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Considerações sobre o Livro Incidente em Antares

Fabio Batista

Palavras-chaves: incidente, antares, resumo, citação, fichamento

A segunda parte da obra, composta em 102 capítulos, tem início com a greve

geral dos trabalhadores da indústria, do comércio, dos transportes e da energia

elétrica em 11 de dezembro. Nesse mesma data, seis pessoas morrem, entre elas Dona Quitéria, vítima de um ataque cardíaco. Saindo do velório da matriarca dos Campolargos, o Dr. Cícero Branco, advogado, tomba em decorrência de um derrame cerebral.

Percebendo que sua reivindicação não será atendida, os cadáveres, cujo aspecto nauseante o narrador vem descrevendo com uma crueza de impressionar, vociferam insultos e acusações contra os seus interlocutores – hipocrisia, peculato, abuso de poder, tortura, assassinato, adultério, fraude de laudo médico, pederastia –, provocando em alguns comoção e mal-estar, além de brigas e separações de vários casais.

Uma infestação de ratos e a suspeita de contaminação da água causam ainda mais pânico na população, carregando nas cores apocalípticas o pano de fundo para a lavagem de roupa suja que as famílias começam a fazer.

Ao raiar do sábado, Tranqüilino de Almeida, chefe dos guardas aduaneiros, e um grupo de quinze ou vinte homens atacam cadáveres e urubus a tiros, garrafas, pedaços de madeiras e tijolos. Acatando, então, uma proposta do Dr. Cícero Branco, os mortos voltam aos seus caixões. A assembléia geral do sindicato dos industriários aprovara na noite anterior suspender o cerco ao cemitério, razão pela qual os sepultamentos puderam ser feitos.

O livro termina com as autoridades de Antares desmentindo o ocorrido perante

equipes da imprensa de Porto Alegre que vão até lá investigar e promovendo eventos para restabelecer a honra dos cidadãos que tiveram a sua reputação manchada pelas denúncias dos defuntos. A cena final da criança tentando ler a palavra “Liberdade”, um “palavrão” pichado num muro por um estudante, que os empregados da Prefeitura se apressavam para apagar, sugere que, ao contrário dos sete mortos, a podridão da impunidade insistia em permanecer insepulta em Antares.

O trecho escolhido mostra o plano dos cadáveres para conseguir seu enterro:

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Dona Quitéria ergue-se, depois de dar duas palmadinhas consoladoras no

ombro do suicida, e diz em voz alta, como quem se dirige a uma assembléia:

- Precisamos fazer alguma coisa!

Cícero Branco congrega os outros seis cadáveres:

- Companheiros, não é por estar morto que vou deixar de ser o que fui em vida:

um advogado. Estive arquitetando um plano

- Fale! - ordena Dona Quitéria.

- Qual é o nosso objetivo? O de sermos sepultados dignamente, como é de

nosso direito e de hábito, numa sociedade cristã.

- O doutor falou pouco mas bem! - exclamou Pudim de Cachaça.

- Escutem com a maior atenção. Você aí, Joãozinho, aproxime-se e escute

também. A idéia é simples. Amanhã pela manhã marcharemos todos sobre a cidade para protestar

- Uma greve contra os grevistas! - entusiasma-se Dona Quitéria.

- Se o fim da marcha é esse - intervém Barcelona -, não contem com este

defunto.

- Espere - diz o advogado, tocando o braço do sapateiro. - Usemos de todas as

nossas armas. Primeiro, a nossa condição de mortos. Sejamos mais vivos que os vivos.

- Como?

- Impondo à população de Antares a nossa presença macabra. Se não nos

enterrarem dentro do prazo que vamos impor, empestaremos com a nossa podridão o ar da cidade.

- Que coisa horrorosa, doutor! - diz Erotildes, ajeitando os cabelos num gesto faceiro.

- Por que não se põe em votação a proposta do Dr. Cícero?

- pergunta o sapateiro.

- Bom - faz o advogado. - Não direi que aqui em cima estejamos numa

democracia. Imaginemos que isto é uma

do futuro terão de forçosamente reconhecer este novo tipo de regime.) Preciso saber se todos vocês me aceitam como advogado, caso em que terão de me passar uma procuração verbal para eu agir em nome do grupo. Dona Quitéria sacode a cabeça num movimento afirmativo. Erotildes, Pudim e

Menandro a imitam. Barcelona, porém, hesita:

- Primeiro quero conhecer melhor o plano.

- Simples. Descemos juntos pela Rua Voluntários da Pátria ruma da Praça da

República. Lá nos dispersaremos, cada qual poderá voltar à sua casa

isso teremos algumas horas. O essencial (prestem a maior atenção!) é que quando o sino da matriz começar a dar as doze badaladas do meio-dia, haja o

que houver, todos devem encaminhar-se para o coreto da praça, sentar-se nos bancos em silêncio e ficar à minha espera.

- E que é que você vai fazer? - quer saber João Paz.

uma tanatocracia. (E os sociólogos

Para

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- Vou primeiro à minha casa buscar uns papéis importantes à residência do prefeito para lhe entregar um ultimato verbal

dentro do prazo máximo de vinte e quatro horas ou nós ficaremos apodrecendo

no coreto, o que será para Antares um enorme inconveniente do ponto de vista

higiênico, estético

Depois me dirigirei ou nos enterram

e moral, naturalmente."

Figura 1: Condições de produção no discurso da Forma Figura 1:

das prostitutas

--- Como vais?

- Mais ou menos. E tu?

--- Morta.

- Como foi que voltaste?

Discursiva

--- Não sei. Mas o doutor Cícero está providenciando pra enterrar a gente. O advogado, te lembras? E tu sabes quem está no nosso grupo? Uma grã-fina, a dona Quitéria Campolargo. Imagina só que chique!

Quando ela diz que há uma “grã-fina” no grupo dos mortos e que isso é “chique”, está mobilizando um domínio do saber da sociedade e da estrutura hierárquica, que a faz sentir-se honrada pelo fato de, mesmo morta, possuir uma dama em seu grupo, o que não ocorreria se estivesse viva.

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Erotildes fita na amiga os olhos gelatinosos e diz baixinho:

- Pois eu te digo que estou contente por ter morrido. A gente fica livre pra sempre de todas essas tristezas e vergonhas.

- Já pensei em morrer. Em tomar veneno. Mas não tive coragem

--- É pecado a gente se suicidar. Vai pro inferno.

- Mas o inferno não será aqui mesmo?

De súbito Rosinha desata o choro. Erotildes ergue a mão como para acariciar a cabeça da amiga, mas hesita em tocá-la.

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- Não há de ser nada –––– murmura. ––– Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe, como dizia a minha falecida mãe.

Encaminha-se para a porta.

- Erotildes? Tu já viste Deus?

A morta se volta:

--- Ainda não. Decerto só vou ver Ele quando me enterrarem como cristão.

(o negrito é nosso e refere-se ao discurso de Erotildes) (ibidem, 2006, p. 294-295)

As palavras ditas por Erotildes para consolar a amiga que sofreu abusos e humilhações também mobilizam espaços de memória do Discurso Moralista. Quando ela diz que está contente por ter morrido, porque “A gente fica livre pra sempre de todas essas tristezas e vergonhas” mobiliza sentidos constituídos em outros dizeres, que veem as prostitutas como objetos, como seres que podem ser maltratados ou como pessoas vitimas da sociedade, da exploração sexual, e a prostituição como uma atividade vergonhosa. As mulheres, diante de todas essas memórias, que funcionam em torno delas e da atividade que exercem, entendem que a morte é uma das formas de fugir disso.

Fatos históricos do livro:

Getúlio

Lentas lágrimas escorriam pelo rosto do velho Tibério Vacariano. Saiu a vaguear pela casa e acabou entrando outra vez no seu quarto. A mulher agora estava fechada no quarto de banho, em cuja porta ele bateu. “Que é?” – perguntou ela. “Lanja, o Getúlio se suicidou.” Um grito: “Quê?” E ele: “O Repórter Esso acaba de noticiar que o Dr. Getúlio meteu uma bala de revólver no coração. Está morto”. Curto silêncio. Depois se ouviu um pranto convulsivo vindo de dentro do quarto de banho. Tibério encaminhou-se para a cozinha.

(Página 96)

Jânio Quadros

No dia 25 de agosto de 1961, exatamente sete anos e um dia depois do suicídio de Getúlio Vargas, chegou a Antares a notícia de que Jânio Quadros acabava de

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apresentar ao Congresso Nacional a sua renúncia ao cargo de Presidente da República. D. Briolanja Vacariano, com palpitações de coração, fez o que nunca jamais fizera em toda a sua vida de esposa exemplar: acordou o marido da sesta vinte minutos antes da hora marcada e deu-lhe a notícia. Sentado na cama, estremunhado, olhos piscos, cara aparvalhada, Tibério pediu a repetição da estória. Ficou depois olhando fixamente para os dedos dos pés e de súbito ergueu-se soltando um grito: “Não! Não pode ser! É boato! Não pode ser!” E rompeu a andar estonteado pelo quarto, no seu pijama de pelúcia azul- celeste. “Não é possível! É o fim do mundo! O homem está doido varrido!”

(Página 126)

Final do Livro

Em suma, a julgar pelas aparências, Antares é hoje em dia uma comunidade próspera e feliz. Entretanto, uma criança que estava começando a aprender a ler, soletra uma palavra perigosa, pichada no muro: "LIBER--- Não terminou: em pânico, o pai arrasta-o e silencia-o com um safanão".

CONCLUSÃO

pai arrasta-o e silencia-o com um safanão". CONCLUSÃO É impossível ler um livro como Incidente em

É impossível ler um livro como Incidente em Antares e não se sentir assustado, não com os mortos que descem para a cidade, mas com a mentira que jaz subjacente em cada um de nós. É impossível ler um livro como este e não mexer, no sentido de combater e extirpar, da face da terra, a truculência e a mentira. É impossível sair da leitura deste livro insensível à causa do Pe. Pedro-Paulo e de Joãozinho Paz, em busca da justiça e do amor. É impossível ler este livro e sair dele sem se emocionar com o drama comovente de Joãozinho Paz e seu amor à vida, como diz ao Pe. Pedro-Paulo.

Paz e seu amor à vida, como diz ao Pe. Pedro-Paulo. “Eu quisera acreditar em Deus
Paz e seu amor à vida, como diz ao Pe. Pedro-Paulo. “Eu quisera acreditar em Deus
Paz e seu amor à vida, como diz ao Pe. Pedro-Paulo. “Eu quisera acreditar em Deus
Paz e seu amor à vida, como diz ao Pe. Pedro-Paulo. “Eu quisera acreditar em Deus
Paz e seu amor à vida, como diz ao Pe. Pedro-Paulo. “Eu quisera acreditar em Deus

“Eu quisera acreditar em Deus e na vida eterna. Mas não posso. Nunca pude. Mas acredito na vida. E como! Tenho esperança num futuro melhor para nossa terra, para o mundo. Quero que meu filho nasça, cresça e viva para participar desse mundo” (p. 294) Redimido pela leitura de Incidente em Antares, o filho de Joãozinho Paz crescerá nas nossas entranhas. Viverá e frutificará. Salvará o mundo da truculência e da mentira. Que fique também, em cada um de nós, a lição do Pe. Pedro-Paulo com seu amor à vida e a sua luta em favor do Império do Amor:

“- Padre, espero não estar pecando quando sinta a alegria de estar vivo. Gosto da vida. É um desafio permanente. Se ela é absurda, sem sentido, então procuremos dar- lhe um sentido. Eu acho que a senha é o Amor” (p. 338). Sem dúvida, é possível fazer tudo isso. Existe em cada um de nós um “menino do dedo verde” – capaz de amar e transformar o mundo. O ser humano não é o que parece,

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como dizia um tropeiro ao Pe. Pedro-Paulo (p. 439): “Olhe, moço, ninguém é o que parece. Nem Deus”. Oxalá este livro possa provocar em cada um de nós o incidente do Amor e nos despertar para a Beleza da vida!

Deus”. Oxalá este livro possa provocar em cada um de nós o incidente do Amor e

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