Sunteți pe pagina 1din 13

CAPÍTULO 2 NOÇÕES DE ÉTICA

2.1 O QUE É ÉTICA?

Os conhecimentos a respeito da ética remontam aos primórdios da atividade filosófica. O pensamento de Sócrates (470-399 a.C.) marca o nascimento da filosofia clássica e, foi, posteriormente desenvolvido por Platão e Aristóteles. Neste período começou-se a questionar as ações humanas e os valores subjacentes a elas. Séculos mais tarde, durante a Revolução Francesa, filósofos como Immanuel Kant (1724-1804) começam a analisar princípios da consciência moral. Podemos ainda citar nomes importantes como Hobbes, Maquiavel, Locke e Rousseau que apostavam no exercício da crítica como a única forma de ser livre. Mas aqui vamos ser mais diretos.

Etimologicamente a palavra ética vem do grego “ethos” que significa “modo de ser” ou “caráter”. A ética pode ser definida como a parte da filosofia que se ocupa com a reflexão a respeito das noções e dos princípios que fundamentam a vida moral. Na verdade, mesmo com uma linguagem bastante simples é difícil formular e justificar uma definição real sobre a ética, mas podemos resumir dizendo que falar de ética é falar da conduta humana.

Em outras palavras, a ética está baseada em valores morais que norteiam o comportamento do ser humano em sociedade. Por exemplo: a intenção da vida no bem e, consequentemente, agir segundo o bem, que leva a vida melhor ou mais feliz, sendo que o bem deve ser realizado, embora não pela coação, mas pela persuasão, onde esses termos da tradicional moral grega implicam em seu conteúdo semântico o conceito fundamental de bem, eixo conceitual em torno do qual se construíram os grandes sistemas éticos da tradição ocidental.

A propósito, podemos dizer que ética e moral são a mesma coisa? Não exatamente. Apesar de serem usados muitas vezes como sinônimos essas palavras têm conceitos diferentes, geralmente o conceito de ética se confunde com o de moral. A palavra moral vem do latim “mos” que significa “maneira de se comportar regulada pelo uso”. A moral corresponde ao conjunto de costumes e juízos morais de um indivíduo ou de uma sociedade que possui caráter normativo (regras de comportamento das pessoas no grupo). Segundo Adolfo Sánchez Vásquez, tanto ethos como mos indicam um tipo de

comportamento propriamente humano que não é natural, o homem não nasce com ele como se fosse um instinto, mas que é “adquirido ou conquistado por hábito”.

A moral tem um papel social, afinal, é o conjunto de regras que determinam como deve ser o comportamento dos indivíduos em grupo, mas, ademais, é preciso ressaltar que ela também está relacionada com a livre e consciente aceitação das normas. Já a ética é a parte da filosofia que se ocupa com a reflexão a respeito das noções e princípios que fundamentam a vida moral. Eu sei parece confuso, mas basta termos em mente que uma coisa está vinculada a outra e que estes conceitos regem a forma como lidamos com o outro e como vivemos em sociedade.

Apesar de serem etimologicamente semelhantes, a moral e a ética são distintas, tendo a moral um caráter prático imediato e restrito, visto que corresponde a um conjunto de normas que regem a vida do indivíduo e, consequentemente, da sociedade, apontando o que é bom e o que é mal, influenciando os juízos de valores e as opiniões. Em contrapartida, a ética caracteriza-se como uma reflexão filosófica de caráter universalista sobre a moral, a fim de analisar os princípios, as causas, mas, também as consequências das ações dos indivíduos para a sociedade.

Ética x Moral

Um exemplo famoso é o de Rosa Parks, a costureira negra que, em 1955, na cidade de Montgomery, no Alabama, nos Estados Unidos, desobedeceu à regra existente de que a maioria dos lugares dos ônibus era reservada para pessoas brancas. Já com certa idade, farta daquela humilhação moralmente oficial, Rosa se recusou a levantar para um branco sentar. O motorista chamou a polícia, que prendeu a mulher e a multou em dez dólares. O acontecimento provocou um movimento nacional de boicote aos ônibus e foi a gota d’água de que precisava o jovem pastor Martin Luther King para liderar a luta pela igualdade dos direitos civis.

No ponto de vista dos brancos racistas, Rosa foi imoral, e eles estavam certos quanto a isso. Na verdade, a regra moral vigente é que estava errada, a moral é que era estúpida. A partir da sua reflexão ética a respeito, Rosa pôde deliberada e publicamente desobedecer àquela regra moral.

Entretanto, é comum confundir os termos ética e moral, como se fossem a mesma coisa. Muitas vezes se confunde ética com espírito de corpo, que tem tudo a ver com moral mas nada com ética. Um médico seguiria a “ética” da sua profissão se, por exemplo, não “dedurasse” um colega que cometesse um erro grave e assim matasse um paciente. Um soldado seguiria a “ética” da sua profissão se, por exemplo, não “dedurasse” um colega que torturasse o inimigo. Nesses casos, o tal do espírito de corpo tem nada a ver com ética e tudo a ver com cumplicidade no erro ou no crime.

Diante de variadas definições e conceitos sobre a ética, percebemos que o

homem não vive sozinho, pois, como ser humano, coexiste com seus hábitos, costumes, tradições, sonhos, trabalhos etc, dentro de uma ordem moral, onde

os seus atos, desde que visem o bem, são tidos como éticos. Portanto, a ética

está relacionada a regras estabelecidas por meio de leis que regulam o modo

de vida da população de um país.

Sabendo que uma sociedade é construída baseada em valores históricos e culturais, percebemos que cada sociedade tem seus próprios códigos de ética, fazendo com que o agir eticamente implique em transpor desafios e obstáculos comuns na vida em vista de uma melhor socialização.

Logo, todos os atos humanos devem se alicerçar em atos éticos, com princípios que a torne real para que possa exteriorizar o seu comportamento moral em um comportamento moral ético, que é necessário para que melhore a convivência social.

Desta forma, as ações éticas acontecem quando os valores como a igualdade,

a justiça, a dignidade da pessoa, a democracia, a solidariedade, o

desenvolvimento integral de cada um e de todos é respeitado e garantido de forma plena e eficaz para a formação de uma sociedade mais equilibrada e justa.

LEITURA COMPLEMENTAR:

2.2 ÉTICA E INTEGRIDADE NA PRÁTICA CIENTÍFICA

A expressão “integridade da pesquisa” (research integrity) vem sendo utilizada para demarcar um campo particular no interior da ética profissional do cientista, entendida como a esfera total dos deveres éticos a que o cientista está submetido ao realizar suas atividades propriamente científicas. No interior dessa esfera, pode-se distinguir, por um lado, o conjunto dos deveres derivados de valores éticos mais universais que os especificamente científicos. São dessa natureza aqueles que compõem o campo da chamada Bioética, derivados, por exemplo, do valor (não especificamente científico) que é o respeito à integridade física, psicológica e moral dos seres humanos e do “proibido” (não especificamente científico) de submeter animais a tratamento cruel. É enquanto pesquisador que um cientista se relaciona com os sujeitos e as cobaias de seus experimentos, mas não é por ser um pesquisador que ele deve preservar os direitos dos sujeitos de seus experimentos ou deve ponderar, no planejamento desses experimentos, o possível sofrimento de suas cobaias.

Por outro lado, a ética profissional do cientista inclui um conjunto de deveres derivados de valores éticos especificamente científicos, isto é, valores que se impõem ao cientista em virtude de seu compromisso com a própria finalidade de sua profissão: a construção coletiva da ciência como um patrimônio coletivo. O princípio desse campo particular da ética profissional é:

ao exercer suas atividades científicas, um pesquisador deve sempre visar a contribuir para a construção coletiva da ciência como um patrimônio coletivo, deve abster-se de agir, intencionalmente ou por negligência, de modo a impedir ou prejudicar o trabalho coletivo de construção da ciência e a apropriação

coletiva de seus resultados. É a essa parte da ética profissional do cientista que remete a expressão “integridade da pesquisa”.

Relatório da Comissão de Integridade de Pesquisa do CNPq

A comissão instituída pela portaria PO-085/2011 de 5 de maio de 2011,

constituída pelos pesquisadores Alaor Silvério Chaves, Gilberto Cardoso Alves Velho, Jaílson Bittencourt de Andrade, Walter Colli e coordenada pelo Dr. Paulo Sérgio Lacerda Beirão, diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde do CNPq, vem apresentar seu relatório final

Introdução

A necessidade de boas condutas na pesquisa científica e tecnológica tem sido motivo de preocupação crescente da comunidade internacional e no Brasil não

é diferente. A má conduta não é fenômeno recente, haja vista os vários

exemplos que a história nos dá de fraudes e falsificação de resultados. As publicações pressupõem a veracidade e idoneidade daquilo que os autores registram em seus artigos, uma vez que não há verificação a priori dessa veracidade. A Ciência tem mecanismos de correção, porque tudo o que é

publicado é sujeito à verificação por outros, independentemente da autoridade

de quem publicou.

Como ilustração, podemos citar alguns exemplos emblemáticos, como o chamado “Homem de Piltdown” - uma montagem de ossos humanos e de orangotango convenientemente manipulados, que alegadamente seria o “elo perdido” na evolução da humanidade. Embora adequada para as ideias então

vigentes, a farsa foi desmascarada quando foi conferida com novos métodos

de datação com carbono radioativo. Outros exemplos podem ainda ser citados,

como o da criação de uma falsa linhagem de células-tronco embrionárias humanas que deu origem a duas importantes publicações na revista Science em 2004 e 2005. Por esse feito, o autor principal foi considerado o mais importante pesquisador de 2004. O que seria um feito extraordinário mostrou

ser uma fraude e resultou na demissão desse pesquisador e na exclusão desses artigos da revista.

Essa autocorreção, no entanto, não é suficiente para impedir os efeitos danosos advindos da fraude, seja por atrasar o avanço do conhecimento ou mesmo por consequências econômicas e sociais resultantes do falso conhecimento. Um caso exemplar das consequências danosas que podem ser causadas por fraudes científicas foi a rejeição dos princípios da genética, por meio da manipulação de dados e informações com objetivos ideológicos e políticos, feita pelo então presidente da Academia Soviética de Ciências, Trofim Lysenko. Essa falsificação, mesmo sendo posteriormente contestada cientificamente, trouxe grande atraso na produção agrícola da então União Soviética, o que contribuiu sobremaneira para a deterioração econômica e sustentabilidade do regime soviético.

Esses casos mostram que resultados falsos ou errados podem atrasar acentuadamente o avanço do conhecimento, sem contar com o custo, financeiro e humano, envolvido na correção dos desvios. Mais difíceis de serem corrigidos são os problemas advindos de plágios, onde o verdadeiro autor, seja de descobertas ou de textos, pode ter seu mérito subtraído com possíveis prejuízos profissionais.

A falsificação de dados pode ser caracterizada quando as manipulações introduzidas alteram o significado dos resultados obtidos. Por exemplo,

introduzir ou apagar imagens em figuras podem alterar a interpretação dos resultados. Algumas situações são consideradas legítimas, como, por exemplo,

o emprego de software de aumento de contraste usado por astrônomos pode

revelar objetos celestes dificilmente identificáveis de outra maneira. Alterações

de contraste ou brilho para melhorar a qualidade global de uma imagem são consideradas legítimas se aplicadas a toda a imagem e descritas na publicação. Nesses casos a imagem original deve ser mantida, e publicada como informação suplementar quando possível.

Além das referidas consequências danosas da falsificação e do plágio, essas práticas podem favorecer indevidamente seus autores para conseguirem vantagens em suas carreiras e na obtenção de auxílios financeiros. Em relação

a isso, surge também como significativa a prática crescente de autoplágio. Em

um ambiente de competição para a obtenção de auxílios financeiros, isso pode

significar o investimento em pessoas e projetos imerecidos, em detrimento daqueles que efetivamente são capazes de produzir avanços do conhecimento.

A

manuscritos submetidos tem facilitado a prevenção de plágio e de autoplágio.

existência

de software capaz

de

identificar

trechos

publicados

de

Por todas essas razões as más condutas na pesquisa são assunto de interesse das agências de financiamento, que devem zelar pela boa aplicação de seus recursos em pessoas que sejam capazes de produzir avanços efetivos (isto é, confiáveis) do conhecimento. Isso significa instituir mecanismos que permitam identificar e desestimular as práticas fraudulentas na pesquisa, e estimular a integridade na produção e publicação dos resultados de pesquisa.

Para lidar com esses problemas, a comissão recomenda que o CNPq tenha duas linhas de ação: 1) ações preventivas e pedagógicas e 2) ações de desestímulo a más condutas, inclusive de natureza punitiva.

Com relação às ações preventivas, é importante atuar pedagogicamente para orientar, principalmente os jovens, nas boas práticas. É também importante definir as práticas que não são consideradas aceitáveis pelo ponto de vista do CNPq. Como parte das ações preventivas, o CNPq deve estimular que disciplinas com conteúdo ético e de integridade de pesquisa sejam oferecidas nos cursos de pós-graduação e de graduação. Também a produção de material com esses conteúdos em língua portuguesa deve ser estimulada e disponibilizada nas páginas do CNPq. Como ponto de partida, algumas diretrizes orientadoras das boas práticas nas publicações científicas, inclusive nos seus aspectos metodológicos, devem ser imediatamente publicadas, podendo ser aperfeiçoadas com contribuições subsequentes. Há que se salientar nessa direção a importância dos orientadores acadêmicos.

Com relação às atitudes corretivas e punitivas, recomenda-se a instituição de uma comissão permanente pelo Conselho Deliberativo do CNPq, constituída de membros de alta respeitabilidade e originados de diferentes áreas do conhecimento. Deverá caber a esta comissão examinar situações em que surjam dúvidas fundamentadas quanto à integridade da pesquisa realizada ou publicada por pesquisadores do CNPq - detentores de bolsa de produtividade

ou auxilio a pesquisa. Com relação a denúncias, é de se cuidar para não

estimular denúncias falsas ou infundadas. Caberá a essa comissão examinar

os fatos apresentados e decidir preliminarmente se há fundamentação que

justifique uma investigação específica, a ser realizada por especialistas da área nomeados ad hoc. Caberá também a essa comissão, a partir dos pareceres

dos especialistas, propor à Diretoria Executiva do CNPq os desdobramentos adequados. Será também incumbência dessa comissão avaliar a qualidade do material disponível sobre ética e integridade de pesquisa, a ser publicado nas páginas do CNPq.

Definições

Podem-se identificar as seguintes modalidades de fraude ou má conduta em publicações:

Fabricação ou invenção de dados - consiste na apresentação de dados ou resultados inverídicos.

Falsificação: consiste na manipulação fraudulenta de resultados obtidos de forma a alterar-lhes o significado, sua interpretação ou mesmo sua confiabilidade. Cabe também nessa definição a apresentação de resultados reais como se tivessem sido obtidos em condições diversas daquelas efetivamente utilizadas.

Plágio: consiste na apresentação, como se fosse de sua autoria, de resultados ou conclusões anteriormente obtidos por outro autor, bem como de textos integrais ou de parte substancial de textos alheios sem os cuidados detalhados nas Diretrizes. Comete igualmente plágio quem se utiliza de ideias ou dados obtidos em análises de projetos ou manuscritos não publicados aos quais teve acesso como consultor, revisor, editor, ou assemelhado.

Autoplágio: consiste na apresentação total ou parcial de textos já publicados pelo mesmo autor, sem as devidas referências aos trabalhos anteriores.

Leitura complementar:

2.3 PROBLEMAS ÉTICOS E A CIÊNCIA DE HOJE

Ao iniciarmos um empreendimento cientifico, assumimos questões éticas e morais, como por exemplo de que forma a vida deve ser vivida ou o bem e o mal, o justo e o injusto. Isto acontece de forma simultânea não somente ao momento temporal, mas à proposta filosófica de que ética e moral se constituem mutuamente, na medida em que a busca por compreender o que é viver nos leva ao terreno prático de como tratamos o outro, e o debate entre o justo e o injusto leva-nos à reflexão sobre justiça como tal.

A combinação do termo ética com o campo científico, que soaria estranha para os fundadores as Sociedade Real de Londres, no ano de 1660. O lema desse restrito grupo nullius in verba (afirma a vontade de estabelecer a verdade no domínio dos fatos, baseando-se somente na experiência científica, e jamais na palavra de alguma autoridade) a determinação de verificar proposições científicas com base no apelo aos fatos, que para eles eram externos e pertencentes à natureza. Ética da atividade científica era presumida como natural porque, tal como os demais saberes (práticos, tecnológicos, sociais ou artesanais) era feita, em grande parte, por pessoas honestas e sinceras que gostavam do que faziam, que aceitavam os limites da negociação da verdade e reagiam contra proposições que consideravam insustentáveis.

É essa prática de lidar com questões éticas e morais como parte do cotidiano é que está sendo questionada hoje, como atestam os diversos códigos de conduta para pesquisa e publicação científica produzidos nos últimos anos. Somente em 2011, no Brasil, tivemos o código de Boas Práticas Científicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o relatório e recomendações da Comissão de Integridade de Pesquisa do Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNPq) e a conduta pública sobre a revisão da Resolução 196/1996 do Conselho Nacional de Saúde, que trata da ética em pesquisa em seres humanos.

Ao ler esses e outros documentos de âmbito internacionais, parece que, de maneiras distintas, pesquisadores, gestores, editores, usuários e financiadores estão chegando à conclusão de que a caótica cultura democrática e coletiva que sustentava as diferentes comunidades científicas e garantia a circulação do saber está com sérias dificuldades de enfrentar questões fundamentadas na integridade.

A integridade da pesquisa deve ser um valor absoluto tanto para os

pesquisadores individuais como para as instituições envolvidas com essas atividades. Questões de má conduta como as especificações de práticas científicas apropriadas baseiam-se em princípios de integridade científica. Estes devem ser observados por pesquisadores individuais, nas relações entre pesquisadores e nas relações com o ambiente externo. São princípios gerais:

I Honestidade na apresentação, execução e descrição de métodos e procedimentos da pesquisa e na interpretação dos resultados.

II Confiabilidade na execução da pesquisa e na comunicação de suas conclusões.

III Objetividade na coleta e no tratamento de dados e informações, na

apresentação de provas e evidências e na interpretação de resultados.

IV Imparcialidade na execução da pesquisa, na comunicação e no julgamento das contribuições de outros.

V Cuidado na coleta, armazenamento e tratamento de dados e informações.

VI Respeito por participantes de objetos do trabalho de pesquisa, sejam

seres humanos, animais, o meio ambiente ou objetos culturais.

VII Veracidade na atribuição dos créditos a trabalhos de outros.

VIII Responsabilidade na formação e na supervisão do trabalho de jovens cientistas.

Estes princípios devem ser seguidos pela equipe de pesquisadores desde o estabelecimento dos métodos que serão utilizados na pesquisa até a publicação dos resultados. A avaliação ética de um projeto de pesquisa em saúde baseia-se na qualificação do projeto de pesquisa, na equipe de pesquisadores envolvidos, na avaliação do risco-benefício, no consentimento informado e também na prévia avaliação realizada por um comitê de ética.

Em todos os tipos de pesquisa clínica, o pesquisador principal é quem deve garantir o cumprimento dos processos éticos, das boas práticas clínicas,

garantir o cuidado aos pacientes, ser responsável pelos dados da pesquisa e

da equipe profissional envolvida como um todo. E como a publicação científica

é

o produto final de toda a pesquisa realizada, ele é o responsável pela autoria

e

co-autoria da publicação científica.

Também devemos destacar os aspectos jurídicos dessa questão. Os autores e co-autores de trabalhos científicos também assumem a responsabilidade profissional, pública, ética e social da publicação de acordo com a Lei do Direito Autoral. Responsabilidades estas também compartilhada com os editores das revistas científicas e são considerados co-responsáveis pela publicação.

2.4 DIRETRIZES DE PRÁTICAS CIENTÍFICAS

1. O autor deve sempre dar crédito a todas as fontes que fundamentam

diretamente seu trabalho.

2. Toda citação in verbis de outro autor deve ser colocada entre aspas.

3. Quando se resume um texto alheio, o autor deve procurar reproduzir o

significado exato das ideias ou fatos apresentados pelo autor original, que deve

ser citado.

4. Quando em dúvida se um conceito ou fato é de conhecimento comum, não

se deve deixar de fazer as citações adequadas.

5. Quando se submete um manuscrito para publicação contendo informações,

conclusões ou dados que já foram disseminados de forma significativa (p.ex. apresentado em conferência, divulgado na internet), o autor deve indicar claramente aos editores e leitores a existência da divulgação prévia da informação.

6. se os resultados de um estudo único complexo podem ser apresentados

como um todo coesivo, não é considerado ético que eles sejam fragmentados

em manuscritos individuais.

7. Para evitar qualquer caracterização de autoplágio, o uso de textos e

trabalhos anteriores do próprio autor deve ser assinalado, com as devidas referências e citações.

8. O autor deve assegurar-se da correção de cada citação e que cada citação

na bibliografia corresponda a uma citação no texto do manuscrito. O autor deve dar crédito também aos autores que primeiro relataram a observação ou ideia

que está sendo apresentada.

9. Quando estiver descrevendo o trabalho de outros, o autor não deve confiar em resumo secundário desse trabalho, o que pode levar a uma descrição falha do trabalho citado. Sempre que possível consultar a literatura original.

10. Se um autor tiver necessidade de citar uma fonte secundária (p.ex. uma

revisão) para descrever o conteúdo de uma fonte primária (p. ex. um artigo

empírico de um periódico), ele deve certificar-se da sua correção e sempre indicar a fonte original da informação que está sendo relatada.

11. A inclusão intencional de referências de relevância questionável com a

finalidade de manipular fatores de impacto ou aumentar a probabilidade de

aceitação do manuscrito é prática eticamente inaceitável.

12. Quando for necessário utilizar informações de outra fonte, o autor deve

escrever de tal modo que fique claro aos leitores quais ideias são suas e quais são oriundas das fontes consultadas.

13. O autor tem a responsabilidade ética de relatar evidências que contrariem

seu ponto de vista, sempre que existirem. Ademais, as evidências usadas em

apoio a suas posições devem ser metodologicamente sólidas. Quando for necessário recorrer a estudos que apresentem deficiências metodológicas, estatísticas ou outras, tais defeitos devem ser claramente apontados aos leitores.

14. O autor tem a obrigação ética de relatar todos os aspectos do estudo que

possam ser importantes para a reprodutibilidade independente de sua

pesquisa.

15. Qualquer alteração dos resultados iniciais obtidos, como a eliminação de

discrepâncias ou o uso de métodos estatísticos alternativos, deve ser claramente descrita junto com uma justificativa racional para o emprego de tais procedimentos.

16. A inclusão de autores no manuscrito deve ser discutida antes de começar a colaboração e deve se fundamentar em orientações já estabelecidas, tais como as do International Committee of Medical Journal Editors.

17. Somente as pessoas que emprestaram contribuição significativa ao trabalho merecem autoria em um manuscrito. Por contribuição significativa entende-se realização de experimentos, participação na elaboração do planejamento experimental, análise de resultados ou elaboração do corpo do

manuscrito. Empréstimo de equipamentos, obtenção de financiamento ou supervisão geral, por si só não justificam a inclusão de novos autores, que devem ser objeto de agradecimento.

18. A colaboração entre docentes e estudantes deve seguir os mesmos

critérios. Os supervisores devem cuidar para que não se incluam na autoria

estudantes com pequena ou nenhuma contribuição nem excluir aqueles que efetivamente participaram do trabalho. Autoria fantasma em Ciência é eticamente inaceitável.

19. Todos os autores de um trabalho são responsáveis pela veracidade e

idoneidade do trabalho, cabendo ao primeiro autor e ao autor correspondente responsabilidade integral, e aos demais autores responsabilidade pelas suas

contribuições individuais.

20. Os autores devem ser capazes de descrever, quando solicitados, a sua

contribuição pessoal ao trabalho.

21. Todo trabalho de pesquisa deve ser conduzido dentro de padrões éticos na sua execução, seja com animais ou com seres humanos.