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PANDORA - Conteúdo Virtual A Suprema Covardia Sandra Galeotti - 1ª Edição - Vivali Editora, 2004
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A Suprema Covardia

 

Sandra Galeotti - 1ª Edição - Vivali Editora, 2004 -

 
 

Proibida a reprodução total ou parcial deste livro, por qualquer meio ou sistema, sem prévia autorização da editora.

 

Direitos reservados por Vivali Editora Ltda vivali@vivalieditora.com.br

 
 

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

 
 

Galeotti, Sandra

 
 

A suprema

covardia

:

abuso

e negligência

da criança(e

seu impacto

no

cérebro

em

desenvolvimento) / Sandra Galeotti. -- São

desenvolvimento) / Sandra Galeotti. -- São

desenvolvimento) / Sandra Galeotti. -- São

Paulo : Vivali, 2004. Bibliografia

 

1. Crianças - Abuso sexual 2. Crianças - Maus tratos 3. Crianças - Vítimas de abuso físico

4.

Trauma

psíquico 5. Violência familiar

I. Título II. Título: Abuso e negligência

da criança

(e

seu impacto

no cérebro

em

desenvolvimento)

 
 

04-5370

CDD- 306.745

 

Índices para catálogo sistemático:

 
 

1. Crianças : Vitimização : Patologia social

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PANDORA - Conteúdo Virtual Agradecimentos Agradeço aos Professores Ricardo Arida e Lêda T. Martins, pelo apoio,
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Agradecimentos

 

Agradeço aos Professores Ricardo Arida e Lêda T. Martins, pelo apoio, revisões e sugestões. E a Adolfo Morandini pelas ilustrações do Capítulo 3.

 

Agradeço também às Dras. Ana Lúcia Ferreira, Hebe Signorini Gonçalves e sua equipe, do Núcleo de Atenção à Criança Vítima de Violência, do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ), pela autorização de publicação (no Anexo desta obra) dos relatórios das Oficinas sôbre “Violência contra a criança”,

realizadas durante o ano de 2003.

realizadas durante o ano de 2003.

 
realizadas durante o ano de 2003.
 

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PANDORA - Conteúdo Virtual “Nossos cérebros são esculpidos por nossas experiências da infância. O maltrato é
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“Nossos cérebros são esculpidos por nossas experiências da infância. O maltrato é um cinzel que modela o cérebro para o confronto com a adversidade às custas, porém, de feridas profundas e permanentes”

 

“A sociedade colhe o que semeia pela forma como trata suas crianças. O stress esculpe o cérebro para exibir uma gama de comportamentos antisociais de natureza adaptativa. …o stress desencadeia uma cascata de alterações hormonais que programa

permanentemente o cérebro da criança a lidar com um mundo malévolo. Através desta cadeia de eventos,

permanentemente o cérebro da criança a lidar com um mundo malévolo. Através desta cadeia de eventos, violência e abuso passam de uma geração à outra, bem como de uma sociedade à seguinte.”

 
permanentemente o cérebro da criança a lidar com um mundo malévolo. Através desta cadeia de eventos,

Martin Teicher, MD., PhD.

 

• Diretor do Programa de Biopsiquiatria do Desenvolvimento – McLean Hospital - Belmont, Massachusetts • Professor de Psiquiatria – Harvard Medical School

 
 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Parte I Abuso e Negligência Versus Desenvolvimento Cerebral na Infância • Introdução
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PANDORA - Conteúdo Virtual Parte I Abuso e Negligência Versus Desenvolvimento Cerebral na Infância • Introdução
 
 
Parte I Abuso e Negligência Versus Desenvolvimento Cerebral na Infância

Parte I Abuso e Negligência Versus Desenvolvimento Cerebral na Infância

 
 

• Introdução

7

 

• Capítulo 01

Da Natureza e Escopo do Abuso

 

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• Capítulo 03

Como o Ambiente Modela o Cérebro

44

   
• Capítulo 05 Desordens Psiquiátricas na Criança Abusada e no Adulto Sobrevivente ao Abuso na Infância

• Capítulo 05

Desordens Psiquiátricas na Criança Abusada e no Adulto Sobrevivente ao Abuso na Infância

91

• Capítulo 05 Desordens Psiquiátricas na Criança Abusada e no Adulto Sobrevivente ao Abuso na Infância

• Capítulo 06

Desenvolvimento Emocional e o Cérebro

125

 
Parte II Reflexões sobre Intervenção e Tratamento de Crianças e Adolescentes Vítimas de Abuso
 

Parte II Reflexões sobre Intervenção e Tratamento de Crianças e Adolescentes Vítimas de Abuso

 
 
     

• Capítulo 08

Princípios Gerais da Avaliação da Criança no Contexto de seu ambiente Sócio-Familiar

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• Posfácio

Somos Uma Espécie Muito Jovem – Mas Que Rumo Devemos Tomar?

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PANDORA - Conteúdo Virtual A UNICEF, United Nations Children’s Fund , estabeleceu, em seu plano estratégico
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PANDORA - Conteúdo Virtual A UNICEF, United Nations Children’s Fund , estabeleceu, em seu plano estratégico
 

A UNICEF, United Nations Children’s Fund, estabeleceu, em seu plano estratégico de médio prazo, para o período 2002-2005, cinco principais metas, entre as quais, a proteção da criança contra a violência, abuso, exploração e discriminação (ICEF/2001/13). Diz o texto: Proteção é um imperativo universal e um direito de cada criança. Violência, abuso, negligência e exploração ameaçam crianças por toda as suas vidas. Crianças, incluindo aquelas que nasceram saudáveis, e jovens são mais vulneráveis do que adultos a serem feridos, negligenciados, abusados e explorados. A sobrevivência delas está sob risco e seu pleno desenvolvimento comprometido. Milhões de crianças abusadas e exploradas estão sofrendo longe da vista, porque a violência contra crianças

ocorre dentro das famílias, nas escolas, comunidades e instituições .

ocorre dentro das famílias, nas escolas, comunidades e instituições.

 
ocorre dentro das famílias, nas escolas, comunidades e instituições .

Até recentemente, psiquiatras e psicólogos consideravam as experiências traumáticas da infância como fatores causantes de condicionamentos e desvios comportamentais, afetivos e cognitivos, passíveis de tratamento pelos métodos tradicionais de psicanálise ou de psicoterapia, com ou sem a administração coadjuvante de medicamentos ansiolíticos e antidepressivos. Os avanços na compreensão de bioquímica cerebral, demonstrando que a exposição prolongada – ou a exposição curta mas intensa – a experiências traumáticas ou ao stress crônico, em qualquer fase da vida, produziam alterações nos níveis de mensageiros químicos que regulam o sistema nervoso central, levou à melhor identificação e compreensão do papel dos neurotransmissores (moléculas bioquímicas e hormônios) que regulam as diversas vias de atividade cerebral.

 
 

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PANDORA - Conteúdo Virtual À luz dessas descobertas, foram desenvolvidas novas drogas psiquiátricas que atuam na
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À luz dessas descobertas, foram desenvolvidas novas drogas psiquiátricas que atuam na regulação das sensações de prazer, saciedade, etc, trazendo alívio, pelo menos temporário, aos sintomas associados com diversas desordens neuropsiquiátricas, tais como síndromes depressivas, doença bipolar, síndrome do pânico, stress pós-traumático, etc. A associação desses novos medicamentos à psicoterapia trouxe de fato novos benefícios a muitos pacientes, os quais passaram a ter aumentada a possibilidade de recuperação plena.

 

No entanto, para uma parcela significativa de pacientes expostos a situações crônicas de maus-tratos (abusos) e/ou negligência nos primeiros anos de suas vidas, essa possibilidade de resgate pleno talvez jamais venha a existir.

Diversos estudos utilizando tecnologias de imagem como a tomografia

compu-tadorizada, PETscan, SPECT, ressonância magnética funcional e outras, têm demonstrado, nas últimas três décadas, que o

compu-tadorizada, PETscan, SPECT, ressonância magnética funcional e outras, têm demonstrado, nas últimas três décadas, que o cérebro da criança sofre alterações estruturais irreversíveis quando cronicamente exposto ao abuso ou à negligência durante os primeiros anos de vida.

 
compu-tadorizada, PETscan, SPECT, ressonância magnética funcional e outras, têm demonstrado, nas últimas três décadas, que o

Essas alterações estruturais podem ocorrer em diferentes regiões do sistema nervoso central e estar presentes em mais de uma delas, tais como sistema límbico (hipocampo, amígdala, etc), córtex pré-frontal, corpo caloso, etc. Tais alterações estruturais causam o estabelecimento de padrões neuroendócrinos específicos que, embora voltados ao desenvolvimento de estratégias imediatas de adaptação e sobrevivência da criança à situação de risco a que está exposta, determinará nela padrões neuroquímicos de reações psico-emocionais, cognitivas e comportamentais, semelhantes aos observados em veteranos de guerra com síndrome de stress pós-traumático.

 
 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Bruce Perry, psiquiatra pediátrico do Children´s Hospital de Houston e pesquisador do

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Bruce Perry, psiquiatra pediátrico do Children´s Hospital de Houston e pesquisador do desenvolvimento do cérebro durante a infância no Baylor College of Medicine, Houston, Texas, demonstra, nos resultados de suas pesquisas, que não somente o abuso sexual, mas também o trauma resultante da negligência e o stress crônico causado pela violência física e agressão verbal – em suma: o abuso tanto físico como emocional – afetam seriamente o desenvolvimento do cérebro da criança, tanto em sua arquitetura anatômica como em seu padrão de funcionamento químico. Crianças que crescem sob o medo não conseguem assimilar informação cognitiva, afirma Perry. Seus cérebros estão muito ocupados, vigiando a professora para detectar gestos ameaçadores, sem ouvir o que ela está dizendo. Este comportamento é conhecido como hipervigilância.

O impacto do abuso e da negligência reflete-se em todos os aspectos da vida da criança e, se deixada sem socorro, proteção e tratamento

ainda durante a infância, deixará marcas indeléveis nos aspectos físico, psicológico, comportamental, cognitivo, sexual, interpessoal, espiritual e autoperceptivo do indivíduo adulto, segundo os estudos do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos e de outras agências congêneres do Canadá, Reino Unido e da UNICEF.

Nos Estados Unidos, mais de 3.000.000 de novos casos de abuso infantil são anualmente registrados – com pelo menos 50% deles cometidos pela própria mãe (1) – e cerca de 300.000 menores são explorados pela pedofilia segundo a UNICEF.

1. Estudo de 2001 do governo americano indica que 59,3% dos adultos abusivos são mulheres e 40,7% são homens.

  • 10 http://www.acf.hhs.gov/programs/cb/publications/cm01/figure4_1.htm

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PANDORA - Conteúdo Virtual Segundo Perry, estima-se que os casos registrados correspondam a cerca de 5%
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PANDORA - Conteúdo Virtual Segundo Perry, estima-se que os casos registrados correspondam a cerca de 5%

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Segundo Perry, estima-se que os casos registrados correspondam a cerca de 5% apenas da incidência real de abuso e/ou negligência nos Estados Unidos. No Brasil, não encontrei um registro central de dados de abuso familiar; porém a Organização Internacional do Trabalho estima que 559.000 crianças são exploradas em regime de servidão no Brasil, que conta ainda com aproximadamente 8 milhões de crianças negligenciadas e/ou abandonadas vivendo nas ruas (dados do Banco Internacional do Desenvolvimento), com a UNICEF estimando entre 100.000 e 500.000 crianças exploradas pelo mercado da pedofilia.

 

Com base em estudos encontrados na literatura científica, tentarei traçar, nos próximos capítulos, um panorama geral do abuso infantil, tipos de abuso e sinais indicativos dos mesmos e de suas conseqüências a longo prazo para o indivíduo e seu futuro contexto sócio-familiar, sem nenhuma pretensão, porém, de conhecer todas as respostas. Meu intuito é que este

esforço constitua um chamado de despertar a pais, tutores, professores, psiquiatras, psicólogos, médicos, assistentes sociais, organizações

esforço constitua um chamado de despertar a pais, tutores, professores, psiquiatras, psicólogos, médicos, assistentes sociais, organizações não governamentais, grupos de serviço comunitário e pastorais.

esforço constitua um chamado de despertar a pais, tutores, professores, psiquiatras, psicólogos, médicos, assistentes sociais, organizações
 

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PANDORA - Conteúdo Virtual O que explica não justifica. Lao Tsé – Tao Te King O
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PANDORA - Conteúdo Virtual O que explica não justifica. Lao Tsé – Tao Te King O
 
 

O que explica não justifica.

Lao Tsé – Tao Te King

 

O Que É Abuso?

Em conferência promovida pelo Instituto Nacional da Saúde da Criança e Desenvolvimento Humano, em 1989 (1), o painel de revisão das pesquisas até então disponíveis sobre o assunto, recomendou que o

 

maltrato (abuso) fosse definido como comportamento em relação a uma outra pessoa, que (a) extrapola as normas de conduta, e (b) acarreta

risco substancial de causar danos físicos ou emocionais . Explica ainda que tais comportamentos podem consistir

risco substancial de causar danos físicos ou emocionais. Explica ainda que tais comportamentos podem consistir de ações ou omissões, tanto intencionais como involuntárias. O termo maltrato da criança refere-se a um amplo espectro de comportamentos que oferece risco ao bem estar físico ou emocional da criança e do adolescente com menos de 18 anos de idade, classificados em quatro categorias gerais:

risco substancial de causar danos físicos ou emocionais . Explica ainda que tais comportamentos podem consistir

1) Abuso físico; 2) Abuso sexual; 3) Negligência; 4) Abuso emocional.

 
 

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Abuso físico: Refere-se a qualquer forma de lesão corporal intencional ou não, decorrentes de espancamento, punição física com objetos (chicote, cintas, varas, ou ainda, atirar objetos na criança, tais como facas, garfos, pratos, panelas, etc), queimaduras (com cigarro, líquido quente ou vapor), mordidas, arranhões, unhadas, estrangulamento, punição física severa (deixar a criança sem uma refeição como forma de castigo, ou em pé no frio ou na chuva, trancada em um cubículo, acorrentada ao pé de uma mesa, etc).

 

Inclui ainda uma forma de abuso denominada “Munchausen por representação”, em que a mãe ou outro adulto induz um mal-estar físico na criança para obter atenção e simpatia do médico e de outras pessoas para si. (A mãe ou adulto neste caso assume o papel de “vítima”). Transformar a criança em trabalhador doméstico ou rural, obrigando-a a executar constantes tarefas exaustivas e negando-lhe o direito de brincar

e/ou estudar, é uma outra face do abuso físico que se interpenetra com a negligência psico-emocional.

e/ou estudar, é uma outra face do abuso físico que se interpenetra com a negligência psico-emocional.

e/ou estudar, é uma outra face do abuso físico que se interpenetra com a negligência psico-emocional.

Abuso sexual: Refere-se a incesto ou ao estupro da criança por um familiar ou um estranho, manipulação da genitália da criança, induzir a criança a fazer sexo oral, expor a criança a situações sexuais e atos pornográficos, rituais sexuais, prostituição da criança por familiar, adulto responsável ou marginais do tráfico de menores.

Negligência: Esta área compreende uma vasta gama de omissões de cuidados e ocorre tanto em lares como em orfanatos e outras instituições, resultando no prejuízo físico, cognitivo e psicoemocional da criança.

 

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Exemplos de negligência incluem: omissão de cuidados de higiene e alimentação; omissão na orientação moral e ética; descaso com a freqüência e desempenho escolares; omissão de tratamento e assistência médica; negligência emocional (falta de apoio, conforto, demonstrações de afeto, indiferença aos problemas da criança, descrédito das queixas da criança quanto a maus-tratos ou abusos sofridos nas mãos de babás, outros familiares, amigos ou mesmo professores); omissão de supervisão (a criança é deixada só por longos períodos, ou “solta na rua”, ou exposta a situações de risco à sua integridade física, ou em companhia de pessoas duvidosas) e, ainda, o abandono total.

 

Abuso emocional: O abuso emocional é uma das formas mais comuns de abuso em famílias de todas as posições sócio-econômicas e se constitui em um padrão de comportamento dos adultos que compromete o desenvolvimento emocional e a auto-estima da criança. A forma mais

comum de abuso emocional é a humilhação e depreciação do caráter ou das qualidades da criança,

comum de abuso emocional é a humilhação e depreciação do caráter ou das qualidades da criança, por meio de comparações destrutivas, críticas e acusações constantes, insultos e agressões verbais, rejeição, provocações e brincadeiras que ridicularizam e humilham o indivíduo, ou ainda, informá-lo regularmente que será um fracassado na vida, ou amaldiçoá- lo.

comum de abuso emocional é a humilhação e depreciação do caráter ou das qualidades da criança,

Segundo o Comitê Nacional para a Prevenção do Abuso da Criança dos Estados Unidos (2), O abuso emocional inclui também a falha em oferecer amor, apoio e orientação, necessários para o desenvolvimento psicológico da criança.

 

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Outras manifestações freqüentes de abuso emocional são o tratamento rotineiro ríspido e sempre irritado da criança, culpar a criança pelas infelicidades pessoais do próprio adulto, fazê-la sentir-se um fardo para o pai, mãe ou responsável legal, chantagens emocionais, usar a criança para confidências de problemas maritais ou outros problemas de pertinência do próprio adulto, ou ainda atribuir-lhe responsabilidades morais ou emocionais inadequadas à sua psique infantil, como nos casos em que os papéis são invertidos e a criança passa a ser a confidente e sentir-se responsável pelo bem estar do adulto.

 

Quem Abusa da Criança?

 

A análise de Bancos de Dados baseados em registros de Serviços de Assistência Social, Boletins de Ocorrência Policiais e dos resultados de

 
pesquisas científicas americanos, canadenses, neozelandeses e europeus demonstra que o agressor da criança pode ser um

pesquisas científicas americanos, canadenses, neozelandeses e europeus demonstra que o agressor da criança pode ser um ou mais membros da família (pai, mãe, avós, tios, etc), um pai adotivo casado com a mãe da criança, uma madastra, uma babá ou empregado doméstico, um amigo da família, um vizinho, ou ainda um professor, um tutor, um adolescente, ou um estranho.

pesquisas científicas americanos, canadenses, neozelandeses e europeus demonstra que o agressor da criança pode ser um

O abuso de crianças é registrado nas diversas camadas sócio-econômicas e étnico-culturais, embora sua ocorrência varie quanto ao tipo de abuso praticado e grau de incidência, de um para outro estrato sócio-cultural.

Os fatores de risco associados ao abuso infantil são variados, bem como os diferentes perfis do adulto abusivo; mas a identificação desses fatores não constitui uma regra diretamente determinante de abuso e, muito menos, o justifica sob qualquer forma ou circunstância.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Por exemplo, a maioria dos filhos abusados não se torna delinqüente juvenil
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Por exemplo, a maioria dos filhos abusados não se torna delinqüente juvenil ou dependente de drogas; e muitos não serão pais abusivos. Por outro lado, filhos bem tratados e nunca abusados podem tornar-se pais abusivos.

 

O alcoolismo está ligado, com freqüência, à violência contra a mulher e a criança; mas nem todos os alcoólatras são pais ou maridos (ou mães) abusivos ou fisicamente violentos – embora o alcoolismo contribua para outras formas de maltrato, como a negligência.

Consumo de drogas psicoativas, por outro lado, tem elevada associação com violência familiar e abuso infantil. Pobreza e dificuldades econômicas são fatores estressantes que contribuem para o abuso e a negligência infantil; mas famílias pobres podem ser muito unidas e amorosas. Embora o abuso e a negligência às vezes aconteçam em situações em que um pai

ou uma mãe cria sozinho seus filhos, não existe evidência de que isto seja um fator

ou uma mãe cria sozinho seus filhos, não existe evidência de que isto seja um fator de predisposição ao abuso. Adultos que tiveram uma vida de privações e dificuldades econômicas durante a infância, podem tornar-se pais abusivos ou, ao contrário, exageradamente protetores e generosos com seus próprios filhos.

ou uma mãe cria sozinho seus filhos, não existe evidência de que isto seja um fator

Embora certos adultos abusivos apresentem alguma desordem psiquiátrica, os inúmeros estudos científicos até hoje realizados não foram capazes de estabelecer, de forma consistente, um perfil psicopatológico ou um grau significante de distúrbio mental necessariamente associado ao maltrato e negligência da criança por seus progenitores (3).

 

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No entanto, a confirmação diagnóstica de um distúrbio psicopatológico no pai ou na mãe, associado ao abuso de um menor, é um fator importante na perda judicial da guarda da criança e proibição de visitas não supervionadas por autoridade assistencial em diversos países (Canadá, Reino Unido, Estados Unidos, Brasil, etc).

 

Diversos estudos têm tentado identificar as características de personalidade de adultos abusivos, com o intuito de traçar parâmetros que permitam ações preventivas e intervenções na identificação de potenciais abusadores e na cessação do maltrato, em associação com cada tipo de abuso (3).

Abuso físico - Estudos voltados para a identificação de fatores envolvidos no abuso físico, identificaram um conjunto de características de personalidade bastante freqüente em pais que maltratam seus filhos,

as quais se apresentam como um padrão que inclui três ou mais das seguintes características.

as quais se apresentam como um padrão que inclui três ou mais das seguintes características.

as quais se apresentam como um padrão que inclui três ou mais das seguintes características.

São elas: baixa auto-estima, temperamento agressivo ou vingativo, comportamento anti-social ou o seu oposto (grande atividade social evitando ao máximo estar com os filhos), impulsividade emocional, complexo de vítima, sentimentos de impotência e falta de controle sobre a própria vida. Essas características, em pais abusivos, podem também estar associadas ou não ao uso de drogas ilegais, alcoolismo, ou abuso de medicamentos psicoativos, ou a distúrbios neuropsiquiátricos, como ansiedade generalizada, episódios de depressão ou doença bipolar.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Fatores estressantes tais como crise marital, frustrações profissionais ou sociais, desemprego, incertezas
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Fatores estressantes tais como crise marital, frustrações profissionais ou sociais, desemprego, incertezas econômicas ou isolamento social, podem agir como o gatilho da violência física contra a criança, como uma forma de ganho de poder psicológico por parte do adulto frustrado, que descarrega sua frustração sobre um ente vulnerável e incapaz de se defender. Geralmente o abuso físico tende a cessar quando a criança cresce o suficiente para defender-se do ataque do adulto, contra-atacando-o (4).

 

Abuso sexual - Esta é uma das áreas mais pesquisadas no que diz respeito ao abuso, na busca de um perfil psicopatológico ou biológico causal. No entanto, nenhuma patologia específica ou categoria diagnóstica foi consistentemente associada ao adulto molestador, como fator etiológico. Novamente, o que se obteve foi um conjunto de características de personalidade freqüentemente identificadas com a pedofilia e o incesto, com dois perfis gerais opostos. Enquanto alguns molestadores de

crianças são tímidos, inseguros, têm baixa auto-estima, ou ainda exibem desordens compulsivas, muitos pedófilos são indivíduos

crianças são tímidos, inseguros, têm baixa auto-estima, ou ainda exibem desordens compulsivas, muitos pedófilos são indivíduos bem sucedidos, líderes empresariais ou religiosos respeitados, ou exercem um papel importante na comunidade. Este tipo de ofensa é muito mais comum por parte de homens, embora se registrem casos de mulheres molestadoras – tanto mães como babás.

crianças são tímidos, inseguros, têm baixa auto-estima, ou ainda exibem desordens compulsivas, muitos pedófilos são indivíduos

Alguns fatores associados ao abuso sexual de crianças por adultos indicam que o molestador busca satisfazer impulsos sádicos e de afirmação de poder, ou ainda, descarregar sua raiva mal dirigida, através do incesto ou da pedofilia (5). O uso de drogas ou o alcoolismo, embora presentes em diversos casos de abuso sexual, são considerados fatores adjuvantes de desinibição, visto que o desejo sexual pela criança e a predisposição para o ato já estavam presentes (6).

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual O estupro de crianças e mulheres é também comum em situações de
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O estupro de crianças e mulheres é também comum em situações de guerra, como recentemente registrado nos conflitos entre sérvios e croatas, sérvios e kosovares e sérvios e bósnios, também no Congo e em outros países onde essa violência é praticada corriqueiramente por soldados e civis como uma forma de humilhar o “inimigo”. A UNICEF alertou recentemente (terceira semana de abril de 2004) em reportagem da rede de televisão CNN que meninos de seis a oito anos de idade são “recrutados” por grupos militares e paramilitares no Congo para servirem de escravos sexuais e os meninos um pouco mais velhos, como soldados.

 

Negligência - A negligência é um crime muito comum (ocorre em todos os extratos sócio-econômicos), sendo uma das formas menos compreendidas de maltrato da criança, devido às suas muitas nuances e à dificuldade de defini-la em seus aspectos menos óbvios.

A negligência, como já vimos, é definida como a omissão de quaisquer dos cuidados necessários à

A negligência, como já vimos, é definida como a omissão de quaisquer dos cuidados necessários à segurança, bem estar e pleno desenvolvimento da criança e abrange, portanto, os aspectos físicos, emocionais, educacionais e a proteção do menor. Vale também lembrar que omissão de orientação da criança, ou seja, a não transmissão de valores éticos e morais, é também uma forma de negligência (negligência moral). Portanto, as causas da negligência também são diversas e sua ocorrência nem sempre é intencional, podendo ser o resultado dos mais variados fatores, tais como a falta de maturidade dos progenitores ou de formação e informação adequadas dos pais ou adulto responsável. A negligência pode também ocorrer como resultado de distúrbios psicológicos, uso de drogas, alcoolismo, violência familiar, doença crônica, miséria, ignorância, gravidez na adolescência, paternidade irresponsável, etc.

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PANDORA - Conteúdo Virtual No Brasil, temos um alto índice de negligência total da criança, sob
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No Brasil, temos um alto índice de negligência total da criança, sob a forma de abandono e falta de supervisão do menor, com cerca de 8 milhões de menores vivendo nas ruas, o que, sem dúvida, está associado não somente a fatores econômicos mas também à violência familiar, drogas, alcoolismo, paternidade irresponsável e impune e omissão de autoridades, comunidade e líderes religiosos. Alguns estudos apontam para certas características de personalidade de pais e mães que negligenciam seus filhos, com ou sem estressores sócio-econômicos e principalmente nos casos de negligência crônica (28-30).

 

O perfil estabelecido é o do adulto impulsivo, narcisista e infantilizado que sofre da síndrome da futilidade, sempre em busca de autogratificação, incompetente em fazer escolhas com responsabilidade no casamento, maternidade/paternidade, ou no trabalho.

Abuso emocional - A etiologia do abuso emocional é também pouco compreendida, devido à grande variedade

Abuso emocional - A etiologia do abuso emocional é também pouco compreendida, devido à grande variedade que assume, tanto no que diz respeito ao perfil de personalidade do familiar abusivo quanto ao escopo sócio-cultural, familiar e econômico dos progenitores e familiares que praticam este tipo de agressão contra a criança.

Abuso emocional - A etiologia do abuso emocional é também pouco compreendida, devido à grande variedade

Esta parece ser a mais comum das formas de maltrato de crianças, considerada também pelos pesquisadores da neurobiologia da criança abusada como uma das mais perniciosas, com um impacto profundo no desenvolvimento do padrão estrutural e neuroendócrino do cérebro de suas vítimas – só comparável às piores formas de abuso físico e sexual (7, 8, 9).

 

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Indivíduos inteligentes, cultos e com nível de instrução superior podem revelar-se praticantes contumazes do abuso emocional de seus filhos, da mesma forma que um pai viciado em drogas ilegais, um psicótico bipolar, ou um analfabeto embrutecido pelas privações sócio-econômicas de sua condição.

 

Também não é incomum o abuso emocional estar associado a alguma forma de abuso físico, como espancamentos freqüentes com cintas, socos, pontapés, unhadas ou bofetadas no rosto.

Pais que são radicalmente contra a punição física, mas que praticam o abuso emocional, são também considerados de alto risco para um eventual mas severo episódio de abuso físico da criança, “como um último recurso”, em que toda a raiva represada é descarregada de forma brutal e, muitas vezes, fatal (10).

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Certas características personalísticas do adulto que abusa fisicamente a criança parecem ser comuns a este tipo de abuso também, tais como baixa auto-estima, temperamento agressivo, vingativo ou intolerante, comportamento anti-social ou fútil, impulsividade emocional, mau humor e irritabilidade constantes, complexo de vítima, comportamento manipulador.

Temperamentos competitivos e fortemente direcionados a atingir metas ressentem-se de filhos que não correspondam às suas expectativas ou que possuam um temperamento diferente do seu, considerando-o (se for menino) um “maricas”, “perdedor”, “banana”, “burro”, e assim por diante, não perdendo a oportunidade de compará-lo de forma depreciativa e humilhante a um irmão ou irmã que melhor atenda às expectativas do pai.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Mas este perfil não é exclusivo de pais, sendo também observado em
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Mas este perfil não é exclusivo de pais, sendo também observado em mulheres, quando então o alvo do abuso é geralmente uma filha. Alguns progenitores praticam o abuso emocional como uma estratégia educacional e disciplinar equivocada, acreditando que, se “mexerem com os brios da criança” esta vai atender às expectativas dos pais. Outros apenas repetem o padrão que sofreram quando crianças nas mãos de seus pais.

 

Atitudes e sentimentos nutridos pela mãe antes do nascimento de uma criança que não é desejada, têm sido associados com o abuso infantil em vários estudos (11, 12, 13, 14, 15). Mulheres com o perfil personalístico supra descrito, podem tornar-se especialmente abusivas, tanto emocional como fisicamente, em relação a uma criança nascida de uma gravidez não desejada. A criança passa a ser o alvo de sentimentos de aversão e ressentimento, sendo vista como a causadora de todas as mazelas pessoais

e interpessoais da mãe.

e interpessoais da mãe.

 
e interpessoais da mãe.

Outro aspecto muito comum do abuso emocional de crianças é o aliciamento e manipulação dos sentimentos da criança contra a outra figura parental. Isto é bastante comum em famílias em que o casamento é problemático ou entre pais em processo de separação, ou já separados. Um ou ambos os progenitores manipulam os sentimentos de seus filhos para nutrirem raiva, desprezo e toda sorte de sentimentos negativos contra o outro cônjuge, como uma forma de vingança por suas próprias frustrações. A criança se torna, assim, um instrumento de vingança emocional na guerra entre os pais - e a principal baixa nesse combate.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Valores sócio-culturais certamente contribuem para o abuso físico e emocional, principalmente em
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Valores sócio-culturais certamente contribuem para o abuso físico e emocional, principalmente em contextos culturais em que se considera a criança uma propriedade dos pais e em certas populações rurais, onde cada filho é mais uma mão de obra e cada filha é uma “rês” (i.e., novilha/ gado).

 

Tais percepções também contribuem para a omissão de adultos em contato com a família abusiva ou até mesmo parentes (avós, tios, etc)

que não se sentem no direito de intervir. Embora assistam ou percebam que a criança está sendo emocionalmente e/ou fisicamente maltratada, a tendência dessas pessoas é, quando muito, dar conselhos cautelosos ao adulto abusivo, freqüentemente subestimando a gravidade da situação – ou ignorando simplesmente a questão “pois se trata de um problema

entre pais e filhos – eles sabem o que fazem

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Pais que não abusam de seus filhos e pais abusivos demonstram diferenças cognitivas na forma como

Pais que não abusam de seus filhos e pais abusivos demonstram diferenças cognitivas na forma como percebem a natureza e o comportamento da criança e interpretam suas reações. Eles também diferem em suas atitutes e expectativas quanto ao desenvolvimento dos filhos. Pais abusivos tendem a atribuir características negativas e intenções malévolas a outras crianças e pessoas de seu relacionamento interpessoal e aos seus próprios filhos e demonstram grande reatividade física e irritabilidade em resposta aos estados afetivos da criança, tanto os positivos como os negativos (16, 17, 18). Risos, ruídos de brincadeiras e atividades de crianças divertindo- se irritam-nas ou incomodam; e possuem uma tendência a interpretar o comportamento de seus filhos como intencionalmente provocador e desobediente – enfim, uma sabotagem proposital ao bem estar do adulto.

Pais que não abusam de seus filhos e pais abusivos demonstram diferenças cognitivas na forma como
 

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Mães que abusam emocional ou fisicamente de seus filhos percebem eventuais comportamentos negativos da criança como sendo a manifestação de características negativas internas – defeitos inatos e permanentes – daquele indivíduo e vêem os comportamentos positivos como um fenômeno transitório. Por outro lado, mães que não abusam de seus filhos possuem uma percepção exatamente inversa a essa (o positivo é inerente à natureza do filho e o negativo é passageiro) (17, 18, 19).

 

Outra diferença entre pais e mães abusivos e não abusivos é claramente observável na forma como interagem com a criança. Mães potencialmente abusivas ou sabidamente abusivas percebem o atendimento das necessidades de seus bebês como um fardo e um sacrifício pessoal e se irritam rapidamente com o choro ou demandas da criança. Demonstram também uma distância e falta de empatia emocional com os estados afetivos da criança. Não são brincalhonas nem participativas nas fantasias

e alegrias dos filhos, evitam abraçá-los, beijá-los e mantêm a nível mínimo o contato físico com

e alegrias dos filhos, evitam abraçá-los, beijá-los e mantêm a nível mínimo o contato físico com seus bebês e crianças pequenas. A alegria da criança as aborrecem e suas demandas irritam-nas. Pais e mães não abusivos sentem grande gratificação em compartilhar das brincadeiras de seus filhos, são receptivos aos estados afetivos da criança e sentem compaixão e empatia pelas dificuldades dela.

e alegrias dos filhos, evitam abraçá-los, beijá-los e mantêm a nível mínimo o contato físico com

A questão da perpetuação do abuso de uma geração à seguinte em linhagens familiares é controversa, visto que se baseia em estudos retrospectivos realizados com base em diferentes metodologias, definições e desenhos diversos, muitas vezes sujeitos a vieses de interpretação – devido à forma de inclusão da população estudada e a depoimentos não verificáveis (20); e uns poucos estudos prospectivos (com o acompanhamento de indivíduos vítimas de abuso na infância, durante a fase adulta jovem, de formação de famíla e maternidade/paternidade).

 

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A taxa de probabilidade de que indivíduos abusados na infância tornem- se pais abusivos varia, nesses estudos, de 90% (retrospectivos) a 18% (prospectivos). No entanto, os estudos prospectivos tiveram um curto acompanhamento da população estudada (cerca de um ano após o nascimento do filho) (21, 22, 23, 24, 25). O abuso nem sempre tem início nos primeiros meses de vida do filho.

 

Em alguns estudos restrospectivos de progenitores com um histórico de abuso durante a infância e que não se tornaram pais abusivos, os seguintes fatores protetores foram identificados:(25, 26, 27, 28).

1) receberam apoio social ou casaram com um cônjuge compreensivo, que os valorizava e oferecia apoio emocional;

2) ainda durante a infância ou adolescência, tiveram o apoio de um adulto

(familiar, professor, ou amigo) que exerceu uma influência positiva em sua auto-estima; ou tiveram oportunidade de

(familiar, professor, ou amigo) que exerceu uma influência positiva em sua auto-estima; ou tiveram oportunidade de serem ajudados em terapia quando adolescentes ou no início da fase adulta;

(familiar, professor, ou amigo) que exerceu uma influência positiva em sua auto-estima; ou tiveram oportunidade de

3) possuíam um grau superior de inteligência que lhes permitiu identificar o abuso – ainda na infância ou início da adolescência – e falar sobre seus traumas com clareza, reconhecendo e responsabilizando o adulto abusivo, direcionando assim sua raiva a ele e não si mesmos (através da culpa);

4) possuíam talentos e habilidades criativas ou intelectuais que lhes permitiram desenvolver uma melhor auto-imagem, através do reconhecimento de valores compensatórios próprios ou da admiração e apoio recebidos de pessoas fora do contexto abusivo;

 

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5) possuíam boas habilidades interpessoais que lhes permitiram fazer amigos e estabelecer laços afetivos positivos a partir da segunda fase da infância ou da adolescência, fora do contexto abusivo;

 

6) buscaram apoio e alívio para suas angústias em estudos e práticas religiosas ou espirituais, ainda durante a infância ou adolescência;

No entanto, cabe aqui uma ressalva em relação ao último item. Preconceitos culturais e religiosos que tomam ao pé da letra o “honrar pai e mãe”, com freqüência contribuem para bloquear a percepção pelo(a) filho(a) do adulto abusivo como tal, fazendo-o sentir-se ainda mais culpado e em conflito interior por ser proibido, por dogmas religiosos, de sentir raiva, revolta ou ressentimento contra a figura paterna ou materna abusiva. Quaisquer explicações ou insinuações por parte de conselheiros ou religiosos que induzam a vítima a conformar-se e consentir com a

situação de abuso em que se encontra é, no mínimo, omissão de socorro e abusiva por

situação de abuso em que se encontra é, no mínimo, omissão de socorro e abusiva por sua própria natureza.

situação de abuso em que se encontra é, no mínimo, omissão de socorro e abusiva por

Em contraste, esses mesmos estudos identificaram os seguintes fatores de risco no contexto de adultos abusados na infância que se tornaram pais abusivos (28-32):

1) inteligência medíocre e incapacidade de reconhecer o adulto abusivo como tal, atribuindo a si mesmo a culpa do maltrato sofrido;

2) baixa auto-estima; sentimentos de culpa e inferioridade;

 

3) habilidades interpessoais deficientes, expressas na incapacidade de estabelecer laços afetivos positivos e fazer amigos; ou ainda, de manter

 

as amizades conquistadas; 4) aceitação cultural de maus-tratos corporais;

 
 

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5) auto percepção pela criança de que é uma propriedade dos pais; 6) isolamento social; 7) dependência emocional da figura materna ou paterna transgressora, expressa como submissão e esforço por conquistar sua aprovação durante a fase adulta; 8) ausência de apoio social ou terapêutico.

 

Existe ainda muito a ser esclarecido quanto aos diversos fatores significativamente determinantes das seguintes situações:

  • - a criança que não sofreu abuso mas que se torna um(a) progenitor(a) abusivo(a);

  • - a criança não maltratada que não se torna abusiva de seus próprios filhos;

  • - a criança maltratada que não se torna abusiva quando adulta;

 
  • - a criança maltratada que perpetua o abuso contra seus próprios filhos.

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Cabe notar ainda que nenhum estudo estabeleceu, de forma consistente, que o tipo de abuso sofrido será o mesmo infligido à geração seguinte, por pais abusivos que foram maltratados na infância. Quanto à época do início do abuso, este varia enormemente, com alguns casos tendo início nos primeiros meses de vida, outros durante os três primeiros anos de vida, ou ainda, após os cinco ou sete anos de idade. O abuso sexual pode ocorrer em qualquer idade durante a infância ou ter início na pré- adolescência ou no início desta. Outra variável refere-se aos diferentes estilos de abuso praticados por um mesmo adulto abusivo (pai ou mãe) em relação a diferentes filhos. Enquanto uma das crianças pode ser especialmente abusada, uma outra pode ser emocionalmente ignorada e, uma terceira, paparicada e aliciada como cúmplice do adulto.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual 14. Chalk, R., & King, R. A. (Eds.). (1998); Melnick, B., &
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PANDORA - Conteúdo Virtual 14. Chalk, R., & King, R. A. (Eds.). (1998); Melnick, B., &

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PANDORA - Conteúdo Virtual 25. Weinfield, N. S., Ogawa, J., & Egeland, B. (2002). Predictibility of
 
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PANDORA - Conteúdo Virtual Nós somos apenas átomos desse grande corpo que se chama Humanidade. As
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PANDORA - Conteúdo Virtual Nós somos apenas átomos desse grande corpo que se chama Humanidade. As
 
 

Nós somos apenas átomos desse grande corpo que se chama Humanidade. As calamidades do presente, não vencidas, são o ônus terrível do futuro.

Rito Escocês Antigo e Aceito

 

Estima-se que apenas uma pequena parcela dos casos de abuso chegue ao conhecimento de autoridades e agências assistenciais em todo o mundo. Crianças maltratadas raramente contam o que está acontecendo a elas, especialmente se os agressores forem seus próprios familiares, ou alguém que cuida delas na ausência dos mesmos. Sentimentos de medo

 
de maiores castigos por falar, vergonha, culpa, ou medo de que não acreditem nela, são alguns

de maiores castigos por falar, vergonha, culpa, ou medo de que não acreditem nela, são alguns dos motivos do silêncio da criança abusada (1, 2). Quando porém, apesar de tudo isso, a criança arrisca-se a contar a um adulto o que lhe acontece, se este a ignorar ou não acreditar nela, os efeitos podem ser ainda mais devastadores – especialmente se tal pessoa for um familiar ou uma professora, com a qual a criança possui vínculos afetivos e de confiança.

de maiores castigos por falar, vergonha, culpa, ou medo de que não acreditem nela, são alguns

Por outro lado, muitas crianças não possuem parâmetros para perceber como errado o que o adulto faz a ela, pois o abuso vem sempre acompanhado de acusações e comentários que a depreciam e retratam-na como merecedora do abuso por ser má, indigna, ingrata, fonte de desgosto e aborrecimento para os pais “que se matam de trabalhar por ela”.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Crianças abusadas são freqüentemente rotuladas desde pequenas pelo progenitor abusivo como “ovelhas
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Crianças abusadas são freqüentemente rotuladas desde pequenas pelo progenitor abusivo como “ovelhas negras”, “sangue ruim”, “imprestáveis”, inclusive quando falam delas a terceiros, familiares ou não. Algumas mães abusivas gostam de afirmar para a criança que esta não é de fato filha dela, mas que “foi encontrada em uma lata de lixo”, ou “deixada na porta da casa”, cobrando a seguir obediência e gratidão à criança pelo fato de tê-la acolhido.

 

Outras, comparam um filho ou filha favorita àquela que destoa das expectativas da família, dizendo que esta última foi “trocada na maternidade” ou “foi adotada” – como uma forma de tortura emocional.

Pais incestuosos com freqüência apresentam o ato do incesto à criança como uma forma de castigo por um mal comportamento e, portanto, “culpa dela”. Em muitos casos, outros familiares ou a própria mãe tendem

a ignorar sinais visíveis de abuso físico ou de incesto, simplesmente porque não desejam encarar a

a ignorar sinais visíveis de abuso físico ou de incesto, simplesmente porque não desejam encarar a verdade, o que constitui crime por omissão culposa e negligência, na lesgislação de diversos países.

a ignorar sinais visíveis de abuso físico ou de incesto, simplesmente porque não desejam encarar a

Da mesma forma, muitos maridos preferem olhar para o outro lado, quando a esposa espanca severamente a criança, pois “fora isso, o casamento é ótimo”. Em alguns casos, o adulto abusivo é alguém que cuida da criança enquanto os pais trabalham.

Crianças vítimas de abuso são especialmente indefesas e carregam uma enorme carga de dor, vergonha, culpa, terror e sentimento de desamparo (3). Cabe, portanto, ao adulto não agressor, familar ou não, professor, médico pediatra, enfermeiro, etc, aprender a reconhecer os padrões de sinais que são indicativos de cada tipo de abuso.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Prestar atenção nas mudanças súbitas e “sem causa aparente” do comportamento da
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Prestar atenção nas mudanças súbitas e “sem causa aparente” do comportamento da criança ou de seu corpo, ou ainda observar mudanças de atitude em classe ou em relação a outras crianças. Enfim, aprender a identificar padrões suspeitos de abuso.

 

No caso de pais não abusivos que deixam seus filhos pequenos sob cuidados de terceiros, enquanto trabalham, vale também a observação de muitos desses sinais e, no caso da criança espontaneamente relatar maltrato, os pais devem levá-la a sério e investigar a questão. Muito freqüentemente, quando um terceiro abusa física ou emocionalmente a criança sob os seus cuidados, também a ameaça com mais punições, no caso de ela contar aos pais ou a outras pessoas. Algumas famílias deixam câmeras de vídeo ocultas ligadas enquanto estão ausentes para se certificarem de que seus filhos pequenos não estão sendo vítimas de maltrato ou negligência nas mãos de terceiros.

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Cabe, no entanto, enfatizar que o que indica um provável caso de abuso é o padrão, constituído de vários sinais ou de um conjunto de sinais físicos, emocionais e comportamentais e sua freqüência repetitiva e não um desses fatores isolados.

Sinais de Abuso Físico: Sinais freqüentes de ferimentos, tais como marcas de mordidas, manchas roxas em braços e pernas ou tronco, lacerações, hematomas na face e têmporas ou “galos” na cabeça, marcas de unhas e arranhões diversos, marcas de queimaduras e fraturas, cortes e luxações freqüentes.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Crianças fisicamente abusadas em idade escolar evitam contato físico com outros, vestem
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Crianças fisicamente abusadas em idade escolar evitam contato físico com outros, vestem roupas que escondam marcas de agressão (calças compridas e camisas de mangas longas mesmo no verão), dão explicações pouco convincentes e muitas vezes contraditórias para as causas de seus ferimentos, chegam cedo na escola e protelam ao máximo a hora de voltar para casa. Muitas demonstram dificuldades de relacionamento com outras crianças, ficam alarmadas quando ouvem outra criança chorar, demonstram sentir dor quando se movimentam ou quando alguém as toca, reagem defensivamente quando acidentalmente esbarram nela, mudam repentinamente de padrão de comportamento em classe (queda do desempenho escolar, tornam-se distraídas e incapazes de se concentrar), tornando-se agressivas e rebeldes ou retraídas e apáticas; demonstram retraimento e temor na presença de um dos familiares ou adultos responsáveis e podem também ter um histórico de fugir de casa.

 
Algumas características indicativas de pais ou familiares potencialmente abusivos são: relações pessoais e conjugais problemáticas, dificuldades

Algumas características indicativas de pais ou familiares potencialmente abusivos são: relações pessoais e conjugais problemáticas, dificuldades econômicas ou desemprego prolongado de um dos progenitores, fanáticos religiosos ou moralistas rígidos, baixa tolerância a frustrações, são facilmente irritáveis, descrevem a criança a médicos, professores, parentes ou conhecidos como uma pessoa ruim, problemática ou de má índole que só lhes causa problemas, muitos são anti-sociais ou desconfiados ou demonstram temer outras pessoas.

Algumas características indicativas de pais ou familiares potencialmente abusivos são: relações pessoais e conjugais problemáticas, dificuldades

Podem ainda, em contraste, ser muito sociáveis e manter uma intensa atividade social, evitando ao máximo o contato com a criança, excluindo-a sempre que possível de seus momentos de lazer, decrevendo a si mesmos como pais dedicados e “vítimas” dos filhos ou de uma das crianças em particular, ter um histórico de violência familiar ou alcoolismo ou drogas, dar explicações evasivas para os ferimentos da criança, levando-a a um hospital ou médico diferente a cada novo “acidente”.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Sinais de Abuso Sexual: O abuso sexual de crianças é uma agressão
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Sinais de Abuso Sexual: O abuso sexual de crianças é uma agressão hedionda mas nem por isso pouco comum. O Children´s Hospital de Washington, D.C., registra que 10% dos casos atendidos de abuso sexual ocorrem com crianças em idade pré-escolar e outros estudos revelam que em 35% dos casos o molestador é um familiar, com 50% dos casos ocorrendo ou na casa da criança ou na do ofensor (2, 3, 4).

 

A UNICEF estima que no Brasil entre 100.000 e 500.000 crianças são atualmente exploradas por adultos no mercado de prostituição do menor. Cabe ao pediatra, assistente social, professor e familiares estarem atentos ao padrão de sinais indicativos de provável abuso sexual de crianças.

Sinais de abuso sexual em crianças pequenas: podem apresentar dificuldade de andar ou sentar devido à dor; calcinhas ou cuecas podem estar manchadas com sangue ou outros fluidos; podem reclamar de dor

ou coceira na região genital; estarem infectadas com doenças sexualmente transmissíveis.

ou coceira na região genital; estarem infectadas com doenças sexualmente transmissíveis.

ou coceira na região genital; estarem infectadas com doenças sexualmente transmissíveis.

Entre os indicadores comportamentais, a criança pequena vítima de abuso sexual pode repentinamente passar a relutar em ficar na companhia de uma determinada pessoa, evitar contato físico com outras pessoas – evitando ser abraçada, beijada ou colocada no colo – mostrar-se temerosa e extremamente apegada a alguém com quem se sinta segura, apresentar distúrbios do sono, tais como insônia, medo de dormir sozinha, enurese noturna freqüente (urina na cama), pesadelos recorrentes e aterrorizantes. Ela pode também repentinamente passar a ter um comportamento sexualizado, desenvolvendo um interesse por seus órgãos genitais que não é próprio de sua idade e maturidade biológica ou passar a utilizar termos sexuais e novos nomes para partes de seu corpo.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Crianças pequenas (3 a 6 anos de idade) podem ainda subitamente passar
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Crianças pequenas (3 a 6 anos de idade) podem ainda subitamente passar a masturbar-se abertamente ou simular atos sexuais com outros irmãos ou amigos. Algumas crianças abusadas, dessa faixa etária, passam a agarrar a genitália de adultos ou os seios e tentar beijar na boca outros adultos ou crianças.

 

Crianças em idade escolar podem apresentar uma súbita queda em seu desempenho e desenvolver distúrbios de atenção, hiperatividade, ou passar a buscar contatos sexuais com outras crianças. Crianças sexualmente abusadas não têm a capacidade de distinguir entre relacionamentos não sexualizados e relacionamentos em que o sexo é um componente natural e passam a introduzir o elemento sexual em todos os seus relacionamentos. Embora a maioria das crianças sexualmente abusadas não mencione o fato, algumas reportam o abuso e, neste caso, devem ser levadas a sério e encaminhadas ao pediatra e psicólogo para avaliação.

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Outros indicadores de um possível abuso sexual dizem respeito a atitudes de pais ou guardiães, tais como uma atitude superprotetora, possessiva e ciumenta em relação a uma determinada criança, histórico de alcoolismo ou uso de drogas, hábito de trancar-se com a criança a sós em aposentos por longos horas, ou de expor a criança a material pornográfico, vestir a criança com roupas eróticas, falar abertamente de suas façanhas sexuais para a criança ou na presença dela, encorajá-la a participar de atos promíscuos ou incentivá-la a prostituir-se.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Durante a adolescência e idade adulta, algumas vítimas de abuso sexual na
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Durante a adolescência e idade adulta, algumas vítimas de abuso sexual na infância apresentam distúrbios em sua sexualidade, tais como aversão a sexo, nojo, incapacidade de ter orgasmo, dor durante o ato sexual; enquanto outras podem desenvolver, já na pré-adolescência, uma tendência à promiscuidade, com grande risco de gravidez na adolescência.

 

Sinais de Negligência: Os indicadores de negligência podem ser de ordem física (higiene, sinais de desnutrição, condições de saúde), ou de ordem emocional e variam entre crianças em idade pré-escolar e em idade escolar.

  • - Higiene (em qualquer idade): pele suja, mau cheiro, cabelos ensebados, despenteados e embaraçados, unhas sujas e compridas, roupas sujas.

- Saúde : sonolência constante, falta de vitalidade, cansa-se facilmente,
  • - Saúde: sonolência constante, falta de vitalidade, cansa-se facilmente,

- Saúde : sonolência constante, falta de vitalidade, cansa-se facilmente,

bolsas sob os olhos, resfriados constantes, assaduras ou erupções de

pele, coceiras, diarréia freqüente, arranhões ou cortes freqüentemente infeccionados.

  • - Desnutrição: pede ou rouba alimentos com freqüência, está sempre

faminta, coleta restos de lanche deixados por outras crianças, engole avidamente alimentos quase sem mastigar; em vez de lanche, leva para a escola dinheiro e gasta tudo com guloseimas, podendo ser obesa devido a desordens nutricionais e alimentares.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual - Situações na escola : vai para a escola em jejum, não
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- Situações na escola: vai para a escola em jejum, não tem lanche nem dinheiro, adormece na classe, não faz as lições de casa, destrói o material escolar e os brinquedos, quebra objetos e destrói propriedade escolar, falta muito às aulas ou chega atrasada, é agressiva com os colegas, perturba a aula, mostra desinteresse pelo que é ensinado, tem problemas de atenção, podendo ser apática ou hiperativa.

 

- Indicadores de negligência em bebês e crianças pré-escolares: baixa resposta a estímulos, quase não sorri, não demonstra curiosidade, chora com freqüência, bate a cabeça repetidamente contra a parede ou móveis, balança o tronco repetitivamente, chupa o cabelo ou o dedo, torna-se agitada sem razão aparente e permanece apática por longos períodos.

Alguns indicadores de pais negligentes são: não cumprem o que prometem, não seguem as recomendações recebidas de orientadores

educacionais ou do médico, faltam às entrevistas, compromissos e reuniões, negam que a criança esteja com

educacionais ou do médico, faltam às entrevistas, compromissos e reuniões, negam que a criança esteja com problemas quando alertados, recusam ajuda da escola ou de outras fontes, usam drogas ou bebem, vida familiar desorganizada ou caótica, histórico de terem sido abusados ou negligenciados na infância, sofrem de depressão ou de uma doença crônica, têm pouco contato com outros familiares, deixam a criança só e sem supervisão por longas horas do dia.

educacionais ou do médico, faltam às entrevistas, compromissos e reuniões, negam que a criança esteja com

Sinais de Abuso Emocional: Crianças emocionalmente abusadas apresentam uma variedade de transtornos comportamentais e distúrbios emocionais.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Quando o abuso tem início na primeira infância, podem apresentar uma síndrome
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Quando o abuso tem início na primeira infância, podem apresentar uma síndrome de enurese noturna até os 5, 6 ou 7 anos de idade, além de dificuldade para dormir, insônia, pesadelos recorrentes, roem unhas, chupam dedos, podem apresentar distúrbios da fala (gaguejar quando intimidada, por exemplo), demonstrar fobias, compulsões e obsessões e ter ataques súbitos de raiva ou choro histérico.

 

A partir dos cinco ou seis anos, a criança pode começar a expressar opiniões negativas sobre si mesma, tornar-se muito ansiosa por agradar outras crianças e/ou adultos e obter aprovação. Pode ainda tornar-se tímida, passiva, deprimida e alienada, com tendência a isolar-se ou a permanecer longe da pessoa abusiva o maior tempo possível. Outras crianças podem ainda tornar-se altamente reativas e agressivas ao menor sinal de ameaça, desenvolver comportamento depressivo e auto-destrutivo e até mesmo nutrir idéias de suícido. Algumas crianças emocionalmente abusadas

pensam e falam constantemente na morte e fazem inúmeros planos de suícidio.

pensam e falam constantemente na morte e fazem inúmeros planos de suícidio.

pensam e falam constantemente na morte e fazem inúmeros planos de suícidio.

Estudos americanos demonstram que pelo menos 17% de menores de idade que idealizam o suicídio tentam se matar. Outras crianças idealizam matar o progenitor abusivo ou a família inteira e o número anual crescente de assassinatos de pais e familares cometidos por crianças entre 8 e 16 anos de idade nos Estados Unidos demonstra a realidade do problema da idealização – principalmente em uma sociedade onde o porte de armas é livre e praticamente toda casa tem pelo menos uma arma de fogo.

Adultos abusivos culpam sempre a criança e colocam-se na posição de vítimas bem intencionadas da “índole malévola” do filho.

 

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Depreciam ou ridicularizam a criança na presença de outras pessoas ou para os outros filhos, são manipuladores, frios e distantes, são rápidos em criticar e fazer julgamentos negativos, rejeitam a criança por palavras e atitudes, demonstram indiferença aos problemas da criança ou ao seu bem estar, aceitam com relutância demonstrações de afeto por parte da criança, mostram abertamente preferências quando existe mais de um filho na família, geralmente comparando-os e estimulando a rivalidade entre eles. Mães abusivas com um casal de filhos, com freqüência têm como alvo do abuso a menina enquanto superprotegem o menino, aliciando-o como cúmplice do abuso.

 

Pais abusivos podem fazer o inverso; mas em algumas famílias com vários filhos e de estrutura patriarcal, o pai abusivo (principalmente quando é o único provedor) com freqüência deprecia e agride emocionalmente as filhas e super favorece os filhos.

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Impacto Geral do Maltrato no Psicossoma da Criança: Nos últimos trinta anos, tem ocorrido um aumento exponencial de estudos científicos realizados por médicos neurologistas e psiquiatras sobre as conseqüências do maltrato infantil no desenvolvimento psico-emocional e neuroendócrino de crianças. Alguns desses estudos também compararam os padrões neuroendócrinos de crianças bem amadas com os de vítimas de abuso, ou ainda, as imagens tomográficas e de técnicas funcionais de imagens dos cérebros desses dois tipos de indivíduos, com o intuito de identificar o impacto do abuso no desenvolvimento estrutural e fisiologia cerebral da criança agredida e compará-lo ao desenvolvimento cerebral da criança normal. O mesmo tem sido feito em estudos com adultos sobreviventes ao abuso na infância e adultos não abusados.

 

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Mais adiante, trataremos desse tema em detalhes, bem como dos modelos de terapias hoje existentes para crianças abusadas. Antes porém, é preciso ter em mente que ninguém sai ileso desse tipo de agressão durante a infância e algumas desordens psiquiátricas e distúrbios de personalidade estão hoje associados de forma consistente a indivíduos sobreviventes ao abuso, embora nem todos os portadores desses mesmos distúrbios pertençam necessariamente a esse grupo. Algumas desordens neuropsiquiátricas encontradas em crianças abusadas e sobreviventes do abuso na infância são: Desordem de Síndrome do Stress Pós-Traumático, Distimia, Depressão Maior, Desordem de Múltipla Personalidade, Desordens Dissociativas, Ansiedade Generalizada e Desordem de Personalidade Extrema (Borderline Personality Disorder).

 

Embora diversos fatores compensatórios possam atenuar os efeitos destrutivos do abuso, como exposto no capítulo anterior, quebrando

assim o ciclo de perpetuação do abuso de uma geração à seguinte – ou libertando suas

assim o ciclo de perpetuação do abuso de uma geração à seguinte – ou libertando suas vítimas de padrões auto-destrutivos e permitindo que muitos indivíduos sobreviventes ao abuso tenham uma vida satisfatória em sua fase adulta – tudo indica que um número aparentemente alto de vítimas de abuso e negligência não tem a mesma sorte.

assim o ciclo de perpetuação do abuso de uma geração à seguinte – ou libertando suas

Populações carcerárias apresentam uma alta taxa de indivíduos com histórico de abuso e negligência na infância e posterior envolvimento com drogas ou autoria de crimes violentos.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual No Brasil existe uma percepção enviezada dos problemas da violência social e
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No Brasil existe uma percepção enviezada dos problemas da violência social e maltrato/negligência da criança, atribuídos diretamente ao “terceiromundismo” - pobreza e falta de instrução da população – mas sem levar muitas vezes em conta uma gama de outros fatores culturais, também determinantes, como o tipo de valores sócio-culturais que a população assimila através da mídia televisiva, a cultura da paternidade irresponsável e impune que permeia vários estratos sociais, a prática de institucionalização de menores não infratores junto com menores infratores, etc.

 

No entanto, países ricos também apresentam um alto índice de violência contra a criança, com os Estados Unidos e Portugal encabeçando a lista.

Um estudo da UNICEF de 2003 mostrou que no mínimo 3.800 crianças morrem anualmente em decorrência do maltrato físico por parte de pais em nações desenvolvidas do Ocidente. Segundo esse estudo, realizado em

27 nações desenvolvidas, entre os países com menor índice de casos de
  • 27 nações desenvolvidas, entre os países com menor índice de casos de

27 nações desenvolvidas, entre os países com menor índice de casos de

abuso infantil (e morte por abuso) estão a Espanha, Grécia, Itália, Irlanda

e Noruega; com França, Bélgica, República Tcheca e Nova Zelândia apresentando índices 4 a 6 vezes mais altos que os primeiros. O estudo identificou como campeões em índice de abuso contra a criança e morte em decorrência de abuso os Estados Unidos e Portugal, com índices entre

  • 10 e 15 vezes maiores do que os da França, Bélgica, República Tcheca e

N. Zelândia (6). Em 1995, outro documento da UNICEF (7) relatava que

aproximadamente 300.000 menores estavam envolvidos em prostituição nos Estados Unidos. Dados como esse indicam que abuso e negligência não são um produto direto da pobreza, mas implica a existência (ou ausência) de outros valores sócio-culturais que facilitam a violência contra a criança.

 

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Pesquisas da UNICEF também indicam que em países onde as atitudes e valores sociais e tradições culturais facilitam o abuso, a criança está desprotegida; em contraste com sociedades que condenam quaisquer formas de violência contra a criança como tabus e nas quais os direitos da criança são amplamente respeitados por costume e tradição (8).

 

Segundo os indigenistas Orlando e Cláudio Villas Boas, em relato pessoal à autora há alguns anos, em tribos indígenas brasileiras de cultura pura (i.e., não influenciadas pela civilização), tais tabus protetores da criança existem e são amplamente praticados. Mas quando tais valores são perdidos através da “civilização” do índio, a violência doméstica se instala, juntamente com o alcoolismo, a prostituição e a favelização dessas populações.

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PANDORA - Conteúdo Virtual REFERÊNCIAS 1. Perry, M. A., Doran, L. D., & Wells, E. A.
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REFERÊNCIAS

  • 1. Perry, M. A., Doran, L. D., & Wells, E. A. (1983). Developmental and behavioral

 

characteristics of the physically abused child. Journal of Clinical Child Psychology,

 

12(3), 320-324

  • 2. Children´s Bureau, Administration for Children and Families. U.S. Department of

 

Health and human Services. National Clearinghouse on Child Abuse and Neglect Information. Dec. 2003.

  • 3. Children´s Hospital, Washington, D.C.

 
  • 4. King County Rape Relief, Washington, USA

  • 5. Consequences of Child Maltreatment.

http://www.hc-sc.gc.ca/hppb/familyviolence/html/nfntsconsequencevio_e.html

 
  • 6. Marta Santos Pais and Paolo Pinheiro. First Comparative Analisys of Child

Maltreatment in Rich Nations. UNICEF Innocenti Report Card. Innocenti Research

 
 
Centre, Florence, Italy (Sep. 2003). http://www.unicef-icdc.org/presscentre/indexNewsroom.html

Centre, Florence, Italy (Sep. 2003). http://www.unicef-icdc.org/presscentre/indexNewsroom.html

 

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  • 7. Breaking the walls of silence: a UNICEF background paper on sexual exploitation

 
of children. July 1994 http://www.unicef.org/pon95/chil0015.html

of children. July 1994 http://www.unicef.org/pon95/chil0015.html

 
of children. July 1994 http://www.unicef.org/pon95/chil0015.html
  • 8. Child Protection. Eight elements of a protective environment.

 

http://www.unicef.org/protection/index_environment.html

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Ao procurarmos por soluções para as pragas da violência em nossa sociedade,
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Ao procurarmos por soluções para as pragas da violência em nossa sociedade, é imperativo que se evite o Falso Deus das Soluções Simples. A neurobiologia de comportamentos heterogêneos e complexos é complexa e heterogênea.

 

Bruce D. Perry, M.D., Ph.D.

 

Para entendermos em sua amplitude as conseqüências do abuso e negligência da criança na vida do indivíduo e seu impacto no tecido social, precisamos primeiramente compreender como se desenvolve o cérebro da criança durante a infância, a partir do nascimento.

 
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Ao nascermos, nosso cérebro contém aproximadamente 100 bilhões de células nervosas chamadas neurônios e representa cerca de 10% do peso corporal total do recém- nascido. Por exemplo, o peso do cérebro de um bebê pesando 3 kg ao nascer é de cerca de 300g, continuando a aumentar até atingir o tamanho que terá quando adulto, em algum momento entre os seis e os 14 anos de idade (90% aos três anos, 95% aos seis e 100% na adolescência) (20-23). No adulto, o peso do cérebro é de 1,3 kg a 1,4 kg e corresponde a cerca de 2% do peso corporal. O crescimento da massa cerebral após o nascimento deve-se principalmente a dois fatores: o aumento no tamanho dos neurônios e o aumento no número de células gliais que ajudam na formação de conexões entre os neurônios, entre outras funções (1).

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual A transmissão de informação entre neurônios é denominada sinapse e acontece em
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A transmissão de informação entre neurônios é denominada sinapse e acontece em espaços especializados das células nervosas onde ocorre a transferência de moléculas químicas produzidas pelo organismo, denominadas genericamente “mensageiros químicos”, de um neurônio para o outro. Existem três tipos de mensageiros químicos que mediam sinapses no sistema nervoso central: hormônios, neuropeptídeos e neurotransmissores.

 

A partir do nascimento, nos primeiros meses de vida, as sinapses ou conexões entre neurônios são formadas a uma taxa muito elevada e estruturam diversos circuitos neuronais de transmissão de informação, especializados para processar diferentes percepções e sensações. A espessura e quantidade de células nervosas recrutadas na formação e organização de cada um desses circuitos ou sistemas neurais varia entre os indivíduos e depende da repetição da experiência que aquele circuito

processa.

processa.

processa.

Entre o sexto e o décimo-segundo mês de vida, a quantidade de circuitos sinápticos atinge o seu máximo, quando então ocorre um decréscimo seletivo, com a perda das sinapses não utilizadas com freqüência e a retenção daquelas freqüentemente estimuladas. A quantidade e tipo de circuitos sinápticos que se formam em decorrência dessa interação sensorial com pessoas e estímulos exteriores no primeiro ano de vida são essenciais para as etapas seguintes do desenvolvimento – embora o cérebro seja um órgão muito plástico e capaz de se adaptar e aprender ao longo de toda a vida.

O desenvolvimento cerebral, a partir do nascimento, se dá de forma hierárquica, a partir das estruturas mais interiores para as mais exteriores.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual A repetição de um dado estímulo – por ex., a visão do
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A repetição de um dado estímulo – por ex., a visão do rosto da mãe - forma um circuito sináptico específico e exclusivo para o reconhecimento do rosto materno o qual é reforçado todas as vezes que o bebê vê a mãe. Esse padrão sináptico será mantido através da repetição, sendo portanto dependente-de-uso. O mesmo vale para todos os demais estímulos que se repetem, de forma que o cérebro forma conexões neuronais específicas e estabelece padrões de funcionamento através das experiências que colhe do ambiente nos primeiros meses e anos de vida.

 

Os sistemas neuronais são específicos a cada tipo de estímulo ou experiência e mediados por neurotransmissores também especializados, que se organizam como padrões neuroquímicos no processamento das informações de cada sistema neuronal. A natureza da experiência (agradável, confortável, desagradável, assustadora, frustrante, neutra, etc) e seu grau de repetição, determinará diferentes densidades de receptores

para diferentes neurotransmissores nas células que se interconectam em cada sistema neural.

para diferentes neurotransmissores nas células que se interconectam em cada sistema neural.

para diferentes neurotransmissores nas células que se interconectam em cada sistema neural.

Por exemplo, sistema neural de vínculo emocional com a mãe, sistema neural de processamento de sensações de prazer, etc. Cada vez que uma dada experiência de prazer ativa um dado sistema, suas sinapses recebem sinais químicos que induzem a síntese e a oferta de neurotransmissores que processam sensações de prazer nos intervalos sinápticos entre as células nervosas daquele sistema, reforçando aquelas conexões neurais e fortalecendo a “memória neuroquímica” de prazer associada àquele tipo de experiência (por ex., o cheiro da mãe amorosa, sua voz, seu rosto, a temperatura de seu corpo, o sabor do leite – enfim, experiências que constroem o vínculo com a mãe). Desta forma, tanto a quantidade quanto a qualidade dos estímulos a que se é exposto desde o nascimento irão determinar o modo básico de funcionamento do cérebro de cada indivíduo.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Estou me referindo aqui aos estímulos necessários à formação daqueles sistemas neuronais
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Estou me referindo aqui aos estímulos necessários à formação daqueles sistemas neuronais essenciais para o desenvolvimento natural do cérebro (vínculos emocionais sadios com a mãe, sensação de segurança e conforto do bebê, estímulos sensoriais adequados ao desenvolvimento

 

de sistemas neurais de interação e comunicação com o meio do qual ele depende, etc) – e não à estimulação forçada e artificial que esteve muito em voga há alguns anos, visando “programar” o cérebro da criança para fazer dela um gênio. O bom atendimento das necessidades físicas e emocionais da criança em seu primeiro ano de vida lançarão as bases neuronais para o desenvolvimento de sua estrutura psico-social e forma de expressão comportamental.

O Cérebro e Suas Estruturas Funcionais

 
Sistema Nervoso Central (SNC) - É composto pelo cérebro e pela medula espinhal. A medula espinhal

Sistema Nervoso Central (SNC) - É composto pelo cérebro e pela medula espinhal. A medula espinhal envia ao cérebro sensações colhidas em órgão internos e os estímulos sensoriais e motores recebidos pela pele, musculatura, braços, pernas, etc, que são enviados pelo sistema nervoso periférico ao cérebro.

Sistema Nervoso Central (SNC) - É composto pelo cérebro e pela medula espinhal. A medula espinhal

O cérebro é um órgão complexo, composto de diversas estruturas com funções especializadas que controlam tanto as atividades orgânicas essenciais para a manutenção da vida (respiração, temperatura corporal, funções endócrinas, digestão, reflexos, circulação sanguínea, etc) quanto as responsáveis pelo processamento de percepções e sensações colhidas do ambiente à nossa volta.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual É também responsável pelas diferentes emoções (medo, prazer, amor, raiva, alegria, tristeza),
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É também responsável pelas diferentes emoções (medo, prazer, amor, raiva, alegria, tristeza), recebendo e interpretando sinais internos enviados tanto pelo próprio corpo quanto os colhidos no ambiente através da visão, audição, tato, degustação e olfato.

 

O cérebro é composto por estruturas maiores que se repetem de forma simétrica nos dois hemisférios – direito e esquerdo – os quais são interconectados por um feixe de fibras nervosas denominado corpo caloso. Diversas estruturas funcionalmente especializadas do cérebro estão contidas nessas estruturas maiores, a saber:

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PANDORA - Conteúdo Virtual 1) Tronco cerebral - constituído pelo Mesencéfalo, Bulbo Raqueano, Ponte de Varólio
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PANDORA - Conteúdo Virtual 1) Tronco cerebral - constituído pelo Mesencéfalo, Bulbo Raqueano, Ponte de Varólio

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1) Tronco cerebral - constituído pelo Mesencéfalo, Bulbo Raqueano, Ponte de Varólio (ou protuberância anular) e Cerebelo:

 

a) Mesencéfalo ou cérebro médio - recebe informação visual e auditiva e retransmite impulsos para o córtex e aqueles recebidos do córtex para outras áreas.

b) Bulbo Raqueano - é uma extensão da medula espinhal e intermedia informações entre o cérebro e o sistema nervoso periférico, possuindo centros para a regulação do batimento cardíaco, constrição vascular e função respiratória.

c) Ponte de Varólio - contém 4 dos 12 pares de nervos cranianos: Quinto par, nervos trigêmeos (3 ramificações: oftálmica, maxilar, mandibular), Sexto par, nervos abducentes (movimentação ocular), Sétimo par, nervos

faciais, e Oitavo par, nervos vestíbulo-cocleares (nervos do ouvido interno que controlam a audição e o

faciais, e Oitavo par, nervos vestíbulo-cocleares (nervos do ouvido interno que controlam a audição e o equilíbrio corporal)

faciais, e Oitavo par, nervos vestíbulo-cocleares (nervos do ouvido interno que controlam a audição e o

d) Cerebelo ou pequeno cérebro - coordena movimentos corporais, coordenação motora e controla o equilíbrio. Pesquisas recentes demonstram que o cerebelo está também envolvido na coordenação e organização de vários processos cognitivos e racionais (18,19).

2) Cérebro Anterior ou Prosencéfalo - é composto pelo Diencéfalo e o Córtex:

a) Diencéfalo - contém uma série de estruturas funcionais: tálamo, metatálamo, epitálamo, hipotálamo e partes do terceiro ventrículo.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual b) Córtex (ou massa cinzenta) - é a maior estrutura do cérebro
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b) Córtex (ou massa cinzenta) - é a maior estrutura do cérebro humano
e dos mamíferos superiores e subdivide-se em diversas áreas funcionais
especializadas e interconectadas entre si e com outras estruturas do
cérebro no tronco cerebral. O córtex de cada um dos hemisférios se
subdivide em: lobo frontal, lobo parietal, lobo occiptal e lobo temporal.
Para o assunto central desta obra, é importante familiarizar o leitor
com algumas estruturas e sistemas funcionais que dizem respeito ao
desenvolvimento dos padrões neuroendócrinos que determinam o modo
de perceber e reagir ao ambiente externo, modelando padrões emocionais,
comportamentais e cognitivos do indivíduo, a partir da exposição a
experiências. Essas estruturas são:
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PANDORA - Conteúdo Virtual 1) O Sistema Límbico integra as atividades de partes do tálamo, hipotálamo,
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1) O Sistema Límbico integra as atividades de partes do tálamo, hipotálamo, cerebelo, mesencéfalo e regiões corticais, envolvendo um conjunto de subestruturas interdependentes, tais como a amígdala (cerebral), córtex cingulado anterior (ou giro cingulado), hipocampo, septo (ou istmo) e núcleos da base (ou ganglios da base). O sistema límbico se conecta com outras áreas do cérebro e regula emoções, memórias, processando ainda aspectos da comunicação e comportamento sócio-emocional.

 

2) O tálamo ou corpo talâmico é composto por duas pequenas estruturas gêmeas, que integram e organizam estímulos sensoriais, antes de enviá- los para a amígdala, regiões do córtex cerebral e outras regiões do sistema límbico que continuarão a processar os sinais enviados pelo tálamo. Desencadeia as reações neuro-endócrinas de prontidão lutar-ou-fugir, que são cruciais para a sobrevivência animal (e humana).

3) O córtex cerebral é subdivido em 47 áreas, de acordo com as funções em que

3) O córtex cerebral é subdivido em 47 áreas, de acordo com as funções em que cada área cortical está envolvida, tais como motora (movimento voluntário), linguagem, visão, audição, olfato, percepção somatosensorial, reação comportamental, etc.

3) O córtex cerebral é subdivido em 47 áreas, de acordo com as funções em que

O córtex cerebral também integra as funções mentais superiores, tais como pensamento abstrato, juízos de valor (valores morais e éticos, avaliação custo versus benefício), resolução de problemas, planejamento e atividades conscientes.

4) O cerebelo (i.e., pequeno cérebro) se localiza na parte posterior da fossa craniana, atrás do bulbo cerebral. É composto de dois hemisférios laterais com uma estrutura denominada vermis no meio delas. O cerebelo se liga ao cérebro por meio de três pares de pedúnculos.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Controla a coordenação de movimentos voluntários, aprendizado motor e memória de funções
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Controla a coordenação de movimentos voluntários, aprendizado motor e memória de funções motora-vestibulares.

 

5) O hipotálamo compreende vários núcleos que controlam e integram funções do sistema nervoso autônomo (i.e., funções vegetativas), como processos endócrinos (i.e., produção de hormônios) e diversas funções somáticas tais como fome, sede, sono, temperatura corporal. Localiza-se na base do diencéfalo e está conectado à glândula hipófise, a qual interage com todas as demais glândulas do organismo. O hipotálamo é portanto uma parte importante do sistema hipotalâmico-hipofisário-adrenal (HHA) que regula a resposta ao stress.

6) O hipocampo é responsável pela formação de memórias de longa duração e permite a comparação de situações presentes com experiências semelhantes do passado, dessa forma sendo crucial na tomada de decisões

e para o processo de aprendizado tanto no homem como em animais.

e para o processo de aprendizado tanto no homem como em animais.

 
e para o processo de aprendizado tanto no homem como em animais.

7) A amígdala possui o formato de uma amêndoa e se localiza próxima ao hipocampo na região antero-inferior de ambos os lobos temporais. Está envolvida na transmissão de estímulos recebidos do tálamo tanto para o hipocampo quanto para outras regiões (áreas corticais e núcleo septal), possuindo um papel importante no processamento e controle de emoções, tais como, a formação de vínculos afetivos (amor, amizade, memória emocional) bem como raiva, medo e mecanismos de luta-ou- fuga decorrentes do reconhecimento de perigo ou ameaça.

8) O corpo caloso é uma massa de fibras nervosas localizada na parte inferior da fissura que separa os dois hemisférios.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual O Corpo caloso é a estrutura que interconecta ambos os hemisférios e
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O Corpo caloso é a estrutura que interconecta ambos os hemisférios e integra as percepções e funções de ambos, proporcionando uma representação integrada das experiências, estímulos e processos cognitivos. Quando esta estrutura é pouco espessa ou se encontra comprometida, não ocorre essa integração, como demonstram testes realizados com pacientes de epilepsia que tiveram essas conexões do corpo caloso cirurgicamente removidas (2).

 

Mensageiros Químicos do SNC - Outro conceito importante para o entendimento da influência do meio ambiente no estabelecimento de padrões neuroendócrinos do cérebro é o de neurotransmissores, hormônios e neuropeptídeos que também atuam em receptores especializados, localizados nos intervalos sinápticos nas células nervosas. Receptores são complexos protéicos que funcionam como “fechaduras”, só aceitando moléculas cuja conformação se encaixe naquele receptor

específico, mais ou menos como uma chave.

específico, mais ou menos como uma chave.

 
específico, mais ou menos como uma chave.

Diversos tipos de hormônios e neurotransmissores participam da transferência de mensagens (informações) entre células nervosas, formando vias sinápticas específicas – algumas delas percorrendo grandes distâncias dentro do organismo. Alguns neurotransmissores e seus receptores são especializados no processamento de sensações de dor, outros de prazer, ou de saciedade, medo, alegria, tristeza, disposição física, fadiga, sono, reações de luta-ou-fuga, etc. Cada emoção e cada sensação utiliza um mensageiro químico específico que é oferecido a receptores específicos, distribuídos em quantidades variadas nos intervalos sinápticos, para processamento de informação nas diversas vias sinápticas.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Diversos tipos de hormônios e neurotransmissores participam da transferência de mensagens (sensações)
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Diversos tipos de hormônios e neurotransmissores participam da transferência de mensagens (sensações) entre células nervosas, formando vias sinápticas específicas. Um neurônio ativado libera mensageiros químicos nos receptores do neurônio seguinte, que por sua vez é ativado e retransmite a informação para o próximo neurônio, até que a sensação chegue a centros especializados do cérebro para processamento e ativação de respostas regulatórias diversas. Vamos descrever brevemente alguns desses mensageiros químicos (3,4):

 

Serotonina: a partir do triptofano presente na dieta, a serotonina é produzida nos núcleos rafe do bulbo cerebral, sendo uma reguladora de humor, a partir da qual a glândula pineal também sintetiza o hormônio do sono, ou melatonina. Níveis normais de serotonina e a existência de níveis normais de receptores para serotonina no cérebro são essenciais tanto para o equilíbrio e bem estar emocional do indivíduo, como para a manutenção

de padrões normais de sono. A deficiência desse neurotransmissor, ou a insuficiência de receptores para serotonina

de padrões normais de sono. A deficiência desse neurotransmissor, ou a insuficiência de receptores para serotonina nas sinapses, ou ainda, a sua rápida remoção do intervalo sináptico por enzimas, causa irritabilidade, tristeza, intolerância a ruídos, insônia. Desequilíbrios nas vias sinápticas de serotonina causam uma alteração em cascata sobre as vias metabólicas de outros neurotransmissores e hormônios e podem induzir depressão severa e até mesmo suicídio ou homicídio.

de padrões normais de sono. A deficiência desse neurotransmissor, ou a insuficiência de receptores para serotonina

Dopamina: atua nos centros cerebrais que processam sensações de gratificação, prazer, sentimentos maternais ou paternais (lobo frontal e no sistema límbico), senso de humor. Dopamina também atua regulando a atividade e o relaxamento neuromuscular; e sua deficiência leva ao enrigecimento muscular e tremores. A doença de Parkinson é causada por deficiências nas vias metabólicas da dopamina.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Norepinefrina: a dopamina é também utilizada pela glândula supra- renal na síntese
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Norepinefrina: a dopamina é também utilizada pela glândula supra- renal na síntese de norepinefrina e adrenalina. A norepinefrina é um neurotransmissor responsável por sensações de energia, motivação e disposição física, através da ativação do metabolismo basal e aumento de oferta de glicose no cérebro e de energia à musculatura. A adrenalina é um hormônio recrutado em situações em que o indivíduo se sente ameaçado ou em perigo, pois participa da mobilização do impulso de lutar-ou-fugir – além de possuir outras funções estimulatórias essenciais na fisiologia de vários tecidos e órgãos.

 

Serotonina, dopamina e norepinefrina pertencem a um grupo de moléculas denominadas monoaminas. A quantidade e tempo de permanência desses neurotransmissores no intervalo sináptico são regulados por uma família de enzimas denominadas MAO (monoamina oxidase). Síntese excessiva ou deficiente de MAO induz desequilíbrio nos níveis

de monoaminas, podendo causar episódios de ansiedade paroxística ou crônica, depressão, comportamento violento, ou surtos psicóticos.

de monoaminas, podendo causar episódios de ansiedade paroxística ou crônica, depressão, comportamento violento, ou surtos psicóticos.

de monoaminas, podendo causar episódios de ansiedade paroxística ou crônica, depressão, comportamento violento, ou surtos psicóticos.

GABA (gamma butyric acid ou ácido gamabutírico): é um neurotransmissor encontrado em altas concentrações nos cérebros de pessoas saudáveis, correspondendo a 40% dos níveis totais de neurotransmissores. GABA é essencial para a habilidade de lidar com situações de stress, desafios, resolver problemas e administrar conflitos. Sua deficiência leva à ansiedade, ataques de pânico, fobias, tremores, espasmos e até convulsões, pois GABA é um regulador dos níveis de excitabilidade neurológica.

Alterações dos níveis de GABA ou de seus receptores devido à exposição prolongada a situações de stress (ameaças, insegurança emocional) ou ao stress intenso (perigo à vida, vítimas de seqüestro, violência, acidentes quase fatais – com ou sem morte de outras pessoas) é um dos fatores importantes no desenvolvimento da síndrome do stress pós-traumático.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Acetilcolina: promove a habilidade de prestar atenção, concentrar-se em tarefas, regulando também
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Acetilcolina: promove a habilidade de prestar atenção, concentrar-se em tarefas, regulando também uma das fases da formação de memórias. Sua deficiência está associada a diversos distúrbios cognitivos e de atenção.

 

Neuropeptídeos: alguns aminoácidos (i.e., unidades estruturais que compõem as diferentes proteínas), tais como glutamato, triptofano, serina, inositol, fenilalanina, tirosina, treonina, aspartato, arginina, etc, participam de diferentes estágios da neuroquímica do sistema nervoso, atuando como neuropeptídeos que modulam a atividade de neurotransmissores – ou mesmo como neurotransmissores.

O glutamato e o aspartato, por exemplo, têm um papel importante na ativação do processo conhecido como Potenciação de Longa Duração (PLD) que é responsável pela formação da memória. PLD foi primeiramente descoberto no hipocampo e posteriormente observado no

tálamo e amígdala (5).

tálamo e amígdala (5).

 
tálamo e amígdala (5).

Hormônios: a glândula supra renal também produz cortisona em resposta a estímulos da hipófise, além de hormônios androgênios precursores de testosterona e estrogênio, os quais também atuam no cérebro e influenciam estados emocionais, comportamentais e físicos. A compreensão da interação entre neurotransmissores e hormônios, levou à criação de um novo campo de pesquisa, a neuro-endócrino psiquiatria. A melatonina é o hormônio regulador do sono, sendo sintetizada a partir da serotonina pela glândula pineal, localizada no interior do cérebro.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Desenvolvimento Pós-Natal do Cérebro Os seres humanos são primatas e como as
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Desenvolvimento Pós-Natal do Cérebro

 

Os seres humanos são primatas e como as demais espécies de primatas, vivem em grupo, assim como muitas outras espécies de mamíferos, tais como lobos, leões, golfinhos e baleias. A sobrevivência dessas espécies depende da eficácia de sua organização social e os indivíduos dentro de cada grupo dependem uns dos outros para sua sobrevivência individual e segurança. Em muitas dessas espécies, os filhotes passam um período considerável dependendo do grupo para alimentá-los e protegê-los, enquanto seus cérebros se desenvolvem, até que atinjam a maturidade.

 

O ser humano vem ao mundo completamente indefeso e dependente de seu grupo familiar para sobreviver. Como animais sociais, nossos cérebros foram evolu-cionariamente especializados para estabelecer as conexões sinápticas necessárias ao gradual desenvolvimento de habilidades sociais

ao longo da infância – pois estas são cruciais à sobrevivência do indivíduo. A partir do

ao longo da infância – pois estas são cruciais à sobrevivência do indivíduo. A partir do sexto mês de vida, a atividade metabólica nas áreas cerebrais que regulam a interação com o ambiente e pessoas que convivem com o bebê aumenta de forma acentuada.

ao longo da infância – pois estas são cruciais à sobrevivência do indivíduo. A partir do

O cérebro da criança aprende a reconhecer como seguros e agradáveis determinados rostos, ambientes e situações, através da experiência coletada a partir do nascimento. Esses rostos e locais familiares causam sensação de segurança e conforto, enquanto rostos e ambientes estranhos passam a ser percebidos como ameaçadores até prova em contrário. No entanto, diversos estudos dos últimos dez anos indicam que o bebê começa a exercitar sua visão muito antes dessa fase (6, 7, 8, 9,10). Bebês mostram um interesse por rostos logo nas primeiras semanas de vida e aprendem a reconhecer e reagir aos adultos que cuidam deles.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Bebês criados em ambiente familiar carinhoso e altamente sociável são mais expostos
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Bebês criados em ambiente familiar carinhoso e altamente sociável são mais expostos a estímulos sensoriais e fazem mais conexões sinápticas favoráveis ao posterior desenvolvimento de um “cérebro social” (11).

 

Do ponto de vista neuroendócrino, Bruce Perry (12) explica que todos os sinais sensoriais, tais como cheiros, sabores, vozes, ruídos, calor, cores, formas, texturas, iniciam uma cascata de processos celulares e moleculares que alteram a neuroquímica e a arquitetura celular, o que acaba por determinar tanto a estrutura como o modo de funcionamento do cérebro. Aqueles padrões de ativação neuronal mais freqüentes tornam-se representações internas indeléveis ou “memórias”. Desta forma, a experiência cria um molde de processamento, através do qual todos os novos estímulos serão filtrados.

Portanto, as diferentes experiências repetidas com freqüência nos primeiros meses de vida formam vários sistemas neuronais especializados

e modalidades de memória, como memória motora, memória visual, auditiva, cognitiva, memória afetiva e assim por

e modalidades de memória, como memória motora, memória visual, auditiva, cognitiva, memória afetiva e assim por diante. Esses padrões primários serão armazenados para o processamento de futuras experiências, as quais serão comparadas a eles. Quando novos estímulos sensoriais acontecem, eles excitam a atenção e induzem a curiosidade e o impulso de investigação, de forma que o cérebro vai fazendo novas representações e integrando várias informações sensoriais, na construção de representações cada vez mais complexas da realidade externa e interna.

e modalidades de memória, como memória motora, memória visual, auditiva, cognitiva, memória afetiva e assim por

Por outro lado, como a criança basicamente depende daqueles que cuidam dela para sua sobrevivência nos primeiros anos de vida, seu cérebro estabelece fortes associações afetivas com essas pessoas e sente-se ameaçado e inseguro quando elas se ausentam, mesmo que por alguns momentos.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual A qualidade da interação emocional dos adultos com o bebê e com
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A qualidade da interação emocional dos adultos com o bebê e com a criança pequena estabelecerá o modo de processamento de interações emocionais dela, com o qual todas as experiências posteriores dessa natureza serão comparadas.

 

Embora nosso cérebro não seja uma “folha de papel em branco” ao nascimento, diversas áreas do cérebro humano encontram-se em um estado apenas parcialmente funcional e ainda desorganizadas. Durante a infância, elas amadurecerão gradual-mente em uma ordem seqüencial e hierárquica, desenvolvendo suas respectivas especialidades funcionais, tais como: sensoriais, motoras, afetivas, cognitivas, verbais, etc.

Cada uma dessas capacidades se desenvolve e amadurece de forma seqüencial e ordenada.

As estruturas mais internas e primitivas (i.e., antigas do ponto de vista da evolução neurobiológica animal)

As estruturas mais internas e primitivas (i.e., antigas do ponto de vista da evolução neurobiológica animal) são as primeiras a serem ativadas, pois de seu funcionamento depende o atendimento de necessidades básicas e imediatas de sobrevivência do recém-nascido, tais como alimentar-se e obter ajuda – calor, conforto, segurança, cuidados – através do choro, reflexos motores, organização e refino das vias neurais de percepção sensorial (tato, degustação, visão, audição e olfato). Gradualmente, áreas funcionais mais complexas vão sendo ativadas e organizadas, tais como as regiões corticais e o sistema límbico, responsáveis pelo aprendizado, pensamento, memória, modulação emocional, comportamento, habilidades sociais e interpessoais. O desenvolvimento de todas essas capacidades depende de experiências e estímulos coletados pelo cérebro em sua interação com objetos, pessoas, ruídos, vozes, movi-mentos, cheiros, etc. – enfim, estímulos sensoriais e de sua repetição.

As estruturas mais internas e primitivas (i.e., antigas do ponto de vista da evolução neurobiológica animal)
 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Como já mencionado, conexões sinápticas são formadas em grande quantidade e velocidade
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PANDORA - Conteúdo Virtual Como já mencionado, conexões sinápticas são formadas em grande quantidade e velocidade
 

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Como já mencionado, conexões sinápticas são formadas em grande quantidade e velocidade nas primeiras semanas de vida, em função dos diferentes estímulos recebidos do mundo à sua volta, tais como cheiros, sabores, vozes, texturas, temperaturas, rostos, movimentos. No entanto, somente aquelas conexões reutilizadas com freqüência serão mantidas, organizando-se em sistemas neurais específicos durante o desenvolvimento pós-natal e estabelecendo representações internas da realidade. Futuramente, esses sistemas neurais e suas representações estarão sujeitos a novas modificações e reorganizações, em função de novas experiências e mudanças hormonais, pois o cérebro aprende e

 

se adapta constantemente ao longo da vida. No entanto, os sistemas neurais formados, reforçados e mantidos durante o desenvolvimento pós-natal e a primeira infância servirão de base fundamental para todas as experiências e futuras adaptações do cérebro maduro.

Citando Bruce Perry (12), Essa capacidade “dependente do uso” na formação

Citando Bruce Perry (12), Essa capacidade “dependente do uso” na formação

Citando Bruce Perry (12), Essa capacidade “dependente do uso” na formação

de uma “representação interna” do mundo exterior ou interior é a base para o

aprendizado e a

...

Enquanto

a experiência pode alterar e modificar

o funcionamento (do cérebro) de um adulto, a experiência literalmente fornece a estrutura organizacional (do cérebro) de um recém-nascido ou criança.

O resultado do desenvolvimento seqüencial é que, à medida em que diferentes regiões estão se organizando, elas requerem tipos específicos de experiências que estimulam as funções específicas de cada região (por ex., estímulo visual no período de organização do sistema visual) para se desenvolverem de forma normal. Esses períodos do desenvolvimento são denominados períodos críticos ou sensitivos.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual Embora existam controvérsias sobre os períodos críticos, a visão de Perry, Teicher
PANDORA - Conteúdo Virtual Embora existam controvérsias sobre os períodos críticos, a visão de Perry, Teicher
PANDORA - Conteúdo Virtual Embora existam controvérsias sobre os períodos críticos, a visão de Perry, Teicher

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Embora existam controvérsias sobre os períodos críticos, a visão de Perry, Teicher e outros vem sendo corroborada por novos experimentos e achados no que se refere àqueles períodos envolvidos na formação de sistemas neurais de organização progressiva e hierárquica das estruturas básicas emocionais e sócio-cognitivas nos primeiros 3 anos de vida. Experimentos com modelos animais demonstraram que quando ocorre privação de determinados estímulos durante o período crítico de desenvolvimento e organização dos centros alvos desses estímulos, o animal não se torna plenamente funcional naquele tipo de habilidade, como seus pares não privados de estímulo adequado (14, 15,16).

 

A qualidade, quantidade e variedade apropriada de estímulos recebidos durante esses períodos críticos do desenvolvimento determinarão o grau de densidade dos sistemas sinápticos formados (i.e., maior número e variedade de conexões neuronais em cada área funcional especializada) e

sua eficiência (velocidade de transmissão de informação – o que depende da quantidade de camadas de

sua eficiência (velocidade de transmissão de informação – o que depende da quantidade de camadas de mielina envolvendo os axons) e conexões adequadas com outras áreas interdependentes e complementares do cérebro para cada um desses sistemas neuronais (17).

sua eficiência (velocidade de transmissão de informação – o que depende da quantidade de camadas de

O primeiro impulso do cérebro é a sobrevivência e, portanto, o reconhecimento de pessoas e situações que promovam a sobrevivência, oferecendo segurança e cuidado. Por esta razão, a criança desenvolve, a partir dos primeiros meses de vida, um vínculo emocional natural com os que que dela cuidam, proporcionando conforto e segurança. Comportamentos e situações assustadores, desconfortáveis ou dolorosos, são percebidos pelo cérebro como um risco à sobrevivência e ativam os sistemas neuroendócrinos (i.e., vias sinápticas e mensageiros químicos) que processam o medo e o stress.

 

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PANDORA - Conteúdo Virtual As vias sinápticas do stress armazenam memórias e estabelecem associações a respeito

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As vias sinápticas do stress armazenam memórias e estabelecem associações a respeito de situações traumáticas ou de risco, criando mecanismos de respostas reflexo-motoras, emocionais, cognitivas e comportamentais específicas que serão evocadas em futuras situações semelhantes.

 

Do ponto de vista evolucionário, isso é importante para que o indivíduo aprenda a evitar situações de risco à sua própria vida. Quando no entanto essas situações são predominantes, freqüentes e repetitivas na experiência da criança, induzem alterações adaptativas neuroendócrinas e arquiteturais nos sistemas neurais, que a especializam para a sobrevivência nessas situações; mas em detrimento de outras áreas de fundamental importância para um desenvolvimento pleno e saudável do cérebro.

Isso ocorre porque o cérebro é um órgão muito plástico que modifica seus padrões sinápticos e

Isso ocorre porque o cérebro é um órgão muito plástico que modifica seus padrões sinápticos e neuroquímicos para sobreviver em condições especiais, tais como situações de perigo, trauma físico ou emocional e privações, tanto no adulto como na criança. Porém, durante a fase de desenvolvimento e maturação pós-natal do cérebro (recém-nascidos e crianças) essa plasticidade é uma faca de dois gumes. A exposição prolongada ou crônica a condições de stress (guerras, negligência, violência entre seus familiares ou contra a criança) ativarão e reforçarão modos de funcionamento neuroquímicos que a especializarão em sobreviver e lidar apenas com um mundo brutal e malévolo. Essas serão também as bases neurobiológicas de processamento das representações cognitivas da realidade, através das quais as experiências e percepções futuras desse indivíduo serão filtradas.

Isso ocorre porque o cérebro é um órgão muito plástico que modifica seus padrões sinápticos e
 

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Experiências de desafio e frustrações ensinam uma lição importante de sobrevivência ao indivíduo, o qual necessariamente será exposto a obstáculos, problemas, incertezas, frustrações e pressões diversas ao longo de sua existência, sendo portanto um ingrediente necessário ao seu amadurecimento. No entanto, situações traumáticas freqüentes e repetitivas, de medo intenso ou de insegurança crônica, das quais a criança não consegue escapar nem se defender, condicionam a percepção do mundo exterior através do molde sináptico do medo (sistema neuro- endócrino do stress) e causam alterações profundas nas outras vias metabólicas de neurotransmissores, alterando seus níveis no cérebro, a quantidade de seus receptores nas células nervosas – e a própria quantidade de neurônios de outros sistemas – com um aumento de receptores para mensageiros químicos do stress (adrenalina, norepinefrina, testosterona, cortisona) e diminuição de receptores e de vias sinápticas que processam prazer, gratificação, confiança, relaxamento, cognição, memória, e seus

 
neurotransmissores (serotonina, dopamina, GABA, acetilcolina, etc) (18,

neurotransmissores (serotonina, dopamina, GABA, acetilcolina, etc) (18,

neurotransmissores (serotonina, dopamina, GABA, acetilcolina, etc) (18,

19).

Esta alteração adaptativa visa preparar o cérebro da criança para a situação de “guerra” em que ela se encontra e equipá-la com a agressividade e/ou os mecanismos de escape que a permitam sobreviver sob ameaça e perigo constantes.

 

Termino este capítulo citando novamente o Dr. Bruce Perry: O que somos quando adultos é o resultado do mundo que experimentamos quando

crianças. O modo de funcionamento de uma sociedade é o reflexo das

práticas de educação de crianças dessa

 

...

Como

sociedade,

achamos mais importante exigir horas de treinamento formal para se dirigir um automóvel do que o treinamento formal para a paternidade.

 
 

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PANDORA - Conteúdo Virtual REFERÊNCIAS 1. Mosby´s Medical, Nursing, & Allied Health Dictionary (sixth edition), 2002,
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