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MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE – MMA MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE – MMA MINISTÉRIO MINISTÉRIO DA
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE – MMA
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MINISTÉRIO MINISTÉRIO DA DA INTEGRAÇÃO INTEGRAÇÃO NACIONAL NACIONAL - - MI MI
SECRETARIA DE RECURSOS HÍDRICOS – SRH
SECRETARIA DE RECURSOS HÍDRICOS – SRH
COMPANHIA COMPANHIA DE DE DESENVOLVIMENTO DESENVOLVIMENTO DOS DOS VALES VALES DO DO
SÃO SÃO FRANCISCO FRANCISCO E E DO DO
PARNAÍBA PARNAÍBA - - CODEVASF CODEVASF
DRENAGEM DRENAGEM COMO COMO INSTRUMENTO INSTRUMENTO
DRENAGEM DRENAGEM COMO COMO INSTRUMENTO INSTRUMENTO DE DE DESALINIZAÇÃO DESALINIZAÇÃO E E PREVENÇÃO PREVENÇÃO DA DA SALINIZAÇÃO SALINIZAÇÃO DE DE SOLOS SOLOS
DE DE DESALINIZAÇÃO DESALINIZAÇÃO E E
PREVENÇÃO PREVENÇÃO DA DA SALINIZAÇÃO SALINIZAÇÃO
DE DE SOLOS SOLOS
MINISTÉRIO DO
MINISTÉRIO DA
INTEGRAÇÃO NACIONAL
GOVERNO
FEDERAL
MEIO AMBIENTE
Trabalhando em todo Brasil

Ministério do Meio Bamiente - MMA Secretaria de Recursos Hídricos - SRH

Ministério da Integração Nacional - MI Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba - CODEVASF

DRENAGEM COMO INSTRUMENTO DE DESSALINIZAÇÃO E PREVENÇÃO DA SAILINIZAÇÃO DE SOLOS

Manuel de Jesus Batista

Engenheiro Agrônomo Msc, especialista em drenagem - CODEVASF

Fabio de Novaes

Engenheiro Agrônomo Msc, especialista em irrigação e drenagem - SRH/OEA

Devanir Garcia dos Santos

Engenheiro Agrônomo Msc, especialista em irrigação e drenagem - SRH/OEA

Hermínimo Hideo Suguino

Engenheiro Agrônomo PhD, especialista em irrigação e drenagem - CODEVASF

Brasília, DF março de 2002

Ministério do Meio Ambiente Ministro José Sarney Filho

Secretaria de Recursos Hídricos Secretário: Raymundo José Santos Garrido

Diretoria do Programa de Implementação Diretor: Júlio Thadeu Silva Kettelhut

Secretaria de Recursos Hídricos - SRH SGAN Qd. 601 Bl. I - Ed. Dep. Manoel Novaes Cep: 70830-901 Brasília-DF Fone: (61) 225-4949 / 3317-1456 Fax: (61)3226-9370 E-mail: dgsanto@mma.gov.br

Ministério da Integração Nacional Ministro Ney Suassuna

Companhia de Desenvolvimentos dos Vales do São Francisco e do Parnaíba Presidente: Airson Bezerra Locio

Diretoria de Operação e Produção Diretor: Guilherme Almeida Gonçalves de Oliveira

CODEVASF SGAN Qd. 601 Bl. I - Ed. Dep. Manoel Novaes Cep: 70830-901 Brasília-DF Fone: (61) 223-2797 Fax: (61) 226-2468 E-mail: gabinete@codevasf.gov.br Home-Page: www.codevasf.gov.br

É permitida a reprodução desta obra desde que citada a fonte.

Nota: Nossos especiais agradecimentos aos Engenheiros Agrônomos Antônio José Simões e Walter Caldas Junior, técnicos da Codevasf, que muito contribuiram para o desenvolvimen- to da drenagem agrícola no semi-árido do vale do São Francisco, especialmente na região Petrolina-Juazeiro. Nossos agradecimentos também ao Técnico da FAO, Matias Prieto-Celi, pelo trabalho feito no Brasil na área de drenagem agrícola.

Projetos Gráfico e Capa: Formatos design e informática Fotos (Capa): Valdiney Bizerra de Amorim - Codevasf Normalização Bibliográfica: Biblioteca Geraldo Rocha - Codevasf Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Geraldo Rocha - Codevasf

Tiragem: 1000 exemplares

BATISTA, Manuel de Jesus; NOVAES, Fabio de; SANTOS, Devanir Garcia dos et.al. Drenagem como instrumento de dessalinização e prevenção da salinização de solos. 2ª ed., rev. e ampliada. Brasília: CODEVASF, 2002 216 p. il. (Série Informes Técnicos) 1. Drenagem 2. Dessalinização I. SUGUINO, Hermínio Hideo. II. Título III. Série. 626.862.423.5 B333d

SUMÁRIO

1. Introdução, 09

2. Drenagem Superficial, 11

3. Drenagem Subterrânea - Considerações Gerais, 29

4. Salinização de Solos, 35

5. Noções de solo, classificação de terras para irrigação e drenagem interna, 48

6. Drenos Subterrâneos - Envoltórios, 55

7. Topografia, 69

8. Estudo do lençol freático, 89

9. Condutividade Hidráulica - conceituação e aspectos gerais, 97

10. Condutividade Hidráulica - teste de infiltração por permeâmetro de anel, 102

11. Condutividade Hidráulica - teste de furo de trado em presneça de lençol freático, 111

12. Condutividade Hidráulica - teste de furo de trado em presneça de lençol freático, 130 12.1. Método de Winger, 130 12.2 Método de Porchet, 144

13. Coeficiente de drenagem subterrânea ou recarga, 148

14. Cálculos de espaçamento entre drenos e dimensionamento de drenos subterrâneos, 151

15. Dimensionamento de estruturas de drenagem, 160

16. Terminologia e simbologia em drenagem agrícola, 166

17. Máquinas e custos diversos, 172

18. Especificações técnicas para estudos e elaboração de projeto executivo de sistema de

drenagem subterrânea, 196

20. Exemplo de projeto de drenagem subterrânea, 196

21. Manutenção de drenos, 209

22. Avaliação de desempenho de drenos subterrâneos, 212

PREFÁCIO

A drenagem agrícola é uma prática significativa para o sucesso de projetos de irrigação, prin-

cipalmente para aqueles situados em regiões de acentuada deficiência hidroclimática.

A drenagem subterrânea, em nosso país, praticamente não existia até meados da década de

80, mesmo em projetos de irrigação e drenagem situados na região semi-árida do Brasil, inclu- sive do Vale do Rio São Francisco. Antevendo essa necessidade, a Codevasf decidiu implantar, de maneira experimental, drenos subterrânes em seus projetos de irrigação. Em 1984 foram implantados os primeiros drenos subterrâneos entubados em 2,2 ha, na região semi-árida do Vale do Rio São Francisco e pos- teriormente, conduzidos estudos semelhantes em outras áreas de projetos públicos de irriga- ção, com a finalidade de se avaliar o desempenho dos drenos estubados e assim desenvolver critérios de drenagem para os diversos tipos de solos. Atualmente, considerando apenas o semi-árido do Vale do Rio São Francisco, existem cerca de 5600 ha com drenagem subterrânea, incluindo áreas de de projetos privados, o que mostra

a credibilidade alcançada por esse tipo de técnica.

A Codevasf, através desta publicação, que sintetiza os conhecimentos adquiridos e desenvol-

vidos pelos seus técnicos co-autores da Secretaria de Recursos Hídricos - SRH, acredita estar dando importante contribuição para a implantação de sistemas de drenagem agrícola, princi- palmente para a região semi-árida do país.

Brasília, março de 2002

Airson Bezerra Locio Presidente da Codevasf

COMENTÁRIOS À OBRA

A drenagem agrícola constitu uma parte essencial dos projetos de aproveitamento hidroagrícola,

pois traz, entre seus objetivos, o de facilitar o manejo do solo ao evitar os indesejáveis

encharcamentos deste, além de inibir processos de salinização.

Curiosamente, apesar da importância que tem esse tipo de projeto, os pleitos de outorga de direito de uso da água para irrigação,, no Brasil, são acompanhados do projeto de engenha- ria de derivação e de aplicação da água, raramente apresentando o necessário projeto de drenagem.

A questão é tanto mais grave no caso da região semi-árida onde os ganhos hauridos através de

um bom projeto de irrigação podem ser desperdiçados pela falta de uma orientação segura para a drenagem. Assim, a drenagem agrícola constitui fator de incremento da produtividade no uso do solo e, portanto, deve ser alvo da preocupação primeira dos gestores de recursos hídricos em relação ao aproveitamento hidro-agrícola.

Este trabalho, da lavra dos engenheiros agrônomos Manuel Batista, Fabio de Novaes, Devanir Garcia e Hermínio Suguino, reúne, em vinte um capítulos, um relevante conjunto de conheci- mentos e informações teórico-práticas capazes de tornar a tarefa do projetamento da drena- gem agrícola algo a um só tempo simples e objetivo, criando as condições para resultados promissores no que se refere à utilização racional dos recursos hídricos e do solo. De especial interesse, pelo caráter prático contido na abordagem dos autores, destaquem-se os capítulos do 13 ao 21. Para o técnico já experimentado, aliás, a leitura pode ser iniciada por esses capítulos, ficando o estudo dos demais para o momento imediatamente seguinte.

A Secretaria de Recursos Hídricos se sente honrada em ter colaborado para a elaboração

deste livro e recomenda que os ensinamentos no mesmo contidos sejam observados, princi- palmente, pelos técnicos e especialistas que, no campo da gestão do uso da água, se ocupam do exercício do mecanismo de outorga.

Brasília, março de 2002.

Raymundo José Santos Garrido Secretário de Recursos Hídricos

Introdução

1. INTRODUÇÃO

É comum a existência nas áreas destinadas a agricultura, de condições desfavoráveis de drenagem natural .

Nas áreas de sequeiro, principalmente

quando são baixas e formadas por solos rasos ocorrem com frequência inundações ou encharcamentos durante

o período de grandes chuvas, o que

pode causar perdas na produção agrícola, dificuldades de manejo do solo e até perdas materiais.

que além de permitir a incorporação de áreas mal drenadas ao processo produtivo, evita que ocorram inundações, encharcamento e salinização de solos.

Quando de caráter superficial, tem

a função de remover o excesso de água

da superfície do solo, enquanto que

a drenagem subterrânea visa a remoção

do excesso de água do perfil do solo,

com a finalidade de propiciar aos cultivos condições favoráveis de

Nas áreas irrigadas, além dos danos

umidade, aeração, manejo agrícola e

acima mencionados pode haver

de

prevenir a salinização ou remover

salinização, principalmente na região

o

excesso de sais. Dessa forma a

semi-árida, com seus efeitos daninhos sobre o solo e, em consequência, sobre as culturas, o que torna a necessidade de drenagem ainda maior, considerando-se que os investimentos em infra-estrutura são altamente significativos.

drenagem interna facilita a melhoria das condições fisicas, quimicas e biológicas do solo, criando condições favoráveis para o aumento e a melhoria da produtividade/qualidade dos produtos.

A

drenagem agrícola, fundamentada em

A

drenagem agrícola é uma prática

bases técnicas e em experiências adquiridas no país, já vem sendo praticada em escala apreciável, entre nós, o que reflete os avanços alcançados nessa área.

No momento em que os projetos de irrigação e drenagem começam a se libertar do empirismo, até há pouco prevalescente, espera-se que esta publicação de cunho prático e base técnica, contribua para o desenvolvimento da drenagem agrícola neste pais.

Drenagem Superficial

2. DRENAGEM SUPERFICIAL

2.1. Escoamento Superficial

a parte da precipitação total, em uma área, que escoa sobre a superfície do terreno.

É

Existem muitas fórmulas que permitem fazer

superficial em função das características da bacia,

2.1.1. Fórmula racional

2.1.1. Fórmula racional

estimativas das descargas máximas de escoamento

Q

= Vazão (m 3 /seg.)

do seu uso e da intensidade máxima de preci-

C

= Coeficiente de escoamento que é a razão entre

pitação para a duração e recorrência desejados.

o

volume de água escoado superficialmente e o

Como base deste trabalho foi escolhida a fórmula racional por ser de usos simples e prático. Esta

volume de água precipitado (adimensional). I = Intensidade máxima de chuva (mm/h)

fórmula, por outro lado, fornece resultados altos

A

= Área da bacia (ha)

para bacias maiores que 50 ha. O motivo principal da obtenção de vazões altas é o fato da fórmula admitir em seus princípios que a chuva é

Tempo de concentração (Tc)

uniformemente distribuída em toda a área da bacia,

É

o tempo de deslocamento de uma partícula de

o que geralmente não acontece quando a chuva é

do tipo convectiva, que comumente é bastante localizada, de alta intensidade e baixa duração.

Para bacias maiores que 50 ha, pode ser usada a fórmula de McMath (9) que contém fator de correção de área, evitando assim que a vazão aumente na mesma proporção que a área da bacia.

Por outro lado, a fórmula fornece valores muito baixos para bacias grandes, digamos, aleatoria- mente, da ordem de 800 ha.

Valores mais confiáveis para bacias maiores que 50 ha podem ser obtidos utiliz ando o método das curvas-número, desenvolvido pelo Serviço de Conservação de Solos dos EEUU.

Há ainda a possibilidade de uso da fórmula Cypress-creek que também será apresentada neste trabalho.

água do ponto mais distante de uma bacia até o ponto de saída desta. Neste momento toda bacia

estará contribuindo simultaneamente na formação

da descarga máxima de escoamento.

Supõe-se, para efeito de cálculo, que a preci- pitação é uniforme em intensidade, em toda a bacia considerada quando a duração da chuva é igual ao tempo de concentração.

Existe também um grande número de fórmulas de

cálculo do tempo de concentração (Tc); apresenta-

se a seguir a fórmula de Kirpich, utilizado pelo

U.S. Bureau of Reclamation.

Tc = 0,0195 K 0,77

pelo U.S. Bureau of Reclamation. Tc = 0,0195 K 0 , 7 7 Tc = tempo

Tc = tempo de concentração (minutos)

L = comprimento máximo percorrido pela água

(m)

H

= diferença de altura entre o ponto mais distante

e

o ponto de saída da bacia (m)

Drenagem como Instrumento de Dessalinização e Prevenção da Salinização de Solos

A declividade geral da bacia é dada pela fórmula S

= H/L.

Outra fórmula recomendada, por levar em consideração a altitude média da bacia, é a de Giandotti, a seguir:

a altitude média da bacia, é a de Giandotti, a seguir: S = superfície da bacia

S = superfície da bacia – Km 2

L = compromento da linha do talvegue – Km Hm = altitude média da bacia – m Ho = altitude no final do trecho – m

Duração das chuvas

Tempo utilizado para a determinação da chuva

de projeto em bacias que possuam áreas de acumu-

lação da água. Pode ser igual ao tempo de concentração ou ao tempo de drenagem.

A duração das chuvas pode ser igual ou superior

ao tempo de concentração, dependendo da existência de área de acumulação de água dentro da bacia e também da tolerância da cultura à inundação.

Algumas culturas podem permanecer inundadas por períodos de tempo que variam de algumas horas

a dias, como a cultura do arroz que tem mostrado tole-

rar períodos maiores podendo chegar a 6 dias, em-

bora não sejam conhecidas pesquisas nesse sentido.

Na grande maioria das vezes a duração das chuvas, para efeito de projeto, é igual ao tempo de concentração.

Tempo de recorrência

Tempo de recorrência ou período de retorno é o

período em que uma determinada chuva apresenta

a probabilidade de ocorrer pelo menos uma vez.

A título de ilustração, uma chuva de 1 hora de

duração e tempo de recorrência de 10 anos deverá ocorrer em torno de 10 vezes para cada 100 anos.

Os projetos de drenagem superficial são conce- bidos geralmente para tempo de recorrência superiores a 5 anos. A decisão quanto ao período de recorrência de uma determinada chuva deveria ser feita em função de um balanço econômico entre os prejuízos anuais previstos, provenientes de perdas agrícolas e danos a estruturas e os custos anuais de escavação de drenos e construção de estruturas de maior capacidade.

Intensidade máxima de chuva (I)

De uma maneira geral, os valores de precipitações pluviométricas disponíveis no Brasil são proveni- entes de leituras feitas com o emprego de pluviômetros, que fornecem somente leituras diárias.

Nos cálculos de vazões de escoamento superficial

é comum necessitar-se de valores de precipitação

para durações que vão de frações de hora a algumas horas. Este tipo de dado é fornecido por pluviógrafos, que registram as alturas de precipi- tações em função do tempo. Neste caso, de posse de registros de várias estações para uma série de anos, pode-se preparar tabelas ou curvas de intensidade-duração-frequência de chuvas.

Pfafstetter (4) a partir de dados provenientes de pluviógrafos preparou, para muitas áreas do Brasil, uma série de curvas de alturas de precipitação para diversas durações e tempos de recorrência. Pode

ocorrer que a área a ser estudada não esteja coberta pelo seu trabalho e nem disponha de leituras provenientes de pluviógrafos. Neste caso, se os únicos dados disponíveis forem de leituras de pluviômetros, é necessário que sejam empregados artifícios de cálculo para transformar valores de chuvas diárias em chuvas com duração de 24 horas

e chuvas de períodos inferiores, inclusive frações de hora.

Torrico (7) desenvolveu um método capaz de fazer as transformações desejadas no preparo de tabelas

Drenagem Superficial

Drenagem Superficial Fig. 1 - Isozona de igual relação ou curvas, que permitam obter intensidades de

Fig. 1 - Isozona de igual relação

ou curvas, que permitam obter intensidades de chuvas para diversas durações e freqüências. Segundo Torrico, a metodologia a ser adotada é a seguinte:

• Compilam-se para cada ano os dados das chuvas

máximas diárias dos postos pluviométricos da região do projeto.

• Os projetos que abranjam regiões muito extensas,

com climas diferentes, ou que contenham micro- lima, deverão ser subdivididos em sub-regiões. • Calcula-se, empregando qualquer método estatístico (Hazen, Gumbel, Person, etc.) e, para cada estação meteorológica, a chuva máxima de um dia para o tempo de recorrência desejado.

Para a conversão das chuvas máximas diárias em chuvas com duração entre 6 minutos e 24 horas, adota-se a seguinte metodologia.

• Converte-se a chuva de um dia em chuva de 24

horas, multiplicando-se a primeira pelo fator 1,10.

• Determina-se, através da Figura 1, a isozona na qual a área do projeto se situa.

• Na tabela 1 fixam-se, para a isozona do projeto e para o tempo de recorrência previsto, as percentagens para 6 minutos e 1 hora.

• A partir dos percentuais para 1 hora e para 6

minutos, obtidos na mesma tabela e da chuva de 24 horas (100%), calcula-se as alturas de preci- pitação para 6 minutos e para 1 hora.

Drenagem como Instrumento de Dessalinização e Prevenção da Salinização de Solos

Tabela 1- Valores para converter alturas de chuva de 24 horas em chuva de 1 hora e chuva de 6 minutos

chuva de 24 horas em chuva de 1 hora e chuva de 6 minutos Fig. 2

Fig. 2 - Alturas de chuvas versus tempo de duração em horas

Drenagem Superficial

• Delimitam-se, Figura 2, as alturas de chuva para

24 horas, para 1 hora e para 6 minutos de duração.

• Liga-se a seguir os pontos para obter as alturas de chuva versus duração em horas. Pode-se assim

obter as alturas de chuvas para qualquer tempo de duração entre 6 minutos e 24 horas.

de cada sistema de drenagem. Não é indicado

também para que condições da Espanha a fórmula

foi desenvolvida.

Tendo-se calculado o tempo de concentração (Tc)

e tendo-se escolhido o tempo de recorrência

A partir da altura de chuva e sua duração obtém-

desejado (5, 10, 15, 20, 25 anos etc.) que é uma

se a intensidade de precipitação em mm/h.

função do risco assumido para a estrutura projetada, calcula-se com base nos registros de precipitações

Uma outra forma de solucionar o problema é aquele

da

região a intensidade máxima de chuva em mm/

que consiste em estimar diretamente a intensidade

h.

máxima de chuva a partir, segundo Pires (3), de valores da precipitação máxima diária para o período de recorrência desejado, o que pode ser feito empregando-se a fórmula:

Coeficiente de escoamento (c)

I = 2,31p Tc -0,55

Este coeficiente depende de vários fatores como

solo, cobertura vegetal, grau de saturação do solo

Onde:

e

declividade geral da bacia.

I

- Intensidade máxima de chuvas (mm/h)

Esta fórmula, recomendada por Pizarro para as

p - Precipitação máxima diária (mm) Tc- Tempo de concentração em minutos.

condições da Espanha, vem, de acordo com Pires,

ideal é que fosse obtido através de dados

experimentais, colhidos na própria bacia ou então que fosse proveniente de bacias próximas, mas que apresentem condições similares.

O

dando bons resultados na drenagem de várzeas do

É

comumente obtido em função de fatores como

Estado de Minas Gerais. O autor, no entanto, não

textura predominante da área, declividade geral

apresenta uma análise dos resultados obtidos,

da

bacia e tipo de cobertura vegetal, utilizando-

considerando as recorrências utilizadas nos

se

para isso tabelas existentes, como a tabela 2 a

dimensionamentos dos drenos, áreas das bacias drenadas e períodos decorridos após a implantação

seguir:

Tabela 2 - Valores do coeficiente de escoamento superficial (c).

DECLIVIDADE%

SOLOS ARENOSOS

SOLOS FRANCOS

FLORESTAS

SOLOS ARGILOSOS

0

- 5

0,10

0,30

0,40

5

- 10

0,25

0,35

0,50

10

- 30

0,30

0,50

0,60

 

PASTAGENS

0

- 5

0,10

0,30

0,40

5

- 10

0,15

0,35

0,55

10

- 30

0,20

0,40

0,60

 

TERRAS CULTIVADAS

0

- 5

0,30

0,50

0,60

5

- 10

0,40

0,60

0,70

10

- 30

0,50

0,70

0,80

Drenagem como Instrumento de Dessalinização e Prevenção da Salinização de Solos

Tendo-se obtido os valores de C, I e A, calcula-se a vazão Q empregando-se a fórmula Q = CIA/

dente a uma recorrência igual a 1:2,3 ou aproxima- damente 1:3 anos.

360. Em função da descarga obtida, dimensiona- se a obra desejada que pode ser a seção de um dreno, um bueiro ou um outro tipo de estrutura

Usando esta tabela a seleção da chuva seria feita da seguinte maneira:

desejado.

N

= fn

N

= número de anos de registro de chuvas.

Várias outras fórmulas poderão ser usadas para o

f

= freqüência ou recorrência desejada.

cálculo do escoamento superficial sendo que a es- colha desta ou daquela vai depender das informa-

= número de ordem, na coluna, de valores anuais decrescentes de chuvas.

n

ções hidrológicas existentes, da dimensão e forma fisiográfica da área e do grau de precisão desejado.

Exemplo:

Seleção de chuvas

a)

Registro de chuvas para período de 31 anos.

N

= 31

Os dados de chuvas podem ser apresentados em

b)

No caso de querermos uma recorrência de 10

tabelas, onde as intensidades máximas de

anos.

precipitação de cada ano e para cada duração

f

= 10

escolhidas, são colocados em colunas decres- centes.

c)

N = fn n = N/f = 31/10 = 3,1 @ 3

Na tabela 3 são apresentados a título de exemplo, Luthin (1), valores tabulados de um posto dos E.U.A. para precipitações máximas de 31 anos, ocorridas no período de 1904 a 1934 inclusive.

Não são apresentados os dados em ordem decrescente até ao 31º pelo fato de que o décimo número da coluna já representa o valor correspon-

Neste caso, os valores de precipitação situados na

3ª linha apresentam probabilidade de se repetirem

a cada 10 anos.

Para tempo de concentração ou duração de 30 mi-

nutos e recorrência de 10 anos encontra-se, na ta- bela 3, o valor 34,5 mm. Como na fórmula o valor de "I" é tomado em mm/h, basta então multiplica-

lo por 2; obtêm-se então I = 69,0 mm/h.

Tabela 3 - Alturas máximas de precipitação anuais para diversas durações

DURAÇÃO

 

(minutos)

5

10

 

15

30

60

90

120

ORDEM

ano

prec.

ano

prec.

ano

prec.

ano

prec.

ano

prec.

ano

prec.

ano

prec.

1

1908 21.6

1908

30.5

1908 35.6

1908 43.7

1908 54.6

1908

62.5

1919 75.4

2

1921 19.3

1915

26.4

1915 30.0

1904 49.4

1904 48.8

1915

60.5

1908 66.8

3

1915 18.5

1921

23.6

1904 28.2

1915 34.5

1915 43.2

1904

54.4

1904 59.8

4

1934 18.3

1904

22.4

1921 26.2

1921 31.0

1926 36.8

1921

46.0

1921 53.9

5

1929 16.8

1926

21.3

1926 24.6

1926 30.0

1921 35.6

1926

41.9

1926 46.5

6

1926 15.8

1934

20.3

1934 23.4

1931 28.0

1914 33.8

1914

38.1

1917 41.7

7

1931 13.0

1929

19.8

1929 22.7

1934 26.1

1931 31.8

1931

35.6

1914 39.4

8

1904 11.4

1931

17.3

1931 20.8

1929 25.7

1934 30.5

1917

34.5

1931 38.4

9

1917 9.1

1911

13.2

1911 17.0

1911 24.1

1929 29.0

1934

34.0

1934 37.1

10

1914 7.1

1917

13.0

1917 15.8

1917 21.1

1911 28.2

1929

32.3

1929 35.8

11

1911 5.3

1914

8.9

1914 12.7

1914 20.1

1917 27.7

1911

31.2

1911 34.0

Drenagem Superficial

Muitas vezes são preparadas tabelas que apresen- tam os valores de precipitação de uma dada região, em mm/h, em função do período de retorno e do tempo de concentração (ver Tabela 4) . Neste caso basta determinar o tempo de concentração e assumir qual o período de retorno desejado para obter-se intensidade de precipitação diretamente em mm/h.

curvas estão correlacionadas as alturas de

precipitação, em milímetros, com as durações e

os tempos de recorrência.

Também são apresentadas fórmulas empíricas e tabelas que visam definir precipitações máximas em função da duração e do tempo de recorrência.

Para algumas áreas existem curvas como aquela

Uma outra fórmula e que é bastante utilizada nos Estados Unidos, é a fórmula Cypress Creek (10).

da Figura 3, que correlacionam a precipitação, em milímetros, com a duração em horas, para

2.1.2. Fórmula Cypress-Creek

determinadas curvas de recorrência. Neste caso,

Q

= 0,00028 C A 5/6

após estimar-se a duração da chuva, entra-se no

Q

= descarga (m 3 /se

g.)

gráfico e acha-se a altura da lâmina d’água

A

= área da bacia (ha)

precipitada para a duração considerada; a seguir, calcula-se a precipitação ou intensidade (I) de precipitação em mm/h.

C = coeficiente que engloba características de solo, cobertura vegetal, declividade e condições de precipitação.

A obra intitulada "Chuvas Intensas no Brasil" de autoria do Engenheiro Otto Pfafstetter (4) apresenta grande quantidade de curvas provenientes de leitura de pluviógrafos de postos de serviços de meteorologia do Ministério da Agricultura. Nas

O valor "C" pode ser obtido diretamente na área a

ser drenada ou nas imediações desta.

Para obter-se o valor desejado é preciso que existam bueiros ou pontilhões sob estradas ou

Tabela 4 - Intensidade de precipitação em mm/h para o posto " x " em função do tempo de concentração e período de retorno.

TEMPO DE

CONCENTRAÇÃO

PERÍODO DE RETORNO (ANOS)

 

(MIN.)

 

2

5

10

15

20

25

50

75

100

5

123,6

159,0

182,4

195,4

202,8

221,8

233,4

246,0

255,0

10

102,0

127,8

144,6

154,2

160,2

167,4

182,4

191,4

198,6

15

85,8

110,4

126,6

136,2

141,6

147,6

162,6

171,6

177,6

20

76,2

98,4

112,8

121,8

126,0

131,4

144,6

153,0

158,6

25

67,2

86,4

99,0

106,2

110,4

114,6

126,6

133,8

138,6

30

61,2

78,0

89,4

96,0

99,6

103,8

114,6

120,6

124,8

40

51,6

66,6

76,2

81,6

85,2

88,8

97,8

103,2

106,8

50

45,0

58,2

67,2

72,6

75,0

78,6

87,0

91,8

95,4

60

39,6

52,8

61,2

66,0

69,0

72,6

80,4

85,2

88,8

75

32,4

43,2

50,4

54,6

57,0

60,0

66,6

70,8

73,2

90

27,6

37,2

43,2

46,8

48,6

51,0

57,0

60,0

62,4

105

24,0

31,8

37,2

40,2

42,0

43,8

48,6

51,6

54,0

120

21,6

28,2

33,0

35,4

37,2

39,0

43,2

45,6

47,4

Drenagem como Instrumento de Dessalinização e Prevenção da Salinização de Solos

de Dessalinização e Prevenção da Salinização de Solos Fig.3: Curva de altura - duração -frequência de

Fig.3: Curva de altura - duração -frequência de chuvas para o posto meteorológico de piaçabuçu

canais, e que se disponha de plantas topográficas para delas obter-se as áreas das bacias que contribuem para cada ponto de deságüe. De posse desses valores, adicionados do conhecimento, mesmo que aproximado, do tempo de existência de cada estrutura e após obter-se informações, na área, sobre o funcionamento de cada estrutura considerada, se já houve transbordamento, quantas vezes e quando, pode-se então determinar o valor do coeficiente "C" com razoável segurança.

sistema de drenagem superficial do projeto Senador Nilo Coelho- Petrolina - Pe, com área de 25.000 ha.

A partir de estimativas de vazões máximas

ocorridas em bueiros de estradas que cortam a área, observando marcas de nível d’água deixados, foi possível obter um valor "C" razoavelmente confiável, que no caso foi igual a 35.

2.1.3. Fórmula de McMath

 

Q

= 0,0091 C i A 4/5 S 1/5

O

valor "C" é empregado para obter-se a descarga

Q

= vazão (m3/seg.)

máxima para determinada recorrência. Só pode

C

= coeficiente de escoamento de McMath

ser extrapolado para áreas que apresentem

i

= intensidade de chuvas (mm/h)

condições de solo, topografia e clima semelhantes.

A

= área da bacia (ha)

S

= declividade no talvegue principal = metro/metro

O

Serviço de Conservação de Solos dos Estados

Unidos apresenta uma série de tabelas e curvas que visam a obtenção do coeficiente desejado. Para fazer uso das curvas precisa-se, no entanto, de uma série de informações que geralmente não existem em nossas condições, o que limita entre nós o uso da fórmula.

Esta fórmula foi utilizada no cálculo de vazões do

Na tabela 5 são apresentados os coeficientes de McMath, sendo o valor "C" a soma dos três coefi- cientes selecionados para caracterizar a bacia.

Esta fórmula foi obtida em função da fórmula racional, sendo que o valor da intensidade de chuvas é obtido da mesma forma que para a fórmula citada. Possui um fator de redução de área que

Drenagem Superficial

Tabela 5 - Valores representativos de média ponderada de características de bacias, necessários para o cálculo do coeficiente de McMath.

CONDIÇÕES DE

TIPO DE COBERTURA VEGETAL

TIPO

CONDIÇÕES TOPOGRÁFICAS DA BACIA

ESCOAMENTO

DE SOLO

baixa

área coberta de gramíneas 0,08 areia 0,08

 

área plana 0,04 ligeiramente ondulada 0,06

moderada

cobertura vegetal intensa 0,12 cobertura razoável a rala 0,16 cobertura rala a esparsa 0,22

textura leve0,12

média

textura média 0,16 ondulada a montanhosa 0,08

alta

textura pesada (argilosa) 0,22

montanhosa a escarpada 0,11

muito alta

cobertura esparsa e solo textura

pesada

escarpada0,15

descoberto0,30 a área rochosa0,30

evita um aumento linear e irreal das vazões em função da áreas de contribuição.

pela CODEVASF para bacias de contribuição maiores que 50 ha.

2.1.4. Cálculo da vazão de escoamento superficial pelo método das curvas-número É um método prático que aparentemente tem resultado na obtenção de valores confiáveis de escoamento superficial. É o método mais utilizado

O fluxograma da figura 4 abaixo indica como proceder no uso do método, enquanto que as tabelas 6,7,8 orientam como obter os dados necessários para os cálculos de que trata o fluxograma.

necessários para os cálculos de que trata o fluxograma. Fig. 4 - Fluxograma para cálculo da

Fig. 4 - Fluxograma para cálculo da vazão de escoamento superficial

Drenagem como Instrumento de Dessalinização e Prevenção da Salinização de Solos

Tabela 6 Dados da Bacia Grupos de solo segundo o potencial de escoamento superficial (*)

GRUPO

CARACTERÍSTICAS

A

Baixo potencial de escoamento. Solos que possuem altas taxas de infiltração ainda em condições completamente úmidas. Neste grupo se classificam os solos arenosos e muito bem drenados.

B

Solos que tem taxas de infiltração moderadas quando úmidos. Compreendem principalmente solos profundos e moderadamente profundos, drenagem boa e moderada. Textura de moderadamente fina a moderadamente grossa. São solos que possuem taxas moderadas de transmissão de água.

C

Solos que tem infiltração lenta quando completamente úmidos e consistem principalmente de solos com uma camada que impede o movimento descendente da água, ou que possuem texturas finas a moderadamente fina. Estes solos tem uma lenta transmissividade de água

D

Alto potencial de escoamento. Solos com uma baixa taxa de infiltração quando completamente molhados. Consistem principalmente de solos argilosos com um alto potencial de expansão, solos com um lençol freático alto e permanente. Solos com fragipan (barreira) ou camada argilosa superficial, e solos muito superficiais sobre uma camada impermeável. Estes solos tem taxa de transmissão de água muito baixa.

(*) segundo Schwab et al. Soil and water conservation engineering - pag 105

Drenagem Superficial

Tabela 7

Curvas-número (cn) representando escoamento superficial para as condições de solo, cobertura vegetal e umidade abaixo apresentadas (condições de umidade ii e ia = 0,2 S) (*)

COBERTURA

GRUPOS DE SOLO

USO DA TERRA

TRATAMENTO

CONDIÇÃO *

A

B

C

D

OU PRÁTICA

HIDROLÓGICA

NÚMERO DA CURVA

CURVA

Cultura em fileiras

Fileiras retas

Ruim

72

81

88

91

(milho, algodão, tomate, etc.)

Fileiras retas

Boa

67

78

85

89

Fileiras em contorno

Ruim

70

79

84

88

Fileiras em contorno

Boa

65

75

82

86

Anterior + terraças

Ruim

66

74

80

82

Anterior + terraças

Boa

62

71

78

81

Culturas em fileiras

Fileiras retas

Ruim

65

76

84

88

estreitas. (trigo, arroz)

Fileiras retas

Boa

63

75

83

87

Fileiras em contorno

Ruim

63

74

82

85

Fileiras em contorno

Boa

61

73

81

84

Anterior + terraças

Ruim

61

72

79

82

Anterior + terraças

Boa

59

70

78

81

Leguminosas em

Fileiras retas

Ruim

66

77

85

89

fileiras estreitas ou

Fileiras retas

Boa

58

72

81

85

forrageiras em rota-

Fileiras em contorno

Ruim

64

75

83

85

ção(também hortali

Fileiras em contorno

Boa

55

69

78

83

ças)

Anterior + terraças

Ruim

63

73

80

83

Anterior + terraças

Boa

51

67

76

80

Pastagens

Ruim

68

79

86

89

(pastoreio)

Regular

49

69

79

84

Boa

39

61

74

80

 

Fileiras em contorno

Ruim

47

67

81

88

Fileiras em contorno

Regular

25

59

75

83

Fileiras em contorno

Boa

6

35

70

79

Pastagens (feno)

Boa

30

58

71

78

Floresta

Ruim

45

66

77

83

Regular

36

60

73

79

Ou Bosque

Boa

25

55

70

77

* Boa - Cobertura em mais de 75% da área Regular - entre 50 e 75% Ruim - menor de 50% da área Ia = água inicial retida (plantas, empoçamento e água que se infiltra antes do início do escoamento superficial.

(*) Segundo Shwab et al. Soil and water conservation engeneering - pag. 104

Drenagem como Instrumento de Dessalinização e Prevenção da Salinização de Solos

Tabela 8 - Fatores de conversão de curvas-número para as condições I e III para Ia = 0,2 S (*)

CURVA-NÚMERO PARA

A CONDIÇÃO II

FATOR DE CONVERSÃO DE CURVA NÚMERO II PARA:

CONDIÇÃO I

CONDIÇÃO III

10

0,40

2,22

20

0,45

1,85

30

0,50

1,67

40

0,55

1,50

50

0,62

1,40

60

0,67

1,30

70

0,73

1,21

80

0,79

1,14

90

0,87

1,07

100

1,00

1,00

(*) segundo Schwab et al. Soil and water conservation engineering - pag 106

Valores de curva-número para as condições anterio- res de precipitação podem ser obtidos utilizando- se os fatores constantes da tabela 8.

Precipitações dos 5 dias anteriores a chuva considerada Condição (mm)

I 0 - 35

II 35 - 52

III Mais de 52

2.1.5. Exemplo de cálculo de escoamento superficial Bacia de 400 ha.

•Precipitação total que escoa =

Bacia de 400 ha. •Precipitação total que escoa = • calculo de vazão de escoamento superficial

• calculo de vazão de escoamento superficial

Q = C A 5/6 x 10 -3

de escoamento superficial Q = C A 5 / 6 x 10 - 3 Q =

Q = 13.7 X 400 5/6 X 10 -3 = 2,0m 3 /s

a) Método - curvas-número •Grupo hidrológico - B

Tc = 0,0195 K0,77, sendo

a) Método - curvas-número •Grupo hidrológico - B Tc = 0,0195 K0,77, sendo

b) Fórmula Cypress-Creek

•CN = 75.

Q

= 0,00028 C A 5/6

•Infiltração potencial •Tempo de concentração

Para L = 4 770m e H = 6,5m,

Para 0,00028 C = 0,01, obtido a partir de estima- tivas de campo provenientes de estruturas existentes em área com condições que, mais ou menos, se aproximam da área do projeto formoso de Irrigação, obtêm-se:

Tc = 168 minutos = 2 h e 50 min. ou 2,8 horas.

Q

= 0,01 x 400 5/6

•Para Tc = 2 h e 50 min. e TR = 10 anos, a

Q

= 1,47 m 3 /s

precipitação total estimada para a área é P = 44

mm.

Drenagem Superficial

c)

Fórmula de McMath

Q

S = declividade em m/m

= 0,0091 C i A 4/5 S 1/5

S = declividade em m/m = 0,0091 C i A 4 / 5 S 1 /

S

= 6 , 5 m

4770 m

Q

1,75m 3 /s

= 0,0091 x 0,38 x 15,7 x 400 4/5 x (0,00136) 1/5 =

c) Fórmula de McMath

Q =

x (7,7/18.400) 1/5 = 5,85m 3 /s Esta fórmula não deve ser recomendada principal- mente para áreas grandes.

0,0091 x 0,38 x 5,04 x 10.000 4/5

Q

= 1,75m 3 /s

d)

Fórmula Racional

2.1.5.3. Cálculo para duração maior que o tempo de concentração

Cálculo para duração maior que o tempo de concentração Q = 6,1 m 3 / s

Q = 6,1 m 3/s - valor muito alto. Não é recomen-

dado o seu uso para áreas maiores que 50 ha.

2.1.5.2. Bacia de 10.000 ha

a) Método das curvas-número:

•Tempo de concentração-Tc = 0,0195 k 0,77

•Tempo de concentração-Tc = 0,0195 k 0 , 7 7 -25,4 = 8,47cm = 84,7mm •Precipitação
•Tempo de concentração-Tc = 0,0195 k 0 , 7 7 -25,4 = 8,47cm = 84,7mm •Precipitação

-25,4 = 8,47cm = 84,7mm

•Precipitação total para a duração escolhida

P = 64 mm

•Total da precipitação que escoa

escolhida P = 64 mm •Total da precipitação que escoa •Coeficiente de escoamento • Vazão do

•Coeficiente de escoamento

da precipitação que escoa •Coeficiente de escoamento • Vazão do dreno Q= C A 5 /

• Vazão do dreno

Q= C A 5/6 x 10 -3 = 9,8 x 10.000 5/6 x 10 -3 = 21,1m 3 /s

b)

Fórmula Cypress - Creek

Q

= 0,01 A 5/6

Q

= 0,01 (10.000) 5/6 = 21,5m 3 /s

Q

= 21,5m 3 /s

Área de várzea argilosa contendo 120ha de arroz Irrigado. Assume-se:

•Tolerância da cultura do arroz à submersão = 6 dias. •Perdas de água das chuvas por infiltração, evaporação e transpiração = 15%

Q = CIA/360

Área = A = 120 ha Duração da chuva = 6 dias ou 144 horas. Recorrência assumida = 10 anos

•para 144 horas de duração e 10 anos de

recorrência encontra-se, na figura 3, uma lâmina

de chuva de 245 mm.

Intensidade -

na figura 3, uma lâmina de chuva de 245 mm. Intensidade - O coeficiente de escoamento

O coeficiente de escoamento superficial é a

relação entre o volume escoado e o volume precipitado; como 15% da água precipitada se infiltra e evapora, restam, para escoar, 85% do total ou

se infiltra e evapora, restam, para escoar, 85% do total ou •A vazão neste caso pode
se infiltra e evapora, restam, para escoar, 85% do total ou •A vazão neste caso pode

•A vazão neste caso pode também ser estimada da seguinte forma:

e evapora, restam, para escoar, 85% do total ou •A vazão neste caso pode também ser

Drenagem como Instrumento de Dessalinização e Prevenção da Salinização de Solos

Neste caso o método racional pode ser usado para áreas maiores que 50 ha, desde que haja segurança quanto ao cálculo estimativo da lâmina de chuvas do período considerado, mesmo ocorrendo chuvas convectivas que geralmente cobrem áreas pequenas.

Em função das condições especificas de dedução de cada fórmula ou método de determinação da

Na Figura 5 é apresentado desenho esquemático de dreno trapezoidal, onde:

apresentado desenho esquemático de dreno trapezoidal, onde: Fig. 5 - Seção Trapezoidal de dreno vazão de

Fig. 5 - Seção Trapezoidal de dreno

vazão de escoamento superficial e suas limitações

A

= bh + h²z

e

não existindo uma fórmula especifica ou

P

= b + 2h

e não existindo uma fórmula especifica ou P = b + 2h

adaptada para as condições da área a ser estudada,

b

= base menor - m

recomenda-se:

h

= altura considerada - m

1-

Áreas de até 50 ha - usar o método ou fórmula

z

= talude - m

racional.

p

= perímetro molhado - m

2- Para áreas de 50 ha até cerca de 400 ha, utilizar

valores médios obtidos entre a fórmula de McMath e o método das curvas-número, tomando valores

nunca inferiores aos obtidos pela fórmula racional para área de até 50ha. 3- Para áreas de bacias situadas entre 400 e 2000ha, usar preferencialmente os valores da curva que une dados obtidos para 400ha e o valor obtido através do método das curvas-número para bacia de contribuição de 2000ha.

4- Na falta de dados de chuvas e em última opção,

poderá ser usada a fórmula Cypress Creek, desde

que sejam obtidas informações confiáveis no campo.

5- Para áreas de contribuição maiores que 2000ha,

usar método das curvas-número. 6- Para áreas maiores poderá ser usado, como opção, hidrograma de escoamento superficial.

2.2. Dimensionamento de Sistemas de Drenagem

O dimensionamento dos sistemas de drenagem é

comumente feito utilizando-se a fórmula de Manning onde:

A vazão de um dreno é igual a sua sessão vezes a

velocidade média de fluxo, onde:

a sua sessão vezes a velocidade média de fluxo, onde: V Q = VA = velocidade

V

Q = VA

= velocidade - m/seg.

Seção mais eficiente de um dreno

É aquela que mais se aproxima da forma semicir-

cular, no entanto, em drenagem dificilmente pode-

se seguir este princípio, tendo em vista os seguintes

fatos:

•Talude - é uma função das características do solo

a ser drenado.

•Profundidade - é definida em função da posição da área em relação ao ponto de descarga; da profundidade da camada que apresente resistência ao corte ou ainda em função da necessidade ou não de drenar também o perfil do solo. •Largura - geralmente de 0,50 m; 0,80m; 1,00m; 1,50m ou 2,00m, dependendo da profundidade e vazão de projeto e também do tipo de equipamento de escavação disponível.

também do tipo de equipamento de escavação disponível. Q = vazão - m³/seg. Para o dimensionamento

Q = vazão - m³/seg.

Para o dimensionamento de drenos abertos são apresentados nas tabelas 9, 10 e 11 valores de

n

= coeficiente de rugosidade

coeficientes de rugosidade, velocidades de fluxo

R

= raio hidráulico - A/P

da água e taludes compatíveis com os diversos

S

= declividade do dreno = m/m

tipos de solo.

A

= área do dreno - m²

Drenagem Superficial

Tabela 9 - Coeficientes de rugosidade de Manning

CARACTERÍSTICAS DOS DRENOS

COEFICIENTES

Drenos cortados em rocha, trechos retos e regulares

0,035

Drenos retos, bem limpos e regulares

0,023

Drenos de seção grande e bem limpo

0,032

Drenos largo, profundo escavado em solo Drenos em solo aluvial e com vegetação pouco densa

0,030

Drenos com vegetação intensa

0.040

Drenos com pequena seção

0,040

Drenos com pouca irregularidade e limpos

0,035

Drenos de seção média, fundo e taludes irregulares e vegetação densa

0,045

Drenos escavados com draga, talude e fundo irregulares e com vegetação rala

0,045

Drenos com paredes irregulares, escavados com draga e muita vegetação em seu leito

0,080

Tabela 10 - Velocidades máximas de fluxo d’água recomendadas em função do tipo de solo

TEXTURA DO SOLO

VELOCIDADES(m/s).

Argiloso (argila 1:1 fortemente cimentada, tipo argilito)

1,8

Argilosa (argila 1:1)

1,2

Argilosa (argila dispersiva)

0,4*

Franco argilosa

0,8

Franca

0,9

Franco arenosa e areia fina

0,7

Cascalho fino

1,5

Cascalho grosso

1,8

Velocidade mínima para evitar deposição de silte ou areia fina

0,3

Mínima para evitar a germinação de ervas daninhas

0,5

Mínima para inibir o crescimento de ervas daninhas

0,8

* sugerido em função de problemas encontrados. Não existem valores experimentais.

Tabela 11 - Taludes de drenos recomendados em função do tipo de solo

TIPO DE SOLO

TALUDES (V-H)

Solo turfoso

1: 0

a

1 : 0,25

Argiloso pesado

1: 0,5

a

1: 1

Argiloso e franco siltoso

1: 1

a

1: 1,5

Franco arenoso

1: 1,5

a

1: 2

Areia

1: 2

a

1:3

* Para argilas dispersivas não existem dados. Supõe-se que o melhor é implantar o dreno e vegetar

artificialmente as suas paredes para protegê-las da erosão principalmente pelo impacto das águas da chuva.

Drenagem como Instrumento de Dessalinização e Prevenção da Salinização de Solos

Dreno parcelar

É um dreno raso que tem como finalidade principal

coletar os excedentes de irrigação do lote ou parcela. Tem em geral a forma de "V" com talude que de um lado pode ser por exemplo, de 1:1. Do outro, o talude deve ser suave, podendo ser de 1:10 ou mais. De início a sua construção pode fazer parte das obras de preparo do lote para a irrigação. É um dreno que pode ser destruído e

refeito após cada cultivo, principalmente quando

se trata de irrigação por gravidade, em sulcos. Pode

ter profundidade ligeiramente superior à dos sulcos,

devendo ser reconstruído pelos ocupantes do lote, após cada cultivo, empregando sulcadores apropriados, enxada, motoniveladora etc.

De uma maneira geral, as atribuições de um

engenheiro de drenagem terminam quando começa

o dreno parcelar, sendo que a drenagem de projeto

vai obrigatoriamente até esse nível.

A subsidência é também devida a perda de suporte

do solo com a eliminação de água.

Observações feitas em solos orgânicos da Europa

e Estados Unidos indicam que há em média um

rebaixamento de ordem de 2,5 cm/ano e que a subsidência é uma função da espessura da camada drenada ou profundidade do lençol freático

Nos primeiros anos após a drenagem a subsidência

é maior devido a compactação inicial sofrida pelo solo drenado.

Onde não existam dados referentes a subsidência, pode-se assumir que haverá, com o tempo, um rebaixamento da ordem de 25 a 35% em relação

a profundidade inicial dos drenos.

Escavação de drenos

 

É

feita com emprego de dragas, para drenos de

Obras complementares

Bueiros, quedas, pontes, pontilhões são as obras

grandes dimensões ou retroescavadeira, para drenos menores.

complementares mais comuns. São projetadas

É

conveniente, sempre que os drenos forem de

geralmente em escala 1:50, devendo a topografia do local de cada obra ser feita a nível de detalhe. Na parte referente a anexos são apresentadas

dimensões pequenas confeccionar e utilizar na retroescavadeira uma concha de forma trapezoidal.

plantas-tipo para diferentes obras.

A

implantação de drenos pode ser também manual,

o

que torna o serviço em geral muito caro e

Drenagem de áreas com altos teores de matéria orgânica.

Nestas áreas é comum o fenômeno da subsidência, podendo haver, em casos especiais, rebaixamento de até 50 cm.

Freqüentemente as valas são abertas e após o rebaixamento do material, devido à oxidação são, então, aprofundadas.

A oxidação da matéria orgânica se dá após a

drenagem e ocupação pelo ar dos poros do solo, devido a ação de bactérias aeróbicas, que conver- tem a matéria orgânica em dióxido de carbono.

demorado, só se justificando para trabalhos de pequena monta e quando não existe máquina na proximidade da área a ser drenada. Para pequeno volume de trabalho, o transporte de uma máquina situada a grande distância pode tornar o seu emprego economicamente inviável, devido principalmente a componente relativa a custo de transporte.

Deve-se ter sempre em mente que os trabalhos de escavação de drenos jamais devem ser feitos sem acompanhamento topográfico, com checagem de cotas de fundo, para que a sua escavação seja feita de acordo com a declividade do projeto. No anexo I é apresentado um perfil tipo de dreno aberto.

Drenagem Superficial

Drenagem Superficial Nota: Limite da Área do projeto: Fig. 6 - Desenho esquemático mostrando a nomenclatura

Nota: Limite da Área do projeto:

Fig. 6 - Desenho esquemático mostrando a nomenclatura do sistema de drenagem

Nomenclatura dos drenos

As denominações de cursos d’água existentes, de

fluxo temporário ou permanente, devem ser mantidas.

A nomenclatura, sempre que se tratar de rede de

drenagem de grande porte, deve ser codificada conforme segue:

1º Espaço - Letra D (maiúscula)

Para drenos secundários, terciários e quaternários,

o número correspondente ao dreno deve estar em

ordem crescente, de jusante para montante. Quando dois drenos desaguarem em um mesmo ponto, a numeração será crescente da esquerda para a direita.

Existem todavia situações em que não é possível

2º Espado - Letras P,S,T ou Q, identificando

enumerar os drenos principais (DP) de acordo com

respectivamente, o dreno principal, secundário,

o

esquema proposto. Nesses casos, sugere-se que

terciário ou quaternário.

o

DP 01 seja o de maior porte e os demais sejam

3º e 4º Espaços - Número correspondente ao dreno

principal, ou zero, caso não haja mais de um dreno considerado como principal; 5º e 6º Espaços - Número, a partir de 01, correspondente ao dreno secundário; 7º e 8º Espaços - Número, a partir de 01, correspondente ao dreno terciário; 9º e 10º Espaços - Número, a partir de 01, correspondente ao dreno quaternário.

O dreno DPO1 será sempre aquele cujas águas

desembocam mais a jusante do maior coletor natural (rio, riacho ou talvegue). Os demais drenos principais serão denominados de jusantes para montante segundo a ordem de deságüe.

enumerados no sentido horário. A Figura 6 exem- plifica o procedimento proposto.

Conservação e manutenção de drenos

O ideal é que cada dreno, imediatamente após a sua escavação, tivesse as suas paredes cobertas com vegetação de porte rasteiro para evitar a erosão de seus taludes.

Em áreas úmidas e de solos férteis em profundi- dade, essa cobertura é feita espontaneamente por plantas nativas em curto período de tempo. Em áreas menos favorecidas pelas condições

Drenagem como Instrumento de Dessalinização e Prevenção da Salinização de Solos

climáticas e de solo, as paredes dos drenos se mantém parcialmente desnudas ou desprotegidas por longos períodos de tempo, o que facilita a erosão de seus taludes.

O plantio de gramíneas ou leguminosas de

pequeno porte em taludes de drenos, com fins de protegê-los, não tem sido feito até o momento em nosso país por ser uma prática muito onerosa, mesmo sendo empregado o processo da hidros- semeadura.

O problema de proteção de taludes se torna mais

necessário em áreas onde há predominância de argila expansiva tipo 2:1 (Teor de argila natural baixo).

Em casos como esses, tudo indica que a melhor opção é proteger as paredes do dreno, imedia-

tamente após a sua escavação, por meio do plantio

de vegetação apropriada.

Quanto a limpeza de vegetação, é geralmente feita manualmente através de roçagem. Esta deveria, para drenos de seções maiores, ser sempre feita com o emprego de máquinas apropriadas, constituídas de ceifadeira hidráulica de braço móvel e ajustável, acoplada a trator de roda, que poderia roçar não só as paredes como também o fundo do dreno.

No caso de desassoreamento, este também pode

ser feito manualmente, para drenos pequenos, ou

mecanicamente para drenos maiores sempre que a operação for julgada necessária.

3 - PIRES, Elias Teixeira. Informações mínimas para drenagem de várzea. Belo Horizonte:

EMATER (MG), 1982. 30p.

4- PFAFSTETTER, Otto. Chuvas intensas no Brasil; relação entre precipitação, duração e freqüência de chuvas com pluviógrafos. SP:

DNOS, 1975.419 p. il.

5- RHODIA S.A. Drenos; princípios básicos e sistemas drenantes. São Paulo: 1978. 64 p. il.

6- SCHWAB, Glenn O. et al. Precipitation. In:

SOIL AND WATER CONSERVATION ENGI- NEERING. 2 ed. New York: John Wiley & Sons,

1966.

7- TABORGA, JAIME JOSÉ TORRICO. Práticas Hi- drológicas. Rio de Janeiro: TRANSCON,

1974. 120p.

8- TEIXEIRA, Antônio Libânio. Cálculo estimativo de hidrograma de cheia. Belo Horizonte:

1969. 14 p. il.

9- USDA BUREC. Drainage manual; a water

resources technical publication. Denver:

1978. 268 p. i l.

10- U.S. DEPARTAMENT OF AGRICULTURE. Soil conservation service; drainage of agri- cultural land. Washington: 1971 1v. il. (National engineering handbook, section 16).

Bibliografia

11-VILLELA, Swami M., MATTO, Arthur. Hidrolo- gia aplicada. São Paulo McGraw-Hill do Brasil, 1975. 245p. il.

1-

LUTHIN, James N. Drainage engineering. New York: Robert E. Engineering, 1973. 250p. il.

12-WILKEN, Paulo Sampaio. Engenharia de drenagem superficial. São Paulo: 1978. 478 p. il.

2-

MILLAR, Augustin A. Drenagem de terras agrícolas; princípios, pesquisas e cálculos. Petrolina: SUDENE, 1974. 1v. il.

Drenagem Subterrânea - ConsideraçõesGerais

3. DRENAGEM SUBTERRÂNEA –

CONSIDERAÇÕES

GERAIS

1.Introdução

Asprimeirasreferênciassobredrenagemsubter- corrugadodematerialplásticoperfurado,coma

râneaforamfeitasnoano2AC,naantigaRoma,

ondejáerarecomendadaaaberturadevalasque eram preenchidas com cascalho. O cascalho atuava ao mesmo tempo como meio coletor de águadosoloecondutordestaparaforadaárea

drenada.Apróximareferênciadatadoanode1620,

construído,adrenagemsubterrâneavisaàremoção

doexcessodeáguadosoloatéumaprofundidade

doexcessodeáguadasuperfíciedosolooupiso

Enquantoadrenagemsuperficialvisaàremoção

finalidadedecoletareescoaroexcessodeágua

dosubsolo.

onde, pela primeira vez, em um convento da França,foifeitadrenagemsubterrâneaatravésde tubosdebarro,sendoapráticadepoisrepetidana

Inglaterraem1810.

predeterminada.

Em regiões úmidas e muito úmidas, com precipi- tações médias anuais maiores que 1.000 mm, a drenagemsubterrâneavisaevitaroencharcamento do solo por período de tempo prolongado, que venhaaprejudicar,demaneirasignificativa,o rendimentoeconômicodasplantascultivadas.

No aumento da produção de alimentos a drenagem contribui não só como fator de aumento da produtividade, como de incorporação de terras encharcáveisaoprocessoprodutivo.

De uma maneira geral, pode-se afirmar que o grandeavançodadrenagemsubterrânea,pormeio decondutoressubterrâneos,ocorreunasúltimas quatrodécadas.Estefatodeu-sedevidoàgrande demanda de alimentos causada pela explosão demográfica,considerando-sequeapopulaçãodo

planetadobrounosperíodosde1500a1900ede

1900 a 1950, bem como de 1950 até por volta de

1970apesardasduasgrandesguerrasmundiais.

A drenagem subterrânea tem por finalidade rebaixarolençolfreáticoatravésdaremoçãoda

principalmenteemfunçãodostrabalhosdesenvol-

água gravitativa localizada nos macroporos do solo. Propicia, em áreas agrícolas, melhores condiçõesparaodesenvolvimentodasraízesdas

plantascultivadas.Emregiõessemi-áridasesemi- nordestebrasileiro,ondeairrigaçãocomeçoua

serfeitaemmaiorescalaapartirdadécadade

úmidas evita o encharcamento e também a salinizaçãodesolosirrigados.

vidospeloProgramaNacionaldeAproveitamento Racional das Várzeas e, também, em função da crescente salinização dos solos irrigados no

No Brasil esta técnica tende a expandir-se,

70.

Deumamaneirageralosprojetosdeirrigaçãoe drenagem têm sido implantados sem que sejam feitososestudosnecessáriosdaparterelativaà drenagem subterrânea dos solos, o que tem propiciadocondiçõesfavoráveisaoencharcamento esalinizaçãodegrandepartedasáreasirrigadas.

No presente momento a drenagem subterrânea é feita utilizando-se mais comumente o tubo

Da mesma maneira, como tem acontecido em quasetodosospaíses,adrenageméumaprática que vem sempre a reboque da irrigação em decorrência do surgimento de problemas de encharcamentoe/ousalinização.

A implantação de projeto de irrigação sem que seja dada a devida atenção ao fator drenagem, decorre muitas vezes da falta de conhecimento

Drenagem como Instrumento de Dessalinização e PrevençãodaSalinizaçãodeSolos

oudescuido,nestaárea,dostécnicosenvolvidos NasregiõesdoNordesteBrasileiroedoValedo

Rio São Francisco estima-se que existam um mínimo de 50.000 ha com teores médios a altos de salinização, onde a instalação de drenos subterrâneosépráticaindispensável.

Felizmentejáexisteumamaiorconscientização

nosestudosepreparodoprojeto.

quanto à importância da drenagem subterrânea emrelaçãoaoscultivoseàpreservaçãodossolos.

Somente na região do sub-médio São Francisco

existememtornode15.000hasalinizados.

2.EstimativadeÁreasque

Essessoloscomeçaramaserirrigadosapartirdos

anos50,motivoporquesetornaramsalinos,oque

temredundadonoabandonodemuitasáreasesub-

o encharcamento em regiões de baixo ou nulo

déficithídricoeparaevitaroencharcamentoe

também a salinização em zonas de alto déficit

hídrico,comonamaioriadasáreasdoNordeste anos de irrigação. Nos perímetros Maniçoba e

Brasileiro.

tornaramencharcadas,jánasprimeirasirrigações

e a seguir, em período aproximado de 5 anos de

irrigação,setornaramsalinosoque,semdúvida,

tendo,dentreelas,asvárzeasúmidasetodasas refleteoquadroesperadoparaaszonasnordestinas

demaisáreascultivadasqueapresentamproblemas

SãomuitasasáreasdeterrasdoBrasil,irrigadas

ounão,quenecessitamdedrenagemsubterrânea,

Adrenagemsubterrâneaéimportanteparaevitar

Requerem Drenagem Subterrânea

utilizaçãodeoutras,tornandoevidente,naregião,

quesolosrasosedetexturaleveamédia,irrigados

combaixaeficiência,sãosalinizadasempoucos

Curaçá,situadosemJuazeiro/BA,muitasáreasse

debaixasprecipitaçõespluviaisemádrenabi-

dedrenabilidadedeperfil.

lidade.

A incorporação de várzeas não exploradas ou

pouco produtivas a um processo de exploração intensa depende da instalação de sistema de drenagemsubterrânea.

Emnossopaís,oProgramaNacionaldeAprovei-

tamento de Várzeas - PROVÁRZEAS promoveu a

drenagemesistematizaçãode768.000ha,entre

osanosde1973e1987.Adrenagemdessasáreas

foiemquasesuatotalidadefeitaatravésdevalas

abertas.

Como nas regiões semi-úmidas e semi-áridas do

Brasil,nortedeMinasepartedoNordeste,muitas

áreasestãosendoirrigadaspelainiciativaprivada

e pública, é de se prever que a necessidade de

fazerdrenagemsubterrâneasejacadavezmaior,

principalmente para prevenir processos de salinização.

3. Drenagem Subterrânea comFinsnãoAgrícolas

Asvalasabertastêmocustodeinstalaçãomais 3.1.Drenagemderodoviaseferrovias

baixo,masporoutroladoasperdasdeáreasde

terra,oscustoselevadosdemanutençãoeamaior Éconstituídadedrenossubterrâneosinterceptores

dificuldadeoferecidaporestesistemaaotrabalho erebaixadoresdolençolfreáticonasproximidades

das máquinas agrícolas fazem com que, a médio

prazo,adrenagemsubterrâneaporvalasabertas em trechos em cortes ou em trechos de baixada

setornemaisdispendiosadoqueaquelaefetuada ondehajaformaçãoeascensãodolençolfreático

a níveis que possam comprometer a capacidade decargadosistema.

atravésdoscondutossubterrâneos.

e/ousobaobra.Sãodrenosinstaladosgeralmente

Drenagem Subterrânea - ConsideraçõesGerais

3.2. Drenagem subterrânea de áreas de

recreação,residenciais,comerciais

eparquesindustriais

É a drenagem subterrânea de praças de esporte,

como campos de futebol, tênis, etc, bem como a drenagem de áreas baixas, residenciais ou

industriais,paramelhorarascondiçõesfitossani-

táriasdeusoe/oudesuportedossolosedecultivo

deplantasornamentais.

Aqui se inclui também a drenagem permanente deproteçãodasedificaçõessituadasemzonade

flutuaçõesdolençolfreáticoondesejamconstruí-

das dependências a nível de subsolo como garagem,etc.

3.3.Drenagemdeáreasdejardinagem

Éadrenagemsubterrâneadefloreirasoujardins internoseexternos,concebidosemleitoconfinado deedificações.Evitaoencharcamentoprolongado do solo, propiciando condições de umidade favorávelàsplantaseaobra.

3.4. Drenagem temporária

comfinsconstrutivos

Consistenainstalação,nasproximidadesdeuma

obra, de sistema de drenagem subterrânea com a

finalidadedeinterceptarerebaixartemporaria-

mente o lençol freático para permitir que os trabalhossedesenvolvamnormalmente.

É o tipo de drenagem chamada comumente de

ponteiraverticalouhorizontal.Nocasodaponteira horizontal a água é coletada através de tubos perfuradosoucondutossubterrâneos,tendoaoseu redorumenvoltóriodecascalho,britaoumanta sintética.

De uma maneira geral, a água captada é escoada da área por bombeamento.

3.5.Drenagemsubterrânea

depistasdeaeroportos

São obras que visam, em áreas sujeitas ao encharcamento, evitar que haja elevação do lençolfreáticoaníveisquepossamcomprometer acapacidadedecargadapista.

3.6.Drenagemdefossaatravés

de“sumidourohorizontalouvala

deinfiltração”

Trata-se de um caso atípico onde a drenagem da fossaéfeitaatravésdeumsistemadevalasde infiltração.Nestecasoosistemadesumidouropor tubosperfuradosinstaladosemvalastemfunção inversadaqueladadrenagemsubterrâneaouseja:

temafunçãodeperderáguaenãodecaptar.

Osistemaéinstaladodeformaidênticaaoscasos

anteriorestendo,noentanto,afinalidadedecriar

umagrandeáreadeinfiltraçãoeassimfacilitaro

fluxodeáguadafossaparaosolo.

Éumapráticadebaixocustoebastanteeficiente, principalmenteemsetratandodesolosprofundos epermeáveiscomooslatossolos.Emáreasdesolo que possuam a camada impermeável situada próxima da superfície ou zonas que possuam o lençolfreáticoaltoémaiseficientequeosistema desumidourotipocisterna.

Osistemaforneceaindacondiçõesfavoráveisa

realizaçãodesub-irrigaçãodeplantas,principal-

mente quando instalado em regiões sujeitas a períodosdesecaprolongados.Apresentatambém avantagemdepropiciarafertilizaçãodosolopela ferti-irrigaçãoqueautomaticamenteseprocessa.

4. Drenagem subterrânea comfinsagrícolas

É a drenagem que tem como finalidade propiciar às raízes das plantas cultivadas condições

Drenagem como Instrumento de Dessalinização e PrevençãodaSalinizaçãodeSolos

favoráveisdeumidade,aeraçãoebalançodesais.

Emregiõesúmidasemuitoúmidas,comprecipita-

ções médias anuais maiores que 1.000 mm a drenagemsubterrâneavisaevitaroencharcamento do solo por período de tempo prolongado que venhaaprejudicar,demaneirasignificativa,o rendimentoeconômicodasplantascultivadas.

Emregiõessemi-áridasadrenagemsubterrâneaé

utilizadaparaevitaroencharcamentoetambém

asalinizaçãodesolosirrigados.

Éimportantelembrarquetantoparaadrenagem superficialcomoparaadrenagemsubterrânea,a existênciadepontodedescargapróximodaárea a ser drenada é de fundamental importância, podendoascondiçõesdeacessoedistânciaa esse ponto inviabilizarem a implantação de sistema dedrenagemsubterrâneadedeterminadaárea.

Apresentam as desvantagens de:

• Perda de área na sua abertura o que, em solos

dealtovaloreconômicoecomculturasintensivas,

temgrandeimportância;

• Dificulta o trabalho de máquinas - manejo do

solo;

•Custodoespalhamentodomaterialoualtocusto

dodescartecomobota-fora,quandonãoapropri-

adoparaserespalhado;

•Altocustodemanutençãodevidoaocrescimento

deervasdaninhasterrestresemseustaludes,e

aquáticasemseuleito.

O talude adequado e bem construído evita

desmoronamento.

Aseguirapresenta-seumaestimativapráticapara

a escolha de taludes, de acordo com o tipo de

solo:

 

TipodeSolo

TaludeUsual(V:H)

5.TiposdeDrenos

Arenoso

até1:3

Francoarenoso

1:2

Drenos são condutos abertos ou subterrâneos,

Franco com cascalho

1:1,5

tubulares ou de material poroso, destinados a

Siltoso

1:1a1:1,5

remover o excesso de água proveniente de sua

Argiloso+cascalho

1:1

áreadeinfluência.

Argiloso

1:0,75a1:0,5

Ao comentarmos sobre sistemas de drenagem, a níveldeparcela,podemosabordaroassuntosobre doismodosdiferentesoudoismétodosdistintos, comsuasvantagensedesvantagens.Noprimeiro métodoutilizamosasvaletasoudrenosabertose no segundo método os drenos subterrâneos ou drenoscobertos.

5.1.Drenosacéuaberto(valasabertas)

Nas regiões úmidas este método tem sido o mais comumnadrenagem.Apresentaaduplafinalidade de coleta e transporte das águas de drenagem superficialesubterrânea.Sãomaisfavoráveisà drenagem superficial por apresentarem maior velocidade de escoamento.

5.2.Drenossubterrâneos

Condutossubterrâneosutilizadosparacoletare

conduzir,porgravidade,aáguaprovenientedo

lençolfreáticodesuaáreadeinfluência.

Apresentam a vantagem de dispensar a manuten- çãotradicional.

5.3.Drenostoupeira

Sãodrenossubterrâneosnãorevestidos,abertos

artificialmentenosub-solo.

A construção é efetuada com um subsolador

equipado com torpedo que permite a sua cons-

Drenagem Subterrânea - ConsideraçõesGerais

trução, normalmente na profundidade de 50 a 70

cm com diâmetro de 7 a 10 cm.

Como não há revestimento a durabilidade deste drenoé,viaderegra,deumano.

Emsolosargilososeturfososaeficiênciaevida

útildessetipodedrenoémaior.

Para a construção do dreno-toupera o solo deve possuircondiçõesadequadasdeumidadeelençol freáticobaixoosuficienteparapossibilitaro deslocamentodotratorequipadocomosubsolador etorpedo.

Para dar maior capacidade de tração e evitar o atolamentootratordeveserequipadocomrodado duploouserdeesteira.

6. Vantagens da Drenagem SubterrâneaAtravésdeTubos

• Economia de área.

oqueresultaemmaiordesgastedestas,trabalho

depiorqualidadeeperdadeáreasdesolo.

•Diminuiçãodaincidênciadefocosdemosquitos.

Isto se dá pela ausência de água empoçada por muito tempo na área.

• Custo de manutenção mais baixo.

Comparado com as valas abertas, que em nossas condições devem ser limpas de um a duas vezes ao ano, a manutenção de um sistema de drenagem subterrâneaportubostemumcustomuitoreduzido.

7.TiposdeCondutosSubterrâneos

•Cascalhooubrita;

• Bambu em feixes de 15 a 25 unidades; •Telhacanal,tijolosperfurados,etc.;

• Manilhas de cimento;

•Manilhasdebarro;

•TubosdePVClisoperfurado;

•Tuboscorrugadosdemateriaisplásticos.

Comoexemplodeperdadeáreaverifica-sequea implantação de um sistema de drenagem subter- rânea,atravésdevalasabertas,utilizandoos seguintesparâmetros:

seguintesparâmetros: Tubosdedrenagemdebarro,deconcretoemesmo

Tubosdedrenagemdebarro,deconcretoemesmo dematerialplásticoliso,játiveramseuemprego

Profundidade média Talude Espaçamento entre valas

Profundidade média Talude Espaçamento entre valas
Profundidade média Talude Espaçamento entre valas

1,20 m

1:1 (H:V)

30 m,

em drenagem subterrânea superado em muitos países, o que atualmente está acontecendo também no Brasil devido a introdução de tubos corrugados para drenagem. Cascalho ou brita empregados como condutores de águas de drenagemépráticasuperadaeantieconômica.

para drenagem. Cascalho ou brita empregados como condutores de águas de drenagemépráticasuperadaeantieconômica.
para drenagem. Cascalho ou brita empregados como condutores de águas de drenagemépráticasuperadaeantieconômica.

resultaemperdasignificativa,poiscadadreno

combasemínimade0,30m,teráumabasesuperior

de2,70m.Aoadicionarmosumafaixasemcultivo

de 0,50 m de cada lado do dreno, teremos um

totalde3,70mperdidosaolongodecadavala,o

que resulta em 12% de perdas de superfície de solo.

•Facilidadenotrabalhodemáquinasagrícolas.

O sistema evita que as máquinas tenham que trabalhardandovoltasemfaixasestreitasdeterras,

O uso de bambu pode ser econômico em casos

muito especiais quando o bambu situar-se na periferiadaáreaaserdrenadaeamãodeobrafor decustobaixo.

Adrenagemempregandotelhacanal,tijolo,etc,

é uma prática pouco técnica e econômica, não devendo ser recomendada.

Ostuboscorrugadosoferecemvantagensemtermos

técnicoseeconômicos,como:custodeaquisição

Drenagem como Instrumento de Dessalinização e PrevençãodaSalinizaçãodeSolos

einstalaçãomaisbaixo;altaresistênciaadeforma- Bibliografia

çõeseaoataquequímico;facilidadesdetransporte e instalação, razão pela qual dominaram o mercado de todos os países desenvolvidos. No Brasilaproduçãodestetipodecondutoteveinício

noanode1988,propiciandoumgrandeimpulsoà

práticadadrenagemsubterrânea.

1- LUTHIN, James N. Drainage engineering. New

York:RobertE.Engineering,1973.250p.il.

2-EGGELSMANN, Rudolf. Subsurface drainage

instructions.Hamburg/Berlin:Parey,1984.

293p.il.(Bulletin/GermanAssociationfor

Water Resources and Land Improvement, 6)

Salinização de Solos

4. SALINIZAÇÃO DE SOLOS

1. Salinidade

O termo salinidade se refere a existência de níveis

de sais no solo que possam prejudicar de maneira economicamente significativa o rendimento das plantas cultivadas.

A sensibilidade à existência de maiores ou menores

teores de sais no solo é uma característica de cada tipo de planta. Umas toleram concentrações altas como a cevada e o algodão, enquanto que outras, como o feijão e a cenoura, são bastante sensíveis, mesmo a teores baixos.

A salinização ocorre, de uma maneira geral, em

solos situados em regiões de baixas precipitações pluviais, alto déficit hídrico e que tenham deficiências naturais de drenagem interna.

No Brasil, levando-se em consideração tão somente as precipitações pluviais e a distribuição

destas ao longo do ano, pode-se separar as regiões

em:

• Semi-áridas - com período de seca igual ou

superior a 6 meses por ano e precipitações médias anuais menores que 800 mm; nesta classe situa-se 50% da área do Nordeste Brasileiro.

• Semi-úmidas - período de seca de 4 a 5 meses por ano.

• Úmidas - período de seca de 1 a 3 meses por ano.

• Muito-úmida - sem seca.

Quanto menor o valor das precipitações médias anuais de uma região e maior a evapotranspiração

potencial, maior é a possibilidade de salinização

de seus solos quando irrigados, tendo em vista que

o déficit hídrico é maior.

Tem-se observado que a salinização, onde há irrigação, ocorre mais comumente nas zonas que

possuam precipitações pluviais médias de até 1.000 mm/ano. Como exemplo temos o projeto São Desidério/Barreiras Sul, cujas chuvas situam- se em torno de 1.000 mm/ano e onde existe salinização, em solos rasos e outros solos situados em áreas de baixadas, de má drenabilidade. A irrigação por sulco de baixíssima eficiência, é um fator que tem contribuído com grande intensidade para a evolução do processo.

Nas regiões norte, sul, centro-oeste e quase todo o sudeste os solos são muito pouco sujeitos de se tornarem salinos, mesmo que tenham deficiência de drenagem subterrânea. Nessas áreas o grande volume de água das chuvas lava os sais que venham a se acumular durante a irrigação, sendo que o mesmo não acontece no nordeste e parte do norte de Minas Gerais, por se tratar de região climática propicia à salinização dos solos quando irrigados.

1.1. Como um solo se torna salino

A água das chuvas, quase pura ao cair e penetrar

no solo, solubiliza e arrasta consigo íons de Ca ++ . Mg ++ , Na + , Ka + , bem como radicais CO3 - - , HCO3 - , SO4 - - e outros, transformando-se então em uma solução, que flui para formar os rios e lagos.

Ao se irrigar um solo de drenabilidade deficiente

a nula, situado em região de baixas precipitações

médias anuais e alto déficit hídrico, este se torna salino em período de tempo bastante curto, porque as plantas removem basicamente H2O do solo, enquanto que a maior parte dos sais fica retida. Nestas condições o solo tende a se tornar salino caso não seja drenado artificialmente o que vem ocorrendo nas regiões semi-áridas do nordeste brasileiro.

Drenagem como Instrumento de Dessalinização e Prevenção da Salinização de Solos

No passado o homem desconhecia as causas que levavam um solo a se tornar salino com a irrigação; hoje a salinização ocorre pela negligência dos órgãos e pessoas envolvidas com a irrigação, uma vez que suas causas são bem conhecidas, assim como os meios de evitar esse tipo de degradação dos solos.

O laboratório de salinidade dos Estados Unidos da América classifica os solos quanto à salinidade em função da condutividade elétrica do extrato da saturação (CE), da percentagem de sódio trocável (PST) ou da relação de absorção de sódio (RAS) e do pH em:

SOLO

CE

RAS

pH

(mmhos/cm)

(%)

NORMAL

<

4

< 13

< 8,5

SALINO

> 4

< 13

< 8,5

SÓDICO

<

4

>

13

8,5

SALINO/SÓDICO

> 4

> 13

< 8,5

8,5 SALINO/SÓDICO > 4 > 13 < 8,5 * No caso do PST o valor é
8,5 SALINO/SÓDICO > 4 > 13 < 8,5 * No caso do PST o valor é

* No caso do PST o valor é igual a 15.

para o cálculo do RAS, as concentrações obtidas em milequivalente por litro (mE/1) do extrato de saturação do solo.

CE = Medida com condutivimetro a partir do extrato de saturação; pH = Acidez do solo medida com peagâmetro ou outro método.

A salinidade afeta as culturas de duas maneiras:

• Pelo aumento do potencial osmótico do solo.

Quanto mais salino for um solo, maior será a

energia gasta pela planta para absorver água e com ela os demais elementos vitais.

• Pela toxidez de determinados elementos,

principalmente o sódio, o boro, e os bicarbonatos e cloretos, que em concentração elevadas causam distúrbios fisiológicos nas plantas.

Na tabela 1, é mostrado o percentual de perda de produtividade de uma cultura em função da condutividade elétrica do extrato de saturação do solo, desde que todos os outros fatores de produção sejam favoráveis.

Os fatores que contribuem para a salinização dos solos são:

• clima - deficit hídrico climático acentuado;

• irrigação em solos rasos ou solos de má drenabilidade;

• irrigação com água de má qualidade - teores elevados de sais;

• baixa eficiência de irrigação;

• manutenção inadequada do sistema de drenagem ou ausência de sistema de drenagem superficial e/ou subterrânea.

Salinização de Solos

Tabela 1 - Níveis de Tolerância a Teores de Sais no Solo e na Água de Irrigação (*)

Produtividade Potencial

 

100%

 

90%

75%

50%

0%

 

CEes

CEi

CEes

CEi

CEes

CEi

CEes

CEi

CEes (máximo)

CEVADA

8,0

5,3

10,0

6,7

13,0

8,7

12,0-

18,0

28

FEIJÃO