UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SETOR DE CIÊNCIAS DA TERRA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOLOGIA
LUIZ HENRIQUE SIELSKI DE OLIVEIRA
DINÂMICA SEDIMENTAR DA PLATAFORMA CONTINENTAL INTERNA PARANAENSE
CURITIBA
2013
LUIZ HENRIQUE SIELSKI DE OLIVEIRA
DINÂMICA SEDIMENTAR DA PLATAFORMA CONTINENTAL INTERNA PARANAENSE
Exame de qualificação apresentado ao Curso de Pós-Graduação em Geologia, Área de concentração em Geologia Ambiental, Setor de Ciências Terra, Universidade Federal do Paraná, como requisito parcial a obtenção do título de doutor em geociências.
Orientador: Prof. Dr. Rodolfo José Angulo
CURITIBA
2013
SUMÁRIO
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1. |
INTRODUÇÃO |
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2. |
MORFODINÂMICA |
DOS |
SEDIMENTOS |
DA |
PLATAFORMA |
CONTINENTAL |
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INTERNA DO PARANÁ |
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2.1 INTRODUÇÃO |
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2.1.1 |
ÁREA DE ESTUDOS |
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2.2 MATERIAIS E MÉTODOS |
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2.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO |
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2.3.1 |
Feições morfológicas e batimétricas de larga escala na plataforma interna do Paraná |
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2.3.2 |
SEDIMENTOS SUPERFICIAIS DA PLATAFORMA INTERNA DO |
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2.3.2 |
SETOR DA PLATAFORMA INTERNA |
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2.3.3 |
SETOR |
GUARATUBA |
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2.3.4 |
SETOR PRAIA DE LESTE |
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2.3.5 |
SETOR |
SUPERAGÜI |
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3. FORMAS DE FUNDO E ASSOCIAÇÃO DE FÁCIES NA PLATAFORMA INTERNA
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3.1.1 ÁREA DE ESTUDOS
3.1 INTRODUÇÃO
PARANAENSE
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3.2 MATERIAIS E MÉTODOS |
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3.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO |
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4. O AMBIENTE DEPOSICIONAL DOMINADO POR TEMPESTADES DA
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PLATAFORMA CONTINENTAL INTERNA DO PARANÁ
4.1 INTRODUÇÃO
4.1.1 ÁREA DE ESTUDOS
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4.2 MATERIAIS E MÉTODOS |
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4.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO |
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5. PLANO DE AÇÃO PARA CONCLUSÃO DA TESE |
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6. REFERÊNCIAS |
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1. INTRODUÇÃO
Plataformas continentais internas são definidas como a porção mais rasa da plataforma continental cujo leito está frequentemente sujeito a atuação dos movimentos oscilatórios gerados por ondas (Wright, 1995). Como um ambiente deposicional marinho raso as plataformas continentais são originadas pelo acúmulo de material siliciclástico ou carbonático. Os primeiros modelos de sedimentação em plataformas continentais apresentavam a ideia de seleção progressiva na qual haveria uma diminuição da granulação dos sedimentos costa a fora conforme diminui a energia dos processos físicos responsáveis pela mobilização de partículas nestes ambientes (Johnson, 1919; Marr, 1929). Esta suposição foi baseada em modelos empíricos de larga escala e em interpretações de registros estratigráficos em rochas sedimentares (Marr, 1929), porém a distribuição dos sedimentos nas plataformas atuais ainda era pouco conhecida. Levantamentos sobre a composição sedimentar do leito marinho em escalas regionais e locais reconheceram que nem a granulação e a distribuição de sedimentos em plataformas continentais apresentam uma variação regular desde a linha de costa até a quebra da plataforma (Curray, 1960; 1965; Frazier, 1974; Suter, 1987). O termo relíquia, designado para sedimentos que não estão em equilíbrio com dinâmica atual do ambiente deposicional (Shepard, 1932; Emery, 1968), se refere ao produto de uma deposição pretérita. Swift et al. (1971) introduziram o conceito de sedimentos palimpsestos para aqueles sedimentos que são produtos de uma deposição pretérita, mas são sujeitos ao retrabalhamento por processos correspondentes ao regime hidrodinâmico atual. A sistematização de uma classificação baseada nos processos de suprimento e distribuição de sedimentos que mesclam características de depósitos modernos e relíquias foi tema do trabalho de McManus (1975). Os mecanismos de transporte e deposição de sedimentos em plataformas permanecem como um assunto em discussão (Dalrymple e Cummings, 2004; Wright, 1995; Walsh e Nittrouer, 2009, Murray e Thieler 2004). A atuação de vários processos de suprimento e distribuição é reconhecida por Wright (1995). Em relação ao suprimento os sedimentos são fornecidos a partir canais fluviais ou estuários para a plataforma por processos como fluxos gravitacionais, de densidade, geostróficos ou fluxos combinatórios (que combinam fluxos oscilatórios e unidirecionais). Ao passar o domínio da praia e
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aportar na plataforma os sedimentos podem ser depositados próximos à costa ou transportados paralela ou transversalmente à costa até regiões mais profundas da plataforma (Wright, 1995). Além do suprimento de sedimentos a constituição de um depósito de plataforma depende do espaço de acomodação. Se a taxa de aporte de sedimentos é maior do que a criação de espaço de acomodação a plataforma é configurada pelo domínio de suprimento, progradante, e se o suprimento não é suficiente para preencher o espaço disponível então se configura um domínio de acomodação, ou transgressivo (Swift e Thorne, 1991). Processos deposicionais e erosivos relativos à transgressão após o último máximo glacial com a rápida subida do nível do mar durante o Holoceno afogaram ambientes deposicionais costeiros como estuários, lagunas, deltas planícies costeiras com cordões litorâneos e também ambientes deposicionais fluviais e eólicos. Além de afogados, em muitas regiões onde há aporte sedimentar holocênico grande o suficiente, estes ambientes também se encontram enterrados. A interação entre os sedimentos superficiais depositados na plataforma e o regime hidrodinâmico é influenciada pelo arcabouço estrutural e pela topografia do ambiente pretérito de modo que favorece o desenvolvimento de formas de fundo no leito marinho (Bastos et al. 2003; Li e Amos, 1999; Amos et al., 1996; Amos et al., 1988; Duke, 1985). Browder e McNinch (2006) descrevem uma correlação espacial entre a ocorrência de paleocanais e a morfologia da zona litorânea (nearshore) onde barras oblíquas à costa ocorrem associadas a afloramentos de cascalho. Outro tipo de formas de fundo formado por sedimentos palimpsestos são as formas de fundo ordenadas (sorted bedforms) ou depressões erosivas com marcas onduladas (rippled scour depressions). A ocorrência de depressões erosivas com marcas onduladas foi relacionada a uma concentração de correntes que transportam sedimentos transversalmente a costa removendo sedimentos mais finos e favorecendo a ocorrência de uma depressão onde se concentram sedimentos grossos que se ordenam em marcas onduladas, mas estas formas de fundo não são simples depressões e pode haver um transporte de sedimentos resultante ao largo da costa de modo que o termo formas de fundo ordenadas se torna mais apropriado (Murray e Thieler, 2004). Goff et al. (2005) também descrevem a ocorrência de formas de fundo ordenadas e relacionam estas a uma migração de sedimentos holocênicos sobre o substrato pleistocênico. Veiga e Angulo (2003) sugeriram que a ocorrência de areias
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médias a grossas entre 10 e 14 m de profundidade está relacionada a feições batimétricas oblíquas a linha de costa na plataforma interna do Paraná. Em relação ao controle estrutural exercido por paleoambientes sobre feições morfológicas em plataformas continentais Corrêa et al. (1996) descrevem escarpas erosivas na plataforma continental do Rio Grande do Sul e as relacionam com períodos de estabilização do nível do mar. Conti e Furtado (2009) apresentam aspectos da evolução de paleodrenagem com base em modelos digitais do terreno para a plataforma continental na região de Ubatuba. Veiga (2005) apresenta linhas de quebra de declividade e outras feições morfológicas para a porção central da plataforma interna do Paraná. A ocorrência de sedimentos finos nas plataformas internas não é incomum. Nitrouer e Walsh (2009) propõem uma classificação dos depósitos de sedimentos finos modernos fornecidos para o ambiente marinho raso pelo aporte de rios e estuários. Veiga et al (2006) sugerem que os depósitos de sedimentos finos na porção central da plataforma interna paranaense são resultado de suprimento por plumas estuarinas e que são aprisionadas pela cerca de energia litorânea, processo descrito por Allen (1970) e Swift e Thorne (1991). Por outro lado, Souza (2005) revela que o conteúdo de sedimentos finos, num testemunho de sondagem raso aos 10 m de profundidade (de coluna d’água), na mesma região, apresentou idade pleistocênica. Calliari et al. (2007) descrevem a ocorrência de sedimentos finos na costa sul do Rio Grande do Sul e também relacionam a ocorrência destes depósitos com paleoambientes deposicionais lagunares. A complexidade da dinâmica sedimentar representada na influência dos paleoambientes sobre a distribuição dos sedimentos e a morfologia do leito marinho na plataforma interna é o tema deste trabalho. A hipótese tratada aqui é de que o substrato pleistocênico exerce influência sobre a dinâmica sedimentar atual da plataforma interna do Paraná. O ambiente deposicional marinho raso atual é pouco espesso e a deposição holocênica, se existente, se restringe aos sedimentos finos fornecidos pelos sistemas estuarinos adjacentes. Os capítulos que se seguem são apresentados de acordo com as etapas de pesquisa adotadas para responder as questões propostas acima.
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2. MORFODINÂMICA DOS SEDIMENTOS DA PLATAFORMA CONTINENTAL INTERNA DO PARANÁ
Este capítulo tem como objetivo investigar a distribuição espacial dos sedimentos superficiais numa região de plataforma continental interna dominada por ondas na qual a taxa de aporte sedimentar não é suficiente para preencher o espaço de acomodação confrontando as relações entre a distribuição dos sedimentos com o regime morfodinâmica e o passado geológico desta região.
2.1 INTRODUÇÃO
As fácies da face litorânea (shoreface) e plataforma interna têm sido descritas em termos de sua composição granulométrica, estruturas sedimentares e presença de traços fósseis de acordo com uma compartimentação do ambiente de deposição baseada principalmente na frequência de ação do processo hidrográfico dominante. Os níveis de base de ondas de bom tempo e tempestade são referidos como os limites entre ambientes mais e menos frequentes sujeitos aos processos menos ou mais energéticos. Em geral os ambientes deposicionais costeiros dominados por ondas são formados pela acumulação de material submetido a períodos de intenso retrabalhamento intercalados com períodos de menor energia. O modelo do perfil topobatimétrico que descreve a configuração dos ambientes deposicionais dominados por ondas e formados por sedimentos de granulação arenosa foi concebido por Bruun (1954) e aperfeiçoado por Dean (1977). O modelo matemático hipotético supõe que o perfil tende ao equilíbrio ao atingir um balanço neutro entre a resultante, em direção à costa, da interação de movimentos orbitais assimétricos das ondas com o fundo e a resultante, costa a fora, dos fluxos gravitacionais. No entanto, em muitos casos não reflete a complexidade dos perfis encontrados nas costas reais ao redor do mundo (Cooper e Pilkey, 2004). Por outro lado os modelos de fácies para estes ambientes são amplamente aceitos sendo estes baseados em registros estratigráficos descritos em afloramentos e poços de sondagens
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de ambientes reais geologicamente pretéritos. De acordo com a Lei de Walther (Middleton, 1973) assume-se que as associações verticais de fácies correspondem aos ambientes lateralmente contíguos. Os modelos de fácies para faces litorâneas e plataformas internas em costas regressivas dominadas por ondas são genericamente descritos na sequência da costa para o mar pelos subambientes de face praial, face litorânea superior, média e inferior, zona de transição e plataforma. A plataforma interna conforme definida por Wright (1995) se estende desde a região contígua a zona de surfe em direção ao mar na qual as ondas frequentemente agitam o fundo e, portanto, envolve os ambientes desde a região média da face litorânea até a região da plataforma média. Um modelo padronizado da sucessão de fácies para estes ambientes é apresentado por Clifton (2006). Num ambiente de baixa energia com granulação predominante de areia fina e linha de costa progradante a sucessão de fácies de maneira geral se caracteriza pela presença de fácies compostas por sedimentos de granulação mais fina e um aumento progressivo da granulação nas fácies acima (Walker e Plint, 1992). Os sistemas de barreiras do Paraná são formados pelas barreiras pleistocênicas e holocênicas progradantes de Guaratuba, Paranaguá e Superagüi numa área total de 645 km² (Angulo et al. 2009). A largura máxima destas barreiras é de 5,3 km em Guaratuba, 8,6 km em Paranaguá e 13,8 km em Superagüi o que sugere um preenchimento devido ao aporte sedimentar longitudinal a costa de sul para norte (Lessa et al. 2000). As fácies sedimentares nestas barreiras envolvem: (1) fácies de plataforma interna compostas por sedimentos lamosos com matéria orgânica e areias finas a muito finas, (2) fácies da face litorânea inferior são compostas por areias finas a muito finas e lama bioturbada com estratificação cruzada tipo swaley, (3) predomínio de estratificação cruzada tipo swaley na fácies de face litorânea média e (4) estratificações cruzadas planares, tangenciais, tabulares e sigmoidais na fácies de face litorânea superior (Angulo et al. 2009). Souza et al. (2012) apontam que o modelo de fácies da barreira holocênica de Praia de Leste, na região central da barreira de Paranaguá, difere dos modelos de fáceis em sistemas de progradação de linha de costa descritos para outras regiões apresentados por Clifton (2006) em dois aspectos principais: (1) as fácies de face litorânea média e inferior, entre 3 e 9 m de profundidade em relação ao paleonível do mar, apresentam sedimentos finos (entre 25 e 50%) e detritos vegetais e (2) há um predomínio de estratificação cruzada tipo swaley nas fácies de face litorânea média e inferior enquanto nos demais modelos predominam areias bioturbadas e ocorrências de estratificações paralelas e cruzadas tipo
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hummocky. Na plataforma interna atual, na região da barreira de Paranaguá, entre 5 e 10 m de profundidade ocorrem sedimentos finos com concentração de lama entre 10 e 40% e matéria orgânica entre 6 e 14% (Veiga et al., 2006). A Plataforma interna como definida por Wright (1995) representa o elo entre a costa e o oceano atuando como um compartimento intermediário que fornece sedimentos tanto para a região costeira quanto para áreas mais profundas dos oceanos. Na tentativa de explicar a ocorrência de sedimentos finos na porção central da plataforma continental interna dominada por ondas do Paraná Veiga et al. 2006 coletaram testemunhos de sedimentos entre 8 e 14 m de profundidade que foram datados em 1.517 - 1.189 AP (8m) e 40.000 - 46.000 AP (14 - 16m). Os autores sugerem que apesar da idade dos sedimentos a presença de foraminíferos de plataforma indica que os sedimentos podem ser provenientes dos estuários, mas depositados em ambiente de plataforma. Entretanto, a ocorrência de estratificação cruzada tipo swaley em fácies de face litorânea média (Souza et al., 2012) indica um transporte de sedimentos em direção à costa. O acumulo de lama e matéria orgânica entre 5 e 10 m de profundidade na plataforma interna atual pode ser resultante deste transporte em direção à costa que remove as camadas superficiais de areia expondo depósitos de ambientes paleolagunares que atuam como fontes de material conforme o processo de inversão de idades descrito por Angulo et al. 2008.
2.1.1 ÁREA DE ESTUDOS
A área de estudo se insere na plataforma sudeste brasileira caracterizada por uma ampla extensão e baixa declividade cuja quebra se situa a cerca de 200 km da linha de costa em torno de 200 m de profundidade (fig. 01). Segundo as informações de apresentadas na figura 02 os sedimentos que recobrem a plataforma na latitude de Paranaguá variam entre areia fina a lama. Há uma aparente diminuição da granulação da costa para o talude sendo que a transição entre areia muito fina e lama ocorre próxima dos 100 m de profundidade. A região costeira nesta área apresenta um relevo montanhoso escarpado caracterizado pela presença da serra do mar e planícies costeiras com corsões arenosos e sistemas estuarinos (Dominguez, 2009). A plataforma interna do Paraná está situada entre as desembocaduras do rio Saí-Guaçu e do mar da Ararpira e
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se estende por aproximadamente 98 km de costa e por 30 km em direção ao mar até a profundidade de 30 m (fig. 03).
Figura 01 – Modelo digital do terreno para a região da Plataforma Continental Sudeste Brasileira Fonte: ETOPO 1 Amante e Eakins, (2009)
As praias na costa do Paraná são predominantemente intermediárias (Quadros, 2002) e intercaladas por deltas dos estuários das baías de Paranguá e Guaratuba e pelas desembocaduras do rio Saí Guaçu e do canal do Mar da Ararpira. As direções principais de propagação de ondas na plataforma interna são de SSE e SE, associados à atuação de ciclones subtropicais, com altura de onda significativa e período predominantes entre 0,5 a 1,5 m e 6 e 9 s (Nemes e Marone, 2013). Os valores máximos para altura significativa e período podem chegar a 7,3 m e 15 s na quebra da plataforma (Pianca et al. 2010) e 5 m e 17 s próximos da costa (Nemes e Marone, 2013). O regime de marés é de micromaré semidiurna com amplitude média de 1,4 m em mar aberto (Marone e Jamiyanaa, 1997). Os principais cursos fluviais tanto das bacias hidrográficas da Serra do Mar quanto das planícies costeiras desembocam nos estuários das baías de Paranaguá e Guaratuba de maneira que não contribuem diretamente com o aporte de sedimentos para as regiões da antepraia e plataforma interna.
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Figura 02 - Sedimentos do leito da plataforma continental sul e sudeste brasileira Fonte: Figueiredo e Tessler, (2004)
A área de estudos foi dividida em quatro setores, três correspondentes aos segmentos de linhas de costas oceânicas adjacentes às planícies costeiras e um setor correspondente à plataforma interna (fig. 03). O setor Guaratuba localiza-se entre a barra do rio Saí e o morro do Cristo na região da planície de Guaratuba e se estende em direção ao mar desde o início da zona de surfe até 12 m de profundidade. O setor Praia de Leste localiza-se entre o Pico de Matinhos e a barra da galheta na região da planície de Paranaguá e se estende em direção ao mar desde o início da zona de surfe até 15 m de profundidade. O setor Superagüi localiza-se entre a barra do Superagüi e o a barra do Ararapira na região da planície de Guaraqueçaba e se estende em direção ao mar desde o início da zona de surfe até 15 m de profundidade. O setor Plataforma Interna se estende desde a barra do Saí até a barra do Ararapira entre as isóbatas de 10 e 30 m de profundidade.
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Figura 03 – Localização da área de estudos. Em amarelo os setores Guaratuba, Praia de Leste, Superagüi e Plataforma Interna
2.2 MATERIAIS E MÉTODOS
Os sedimentos de fundo foram coletados a partir de embarcação com draga tipo Van-Veen em 875 pontos georreferenciados preestabelecidos (fig. 04). Foram obtidas 429 amostras nos setores da costa de Praia de Leste e Superagüi na faixa de 5 a 15 m de profundidade por Veiga et al. (2005) e Simioni e Veiga (2008) cujos dados brutos foram reanalisados. Outras 404 amostras foram coletadas no âmbito do Programa de Avaliação da Potencialidade Mineral da Plataforma Continental Jurídica Brasileira (REMPLAC) entre 5 e 15 m no Setor de Guaratuba e ao longo da faixa de 15 a 30 m de profundidade em toda a extensão da plataforma do Paraná.
As análises granulométricas foram efetuadas segundo o método descrito por
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Suguio (1973) para o peneiramento com intervalos de 0,5 φ e pelo método de Carver (1971) para a pipetagem com intervalos de 1 φ. Posteriormente foram processadas com o auxílio do software SysGran 3.1 (Camargo 2006) para o cálculo dos parâmetros granulométricos segundo a classificação de Folk e Ward (1957) e adotando a escala granulométrica de Wentworth (1922). O teor de carbonatos totais foi obtido tratando-se 10 g da amostra com HCl a 10% de volume até cessar a efervescência, lavando-se em seguida o material com água morna destilada e posto a secar para pesagem. O teor de matéria orgânica foi obtido após a queima de 5 g de material seco em mufla a 440 °C e posterior pesagem para quantificar o peso perdido pela matéria orgânica queimada. Os dados batimétricos foram obtidos de cartas náuticas digitais da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) da Marinha do Brasil para geração do modelo 3D da área de estudo.
Figura 04 – Sistematização das estações de coleta de sedimentos.superficiais na plataforma interna do Paraná.
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2.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
2.3.1 Feições morfológicas e batimétricas de larga escala na plataforma interna do Paraná
Os padrões de estreitamento e de inflexões das isóbatas da plataforma interna do Paraná revelam a ocorrência de algumas feições morfológicas como declives acentuados próximos à costa, fundos planos, depressões, e sistemas de calhas e cristas (fig. 05).
Figura 05 – Modelos digital do terreno para a plataforma interna paranaenese
Os declives acentuados próximos da costa apresentam quebras de declividade entre 10 e 15 metros de profundidade em regiões distintas. Nos setores de Guaratuba e Praia de Leste as quebras se apresentam próximas da isóbata de -10 m enquanto no Superagüi ocorre em torno de -15 m indicando a base da transição entre a face litorânea inferior e a plataforma interna. Os fundos planos são observados por inflexões pronunciadas em direção ao mar associadas a um afastamento entre as isóbatas na faixa
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de profundidade entre 15 e 30 m. Depressões pontuais foram observadas no setor de Superagüi próximas da costa entre as isóbatas -10 e -14 m. Os sistemas de calhas e cristas podem ser observados em duas escalas distintas. Próximos à costa estes sistema pode ser associado à ocorrência de formas de fundo de sand ridges (Veiga et al, 2006). Enquanto em regiões mais profundas que -10 m estes sistemas se assemelham a configuração de um sistema de paleodrenagem (fig. 06).
Figura 06 – Sistemas de calhas e cristas da plataforma do paraná a partir de modelo digital do terreno. As calhas em violeta relevam um padrão semelhante a uma paleodrenagem
Analisando os perfis batimétricos nos setores Guaratuba, Praia de Leste e Superagüi observam-se configurações bem distintas em cada setor. Os três perfis apresentam concavidade na parte superior do perfil e diferenças notáveis nas porções médias e inferiores (fig. 07).
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Figura 07 – Perfis batimétricos nos três segmentos de linha de costa oceânica do Paraná
No perfil de Guaratuba a partir de 10 m de profundidade a quebra de declividade incide em um gradiente mais suave e na ocorrência de um fundo plano em torno da isóbata de -12 m. Na faixa de profundidade entre -15 e -20 m observam-se feições de calha e crista seguidas de um declive acentuado. A partir da isóbata -20 m as feições são menos pronunciadas, mas também denotam um sistema de calhas com cristas marginais.
O início do perfil de Praia de Leste é marcado pela presença de um fundo plano aos 10 m de profundidade, na base do declive acentuado da região superior. Há um declive acentuado desde a base do fundo plano aos -10 m até a proximidade da isóbata - 16 m. Entre -16 e -23 m o declive é suave e apresenta uma rugosidade atenuada seguida de um declive acentuado até -30 m.
Uma depressão pode ser observada no perfil Superagüi na base do declive acentuado em torno de -15 m. Desde a crista situada próxima à isóbata de -12 m até a isóbata -20 m ocorre outro declive acentuado. Na região de -20 m há um fundo plano numa extensão de aproximadamente 10 km a partir do qual ocorre uma transição para um declive suave que se estende até a isóbata de -30 m.
2.3.2 SEDIMENTOS SUPERFICIAIS DA PLATAFORMA INTERNA DO PARANÁ.
Os sedimentos que compõem a cobertura sedimentar da plataforma interna paranaense são siliciclásticos e apresentam distribuição em classes granulométricas de silte grosso a areia grossa (fig. 09). No geral predominam sedimentos classificados como areia fina. Nos setores Guaratuba, Praia de Leste e Superagüi, entre as isóbatas de 5m e 10m, ocorrem sedimentos mais finos compostos por areia muito fina e silte grosso em
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áreas isoladas. A largura da faixa de distribuição do sedimento mais fino é maior no setor Superagüi, entre as isóbatas de 5 e 15m. Apenas na porção sudoeste do setor Praia de Leste há predominância de areia fina. Os sedimentos grossos (areias grossas a médias) apresentam distribuição dispersa entre-10 e -30 m com maior concentração nos setores Guaratuba e Praia de Leste entre 10 e 20 m de profundidade.
Figura 09 – Média granulométrica para os sedimentos da plataforma interna do Paraná
Os sedimentos foram classificados de moderadamente selecionado a muito bem selecionado na maior parte da área entre os 10 m e 30 m de profundidade. Nesta área apenas os sedimentos mais próximos às ilhas e à desembocadura do CEP foram classificados entre muito pobremente selecionado e moderadamente selecionado. Nas áreas mais rasas, de profundidade menor que 10 m, ocorrem duas situações distintas. Nos setores Guaratuba e Praia de Leste os sedimentos são muito pobremente selecionados já na costa de Superagüi variam de muito pobremente selecionado a muito bem selecionado (fig. 10). Em geral as areias entre 0 e 4 φ são melhor selecionadas
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enquanto os siltes são muito pobremente a moderadamente selecionados, assim como algumas areias finas a muito finas (fig. 11).
Figura 10 – Grau de seleção para os sedimentos da plataforma interna do Paraná
Analisando os histogramas das amostras de sedimentos pode-se observar distintos padrões de sedimentos. Areias finas a muito finas que apresentam distribuição unimodal aproximadamente simétrica correspondem a regiões de alta energia, como bancos de areia próximos às desembocaduras e face litorânea. Nas regiões próximas à costa, face litorânea inferior, ocorrem sedimentos com distribuição bimodal com os picos nas classes de areias finas e silte grosso. As areias médias a grossas têm distribuição unimodal aproximadamente simétrica entre -15 e -30 m. Entre -10 e -15 m as distribuições destes sedimentos apresentam assimetria no sentido dos finos. As areias finas são predominantemente unimodais mas com curvas de distribuição mais achatadas entre meso e platicúrticas.
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Figura 11 – Gráfico bivariado média (mean) vs. grau de seleção (sorting). Unidades em na escala logarítmica φ
Os teores de matéria orgânica são predominantemente inferiores a 3 %. As areias finas a muito finas próximas a costa podem apresentar teores de matéria orgânica entre 3 e 10%. Teores entre 5 e 40 % foram encontrados nas amostras que apresentam média granulométrica na classe dos siltes.
Os teores de carbonatos variam entre 1 e 15 %. A maioria das amostras (75 %) apresentam teores de carbonatos menores que 5 %. Os teores mais elevados, entre 5 e 15 %, são encontrados próximos à costa em profundidades inferiores a -15 m em sedimentos que variam de areia muito fina a silte grosso mal selecionados. Também são encontrados teores elevados em algumas áreas nas imediações das ilhas onde ocorrem areias médias a grossas.
Foram identificados cinco padrões distintos de acordo com as características granulométricas das amostras de sedimentos: (1) areias médias a grossas entre -30 e -10 m; (2) areias finas a muito finas com grau de seleção entre moderadamente e muito pobremente selecionadas com ocorrência isolada entre -30 e -10 m de profundidade e em áreas contínuas entre -10 m e o início da zona de arrebentação; (3) siltes grossos a finos predominantemente bimodais pobremente a muito pobremente selecionados com
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concentração de matéria orgânica; (4) areias finas a muito finas bem selecionadas entre a isóbata de -10 m e o início da zona de surfe; (5) areias finas unimodais bem a muito bem selecionadas com ampla ocorrência na faixa entre 30 e 10 m de profundidade.
2.3.2 SETOR DA PLATAFORMA INTERNA
O setor da plataforma interna, entre -10 e -30 m, é marcado pela ampla ocorrência de areias finas bem a muito bem selecionadas. Areias muito grossa a médias ocorrem em áreas isoladas próximas às ilhas oceânicas entre 10 e 15 m de profundidade, em regiões de inflexões das isóbatas no sentido costa a fora entre -15 e -25 m e em declives acentuados próximos a isóbata de -30 m. Algumas ocorrências de areias finas a muito finas com baixo grau de seleção ocorrem associadas aos fundos planos. Na faixa de profundidade entre -15 e -20 m duas ocorrências de silte pobremente selecionados foram registradas nas imediações da baía de Guaratuba e da desembocadura do mar da Ararapira onde as isóbatas apresentam inflexões pronunciadas em direção a costa (fig. 12). Os padrões de areias médias a muito grossas e de siltes em áreas de inflexões das isóbatas sugerem que estas feições representem afloramentos de paleocanais e barras afogados de como evidências de um controle da paleotopografia na morfologia atual da plataforma.
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Figura 12 – Padrões de sedimentos para a plataforma interna do Paraná. (1) Sedimentos grossos, (2) Areias finas a muito finas mal selecionadas, (3) Sedimentos finos com concentração de matéria orgânica, (4) Areias finas a muito finas bem selecionadas próximas a costa, (5) Areias finas da plataforma interna.
2.3.3 SETOR GUARATUBA
Os sedimentos no setor de Guaratuba são compostos por areias médias a silte grosso (fig. 13). Entre 14 e 11 m de profundidade predominam areias finas bem selecionadas com algumas ocorrências de areias médias isoladas. Este padrão é interrompido numa faixa estreita na qual são observados sedimentos de silte grosso e areia fina numa região onde ocorrem duas inflexões das isóbatas, uma em direção à costa e outra no sentido oposto. Estas inflexões aparentemente representam uma feição
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morfológica constituída por crista e calha. Entre 11 e 8 m de profundidade há maior heterogeneidade na composição dos sedimentos. Ocorrem duas extensas faixas de areias muito finas mal selecionadas intercaladas por áreas onde se encontram siltes finos e areias finas também mal selecionados. Entre -6 e -2 m há um predomínio de siltes grossos mal selecionados e algumas ocorrências de areias finas mal selecionadas.
Figura 13 – Padrão de sedimentos para o leito do setor Guaratuba. (1) Sedimentos grossos, (2) Areias finas a muito finas mal selecionadas, (3) Sedimentos finos com concentração de matéria orgânica, (4) Areias finas a muito finas bem selecionadas próximas a costa, (5) Areias finas da plataforma interna.
2.3.4 SETOR PRAIA DE LESTE
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No setor de Praia de Leste os sedimentos se distribuem entre areia grossa e silte grosso (fig. 14). Há uma predominância de areias finas bem selecionadas entre 10 e 15 m de profundidade com algumas ocorrências de areias médias a grossas bem selecionadas, aparentemente relacionadas às inflexões das isóbatas costa a fora. Ainda nesta faixa de profundidade observam-se áreas com areias finas a muito finas entre moderadamente a mal selecionadas associadas a um canal próximo ao delta da baía de Paranaguá. Este mesmo padrão é encontrado também em uma faixa contínua na zona de declividade acentuada que se estende desde a costa até -10 m.
Figura 14 – Padrão de sedimentos para o leito do setor Praia de Leste. (1) Sedimentos grossos, (2) Areias finas a muito finas mal selecionadas, (3) Sedimentos finos com concentração de matéria orgânica, (4) Areias finas a muito finas bem selecionadas próximas a costa, (5) Areias finas da plataforma interna.
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Na região do delta da desembocadura da baía de Paranaguá ocorrem areias muito finas bem selecionadas entre -5 e -10 m. No início da zona de surfe o padrão de areias finas a muito finas com baixo grau de seleção é interrompido em duas áreas onde se encontram siltes grossos mal selecionados e areias finas a muito finas mais bem selecionadas. Estas áreas podem estar relacionadas com a presença de um campo de sand ridges conectados à face litorânea.
2.3.5 SETOR SUPERAGÜI
Areias médias a silte fino compõem a cobertura sedimentar no setor de Superagüi (fig. 15). Na faixa de profundidade entre -15 e -10 m há uma grande diversidade de sedimentos e o padrão predominante de areias finas bem selecionadas é interrompido por amplas áreas de ocorrência dos padrões de areias finas a muito finas com baixo grau de seleção, siltes mal selecionados e, áreas menos amplas de areias médias a grossas. O padrão de areias finas a muito finas com baixo grau de seleção ocorre na base da declividade acentuada da face litorânea e em alguns locais é interrompido pelos siltes mal selecionados. As maiores áreas de siltes estão associadas a regiões de depressões. O padrão de areias médias a grossas ocorrem na proximidade do banco da barra do Superagüi e das inflexões das isóbatas costa a fora. Na faixa entre -10 m e a base da zona de surfe uma e faixa de areias muito finas com seleção entre moderada a muito bem selecionada se distribui por toda a extensão da costa.
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Figura 15 – Padrão de sedimentos para o leito do setor Superagüi. (1) Sedimentos grossos, (2) Areias finas a muito finas mal selecionadas, (3) Sedimentos finos com concentração de matéria orgânica, (4) Areias finas a muito finas bem selecionadas próximas a costa, (5) Areias finas da plataforma interna.
2.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A região superior dos perfis batimétricos é marcada pela presença do padrão de sedimentos finos a muito finos com boa seleção. Este padrão é mais marcado no setor Superagüi e menos em Guaratuba. Já em Praia de Leste há apenas uma pequena área de ocorrência deste padrão próximo ao início da zona de arrebentação. A interdigitação deste padrão com os padrão de areia fina a muito fina mal selecionada e o padrão de siltes com concentração de matéria orgânica e ainda a apresentação das isóbatas em
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sistemas de calhas e cristas sugerem que a região próxima a costa é dominada pela presença de campos de sand ridges. Estas feições são formadas pela alternância da resultante em direção à costa da ação de ondas e na direção oposta pelas correntes de retorno. Nas regiões média e inferior dos perfis o predomínio de areias finas a muito finas mal selecionadas geralmente bimodais indicam que este padrão é formado por duas populações distintas de sedimentos. Considerando que as modas se encontram nas classes de areias finas e siltes e que o padrão de sedimentos composto pelos siltes mal selecionados se encontram na base da face litorânea é provável que as áreas de silte atuem como fonte de sedimentos transportados em direção à costa para as regiões superiores. A presença de siltes em feições de depressões na base da face litorânea no Superagüi é um indício de que estes sedimentos sejam afloramentos paleolagunares. As áreas de sedimentos de granulação média a muito grossa por sua vez podem estar relacionadas à formas de fundo ordenadas (sorted bedforms) que revelam afloramentos de antigas barras de paleocanais conforme sugerido por Browder e Mcninch (2006).
3. FORMAS DE FUNDO E ASSOCIAÇÃO DE FÁCIES NA PLATAFORMA INTERNA PARANAENSE
Este capítulo tem como objetivo investigar a distribuição espacial dos sedimentos superficiais numa região de plataforma continental interna dominada por ondas na qual a taxa de aporte sedimentar não é suficiente para preencher o espaço de acomodação confrontando as relações entre a distribuição dos sedimentos com o regime morfodinâmico e o passado geológico desta região. Estudos sobre a distribuição de sedimentos na plataforma continental interna do Paraná vêm sendo conduzidos durante a última década levando em consideração as características granulométricas e batimétricas. Entre os distintos padrões de sedimentos na região central da plataforma interna ocorre um padrão composto por areias médias e grossas relacionado a áreas de sand ridges. Estas formas de fundo apresentam contato abrupto com áreas de areias mais finas possivelmente revelando afloramentos de sedimentos relíquias. O presente trabalho tem como objetivo investigar a ocorrência dos
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sedimentos relíquias e relacionar a distribuição de fácies sedimentares com as formas de fundo na porção central da plataforma continental interna do litoral paranaense.
3.1 INTRODUÇÃO
A caracterização de ambientes deposicionais marinhos rasos é uma tarefa complexa que demanda o emprego de técnicas de investigação variadas e específicas. Sobre estes ambientes se sobrepõem processos representativos de uma interface tríplice entre continente atmosfera e oceano de tal maneira que abordagens específicas foram desenvolvidas, adaptadas e integradas para se obter uma caracterização na qual os processos mutualmente interdependentes sejam evidentes. Dentre os métodos de investigação dos ambientes deposicionais marinhos rasos destacam-se os métodos de observação direta como as observações de campo (executadas com mergulho autônomo ou submergíveis) e as amostragens de sedimentos (utilizando dragas ou testemunhadores). Apesar de sua importância fundamental na compreensão dos processos atuantes sobre este ambiente estes métodos muitas vezes apresentam uma validade em escala regional de modo que não capturam a interação dos depósitos com processos de média e larga escala. Os métodos de observação indireta como os métodos geofísicos por outro lado obtêm resultados compatíveis com as escalas sinóticas de observação de processos físicos que são em grande parte importantes para a compreensão da configuração atual e da evolução dos ambientes costeiros. O sinal acústico emitido pelo sonar é refletido pela superfície do leito retornando informações desta que possibilitam a identificação de objetos, formas de fundo, estruturas sedimentares e contatos faciológicos. Os sonares de varredura lateral são amplamente aplicados para a identificação de estruturas sedimentares, contatos litológicos e distribuição de sedimentos de fundo (Lancker et al., 2004 e Woodruff et al. 2001). Recifes de arenito e arenitos de praia podem ser identificados nos sonogramas adquiridos por sonares de varredura lateral (Furtado et al., 2000; Vital et al., 2002; Klein et al., 2004). Na plataforma interna do Paraná Veiga et al. (2004) pela interpretação de sonogramas identificaram recifes de arenito submersos em diferentes profundidades possivelmente formados durante a último evento transgressivo.
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3.1.1 ÁREA DE ESTUDOS
Os levantamentos sobre as formas de fundo se concentraram no setor de Praia de Leste, entre as baías de Guaratuba e Paranaguá e as isóbatas de -10 e -35 m (fig. 16). Nesta região predominam as areias finas típicas da plataforma interna do paraná e áreas de areia média a muito grossa possivelmente associadas à sand ridges. A morfologia desta região é caracterizada por fundos planos e pela influência do delta de Paranaguá e dos arquipélagos de Itacolomis e Currais. Na região dos levantamentos A e B ocorrem feições marcadas pela inflexão das isóbatas costa a fora e sedimentos que variam de areia média a grossa.
Figura 16 – Áreas dos levantamentos geofísicos realizados com sonar de varredura lateral na região central da plataforma interna do Paraná
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3.2 MATERIAIS E MÉTODOS
O levantamento sobre as formas de fundo foi realizado com sonar de varredura lateral de baixa e alta resolução (340 e 600 kHz) na região da plataforma interna de Praia de Leste entre 10 e 35 m de profundidade. As linhas sísmicas foram adquiridas com comprimentos entre 500 m e 9 km, alcance lateral entre 50 e 75 m para cada lado e recobrimento de 20% entre linhas de modo a compor um mosaico com os sonogramas adquiridos. Foram aplicados filtros de ganho TVG (time variable gain) e AGC (automatic gain control) e correções de rastreio de fundo (bottom tracking) para cada sonograma de acordo com a qualidade do sinal. Com os sonogramas processados foram elaborados os mosaicos sonográficos para todas as áreas levantadas. Para caracterização das fácies sedimentares foram executados 19 furos de sondagem de 2 m de comprimento e 50 mm de diâmetro na região entre o pico de matinhos e o Arquipélago de Itcolomis (fig. 17).
Figura 17 – Localização dos furos de sondagem executados na área A (fig. 16) dos levantamentos geofísicos
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As sondagens foram realizadas por percussão manual em mergulho autônomo. Os
testemunhos foram cortados em laboratório e as fácies foram identificadas de acordo com
a textura dos sedimentos e a presença ou ausência de estruturas, bioclastos e
bioturbação. A distribuição dos furos de sondagem permitiu a execução de 19 perfis transversais (fig. 18). Desta maneira as continuidades laterais das fácies puderam ser identificadas.
Figura 18 – Seções transversais constituídas pelos furos de sondagem realizados na área A (fig. 16)
3.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A recuperação média de material nos testemunhos foi de 1,4 m. Foram
identificados dois padrões de reflexão distintos no mosaico sonográfico. Os padrões de alta refletância foram associados a formas de fundo plano. Os padrões de baixa
refletância foram associados a formas de fundo oblíquas à linha de costa sendo constituídas por ondas de areia de 1 m de comprimento entre cristas, 0,3 m de altura e orientação SE-NW. A descrição dos testemunhos proveu informações sobre a superfície e
a subsuperfície do substrato marinho. Na parte superficial dos testemunhos foram
identificadas duas fácies distintas. Uma composta por areia fina a muito fina, que foi
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relacionada ao padrão de fundo plano identificado nos sonogramas enquanto a fácies composta por areia média foi relacionada ao padrão de formado por ondas de areia. As fácies de subsuperfície ocorrem abaixo do limite da camada oxidada do sedimento sugerindo que estes sedimentos compõem o substrato anterior ao último evento transgressivo do Holoceno.
3.3.1 FORMAS DE FUNDO DA PLATAFORMA INTERNA PARANAENSE
Os sonogramas adquiridos revelam dois padrões de reflexão distintos. Os padrões de alta refletância foram relacionados às areias finas predominantes na plataforma enquanto que os padrões de baixa refletância foram relacionados às areias médias a grossas que se distribuem em áreas isoladas entre -10 e -30 m. As areias finas não apresentam estrutura caracterizando formas de fundo de leito plano (LP). Já os padrões de baixa refletância ocorrem em dois tipos diferentes: (L) lineamentos de areia média a grossa compostas por ondas de areia incipientes e (OA) áreas mais extensas representadas por ampla ocorrência de ondas de areia (fig. 19). Nos levantamentos realizados com baixa resolução o contato faciológicos entre os padrões LP e OA foi mais bem marcado pela diferença de contraste. Por outro lado as ondas de areia não são tão evidentes, mas isto não comprometeu a medição de comprimento e altura destas ondas. Em todas as áreas com ocorrência de formas de fundo OA as ondas de areia apresentam comprimento em torno de 1 m entre cristas e cerca de 30 cm de altura. O alinhamento das cristas indica que estas são formadas por processos bidirecionais que atuam no sentido SE-NW incidindo obliquamente a linha de costa.
Os levantamentos nas áreas A e D apresentam a distribuição dos padrões de baixa refletância L e OA em áreas alongadas oblíquas à linha de costa. Nas áreas B e C ocorrem apenas os padrões de baixa refletância do tipo OA e alta refletância LP. O mosaico sonográfico da área C revelou a maior extensão, aproximadamente 1 km de largura, do padrão de refletância OA (fig. 20A).
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Figura 19 – Padrões de reflexão nos sonogramas: (OA) padrão de reflexão com ondas de areia em áreas contínuas e extensas; (L) padrão de reflexão com ondas de areia incipientes distribuidas em lineamentos; (LP) padrão de reflexão de leito plano
Os lineamentos de areia média a grossa foram observados apenas em torno dos 10 m de profundidade. Por outro lado, as formas de fundo com ondas de areia ocorrem até os 35 m (fig. 20). Considerando que a esta profundidade apenas ondas com comprimentos maiores que 70 m têm a capacidade de mobilizar os sedimentos no fundo pode-se concluir que estas formas de fundo são características da atuação de ondas de tempestades.
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Figura 20 – Mosaicos sonográficos em profundidade de -35 m na área C (figura A) e -10 m na área D (figuras B e C).
As áreas A e B são marcadas pela presença de areias média a grossas em áreas isolados na região da plataforma onde predominam as areias finas. Os mosaicos sonográficos nestas áreas revelaram que o contato faciológicos entre estes dois tipos de sedimentos ocorre em pequena escala contrastando com os levantamentos dos sedimentos de fundo descritos no capítulo 2. Nestas duas regiões pode-se observar a característica de inflexão de isóbatas no sentido costa a fora evidenciando a relação entre a ocorrência de sedimentos grossos e feições morfológicas em forma de crista (fig. 21). Entretanto, as diferenças entre as escalas dos levantamentos sonográficos, sedimentológicos e da batimetria trazem consigo um erro espacial que levanta a dúvida sobre qual é a forma de fundo associada ao padrão de reflexão OA. Sand ridges são formadas pela ação de correntes de retorno que transportam sedimentos costa a fora. Já as Rippled scour depressions (ou sorted bedforms segundo Murray e Thieller, 2006) são formadas pela ação de correntes longitudinais ou pela combinação de correntes longitudinais com os movimentos oscilatórios de ondas que podem resultar em transporte em direção a costa. A presença do padrão OA identificado até a profundidade em torno de 30 m e as evidências de transporte onshore descritas para na barreira holocênica de Praia de Leste por Souza et al. (2012) levam a crer que as condições hidrodinâmicas da plataforma interna paranaense favorecem o desenvolvimento de sorted bedforms. Porém,
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os resultados ainda carecem de levantamentos batimétricos mais detalhados para tal constatação.
Figura 21 – Mosaicos sonográficos em áreas de contato entre as fácies de sedimentos grossos (1) areias finas da plataforma (5) em profundidade de -10 m na área A (A) e – 15 m na área B (B)
Foram identificadas nove fácies distintas nos testemunhos coletados na área A (quadro 01). Em geral, nos primeiros 50 cm dos testemunhos ocorrem fácies de areia muito fina sem estrutura e bioclastos esparsos (Sm), fácies de areia fina a média com estrutura cruzada e bioclastos esparsos (S4) e fácies de areia fina a muito fina com bioclastos e estruturas cruzadas (Sr). Estas três fácies ocorrem acima do limite da camada reduzida dos sedimentos e foram interpretadas como depósitos atuais nos quais os sedimentos estão sujeitos à remobilização. As camadas inferiores foram interpretadas como o substrato anterior ao último evento transgressivo holocênico.
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Quadro 01 – Fácies identificadas nos testemunhos de sondagem.
A fácies Sm(o) tem ampla distribuição em praticamente todos os testemunhos com
continuidade lateral evidenciada nas seções transversais. As fácies Sm(b) e Fsm geralmente sucedem a fácies Sm(o). A fácies S8 foi interpretada como um depósito de tempestade e ocorre em contato erosivo com as fácies Sm(b), Sm(o) e Fsm. Entre as fácies que sucedem a fácies S8 penas Sm e S4 apresentam sinais de bioturbação em
alguns testemunhos. A fácies Smg apresenta gradação normal caracterizando um processo episódico de alta energia provavelmente relacionado ao nível máximo erosivo sob o qual o depósito foi submetido.
A seção transversal a-a’ situa-se na região de leito plano. Esta seção apresenta a
continuidade da fácies Sm(o) entre 1,6 e 0,5 m sucedida pela fácies Smb nos testemunhos costa a fora. A fácies S8 é mais espessa no testemunho situado na posição mais distante da costa com 0,3 m de espessura. Todos os testemunhos desta seção apresentam a fácies Sm na sua porção superior com espessura de até 0,5 m no testemunho SSM-12 (fig. 22).
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Figura 22 – Seção transversal a-a’ (fig. 18) em região de contato faciológico entre os padrões de reflexão (OA) ondas de areia e (LP) leito plano (fig. 21 A). Unidades em metros
A seção c-c’ situa-se sobre a transição entre as formas de fundo OA e LP. Os testemunhos SSM-03 e SSM-08 representam foram locados sobre as formas de fundo com ondas de areia e apresentam fácies Sr e S4 em sua porção superior. A fácies S4, composta por areias finas a médias, é mais espessa no testemunho SSM-08 e é sucedida pela fácies Sr no testemunho SSM-03. A fácies Sr apresenta gradação normal neste testemunho indicando o acúmulo de material mais fino causada por decantação diferencial devido a diminuição de energia após a passagem de um evento de alta energia. Na região de leito plano os testemunhos SSM-14 e SSM-18 apresentam a fácies Sm na região superior. Abaixo da fácies Sm a fácies Smg marca o limite com a fácies Fsm que apresenta concentração de sedimentos finos com bioturbação e concentração de matéria orgânica (fig. 23).
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Figura 23 – Seção transversal c-c’ (fig. 18) em região de contato faciológico entre os padrões de reflexão (OA) ondas de areia e (LP) leito plano (fig. 21 A). Unidades em metros
A seção e-e’ (fig. 24) também representa uma transição entre as formas de fundo de leito plano e com ondas de areia. Os testemunhos SSM-11 3 e SSM-16 foram posicionados sobre o fundo com ondas de areia e apresentam a fáceis S4 em sua porção superior com 0,5 m de espessura no testemunho SSM-16. A fácies S8 é mais espessa no testemunho SSM-19 com 0,4 m de espessura. Novamente a fácies Sm(o) ocorre na base de todos os testemunhos desta seção e é interrompida pelas fácies S8 exceto nos testemunhos SSM-11 e SSM-16 nos quais são sucedidos por fácies Smg e S4 em gradação normal.
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Figura 24 – Seção transversal e-e’ (fig. 18) em região de contato faciológico entre os padrões de reflexão (OA) ondas de areia e (LP) leito plano (fig. 21 A). Unidades em metros
Os testemunhos SSM-17, SSM-18 e SSM-19 compõem a seção transversal i-i’ (fig. 25) disposta longitudinalmente em relação á linha de costa. Nas duas extremidades desta seção estão presentes áreas formadas por ondas de areia em contato abrupto com o leito plano na região central. A fácies S8 observada nos dois testemunhos das extremidades ocorre abaixo ocorre abaixo da fácies Sm que apresenta espessura de aproximadamente 40 cm. Se a ação de ondas de tempestade combinada às correntes longitudinais tiver energia suficiente para remover os sedimentos da fácies Sm, então a fácies S8 pode ser exposta ao retrabalhamento e se ordenar em ondas de areia como àquelas observadas nos mosaicos sonográficos descritos acima.
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Figura 25 - Seção transversal i-i’ (fig. 18) em região de contato faciológico entre os padrões de reflexão (OA) ondas de areia e (LP) leito plano (fig. 21 A). Unidades em metros
Os bioclastos encontrados nas nove fácies observadas nos testemunhos foram amostrados e separados para datação. As conchas foram identificadas e revelaram a presença ampla de uma espécie de gastrópode Halistylus columna da qual na há registro na plataforma do Paraná. Também foram identificadas espécies estuarinas que podem ser encontradas vivas na plataforma como Corbulla contracta e Anomalocardia brasiliana e outras que não são encontradas vivas como Tellina sp. Entretanto a maioria das conchas são de espécies de moluscos de origem marinha como Semele nuculoides, Glycymeris spp. e Mactra sp.
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4. O AMBIENTE DEPOSICIONAL DOMINADO POR TEMPESTADES DA PLATAFORMA CONTINENTAL INTERNA DO PARANÁ
4.1 INTRODUÇÃO
Estudos sistemáticos sobre a margem continental brasileira conduziram levantamentos hidrográficos, sísmicos, batimétricos e sedimentológicos em escala continental (Emílson, 1961, Milliman e Barreto, 1975; Martins et al. 1975; Martins e Coutinho, 1981; Castro e Miranda, 1998;). A margem continental brasileira apresenta uma variedade de características morfológicas e hidrográficas que são estritamente relacionadas com o relevo continental e a configuração da costa brasileira. Martins et al. (1975) reconhecem seis províncias fisiográficas da margem continental brasileira. Baseados nas características hidrográficas Castro e Miranda (1998) apresentam uma divisão da plataforma continental brasileira em seis sub-regiões correspondentes às províncias fisiográficas identificadas por Martins et al. (1975). Lançando mão de variáveis como taxas de variação do nível do mar, capacidade de remobilização de sedimentos por forçantes hidrográficas e taxas de fornecimento de sedimentos Dominguez (2009) apresenta uma tipologia da zona costeira brasileira reconhecendo sete regiões que representam distintos padrões de sedimentação e fornecimento de sedimentos para os ambientes marinhos rasos. Em cada uma destas classificações distintas fácies características de cada ambiente deposicional podem ser reconhecidas como produtos do aporte sedimentar, biogênico e terrígeno, e como produtos da atuação mecanismos de transporte e deposição governados principalmente por ondas, tempestades e marés. A partir de um modelo batimétrico da plataforma continental sudeste brasileira podemos identificar padrões de estreitamento da plataforma (70 km) nas imediações de Cabo Frio ao norte e Cabo de Santa Marta ao sul. Já na região central, entre o norte de Florianópolis e sul de São Sebastião, apresenta-se a maior extensão de toda a plataforma brasileira com aproximadamente 230 km (fig. 05). Figueiredo e Tessler (2004) destacam que canais afogados na plataforma continental sudeste brasileira representam sistemas
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de drenagem desenvolvidos durante períodos de nível do mar mais baixo nas imediações do Rio de Janeiro, Ilha Grande, Búzios e Cananéia. As alterações na morfologia das plataformas continentais podem ser explicadas em termos de acúmulo ou remoção de sedimentos de acordo com o regime hidrográfico, aporte e distribuição dos sedimentos. Em regiões costeiras com baixo aporte sedimentar os paleocanais, desde o último máximo glacial, são preservados na morfologia atual da plataforma continental. Por outro lado quando o aporte sedimentar é suficiente os paleocanais são preenchidos e cobertos por sedimentos depositados durante e após a subida do nível do mar. Mesmo quando os paleocanais estão preenchidos é possível rastrear as impressões da paleodrenagem na morfologia atual da plataforma continental (Correa, 1996; Abreu e Calliari, 2005; Conti e Furtado, 2009). Perfiladores de subsuperfície de alta resolução são empregados na interpretação de ambientes deposicionais marinhos rasos pela observação de elementos arquiteturais. São utilizadas baixas frequências (entre 0,5 e 16 kHz) que reduzem a resolução, mas apresentam maior capacidade de penetração o que permite a inspeção geotécnica do leito marinho assim como a localização de objetos enterrados (e.g. cabos, encanamentos, destroços e naufrágios). A sismoestratigrafia permite a identificação de sequências estratigráficas. O sinal acústico emitido pelos perfiladores de subsuperfície registram as interfaces entre dois meios com propriedades acústicas distintas. Chamamos de refletor o sinal acústico captado devido a esta diferença entre os meios. Quanto maior a impedância ou o coeficiente de reflexão mais nítido é o refletor. Os intervalos entre os refletores são denominados sismofácies análogas às fácies sedimentares (Middleton, 1973). Uma seção sísmica corresponde ao registro cronoestratigráfico deposicional e estrutural de um sistema deposicional (Vail et al., 1977). A partir do levantamento sísmico podem ser medidas espessuras das camadas sedimentares pelo contraste de impedância. Estas camadas apresentam baixos contrastes de impedância acústica, baixa relação entre sinal e ruído e possuem alta capacidade de atenuar sinais acústicos de alta frequência. As frentes de ondas se propagam pela água e pelos estratos sedimentares abaixo do leito. De acordo com o contraste de impedância uma parte da energia da frente de onda é atenuada, outra parte é espalhada e uma terceira parte penetra nos estratos retornando em seguida aos receptores acústicos (e.g. hidrofones ou transdutores). O primeiro eco retornado aos receptores é aquele refletido pela superfície do leito e os ecos seguintes correspondem aos sinais que penetram nas camadas sedimentares e
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possibilitam calcular a espessura destes estratos. As medidas da coluna d’água e da espessura dos estratos são calculadas com base no tempo de ida e de retorno do sinal acústico. A energia refletida nas interfaces entre os meios com impedâncias distintas é proporcional à amplitude do sinal emitido pela fonte e a magnitude dos contrastes de impedância. A interpretação de dados sísmicos se baseia na identificação de terminações e da geometria das reflexões assim como na relação de conformidades e inconformidades identificadas no registro sísmico. As definições dos elementos utilizados na interpretação de dados sísmicos são dadas por Mitchum Jr. et al. (1977) (fig. 26).
Figura 26 - Tipos de terminações de refletores Fonte: modificado de Mitchum Jr et al. (1977).
Diversos exemplos na literatura demonstram a aplicabilidade de métodos acústicos na investigação de ambientes deposicionais marinhos rasos. Sperle et al. (2003) e Dias e Silva (2003) ilustram a importância da determinação da profundidade do embasamento rochoso sendo exemplos da aplicação de métodos acústicos na engenharia e no levantamento geológico de subsuperfície. Lessa et al. (2000) analisou dados de perfis sísmicos para a Baía de Todos os Santos reavaliando os ambientes sedimentares do Quaternário para esta região. Mahiques e Souza (1999) estabeleceram relações entre unidades sísmicas rasas e variações do nível do mar durante o Quaternário no litoral norte de São Paulo. Silva et al. (2000) mapeou depósitos litoclásticos terrígenos
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retrabalhados por ondas e correntes na plataforma continental dos EUA identificando contatos erosivos discordantes e paleocanais preenchidos por areias modernas. Abreu e Calliari (2005) relatam a ocorrência de vales incisos na plataforma continental interna do Rio Grande do Sul. Na plataforma interna do Paraná Veiga et al. (2011) descrevem a ocorrência de paleocanais e vales incisos mostrando que este ambiente já foi recortado por uma densa rede de drenagem antes de serem afogados pela última transgressão do Holoceno (fig. 27).
Figura 27 - Feições observadas em perfis sísmicos na plataforma interna do Paraná. A, C, D e F– Preenchimento de canal. B – Vale inciso. E – Refletores em onlap. G – Sequência de elevações irregulares seguidas por canal preenchido. H – Megadunas de areia submersas. Fonte: Veiga et al. (2011)
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Este capítulo têm como objetivo investigar o histórico geológico da plataforma interna do Paraná e sua relação com a morfologia e dinâmica do ambiente atual.
4.1.1 ÁREA DE ESTUDOS
Os levantamentos sísmicos foram realizados no setor de Praia de Leste da plataforma interna do Paraná em oito linhas sísmicas paralelas à costa (fig. 28). A região é marcada pela predominância de areias finas bem selecionadas em fundos planos e áreas isoladas de areias médias a grossas geralmente nas imediações de feições morfológicas tipo cristas normais à costa. O padrão de drenagem da planície costeira nesta região é paralelo à costa e juntamente aos demais rios das bacias hidrográficas da Serra do Mar deságuam no estuário da Baía de Paranaguá. A barreira holocênica transgressiva da planície de Praia de Leste apresenta feições características de transporte de sedimentos em direção à costa (Souza et al. 2012). A costa e a plataforma são caracterizadas como dominadas por ondas e tempestades (Lessa et al., 2000; Veiga et al. 2006 e Angulo et al, 2009). As direções principais de propagação de ondas na plataforma interna são de SSE e SE, associados à atuação de ciclones subtropicais, com altura de onda significativa e período predominantes entre 0,5 a 1,5 m e 6 e 9 s (Nemes e Marone, 2013). Os valores máximos para altura significativa e período podem chegar a 7,3 m e 15 s na quebra da plataforma (Pianca et al. 2010) e 5 m e 17 s próximos da costa (Nemes e Marone, 2013). Estas características da costa nesta região sugerem que a plataforma interna tem atuado como fonte de sedimentos para a costa desde o período de nível de mar alto do Holoceno.
4.2 MATERIAIS E MÉTODOS
Os dados geofísicos foram obtidos com perfilador de subsuperfície tipo chirp com frequência de 3,5 kHz e 2 kW de potência e um array de 4 transdutores CHIRP com capacidade de penetração em sedimentos até 100 metros com menos de 10 cm de
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resolução. As linhas sísmicas foram adquiridas em oito perfis paralelos à linha de costa durante um cruzeiro realizado a bordo do Navio Oceanográfico Atlântico Sul, da Universidade Federal do Rio Grande, com recursos do projeto Recursos Minerais da Plataforma Continental Jurídica Brasileira (REMPLAC). As linhas foram planejadas de modo a interceptar as áreas de sedimentos mais grossos da plataforma interna no intuito de verificar a relação destes sedimentos com depósitos pretéritos. Os dados foram processados pela aplicação de filtros para remoção de ruídos e ajustes de ganho AGC e TVG (automatic gain control e time varied gain respectivamente).
Figura 28 – Levantamento sísmico realizado na plataforma interna do Paraná
4.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados foram processados (fig. 29) e se encontram em fase de análise. Em geral podem ser observadas várias sismofácies identificadas principalmente por terminações de refltores em onlap, concordantes e downlap. Em todos os perfis são observadas feições irregulares bem pronunciadas sob o leito caracterizadas por refletores fortes, entre 5 e 10 m, abaixo dos quais o sinal acústico é totalmente atenuado indicando a presença do
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embasamento. Vários paleocanais e vales incisos podem ser identificados com profundidades entre 13 e 6 m sob o leito da plataforma. Em alguns destes podem-se observar refletores em sucessão que demonstram o preencimento e migração lateral dos canais. Na linha 1 ocorrem paleocanais preenchidos que apresentam extensões entre 300 a 500 m. Um vale inciso com aproximadamente 8 m de profundidade é encontrado em contato com a superfície do leito e associado a um sistema de calha e crista (fig. 30).
Figura 29 – Linhas sísmicas adquiridas na região da plataforma interna do Paraná. O quadrado em vermelho está ampliado na figura 30.
Na linha três ocorre uma feição com apreximadamente 1000 m de extensão e 8 m de profundidade. Nesta linha ainda está presente o vale inciso com maior profundidade atigindo 13 m sob a superfície do leito atual. Esta feição apresenta um refletor bem marcado na base, mas sem estrutura entre o fundo do canal e 8 m abaixo do leito. A partir daí os refletores marcam uma migração lateral do canal a SW. Nas linhas 4 e 5 os canais tem entre 300 e 900 m de largura respectivamente. Refletores onlap podem ser observados nas linhas 5 e 6 com direção de mergulho a NE numa extensão de até 1000
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m. Em aproximadamente 5000 m de extensão, na porção SW da linha 7, ocorrem refletores em paralelo e terminações discordantes localizadas. Duas regiões de refletores irregulares bem marcados na linha 7 aparecem controlando a arquitetura das sismofácies nos extremos SW e NE. Entre estas duas regiões não há estruturas aparentes no pacote sedimentar.
Figura 30 – Afloramento de paleocanal associado a morfologia atual.
A integração dos dados sísmicos apresentados com os tipos de sedimentos e morfologia atual da plataforma podem prover mais informações sobre a evolução da costa paranaense. A camada superfícial parece ser pouco espessa nas regiões onde os perfís sísmicos apresentam refletores demarcando estruturas que chegam a aflorar no leito da plataforma. O canal apresentado na figura 30 aflora numa região onde ocorrem sedimentos grossos na superfície do leito e feições de calha e crista como descritas no capítulo 2. Esta configuração corrobora a hipótese de que há um controle do paleorelevo sobre a morfologia atual da plataforma.
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5. PLANO DE AÇÃO PARA CONCLUSÃO DA TESE
A maior parte dos dados levantados durante o início da pesquisa já se encontram processados e as etapas de pesquisa executadas conforme o cronograma ajustado (quadro 02). Algumas campanhas ainda são necessárias fazendo uso do sonar de varredura lateral para detalhamento das formas de fundo encontradas na plataforma interna do Paraná e para verificação de recorrência, em outras áreas, dos padrões já identificados no setor de Praia de Leste. formas de fundo. Pretende-se concentrar os próximos levantamentos nas regiões onde há maior diversidade dos tipos de sedimentos identificados no Capítulo 2 como nos contatos entre sedimentos finos com concentração de matéria orgânica e as areias finas a muito finas próximas à costa e outros contatos entre sedimentos grossos e areias finas típicas da plataforma. Concomitante a estes levantamentos serão executados furos de sondagens preferencialmente nas regiões onde se têm informações das linhas sísmicas aquisitadas com o perfilador de subsuperfície 3,5 kHz. Os dados da sísmica ainda estão em fase de interpretação, mas as principais feições que representam paleocanais já podem ser identificadas e as mais relevantes serão selecionadas para as próximas etapas de amostragem por sonar de varredura e sondagens. Os artigos científicos para publicação em revista com corpo editorial estão em processo de elaboração e correspondem aos capítulos 2, 3 e 4 apresentados no presente documento. O Capítulo 2 deve ser submetido à revista brasileira de geociências, o Capítulo 3 à brazilian journal of oceanography, e o Capítulo 4 à marine geology.
Quadro 02 – Cronograma das atividades de pesquisa
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