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JOANA OLIVEIRA CRESCÊNCIO ROSIANA DE SOUZA MARINALVA NASCIMENTO ZILDA SIDNÉIA DOMINGOS FERREIRA WANDELA MARIA ARAUJO

SCÊNCIO

SERVIÇO DE ACOLHIMENTO FAMILIAR EM LIMEIRA:

“DESAFIOS COTIDIANOS PARA A IMPLANTAÇÃO”

Trabalho de conclusão de curso de Extensão Comunitária "Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora" apresentado como requisito parcial para obtenção do certificado da Faculdade PAULUS de Tecnologia e Comunicação sob a orientação da Dra "Janete Aparecida Giorgetti Valente”.

FACULDADE PAULUS DE TECNOLOGIA E COMUNICAÇÃO SÃO PAULO

2014

RESUMO

Ao considerar que a institucionalização de crianças e adolescentes é uma realidade que vem aumentando a cada dia no Brasil, levanta-se uma série de questionamentos em relação ao presente e ao futuro dessas crianças e adolescentes. O cuidado e a proteção à criança e ao adolescente são papéis fundamentais da família, sociedade e Estado. O Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora propõe algo inovador, que é de oportunizar que a criança e o adolescente sejam inseridos em uma família que o acolha provisoriamente, sendo essa uma das medidas de proteção social. O objetivo deste artigo é entender como se deu a implantação do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora no município de Limeira, quais foram as dificuldades encontradas na efetivação do serviço no município, avaliando as causas que culminaram na suspensão do serviço. Saber como era feito o Acolhimento Institucional de crianças e adolescentes no município antes da implantação do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, como ficou durante a implantação do Serviço e como é a realidade atual. Para realizarmos o objetivo proposto, recorremos às pesquisas bibliográficas para melhor embasamento teórico, qualitativa e avaliativa. Realizando entrevistas com duas Assistentes Sociais: uma que acompanhou e atuou no processo de implantação do Serviço no município de Limeira, São Paulo e outra que atua como Assessora da Proteção Especial no município.

PALAVRAS CHAVE

Família Acolhedora, Criança e Adolescente, Reordenamento, Convivência Familiar e Comunitária.

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ABSTRACT

When considering that institutionalization of children and adolescents is a reality that is increasing every day in Brazil. Raises a series of questions about the present and the future of these children and adolescents. The care and protection of children and adolescents are fundamental roles of family, society and state. The service in Foster Family Home offers something innovative, which is oportunizar the child and the teenager are inserted into a family that welcomes provisionally, this being one of social protection measures. The purpose of this article is to understand how was the establishment of the Department of Home in Foster Family in the city of Limeira, what were the difficulties in effecting service on the council, assessing the causes which led to the suspension of service. Know how it was done Institutional care for children and adolescents in the city before deploying the service in Foster Family Home, as it was during the deployment of the service and how is the current reality. To accomplish the proposed objective, we use the literature searches for better theoretical, qualitative and evaluative basis. Conducting interviews with two social workers: one who followed and served on the deployment of the service process in the city of Limeira, São Paulo and another that acts as Advisor to the

Special Protection

in

the

city.

KEYWORDS

Foster Family, Child and adolescent, reordering, family and community.

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1- INTRODUÇÃO

O presente artigo aborda a problemática da dificuldade de Limeira, município de São Paulo em implantar com eficácia o Serviço de acolhimento em família acolhedora. Destacamos nesta pesquisa que o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora no município de Limeira, foi implantado em 2009, e suspenso em 2011. Por meio de uma das integrantes do grupo, residente na cidade de Limeira, fomos instigadas, contagiadas e estimuladas a elaborar sobre o referido tema. Despertou-nos o interesse de pesquisar e buscar através da pesquisa qualitativa e bibliográfica uma melhor compreensão da situação do Serviço Acolhimento em Família Acolhedora no município de Limeira, situado no interior do estado de São Paulo, a partir de algumas inquietações e indagações relacionadas à implantação do Serviço. A fim de termos percepção e entendermos melhor a complexidade que envolveu

a execução do serviço pela instância social do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), a equipe de trabalho, a gestão, as famílias de origem, as famílias acolhedoras e as crianças acolhidas. O serviço de acolhimento em família acolhedora propõe algo inovador, que é de oportunizar que a criança e o adolescente sejam inseridas em uma família que acolha provisoriamente, sendo essa uma das medidas de proteção social. O cuidado e a proteção à criança e ao adolescente são papéis fundamentais da família, sociedade e Estado. Nesse sentido, o Estado em parceria com a sociedade promove

e efetiva a execução desse direito. Ressaltamos ainda, que a essência do serviço, é o

cuidado e proteção, porque culmina com a integralidade da criança e do adolescente que é uma das propostas do ECA, considerando que a criança e o adolescente encontram se em processo de desenvolvimento físico, motor e psico social peculiar. O trabalho é desafiador e árduo, cada família apresenta dinâmicas, realidades, valores, culturas, e crenças diferentes. As características não podem ser desconsideradas no processo de mudança da família de origem para a família acolhedora. Bittencourt (2007 p. 69) destaca a importância na garantia do direito de crianças e adolescente que enfrentam algum tipo de situação de

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vulnerabilidade e de risco, cujos direitos foram violados, em sua família de origem devido as desigualdades sociais, que permeiam a conjuntura sócio econômica e política, refletindo nas famílias empobrecidas tornando-as vulneráveis e culpabilizadas. Dessa forma, é necessário que haja abertura para se buscar outras alternativas, que visem a proteção integral, promoção dos direitos básicos, respeito à identidade, bem como, possibilidades de busca de autonomia. Portanto, é o que trataremos nesse artigo sobre serviço de acolhimento em família acolhedora. Descrevendo parte do histórico a respeito da política de garantias de direitos das crianças e adolescentes, Valente (2013, p. 17) diz que:

fim do século XX, no Brasil, é marcado por um renovado conjunto de ações na proteção

O “

aos direitos de criança e adolescentes; na década de 1990, o acolhimento familiar, que era realizado informalmente no país, passa a se desenvolver pela perspectiva de uma política pública”

Nesse sentido, destacamos as mudanças ocorridas na Constituição da Republica Federativa do Brasil, (CF/1988) pelo ECA-Estatuto da Criança e Adolescente (1990) e na área da assistência social com a Lei Orgânica de Assistência Social (Loas/93). A aprovação da Política Nacional de Assistência Social (PNAS/2004) é que regulamentou o acolhimento familiar, como uma política pública e tornou-se mais significativa, com o Plano Nacional de Promoção Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC/2006). Operacionalizando-se através das Orientações Técnicas:

Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes (MDS/2009) e a Tipificação Nacional de serviços socioassistenciais (MDS/2009). O Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC, 2006), salienta que esse Serviço deve atuar em contínua articulação com os demais serviços que compõem as políticas públicas, inclusive com a Justiça da Infância e da Juventude, no sentido de oferecer proteção integral às crianças e adolescentes e o retorno mais breve possível à família de origem.

2- JUSTIFICATIVA

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Esta pesquisa será de grande relevância para nosso conhecimento, aprendizado e crescimento profissional, por ser um serviço que está em discussão em âmbito nacional, é um assunto que merece toda reflexão. Precisamos ampliar nossos conhecimentos, para nossa formação e para atender melhor os usuários. Neste sentido, entender as trajetórias de lutas pela garantia dos direitos sociais e contribuir para o protagonismo dos sujeitos que junto com a sociedade buscam o acesso a uma vida digna, e a efetivação de sua cidadania e afirmação dos direitos sociais.

Despertou-nos o interesse de pesquisar e buscar através da pesquisa qualitativa e bibliográfica, uma melhor compreensão da situação do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora no município de Limeira, em São Paulo, após uma das integrantes do grupo moradora de Limeira e trabalhadora da região atualmente atuando no CREAS, nos levantou a questão sobre o Serviço que foi implantado, porém não teve continuidade. Ao considerar que o convívio de uma criança com seus familiares é de suma importância para que os vínculos não sejam rompidos, o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora é uma das alternativas quando da retirada de uma criança de sua família de origem, até que seja decidida a sua situação. A convivência familiar e a comunitária precisam ser preservadas e a responsabilidade pelo cumprimento deste direito preconizado pelo ECA 1990 é do município onde a criança reside, envolvendo a família, a comunidade, o poder público e toda sociedade civil. O acolhimento e cuidado das crianças e adolescentes que vivenciam situações de vulnerabilidade, abandono e orfandade, pode ser considerada uma demanda crescente que se propaga nos últimos anos no Brasil, mas que só agora está ganhando mais visibilidade, sendo uma questão pública e de preocupação da sociedade. É importante ressaltar que existe uma grande diferença entre o acolhimento familiar e abrigamento, pois o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora assegura que a qualidade de vida das crianças e adolescentes seja preservada dentro do convívio familiar e

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comunitário. O acolhimento de crianças e adolescentes que sofrem violação de direitos tem sido discutido no âmbito do desenvolvimento de políticas públicas e no meio acadêmico. Por isso, este é um assunto que compete, não só ao poder público, mas que também engloba toda a família e a sociedade.

1 De acordo com a Constituição Federal / 1988 e o ECA, a convivência familiar sempre foi posta em posição de destaque, mostrando claro e efetivo posicionamento contra as antigas instituições de abrigamento, conhecidas como internatos ou orfanatos, os quais não garantiam às crianças e adolescentes a convivência familiar e comunitária. A esse respeito, o artigo 227 a Constituição Federal esclarece que:

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (Constituição Federal de 1988, p. 101).

Todas as crianças e adolescentes têm direito a uma família, de forma que a sociedade e o Estado tem o papel de garantir o direito à preservação dos vínculos, proteger e assistir em suas necessidades independente dos arranjos estabelecidos. É possível analisar, que nos últimos anos ocorreram modificações significativas no âmbito familiar. Nos dias atuais,nos deparamos com vários arranjos familiares, deste modo, não está estabelecido o conceito de família ideal no modelo nuclear (pai,mãe e filhos),mas sim reconhecendo a diversidade de arranjos no contexto social, histórico e cultural.

1 A Constituição Brasileira de 1988 define,no art.227, o direito à convivência familiar e comunitária”.

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3- OBJETIVOS

3.1 GERAL

Saber como era feito o Acolhimento institucional de crianças e adolescentes no

município antes da implantação do Serviço de Acolhimento em família Acolhedora, como ficou durante a implantação do Serviço e como é a realidade atual.

3.2 ESPECIFÍCOS

Entender como se deu a implantação do serviço de acolhimento em família acolhedora do município de Limeira.

Analisar o processo de implantação do serviço.

Verificar as dificuldades encontradas na efetivação do serviço no município.

Avaliar as causas que culminaram na suspensão do serviço.

4- METODOLOGIA

A Metodologia é o Caminho da investigação, do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade. Segundo MINAYO, (2012, p.21), esse conjunto de fenômenos humanos é entendido aqui como parte da realidade social, pois o ser humano se distingue não só por agir, mas por pensar sobre o que faz e por interpretar suas ações dentro e a partir da realidade vivida e partilhada com seus semelhantes. Para Minayo, a pesquisa qualitativa, responde a questões muito particulares onde:

Trabalha de forma a compreender pensamentos, sentimentos e ações que expressam a realidade vivida pelas pessoas. (MINAYO, 2002, P.18)

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Por isto escolhemos como nosso objetivo de pesquisa, o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora de Limeira, município de São Paulo. Foi adotado também como parte do processo, pesquisas bibliográficas para ter um melhor embasamento teórico a respeito do Serviço Família Acolhedora em Família Acolhedora. Para realizar o objetivo proposto, recorremos a uma pesquisa qualitativa, através de entrevistas com duas Assistentes Sociais, que atuam na área de garantias de direitos de crianças e adolescentes. A primeira designada sujeito 1, trabalha na Média Complexidade desenvolvendo suas atividades laborais no Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS). Ela acompanhou passo a passo implantação do Serviço Acolhimento em Família Acolhedora no município de Limeira, o qual teve início no ano de 2009, tendo suas atividades suspensas no ano de 20011. A segunda entrevistada, atua na Alta Complexidade como assessora da proteção especial, ambas atuando junto ao Centro de Promoção Social Municipal de Limeira (CEPROSOM). A entrevista é informal, pois consideramos a mesma como uma conversação que tem por fim saber quais as dificuldades e a problemática que os desafios cotidianos das entrevistadas. Assim, procuramos respostas para as nossas indagações propostas. Os dados foram coletados através de entrevistas semi estruturadas, no local de trabalho das entrevistadas. Vale ressaltar que para realizar as entrevistas, foi feito um pedido para a assessoria de comunicação do Ceprosom, sendo as mesmas autorizadas via e-mail. Foi elaborado um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) elaborado pela nossa orientadora Jane Valente e assinado pelas entrevistadas. O termo citado será anexado ao artigo.

5- DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA

O Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora organiza o acolhimento de crianças e adolescentes, afastados da família por medida de proteção, em residência de famílias acolhedoras cadastradas. O acolhimento se estende até que seja possível o retorno à família de origem ou na sua impossibilidade, colocação em família extensa ou encaminhamento para adoção. O serviço é o responsável por selecionar, capacitar,

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cadastrar, e acompanhar as famílias acolhedoras bem como realizar o acompanhamento da criança e\ou adolescente acolhido e sua família de origem. (Tipificação de Serviços Socioassistenciais, 2009)

Esse Serviço deverá ser organizado segundo os princípios, diretrizes e orientações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA1990) e do documento Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes”. Sobretudo no que se refere à preservação e à reconstrução do vínculo com a família de origem, assim como a manutenção de crianças e adolescentes com vínculos de parentesco (irmãos, primos etc.) numa mesma família. O atendimento também deve envolver o acompanhamento às famílias de origem, com vistas à reintegração familiar.

OS

OBJETIVOS

DESTE

SERVIÇO

SÃO:

Promover o acolhimento familiar de crianças e adolescentes afastadas temporariamente de sua família de origem; acolher e dispensar cuidados individualizados em ambiente familiar; preservar vínculos com a família de origem, salvo determinação judicial em contrário; possibilitar a convivência comunitária e o acesso à rede de políticas públicas;

O público alvo são crianças e adolescentes, inclusive aqueles com deficiência, aos quais foi aplicada medida de proteção, por motivo de abandono ou violação de direitos, cujas famílias ou responsáveis encontrem-se temporariamente impossibilitados de cumprir sua função de cuidado e proteção. O Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora está inserido na Política Nacional de Assistência Social (PNAS, 2004), no Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC, 2006) e no Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), alterado pela Lei n. 12.010/09 . Sua operacionalização está descrita nos documentos: Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes (MDS, 2009) e Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (MDS, 2009).

O

Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e

,salienta que esse

Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC, 2006)

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Serviço deve atuar em contínua articulação com os demais serviços que compõem as políticas públicas, inclusive com a Justiça da Infância e da Juventude, no sentido de oferecer proteção integral às crianças e adolescentes e o retorno mais breve possível à família de origem.

BREVE HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE LIMEIRA

O município de Limeira foi fundado no ano de 1826, pelo Capitão Luiz Manoel da Cunha Bastos. A história de Limeira se inicia com a exploração econômica do interior do estado de São Paulo, mais precisamente em meados do ano de 1826,o qual marca a fundação do município. Esse povoado cresceu nas terras do Capitão Luiz Manoel da Cunha Bastos,que doou 112,5 alqueires de terra para o desenvolvimento do mesmo através de documentos assinado no Engenho de Ibicaba,propriedade do Senador Vergueiro,que foi o maior líder e benfeitor. Limeira surgiu em terras desbravadas próximas ao caminho conhecido como Picadão de Cuiabá, estrada de fluxo de tropas que faziam comércio e abasteciam de víveres as minas de Mato Grosso. O início da povoação se deu então com a instalação de engenhos, a vinda de escravos e a expulsão dos posseiros que haviam na área. Limeira é o berço da imigração europeia de cunho particular no Brasil. Através do Senador Vergueiro veio de Portugal cerca de 80 portugueses, da província do Minho,para trabalhar na lavoura no lugar da mão- de obra escrava,iniciativa pioneira na época. Com o crescimento urbano levou políticos a reivindicarem a elevação da freguesia á cidade, fato ocorrido em 28 de abril de 1863 e em 20 de abril de 1875 passou á condição de Comarca de Limeira. A Comarca de Limeira foi criada em 20 de abril de 1875, data em que o Presidente da Província, João Theodoro Xavier de Mattos sancionou a respectiva lei ,de Nº 37.A instalação da Comarca de se a 1º de julho de 1875. Pela lei acima citada, desmembrara se da Comarca de Rio Claro os termos de Limeira e da Vila do Patrocínio das Araras, passaram a constituir a nova Comarca de Limeira. Assumiu como primeiro juiz o Dr.José Fellipe, instala se também o Cartório de Registro Civil, tendo como escrivão Manoel Vianna Sobrinho. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,(IBGE, 2012). A população de Limeira estava estimada em 280.172, habitantes.Limeira é sede de Comarca

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de 2 municípios (Iracemápolis,Cordeirópolis ).A comarca possui 300.946 habitantes e tem 39.024 domicílios com rendimentos até 3 salários mínimos (43%). Limeira conta com Juizado Especial Cível e Criminal e oito Varas (quatro Cíveis,uma Fazenda Pública e três Criminais),dentre elas a 3º Vara Criminal,que é responsável pelo anexo da Infância e Juventude. Há de se destacar exigências próprias do anexo da Infância e Juventude que reforçam a necessidade de atuação da Juíza titular,inclusive,posicionando- se com a autoridade própria da investidura,perante órgãos municipais e estaduais,sobretudo acerca de assuntos relacionados as políticas públicas para cumprimento dos preceitos do Estatuto da Criança e do Adolescente.

ABRIGOS NO MUNICÍPIO DE LIMEIRA

e

adolescentes 0 a 12 anos ,que estão em vulnerabilidade,e que no momento não tem condições de conviver com seus familiares.

Em Limeira existem

2 abrigos,Cordeirópolis 1

para atender

as crianças

OS ABRIGOS EM LIMEIRA SÃO:

Associação Casa da Criança Santa Terezinha e Nosso Lar.

Em Cordeirópolis

Casa da Esperança

A Assistência Social realizada tem como objetivo o Desenvolvimento Social, que acontece através de ações concretas junto a população em situação de vulnerabilidade e risco social.Prestam serviços de Assistência Social entidades Públicas e Privativas. Hoje Limeira possui uma população estimada em 291.748 mil habitantes, caracterizando-se por ser uma cidade industrializada, tendo também forte setor comercial e de serviços. Na agricultura destacam-se a laranja e a cana-de-açúcar. Está localizada na

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região de Campinas, uma das mais industrializadas do país, possuindo um PIB maior que dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. (IBGE, 2013).

5.1 DESCRIÇÃO DO PROBLEMA

O presente artigo aborda a problemática da dificuldade de Limeira, município de São Paulo em implantar com eficácia o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora. Despertou-nos o interesse de pesquisar e buscar através da pesquisa qualitativa e bibliográfica para ter uma melhor compreensão da situação do Serviço Acolhimento em Família Acolhedora no município.

5.2 HIPÓTESES PARA ANÁLISE DO PROBLEMA

Implantação do serviço de alta complexidade em uma instância de atuação na média complexidade. A falta de uma equipe específica para atuar no serviço de familia acolhedora. Uma única equipe atuava nos dois serviços: média e alta complexidade.

5.3 COLETA DE DADOS

A Coleta de dados foi feita através de entrevistas semi estruturadas com duas entrevistas as profissionais do Centro de Referência Especializado da Assistência Social- (CREAS) e Centro de Promoção Social do Município de Limeira (CEPROSOM).

5.4 ANÁLISE DE DADOS

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ANALISE DOS DADOS DA ENTREVISTA

Entrevista 01

Sujeito 01

Se for pensar em termo de falhas, uma das falhas que eu considero foi ter desenvolvido um serviço da alta complexidade dentro da média complexidade, não ter uma equipe minimamente composta ” A problematização levantada por meio da primeira entrevista sobre a implantação do serviço de família acolhedora no município de Limeira, revelou que, tratava-se de uma equipe que atuava na média complexidade Centro de Referência Especializada do Serviço Social-CREAS e alta complexidade Família Acolhedora. Conforme as orientações técnicas relacionadas a implantação do Serviço de Acolhimento da Família Acolhedora o quadro de profissionais para atuação deverá ser respeitado o número mínimo necessário, a carga horário mínimo e o cumprimento das atribuições do trabalho. “Não temos uma Vara da Infância formada aqui em Limeira como tem em Campinas, isso também foi um dos agentes dificultadores da nossa ação. Em Campinas eles são muito próximos, acho que tem até adoção compartilhada entre a equipe do Serviço de Família Acolhedora junto com o Poder Judiciário, pelo menos na época em que me recordo. Aqui temos uma ramificação da Terceira Vara Criminal e o mesmo profissional do judiciário que lidava com demandas da Terceira Vara Criminal, lidava com as demandas da criança e do adolescente.”

No âmbito da intersetorialidade ocorreu a dificuldade da articulação com o Poder Judiciário, o qual não atendia a específicidade do segmento com criança e o adolescente. O papel do Poder Judiciário consiste em respaldar legalmente o Serviço em Família Acolhedora e manter a contínua articulaçaõ com o referido serviço para efetivação da garantia do Sistema de Direitos.

“ enquanto profissional está na base é muito complicado se você não tiver o apoio da

gestão, o apoio da rede de atendimento e não for uma coisa estruturada, como te falei, eu acredito

muito no Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora, nessa modalidade de acolhimento, tem tudo para dar muito certo e auxiliar bastante”

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No Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora o gestor deverá ter um vasto conhecimento relacionado á rede de proteção, á infância e juventude, de políticas públicas e da rede de serviços da cidade e região. Entre as principais atividades desenvolvidas estão: supervisionar, organizar e articular. “O que se percebe é que não adianta ter um Serviço e estar sozinho no “barco”, tem que estar todo mundo junto, se não tiver o apoio de todos nessa empreitada, sozinhos não conseguimos.” O trabalho do Serviço em Família Acolhedora necessita estar ligado intrínsecamente entre seus atores, equipe técnica, as famílias acolhedoras e as crianças e adolescentes”. Ressaltamos que todos envolvidos na causa deverão participar ativamente na sua concepção, construção e tudo que esteja ligado ao processo das expressões de cuidados e proteção. Cada sujeito quando assume o seu papel dentro desse emaranhado que se reflete nas ações, os quais cada um é responsável enquanto protagonista pelos resultados que virão.

ANALISE DOS DADOS DA ENTREVISTA

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Entrevista 0 2 Sujeito 02

Reordenamento dos abrigos:: sujeito 2:

Sobre a possiblidade do Serviço de Acolhimento em família acolhedora voltar a acontecer em Limeira, o sujeito 2 diz que:

Sim existe essa possibilidade, nós estamos trabalhando o Reordenamento dos Serviços de Acolhimento, seguindo as orientações técnicas do MDS e do CONANDA, os municípios tem até 2017 para se adequarem. A respeito do reordenamento dos abrigos, o sujeito 2 diz que:

“Hoje nós estamos num processo de identificação das nossas demandas, dos serviços que nós temos, o que é necessário já temos claro que é necessário uma expansão qualificada dos serviços, a implantação dos serviços de república, porque as demandas estão começando a surgir.” Tanto no campo jurídico quanto no político, se tem pensado em soluções para a problemática que envolve a criança e o adolescente que por motivos diversos necessite ser institucionalizado. A importância do reordenamento dos abrigos em Limeira configura a busca de alternativas capazes de atender essas demandas, garantindo a estas crianças e adolescentes a proteção integral. Se faz necessário considerar o contexto social e a problemática vivenciada no momento.

Sujeito 2: “A partir da denúncia que chega, tentamos ao máximo seguir essas orientações dentro dos serviços para que sejam esgotadas todas as possibilidades de inserção na em família extensa, ou mesmo uma família por afinidade, com vínculo forte que a criança e o adolescente tenham”. Observa-se o cuidado que a Proteção Especial dispensa às crianças e adolescentes, não medindo esforços para evitar o acolhimento institucional, esgotando todas as possibilidades de inserção em família extensa ou família por afinidade, para que o sofrimento destes indivíduos em estar mesmo que temporariamente num local em que não conheçam as pessoas e não tenham atendimento individualizado seja evitado.

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Sobre o acolhimento de crianças em situação de vulnerabilidade feito pelo Conselho tutelar, o sujeito 2 diz que:

“O (CT) dentro do (ECA), tem uma previsão que ele pode fazer um acolhimento em caráter de urgência, quando não há tempo de comunicar a autoridade judiciária, no caso o fórum ou o

numa situação de grave incidência em que corra o risco de acontecer uma

violência maior. Consideramos importante essa intervenção do (CT) nos acolhiemntos de emergência, pois evita que as crianças e adolescentes que estão vivendo situação de risco de ocorrer violação maior de direitos sejam protegidas.

ministério publico

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Compreende-se que a implantação de políticas públicas é um processo árduo e contínuo, trabalhar na área da Assistência Social voltada à promoção da garantia de direitos de crianças e adolescentes é um desafio diário. Se cada indivíduo que compõe essa equipe desde profissionais em todos os níveis de hierarquia, Federação, Estados e Municípios e a sociedade como um todo fizerem a sua parte, poderemos vislumbrar um mundo com menos violência resultado da promoção da convivência familiar e comunitária saudável. Na estreita dessa compreensão, apresentam- se como instrumentos fundamentais no processo de formação dos sujeitos envolvidos ,uma vez que possibilita a articulação entre saberes, integra os conhecimentos produzidos e construídos na vida acadêmica à realidade social. É de suma importância salientar que na atualidade, para fortalecer o papel político, se faz necessário estar por dentro das informações, bem como estar capacitado. Ter conhecimento e estar por dentro dessas instancias, aumenta a participação da sociedade e onde há maior participação, visualizamos melhor atendimento e qualidade dos serviços aos usuários. Infelizmente no Brasil ainda falta muito que alcançar neste sentido, a situação social da criança e adolescente no Brasil revela a necessidade de discussões mais aprofundadas sobre as relações da convivencia famíliar e comunitária e na sociedade. Neste artigo a situação social da criança e do adolescente do município de Limeira foi delineada por questões pertinentes aos aspectos do Serviço Acolhimento em Família Acolhedora, evidenciando a siutuação da criança e adolescente institucionalizado e a relação da convivência familiar e comunitária. Acreditamos que tais aspectos, embora já amplamente discutidos e também publicados nos mais diversos veículos de divulgação de conhecimento, não se encontram esgotados na sua temática e continuam merecendo destaque e atenção, bem como discussões em âmbito nacional. Tanto no campo jurídico quanto no político, se tem pensado em soluções para a problemática que envolve a criança e o adolescente que por motivos diversos necessite ser institucionalizado. A importância do reordenamento dos abrigos em Limeira configura a busca de alternativas capazes de atender essas demandas, garantindo a estas crianças e

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adolescentes a proteção integral. Se faz necessário considerar o contexto social e a problemática vivenciada no momento. A experiência de duas integrantes do nosso grupo com o SAICA Serviço de Acolhimento Institucional a Criança e Adolescente tem mostrado a situação complexa no trabalho com as crianças e adolescentes acolhidos, estudos tem comprovado o quanto essa instância de atendimento na área da alta complexidade envolve atenção extrema nesse ato de cuidar e proteger e promover emancipação e o empoderamento para uma vida com autonomia. Dessa forma, pensar no serviço de acolhimento por meio da família acolhedora, que também configura-se como um atendimento de alta complexidade, no município de Limeira, provocou-nos uma reflexão para entendermos melhor todo o processo de implantação, as dificuldades encontradas e as causas que culminaram com a suspensão. Além disso, ressaltamos alguns aspectos relevantes no processo de implantação até o seu termino:o empenho da equipe técnica ao recrutar, selecionar as famílias, por meio das entrevistas, o acompanhamento dispensado por meio dos atendimentos dos profissionais psícólogo, médico e psiquiatra. Destacamos a importância da equipe técnica do CREAS Centro de Referência Especializado da Assistência Social que acompanhou as famílias com um olhar sensível diante da relação estabelecida entre família acolhedora e substituta. a qual demandou postura de mediação, entre ambas. Os parâmetros verificados entre os dois serviços, que configuram-se como alta complexidade o abrigo que visa acolher e o serviço de acolhimento em familia acolhedora nos remete a algo fundamental o cuidado e a proteção.

A garantia de direito da criança e adolescente transita pela assistência às suas

necesidades básicas, porém a essência desse atendimento está intrinsicamente ligado ao cuidado e proteção. Cuidar e proteger são ações fundamentais no que se refere ao trabalho com crianças e adolescentes que vivenciaram situações adversas e que precisam encontrar

Por isso, o cuidado e proteção deverá permear as novas relações que se

apoio

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apresentam. Pensar no serviço de acolhimento em família acolhedora nos remete a esse cuidado e proteção, pelo fato de propor um ambiente familiar, que proporcione no primeiro momento, lugar, para quem está desestabilizado, porém isso demandará todo um acompanhamento sistematizado que envolve a família de origem, família acolhedora, e equipe técnica.

A modalidade desse atendimento em família acolhedora requer qualidade, que

implica em uma equipe específica qualificada, formação continuada, gestão atuante e articulação com a rede intersetorial. Esses requesitos são fundamentais para estabelecer e

promover o que consideramos essenciais no cuidado e proteção a criança e adolescente que se encontram em desenvolvimento psicosocial e físico. Os adultos cuidadores deverão estar preparados para essa tarefa, tão especial, que é cuidar de pessoas cujos direitos foram violados, e cuja situação é de risco e de vulnerabilidade além de apresentarem suas peculiaridades.

É imprescindivel que a equipe de trabalho mantenha uma busca contínua de

formação a fim de manter-se atualizada e desempenhar com qualidade o seu papel no atendimento às famílias de origem e às famílias acolhedoras. Portanto, cuidar e proteger as crianças e adolescentes atendidas pelo serviço de acolhimento em família acolhedora, deverá ir além do aspecto assistencialista, mas proporcionar aos meninos e meninas e às suas famílias condições para que se tornem sujeitos de direitos, cujas potencialidades apareçam para que haja desenvolvimento de suas competências, e os tornem protagonista de sua própria história. Agradecemos ao Ceprosom de Limeira, o qual pela Elisa Grego, responsável pelo setor de comunicação viablizou essa pesquisa, bem como as assistentes sociais que prontamente nos deram as entrevistas, bem como, Raquel Deperon que atuaou no Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e Adolescentes CEDECA Davi Arantes e Raquel Nunes que atua no órgão no municipio de Limeira e nos direcionou a procurar as pessoas que puderam enriquecer nosso trabalho com suas experiências profissonais.

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7 REFERÊNCIAS

CONSTITUÍÇÃO FEDERAL - 6.Ed. Brasil - Barueri,SP : Manole,2009.

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE - São Paulo,SP 2007 VALENTE,JANE - Família Acolhedora: As relações de cuidado e de proteção no serviço de acolhimento - São Paulo: Paulus,2013

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Disponível em:

<www.ibge.gov.br>. (acesso em 22/09/2014)

MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE Á FOME - (MDS) - 2º Colóquio Internacional sobre Acolhimento Familiar Brasil,2009

MINAYO, M.C.Souza. Pesquisa Social: Teoria, Método e Criatividade. Petrópolis, RJ: Editora:

Vozes, 2012, ed.32

www.olimeirense.com.br (acesso em 22\09\2014)

www.padrinhonota10.com.br (acesso em 22\09\2014).

www.ibge.gov.br (acesso em 22\09\2014)

ENTREVISTAS

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ENTREVISTA A ASSISTENTE SOCIAL CREAS

Entrevistador: Breve apresentação e pergunta: Como foi a trajetória da implantação do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora no município de Limeira, passo a passo o processo do início ao término?

Sujeito 1: O Família Acolhedora foi inaugurada em 2009. De inicio foi desenvolvido todo processo dentro do CREAS, mesmo sendo Serviço de Alta Complexidade fora desenvolvido dentro da Média Complexidade. Contávamos na época com uma coordenadora que era coordenadora do CREAS e também coordenava o Família Acolhedora, uma assistente social, e o psicólogo. De inicio essa manifestação de vir a acontecer o família acolhedora no município se deu em outra gestão e partiu da primeira dama da cidade na verdade ela passou por um processo, ela acabou cuidando de uma criança só que de uma forma irregular, sem regulamentação nenhuma e a criança acabou sendo institucionalizada porque não teve uma questão de um processo burocrático para ela poder ficar com a guarda. Ela cuidava dessa criança e por conta do conhecimento foi institucionalizada e a partir daí, naquela época a gestão teve a ideia junto com a primeira dama de implantar no município, o passo inicial foi esse.A questão do processo quem formulou o projeto e tudo mais, foram os profissionais que na época estavam no CREAS e começou com a inauguração do Projeto. De início foi convocada uma família para ver se queria participar. Essa família é bem conhecida no município, bem atuante nos serviços de acolhimento, possui filhos que são adotivos e por conta de todo esse histórico e tudo mais, acabaram sendo convidados. Mais ou menos a forma como ocorreu foi desse jeito. Teve inicio em outubro de 2009, com dois profissionais. Nesse meio de tempo houve propagandas, a equipe técnica divulgou em entidades, no CRAS, na Rede Socioassistencial, nos hospitais e tudo mais, a fim de que a sociedade, os profissionais a rede de serviços e demais políticas públicas q tomassem conhecimento do que é o serviço, essa nova modalidade em serviço de acolhimento, e pudessem dar início à captura de famílias interessadas em participar desse processo e de início como te falei, teve essa família. Posteriormente eu me recordo que houve outras famílias que se cadastraram, isso até o final de 2009 e no começo 2010 foi havendo várias e já foram avaliando.

INSTRUMENTAIS

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Foi elaborado um instrumental, tanto a questão de formulário para avaliação psicossocial na época, como também, durante dois meses Essas famílias participavam de capacitações com diversos eixos temáticos, desde conceituações de família, de políticas públicas, o que era Família Acolhedora, o que era guarda, tutela, todo esse processo que engloba essas medidas protetivas que envolvem crianças e adolescentes. Identificação das potencialidades, da demanda e tudo mais. A gente teve como base um referencial: o Sapeca de Campinas. Chegamos a visitar enquanto profissionais e depois levamos algumas famílias também para conhecer o local, para saber como funcionava, e no momento também teve relato de casos de outras famílias que tiveram essa experiência e passaram para as famílias aqui de Limeira. Em alguns processos a gente percebia que algumas famílias já foram desistindo durante esse longo caminhar de capacitação, já identificaram que não tinham o perfil para ser Família Acolhedora e sim para adotar, a gente sempre deixou muito claro que Família Acolhedora é uma modalidade diferenciada de Acolhimento e não era adoção. As famílias que tivessem interesse em adotar o processo era outro. Se for pensar em termo de falhas, uma das falhas foi, que eu considero, ter desenvolvido um serviço de Alta Complexidade dentro da Média Complexidade, não ter uma equipe minimamente composta. Ao mesmo tempo em que eu e o psicólogo estávamos no Família Acolhedora, que por não ter um número considerável de famílias porque a gente sabe não é um trabalho quantitativo, mas qualitativo não tínhamos um número de cinquenta, sessenta, cem famílias e por esse número, a gestão da época considerou que nós estávamos atendendo muito pouco e nos absorveu para outras atividades desenvolvidas dentro do CREAS, então além do Família Acolhedora eu ficava com medidas socioeducativas e o psicólogo ficava com o projeto de abordagem de rua. Então a gente dividia os dias da semana.

Entrevistador: Sendo um serviço de Alta Complexidade, tem que ter uma equipe só para isso. Eles achavam que eram poucas famílias atendidas? Sujeito 1: Na realidade eles consideravam que o serviço não tinha uma demanda para atender e a gente acabava ficando ociosos. Consideramos que o trabalho não é só com a família acolhedora. O trabalho é com a criança e o adolescente, tem a interlocução com os abrigos, com o poder judiciário e principalmente com a família de origem, essa busca aí. Houve então a Capacitação dessas famílias, uma já tinha sido escolhida pela gestão anterior, acho que isso também foi uma das falhas, a gente tentou de diversas maneiras que essa família tanto o casal quanto os filhos

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participassem das capacitações, porém só a mãe acolhedora vinha nas capacitações. Foi muito difícil no começo porque ela não vinha. Depois chegamos para coordenadora e falamos que não teria como acolher se ela não participasse porque foi esse um processo que todo mundo participou, e com muito custo conseguimos que ela fosse a fim de ser capacitada, mas enfim foi uma coisa meio que imposta pelos técnicos. ONG tem mais autonomia nesse sentido. Quando a gente considera o poder público já fica um pouco mais truncado, porque as determinações já vem numa linha vertical. Depois disso tiveram mais famílias que foram inscritas, algumas famílias a gente percebia logo de início que não tinham perfil, quando digo perfil não é só pela situação socioeconômica, é pela situação tanto social quanto psicológica em termos de querer ficar com a criança ou às vezes por saber que teria uma Bolsa, porque na época o município disponibilizava uma bolsa, não lembro se era de $300,00 ou $400,00. Havia famílias que sabiam entravam em contato conosco: se eu ficar com uma criança vou receber uma Bolsa da prefeitura? A gente percebia logo de início que não tinha o perfil para poder acolher. E nesse meio de tempo foram feitas outras capacitações e ficamos com quatro famílias selecionadas e dentre essas famílias, cada uma tinha um perfil de criança ou adolescente que pudesse dentro da rotina delas acolher. A maioria eram crianças, os casais optavam por crianças, bebês, crianças de quatro cinco anos, então foi um pouco complicado pensando na questão da adolescência também. Não temos uma Vara da Infância formada aqui em Limeira como tem em Campinas, isso também foi um dos agentes que dificultou a nossa ação. Em Campinas eles são muito próximos, acho que tem até adoção compartilhada entre a equipe do Serviço de Família Acolhedora junto com o Poder Judiciário, pelo menos na época em que me recordo.Aqui a gente tem uma ramificação da terceira Vara Criminal e a mesma juíza que lidava com demandas da terceira criminal, lidava com as demandas da criança e do adolescente. Temos uma equipe da Vara da Infância, alguns profissionais eu considero (por uma questão ética não vou citar nomes) que tem uma compreensão, um entendimento dessa nova modalidade. Existia uma resistência, mas essa resistência não era de fato quanto a proposta do Família Acolhedora, mas acho que era da forma como vinha acontecendo em relação a gestão e o partido politico anterior, os profissionais temiam muito por não estar ocorrendo de uma forma adequada. Isso acabou prejudicando bastante o nosso serviço, no sentido de fazermos essa parceria para poder alinhar e entender. De inicio foram dois bebes acolhidos, os dois na própria Santa Casa de Misericórdia de Limeira. Um dos quais, mesmo perante os atendimentos psicológicos, a mãe já tinha aberto mão da criança na própria maternidade, sendo destituído o poder familiar na própria maternidade e o outro já

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não ocorreu. Destas duas crianças, as duas não retornaram para a família de origem, a primeira porque a mãe abriu mão e a família também não teve interesse, a família era bem pequena, não tinha

família extensa para se trabalhar.O primeiro caso ficou um ano e pouco com a família acolhedora e o outro ficou três meses. As famílias acolhedoras mantinham contato uma com a outra, se conversavam

e tudo mais. O que eu considero que acabou dificultando foi esse processo de aproximação da família acolhedora com a família adotante, porque quando nós íamos ao fórum, em nenhum momento foi

colocado que a família que iria adotar tivesse interesse em ir à casa da família acolhedora conhecer o bebe ou deixar a família acolhedora levasse a criança e se aproximasse da família adotante. Um dos casos foi muito difícil porque eu não sei de que forma eles foram instruídos, a gente tem que ter noção de que a criança que está com uma família acolhedora é diferente da criança que está na instituição é diferente. Essa criança que tem uma vida numa família acolhedora, ela tem uma história de vida na comunidade, tem uma história familiar e não é simplesmente passando para a adoção que você vai rasgar o álbum de vida dela. Isso foi bem difícil porque a família que adotou esse primeiro bebe que ficou um ano com essa família, que inclusive fez a festinha de aniversário de um ano e tudo, não quis aproximação com a família acolhedora e isso foi bastante traumatizante, tanto para a família quanto até para nós que íamos levar o bebe e os técnicos e a família adotante passava na nossa frente

e não tínhamos comunicação, é como se estivéssemos ali invisivelmente e isso dificultou bastante a

nossa ação, por diversas vezes nós fomos questionados da forma como que foi feita essa seleção, se de fato essa família tinha ou não o perfil para acolher, o que eu acho que nesse caso complicou, foi essa questão de não se entender, não ter a ideia de fato da proposta, mesmo após diversas , comunicações, reuniões, discussões e ter uma resistência, considero do poder judiciário para que essa

família pudesse entender que aquela criança que estava ali que ela poderia vir a adotar tinha um histórico de vida, e não é porque ela teve no seu histórico de vida uma mãe acolhedora que aquela mãe iria trazer algum malefício para a família adotante. Isso foi uma das coisas a ser considerada. Do segundo caso, como foi muito rápido era uma família tambem conhecida e tudo, só que passou por todo o processo de capacitação tanto a mãe, o pai como a família toda e acabou que a gente fez essa aproximação a família que adotou quis conhecer a família acolhedora, então foi um pouco mais diferente, eles mantém contato até hoje, visitam a criança e tudo então foi uma forma mais saudável, eles tinham noção, tinham consciencia de que estavam adotando uma criança do Família Acolhedora. A família tentou diversas vezes manter contato mesmo antes de saber para quem ia a criança, acho que isso também foi um ponto um pouco difícil, eles ficaram muito ansiosos

a mãe acolhedora ficou muito ansiosa, ela deu um jeito de saber quem iria adotar a criança, ela ficou

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sabendo e antes da gente conversar com todos, eles já foram no dia anterior na casa da mãe que iria adotar, dizer que eles queriam muito que tivesse esse contato. Por mais que tivéssemos um sigilo enquanto família acolhedora, o que percebemos foi que tentamos, mas enquanto profissional que está na base é muito complicado se você não tiver o apoio da gestão, o apoio da rede de atendimento e não for uma coisa estruturada, como te falei né, eu acredito muito no Familia Acolhedora, muito nessa modalidade de acolhimento, tem tudo para dar muito certo e auxiliar bastante, penso que ainda tem que haver muita quebra de paradigma, não só da sociedade mas também de profissionais que trabalham com as medididas protetivas, Sejam profissionais da rede sócioassistencial, quanto do poder Judiciário. Referente ao processo como te falei nós tínhamos um instrumental que era composto por questões básicas desde identificação da família, questão documental, antecedentes criminais, o psicólogo na época fazia uma prévia avaliação, atestado médico, tinha também das capacidades mentais, pedíamos para eles passarem por um psiquiatra para poder avaliar, tinham questões de como se deu a formação da família, como o casal se conheceu, como foi a gestação da mãe, se a mãe ainda não tinha tido filhos, saber o porquê da escolha de ser família acolhedora, basicamente todo instrumental, além de renda, questão de composição familiar, questão socioeconômica, era bem amplo esse instrumental. Os contatos com essa família se davam de diversas formas, dentro das intervenções que tínhamos na época, realizávamos visitas domiciliares, atendimentos as capacitações, preferíamos fazer no final do dia, começava às cinco horas porque sabíamos que a maioria ou ao menos um dos membros trabalhava, ou a mulher ou o homem, por isso ocorria sempre no final da tarde, comecinho da noite para que todos participassem desse processo de capacitação. Quanto à divulgação, usamos todos os meios de comunicação disponíveis para que as pessoas soubessem dessa nova modalidade de atendimento, Folders, outdoors e tudo mais.

Foram feitos esses dois acolhimentos, um dos casos como te falei houve a perda do poder familiar, então voltou, foi para a adoção e o outro caso, a gente nunca conseguiu identificar, a mãe era usuária de drogas, não sei se ainda continua, não sabemos do paradeiro dela até hoje identificamos uma avó, porém ela já cuidava dos outros cinco netos da mesma filha e a mesma não teve interesse de ficar com a criança, mesmo com a equipe esclarecendo que o poder público poderia

estar auxiliando, mesmo assim ela não teve interesse

Quanto ao pai, não sabíamos ao certo quem era

esse pai, até que houve a manifestação de uma pessoa, um rapaz que estava detido em Piracicaba, ele reconheceu a paternidade por cartório não foi por DNA.

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No ano de 2010, ficamos só nesse processo de capacitação e qualificação das famílias. O primeiro acolhimento aconteceu em agosto de 2010 e o segundo acolhimento aconteceu no segundo semestre de 2011. Depois que houve todo esse processo que foi muito difícil de elaboração tanto para as famílias quanto para nós enquanto profissionais foi muito doloroso e na época já estávamos meio deslocados e o profissional psicólogo que era meu parceiro na época prestou um concurso e foi embora e deslocaram uma orientadora de medidas sócioeducativas que é psicóloga emprestada para que ela pudesse dar continuidade nesses atendimentos para mim. O família Acolhedora lida com uma fineza de sentimentos e emoções que despertam nas pessoas é um tanto quanto delicado. È todo um processo de conscientização e orientação para que as pessoas terem a certeza de que elas querem ser e ao mesmo tempo delas saberem da mesma forma que essa criança for voltar para a família de origem ou ela for excepcionalmente para adoção, da mesma forma que as famílias que adotam tem a lei da adoção, elas também precisam ter certeza que enquanto família acolhedora elas tem algum em que possam se amparar. O que a gente percebe é que tem normativas, tem anova Lei de Adoção, no ECA que prevê a modalidade de Família Acolhedora desde 2009 para cá, só que ainda é um indício aqui, outro ali, ainda não se tem algo tão sistematizado. Penso que esse processo para o Família Acolhedora ainda tem um caminhar de fortalecimento da rede, de conhecimento dos profissionais, não só os que vão executar, mas também da rede de atendimento dessa criança e desse adolescente. Na época nós tínhamos contato com a família acolhedora porque se acontecesse alguma coisa com a criança eles tinham o nosso contato e foi um processo muito doloroso, porque eu digo isso, porque quando uma das crianças, a que ficou um ano e pouco com a família, a mãe ficou muito mal, foi um luta para ela, não que para as outras não seja, mas o fato dela saber que a família adotante não queria mais que ela mantivesse contato com a criança, foi muito complicado e ela ficava mandando mensagens de madrugada nos nossos celulares colocando a angústia dela e é uma angústia que acabou sendo compartilhada e acabamos entendendo todo esse processo. Depois destas duas crianças terem ido para as famílias adotantes, não se teve assim uma fala:

vamos acabar com o Projeto Família Acolhedora, acabou agora e pronto. No final de 2011, chegamos conversamos, como não tínhamos profissionais, era um serviço da Alta Complexidade e tinham acontecido todas essas situações, acharam por bem dar uma pausa no Serviço para que depois pudesse ser retomado. Em 2012 chegou-se a conversar e tudo mais, na época foi mudado o prefeito, o prefeito foi cassado e mudou toda a equipe técnica da época e a diretoria achou por bem por conta da escassez de profissionais que o CREAS estava tendo e por conta e todos os episódios dar uma pausa definitiva para que pudesse se restabelecer toda situação.

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Entrevistador: então a pausa é definitiva? Podendo se considerar a extinção do Programa? Sujeito 1: O que acontece é o seguinte: Limeira ainda não tem o reordenamento dos Abrigos, do ano passado para cá os Abrigos estão passando por um reordenamento ainda. Outra situação também, se você me perguntar como era feito o acolhimento antes do Família Acolhedora? Fazia-se um trabalho com a família Extensa e ela iria para o abrigo por medida de proteção imediata ou iria para o abrigo para depois fazer esse retorno para a familia extensa. Com o Família Acolhedora, outra situação também que sempre colocávamos para o judiciário é que o ideal seria que quando essa criança ou adolescente fosse retirado da família de origem, já fossem inseridos no Família Acolhedora porque possuíamos o cadastro. O que percebíamos era que acontecia o inverso: a juíza indicava crianças que estavam na casa de acolhimento há um ano, há meses, para que fossem para o Família Acolhedora. Aconteceu que um desses casos foi uma criança de cinco anos na época, a juíza determinou, já tínhamos colocado que não seria saudável, que como já houve uma ruptura da família para o abrigo, e depois do abrigo para o família acolhedora e depois verificado, não seria saudável ficaria mais difícil, mas mesmo assim ela quis que fizéssemos uma aproximação e fizesse um contato. Foi feito esse contato e de fato, a criança nem foi levada para a casa da família acolhedora. O casal chegou a fazer duas aproximações no próprio abrigo, porém a criança não se identificou, não foi possível porque ela já estava criando vínculo com o pessoal do abrigo. Então formalizamos o ocorrido, fundamentamos e colocamos que não seria possível, e que o ideal seria que todas as crianças que tivessem já medida protetiva ou que estivessem na maternidade e não fossem voltar, que já fossem inseridas no família acolhedora. A partir daí ficou mais claro e a juíza começou a determinar, que foram esses dois casos que tivemos.

Entrevistador: então teve um resultado positivo?

que as crianças já saíssem da família de origem

ou da maternidade, quando verificado não haver família extensa, que a criança fosse direto para

o família acolhedora a fim de que ficasse mais fácil e menos e que fosse menos traumático para

a criança e ou o adolescente. Esse foi outro item também.

Sujeito 1: Colocamos que seria ideal

Entrevistador: Hoje como está a realidade?

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Sujeito 1: Nós não temos essa modalidade de Serviço de Família Acolhedora, essa Gestão tem um olhar diferenciado eu digo porque percebemos na área da Assistência até enquanto CREAS. A equipe na época era uma equipe mínima, por isso te falei que a gente trabalhava em dois serviços, uma porque não tínhamos um número considerável de atendimentos que aos olhos da gestão da época teria que ter, outra também porque precisava de profissionais nos outros serviços. O que tenho colocado hoje frente as experiências que tivemos. A gestão tem sim o interesse de voltar a ter essa modalidade no município, mesmo porque é uma coisa que está aí, está prevista família acolhedora, tem que ser executado só que vai ser diferente não posso falar assim o que estão planejando, só sei que vai ter o Reordenamento dos Abrigos para que depois tenha um investimento na Família Acolhedora. O que sempre falo e sempre coloco para a direção e Gestão: o Família Acolhedora tem que ser um Serviço que tenha uma equipe mínima composta que tenha um coordenador, que tenha um espaço próprio e que seja um Serviço da Alta Complexidade. E de frente a todas as normativas que seja feito todo esse trabalho, uma interlocução não só dos profissionais da Gestão junto ao Ministério Público, ao sistema de garantia de direitos, destacando a importância que de fato é o família acolhedora. Que todos falem a mesma língua pensando na criança, no desenvolvimento o que vai ser menos traumático para ela. Nós tínhamos muito por base o Sapeca de Campinas, como te falei, foram feitos alguns contatos, nós levamos uma família para conhecer a sede e tivemos relato muito bacana na época de uma mãe que foi família acolhedora de gêmeas e é esse processo mesmo de depois se desprender, de você cuidar e ao mesmo tempo se desprender. Porque não é qualquer pessoa que tem o perfil para ser família Acolhedora. Nós sempre colocávamos que não adianta começar a fazer cadastros de famílias e depois acabar sendo traumatizante para a criança e várias outras situações, e ntão agente sempre colocava, foi avaliado.O que se percebe é que não adianta ter um Serviço e estar sozinho no “barco”, tem que estar todo mundo junto, se não tiver o apoio de todos nessa empreitada, sozinhos não conse guimos. Penso que o que veio a fazer com que o projeto não tivesse mais forças para ser mantido, uma das situações considero que seja essa, pela equipe não ter na época o apoio de uma gestão que entendesse de fato o sentido do projeto, pois o mesmo foi implantado por conta de um desejo interno de uma pessoa que teve uma experiência e que estava ligada à política. Foi implantado dentro de um Serviço de Média Complexidade cujos profissionais além de atuar nesse serviço atuavam em outros serviços do CREAS. Haveria necessidade de um chamamento de toda rede através de seminários fóruns continuados sobre essa modalidade para que auxiliasse nesse entendimento. Alguns profissionais estão abertos outros não e o quanto essa resistência também acaba prejudicando. Como

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te falei, foi muito traumatizante, Eu falo que se fosse para continuar do jeito que estava, acho que eu

pediria exoneração do cargo, eu abriria mão. Acabou tendo essa pausa e o que ouço da Gestão é que

tem sim o interesse de retomar o serviço, porém há necessidade primeiramente de fazer esse reordenamento dos abrigos que Limeira não tem.

Entrevistador: Como era feito o Acolhimento de crianças e adolescentes que sofrem violação de direitos no município antes, durante a implantação do Serviço e após a extinção do mesmo?

Sujeito 1: Antes do programa, vou mais ou menos colocar, pois quando cheguei já fui direto para o programa. Portanto não sei como funcionava a questão do Acolhimento em Limeira. A cidade tem dois abrigos que atende crianças e adolescentes, os irmãos são separados, por isso essa necessidade de reordenamento. há abrigo para meninas e os meninos entram nesse abrigo bebês. com dois anos de idade os meninos são retirados desse abrigo e mandados para outro abrigo. Quando completam 13 anos vão para o abrigo do município que atende adolescentes de treze a dezoito anos.

Entrevsitador: Parece que os meninos “passam” por um sofrimento maior, vamos dizer assim, pois ficam dois anos numa instituição, dos dois aos treze anos ficam em outra instituição e até os dezoito em outra instituição diferente. Sujeito 1: Sim, por isso que estão tentando agora fazer todo esse reordenamento porque não dá mais, mesmo porque não se pode separar mais irmãos. Pensando também nos adolescentes que

completam a maioridade, atingem dezoito anos e ainda não tem uma condição de se sustentar. Porque

a gente tem que pensar, vislumbrar que os acolhimentos acontecem há muitos anos, isso é um

processo histórico. E tem pessoas que entraram crianças nesses abrigos e por não ter todo esse aparato judicial que envolve essa questão da garantia de direitos. Até então não se tinha um trabalho, considero como sendo um local, um depósito em que as crianças eram mantidas lá era garantido o mínimo de sobrevivência, num espaço coletivo. Surgiu uma nova lei em 2009 que agora todo mundo vai ter que ficar no máximo dois anos no abrigo, ser avaliado a cada seis meses para verificar

o que vai ser da vida e as audiências concentradas. E a gente sabe que não é assim, tem todo um

processo, tem sim a questão dos adolescentes que ficam lá até completar a maioridade e essa gestão está tendo um olhar para se fazer as repúblicas, o processo era esse.

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O processo anterior era esse. Com família acolhedora pelo fato do curto período e pelo número mínimo de famílias que a gente tinha, não eram muitas famílias e o perfil dessas famílias, era de acolher crianças, não acabou acontecendo o acolhimento de adolescentes e essa via de mão contrária em que a juíza determinava casos que já estavam na instituição pra o família acolhedora que não vem ao encontro do que preconiza. Com todos esses fatos, aconteceram dois acolhimentos. Eu considero que poderia ter acontecido mais se fosse de outra forma. Hoje depois do família acolhedora acontece a mesma coisa, é esse processo de início que eu sei. que acontecia de início. Ainda existem esses dois abrigos, o abrigo de meninos adolescentes. No município uma menina chega com treze anos ou mais, ela não vai para o abrigo de meninas e sim para a casa de mulheres vítimas de violência, então assim. Estou tomando por base a realidade de hoje, pois ainda não se tem reordenamento. Com o reordenamento vai ter as casas lares, a mãe social, os irmãos que não serão mais separados, vai ter a república. Já estão se organizando procurando as casas, o órgão gestor que é O CEPROSOM já está providenciando esse reordenamento. Foi feito o convite para os dois abrigos que são entidades para verificar se eles tem interesse de entrar nesse reordenamento e parece que toparam a ideia e vão se reestruturar para isso com o apoio do município.

Entrevistador: Na sua opinião como teria que ser implantado o serviço para ser efetivo? Sujeito 1: É aquilo que eu te falei para ser efetivo tem que ter um olhar primeiramente da gestão a completude da realidade do que é o família acolhedora. È uma modalidade de serviço de acolhimento na qual tem ter um trabalho intensificado, um olhar diferenciado não só por parte da gestão, no caso do poder publico se for seu executor ou de uma organização não governamental como é em Campinas, é entender de fato o que é esse serviço, quais são os benefícios e acreditar na proposta. Não adianta dizer: vou fazer porque está previsto e não acreditar na proposta, tenho que acreditar nele e nós como trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) temos que acreditar na politica de assistência. Acreditar que é uma modalidade que é viável sim, que garante sim a convivência familiar e comunitária, porem de uma forma coerente, pensando no sentido de seja menos traumático possível para essa criança ou adolescente, não tendo muitas rupturas e que a rede do sistema de garantia de direitos esteja alinhada, entenda esse linguajar, que todos possam falar a mesma língua e eu acho que é um processo que tem que caminhar, não adianta eu enquanto técnica do família acolhedora falar uma língua, acreditar na proposta, e o técnico do judiciário que atender a família, por exemplo, excepcionalmente a criança ou adolescente vai ser adotado falar outra língua

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para essa mãe. Ou a juíza prevê que como medida de proteção a criança seja retirada da família de origem, não tendo família extensa, que não vá para uma instituição primeiro e sim direto para o família acolhedora por esse prévio cadastro. Considero que para funcionar, além da questão da rede tem que ter um espaço adequado, entender que é um Serviço de Alta Complexidade, ter uma equipe mínima composta, um coordenador que fique voltado só para isto e entender a proposta tal como ela é e poder favorecer para que ela se desenvolva. E investir na captura de famílias, poder identificar poder entender, o profissional entender aquilo que está trabalhando, ser qualificado para isso, porque quando chegamos foi do concurso público e no edital do concurso publico não estava previsto que trabalharia no Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora. Só constava que o trabalho seria no Sistema Único de Assistencia Social (SUAS). Teoricamente tem que saber todas as normativas existentes. Que esse profissional se for atuar nessa modalidade de serviço, tenha o mínimo de conhecimento do que é, mesmo tendo pouca experiência por ser um serviço novo, não é todo município que tem. È necessário ter coerência e a compreensão do que é o Serviço e acreditar na proposta. Que seja investido em qualificação, fóruns permanentes no município, seminários. É uma coisa que não dá para funcionar meia boca, ou funciona ou não funciona. Meia boca não dá para funcionar com o perdão da palavra São pessoas em desenvolvimento e que a sua atuação é um reflexo dela no futuro. Cheguei a ver algumas vezes o primeiro bebe que foi acolhido na hora que olhei pensei: acho que é e era ele mesmo. E você saber que fez parte da história de vida daquela pessoa é gratificante. Aquela família que o poder judiciário e a família adotante não quiseram manter contato inicialmente, há uns três meses atrás a mãe acolhedora me ligou e falou que esta tendo contato. Fico pensando que seria muito menos traumático, se houvesse uma forma, no sentido técnico de contar para a família adotante que a criança não é de instituição, e sim de uma família acolhedora. Aqui está todo um processo histórico, o álbum de vida dela. Não ficar aquela coisa de querer inventar história, porque um dia essa criança vai querer saber sua história de vida e aí? De onde ela veio? Quem cuidou dela. Precisamos verificar essa questão de sentimento de posse. É um longo caminhar que temos pela frente. Eu acredito na proposta mas uma andorinha só não faz verão.

Entrevistador: Na sua opinião, há demanda para implantação do Serviço novamente em Limeira? Sujeito 1: Sim. Tem bastante crianças e adolescentes institucionalizados. Eu não vou saber dizer o número certo, mas tem.

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ENTREVISTA

COM

ASSESSORA

DA

PROTEÇÃO

ESPECIAL DO

CEPROSOM

LIMEIRA.

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Entrevistador: Existe a possibilidade do Serviço de Acolhimento em Família acolhedora voltar acontecer em Limeira?

Sujeito 2: Sim existe essa possibilidade, nós estamos trabalhando o Reordenamento dos Serviços de Acolhimento, seguindo as orientações técnicas do MDS e do CONANDA, os municípios tem até 2017 para se adequarem. Hoje nós estamos num processo de identificação das nossas demandas, dos serviços que nós temos, o que é necessário já temos claro que é necessário uma expansão qualificada dos serviços, a implantação dos serviços de república, porque as demandas estão começando a surgir. Já temos desenhado entre nós a necessidade de retomar o Serviço de Família Acolhedora na cidade. Ainda não temos os prazos para implantação, capacitação, composição de equipe, mas temos isso em mente e já em negociação com entidades e com o próprio MDS através do Plano de Orientações Técnicas que temos que entregar agora sobre o acolhimento. Há sim essa possibilidade de voltar a acontecer.

Entrevistador: Até 2017, há determinação de prazos fixados para implantação de cada Serviço?

Sujeito 2: Na verdade, como cada município é uma realidade, o MDS está deixando os municípios bem à vontade no sentido de se programarem dentro das condições que possuem e de acordo com a realidade de cada um. Não tem uma ordem nem prazos pré fixados para implantação, dos Serviços. Ex: República tem que ser a partir de tal data, Família Acolhedora tal data, o que nós temos é que ate 2017 os municípios estarem de fato com o reordenamento em prática e já com as ações monitoradas, conforme a possibilidade de cada município é que serão definidos os prazos.

Entrevistador: Como funcionava o acolhimento de crianças e adolescentes antes em situação de vulnerabilidade em Limeira?

Sujeito 2: O acolhimento em qualquer situação, independente do Família Acolhedora Uma família está em situação de risco, de vulnerabilidade, foi identificado pela rede, pelo CRAS, pelo CREAS, as escolas também tem essa atuação, ou pelo próprio Conselho Tutelar (CT) através de uma denuncia. A partir da denúncia que chega, tentamos ao máximo seguir essas orientações dentro dos

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serviços para que sejam esgotadas todas as possibilidades de inserção na em família extensa, ou mesmo uma família por afinidade, com vínculo forte que a criança e o adolescente tenham. Em

última situação, é solicitado um parecer do poder judiciário, que faz a determinação do acolhimento. Essa criança ou adolescente são encaminhado para os Serviços que temos no município. Ainda temos alguns casos de acolhimento emergencial que é feito pelo (CT), depois é comunicado ao poder judiciário dentro do prazo previsto no (ECA) são casos que saem da alçada, às vezes é uma situação muito grave que aconteceu e que precisou do afastamento do convívio naquele momento, mas fora isso, a família tem que ser trabalhada pela rede, antes de chegar na situação do acolhimento. Entrevistador: Fale um pouco mais sobre esse acolhimento feito pelo (CT)

O (CT) dentro do (ECA), tem uma previsão que ele pode fazer um acolhimento em caráter de

urgência, quando não há tempo de comunicar a autoridade judiciária, no caso o fórum ou o ministério publico. O (CT) tem essa prerrogativa, mas ela é eminente que a partir do acolhimento, nós atores da

rede começamos um processo e temos no máximo 48 horas para comunicar o juiz que aquela criança ou adolescente está no Serviço, aguardamos também a determinação judicial: se a criança ou adolescente permanece ou não no serviço. A determinação pelo acolhimento passa a ser exclusiva do poder judiciário. O (CT) só faz numa situação em que vê um risco muito grave para aquela criança ou adolescente naquele momento. Fora isso é só com a autorização do poder judiciário. Só numa situação de grave incidência em que corra o risco de acontecer uma violência maior. O foco do nosso trabalho é que não haja acolhimento de emergência e sim que a família já esteja em acompanhamento para tentar evitar o acolhimento de todas as formas.

Entrevistador: Eu entendo, tenta-se de todas as maneiras, trabalhar a família para evitar o acolhimento institucional.

Sujeito 2: Ele acolhe nos serviços de acolhimento mesmo. Alguns municípios, não sei se

vc já ouviu falar tem a Casa de Passagem, que seria um serviço intermediário antes do acolhimento

institucional. È um local em que a criança ou adolescente pode ser avaliado para identificar perfil e ver o melhor serviço em que ela se enquadaria. Alguns municípios já dispõem da Casa de Passagem, Limeira não tem. É previsto na tipificação, nas orientações técnicas. É um recurso a mais que depende do porte do município, da quantidade de crianças e adolescentes em situação de acolhimento. Precisa ser avaliado se tem demanda ou não para esse serviço. Entrevistador: Considero um serviço importante.

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O nosso foco de trabalho é que não haja acolhimento em emergência e sim que já estejamos em

acompanhamento com essa família para evitar o acolhimento.

Entrevistador: Como é a demanda do município, é uma demanda grande, há dados e você tem acesso a esses dados?

Sujeito 2: Temos inclusive estamos construindo o Plano Municipal de Acolhimento. Fizemos o último levantamento agora no começo mês de setembro. Hoje Limeira conta com 88 crianças e adolescentes em situação de acolhimento. Nós não temos demanda reprimida, os casos

que tem a determinação judicial para acolhimento são acolhidos no serviço que o município dispõe.

A partir do acolhimento já é iniciado um trabalho para tentar reintegrar a família, ou verificar se tem

algum outro membro que antes do acolhimento não foi possível identificar. De fato o que temos hoje de demanda clara são essas 88 crianças e adolescentes que estão nesses serviços de acolhimento. Como funciona, é como já conversamos antes, é feito todo um até se esgotar, e quando não há possibilidade ele entra para o serviço de acolhimento

Entrevistador: Em 2010, o acolhimento funcionava da seguinte forma: as meninas ficavam na casa da criança, os meninos ficavam no mesmo local até completar dois anos. Com dois anos iam para o nosso lar até os dezoito anos, quando saíam, contavam com o apoio dos profissionais da Casa da Criança, mas a partir dos dezoito anos elas já teriam que se desligar dali, conseguir um outro local para morar. Durante o período em que estavam na instituição era oferecida a profissionalização para que pudessem trabalhar e se sustentar quando saíssem. Gostaria de saber se ainda acontece dessa forma?

Sujeito 2: Ainda é o modelo que nós temos. Hoje não temos mais o lar do moço, temos a Casa da Criança e o Nosso Lar e são entidades da Sociedade Civil que desenvolvem o Serviço de Acolhimento. A casa da criança no estatuto prevê o acolhimento de crianças de ambos os sexos, hoje não mais até os dois anos, hoje percebemos que quando tem irmãos até uns quatro, cinco anos essas crianças estão ficando na mesma instituição. Os meninos vão para o Nosso Lar, isso seria a partir dos dois anos, ambos os serviços até completarem a maioridade. Como o município ainda não dispõe de república, temos articulado com a promotoria para que alguns casos em que estão próximo de completar dezoito anos, que possam permanecer na instituição até implantarmos o serviço. Os casos

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em que já tem autonomia, conseguiram, se desenvolveram, já estão trabalhando, terminaram os estudos, contamos com o apoio do município mesmo através dos programas de locação social, para que possibilite um local em que possam morar e aos poucos irem se desligando da instituição. Ainda temos segmentado, temos o acolhimento mantido pelo município que recebe adolescentes, mas agora com o reordenamento, a proposta é que nos organizemos mais no sentido principal de não separar mais o grupo de irmãos.

Entrevistador: Nas Casas Lares?

Sujeito 2: Nós estamos avaliando ainda se vamos fazer Casas Lares ou Acolhimento em Abrigo Institucional, porque a Tipificação prevê os dois modelos: o Acolhimento Institucional uma casa até vinte crianças e adolescentes e a Casa Lar até dez só a questão do quadro de funcionários que muda de um para outro, a Casa Lar é mãe Social e o Acolhimento Institucional é o Cuidador ou Educador, é chamado das duas formas. A Equipe Técnica é a mesma para as duas. È em cima desse levantamento que fizemos que estamos identificando no município de vamos optar pela Casa Lar ou Abrigo Institucional, mas independente dos novos caminhos para podermos organizar os grupos de irmãos, a Casa da Criança e o Nosso Lar possuem interesse em continuar prestando serviço no município, mas de acordo com o que prevê o reordenamento, trabalhar nesse sentido.

Entrevistador: Seja na Casa Lar ou no Acolhimento Institucional, não haverá a separação do grupo de irmãos?

Sujeito 2: Exatamente.Hoje como há essa separação, estamos identificando os irmãos que possuem vínculo, porque esses seriam os primeiros a serem integrados, mesmo os que não são irmãos, temos crianças e adolescentes que já estão há bastante tempo na situação de acolhimento e possuem um vínculo entre eles que é um vínculo de irmãos porque estão ali na mesma casa. Estamos respeitando essas individualidades e particularidades de cada um para pensarmos como vai ser feito. O trabalho é no sentido do cuidado de garantir o que o ECA preconiza, mas de forma alguma cometer uma violação maior ainda com essas crianças e adolescentes que já sofreram, foram vitimizadas de várias formas, por estarem numa situação de acolhimento.

Entrevistador: Os meninos ficam até os dezoito anos no Nosso Lar?

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Sujeito 2: Ficam até os dezoito anos.

Entrevistador: então não há mais essa quebra?

Sujeito 2: Não. Quando o Lar do Moço encerrou as atividades adolescente Como comentei que aqui no município tem um Acolhimento para adolescentes, se tiver um acolhimento e ele tiver entre quinze e dezesseis anos, vem para o nosso acolhimento, nesse caso se não tem irmãos, o Nosso Lar não absorve essa demanda, mas se ele já estiver no Nosso Lar e for fazendo aniversários dentro da instituição, ele permanece até completar sua maioridade.

Entrevistador: Além do Nosso Lar vocês tem um Acolhimento para meninos?

Sujeito 2: Sim o acolhimento municipal que é mantido pelo Ceprosom.

Entrevistador: Quando o menino chega e já tem mais de treze anos, vai direto para esse acolhimento?

Sujeito 2: Quando é solicitado o acolhimento, é verificado se ele tem alguém da família, ou não. Dias atrás nós tivemos um acolhimento que foi de um grupo de irmãos e tinha um adolescente nessa faixa etária, então o Nosso Lar aceitou recebe-lo porque eles já estão trabalhando na perspectiva de tentar ao máximo não separar o grupo de irmãos se não tem o grupo de irmãos ele vai para o Eles também estão trabalhando nessa perspectiva

Entrevistador: Na questão das meninas na Casa da Criança, elas ficam até os dezoito anos, tem um outro local para elas ficarem quando chegam após os treze anos?

Sujeito 2: Tem também, como no Estatuto deles tem essa previsão de faixa etária, de idade, é a mesma linha do Nosso Lar: se tem grupo de irmãos, se estão acolhidos na instituição, se já ficou na instituição, eles acolhem também Se é um caso novo uma situação diferenciada, que já veio nesta faixa etária maior, no momento estamos acolhendo as adolescentes que estão vindo nessa situação na Casa da Mulher

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Entrevistador: Em relação à demanda que o município de Limeira tem, ele atende só crianças do município ou os de municípios da região?

Sujeito 2: o que preconiza o ECA, o que a legislação nos traz é que cada município tem que cuidar de suas crianças e adolescentes, então enquanto poder público, acolhemos as crianças e adolescentes do município de Limeira. No entanto nós temos uma situação nas nossas entidades da Sociedade Civil que o município de Iracemápolis ainda não dispõe do serviço de acolhimento. Ele faz um repasse que é negociado direto com as instituições da Casa da Criança e do Nosso Lar, e atualmente tem três crianças de Iracemápolis acolhidas nos dois serviços. O nosso promotor que também acompanha Iracemápolis, já estipulou um prazo para que Iracemápolis de adeque se organize implantando o serviço de acolhimento para que as crianças estejam mais próximas da família de origem para que sejam preservados os vínculos familiares e comunitários.

Entrevistador: Como se desenvolve o trabalho entre as redes de proteção incluindo o judiciário e a Vara da Infância e da Juventude?

Sujeito 2: Podemos falar que o trabalho ainda está no início, está se fortalecendo, se intensificando, temos profissionais com muita vontade. Estamos organizando as reuniões discutindo os casos. Reunimos a rede de assistência juntando a proteção básica, proteção especial, conselho tutelar, sistema de garantia de direitos, a própria saúde dependendo da necessidade para discutir a situação de alguma criança ou adolescente para também distribuirmos competências: o que o CRAS vai fazer, o que o CREAS vai fazer no acompanhamento dessa família, para que ela se fortaleça, vamos tentar a reintegração familiar? Ainda estamos no início fortalecendo esse trabalho, não é um fluxo que acontece sozinho ainda. Precisa da provocação, um ator da rede provocando o outro, provocando que eu falo é no sentido sadio mesmo para sentarmos, discutir dizendo: olha já cheguei até aqui o que é que eu faço? Viabilizando as discussões, para definir e pensar melhor. A ideia é que com o reordenamento, esperamos melhor estruturar a rede tendo esses pactos. A ideia é que a gente crie protocolos de Acolhimento desacolhimento, de construção do PIA o acolhimento hoje o serviço acontece, mas ele precisa ser fortalecido e melhorado, ampliado, essa seria a palavra.

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