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TOP-MPF Inscrições em www.topjuris.com.br/curso_top_mpf/ RODADA GRATUITA 18.07.2016  22 (vinte e duas) questões
TOP-MPF Inscrições em www.topjuris.com.br/curso_top_mpf/ RODADA GRATUITA 18.07.2016  22 (vinte e duas) questões

TOP-MPF

RODADA GRATUITA

18.07.2016

22 (vinte e duas) questões objetivas inéditas elaboradas e comentadas por aprovados no 28º CPR

INSTRUÇÕES Prezados, O TOP JURIS apresenta para vocês a 1ª (primeira) edição do curso TOP-MPF.
INSTRUÇÕES
Prezados,
O TOP JURIS apresenta para vocês a 1ª (primeira) edição do curso TOP-MPF.
O curso é formado por mediadores extremamente experientes na preparação para
concursos públicos, todos aprovados no último concurso para o cargo de Procurador
da República, qual seja, o 28º CPR. Para coordenar a equipe, foi designada a
doutoranda e competentíssima Prof. Daniela Lopes Faria, professora universitária e
de cursos preparatórios.
Sobre a sistemática que será adotada durante o curso: serão 10 (dez) rodadas, com
66 (sessenta e seis) questões objetivas inéditas e comentadas por ata, obedecendo
ao seguinte cronograma, com início previsto para 12.08.2016 e encerramento em
09.11.2016:
Cronograma TOP-MPF
12.08.16
1ª Rodada
22.08.16
2ª Rodada
01.09.16
3ª Rodada
11.09.16
4ª Rodada
21.09.16
5ª Rodada
01.10.16
6ª Rodada
11.10.16
7ª Rodada
21.10.16
8ª Rodada
31.10.16
9ª Rodada
09.11.16
10ª Rodada
Ao final do curso, o aluno terá treinado 660 (seiscentos e sessenta) questões
objetivas direcionadas ao 29º CPR!
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Há dois sistemas para estudo e disponibilização das questões: o aluno poderá resolvê- las no
Há dois sistemas para estudo e disponibilização das questões: o aluno poderá resolvê-
las no sistema on-line, no próprio portal do TOP JURIS – onde terá acesso a um
“ranking” dos alunos que responderam pela plataforma –, ou poderá realizar o
download imediato da ata de cada rodada, com as questões comentadas.
Com o propósito de apresentar à comunidade jurídica este projeto que ora se inicia,
os mediadores elaboraram nada menos que 22 (vinte e duas) questões objetivas
comentadas para disponibilização inteiramente gratuita. Aproveitem!
As inscrições para o curso poderão ser realizadas a partir do dia 20.07.2016,
exclusivamente em
http://www.topjuris.com.br/curso_top_mpf/.
Venha ser TOP JURIS!
Felipe Motta – Coordenador-geral
COORDENAÇÃO-GERAL TOPJURIS
Felipe Motta - Advogado. Pós-graduado em Docência do Ensino Superior.
Pós-graduando em Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduando em
Direitos Humanos. Cursando MBA Executivo em Coach.
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PROFESSORES DO CURSO TOP-MPF Daniela Lopes de Faria - Professora das Matérias de Direito Constitucional
PROFESSORES DO CURSO TOP-MPF
Daniela Lopes de Faria - Professora das Matérias de Direito Constitucional e
Metodologia Jurídica, Direito Ambiental, Direito Econômico e Direito
Tributário. Advogada, formada em Direito pela PUCPR em 2009. Mestre em
Direito Econômico e Socioambiental pela PUCPR em 2013. Doutoranda em
Ciências Jurídicas pela Univali. Aprovada no concurso de Analista do MPU
(2013), para a fase oral da magistratura federal do TRF1 - 2015 (não fez a
prova oral) e no 28º Concurso de Procurador da República (2015).
Gabriela de Góes Anderson Maciel Tavares – Professora das Matérias de
Direito Administrativo, Direito Civil e Direito Penal. Formada em Direito pela
Universidade Estácio de Sá (RJ) em 2011. Aprovada no concurso de
Procurador do Município de São Paulo, banca VUNESP (2014) e no 28º
Concurso de Procurador da República (2015).
Hayssa Kyrie Medeiros Jardim - Professora das Matérias de Direito Eleitoral,
Direito Processual Civil e Direito Processual Penal. Formada em Direito pela
UFPB em 2005, com especialização em direito constitucional pela
Universidade Estácio de Sá (RJ). Exerceu o cargo de técnico administrativo
do MPU (2005-2011) e exerce o cargo de Promotora de Justiça no MPRN
(2011 - até os dias atuais). Aprovada no concurso de Técnico Judiciário do
TRT-21ª Região (2003), Analista Judiciário do TRT-21ª Região (2003),
Analista Processual do MPU (2011), Advogado da União (2012) e no 28º
Concurso de Procurador da República (2015).
Igor da Silva Spindola - Professor das Matérias de Proteção Internacional dos
Direitos Humanos, Direito Internacional Público e Direito Internacional
Privado, Direito do Consumidor e Direito Financeiro. Formado em Direito
pela Universidade Federal do Pará em 2013. Aprovado em 1º lugar para o
concurso de Técnico do TRF da 1ª Região na Subseção de Marabá/PA,
Aprovado em 1º Lugar para Analista Processual do MPU no Estado do Pará,
Aprovado no 28º Concurso de Procurador da República (2015).
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QUESTÕES OBJETIVAS Grupo I Direito Constitucional e Metodologia Jurídica 1. Com relação aos povos e

QUESTÕES OBJETIVAS

Grupo I

Direito Constitucional e Metodologia Jurídica

1. Com relação aos povos e comunidades tradicionais no contexto jurídico brasileiro e internacional, assinale a opção INCORRETA:

a) Compreende-se por povos e comunidades tradicionais grupos culturalmente

diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição.

b) A Constituição de 1988 representa uma clivagem em relação ao sistema

constitucional pretérito, uma vez que reconhece o Estado brasileiro como pluriétnico,

e não mais pautado em pretendidas homogeneidades, garantidas ora por uma

perspectiva de assimilação, mediante a qual sub-repticiamente se instalam entre os diferentes grupos étnicos novos gostos e hábitos, corrompendo-os e levando-os a renegarem a si próprios ao eliminar o específico de sua identidade, ora submetendo-

os forçadamente à invisibilidade.

c) No Caso YATAMA Vs. NICARÁGUA a Corte Interamericana de Direitos Humanos aplicou a Teoria do Impacto Desproporcional, também conhecida como discriminação indireta, que consiste na ideia de que toda e qualquer prática empresarial, política governamental ou semi-governamental, de cunho legislativo ou administrativo, ainda que não provida de intenção discriminatória no momento de sua concepção, deve ser condenada por violação ao princípio constitucional da igualdade material se, em consequência de sua aplicação resultarem efeitos nocivos de incidência especialmente desproporcional sobre certas categorias de pessoas.

d) Multiculturalidade refere-se à existência e interação equitativa de diversas

culturas, assim como à possibilidade de geração de expressões culturais

compartilhadas por meio do diálogo e respeito mútuo.

assim como à possibilidade de geração de expressões culturais compartilhadas por meio do diálogo e respeito

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2. Acerca da Filosofia Política e teoria constitucional, assinale a opção INCORRETA:

 

a) No republicanismo, dá-se ênfase às virtudes republicanas dos cidadãos, na noção

de que o cidadão tem o direito e o dever de participar na coisa pública, atuação esta

que deve ser pautada não apenas nos interesses individuais, mas também no bem comum.

b)

Uma das contribuições do liberalismo igualitário para a teoria constitucional são a

possibilidade de sua utilização para negar a existência da supremacia do interesse público sobre interesses particulares.

c)

O comunitarismo defende que um dos papeis do Estado é o de reforçar os liames

existentes nas sociedades, avalizando e promovendo as concepções morais compartilhadas, e, por isso, enfatiza a neutralidade estatal frente aos projetos de vida.

d)

De acordo com o liberalismo igualitário o Estado deve ser absolutamente neutro

frente ao campo religioso, a fim de garantir a todos, inclusive ateus e agnósticos, igual

respeito, portanto, a neutralidade religiosa do Estado deve implicar na proibição dos crucifixos em repartições públicas.

 

Proteção Internacional dos Direitos Humanos

3. Assinale a alternativa INCORRETA:

 

a) Os Programas Nacionais de Direitos Humanos tiveram origem na Declaração e

Programa de Ação da Conferência Mundial de Viena de 1993, organizada pela ONU e já contam com 03 (três) edições nacionais. A primeira dedicada, basicamente, à garantia de proteção dos direitos civis, a segunda introduzindo ações referentes a direitos sociais e a terceira discutindo os direitos humanos em maior complexidade e interrelação, tendo esta última como tema “Democracia, Desenvolvimento e Direitos Humanos: Superando as Desigualdades”.

b) A “teoria das gerações”, criada por Karel Vasak, classificou os direitos humanos em três gerações, associando-as a cada um dos componentes do slogan da Revolução Francesa: “liberdade, igualdade e fraternidade”.

c) A Declaração de Independência do Kosovo em relação à Sérvia foi considerada pela Corte Internacional de Justiça como perfeitamente albergada pelas normas de Direito

 
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Internacional vigentes, uma vez que o direito à autodeterminação dos povos pode ser invocado para fazer cessar graves violações de direitos humanos, tais quais as ocorridas na região.

d)

O Tribunal Penal Internacional para Serra Leoa pode ser classificado como Tribunal

Penal Internacional de 4ª geração, sendo criado para funcionar ad hoc e trabalhando de maneira mista, já que funciona em Serra Leoa sob coordenação da Organização

das Nações Unidas.

 

4.

Sobre a conformação dos órgãos e atores do sistema internacional de proteção

dos direitos humanos, assinale a alternativa CORRETA:

 

a) A Comissão Interamericana de Direitos Humanos é órgão componente da Organização dos Estados Americanos, a quem direciona petições contra Estados violadores da Carta Democrática da OEA, podendo tal Organização julgar e punir os infratores de acordo com as normas pertinentes de direito internacional.

b)

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos compõe tanto a Organização dos

Estados Americanos quanto o sistema contencioso do Pacto de San Jose da Costa Rica, possuindo, este último, uma corte internacional para julgar violações perpetradas por

Estados participantes do Pacto, seja através de peticionamento da Comissão, seja por peticionamento individual.

c)

O sistema africano de proteção aos direitos humanos na região começou a se

desenvolver a partir da Carta de Banjul e tem como órgãos componentes, após alguns

protocolos adicionais, a Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos e a Corte Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.

d)

O sistema europeu de proteção aos Direitos Humanos pode prolatar decisões que

se sobrepõem a soberania nacional, funcionando com órgãos de caráter

supranacional, nos moldes da União Europeia.

 
 

Direito Eleitoral

5.

O processo eleitoral em sua eficácia exige a correspondência entre a vontade que

o eleitor expressa e o que se revela nas urnas quando da apuração das eleições.

 
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Deste modo, as ações eleitorais existem para evitar, corrigir ou reprimir os vícios que podem afetar o processo eleitoral. O que se verifica quando começa a campanha eleitoral é o estabelecimento de um direito material tutelado por estas ações. Considerando o tema Ações Eleitorais, assinale a alternativa INCORRETA:

a)

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) é a principal ação judicial dentro da

campanha eleitoral, tendo uma importância não apenas suas hipóteses de cabimento, mas também porque constitui uma ação que estabelece um rito seguido por diversas outras ações. Sempre que uma ação tenha como possibilidade ou pretensão a cassação do registro ou diploma, essa ação, mesmo que não seja uma ação com respaldo nas hipóteses de cabimento da AIJE, seguirá o rito desta que está previsto no art. 22, da Lei Complementar nº 64/1990 e se aplica a todas as ações que implicam cassação de registro ou de diploma.

b) A Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) é ação de fundamento constitucional, prevista no art. 14, §10, da CF. A ação é de natureza desconstitutiva, porque seu objetivo é desconstituir a relação jurídica que se estabelece com a diplomação do candidato diante de uma das três hipóteses que a CF estabelece:

abuso de poder político, corrupção ou fraude.

 

c)

A representação por captação ilícita de recursos, prevista no art. 30-A, da Lei nº

9.504/1997, busca punir o financiamento irregular de campanha com a cassação do diploma do candidato. Entende o TSE que para a incidência do art. 30-A da LE, é necessária prova da proporcionalidade (relevância jurídica) do ilícito praticado pelo candidato em vez da potencialidade do dano em relação ao pleito eleitoral.

d)

A representação por condutas vedadas a agentes públicos segue o rito da AIJE (art.

22, da LC64/90), com algumas especificidades. O abuso de poder aqui é diferente do

abuso de poder da AIJE (que é genérico), bastando que se demonstre que o sujeito praticou a conduta para que ele seja sancionado, muito embora se exija, para a cassação do diploma, um certo juízo de proporcionalidade.

6. Levando em consideração as alterações promovidas pela minirreforma eleitoral (Lei nº 13.165/2015), assinale a alternativa CORRETA:

 
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a) Dentre as inúmeras alterações, encurtou-se o prazo de propaganda eleitoral, o qual passou a

a) Dentre as inúmeras alterações, encurtou-se o prazo de propaganda eleitoral, o qual

passou a ter início em 14 de agosto do ano da eleição.

b) Não configuram propaganda eleitoral antecipada, desde que não envolvam pedido

explícito de voto, a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-candidatos e os seguintes atos, que poderão ter cobertura dos meios de comunicação social, exceto via internet.

c) Em bens particulares, independe de obtenção de licença municipal e de autorização

da Justiça Eleitoral a veiculação de propaganda eleitoral, desde que seja feita em adesivo ou papel, não exceda a 0,5 m² (meio metro quadrado) e não contrarie a legislação eleitoral, sujeitando-se o infrator, após a notificação e comprovação, à restauração do bem e, caso não cumprida no prazo, a multa no valor de R$ 2.000,00

(dois mil reais) a R$ 8.000,00 (oito mil reais).

d) A partir de 30 de julho do ano da eleição, é vedado, ainda, às emissoras transmitir

programa apresentado ou comentado por pré-candidato, sob pena, no caso de sua escolha na convenção partidária, de imposição da multa prevista na lei e de cancelamento do registro da candidatura do beneficiário.

Grupo II

Direito Administrativo e Direito Ambiental

7. Acerca do Sistema Nacional Unidades de Conservação (SNUC) estabelecido pela Lei 9.985/2000, assinale a opção CORRETA:

a) A criação de uma unidade de conservação deve ser precedida de estudos técnicos

e de audiência pública que permitam identificar a localização, a dimensão e os limites

mais adequados para a unidade.

b) A desafetação ou redução dos limites de uma unidade de conservação só pode ser

feita mediante lei específica.

b) A desafetação ou redução dos limites de uma unidade de conservação só pode ser feita

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c)

As unidades de conservação, inclusive a Área de Proteção Ambiental e Reserva

Particular do Patrimônio Natural, devem possuir uma zona de amortecimento e,

quando conveniente, corredores ecológicos.

 

d)

Entende-se por corredor ecológico o conjunto de unidades de conservação de

categorias diferentes ou não, próximas, justapostas ou sobrepostas, e outras áreas protegidas públicas ou privadas, a cuja gestão do conjunto deverá ser feita de forma

integrada e participativa.

 

8. Analise as seguintes afirmações e, ao final, assinale a alternativa CORRETA:

I) O Ministério Público Federal tem atribuição para promover medidas tendentes à responsabilização penal e por improbidade administrativa e, também, as previstas na Lei nº 12.846, de 2013 (lei anticorrupção), em face de atos lesivos a sociedade de economia mista cuja acionista majoritária seja a União, sempre que evidenciado o interesse direto desta, como no caso em que o prejuízo sofrido pela sociedade empresarial repercuta ou possa repercutir no capital do ente político federal.

II)

Há improbidade administrativa quando o sujeito deixar de prestar contas quando

esteja obrigado a fazê-lo, mas o Tribunal de Contas ainda assim as aprovar, ou, mesmo que não, o respectivo Poder Legislativo as aprovar.

III) Administradores e empregados de organizações sociais e organizações da sociedade civil de interesse público podem ser responsabilizados na forma da Lei nº

8.429/1992.

 

IV)

No que se refere à Lei nº 12.846/2013, é correto afirmar que a responsabilização

da pessoa jurídica depende da responsabilização individual da pessoa natural

coautora do ato ilícito.

 

V)

Em caso de descumprimento do acordo de leniência, a pessoa jurídica ficará

impedida de celebrar novo acordo pelo prazo de 5 (cinco) anos contados do conhecimento pela administração pública do referido descumprimento.

a) Apenas as afirmações III, IV e V.

 

b) Apenas as afirmações I, II e III estão corretas.

c) Apenas as afirmações II, III e IV estão corretas.

d) Todas as afirmações estão corretas.

 
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Direito Tributário e Direito Financeiro

9. De acordo com a jurisprudência do STJ e do STF acerca das normas de Direito Tributário, assinale a opção INCORRETA:

a) Segundo o STJ nos casos de dissolução irregular da sociedade empresária, o redirecionamento da Execução Fiscal para o sócio-gerente não constitui causa de exclusão da responsabilidade tributária da pessoa jurídica.

b)

Segundo o STJ não incide contribuição previdenciária a cargo da empresa sobre os

valores pagos a título de salário-maternidade.

 

c)

Segundo o STJ os valores percebidos a título de pensionamento por redução da

capacidade laborativa decorrente de dano físico causado por terceiro, em cumprimento de decisão judicial, são tributáveis pelo imposto de renda e sujeitam a fonte pagadora à retenção do imposto por ocasião do pagamento, quando se tratar de lucros cessantes.

d)

Segundo o STF é possível o uso do habeas data para que pessoas físicas e jurídicas

obtenham dados sobre pagamentos de tributos constantes em sistemas de apoio a

arrecadação dos entes estatais.

 

10. Sobre os institutos do Direito Financeiro, marque assertiva CORRETA:

a)

Receita Corrente Líquida é o somatório de todas as receitas tributárias, de

contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes.

b) O art. 164, §3º da Constituição Federal de 1988 disciplina que as disponibilidades de caixa da União serão depositadas no banco central; as dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos órgãos ou entidades do Poder Público e das empresas por ele controladas, em instituições financeiras oficiais. Sobre as exceções a esse preceito constitucional, o Supremo Tribunal Federal já decidiu que cabe à União

 
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discipliná-las, mesmo no que se refere à disponibilidade de caixa dos Estados- membros.

c)

A Lei nº 4.320/64 foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 com status de

Lei Complementar Federal, observada a inteligência do art. 165, §9º da Carta Maior, de aplicação no âmbito da União para elaboração de suas leis orçamentárias, cabendo

a cada estado-membro a edição de suas próprias normais gerais sobre finanças públicas, no âmbito do poder legiferante concorrente.

d)

A Constituição Federal de 1988 veda a criação de Tribunais de Contas Municipais,

motivo pelo qual não existem tais instituições no Brasil.

 
 

Direito Internacional Público e Direito Internacional Privado

11.

Sobre Organizações Internacionais, marque a alternativa CORRETA:

a)

Possuem mecanismos de soluções de controvérsias, tendo em vista que são criadas

para esse fim.

 

b)

Não são sujeitos de direito internacional, pois são formadas por Estados e esses são

quem detêm personalidade jurídica internacional.

 

c)

Tem como exemplos as ONGs que atuam em uma série de frentes como educação,

saúde, meio ambiente etc.

 

d)

A Cruz Vermelha não é uma Organização Internacional, mas ente de direito privado

interno dotado de personalidade internacional em razão da importância que conquistou, ao longo do tempo, no cenário internacional.

12.

Assinale a alternativa INCORRETA:

a)

O Ministério Público Federal apresentou ao Supremo Tribunal Federal a tese do

“duplo controle” para dirimir a celeuma instaurada pela divergência nos

 
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posicionamentos da Corte Brasileira em relação a Corte Interamericana de Direitos Humanos no que toca a Lei de Anistia.

b)

A fertilização cruzada é fenômeno cada vez mais presente entre os Estados tendo

em vista o desenvolvimento da aproximação entre os ordenamentos jurídicos, propiciada pelo cosmopolitismo jurídico, o transconstitucionalismo e o direito

comunitário.

 

c)

O momento de internalização de uma norma internacional convencional coincide

com a entrada em vigor internacional da mesma norma, uma vez que o Estado não pode dispor para a comunidade internacional de interesses e bens que já não dispõe

internamente.

 

d)

A denúncia de tratados bilaterais necessariamente os extingue.

Grupo III

Direito Econômico e Direito do Consumidor

13. Acerca do Acordo de Leniência na Lei 12.529/2011 e no Regimento Interno do Cade, assinale a opção CORRETA:

a)

O Acordo de Leniência não poderá ser celebrado se a Superintendência- Geral/Cade

já tinha conhecimento prévio da conduta anticompetitiva.

 

b)

Os benefícios serão efetivamente concedidos com a declaração de cumprimento

do Acordo de Leniência pelo Tribunal do Cade, por ocasião do julgamento do Processo Administrativo.

c)

Na hipótese de o proponente do Acordo de Leniência ser pessoa física, e ocorrer

sua celebração sem a participação da pessoa jurídica, os seus benefícios se estenderão

à empresa a que está ou estava vinculado.

 

d)

Diferentemente da Lei Anterior (8.884/94) o líder do cartel está impedido de ser

proponente do Acordo de Leniência.

 
 
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14.

Assinale a alternativa CORRETA:

a)

A Ordem dos Advogados do Brasil pode atuar na defesa coletiva lato sensu dos

direitos dos consumidores, sendo dispensada a pertinência temática para o ajuizamento de Ação Civil Pública, consoante entendimento do Superior Tribunal de

 

Justiça.

b) Os Procons são órgãos estaduais de proteção e defesa do consumidor, componentes do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, tendo como exemplos de atribuição o atendimento direto aos consumidores e o monitoramento do mercado de consumo local.

c) O Código de Defesa do Consumidor não incide sobre as relações de serviço público.

d) Entes públicos não gozam do status de consumidor, motivo pelo qual não podem

ser destinatários das normas do Código de Defesa do Consumidor.

 
 

Direito Civil

15.

Acerca dos Direitos da Personalidade, é INCORRETO afirmar que:

a)

De acordo com o Supremo Tribunal Federal, a publicação de biografias prescinde

de autorização prévia.

 

b)

Para o Superior Tribunal de Justiça, o direito ao esquecimento pode tornar ilícita a

divulgação pela imprensa de fatos pretéritos que sejam embaraçosos ou dolorosos, e a sua violação pode ensejar a condenação por danos morais, no entanto, em determinados casos, como em crimes de grande repercussão nacional, é impossível narrá-los sem fazer alusão à vítima, motivo pelo qual o STJ denegou o pedido de compensação por danos morais formulado pelos irmãos de Aída Curi.

c)

Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura, o

provedor de aplicações de internet somente poderá ser responsabilizado civilmente

 
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por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros se, após ordem judicial específica, não tomar as providências para, no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço e dentro do prazo assinalado, tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente, ressalvadas as disposições legais em contrário.

d)

O espólio possui legitimidade para postular indenização pelos danos materiais e

morais supostamente experimentados pelos herdeiros caso os referidos danos tenham decorrido de erro médico de que fora vítima o falecido.

16.

Assinale a alternativa CORRETA:

a) O abuso de direito é uma categoria jurídica autônoma em relação à responsabilidade civil, por isso, o exercício abusivo de posições jurídicas desafia controle independentemente de dano.

b)

O Banco do Brasil, na condição de gestor do Cadastro de Emitentes de Cheques sem

Fundos (CCF), tem a responsabilidade de notificar previamente o devedor acerca da sua inscrição no aludido cadastro, bem como possui legitimidade passiva para as ações de reparação de danos fundadas na ausência de prévia comunicação.

c)

O Código Civil de 2002 adotou no art. 187 a Teoria dos Atos Emulativos, também

conhecida como subjetiva, segundo a qual, somente se caracterizará abuso do direito

se o agente tiver a intenção de prejudicar outrem.

 

d)

No estado de perigo não se exige dolo de aproveitamento.

Direito Processual Civil

17.

Sobre os Recursos Extraordinário e Especial e levando em consideração as regras

previstas no Código de Processo Civil vigente, assinale a alternativa CORRETA:

 

a)

Da decisão do Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal que negue seguimento ao

Recurso Extraordinário sob o fundamento de que o recurso discute questão

 
  15

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constitucional à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, caberá Agravo Interno para o próprio Tribunal.

b) Da decisão do Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal que encaminhar o processo ao órgão julgador para realização do juízo de retratação, se o acórdão recorrido divergir do entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça exarado, conforme o caso, nos regimes de repercussão geral ou de recursos repetitivos, caberá Agravo para o Supremo Tribunal Federal.

c) Da decisão do Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal que negue seguimento a recurso extraordinário ou a recurso especial interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, exarado no regime de julgamento de recursos repetitivos, caberá Agravo para o Tribunal Superior.

d) Da decisão do Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal que sobrestar o recurso que versar sobre controvérsia de caráter repetitivo ainda não decidida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se trate de matéria constitucional ou infraconstitucional, caberá Agravo para o Tribunal Superior.

18. Julgue os itens a seguir sobre o entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre as normas do Código de Processo Civil de 2015 e assinale a alternativa CORRETA:

I- Implica no reconhecimento da intempestividade do recurso, a falta de cumprimento do prazo legal de 15 (quinze) dias úteis para interposição do agravo interno, contados da publicação da decisão no Diário da Justiça;

II-

Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões

publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC;

III- Nos recursos tempestivos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016), caberá a abertura de prazo prevista no

 
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art. 932, parágrafo único, c/c o art. 1.029, § 3º, do novo CPC e referente

art. 932, parágrafo único, c/c o art. 1.029, § 3º, do novo CPC e referente à concessão de prazo de 5 (cinco) dias para o recorrente a fim de sanar vício ou complementar a documentação exigível;

IV- De acordo com o NCPC, considera-se omissa a decisão que deixa de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ou incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, § 1º, do NCPC.

V- A reiteração de agravo interno para impugnar decisão de Turma, Sessão ou Câmara não configura erro grosseiro.

a) somente os itens I, II, III e IV estão corretos;

b) somente os itens I, II, III e V estão corretos;

c) somente os itens I, II e IV estão corretos;

d) somente os itens I, III e IV estão corretos.

Grupo IV

Direito Penal

19. Assinale a opção CORRETA:

a) O chamado tráfico privilegiado, previsto no § 4º, do art. 33, da Lei nº 11.343/2006,

deve ser considerado crime de natureza hedionda.

b) Em relação ao crime de genocídio, a pena pelo crime de incitação será a mesma do

crime incitado, se este se consumar.

c) O roubo praticado em um mesmo contexto fático, mediante uma só ação, contra

vítimas diferentes, enseja o reconhecimento de crime único.

d) É insuficiente, para a comprovação da materialidade do delito previsto no art. 184,

§ 2º, do CP, a perícia realizada, por amostragem, sobre os aspectos externos do

do delito previsto no art. 184, § 2º, do CP, a perícia realizada, por amostragem, sobre

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material apreendido, sendo imprescindível a identificação dos titulares dos direitos autorais violados ou de quem os represente.

20.

Sobre as teorias criminológicas, assinale a opção INCORRETA:

a) O Eficientismo Penal proclama que, se o sistema não funciona, isto é, se não combate eficientemente a criminalidade, é porque não é suficientemente repressivo, sendo assim, é necessário criminalizar mais, penalizar mais, aumentar os aparatos policiais, judiciários e penitenciários, apresentando-se, dessa forma, como uma antítese ao abolicionismo.

b)

A Criminologia Etiológica tem por objeto de estudo o criminoso e a criminalidade,

concebidos como realidades ontológicas preexistentes ao sistema de justiça criminal e explicados pelo método positivista de causas biológicas, psicológicas e ambientais.

c)

A Teoria da Subcultura Delinquente demonstra que o comportamento criminoso é

uma qualidade atribuída por agências de controle social a determinadas condutas, mediante aplicação de regras e sanções, e define criminoso como o sujeito ao qual se aplica com sucesso o rótulo de desviante.

d)

De acordo com a Teoria da Associação Diferencial, o comportamento criminoso é

aprendido em interação com outras pessoas em um processo de comunicação, sendo que o processo de aprendizagem compreende as técnicas de cometimento do crime, as orientações específicas de motivos, impulsos, racionalizações e atitudes, dessa forma, o fato de a pessoa se tornar delinquente se deve ao excesso de definições em favor da violação da lei sobre aquelas em oposição à infringência desta.

 

Direito Processual Penal

21.

No que se refere aos sistemas de provas no Direito Processual Penal, assinale a

alternativa INCORRETA:

 
 
  18

18

 
 

a) A expressão verdade real não pode ser mais aceita em processo penal.

 

b) Por não haver um modelo processual penal definido na Constituição da República

de 1988, não se pode pretender vedar qualquer iniciativa probatória ao juiz na fase

processual. Contudo, essa permissão probatória processual ao magistrado não pode levar à substituição e à supressão dos ônus ministeriais relativos à prova.

c)

Alguns doutrinadores defendem que o nemo tenetur se detegere assegura que o

agente, quanto aos fatos imputados, no exercício da sua autodefesa, pode calar ou não. Todavia, não tem direito à mentira, comportamento ativo e que configura abuso da ampla defesa.

d)

Há mitigação do direito de defesa, na hipótese de não constar do pedido de prisão

preventiva para extradição cópia da decisão que decretou a prisão no país de origem, pois nos termos do artigo 82 da Lei 6.815/1980, com a redação dada pela Lei

12.878/2013, é necessária a apresentação prévia da totalidade da documentação legal e judicial nesse momento processual.

22. No que se refere ao sistema recursal brasileiro e sua utilização no âmbito do processo penal, assinale a CORRETA:

a)

A capacidade judiciária da Mesa do Senado para ajuizar Reclamação Constitucional

pressupõe ato concreto que implique violação a prerrogativa institucional da Casa Legislativa. Deste modo, é admissível a utilização da Reclamação pela Mesa do Senado

para questionar a realização de busca e apreensão em apartamento funcional de Senador, já que este imóvel é uma extensão da Casa Legislativa, independentemente de quem seja o investigado.

b) A concessão de ofício de Habeas Corpus dentro de Reclamação Constitucional constitui violação ao art. 649 do Código de Processo Penal.

c) Não há previsão de reexame necessário no Código de Processo Penal.

 

d) É cabível Recurso em Sentido Estrito contra decisão que julgar procedente exceção

de suspeição.

 
 
  19

19

QUESTÕES OBJETIVAS COMENTADAS Grupo I Direito Constitucional e Metodologia Jurídica 1. Com relação aos povos

QUESTÕES OBJETIVAS COMENTADAS

Grupo I

Direito Constitucional e Metodologia Jurídica

1. Com relação aos povos e comunidades tradicionais no contexto jurídico brasileiro e internacional, assinale a opção INCORRETA:

a) Compreende-se por povos e comunidades tradicionais grupos culturalmente

diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição

para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição.

b) A Constituição de 1988 representa uma clivagem em relação ao sistema

constitucional pretérito, uma vez que reconhece o Estado brasileiro como pluriétnico,

e não mais pautado em pretendidas homogeneidades, garantidas ora por uma

perspectiva de assimilação, mediante a qual sub-repticiamente se instalam entre os

diferentes grupos étnicos novos gostos e hábitos, corrompendo-os e levando-os a renegarem a si próprios ao eliminar o específico de sua identidade, ora submetendo-

os forçadamente à invisibilidade.

c) No Caso YATAMA Vs. NICARÁGUA a Corte Interamericana de Direitos Humanos aplicou a Teoria do Impacto Desproporcional, também conhecida como discriminação indireta, que consiste na ideia de que toda e qualquer prática empresarial, política governamental ou semi-governamental, de cunho legislativo ou administrativo, ainda que não provida de intenção discriminatória no momento de sua concepção, deve ser condenada por violação ao princípio constitucional da igualdade material se, em consequência de sua aplicação resultarem efeitos nocivos de incidência especialmente desproporcional sobre certas categorias de pessoas.

d) Multiculturalidade refere-se à existência e interação equitativa de diversas

culturas, assim como à possibilidade de geração de expressões culturais compartilhadas por meio do diálogo e respeito mútuo.

como à possibilidade de geração de expressões culturais compartilhadas por meio do diálogo e respeito mútuo.

20

Comentários A alternativa A está correta. Este é o conceito trazido pelo DECRETO Nº 6.040/2007
Comentários
A alternativa A está correta. Este é o conceito trazido pelo DECRETO Nº 6.040/2007
que Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e
Comunidades Tradicionais.
A alternativa B está correta, e foi extraída do artigo da Examinadora "O Estado
Pluriétnico", cuja leitura é obrigatória. O tema de povos e comunidades tradicionais
e
indígenas é muito caro à Examinadora, portanto deve-se dar uma especial atenção
ao assunto. Para começar a tratar dele acho interessante colacionar aqui o que
Deborah Duprat denomina de DECÁLOGO DOS DIREITOS DOS POVOS TRADICIONAIS:
1) O Brasil é uma sociedade plural, onde se respeitam todos os grupos étnico-
culturais;
2) Cada grupo étnico-cultural constitui uma coletividade com modos próprios de
fazer, criar e viver;
3) Esses grupos têm, em comum, uma relação especial com o território, relação esta
que tem que ser protegida, porque indissociável da identidade;
4) O direito a manter essa relação com o território, porque de natureza fundamental,
é
de aplicação imediata;
5) Não é possível o deslocamento desses grupos de seus territórios tradicionais, salvo
situação de absoluta excepcionalidade, garantido o seu retorno tão logo cesse a causa
que o determinou;
6) Qualquer atividade a ser desenvolvida por terceiros, no âmbito desses territórios
tradicionais, depende do consentimento informado do grupo;
7) A identidade do grupo apenas por este é definida (critério da auto-atribuição);
8) Não pode haver, num Estado plural, disputa por direitos identitários. Eventual
controvérsia está limitada a alguns direitos conferidos em função da identidade;
9) A cultura, porque definida enquanto modo de viver, criar e fazer de um grupo, é
um processo dinâmico, que se renova dia-a-dia. Acabam as categorias
aculturado/selvagem, e nenhum grupo é obrigado a ficar imobilizado no tempo para
ter direitos decorrentes de sua identidade/cultura;
10) O direito nacional, em face desses grupos, há de ser aplicado tendo em vista as
suas especificidades, sendo assegurado aos seus membros que possam entender e
21
fazer-se entender nas suas atuações políticas, jurídicas e administrativas. (DUPRAT, 2007, pp. 23-24). A alternativa

fazer-se entender nas suas atuações políticas, jurídicas e administrativas. (DUPRAT, 2007, pp. 23-24).

A alternativa C está correta. A organização indígena YATAMA, que há décadas representava o grupo nos pleitos eleitorais, viu-se excluída das eleições da Nicarágua em virtude de alteração legislativa, sem possibilidade de revisão da consequente decisão do órgão maior de sua Justiça Eleitoral. Este precedente é relevante, pois trata-se do primeiro caso que a Corte examina matéria eleitoral, assim como é a primeira vez que a Corte examina, concretamente, o direito à Igualdade e Não- Discriminação ("Direito da Antidiscriminação"), além de ter reconhecido que o Princípio da Igualdade Material possui natureza de jus cogens. A Corte ao analisar este caso decidiu:

a) que o Poder Judiciário da Nicarágua violou o dever de motivação; bem como os Princípios da Igualdade e Não-Discriminação; e ainda, não houve possibilidade de recurso efetivo para revisão da decisão; e b) determinou a publicação da sentença; a indenização ao YATAMA; a necessidade de criação de um recurso judicial para reavalizar as decisões do órgão máximo eleitoral; a reforma eleitoral a fim de que as comunidades indígenas participassem das eleições em condições de igualdade.

* Para maiores informações acerca desse caso recomenda-se a leitura do Livro Jurisprudência Internacional de Direitos Humanos de Caio Paiva e Thim Heemann.

Acerca da teoria do Impacto Desproporcional sua definição está correta, conforme conceituação realizada por Joaquim Barbosa no Livro "Ação Afirmativa e princípio constitucional da igualdade". O leading case nos EUA foi o caso Griggs vs. Duke Power Co. de 1970, no qual era questionada a prática da empresa que, como condição para promoção dos empregados, os submetia a "testes de inteligência". Os autores da ação alegaram que tal conduta tinha impacto negativo desproporcional sobre os trabalhadores negros, já que em sua maioria haviam frequentado escolas segregadas, em que o ensino era inferior, fato que os impedia de concorrer em igualdade de condições com os empregados brancos. A corte entendeu que a prática não podia ser mantida por perpetuar o status quo de práticas empregatícias discriminatórias do passado.

A Corte Europeia também usou a teoria do impacto desproporcional para coibir discriminações de gênero no caso Bilka-Kaufhaus vs. Van Hartz, em que se discutiu a validade de um sistema privado de pensão mantido pela empresa alemã, que negava o benefício a empregados que trabalhavam em regime parcial. Embora

de pensão mantido pela empresa alemã, que negava o benefício a empregados que trabalhavam em regime

22

 
 

aparentemente neutra a prática impactava de forma desproporcional as mulheres, já que elas, na maioria dos casos, trabalhavam em regime parcial para conciliar com o cuidado dos filhos.

* Para maiores informações acerca da Teoria do Impacto Desproporcional recomenda-se a leitura do artigo de Daniel SARMENTO "A igualdade étnico-racial no Direito Constitucional Brasileiro: discriminação "de facto", teoria do impacto desproporcional e ação afirmativa".

Observa-se que este é um tema caro à Examinadora Deborah Duprat, que vem sendo cobrado nas últimas provas objetivas e subjetivas.

A alternativa D está incorreta e é o gabarito da questão, pois o conceito ali trazido não é de multiculturalidade, mas sim de interculturalidade, contido no art. 4º, 8 da Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais. Conforme a Examinadora, baseada no texto de Catherine Walsh "La interculturalidad en la Educación", a multiculturalidade é um termo principalmente descritivo e basicamente se refere à multiplicidade de culturas dentro de um determinado espaço (Questão nº 5 do 28º CPR).

Gabarito alternativa “D”

 

2. Acerca da Filosofia Política e teoria constitucional, assinale a opção INCORRETA:

a)

No republicanismo, dá-se ênfase às virtudes republicanas dos cidadãos, na noção

de que o cidadão tem o direito e o dever de participar na coisa pública, atuação esta que deve ser pautada não apenas nos interesses individuais, mas também no bem

 

comum.

b)

Uma das contribuições do liberalismo igualitário para a teoria constitucional são a

possibilidade de sua utilização para negar a existência da supremacia do interesse público sobre interesses particulares.

c)

O comunitarismo defende que um dos papeis do Estado é o de reforçar os liames

existentes nas sociedades, avalizando e promovendo as concepções morais compartilhadas, e, por isso, enfatiza a neutralidade estatal frente aos projetos de vida.

d)

De acordo com o liberalismo igualitário o Estado deve ser absolutamente neutro

frente ao campo religioso, a fim de garantir a todos, inclusive ateus e agnósticos, igual

 
  23

23

 
 

respeito, portanto, a neutralidade religiosa do Estado deve implicar na proibição dos crucifixos em repartições públicas.

Comentários

 

A alternativa A está correta. Pela classificação de Antonio Maia e Tarcísio Menezes, houve o republicanismo clássico (Maquiavel), o republicanismo moderno (Harrington, Montesquieu, Rousseau e Adams), o republicanismo contemporâneo (Skinner, Pettit, Viroli e Michelman) e o republicanismo humanista (Aristóteles e Hannah Arendt).

No republicanismo, busca-se dar mais poder ao povo e enfatiza-se a importância da cidadania. A participação popular na vida política seria o meio vocacionado para proteger as liberdades básicas, pois permitiria uma cidadania ativa permanentemente vigilante para impedir não só a corrupção governamental e o arbítrio dos governantes, que ameaça os direitos dos indivíduos.

O republicanismo se assemelha ao comunitarismo no sentido de criticar a visão atomizada e individualista de sociedade própria do liberalismo. Porém, é diferente do comunitarismo, porque o foco deste é o respeito às tradições compartilhadas, enquanto o foco do republicanismo é a participação do cidadão na coisa pública. Por sua vez, a concepção de liberdade do republicanismo difere daquela do liberalismo.

A

liberdade do republicanismo é vista como não dominação.

* Para maiores informações acerca dessa caso recomenda-se a leitura do Livro do Daniel Sarmento e Cláudio Pereira de Souza Neto "Direito Constitucional Teoria, história e métodos de trabalho."

A alternativa B está correta. O liberalismo igualitário, cujos maiores expoentes foram

o

filósofo John Rawls e o jurista Ronald Dworkin, é uma vertente do liberalismo

político, que defende a prioridade das liberdades públicas e existenciais (liberdade de expressão, de religião e de privacidade) diante dos interesses do Estado e da coletividade; porém, apoia, simultaneamente, intervenções enérgicas do Estado no campo econômico voltadas à promoção da igualdade material. Tem, assim, um forte compromisso não só com a liberdade, mas também com a igualdade.

Segundo Daniel Sarmento, uma das contribuições mais importantes do liberalismo igualitário para a teoria constitucional são a defesa reforçada das liberdades públicas

e

existenciais no sistema jurídico, com a rejeição de restrições destas por motivos

24

24

paternalistas, utilitaristas ou por tradições comunitárias. O liberalismo igualitário pode ser utilizado para negar a
paternalistas, utilitaristas ou por tradições comunitárias. O liberalismo igualitário
pode ser utilizado para negar a existência da supremacia do interesse público sobre
interesses particulares, por expressar uma visão utilitarista ou organicista da ética
jurídica e das relações sociais, insuficientemente preocupada com a proteção dos
direitos fundamentais.
A
alternativa C está incorreta e é o gabarito da questão. O Comunitarismo combate
a neutralidade estatal frente aos projetos de vida. Assim, os comunitaristas aceitam
mais facilmente restrições às liberdades individuais por valores socialmente
compartilhados ou preocupações paternalistas. Rebate a concepção liberal, pois
afirma que esta veria o indivíduo como um ser desenraizado (unencumbered self),
ignorando que as pessoas nascem no seio de comunidades, que estão impregnadas
de valores e sentidos comuns compartilhados. Assim, as visões de mundo não
estariam à disposição das pessoas, como consumidoras em um mercado de ideias,
mas seriam sim relativas a contextos cultuais específicos. Além disso, afirmam que o
liberalismo fragilizaria os vínculos sociais e incentivaria o egocentrismo. No
comunitarismo, a ênfase no indivíduo é substituída pela ênfase na comunidade. Pelos
comunitaristas, as normas devem refletir a cultura do povo em que vigoram (ethos
do grupo social). Exemplo: no Brasil, foi proibido o Axé Music no Carnaval de Olinda,
para proteger o frevo. Nesses exemplos, uma perspectiva liberal igualitária enxergaria
uma injustificada limitação da liberdade, enquanto os comunitaristas considerariam
legítimas tais medidas para proteger as manifestações culturais.
A
alternativa D está correta. Segundo Daniel Sarmento, uma das contribuições mais
importantes do liberalismo igualitário para a teoria constitucional são a neutralidade
do Estado em relação às moralidades privadas na sociedade, reconhecimento das
pessoas como agentes morais livres e iguais, merecedores do mesmo respeito e
consideração do Estado.
Gabarito alternativa “C”
Proteção Internacional dos Direitos Humanos
3. Assinale a alternativa INCORRETA:
25
 
 

a)

Os Programas Nacionais de Direitos Humanos tiveram origem na Declaração e

Programa de Ação da Conferência Mundial de Viena de 1993, organizada pela ONU e já contam com 03 (três) edições nacionais. A primeira dedicada, basicamente, à garantia de proteção dos direitos civis, a segunda introduzindo ações referentes a direitos sociais e a terceira discutindo os direitos humanos em maior complexidade e interrelação, tendo esta última como tema “Democracia, Desenvolvimento e Direitos Humanos: Superando as Desigualdades”.

b) A “teoria das gerações”, criada por Karel Vasak, classificou os direitos humanos em três gerações, associando-as a cada um dos componentes do slogan da Revolução Francesa: “liberdade, igualdade e fraternidade”.

c) A Declaração de Independência do Kosovo em relação à Sérvia foi considerada pela Corte Internacional de Justiça como perfeitamente albergada pelas normas de Direito Internacional vigentes, uma vez que o direito à autodeterminação dos povos pode ser invocado para fazer cessar graves violações de direitos humanos, tais quais as ocorridas na região.

d)

O Tribunal Penal Internacional para Serra Leoa pode ser classificado como Tribunal

Penal Internacional de 4ª geração, sendo criado para funcionar ad hoc e trabalhando

de maneira mista, já que funciona em Serra Leoa sob coordenação da Organização das Nações Unidas.

Comentários

 

A alternativa A não está incorreta, tendo em vista que PNDH’s foram, de fato, inspirados na Declaração e Programa de Ação de Viena de 1993. Tal conferência buscou normativizar a catalogação interna de lesões a direitos humanos, por parte do Estados, com o posterior intercâmbio de informações com os demais membros da sociedade internacional e órgãos internacionais de controle, como é o caso da ONU, prevendo e incentivando os Estados a estabelecerem diretrizes a serem seguidas, conformando alguns de seus órgãos internos para consecução desse objetivo, incitando o espírito cooperativo da sociedade internacional.

Foram três edições nacionais dos programas, que realmente se alinharam sob o eixo exposto na alternativa, sendo o terceiro programa (PNDH-3), o que foi produzido com maior profundidade e complexidade ao interrelacionar os temas de estudo dos Direitos Humanos. Recomenda-se a leitura e comparação dos três programas.

 
  26

26

 
 

A

alternativa B não está incorreta, porquanto, a Teoria das Gerações foi, de fato

atribuída a Karel Vasak, inspirado nos ideias da Revolução Francesa. Hoje em dia tal terminologia se encontra em desuso, tendo sido preferível falar em “Dimensões de Direitos” a fim de que não se passe a ideia de que os direitos atribuídos a cada dimensão/geração tenha sido conquistado em uma espécie de ordem cronológica, que não se sobrepõem ou se inter-relacionem uns com os outros.

Ademais, alguns autores incluíram algumas outras gerações/dimensões (quarta e quinta), afeta a ideais complementares aos da Revolução Francesa.

A alternativa C está incorreta. Alternativa a ser marcada. A CIJ realmente considerou legal a Declaração de Independência do Kosovo, mas por entender que não existem normas de direito internacional que vedassem tal atitude por parte de um povo.

O fundamento de que o direito de autodeterminação dos povos poderia ser invocado para cessar graves ameaças ou violações a direitos humanos constou do voto do Juiz brasileiro, Cançado Trindade, à época membro da CIJ, que, no entanto, foi vencido, prevalecendo a simplória fundamentação acima exposta.

A

alternativa D está correta. Os tribunais internacionais penais foram classificados,

até o presente momento, em quatro gerações: a primeira com o Tribunal de Nuremberg e o Tribunal Internacional para o Extremo Oriente; a segunda com o Tribunal Penal Internacional da Ex-Iugoslávia e o Tribunal Penal Internacional de Ruanda; a terceira com o Tribunal Penal Internacional do Estatuto de Roma (primeira corte criada permanentemente, já que as demais foram ad hoc) e a quarta geração com o Tribunal Penal Internacional para Serra Leoa, que funciona de maneira mista e foi responsável pela instrução do famoso caso dos Diamantes de Sangue ou Charles Taylor, a que se recomenda a leitura.

Gabarito alternativa “C”

 

4. Sobre a conformação dos órgãos e atores do sistema internacional de proteção dos direitos humanos, assinale a alternativa CORRETA:

a) A Comissão Interamericana de Direitos Humanos é órgão componente da Organização dos Estados Americanos, a quem direciona petições contra Estados violadores da Carta Democrática da OEA, podendo tal Organização julgar e punir os infratores de acordo com as normas pertinentes de direito internacional.

 
  27

27

 
 

b)

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos compõe tanto a Organização dos

Estados Americanos quanto o sistema contencioso do Pacto de San Jose da Costa Rica, possuindo, este último, uma corte internacional para julgar violações perpetradas por Estados participantes do Pacto, seja através de peticionamento da Comissão, seja por peticionamento individual.

c)

O sistema africano de proteção aos direitos humanos na região começou a se

desenvolver a partir da Carta de Banjul e tem como órgãos componentes, após alguns protocolos adicionais, a Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos e a

Corte Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.

 

d)

O sistema europeu de proteção aos Direitos Humanos pode prolatar decisões que

se sobrepõem a soberania nacional, funcionando com órgãos de caráter supranacional, nos moldes da União Europeia.

Comentários

 

A

alternativa A está incorreta. A Comissão IDH é órgão componente de dois sistemas

americanos de direitos humanos que, apesar de ser interligarem em alguns momentos, são sistemas distintos: O sistema da OEA e o sistema da Convenção Interamericana de DH, que é o Pacto de San José da Costa Rica.

Em cada um desses sistemas a Comissão IDH exerce um diferente papel, sendo que não há contencioso no sistema da OEA, sendo a Corte Interamericana de Direitos Humanos órgão componente do Pacto de San José e para quem a Comissão peticiona e pede julgamento e punição no caso de lesões a Direitos Humanos nos estados que ratificaram o Pacto.

Sobre o assunto, importante e interessante a leitura do “Curso de Direitos Humanos” do Procurador Regional da República André de Carvalho Ramos.

A

alternativa B está incorreta. Alternativa estaria correta não fosse a última parte. A

Corte Interamericana de DH não aceita peticionamento individual, atuando apenas por impulso da Comissão Interamericana de DH, sendo que apenas a essa última é possível peticionar individualmente.

A

alternativa C está correta. É o gabarito da questão. O Sistema Africano de Direitos

Humanos ainda é bastante incipiente e pouco tem sido cobrado em provas, sendo

que nunca foi cobrado na prova do MPF, o que demanda uma atenção maior

 
  28

28

prospectivamente, principalmente porque tal sistema vem instruindo seus primeiros casos e já existem alguns entendimentos

prospectivamente, principalmente porque tal sistema vem instruindo seus primeiros casos e já existem alguns entendimentos importantes por parte da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, a serem trabalhados nas próximas rodadas.

A alternativa D está incorreta, porque o sistema europeu de proteção aos DH, apesar

de prolatar decisões de ordem vinculante, conforme pontua o artigo 46 da Convenção Europeia de Direitos Humanos, permite que o próprio Estado condenado encontre a melhor maneira de cumprir a decisão proferida, podendo até haver negativa de cumprimento, o que acarreta, com a permissão da própria Corte Europeia de Direitos Humanos, a resolução equitativa da questão, sem que isso seja considerado uma lesão a decisão da Corte. Assim, deve se concluir que o sistema europeu funciona sob princípios e regras próprios, diferente da ordem nacional de proteção aos direitos humanos, mas não pode ser considerada supranacional, tendo em vista não haver hierarquização dos estados para com o sistema.

Gabarito alternativa “C”

Direito Eleitoral

5. O processo eleitoral em sua eficácia exige a correspondência entre a vontade que

o eleitor expressa e o que se revela nas urnas quando da apuração das eleições.

Deste modo, as ações eleitorais existem para evitar, corrigir ou reprimir os vícios

que podem afetar o processo eleitoral. O que se verifica quando começa a campanha eleitoral é o estabelecimento de um direito material tutelado por estas ações. Considerando o tema Ações Eleitorais, assinale a alternativa INCORRETA:

a) A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) é a principal ação judicial dentro da campanha eleitoral, tendo uma importância não apenas suas hipóteses de cabimento, mas também porque constitui uma ação que estabelece um rito seguido por diversas outras ações. Sempre que uma ação tenha como possibilidade ou pretensão a cassação do registro ou diploma, essa ação, mesmo que não seja uma ação com respaldo nas hipóteses de cabimento da AIJE, seguirá o rito desta que está previsto no art. 22, da Lei Complementar nº 64/1990 e se aplica a todas as ações que implicam cassação de registro ou de diploma.

22, da Lei Complementar nº 64/1990 e se aplica a todas as ações que implicam cassação

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b) A Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) é ação de fundamento constitucional, prevista
b) A Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) é ação de fundamento
constitucional, prevista no art. 14, §10, da CF. A ação é de natureza desconstitutiva,
porque seu objetivo é desconstituir a relação jurídica que se estabelece com a
diplomação do candidato diante de uma das três hipóteses que a CF estabelece:
abuso de poder político, corrupção ou fraude.
c) A representação por captação ilícita de recursos, prevista no art. 30-A, da Lei nº
9.504/1997, busca punir o financiamento irregular de campanha com a cassação do
diploma do candidato. Entende o TSE que para a incidência do art. 30-A da LE, é
necessária prova da proporcionalidade (relevância jurídica) do ilícito praticado pelo
candidato em vez da potencialidade do dano em relação ao pleito eleitoral.
d) A representação por condutas vedadas a agentes públicos segue o rito da AIJE (art.
22, da LC64/90), com algumas especificidades. O abuso de poder aqui é diferente do
abuso de poder da AIJE (que é genérico), bastando que se demonstre que o sujeito
praticou a conduta para que ele seja sancionado, muito embora se exija, para a
cassação do diploma, um certo juízo de proporcionalidade.
Comentários
A alternativa A está correta. O rito da AIJE é aquele previsto no art. 22, da Lei
Complementar nº 64/1990 e, de fato, a resolução nº 23.298 estabelece que as
representações por captação ilícita de recursos, captação ilícita de sufrágio e
condutas vedadas aos agentes públicos – todas hipóteses que implicam
inelegibilidade ou cassação de registro ou de diploma e inelegibilidade – seguirão o
rito do art. 22 da LC64/90, sem prejuízo da competência regular do corregedor
eleitoral.
A alternativa B está incorreta e, portanto, é o gabarito da questão. Pegadinha! A
AIME, consoante previsão Constitucional (art. 14, §10) só pode ter por objeto: abuso
de poder econômico, corrupção ou fraude. A CF se refere a abuso de poder
econômico, mas não se refere a abuso de poder político. Inicialmente o TSE era
rigoroso neste ponto e só admitia AIME com abuso de poder econômico, mas hoje o
TSE entende estando o abuso de poder político entrelaçado com o abuso de poder
30
econômico (abuso de poder político com repercussão econômica), será possível a propositura de AIME. A

econômico (abuso de poder político com repercussão econômica), será possível a propositura de AIME.

A alternativa C está correta. Nos termos do art. 30-A da Lei Geral das Eleições (Lei nº 9.504/1997): “Art. 30-A. Qualquer partido político ou coligação poderá representar à Justiça Eleitoral, no prazo de 15 (quinze) dias da diplomação, relatando fatos e indicando provas, e pedir a abertura de investigação judicial para apurar condutas em desacordo com as normas desta Lei, relativas à arrecadação e gastos de recursos”. Vê-se, portanto, que a representação por captação ilícita de recursos diz respeito à arrecadação e gastos de recursos, logo possui íntima relação com o financiamento da campanha eleitoral. Para o TSE:

“A cassação de registro ou de diploma na hipótese de captação ou gastos ilícitos de recursos, prevista no art. 30-A, § 20, da Lei n° 9.504/97, requer prova de relevância jurídica das irregularidades praticadas pelo candidato. (…) para que se incida o art. 30-A da Lei n° 9.504/97, faz-se necessária aferir a relevância jurídica do ilícito (e não do requisito previsto no art. 22, XVI, da LC no 64/90), na medida em que a cassação de diploma deve ser proporcional à gravidade da conduta e à lesão ao bem jurídico protegido. (…) Não havendo, necessariamente, nexo de causalidade entre a prestação de contas de campanha (ou os erros dela decorrentes) e a legitimidade do pleito, exigir prova de potencialidade seria tornar inóqua a previsão contida no art. 30-A, limitado-o a mais uma hipótese de abuso de poder. O bem jurídico tutelado pela norma revela que o que está em jogo é o princípio constitucional da moralidade (CF, art. 14, § 9°). Para incidência do art. 30-A da Lei 9.504/97, necessária prova da proporcionalidade (relevância jurídica) do ilícito praticado pelo candidato e não da potencialidade do dano em relação ao pleito eleitoral” (AgR-REspe no 3-04.201 3.6.08.0022/ES).

A alternativa D está correta. Conforme mencionado nos comentários à alternativa A, a representação por conduta vedada também segue o rito da AIJE (art. 22, da Lei Complementar nº 64/1990). Com relação ao conceito de abuso de poder para fins de conduta vedada, entende o TSE que basta a prática de ato elencado dentre as hipóteses listadas no art. 73, da Lei nº 9.504/1997 para a caracterização da conduta

de ato elencado dentre as hipóteses listadas no art. 73, da Lei nº 9.504/1997 para a

31

 
   
 

vedada. Todavia, não é automática a aplicação de todas as sanções ali previstas, dentre elas, a cassação do registro ou do diploma, tendo em vista a necessidade de se realizar um juízo de proporcionalidade. É o que se pode conferir a seguir:

 

ELEIÇÕES 2012. AÇÕES DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL. PREFEITO E VICE-PREFEITO, VEREADOR E ENTÃO PREFEITO. ABUSO DE PODER, CONDUTAS VEDADAS E CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO. (…) 2. As hipóteses de conduta vedada previstas no art. 73 da Lei nº 9.504/97 têm

natureza objetiva. Verificada a presença dos requisitos necessários à sua caracterização, a norma proibitiva reconhece-se violada, cabendo ao julgador aplicar as sanções previstas nos §§ 4º e 5º do referido artigo de

forma proporcional. Precedentes. (

)

A jurisprudência do TSE é pacífica

no sentido de que as hipóteses de condutas vedadas são de legalidade

estrita. Precedentes ( Belterra/PA).

).

(REspe - Recurso Especial Eleitoral nº 53067

Gabarito alternativa “B”

 

6. Levando em consideração as alterações promovidas pela minirreforma eleitoral (Lei nº 13.165/2015), assinale a alternativa CORRETA:

a)

Dentre as inúmeras alterações, encurtou-se o prazo de propaganda eleitoral, o qual

passou a ter início em 14 de agosto do ano da eleição.

 

b)

Não configuram propaganda eleitoral antecipada, desde que não envolvam pedido

explícito de voto, a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-candidatos e os seguintes atos, que poderão ter cobertura dos meios

de comunicação social, exceto via internet.

 

c)

Em bens particulares, independe de obtenção de licença municipal e de autorização

da Justiça Eleitoral a veiculação de propaganda eleitoral, desde que seja feita em adesivo ou papel, não exceda a 0,5 m² (meio metro quadrado) e não contrarie a legislação eleitoral, sujeitando-se o infrator, após a notificação e comprovação, à restauração do bem e, caso não cumprida no prazo, a multa no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) a R$ 8.000,00 (oito mil reais).

 
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32

d) A partir de 30 de julho do ano da eleição, é vedado, ainda, às
d) A partir de 30 de julho do ano da eleição, é vedado, ainda, às emissoras transmitir
programa apresentado ou comentado por pré-candidato, sob pena, no caso de sua
escolha na convenção partidária, de imposição da multa prevista na lei e de
cancelamento do registro da candidatura do beneficiário.
Comentários
A alternativa A está incorreta. Em que pese a singeleza da assertiva, é crucial para o
candidato manter-se atualizado com as alterações promovidas pela minirreforma
eleitoral de 2015. Deste modo, muito importante saber que o início da propaganda
eleitoral passou para a data de 15 de agosto do ano eleitoral, nos termos do art. 36,
da Lei nº 9.504/1997.
A alternativa B está incorreta. Outra vez, insisto a necessidade de saber bem as
alterações promovidas pela minirreforma. O final da assertiva está errado, pois o art.
36-A não excepciona a internet do rol dos meios de comunicação social para fins de
propaganda eleitoral antecipada.
A alternativa C está CORRETA, portanto, é o gabarito da questão. Mera reprodução
do texto do art. 37, §§1º e 2º, da Lei nº 8.504/1997: “Art. 37. Nos bens cujo uso
dependa de cessão ou permissão do poder público, ou que a ele pertençam, e nos bens
de uso comum, inclusive postes de iluminação pública, sinalização de tráfego,
viadutos, passarelas, pontes, paradas de ônibus e outros equipamentos urbanos, é
vedada a veiculação de propaganda de qualquer natureza, inclusive pichação,
inscrição a tinta e exposição de placas, estandartes, faixas, cavaletes, bonecos e
assemelhados. (Redação dada pela Lei nº 13.165, de 2015). §1ºA veiculação de
propaganda em desacordo com o disposto no caput deste artigo sujeita o responsável,
após a notificação e comprovação, à restauração do bem e, caso não cumprida no
prazo, a multa no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) a R$ 8.000,00 (oito mil reais).
§2º Em bens particulares, independe de obtenção de licença municipal e de
autorização da Justiça Eleitoral a veiculação de propaganda eleitoral, desde que seja
feita em adesivo ou papel, não exceda a 0,5 m² (meio metro quadrado) e não contrarie
a legislação eleitoral, sujeitando-se o infrator às penalidades previstas no §1º”.
33
A alternativa D está incorreta. A vedação para a transmissão de programas apresentados ou comentados
A alternativa D está incorreta. A vedação para a transmissão de programas
apresentados ou comentados por pré-candidato inicia-se em 30 de junho do ano da
eleição (art. 45, §1º, da Lei nº 9.504/1997). Importante notar que houve a
consagração da figura do pré-candidato na legislação eleitoral e que a mudança
promovida pela minirreforma antecipou a vedação, que antes era prevista apenas
para candidato e o prazo se iniciava a partir da divulgação do resultado da convenção
partidária.
Gabarito alternativa “C”
Grupo II
Direito Administrativo e Direito Ambiental
7. Acerca do Sistema Nacional Unidades de Conservação (SNUC) estabelecido pela
Lei 9.985/2000, assinale a opção CORRETA:
a)
A criação de uma unidade de conservação deve ser precedida de estudos técnicos
e de audiência pública que permitam identificar a localização, a dimensão e os limites
mais adequados para a unidade.
b)
A desafetação ou redução dos limites de uma unidade de conservação só pode ser
feita mediante lei específica.
c)
As unidades de conservação, inclusive a Área de Proteção Ambiental e Reserva
Particular do Patrimônio Natural, devem possuir uma zona de amortecimento e,
quando conveniente, corredores ecológicos.
d) Entende-se por corredor ecológico o conjunto de unidades de conservação de
categorias diferentes ou não, próximas, justapostas ou sobrepostas, e outras áreas
protegidas públicas ou privadas, a cuja gestão do conjunto deverá ser feita de forma
integrada e participativa.
Comentários
34
 
 

A

alternativa A está errada. De acordo com o art. 22. §2º A criação de uma unidade

de conservação deve ser precedida de estudos técnicos e de consulta pública que permitam identificar a localização, a dimensão e os limites mais adequados para a unidade, conforme se dispuser em regulamento.

A

alternativa B está correta e é o gabarito da questão, nos termos do art. 22. §7º. As

unidades de conservação são criadas por ato do Poder Público, seja por meio de Decreto do Poder Executivo, seja por Lei editada pelo Legislativo. As unidades de conservação do grupo de Uso Sustentável podem ser transformadas total ou parcialmente em unidades do grupo de Proteção Integral, por instrumento normativo do mesmo nível hierárquico do que criou a unidade, desde que obedecidos os procedimentos de consulta estabelecidos no art. 22. §2º. Da mesma forma, a ampliação dos limites de uma unidade de conservação, sem modificação dos seus limites originais, exceto pelo acréscimo proposto, pode ser feita por instrumento normativo do mesmo nível hierárquico do que criou a unidade, desde que obedecidos os procedimentos de consulta estabelecidos no art. 22. §2º.

Ou seja, se for para assegurar maior proteção ambiental, seja por transformar a Unidade de Conservação em uma Unidade de Proteção Integral, mais restritiva quanto ao uso, seja pelo aumento da área da Unidade de Conservação pode ser adotado o Decreto do Poder Executivo, se a Unidade foi criada por meio de Decreto. Porém, em casos de redução ou desafetação da área da Unidade exige-se que seja realizada por meio de Lei, por mais que a criação da Unidade tenha sido feita por meio de Decreto. Não vige nesse caso o princípio de paralelismo das formas.

A

alternativa C está errada, pois segundo o Art. 25. As unidades de conservação,

exceto Área de Proteção Ambiental e Reserva Particular do Patrimônio Natural, devem possuir uma zona de amortecimento e, quando conveniente, corredores

ecológicos.

 

A alternativa D está errada, pois traz o conceito de Mosaico de Unidades de Conservação previsto no art. 26. "Quando existir um conjunto de unidades de conservação de categorias diferentes ou não, próximas, justapostas ou sobrepostas, e outras áreas protegidas públicas ou privadas, constituindo um mosaico, a gestão do conjunto deverá ser feita de forma integrada e participativa, considerando-se os seus distintos objetivos de conservação, de forma a compatibilizar a presença da

 
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35

biodiversidade, a valorização da sociodiversidade e o desenvolvimento sustentável no contexto regional." O
biodiversidade, a valorização da sociodiversidade e o desenvolvimento sustentável no
contexto regional." O conceito de corredor ecológico vem exposto no art. 2º, XIX -
"corredores ecológicos: porções de ecossistemas naturais ou seminaturais, ligando
unidades de conservação, que possibilitam entre elas o fluxo de genes e o movimento
da biota, facilitando a dispersão de espécies e a recolonização de áreas degradadas,
bem como a manutenção de populações que demandam para sua sobrevivência áreas
com extensão maior do que aquela das unidades individuais."
Gabarito alternativa “B”
8. Analise as seguintes afirmações e, ao final, assinale a alternativa CORRETA:
I)
O Ministério Público Federal tem atribuição para promover medidas tendentes à
responsabilização penal e por improbidade administrativa e, também, as previstas na
Lei nº 12.846, de 2013 (lei anticorrupção), em face de atos lesivos a sociedade de
economia mista cuja acionista majoritária seja a União, sempre que evidenciado o
interesse direto desta, como no caso em que o prejuízo sofrido pela sociedade
empresarial repercuta ou possa repercutir no capital do ente político federal.
II) Há improbidade administrativa quando o sujeito deixar de prestar contas quando
esteja obrigado a fazê-lo, mas o Tribunal de Contas ainda assim as aprovar, ou, mesmo
que não, o respectivo Poder Legislativo as aprovar.
III) Administradores e empregados de organizações sociais e organizações da
sociedade civil de interesse público podem ser responsabilizados na forma da Lei nº
8.429/1992.
IV) No que se refere à Lei nº 12.846/2013, é correto afirmar que a responsabilização
da pessoa jurídica depende da responsabilização individual da pessoa natural
coautora do ato ilícito.
V) Em caso de descumprimento do acordo de leniência, a pessoa jurídica ficará
impedida de celebrar novo acordo pelo prazo de 5 (cinco) anos contados do
conhecimento pela administração pública do referido descumprimento.
a)
Apenas as afirmações III, IV e V.
b) Apenas as afirmações I, II e III estão corretas.
c)
Apenas as afirmações II, III e IV estão corretas.
36
 
 

d) Todas as afirmações estão corretas.

 

Comentários

 

A

alternativa I está correta. Enunciado nº 29, da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão

(é extremamente importante ler os enunciados de todas as Câmaras).

 

A

alternativa II está correta. O artigo 21, inciso II, estipula que a aplicação das sanções

por improbidade administrativa independe “da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas”. A avaliação do Tribunal de Contas não é vinculante nem em relação ao Legislativo, nem ao Judiciário, e nem a avaliação, eminentemente política, do Legislativo é vinculante em relação ao Judiciário. No entanto, a aprovação das contas aumenta o ônus da prova da improbidade administrativa.

A

alternativa III está correta. A alternativa está correta, entretanto, deve-se apenas

prestar atenção nas limitações fixadas no art. 1º e seu § único. Qualquer espécie de fomento público não é mera liberalidade, mas um instrumento de realização do interesse público. Sendo assim, se, no decorrer da execução de suas obrigações, houver verificação de ato tipificado como improbidade administrativa, o sujeito é considerado agente público e, nessa condição, responde na forma da Lei nº 8.429/1992. Recomenda-se fortemente que o aluno leia a apostila “Cem perguntas e

Respostas sobre Improbidade Administrativa”, formulada pela ESMPU

 

f).

A

alternativa IV está incorreta. Trata-se da literalidade do art. 3º, §1º.

Art. 3º A responsabilização da pessoa jurídica não exclui a responsabilidade individual de seus dirigentes ou administradores ou de qualquer pessoa natural, autora, coautora ou partícipe do ato ilícito.

§1º A pessoa jurídica será responsabilizada independentemente da responsabilização individual das pessoas naturais referidas no caput.

A alternativa V está incorreta. Trata-se da literalidade do art. 16, §8º. A pessoa jurídica ficará impedida de celebrar novo acordo pelo prazo de 3 (três) anos contados do conhecimento pela administração pública do referido descumprimento.

 
  37

37

Gabarito alternativa “B” Direito Tributário e Direito Financeiro 9. De acordo com a jurisprudência do
Gabarito alternativa “B”
Direito Tributário e Direito Financeiro
9. De acordo com a jurisprudência do STJ e do STF acerca das normas de Direito
Tributário, assinale a opção INCORRETA:
a) Segundo o STJ nos casos de dissolução irregular da sociedade empresária, o
redirecionamento da Execução Fiscal para o sócio-gerente não constitui causa de
exclusão da responsabilidade tributária da pessoa jurídica.
b)
Segundo o STJ não incide contribuição previdenciária a cargo da empresa sobre os
valores pagos a título de salário-maternidade.
c)
Segundo o STJ os valores percebidos a título de pensionamento por redução da
capacidade laborativa decorrente de dano físico causado por terceiro, em
cumprimento de decisão judicial, são tributáveis pelo imposto de renda e sujeitam a
fonte pagadora à retenção do imposto por ocasião do pagamento, quando se tratar
de lucros cessantes.
d)
Segundo o STF é possível o uso do habeas data para que pessoas físicas e jurídicas
obtenham dados sobre pagamentos de tributos constantes em sistemas de apoio a
arrecadação dos entes estatais.
Comentários
A alternativa A está correta. Esse é o entendimento do STJ:
"(
)
são distintas as causas que deram ensejo à responsabilidade
tributária e, por consequência, à definição do polo passivo da demanda:
a) no caso da pessoa jurídica, a responsabilidade decorre da
concretização, no mundo material, dos elementos integralmente
previstos em abstrato na norma que define a hipótese de incidência do
tributo; b) em relação ao sócio-gerente, o "fato gerador" de sua
responsabilidade, conforme acima demonstrado, não é o simples
38
inadimplemento da obrigação tributária, mas a dissolução irregular (ato ilícito). Além do mais, não há

inadimplemento da obrigação tributária, mas a dissolução irregular (ato ilícito). Além do mais, não há sentido em concluir que a prática, pelo sócio-gerente, de ato ilícito (dissolução irregular) constitui causa de exclusão da responsabilidade tributária da pessoa jurídica, fundada em circunstância independente. Em primeiro lugar, porque a legislação de Direito Material (CTN e legislação esparsa) não contém previsão legal nesse sentido. Ademais, a prática de ato ilícito imputável a um terceiro, posterior à ocorrência do fato gerador, não afasta a inadimplência (que é imputável à pessoa jurídica, e não ao respectivo sócio-gerente) nem anula ou invalida o surgimento da obrigação tributária e a constituição do respectivo crédito, o qual, portanto, subsiste normalmente. Entender de modo diverso, seria concluir que o ordenamento jurídico conteria a paradoxal previsão de que um ato ilícito - dissolução irregular -, ao fim, implicaria permissão para a pessoa jurídica (beneficiária direta da aludida dissolução) proceder ao arquivamento e ao registro de sua baixa societária, uma vez que não mais subsistiria débito tributário a ela imputável, em detrimento de terceiros de boa-fé (Fazenda Pública e demais credores). REsp 1.455.490-PR, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 26/8/2014.

A alternativa B está incorreta, e por isso é o gabarito da questão. O STJ decidiu que incide contribuição previdenciária a cargo da empresa sobre os valores pagos a título de salário-maternidade, pois para efeitos tributários, este tem natureza salarial. "( ) O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), paga-se à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial." REsp 1.230.957-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 26/2/2014.

A alternativa C está correta. Segundo o art. 950 do CC, se uma pessoa for vítima de dano físico que cause a diminuição de sua capacidade de trabalho, ela deverá receber do causador do dano pensão correspondente à importância do trabalho para que se

de trabalho, ela deverá receber do causador do dano pensão correspondente à importância do trabalho para

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inabilitou, ou da depreciação que ela sofreu. Tais valores estão sujeitos ao pagamento de Imposto

inabilitou, ou da depreciação que ela sofreu. Tais valores estão sujeitos ao pagamento de Imposto de Renda (IR). Assim, decidiu o STJ que os valores percebidos a título de pensionamento por redução da capacidade laborativa decorrente de dano físico causado por terceiro, em cumprimento de decisão judicial, são tributáveis pelo imposto de renda e sujeitam a fonte pagadora à retenção do imposto por ocasião do pagamento. Danos morais e danos emergentes: NÃO incide IR. Lucros cessantes:

INCIDE IR. STJ. 2ª Turma. REsp 1.464.786-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 25/8/2015 (Info 568).

"No caso dos danos emergentes, o indivíduo não recebe nada além do que já possuía e teve que gastar por causa da lesão sofrida. Como ele apenas recebeu de volta o que gastou, não houve acréscimo patrimonial, de forma que não há que se falar em pagamento de imposto de renda. Nos lucros cessantes, o juiz diz o seguinte: como você deixou de lucrar X, receberá esse valor em forma de indenização. Perceba, portanto, que o indivíduo recebe uma quantia que não fazia parte de seu patrimônio. Além disso, a indenização por lucros cessantes substitui o valor que a pessoa iria lucrar caso não tivesse havido o acidente. Ocorre que se não tivesse havido o acidente e a pessoa lucrasse aquele valor, ela teria que pagar o imposto de renda. Logo, nada mais justo que, ao receber a quantia substituta (lucros cessantes), continue tendo o dever de pagar o imposto." Site Dizer o Direito.

A alternativa D está correta. A decisão foi tomada em 2015 no RE 673.707/MG, divulgado no Informativo 790 do STF. " "O “habeas data” é a garantia constitucional adequada para a obtenção, pelo próprio contribuinte, dos dados concernentes ao pagamento de tributos constantes de sistemas informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos da administração fazendária dos entes estatais. Essa a conclusão do Plenário, que proveu recurso extraordinário em que discutida a possibilidade de o contribuinte, por meio do aludido remédio constitucional, acessar todas as anotações incluídas nos arquivos da Receita Federal, com relação a todos os tributos de qualquer natureza por ele declarados e controlados pelo Sistema Integrado de Cobrança - Sincor, ou qualquer outro, além da relação de pagamentos efetuados para a liquidação desses débitos, mediante vinculação automática ou manual, bem como a relação dos pagamentos sem liame com débitos existentes. No caso, o recorrente, ao intentar obter informações relativas às anotações constantes

com débitos existentes. No caso, o recorrente, ao intentar obter informações relativas às anotações constantes 40

40

dos arquivos da Receita Federal, tivera o pedido negado, tendo em vista esses dados não
dos arquivos da Receita Federal, tivera o pedido negado, tendo em vista esses dados
não se enquadrarem, supostamente, na hipótese de cadastro público."
Gabarito alternativa “B”
10. Sobre os institutos do Direito Financeiro, marque assertiva CORRETA:
a)
Receita Corrente Líquida é o somatório de todas as receitas tributárias, de
contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências
correntes e outras receitas também correntes.
b) O art. 164, §3º da Constituição Federal de 1988 disciplina que as disponibilidades
de caixa da União serão depositadas no banco central; as dos Estados, do Distrito
Federal, dos Municípios e dos órgãos ou entidades do Poder Público e das empresas
por ele controladas, em instituições financeiras oficiais. Sobre as exceções a esse
preceito constitucional, o Supremo Tribunal Federal já decidiu que cabe à União
discipliná-las, mesmo no que se refere à disponibilidade de caixa dos Estados-
membros.
c) A Lei nº 4.320/64 foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 com status de
Lei Complementar Federal, observada a inteligência do art. 165, §9º da Carta Maior,
de aplicação no âmbito da União para elaboração de suas leis orçamentárias, cabendo
a cada estado-membro a edição de suas próprias normais gerais sobre finanças
públicas, no âmbito do poder legiferante concorrente.
d) A Constituição Federal de 1988 veda a criação de Tribunais de Contas Municipais,
motivo pelo qual não existem tais instituições no Brasil.
Comentários
A alternativa A está incorreta. Excluem-se das RCL as receitas de compensação
financeira do tempo de contribuição para aposentadoria na atividade privada e
administração pública, a contribuição dos servidores para previdência social e as
41
 
 

transferências constitucionais, em relação à União, para os demais entes. (Dicção do art. 2º, inciso IV e alíneas da LC 101/00).

A

alternativa B está correta. Alternativa a ser marcada. É o texto expresso do art.

164, §3º da CF/88, interpretada pelo STF conforme julgado que segue:

 

"As disponibilidades de caixa dos Estados-membros, dos órgãos ou entidades que os integram e das empresas por eles controladas deverão ser depositadas em instituições financeiras oficiais, cabendo, unicamente, à União Federal, mediante lei de caráter nacional, definir as exceções autorizadas pelo art. 164, § 3º, da Constituição da República." (ADI 2.661-MC, rel. min. Celso de Mello, julgamento em 5-6-2002, Plenário, DJ de 23-8-2002.) No mesmo sentido: ADI 3.075, rel. min. Gilmar Mendes, julgamento em 24-9-2014, Plenário, DJE de 5-11-2014.”

Recomenda-se a leitura comentada da Constituição Federal de 1988 no site do próprio Supremo.

A

alternativa C está incorreta. A Lei nº 4.320/64 foi realmente recepcionada com

status de Lei Complementar, no entanto, consoante decidiu o próprio STF, não cabe aos estados-membros, nem a órgãos estaduais, disciplinar normas gerais sobre

finanças públicas, tendo em vista, também, a própria lógica do poder legiferante concorrente entre União, Estados e DF:

 

“A Constituição Federal de 1988 é expressa em seu artigo 165, §9º, inciso I, no sentido de que cabe à lei complementar de âmbito nacional dispor sobre a elaboração do plano plurianual, de modo que é incabível ao Tribunal de Contas de Estado-membro tratar da matéria por meio de ato infralegal.” (ADI 4.081, rel. min. Edson Fachin, julgamento em 25-11- 2015, Plenário, DJE de 4-12-2015.)

A

alternativa D está incorreta. Em que pese realmente haver vedação para criação de

Tribunais de Contas Municipais, a questão se demonstra equivocada por duas razões. A primeira porque o STF já decidiu que é constitucional a criação, por parte dos Estados-membros, de Tribunais de Contas estaduais especializados em julgar as contas dos municípios, sendo vedada a criação, por município, de tribunal de contas

 
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42

próprio: “A Constituição da República impede que os Municípios criem os seus próprios Tribunais, Conselhos
próprio:
“A Constituição da República impede que os Municípios criem os seus
próprios Tribunais, Conselhos ou órgãos de contas municipais (CF, art. 31,
§ 4º), mas permite que os Estados-membros, mediante autônoma
deliberação, instituam órgão estadual denominado Conselho ou Tribunal
de Contas dos Municípios (RTJ 135/457, Rel. Min. Octavio Gallotti – ADI
445/DF, rel. min. Néri da Silveira), incumbido de auxiliar as Câmaras
Municipais no exercício de seu poder de controle externo (CF, art. 31, §
1º).” (ADI 687, rel. min. Celso de Mello, julgamento em 2-2-1995,
Plenário, DJ de 10-2-2006.)”
Em segundo lugar, a CF/88 barra apenas a criação de TC's municipais, não realizando
a dissolução daqueles porventura já existentes, como é o caso do Tribunal de Contas
do Município de São Paulo, e Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro,
criados antes de 1988.
Gabarito alternativa “B”
Direito Internacional Público e Direito Internacional Privado
11. Sobre Organizações Internacionais, marque a alternativa CORRETA:
a)
Possuem mecanismos de soluções de controvérsias, tendo em vista que são criadas
para esse fim.
b)
Não são sujeitos de direito internacional, pois são formadas por Estados e esses são
quem detêm personalidade jurídica internacional.
c)
Tem como exemplos as ONGs que atuam em uma série de frentes como educação,
saúde, meio ambiente etc.
d)
A Cruz Vermelha não é uma Organização Internacional, mas ente de direito privado
interno dotado de personalidade internacional em razão da importância que
43
 
 

conquistou, ao longo do tempo, no cenário internacional.

 

Comentários

 

A

alternativa A está incorreta. Em que pese haver uma tendência atual de que as

organizações internacionais possuam mecanismos de solução de controvérsias, não

são estes últimos componentes obrigatórios da estrutura de uma OI.

 

A alternativa B está incorreta. Possuem personalidade jurídica internacional separada dos Estados que a compõe. Sobre isso ver caso Folke Bernadotte e Convenção de Viena sobre Direitos dos Tratados de 1986, que expressamente prevê a personalidade jurídica das OIs.

A

alternativa C está incorreta. As ONGs são organismos governamentais internos do

Estado e não possuem personalidade jurídica internacional, em que pese venham se destacando no cenário internacional na defesa de direitos humanos. Há a

possibilidade de atuarem em nome de algum Estado, mas tal legitimidade estaria calcada na personalidade jurídica do Estado em si, e não da ONG.

A

alternativa D está correta. A Cruz Vermelha é uma organização não governamental

suíça, que foi adquirindo importância perante a sociedade internacional a partir do seu trabalho humanitário durante e após as duas guerras mundiais. É conhecida, portanto, como tendo uma personalidade jurídica sui generis, tendo em vista que não faz parte dos tradicionais atores internacionais detentores de personalidade jurídica.

Gabarito alternativa “D”

 

12. Assinale a alternativa INCORRETA:

 

a) O Ministério Público Federal apresentou ao Supremo Tribunal Federal a tese do “duplo controle” para dirimir a celeuma instaurada pela divergência nos posicionamentos da Corte Brasileira em relação a Corte Interamericana de Direitos Humanos no que toca a Lei de Anistia.

 
  44

44

 
 

b)

A fertilização cruzada é fenômeno cada vez mais presente entre os Estados tendo

em vista o desenvolvimento da aproximação entre os ordenamentos jurídicos, propiciada pelo cosmopolitismo jurídico, o transconstitucionalismo e o direito comunitário.

c)

O momento de internalização de uma norma internacional convencional coincide

com a entrada em vigor internacional da mesma norma, uma vez que o Estado não pode dispor para a comunidade internacional de interesses e bens que já não dispõe internamente.

d)

A denúncia de tratados bilaterais necessariamente os extingue.

Comentários

 

A alternativa A está correta e portanto não deve ser assinalada. A Procuradoria Geral da República deu parecer na ADPF 320, de autoria do PSOL, para que, após a decisão prolatada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Gomes-Lund, o STF adote a teoria de dupla conformidade ou duplo controle, calcada na ideia de que existem dois regimes básicos de proteção aos direitos humanos: um nacional e um internacional, sendo indicado que, para averiguação da validade de uma norma, deve ser verificada se, além de constitucional, a norma se apresenta convencional, instituindo um controle, também, de convencionalidade da norma, pela qual não teria passado a Lei da Anistia, o que invalidaria sua aplicação, apesar de constitucional.

Recomenda-se, fortemente, a leitura do parecer da PGR e dos artigos de André de Carvalho Ramos sobre o assunto, já que foi um dos idealizadores de tal teoria.

Alternativa B está correta, logo não deve ser assinalada. Fertilização Cruzada é um termo que tem sido adotado para expressar a troca de experiências normativas entre os Estados ou mesmo entre Estados e órgãos internacionais. É correta a conclusão de que tal fenômeno tem sido possível em razão da aproximação entre os Estados, o que é objeto de estudo do cosmopolitismo jurídico (ou ético), que as vezes é nomeado de transconstitucionalismo (Doutrina do Professor Constitucionalista Marcelo Neves) e

 
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45

também do Direito Comunitário, que ainda tem como maior expoente a União Europeia, a qual
também do Direito Comunitário, que ainda tem como maior expoente a União
Europeia, a qual chegou em tal nível de interação entre os Estados que desenvolveu
órgãos de caráter supranacional.
Alternativa C está incorreta, e deve ser assinalada. Levando-se em consideração a
corrente majoritária adotada no Brasil, que é a dualista, deve-se entender que existem
dois ordenamentos jurídicos distintos: o nacional e o internacional. Assim, normas
internacionais, mais especificamente as normas internacionais convencionais (já que
costumes também são normas mas seguem uma lógica distinta), entram em vigor na
ordem internacional em momento distinto daquele em que começa a viger
internamente, uma vez que o Estado pode precisar internalizar através de um ato
específico, tal norma internacional.
No caso do Brasil, após a ratificação de um tratado (momento em que o Estado
Brasileiro se obriga perante a sociedade internacional por determinada convenção),
há a necessidade de expedição de decreto por parte do Chefe do Poder Executivo
Federal para fins de internalização de determinada convenção, podendo tal
convenção ser oposta ao próprio Estado Brasileiro, internamente, apenas após a
expedição de tal ato normativo (decreto).
Alternativa D está correta. Tratados bilaterais são convenções entre apenas dois
Estados, e a denúncia é o ato de retirada de um Estado das obrigações expostas em
determinado tratado. Havendo apenas dois atores em uma determinada convenção,
a saída de um obrigatoriamente inocula o tratado.
Gabarito alternativa “C”
Grupo III
Direito Econômico e Direito do Consumidor
13. Acerca do Acordo de Leniência na Lei 12.529/2011 e no Regimento Interno do
Cade, assinale a opção CORRETA:
46
 
 

a) O Acordo de Leniência não poderá ser celebrado se a Superintendência- Geral/Cade já tinha conhecimento prévio da conduta anticompetitiva.

b)

Os benefícios serão efetivamente concedidos com a declaração de cumprimento

do Acordo de Leniência pelo Tribunal do Cade, por ocasião do julgamento do Processo Administrativo.

c)

Na hipótese de o proponente do Acordo de Leniência ser pessoa física, e ocorrer

sua celebração sem a participação da pessoa jurídica, os seus benefícios se estenderão à empresa a que está ou estava vinculado.

d)

Diferentemente da Lei Anterior (8.884/94) o líder do cartel está impedido de ser

proponente do Acordo de Leniência.

 

Comentários

 

A

alternativa A está errada. Um dos requisitos do Acordo de Leniência é que a

Superintendência-Geral não pode dispor de provas suficientes para assegurar a condenação da empresa ou pessoa física quando da propositura do acordo. A extinção da ação punitiva da administração pública leniência total ou a redução de um a dois terços das penas aplicáveis leniência parcial (art. 86, §4o da Lei nº 12.529/2011) –, depende do “conhecimento prévio” da Superintendência-Geral do Cade a respeito da conduta (art. 208, I e II do RICADE): I. se a SG/Cade não tinha conhecimento prévio da infração, a empresa e/ou pessoa física receberá o benefício da extinção da ação punitiva da administração pública em relação à conduta denunciada; II. se a SG/Cade já tinha conhecimento prévio da conduta, mas não

dispunha de provas para assegurar a condenação, a empresa e/ou pessoa física poderá celebrar uma leniência com benefícios parciais e receberá o benefício da redução de um a dois terços da penalidade aplicável, a depender da efetividade da cooperação e da boa-fé do infrator no cumprimento do Acordo de Leniência.

A

alternativa B está correta, e portanto é o gabarito. O Tribunal do Cade não

participa da negociação e/ou da celebração do Acordo de Leniência, mas compete a

 
  47

47

ele decretar, ao final, o cumprimento do acordo quando do julgamento do Processo Administrativo (art.
ele decretar, ao final, o cumprimento do acordo quando do julgamento do Processo
Administrativo (art. 86, §4º da Lei nº 12.529/2011).
A alternativa C está errada. Na hipótese de o proponente do Acordo de Leniência ser
empresa, os benefícios do acordo podem ser estendidos aos seus dirigentes,
administradores e empregados (atuais ou passados), bem como às empresas do
mesmo grupo econômico, de fato ou de direito, envolvidas na infração, desde que
cooperem com as investigações e firmem o instrumento em conjunto com a empresa
proponente (art. 86, §6º da Lei nº 12.529/2011 c/c art. 198, §1º do RICADE). Contudo,
na hipótese de o proponente do Acordo de Leniência ser pessoa física, e ocorrer sua
celebração sem a participação da pessoa jurídica, os seus benefícios não se
estenderão à empresa a que está ou estava vinculado (art. 86, §6º, Lei nº 12.529/2011
c/c art. 198, §3º do RICADE). A justificativa para tanto é aumentar a instabilidade do
cartel, de modo que todos os participantes envolvidos, sejam eles empresas ou
pessoas físicas, permaneçam incentivados em denunciar a prática anticompetitiva ao
Cade o mais cedo possível.
A alternativa D está errada. A Lei nº 12.529/2011 trouxe o fim do impedimento para
que o líder do cartel seja proponente do acordo, que constava na Lei anterior, no art.
35-B, §1º "O disposto neste artigo não se aplica às empresas ou pessoas físicas que
tenham estado à frente da conduta tida como infracionária".
Gabarito alternativa “B”
14. Assinale a alternativa CORRETA:
a) A Ordem dos Advogados do Brasil pode atuar na defesa coletiva lato sensu dos
direitos dos consumidores, sendo dispensada a pertinência temática para o
ajuizamento de Ação Civil Pública, consoante entendimento do Superior Tribunal de
Justiça.
b) Os Procons são órgãos estaduais de proteção e defesa do consumidor,
componentes do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, tendo como exemplos
de atribuição o atendimento direto aos consumidores e o monitoramento do mercado
48
de consumo local. c) O Código de Defesa do Consumidor não incide sobre as relações
de consumo local.
c) O Código de Defesa do Consumidor não incide sobre as relações de serviço público.
d) Entes públicos não gozam do status de consumidor, motivo pelo qual não podem
ser destinatários das normas do Código de Defesa do Consumidor.
Comentários
A alternativa A está correta. É o gabarito. Foi a conclusão adotada pelo STJ no
enfrentamento da questão:
PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ORDEM DOS
ADVOGADOS DO BRASIL. CONSELHO SECCIONAL. PROTEÇÃO DO
PATRIMÔNIO URBANÍSTICO, CULTURAL E HISTÓRICO. LIMITAÇÃO POR
PERTINÊNCIA TEMÁTICA. INCABÍVEL. LEITURA SISTEMÁTICA DO ART. 54,
XIV, COM O ART. 44, I, DA LEI 8.906/94. DEFESA DA CONSTITUIÇÃO
FEDERAL, DO ESTADO DE DIREITO E DA JUSTIÇA SOCIAL. 1. Cuida-se de
recurso especial interposto contra acórdão que manteve a sentença que
extinguiu, sem apreciação do mérito, uma ação civil pública ajuizada pelo
conselho seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em prol da
proteção do patrimônio urbanístico, cultural e histórico local; a
recorrente alega violação dos arts. 44, 45, § 2º, 54, XIV, e 59, todos da Lei
n. 8.906/94. 2. Os conselhos seccionais da Ordem dos Advogados do
Brasil podem ajuizar as ações previstas - inclusive as ações civis públicas
-
no art. 54, XIV, em relação aos temas que afetem a sua esfera local,
restringidos territorialmente pelo art. 45, § 2º, da Lei n. 8.906/84. 3. A
legitimidade ativa - fixada no art. 54, XIV, da Lei n. 8.906/94 - para
propositura de ações civis públicas por parte da Ordem dos Advogados
do Brasil, seja pelo Conselho Federal, seja pelos conselhos seccionais,
deve ser lida de forma abrangente, em razão das finalidades outorgadas
pelo legislador à entidade - que possui caráter peculiar no mundo jurídico
-
por meio do art. 44, I, da mesma norma; não é possível limitar a
49
atuação da OAB em razão de pertinência temática, uma vez que a ela corresponde a
atuação da OAB em razão de pertinência temática, uma vez que a ela
corresponde a defesa, inclusive judicial, da Constituição Federal, do
Estado de Direito e da justiça social, o que, inexoravelmente, inclui
todos os direitos coletivos e difusos. Recurso especial provido. (nosso
grifo) (STJ - REsp: 1351760 PE 2012/0229361-3, Relator: Ministro
HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 26/11/2013, T2 - SEGUNDA
TURMA, Data de Publicação: DJe 09/12/2013)
A alternativa B está incorreta. Os procons são órgãos de natureza tanto estadual
quanto municipal, componentes do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e
incumbidos do cumprimento das disposições constantes no art. 105 do Código de
Defesa do Consumidor e das disposições do Decreto nº 2.181/97.
A alternativa C está incorreta. Apesar das peculiaridades inerentes ao regime jurídico
dos serviços públicos (políticas tarifárias, jus variandi da Administração Pública, etc.),
a aplicação do CDC aos serviços públicos não pode ser excluída, tendo em vista,
inclusive, a previsão em alguns dispositivos legais expressos, como exemplo: os arts.
4º, VII (melhoria dos serviços públicos como princípio da Política Nacional das
Relações de Consumo), 6º, X (prestação adequada dos serviços públicos como direito
dos consumidores), e 22 (obrigação do Estado e de seus delegatários pela prestação
de serviços adequados) do CDC. Ficam de fora do CDC os serviços públicos prestados
uti universii, uma vez que são remunerados via arrecadação de tributos, sendo o
diploma consumerista aplicado para os serviços remunerados de forma especifica,
como os uti singulii.
A alternativa D está incorreta. As pessoas jurídicas de direito público também podem
ser consumidoras. Desde que vulneráveis na relação jurídica, pode-se considerar um
determinado município, estado ou até a União como consumidora. O STJ já analisou
a vulnerabilidade de um município para concluir pela aplicabilidade ou não do CDC.
Veja o REsp 913.711/SP.
Gabarito alternativa “A”
Direito Civil
50
 
 

15. Acerca dos Direitos da Personalidade, é INCORRETO afirmar que:

 

a)

De acordo com o Supremo Tribunal Federal, a publicação de biografias prescinde

de autorização prévia.

 

b)

Para o Superior Tribunal de Justiça, o direito ao esquecimento pode tornar ilícita a

divulgação pela imprensa de fatos pretéritos que sejam embaraçosos ou dolorosos, e a sua violação pode ensejar a condenação por danos morais, no entanto, em determinados casos, como em crimes de grande repercussão nacional, é impossível narrá-los sem fazer alusão à vítima, motivo pelo qual o STJ denegou o pedido de compensação por danos morais formulado pelos irmãos de Aída Curi.

c)

Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura, o

provedor de aplicações de internet somente poderá ser responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros se, após ordem judicial específica, não tomar as providências para, no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço e dentro do prazo assinalado, tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente, ressalvadas as disposições legais em contrário.

d)

O espólio possui legitimidade para postular indenização pelos danos materiais e

morais supostamente experimentados pelos herdeiros caso os referidos danos tenham decorrido de erro médico de que fora vítima o falecido.

Comentários

 

A alternativa A está correta. O Plenário do STF, por unanimidade, julgou procedente a ADI 4815 e declarou inexigível a autorização prévia para a publicação de biografias. Seguindo o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, a decisão dá interpretação conforme a Constituição da República aos artigos 20 e 21, ambos do CC/02, em consonância com os direitos fundamentais à liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença de pessoa biografada, relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais (ou de seus familiares, em caso de pessoas falecidas).

 
  51

51

A alternativa B está correta. No Caso Aída Curi (Resp. 1.335.153) o STJ entendeu que,

A alternativa B está correta. No Caso Aída Curi (Resp. 1.335.153) o STJ entendeu que, diante da sua inequívoca importância história, seria impossível narrá-lo sem fazer alusão à sua vítima, assim, no equacionamento do caso, o STJ atribuiu peso superior à liberdade de imprensa em relação ao direito ao esquecimento, rechaçando, com isso, o pleito indenizatório. Recomenda-se, também, a leitura do Caso Chacina da Candelária, que teve um desfecho diverso (Resp. 1.334.097), bem como dos Casos Lebach e Lebach II, considerados leading cases do direito ao esquecimento. Atualmente a questão está submetida ao STF, no RE com agravo nº 833.248. Abaixo segue a ementa de recente manifestação do PGR, Dr. Rodrigo Janot, em parecer encaminhado ao STF:

 

Recurso extraordinário com agravo 833.248/RJ Relator: Ministro Dias Toffoli Agravantes: Nelson Curi, Roberto Curi, Waldir Cury e Maurício Curi Agravada: Globo Comunicação e Participações S/A CONSTITUCIONAL E CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TEMA 786. DIREITO A ESQUECIMENTO. APLICABILIDADE NA ESFERA CIVIL QUANDO INVOCADO PELA VÍTIMA OU POR SEUS FAMILIARES. DANOS MATERIAIS E MORAIS. PROGRAMA TELEVISIVO.VEICULAÇÃO DE FATOS RELACIONADOS À MORTE DA IRMÃ DOS RECORRENTES NOS ANOS 1950.

1.

Tese de Repercussão Geral Tema 786: Não é possível, com base no

denominado direito a esquecimento, ainda não reconhecido ou demarcado no âmbito civil por norma alguma do ordenamento jurídico brasileiro, limitar o direito fundamental à liberdade de expressão por

censura ou exigência de autorização prévia. Tampouco existe direito subjetivo a indenização pela só lembrança de fatos pretéritos.

2.

Há vasta gama variáveis envolvidas com a aplicabilidade do direito a

esquecimento, a demonstrar que dificilmente caberia disciplina jurisprudencial desse tema. É próprio de litígios individuais envolver

peculiaridades do caso, e, para reconhecimento desse direito, cada situação precisa ser examinada especificamente, com pouco espaço para transcendência dos efeitos da coisa julgada, mesmo em processo de

52

52

 
 

repercussão geral. 3. Consectário do direito a esquecimento é a vedação de acesso à informação não só por parte da sociedade em geral, mas também de estudiosos como sociólogos, historiadores e cientistas políticos. Impedir circulação e divulgação de informações elimina a possibilidade de que esses atores sociais tenham acesso a fatos que permitam à sociedade conhecer seu passado, revisitá-lo e sobre ele refletir. 4. É cabível acolher pretensão indenizatória quando divulgação de informação de terceiro resulte em violação à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem (art. 5º, X, da Constituição da República), sendo dispensável para tal finalidade reconhecimento de suposto direito a esquecimento.

5.

É inviável acolher pretensão indenizatória, quando o acórdão recorrido

conclui, com base no conjunto fático-probatório, por inocorrência de violação a direitos fundamentais devido a veiculação, por emissora de televisão, de fatos relacionados à morte da irmã dos recorrentes, nos

anos 1950.

 

6.

Parecer pelo não provimento do recurso extraordinário.

A alternativa C está correta. Trata-se da literalidade do art. 19, da Lei nº 12.965/2014 (Marco Civil da Internet).

A alternativa D está incorreta. É o gabarito. Informativos 517 e 532, do STJ e Enunciado nº 400, da V Jornada do CJF. Na hipótese a legitimidade é dos herdeiros (legitimidade ordinária - direito próprio). Em verdade, o espólio teria legitimidade se o direito à indenização pertencesse ao falecido e tivesse sido transmitido aos herdeiros com o falecimento. Assim, apenas se a ofensa ao direito da personalidade ocorreu enquanto a pessoa era viva, é que o espólio terá legitimidade para ajuizar a ação ou prosseguir na já iniciada pelo falecido. Se a ofensa ocorreu após o falecimento (ofensa post mortem), a legitimidade é dos herdeiros, sendo o espólio, portanto, parte ilegítima para propor a ação.

Gabarito alternativa “D”

 
53

53

 
 

16. Assinale a alternativa CORRETA:

 

a) O abuso de direito é uma categoria jurídica autônoma em relação à responsabilidade civil, por isso, o exercício abusivo de posições jurídicas desafia controle independentemente de dano.

b)

O Banco do Brasil, na condição de gestor do Cadastro de Emitentes de Cheques sem

Fundos (CCF), tem a responsabilidade de notificar previamente o devedor acerca da sua inscrição no aludido cadastro, bem como possui legitimidade passiva para as ações de reparação de danos fundadas na ausência de prévia comunicação.

c)

O Código Civil de 2002 adotou no art. 187 a Teoria dos Atos Emulativos, também

conhecida como subjetiva, segundo a qual, somente se caracterizará abuso do direito

se o agente tiver a intenção de prejudicar outrem.

 

d)

No estado de perigo não se exige dolo de aproveitamento.

Comentários

 

A

alternativa A está correta. Enunciado nº 539, da VI Jornada do CJF. O abuso de

direito é uma categoria jurídica autônoma em relação à responsabilidade civil. Por isso, o exercício abusivo de posições jurídicas desafia controle independentemente de dano.

A

alternativa B está incorreta. Súmula 572-STJ: O Banco do Brasil, na condição de

gestor do Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), não tem a responsabilidade de notificar previamente o devedor acerca da sua inscrição no

aludido cadastro, tampouco legitimidade passiva para as ações de reparação de danos fundadas na ausência de prévia comunicação. STJ. 2ª Seção. Aprovada em 11/05/2016, DJe 16/05/2016.

A

alternativa C está incorreta. No abuso do direito ocorre a violação dos limites

axiológico-normativos impostos pelo ordenamento jurídico. O CC/02 adotou a teoria objetiva finalista, pois não incluiu no art. 187 a “intenção de prejudicar outrem”,

 
  54

54

afastando, portanto, a Teoria dos Atos Emulativos, de origem francesa (Enunciado nº 37, da I
afastando, portanto, a Teoria dos Atos Emulativos, de origem francesa (Enunciado nº
37, da I Jornada do CJF). No entanto, não obstante a literalidade do art. 1.228, § 2º,
do CC/02, que parece dispor exatamente o contrário, a doutrina pacificamente realiza
uma interpretação sistemática desse dispositivo com o art. 187, do CC e com a função
social da propriedade (Enunciado nº 49, da I Jornada do CJF).
A alternativa D está incorreta. O Estado de Perigo pressupõe o conhecimento do
dano pela outra parte, partindo do pressuposto que a outra parte conhecia o risco do
agente e buscou tirar proveito da situação (dolo de aproveitamento). Em relação à
lesão existe divergência, mas a doutrina majoritária entende que não se exige dolo de
aproveitamento.
Gabarito alternativa “A”
Direito Processual Civil
17. Sobre os Recursos Extraordinário e Especial e levando em consideração as regras
previstas no Código de Processo Civil vigente, assinale a alternativa CORRETA:
a) Da decisão do Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal que negue seguimento ao
Recurso Extraordinário sob o fundamento de que o recurso discute questão
constitucional à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência
de repercussão geral, caberá Agravo Interno para o próprio Tribunal.
b) Da decisão do Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal que encaminhar o
processo ao órgão julgador para realização do juízo de retratação, se o acórdão
recorrido divergir do entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior
Tribunal de Justiça exarado, conforme o caso, nos regimes de repercussão geral ou de
recursos repetitivos, caberá Agravo para o Supremo Tribunal Federal.
c) Da decisão do Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal que negue seguimento a
recurso extraordinário ou a recurso especial interposto contra acórdão que esteja em
conformidade com entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior
Tribunal de Justiça, respectivamente, exarado no regime de julgamento de recursos
55
 
 

repetitivos, caberá Agravo para o Tribunal Superior.

 

d) Da decisão do Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal que sobrestar o recurso que versar sobre controvérsia de caráter repetitivo ainda não decidida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se trate de matéria constitucional ou infraconstitucional, caberá Agravo para o Tribunal Superior.

Comentários

 

A

alternativa A está CORRETA e, portanto, é o gabarito da questão. A questão exigiu

conhecimento do candidato sobre as novidades implementadas, no processamento dos Recursos Extraordinários em sentido amplo, no Código de Processo Civil de 2015. Dentre estas novidades, há a previsão de recursos para a decisão negativa sobre juízo de admissibilidade de Recursos Extraordinários e Especiais. O art. 1.030 elenca as hipóteses de negativa de seguimento de tais recursos e impõe, como regra, o cabimento, nas hipóteses ali mencionadas, do Agravo a ser apreciado pelo próprio Tribunal inferior. Com efeito, a hipótese trazida na questão está prevista no I do artigo 1.030 do CPC/20145 que prevê o cabimento de Agravo Interno para o Tribunal.

A alternativa B está incorreta. Outra novidade trazida pelo CPC/2015 foi a possibilidade de ocorrer juízo de retratação, por parte do órgão julgador (turma, sessão, câmara, etc.), acaso o Presidente ou Vice-Presidente do tribunal entenda, quando do juízo de admissibilidade, que a decisão contraria entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça exarado, conforme o caso, nos regimes de repercussão geral ou de recursos repetitivos. Desta decisão do Presidente ou Vice-Presidente caberá agravo interno para o Tribunal e não agravo para o Tribunal Superior, conforme prevê o inciso II do artigo 1.030 do CPC/ 2015.

A

alternativa C está incorreta. Esta hipótese está elencada no art. 1.030, inciso I, b,

do CPC/2015 que prevê, como recurso cabível, o Agravo interno para o Tribunal.

 

A

alternativa D está incorreta. Esta hipótese está elencada no art. 1.030, inciso III, do

CPC/2015 que prevê, como recurso cabível, o Agravo interno para o Tribunal. Importante destacar que as únicas hipóteses de Agravo para o Tribunal Superior (no caso STJ e STF) decorre do juízo de admissibilidade negativo realizado pelo Presidente

 
  56

56

ou Vice-Presidente do Tribunal fora das hipóteses do art. 1.030, inciso I, ou seja, quando
ou Vice-Presidente do Tribunal fora das hipóteses do art. 1.030, inciso I, ou seja,
quando o juízo negativo de admissibilidade, por exemplo, decorrer de revolvimento
de matéria fática. Esta interpretação é resultado da leitura do art. 1.030, inciso V, do
CPC/2015 c/c §1º do mesmo artigo.
Gabarito alternativa “A”
18. Julgue os itens a seguir sobre o entendimento do Superior Tribunal de Justiça
sobre as normas do Código de Processo Civil de 2015 e assinale a alternativa
CORRETA:
I- Implica no reconhecimento da intempestividade do recurso, a falta de cumprimento
do prazo legal de 15 (quinze) dias úteis para interposição do agravo interno, contados
da publicação da decisão no Diário da Justiça;
II-
Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões
publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de
admissibilidade recursal na forma do novo CPC;
III- Nos recursos tempestivos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a
decisões publicadas até 17 de março de 2016), caberá a abertura de prazo prevista no
art. 932, parágrafo único, c/c o art. 1.029, § 3º, do novo CPC e referente à concessão
de prazo de 5 (cinco) dias para o recorrente a fim de sanar vício ou complementar a
documentação exigível;
IV- De acordo com o NCPC, considera-se omissa a decisão que deixa de se manifestar
sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção
de competência aplicável ou incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489,
§ 1º, do NCPC.
V- A reiteração de agravo interno para impugnar decisão de Turma, Sessão ou Câmara
não configura erro grosseiro.
a) somente os itens I, II, III e IV estão corretos;
b) somente os itens I, II, III e V estão corretos;
57
 
 

c) somente os itens I, II e IV estão corretos;

 

d) somente os itens I, III e IV estão corretos.

Comentários

 

O

item I está CORRETO: Corresponde ao entendimento do STJ exarado no julgamento

do AgInt no AREsp 840197 / SP AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2016/0000978-1, relator Ministro Luís Felipe Salomão, Data da decisão 21/06/2016, verbis:

 

“PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXPEDIENTE AVULSO. O PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO É DE QUINZE DIAS ÚTEIS (ART. 1071 C/C 219 DO CPC DE 2015). INTEMPESTIVIDADE. 1. Implica no reconhecimento da intempestividade do recurso, a falta de cumprimento do prazo legal de 15 (quinze) dias úteis para interposição do agravo interno, contados da publicação da decisão no Diário da Justiça, nos termos dos artigos 1071 c/c 219 do Código de Processo Civil de 2015. 2. Agravo interno não conhecido.”

O

item II está CORRETO: Corresponde ao Enunciado Administrativo nº 2 aprovado

pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016:

 

“Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC”.

O

item III está ERRADO. O Enunciado Administrativo nº 5 aprovado pelo Plenário do

STF na sessão de 09/03/2015 dispõe o seguinte: “Nos recursos tempestivos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016), não caberá a abertura de prazo prevista no art. 932, parágrafo único, c/c o art. 1.029, § 3º, do novo CPC”. Estes artigos preveem o seguinte: “Art. 932. Incumbe ao relator: (…) Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado vício ou complementada a documentação exigível.” “Art. 1.029. O recurso extraordinário

 
  58

58

e o recurso especial, nos casos previstos na Constituição Federal, serão interpostos perante o presidente
e o recurso especial, nos casos previstos na Constituição Federal, serão interpostos
perante o presidente ou o vice-presidente do tribunal recorrido, em petições distintas
que conterão: (…) § 3o O Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça
poderá desconsiderar vício formal de recurso tempestivo ou determinar sua correção,
desde que não o repute grave.”.
O item IV está CORRETO: Trecho extraído da ementa do Acórdão do processo EDcl
nos EDcl no AgRg no AREsp 743156 / SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Data da
Decisão 16/06/2016, verbis:
“PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. VIOLAÇÃO DO
ART. 1.022 DO NCPC. OMISSÃO. NÃO CONFIGURADA. EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO REJEITADOS COM APLICAÇÃO DE MULTA EM VIRTUDE DO
CARÁTER PROTELATÓRIO. (…) 2. De acordo com o NCPC, considera-se
omissa a decisão que deixa de se manifestar sobre tese firmada em
julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de
competência aplicável ou incorra em qualquer das condutas descritas no
art. 489, § 1º, do NCPC.”
O item V está ERRADO: o STJ firmou entendimento de que configura erro grosseiro a
reiteração de agravo regimental (agravo interno de acordo com o CPC vigente) contra
decisão colegiada. É o que se pode conferir da leitura do seguinte julgado:
“Nos termos dos artigos 1.021 do NCPC e 258 do Regimento Interno do
STJ, somente as decisões singulares são impugnáveis por agravo
regimental, configurando erro grosseiro a reiteração do referido
recurso”. (AgInt no AgRg no AREsp 530002/SP AGRAVO INTERNO NO
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
2014/0131985-1 Relator(a) Ministro MARCO BUZZI, Data do Julgamento
16/06/2016).
Gabarito alternativa “C”
59
 
 

Grupo IV

Direito Penal

19. Assinale a opção CORRETA:

 

a)

O chamado tráfico privilegiado, previsto no § 4º, do art. 33, da Lei nº 11.343/2006,

deve ser considerado crime de natureza hedionda.

 

b)

Em relação ao crime de genocídio, a pena pelo crime de incitação será a mesma do

crime incitado, se este se consumar.

 

c)

O roubo praticado em um mesmo contexto fático, mediante uma só ação, contra

vítimas diferentes, enseja o reconhecimento de crime único.

 

d)

É insuficiente, para a comprovação da materialidade do delito previsto no art. 184,

§ 2º, do CP, a perícia realizada, por amostragem, sobre os aspectos externos do material apreendido, sendo imprescindível a identificação dos titulares dos direitos

autorais violados ou de quem os represente.

 

Comentários

 

A

alternativa A está incorreta. STF. Plenário. HC 118533, Rel. Min. Cármen Lúcia,

julgado em 23/06/2016.

 

A

alternativa B está correta. Trata-se da literalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº

2.889/56.

A

alternativa C está incorreta. Jurisprudência em Teses do STJ, 51ª Edição, Crimes

Contra o Patrimônio Público. HC 315059, HC 179676, HC 317091. Praticado o crime de roubo mediante uma só ação, contra vítimas diferentes, não há se falar em crime único, mas sim em concurso formal, visto que violados patrimônios distintos.

A

alternativa D está incorreta. Trata-se do tema 926 do STJ. A constatação pericial

sobre os aspectos externos dos objetos apreendidos já é suficiente para revelar que o produto é falso. Ademais, a violação de direito autoral extrapola a individualidade

 
  60

60

 
 

do titular do direito, pois reduz a oferta de empregos formais, causa prejuízo aos consumidores e aos proprietários legítimos, fortalece o poder paralelo e a prática de atividades criminosas, de modo que não é necessária, para a caracterização do delito em questão, a identificação do detentor do direito autoral violado, bastando que seja comprovada a falsificação do material apreendido. Por fim, não é necessário que todos os bens apreendidos sejam periciados, mesmo porque, para a caracterização do mencionado crime, basta a apreensão de um único objeto.

Gabarito alternativa “B”

 

20. Sobre as teorias criminológicas, assinale a opção INCORRETA:

 

a) O Eficientismo Penal proclama que, se o sistema não funciona, isto é, se não combate eficientemente a criminalidade, é porque não é suficientemente repressivo, sendo assim, é necessário criminalizar mais, penalizar mais, aumentar os aparatos policiais, judiciários e penitenciários, apresentando-se, dessa forma, como uma antítese ao abolicionismo.

b)

A Criminologia Etiológica tem por objeto de estudo o criminoso e a criminalidade,

concebidos como realidades ontológicas preexistentes ao sistema de justiça criminal e explicados pelo método positivista de causas biológicas, psicológicas e ambientais.

c)

A Teoria da Subcultura Delinquente demonstra que o comportamento criminoso é

uma qualidade atribuída por agências de controle social a determinadas condutas, mediante aplicação de regras e sanções, e define criminoso como o sujeito ao qual se aplica com sucesso o rótulo de desviante.

d)

De acordo com a Teoria da Associação Diferencial, o comportamento criminoso é

aprendido em interação com outras pessoas em um processo de comunicação, sendo que o processo de aprendizagem compreende as técnicas de cometimento do crime, as orientações específicas de motivos, impulsos, racionalizações e atitudes, dessa forma, o fato de a pessoa se tornar delinquente se deve ao excesso de definições em favor da violação da lei sobre aquelas em oposição à infringência desta.

 
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Comentários A alternativa C está incorreta. A alternativa “C” apresenta o conceito da Teoria do
Comentários
A alternativa C está incorreta. A alternativa “C” apresenta o conceito da Teoria do
Labelling Approach, também conhecida como etiquetamento, interacionismo
simbólico, rotulação social ou reação social. Trata-se do paradigma da reação social,
que surgiu em contraponto ao paradigma etiológico. Segundo Alessandro Baratta, “a
criminologia ao longo dos séculos tenta estudar a criminalidade não como um dado
ontológico pré-constituído, mas como realidade social construída pelo sistema de
justiça criminal através de definições e da reação social, o criminoso então não seria
um indivíduo ontologicamente diferente, mas um status social atribuído a certos
sujeitos selecionados pelo sistema penal e pela sociedade que classifica a conduta de
tal indivíduo como se devesse ser assistida por esse sistema. Os conceitos desse
paradigma marcam a linguagem da criminologia contemporânea: o comportamento
criminoso como comportamento rotulado como criminoso.”
Sérgio Salomão Shecaira aduz o seguinte: “É, portanto, a partir do labelling que a
pergunta feita pelos criminólogos passa a mudar. Não mais se indaga o porquê de o
criminoso cometer os crimes. A pergunta passa a ser: por que é que algumas pessoas
são tratadas como criminosas, quais as consequências desse tratamento e qual a
fonte de sua legitimidade?”. (SHECAIRA, Sérgio Salomão. Criminologia. 6 ed. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 2014, 259 p.)
A teoria da subcultura delinquente, de Albert Cohen, por sua vez, defende, em
síntese, que o bando delinquente surge como resultado da estrutura de classes
sociais, assim, cada grupo e subgrupo possui seu próprio código de valores, que nem
sempre coincidem com os valores majoritários. Desse modo, a pessoa que se
encontra socialmente inferiorizada e pretende alcançar uma ascensão social para que
possa se equiparar socialmente aos detentores da cultura dominante, muitas vezes
vem a se agrupar com seus semelhantes como forma de fortalecimento daquele
grupo e, não raras vezes, passam a cometer determinados delitos para que alcancem
certo destaque social. A subcultura delinquente, segundo Cohen, é dotada de
algumas características: não utilitarismo, malvadeza e negativismo.
Gabarito alternativa “C”
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Direito Processual Penal 21. No que se refere aos sistemas de provas no Direito Processual
Direito Processual Penal
21. No que se refere aos sistemas de provas no Direito Processual Penal, assinale a
alternativa INCORRETA:
a) A expressão verdade real não pode ser mais aceita em processo penal.
b) Por não haver um modelo processual penal definido na Constituição da República
de 1988, não se pode pretender vedar qualquer iniciativa probatória ao juiz na fase
processual. Contudo, essa permissão probatória processual ao magistrado não pode
levar à substituição e à supressão dos ônus ministeriais relativos à prova.
c)
Alguns doutrinadores defendem que o nemo tenetur se detegere assegura que o
agente, quanto aos fatos imputados, no exercício da sua autodefesa, pode calar ou
não. Todavia, não tem direito à mentira, comportamento ativo e que configura abuso
da ampla defesa.
d)
Há mitigação do direito de defesa, na hipótese de não constar do pedido de prisão
preventiva para extradição cópia da decisão que decretou a prisão no país de origem,
pois nos termos do artigo 82 da Lei 6.815/1980, com a redação dada pela Lei
12.878/2013, é necessária a apresentação prévia da totalidade da documentação
legal e judicial nesse momento processual.
Comentários
A alternativa A está correta. Para o examinador Douglas Fischer e o doutrinador
Eugênio Pacelli “não se pode mais aceitar a expressão verdade real. Trata-se de um
perigoso engodo. Real, relativamente ao fato, é o fenômeno da vida já ocorrido. Não
poderia haver jamais uma verdade do passado. A verdade judicial é sempre
processual, repita-se. Reproduzirá apenas a certeza do juiz diante de determinado
conjunto probatório” (página 322, Comentários ao Código de Processo Penal e Sua
Jurisprudência- Art. 155, Editora Altas, 6ª Edição).
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A

alternativa B está correta. Mais uma vez, para o examinador Douglas Fischer e o

doutrinador Eugênio Pacelli, na obra antes referida, “não há modelo processual penal definido na Constituição. Há explicitação de um sistema de garantias, inerente à determinações normativas de um Estado Democrático de Direito, cuja função, essencial, é a realização dos direitos fundamentais. A função jurisdicional penal vem bem demarcada até pela titularidade da ação penal atribuída ao Ministério Público. Mas daí a pretender a vedação de qualquer iniciativa probatória ao juiz na fase processual, na suposição da existência de um sistema acusatório nacional, vai grande distância. Entendemos que nosso modelo se pauta, de fato, pelo princípio acusatório (o que não significa a identificação com um tipo específico ou puro de sistema acusatório), com as seguintes características: (…) d) o juiz deve ter iniciativa

probatória, limitada à fase processual, vedada a substituição e a supressão do ônus ministeriais relativos à prova” (páginas 328/329).

A

alternativa C está correta. Para o Procurador da República, no artigo “Silêncio e

Mentira como Prova: A proteção às organizações criminosas” existente no Livro A Prova do Enfrentamento à Macrocriminalidade, organizado por Daniel de Resende Salgado e Ronaldo Pinheiro de Queiroz, Editora Juspodivm, página 173: “O nemo tenetur se detegere assegura que o agente, quanto aos fatos imputados, no exercício da sua autodefesa, pode calar ou não. Todavia, não tem direito à mentira, comportamento ativo e que configura abuso da ampla defesa. Realmente, é bastante evidente a diferença entre calar a verdade e mentir. Mentir é um aliud em relação ao silêncio, de modo que não se pode afirmar que a quem se permite silenciar se faculta, com maior razão, faltar com a verdade. Por isso, é farta a doutrina no sentido de que o direito ao silêncio não abrange a conduta de mentir”.

A

alternativa D está incorreta, e portanto é o gabarito da questão. Texto extraído de

umas das teses dos Pareceres da PGR. Muita atenção neles, hein? A questão cuidava da tese 45 dos Informativos dos Pareceres da PGR que possui a seguinte ementa:

“Não há mitigação do direito de defesa, na hipótese de não constar do pedido de prisão preventiva para extradição cópia da decisão que decretou a prisão no país de origem, pois nos termos do artigo 82 da Lei 6.815/1980, com a redação dada pela Lei 12.878/2013, é desnecessária a apresentação prévia da totalidade da documentação legal e judicial nesse momento processual, sendo tal exigência cabível apenas no

 
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64

momento da apresentação do pedido de extradição, tal como dispõe o artigo 80 da referida
momento da apresentação do pedido de extradição, tal como dispõe o artigo 80 da
referida lei”.
Gabarito alternativa “D”
22. No que se refere ao sistema recursal brasileiro e sua utilização no âmbito do
processo penal, assinale a CORRETA:
a)
A capacidade judiciária da Mesa do Senado para ajuizar Reclamação Constitucional
pressupõe ato concreto que implique violação a prerrogativa institucional da Casa
Legislativa. Deste modo, é admissível a utilização da Reclamação pela Mesa do Senado
para questionar a realização de busca e apreensão em apartamento funcional de
Senador, já que este imóvel é uma extensão da Casa Legislativa, independentemente
de quem seja o investigado.
b) A concessão de ofício de Habeas Corpus dentro de Reclamação Constitucional
constitui violação ao art. 649 do Código de Processo Penal.
c) Não há previsão de reexame necessário no Código de Processo Penal.
d) É cabível Recurso em Sentido Estrito contra decisão que julgar procedente exceção
de suspeição.
Comentários
A alternativa A está errada. Mais uma vez (insisto), destaco a necessidade de
acompanhar as publicações na página da PGR. O erro da questão reside no fato de
admitir a utilização de Reclamação Constitucional pela Mesa de Casa Legislativa para
questionar busca e apreensão em imóvel funcional, independente de quem seja o
investigado. A assertiva foi elaborada com base no recentíssimo caso envolvendo o
cumprimento de mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal no
apartamento funcional da Senadora Gleise Hoffman, em Brasília-DF. A íntegra do
parecer do PGR no caso pode ser obtida neste link:
http://www.mpf.mp.br/pgr/documentos/rcl-24473.pdf.
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Aqui a PGR defende a não admissibilidade da reclamação tendo em vista que não há imunidade de residência no imóvel funcional e que o investigado é o marido da Senadora, que não possui qualquer prerrogativa de foro no STF. A PGR defende que há um desvirtuamento da utilização da Reclamação Constitucional, sob a alegação de usurpação da competência do STF, para tentar anular a busca e apreensão realizada. Vale a pena a leitura do Parecer.

A

alternativa B está correta, portanto é o gabarito da questão. Novamente, muito

cuidado com os entendimentos institucionais do Ministério Público Federal. O perfil do examinador de processo penal (Dr. Douglas Fischer) é esse. De cobrar posicionamentos institucionais do MPF. Esta frase foi retirada do parecer ofertado pelo PGR na Reclamação nº 24.473/SP, que cuidou do caso de busca e apreensão no apartamento funcional da Senadora Gleise Hoffman. O PGR traz posicionamento no sentido de que a concessão de Habeas Corpus dentro de reclamação constitucional viola o art. 649 do CPC que dispõe que “Art. 649. O juiz ou o tribunal, dentro dos limites da sua jurisdição, fará passar imediatamente a ordem impetrada, nos casos em que tenha cabimento, seja qual for a autoridade coatora”. A interpretação que a PGR deu para o termo “dentro dos limites de sua jurisdição” acompanha o entendimento uniforme do STF no sentido de que a Reclamação Constitucional não se confunde como sucedâneo recursal utilizada para fazer subir para o STF, a análise de tema não apreciado pelas instâncias inferiores. Deste modo, não competiria ao STF a concessão de Habeas Corpus de ofício dentro de Reclamação, sob pena de retirada da análise da matéria das instâncias competentes, muito embora o STF já o tenha feito no caso do Habeas Corpus concedido de ofício pelo Ministro Dias Tofolli, dentro de Reclamação Constitucional, no caso da prisão preventiva ex-Ministro Paulo Bernardo. Eis o teor da notícia extraída do site do STF: “O relator indeferiu liminar na

Reclamação (RCL) 24506, na qual o ex-ministro alega usurpação da competência da Corte pelo juízo federal em São Paulo que decretou sua prisão, mas concedeu habeas corpus de ofício por verificar flagrante ilegalidade na segregação cautelar”. Podem ter certeza que haverá alguma questão abordando a temática já que bastante polêmica.

A

alternativa C está incorreta. Como exceção ao princípio da voluntariedade dos

recursos o CPP prevê, em seu art. 574, hipóteses em que ocorrerá o chamado “reexame necessário”.

 
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A alternativa D está incorreta. A mera leitura do artigo 581 e incisos do CPP
A alternativa D está incorreta. A mera leitura do artigo 581 e incisos do CPP já releva
a incorreção da assertiva. É cabível sim o RSE contra decisão que julgar procedente as
exceções, salvo a suspeição. Neste caso, de julgamento procedente da exceção de
suspeição, a doutrina entende que não é possível a interposição de qualquer recurso.
Gabarito alternativa “B”
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