II.

O governo pertence à comunidade: dando responsabilidade ao cidadão, em vez de servi-lo

A reforma do sistema significa, ao mesmo tempo, a introdução de métodos voltados para a produção qualitativa de serviços públicos com a prioridade dada aos clientes e cidadãos como razões últimas do setor público, o que quer dizer não só que eles devem ser bem atendidos, mas que devem ser também chamados a participar do governo, definindo os destinos de suas comunidades.

A maioria dos exemplos do livro de Osborne e Gaebler mostra que a melhor

resposta para tornar melhor um serviço público é chamar a comunidade a participar de sua gestão, seja fiscalizando, seja trabalhando voluntariamente na prestação de serviços — constituindo-se numa resposta adequada tanto para a questão da eficiência como para o problema da transparência. Portanto,

a modernização do setor público deve caminhar pari passu com o aumento da accountability.

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Quando a reciclagem de materiais se tornou uma prioridade, Seattle, a cidade com a melhor experiência nessa atividade, creditava parte de seu sucesso ao trabalho de voluntários de quarteirão, que ajudavam os vizinhos a ver como essa tarefa podia ser mais bem executada. A maior parte das iniciativas no campo da habitação popular recorria a companhias de desenvolvimento comunitário, cooperativas de moradores, etc. No campo da educação, os pais começaram a afirmar seu controle sobre as escolas.

A letra “B” é certa, está no princípio V. Inputs são entradas e outputs são saídas. Assim, deixa de haver um controle sobre as entradas, os meios, para se controlar os resultados.

Governos tradicionalmente burocráticos concentram-se excessivamente sobre as entradas, os recursos, e não sobre as saídas, os resultados. Continuam financiando escolas com base no número de alunos matriculados; a assistência social em função do número de atendimentos; e os departamentos de polícia com base nas estimativas próprias de pessoal necessário para combater o crime. Presta-se muito pouca atenção aos resultados. Pouco importa como as crianças se saem nas escolas, ou quantas pessoas finalmente conseguem se empregar e deixar de receber o seguro-desemprego, ou em quanto tenham baixado os índices de criminalidade. Na realidade, escolas, instituições de assistência social e departamentos de polícia ganham mais dinheiro à medida que fracassam, ou seja, quando as crianças vão mal, o desemprego aumenta e a taxa de criminalidade sobe.

Por não mensurar os resultados, os governos burocráticos raramente logram grandes conquistas. Com tão pouca informação sobre os resultados, recompensam seus funcionários com base em outros critérios: o tempo de serviço, o volume de recursos e de pessoal que administram, além de sua hierarquia. Sendo assim, esses funcionários tratam de manter seus empregados de qualquer maneira, construindo, assim, seus impérios, tentando conseguir orçamentos maiores, supervisionar mais funcionários e ter mais autoridade.

Vamos ver uma questão do CESPE:

9. (CESPE/TRE-MA/2009) Se determinado hospital recebe recursos do SUS em função dos variados níveis de atendimento que presta, por exemplo, atendimento ambulatorial que custa X e internação que custa 4X, então tal gestão é caracteristicamente uma gestão com base em

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resultados, pois o hospital deve receber mais recursos para as atividades nas quais são gastos mais recursos.

os

resultados.

traço dos governos

empreendedores é a promoção da competição. A competição seria uma forma de melhorar a qualidade do governo, uma vez que garante o controle dos serviços públicos pela população. Competição, para os autores, não é um conceito que só tem validade no contexto do setor privado. O ambiente competitivo, na verdade, serve para acabar com o monopólio — que tanto pode reinar no setor público como no privado — e encorajar a inovação organizacional.

A letra

A questão é errada, pois nãos e deve financiar

os gastos,

mas

sim

“C”

é certa,

está

no princípio III. Outro

No livro de Osborne e Gaebler, segundo pesquisa feita nos Estados Unidos, os serviços realizados diretamente pelo setor público são de 30 a 95% mais caros do que os terceirizados. Isso não acontece por que o governo seja pior do que

a iniciativa privada, acontece porque a iniciativa privada trabalha sob o regime

da competição.

O princípio da competição nos serviços públicos tem como meta a competição não apenas entre os setores público e privado, como, por exemplo, entre uma empresa estatal e uma concessionária na área de limpeza pública, mas dentro de cada um desses dois setores que operam na jurisdição de um dado governo. A questão não é público versus privado, mas competição versus monopólio. Assim, podemos ter os seguintes tipos de competição:

Público versus privado;

Privado versus privado;

Público versus público.

Os autores afirmam que não defendem a promoção da competição entre indivíduos. Os prêmios em salário concedidos a professores a título de mérito, por exemplo, não fazem outra coisa senão jogar professores contra professores, além de minar o espírito de corpo da classe. Porém, prêmios por mérito para uma determinada escola pode ser algo diferente. A competição entre equipes, entre organizações, é construtiva e encoraja a criatividade.

A letra “D” é errada, está no princípio VIII. Os governos burocráticos

tradicionais se concentram na prestação de serviços destinados a enfrentar problemas. Contra a doença, custeiam serviços médicos; e para combater o

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crime, aumentam o aparato policial; para lutar contra os incêndios, adquirem mais carros de bombeiros. O modelo burocrático trouxe consigo uma preocupação com a prestação do serviço – a preocupação em remar. Gastam somas consideráveis tratando os sintomas, atuando apenas quando os problemas se transformam em crises, enquanto faltam estratégias para a prevenção desses problemas. A burocracia é cega no que se refere ao futuro.

Numa era em que as mudanças ocorrem com assustadora rapidez, a cegueira com relação ao futuro é uma falha mortal. Os governos empreendedores passaram a atuar de forma completamente diferente, fazendo da prevenção um tema central de sua administração.

Alguns governos estão tentando não apenas prevenir problemas, como também tentar antecipar o futuro. Diz-se que há três tipos de pessoas: as que fazem as coisas acontecerem, as que observam as coisas acontecerem e as que não sabem o que está acontecendo. O mesmo se pode dizer dos governos; infelizmente a maioria está na terceira categoria.

A letra “E” é certa, está no princípio VII. Segundo os autores:

A crise dos impostos chegou para ficar. Para garantir receitas futuras, precisamos criar novas fontes de receitas.

Nos governos burocráticos, os sistemas orçamentários levam as pessoas a gastar dinheiro, sem qualquer preocupação de produzi-lo. Na maioria dos governos, poucas pessoas fora dos departamentos financeiros sequer pensam sobre receitas. Ninguém se preocupa com o lucro. A palavra lucro é vista pelos governos tradicionais como um verdadeiro pecado.

Os governos empreendedores, terrivelmente pressionados pela crise fiscal da década de 1980, concentram-se na busca de receitas não tributárias. Passaram a mensurar o nível de retorno de cada investimento. Não se quer dizer, com isso, que a maioria dos serviços públicos deva ser vendida visando ao lucro. Ao contrário! Mas muitos serviços beneficiam indivíduos isolados.

Talvez a forma mais segura de se arrecadar recursos sem cobrar impostos seja simplesmente cobrar taxas daqueles que se utilizam de serviços públicos. As taxas sobre a utilização de serviços nem sempre são apropriadas, logicamente. Para funcionarem, são necessárias três condições: o serviço deve ser, fundamentalmente, “um bem privado”, prestando benefício individual a seus beneficiários; deve ser possível excluir dos beneficiários aqueles que não pagam pelos serviços; e deve ser possível recolher as taxas de maneira eficiente. Os bens coletivos que beneficiam a sociedade de maneira geral não podem ter seus custos totalmente repassados aos seus beneficiários. O

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transporte público, por exemplo, beneficia todos os usuários e não-usuários, pois reduz os congestionamentos e a poluição.

Vamos ver uma questão:

10. (CESPE/ANCINE/2005) Um governo empreendedor caracteriza-se, entre outros aspectos, por executar atividades que venham a gerar receitas com os serviços oferecidos, podendo até cobrar taxas como penalidades para cidadãos que cometeram pequenas infrações que envolvem o bem-estar da comunidade.

A questão é certa. Temos que entender que prova de administração pública não é prova de direito tributário. Segundo o Código Tributário Nacional:

Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.

Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria.

Tributos não podem constituir sanção de ato ilícito. Taxas são tributos. Portanto, taxas não podem ser usadas como punição de penalidades. Mas, como foi dito, nossa prova não é de direito tributário, por isso a questão é certa.

Gabarito: D.

8. (ESAF/AFRFB/2009) A compreensão adequada do ciclo de gestão do

governo federal implica saber que:

a) no último ano de um mandato presidencial qualquer, à lei de diretrizes

orçamentárias compete balizar a elaboração do projeto de lei do plano

plurianual subsequente.

b) a função controle precede à execução orçamentária.

c) a não-aprovação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias impede o

recesso parlamentar.

d) a votação do plano plurianual segue o rito de lei complementar.

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e) com o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o orçamento de investimento das empresas estatais passou a integrar o plano plurianual.

A letra “A” é errada. O PPA é o instrumento que irá balizar a formulação da

LDO e da LOA, e não o contrário. A elaboração do PPA no primeiro ano do mandato presidencial não precisa seguir a LDO elaborada no ano anterior. Segundo a CF88:

§ 1º A lei que instituir o plano plurianual estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada.

Portanto, o PPA define o DOM (diretrizes, objetivos e metas). Diretrizes são orientações ou princípios que nortearão a captação, gestão e gastos de recursos durante um determinado período, com vistas a alcançar os objetivos de Governo.

Vamos dar uma olhada em uma questão da ESAF:

11. (ESAF/APO/2008) O planejamento governamental estratégico tem como documento básico o Plano Plurianual.

A questão é certa. Na minha visão, isto é um pouco equivocado, pois o

planejamento estratégico, que é um planejamento de longo prazo, teria como

documentos básicos os planejamentos de longo prazo. Contudo, o Decreto 6.601 de 2008, referente ao PPA 2008-2011, afirma o seguinte:

Art. 1º A gestão do PPA, para o quadriênio 2008-2011, orientada para resultados, segundo os princípios de eficiência, eficácia e efetividade, compõe-se dos níveis estratégico e tático-operacional.

§ 1º O nível estratégico do PPA compreende os objetivos de governo e os objetivos setoriais.

§ 2º O nível tático-operacional do PPA compreende os programas e ações.

Portanto, dentro do PPA temos os três níveis de planejamento: o estratégico e

o tático. O estratégico é constituído pelos objetivos de governo e os objetivos

setoriais. Já o planejamento tático envolve os programas e o operacional as ações. Isso é representado na mensagem presidencial do PPA 2008-2011 pelo

seguinte diagrama:

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EM EXERCÍCIOS – AFRFB E AFT PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS Uma mudança importante do PPA 2012-2015, que

Uma mudança importante do PPA 2012-2015, que está para ser votado, é que as ações não vão mais constar do PPA. O binômio “Programa-Ação”, que estruturava tanto os planos plurianuais como os orçamentos, dá lugar a Programas Temáticos, Objetivos e Iniciativas, tornando-se a Ação uma categoria exclusiva dos orçamentos anuais. O objetivo foi deixar no PPA só o que se refere às dimensões estratégica e tática, ficando a dimensão operacional para os orçamentos.

A letra “B” é errada. O controle pode ser prévio, concomitante ou posterior. Assim, não é necessariamente errado falar que o controle precede a execução orçamentária. Contudo, de forma geral, o controle normalmente vem no final do ciclo. Para entender o ciclo de gestão, podemos usar o Ciclo PDCA, uma ferramenta da qualidade total. Essa é uma ferramenta bem simples, mas de extrema importância na administração. Ela traz uma regra bem singela: as ações na gestão devem formar um ciclo que proporcione a melhoria contínua. Este ciclo seria formado por quatro etapas:

To Plan = planejar;

To Do = implementar;

To Check = avaliar;

To Act correctly = agir corretivamente.

Check = avaliar; To Act correctly = agir corretivamente. P D A C Este ciclo tem

P

D

= avaliar; To Act correctly = agir corretivamente. P D A C Este ciclo tem como

A

C

Este ciclo tem como objetivo conscientizar o gestor de que sua ação deve estar constantemente se retroalimentando por informações que demonstrem o que pode ser melhorado.

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A letra “C” é certa. Segundo a CF88:

ADCT, Art. 35, § 2º - Até a entrada em vigor da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9º, I e II, serão obedecidas as seguintes normas:

I - o projeto do plano plurianual, para vigência até o final do primeiro exercício financeiro do mandato presidencial subsequente, será encaminhado até quatro meses antes do encerramento do primeiro exercício financeiro e devolvido para sanção até o encerramento da sessão legislativa;

II - o projeto de lei de diretrizes orçamentárias será encaminhado até oito meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro e devolvido para sanção até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa;

III - o projeto de lei orçamentária da União será encaminhado até quatro meses antes do encerramento do exercício financeiro e devolvido para sanção até o encerramento da sessão legislativa.

Os prazos para envio dos projetos de lei pelo Executivo e devolução pelo Legislativo são:

   

Prazos

 

Art. 35 do ADCT

Encaminhamento ao Congresso

Devolução para

 

Sanção

PPA

31

de agosto

22

de dezembro

LDO

15 de abril

17 de julho

LOA

31

de agosto

22

de dezembro

O não envio da LOA caracteriza crime de responsabilidade do Presidente. A CF

não dá alternativa caso isto aconteça. Há uma previsão na Lei 4.320 de 1964:

Art. 32. Se não receber a proposta orçamentária no prazo fixado nas Constituições e nas Leis Orgânicas dos Municípios, o Poder Legislativo considerará como proposta a Lei de Orçamento vigente.

Há quase um consenso na Doutrina acerca da impossibilidade jurídica de o Poder Legislativo rejeitar o PPA e a LDO. Primeiro, porque a CF não previu essa possibilidade, uma vez que estabeleceu, no art. 35 do ADCT, que ambas as leis devem ser devolvidas ao Poder Executivo para sanção. Se é somente para sanção, não há como sancionar o que foi rejeitado. O segundo argumento toma por base o disposto no art. 57, §2º, segundo o qual a sessão legislativa não será interrompida sem a aprovação da LDO:

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Art. 57, § 2º - A sessão legislativa não será interrompida sem a aprovação

do projeto de lei de diretrizes orçamentárias.

A letra “D” é errada. O PPA, a LDO e a LOA serão apreciados pelo Congresso Nacional de acordo com o regimento comum. O PPA é uma lei ordinária. Segundo a CF88:

Art. 166. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento comum

A letra “E” é errada. O orçamento de investimento das empresas estatais compõe a LOA, e não o PPA. Segundo a CF88:

Art. 165, § 5º - A lei orçamentária anual compreenderá:

I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos

e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público;

II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto;

III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público.

Gabarito: C.

9. (ESAF/AFRFB/2009) O controle externo da administração pública federal

é exercido:

a) pelo Senado Federal.

b) pela Câmara dos Deputados.

c) pelo Tribunal de Contas da União.

d) pelo Congresso Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas da União.

e) pelo Tribunal de Contas da União, com o auxílio do sistema de controle

interno de cada Poder.

Segundo a CF88:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

Gabarito: D.

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10. (ESAF/AFRFB/2009) Para ser eficaz, uma política de promoção da ética no serviço público deve enfocar as seguintes ações, exceto:

a) identificação pormenorizada de padrões éticos a serem observados por

detentores de cargos de confiança.

b) criação de regras de quarentena extremamente rígidas.

c) criação de instrumentos institucionais pedagógicos de esclarecimento

sobre o conteúdo de normas éticas.

d) acompanhamento sistemático, por meio de instrumentos próprios de

auditoria e da observância de regras de conduta.

e) estabelecimento de regras flexíveis para o trato de transgressões de

menor potencial.

Essa questão foi copiada do texto “O aprimoramento da conduta ética no serviço público federal”, de João Geraldo Piquet Carneiro, usado várias vezes pela ESAF e disponível em:

http://www.enap.gov.br/index.php?option=com docman&task=doc download

&gid=2722

O autor afirma que “O trabalho de prevenção pressupõe”:

Pressupostos da Prevenção

a fixação de regras claras de conduta geral, a serem observadas em toda a administração;

a identificação pormenorizada, por setor, órgão e função, de quais são os padrões éticos a serem observados pelos detentores de cargos de confiança e pelo corpo funcional de cada órgão de governo;

o acompanhamento sistemático, através de instrumentos próprios de auditoria, da observância dessas regras de conduta;

a criação de instrumentos institucionais pedagógicos de esclarecimento sobre o conteúdo de normas éticas;

o estabelecimento de regras flexíveis para correção de desvios verificados, principalmente quando se tratar de transgressões de menor potencial;

a transparência desses instrumentos, de tal forma que a opinião pública possa acompanhar a evolução dos trabalhos realizados”.

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Podemos observar que a letra “B” não está citada, as regras rígidas de quarentena. Contudo, tomem cuidado porque as regras de quarentena são importantes sim. Elas são usadas principalmente para funcionários do Banco Central, de Agências Reguladoras e outras entidades. Elas estão previstas no do Código de Conduta da Alta Administração Federal:

Art. 14. Após deixar o cargo, a autoridade pública não poderá:

I - atuar em benefício ou em nome de pessoa física ou jurídica, inclusive sindicato ou associação de classe, em processo ou negócio do qual tenha participado, em razão do cargo;

II - prestar consultoria a pessoa física ou jurídica, inclusive sindicato ou

associação de classe, valendo-se de informações não divulgadas

publicamente a respeito de programas ou políticas do órgão ou da entidade

da Administração Pública Federal a que esteve vinculado ou com que tenha

tido relacionamento direto e relevante nos seis meses anteriores ao término do exercício de função pública.

Art. 15. Na ausência de lei dispondo sobre prazo diverso, será de quatro meses, contados da exoneração, o período de interdição para atividade incompatível com o cargo anteriormente exercido, obrigando-se a autoridade pública a observar, neste prazo, as seguintes regras:

I - não aceitar cargo de administrador ou conselheiro, ou estabelecer vínculo profissional com pessoa física ou jurídica com a qual tenha mantido relacionamento oficial direto e relevante nos seis meses anteriores à

exoneração;

II - não intervir, em benefício ou em nome de pessoa física ou jurídica,

junto a órgão ou entidade da Administração Pública Federal com que tenha tido relacionamento oficial direto e relevante nos seis meses anteriores à exoneração.

Gabarito: B.

1.2 QUESTÃO DISCURSIVA

(ESAF/AFRFB/2009) A seguinte afirmativa está repleta de erros

conceituais. Identifique-os, fundamentando sua argumentação:

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Pelo fato de integrar, nos termos do Plano Diretor da Reforma do

Aparelho do Estado, o chamado núcleo estratégico, a fiscalização

tributária se reveste de um caráter eminentemente burocrático. Por

conseguinte, seu processo de modernização deve ser refratário à

incorporação de novas técnicas gerenciais, limitando-se ao

desenvolvimento de ferramentas de acesso aos dados fiscais do

contribuinte, a exemplo do que ocorre, há mais de uma década, com a

declaração do imposto de renda via internet”.

(até 30 linhas)

Um dos mandamentos das provas discursivas é se ater ao que a questão pede. Tudo bem que às vezes é importante se valer do chamado “embromation”, que consiste em jogar informações vagas quando não sabemos o que responder. Contudo, para que a nota seja alta e não percamos pontos com fuga parcial ou total ao tema, é preciso que vocês falem apenas do que a questão solicita.

Esta questão do concurso de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil devia ser respondida entre 15 e 30 linhas. Portanto, é uma questão que exige uma resposta direta, sem divagações. Ela é muito clara no que quer: que o candidato aponte os erros conceituais presentes no trecho.

Portanto, não cabia traçar um histórico do Plano Diretor ou então falar dos princípios da administração gerencial. A questão não pedia isso. Pedia apenas que fossem enumerados os erros conceituais. Entre as maiores causas de perda de pontos que podiam ser observadas nesta prova estava a fuga parcial ao tema. Isso porque os alunos desatavam a falar de tópicos que até tinham relação com o tema da questão, mas que não estavam sendo solicitados por ela. Alguns explicaram cada um dos quatro setores de organização do Estado e tiraram zero, pois não apontaram os erros.

Uma vez que a questão pedia para apontar os erros conceituais, nada melhor do que centrar a redação neles, nos erros. Portanto, uma das possíveis melhores introduções seria aquela que começasse com: “A afirmativa em destaque apresenta quatro erros conceituais”.

São quatro os erros do trecho da questão:

1. Não integra o núcleo estratégico;

2. Não se reveste de um caráter eminentemente burocrático;

3. Não deve ser refratário à incorporação de novas técnicas gerenciais;

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4. Não deve se limitar ao desenvolvimento de ferramentas de acesso aos dados fiscais

1º ERRO: O primeiro erro do trecho é afirmar que a fiscalização tributária faz parte do núcleo estratégico

O Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (PDRAE) é o documento

referencial da reforma administrativa promovida pelo Governo Fernando Henrique Cardoso. Lançado em 1995 pelo então Ministério da Administração e

Reforma do Estado, sob a coordenação de Luís Carlos Bresser-Pereira, tinha como objetivo promover uma reforma gerencial na administração pública, nos moldes da reforma ocorrida na Inglaterra.

O PDRAE diferencia quatro segmentos de organização do Estado, formas de

relacionamento com a sociedade, no que concerne à distribuição de

responsabilidades.

Núcleo Estratégico: Corresponde ao governo, em sentido lato. É o setor que define as leis e as políticas públicas, e cobra o seu cumprimento. É portanto o setor onde as decisões estratégicas são tomadas. Corresponde aos Poderes Legislativo e Judiciário, ao Ministério Público e, no poder executivo, ao Presidente da República, aos ministros e aos seus auxiliares e assessores diretos, responsáveis pelo planejamento e formulação das políticas públicas.

Atividades Exclusivas: É o setor em que são prestados serviços que só o Estado pode realizar. São serviços em que se exerce o poder extroverso do Estado - o poder de regulamentar, fiscalizar, fomentar. Como exemplos temos: a cobrança e fiscalização dos impostos, a polícia, a previdência social básica, o serviço de desemprego, a fiscalização do cumprimento de normas sanitárias, o serviço de trânsito, a compra de serviços de saúde pelo Estado, o controle do meio ambiente, o subsídio à educação básica, o serviço de emissão de passaportes, etc.

Serviços Não-Exclusivos: Corresponde ao setor onde o Estado atua simultaneamente com outras organizações públicas não-estatais e privadas. As instituições desse setor não possuem o poder de Estado. Este, entretanto, está presente porque os serviços envolvem direitos humanos fundamentais, como os da educação e da saúde, ou porque possuem “economias externas” relevantes, na medida em que produzem ganhos que não podem ser apropriados por esses serviços através do mercado. As economias produzidas imediatamente se espalham para o resto da

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sociedade, não podendo ser transformadas em lucros. São exemplos deste setor: as universidades, os hospitais, os centros de pesquisa e os museus.

Produção de Bens e Serviços para o Mercado: Corresponde à área de atuação das empresas. É caracterizado pelas atividades econômicas voltadas para o lucro que ainda permanecem no aparelho do Estado como, por exemplo, as do setor de infra-estrutura. Estão no Estado seja porque faltou capital ao setor privado para realizar o investimento, seja porque são atividades naturalmente monopolistas, nas quais o controle via mercado não é possível, tornando-se necessário no caso de privatização, a regulamentação rígida.

Pode-se resumir da seguinte forma:

O núcleo estratégico é formado pela cúpula dos três poderes, responsável pelo planejamento e definição das diretrizes.

As atividades exclusivas são aquelas que só podem ser executadas pelo Estado, como polícia, regulação, fiscalização, tributação, etc.

Os serviços não exclusivos são aqueles que podem ser executados por entidades privadas, mas que o Estado ainda considera importantes porque envolvem direitos fundamentais, como saúde e educação, ou que geram economias externas.

A produção de bens e serviços para o mercado consiste nas atividades econômicas que têm como objetivo o lucro e que, na visão daquele governo, não teria mais necessidade de serem gerenciadas pelo Estado.

O trecho erra ao afirmar que a fiscalização tributária faz parte do núcleo

estratégico. Este abrange a cúpula dos três poderes e as atividades de planejamento de definição de estratégias. A fiscalização não possui o caráter estratégico, ela busca justamente verificar se as normas definidas pelo núcleo estratégico estão sendo cumpridas.

A fiscalização tributária é uma atividade exclusiva, assim como os demais tipos de fiscalização, como: a vigilância sanitária, do trabalho, ambiental, etc. O próprio PDRAE coloca que “são serviços em que se exerce o poder extroverso

do Estado – o poder de regulamentar, fiscalizar, fomentar”. O poder extroverso

corresponde a capacidade de o Estado impor comportamentos a terceiros, de interferir nas pessoas. O Estado é a única organização que tem o poder legítimo de gerar obrigações para outras pessoas de forma unilateral, por isso que as atividades que envolvem o poder extroverso são exclusivas do Estado.

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2º ERRO: O segundo erro do trecho está na afirmação de que a fiscalização tributária possui caráter eminentemente burocrático. Neste setor, deve haver ainda um grau de administração burocrática, mas ele deve ser menor que o da administração gerencial.

O Plano Diretor afirma que existem duas formas de administração pública

“relevantes”: a administração burocrática e a gerencial. A burocrática, apesar do formalismo e da ênfase no controle a priori de processos, apresenta como

vantagens a segurança e efetividade das decisões. Há mais segurança justamente por causa dos controles e da necessidade de se definirem previamente os parâmetros considerados corretos para a decisão.

O conceito de efetividade já foi visto na questão XXXX. Ele envolve a

capacidade do Estado em proporcionar resultados para a sociedade, em alterar a qualidade de vida das pessoas. No caso, o PDRAE fala em efetividade das

decisões para se referir ao fato delas estarem ou não sendo cumpridas e se elas correspondem aos objetivos mais gerais para os quais a sociedade está voltada. A administração burocrática tem como vantagem também a efetividade.

Já a administração gerencial tem como vantagem a eficiência dos serviços prestados. Uma vez que ela não está sujeita ao formalismo e ao controle rígido, teria condições oferecer serviços de melhor qualidade e a custos menores.

Para cada setor de organização do Estado é prevista uma combinação diferente

de administração burocrática e gerencial. Segundo o Plano:

No núcleo estratégico, em que o essencial é a correção das decisões tomadas e o princípio administrativo fundamental é o da efetividade, entendido como a capacidade de ver obedecidas e implementadas com segurança as decisões tomadas, é mais adequado que haja um misto de administração pública burocrática e gerencial.

No setor das atividades exclusivas e de serviços competitivos ou não exclusivos, o importante é a qualidade e o custo dos serviços prestados aos cidadãos. O princípio correspondente é o da eficiência , ou seja, a busca de uma relação ótima entre qualidade e custo dos serviços colocados à disposição do público. Logo, a administração deve ser necessariamente gerencial. O mesmo se diga, obviamente, do setor das empresas, que, enquanto estiverem com o Estado, deverão obedecer aos princípios gerenciais de administração.

No núcleo estratégico a efetividade é mais importante que a eficiência, por isso deve prevalecer a administração burocrática. Já nos demais setores, onde a eficiência é fundamental, deve prevalecer a administração gerencial e o peso

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da administração pública burocrática deverá ir diminuindo até praticamente desaparecer no setor das empresas estatais.

Portanto, a fiscalização tributária, que faz parte do setor de atividades exclusivas, deve ter um caráter mais gerencial do que burocrático. Isso pode

ser observado em uma figura jurídica que também foi criada pelo PDRAE: as agências executivas. O Plano fala em agências autônomas, mas se trata apenas de outra nomenclatura. A qualificação de agência executiva é conferida

a autarquias e fundações que exerçam ATIVIDADES EXCLUSIVAS, após a

assinatura de um contrato de gestão. O objetivo é conferir maior autonomia à gestão dessas entidades em troca da responsabilização por resultados.

3º ERRO: O terceiro erro do trecho está na afirmação de que “seu processo de modernização deve ser refratário à incorporação de novas técnicas gerenciais”. Uma vez que na fiscalização tributária deve prevalecer a administração gerencial, ela deve sim incorporar técnicas gerenciais. Algo que poderia dar um requinte para a redação seria a exemplificação de técnicas gerenciais que poderiam ser usadas:

Gestão por resultados, como o uso de contratos de gestão;

Planejamento estratégico, balanced scorecard e SWOT;

Qualidade Total, Ciclo PDCA, 5S;

Reengenharia, Downsizing;

Gerenciamento de Projetos;

4º ERRO: O último erro do texto está na afirmação “limitando-se ao

desenvolvimento de ferramentas de acesso aos dados fiscais do contribuinte”.

A fiscalização tributária não deve limitar a isso, deve buscar se aprimorar

constantemente e desenvolver ferramentas que facilitem e melhorem a qualidade dos serviços. Deve principalmente buscar formas de diminuir a burocracia de seus processos, facilitando o acesso aos seus serviços pelos cidadãos.

Com os quatro erros do texto em mãos, podemos responder à questão. Primeiro, vamos ver como estruturar o texto. Como essa é uma questão direta, não vejo necessidade de fazer uma introdução. É melhor ir direto à resposta, apresentando os quatro erros encontrados no texto. Assim, bastava explicá- los. Uma forma de estruturar seria elaborar um parágrafo para cada erro. Contudo, como o 3º e 4º erros estão muito ligados, preferi colocá-los juntos.

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A afirmativa em destaque apresenta quatro erros conceituais. O

primeiro se refere ao fato de a fiscalização tributária não integrar

o núcleo estratégico, mas sim as atividades exclusivas. O Plano

Diretor dividiu o aparelho do Estado em quatro setores: núcleo estratégico, atividades exclusivas, serviços não exclusivos e produção de bens e serviços para o mercado. O primeiro corresponde à cúpula dos três poderes, onde as decisões estratégicas são tomadas. As atividades exclusivas são aquelas que envolvem o poder extroverso e só podem ser desempenhadas pelo Poder Público, como é o caso da fiscalização tributária.

O segundo erro foi considerar que a fiscalização tributária se reveste de um caráter eminentemente burocrático. Segundo o Plano Diretor, a administração burocrática tem como vantagem proporcionar mais segurança e efetividade para as decisões, fazendo com que elas se orientem pelos valores da sociedade e que sejam realmente cumpridas, por isso deve prevalecer no núcleo estratégico. Contudo, nas atividades exclusivas, como é o caso da fiscalização tributária, a eficiência é fundamental, por isso deve prevalecer a administração gerencial.

Desse ponto decorre o terceiro erro, que consistiu em afirmar que seu processo de modernização deve ser refratário à incorporação de novas técnicas gerenciais. As atividades

exclusivas devem sim adotar modernas técnicas de gestão, como

a gestão por resultados, por meio de contratos de gestão, o

planejamento estratégico, etc. Assim, a fiscalização tributária não deve se limitar ao desenvolvimento de ferramentas de acesso aos dados fiscais do contribuinte, que é o quarto erro da questão. Deve buscar também ferramentas que reduzam a burocracia de seus processos, facilitando o acesso a seus serviços pelos cidadãos.

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2 Lista das Questões

2.1 SIMULADO 1 – PROVA DE AFRFB 2009

1. (ESAF/AFRFB/2009) Sobre a organização do Estado brasileiro, é correto

afirmar que:

a) administrativamente, os municípios se submetem aos estados, e estes, por

sua vez, submetem-se à União.

b) quando instituídas, as regiões metropolitanas podem gozar de prerrogativas

políticas, administrativas e financeiras diferenciadas em relação aos demais

municípios do estado.

c) quando existentes, os territórios federais gozam da mesma autonomia

político-administrativa que os estados e o Distrito Federal.

d) o Distrito Federal é a capital federal.

e) embora, por princípio, todos os entes federados sejam autônomos, em

determinados casos, os estados podem intervir em seus municípios.

2. (ESAF/AFRFB/2009) Considerando os modelos teóricos de Administração

Pública, é incorreto afirmar que, em nosso país:

a) o maior trunfo do gerencialismo foi fazer com que o modelo burocrático

incorporasse valores de eficiência, eficácia e competitividade.

b) o patrimonialismo pré-burocrático ainda sobrevive, por meio das evidências

de nepotismo, gerontocracia e designações para cargos públicos baseadas na

lealdade política.

c) a abordagem gerencial foi claramente inspirada na teoria administrativa

moderna, trazendo, para os administradores públicos, a linguagem e as

ferramentas da administração privada.

d) no Núcleo Estratégico do Estado, a prevalência do modelo burocrático se

justifica pela segurança que ele proporciona.

e) tal como acontece com o modelo burocrático, o modelo gerencial adotado

também se preocupa com a função controle.

3. (ESAF/AFRFB/2009)

administrativas havidas em nosso país permite concluir, acertadamente, que:

O

estudo

das

experiências

de

reformas

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a) a retórica da reforma dos

princípios políticos que a orientaram, a saber: participação, accountability e controle social.

b) a tentativa de modernização do aparelho de Estado, especialmente a da

década de 1960, teve como consequência o fortalecimento da administração direta, em detrimento da administração indireta.

c) no sentido weberiano do termo, o Brasil nunca chegou a ter um modelo de

burocracia pública consolidada.

d) ao contrário de outros países, o modelo de nova gestão pública, adotado a

partir dos anos 1990, possuiu inspiração autóctone e em nada se valeu das

experiências britânica e estadunidense.

e) a partir da década de 1990, caminhamos rumo a uma nova administração

pública, de caráter gerencialista, visando consolidar o ideário keynesiano e o

estado do bem-estar social.

anos 1930 avançou do ponto de vista dos

4. (ESAF/AFRFB/2009) Uma correta análise da adoção da chamada Nova

Gestão Pública, pelo Brasil, revela que:

a) em sua forma original, a Constituição Federal de 1988 já disponibilizava a

base legal suficiente para a implementação daquele novo modelo de gestão,

sem a necessidade de reformas.

b) toda a máquina pública passou a adotar o controle por resultados, razão

pela qual foram descontinuados alguns mecanismos de controle financeiro e orçamentário até então existentes.

c) com o aumento da descentralização, visava-se reduzir o nível de accountability a que se submeteriam os órgãos reguladores.

d) no plano federal, a implementação das Organizações Sociais sagrou-se

vitoriosa, havendo, hoje, milhares delas espalhadas pelo país, prestando serviços públicos essenciais.

e) o Estado tinha por objetivo atuar mais como regulador e promotor dos

serviços públicos, buscando, preferencialmente, a descentralização, a desburocratização e o aumento da autonomia de gestão.

5. Sobre o tema ‘governabilidade, governança e accountability’, assinale a

opção incorreta.

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a) A accountability visa a fortalecer o controle social e político, em detrimento

do controle burocrático.

b) Governança pode ser entendida como um modelo horizontal de relação

entre atores públicos e privados no processo de elaboração de políticas

públicas.

c) O conceito de governança possui um caráter mais amplo que o conceito de

governabilidade.

d) As parcerias público-privadas (PPPs) constituem um exemplo de coordenação de atores estatais e não estatais, típico da governança.

e) A governabilidade refere-se mais à dimensão estatal do exercício do poder.

6. (ESAF/AFRFB/2009) Sob o ponto de vista do cidadão, podemos afirmar que os seguintes mecanismos, todos acessíveis pela Internet, são mantidos pelo governo federal como instrumentos de transparência, exceto:

a) ComprasNet.

b) SIAFI.

c) Portal Brasil.

d) Portal da Transparência.

e) Portal de Convênios.

7. (ESAF/AFRFB/2009) No âmbito da administração pública, o empreendedorismo pressupõe a incorporação dos seguintes comportamentos, exceto:

a) participação dos cidadãos nos momentos de tomada de decisão.

b) substituição do foco no controle dos inputs pelo controle dos outputs e seus

impactos.

c) criação de mecanismos de competição dentro das organizações públicas e

entre organizações públicas e privadas.

d) adoção de uma postura reativa, em detrimento da proativa, e elaboração de

planejamento estratégico, de modo a antever problemas potenciais.

e) aumento de ganhos por meio de aplicações financeiras e ampliação da

prestação de serviços remunerados.

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8. (ESAF/AFRFB/2009) A compreensão adequada do ciclo de gestão do

governo federal implica saber que:

a) no último ano de um mandato presidencial qualquer, à lei de diretrizes

orçamentárias compete balizar a elaboração do projeto de lei do plano

plurianual subsequente.

b) a função controle precede à execução orçamentária.

c) a não-aprovação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias impede o

recesso parlamentar.

d) a votação do plano plurianual segue o rito de lei complementar.

e) com o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o

orçamento de investimento das empresas estatais passou a integrar o plano plurianual.

9. (ESAF/AFRFB/2009) O controle externo da administração pública federal é

exercido:

a) pelo Senado Federal.

b) pela Câmara dos Deputados.

c) pelo Tribunal de Contas da União.

d) pelo Congresso Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas da União.

e) pelo Tribunal de Contas da União, com o auxílio do sistema de controle

interno de cada Poder.

10. (ESAF/AFRFB/2009) Para ser eficaz, uma política de promoção da ética no

serviço público deve enfocar as seguintes ações, exceto:

a) identificação pormenorizada de padrões éticos a serem observados por

detentores de cargos de confiança.

b) criação de regras de quarentena extremamente rígidas.

c) criação de instrumentos institucionais pedagógicos de esclarecimento sobre

o conteúdo de normas éticas.

d) acompanhamento sistemático, por meio de instrumentos próprios de auditoria e da observância de regras de conduta.

e) estabelecimento de regras flexíveis para o trato de transgressões de menor

potencial.

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2.2 QUESTÃO DISCURSIVA

(ESAF/AFRFB/2009) A seguinte afirmativa está repleta de erros

conceituais. Identifique-os, fundamentando sua argumentação:

Pelo fato de integrar, nos termos do Plano Diretor da Reforma do

Aparelho do Estado, o chamado núcleo estratégico, a fiscalização

tributária se reveste de um caráter eminentemente burocrático. Por

conseguinte, seu processo de modernização deve ser refratário à

incorporação de novas técnicas gerenciais, limitando-se ao

desenvolvimento de ferramentas de acesso aos dados fiscais do

contribuinte, a exemplo do que ocorre, há mais de uma década, com a

declaração do imposto de renda via internet”.

(até 30 linhas)

3 Gabarito

1.

2.

3.

4.

5. 10. B

E

A

C

E

A

6.

7.

8.

9.

B

D

C

D

4 Pontos Importantes da Aula

Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.

A administração gerencial representa um rompimento com a administração burocrática, mas não nega todos os seus princípios, mantendo a

CURSO ON-LINE – ADM PÚBLICA EM EXERCÍCIOS – AFRFB E AFT PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS

racionalidade, a impessoalidade, a divisão do trabalho, o sistema estruturado e universal de remuneração, as carreiras, a avaliação constante de desempenho, o treinamento sistemático.

Apesar de atualmente prevalecer o modelo gerencial, ainda permanecem características do patrimonialismo e da burocracia.

A administração gerencial, assim como a burocracia, também se preocupa com o controle, o que muda é a forma de controle, dos processos a priori passa para os resultados a posteriori.

Nunca se logrou implantar uma burocracia do tipo weberiano no Brasil.

O conceito de governança

tempo, da

capacidade de gestão para implementação de políticas públicas para abranger a atuação coordenada de diferentes atores.

tem

se

alterado

ao longo

do

Accountability é um conceito muito importante para a Administração Pública. Esse termo abrange pelo menos três aspectos

Elementos do Conceito de Accountability

Obrigação em prestar contas Responsabilização pelos atos e resultados Responsividade