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Número 147 Março 2014
Número 147
Março 2014

Uma comunidade em missão

Confessionários da Igreja de Nossa Senhora da Candelária, Rio de Janeiro Gustavo Kralj
Confessionários da Igreja
de Nossa Senhora da
Candelária, Rio de Janeiro
Gustavo Kralj

Deus elevou a penitência à dignidade de Sacramento

O s espíritos celestes reunidos junto ao tro- no de Deus na origem dos tempos não

tinham diante de si outra perspectiva senão a de perseverar sem declínio ou prevaricar sem remédio. Num instante eles se decidiram e num instante também foi fixado seu destino, pois em tal estado é impossível a penitência. De outro lado, entretanto, pode Deus con- ceber um plano menos absoluto e menos seve- ro, pondo a criatura em condições de aspirar legitimamente à reparação de suas faltas. Então, a penitência se torna uma exigên- cia da ordem transtornada, único meio de restabelecer a paz entre Deus e sua criatu- ra, e, conforme a comparação feita por São Tomás, remédio indispensável que opera na vida espiritual como a medicina corporal no organismo de um doente em perigo de morte. Nesse estado se encontra a humanidade. O

Batismo nos engendra para a vida da gra- ça; a Confirmação a aumenta e aperfeiçoa; a Eucaristia nos alimenta. Isso seria perfeita- mente suficiente se não estivéssemos expostos a funestos acidentes que secam ou diminuem a seiva divina em nossas almas, comprome- tendo nossa salvação eterna. Sem esses aci- dentes, a penitência não teria razão de ser, pois sua finalidade é repará-los. “A isso nos inclina a natureza racional”, diz São Tomás (Suma Teológica. III, q.84, a.7). Mas, para suprir suas impotências na ordem eminente dentro da qual foi ela posta, e tam- bém para estabelecer uma continuidade no admirável paralelismo que harmoniza nossas duas vidas, Deus elevou a penitência à digni- dade de Sacramento.

Pe. Jacques-Marie-Louis Monsabré, OP Conferências em Notre Dame de Paris

Revista mensal dos Associação privada internacional de fiéis de direito pontifício Ano XIII, nº 147,
Revista mensal dos
Revista mensal dos

Associação privada internacional de fiéis de direito pontifício

Ano XIII, nº 147, Março 2014

ISSN 1982-3193

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S/A. Av. Otaviano Alves de Lima, 4.400 - 02909-900 - SP A revista Arautos do Evangelho

A revista Arautos do Evangelho é impressa em papel certificado FSC, produzido a partir de fontes responsáveis

SumáriO

Escrevem os leitores

 

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A

voz do Papa –

 

O

Sacramento da

 

Confirmação

 

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.6

São José: o Patriarca (Editorial)

. . . . . 6 São José: o Patriarca (Editorial) . . . . .
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Comentário ao Evangelho – Elevado a alturas inimagináveis

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A Cavalaria de Maria –

Uma comunidade religiosa em missão permanente

18

Maria – Uma comunidade religiosa em missão permanente 18 Entre Deus e os homens . .
Maria – Uma comunidade religiosa em missão permanente 18 Entre Deus e os homens . .
Maria – Uma comunidade religiosa em missão permanente 18 Entre Deus e os homens . .

Entre Deus e os homens

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Arautos no mundo

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Príncipe, jovem e santo

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. . . . . . . . . . 30 . . A luz primordial
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. . . . . . . . . . 30 . . A luz primordial

A luz primordial

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A

palavra dos Pastores –

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que é, pois, a Igreja?

 

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Você sabia que

 

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Aconteceu na Igreja e no mundo

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. . . . . . . . . . . 41 História para crianças São
. . . . . . . . . . . 41 História para crianças São
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História para crianças São José havia entendido

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Os santos de cada dia

 

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Alios ego vidi ventos

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E scrEvEm os lEitorEs mumente, com uma aplicabilida- de imediata em nossa vida e em

EscrEvEm os lEitorEs

mumente, com uma aplicabilida- de imediata em nossa vida e em nosso apostolado; a segunda, por- que tomamos conhecimento de su- as atividades em outros lugares, as quais podemos imitar em nossas cidades. Até a seção História para crian-

ças

ou adultos cheios de fé? nos

serve para a catequese, inclusive de nossos companheiros de tra- balho e de nossa família. A Revis- ta me ajudou a crescer espiritual- mente, em minha vida pessoal e familiar.

Luis Alfonso Franco Silva Bogotá – Colômbia

Parabéns, e agradeço de todo o coração pelo ótimo trabalho e de- sempenho que cada um da equipe de redação vem fazendo nesta belís- sima Revista.

Paulo Antônio Olini Várzea Grande – MT

lEio E mEdito com prazEr

Retribuo de coração os votos de Natal e agradeço-lhes pelo envio da revista Arautos do Evangelho a cada mês. Revista muito bela, que leio e medito com muito interesse e pra- zer.

Ela me é duplamente cara, pois me faz recordar três jornalistas dessa Associação que tivemos co- mo hóspedes em meados do ano passado. Sua presença foi para nós um maravilhoso testemunho. Por todos e por cada um rezo ao Se- nhor para que possam ser um sinal luminoso do amor de Cristo neste mundo.

Madre Vittoria e Instituto das Irmãs da Reparação Roma – Itália

aprofundar na vida dos santos

Agradeço o envio de vossa Revis- ta. Ela é fonte de verdadeira sabe- doria, é o alimento de nossa fé e de nossa esperança.

Esta Revista é muito importan- te na minha família, pois nos ajuda a viver o Ano Litúrgico. E por cau- sa dele temos tido a curiosidade de nos aprofundar no conhecimento da vida dos Santos, o que muitas ve- zes acontece com a ajuda da Revis- ta. Agradeço a vossa “catequese” na minha família.

Pedro Ângelo Funchal – Portugal

EnfoquE cristocêntrico E mariano

Parece-me muito interessan- te esta Revista, sobretudo os seus estudos teológicos e os temas com os quais fazem esta evangelização, bem como todo o enfoque cristo- cêntrico e mariano de cada um de seus artigos. Chamou-me muito a atenção o Editoral da edição de ja- neiro: “Buscar Deus, a única solu- ção!”. Sou consagrada e professora de Religião. Trabalho no setor muni- cipalizado, onde há muitas crian- ças carentes, residentes em zonas de muita pobreza, lugar de grande mis-

são para levar até elas Nosso Senhor e sua Mãe Santíssima, a Virgem Ma- ria. Gosto muito do que faço. Ape- sar de ter alunos de vários credos, todos eles são muito respeitosos

e querem aprender. Peço ao Bom

Deus e à nossa Mãe do Céu que os abençoe por tão grande e belo apos- tolado.

Irmã Iris Villamán Venegas Concepción – Chile

dE um franciscano Espanhol

Em primeiro lugar, agradeço por esta Revista tão bela e tão im- portante. Tanto os artigos quanto as fotos me encantam e creio que podem fazer muito bem a todos os seus leitores. Sou religioso franciscano e, de-

vido à minha avançada idade, es- tou dispensado de todos os encar- gos. Mas depois de ler a Revis- ta inteira, no convento, deixo-a na igreja para que as pessoas possam levá-la para casa, e assim faço al- gum apostolado.

Frei Honorato Ibáñez López, OFM Alcorcón – Espanha

ajudou-mE a crEscEr EspiritualmEntE

Considero esta Revista um ex- celente meio para evangelizar e aprender sobre todas as coisas de Deus, da espiritualidade e da obra dos Arautos do Evangelho em to- do o mundo. Uma vez aberta, é di- fícil deixar de vê-la e de aprofun- dar em cada tema. Minhas seções preferidas são

a da explicação do Evangelho e Arautos no Mundo. A primeira, porque nos dá um ponto de vista diferente daquele que temos co-

sErEnidadE E conforto dE Espírito

Há vários anos sou agracia- do com esta obra de evangeliza- ção em meu lar: a revista Arautos do Evangelho. Em minha residên- cia lemos todas as suas páginas, que nos trazem serenidade, con-

forto de espírito, clareza nos co- nhecimentos, e despertam em nos- sos corações a graça de Deus, nos- so Pai e Senhor.

4        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

Número 147 Março 2014 Uma em comunidade missão Aspecto da Missão Mariana realiza- da pela
Número 147 Março 2014 Uma em comunidade missão
Número
147
Março 2014
Uma em
comunidade
missão

Aspecto da Missão Mariana realiza- da pela Cavalaria de Maria em Pom- peia (SP)

Foto: Sergio Céspedes

E ditorial
E ditorial

São JoSé: o Patriarca

F orte e esguia, elevando-se sobre a extensa paisagem qual vigilante senti- nela, seus alicerces parecem aferrar-se à rocha enquanto o cimo atinge o céu. As nuvens, suas inseparáveis companheiras, formam-lhe ao redor

uma graciosa coroa e vêm acentuar o imponderável de mistério que a circunda.

Robusta mole de pedra, indiferente ao sopro dos ventos, mais do que cantar um

passado de luta, parece apontar para um futuro de glória, luz e esplendor

impressão que uma torre solitária causa ao espírito, sugerindo reflexões variadas

e ricas de simbolismo. No panorama da História, almas há que, como esta torre, emergem com um caráter único, incomparável, superior. Sua estatura de tal modo excede ao comum dos homens, que seu vértice conserva-se velado pelas brumas da igno- rância dos que as rodeiam. Assim sucedeu ao longo dos tempos com a pessoa de São José. Figura isolada, pouco se conhece de sua vida, e os Evangelhos sequer registram alguma de suas palavras. Entretanto, é ele o tipo do Santo que ultrapassa de modo admirável as proporções humanas. Baste-nos recordar que a pró- pria Maria Santíssima, ao nomeá-lo diante de Jesus, deu-lhe o doce título de “teu pai” (Lc 2, 48). Ora, chamar José de pai não teria maior relevância, e até poderia parecer corriqueiro à primeira vista, se não nos detivéssemos a considerar quem é es- se Filho: o próprio Verbo de Deus, Onipotente e Infinito, que, ao encarnar-Se de modo inefável no seio da Virgem, o escolheu para ser seu pai legal e o cus- tódio de Maria. Segundo a lei judaica, pertencia a São José o fruto de sua esposa virginal,

e lhe competia dar o nome à criança. Foi, assim, ao longo de 30 anos efetiva-

Tal é a

mente o chefe da Sagrada Família. Ante tal sublimidade, torna-se necessário dar-lhe o lugar que lhe é devido e, por isso, cabe aos séculos futuros rasgar as névoas que ocultam a magnitude da alma de São José e a excelsitude do encargo por ele recebido. As vocações ímpares, como é por excelência a do Pai de Jesus, são feitas para as grandes esperas e as grandes realizações. Temos, portanto, a certeza de ter sido São José criado com vistas a agir de modo especialíssimo no prelú- dio de uma nova era histórica, difícil de se imaginar, mas tão sublime que sen- timos sua ponta tocar no Céu. Mais clara ficará, entretanto, a grandeza dessa era se voltarmos nossos olhos para São José e compreendermos que foi ele destinado a possuir incon- táveis filhos e filhas. Sim, aí está o segredo por onde ele deve reinar: o Pai de Jesus, chefe da Sagrada Família, será o Patriarca da História! ²

A voz do P APA O Sacramento da Confirmação Quando acolhemos o Espírito Santo no

A voz do PAPA

O Sacramento da Confirmação

Quando acolhemos o Espírito Santo no nosso coração e O deixamos agir, é o próprio Cristo que Se torna presente em nós e adquire forma na nossa vida.

N esta terceira cateque- se sobre os Sacramen- tos, meditemos sobre a Confirmação ou Cris-

N esta terceira cateque- se sobre os Sacramen- tos, meditemos sobre a Confirmação ou Cris-

ma, que deve ser entendida em con- tinuidade com o Batismo, ao qual ela está vinculada de modo inseparável. Estes dois Sacramentos, juntamente com a Eucaristia, formam um único acontecimento salvífico, que se deno- mina “iniciação cristã”, no qual somos inseridos em Jesus Cristo morto e res- suscitado, tornando-nos novas criatu- ras e membros da Igreja. Eis por que motivo, na origem destes três Sacramentos, eram cele- brados num único momento, no final do caminho catecumenal, normal- mente na Vigília Pascal. Era assim que se selava o percurso de forma- ção e de inserção gradual no seio da comunidade cristã, que podia durar até alguns anos. Procedia-se passo a passo para chegar ao Batismo, de- pois à Crisma e enfim à Eucaristia.

Nos dá força para difundir e defender a Fé

Em geral, fala-se de Sacramento da Crisma, palavra que significa un- ção. E com efeito através do óleo, chamado “Crisma sagrado”, nós so- mos confirmados no poder do Espí- rito, em Jesus Cristo, o Único verda- deiro Ungido, o Messias, o Santo de

6        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

Deus. Além disso, o termo Confir- mação recorda-nos que este Sacra- mento contribui com um aumento da graça batismal: une-nos mais so- lidamente a Cristo; leva a cumpri- mento o nosso vínculo com a Igreja; infunde em nós uma especial for- ça do Espírito Santo para difundir e defender a Fé, para confessar o no- me de Cristo e para nunca nos en- vergonharmos da sua Cruz (cf. Cate- cismo da Igreja Católica, n.1303). Por isso, é importante pres- tar atenção a fim de que as nossas crianças, os nossos jovens recebam este Sacramento. Todos nós presta-

mos atenção para que eles sejam ba- tizados, e isto é bom, mas talvez não nos preocupemos muito a fim de que recebam a Crisma. Deste mo- do, eles permanecerão a meio cami- nho e não receberão o Espírito San- to, que é muito importante na vida cristã, porque nos concede a força para ir em frente. Pensemos um pouco nisto, ca- da um de nós: preocupamo-nos ver- dadeiramente para que as nossas crianças, os nossos jovens recebam

a Crisma? Isto é importante, é im-

portante! E se vós, em casa, tendes crianças e jovens que ainda não a re- ceberam, e que já estão na idade de

a receber, fazei todo o possível para

que levem a cumprimento a inicia-

ção cristã e recebam a força do Espí- rito Santo. É importante! Naturalmente, é necessário ofe- recer aos crismandos uma boa pre- paração, que deve ter em vista levá- -los a uma adesão pessoal à fé em Cristo e despertar neles o sentido da pertença à Igreja.

Infunde em nós os dons do Espírito Santo

Como cada Sacramento, a Confir- mação não é obra dos homens, mas de Deus, que cuida da nossa vida, de maneira a plasmar-nos à imagem do seu Filho, para nos tornar capa- zes de amar como Ele. E fá-lo infun- dindo em nós o seu Espírito Santo,

cuja ação permeia cada pessoa e a vi- da inteira, como transparece nos sete dons que a Tradição, à luz da Sagrada Escritura, sempre evidenciou. Eis os sete dons: não quero per- guntar-vos se vos recordais quais são os sete dons. Talvez todos vós sai-

bais

Mas cito-os em vosso nome.

Quais são estes dons? A sabedoria, a inteligência, o conselho, a fortaleza, a ciência, a piedade e o temor de Deus.

E estes dons são concedidos precisa- mente através do Espírito Santo no Sacramento da Confirmação. Além disso, a estes dons tenciono dedicar

as catequeses que se seguirão às re-

servadas aos Sacramentos.

L’Osservatore Romano “Como cada Sacramento, a Confirmação não é obra dos homens, mas de Deus,
L’Osservatore Romano
L’Osservatore Romano

“Como cada Sacramento, a Confirmação não é obra dos homens, mas de Deus, que cuida da nossa vida”

Francisco percorre a Praça de São Pedro durante a Audiência Geral de 29/1/2014

Quando acolhemos o Espírito Santo no nosso coração e deixamos que Ele aja, é o próprio Cristo que Se torna presente em nós e adquire for- ma na nossa vida; através de nós será Ele, o próprio Cristo, que rezará, per- doará, infundirá esperança e consola- ção, servirá os irmãos, estará próximo dos necessitados e dos últimos, que

criará comunhão e semeará paz. Pen- sai como isto é importante: median- te o Espírito Santo, é o próprio Cristo que vem para fazer tudo isto no meio de nós e por nós. Por isso, é importan- te que as crianças e os jovens recebam o Sacramento da Crisma. Estimados irmãos e irmãs, recor-

mação. Todos nós! Recordemo-lo antes de tudo para dar graças ao Se- nhor por esta dádiva e, além disso, para Lhe pedir que nos ajude a viver como cristãos autênticos e a cami- nhar sempre com alegria segundo o Espírito Santo que nos foi concedido.

demo-nos que recebemos a Confir-

Audiência Geral, 29/1/2014

Vocações, testemunho da verdade

Quanto mais soubermos unir-nos a Jesus, tanto mais há de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino. E a colheita será grande.

N arra o Evangelho que “Jesus percorria as cidades e as aldeias

Contemplando a multidão, en-

cheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ove- lhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: ‘A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, por- tanto, ao Senhor da messe que en- vie trabalhadores para a sua messe’” (Mt 9, 35-38).

]. [

Gratidão por um amor que sempre nos precede

Estas palavras causam-nos sur- presa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devi- do, se poder ceifar uma messe gran- de. Jesus, ao invés, afirma que “a messe é grande”. Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A

resposta é uma só: Deus. Evidente-

mente, o campo de que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a ação eficaz, que é causa de “muito fruto”, deve-se à graça de Deus, à comu- nhão com Ele (cf. Jo 15, 5). Assim a oração, que Jesus pede à Igreja, re- laciona-se com o pedido de aumen- tar o número daqueles que estão ao serviço do seu Reino. São Paulo, que foi um destes “co-

laboradores de Deus”, trabalhou

incansavelmente pela causa do Evangelho e da Igreja. Com a cons- ciência de quem experimentou,

incansavelmente pela causa do Evangelho e da Igreja. Com a cons- ciência de quem experimentou, pes- soalmente, como a vontade salvífi- ca de Deus é imperscrutável e como

a iniciativa da graça está na origem

de toda a vocação, o Apóstolo re- corda aos cristãos de Corinto: “Vós sois o seu [de Deus] terreno de cul-

tivo” (I Cor 3, 9). Por isso, do íntimo do nosso coração, brota, primeiro,

a admiração por uma messe grande

que só Deus pode conceder; depois,

a gratidão por um amor que sempre

nos precede; e, por fim, a adoração pela obra realizada por Ele, que re- quer a nossa livre adesão para agir com Ele e por Ele. [ ]

A vocação exige sair de si mesmo e centrar-se em Cristo

Embora na pluralidade das es-

tradas, toda a vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar

a própria existência em Cristo e no

seu Evangelho. Quer na vida conju- gal, quer nas formas de consagração

religiosa, quer ainda na vida sacer- dotal, é necessário superar os mo- dos de pensar e de agir que não es- tão conformes com a vontade de Deus. É “um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Se- nhor e de serviço a Ele nos irmãos

e nas irmãs” (Discurso à União In-

ternacional das Superioras Gerais, 8/5/2013). Por isso, todos somos cha- mados a adorar Cristo no íntimo dos

nossos corações (cf. I Pd 3, 15), para nos deixarmos alcançar pelo impul- so da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia,

a obra saída das suas mãos, em ca-

da estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização do seu projeto sobre nós, mas pre- tende consegui-lo contando com a nossa adesão e a nossa colabora-

8        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

ção. Também hoje Jesus vive e ca- minha nas nossas realidades da vi- da ordinária, para Se aproximar de todos, a começar pelos últimos, e nos curar das nossas enfermidades

e doenças.

Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si

Dirijo-me agora àqueles que es- tão dispostos justamente a pôr-se

à escuta da voz de Cristo, que res-

soa na Igreja, para compreende-

rem qual possa ser a sua vocação.

Convido-vos a ouvir e seguir Jesus,

a deixar-vos transformar interior-

mente pelas suas palavras que “são

espírito e são vida” (Jo 6, 63). Ma- ria, Mãe de Jesus e nossa, repe-

te também a nós: “Fazei o que Ele

vos disser!” (Jo 2, 5). Far-vos-á bem participar, confiadamente, num ca- minho comunitário que saiba des- pertar em vós e ao vosso redor as

melhores energias. A vocação é um fruto que ama- durece no terreno bem cultivado do amor de uns aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial autêntica. Nenhuma vo-

cação nasce por si, nem vive para si.

A

vocação brota do coração de Deus

e

germina na terra boa do povo fiel,

na experiência do amor fraterno.

Porventura não disse Jesus que “por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35)?

Abrir o coração a grandes ideais

Amados irmãos e irmãs, viver es- ta “medida alta da vida cristã or- dinária” (Novo millennio ineunte,

n.31) significa, por vezes, ir contra

a corrente e implica encontrar tam-

bém obstáculos, fora e dentro de

nós. O próprio Jesus nos adverte:

muitas vezes a boa semente da Pa- lavra de Deus é roubada pelo malig- no, bloqueada pelas tribulações, su- focada por preocupações e seduções

mundanas (cf. Mt 13, 19-22). Todas

estas dificuldades poder-nos-iam desanimar, fazendo-nos optar por caminhos aparentemente mais cô- modos. Mas a verdadeira alegria dos chamados consiste em crer e expe-

rimentar que o Senhor é fiel e, com Ele, podemos caminhar, ser discípu- los e testemunhas do amor de Deus, abrir o coração a grandes ideais, a coisas grandes. “Nós, cristãos, não somos escolhidos pelo Senhor pa-

ra coisas pequenas; ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jo- gai a vida por grandes ideais!” (Ho- milia na Missa para os crismandos,

28/04/2013).

A vós, Bispos, sacerdotes, religio- sos, comunidades e famílias cristãs, peço que orienteis a pastoral voca-

cional nesta direção, acompanhan- do os jovens por percursos de san- tidade que, sendo pessoais, “exigem uma verdadeira e própria pedago- gia da santidade, capaz de se adap- tar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lan- çada a todos com as formas tradicio- nais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pe- las associações e movimentos reco- nhecidos pela Igreja” (Novo millen-

nio ineunte, n.31). Disponhamos, pois, o nosso co- ração para que seja “boa terra” a fim de ouvir, acolher e viver a Pa- lavra e, assim, dar fruto. Quanto mais soubermos unir-nos a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os Sacramentos cele- brados e vividos na Igreja, pela fra- ternidade vivida, tanto mais há de crescer em nós a alegria de colabo- rar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justi-

ça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós.

Excertos da Mensagem para o 51º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, 15/1/2014

Defendei a própria identidade

Defendei a própria identidade

É essencial um testemunho intrépido das universidades católicas a respeito do ensinamento moral da Igreja e da defesa da liberdade de fomentar tais ensinamentos.

D esde a sua fundação, a Universi- dade Notre Dame ofereceu uma

contribuição notável para a Igreja no vosso país, mediante o seu compro- misso no campo da educação religio- sa dos jovens e no ensino de um saber inspirado pela confiança na harmonia entre fé e razão, na busca da verdade e da retidão. Consciente da importân- cia especial do apostolado para a no- va evangelização, desejo manifestar a minha gratidão pelo empenhamento que a Universidade Notre Dame de- monstrou ao longo dos anos, ajudan- do e fortalecendo o ensino católico nas escolas elementares e secundárias nos Estados Unidos. A inspiração que orientou o sa- cerdote Edward Sorin e os primei- ros religiosos da Congregação da Santa Cruz na instituição da Uni- versidade Notre Dame du Lac per- manece fulcral, nas circunstâncias transformadas do século XXI, para

a identidade que caracteriza a Uni- versidade e o seu serviço à Igreja e à sociedade norte-americana. Na minha recente Exortação Apostólica sobre a alegria do Evan- gelho pus em evidência a dimensão missionária do discipulado cristão, que tem necessidade de se tornar evidente na vida das pessoas e no trabalho de cada uma das institui- ções eclesiais. Este empenhamen- to a favor de um “discipulado mis- sionário” deveria ser entendido de maneira totalmente especial nas Universidades católicas (cf. Evan- gelii gaudium, n.132-134) que, pela sua própria natureza, estão compro- metidas em demonstrar a harmonia existente entre fé e razão, pondo em evidência a relevância da mensagem cristã para uma existência humana vivida em plenitude e autenticidade. A este propósito, é essencial um

dades católicas a respeito do ensina- mento moral da Igreja e da defesa da liberdade de fomentar tais ensi- namentos, enquanto eles são procla- mados com autoridade pelo magis- tério dos Pastores, precisamente nas

através das instituições de forma- ção da Igreja. Formulo votos a fim de que a Universidade Notre Dame continue

e

a

oferecer o seu testemunho indis-

pensável e inequívoco deste aspecto da identidade católica fundamental que lhe é própria, de maneira par-

ticular perante as tentativas, de on- de quer que provenham, de a diluir.

E

isto é importante: a própria iden-

tidade, como foi desejada desde os

primórdios. Defendê-la, conservá-la

e

levá-la a progredir!

Excerto do discurso aos membros da Universidade Católica

testemunho intrépido das Universi-

Notre Dame, 30/1/2014

L’Osservatore Romano
L’Osservatore Romano

Francisco e os membros da Universidade Católica Notre Dame – Sala Clementina, ao fim da audiência, 30/1/2014

São José - Casa-Mãe dos Arautos do Evangelho, São Paulo a E vang E lho
São José - Casa-Mãe dos Arautos do Evangelho, São Paulo a E vang E lho
São José - Casa-Mãe dos Arautos do Evangelho, São Paulo
São José - Casa-Mãe dos Arautos do Evangelho, São Paulo

São José - Casa-Mãe dos

Arautos do Evangelho,

São Paulo

a E vang E lho A 16 “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da
a E vang E lho A
16 “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da
qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo.
18 A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria,
sua Mãe, estava prometida em casamento a
José, e, antes de viverem juntos, Ela ficou
grávida pela ação do Espírito Santo. 19 Jo-
sé, seu marido, era justo e, não querendo
denunciá-La, resolveu abandonar Maria em
segredo. 20 Enquanto José pensava nisso, eis
que o Anjo do Senhor apareceu-lhe, em so-
nho, e lhe disse: ‘José, Filho de Davi, não te-
nhas medo de receber Maria como tua espo-
sa, porque Ela concebeu pela ação do Espíri-
to Santo. 21 Ela dará à luz um Filho, e tu Lhe
darás o nome de Jesus, pois Ele vai salvar o
seu povo dos seus pecados’. 24a Quando acor-
dou, José fez conforme o Anjo do Senhor
havia mandado” (Mt 1, 16.18-21.24a).
10        Arautos   do   Evangelho · Março 2014
Timothy Ring
C omentário ao e vangelho - S olenidade de S ão J oSé Elevado a
C omentário ao e vangelho - S olenidade de S ão J oSé Elevado a

Comentário ao evangelho - Solenidade de São JoSé

Elevado a alturas inimagináveis

Esposo de Maria, pai virginal de Jesus e Patriarca da Igreja. Estes três títulos, glorioso apanágio de São José, proclamam a grandeza de sua missão e a elevação de dons com os quais sua alma foi adornada pela Divina Providência.

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Divina Providência. Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP I – U m S anto InSUfIcIentemente venerado

I – Um Santo InSUfIcIentemente venerado

Figura ímpar, exaltada pela Igreja junto com a de Maria, nunca será suficiente louvar São Jo- sé, tal a quantidade de maravilhas e privilégios com que aprouve a Deus cumulá-lo. Infelizmen- te este glorioso Patriarca muitas vezes é esque- cido, sendo seu culto menor do que mereceria. Encontramos uma explicação para isso no des- vio ocorrido nos primeiros tempos do Cristia- nismo com relação à devoção a Nossa Senhora. Com efeito, os fiéis admiravam tanto a grande- za d’Ela que alguns chegaram a reverenciá-La como se fosse uma deusa. 1 Ensina São Tomás de Aquino 2 que toda situ- ação intermediária, considerada a partir de um dos extremos, se parece com o oposto. E foi o que se deu com o culto à Santíssima Virgem, pois, analisada a partir de nossa condição de criaturas concebidas no pecado original, Ela pa- rece mais perto de Deus do que de nós. A Igre- ja evitou esse erro mantendo certos limites nas demonstrações de piedade mariana. Só no sécu- lo IV declarou o dogma da maternidade divina,

definindo a participação relativa de Maria no plano da união hipostática, o mais alto grau de toda a ordem da criação, e deixou passar lon- gos séculos para, afinal, proclamar sua Concei- ção Imaculada. Foi preciso, no início, fixar a adoração a Nosso Senhor Jesus Cristo para de- pois estimular o amor à Mãe de Deus, ao sabor dos ritmos divinos soprados pelo Espírito San- to. Com relação a São José, não parece ser ou- tra a razão. Talvez Nosso Senhor tenha querido que certos aspectos desse varão permaneces- sem ocultos para impedir que, exageradamente enaltecidos, viessem a ofuscar a figura de Cris- to, pois as atenções deviam estar todas voltadas para Ele. Não é compreensível, entretanto, que sen- do Jesus o Homem-Deus, nascido de uma Mãe Imaculada, colocasse junto a Si, como pai ado- tivo, uma pessoa apagada, sem brilho. Portan- to, se durante vinte séculos São José permanece escondido e retirado, é de se esperar que esteja chegando a hora em que a teologia explicite ver- dades novas a seu respeito, pelas quais se torne

conhecido, com exatidão e nas suas minúcias,

Não seria compreensível que o Homem-Deus colocasse junto a Si, como pai adotivo, uma pessoa apagada, sem brilho

Sergio Hollman

Sergio Hollman seu papel na Sagrada Família e a categoria de sua elevação enquanto esposo de
Sergio Hollman seu papel na Sagrada Família e a categoria de sua elevação enquanto esposo de

seu papel na Sagrada Família e a categoria de sua elevação enquanto esposo de Maria, pai de Jesus e Patriarca da Santa Igreja.

“Confirmarei sua realeza”

Na primeira leitura desta Solenidade, ex- traída do Segundo Livro de Samuel, a Igreja aplica a São José e, sobretudo, a Jesus Cristo as palavras dirigidas pelo Senhor a Davi, pe- la boca do profeta Natã. Uma vez garantida a estabilidade de seu trono, Davi tinha grande empenho em edificar um templo para Deus,

pois se sentia insatisfeito pelo fato de possuir para si um bom palácio, quando para o culto divino e a custódia da Arca da Aliança ainda não existia um recinto à altura. Por isso, com

a bênção divina, ele começou a fazer planos, a

reunir material para as obras e preciosos ele- mentos de ornamentação. Certo dia, o profeta Natã lhe fez saber que não seria ele quem le-

inúmeras vantaria a morada para Deus, mas um de seus filhos: “Assim fala o Senhor: ‘Quando chegar

o fim dos teus dias e repousares com teus pais,

então, suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei a sua realeza. Será ele que cons- truirá uma casa para o meu nome, e eu firma- rei para sempre o seu trono real. Eu serei para

depôs do trono

a linhagem

de Davi e a

manteve até

o último elo

Deus não

infidelidades,

Apesar das

ele um pai e ele será para Mim um filho. Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre

um filho. Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre O Rei Davi - Predela

O Rei Davi - Predela do retábulo de São João e Santa Catarina, Catedral de Santa Maria, Sigüenza (Espanha)

12        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

diante de Mim, e teu trono será firme para sempre’” (II Sm 7, 5a.12-14a.16). Não há movimento mais forte na alma de um monarca do que o desejo da continuidade de sua dinastia no governo do reino após sua mor-

te. Sem dúvida, tal era o anelo de Davi, o qual quiçá nem ousasse formular o pedido, julgando-

-o atrevido, a ponto de ofender a Deus. Mas Ele

mesmo, tomando a iniciativa, lhe anunciou que iria estabelecer sua casa e confirmar nela a rea- leza, significando que não aconteceria à sua es- tirpe algo análogo à de Saul, primeiro soberano

de Israel, que perdeu a dignidade real devido a

seus múltiplos pecados (cf. I Sm 15, 23). Ao analisarmos esta leitura, poderíamos in- correr no erro de concluir que todos os descen- dentes de Davi foram perfeitos… A realidade histórica, contudo, demonstra que houve inú- meras infidelidades. Apesar disso, Deus não de-

pôs do trono sua linhagem e a manteve até o úl- timo elo, Aquele que ligou a estabilidade desse reino à eternidade, conforme sublinha o Sal- mo Responsorial: “Eis que a sua descendência durará eternamente” (Sl 88, 37). José faz par-

te desta genealogia, junto com Maria Santíssi-

ma, para dar origem a Nosso Senhor Jesus Cris-

to, realizando a promessa feita ao Rei-Profeta.

A este pensamento, porém, poder-se-ia alegar

o fato de não ser ele o verdadeiro pai de Jesus,

já que não prestou concurso humano para sua

concepção.

O vínculo espiritual supera o de sangue

Ora, a perenidade de uma descendência não pode estar baseada na consanguinidade, mas, sim, em algum fundamento divino que a tor-

ne eterna, ou seja, na graça. São Paulo sublima

ainda mais esta ideia, na Epístola aos Romanos

(4, 13.16-18.22), contemplada nesta Liturgia, lembrando as palavras de Deus a Abraão: “Eu fiz de ti pai de muitos povos” (Rm 4, 17a). Abraão é pater multarum gentium — pai de mui-

tos povos, no respeitante à fé e não à raça. Exis- te, portanto, um nível superior ao natural, ao humano, uma família constituída pela fé e não pelo sangue. Insiste o Apóstolo: “Ele é pai dian-

te de Deus, porque creu em Deus que vivifica os

mortos e faz existir o que antes não existia. Con- tra toda a humana esperança, ele firmou-se na

esperança e na fé. Assim, tornou-se pai de mui- tos povos, conforme lhe fora dito: ‘Assim será a tua posteridade’. Esta sua atitude de fé lhe foi

creditada como justiça” (Rm 4, 17b-18.22). Em São José, por ser descendente de Davi, se
creditada como justiça” (Rm 4, 17b-18.22). Em São José, por ser descendente de Davi, se

creditada como justiça” (Rm 4, 17b-18.22). Em São José, por ser descendente de Davi, se cum- prem todas as promessas da Aliança. Ele é pai de Jesus pela fé herdada de Abraão e por ele le-

vada à perfeição. O vínculo existente entre ele e

o Redentor é uma relação de fé.

II – a realIzação da maIor mISSão da HIStórIa

Tendo já considerado em outra ocasião o Evangelho escolhido para a Liturgia desta So- lenidade, em sua primeira opção, 3 o analisare- mos agora, de forma breve, a fim de extrairmos dele ensinamentos úteis para crescer na devo- ção a São José.

Uma posição de humildade e admiração

16 “Jacó gerou José, o esposo de Ma- ria, da qual nasceu Jesus, que é chama- do o Cristo. 18 A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua Mãe, estava pro- metida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, Ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19 José, seu ma- rido, era justo e, não querendo denun- ciá-La, resolveu abandonar Maria em segredo”.

A narração de São Mateus ressalta o acima

dito, pois mostra o quanto São José era íntegro

e homem de fé inquebrantável diante das maio-

res dificuldades. Em sua alma não cabia nenhu-

ma febricitação, exemplo para um mundo no qual se cultua a agitação e a trepidação. Com

efeito, na vida dos santos tudo transcorre calma

e serenamente, ainda em meio à provação. E

quando são atingidos por dramas, refletem, to- mam uma decisão e continuam em frente, sem perder a paz. José “era justo”, e quando viu Maria em pe- ríodo de gestação não levantou qualquer sus- peita em relação à pureza d’Ela, pois A conhe- cia a fundo e “acreditava mais na castidade de sua esposa do que naquilo que seus olhos viam, mais na graça do que na natureza”. 4 No entan- to, amante e cumpridor da Lei — como se re- flete em outros episódios do Evangelho —, via- -se ele obrigado a repudiá-La em público ou em privado, ou a denunciá-La, entregando à morte Aquela de cuja inocência tinha plena convicção.

Francisco Lecaros
Francisco Lecaros

O sonho de São José Catedral de Santo André, Asola (Itália)

Poderia, pelo contrário, retê-La consigo, abs- tendo-se de acusá-La, e assumir a criança co- mo sua, mas tal opção também não lhe agrada- va considerando-se indigno de sucesso tão alto e extraordinário. 5 Assim, não compreendendo o que n’Ela se realizava, logo adotou uma postura de humildade e de inferioridade: entregou tudo nas mãos de Deus, aceitou a humilhação e deli- berou retirar-se ocultamente, antes que se ma- nifestasse o acontecido, como a dizer: “Domine non sum dignus”.

Estás à altura!

20 “Enquanto José pensava nisso, eis que o Anjo do Senhor apareceu-lhe, em so- nho, e lhe disse: ‘José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria co- mo tua esposa, porque Ela concebeu pe- la ação do Espírito Santo’”.

Já determinado a partir, transido de dor, re- cebeu de um Anjo a revelação: o fruto de Maria Santíssima era o próprio Deus feito Homem, e Ela seria Mãe sem deixar de ser Virgem! Quan- to a ele, diferentemente do que pensava, estava,

José conhecia a fundo Maria e “acreditava mais na castidade de sua esposa do que naquilo que seus olhos viam”

A partir do momento em que ambos se uniram, São José tornou- -se senhor de
A partir do momento em que ambos se uniram, São José tornou- -se senhor de

A partir do momento em que ambos se uniram, São José tornou- -se senhor de Maria e, em consequência, de todo o fruto d’Ela

François Boulay
François Boulay

Casamento de Maria e José - Capela de Notre Dame de Bon Secours, Montreal (Canadá)

sim, à altura de sua celestial esposa, tornando- -se um dos primeiros a conhecer o mistério sa- grado da Encarnação do Verbo.

Serás pai do Menino

21 “‘Ela dará à luz um Filho, e tu lhe da- rás o nome de Jesus, pois Ele vai salvar o seu povo dos seus pecados’”.

É difícil conceber qual foi a consolação e o arrebatamento de São José ao saber-se liga- do a esse mistério e ao ouvir do Anjo o anún- cio de que cabia a ele, por ser o Patriarca e o senhor da casa, dar o nome ao Menino. Da mes- ma forma que na geração eterna da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade o nome foi pos- to por Deus Pai, ao chamá-Lo de Salvador — pois Jesus significa aquele que salva —, José Lhe assinalaria também a missão com relação a seu nascimento temporal, assumindo, por especial concessão divina, um papel humano paralelo ao do Padre Eterno. A esse propósito, comen- ta o piedoso padre Isidoro de Isolano: “É cos- tume que os pais sejam os que tenham autorida- de para dar o nome a seus filhos. E como Jesus era o Filho de Deus, São José fez nisto as ve- zes do Pai celeste. Quando os príncipes são ba-

tizados — oportunidade na qual os cristãos dão o nome a seus filhos —, quem, senão outro rei, embaixador ou alto personagem, costuma fazer as vezes dos pais na atribuição do nome? Pois em circunstância semelhante ninguém pareceu tão grato ao Pai celeste, tão digno e tão precla- ro, como São José”. 6 Deste modo, cumpria-se em plenitude a profecia de que o Messias seria Filho de Davi, e o seria tanto por parte do pai quanto da Mãe. 7

24a “Quando acordou, José fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado”.

José, obediente, recebeu Maria e passou a vi- ver com Ela numa atmosfera de paz e tranquili- dade, na expectativa do nascimento do Menino Jesus, sem, todavia, comentar nada do ocorrido, pelo enorme respeito que Lhe devotava. Mas sabia que o esperado pelos profetas, o Ema- nuel, o Cristo viera morar em sua casa e ele po- dia adorá-Lo, desde então, realmente presente no tabernáculo das entranhas puríssimas de sua virginal esposa.

III – Grandeza de São JoSé à lUz do evanGelHo

Nestes breves versículos torna-se patente o quanto São José é pai legal de Nosso Senhor, pois o santo Patriarca exerceu de fato esse en- cargo, a ponto de, no Evangelho de São Lucas, Maria mencionar José como sendo pai de Jesus, ao encontrá-Lo no Templo: “Eis que teu pai e Eu andávamos à tua procura, cheios de aflição” (Lc 2, 48). Com efeito, o matrimônio realizado entre Nossa Senhora e São José foi inteiramente váli- do, segundo a Lei. E como todo casamento, por ser um contrato bilateral, dependia da anuência de ambos. É também uma verdade admitida por todos os Padres e teólogos que tanto Maria co- mo José estiveram vinculados a um voto de vir- gindade. Decerto, Ela lhe terá comunicado esse propósito que fizera e ele o aceitou, pois também terá feito o mesmo voto, pelo que os dois concor- daram em mantê-lo dentro do matrimônio. Por- tanto, Ela foi Virgem com o conhecimento e o consentimento de seu esposo, ficando ligados de livre e espontânea vontade a esse compromisso. Como sabemos, segundo a Lei antiga o varão tornava-se dono de sua esposa, de modo que “a

14        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

mulher israelita costumava chamar seu mari- do com os termos ba ʻ al — ‘amo’
mulher israelita costumava chamar seu mari- do com os termos ba ʻ al — ‘amo’

mulher israelita costumava chamar seu mari- do com os termos baʻal — ‘amo’ e ‘adôn — ‘se- nhor’, como faziam os escravos com seu dono

e o súdito com seu rei”. 8 A partir do momen-

to em que ambos se uniram, São José tornou-se

senhor de Maria e, em consequência, senhor de todo o fruto d’Ela. São Francisco de Sales expli- ca esta situação por meio de uma bela alegoria:

“Se uma pomba [

ra e a deixa cair num jardim, não diríamos que

a palmeira que vier a nascer pertence àquele de

quem é o jardim? Ora, se isto é assim, quem po-

derá duvidar que o Espírito Santo, tendo dei- xado cair essa divina tâmara, como uma divina pomba, no jardim encerrado e fechado da San- tíssima Virgem (jardim selado e rodeado por to- dos os lados pelas cercas do santo voto de vir- gindade e castidade toda imaculada), a qual pertencia ao glorioso São José, como a mulher ou esposa pertence ao esposo, quem duvidará, digo, ou quem poderá dizer que essa divina pal- meira, cujos frutos alimentam para a imortali- dade, não pertence ao grande São José?”. 9 Para a Encarnação era indispensável Nossa Senhora conceber dentro das aparências de um casamento humano, a fim de não criar uma si- tuação incompreensível, que dificultasse a mis- são do Messias. Logo, a gestação de Jesus no seio de Maria Santíssima tinha em José o selo da legalidade, de forma a garantir que o Me- nino viesse ao mundo em

leva em seu bico uma tâma-

sublime, ao aceitar, pela fé, ser pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Uma vez que ele consentiu em manter o es- tado de virgindade e aceitou o mistério da con- cepção do Menino Jesus em Maria, São José deve ser considerado, ademais, pai virginal do Redentor, pois teve uma grande ligação com a Encarnação, embora extrínseca. Ele foi neces- sário para que houvesse a união hipostática, e foi vontade de Deus que também participasse desta ordem hipostática, de forma extrínseca, moral e mediata. 10

Um esposo à altura de Nossa Senhora

Feitas essas considerações, lembremo-nos de outro princípio enunciado por São Tomás de Aquino: “Aqueles que foram eleitos por Deus para alguma coisa, Ele os prepara e dispõe de modo que sejam idôneos para desempenhar a

missão”. 11 De fato, desde toda a eternidade, São José esteve na mente de Deus com a voca- ção de ser chefe da Sagrada Família e para tal foi criado. Como diz a Oração do Dia da Santa Missa desta Solenidade, a ele foram confiadas “as primícias da Igreja”. 12 E teve sob sua custó- dia estas primícias, que foram o Menino Jesus

e Nossa Senhora. Devemos concluir, então, que

São José recebeu graças específicas para estar

à altura de sua missão de esposo e guardião de

Maria Santíssima, bem como de pai legal e atri- buído de Jesus Cristo, ou

seja, pai de Deus.

Modelo de humildade

Entretanto, o que trans- parece acerca da perso- nalidade de São José nos Evangelhos? Não cons- ta que fosse falador, espa- lhafatoso ou demasiado comunicativo. Pelo con- trário, à semelhança de Maria, José destacava-se pela seriedade, recato e despretensão. Certamen- te seguia uma rotina com horas marcadas para todos os seus deveres e uma apli- cação ao trabalho notável pela constância. Eis um exemplo do quanto Deus ama essas

]

pela constância. Eis um exemplo do quanto Deus ama essas ] São José - Vitral da

São José - Vitral da Catedral de Notre Dame, Paris

condições de normalida- de familiar, a fim de ope- rar a Redenção da huma- nidade.

O “fiat” de São José

Esta prerrogativa de São José, da paternida- de legal do Menino, bri- lha ainda com maior ful- gor quando constatamos que, sendo seu o fruto de Maria, ele poderia ter re- cusado o convite do Anjo no sonho, mas não o fez. Desse modo, paralela- mente ao “Fiat!” de Nos- sa Senhora em resposta a São Gabriel no momento da Anunciação, também ele pronunciou outro fiat

São José recebeu graças específicas para estar à altura de sua missão de pai legal e atribuído de Jesus Cristo, ou seja, pai de Deus

Ao abandonar esta vida, os olhos de São José se abriram para a eternidade e
Ao abandonar esta vida, os olhos de São José se abriram para a eternidade e

Ao abandonar esta vida, os olhos de São José se

abriram para

a

eternidade

e

viram Jesus

virtudes e escolhe para as grandes missões os que as praticam. Para conviver com Jesus e pro- teger todo o ambiente no qual Ele habitaria, a fim de realizar a mais alta obra de toda a Histó- ria da criação, a Providência preferiu dois, uma dama e um varão, que fossem recolhidos, apa- gados e humildes

São José, patrono da confiança e da boa morte

São José é também um impressionante mo- delo da virtude da confiança. Ele aceitou todas as incertezas que sua missão acarretava — co- mo constatamos, por exemplo, no episódio da fuga para o Egito (cf. Mt 2, 14) —, pois é de se supor que, com relação ao atendimento das ne- cessidades materiais e concretas da vida, a Pro- vidência não interviesse de forma direta, e dei- xasse essa responsabilidade aos cuidados dele. Portanto, era ele que tinha de garantir o sus- tento da Sagrada Família. A ele se aplica, de maneira especial, a belíssima frase empregada mais tarde por Nosso Senhor para indicar a ra- zão do prêmio a ser dado aos justos, no fim do mundo: “tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes” (Mt 25, 35-36). Do mesmo modo que Nossa Senhora rece-

beu a revelação dos padecimentos que o Salva- dor deveria sofrer na Terra para operar a Re-

denção, sem dúvida, também São José teve

sorridente

Martial Mailhot
Martial Mailhot

Morte de São José - Igreja Abacial de Santo Austremonio, Issoire (França)

16        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

noção do que ia acontecer e assumiu todos os dramas e dores de Jesus e de Maria. Inflama- do de amor por Jesus, seu grande desejo era de continuar neste mundo para proteger sua espo- sa virginal em todas as circunstâncias. Deus, po- rém, resolveu levá-lo antes de Jesus iniciar sua vida pública. Quiçá porque ele não toleraria presenciar todas as perseguições e tormentos da Paixão, e, enquanto varão, teria de manifestar seu desacordo com o plano da morte de Cristo e tomar a defesa d’Ele. Faria isso com tal ímpeto de zelo que talvez impossibilitasse que a Paixão chegasse a seu termo. Ao abandonar esta vida, São José morreu nos braços de seu Divino Filho. Seus olhos apa- garam-se para a contemplação de Deus-Ho- mem no tempo e, abrindo-se para a eternidade, viram Jesus sorridente, que o deixou no Limbo dos Justos, para ser colhido no dia em que Ele descerrasse as portas do Céu.

Em corpo e alma na glória do Céu

São Francisco de Sales sustenta a tese de que quando Cristo ressuscitou, São José também re- cuperou seu corpo para entrar no Paraíso junto com as almas de todos os justos que nesse mo- mento foram libertadas do Limbo e alcançaram a visão beatífica. “E se é verdade, o que deve- mos acreditar, que em virtude do Santíssimo Sacramento que recebemos nossos corpos res- suscitarão no dia do Juízo, como poderíamos duvidar que Nosso Senhor tenha feito subir ao Céu, em corpo e alma, o glorioso São José que teve a honra e a graça de levá-Lo em seus ben- ditos braços, nos quais Nosso Senhor tanto se comprazia?”. 13 Em favor disso argumentam ainda outros san- tos e doutores, 14 apoiando-se na estreita intimida- de que uniu a Sagrada Família aqui na Terra. Se Jesus e Maria subiram em corpo glorioso ao Céu, não é compreensível que não esteja lá também São José, pois o próprio Nosso Senhor afirmou:

“Não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19, 6; Mc 10, 9). Por conseguinte, segundo uma for- te corrente teológica, dado que esta união é que- rida por Deus, há três pessoas em corpo e alma na bem-aventurança eterna, antes mesmo da res- surreição final no último dia: Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora e São José. Ao considerarmos, admirados, a figura de São José e a elevação inimaginável de sua vocação — a ponto de ser impossível cogitar outra mais

alta —, vemos que ele está tão acima da nossa condição que o julgamos na
alta —, vemos que ele está tão acima da nossa condição que o julgamos na

alta —, vemos que ele está tão acima da nossa condição que o julgamos na mesma proporção de Maria. Cabe, pois, perguntar: acaso foi ele con- cebido sem pecado original? Até hoje o Magisté- rio da Igreja não afirmou o contrário de maneira definitiva, razão pela qual podem ser feitas con- siderações teológicas favoráveis a tal hipótese.

Iv – acorramoS a São JoSé!

Ante os horizontes grandiosos que a contem- plação amorosa da figura de São José nos des- cortina, podemos centrar agora nossa atenção em sua missão de Patriarca da Igreja e prote- tor de toda a ação dela. Qual é essa ação? Dis- tribuir as graças como administradora dos Sa- cramentos, que tornam efetivo o desígnio de salvação de Cristo. A Igreja, no seu nascedou- ro, reduzia-se a Jesus e a Maria, que obedeciam a São José como Patriarca e chefe da Sagrada Família. Essa relação entre Filho e pai se man- tém na eternidade, de modo que Nosso Senhor atende com particular benevolência aos pedidos feitos por São José. Em nossos dias encontramo-nos em uma si-

tuação de decadência moral terrível, talvez pior do que aquela na qual viviam os homens quando Nosso Senhor Jesus Cristo Se encarnou e São Jo-

recebeu as primícias da Igreja em suas mãos.

mundo inteiro está imerso no neopaganismo;

os crimes e abominações que se cometem hoje

O

são, às vezes, piores que os da Antiguidade. Mas tal como nos seus primórdios a Igreja propagou

Sergio Hollmann
Sergio Hollmann

Sagrada Família - Catedral de São Martinho, Colmar (França)

a Boa-nova do Evangelho e deu início a uma era de graças purificadoras e santificadoras da socie- dade, também podemos ter a certeza firme e ina- balável de que ela triunfará sobre o mal em nos- sos dias. Por isso, a Solenidade de São José é o dia especialíssimo para abrir nossos corações à devoção a este tão grande Santo, na certeza de sermos bem conduzidos, bem tratados e bem amparados. E valendo-nos de seu poderoso au- xílio, devemos pedir-lhe, enquanto Patriarca da Igreja, que intervenha nos acontecimentos, ob-

tendo de Jesus a renovação da face da Terra. ²

Essa relação entre Filho e pai se mantém na eternidade, de modo que Nosso Senhor atende com particular benevolência aos pedidos feitos por São José

1 Cf. ALASTRUEY, Gregorio. Tra- tado de la Virgen Santísima. 4.ed. Madrid: BAC, 1956, p.841.

2 Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. I, q.50, a.1, ad 1.

3 Cf. CLÁ DIAS, EP, João Scogna- miglio. Dois silêncios que mu- daram a História. In: Arautos do Evangelho. São Paulo. N.108 (Dez., 2010); p.10-17. Para a se- gunda opção de Evangelho para esta Solenidade (Lc 2, 41-51a), e também comentado pelo Au- tor, ver: Como encontrar Jesus na aridez? In: Arautos do Evan- gelho. São Paulo. N.96 (Dez., 2009); p.10-17.

4 AUTOR INCERTO. Opus imper- fectum in Matthæum. Hom.I, c.1:

MG 56, 633.

5 Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. In IV Sent. D.30, q.2, a.2, ad 5.

6 DE ISOLANO, OP, Isidoro. Su-

ma de los dones de San José. II, c.11. In: LLAMERA, OP, Boni-

facio. Teología de San José. Ma- drid: BAC, 1953, p.484-485.

7 Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. III, q.31, a.2.

8 TUYA, OP, Manuel de; SALGUE- RO, OP, José. Introducción a la Biblia. Madrid: BAC, 1967, v.II,

p.316.

9 SÃO FRANCISCO DE SALES. Entretien XIX. Sur les vertus de Saint Joseph. In: Œuvres Com-

plètes. Opuscules de spiritualité. Entretiens spirituels. 2.ed. Paris:

Louis Vivès, 1862, t.III, p.541.

10 Cf. LLAMERA, op. cit., p.129-139.

11 SÃO TOMÁS DE AQUINO. Su-

ma Teológica. III, q.27, a.4.

12 SOLENIDADE DE SÃO JO- SÉ. Oração do Dia. In: MISSAL ROMANO. Trad. Portuguesa da 2a. edição típica para o Brasil re-

alizada e publicada pela CNBB com acréscimos aprovados pela

Sé Apostólica. 9.ed. São Paulo:

Paulus, 2004, p.563.

13 SÃO FRANCISCO DE SALES, op. cit., p.546.

14 Cf. SÃO BERNARDINO DE SE- NA. Sermones de Sanctis. De Sancto Ioseph Sponso Beatæ Vir- ginis. Sermo I, a.3. In: Sermones Eximii. Veneza: Andreæ Poletti, 1745, t.IV, p.235; DE ISOLANO, op. cit., IV, c.3, p.629-630.

Fotos: Cavalaria de Maria

Cavalaria de maria

Uma comunidade religiosa em missão permanente

Ouve-se de repente uma música e surge na esquina uma bela imagem de Nossa Senhora, conduzida de casa em casa pelos Arautos do Evangelho. É a Cavalaria de Maria! Mais de 250 cidades brasileiras já presenciaram essa cena

Thiago de Oliveira Geraldo

já presenciaram essa cena Thiago de Oliveira Geraldo C ada época histórica apre- senta desafios ao

C ada época histórica apre- senta desafios ao zelo e à criatividade do apósto- lo, com novas possibilida-

des de atuação e novas dificuldades a enfrentar. E um dos grandes desafios para a Igreja, no Brasil atual, é o de reaproximar o enorme número de ca- tólicos que se afastaram da prática re- ligiosa, deixando vazias tantas igrejas. Como reverter tal situação? Com esse objetivo, inspirou a Di- vina Providência a criação, no seio da Associação Privada de Fiéis de Direito Pontifício Arautos do Evan- gelho, de uma unidade itinerante que sai à procura das ovelhas disper- sas: a Cavalaria de Maria, instituída em 2002 por Mons. João Scognami- glio Clá Dias. Trata-se de um con- junto de missionários que percor- rem o Brasil de norte a sul, não em fogosos corcéis, como os cavaleiros

de outrora, mas utilizando moder- nos meios de locomoção.

do entusiasmo desse sacerdote, que acaba influenciando todos os fiéis. Há muitos casos em que o pároco

 

Conduzem a imagem do Imacula-

do

Coração de Maria de casa em ca-

fez questão de acompanhar os arau-

sa

— literalmente por vales e montes,

tos durante todo o tempo da missão, em geral, uma semana. Entretanto, por muito intensas que sejam suas atividades evangeli- zadoras, os integrantes da Cavalaria de Maria jamais abandonam a vida comunitária, adaptada, é claro, às circunstâncias. De manhã assistem à Santa Missa, celebrada por um sa- cerdote arauto, e recitam em con- junto, ante o Santíssimo Sacramen- to exposto, a Liturgia das Horas e o Rosário. Por vezes também o pároco par- ticipa desses atos de vida comunitá- ria e recebe graças especiais. “A Ca- valaria de Maria salvou a vocação

com chuva ou bom tempo — e trans- mitem a todos uma mensagem de alento e de esperança no auxílio da

graça divina para a solução de todos

problemas espirituais e materiais. Como se desenvolve essa ativida- de? E como é a vida cotidiana des- ses missionários?

os

Vida comunitária em cada paróquia

Duas características principais marcam as atividades apostólicas

dessa comunidade itinerante. A pri- meira é que a Missão Mariana sem- pre se realiza a pedido do pároco.

E

o seu maior ou menor sucesso

de um padre!” — confidenciou um

depende em grande parte do zelo e

deles, emocionado. E outro comen-

18        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

Paulo Afonso (BA)
Paulo Afonso (BA)
Cascavel (PR)
Cascavel (PR)
Adamantina (SP)
Adamantina (SP)
Salvador (BA)
Salvador (BA)
Sororoca (MA)
Sororoca (MA)

Alguns aspectos da vida diária da Cavalaria de Maria em diversas cidades do Brasil

tou: “Pelo exemplo dado, inclusive pelos arautos mais jovens, de se con- fessarem toda semana, passei a imi- tá-los e estimulo outros padres a fa- zerem o mesmo”.

Como se desenvolve uma Missão Mariana?

As Missões Marianas costumam durar uma semana. O início é sem- pre impactante. A imagem de Nos- sa Senhora entra na cidade precedi- da por uma animada carreata, com

rojões e música. Essa recepção fes- tiva atrai os paroquianos para a ma- triz, onde é celebrada a Eucaristia de abertura da missão e se anuncia que todos serão visitados ao longo da semana. Nos dias subsequentes, os missio- nários percorrem as ruas da paró- quia, de casa em casa. Quem queira receber de portas e coração abertos a imagem da Mãe de Deus, é aten- dido. E quantas vezes isso se dá em

Entre centenas de casos comove- dores, veja-se este, ocorrido numa ci- dade paulista. Uma jovem que ia ser mãe, tomara a desesperada resolu- ção de pôr fim à sua vida justamente no dia em que os Arautos bateram à porta de sua casa. Ao fitar o expressi- vo olhar da imagem, ela sentiu Nossa Senhora dizer-lhe no fundo do cora- ção: “Não faça isso! Não faça isso!”. Tal foi a força da graça recebida, que ela passou o dia acompanhando a

momentos de extrema aflição!

imagem pelas casas do bairro. A par-

Março 2014 · Arautos   do   Evangelho        19

Aguaí (SP)
Aguaí (SP)
Ibitinga (SP)
Ibitinga (SP)
Aguaí (SP) Ibitinga (SP) tir daí, tudo mudou em sua vida. Ela tornou-se coordenadora de um

tir daí, tudo mudou em sua vida. Ela tornou-se coordenadora de um gru- po do Oratório. E meses depois, deu à sua filhinha recém-nascida o nome de Fátima, em homenagem à celes- tial Protetora. As visitas começam de manhã e se prolongam até a noite. Em cada residência, a família se reúne para alguns minutos de oração diante da imagem da Virgem Maria. Muitas pessoas aproveitam a ocasião para expor à Mãe de Deus e nossa os pro- blemas que as afligem no momento. Se há na casa anciãos ou doentes, a imagem é levada até eles. Os missio- nários fazem um levantamento dos moradores que querem receber al- gum Sacramento, e dos que desejam ser dizimistas. No fim da Missão, os formulários são entregues ao pároco para que este possa providenciar o atendimento de todos os pedidos. Desde sua fundação, os Cavalei- ros de Maria visitaram 298.313 resi-

dências, além de 33.292 repartições públicas, escolas e estabelecimen- tos comerciais, em 258 cidades bra- sileiras. Durante essas visitas, 25.430 pessoas pediram para receber o Ba- tismo, 47.091 a Primeira Comunhão, 57.856 a Crisma e 16.924 a Unção dos Enfermos. E 22.064 pessoas se alistaram como dizimista para a res- pectiva paróquia. Em 2013 a Cavalaria de Maria re- alizou missões no Distrito Federal e em 13 Estados brasileiros: do Rio Grande do Sul até o Pará, passan- do por Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Piauí, Ceará, Espíri- to Santo, Bahia e Maranhão.

Promovendo a devoção a Maria Santíssima

Para propiciar uma maior união de cada fiel com a Santíssima Virgem, os arautos da Cavalaria de Maria re-

servam uma noite da Missão Maria-

na para realizar uma palestra, sempre muito concorrida, sobre as aparições e a mensagem de Nossa Senhora em Fátima. Também propagam o uso do es- capulário de Nossa Senhora do Car- mo. Ao conhecerem a história desta devoção e os privilégios a ela ligados, todos manifestam o desejo recebê-lo. Apenas nos dois últimos anos, foram impostos escapulários do Carmo em 72 mil pessoas. Em Quintana (SP), por exemplo, 2.200 mil pessoas o re- ceberam numa só noite, cifra muita expressiva numa cidade de 6.500 ha- bitantes. Em Teresina (PI), tiveram o mesmo privilégio cerca de 3 mil fiéis da Igreja da Santíssima Trindade. Um momento especial na Missão Mariana é aquele em que os novos Oratórios do Imaculado Coração de Maria são bentos pelo pároco e entregues aos respectivos Coorde- nadores. Graças, em boa medida, à

ação da Cavalaria de Maria, cerca

em boa medida, à ação da Cavalaria de Maria, cerca Diversos aspectos da Missão Mariana 20
em boa medida, à ação da Cavalaria de Maria, cerca Diversos aspectos da Missão Mariana 20
em boa medida, à ação da Cavalaria de Maria, cerca Diversos aspectos da Missão Mariana 20
em boa medida, à ação da Cavalaria de Maria, cerca Diversos aspectos da Missão Mariana 20
em boa medida, à ação da Cavalaria de Maria, cerca Diversos aspectos da Missão Mariana 20

Diversos aspectos da Missão Mariana

20        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

Teresina (PI)
Teresina (PI)
Paulo Afonso (BA)
Paulo Afonso (BA)
Pinheiro (MA)
Pinheiro (MA)

Após ser recebida em carreata, a Imagem Peregrina é venerada pelos fiéis na paróquia e preside a procisão luminosa

de 18 mil oratórios visitam todo mês 540 mil lares brasileiros. Nossa Senhora nos recomendou, em Fátima, a Comunhão reparado- ra dos Primeiros Sábados. Em todas as cidades por onde passa, a Cavala- ria de Maria procura implantar esta devoção, de forma que ela seja rea- lizada mensalmente em pelo menos uma das paróquias do município. As visitas da Imagem Peregrina aos lares, as Missas diárias, a Ado- ração matutina, da qual um crescen- te número de paroquianos partici- pa, aumentam nos fiéis o fervor e os fazem sentir a necessidade de ma- nifestar publicamente sua fé. Desse modo, foi o próprio entusiasmo po- pular que levou os missionários arautos a promoverem a procissão luminosa, que percorre as ruas da ci- dade à noite, da qual participa gran- de multidão de paroquianos portan- do tochas acesas, rezando o Santo

Rosário e cantando hinos de louvor a Jesus e a Maria.

Confissões e Missa de encerramento

É durante a Missa de encerra- mento da Missão Mariana que se podem medir melhor os frutos do trabalho realizado na semana. As igrejas costumam lotar como nunca,

para surpresa dos próprios párocos:

Eu nunca vi essas pessoas aqui

na igreja! — é uma exclamação fre- quente.

Cerca de 60% das pessoas que

estão assistindo à Missa, não fre- quentam regularmente a paróquia — observam outros, admirados. De fato, numerosas pessoas rela- tam, durante as missões, que esta- vam afastadas das atividades ecle- siais há 25 ou 30 anos. Prova inequívoca do afervora-

mento dos fiéis é a extraordinária

demanda do Sacramento da Recon- ciliação. São dias de árdua atividade para o pároco e os sacerdotes da Ca- valaria de Maria! Na cidade de Boa Viagem (CE), por exemplo, um sa- cerdote arauto atendeu num dia confissões das 9h às 23h. Em Ipa- tinga (MG), as filas de Confissão na Matriz eram tão grandes que foi ne- cessário distribuir senhas, para evi- tar confusão; os padres só puderam retirar-se à meia-noite, depois de atender até o último penitente! Em Paulo Afonso (BA), o Bispo dioce- sano, Dom Guido Zendron, afirmou durante a Missa de Encerramento:

“O que mais me tocou nesta missão dos nossos queridos amigos Arautos do Evangelho foi o número impres- sionante de pessoas que procuraram o Sacramento da Confissão; tive me- do de que o Padre Wanderlei e o Pa- dre Francisco nem conseguissem à

noite chegar em casa

o Pa- dre Francisco nem conseguissem à noite chegar em casa Angelo Pignoli, Bispo de Quixadá
o Pa- dre Francisco nem conseguissem à noite chegar em casa Angelo Pignoli, Bispo de Quixadá
o Pa- dre Francisco nem conseguissem à noite chegar em casa Angelo Pignoli, Bispo de Quixadá

Angelo Pignoli, Bispo de Quixadá (CE) e Dom Sérgio da

Dom José Benedito Simão, Bispo de Assis (SP); Dom

Rocha, Arcebispo de Brasília, entre outros pastores, têm participado das Missões Marianas da Cavalaria de Maria

Dom Guido Zendron com os coordenadores do Oratório durante a Missa de Encerramento da Missão

Dom Guido Zendron com os coordenadores do Oratório durante a Missa de Encerramento da Missão Mariana realizada em Paulo Afonso (BA), em março de 2013

Uma missão que marcou a história

 

Nesses 12 anos de contínua ativi-

dade missionária, em qual cidade foi Nossa Senhora recebida com maior devoção e carinho? Pergunta nada fácil de responder! Mas após algum tempo de análise retrospectiva, vem

à

memória dos Cavaleiros de Maria a

missão realizada em Paraibuna (SP). Estavam nos primeiros anos da instituição e, portanto, sua atuação era muito menos conhecida do que hoje. Dificuldades surgidas no iní- cio da missão pareciam condená-la a um estrepitoso fracasso. Mas a ação de alguns dos fiéis, em combinação com o pároco, reverteu a situação. De tal forma os paroquianos se empenharam pela visita dos missio- nários, que estes ficaram impressio- nados por verem, durante a carrea-

ta inicial, todas as janelas enfeitadas com balões coloridos e bandeirinhas em homenagem à Virgem Santíssi- ma. Em cada casa visitada encon- travam um pequeno altar, recoberto com uma linda toalha e velas acesas,

espera da celestial Visitante. Os moradores aguardavam do la- do de fora da casa a chegada dos missionários. E quando estes se des-

à

22        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

locavam para um quarteirão mais distante, eram seguidos por crianças em bicicleta, incumbidas de comuni- car aos pais o endereço para onde fo- ra levada a Imagem. O resultado foi que a missão, iniciada pela manhã, se prolongava todo dia até as 23 ho- ras. No final, paroquianos que ha-

viam colaborado mais de perto com os missionários, lamentavam-se co- movidos: “Agora que a Cavalaria de Maria parte para outras cidades, o que será de nossas vidas?”. E um de- les resumiu nesta curta frase o pro- fundo efeito produzido nas almas por aquela semana de Missão: “A histó- ria de nossa paróquia pode ser dividi- da entre antes e depois desta visita!”.

“Quero ser arauto do Evangelho”

Ora, marcar um ponto de infle- xão na vida de todas as pessoas vi- sitadas é justamente a meta visada por esses jovens missionários. Al- mejam eles que cada uma tenha um encontro individual com Jesus, tor- ne-se assídua frequentadora dos Sa- cramentos e cresça na devoção a

Maria Santíssima a ponto de tam- bém poder afirmar: “A história de minha vida pode ser dividida entre

antes e depois desta visita!”.

 

E

por isso sentiram uma grande

alegria ao ouvir de Dom Guido Zen- dron, Bispo de Paulo Afonso (BA) es- tas palavras: “Desde que conheci os

nossos amigos e aceitamos que eles fi- zessem missão em nossa Diocese, eu me pergunto sempre: ‘O que esta pre- sença diz à minha vida? O que a pre- sença deles provoca na minha voca- ção? O que devo levar mais a sério na minha vida, observando a eles?’”.

 

E

acrescentou: “Não podemos fi-

car só contemplando sua atuação e continuar a vida como antes. Peço

que, pela intercessão de Nossa Senho- ra, possamos valorizar profundamen-

te

a beleza destes dias, e dizer também

nós: ‘Quero ser arauto do Evangelho, mensageiro, testemunha. Também eu, segundo a minha vocação, quero ser uma presença de Cristo’. Não vamos

tocar a trombeta como eles, nem fazer muitas outras coisas que eles fazem, mas a trombeta maior, que anuncia

a

presença de Cristo, será a unidade

entre nós, será uma maior participa- ção na Eucaristia ou no Sacramento da Confissão. Esta será a verdadeira música, o verdadeiro hino que tere- mos de aprender, de aprofundar sem- pre mais, no dia a dia da nossa vida

pessoal e comunitária”. ²

O depoimento dos párocos

I números sacerdotes enviaram cartas de agradeci- mento pela realização da Missão Mariana nas res- pectivas paróquias. Transcrevemos abaixo, a título

exemplificativo, expressivos trechos de algumas dessas missivas:

Deus não poderia ter-nos dado melhor presente

Foi pela graça divina que tivemos a alegria de receber os Arautos do Evangelho aqui conosco, onde por meio das celebrações, Confissões, visitas às comunidades e demais atividades desenvolvidas neste período, sempre com a presença edificante destes irmãos, pudemos no- tar a fé do nosso povo em Deus, o gosto em participar da Igreja, o fervor da comunidade, o retorno de muitos fiéis outrora afastados, a devoção ao Imaculado Coração (Oratórios), além da doce presença de Maria; estes e tantos outros elementos não sairão do coração humilde, acolhedor e alegre do nosso povo. O nosso bom Deus não poderia ter-nos dado melhor presente. (Pe. Fernan- do Antônio Carvalho Costa, Paróquia Nossa Senhora da Salette, Fortaleza)

Até os evangélicos acolheram suas visitas

O testemunho destes homens é magnífico pela firme- za da fé, pela oração constante que fazem, pela coragem de estarem num mundo como o nosso, levando pelas ruas a imagem de Nossa Senhora, não temendo humi- lhações e ofensas. A presença deles renovou a devoção a Maria Santíssima e fortaleceu a fé dos vacilantes. Até ir- mãos de igrejas evangélicas receberam suas visitas com muito carinho. Eu mesmo caminhei com eles alguns mo- mentos da semana e acompanhei as visitas nas famílias; e vi como continua atual e importante estarmos sempre com o espírito missionário em nossa vida cristã. (Pe. José Afonso Maniscalco, Paróquia Sagrado Coração de Jesus, Marília, SP)

As pessoas chegavam entusiasmadas e felizes

As duas Missas diárias chamavam muito a atenção de todos. O silêncio era profundo e os olhares ficavam fi- xos contemplando a beleza, a suavidade, o sentido e o amor em cada passo. Os cantos gregorianos nos ajuda- vam a criar um clima interior para acolher e amar Jesus. As três últimas noites foram de grande participação e as pessoas chegavam entusiasmadas e felizes para coroar o dia. (Pe. Jorge Luiz da Silva, Paróquia São José Operário, Joinville, SC)

Fac-símile de algumas das cartas recebidas Estar perto desses homens que transmitem Deus Chamou-nos a
Fac-símile de algumas das cartas recebidas
Estar perto desses homens que transmitem Deus
Chamou-nos a atenção nestes dias a sinceridade, o
respeito e o amor pelas coisas de Deus por parte dos
Arautos, o carinho e o acolhimento ao povo. Vimos
bem claro isso através do olhar das pessoas, o desejo
de estar perto desses homens que transmitem Deus.
(Pe. Sandro Romério de Lima, Paróquia São Sebastião,
Araxá, MG)
Respeito, dignidade e reverência no trato do Sagrado
O que ficou marcado foi ver a seriedade, o respeito, a
dignidade, a reverência com que o Sagrado era tratado.
Por ações foi mostrado que o litúrgico, os símbolos e ri-
tos, os Sacramentos não são qualquer coisa, pois eles nos
remetem à glória de Deus, quando devidamente amados
e vividos. (Pe. Luiz Antônio de Almeida, Paróquia Santa
Maria, Piratininga, SP)
Reavivamento da fé das lideranças e movimentos
As missões trouxeram um reavivamento da fé para
muitos, a começar pelas próprias lideranças de nossas
diversas pastorais e movimentos, bem como para inú-
meras famílias que receberam a visita dos missionários
arautos, juntamente com a Imagem da Santíssima Vir-
gem de Fátima. Ressaltamos ainda que a passagem dos
Arautos do Evangelho, por meio da Cavalaria de Maria,
pela nossa cidade foi certamente algo que ficará na me-
mória de nosso povo. (Pe. Rafael Fabiano, Paróquia do
Senhor Bom Jesus, Aguaí, SP)

Entre Deus e os homens

Se o sacerdote é digno de tanta consideração da parte dos fiéis, dele também deve ser exigida a retidão na conduta e a sabedoria no conselho.

Irmã Mariana Morazzani Arráiz, EP

a sabedoria no conselho. Irmã Mariana Morazzani Arráiz, EP C riado para as alegrias do eterno

C riado para as alegrias do eterno convívio com Deus, o homem procura natural- mente o infinito, o bem ín-

Céu, um ser débil, enfermiço, fatiga- do, devastado interiormente por pro- blemas e lutas cruciantes”. 2 Sua fragilidade de inteligência e vontade tornaram-no um ser dividi- do entre as mentirosas atrações do

tegro, a verdade absoluta. Esta aspi- ração, infundida em seu próprio ser

a

fim de facilitar as relações entre ele

erro e os nobres e serenos apelos da

e

o Criador, nem os piores crimes ou

verdade e do bem. Desta constan- te dilaceração queixa-se São Paulo, em sua Carta aos Romanos: “Eu sei que em mim, isto é, na minha car- ne, não habita o bem, porque o que- rer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero” (7, 18-19).

A necessidade de mediadores

os fugazes e enganosos prazeres des- ta vida conseguem apagar. Numa pa- lavra, a paz e a felicidade autênticas só podem ser encontradas em Deus. O grande Santo Agostinho descreveu tal anelo da alma humana, em célebre e poética frase: “porque nos fizeste para Ti, inquieto está o nosso coração en- quanto em Ti não repousar”. 1

“O homem se transformou em criminoso”

Perante a dolorosa constatação, sentiam os homens a necessidade de haver alguém que servisse de ligação entre eles e Deus. Era preciso que existissem intermediários oficiais para comunicar ao povo as ordens do Altíssimo, ser os instrumentos de sua misericórdia e os intérpretes de sua justiça. Como tais aparecem Noé, Abraão, Isaac e Jacó, o famoso e misterioso Melquisedec, “rei de Salém e sacer- dote do Deus Altíssimo” (Gn 14, 18), Moisés, condutor de seu povo e, so- bretudo, Aarão, escolhido para ini- ciar uma linhagem sacerdotal, dedi- cada exclusivamente ao serviço do

Senhor. Essas figuras apontam já pa-

Todavia, se o pecado original e a expulsão do Paraíso não fizeram de- saparecer esta sede de infinito, o ho- mem começou a experimentar as terríveis consequências de sua de- sobediência: apreensões, incerteza, dor, sofrimento, tendência a prati- car o mal, desamparo em uma Terra sobre a qual não tinha mais o domí- nio, e na qual a sua natureza sentia- -se apequenada e ameaçada pela jus- ta cólera de um Deus ofendido. “De filho de Deus, o homem se transfor- mou em criminoso. Extinguiu-se ne- le a vida sobrenatural. Passou a ser um condenado à morte e à perda do

24        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

ra o ideal do sacerdócio cristão, cuja função “é ser mediador entre Deus e o povo”. 3 Inclusive nos povos da Antiguida- de, imersos na idolatria, os magos e detentores do culto eram tidos em grande respeito e consideração, em- bora os ritos destas religiões fossem maculados pela superstição e por sacrifícios muitas vezes repugnan- tes. Vemos assim se impor, de mo- do geral, o princípio da superiorida- de sacerdotal, oriundo de um anseio profundo enraizado no espírito hu- mano.

Ele deve ser santo na sua vida

Tendo sido instituído o verdadei- ro sacerdócio pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo — Ele mesmo Sacerdote e Mediador eterno dian- te do Pai —, a missão dos minis- tros de Deus elevou-se a um pata- mar incomparável, realidade excelsa da qual a anterior constituía apenas uma pálida sombra ou uma infeliz deturpação. Por esta razão, os homens desig- nados para ser ministros e embaixa- dores do Senhor, ungidos na Santa Igreja com o Sacramento da Ordem, veem-se cercados de especial reve- rência e admiração, participativa da- quela tributada ao Altíssimo. Entretanto, como reza o dita-

do francês, noblesse oblige. Se o sa-

Gustavo Krlaj
Gustavo Krlaj

Perante a dolorosa constatação dos efeitos do pecado original, sentiam os homens a necessidade de haver alguém que servisse de ligação entre eles e Deus

Sacrifícios de Abel e Melquisedec - Basílica de São Vital, Ravena (Itália)

cerdote é digno desta consideração, dele também é exigida a retidão na conduta e a sabedoria no conselho. Se ele quer guardar inteiramente a fidelidade à vocação que recebeu, procurará fazer esquecer sua pró- pria pessoa para pôr em evidência seu sacerdócio, cônscio de ser re- presentante d’Aquele que “é eterna- mente perfeito” (Hb 7, 28). “O sacerdote” — afirma Mons. João Scognamiglio Clá Dias — “precisa ser santo. A sociedade quer ver no sacerdote a santidade. Ne- le vão procurar o apoio àquela sede

de perfeição que a graça lhes põe na

alma. [

]

Ele deve ser santo na sua

vida, na sua conduta, na sua integri- dade moral, na sua integridade de pensamento, na sua integridade de palavra. Deve ser santo para poder arrastar, para poder convencer e pa- ra poder arrebatar”. 4 De fato, grande é o poder de um sacerdote santo, pois nele aliam-se o caráter sagrado — pelo qual o presbí- tero atua in persona Christi ao minis- trar os Sacramentos — e a força irre- sistível da virtude praticada em grau

heroico, que nada pode vencer. Quan-

do estas duas potências estão unidas numa mesma pessoa, não há maravi- lha que não se possa esperar!. ²

1 SANTO AGOSTINHO. Confessionum. L.I, c.1, n.1. In: Obras. 7.ed. Madrid:

BAC, 1979, v.II, p.73.

2 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. O adversário. In: Dr. Plinio. São Paulo. Ano V. N.56 (Nov., 2002); p.28.

3 SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teo- lógica. III, q.22, a.1.

4 CLÁ DIAS, EP, João Scognamiglio. Ho- milia na Sexta-feira da III Semana do

Advento. Caieiras, 19 dez. 2008.

“O inédito sobre os Evangelhos” Editada pela Libreria Editrice Vaticana, a coleção “O inédito sobre
“O inédito sobre os Evangelhos” Editada pela Libreria Editrice Vaticana, a coleção “O inédito sobre
“O inédito sobre os Evangelhos” Editada pela Libreria Editrice Vaticana, a coleção “O inédito sobre
“O inédito sobre os Evangelhos” Editada pela Libreria Editrice Vaticana, a coleção “O inédito sobre

“O inédito sobre os Evangelhos”

Editada pela Libreria Editrice Vaticana, a coleção “O inédito sobre os Evangelhos” contém comentários de Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, aos Evangelhos de todos os domingos e solenidades do

ciclo litúrgico.

Pedidos pela internet (evangelhocomentado.arautos.org) ou pelo telefone (11) 2971-9040

Volumes em formato brochura (157x230mm) com impressão colorida em papel couchê

ou pelo telefone (11) 2971-9040 Volumes em formato brochura (157x230mm) com impressão colorida em papel couchê
(157x230mm) com impressão colorida em papel couchê Março 2014 · Arautos   do   Evangelho

Março 2014 · Arautos   do   Evangelho        25

“Quem dá aos necessitados, empresta a Deus”

F ortemente flagelado pela tormenta Manuel, do Pacífico, e afetado também pelo furacão Ingrid, Guerrero foi um dos estados do México que mais

sofreu com as terríveis consequências das chuvas torren-

ciais e das enchentes. Mais de cem pessoas perderam a

vida neste estado, plantações e rebanhos foram destruídos, e seis das 16 escolas do país mais

gravemente afetadas pelo mal tempo contram-se no seu território.

A fim de aliviar o sofrimento das

vítimas, os Arautos do Evangelho organizaram, com o apoio de em- presários e particulares, a campa- nha “Quem dá aos necessitados, empresta a Deus”, destinada a ar- recadar cobertores, comida, rou- pas e brinquedos para as crianças de algumas das paróquias mais afe-

tadas pelos desastres naturais na ser- ra de Acapulco.

entrega desses materiais e, sobre-

As Paróquias São Jerônimo, de Colotepec, e Nossa Senhora das Dores, de Tres Palos, foram as encarregadas de organizar a recepção da Imagem Peregrina e a distribuição dos presentes (fotos 1 e 2), bem como de hospedar o grupo de missio-

nários arautos que ali chegaram vindos da capital federal. Missas, santos rosários, procissões e vigílias foram alguns belos frutos pro- duzidos pela visita da Imagem Pere- grina. Na Paróquia Nossa Senhora das Dores os fiéis passaram a noi- te em oração em honra à Mãe de Deus, e em São Jerônimo orga- nizaram uma procissão durante a qual foram percorridas, ao longo de oito horas, sete comunidades adjacentes a Colotepec (foto 3). Na Capela Nossa Senhora do Refúgio a Imagem foi recebida com especial fervor e carinho (fotos 4 e 5).

Colotepec houve também cateque-

se para os anciãos e agricultores (foto 6) e um programa especial para crianças do ensino primário (foto 7). E, no domingo, a despedida da imagem foi acompanha pelas badaladas do sino na Paróquia Nos- sa Senhora das Dores (foto 8).

en- Em
en-
Em

A

tudo, a visita realizada pela Imagem Pe- regrina do Imaculado Coração de Maria à re- gião entre os dias 14 e 16 de dezembro trouxe para essas populações momentos de muita alegria e paz es- piritual, em meio às calamidades sofridas pelas incle- mências da natureza.

às calamidades sofridas pelas incle- mências da natureza. Visitas a colégios – A Imagem Peregrina do
às calamidades sofridas pelas incle- mências da natureza. Visitas a colégios – A Imagem Peregrina do

Visitas a colégios – A Imagem Peregrina do Imaculado Coração de Maria tem visitado regularmente instituições de ensino do Distrito Federal, como o Colégio La Salle de Seglares. Ali, professores e alunos recitaram o Santo Rosário, renovaram da Consagração à Mãe de Deus, e d’Ela se aproximaram para oferecer-Lhe flores.

26        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

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1 2 3 5 8 4 6 7 Oratórios – Novos oratórios foram entregues pelo Pe.

Oratórios – Novos oratórios foram entregues pelo Pe. Rubén Sánchez Olmos na Reitoria de Nossa Senhora do Rosário, na Cidade do México (foto à esquerda), e pelo Pe. Miguel Aguiñaga Ontiveros na Paróquia da Divina Providência, em Arandas (foto à direita). Nesta última já são mais de dez que circulam entre os fiéis.

Ruanda – No dia 18 de janeiro, famílias participantes do Apostolado do Oratório da Paróquia
Ruanda – No dia 18 de janeiro, famílias participantes do Apostolado do Oratório da Paróquia

Ruanda – No dia 18 de janeiro, famílias participantes do Apostolado do Oratório da Paróquia de Rango reuniram- -se para uma jornada mariana, que teve início às 6:15h com a Santa Missa, seguida de procissão e visita às residências. No percurso, rezou-se o Santo Rosário, intercalado de cânticos em louvor a Maria Santíssima.

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Itália – Em presença de Dom Francesco Milito, Bispo de Oppido Malmertina-Palmi, do paróco e de numerosos fiéis, o prefeito, Carmelo Panetta, proclamou o município calabrês de Galatro “Cidade Mariana” (foto 1). O anúncio da decisão tomada pela Câmara Municipal foi feito durante a Santa Missa presidida pelo Bispo na Paróquia de São Nicolau (foto 2). Nos dias sucessivos realizou-se nessa cidade uma Missão Mariana, que incluiu, entre muitas outras atividades, visitas a escolas (foto 3) e procissões (foto 4).

28        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

Cursos de Férias

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S e, infelizmente, grande parte da juventude hodierna se deixa levar pela avalanche do hedonismo do pecado

que varre a sociedade, é fato que parcela significativa dos jovens procura na Religião resposta para a crise existencial. Tal fenômeno pôde ser comprovado mais uma vez no recente Curso de Férias promovido pelos Arautos do Evangelho com a participação de 750 rapazes e 500 mo- ças. O evento do setor masculino realizou-se no seminá- rio dos Arautos em Caieiras, Grande São Paulo, e foi de- dicado ao tema “Ambientes e Costumes na História da

Igreja” (foto 1). E o do setor feminino, na Casa Monte Carmelo, situada no mesmo município, versou sobre os sonhos de São João Bosco. O Fundador dos Arautos do Evangelho, Mons. João Scognamiglio Clá Dias, celebrou a Santa Missa diaria- mente para eles na Basílica de Nossa Senhora do Ro- sário (foto 2) e administrou a primeira comunhão para algumas jovens (foto 3). Como é habitual, as reuniões foram acompanhadas de animados debates (foto 4) e es- meradas encenações teatrais (foto 5).

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São CaSimiro

Príncipe, jovem e santo

Vivendo numa sociedade já voltada para os prazeres desenfreados, soube visar a glória de Deus, antes de tudo, permanecendo íntegro de corpo e alma, firme na Fé e zeloso pelo bem de seus súditos.

Lucilia Lins Brandão Veas, EP

pelo bem de seus súditos. Lucilia Lins Brandão Veas, EP E sua sabedoria divina, a Santa

E

sua sabedoria divina, a

Santa Igreja sempre tem pa- lavras adequadas para ele-

o coração e a mente dos

fiéis em todas as suas comemorações

ou festas. E ao recorrer à intercessão de São Casimiro, no dia de sua me- mória — 4 de março —, ela começa por pedir: “Ó Deus todo-poderoso, a

quem servir é reinar

De fato, quem deposita a con-

fiança em Deus e entrega toda a sua existência ao serviço d’Ele, quer abraçando o estado religioso quer

o estado leigo, como São Casimiro,

recebe o cêntuplo ainda nesta Terra,

e mais ainda no Céu. A este jovem

não faltaram grandes qualidades, tampouco territórios para gover- nar, e ele soube eleger para sua vida um caminho que lhe legasse o Reino

eterno. Sem dar largas à cobiça, tão

m

var

”.

1

comum aos monarcas de sua épo- ca, manteve-se íntegro na fidelida- de ao seu nobre ideal: ser um prín- cipe santo.

Nascido no esplendor de uma corte

Casimiro nasceu a 3 de outubro de 1458, no castelo de Wawel, em Cracóvia. Seu pai, Casimiro IV, era

rei da Polônia e grão-duque da Li- tuânia, cabendo-lhe governar como tal um extenso território que se es- tendia pelo leste quase até Moscou e pelo sul até o Mar Negro. Sua mãe

era a arquiduquesa Isabel, filha de Alberto II de Habsburgo, rei dos ro-

manos e soberano da Áustria, Hun- gria e Boêmia. Nosso Santo foi o terceiro de 13 filhos, e diz-se que sua progenito- ra “já no berço ninava para eles os

tronos europeus”. 2 Tanto ele quanto

30        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

Ccox csc / Wikipedia
Ccox csc / Wikipedia

São Casimiro - Paróquia de São Casimiro, South Bend (Estados Unidos)

seus irmãos receberam excelen- te formação, pois, como Isabel via em cada filho um futuro monarca, e em cada filha uma rainha, não pou- pou esforços na instrução das crian- ças. Embora sendo piedosa, educa- va-os tendo em vista a corte e a vida diplomática, e não a santidade, jul- gando de forma errada — como muitos fazem, infelizmente, tam- bém hoje — que a procura da per- feição está reservada apenas àque- les que se retiram do mundo para levar uma vida religiosa. Casimiro, pelo contrário, desde tenra idade entendeu que devia ser santo, sem deixar de ser príncipe e isso signifi- cava “ser fiel aos desígnios de Deus, mesmo ‘cercado de luxo da corte real e das atrações mundanas’”, 3 co- mo diz a oração da Missa de sua fes-

ta, na Lituânia.

A corte de Cracóvia era tão luxu- osa e requintada como as demais da- quela quadra histórica. À mesa ser- viam-se ricas iguarias e os banquetes prolongavam-se por longas horas. Compenetrado dos deveres ineren- tes à sua condição de príncipe, São Casimiro não se recusava a partici- par da vida social. Mostrava-se amá- vel e alegre nas festas, mas delas se retirava tão logo podia. Não des- prezava as finas vestimentas princi- pescas, contudo, por espírito de po- breza, usava uma túnica interior de tecido comum. Sabia-se que seus ri- cos trajes ocultavam um cilício e que ele fazia muitas outras mortifica- ções. Sempre discreto nessas práti- cas religiosas e penitências, chegou a ser chamado de “a encarnação de silenciosa devoção”. 4

Adolescente puro, paciente e magnânimo

Dentro da vida palaciana era no- tável sua extrema generosidade para com os pobres, viúvas, peregrinos, prisioneiros ou anciãos, pois, não se contentando em dar do que era seu, doava até seu próprio tempo em be- nefício alheio.

Se era magnânimo nas obras de caridade corporais, muito mais o era nas espirituais, admoestando com sabedoria, bondade e paciência os que o circundavam — até mes- mo seu pai —, sempre que via algo contundir a verdade ou estar priva- do da maior perfeição possível. Sa- bia também perdoar as ofensas que lhe eram feitas, rezar por seus mais próximos e por seus súditos, os quais desejava ver no caminho do bem e ardorosos na Fé. Seus biógrafos destacam sua exí- mia pureza, a qual reluzia a ponto de um de seus mestres, Bonaccorsi, chamá-lo de “divus adolescens — jo- vem divinizado”. 5 Praticar com per- feição esta virtude, no corpo e na al- ma, era a meta de sua vida. Por isso nunca entregou seu coração a qual- quer afeto deste mundo e se mante- ve sempre vigilante para que nada lhe manchasse.

Amor pela oração e pela liturgia

De onde lhe vinham tantas virtu- des? De Jesus Crucificado, de quem meditava amiúde a Paixão, e da San- tíssima Virgem, a quem dedicava to-

da a sua vida.

Estando em Cracóvia ou em Vil- nius, capital do grão-ducado da Li- tuânia, viam-no repetidas vezes percorrendo as estações da Via-Sa- cra, devoção surgida naqueles anos e que tocou profundamente a sua alma. Estas meditações o levavam a amar a cruz e o sacrifício, e a dese- jar dar a vida por Aquele que quis ser escarnecido e Se deixou crucifi- car por amor à humanidade. As cerimônias litúrgicas o entu- siasmavam e nunca perdia o ensejo de assistir a uma Missa. Nessas oca- siões, ficavam patentes aos olhos dos circunstantes sua piedade e seu ardente amor ao Santíssimo Sacra- mento. Quando no Paço Real ninguém sabia onde ele estava, o encontra- vam em alguma igreja, absorto em oração. Tanto na Polônia quanto na Lituânia, gostava de visitá-las e não titubeava em rezar junto às suas por- tas, caso as encontrasse fechadas. Era comum vê-lo, nas mais di- versas oportunidades, ajoelhado aos pés de Nossa Senhora, a rezar. Contam que recitava a cada dia o hi- no “Omni die dic Mariæ meæ laudes

anima — Que a cada dia minha alma

dic Mariæ meæ laudes anima — Que a cada dia minha alma Casimiro foi o terceiro
Casimiro foi o terceiro de 13 filhos, e diz-se que sua progenitora “já no berço
Casimiro foi o terceiro de
13 filhos, e diz-se que sua
progenitora “já no berço
ninava para eles os tronos
europeus”
Acima: Casimiro IV e Isabel
de Habsburgo, pais de São
Casimiro; à direita, vista atual
do Castelo de Wawel, em
Cracóvia (Polônia)
Jakub Hałun

cante louvores a Maria”, 6 divulgan- do-o entre seus súditos. Atraía-o, sobretudo, a esplêndida pureza da Mãe de Deus. Pedia a Ela o dom da sabedoria e a virtude da justiça para saber governar, bem como o espírito de vigilância, a fim de nunca sucum- bir como Salomão (cf. I Rs 11, 1-6).

Dois anos como regente da Polônia

No ano de 1481, o rei Casimiro IV, seu pai, precisou transferir sua residência para a Lituânia, deixan- do-o como regente em Cracóvia. Por dois anos governou São Casi- miro a Polônia, durante os quais não deixou de atender a nenhum dos seus súditos, seja qual fosse a classe social à qual pertenciam. Tanto clé- rigos quanto nobres ou plebeus sen- tiam-se bem acolhidos em suas de- mandas e aplicou-se com tanto bom senso à administração, que conse- guiu em pouco tempo estabilizar o tesouro real, cortando os gastos inú- teis e afastando dele os aproveita- dores. Com isso, livrou de hipotecas muitas propriedades reais. Jovem de ânimo resoluto e tem- perante, fazia grandes esforços pa- ra manter entre seus vassalos a boa conduta nos negócios do Estado.

Para ele a glória de Deus envolvia tudo: desde um simples cálculo algé- brico às grandes decisões nas quais estavam em xeque os mais impor- tantes interesses da nação. Apesar da constância e firmeza nos interes- ses do reino, não deixava de ouvir os que o rodeavam, como atesta uma de suas cartas, de 1º de fevereiro de 1481, destinada aos nobres dirigen- tes da cidade de Braslava: “Eu gos- taria muito — não só porque é de justiça, que prezo muito e procuro respeitar — de deixá-los satisfeitos, o que de modo especial almejo”. 7 E sendo a Polônia um país católi- co, São Casimiro, enquanto príncipe regente, não pôde deixar de procu- rar estreitar com afinco as relações com Roma, um tanto negligenciadas por seu pai.

Últimos meses de vida

O peso das responsabilidades e os intensos trabalhos desses anos à frente do governo polonês aca- baram por extenuar o santo prínci- pe. Somavam-se a isso as contínuas mortificações que fazia, como tive- mos a oportunidade de contemplar. Retirou-se com a família, então, pa-

ra a Lituânia, na primavera de 1483,

Pernilla Larding
Pernilla Larding

Os últimos seis meses de sua vida passou-os entre Vilnius e Trakai

Vista atual do Castelo de Trakai (Lituânia)

32        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

a fim de recobrar um pouco as ener-

gias. Ali, como acontecera na Polô- nia, os anais de sua história regis- tram um especial desvelo para com os mais necessitados, e eram os con- ventos e as igrejas, de modo espe- cial, o objeto de sua prodigalida- de. Não se sentia bem se não visse o Rei dos reis e Senhor dos senhores, Jesus Sacramentado, honrado e ser- vido através de um digno templo e de ricos objetos litúrgicos. Os últimos seis meses de sua vida,

ele os passou entre Vilnius e Trakai, auxiliando o pai na chancelaria do Estado lituano e promovendo a Fé entre o povo. Estando, entretan- to, com a saúde comprometida e o organismo extremamente debilita- do, foi atacado por uma violenta tu- berculose, que consumiu suas últi- mas forças. Tinha 25 anos de idade

e havia guardado intacta sua pureza

virginal, mas sua mãe ainda alimen- tava as esperanças de vê-lo casado com a filha do imperador Frederi- co III, sem compreender serem ou- tros os desígnios divinos para este varão eleito.

“Mais admirável ainda no Céu”

No dia 4 de março de 1484, ele entregou a alma a Deus. Seu cor-

po foi sepultado no jazigo da família real, na catedral de Vilnius. E ape- sar da umidade do local, estava in- teiro e incorrupto quando foi exu- mado, 120 anos depois, em 1604. Segundo o relato das testemunhas, dele exalava um agradável odor. In- tactas estavam também suas vestes. Sobre seu peito repousava uma có- pia do hino mariano que rezava dia- riamente: “Omni die dic Mariæ”. Be- lo símbolo de uma santa vida, na qual cada dia foi um hino de louvor

à Mãe de Deus! Quem se entrega sem reservas a Deus neste vale de lágrimas, quan- do chega à glória da visão beatífi- ca não abandona aqueles que na

Quando, 120 anos depois, foi exumado seu corpo, ele estava incorrupto e exalava um agradável
Quando, 120 anos depois, foi exumado seu corpo, ele estava
incorrupto e exalava um agradável odor
Afresco representando a exumação do corpo de São Casimiro e retrato do Santo venerado
junto ao seus restos mortais - Capela de São Casimiro, Catedral de Vilnius
Albertus teolog
Alistair young

Terra ficaram privados de sua pre- sença. Pelo contrário, muitas vezes realizam por estes mais do que pu- deram fazer durante a sua peregri- nação terrena. Tal é o “ministério” próprio dos Santos. Conhecido co- mo amável, caridoso e amigo dos pobres, para os lituanos e poloneses São Casimiro é, sobretudo, o prote- tor de sua Pátria. Em momentos nos quais a Li- tuânia passou por difíceis perío- dos enquanto nação, o jovem e san- to príncipe nunca deixou de prestar socorro a seus compatriotas. E a de- voção a ele foi um poderoso instru- mento nas mãos dos jesuítas, pa- ra preservar a Religião Católica no país diante da propaganda protes- tante. Atraídos por sua nobreza de

caráter e pela força de sua fé, os fi- lhos de Santo Inácio exortavam os li- tuanos a permanecerem fiéis aos en- sinamentos da Igreja, tal como São Casimiro. A partir de então, igre- jas foram construídas em sua honra, surgiram confrarias colocadas sob sua proteção, milhares de recém- -nascidos receberam o seu nome, propagando-se a devoção ao Santo não só em terras lituânias e polone- sas, mas, posteriormente, em todo o mundo. Até nos sinos dos campaná- rios eram gravados louvores ao jo- vem príncipe, como para fazer ecoar as belezas de sua santidade. “Casi- mire, terris mire, cœlis mirabilior — Casimiro, admirável na Terra, mais admirável ainda no Céu”, 8 lê-se no

O exemplo de sua vida marcou profundamente seus contemporâ-

neos, e foi de Vilnius que partiu

o

pedido de sua canonização. Em

1521, Leão X o elevou às honras dos altares, tendo antes compro-

vado ter sido sua vida um contínuo testemunho da presença de Deus entre os homens. Urbano VIII a ele confiou a proteção da Lituâ- nia; e a heroicidade de sua pure- za e perseverança no bom cami- nho fez com que Pio XII, em 1948,

o

proclamasse “Patrono da juven-

tude lituana, na pátria e no exte- rior”. A São Casimiro, que não chegou a ser coroado na Terra co- mo rei, porque faleceu com pou- ca idade, foi dada a coroa da glória

sino da igreja de Kraziai.

nos Céus. ²

1 MEMÓRIA DE SÃO CA- SIMIRO. Oração do Ofí- cio das Leituras. In: CO- MISSÃO EPISCOPAL DE TEXTOS LITÚRGICOS. Liturgia das Horas. Petró- polis: Vozes; Paulinas; Pau- lus; Ave Maria; 2000, v.III,

p.1285.

2 GAVENAS, Pranas. São Ca- simiro. O primeiro santo jo- vem leigo da era moder- na. São Paulo: Salesiana D. Bosco, 1984, p.19.

3 Idem, p.28.

4 HÜMMELER, H. Helden und heilige, apud GAVE- NAS, op. cit., p.41

5 SANCHEZ ALISEDA, Ca- simiro. San Casimiro. In:

ECHEVERRÍA, Lamber- to de; LLORCA, Bernar- dino; REPETTO BETES, José Luis (Org.). Año Cris- tiano. Madrid: BAC, 2003, v.III, p.73.

6 COMISSÃO DE ESTUDOS DE CANTO GREGORIA- NO DOS ARAUTOS DO EVANGELHO. Liber Can- tualis. São Paulo: Salesiana, 2011, p.167.

7 GAVENAS, op. cit., p.35.

8 Idem, p.64.

A luz primordial

Todo homem é dotado de uma “cintilação de Deus”, colocada pelo Criador exclusivamente em sua alma. Cada um de nós é, por assim dizer, um momento único da História de Deus.

Diác. Antonio Jakoš Ilija, EP

único da História de Deus. Diác. Antonio Jakoš Ilija, EP N a sala de concertos re-

N a sala de concertos re- pleta, a orquestra sinfô- nica acaba de executar uma famosa obra. O es-

N a sala de concertos re- pleta, a orquestra sinfô- nica acaba de executar uma famosa

petáculo é um só, mas muitas são as impressões no auditório. Alguns ou- vintes admiram a uniformidade no movimento dos arcos; outros apre- ciam melhor a precisão do timpanista; outros, por fim, sentem-se mais atraí- dos pelos timbres dos clarinetes e dos oboés, pelos graves do fagote ou pelo brilho dos trompetes. Uma parte da assistência enal- tece o gênio do compositor, outra exalta o do maestro, que conhece todos os detalhes da partitura e re- ge a execução. Em suma: todos ad- miram a música, mas a variedade de impressões é proporcional ao nú- mero de assistentes, consequência de mil fatores relacionados ao tem- peramento, aos gostos, ao caráter, à cultura ou à personalidade de cada ouvinte.

Necessidade da diversidade para representar a bondade divina

A situação acima descrita cons- titui um exemplo adequado do que acontece com os homens quando contemplam a criação: esta é uma só, mas são infindáveis as perspectivas

através das quais pode ser contem- plada. Estas perspectivas correspondem aos pontos de vista de quem obser- va, ou melhor, de quem admira. Tais pontos de vista, por sua vez, depen- dem de uma maravilhosa e harmôni- ca conjugação de dons naturais e so- brenaturais concedidos por Deus a cada pessoa com a finalidade de dar- -lhe a possibilidade de conhecê-Lo,

glorificá-Lo e adorá-Lo de maneira única. Há uma razão para esta forma pe- culiar de cada homem adorar a Deus, como explica São Tomás: “Deus pro- duziu as coisas no ser para comunicar sua bondade às criaturas, bondade que elas devem representar. Como uma única criatura não seria capaz de representá-la suficientemente,

Ele produziu criaturas múltiplas e

suficientemente, Ele produziu criaturas múltiplas e Todos admiram a música, mas a variedade de impressões é

Todos admiram a música, mas a variedade de impressões é proporcional ao número de assistentes, consequência de mil fatores

Concerto oferecido pela Orquestra Filarmônica Checa

na sala Dvořák do Rudolfinum, Praga, 3/11/2011

34        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

Mário Shinoda
Mário Shinoda

Plinio Corrêa de Oliveira em agosto de 1993

“A luz primordial constitui, antes de tudo, uma determinada hierarquização de perfeições”

a pessoa admira, antes de qualquer outra virtude, a fortaleza, depois a justiça, depois a prudência, e assim por diante. Ou admira primeiro a honra, depois a coragem, depois a hu- mildade, etc. É preciso, entretanto, observar que a perfeição dominan- te dá às secundárias uma certa tona- lidade, de tal modo que todas as ou- tras têm um tom da principal. É o que Santa Teresinha dizia quando obser-

vava que, para ela, até a justiça de Deus estava embebida de amor”. 2 Esta percepção de que até mes- mo a justiça divina se exerce com amor era a luz primordial da San- ta de Lisieux. O Prof. Plinio dá ou- tro exemplo: “Santo Inácio era mui- to bom político, mas, observando-o bem, vê-se que sua luz primordial

diversas a fim de que

o que falta a uma para

representar a bondade divina seja suprido por outra”. 1

Assim como Deus não pode ser repre- sentado por uma úni- ca criatura, não po- dia Ele criar homens que O compreendes- sem e adorassem de uma mesma forma. Destarte, dispôs a Di- vina Providência que cada ser humano se-

ja único e tenha cer- tas apetências parti- cularíssimas para fixar sua atenção admirativa em determinados aspec- tos de Deus. Tais apetências se ligam a fato-

res hereditários, culturais e sociais,

e são incentivadas constantemente

pela graça de Deus. Em muitas de suas palestras e conferências, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira comentou esta conjugação de graça e natureza, dando-lhe o expressivo nome de luz primordial. Posteriormente, os pro- fundos comentários por ele feitos sobre este tema foram desenvolvi- dos em várias teses acadêmicas, de mestrado e de doutorado.

A luz primordial hierarquiza as virtudes

Conforme explica Plinio Corrêa de Oliveira, quando alguém sente que um determinado tipo de paisa-

gem, um gênero literário ou musical ou certo assunto elevam especial- mente seu pensamento para Deus e

a convidam a praticar a virtude, no

fundo, é sua luz primordial que está agindo. Pois ela ordena as virtudes do homem, inspirando suas prefe- rências e dando o tônus com o qual cada um pratica certo ato. “A luz primordial constitui, an - tes de tudo, uma determinada hierar- quização de perfeições. Por exemplo,

não era a política, mas a integridade de espíri- to e de vontade em tu- do quanto fazia”. 3

Critério para analisar e definir a dignidade humana

Por desígnio divino, todos os seres huma- nos — sem exceção, e apesar de suas eventu- ais mazelas e imperfei- ções — são portadores de uma luz primordial, uma maravilha digna

de admiração e de ho- menagem. Todo ho- mem é dotado de uma “cintilação de Deus”, posta pelo Criador exclusiva- mente em sua alma: Ele não colocou nem colocará em nenhuma outra ao longo de toda a História. “Cada ho- mem é, por assim dizer, um momen- to único da História de Deus”. 4 Muito se fala hoje em dignida- de humana. Juristas, filósofos e in- telectuais de todos os naipes tentam encontrar parâmetros para defini- -la. Eis uma proposta para fazê-lo de forma cristã: procurar em cada pessoa a luz primordial posta por Deus. Por débil que seja o seu brilho na aparência, ela participa daqui- lo que representa, ou seja, de Deus. Por isso, não é exagerado imaginar as palavras do Divino Mestre a res- peito dos lírios do campo sussurra- das no ouvido do leitor: Nem Salo- mão em toda sua glória conseguiria ter uma luz primordial como a que Eu te dei! ²

1 SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teo- lógica. I, q.47, a.1.

2 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Pales- tra. São Paulo, 8 out. 1957.

3 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Pales- tra. São Paulo, out. 1957.

4 CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Con- ferência. São Paulo, 23 out. 1982.

A pAlAvrA dos p Astores O que é, pois, a Igreja? A Igreja não vem

A pAlAvrA dos pAstores

O que é, pois, a Igreja?

A Igreja não vem dos homens, mas de Deus. Quando sua Palavra é anunciada na assembleia litúrgica, é Ele mesmo que nos fala. E os Sacramentos comunicam a força espiritual que provém do seu mistério pascal.

Dom Benedito Beni dos Santos

Bispo Emérito de Lorena

Dom Benedito Beni dos Santos Bispo Emérito de Lorena A Igreja não surgiu por aca- so.

A Igreja não surgiu por aca- so. Ela não só esteve na intenção de Jesus, mas também é componente

do projeto salvífico de Deus, conce- bido, por amor, desde toda a eter- nidade. O Vaticano II fala de uma Igreja que vem desde Adão, desde o justo Abel. 1 Portanto, de uma Igre-

ja que, à semelhança de uma criança

no ventre materno, esteve em pro- cesso de gestação em toda a história

da salvação. [

]

A Igreja vem de Deus

Essa longa história mostra que a

iniciativa de formar a Igreja não vem dos seres humanos. Vem de Deus. A Igreja é dom de Deus à humanidade. Na concepção de São Paulo, ela é a assembleia daqueles que foram cha- mados, convocados por Deus. Ela é

o reino do Senhor. É a comunidade

onde o Ressuscitado está presente, exercendo o seu poder salvífico. Quando sua Palavra é anunciada

na assembleia litúrgica, é Ele mesmo que nos fala. Os Sacramentos, que

a Igreja celebra, comunicam a força

espiritual que provém do seu misté- rio pascal: Paixão, Morte e Ressur- reição. A Eucaristia é o Sacramento pascal por excelência, pois contém a presença do próprio Ressuscitado. É ela que forma o corpo eclesial. Como ensina São Paulo, co- mer e beber são atos de comunhão (cf. I Cor 10, 14-21). Quem se ali-

menta do corpo de Cristo forma uma totalidade com Ele. Forma o Cristo Total, na expressão de Santo Agostinho. Por isso mesmo, a Igreja é divina e humana ao mesmo tempo.

Somente n’Ela se encontra a plenitude dos meios de salvação

Apesar da divisão dos cristãos, a Igreja de Jesus Cristo não está par- celada, dividida em várias Igrejas. Ela “subsiste na Igreja Católica go- vernada pelo sucessor de Pedro e

pelos Bispos em comunhão com ele”, 2 ensina o Vaticano II. A Igreja Católica possui todos os elementos de eclesialidade que en- contramos no Novo Testamento: a mesma fé, a totalidade dos canais

da graça, que são os Sacramentos, a

36        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

sucessão do Colégio Apostólico na sua dimensão episcopal, a sucessão do Ministério Petrino exercido pe- lo Papa, o ministério da Palavra não só como anúncio, mas também como magistério autêntico, isto é, como en- sino normativo em nome de Cristo. Essa identidade integral da Igre- ja Católica deve ser levada em con- sideração no campo da evangeliza- ção e do ecumenismo. É o que nos recorda a Exortação Apostólica do Papa João Paulo II, Ecclesia in Ame- rica: “Ao propor o Evangelho de Cristo em toda a sua integridade, a atividade evangelizadora deve res- peitar o santuário da consciência de cada indivíduo, onde se desenro- la o diálogo decisivo, absolutamen- te pessoal, entre a graça e a liber- dade do homem. Deve-se levar isso em conta, especialmente quando se trata dos irmãos cristãos das Igre- jas e comunidades cristãs separadas da Igreja Católica, que estão esta- belecidas já há muito tempo em de- terminadas regiões. Os vínculos de comunhão verdadeira, embora im-

perfeita, que, segundo a doutrina

Fotos: David Domingues
Fotos: David Domingues

A Igreja de Jesus Cristo não está parcelada, dividida em várias igrejas; Ela “subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”

Dom Beni durante a aula de abertura dos cursos de Filosofia e Teologia dos Arautos do Evangelho

do Concílio Vaticano II, essas co- munidades já possuem com a Igreja Católica devem iluminar as atitudes da Igreja e de todos os seus mem- bros em face daquelas comunida- des. Entretanto, essas atitudes não poderão chegar a prejudicar a firme convicção de que, somente na Igreja Católica se encontra a plenitude dos meios de salvação estabelecidos por Jesus Cristo”. 3

A riqueza da Igreja é, sobretudo, o seu mistério

A Igreja é uma realidade tão rica que, de certo modo, não cabe dentro dos limites de uma definição. Por is- so mesmo, a teologia sempre teve dificuldade em definir a Igreja. A ri- queza da Igreja é, sobretudo, o seu mistério. A sua relação com a Trin- dade Santíssima. A sua íntima rela- ção com o Ressuscitado, pois, pela fé, pelo amor, pela esperança, pela vida da graça e, sobretudo, pela Eu- caristia, ela forma uma totalidade com Ele. Ela é o seu Corpo Místico.

A

Igreja é sacramento universal de

salvação, ou seja, instrumento e si- nal de salvação. Nos três primeiros séculos, os pen- sadores cristãos preferiram recorrer ao uso de imagens para exprimir o ser e a missão da Igreja. As imagens, em certo sentido, são mais importan-

tes que as definições. A definição en- volve mais a nossa inteligência. As imagens, ao contrário, não envolvem apenas a nossa inteligência. Envol- vem também o nosso coração, a nos-

sa

afetividade, a nossa imaginação. A

compreensão da realidade através de imagens jamais se esgota.

Imagens reveladoras de uma realidade rica e misteriosa

Recordemos algumas imagens que encontramos no Novo Testa- mento e em diversos pensadores dos primeiros séculos, denominados Pa- dres da Igreja. Comecemos pela ima- gem do templo (cf. I Pd 2, 5). Quan- do o Novo Testamento denomina a

Igreja de Templo de Deus, templo

do Espírito Santo (cf. I Cor 6, 19), essa expressão não designa o edifí- cio de pedras ou tijolos, mas a co- munidade reunida. Ela é o templo onde Deus habita.

Encontramos também a imagem da esposa (cf. Ef 5, 24-32; Ap 22, 17).

A

Igreja é chamada a esposa de Cris-

to, pois ela forma uma totalidade —

“uma só carne” (Mt 19, 6) — com Ele. Deve estar sempre unida a Ele

pelo amor e pela fidelidade. A Igre-

ja

é

também designada como mãe,

sobretudo pelo Bispo São Cipriano, que viveu no século III. Ele chega a afirmar que “não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe”. 4

 

A

Igreja é nossa mãe porque é ela

que nos gera como novas criaturas, nas águas do Batismo. Ela é nossa mãe porque nos comunica a vida di- vina, através dos Sacramentos. Ela é nossa mãe porque nos alimenta com a Eucaristia. Toda mãe é também mestra. A Igreja é mãe e mestra porque nos en-

sina a Palavra de Cristo e forma, pe-

A Igreja é nossa mãe porque nos comunica a vida divina, através dos Sacramentos Missa

A Igreja é nossa mãe porque nos comunica a vida divina, através dos Sacramentos

Missa de abertura do ano letivo na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, 28/1/2014

portantes. As mãos não podem dizer às pernas: não precisamos de vocês. As pernas não podem dizer à cabeça:

não precisamos de você. Entre os membros do corpo, vi- gora a comunhão: quando um mem- bro passa bem, essa sanidade reper- cute em todos os membros. Quando um membro passa mal, o sofrimen- to repercute em todos os membros. Ora, a Igreja é semelhante ao cor-

po humano. Membros desse corpo eclesial são todos os batizados. Eles formam não um amontoado, mas um conjunto organizado. A Igreja é organizada como ins- tituição em vista da salvação. Como instituição, ela tem sua visibilidade, sua organização e leis próprias. Ocu- pa um determinado espaço na so-

ciedade. A Igreja tem diversas ca- tegorias de membros: Papa, Bispos, padres, diáconos, ministros, religio-

sos, leigos. Cada membro, porém, tem sua missão específica, desempe-

nha uma tarefa, um serviço em vis-

la educação da fé, a personalida-

de do discípulo de Jesus. Santo

Agostinho acrescenta: “Honrai, amai, dai a conhecer a Santa Igre-

ja, vossa mãe, como a Jerusalém

Celeste, a cidade santa de Deus; ela frutifica e cresce na fé que ou- vistes, através do mundo inteiro; ela, a Igreja do Deus vivo, coluna e força da verdade”. 5

A Igreja é comparada à Lua. 6

ta do bem comum. Quando um membro da Igreja peca, é todo o conjunto que fica enfraquecido. Quando um membro cresce na santidade de vida, todo o conjun- to se revigora.

Cabeça, alma e coração

Todo corpo tem uma cabeça. Segundo São Paulo, a Cabeça

da Igreja é Cristo (cf. Col 1, 18). É d’Ele, o Ressuscitado, que provém a vida da graça para to- dos os membros da Igreja. Santa Teresinha do Menino Jesus, Doutora da Igreja, em um belíssimo texto, observou que, à semelhança do corpo humano, a Igreja tem também um coração. Segundo ela, o coração da Igreja é a caridade. A propósito, escre- ve ela: “Entendi que só o Amor faz os membros da Igreja agir,

que se o Amor viesse a faltar, os

Apóstolos não anunciariam o Evan- gelho e os mártires não derrama-

riam o seu sangue

o Amor encerra todas as vocações,

que o Amor é tudo, que inclui todos

os tempos e lugares

Então, no excesso de

minha alegria delirante, exclamei: Ó

Jesus, meu Amor

finalmente eu a encontrei!

vocação é o Amor! Como Santa Teresinha, cada mem- bro da Igreja pode dizer: minha vo- cação é o amor. O amor é tão im- portante para o corpo eclesial, que podemos falar da Igreja do Amor, Igreja da Caridade. São Paulo chama também a Igreja de templo do Espírito Santo (cf. I Cor 6, 19). Se Cristo é a cabeça da Igreja, podemos dizer, usando ain- da a imagem do corpo, que o Espíri- to Santo é a alma da Igreja. À seme- lhança da presença da alma no corpo humano, o Espírito Santo está presen-

minha vocação,

Minha

Numa palavra,

que é Eterno!

Compreendi que

A Lua não tem luz própria. Irra-

dia a luz do Sol. Também a Igre-

ja não tem luz própria. Ela é cha-

mada pelo Concílio Vaticano II de Luz dos Povos porque irradia a

luz de Jesus Cristo, que disse: “Eu sou a Luz do mundo” (Jo 9, 5).

A Lua tem três fases: crescente,

cheia e minguante. A Igreja é “lua crescente quando anuncia a Pala- vra da vida, lua cheia quando cele- bra os divinos mistérios, lua min- guante na noite da caridade”. 7 O Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen gentium, 8 cita ainda outras imagens da Igreja. Cada ima- gem revela alguns aspectos desta rea- lidade rica e misteriosa que é a Igreja.

Ela é semelhante ao corpo humano

São Paulo usa duas imagens, que

são complementares: Corpo de Cris- to e Templo do Espírito. No capítu-

lo 12 da Primeira Carta aos Corín-

tios, ele mostra que a Igreja é uma realidade semelhante ao corpo hu- mano. O corpo não é um amontoa- do de membros, mas um conjunto ar- ticulado. Cada membro desempenha uma atividade específica em vista do bem comum. As pernas não exis- tem por causa delas mesmas, mas pa-

ra que todo o corpo possa caminhar.

Os olhos não existem por causa deles mesmos, mas para que o corpo pos-

sa ver. Ainda mais, entre os membros

do corpo existe uma mútua depen- dência, de modo que todos são im-

9

te em toda a Igreja e em cada mem-

38        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

bro da Igreja. Como é a alma que dá identidade ao corpo, é também o Es-

pírito Santo que dá identidade à Igre- ja. Não existe Igreja sem o Espírito Santo. A Igreja é comunidade de gra- ça e salvação, ela é um organismo vi- vo, porque a presença do Espírito ne-

que a Igreja é aquela comunidade única no mundo, que, assistida pe- lo Espírito Santo, guarda a memória de Jesus Cristo, celebra a sua pre- sença de Ressuscitado e O anuncia ao mundo. A Igreja não é simplesmente a so-

ja crê nas verdades que professa “como se tivesse uma só alma e o mesmo coração; em pleno acordo as proclama, ensina e transmite, como se tivesse uma só boca”. 11 A Igreja tem também uma mãe:

la

suscita os diversos carismas, que são

ma de indivíduos que creem. Ela é

Maria, Mãe de Jesus, o Filho de Deus. Ao tornar-Se Mãe de Cris- to, Ela tornou-Se Mãe de todos os membros do seu Corpo, que é a Igreja. O discípulo, que estava ao pé da Cruz e recebeu Maria como Mãe (cf. Jo 19, 26) representava, naque-

o

fundamento de todos os serviços e

a comunidade dos que creem. A co- munidade é uma realidade nova. É mais do que a soma de indivíduos. A fé que cada membro da Igreja pro- fessa é a própria fé da Igreja. É a fé

ministérios. É o Espírito Santo que re- nova continuamente a Igreja e pro- move a comunhão de todos os seus membros e a comunhão da Igreja com

a

Trindade.

da Igreja que torna possível o ato de crer de cada membro da Igreja. Por isso, São Cirilo, Bispo de Jerusalém, no século VI, dizia: “Abraça e conser- va a fé que te é dada pela Igreja”. 10 Santo Irineu, Bispo de Lyon, es-

creveu por volta do ano 200: A Igre-

 

Mais do que uma soma de indivíduos

O que é, pois, a Igreja? Sinteti- zando todos os dados fornecidos pe- las diversas imagens, podemos dizer

le momento, todos os discípulos de Cristo. ²

Excertos da aula de abertura do ano letivo dos cursos de Filosofia e Teologia dos Arautos

do Evangelho, 28/1/2014

Filosofia e Teologia dos Arautos do Evangelho, 28/1/2014 A Igreja é aquela comunidade única no mundo,

A Igreja é aquela comunidade única no mundo, que, assistida pelo Espírito Santo, guarda a memória de Jesus Cristo, celebra a sua presença de Ressuscitado e O anuncia ao mundo

Vista parcial dos alunos durante a aula inaugural

1 Cf. CONCÍLIO VATICANO II. Lumen gentium, n.2.

2 Idem, n.8.

3 JOÃO PAULO II. Ecclesia in America, n.73.

4 SÃO CIPRIANO. De unitate Ecclesiæ, c.VI: ML 4, 503.

5 SANTO AGOSTINHO. Ser- mo CCXIV, n.11: ML 38,

1071.

6 Cf. SANTO AMBRÓSIO. Exameron. D.IV, c.8, n.32.

In: CSEL 32, 137-138.

7 FORTE, Bruno. Exercícios Es- pirituais no Vaticano: Seguin-

do a Ti, Luz da Vida. Petró- polis: Vozes, 2005, p.122.

8 Cf. CONCÍLIO VATICANO II. Lumen gentium, n.6.

9 SANTA TERESA DE LI- SIEUX. Manuscrit B. Ma vocation: L’Amour. In: Œu-

vres complètes. Paris: Du Cerf, 1966, p.224.

10 SÃO CIRILO. Catechesis V. De fide et symbolo, c.XII:

MG 33, 519.

11 SANTO IRINEU. Adversus hæreses. L.I, c.10, n.2: MG 7, 551.

Você sabia que

Também no Japão existiram catacumbas?

E las estão na cidade de Taketa, a uns 150 km de Na- gasaki, e só foram descobertas em 2011. Trata-se de

oito pequenas covas escavadas na rocha vulcânica, onde os cristãos se reuniam para rezar durante as perseguições dos séculos XVI e XVII. Situada numa região de grande beleza natural, Take- ta era, no início da evangelização do país, um dos lo- cais com maior número de católicos. As estimativas são de que nos bosques das montanhas possam existir pelo menos uma centena de capelas.

Heartoftheworld
Heartoftheworld

Capela cristã escavada na rocha, em Taketa (Japão)

São Paulo percorreu mais de 16 mil km em suas viagens?

“C ombati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé” (II Tim 4, 7). A “corrida” do Apóstolo é realmen-

te admirável. Desde o momento de sua conversão, entre os anos 31 a 36, e o seu glorioso martírio no ano 67, São Paulo percorreu, para converter os gentios, distâncias sur- preendentes que equivalem quase aos 16.886 km das fron- teiras do Brasil. De acordo com os cálculos feitos usando o progra- ma Orbis, da Universidade de Stanford, na primeira das suas viagens ele percorreu 1.581 milhas; na segun-

da, 3.050 milhas; e na terceira, 3.307 milhas. O deslo- camento à capital do Império foi de 2.344 milhas, to- talizando 10.282 milhas, ou 16.547 km, em suas quatro viagens. Ao longo delas enfrentou açoites, apedreja- mentos, perigos em rios e desertos, salteadores; foi per- seguido pelos gentios e pelos de sua nação; três vezes naufragou, numa delas passou um dia e uma noite em alto mar (cf. II Cor 11, 24-28). Com razão também, São Paulo completou: “está reservada para mim a coroa da

justiça” (II Tim 4, 8).

reservada para mim a coroa da justiça” (II Tim 4, 8). A postolAdo do o rAtório
reservada para mim a coroa da justiça” (II Tim 4, 8). A postolAdo do o rAtório

ApostolAdo do orAtório

MAriA rAinhA dos CorAções

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40        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

Basílica bizantina é descoberta em Israel Os restos de um templo bizanti- no ornado com

Basílica bizantina é descoberta em Israel

Os restos de um templo bizanti-

no ornado com mosaicos e inscri- ções foram descobertos no trans- curso dos trabalhos de escavação realizados no sítio arqueológico de Moshav Aluma, situado 70 km ao sudoeste de Jerusalém. Além da nave principal, que mede 12 me- tros de largura por 22 de compri- mento, foram descobertos o nártex — vestíbulo característico das basí- licas bizantinas — e um átrio con- tendo uma cisterna. Os mosaicos do pavimento con- têm inscrições em grego, com as pa- lavras “Jesus” e “Maria”, assim co- mo 40 medalhões decorados com motivos geométricos, vegetais e ani- mais. Três dos medalhões represen- tam dignitários religiosos do tempo. Segundo os especialistas, estes mo- saicos bizantinos estão entre os mais bem preservados desse período na Terra Santa.

Igreja espanhola doa 1,35 milhões para projetos pastorais

O Comitê Executivo da Confe-

rência Episcopal Espanhola apro- vou em sua última reunião destinar 1,35 milhões de euros para apoiar 182 projetos pastorais, 13 dos quais na Europa, 74 na América, 21 na Ásia e 74 na África. A maior par- te dessa quantia será aplicada em obras de construção e acondiciona- mento, ou em atividades formativas e catequéticas, mas serão também

favorecidos conventos e comunida-

des religiosas, sacerdotes e semina- ristas sem recursos. As subvenções, provenientes de dioceses, congregações religiosas e outras instituições, serão gerencia- das pelo Fundo Nova Evangelização, que desde sua fundação, em 1997, já apoiou mais de 2.300 projetos pasto- rais por um valor total de 22 milhões de euros.

Schoenstatt.org
Schoenstatt.org

Jovens de Schoenstatt atravessam os Andes em peregrinação

No dia 16 de janeiro, 200 jovens membros do Movimento Apostóli- co de Schoenstatt partiram a pé de Mendoza, na Argentina, para uma peregrinação que, após percorrer um caminho de quase 400 km e atra- vessar a Cordilheira dos Andes, che-

gou a Santiago de Chile no dia 1º de fevereiro.

A iniciativa, que foi batizada co-

mo Cruzada de Maria, já está na sua

6ª edição. Ela tem por objetivo “tes- temunhar a unidade entre os povos e renovar a própria fé”. Os jovens que participaram neste ano eram paraguaios, mexicanos, uruguaios, alemães, brasileiros, chilenos e ar- gentinos. O grupo levava uma cruz peregrina, uma imagem de Nossa

Senhora e bandeiras dos seus países. “Desejamos levar o fogo da fé pelas vias do mundo”, declararam os par- ticipantes.

A cada dia a peregrinação come-

çava às 4h da madrugada, sendo a primeira hora de viagem em silên- cio, continuando-se depois com can- tos e orações incluindo a recitação do Santo Rosário. Foram feitas para- das especiais no Cristo Redentor, si- tuado na fronteira entre a Argentina

e o Chile; no santuário de Santa Te-

resa dos Andes, onde se veneram os restos mortais da carmelita chilena; e

no Santuário Nacional de Maipú, em Santiago, dedicado à padroeira do Chile, Nossa Senhora do Carmo.

Igreja dos Estados Unidos passa por um tempo de revitalização

O Dr. Christopher White, diretor

para educação e programas do Cen-

tro de Bioética e Cultura na Califór- nia, mostrou numa entrevista repro- duzida em janeiro pela EWTN que houve um aumento da prática reli- giosa nos Estados Unidos, o qual foi mais acentuado nas paróquias que mostram uma “identidade católica mais forte”. Dr. White publicou em março de 2013, juntamente com a Dra. Anne Hendershott, o livro Renewal (Re- novação), que se apresenta o cato- licismo dos Estados Unidos no co- meço de século XXI como uma emocionante história de renovação, depois de décadas de “prática sem fé” e confusão. Na obra, que está sendo um su- cesso de vendas, os autores fazem

notar que alguns seminários estão funcionando atualmente no máximo de sua capacidade e que as novas ge- rações de sacerdotes estão consti- tuídas por pessoas “completamente entregues” à sua vocação que consi- deram o celibato “uma graça e be- nefício para o ministério”. “Eles não têm medo de ir contra a corrente”, declarou o Dr. White. E acrescen- tou: “Penso nas gerações anterio- res, quando alguns queriam, em cer- ta medida, conformar o sacerdócio e

a Igreja ao mundo”.

É também mostrado na obra o

importante papel desempenhado pelos Bispos para criar uma frutí-

fera cultura nas dioceses e susten- ta que “os Bispos que defendem

a Igreja na praça pública, atraem

mais pessoas”. Por outro lado, Hen- dershott explicou que o Catolicis-

mo não é apenas moralidade, mas “atração para a beleza da Religião”. Nas dioceses onde a beleza se mani- festa na música, na Liturgia, nas ho- milias, “se encontram as mais flo- rescentes vocações”.

landsmuseum
landsmuseum

Exposição sobre Carlos Magno na Suíça

Por motivo do 1.200º aniversário do falecimento de Carlos Magno, ocorrido a 28 de janeiro de 814, o Landesmuseum de Zurique organi- zou uma exposição chamada Carlos Magno e a Suíça que pôde ser visita- da até o dia 2 de fevereiro de 2014. Ela colocava em destaque os avan- ços na educação, cultura, arquite- tura e Religião que o monarca pro- moveu na Europa, na Alta Idade Média. Entre os 200 objetos expos- tos se encontram manuscritos e tra- balhos de ourivesaria utilizados na Liturgia, mostrando a surpreenden- te arte religiosa desenvolvida naque- la época. Na Suíça, região que o imperador visitou várias vezes, ainda hoje se encontram cerca de 750 construções do período carolíngio. Carlos Mag- no teve em alguns lugares da Euro- pa, por especial privilégio, o culto de santo, com Missa própria. Na Uni- versidade da Sorbonne, até a Revo- lução Francesa, celebrava-se a festa de São Carlos Magno que era o seu padroeiro, e a Catedral de Girona na Espanha estava a ele dedicada.

Paróquia em Dubai atende quase 400 mil fiéis

Uma reportagem publicada em 20 de janeiro pela agência católica

42        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

austríaca kath.net põe em foco que

a maior paróquia do mundo talvez

se encontre numa cidade dos Emira- dos Árabes Unidos: Dubai. Contando com cerca de 400 mil fiéis, a igreja paroquial dedicada a Santa Maria não pode, porém, os- tentar sinais exteriores de ser um templo católico. Um alto muro ro- deia o recinto sagrado, que tem lu- gar para 1.700 pessoas sentadas, mas frequentemente recebe até 2 mil paroquianos por Missa, mesmo em dias de semana. Nos dias de fes- ta, costumam se reunir entre 10 e 20

mil pessoas, muitas das quais devem assistir as cerimônias desde o átrio, com a ajuda de alto-falantes e telas de projeção. Os muros abarcam, além da igre- ja, a casa paroquial, uma escola, uma comunidade religiosa feminina

e um pequeno espaço esportivo. A

comunidade está formada prepon- derantemente por imigrantes ou tra- balhadores indianos e filipinos (85% dos habitantes dos Emirados são es- trangeiros). Santa Maria é uma das sete paróquias do país e é dirigida pelos padres capuchinhos. Nas sex- tas-feiras, que é o dia feriado em Dubai, são celebradas pelo menos 12 Eucaristias em diversos idiomas, como inglês, malayalam, konkani, tâmil e tagalog.

wikipedia.org
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Diocese de Innsbruck restaura caminho de São Romedius

Com motivo do 50º aniversário da sua criação, a Diocese de Innsbruck

anunciou no dia 15 de janeiro a re-

abertura oficial do caminho de São Romedius, um percurso de 180 km que parte da cidade austríaca e fina- liza na ermida construída pelo San-

to num desfiladeiro, nas proximida- des do Lago Tavon, na atual Itália. A origem dessa peregrinação, que de- mora perto de 12 dias para ser com- pletada, remonta-se pelo menos ao século XII, embora posteriormente tenha entrado em declínio.

O culto a São Romedius, de cuja

vida pouco se conhece a não ser que era originário de uma nobre família de Innsbruck, foi aprovado oficial- mente no dia 24 de julho de 1907, pelo Papa São Pio X.

A mais antiga igreja da Inglaterra será restaurada em breve

O Serviço Arqueológico de Corn-

-wall anunciou no dia 15 de janei- ro, através do jornal Falmouth Pa- cket, que os trabalhos de restauração da mais antiga igreja católica da In- glaterra devem ter início em breve. Trata-se do oratório de Saint Piran, construído entre os séculos V e VI na localidade de Perranporth, no extre- mo sudoeste da ilha. No ano de 1980 o prédio, muito deteriorado, foi co- berto com areia e rodeado com uma muralha de proteção para evitar seu desgaste pelas intempéries.

Seis novos presbíteros são ordenados na China

A arquidiocese de Kaifeng e a

diocese de Zhumadian, situadas na província chinesa de Henan, inicia- ram o ano com a ordenação de seis novos presbíteros, o que é interpre- tado pela agência Fides como “sinal de esperança para a missão da Igre- ja” nesse país. Dois deles receberam a ordem sacerdotal no dia 1º de janeiro em Zhumadian, numa cerimônia cheia

de significado histórico, por ser a primeira realizada nessa diocese desde 1933. No dia seguinte, mais

quatro presbíteros, um deles prove- niente da diocese de Xingtai (He- bei), foram ordenados na recém- -consagrada catedral do Sagrado Coração de Jesus, em Kaifeng. Cer- ca de 50 sacerdotes, 40 seminaristas de diversas dioceses e mais de mil fi- éis participaram da cerimônia, que foi presidida pelo Bispo de Jiang- men, Dom Paul Liang Jiansen.

opusdei.es
opusdei.es

Sucessor de São Josemaría será beatificado em Madri

Dom Álvaro del Portillo, pri- meiro sucessor de São Josema- ría Escrivá de Balaguer à frente do Opus Dei, será beatificado em Madri, sua cidade natal, no dia 27 de setembro de 2014. Dom Ange- lo Amato, Prefeito da Congrega- ção para a Causa dos Santos, presi- dirá a cerimônia. “Neste momento de profunda alegria desejo agradecer ao Papa Francisco a beatificação deste Bis- po que tanto amou e serviu a Igre- ja”, declarou ao tomar conhecimen- to da notícia o atual Superior da Obra, Dom Javier Echevarría. “Des- de agora confiamos ao futuro beato as intenções do Santo Padre: a reno- vação apostólica e o serviço a Deus de todos os cristãos, a promoção e ajuda aos mais necessitados, o pró- ximo Sínodo sobre a família, a san- tidade dos sacerdotes”, acrescentou.

Oito mil jovens missionários se reúnem no Senegal

A Festa do Batismo de Jesus foi celebrada na Arquidiocese de Dacar com um singular encontro de mis- sionários. Por iniciativa da Socieda-

Inicia-se a restauração do Cristo do Corcovado

N o dia 14 de fevereiro, antes de viajar para Roma a fim de receber o capelo cardinalício, Dom Orani João Tempesta, Arcebispo de Rio

de Janeiro, deu início, com uma bênção, aos trabalhos de restauração da

imagem do Cristo Redentor no Corcovado, que devem ter uma duração

de quatro meses. Eles estão sendo realizados por uma equipe especial-

mente treinada para poder chegar até as partes danificadas. Atingida por um raio na noite de 17 de janeiro, um exame detido da

imagem mostrou que a mão direita e a cabeça tinham sido danificadas.

A coordenadora de comunicação do Cristo Redentor, Nice Rodrigues

informou que “a parte atingida foi muito pequena e não se trata de pro- blema
informou que “a parte atingida foi muito pequena e não se trata de pro-
blema muito relevante, a não ser pelo valor histórico do monumento”.
O Pe. Omar Raposo, reitor do Santuário do Cristo Redentor afir-
mou que “temos um estoque dessa pedra, adquirida da mesma pe-
dreira de Minas Gerais de onde saiu o material na construção ori-
ginal do monumento”. Refere-se
à
pedra sabão, pois todo o monu-
mento está recoberto de milhares
de
incrustações feitos dessa rocha,
o
que permite cobrir com naturali-
dade todas as curvaturas e formas
da
estátua.
A baía de Guanabara, do Alto da Boa Vista. Acima, captura da página
web portuguesa TVI reproduzindo o instante em que o raio caiu
Artyom Sharbatyan

de de Missões Pontifícias mais de 8

mil crianças e jovens se reuniram no Santuário Nacional de Popenguine, sob o compromisso de anunciar “a alegria do Evangelho”.

O Pe. Bruno Favero, OMI, pre-

sidente nacional da Sociedade, ex- plicou em mensagem à agência Fi- des, que o tema “foi acolhido com alegria pelos jovens, que se empe- nharam em ser, em seu contexto de vida, missionários de Jesus, habilita-

dos pelo Batismo a levar a alegria do Evangelho a suas comunidades, fa- mílias e escolas”. A Missa foi celebrada por Dom Alfred Waly Sarr, reitor do Seminá-

rio Liberman, em Sebikotane.

Igreja do Quênia funda Associação para a Música Litúrgica

No dia 8 de fevereiro foi apre- sentada oficialmente na Igreja de

São Bento, em Nairóbi, a Associa- ção para a Música Litúrgica Católi-

ca no Quênia, destinada a aprimorar

a qualidade dos cânticos com que

são acompanhadas no país as ceri- mônias litúrgicas. Centenas de cantores e músi- cos participaram da Missa cele- brada na ocasião por Dom Domi- nic Kimengich, Bispo de Lodwar e presidente da Comissão de Litur- gia da conferência episcopal. Na homilia ele lembrou que “às vezes falta harmonia na nossa música, e

a letra e o acompanhamento mu-

sical deixam muito a desejar”. E

acrescentou: “a música é um dom,

e aqueles que o tem devem explo- rá-lo ao máximo”

www.scnj.com
www.scnj.com

New Jersey pode ter em breve sua primeira beata

No mês de dezembro, a Santa Sé reconheceu oficialmente o milagre que abre as portas para a beatifica- ção de Teresa Demjanovič, religiosa das Irmãs da Caridade de Santa Isa- bel, falecida em 1927 em Bayonne, estado de New Jersey, aos 26 anos de idade. Os fatos se remontam a 1963, quando um menino do mesmo es- tado, de apenas 8 anos, foi se re- cuperando progressivamente da cegueira que padecia após rece- ber um santinho com uma relíquia da irmã e serem oferecidas por meio dela orações para pedir sua cura. A cura foi declarada inexpli- cável pelos especialistas em oftal- mologia.

44        Arautos   do   Evangelho · Março 2014

divinapastora @ facebook
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Dois milhões de fiéis veneram a Divina Pastora em Barquisimeto

A festa da Divina Pastora é uma

das principais devoções do povo ve-

nezuelano e a procissão realiza-

da em Barquisimeto em sua honra, uma das mais concorridas no mun- do. Celebrada anualmente no dia

14 de janeiro, ela parte do povoa-

do de Santa Rosa e, após percorrer mais de 7 km, chega até a Catedral metropolitana, onde uma multidão de fiéis aguarda sua chegada. Neste

ano ela foiu realizada pela 158ª vez. Uma Eucaristia celebrada pelo Arcebispo de Barquisimeto, Dom Antonio López Castillo, precedeu

a procissão. No início do percurso a imagem de Nossa Senhora foi sau-

dada por fogos de artifícios, cantos, orações e aplausos dos peregrinos. Numerosos fiéis, por devoção ou cumprindo alguma promessa, acom- panharam a Virgem vestidos de pas- tores ou nazarenos. Nos arredores da catedral uma multidão de mais de 2 milhões de fiéis esperava a che- gada da imagem. Durante a noite de

13 para 14 de janeiro foi feita uma

vigília de orações.

Leigos chineses apoiam padres, freiras e seminaristas carentes

No início de janeiro, informa a

agência Zenit, o grupo de leigos chi- neses batizado com o nome De co- ração a coração, reuniu-se na paró- quia de Bei Tang, da arquidiocese chinesa de Shaan Xi para planejar

a sua estratégia beneficente no no- vo ano.

A ideia da formação do grupo,

que se dedica a dar suporte mate-

rial aos seminaristas, sacerdotes anciãos e freiras carentes, surgiu em 2009, durante o Ano Sacerdo-

tal. Naquela ocasião alguns leigos da paróquia levaram de presente

a um sacerdote ancião, agasalhos

para se proteger do frio e ele lhes disse: “Eu sou velho, prefiro que deem de presente estas roupas a algum dos meus jovens seminaris- tas”. Foi o comentário que catali-