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ENCONTRO DE OBREIROS 2014 MOVIMENTO ENCONTRÃO PALESTRANTE: AURIVAN MARINHO

TEMA: A santidade conforme a oração de Jesus TEXTO: Jo. 17.14-18

INTRODUÇÃO:

Primeiro, quero parabenizar-lhes pela disposição e pela coragem de falar de um tema que para muita gente cheira a mosteiro, à religiosidade medieval, a alguma coisa diretamente associada à ideia de alienação, legalismo, enclausuramento, passividade, apatia para com a vida, expressão facial carrancuda, negatividade. Segundo, é que esse é de fato um tema que nos confronta, nos humilha e nos desafia grandemente. Quero, então, agradecer aos irmãos que tenham me convidado. Isso é sinal que me amam muito e que na medida em que eu começar a expor sobre o assunto, ninguém aqui vai me mandar ir embora antes da quinta-feira. Terceiro, que esse é um tema apaixonante, extremamente relevante, que encontramos em toda Bíblia e que nós precisamos conhecer o poder e os benefícios de uma vida santa. Queira Deus que os nossos corações sejam profundamente tocados pelo Espírito e que um ardor como de um fogo abrasador revivifique tudo que está morto, e que tudo que está morno seja aquecido, e onde houver escuridão que a luz penetre, e que todo conformismo e toda mesmice dêem lugar ao Evangelho da graça, mudando radicalmente a atitude da nossa alma em relação a Deus. É nosso propósito examinar esse texto que trata da oração do nosso Senhor, considerando que o Pai certamente ouve a oração do Filho e que diante mão a santidade é um projeto de espiritualidade possível. Seja por que Jesus orou em prol disso, seja porque Ele se sacrificou na cruz para ter uma igreja santa.

I - A SANTIDADE COMO DESAFIO ESPIRITUAL DA IGREJA MILITANTE (VS. 14-15).

Uma vez que a igreja se encontra no mundo, ela precisa ser uma igreja militante. A igreja é chamada a viver um estilo de vida que, quanto aos valores, representa uma contracultura. Isso provoca o ódio do mundo e faz com que o maligno lhe ataque com suas ciladas e dardos inflamados (Ef. 6.11,16). Vejamos, então, como deve ser essa militância em prol de uma vida santa. É elementar que enxerguemos a santidade não como opção, mas como um dever de todo cristão, como estilo de vida da "nova vida". Ser santo não é uma mera experiência destinada apenas a uma casta religiosa ou a uma espécie de elite do sagrado, trata-se, porém, do estilo de vida da "nova criatura" (2Co. 5.17). A melhor maneira de obtermos o entendimento correto sobre a doutrina da santidade é compreendendo sua relação com a justificação e a regeneração. Se na justificação Deus declara o pecador justo mediante os méritos de Cristo, se na

regeneração Deus introduz no coração do crente o princípio da nova vida pelo poder transformador do Espírito Santo, na santificação, o crente é convocado a um constante despojar do velho homem e a um consequente revestimento do novo homem que é segundo à imagem de Cristo. No sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef. 4.22-24). Se na justificação e na regeneração Deus atua uma só vez e de uma vez por todas, inclusive, sem a colaboração humana, na santidade Deus opera por toda vida e em parceria com o próprio homem. Toda Escritura está permeada de apelos ao arrependimento, à conversão, à obediência, à fé, à perseverança, à oração e à renúncia de si mesmo e do pecado como caminho de santidade. O desafio proposto por Jesus contempla o "caminho estreito", o "negar-se a si mesmo", o andar a outra milha, dar a outra face, servir ao próximo mesmo quando ele parece distante, deixar o barco e a pesca para trás justo na hora em que "o mar está para peixe".

Isso quer dizer que santidade significa ser transformado pela renovação da mente, recusando-se a se conformar, isto é, a tomar a forma do sistema em vigência. Isso implica em ter a mente de Cristo, que por sua vez significa pensar biblicamente. Assim, a santidade é, antes de tudo, uma mudança de mentalidade que resultará numa mudança de valores e costumes, prioridades e escolhas, motivações e ações. Uma mente transformada considera incompatível a prática daquilo que é moralmente contrário a nova vida em Cristo. Um exemplo clássico é na área da sexualidade: “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão; porque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador, porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação” (1Ts. 4.3-7). Outro exemplo é sobre diversos procedimentos envolvendo o cotidiano da vida, conforme o apóstolo Paulo descreve nos capítulos 4 e 5 da Carta aos Efésios:

“Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros” (4.25). “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem” (4.28,29). “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças. Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus” (5:3-5). É importante observar que, apesar do rigor moral dessa visão bíblica de santidade, não se trata de um projeto maniqueísta de espiritualidade que atribui às coisas materiais um mal intrínseco. Jesus nunca desprezou as coisas boas desse mundo, porém, jamais

se deixou dominar por nenhuma delas. A santidade que Jesus propõe aqui não é do mundo, mas é no mundo que ela acontece como fruto da graça. Quem melhor sintetizou esse equilíbrio foi o apóstolo Paulo quando disse que devemos ter uma atitude de desapego para com as coisas desse mundo: "Os que compram como se nada possuíssem; e os que usam das coisas deste mundo, como se dele nada usassem, porque a forma deste mundo passa" (1Co. 7.30-31).

Como virtude dessa mentalidade de desapego, o apóstolo aprendeu o segredo do contentamento, de modo que a satisfação do seu coração independia das circunstâncias, do ter ou deixar de ter, de honras ou rejeição, do conforto ou do sofrimento (Fl. 4.8-13). Devemos lembrar que mesmo em face a toda militância por um viver santo, a santidade na vida da igreja "não é o lugar aonde se chega, mas o jeito como se anda" (Ed René Kivitz). Ainda que nunca se chegue à perfeição, mesmo assim, anda-se sempre com esse propósito e nessa mesma direção. Trata-se da perseverança dos santos, cuja fé não desiste nunca de prosseguir para aquilo que ainda não foi conquistado: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fl. 3.12-14).

É um erro pensar que a santidade é uma virtude automática que acompanha o

"pacote da salvação". A santidade é um processo, é uma caminhada árdua e dolorosa que requer renúncia, disciplina e, sobretudo, obediência aos mandamentos. A igreja é santa, não porque tenha alcançado ou venha alcançar a perfeição aqui na terra, mas porque de fé em fé e de glória em glória vai progredindo dia após dia. Porém os obstáculos não são pequenos. A oposição odiosa do mundo, a conspiração do maligno e as inclinações pecaminosas da natureza caída, fazem com que, em vez de vivermos uma santidade progressiva, tenhamos uma experiência oscilante e muitas vezes com sinais visíveis de esfriamento espiritual, retrocesso ético-moral, cauterização da consciência, corrupção dos pensamentos e das motivações, mundanização dos bons costumes.

II - A SANTIDADE CRISTOCÊNTRICA COMO DÁDIVA DA GRAÇA (V.16,17).

É importante observar essa relação entre Jesus e os discípulos. "Eles não são do

mundo como eu também não sou". Isso aponta para o principio de que a espiritualidade revelada no Jesus de Nazaré se constitui "no modelo" para seus seguidores. Logo, o

mundo os rejeita como rejeitou a Cristo (v.16).

A santidade de Jesus só pode ser alcançada em Jesus e por meio de Jesus. Essa

santidade é não apenas um modelo mais uma dádiva do evangelho, uma boa nova (v.17). Seja no hebraico (qadosh), seja no grego (hagios), essas palavras são usadas no Antigo e Novo Testamentos com 4 finalidades: "a) A natureza de Deus; b) O dever do homem; c) A obra da graça em e sobre os crentes e a igreja; c) O estado da glória futura" (PACKER, J. I. Vocábulos de Deus, p. 155).

Em relação a Deus, como disse Jonathan Edwards, "a santidade é a soma de todos os atributos de Deus, a excelência de tudo o que Deus é". Por santidade, significa que Deus é separado de tudo e totalmente puro. Ele é absolutamente inatingível, exceto quando Ele mesmo constitui mediador como meio de reconciliação.

A verdadeira santidade consiste em imitar Cristo, a revelação plena de Deus aos

homens, com coração grato, desejo por santidade e repúdio ao pecado. Uma vez escolhido e inserido na comunidade dos santos pelo poder regenerador do Espírito Santo, todo crente é chamado a viver segundo a vontade de Deus, transcendendo, assim, os valores da cultura vigente.

A santidade bíblica só é possível porque Cristo viveu como nós deveríamos viver e

morreu a morte que nós merecíamos padecer. Isso quer dizer que os méritos e o modo de ser da verdadeira santidade repousam em Cristo: "sem mim nada podeis fazer" (Jo. 15.5).

A santidade começa quando reconhecemos a insuficiência dos nossos esforços e

dependemos inteiramente de Cristo, seguindo seu exemplo, assimilando seu ensino e se apropriando dos seus méritos de justiça. Como disse Agostinho de Hipona: "A suficiência dos meus méritos estão em saber que os meus méritos não são suficientes". É preciso evitar tanto o erro do racionalismo quanto o erro do misticismo. Se quisermos intelectualizar nossa fé, divorciaremo-nos da graça e cairemos no erro deprimente do moralismo. Por outro lado, se optarmos pelo misticismo, viveremos uma experiência intimista e, sobretudo, relativista. Falar de santidade pode ser muito desanimador. Se olharmos apenas para os limites das nossas forças, nossas tentativas de progresso, fracassadas tantas vezes; Nossas inclinações para fazer justo aquilo que não queremos, enquanto que o bem que desejamos, esse não conseguimos praticar. Porém devemos trazer à memória aquilo que nos pode dar esperança. A santidade, embora seja um dever nosso, que devemos nos esforçar em alcançar, é antes de tudo um dom graça que provém do Evangelho. Antes de ser uma exigência, é uma boa nova da graça e misericórdia do nosso Senhor. Mesmo em face as nossas tendências não devemos desistir da santidade. Toda vez que você cair lembre-se que Cristo te guarda do maligno (v.16) e ministra no teu coração a verdade santificadora (v.17). Para isso, Cristo, na Cruz, se tornou da parte de Deus nossa santificação (1Co. 1.30). Ele te amou como membro da Sua igreja e se deu naquela Cruz para sua santificação (Ef. 5.25,26). Logo, quem é santo que se santifique mais ainda. Devemos cultivar a santidade no mundo, sabendo que nisso consiste nossa vocação celeste. Jesus é nosso aliado, Ele prometeu que ninguém poderá arrebatar uma ovelha das suas mãos (Jo. 10.28,29). A lógica de Jesus não é de perder os que já têm, mas de preservar, santificar e enviar suas ovelhas como agentes de evangelização para que outros sejam alcançados (vs. 14-16). Penso que a verdadeira santidade faz com que a igreja seja mais "sopro que eficiência, mais inspiração que instituição, mais carisma que poder, mais amor que lei, mais comunhão do que organização, mais comunidade que sociedade" (BOFF, Clodovis. Uma igreja para o novo milênio, p. 9).

III - A SANTIDADE COMO FONTE DE MISSÃO (V.15,18).

Essa "palavra" que o mundo odeia é tanto palavra de santificação para nós igreja, quanto palavra de evangelização para os que estão fora dela. O discípulo (igreja) experimenta e comprova seu poder na própria vida, depois ele sai com convicção e ousadia, crendo que os efeitos da pregação virão sobre o mais pecador dos homens. Afinal, Jesus veio para buscar e salvar o perdido. Mesmo após constatar que o mundo odeia seus discípulos por causa da Palavra, tendo em vista que a Palavra denuncia seus pecados e que o maligno milita contra eles, nosso Senhor não roga para que eles não sejam isolados do mundo, mas roga para que o Pai os guarde dos ataques do maligno e da corrupção mundana. Observe que o nosso Senhor não projeta, a partir dos seus discípulos, uma igreja de santidade enclausurada, pieguista, legalista, alienante, presunçosa, irrelevante. Por outro lado, essa igreja também não sucumbe diante do secularismo, do liberalismo moral, do mundanismo corrupto, de um cristianismo meramente institucional, nem de uma suposta salvação sem fruto e de uma fé sem obras. Ele, mais do que ninguém, sabia que somente assim, é que podemos ser cidadãos do céu sem esquecer que enquanto estamos no mundo temos uma missão na terra. Devemos considerar, ainda, que o nosso Senhor não pretende encaminhar seus discípulos a um modelo de espiritualidade subjetivista, acéfala, mística e exotérica. Daí então, Ele ora para que essa santidade seja pautada e norteada pela verdade. Essa verdade é a ferramenta que Espírito Santo eficazmente usará para guiar o povo de Deus no caminho da fé, do discipulado e da missão. A santidade de Jesus não era do mundo, mas para o mundo, podendo ser vista nos relacionamentos familiares, no testemunho de vida. Ser santo é gostar de gente como Jesus gostava. Como disse John Wesley, "não há coisa alguma mais anticristã do que um crente solitário". Logo, podemos parafraseá-lo dizendo que uma santidade que não tem cheiro de gente tem mais a ver com o diabólico do que com o divino. Jesus gostava de gente pobre, gente como os publicamos, gente como os samaritanos, gente como os leprosos e endemoninhados, gente como as mulheres e as crianças, gente como Nicodemos e como nós. Jesus roga por uma santidade que celebra, como faziam os irmãos primitivos, que, enquanto cultuavam a Deus, caíam na graça de todo povo, tornando-se uma igreja de Deus e simultaneamente da comunidade. Como o pai que celebra a volta do filho, como a mulher que encontra a moeda perdida, como o ex-coxo que entra no templo glorificando a Deus e que "arrebenta" com a liturgia do culto, como Paulo e Silas na prisão, como a reunião do céu revelada em Apocalipse 5. Por santidade, podemos compreender tanto uma igreja que transcende, separada, pura e diferente do mundo, como uma igreja ética e moralmente influente, presente no mundo, que resplandece como astro, que age como sal da terra e luz do mundo. A santidade é um projeto integral de vida, capaz de romper com a dicotomia entre o sagrado e o secular. Representa um ato de consagração, uma dedicação incondicional da vontade, do pensar, do fazer e do ser, enfim, de cada expressão da vida como chamado à transcendência, resultando em espiritualidade e missão.

CONCLUSÃO:

1. Não existe santidade sem militância, sem o envolvimento e a responsabilidade do homem como agente constituído pelo próprio Deus (Fl 2.12).

2. Não existe santidade sem a graça, como dádiva daquele que é poderoso para "operar

em vós tanto o querer como o realizar" (Fl. 2.13).

3. Não existe santidade bíblica que não resulte em missão.

“Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para

nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt. 5.13-16).

Pr. Aurivan Marinho