Sunteți pe pagina 1din 72

Universidade Federal de Santa Catarina Departamento de Engenharia Civil Disciplina ECV 5645 < Resistência dos Sólidos Turma 0331 < Arquitetura e Urbanismo

RESISTÊNCIA DOS SÓLIDOS PARA ESTUDANTES DE ARQUITETURA

Urbanismo RESISTÊNCIA DOS SÓLIDOS PARA ESTUDANTES DE ARQUITETURA Prof. Enedir Ghisi, PhD Florianópolis, Março de 2005

Prof. Enedir Ghisi, PhD

Florianópolis, Março de 2005

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

2

Sumário

Agradecimentos

3

1. Introdução à Resistência dos Materiais

4

1.1.

Estrutura

4

1.1.1. Tipos de estrutura

4

1.1.2. Ações externas (cargas)

5

1.1.3. Vínculos (ou apoios)

6

1.2.

Equações de equilíbrio estático

7

1.2.1.

Condições de equilíbrio

8

1.3.

Exercícios - Reações de apoio

9

2. Esforços internos

11

2.1.

Método das seções

12

2.1.1.

Exercícios

12

2.2.

Diagramas de esforços internos

14

2.2.1.

Exercícios

18

2.3.

Lista de exercícios (atividade extra-classe)

19

3. Diagramas tensão x deformação

21

3.1. Esforços internos

21

3.2. Barra carregada axialmente

21

3.2.1. Distribuição dos esforços internos

21

3.2.2. Tensão normal

21

3.3. Corpos de prova

22

3.4. Deformação linear

22

3.5. Diagrama tensão x deformação

22

3.5.1. Materiais dúcteis e frágeis

22

3.5.2. Lei de Hooke

23

3.5.3. Módulo de elasticidade

23

3.5.4. Propriedades mecânicas

23

3.5.5. Forma geral da Lei de Hooke

24

3.6. Análise elástica e análise plástica

25

3.7. Classificação dos materiais

25

3.8. Exercícios

25

4. Treliças

26

4.1. Treliças planas

26

4.2. Esforços primários e secundários

26

4.3. Treliças isostáticas

26

4.4. Método dos nós

27

 

4.4.1.

Exercícios

27

4.5.

Método de Ritter

28

4.5.1.

Exercícios

28

4.6.

Lista de exercícios (atividade extra-classe)

28

5. Cisalhamento simples

30

5.1. Deformação no cisalhamento

30

5.2. Módulo transversal de elasticidade

30

5.3. Exercícios

31

5.4. Ligações soldadas

31

5.5. Ligações rebitadas

31

5.5.1. Ligação com simples superposição

31

5.5.2. Ligação com uma chapa de cobertura

32

5.5.3. Ligação com duas chapas de cobertura

32

5.6.

Ruptura de ligações rebitadas

32

5.6.1. Cisalhamento nos rebites

32

5.6.2. Compressão nas paredes dos furos

32

5.6.3. Espaçamento mínimo entre rebites

33

5.6.4. Tração nas chapas

33

5.7. Exercícios

34

5.8. Lista de exercícios (atividade extra-classe)

35

6. Propriedades geométricas de superfícies planas

37

6.1.

Momento estático e baricentro

37

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

3

6.1.1.

Exercício

37

6.2.

Centro de gravidade (baricentro)

37

6.2.1. Propriedades do centro de gravidade

38

6.2.2. Exercícios

38

6.3.

Momento estático e centro de gravidade de áreas compostas

38

6.3.1.

Exercícios

39

6.4.

Momento de inércia

39

6.4.1. Momento de inércia de um elemento

39

6.4.2. Momento de inércia de uma superfície

39

6.4.3. Raio de giração

40

6.4.4. Propriedades

40

6.4.5. Exercícios

40

6.4.6. Teorema de Steiner

41

6.4.7. Exercícios

42

6.4.8. Momento de inércia de áreas compostas

42

6.4.9. Exercícios

42

6.5.

Lista de exercícios (atividade extra-classe)

43

7. Flexão simples

44

7.1. Projeto de vigas

46

7.2. Verificação de vigas

46

7.3. Exercícios

46

7.4. Lista de exercícios (atividade extra-classe)

48

8. Flexão composta

49

8.1.

Esforço normal excêntrico

50

8.1.1.

Exercício

51

8.2.

Linha neutra

52

8.2.1. Linha neutra oblíqua

52

8.2.2. Linha neutra paralela ao eixo y

52

8.2.3. Linha neutra paralela ao eixo z

52

8.3. Núcleo central

52

8.4. Exercícios

53

8.5. Lista de exercícios (atividade extra-classe)

54

9. Tensões de cisalhamento em vigas

55

9.1. Teorema da reciprocidade

55

9.2. Fluxo de cisalhamento

55

9.3. Variação das tensões de cisalhamento

58

9.4. Exercícios

59

10.

Torção

61

10.1. Torção de barras circulares

61

10.2. Relação entre torque e ângulo de torção

62

10.3. Torção de barras circulares vazadas

62

10.4. Torção de seções vazadas com paredes delgadas

63

10.4.1. Relação entre torque e fluxo de cisalhamento

64

10.5. Exercícios

65

10.6. Lista de exercícios (atividade extra-classe)

66

11.

Flambagem de colunas

67

11.1. Tensão crítica

68

11.2. Comprimento de flambagem

69

11.3. Carga admissível

69

11.4. Exercícios

69

11.5. Lista de exercícios (atividade extra-classe)

71

Referências bibliográficas

72

Agradecimentos

À arquiteta e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, Marina Vasconcelos Santana, pelas ilustrações.

Ao acadêmico do curso de Arquitetura e Urbanismo, Olavo Avalone Neto, pela digitação de parte do conteúdo.

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

4

1. Introdução à Resistência dos Materiais

Cronologicamente o desenvolvimento da resistência dos materiais seguiu-se ao desenvolvimento das

leis da estática. A estática considera os efeitos externos das forças que atuam num corpo, isto é, o fato de as forças tenderem a alterar o estado de movimento do corpo. A resistência dos materiais considera os efeitos internos, ou seja, o estado de tensões e deformações que se origina no corpo.

O estudo da resistência dos materiais constitui-se na determinação das reações vinculares externas

e na caracterização das solicitações fundamentais, bem como na obtenção da configuração deformada

de um dado corpo sólido deformável submetido à ações externas e certas condições de vínculos. Após o cálculo das ações vinculares externas, penetra-se no interior da estrutura para, em suas diversas seções, analisar os esforços internos: esforços normais de tração ou compressão, esforços cortantes, momentos fletores e torçores, que provocam a mudança da forma original do corpo, ou seja,

provocam a deformação e o conseqüente aparecimento de tensões.

Os problemas de resistência dos materiais constituem a verificação e o projeto de estruturas.

No problema de verificação, conhece-se a estrutura, suas dimensões, carregamento e material utilizado. A resolução do problema consiste em calcular o menor coeficiente de segurança para a estrutura, ou seja, calcular o coeficiente de segurança no ponto mais solicitado de toda a estrutura. No problema de projeto ou dimensionamento, conhece-se a estrutura, o carregamento e o coeficiente de segurança mínimo prescrito por norma conforme o material. A resolução do problema consiste em escolher o material, a forma e as dimensões da seção transversal da peça de modo que ela não venha a falhar devido ao carregamento esperado. Qualquer um dos problemas é resolvido por condições matemáticas que comparem as maiores tensões que ocorram na estrutura com as tensões limites que caracterizam a capacidade resistente do material utilizado na estrutura.

A fim de responder a estas questões matemáticas, deve ser respondida uma pergunta fundamental:

lEm que condições uma peça submetida a esforços entra em colapso estrutural?n

lQuando, em um ponto, a deformação for elevada?n

lQuando, em um ponto, a tensão for elevada?n O colapso de um material é determinado por critérios de ruptura definidos de acordo com a natureza do material. Portanto, é necessário conhecer as tensões e as deformações máximas atuantes na estrutura, bem como o critério de ruptura que o material obedece.

O projeto de uma estrutura deve ser iniciado pela determinação das seções críticas das vigas, onde

ocorrem os valores máximos da força cortante, da força normal e do momento fletor. Esses cálculos se simplificam bastante pela construção dos diagramas de momento fletor, esforço cortante e esforço

normal.

1.1. Estrutura

A estrutura é a parte da construção responsável pela resistência às ações externas e é o objeto de

estudo da resistência dos materiais.

1.1.1. Tipos de estrutura

As estruturas podem ser classificadas de diversas formas:

- quanto às dimensões

- quanto à vinculação

Quanto às dimensões:

- Reticulares: - uma dimensão predomina sobre as outras duas (ex.: vigas, treliças, pórticos planos, etc.)

outras duas (ex.: vigas, treliças, pórticos planos, etc.) - Laminares : - duas dimensões predominam sobre
outras duas (ex.: vigas, treliças, pórticos planos, etc.) - Laminares : - duas dimensões predominam sobre

- Laminares: - duas dimensões predominam sobre a terceira (ex.: cortinas, lajes, etc.)

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

5

ECV5645 < Resistência dos Sólidos 5 - Tridimensionais : - as três dimensões têm a me
ECV5645 < Resistência dos Sólidos 5 - Tridimensionais : - as três dimensões têm a me

- Tridimensionais: - as três dimensões têm a mesma ordem de grandeza (ex.: barragens)

dimensões têm a me sma ordem de grandeza (ex.: barragens) Nesta disciplina será dado ênfase no

Nesta disciplina será dado ênfase no estudo das estruturas reticulares planas.

1.1.2. Ações externas (cargas)

Uma estrutura pode estar sujeita à ação de diferentes tipos de carga, tais como pressão do vento, reação de um pilar ou viga, as rodas de um veículo, o peso de mercadorias, etc. Estas cargas podem ser classificadas quanto à ocorrência em relação ao tempo e quanto às leis de distribuição.

Quanto à ocorrência em relação ao tempo:

Cargas Permanentes:

Atuam constantemente na estrutura ao longo do tempo e são devidas ao seu peso próprio e dos revestimentos e materiais que a estrutura suporta. Tratam-se de cargas com posição e valor conhecidos e invariáveis.

ca rga s com posição e va lor conhecidos e invariáveis. Cargas Acidentais : São aquela

Cargas Acidentais:

São aquelas que podem ou não ocorrer na estrutura e são provocadas por ventos, empuxo de terra ou água, impactos laterais, frenagem ou aceleração de veículos, sobrecargas em edifícios, peso de materiais que preencherão a estrutura no caso de reservatórios de água e silos, efeitos de terremotos, peso de neve acumulada (regiões frias), etc.

de terremotos, peso de neve acumulada (regiões frias), etc. Quanto às leis de distribuição: Cargas concentradas
de terremotos, peso de neve acumulada (regiões frias), etc. Quanto às leis de distribuição: Cargas concentradas

Quanto às leis de distribuição:

Cargas concentradas:

São cargas distribuídas aplicadas a uma parcela reduzida da estrutura, podendo-se afirmar que são áreas tão pequenas em presença da dimensão da estrutura que podem ser consideradas pontualmente (ex.: a carga em cima de uma viga, a roda de um automóvel, etc.).

Cargas distribuídas:

Podem ser classificadas em uniformemente distribuídas e uniformemente variáveis.

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

6

Uniformemente distribuídas:

São cargas constantes ao longo ou em trechos da estrutura (ex.: peso próprio, peso de uma parede sobre uma viga, pressão do vento em uma mesma altura da edificação, etc.).

do vento em uma me sma altura da ed ificação , etc.). Uniform em ente variáveis

Uniformemente variáveis:

to
to

Hh

Ven

São cargas triangulares (ex.: carga em paredes de reservatório de líquido, carga de grãos a granel, empuxo de terra ou água, vento ao longo da altura da edificação, etc.).

ou água, vento ao longo da altura da edificação, etc.). 1.1.3. Vínculos (ou apoios) A funçã
ou água, vento ao longo da altura da edificação, etc.). 1.1.3. Vínculos (ou apoios) A funçã
ou água, vento ao longo da altura da edificação, etc.). 1.1.3. Vínculos (ou apoios) A funçã

1.1.3. Vínculos (ou apoios)

A função básica dos vínculos ou apoios é de restringir o grau de liberdade das estruturas por meio de reações nas direções dos movimentos impedidos, ou seja, restringir as tendências de movimento de uma estrutura. Os vínculos têm a função física de ligar elementos que compõem a estrutura, além da função estática de transmitir as cargas ou forças. Os vínculos ou apoios são classificados em função de número de movimentos impedidos. Para estruturas planas existem três tipos de vínculos:

Vínculos de Primeira Ordem (apoio simples):

São aqueles que impedem deslocamento somente em uma direção, produzindo reações equivalentes a uma força com linha de ação conhecida. Apenas uma reação será a incógnita.

ação conhec ida. Apenas uma reação será a incógnita. Oou Oou VV V V O deslocamento
ação conhec ida. Apenas uma reação será a incógnita. Oou Oou VV V V O deslocamento
ação conhec ida. Apenas uma reação será a incógnita. Oou Oou VV V V O deslocamento
ação conhec ida. Apenas uma reação será a incógnita. Oou Oou VV V V O deslocamento
Oou Oou VV V V
Oou
Oou
VV
V
V

O deslocamento na posição y é impedido, logo, nesta direção, tem-se uma reação de apoio V.

Vínculos de Segunda Ordem (articulação plana):

São aqueles que restringem a translação de um corpo livre em todas as direções, mas não podem restringir a rotação em torno da conexão. Portanto, a reação produzida equivale a uma

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

7

força com direção conhecida, envolvendo duas incógnitas, geralmente representadas pelas componentes x e y da reação.

represe n tadas p e las componentes x e y da reação. H H H Oou

H

H H Oou Oou V V V
H
H
Oou
Oou
V
V
V

Vínculo de Terceira Ordem (engaste ou apoio fixo):

São aqueles que impedem qualquer movimento de corpo livre, imobilizando-o completamente.

movimento de co rpo livre, imobilizando-o completamente. Estrutura Engaste M H H V Observação: Os vínculos

Estrutura

Engaste

M H H V
M
H H
V

Observação: Os vínculos podem ser chamados de 1 a , 2 a e 3 a ordem ou classe ou gênero ou tipo.

Classificação da estrutura quanto à vinculação:

Isostática: tem o número necessário de vínculos para impedir o deslocamento. Bastam as equações fundamentais da estática para determinar as suas reações de apoio. Hipostática: tem menos vínculos do que o necessário. Hiperstática: tem número de vínculos maior que o necessário. O número de reações de apoio excede o das equações fundamentais da estática.

Exemplo: Determinar, qualitativamente, as reações de apoio resultantes na estrutura abaixo:

5500N00N 100N 200N A B 1.5 2.5 2.0
5500N00N
100N
200N
A
B
1.5
2.5
2.0

1.2. Equações de equilíbrio estático

Força:

(Newton).

é tudo que altera o estado de repouso ou o movimento de um corpo. Sua unidade no S.I. é N

As forças são quantidades vetoriais com direção, sentido e intensidade.

Direção Sentido Intensidade Observação: 1 kgf = 10 N
Direção
Sentido
Intensidade
Observação: 1 kgf = 10 N

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

8

Y Kj Ki Kk Z F iF jF kF x y z
Y
Kj
Ki
Kk
Z
F iF
jF kF
x
y
z

X

Momento: se chama momento de uma força F em relação ao ponto zero ao produto vetorial M = om x F (m é um ponto situado sobre a linha de ação de F). Sua unidade no S.I. é Nm (Newton x metro).

F 0 m
F
0
m

Os momentos também são quantidades vetoriais com direção, sentido e intensidade.

Direção

 

Sentido

Sentido

Intensidade

Intensidade
Y Kj Ki Kk Z M iM jM kM x y z
Y
Kj
Ki
Kk
Z
M iM
jM kM
x
y
z

X

1.2.1. Condições de equilíbrio

Para um corpo, submetido a diferentes forças, estar em equilíbrio, é necessário que as forças não provoquem tendência à rotação e translação.

Translação depende das forças resultantes: F = 0 Rotação depende dos momentos resultantes: M = 0

Logo, tem-se as seis equações fundamentais da estática:

Fx = 0; Fy = 0; Fz = 0 Mx = 0; My = 0; Mz = 0

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

9

1.3. Exercícios - Reações de apoio

Determinar as reações de apoio para as estruturas dadas abaixo. Exercícios a serem resolvidos em sala de aula.

1. Viga biapoiada com carga concentrada:

400N

A B 2,0m 2,0m
A
B
2,0m
2,0m

2. Viga biapoiada com carga concentrada:

400N A B 3,0m 1,0m
400N
A
B
3,0m
1,0m

3. Viga biapoiada com carga concentrada:

400N A 45ºB 3,0m 1,0m
400N
A
45ºB
3,0m
1,0m

4. Viga engastada com carga concentrada:

200N A B 2,0m
200N
A
B
2,0m

5. Viga biapoiada com momento aplicado:

100Nm 2,0m 2,0m
100Nm
2,0m
2,0m

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

10

6. Pórtico com carga concentrada e momento aplicado: 6t 8tm 4t A C 3,0m D
6. Pórtico com carga concentrada e momento aplicado:
6t
8tm
4t
A
C
3,0m
D
3,0m
B
4,0m
4,0m

7. Viga biapoiada com cargas concentradas na direção horizontal:

1kN A 0,5 B 0,5 1kN 2,0m 2,0m
1kN
A
0,5
B
0,5
1kN
2,0m
2,0m

8. Viga biapoiada com carga uniformemente distribuída:

Lq[N/m] A B Ll
Lq[N/m]
A
B
Ll

9. Viga engastada com carga uniformemente variável e uniformemente distribuída:

2kN/m 1kN/m 3,0m 2,0m 2,0 1,0 1,0 1,0
2kN/m
1kN/m
3,0m
2,0m
2,0
1,0
1,0
1,0

10kNm

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

11

2. Esforços internos

Viu-se, anteriormente, os esforços que atuam numa estrutura em equilíbrio. Veremos agora os esforços que atuam numa seção qualquer da estrutura, provocados por forças ativas e reativas. Numa seção qualquer, para manter o equilíbrio, as forças da esquerda devem ser iguais às da direita.

RRR R E D M M
RRR
R
E
D
M
M

Uma seção S de uma estrutura em equilíbrio essubmetida a um par de forças R e <R e um par de momentos M e <M aplicados no seu centro de gravidade, resultantes das forças atuantes à direita e à esquerda da seção.

R M R
R
M
R

M

Decompondo a força resultante e o momento em duas componentes, uma perpendicular e a outra paralela à seção, teremos:

N Q RR
N
Q
RR

Assim, têm-se os seguintes esforços solicitantes:

M M0 T
M M0
T

N

= força normal (força perpendicular à seção S);

Q

= esforço cortante (força pertencente à seção S);

T

= momento torçor (momento perpendicular à seção S);

M

= momento fletor (momento pertencente à seção S).

Esforço Normal (N): é a soma algébrica de todas as componentes, na direção normal à seção, de todas as forças atuantes de um dos lados da seção. Por convenção, o esforço normal é positivo quando determina tração e negativo quando determina compressão.

N N
N
N
N N
N
N

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

12

Esforço Cortante (Q): é a soma vetorial das componentes sobre o plano da seção das forças situadas de um mesmo lado da seção. Por convenção, as projeções que se orientarem no sentido dos eixos serão positivas e nos sentidos opostos, negativas.

Z

Qz CG Q Qy Y
Qz
CG
Q Qy
Y

Z

Qy Q CG Qz Y
Qy
Q
CG
Qz
Y

Momento Fletor (M): é a soma vetorial das componentes dos momentos atuantes sobre a seção, situados de um mesmo lado da seção em relação ao seu centro de gravidade.

Z

Mz M
Mz
M

Y

M
M
seção em relação ao seu centro de gravidade. Z Mz M Y M Tração Compressão No
seção em relação ao seu centro de gravidade. Z Mz M Y M Tração Compressão No

Tração

Compressão

No caso de momento fletor, o sinal positivo ou negativo é irrelevante, importante é determinar o seu módulo e verificar onde ocorre compressão e tração.

My Tração Compressão
My
Tração
Compressão
Tração Mz Compressão
Tração
Mz
Compressão

2.1. Método das seções

Imagine-se uma estrutura qualquer com forças aplicadas; considerando que as partes do corpo têm de estar em equilíbrio quando o corpo o está, e fazendo-se um corte imaginário perpendicular ao eixo da viga, qualquer parte da viga poderá ser considerada como um corpo livre. Cada um dos segmentos da viga está em equilíbrio, cujas condições exigem a existência de um sistema de forças na seção de corte da viga. Em geral, na seção de uma viga, são necessários uma força vertical, uma horizontal e um momento para manter a parte da viga em equilíbrio. A representação gráfica dos esforços internos em qualquer ponto da viga, representados em função de uma distância x a partir de uma das extremidades da mesma, se dá através dos chamados diagramas de estado ou diagramas de esforços internos. Por meio desses diagramas é possível a determinação dos valores máximos absolutos do esforço cortante, do momento fletor e do esforço normal.

2.1.1. Exercícios

Determinar os esforços simples atuantes nas seções indicadas nas estruturas dadas abaixo. Exercícios a serem resolvidos em sala de aula.

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

13

1. Viga biapoiada com carga concentrada:

10kN S 1,0m 1,0m 2,0m
10kN
S
1,0m
1,0m
2,0m

2. Pórtico com cargas concentradas:

9t S2 B C 2,0m S1 2,0m 9t D 2,0m A 3,0m 3,0m 3,0m 3.
9t
S2
B
C
2,0m
S1
2,0m
9t
D
2,0m
A
3,0m
3,0m
3,0m
3. Viga biapoiada com carga uniformemente distribuída:
1,0t/m S 1,5m 4,0m
1,0t/m
S
1,5m
4,0m

4. Pórtico com cargas diversas:

1,0t/m 1t S A B 6,0m
1,0t/m
1t
S
A
B
6,0m

2,0m

2,0m

5. Viga biapoiada com carga concentrada e trecho em balanço:

5kN 10kN S1 S2 S3 1,0 1,0 0,5 2,0m 3,0m 1,0m
5kN
10kN
S1
S2
S3
1,0
1,0
0,5
2,0m
3,0m
1,0m

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

14

2.2. Diagramas de esforços internos

Viga biapoiada com carga concentrada:
Viga biapoiada com carga concentrada:
dos Sólidos 1 4 2.2. Diagramas de esforços internos Viga biapoiada com carga concentrada: Prof. Enedir

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

15

Viga biapoiada com carga uniformemente distribuída:

ECV5645 < Resistência dos Sólidos 1 5 Viga biapoiada com carga uniformemente distribuída : Prof. Enedir
ECV5645 < Resistência dos Sólidos 1 5 Viga biapoiada com carga uniformemente distribuída : Prof. Enedir

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

16

Balanço com carga uniformemente distribuída:

ECV5645 < Resistência dos Sólidos 1 6 Balanço com carga uniformemente distribuída : Prof. Enedir Ghisi

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

17

Viga biapoiada com carga triangular:

ECV5645 < Resistência dos Sólidos 1 7 Viga biapoiada com carga triangular : Prof. Enedir Ghisi
ECV5645 < Resistência dos Sólidos 1 7 Viga biapoiada com carga triangular : Prof. Enedir Ghisi

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

18

2.2.1. Exercícios

Traçar os diagramas de momento fletor, esforço cortante e esforço normal para as estruturas dadas abaixo. Exercícios a serem resolvidos em sala de aula.

1)

2)
2)

3)

para as est r utura s da das abaixo. Exercícios a serem resolvidos em sala de

4)

5)
5)

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

19

2.3. Lista de exercícios (atividade extra-classe)

Traçar os diagramas de momento fletor, esforço cortante e esforço normal para as estruturas dadas abaixo.

1) 2)
1)
2)
3) 4) 5) 6) 7) 8) 9) 10)
3)
4)
5)
6)
7)
8)
9)
10)
rtante e es forço normal para as est r utura s da das abaixo. 1) 2)
rtante e es forço normal para as est r utura s da das abaixo. 1) 2)

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

20

11)

ECV5645 < Resistência dos Sólidos 2 0 11) 12) Prof. Enedir Ghisi

12)

ECV5645 < Resistência dos Sólidos 2 0 11) 12) Prof. Enedir Ghisi

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

21

3. Diagramas tensão x deformação

3.1. Esforços internos

O objetivo principal deste módulo é estudar os esforços ou efeitos internos de forças que agem sobre um

corpo. Os corpos considerados não são supostos perfeitamente rígidos; são corpos deformáveis de

diferentes formas e submetidos a diferentes carregamentos.

3.2. Barra carregada axialmente

Considerando-se uma barra prismática (de eixo reto e seção transversal constante) sob ação de duas forças iguais e opostas, coincidentes com o seu eixo, a barra é tracionada quando as forças são direcionadas para fora da barra. Em caso contrário, a barra é comprimida.

P

P PP TRAÇÃO COMPRESSÃO
P
PP
TRAÇÃO
COMPRESSÃO

P

Sob a ação dessas foas externas surgem esforços internos na barra; para o seu estudo, imagina-se a barra cortada ao longo de uma seção transversal qualquer.

Removendo-se a parte do corpo situada à direita do corte, tem-se a situação onde está apresentada

a ação que a parte suprimida exercia sobre o restante.

P

P

Pa Pa P
Pa
Pa
P

P

Através deste artifício, os esforços internos na seção considerada transformam-se em externos. Para que não se altere o equilíbrio, estes estorços devem ser equivalentes à resultante, também axial de intensidade P, e devem ser perpendiculares à seção transversal considerada.

3.2.1. Distribuição dos esforços internos

A distribuição dos esforços resistentes ao longo de todos os pontos da seção transversal é considerada

uniforme embora talvez nunca se verifique na realidade. O valor exato do esforço que atua em cada ponto é função da natureza cristalina do material e da orientação dos cristais no ponto.

3.2.2. Tensão normal

Quando o esforço interno resistente atuando em cada ponto da seção transversal for perpendicular à esta seção, recebe o nome de tensão normal. A tensão normal tem a mesma unidade de pressão, ou seja, força por unidade de área. No exemplo em questão, a intensidade da tensão normal em qualquer ponto da seção transversal é obtida dividindo-se a força P pela área A da seção transversal.

= P/A

Onde:

é a tensão normal (N/m 2 );

P é a força aplicada na seção transversal (N);

A é a área da seção transversal (m 2 ).

Se a força P é de tração, a tensão normal é de tração. Se a força P é de compressão, a tensão normal é de compressão.

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

22

3.3. Corpos de prova

Para a análise de tensões e deformações, corpos de prova são ensaiados em laboratório. Os ensaios são padronizados: a forma e as dimensões dos corpos de prova variam conforme o material a ser ensaiado ou o tipo de ensaio a se realizar.

3.4. Deformação linear

Ensaiando-se um corpo de prova à tração, com forças axiais gradualmente crescentes

e medindo-se os acréscimos sofridos pelo comprimento inicial, pode-se obter a deformação linear.

= L/L

P P L L L P} P}
P
P
L
L
L
P}
P}

Onde:

é a deformação linear (adimensional);

L é o acréscimo do comprimento do corpo de prova devido à aplicação da carga (m);

L é o comprimento inicial do corpo de prova (m).

3.5. Diagrama tensão x deformação

Pode-se então medir os diversos Ls correspondentes aos acréscimos da carga axial aplicada à barra e realizar o ensaio até a ruptura do corpo de prova. Chamando de A a área da seção transversal inicial do

corpo de prova, a tensão normal pode ser determinada para qualquer valor de P, com a fórmula = P/A.

Obtêm-se, assim, diversos pares de valores e . A representação gráfica da função que os relaciona recebe o nome de diagrama tensão x deformação.

Exemplos de diagrama tensão x deformação:

deformação . Exemplos de diagrama tensão x deformação: 0 O diagra m a tensão x deformação

0
0

O diagrama tensão x deformação varia muito de material para material e, dependendo da temperatura do

corpo de prova ou da velocidade de crescimento da carga podem ocorrer resultados diferentes para um mesmo material. Entre os diagramas tensão x deformação de vários grupos de materiais é possível, no entanto, distinguir algumas características comuns que nos levam a dividir os materiais em duas

importantes categorias: materiais dúcteis e materiais frágeis.

3.5.1. Materiais dúcteis e frágeis

Material dúctil é aquele que apresenta grandes deformações antes de se romper (aço e alumínio, por exemplo), enquanto que o frágil é aquele que se deforma relativamente pouco antes de se romper (ferro

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

23

fundido e concreto, por exemplo).

3.5.2. Lei de Hooke

Para os materiais dúcteis, observa-se que a função tensão x deformação, no trecho OP, é linear. Esta relação linear entre os deslocamentos e as cargas axiais foi apresentada por Robert Hooke em 1678 e é conhecida como Lei de Hooke. Logo, o trecho OP do diagrama é representado por:

= E

Onde:

é a tensão normal (N/m 2 );

E é o módulo de elasticidade do material (N/m 2 ) e representa a

tangente do ângulo que a reta OP forma com o eixo ;

é a deformação linear (adimensional).

P
P

3.5.3. Módulo de elasticidade

A constante E representa o módulo de elasticidade do material sob tração e também pode ser chamada

de Módulo de Young. Tabelas com os módulos de elasticidade de diferentes materiais podem ser obtidas em manuais ou livros de engenharia.

3.5.4. Propriedades mecânicas

A análise dos diagramas tensão x deformação permite caracterizar diversas propriedades do material:

Limite de proporcionalidade: A tensão correspondente ao ponto P recebe o nome de limite de proporcionalidade e representa o valor máximo da tensão abaixo da qual o material obedece a Lei de Hooke. Para um material frágil, não existe limite de proporcionalidade (o diagrama não apresenta parte reta).

Limite de elasticidade: Muito próximo a P, existe um ponto na curva tensão x deformação ao qual corresponde o limite de elasticidade; representa a tensão máxima que pode ser aplicada à barra sem que apareçam deformações residuais ou permanentes após a retirada integral da carga externa. Para muitos materiais, os valores dos limites de elasticidade e proporcionalidade são praticamente iguais, sendo usados como sinônimos.

curva

compreendido entre a origem e o limite de proporcionalidade recebe o nome de região elástica.

Região

elástica:

O

trecho

da

Região plástica: O trecho da curva entre o limite de proporcionalidade e o ponto de ruptura do material; é chamado de região plástica.

Região Plástica Região Elástica
Região
Plástica
Região
Elástica

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

24

Limite de escoamento: A tensão correspondente ao ponto Y tem o nome de limite de escoamento. A partir deste ponto, aumentam as deformações sem que se altere praticamente o valor da tensão. Quando se atinge o limite de escoamento, diz-se que o material passa a escoar-se.

Limite de resistência (ou resistência à tração): A tensão correspondente ao ponto U recebe o nome de limite de resistência.

Limite de ruptura: A tensão correspondente ao ponto R recebe o nome de limite de ruptura (ocorre a ruptura do corpo de prova).

U Y R P
U
Y
R
P

Tensão admissível: Obtém-se a tensão admissível dividindo-se a tensão correspondente ao limite de resistência ou a tensão correspondente ao limite de escoamento por um número, maior do que a unidade (1), denominado coeficiente de segurança. A fixação do coeficiente de segurança é feita nas normas de cálculo ou, às vezes, pelo próprio calculista, baseado em experiência própria.

adm = res /s

adm = esc /s

frágeis:

Denomina-se agora o limite de escoamento como a tensão que corresponde a uma deformação permanente, pré-fixada, depois do

descarregamento do corpo de prova. Fixa-se 1 , traça-se a reta tangente à curva partindo da origem, traça-se uma reta paralela à tangente passando por O}; sua interseção com a curva determina o ponto Y que corresponde ao limite de escoamento procurado.

Limite

de

escoamento

de

materiais

a

deformação transversal e a longitudinal verificada em barras tracionadas recebe o nome de

coeficiente de Poisson ( ). Para diversos metais,

o coeficiente de Poisson varia entre 0,25 e 0,35.

Coeficiente

de

Poisson:

a

relação

entre

= deformação específica transversal / deformação específica longitudinal

= y / x ou = z / x

Yz

Y 0 0} 1
Y
0
0}
1

Yy P Yx
Yy
P
Yx

3.5.5. Forma geral da Lei de Hooke

Considerou-se, anteriormente, o caso particular da Lei de Hooke aplicável ao caso simples de solicitação

axial. No caso mais geral, em que um elemento do material está solicitado por três tensões normais x ,

y e z , perpendiculares entre si, às quais correspondem, respectivamente, as deformações x , y e z ,

a Lei de Hooke se escreve da seguinte forma:

x = (1/E) [ x < ( y + z )]

y = (1/E) [ y < ( x + z )]

z = (1/E) [ z < ( x + y )]

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

25

3.6. Análise elástica e análise plástica

Tensões e deformações nas regiões plásticas dos materiais são freqüentemente permitidas em certas estruturas. Algumas normas construtivas permitem que certos membros estruturais sofram deformações plásticas e certos componentes de aviões e mísseis são projetados deliberadamente para agir na região plástica de modo a se obter menores pesos.

Para pequenas deformações plásticas de aços estruturais de baixo e médio carbono, a curva de tensão x deformação é normalmente representada por duas linhas retas, uma com inclinação definida por

E, representando a região elástica, outra horizontal, representando a

região plástica. Tal curva de tensão x deformação representa um, assim chamado, material elástico e perfeitamente plástico; não levando em consideração deformações plásticas ainda menores que

ocorrem na região mostrada na porção à direita da curva tensão x deformação.

na porçã o à direita da curva tens ão x deformação. 3.7. Classificação dos materiais O

3.7. Classificação dos materiais

O conteúdo que foi apresentado neste capítulo 3 baseia-se na hipótese de que o material satisfaça a

duas condições, isto é, que seja:

Material homogêneo:

Com as mesmas propriedades (mesmos E e ), em todos os seus pontos.

Material isótropo:

Com as mesmas propriedades, qualquer que seja a direção escolhida, no ponto considerado. Nem todos os materiais são isótropos. Se um material não possui qualquer espécie de simetria elástica, ele é chamado anisótropo e, à vezes, aelótropo. Em lugar de dias constantes elásticas (E e ), que definem o sólido isótropo que obedece à Lei de Hooke, tal substância terá 21 constantes elásticas. Se o material possui três planos de simetria elástica, perpendiculares entre si, ele recebe o nome de ortótropo. Nesse caso, o número de constantes independentes é 9. Aqui se consideram somente os materiais isótropos e homogêneos que obedecem à Lei de Hooke.

3.8. Exercícios

1) Uma barra de 3 metros de comprimento tem seção transversal retangular de 3 cm x 1 cm. Determinar o alongamento produzido pela carga axial de 60N. O módulo de elasticidade do material é de 200000

N/mm 2 .

60N 60N
60N
60N

2) Uma barra de 30 cm de comprimento e diâmetro de 1 cm sofre um alongamento produzido por uma

carga de 5 toneladas. O módulo de elasticidade do material é de 150000 N/mm alongamento da barra.

. Determinar o

2

5t

é de 150000 N/mm alongamento da barra. . Determinar o 2 5t 5t 3) Uma barra
é de 150000 N/mm alongamento da barra. . Determinar o 2 5t 5t 3) Uma barra
é de 150000 N/mm alongamento da barra. . Determinar o 2 5t 5t 3) Uma barra

5t

3) Uma barra de 500 mm de comprimento e 16 mm de diâmetro é tracionada por uma carga axial de 12 kN. O seu comprimento aumenta em 0,3 mm e o seu diâmetro se reduz em 0,0024 mm. Determinar o módulo de elasticidade e o coeficiente de Poisson do material.

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

26

4. Treliças

ECV5645 < Resistência dos Sólidos 2 6 4. Treliças Cad a ba rra pode e n

Cada barra pode então, ser tratada como uma barra sob a ação de duas forças; e a treliça pode ser considerada como um grupo de pinos e barras com duas forças. A ação das forças sobre uma barra individual pode provocar esforços de tração ou compressão.

As treliças são um tipo de estrutura usado em engenharia normalmente em projetos de pontes e edifícios. Uma treliça é uma estrutura composta de barras retas articuladas nas juntas.

estrutura composta de barras retas articuladas nas juntas. Em geral as barras de u m a

Em geral as barras de uma treliça são finas e podem suportar pequena carga lateral. Todas as cargas são, portanto, aplicadas às juntas e não às barras. Embora as barras sejam unidas por meio de conexões pivotadas ou soldadas, costuma-se considerar que as barras são unidas através de pinos; logo, as forças que atuam em cada extremidade de uma barra reduzem-se a uma única força sem nenhum momento.

barra reduzem-se a uma única força sem nenhum momento. 4.1. Treliças planas São e s trutu

4.1. Treliças planas

São estruturas constituídas por barras de eixo retilíneo, articuladas entre si em suas extremidades, formando malhas triangulares. As articulações (ou juntas) são chamadas de nós. Como as cargas externas são aplicadas somente nos nós, as barras das treliças são solicitadas apenas por forças normais.

Hipóteses de Cálculo:

1) As barras que formam a treliça ligam-se por meio de articulações sem atrito. 2) As cargas e as reações são aplicadas somente nos nós da treliça. 3) O eixo de cada barra coincide com a reta que une os centros das articulações nas extremidades. 4) As barras são solicitadas somente por esforço normal.

4.2. Esforços primários e secundários

Sempre que as barras da treliça forem dispostas de modo que os eixos se cruzem em um único ponto, os esforços secundários são desprezíveis (por exemplo: a flexão que surge nas barras devido à rigidez dos nós).

4.3. Treliças isostáticas

Conhecendo-se os esforços externos ativos, através das equações de equilíbrio da estática, pode-se determinar tanto as reações nos apoios quanto as forças normais nas barras.

Condição necessária, mas não suficiente, para que uma treliça seja isostática:

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

27

2n = b + v

Onde:

n

= número de nós na treliça, incluindo os vínculos externos;

b

= número de barras da treliça;

v

= número total de reações dos vínculos externos;

b

+ v indica o número de incógnitas do problema.

Logo, a condição necessária é de que o número de equações seja igual ao número de incógnitas.

Exemplo:

seja igual a o númer o de incógnita s. Exemplo: Enquanto a treliça da esquerd a
seja igual a o númer o de incógnita s. Exemplo: Enquanto a treliça da esquerd a

Enquanto a treliça da esquerda é isostática, a da direita não o é, pois a malha BCFE é deformável (hipostática), não tendo condições de permanecer em equilíbrio (a não ser sob carregamentos particulares). O trecho ABED é hiperestático. Assim, a condição l2n = b + vn é necessária, mas não suficiente, pois além de verificada esta condição é preciso que as malhas sejam triangulares.

4.4. Método dos nós

Consiste em determinar as forças atuantes em cada nó da treliça.

4.4.1. Exercícios

Determinar o esforço normal em cada barra das treliças abaixo indicadas:

1)

4.4.1. Exercícios Determinar o esforço normal em cada barra das treliças abaixo indicadas: 1) 2) Prof.
2)
2)
4.4.1. Exercícios Determinar o esforço normal em cada barra das treliças abaixo indicadas: 1) 2) Prof.
4.4.1. Exercícios Determinar o esforço normal em cada barra das treliças abaixo indicadas: 1) 2) Prof.
4.4.1. Exercícios Determinar o esforço normal em cada barra das treliças abaixo indicadas: 1) 2) Prof.
4.4.1. Exercícios Determinar o esforço normal em cada barra das treliças abaixo indicadas: 1) 2) Prof.
4.4.1. Exercícios Determinar o esforço normal em cada barra das treliças abaixo indicadas: 1) 2) Prof.

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

28

4.5. Método de Ritter

Consiste em cortar a treliça de modo a evidenciar os esforços internos (solicitantes) das barras em que se quer determiná-los. O corte deve seccionar no máximo três barras da treliça (número de incógnitas a determinar).

4.5.1. Exercícios

1) Determinar o esforço normal em cada barra da treliça abaixo indicada:

o esforço normal em cada barra da treliça abaixo indicada: 2) Determin ar o diâmet ro
o esforço normal em cada barra da treliça abaixo indicada: 2) Determin ar o diâmet ro

2) Determinar o diâmetro das barras da treliça do exercício anterior. A tensão admissível do material à tração é de 210 N/mm² e à compressão é de 120 N/mm². O módulo de elasticidade do material é de 210.000 N/mm².

4.6. Lista de exercícios (atividade extra-classe)

Determinar o esforço normal em cada barra das treliças abaixo indicadas, especificando se o esforço é de compressão ou tração.

1) 2) 3 4)
1)
2)
3
4)

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

29

5)

6)

ECV5645 < Resistência dos Sólidos 2 9 5) 6) Prof. Enedir Ghisi
ECV5645 < Resistência dos Sólidos 2 9 5) 6) Prof. Enedir Ghisi

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

30

5. Cisalhamento simples

Força cortante Q é uma força que atua no plano de uma seção transversal. A força cortante provoca, em cada ponto da seção, o aparecimento de uma tensão tangencial denominada tensão de cisalhamento,

representada pela letra grega (tau).

= Q/A

Onde:

é a tensão de cisalhamento (N/m 2 );

Q é a força cortante aplicada na seção transversal

(N); A é a área da seção transversal (m 2 ).

(N); A é a área da seção transversal (m 2 ). Com rel a ção à

Com relação à distribuição das tensões de cisalhamento, admite-se, com precisão satisfatória, para os fins da prática, a hipótese da distribuição uniforme, segundo a qual, em todos os pontos da seção se

tenha a mesma tensão média .

5.1. Deformação no cisalhamento

Considere-se a deformação de um elemento plano retangular, cortado em um corpo onde as forças que nele atuam dão origem somente à tensões de cisalhamento. Como o existem tensões normais atuando no elemento, os comprimentos das arestas não se alteram com a aplicação das tensões de cisalhamento. No entanto, aparece uma distorção dos ângulos

inicialmente retos. A variação do ângulo A, inicialmente reto, denomina-se distorção e é expressa em radianos (adimensional).

distorç ão e é expres sa e m radianos (adimensional). 5.2. Módulo transversal de elasticidade Desde
distorç ão e é expres sa e m radianos (adimensional). 5.2. Módulo transversal de elasticidade Desde
distorç ão e é expres sa e m radianos (adimensional). 5.2. Módulo transversal de elasticidade Desde

5.2. Módulo transversal de elasticidade

Desde que o material obedeça à Lei de Hooke, há proporcionalidade entre a tensão de cisalhamento e a distorção. A constante de proporcionalidade é chamada de módulo transversal de elasticidade e designada pela letra G.

Na tração tínhamos que E = /

No cisalhamento teremos: G = /

A determinação experimental de G pela região de proporcionalidade entre e é feita através de

diagramas tensão x deformação para cisalhamento. Esses diagramas são semelhantes àqueles obtidos em ensaios de tração. Todavia, valores tais como tensão de escoamento, limite de resistência, etc para um determinado material, dão em torno da metade dos valores obtidos no ensaio de tração desse mesmo material.

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

31

5.3. Exercícios

1) Um bloco retangular é feito de material que tem módulo de elasticidade transversal de 600 MPa. O bloco é colado a duas placas horizontais rígidas. A placa inferior é fixa e a superior é submetida à uma força P. Sabendo-se que a placa superior se move 0,8 mm sob a ação da força, determine: (a) a deformação de cisalhamento no material, (b) a força P que atua na placa superior.

no material, (b) a força P que atua na placa superior. 2) Na liga ç ão

2) Na ligação rebitada abaixo atua um carregamento axial de 20 kN. Determine a tensão de cisalhamento no pino, sabendo-se que o mesmo tem um diâmetro de 1 cm.

no pino, sabendo-se que o mesmo tem um diâmetro de 1 cm. 5.4. Ligações soldadas Para

5.4. Ligações soldadas

Para o caso da ligação soldada indicada na figura abaixo, a área que resiste ao cisalhamento é dada por

A = 2.b.l (pois tem-se solda nos dois lados); b =

e

2
2
por A = 2.b.l (pois tem-se solda nos dois lados); b = e 2 (a ser

(a ser deduzido em aula).

5.5. Ligações rebitadas

A união de duas chapas por meio de rebites pode ser feita de três maneiras.

5.5.1. Ligação com simples superposição

Cada rebite proporciona uma seção resistente.

maneiras. 5.5.1. Ligação com simples superposição Cada rebite proporciona uma seção resistente. Prof. Enedir Ghisi
maneiras. 5.5.1. Ligação com simples superposição Cada rebite proporciona uma seção resistente. Prof. Enedir Ghisi
maneiras. 5.5.1. Ligação com simples superposição Cada rebite proporciona uma seção resistente. Prof. Enedir Ghisi
maneiras. 5.5.1. Ligação com simples superposição Cada rebite proporciona uma seção resistente. Prof. Enedir Ghisi

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

32

5.5.2. Ligação com uma chapa de cobertura

Cada rebite proporciona uma seção resistente.

de cobertura Cada rebite proporciona uma seção resistente. 5.5.3. Ligação com duas chapas de cobertura Cada
de cobertura Cada rebite proporciona uma seção resistente. 5.5.3. Ligação com duas chapas de cobertura Cada
de cobertura Cada rebite proporciona uma seção resistente. 5.5.3. Ligação com duas chapas de cobertura Cada
de cobertura Cada rebite proporciona uma seção resistente. 5.5.3. Ligação com duas chapas de cobertura Cada

5.5.3. Ligação com duas chapas de cobertura

Cada rebite proporciona duas seções resistentes.

cobertura Cada rebite proporciona duas seções resistentes. 5.6. Ruptura de ligações rebitadas Os fenômenos que podem
cobertura Cada rebite proporciona duas seções resistentes. 5.6. Ruptura de ligações rebitadas Os fenômenos que podem
cobertura Cada rebite proporciona duas seções resistentes. 5.6. Ruptura de ligações rebitadas Os fenômenos que podem
cobertura Cada rebite proporciona duas seções resistentes. 5.6. Ruptura de ligações rebitadas Os fenômenos que podem

5.6. Ruptura de ligações rebitadas

Os fenômenos que podem provocar o colapso de estruturas rebitadas são os seguintes:

5.6.1. Cisalhamento nos rebites

Para que não ocorra ruptura, a tensão de cisalhamento nos rebites deve ser inferior à tensão admissível

ao cisalhamento nos rebites ( adm ). A tensão de cisalhamento nos rebites é dada por:

= Q/A

onde a força cortante Q é igual à carga P e a área A é dada pela área total de seções resistentes dos rebites.

5.6.2. Compressão nas paredes dos furos

Para que não ocorra ruptura, a tensão de compressão nas paredes dos furos deve ser inferior à tensão

admissível à compressão ( c admc ). A compressão exercida pelo rebite na parede tem distribuição não uniforme e atua num semicírculo de altura len e diâmetro ldn. A tensão de compressão nas paredes dos furos é dada por:

c =

P

n.A

onde:

n é o número de rebites;

A é a área resistente à compressão; Para ficar a favor da segurança, normas recomendam que se adote

A = d.e, sendo len a espessura da chapa em condições mais desfavoráveis.

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

33

ECV5645 < Resistência dos Sólidos 3 3 5.6.3. Espaçamento mínimo entre rebites Para evitar a possibilidade

5.6.3. Espaçamento mínimo entre rebites

Para evitar a possibilidade de ruptura da chapa entre os furos, a ABNT recomenda que sejam adotados os espaçamentos indicados na figura abaixo (ldn representa o diâmetro dos furos).

na figura abaixo (ldn representa o diâmetro dos furos). 5.6.4. Tração nas chapas Ao se fazerem

5.6.4. Tração nas chapas

Ao se fazerem furos para colocação dos rebites, a área resistente à tração fica reduzida. Logo, para que

não ocorra ruptura por tração, a tensão de tração deve ser inferior à tensão admissível à tração ( t

admt ). A tensão de tração nas chapas será dada por:

t =

P

A

A representa a área da seção transversal da chapa descontadas as áreas dos furos.

por: t = P A A representa a área da seção transversal da chapa descontadas as
por: t = P A A representa a área da seção transversal da chapa descontadas as
por: t = P A A representa a área da seção transversal da chapa descontadas as

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

34

5.7. Exercícios

1) Projetar a ligação com duas chapas de cobertura com rebites de diâmetro de 1,6cm e carga P de 300 kN.

com rebites d e diâmetro de 1,6cm e carga P de 30 0 kN. 2) As

2) As chapas soldadas da figura abaixo têm espessura de 1,60cm. Qual o valor máximo de P se na solda usada a máxima tensão admissível ao cisalhamento da solda usada é de 80 MPa.

admissível ao ci salhamento da solda usada é de 80 MPa. 3) As cha pas sol

3) As chapas soldadas da figura abaixo têm espessura de 2,50 cm. Qual a tensão máxima de cisalhamento quando a carga P for de 480 kN.

máxima de cisalhamento quando a carga P for de 480 kN. 4) Dimensi ona r as

4) Dimensionar as ligações em A e em B, colocando um parafuso por ligação com uma seção resistente. A tensão admissível ao cisalhamento é de 80 MPa.

s o por liga ção com uma se ção resistente. A tensão admissível ao cisalhamento é

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

35

5) Verificar se a ligação rebitada abaixo foi dimensionada corretamente. Dados:

adm = 120 MPa

admc = 250 MPa

admt = 180 MPa

P

= 100 kN

d

= 1,27 cm

MPa a d m t = 180 MPa P = 100 kN d = 1,27 cm

5.8. Lista de exercícios (atividade extra-classe)

1. Considere um pino de aço de 10 mm de diâmetro sujeito à força de tração de 10 kN. Calcule a tensão

de cisalhamento na cabeça do pino admitindo que a seção resistente seja uma superfície cilíndrica de mesmo diâmetro que o pino. (Resposta: 40 MPa).

a de mesmo diâmetro que o pino. (Resposta: 40 MPa). 2. Emprega-se um rebite d e
a de mesmo diâmetro que o pino. (Resposta: 40 MPa). 2. Emprega-se um rebite d e

2. Emprega-se um rebite de 20 mm de diâmetro para ligar duas chapas de aço sujeitas a uma carga P

de 20 kN. Determine a tensão de cisalhamento no rebite. (Resposta: 64 MPa).

a tensão de cisalhamento no rebite. (Resposta: 64 MPa). 3. Determi ne a força de tração

3. Determine a força de tração admissível P para a ligação soldada abaixo, sabendo-se que a tensão

admissível ao cisalhamento é de 80 MPa. (Resposta: 265 kN).

da da abaixo, sabendo-se que a tensã o admissível ao cisalhamento é de 80 MPa. (Resposta:

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

36

4. Determine a tensão de cisalhamento nos 2 rebites da estrutura abaixo sabendo-se que o diâmetro dos

mesmos é de 20 mm. (Resposta: 80 MPa).

que o diâmetro dos mesmos é de 20 mm. (Resposta: 80 MPa). 5. Calcular a tensão

5. Calcular a tensão de cisalhamento da junta colada abaixo. (Resposta: 7,5 MPa).

cisalhamento da junta colada abaixo. (Resposta: 7,5 MPa). 6. Verifique se a ligação rebitada abaixo foi

6. Verifique se a ligação rebitada abaixo foi projetada corretamente.

Dados:

adm = 100 MPa adm comp = 180 MPa adm trac = 150 MPa P = 40 kN d rebites = 1,27 cm (Resposta: Sim)

comp = 180 MPa adm trac = 150 MPa P = 40 kN d r e

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

37

6. Propriedades geométricas de superfícies planas

6.1. Momento estático e baricentro

de superfícies planas 6.1. Momento estático e baricentro Momento e stá tico de um elemento de

Momento estático de um elemento de uma superfície plana em relação a um eixo é o produto da área do elemento pela sua distância ao eixo considerado. Logo:

O

momento estático do elemento em relação ao eixo x será:

Q}

x = y dA

O

momento estático do elemento em relação ao eixo y será:

Q}

y = x dA

Momento estático de uma superfície plana em relação a um eixo é a soma dos momentos estáticos, em relação ao mesmo eixo, dos elementos que a constituem. Logo:

O momento estático da superfície em relação ao eixo x será:

Q

x

x

A

Q'

A

ydA

O momento estático da superfície em relação ao eixo y será:

Q

y

y

A

Q'

xdA

A

Momento estático é uma grandeza escalar com dimensão Q = l³, podendo ser positivo, negativo ou nulo.

6.1.1. Exercício

1) Determinar os momentos estáticos do retângulo abaixo em relação aos eixos x e y.

do re tângulo abaixo em relação aos eixos x e y. 6.2. Centro de gravidade (baricentro)

6.2. Centro de gravidade (baricentro)

Sendo CG o centro de gravidade de uma superfície plana de área A definido pelo
Sendo CG o centro de gravidade de uma superfície plana de área A definido
pelo par ordenado ( x , y ) tem-se as seguintes expressões:
Q
yA
e
Q
xA
x
y
que exprimem o chamado teorema dos momentos estáticos e possibilitam
determinar o centro de gravidade da superfície plana, ou seja:
Q
Q
y
x
x
e
y
A
A
xdA
ydA
A
A
Logo:
x
e
y
A
A

ECV5645 < Resistência dos Sólidos

38

6.2.1. Propriedades do centro de gravidade

O momento estático de uma superfície em relação a qualquer eixo baricêntrico (que passe pelo CG) é nulo. Se existe um eixo de simetria na peça, então o CG está contido neste eixo.

6.2.2. Exercícios

1) Determinar as coordenadas do CG do retângulo abaixo.

1) Determinar as coordenadas do CG do retângulo abaixo. 2) Determinar as coordenadas do CG do