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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2

ERNST SCHNEIDER

A CURA E A SAÚDE
PELOS ALIMENTOS
versão eletrônica pelo Projeto Periferia

Capítulo 1 - As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua Compensação Natural


Capítulo 2 - Frutos
Capítulo 3 - Legumes e Verduras
Capítulo 4 - Condimentos
Capítulo 5 - Alimentos Fornecedores de Energia
Capítulo 6 - Alimentos de Origem Animal
Capítulo 7 - Regimes Depurativos
Capítulo 8 - Doenças do Sistema Circulatório
Capítulo 9 - Doenças do Aparelho Digestivo
Capítulo 10 - Doenças do Metabolismo
Capítulo 11 - Doenças da Pele
Capítulo 12 - Doenças do Sistema Nervoso
Capítulo 13 - Tuberculose
Capítulo 14 - A Alimentação na Gravidez
Capítulo 15 - A Alimentação na Criança Moderna
Capítulo 16 - O Câncer
Capítulo 17 - Comentário Final
Capítulo 18 - Normas Fundamentais Para a Preparação de um Regime Sadio
Capítulo 19 - Receitas Culinárias

Frutos

Capítulo 2
A minha experiência de médico ensinou-me que os danos originados pela nutrição são um inimigo
invisível, o mais perigoso entre todos os do homem. Por isso, minha consciência de médico obriga-me
a combater esse inimigo, até o último suspiro.
Max Bircher-Benner -- Doutor em Medicina

1. Frutas e Sucos

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2

Açaí

0 açaizeiro, do gênero E uterpe oleracea, é uma delicada palmeira de estipe elevado e esguio, terminado por
uma coroa de folhas pinatissectas. Originária da região amazônica, é muito cultivada em virtude do sabor de
'seus frutos, dos quais se faz um macerado de cor vinhosa, com certa densidade, apresentando a
consistência de borra. Esse prato, muito apreciado na região, é conhecido como açaí. A bebida é geralmente
tomada com açúcar ou com farinha d'água ou farinha de tapioca.
0 açaizeiro forma majestosas touceiras. Produz também um saboroso palmito, que vem sendo
industrializado nos últimos anos. Os estipes, por serem muito duros e resistentes, são usados como material
de construção. Os frutos também servem para alimentar animais domésticos. Deve-se dizer, ainda, que o açaí é um alimento muito
rico em ferro, constituindo-se num elemento precioso na alimentação dos habitantes da Amazônia. Os ribeirinhos, por exemplo,
encontram nos frutos do açaizeiro um alimento graciosamente propiciado pela Natureza.
A propósito do açaí, fez-se uma quadrinha popular, muito conhecida em todo o Brasil:

"Chegou no Pará,
Parou ...
Bebeu açaí,
Ficou ..."
Ameixas

A ameixa considera-se oriunda das terras do baixo Danúbio, da Pérsia, da Armênia e do Cáucaso. As cultivações sírias, em volta de
Damasco, alcançaram grande fama. Através dos gregos e dos romanos, também as ameixas chegaram até nós, embora os
romanos só as cultivassem mais tarde. Segundo se diz na «Capitulare de Villís», Carlos Magno, em 812, mandou plantar
ameixeiras, de diversas espécies, nas suas propriedades imperiais. Hoje, as
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ameixas desfrutam de uma popularidade geral.
A ameixa autêntica (Prunus domestica) tem diversos nomes, nas várias regiões. Pertence à família das Rosáceas.
0 abrunho (Prunus insititia), também chamado abrunho grande, abrunho de enxertar, é diferente botanicamente da ameixa autêntica.
Difere sobretudo pelo fruto, esférico e de cor violeta escura, com o caroço chato, em vez de pontiagudo, como na verdadeira ameixa.
As ameixas devem ser comidas cruas, em grande quantidade; são também um elemento culinário, para conserva, geléia e doce em
pasta. Além deste interesse como alimento, têm um significado muito mais justificado como remédio dietético médico.
Composição e Propriedades -- Analisemos a composição química das ameixas tal como hoje a conhecemos: 100 gramas de
ameixas contêm: 71 calorias, 75,6 g de água, 0,8 g de proteína, 0,9 g de ácido de fruta, 15,7 g de hidratos de carbono e 0,6 g de
minerais. A combinação de minerais é semelhante à da pêra, com menos sal e quase com as mesmas quantidades de potássio e de
fósforo. Isto significa que podemos usar ameixas em todos os regimes de doenças, nos quais a alimentação for pobre em calorias e
sal, como nas doenças do aparelho circulatório, rins e fígado, na gota e no reumatismo, podendo consumir-se cruas ou cozidas, e
sobretudo de combinação com alimentos farináceos. O conteúdo de vitaminas não é considerável. Segundo as análises mais
recentes, encontraram-se em 100 g de polpa de ameixa: 0,08 mg de caroteno; 0,1 mg de vitamina B1, 0,043 mg de vitamina B2 e 5
mg de vitamina C. Para cobrir a necessidade diária de vitaminas não basta.
Emprego na Atonia Intestinal -- Através de inumeráveis gerações de médicos pode afirmar-se que as ameixas secas são um bom
purgante, suave e inócuo, utilizado de formas diversas para a atonia digestiva e prisão de ventre. Umedecem-se, durante a noite, de
cinco a dez ameixas secas, num pouco de água e comam se, na manhã seguinte, em jejum, com a água em que estiveram. O Prof.
Heupke recomenda reforçar o efeito em casos difíceis, fazendo passar de quinze a vinte ameixas por uma peneira e acrescentando
à pasta 15 g de sulfato de magnésio ou de sódio. Deste purê toma-se de meia em meia hora uma colher, das de café, cheia. A pasta
pode ser também de duas partes de ameixa e de uma de figos secos.
A grande capacidade de absorção das matérias análogas à pectina que se encontram nas ameixas -- de que trataremos, quando
nos ocuparmos da pêra -- facilitam a deposição; o considerável conteúdo em alimentos similares à celulose excita a mucosa
intestinal de modo que se torna mais
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fácil a evacuação do intestino.
Deve-se ter em conta que as ameixas cruas, cozidas e secas são sempre um alimento são e que constituem para os transtornos do
metabolismo um elemento dietético útil, servindo as ameixas secas umedecidas de purgante excelente e natural, sendo até inócuo
para as crianças.

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Ananás (Abacaxi)

Esta fruta de rara estrutura e de maravilhoso aroma procede da América tropical; mas cultiva-se também noutros países de clima
tropical ou subtropical. A perene raiz do ananás (Ananas sativa) produz uma roseta que consta de um eixo central com numerosas
florinhas isoladas, cujos frutos com as folhas de recobrimento convertidas em ponta e o mesmo eixo constituem a fruta amarela sem
semente.
Composição -- Pode ser considerada (como alimento e como remédio. Possui, além disso, uma característica de grande valor em
medicina que a distingue das outras frutas. Vejamos, em primeiro lugar, a simples análise química que nos orientará sobre as
principais matérias que contém:
Proteínas.................... O ,5%
Gordura .............................--
Hidratos de carbono 13,9%
Água ..........................83,6%
Ácidos de fruta .........0,67%
Excesso de bases .....+5,4%
Calorias ........................62%
Disto mesmo podemos deduzir que com um grande conteúdo de água tem, contudo, um valor nutritivo muito baixo e, por
conseguinte, o índice de calorias é muito reduzido. Entre os minerais conhecidos não se destaca nenhum em especial e é muito
limitado o excesso de bases produzido pelos elementos constitutivos ácidos e básicos. Inclusive, o conteúdo de vitaminas conhecido
até agora é mínimo.
Substituto do Suco Gástrico -- Os ananases distinguem-se das outras frutas porque possuem no seu suco e em quantidade
abundante fermento albuminóide que tem a especialíssima propriedade de separar as proteínas dos alimentos facilitando-lhes a
digestão, o que é motivo suficiente para lhes dispensarmos o nosso maior interesse. Podemos aproveitar a característica do ananás
de digerir as proteínas, trabalho este reservado aos ácidos gástricos, para conseguir que as pessoas de estômago fraco ou doente,
com suco gástrico pobre ou carente de ácidos, possam retirar das proteínas o seu valor alimentar, substi-
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tuindo o suco gástrico pelo suco de ananás. Mas há que ter sempre em conta que só o suco fresco do ananás é que possui essa
característica, sendo portanto inúteis todas as conservas correntes de ananás. Qualquer emprego de calor destrói a força digestiva
da proteína, pois está relacionada com os fermentos ou enzimas de grande sensibilidade. Além disso, diga-se a título complementar,
que já por si mesma a comida e a bebida muito quentes dificultam no seu trabalho os fermentos digestivos que se encontram na
saliva e nos sucos gástricos ou intestinal, reduzindo-lhes a eficácia o que também acontece com muitos dos modernos remédios
químicos. O cuidado a ter com respeito à destruição de fermentos pelo tratamento farmacêutico é provavelmente mais importante do
que se supõe.
Em todas as fraquezas e doenças gástricas, relacionadas com a insuficiência de sucos ou ácidos gástricos, praticamente em todos
os casos de inapetência, servimo-nos de suco de ananás fresco, que é ao mesmo tempo refresco e medicamento e pode substituir
em todo o seu valor o suco gástrico; mediante uma melhor digestão e um melhor cuidado com a mucosa do estômago favorece-se o
fortalecimento do enfermo e com isso também há de melhorar a sua saúde ou porventura poderá recuperá-la.
É curioso notar que nem na América, nem na Europa se emprega com freqüência o ananás na alimentação dos lactentes.
A minha opinião é que o suco de ananás fresco diluído, por causa da sua força para a digestão de proteínas, resulta num valioso
auxiliar na alimentação do lactente, sobretudo se este sofrer de transtornos digestivos, podendo por isso recomendar-se à especial
atenção dos puericultores.

Bananas

As bananas, que se tornaram tão populares entre nós, são o fruto da bananeira tropical (Musa paradisíaca) e da sua forma cultivada
(Musa sapientium).
A banana é um alimento muito importante nos trópicos e um grande artigo de exportação. Infelizmente nem todos chegam a
saborear o gosto das bananas amadurecidas em fresco e naturalmente. As de exportação são colhidas verdes, amadurecidas
artificialmente nos portos importadores. Mesmo assim, constituem tanto para as pessoas sãs como para as doentes um fruto de
qualidade excepcional.
Composição -- Ao passo que
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o conteúdo em hidratos de carbono da batata consiste, exclusivamente, em amido, a banana madura apenas tem frutose e glicose
(açúcar invertido) e nenhum amido.
Conteúdo por percentagem:

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2

Proteínas Hidratos de carbono Gorduras Água Calorias

Batata com casca 1,3 -- 73,8 100


22,8
Batata 1,9 0,2 79,1 76
16,4
Banana 1,8 0,2 66,5 86
18,6

Os Seus Efeitos, Especialmente na Alimentação Infantil -- Parece-nos que está claro o seu variadíssimo aproveitamento
dietético, tanto mais quanto a sua digestibilidade é sempre magnífica. Em primeiro lugar, as bananas são um alimento muito
apropriado para os meninos pequenos que as comem com gosto pelo seu sabor e perfume. É principalmente agradável pela
facilidade em se descascar, oferecendo em condições higiênicas uma polpa sem sementes nem caroços. Além disso, pode
esmagar-se facilmente, e também passar pela peneira, sei batida à mão ou em um liqüidificador. Deste modo, o purê de banana é
para o lactente entre os sete e os oito meses, um alimento rico. Tal como a maçã crua ralada, também a banana, que possui grande
eficácia antidiarréica, se se consumir' exclusivamente, pode empregar-se nas crianças pequenas para lhes curar transtornos agudos
digestivos, inflamações do intestino grosso e até a celiaquia -- uma grave alteração intestinal e alimentar crônica. No espru, uma
doença tropical, que ainda não está suficientemente esclarecida e que ocasionalmente se manifesta entre nós, o melhor e até
mesmo o remédio mais seguro é a banana. Os doentes de espru ficam curados, quase por milagre, mediante um regime exclusivo
de bananas. O quadro clínico da celiaquia infantil corresponde nas suas manifestações ao espru nos adultos.
0 regime de bananas modifica não só o desvio ácido do metabolismo, como também e sobretudo faz aumentar simultaneamente as
reservas alcalinas necessárias no sangue, o que também se pode conhecer imediatamente da maneira mais simples na modificação
da reação da urina.
Se antigamente era quase impossível salvar a vida a uma criança gravemente enferma de celiaquia, falecendo a maioria com uma
complicação infecciosa geral, figura hoje a celiaquia entre as missões mais gratas da pediatria, já que desde o aparecimento do
regime de bananas quase sempre se consegue restituir aos pequeninos a saúde e a alegria de viver. A boa digestibilidade, a fácil
absorção da sacarose, o abundante conteúdo em vitamina C das bananas cruas e maduras, que facilitam, de combinação com o
leite, as proteínas, a gordura, o cálcio e a lactose, transformam-nas num excelente alimento para doentes graves, febris e
subalimentados, para as grávidas e lactantes, para os desportistas, operários braçais e para pessoas idosas com pouco apetite e
formação insuficiente de suco gástrico.

Caju

0 cajueiro é planta brasileira da família das anacardiáceas (Anacardium occidentalis). O fruto, por seu alto valor medicinal e sua
grande utilidade em vários aspectos, merece boa acolhida à mesa. De massa carnosa e esponjosa, branco-amarelada, do fruto se
extrai saboroso suco branco, de efeito sudorífero, depurativo e anti-sifilítico, diurético, antidispeptico. Combate os catarros crônicos e
a icterícia.
Sua árvore é grande, atingindo até 10 metros de altura. O lenho, quando reduzido a cinzas, é aproveitado como dentifrício, em
virtude de seu alto teor de potassa.
A casca é eficaz nas astenias, serve como estimulante dos centros medulares, sendo ainda excelente para a glicosúria e a poliúria.
O suco dos brotos é antiscorbútico e recomendável nos casos de cólicas intestinais e nas aftas.
0 fruto é comestível depois de assado ou mesmo cru. Substitui a amêndoa. Possui matérias azotadas, amido, óleo amarelado.
Contém cardol e ácido anacárdico. Daí ser antisséptico e vermífugo Presta-se ainda para cicatrizar verrugas, calos e úlceras.
Das frutas brasileiras, o caju constitui-se na maior fonte de vitamina C, deixando atrás o limão * a laranja.
Os cajueiros abundam em todo * Nordeste e Norte do Brasil, especialmente nos Estados do Ceará e Sergipe. E um detalhe: o caju
amarelo é o mais rico de todos.

Cerejas

Não só as crianças e os pássaros consomem gostosamente as cerejas, mas também os adultos, por causa da sua polpa
refrescante. A cereja (Prunus avium) é uma espécie cultivada da cereja silves-
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tre que uma vez ou outra é descoberta nos bosques e que antigamente se dava em quase toda a Europa, até na Noruega, com
abundância. Parece que procede do Cáucaso, onde ainda existe no estado selvagem.
Propriedades e Emprego -- Examinemos as cerejas, quanto às propriedades que contêm e suas possibilidades de aproveitamento.
Atuam, como a maior parte das rosáceas, nas vias gastrintestinais e nos seus órgãos anexos, a glândula hepática e o pâncreas.
Como os morangos, também as cerejas são ricas em glicose (12 %), o que lhes dá um bom índice de saciedade, A ginja tem o

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mesmo conteúdo de glicose, mas, além disso, também tem ácido orgânico (0,9%) que lhe condicionam o sabor. Estes ácidos
vegetais atuam como depuradores no metabolismo e como elementos antibacterianos, desinfetantes e fomentadores das secreções
e da digestão. Durante a época da sua colheita, comer um quilo de cerejas diariamente elimina bem depressa a atonia intestinal ou a
prisão de ventre. O conteúdo elevado de minerais (0,7%) converte a cereja num meio dietético de primeira ordem. Consegue anular
graves deficiências na nutrição pelo excessivo consumo de farinha branca, açúcar refinado, carne e especiarias. Os obesos que
quiserem enjagrecer devem submeter-se a uma dieta total de cerejas, pois é perfeitamente suportável. Tem-se a sensação de haver
comido abundantemente e contudo consegue-se uma notável redução de peso, já que faltam os autênticos portadores de energia,
as gorduras e as proteínas, assim como também o sal.

Cidra
De casca espessa e escabrosa, a cidra é um tipo de limão galego, de tamanho acentuado. A árvore, originária da Asia, deu-se bem
no Brasil.
Os seguintes males podem ser combatidos pela cidra: dor de cabeça, mediante a aplicação da casca fresca, em rodelas aplicadas à
testa; prisão de ventre, por meio do infuso das sementes com pétalas de rosa comum; perturbações do aparelho digestivo, como
indigestão, inapetência, flatulência, mediante a ingestão de uma xícara do infuso da casca seca de cidra, em jejum. Bochechos com
suco de cidra são aconselháveis contra as aftas.
Além de proteínas, sais e calorias, a cidra possui as vitaminas A, Bi, B2, B5 e C.
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Cupuaçu

Da família das Esterculiáceas, o cupuaçu é árvore nativa da Amazônia, e hoje cultivada em todo o país, com exceção dos Estados
sulinos. Botanicamente, denomina-se T. grandiflorum. O porte é elevado e os ramos são longos, pendentes, com folhas dísticas e
ferrugíneas na parte inferior. Os frutos, grandes e ovóides, prestam-se para um saboroso refresco, muito difundido entre os nortistas.
Também se podem fazer doces e sorvetes de seus frutos, que possuem um forte aroma.

Damascos
O damasco (Armeniaca vulgaris) contém apenas uma pequena quantidade de proteínas que não chegam a 0, 8 %, 0,1 % de
gorduras e 10- 12 % de hidratos de carbono. É um alimento energético de pouco valor. No estado seco, uma vez que o elevado
conteúdo de água dos frutos frescos baixou de 86 para 23 por cento, o seu valor energético fica consideravelmente aumentado,
acontecendo o mesmo com as proteínas que sobem cinco por cento do peso, as gorduras sobem para 0,4% e os hidratos de
carbono para 67 %. Os frutos frescos produzem 50 calorias por cada 100 g, ao passo que os secos chegam até 300 calorias. A sua
composição tem uma percentagem relativamente elevada em ferro e cobre, pelo que os damascos fazem parte dos regimes
indicados nas anemias de qualquer tipo.
Efeitos das Deficiências de Vitamina A -- A mais interessante de todas as suas características é o seu elevado conteúdo de
vitamina A, realmente extraordinário, pois dá 500-3.000 U.l. por cento nos frutos frescos e chega até 7430 nos secos. Os frutos
secos cozidos reduzem este número a 2.000 U. I., ao passo que os açucarados e de conserva só têm 1.350. No que diz respeito às
outras vitaminas, os damascos contêm a respeitável quantidade de dez gramas de vitamina B1, 160 gramas da B2, 12 mg da C e 33
mg de ácido ni-
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cotínico, em cada 100 gramas de damasco seco.
0 seu excepcional conteúdo de vitamina A faz dos damascos um regime alimentar de escolha nos casos de deficiências desta
vitamina, assim como nas alterações da pele e das mucosas, infecções cutâneas, na cegueira noturna e nos períodos de gestação e
da lactância, e ainda na convalescença de doenças graves, especialmente as de origem infecciosa, assim como nos processos de
cura lenta, inapetência, fraqueza, anomalias do crescimento, doenças glandulares, processos patológicos das células hepáticas e do
seu funcionamento e, finalmente, nas alterações da menstruação e na debilidade dos órgãos femininos.
A melhor forma de utilização é com os frutos secos amolecidos com o suco, frios ou quentes, mas nunca cozidos, tomados no
princípio da refeição.

Figos

A figueira (Ficus carica) pertence à família das Moráceas. Os figos não são frutos, rio rigor do termo, mas sim a polpa das
infrutescências.
Nos países da Europa meridional e no Oriente, os figos constituem um alimento nutritivo, tanto frescos como secos. Por outro lado,

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também são um magnífico remédio dietético e é precisamente por isso que aqui os consideramos.
Composição -- O conteúdo em substâncias nutritivas e o seu valor energético são muito parecidos com os das tâmaras, como se
pode ver no quadro que apresentamos no fim do estudo sobre os figos. Neste quadro, porém, não se especificam as substâncias
que dão valor dietético de primeira ordem aos figos. O elevado conteúdo destes frutos em fibras indigeríveis na sua maior parte e em
ácidos de fruta, tornam os figos um dos melhores remédios conhecidos para curar a prisão de ventre, regular o fluxo biliar e como
meio facilitador das secreções.
Valor Dietético na Prisão de Ventre -- Nas obstruções intestinais parciais, dar de manhã e em jejum, ou então no lanche, de 150 a
250 g de figos secos, depois de terem estado de molho, 12 a 24 horas. Igual quantidade se deve administrar nas doenças hepáticas
e nos cálculos biliares, mas precisamente nos períodos não coincidentes com ataques agudos destas doenças. Para facilitar a
expectoração na bronquite, dar figos desfeitos numa boa infusão bronquial, da qual se deve beber uma xícara, várias vezes por dia.

Conteúdo por 100 g de: Vitaminas

hidratos Ácido
Proteínas gorduras de calorias A U.I. B1 B2 C mg Nicotínico
carbono mg

Figos secos 3,4 0,8 60 260 60 120 80 5 1,7


Tâmaras secas 1,6 0,4 66 280 200 60 50 0 2,0

Laranjas e Limões
Quando antigamente nas cidades sitiadas, nas grandes viagens por mar nas expedições polares, havia insuficiência de alimentos
frescos, surgia nos habitantes ou nos viajantes uma doença que Cordus descreveu pela primeira vez, em 1534: o escorbuto. Bem
depressa se compreendeu, também, que os vegetais verdes e as frutas podiam evitar e curar a doença. Sabemos hoje que tal
doença é causada sobretudo pela falta de vitamina C, substância esta que em 1928 Szent Györgly conseguiu isolar como corpo
químico puro e mais tarde se chamou ácido ascórbico. Os marinheiros holandeses já haviam descoberto no século XVI, o efeito
antiescorbútico dos limões (Citrus limonum) e das laranjas (Citrus aurantium) e realmente as frutas destas famílias apresentam um
conteúdo extraordinariamente elevado de vitamina C. Hoje entre nós é raro o aparecimento de casos de escorbuto, mas a
investigação dos efeitos da vitamina C levou a surpreendentes conhecimentos e comprovações.
O Seu Emprego na Avitaminose C -- A falta de vitamina C nota-se e sente-se em qualquer indivíduo que se observe. Muitos
investigadores se têm ocupado com os sintomas desta insuficiência e verificaram que toda uma Série de desordens orgânicas têm
como causa a falta de vitamina C. Entre elas pode contar-se a astema (cansaço da primavera), a inapetência, doenças reumáticas
nos músculos, articulações e nervos, a tendência para a hemorragia da pele e das mucosas, a propensão para catarros nas vias
respiratórias, digestivas e urinarias. Quando tais sintomas aparecem, é o momento de consumir diariamente limões e laranjas para
evitar graves lesões orgânicas e recuperar a saúde, capacidade de rendimento e força de resistência.
Calcula-se hoje em 50 a 120 mg a necessidade média diária de vitamina C no homem sadio (segundo Step e Schroeder), isto é, a
quantidade que se encontra em 100 a

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200 g de suco de laranja ou de limão. Com relação a isto deve-se ter em conta que se produz uma necessidade de consumo
muitíssimo maior na gravidez, na jactância, nas doenças infecciosas, no câncer, no diabetes, na doença de Basedow e nas
intoxicações, assim como por ocasião de grandes esforços físicos (trabalho profissional, desporto e grandes caminhadas). O fato de
um intenso trabalho físico impor um maior consumo de vitamina C deve ser tomado muito em conta pelos operários de trabalhos
pesados e pelos desportistas, uma vez que a falta de vitamina C ocasiona uma diminuição na capacidade de rendimento.
É ainda maior a necessidade dessa vitamina durante a convalescença, depois de uma grave doença e durante a velhice, de modo
que deve recomendar-se aos convalescentes e às pessoas idosas que consumam abundantemente limões e laranjas.
Outros Usos Destas Frutas -- Mas o valor das laranjas e dos limões não se reduz ao conteúdo em vitamina C ou ácido ascórbico.
Também o ácido cítrico presente nas duas frutas, deve ser tomado em consideração. Produz-se normalmente no organismo (isto é,
não tem de ser obtido do exterior) no metabolismo orgânico de homens e de animais e introduz-se no sistema ósseo. Novas
investigações permitem ver que o ácido cítrico desempenha um importante papel químico no metabolismo orgânico. Quanto à
nutrição dos lactentes, sabe-se que quando estes consomem leite ao qual se acrescenta ácido cítrico ficam com maior resistência ao
raquitismo do que as outras crianças alimentadas sem ácido cítrico. Está demonstrado, além disso, que o ácido cítrico aumenta a
absorção de cálcio pelo intestino. Por isso, o ácido cítrico é juntamente com a vitamina D um importante fator na prevenção e cura
do raquitismo.
De grande importância prática é a observação, que eu próprio comprovei, de que um par de pinceladas na mucosa nasal e bucal
com suco fresco de limão nos portadores de bacilos diftéricos leva rapidamente a libertarem-se deles. Ao que parece, intervém em

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2
tal desaparecimento o ácido cítrico. Observe-se a este respeito o efeito do mel sobre os bacilos diftéricos.

Lima

Árvore da família das Rutáceas, a limeira é originária da Ásia, tendo-se aclimatado muito bem em nosso
país.

O suco de lima, de sabor doce-amargo, é apropriado nos casos de hipercloridria, úlceras gástricas, acidez
gástrica e afecções renais. Ajuda a combater o escorbuto em virtude de seu elevado teor de vitamina C.
Chupar lima pela manhã é aconselhável no caso de dermatoses decorrentes das impurezas sanguíneas.
Segundo pesquisas feitas pelo Dr. Teófilo Luna Ochoa, «a lima é excelente contra as infecções, a neurite, o raquitismo, a pelagra»,
caso de flatulências, aconselha-se a casca da lima, em infusão, após as refeições. As enxaquecas podem ser combatidas por meio
das folhas da limeira, quando aplicadas em cataplasmas, junto às têmporas.

Em sua composição química, a lima apresenta hidratos de carbono, calorias, proteínas, sais, e as vitaminas B2, B5, além da C.

Maçãs

A maçã (Pirus malus) já era conhecida e apreciada entre os povos cultos da Antiguidade. Encontramos o seu cultivo tanto entre os
israelitas, gregos e romanos, como entre os nossos mais remotos antecessores. Da Idade Média temos numerosos testemunhos
que nos informam sobre o alto nível do cultivo da maçã e mais especialmente acerca do cultivo da maçã silvestre. Em numerosos
cruzamentos com tipos da Europa, e da Ásia, apareceram as variedades hoje conhecidas, que passam de 600.
Muitos milhões de maçãs proporcionam hoje não só um apetitoso alimento como também uma valiosa matéria-prima para
numerosos ramos de indústria, como sejam os fábricos de geléias e de sucos.
Botanicamente, a maçã pertence à família das Rosáceas, que nos é de muita utilidade.
Composição - Embora a análise química nos dê uma imagem débil da eficácia da maçã no organismo vivo, contudo é bom
conhecê-la para permitir uma comparação com outras espécies de frutas. Em média obtêm-se os seguintes valores na maçã crua:
Água.....................................83,9
Proteína................................. O ,4
Gordura............................... ---
Hidrato de Carbono.............13,3
Amidos de fruta .....................0,65
Minerais ................................0,6
Excesso de bases ..................1,7
Calorias ..............................59

Além do sódio, potássio, magnésio, fósforo, enxofre e cloro, provou-se a presença do ácido
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salicílico e de alumínio. A isto juntam-se as combinações dos ácidos da fruta que condicionam o seu grato perfume e a pectina,
fécula que pode reter um grande volume de água. A maçã atingiu nos últimos tempos a sua plena consideração como meio
insubstituível de cura, embora já fosse famosa em todos os tempos pelos seus efeitos curativos.
Efeitos e Emprego da Dieta de Maçã -- Hoje o regime na base de maçãs faz parte dos recursos dietéticos mais eficazes de
qualquer médico. O processo aplica-se geralmente de modo que em casos de catarro gastrintestinal, disenteria ou paratifo, se rale
de duas em duas horas, ou até oito vezes diariamente, uma maçã madura com a pele, no ralador, de vidro se for possível, dando-a a
comer ao doente. Podem ingerir-se assim, de 1 a 1,350 kg, renunciando em absoluto a qualquer outro alimento ou medicamento. O
inchaço coloidal ao reter a água produz a maravilhosa cura numa harmoniosa colaboração com as substâncias estéricas, os ácidos
da fruta, o tanino e os minerais. A dieta de maçãs atua como uma esponja de grande capacidade de absorção. A maçã incha,
absorvendo água e produtos intestinais tóxicos, evitando desta forma a sua rápida absorção através do intestino. O grande conteúdo
em tanino da maçã atua como adstringente contra a inflamação.
O puericultor de Heidelberg, Prof. Moro, perante os êxitos de Heisler, dedicou-se à comprovação sistemática dos casos infantis de
diarréia e disenteria. Administrou, em dois dias, doses de 200 a 300 g, cinco vezes diárias, de maçã ralada num ralador de vidro,
descascada e sem as sementes. Este processo totalmente inócuo atuou de modo surpreendentemente rápido em diarréias de
diferentes tipos, satisfazendo completamente as necessidades de alimento e líquidos. Mantendo constantemente o, consumo de
maças, passa-se depois dos dois dias de dieta para a alimentação usual. Quando não se dispõe de maçãs frescas, pode
estabelecer-se também esta dieta com um específico de xarope de maçãs.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2

0 descobrimento da pectina na casca da maçã, que introduzida na circulação sanguínea tem a propriedade de acelerar o processo
de coagulação, transformou-a num remédio de assombrosa eficácia para a hemofilia. Geralmente nos hemofílicos, uma
pequeníssima lesão pode provocar uma interminável hemorragia; consegue-se, porém, com preparados de pectina provocar a
coagulação do sangue, ao cabo de poucos minutos. Por outro lado, a pectina, como substância amilácea, tem a maior importância
na indústria de geléias e conservas,já que sem ela as geléias e gelatinas têm de cozer durante muitas horas, com grandes perdas
de matérias ativas. Mas não é só neste ramo industrial, mas também na pastelaria, na confeitaria, indústrias lácteas e padaria, que a
pectina desempenha um importante papel.
0 emprego médico da maçã não se limita apenas ao tratamento das doenças disentéricas e hemofílicas.
0 médico vienense Jagic conseguiu excelentes resultados com dois ou três dias de fruta em inflamações renais, hidropisia, doenças
do coração e dos vasos. Fazia consumir 1,350 kg de maçãs em compota doce. Esta alimentação favorece os rins, o coração e o
fígado. A pobreza da maçã em sal e em proteínas pode ser vantajosa para reforçar um regime de emagrecimento. Um regime de
emagrecimento típico é o do pão escuro e da «compota laxante». Digno de citar é também o vantajoso emprego da maçã nos
anêmicos e nos intelectuais, por causa do seu conteúdo de arsênico, ferro e fósforo. Também a criança que come com regularidade
uma maçã por dia ficará notavelmente protegida contra as infecções.
0 suco de maçã é, como todos os sucos doces, uma bebida refrescante, que os intelectuais e os doentes deviam tomar, em lugar de
café e bebidas alcoólicas, e também constitui, além disso, um remédio tônico e sedativo, pelo que o neurólogo Georg Reid (de
Schuverin) resolveu empregar a sidra de maçã combinada com o seu consumo em cru para todas as enfermidades inflamatórias do
sistema nervoso central. A perigosa prisão de ventre crônica pode ser tratada, praticamente com êxito, mediante o consumo, três
vezes por dia, de meio frasco de sidra doce, antes de cada refeição, devendo-se seguramente a sua ação à influência que exerce
sobre as colônias bactérianas do intestino.
A infusão de maçã exerce como bebida diária um efeito fortalecedor e tônico, que convém ser utilizado como reforço na gota,
reumatismo, doenças de fígado e rins, hipertensão, transtornos cardíacos e erupção cutânea. Pelo seu conteúdo em fósforo constitui
a infusão de maçã um alimento natural para o sistema nervoso, especialmente para as crianças.

Mangaba
A mangabeira (Harcornia speciosa), da família das Apocináceas, é um arbusto de caule rugoso, cujos ramos se desenvolvem em
círculos. O fruto é piriforme, de polpa acidulada, amarelo, corado de vermelho. Quando verde, é cheio de leite. De suave sabor, deve
ser comido bem maduro sem se deitar nada fora, como figos. É de boa digestão e faz bem ao estômago.
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A mangaba, quando verde, é venenosa. Recomenda-se o seu suco contra úlceras, tuberculose e herpes. É conhecida, no Estado de
Sergipe, como «fruto-de-doente».

Maracujá

Planta trepadeira, o maracujazeiro é planta da família das Passifloráceas (Passiflora macrocarpa).


Conhecem-se várias espécies no Brasil.
O fruto possui sais e vitaminas. Vários maracujás podem ser apreciados ao natural, como: o
maracujá-cobra, o maracujá-da~serra, o maracujá-marmelo, o maracujá melão, o maracujá-peroba, etc. Os
que proporcionam melhores refrescos são: o maracujá-guaçu, maracujá~pedra, maracujá-mirim,
maracujá-de-capoeira, etc. Para compotas e doces cristalizados, prefere-se o maracujá-mirim. os maracujás,
de modo geral, são soníferos.

Marmelos
Os marmeleiros (Cydonia vulgaris) crescem como arbusto ou árvore até quase à altura de quatro metros. Os marmelos têm
sementes, que na água soltam uma substância viscosa.
No Cáucaso, Amênia, Ásia Menor e parte da Pérsia crescem marmeleiros silvestres, e na velha Grécia as «maçãs de ouro» eram
consagradas à deusa do amor, Afrodite. Como muitas outras rosáceas, os marmelos chegaram até nós através da Grécia e da Itália.
Nas disposições agrárias . de Carlos Magno já aparecem citados. Bem maduros podem consumir-se crus.
Toda a dona de casa que alguma vez tenha provado a saborosa marmelada, geléia ou pasta de marmelo, não deixará de as querer
também fazer. Os marmelos contêm tal quantidade de pectina que não necessitam de outros produtos gelatinosos. São também
apropriados para sucos, compotas e pastelaria. Quando se cozerem, cumpre ter em conta que as frutas cozem tanto mais depressa
quanto menos água absorverem. O mais prático é empregar uma peneira de vapor. A panela para
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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2
cozer só deve levar dois dedos de água, por cima da qual deve estar a peneira com os marmelos, que com pouco fogo se
impregnam de vapor. No receituário deste livro encontram-se alguns exemplos, pois esta preparação é pouco conhecida.
Efeito em Todo o Tipo de Catarros -- O rico conteúdo dos marmelos em pectina, tanino e substâncias gelatinosas fez com que na
Idade Média se aplicasse o marmelo com remédio curativo para a diarréia. Assim também se justifica o seu emprego nas
inflamações de outras mucosas, como, por exemplo, a traquéia, os brônquios e o estômago.
A semente do marmelo (Semen cydoniae) proporciona-nos uma valiosa geléia vegetal pelo seu emprego medicinal nas inflamações
da faringe, nas bronquites; como portadora de uma medicina excitante especial também presta valiosos serviços, embora em geral
seja muito forte. Quando se cozem 5 g de sementes de marmelo triturados com 5 g de água e se lhes mistura xarope de malvaísco,
obtêm-se um remédio natural que pode consumir-se às colheradas nos catarros da faringe e dos brônquios.

Nêsperas (Ameixa Amarela)


Estes frutos têm um sabor bastante agradável. Contêm no seu interior cinco caroços e no estado
silvestre são praticamente incomestíveís. Quando, porém, são submetidos a temperaturas baixas ou
permanecem durante várias semanas conservados em palha, tomam uma consistência pastosa e adquirem
o cheiro característico da fruta e um sabor entre doce e ácido. Por causa do seu elevado conteúdo de
pectina não se pode obter o suco de modo que interesse.
A nespereira pode melhorar-se como árvore frutífera mediante enxertos em pereiras, macieira (Pirus),
marmeleiro (Cydonia) ou espinheiro branco (Craiaegus). As variedades cultivadas são as de fruto grande e conforme a forma
chamam-se nêspera-pera ou nêspera-maçã.
Regulador das Funções Intestinais -- As propriedades dietéticas das nêsperas já de há muito tempo que são utilizadas. Atuam
como diuréticos e exercem nos catarros intestinais ação enérgica antiinflamatória, donde provém a sua influência reguladora
intestinal.
Estas ações são devidas às subs-
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tâncias que entram na sua composição, que ainda não são completamente conhecidas. A polpa da nêspera contém 0,35 % de
proteínas; nada de gorduras; 11,5% de hidrocarbonatos (dos quais 9,5 são açúcares); 75 % de água; 13,2 % de celulose; 56
calorias; 0,44 % de cinzas. Também contém pectina e tanino; ácidos cítrico, málico, tartárico e uma pequena quantidade de ácido
bórico. As sementes contêm 2,5 % de óleos gordurosos.
0 conteúdo em tanino e pectina justifica o seu efeito antidiarréico e regulador do intestino, assim como a sua ação adstringente e
tonificadora da mucosa intestinal.
Recomenda-se o seguinte processo para uma cura com esta fruta, nos casos indicados: 1.000 g de nêsperas, 800 g de açúcar e 500
g de água tudo a cozer, durante 45 minutos, conservando-se depois em lugar fresco. Tomar durante várias semanas em jejum 20
cm3 deste xarope.

Peras
Quem quiser libertar-se de hidropisia ou das gorduras inúteis, deve substituir a sua alimentação corrente por
pêras cruas ou cozidas, eventualmente em combinação com iogurte e pão integral.
A pêra de que hoje dispomos, de variadíssimo e seleto sabor, é também antiqüíssima na sua forma de
cultivo.
Composição e Propriedades -- Sob o ponto de vista da fisiologia da nutrição, deve-se ter em conta que o
conteúdo em substâncias calóricas é muito baixo, como em todas as frutas. 100 gramas produzem umas 50
calorias. O conteúdo de ácidos da pêra é menor do que o da maçã, mas é maior o da quantidade de açúcar. Tem, segundo a classe
e o estado de maturidade, de 6 a 13 %. Mais importante é o conteúdo em valiosas substâncias minerais básicas, excedendo nisto a
maçã. Na pêra, além do cálcio e do magnésio, com falta de sódio e falta de cloro, apresenta-se, antes de mais, um excesso de
potássio. Também é digno de consideração o conteúdo em ácidos fosfórico e silícico, em enxofre e em óxido de ferro.
0 conteúdo vitamínico das frutas frescas exagera-se com frequência, passando-se o mesmo com as pêras. Na realidade, é
insignificante. Falta a vitamina A e o conteúdo em procaroteno é de 0,014 mg o de vitamina Bi é de 0,065 mg; o de vitamina B2 é de
0, 1 mg e o de vitamina C é de 3 mg por cada 100 gramas.
Se do que fica dito parece de-
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duzir-se que a importância da pera na fisiologia da nutrição se (leve sobretudo ao seu conteúdo em substâncias minerais, não

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2
devemos esquecer que a pêra, como a maioria das frutas cruas, contém numerosas substâncias em quantidades muito diversas que
escapam por enquanto à análise química. Talvez sejam os elementos aromáticos, ou os oligoelementos, os fermentos (enzimas), os
hormônios, ou outras substâncias energéticas, ou os compostos até hoje desconhecidos, as coisas que determinam o verdadeiro
valor da fruta crua com respeito aos alimentos cozidos. Também se menospreza o efeito absorvente e antiinflamatório dos ácidos
tânicos na mucosa da via digestiva. Além disso, começamos a conhecer agora a importância dos diversos hidratos de carbono, tão
abundantes nas paredes celulares da pêra. Ultimamente conheceu-se melhor a pectina e os seus efeitos na absorção dos tóxicos
intestinais (Stepp).
Modo de Ação e Emprego -- Com respeito ao significado médico da pêra, de acordo com as experiências e análises realizadas até
agora, podemos acrescentar mais alguma coisa. Pelo elevado excesso de potássio e falta de sal, a pêra torna-se muito apropriada
para eliminar os inchaços dematosos nos doentes do aparelho circulatório e rins. As mesmas propriedades, de combinação com a
falta de proteínas e de gordura, fazem que a pêra se torne eficaz nos tratamentos de eliminação de gorduras. Para isso deve-se
consumir pêras cruas e cozidas em vez dos alimentos habituais. Tratando-se de cruas mais ligeiras podem eventualmente ser
consumidas de combinação com iogurte e pão integral.
Nas doenças das vias gastrintestinais diz a velha experiência médica que a pêra crua é pesada, ao passo que cozida se torna muito
digerível, não causando flatulência.
Contudo, em cada caso importa ver se são melhores cruas ou cozidas, devendo porém as pessoas sãs preferir o consumo das
pêras cruas.
Naturalmente, no caso de haver grande sensibilidade de estômago e intestino, deve-se empregar o suco de pêras cruas ou cozidas
para conseguir a eliminação do sal e com ele a desidratação. Além disso, alternada e sucessivamente, pode, combinada com outros
sucos de frutas e purês, servir de modo saliente numa cura de sucos de frutas.

Pêssegos

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O pessegueiro (Prunus persica) pertence à família das rosáceas e, contra o que poderia facilmente deduzir-se do seu nome latino, a
verdade é que não é procedente da Pérsia, mas sim do Norte da China.
Composição -- O conteúdo em princípios nutritivos e calorias dos pêssegos é muito parecido com o dos damascos, conforme se
pode apreciar no seguinte quadro comparativo.
Conteúdo por 100 gramas de:

VITAMINAS
Hidratos
A B1 B2
Proteínas Gorduras de Calorias C mg PP mg
U.I. g g
Carbono
Damascos_frescos 0,8 0,1 12 50 2000 30 50 8 0,7
Pêssegos frescos 0,7 0,2 12 55 500 30 50 8 0,9
Pêssegos secos 3 0,6 70 295 1500 10 200 20 5,4
Damascos secos 5 0,4 67 300 7430 10 160 12 3,3

Embora, como fica patente, o conteúdo de calorias seja insignificante nos frutos frescos, atinge, porém, valores interessantes nos
secos. Os pêssegos não chegam a dar os valores extraordinariamente altos em vitamina A dos damascos, embora sejam muito
parecidos nos restantes.
Além da grande ação reguladora do apetite que têm os frutos frescos, pelo que são empregados em todas as doenças que decorrem
com febre, nos outros aspectos dietéticos, no conteúdo em vitaminas e em minerais e no seu valor energético podem comparar-se
aos damascos,
As sementes do pêssego contêm cerca de 44-47 % de óleo não secante e que, embora não seja realmente empregado como
gordura alimentar, é-o porém com grande aceitação para o fabrico de sabões e de perfumes.
Propriedades e Emprego -- o consumo de pêssegos é necessário para os doentes do coração, sendo também um bom remédio
contra a gota; drenam os canais hepáticos e biliares, são de grande valor na prisão de ventre crônica e exercem uma ação favorável
nas inflamações agudas dos rins.
Os caroços do pêssego são empregados pela medicina naturalista como remédio curativo nas estases pulmonares, especialmente
na denominada «tosse cardíaca». O fundamento científico do emprego terapêutico está no conteúdo dos caroços do pêssego em
ácido cianídrico. A medicina homeopática conhece o grande valor do ácido cianídrico, como tratamento nas falhas do coração e nos
colapsos graves, assim como nas falhas dos capilares sanguíneos ou dos nervos vasomotores. Em tais casos é bom processo dar
amêndoas de pêssego duas vezes por dia.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2

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A romãzeira (Punica granatum), pertencente à família das Mirtáceas, é rara na Europa Central, mas cultiva-se em grande quantidade
na Europa do Sul e no Norte de África. E uma das espécies cultivadas desde os mais antigos tempos e empregadas em usos
domésticos. Nos textos do antigo Egito encontra-se mencionada sob o nome de «schedech-it» uma espécie de limonada que se
obtinha da polpa da romã, um pouco ácida e refrescante. No Pentateuco registra-se com freqüência como os hebreus, durante a sua
peregrinação pelo deserto, dirigidos por Moisés, acharam falta das romãs e das uvas do Egito. No templo de Salomão foi usada a
romã como motivo decorativo. Também é antigo o uso dietético e terapêutico da romã. Já Hipócrates (460-377 A.C) empregava o
suco das romãs como estomacal nos enfermos e febricitantes.
0 cultivo da romã deve ter sido introduzido na Península ibérica pelos árabes, em 711. A cidade de Granada, fundada pelos mouros
no século X, tirou o nome precisamente da romã (em espanhol «granada»), que também faz parte do seu brasão de armas.
Esta espécie é um arbusto ou árvore que chega até a oito metros de altura, com os troncos mais velhos fortemente retorcidos e
requebrados.
Composição e Propriedades -- A romã fresca tem a seguinte composição, em percentagem: proteínas 0,9; sódio 70 mg; gorduras
4,5; potássio 50 mg; hidratos de carbono 16 g; cálcio 10 mg; vitamina B2, 100 g; água 75 g; magnésio 5 mg; vitamina C, 50 mg;
calorias 110; manganês 1,3 mg; vitamina D, 0 U.I. e ferro 0,3 mg.
Ao passo que (como acontece em todos os frutos frescos) o conteúdo em princípios imediatos e em calorias é insignificante, é, pelo
contrário, interessante o conteúdo em manganês (1,3% entre os minerais e em vitamina B2, (cem gamas por cento). A romã é um
dos alimentos mais ricos em manganês.
0 manganês é um elemento fundamental para a vida e é necessário no organismo humano para a formação de diversos fermentos,
pelo que o homem dele necessita de dois a três miligramas por dia.
A romã está indicada para todas as alterações do metabolismo dos fermentos, cujos sintomas ainda não foram descobertos nem
compreendidos nos últimos anos. Esta fruta pode situar-se nas dietas juntamente com os alimentos mais ricos em manganês, como
são a aveia, a cevada, o centeio, o arroz
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integral, o milho, o soja, as sementes verdes, o feijão, as ervilhas e as lentilhas.
0 seu conteúdo em vitamina B2 (lactoflavina ou riboflavina) é dos mais altos.
Quando a contribuição da vitamina B2, nas pessoas que estão a crescer desce abaixo de 0,6 mg diários, aparecem rapidamente os
sintomas carenciais clínicos. É necessário então usar dieta rica nesta vitamina, na qual a romã pode desempenhar um papel
importante.
No Sul da Europa, prepara-se com romãs um suco de cor avermelhada, agradavelmente ácido, assim como um xarope refrescante,
chamado «granadina».
Emprego Como Adstringente e Tenífugo -- As flores da romãzeira podem ser usadas como infusões contra a diarréia e a
leucorréia. A casca do fruto emprega-se como adstringente e antihelmíntico. A indústria obtém da casca uma substância corante, de
amarelo-limão e vermelho-pardo, que se emprega para tingir tapetes orientais e outros curtumes (com um conteúdo até 28%) para
trabalhar o couro.

0 invólucro da raiz e do tronco ainda hoje é utilizado nas farmacopéias alemã, austríaca e suíça como enérgico tenífugo de ação não
só contra os vermes vulgares como também contra o temível Dibothriocephalus latus. Também se usa como adstringente e
emenagogo em diversas formas, como pó, cocção e extrato de casca de romã. O extrato de romã entra nas chamadas pílulas
índicas contra a disenteria.
A casca da romã contém como substâncias ativas, quatro alcalóides diferentes (derivado da piperidina), especialmente 0,4-1,0 % de
peletierina, veneno espasmódico, que depois de se comportar como agente espasmódico, dá lugar a uma paralisia central
generalizada. Os primeiros sintomas de uma intoxicação são dados por alterações visuais, vertigens e vômitos. A casca da romã
contém considerável quantidade (20 a 28%) de glucósidos adstringentes, que com facilidade produzem prisão de ventre; também
contém resinas, amido, ácido málico, oxalatos, um corante amarelo e de 3 a 20 por cento de minerais.
A casca da raiz, do tronco e dos ramos é muito ativa contra as tênias intestinais. Uma velha receita recomenda a preparação deste
remédio, da seguinte maneira: 100 g de casca de romã cozida em 500 g de água, até reduzir para 150 g, adicionando-lhe, depois,
15 g de álcool. Este cozimento será administrado, por três vezes, com intervalos de meia hora. Como este remédio não é totalmente
inócuo, não deve ser empregado senão por prescrição do médico.

Tâmaras

As palmeiras de tâmaras (Phoenix dactylfera) apresentam-se como estipes de 20 metros de altu-

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2

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ra e com uma coroa de folhas coriáceas, em número de cinqüenta aproximadamente, com dois a três metros de comprimento. Os
frutos são extraordinariamente ricos em açúcar (60 a 70 % de sacarose) e com um excelente sabor.
A composição das tâmaras em substâncias nutritivas e vitaminas encontram-se no quadro dos figos, pois estes dois produtos têm
uma ação muito parecida.
Efeitos no Aparelho Digestivo -- O seu valor dietético assenta no seu elevado conteúdo em sacarose, assim como na sua riqueza
em fibra e celulose. As tâmaras empregam-se como remédio nas doenças intestinais e do estômago que decorrem com inapetência,
nas alterações funcionais do fígado e nos processos patológicos das células hepáticas, nas anemias e na prisão de ventre. Pelo
contrário não devem ser utilizadas nos casos de diabetes, de obesidade e nas doenças gástricas que decorrem com hipercloridria.

2. Frutos Secos

Embora, desde há séculos se considerem os cereais como os alimentos vegetais mais importantes e influam por isso
consideravelmente na nossa alimentação, cumpre recordar que anteriormente predominava a alimentação com frutos de árvores e
que as nozes e as castanhas também desempenhavam um papel importante. Se são as gramíneas ou as árvores que proporcionam
uma nutrição mais valiosa, é coisa que ainda hoje se não pode decidir sob o ponto de vista científico. Os frutos das árvores e entre
todos eles os de tipo da noz exercem em todo o caso importante função na cozinha vegetariana.
São, portanto, muito necessários, uma vez que com os legumes secos constituem os principais fornecedores de proteínas, podendo
substituir a carne.
Composição e Características Destes Frutos - Se considerarmos a composição dos frutos secos, veremos que as suas matérias
minerais excedem em 2% as demais frutas. Ocupam os primeiros lugares o fósforo, o enxofre e o potássio. Isto prova que o
conteúdo em fósforo natural há de influir no sistema nervoso, fornecendo aos trabalhadores intelectuais um substituto da lecitina. O
elevado conteúdo de ferro, sobre-
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tudo nas avelãs, transforma-as num valiosíssimo meio para fomentar a função da medula, isto é, a formação da hemoglobina. Para
crianças anêmicas até podem ser um remédio. O conteúdo de enxofre dos frutos é também importante para o metabolismo e para
as atividades antitóxicas do fígado. É notável, também, o seu conteúdo em vitaminas do grupo B.
Importa salientar que os frutos secos são ricos em gordura e em proteínas completas, ultrapassando neste aspecto todos os
produtos vegetais, com exceção das sementes de soja. Podem, portanto, ser qualificados de carne vegetal. Uma comparação entre
o valor nutritivo das nozes com relação a outros alimentos animais portadores de proteínas mostra claramente a superioridade
daquela. 500 g de nozes correspondem a 1,5 kg de presunto magro, a 2 kg de perna de cordeiro ou de rins magros de vaca
assados, a 2 kg de nata concentrada, a 2,5 kg de ovos, a 2,75 kg de vitela, a 3 kg de frango, a 4,75 kg de leite ou a 6,75 kg de
ostras. Neste sentido cumpre salientar que esta proteína vegetal é completamente digerível. Todos os frutos oleaginosos (nozes,
avelãs, amêndoas, amendoins, pinhões e cocos) equiparam-se à carne quanto ao seu conteúdo em proteínas e ao seu valor
alimentar.
Vantagens das Proteínas dos Frutos Secos Sobre os Animais -- Por muitas razões são de preferir incondicionalmente os frutos
secos à carne:
1. Não apresentam produtos de resíduos do metabolismo, como ácido, uréia, etc., tão abundantes na carne.
2. Não estão expostos à putrefação, que não se pode evitar completamente no percurso da carne até chegar ao consumidor.
3. Estão livres de bactérias prejudiciais que a carne contém facilmente, sobretudo durante o verão (intoxicações freqüentes e graves
da carne e seus derivados).
4. Estão livres de parasitas, como lombrigas e triquina, que se localizam normalmente na carne.
5. Podem comer-se em cru, ao passo que a carne tem de ser exposta geralmente aos efeitos do calor.
Desde há muito que os desportistas apreciam as pequenas quantidades de alimento concentrado dos frutos secos combinados com
a fruta crua durante os treinos. A falta de matérias excitantes e tóxicas que dificultam o metabolismo e produzem sede, a sua leve
carga sobre os órgãos digestivos e o conjunto de substâncias energéticas, plásticas e minerais, fazem com que a noz seja um
alimento excepcionalmente apropriado para os desportistas.
A alimentação com estes frutos com casca e outras frutas é para muitas enfermidades o regime mais oportuno; é o caso de
escassez de cloro e de purinas (que se encontram sobretudo na carne, no queijo duro, no café e no chá), isto é, quando se trata de
enfer-
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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2
mos dos rins, do fígado, da circulação e da gota. Pelo seu elevado valor nutritivo são por sua vez impróprias para o caso de
obesidade.
Por isso, sobram motivos para procurarmos ampliar os nossos conhecimentos sobre as diversas classes de frutos de casca dura,
geralmente chamados frutos secos.

Amêndoas

Toda a gente conhece o fruto da amêndoa encerrado num caroço, que por sua vez está recoberto de uma pele coriácea e
abundandantemente pelosa. A amêndoa (Amygdalus comunis) é uma árvore parecida com a do pêssego, pertencente à família das
Rosáceas, que apresenta a particularidade de florir antes do aparecimento das folhas.
No mercado encontram-se diversas classes e variedades de amêndoas: espanholas, italianas, berberes (do Norte da África) e
alemãs.
O seu uso na confeitaria e na pastelaria é considerável, por causa do seu delicado gosto. Tem também importância na alimentação
e na medicina, embora se deva ter em conta que temos de eliminar as amêndoas amargas, pelo seu conteúdo de ácido cianídrico,
que as torna fortemente venenosas, até o extremo de sessenta amêndoas amargas causarem a morte.
AS SUBSTÂNCIAS NUTRITIVAS EM PERCENTAGEM POR GRAMAS
Ácidos
Proteínas Gorduras gordos não Hidratos de carbono Água Calorias
saturados
Amêndoas.... 21 53 12 13 6 637
Avelãs.......... 17 62 5 7 7 682
Nozes.......... 16 58 - 13 7 666
Amendoins... 27 44 - 15 7 591

VITAMINAS
Ácido
A B1 B2 Ácido E C
Pantogê-
U.I. gramas gramas nicotínico, mg mg mg
nico, mg
Amêndoas.... 580 250 670 5 400 0,4 -
Avelãs.......... 440 400 - - - - -
Nozes.......... - 48] 130 1,2 - - -
Amendoins... 360 750 300 15 - - -

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MINERAIS EM MG POR 100
Fósforo Enxôfre
Cálcio Magnésio Ferro Cobre Manganês
(P2O5) (SO3)

Amêndoas.... 45 80 4 1,2 20 400


800
Avelãs.......... 286 140 5 1,2 35 500
810
Nozes.......... 120 100 3 1 17 350
930
Amendoins... 100 150 2 - 42 410
800

Composição e Valor Terapêutico - Como se depreende do quadro acima apresentado, a composição das amêndoas em
substâncias nutritivas é muito semelhante à das nozes, pelo que têm o mesmo valor na alimentação.
0 Dr. Bircher-Benner demonstrou o significado do leite de amêndoas na alimentação da lactante. Este «leite vegetal» apresenta,
perante o leite dos animais as vantagens da sua proteína vegetal.
Esta razão torna aconselhável o leite de amêndoas numa dieta especial na terapêutica dos eczemas infantis, que se sentem piorar
ou recebem uma forte umectação com o emprego do leite da vaca. Nas diarréias agudas dos lactentes, é de muito bom efeito
administrar uma mistura de leite de amêndoas e soro com uma dieta estável. Contudo, nestes casos, deve-se consultar o médico. O
uso do leite de amêndoas é recomendado em todas as alterações digestivas do lactente que decorram com infecção. Não se pode,
contudo, usar como regime normal da terapêutica dos lactentes, devido à sua pobreza em cálcio, especialmente quando se trata de
recém-nascidos ou de crianças atrasadas no desenvolvimento.
Para os adolescentes, enfermos e convalescentes, é o leite de amêndoas uma bebida refrescante, delicada e apetitosa.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2
Emprego e Preparação do Leite de Amêndoas -- A preparação do leite de amêndoas, segundo o Prof. Henpke, é como se segue:
escaldam-se 250 g de amêndoas com água fervente, tira-se-lhes a pele e secam-se as amêndoas propriamente ditas.
Seguidamente, trituram-se as amêndoas doces num liquidificador e misturam-se, o mais possível, numa vasilha, com três ou quatro
colheres de água fria. Põe-se a massa numa travessa e bate-se, juntando-se-lhe um litro de água fervida e depois esfriada.
Coloca-se em seguida, durante duas horas, na geladeira, e passa-se a emulsão por um pano fino. O leite de amêndoas mantém-se
durante 24 horas fresco no gelo, metido em frascos totalmente limpos. Pode fazer-se um apetitoso e doce leite de amêndoas
desfazendo em água, maçapão mole e de boa qualidade.
Eis a receita do Prof. Glazmann: deixam-se 150 g de amêndoas doces em água fria, de 12 a 24
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horas, tira-se-lhes a pele e trituram-se num liquidificador. Misturam-se depois numa vasilha, adicionando paulatinamente, durante
meia hora, um litro de água. Pode fazer-se isto com maior facilidade acrescentando um pouco de sal. Finalmente, filtra-se tudo por
um pano muito fino, misturando com igual quantidade de água. Junta-se três por cento de farinha de arroz ou de milho e uns cinco
por cento de açúcar; coze-se tudo muito bem, conseguindo-se com isto uma fina e total emulsão do leite de amêndoas.
Nos ervanários da Europa pode adquirir-se uma pasta de amêndoas sem casca de boa qualidade e preparar rapidamente leite de
amêndoas adicionando água.
Por pressão a frio de amêndoas doces ou amargas trituradas, pode obter-se um óleo, que apresenta a peculiaridade de não secar
ao ar, pelo que se emprega largamente como lubrificante na mecânica e na relojoaria. Como remédio, emprega-se a gordura de
amêndoa para abrandar a secreção endurecida do ouvido e para a pele. A porção que fica, depois de se ter obtido o óleo por
pressão, emprega-se na cosmética como creme de amêndoas.
Outros Usos das Amêndoas Como Remédios -- As amêndoas amargas são empregadas pelos médicos naturalistas como
remédio contra as estases pulmonares e contra a denominada «tosse cardíaca». A sua ação é devida ao conteúdo em ácido
cianídrico das amêndoas amargas. A medicina homeopática considera o ácido cianídrico muito eficaz contra as falhas do coração,
perigo de colapsos e estases dos capilares vasculares (ou vasomotores). Nestes casos, comer uma amêndoa amarga por dia, como
remédio. Pode conseguir-se o mesmo efeito embora tudo esteja baseado no conteúdo de ácido cianídrico mediante o emprego de
água de amêndoas amargas (aqua amygdalaruin amararum).

Amendoim

0 amendoim, cujo nome científico é Arachis hypogea, é uma planta leguminosa, nativa na América do Sul. Atualmente também se
cultiva nas regiões tropicais e subtropicais da América, na África Oriental e Ocidental e nas índias Orientais.
0 amendoim apresenta a particularidade de poder amadurecer os frutos debaixo da terra, donde lhe deriva o nome latino (hypogeus
= subterrâneo).
Composição e Propriedades Como Fruto Oleaginoso - Me-
95
diante pressão a frio (1a. e 2a. extração) obtém-se um azeite de cozinha excelente e de muito bom sabor, ao passo que - mediante
pressão a quente (3a. extração) o azeite que se obtém só se utiliza para o fabrico de sabões. Os amendoins fortemente torrados
também se empregam como sucedâneos do café. O subproduto resultante das extrações (torta de amendoim, farinha de amendoim)
forma um magnífico alimento que com pequenas quantidades de gordura contém uma elevada proporção de proteína (28%).
Os amendoins do Brasil e da África são os que produzem o melhor azeite, e os da Índia, os de mais baixa qualidade, ao passo que
os japoneses costumam dar os maiores rendimentos. A percentagem de azeite pode chegar a 40-50% de média, incluindo 53% nos
de origem tropical. Os cultivados nas zonas temperadas costumam atingir 25 ou 20 %, pelo que o seu cultivo não é muito rentável
nestas regiões. Nas partes quentes da terra costumam as plantas dar maior quantidade de óleos do que nas frias, já que
precisamente a acumulação de gordura nas sementes é um processo especial para lutar contra as altas temperaturas.
Na produção de amendoins estão à cabeça a China e a índia com 60% do total, seguidas pela África com 30%. Nos mesmos países
produtores, consome-se cerca de um quarto da quantidade total produzida.
0 produto obtido mediante pressão a frio é um azeite de cor amarela clara, sem cheiro característico e quase insípido. Como todos
os azeites e gorduras é uma combinação de glicerina com diversos ácidos gordurosos, saturados e insaturados. Entre estes últimos
encontram-se alguns dos chamados «essenciais», totalmente necessários para o organismo humano, mas que este não pode
sintetizar por si mesmo, razão pela qual o óleo de amendoim adquire enorme valor dietético. Os ácidos gordurosos essenciais têm
um caráter semelhante ao das vitaminas. São imprescindíveis no metabolismo para manter em perfeito estado de saúde a pele e o
sistema circulatório, para a defesa contra as infecções no crescimento e para a respiração normal das células.
Valor Dietético -- Por estas razões é conveniente o emprego do óleo de amendoim obtido por pressão a frio nas doenças da pele,
do coração e do sistema circulatório, e em todas as alterações do metabolismo, às quais pertence também, em último lugar, o
câncer.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2

Deve afastar-se a utilização do óleo de amendoim hidrogenado como alimento ou como meio dietético, porque o processo de
redução transforma grande parte dos ácidos gordurosos não saturados, de grande utilidade para o organismo, como se disse, em
ácidos gordurosos saturados, perdendo, assim, o seu valor.
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Avelã

A avelã (Corylus avellana) é um arbusto que cresce naturalmente em quase toda a Europa, Ásia Menor e parte também da América
do Norte, figurando na família das Betuláceas (Abedules), cobrindo antigamente grandes superfícies e constituindo uma importante
fonte de alimentação.
Composição e Propriedades Os quadros de composição bromatológica dão-nos o seguinte resumo sobre a composição da avelã
(como fruto seco sem casca), infelizmente muito incompleto quanto ao conteúdo em vitaminas.
Por cento
Água..............................7,1
Proteínas......................17,4
Gordura.......................62,6
Hidratos de Carbono.....7,2
Minerais........................1,3
Celulose........................3,17
Vitamina B1..................0,460 mg
Caroteno......................0,265 mg
Vitamina C...................6,000mg
Calorias...................682

Deste quadro podemos concluir que a avelã dispõe de um elevado conteúdo de óleo (48-66%), pelo que é muito aproveitada como
matéria oleaginosa para objetivos alimentares e industriais. Bem mastigados, estes frutos prestam-se muito bem para o consumo
cru, tanto mais que 15 a 20 avelãs equivalem a uma refeição pelo seu elevado conteúdo de proteínas e de gordura. O proveito é
ainda muito maior se tiverem sido trituradas ou raladas ou moídas num moinho ou no liquidificador. Nesta forma, as avelãs
desempenham um papel importante na alimentação dos diabéticos e nas curas para engordar.
A avelã é utilizada para a elaboração de produtos de grande riqueza alimentar, como o leite de avelã, manteiga de avelã, pasta de
fruta de avelã, pastéis de avelã, biscoitos de avelã. Uma mistura de avelã moída com um pouco de mel e abundante nata açucarada
renova rapidamente as forças de quem a consumir.

A Azeitona e o seu Azeite

Diz um adágio antigo que o azeite tira todo o mal, indicando assim o que ele representa para o homem.
A oliveira (Olea europaea) é uma árvore que atinge de 6 a 10 metros de altura, com abundantes ramificações.
Atualmente, cultivam-se numerosas variedades de oliveira: na
97
Península Ibérica, nos países mediterrânicos, na Califórnia, na União Sul-Africana e no Sul da Austrália.
A cultura da oliveira é muito antiga. Os sumérios, os primitivos habitantes do Sul da Babilônia, já conheciam a oliveira, no ano 4.000
antes da nossa era; os egípcios também mencionam o azeite da oliveira no Papiro de Eber, três milênios antes da Era Cristã.
Composição das Azeitonas -- As azeitonas, logo que começam a cair os frutos mais maduros, devem ser apanhadas à mão, ou
então mediante a varejadura da árvore. As azeitonas frescas contêm 25-38% de azeite, ao passo que as dessecadas podem dar até
57 %. As azeitonas frescas, têm um sabor acre, ácido e desagradável. Além do azeite, já mencionado, contêm 3 % de proteínas, 39
% de hidratos de carbono e 8 % de fibra bruta. São de reação básica e o seu conteúdo em minerais é o seguinte: 1.000 mg por
cento de potássio, 100 mg por cento de sódio, 80 mg por cento de cálcio, 2 mg por cento de magnésio e 8 mg por cento de ferro. As
vitaminas estão pobremente representadas por 190 U.l. de vitamina A por 100 gramas.
As azeitonas frescas não têm significado especial dietético.
Obtenção e Características do Azeite -- Para obter um bom azeite de oliveira para o consumo de mesa é preciso dessecar,
previamente, as azeitonas, até apresentarem um aspecto ligeiramente enrugado.
Cumpre evitar que a temperatura ultrapasse os 35'C, porque neste limite começa a atuar rapidamente o fermento lipolítico. Depois
da seleção, as azeitonas são submetidas, com o caroço ou sem ele, a altas pressões (20-50 atmosferas) a frio, obtendo-se o melhor

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2
azeite de cozinha, o chamado azeite virgem. O total beneficiado costuma subir a 70 % do azeite existente. O resto pode ser obtido
mediante o uso de maiores pressões, pelo calor ou com a ajuda de dissolventes, mas o azeite assim obtido é de qualidade inferior.
O azeite extraído por pressão a frio é completamente claro, só raras vezes está um pouco turvo, de cor amarelo-claro, ou
amarelo-ouro, com um peso específico de 0,916-0,918. O sabor e o aroma, suave e agradável, variam, conforme a procedência,
mas podem tornar-se desagradáveis no caso de azeites virgens ou nos que são obtidos numa segunda prensada. Os azeites de
extração apresentam, às vezes, uma coloração verde amarelada ou verde parda-
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centa. O azeite de oliveira submetido a uma vigorosa agitação pode apresentar borbulhas na superfície, sinal de que foi submetido a
alguma falsificação.
O azeite da oliveira (Oleum oli varum) é um azeite gordo, que não seca, que começa a turvar-se aos 10'C por uma parcial
cristalização que a 0'C forma uma massa com aspecto de sebo. Os dados da sua composição são os seguintes: à volta de 25 % de
gorduras consistentes (glicéridos dos ácidos esteárico, palmítico e araquidônico), 25 % de gorduras fluidas (glicéridos dos ácidos
oléico, linólico e outros) e 0,54,5 % de ácidos gordurosos livres. Não estão presentes na sua composição as proteínas e os hidratos
de carbono; apenas contém minerais e só 300 U. I. de vitamina A. Cem gramas de azeite produzem 900 calorias.
Significado Alimentar e Terapêutico do Azeite -- O azeite de oliveira tem extraordinário valor dietético, terapêutico e na fisiologia
da alimentação. É muito importante, sob o ponto de vista de tinia alimentação completa e sã, usar gorduras que não signifiquem
apenas a contribuição de determinado número de calorias, mas que cubram igualmente as necessidades do organismo em
elementos essenciais que apresentem a particularidade de não se armazenar nos tecidos. Estas substâncias de alto valor biológico
existem nos ácidos gordurosos não saturados dos azeites vegetais extraídos a frio e, por isso, também no de oliveira; impedem a
formação de acumulações de gordura. É conveniente ter cuidado em usar apenas azeites genuínos, obtidos por extração a frio, e
não aqueles que por refinação têm um aspecto claro e transparente e se transformaram num produto inodoro e insípido. Em cada
uma destas elaborações perde o azeite as suas características mais importantes. O azeite de qualidade só deve ser obtido a partir
de frutos completamente maduros.
0 azeite de oliveira está indicado para a preparação dos alimentos que devem consumir os doentes do fígado, vesícula biliar,
aparelho circulatório, estômago, intestinos, pele e sistema renal. Também pode ser usado simplesmente como purgante, tomando-o
às colheres. Nos casos de acentuada prisão de ventre, emprega-se meio litro de azeite em forma de enema.
Nas cólicas produzidas por cálculos biliares, tomam-se 100-200 g de azeite, no intervalo de algumas horas. Mediante a
administração de 0,3 g de mentol o azeite torna-se menos repugnante para se tomar.
Para eliminar os cálculos biliares pode seguir-se durante bastante tempo a seguinte pauta: de manhã, em jejum, tomar de 100 a 200
cm3 de azeite de boa qualidade durante três dias seguidos. Tal cura não deve ser empregada naturalmente nos casos que decorrem
com inflamação aguda, nos quais se deve atender à preparação facultativa e utilizar ou-
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tros meios, como por exemplo, os sais de KarIsbad.
Mediante a administração de 20 cm3 de azeite, à temperatura do corpo, por meio de uma sonda duodenal, pode provocar-se uma
forte evacuação da vesícula biliar, que pode ser muito conveniente nas radioscopias para provocar uma imagem por contraste da
vesícula.
Em dermatologia, emprega-se muito o azeite de oliveira, principalmente como dissolvente (por exemplo do ácido salicílico e seus
derivados), ou então na preparação de pomadas. Neste último caso, o azeite aumenta a fluidez da pomada, devido ao seu baixo
ponto de fusão.
Também se emprega o azeite de oliveira nas inflamações e irritações das mucosas, especialmente na preparação de instilações e
toques nas afecções de nariz, garganta e ouvidos.

Castanhas

Composição -- É característico o elevado conteúdo em hidrocarbonatos, sobretudo na forma de açúcar facilmente solúvel. O
conteúdo de proteínas corresponde aproximadamente ao dos cereais e, como nestes, não é todo de grande valor. O conteúdo de
gordura e minerais é também aproximadamente o mesmo que o dos cereais. As vitaminas do grupo B estão representadas com
abundância e as outras escasseiam ou faltam em absoluto. Entre os minerais destaca-se o potássio e o fósforo.
Assando ou cozendo a castanha, desaparece o seu sabor áspero, que só permite consumi-Ias cruas em pequena quantidade e
converte-as em brandas, farinhentas, saborosas e digeríveis.
Valor Dietético -- São boas as curas de engordar e, por carecerem de sal, para os doentes de coração, circulação e rins. Os
diabéticos têm que ter em conta o elevado conteúdo de hidratos de carbono, para não se excederem as quantidades autorizadas. É
muito importante a farinha de castanhas pela sua fácil digestão para doentes, crianças anêmicas e anciãos sem dentes. Retiram-se

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2
primeiramente com uma faca as cascas duras, pondo depois as castanhas em água muito quente, mas sem ferver; alguns
momentos depois, solta-se com facilidade a pele interior; lavam-se seguidamente em água fria e deixam-se secar. Finalmente,
passam-se por um pequeno moinho de café graduado para moer em grosso, ou por um liquidificador. A farinha que assim se obtém
presta-se para fazer uma excelente sopa.
100

Castanha-do-Pará

São frutos triangulares de forma ovalada, também chamados castanhas-do-maranhão (Bertholletia excelsa). Pertencem à família
das Lecitidáceas. Estas castanhas têm debaixo da casca dura uma semente parecida com a amêndoa, muito saborosa, e
consomem-se quase exclusivamente cruas. São muito ricas em óleo (70%). O óleo extraído do fruto em boas condições é claro, sem
cheiro e de sabor agradável.
A castanha-do-pará é indispensável aos desnutridos. Os desmineralizados, os anêmicos e tuberculosos encontram nessa castanha
um alimento preciosíssimo. Recomendável na alimentação das crianças, das gestantes e das lactantes.
Garcia Paula afirma que «a castanha-do-pará, na taxa de 20% evitou nova crise de beribéri.»
Rica em calorias, não perde para nozes. Possui grande teor de proteínas. Em virtude de seu valor protéico, um nutrólogo denominou
a castanha-do-pará de «carne vegetal».
É aconselhável aos intelectuais por causa de seu teor de fósforo, e ao trabalhador braçal, em virtude de sua riqueza em gorduras.
Deve-se mastigar bem a castanha-do-pará por ser de difícil digestão.

Coco

Nos trópicos o coco (Cocos nuccifera) é muito apreciado tanto pelos brancos como pelos nativos, por causa da sua polpa branca e
substanciosa e pela refrescante água, tudo protegido por uma durissima casca. A polpa e a água de coco constituem um alimento
geral naquelas regiões, pois podem ter diversas aplicações. Pode ser ralado, assado, cozido e empregar-se em numerosos
preparados. Também são quase imprescindíveis na cozinha tropical o óleo e a gordura do coco. As pouco exigentes palmeiras de
cocos não só proporcionam aos indígenas os cocos, cuja casca lhes serve muitas vezes de vasilha, como também as folhas para os
tetos das cabanas de barro; o miolo (palmito) vende-se como artigo de luxo.
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Composição e Propriedades -- Os efeitos curativos do coco são devidos principalmente ao seu conteúdo de magnésio. O corpo
necessita dele para a conservação da tensão muscular, chegando muitos investigadores à conclusão de que é indispensável para a
defesa contra as alterações cancerígenas das células. Os alimentos ricos em magnésio, como o coco, fazem parte do regime
anticanceroso, juntamente com a laranja, o trigo, a cevada, a aveia, o milho, as amêndoas, o aipo, o soja e as nozes.
Além dos ossos que contêm fosfato magnésico, são também ricas em magnésio as cartilagens e parece ser necessária a presença
deste elemento para a sua função normal.
A polpa e a água de coco consumidos em jejum provocam a expulsão de determinados tipos de tênias.
O coco, esse fruto exótico tropical, merece ser incluído no nosso programa de alimentação. As suas qualidades curativas devem ser
objeto de um estudo atento.

Coco-da-Baía

Alimento completo, o coco é excelente substituto da carne, do queijo, do ovo e do leite, aos quais é superior.
0 coco-da-baía medra principalmente na Bahia e em Pernambuco. É rico em proteínas, gorduras, calorias, sais, hidratos de carbono
e vitaminas A, B1, B2, B5 e C.
A água de coco tem várias aplicações na terapêutica caseira. A água e o leite de coco são apropriados nos casos de rugas da pele.
Prestam-se também como calmantes, diuréticos, mineralizantes, febrífugos, aperientes, depurativos do sangue, etc.
0 coco verde possui as mesmas propriedades do leite materno, segundo experiências realizadas nos Estados Unidos. No Havaí, as
mães costumam alimentar os bebês com leite de coco.
Uma colherada de coco pela manhã, é excelente remédio contra vermes intestinais. E a polpa age como adstringente nas
hemorroidas.
Em virtude das propriedades que encerra, o coco pode alimentar a vida do homem indefinidamente. Daí ser aconselhável seu largo

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2
uso.

Faia (Landes da)

A faia (Fagus sylvatica) encontra-se em várias regiões da Península Ibérica, onde tem várias designações. Pertence, como o cas-
102
tanheiro, de que já falamos, à família das Fagáceas. Os conhecidos frutos triangulares de cor parda-avermelhada constituem um
alimento muito cobiçado pela fauna dos bosques, sendo infelizmente pouco apreciados pelo homem.
Não é aconselhável o consumo de grandes quantidades destas landes, porque produzem, às vezes, dores de cabeça e náuseas. A
casca contém fagina, matéria tóxica para homens e animais. O óleo, depois de quente, fica liberto de produtos nocivos e pode
empregar-se vantajosamente na cozinha, como qualquer azeite.

Juncinha Mansa

Uma planta alimentar de grande interesse é a juncinha mansa (Cyperus esculentus), tubérculo de uma ciperácea, que em Portugal
também é conhecida por junça de comer, juncinha avelanada e chufa. Embora botanicamente não possa figurar entre os frutos de
noz, temos de a incluir aqui por causa da sua semelhante aplicação.
Este tubérculo constitui, como o soja, uma rara concentração de alimentos.
Composição e Propriedades -- Além de ser uma planta herbácea, dá vida a numerosos tubérculos de grande riqueza nutritiva, cuja
análise sobre matéria seca dá os seguintes valores: gordura, 20- %; proteína bruta, 36,5 %; fibra bruta, 15,23 %; féculas 2-3 %;
vitaminas (especialmente H e P) e numerosas enzimas.
0 azeite que se obtém da juncinha corresponde em todos os aspectos aos melhores de mesa, incluindo o de oliveira, sem secar nem
tomar ranço com facilidade e com sabor análogo ao da noz ou da amêndoa. Como possui um grande conteúdo de ácidos
gordurosos não saturados (sobretudo 15,2 % de ácido linólico) é de grande valor fisiológico e alimentar, segundo já se disse no
capítulo referente ao significado das gorduras. Para o aproveitamento da gordura é necessário, ao mesmo tempo, o consumo de
hidrocarbonatos. A relação favorável entre gorduras e hidrocarbonatos é de uma para dois, isto é, se se admi-
103
nistram 50 gramas de gordura deve-se administrar também 100 gramas de hidratos de carbono. A natureza consegue esta ótima
relação no leite das mães lactantes, que contém 3,5 % de gordura e 7 % de hidratos de carbono. O mesmo valor quase aproximado
se repete na juncinha, que em termo médio contém 22 % de gordura e 50 % de hidratos de carbono.
Emprego da juncinha no Diabetes -- Ao que parece, nunca se efetuaram investigações muito minuciosas acerca do conteúdo de
vitaminas e minerais na juncinha e no seu azeite; mas, se se fizessem, levariam a resultados interessantes e valiosos, com respeito
à importância alimentar e fisiológica da juncinha.
Para o emprego na alimentação, é de indicar que dos tubérculos secos se obtém uma farinha excelente para a preparação de
«bolachas ou biscoitos de amêndoas», que são especialmente úteis para os diabéticos. Da mesma maneira que das amêndoas,
também da juncinha se pode obter um leite vegetal saboroso e refrescante. Diga-se de passagem que a juncinha se emprega na
preparação de chocolate e como substituto do cacau e do café.

Nozes

Entre as plantas que produzem nozes (Juglandáceas) figura a nogueira (Juglans regia), árvore muito conhecida, de 10 a 20 metros
de altura, que possui uma casca cinzento clara que com os anos apresenta grandes rachas.
A nogueira procede da Ásia; ainda hoje existem enormes bosques de nogueiras no Himalaia. Pela sua grande capacidade de
adaptação e suas poucas exigências quanto ao solo, tem sido introduzida em quase todos os países do mundo.
0 seu desenvolvimento é fácil, desde que se escolham para a sementeira variedades autóctones e acreditadas.
Características e Emprego Como Alimento -- O valor nutritivo completo supera o da carne de vaca com muita vantagem. 100
quilos de nozes contêm 50 quilos de óleo de noz e 100 g de óleo de noz contêm 50 g de gorduras. Além do seu valor nutritivo, o rico
conteúdo em cálcio, fósforo e vitamina B naturais provam a conveniência da noz como alimento ideal para o sistema nervoso.
As antigas teorias científicas do simbolismo viam na aparência externa da noz como que um cérebro humano e, por isso, um
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indício da sua importância para a cura do cérebro.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2
Para os diabéticos, a noz desempenha um papel análogo ao dos outros frutos da sua espécie. Deve figurar no cardápio diário, que
ficará assim enriquecido sob muitos aspectos. Os obesos devem evitar comer nozes, por causa do seu elevado valor calórico. Para
os mal-alimentados e para os convalescentes é de recomendar-se em quantidades prudentes para enriquecer a alimentação.

3. Frutos de Baga

Abacate

O abacateiro (Persea gratissima; Laurus persea) pertence à família das Lauráceas. É uma árvore grande, muito elegante, chegando
até 20 metros de altura. O caule é pouco reto, e a extremidade superior dos ramos e os brotos são de amarelo-tormentoso. As folhas
são pecioladas, alternas, acumeadas, agudas ou agudo-arredondadas na base. As flores, muito pequenas, são pálidas ou
branco-esverdeadas.
O fruto, de tamanho variável, é uma baga ovóide ou piriforme, medindo até 20 cm de comprimento. Contém polpa verde, finíssima,
comestível, que envolve a semente, grande e globulosa. Além de uma pequena porcentagem de ácidos, o abacate possui matérias
graxas, proteínas, substâncias minerais, óleo pingue, açúcar, hidrato de carbono, etc. Com exceção da banana, o abacate tem
quatro vezes mais valor nutritivo do que os outros frutos.
Emprego -- Prisão de ventre, flatulências, perturbações digestivas, gota, reumatismo, afecções dos rins, da pele, do fígado, etc., eis
alguns problemas que podem ser resolvidos mediante a ação das propriedades medicinais desse fruto.
As cascas são vermífugas, sendo também adequadas para o tratamento de hemorragias, disenterias e bouba. O chá das folhas, por
sua vez, é excelente diurético, sendo também eficaz nos seguintes casos: nevralgias, dores de cabeça, catarros, bronquite, diarréia,
afecções da garganta, cansaço, dispepsia atônica, rouquidão, tosse, disenteria, etc.
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Abricó-do-Pará (Mammea americana)

Da família das Gutiferáceas, o abricó-do-pará é produto de uma árvore muito frondosa e grande, de forma piramidal, podendo atingir
até 15 metros de altura. As folhas são pecioladas, verde-escuras, nernicosas, medindo até 14 cm de comprimento. As flores são
brancas e perfumadas.
É cultivada em toda parte do Brasil, especialmente no Estado do Pará. O fruto, muito gostoso, apresenta uma massa cor de
abóbora, podendo ir à mesa no estado natural. Possui as vitaminas A, B 1, B2 e C. É fonte de calorias, hidratos de carbono,
proteínas, gorduras e água. Recomenda-se para os seguintes casos: gota, arteriosclerose, ácido úrico, tumores e endurecimentos,
escorbuto, raquitismo, afecções cutâneas, catarros, etc.

As folhas são febrífugas e a resina da casca é adequada contra o conhecido As sementes possuem propriedades vermífugas.

Abrunhos

0 freqüentemente desprezado abrunheiro (Prunus spinosa) pertence à família das Rosáceas e dá-se em toda a Península Ibérica,
em sebes, matos e lugares pedregosos. Este arbusto tem muitos nomes. Costuma apresentar-se como arbusto espinhoso perene
bastante espesso, com a casca quebradiça, cinzento-escura, de mais de dois metros de altura. Os frutos, quase esféricos,
suculentos e de sabor amargo, com um só caroço grande, quando maduros têm uma cor azulada; o interior é polpudo e verde.
Colhem-se e empregam-se as flores, seguindo as normas repetidas nas espécies anteriores.
Composição - Nas sementes, encontram-se geralmente 3 % de amigdalina, óleo gorduroso e emulsina; nas folhas, um glicósido e
nas flores pequenas quantidades de glicósidos que produzem ácido cianídrico.
Emprego Como Planta Medicinal - As flores do abrunheiro atuam contra as convulsões e as
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dores e são um laxante suave. Nas pessoas que têm qualquer forma de prisão de ventre persistente, com dores e espasmos, e que
têm uma evacuação dura e grumosa, agravando-se a prisão de ventre com o emprego dos demais laxantes mais gástricos -- devem
empregar-se flores de abrunheiro. Prepara-se uma infusão com uma colher das de chá de flores secas e uma xícara de água;
bebe-se uma xícara assim preparada de manhã e outra à noite.
Emprego Como Alimento -- Podem conservar-se os abrunhos adicionando-lhes um pouco de açúcar e diversas especiarias,
empregando-se, assim, como alimento. Se tiverem sido gelados ficam bons para fazer suco.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2

Amoreira

No que diz respeito aos objetivos deste livro, achamos que devemos incluir neste capítulo todas as «amoras», cujos frutos pretos,
comestíveis, têm propriedades semelhantes às do Rubus fructicosus. Esta espécie dificilmente se diferencia de outras muito afins,
como Rubus discolor, R. thyrsoideus, R. amoenus que, com o Rubus caesius, são muito freqüentes na Península Ibérica,
apresentando vários nomes, conforme as regiões.
Aparece sobretudo nas orlas dos bosques, dos prados, nas sendas das montanhas e colinas.
Cortam-se as folhas com o talo, à tesoura, e deitam-se numa cesta. Retiram-se as folhas descoradas. Colocam-se o mais depressa
possível numa camada fina no solo para secar, guardando-as depois em sacos. O produto elaborado tem a cor das folhas frescas já
maduras.
Depois recolhem-se uma a uma as amoras e colocam-se em cestos de modo que não fiquem apertadas. Os frutos têm um
agradável sabor ácido.
Para cultivo são menos apropriadas as amoras silvestres do que as formas mistas obtidas por cruzamentos. Os arbustos não
exigem grandes condições, quanto ao solo, mas preferem o calor. Plantam-se em filas à distância de 1,50 m e apóiam-se em
estacas atando os ramos tenros e podando no outono os ramos velhos. Consegue-se a multiplicação mediante rebentos debaixo de
vidro ou enterrando as pontas verdes dos renovos em terra mole.
Composição -- As folhas contêm tanino, ácidos orgânicos, especialmente láctico, resinas, pigmentos e pectina. O óleo de amoras
contém como componente essencial um óleo de cor verde-amarelada escura, que em plena
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luz dá uma fluorescência vermelha, com glicéridos dos ácidos em pequenas quantidades, assim como ácidos gordurosos saturados,
sobretudo ácido palmítico. A cor do óleo é devida ao conteúdo de clorofila.
Valor Como Planta Medicinal -- Como portadoras de tanino, as folhas das amoreiras têm qualidades antidiarréicas e
antiinflamatórias. Recomenda-se o emprego de infusões nos casos de irritações catarrais e inflamações das vias gastrintestinais,
diarréias, inflamações do intestino grosso e hemorróidas. Nos catarros das vias respiratórias, assim como nos fleimões e
inflamações das gengivas, empregar um cozimento de folhas de amoreira para gargarejos.
Usos Como Alimento -- A amora emprega-se para infusões que substituem o chá na vida familiar. Mediante a fermentação
obtém-se das folhas um bom substituto do chá: 2 partes de folhas de amoreira e 1 parte de folhas de framboeseiro; depois de secas
e um pouco prensadas, regam-se com água e envolvem-se num pano, deixando-as durante dois ou três dias num lugar quente. A
fermentação produz um aroma semelhante ao das rosas. Perdem-no quando secam; mas podem conservá-lo, se forem guardadas
num recipiente de lata, estando ao ar. Esta infusão constitui uma bebida aromática para o desjejum.

Arandos

0 arando ou erva-do-monte (Vaccinium myrtillus) pertence à família das Eriáceas. Os arandos são freqüentes nas montanhas do Alto
Minho, e nas Serras do Marão e Estrela, em Portugal.
Os frutos maduros são de cor azul-escura brilhante, com suco violeta-escuro e muitas sementes pequenas e pardas.
A cor das folhas permanece inalterada na dessecação e têm um ligeiro sabor adstringente. Conservam-se em saquinhos.
Os frutos maduros são colhidos a mão. Guardam-se em baldes ou em cestos; para os secar, estendem-se numa só camada,
durante alguns dias. Têm um sabor agridoce e levemente adstringente. Conservam-se em caixas. Deve-se inspecioná-los com certa
freqüência.
Composição - Nas folhas encontra-se tanino, ácido málico, ácido cítrico e glicose. Nos frutos, além destes produtos, encontra-se,
também, pectina, o glicósido corante mirtilina e vitaminas A, C e, em menor quantidade, B.
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Características Terapêuticas -- Como meio curativo, os arandos são um excelente fruto silvestre e notam-se pelos seus especiais
valores medicinais. A sua característica principal de curar todo o tipo de diarréia já era conhecida pela antiga medicina popular. Não
é só o grande conteúdo de tanino que caracteriza esses efeitos, mas também o ácido tânico que forma combinações naturais com
os corantes orgânicos, mediante os sucos intestinais. Desta forma atuam unidos aos pigmentos (corantes) de uma forma intensiva e
contínua a todo o comprimento do tubo intestinal. As mesmas substâncias produzem os efeitos antissépticos e antiinflamatórios dos
arandos demonstrados pelo farmacólogo Flury.
É especialmente notável que o suco ou extrato de arando exerça uma autêntica ação bactericida e de inibição do crescimento sobre
culturas bacteriológicas puras. Os colibacilos, causa principal da diarréia fermentada, podem tornar-se inócuos dentro do prazo de
vinte e quatro horas. A força curativa dos arandos pode fazer frente neste sentido à concorrência das modernas preparações de

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2
sulfamidas, empregadas para combater as infecções colibacilares do intestino. Precisamente no momento das diarréias do verão, a
Natureza pôs à nossa disposição um meio de proteção e de cura. Mas os arandos secos ou de conserva também podem
desenvolver igual eficácia no inverno. Devem, figurar, portanto, em todos os lares, tanto secos, ou de conserva, como em sucos em
frascos. Para todos os processos de fermentação ou de putrefação intestinais que acompanham a diarréia, temos à nossa
disposição um remédio natural rápido e simples, que além disso será gostosamente aceito pelas crianças.

Dieta na Base de Arandos -- As curas de arandos constituem também um excelente meio natural e totalmente inócuo para libertar
as crianças e os adultos de lombrigas e de parasitas intestinais. A forma mais fácil de efetuar a cura é alimentar-se, exclusivamente,
durante três dias consecutivos, de arandos crus ou ligeiramente cozidos. A limitação da alimentação com arandos custa apenas
naturalmente um esforço; mas a firme decisão de terminar de vez com a pesada moléstia tem ampla recompensa.
Nas pessoas sãs, os arandos frescos, comidos com um pouco de açúcar ou leite, provocam a secreção das glândulas gástricas e
intestinais e, sobretudo, do pâncreas; impedem que se declare uma diarréia por consumo de alimentos não totalmente frescos.
Cumpre citar, especialmente, as folhas dos arandos que contêm uma substância semelhante à insulina. O emprego dessas folhas,
em forma de pó ou de infusão, pode completar o regime, no caso de diabetes ligeiros e naqueles casos em que é conveniente
poupar a insulina, embora ultimamente se tenham conhecido ou-
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tras plantas das quais se pode esperar um forte efeito de redução de açúcar no sangue, que em muitos casos evitará a injeção de
insulina. Pelo menos, pode permitir-se, dentro de prudentes limites, o consumo de arandos aos diabéticos, pois contêm muitas
substâncias semelhantes à insulina. Suportam-nos muito bem e, em muitos casos, tão bem como o mel, que possui substâncias que
fazem baixar o nível da glicose no sangue.
Além do uso interno, o suco de arando cozido cura os eczemas, mesmo que sejam supurativos, assim como a sicose da barba e as
feridas e as cicatrizes de cura difícil nos diabéticos.
Portanto, arandos frescos, em tintura ou em suco, não devem faltar em nenhum lar.
Valor Alimentar - Os arandos com leite servem de excelente reconstituinte, sendo suportados até pelos estômagos mais delicados.
Frescos, são de excelente sabor, misturados com açúcar ou banhados em leite. São muito conhecidos a frituras e as sopas de
arandos. As suas compotas, sucos, purês, doces e geléias são muito agradáveis; também se podem conservar em frascos com
açúcar ou esterilizados sem ele.

Arandos Encarnados

A família das Eriáceas fornece-nos arandos encarnados (Vaccimum vitis idaea). Aparecem em solos calcários, em prados e
bosques.
O arando encarnado floresce formando pequenos arbustos vivazes, cujas bagas se colhem em cubas ou cestos. Formam cachos, e
têm um sabor levemente ácido; são aromáticos e adstringentes.
Composição -- Como substâncias ativas e estruturais, encontram-se em suas folhas arbutina, metilarbutina, ericolina e tanino, e nos
bagos muitos ácidos de tanino e outros orgânicos.
Modo de Atuar e Aplicações -- Como planta curativa, por causa do conteúdo em arbutina e metilarbutina, podem empregar-se as
folhas dos arandos encarnados nas inflamações dos rins e da vesícula. Os bagos espremidos em água proporcionam aos doentes
com febre uma bebida refrescante. O seu conteúdo em ácido tânico explica os benefícios da sua aplicação na diarréia.
Como alimento pode preparar-se uma infusão com as inflorescências do arando encarnado para o desjejum ou para o lanche. As
bagas podem ser consumidas
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frescas, em compota, de conserva, ou em sucos, geléias e doces com numerosas aplicações.

Caqui

Originário da China, da Coréia e do Japão, o caqui (Diospyros Kaky) é um fruto amarelo-escuro. A árvore que o produz pertence à
família das Ebenáceas.
Por ser muito adstringente, quando verde, o caqui só deve ser comido bem maduro. É rico em sais e vitaminas.
Pessoas acometidas de acidez, dores e câimbras, são curadas comendo dois ou três caquis por dia. Esse fruto é conveniente para
os desnutridos, os tuberculosos, os anêmicos e descalcificados. Presta-se também em casos (lê enfermidades das vias
respiratórias, catarros da bexiga e transtornos intestinais.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2

Carambola

A caramboleira (Averrhoa carambola, L.) pertence à família das Oxalidáceas. De caule nodoso, a árvore é pequena, possuindo
ramos numerosos e flexíveis. As flores são comestíveis como salada. A raiz e as folhas fazem parte da farmacopéia indiana.
A caramboleira foi introduzida no Brasil em 1817, pelo agrônomo francês Paul Germain, que a trouxe para Pernambuco. Existem
muitas variedades.
A carambola é muito rica em ácido oxálico e fósforo. O suco da fruta é ótimo febrífugo.

Framboesas

A framboesa é conhecida em toda a parte (Rubus idaeus), tendo vários nomes. Os frutos, de excelente sabor, consistem em bagas
pequenas de tonalidade amarela, vermelha e esbranquiçada.
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Durante o verão, colhem-se as folhas com os seus talos e guardam-se em cestos, deitando fora os descorados.
Colhem-se as bagas, uma a uma. Separam-se com grande facilidade do receptáculo, quando estão maduras. O melhor é
depositá-las numa cuba para não se esmagarem. O cultivo das framboesas vale a pena, porque o arbusto exige poucos cuidados e
pouca atenção. As variedades cultivadas dão mais fruto e este dá mais suco que as silvestres.
A framboesa reproduz-se por estaca. Os rizomas plantam-se em filas à distância de dois metros em estacas. No outono cortam-se
os antigos rebentos e deixam-se os novos, que frutificam no ano seguinte, sem os despontar.
Composição -- Nas folhas há ácido tânico, ácido láctico, ácido succínico e ácidos não saturados, nos frutos há a pectina, glicose e
ácidos de fruta. Das sementes de framboesa isoladas e secas ao ar obtém-se 13,5 % de um óleo pouco espesso e de cor verde
amarelada, cujo cheiro recorda o ácido linoléico e cuja capacidade de secar é muito parecida com a deste último. Os ácidos
gordurosos muito líquidos são compostos principalmente de ácido ninólico e linoléico. Os ácidos e isolinoléico só se apresentam em
quantidades reduzidas.

Modo de Ação e Aplicações Terapêuticas -- Como as folhas contêm tanino, possuem, tais como as das amoreiras, um efeito
antidiarréico e antiinflamatório. O emprego é o mesmo que o das folhas das amoreiras. Uma mistura de folhas de framboesas e de
amoreiras dá bons resultados nos catarros, nas irritações e inflamações das vias gastrintestinais, nas diarréias e catarros
inflamatórios do intestino grosso e nas hemorragias por hemorróidas. Nas inflamações das gengivas e de garganta, a infusão das
folhas de framboesa pode utilizar-se para enxaguaduras calmantes.
As framboesas, sob o ponto de vista curativo, excitam, pelo seu conteúdo em frutose, ácidos de frutas e componentes fixos, o
peristaltismo intestinal e limpam os tecidos de um excesso de ácidos pela sua grande riqueza em bases. Urna cura de framboesas é
útil contra a prisão de ventre, e reumatismo e outras doenças metabólicas, e sobretudo contra as doenças do fígado, dos rins e
hemorróidas. Além disso, como a framboesa apresenta um conteúdo abundante de vitaminas, preparada em suco, compota, doce e
geléia, é um meio conveniente para evitar ou equilibrar os casos de insuficiência de vitaminas, durante as estações do inverno e da
primavera.
O suco de framboesas serve como meio para melhorar o sabor dos preparados farmacêuticos. O refresco de framboesas, mediante
a diluição do suco em água, é uma bebida apropriada para os doentes com febre, pois tira a sede e ajuda a curar.
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Emprego Como Alimento -- A framboesa emprega-se com gosto na cozinha para muitos fins. Recomenda-se como alimento cru.
Tem muito consumo em pastelaria.

Goiaba

De grande valor nutritivo, a goiaba (Psidium guayava) é, entre as frutas brasileiras, uma das mais comuns. Possui calorias,
proteínas, sais, hidratos de carbono, e as vitaminas A, B1, B2, C. Durante a última guerra mundial, a goiaba, graças a sua grande
quantidade de vitamina C, foi usada como suplemento na alimentação dos soldados nas regiões frias.
Emprego Medicinal - Tanto a goiaba como a goiabeira possuem ricas propriedades medicinais de alto valor adstringente, a goiaba
é aconselhável para curar diarréias agudas. Também combate a tuberculose incipiente e promove o metabolismo das proteínas.
Além disso, auxilia a prevenir a acidez e a fermentação dos hidratos de carbono durante a digestão.
Os brotos da goiabeira, cozidos, são, na prática caseira, adequados nos casos de diarréias. As folhas, por sua vez, podem ser
empregadas, em decocção, contra a inchação das pernas, hemorragias uterinas, gastrenterite, etc. Nestes casos, devemos usar 30
g de folhas para um litro de água.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2

Infelizmente, a goiaba é de pouco uso entre os brasileiros. Já a goiabada é mais procurada. Esta, entretanto, não encerra a riqueza
medicinal que existe no fruto em estado natural.
Da família das Moráceas (Artocarpus integrifolia), a jaqueira é originária da Índia e de outros países asiáticos. Desenvolve-se muito
bem no Brasil, onde se aclimatou satisfatoriamente.
O fruto, muito grande, é riquíssimo em elementos sacarinos, sendo também muito hidrocarbonado, possui uma propriedade
excelente: a de combater a tosse de qualquer natureza.
Os caroços, por sua vez, combatem os transtornos intestinais. A raiz tem propriedades antias-
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máticas. E a casca combate a diarréia. A polpa e as sementes contêm calorias, água, gorduras, hidratos de carbono, proteínas,
cálcio, vitamina C, fósforo e ferro. À semelhança do caju, a jaca se desenvolve muito bem no Norte e Nordeste brasileiros.

Jenipapo
0 Jenipapo (Genipa americana) possui um elevado conteúdo de ferro. Por isso, é aconselhável um grande uso dessa rubiácea.
Também possui cálcio, hidratos de carbono, calorias, gorduras, água, e às vitaminas B1, B2, B5 e C. Acredita-se no
Norte e no Nordeste do Brasil, que o suco de jenipapo e adequado para combater a anemia decorrente do impaludismo ou das
verminoses.
Segundo autoridades científicas, esse fruto faz bem aos asmáticos. Como diurético, o suco do fruto é aconselhável nos casos de
hidropisia.
As chagas de origem sifilítica podem ser combatidas pelo fruto ainda verde, moído, em aplicações tópicas. A raiz é purgativa e a
casca do tronco propicia uma substância branca mediante a qual se podem combater as cataratas.

A polpa do fruto é esponjosa e suculenta, com a qual se pode preparar sucos e compotas.

Mamão
Oriundo da América tropical, o mamoeiro (Carica papaya Lin.) pertence à família das Caricáceas. O fruto é uma baga piriforme,
globosa ou subglobosa, dependendo da variedade. Segundo o Dr. Lingen, eis a análise do mamão: água, 8,400; resina, 0,310;
albumina, 0,080; açúcar incristalizável, 1,000; papaína, 0,010; óleo, ácido málico, oxálico e extrato, 0,200. As sementes são
anti-helmínticas.
0 mamão é considerado uma das melhores frutas do mundo, quer pelo seu valor nutritivo, quer pelo seu valor medicinal. Possui
proteínas, calorias, gorduras, hidratos de carbono, fósforo, cálcio, ferro e as vitaminas A, BI, B 2 , B5, C.
0 mamão maduro é laxante, diurético, emoliente e digestivo. É, na opinião do Dr. John Harvey
114
Kellog, "o mais poderoso digestivo que se conhece".
Comido em jejum, pela manhã, é eficaz contra o diabetes, a icterícia e a asma.
As sementes são um excelente vermífugo, mas também são eficazes contra a tuberculose e o câncer.
As folhas são próprias para um chá digestivo.
As raízes, em decocção, constituem um tônico para os nervos, sendo também um remédio para as hemorragias renais.
0 mamão é um grande alimento. Além disso, promove a manutenção do equilíbrio ácido-alcalino do organismo, sendo, neste
aspecto, superior ao próprio melão.

Manga
A mangueira é uma árvore frondosa, de belo aspecto, e pertence à família das Anacardiáceas.
A manga (Mangifera indica) apresenta uma polpa carnosa por vezes da cor amarela em variados tons.
As principais variedades são: manga-rosa manga-espada, manga-bourbon, manga-coração-de-boi, manga-carioquinha e

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2
manga-família.
0 principal valor dessa deliciosa fruta se encerra em seu alto teor em vitaminas A e C, sendo que o conteúdo desta última varia
conforme a qualidade de manga. A manga-rosa, por exemplo, é a que possui a mais elevada quota. Quanto menos amadurecida a
manga, maior o teor de vitamina C.
Além das vitaminas mencionadas, a manga possui as vitaminas B1, B2 e B5. Contém ainda fósforo, cálcio, ferro,
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proteínas, gorduras e hidratos de carbono.
Seu uso é recomendável em caso de bronquites, escorbuto, sendo também depurativa do sangue. É aconselhável comer manga em
jejum pela manhã, para combater a acidez e outras enfermidades do estômago, conforme afirma o Dr. Teófilo L. Uchoa. Como
expectorante, é eficaz contra as enfermidades das vias respiratórias, como bronquite, tosse, catarro, etc.

Melancia
Da família das Cucurbitáceas, a melancia (Cucurbita citrullus), originária da índia, aclimatou-se muito bem no Brasil.
Possui grande poder refrescante. É, entretanto, de difícil combinação com outros alimentos sólidos ou líquidos. Por isso, deve-se
comê-la isoladamente.
Contém fósforo, cálcio, ferro, calorias, proteínas, gorduras, hidratos de carbono e as vitaminas A, B1, B2, B5 e C. A melancia é muito
diurética e levemente laxante. É aconselhável o seu uso nos casos de ascites e nas obstruções renais, segundo o Dr. Domingos
D'Ambrósio. A água nela contida ocasiona grandes descargas de ácido úrico, afirma o Dr. W.F. Friedmann.
Muitos dietistas aconselham a melancia nos seguintes casos: artrite, reumatismo, acidez estomacal, dispepsia, enfermidades dos
rins e da bexiga, etc.

Morangos

0 morango silvestre (Fragana vesca), tem perfume fragrante, faz parte (la grande família das Rosáceas e tem vários nomes.
Encontram-se silvestres nos lugares frescos e úmidos, nas montanhas. Colhem-se as folhas com talos. Retiram-se todas as
carcomidas, descoradas ou que tenham galhos. Guardam-se em cestas e pouco depois guardam-se, simplesmente, no chão arejado
para secarem. As folhas secas conservam a cor das verdes. Guardam-se as folhas em sacos. Também se podem utilizar,
naturalmente, as folhas dos morangos cultivados.
Os frutos maduros colhem-se nas horas da manhã logo que desaparece o orvalho e guardam-se em cestos. Só se empregam
frescos ou de conserva.
Composição e Propriedades -- As folhas conservam substâncias tânicas e óleo essencial com citral. Os falsos frutos contêm
ácidos de frutas, sementes não digeríveis, pigmentos e substâncias aromáticas, e em grande parte formadas por combinações leves
de ácidos gordurosos, enzimas, fermentos, secretinas e vitaminas. As folhas podem fermentar, como as da amoreira,
proporcionando uma excelente infusão caseira.
Usos Medicinais Como Depurativos -- As folhas empregam-se, como as da amoreira e da framboesa, nas inflamações e catarros
das vias respiratórias superiores e das digestivas. Fazem também parte do «chá caseiro».
Agradáveis ao paladar, pelo seu aroma e efeito estimulante do
116
apetite, são muito valiosos; também possuem, como o povo já de há muito sabia e hoje é comprovado pela prática médica,
qualidades curativas especiais. Hoje compreendemos o valor das tradicionais «curas de morangos». Pelos pigmentos, pelos
elementos não digeríveis e pelos ácidos de fruta, estes frutos atuam no intestino, assim como as enzimas, os fermentos, as
vitaminas e as secretinas, facilitando a digestão. O seu grande conteúdo de açúcares naturais constitui na prática médica um
excelente alimento para o fígado. As matérias aromáticas atuam nos nervos do olfato e do gosto, aumentando o apetite. Num quilo
contêm os morangos até um miligrama de ácido salicílico, o conhecido remédio para o reumatismo articular e para a gota. Por isso,
não é de estranhar que o grande botânico Lineu tivesse curado a sua gota com morangos. Uma dieta de morangos (vários dias
repetidos, nos quais se comerá até um quilo e meio de morangos) é eficaz para a prisão de ventre, hemorróidas, estase da
circulação, reumatismo articular e gota, doenças dos rins, perturbações circulatórias e, com vigilância médica, até no diabetes e nas
doenças hepáticas. Aumenta o metabolismo em geral, porque os morangos são muito ricos em minerais básicos.
Contra-Indicação do Seu Emprego -- Não se pode negar que há pessoas sensíveis aos morangos e que, quando os comem, lhes
produzem irritação e ardor na pele (urticária). Tal estado mostra que o intestino está lesionado e permeável a um tipo de albumina
(protease) que, quando se introduz no sangue, provoca tais reações. Essas pessoas estão metabolicamente doentes e devem

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2
submeter-se a tratamento médico. Naturalmente, devem suprimir na sua alimentação os morangos até se curarem do seu mal (no
caso de a sua origem não ser hereditária). Também como produto de beleza, desfrutam os morangos de grande consideração na
França. As sardas, no verão, tornam-se quase imperceptíveis depois de um tratamento com uma mistura de suco de morangos com
limão. Friccionando a pele com suco de morangos melhora-se a sua função.
Valor Alimentar -- Os morangos são muitos apreciados tanto pelos jovens como pelas pessoas de idade, por causa do seu
delicioso aroma. Além de serem servidos ao natural como sobremesa, também se podem preparar em compotas, vitaminas e outras
misturas com leite, sucos, recheios de pastel, doces, sopa quente ou fria, molhos, geléias, etc..

Sabugueiro

O sabugueiro (Sambucus nigra), pertence à família das Caprifoliáceas.

Encontra-se quase sempre na forma de arbusto ou árvore pe-


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quena, de três a seis metros de altura. O tronco possui uma casca parda e acinzentada, quebradiça, nodosa, de odor desagradável.
As ramas, redondas, aos pares, uma em frente da outra, estão cheias de uma polpa espessa e branca. Os frutos são bagas de cor
negra, violeta, redondas; contêm suco negro violeta ou vermelho, duas ou três sementes ovais e pardas.
Os cimos cortam-se à tesoura e colocam-se em cestos, estendendo-se depois numa só camada, no chão de um desvão ventilado e
sombrio para secarem. Isto não se deve fazer muito devagar, se se quiser evitar o descolorido, sempre indesejável. Depois de bem
secas, as flores apresentam um tom de marfim e desprendem um forte aroma. Separam-se então dos talos. Deve-se guardar as
flores em recipientes isolados do ar, porque absorvem com facilidade a umidade e apodrecem.
Cortam-se todos os cimos com as bagas maduras, à tesoura, e separam-se as bagas em casa com um garfo. Se não se
consumirem frescas, deixá-las secar, durante alguns dias, numa única camada expondo-as depois ao calor artificial (mas não a um
forno muito quente). As bagas secas guardam-se em saquinhos dependurados ao ar ou em latas fechadas.
Colhem-se as folhinhas dos talos, evitando toda a pressão. Estendem-se numa única camada para secar, num lugar bem ventilado.
Guardam-se em saquinhos. Deve-se colher só o que for necessário para o consumo.
Composição -- Nas folhas, encontra-se na proporção de até 0, 1 % o glicósido samburigina-amigdalina (e emulsina), o qual dá lugar
a glicose, óleo de amêndoas amargas (benzaldeído) e ácido cianídrico (HCN). As flores têm, além disso, pequenas quantidades de
amigdalina, saponinas, um óleo essencial e éter. Na casca encontra-se uma resina de efeito drástico e nas bagas pretas tirosinas
com abundância de vitaminas A, D e C. São mais ricas em vitaminas B do que qualquer outra variedade. As bagas contêm, além
disso, ácidos málico tartárico, valeriânico, tânico, óleo essencial, simburigrina-amigdalina, solina, resinas, hidratos de carbono,
glicose e um pouco de albumina.
Usos Terapêuticos -- Como planta curativa, já de há muito se sabe que o sabugueiro fomenta a formação-de urina, suor e leite, o
que se deve à presença do óleo essencial. Também se recomenda para resfriamentos, rouquidão, tosse, espirros, catarros do peito
e bronquial, dores dos molares,
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nevralgias, dores de ouvidos e de cabeça e inflamação da laringe e da garganta.
Um cozimento de folhas, raízes e cascas frescas e verdes que se encontram debaixo da casca exterior, atua energicamente na
expulsão de água e melhora extraordinariamente a secreção de sucos gástricos, embora provoque facilmente, se se tomar em
grandes doses, vômitos, pelo que temos de estar precavidos. Só se deve consumir uma xícara diária (com uma colher das de sopa
cheia de infusão) no caso de catarro gástrico crônico, doenças de urina e hidropisia.
Pelas suas características depurativas de sangue, hematopoética, diurética e sudorífera, as bagas tornam-se valiosas e o seu
xarope é próprio para fazer uma cura de limpeza do sangue. Também limpará todos os restantes órgãos. Por causa do elevado
conteúdo de vitamina B, não há que ficar surpreendido com o êxito dos seus sucos nas inflamações do sistema nervoso.
As bagas secas são um remédio excelente contra a diarréia: mastigar dez bagas, três vezes por dia.
O efeito sudorífero das flores de sabugueiro fica reforçado se lhe juntarmos uma metade de flor de tília e se acrescentarmos à
infusão duas colherinhas de suco de limão. Quando se deseja uma positiva transpiração, como em casos de gripe, pneumonias
incipientes, bronquite, reumatismo articular febril, etc., tomar a infusão várias vezes por dia.
Usos Alimentares -- Como alimento, o sabugueiro é muito apropriado para sobremesas e compotas e pode conservar-se como
suco, geléia e seco.

Sapoti

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2
O sapotizeiro (Achras sapota, L.) é uma árvore copada, com folhas verde-escuras. O fruto é um dos mais saborosos do mundo.
Apresentam-se de duas formas: esféricos e oblongos. A casca é parda e a polpa, muito suculenta. As sementes, trituradas, em
decoccão, são diuréticas, adequadas no tratamento da litíase vesical.
Natural das Antilhas e bem aclimatado no Brasil, o sapoti contém as vitaminas A, B1, B2, B5, e C. Encerra calorias, hidratos de
carbono, cálcio, fósforo e ferro.

Uvas

Em algumas regiões encontra-se, espontaneamente, a Vitis labrusca ou videira silvestre. Mas o número de variedades obtidas a
partir da videira cultivada (Vitis vinifera), que se exploram tradicionalmen-
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te para consumo de mesa, é enorme.
Composição -- Entre os elementos ativos e na composição do suco de uvas, encontramos (segundo o professor Henpke): água
72,92%, albumina 0,38%, glicose 23,51 %, outros hidratos de carbono 2,23 %, cremor de tártaro 0,52 %, ácido tartárico 0,29 %,
outros ácidos 0,29% e minerais 0,50 %.
0 valor calórico é reduzido. 100 gramas de uvas contêm apenas 79 calorias. Também não é grande o conteúdo em vitaminas.
Modo de Ação -- O aproveitamento das uvas é muito variado. Não se destinam apenas à produção de sucos e de vinhos, mas
também é importante o consumo cru, durante o outono. O suco é aplicado tradicionalmente para a depuração do sangue. Das
grainhas obtém-se por pressão suco, etc. Conseguem-se as passas vulgares, assim (orno as de grande tamanho, secando os
cachos.

A força curativa da uva é conhecida pela humanidade, já de há muito tempo. Os vinhos de uva obtidos por pressão a cru permitem
dispor, em qualquer época do ano, do meio de se efetuar uma cura de uvas completa. Deve-se consumir as uvas pelo modo que
mais favoreça a saúde. Assim, para a cura, as uvas devem ser comidas com a casca e com as sementes. Isto deve ser tido muito
em conta, quando se segue uma cura de uvas para regular o funcionamento do intestino, pois precisamente as matérias básicas das
peles e das sementes que geralmente se deitam fora é que fomentam a atividade do intestino.
Regime na Base de Uvas -- Para uma cura de uvas devem empregar-se os frutos bem formados, maduros, sem defeitos; a uva
deve ser cuidadosamente mastigada e ensalivada, porque assim o estômago vai aumentando as secreções necessárias para a
digestão, facilitando-lhe o trabalho. Muita gente pensa que é mau comer as sementes, receando apendicite, que se atribui a matérias
não digeridas. Mas qualquer médico sabe, e é preciso que isto chegue ao conhecimento do público, que a apendicite obedece a
causas muito diferentes.
Naturalmente, as uvas devem ser muito bem lavadas e limpas de pó, de teias de aranha e de outras impurezas, especialmente de
inseticidas com matérias tóxicas.
As pessoas com boca e dentaduras delicadas sentem às vezes repugnância pelo consumo de uvas frescas. Pode resolver-se a
120
dificuldade adquirindo o costume de as comer com um pedaço de pão integral. A salivação será muito maior. As pessoas mais
velhas ou aquelas cujos órgãos digestivos são fracos, devem fazer curas de suco de uvas, ou então de uvas frescas espremidas, ou
de mosto doce (suco sob pressão de uvas frescas sem qualquer adição de meios de conservação, esterilizado com calor
moderado).
O valor curativo das uvas frescas mostra-se nas curas de depuração do sangue para a renovação de plasma, na defesa contra o
esgotamento orgânico, na anemia e em todas as fases de uma convalescença. Finalmente, interessará saber que o suco de uvas é
um excelente meio contra a obesidade, inclusive, por estranho que pareça, para aumento de gorduras e superalimentação. Esse
efeito em direções contrárias demonstra que a cura de uvas tem aspectos contraditórios, e só terá êxito se for aplicada conforme os
casos individuais. Por isso, convém pedir ao médico as instruções exatas para uma cura pessoal.
As curas de uvas para doentes de estômago, fígado, intestino e circulação gozam hoje, com razão, de grande popularidade.

Nos chamados «dias de uvas» tomam-se com exclusão de qualquer outro alimento de 1 a 1,1/4 de quilo de uvas de boa qualidade,
ou de 1 litro a um litro e meio de suco (espremido fresco ou de mosto doce). Nestas curas o alimento serve também como
medicamento.

Zimbro

Nas zonas montanhosas e elevadas de Trás-os-Montes e Minho aparece o zimbro com. freqüência (juniperus communis). É um
arbusto perene com ramos a partir do solo. As hastes e os ramos são disformes e torcidos. A casca é irregular e tem uma cor parda

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 2
avermelhada; a madeira é dura e aromática.
As bagas maduras de azul escuro colhem-se no tempo seco, escolhendo-se as mais claras, isto é, com menos impurezas, deitando
do fora as secas ou verdes.
Composição -- Com respeito a substâncias ativas e composição, encontra-se açúcar invertido, gorduras, resina, pectina, ácidos
orgânicos, a juniperina (glicósido que tem tanino), inosita, pentosa nas e um importante óleo essencial que, por sua vez, contém
terebenteno, canfeno, terpineol, juniperma e outros alcalóides. O conteúdo das bagas em óleo essencial, segundo o receituário
alemão, é pelo menos de 0,1 %.
121
Modo de Atuação e Usos Terapêuticos -- O zimbro oferece em suas bagas um antigo meio curativo. A sua ação é múltipla. Os
efeitos excitantes e energéticos mais importantes recaem nos órgãos e tecidos seguintes:
a) Sobre a mucosa gastrintestinal: o óleo essencial leva a uma maior vascularização da mucosa, regula a atividade das glândulas
digestivas e dos músculos da via gastrintestinal e exerce grande atividade antibacteriana, porque sendo dissolvente das gorduras
introduz-se nos organismos bacterianos. Os zimbros são de aplicação indicada nas diferentes perturbações gastrintestinais e em
todos os transtornos do sistema hepático-biliar que tem relação causal com as doenças da mucosa intestinal.
b) Sobre os tecidos pulmonares e mucosa bronquial: o óleo essencial elimina-se, em parte, pelos pulmões. Atua como limitante da
secreção das glândulas bronquiais e como excitante dos movimentos vibratórios da mucosa nos brônquios, de modo que a
expectoração se torna mais rápida. Ao mesmo tempo, faz-se sentir a sua eficácia antibacteriana. Nos processos pulmonares
infecciosos o seu emprego como meio auxiliar é muito aconselhável, sobretudo nos casos de gangrena pulmonar e de tuberculose.
c) Sobre os tecidos renais: a maior parte do óleo essencial é eliminado pelos rins, pelo que se produz uma espécie de excitação dos
tecidos específicos e, com isso, maior produção de urina. Contudo, as grandes quantidades levam à irritação e inflamação e até à
hemorragia. O emprego do zimbro está só indicado, portanto, para todas as doenças renais, não inflamatórias, isto é, má expulsão
da urina por hidropisia, para as inflamações articulares, estados gotosos, reumatismo e enxaquecas. Se os edemas são devidos a
debilidade circulatória, a ação dos zimbros não deixará de ser plenamente satisfatória.
d) Sobre os órgãos sexuais femininos: o óleo essencial provoca um aumento da vascularização dos orgãos genitais e, por isso, dos
períodos. No caso de regras atrasadas e dolorosas podem os zimbros prestar bons serviços, combinados com alecrim e arruda. Na
gravidez é melhor prescindir dos zimbros, porque pode produzir-se uma irritação desnecessária da matriz e dos rins.
Sobre o metabolismo: o efeito excitante dos zimbros sobre as vias digestivas e respiratórias e os tecidos renais significa, em
conjunto, forte renovação do metabolismo, de modo que a idéia popular de limpeza do sangue parece justificada. Inclusive para as
doenças de endurecimento da pele, a gota, o reumatismo, as deficiências glandulares e a mistura do ácido úrico no sangue (diátese
úrica), é de esperar um efeito favorável.
0 emprego mais simples em todos os casos citados é a cura de zímbros de Kneipp, na qual se con-
122
somem mastigadas quatro bagas no primeiro dia, cinco no segundo, seis no terceiro, e assim sucessivamente, até ao duodécimo
dia, em que se tomam quinze bagas. Depois vai-se tomando diariamente, uma baga a menos, até se chegar a cinco bagas; esta
cura, repetida quatro ou cinco vezes, depura também o sangue doente.
Como meio diurético prepara-se uma xícara de infusão com uma colher grande de bagas secas prensadas ou então toma-se mente
uma colher de xarope de zimbros.
Como Condimento -- Utilizam-se as bagas, aos pedaços ou moídas, para cozidos de carne, peixe, caça, legumes, saladas cruas e
para regimes, assim como para conservar repolho fermentado (chucrute). Os doentes de rins devem evitar o zimbro, inclusive como
especiaria.
123

Fim do Capítulo 2 de A Cura e a Saúde Pelos Alimentos

versão eletrônica pelo Projeto Periferia


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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

ERNST SCHNEIDER

A CURA E A SAÚDE
PELOS ALIMENTOS
versão eletrônica pelo Projeto Periferia

Capítulo 1 - As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua Compensação Natural


Capítulo 2 - Frutos
Capítulo 3 - Legumes e Verduras
Capítulo 4 - Condimentos
Capítulo 5 - Alimentos Fornecedores de Energia
Capítulo 6 - Alimentos de Origem Animal
Capítulo 7 - Regimes Depurativos
Capítulo 8 - Doenças do Sistema Circulatório
Capítulo 9 - Doenças do Aparelho Digestivo
Capítulo 10 - Doenças do Metabolismo
Capítulo 11 - Doenças da Pele
Capítulo 12 - Doenças do Sistema Nervoso
Capítulo 13 - Tuberculose
Capítulo 14 - A Alimentação na Gravidez
Capítulo 15 - A Alimentação na Criança Moderna
Capítulo 16 - O Câncer
Capítulo 17 - Comentário Final
Capítulo 18 - Normas Fundamentais Para a Preparação de um Regime Sadio
Capítulo 19 - Receitas Culinárias

Legumes e Verduras

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

Capítulo 3
Nas verduras cruas encerra-se uma enorme e assombrosa potência
curativa, insuficientemente conhecida, que combateria todo um exército
de doenças muito frequentes. Com as frutas cruas, as verduras também
cruas constituem o único alimento curativo existente.
Max Bircher-Benner -- Doutor em Medicina

1. Hortaliças de Folha, Talo e Gema (Olho ou Gomo)


Alcachofras
Com o nome de alcachofras designam-se as cabecinhas floridas verdes e ainda
incompletamente desenvolvidas de uma espécie de cardo (Cynara cardunculus L. ssp.
Scolymus), pertencente à família das Compostas, que se cultiva em toda a bacia do
Mediterrâneo, mas especialmente na Espanha e na França. Não há dúvida de que os povos
do Mediterrâneo já usavam há séculos como alimento esta planta no estado silvestre, devido
às suas qualidades nutritivas, às suas brácteas e aos seus receptáculos carnudos.
Composição e Propriedades -- Na análise das substâncias que compõem as cabecinhas,
encontrou-se inulina, açúcares, tanino e os fermentos inulase, invertase e coalho. Entre as
vitaminas encontram-se 100 g de substância fresca: 300 U.I de vitamina A, 120 g de vitamina
B1, 30 g de B2 e 10 mg de C. O conteúdo de minerais é muito semelhante ao das outras
verduras, embora seja superior o conteúdo de potássio, cálcio, magnésio e, sobretudo, de
manganês, que atinge 20 mg%, percentagem esta que não e igualada por nenhuma outra fruta
ou legume. O conteúdo em princípios imediatos e em calorias não é muito alto, especialmente
em proteínas (3 %), gorduras (0, 1 %), hidrato de carbono (11 %), água (82170); 100 g de
alcachofras frescas dão umas 50 calorias.
Investigações francesas encontraram em 1934 uma substância ativa especial, denominada
cinarina, que conseguiram isolar e cristalizar. Posteriormente, Pannizi e Scarpati descobriram
a composição química da cinarina que resultou ser o ácido di-cafeilquínico.
O significado terapêutico das alcachofras é muito antigo. Na idade Média, já se conhecia a sua
influência na formação da bílis. No século XIX realizaram-se numerosas investigações
sistemáticas sobre o extratos de alcachofra, que deram os seguintes resultados principais: o
extrato completo de alcachofra fresco atua especialmente para regular diversas funções
hepáticas, sobretudo a formação de bílis (colerético) e as funções antitóxicas. Além disso,
também regula e facilita a saída da bílis (colagogo) e ajuda nas alterações originadas por
estases hepáticas, como pressões e dor no

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

126
ventre, vômitos, enjôos, flatulência, vertigens, alterações intestinais (diarréia, prisão de ventre,
atonia) e prurido retal. Também exerce uma ação reguladora sobre os rins, devido a maior
eliminação da água e das substâncias de refugo.
Outros ensaios também demonstraram que as alcachofras produzem um aumento dos ésteres
da colesterina no sangue, ao passo que diminuem as colesterinas livres mobilizando-as dos
tecidos e acelerando a sua excreção, e exercendo, como conseqüência desta ação, um efeito
protetor contra a arteriosclerose.
Emprego -- O emprego das alcachofras na dieta é recomendado nas doenças funcionais ou
orgânicas do fígado, vesícula biliar, colédoco e em todas as doenças dos órgãos do aparelho
digestivo. Também são de grande utilidade nas alterações do metabolismo originadas por
enfraquecimento ou insuficiência das funções renais.
Também o alto teor de manganês nas alcachofras apresenta utilizações dietéticas. Como
conseqüência, as alcachofras podem ser úteis quando for necessária uma ativação dos
fermentos, nas alterações do metabolismo celular e nos sintomas de deficiência da vitamina B.
As alcachofras podem utilizar-se em suco fresco, como infusão e ainda preparadas como
saladas e legumes.

Alho-Porro

0 alho-porro (Allium porrum) é cultivado largamente em toda a América do Sul. O pequeno


bulbo, de escassa reprodução, dispõe de grande número de raízes fibrosas e brancas, sem
ramificações na terra. Folhas grandes, lineares e de nervuras longitudinais rodeiam os bulbos
que ficam enterrados no chão.
Extraem-se do solo os bulbos com folhas e talos. Colocam-se as plantas em lugar protegido,
ao ar livre ou no sótão. Como a planta se tem de manter fresca para o seu consumo imediato,
não é recomendável a dessecação.
Composição e Propriedades -- A matéria ativa principal é um óleo enxofrado e essencial
(óleo de alho) que, entre outros componentes, contém sulfureto de alilo, que exerce suave
excitação sobre as glândulas das vias gastrintestinais e no fígado, pâncreas e vesícula biliar,
evitando a formação de produtos de fermentação e de putrefação e abrindo o apetite.
Encontramo-nos, pois, com:
127
a) Um efeito sobre o aparelho digestivo em geral.
b) Um efeito sobre as vias respiratórias. Como o óleo de alho é expelido em parte pelos
pulmões, torna-se mais fácil a reparação das vias respiratórias nos catarros bronquiais.
c) Um efeito sobre as vias urinarias. Além disto, o alho-porro também exerce um efeito
diurético, devido ao conteúdo em óleos essenciais, potássio, ácido salicílico, nitrato sódico e

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

magnésio.
d) Uma crescente excitação dos centros deformação de sangue, devido ao seu conteúdo em
compostos orgânicos de ferro. Não devemos menosprezar o seu conteúdo em vitaminas C,
sobretudo por se dispor dela durante o inverno.
Aplicações -- 1. Como planta curativa, o alho-porro conta na medicina com pequena
consideração, embora seja ao mesmo tempo um alimento e um remédio. É eficaz contra
deficiências de vitamina C, doenças renais, doenças do metabolismo, obesidade, degeneração
de vasos do sangue, ajudando nos catarros bronquiais agudos e, sobretudo, nos crônicos,
assim como nas doenças do fígado, estômago e intestinos.

2. Como legume e salada. O alho-porro presta-se igualmente para consumo cru ou cozido.
Este último é excelente no inverno como depurativo do sangue. Aproveitam-se para isso as
folhas.

3. Como condimento. O alho-porro é tradicionalmente conhecido como condimento para sopa.


Mas deve ser adicionado sempre quase no fim, para ser pouco cozido. A maior parte das
vezes emprega-se nas sopas de batatas e em molhos. Totalmente cru, emprega-se como
condimento em saladas de verduras, com batatas e com requeijão. Também é bom para
regimes crus e dietas. Os rebentos que aparecem no segundo ano nas raízes das plantas são
muito saborosos adicionados a saladas, a legumes e à carne.

Aspargos
Sob o ponto de vista da Botânica, o aspargo (Asparagus officinalis), da família das Liliáceas, é
um talo de cerca de um metro de altura e tem tinia raiz lenhosa. Os que se compram não são
mais do que os rebentos recentes de um talo de numerosos rebentos, cujo desenvolvimento
inicial exige uns três anos.
Composição e Propriedades -- Tão antiga como o cultivo do aspargo é a observação dos
efeitos diuréticos dos renovos das raízes e daí o seu significado terapêutico. Este
conhecimento tem-se
128
mantido em todos os tempos, embora presentemente desempenhe um papel na dieta que não
está limitado às doenças renais.
Como matérias ativas componentes, os aspargos apresentam a seguinte composição:
100 g de aspargos contêm:

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

Água..................................95,3 %
Proteínas.............................1,6 %
Gorduras.............................0,1 %
Hidrocarbonetos................1,7 %
Calorias............................14,0
Celulose..............................0,63 %
Excesso de bases.............1,1 g
Vitamina C.......................25,0 mg
Vitamina B1...................... O ,025 mg

Modo de Ação e Emprego -- De tudo isto se deduz uma grande insuficiência em calorias e
sobretudo em proteínas, assim como em geral um escasso valor em todas as matérias
plásticas. Muito cozidos e sem lhes acrescentar molho de manteiga, os aspargos podem servir
para o regime dos obesos. Mas se forem preparados com adições de calorias, manteiga, ovos,
nata ou farinha, farão parte da alimentação de anêmicos, convalescentes ou pessoas que
necessitem de unia superalimentaçao.
0 escasso conteúdo em hidrocarbonatos torna-os apropriados para o regime dos diabéticos,
porque enriquecendo os aspargos com manteiga, nata ou ovo ficam um alimento de grande
valor para os ditos enfermos.
A celulose, impossível de digerir, atua como excitante do intestino e como matéria de recheio.
Acelera, por conseguinte, o trabalho do intestino grosso, o que vai beneficiar os obesos e os
doentes dos intestinos.

A virtude curativa dos aspargos é conhecida já de há muito tempo, especialmente o seu efeito
sobre os rins. Através do incremento da atividade celular dos rins, chega-se a maior expulsão
de água, descrita já pelos antigos médicos e conseguida sem provocar nenhuma irritação.
Como, porém, não conseguimos esclarecer o mecanismo do efeito dos aspargos sobre os rins
por meio dos elementos componentes que até agora conhecemos, temos de nos conformar
com o fato real de que os espargos exercem um efeito excitante nas funções renais e que
podem ser consumidos até mesmo durante enfermidades inflamatórias dos rins.
Consegue-se um efeito indireto também com os aspargos como remédio de uso interno nos
eczemas crônicos, já que todos os remédios vegetais de uso interno para o tratamento de
eczemas atuam mediante o incremento da atividade renal e uma excitação das funções
glandulares.

Couves
A couve (Brassica) pertence à numerosíssima família das Crucíferas (umas 1.900 espécies),
que compreende quase sem exceção todas as verduras. Contém nu-
129

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

merosos óleos consistentes e enxofrados que estimulam o apetite e reforçam as secreções


das glândulas, especialmente no tubo gastrintestinal. As formas de cultivo mais comuns são a
couve portuguesa, a couve galega, a couve lombarda, a couve crespa ou de Sabóia, a couve
de Bruxelas, a couve-rábano, a couve-flor, o repolho, os brócolos, os nabos e as nabiças.
Composição e Propriedades -- Até hoje, infelizmente, os químicos não nos podem dizer
muita coisa a este respeito. Conhece-se, porém, o conteúdo das diferentes variedades de
couves quanto às principais substâncias alimentares, conforme se vê no quadro que se segue.
O conteúdo mineral corresponde completamente ao das outras espécies de verdura. Além
disso, todas as variedades de couve, assim como todos os legumes, possuem elevado
conteúdo de bases.
Todas as variedades de couve mostram, de resto, um pequeno conteúdo de caroteno, primeiro
escalão da vitamina A, assim como de vitaminas B i, B2, C e K.
Os elementos que entram na sua composição são muito escassos em calorias, mas, segundo
a experiência mostra, satisfazem muito bem a sensação de apetite. Esta característica pode
aproveitar-se no regime para obesos, preparando pratos pobres em calorias, isto é, sem
gordura nem fécula. As variedades de couves com paredes celulares delgadas, como a
couve-flor, a couve-nabiça, podem, por outro lado, preparar-se com a ajuda de nata, ovos e
gordura para a alimentação de enfermos desnutridos ou de alimentação difícil.
Também, como nas demais verduras de folhas, as variedades de couves constituem um
alimento sumamente apropriado para os diabéticos, porque suportam mui-
Hidrocar- Fibra
Água Proteínas Gorduras
Teor alimentar em 100 g bonatos em Calorias bruta em
em g em g em g
g g

Repolho........................ 1,5 0,2 4,2 25 1,7


92,1
Lombarda ................... 1,3 0,1 4,9 27 1,3
90,1
Couve galega ............. 4,9 0,9 11,2 74 1,9
80,0
Couve crespa ............. 2,7 0,5 5,0 36 1,3
89,6
Couve de Bruxelas...... 3,5 0,3 5,2 40 1,6
85,6
Couve-flor .................... 1,8 0,2 3,8 26 0,9
90,9
Couve-nabiça ............. 2,5 0,2 5,9 36 1,7
89,3

130
tíssimo bem o seu conteúdo em hidrocarbonatos, talvez por facilitarem o aproveitamento das
matérias auxiliares, que atuam de forma análoga à insulina.
Para o homem são, a couve tem sido desde a Idade Antiga um alimento sempre importante e
variado, como hoje. Nunca se insistirá demasiado em que os legumes, as verduras, os cereais,
as frutas e os produtos lácteos, numa preparação simples e natural, oram sempre a base (la
alimentação sã, continuando ainda agora a sê-lo. Com respeito à composição química da
couve e das suas variedades, indica-se com frequencia que são pobres em proteínas e

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

matérias nutritivas, que cheiram mal, que são de difícil digestão e de pouco proveito, que têm
poucas calorias, que carregam os intestinos, que produzem flatulências, etc. Estas
propriedades negativas, freqüentemente atribuídas às hortaliças, e em especial à couve e suas
variedades, só se justificam quando as verduras se desnaturalizam e se desvalorizam
totalmente na cozinha «seleta», cozendo-as, suavizando-as com bicarbonato de sódio,
branqueando-as, salgando-as e recobrindo-as de farinha ou de extratos de carne ou de
gorduras salgadas.
Na forma mais simples, consumidas em parte como alimento cru, em parte impregnadas com
pouca gordura, as nossas variedades de couve tomadas em quantidades moderadas
constituem um importante alimento preventivo para jovens e velhos.
Emprego do Suco de Couve nas úlceras do Estômago -- O suco de couve pode ostentar já
um significado médico. O médico americano Dr. Carnett Cheney (Universidade de Stanford)
tem publicado, desde 1940, uma série de trabalhos científicos sobre o tratamento das úlceras
do estômago e do duodeno com suco de couve. Obtinha o suco centrifugando couve crua e
fazia os doentes tomarem quatro ou cinco vezes diariamente, de 200 a 250 cm3 de suco cru.
Informou que mediante este tratamento ao cabo de cinco dias, no máximo, conseguia fazer
cessar as dores, curando-se as úlceras, nuns catorze dias. O Dr. Cheney vê a causa deste
efeito principalmente na presença de algum elemento ainda desconhecido e a que chama
vitamina U. Esta substância, de existência ainda insegura, está contida na gordura da couve,
encontrando-se também provavelmente na salsa, na alface, no aipo, nos ovos e no leite cru. A
couve refogada ou murcha perde esta vitamina.
Os médicos suíços Strehler e Hunziker praticaram o tratamento de úlceras com suco de couve.
Fizeram os doentes tomarem, além de um litro diário do dito suco, com uma ligeira
alimentação básica, um litro de purê de banana com um pouco de nata e ovos. Com este
regime não conseguiram acelerar o processo de cura por efeito da vitamina U (fator
131
antiulceroso) nos doentes de gastrite e úlcera do estômago. Nos enfermos de úlcera do
duodeno e de colite ulcerosa puderam, em contrapartida, comprovar uma redução do tempo
de cura. Esta, nos doentes de úlcera do duodeno, precisou, em média, de três semanas e,
num dos casos, apenas de sete dias. Os êxitos dos mencionados médicos na inflamação do
duodeno, sempre de difícil cura, resultaram sobremaneira decisivos e deverão servir de base
para posteriores investigações.
Outras Indicações Terapêuticas -- Na alimentação dos doentes, como se disse atrás,
cumpre ter em conta as características dietéticas das diversas variedades da couve. Assim,
aos doentes do estômago e do intestino devem dar-se naturalmente só as espécies mais finas,
tais como couve-nabiça e couve-flor, ao passo que aos doentes de atonia intestinal ou com
prisão de ventre crônica se devem dar as espécies mais fortes, excitantes das paredes
intestinais, como couve galega e couve de Bruxelas, com as quais se sentirão aliviados, desde
que não se apresente uma excepcional proliferação bacteriana intestinal; neste caso, seria
mais oportuno um produto ácido do repolho, cru ou cozido ou em suco, e chegaríamos assim a
um derivado da couve que não só é são como também possui um evidente valor médico, a
couve fermentada (Chucrute).

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

Não só na Alemanha, como também em muitos outros países se aprecia muito como alimento
o repolho fermentado ou chucrute.
Mas não se passou por alto o seu valor medicinal. De acordo com os nossos atuais
conhecimentos, a couve fermentada consegue atuar como meio de cura e de correção de uma
série de doenças. A prevenção das avitaminoses assim como a sua cura é devida ao elevado
conteúdo deste alimento em minerais e vitaminas, e especialmente a C .
Evacua os sucos e gases pútridos, atua como remédio na úlcera do estômago, reforça os
nervos e colabora em grau considerável para a formação de sangue; deste modo, muitas
pessoas que comem o chucrute vêem transformar-se a palidez do rosto num belo colorido que
é sinal de saúde.
O princípio curativo da couve fermentada é devido provavelmente ao elevado conteúdo em
ácido láctico natural, de cujo favorável efeito em doenças muito difundidas, como
arteriosclerose, reumatismo, gota e males hepáticos, muito haveria que dizer.
E temos de citar ainda outra coisa. A couve fermentada já demonstrou o seu valor como
alimento para diabéticos; consumida em grande quantidade tem influído muitas vezes
favoravelmente no quadro clínico.
0 suco de couve crua é especialmente eficaz como remédio contra as lombrigas,
nomeadamente nas parasitoses intestinais infantis. Não só é barato como também, e ao
contrário dos específicos vermífugos freqüentemen-
132
te tóxicos, é absolutamente inofensivo.
Se se deseja conservar o valor medicinal da couve fermentada, devido ao seu conteúdo em
vitaminas, minerais, ácido láctico e colina, o consumo deverá ser a cru. Podemos prepará-la
de diferentes modos. Corta-se ou pica-se, depois de espremido o suco, para que este não
encharque a tábua de picar e se perca. Uma vez fragmentadas as folhas, volta-se a
acrescentar-lhes o suco. Mistura-se depois cebola e finalmente alho e azeite. Se não se tinha
já deitado temperos, juntam-se agora. Douram-se em azeite cebolas finalmente cortadas e
deitam-se sobre a couve. Querendo comer morna, levar ao forno, mas não deve chegar a
aquecer.
Também se acrescentam maçãs raladas e mistura-se tudo isto com alguma nata batida.
Finalmente, também se pode preparar a couve fermentada com beterraba, um pouco de
cenoura, nata ou azeite.

Espinafres

0 espinafre (Spinacia oleracea) é tinia Quenopodiácea, que provavelmente procede do


Oriente.

Composição e Propriedades -- Como em todas as hortaliças de folhas, o espinafre não

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

possui tini conteúdo extraordinário de substâncias nutritivas. Em 100 g de espinafre figuram 93


g de água, 2,3 g de proteínas, 0,3 g de gordura, e 1,8 g de hidrocarbonatos, e apenas umas 20
calorias. É, porém, importante o seu rico conteúdo de vitaminas, valiosos minerais em forma
de sais, clorofila, oligoelementos e fermentos. Do que vamos apresentar em seguida pode
deduzir-se facilmente o seu enorme valor fisiológico e nutritivo.
Os elementos ativos do espinafre são tão numerosos que, como se costuma dizer, substituem
meia farmácia. Esta comparação não é exagerada. Esta saborosa hortaliça de folha é rica em
cálcio, fósforo e enxofre. Só com estes três fatores ocuparia já um lugar destacado no regime
nutritivo. Mas o mais importante é outra coisa: o espinafre oferece uma composição ideal de
toda a melhor farmacopéia que é necessária e eficaz para a formação do sangue, isto e:
arsênico (0,009 mg em 100 g), cobre, lodo, ferro (10 mg em 100 g), vitamina C e clorofila, que
é quimicamente muito parecida com a hemoglobina humana.
Que laboratório pode oferecer uma maior composição? Os nossos preparados de ferro não
conseguem melhores resultados que o suco cru de espinafre, tal como
133
o de urtigas, que é de riqueza potencial equivalente. O suco de espinafres já demonstrou a sua
eficácia no tratamento de meninas anêmicas, durante os anos de desenvolvimento, para
acelerar a reposição de sangue, depois das operações, assim como para hemorragias internas
ou declaradas ocultas, cujo tratamento cirúrgico eventual não se deve abandonar. Mas, se isto
não fosse suficiente para nos convencer do valor excepcional do espinafre, podemos
acrescentar que o espinafre ocupa o primeiro lugar, corri grande vantagem, entre as hortaliças,
pelo seu conteúdo em proteínas, vitaminas e elementos minerais. Como, além disso, os
elementos básicos excedemos ácidos, assim a urina, com uma alimentação abundante em
espinafres rende, sempre que não se consumam muitos alimentos de grande produção de
ácidos, tais como carne, ovos, avelãs, nozes e semelhantes ou cereais, a uma reação alcalina,
que é a que se procura nas doenças para a desintoxicação, evacuação e expulsão de sal.
Contém vitamina A em quantidade notável, isto é, a vitamina para a proteção da pele e das
mucosas, que nem sequer se perde por cocção, evaporação ou conserva. Também não se
deve menosprezar o excelente conteúdo de vitaminas B e C. Estas características tornam
evidente que o espinafre o seu suco desempenham um papel importante nas doenças
gástricas da amamentação primeira infância. Naturalmente, pode dizer-se o mesmo a respeito
da alimentação dos doentes.
Este louvor dos espinafres tem, além disso, uma estrofe que não deve ser esquecida. Já foi
cantada pelos árabes que sabiam que o espinafre é «bom para o fígado, remédio para a
icterícia e laxante para a digestão». Esta antiqüíssima experiência e comprovação explica-se
hoje com a descoberta da presença da secretina no espinafre, que combinada com a saponina
(elemento de características semelhantes às do sabão) exerce um efeito de aceleração e
aumento (la secreção no fígado, na vesícula biliar, no pâncreas, estômago e intestinos.
Usos Terapêuticos -- O efeito curativo do espinafre ou do seu suco, segundo uma velha
experiência e uma moderna investigação científica nos casos de anemia (sobretudo nas
chamadas hipocrônicas), eczemas cutâneos crônicos prisão de ventre, insuficiência funcional

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

das glândulas digestivas (fígado, pâncreas), escrófulas e avitaminoses, é devido a causas que
presentemente são bem conhecidas.
Emprego Como Alimento -- Como o espinafre não só possui energia curativa, mas também
preventiva, temos de lhe dar o lugar que merece na nossa cozinha e consumi-lo como legume
fresco na medida do possível, aproveitando sempre a água em que for
134
cozido, para não perder nada do seu valor.

Ruibarbo

Por ruibarbo (Rheum Officinale) entende-se geralmente a raiz seca e pelada de algumas
variedades do gênero «Rheum» oriundo da China e do Tibete. Além do ruibarbo comum,
também se cultivam entre nós outras espécies de Rheum, todas elas exóticas e com as
mesmas aplicações, como o Rheum Palmatum, ruibarbo palmeado ou ruibarbo da Rússia.
Da forte cepa nasce e cresce rapidamente um renovo que chega a dois metros da altura, com
as conhecidas folhas largas em forma de coração, os talos ocos e as coroas de flores em
forma de cachos.
O emprego do ruibarbo para uma depuração é a formula mais cômoda e simples para a
população urbana, sumamente dependente do seu trabalho profissional. Até mesmo entre os
habitantes das cidades mais afastadas na Natureza o ruibarbo ainda hoje continua a ser, um
meio apropriado para tal efeito, como já o foi desde as mais remotas eras no seu lugar de
origem, a China e o Tibete. O atual ruibarbo comestível é uma mistura de diferentes
variedades. O seu fácil cultivo e as suas numerosas aplicações têm contribuído para a difusão
da sua cultura.

Composição e Propriedades -- Sabemos hoje que o efeito excitante do ruibarbo sobre o


sistema hepático-biliar e as glândulas das vias intestinais não e causado apenas por um
composto químico perfeitamente conhecido, a «antraquinona», à qual corresponde um efeito
especial no' intestino grosso, mas também por substâncias denominadas glicósidos, isto é,
elementos semelhantes aos açúcares que, por uma prolongada armazenagem, ou também por
causa dos fermentos atuando a quente, se desdobram em antraquinona e em açúcar. O efeito
das outras partes componentes, como substâncias tanínicas, pectina, glicose, frutose, amido,
fitosterina, fermentos e, sobretudo, ácidos málico, cítrico e oxálico, produz-se em presença dos
citados elementos. Os doentes com cálculos renais ou propensos a isso, devem mostrar-se
muito prudentes no consumo de alimentos na base de ruibarbo. Em todos os outros casos, são
bastante estimulantes a compota, em alimentos panificados e doces, os pudins e o doce de
ruibarbo, supondo para os doentes uma mudança bastante agradável. Partidos aos pedaços e
conservados em frascos ou vidro esterelizados e cobertos
135

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

de água, os ruibarbos conservam-se frescos por muito tempo.


Emprego e Contra-Indicações -- Durante a guerra tornou-se crítico por algum tempo o
aproveitamento do ruibarbo. Sentimo-nos na obrigação de desaconselhar o emprego do
ruibarbo como legume, sobretudo dispondo na mesma época de outros legumes e verduras
silvestres não prejudiciais e abundantes, por causa do seu elevado teor de ácido oxálico. Outra
coisa multo diferente é o aproveitamento dos pecíolos das folhas para compota, que goza
atualmente, como sempre, de grande popularidade, e que praticamente nunca produziu efeitos
prejudiciais, não obstante a presença daqueles ácidos. Note-se, em vez disso, o suave efeito
laxante do ruibarbo cru ou cozido como excitante suave e depurador. Temos, portanto, de
contá-lo entre os alimentos de natureza nutritiva e curativa.

2. Legumes e Hortaliças Sem Folhas

Abóboras

Originária da América tropical, a abóbora (cucurbita pepo) é hoje muito apreciada.


Emprego Como Vermífugo
Não podemos esquecer que a abóbora figura com insistência nos escritos de Hipócrates. A
partir ele então encontra-se recomendada em todos os antigos e modernos herbolários como
um bom meio diurético, e as suas sementes como excelente vermífugo.
As pevides maduras (verdadeiras sementes) contêm uma substância, ainda não conhecida,
que diminui a capacidade de adesão da cabeça da tênia. Como excelente meio ele expulsão
de «solitárias», empregam-se as sementes de abóbora do seguinte modo:
1. Depois de uma dieta absoluta num mínimo de doze horas, as crianças devem consumir de
200 a 400 g e os adultos de 400 a 700 g de sementes de abóbora, sem casca e o mais frescas
possível, preparadas com leite cru, em três doses, dentro do prazo aproximado de três horas.
Passadas duas ou três horas, tomar-se-á um purgante, de preferência duas ou três colheradas
de óleo de rícino. Não se toma nenhum outro alimento. À noite é conveniente comer uma
salada de cenouras cruas, pois que também é um vermífugo.
136
Se no dia seguinte as tênias não tiverem sido expulsas (como ocorre na maior parte dos
casos), repetir uma vez mais o tratamento.
2. Tomam-se 30 g de sementes de abóbora pulverizadas e misturam-se com 10 g de infusão
de absinto, preparando-se uma beberagem que primeiro se deixa destilar durante doze horas
num quarto de litro de água fria, coando-se e voltando a destilar durante uma hora num quarto
de litro de água fervente. Misturam-se as duas infusões, bebendo-se durante o dia.
3. Para uma cura, esmagam-se 150 g de sementes de abóbora, batem-se num pouco de leite
cru e tomam-se. Duas horas depois toma-se também um purgante.

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Outras Indicações Terapêuticas -- Além das sementes de abóbora, também se emprega a


polpa destes enormes frutos como um dos meios diuréticos eficazes e não irritantes para as
doenças dos rins e do coração que são acompanhadas de hidropisia. Diga-se a este respeito
que o emprego de abóbora supõe um apoio não desprezível no tratamento médico das
afecções mencionadas. Todas as variedades de abóbora são também laxantes e depuradoras
de tóxicos intestinais que elevam a pressão arterial. São sempre recomendáveis na tendência
para a prisão de ventre e nas hemorróidas.
Cortam-se quilo e meio a dois quilos de abóbora em pequenas porções, que se fazem em purê
espesso, cozidas a fogo lento, adicionando-lhe um pouco de leite. Este purê, embora não seja
muito saboroso, consome-se durante um dia, sem se tomar nenhuma outra espécie de
alimento. Estas dietas de abóbora, que devem efetuar-se com a maior freqüência possível,
expulsarão a água excedente em muitos casos. Como se disse, só hão de servir de elemento
de apoio ao tratamento médico e nunca se procurará substituí-lo por tal processo.
Emprego Como Alimento -- Pode usar-se a polpa suculenta e dourada da abóbora de modo
conveniente a obter um alimento complementar nutritivo, saboroso e são. Em qualquer salada
de frutas ou salada com pepinos e maçãs, doce ou ácida, conforme se preferir, ou mista de
batatas, alface ou chicória, e como doce, legume ou salsa. Deve empregar-se na preparação
de quase todos os doces, especialmente no de ameixas, para variar o sabor e dobrar a
quantidade, o que se torna um benefício na economia doméstica.

Berinjela

As berinjelas (Solanum melongena) são parentes próximos do tomate. Supõe-se que a sua
pátria de origem foram as Índias Ocidentais e cultivam-se hoje abundantemente em nosso
país.
Características e Emprego -- Os frutos empregam-se para sa-
137
ladas, ou então fritos, cortados às rodelas, recobertos ou não. A polpa, de cor
amarela-esverdeada, torna-se tão suave e delicada quando é cozida ou assada que se desfaz
na língua. Contém apenas algumas fibras indigeríveis e tem um aroma agradável.
No que diz respeito ao conjunto da sua composição nutritiva, é bastante parecida com a
abóbora.
Contém 1,3 % de proteínas, 0,2 % de gorduras, 4,8 % de hidratos de carbono e 92 % de água;
100 g de berinjelas frescas dão origem a 27 calorias.
Devido à sua pobreza em calorias, à quase ausência de fibras indigeríveis, ao seu bom aroma,
ao delicado paladar e à multidão de possibilidades de preparação que tem, a berinjela deve
ser empregada ria dieta do tratamento das seguintes doenças; afecções do coração e do
sistema circulatório, padecimentos renais e do fígado, doenças do metabolismo
(especialmente no diabetes), reumatismo, gota e nas doenças do estômago e intestinos.

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A ervilha cultivada (Pisum sativum) procede, ao que parece, da silvestre (Pisum arvense).
As ervilhas doces constituem com as suas vagens tenras e verdes um excelente alimento para
doentes. Como ervilha de semeadura prefere-se a madura e amarela que se pode empregar
na obtenção de sopas, legumes ou farinhas nutritivas.
Composição e Propriedades -- Do seguinte quadro pode deduzir-se a grande diferença
quanto ao valor alimentar entre as ervilhas frescas, tenras e verdes e as maduras, secas e
amarelas:
As ervilhas maduras são ricas em proteínas e amido e produzem, por conseguinte, uma
quantidade de calorias, mas contêm um excesso de ácidos e são de digestão difícil. Em troca,
as ervilhas verdes e tenras têm um valor nutritivo muito menor, mas sempre superior ao de
outros legumes verdes. Além disso, com os seus elementos glicósidos de fácil assimilação que
ocupam o lugar da fécula, tornam-se de excelente
138
100g contêm Proteínas Gordura Hidrocarbonatos Água Calorias
Ervilhas frescas, tenras e
verdes............................ 6,6 g 0,5 g 12,4 g 17,7 g 83
Ervilhas maduras, secas e
amarelas......................... 23,4 g 1,9 g 47,3 g 14,0 g 315

digestão. Também é importante o seu conteúdo em combinações orgânicas de fósforo,


lecitina, ferro e potássio.
Emprego Como Remédio e Como Alimento -- Embora não se possa atribuir às ervilhas
nenhuma virtude curativa determinada, contudo, pela sua fácil digestão, seu considerável valor
alimentar e seu conteúdo mineral, constituem um excelente e apreciado alimento para os
regimes de todo o enfermo ou convalescente. Até os doentes do estômago suportam bem as
ervilhas tenras. Desempenham na alimentação dos doentes o mesmo papel que as hortaliças
tenras, as cenouras, os aspargos e a couve-flor.
As ervilhas tenras e verdes têm muita aceitação. Até se podem comer cruas ou só submetidas
ao vapor da água e azeite.

Feijão
Os feijões (Phaesolus vulgaris) pertencem à família das Leguminosas e possuem um talo alto
que se enrola para a esquerda, ao passo que o feijão anão (Phaesolus nanus) é uma planta
com um talo só de 30 a 50 cm e que não se enrola. É muito comum em nosso país.
Muito antes do descobrimento da América, já se cultivava o feijão. Os espanhóis levaram-no
para a Europa, no século XVI, mas não se lhe prestou a princípio grande atenção. Mais tarde,
ocupou o lugar da fava (Vicia faba), tão apreciada pelos germanos. Algumas espécies
consideram-se tóxicas se forem consumidas cruas. A toxicidade varia conforme a espécie, a

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região e o clima, e é devida à presença de ácido cianídrico na faseolina, que desaparece


completamente mediante a cocção. Nem o feijão verde nem as suas sementes se devem
comer crus.
Composição e Propriedades -- Se considerarmos a sua análise química geral, salienta-se a
sua
139

riqueza em vitaminas, sobretudo C, e em matérias minerais (ácido salicílico), oferecendo, em


troca, pouca riqueza nutritiva (proteínas) e poucas calorias.
Este baixo teor calórico de combinação com a abundância em vitaminas e minerais e com a
elevada percentagem de componentes celusósicos, fazem do feijão um elemento
especialmente apropriado para as pessoas obesas com atonia intestinal, desde que não seja
preparado com toucinho, como é costume.
A medicina popular considera favorável o efeito do caldo ou infusão de vagens secas de feijão
em: 1) hidropisia das mais diversas origens (coração, rins, gravidez); 2) doenças reumáticas
(reumatismo crônico, ciática e gota); e 3) diabetes. O Prof. Henpke confirma o efeito
semelhante à insulina da infusão de vagens de feijão, mas depois dos seus próprios ensaios
clínicos com análises contínuas considera insuficiente a curva de açúcar no sangue e a
expulsão de açúcar pela urina. Até agora supõe-se que os fatores ativos a este respeito são
faseolina, faseol e arginina para a redução de açúcar no sangue e na urina.
Composição do Feijão Seco -- O feijão branco seco contém uma proporção em proteínas
(22%) e em hidratos de carbono (62%) muito semelhante às ervilhas secas e às lentilhas, com
as quais também se parece ria quantidade de calorias que produz, aproximadamente 350 por
100 g de feijão. Estes legumes possuem, por isso, um elevado valor nutritivo, especialmente
em cálcio (150 mg %) e magnésio (160 mg %), assim como em ferro (10 mg %), cobre 1,5 %)
e manganês (1 mg%), tão necessários para a produção normal de sangue. As vitaminas não
fazem parte da sua composição em número notável, embora seja de interesse o conteúdo nas
vitaminas fundamentais do sistema nervoso: a Bi (600 ganias em 100 g) e a B2 (240 gamas em
100 g).
É surpreendente o elevado conteúdo da amida do ácido nicotínico no feijão (3 - 7, 5 mg em
100g), o que lhe proporciona um valor dietético inestimável. A amida do ácido nicotínico, ou
para melhor dizer, a substância fundamental desta, o ácido nicotínico forma o núcleo ativo de
uma série de fermentos, especialmente das codesidrogenases 1 (difosfopiridinnucleótido) e 11
(trifosfopiridinnucleótido), assim como de outras diversas desidrogenases que atuam como
transportadores de hidrogênio na síntese e na degradação dos glícidos, dos ácidos gordurosos
e dos álcoois. A amida do ácido nicotínico exerce, além disso, uma ação reguladora sobre a
formação dos glóbulos vermelhos primários, os reticulócitos, e por esta razão emprega-se com
êxito nos casos de anemia perniciosa. Na prática clínica resulta de grande interesse o
emprego desta substância para manter dentro da normalidade as funções do aparelho
140

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

digestivo, da pele e do sistema nervoso.


O feijão também vai fazer parte dos alimentos com alto teor em ácido pantotênico, ao lado das
ervilhas, da cenoura, da couve-flor e das folhas da urtiga. A razão do seu valor dietético
assenta, como no caso anterior, no fato de o ácido pantotênico fazer parte de unia coenzima
(coenzima A), que desempenha um papel importantíssimo mo na síntese da acetilcolina, na
desintoxicação de corpos estranhos ao organismo, como os medicamentos e venenos, e no
metabolismo das proteínas e das gorduras. Por todas estas razões, é tinia substância não só
importante, mas também vital. Por outro lado, protege a pele e as mucosas contra as
infecções, mediante um incremento da sua resistência, e normaliza o seu metabolismo. Tem
também uma grande influência no crescimento e na pigmentação do cabelo.
Emprego Terapêutico do Feijão Seco -- O feijão branco, seco, manifesta-se mediante uma
análise mais minuciosa não só como um elemento de alto valor nutritivo com grande conteúdo
energético, mas também como excelente recurso dietético nos casos de alterações do
metabolismo (hepatopatias) na anemia perniciosa, nas doenças dos órgãos do trato digestivo
(processos inflamatórios crônicos, perturbações funcionais, especialmente nos estados de
debilidade), assim como nas afecções da mucosa bucal (estomatite, aftas, úlceras, estomatite
gangrenosa ou noma).
Devido à sua função protetora no caso das mucosas e da pele, é conveniente empregá-lo
como alimento de preferência nas doenças do aparelho respiratório, como são, por exemplo,
os catarros crônicos do nariz (rinites crônicas e de origem vasomotora, coriza do feno), dos
brônquios e dos pulmões.
Também nas doenças cutâneas é o feijão um magnífico remédio pelo seu alto teor nos ácidos
nicotínico e pantotênico. Pode recomendar-se o consumo de feijões secos nos casos de
dermatose de natureza alérgica, eczemas, pruridos, acne e alterações pelagrosas.
Os dois ácidos tão repetidamente mencionados, o nicotínico e o pantotênico, desempenham
um papel importante no tratamento das doenças dos órgãos pilosos, pelo que devem ser
ti-atadas mediante a alimentação normal nas maiores quantidades possíveis, e daí é que
deriva o interesse dos feijões nos casos de queda do cabelo em todas as suas formas
(alopecia parcial ou total e nas quedas difusas dos pêlos), nos cabelos de qualidade deficiente,
cabelo frágil, secura capilar, despigmentação e na formação da caspa (seborréia).
Outros alimentos especialmente ricos em ácido pantotênico, além dos legumes mencionados
atrás, são: levedura seca, cereais (especialmente os seus farelos), nozes, o fígado e os ovos.
141
O grão-de-bico (Cicer arietinum L.) procede, provavelmente, da região oriental da bacia
mediterrânica. Presentemente, é unia planta que se encontra largamente cultivada em todos os
países mediterrânicos. Ainda não se conhece a data do início da sua cultura. Os primeiros
dados seguros encontram-se em Teofrasto e Dioscórides.
Todas as partes da planta estão recobertas por uma curta e ereta velosidade glandular que
produz uma secreção viscosa contendo ácidos málico, acético e oxálico.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

Composição e Propriedades -- As sementes, os denominados grãos-de-bico, conhecem-se


facilmente pela sua forma. 100 grãos pesam cerca de 25-37 gramas. Atualmente atribui-se-lhe
a seguinte composição: proteínas, 17-23%; gorduras, 4-5%; hidratos de carbono, 63,5 %; fibra
bruta, 3,5-5,5 %; água, 14,8 %; cinzas, 3,2 - 3,4 %.
As cinzas são muito ricas em fosfatos. Devido ao seu alto teor em substâncias alimentares, o
seu valor nutritivo é logicamente muito elevado. O grão-de-bico constitui um alimento muito
apreciado por todas as classes sociais.
Utilização Como Alimento e Remédio -- Sob o ponto de vista dietético, o grão-de-bico
desempenhou na antiguidade um papel importante. Foi empregado como meio eliminador da
água (diurético) na hidropisia; como meio para facilitar as menstruações (emenagogo), como
afrodisíaco e cosmético. S. Hildegard indica-o como alimento leve e agradável e também como
remédio contra a febre.
As sementes maduras ou verdes usam-se como as ervilhas ou as lentilhas, em sopas ou como
legume. Também como farinha, especialmente no Oriente e na Bulgária, onde se mistura com
farinha de trigo e é empregada depois de fermentar para a preparação de pão. Da variedade
com sementes pretas prepara-se um sucedâneo do café.

Lentilhas

As lentilhas (Lens esculenta L.) são originárias da região mediterranica. No Oriente


cultivavam-se já nos mais remotos tempos. Formam matas anuais, que produzem frutos em
vagem (leguminosas).
As lentilhas podem ser utilizadas para preparar guisados, saladas, empadões ou sopas,
manjares que não só são relativamente
142
baratos, mas que também são muito bem aceitos. O purê de lentilhas e o purê de ervilhas são
a parte fundamental de muitos pratos de sopa.
Composição e Propriedades -- As lentilhas são também de bastante interesse sob o ponto
de vista dietético. Contêm, como as ervilhas secas ou o feijão branco, elevada quantidade de
ferro (lentilhas, 9 mg %; ervilhas 6 mg%; feijão branco 10 mg %), cobre (0,7%), fósforo (1.200
mg % de anidrido fosfórico em 100 g), cálcio (100 mg%). O seu valor nutritivo é muito alto,
devido ao conteúdo de proteína de 22 g% e de 50 g% de hidratos de carbono. Especial
menção merece também o conteúdo em vitamina B1 (500 gamas em 100 g), em vitamina B2
(320 gamas em 100 g) e lecitina. Também estão presentes a vitamina A (175 U. I. em 100 g), o
ácido nicotínico (3 mg em 100 g) e a vitamina E.
O ferro é uni elemento vital, pois é o principal componente da hemoglobina e de diversos
fermentos (fermentos respiratórios, catalases, oxidases), que participam nos processos de
respiração celular (processos de oxidação).
Quando o corpo humano é pobre em magnésio -- o que pode ser averiguado medindo o

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

conteúdo em magnésio do plasma sanguíneo, cujo nível nunca deve baixar de 2,2 a 1 mg% --
a concentração de colesterinas e produtos da degradação das proteínas como substâncias
obrigatórias na urina encontra-se elevada.
O metabolismo do cálcio encontra-se em estreita correlação com o magnésio. Uma
alimentação com alto teor em cálcio eleva também as necessidades em magnésio; por outro
lado, um consumo elevado de magnésio aumenta a eliminação de cálcio.
As necessidades de ácido fosfórico são geralmente cobertas se a alimentação contiver cálcio
suficiente. O ácido fosfórico é necessário para a estruturação dos ossos, sendo além disso um
fator fundamental para a manutenção correta do equilíbrio ácido-básico, intervém no
metabolismo dos hidratos de carbono e faz parte ainda de numerosas proteínas do corpo. A
administração suficiente de fósforo assegura a capacidade de trabalho da musculatura
corporal.
Sobre o papel das vitaminas do grupo B no metabolismo e para os nervos não é necessário
insistir neste lugar.
Emprego das Lentilhas na Alimentação -- Desta curta exposição da composição das
lentilhas pode concluir-se que devem ter
143
um lugar proeminente na alimentação das pessoas delicadas, subdesenvolvidas, nervosas,
anêmicas e desnutridas. Contudo, como o teor proteínico das lentilhas não é completo e, por
outro lado, não são facilmente digeríveis, devem complementar-se com muitas batatas,
legumes e saladas.
A água da cocção das lentilhas pode utilizar-se como bebida para ajudar o tratamento das
parasitoses por vermes intestinais.
As lentilhas não escurecem por cocção se forem acompanhadas de algumas batatas
descascadas, que se deixam esfriar em conjunto.
As lentilhas, como outros frutos de vagens, devem ser conservadas em lugares frescos.
Misturadas com duas colheres de sopa de sal podem ser conservadas sem que sejam
atacadas por nenhuma afecção (gorgulhos).

Melão

Muito próximo do pepino, o melão (Cucumis melo) procede das zonas tropicais (la Ásia e da
África, e pertence à família das Cucurbitáceas.
Os melões apresentam-se nos países quentes em grandes quantidades de formas e de
variedades.
Composição, Propriedades e Usos -- A composição nutritiva dos melões é a seguinte:
proteínas, 0,7-1 %; gorduras, 0,250,33%; hidratos de carbono, 2-6%; água 90%. Nesta última
fração encontram-se 8 mg% de sódio, 75 mg% de potássio, 11 mg% de cálcio, 3 mg% de

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

magnésio e 1 mg% de ferro. Entre as vitaminas é de interesse o teor em vitamina A, com 600
U.I. em 100 g de substância fresca, e a maior distância encontra-se a vitamina B1 com 6
gamas, a B2 com 35 gamas, o ácido nicotínico com 0,2 mg e, por último, 7 mg de vitamina C.
Referindo-se à suculência dos frutos dizem os vendedores de melões napolitanos: «Coma,
beba e lave a cara com eles».
Os melões utilizam-se como sobremesa, geralmente frescos, com ou sem açúcar e às vezes
condimentados com gengibre. O melão suculento é muito refrescante. Os melões podem
também usar-se como compota ou utilizar-se para fazer doce.
Na França, empregam-se muito os melões como guloseima condimentados com sal ou
pimentão. Consumidos em grandes quantidades podem causar peso no estômago, cólicas e
diarréias.
As sementes e as raízes empregam-se como vomitórios pelo seu
144
alto teor em emetina. Não tem um sabor peculiar determinado.

Pepinos

O pepino (Cucumis sativus), como a abóbora, pertence à família das Cucurbitáceas.


Composição -- A idéia bastante espalhada de que o pepino carece de valor nutritivo é
equivocada. Não se pode, decerto, classificar o pepino de -«nutritivo» no sentido vulgar, pois é
muito pobre nos chamados elementos de massa: proteína, gordura e fécula. Consiste
principalmente de água, mas pode provar-se a presença nela e em dissolução de vitaminas e
minerais, tão importantes numa alimentação completa, como os fatores de massa. Com razão
se tem popularizado o pepino como alimento em muitas preparações.
Usos do Pepino -- Os pepinos exercem três efeitos característicos no organismo humano: o
diurético, o laxante e o depurativo, que participam proporcionalmente no seu valor dietético.
O efeito diurético ou de expulsão de água pode aproveitar-se facilmente para doentes dos rins
e cardíacos. Como os pepinos não só expulsam água pura mas também ácido úrico nela
dissolvido, devem constituir um elemento de nutrição para todas as pessoas que sofrem de
diátese úrica, cálculos renais ou vesicais, gota ou reumatismo, sempre que sejam devidos à
presença de ácido úrico.
Pode corrigir-se freqüentemente a prisão de ventre crônica com um modo simples e natural:
mediante o consumo diário de uma salada de pepinos; preparando-a só com limão, cebola e
azeite e mastigando-a cuidadosamente. Os diabéticos suportam muito bem os pepinos, tanto
mais quanto estes ajudam pelo seu teor em elementos ativos semelhantes à insulina a reduzir
a quantidade de açúcar no sangue.
As impurezas da pele são tratadas favoravelmente mediante o uso interno de suco de pepino.
Os ervanários têm muitos preparados para esta finalidade.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

Consumidos em grande quantidade e mal mastigados, os pepinos em salada podem ser de


digestão muito difícil.
Os pepinos em conserva geralmente são usados para abrir o apetite. Contudo, os doentes do
coração e dos rins devem evitá-los por causa do seu elevado teor de sal.
145

Soja

O soja (Glycine hispida) é uma planta procedente do interior da China, pertencente às


Leguminosas. O soja, cultivado desde tempos remotíssimos e que tem constituído e constitui o
principal alimento de grandes massas populacionais da Ásia oriental, alcançou também na
Europa grande importância como alimento e como remédio terapêutico.
Composição e Características -- O soja é muito rico em proteínas completas, gorduras e
lecitinas, embora não tenha amido, no que diz respeito aos hidratos de carbono. O seu valor
exato pode deduzir-se do quadro seguinte, em que se compara a composição do fruto de soja
com a sua correspondente farinha integral:

A carência de amido diferencia fator dá-lhe um valor dietético de maneira notável o soja das
restantes leguminosas que vulgarmente se empregam, as quais têm à volta de 50% dos seus
hidratos de carbono, em forma de amido. O soja é empregado com tal profusão pelos asiáticos
do Leste que substituem com ele a carne, o leite, o queijo e os ovos.
Os principais países produtores de soja são a China, a Manchúria e a Coréia. São também
importantes as produções do Brasil, do Japão, da Índia e dos Estados Unidos. Este país
coloca o soja, pela sua importância, em quarto lugar, depois das produções de algodão, milho
e trigo.
O cultivo desta leguminosa tem-se espalhado largamente pela Europa, desde que se
descobriram variedades que se adaptam às condições s especiais climáticas destas regiões. E
possível que o soja represente para a alimentação da Europa um papel semelhante ao que
teve a batata no século XVIII.

Quantidades Hidratos de Fibra


Proteínas Gorduras Minerais Lecitinas Água
expressas em g Carbono Bruta

30 18 20 4,5 1,8 5,2 12,1


Soja-Sementes
40 21 26,5 4,5 2 3,5 6
Soja-Farinha

O Soja, Carne Vegetal - As proteínas do soja são completas, isto é, tal como acontece com as
da carne, ovos, leite e peixe, contêm todos os aminoácidos essenciais. O soja não tem

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

compostos purínicos, pelo que não dá lugar à formação de ácido úrico, e este fator dá-lhe um
valor dietético muito superior ao que têm as pro-
146
teínas da carne e do peixe. Os produtos integrais do soja podem substituir perfeitamente e em
igual proporção a carne e os ovos, tanto na alimentação normal como nos regimes dietéticos,
o que tem extraordinário interesse. Assim, no tratamento dietético das doenças tão
características da nossa civilização, largamente espalhadas pelo uso excessivo da carne e dos
ovos na alimentação, como são as doenças do coração, a hipertensão a angina de peito,
arteriosclerose, gota, reumatismo, doenças dos rins e da pele, - encontra o soja unia indicação
precisa, substituindo a carne e os ovos.
Mas ainda há uma outra razão. Como se repete em vários lugares desta obra, a colesterina,
muito abundante nos alimentos de origem animal, desempenha um papel importante na
apresentação das doenças graves dos vasos sanguíneos.
As gorduras do soja não contêm colesterma, e permanecem na farinha de soja finamente
triturada em forma digerível numa proporção de até 99%. Pelo seu alto teor de ácidos não
saturados essenciais para a vida (vitamina F), é esta gordura vegetal de alto valor biológico e
encontra grandes indicações dietéticas.
É Muito importante e interessante o extraordinário teor das sementes de soja em lecitina, que
chega a 2-2,5 %,o que as coloca em seguida aos ovos, que com uns 3,7 constituem o alimento
mais rico em lecitina.
Isto facilita não só a sua utilização culinária, que conquistou um lugar importante em
numerosas receitas, como também exerce interessante efeito sobre as funções dos nervos e
do cérebro, evitando também a alteração gordurosa do fígado.
Utilização Terapêutica -- O seu teor em hidratos de carbono, caracterizado pela ausência de
amido, é outra característica de valor interessante. Os hidratos de carbono formam 20-26,5%
tanto das sementes como da farinha de soja e são, na sua maior parte, glícidos (estaquiose,
arabinose, galactose) que são queimados até mesmo nos casos do diabetes, formando glicose
apenas uns 5-6% dos hidratos de carbono, razão pela qual os produtos do soja são
grandemente recomendados no diabetes.
O teor em substâncias minerais mostra rio soja uma percentagem muito mais elevada do que
nos outros alimentos mais importantes, pois atinge 4,5-5 %, valor este sete vezes mais
elevado que o do leite, cinco vezes o da carne e dos ovos , três o das farinhas de cereais e
legumes, duas vezes mais elevado que o das mais conhecidas sementes de leguminosas. As
substâncias minerais do soja atuam no metabolismo alcalino em alto grau, elevando as
reservas alcalinas do sangue. Nestes elementos são de salientar, em primeiro lugar, o teor em
cálcio, (200 mg%), potássio (1.660 mg%), magnésio (235 mg%), ferro (8-12

147
mg%) e cloro (24 mg%), circunstância de tão notório interesse para os regimes sem sal.

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Valor Dietético -- O teor em vitaminas é, conforme se pode verificar no seguinte quadro do


Prof. W. Halden, muito elevado, tanto em compostos lipossolúveis como hidrossolúveis. As
mais importantes, pela sua proporção, são as vitaminas B1, B2 e ácido nicotínico. Segundo o
Prof. Kollath, as sementes de soja e as suas farinhas são muito ricas em auxonas.

Caroteno 1 mg%
Provitamina D indícios
Vitamina E 5 mg%
Vitamina K 0,2 mg%
Vitamina B1 0,8 mg%
Vitamina B2 0,2 mg%
Ácido nicotínico 2,2 mg%
Ácido pantotênico 1 mg%
Vitamina B6 2 mg%

Todas as exigências que podemos ter com respeito à composição de um regime de alto valor
dietético constituído por alimentos completos podem ser satisfeitas com o emprego cuidadoso
e devidamente proporcionado dos produtos do soja (farinhas integrais).
0 extraordinário valor nutritivo do soja e dos seus produtos fica demonstrado ao provar-se que
500 g de soja integral são tão ricos em proteínas e gorduras como 3,75 litros de leite ou 27
ovos de galinha. Os produtos do soja têm um valor importante para a cozinha vegetariana. O
leite de soja é utilizado em lugar do leite animal, na alimentação infantil. Dele também se
obtém uma espécie de manteiga, chamada em japonês «miso», um requeijão «tofu» e um
molho muito apreciado pelos japoneses, a que chamam «shoyu».
Emprego dos Produtos de Soja -- A grande proporção tanto em princípios ativos como em
substâncias nutritivas do soja e dos seus produtos faz dele um dos elementos dietéticos mais
valiosos, na tuberculose e noutras doenças infecciosas, afecções tumorais (câncer), estados
de esgotamento, convalescença de doenças graves, nos diversos tipos de anemia, nas
alterações produzidas por irradiações e nas hipofunções das glândulas intestinais e de
secreção interna.
São também de grande importância os produtos do soja nas doenças cujo tratamento exige
um regime, no qual não entre o sal, o ácido úrico ou a colesterma, como sejam doenças
nervosas, muitas doenças da pele, reumatismo, gota, hipertensão sanguínea, angina do peito,
arteriosclerose e cálculos biliares.
A substituição do leite animal pelo leite de soja pode ser um elemento terapêutico na cura das
afecções ocasionadas pelo consumo de leite de origem animal, a asma, a tendência para as
afecções catarrais, hipertrofias glandulares e nas inflamações das amígdalas. O es-
148
tabelecimento desse regime curativo deve ser feito sempre sob o controle do médico.
A alimentação com produtos de soja é especialmente indicada nas crianças subdesenvolvidas
que necessitam de grande quantidade de substâncias nutritivas e ativas para o seu

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desenvolvimento corporal e orgânico.


Para o seu uso na prática, recomenda-se a farinha integral de soja, pela sua cor amarelada e
pelo seu agradável sabor de noz. Deve conservar-se em recipientes bem fechados, seco e em
lugar fresco. Os produtos preparados na base de soja, largamente empregados no Oriente
asiático (leite, molho e queijo de soja), não são ainda muito utilizados entre nós por causa da
sua preparação e do seu sabor pouco de acordo com os nossos paladares. Para o emprego
das sementes de soja integrais são necessárias quatro horas de cocção devido à sua dureza,
mas este tempo reduz-se para vinte minutos, mediante o emprego de panelas de pressão.
Com uma preparação cuidadosa podem confeccionar-se pratos muito agradáveis, à base de
soja, sendo muito fácil a utilização da farinha de soja em sopas, molhos, almôndegas,
assados, maioneses, doces, pastéis e confeitaria.

Tomates

0 conhecido tomate (Solanum lycopersicum) pertence à família das Solanáceas. Procede do


Peru. O número de variedades desta solanácea é muito grande, de acordo com a intensidade
com que é cultivado. As mais importantes são: a corrente, de tamanho médio (5 a 10 cm),
comprimidos pelos planos superior e inferior; o redondo, bastante pequeno (2-3 cm) de polpa
muito apertada; o oblongo, piriforme; o monstro, notável pelo tamanho que pode chegar a
pesar um quilo e que tem uma rodela cinzenta em torno do pedúnculo.

Descobriu-se, recentemente, nos talos e folhas de todas as plantas de tomate uma substância
antifúngica, a «tomatina», que não só impede as doenças vegetais,
como também atua no fungo filamentoso que produz no homem a doença da pele «Pityriasis
versicolor». A nova substância também demonstra ser um material
básico útil para uma série de produtos medicinais de grande valor da série de produtos
hormonais (cortisona, etc.).

Composição - Segundo Dahlen, o tomate contém em cada 100 g de polpa fresca e seca ao
ar, 92,37 % de água, 1,25 % de ele-

149
mentos nitrogenados, 0,84 % de lignina é 0,63% de cinzas. Também se encontram solanina,
saponinas, corantes e vitaminas, especialmente A.
O tomate fresco contém tão abundante quantidade e variedade de vitaminas que poucos
alimentos vegetais se lhe podem comparar, sobretudo no tocante às vitaminas A, B, C e E.
O teor em matérias minerais está à altura da maioria das hortaliças de folhas e tubérculos,
contando, além disso, com elementos raras vezes presentes nestas, como são: rádio, ferro,
cobre, boro, níquel e cobalto. O teor de vitamina E, desconhecido até há pouco, talvez
justifique a antiga designação do tomate como «maçã erótica».
Aplicações Terapêuticas -- O tomate possui grandes condições preventivas, o que o torna

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muito importante para o tratamento vitamínico nas perturbações do crescimento, doenças da


dentição, pobreza de sangue e falta de resistência contra as infecções.
Pelas matérias componentes até agora conhecidas, é fácil compreender que os tomates
podem exercer grandes efeitos como alimento dos doentes, como renovadores do sangue e
no tratamento da gota e doenças dos rins e vias respiratórias.
O suco do tomate, cuidadosamente conservado, apresenta considerável quantidade de
vitamina C. Na alimentação infantil torna-se especialmente valioso o suco do tomate, pois
substitui perfeitamente o da laranja. A sua eficácia antiescorbútica está demonstrada clínica e
praticamente.
Usos Alimentares -- Presentemente, o tomate fresco ou de conserva é, no inverno, um
vegetal de grande aceitação popular. Entre as grandes mudanças na alimentação geral
verificadas nos últimos séculos, o tomate tem ganhado paulatinamente um dos lugares mais
destacados.
O seu agradável aspecto, a multiplicidade de aplicações, o bom sabor, a fácil digestão e a
riqueza em vitaminas têm exercido evidentemente grande influência na sua aceitação.

3. Raízes e Tubérculos
Aipo

O aipo (Apium graveolens) pertence à família das Umbelíferas. Encontra-se tios terrenos
pantanosos e salinos, cultivando-se particularmente as variedades dulce e lusitanicum.
Não se pode conhecer a qualidade da semente, pelo que a sua compra é uma questão de boa
fé. O cultivo em grande extensão é aconselhado apenas quando o
150
aipo encontrar um solo apropriado num lugar úmido e chuvoso.
Composição e Propriedades Medicinais -- Nas folhas encontram-se óleo essencial, apiona,
niosita, sais; no bulbo: óleo essencial, açúcares, amido, pentosanas, colina, tirosina, glutamina,
asparraguina e vitaminas.
Ao teor de óleo essencial se deve o seu efeito específico sobre os rins. Os vasos renais
dilatam-se e, portanto, aumentam a expulsão de água. Quando se produz este incremento,
cresce a eliminação dos produtos tóxicos do metabolismo, o que explica o seu benéfico
emprego nos casos de gota, reumatismo, diátese de ácido úrico com tendência para a
formação de cálculos, debilidade nervosa e depressão de ânimo, que podem ser devidas à
formação excessiva de ácidos nos tecidos. A crença popular insiste, não sem razão, em que o
óleo extraído das sementes e dos tubérculos radiculares do aipo produz efeitos de tipo
hormonal sexual. Contém também glicoquinas, isto é, hormônios de eficácia semelhante à
insulina que poupam o consumo desta no tratamento do diabetes.
Como condimento, utiliza-se o aipo tal como a salsa. E muito apreciado preparado como

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salada. Também se utiliza na sopa, em recheios, e em variados cozidos.

Batata-Doce

Com toda a probabilidade é a América Central a terra de origem da batata-doce (Ipomoea


batatas), que pertence à família das Convolvuláceas. Cultiva-se hoje na maior parte dos
países tropicais e subtropicais. E uma planta anual e herbácea de porte volúvel. A sua
propagação realiza-se, como sucede nas batatas, mediante tubérculos.
Composição e Propriedades -- Os tubérculos, cujo peso chega a atingir quilo e meio, contêm
um suco leitoso e grande quantidade de tanino, especialmente na casca, pelo que os
tubérculos apresentam uma cor escura. O teor em amido varia muito, conforme o lugar de
origem. Nos trópicos o teor em açúcares (10%) excede o do amido (9%), ao passo que nas
151
zonas subtropicais, a quantidade de amido (5%) excede a do açúcar (3-4 %).
Em ambas as zonas a batata-doce é um alimento extraordinariamente barato e apreciado,
sendo usado como a batata, embora também se empregue como substituto do pão e fonte do
amido, a partir do qual se obtém a tapioca.
Apresentamos a seguir um quadro comparativo entre o teor de substâncias alimentares,
minerais e vitaminas da batata-doce e da batata vulgar:
Hidrato
Vit.
Gorduras de Sal Cálcio Magnésio Ferro Vit. A Vit. C
Proteínas Calorias Água B1
gramas carbono mg mg mg mg U.I. gamas
gamas
por 100
Batata vulgar 2 0,1 18 80 71 70 17 30 1 40 100 40 30
Batata-doce 1,4 0,4 24 105 71 236 80 30 7 7.000 80 60 15

Como se pode apreciar, há entre os dois tubérculos uma perfeita concordância no que diz
respeito ao teor em substâncias nutritivas, calorias e água. Pelo contrário, as batatas-doces
são mais ricas em sal, ferro e cálcio. Isto tem uma importância especial para cobrir
determinadas necessidades dietéticas. Outro caso é o teor em vitaminas. A batata-doce é
muitíssimo mais rica em vitamina A (7.000 U. L) do que a batata, que só chega a 40 U. L, o
que faz do primeiro tubérculo um alimento especialmente rico nesta vitamina, tendo um alto
valor dietético nas doenças causadas por avitaminose A, pelo que podem ser tratadas com a
contribuição desta vitamina (ver o quadro da pág. 56).

Beterraba

A beterraba vermelha (Beta vulgaris cruenta rubra) é uma variedade de beterraba comum. A
sua raiz grossa a carnuda contém um suco vermelho sanguíneo.

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Composição -- A beterraba apresenta um teor de hidrocarbonatos de 6 a 9%, figurando entre


eles sacarose, frutose e rafinose; embora pese ao seu escasso teor em proteína (de 1,10 a 1,8
%), a verdade é que figuram nela os aminoácidos de grande valor biológico: asparraguina,
glutamina e glucocola, e um excesso de bases, devido ao seu teor em potássio,
152
sódio, magnésio e cálcio; também se conhece a presença de dois metais raros (rubídio e
césio), cujo significado biológico ignoramos completamente. Deve-se ter também presente o
escasso teor vitamínico. Mas tudo isto não nos diz grande coisa com respeito ao verdadeiro
significado alimentar, fisiológico e eventualmente terapêutico deste vegetal, enquanto não
tivermos análises químicas mais minuciosas.
Propriedades e Emprego -- Temos de nos fiar por agora nas aparências práticas quanto ao
seu valor nutritivo e medicinal, e este fala-nos até hoje de um efeito diurético, de eliminação de
sais e de ácidos úricos, de depuração e de renovação do sangue, assim como de excitação do
estômago, intestinos, fígado e vesícula. Qualquer pessoa pode sentir rapidamente estes
efeitos consumindo duas vezes por dia o suco cru acabado de fazer, numa quantidade de 50 a
100 ml, antes das refeições. Suporta-se melhor diluído.
0 suco em cru e a salada de beterraba cozida servem para enriquecer a alimentação de
doentes, de circulação e do metabolismo, assim como na anemia.

Cará

O cará, segundo R. Descartes de Garcia Paula, «constitui um dos alimentos de grande uso
nos países tropicais, especialmente da África e da Oceania. No Brasil, no entanto, ele está
longe de concorrer, no consumo, com a mandioca e a batata». -- Alimentos, pág. 177.
Há algumas espécies de cará. Mas o cará comum, segundo o mesmo autor, «é uma raiz
tuberosa em forma de batata, arredondada, em umas espécies, longa em outras. Algumas
espécies e variedades, no entanto, produzem simultaneamente tubérculos subterrâneos e
tubérculos ou bulbos aéreos, já semelhantes, estes, pelo aspecto geral, à túbera subterrânea,
já completamente diferentes, assemelhando-se, também pelo aspecto geral, a um fruto. Está
neste caso o cará sapateiro, que é a Dioscorea bulbifera. Esses bulbos são longo-achatados,
em forma de moela, têm a casca ou pele lisa cor verde-claro a plúmbea, parecendo mais a um
fruto. É menos apreciado (quase desprezado) do que o cara comum da terra. A composição
química dos dois é praticamente a mesma.» - Ibidem.
0 cará possui água, 68,4 %; proteínas, 2,0 %; matéria graxa, 0,1; hidratos de carbono, 27,3;
fibra, 1,1; e cinza, 1,1.
153
As pesquisas do Prof. Moura Campos revelam que o cará apresenta boas taxas de vitaminas
B1, B2 e B6.
O cará encerra um fator capaz de elevar notavelmente o apetite (Camargo e Moura Campos),

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garantindo uma ingestão quase dupla de alimento.


R. Descartes de Garcia Paula conclui suas observações dizendo que, «pelos motivos expostos
é de se lamentar não ser o cará objeto de maior consumo em nosso país. Consumo que
poderá e deverá crescer quando forem melhor conhecidas suas reais qualidades.» -
Alimentos, pág. 179.

Cebolas

A apreciadíssima cebola (Allium cepa) pertence à família das Liliáceas. Como o seu emprego
se generalizou bastante, tem vários nomes populares. Procede do Oriente (Ásia Ocidental) e
cultiva-se muito na Europa e América.
Composição e Propriedades -- Tal como o alho, também a cebola contém principalmente
óleo essencial com enxofre, que se encontra fazendo parte de diversas combinações
orgânicas. Conhecemos hoje o importante papel dos compostos orgânicos do enxofre,
especialmente nas sulfamidas que, com a penicilina, constituem o meio mais eficaz para
combater as enfermidades infecciosas. Mas é também multo importante o teor da cebola em
compostos de sulfocianeto, fósforo, flúor, potássio, ácido salicílico, secretina, glicoquinina e
vitaminas B e C.
O conhecido ardor de olhos quando se descascam ou se picam as cebolas é devido à
evaporação do ácido essencial.
Ações Sobre a Fisiologia do Organismo -- A cebola aumenta a produção do suco gástrico e,
com isso, a sua capacidade de desinfecção e desintegração de albuminas. Aumenta também a
formação de sucos intestinais, exterminando parasitas do intestino causadores de putrefações
e de focos purulentos; estimula o desenvolvimento de colobacilos normais.
Mas não incita apenas a uma maior atividade das mucosas gastrintestinais, como também do
fígado, vesícula e pâncreas, efeitos estes que equivalem aos que se exercem sobre as
mencionadas mucosas e que também fomentam um melhor funcionamento digestivo.
Forma-se na mucosa do duodeno devidamente incitada um hormônio chamado secretina que,
154
através do sangue, estimula a secreção de fermentos digestivos pelo pâncreas. A influência
decisiva do funcionamento normal do pâncreas sobre o processo digestivo compreende-se
pelo fato de ser apenas a dita glândula que está em condições de produzir simultaneamente
fermentos para a desintegração de proteínas, hidrocarbonatos e gordura. Precisamente os
componentes estimulantes da cebola podem fomentar em grau desusado a produção de
secretina, garantindo assim o bom funcionamento do pâncreas. Mas a cebola não só torna
possível unia maior formação de fermentos e de hormônios (secretinas) como também, além
disso, contém essas mesmas substâncias. Figura precisamente entre as hortaliças com maior
teor de fermentos. Por outro lado, tem-se discutido nela a presença de um hormônio vegetal
(glicoquinina) que atua no metabolismo do açúcar como a insulina do pâncreas e pode reduzir
o excesso de açúcar no sangue.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

Como a cebola também contém as vitaminas B e C em abundância, constitui, especialmente


durante o inverno, o melhor antídoto contra as avitaminoses ou, em combinação com o suco
de batatas esmagadas e frescas, contra o escorbuto propriamente dito.
Efeito nas Doenças da Circulação e da Respiração -- Também, desde há muito tempo, se
conhece o efeito diurético da cebola em relação com as doenças circulatórias e renais.
Quando os medicamentos falham, pode uma cura de cebolas, durante três dias, fazer
desaparecer acumulações de água nas pernas, no ventre, no fígado, pleura e pericárdio,
porque o óleo essencial, os ácidos sulfociânicos e salícico e o teor em magnésio secam os
tecidos, facilitando a filtragem renal de água e sal. Mas provavelmente o efeito não se deve
apenas a essa influência sobre a irrigação dos tecidos renais, mas também a um melhor
funcionamento do coração,já que as cebolas, pelo menos conforme se tem podido demonstrar
em experiências com animais, contêm elementos estimulantes para o coração. Os compostos
sulfociânicos atuam, além disso, como fatores que fazem baixar a tensão arterial
(hipotensores). Para efetuar uma cura de cebolas, tomam-se de dez a quinze ou mais cebolas
de tamanho médio por dia, com mel para lhes melhorar o sabor, ou então em salada com
sumo de limão, azeite e nata ácida. Uma cura de cebola pode prolongar-se durante várias
semanas.
Quem há que não conheça o tradicional xarope de cebola como remédio nas afecções
catarrais das vias respiratórias? Essa aplicação está perfeitamente justificada. O óleo
essencial é eliminado em grande parte através dos pulmões, como acontece com o alho-porro
e o alho, com o que, ao resolver a congestão dos vasos e dos pequenos condutos
respiratórios, facilita a expectoração e acalma a tosse e a irritação.
155
Outras Indicações Terapêuticas -- Diversos autores (Binz, Lipp) também atribuem à cebola
um efeito calmante nas excitações nervosas ou psíquicas. É antiqüíssima a aplicação da
cebola para a eliminação das lombrigas intestinais (nematodos) e oxiúros. A sua eficácia nas
infestações por lombrigas tem-se confirmado nos nossos tempos, sobretudo na medicina
infantil, que é onde está destinada a empregar-se com maior freqüência.
Cita-se também freqüentemente a capacidade da cebola para a renovação do sangue, o que
se explica pelo seu efeito benéfico na digestão, porque, como se sabe, a anemia pode ser
devida a transtornos prolongados no funcionamento normal do intestino. Também se salienta o
teor em vitaminas e minerais como explicação das qualidades de renovação do sangue.
0 alto teor em flúor da cebola (segundo Mayerhofer, Schneider e Wasicky, 0,5 mg por quilo na
polpa fresca) leva a supor uma influência benéfica da cebola no estado de funcionamento
excessivo da tiróide e exerce seguramente, no mesmo sentido que o moderno tratamento de
flúor, uma influência conservadora do esmalte dentário.
Tendo em conta o efeito de excitação da circulação do sangue, fica perfeitamente justificado o
seu emprego externo ria cura de furúnculos, abscessos, inflamações do tecido subcutâneo,
frieiras, machucados, inflamações das glândulas linfáticas, infecções e calvície.
Empregos Diversos -- 1. Xarope de cebola para a tosse e outras doenças devidas a

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resfriamentos: cortam-se em rodelas várias cebolas grossas e misturam-se com açúcar


mascavo. Deixam-se de infusão, durante 12 horas. O sumo assim conseguido toma-se às
colheradas, várias vezes por dia. Ou então: cortam-se as cebolas e quatro pedaços e
aquecem-se ao vapor com açúcar cristal. Toma-se uma colherada, de duas em duas horas.
2. A cru para hidropésicos: trituram-se 600 g de cebolas até formar um purê; bate-se este,
fazendo-o passar por um coador com 100 g de mel até formar um líquido homogêneo.
Tomam-se, diariamente, de 100 a 200 g às colheradas. Quem for capaz, será preferível
consumir de 30 a 60 g de cebolas frescas (segundo Kneipp), cozendo as cebolas com mel
para as tomar desta forma.
3. Para uso externo em inflamações, hemorróidas e calvície, trituram-se ou esmagam-se as
cebolas cruas e batem-se com água até formar um caldo que se aplicará nas regiões afetadas.
4. Como salada, preparam-se as cebolas com limão e azeite.

Cenouras

A cenoura silvestre (Daucus carota), tal como cresce em solos pobres, à beira dos caminhos e
nas
156
entulheiras, não desempenha nenhum papel na alimentação nem na medicina. Pelo contrário,
a cenoura cultivada (Daucus carota varsativa), de tubérculo grosso e polposo, é com toda a
razão muito popular.
Composição e Propriedades -- Não é muito sabido que as cenouras não só conferem valores
nutritivos, mas também têm uni valioso teor em vitaminas, minerais e oligoelementos. A sua
melhor característica parece ser o seu elevado teor em caroteno, a provitamina A, ao passo
que a vitamina A já formada figura em pequena quantidade. É também abundante o seu teor
em fatores do grupo da vitamina B. Só em doses reduzidas é que figura a vitamina C. Quanto
a minerais e a oligoelementos, quase sempre na forma dos seus respectivos sais, provou-se a
presença de magnésio, ferro, cálcio, potássio, fósforo, arsênico, níquel, cobre, lodo manganês,
salientando-se pela sua quantidade os sais de potássio e de fósforo.
Decisiva para uma série de efeitos especiais da cenoura é, finalmente, a presença de óleos
essenciais e pectina, uma matéria que, como a pectina da maçã, fomenta a formação de
gelatina.
100 g de cenoura contêm de 1,8 a 7,2 mg de caroteno. A cocção, a exposição ao vapor de
água e o sistema de conserva não influem praticamente no teor do caroteno e da vitamina A.
O caroteno transforma-se no organismo, e especialmente no fígado em vitamina A (uma
molécula de caroteno dá lugar a duas moléculas de vitamina A).
O aproveitamento do caroteno tia alimentação vegetal calcula-se em 50%, embora os dados a
este respeito sejam muito variados.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

A riqueza especial em sais potássicos leva a um efeito diurético rapidíssimo e os óleos


essenciais são a origem das características vermífugas.
A Cenoura, Fonte de Vitamina A -- Diz-se freqüentemente que a nossa alimentação habitual
é suficiente para obter quantidades suficientes de vitamina A, tanto para as crianças como
para os adultos, porque contém leite, manteiga, gema de ovo, hortaliças, cenouras e alfaces,
na sua forma final ou como caroteno.
Mas, pelo contrário, dá-se o fato de multas crianças raquíticas, escrofulosas ou tuberculosas e
outras com deficiências menos graves necessitarem de vitamina A.
Numerosas investigações têm demonstrado que precisamente as crianças necessitam de
muito tempo para ver na escuridão, isto é,
157
mostram dificuldades de acomodação, o que sabemos ser um indício de pobreza em vitamina
A.
Análises cuidadosas sobre as causas de insuficiência em vitamina A ou em carotinóides deram
o seguinte resultado:
1) Há uma oferta insuficiente na alimentação.
2) A má digestão das gorduras prejudica a trituração e absorção dos elementos ativos
dissolventes das gorduras, entre os quais figura a vitamina A e os seus produtos prévios.
3) Os processos defeituosos de constituição e estrutura do organismo levam à insuficiência
biliar.
Por isso, a presença rio organismo de suficiente vitamina A depende do conveniente consumo
através da alimentação, da existência de uma digestão normal das gorduras, em que
desempenham função decisiva os chamados ácidos gordos não saturados, linólico e linoléico,
e do desenvolvimento normal do processo metabólico após a absorção desses alimentos
através do intestino.
A vitamina A é imprescindível para múltiplas funções orgânicas (ver o quadro da pág. 56) pelo
que se deve evitar por todos os meios a sua insuficiência ria alimentação. O modo mais
simples de o conseguir consiste em consumir diariamente, se for possível, entre meio copo e
um copo de cenouras frescas.
Necessidades Especiais dos Condutores de Veículos -- A este respeito convém dedicar um
parágrafo especial aos condutores de automóvel. Tanto o caroteno como a vitamina A estão
intimamente relacionados com a visão noturna. A retina do olho consome continuamente
matérias clorofílicas amarelo-vermelhas para a formação de um pigmento intensamente
vermelho, a púrpura retiniana. Este elemento é decisivamente importante para a capacidade
de visão do olho, a fim de se adaptar às condições de luminosidade existente, a cada
momento. O abundante consumo de cenouras aumenta essa capacidade da visão que
tecnicamente se denomina «faculdade de acomodação», ao passo que a sua dissimulação ou
carência é conhecida por cegueira noturna» ou «hemeralopia».

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

Nunca é demais insistir em que todos os condutores de automóveis devem consumir


normalmente cenouras com abundância, muito bem mastigadas, ou, melhor ainda, que bebam
suco de cenoura fresca para reduzir ao mínimo o perigo do encandeamento ria circulação
vespertina ou noturna. A Indústria farmacêutica tem sabido naturalmente aproveitar-se da
eficácia da cenoura e já produziu unia especialidade, baseada principalmente nas substancias
integrantes da cenoura, que reforça também a faculdade de adaptação da vista em diferentes
intensidades de luz e especialmente na escuridão.
Outras Aplicações -- A expulsão de lombrigas intestinais conse-
158
gue-se pelo modo mais simples e seguro, tomando em jejum durante 24 horas, de meio a um
quilo de cenouras raladas. Também os oxiúros desaparecem com toda a segurança, tomando
regularmente em jejum, de manhã, e antes de se deitar, à noite, uma ou duas cenouras.
Nas crianças, além da alimentação normal dos lactentes, o suco de cenouras ou as cenouras
finamente raladas dão excelentes resultados e são de eficácia imediatamente comprovada no
caso de crescimento retardado, dentição defeituosa ou insuficiência de resistência contra as
infecções. Tratando-se clã doença infantil denominada celiaquia, o suco e o pure de cenouras
desempenham um papel importantíssimo juntamente com bananas.
Modo de Emprego -- Purê de Cenoura: 200 g de cenouras, bem lavadas em água fria,
descascadas, cortadas em rodelas, cozidas num quarto de litro de água fervente durante duas
horas, condimentado com uma pitada de sal. As cenouras cozidas são passadas com a água
da cocção por um filtro fino, adicionando um pouco de manteiga e açúcar.
Nas crianças alimentadas artificialmente é imprescindível para o crescimento um suplemento
de nutrição com sucos de truta e vegetais, especialmente de cenouras. Basta acrescentar à
mamadeira unia ou duas colherinhas pequenas.
Aos adultos dão-se cenouras como remédio medicinal, em suco cru, não só no caso de
cegueira noturna e num grande número de outros transtornos oculares, como também na
gravidez e na amamentaçao, transtornos na pele, má formação das unhas, cabelo opaco,
quebradiço ou seco, dificuldade na menstruação, assim como dores no peito, insônia,
depressão, catarros crônicos do nariz e dos seios, perda de olfato, defesa insuficiente contra
as infecções na mucosa das vias respiratórias (bronquite) e, finalmente, transtornos
gastrointestinais e hepáticos, tendência para a formação de cálculos e funcionamento
excessivo da tireóide.
De maneira impressionante, o suco de cenouras consegue regular a secreção de sucos
gástricos. Os valores demasiado baixos de ácidos são incrementados e os demasiado
elevados são baixados. O suco de cenouras faz desaparecer a diarréia nos doentes de
estômago sem formação de ácidos, despertando simultaneamente o apetite.
Em todas estas doenças não se deve esquecer o reforço eficaz da cura, mediante o consumo
diário de meio copo de suco de cenouras frescas.

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Mandioca ou Aipim

Dentre os alimentos de natureza tuberosa, somente a batata supera a mandioca. Esta popular
raiz feculenta é uma planta natural do Novo Mundo, desenvol-
159
vendo-se muito bem pelos baixos temperados e quentes do Brasil, das Antilhas e do México.
Humboldt e Saint Hilaire, que realizaram multas pesquisas botânicas no Novo Mundo, dão a
mandioca como originária da América.
Pertence à família das Euforbiáceas, gênero Manihot. Há muitas espécies de mandiocas
cultivadas para fins alimentares e industriais. Entretanto, do ponto de vista prático, elas são
divididas em dois grandes grupos: o das mandiocas bravas ou amargas (Manihot utilissima
Pohl, jotropha manihot L.) e o das mandiocas mansas ou doces (Manihot dulcis Baillon, M. aipi
Pohl).

R. Descartes de Garcia Paula, que foi Diretor de Divisão no Instituto Nacional de Tecnologia,
afirma em sua obra «Alimentos», na pág. 155: «Os fatos relativos às mandiocas bravas, com
dificuldade de se distingui-las das doces ou mansas, não têm, apressamo-nos em dizê-lo,
nenhum inconveniente maior, do ponto de vista pratico, na alimentação normal. ... Se
preparada para alimentação, a mandioca brava, ela se acusará mais pelo sabor amargo do
que pelo de ação venenosa, esta destruída pela lavagem, calor do cozimento, etc.»

Mandiocas Mansas

A macaxeira ou aipim é cultivada em quase todas as regiões do país. As raízes são grandes, a
casca exterior apresenta uma película muito fina que se destaca facilmente. A segunda casca,
de natureza carnosa, possui cerca de um milímetro de espessura, e também se destaca com
facilidade.
Eis algumas variedades de mandiocas mansas:
Mandioca amarela, de raízes grandes, casca carnosa branca, polpa ou parte central amarela.
Mandioca branca, de características semelhantes às da macaxeira ou aipim.
Mandioca manteiga, de raiz pequena, muito tenra e apreciada.
Mandioca fria, de raízes grossas e curtas, quase esféricas e bem suculentas.
Mandioca cuvelinha, de raízes grossas e abundantes, desenvolvendo-se bem em quase todos
os solos.
Composição Química da Mandioca -- Possui a mandioca vitaminas do complexo B,
principalmente quando fresca. Já a farinha comercial é praticamente destituída de vitaminas.
Por meio de estudos biológicos realizados por Moura Campos e seus colaboradores,
revelou-se que são profícuos os efeitos das vitaminas da mandioca, as quais exercem gran-

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

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de ação de alimento complementar no crescimento. Chegou-se também à conclusão de que a
mandioca é também estimulante do apetite (em virtude da vitamina B2) e preventiva da
dermatite ou pelagra-murina. Combate ainda o beribéri posto que tem elevada taxa de tiamina.
A mandioca possui ainda proteína, amido, açúcares e água.

Rábano

Além do rábano si silvestre, a família das Crucíferas ainda nos oferece o rábano (Raphanus
sativus). Como país aborígene deve considerar-se provavelmente a Asia e como planta.
originária a mostarda silvestre. E raro apresentar-se no estado natural e desde há séculos que
se vem cultivando.
Propriedades e Aplicações -- O rábano contém os mesmos elementos ativos que os seus
semelhantes o rábano silvestre, o agrião e a cocleária.

Tal como o rábano silvestre, o rábano vulgar estimula a função das glândulas digestivas, o que
tem como conseqüência abrir o apetite. O seu emprego está indicado nos catarros do aparelho
digestivo. Cumpre salientar também o excelente efeito, sobretudo o do suco de rábano, no
fígado e nos condutos biliares. Aumenta a produção de bílis pelas células hepáticas, suprime
as retenções biliares, influi favoravelmente nas inflamações dos condutos biliares de todos os
tipos, assim como na formação de areias e cálculos. O consumo do suco fresco, durante
meses, pode conseguira cura completa do doente de cálculos biliares, desde que leve uma
vida sã. É muito provável uma influência direta e favorável em todo o metabolismo.
Além de estimular a secreção biliar, o rábano também tem um efeito diurético, que se pode
utilizar nos casos de acumulação de água nos órgãos digestivos, desde que não haja
nenhuma doença inflamatória dos rins.
Finalmente, os rábanos atuam como dissolventes de mucosidades, assim como fomentadores
da expectoração na tosse persistente e seca. É portanto oportuno o seu emprego na tosse
convulsa e noutras manifestações de bronquite. Nos processos tuberculosos inflamatórios
agudos com febre e suor noturno é necessário proceder com a maior precaução.
Modo de Emprego -- Mantém-se o princípio de que o rábano, para uso médico, não deve
tornar-se com sal, mas sim com mel ou açúcar não refinado.
161
Esvazia-se o rábano, mediante um orifício pequeno que se lhe faz na parte inferior; enche-se a
cavidade com açúcar mascavo e mel e coloca-se num recipiente que recolha o suco. Toma-se
este às colheradas, eventualmente diluído em água quente. Cortado em rodelas e pulverizado
com sal, consome-se cru. Também é muito conveniente a salada de rábanos, de diferentes
preparações. Finalmente, também se aplica na - manteiga de rábano.
O rábano encarnado ou rabanete é da mesma família que o rábano vulgar, mais pequeno, de

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forma esférica, com casca de um vermelho vivo, mas de sabor mais suave. A sua eficácia
equivale à do rábano, mas em menor grau.

Rábano Silvestre

0 rábano silvestre (Cochlearia armoracia) pertence à família das Crucíferas e dá-se em toda a
Europa, nascendo nos lugares úmidos. Condições prévias para o seu bom desenvolvimento
são um lugar quente e rim solo adubado, solto e úmido. Consegue-se a reprodução de
preferência mediante a mergulha de raízes, em terreno livre, à distância de trinta centímetros.
Entrado o outono, descobrem-se as raízes de várias cabeças, dispondo todas elas de grandes
rebentos, limpando-as de radículas, de talos e de terra, lavando-se depois cuidadosamente.
Devem consumir-se frescas, embora se possam conservar, em despensas, sem se lavarem e
em areia.
Princípios Ativos -- O elemento ativo no rábano silvestre é o óleo de mostarda que se liberta
do glicósido sinigrina por meio do fermento mirosina na raiz ralada. Encontram-se também
sacarose, asparagina, glutarrima, pentosanas e ácidos orgânicos.
Uso Como Remédio Terapêutico -- Empregado exteriormente, é comparável em eficácia à
mostarda. O rábano silvestre fresco utiliza-se, tal como a mostarda, como excitante da pele na
forma de sinapismo para dores musculares, nervosas, gástricas e reumáticas. Também é
recomendável para picadas de insetos e para as frieiras. Muito diluído pode aplicar-se em uso
externo para sardas, manchas de origem hepática e acne vulgar.
Interiormente, este rábano excita todas as glândulas das vias gastrintestinais, incluindo o
fígado e o pâncreas, de modo que pode empregar-se com êxito na alimentação de doentes de
digestão débil. Atua como excitante das funções renais e ainda de modo
162
curativo nas doenças bacterianas dos rins, da pélvis renal e das vias urinárias de evacuação.
Desempenha portanto um grande papel na alimentação, especialmente para doenças da
pélvis renal e da bexiga. Por causa dos seus efeitos bactericidas, de excreção das mucosas e
de suavização da tosse, emprega-se nos catarros faríngeos bronquiais e pulmonares, assim
como rias anginas. O rábano e o mel, tomados juntos, durante muito tempo, exercem um efeito
favorável de excitação geral das glândulas e do metabolismo, favorável aos doentes de
reumatismo e de gota.
Uso Como Condimento -- Como condimento usa-se em molhos, saladas e consome-se cru.
A adição de algumas rodelas de rábano silvestre é recomendada nas conservas de abóbora,
beterraba e pepino.

4. Saladas

Valor Curativo das Verduras de Salada

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As folhas frescas e verdes são a parte da planta em que os misteriosos efeitos da Natureza
têm o seu reflexo mais vital. Encontra-se nelas o imenso e maravilhoso laboratório bioquímico
em que se efetua o processo, que constitui a premissa básica e geral de toda vida sobre a
Terra, a transformação das energias do solo e da terra em potencial alimentar. Muitos deles
não são hoje ainda conhecidos, muitos supõem-se, e muitos outros escapam de uni modo total
aos nossos métodos de investigação e de análise.
A folha é pobre em fatores nutritivos, rica em clorofila, sais minerais, vitaminas e
oligoelementos. A sua albumina tem o mais alto valor biológico, pois é dela que se formam
todas as demais albuminas nas plantas e animais. Por isso é tão elevado o valor fisiológico
alimentar das folhas, sobretudo quando são consumidas cruas em salada.
Não é sem razão que se considera hoje na doutrina da alimentação biológica a folha fresca e
verde como importantíssima alimentação preventiva, que devia ser consumida diariamente.
Consumimos hoje folhas verdes, de preferência em salada: alface, escarola, chicória e agrião.
Além destas, ainda temos muitas outras plantas silvestres próprias para salada que, por
crescerem num solo são e não explorado, possuem um valor preventivo e medicinal
excepcional; deveriam, portanto, ser empregadas em muito maior abundância na nossa
alimentação.
A clorofila pertence à estrutura da folha verde e, por conseguinte, também à das verduras. Não
de-
163
vemos, porém, esquecer que não é o seu único elemento, embora presentemente se lhe
conceda especial importância.
Recorde-se que o elevado teor em ferro das verduras, acompanhado de pequenas
quantidades de arsênico e cobre, de combinação com o teor relativamente elevado de
vitamina C, reforça poderosamente o efeito estimulante da clorofila para a formação do
sangue.

Alface

A alface (Lactuca sativa) em todas as suas formas de cultivo pertence à família das
Compostas.
Emprego Como Sedativo Nervoso -- A alface tem fama de atuar como sedativo dos nervos e
promover um sono tranqüilo. Esta antiqüíssima observação torna-senos hoje bastante
compreensível, pois a análise química danos um elemento ativo, semelhante ao ópio, e que
portanto atua como sedativo, sonífero e redutor da tosse; além disso, tem efeito sobre as
convulsões devido ao seu teor em pequena quantidade de hiosciamina, também já
comprovado.
A enorme multidão de pessoas superexcitadas e, por conseguinte, também de insones,
deviam nem que fosse só por este motivo - incluir obrigatoriamente na refeição da noite a
alface. Algumas folhas frescas de alface podem tomar-se só com pão seco. Quem puder obter

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suco de alfaces frescas com um liquidificador, conseguirá naturalmente uma bebida sonífera
que será mais grata ao paladar adicionando-lhe suco de limão. Devemos portanto preferir esta
mistura de elementos ativos naturais a qualquer sonífero de tipo químico.

Almeirão

Uma variedade de cultivo do almeirão é a branca Cichorium Intybus L.), conhecida pelo nome
de chicória amarga. É muito amarga, de modo que o mais pertinente é cortar e esvaziar a
extremidade do talo, pois é ali que se acumulam principalmente os componentes amargos. É
claro que isto só se faz quando se quer prescindir de tais matérias amargas, que são
precisamente as que
164
excitam o apetite e aumentam a secreção biliar. A indicação freqüente de lavar os talos e
tirar-lhes o sabor amargo com água quente pode fazer com que o amargor se torne mais
Pronunciado. O melhor é lavar os talos com água fria e deixar secar. O efeito da luz também
aumenta esse forte sabor que leva à perda de suavidade das folhas. Os doentes da vesícula e
do fígado devem consumir tanto quanto puderem de chicória.

Capuchinha

A capuchinha (Tropaeolum maus) não se deve confundir com o mastruço.


Efeito Como Bactericida -- Esta planta desenvolve considerável atividade bactericida.
Ocorre, além disso, o fato de uma substancia cuja natureza química desconhecemos
desenvolver a sua atividade em forma de gases voláteis, o que apresenta uma grande
transcendência prática. O cientista alemão Prof. Winter demonstrou, mediante ensaios
próprios, que quando se consome uma salada de capuchinhas, a matéria gasosa
antibacteriana ainda se pode localizar na urina, nove horas depois. Novos ensaios mostraram
a sua eficácia contra germes de doenças, sobretudo bactérias de pus e intestinais, assim
como o tifo, a disenteria, a difteria e a pneumonia. E verdadeiramente impressionante que
todos os modernos tratamentos das doenças infecciosas provocadas por bactérias na base
dos mais modernos bactericidas, como a penicilina e tantos outros, encontrem aqui um
elemento análogo e inclusive mais perfeito, já que os nossos produtos artificiais provocam
efeitos secundários prejudiciais, ao passo que basta consumir capuchinha em salada, se não
se preferir ao natural. Na prática também dá bom resultado o seu emprego nas inflamações da
pélvis renal e da bexiga, no catarro bronquial, nas infecções gripais devi as a vírus, nas
inflamações das amígdalas e dos ouvidos e nos resfriados.

Escarola

A escarola (Cichorium endivia), também da família das Compos-

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

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tas, constitui, com as suas folhas grandes densamente frisadas, uma planta para salada muito
apreciada. A variedade mais freqüente de folhas, cuja cor vai do verde ao amarelo, oferece às
vezes um leve sabor amargo, que é considerado por muita gente como mais um incentivo. E
precisamente este elemento amargo que produz o efeito de aumentar a atividade da vesícula
biliar e de atuar como diurético.

Mastruço
Resta falar do mastruço (Lepidium sativum), membro da família das Crucíferas. A semente
germina muito facilmente, inclusive sobre papel mata-borrão, areia úmida ou serradura, desde
que tenha umidade suficiente.
Como esta delicada planta, com o seu crescimento comparável ao da relva, pode cultivar-se
em estufas com multa facilidade, já se pode encontrar à venda logo nos primeiros meses do
ano. Pode utilizar-se a planta completa ou o seu suco para a primeira cura vegetal da
primavera, porque o seu teor em vitamina C, clorofila ferro, arsênico e glicósidos de óleo de
mostarda, que também se encontram nos alhos-porros, rábanos vermelhos e na mostarda, faz
com que o mastruço seja próprio para aumentar o metabolismo, estimular a renovação do
sangue, fomentar a secreção do suco gástrico e da bílis, e aumentar a eliminação de
substâncias úricas. E que é, afinal, a depuração do sangue se não a aceleração destas
importantíssimas funções?
Corta-se sempre a planta jovem antes da floração para seu consumo direto, preparada em
salada ou como aditamento a salada de outras plantas verdes ou silvestres. Além disso,
também se recomenda o emprego do mastruço cru, em torta de requeijão, em molhos de
ervas, e em sopas.

5. Verduras Silvestres

Agrião
0 agrião comum ou de poço (Nasturtium officinale) pertence à família das Crucíferas.
Freqüente nas fontes, regatos, solos encharcados, cresce espontaneamente, mas é cultivado
nalguns locais.

Pode confundir-se com o Sium Latifolium, umbelífera tóxica que também se dá nos cursos de
água.
166
As folhas recolhidas antes da floração empregam-se cruas para saladas. Secos, os agriões
têm um sabor indefinido.
Composição e Propriedades Os elementos ativos até hoje conhecidos são: óleo essencial
com teor de enxofre, vitaminas A, B, C e E, iodo, nitrato, um glicósido de óleo de mostarda (a
gliconasturma que, decompondo-se, produz, entre outros elementos, um óleo essencial com

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

óleo feniletílico de mostarda), ácido sulfociânico e vestígios de arsênico e diástases.


A sua riqueza vitamínica (A, B, C e E) torna-se muito apropriada para a prevenção contra as
doenças por falta de vitaminas. Por isso, noutros tempos, o agrião era empregado, com
freqüência, contra o escorbuto.
O teor em óleo de mostarda provoca um aumento de secreção das mucosas do nariz,
garganta e traquéia, o que a torna apreciada nos casos de tosse seca, de expectoração
persistente e de mucosidade purulenta. Esse mesmo elemento ativo produz nas vias
gastrintestinais um aumento no funcionamento das glândulas e dos órgãos de secreção, como
o fígado e o pâncreas. A isso é que se deve o efeito tônico e gástrico, a maior facilidade de
digestão e a abundância de produção biliar. O consumo demasiado abundante pode provocar,
contudo, desagradáveis inflamações das mucosas do estômago e do intestino. Como a
eliminação é feita, em parte, pelos rins, produz-se uni aumento na expulsão da urina, o que
pode ser de proveito nas doenças relacionadas com a insuficiente eliminação da urina. Mas
também não se deve fazer um consumo abusivo, porque o efeito, em vez de ser curativo, seria
prejudicial, ao provocar uma irritação inflamatória dos rins. O seu teor em minerais básicos,
ferro e lodo proporciona ao agrião considerável influência nos processos de alimentação,
utilizando-se às vezes com êxito contra a hipertrofia da tireóide. Fica por demonstrar a
suposição de que o seu consumo faz baixar a quantidade de açúcar no sangue dos diabéticos.
Todo o complexo de alimentos constitutivos exerce uma lógica e compreensível influência no
metabolismo, de modo que o agrião pode ser considerado como bom depurador do sangue,
estando à nossa disposição durante quase todo o ano.
Usos Medicinais -- Nas doenças por insuficiência vitamínica, metabolismo defeituoso, fadiga
primaveril, eczemas, transtornos de secreção da tireóide. A maior importância do agrião é
como de-
167
purador do sangue. Para isso espreme-se e toma-se, três vezes por dia, uma colher grande de
suco (preparando-o todos os dias ou conservando-o na geladeira), diluído em água corrente,
água mineral ou soro de leite.
Emprego Como Verdura e Condimento -- Por essa mesma capacidade depurativa do
sangue, o agrião é parte essencial na preparação de sopas e saladas. O seu emprego
exclusivo como salada não é recomendável por causa do perigo de irritação dos rins. O melhor
é misturá-lo com urtigas, dente-de-leão, azedas e tanchagem. Também se pode empregar
com dente-de-leão, fumária e chicória.
Consome-se o agrião muito picado em sanduíches, batatas fritas, ovos cozidos, tomates e
saladas. É importante lavar cuidadosamente as folhas, antes de as utilizar, porque podem
conter larvas. O melhor é deixá-las meia hora em água com sal e lavá-las depois em água
corrente.

Alho de Urso
0 alho de urso (Allium ursinum) pertence à família das Liliáceas. Cresce em geral em tufos nas

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

matas úmidas e sombrias. Quando crescem muito juntos, fazem-se notar pelo típico cheiro a
alho que se propaga a grande distância.
Composição e Propriedades -- É melhor empregar o alho de urso fresco tanto para fins
curativos como de condimentação, posto que uma vez seco perde muito da sua eficácia. A
indústria farmacêutica, baseada nestes fatos, já produz específicos de plantas frescas com
alho silvestre. No outono podem colher-se os bulbos e consumir-se.
O principal elemento que contém é o óleo de alho de urso, no qual até agora se comprovou a
presença de hidrocarbonetos de enxofre, vinyl-sulfureto e de vinyl-polisulfureto, pequenas
doses de mercaptanos e aldeído (Semler).
Efeitos Medicinais -- O alho de urso influi nas glândulas do trato gastrintestinal como
excitante, aumentando a secreção de toda a classe de sucos digestivos e especialmente da
vesicula. Impede-se o desenvolvimento de todas as bactérias prejudiciais no intestino e
descontrai-se toda a musculatura do aparelho digestivo. Elimina os espasmos e cólicas da
prisão de ventre nos indivíduos de profissão pobre em atividade física. Como o óleo de alho de
urso é expulso em grande quantidade de novo pelos pul-
168
mões, atua solucionando as congestões, fomentando a expectoração e acalmando as vias
respiratórias. Os efeitos citados constituem, ainda, a base para compreender a eficácia geral
sobre a renovação do sangue. Mediante a normalização das condições de digestão e a
eliminação da autointoxicação intestinal, produz-se um efeito de descida da pressão
sanguínea nos casos de hipertensão. Ao mesmo tempo, e por este mesmo efeito, melhora a
circulação das coronárias e aumenta o rendimento do coração, o que não deve
menosprezar-se porquanto afeta a capacidade de produção, o estado geral e o
comportamento psíquico dos enfermos. Pôde-se mesmo comprovar experimentalmente em
animais um efeito de igual força contra a esclerose. Mesmo os transtornos gastrintestinais nas
tuberculoses resultaram beneficamente afetados (Zaffron), e este mesmo autor comprova uma
melhoria quanto às condições de acidez do estômago.
Os efeitos vêm a coincidir com os do alho, de modo que se justifica perfeitamente a aplicação
do alho de urso como substituto do alho; mas aquele tem de consumir-se fresco por ser mais
difícil de conservar.
Utilização Como Remédio e Alimento -- 1. Em transtornos digestivos, diarréias e prisão de
ventre, até de natureza infecciosa, catarro pulmonar e bronquial, dilatação pulmonar,
hipertensão e esclerose, transtornos hepáticos e biliares, lombrigas intestinais e oxiúros,
especialmente nas infecções, depuração de sangue e desintoxicação do organismo, sobretudo
nas curas de primavera e enfermidades da pele por metabolismo defeituoso.
2. Como salada: as folhas tenras colhidas na primavera preparam-se simplesmente como
salada para consumo. Nesta forma, o efeito depurativo no sangue será sumamente forte.
Dispomos assim de uma típica salada silvestre para a cura de depuração de sangue na
primavera.
3. Como condimento: cortadas em pedaços finos, as folhas tenras têm fácil emprego como

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

condimento em saladas, sopas, molhos e guisados de legumes e alimentos crus. Em todas as


ocasiões o alho de urso pode substituir o alho.

Azedas
As azedas pertencem à família das Poligonáceas (Rumex acetosa).
Colhem-se as folhas novas antes da floração, uma a uma. Quanto mais freqüentemente se
fizer
169
esta apanha, tanto mais forte será a nova folhagem da planta. As folhas consomem-se frescas,
porque quando secam perdem quase por completo as suas virtudes como condimento. As
folhas, o menos apertadas possível, colocam-se em camadas ligeiras, num lugar ventilado e
escuro, sem lhes tocar nem virar.
As azedas crescem em qualquer terra de horta. É conveniente o adubo no outono e na
primavera. Reproduzem-se por semente. Consegue-se uma colheita mais rápida, mediante a
divisão de rizomas velhos no outono e na primavera. Na primavera deve cavar-se o solo entre
as fileiras, e deve mudar-se de terreno, de três em três anos.
Composição -- As azedas contém aproximadamente 1 % de ácido oxálico, assim como
oxalato de potássio, gordura, muita vitamina C, ácido salícico, cálcio, ferro, manganês, ácido
crisofânico, fitosterol e óleo essencial.
Emprego como planta medicinal -- O elevado teor de vitamina C faz desta planta, sobretudo
fresca, um remédio no escorbuto e demais manifestações de insuficiência de vitamina C, como
as hemorragias e a tendência para as ter. Devido ao seu teor em emodina e ácido crisofânico,
esta planta é também um excitante para a atividade do intestino grosso e, por conseguinte,
para o tratamento da atoma intestinal com prisão de ventre. Como a planta forma combinações
orgânicas de ferro, fomenta a formação do sangue, sobretudo na medula vermelha. É
promissor o seu emprego nos casos de anemia.
O consumo prolongado e freqüente de azedas pode tornar-se prejudicial, sobretudo para os
rins e para o coração.
Emprego como condimento -- As azedas empregam-se como salada e na confecção de
sopas.

Dente-de-Leão
O conhecido e para nós valiosíssimo dente-de-leão (Taraxacum officinale), da família das
Compostas, é muito comum em lugares úmidos, prados, etc.
Desde a primavera até ao verão já adiantado, podem colher-se as folhas, uma a uma,
depositando-as em cestos. Cumpre evitar qualquer pressão nas folhas. Estendem-se o mais
depressa possível, formando camadas finas, em lugares à sombra, para secarem.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

As raízes são desenterradas na primavera e no outono, separando-se das folhas e das


radículas ainda existentes; lavam-se cuidadosamente e deixam-se secar depois no chão
durante dez ou doze dias. Para as secar depois por completo, aplica-se-lhes calor artificial.
Depois de seca, a folha fica quebradiça e rangente.
As raízes colhidas no outono produzem um extrato doce com grande teor de açúcar, ao passo
170
que as que são colhidas na primavera contêm mais elementos amargos e mais sal.
Tanto as folhas como as raízes guardam-se em sacos. Devem controlar-se semanalmente.
Composição e propriedades -- Os componentes ativos, conhecidos até agora, são: 0,5% de
taraxina (um elemento amargo), 40 % de inulina, vitamina D, colina, ácido poxifenilacético,
ácido dioxinâmico, ácido tartárico, gordura, cera e na raiz, um óleo essencial.
As numerosas matérias ativas que pelo seu efeito se complementam e completam provocam:
1. Um estímulo da musculatura das vias gastrintestinais e das glândulas salivares, gástricas,
intestinais, pâncreas e fígado. Produz-se assim maior secreção de saliva, bílis e suco gástrico,
pancreático e intestinal. O importante é conseguir assim um melhor funcionamento do fígado e
da vesícula.
2. Uma excitação das glândulas das vias respiratórias, facilitando a expectoração de escarros.
3. Uma excitação dos rins, que expulsam maior quantidade de líquido, produzindo unia
descida da pressão arterial, quando o consumo é prolongado.
Emprego Como Planta Medicinal -- a) doenças hepáticas, vesiculares, icterícia, hemorróidas,
catarros do estômago e dos intestinos, flatulências e lombrigas.
b) Para depuração do sangue.

c) Para reconstituinte nos catarros bronquiais crônicos.


d) Para os transtornos circulatórios e renais, sobretudo relacionados com a hipertensão.
O efeito principal é exercido indubitávelmente sobre o fígado e a vesícula e através deles
sobre o metabolismo na sua totalidade. Por meio destes efeitos metabólicos gerais obtêm-se
também resultados benéficos nos casos de gota, reumatismo, obesidade, esclerose, doenças
do sangue e também, às vezes, da diabetes. O melhor nestes casos é empregar sumo fresco
obtido por pressão das folhas e das raízes, tomando três vezes por dia uma colher grande
durante um período de três a seis semanas. Se no inverno se obtiverem folhas e raízes secas,
misturam-se estas em partes iguais e prepara-se uma infusão com uma colherada da mistura
num copo de água, bebendo um copo várias vezes por dia.
Emprego Como Salada -- As folhas do dente-de-leão constituem uma excelente salada pelo
seu efeito estimulante sobre o apetite. Quem se habitua a consu-
171

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

mir várias vezes por semana salada de dente-de-leão ou de qualquer verdura silvestre
misturada, não espera com interesse o aparecimento da alface, pois esta parecer-lhe-á
insípida comparada com aquela. Continuará portanto com a salada dos dentes-de-leão, até
que brotem as flores e o sabor se torne mais forte e amargo. O emprego do dente-de-leão na
forma de suco fresco e de salada é muito de recomendar para a «limpeza» do organismo e
deve ser vulgarizado.
Quando se enterram as raízes em areia durante o outono e se mantém um pouco úmidas,
haverá na primavera uma salada um pouco pálida mas de sabor agradável servindo também
estas folhas para condimento de salada de batatas. No outono, desenterram-se as raízes,
cortam-se em pequenas rodelas e preparam-se com salada de alhos-porros. Produz um
grande efeito diurético.
As raízes podem aproveitar-se também para sopas e outros preparados de verduras.
Obtém-se um substituto do café, cortando em cubos e torrando as raízes secas. A infusão não
é desagradável.

Tupinambo

O tupinambo ou girassol batateiro, (Heflanthus tuberosus) pertence à família das Compostas.


Esta planta, originária da América do Norte, jazeu muito tempo no esquecimento, mas hoje
volta a pensar-se nela e fomenta-se a sua cultura.
O tupinambo desenvolve-se bem onde se dá a batata. Inclusive em solos pedregosos e dê
escasso valor, e até em terrenos arenosos.
Composição -- No tubérculo encontra-se, segundo Wienhaus, aglutinina, que ele denominou
fasina. Há também 1,87 % de proteína, 0,2 % de gordura, 16,4 % de hidrocarbonatos, 79,1 %
de água. O conteúdo em minerais corresponde ao da batata. Os tupinambos possuem,
portanto, um excesso em componentes básicos (de ação alcalina). Registra-se a presença de
vitaminas, em especial vitamina C, e existem hidrocarbonatos em forma de glicose e inulina.
Emprego Medicinal -- Reveste-se de importância cada vez maior no regime de diabéticos.
Segundo o professor von Noorden, correspondem 80 g de tupinambo a uma unidade de pão
branco (pequeno pão de 20 g = 12 g de hidrocarbonatos).
172
Usos Alimentícios -- 0 tupinambo apresenta uma variedade cujo tubérculo é fusiforme, de
pele lisa, rosada. Constitui, com a batata, um excelente alimento humano, infelizmente pouco
conhecido. Tem um sabor quase igual ao da alcachofra, ou seja, um pouco adocicado. Pode
ser preparado de muitas maneiras. Em geral, cozem-se até abrandar-se em água com sal e
depois prensam-se com leite e sal para se tomarem como purê. E muito vantajoso o não ter
que conservar os tubérculos em sótãos durante o inverno, podendo deixar-se no chão, visto
resistirem ao frio. Além disso, no sótão só resistem uma semana. Do chão podem extrair-se
nos dias frios, mesmo na primavera.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

Urtigas

Sob qualquer das numerosas denominações populares, a urtiga (Urtica dioica) estende-se
praticamente por toda a Terra. Encontra-se em sebes, sarças e nos bosques. Colhem-se as
folhas uma a uma, recomendando-se o emprego de luvas. Nos talos grandes podem
arrancar-se conjuntamente te as folhas, arrancando-as até abaixo, mas tendo o cuidado de
não incluir nenhuma inflorescência. As folhas que se põem a secar (levem ser viradas com
freqüência, facilitando-se assim a sua secagem. Podem tornar-se um pouco escuras, mas não
devem ficar negras riem quebradiças. Guardar-se em caixas de papelão ou em latas,
verificando o seu estado com freqüência.
Composição e Propriedades -- Os elementos ativos conhecidos até agora são: ferro,
clorofila, lecitina, tanino, ou glicósido ainda não identificado, uma secretina semelhante à do
espinafre, ácido fórmico, mucina, cera, caroteno, vitamina A e numerosos minerais,
especialmente cálcio, ácido salícico, magnésio e manganês. Segundo F. Fluri o ardor é devido
a uma substância análoga ao ácido resinoso e não a um corpo albuminoso.
A urtiga produz um efeito diurético parecido com o do chá preto, embora inferior.
A secretina atua como excitante do estômago, do intestino, do pâncreas e da vesícula. Com o
aumento das secreções dos sucos digestivos efetua-se simultaneamente uma excitação do
movimento intestinal.
O teor da urtiga em compostos orgânicos de ferro e em clorofila capacita-a para incitar a
renovação do sangue, aumentando a hemoglobina e os glóbulos verme-
173
lhos. A eficácia é análoga à do sumo de espinafres.
Tal como acontece com as folhas de arando, também a urtiga influi favoravelmente no
metabolismo do açúcar nos diabéticos, que podem poupar injeções de insulina mediante este
específico natural. Naturalmente, o efeito deve ser controlado por um médico, em cada caso.
Também parece comprovarem-se propriedades anti-hemorrágicas, devidas provavelmente à
presença de tanino.
O efeito adstringente das urtigas faz-se notar numa série de doenças disentéricas. Mas, em
contrapartida, podem facilmente constituir um laxante, de modo que se torna lícito falar da sua
capacidade como elemento normalizador do intestino.
Consegue-se uma forte circulação do sangue pela pele e pelas regiões orgânicas internas
golpeando o corpo com urtigas (a «urticação» dos antigos). Este aumento da circulação atua
favoravelmente nos mais diversos processos reumáticos, musculares e arteriais.
Aplicações Como Planta Medicinal -- A infusão de urtigas obtida fazendo cozer durante
cinco minutos folhas trituradas com 200 ml de água, que se beberá três vezes por dia, é
indicada nas cólicas nefríticas com expulsão de areia e cálculos, falhas cardíacas com
congestão, inflamação renal, icterícia, cólica intestinal, espasmos gástricos, catarros

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

gastrintestinais e pobreza de sangue (anemia). Deve preferir-se o suco cru nos casos de
hematúria, escarros sanguíneos, hematêmeses, regras excessivas e muito freqüentes, e
hemorragias hemorroidais, consultando sempre o médico. Nas doenças metabólicas, como o
diabetes, serve de reforço, e no reumatismo ou gota serve de remédio de uso externo
(urticação).
Emprego Como Salada -- As urtigas não só têm sabor como os espinafres, como também se
preparam da mesma maneira. Mas, na medida do possível, só devemos empregar folhas e
rebentos tenros. Como há abundância por toda a parte, temos de ser exigentes. Podem
misturar-se também com acelgas ou espinafres, conseguindo-se assim diferentes sabores.
Cozem-se primeiramente as folhas inteiras em água com sal até que fiquem brandas;
seguidamente, esmagam-se e cortam-se aos pedacinhos. Prepara-se depois farinha torrada e
manteiga, a que se adicionam cebolas picadas muito finas e as urtigas, com adição de leite e
água. Tudo isto vai ao fogo durante quinze minutos. Quem preferir renunciar à farinha torrada,
tem de misturar as verduras acrescentando batatas raladas, cruas.
Procede-se da mesma maneira para preparar a sopa de urtigas. Cozem-se folhas tenras de
urtigas, em água salgada até as amolecer; cortam-se depois em pequenos pedaços;
engrossam-se com manteiga, molham-se com água quente e engrossam-se novamente com
174
farinha, e cozem-se definitivamente, depois de acrescentar borragem, endro e pedaços de
batatas.
Salada de urtigas: as folhas e os talos tenros podem apresentar-se muito bem como salada;
acrescentam-se em partes iguais dentes-de-leão, azedas e mil-em-rama, obtendo-se uma
salada de grande capacidade como meio depurador do sangue.
As folhas da urtiga não contêm grande força nem sabor de especiaria; empregam-se, porém,
como condimento pelo seu efeito excitante sobre as glândulas dos órgãos digestivos,
cortando-as em pequenos pedaços para saladas, pratos vegetais silvestres, sopas de
legumes, purês de batatas, quando não se quiser consumi-ias como alimento principal de
salada ou guisados de legumes.
Outras Aplicações -- É muito conhecido o excelente efeito das tinturas de urtigas contra a
caspa e a queda do cabelo. Prepara-se a tintura da seguinte maneira: coze-se um litro de água
com meio litro de vinagre e 250 g de raízes de urtiga, finamente picadas, durante meia hora.
Seguidamente, filtra-se o líquido. Com esta tintura lava-se a cabeça uma vez por semanal
esfregando-se depois com azeite de oliveira puro.
As urtigas servem de matéria prévia barata para a obtenção industrial de clorofila com
objetivos farmacêuticos e para a coloração de conservas.
175

Fim do Capítulo 3 de A Cura e a Saúde Pelos Alimentos

versão eletrônica pelo Projeto Periferia

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 3

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

ERNST SCHNEIDER

A CURA E A SAÚDE
PELOS ALIMENTOS
versão eletrônica pelo Projeto Periferia

Capítulo 1 - As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua Compensação Natural


Capítulo 2 - Frutos
Capítulo 3 - Legumes e Verduras
Capítulo 4 - Condimentos
Capítulo 5 - Alimentos Fornecedores de Energia
Capítulo 6 - Alimentos de Origem Animal
Capítulo 7 - Regimes Depurativos
Capítulo 8 - Doenças do Sistema Circulatório
Capítulo 9 - Doenças do Aparelho Digestivo
Capítulo 10 - Doenças do Metabolismo
Capítulo 11 - Doenças da Pele
Capítulo 12 - Doenças do Sistema Nervoso
Capítulo 13 - Tuberculose
Capítulo 14 - A Alimentação na Gravidez
Capítulo 15 - A Alimentação na Criança Moderna
Capítulo 16 - O Câncer
Capítulo 17 - Comentário Final
Capítulo 18 - Normas Fundamentais Para a Preparação de um Regime Sadio
Capítulo 19 - Receitas Culinárias

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

Condimentos

Capítulo 4
Há um grande tesouro de bênçãos escondido nas plantas e oculto nas
pedras. Oh! doce e excelsa Natureza, deixa-me seguir as tuas
pegadas!...
Conde de Stolberg, 1775 «an die Natur» (À Natureza)

Açafrão

A origem do açafrão (Crocus sativus) tem de se procurar no Oriente. Pertence à família das
Iridáceas. O que farmacêuticamente se conhece por açafrão (Crocus) são os estigmas secos e
vermelhos que pendem em todo o seu comprimento das flores. Para um quilo de açafrão são
necessárias 100.000 flores. Por isso o seu preço é muito elevado e falsifica-se com freqüência.
Composição e Aplicações -- As matérias ativas até hoje conhecidas são a crocina, a
picroína, que dá origem a um óleo essencial, e ainda o caroteno, o licopeno e ricos
hidrocarbonetos alifáticos (segundo Madaus).
0 açafrão mostra claros efeitos sobre a matriz. É receitado pelos médicos na dose pertinente
nos casos de regras dolorosas e nas faltas de menstruação. Torna-se também eficaz nos
fenômenos nervosos e espasmódicos.
Aplicações -- Como planta medicinal só segundo prescrição médica rio caso de regras
dolorosas.
Como especiaria pode empregar-se em pastéis e sopas em quantidades muito pequenas (só
alguns pistilos).

Alecrim

O alecrim (Rosmarinus officinalis) é freqüente nos lugares secos e pedregosos, charnecas e


pinhais.
Pouco antes de dar flores, cortam-se cuidadosamente os rebentos e arrancam-se as folhas.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

Seca rapidamente, se se colocar num celeiro sombrio e ventilado. Durante todo o ano
conserva o valor como condimento. Deve ser guardado em recipientes hermeticamente
fechados.
Composição e Propriedades -- O óleo essencial (de 1 a 2,5 %), os terpenos, o ácido tânico e
o aloés que contém constituem os principais elementos ativos do alecrim.
Aplicações Medicinais -- O alecrim possui um quádruplo campo de ação:
a) O aparelho gastrintestinal, cujas glândulas excita para maior atividade e cujos estados de
espas-
178
mos e cólicas resolve, impedindo desenvolvimento das bactérias prejudiciais. O emprego nos
casos de má digestão, aerofagia e catarros gastrintestinais, é justificado e recomendável.
b) O sistema circulatório e, estreitamente ligado com ele, a ação sobre o sistema renal,
intimamente relacionado com o anterior e complemento dele quanto à eficácia da planta. Influi,
assim, favoravelmente nos casos de debilidade circulatória, especialmente depois de doenças
infecciosas graves, fortalecendo ao mesmo tempo a circulação devido ao seu efeito diurético.
c) Os órgãos sexuais femininos, cuja irrigação sanguínea favorece, produzindo assim uni
aumento ria expulsão de sangue durante a menstruação. Tem, igualmente, êxito a aplicação
exterior da infusão de alecrim rio caso de erupções cutâneas persistentes, de cura difícil e
Inflamadas.
Emprego Como Condimento -- Fresco e seco, o alecrim torna-se um condimento excelente
em quase todos os pratos, molhos, saladas, regimes dietéticos e vegetais crus.

Alho

O alho (Allium sativum), pertence à família das Liláceas, procede da Europa Meridional e do
Oriente. É planta de cultivo antiquíssimo e já gozava de consideração na antiga medicina
indiana.
Composição e Propriedades -- Em toda a planta e na proporção de 0,005 a 0,009%
apresenta-se o óleo essencial enxofrado do alho com 6% de alilpropilbisulfureto, 60 % de
aliltrisulfureto e pequenas quantidades de aliltetrasulfureto. Estas combinações de enxofre são
a causa da eficácia do alho.
O elemento ativo mais importante foi descoberto há poucos aos, em 1944, como substância
oleaginosa e foi chamada alicina. Esta produz um cheiro forte e possui forte ação bactericida.
Em 1947 conseguiu-se produzir alicina sinteticamente e conhecer-lhe a estrutura química.
Todos sabemos que o típico cheiro é débil nos dentes de alho frescos e sãos. Mas se se
esfregarem ou se cortarem, o cheiro apresenta-se de forma intensa. O fato deve-se a um
processo de desdobramento, em que o fermento alinase, um elemento que graficamente
expressado atua no alho como «machado químico» especial, obtém a alicina a partir de um

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

elemento inodoro, chamado ali-


179
ina, que é desdobrado em duas porções. Mediante o dito fermento forma-se a inicial aliina que
se obteve quimicamente pura ele unia forma totalmente sintética A aliina, ao contrário da
alicina, não exerce eleitos bactericidas.
Fundamentos de Ação Terapêutica do Alho -- Aplicado na pele sã, o óleo provoca
vermelhidão, inflamação e empola, e aplicado nas mucosas, vermelhidão e aumento da
secreção glandular, especialmente nas mucosas gastrintestinais. Alem de maior secreção das
glândulas digestivas, também aumenta a secreção de bílis. O alho também extermina as
bactérias malignas do intestino, ao mesmo tempo que fomenta a reprodução de colibactérias,
os agentes intestinais normais.
O alho é um calmante intestinal adstringente e um bactericida. A antiga crença popular de que
o alho combate o câncer pôde comprovar-se em ensaios com animais, observando-se uma
clara dificuldade de crescimento nas células cancerosas, transplantadas depois ele um
tratamento com alho. Este efeito explica-se facilmente, porque hoje se vai chegando
paulatinamente a considerar o câncer como um grave desvio metabólico, cuja origem se
encontra, muitas vezes, no aparelho gastrintestinal.
Os elementos ativos do óleo do alho, como se pode verificar rapidamente só pelo cheiro,
eliminam-se através da pele e dos pulmões. Esta forma de eliminação é importante, porque os
ditos elementos desenvolvem as suas atividades nas vias respiratórias, resolvendo
congestões, aumentando as secreções e desinfetando.
O efeito sobre a tensão arterial tem sido aceito, rejeitado e de novo comprovado nos últimos
tempos. Parece ponto assente que a tensão arterial diminui e o pulso se torna mais lento e
tranqüilo, que se dilatam os vasos coronários, sendo por isso melhor alimentados os músculos
cardíacos e, portanto, tornam-se mais fortes.
Apresenta-se finalmente, segundo a velha experiência e modernas provas experimentais, um
aumento da resistência contra as infecções.
Também é muito freqüente a aplicação do alho contra nematóides e ascarídeos, em forma de
irrigação.
Afecções em Que é útil o Seu Emprego -- Em afecções gastrintestinais: catarros do
estômago e intestino com diarréia e prisão de ventre, tuberculose intestinal, flatulência,
catarros intestinais crônicos, infecciosos e agudos, cólicas, inflamações do intestino grosso e
do reto, diarréia, doenças hepáticas e biliares, disenteria amebiana, cólera, tifo e paratifo.
Em tumores cancerosos, embora neste caso o alho apenas desempenhe o papel de remédio
auxiliar e nunca deva substituir ou retardar a aplicação de medidas determinadas pelo médico.
Como elemento anticanceroso pode recomendar-se em todo o tempo.
180
Nas doenças elas vias respiratórias: catarros das vias respiratórias, enfisema pulmonar,
tuberculose, gangrena pulmonar, asma pulmonar e bronquiesctasias.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

Nas doenças da circulação: hipertensão, arteriosclerose de vasos coronários, debilidade dos


músculos cardíacos, intoxicação de nicotina.
Num estado de debilidade geral, depois de doenças infecciosas ou de câncer. Em casos de
lombrigas (oxiúros e ascarídeos).
Modo de Emprego -- Em todas as enfermidades, a melhor forma de aplicação é o consumo
cru. Tomar diariamente de meio dente a um dente com pão, manteiga
e salsa ou cozido em leite, O incômodo do cheiro não se pode evitar por completo. Como
vermífugo, prepara-se um líquido de irrigação cozendo 100 g de alho num litro de água e
aplicando-o depois de esfriar. Pode também confeccionar-se um suco de alho que se conserva
durante um ano: deixam-se em 100 g de álcool 40 g de dentes de alho descascados e picados
durante dez dias, pelo menos, e agitando-os com freqüência. Filtra-se depois o líquido e
junta-se-lhe para dissimular o cheiro 2 gotas de óleo de raiz, de Angélica. Tomar diariamente
de quinze a vinte gotas.

Outros Usos -- O emprego do alho como condimento torna-se , portanto, de grande


importância, por estimular o apetite, evitar a flatulência, limpar o intestino e excitar as
glândulas digestivas.
Utiliza-se em pequena quantidade para saladas, legumes, alimentos crus e molhos. Para as
saladas basta muitas vezes que a travessa seja esfregada com um dente de alho. Muitas
pessoas preferem o alho picado em rodas no pão com manteiga.

É possível atenuar o cheiro do alho desde que se combine com leite, salsa e arruda. O alho
muito picado, com cominhos e manjerona, constitui um excelente aditamento para as sopas de
ervilhas, lentilhas e feijão.
Para o emprego prático do suco do alho, de cheiro menos forte, sobretudo para condimentos
ou para preparar dietas para diabéticos, dispomos hoje de pequenos esmagadores baratos de
manejo fácil.

Anis

A família das Umbelíferas proporciona-nos o anis ou erva-doce (Pimpinella anisum), originária


do Oriente.
O anis figura entre os mais antigos medicamentos. Já Pitágoras louvava a sua influência. Nos
es-
181
tudos hipocráticos aparece tratado com freqüência.
Logo que os talos se tornam amarelos, cortam-se os cachos de flores, atam-se e
dependuram-se ao ar para secar. Decorrido algum tempo, podem obter-se os frutos,
sacudindo-os. O clima duro e úmido, assim como a zona costeira, não são lugares próprios

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

para o seu cultivo. O melhor é cultivá-lo em solo de boa qualidade e predominantemente leve.
Estrumar o campo, mas antes de se formarem os frutos. Não é de aconselhar o adubo com
produtos industriais, porque a maioria desses adubos favorece a formação da folhagem com
prejuízo dos frutos. A sementeira, à distância de 25 cm, precisa geralmente de 150-250 g de
sementes por are. A germinação tem lugar de duas a três semanas depois, e a capacidade de
germinação vem a ser de 70-90 %. Cortam-se os frutos e seguidamente trituram-se. Por cada
are colhem-se de 6 a 8 quilos de fruto.
Composição -- Dos frutos obtém-se um óleo perfumado de odor doce e agradável (cerca de
2-3%) que no seu estado puro e por efeito do frio se solidifica como massa cristalina branca
(Schulz). já no ano de 1820 se efetuaram as primeiras investigações sobre este óleo e a sua
composição. Até hoje conhecemos como primeiros elementos: anetol, ácido de anis, aldeído
de anis, acetona de anis e outras matérias complementares, tais como óleos, proteínas e
açúcar .
Modo de Atuação e Emprego -- A sua eficácia está condicionada fundamentalmente à
expulsão do óleo essencial pelos pulmões, o que fomenta as atividades vibráteis nas vias
respiratórias. Pode utilizar-se portanto como meio expectorante. Tal atividade pode
aumentar-se mediante a mistura com outras plantas como, por exemplo, verônica, saponária
na proporção de 20 g, folhas de tussilagem, flores de sabugueiro na proporção de 15 g, e raiz
de violeta, 10 g. Misturar, cozer unia colher de sopa numa xícara de água e beber quente. Esta
especiaria encontra-se muitas vezes presente nas chamadas infusões peitorais, pulmonares e
asmáticas. O óleo ainda desenvolve outros efeitos nas glândulas do tubo gastrintestinal,
excitando a sua atividade, aumentando o apetite, facilitando a digestão e melhorando a
eliminação biliar. Está, portanto, justificado o emprego desta especiaria como infusão para o
estômago e a bexiga; resta, porém, confirmar se aumenta a produção do leite na mãe lactante.
Como planta medicinal emprega-se para a tosse, catarro bronquial, asma, inapetência, catarro
gastrintestinal, espasmo de órgãos respiratórios e digestivos (cólicas).
Como condimento, empregam-se os pequenos frutos maduros que contêm de 2 a 3 % de óleo
essencial.
0 anis em pó misturado com cenouras é muito conveniente para o tratamento de lombriga,
182

nas crianças, assim como para combinar com elementos agridoces como couve-lombarda e
pepinos. Mediante destilação pode obter-se óleo ou essência de anis a partir das folhas secas.
A família das Borragináceas proporciona-nos como saborosa especiaria vegetal a borrarem
(Borrago officinalis).
Antes e durante a floração cortam-se as folhas à tesoura, pois só se empregam frescas como
condimento ou como aditamento a uma salada. As folhas secas perdem sabor e são de
conservação difícil. As flores, empregadas muitas vezes como elemento decorativo, também
se colhem.
A sementeira faz-se na primavera, em filas; a distância entre os sulcos deve ser de 25 cm. O

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

mais prático é fazer várias sementeiras seguidas, porque as folhas jovens são as mais fortes.
A borragem multiplica-se rapidamente. O terreno onde se tiver semeado a borragem
transforma-se facilmente em matagal. A germinação produz-se passados cinco ou seis dias,
com uma capacidade de quase cem por cento.
Composição e Propriedades -- Com respeito a substâncias ativas, podemos dizer muito
pouco. Atualmente Kroeber considera muito abundante na borragem o tanino; nas cinzas
encontra-se manganês.
Autores mais antigos falam de mucilagem, resina, ácido acético, muitos sais, especialmente
salitre e vestígios de um elemento de fragrância (óleo essencial).
Aplicações e Forma de Emprego -- Como planta medicinal a borragem não pode
recomendar-se para determinadas enfermidades, porque o seu leite é pouco conhecido.
Como planta de salada e verdura tem sido, porém, muito recomendada. As folhas tenras e
novas picam-se e temperam-se apenas com cebola, azeite e um pouco de sal como salada, ou
misturam-se como alimento cru com pequena quantidade de salada, ficando assim com um
sabor análogo ao do pepino.
Como especiaria é que a borragem adquire o seu maior significado. Pelo seu cheiro e sabor
parecidos com os do pepino é um aditamento muito usado nas saladas, sobretudo nas de
batatas ou verduras silvestres, alimentos cozidos ou crus, sopas e molhos. Juntamente com o
endro não deve faltar em nenhuma salada de pepino e de outros vegetais verdes. Só se deve
empregar cuida-
183
dosamente combinada com outras especiarias, pois não se anula a eficácia destas. Com as
suas folhas finalmente picadas, prepara-se um molho para as variedades de couve.
As flores azuis, de grato sabor, podem também empregar-se vantajosamente como aditamento
a pratos frios e saladas de batatas. Como as folhas quando secam adquirem um tom pardo
escuro, prepara-se para o inverno um sumo de borragern que deve ser esterilizado. Para o
molho de ervas o melhor é empregar borragem, azedas, salsa e tomilho.

Canela

Com o nome de canela conhecem-se no comércio diferentes tipos de cascas que se


empregam como condimento e se obtêm de diversos arbustos pertencentes à família das
Lauráceas. A espécie melhor e mais utilizada é o Cinnamomum Ceylandicum, procedente do
Ceilão, onde é abundantemente cultivado. Também é explorada noutros países, como Java,
Sumatra e ria América do Sul. Das cascas dos ramos novos obtêm-se os delicados cilindros,
pardo-avermelhados, utilizados no comércio. Caracterizam-se por um sabor fortemente
aromático, algo picante e ao mesmo tempo doce.
Composição -- Um óleo essencial que atinge proporções de 0,5 a 4%.

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Também contém uma suave resina aromática, um corante que tem ferro e gomas.
Aplicações Médicas -- A canela tem uma ação reguladora do apetite, fortalece o estômago, é
estimulante e adstringente. Tem sido um remédio tradicional para a debilidade do estômago e
do sistema digestivo em geral, especialmente nos casos de gastrite subácida, caracterizada
pela escassa produção de suco gástrico, e na diarréia. Nas farmácias costuma-se preparar a
«água de canela», a tintura de canela, o xarope e o óleo de canela. Infelizmente, estes
preparados costumam empregar-se apenas para corrigir o sabor de outras receitas médicas,
embora tenham certas propriedades muito aproveitáveis por si mesmas. A que se emprega
mais freqüentemente é a tintura de canela, tomando-se uma colher de sopa, cheia, três vezes
por dia. É muito recomendável na debilidade nervosa do estômago, na flatulência e nas
gastrinterites.
Emprego Culinário -- Empregam-se tanto os «paus» inteiros como em pó, que deve ser o
mais
184
fino possível. Por causa da sua marcada ação adstringente, deve empregar-se o pó de canela
com bastante parcimoma. Em pequenas quantidades regula a secreção salivar e a atividade
das glândulas. É uma especiaria muito indicada para a preparação de pratos em cuja
composição entre o arroz, as farinhas e o leite coalhado, assim como na pastelaria.

Coentro
Entre as Umbelíferas, encontra-se também o coentro (Coriandrum sativum), cultivado e
subespontâneo entre as messes e campos de quase todo País.
O coentro semeia-se em filas de 25 cm de separação. O peso de mil sementes é de 9,1 a 9,8
g; a capacidade de germinação é de 77% em média; germinação em duas ou três semanas.
Para 100 m2 calculam-se 250 g de semente, sendo a colheita nessa mesma extensão de uns
dez a vinte quilos.
Quando os frutos começam a amadurecer cortam-se as plantas ou então debulham-se ou
expõem-se ao sol sobre panos até os frutos caírem maduros. O coentro seco é de cor de
castanha, cheira aromaticamente e é um pouco doce.
Na medida do possível deve ser conservado em latas bem fechadas, para não perder o aroma.
Composição e Propriedades -- Os elementos ativos até hoje conhecidos são os que se
encontram nos frutos: 0,8-1,0% de óleo essencial de cilantro, óleo gordo, ácido málico, um
pouco de tanino, açúcar, pectina, vitamina C e fécula.
O modo de atuação só se conhece empiricamente. Supõe-se que o coentro reforça o
estômago, resolve os espasmos, faz desaparecer a flatulência, corta a diarréia e é vermífugo.
A planta tem sido objeto de pouco estudo científico.
Emprego Como Condimento -- O cheiro a especiaria nos frutos frescos suaviza-se depois de
secos e torna-se muito agradável. O seu emprego principal é o de pastelaria e confeitaria de

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todas as espécies, começando nos biscoitos e bolachas e acabando no pão, assim como em
frutas ácidas e especiarias. Açucarados, os frutos constituem uma guloseima. O coentro
combina além disso com hortaliças, como a couve, o repolho e os espinafres; também é
compatível com os regimes dietéticos.

Cominho

0 cominho (Carum carvi) pertence como o coentro à família


185
das Umbelíferas. No primeiro ano de cultivo recomenda-se que o terreno seja fortemente
adubado com estrume. Como o cominho só pode ser colhido no segundo ano, o melhor é
semeá-lo com outro intermediário que amadureça no princípio do verão (ervilhas, cevada,
aveia) para que o cominho tenha tempo de sobra para a formação da sua folhagem. Mil grãos
pesam 2,56 gramas.
A quantidade de semente por are em terreno aberto é de 100 gramas. A distância entre fila e
plantas deve ser nos dois casos de 30 cm. Não é preciso recobrir a terra depois da colheita do
fruto intermediário.
Normas Para a Sementeira e Para a Colheita -- Como os grãos, quando estão maduros,
caem com facilidade, deve-se fazer a colheita quando estes começam a adquirir um tom
castanho escuro. Cortam-se as plantas ainda cobertas de orvalho às primeiras horas da
manhã com a foice ou a gadanha. Também se recomenda que se estendam lonas, quando se
carrega, para poder recolher os numerosos frutos desprendidos. O teor de óleo essencial
aumenta durante a armazenagem, de modo constante. Sob a designação de «cominho de
primeira qualidade» entende-se como mínimo 90% de pureza e como máximo 14% de
umidade. Os distribuidores que compram aos produtores devem por no mercado, para usos
farmacêuticos e alimentares, apenas cominhos que possuam 98% de pureza e umidade
máxima de 14%. O cominho que tenha grande quantidade de impurezas, especialmente ervas
más, e que não atinja ou dificilmente consiga uma pureza de 98 %, só deve ser empregado em
usos técnicos.
Na recolha do cominho silvestre cortam-se as umbelas com os seus talos, quando os grãos
começam a amadurecer, e estendem-se sobre um fundo de papel ou dependura-se o molho
para secar. Varejam-se os frutos maduros que não tiverem caído.
Composição e Propriedades -- As substâncias ativas até agora conhecidas são: óleo
essencial de comicarveol e uma base aromática narcótica, assim como acetaldeído, álcool
metílico, furfurol, e diacetil. Além do óleo essencial, encontra-se óleo gordo, cera, tanino,
substâncias albuminóides, etc.
A eficácia do cominho é devida principalmente ao óleo essencial que estimula o estômago,
mas atua sobre o intestino como sedativo carminativo.
Emprego Como Remédio -- Como planta medicinal, na de-

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bilidade gástrica, nos espasmos do estômago, na flatulência intestinal e noutras perturbações
do intestino, especialmente nas crianças. Para isso recomendam-se as seguintes misturas:
Misturam-se 20 g de cominho em pó e outros 20 g de coentro e toma-se o que couber na
ponta de uma faca, depois da refeição (Mayer). Ou então misturam-se, segundo fórmula
farmacêutica, 10 g de cominhos com 30 g de camomila, 30 g de folhas de hortelã-pimenta e 30
g de raiz de valeriana; deita-se de cada vez uma colher pequena desta mistura num copo de
água fervente e deixa-se repousar durante catorze minutos; bebem-se diariamente de duas a
três xícaras.
Para as crianças também pode ser eficaz cozer os cominhos em leite, para as dores
abdominais, cólicas intestinais, espasmos intestinais, más digestões ou flatos. Empregam-se
então quatro gramas por litro.
Emprego Como Condimento -- O cominho, pela sua característica de favorecer a digestão, é
um condimento sumamente apreciado e valioso. Em muitas regiões acrescenta-se à levedura
do pão. Também é próprio para toda a espécie de queijos. Muitas variedades de hortaliças,
especialmente as couves que provocam flatulência (repolho, couve, chucrute,
couve-lombarda), deviam temperar-se sempre com cominhos, pois estes favorecem a sua
digestão. Misturados com outras especiarias, dão excelente sabor às saladas, molhos, sopas,
pratos dietéticos e verduras cruas. Também é conveniente o seu emprego na pastelaria. É
conveniente não cozinhar os cominhos com os outros alimentos, mas acrescentá-los em pó ou
triturados depois da cocção, pois do contrário perdem-se muitos dos seus efeitos como
condimento.
As folhas frescas e tenras da planta têm o mesmo odor que os frutos. Podem acrescentar-se
aos vegetais crus e às saladas.

Endro

O endro (Anethum graveolens) pertence à família das Umbelíferas. As plantas têm muita
semelhança com o funcho. É possível o cultivo em toda a espécie de terrenos de horta, dada a
falta de exigências desta planta para se desenvolver. A germinação apresenta-se na segunda
ou terceira semana, com capacidade germinativa de até 80 %. É melhor semear várias vezes
sucessivamente, para dispor sempre de folhas frescas de endro. O endro não suporta a
transplantação. Pouco
187
antes da floração, arranca-se toda a planta do solo e dependura-se para secar. Os frutos
(sementes) colhem-se diretamente das plantas totalmente maduras.
Composição e Propriedades -- As matérias ativas conhecidas até agora são o óleo essencial
com taninos (30-60%), apiol de endro e minístico (Schimmel). O endro é carminativo e atua
contra as flatulências, hidratante, sedativo, incrementador do leite e emenagogo, fomentando a
menstruação. Todos estes efeitos se baseiam na experiência da medicina popular. A

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investigação científica pouco ou nada tem provado a este respeito.


Usos medicinais -- Na flatulência, na retenção de urina como conseqüência de transtornos
cardíacos ou renais, aumento de produção de leite nas mães lactantes, na excitação do
apetite, na ajuda da digestão e na insônia.
Receitas para a flatulência: duas colheres pequenas de sementes sobre as quais se deitam
duas xícaras de água fervente; deixa-se repousar quinze minutos; bebe-se uma xícara durante
o dia e outra à noite.
Em caso de insônia, emprega-se a mesma receita ou se misturam com 20 g de sementes de
endro, 20 g de sementes de anis, 30 g de folhas de erva-cidreira e outros 30 g de flores de
sabugueiro. Deita-se sobre uma colherada grande desta mistura uma xícara de água fervente;
bebem-se ao anoitecer uma ou duas xícaras da infusão.
Para aumentar a produção de leite prepara-se a seguinte receita: 25 g de anis, 25 g de
sementes de funcho, 25 g de endro e 25 g de folhas de manjerona. Tomar duas vezes por dia
uma xícara da infusão que será feita assim: uma colherada grande da mistura por xícara de
água fervente.
Emprego Como Condimento -- A planta nova presta-se muito bem como aditamento à
salada de pepino, freqüentemente tão flatulenta, e também para a salada de alface e de
batatas. As folhas pequenas recentes dão às saladas com bocadinhos de tomate ou requeijão,
sopas e pratos crus, um sabor especial. Também se aproveita verde ou seco para refogados
vegetais.
As sementes de endro apreciam-se, em geral, na preparação de pepinos, saladas de legumes
e de repolhos ou de couve-lombarda O endro com cominhos e um pouco de alho é uma feliz
combinação para condimentar o requeijão, pois o efeito flatulento do alho fica compensado
com o endro e os cominhos, de modo que se produzem plenamente os efeitos das excelentes
características destes condimentos.

Erva-Cidreira

A melissa ou erva-cidreira (Melissa officinalis) pertence às Labia-


188
das e encontra-se cultivada e subespontânea em terrenos montanhosos e nos bosques.
Precisa de um lugar protegido, não muito seco, e de solo nutritivo. A reprodução pode fazer-se
mediante a semeadura em canteiros ou por mudas de raiz. São precisos de dois a cinco
gramas de sementes para 100 metros quadrados de terreno. A germinação dura quase quatro
semanas. Os rebentos novos plantam-se à distância de 30 X 40 centímetros. A plantação deve
renovar-se de cinco em cinco anos.
Antes de dar flor e em tempo seco e quente, cortam-se-lhe as folhas. Fazendo-o com
freqüência multiplica-se-lhes o crescimento. Uma vez separadas todas as impurezas,

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secam-se as folhas o mais rapidamente possível num lugar arejado e sombrio. O tempo úmido
durante a secagem prejudica o bom aspecto das folhas. A melhor maneira de conservar as
folhas, uma vez secas, é guardá-Ias em recipientes hermeticamente fechados.
Composição e Propriedades -- As matérias ativas até agora conhecidas são: 0,15% de óleo
essencial, assim como aloés, tanino, resina e mucilagem.
Emprego Medicinal -- O óleo essencial é capaz de atuar como dissolvente de congestões e
como analgésico, sendo os seus efeitos muito semelhantes aos do óleo da hortelã-pimenta. A
erva-cidreira é muito própria para mulheres e crianças delicadas e débeis.
O óleo e a essência de erva-cidreira, empregados exteriormente, amortecem as dores de
dentes, dos ouvidos e da cabeça, assim como as enxaquecas. Para uso interno, 20 g de folhas
tomadas em infusão diariamente acalmam os estados nevrálgicos e traumáticos, os estados
gastrintestinais semelhantes à cólica e são um calmante para os vômitos nervosos das
mulheres grávidas. Especialmente nas mulheres e nas jovens anêmicas, a erva-cidreira quase
sempre influi favoravelmente nos períodos débeis e dolorosos. A sua eficácia deve atribuir-se
à maior irrigação dos pequenos órgãos da pélvis. O efeito calmante e soporífero desta planta
nos nervos e no cérebro e a considerável eficácia como antiespasmódico e como
reconstituinte do aparelho gastrintestinal, do coração e da matriz, dão à erva-cidreira um lugar
importante como planta medicinal.
Uso Como Condimento -- Em todos os cozidos que levem limão, podem também
empregar-se folhas frescas de erva-cidreira, es-
189
pecialmente em saladas, sopas, molhos, regime dietético, legumes crus, sopas de fruta,
sobremesas de leite e sucos de frutas. A erva-cidreira não deve ser cozida com o alimento,
pois perde o sabor.

Eucalipto
A família das Mirtáceas conta com numerosas espécies de Eucaliptos, gênero originário da
Austrália e amplamente cultivado na Ásia e na América. Numerosas plantações destas árvores
têm sido efetuadas com o objetivo de sanear os terrenos pantanosos, na luta contra o
paludismo e no reflorestamento. O eucalipto é uma árvore que cresce rapidamente e pode
atingir grande altura, chegando em casos de corpulência gigantesca a 155 metros.
Composição e Propriedades -- Da casca de eucalipto obtém-se, mediante incisões, uma
resina que se torna muito espessa depois de algumas horas, endurecendo pela ação do sol.
Este produto chama-se quina. A quina é uma espécie de goma que se obtém igualmente do
Eucaliptus corymbosa, Euc. cetriodora, Euc. resinifera e do Pterocarpus marsupium, e que
contém como produto ativo o ácido quinotânico, de cor parda, numa proporção de 75-80%.
Este ácido, mediante, cocção com ácidos minerais diluídos, cinde-se em vermelho de quina e
glicose. A quina entra também na composição de substâncias para curtir e para colorir, tendo
ainda hoje muito valor.
As folhas de eucalipto (Folia eucalypti) têm um cheiro aromático muito agradável e são um

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pouco acres ao paladar. Contêm em média 1,5% de óleo essencial, além de tanino,
substâncias amargas, resinas e 6 % de cinzas. Empregam-se estas folhas como infusão, em
doses de 1 a 3 gramas com efeitos antissépticos e febrífugos nos catarros bronquiais e
vesiculares, assim como combinadas com fricções no reumatismo.
O óleo de eucalipto obtém-se mediante destilação das folhas de diversas espécies de
eucalipto. Forma um líquido transparente ou de cor levemente amarelada, de cheiro
penetrante, mas de sabor refrescante. O óleo de eucalipto contém cineol ou eucaliptol até
70%, além de pineno, canfeno, sexquiterpenos e aldeído valérico.
Indicações Médicas -- O óleo de eucalipto, especialmente quando é empregado em forma de
inalações, atua sobre as mucosas e a pele produzindo uma inflamação de caráter local, que
decorre com intensa produção de mucosidade, no que se radica precisamen-
190
te o seu efeito curativo. Emprega-se preferentemente no tratamento de bronquites agudas
malignas e crônicas nas bronquites pútridas e na gangrena pulmonar, para inalações ou como
prescrição para o interior. O seu caráter antisséptico e antipirético também o tornam muito útil
no paludismo e no cólera, assim como também é de grande efeito terapêutico em fricções no
caso de reumatismo. Tem dado nomeadamente bons resultados como vermífugo,
administrado em doses diárias de 5-20 gotas.
O grande poder antisséptico e desodorante do óleo de eucalipto torna-o especialmente valioso
nas lavagens da boca e no cuidado ordinário da dentadura.
Dosagem e Contra-Indicações -- A dosagem tem de se manter estritamente nas normas
indicadas em cada caso, porque excedendo os três gramas podem aparecer sintomas de
intoxicação e se a quantidade administrada exceder grandemente as doses toleradas podem
chegar a produzir-se convulsões tônicocrônicas.
A dose prescrita para tomar oscila de 10 a 15 gotas, duas vezes por dia, com açúcar.
O eucaliptol ou cineol pode obter-se por destilação fracionada como um dos componentes
mais importantes do óleo de eucalipto, e aparece como uni líquido incolor de aroma canforado
e de sabor refrescante «sui generis». Costuma empregar-se nas receitas médicas como óleo
de eucalipto em doses de 0,1-1,0 grama.

Funcho
A família das Umbelíferas pertence o funcho (Foeniculum officinale), que no estado silvestre se
encontra nas sebes, margens dos campos, entulhos e entre as rochas.
Corta-se a planta a 5 cm do solo, desenterram-se os renovos e dispõem-se atados numa cova
que se recobre cuidadosamente com Palha ou terra. No segundo ano transplantam-se as
plantas mais desenvolvidas para o campo propriamente dito, onde as flores e os frutos
amadurecem. Plantam-se de dois em dois à distância de 50 a 70 centímetros. O tempo da
germinação é de três semanas. As umbelas centrais, que são as primeiras, formam os
melhores frutos. O teor de óleo essencial aumenta durante a conservação por todo o inverno.

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Composição e Propriedades -- O óleo contido nos frutos na proporção de 4,5 % deve ser
con-
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siderado o principal elemento ativo. Encontram-se, também, no funcho, de 9 a 12%, óleo
gorduroso, proteína, fécula e açúcar. O óleo de funcho consiste sobretudo em 50 a 60% de
anetol, um derivado de fenilpropano, além de diferentes compostos terpênicos, dpineno,
dipenteno, canfeno, d-limonemo, etc. O pineno, numa proporção aproximada de 20 %, produz
sabor amargo e conforado.
O efeito é principalmente determinado pelo óleo essencial, sobretudo pelo anetol que constitui
um bom meio de expectoração. Acelera a atividade dos epitélios vibráteis das vias
respiratórias. Além disso, o óleo possui a capacidade de eliminar as flatulências e fomentar a
digestão. O efeito do emprego popular de cozimentos de funcho nas inflamações das
pálpebras não está cientificamente comprovado.
Emprego Como Remédio -- O funcho é proveitoso no catarro bronquial, asma, tosse
renitente, flatulência intestinal, astenia gastrintestinal e prisão de ventre crônica.
No emprego como infusão expectorante, misturam-se para maior eficácia 26 g de funcho, 25 g
de líquen e 25 g de malvaísco; deita-se sobre uma colherada desta mistura uma xícara de
água fervente; deixa-se repousar durante quinze minutos e bebem-se, durante o dia, várias
xícaras quentes.
Para emprego como infusão contra as flatulências, misturam-se 25 g de funcho, 25 de anis, 25
de coentro e 25 de cominho; prepara-se uma infusão com uma colherada desta mistura, e
tomam-se uma ou duas xícaras por dia.
Só com os frutos, prepara-se uma bebida com água ou leite, que as mães gostam de dar aos
pequenos para combater os flatos e resfriados.
Emprego Como Condimento -- Os rebentos recentes empregam-se muito na Europa
Meridional como verdura. Trata-se, quase sempre, não do funcho de especiaria (Foeniculum
vulgare ou officinale), mas sim do chamado funcho comestível ou doce (Foeniculum dulce).
Como condimento, os frutos têm os requisitos necessários. Empregam-se inteiros, porque
partidos ou moídos perdem o aroma. Os frutos ou o óleo que deles se obtém empregam-se
como condimento popular, principalmente em confeitaria, sopas, flans, pudins. Também se
empregam os frutos e os gomos meio maduros com agrado para juntar aos pepinos e ao
chucrute, quase sempre em combinação com o endro e estragão. As folhas tenras e os gomos
recentes constituem um acréscimo para saladas, pepinos e molhos de ervas. As folhas, sós,
são uma boa guarnição para pratos frios.
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Loureiro -- Do autêntico loureiro (Laurus nobilis) cujos ramos e folhas empregam-se


desde a mais remota antiguidade como símbolo de honra.

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O loureiro forma arbustos ou árvores que podem chegar a atingir 10 metros de altura.
Composição e Propriedades -- As folhas aromáticas contém na maior parte dos casos 1 %
de óleos essenciais, substâncias aromáticas e 5 %, no máximo, de cinzas. Costumam
empregar-se secas como condimento. Uma xícara de infusão feita na base de 5 g de folhas
secas em 1/2 litro de água emprega-se como remédio nas dores de estômago e nos vômitos.
Os frutos contêm até 40 % de substâncias gordas com 1 % de cinzas. Também se empregam
os frutos freqüentemente na cozinha como condimento. Na medicina emprega-se como
regulador do apetite, devido às substâncias amargas que contém.
O pó de frutos de loureiro emprega-se como especiaria estomacal e diurética em uso interno, e
no exterior como ungüento nas hemorróidas.
Forma de Emprego e Aplicações -- Mediante pressão e cocção obtém-se a partir dos frutos
um ungüento ou óleo de loureiro que forma uma mistura de gorduras e de óleos essenciais,
com aspecto de sebo verde. A cor verde provém da clorofila (que, como se sabe, é a
substância fundamental das folhas verdes), que permanece no óleo. A composição do óleo é
constituída por 2,5% de óleo essencial, clorofila, substâncias amargas e glicéridos dos ácidos
láurico, palmítico e oléico (as gorduras são ésteres da glicerina com ácidos gordos).
O óleo essecial. é composto, por sua vez, por 50% de lineol ou eucaliptol, que é uma
substância líquida, rica de oxigênio, incolor e com um cheiro parecido com o da cânfora e que
tem a propriedade de ser facilmente solúvel em éter, clorofórmio, álcool, essência de
terebintina e óleos gordos, sendo, além disso, antisséptica, expectorante e anti-helmíntica. As
restantes substâncias contidas no óleo essencial também são muito ricas em oxigênio, como o
é o metil-eugenol (fenol), o geraniol e o lineol. (alcoóis). Finalmente, contém o óleo à volta de
12 % de terpenos e sesquiterpenos que derivam do cimol, dando hidrocarboretos da série do
cicloexano.
Outros Usos e Contra-Indicações -- 0 óleo de loureiro utiliza-se na medicina como massa-
193
gem cutânea nas doenças reumáticas da pele e como meio protetor contra os insetos.
Pelo seu teor de óleos essenciais, o óleo de loureiro pode dar lugar a reações alérgicas.
Também é, como acontece com o óleo de bergamota, um sensibilizador aos raios ultravioletas.
Por uma forte irradiação solar pode originar-se a doença de Berloque, que consiste numa
inflamação cutânea com uma estratificada coloração parda da pele, especialmente no
pescoço, peito e braços.

Manjericão Grande

0 manjericão grande (Ocimum basílicum) pertence à família das Labiadas, sendo-lhe


atribuídos como países de origem o Egito, as ilhas gregas, a Pérsia e a índia. Pode cultivar-se
em vasos de barro para ter sempre uma folha à mão. As quantidades maiores cultivamse em
pequenos talhões nas hortas. E preferível semeá-las em canteiros. A germinação produz-se

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decorridos dez a catorze dias. A capacidade germinativa é de 60 a 80 %. Esta planta é muito


sensível às geadas. O cultivo só prospera em canteiros protegidos. Durante a floração,
corta-se duas vezes a planta. Sacodem-se as folhas, selecionam-se e secam-se num local
ventilado e sombrio, virando-as com freqüência.
As folhas secas devem conservar-se em recipientes bem fechados para não perderem as
matérias aromáticas.
Composição e Propriedades -- Os componentes ativos até agora conhecidos são óleos
essenciais (cerca de 1,5%) e tanino. O óleo essencial é a matéria mais valiosa desta planta e,
como quase todos os óleos essenciais, excita a atividade da mucosa das vias respiratórias e
gastrintestinais, dos rins e dos nervos, embora não possua nenhum valor curativo especial.
Aplicações e Forma de Emprego -- Influi beneficamente, combinada com outras plantas de
efeito semelhante, na prisão de ventre crônica. Na realidade o emprego curativo desta planta é
infinitamente menor do que a sua aplicação como condimento.
A planta, de forte aroma, emprega-se pelo seu teor em óleo essencial, como condimento em
sopas, molhos, favas, pepinos. Bastam poucas folhas para dar às saladas de plantas
silvestres, molho de salada e sopas um agradável aroma. Também não deve faltar o
manjericão grande na manteiga vegetal. Pode empregar-se tanto seca como fresca.

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Manjerona
A manjerona (Origanum orana) pertence à família das Labiadas; é de origem africana.
A manjerona necessita de um solo leve, mas nutritivo. E excelente o solo pantanoso ou
semi-pantanoso No cultivo da horta, semeiam-se as sementes (que é melhor misturar com
areia) em canteiros. Depois das geadas faz-se a transplantação para terreno livre,
distanciando a planta 20 a 40 centímetros. Com bom tempo são possíveis duas colheitas em
média. Nas zonas que oferecem perigo de geadas pode proceder-se à sementeira direta em
sulcos, na primavera.
A capacidade germinativa é de 70 a 90%. A germinação produz-se na terceira semana. A
quantidade de sementeira é de 100 g por are. A distância entre as filas deve ser de 25
centímetros.
No cultivo em campo aberto, sega-se com a foice toda a planta, antes de dar flor, a uns 5
centímetros do solo, e deixa-se secar em pequenos ramos no mesmo campo, fazendo-se a
transladação alguns dias depois, para se estender numa camada ligeira ou dependurar-se em
feixes até secar completamente.
As plantas cortadas não devem ficar expostas à chuva, porque perdem a cor e assim
dificilmente se vendem. A colheita, por 100 m2, é de 24-32 quilos de planta seca. O terreno só
pode voltar a semear-se de manjerona anos depois.
A manjerona é própria também para o cultivo em vasilhame ou caixotes, tanto mais que para

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uma família média bastam algumas plantas.


Cumpre observar o tempo da colheita, que é imediatamente antes de dar flor, porque a planta
possui então maior' força como condimento. Os talos maiores e mais grossos separam-se,
quer antes quer depois de secos. Se a separação tiver sido bem feita, a manjerona não deve
apresentar manchas pardacentas. A conservação das folhas secas consegue-se nas melhores
condições mediante recipientes fechados hermeticamente, para não se perder o aroma.
Composição e Propriedades -- As matérias ativas conhecidas até agora são: 3,5% de óleo
essencial na planta seca, 4,5% de tanino, aloés e pentosanas. O óleo essencial contém 60%
de óleo de terpineol e 40% de outros terpenos.
De acordo com os nossos conhecimentos e experiências atuais e por causa do seu teor de
óleo essencial e de aloés, a manjerona contém:
195
1. Elementos dissolventes de mucosidades (expectorantes).
2. Elementos facilitadores da expulsão de água (diuréticos).
3. Elementos que facilitam a expulsão de suor (diaforéticos).
4. Elementos reconstituintes do estômago (estomacais).
5. Elementos analgésicos para aplicação externa em neuralgias.
6. Elementos sedativos sobre o estômago e intestino (carminativos).
7. Elementos que aumentam a produção de leite nas mães lactantes.
Aplicações -- Como planta medicinal, a manjerona é um meio suplementar na debilidade
digestiva, nas flatulências, cólicas gástricas e intestinais, nas regras defeituosas, nos
transtornos na expulsão da urina e nos resfriados. Nas corizas crônicas e para o tratamento de
feridas pode utilizar-se um ungüento de manjerona, tal como é preparado nas farmácias. É
popular o emprego do óleo de manjerona nas varizes, na gota, no reumatismo e nas doenças
glandulares.
Como especiaria, a manjerona possui forte cheiro aromático e pronunciado sabor de
especiaria. Consome-se gostosamente como condimento nos purês de legumes, lentilhas e
feijão, juntamente com tomilho e basílico, assim como para a confecção de molhos. Também
não é rara a sua utilização em saladas e legumes, verduras cruas e regimes dietéticos. Deve,
porém, ser empregada em pequenas doses, para não se notar excessivamente o seu sabor.

Mostarda Negra
A mostardeira negra (Brassica nigra) é da família das Crucíferas.
Em pequenas quantidades, cortam-se e atam-se em feixes os talos, depois de as bainhas
adquirirem um tom amarelado; estendem-se em seguida num pano. Os grãos de cor
pardacenta-amarelada caídos conservam-se secos em recipientes de vidro, devendo com

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

freqüência ser observados e agitados. A mostarda negra costuma cultivar-se também em


terrenos pobres e climas duros; mas é melhor o solo arenoso que tenha húmus. A umidade do
terreno encharcado é prejudicial. O esterco de animal fresco afeta a formação do fruto,
favorecendo o desenvolvimento da folhagem. A sementeira efetua-se logo que não haja a
recear as geadas. Semeiam-se em filas de 15 cm de distância, uns 100 ou 120 g em 100 m2.
A germinação produz-se uns dez dias depois. A colheita por 100 m2 é de 7 a 14 quilos.

Nas grandes superfícies de cul-


196
tivo, ceifa-se e enfeixa-se a mostarda madura, colocando em grandes panos sobre escadas.
Para evitar que caiam muitas sementes, começa-se a sega às primeiras horas da manhã,
enquanto as plantas ainda estão cobertas de orvalho. Colocando lonas, é possível evitar a
perda de sementes.
Composição -- As sementes contêm óleo essencial, constituído por 90% de óleo de alho e de
mostarda e de outras quantidades reduzidas de combinações sulfúricas ricas orgânicas, além
de uns 26 a 28% de óleo gordo com ácido erúcico, oléico, linólico, linoléico, palmítico e
lignocérico, o glicósido sinigrina, enzimas, o alcalóide sinapina, pentosanas e ácidos orgânicos.
Aplicações Médicas -- Conhece-se a sua eficácia em diversas doenças dos órgãos
digestivos, normalizando os estados catarrais e equilibrando o funcionamento insuficiente. A
sua eficácia deve-se principalmente ao aumento da circulação sanguínea nas mucosas
gastrintestinais e nos órgãos glandulares. Além disso, é próprio das sementes de mostarda um
efeito favorável no metabolismo.
Uma cura de sementes de mostarda é recomendável em todos transtornos funcionais de
órgãos digestivos, isto é, para eructações, acidez, gastrite, úlcera do estômago e duodeno,
dores e cólicas hepáticas, congestões e esclerose do fígado, inflamações crônicas dos
condutos biliares, cálculos biliares, flatulências, catarros intestinais, prisão de ventre, oclusão e
lombrigas. E também para todas as doenças causadas por auto-intoxicação intestinal que
produz enjôo, dor de cabeça, subida do sangue à cabeça, cansaço, doenças cardíacas, etc.
Para isso toma-se, uma hora antes das refeições, uma colher pequena de grãos de mostarda
brancos, inteiros, com um pouco de água fria. Vai-se aumentando a quantidade nos dias
seguintes até se produzir uma ligeira diarréia, eventualmente até três colheres pequenas três
vezes por dia. Esta dose pode conservar-se durante várias semanas.
Emprego Como Revulsivo -- Emprega-se também exteriormente a mostarda para banhos
parciais, pedilúvios ou sinapismos. Para isso, envolve-se todo o corpo numa toalha umedecida
em água quente, à qual se juntaram duas ou três colheres grandes de mostarda em pó. Na
forma de sinapismo, remexem-se sementes de mostarda pulverizada (farinha de mostarda) em
água e aplica-se na parte do organismo que se vai tratar.
Um bom linimento para reumatismo muscular e nervoso é a mistura seguinte:

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

Óleo de mostarda ........11,00 g


Cânfora ...........................2,25 g
Óleo de rícino .................5,00 g
Extrato de trovisco..........0,75 g
Álcool.............................31,00 g

197
O glicósido do óleo de mostarda no uso externo exerce um grande efeito revulsivo na pele,
que se faz notar, passado pouco tempo, por queimadura e vermelhidão. A mostarda em pó e o
óleo de mostarda são, portanto, meios importantes para sistemas de cura revulsivos, que se
aplicam no reumatismo articular e nervoso, assim como nas inflamações da pleura. Também
nas bronquites agudas, inflamações febris e pneumonias, o sinapismo de farinha de mostarda
produz rapidamente alívio nos órgãos congestionados e estimula a respiração e a circulação.

Pimentões
O pimentão (Capsicum annuum) é nativo da América.
Os frutos apresentam grandes diferenças entre si no que diz respeito à forma, tamanho, cor e
especialmente pelo teor e classe do seu princípio ativo, a picante capsaicina.
Com o nome de pimentão comum ou pimentão-doce conhece-se uma variedade de sabor
suave, frutos de grande tamanho, verdes e muito saborosos, que se empregam como
refrescante. Quando esta variedade chega à maturidade o seu gosto torna-se picante.
Outra variedade doce, de cor vermelho-escura, forma um prato exótico podendo também
comer-se crua.
A variedade de frutos pequenos, vermelhos, malaguetas, é de um sabor tão picante como a
pimenta, e só pode ser empregada como medicamento.
Composição e Propriedades -- Das bagas vermelhas e pequenas, isolou-se até agora uma
série de princípios ativos, especialmente a capsaicina, grande quantidade de vitaminas C e P
e, além disso, α e β caroteno (provitaminas A). As sementes não contêm capsaicina.
As cinzas atingem como máximo 8%.

A capsaicina, a substância picante, não só irrita as terminações nervosas das mucosas como
também pode provocar, pela sua aplicação repetida, intensa e duradoura anestesia perante
numerosas substâncias químicas irritantes. O farmacólogo húngaro, Prof. Jancso, tirou por
isso a conclusão de que podem existir na pele e na mucosa do homem e dos animais duas
classes distintas de terminações nervosas sensíveis à dor: umas que reagiriam especialmente
aos excitantes químicos, e as outras aos físicos. Estas observações originaram o emprego por
parte dos homeopatas do
198

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

Capsicum annuum nos ardores das úlceras gástricas e duodenais como remédio.
O Capsicum annuum tem aqui o mesmo papel que a pimenta (Piper nigrum), que se emprega
na cura de emagrecimento e também em homeopatia nas dores causadas por úlcera.
O pimentão atua desinfetando as mucosas bucal e do estômago; no intestino destrói os
germes patógenos sem prejudicar as colibactérias normais, que muito se podem favorecer na
sua função e desenvolvimento.
Emprego Medicinal e Alimentício -- Em medicina usam-se os frutos maduros e secos,
pulverizados em quantidades de 0,05-0,5 g, como estomacais e carminativos. Também se
emprega em pó (especialmente na forma de emplastro) como revulsivo (que atua sem
hiperemia), no reumatismo e nas pleurisias.
Um bom remédio contra as doenças reumáticas consiste em misturar 65 ml de tintura de
pimentão, 20 ml de extrato de mostarda, 5 ml de álcool canforado, 5 ml de espírito de sal de
amoníaco e 5 ml de álcool de alecrim.
Como gargarejo usa-se 1/2 colher das de café de tintura de pimentões a 10 % num copo de
água, para as anginas.
A homeopatia prepara uma tintura a partir dos frutos maduros secos, que emprega na diátese
úrica, reumatismo, nevralgias e hemorróidas. Às vezes, utiliza-se esta tintura como remédio
nas inflamações dos ouvidos (otite média) e nas faringites.
O suco espremido do pimentão fresco pode usar-se na dose de 10-15 ml para excitar e
esvaziar a vesícula biliar.
O pimentão picante serve em muitos cozidos como substituto da pimenta. Os pimentões doces
são um alimento dietético para os doentes do estômago e do intestino, com alterações na
formação de sucos e ácidos.

Salsa

A salsa (Petroselinum sativum) conta-se entre as Umbelíferas.


Cumpre distinguir entre a salsa frisada e a de condimento. Da primeira, fazem-se várias
sementeiras seguidas. Semeia-se à profundidade oportuna em carreiras, à distância entre si
de 20 centímetros. O corte freqüente do talo das folhas, rente com o solo, aumenta a
densidade da folhagem na planta. Consegue-se em grande quantidade quando se
transplantam as raízes para sulcos especiais à distância de 30 centímetros.
199
Composição e Propriedades -- As sementes de salsa, de emprego sobretudo medicinal,
contêm um óleo com terpenos e apiol e 20 % de óleo. As folhas e as raízes são também ricas
em óleo essencial. O teor da salsa em apiol, além de um pequeno estímulo no processo
digestivo e nas regras, produz considerável aumento na atividade dos rins, devido à dilatação
dos vasos renais. Provavelmente, porém, também são excitadas as células renais, de modo

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

direto.
Emprego Medicinal -- O consumo de salsa é, portanto, de utilidade sobretudo no inchaço
hidropésico nas pernas, nas cavidades abdominais e torácicas e no pericárdio, como
conseqüência de debilidade cardíaca e de alterações metabólicas, assim como por deficiência
da função renal, quando não se apresenta processo inflamatório agudo. As sementes de salsa
(tanto como as suas folhas e raízes) preparam-se como infusão de uma colher pequena para
uma xícara de água, bebendo-se três xícaras por dia. Se não se produzir nenhum efeito
diurético, é inútil aumentar a dose, pois poderia dar lugar a uma irritação dos rins.
0 suco de folhas de salsa é um meio excelente e totalmente inofensivo contra as picadas de
insetos. Pode empregar-se até em criancinhas. Basta apanhar um punhado de folhas frescas
de salsa e esfregar com elas as partes do corpo a descoberto. Mas não só protege das
picadas, como também as cura, porque se lhe atribui um efeito antisséptico e de reação
circulatória ao apiol que contém. Quando se ativa a circulação sanguínea, anula-se
rapidamente a toxicidade do veneno do inseto.
Sete gramas de salsa ou 150 gramas de alface crua bastam para satisfazer as necessidades
orgânicas diárias de vitamina C.
Como condimento, toda a dona de casa conhece perfeitamente a série de múltiplos empregos
da salsa, na cozinha e na mesa.

Salva

A salva (Salvia officinalis) é um representante da família das Labiadas. O cultivo é possível em


qualquer terreno, porque a planta não é muito exigente. A reprodução efetua-se mediante
mudas de plantas antigas ou por sementes. sementeira tem de ser feita em campos livres ou
em canteiros. Com 20 g de sementes conseguem-se plantas para uma superfície de 100 m2.
O peso de mil grãos de semente vem a ser de 5,8 a 8,9 gramas. Os cortes
200
repetidos e abundantes favorecem o crescimento da folhagem. A partir do segundo ano
conseguem-se normalmente colheitas abundantes. Num are podem colher-se de 20 a 25
quilos de produtos. Passados quatro ou cinco anos, deve-se mudar de. terreno. As plantas
isoladas podem cultivar-se facilmente em vasos ou em caixotes.
Depois da floração, desenvolvem-se a partir da parte inferior rebentos de folhas muito fortes,
que se cortam em tempo seco. Arrancam-se as folhas e estendem-se numa camada fina no
chão de um sótão ventilado e sombrio, virando-as de tempos a tempos até secarem.
Conservam-se em recipientes fortemente fechados. As folhas secas devem ficar com uma cor
verde acinzentada e cheirar a especiaria.
Aplicações Medicinais -- A infusão de salva tem efeitos bactericidas e utiliza-se como
calmante e remédio nas cáries e doenças das gengivas, especialmente inflamatórias. Para
isso é muito boa em combinações com a camomila, que é sumamente eficaz contra as
inflamações.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

A sua aplicação interna mais importante é como antisudorífero.


Portanto, quando há suor excessivo como sintoma secundário na tuberculose, ou depois de
enfermidades infecciosas, funcionamento excessivo da tireóide
(tireotoxicose) ou estados nervosos -- a salva está no seu lugar; também na maior parte dos
casos é preferível à atropina, que é o remédio mais utilizado. Como antisudorífero pode
preparar-se a infusão numa xícara de água fervente, de uma colher de sopa da mistura de 80
g de salva com 10 g de cavalinha e 10 g de raiz de valeriaria.
Emprego Como Condimento -- As folhas de salva são um bom condimento para empadões e
são muito apreciadas como condimento para guisados, molhos, legumes secos, sopas,
saladas, regime dietético e hortaliças cruas. A salva seca tem sabor mais forte do que a fresca.
Também se emprega em pó.

Segurelha
A segurelha comum (Saturela hortensis), da família das Labiadas, é cultivada e apresenta-se
como subespontânea em diversos pontos da Terra.
A planta corta-se durante a floração, dependura-se em ramos e põe-se a secar num lugar
ventilado. A força de especiaria é maior quando só se cortam e secam as
201
folhas arrancadas dos talos. Os ramos da segurelha conservam-se num lugar seco ou
cortados dentro de latas bem fechadas.
Esta planta não tem grandes exigências com respeito à espécie do solo. Semeia-se em filas a
20 cm de distância; germina em catorze dias, sendo a capacidade de germinação
aproximadamente de 70 %. A colheita faz-se durante o período da floração.
Composição e Propriedades -- As matérias ativas conhecidas até hoje são: tanino (4,17-7,9
%), cimol, terpenos e fenol.
O teor relativamente alto de tanino produz um efeito adstringente, que se citava nos textos de
herborologia medievais e foi confirmado pela moderna investigação de plantas medicinais. Por
isso, conta-se hoje com a segurelha como remédio entre as drogas de efeitos adstringentes.
Emprego Medicinal -- A segurelha aplica-se nas diarréias ligeiras e nos catarros
gastrintestinais. Também influi beneficamente nas cólicas intestinais. Em tais casos prepara-se
uma infusão de segurelha fresca, ou melhor, seca, deitando uma colherada grande do vegetal
seco numa xícara de água fervente, deixando-a repousar tapada durante quinze minutos;
filtra-se seguidamente e bebe-se quente várias vezes por dia.
Emprego Como Condimento -- Em todas as partes onde se aconselha pela antiga cozinha o
uso de pimenta pode empregar-se segurelha, que nalgumas regiões se chama pimenta
silvestre. Acrescenta-se muitas vezes aos legumes verdes frescos (feijão verde), legumes
secos, pepino, assados vegetarianos, hortaliças e molhos. Nos legumes secos e variedades
de couves produz efeitos antiflatulentos. Nas saladas de batata ou de pepino e nas sopas de

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

legumes secos ou de batatas acrescenta-se segurelha fresca muito picada. Seca e pulverizada
pode empregar-se para o purê de tomate, nas saladas de ervas, maionese, guisados de
cogumelo e nas saladas verdes. Também não devem faltar algumas folhas nas saladas de
plantas silvestres e alimentos crus.

Tomilho
0 tomilho (Thymus vulgaris) é comum sobretudo nas zonas mais ou menos áridas.
Pouco antes de florir, coram-se-lhes as folhas em dias quentes e cheios de sol, a partir do
meio-dia, e rente ao chão. Para o consumo culinário basta colher geral-
202
mente algumas folhas soltas. Num sótão arejado secam-se rapidamente as folhas arrancadas
dos talos, virando-as com freqüência. O tomilho seco adquire forte cor verde e tem um cheiro
marcado de especiaria.
A conservação efetua-se em caixas, latas ou recipientes de vidro hermeticamente fechados.
Composição -- Os elementos ativos até agora conhecidos são o óleo essencial até 1,7 %, que
contém sobretudo uns 50% de timol, um pouco de aloés, tanino, resina, saponina e
pentosanas.
Aplicações Como Planta Medicinal -- O timol, dificilmente solúvel na água, possui grande
eficácia como desinfetante; por isso, desenvolve o tomilho os seus efeitos nos processos
orgânicos do aparelho gastrintestinal, pulmões e vias urinarias.
Mais pormenorizadamente é de recomendar a sua aplicação nas enfermidades febris agudas
das vias respiratórias (bronquite), pulmões (pneumonia, bronquiectasias, tosse renitente),
atuando ao mesmo tempo como redutor de secreções e dissolvente de congestões, nos
processos infecciosos de rins e pélvis renal (pielonefrite, pielite, cistite) e no catarro
gastrintestinal infeccioso, assim como em infestações por lombrigas (incluindo os
ancilóstomos). Para a tosse renitente prepara-se uma infusão de uma colher grande de folhas
numa xícara de água. Adoçada com mel e tomando-se à razão de uma colher grande cada
quarto de hora produz rapidamente um grande alívio.
Exteriormente se emprega em água para enxaguar a boca e em pasta dentifrícia.
Emprego Como Condimento -- O tomilho de cultivo emprega-se, tanto fresco como seco,
para guisados, vegetais crus, saladas e molhos. Devido, porém, ao seu forte sabor a
especiaria só é utilizada em pequenas quantidades, por exemplo no guisado de favas, em
sopas de ervilhas e de batatas, manteiga vegetal, de preferência com muita salsa.

Preparação e Conservação de Condimentos

Normas Gerais -- A maioria das ervas e verduras silvestres utilizadas como condimentos
conservam-se em seco. Já demos normas completas para a sua colheita e conservação,

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

quando tratamos de cada uma delas. A maioria das ervas podem secar-se muito bem,
conservando a sua força como condimentos, que às vezes até aumenta depois da secagem.
As plantas que vão agora ser mencionadas não servem para serem conservadas a seco ou
então suportam-no muito mal e só perdendo muito da sua força como
203
condimentos, pelo que têm de ser consumidas, frescas, na medida do possível: alho de urso,
borragem, agrião, alho-porro e alho.
Todas estas ervas se conservam em lugares sombrios e ventilados (quase sempre sótãos),
bem pendurados aos molhos ou em simples camadas estendidas no chão, e postas a secar
em cima de folhas de papel. Os raios solares, durante o processo da secagem, descoloram as
plantas e diminuem o aroma. Depois de uma secagem perfeita, trituram-se, pulverizam-se ou
maceram-se as ervas que depois se conservam em recipientes metálicos ou de porcelana
hermeticamente fechados, formando determinadas misturas. Os molhos de ervas de grande
tamanho podem envolver-se num saco limpo e dependurar-se num lugar seco e arejado.
Salgadura -- Mediante a salgadura podemos conservar ervas frescas. As folhas ou raízes
frescas picam-se, cortando-as o mais possível, não sobre uma tábua mas numa superfície de
porcelana ou numa lousa. As ervas picadas misturam-se depois com sal (para 1 quilo de
ervas, 150 g de sal), apertam-se fortemente em frascos de vidro ou de barro e recobrem-se
com uma camada de sal. Fecham-se os recipientes com celofane ou papel-manteiga e
colocam-se em lugares frescos e secos. Assim é possível ter ervas frescas, salgadas, como
condimentos para saladas. Não é preciso deitar sal nos alimentos quando se cozinham, para
não lhes prejudicar o sabor.
É de recomendar não pôr de conserva todas as folhas e raízes num recipiente, mas só as mais
importantes, ou separadamente ou com determinadas misturas; por exemplo, um recipiente
com folhas para saladas, como borragem, erva-doce, endro, estragão, agrião, manjericão e
erva-cidreira, e outro com ervas para sopa, como salsa, manjerona, tomilho, folhas de aipo,
segurelha, e um terceiro com raízes, como cenouras, aipo, raízes de salsa, etc. Há, ainda,
muitas outras combinações que a dona de casa pode experimentar, conforme o seu gosto, até
chegar a dominar a arte puramente pessoal dos condimentos.
Esterilização -- Mediante o processo de esterilização podem conservar-se verduras silvestres
e sucos de ervas. As primeiras esterilizam-se exatamente como os espinafres e outras
verduras. As ervas passam-se por um espremedor de sucos ou, no caso de se não dispor
deste, passam-se várias vezes pela máquina de carne, filtrando o suco através de um pano. É
claro que é melhor e mais rápido com uma centrifugadora elétrica. Uma vez clarificado o suco
pela filtração, enchem-se cuidadosamente garrafas e frascos que se fecham pela forma mais
corrente, e esterilizam-se como os sucos de fruta (num mínimo de vinte minutos a 800). Como
nestes casos se trata de um suco extremamente concentrado, só deve
204
empregar-se como condimento lavadas, escorridas e molhadas durante o inverno com um
conta gotas.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 4

Conserva em Azeite -- E possível conseguir a conserva de ervas também em azeite. Para


isso são bons todos os condimentos de folha e raiz, separadamente, em determinadas
misturas. As ervas, depois de bem lavadas e escorridas, picam-se e colocam-se soltas em
garrafas pequenas ou frascos. Deita-se-lhes depois azeite puro até que as ervas fiquem
ensopadas e recobertas. As garrafas fecham-se com rolhas de cortiça, celofane e cápsulas de
borracha.
Escarcha (conserva em açúcar) -- As flores da perfumada violeta, tal como as da borragem,
podem escarchar-se. As flores são numa solução de açúcar quente; põem-se a secar depois
num papel poroso ou num prato de louça.
Envasadura -- Podemos ter sempre em casa um reduzido número de plantas para
condimentos se as plantarmos em vasos (envasadura) e as deixarmos desenvolver-se num
local iluminado e quente, junto da janela.
Conserva em mel -- A conserva de frutas frescas em mel ou xarope de açúcar concentrado é
um dos métodos de conserva mais antigos, e mais saborosos. Deve fazer-se maior uso deste
método simples e biologicamente perfeito para a conservação de bagas e de frutos de caroço.
205

Fim do Capítulo 4 de A Cura e a Saúde Pelos Alimentos

versão eletrônica pelo Projeto Periferia


railtong@gmail.com
Travessa do Anfiguri 47, São Miguel Pta., São Paulo-SP, BR-08050-570

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 5

ERNST SCHNEIDER

A CURA E A SAÚDE
PELOS ALIMENTOS
versão eletrônica pelo Projeto Periferia

Capítulo 1 - As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua Compensação Natural


Capítulo 2 - Frutos
Capítulo 3 - Legumes e Verduras
Capítulo 4 - Condimentos
Capítulo 5 - Alimentos Fornecedores de Energia
Capítulo 6 - Alimentos de Origem Animal
Capítulo 7 - Regimes Depurativos
Capítulo 8 - Doenças do Sistema Circulatório
Capítulo 9 - Doenças do Aparelho Digestivo
Capítulo 10 - Doenças do Metabolismo
Capítulo 11 - Doenças da Pele
Capítulo 12 - Doenças do Sistema Nervoso
Capítulo 13 - Tuberculose
Capítulo 14 - A Alimentação na Gravidez
Capítulo 15 - A Alimentação na Criança Moderna
Capítulo 16 - O Câncer
Capítulo 17 - Comentário Final
Capítulo 18 - Normas Fundamentais Para a Preparação de um Regime Sadio
Capítulo 19 - Receitas Culinárias

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 5

Alimentos Fornecedores de Energia

Capítulo 5
Temos de pensar que tudo quanto a terra produz para alimentação o
Criador nos oferece na sua forma mais pura; e quem mais se esforçar
para que permaneça inalterável obterá o máximo benefício.
Sebastião Kneipp

1. Os Cereais Integrais, Base Fundamental da Alimentação


Os grãos de cereais, alimento universal -- Os cereais têm constituído em todos os povos
civilizados e em todos os tempos a base da alimentação, embora o aproveitamento e o
emprego de cada espécie cereal, ao longo da História, se tenha visto submetido a freqüentes
mudanças. A mesma variação tem tido e ainda hoje continua a ter o método de preparação
dos grãos.
A maior parte deles e os mais importantes pertencem à família das Gramíneas, como, por
exemplo, as duas variedades mais seletas de cereais panificáveis, o centeio (Secale cereale) e
o trigo (Triticum vulgare) e, além disso, a cevada (Hordeum distichum), a aveia (Avena sativa),
o milho-miúdo (Panicum miliaceum) e o milho grosso ou vulgar (Zea mays). Como cereal
também figura o arroz (Oryza sativa). De pequena importância para nós, mas muito importante
para as tribos africanas, é o sorgo (AndroPogon arundinaceus) relacionado com o milho-miúdo
e o painço (Pannisetum spicatum). O sagu (farinha do sagüeiro) não desempenha nenhum
papel na nossa alimentação. Obtém-se da medula do tronco de diversas palmeiras, ao passo
que a tapioca se retira da raiz da mandioca. O trigo sarraceno (Fagopyrum esculentum),
cultivado em solos arenosos e pobres, não pertence às Gramíneas, mas à família das
Poligonáceas.
No essencial são, pois, poucas as plantas de que o homem dispõe de há séculos para a
preparação de farinhas, massas, pão e outros alimentos semelhantes. As mais importantes
espalharam-se por todos os países com clima apropriado. Mas nem sempre foi assim.
O centeio procede de uma espécie que ainda cresce no estado silvestres na Ásia Central
(Secale montanum). Considera-se a Rússia Meridional como país originário' do cultivo do
centeio, espalhado hoje pela Europa até 690 de latitude norte e até 1.900 m de altitude nos
Alpes.
A forma silvestre originária do trigo é-nos desconhecida. O cultivo de grande número de

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 5

variedades de trigo é, contudo, muito antigo, como o provam numerosas descobertas


arqueológicas. Os chineses e os egípcios já consumiam trigo no terceiro milênio antes de
Cristo.
Encontra-se hoje no Cáucaso, Pérsia e Palestina a cevada silvestre (Hordeum spontaneum),
da qual procedem todas as variedades de cevada de cultivo. Também é esta muito antiga e já
se encontrava no antigo Egito. Nas regiões indogermânicas considera-se o mais antigo cereal
panificável. Este cereal, muito resistente, estende-se até 700 de latitude norte e atinge nos
Alpes a altitude de 2.000 metros.

208
A aveia, procedente provavelmente da sua variedade silvestre, cultivou-se primeiramente na
Ásia Menor ou Central. A zona de cultivo chega aos 700 de latitude norte e nos Alpes até
1.600 metros de altitude.
O milho-miúdo era considerado na Idade Média um alimento popular bastante apreciado.
Cita-se a índia como seu lugar de origem.
O arroz cresce melhor nas margens pantanosas dos rios ou em terrenos temporariamente
inundados mediante regas artificiais.
Para os países tropicais constitui o arroz o cereal insubstituível para o próprio consumo e
exportação. As fábricas descascam e pulem o arroz, privando-o assim de valores alimentares
essenciais, como sejam importantes minerais e vitaminas.
Formas e Preparação: Massas, Tortas, Pão -- Há uns dois mil anos que o pão foi
substituindo as massas e as tortas paulatinamente, o que forçosamente trouxe consigo maior
prestígio para os cereais que por natureza eram especialmente panificáveis, como
o trigo e o centeio. Sempre que a farinha panificável se elabore com grão integral e seja cozida
neste estado, o pão torna-se um valioso alimento natural. Mas com o constante aumento da
técnica e do progresso da moagem chegou-se ao desperdício de vários elementos essenciais
do grão de cereal, visto não servirem para a elaboração do pão, mas só para a preparação de
rações para animais. Trata-se do germe e da casca do grão, componentes estes que hoje
sabemos conterem valiosos fatores alimentares. A moagem levou a uma farinha mais fina e
branca, mais fácil de conservar e com determinados acréscimos para a cocção homogênea,
que também agradam pela sua apresentação e sabor ao paladar estragado de numerosos
consumidores; devemos, porém, salientar que isto produziu grandes prejuízos na sã
alimentação.
No grão apresentam-se todas as substâncias alimentares numa combinação que nos permitiria
mantermo-nos, durante muito tempo, sempre que o pão confeccionado com ele não fique
desnaturalizado, mas sim integral. O camponês não tem razão para se queixar neste ponto.
Desde tempos remotos que possui um conhecimento natural da alimentação que o conserva
saudável.
Pão Integral -- Já de há anos a esta parte que os mais conhecidos especialistas de nutrição
defendem o consumo do pão integral, visto as suas vantagens pe-

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 5

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rante o pão branco serem muito maiores do que geralmente se supõe.


1 . As proteínas do pão integral são biologicamente muito mais valiosas do que as do pão fino
ou médio, incompleto e pobre. Tanto as proteínas de germe como as de glúten são muito bem
assimiladas pelo homem.
2. O pão integral é a fonte mais importante de vitamina B e ocupa o primeiro lugar alimentar.
Com um consumo diário de aproximadamente 250 g fica coberta, de maneira geral, a
quantidade necessária dessa vitamina, o que também economicamente tem a sua importância.
3. O pão de grão integral regula a atividade intestinal, por causa do seu elevado teor em
celulose, e combate a prisão de ventre.
4. As enfermindades dentárias, cada vez mais espalhadas, e que se notam de maneira
assustadora entre os jovens, não só são combatidas pelo consumo do pão integral, como
também com esse consumo podem ser evitadas logo de princípio.
O consumo do pão integral colabora essencialmente na luta contra a degeneração lenta e a
decadência prematura do nosso organismo.
Portanto não são apenas as vitaminas as responsáveis pela conservação da saúde, mas
podemos concluir dos estudos sobre nutrição nas últimas décadas que os componentes do
grupo de vitamina 13, que obtemos sobretudo do pão, contam entre os elementos essenciais
da alimentação humana. Não basta tomar a vitamina em comprimidos, porque os elementos
naturais, além dos componentes ativos que conhecemos, contêm outros muitos ainda por
descrever. Quando chegamos a averiguar o que de essencial representa a vitamina B1, fator
isolado pertencente ao grupo de vitaminas B, para o bom estado do sistema nervoso, o apetite
normal, a perfeita digestão, o funcionamento regular do coração e o bem-estar geral, podemos
apreciar facilmente os prejuízos a que o corpo se expõe quando sofre uma prolongada
insuficiência de elementos vitais do complexo vitamínico B. Mas disto seremos nós os
culpados, por empregarmos exclusivamente na nossa alimentação a farinha e o pão branco.
Como a exigência do consumo predominante do pão integral apresenta para muita gente uma
série de dificuldades, como sejam a mastigação defeituosa por doenças dos dentes, das
gengivas, do estômago e intestinos, é preciso modificar tal exigência nestes casos,
complementando a alimentação pobre quase sempre numa série de fatores essenciais para a
boa saúde, mediante o consumo de gérmen de trigo.
Gérmen de Trigo -- Obtém-se o gérmen de trigo, como produto natural inalterado, mediante a
moedura do trigo puro. Os gérmens de trigo do comércio são quase sempre gérmens de trigo
puros especialmente preparados,

210

mas nos quais praticamente se conserva sem alterar a sua composição natural.
Os gérmens de trigo são minúsculos depósitos naturais de vitaminas, com elevado teor nas do

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grupo B e na vitamina E (a-tocoferol). Contém também vitamina K, provitamina A e D, a


substância ativa cutânea F e a vitamina B12, antianêmica, assim como aminoácidos biológicos
de grande valor, ácidos gordurosos não saturados, minerais em combinação orgânica de
absorção fácil, entre os quais fosfato a 50 %, além de magnésio, manganês, cobalto e cobre,
como oligoelementos.
Análise: como componentes nutritivos, figuram: 30% de proteínas, 9 % de óleo de gérmen,
38% de amido e açúcar e 5,5% de minerais. Quanto a elementos ativos, em concentração
excepcionalmente elevada, provou-se a existência de vitamina B1 (aneurina), 1,6 mg%;
vitamina B2 (lactoflavina), 0,7 mg%; amida do ácido nicotínico, 4,4 mg%; vitamina E
(tocoferol), 45,5 mg %. Também estão presentes outras matérias ativas, como vitamina B6
(adermina), vitamina H (biotina), vitamina H' (ácido paraminobenzóico), ácido fólico (ácido
pantotênico) e numerosas enzimas e auxonas.
Sem nos determos a analisar mais minuciosamente os elementos ativos enumerados, fica
suficientemente claro, pelo que se disse até aqui, que não podemos prescindir em nenhum
caso do gérmen de trigo na nossa alimentação diária, se quisermos evitar lesões e manter-nos
saudáveis.
0 Gérmen de Trigo na Alimentação Infantil -- De todas as papas infantis deve fazer parte a
valiosíssima substância do gérmen, para se conseguir um crescimento e um desenvolvimento
normais e naturais. Os gérmens de trigo. fazem chegar ao organismo em pleno
desenvolvimento elementos nutritivos e vitais, protegendo-o contra a doença.
0 Gérmen de Trigo no Diabetes -- O Prof. Stepp, conhecido investigador alemão das
vitaminas, considera eficaz o emprego da vitamina B1 nos diabéticos, por produzir 'efeitos
semelhantes aos da insulina. Não pode, decerto, substituir a insulina; mas é provável que
facilite em alto grau o acesso da insulina às células orgânicas. Também a vitamina E exerce o
efeito de reduzir a quantidade de açúcar no sangue, como se demonstrou experimentalmente,
embora ainda não esteja totalmente explicado o mecanismo de ação. Como os gérmens de
trigo constituem uma combinação na-

211

tural destas matérias ativas, o seu valor dietético para a diabetes é extraordinário. Com um
consumo diário de quatro a cinco colheres cheias de gérmens de trigo, reduz-se nitidamente o
excesso de açúcar presente no sangue e na urina. Por conseguinte, o gérmen de trigo atua no
diabetes leve e média como complemento medicinal, poupando a insulina e normalizando o
metabolismo dos diabéticos
A Mistura de Cereais é Mais Valiosa que o Pão -- Desde há algum tempo até agora que se
está lembrando o valor da mistura de cereal, por se haver provado que as populações
consumidoras de pão sofrem de mais cáries dentárias do que as que têm como base da sua
alimentação a mistura de cereal. É assombroso verificar que já por si a maioria dos seres
humanos preferem a mistura.
A mistura que geralmente se prepara com leite, tem a valiosíssima característica de
compensar a insuficiência dos cereais em cálcio e vitamina A e C. O máximo valor nutritivo é

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alcançado sem dúvida por uma mistura de grãos, porque assim se completam com os seus
efeitos todas as distintas variedades de cereais. Além disso, não só se completa assim a
proteína cereal, como também se sanará a falta de alguns elementos fundamentais da
proteína (os aminoácidos: triptófano, cistina e lisina) em cada um dos cereais separadamente.
Para a preparação da mistura utilizam-se especialmente cereais pouco ou nunca empregados
para a elaboração do pão, isto é, a escândea, a cevada, a aveia, o milho-miúdo, o milho
vulgar, o arroz e o trigo sarraceno.
Não deve pôr-se de parte o bom hábito, ainda praticado especialmente pelas famílias que têm
muitos filhos, de consumir no desjejum um prato de espessa mistura de cereais, nem
substituí-lo pelo consumo de chá ou de café com pão branco e doce.
Utilização das Misturas de Cereais -- Mistura fresca de cereais (desjejum
Kollath).Tomam-se, por pessoa, uns 50 g de trigo triturado fresco (3 colheres de sopa), 5
colheres de sopa de água, 15 g de frutos secos doces, 100 g de maçã ou de outra fruta
madura fresca, 10 g de amêndoas frescas moídas ou uma colher pequena de doce de noz ou
uma colher de sopa de nata.
Mói-se o trigo em flocos, todas as tardes, com um moinho de cereais ou de café; dissolve-se
em 5 colheres grandes de água e deixa-se repousar durante a noite (à temperatura da casa).
Ao mes-

212

mo tempo põem-se de molho as frutas secas.


Preparação: de manhã, misturam-se os frutos secos com a água do remolho e à massa de
cereal acrescenta-se à vontade um pouco de suco de limão, doce de noz ou nata.
Imediatamente antes do desjejum, rala-se com um ralador de aço cromado uma maçã (com
casca) e mistura-se com o anterior. A maçã não deve tornar-se escura; terminado o prato,
deve apresentar uma cor branca, conservar o aroma e não ressumar líquido aquoso. Em vez
da maçã, podem empregar-se, segundo a estação, outras espécies de frutos, especialmente
de bagas. Sobre o prato terminado, polvilham-se dez gramas de amêndoas raladas. Quem
tiver pressa e não dispuser de tempo para completar a massa de cereal com fruta, pode
diluí-la em coalhada, acrescentando um pouco de mel.
Come-se a massa fresca sem aquecer com o primeiro prato do desjejum, mastigando-a bem
para que os elementos naturais cheguem ao estômago vazio e desenvolvam plenamente a
sua atividade. Pode prosseguir a refeição com o consumo de bebidas quentes conforme o
gosto de cada um, sendo preferível depois de uma ou duas horas. O grão moído perde grande
parte dos seus elementos ativos dentro de oito a catorze dias, e ao cabo de alguns meses de
armazenagem em nada se distingue da mercadoria usual.
Por isso, deve preparar-se fresco e não se conservar mais de oito dias.
Preparação de Grãos Germinados -- O Dr. Evers emprega os grãos germinados no seu
regime dietético. Para a preparação propõe a seguinte receita: os grãos de trigo e de centeio

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limpos, da última colheita, misturam-se em partes iguais, e de noite recobrem-se de água em


pequenas taças de sobremesa ou recipientes análogos. Na manhã seguinte, escorre-se a
água completamente e deixam-se repousar os grãos sem água durante todo o dia para voltar a
recobri-los de água durante a noite, repetindo assim a operação até que o gérmen fique
claramente visível, isto é, até que este adquira um comprimento aproximado de 1,2 cm, mas
sem prolongar o processo até que os gérmens atinjam o seu comprimento total, porque então
não têm sabor. O melhor é expor os grãos à temperatura de 12 a 180, cobrindo-os com uma
musselina grossa ou qualquer outro tecido análogo. Mediante este processo, os grãos
tornam-se mais moles, de modo que se mastigam melhor.
0 processo de germinação vem a durar de três a cinco dias. De manhã e à tarde (e
eventualmente ao meio-dia, durante o verão) colocam-se os grãos numa peneira e lavam-se
insistentemente com água fresca, repetidas vezes, para eliminar os gérmens da fermentação e
acidificação, a fim de não lhes prejudicar o bom sabor. De manhã, depois da lavagem, põem-

213
se os grãos a escorrer. Como o trigo germina lentamente, é conveniente começar a prepará-lo
vinte e quatro horas antes que o centeio. Deixam-se os grãos num aposento quente (de
temperatura superior a 200 C); germinam passados dois dias, mas ainda não estão bastante
moles. Se, pelo contrário, os grãos ficarem num aposento cuja temperatura seja inferior a 120,
então só germinam passados sete ou dez dias, ou não o fazem em absoluto, e mesmo depois
da lavagem ainda ficam com um tal sabor amargo que não se podem comer. Mas isto é coisa
que cada pessoa deve experimentar por si mesma. Quando os grãos germinam muito
lentamente (isto é, quando demoram três ou quatro dias), deve-se deixá-los menos tempo na
água e mais tempo a secar; quer dizer, cobrem-se com água até às onze horas da noite,
escorrendo depois a água até às seis horas da manhã. Se, pelo contrário, os grãos não
amolecerem o suficiente, devem ser deixados mais tempo na água e menos tempo a secar.
Deve proceder-se com a maior limpeza. Os grãos têm de preparar-se tão cuidadosamente
como uma boa refeição. Em todo o caso, os grãos germinados devem apresentar as três
características seguintes: ter bom sabor, ter como média um gérmem de 1/2 cm, e ser tão
moles que se possam esmagar facilmente com os dedos. Se, apesar de tudo, os grãos
conservarem um sabor ácido, não é de aconselhar o seu consumo.
Podem comer-se os grãos germinados sem aditamento, mas também se pode, pouco antes de
serem comidos, acrescentar-lhes flocos de aveia, um pouco de leite e aquecer em
banho-maria, até 370 (mas nunca mais que esta temperatura). Muita gente come com prazer
mel ou passas com os grãos, o que só lhes melhora o sabor.
Os canadenses recomendam para o seu regime de cinco dias de verduras o simples aumento
do invólucro exterior úmido, em lugar de serem descascadas. As ervilhas secas, a alfarroba,
as favas e os grãos de trigo dão, segundo informam, os melhores resultados e a maior
satisfação. As ervilhas devem germinar em dez dias e os outros grãos oferecem os gérmens e
os rebentos mais saborosos, no prazo de quatro ou cinco dias.
Os rebentos das ervilhas servem para uma saborosa salada crua, e o trigo germinado,
misturado com flocos de aveia, dá um excelente purê de aveia. As ervilhas secas, quando

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germinam, atingem 2,5 cm de comprimento, e o volume duplica, o que significa que para o
consumo da mesa e satisfação do apetite, em comparação com as ervilhas ensopadas e
cozidas, implicam aproximadamente o dobro, podendo servir também para uma excelente
salada com gérmens muito desenvolvidos.
A seguinte prescrição do Dr. Kollath (segundo o Dr. Will Kraft) era: «Sobre um grande prato
fun-
214
do estendem-se numa camada fina os grãos com uma quantidade dupla de água a uma
ternperatura fresca de menos de 15o. Depois de 36 horas escorre-se a água, mediante um
processo de prensa. À temperatura de 17o deixam-se germinar os grãos bem arejados,
durante quatro ou cinco dias, pois que no fim deste tempo é que adquirem o seu melhor
sabor.»
Na medida do possível, estes cereais germinados devem ser consumidos crus, sem nenhum
aditamento ou com mel, geléias, ervas frescas ou como melhor nos agradar. Os grãos
amolecidos esmagam-se com um cilindro para serem aproveitados.
Valor Terapêutico dos óleos de Gérmen -- Os óleos de consumo corrente, de cor clara e
sabor absolutamente normal, sob o ponto de vista da nutrição natural são alimentos
desvalorizados, pois já passaram por uma série de processos químicos que lhes fizeram
perder a sua eficácia natural de proteção. Estes óleos só chegam ao comércio depois de
haverem sido desacidulados, desaromatizados e neutralizados. Ficam, portanto, privados das
suas características naturais sob o ponto de vista alimentar, convertendo-se em simples fontes
de calorias. Os óleos de gérmen de cereal não só são portadores de calorias como também de
ácidos gordurosos de grande eficácia biológica.
Os óleos de gérmens de cereais possuem, portanto, ainda mais que o gérmen de trigo
propriamente dito, as características de um remédio medicinal, pois contêm na máxima
concentração possível uma série de elementos ativos. Por motivos de saúde pública, deviam a
agricultura, a indústria alimentar e o comércio ocupar-se dos óleos de gérmens de cereais com
maior intensidade do que até agora e pô-los à disposição dos consumidores.
Na dietética introduziu-se este óleo há muito tempo, e também desempenha um papel
importante como medicamento pelo seu elevado teor em vitamina E e fator pantotênico, tão
eficazes para a pele.

O teor do óleo de gérmen de trigo em provitamina A (carotinóides) dá-lhe a capacidade de


atuar decisivamente contra os sintomas de insuficiência em vitamina A que é fácil de se
apresentar, dado o tipo normal da alimentação na atualidade.
A quantidade de vitamina K presente no óleo de gérmen de trigo é relativamente pequena mas
é bastante como elemento defensivo, tanto mais que podemos alimenticiamente completá-la
com tomates, repolho e couve-flor, para a sua formação no intestino são mediante
colibactérias, mesmo quando faltar nas comidas normais.
A necessidade de subministrar ácido pantotênico, muito abundante no óleo de gérmen, não foi

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reconhecida para o organismo humano durante muito tempo. Hoje, precisamente, é co-
215
nhecido o óleo de gérmen de cereal como parte essencial da alimentação, devido à presença
desse elemento ativo no que se refere a uma série de enfermidades da pele, como secura,
escamas, caspa, calvície, manchas, eczemas alérgicos e ame. Na aplicação externa é próprio
para o tratamento de feridas, já que os elementos nutritivos da pele, como as vitaminas A e D,
colesterina, lecitina e o ácido pantotênico, estimulam os processos regenerativos cutâneos e
subcutâneos, sendo perfeitamente absorvidos pela pele, embora se trate de elementos
lipossolúveis.
Pergunta-se muitas vezes se o óleo de gérmen de cereal provoca o câncer. Depois de
rigorosas experiências chegou-se à conclusão de que é um óleo absolutamente inócuo e que,
em todos os casos, produz um efeito inibidor no desenvolvimento do câncer do alcatrão
provocado artificialmente.
Os gérmens do cereal e os seus óleos são, portanto, um impressionante exemplo de quão
intimamente relacionados se encontram nos nossos alimentos os efeitos preventivos e
curativos.

Milho

Da família das Gramíneas, o milho é o cereal das zonas tropicais e subtropicais. O que é o
trigo para os países de clima frio, é o milho para a população brasileira das zonas rurais.
O milho é apreciado na forma de broa, angu ou polenta, canjica ou munguzá, cuscus,
canjiquinha ou quirera, pão, farinha de milho, pamonha, etc.

Existem muitas espécies de variedades de milho. Nesta obra, no entanto, não vamos
mencioná-las. Apenas queremos dizer que o milho se presta para muitas finalidades, além das
mencionadas acima. Segundo Frederico Moreira, em Medicina o que se utiliza do milho são os
estigmas. Este cereal contém, na sua barba ou estigma, sais de cálcio e de potassa, glúcide,
estereoma e ceras que o tornam diurético e colagogo. «O grão contém» -- segundo o mesmo
autor, -- «glúcides, prótidos, reína e lípidos. (...) Do milho se faz um xarope muito suavizante
nos casos de defluxo e rouquidão. Prepara-se da seguinte maneira: cozinhar três ou quatro
porções de grãos de milho em dois litros de água, até reduzi-la à metade, mexendo com um
colher de pau. Deixar esfriar, depois amassar e passar numa peneira fina. Põe-se de novo ao
fogo, brando, adicionando-se 750 g de açúcar, em panela de cobre, e deixa-se engrossar até à
consistência de xa-
216
rope.» -- As Plantas que Curam, pág. 219.
Em Arquivos Brasileiros de Nutrição, Tomo 8, no. 1, jan.-fev. de 1951, lemos o seguinte:
«Considerando que o milho constitui o alimento de base de vários grupos humanos, os autores

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 5

recomendam o uso de dietas mistas, compostas de milho e de leite desnatado em pó, ambos
alimentos de custo pouco elevado, como um meio ideal de suprir as necessidades de
proteínas do organismo, fornecendo-lhe os aminoácidos indispensáveis aos processos da
nutrição.»

Óleo de Linho

O linho (Linum, usitatissimum) é uma planta de antiqüíssima cultura, que já era cultivada na
velha Babilônia. Também nas sepulturas egípcias se têm encontrado sementes de linho.
Parece que os egípcios não só aproveitavam a planta por causa das sementes ricas em óleo,
como também chegaram a descobrir a confecção de fibras e de tecidos de linho, atingindo
uma grande perfeição.
Composição -- O óleo de linho (Oleum lini), obtido das sementes por compressão a frio,
contém os glicéridos sólidos e fluidos dos ácidos palmítico, esteárico, mirístico, araquidônico,
oléico, linólico, linoléico e isolinoléico, além de cera, resina, sal e compostos protéicos; possui
numerosos efeitos curativos.
Efeitos Terapêuticos -- O óleo gorduroso combinado com a mucilagem das sementes
trituradas converte-as num meio de normalização intestinal. O linho triturado atua como
estimulante das paredes intestinais e pela sua influência sobre a presença no intestino de
bactérias tóxicas na maioria dos seres humanos. Os processos de putrefação e fermentação
normalizam-se, o que se pode facilmente conhecer pelo desaparecimento do mau cheiro nas
deposições. Esta influência sobre as bactérias intestinais nunca será demais salientada.
Mediante o considerável aumento na aplicação da quimioterapêutica moderna (sulfamidas e os
mais modernos antibióticos), chega-se a uma ação tão forte e contrária à flora bacteriana
normal que, depois de vários dias de medicação, a deposição das fezes mostra nas análises
bacteriológicas carência absoluta de gérmens. Essa «esterilização» do intestino é de especial
importância para o organismo, pois todos sabemos que as bactérias intestinais normais estão
destinadas a exercer funções biológicas que ainda des-
217
conhecemos por completo, assim como a criação de importantes vitaminas. Até agora
conhecemos oito sínteses vitamínicas que se devem à atividade das bactérias intestinais.
A flora intestinal refaz-se mais rapidamente depois de um choque quimioterapêutico, mediante
o consumo regulador de sementes trituradas.
Aplicações e Formas de uso da Semente e da Farinha de Linho -- Numerosas experiências
práticas têm demonstrado o efeito antiespasmódico, analgésico e antiinflamatório do linho,
especialmente na forma de grãos recém-triturados. Em todos os estados catarrosos e
inflamações do aparelho gastrintestinal pode usar-se livremente. Colabora assim
extraordinariamente na cura da gastrite, duodenite, úlcera do estômago e do duodeno. Mas se
não se empregar o linho triturado absolutamente fresco, podem provocar-se irritações
prejudiciais nas mucosas, visto o óleo de linho produzido pela trituração se tornar depressa

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rançoso.
É de grande eficácia o emprego exterior do linho na forma de compressas e de cataplasmas
de pasta de linhaça por causa da sua grande capacidade para absorver calor nos casos de
inflamação, congestão hepática, assim como em todas as circunstâncias em que se indique o
calor intenso. Dispõe-se a pasta em envolturas, apósitos ou pensos, mexendo a mistura até
formar uma pasta espessa, que se aplicará imediatamente.
O linho é produto farmacêutico, isto é, entra nas existências obrigatórias das farmácias; faz
parte das «ervas emolientes misturadas» (Species emollientes) que contêm, em proporções
iguais, folhas de malvaísco e malva, meliloto (trevo de cheiro), tília e linho.
As sementes de linho frescas podem também obter-se com facilidade nos ervanários e nas
drogarias.
Aplicações do óleo de Linho -- Algumas palavras em especial merece o óleo de linho.
Espremido a frio e sem refinar é um alimento e um remédio de primeira ordem. Como alimento
não só tem elevado valor calórico, como também é muito rico em vitaminas; por outro lado, é
muito interessante o seu teor em ácidos gordurosos não saturados que desempenham
sobretudo um papel de destaque no metabolismo, e que nos últimos anos, sob o nome de
vitamina F, têm obtido grande importância como remédio de uma série de doenças da pele,
como eczemas, furúnculos, varizes e crosta láctea (eczema do lactente).
Todos os dias vão tendo maior significado os óleos espremidos a frio e sem refinar, entre eles
o de linho, para o tratamento dietético de doenças ulcerosas. Os ácidos gordurosos não
saturados que contêm estes óleos dificultam a multiplicação das células cancerosas.
218
Os regimes de óleo nos cálculos biliares fazem-se perfeitamente com óleo de linho, visto ser
mais fácil de digerir do que o azeite. Para isso, tomam-se até 50 gramas. No caso de cólicas
hepáticas a dose, duas ou três vezes por dia, é a de uma colher de sopa.

2. Batatas
Os tubérculos de batatas armazenados não são de modo algum tecidos mortos. Pelo contrário,
o componente principal, a fécula, vai-se transformando, parcial e continuamente, em açúcar na
obscuridade do recinto fechado. Este processo de respiração só se detém nas batatas geladas
por falta de transformação do açúcar, o que dá então à batata um sabor doce A diminuição das
perdas pela geladura, podridão, germimição, ou outras causas, consegue-se depositando as
batatas selecionadas em tabuleiros de fasquia de madeira, num sótão seco, escuro e fresco.
Composição -- A fécula de baia i a é o principal componente deste nutritivo tubérculo, porque
100 g de batata contêm, em média, 21 g de amido (fécula).
O elevado teor de fécula foi o motivo principal do considerável aproveitamento da batata na
alimentação humana e animal normal.
Além da fécula, mostraram a sua grande importância para a alimentação muitos outros dos

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seus elementos componentes. Tais são, antes de mais nada o considerável teor em proteínas
completas e de alto valor biológico, uma grande riqueza em substâncias minerais e a presença
de importantes vitaminas, às quais a batata deve o seu notável significado na alimentação.
Não é, pois, de estranhar que a batata tenha sido estudada cientificamente com toda a
minúcia.
Também a indústria dedicada à batata estuda o fabrico de fécula, a secagem, a elaboração de
álcool e a obtenção de proteínas. Assim, a batata, que foi desprezada na época da sua
introdução na Europa, é hoje o núcleo de uma verdadeira ciência dedicada ao seu estudo.
O quadro seguinte contém as mais importantes cifras analíticas sobre a batata, em
comparação com o tupinambo, também chamado girassol batateiro.
100 gramas de substancias frescas contêm em gramas:
219
Batata Tupinambo

Proteína ............................................. 1,5 -- 2


1,8 -- 2,5
Gordura ............................................. 0,2
0,08 -- 0,3
Fécula (hidrocarbonatos) ................ 16,4
10 -- 22
Matérias minerais............................. 1 -- 1,8
0,5 -- 1,5
Água................................................... 79,1
73 -- 79,7

Estes valores apenas nos dão uma pálida idéia do significado da batata como meio alimentar e
curativo.
A idéia torna-se mais viva quando se consideram as matérias minerais. Se queimarmos até ao
fim 100 g de batatas, fica aproximadamente apenas 1 grama de cinzas. Como na combustão
se destroem os compostos orgânicos, não se pode provar até que ponto se apresentam os
minerais como sais livres, formando compostos com as proteínas. Também não devemos
esquecer que o teor em minerais, sobretudo num alimento vegetal, apresenta grandes
variações, conforme as características do clima ou do solo. Modifica-o sobretudo
consideravelmente o adubo empregado. De qualquer modo é sempre notabilíssimo o elevado
teor das batatas em potássio; as cinzas contêm até 3/5 de potássio. Um teor
consideravelmente maior de potássio fará supor a presença de adubo potássico. A prova de
que os tipos propensos ao câncer são mais ricos em potássio do que os resistentes a essas
enfermidades, faz pensar contra o adubo potássico. A este propósito devemos recordar que ao
magnésio se deve uma certa resistência à formação do câncer. O teor de cálcio encontrado
nos tipos mais resistentes ao câncer foi uniforme, com um valor entre 2,12 e 2,48 %, e nos
tipos propensos ao câncer, muito variável entre 1,55 e 3,24%. Daqui se pode concluir que o
magnésio tem um grande significado para a prevenção do câncer no homem.
Nas batatas também se encontrou ferro, alumínio, níquel, cobalto e zinco, sobre cujo
significado não se pode dizer muita coisa por enquanto. Estas matérias são, seguramente, de
tanta importância como o teor permanente de magnésio.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 5

Para completar o estudo e facilitar ao leitor o conhecimento minucioso dos valores contidos
nas cinzas, damos a lista dos minerais correntes da batata com-
220
parados com os dos tupinambos:

Teor de 100 gramas de substância fresca:


Batatas Tupinambos
Salcomum(NaCI) ........................ 82 74
óxido de potássio (K2 O) .......... 667 554
óxido de sódio (Na2 O) ............. 27 123
óxido de cálcio (CAO) ............... 22 038
Magnésio(MgO) .......................... 59 34
Óxido de ferro ............................. 2,5 43
Pentóxido de fósforo(P2O5) ..... 180 162
Trióxido de enxofre (SO3) ........ 287 57
Cloro(CI) ..................................... 50 45

Até agora encontraram-se na batata as seguintes vitaminas:

Caroteno(provitaminaA) ............ 28 -- 56
em 100 g
neurina (vitamina B i) .................. 80 -- 120
em 100 g
Lactoflavina (vitamina B2) ......... 40 -- 100
em 100 g
Nicotinamida (fator PP) .............. 0,5 -- 1 mg
em 100 g
Ácido ascórbico (vitamina C ..... 15 -- 30 mg
em 100 g
Adernina (B6) .............................. 25 unidades
em 100 g
Filoquinona (vitamina K) ............ vestígios

Perdas alimentares no processo de preparação -- Regra geral, as batatas descascadas sofrem


na preparação uma diminuição de valores muito maior do que as batatas com a casca. O
vapor causa menos perdas que a fervura, ao passo que no assado e na fritura se produzem
pequenas perdas. O método mais conveniente é o de submeter ao vapor as batatas sem as
descascar. Na confecção das batatas cozidas correntes, só no teor em vitamina C e em
minerais produz-se uma perda de 2 5 %. A perda em vitamina C depende também da duração
de aplicação do calor, devendo ter-se em conta que a destruição será tanto maior quanto mais
demorada for aquela aplicação. A maior perda é registrada por todos os preparados de batatas
quando voltam a ser aquecidas ou a conservar-se quentes. Assim, a sopa de batatas às
dezoito horas já não tem nenhuma vitamina C. Também é desfavorável o emprego de
recipientes de cobre mal estanhados ou esmaltados, ao passo que nos de alumínio se
registam menores perdas. De todas estas realidades a dona de casa deve aprender a seguinte
conclusão: as batatas com casca aquecidas ao vapor têm maior valor. Por isso,

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 5

221
é de aconselhar maior uso de batatas com casca.
Digestibilidade da Proteína da Batata -- Temos de saber alguma coisa acerca da albumina
da batata, que deve ser considerada de grande valor, pois possui um aproveitamento digestivo
de 90 %, que só é excedido pelo ovo da galinha. Segundo alguns investigadores, o valor
biológico da albumina da batata é superior à albumina da carne e do ovo da galinha. Também
o teor em albuminóides, dos que até agora se supunha que não se produziam no nosso
organismo, aumenta na batata (14 %) em quantidade superior ao teor de qualquer outra
planta. Isto quer dizer praticamente que se pode manter por muito tempo uma alimentação
equilibrada num regime de batatas e gorduras, supondo-se, evidentemente, que se preparem
de modo a ficarem apetecíveis.
Substâncias Tóxicas -- A questão da presença, na batata, de solanina, substância venenosa,
está hoje resolvida de maneira negativa; como a solanina se apresenta na batata não tem a
menor propriedade tóxica. Inclusive é uma valiosa parte componente que atua beneficamente
nos movimentos e secreções intestinais e no sabor. As quantidades de solanina normalmente
presentes na batata são totalmente inócuas. Só nas batatas frescas, sobretudo nas «verdes»,
é que se deve ter cuidado, pois possivelmente estas têm maior quantidade de solanina.
Aplicações Médicas da Batata -- Conta-se atualmente com o suco de batatas cruas para aliviar
a existência excessiva de sucos gástricos, e também com a sopa de batatas, como
complemento de papas de arroz e em determinados transtornos digestivos da primeira
infância.
Nas doenças circulatórias com tenazes acumulações edematosas em órgãos e tecidos, têm
dado bons resultados as dietas de batatas sozinhas como medida dietética. Toma-se, durante
três dias, um quilo de batatas, sem sal nem gorduras, distribuído em seis porções para todo o
dia. Se esta dieta se observa durante três dias seguidos, produz-se uma boa desidratação.
Nos dias de dieta de batata, deve-se repousar o mais possível. Não é estritamente obrigatório
ficar na cama; é tolerável fazer qualquer trabalho sentado por algumas horas. Pode repetir-se
a dieta de batatas mensalmente e, em casos de necessidade, depois de duas ou três
semanas. Segundo a experiência do Dr. Jagic obtiveram-se melhores resultados com a dieta
de batatas do que com as frutas, chá ou arroz.
Que o consumo da batata engorda é um preconceito infundado. A batata sozinha não favorece
a obesidade, salvo se forem consumidas em grande quantidade, como complemento de
alimentos ricos em albumina. Os escoceses são conhecidos como homens

222

bastantes magros e, contudo, as batatas constituem o seu principal alimento. Também o


alemão do Norte é mais afeiçoado às batatas do que o alemão do Sul, e não se pode dizer que
seja precisamente mais gordo e pesado de movimentos do que este.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 5

3. Levedura
Os antigos remédios medicinais voltam a ser descobertos de vez em quando. Assim
aconteceu com a levedura, que volta a ter grande popularidade.
O «Pai da Medicina», Hipócrates, já conhecia o emprego e o valor da levedura. Os monges
medievais empregavam-na contra as chagas, e nos tempos modernos é empregada na
«depuração do sangue» e na cura de furúnculos.
Composição -- Só a idade moderna, com os seus conhecimentos sobre o significado das
vitaminas e dos hormônios, tomou a levedura como objeto de investigação. Observou, com
assombro, que na levedura se encontrava um verdadeiro tesouro de matérias de grande
atividade biológica, como vitaminas (sobretudo do grupo B), valiosos aminoácidos, assim como
fatores de crescimento e matérias ativas, de combinação com os minerais correspondentes.
Uma visão geral mais exata sobre os elementos ativos na levedura dá a seguinte composição
para 100 g de levedura de cerveja:
Vitaminas e matérias vitamínicas mg Aminoácidos

Aneurina (tiamina), vitamina B1 8 15


Adermina (piridoxina), vitamina B6 3 10
Biotina (vitamina H) 3 7,5
Colina 2 1,2
Inosita 0,1 160
Lactoflavina (Vitamina B2) 80 8
Nicotinamida 3,5 80
Ácido pantotênico 30 25
Ácido pteroilglutâmico (ácido fólico) 12 0,13
Ácido p-aminobenzóico 0,005 0,55
0,003

223
Aminoácidos g

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 5

Arginina 4,3
Cistina 1,0
Histidina 2,8
Isoleucina 5,9
Leucina 7,4
Lisina 7,5
Metionina 2,7
Fenilalanina 8,1
Treonina 5,5
Triptófano 13
Tirosina 3,6
Valina 51,0

Durante a última guerra, sob pressão dos acontecimentos, aprendeu-se a aproveitar os


desperdícios de madeira para a obtenção de levedura, e abriu-se um caminho para chegar, de
modo simples, a extrair da madeira um rico alimento albuminóide que a princípio não pareceu
ser próprio para o consumo humano, por causa do seu desagradável sabor. Mas hoje já há
preparados de levedura de melhor sabor. A levedura seca obtida da madeira, pelo seu elevado
teor de albumina (10%), pela sua riqueza vitamínica e pelo seu total aproveitamento, constitui
uma excelente fonte auxiliar para a alimentação do povo alemão.
Poder Curativo da Levedura de Cerveja -- Tem-se estudado especialmente a influência da
levedura de cerveja no diabetes e reconheceu-se o seu efeito benéfico análogo ao da insulina.
Entre outras razões, parece basear-se no fato de dar maior proteção contra a putrefação da
albumina, estimulando a produção orgânica de insulina mediante a vitamina B. Por outro lado,
a lactoflavina (vitamina B2) é a encarregada de produzir o efeito semelhante ao da insulina, já
que as injeções intravenosas de lactoflavina reduzem nos diabéticos o nível do açúcar do
sangue.
Um elemento natural presente em elevada proporção na levedura é a biotina. É uma
substância de desenvolvimento, cuja falta na alimentação humana ocasiona uma excessiva
produção de sebo (Sabor), o que leva a pensar na sua relação com a pele e com os seus
órgãos secundários.
É interessante que a levedura seja o meio curativo da doença chamada «pelagra», que produz
sintomas no aparelho gastrintestinal, na pele, no sistema nervoso e também na mente. A
levedura é um meio curativo em vários tipos de doença, sobretudo no setor do metabolismo. É
útil no caso de perturbações intestinais, doenças e inflamações gastrintestinais, transtornos
hormonais, doenças cardíacas e circulatórias, doenças de crescimento e desenvolvimento,
diabetes, obesidade, insuficiências de vitaminas, especialmente na gravidez, anemias,
nevralgias, resfriado, mau funcionamento dos órgãos linfáticos, intoxicações e infecções.
Modo de Emprego -- Os preparados de levedura, especialmente de levedura de cerveja,
devido aos seus importantes elementos ativos, podem ser considerados como os melhores e

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 5

mais naturais reguladores metabólicos e empregados como tais. Depois das refeições,
pode-se tomar uma colherinha de levedura de cerveja; a grande sensação de frescura e de
bem-estar faz esquecer o mau sabor da levedura e até a torna agradável.

4. Cogumelos

Características -- Botanicamente considerados, os vegetais chamados cogumelos ou fungos


são o aparelho frutificado de uma raiz de crescimento quase sempre subterrâneo, que
representa na realidade a verdadeira planta e que tecnicamente se chama micélio. Deste
nascem, como rebentos, os cogumelos. Podemos compará-los, em grandes traços, com os
frutos dos arbustos ou das árvores. Como as algas, os líquenes, e os musgos, também os
cogumelos pertencem às Criptogâmicas. Os seus órgãos de reprodução chamam-se esporos.
Os cogumelos apresentam-se em numerosas variedades e classes. Não podem alimentar-se,
como as plantas verdes, de substâncias orgânicas obtidas com a ajuda da clorofila a partir da
água, os sais inorgânicos do solo e o ácido carbônico do ar. Têm necessidade para viver de
produtos germinados, como se apresentam em matérias em decomposição. Os cogumelos
crescem no húmus dos bosques, como saprófitas que aproveitam a putrefação ou como
parasitas nas raízes das árvores, nos troncos cortados ou em troncos vivos.
A maioria das espécies de cogumelos, cerca de 80 %, não são comestíveis para o homem.
São muito pequenos, lenhosos, de mau sabor ou venenosos. Só umas 500 espécies se
consideram comestíveis, e destas umas 30 são mais ou menos tóxicas.
Composição -- O puro valor nutrivo dos cogumelos, isto é, o seu teor em gordura, albumina
ou hidrocarbonatos, não é considerável. Comparar, portanto, os cogumelos com a carne, não
tem justificação. No seguinte quadro, dão-se os valores correspondentes aos três tipos de
cogumelos comestíveis mais correntes:
Percentagem
Conteúdo em 100 g Albumina Gordura Hidrocarbonatos Calorias brutas
de aproveitamento

Champignom.. 4,9 3,6 3,6 33 26


Boleto-bom... 2,6 0,4 3,8 30 21
Cantarela...... 5,9 0,4 5,1 47 33

225
Propriedades Nutritivas -- Os cogumelos, pelo seu elevado teor de tecido fibroso, são de fácil
digestão. O seu valor nutritivo e o seu aproveitamento são limitados pelo elevado teor de água,
como se pode ver nas duas últimas colunas do quadro anterior. Tira-se melhor proveito do
cogumelo em pó, isto é, o cogumelo seco e moído. É uma especiaria; incha muito na água, e
pelo seu enorme aumento de superfície, quando o cogumelo está inchado, torna-se mais fácil
de ser atingido pelos sucos gástricos. De 100 g obtém-se de 310 a 320 calorias.
Embora os cogumelos possam influir muito pouco na obtenção de energia, devemos
considerá-los como fornecedores de minerais e de vitaminas. O seu teor em minerais excede o
das hortaliças, mas é inferior ao da carne. Entre as vitaminas' encontram-se até agora a do
desenvolvimento ou A, a da tonificação nervosa ou 111, e a da proteção contra o raquitismo ou

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 5

D
Mas também considerados puramente sob o ponto de vista médico e dietético, podemos
empregar os cogumelos para o regime contra a obesidade porque é muito conveniente a
sensação de termos o estômago cheio com poucas calorias. O pó de cogumelo é de grande
utilidade nos regimes sem sal, pois dá bom sabor à comida, que de contrário seria muitas
vezes insípida.
Precauções na Colheita de Cogumelos -- Conhecer e apanhar cogumelos é uma operação
bonita, sã e útil, que conserva sempre o seu encanto especial e o seu valor íntimo. Por isso
devia ser mais vulgarizada. Numerosos livros, grandes e pequenos, sobre cogumelos dão-nos
normas práticas para a colheita e são de aquisição fácil como meio auxiliar.
Até que a pessoa não tenha um conhecimento seguro das variedades de cogumelos, será
preferível pôr-se sob a direção e o controle de um autêntico conhecedor, ou então apresentar
os cogumelos apanhados, antes da sua preparação culinária, a um inspetor veterinário do
mercado.
226

Fim do Capítulo 5 de A Cura e a Saúde Pelos Alimentos

versão eletrônica pelo Projeto Periferia


railtong@gmail.com
Travessa do Anfiguri 47, São Miguel Pta., São Paulo-SP, BR-08050-570

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

ERNST SCHNEIDER

A CURA E A SAÚDE
PELOS ALIMENTOS
versão eletrônica pelo Projeto Periferia

Capítulo 1 - As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua Compensação Natural


Capítulo 2 - Frutos
Capítulo 3 - Legumes e Verduras
Capítulo 4 - Condimentos
Capítulo 5 - Alimentos Fornecedores de Energia
Capítulo 6 - Alimentos de Origem Animal
Capítulo 7 - Regimes Depurativos
Capítulo 8 - Doenças do Sistema Circulatório
Capítulo 9 - Doenças do Aparelho Digestivo

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

Capítulo 10 - Doenças do Metabolismo


Capítulo 11 - Doenças da Pele
Capítulo 12 - Doenças do Sistema Nervoso
Capítulo 13 - Tuberculose
Capítulo 14 - A Alimentação na Gravidez
Capítulo 15 - A Alimentação na Criança Moderna
Capítulo 16 - O Câncer
Capítulo 17 - Comentário Final
Capítulo 18 - Normas Fundamentais Para a Preparação de um Regime Sadio
Capítulo 19 - Receitas Culinárias

INTRODUÇÃO
De acordo com uma antiquíssima experiência médica e com o atual conhecimento científico, a
maior parte das doenças são conseqüência exclusiva de uma alimentação errada, ou de hábitos
alimentícios antinaturais, mantidos e alentados durante tanto tempo que chegaram a provocar
doenças e dores crônicas de toda a espécie, reduzindo e até mesmo destruindo a nossa
potência vital ou a nossa alegria de viver.
Esta convicção vai-se impondo a círculos cada dia mais numerosos da nossa população, muito
embora ainda não constitua um conhecimento geral, nem seja ainda tão vital que dele se
possam extrair deduções práticas para este modo quotidiano de viver. Na maioria dos casos, a
comoção fisiológica e psicológica, como conseqüência de alguma enfermidade grave, impõe a
decisão de melhorar o nosso modo de pensar, o que nos leva a procurar melhorar, seguindo o
melhor caminho, e a compreender que o estado de saúde de cada um depende do seu modo de
viver.
A este propósito temos de esclarecer que a saúde e a enfermidade não são meros problemas
materiais, pois não se trata simplesmente de doença ou de saúde, mas sim de, como seres
racionais completos, estarmos sãos ou enfermos. A enfermidade é um problema físico e moral,
que abrange a pessoa toda. Já Buda tinha parcialmente razão quando afirmava que "toda a dor
que afeta o homem é fruto dos seus erros, apetites e descuidos". Estes nossos erros, apetites e
descuidos não os diminui, em absoluto, a vida moderna e civilizada, técnica e citadina. O
melhoramento físico deve ser acompanhado de uma recuperação da ordem na nossa
consciência, tanto mais quanto o conteúdo do nosso mundo espiritual é de uma importância às
vezes decisiva para a estru-
13
tura orgânica e suas funções e, por conseqüência, para a enfermidade e para a saúde, para a
vida e para a morte.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

A discórdia, a luta, o temor, as preocupações, a vulgaridade, a angústia, a vileza, a


perversidade, a paixão, são para o corpo e a alma como um alimento antinatural ou tóxico. Se,
pelo contrário, a nossa mente se ocupar de temas valiosos, bem harmonizados, sentiremos
certa potência depuradora e sanadora no nosso estado físico. A saúde não só compreende o
fisiológico, como também o mais íntimo do nosso ser, isto é, o coração e a sensibilidade de cada
um.
A alimentação chegou a converter-se, hoje, por muitas causas, num problema complexo. A
progressiva industrialização, o crescimento das cidades, os transportes para maiores distâncias
e os necessários armazenamentos, são fatores que conduzem, inevitavelmente, a perdas no
seu valor e propriedades. O grande caminho que têm de percorrer desde o produtor até o
consumidor, criou, igualmente, a necessidade de se recorrer a processos e tratamentos de
conservação que, com freqüência, resultam também bastante prejudiciais para o valor biológico
dos alimentos.
Os hábitos de alimentação da moderna sociedade industrializada, com a sua preferência para os
chamados alimentos «puros» (como o açúcar branco, a flor de farinha e o sal comum), a grande
quantidade de carnes brancas, as gorduras e os azeites elaborados industrialmente, são
também culpados, em grande parte, pelo aparecimento de enfermidades da civilização, por
defeitos constitucionais e por outros numerosos transtornos da saúde.
Tudo isso, felizmente, fez aparecer o estudo científico da alimentação. Explorou-se o mundo dos
nossos alimentos e verificou-se que estes não só possibilitam a conservação da saúde, como
também contêm propriedades curativas que até agora haviam passado inteiramente
inadvertidas. Temos diante de nós a tarefa de cuidar e de conservar estas virtudes
maravilhosas, mediante a produção e a transformação dos alimentos para conseguir um
aproveitamento plenamente acertado de tais propriedades.
Uma série de tratados sobre a nossa alimentação permite-nos considerar as estreitas relações
entre a alimentação e o organismo e ensinam-nos a procurar o remédio para os nossos males
na alimentação e a valorizá-la como meio curativo. A investigação médica trabalha hoje com
afinco para conhecer o efeito dos alimentos no organismo e isolar os seus fatores ativos,
sobretudo as vitaminas, os hormônios, os fermentos e os sais inorgânicos. Embora estes
problemas extraordinariamente difíceis continuem a ser estudados, nas suas fases decisivas,
por peritos no assunto, sendo as notícias raramente divulgadas pela imprensa, já contamos com
uma série de resul-
14
tados sumamente prometedores. Abundantes trabalhos, mais ou menos extensos, vão
anunciando a sua chegada.
A ciência da alimentação, que conta apenas oitenta anos de história, extraordinariamente densa
e dramática, levou já, neste breve tempo, a êxitos assombrosos. Milhões de pessoas puderam
conservar a vida e a saúde graças a eles.
Nunca poderei esquecer a impressão que me produziu uma experiência maciça realizada num
campo de concentração de prisioneiros de guerra, na Rússia. Quase todos os internados
sofriam de diarréias disentéricas, que se prolongavam, durante dias e noites, deixando-os

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

inteiramente inúteis para o trabalho. O comandante do campo resolveu, então, transportar em


caminhões todos os prisioneiros para um «koljoz» frutícolo. Os mais enfermos foram deixados
nas matas de arbustos de groselhas negras, ao passo que os que se podiam manter de pé
receberam ordem de colher as primeiras maçãs, que foram comidas abundantemente por todos
os prisioneiros. No fim de alguns dias, todos os doentes estavam curados. Desta maneira
experimentei, em mim mesmo, o poder curativo dos alimentos e fiz o propósito de me dedicar a
investigá-lo, de maneira especial. O resultado do meu trabalho foi este livro, do qual se
publicaram 14 edições em alemão, além das que foram publicadas em francês, espanhol e
agora em português.
Este livro inspira-se na convicção de que só se consegue a saúde e o máximo desenvolvimento
da nossa capacidade intelectual, prestando absoluta atenção às leis naturais, que são as de
Deus, e ordenando a nossa vida mediante o respeito e o amor devido a estas leis.
Por isso, este livro não se propõe tratar, apenas, da alimentação; também abriga a esperança de
que, em horas de repouso, de que todos precisamos, seja para muitas pessoas um alimento do
qual extraiam aquela força que nos serve para que a vida seja mais sã e mais ditosa. Não se
apresenta, apenas, para ser lido, mas também para ser um fiel companheiro, em todo o tempo,
nas horas da saúde e da enfermidade, sempre pronto a responder com o seu conselho e a
prestar ajuda na escolha do caminho que nos afaste dos males que nos perturbam.
Em resumo, quer este livro prestar a sua colaboração, quem sabe não totalmente insignificante,
na vitória sobre os danos já muito divulgados da civilização, conforme têm comentado com
profunda preocupação todos os higienistas de renome, e que passam, pelo seu caráter
encoberto, inadvertidos durante muito tempo para o indivíduo, produzindo efeitos tão
devastadores que constituem para a sobrevivência das populações ameaças mais graves do
que todas as enfermidades infecciosas agudas juntas.
Juntamente com os processos
15
de tratamento físico e medicamentoso, o tratamento alimentar, como base de todas as nossas
medidas preventivas e curativas, tem hoje uma importância que cresce continuamente,
conforme a realidade que hoje se verifica do velho conceito:
«Os nossos alimentos devem ser os nossos medicamentos.»
ERNST SCHNEIDER
16

AS FONTES DA VIDA NA ALIMENTAÇÃO NATURAL

As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

Compensação Natural

Capítulo 1
O Homem, porém, não deve só pedir ao seu Criador saúde e uma longa
vida, mas tem também de aplicar a sua inteligência para descobrir e
apreciar os tesouros que o boníssimo Pai de todos colocou na Natureza
para remédio dos muitos males da nossa vida. Sebastião Kneipp

19

A Cultura e a Civilização Como Fatores Sanitários

A Posição do Problema -- Tem-se considerado, insistentemente, a cultura e a civilização como


causas de numerosas enfermidades, até se ter chegado, finalmente, à criação de conceitos
como «praga da cultura» e «doenças da civilização». Hoje em dia, compreendem estas
expressões, tanto na literatura técnica como na popular sobre problemas sanitários, uma série
de enfermidades do metabolismo e da nutrição, como a cárie dentária, a periondontose, a úlcera
de estômago, a diabetes, a obesidade, as doenças, do fígado, vesícula, rins, coração e vasos,
assim como o reumatismo, o câncer e a tuberculose.
Um observador superficial poderia tirar a conclusão de que a «cultura» e a -«civilização» são
coisas não desejáveis e, inclusive, francamente prejudiciais. Desde alguns anos até agora,
exagerando a realidade, aumentam as vozes dos que atribuem à cultura e à civilização mais
inconvenientes do que vantagens para o homem, para o qual situam a cultura e a civilização
muito longe da Natureza, pondo-as até em contradição com esta última.
Cultura e incultura -- Toda a autêntica cultura exige, previamente, determinado estado de fé.
Tanto nos aspectos material como espiritual, tal estado de fé manifesta-se mediante a convicção
de a pessoa poder conhecer-se amplamente e desenvolver-se partindo das próprias
possibilidades, mediante um trabalho entusiasta.
No aspecto espiritual, trata-se da convicção referente a normas e valores morais que se têm de
alcançar e pôr em prática. Quer dizer: vivificar-se. ,Ter cultura,, significa conseguir o domínio
sobre si mesmo, sobre as más inclinações e paixões. É a formação de um caráter firme e moral,
um anelo mais para lá da vida, uma ponte entre o que os nossos sentidos captam e não captam,
o passo para a eternidade. A cultura é, pois, coisa do coração. Como é que tal coisa pode levar
a «pragas da cultura»?
Mas, continua a ser para nós a cultura coisa do coração? Ortega & Gasset afirmou que o
homem europeu já não acredita em nenhuma norma ética. No centro do seu modo de vida

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

encontra-se a preocupação de viver sem peias morais. A sua posição perante a vida parece
resumir-se no seguinte: julga ter todos os direitos e nem um só dever. É, por conseguinte, a
«incultura» do europeu o que provoca essas tais «pragas da cultura». A incultura torna-nos
doentes. Opõe-se à Natureza e perturba a obra de Deus.
Embora hoje muitos homens se esqueçam de procurar o bem, a verdade, a cultura, isso não
quer
20
dizer que se tenham esquecido de os valorizar e reconhecer quando se manifestam nos outros
homens, de uma forma pura e desinteressada. A cultura e o progresso autênticos têm de ser
aceitos no quadro das possibilidades naturais como missões impostas por Deus, pois que por
elas se conhece e adora o Criador e não as Suas criaturas.
A Civilização, Cultura Organizada -- A civilização, pelo contrário, é apenas uma parte da
cultura, exatamente o seu aspecto técnico. É componente essencial da cultura, necessária para
poder levar a efeito as suas idéias e teorias. A civilização é um produto da razão, um
instrumento de que o homem se serve, um meio para alcançar um fim, por isso muito diferente,
porque leva consigo o perigo de que os homens não a dominem, mas sejam dominados por ela.
Involuntariamente, pensa-se na «vida burguesa» quando se ouve a palavra «civilização»,
precisamente porque procede do vocábulo latino «civis» (homem da cidade, do burgo). Todas as
circunstâncias precisas para a forma de vida de uma comunidade humana, como a legislação,
administração, organismos sociais, técnicas, reforma das condições naturais de trabalho, vida e
alimentação, a industrialização e a concentração urbana conseqüente, são obra da civilização.
Se nos perguntarmos quais são os efeitos da civilização sobre a saúde do homem, não
podemos deixar de reconhecer que, juntamente com os numerosos efeitos positivos e a
ampliação do espaço vital, trouxe ela consigo uma longa série de graves prejuízos, que temos
de enfrentar racionalmente, do mesmo modo que racionalmente fomos criando a civilização. É
aqui que começa precisamente a nossa tarefa. Importa conhecer, em primeiro lugar, os danos
que a nossa existência civilizada ocasionou à nossa saúde, a cada um de nós. Em segundo
lugar, poremos a questão de como preveni-los ou compensá-los.

Origem dos Danos Causados Pela Civilização

Se procurarmos agrupar os danos impostos pela civilização num reduzido número de critérios,
encontramos os seguintes capítulos:

Mudanças nas Condições de Vida, Trabalho e Residência

Insuficiente Radiação Solar -- As mudanças mencionadas levaram a uma ligação deficiente do


corpo com o ambiente natural,
21
com o mundo que nos cerca. É assim que especialmente a população urbana sofre de

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

insuficiente radiação solar. Por cima de todas as grandes cidades, nomeadamente nas de tipo
industrial, forma-se uma camada constituída por poeira, fuligem e fumo que absorve os raios
ultravioleta do Sol, com a conseqüência de radiação insuficiente e, por isso, de escassa
formação de vitaminas na pele dos seus habitantes. Tomamos com os alimentos, por exemplo,
as provitaminas D, a ergosterina, que se depositam na pele e que vão sempre necessitando da
atuação dos raios ultravioleta para se transformarem em vitamina D, de grande eficácia contra o
raquitismo. Os, peixes, cujo fígado é especialmente rico em vitamina D (circunstância que se
aproveita para objetivos farmacêuticos na fabricação do óleo de fígado de bacalhau para a cura
do raquitismo), não recebem, decerto, suficientes raios ultravioleta, mas podem substituir esta
radiação luminosa pela ação do seu próprio corpo.
Impureza da Atmosfera -- Além disso, também o habitante da cidade sofre um consumo
deficiente de ar puro, devido à densidade da população, ao trabalho em locais mal ventilados e
aos abundantes gases de escape dos automóveis, poucas vezes tidos em consideração. Ora,
que um pobre consumo de oxigênio prejudica o metabolismo dos tecidos e especialmente o das
células nervosas, não é preciso insistir mais, porque todos conhecemos os efeitos no nosso
próprio organismo, quando para desfazer os efeitos do cansaço ou da prostração abrimos a
janela para respirar um ar mais fresco.
Escasso Exercício Muscular -- Devido às muitas profissões sedentárias e às condições do
trabalho mecanizado e racionalizado, no qual se deve incluir sobretudo o de produção em série,
chega-se, forçosamente, à insuficiência ou unilateralidade de movimentos. Isto não só traz
consigo uma debilidade dos músculos não suficientemente usados e exercitados, como também
desordens de metabolismo e circulação, pois que é só nos músculos em atividade que se
originam matérias que regulam a circulação do sangue e regam o músculo cardíaco,
substâncias que só podemos substituir, parcialmente, por medicamentos. A tão debatida
questão «movimento é vida» tem, na realidade, um profundo e pleno significado, assim como o
antigo adágio «pedra movediça não cria musgo».
Excessiva Tensão Nervosa -- Também a insuficiente descontração, tanto pelo excesso de
trabalho profissional e pelo dia de labor demasiado longo, como pela ânsia de divertimentos,
pelo pouco descanso noturno, é hoje claramente um fator prejudicial de primeira classe, que não
só cria o numeroso exército de homens ci-
22
vilizados hiperexcitados, como também é causa de doenças do aparelho circulatório, em todas
as suas formas e graus.
Só aproximadamente sete por cento da população se pode considerar autenticamente sã na
mente e na alma. O resto passa pela vida com algum desvio, desnecessariamente carregado
com depressão nervosa e outros complexos prejudiciais. Ninguém dispõe hoje de reservas
suficientes de saúde psíquica para resistir a qualquer carga verdadeiramente pesada.
A desordem nas relações com o outro sexo manifesta-se numa Inseminação Débil e, por
conseguinte, numa esterilidade provocada e na falta do aparecimento da gravidez.

Consumo de Drogas e de Substâncias Tóxicas

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

Isto leva às doenças, hoje de domínio público, do cérebro, dos nervos, da circulação e das
glândulas de secreção interna, ao encurtamento da vida, à formação tio câncer, e às alterações
da estrutura psíquica. As calamidades assim causadas na saúde e na economia nacionais e os
conseqüentes problemas de uma série incalculável de doenças, teriam de ser objeto de um
estudo que escapa ao alcance deste livro. Com tudo isto encontram-se estreitamente
relacionados os seguintes fatores:

Alterações Psíquicas e Intelectuais

Razões Históricas - Trata-se das comoções do tipo a que a humanidade tem sido submetida,
em grau cada vez maior, durante os últimos séculos. A raiz das perturbações na orientação e na
ordem
espiritual tem de ser procurada numa época que se seguiu à ordem medieval, centralizada em
Deus. Depois do fracasso da concepção materialista, procura o homem, enquanto não é só
«natureza», uma vez mais, a lei que lhe é inata, uma «norma», caminhando para uma nova
ordem e um novo objetivo. Consciente e inconscientemente esforça-se, em última análise, por
atingir um ideal humano válido para todos os homens.
Valor do Espírito -- 0 espírito no ser humano faz saltar todas as fronteiras, todos os laços
materiais e tudo o que é perceptível aos sentidos e só ele passa do finito para o infinito, do
relativo para o absoluto, do temporal para o eterno, encontrando-se, assim, perante Deus.
23
Esta amplitude e a dramática elevação do homem do sensível para o ultra-sensível, do material
para 0 imaterial, são os componentes do momento em que o espírito humano atinge a fé e fica
nas mãos de Deus. Esta passagem da razão para a fé é a porta da liberdade e da suspirada
ordem.

Mudanças na Alimentação

A Alimentação Natural -- O decisivo e, para o nosso estudo, o mais importante são as


deformações da nossa alimentação, conforme já se vêm produzindo de há séculos até agora.
Estão estreitamente relacionadas com a civilização e a técnica.
Antigamente, os povos da Terra alimentavam-se de modos muito diversos. A base da
alimentação era para uns o arroz e para outros o milho e entre nós os cereais panificáveis. A
necessidade de carne satisfazia-se mediante a pesca, a caça ou, na maioria dos casos,
mediante a criação de gado. Nos países tropicais consumiam-se, sobretudo, gorduras vegetais,
e nos países árticos quase unicamente gorduras animais. O consumo de vegetais e de frutas
dependia da região e da estação do ano em que se vivia. Mas, por muito diferentes que sejam
as formas de nutrição dos povos, todas deram bons resultados, porque quase sempre
conservavam a forma natural do alimento e era reduzida a proporção de alimentos animais.
A primeira deformação produziu-se com o descobrimento da América, quando conhecemos
novas plantas alimentícias, como por exemplo a batata, que veio substituir em grande parte o
consumo de farinhas de cereais e de pão.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

Efeitos do Progresso Técnico e «Analítico» -- O progresso técnico iniciado quase


imediatamente depois do rápido desenvolvimento da indústria e dos grandes núcleos
populacionais produziu, indubitavelmente, muitos adiantamentos e facilitou um modo de vida, ao
qual não desejamos renunciar; mas trouxe também decisivas alterações no nosso conceito de
existência, sobretudo no domínio da alimentação.
O espírito de considerar analiticamente tudo através das ciências naturais levou rapidamente à
supervalorização dos alimentos puros e nobres e à exagerada importância das proteínas e das
gorduras animais. Chegou-se, assim, nos tempos da Primeira Guerra Mundial e até bastante
depois, a um modo de alimentação em que predominavam sobretudo o pão branco ou quase
branco, a gordura animal, batatas muito cozidas e descascadas, poucos legumes e frutas cruas
e o emprego de muito
24
sal e de especiarias exóticas. Quem tinha posses para isso, comia, entre uma e outra coisa,
abundante pastelaria e outros doces concentrados, e tantos outros indivíduos escravizavam-se
pela habituação a numerosos tóxicos e drogas. A causa desse modo de viver e de se alimentar
é antinatural e é a origem principal de muitas doenças generalizadas e de graves
conseqüências, como o prova a consideração dos seus efeitos no organismo humano.
Caracteres Prejudiciais da Moderna Nutrição -- Para podermos conhecer os múltiplos efeitos
da alimentação, temos de estabelecer as características predominantes da nossa alimentação:

Substituição do consumo de farinha de cereal por pão e batatas.


Substituição de alimentos crus por alimentos cozidos.
Substituição da comida dura por comida mole.
Substituição de alimentos naturais por artificiais.
Excesso de proteínas animais. Excesso de gorduras animais.
Excesso de sal.
Excesso de especiarias exóticas e de produtos químicos que se empregam na apresentação e
conservação dos alimentos.
insuficiência de vitaminas e de hormônios vegetais (auxinas).
Insuficiência de sais minerais e de oligoelementos.
Insuficiência de substâncias estimulantes das paredes intestinais (celulose).
Insuficiência de pigmentos vegetais verdes (clorofila).

Substituição de Farinha de Cereais por Pão e Batatas

A substituição do consumo antigamente elevado de farinhas de cereais por batatas e pão deve
considerar-se como uma das causas da degeneração da dentadura (Euler, Kolath).

Substituição de Alimentos Crus por Cozidos


Experiências Significativas -- O efeito da substituição de alimentos crus ou frescos por
alimentos cozidos foi muito discutido e levou a grandes grandes divergências e a normas de

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

nutrição bastante extremadas e estritas. Especialmente, causaram notável impressão os ensaios


sobre comida cozida de McCarrison e de 0. Stiner, dando lugar a numerosas comprovações.
MacCarrinson alimentou macacos
25
com a sua comida habitual, mas cozida numa panela a vapor. A conseqüência foi uma redução
na atividade das glândulas de secreção interna, o aparecimento de úlcera do estômago ou
intestino, a inflamação do intestino grosso e, finalmente, a caquexia e a morte.
0. Stiner (do Ministério da Saúde da Suíça) alimentou coelhos nas mesmas condições que o
anterior. A conseqüência foi que os animais adoeceram de cárie, inflamação das glândulas
salivares, bócio, anemia, escorbuto e alguns deles de câncer do pulmão. Se a estes alimentos
cozidos se acrescentassem, para cada animal, dez centímetros cúbicos de leite pasteurizado,
também adoeciam de artrite deformante. Estas e muitas outras experiências parece que vêm
demonstrar o efeito tão prejudicial da arte culinária sobre a saúde. Não faltaram, portanto, as
reações extremistas que exigiam só alimentos crus.
Posição Eclética -- Não podemos deixar de reconhecer que a panela na cozinha não trouxe só
males, mas também vantagens. Mediante o processo da cocção puderam aproveitar-se, pela
primeira vez, numerosos produtos naturais para a alimentação humana, o que implicou uma
considerável ampliação da alimentação básica. A cocção facilita ao intestino a absorção dos
alimentos e evita-lhe assim parte do seu trabalho, ou é a única maneira de lhe fazer digerir um
alimento desse tipo. A panela pode indubitavelmente ostentar certo significado «cultural»,
porque contribuiu para ampliar as possibilidades vitais humanas e, portanto, de maneira decisiva
para o processo cultural.
0 abuso do seu emprego, isto é, a substituição do consumo de alimentos crus pelo de alimentos
cozidos, levou, não obstante e de modo inegável, a uma série de conseqüências prejudiciais. A
aplicação do calor destrói, na realidade, não só certas vitaminas, como também os fermentos e
as substâncias aromáticas convenientes para a digestão. E trata-se de componentes da
alimentação dos quais não podemos prescindir para a conservação da saúde.
Efeitos do Oxigênio no Interior do Intestino -- Os fermentos que os alimentos vegetais
consumidos ao vivo contêm são conservados praticamente no intestino e desempenham
serviços especiais no processo digestivo. Assim, por exemplo, os chamados fermentos
oxidantes fixam o oxigênio do ar que é tomado continuamente com a comida, e depois não pode
permanecer como tal no interior do intestino. As bactérias intestinais realizam na ausência do
oxigênio o metabolismo com 1/25 das calorias de que necessitariam sob os efeitos de maior
oxigenação. Depois de prolongadas investigações, o Prof.
26
Kolath chegou à conclusão de que com um regime alimentar em que predomina a carne e sob
os efeitos do oxigênio sumamente abundante, ainda no reto, as matérias corantes biliares dão
aos excrementos o seu corrente colorido pardo, ao passo que, quando o oxigênio falta no
intestino, devido à alimentação vegetal crua, a deposição apresenta uma cor amarelada clara.
Disto se pode concluir o efeito deste fenômeno no homem, e embora não se tenha investigado,
pode afirmar-se como certo que «uma atmosfera no interior dos intestinos sem conter oxigênio

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

permite uma considerável redução na quantidade de alimentos sem que, por isso, o homem
fique mal alimentado». Por isso, um regime rico em alimentos vegetais crus constitui um sistema
de nutrição conservador e tônico, pelo menos no que diz respeito ao intestino.
Por outro lado, é logicamente forçoso que um regime de carne cozida e, por conseqüência, com
um interior intestinal rico em oxigênio, no qual as bactérias intestinais utilizam 25 vezes mais as
energias para as suas próprias necessidades, se produza o contra-senso de que o homem
alimente antes as suas bactérias intestinais do que se alimente a si mesmo.
As Bactérias Intestinais - Mas além deste assombroso esbanjamento, torna-se claramente
evidente o prejuízo causado, quando se pensa que não é de modo algum Indiferente que as
bactérias intestinais efetuem o metabolismo com oxigênio (aerobiose) ou sem ele (anaerobiose).
Tanto os produtos originados na digestão dos alimentos como os procedentes do metabolismo
bacteriano são completamente distintos, conforme o interior do intestino tenha falta ou
abundância de oxigênio, dependendo além disso de que se trate de bactérias intestinais normais
(colibactérias) ou anormais e degeneradas (paracoli e outras). Atualmente sabe-se, depois de
muitas experiências realizadas neste sentido, que desde há muito tempo o homem, devido a sua
alimentação habitual, apresenta no seu intestino uma abundância anormal de bactérias, o que
leva à conclusão de que a sua alimentação é forçosamente defeituosa. A introdução de
bactérias intestinais normais vivas é um tratamento utilizado desde há muito tempo na medicina
prática, porque se verificaram com ele curas de reumatismo, de eczemas e de anemias.
Como um metabolismo intestinal de desenvolvimento defeituoso se converte numa causa de
intoxicação (e hoje considera-se freqüentemente em medicina que o intestino grosso pode
originar uma infecção focal), só por isso é evidente até que ponto tudo depende de uma
alimentação realmente sã. Sabemos hoje, inclusive, que uma alimentação con-
27
veniente ou determinado regime carecem de efeitos, se o papel que corresponde às bactérias
intestinais não se desenvolver com normalidade.
Formação de Vitaminas por Bactérias do Intestino -- E muito notável a este respeito o fato de
as bactérias intestinais formarem a vitamina K, imprescindível para o processo de coagulação do
sangue e que quando estão degeneradas não se encontram em condições de efetuar essa
síntese. Se faltar na nutrição a vitamina K, que se obtém com verduras frescas, como espinafre,
repolho, couve-flor e tomate, não conseguem as bactérias compensar, durante algum tempo,
esta insuficiência, ao passo que com tais bactérias degeneradas se apresenta uma falta de
vitamina K no fígado, e por isso um atraso na coagulação do sangue ou, inclusive, uma
hemofilia.
Sabe-se, além disso, pelas experiências de Kolath e Stahl, que a vitamina K dificulta o
desenvolvimento de determinados microrganismos na corrente sanguínea, que já o Prof. Von B
Brehmer descreveu, há vinte anos, e considerou germes cancerosos (Sipho- polymorpha).
A vitamina B12 apresenta-se, também, como produto do metabolismo das bactérias intestinais.
Depois da absorção pela parede intestinal é introduzida no fígado para desempenhar o papel de
um elemento de maturação das céluIas sangüíneas. É, só tia presença deste elemento ativo que
se efetuam, por exemplo, os processos mais importantes de produção de proteínas, sobretudo a

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

transformação de moléculas protéicas de pouco valor noutras de grande riqueza, necessárias


para a formação do núcleo celular. Para isto são necessárias as já classicamente conhecidas
lecitinas, combinações complexas de glicerina e de ácido fosfórico, que normalmente se
recebem com os alimentos, mas que pela cocção sofrem uma grande redução na sua eficácia
biológica. Além da função da vitamina B 12 na síntese das moléculas protéicas do núcleo celular,
ainda intervém contra a formação excessiva de histamina. A histamina é uma substância que se
origina abundantemente no metabolismo e que provoca reações de hipersensibilidade do tipo do
catarro do feno, asma bronquial, eczemas e outras manifestações. Finalmente, sabemos hoje
que quatro por cento do cobalto contido na vitamina B12 produz efeitos antituberculosos, cujo
significado não sabemos apreciar ainda devidamente. Só podemos pensar nas enormes
conseqüências que claramente implicam.
Auto-Intoxicações - A possibilidade de vida nas bactérias intestinais depende de uma sã
alimentação. Como pequenos depósitos, permitem elas cobrir as insuficiências que ocorram na
produção das substâncias mais importantes do metabolismo químico, durante um grande lapso
28
de tempo. Mas, por fim, também chegam a adoecer pelo aparecimento de deficiências, dando
então lugar exclusivamente a produtos metabólicos tóxicos e de efeito prejudicial, que depois
são absorvidos através do intestino e levados para a corrente sangüínea e para o fígado,
ativando todo o mecanismo defensivo. Este efetua a desintoxicação e destruição destas
substâncias durante um certo tempo até ficar hipersensibilizado; ou então entorpece-se,
enferma, ou finalmente se deforma, se não receber ajuda no seu devido tempo, mediante
matérias normais e compensadoras, como sejam alimentos sãos ou medicamentos.
Ordem de Utilização dos Alimentos Crus - Não só é necessário saber que devemos utilizar
alimentos frescos, como também quando temos de o fazer, isto é, em que proporção temos de
consumir alimentos crus e cozidos. Deduz-se isto de numerosas experiências sobre produtos
olorosos e aromáticos, realizadas pelo Prof. Kolath.
Quando se prepara uma refeição vulgar composta por um prato de sopa ou caldo, carne, batatas
cozidas e legumes, ou também um desjejum constituído por uma xícara de café ou de chocolate,
pão com manteiga e marmelada, aumenta o número de leucócitos no sangue, passando num
prazo de dez minutos, dos 6000-8000 normais por milímetro cúbico para 10000, e num prazo de
30 minutos para 30000, voltando no fim de 90 minutos ao normal. Este fenômeno é conhecido
desde há quase um século (Virchow) e qualifica-se como leucocitose prandial (significando
leucocitose o aumento de glóbulos brancos). Tal aumento de glóbulos brancos no sangue
produz-se também em todas as irritações inflamatórias, especialmente nas enfermidades
infecciosas, considerando-se em tal caso como uma reação defensiva do corpo. Nada significa
em contrário, o conceber a citada leucocitose como medida defensiva do corpo contra algo de
estranho, isto é, como momentânea reação inflamatória (Roessle). Com isto coincide,
evidentemente, uma comprovação de Kuschakoff, que mostra que a ingestão de alimentos crus,
sem cocção, de vegetais, não leva a um aumento dos glóbulos brancos no sangue, isto é, não
se apresenta a reação inflamatória antigamente considerada normal. Esta reação não se produz,
quando a comida cozida se segue à crua. Kuschakoff também comprovou que uns dez por
cento, pelo menos, dos alimentos devem ser consumidos crus e antes dos cozidos, se se quiser
evitar esta reação inflamatória

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

Origem da Leucocitose Defensiva -- Estas observações são hoje tão evidentes que a
alimentação natural, viva e não consumida pela cocção, não é considerada estranha nem
repulsiva, ao passo que os alimentos cozidos supõem um regime insuficiente para pro-
29
vocar uma reação defensiva do organismo.
A causa desta reação defensiva encontra-se, segundo o Prof. Kollath, na falta de fermentos e de
substâncias aromáticas da comida cozida. Indica-se, assim, pela vez primeira, o importante
significado das substâncias aromáticas naturais. Estas substâncias sumamente sensíveis ao
calor são recebidas nas mucosas bucal ou faríngica e atuam através do sistema nervoso de
modo inconsciente, provocando também a reação dos glóbulos brancos.

Substituição de Alimentos duros por Brandos

Necessidade de Mastigação A idéia de oferecer ao corpo uma alimentação mais preparada


possível para lhe evitar esforços e melhor aproveitá-la, levou a uma diminuição dos alimentos
duros, substituindo-os pelos brandos e, deste modo, ao abandono da mastigação Precisamente,
porém, esta atividade mecânica do sistema de mandíbulas e de dentadura não só é necessária
para a conservação de tais órgãos, como o é também para a boa função de todo o processo
digestivo. A boa mastigação de alimentos duros (pão integral, frutas, nozes, etc.) constitui, em
primeiro lugar, uma massagem ideal das gengivas, criando a disposição para a conservação da
capacidade de resistência e da elasticidade dos tecidos gengivais, evitando a piorréia ou
periondontose. E, inclusive, os próprios dentes só constituirão uma dentadura sã e útil, quando
houver nina incitação natural, para o seu desenvolvimento, que consiste em mastigar e morder.
Se não dermos aos dentes dos adultos o trabalho apropriado, produz-se a sua queda prematura
e a sua cárie. Os dentes têm necessidade de mastigar, de preferência a, alimentos frescos,
naturais e VI vos, isto é, beterrabas, cenouras, rabanetes, frutas, nozes e, finalmente, pão seco e
duro no autêntico significado da expressão.
Infelizmente, é raro ver nas crianças e nos adultos uma dentadura sã e bem formada. Por isso,
temos de formular a exigência urgente de mastigar mais.

Substituição de Alimentos Naturais por Artificiais

Alimentos Equilibrados -- O valor da alimentação não deve ser calculado apenas por um
índice térmico (conteúdo de calorias).
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Sabemos que a alimentação de grande conteúdo de calorias não é a mais sã, mas sim aquela
que contiver, no mais alto grau, o estado natural dos alimentos e que limitar, o mais possível, o
consumo de alimentos animais. Da mesma maneira que o alimento natural, por exemplo uma
maçã, uma noz, uns gramas de cereal, é uma combinação harmonicamente equilibrada de
matérias alimentícias, ativas e vivas, assim também deve conter a nutrição total do homem tudo
o que for necessário para o organismo numa proporção harmônica. Se se procurarem todas as
matérias necessárias em quantidades suficientes e conforme a uma relação imposta pela

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

mesma natureza, conseguir-se-á a saciedade e a satisfação total do apetite. Uma alimentação


defeituosa ou unilateral em qualquer sentido dificilmente produz a sensação de saciedade,
porque o organismo está sujeito à lei do mínimo de Liebig. Se houver na alimentação uma
substância em quantidade insuficiente, como, por exemplo, uma vitamina ou um mineral, neste
caso o organismo toma apenas a quantidade de proteínas e de gorduras (que porventura
abundem na dita alimentação), na proporção com o volume da substância insuficiente.
Não é uma alimentação rica em calorias o objetivo digno dos nossos esforços, mas sim a
alimentação suficiente, harmônica e equilibrada, em que todas as substancias necessárias se
encontram na proporção mais natural possível. É fácil compreender que o organismo, mediante
alimentação mais natural e regular que se possa dar, necessita de quantidades
consideravelmente menores e que a alimentação equilibrada facilita uma força de conservação
da saúde, cuja importância ainda não conhecemos suficientemente. A alimentação mais próxima
da Natureza cria homens tranqüilos, ao passo que toda a forma de alimentação permanente
unilateral dá lugar a homens inquietos, sempre esfomeados, insatisfeitos, em busca inacabável
de algo indeterminável.
Alimentos «Puros», Alimentos Desnaturalizados -- Quando atuamos num alimento natural
com métodos físicos e químicos, processos que dantes se qualificavam de «enriquecimento» ou
de «depuração», mas que hoje reputamos de «desnaturalização», obtemos produtos
energéticos puros e quase sempre mais concentrados, como a farinha branca, o açúcar branco,
o arroz sem casca, o azeite refinado e as gorduras em forma de margarinas, as conservas, o sal
de mesa, mas tudo isto privado quase totalmente das suas características biológicas eficazes e
sãs. Por outro lado, também não devemos esquecer que estes produtos da indústria moderna,
por causa da sua excelente capacidade de duração, de armazenagem e de transportes se
tornam insubstituíveis para a formação de reser-
31
vas e fornecimentos distantes. Mas, de qualquer modo, constituem alimentos mortos, que
necessitam de ser completados forçosamente com alimentos frescos vivos, isto é, com frutas de
toda espécie, farinhas de cereais, nozes, saladas, etc.
Perigos da Excessiva Pureza -- Vamos encontrar o mesmo problema na elaboração de
medicamentos. Também se apresenta aqui a questão seguinte: possui, porventura, a
combinação de substâncias naturais ou de substâncias puras isoladas o maior poder curativo?
Enquanto a investigação analítica nos levou no campo da técnica para avanços que mal se
suspeitavam, sobretudo na obtenção de novas matérias-primas e elaboradas, nem sempre
tivemos sorte na medicina e na alimentação com matérias isoladas e sintéticas. Com os
métodos dos diversos ramos das ciências naturais, desde o descobrimento da morfina pelo
farmacêutico Sertürner em 1816, vêm-se analisando as drogas e os efeitos dos diversos fatores
que procuramos expor com a máxima exatidão possível. Chega-se, deste modo, aos quadros
dos efeitos das substâncias puras, que possuem indiscutivelmente a vantagem da dosificação
exata, mais tempo de conservação e resultados mais equilibrados. Mas com freqüência se
juntava a isto maior intolerância, maior toxicidade e pior solubilidade, pelo que era preciso
buscar primeiramente um solvente orgânico adequado. Com respeito à solubilidade, diga-se de
passagem que se chegou a pensar seriamente se a insolubilidade na água e a solubilidade em
dissolventes orgânicos não seria uma etapa prévia para a ação cancerígena da substância. Com

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

a euforia causada pela descoberta e obtenção de substâncias puras não se prestou a devida
atenção ao estudo do efeito da planta na sua totalidade. O descobrimento da matéria ativa
principal e o seu isolamento preenchiam o imediato objetivo terapêutico. Por isso, em princípio,
desprezou-se toda a substância «complementar».
Exemplo dos Princípios Ativos da Digital -- Exemplo clássico de investigação sumamente
analítica e diferenciadora é dado pela distribuição das substâncias ativas nas folhas da digital
purpúrea. Primeiramente, extraíram-se das folhas dois glicósidos, A e B, dos quais, por hidrólise,
se obtiveram os glicósidos digitoxina, gitoxina e gitalina, que demonstraram uma forte ação
cardíaca. De novo, mediante a hidrólise de substâncias glicosídicas, chegaram a isolar novos
princípios ativos, que também produziram efeitos cardíacos. julgava-se então e esperava-se ter
encontrado nos produtos finais as substâncias mais eficazes para os tratamentos do coração.
Demonstrou-se, porém, que o efeito cardiotônico se reduzia, à medida
32
que se iam efetuando as hidrólises, chegando-se, finalmente, à conclusão de que nem sequer
os glicósidos completamente isolados possuíam o maior efeito curativo, mas a simples tisana
das folhas da digital conseguia resultados mais satisfatórios, conforme já tinha advertido durante
anos o conhecido cardiólogo Prof. Edens.
Com isto começou-se a considerar que as «substâncias complementares e inertes», a princípio
passadas por alto, deviam tomar parte nos efeitos, e provou-se o papel importante
desempenhado pelas substâncias anexas análogas ao sabão (saponinas) e pelos sais de cálcio
no efeito conjunto.
0 Todo é Mais Eficaz do que as Partes -- Mediante tais experiências chegamos finalmente ao
conhecimento de que as nossas grandes esperanças de superar a Natureza, mediante a
obtenção de substâncias puras, não se podem realizar em muitos casos e que, pelo contrário, a
Natureza criou substâncias ativas e alimentos concentrados tanto nas nossas plantas
medicinais, como nas frutas, verduras e legumes, nas quais cada fator conserva uma proporção
maravilhosa que é a mais favorável para o nosso organismo. Temos de regressar àquela
verdade, puramente intuída por Hufeland (1762-1836), de que toda a planta alimentícia ou
medicinal constitui uma individualidade e que deve ser estudada e empregada como tal.
Confiemos pois nas velhas experiências, cuja realidade a ciência volta sempre a comprovar, de
que o produto natural completo é mais ativo do que qualquer dos seus compostos isolados.

Excesso de Proteínas Animais

Necessidade de Proteínas -- A chamada «questão proteínica» já excitou muito os ânimos, mas


precisamente neste aspecto levou a investigação moderna aos mais assombrosos e importantes
conhecimentos e esclarecimentos. Os ditos estudos servem de base às seguintes conclusões:
As proteínas são, para nós, matéria vital imprescindível, da qual -- tanto segundo as antigas
doutrinas sobre nutrição como as modernas -- necessitamos de uma média de 60 a 90 gramas
por dia. Não é esta a quantidade mínima suficiente, mas a mais favorável possível. Importa ter
muito em conta que tanto uma contribuição insuficiente como uma alimentação excessiva de
proteínas podem originar prejuízos no organismo. A doutrina mantida por Liebig (1803-1873) de

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

que a proteína é a fonte única de trabalho muscular e que as gorduras e os hidratos de carbono
só servem para manter o calor corporal,
33
já foi superada por Voit (1831-1908), embora este último também aceitasse uma necessidade de
proteínas excessivamente elevada (118 g). Podemos cobrir a quantidade de proteínas
necessárias com produtos animais ou vegetais, por exemplo, com carne, peixe, leite, queijo e
ovos, ou então com verduras, legumes, ervilhas, feijão, soja, nozes, sementes de linho ou de
girassol. Os diferentes tipos de proteínas animais ou vegetais compõem-se quimicamente de
numerosos elementos muito conhecidos, os chamados aminoácidos, dos quais, segundo a
doutrina da nutrição aceita até agora, se devem considerar imprescindíveis para o organismo
humano uns doze ou quinze. Segundo esta doutrina, devem consumir-se necessária e
totalmente com os alimentos, para se evitarem graves transtornos funcionais. Só quando se
dispõe desses elementos na sua totalidade é que é possível ao corpo transformar a proteína dos
alimentos em proteína do próprio organismo.
Qualidade das Proteínas Vegetais e Animais -- Os alimentos animais e vegetais contêm
componentes proteínicos em quantidade e tipos muito diversos. Sob o ponto de vista que
acabamos de indicar, consideram-se elementos de mais valor os que contiverem a maior
quantidade de elementos proteínicos, isto é, os que subministrarem o melhor material para a
reposição das proteínas orgânicas. Segundo esta opinião, o máximo «valor biológico» é
apresentado pelos tipos de proteínas que contêm todos os aminoácidos considerados
indispensáveis. São as proteínas denominadas completas ou valiosas.
De acordo com esta avaliação, são alimentos proteínicos completos a carne, o peixe, os ovos, o
leite, a levedura, as sementes oleaginosas, considerando-se incompletos, biologicamente,
segundo o seu conteúdo nos diversos aminoácidos, os cereais, as ervilhas, as lentilhas, o feijão,
assim como os outros vegetais. Há numerosos quadros sobre o valor dos tipos de proteínas nos
vários alimentos. Nesses quadros avaliam-se muito mais as proteínas procedentes dos
alimentos animais atrás citados (carne, peixe, etc.) do que as procedentes de vegetais, o que
deu lugar à enunciação do princípio da superioridade biológica da proteína animal com respeito
à do vegetal. Chega-se, assim, à conclusão de que uma pessoa normal de 70 quilos precisa
diariamente de uma quantidade de 70 a 90 g de proteínas, devendo ser pelo menos um terço,
isto é, de 23 a 30 g, de origem animal. O consumo médio interno de uma pessoa normal de 70
quilos pressupõe 22,3 g. Se a alimentação de uma determinada população se projetasse sobre
estes princípios, teria como conseqüência um consumo enorme de carne, ovos, leite e queijo.
34
Exemplos Sobre a Necessidade de Proteínas Animais -- O economista sabe, contudo, muito
bem, que um país frutífero e demograficamente denso não pode estar em condições de produzir
tanta carne, ovos, leite e queijo para que cada habitante possa receber diariamente a dose
considerada necessária de 23 a 30 g de proteína animal. Deste modo, teoricamente, tal país
encontrar-se-ia perante uma catástrofe alimentícia. Mas na realidade não é assim que as coisas
se passam. o que contradiz a ordem de valorização dos tipos de proteína acima expostos.
Numerosos estudos e ensaios têm demonstrado, com segurança, que uma alimentação
exclusivamente vegetariana e, até, exclusivamente crua, pode conservar o organismo forte e

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

jovem no mais alto nível de capacidade e plenitude corporais e espirituais.


O mais impressionante é, para já, a informação apresentada pelo Dr. Brauchle e original de
Theodor Hahn, segundo o qual, antes do descobrimento das Ilhas dos Ladrões pelos Espanhóis
em 1620 (cujos habitantes se consideravam a si mesmos os únicos povoadores do mundo),
estes estavam privados de quase tudo o que os povos civilizados consideraram indispensável
para viver. Além das aves, que, de resto, não comiam, não havia nenhum animal na ilha. Aquela
gente nunca tinha visto o fogo, e a princípio não fazia a menor idéia das suas características ou
emprego. A sua alimentação era completamente vegetariana, constituída por frutos e raízes no
seu estado natural. Os indígenas estavam bem constituídos, eram fortes e ativos, transportando
facilmente aos ombros pesos de mais de duzentos quilos. A doença era quase desconhecida
entre eles e chegavam com freqüência a uma idade bastante avançada. Não era raro encontrar
homens com cem anos de vida sem nunca terem estado doentes.
Aminoácidos Essenciais e Proteínas Vegetais -- As observações e os ensaios
freqüentemente debatidos e refutados encontraram entretanto a sua explicação científica. O
Prof. Abelin refutou, no «Congresso Internacional de Investigação Sobre as Proteínas», tanto a
teoria de que os aminoácidos são elementos absolutamente necessários para o nosso
organismo, como também a idéia de que certos aminoácidos sejam totalmente indispensáveis
por serem insubstituíveis, quando na realidade os aminoácidos são produzidos, consumidos e
transformados uns nos outros, no nosso próprio corpo. As combinações mais simples são as
realizadas pelos aminoácidos essenciais, cuja presença na proteína dos alimentos se considera
imprescindível, e que se encontram no organismo em quantidades quase normais, embora
hajam faltado durante algum tempo na alimentação. Salientou que o decisivo
35
não era o tipo de proteína consumida e que, por isso, também não figuram determinados
aminoácidos.
Cuthbertson, do Instituto de Investigação Rowet, em Aberdeen, expôs que a idéia de que a
proteína animal é superior à vegetal perdeu atualmente todo o sentido, porque se baseia em
experiências antiquadas com proteínas purificadas. As proteínas naturais vivas de igual
composição química, tais como se apresentam nos nossos alimentos, não só têm outras
características, como também, além disso, se comportam de modo diferente.
Também os norte-americanos deixaram de considerar a teoria dos aminoácidos como
fundamento para estabelecer o valor biológico da proteína. Vêem a superioridade da proteína
animal comparada com a vegetal no chamado «fator de proteína animal» ou estreptogenina
(APF = «Animal Protein Factor»), que hoje já se pode conseguir de matérias-primas vegetais e
que, segundo investigações de Kollath e Ginnäs, só é indispensável na alimentação, quando
faltam os portadores de fatores de crescimento (portadores de auxinas), como são as verduras e
os cereais.
Primazia das proteínas de Origem Vegetal -- Vemos por estas investigações, observações e
experiências que o problema de uma sã alimentação proteínica se aproxima, cientificamente, de
uma solução, já prevista há dezenas de anos por médicos notáveis. Demonstram o princípio de
que em toda a alimentação há de se preferir sobre todas as outras coisas produtos vegetais,
naturais e frescos. São os seguintes os produtos da Natureza trocados, o menos possível, pela

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

técnica humana e, por conseguinte, de maior valor: nozes, cereais, frutas, legumes, vegetais e
verduras. Em segundo lugar figuram os alimentos procedentes do reino animal: leite, ovos,
carne e peixe.

Excesso de Gorduras Animais

Gorduras «Refinadas» -- O abandono dos azeites vegetais tem tido, como conseqüência,
graves males, o que nos deve obrigar a prestar maior atenção a uma sã alimentação com as
gorduras. Os adultos necessitam, diariamente, de 50 a 80 g de gordura. Esta quantidade
preenche-se, geralmente, com manteiga, gordura de carne, gordura vegetal consistente (azeite,
óleo de coco, de palma) e margarina. São todas elas gorduras «consistentes»; sob o ponto de
vista químico muito saturadas e, por isso, difíceis de transformação nos processos metabólicos.
Pressupõem o perigo de se irem depositando, inconveniente-
36
mente, nas camadas inferiores da pele, sendo, assim, a origem da obesidade.
Todos os azeites fluidos considerados quimicamente são mais ou menos insaturados e, por isso,
fáceis de serem atacados e transformados pelos sucos digestivos, sempre que não se hajam
desenvolvido atividades químicas importantes. Neste caso, os azeites comestíveis correntes no
mercado não podem ser considerados produtos naturais, em todo o seu valor. Apresentam, por
isso, uma cor clara, e são insípidos, o que se consegue «refinando-os» apenas, isto é,
desaromatizando-os com vapor de água, branqueando-os com descorantes, desacidificando-os
com lixívia, engrossando-os com oxigênio. Sabemos que tanto as substâncias vegetais
aromáticas como os pigmentos vegetais e, especialmente, neste caso, os ácidos gordurosos
não saturados têm que cumprir importantes e, em parte, insubstituíveis funções biológicas. Os
chamados «processos de refinação» levam, sob o ponto de vista fisiológico da alimentação, a
uma desvalorização ou desnaturalização. De um meio de nutrição vivo obtém-se um simples e
inerte produtor de calor.
Necessidades do Organismo -- Estabelecemos outro fator na alimentação da nossa civilização
que largamente tem levado a enfermidades por insuficiência nutritiva, sobretudo da pele,
estômago, intestinos, fígado, vesícula biliar e circulação. Chegou-se, hoje, cientificamente, ao
conhecimento do efeito prejudicial da alimentação habitual na base de gorduras. Os azeites e
gorduras naturais obtidos por pressão a frio, sem nenhum emprego de calor nem de matérias
extratoras, não só mantêm o seu valor térmico (calorias), como também são portadores de
numerosas substâncias ativas, solúveis nas gorduras, como a provitamina A (B caroteno),
provitamina D (ergosterina), vitamina E (α + β tocoferol), vitamina F (combinação de ácidos
gordurosos não saturados com a glicerina ou glicérido) e fosfátidos (lecitina), além das matérias
aromáticas e corantes, assim como os oligoelementos. A maioria destas substâncias ativas,
necessárias para a digestão das gorduras, a sua absorção pelos intestinos e a sua
transformação, especialmente rio fígado, perdem-se no tratamento industrial.
Além da perda de vitaminas (A, D, F), basta citar como amostra que a lecitina é um componente
celular imprescindível, estreitamente relacionado com os ácidos gordurosos não saturados, que
também se encontra nos azeites sem refinar; conserva o equilíbrio biológico das células
nervosas, cumpre as suas funções nos centros de formação do sangue e desempenha um papel

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

na constituição das proteínas do núcleo celular.


Mas, não se trata, apenas, da perda de substâncias valiosas nas gorduras elaboradas
industrialmente, mas também do fato de se
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acrescentarem com freqüência substâncias para a sua conservação, sobretudo nas margarinas,
matérias corantes e outros compostos, para aperfeiçoar a. sua apresentação e torná-la mais
semelhante ao produto natural. E, ao chegarmos aqui, temos de diferenciar as gorduras
alimentares artificiais das naturais.
Normas Para a Utilização das Gorduras -- 1. Todas as gorduras consistentes, por isso
amplamente saturadas, de origem animal e vegetal (por exemplo a carne e a manteiga), devem
limitar-se, consideravelmente, a favor das gorduras líquidas. Entre os azeites deve-se dar a
preferência aos menos saturados, isto é, aos azeites vegetais secos, já que, não só se
transformam rapidamente, dentro do corpo, mas também porque contêm glicéridos de ácidos
gordurosos não saturados, ricos em vitaminas, de grande eficácia como substâncias calóricas
no metabolismo das gorduras por parte do fígado (vitamina F).
2. Cumpre estabelecer, em princípio, uma diferença entre "azeites de sementes» -- aqueles
azeites vegetais procedentes de toda a semente e nestas acumulados -- e os «azeites de grão»
conseguidos da parte seleta dos grãos de cereais, o germe. Os azeites de sementes são de
grande valor, por exemplo, os das nozes, linho, mas não o azeite da oliveira.
3. Todas as gorduras de origem animal ou vegetal, mais ou menos saturadas, transformam-se
dificilmente no corpo e acumuIam-se facilmente (obesidade). Por isso nunca devem ser tomadas
sozinhas, mas sempre com um complemento de azeite de linho, girassol, de grão de trigo. Se
não se fizer assim, vai-se dispondo, lenta mas continuamente, o terreno para as enfermidades
hepáticas e biliares, assim como para tumores benignos ou malignos. Os ácidos gordurosos não
saturados atuam, por sua vez, como barreiras contra o câncer.
4. A refinação com lixívia, o tratamento com descorantes e com desaromatização das gorduras,
assim como o seu endurecimento artificial, transformam-nas em meros portadores de caIorias e
fazem perder matérias ativas necessárias para o metabolismo das mesmas gorduras. No
endurecimento de gorduras, alteram-se, precisamente, ácidos gordos de grande valor biológico
e pouco saturado, ao passo que ficam sinais de ferro e de níquel nas gorduras alimentícias.
5. Como alimentação sã com gordura só devem contar, portanto, aquelas gorduras nutritivas
depuradas por métodos físicos. Entre os azeites vegetais estão os azeites de sementes e
cereais prensados a frio.
6. Os azeites de mais valor que o reino vegetal nos oferece são os de grão de cereais, cujo
conteúdo em compostos biológicos excede o dos azeites de semente em quase dez vezes mais.
Contêm todas as substâncias ativas lipossolúveis na mais elevada concentração, so-
38
bretudo a vitamina E e a vitamina F, essencial na combustão metabólica das gorduras.
Vêm de onde a Natureza as criou: as células germinais. Aqui depositou a Natureza um azeite

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

que pela germinação dá lugar, em poucas horas, a algo de novo: outra planta. Essa rápida
transformação no processo germinativo expressa, claramente, a rapidez com que esse «azeite
vitamínico» se pode converter em energia. Não provoca obesidade e é a gordura mais sã que
existe.

Excesso no Emprego do Sal

Necessidade de Sal em Proporção Ínfima -- Em princípio está certo o que Paracelso já


formulava: «É só a dose que faz com que a coisa não seja venenosa». Basicamente, o sal não
é, por si mesmo, um veneno, utilizando-se por isso na homeopatia; mas, na quantidade que se
toma na alimentação habitual, uns vinte ou trinta gramas diários, aparecem os efeitos tóxicos de
uma coisa evidentemente excessiva.
Também é válido para o sal o que já se disse sobre as substâncias puras. O sal comum é
cloreto de sódio puro, livre de todos os aditamentos naturais, antigamente chamados
«impurezas». Temos, assim, de voltar ao produto natural, isto é, ao sal mineral, como se
emprega normalmente na Rússia, ou da água do mar, que contém em equilíbrio fisiológico os
sais minerais de que necessitamos.
Ao passo que Brauchle aconselha a não empregar, em casa, por dia e por pessoa mais de dois
gramas de sal comum, Kollath, por sua vez, diz que só com um consumo de pão de trezentos a
quatrocentos gramas fica totalmente coberto o consumo necessário de sal, mesmo calculando-o
em sete ou oito gramas diários, visto o pão conter dois por cento de sal comum. Outros autores
só aconselham um a dois gramas por dia. Embora estes algarismos no sentido de uma nutrição
sã devam ser considerados insuficientes, podem, contudo, completar-se com sal integral, sal do
mar, ou água do mar, para satisfazer a «necessidade natural de sal». O sal do mar, além do
cloreto de sódio, também contém potássio, cloreto de cálcio e cloreto de magnésio, que se
mantêm em equilíbrio biológico, assim como os «oligoelementos», substâncias estas cujo
verdadeiro significado ainda não é totalmente conhecido, mas que se consideram absolutamente
essenciais para a vida.
Danos Devidos ao Sal -- Depois de o sal ter sido absorvido na corrente circulatória, dissocia-se,
em grande parte, a combinação de cloro e sódio, exercendo,
39
separadamente, os seus próprios efeitos.
Ao passo que o átomo de cloro é rapidamente combinado por outras substâncias e resulta
inócuo, entrando a formar parte do ácido clorídrico do estômago, pelo contrário o átomo livre de
sódio, ao combinar-se com o hidrogênio, exerce notáveis efeitos tóxicos. Se dermos a uma
criança de peito, de um a três gramas de sal, reagirá com uma subida de temperatura. Mas
também os adultos, depois de vários meses de consumo excessivo de sal, sofrem fortes efeitos
em todas as funções orgânicas e dos tecidos, produzindo-se gengivite, catarro estomacal ou
intestinal, hemorragia hemorroidal, enxaqueca e inflamações nas mucosas. Os «males do sal»
são devidos, ao que parece, de modo geral a uma perturbação dos tecidos conjuntivos. Como o
vital significado do tecido conjuntivo se tem salientado novamente através das modernas
investigações sobre o câncer, pode calcular-se o grave dano que nele pode causar o sal.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

Numa série de enfermidades correntes e graves do coração, fígado e rins, assim como no
edema da gravidez, conhece-se e aproveita-se diariamente o efeito curativo da supressão total
do consumo de sal. Há meio século, dois médicos franceses observaram que rios doentes de
hipertensão, esta baixava para o normal, quando se lhes suprimia o sal. Há trinta anos,
ocuparam-se os médicos norte-americanos desta observação e puderam comprová-la depois de
algumas investigações, embora com resultados desiguais. .Hoje o regime alimentar sem sal faz
parte principal do tratamento dos doentes do coração, e principalmente dos doentes do sistema
circulatório, assim como dos rins, fígado, pele e pulmões. Os alimentos sem sal (arroz e frutas)
podem fazer milagres na hipertensão e nas doenças cardíacas. Mas ainda não sabemos se é só
neste problema do sal que está a chave para a solução das numerosas incógnitas que a
hipertensão nos levanta.
Utilização do Sal -- Uma coisa está bem clara: muito sal puro não favorece o nosso organismo.
Devemos, pois, reduzir o seu consumo ao mínimo ou, melhor ainda, substituí-lo pelo sal integral
ou do mar. O sal, como tal, não é necessário para viver, embora o sejam os seus componentes:
o cloro e o sódio; mas o sal não é a única fonte destes elementos.
Nesta questão do sal de mesa não nos queremos mostrar partidários nem esquecer que o sal
em numerosas circunstâncias costuma ser incluído na medicina, sobretudo quando o corpo, no
decorrer de uma enfermidade, tiver perdido grande quantidade de água, produzindo-se então
quase sempre maior perda, de sódio e de cloro. É o que acontece nos vômitos fortes e
persistentes, como conseqüência de uma contração dos músculos do
40
estômago (estenose pilórica da criança de peito) ou estreitamento por doença da saída do
estômago (úlcera de duodeno e estômago), em casos de diarréias intensas, como conseqüência
de catarro gástrico ou intestinal e em casos de grande sudoração, como ocorre em muitas
doenças infecciosas. Para o tratamento dos doentes addisonianos são necessárias elevadas
tomadas de sal de cozinha, de dez a vinte ou mais gramas. Tampouco deve um diabético
alimentar-se com pouco sal, porque isso afeta a ação da insulina.

Excesso de Condimentos e Produtos Químicos

Razões Para o Uso Moderado de Condimentos -- Com o considerável intercâmbio de


mercadorias de toda espécie entre os vários países, também se conseguiu um lugar
proeminente para as especiarias exóticas, que só têm aplicação real nos tópicos, deslocando
quase completamente e sem razão as ervas e os condimentos de cada país.
Quem só sabe dar sabor a um prato com especiarias exóticas (curry, gengibre, cravo, pimenta,
canela) mostra, pelo menos, o seu desconhecimento da arte e da «cultura» culinárias.
Como a cocção destrói ou altera muitos dos elementos do sabor, não é de estranhar que os
alimentos cozidos sejam insípidos por si mesmos e que não excitem o olfato nem o sabor, não
despertando assim o apetite. Deve-se, pois, adicionar os condimentos aos alimentos cozidos,
depois da cocção, porque perdem o sabor quando são cozidos, obrigando assim os comensais a
recorrer ao saleiro ou às mostardas, depois do primeiro bocado. No nosso clima é muitíssimo
mais conveniente servirmo-nos dos nossos condimentos, visto adaptarem-se como matérias

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

aromáticas e sápidas de forma mais perfeita às necessidades do nosso organismo.


Os nossos condimentos excitam os órgãos do olfato e do paladar, o que é necessário para
despertar o apetite, incrementam a secreção dos sucos gástricos do estômago, intestinos,
pâncreas e fígado; favorecem a absorção das substâncias nutritivas do bolo alimentar, aceleram
os movimentos peristálticos do intestino, assim como também facilitam as deposições e ainda
atuam como sedativos do sistema nervoso. Deste modo, a Natureza une o processo necessário
para a provisão de energia com o prazer proporcionado pelo consumo de alimentos bem
condimentados.
Tão reprovável é o emprego exagerado de especiarias exóticas, como o ponto de vista de
muitos renovadores fanáticos que condenam radicalmente todos os

41
condimentos como excitantes, contrários à saúde, e permitem, quando muito , algumas
inofensivas ervas culinárias. Não é assim. A Natureza oferece-nos copiosamente a abundância
em ervas e condimentos da região para nos servirmos delas prudentemente, como matérias
fomentadoras do apetite e da saúde.
Os Condimentos não Devem Anular o Sabor Natural -- Queremos que, graças aos nossos
condimentos, os pratos se tornem apetitosos, sãos e saborosos. Por isso, nunca se devem
empregar tantos condimentos que façam desaparecer o sabor próprio do prato, quer seja sopa,
legumes ou verduras, cedendo o primeiro plano no paladar ao condimento. O sabor próprio do
prato apenas deve ser reforçado, suavizado ou completado.
A dona de casa tem de conhecer, por conseqüência, o sabor de cada condimento para
empregá-lo razoavelmente. Não basta deitar na panela «qualquer condimento», ou «um par de
ervas» para obter uma «harmonia de sabores». Geralmente, empregam-se excessivos
temperos, porque a maioria dos homens estão habituados, de há anos, a comidas demasiado
doces ou salgadas. Se se suprime a pimenta, o sal ou a mostarda, considera-se o prato, a maior
parte das vezes, insípido, até se achar de novo, ao fim de certo tempo, o autêntico sabor do
alimento em questão, tendo concorrido para isso o regresso da sensibilidade aos nervos
gustativos do paladar. Um paladar habituado à diferenciação de finas qualidades de sabor,
dificilmente volta a qualificar de saborosos os pratos muito salgados ou apimentados.
0 Problema da Conservação dos Alimentos -- O emprego de produtos químicos na
conservação e preparação dos alimentos é devido ao desejo de se conseguir uma duração e
uma capacidade de armazenagem e de transporte que permitam a formação de reservas e o
fornecimento para pontos afastados ou para as grandes cidades. Estas propriedades só as
possuem os produtos naturais em pequeno grau, pois todos eles estão sujeitos à decomposição
natural. Os melhores métodos de conservação são hoje a dessecação (frutas, legumes), a
acidificação (couve, couve-lombarda, ervilhas), as conservas em soluções açucaradas
concentradas, o recobrimento com azeite ou a defumação. Os processos modernos empregam
o calor, o frio ou os desinfetantes orgânicos e inorgânicos, às vezes estranhos ao corpo e nem
sempre inócuos, mas com freqüência até perigosos (sulfito sódico).
Sempre que a conserva permita à família dispor de uma reserva no inverno, nada há de mal
quando se empreguem de preferência métodos naturais. Quanto às conservas comerciais e à

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

armazenagem em grande escala, é necessário que se empreguem mé-


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todos seguramente inócuos. Só se deve recorrer a conservas para casos de emergência e de
exceção, uma vez que todos os métodos de conservação afetam, em maior ou menor grau, o
valor biológico dos alimentos, fazendo-os descer para uma categoria secundária. Não me
parece que haja alguém que se atreva a defender que as conservas valem mais do que
produtos frescos.
Os Conservadores Químicos -- O emprego do «amarelo de manteiga», corante derivado do
alcatrão, foi muito corrente durante algum tempo para se poder conseguir em todas as épocas
um tom agradável na margarina, por causa da preferência dos consumidores pela manteiga
amarela. Este engano foi depois proibido, quando se demonstrou que se tratava de uma
substância que provocava a formação do câncer. Cumpre ter, sempre, o maior cuidado com os
corantes químicos. O emprego de clorofila é, indubitavelmente, um progresso e, por se tratar do
pigmento vegetal verde (lãs plantas, (leve ser aceito. O melhor método para evitar riscos é o de
preferirmos produtos vegetais frescos.

Insuficiência de Vitaminas e de Hormônios

A Necessidade em Vitaminas -- O conhecimento das vitaminas é muito recente e ainda não


chegou a conclusões definitivas. O seu propósito principal é o de fixar a necessidade diária real
de cada vitamina. Essas quantidades servem para cobrir o estado de insuficiência produzido por
uma alimentação incompleta, desgaste, excesso de trabalho e gravidez. Em doses normais,
constituem todas as vitaminas, juntamente com as proteínas, os fermentos e outros elementos,
«as substâncias fundamentais» da vida tão importantes na estrutura e regulação do
metabolismo. Já dissemos que os chamados processos de refinação e aperfeiçoamento, entre
eles a cocção e a conserva, levam a tinia perda de vitaminas muitas vezes em proporção
considerável.
Não é necessário pormenorizar os diferentes sintomas de avitaminose, pois fá-lo-emos no
devido lugar. Basta referir aqui a insuficiência da vitamina A, que, além das conseqüências
características para a formação da pele e das mucosas e da capacidade para aumentar a
resistência contra os agentes infecciosos, toma parte na formação da púrpura retiniana e na
adaptação do olho à escuridão, atuando também na regulação da tireóide e no fígado. Dadas
estas funções, compreendem-se as afecções que a falta ou
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a insuficiência prolongada da vitamina A podem produzir.
Este exemplo apenas pretende demonstrar as conseqüências da insuficiência de uma só
vitamina, mas pode considerar-se representativo dos outros casos. Os sintomas típicos descritos
que a falta da vitamina A pode provocar não se apresentam com freqüência na prática, porque
na alimentação sempre se inclui certa quantidade de vitaminas ou de provitaminas, e o nosso
corpo sabe e pode adaptar-se a um estado de insuficiência dentro de limites muito amplos e
durante bastante tempo.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

É Difícil Produzir um Excesso de Vitaminas no Organismo -- Antes de mais nada, é mister


resolver o problema da possibilidade de se produzir também a absorção excessiva de vitaminas,
e neste caso se esta pode causar danos. À primeira parte do problema proposto pode
responder-se que nunca se produzirá um consumo excessivo de vitaminas, sempre que nos
sirvamos de fontes vitamínicas naturais, como são as dos comestíveis. Uma hipervitaminose
pode produzir-se artificialmente pelo consumo de preparados vitamínicos concentrados.
Utiliza-se a absorção excessiva de vitaminas para regimes curativos, com o que se prestam
atualmente excelentes serviços, embora ainda haja pouca experiência com respeito ao efeito de
doses elevadas de vitaminas, nem seja ainda possível encontrar explicação para tais efeitos. O
seguinte quadro abreviado permite um rápido olhar para o conceito atual das necessidades
diárias de vitaminas e as quantidades que se empregam para obter esse objetivo com um
tratamento médico.
Vitamina Quantidades Necessárias para adultos Doses maciças de efeitos fármaco-dinâmicos

A 5.000 - 8.000 U.I


100.000 - 600.000 U.I. por dia
B1 1,23 - 2,5 mg
100 mg por dia
B6 1 - 2 mg
100 mg ou mais, por dia
C 75 - 150 mg
Até 4 g por dia
E 10 - 25 mg
300 - 900 mg por dia

Extraído do Serviço Bibliográfico ROCHE)

Assim, por exemplo, mediante a administração de 3.000 a 5.000 U.l. (Unidades Internacionais)
de vitaminas A e 30 a 50 mg de vitamina C por cada quilo de peso do corpo, pode fazer-se mais
lento o desenvolvimento do câncer. Com 100.000 a 600.000 U.l. de vitamina A, tratam-se as
variadíssimas doenças inflamatórias e degenerativas da pele, das mucosas e dos olhos. A
vitamina B1 em
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doses diárias de 100 mg e mais influi nas inflamações nervosas graves, ao passo que a B6
emprega-se com êxito, nos vômitos por diversas causas (incluindo a gravidez) e noutras lesões
de origem radiativa.
Disto deduz-se, naturalmente, que os estados em que influem grandes doses de vitaminas não
se teriam provavelmente produzido, se anteriormente se tivesse disposto permanentemente das
quantidades necessárias de vitaminas na alimentação.
Papel dos Hormônios Vegetais no Organismo Animal -- Assim como conhecemos nas
plantas, sob o nome de auxinas, substâncias que excitam a divisão dos núcleos celulares,
causando a multiplicação de células (entre elas figura, por exemplo, a vitamina B1), também
conhecemos agora matérias em animais e homens com a mesma função, denominadas
«auxonas» (entre as quais figura por exemplo, o ácido pantotênico, um fator do grupo da
vitamina B) cuja falta na alimentação e os seus efeitos na alimentação humana o Prof. Kollath
descreveu pormenorizadamente.
Nas suas experiências com ratazanas verificou que, submetidos a uma alimentação

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

completamente desnaturalizada, os animais conservam a vida, mas só em estado de saúde


mediana, num estado de seminutrição que denomina mesotrofia (hiponutrição). Os animais
receberam só alimentos refinados, sem outros minerais que o zinco e o fosfato de potássio, e
entre as vitaminas só pequenas quantidades de aneurina (vitamina B1). O regime mostrou, pois,
eqüitativamente, as características da comida do homem civilizado. Com esta dieta, os animais
desenvolveram-se e atingiram a idade normal, mas bem depressa mostraram sintomas de
degeneração: queda dos molares, pobreza de minerais nos ossos, alterações patológicas na
flora intestinal e prisão de ventre crônica. Se se juntarem as vitaminas já conhecidas à
alimentação, o estado de saúde não melhora. A característica mais saliente de tal estado é a
insuficiente energia regenerativa das células. A análise cuidadosa dos animais mortos
demonstrou alterações anatômicas notáveis tios mais diversos órgãos, extraordinariamente
semelhantes às doenças degenerativas dos homens.
E vem agora o mais interessante. Se aos alimentos se acrescentassem vegetais verdes, pastas
de grãos de cereais ou leveduras, impedia-se o estado de hiponutrição. Num espaço de tempo
não muito grande o estado era mais satisfatório e, inclusive era possível a recuperação da
saúde.
Os Fermentos, Chave Essencial do Metabolismo -- Não nos parece que arrancamos à
Natureza, com a investigação sobre as auxinas, o seu último segredo, acerca dos efeitos da
nutrição. E, por isso, necessária a investigação daqueles fatores que nos levam à saúde total. É
hoje tão importante
45
Cristais de vitaminas à luz polarizada:

47
tal investigação, como a ampliação dos já tão diferenciados métodos do diagnóstico e da sua
aplicação. Não só é mais fácil prevenir do que curar, como além disso se torna mais econômico
tanto para o indivíduo como para a sociedade.
Vamos agora referir-nos de novo e brevemente aos fermentos, maravilhosa chave no mundo da

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

alimentação, visto a alimentação corrente ser pobre deles, pelo que já falamos, com razão, da
deficiência da civilização no tocante a fermentos. A bioquímica moderna conseguiu descobrir a
sua estreita relação com os fatores hereditários.
Com a ajuda dos fermentos que o corpo são produz em quantidades suficientes, pode o
organismo desdobrar as substâncias alimentares ingeridas e, posteriormente, assimilá-las. Mas,
da mesma maneira que cada fechadura tem uma chave, também os diversos e numerosos
alimentos precisam, cada um deles, de uma «chave» especial. Os fermentos só desempenham
a sua função de «chave» quando têm o «modelo» conveniente. Ora, isto é feito pelas vitaminas.
É muito provável que os oligoelementos desempenhem nisso o seu papel. É só quando o
fermento está unido a uma vitamina companheira que se constitui a varinha de condão para o
aproveitamento de determinados alimentos. Assim, conhecemos fermentos que desdobram o
amido (amilases), que degradam as moléculas proteínicas (proteases), outros que dividem as
gorduras ou substâncias semelhantes às gorduras (lipases) e, finalmente, fermentos que fixam o
oxigênio dos alimentos (oxidases).
É evidente que o metabolismo, tem de ficar incompleto se não se adicionarem vitaminas aos
alimentos, cuja função é a de formar os fermentos para a sua missão correspondente. Se, pelo
contrário, o organismo não estiver em condições de formar os fermentos necessários, o que não
pode conseguir-se sem as valiosas moléculas de proteína, as vitaminas não produzirão efeitos.
Só a proteína sem se desnaturalizar é que é eficaz para a formação de fermentos. A
insuficiência de fermentos no organismo pode ser superada pela riqueza da alimentação em
fermentos próprios, já que o alimento cru e natural está dotado pela Natureza de fermentos
próprios. Os fermentos nos alimentos vegetais consumidos crus compensam os ácidos
clorídricos do estômago e influem, de modo decisivo, na digestão.
Os Fermentos são Facilmente Alteráveis -- Deve-se insistir em que, mediante a cocção, o
assado, o fervido, o frito, as conservas e todos os aditamentos químicos destes processos
destroem os fermentos próprios dos alimentos que atuam no metabolismo. O predomínio de
alimentos cárneos e cozidos tem de levar a um metabolismo incompleto e, finalmente, a
desordens neste e à formação de fermentos.
48
Ninguém é capaz de imaginar a potência destas substâncias ativas sem saber que as mudanças
químicas que sofre, por exemplo, uma batata devido à atividade dos fermentos, só seriam
efetuadas sem eles num período de quatro meses à temperatura de 400¤C. Os fermentos
desempenham o papel de pequenos «feiticeiros» bioquímicos. Realizam sem esforço a
transformação dos alimentos, processo este que nós, quimicamente, só podemos efetuar
empregando pressão elevada, temperatura alta ou muito tempo.
Como Utilizar os Fermentos -- O nosso corpo necessita de todos os componentes naturais
precisos para a renovação contínua de fermentos de toda a espécie. Basta faltar um fermento
com a sua missão totalmente específica para se interromper uma complicada ca(leia metabólica,
ficando incompleta. De onde é que o organismo obtém a totalidade desses elementos? Só uma
alimentação completa, baseada rio natural e que proceda de um solo são. Quem concluir de
tudo isto que a nossa saúde depende do cultivo da horta encontra-se no bom caminho. É um
fato desconsolador que a maioria dos homens desconheça o potencial alimentar e curativo de
uma horta. Sofre assim de uma «insuficiência de fermentos pela civilização», fácil de reconhecer

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

pelos seus numerosos sintomas, como peso no estômago, mau cheiro na boca, sensação de
saciedade, ardor no estômago, pele seca e descorada e as suas numerosas formas de
exteriorização, como transtornos digestivos e doenças do estômago, intestinos, fígado, vesícula
biliar e glândulas salivares. Os sucos e aperitivos crus, as frutas e as verduras são os meios
certos de previsão, cura e recuperação.

Contribuição Deficiente em Minerais e Oligoelementos

Características e Necessidade de Minerais e Oligoelementos -- A falta de uns e outros está


relacionada com as vitaminas e as auxinas. Têm a mesma origem, com efeitos em parte
característicos e em parte gerais, além de muitos outros que, decerto, desconhecemos. Já nos
referimos a esta questão quando tratamos da arte culinária e do emprego do sal. É
imprescindível citar aqui, embora só de passagem, os resultados das numerosas investigações
sobre o metabolismo de minerais e oligoelementos. Tem-se provado que não podemos
prescindir de muitos, como acontece com o sódio, potássio, cálcio, magnésio, ferro, manganês,
cobre, zinco e cobalto. Mas quanto ao papel de outros elementos mais raros que encontramos
regularmente, como o flúor, boro, ní-
49
quel, arsênio, antimônio, chumbo, mercúrio, ouro e rádio, ainda não estamos bastante
orientados ou só muito pouco. Desconhecemos, por exemplo, se o rádio que tenha chegado ao
sistema ósseo dali emite as suas radiações de fácil medida (40 unidades Mache), desempenha
uma função necessária no metabolismo ou se deve ser considerado como um elemento
estranho. Sem as matérias minerais não se pode obter o desenvolvimento nem conservar a
vida; a uma contribuição incompleta corresponde uma vida incompleta e uma deformação da
personalidade.
Efeitos Sobre o Organismo -- Sabemos que os minerais regulam o metabolismo da água, o
equilíbrio ácido-básico, a sensibilidade dos nervos e dos músculos, a produção dos sucos
digestivos e a resistência dos ossos e dos dentes. Em maravilhosa harmonia, cada mineral e
cada elemento tem a sua missão determinada e insubstituível. Basta fixar profundamente a
atenção nesta harmonia das funções biológicas e reconhecer a incalculável diversidade dos
fatores que intervêm para possibilitar a existência do organismo humano, para ficarmos
assombrados, se não atemorizados, perante um Poder não só capaz de tais obras, como
também, além disso, de ter dado a existência a inumeráveis seres vivos, cuja existência esse
mesmo Poder também conserva. Através da ordem das coisas visíveis adivinhamos o invisível
Criador dessa ordem. Quem é que diante de um edifício não deduz a existência do arquiteto?
No visível revela-se o plano do invisível. Por isso a inesgotabilidade do mundo visível é um
indício da magnitude do invisível.

Alimentos Pobres em Estimulantes Intestinais

Função das «Matérias Inertes» -- As «matérias inertes», como já dissemos no caso da

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

digitalina, quando tratamos do problema de «substâncias puras ou misturas naturais», têm o seu
significado e a sua função. Assim, na digestão, o que não é digerível não é lastro sem valor que
tem de ser eliminado; efetivamente, estimula, embora só mecanicamente, as paredes intestinais,
excita a função do intestino e atua assim eficazmente contra a prisão de ventre, de que hoje
sofre a maior parte dos homens civilizados. A alimentação rica em substâncias cruas contém
sempre suficiente quantidade de celulose «não digerível».
Uma evacuação intestinal mais rápida e perfeita evita a «putrefação das proteínas» e, por isso, a
formação de toxinas no intesti-
50
no. Os produtos da proteólise quando passam do intestino para o sangue são fatores
prejudiciais para a saúde, que forçosamente têm de ser eliminados. Quando se ti-atou do
problema das proteínas, analisamos as conseqüências de um funcionamento anormal do
intestino. Agora apenas diremos, para terminar, que os componentes da nutrição não digeríveis
também são imprescindíveis para o funcionamento do intestino.

Contribuição Deficiente de Clorofila

Natureza e Propriedades - A clorofila despertou, ultimamente, a nossa atenção, e contém, hoje,


como medicamento, numerosos específicos farmacêuticos. Há grande
parentesco entre o pigmento vermelho do sangue e o pigmento verde das folhas. Ao
passo que o corante sangüíneo vermelho é portador e transmissor do oxigênio, para nós vital, a
clorofila na planta efetua o grande milagre de formar uma substância
orgânica (açúcar e amido) a partir de um gás (anidrido carbônico) e água, de colaboração com o
sol, criando assim a base para a alimentação humana. Consideramos os dois corantes como
substâncias vitais básicas, e interessa
averiguar que efeitos diretos exerce a clorofila sobre o organismo humano. O
corante vegetal verde incrementa a formação de hemoglobina e o número de glóbulos
vermelhos, facilitando também o funcionamento do coração, as funções intestinais e o
metabolismo; evita a contração dos vasos e faz baixar a tensão; aumenta o rendimento
muscular e nervoso, incrementa o recambio hídrico, regula as funções da matriz, dá um olor de
frescura ao corpo e ao hálito e incrementa, em geral, o desenvolvimento dos tecidos orgânicos.
Tudo isto quer dizer que essa maravilhosa matéria verde é um revitalizador geral para todas as
células e, além disso, uma espécie de cosmético natural. Na folha verde viva existe um
componente que tem o enorme poder de alimentar e de curar. Por que é que não temos isto
mais freqüentemente em conta?

Formação da Dona de Casa

Quem seguiu com atenção até aqui as considerações anteriores tem de concluir
que a maioria das doenças são conseqüências de alimentação defeituosa, isto é, são devidas a
própria ignorância e à própria atuação. Isto deve ser convincente e
sobretudo deve tornar-se evidente para as donas de casa, porque são elas com o seu

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

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trabalho na cozinha que decidem sobre o feliz e são desenvolvimento dos filhos e a conservação
da capacidade de rendimento do marido.
Têm de conhecer, por isso, os princípios fundamentais da alimentação completa e sã e as
características dos alimentos a empregar como meios para se conseguir uma vida
verdadeiramente higiênica. Têm de saber onde deve terminar o emprego de uma determinada
técnica culinária, como por exemplo o calor, antes de se tornar prejudicial. Finalmente, têm de
conhecer a fundo as formas de uma preparação agradável e saborosa da alimentação, dando ao
consumo desta um ambiente que faça desaparecer o cansaço do dia.

Regras Fundamentais da Arte Culinária

E agora, para facilitar à dona de casa a sua tarefa cheia de responsabilidade e de tão grandes
conseqüências, há que ter em conta as seguintes regras, que solucionam os problemas até aqui
apresentados:
1. Todas as refeições devem começar com alimentos crus, conforme o permitir a época do ano.
A nossa nutrição exige que estes alimentos constituam, como mínimo, a décima parte do regime
total.
2. Uma alimentação em que predomine farinha integral, leite e produtos lácteos, nozes, frutas,
legumes, verduras, tubérculos e raízes raladas, batatas cozidas sem descascá-las, frutos
tropicais, pão integral e, azeite vegetal extraído a frio, considerando completamente ocasional a
carne, o peixe, os ovos e os [(,gumes secos - tudo isto conserva o homem são e aumenta-lhe a
capacidade de rendimento.
3. Uma alimentação que consista predominantemente em produtos cozidos, carne, gorduras
consistentes animais e vegetais, batatas cozidas descascadas, conservas, pastas, sêmolas,
farinha branca, arroz branco, pão branco, açúcar branco, sal branco, chá, café e muito pouco
leite - é uma nutrição sem nenhum valor, que a longo prazo leva a alterações enfermiças
crônicas. São estas a base para a formação de alterações celulares (câncer) e o ambiente mais
propício para a criação e multiplicação de bactérias nocivas à saúde.
4 . A única medida para calcular pessoalmente se a alimentação é apropriada é constituída pelo
bem-estar e capacidade de rendimento, e não pelos quadros de calorias nem pelos sistemas de
alimentação.
5. A simplicidade e a moderação na alimentação são normas que nenhuma teoria nem doutrina
alimentar têm podido destruir.
6. Para comer é necessário tem-
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po e esse tempo deve dedicar-se à mastigação. Por isso, a alimentação deve incluir algo que se
mastigue. O pão integral, as nozes e as frutas devem recomendar-se cuidadosamente.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

7. Só os alimentos naturais crus é que são autênticos alimentos.


8. A quantidade de consumo de sal está numa proporção inversa com a qualidade dos
alimentos. Para um alimento que conserva todo o seu valor, o juntar-lhe sal não só é supérfluo
como também prejudicial. Os alimentos naturais contêm quantidades suficientes de sódio e de
cloro, os dois elementos componentes do sal.
9. O olfato intervém na comida; o aroma e o gosto dos alimentos influem na sua qualidade e na
sua utilidade.
10. O profundo respeito para com a Natureza implica um profundo respeito pelas maravilhas da
alimentação e suas conseqüências.
Quem depois destas explicações necessárias sobre as insuficiências do nosso atual método de
alimentação se der ao trabalho de me seguir no mundo maravilhoso, variado e misterioso de
cada um dos nossos alimentos, obterá para si e para os seus uma fortuna. Nisso será auxiliado
pelo depósito inesgotável da Natureza e pelo espírito que a anima.
Antes de nos dedicarmos a cada um dos vários alimentos, daremos esclarecimentos sobre um
problema fundamental. É necessária uma colaboração cheia de compreensão entre médicos.
bromatólogos, agricultores, criadores de gado, químicos, se quisermos realmente chegar a uma
solução satisfatória do problema de obter uma alimentação racional. Em todo o caso, fica de pé
a velha verdade de que as plantas, os animais e os homens só se podem desenvolver e
manter-se sãos num solo também são. É nosso propósito principal aproveitar, dentro dos limites
impostos pelas leis naturais, as possibilidades que nos oferece o trabalho e o solo, o cultivo das
plantas e a criação de animais para participarmos realmente na grande obra criadora da
Natureza e chegarmos a obter uma verdadeira agricultura de exploração da Natureza.
Mas se pretendermos apenas aproveitar as relações biológicas sem respeitar a lei natural e
pensarmos apenas no benefício a obter, então a Natureza voltar-se-á contra nós mesmos,
respondendo-nos com a infertilidade do solo e com as doenças das plantas, dos animais e do
homem.
Em todas as medidas agrícolas deve-se ter sempre presente que hão de servir não só para
produzir a quantidade necessária de alimento como também para melhorar a sua qualidade e
aumentar o seu valor biológico.
Se, porém, o cultivo das plantas, a obtenção de alimentos nas hortas, nos campos e nos
rebanhos se efetuarem conforme as leis biológicas básicas, então, de uma terra sã surgirá uma
vida sã.
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Quadro das Vitaminas Mais Importantes Para o


Homem
A) Vitaminas lipossolúveis
Denominação Denominação Função Modo de atuação Fontes
alfabética química característica naturais

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

Vitamina A Axeroftol Vitamina de proteção Para o estado e função normais da Nas plantas como provitaminas
epitelial, antiinfecciosa pele, niucosas e outras céluIas de (carotenos). As printipais fontes vegetais
(Provitamina: e antixei oftálmica revestimento das glândulas salivares. de vitamina A são: Favas.
Protege o fígado. É provável a sua Cevada. Laranjas.
carotenos) considerável influência no As fontes animais são:
desenvolvimento corporal. Óleo de fígado de bacalhau. Manteiga.
Gema de ovo.
Leite completo.
Nata.
Queijo

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Necessidades diárias Fenônenos Doenças que o emprego de vitamina cura ou melhora


do hornem produzidos pelas
carências vitamínicas
Adultos: Secura e Durezas da pele, como calos, olhos de galo, verrugas, pele
5000 U.l. (Unidades Internacionais) aproximadamente. queratinização das seca, doença de Darier (com espinhas calosas, compactas,
6000 U.I. na gravidez, aproximadamente. células, cura arredondadas ou em bico, tonalidade entre pardo e
8000 U.I. na amamentação deficiente das feridas, avermelhado, muitas vezes excrecências em forma de
aproximadamente. alterações e menor couve-flor), acne vulgar (glândulas sebáceas inflamadas),
capacidade defensiva ictiose, queimaduras, úlcera de raios X, varizes, ozena,
Crianças: das mucosas contras inflamação da laringe e dos brônquios, inflamação da laringe,
Menos de 1 ano, 1500 U.I. as infecções, inflamação das mucosas da boca, do estômago, com escassez
aproximadamente. secreção de ácidos no ou falia de ácido, úlcera do estômago e duodeno, inflamação da
De 1-3 anos, 2000 U. I. aproximadamente. estômago, tendência mucosa do intestino grosso, cegueira noturna, amolecimento e
De 4-9 anos, 2500-3500 U.I. para a formação de descolantento da córnea, queratose e queratomalacia. Doença
aproximadamente. cálculos, tendência de Basedow, funcionamento excessivo das glândulas salivares,
De 10-12 anos, 4500 U.I. para a diarréia, cirrose hepática- Repetição de abortos.
aproximadamente. endurecimento das
células de Formação de cálculos nas vias urinarias. Secura e
Moças: revestimento dos estreitantemo dos órgãos sexuais externos femininos, doença
De 13-20 anos, 5000 U.l. olhos, cegueira não infecciosa da mucosa da vagina.
aproximadamente. noturna.

Rapazes:
De 16-20 anos, 6000 U.l.
aproximadamente.

1 U. 1. corresponde aproximadamente a:

0,6 Y de 3 caroteno. O ,3 Y de álcool de viramina A. O


,344 Y de acetato de vitamina A.

Uma criança, na idade escolar, cobre quase toda a sua


nessidade de vitamina A com meio litro de leite.

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Denominação Denominação química Função Mudo de atuação Fontes naturais
alfabética característica

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

Vitamina D Calciférol Vitamina Regula o metabolismo do fósforo e do Em óleo de fígado de


Vitamina D3 A vitamina D3 é anti-raquítica. cálcio. Melhora, essencialmente, o peixes (emulsões de
a provitamina natural que metabolismo do cálcio e permite a fígado de bacalhau, atum,
antigamente se denominava formação do complexo de cálcio-fósforo, mero), leite, ovos,
«vitamina D». A vitamina D3 é necessário para a ossificação normal. manteiga, levedura.
um produto de irradiação do 7 - Fomenta o desenvolvimento.
dehidrocolesterol. A vitamina D2 Também devem corresponder às
ou calcifecol é um produto de vitarrimas D outros efeitos, até agora
irradiação do ergosterol. desconhecidos.
Já se conhece a sua relação com a
glândula paratircóide que regula sobretudo
o metabolismo do cálcio.
Vitamina E Toculecol. Vitamina da Regula o metabolismo da glândula Grãos de cereal e seus
repiodução, pituitária (hipófise) e influi assim sobre o azeites, legumes e
utiesterilizante. metabolismo dos hidratos de carbono, do verduras, gemas de ovo,
leite e manteiga.
hidrogênio e, sobretudo, dos órgãos
sexuais. Atua, também sobre o
metabolismo muscular, sobre os vasos (
apilares, facilitando a sua renovação e
melhorando a circulação. É importante,
além disso, o efeito regenerador nos
tecidos conjuntivos.

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Denominação Necessidades diárias no Fenômenos produzidos pelas Doenças que o emprego da vitamina
alfabética hornem carências vitamínicas cura ou melhora

Vitamina D Adultos e crianças: A presença de vitamina D no Redução e desaparecimento do


Vitamina D3 organismo deve ser completada, raquitismo, das tendências epilépticas
400-800 U.l. continuamente, pois, do contrário, infantis, estímulo do desenvolvimento
produz-se dental, enfraquecimento ósseo,
Durante a gravidez e descalcificação óssea, reumatismo
amantamenração: um rápido empobrecimento de articular crônico, eczema crônico,
vitamina D. Nos lactentes ou infantis, tuberculose óssea articular, cutânea e
800-1000 U. I. a falta de vitamina D leva ao mucosa (lupus vulgaris).
raquitismo, e à queda prematura dos
Abortos: dentes. Estes não se desenvolvem,
estão mal colocados ou apresentam
800-1400 U.L defeitos de estrutura.

Uma U.l. corresponde a 0,25 Nas crianças mais crescidas e nos


gramas de vitamina D2 e D3 adultos, apresentam-se sintomas
pura. evidentes de raquitismo, tais como
anomalias e deformações do tórax,
pélvis, articulações, «colar raquítico»
Uma unidade clínica
e fraturas de ossos.
corresponde a 100 U.l.

Vitamina E Não se sabe, com Em várias espécies de animais a 1) Perturbações nos órgãos de
segurança. Calcula-se para o falta de vitamina E produz uma reprodução, tais como: parto
lactente em 5 atrofia das glândulas germinais prematuro, aborto, menstruação fraca
(órgãos sexuais), que, em parie, irão ou irregular, deficiências nas idades
mg e para o adulto de 10 a se podem regenerar. Noutras críticas e na gravidez, formação
25 mg. espécies, a falta de vitarnina E leva defeituosa do leite.
a uma degenerescêricia
2) Tendência para partos prematuros e
de toda a musculatura dos órgãos de dificuldades de crescimentoe
movimento, dos órgãos internos ou desenvolvimento, durante a
dos músculos cardíacos. Muitas amamentaçao.
vezes,
3) Doenças dos sistemas nervoso e
observa-se com a falia de vitamina E muscular, sobretudo fraqueza
uma lesão dos diversos muscular, depois de infecções.
componentes do tecido conjuntivo,
nomeadamente no sistema 4) Doenças do tecido conjuntivo,
circulatório. A falta de vitamina E especialmente as de tipo reumático,
causa nos animais degenerescência como ciática, torcicolo e reumatismo
do fígado e hemorragias, quando muscular e nervoso.
falha a função de proteção hepática
da vitamina E a respeito de lesões 5) Doenças cardíacas e circulatórias

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1
provocadas pela alimentação. de tipos diversos

Nos homens tornam-se muito difíceis 6) Queda dos dentes (parodentose)


de comprovar os diferentes sintomas
de insuficiência. 7) Mau cheiro das fossas nasais.

8) úlceras nas pernas.

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Designação alfabética Designação química Função característica Modo de atuar Fontes naturais
Vitamina K Filoquinona Vitamina anti-hemorrágica A vitamina K faz com que o fígado Legumes (sobretudo
coagulante. segregue protrombina, Fermento espinafres e as folhas da
necessário para a coagulação normal couve-flor e o repolho),
do sangue. batatas, óleo vegetal e
frutas (especialmente
tomates, morangos) e
gordura de fígado.

B) Vitaminas hidrossolúveis
Designações alfabética Modo de atuar Fontes naturais Necessidades diárias no homem
e química. Função
característica
Vitamina B1 Unida a uma molécula de proteína específica, a Cascas e gérmen de Homem: 1,2-2,0 mg. Mulher: 1,1-1,5
vitamina 13 desempenha importante papel no cereais, arroz, levedura, mg. Durante a gravidez. e lactação,
Aneurina metabolismo dos hidratos de carbono legumes, frutas, batatas e 2,0 mg. Crianças abaixo de um ano,
Tiamina. (carboxilase). Intervém no metabolismo dos leite humano e de vaca. 0,4 mg, aproximadamente.
Vitamina antineurítica hidratos de carbono. A sua falia produz, por
Vitamina antiberibérica. exemplo, a acumulação de ácido pirúvico como Entre um e doze anos:
substância residual no metabolismo e dá origem, 0,6 - 1,0 mg.
por isso, ao aparecimento de graves doenças,
especialmente no sistema nervoso. A vitamina B1 Na adolescência:
é, sobretudo, uma decisiva substância ativa, no Rapazes: 1,5 - 1,7 mg. Meninas: 1,2
sistema nervoso. A necessidade do seu consumo - 1,3 mg.
aumenta no sistema nervoso, consideravelmente,
quando se efetua um forte trabalho muscular, com 1 U.I. corresponde a 3 gramas (isto
uma alimentação em que predominam é, 3/1000 mg de aneurina).
hidrocarbonatos. Da mesma maneira, no
metabolismo dos hidratos de carbono participa
também, a vitamina B1, no metabolismo de
gorduras e proteínas, pois que também intervém o
ácido pirúvico, como substância intermediária. Por
sua vez, também são necessários outros fatores
do grupo de vitaminas B.

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Designações alfabética e Necessidades diárias no Fenômenos produzidos pelas carências Doenças que o emprego da vitamina cura
química. Função homem vitamínicas ou melhora
característica

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

Vitamina B1 Os adultos necessitam de Tendência para hemorragias, tendo em Tendência para a hemorragia, por falta
uns 4 mg. conta que, ou não se consome provável de protrombina. Tal estado
Aneunina. suficiente vitamina K na alimentação, ou aparece sobretudo nas doenças que
Tiamina. A U.I. não está, ainda, então, a produção própria vê-se provocam a obturação dos canais biliares
Vitamina antineurítica. determinada. dificultada por doenças bacterianas (cálculos, úlceras, inflamações crônicas) e
Vitamina antiberibérica. intestinais, ou a absorção através do lesões hepáticas. A vitamina K
intestino é afetada por lesões na demonstrou também a sua eficiência para
mucosa intestinal, ou há transtornos as hemorragias dos vasos cutâneos,
intestinais, hepáticos ou bifares. tensão alta, tendência para hemorragias
nasais, profilaxia de extrações dentais e
As hemorragias nos tecidos de operações da garganta e do nariz.
subcutâneos e musculares, no intestino
e noutros órgãos podem ser sintomas A vitamina K também combate a cárie.
de falta de vitamina K.

Designações
alfabética e Doenças que o emprego da
Fenômenos produzidos pela falta de vitamina
química. Função vitamina cura ou melhora
característica
Beribéri. Esta clássica doença
Como a vitamina B1 participa em todos os processos metabólicos básicos, a sua falta ou carencial da vitamina Bi, é muito
insuficiência leva a graves pertubações nas funções de tecidos e dos órgãos. A principal rara no mundo ocidental.
entre elas é o beribéri, doença que afeta, principalmente, os tecidos nervosos e Praticamente, são mais
musculares e a troca hídrica, provocando graves lesões no coração e nos vasos importantes as fases iniciais,
sanguíneos. Embora esta gravíssima doença seja pouco freqüente, entre nós, inaparentes e difíceis de
aparecem, contudo, freqüentemente, transtornos localizados no sistema nervoso, diagnosticar, causa principal da
muscular, digestivo e circulatório. debilidade geral, inapetência,
astenia, fadiga e apatia.
Vitamina B1
Ate agora, conhecemos como sintomas de falta da vitamina B1 no organismo humano,
os seguintes: Atualmente, a vitamina B1
Aneunina. emprega-se só ou combinada com
Tiamina. outros fatores do grupo de
Vitamina 1 Alterações nervosas: dores de cabeça (também enxaqueca), fadiga, cócegas nas
mãos e nos pés, insônia, suores, reflexos defeituosos, hipotermia. vitaminas 13 e outros específicos
antineurítica. para os seguintes tipos de doença:
Vitamina inflamação dos nervos de qualquer
antiberibérica. 2. Alterações digestivas: inapetência, vômitos, náuseas, falta de ácido clorídrico no suco
tipo. paralisia nervosa e muscular,
gástrico, debilidade no funcionamento do estômago e dos intestinos, prisão de ventre.
seqüelas diftéricas, paralisia
infantil, herpes, doenças da
3. Alterações musculares: fraqueza geral, atrofia muscular, sintomas de paralisia,
cãibras nas pernas.
gravidez, depressões e estados de
deficiência mental. Nas crianças
4. Alterações circulatórias: apertos do coração, palpitações, dilatação cardíaca, em desenvolvimento intelectual, é
debilidade cardíaca. necessária a administração de 2
mg de aneurina, por dia.

61
Designações Modo de atuação Fontes naturais Necessidades diárias rio homem
alfabética e química.
Função
característica

Vitamina B2 Na adolescência, a vitamina B2 fomenta o levedura, grãos de cereais, Homem: 1,6 - 2,6 mg.
crescimento e o aumento de peso. Como parte legumes, frutas, queijo, ovo Mulher: 1,5 - 2,0 mg.
Lactoflavina. constitutiva dos fermentos ativa a respiração celular. de galinha, leite. Durante a gravidez: uns 2,5 mg.
Riboflavina. Juntamente com outros grupos de fermentos, os Durante a amamentação: uns 3,0
Vitamina do fermentos que contêm vitamina B2 participam nos mg.
crescimento. processos de degradação e combustão dos açúcares Crianças de 1 a 12 anos:
Substância de e proteínas. O importante conteúdo de vitamina B2 da 0,9 - 1,8 mg.
proteção. retina faz supor a sua importância para o bom Ainda não foi estabelecida a
funcionamento dos órgãos visuais. unidade internacional.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

Fator PP Como as vitaminas Bi e 132, constitua o ácido Levedura, cereais, Homem: 12 - 18 mg,
nicotínico um elemento constitutivo de importantes legumes, frutas. Mulher: 10 - 15 mg.
Nicotinamida. Fator fermentos, transportadores de hidrogênio, que Durante a gravidez:
antipelagroso. intervêm na composição e decomposição dos hidratos uns 15 mg,
de carbono, dos alcoóis e dos ácidos gordurosos. O Durante a amamentação:
ácido nicotínico e a nicotinamida participam, além uns 15 mg.
disso, na formação do sangue e tornam-se Crianças menores de 1 ano: uns 4
imprescindíveis para a função normal dos órgãos mg.
digestivos, do sistema nervoso e da pele. Para muitos De 1 a 12 anos: 6 - 12 mg.
seres minúsculos vivos, especialmente as bactérias, é Meninas adolescentes:
esta vitamina um fator de crescimento imprescindível. 12 - 13 mg.
Rapazes adolescentes:
13-20 mg.
Ainda não foi determinada a
unidade internacional.

Ácido pantogênico. Intervém no metabolismo das proteínas e gorduras; é Levedura, cereais, fruta, Ainda insuficientemente conhecida:
necessário para a desintoxicação de corpos legumes, leite. aproximadamente 10 mg. Ainda não
estranhos, (por exemplo, medicamentos) e, em geral, foi fixada a unidade internacional.
é imprescindível para a formação e o funcionamento
dos tecidos. É necessário para a conservação das
características defensivas da pele e das mucosas
contra as infecções e para o desenvolvimento normal
dos processos metabólicos na pele e nas suas
formações glandulares.

62
Designações alfabética e química. Função Fenômenos produzidos pela falta de vitamina Doenças que o emprego da vitamina cura e
característica melhora
Vitamina B2 Interrupção do crescimento e do aumento de Diminuição de peso nos lactentes, numerosas
peso, lesões na pele e na mucosa e no nervo perturbações na pele e nas rançosas e
Lactoflavina. Riboflavina. óptico. Deve dar-se especial importância à alterações visuais. Consome-se, quase
Vitamina do crescimento. vitamina B2 durante a gravidez e sempre, a vitamina B2 de combinação com
Substância de proteção. amamentação. outros fatores do complexo vitamínico B.

Fator PP Graves perturbações no metabolismo que se Pelagra e estados análogos, doenças da pele e
estendem ao sistema nervoso, ao estômago, das mucosas devidas a insuficiências
Nicotinamida. Fator antipelagroso. intestinos e à pele. O quadro clinico típico tem alimentares, intoxicações ou afecções de
a designação de pelagra. origem medicamentosa, que também podem
estar localizadas na cavidade bucal ou na via
No ser humano pode apresentar os seguintes digestiva.
sintomas de carência: Também os estados de depressão nervosa ou
mental constituem um bom campo de aplicação
1. Nos sistema nervoso: intranqüilidade, do ácido nicotínico.
irritação, fadiga, amnésia, mau-humor, angústia
e tendência para estados de excitação.

2. Nos órgãos digestivos: sintomas de


inflamação nas mucosas da boca e do esôfago,
inapetência, vômitos, diarréia, repugnância por
determinados alimentos, alterações nas
funções hepáticas.

3. Na pele: focos inflamatórios simetricamente


situados nas mãos e nos pés, pescoço, nuca,
rosto, isto é, nas partes do corpo mais
expostas à luz.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

Ácido pantogênico. Transtornos metabólicos, perturbações Doenças da mucosa bucal e inflamações e


funcionais nas cápsulas supra-renais, alergias das vias respiratórias e alterações
descoloração e queda do cabelo, doenças da funcionais no sistema digestivo e no fígado.
pele (de colaboração com outros fatores). Doenças cutâneas de natureza inflamatória e
alérgicas (eczemas, pruridos, queimaduras do
sol).
Doenças dos órgãos de formação do pêlo,
como queda parcial ou total do cabelo,
sequidão, fragilidade e descoloração do pêlo,
formação de caspa.
A cura de queimaduras e de feridas infectadas
acelera-se consideravelmente, assim como a
de úlceras e fissuras.

63

Designações Modo de atuação Fontes naturais Necessidades diárias no homem


alfabética e
química. Função
característica

Vitamina B6 A vitamina B6 é um fator necessário no Leveduras, cereais, Ainda não suficientemente


metabolismo das proteínas e, por conseguinte, no legumes verdes, leite, conhecidas; aproximadamente, 24
geral das células. Considera-se, geralmente, gema de ovo. mg; U.I. ainda sem determinar.
como reguladora do metabolismo dos tecidos
hepáticos, do sistema nervoso e da pele. Para
muitos animais microscópicos, bactérias e
leveduras, atua como fator de crescimento, e nos
ratos, como fator que impede as inflamações
cutâneas.

Vitamina B12 A vitamina B12 é absolutamente necessária para Encontra-se no fígado e Aproximadamente, 0,5 - 1 gama
a formação normal do sangue, assim como para ainda no conteúdo do (igual a 0,5 - 1/1000 mg). Unidade
o normal funcionamento do sistema nervoso intestino humano e internacional por determinar.
central juntamente com outros fatores (por animal (excremento do
exemplo, ácido fólico). gado vacum).
Não se conhece ainda o modo exato de atuar, A
vitamina B12 facilita ao corpo o aproveitamento
total das moléculas proteínicas, para o que se
considera, até à data, como a substância
biológica mais eficaz.

Vitamina Bc Ácido Juntamente com outros fatores (por exemplo, 0 ácido fólico aparece de Apenas por cálculo, 0,1 - 0,2 mg ou
folínico Ácido vitamina 812) o ácido fólico favorece a formação forma complexa no leite, mais.
fólico e a maturação de glóbulos vermelhos. Parece ser queijo, legumes, Unidade internacional por
também necessário para o funcionamento normal couve-flor e de forma determinar.
das mucosas das vias digestivas. mais livre nos
espinafres.
Inumeráveis animais
microscópicos podem
sintetizar ácido fólico.

64
Designações alfabética e química. Função Doenças que o emprego da vitamina cura ou
Fenômenos produzidos pela falta de vitamina
característica melhora

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

Ao passo que nos animais se conhecem 1. Os sintomas secundários da pelagra e do


características de carência (sintomas beribéri, como esgotamento, fadiga, nervosismo,
cutâneos nos ratos, cerebrais, nervosos e de irritação, cãibras de estômago, debilidade e
anemia em cães e macacos), não se rigidez muscular (quase sempre de combinação
conhecem sintomas específicos, até hoje, no com a falta dos demais fatores do grupo B).
Vitamina B6 organismo humano. Mas a observação clínica
verificou efeitos curativos em diversas 2. Graves doenças nervosas orgânicas.
enfermidades nervosas e, sobretudo, nos
vômitos, durante a gravidez. A vitamina B6 é 3. Vômitos durante a gravidez.
também um fator de cura da pelagra (veja-se
também o fator PP). 4. Lesões pelos raios X.
1. Anemia perniciosa e outras doenças análogas
(por exemplo, depois de uma operação do
Transtornos na formação do sangue e estômago).
alterações nervosas, especialmente 2 . Estados de fraqueza depois das operações e
Vitamina B12
diminuição de hemoglobina, do número de doenças infecciosas ou gastrintestinais.
glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas.

Interrupção do crescimento, diminuição de


hemoglobina e do número de glóbulos
Vitamina Bc Ácido folínico Ácido fólico como na vitamina B12.
vermelhos e das plaquetas necessárias para a
coagulação (ver a vitamina B12).

65
Designações Modo de atuação Fontes naturais Necessidades diárias no homem
alfabética e química.
Função característica
Vitamina C A vitamina C é um transportador de hidrogênio necessário A vitamina C Homens: 75-100 mg.
no metabolismo celular geral. É de importância para o encontra-se em todos Mulheres: 70-100 mg.
Ácido ascórbico. aproveitamento de energia no funcionamento das os tecidos vivos. Durante a gravidez: 100 - 125 gr.
Vitamina anti- cápsulas supra-renais. Ativa, também, numerosos Contêm-na em grande Durante a amamentação: 150 mg,
escorbútica fermentos e aumenta a força das defesas naturais contra quantidade as frutas aproximadamente.
as infecções. Neutraliza os tóxicos ou diminuí-lhes os frescas, legumes e Crianças: de 1-12 anos: 35 - 75 mg.
efeitos. Fomenta a capacidade de absorção de ferro e verduras, Moças: 80 mg, aproximadamente.
regula as funções da medula óssea. Além disso, é especialmente as Rapazes: 90 - 100 mg, aproximadamente.
necessária para numerosas funções dos tecidos maçãs, limões, 1 U.l. é igual a 0,05 mg do ácido ascórbico
conjuntivos. É de igual importância geral à da vitamina B1 pimentões, groselhas, cristalizado.
e tem, como esta, que desempenhar numerosas funções, alhos e leite.
no metabolismo celular.

66

Designações Fenômenos produzidos pela falta de vitamina Doenças que o emprego da vitamina cura ou melhora
alfabética e
química. Função
característica

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 1

Vitamina C Como o organismo humano não está em condições de A vitamina C, ativadora universal das funções celulares, dispõe,
sintetizar a vitamina C, torna-se muito sensível a qualquer naturalmente, de enorme campo de aplicações. É necessário no
Ácido ascórbico. insuficiência de consumo, através da alimentação. Bem escorbuto e em todos os estados pré-sintomáticos desta doença,
Vitamina anti- depressa aparecem perturbações no estado geral, tais como: anemia geral, tendência para as hemorragias, doenças
escorbútica inapetência, fraquezam, peso nas pernas, propensão para das gengivas e lesões nos dentes. Emprega-se, também, para
infecções e anemia. Também é afetado o crescimento. aumentar a capacidade defensiva nas infecções e nas intoxicações.
Com este completaram-se os sintomas prévios do Atua favoravelmente nas doenças reumáticas e nas infecções
escorbuto. O escorbuto é a doença típica da falta de tuberculosas, nas alterações da hematopoiese, nos órgãos de
vitamina C. Corresponde à doença de Moeller-Barlow, no formação do sangue e na medula óssea. É necessária rios
lactente. Ambos os quadros clínicos têm como transtornos gastrintestinais e para acelerar a cura de feridas e, além
característica a apresentação, em geral, de hemorragias disse, como complemento da alimentação, com freqüência pobre em
grandes ou pequenas. Ressalta, sobretudo, a brandura e vitamina C. O pediatra deve prescrever esta vitamina para os
inflamação das gengivas. Soltam-se, com freqüência, os transtornos do desenvolvimento e da digestão, insuficiente
dentes e caem. Os estados de hipovitaminose são, na ossificação e dificuldades na dentição. Suaviza-se a tosse renitente
prática, de maior importância, que as doenças carenciais. A mediante a ingestão de grandes doses de vitamina C,
tendência para as hemorragias gengivais é, geralmente, encurtando-lhe o curso. Em casos de intervenções cirúrgicas, a
indício de falta de vitamina C. O consumo insuficiente vitamina C favorece a formação de ossos e de cartilagens e a cura
vitamina desta vitamina pela desnaturalização dos das feridas.
alimentos, um desgaste maior pelo esforço, as infecções, a
gravidez, a amamentação, o crescimento ou a idade, são Durante toda a gravidez e a amamentação deve-se procurar o
motivos para o aparecimento de numerosos sinais de consumo de suficiente quantidade de vitamina C, juntando à
insuficiência desta vitamina C. Conhecem-se como astenia alimentação artificial do lactente, portadores naturais da vitamina
primaveril, inapetência, esgotamento rápido (físico ou (sucos de fruta). Na odontologia a vitamina C é um auxiliar excelente
intelectual), tendência para hemorragia, propensão para as em todas as inflamações da mucosa, doenças das gengivas,
infecções, transtornos digestivos, perturbações enfraquecimento dos dentes e lesões da dentadura. As feridas,
circulatórias, dores de cabeça, anemia, crescimento depois das extrações dentais, ficam curadas com os efeitos
retardado, etc. benéficos da vitamina C, com a máxima rapidez e o mínimo de
complicações.

67

Fim do Capítulo 1 de A Cura e a Saúde Pelos Alimentos

versão eletrônica pelo Projeto Periferia


railtong@gmail.com
Travessa do Anfiguri 47, CEP 08050-570, São Miguel Pta., São Paulo-SP,

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 6

ERNST SCHNEIDER

A CURA E A SAÚDE
PELOS ALIMENTOS
versão eletrônica pelo Projeto Periferia

Capítulo 1 - As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua Compensação Natural


Capítulo 2 - Frutos
Capítulo 3 - Legumes e Verduras
Capítulo 4 - Condimentos
Capítulo 5 - Alimentos Fornecedores de Energia
Capítulo 6 - Alimentos de Origem Animal
Capítulo 7 - Regimes Depurativos
Capítulo 8 - Doenças do Sistema Circulatório
Capítulo 9 - Doenças do Aparelho Digestivo
Capítulo 10 - Doenças do Metabolismo
Capítulo 11 - Doenças da Pele
Capítulo 12 - Doenças do Sistema Nervoso
Capítulo 13 - Tuberculose
Capítulo 14 - A Alimentação na Gravidez
Capítulo 15 - A Alimentação na Criança Moderna
Capítulo 16 - O Câncer
Capítulo 17 - Comentário Final
Capítulo 18 - Normas Fundamentais Para a Preparação de um Regime Sadio
Capítulo 19 - Receitas Culinárias

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 6

Alimentos de Origem Animal

Capítulo 6
Nove décimas partes da felicidade se baseiam na saúde, pois que com
saúde tudo é causa de satisfação e, pelo contrário, sem ela não interessa
nenhum bem exterior, e inclusive os de natureza subjetiva, as
características do espírito, o humor e o temperamento, perdem e
transformam-se com a doença. Por isso, não deixa de ser perfeitamente
razoável que, antes de mais nada, se interessem os homens pela saúde
dos seus semelhantes e a desejem boa uns aos outros, pois é a fonte
principal de felicidade humana. Deduz-se pois disto que a maior das
loucuras é sacrificar a saúde por qualquer coisa que seja: ganho,
progresso, sabedoria, fama, para não falar da «boa vida» e dos
«prazeres fáceis»; pelo contrário, tudo se deve colocar depois dela.
Arthur Schopenhauer

1. Carne
0 Homem não é «Naturalmente» Carnívoro -- Quanto à questão de ser possível haver uma
alimentação completa prescindindo em absoluto de carne fresca e que realmente se possa
classificar como tal, basta expor aqui uma vez mais, e como resumo, que não só é possível
mas muito conveniente. As quantidades correntes de carne e de albuminas na nossa
alimentação ordinária excedem geralmente a necessidade real. Seria de importância nada
desprezível para a própria economia nacional conhecer o fato positivo de que a carne se pode
suprimir da nossa alimentação sem prejuízo para a saúde, incluindo a do homem que realiza
trabalhos pesados. Proporciona efetivamente a carne energias extraordinárias? Tem-se
pensado freqüentemente e repetido com insistência que a alimentação na base de carne torna
os homens extraordinariamente capazes de rendimento e fortes. A tribo hunsa, que vive na
região do Himalaia, é sem dúvida um exemplo vivo de que a renúncia à alimentação cárnea
não só não prejudica como também traz vantagens que, ao que parece, ainda não
conhecemos suficientemente. O Dr. H. Balzli já em 1928 havia exposto as observações do
médico inglês McCarrison, que este fizera durante a sua permanência de nove anos na região
de Hunsar-Nagar, no Himalaia, estudando as características dos seus habitantes.
Os hunsas não comem nenhuma carne, alimentando-se de vegetais e leite. As suas
habitações são primitivas e os meios de aquecimento são muito elementares. E, contudo, os

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 6

hunsas são um dos povos mais belos, fortes e resistentes da Terra. A sua capacidade de
resistência contra as doenças contagiosas é assombrosa. Não há entre eles úlceras do
estômago, nem apendicites, dispepsias ou catarros intestinais.
O Dr. Ralph Bircher, que recentemente deu informações minuciosas, sobre a tribo hunsa,
compara os hunsas com os esquimós da Groenlândia oriental, cujo modo de vida estudou a
expedição Höygaard, em 1936. Escreveu ele:

Mais de 90 % da alimentação destes esquimós consiste em carne, quase sempre crua. A


alimentação é muito natural, mas não corresponde às condições humanas. Não dá lugar a
insuficiências consideráveis de vitaminas ou sais minerais, mas dá lugar à ingestão diária de
299 g de albumina ani-
232
mal, em lugar de 60 g, 169 de gordura em lugar de 50 a 80 g e só 122 g de hidrocarbonatos,
em lugar de 400 a 500 g. Estes homens parecem sãos, ativos, alegres, amantes do trabalho e
inteligentes, quando muito jovens, isto é, entre os vinte e os vinte e cinco anos; mas, quando
chegam aos trinta e cinco anos perderam a sua juventude, a sua energia e a sua capacidade e
mostram-se cansados, entorpecidos e gravemente arterioscleróticos. A duração média da vida
destes homens é só de vinte e sete anos e meio. Compare-se tudo isto com a juventude, o
aspecto, a capacidade e a atividade dos hunsas, de idade muito avançada. Isto demonstra,
pois, que a alimentação hunsa, crua e vegetal, de cereais integrais com suficiente acréscimo
de verduras, é própria para as características naturais do organismo humano, e não o é, pelo
contrário, a alimentação dos esquimós.
Prejuízos de uma Alimentação Exclusivamente Cárnea -- Com respeito à questão tantas
vezes levantada, se a carne é prejudicial como alimento, só podemos dizer por agora que,
como todos os meios de alimentação e cura, constitui um problema de quantidade e de
qualidade. Em determinadas manifestações de anemia pode até mesmo ser curativo em alto
grau o suco de carne fresca prensada (Czerny).
Se se passar de uma quantidade determinada, que é muito diferente de indivíduo para
indivíduo, então o consumo de carne provoca prejuízos, sobretudo se a carne for o alimento
principal.
0 Prof. Gänsslen pôs alguns jovens estudantes em regime exclusivo diário de 1.500 g de
carne, 30 g de pão branco e limonada. Passados dez dias foi possível verificar, mediante o
microscópio capilar, nos vasos capilares, grandes mudanças e lesões. Os vasos, normalmente
finos e delgados, em forma de forquilha, tinham-se tornado grossos, enroscados e grandes,
tendo inclusive rebentado nalguns pontos, de modo que o sangue de hemorragia tinha
invadido os tecidos imediatos. Exteriormente, a pele parecia avermelhada, não num tom
encarnado vivo, mas mais azulado, ao passo que as gengivas apresentavam-se inchadas e
sangrentas. Foi necessária uma prolongada abstinência de carne para a retificação das
alterações naqueles vasos. Já há mais de vinte anos o Dr. Bircher Benner indicava que o que
aqui se efetuou a título experimental com exagerado regime de carne durante dez dias, se
realiza em milhões de casos com a alimentação baseada no consumo de carne durante dez
anos.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 6

O Papel da Carne na Origem de Enfermidades Orgânicas -- O Prof. Gänsslen observou em


estudantes sãos, depois de um regime cárneo, um aumento da tensão arterial, prova também
efetuada por outros investigadores no caso de alimentação excessiva, sobre-
233
tudo na base de carne. Sabe-se também que a atividade da tireóide é estimulada pela nutrição
com carne. As pessoas que já sofrem de excessiva secreção desta glândula -- doença
chamada hipertireoidismo -- podem, por uma alimentação abundante de carne, piorar no seu
estado clínico, ou responder insuficientemente a um remédio. O excesso de alimentação,
especialmente de carne, é de importância essencial, sobretudo na arteriosclerose, no
prejudicial aumento de volume sangüíneo e de glóbulos vermelhos (policitemia), na trombose e
embolia, na formação de cálculos biliares, no aparecimento da psoríase, na hipertrofia
prostática e no desenvolvimento de miomas na matriz, assim como provavelmente também no
câncer. Um papel, cuja importância não podemos menosprezar, é desempenhado pela
alimentação cárnea na gota, nos cálculos renais (sobretudo uráticos) e na provocação de
reações alérgicas. Pelo contrário, o regime vegetariano dificulta ou elimina a maioria dos
estados alérgicos. Ao passo que nos povos que consomem muita carne a apendicite não é
precisamente rara, a verdade é que só isoladamente se apresenta nos povos de regime
lácteo-vegetariano.
Efeitos Psíquicos do Consumo Excessivo de Carne -- É muito fácil de compreender que o
consumo excessivo de carne com a sua influência considerável na condição física não deixa
de influir nas funções nervosas, nas reações anímicas e nas forças psíquicas. O Dr. Wildukind
Lenz diz que a abundância em gordura e carne na alimentação estimula a atividade da tireóide
e incrementa a excitabilidade do sistema nervoso simpático, de modo que os povos de
alimentação carnívora são de temperamento violento e agressivo, ao passo que os povos que
se alimentam de vegetais são tranqüilos e pacíficos. Os puericultores têm observado que a
alimentação sobrecarregada de carne, ovos e leite, isto é, produtos portadores de albumina
animal, implica um considerável nervosismo.
Inconvenientes Sanitários -- É fácil citar a opinião de autoridades médicas que não vêem na
carne nenhum elemento essencial para a nossa alimentação, e consideram, contudo, que as
grandes quantidades consumidas regularmente constituem para os seus usuários um grave
prejuízo.
Temos, além disso, de dizer que não se podem passar por alto as condições em que a carne é
adquirida. No verão é preferível prescindir totalmente da carne se não dispuser-mos de
geladeira, até o momento em que vai ser usada. Cumpre evitar na medida do possível a carne
picada, porque às vezes é de origem duvidosa ou está ilegalmente conservada por meios
químicos, como o sulfito de sódio, que dá à carne picada, mesmo armazenada durante
bastante tempo, um fresco colorido verme-
234
lho, mas sem poder impedir que as bactérias da putrefação se multipliquem. Quando se inicia
o desenvolvimento das bactérias, na realidade a carne já está podre. Portanto, no consumo da
carne picada tem esta de ser preparada fresca. Estreitamente ligada com a questão que

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 6

estamos tratando, encontra-se a do emprego do sal vulgar, porque o uso de alimentos cárneos
sem sal é dificilmente aceito pelo paladar. Também não podemos olvidar que todo o emprego
de calor na preparação culinária modifica e prejudica os alimentos proteínicos, ao passo que o
consumo a cru faz correr o risco de se receberem parasitas intestinais (tênia).
Os critérios econômicos podem passar-se por alto, embora não faltem motivos graves que nos
deviam levar a reduzir consideravelmente o consumo de carnes.
Influência da Dieta Cárnea Sobre o Espírito - Em todos os tempos e por todas as religiões
importantes têm sido apresentados argumentos morais baseados em claros e oportunos
motivos para nos afastarmos do consumo da carne. É fruto de velhíssima experiência
expresso no mundo misterioso do sobrenatural e do metafísico, que quem quiser penetrar nele
tem de sacrificar a sua sensualidade, neste caso o prazer da sua nutrição errada. Não nos
será possível um aperfeiçoamento autêntico, puro, espiritual e religioso, sem ascetismo, isto é,
naquilo que aqui nos interessa, sem nos privarmos de carne e de alimentos semelhantes.
Recordo apenas o exemplo de Gandhi, cuja conduta e doutrina contra toda a espécie de
violências e cuja grande capacidade de contemplação interior dependia, em última análise, da
sua maneira de viver. Usava duas vezes por dia fruta, arroz, nozes e um pouco de leite. É, da
mesma sorte, típico da religião budista, dirigida para a vida pacífica, espiritual e de
contemplação interior, o proibir o consumo da carne.
Encerra muita verdade a diferenciação já muito divulgada entre o Ocidente extrovertido
(dirigido para o mundo exterior), e o Oriente introvertido (dirigido para o mundo interior), cuja
explicação se há de encontrar no fato de os povos ocidentais serem de preferência carnívoros,
e os orientais serem sobretudo vegetarianos. Encontramos a mesma relação entre a
alimentação e a formação físico-espiritual expressa na fórmula de que nos povos carnívoros
predominam as reações do sistema simpático, e a atividade da tireóide, o desenvolvimento
físico e o temperamento decidido e agressivo, ao passo que nos povos vegetarianos
desempenham principal papel os hormônios das glândulas vago-trópicas (insulina, colina)
caracterizando-se o seu modo de ser pela tranqüilidade e o pacifismo. Esta mesma verdade já
foi exposta, há mais de um século, por Karl Gustav Carus, médico, pintor, psicólogo e
contemporâneo de Goethe, que na sua obra «Briefen über Landschaftsmale-
235
rei» (Cartas sobre pintura paisagista) escreve que «finalmente, tanto os homens como os
animais com uma persistente alimentação com produtos vegetais se tornam suaves e
tranqüilos, ao passo que o consumo de carne parece favorecer muito os desejos e os impulsos
tormentosos».

2. Ovos
Para a influência dietética em estados de esgotamento nervoso e excitação psíquica, assim
como para a cura de doenças nervosas, a primeira e mais eficaz medida será suprimir a carne
durante muito tempo, assim como para as pessoas sãs é de primeira importância a máxima
prudência.
Valor Nutritivo -- Os ovos de galinha permanecem vivos até decorrerem catorze dias após

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 6

terem sido postos. Até que o germe não tenha morrido, segundo o Doutor Kollath, os ovos
consideram-se nutritivos. Ao passo que a gema
contém quase todas as vitaminas e auxonas, pode considerar-se a clara desprovida
absolutamente delas. Naturalmente, a cocção do ovo prejudica tanto a albulmina da clara
como os elementos vitais da gema. Por muito valioso que o ovo pareça por causa do seu
elevado teor de componentes nutritivos e ativos, não devemos esquecer a redução deste valor
pelo emprego do calor. Em geral, exagera-se bastante a eficácia do ovo como alimento. O
valor alimentício de um ovo de galinha corresponde ao de 40 g de carne gorda ou a 150 g de
leite. A clara é tão rica em albumina como o leite, e o mesmo se passa com a lecitina; ao ovo,
porém, faltam a glicose e as bases. Portanto, não constituindo o ovo uma alimentação
completa, não se justifica o seu consumo abundante.
Efeitos Sobre o Organismo -- Devem consumir-se apenas ovos frescos, combinados com
saladas, batatas e legumes. Com respeito às crianças, é necessária a máxima prudência, por
causa do efeito estimulante do consumo de ovos no desenvolvimento sexual. É-lhes mais
conveniente o leite. As crianças com a denominada «diátese exsudativa», isto é, com marcada
tendência para as inflamações, devem abster-se completamente do consumo de ovos. O
emprego destes na cozinha, como meio aglutinante ou para abrandamento, é
236
freqüentemente exagerado. A clara tem a propriedade muito conveniente para a técnica
culinária de se poder bater e formar uma espuma estável e que revolvida numa pasta
proporciona um excelente produto para ser levado ao forno. Precisamente o grande consumo
de ovos depressa leva a um excesso de albumina, com conseqüências prejudiciais muito
parecidas às que enunciamos com respeito à alimentação cárnea. Por isso, os ovos devem ser
tomados com muita precaução. As pessoas anêmicas ou fracas podem tomar um ovo cru com
suco de fruta ou uma gema batida sempre e quando o médico determinar.

3. Leite
Importância Quantitativa do Leite Como Alimento -- O leite figura quantitativamente em
primeiro lugar entre os alimentos animais. Exerce a máxima influência no estado alimentar e
sanitário da população. Por isso o fornecimento de leite é de decisiva importância. Não há
dúvida de que o leite constitui um alimento básico geral e de que é um alimento universal dos
mais importantes, porque contém, como nenhum outro produto natural, todas as matérias
nutritivas, minerais, oligoelementos, vitaminas e fatores de crescimento numa combinação
ideal. Infelizmente, é também o leite o alimento mais delicado, menos apto para se conservar
sem se transformar e mais fácil de se alterar; por isso, é necessário empregar uma série de
medidas higiênicas para que, ao passar do produtor para o consumidor, não perca os seus
valores nutritivos e sanitários, coisa esta que, dada a complicação da distribuição, nem sempre
se toma fácil. No interesse da saúde pública importa que se faça todo o possível no sentido de
fazer chegar ao consumidor o leite puro, autêntico e completo.
Não é aqui o lugar para estudar os muitos problemas levantados pelas soluções trazidas para
garantir as condições higiênicas do leite, como pasteurização, radiação, vitaminação e outras.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 6

Composição e Valor Nutritivo


Este valor nutritivo é realmente considerável. Um litro de leite contém, em média, 35 g de
albumina (equivalente a quatro ovos), 30 a 40 g de gordura (equivalente
237
a 45-47 g de manteiga), 50 g de lactose (equivalente a 10 ou 12 torrões de açúcar), 7 g de sais
minerais, vitaminas, oligoelementos e fatores de crescimento.
Este valor nutritivo e medicinal chega-nos de modo ideal, naturalmente quando o tomamos
acabado de ordenhar, tendo cuidado de que se trate de uma vaca sã e, sobretudo, não
tuberculosa. Isto, porém, praticamente raras vezes é possível, exceto se durante pouco tempo,
no decurso de umas férias, nos encontrarmos nalguma povoação e habitarmos numa casa de
campo com gado próprio, controlado por um veterinário.
Geralmente, porém, essa branca «via láctea tem de percorrer um longo caminho entre o prado
e a cozinha.
Só a limpeza escrupulosa da aparelhagem e a cuidada execução dos processos prescritos é
que asseguram a conservação e a pureza do leite. O melhor é engarrafá-lo imediatamente,
selando a rolha para evitar a entrada de qualquer corpo estranho. Se o leite, desde que sai da
leiteria, se encontrar continuamente submetido a uma temperatura inferior a 150, e chegar
assim ao comprador, não há que recear qualquer perda na qualidade. Como é lógico, o
consumidor deve proceder com o mesmo cuidado até o beber ou aproveitá-lo na preparação
de outros alimentos, conservando-o fresco e em recipientes bem limpos.
Pelo seu elevado valor nutritivo, é bastante para um adulto o consumo normal diário de meio
litro de leite. Esta quantidade constitui, em todo o caso, um magnífico complemento que faz de
todos os outros alimentos um regime nutritivo completo.
O Leite Durante a Gravidez e a Amamentação -- Para toda a mulher grávida ou para toda a
mãe lactante, o leite é de considerável importância. O organismo da criancinha em embrião
aproveita implacavelmente, e à custa da mãe, todas as matérias de que necessita para o seu
desenvolvimento. A mãe tem de estar submetida a uma alimentação total, para não sofrer
perdas consideráveis de sais de cálcio nos ossos e nos dentes e, ao mesmo tempo possibilitar
o são desenvolvimento do seu filho. Além de legumes verdes, frutas, cevada ou trigo, também
tem necessidade de um suplemento normal diário de aproximadamente meio litro a três
quartos de litro de leite. O elevado teor de cálcio e de fósforo do leite de vaca constitui, além
dos outros componentes, a proteção necessária para a conservação dos dentes da mãe e a
formação dos alvéolos dentários no nascituro. Num capítulo posterior sobre a cárie veremos
como a saúde e a capacidade de resistência da dentadura dos pequeninos depende em alto
grau do seu desenvolvimento pré-natal. As mães que não procuram fazer um consumo maior
de cálcio e de vitamina D, que o leite contém no seu estado mais natural, acabam por sofrer
dos dentes.
238
Nos casos graves de descalcificação dos ossos, especialmente devido a gestações repetidas
em curto espaço de tempo, o que leva a uma nutrição carencial e insuficiente, podem

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 6

apresentar-se acentuadas curvaturas das extremidades ou graves deformações dos ossos


pélvicos, pelo que é muito difícil esperar-se um parto normal. Esta doença, muito freqüente, é
conhecida pelo nome de osteomalacia (amolecimento dos ossos).
Controle Sanitário do Leite Para as Criancinhas -- A importância definida do leite para a
criança não precisa de comentários. Por isso, não é de estranhar que em torno do leite se
tenha ido formando uma verdadeira ciência. Para o leite destinado a alimento infantil têm de se
cumprir, e em maior grau, as exigências que já formulamos para a pureza do leite em geral, a
saber:
1. Deve ser ordenhado, com a maior limpeza, de uma vaca sã.
2. Resfriamento e filtragem imediata para o tornar o mais pobre possível em germes.
3. Pasteurização do leite, ou então expô-lo brevemente a uma elevada temperatura ou muito
tempo a uma baixa temperatura, uma vez que de ambos os modos se exterminam os germes
morbosos.
4. Homogeneização (redução e distribuição regular das partículas de gordura, submetendo o
leite cru a uma forte pressão através de pulverizadores ou ranhuras).
5. Engarrafar em frascos bem fechados e escuros.
6. Graduação para um teor de gordura de 3 a 35%.
7. Enriquecimento com vitamina D2, uma vez que a riqueza natural do leite de vaca em
vitaminas não basta para evitar o raquitismo. Esta medida aplica-se tanto aos lactentes como
às mulheres grávidas e lactantes.
É claro que não se deve esquecer a respeito destas exigências que quando se aquece o leite
se produzem nele mudanças prejudiciais, sobretudo quanto a matérias ativas sensíveis ao
calor, e quanto à albulmina. O leite cru devidamente garantido continua a ser o ideal. Mas é
difícil consegui-lo e é muito caro. Além disso, muitos especialistas de crianças dizem que para
o lactente o leite fervido é mais fácil de digerir do que o cru.
O Leite na juventude e na Velhice -- Também os jovens estão expostos ao raquitismo. Para
evitar este raquitismo retardado basta o consumo diário de leite com o complemento de óleo
de fígado de bacalhau ou de óleo de gérmen de trigo. Mesmo na velhice não podemos
prescindir do leite, pois nas radiografias de muitas pessoas idosas descobrem-se ossos
descalcificados, lesão esta chamada osteoporose. A estabilidade do esqueleto fica assim
muito diminuída, de modo que às vezes acidentes insignificantes provocam fraturas ou as tão
freqüentes costas encurvadas. São conseqüência
239
de insuficiente nutrição durante muitos anos. Precisamente, o homem já maduro e o ancião
precisam continuamente de quantidades suficientes de vitaminas e de sais minerais, para
conservar a firmeza do sistema osteoarticular e as funções do sistema celular. Meio litro de
leite fornece também ao jovem e ao adulto considerável proteção e maior resistência contra a
generalidade das enfermidades.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 6

Leites Ácidos -- Vamos consagrar, nesta altura, algumas palavras ao leite ácido. Em todos os
seus tipos, isto é, leite coagulado, soro de manteiga, iogurte ou kefir, fomenta as funções, tão
importantes para o nosso bem-estar, das bactérias intestinais normais. É de recomendar o
consumo diário de um frasco de leite azedo, ou de vez em quando um frasco de iogurte, de
efeitos bactericidas para os gérmens patogênicos.
0 soro de manteiga merece especial elogio. O Prof. Kollath diz que influi consideravelmente no
desenvolvimento dos ossos se for consumido abundantemente. Nada se opõe ao seu
emprego; embora infelizmente haja muitas donas de casa que o desconhecem, a verdade é
que fomenta extraordinariamente o efeito nutritivo, a digestibilidade e o aproveitamento de
muitos alimentos em grau extraordinário. O soro de manteiga é não só próprio para a
confecção de sopas, como também para a do pão e para a preparação de guisados de batatas
e de molhos. O pudim de soro de manteiga agrada sempre às crianças e por isso é muito
próprio para as crianças inapetentes. E, mais ainda, o soro de manteiga sem preparação
culinária, sobretudo no verão, é uma bebida refrescante muito saborosa.
Pelo seu simples efeito curativo, o soro de manteiga é empregado como remédio, servindo de
base para regimes, nos quais em cada dia da semana se consome na quantidade de um litro a
litro e meio; é recomendado pelos médicos para os casos de obesidade, prisão de ventre
crônica e de outras enfermidades gastrintestinais. As principais matérias ativas são, neste
caso, a constituição do soro de manteiga e as bactérias do ácido láctico. Como o soro de leite
representa uma antiqüíssima fonte de lecitinas, é de recomendar o seu consumo abundante
pelos homens de sistema nervoso débil. A lecitina é um componente importante da formação e
das funções do tecido nervoso.
Além de potássio, o soro de manteiga contém uma matéria orgânica desconhecida que produz
efeitos diuréticos. O seu efeito é, contudo, um pouco diminuído pela gordura do leite, pelo que
este efeito diurético do soro de manteiga não é tão forte como o do leite desnatado, o leite cru
e o creme.
Aplicações Medicinais do Leite Completo -- Como a albumina das hortaliças verdes, a do
leite excede todas as outras albuminas. Em
240
todas as doenças infecciosas e naquelas que pressupõem um consumo considerável de
albumina, assim como na fase de convalescença depois de tais enfermidades e de outras
graves, o leite integral e o requeijão adquirem o valor de um medicamento de especialíssimas
características. Em todas as formas de icterícia e de outras enfermidades hepáticas,
conhece-se hoje o valor curativo do leite. Este assim como o requeijão não podem já
esquecer-se no regime dietético dos doentes hepáticos. Em todos os planos para a cura de
úlceras de estômago e do duodeno, o leite constitui a base da dieta. Também já está
demonstrada a influência favorável do leite na pele, provavelmente por causa dos ácidos
gordurosos não saturados, de que já tratamos no princípio deste livro. O elevado teor de
vitaminas, matérias minerais, fermentos e oligoelementos faz com que o leite seja um remédio
próprio para todas as doenças mais ou menos devidas a insuficiências, de modo que com
razão se definiu o leite como «elemento básico no tratamento dos doentes».

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 6

Como último exemplo típico da capacidade curativa do leite pode citar-se o regime Karell, que
alivia rapidamente os doentes cardíacos e edematosos. Neste regime, o doente recebe
diariamente por único alimento um litro de leite. O efeito da alimentação exclusiva com leite é a
melhoria de todo o organismo e a redução repentina e considerável da formação de sal pelo
enriquecimento de cálcio. Ora, desaparecendo do corpo a acumulação de sal, desaparece
também a acumulação de líquido, com o que o coração recupera forças.
O Leite Como Cosmético -- Talvez pareça inoportuno tratar aqui de cosméticos, mas a
cosmética natural não é outra coisa senão uma melhor circulação e uma boa alimentação da
pele. Deste modo, a pele conservar-se-á sã, e uma pele sã dá ao seu possuidor um aspecto
juvenil. O leite também nos serve para uma melhor alimentação da pele e constitui portanto o
melhor dos cosméticos.
O leite misturado com mel constitui uma maquilagem que pode comparar-se vantajosamente
com o específico artificial mais caro dos salões de beleza. E tem a vantagem de atuar com
maior atividade uma maquilagem se for preparada com soro de manteiga, leite ácido ou
iogurte, acrescentando-lhe umas gotas de suco de limão. Cobre-se com este cosmético o
rosto, o pescoço e a garganta e deixa-se atuar durante alguns minutos, mantendo os olhos
fechados e com o rosto totalmente descontraído; emprega-se, em seguida, uma massagem
suave, acabando por lavar a maquilagem mais tarde com água fria. O processo
freqüentemente repetido bem depressa proporciona um aspecto fresco e uma pele limpa. Para
completar esta informação, um conselho: Lavar à noite a pele levemente com azeite e óleo de
241
gergelim. O efeito faz-se sentir dentro de pouco tempo. Melhor alimentação cutânea, mediante
leite, mel e azeite (interior e exteriormente), massagens e relaxamento, são o segredo principal
de toda a cosmética natural.

4. Mel
«Doce medicina». O mel é um meio de cura excelente no tratamento de feridas.

Certa camponesa cicatrizou com mel a ferida supurante num joelho do filho. Perguntei-lhe por
que não empregava nenhum meio moderno e garantido da farmácia. Sorriu pensativa e
disse-me que as abelhas eram melhores químicas que os homens. Perguntou-me, por sua
vez, se eu não tinha já observado que o mel não contém nenhum bacilo. Parecia muito segura
do que dizia.
Está hoje demonstrado experimentalmente que o mel contém algum componente bactericida,
embora não tenha sido possível até hoje conhecê-lo. Todos os tipos de mel possuem esta
característica, por muito diversas que sejam as flores de que procedam.
Portanto é possível que o tal elemento bactericida não proceda das flores, mas sim das
glândulas das abelhas, mas atuando rapidamente em proporção reduzida. Sabemos que cada
gota de mel contém realmente uma série completa de minerais, vitaminas, fermentos,
oligoelementos e matérias nutritivas, podendo provar-se estritamente as quantidades de
potássio, sódio, fósforo, cobre e manganês.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 6

É surpreendente como as crianças, por efeito do mel, aproveitam melhor o cálcio da sua
restante nutrição, conseguindo ossos e dentes melhores.
Emprego do Mel Como Edulcorante -- O mel é constituído por diferentes tipos de açúcar,
sobretudo levulose (açúcar de frutas), dextrose (açúcar de uva) e um pouco de açúcar de
cana. Até ao século XVI I era o mel a única matéria doce na nossa cozinha. Foi só com a
introdução da cana e da beterraba que o mel perdeu o seu lugar como substância doce.
Muitas vezes os diabéticos suportam o mel, ao passo que a mesma quantidade de açúcar
branco provoca aumento de açúcar no sangue com o correspondente risco. Até ao
242
presente, ainda não se sabe por que se suporta melhor o mel do que o açúcar refinado. O
desaparecimento do mel da cozinha não implicou vantagens sanitárias; pelo contrário. O maior
consumo de açúcar branco, pobre em vitaminas e sobretudo em sais minerais, é considerado
por alguns bromatólogos perspicazes a causa principal de toda uma série de graves
perturbações metabólicas e sobretudo da cárie dentária. O açúcar branco necessita para a sua
combustão de consideráveis quantidades de vitamina B1 e de minerais, tais como cálcio e
fósforo. Além disso, o açúcar industrial branco já não tem nada de produto natural. Foi muito
bem -«depurado» e «refinado» mediante uma série de processos químicos. Para adoçar
devíamos utilizar açúcar amarelo de cana ou de beterraba e, ainda melhor, como antigamente,
o mel.
O Mel na Prática Médica -- A acetilcolina é uma matéria ativa, constituída por colina e ácido
acético, que de combinação com um fermento (estearase) é formada e eliminada pelo corpo. A
colina, procedente da acetilcolina, é conhecida como elemento contrário ao desenvolvimento
que um efeito redutor exerce nas células em for mação protegendo as células já constituídas.
O efeito inibidor geral da colina pode ser suma mente eficaz sobre as células cancerosas, que
representam sempre células sem amadurecer sobre tudo se simultaneamente se conta com os
fermentos necessários para a cisão e formação de substâncias, elementos fundamentais da
função metabólica, entre os quais figuram as citadas diástases. Na prática, emprega-se colina
e acetilcolina entre os medicamentos destinados a combater o câncer.
Tem dado bom resultado nos cancerosos o consumo diário de uma solução recém-preparada
de 100 g de mel em 500 ml de água (meio litro), que se vai tomando aos sorvos, durante todo
o dia, ou quando se sentir sede. Esta solução é pouco doce, de modo que se suporta muito
bem. Também se lhe pode juntar um pouco de suco de limão para modificar o sabor e
provocar o desejo de tomá-lo.
As matérias açucaradas, das quais os melhores expoentes são o açúcar de fruta e portanto o
mel, vêm desempenhando desde sempre um papel importante no tratamento das doenças do
fígado. Mas deve-se procurar ao mesmo tempo uma ministração abundante de vitaminas e o
consumo de alimentos portadores de albulnina de elevado grau (por exemplo, requeijão).
Quando um fígado doente já não está em condições de transformar o açúcar de uva em
glicogênio de reserva, pode conseguir este do açúcar de fruta. Esta elabora-se e retém 29%
do metabolismo hepático para a formação de glicogênio.
No tratamento moderno das doenças da circulação, o mel dissolvido desempenha um papel

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 6

importante. Também se conseguem


243
bons resultados nos casos de nervosismo, excesso de trabalho, resfriamento (misturado com
leite quente), indigestão ou insônia, da mesma maneira que colabora na mais rápida
recuperação de forças nos convalescentes.
O mel natural, puro, exerce considerável influência no que diz respeito aos bacilos diftéricos.
Emprega-se, esfregando com ele três vezes por dia nas duas amígdalas e fazendo aspirar,
também três vezes por dia, mel líquido por ambas as fossas nasais. Em geral, tem-se
conseguido êxito absoluto depois de duas semanas de tratamento. Mas quando se emprega
mel quente fica reduzido consideravelmente o efeito bactericida e pode até mesmo
desaparecer por completo. O mel natural, conservado frio e com pouca luz, não perde estes
efeitos medicinais durante muito tempo, mas não deve estar diluído. As soluções de mel
perdem em poucos dias a sua capacidade obstruidora contra as bactérias. A luz solar exerce
pouca influência no mel por dissolver. As investigações já chegaram à importante conclusão
de que o mel não só se opõe à multiplicação das bactérias diftéricas, como também as
transforma quanto ao aspecto, coloração e toxicidade, de modo que ficam semelhantes às
chamadas bactérias pseudodiftéricas, que para os homens não são causa de doença.
O mel natural levanta barreiras contra os germens piógenos, as bactérias do grupo colitífico,
os germens formadores de pigmentos e de esporos, os vibriões e as bactérias diftéricas no
seu desenvolvimento e multiplicação.
244

Fim do Capítulo 6 de A Cura e a Saúde Pelos Alimentos

versão eletrônica pelo Projeto Periferia


railtong@gmail.com
Travessa do Anfiguri 47, São Miguel Pta., São Paulo-SP, BR-08050-570

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 7

ERNST SCHNEIDER

A CURA E A SAÚDE
PELOS ALIMENTOS
versão eletrônica pelo Projeto Periferia

Capítulo 1 - As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua Compensação Natural


Capítulo 2 - Frutos
Capítulo 3 - Legumes e Verduras
Capítulo 4 - Condimentos
Capítulo 5 - Alimentos Fornecedores de Energia
Capítulo 6 - Alimentos de Origem Animal
Capítulo 7 - Regimes Depurativos
Capítulo 8 - Doenças do Sistema Circulatório
Capítulo 9 - Doenças do Aparelho Digestivo
Capítulo 10 - Doenças do Metabolismo
Capítulo 11 - Doenças da Pele
Capítulo 12 - Doenças do Sistema Nervoso
Capítulo 13 - Tuberculose
Capítulo 14 - A Alimentação na Gravidez
Capítulo 15 - A Alimentação na Criança Moderna
Capítulo 16 - O Câncer
Capítulo 17 - Comentário Final
Capítulo 18 - Normas Fundamentais Para a Preparação de um Regime Sadio
Capítulo 19 - Receitas Culinárias

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 7

Regimes Depurativos

Capítulo 7
Basicamente exijo, como médico, que a terapêutica nutritiva não
constitua, como antigamente, uma parte insignificante da terapêutica
geral, mas que sirva de base a todos os esforços de cura e de
conservação. A intervenção do médico há de iniciar-se mudando a
alimentação e o metabolismo do doente. Abre assim caminho para o
processo de cura no organismo enfermo e prepara o corpo para a
terapêutica.
Dr. Max Gerson.

Limpeza Anual do Sangue -- É principalmente na primavera [Europa] que se manifesta em


maior grau que todos nós passamos por uma série de estados enfermiços que hoje se
chamam - «insuficiências», mas que antigamente se denominavam «impurezas do sangue».
Mesmo quando hoje estamos em condições de indicar com exatidão quais são as
«insuficiências» à custa de complicadíssimas investigações laboratoriais, as «impurezas do
sangue» ou melhor, os «produtos de refugo dos tecidos» e as «misturas de humores» são
difíceis ou impossíveis de comprovar e não têm, portanto, a consideração suficiente na
medicina oficial. Seja como for, não podemos menosprezara idéia muito popular, e expressiva
dos «produtos residuais dos tecidos», pois conhecemos numerosos processos de
metabolismo, já explicados, pelos quais uma alimentação insuficiente, como é hoje
praticamente a de todo o povo civilizado, leva a graves desvios metabólicos e, por isso, a
carregar excessivamente as células e os tecidos. As curas de depuração do sangue, que não
se destinavam senão a reativar o metabolismo, a normalizá-lo e a estimular as secreções,
subsistem, por conseguinte, ainda hoje com suficientes motivos. O incremento do metabolismo
significa sempre limpeza e a limpeza continua sempre a ser uma condição prévia para a
saúde.
Os caminhos que levam à limpeza do organismo são muitos. Basta recordar as dietas, as
curas de sucos de frutas, o regime de vegetais crus, infusões mistas, saladas de ervas
silvestres, banho de suor, banhos de assento quentes, banhos romanos e irlandeses e muitos
outros. Também o emprego especial e curativo de plantas medicinais, como urtigas, agriões,
dentes-de-leão ou margaridas, são possibilidades para fazer frente com eficácia a uma
«mistura de humores» e realizar a necessária renovação. Apóiam, portanto, convenientemente
os nossos esforços para a distensão e a renovação dos tecidos as lavagens intestinais, a

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 7

ginástica respiratória, o exercício abundante ao ar livre e a alimentação vegetariana sem sal.


Qualquer pessoa pode assim levar a cabo a cura correspondente à sua constituição física,
para depurar o seu próprio organismo. Só um perfeito metabolismo é que garante a
capacidade de rendimento e a satisfação do esforço.
A Cura de Depuração do Sangue, Tratamento Básico -- A moderna química do
metabolismo e numerosas investigações sobre as forças ativas na formação e degradação da
hemoglobina levaram à convicção de que a vida dos nossos tecidos orgânicos depende da
capacidade de respiração das células e, sobretudo, da capacidade de absorção e expulsão do
oxigênio (Prof. Dr. Bingold). Neste processo desempenham, precisamente, um papel
importante os fermentos portadores de oxigênio. Se se interromper a cadeia de reações por
causa da falta de um
248
fermento, acumula-se um determinado produto do metabolismo diretamente no ponto de
ruptura e continuará a formar-se, mas não a transformar-se. Apresenta-se, assim, um produto
de metabolismo em excesso, ao passo que faltam outros fatores que devem derivar daquele
(Dr. Hellmann). Isto torna compreensível o velho conceito de «produção de resíduos dos
tecidos» e de «limpeza do sangue».
O fígado, por ser o maior «laboratório» do metabilismo, precisa anualmente de descanso
prolongado com posterior renovação e estímulo de todas as suas numerosas funções por meio
de matérias ativas, tais como as que existem nos sucos de plantas e frutas, ervas medicinais,
verdura e saladas, na forma mais natural e agradável.
Toda a limpeza do sangue e dos tecidos deve ser precedida convenientemente de uma
limpeza intestinal, pois está demonstrado que o intestino, se funcionar defeituosamente, se
pode converter num foco de grave infecção, chegando a provar-se a presença no sangue, em
tais casos, de matérias tóxicas procedentes do metabolismo, como fenol, indol e cresol, numa
concentração análoga à que se produziria por envenenamento exterior. Estaríamos, assim,
diante de uma autointoxicaçao intestinal.
A riqueza em sal conduz, também, à hidratação dos tecidos e, por sua vez, à obstrução dos
processos de combustão, dando assim lugar à acumulação de resíduos do metabolismo.
Como as curas de limpeza de sangue estimulam consideravelmente todos os órgãos de
eliminação de produtos de refugo, e os sucos de frutas e verduras frescas fornecem suficiente
material de combustão e eliminam o sal pela sua abundância em potássio, tornam-se muito
bons e próprios para evitarmos graves enfermidades, a velhice prematura e a caquexia.
Normas Para um Regime Depurativo do Sangue -- A principal condição para o seu êxito é a
transformação de toda a alimentação e muitas vezes também do modo de vida que a pessoa
leva. Durante uma temporada de quatro a seis semanas, devem limitar-se, ou suprimir-se
mesmo, todos os alimentos que formem ou contenham ácido úrico, como carne, ovos, queijo,
café e chá. São eficazes a fruta fresca, incluindo limões e laranjas, os sucos, as infusões de
ervas, a chucrute (couve fermentada) crua, o leite coalhado e o iogurte. Todas as medidas
deste tipo teriam pouco resultado se não se conseguisse um funcionamento totalmente normal

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 7

do intestino. Tomar antes de cada refeição um copo de suco de maçã consegue quase sempre
fomentar a atividade intestinal. O consumo regular de leite coalhado e de iogurte normaliza o
depósito de bactérias no estômago, de modo que se produz um reforço e reavivamento
consideráveis da capa-
249
cidade digestiva, evitando a absorção de produtos metabólicos tóxicos. A limpeza intestinal e a
regularização da função intestinal equivalem sempre à limpeza do sangue.
Regime Para Combater o Cansaço e a Obesidade -- Ouve-se dizer com muita freqüência,
sobretudo as senhoras, o preocupado comentário de que estão a engordar, acrescentando
quase sempre que não é por excesso de comida, pois raramente satisfazem completamente o
apetite. Mas a verdade é que o peso continua a aumentar. Também não se pode ocultar por
mais tempo o desaparecimento da «bela linha», por mais cintas e espartilhos que se usem.
A isto junta-se, com freqüência, a sensação de menor capacidade de rendimento. É,
precisamente, nas primeiras horas da manhã que os membros parecem estar adormecidos e
uma sensação de angústia paralisa a vontade, e é com dificuldade que se efetua o trabalho
diário.
Recorre-se, em geral, a uma xícara de café ou a uma xícara de chá para fazer desaparecer
estes sintomas tão molestos. Mas a verdade é que enquanto necessitarmos de tais excitantes
para conservar devidamente a nossa capacidade de redimento, é sinal de que os órgãos do
nosso corpo não estão sãos. Não devemos suprimir os sintomas, mas sim perguntar a que são
devidos.
Que fazer, então?
Recordemos os métodos aprovados por uma grande experiência que, pelo seu efeito externo
ou interno, ajudam o organismo a desfazer-se da acumulação excessiva de gorduras e a
eliminar a produção de resíduos metabólicos. Os sucos externos, como massagens, ginástica,
banhos e curas de transpiração, conservam sempre o seu grande valor. Como uso interno,
efetuemos uma das curas depurativas do sangue, cumprida a rigor, servirá também de cura
para emagrecer.
Freqüência de Lombrigas Intestinais -- Os casos graves de cansaço estão relacionados
freqüentemente com a presença de parasitas no intestino e com insuficiência de vitamina C. O
ensino que deve ser tirado é que nos casos de grande cansaço, entre os indubitavelmente
devidos a simples insuficiência vitamínica, cumpre ter presente a possibilidade de parasitas
intestinais. O estado de fadiga que se pode observar é evidentemente conseqüência da
destruição da vitamina C pelos parasitas.
0 que nestes casos pode ser de muita utilidade são as ervas, muita fruta fresca, salada crua
diária, cebolas, alhos, salsa e muitas cenouras que expulsam e afastam os parasitas. No caso
da presença de lombrigas em grande quantidade deve-se recorrer a consulta e tratamento
médico.
250

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 7

O jejum Como Meio de Cura -- O jejum é realmente o regime dietético mais rigoroso, mas
também a medida terapêutica mais comum a todas as enfermidades. O Dr. Heun insiste na
observação de que o jejum fortalece a intuição e dá uma idéia mais exata das circunstâncias,
como também das sensações internas, das impressões e das imaginações. É este o mais
profundo sentido e a razão por que todas as religiões praticam o jejum. Quer dizer que as
prescrições religiosas do jejum servem não só de exercício ascético e para fortalecer a
vontade, como também para a manutenção da saúde do corpo.
Os jejuns rigorosos e prolongados devem ser feitos sob vigilância médica ou, melhor ainda, em
qualquer estabelecimento de regimes dietéticos. As curas costumam durar, em média, de uma
a três semanas. No dia anterior ao início do jejum, já se devem restringir consideravelmente os
alimentos na quantidade, mantendo depois um regime à base de um litro de infusão de ervas
diário, sucos de frutas e de legumes e mais uma pequena quantidade de alimentos. A opinião
do médico em determinadas curas à base de sucos e de infusões pode ser essencial. Durante
o tempo do tratamento, administrar diariamente de manhã uma infusão de camomila, e ao
meio-dia qualquer coisa quente para tonificar o corpo. Ao mesmo tempo, deve cuidar-se
diligentemente da limpeza da boca. Passeios diários e estadias ao ar livre servem para regular
as secreções cutâneas. Lavagens completas de manhã e ao entardecer e um banho semanal
com folhas de pinheiro de curta duração, durante o tempo que durar a cura, facilitam
enormemente os processos de eliminação.
0 regime de jejum é recomendado nas seguintes doenças, especialmente nas de tipo crônico:
angina de peito, asma bronquial, asma cardíaca, alterações da tensão arterial, afecções do
sistema circulatório, especialmente nas que decorrem com espasmos nos vasos, varizes,
obesidade, reumatismo articular, hemorróidas, alterações cutâneas, especialmente eczemas,
doenças crônicas do estômago e dos intestinos, particularmente nos casos de prisão de
ventre, enxaquecas, inflamações agudas dos rins, nas alterações renais da gestação, na
pré-eclampsia e eclampsia, nas periodontoses, nas alterações do metabolismo e das
glândulas de secreção interna, em numerosas afecções nervosas, nos cálculos, nas feridas e
úlceras malignas, em doenças com febre e de curta duração, como anginas, gripe, etc.
Não é indicado este processo terapêutico nas doenças orgânicas graves e de curso geral,
como os tumores malignos, tuberculose, diabetes, alterações graves das células renais ou
hepáticas ou em afecções agudas do coração. Em tais casos pode ser muito útil uma cura de
jejum de pequena duração, sob o controle direto do médico.
251

Fim do Capítulo 7 de A Cura e a Saúde Pelos Alimentos

versão eletrônica pelo Projeto Periferia


railtong@gmail.com
Travessa do Anfiguri 47, São Miguel Pta., São Paulo-SP, BR-08050-570

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

ERNST SCHNEIDER

A CURA E A SAÚDE
PELOS ALIMENTOS
versão eletrônica pelo Projeto Periferia

Capítulo 1 - As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua Compensação Natural


Capítulo 2 - Frutos
Capítulo 3 - Legumes e Verduras
Capítulo 4 - Condimentos
Capítulo 5 - Alimentos Fornecedores de Energia
Capítulo 6 - Alimentos de Origem Animal
Capítulo 7 - Regimes Depurativos
Capítulo 8 - Doenças do Sistema Circulatório
Capítulo 9 - Doenças do Aparelho Digestivo
Capítulo 10 - Doenças do Metabolismo
Capítulo 11 - Doenças da Pele
Capítulo 12 - Doenças do Sistema Nervoso
Capítulo 13 - Tuberculose
Capítulo 14 - A Alimentação na Gravidez
Capítulo 15 - A Alimentação na Criança Moderna
Capítulo 16 - O Câncer
Capítulo 17 - Comentário Final
Capítulo 18 - Normas Fundamentais Para a Preparação de um Regime Sadio
Capítulo 19 - Receitas Culinárias

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Receitas Culinárias

Capítulo 19
As receitas que constam desta seção foram, em parte, traduzidas do livro
do Dr. Ernst Schneider, sendo adaptadas às condições de nosso País. As
demais, por sinal, a maioria, foram selecionadas de diversas fontes que
fazem parte do acervo da Casa Publicadora Brasileira. Algumas receitas
de soja foram gentilmente cedidas por Íria B. dos Reis.

I. Sucos de Frutas, Verduras e Ervas


Especialmente indicados em doenças dos aparelhos digestivo e circulatório e nos regimes
depurativos.

Sucos Frescos.
a) De legumes, verduras e ervas-de-cheiro: Entre os nossos legumes e verduras silvestres
prestam-se à obtenção de sucos frescos os seguintes: tanchagem, agrião, alface, mastruço,
dente-de-leão, azedas, mil-em-rama e agrião de horta.
Podem aproveitar-se cru suco as seguintes especiarias: endro, funcho, salsa, cebolinha verde,
aipo e cebola.
Depois de uma lavagem muito cuidadosa e de se terem extraído todas as partes defeituosas,
deixam-se escorrer e espremem-se. Se não se dispuser de uma centrífuga, basta uma
máquina de picar carne, passado-se depois a massa por um coador de pano. O suco
guarda-se imediatamente em recipientes de vidro, porcelana ou barro, que devem ser tapados
hermeticamente. Não se devem deitar em recipientes metálicos nem mexer com colheres de
metal nem expor à luz. Se os recipientes tiverem sido muito bem limpos, então os sucos
conservar-se-ão em boas condições, durante vários dias, num lugar fresco e escuro.
Antes de nos servirmos do suco, deve ser mexido energicamente, para se lhe aproveitar
igualmente a parte sedimentada. Em geral, empregam-se os sucos no dia da sua preparação,
e o de rábano imediatamente depois de ter sido preparado, pois se decompõe quinze minutos
depois de extraído.
Aos lactentes só se devem dar sucos recém-preparados. Os sucos frescos de ervas
consomem-se diariamente durante uma temporada, mas sempre diluídos, porque puros não

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

assentam bem e exerceriam um efeito demasiado forte.


Para diluir os sucos frescos, misturam-se com leite, soro de leite, soro de manteiga, sopa de
sêmola, na proporção de uma parte de suco por 5 a 8 partes de leite, etc.
Como condimento para sopas, molhos e saladas podem empregar-se sucos puros.
Acrescentam à comida o seu grande valor curativo.
b) De frutos: A preparação de sucos frescos de frutas, pela grande riqueza do seu líquido, é
ainda mais fácil do que a dos legumes, verduras e especiarias. Das frutas silvestres as que
melhor se prestam são as amoras, os maracujás e as framboesas.
500 g de bagas produzem entre 250 e 300 g de suco. Espremem-se as bagas ou
esmagam-se, coando-se depois a pasta por um coador ou uma peneira. Este processo para
obter sucos de frutas só serve para usos domésticos, como já se disse anteriormente,
352
mas é sempre preferível ao das fábricas, porque estas produzem sempre suco para conserva,
o que geralmente diminui o seu valor, embora empregando processos a frio para a
esterilização.

Sucos Obtidos por Aquecimento.


O segundo método, muito velho, mas ainda bastante útil atualmente para a obtenção de sucos
mediante pressão e aquecimento, pode efetuar-se em qualquer lugar sem dispositivos
especiais. As bagas, depois de lavadas e enxutas, e de se tirarem os talos e as folhas, e as
frutas, uma vez extraídas as sementes e os caroços esmagam-se com um rolo de madeira e
depois se aquecem moderadamente durante muito tempo no forno ou cozem-se breve~ mente
até formar um purê. Deita-se este num pano, cujas quatro pontas estão presas às pernas de
unia cadeira posta ao contrário. Recolhe-se o suco claro gotejante num recipiente (que não
seja de metal). Os resíduos cozem-se brevemente em pouca água e apertam-se através do
pano. O suco turvo obtido pode empregar-se para sopa, pastas, papas ou doces. Nas frutas
sumarentas, como framboesas, morangos e amoras não e preciso aquecimento.

Sucos Obtidos Mediante Vapor.


Para o processo de extração de suco pelo vapor, encontram-se a
353
venda diversos tipos de espremedores. A maior parte dos espremedores compõem-se de três
elementos: um recipiente com peneira e uma tampa para conter a fruta, um coletor situado
imediatamente abaixo do recipiente anterior e um depósito inferior para a água de cocção.
Se não se dispuser de um aparelho deste tipo, pode improvisar-se de, modo muito simples:
Deita-se um pouco de água numa panela bem lavada. No fundo coloca-se uni suporte (uma
pedra lisa, um prato voltado para baixo, etc.). Sobre qualquer destes objetos põe-se uma
terrina ou uma caçarola de barro, de porcelana ou de esmalte (sendo possível com asa) para
recolher o suco. Na panela coloca-se um pano lavado, não muito grosso, que tenha sido

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

encharcado pouco antes do seu emprego em água quente, no qual se deitam as frutas. As
extremidades do pano apertam-se com uni cordão ou atam-se à tampa, unia vez colocada esta
na panela. Assim que a água começar a ferver, o vapor começa a provocar a saída do suco.
As frutas moles, como por exemplo os morangos, precisam de uns vinte e cinco, a trinta e
cinco minutos de calor, e a fruta de caroço precisa de sessenta a setenta minutos. Se não se
pretende extrair o suco, mas sim aproveitar as frutas para doce ou aplicação análoga,
interromper a cocção, passado menos tempo. De resto pode verificar-se quando é necessário
extrair o suco e acabar
353
com a extração, quando for conveniente.
Todos os sucos, qualquer que tenha sido o processo de extração, e desde que não sejam
imediatamente consumidos nos dias seguintes, nem se destinem a pô-los de conserva sem
açúcar, devem ser postos imediatamente em frascos ou garrafas. Os recipientes têm de ser
fechados hermeticamente e submetidos a um banho-maria entre 75 a 800, durante trinta
minutos (esterilização).
Se se quiser açucarar a fruta, deita-se-lhe o açúcar quando a fruta se põe na panela. Este
suco também se deve cozer imediatamente depois da sua extração, deitando-o ainda quente
nos recipientes que depois devem ser hermeticamente fechados.
Bastam menos quantidades de açúcar, se este for posto depois da extração do suco. Este é
então cozido com o açúcar e deita-se nas garrafas, a cujo engarrafamento hermético se
procede imediatamente. A quantidade de açúcar depende da espécie da fruta.

II. Sucos e Vitaminas


Água de Coco.
1 coco verde para cada pessoa

Antes de abrir os cocos, deixá-los esfriar bem na geladeira ou acrescentar gelo à


água de coco. É um refresco delicioso e rico em sais minerais.

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Bebidas de Gergelim.
1.
2 colheres de sopa de gergelim
1 colher de sopa de aveia 1/2 litro de suco de laranja mel a gosto.

2.
2 colheres de sopa de gergelim
200 gramas de mamão
112 litro de água
mel a gosto

3.
2 colheres de sopa de gergelim
2 maçãs ácidas
1/2 litro de água
mel a gosto
Para todas as receitas, em primeiro lugar, bater bem, no liquidificador, as sementes
de gergelim, com pouca água. Quando estiver cremoso, acrescentar aos poucos o
resto da água e os outros ingredientes.

354

Chá de Casca de Maçã


6 colheres de sopa de casca de maçã
para 1 litro de água.
Preparo da casca: Secar as cascas de maçãs boas em forno aquecido, deixando a
porta aberta; ou então na chapa de fogão a lenha.
Preparo do chá: Colocar em água fervendo a casca e deixar ferver durante uns 10
minutos, com a vasilha tampada. Coar e servir frio ou quente, adoçado com mel e
umas gotas de limão. Acrescentando às cascas umas rodelas de maça seca, o chá
fica ainda mais delicioso.
Este chá pode ser tomado com leite. Também sem adoçar é agradável ao paladar.

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Coquetel de Amêndoas
30 gramas de amêndoas doces 200 ml de água 1 colher de sopa de germens de
trigo mel a gosto
Depois de ter deixado 30 g de amêndoas doces de molho em água fervente,
tirar-lhes a pele, deixando-as por algumas horas mergulhadas em água fria. Então,
batê-las no liquidificador, acrescentando aos poucos 200 ml de água. Coar e juntar
1 colher de sopa de germens, de trigo e mel a gosto. E uma bebida tônica e rica,
especialmente para crianças e convalescentes.

Coquetel de Cenoura e Laranja


100 ml de iogurte
100 ml de suco de cenoura
100 ml de suco de laranja
1 colherzinha de suco de limão
mel a gosto

Bater tudo no liquidificador. Esta bebida é muito apreciada pelas crianças.

355

Coquetel de Leite e Fruta


leite
suco de frutas peneirado
baunilha
limão
Em um liquidificador, misturar leite e suco de frutas peneirado ou irão peneirado.
Bater até fazer espuma. A bebida é servida muito fria. À mistura pode-se juntar
também baunilha e urnas gotas de limão.
Nestas bebidas mistas, a dona de casa pode dar largas à fantasia, pois podem ser
feitas inúmeras misturas.

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Coquetel de Mel
1 copo de leite
1 gema de ovo
1 colherzinha de mel
Misturar 1 copo de leite corri 1 gema de ovo crua e 1 colherzinha de mel e beber
lentamente a pequenos goles. Em lugar de leite também se pode empregar
qualquer suco de fruta e ainda enriquecer a combinação com germens de trigo ou
levedura em pó.

Coquetel de Tomate
1 xícara de suco de tomate
112 laranja
1 colher de chá de temperos verdes
1 pitada de sal

Bater tudo rio liquidificador e servir frio.

356

Coquetel Para Automobilistas


1 copo de suco fresco de cenoura
1 laranja
1 gema de ovo
Misturar 1 copo de suco fresco de cenoura com o suco de 1 laranja e engrossar a
combinação com 1 gema de ovo. Adoçar com um pouco de mel.
Reforça a capacidade de acomodação da vista nas condições rapidamente
cambiantes da luz, sobretudo nas viagens noturnas, por causa do seu elevado teor
de vitamina A, necessária para a formação de pigmentos visuais.

Laranja com Leite


112 litro de leite ou iogurte
2 laranjas
1 colher de sopa de aveia
mel a gosto

Bater tudo no liquidificador e servir na hora.

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Laranja com Mamão


2 xícaras de mamão picadinho
1 112 xícaras de suco de laranja
3 colheres de sopa de suco de limão
114 de colher de chá de baunilha
2 xícaras de água fria
mel a gosto
Bater no liquidificador, por 1 minuto ou até ficar cremoso, o mamão, suco de laranja
e limão. Adicionar o mel, baunilha e água fria. Servir com cubos de gelo.

Lua Azul
113 de xícara de suco de uva
314 de xícara de suco de amara
314 de xícara de suco de laranja
3 colheres de sopa de suco de limão
.314 de litro de água fria
mel a gosto

Misturar tudo.

357

Morango com Leite


112 litro de leite ou iogurte
100 gramas de morangos
1 colher de sopa de aveia
mel a gosto

Bater os ingredientes no liquidificador e servir na hora.

Néctar de Frutas
Suco de 3 laranjas, suco de 3 limões
1 litro de água
mel a gosto
1 xícara de suco de morango

Proceder de maneira idêntica à indicada na receita de Néctar Dourado.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Néctar Dourado
1 1/4 de xícaras de suco de laranja
1 1/4 de xícaras de suco de abacaxi
1 litro de água
mel a gosto

Misturar tudo bem e pôr a gelar. No momento de servir, acrescentar uma pitada de
hortelã.

Ponche Real
112 abacaxi ralado ou Picado bem fino suco de 2 limões
112 litro de suco de uva
112 litro de água fria mel a gosto

Misturar todos os ingredientes e servir gelado.

Refresco de Frutas
1 litro de água
1 colherzinha de suco de limão
1/4 de litro litro de suco de fruta
Para obter refresco de morangos, framboesas, cerejas, laranjas, e maracujás,
espremer a fruta e misturar o suco bruto com água, um pouco de mel ou açúcar
mascavo e suco de limão. Calcular 1 litro de água e 1 colherzinha de suco de limão
para 1/4 de litro de suco de fruta.

358

Sugestões Para Bebidas de Frutas


Abacaxi e maracujá. Abacaxi, maçã e limão. Abacate, leite e limão. Banana e leite.
Banana, mamão, maçã e limão. Caju e limão. Laranja, abacaxi e limão. Laranja,
tangerina e limão. Morango, cereja e ameixa. Morango, laranja e limão. Morango,
coco e leite. Manga e limão. Mamão e leite. Uva e limão.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Sugestões Para Sucos


Cenoura e suco de limão.
Cenoura, folhas de espinafre e limão.
Cenoura, beterraba e limão.
Cenoura, maçã e limão.
Cenoura, salsão (talo e folhas), espinafre e limão.
Cenoura, maçã, folhas de beterraba e limão.
Cenoura, couve e limão.
Cenoura e abacaxi.
Cenoura, alface, espinafre e limão.
Cenoura, beterraba e coco.
Cenoura, salsa, maçã e limão.
Cenoura e coco.
Cenoura, beterraba, pepino e limão.
Repolho, salsão e limão.
Salsão, tomate e rabanete.
Tomate, couve e pimentão verde.
Tomate e maçã.

359

III. Pratos com Frutas


Banana com Coco
8 bananas nanicas maduras
mel
coco ralado
Descascar e partir pelo meio, ao comprido, as bananas. Untar uma frigideira e
colocar as metades de banana, uma ao lado da outra. Cuidar para que dourem sem
queimar. Virar e proceder do mesmo modo. Colocar em prato de sobremesa e
cobrir com uma camada fina de coco ralado (ou castanha-do-pará, ralada) e pingar
mel à vontade. Servir quente.

Bananas ao Forno
bananas
canela em pó

Cortar as bananas em duas, ao comprido. Arrumar em uma forma, polvilhar com


canela em pó e levar ao forno.

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Maçã Assada

2 maçãs
3 colheres de sopa de passas de uva
2 colheres de sopa de nozes misturadas com mel e canela
2 colheres de sopa de creme de leite
Tirar as sementes das maçãs e encher com uma mistura feita das nozes picadas,
passas, mel e canela. Regar a parte recheada com creme de leite e colocar as
maçãs em foi-ma untada e umas 3 colheres de água para no fundo não queimar.
Assar em forno brando.

360
Morangos com Maçãs 100 gramas de morangos

1 maçã
mel
nozes moídas
um pouco de germens de trigo
2 colheres de sopa de creme de leite
Misturar os morangos bem limpos com a maçã descascada e picada e o mel e
deixar em repouso por 1/2 hora. Quando a mistura estiver bem suculenta, servir
com germens de trigo, nozes moídas e o creme de leite.

Neve com Morango


100 gramas de morangos mel
1 clara
100 g de morango bem limpos e passados em liquidificador. Adoçar com mel. Bater
uma clara em neve e misturar levemente com os morangos batidos. Colocar em
unia travessa e enfeitar com morangos inteiros e polvilhar com nozes moídas.

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Prato Cru de Amoras


4 ou 5 colheres de sopa de flocos de aveia
1 copo de água
mel a gosto
500 gramas de amoras
2 ou 3 colheres de iogurte ou creme de leite,
amêndoa e noz ralada
linhaça ou germens de trigo moído
Deixar a aveia de molho durante 12 horas na água. Misturar bem as amoras
esmagadas, sem os grânulos, juntar-lhes mel com iogurte ou creme de leite, e servir
finalmente o prato com amêndoas, nozes, linhaça ou germens de trigo polvilhados.
Podem também ser empregadas outras frutas de bagas.

Prato Cru de Maçã


maças mel amêndoas moídas
1 colher de suco de limão
1 gema de ovo
germens de trigo ou flocos de milho
Ralar as maçãs em ralo grosso e misturar mel, amêndoas moídas, 1 colher de suco
de limão e uma gema de ovo batida. Pôr tudo em travessa e servir com germens de
trigo ou flocos de milho.

361

Salada de Maçãs e de Bananas


maçãs
bananas
suco de limão
mel
nozes castanhas ou amêndoas moídas
Cortar em partes iguais, maçãs e bananas, colocando-se em camadas alternadas
em uma travessa funda. No meio de cada camada pôr suco de limão misturado com
mel. Deixar a salada em repouso por algum tempo, e servir com nozes, castanhas
ou amêndoas moídas.

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Salada de Maçãs e Laranja


maçãs laranjas mel ou melado
suco de maçã
germens de trigo noz
Descascar as maçãs e as laranjas, cortar em rodelas, pôr mel ou melado,
colocando em camadas sobrepostas. Deixar repousar por algum tempo até a salada
ficar bem embebida. Se não ficar bastante suculenta, juntar um pouco de suco de
maçã. Finalmente, polvilhar com uma colher de sopa de germens de trigo e de noz
ralada.

Salada de Pera e Maçã


maçãs
peras
passas de uvas
mel

Depois de bem limpas, cortar as maçãs e peras em rodelas bem finas,


misturando-se com um pouco de passas de uvas e mel. Deixar repousar um pouco,
e para servir cobrir com creme de leite.

362
Salada Tropical
Mangas
abacates
laranjas
mamão
bananas
Mangas, abacates, laranjas, mamão, bananas, na proporção que se deseje, e mel a
gosto. Cortam-se as frutas em fatias ou pedaços bastante pequenos, e prepara-se a
salada uma hora antes de servir, para que o mel penetre bem. Querendo mais
acentuado o gosto, espremer um pouco de suco de limão.

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Sopa de Amoras
1 litro de suco de amoras
2 colheres de sopa de maizena
maçã
pão torrado

Ferver o suco, engrossar com a maizena previamente dissolvida e deixar ferver. Ao


servir juntar os pedaços de maçã e comer com torradas.

Sopa de Maçã
500 gramas de maçã
1 1/2 litros de água canela em pau mel
1 colher de sopa de maizena
1 copo de suco de fruta
As maçãs cortadas aos pedaços são cozidas na água com a canela. Passar depois
por um coador, e cozinhar uma vez mais. Acrescentar a maizena com o suco e
deixar ferver. Adoçar com o mel e servir com torradas.

Sopa de Pera
150 gramas de pera
1/4 de litro de leite
1 colher de sopa de farinha
canela
cravo
mel

Descascar as peras, cortar em pedaços e cozinhar em pouca água até amolecer.


Ferver separadamente o leite, a canela e o cravo e misturar lentamente a farinha
dissolvida em pouca água e adoçar com mel, ajuntando as peras cozidas e dar mais
uma fervida.

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Sopa de Semolina com Frutas


150 gramas de ameixas vermelhas
1/2 litro de leite
mel
baunilha
1 colher de sopa de semolina
1 ovo
Tirar os caroços das ameixas e dar uma fervura com pouca água. Ferver
separadamente o leite com a baunilha, misturar lentamente a semolina e cozinhar
até engrossar, ajuntar o mel e as ameixas cozidas, também a gema do ovo batida e
finalmente a clara em neve. Servir bem geladinha.

Torta com Fruta Fresca


300 gramas de flocos de milho 50 gramas de germens de trigo 500 gramas de
abacaxi mel creme de leite
Colocar em uma forma de fundo falso untada, camadas alternadas de flocos e
abacaxi picado adoçado com mel. Na última camada, pôr em cima creme de leite.
Deixar ria geladeira durante 1 hora e servir.

Torta Variada
100 gramas de semente de linhaça moída
250 gramas de flocos de milho
100 gramas de nozes moídas suco de 1 limão grande um pouco da casca ralada
30 gramas de passas de uva
20 gramas de tâmaras picadas
30 gramas de banana seca picada
500 gramas de maçã mel a gosto
Misturar bem a semente de linhaça, os flocos, nozes e as frutas secas. Ralar em um
raio grosso as maças descascadas, e temperar com mel, o suco e casca de limão.
Em uma forma de fundo falso untada colocar, em cai-nadas alternadas, a mistura
de flocos e a maçã ralada. Deixar um pouco ria geladeira, mas servir no mesmo dia.

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IV. Saladas
Saladas Cruas

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Salada de Abobrinha e Aipo


100 gramas de abóbora verde
100 gramas de aipo
1 colher de sopa de óleo
10 gramas de nozes picadas
2 colheres de sopa de suco de limão
1 cebola
salsa picada
sal a gosto
1 dente de alho esmagado
Ralar o aipo e a abóbora em ralo meio grosso. Misturar os outros ingredientes e
juntar à abóbora e aipo. Antes de servir enfeitar com pedaços de azeitonas pretas e
salsa picada.

Salada de Agrião
1 maço de agrião
1 cebola
1 colher de sopa de óleo
2 colheres de sopa de suco de limão
sal
Limpar e lavar bem o agrião, aproveitando para a salada só as folhas e pontas.
Deixar de molho em água de sal e vinagre para desinfetar. Antes de usar, lavar
mais uma vez. Arrumar em uma travessa e enfeitar com tomate e ovo cozido. O
tempero de suco de limão, cebola ralada, óleo e sal deve ser colocado somente
antes de servir.

Salada de Aipo
aipo
óleo
nata
suco de limão
sal

Ralar finamente os bulbos de aipo e misturar com óleo, nata, suco de limão e sal,
ou então, juntar maionese.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Salada Arco-Íris
4 cenouras médias
3 beterrabas médias
6 rabanetes
200 gramas de folhas tenras de
espinafre
2 cebolas médias
1 pimentão
3 tomates
4 rábanos
1 abacate pequeno
Cortar as cebolas em fatias finas, juntar óleo de oliva (ou outro) e colocar na
geladeira por 1 a 2 horas em recipiente bem fechado. Ralar as cenouras, as
beterrabas, os rabanetes e o rábano. Picar o espinafre, cortar o pimentão e o
tomate em rodelas, e o abacate em tiras compridas. Usar uma travessa grande e
colocar as verduras em montinhos separados, juntando as cebolas a cada
montinho, enfeitando com pimentão e abacate. Servir o molho em tigela separada.

Salada de Azedas
folhas de azedas
óleo ou nata
sal
espinafre
Para esta salada tomar só as folhas brandas e novas, cortando-as depois de
lavadas. Misturá-las com óleo ou nata e um pouco de sal. Suprimir o suco de limão,
porque a salada tem um sabor fortemente ácido. É preferível juntar plantas
silvestres, conforme o paladar, ou também espinafre.

Salada de Cenoura com Rabanete


cenoura rabanete
3 colheres de sopa de requeijão
leite
1 colher de sopa de óleo
suco de limão
alcaparras
cebolinha verde
endro

Limpar e cortar duas partes de cenoura e uma de rabanete. Bater depois um molho
com requeijão, algumas colheres de sopa de leite, uma colher de óleo, suco de

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

limão a gosto e temperar com alcaparras, cebolinha verde e endro.

366
Salada de Cenoura Crua
3 cenouras
1/2 maçã
1 colher de sopa de suco de limão
1 colher de sopa de iogurte ou creme de leite
1 cebola pequena
1 colher de sopa de nozes picadas
sal a gosto
Ralar em ralo mais ou menos grosso as cenouras e a maçã e temperar com o suco
de limão, 1 colher de sopa do iogurte ou creme de leite, a cebola ralada e o sal.
Arrumar em uma travessa e derramar por cima o resto do iogurte ou creme de leite
e salpicar com as nozes raladas.

Salada de Chicória
1 pé de chicória
suco de limão
óleo
sal marinho
nata
Cortar a chicória bem fininha, misturar com suco de limão, óleo, sal marinho e, a
gosto, algumas colheres de nata. Deste modo a salada de chicória reforça os pratos
de batatas, arroz e massas italianas.

Salada de Ervas do Campo


1 maço de dente-de-leão e serralha
algumas folhas de agrião
1 cebola
1 colher de sopa de óleo
2 colheres de sopa de suco de limão
1 pedacinho de alho
1 ovo cozido
1 pimentão vermelho
1 sal a gosto
Limpar e lavar bem as ervas, aproveitando para a salada só as folhas e as pontas.
Deixar de molho em água de sal e vinagre durante 1 hora. Antes de usar, lavar mais
uma vez. Picar as ervas não muito fino e temperar um pouco antes de servir com

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um molho preparado com o suco de limão, a cebola bem picadinha, o óleo, o alho, o
sal e pimentão e o ovo picados.

367
Salada de Espinafre
1 maço de espinafre bem tenro
1 gema de ovo
2 colheres de creme de leite
sal a gosto
Lavar bem o espinafre e deixar em água de sal e vinagre durante 1 hora. Depois
lavar mais uma vez e deixar escorrer. Bater bem o creme de leite, o sal e a gema e
misturar com o espinafre picado. 0 prato pode ser enfeitado com tiras de tomate.

Salada de Pepino
1 ou 2 pepinos
nata
iogurte
suco de limão
sal
especiarias vegetais
Cortar os pepinos em rodelas finas ou então em pedaços. Não é necessário
descascá-los, pois as rodelas até têm melhor aspecto com a casca. Provar cada
pepino para ver se é amargo. Preparar com nata ou iogurte, suco de limão, um
pouco de sal e especiarias vegetais. Quem não puder mastigar deve comer o
pepino ralado grosso.

Salada de Rabanete
3 rabanetes
3 maçãs
algumas avelãs ou nozes
1 colher de sopa de óleo
um pouco de leite ou nata
1 colher de sopa de limão
sal a gosto
Misturar o rabanete, já bem limpo e finamente cortado, com a maçã ralada e
algumas nozes moídas. Juntar depois o óleo, o leite, o sal e o suco de limão; a
salada pode ser preparada com pedaços grandes de tomate.

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Salada Tabule
1 xícara de trigo para quibe
1 pé de alface ou folhas de repolho
1 cebola
cebolinha verde
4 tomates
1/2 pepino
2 folhinhas de hortelã óleo sal e limão
Pôr o trigo de molho durante 2 a 3 horas. Picar todas as verduras depois de bem
lavadas. Apertar bem o trigo com as mãos para sair toda a água. Misturar tudo.
Enfeitar com folhas de alface e azeitonas pretas.

Salada de Tomate
250 gramas de tomate
1 cebola grande
1 colher de sopa de cebolinha verde
picada
2 colheres de iogurte
um pouco de tempero
sal
Cortar os tomates e a cebola em rodelas e arrumar em uma travessa, em camadas.
Misturar o iogurte, o sal, o tempero e espalhar por cima. Salpicar com a cebolinha
verde. Quem não suportar a casca do tomate, despelá-lo antes de usar.

Tomates Crus Recheados


tomates
ricota temperada
azeitonas picadas
nabo ralado
nata hortelã
salsa
flocos de trigo ou aveia
polpa dos tomates
cebola
creme de amendoim
abacate
limão
alho
Cortar uma tampinha ou recortar em forma de cestinho e tirar a polpa dos tomates.
Recheá-los com ricota temperada ou maionese (ver receita) e azeitonas picadas; ou

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

nabo ralado. temperado com nata, hortelã e salsa picadas; ou flocos de trigo ou
aveia misturados com a polpa dos tomates, cebola e salsinha picadas e pequena
quantidade de creme de amendoim; ou abacate amassado com o garfo, temperado
com limão, salsinha, pouco alho, cebola e azeitonas picadas.

369

Saladas Cozidas

Salada de Aspargos com Cogumelos


500 gramas de aspargos
125 gramas de cogumelos
125 gramas de cogumelos crus
125 gramas de cogumelos inteiros óleo suco de limão pimentão
Tirar a pele de 500 g de aspargos tenros e refogar em azeite, sem ficarem muito
brandos. Ralar depois 250 g de aspargos crus e outros 125 g de cogumelos crus,
limpos. Deixar outros 125 g de cogumelos inteiros, ficando 10 minutos em um molho
de óleo e suco de limão com um pouco de pimentão. Preparar os aspargos
refogados em uma travessa e cobrir os intervalos com folhas de alface. Tirar agora
os cogumelos do molho e preparar com este molho, ao qual se junta nata. Distribuir
sobre folhas de alface. Enfeitar com os cogumelos inteiros e salsa picada muito fina.

Salada de Beterraba
2 ou 3 beterrabas
óleo
suco de limão
sal a gosto
Cozinhar as beterrabas, descascar e cortar em rodelas. Misturar depois com óleo,
suco de limão e sal a gosto, deixando repousar durante algum tempo. A gosto,
juntar cebola picadinha, cominho e rodelas finas de rabanete. Em vez de óleo
pode-se empregar nata.

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Salada de Beterrabas e Batatas


2 xícaras de cubinhos de batatas
cozidas frias
1 xícara de beterraba cozida
2 ovos duros picados
2 colheres de cebola picada
salsa picada

Misturar os ingredientes e ajuntar-lhes molho francês ou maionese. Servir em folha


de alface.

Salada de Couve-Flor
1 couve-flor
sal
suco de limão
1 colher de óleo cebola pimentão vermelho

Conforme o tamanho dividir 1 couve-flor em grumos pequenos, lavar e cozinhar em


água temperada com sal, sem chegar a ficar branda. Escorrer e introduzir
rapidamente em um molho de suco de limão, 1 colher de óleo, cebola e pimentão
vermelho picados, e sal. Pode-se também temperar com maionese.

Salada de Couve-Flor e Tomate


1 couve-flor média
4 tomates
molho francês (ver receita)
folhas de alface
Separar os grumos da couve-flor e cozinhar em pouca água e sal, sem amolecer
demais. Escorrer depois de frios, arrumar em travessa já forrada de alface cortada,
e, em volta, pôr rodelas de tomate. Salpicar com molho frances.

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Salada de Grão-de-Bico
2 xícaras de grão-de-bico cozido
2 ovos cozidos
palmito
tomate
azeitonas
folhas de alface
cebola
temperos verdes
óleo
sal
limão
juntar ao grão-de-bico já frio, a cebola, temperos verdes, azeitonas, tudo picado, e
temperar com óleo, limão e mais sal se for preciso. Servir em prato forrado com
folhas de alface e enfeitado com rodelas de palmito, ovos cozidos e fatias de
tomate. Salpicar salsa picada.

Salada de Legumes
1/2 quilo de batatas cozidas e picadas em rodelas
1 xícara de vagens cozidas picadas
2 cenouras cozidas e cortadas em rodelas
1 alho porro, cortado fininho
1 cebola pequena ralada
1 pimentão cortado em tirinhas finas
2 colheres de sopa de azeite
1 colher de sopa de suco de limão
salsa batidinha
tempero
Misturar bem todos os legumes, temperá-los com azeite, limão, sal e salsa. Colocar
numa travessa e cobrir com o seguinte creme azedo: 1 lata de creme de leite, 2
colheres de sopa de suco de limão, 1 colher de chá de sal. Misturar bem todos os
ingredientes. Decorar a salada com rodelas de pimentão e cebola. Servir bem
gelada.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Salada de Porros
porros
batatas
óleo
limão

Cozinhar em água e sal porros e batatas. Temperar quentes ou frios, com óleo e
limão.

372
Salada de Porros com Creme de Leite
talos grossos de porros
azeite
suco de limão
1 copo de creme de leite
3 a 4 colheres do azeite do refogado
Limpar e lavar talos grossos de porros e refogar em um pouco de azeite e igual
quantidade de água. Cortar depois os talos em rodelas finas e deixar de molho
durante 15 minutos em abundante suco de limão. Preparar em seguida os porros
com 1 copo de creme de leite ou 3 a 4 colheres do azeite do refogado.

Salada Mista
6 cenouras novinhas
talos de salsão
2 beterrabas
2 colheres de sopa de salsa, cebolinha,
agrião picados
suco de limão
óleo
sal a gosto
Depois de limpas e picadas refogar as verduras com a cebola. Deixar esfriar e
temperar com 2 colheres de sopa de salsa, cebolinha, agrião picados, suco de
limão, óleo e sal a gosto. Quem gosta poderá acrescentar pimentão vermelho e
cebola crua picada. Servir com Trouxinhas de Batatas.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Salada Russa
250 gramas de vagens
4 tomates
1 couve-flor pequena
1 pé de alface
1 lata de aspargos ou palmito
3 cenouras
Cozinhar as vagens, cenouras e couve-flor em água e sal. Cortar as vagens e
cenouras em quadradinhos. Separar os galhinhos da couve-flor. Lavar e cortar os
tomates em fatias. Lavar e cortar a alface bem fina. Escorrer o aspargo ou palmito.
Forrar uma travessa grande com alface e, por cima, colocar as outras verduras
separadamente, já temperadas com molho francês (ver receita).

373
Salada Substanciosa
3 batatas médias
250 gramas de vagem ou ervilha em grão
2 beterrabas
3 ovos cozidos
1 pé de alface
galhinhos de agrião
maionese
suco de limão
cebola
Cozinhar as batatas com casca, descascá-las e picá-las bem fininhas; juntar os
ovos amassados, a cebola picadinha, o suco de limão, sal e umas colheradas de
maionese (ver receita). Misturar bem. Reservar, pondo na geladeira por mais ou
menos 1 hora. Picar a vagem e cozinhar com pouca água e sal. Depois de fria,
temperar com molho francês. Reservar. Cozinhar as beterrabas com a casca, mas
não deixar amolecer demais. Descascar e cortar em fatias. Temperar com bastante
cebola picada, salsa picadinha, limão, óleo e sal. Reservar. Forrar um prato grande
com folhas de alface picadinhas, sem tempero. No centro colocar a salada de
batatas, depois a vagem em volta, e ainda em volta desta, as fatias de beterraba.
Por último, alguns galhinhos de agrião ou folhinhas de alface. Enfeitar com
azeitonas pretas e rodelas de cebola.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Salada Síria de Berinjelas

2 berinjelas grandes, inteiras


limão
sal
2 colheres de sopa de óleo de oliva
alho socado
Lavar bem as berinjelas, sem tirar o cabinho. Assá-las inteiras, em um espeto,
sobre o fogo. (Enfiar o espeto do lado do cabinho e ir virando para assar por igual.)
Quando a casca estiver bem pretinha, deixar esfriar, depois descascar e amassar
ou cortar a parte de dentro em tiras finas. Temperar com limão batido com o óleo de
oliva e o alho e o sal.

374

V. Molhos e Maioneses
Molhos

Molho Branco

Proporções Para Molho Branco (rende 1 xícara de molho):


Molho ralo: 1 colher de sopa de farinha de trigo, 1 colher de sopa de óleo, 1 xícara
de leite. (Para sopa, creme e molhos ralos).
Molho médio: 2 colheres de sopa de farinha de trigo, 2 colheres de sopa de óleo, 1
xícara de leite. (Para legumes e molhos médios).
Molho grosso: 3 colheres de sopa de farinha de trigo, 3 colheres de sopa de óleo, 1
xícara de leite. (Para molhos grossos).
Misturar a farinha e o óleo e bater no leite fervendo. Cozinhar até engrossar e
mexer sempre. Temperar com sal e qualquer outro tempero se desejar.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Molho de Cominho (Para Ervas Suculentas)


2 a 3 colheres de óleo
2 colheres de sopa de farinha de trigo
1 cebola finamente picada
1/2 litro de caldo
1/2 colherinha de grãos de cominho sal
A cebola e a farinha refogam-se no óleo, adicionando o caldo e os grãos de
cominho, cozendo durante 20 minutos. Passar o molho por uma peneira e temperar
com sal. Aquecer de novo.

375
Molho Cru
2 xícaras de tomates em cubinhos
1/2 xícara de pepino em cubinhos
1/4 de xícara de salsa picadinha
1 colher de sopa de azeite de oliva
1/4 de xícara de pimentão em cubinhos
2 colheres de sopa de cebola ralada
1 colher de sopa de suco de limão
sal a gosto

Misturar todos os ingredientes e conservar refrigerado até a hora de usar. Não


guardar de um dia para outro. E delicioso em croquetes de lentilha.

Molho de Cogumelos
2 colheres de sopa de óleo
2 colheres de sopa de farinha de trigo
1/2 colher de chá de sal
Misturar tudo e levar ao fogo brando. Despejar, aos poucos, 1 xícara de leite frio e
mexer sem parar até engrossar. Retirar do fogo. A parte, dourar 2 colheres de sopa
de cebola ralada. Acrescentar 1 vidro pequeno de cogumelos picados (sem água).
Deixar refogar um pouco e juntar ao molho branco. Pode-se acrescentar parte ou
toda a água dos cogumelos.

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Molho de Creme de Amendoim


4 colheres de sopa de creme de amendoim
2 xícaras de soro de leite ou água
suco de 1 limão
sal a gosto

Bater 4 colheres de sopa de creme de amendoim, com 2 xícaras de soro de leite ou


água, adicionar suco de 1 limão e sal a gosto.

376
Molho de Macarronada com Lentilhas
2 xícaras de lentilhas cozidas
1 garrafa ou mais de suco de tomate
orégano
Pimentão
óleo de oliva
Misturar às lentílhas cozidas a garrafa de suco de tomate, fazendo um molho como
os demais, para macarronada, mas só que este ao invés de ter a carne, terá a
lentilha em substituição. Temperar com orégano e pimentão picadinho que dará um
sabor especial. Não colocar óleo e, quando for servir, colocar no prato de cada
pessoa um pouco de óleo de oliva.

Molho de Nata - I
1 copo de nata azeda
1 colher de sopa de suco de limão
1 colher de sopa de óleo
1/2 cebola
todos os temperos verdes que tiver
orégano

Mexer bem a nata com um garfo, juntando em seguida, aos pingos, o suco de limão
e o óleo. Misturar bem e juntar os temperos.

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Molho de Nata - II
1 colher de sopa de farinha de trigo
leite
sal
noz-moscada
creme de leite
Dourar ligeiramente 1 colher de farinha de trigo e ajuntar, pouco a pouco, leite.
Mexer até que comece a ferver. Acrescentar sal e um pouquinho de noz-moscada.
Deixar ferver durante 10 minutos e ajuntar então creme de leite. Dar uma fervura
antes de servir.

377
Molho de Nata -- III

1/2 xícara de nata azeda


farinha de trigo
caldo de batatas ou de outra verdura
Cozinhar 1/2 xícara de nata azeda (coalhada), mexendo-a continuamente até se
separar a gordura da albumina e esta tomar uma cor marrom-clara. Deitar suficiente
farinha para absorver a gordura. Acrescentar caldo de batatas ou de outra verdura e
terminar como na receita anterior.

Molho Francês
1/2 xícara de óleo
1/2 ovo cozido
1/4 de colher de chá de açúcar
1 1/2 colheres de chá de cebola picada
1/2 lata de purê de tomate
1/4 de colher de chá de sal
1 1/2 colheres de chá de suco de limão

Colocar todos os ingredientes no liquidificador e bater até ficar cremoso. (Este


molho conserva-se bem na geladeira, tampado).

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Molho Holandês
1 xícara de nata ou leite
1 colherzinha de farinha
1 colher de óleo
2 gemas de ovo
2 colheres de suco de limão
sal a gosto
Levar o óleo ao fogo com a farinha e mexer bem. Deitar um pouco de nata ou leite,
continuar a mexer até tomar consistência uniforme. Pôr o resto da nata ou leite para
ferver; bater as gemas com suco de limão. Acrescentar um pouco de molho quente,
e mexer sempre. Quando tudo estiver bem misturado, continuar a mexer sobre o
fogo até ficar espesso, mas sem deixar ferver. Pôr sal a gosto e, caso queira um
molho mais saboroso, acrescentar mais óleo, batendo o molho enquanto se
acrescenta.

378
Molho de Tomate
1 xícara de polpa de tomate
2 colheres (rasas) de farinha levemente tostada
1/2 colherzinha de cebola
1 colher de azeite temperos verdes sal a gosto
Pôr o azeite, a cebola e os temperos verdes numa caçarola ao fogo, e deixar
cozinhar durante alguns minutos. juntar-lhe a farinha tostada, o tomate, e mexer
bem, até ficar de consistência uniforme. Fazer ferver, juntar-lhe sal a gosto e coar
em uma peneira antes de servir.

Molho Reforçado de Macarrão


cebola média picada
dentes de alho picados
tomates maduros picados
folha de louro
colher de sopa bem cheia de cheiro-verde picadinho
colheres de sopa de óleo
sal a gosto
1/2 lata de Carne Vegetal
1 colher de sopa de extrato de tomate
Refogar a cebola e o alho picados, e quando estiverem dourados, acrescentar os

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

tomates --- O óleo, o louro, o extrato de tomate e o sal. Deixar cozinhar um pouco e,
à parte amassar a 1/2 lata de carne vegetal com um garfo. Jogar dentro do molho e
deixar cozinhar. Acrescentar água quente e ferver durante uns 5 minutos, Tirar do
fogo e bater tudo no liquidificador, tornando a pôr na panela para apurar. Quando
estiver bem cremoso, acrescentar o cheiro verde e deixar ferver mais 3 minutos,
mexendo sempre para não grudar. Tirar do fogo e despejar sobre o macarrão,
salpicando-o com queijo parmesão ralado.

379
Molho Tarto
1 1/4 de xícara de maionese cozida
3 colheres de sopa de pimentão verde picadinho
1/3 de xícara de pepino em conserva
1/4 de colher de chá de páprica doce
1 ovo cozido picado
3 colheres de sopa de molho de tomate
2 colheres de sopa de azeitona verde picada

Misturar bem todos os ingredientes, tendo o pepino bem es corrido e servir com
salada d legumes, em croquetes ou com desejar.

Maioneses
Maionese
1 ovo médio
1 batata média
1 cenoura
1 colher de sopa de suco de limão
1/2 cebola pequena
1/2 dente de alho
sal a gosto e se desejar pimentão e temperos verdes
óleo o necessário para deixar a maionese cremosa e firme

Bater todos os ingredientes no liquidificador e a seguir ir ajuntando o óleo até o


ponto desejado

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Maionese Cozida
1/4 de xícara de farinha de trigo
2 colheres de sopa de óleo vegetal
314 de xícara de água
2 ovos crus
1/4 de colher de chá de páprica
1 1/2 colheres de chá de sal
1 1/2 xícaras de óleo
3 colheres de sopa de suco de limão
Numa panela pequena, misturar a farinha e a primeira quantidade de óleo.
Esquentar bem e adicionar a água vagarosamente. Mexer até que esteja bem
grosso e liso. Colocar os ovos, a páprica, o sal e a mistura cozida no liquidificador e
bater bem. Juntar o óleo, vagarosamente no começo e bater sempre. Quando a
metade estiver adicionada, acrescentar o suco de limão e então continuar juntando,
devagar, o óleo restante.

380
Maionese com Gema Cozida
2 gemas de ovo cozidas
óleo
sal
suco de limão
um pouquinho de açúcar
2 ou 3 colheres de sopa de temperos
verdes, muito picados

Desfazer as gemas e bater com o óleo, acrescentando gota a gota a princípio para
não fazer grumos. Misturar depois com os temperos verdes.

Maionese Pobre
2 colheres de sopa de óleo
1 colher de sopa de farinha de trigo
1 cebola
1 dente de alho
2 xícaras de água
1 colher de chá de sal
1 colher de sopa de suco de limão
2 colheres de sopa de creme de leite
salsa e cebolinha verde picadas
Em uma panela torrar um pouco a farinha, acrescentar o óleo, a cebola e o alho.
Misturar a água, mexendo sempre. Cozinhar em fogo lento durante 5 minutos. Tirar

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

do fogo e deixar esfriar um pouco e então acrescentar o suco de limão, e por fim, o
creme de leite e os temperos verdes.

Maionese Sem Ovo


1 copo deleite
1 colher de sopa de maizena
1 cenoura média cozida
1 a 2 colheres de sopa de suco de limão
1/2 cebola
1 colher de café de sal
1 colher de sopa e óleo
Cozinhar o leite com a maizena e o sal, até engrossar. Depois de morno, bater este
creme no liquidificador com o óleo, limão, cebola, sal e a cenoura. Juntar ervas a
gosto. Pode-se acrescentar a esta receita, 1/2 xícara de queijo Minas amassado, 1
colher de azeitonas pretas bem picadas, 1 colher de sopa de tomate e 1 colher de
salsinha picadinha.

381
Maionese
1 copo de leite de soja
óleo de milho
sal a gosto
suco de limão
um pouquinho de óleo de oliva
alho
Pôr o leite no liquidificador junto com o alho e o sal. Enquanto bate, derramar o óleo
aos poucos até engrossar (consistência de um mingau mais ou menos ralo). Retirar
do liquidificador e pingar 2 colheres de suco de limão, mexendo bem. Acrescentar,
de acordo com o gosto, salsinha bem moída, azeitona bem picada, tomate bem
picado, cebola bem picada.

Maionese - Tomate
1/2 xícara de suco de tomate
1/2 xícara de maionese espessa
1 pitada de sal

Misturar bem. A maionese de tomate é deliciosa com qualquer salada de legumes,


e especialmente com a de repolho ralado.

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VI. Sopas e Massas Para Sopas


Sopas

Caldo de Verduras
talos de agrido
salsinha
salsão
raízes e talos de rúcula
folhas de beterraba e de cenoura
tomates
verduras picadas de toda espécie
cebola
1 dente de alho
cebolinha
algumas folhas de louro
Usar talos de agrião, de salsinha, de salsão (bastante), raízes e talos de rúcula,
folhas de beterraba e de cenoura, tomates, verduras picadas de toda espécie,
bastante cebola, 1 dente de alho, cebolinha e algumas folhas de louro. Cobrir com
água e deixar ferver em fogo brando, bem tampado. Coar e usar somente o caldo.
Usar como base para sopas e para cozinhar verduras.

382

Sopa de Abóbora
1 pedaço de abóbora madura
3 colheres de sopa de óleo
3 colheres de sopa de farinha de trigo
1 cebola média
1 dente de alho
1/2 litro de água
1 tomate
1 colher de verduras variadas
sal a gosto
Dourar a cebola, o alho e a farinha. Acrescentar a água e deixar ferver. juntar, se
houver, um pouco de caldo de verduras. Acrescentar a abóbora picada, o tomate
sem casca e a verdura picada. Cozinhar até desmanchar. Passar tudo pelo
liquidificador e temperar com sal.

http://www.geocities.com/projetoperiferia4/cspa19.htm (34 of 73) [30/11/2005 20:39:57]


A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Sopa de Batatas com Agrião


1 quilo de batatas
1 cebola ou alho
sal a gosto
2 litros de água ou caldo de verduras
3 colheres de sopa de azeite
1 prato fundo de folhas de agrião picadas
Descascar as batatas, cortar em pedaços pequenos e cozer no caldo com a cebola
e o azeite, batendo depois no liquidificador muito bem. Deixar o agrião dez minutos
na sopa. Antes de condimentar com o sal, provar a sopa, à qual também se pode
juntar uma xícara de nata ou iogurte.

Sopa de Batatas com Creme de Leite


1/2 quilo de batatas
1 dente de alho
2 tomates
1 xícara de creme de leite
sal
Descascar as batatas, picar, cobrir com água e cozinhar com o sal e o dente de
alho até amolecer bem. Bater no liquidificador junto com os tomates sem casca.
Levar novamente ao fogo e ao começar ferver, juntar lentamente o creme de leite.
Depois de rápida fervura, a sopa estará pronta para ser servida.

383
Sopa de Caldo Verde
1/2 pilo de batata inglesa
1 maço de couve ou espinafre
temperos e azeite a gosto
2 1/2 litros de água
Colocar numa panela água, temperos e as batatas em cubos para cozinhar.
Separadamente, picar a couve bem miudinha. Quando as batatas estiverem
cozidas, passar tudo no liquidificador. Juntar a couve picada e deixar cozinhar até
amaciar. Acrescentar o azeite.

http://www.geocities.com/projetoperiferia4/cspa19.htm (35 of 73) [30/11/2005 20:39:57]


A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Sopa de Cebola
2 colheres de sopa de óleo
2 cebolas grandes
1 colher de sopa de farinha de trigo
1/4 de litro de água ou caldo de verduras
sal
pão torrado
queijo ralado
1 dente de alho
Dourar as cebolas cortadas em rodelas e o alho, acrescentando então a farinha, o
óleo, a seguir a água ou caldo de verduras, deixando ferver até que as cebolas
estejam cozidas e a sopa fique cremosa. Juntar o pão torrado e o queijo ralado.

Sopa de Cogumelos
2 xícaras de cogumelos
3 copas de caldo de verdura
1 copo de leite ou creme
1 colherzinha, de casca de limão ralada
1 dente de alho amassado
2 colheres de sopa de salsa picada
2 colheres de sopa de maizena
sal a gosto
Ferver o caldo, juntar os cogumelos e deixar ferver por alguns minutos. Bater no
liquidificador. Voltar a ferver, Juntando o leite e a maizena dissolvida em leite frio, o
alho, a casca de limão e o sal. Ao servir, juntar a salsa.

384
Sopa de Couve-Flor
1 couve-flor
1 1/4 litros de água
3 colheres de sopa de óleo
3 colheres de sopa de farinha de trigo
1 gema
2 colheres de sopa de nata e um
de noz-moscada
Dividir a couve-flor em pequenas porções e cozer. Dourar a farinha e diluir com a
água da couve-flor. Juntar depois um pouco de noz-moscada e engrossar com a
gema de ovo batida com a nata. Acrescentar finalmente a couve-flor.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Sopa Dourada
2 xícaras de cenouras picadas
1 cebola pequena picada
2 xícaras de rodelas finas de batatas
2 talos de aipo (se houver)
1 raminho de salsa
1 colher de sopa de óleo
2 bolachas água e sal
1 xícara de leite ou nata
sal a gosto
Pôr as cenouras, a cebola, a salsa e o óleo em uma panela, ajuntar 1/2 xícara de
água e cozinhar tapado até secar, mexendo a miúdo, para evitar que queime.
Ajuntar água, depois o aipo, as batatas, o sal, fervendo a fogo vivo até que as
verduras estejam bem cozidas e desfeitas. Tirar a salsa e acrescentar as migalhas
das bolachas, dando outra vez uma fervura. Acrescentar leite quente e bater no
liquidificador.

Sopa de Ervas de Cheiro


1 1/2 litros de caldo de verduras ou água
3 colheres de sopa de óleo
4 colheres de sopa de farinha de trigo
leite
sêmola ou flocos de aveza
sal
temperos verdes
Tostar ligeiramente a farinha. Acrescentar o líquido e o óleo, e deixar cozer juntos;
provar e juntar, querendo, um pouco de leite. Quando se serve é que se polvilham
na sopa os temperos verdes cortados numa mesa úmida.

385

http://www.geocities.com/projetoperiferia4/cspa19.htm (37 of 73) [30/11/2005 20:39:57]


A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Sopa de Feijão Branco


300 gramas de feijão branco caldo de verdura
1 litro de leite
1/2 salsão de bola
1 talo de salsão
sal
1 colher de sopa de óleo de oliva
Pôr de molho 300 g de feijão branco na véspera. Cozinhar em caldo de verdura (ver
receita), e passar na peneira. Juntar 1 litro de leite, 1/2 salsão de bola ralado ou 1
talo de salsão picadinho e deixar ferver por 10 minutos em fogo brando. Temperar
com pouco sal e 1 colher de sopa de óleo de oliva.

Sopa de Fubá
algumas batatas
cebola
óleo
1 dente de alho amassado
sal
fubá
Cortar algumas batatas e cozinhá-las em água, em uma panela que sirva para fazer
a sopa; uma vez cozidas as batatas, acrescentar cebola refogada, óleo, 1 dente de
alho amassado e sal; pôr depois, pouco a pouco, o fubá, revolvendo-o. Deixar ferver
durante algum tempo e tirar do fogo. Convém que a sopa repouse uns dez minutos
antes de ser servida.

Sopa de Milho Verde e Cambuquira


2 espigas de milho verde raladas
1 maço de brotos de abóbora
(cambuquira)
1 dente de alho
1 cebola
2 tomates
3 colheres de sopa de óleo
1 litro de água
salsa picada
sal a gosto
Dourar o alho e a cebola. Acrescentar os tomates, a água, o milho ralado, os brotos
de abóbora picados, o óleo e o sal. Mexer constantemente para não fazer grumos.
Ferver até que os brotos se desmanchem. Acrescentar salsa picada antes de servir.

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386

Sopa de Lentilhas

1 xícara de lentilhas
2 cenouras picadas
1 nabo picado
2 xícaras de cebola picada
4 colheres de sopa de farinha de trigo
3 colheres de óleo
água
sal a gosto
Lavar as lentilhas e pô-las a cozinhar em água fervente. Acrescentar as cenouras e
os nabos, cozinhando tudo até ficar brando, e passar pelo liquidificador. Dourar as
cebolas até tomarem côr marrom. Acrescentar a farinha, revolvendo-a
constantemente. Verter sobre isso um pouco de sopa e deixar ferver. Acrescentar, à
sopa e deixá-la cozinhar lentamente durante alguns minutos. Temperos a gosto.

Sopas e Massas Para Sopas

Sopa de Pão
4 ou 5 fatias de pão integral
1 litro de água
3 colheres de sopa de óleo
sal a gosto
3 ou 4 colheres de sopa de ervas de cheiro finamente picadas
1 colher de sopa de aipo
rábano ou cominho cru ralados
O pão integral cortado, torrado e moído é cozido em água. Depois adicionar o óleo
e sal, as ervas frescas e picadas e, a gosto, o aipo, o rábano e o cominho moído.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Sopa de Tomate
200 gramas de tomate
1 cebola média
1 colher de sopa de óleo
1/2 litro de água
2 colheres de sopa de farinha de centeio
1 dente e alho
sal a gosto
1 colher de sopa de iogurte
1 colher de sopa de cebolinha verde.
Cozinhar o tomate com a água e passar pela peneira. Dourar a cebola, o alho e a
farinha de centeio. Acrescentar o sal. Juntar todos os ingredientes e levar ao fogo.
Antes de servir, juntar o iogurte e a cebolinha verde.

387

Sopa de Verduras

2 a 3 cenouras
2 batatinhas
1 rabanete
1/2 couve-flor
6 vagens
250 gramas de ervilhas tortas
2 talos de salsão
1 1/2 a 2 litros de água levemente
salgada
alho ralado
suco de limão
cebolinha e salsinha picadas
Picar e cozinhar 2 a 3 cenouras, 2 batatinhas, 1 rabanete, 1 /2 couve-flor, 6 vagens,
250 g de ervilhas tortas e 2 talos de salsão, em 1 1/2 a 2 litros de água levemente
salgada, por aproximadamente 1/2 hora. Temperar com uma pitadinha de alho
ralado, suco de limão, cebolinha e salsinha picadas. Se gostar, juntar um pouco de
macarrão integral ou triguilho pré-cozidos ou cevada pré-cozida, ou ainda arroz
integral pré-cozido. Neste caso, deixar fora as batatinhas. Pode ser usado caldo de
verduras em vez de água.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Sopa Verde
1/4 de litro de caldo de verduras
2 colheres de sopa de óleo
2 colheres de sopa de semolina
1 cebola
1 dente de alho
1 cenoura
1 tomate
umas folhas de salsão
1 pedaço de talo de porro
1 colher de sopa de azedas picadas
1 colher de sopa de queijo ralado
manjerona
sal a gosto
Dourar a cebola, o alho e a semolina. Ajuntar a cenoura, o salsão e os talos de
porro picados e mexer mais um, pouco. Acrescentar o caldo de verduras e o sal,
deixando ferver bem. Antes de servir ajuntar as azedas picadas, o queijo e a
manjerona.

388

Massas Para Sopas

Bolinhas de Pão
2 Pãezinhos brancos amanhecidos
2 colheres de sopa de óleo
2 ovos
2 colheres de sopa de temperos verdes
1 colher de queijo ralado
Colocar o pão de molho em água morna. Juntar o pão espremido ao óleo quente e
mexer até que a massa se solte da panela. Tirar do fogo, juntar os ovos, o sal, os
temperos verdes e o queijo ralado. Desta massa, com colherzinha, formar bolinhas
que se colocam na sopa fervendo, cozinhando de 5 a 10 minutos.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Creme de Trigo
500 gramas de trigo em grão
1 litro de água
Pôr de molho 500 g de trigo em grão por 12 a 24 horas em 1 litro de água e depois
cozinhá-lo na mesma água por 30 minutos. Passá-lo no liquidificador ainda quente,
juntando mais um pouco de água quente se necessário. O creme pode ser
misturado a leite ou sucos de frutas e verduras, e é usado na alimentação de
crianças e doentes.

Grumos de Ervas de Cheiro


2 ovos
2 colheres de sopa de farinha de trigo
sal a gosto
2 colheres de ervas de cheiro
Bater as gemas até formar espuma, juntar as claras em neve, a farinha, o sal e as
ervas de cheiro muito picadas. Misturar e jogar na sopa fervendo. Deixar cozinhar
durante alguns minutos e retirar, partindo em pedaços pequenos. Juntar os pedaços
de de novo à sopa.

389

Omeleta de Temperos
1/8 de litro de leite
2 colheres de sopa de farinha de trigo
1 ovo
2 colheres de sopa de temperos verdes
1 colher de sopa de óleo
1 colher de sopa de queijo ralado
sal a gosto

Bater o leite, a farinha, o sal, o queijo até formar uma massa homogênea.
Finalmente misturar os temperos verdes. Da massa fazer uma omeleta na frigideira.
Depois de fria, cortar em tirinhas finas e acrescentar à sopa.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Pasta de Ervas de Cheiro


4 colheres de sopa de leite
2 colheres de sopa de farinha de trigo
1 ou 2 ovos
sal
2 colheres de sopa de ervas de cheiro
Bater todos os componentes até formar uma pasta suave. Misturar as ervas de
cheiro, muito picadinhas e passar tudo em uma peneira de orifícios grandes.
Revolver a pasta na sopa fervente, deixando cozer até chegar à superfície.

VII. Assados e Pratos de Forno

Abobrinhas Recheadas
1 lata de carne vegetal
2 ovos
2 colheres de sopa de cebola ralada ou picada
1 dente de alho triturado
1 colher de sopa de cheiro verde picado
1 pitada de manjericão picado
tempero vegetal
1 xícara de caldo de verduras
1 colher de sopa de óleo

Cortar as abobrinhas pelo meio (de comprido), retirar as sementes com uma colher
e esfregar um pouco de sal em cada metade. Rechear as abobrinhas, colocar uma
ao lado da outra sobre um tabuleiro untado, no qual se derrama 1 xícara de caldo
de verduras (levemente salgado) e 1 colher de sopa de óleo. Assar
aproximadamente 20 minutos no forno quente, regando de vez em quando com o
caldo.

390

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Alcachofras ao Forno
1 quilo de alcachofras tenras
250 gramas de tomate picado
4 dentes de alho picado
1 colher de sopa de queijo ralado para cada alcachofra
cheiro verde picado
1 pitada de orégano
sal a gosto
Cortar as alcachofras em metades e colocá-las deitadas em forma de assar. Fazer
um refogado com o tomate, alho, cheiro verde, orégano e sal, deixando-o cozinhar
por um minuto, e em seguida, despejar por cima das alcachofras. Polvilhar como
queijo. Assá-las até ficarem macias. Servir com molho de tomate.

Anel de Cenouras
2 xícaras de cenouras cozidas e cortadas em quadradinhos
1 colher de cebola ralada
3 ovos bem batidos
1 xícara de leite
sal a gosto
Misturar os ingredientes, despejar numa forma de anel, untada, e assar em forno
moderado por uns 40 minutos. Desenformar e enfeitar com rodelas de cenoura se
desejar.

Aspargos ao Forno - I
Aquecer os aspargos em banho-maria na própria lata ou vidro; arrumá-los em um
pirex, regar com óleo, polvilhar com bastante queijo ralado e levar ao forno quente
por uns minutos, para tostar o queijo.

391

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Aspargos ao Forno - II
300 gramas de aspargos algumas colheres de leite
1 ovo
1 colher de sopa de farinha de trigo
1 colher de sopa de óleo umas gotas de suco de limão sal
1 dente de alho
umas azeitonas picadas
Descascar bem o aspargo, cortar em pedacinhos e cozinhar em pouca água até
amolecer. Fazer uma massa bem batida do leite, ovo, farinha, óleo e ajuntar o alho
esmagado, as azeitonas picadas. e o sal. Colocar o aspargo em pirex untado e
ajuntar essa massa, salpicando com salsa e levar ao forno.

391
Assado de Aipo
200 gramas de pão preto
1/4 de litro de água
200 gramas de aipo
2 ovos
2 cebolas
1 dente de alho
temperos verdes
2 colheres de sopa de queijo ralado
2 colheres de sopa de óleo
sal a gosto.
Deixar o pão de molho na água, cozinhar o aipo, descascá-lo e passar pela
máquina de moer. Ajuntar a cebola, o alho amassado, o queijo, os temperos verdes,
o óleo, as gemas e, no fim, as claras batidas em neve. Colocar em forma untada e
salpicada com farinha de rosca e levar ao forno. Servir com Batatinhas ao Forno.

Assado de Berinjela
3 berinjelas médias
2 xícaras de cubinhos de pão integral
1 xícara de leite
2 ovos
1 colher de sopa de óleo
1/2 xícara de molho de tomate
1 cebola picada
água
sal
Descascar as berinjelas e cortá-las em fatias. Cozinhá-las rapidamente em água e

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

sal. Pôr numa forma untada 2 xícaras de cubinhos de pão integral e sobre elas as
fatias de berinjelas escorridas. À parte, fazer um creme de: 1 xícara de leite, 2 ovos,
1 colher de óleo, 1/2 xícara de molho de tomate, 1 cebola picada, e despejá-lo
sobre as berinjelas, que deverão ficar bem cobertas. Assar em forno bem quente
por uns 30 a 40 minutos.

Assado de Castanhas e Aveia


1 xícara de castanha-do-pará
passada no liquidificador
2 xícaras de aveia
4 avos
tempero a gosto

Misturar, mexendo bem, todos os ingredientes. Untar a forma. Levar ao forno para
assar.

392

Assado de Chuchu
4 chuchus
1 copo de leite
1 colher de sopa de maizena
1 gema
1 colher de sopa de óleo
sal
coentro
1 cebola
bastante salsinha
2 ovos
Descascar os chuchus e parti-los em fatias, e cozinhá-los em pouca água e sal.
Bater no liquidificador o leite, a maizena, a gema, o óleo e os demais ingredientes.
Bater as claras de 2 ovos em neve e acrescentá-las ao creme, juntamente com as
gemas restantes. Arrumar os chuchus cozidos num pirex untado, despejar o creme
por cima e levar ao forno quente, até dourar por baixo e por cima.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Assado de Lentilhas e Cogumelos


2 xícaras de lentilhas cozidas
450 gramas de cogumelos secos ou
2 pacotes de cogumelos frescos
3 colheres de sopa de avelãs raladas
3 ovos
1 cebola média picada
1 sal
1/2 Pimentão
Deixar os cogumelos secos de molho, de véspera. Escorrer e picar a metade e
guardar a água. Amassar as lentilhas para formar purê. Misturar os cogumelos com
as lentilhas; acrescentar as avelãs, a cebola, o pimentão e, por último, os ovos.
Misturar bem a massa. Se ficar mole, dar o ponto com aveia, deixando mais cinco
minutos para que esta absorva o líquido, e sobre a tábua de madeira previamente
polvilhada com farinha, dar o formato desejado. Se a massa ficar mole, acrescentar
farinha. Em forma untada levar ao forno, que deverá estar bem aquecido. De vez
em quando, regar o assado com óleo. Assar durante 25 a 30 minutos. Servir com
molho de tomate feito com a água dos cogumelos. Se não quiser dar o formato
indicado, fazer bolinhos.

393

Assado de Mandioca
1 quilo de mandioca descascada
3 colheres de sopa de óleo
1 cebola média picada
2 dentes de alho picados
2 tomates picados
azeitonas pretas ou verdes picadas
cheiro verde bem picado
sal
orégano
páprica doce
1 copo de leite
Cozinhar as mandiocas em pouca água e sal, até que fiquem tenras e sequem .
Deixar esfriar. Cortá-las em pedacinhos e acrescentar os demais ingredientes,
mexendo com as mãos e apertando as mandiocas para soltar o amido. Quando o
leite estiver cremoso, despejar a mistura numa forma untada com óleo e levar ao
forno previa mente aquecido. Este prato combina bem com sopas e saladas, em
dias frios.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Assado de Nozes
Passar pela máquina de moer:
1/2 xícara de salsão
1/4 de xícara de salsa
1 xícara de nozes
1 cebola
1/2 xícara de pimentão

Acrescentar:
1 xícara de farinha de rosca
2 ovos batidos
2 xícaras de leite
3 colheres de sopa de óleo
1 colher de chá de sal
Misturar bem e levar a assar em forma untada.

394

Assado de Palmito
3 ovos
3 xícaras de farinha de trigo
5 tomates
1 xícara de óleo
1 lata de palmito
20 azeitonas verdes
1 pires de queijo ralado
temperos verdes
1 dente de alho
2 cebolas raladas
farinha de rosca
1/2 xícara de germens de trigo sal a gosto
Juntar as gemas, a farinha, os tomates sem pele picados, o óleo, o palmito, as
azeitonas picadas, o queijo ralado, os temperos verdes, o alho, a cebola ralada, os
germens de trigo e o sal. Depois de bem misturados, acrescentar as claras em
neve, envolvendo a massa. Despejar em forma untada e polvilhada com farinha de
rosca. Polvilhar farinha de rosca por cima e enfeitar com azeitonas pretas. Assar até
dourar.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Assado Real
314 de xícara de arroz cozido
1/2 xícara de pão ralado
1 xícara de nozes picadas
1 xícara de molho de tomate
1 ovo
2 colheres de sopa de óleo
1 cebola picada
2 colheres de sopa de salsa picada e,
sal a gosto
1 colherzinha de alho picado
2 xícaras de purê de batatas
Dourar a cebola e o alho. Misturar todos os ingredientes, menos as batatas. Formar
um pão, colocar numa forma azeitada, tapar e levar ao forno por 20 minutos. Então
tirar do forno, cobrir com as batatas e salpicar com queijo ralado. Tornar a pôr no
forno por 15 minutos. Pode-se servir com molho de tomates.

Assado de Ricota -- I
250 gramas de ricota
3 colheres de sopa de creme de leite
2 ovos
100 gramas de flocos de milho ou pão integral torrado e ralado cominho sálvia
2 cebolas
sal a gosto

Bater bem a ricota, o creme de leite, os ovos e o pão ralado. Ajuntar o cominho, a
sálvia, a cebola ralada e o sal. Colocar a mistura em forma untada e polvilhada com
farinha de rosca; passar levemente por cima creme de leite e levar ao forno.

395

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Assado de Ricota - II
1/4 de xícara de cebola picadinha,
1/2 xícara de aipo picadinho
2 colheres de sopa de óleo
1 xícara de de castanha-do-pará ralada
2 colheres de sopa de cebolinha verde
2 colheres de sopa de salsa picadinha
3 ovos
1/2 xícara de farinha de rosca
1 1/2 xícaras de ricota
sal a gosto

Misturar todos os ingredientes. Colocar em forma untada e levar a forno brando.


Servir com molho de tomate.

Assado de Ricota e Nozes


2 xícaras de ricota
2 xícaras de pão integral torrado e esmigalhado
112 xícara de nozes picadas
2 colheres de sopa de cebola ralada
1 colher de sopa de óleo salsa picada tempero vegetal sal a gosto
Misturar todos os ingredientes. Colocar em forma untada é levar ao foi no até ficar
dourado. Servir com molho de tomate.

Assado de Tomate
500 gramas de tomate
80 gramas de farinha integral
2 ovos
1 cebola
1 Pimentão verde picado
100 gramas de azeitonas picadas
3 colheres de óleo
sal a gosto
Bater bem a gema com o óleo, juntar a cebola ralada, o pimentão e azeitonas e a
farinha integral. Misturar os tomates sem pele com o sal e juntar à massa. Por
último bater as claras em neve e misturar bem lentamente. Assar em pirex untado,
cuidando para não queimar.

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396

Berinjelas ao Molho Branco


2 ou 3 berinjelas
óleo
queijo ralado
tomate
mussarela
Descascar 2 ou 3 berinjelas, cortar em tiras grossas e deixar de molho em água de
sal e umas gotas de limão. Escorrer. Em forma untada, arrumar uma camada de
tiras de berinjela, salpicadas com óleo e queijo ralado; sobre esta camada colocar
algumas fatias de tomate e mussarela, cobertas de molho branco e polvilhadas com
queijo ralado. E assim, sucessivamente, até terminar as tiras de berinjela. Levar ao
forno quente para dourar.

Berinjelas com Mussarela


2 berinjelas
2 colheres de sopa de óleo
temperos verdes
1 dente dê alho
1 cebola
um pouco de molho de tomate
orégano
sal a gosto
Descascar e picar as berinjelas e refogar no óleo, com a cebola, o alho e o sal.
Deixar cozinhar até amolecer. Juntar o molho de tomate e os temperos verdes.
Colocar a mistura em forma untada e cobrir com queijo mussarela. Polvilhar com
orégano e levar ao forno para derreter o queijo. Servir quente.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Berinjelas Recheadas - I
berinjelas
purê de batatas
ovo
cebola
cheiro verde a gosto
queijo Minas
Lavar as berinjelas, cortar as pontas e partir ao meio (de comprido). . Remover as
sementes e centros, esfregar com uma pitada de sal e rechear com uma massa de
purê de batatas, 1 ovo, cebola e cheiro verde a gosto, e cobrir com tiras de queijo
de Minas. Assar em tabuleiro untado.

397
Berinjelas Recheadas - II
5 berinjelas
1 xícara de cogumelos ou palmito
1/2 xícara de Pão ralado
4 colheres de sopa de manteiga
2 cebolas
2 colheres de salsa
2 ovos inteiros
sal a gosto
2 dentes de alho
Cortar as berinjelas e com uma colherinha tirar um pouco da polpa; picar esta bem,
ajuntar a salsa e os cogumelos ou palmito postos de molho em água quente por
meia hora, escorridos e picados, o pão ralado, a manteiga, a cebola, o sal e o alho
picado. Aquecer esta mistura, e ajuntar as gemas. Rechear as berinjelas, e levar ao
forno por 3/4 de hora.

Berinjelas Recheadas - III


algumas berinjelas
carne vegetal ou glúten moído
cebola picadinha
sal
alho
tomate
palmito
ervilha
azeitona
ovos cozidos picados
temperos verdes

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Partir ao meio algumas berinjelas e cozinhar em água e sal. Escorrer, tirar as


sementes e um pouco do centro das berinjelas, aproveitando essa parte para o
recheio, que se faz da seguinte maneira: Refogar em uma panela um pouco de
carne vegetal ou glúten moído com cebola picadinha, sal, alho e tomate. Juntar
pedacinhos de palmito, ervilha, azeitona, ovos cozidos picados, temperos verdes.
Misturar tudo com a parte retirada do centro das berinjelas e rechear as metades
das, mesmas, arrumando-as em um pirex. Cobrir com molho de tomate, polvilhar
queijo ralado e levar ao forno por alguns minutos.

398

Berinjelas Recheadas - IV
2 berinjelas com casca
3/4 de xícara de carne vegetal
1 cebola média picada
3 colheres de sopa de óleo
1 dente de alho amassado
1/4 de xícara de azeitonas pretas picadas
1/4 de xícara de queijo
2 tomates picados
uma pitada de orégano
salsa picada
sal a gosto
Lavar bem as berinjelas e cortá-las ao meio, ao comprido. Colocá-las numa panela
grande com um pouquinho de água e sal e deixar ferver por 10 minutos. Retirá-las e
deixar esfriar. Com uma colher, retirar quase todo o miolo. Refogar os temperos,
inclusive as azeitonas e o orégano. Acrescentar o miolo da berinjela bem picadinho,
a carne vegetal e deixar cozinhar um pouco. Colocar este recheio nas cascas de
berinjela, arrumá-las num pirex, por umas rodelas de tomate em cima de cada
pedaço e polvilhar com queijo ralado. Assar em forno quente por uns 15 minutos.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Casadinhos de Berinjela
berinjelas
queijo mineiro ou mussarela
farinha de trigo
ovos
farinha de rosca
óleo
queijo ralado
Cortar as berinjelas em rodelas e deixar de molho em água com sal, durante algum
tempo. Tirar depois da água e enxugar com um guardanapo, unir as rodelas duas a
duas, pondo entre elas uma fatia fina de queijo mineiro ou mussarela, passar em
farinha de trigo, em ovos batidos, depois farinha de rosca. Salpicar com óleo e levar
ao forno. Servir polvilhados com queijo ralado ou cobertos com molho de tomate.

399

Bolo Salgado
2 copos de farinha de trigo
1 1/2 copos deleite cru
1/2 copo de queijo ralado
1/2 capo de óleo
3 ovos inteiros
2 colheres de sopa de farinha de soja
1 colher de chá de sal
Misturar todos os ingredientes e bater muito bem. Untar uma assadeira e polvilhar
com farinha de rosca. Dividir a massa em duas partes. A primeira parte, colocar na
assadeira e, sobre ela, o recheio. Colocar a segunda parte da massa. Levar ao
forno para assar. Recheio: Fazer um molho com todos os temperos -- salsa, alho,
óleo e tomate. Depois de bem feitinho, juntar palmito, ervilha e pedaços de queijo
mineiro.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Cebolas com Queijo

cebolas
óleo
molho branco
migalhas de bolachas
ou farinha de rosca
queijo mineiro
Cozinhar algumas cebolas e cortá-las em quatro. Arrumar em forma untada, cobrir
com fatias de queijo mineiro, depois com molho branco e depois polvilhar com
migalhas de bolachas ou farinha de rosca. Levar ao forno e deixar dourar as
migalhas.

400

Couve-flor Recheada
1 couve-flor
2 ovos
2 dentes de alho
1 colherzinha de sal
2 xícaras de miolo de pão
1 cebola picada
1/2 xícara de nata fresca
1 colher de salsa
Ferver a couve-flor em suficiente água com sal, de modo a cozinhar sem
desfazer-se. Tirar da água e deixar esfriar. Bater bem os ovos, ajuntar a nata, o
miolo de pão, a cebola, a salsa, o alho e o sal. Deve formar uma massa bastante
dura. Rechear com ela todas as cavidades que formam o tronco da couve-flor, até
que fique toda lisinha; cobrir com essa massa ou pão ralado, ou queijo ralado, e
levar ao forno até ficar dourada. Servir em fatias com algum molho ou nata.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Creme de Cenouras
1 quilo de cenouras
1 copo de leite
1 colher de sopa de farinha de trigo
1 colher de sopa de óleo
5 ovos
sal a gosto
Cozinhar em água e sal 1 quilo de cenouras e passá-las pelo espremedor. Juntar 1
copo de leite, 1 colher de farinha de trigo, 1 de óleo, 5 ovos, sendo as claras em
neve. Depois de tudo bem misturado, provar de sal e despejar em forma untada.
Forno regular. Servir na própria forma.

Empadinhas Vegetais
1 /4 de xícara de arroz cozido
1/4 de xícara de ervilhas cozidas
1/4 de xícara de cenouras cozidas
1 xícara de leite
2 colheres de sopa de óleo
2 colheres de sopa de farinha de trigo
sal a gosto
Preparar um molho com o leite, o óleo, a farinha e a gema. Acrescentar os vegetais
cozidos. Pôr a mistura em forminhas. Colocar estas em uma forma grande com
água, e deixar assim ;ao forno até que o conteúdo esteja bem assado.

401

Espinafre ao Forno
150 gramas de espinafre
80 gramas: de pão branco
2 ovos
um pouco de leite
2 colheres de queijo ralado
1 dente de alho
tempero
2 tomates sem pele
sal a gosto
Lavar bem as folhas e pontas do espinafre e refogar no óleo e alho. Passar o
espinafre pela máquina de moer ou picar bem fino. Amolecer o pão no caldo do

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

espinafre, juntando 1 ou 2 colheres de leite. Amassar o pão com garfo e juntar as


gemas, o queijo, os temperos, os tomates picados e o sal. Acrescentar o espinafre.
Juntar as claras batidas em neve e colocar em forma untada e polvilhada com
farinha de rosca. Passar por cima 1 colher de creme de leite e levar ao forno.

Espinafre com Flocos de Aveia


1/4 de litro de espinafre
6 colheres de sopa de flocos de aveia
1 litro de água de cocção do espinafre
1 gema de ovo
2 claras
Cozer com bastante água fervente, salgada, 1/4 de litro de espinafre. Diluir 6
colheres de sopa de flocos de aveia, pondo-as a cozinhar 10 minutos em 1 litro da
água de cocção do espinafre. Misturar o espinafre com a aveia, acrescentando a
seguir 1 gema de ovo, e por fim 2 claras em ponto de neve. Virar tudo isto em forma
refratária e levar ao forno para dourar.

Mandioca com Nata


1 quilo de mandioca
1 1/2 xícaras de leite
sal a gosto
1 dente de alho
4 colheres de sopa de nata
Descascar a mandioca, cortar em pedaços e colocar numa assadeira ao forno, com
pouca água, sal e alho. Uma vez cozida e evaporada a água, tirar, pôr o leite e a
nata, e tornar a pôr em forno moderado até que doure ligeiramente, mas sem
desfazer-se.

402

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Mandioca com Ovos


2 ovos
1/2 quilo de mandioca
2 colheres de sopa de leite
Sal a gosto
1 cebola
1 dente de alho
1 colher de sopa de salsa
2 colheres de sopa de azeite
Depois de cozinhar a mandioca em água com sal, pôr nutria assadeira com azeite,
cebola e alho, e deixar dourar até que o alho e a cebola estejam no ponto. Bater
bem os ovos com o leite e a salsa, ajuntar à mandioca, e levar ao forno por 5 ou 10
minutos.

Ovos com Legumes


1/2 quilo de batatas
1 abobrinha
3 cebolas grandes
4 tomates
3 pimentões
óleo de oliva
1 lata pequena de palmito
alguns ovos
farinha de rosca
queijo ralado
creme de leite
Cortar 1/2 quilo de batatas e uma aboborinha em rodelas finas, assim como 3
cebolas grandes, 4 tomates e 3 pimentões. Refogar tudo em óleo de oliva,
tampando a panela para que cozinhem em fogo brando. Depois de cozidos, juntar o
conteúdo de 1 lata pequena de palmito, também cortado em rodelas. Temperar com
sal. Despejar a mistura em um pirex, quebrar por cima dos legumes alguns ovos,
polvilhar com farinha de rosca misturada com queijo ralado, espalhar por cima um
pouquinho de creme de leite e levar ao forno por 8 a 10 minutos. Servir no próprio
pirex.

403

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Ovos em Forminhas
1 lata de ervilhas
1 colher de sopa de óleo
1 colher de salsa picada
2 tomates maduros cortados em quadradinhos
1 dente de alho socado
sal a gosto
Abrir e escorrer a lata de ervilhas. Adicionar os demais ingredientes, misturando
tudo muito bem. Distribuir em forminhas untadas. Uns 20 minutos antes de servir,
quebrar 1 ovo em cada forminha. Salpicar sal e levar ao forno brando, cuidando
para que as gemas não endureçam muito. Pode servir nas próprias forminhas.

Peixe Vegetariano
4 ovos
2 colheres de sopa de nata
1/2 xícara de leite
1 colher de sopa de salsa
1/2 xícara de batatas amassadas
1/2 xícara de pão branco posto de molho em leite
1 cebola
1 dente de alho
sal a gosto
Misturar as gemas e o sal com o pão, e juntar o alho e a cebola picados. Machucar
as batatas cozidas, e juntar. Bater com força a massa antes de ajuntar os outros
ingredientes e as claras batidas, e levar ao forno por uma hora, em uma forma
azeitada.

Pimentão Recheado
arroz cozido (ou triguilho cozido)
algumas castanhas picadas
tomates
cebola
alho
cheiro verde picado
1 ovo
tempero vegetal
pimentões
2 xícaras de molho de tomate
Preparar uma massa firme de arroz cozido (ou triguilho cozido), algumas castanhas
picadas, tomates, cebola, alho e cheiro verde picado, 1 ovo e tempero vegetal.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Cortar a parte superior dos pimentões, lavá-los muito bem e esfregá-los com uma
pitada de sal. Rechear os pimentões, enchendo-os bem, e colocá-los em forma
refratária com 2 xícaras de molho de tomate. Assar em forno quente por 20 a 30
minutos e servir na própria forma.

404

Pimentão com Recheio Cremoso


7 pimentões de ponta arredondada
Recheio:
1/2 lata de creme de leite
1 xícara de queijo ralado
1 gema
5 azeitonas pretas picadinhas
1 pitada de sal
molho de tomate
1 cebola
6 tomates sal orégano

Retirar as tampas dos pimentões na parte do cabo e reservá-las Retirar toda a


semente. Lavá-los e secar bem. Recheio: Misturar os ingredientes do recheio.
Rechear os pimentões, deixando 1/4 do pimentão vazio. Colocar os pimentões em
pé um ao lado do outro, bem juntos em uma forma funda. Tampar os pimentões
com a parte retirada. Molho: Bater no liquidificador os tomates e os temperos.
Despejar com cuidado na forma em que estão os pimentões, sem deixar penetrar
no recheio. Levar ao forno médio por 20 minutos.

Porros com Molho


250 gramas de porros
1 colher de sopa de óleo
1 colher de sopa de farinha de trigo
2 colheres de sopa de iogurte
2 colheres de sopa de queijo ralado
um pouco de noz-moscada
Limpar e lavar os porros, cortá-los um pouco grosso e cozinhá-los em pouca água,
sem deixar amolecer muito. Tirá-los e colocá-los em um pirex. Engrossar a água
com a farinha e temperar com o óleo, iogurte, noz-moscada e sal a gosto. Derramar
esta mistura sobre os porros, polvilhar com queijo e levar ao forno quente por
alguns minutos. Servir com batatas ao forno.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

405

Pudim de Cenouras
1 1/2 quilos de cenouras
3 ovos
2 colheres de sopa de farinha de trigo
integral
sal ou tempero vegetal
1/2 xícara deleite de coco
1 cebola média ralada
1 colherzinha de orégano
Raspar as cenouras e cozinhá-las inteiras em bem pouca água e pouco sal, não
deixando que fiquem cozidas demais. Ralar as cenouras, misturar os ovos batidos,
o leite de coco, a farinha e os temperos. Despejar a massa em forma untada e
polvilhada com farinha de rosca. Assar em fogo quente por 30 a 40 minutos. Servir
com molho branco, acompanhado de hamburgers de carne vegetal ou croquetes.

Retângulos de Berinjela
2 berinjelas em fatias
4 xícaras de farinha de trigo integral
2 xícaras de leite
2 ovos
sal
Cozinhar 2 berinjelas em fatias em água e sal por alguns minutos. Preparar uma
massa semi-líquida de 4 xícaras de farinha de trigo integral, 2 xícaras de leite, 2
ovos, pouco sal. Untar uma assadeira e nela despejar a metade da massa. Cobrir
com as fatias de berinjela bem escorridas e sobre estas a outra metade da massa.
Assar em forno quente por uns 30 minutos. Cortar em retângulos, servir quente
acompanhado de alguma verdura refogada ou compota de maçãs.

406

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Tomates Recheados
12 tomates maduros
5 ovos duros
1 xícara de migalhas de pão
um pouco de salsa
óleo
Lavar e enxugar os tomates. Cortar-lhes a parte superior. Esvaziá-los com uma
colherinha, deixando a polpa inteira; salgar o interior dos tomates, comprimindo-os
para que soltem o suco. Pôr o pão de molho em leite. Tirar as sementes da polpa
central, e misturar com as migalhas de pão, juntamente com um pouco de salsa.
Picar a mistura. Passar os ovos descascados por uma peneira, ajuntando às
migalhas e misturando bem. Pôr o óleo afogo suave, deitando-lhe dentro a mistura,
que deve ser mexida por uns 5, minutos. Tirar do fogo e deixar esfriar. Encher com
ela os tomates, pô-los em uma travessa refratária untada. Levar a forno brando por
1/2 hora, cuidando para que os tomates não fiquem escuros em cima.

Tomates Tostados
1 quilo de tomates
cebolas picadas
salsa
cebolinha verde
óleo
sal
Descascar os tomates e cortar em dois. Tirar as sementes e temperar com sal.
Colocar em assadeira untada e rechear com muita cebola picada, salsa e cebolinha.
Espargir óleo e assar por uns 10 minutos.

407

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Torta de Agrião
2 xícaras de agrião (posto previamente de molho em água com sal)
2 fatias de pão posto de molho em leite
2 ovos
1 pitada de noz-moscada
2 colheres de sopa de óleo
1/2 xícara de molho branco
2 colherinhas de salsa
2 colheres de sopa de queijo ralado
Picar bem o agrião, ajuntar o pão posto de molho, e as gemas batidas. Juntar os
demais ingredientes e as claras batidas em ponto de neve. Pôr tudo numa forma
untada e levar ao forno por meia hora.

Torta de Milho Verde e Cenoura


1 1/2 xícaras de milho ralado
2 colheres de sopa de óleo
sal a gosto
2 colheres de sopa de farinha de trigo
1 dente de alho
1 1/2 xícaras de cenouras moídas
1 colher de sopa de açúcar mascavo
canela a gosto
1 xícara de leite
2 ovos
2 colheres de sopa de queijo ralado

Misturar o milho com a cenoura. Derreter juntamente o óleo, o açúcar, o sal, a


canela e a farinha, e quando estiver espumoso, ajuntar o leite pouco a pouco, até
que engrosse. Acrescentar as cenouras, o milho, o alho picado e os ovos bem
batidos. Pôr ao forno numa forma bem untada com azeite.

408

VIII. Tortas Salgadas e Suflês

Tortas Salgadas

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Crosta Para Torta Salgada -- I


2 xícaras de farinha de trigo
120 gramas de ricota
4 colheres de sopa de creme de leite
1 ovo
1 colherinha de sal
Separar 1/2 xícara de farinha, e misturar todos os outros ingredientes. Ajuntar aos
poucos o resto da farinha à massa até que fique boa para ser aberta com o rolo.
Forrar com a massa uma forma untada e levar ao forno para assar levemente, pois
com o recheio será levada novamente ao forno.

Crosta Para Torta Salgada -- II


2 xícaras de farinha de trigo
1 ovo
4 colheres de sopa de óleo
2 colheres de creme de leite
100 gramas de ricota
1 colherzinha de sal

Proceder como na receita anterior.

Crosta Para Torta Salgada -- III


1 1/2 xícaras de flocos de milho bem esfarelado
1/2 xícara de pão integral torrado ralado
2 colheres de sopa de farinha de trigo
2 colheres de sopa de óleo
2 a 3 colheres de sopa de creme de leite
2 colheres de sopa de ricota
1 pitada de sal

Ajuntar todos os ingredientes, amassar bem e apertar no fundo e nos lados de uma
forma média de torta. Levar ao forno brando por apenas 8 minutos.

409

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Crosta Para Torta Salgada - IV


1 xícara de farinha integral
1/2 xícara de farinha de trigo
3 colheres de sopa de óleo
4 colheres de sopa de ricota
2 colheres de sopa de creme de leite
1 colherinha de sal
Ajuntar todos os ingredientes, amassar bem e abrir um pouco com o rolo. Colocar
na forma e apertar bem no fundo e um pouco dos lados. Levar ao forno e assar só
levemente, pois com o recheio irá de novo ao forno.

Crosta Para Torta Salgada -- V


1/2 xícara de farinha integral
1/2 xícara de farinha de sola
1/2 xícara de farinha de trigo
3 colheres de sopa de óleo
4 colheres de sopa de ricota
2 colheres de sopa de creme de leite
1 colherinha de sal

Proceder como na receita anterior.

Recheio Para Torta Salgada (ver Crosta I)


1/2 xícara de cebola picada
3 colheres de sopa de temperos verdes
3 colheres de sopa de óleo
2 ovos batidos
1 xícara de palmito picado
1/2 xícara de ervilha em conserva
sal a gosto

Dourar a cebola. Juntar o óleo, os temperos verdes e adicionar os ovos, mexendo


até engrossar. Retirar do fogo e juntar o palmito, a ervilha e o sal.

http://www.geocities.com/projetoperiferia4/cspa19.htm (65 of 73) [30/11/2005 20:39:57]


A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Recheio Para Torta Salgada (ver Crosta II)


1/2 xícara de cebola e temperos verdes
picados
2 colheres de sopa de óleo
3 ovos inteiros
3 claras
1 xícara de palmito, em lata, picado
sal a gosto
azeitonas verdes picadas
Refogar a cebola e temperos verdes. Juntar os ovos inteiros e as claras. Misturar
bem até que fiquem mexidos. Retirar do fogo, adicionar o palmito e o sal,
misturando bem.

410

Recheio Para Torta Salgada (ver Crosta III)


2 1/2 xícaras de cebolas em rodelas
3 colheres de sopa de óleo
1 xícara de ricota
1/2 xícara de leite
1/2 xícara de nata ou creme de leite
2 ovos batidos
1 colher de sopa de farinha de trigo
sal a gosto
Refogar as cebolas ate ficarem tenras. Pôr o sal e o óleo e cobrir a crosta. Misturar
a farinha com o leite e cozinhar até engrossar. Retirar do fogo e juntar os ovos
batidos, a ricota, o sal e a nata, misturando bem. Despejar sobre as cebolas e assar
em forno moderado durante 30 minutos. Servir quente.

http://www.geocities.com/projetoperiferia4/cspa19.htm (66 of 73) [30/11/2005 20:39:57]


A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Recheio Para Torta Salgada (ver Crosta IV)


1/2 pé de escarola
1/2 cebola picada
2 colheres de sopa de óleo de oliva
2 tomates em rodelas
1 colher de sopa de suco de limão
sal a gosto
latias de mussarela
Cortar a escarola ou chicória bem fininho, juntar a cebola, o óleo, sal e o limão e
misturar bem. Pôr esta mistura sobre a massa na forma; em seguida, colocar as
rodelas de tomate e, por cima destas, a mussarela. Cobrir tudo com a outra metade
da massa da crosta, pincelar com gema e assar.

Recheio Para Torta Salgada (ver Crosta V)


1 1/2 xícaras de sola cozido e temperado
1 xícara de cenoura em rodelas grossas
2 xícaras de batatas em cubos grandes
sal a gosto
1/2 colherzinha de manjericão colheres de sopa de farinha de trigo torrada colheres
de sopa de óleo
1 xícara de água de batata e cenoura
1 / 4 de xícara de azeitonas picadas
1 chícara de cebola em rodelas grossas
Cozinhar a cenoura e a cebola em 1 xícara de água durante 10 minutos. Adicionar a
batata, o sal, o manjericão e 1/2 xícara de água fria. Em unia frigideira torrar a
farinha, mexendo sempre e adicionar então o óleo. Escorrer a água dos legumes e
juntar água suficiente para fazer 1 xícara de líquido. Aos poucos mexer este líquido
na mistura de farinha. Quando estiver grosso misturar com os legumes, o soja e as
azeitonas. Rechear a torta e assar.

411

http://www.geocities.com/projetoperiferia4/cspa19.htm (67 of 73) [30/11/2005 20:39:57]


A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Pastelão de Vegetais
2 xícaras grandes de farinha de trigo integral (ou 1 xícara de farinha integral e
1 xícara de farinha branca)
8 colheres de sopa de óleo de soja
1 colher de sopa de mel
6 a 7 colheres de sopa de água
Recheio:
1 palmito cozido picado
1 cebola
1 pimentão
1 talo de salsão picados e refogados
1 xícara de cenoura cozida e picada
1 xícara de ervilhas verdes cozidas
Misturar o óleo e o mel com um garfo, bem batidos. Peneirar a farinha sobre a
mistura e misturar com garfo. Juntar a água e fazer uma massa lisa, a qual deverá
descansar por 1 hora no mínimo, mas pode ser conservada por vários dias na
geladeira. Abrir a massa com o rolo, bem fina, forrando com ela uma forma de 26
cm. Polvilhar gérmen de trigo ou farinha de rosca sobre a massa e colocar em
seguida o recheio de vegetais. Engrossar tudo com um pouco de farinha integral e
temperar com salsinha picada. Cobrir o recheio com o resto da massa de pastelão.
Fechar bem as bordas. Fazer alguns furos com o garfo e pincelar com gema de
ovo. Assar no forno bem quente por 10 minutos. Em seguida, abaixar o fogo e assar
mais 35 minutos.

Torta Suíça de Cebola


2 xícaras de farinha de trigo integral
3 ovos
2 colheres de sopa de óleo
um pouco de sal
1/2 quilo de cebola
1 xícara de queijo-minas
1 copo de leite
2 colheres de sopa de cheiro verde
1 patada de noz-moscada
2 colheres de sopa de maizena
Amassar a farinha, um ovo inteiro e uma gema, o óleo e o sal. Estender no tabuleiro
untado. Cobrir com a cebola picada. Misturar o queijo ralado, o leite, um ovo, o
cheiro verde e os outros ingredientes. Despejar sobre as cebolas. Assar ri o forno
por aproximadamente 30 minutos, usando a posição "cozer" nos primeiros 20
minutos.

http://www.geocities.com/projetoperiferia4/cspa19.htm (68 of 73) [30/11/2005 20:39:57]


A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

412

Torta de Brócolos
1 maço de, brócolos
6 colheres de sopa de óleo
4 ou 5 fatias de pão integral ou não, levemente torradas
2 colheres de sopa de farinha de trigo
1 pitada de nóz-moscada (optativo)

Lavar muito bem os brócolos, em bastante água e pôr em um escorredor de


macarrão. Em uma panela, aquecer 3 colheres de óleo e jogar dentro, primeiro os
talos descascados e as folhas dos brócolos. Tampar e deixar cozinhar um pouco.
Adicionar então o restante da verdura, pôr o sal e tampar. Acrescentar água aos
pouquinhos, à medida que for secando para não queimar. Quando os brócolos
estiverem bem cozidos, tirar o fogo e reservar. À parte fazer um molho branco: pôr
as 3 colheres restantes do óleo numa panela, aquecer um pouco em fogo brando, e
jogar a farinha de trigo com a noz-moscada e uma colher de café de sal. Misturar
bem e acrescentar os 2 copos de Ieite , mexendo sempre para não fazer grumos.
Quando levantar fervura jogar dentro os brócolos e deixar ferver por uns 8 minutos,
em fogo brando, com paneIa destampada, mexendo de quando um vez. Se estiver
muito seco, acrescentar mais leite, e se estiver muito molhado, deixar ferver mais
tempo, para secar um pouco. Reservar.
Untar uma forma com óleo e arrumar as fatias de pão, jogando por cima os brócolos
com o molho branco. Pôr por cima, se preferir, umas rodelas de tomate, salpicadas
com sal e orégano, e por fim, a mussarela. Levar ao forno previamente aquecido, e
deixar por uns 15 minutos, ou até derreter a mussarela. Servir em seguida.

Esse mesmo prato pode ser feito, substituindo-se os brócolos por couve-flor,
chuchu, palmito ou espinafre. No caso de palmito, pode-se fazer antes um molho de
tomates com azeitonas, deixado-se cozinhar assim um pouco, com o palmito
picado. Depois, jogar tudo no molho branco e deixar cozinhar mais um pouco.

413

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Suflê de Palmito
1 lata pequena de palmito
3 ovos
1 copo de leite
1 colher de sopa de óleo
1 colher de sopa de farinha de trigo
3 colheres de sopa de queijo parmesão ralado
1 colher de sopa de de salsa picadinha
sal a gosto
Dourar a farinha, e sempre mexendo adicionar o leite. Retirar do fogo, adicionar o
óleo, as gemas, uma de cada vez, e bater bem. Levar novamente ao fogo, juntar o
palmito picadinho, o sal e a salsa, deixando no fogo até levantar fervura. Adicionar 2
colheres de queijo ralado e as claras em neve. Misturar bem e despejar em um
pirex untado. Polvilhar com queijo ralado e assar em forno quente.

Suflê de Queijo
3 ovos
1 colher de sopa de óleo
2 colheres de sopa de farinha de trigo
1 xícara de chá de queijo parmesão ralado
1 lata de creme de leite
sal a gosto
Bater as claras em neve, acrescentando as gemas. Bater mais um pouco, juntar o
óleo, a farinha, o queijo e o sal. Por último, misturar o creme de leite e despejar em
forma refratária untada. Assar em forno quente por 20 minutos. Servir
imediatamente.

Suflê de Queijo e Espinafre


1/4 de xícara de óleo
1/4 de xícara de farinha de trigo
2 xícaras de leite fervente
1 maço de espinafre cozido e picado
1 xícara de queijo-minas ralado
2 ovos batidos
1/2 xícara de farinha de pão
sal a gosto
Misturar o óleo e a farinha no leite fervendo até engrossar. Adicionar os outros
ingredientes, depois de retirada a panela do fogo, e espalhar em forma pirex
untada. Assar em forno médio até ficar firme e ligeiramente dourado (cerca de 30
minutos). servir imediatamente.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Suflê de Ricota
1 cebola grande picada
3 gemas batidas
4 xícaras de ricota
1 colher de sopa de óleo
sal ou tempero vegetal
2 colheres de sopa de temperos verdes
3 claras em ponto de neve
Refogar 1 cebola grande picada, tirar do fogo e adicionar 3 gemas batidas, 4
xícaras de ricota, 1 colher de sopa de óleo, sal ou tempero vegetal, e 2 colheres de
sopa de temperos verdes. Bater 3 claras em ponto de neve, misturar, assar em
forma untada e calor moderado por uns 30 minutos. Servir com molho de tomates.

Suflê de Vagens
1 quilo de vagens
3 colheres de sopa de salsa picada
1 dente de alho socado
4 colheres de sopa de de farinha de rosca (pão preto torrado)
3 ovos
colheres de sopa de queijo Minas
ralado
1 cebola grande picadinha e cenouras picadas
1 colher de sopa de óleo
tempero vegetal
Cozinhar as vagens e as cenouras picadas. Refogar a cebola e o alho na frigideira.
Tirar do fogo e juntar a salsa, a vagem e a cenoura, o queijo ralado, a farinha de
rosca e o tempero vegetal. Juntar os ovos batidos separadamente, misturar e
despejar em pirex untado e polvilhado de farinha de rosca. Levar ao forno por 20
minutos.

Suflês

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Suflê de Amendoim
2/3 de xícara de creme de amendoim
1 xícara de massa de tomate
2 xícaras de água
1 cebola pequena ralada
1 xícara de Pão torrado quebradiço
3 ovos separados
Sal a gosto
Misture o creme de amendoim, a massa de tomate e a água, até que fique cremoso.
Acrescente a cebola, o pão e o sal. Junte a seguir as gemas ligeiramente batidas e,
por último, as claras em neve. Asse em forma untada até dourar ou estar firme.

Suflê de Chuchu
1 quilo de chuchu cozido
1 cebola
3 colheres de sopa de óleo
alho
temperos verdes
200 gramas de carne vegetal moída sal,,
2 copos de leite,
2 colheres de sopa de farinha de trigo pacote de queijo ralado
4 gemas
4 claras em neve
Em uma panela misturar o leite, o óleo, a farinha de trigo, as gemas e o sal. Levar
ao fogo, mexendo sempre até engrossar. Juntar o alho e cebola refogados, o
chuchu cortado em fatias, os temperos verdes, o queijo, a carne vegetal, as claras
em neve e misturar tudo. Colocar em forma refratária untada e polvilhada com
farinha de rosca. Levar ao forno para assar. Servir em seguida.

414

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 19a

Suflê de Milho e Tomate


1 xícara de polpa de tomates
3 espigas de milho verde
1 xícara de migalhas de pão fresco
1 colher de óleo
2 ovos
sal a gosto
Acrescentar ao tomate o óleo e pô-lo a ferver. Pôr sal a gosto e despejar lentamente
a mistura sobre as gemas batidas, mexendo continuamente. Acrescentar o milho,
as migalhas de pão e mexer tudo, pondo sal a gosto. Bater as claras em ponto de
neve,
misturando com muito cuidado com o preparo anterior. Numa assadeira untada, pôr
tudo ao forno por uns trinta minutos, ou até que fique firme. Servir então.

Suflê de Milho Verde


1/2 xícara de molho branco
4 colheres de sopa de farinha de rosca
1/2 xícara de queijo ralado
1/2 xícara de milho verde cozido e escorrido
3 ovos.

Juntar o molho branco (ver receita), a farinha de rosca,o queijo e o milho.


Acrescentar as gemas batidas, misturando bem e, por último, as claras em neve
envolvendo a mistura. Assar em forma untada dentro de uma assadeira rasa com
água quente. Forno brando, pré-aquecido, durante 45 a 60 minutos.

415

Continua em Capítulo 19b - Receitas Culinárias

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 18

ERNST SCHNEIDER

A CURA E A SAÚDE
PELOS ALIMENTOS
versão eletrônica pelo Projeto Periferia

Capítulo 1 - As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua Compensação Natural


Capítulo 2 - Frutos
Capítulo 3 - Legumes e Verduras
Capítulo 4 - Condimentos
Capítulo 5 - Alimentos Fornecedores de Energia
Capítulo 6 - Alimentos de Origem Animal
Capítulo 7 - Regimes Depurativos
Capítulo 8 - Doenças do Sistema Circulatório
Capítulo 9 - Doenças do Aparelho Digestivo
Capítulo 10 - Doenças do Metabolismo
Capítulo 11 - Doenças da Pele
Capítulo 12 - Doenças do Sistema Nervoso
Capítulo 13 - Tuberculose
Capítulo 14 - A Alimentação na Gravidez
Capítulo 15 - A Alimentação na Criança Moderna
Capítulo 16 - O Câncer
Capítulo 17 - Comentário Final
Capítulo 18 - Normas Fundamentais Para a Preparação de um Regime Sadio
Capítulo 19 - Receitas Culinárias

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 18

PRÁTICA DA ARTE CULINÁRIA


Normas Fundamentais Para a
Preparação de um Regime Sadio

Capítulo 18
Há um grande tesouro de bênçãos escondido nas plantas e oculto nas
pedras. Oh! doce e excelsa Natureza, deixa-me seguir as tuas
pegadas!...
Conde de Stolberg, 1775 «an die Natur» (À Natureza)

O princípio fundamental de toda a preparação culinária num regime dietético curativo é o


emprego exclusivo de alimentos em perfeitas condições e em todo o seu valor, porque só
assim têm transcendência vital.
A segunda premissa, não menos importante, tanto para o regime cru como para o de cocção,
é uma técnica culinária de preservação do valor dos alimentos.
Em pormenor, devem ser tidas em muita conta as seguintes normas:
1 . Em lugar de sal refinado, empregar sempre sal marinho.
2. Em lugar de farinha de trigo, utilizar na medida do possível farinha integral.
3. Em lugar dos óleos refinados, mais correntes no mercado, empregar, o mais possível, óleos
vegetais obtidos a frio (de oliveira, de sementes de girassol, de milho).
4. Em lugar de açúcar refinado, consumir na medida do possível mel, ou melado. O açúcar
refinado só se deve considerar como meio conservador e como condimento.
5. Em lugar de gelatina de origem animal, utilizar agar-agar vegetal. Para 1 litro de líquido
usamos 12 a 14 folhas de gelatina ou 6 a 8 g de agar-agar.
6. Tanto quanto possível não se devem cozer os legumes, mas devem ser rapidamente
refogados ou expostos ao vapor.
7. As saladas devem ser preparadas imediatamente antes de serem servidas,
condimentando-as com limão em vez de vinagre.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 18

8. Toda a fruta deve ser cuidadosamente lavada antes de ser consumida, de preferência em
água corrente.
9. Cozer as batatas, na medida do possível, com a casca.
10. Os pratos de cereais frescos são, ao lado do pão integral e flocos de cereais, a melhor
forma de ingerir cereais.
11. As conservas e os alimentos preparados sob qualquer forma só devem ser utilizados
quando não for possível obter outros alimentos frescos, pois são sempre produtos comestíveis
de segunda ordem.
12. Não tomar nenhuma refeição que não seja acompanhada de qualquer alimento cru.
350

Fim do Capítulo 18 de A Cura e a Saúde Pelos Alimentos

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Travessa do Anfiguri 47, São Miguel Pta., São Paulo-SP, BR-08050-570

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 8

ERNST SCHNEIDER

A CURA E A SAÚDE
PELOS ALIMENTOS
versão eletrônica pelo Projeto Periferia

Capítulo 1 - As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua Compensação Natural


Capítulo 2 - Frutos
Capítulo 3 - Legumes e Verduras
Capítulo 4 - Condimentos
Capítulo 5 - Alimentos Fornecedores de Energia
Capítulo 6 - Alimentos de Origem Animal
Capítulo 7 - Regimes Depurativos
Capítulo 8 - Doenças do Sistema Circulatório
Capítulo 9 - Doenças do Aparelho Digestivo
Capítulo 10 - Doenças do Metabolismo
Capítulo 11 - Doenças da Pele
Capítulo 12 - Doenças do Sistema Nervoso
Capítulo 13 - Tuberculose
Capítulo 14 - A Alimentação na Gravidez
Capítulo 15 - A Alimentação na Criança Moderna
Capítulo 16 - O Câncer
Capítulo 17 - Comentário Final
Capítulo 18 - Normas Fundamentais Para a Preparação de um Regime Sadio
Capítulo 19 - Receitas Culinárias

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 8

Doenças do Sistema Circulatório

Capítulo 8
Não há nenhuma doença limitada a um só ponto. Todo o órgão é um
campo de atividades, cuja eficácia, em princípio, atinge todo o ser
humano, em maior ou menor grau. Não é o estômago que tem fome, ou a
garganta que tem sede, nem é o cérebro que está alegre ou triste, nem o
coração ou os rins que estão doentes: é o homem que está esfomeado
ou sequioso, triste ou alegre, doente ou são.
Prof. Dr. Ferdinand Hoff

Doenças Cardíacas
A Apoplexia -- Em todos os países da esfera cultural do Ocidente se tornam cada vez mais
ameaçadoras as doenças do coração e da circulação. Não é para nós uma experiência
estranha que um homem, que se julga na posse de todas as suas forças, de repente
interrompe o seu trabalho e em poucos segundos seja arrebatado pelas garras da morte. A
apoplexia cardíaca é a doença do nosso século.
Temos de nos convencer de que só a prudência e a forma de vida razoável evitarão falhas
catastróficas das forças do coração ou da circulação, pois estas não se perdem
fulminantemente, mas fazem-se anunciar muito antes pelos transtornos do metabolismo.
Na clínica e mediante o estudo especial dos órgãos circulatórios por análises minuciosas e
cuidadosas, podem descobrir-se as diferentes formas e localizações das lesões nas válvulas,
miocárdio, nervos do coração ou qualquer das muitas formas de doenças arteriais. Comuns,
porém, a todas estas afecções são as alterações no metabolismo, do mesmo modo que
também as perturbações metabólicas se refletem com as correspondentes conseqüências nas
veias, nas artérias e no coração. Em todo o caso, não devemos esquecer o metabolismo nos
doentes circulatórios ou débeis cardíacos.
Correlações Entre o Metabolismo e a Circulação do Sangue -- Suponhamos que o
miocárdio tenha ficado lesado por uma doença infecciosa aguda, uma angina de peito, uma
escarlatina ou uma difteria, coisas que ocorrem diariamente. Uma lesão do miocárdio
enfraquece o seu funcionamento como bomba do coração, de modo que se produzem
perturbações na circulação, quando as exigências, impostas ao coração para andar, correr,
subir escadas ou trabalhar excedem a sua capacidade de rendimento. Os transtornos

http://www.geocities.com/projetoperiferia4/cspa8.htm (2 of 6) [30/11/2005 20:40:44]


A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 8

circulatórios fazem-se notar pelas acumulações de sangue e humores nos mais diversos
órgãos, como estômago, fígado, pulmão e rins. As pernas também podem inchar. A diminuição
do ritmo da circulação tem além disso como conseqüência notáveis mudanças no
metabolismo. Conduz ao encharcamento dos tecidos por sangue venoso, que leva resíduos
metabólicos, ácido carbônico, uréia, ácido láctico e muitos outros elementos que devem passar
para os órgãos de evacuação e para os pulmões, para sua depuração e renovação. A
obstrução de tal eliminação prejudica a marcha do processo do metabolismo, isto é, as
funções das células. Com isto dá-se o primeiro passo da saúde para a doença.
Convém acrescentar aqui que só a falta de movimento (profissões sedentárias) e a
insuficiência metabólica correspondente é que levam a indesejáveis perturbações circulatórias,
sendo isto muitas vezes o motivo das doenças dos órgãos circulatórios.
Onde quer que se produza, o estancamento do sangue leva à dilatação vascular
(especialmente nas veias) até as tornar permeáveis, à acumulação de ácidos carbônicos e
outros produtos do metabolismo até à sua introdução nos tecidos, lesando-os ou provocando a
sua degeneração ou, quando ainda se mantêm intactas as funções defensivas, a uma
inflamação como reação. Deste modo, o transtorno inicial circulatório passa a dar origem às
mais variadas enfermidades. As perturbações circulatórias levam sempre a perturbações do
metabolismo e as doenças circulatórias trazem sempre consigo enfermidades metabólicas.
Regime Para Reforçar o Coração -- Estão hoje de acordo os médicos de todos os países
civilizados em que a melhor maneira de conseguir reforçar o coração é o regime de
alimentação sem sal, mediante dietas na base de frutas, sucos de legumes, curas de leite
azedo. Uma alimentação sem sal no sentido mais estrito é praticamente impossível, porque
quase todos os alimentos contêm os seus componentes de sódio e cloro. Entendemos,
portanto, «regime sem sal» aquele em que o sal não se acrescenta aos alimentos.
Mantendo-se rigorosamente este regime, a urina não expulsa mais de 1 g de sal por dia.
Este regime curativo, como veremos, aplica-se também às doenças do sistema renal e à
tuberculose dérmica e óssea e, em forma ainda mais rigorosa, no tratamento do câncer.
0 regime sem sal exerce fortíssima influência no metabolismo de sais líquidos. Conseguem-se
assim efeitos sobre as glândulas de secreção interna (hipófise, diencéfalo, cápsulas
suprarenais) que regulam o metabolismo da água e do sal, conseguindo-se influir na pele e
nos rins, que constituem os órgãos de eliminação da água e do sal. O regime sem sal comum
é tão conveniente para a saúde que nas perturbações leves ou não muito graves da
circulação, com inchaços edematosos, se consegue em poucos dias, sem necessidade de
medicamentos, considerável eliminação de sal e com esta o desaparecimento completo das
acumulações doentias de água. E isto não é nenhuma teoria, mas experiência prática,
comprovada repetidas vezes por famosos clínicos.
O teor de água dos tecidos corpóreos depende do seu teor em
sal, e a presença deste nos tecidos está relacionado com a ingestão de sal. Se reduzirmos o
seu consumo ao limitado teor dos alimentos, pouco salgados, reduziremos o teor de sal dos
tecidos rapidamente, com o que, ao mesmo tempo, a água não poderá ficar retida e é por isso
eliminada em grande quantidade.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 8

Temos de considerar hoje grande falta de negligência que no tratamento de doentes de


circulação não se faça uso suficiente e correto do regime sem sal. Inclusive, ingerido
complementariamente os conhecidíssimos medicamentos para a circulação, baseados na
digitalina, sementes de estrofanto, lírio dos vales, alguns cactos ou a adelfa, estes atuarão
com tanta maior eficácia, quanto mais pobre em sal for a alimentação. Precisamente, neste
caso, completam-se de modo felicíssimo os medicamentos e o regime.
Pauta Para a Realização Prática do Regime Sem Sal -- Como não é coisa nada simples,
deve-se proceder a uma exposição bastante minuciosa. Correntemente distingüem-se o
regime «estrito» e o «suave». No regime estrito elimina-se diariamente até um máximo de 1 g
na urina, ao passo que no suave de 2 a 3 g. Como já se disse atrás, não é possível nem
prático conseguir uma alimentação absolutamente sem sal, porque os tecidos orgânicos
devem conservar determinado equilíbrio fisiológico entre sódio e cloro, os dois componentes
do sal. Ambos servem para a conservação do equilíbrio entre ácidos e bases e, portanto, da
tensão e da pressão do tecido.
Como os alimentos já mostram grandes diferenças quanto ao teor em sal natural, deve-se
suprimir no regime sem sal todos os alimentos com um teor elevado ou médio em sal. Para
que cada leitor possa ter uma idéia clara do teor de sal natural dos nossos principais
alimentos, aqui apresentamos um quadro baseado nos dados do Prof. Doutor Heupke.

Teor de Sal Nos Principais Alimentos

Cem gramas de cada alimentos contêm:

1. Frutos frescos e secos

Frutos de bagas....................... 1 - 25 mg
Fruta de semente ......................1- 41 mg
Fruta de caroço...................... 1 - 100 mg
Bananas .......................................200 mg
Ameixas passadas....................... 21 mg
Passas de Corinto........................ 90 mg
Passas de Málaga ......................100 mg
Nozes ......................................2 - 100 mg

2. Verduras, legumes, saladas

Batatas 45 mg
Couve-flor .......................................48 mg
Ervilhas verdes ..............................58 mg
Cenouras .......................................61 mg
Beterraba .......................................66 mg
Espinafre ..................................... 210 mg
Aspargos ....................................... 69 mg

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 8

Couve-nabiça .................................94 mg
Feijão branco ..................................93 mg
Ervilhas secas ...............................100 mg
Tomate .......................................... 110 mg
Rabanete .......................................120 mg
Salada .. ........................................200 mg
3. Gorduras
Margarina sem sal ...................... 100 mg
Azeite ........................................... 170 mg
Manteiga sem sal ....................... 690 mg
4. Carnes e peixe
Peixe do rio ................................... 80 mg
Carne de porco .......................... 100 mg
Carne de vaca ............................ 110 mg
Carne de vitela ........................... 130 mg
Peixe do mar .............................. 320 mg
5. Doces concentrados
Mel ................................Vestígios
Marmeladas ............... Vestígios
6. Produtos cereais
Pão sem sal ................ Quase nada
Farinha ............................................ 4 mg
Arroz ................................................ 6 mg
Folhado ............................... 46 - 200 mg
Macarrão ...................................... 65 mg
Maizena ........................................ 66 mg
Flocos de aveia ......................... 103 mg
7. Ovos
1 gema de ovo ............................. 7,8 mg
1 ovo .............................................. 84 mg
8. Leite e derivados

Requeijão com sal ...................... 2,5 mg


Nata ............................................. 130 mg
Leite integral ............................... 100 mg
Leite desnatado ......................... 160 mg
Queijo de creme sem sal .......... 200 mg
Requeijão sem sal ......................250 mg
Queijo semicremoso sem sal ....580 mg

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 8

Vendo este quadro, verificamos quais são os alimentos mais apropriados para se seguir um
regime sem sal, considerando tolerável um teor de sal de até 200 mg em 100 g de substância,
isto é:
Sucos de frutas, fruta fresca e seca (exceto bananas), hortaliças frescas e saladas (exceto
espinafre e aipo), óleos vegetais, margarina vegetal sem sal e manteiga sem sal (na menor
quantidade possível, porque tem elevado teor natural de sal), peixe do rio e carne, magra (até
à quantidade de albumina permitida), mel e marmelada, pão sem sal, farinha integral, arroz,
flocos de cereais, nozes e grãos de trigo, coalhada, leite desnatado, leite integral, gema de ovo
(sem clara, porque tem uns 90 mg de sal), nata (o requeijão, assim como todos os queijos
compactos e duros têm muito sal), todas as
especiarias, incluindo a cebola (mas não alcaparra, mostarda nem extrato de levedura).

Naturalmente que se devem evitar em absoluto todas as conservas salgadas (chucrute,


legumes ácidos, pepinos salgados), conservas de peixe e peixe do mar.
O Regime Sem Sal Deve Ser Saboroso -- O sortido de alimentos é bastante variado para
poder preparar alimentos saborosos, mesmo sem sal. Como bebidas temos infusões de ervas,
sucos de frutas, leite de diversas formas e em quantidades moderadas, coalhada, leite
desnatado, leite integral, iogurte. A escolha de sanduíches pode fazer-se entre os de manteiga
sem sal e com margarina vegetal. Mel e marmelada em quantidade limitada, mas suficiente;
também em quantidade reduzida pode empregar-se o requeijão.
As sopas de caldo de carne não são saborosas sem sal e, por isso, são substituídas por sopa
de vegetais ou fruta com os correspondentes ingredientes, sempre que
257

Fim do Capítulo 8 de A Cura e a Saúde Pelos Alimentos

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 9

ERNST SCHNEIDER

A CURA E A SAÚDE
PELOS ALIMENTOS
versão eletrônica pelo Projeto Periferia

Capítulo 1 - As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua Compensação Natural


Capítulo 2 - Frutos
Capítulo 3 - Legumes e Verduras
Capítulo 4 - Condimentos
Capítulo 5 - Alimentos Fornecedores de Energia
Capítulo 6 - Alimentos de Origem Animal
Capítulo 7 - Regimes Depurativos
Capítulo 8 - Doenças do Sistema Circulatório
Capítulo 9 - Doenças do Aparelho Digestivo
Capítulo 10 - Doenças do Metabolismo
Capítulo 11 - Doenças da Pele
Capítulo 12 - Doenças do Sistema Nervoso
Capítulo 13 - Tuberculose
Capítulo 14 - A Alimentação na Gravidez
Capítulo 15 - A Alimentação na Criança Moderna
Capítulo 16 - O Câncer
Capítulo 17 - Comentário Final
Capítulo 18 - Normas Fundamentais Para a Preparação de um Regime Sadio
Capítulo 19 - Receitas Culinárias

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 9

Doenças do Aparelho Digestivo

Capítulo 9
Conforme o que até agora sabemos, é totalmente impossível conseguir,
por meios dietéticos, melhoras nas enfermidades gastrintestinais, se não
houver um abundante consumo de vitaminas no seu estado natural e de
matérias minerais, tal como se apresentam nos produtos naturais.
Prof. Dr. Wilhelm Stepp

Cárie Dentária

Origem e Formação das Cáries -- A teoria da formação local da cárie data dos últimos vinte
anos do século XlX, quando a bacteriologia começou a imprimir o seu cunho em todas as
investigações e em todas as idéias. Trata-se da chamada teoria químico-parasitária da cárie
de Miller e que, infelizmente, continua a ser a única aceita por muitos representantes da
ciência. Diz esta teoria que a cárie se produz assim: os resíduos de alimentos que ficam entre
os dentes (hidrocarbonatos) fermentam, produzindo ácidos. Estes privam os dentes das
substâncias calcárias. O ponto enfraquecido fica exposto ao ataque das numerosas bactérias,
sempre presentes na boca, que vão destruindo o dente.
Se fosse esta a causa única ou principal da cárie, bastaria a cuidadosa limpeza diária dos
dentes e da boca com pasta dental, escova de dentes e elixir para terminar em pouco tempo
com a doença. Infelizmente, porém, não é assim, porque a cárie nem sequer pode ser contida
por meios locais, tendo até aumentado consideravelmente no século passado, a despeito de
todas as escovas e dentifrícios, até ao ponto de hoje nos encontrarmos perante o fato de
apenas cinco por cento dos habitantes dos países mais adiantados possuírem uma dentadura
completamente sã. Outros investigadores, que tiveram também em conta os velhos, chegaram
à conclusão de que em cada cem homens só há um que tem os dentes sãos.
Há motivos de sobra para considerar o aparecimento de um foco local de cárie como sintoma
de uma lesão que afeta todo o corpo, como conseqüencia de uma profunda perturbação do
metabolismo ou um mal geral. Um dos mais notáveis conhecedores destes problemas, o Prof.
Rebel, confirma que a questão discutida durante dezenas de anos: -- se o esmalte
desenvolvido e duro continua a participar no metabolismo, isto é, se apresenta fenômenos de
intercâmbio -- tem de ser respondida no sentido afirmativo, embora se trate de um
metabolismo muito limitado. Mas um órgão que participa no metabolismo é também

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 9

influenciado por este. Naturalmente, a influência é máxima no período de desenvolvimento,


mas torna-se decisiva para a capacidade de resistência contra a cárie durante toda a vida. Por
outro lado, não devemos ir tão longe como' outros investigadores modernos e considerar que a
cárie é só um processo interno, isto é, dependente do metabolismo, pois conhecemos
numerosas observações e abundantes ensaios que tiveram lugar durante anos e que explicam
as possibilidades de lesão local na dor de dentes. Mas em ambos os casos existe uma clara
relação com a alimentação. Uma alimentação indevida pode causar um dano local quando é
retida na cavidade bucal como também mais tarde, depois de absorvida pelo intestino, da
mesma maneira que um alimento em todo o seu valor pode despertar forças de melhoria e de
cura.
Influência da Alimentação -- Nos anos de alimentação escassa, durante a última grande
guerra e rios tempos imediatamente posteriores, diminuiu em muitos países europeus a
freqüência da cárie, especialmente entre as crianças até à idade escolar.
Naturalmente que se chega depressa à conclusão de que a alimentação da guerra tinha uma
composição que aumentava a capacidade de resistência à cárie. Estas observações procedem
da Alemanha, Suíça, Noruega, França e Espanha.
Ainda não se pode pormenorizar quais os componentes do regime que terão causado aquela
resistência, mas, na minha opinião, parece-me que foi essencial o uso
do pão escuro ou integral que, como se sabe, oferece um teor consideravelmente mais rico de
albumina, vitaminas, minerais e oligoelementos.
Investigando toda uma série de ilhas nos mares do Sul, compararam-se grupos de indígenas
que não tinham estado em contato com a civilização nem sobretudo com alimentos
importados, com outros indígenas que já tinham «desfrutado» os «benefícios» da civilização e
que haviam consumido, durante muito tempo, alimentos importados (especialmente farinha
branca, açúcar e doces). Naqueles indígenas que viviam no estado natural, todos os seus
dentes haviam crescido normalmente e mostravam uma grande imunidade contra a cárie. Pelo
contrário, entre os outros em contato com a civilização encontraram-se muitos dentes mal
colocados e desvios de mandíbulas. De cada mil dentes, trezentos estavam doentes.
Também é certo hoje que o açúcar refinado, desmineralizado, reúne perfeitas condições para
fomentar a cárie dentária. O açúcar branco ataca primeiramente os dentes desde o exterior.
Passa depois ao sangue e ao fígado, necessitando para a sua assimilação de grande
quantidade de minerais e de vitaminas do grupo B. A escassez assim provocada influi na
formação de hormônios e fermentos e, por conseguinte, nas suas funções de importância vital.
Como é lógico, a causa não reside apenas no açúcar, que não passa de um simples fator
desencadeante.
Efeito das Deficiências de Flúor e Magnésio -- A alimentação defeituosa não implica apenas
a insuficiência de cálcio, que se retira dos dentes ou se lhes não fornece, mas também, e
sobretudo, a insuficiência de magnésio (marfim) e de flúor (esmalte). O marfim oferece a
máxima percentagem em magnésio (cerca de 4%) de todos os órgãos do corpo, e o esmalte a
máxima percentagem em flúor (0,3-0,5%). E é precisamente o flúor que faz do esmalte a
substância mais dura nos corpos dos animais e dos homens. É ao flúor que os dentes devem a

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sua forma precisa e terminada, não falando já de numerosas funções, umas conhecidas e
outras ainda não bem conhecidas, desempenhadas pelo flúor e pelo magnésio em,todo o
corpo. Quantitativamente, encontra-se flúor sobretudo nas ervas e cereais. Se considerarmos
a nossa farinha pura, branqueada e tratada com a ajuda de uma levedura química, temos de
comprovar, com tristeza que pouco contém de flúor ou de qualquer outro mineral. É
praticamente só fécula pura e branca. O mesmo acontece com as nossas hortaliças cozidas,
desmineralizadas ou só dotadas com muito sal. Repetem-se, por conseguinte, os mesmos
erros de nutrição com que tropeçamos a cada passo que damos. Mas a verdade' é que para a
conservação dos nossos dentes temos necessidade de um pão que contenha todos os
elementos do trigo, de verduras que não sejam fervidas, devendo ser consumidas cruas na
medida do possível, e fruta que nos sirva de fonte de minerais. É necessária uma dentadura
sã, porque os dentes cariados são causa de toda uma série de enfermidades infecciosas e
digestivas. Os dentes perdidos por cárie são um sinal de alarme para fazermos uma revisão de
todos os hábitos de vida, uma mudança definitiva, abandonando a alimentação antinatural e
empobrecida.
Normas de Aplicação Prática -- 1. O consumo de açúcar natural (fruta, sucos, mel) é
recomendável por causa dos seus materiais secundários e de proteção.
2. O farelo e os gérmens de cereais exercem, por causa do seu elevado teor em mineral,
vitaminas e albumina, uma influência protetora contra a cárie. Até onde for suportável, devem
introduzir-se na alimentação, por conseguinte, o pão integral e os produtos integrais da
moagem, especialmente para as crianças.
3. Por experiências com animais, sabemos que a deficiência de albumina, entre muitas outras
coisas, leva a insuficiências no esmalte. Por isso, são precisos, todos' os dias, produtos
lácteos de boa qualidade.
4. No período de desenvolvimento dos dentes (isto é, desde o nascimento até aos sete anos
de idade), a criança deve primeiramente ser alimentada com o leite materno, com alimentação
melhorada para a mãe, e, a partir do terceiro e quarto mês, com sucos crus de verduras e de
frutas como
269
alimento complementar e, mais tarde, com verduras cruas em suficiente quantidade.

Como o gérmen da formação da cárie se encontra na infância, não é de esperar já na idade


madura uma cura de tal enfermidade, nem mesmo com um regime permanente vegetariano de
cem por cento, embora se possa limitar assim o seu desenvolvimento. O cuidado sistemático
dos dentes com uma pasta dentifrícia eficaz, a abstenção de comer doces concentrados nos
intervalos das refeições e o controle trimestral pelo dentista devem ser observados
escrupulosamente.

Periodontose
Características e Causas - De cem homens de meia-idade, mais de oitenta sofrem de lesões

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nas gengivas e fraqueza nos dentes, às vezes com fenômenos inflamatórios nas mandíbulas
(periodontose) e formação de bolsas purulentas nos orifícios dentais (piorréia almolar). Na
realidade, a gengivite, com ou sem inflamação, está muito espalhada e situa-se à mesma
altura que a cárie. Não se pode fugir à impressão de que a dentadura humana está condenada
em proporções cada vez maiores à destruição, contra o que nada pode a sacrificada atuação
dos dentistas, embora disponham de uma excelente e subtilíssima técnica.
A hemorragia nas gengivas e a fraqueza dos dentes, cada vez mais pronunciada, são a
introdução da rápida chegada, sem estorvos, da doença das gengivas que se chama
Penodontose.
Entre as causas figuram, com as de efeito puramente local e mecânico, como os desvios
maxilares, com a sua conseqüente mastigação defeituosa e as sobrecargas de determinadas
partes da dentadura, as causas puramente internas, como a nutrição defeituosa e insuficiente
e as inevitáveis perturbações no metabolismo.
Como no caso da cárie, temos de procurar distinguir na inflamação das gengivas entre a
possível origem externa e a interna. Ou então ficarmos convencidos de que raramente há uma
só causa a originar a periodontose.
Os impressionantes resultados experimentais do investigador russo Speransky e do patólogo
alemão Ricker, que dão origem a um novo conceito da Medicina, levam à conclusão de que
também nestas doenças, como em muitas outras, se trata no fundo de uma transformação no
modo de reação do sistema nervoso central , obedecendo a uma excitação crônica enfermiça
(neurodistrofia). Este sistema nervoso transmite então influências patológicas aos órgãos e
tecidos. Semelhante «neurodisfrofia» pode mesmo ser provocada por insuficiência de vitamina
B, como conseqüência de um transtorno nutritivo.
Papel das Avitaminoses -- Médicos argentinos observaram numerosas crianças, tendo
comprovado que quase todas apresentavam graves alterações patológicas na cavidade da
boca. A maior parte eram inchaços ou inflamações das gengivas, nos casos graves até mesmo
pus entre a gengiva e os dentes, acabando estes por enfraquecer e, finalmente, por cair.
Considerou-se a enfermidade como insuficiência de vitamina e seguiu-se depois o processo
curativo com diversas vitaminas em vários grupos de crianças. O primeiro grupo recebeu
vitamina A, conhecida como vitamina de proteção para as células da pele e da mucosa, e
vitamina C, cuja falta é sempre considerada a causa de modificações características nos
dentes e nas mandíbulas. Não houve bons resultados. Mas desde que se completavam as
duas vitaminas com tabletes de levedura de cerveja, que contém principalmente muitos fatores
da vitamina B, conseguia-se rapidamente uma melhoria.
Um segundo grupo de crianças só recebeu tabletes de levedura de cerveja. Nestas crianças
iniciou-se já uma melhoria passados quatro a seis dias, registrando-se a cura total num prazo
de dois a três meses. Ao demonstrar a eficácia de cada fator do grupo de vitaminas B, estes
fatores separadamente tornavam-se mais fracos do que em conjunto.
Do que se disse podemos concluir a importância da subministração completa de vitaminas
através da alimentação diária. Entre os fatores isolados do grupo de vitaminas B ressalta a
especial eficácia do ácido pantotênico nos tecidos da gengiva.

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Hoje sabemos que o ácido pantotênico é insubstituível no homem, tanto para a formação como
para a conservação da função normal dos tecidos. A sua falta leva o homem a transtornos
metabólicos que se refletem de modo especialmente prejudicial na pele e na mucosa,
reduzindo a capacidade de resistência contra as infecções. Por conseguinte, para evitar e
curar as doenças dos dentes, faremos muito bem se só preferirmos aqueles alimentos que
contêm em maior quantidade ácido pantotênico, como o consumo de cereais crus, germens de
trigo e levedura.
Outras experiências afirmam que também o cálcio, a vitamina C e a vitamina D podem ser
úteis nas fases iniciais de doenças de dentes relacionadas com a hemorragia das gengivas e o
enfraquecimento dos dentes. A íntima relação que existe entre as vitami-
271
nas D e C e o metabolismo dos minerais fazem com que consideremos o seu emprego
perfeitamente justificado.
Normas Gerais -- É evidente que só se pode conseguir uma cura completa destas afecções
mediante medicamentos em casos extraordinários. Mas, em geral, só é preciso a
subministração completa de matérias alimentícias e minerais, funcionais e ativas, tal como
unicamente nos é garantido num consumo natural e prudente de frutas, saladas, legumes, leite
e produtos de cereal integral.
Semelhante alimentação deve praticar-se já nas mulheres grávidas se se quiser evitar que os
seus filhos venham a ter lesões no sistema maxilodentário, cujo efeito visível se produzirá em
idade muito mais adiantada da sua vida.

Afecções do Estômago
Difusão da Úlcera Gástrica -- O número de gastrites ou de úlceras de estômago entre os
enfermos gástricos é enorme, assim como o de operados por essas enfermidades. No
princípio deste século a úlcera gástrica era uma doença pouco freqüente. Mas desde o
princípio da última grande guerra aumentou para mais do dobro o número de ulcerosos rios
países desenvolvidos. Tendo pois em conta a grande extensão desta doença, que não deixa
de ser perigosa, merece a pena estudar-lhe as causas e a possibilidade de as suprimir e,
portanto, de lhe conseguir a cura.
As inumeráveis publicações da literatura da especialidade mostram a dificuldade de todos os
problemas relacionados com a úlcera do estômago. Tem-se-lhe atribuído as mais variadas
origens como, por exemplo, o comer muito depressa, ou demasiadamente quente, ou a
congestão de pequenas ramificações arteriais por um coágulo de sangue ou uma colônia de
bacilos deslocados do foco de uma enfermidade, ou a má irrigação sangüínea devida ao
estreitamento dos vasos ou por arteriosclerose, sífilis ou tuberculose. Poderia continuar a lista
dessas supostas causas. Depois de prolongada busca e de numerosas observações,
chegou-se às conclusões que a seguir se apontam, embora ainda não se conheçam todos os
fatores.

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Aparecimento das úlceras do Estômago -- A úlcera do estômago (e também a do duodeno)


aparecem em determinados pontos e precisamente um pouco adiante ou atrás da curvatura
menor do estômago, da curvatura maior ou pouco antes do músculo que separa o estômago
do duodeno (piloro). São precisamente os pontos em que se produz suco gástrico em
abundância e que sob o ponto
272
de vista mecânico se encontram mais sobrecarregados. Mas estes pontos são os mais
sobrecarregados em todos os homens e contudo nem todos eles sofrem de úlcera gástrica. É
evidente que algo tem que sobrevir à fadiga mecânica para que apareça uma úlcera gástrica.
Mas se é apenas uma parte da humanidade que sofre de úlcera gástrica deve ter ocorrido algo
que provoque em tais doentes uma «predisposição» para a enfermidade. Com isto entramos
no confusamente enunciado conceito da «predisposição». Sabemos que esta pode ser
congênita ou adquirida. A congênita limitase às pessoas de um determinado tipo físico, corno
no-lo prova um fato continuamente verificado. Os homens que sofrem de úlcera de estômago
não são quase nunca os de «alimentação ao natural», os pícnicos, de abdômen e pescoço
grossos, que gostam de tudo, que comem coisas muito quentes ou muito frias, e que seriam
os primeiros suspeitos. São os leptossômicos (magros, de extremidade finas),
leptossomoatléticos ou de constituição física atlética, homens de um sistema nervoso lábil
(flutuante, débil): são os nervosos, sempre inquietos, de temperamento mercurial.
Fatores Anímicos -- As pessoas destas características sofrem muitas vezes por motivos
insignificantes (excitação, má digestão, excesso de trabalho, vida agitada) minúsculos
espasmos das pequenas artérias, que às vezes persistem por bastante tempo. Por isso, entre
outras coisas, a mucosa do estômago fica mal alimentada, incapacitada para a resistência e
facilmente vulnerável na parte mecanicamente mais fatigada. Logo que nesse ponto se forme
uma pequena ferida, fica a descoberto ao ser atacada pelo suco gástrico que começa
imediatamente a atuar sobre a parede do estômago propriamente dita, começando a formação
da típica úlcera gástrica.
À grande fadiga mecânica de determinados pontos gastrintestinais e à predisposição
congênita, unem-se outros fatores, os fatores impulsores». Entre estes figuram, naturalmente,
a história do paciente (duras provas na sua vida), o modo de vida (irregularidade, pressa,
subalimentação), a profissão (esforço físico ou graves responsabilidades) e as condições
familiares e econômicas.
A frase popular: «A excitação causou-me dor de estômago», caracteriza acertadamente a
grande influência dos fatores anímico-nervosos. A maior parte das vezes são o enfado, a
preocupação, a intranqüilidade ou a insegurança econômica que «atacam os nervos», o que
em Medicina equivale a dizer que produzem um estado de tensão doentio nos centros
nervosos do cérebro que, por Sua vez, leva a falsas regulações e especialmente a espasmos
dos vasos, ficando assim perturbada a irrigação sanguínea normal do tecido, provocando
variações de inflamação ou degeneração. Esta dependência psicofisiológica não pode ser hoje
negada. A grande importância da conduta anímica e do modo de reagir do chamado sistema
nervoso vegetativo salienta-se grandemente segundo o critério científico. Sob o ponto de vista
cirúrgico exige-se, para conseguir um

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êxito duradouro da operação da úlcera de estômago, inclusíve uma mudança consciente


e completa do modo de vida, seguindo um critério totalmente novo.
A úlcera do Estômago, «Angina Gástrica» -- Assim, pois, a úlcera é expressão e sintoma de
irrigação sanguínea insuficiente, provocada por uma falsa manobra do sistema nervoso central
de regulação dos vasos. Tal como acontece no estômago e no intestino, essa perturbação,
nervosa da irrigação sanguínea pode produzir-se noutros órgãos, como o coração, os pulmões
ou os órgãos cerebrais.
A diferente localização depende da debilidade congênita dos órgãos ou das imperfeições por
eles adquiridas. Muitas vezes se apresentam perturbações da irrigação sangüínea em vários
tecidos ou órgãos como sintomas de uma perturbação geral. O Dr. Sigl sublinha que a úlcera
do estômago corresponde na sua origem e desenvolvimento às da «angina de peito», doença
esta produzida por irrigação insuficiente dos vasos cardíacos. E, logicamente, propõe para a
úlcera do estômago a denominação de «angina gástrica».
Conjunto de Causas da úlcera de Estômago e Duodeno -- 1. A especial fadiga mecânica
em determinados pontos do estômago e do duodeno.
2. Uma falsa regulação do sistema nervoso central, que pode voltar a produzir-se sob
diferentes circunstâncias (entre elas uma alimentação insuficiente).
3. Perturbações da irrigação sanguínea em diversas zonas de tecidos e órgãos.
4. Localização das perturbações por influências hereditárias e constituição física apropriada. A
isso conduzem as perturbações circulatórias na área do estômago.
5. Nas perturbações da irrigação sanguínea dentro do estômago, o suco gástrico com maior
teor de ácidos digere o próprio estômago no ponto lesionado da mucosa formando-se assim a
úlcera.
Efeitos da Hereditariedade e da Constituição -- Estes aspectos aspectos escapam, quase
completamente, a toda a influência pela nossa parte. Nisto consiste a grande missão do
médico assistente, que já de há
174
anos conhece a família na sua constituição física e nas suas predisposições. Pode, portanto,
aconselhar os membros da família quanto à alimentação, modos de viver e quanto à profissão
a escolher. É infinitamente mais valioso evitar possíveis enfermidades, vencê-las, extirpá-las
antes que se desenvolvam, do que curar quando já se tenham produzido grandes lesões.
Efeito da Acidose -- O excesso de ácidos no suco gástrico (ponto 5), extraordinariamente
doloroso para alguns indivíduos, não se pode neutralizar quimicamente, por exemplo com
bicarbonato.
A mucosa do estômago produz diariamente a determinada quantidade de ácido clorídrico
sumamente importante para a digestão, em especial da albumina. O teor normal do suco
gástrico em ácido clorídrico oscila entre 0,2 e 0,5%. O mecanismo de produção do ácido
clorídrico nas paredes do estômago é qualquer coisa que ainda não foi possível averiguar

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diretamente.
Uma abundância de suco gástrico registra-se, quase sempre, nas diversas variedades da
gastrite e nas úlceras do estômago e do duodeno. Menor quantidade de ácidos produz em
geral o câncer do estômago, e quase nenhum ácido a anemia perniciosa, que hoje nos parece
menos perigosa.
Uma defeituosa composição do suco gástrico não só é sintoma de uma lesão local na parede
do estômago, como é também indício de uma perturbação geral. O sangue carregado com um
consumo excessivo de albumina, gordura e sal ou produtos ácidos do metabolismo, não está
equilibrado com os órgãos de eliminação, apesar de estes aumentarem a sua atividade, e por
isso procura escapes de urgência e aumenta a eliminação de ácidos do estômago. Quem além
disso possuir um sistema nervoso facilmente excitável, que irritando-se ou em tensões
nervosas permanentes reage contraindo os vasos, está predisposto para a digestão das
paredes do seu próprio estômago, isto é, para a formação de uma úlcera gástrica.

Indicações Curativas Gerais -- Depois de comprovada esta dependência torna-se evidente


que em tais circunstâncias se deve deixar de subministrar matérias que facilitem ao
metabolismo produtos principalmente ácidos, e que não basta tragar uma pastilha ou tomar
uma colher de qualquer sal que atue como alcalino para absorver os ácidos, o que só incita o
estômago a produzir mais ácidos na próxima vez. O estômago não é um órgão isolado, mas
que se encontra em íntimo contato com o conjunto do organismo e dele dependendo. Para
conseguir um tratamento, cumpre ter em conta estas relações. Os alimentos empregados
razoavelmente devem servir de meio de cura.
As perturbações na irrigação sanguínea (ponto 3) encontram-se estreitamente ligadas com a
quebra de direção do sistema nervoso central (ponto 2). Ambos precisam de muito calor, muita
tranqüilidade (a princípio tem-se de ficar no leito rigorosamente) e descontração, tanto física
como espiritual. O equilíbrio anímico do doente é mesmo de momento a questão principal.
O cismar em questões sem solução deve chegar ao seu ponto final. O doente tem de confiar
em homens que o compreendam, que lhe aplanem o seu talvez áspero caminho pela vida. É
só quando cessam a inquietação interior e a pressa de todos os dias, que se pode produzir a
distensão física e espiritual.
Resumindo, as exigências do tratamento são: calor, descanso físico, distensão espiritual,
regime de cura ou dietético que tonifique o estômago e o intestino.
Regime de Cura do Estômago
Fase I -- Dias 1 a 7:
O regime deve efetuar-se do melhor modo possível, começando com um jejum rigoroso (ou
pelo menos, só interrompido por infusões ou sucos), Na medida do possível deve observar-se
como mínimo um dia, se o estado geral do doente o permitir.
A um dia de jejum, à base de infusões ou de sucos, durante o qual só se consumirá em cinco
vezes infusão de hortelã-pimenta' camomila ou chá preto ou suco de cenouras, devem
seguir-se seis dias de sucos, papas de semente de linho, arroz, milho, trigo, aveia, cevada ou

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centeio, temperadas com um pouco de água do mar ou adoçados com mel. Os sucos de fruta
tomam-se muito diluídos em água na proporção de 1: 1 ou mesmo mais, para que não
produzam a menor irritação. Se os mingaus de cereais forem bem suportados, passa-se
imediatamente à papa de bananas e leite, preparada com leite quente e banana frescas,
podendo enriquecer-se com germens de trigo. Para a regulação digestiva aplicar irrigações de
camomila quente.
Fase II - Dias 8 a 17:
Completam-se e enriquecem-se os alimentos com purê de batata e manteiga fresca sem
aquecer, gema de ovo, nata, flocos e germens de trigo. Também ameixas secas umedecidas
ou óleo de linho para regular as deposições.
Fase III -- Dias 18 a 27:
Completam-se os alimentos com vegetais refogados, verduras frescas raladas e
eventualmente um pouco de carne fresca. Para regular as deposições, figos secos
umedecidos ou fruta fresca.
Se o doente suportar sem novidade as três fases, passar paulatinamente para uma
alimentação totalmente vegetariana, durante muito tempo.
Alimentos Proibidos -- Enquanto durar a cura dietética deve-se suprimir em absoluto:
1. Toda a espécie de carnes (exceto vitela, galinha e pombo para a fase 111).

2. Toda a espécie de peixes.


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3. Toda a espécie de salsichas e carnes defumadas.
4. Todas as gorduras quentes ou duras.
5. Todos os legumes secos, couves e rabanetes.
6. Todos os estimulantes (álcool, tabaco, etc.) e as bebidas que contenham ácido carbônico.
7. Toda a bebida ou comida muito fria ou muito quente.
Importa ter em conta que tudo se deve tomar lentamente e bem mastigado. Neste caso, mais
do que em nenhum outro, se cumpre o dito de que «uma boa mastigação equivale a meia
digestão». A comida diária deve ser distribuída em cinco refeições: às 7, às 10, às 13, às 16 e
às 19 horas.
Numerosos medicamentos novos destes últimos anos não têm conseguido desprestigiar o
grande valor do velho e comprovado tratamento baseado no repouso, no calor e no regime
para os pacientes de úlceras do estômago ou do duodeno, nem sequer relegá-lo para segundo
plano.

Pâncreas

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Quando se fala no pâncreas, a maior parte das pessoas pensam na secreção desta glândula,
isto é, na produção de insulina, o hormônio que se torna imprescindível para a combustão das
matérias açucaradas e cuja falta provoca o diabetes ou enfermidade do açúcar (diabetes
mellitus). Como se sabe, a insulina só se segrega numa parte reduzida do pâncreas,
precisamente nas «células insulares» ou ou ilhotas de Langerhans, na parte posterior do
tecido glandular.
Muito pouca gente, porém, pensa na produção de pancreatina, outra função sumamente
importante desta glândula que, ao contrário da insulina, não passa diretamente para o sangue
mas que, acumulada em diminutos vasos, se vai introduzindo pelo canal pancreático até o
duodeno, em união com a bílis. Ao passo que a saliva só ataca os hidrocarbonatos e o suco
gástrico só consegue atomizar as matérias albuminosas, a pancreatina não só tem essas
propriedades, mas também, além disso, pode decompor o terceiro elemento portador de
energia, isto é, as matérias gordas. De acordo com tão variadas funções, contém vários
fermentos, especialmente os de desintegração das féculas (ou açúcares), albuminas e
gorduras. Mas estes últimos só são eficazes quando a bílis intervém como excitante. Isto
mostra a dificuldade da dissociação da gordura. Considerando, além disso, que diariamente e
em média uma glândula que pesa apenas 75 a 100 g segrega até um litro de sucos, ficamos
assombrados perante tal capacidade de rendimento. Mas precisamente a enorme e polimórfica
atividade
277
do pâncreas faz-nos compreender que todo o transtorno dessas funções se repercute
consideravelmente no metabolismo.
Doenças Mais Freqüentes -- Infelizmente, os nossos conhecimentos sobre as alterações da
secreção nas diversas enfermidades são muito incompletas.
Contudo, conhecemos muito bem os quadros clínicos de algumas enfermidades. Quando se
fecha a passagem da pancreatina para o intestino impede-se em alto grau a digestão das
gorduras. Verifica-se então ao microscópio a presença de grandes quantidades de gorduras
sem decompor nas deposições, assim como fibras musculares e féculas sem digerir.
A maior parte das vezes é uma deformação (câncer) desta glândula o obstáculo para a
circulação de sucos. Outras vezes, com menos freqüência, pode tratar-se de cálculos de
cálcio, de fosfatos ou de carbonatos. Quase sempre provoca-se assim uma inflamação que dá
origem a cólicas, transtornos gastrintestinais e até acumulações de bilis. Em ambos os casos,
só se pode recorrer imediatamente ao tratamento médico e muitas vezes à intervenção
cirúrgica.
Menos preciso é o quadro quando a secreção só diminui, mas continua a produzir-se. Nestes
casos, efetua-se uma prova de funcionamento fazendo consumir uma grande quantidade de
gordura ( 150 g de manteiga). Uma secreção reduzida não permite a digestão desse bloco de
gordura. A capacidade insuficiente de rendimento fica, portanto, demonstrada por uma
deposição de - «manteiga» líquida e amarelada que depressa endurece, tornando-se pastosa.
As inflamações crônicas, a esclerose, as infecções sifilíticas, o alcoolismo, a hiperalimentação
e outras causas podem ser motivo destas desordens orgânicas. Não sabemos muito mais

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 9

coisas a este respeito. Mas, se queremos salvar a anomalia funcional, o melhor remédio é,
naturalmente, uma alimentação totalmente simples, frugal e pobre em gorduras, na base
preferentemente de frutas e de vegetais (especialmente verduras finas, cruas).
Temos também de citar a rara «necrose pancreática aguda» de desenvolvimento muito
impressionante. Deve-se à autodigestão do órgão por excesso de secreção da própria
glândula e produz-se geralmente nas pessoas obesas, de idade, que sofrem de doenças
biliares depois de um excesso de comida. Uma dor rapidíssima, cada vez maior, que chega à
sensação de esgotamento, coincidindo com flatulências, pulso lento, vômitos, angústias e
torpor -- tudo isto é o primeiro sintoma deste mal. É absolutamente necessário recorrer
imediatamente ao médico.

Intestino
Absorção de Substâncias Através do Intestino -- O funcionamento anômalo do intestino,
especialmente a prisão de ventre, é um dos males mais espalhados e ao qual se presta menos
atenção no nosso tempo. Contudo é tanto mais importante quanto o intestino tem de cumprir
uma grande função no estado de saúde e na capacidade de rendimento. O intestino significa
para o homem o que a raiz é para as plantas. A todos nos parece evidente que uma planta não
se desenvolve se não tiver raízes normais. O mesmo acontece nos homens. Assim como as
plantas adquirem o seu vigor das riquezas da terra com a ajuda do seu sistema radicular, da
mesma maneira as velosidades intestinais se introduzem na massa de substâncias ingeridas.
O intestino são, com a sua abundante velosidade que aumenta consideravelmente a sua
superfície interior, obtém de um bolo alimentar de composição natural e normal as energias
necessárias para a sã estruturação dos órgãos e dos tecidos, para a renovação, do sangue e o
desenvolvimento do organismo.
A base inicial da alteração no funcionamento do intestino reside, portanto, numa alimentação
antinatural e desequilibrada. Influi tanto na função das bactérias intestinais (colibactérias) e na
sua atividade, que podem chegar a produzir substâncias tóxicas que ameacem a nossa saúde.
Em primeiro lugar, as paredes do intestino não podem permitir por si mesmas a introdução de
tóxicos. Mas, à larga, cedem as células das velosidades à irritação permanente de produtos
tóxicos do metabolismo e tornam-se permeáveis. Fica assim desfeita a primeira barreira
defensiva. Mas também,as restantes barreiras e filtros, constituídos pelos pulmões e pelo
fígado, não podem resistir à persistente sobrecarga da sua capacidade antitóxica e então
essas matérias prejudiciais chegam ao sangue e, arrastadas por este, a todos os órgãos.
Conseqüências da Auto-intoxicação -- As conseqüências são inevitáveis. Se a penetração
dos
279
tóxicos na circulação do sangue em grandes massas se verifica durante muito tempo,
apresentam-se enfermidades agudas, como urticária, asma, febre do feno, reumatismo,
alterações cutâneas e manifestações tóxicas do sistema nervoso central, como dores de
cabeça, insônia e estados de excitação e transtorno mental. Todo o sistema de desintoxicação
do corpo trabalha então com atividade febril. Para isso, como se sabe por experiências, é
necessária uma grande quantidade de vitaminas. Mas se estas não forem fornecidas em

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 9

quantidade suficiente com os alimentos, a pobreza vitamínica pode motivar, por si mesma,
maior intoxicação. Sabe-se que o consumo insuficiente de vitamina B tem dado lugar a
alterações da absorção, com o que certos tóxicos intestinais se introduzem no sangue e, por
um desequilíbrio do mesmo sistema nervoso, podem causar inflamações articulares.
Se, apesar de um abundante consumo de alimentação, a vitamina B1 se apresentar em
quantidade insuficiente, ternos uma prova de que a função intestinal é anormal e de que se
abriram as defensivas antitóxicas. Está cientificamente demonstrado que há uma variedade de
colibactérias que destroem imediatamente a vitamina C.
A influência no «cultivo» bacteriano intestinal de uma nutrição errada (ou de numerosos
medicamentos, entre os quais as sulfamidas e os antibióticos impede as reações construtivas
de uma série de importantes vitaminas, como são as oito seguintes: biotina, ácido pantotênico,
ácido paraminobenzóico, amida do ácido fólico, lactoflavina, ácido fólico, vitamina B12, e
vitamina K2. É certo que uma flora bacteriana intestinal normal é essencial para a boa
conservação da saúde.
Sintomas e Tratamento da Auto-intoxicação -- Há sempre que pensar em auto-intoxicação
do intestino quando se apresentam os seguintes sintomas gerais se não se descobrirem outras
razões: rápido cansaço, muitas vezes já de manhã, dores de cabeça, irritação, depressão,
baixo rendimento, apatia para o trabalho, inapetência, cor amarelada ou amarelo-pálido do
rosto e do corpo.
Tal estado precisa de um tratamento grande e a fundo, se se quiser recuperar a capacidade de
rendimento e a alegria de viver e evitar transtornos orgânicos incuráveis. De nada serve neste
caso o consumo de qualquer dos inumeráveis laxantes.
Um conhecido médico inglês pôde demonstrar que uma pessoa que sofre de prisão de ventre
crônica alberga no seu corpo 34 tipos distintos de toxinas, algumas das quais são mais ativas
que o pior veneno de serpente.
A cura dietética da prisão de ventre crônica, quer na forma atônica quer na espasmódica, tem
de satisfazer em termos gerais duas exigências:
280
1. Evitar todo o tóxico intestinal. 2. Mudança para uma alimentação mais rica possível em
celulose.
Segundo o Prof. Becher, todos os venenos do intestino procedem, em última análise, da
alimentação, e sobretudo da albumina na nutrição. Formam-se da albumina por
desdobramento bacteriano.
Por isso, para suprimir essa causa tóxica no intestino doente, deve-se prescindir dos alimentos
cárneos e submeter-se, como nas doenças hepáticas e biliares, a um regime lactovegetariano.
A noz, nas suas diversas formas de preparação, não só é um complemento valioso como,
sobretudo o doce de noz, é um alimento melhor que a carne.
A segunda exigência, que consiste na mudança para um regime rico em resíduos,

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 9

consegue-se melhor mediante o abundante consumo de alimentos frescos, legumes, saladas e


produtos cereais, como papas de cereais frescos e pão integral.
Como é natural, na preparação deste regime deve-se suprimir completamente o emprego de
gorduras animais, substituindo-as por manteiga ou, melhor ainda, por óleos prensados a frio
(azeite de oliveira, semente de girassol, noz, germe de cereal, óleo de linho, etc.).
Se quisermos tornar mais eficaz o regime rico em matérias não digeríveis, sem carne e
lactovegetariano, tomar de manhã em jejum cinco ou seis ameixas ou figos secos previamente
colocados de molho e antes de cada refeição uma colher grande de óleo de linho fresco. A
atonia intestinal e a prisão de ventre que não sejam resolvidas por estes remédios dietéticos
exigem tratamento clínico, pois devem obedecer a outras enfermidades primárias ou graves
estados secundários.
Exemplo de Dieta Ácida (com 1.500 Calorias, Aproximadamente) -- A alimentação deve
ser constituída principalmente por produtos derivados da fermentação do ácido láctico, como
são os leites azedos ou coalhados, o soro de leite, couve azeda e o seu suco, queijos com
óleo de linho ou de girassol. Este tipo de alimentação está na atualidade muito facilitado pelos
produtos que se vendem no comércio de regimes dietéticos, de grande valor qualitativo, como
couve fermentada, produtos lácteos de toda a espécie, sucos de tomate, de cenouras e
chucrute.
-- De manhã: 100 g de suco de couve fermentada (como regra, todas as manhãs) ou uma
xícara de infusão de malvas com uma colherinha de suco de limão.
-- Desjejum: 100 g de frutas ácidas (laranja, groselha preta) ou a sua correspondente
quantidade de suco.
-- Almoço: 100 g de frutas (maçãs ácidas raladas). 200 g de requeijão frito ou qualquer outro
assado de vegetais. 200 g de couve fermentada, salada feita com, nata ácida ou com feijões
ácidos. 50 g de
281
batatas descascadas. 10 g de óleo de girassol.
-- Lanche: 150 g de soro de leite, coalhada ou leite de amêndoas e um biscoito de farinha
integral.
-- Jantar: 200 g de chá, 50 g de pão integral ou tostado. 100 g de queijo; 10 g de manteiga;
200 g de salada; 100 g de compota com três colheres de sopa de sementes de linho frescas
descascadas, três ameixas secas picadas e um figo. Preparam-se todos os elementos de
manhã, e mantêm-se durante todo o dia numa xícara de água.

Fígado
Doenças Hepáticas e o seu Tratamento Geral -- Encontramos hoje freqüentes alterações
nas várias funções hepáticas: secreção da bilis, defesa antiinfecciosa, funções antitóxicas,
regeneração do sangue, processos de formação e desintegração no metabolismo de

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 9

proteínas, açúcares ou gorduras. As possibilidades de perturbação do metabolismo do fígado,


esse grande e complicado laboratório do corpo humano, são tão numerosos que
provavelmente só as conhecemos numa pequena parte.
No regime de cura das enfermidades hepáticas, ocupa hoje lugar de destaque a alimentação
ou plano dietético oportunos. Todas as doenças do fígado começam com um metabolismo
defeituoso e o melhor modo de influir nesta função é a alimentação.
A maior parte dos atuais medicamentos de 'efeitos hepáticos, assim como todos os processos
de tratamentos técnicos ainda muito apreciados, não reúnem condições para um regime de
cura razoável e natural.
A alimentação rica em hidrocarbonatos, considerada anteriormente e durante muito tempo
como a mais eficaz, com consumo adicional de glicose e insulina, ficou quase totalmente
olvidada. Também não se pode admitir a recomendada pelos norte-americanos, de
quantidades extraordinariamente elevadas de proteínas.
Consideramos mais seguro o ponto de vista de que em todas as inflamações hepáticas
agudas (isto é, em todas as hepatites), o melhor resultado obtém-se seguindo estas normas
básicas:
1. Proteínas suficientes.
2. Abundantes substâncias açucaradas (hidrocarbonatos).
3. Pouca gordura.
4. Vitaminas abundantes.
5. Fermentos abundantes.
6. Líquidos abundantes.
7. Abundantes substâncias ricas em celulose.
8. Adição ínfima de sal.
Em todas as doenças crônicas do fígado (hepatose), entre as quais figuram as lesões
celulares por bactérias e alimentos tóxicos ou excitantes (álcool), assim como as curas
defeituosas depois de hepatites, isto é, a atrofia do figado, temos de executar
fundamentalmente as mesmas exigências dietéticas. As células hepáticas necessitam,
precisamente para a sua estruturação e funções próprias, de um série de produtos
valiosíssimos, especialmente os de desintegração da albumina com rico conteúdo de enxofre
(aminoácidos, meteonina e cistina). Como, porém, especialmente na cirrose hepática, há o
perigo de hidropisia abdominal, é necessário manter muito reduzido o consumo de líquidos e
evitar o mais possível a adição de sal.
Fundamentos do Regime Dietético Para o Fígado -- 1. Frutas e sucos de fruta, devido ao
seu conteúdo em vitaminas, minerais e fermentos bem como ao seu conteúdo em açúcar fácil
de absorver e aos efeitos estimulantes ao apetite, refrescantes diuréticos. Ao mesmo tempo, a
fruta cumpre a exigência de abundante contribuição de celulose com o mínimo de sal comum.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 9

Anteriormente, evitavam-se os regimes de fruta, e sobretudo os de fruta seca, para os doentes


hepáticos. Quando se aprendeu melhor o valor dietético da fruta fresca, passou esta então a
fazer parte de todo o regime hepático, sobretudo para enfermidades crônicas do fígado.
Cumpre ter muito em conta as nossas considerações sobre o consumo de bananas, uvas,
cerejas e morangos.
2. Legumes e saladas. Cenouras, beterrabas e tomates, e também, eventualmente, rábano
doce, amargo e encarnado.
Em todo o caso, começar com sucos em primeiro lugar, e só depois com os legumes
refogados e crus, finamente picados, seguindo-se finalmente as saladas, que já exigem algum
esforço digestivo.
Os legumes secos (feijão, lentilhas, ervilhas amarelas) contêm muitas vezes, além da sua
flatulência, material que se torna inassimilável para o fígado doente; devem suprimir-se
absolutamente do regime hepático.
As batatas desempenham no regime hepático um papel essencial e justificado, sobretudo na
forma de purê. Quer dizer, satisfazem na sua maior parte as exigências que impusemos para
um regime hepático, permitindo além disso excelente combinação com o leite e a fruta.
3. O leite presta valiosos serviços devido ao seu elevado teor de albumina, ao seu
considerável conteúdo em vitaminas e, ao mesmo tempo, ao seu equilibrado teor de gordura.
Além disso, o leite é fonte de lecitina, uma substância
283
ativa para o sistema nervoso e o fígado, composta de ácidos gordos, ácidos fosfoglicéricos e
colina. Esta última substância é um dos fatores úteis para o fígado, que impede o seu
engorduramento e resolve as alterações na função de desintoxicação do fígado.
Os produtos de leite azedo (leite coalhado, iogurte, assim como leite desnatado e o soro de
manteiga são preferidos ao leite completo pelo seu sabor refrescante. Em todas as formas de
icterícia e de doenças do fígado reconhece-se o valor curativo do leite.
4. Os produtos cereais são muito úteis por causa do elevado conteúdo de hidrocarbonatos
com as vitaminas B do gérmen de cereais, de especial eficácia no fígado, e muitas outras
matérias ativas, sobretudo no emprego de papas de cereais e gérmens de trigo. Nos primeiros
dias da hepatite aguda são convenientes os regimes de arroz só, arroz e banana, arroz e
cenouras, e para a regeneração, mais tarde, papas de grãos de trigo, bananas e leite e cereais
integrais.
5. O mel é muito importante, devido ao seu conteúdo de hidrocarbonatos e sobretudo de
açúcar de fruta. Já nas indicações referentes ao mel, se disse que com o consumo de açúcar
de fruta se conseguem melhores resulta_ dos curativos do que com o do açúcar de uva
(glicose). Está demonstrado, precisamente, que o fígado lesado não se encontra já em
condições de transformar a glicose em glicogênio. O organis-
284

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 9

mo prefere, por todos os modos, efetuar essa função imprescindível com frutose, porque para
isso utiliza uma cadeia de reações totalmente distinta. O açúcar de fruta é transformado até 39
% em glicogênio num processo metabólico que se efetua com rapidez dez vezes maior do que
quando emprega glicose, com o que simultaneamente aumenta o aproveitamento dos demais
tipos de açúcar, tornando menos necessária a formação de glicogênio no fígado, descansando
assim este órgão. O açúcar de frutas e sobretudo o mel constituem um importantíssimo fator
no tratamento dietético das doenças hepáticas, quer sejam agudas quer sejam crônicas.
6. Ovos: Também são de apreciar na fase reconstrutiva, desde que, na medida do possível,
sejam consumidos crus. A clara bate-se em ponto de neve e a gema mistura-se na sopa ou no
caldo. Só como passagem à nutrição normal é que se consome, uma vez ou outra, um ovo
passado por água e finalmente uma omeleta, que se prepara com clara batida, à qual se
acrescenta, quando está em ponto de neve, a gema. Absorve-se, mediante um papel secante
limpo, a maior parte da gordura frita para facilitar a digestão. Depois, é muito conveniente o
consumo de fruta em forma de compota de maçã.
7. Gorduras: Na medida do possível basta a gordura contida no leite. Se nos doentes muito
magros se deseja um aumento de peso, complementa-se a gordura de leite com 30 g diários,
no máximo, de manteiga fresca, margarina vegetal da melhor qualidade ou azeite vegetal
extraído a frio (de oliveira, semente de girassol, linho ou noz). O consumo de gorduras cárneas
deve ser absolutamente suprimido.
8. Carne: É a carne, decerto, uma valiosa portadora de albulmina, mas contém por sua vez
produtos da degradação metabólica (guanidina e outros), que sobrecarregam o fígado. No
regime hepático deve-se renunciar à carne, assim como a todos os frios e defumados.
9. Devem proibir-se todos os excitantes, especialmente o álcool e o tabaco.
10. Devem preferir-se como bebidas, além do leite e sucos de frutas, infusões de camomila,
hortelã-pimenta e celidônia.
Normas Práticas Para um Regime de Cura -- O regime curativo dos doentes de fígado tem
de compreender, portanto, os seguintes alimentos:
1. Frutas, sucos de frutas, legumes e os seus sucos. Cumpre ter em conta, principalmente, as
bananas, uvas, cerejas, morangos, cenouras, beterrabas, batatas, abóboras, tomates, rábanos
doces, amargos e vermelhos.
2. Cereais e os seus produtos, principalmente arroz e flocos de aveia, assim como o mel.
3. Leite, produtos lácteos (qualquer tipo de coalhada e requeijão), ovos.
4. Azeite extraído a frio, manteiga, margarina vegetal.
5. Infusão de ervas. O regime tem de ser o apropriado para o estado do doente e a fase da
enfermidade, isto é, sob prévia prescrição do médico. Deve ser assim, de maneira geral:
1. No estado agudo: infusões, sucos, sopa de sêmola, leite, sopa de leite com arroz ou flocos
de aveia, purê de batatas.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 9

2. Depois de uma melhoria e a partir da segunda semana: produtos cereais (em forma de
papas frescas de cereal ou depois de breve cocção). Fruta (fresca e cozida), guisados à base
de batatas com legumes ou fruta, mel, marmelada.
3. Depois de maior melhoria e a partir da terceira semana: poucos ovos (batidos crus ou
passados por água). A preparação deve ser sempre pobre em gorduras.
4. Durante muito tempo, regime completamente vegetariano com leite e requeijão.

Vias Biliares

Tratamento dietético das suas afecções -- já de há muito tempo que se conhece o


tratamento dietético das doenças das vias biliares, sobretudo da vesícula. De maneira geral,
deve-se respeitar as seguintes diretrizes:

1 - 0 mínimo consumo possível


285
de alimentos e estes em forma de hidrocarbonatos (arroz, flocos de aveia), pois são os que
menos estimulam a secreção biliar. Dietas à base de infusões e de sucos entre um e três dias.
Simultaneamente infusões de camomila todos os dias.
2. Vencidos os sintomas de inflamação, juntar à sopa de arroz ou de flocos de aveia, um
pouco de gordura (manteiga ou margarina vegetal), mas não albulmina. Todos os dias também
infusão de camomila.
3. Produzida uma melhora, e sentindo-se maior apetite, juntar leite, adoçado com mel ou
condimentado com sal marinho. Além disso, consumo abundante de azeite extraído a frio,
combinado com purê de batatas, acrescentando frutas, legumes, vegetais crus finos, por
exemplo cenouras e beterrabas (mas não congeladas), leites ácidos, especialmente soro de
manteiga e requeijão. Voltar às papas de cereal fresco e ao pão integral.
Este regime lactovegetariano observado durante bastante tempo provoca a melhora de todo o
metabolismo, preparando assim a cura definitiva.
Na temporada depois do tratamento, torna-se especialmente valioso o consumo de sucos
frescos de cenouras, aipo, rábanos e beterraba.

Fim do Capítulo 9 de A Cura e a Saúde Pelos Alimentos

versão eletrônica pelo Projeto Periferia


railtong@gmail.com
Travessa do Anfiguri 47, São Miguel Pta., São Paulo-SP, BR-08050-570

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 9

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 10

ERNST SCHNEIDER

A CURA E A SAÚDE
PELOS ALIMENTOS
versão eletrônica pelo Projeto Periferia

Capítulo 1 - As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua Compensação Natural


Capítulo 2 - Frutos
Capítulo 3 - Legumes e Verduras
Capítulo 4 - Condimentos
Capítulo 5 - Alimentos Fornecedores de Energia
Capítulo 6 - Alimentos de Origem Animal
Capítulo 7 - Regimes Depurativos
Capítulo 8 - Doenças do Sistema Circulatório
Capítulo 9 - Doenças do Aparelho Digestivo
Capítulo 10 - Doenças do Metabolismo
Capítulo 11 - Doenças da Pele
Capítulo 12 - Doenças do Sistema Nervoso
Capítulo 13 - Tuberculose
Capítulo 14 - A Alimentação na Gravidez
Capítulo 15 - A Alimentação na Criança Moderna
Capítulo 16 - O Câncer
Capítulo 17 - Comentário Final
Capítulo 18 - Normas Fundamentais Para a Preparação de um Regime Sadio
Capítulo 19 - Receitas Culinárias

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 10

Doenças do Metabolismo

Capítulo 10
Toda a planta e todo o animal que se afasta da Natureza para ser
domesticado e converter-se em «companhias» do homem perde as suas
características originárias. E isso mesmo acontece ao homem que
abandona o bosque e o solo e passa a vida entre quatro paredes. Todo o
ser vivo que abandona alegremente a sua comunhão interior com a mãe
Natureza sacrifica as suas características fundamentais e chega a
conhecer a doença e a degeneração.
Dr. Balzli

Fundamentos da Acumulação de Gordura -- Não vamos falar aqui da obesidade causada


evidentemente pela inatividade e superalimentação, isto é, devida à falta de movimentos e ao
consumo excessivo de alimentos ricos em gorduras e que, portanto, só se pode corrigir
mediante mais trabalho corporal e mais parca alimentação. As nossas reflexões vão mais
dirigidas para os numerosos enfermos que, apesar de realizarem forte exercício físico e
comerem pouco, acumulam, contudo, quantidades molestas de gordura.
As gorduras ingeridas com os alimentos passam momentaneamente sem transformação pelo
estômago (como todos sabem, consumidas em grande quantidade tornam o estômago
pesado), e é só no duodeno que se transformam numa fina emulsão sob a influência da bilis e,
além disso, são saponificadas pela secreção pancreática, isto é, desagregadas em glicerina e
ácidos gordos. Nesta forma podem os componentes atravessar as paredes do intestino,
passadas as quais voltam a transformar-se em gordura e, mediante o sangue, a introduzir-se
no fígado.
Contudo, provavelmente uma parte da gordura, quando se apresenta em grande quantidade,
atravessa sem transformações as paredes do intestino. A gordura introduzida nos pequeninos
lóbulos hepáticos é segregada imediatamente pelas células exteriores em forma de gotas
finíssimas; seguidamente, as células centrais elaboram a gordura. Em muitas pessoas, as
células hepáticas já não dominam as gorduras, mas só a segregam sem a elaborar. Dessa
maneira o fígado vai-se tornando cada vez mais gordo. Mais tarde, a acumulação de gorduras
vai-se estendendo pelos tecidos adiposos subcutâneos e nos músculos cardíacos. Finalmente,
o coração vê dificultado o seu funcionamento e o fígado também não realiza bem o seu
trabalho de combustão. Se não se interromper a retenção de gorduras, a irrigação sanguínea
dos órgãos é cada vez menor, e em todas as partes produzem-se alterações metabólicas,

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 10

acabando o doente por sofrer de qualquer das formas de doença grave do metabolismo. Vale,
pois, a pena procurar uma mudança e vencer o mal.
Em quase todos estes casos ficam afetadas nas suas funções as glândulas endócrinas,
especialmente a tireóide. Como o iodo se encontra de certo modo relacionado com a tireóide,
segue-se que as plantas que contêm iodo são muito proveitosas. Se a uma planta com rico
teor de iodo, como são as algas, se acrescentarem vegetais que depurem o sangue e
promovam a digestão, obtém-se a chamada infusão de desjejum ou de desengordar, que
poderemos preparar com 50 g de mil-em-ra-
288
ma e 20 g de rebentos de visco. Prepara-se assim uma cocção, calculando uma colher grande
de ervas por xícara de água. A infusão vai-se tomando aos sorvos durante o dia, ou então
toma-se uma xícara de manhã e outra ao meio-dia.
Esta mistura é muito boa para as senhoras que depois da idade crítica apresentam tendência
para engordar.
Naturalmente, é preciso respeitar determinado regime se se quiser obter um resultado
perdurável.
Regime Adequado Para Perder Peso -- Pode recomendar-se o plano seguinte:
Princípio dietético: procurar uma oscilação deficitária de energia, isto é, aumentar o desgaste e
restringir as assimilações. A nutrição deve ser deficiente, não cobrindo o desgaste do corpo.
Continuar na subalimentação até se conseguir a perda de peso conveniente. As quantidades
mais reduzidas de alimentos consumidos podem lentamente converter-se em costume.
1 . Não tomar diariamente mais de 20 g de gordura (incluindo a da preparação dos alimentos).
Falando de gordura, apenas nos referimos à manteiga e ao azeite extraído a frio.
2. Beber pouco. Ou então meio litro de leite desnatado, uma xícara de infusão de desjejum.
3. Legumes e fruta, ilimitadamente.
4. Os alimentos portadores de hidrocarbonatos concentrados, tais como pão, batata, arroz,
sêmola, flocos de aveia, macarrão, farinha branca, tudo isto se deve reduzir radicalmente.
5. Evitar as sopas por causa da necessária eliminação de líquidos.
6. Na medida do possível, nada com sal, porque 1 grama de sal fixa uma quantidade de água
cem vezes maior. Os sais necessários ficam garantidos pelo suficiente consumo de alimentos
crus ou pelo consumo de água do mar em jejum.
7. Um dia por semana, dieta de leite (regime Karell) na qual só é permitido um litro de leite
como alimento exclusivo ou dieta de fruta (aproximadamente 1.200 g crua ou cozida) ou dieta
de arroz e compota de maçã. Para isso cozem-se 250 g de arroz em água, e sem sal nem
açúcar tomam-se com 50 g de maçã (sem açúcar).
8. As medidas complementares são: ginástica, passeios (sobretudo durante uma hora à

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 10

tardinha), natação ou qualquer outro desporto aquático.


289

Diabetes
Natureza da Doença -- Em termos gerais, o diabetes é uma doença do metabolismo, na qual
o organismo não está em condições de assimilar o açúcar da alimentação. No intestino
transformam-se em glicose todas as espécies de féculas ingeridas com os alimentos. A glicose
procedente do intestino já não se transforma no figado nem nos músculos dos diabéticos em
forma de glicogênio, mas é simplesmente eliminada pela urina. A presença de glicose na urina
é sintoma característico da dita doença.
Normalmente, o fígado acumula a glicose ingerida transformando-a em glicogênio, que, por
sua vez, segundo as necessidades do organismo, e por estímulo da adrenalina, é decomposto
de novo em glicose, sendo então queimada pelos tecidos. Também os músculos contêm uma
boa reserva de glicogênio, sempre à disposição de qualquer esforço. A capacidade de
transformação do fígado e dos músculos perde-se em grande parte no momento em que o
pâncreas é perturbado pela redução ou até mesmo pela supressão total da secreção de
insulina. Sabe-se hoje que a perturbação também pode ser devida à produção excessiva do
«contra-hormônio» eucagina que, tal como a insulina, se origina também nos ilhéus de
Langerhans (denominação dos grupos de células de formação de hormônios no pâncreas).
Apresenta-se então uma relativa insuficiência de insulina.
Em ambos os casos, o organismo empobrece-se quanto ao glicogênio, isto é, quanto ao
açúcar de reserva. Mas o que é certo é que nenhuma célula pode subsistir sem açúcar, pois é
o combustível vital. E se o organismo não receber açúcares, forma-os das proteínas e das
gorduras.
As irregularidades de assimilação e os esforços excessivos de compensação pelo organismo
levam a um aumento da quantidade de glicose no sangue. A falta de açúcar influi também no
metatabolismo da gordura, pois esta é «queimada» no fogo dos hidrocarbonatos. Mas se não
pode ser desintegrada na sua totalidade, então os produtos intermediários acumulam-se no
sangue e aparecem finalmente na urina, como os denominados compostos acetônicos. Estes
são ácidos que, para a sua fixação e neutralização, esgotam as reservas alcalinas, do sangue
e acidulam, por conseguinte, o sangue (acidose). O hálito cheira a acetona. Além disso, a
acetona atua como narcótico e é causa do estado comatoso ou perda de conhecimento. O
desaparecimento absoluto do açúcar no sangue e nos tecidos constitui um perigo mortal.

Correlações Hormonais -- Apresenta-se assim a reação em cadeia do funcionamento


insufici-
290
ente do pâncreas e da conseqüente falta absoluta ou relativa de insulina. Há também,
infelizmente, outras causas do diabetes. Só o fato da deficiência funcional do pâncreas permite
supor que nisso tomam parte outras glândulas de secreção interna que, quanto às suas

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 10

funções, dependem umas das outras, ou seja: cada qual influi na atividade das outras.
Sabemos hoje que a pituitária (hipófise) como hormônio que produz, ultimamente descoberto,
ACTH (hormônio adrenocorticotropo) estimula consideravelmente as supra-renais. Estas, por
sua vez, segregam hormônios que denominados glicocorticóides e que influem no
metabolismo do açúcar. Mas também a tireóide e as glândulas sexuais influem na regulação
desse metabolismo.
Na realidade, o diabetes é uma doença de origem complexa, em que quase não deixa de
intervir uma só glândula e na qual intervém um grande número de processos conhecidos e
desconhecidos do sistema nervoso central.
Temos, pois, de ver a origem principal numa combinação defeituosa das funções glandulares.
Em todo o caso, podem predominar os sintomas de alteração funcional de uma glândula
determinada. Distingue-se, portanto, entre o diabetes causado fundamentalmente por
transtornos pancreáticos e o diabete originado por alterações da hipófise ou por influência
exclusiva do sistema nervoso central, o denominado diabetes neuroendócrimo. Estes
diferentes tipos de diabetes são aqueles que o médico procura analisar cuidadosamente, pois
importa muito distingui-los para o tratamento correspondente.
Causas Primárias do Diabetes -- 0 transtorno hormonal indica a existência de um lesão
constitucional fisiológica, que pode ser tanto hereditária como congênita ou adquirida no
decurso da vida; por exemplo, devido a erros dietéticos ao longo de muitos anos ou ao abuso
de excitantes ou drogas. A este respeito devo recordar que o diabetes é, sobretudo, uma
doença de ricos. Na quarta parte dos casos de diabetes pode comprovar-se a herança ou o
freqüente aparecimento da enfermidade na família. A obesidade, a gota e a arteriosclerose
desempenham um papel importante no conjunto de causas. Os filhos de diabéticos podem,
portanto, ter em si mesmos o germe da enfermidade. Cabe ao médico de família impedir,
mediante um acertado modo de viver, que a doença se declare, como também devem os pais
confiar prontamente os filhos
291
aos cuidados do médico e seguir escrupulosamente os conselhos deste a respeito da maneira
de viver.
Papel da Insulina no Diabetes -- 0 que ficou dito sobre a natureza desta doença deve bastar
para fazer ver claramente que a presença de glicose na urina não é o fundamental. As cifras
de glicose eliminada são de pouca importância, desde que não se conheça a quantidade
global de glicose eliminada em vinte e quatro horas. Não é possível cessar a eliminação
mesmo mediante a privação de todos os alimentos com teor de glicose. Assim só se tem feito
desaparecer temporariamente um dos sintomas, mas não se produziu qualquer melhoria na
própria doença. Segundo von Noorden, a limitação de hidrocarbonatos na nutrição equivale a
jogar às escondidas com a eliminação da glicose». A glicose desaparece da urina, do sangue
e dos tecidos, acrescentando assim à deficiência de insulina um segundo transtorno
metabólico, a cetose.
Por isso, houve quem pensasse que se podia suprir a insuficiente atividade do pâncreas

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 10

mediante o consumo artificial da insulina. Far-se-iam assim descansar os órgãos produtores


de insulina, de modo que poderiam refazer-se Mas isso não é sempre, nem sequer as mais
das vezes, o acertado. Por outro lado, um grande repouso das células produtoras de insulina
no pâncreas não traz forçosamente consigo uma recuperação, mas antes o ficarem
prejudicadas pela inatividade, acontecendo-lhes o mesmo que se dá com os músculos quando
não se empregam. A época em que se julgava ter-se encontrado a cura do diabetes na
insulina já passou à história. Para todo o caso de diabetes grave deve conseguir-se não só a
dose de insulina que convém ao paciente, mas também este deve, antes de mais nada,
observar estritamente o regime. Este continua ainda a ser hoje o fator principal de todo o
tratamento. Objetivo único do regime deve ser que o diabético assimile a maior quantidade
possível de hidratos de carbono, porque o açúcar lhe é tão necessário como ao homem são.
Para isso é preciso o suficiente consumo. Todo o diabético é capaz de absorver até uma certa
quantidade. O médico deve procurar fazer com que o equilíbrio do açúcar resulte positivo, isto
é, o consumo dos alimentos deve ser maior que a eliminação pela urina. Como este fenômeno
varia de doente para doente, cada um tem de ser tratado de maneira diferente.
É imprescindível o Regime Individual -- Do complicado curso da doença e da diversidade
das suas manifestações deduz-se que não se pode aconselhar um tratamento uniforme e
sistemático, mas que tem de ser estudado cuidadosamente pelo médico para cada caso. Isto
diz respeito especialmente ao regime, que deve, o mais das vezes, ser varia-
292
do, mantedo-se sempre o propósito de reduzir ao máximo o consumo de hidrocarbonatos.
Para isso são de recomendar dias de salada, frutas e legumes, dias de legumes e ovo, dias de
aveia, fruta e arroz, dias de soro de manteiga, dias de leite integral, dias de jejum e dias de
batata. As mudanças destes dias de regime, assim como a ordem para as efetuar e as
quantidades de alimentos, tudo isto deve ser prescrito pelo médico. Os hidrocarbonatos melhor
assimilados pelo organismo diabético são os de aveia e os de bananas. O regime de aveia é
de salientar de modo especial. Como recordação de von Noorden, que foi o primeiro a
experimentá-lo, este tratamento tem o nome dele. Consiste em administrar ao doente entre
150 e 180 g de aveia por dia, na forma de sopa ou de papas, distribuídos em várias refeições.
A aveia não deve ter sido branqueada, refinada nem descascada e será preparada sem sal,
acrescentando-lhe eventualmente um ovo.

Outros Remédios Para o Diabetes -- As vitaminas presentes nos germens de trigo e na


levedura, sobretudo fatores do grupo B e a vitamina E, constituem matérias ativas essenciais
no metabolismo do açúcar para as células. Desempenham, portanto, no regime diabético um
papel infinitamente mais importante que os medicamentos. Três a cinco colheres grandes de
germens de trigo ou 15 a 20 g de levedura na alimentação diária favorecem poderosamente a
ação da insulina. O emprego destes meios dietéticos, permite muitas vezes a redução da dose
de insulina ou um consumo maior de hidrocarbonatos (pão, batatas, frutas). Como o
tratamento muscular influi consideravelmente no metabolismo do açúcar, o diabético deve
fazer todo o esforço corporal possível ou sistemáticos exercícios de ginástica, na medida do
possível.
Desde há pouco tempo que há vários remédios químicos, às vezes melhor suportados por

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 10

alguns diabéticos. Dão resultados mais eficazes que a insulina e não é forçoso injetá-los. A
denominação química destes produtos apresentados em forma de comprimidos é sulfanilúrea.
Atualmente, distinguimos dois tipos principais. O primeiro (BZ 55) figura entre as conhecidas
sulfamidas antibacterianas e oferece-se sob diversos nomes. O segundo (D 860) não contém
sulfonamidas e só tem pouca ou nenhuma eficácia contra as bactérias.
Estes métodos também não reúnem infelizmente condições para curar o diabetes. Servem,
contudo, em determinado doente para substituir grandes quantidades de insulina.
BZ 55 e D 860 atuam tanto melhor quanto mais idoso e mais gordo for o diabético, e tanto pior
quanto mais jovem e magro for.
A couve, nas suas variedades, exerce um efeito de redução do teor de açúcar no sangue.
Deve ser, portanto, consumida com fre-
293
qüência pelos diabéticos. O mesmo se pode dizer da couve ácida, crua, ou com suco, que
serve de ajuda ao ácido láctico. Entre as plantas medicinais encontram-se matérias ativas do
tipo da insulina, especialmente nas vagens secas do feijão, nas urtigas, na arruda. É lógico,
por conseguinte, obter delas uma infusão apropriada para os diabéticos. Também se pode
adquirir esta mistura nas farmácias e nos ervanários.
Como infusão simples, a mais apropriada é a de vagens de feijão. Cozem-se 200 g das
mesmas num litro de água, até ficar reduzido a meio litro. Bebe-se esta infusão repartindo as
tomadas durante o dia e por muito tempo. A infusão de arruda faz-se com uma colher pequena
cheia de folhas e sementes da planta em 100 ml de água. Bebe-se uma xícara, duas vezes por
dia. A semente de linho triturada ou óleo de linho extraído a frio pode também melhorar o
metabolismo dos diabéticos. Para isso, toma-se de uma a três vezes por dia uma colherada.
Cumpre insistir repetidamente em que nenhum diabético procure curar-se a si mesmo. Todos
os casos devem ser confiados ao médico que, depois de investigar as condições metabólicas
do doente, estabelece as pertinentes disposições básicas de todo o regime e dos demais
aspectos do tratamento.

Reumatismo
Diversas Formas da Enfermidade -- Sob o nome de reumatismo incluímos hoje um grande
número de quadros clínicos relacionados entre si, pois todos eles oferecem de maneira mais
ou menos assinalada os sintomas principais do reumatismo, dores e inchaços.
0 reumatismo pode apresentar-se em estado agudo ou crônico; neste último, as dores
deslocam-se pelas articulações, aparecem rápidas e caprichosamente nalguns pontos isolados
do organismo provocando «picadas». Mas não são apenas as dores, mas também as
tumefações, que se podem apresentar sob todas as formas e todos os graus de intensidade e
persitir tenazmente ou desaparecer tão rapidamente como chegaram, para voltarem a
aparecer noutro ponto. As manifestações fixam-se de preferência na musculatura, nas
articulações ou nos nervos. Em poucos casos apresenta-se reumatismo do peritônio, pleura,

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 10

pericárdio, conjuntiva, meninge ou até mesmo do cérebro. Conforme o tecido em que se


apresenta a dor, assim se chama o reumatismo: muscular, articular, nervoso ou do orgão
interno correspondente.
Provavelmente a gota seja uma forma especial do reumatismo. Muitas vezes o reumatismo
ner-
294
voso é chamado nevralgia. Se atacar os nervos terminais da zona dos quadris, falamos de
ciática. Se as dores se produzirem nos grupos de músculos vizinhos do sacro, o mal chama-se
lumbago. O reumatismo pode afetar os mais variados tecidos,' constituindo portanto uma
doença geral. A medicina naturista tem mantido sempre o conceito deste caráter geral do
reumatismo.
Origem e Causas das Afecções Reumáticas -- Até hoje ainda não se esclareceu
cientificamente como se produz o transtorno dos órgãos centrais nervosos, conhecido como
causa inicial do reumatismo em todas as suas formas. Diz o Prof. Dr. Gudzent que o
reumatismo em todas as suas formas agudas e crônicas tem de ser considerado como doença
alérgica, isto é, como reação de hipersensibilidade do organismo diante de qualquer
substância.
O tóxico produzido pela reação orgânica de hipersensibilidade deve procurar-se na albumina e
quase exclusivamente na albumina dos ovos da alimentação.
Outros investigadores demonstraram entretanto que, além da prejudicial albumina da
alimentação, atuam como toxinas os produtos protéicos de excreção das bactérias e de outros
organismos vivos, podendo ser origem de mudanças e alterações funcionais no sistema
nervoso central, pelo que se deve insistir na destruição dos germes infecciosos de todo e
qualquer tipo. Os focos sépticos têm de ser procurados nos dentes, amígdalas, ouvidos, seios
nasais, apêndice, intestino, vesícula, ovários e na próstata. Por isso, uma infecção tuberculosa
sofrida na meninice ou na juventude e depois curada também pode dar ocasião a uma
mudança no sistema nervoso central e, portanto, à formação ulterior de um reumatismo.
As primeiras conseqüências das alterações no sistema de regulação central são perturbações
na irrigação sangüínea, em órgãos e tecidos. Se esta anormalidade na irrigação tem lugar num
músculo, tudo se reduz a inflamações, dores e à conseqüente limitação de movimentos. Mas,
se o transtorno se produz, por exemplo, nos músculos cardíacos, produz-se então o estado de
reumatismo cardíaco com todas as suas conseqüências para os vasos e a circulação. Se a
perturbação da irrigação sangüínea pelo reumatismo se localiza nas glândulas de secreção
interna, por exemplo nas supra-renais, então a enfermidade vai afetar a formação e secreção
de
295
hormônios com caráter grave. Precisamente, o desequilíbrio com respeito aos hormônios
supra-renais, dos quais hoje o mais conhecido é a cortisona, provoca a enfermidade
reumática. Da mesma maneira, podem enfermar de reumatismo as glândulas sexuais.
Também o fígado pode ficar afetado pelo desvio da irrigação sangüínea, apresentando-se

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 10

então o quadro clínico de hepatite reumática que pode levar à caquexia, se não for
diagnosticada a tempo.
Desde há muito que se conhecem transtornos reumáticos graves na irrigação sangüínea dos
rins, e alterações reumáticas das proteínas sangüínea.
Também se verificaram consideráveis alterações no conteúdo de fermentos dos tecidos e nas
funções medulares.
Tratamento Curativo do Reumatismo -- Quem tiver presente estes fatos talvez diga que é
inútil dedicar-se alguém à descoberta de um só produto que possa qualificar-se de remédio
para o reumatismo. Essa busca carece da menor possibilidade de êxito, embora no processo
enormemente complexo do reumatismo este ou aquele medicamento possa provocar uma
aplacação ou uma melhora e, portanto, não se deva repelir de modo absoluto.
Depois de um período de jejum ou de depuração apropriada às características pessoais do
doente, realizar-se-á um regime de sucos ou de alimentos crus. Depois de terminar esta cura,
é necessário continuar, por muito tempo, uma alimentação à base de um regime
absolutamente vegetariano, interrompido por alguns dias de frutas e sucos. Também convém
como continuação de regime, todos os processos estimulantes gerais e locais da irrigação
sangüínea dos tecidos e da sua limpeza, isto é, tratamentos para a depuração do sangue,
aplicação de calor, radiações, banhos, massagens, fricções e medicamentos.
A alimentação é, como causa e como remédio, de grande importância no reumatismo.
As infusões anti-reumáticas, de aceitação tão geral, têm hoje encontrado a sua justificação no
quadro geral do tratamento. Estão em condições de estimular o metabolismo e o
funcionamento das glândulas, reforçar os órgãos de secreção nas suas funções e aumentar a
sua atividade antitóxica, especialmente na pele e no fígado. Quem quiser preparar a infusão
com plantas medicinais tomará 20 g de cada uma das seguintes ervas: flor de lúpulo silvestre,
flor de tília, arruda, groselha e flor de sabugueiro; preparar com uma colher pequena desta
mistura uma xícara de infusão, tomando duas xícaras por dia. Também se pode adquirir uma
boa infusão anti-reumática já preparada na farmácia ou no ervanário. Naturalmente não se
deve esperar desta infusão mais do que é lógico, dentro do anteriormente exposto sobre a
problemática do reumatismo. Constitui, porém, com freqüência um fator útil no plano
296
da cura do reumático e não deve ficar esquecida, assim como o regime e os numerosos
remédios físicos, especialmente as fomentações úmidas e prolongadas.
Seria preferível resolver tudo mediante uns comprimidos ou uma injeção a submeter-se com
enorme esforço de vontade a um plano de dieta durante várias semanas; no entanto, até hoje
é este o único remédio curativo autêntico, se se chegar a tempo.
Remédios Sintomáticos do Reumatismo -- Primeiro, foi antes de tudo o mais o ácido
salicílico e seus derivados químicos e depois o piramidon que, só ou com outros calmantes, se
empregava para combater as manifestações reumáticas. Têm, porém' efeitos secundários
prejudiciais. Despertou grande interesse o específico irgapirina, em que se combinava o
piramidon, de rápida eliminação, com a substância de expulsão mais lenta, a butazolidina.

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 10

Conseguia-se, assim, um efeito analgésico e antiinflamatório mais prolongado. Apareceu


depois a cortisona, um hormônio supra-renal que primeiro se louvou como um verdadeiro
portento. Sabe-se hoje que só é eficaz enquanto se consome e que, como efeito secundário
mais grave, possui o de se opor à reação defensiva local do organismo contra as infecções.
Deste modo defraudou-nos em muitos aspectos. Transformou-se em hidrocortisona.
Presentemente, há outros derivados cortisônicos que são mais eficazes e com menos efeitos
secundários. São armas muito valiosas sob a direção do médico.
É perfeitamente concebível que quando se conhecerem melhor os fatores causadores se
possa encontrar uma combinação de matérias ativas, que mantenha pelo menos o reumatismo
a distância, tanto mais que até agora conhecemos a favorável eficácia das vitaminas C e E e
os simples hormônios supra-renais, podendo empregar com mais conhecimento que nunca
banhos e massagens.
Contudo, não se vencerá o reumatismo se não nos decidirmos a criar condições prévias
naturais para uma provável cura, e sobretudo para se evitar reumatismo; uma alimentação
completa, prudente, pobre em sal e pobre em albumina (em média 1 g de albumina por quilo
de peso do indivíduo); consumo de sucos e de vegetais crus, fruta, legumes, saladas, produtos
cereais integrais, leite, mel, óleos extraídos a frio e dias ou curas de jejum.
297

Fim do Capítulo 10 de A Cura e a Saúde Pelos Alimentos

versão eletrônica pelo Projeto Periferia


railtong@gmail.com
Travessa do Anfiguri 47, São Miguel Pta., São Paulo-SP, BR-08050-570

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 11

ERNST SCHNEIDER

A CURA E A SAÚDE
PELOS ALIMENTOS
versão eletrônica pelo Projeto Periferia

Capítulo 1 - As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua Compensação Natural


Capítulo 2 - Frutos
Capítulo 3 - Legumes e Verduras
Capítulo 4 - Condimentos
Capítulo 5 - Alimentos Fornecedores de Energia
Capítulo 6 - Alimentos de Origem Animal
Capítulo 7 - Regimes Depurativos
Capítulo 8 - Doenças do Sistema Circulatório
Capítulo 9 - Doenças do Aparelho Digestivo
Capítulo 10 - Doenças do Metabolismo
Capítulo 11 - Doenças da Pele
Capítulo 12 - Doenças do Sistema Nervoso
Capítulo 13 - Tuberculose
Capítulo 14 - A Alimentação na Gravidez
Capítulo 15 - A Alimentação na Criança Moderna
Capítulo 16 - O Câncer
Capítulo 17 - Comentário Final
Capítulo 18 - Normas Fundamentais Para a Preparação de um Regime Sadio
Capítulo 19 - Receitas Culinárias

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 11

Doenças da Pele

Capítulo 11
Quando se produziu a maravilha das maravilhas, quando o óvulo materno
deu fruto, quando com a chave de ouro o homem futuro se manifesta na
sua primeira floração, o gérmem em desenvolvimento fica depositado em
três capas sobrepostas, claramente perceptíveis pelo microscópio, as três
envolturas germinais. Uma constituirá a armadura do corpo, o esqueleto
com a sua coluna, os seus tubos e cápsulas, o seu crânio e costelas; de
outra formar-se-á o coração, os vasos, as grandes glândulas e os órgãos
digestivos; da terceira surgirá a couraça defensiva e os sentidos, o
cérebro e os nervos, a pele. Nisto encontraremos a solução do enigma: o
cérebro e a pele estão dispostos e concebidos como um mesmo órgão.
Karl Ludwig Schleich

A Pele Reflete o Estado do Organismo -- Todos os estímulos procedentes do interior e do


exterior devem permanecer dentro dos limites da sua capacidade de adaptação para não se
produzirem perturbações funcionais e até mesmo lesões orgânicas duradouras. Sabemos por
experiência diária que entre as doenças da pele a imensa maioria tem sido causada por uma
doença interna, perturbações do metabolismo, alterações nas glândulas hormonais, efeitos
tóxicos provocados por uma prisão de ventre crônica, focos de infecção nos dentes,
amígdalas, seios nasais ou aparelho genital. Se a isto se acrescentar uma importante
insuficiência de elementos curativos e nutritivos devido a uma alimentação insuficiente, mal
combinada ou incompleta, pode produzir-se rapidamente o estado de hipersensibilidade da
pele, a alergia. Qualquer estímulo exterior, aliás perfeitamente inócuo (por exemplo, usar
roupa interior nova, elaborada com produtos químicos ou tecidos de lã) produz «reações
alérgicas».
As inumeráveis relações entre as doenças interiores e as da pele, conhecidas já na era
naturalista da Medicina, mas que no critério rigorosamente científico não têm sido exatamente
compreendidas, obscureceram-se por completo, porque foram relegadas para o último plano
que os modernos conhecimentos alcançaram mediante os novos meios técnicos,
especialmente o microscópio. Depressa surgiu o conceito de que as doenças cutâneas, quer
fossem infecciosas ou não, procediam exclusivamente do exterior, e eram de natureza local,
podendo aplicar-se-lhes remédios exteriores e locais. Uma impressionante série de novas
observações e experiências tiveram influência para que se modificasse a doutrina sobre

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 11

doenças da pele e que voltassem a ser consideradas, na sua maioria, como sintomas e efeitos
de males internos.
A estrutura anatômica da pele, com as suas numerosas capas celulares, glândulas sebáceas e
sudoríparas, gânglios nervosos, pigmentos e outras forças químicas, é algo tão maravilhoso
que dela podemos deduzir a existência de múltiplas e importantes funções.
A Experiência dos Puericultores -- Os médicos de crianças têm observado desde há muito
tempo que mediante a limitação do consumo de sal na alimentação se pode influir na
hidratação dos tecidos orgânicos. Consegu-se assim com uma alimentação pobre em sal
drenar e curar as inflamações purulentas da pele e da mucosa e, sobretudo, dos eczemas
úmidos.
Correlações Entre a Alimentação e as Doenças da Pele -- Também nos adultos há estreitas
relações entre a pele sã e a alimentação. Os numerosos efeitos sobre a pele, como o calor,
frio, tóxicos, bactérias, fungos, parasitas e até
300
mesmo lesões a que diária ou ocasionalmente nos encontramos expostos, dificilmente podem
provocar doenças cutâneas se a pele enquanto órgão estiver em normais e sãs condições de
defesa. Há uma propensão interna para as enfermidades da pele que, sem dúvida, depende
do estado da alimentação. E, pois, importante que os doentes da pele de qualquer espécie
ordenem a sua alimentação e, conforme a experiência, isso significa que deve ser: simples,
parca, integral e pobre em sal. Toda a debilitação da nossa potência vital implica para a pele
uma redução na capacidade defensiva. Os tecidos orgânicos debilitados mais cedo ou mais
tarde vêm a ser objeto de ataque e campo nutritivo de numerosos germes que não podemos
afastar do nosso mundo imediato, por muito que desinfetemos a pele, em última análise, são
essenciais para o equilíbrio biológico. No homem não constituem um estímulo permanente
para a conservação da sua capacidade defensiva. Num tecido normal, os germes purulentos
não encontram condições favoráveis de vida.
Numerosas questões sobre as relações entre as doenças da pele e o metabolismo, as funções
da circulação, a atividade intestinal e hepática, a adição de vitaminas, minerais e fermentos, as
funções das glândulas internas, assim como a vida nervosa e espiritual, ficam esclarecidas. O
tratamento interno e externo, a higiene e o modo de vida, também devem dar a sua
contribuição essencial no processo de cura.
Funções Excretoras da Pele -- De fundamental importância é a capacidade de eliminação,
pela pele, de água assim como de tóxicos do metabolismo, toxinas bacterianas, sais, ácidos e
outros elementos introduzidos em excesso que o organismo deve expulsar. O corpo utiliza
esta autêntica função de escoamento da pele quando não pode desfazer-se das matérias
residuais. Estas se depositam e desintoxicam na pele, como primeiro passo. O cheiro que
muitas pessoas deitam dá-nos uma boa prova disto. Também nos indica que o corpo se
encontra numa difícil luta e que precisa de ajuda imediata para evitar as enfermidades, e
especialmente as da pele.
Essa ajuda só pode consistir em que apoiemos a pele na sua função, escovando-a a seco,

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 11

lavando-a, aplicando-lhe fomentações quentes e tomando banhos. Só assim se consegue que


uma grande parte dos materiais de refugo sejam expulsos. Se além disso interrompermos a
sua contínua afluência até aos tecidos cutâneos, mediante dias de sucos ou frutas,
alimentação menos abundante ou alguns dias de jejum rigoroso, a pele eliminará depressa
todas as matérias de refugo e recuperará o seu funcionamento normal e a sua cura saudável.
Afecções Freqüentes da Pele e a sua Origem -- De há muito
301
tempo que se vêm conhecendo numerosos defeitos nutritivos como causa inicial destes males,
como, por exemplo, a cor amarela das crianças de peito, no caso de excesso alimentar de
suco de cenouras ou de, papas. Mas é mais grave a presença excessiva de sal nos alimentos,
pois aumenta a predisposição da pele para a inflamação e aumenta a sua facilidade de
secreção de líquidos, ao mesmo tempo que diminui a sua capacidade de defesa.
Investigaram-se os sintomas cutâneos da insuficiência da vitamina A. Basta recordar a
queratinização das glândulas capilares, o aparecimento de parasitas, as inflamações cutâneas
purulentas, a queda dos pêlos, a formação de pequenas manchas, a incapacidade de
transpiração da pele e tantas outras manifestações.
Enfermidades cutâneas típicas (como a pelagra) são conseqüência da insuficiência em
diversos fatores do grupo vitamínico B. Também se manifesta no estado cutâneo a falta de
vitamina F. Da mesma sorte, os alimentos e medicamentos tóxicos se relacionam
estreitamente com a pele. A maioria das pessoas têm sofrido essa conseqüência depois de
terem comido mariscos, peixe, carne de porco, caça, queijo velho, cogumelos. E até mesmo
frutas, bagas ou sementes germinadas podem produzir em pouco tempo alterações cutâneas.
Entre as matérias que por consumo excessivo exercem efeitos tóxicos na pele não se deve
passar por alto o ácido úrico. Antes de mais, são formadores de ácido úrico a carne, os caldos
de carne, o peixe, o café, o chá, o cacau, o chocolate e os legumes secos. O ácido úrico
provoca a gota e eczemas. Se, ao mesmo tempo, se consumirem alimentos ricos em sal,
torna-se impossível a eliminação de ácido úrico, ao passo que um regime de alimentos pobres
em sal, depois de um aumento temporário do sofrimento, favorece a eliminação e serve,
portanto, para a cura.
É só de há pouco tempo a esta parte que se conhece melhor a função da colesterina, um
elemento procedente da alimentação. Tal qual ocorre com o sal, o excesso da colesterina
prejudica a pele e os vasos sanguíneos; na maior parte dos casos de doenças da pele
comprova-se um notável aumento de teor de colesterina no plasma sanguíneo. Para os
doentes da pele por causa da nutrição, deve prescindir-se em absoluto dos alimentos ricos em
colesterina acima citados, até que a presença deste elemento no plasma sanguíneo tenha
descido para o nível normal (de 140 a 200%).
É também importante para a pele o consumo diário de uma quantidade mínima de cálcio: de
0,5 a 1 g para os adultos. Quem tiver sofrido de irritações cutâneas, comichão e urticária deve
ter experimentado o benéfico efeito de algumas injeções intravenosas de cálcio que
rapidamente reduzem o calor, a tumefação

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 11

302
e forte comichão das irritações cutâneas.
Fatores Hereditários
Há doenças da pele, sobretudo eczemas, de que são responsáveis os pais ou outros
antepassados mais afastados. O antigo adágio de que os pecados dos pais recaem nos
descendentes até à terceira ou quarta geração é unia verdade que encontramos nas doenças
cutâneas. Quem sofrer de tais doenças ou de tais debilidades constitucionais na sua vida não
deve voltar-se contra os seus ascendentes, só porque aparentemente tem de suportar uma
carga injusta. Cada geração vive no meio ambiente do seu tempo e é filha deste e das suas
imperfeições.
Influência das Doenças Internas -- Não é só a insuficiência ou o excesso na nutrição, nem a
constituição fisica congênita ou obtida no decurso da vida, que provocam enfermidades da
pele, mas também numerosas enfermidades internas. Conhecemos 'muitas relações entre as
doenças cutâneas e as dos órgãos, isto é, estômago, figado, pâncreas, intestino delgado e,
mais ainda, intestino grosso. Sobretudo a prisão de ventre crônica deve salientar-se como
fonte de auto-intoxicação e de numerosas reações patogênicas da pele. Com freqüência não
se pode curar uma molesta enfermidade cutânea sem se recuperar o funcionamento normal
dos intestinos.

Influem igual e consideravelmente na origem e desenvolvimento das doenças cutâneas o


sistema nervoso e os estados anímicos, de modo que o seu papel deve ser tomado muito a
sério quando se decide qualquer processo de cura.
Regime de Cura Para as Doenças Cutâneas -- O anteriormente exposto demonstrou que a
base para o tratamento das doenças da pele é um regime alimentar apropriado, caracterizado
por:
1. Pobreza em sal.
2. Pobreza em proteínas animais.
3. Falta de gordura animal.
4. Riqueza em vitaminas e fermentos.
5. Riqueza em minerais básicos, sobretudo cálcio.
Não importa apenas ter em conta um fator isolado da alimentação, por exemplo o sal, como
acontece com tanta freqüência. O regime deve conter sempre alimentos crus nas suas
diversas formas: por exemplo, dietas rigorosas de sucos de frutas e hortaliças, alimento;
exclusivamente vegetarianos e a combinação destes com leite e produtos lácteos.
Um regime curativo estrito, traçado segundo as últimas experiências, inclusive para as
doenças crônicas da pele, é analisado minuciosamente no capítulo sobre as afecções
nervosas, quando se trata do regime de Evens, em que desempenham um papel de destaque

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 11

os grãos de cereal germinados. Nesta forma de dieta provou-se a normalização


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de funções vitais perturbadas, como a renovação do crescimento do pêlo depois da sua queda
durante muito tempo, o escurecimento do cabelo em pessoas anteriormente encanecidas, o
incremento do vigor sexual e a regulação dos transtornos na menstruação. Outras
experiências na dietética de doenças cutâneas hão de produzir decerto magníficos resultados.
Para o tratamento de doenças da pele podemos empregar a infusão mista de espécies
lenhosas: 50 g de guaiaco (Lignum Guaiaci), 30 g de gatunha (Radix ononidis), 10 g de
alcaçuz (Radix liquirtiae), e 10 g de pau de açafrão (Lignum sassafras). Calculam-se duas
colheres grandes desta mistura para três xícaras de água, deixando-se ferver até se reduzir
para duas xícaras. De manhã, para desjejuar, bebem-se de uma a duas xícaras de infusão
quente.
Como já se disse no princípio deste livro, por uma grande série de costumes e de mudanças
introduzidas pela nossa civilização, abandonou-se, muito mais que qualquer outro órgão, o da
pele, maltratando-a e afastando-a de todos os estímulos normais, naturais e higiênicos, como
a luz, o ar, o sol e as alterações climatológicas. Por isso, para as pertinazes doenças da pele
muitas vezes torna-se absolutamente necessário, além dos regimes curativos e das
combinações de plantas medicinais, uma mudança de clima. Geralmente são preferíveis os
climas marítimos e de altitude.
Com muita freqüência se consegue curar uma molesta doença cutânea sofrida durante anos
só com o fazer atuar de modo regular e acertado todos os fatores de ordem natural.
As chamadas alterações por hipersensibilidade da pele, as alergias, têm a sua causa básica
definitiva no sistema nervoso. São muitas vezes os alimentos que provocam a reação. Fala-se
então de alergias da alimentação, como vermelhidão ou urticária depois de se haver comido
peixe, mariscos, carne de porco, morangos ou outros alimentos.
Idênticas ou parecidas reações podem produzir-se em contato com muitos outros elementos
do nosso meio ambiente, como, por exemplo, a asma provocada pelo pó do colchão de penas,
a febre-do-feno pelo pólen da erva, a prisão de ventre depois de se consumirem determinados
alimentos, os eczemas por inumeráveis produtos do mundo exterior ou do metabolismo. Uma
autêntica cura das doenças alérgicas só é possível com um prolongado e estrito regime de
alimentos crus.
304

Fim do Capítulo 11 de A Cura e a Saúde Pelos Alimentos

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 12

ERNST SCHNEIDER

A CURA E A SAÚDE
PELOS ALIMENTOS
versão eletrônica pelo Projeto Periferia

Capítulo 1 - As Nossas Deficiências de Saúde e a Sua Compensação Natural


Capítulo 2 - Frutos
Capítulo 3 - Legumes e Verduras
Capítulo 4 - Condimentos
Capítulo 5 - Alimentos Fornecedores de Energia
Capítulo 6 - Alimentos de Origem Animal
Capítulo 7 - Regimes Depurativos
Capítulo 8 - Doenças do Sistema Circulatório
Capítulo 9 - Doenças do Aparelho Digestivo
Capítulo 10 - Doenças do Metabolismo
Capítulo 11 - Doenças da Pele
Capítulo 12 - Doenças do Sistema Nervoso
Capítulo 13 - Tuberculose
Capítulo 14 - A Alimentação na Gravidez
Capítulo 15 - A Alimentação na Criança Moderna
Capítulo 16 - O Câncer
Capítulo 17 - Comentário Final
Capítulo 18 - Normas Fundamentais Para a Preparação de um Regime Sadio
Capítulo 19 - Receitas Culinárias

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 12

Doenças do Sistema Nervoso

Capítulo 12
Até onde nos é dado ver, há forças na Natureza que nos impelem para a
saúde, para o pleno desenvolvimento e maturidade, e isto tanto no que
diz respeito ao homem como aos animais. Quando verificamos que um
homem nos seus melhores anos de rendimento decai e adoece, podemos
concluir com absoluta segurança que foi vencido por algum poder
estranho à Natureza e inimigo desta.
Dr. Bernard Detmar

O Sono é o Melhor Alimento Para os Nervos -- Desde os tempos mais remotos a


humanidade conhece o enorme benefício de um sono reparador e, desde aquelas longínquas
eras, os médicos se têm preocupado, no decorrer dos séculos, no sentido de que os seus
doentes desfrutem desse benefício, pois constitui uma premissa iniludível para a sua saúde.
Por isso, não pode ser motivo de surpresa o fato de os soporíferos constituírem um elemento
essencial da farmacopéia médica, assim como da medicina popular, em muitas e diversas
formas. Mas precisamente a diversidade de remédios de tantos reclames deve causar-nos
reparos. De fato, quanto maior for a abundância de remédios, em maior grau surge a suspeita
de que nenhum deles é na realidade satisfatório.
Sono Natural e Narcose -- Em princípio, os únicos meios seguros para fazer dormir os
pacientes foram o ópio e, um pouco mais tarde, a morfina, extraída daquele. Por isso se
considerou um valioso enriquecimento da farmacopéia a descoberta, em 1869, do hidrato de
cloral, que permitia ao médico prescindir em muitos casos da morfina, que implicava o perigo
nada desprezível de provocar a habituação.
A imensa maioria dos soníferos derivam de um reduzido número de combinações químicas
que provocam o complexo efeito narcótico, ou seja, que o seu principal resultado é a
paralisação do cérebro com perda do conhecimento. A seguir, tem lugar a paralisação das
regiões mais profundas do cérebro. E esse desaparecimento do estado de consciência
considerou-se durante algum tempo como sono, mesmo quando o grande fiisiólogo GoItz
demonstrou com o seu cão sem cérebro que este animal, ainda depois de lhe haver sido
extirpado cirurgicamente aquele órgão, dormia exatamente como quando ainda o possuía.
Mas presentemente pôs-se de parte tanto o investigador como as suas experiências.
Ensaios mais modernos e inspirados sobretudo por investigadores alemães têm demonstrado

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A Cura e a Saúde Pelos Alimentos -- Capítulo 12

que o sono não tem relação com a narcose nem superficial nem fundamentalmente. Embora o
sintoma mais notável do sono seja a perda de conhecimento, a verdade é que não se
interrompe de todo a atividade cerebral durante' o sono, como o provam os sonhos e a
capacidade de concentração durante o mesmo sono.
Mediante numerosas experiências chegamos ao estado atual da investigação e às idéias
modernas acerca do fenômeno do sono. Este é o estado de excitação do centro
parassimpático do sono. Daqui se conclui que o estado de sono, visto sob o ponto de vista
biológico, é de natureza ativa e de nenhum modo uma paralisação do cérebro e das regiões
cerebrais mais profundas (como a que é produzida pelos soporíferos). No decurso do sono
devem recuperar-se as energias consumidas durante o dia, pois, se
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não for assim, o sono por si só não nos daria força para retomar as atividades. Durante o sono
desenrolam-se poderosos e eficazes processos de recuperação, e precisamente é essa nova
acumulação de energia absolutamente necessária, o que no «sono» produzido por soporíferos
falta por completo, pois estes, tal como os narcóticos, exercem uma ação paralisadora no
cérebro e, o que não é menos importante, em todo o metabolismo.
Não dispomos na realidade de nenhum soporífero, pois não conhecemos ainda nenhuma
matéria capaz de provocar o sono fisiológico, influindo diretamente no centro do sono, e
também ainda não sabemos de que modo ou mediante que matéria orgânica se produz a
alteração rítmica do estado de excitação nos centros do sono e da vigília.
Tratamento da Insônia -- A insônia e apenas um sintoma e não uma doença. Se pudéssemos
tratar a insônia com um autêntico sonífero faríamos desaparecer um sintoma, mas não
atacaríamos a doença na sua raiz.
Embora não disponhamos desse autêntico sonífero, abusa-se monstruosamente dos
chamados soporíferos químicos, que antes deviam chamar-se hipnóticos ou narcóticos e que,
em parte, são de venda livre. Não menosprezamos produtos realmente valiosos da química
sintética e que, nas mãos do médico, podem prestar, em certos casos, serviços consideráveis.
Mas é preciso denunciar claramente o consumo sem entraves de qualquer soporífero perante
o menor indício de insônia. Quando esta é autêntica, a descoberta da sua causa e o método
da sua cura têm de confiar-se ao médico, para que o corpo recupere por si mesmo um sono
reparador. Se o médico, no princípio, recorre a um soporífero, está no seu pleno direito.
Só quando a insônia é devida a e