LICENCIATURA EM LÍNGUA PORTUGUESA Teoria da Literatura II
P R OF. COOR D EN A D O R :
P R OFª A D IS TÂN C IA:
M AR CELO
P ELOGGI O
S AN D R A
M AR A ALVES
CON TATO:
/
Aula 01: A Abordagem do Texto Literário – da Antiguidade ao Século XIX
Aula 01 – Tópico 01: Poética e
Retórica na Linha do Tempo
A Teoria da Literatura I
Na disciplina Teoria da Literatura I, foram estudados conceitos básicos sobre a literatura: a
linguagem figurada ou conotativa, a metalinguagem,
a intertextualidade, a divisão em gêneros e
subgêneros, suas espécies e elementos característicos. Também discutimos as
possibilidades de conceituação da literatura e as
dificuldades de se chegar a uma só resposta
conclusiva sobre o que é a arte da linguagem, visto
que a arte, de uma maneira geral, sempre escapa,
extravaza, às delimitações ou simplificações.
O Estudo da Literatura
Como somente podemos estudar a literatura a partir de uma concepção sobre ela, a problemática se
estende à tomada de posição ou escolha de
perspectiva para a análise literária de uma dada
obra. Ou seja, o modo de abordagem que escolhemos
para estudar a literatura depende de pressupostos
como o que se valoriza em uma obra literária, como
são percebidas as funções desempenhadas pelos
personagens e narrador, pelo autor e pelo leitor,
como é considerada a relação entre literatura e
história, ou literatura e realidade, ou literatura e sociedade etc.
A Escolha das Abordagens Literárias
Como não há consenso entre as maneiras de se estudar a literatura – e a escolha ou recusa de qualquer uma das abordagens depende das opções que se faz ao longo dos estudos dos estudos literários –, esta disciplina objetiva apresentar as formas de abordagem mais conhecidas, apontar suas diferenças e discutir os motivos de sua existência. Mesmo porque acreditamos que essa riqueza de
possibilidades favorece nosso campo de estudo uma vez
que essa diversidade de perspectivas se coaduna com o
encanto proporcionado pela literatura: o de oferecer
sempre um novo significado à gama já existente, nunca
fechando, ao contrário, alargando os horizontes.
Platão
Platão (428/348 a.C.) não sistematizou uma filosofia sobre a literatura (poesia), mas como filósofo se manifestou sobre ela; no livro X de A República faz uma objeção de natureza epistemológica à poesia: a verdadeira realidade consiste na ideia da coisa, o objeto é apenas a imitação dessa realidade, portanto, a poesia imitam uma imitação da imitação. Por outro lado, Platão admitia a existência da poesia no Estado ideal, condicionando-a à a unir o belo ao útil ao Estado e à existência humana. Essa concepção utilitarista prevaleceu entre os romanos, servindo de base a Horácio (64/8 aC.), Longino (213/273 dC.) e teóricos posteriores.
Em suma, é inegável, pois, que as reflexões feitas
em A República, por Platão, e a classificação dos gêneros literários efetuada na Poética, de Aristóteles constituem o início de uma teorização,
um ponto de partida para a Teoria da Literatura.
Histórico Da Questão
As ideias de Platão e Aristóteles demonstram como a
filosofia constitui a origem das duas disciplinas importantes para a Teoria da Literatura: a Estética e a
Retórica.
A Poética, enquanto disciplina tem uma clara relação com as reflexões de Aristóteles, dessa forma, autores e obras que seguiram a preocupação de refletir sobre as
características da arte literária, especialmente sobre os
problemas dos três gêneros deram origem a ela. A
tradição latina, privilegiando o aspecto normativo desses
estudos, foi responsável pelo advento das chamadas Artes Poéticas, que influenciaram toda a cultura
ocidental até o Iluminismo.
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Assim como no caso da Poética, uma outra obra de Aristóteles teve grande influência na origem desta disciplina: Arte Retórica (1998), na qual se propunha a dar um tratamento filosófico a arte de organizar um discurso persuasivo, de instrumentalização de técnicas oratórias destinadas a munir o falante da arte do convencimento. |
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Segundo Reboul |
(2004, |
p.44), |
a |
Retórica |
compõe-se de cinco |
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procedimentos: |
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invenção ou descoberta do que dizer (assunto); a |
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disposição ou ordenação favoráveis das partes; a |
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a elocução é a ornamentação dos vocábulos e das figuras de linguagem |
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a serem utilizadas; |
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memória exige que o texto seja memorizado e a ação ou pronunciação a |
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é formada pelos gestos e a dicção do orador como se este fosse um ator. |
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Poética e Retórica eram considerados estudos
independentes até o século I d.C., mas, no decorrer dos
tempos os estudos retóricos foram se atendo cada vez mais aos aspectos linguísticos, isto é, na elocução o que a
direcionou para os limites da Poética, unindo-se a ela
como campo de estudo durante a Idade Média.
Oliveira (2004) esclarece que a Retórica medieval caracterizou-se pela diminuição do acompanhamento
filosófico e pela ênfase na tendência mais ornamental;
nesta época predominou o texto poético e houve uma
retomada de Homero e Virgílio como autoridades na arte
retórica.
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No século XII, Dominicus Gundisalvi (Gundissalinus), na obra De Divisione Philosophiae, priorizou a Gramática e a Retórica e acrescentou a Poética a esta última. A escola e a Igreja apoiavam o ensino da poesia latina, suas formas métricas, seus gêneros e ornatos, enfim, uma Poética. |
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Em fins |
do |
século |
XV, |
redescobre-se |
a Poética |
de Aristóteles. |
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Traduzida, |
interpretada |
e |
comentada, |
ganha |
tal prestígio |
que |
o |
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Classicismo concederá a ela um caráter francamente normativo. |
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A |
retórica renascentista, segundo Moisés (2000), privilegiou a |
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elocução, diferentemente do período medieval que se preocupava, além |
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da |
elocução, com a invenção e a disposição. Dois complexos assuntos |
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passam a ser privilegiados nesse momento: as figuras de linguagem (como construir o pensamento) e os tropos (como mudar o sentido das |
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palavras). |
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Dessa forma, Retórica e Poética voltam a ser
tomadas independentemente, distinção que persistirá até o século XVIII, quando cai a influência de ambas, por conta da sedução da emergente
estética romântica. Rosenfeld (s.d.) salienta que a Retórica, por seu caráter mais pragmático, esteve mais ligada a processos de educação formal; a
Poética, por sua natureza mais especulativa, era objeto de interesse de pensadores.
No século XIX, com a revolução deflagrada pelo espírito romântico, que valorizava a inspiração do
poeta, o termo "retórica" passa a ser compreendido com um sentido pejorativo, que prevalece nossos dias,
como discurso vazio de sentido, mas rebuscado,
enfeitado e prolixo. A Retórica foi reduzida, assim, ao
simples estudo das figuras de linguagem utilizadas para dar maior expressividade ao texto. Já o
termo "poética", apesar de ganhar outros
significados, manteve uma proximidade do
original:"tratado de versificação", que implica na reflexão e na prática da poesia, incluindo a prosa
também.
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AP Ó S L E R |
O S C AP ÍTU L O S R ETÓR I CA |
E P OÉTICA , |
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E S C R ITO S P O R R O B E R TO AC IZ E L O D E |
S O U Z A ( 2 0 0 6 ) |
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O R GANIZ E U M P E Q U E NO R E S U M O |
E M TÓ P IC O S |
P AR A |
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C O M E NTAR |
C O M O S C O L E GAS AS |
P R INC IP AIS |
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M O D IF IC AÇ Õ E S |
S O F R ID AS AO L O NGO |
D E TE M P O NE S S AS |
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E S TU D O D O TE X TO L ITE R ÁR IO Q U E AC HAR R E L E VANTE S . VO C Ê E O U TR AS D E VE R Á |
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INF O R M AÇ Õ E S |
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NO F Ó R U M E S TE S AP O NTAM E N TO S AS S IM |
C O M O |
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P O S TAR TAM B É M D IVID IR |
C O M S E U S C O L E GAS |
A D E F INIÇ ÃO |
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D E P O É TIC A |
E D E R E TÓ R IC A VIS TO . A P AR TIR S U A D O Q U E |
F O I |
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Aula 01 – Tópico 02: POÉTICA E
RETÓRICA HOJE
A relação íntima entre poética e retórica tem como um dos fundamentos o fato de as artes retóricas reconhecerem as produções poéticas como
modelares das quais extraíam exemplos ilustrativos
de criação ornamentada da linguagem, por outro lado, o conhecimento das técnicas retóricas fornecia
aos poetas amplo conhecimento para trabalhar a linguagem objetivando a beleza e expressividade polissêmica da língua. Assim, após um declínio no
século XIX, a Retórica, sob a perspectiva da linguística e da estilística passa a ser revalorizada.
O dicionário de termos literários, de Carlos Ceia
(2012), esclarece que os formalistas Eikhenbaum e Jakobson destacam o par metáfora/metonímia como as figuras retóricas mais importantes no processo de
produção de sentidos da linguagem literária, as quais funcionam por semelhança e por contiguidade respectivamente. Os formalistas salientam uma
questão fundamental: o estudo das figuras retóricas, isto é, das chamadas figuras de linguagem e de
pensamento, é importantíssimo para análise do texto poético.
De modo semelhante, na perspectiva da Estilística, a análise tem por objetivo o estudo dos elementos
significativos presentes na linguagem, especialmente o
imagístico, isto é, o uso das figuras que constroem o
significado conotativo do texto e proporcionam a
plurissignificância poética.
Dessa forma, ao longo do século XX, Poética e Retórica, passam a ser revalorizadas no contexto dos estudos
linguísticos. A primeira sob a perspectiva dos estudos
expressivos da linguagem - Poética linguística, Estilística - e
a segunda por meio da Neo-Retórica que não se restringe a oratória ou ao discurso persuasivo, mas busca examinar todos os tipos de discurso.
HISTÓRICO DAS FIGURAS RETÓRICAS
Até praticamente o século XIX, as figuras e os tropos
faziam parte da Retórica, disciplina cujo âmbito era por demais complexo e extenso. Constituíam as "flore rhetoricales", que mereceram dos antigos
particular atenção. Aristóteles na "Poética", Cícero no "De Oratore", Quitiliano em "Institutio Oratoria", dentre outros, cuidaram do assunto com especial
interesse, mormente esse último que chegou mesmo a estabelecer o sistema então tradicional e fixo.
Daí a natural reação operada no século XIX, coincidente
com o eclodir da estética romântica, que se consubstanciava
na liberdade da forma e inspiração, favorecendo os
processos de ampla pesquisa e renovação. As figuras
consideradas como "adornornos voluntários" mereceram de artistas e estudiosos franca repulsa, como se fossem
meros artifícios que tornavam falsas e inautênticas as
pretensas obras de arte. Isso foi o que levou o romântico Coleridge a dizer:
"– Figurer and metaphors converted into mere artífices of connection na ornament constitute the caracteristic falsity in the poetic style of the moderns".
Pelo entender do passado, o brilho ou valor
literários, – um repto de eloquência, por exemplo, – assentava-se tão somente no uso dos chamados adornos, e as análises e críticas concentravam-se
apenas no apontar a presença de tais elementos. É o que nos lembra um René Radouant, quando escreve sobre Pierre La Ramée, célebre filosófo e gramático
francês do século XVI, mas conhecido como "Ramus".
Hoje em dia não se permitem tais excessos. A moderna estilística, já no entender de um Charles Bally, veio substituir a retórica não para aboli-la de vez, como quiseram alguns radicais iconoclastas, mas para coloca-la em seu devido lugar, aproveitando, outrossim, aquilo que
de útil legou à sistemática da teoria literária, atualizando-
lhe e arejando-lhe os métodos. Se a retórica é a estilística
dos antigos, como afirma Pierre Guiraud ("La Estilística", p.
29), seu campo delimitou-se à elocução e ao emprego
expressivo da palavra articulada (v. g. – a eloquência),
tendo, não obstante, assumido para muitos espíritos mal informados uma significação depreciativa, conforme adverte Afrânio Coutinho:
"Outra palavras que corre mundo inteiramente deformada pelo sentido pejorativo é "retórica". A cada momento surge ela usada para designar estilo empolado, abusivamente ornado, ou vazio de ideias, prejudicadas pelo excesso formal. Há quem chegue, com esse critério, a distinguir os escritores em retóricos e não retóricos. Mal nos ocorre que sem retórica não há literatura, pois a retórica é uma parte inseparável da realização das grandes obras-primas, e não é possível compreender Shakespeare, Cervantes, Swift, sem a devida formulação do que deveram, eles e todos os grandes escritores, à retórica, entendida, não daquela maneira simplista que a identifica ao formalismo, porém como o conjunto de regras que conduzem à boa realização de uma obra de arte, graças ao domínio dos recursos que a tornaram artisticamente eficiente na conquista e persuasão do público." (In "Da Crítica e da Nova Crítica", p. 116-117.) (TAVARES, 2002, p.
323-4).
As Figuras de Linguagem
METÁFORA
É uma comparação subentendida, que consiste na
transferência da significação própria de uma palavra para outra significação.
Exemplos:
a) "Mas vejo aquela cujo olhar são perilampos," (Antônio Nobre)
b) "E o Universo – Bíblia imensa Que Deus no espaço descreveu?" (Castro Alvez, in "Adeus, meu canto")
METONÍMIA
é a substituição do sentido de uma palavra pelo de
outra que com ela apresenta uma relação constante. Há uma relação de correspondência ou contiguidade.
a) Exemplo literário:
"iam-se as sombras lentas desfazendo Sobre as flores da terra frio orvalho," (L. II, 92)
b) O autor é empregado pela obra.
Exemplo: Leio Rui Barbosa.
"Lia Alexandre e Homero;" (L V, 96)
ANÁFORA
Repetição da mesma palavra ou expressão no início
de frases, períodos ou versos. Exemplos:
"Qual do cavalo voa, que não desce;
Qual, co'o cavalo em terra dando, geme;
Qual vermelhas as armas faz de brancas; Qual co'os penachos do elmo açoita as ancas." (
Camões, L VI, 64)
AMPLIFICAÇÃO
Consiste esta figura em explanar as particularidades
do assunto, desenvolvendo-o pormenorizadamente. Entre os vários processos podemos lembrar: o desenvolvimento da definição, o emprego dos
exemplos, o uso das comparações e contrastes, o auxílio das provas e razões, a glosa (especialmente no verso) etc. A amplificação é também estudada na
técnica redacional como um dos tipos de composição.
Exemplo:
"A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa.
A vida é sonho tão leve,
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai;
A vida dura um momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que vai!"
(João de Deus, in "A Vida", do Campo de Flôres, v.1)
ANTÍTESE
Também chamada de "contraste". É a oposição entre duas ou mais ideias, ou dois pensamentos. Segundo La Bruyère é a "oposição de duas verdades uma dando vida à outra". Figura basilar do pensamento e sentir: nascimento x morte;
amor x ódio; dia x noite; alegria x dor.
Exemplos:
"Abaixo – via a terra – abismo em treva! Acima – o firmamento – abismo em luz!" (Castro Alves, in "O vôo de gênio")
"E no perpétuo ideal que te devora, Residem juntamente no teu peito Um demônio que ruge e um deus que chora." (Bilac, in
"Dualismo")
ALEGORIA
É uma sequência de metáfora, ou seja, a exposição do
pensamento ou emoção sob ampla forma tropológica e
indireta, pela qual se representa um objeto para significar outro. A alegoria, segundo Quitiliano, pode ser
"pura" (quase confundindo-se com o enigma) e "mista",
quando propicia indicações que possibilitem a associação
do que foi figurado com o que está subentendido. Na
pintura, na escultura, enfim nas artes plásticas é a
alegoria bastante empregada com o valor de símbolo. Uma figura de mulher, com uma balança numa das mãos
e uma espada na outra, é a alegoria de Têmis, ou seja, a Justiça.
AINDA SOBRE ALEGORIA
Em literatura a alegoria compreende determinadas
espécies como a fábula, o apólogo e a parábola, nas quais
as coisas abstratas ou inanimadas personificam-se.
Exemplo de narração alegórica:
"A morte tem duas portas: uma de vidro, por onde se sai da vida; outra de diamante, por onde se entra à
eternidade. Entre estas duas portas se acha subitamente
um homem no instante da morte, sem poder tornar atrás, nem parar, nem fugir, nem dilatar, senão entrar por onde
não sabe, e para sempre. Oh, que transe tão apertado! Oh, que passo tão estreito! Oh, que momento tão
terrível!" (Pe. Vieira)
Atividade de Fixação
NES TA
ATIVIDADE
VOCÊ DEVERÁ L ER OS
L OCAL IZAR
POEMAS A S EGUIR PROCURANDO
FIGURAS E TROPOS PRES ENTES . DEPOIS REDIJA
AS
PEQUENOS COMENTÁRIOS
QUE EXPL IQUEM OS
EFEITOS DE S ENTIDO BEM COMO S UA
COMPREENS ÃO DE CADA
UM DOS POEMAS .
Aula 01 – Tópico 03: A CRÍTICA
NO SÉCULO XIX
A partir do século XVIII, a prática da crítica
modifica-se em relação à sua matriz antiga que se pautava nas convenções tradicionalmente aceitas sem questionamento, passa a considerar a análise
livre e racional não apenas de textos, mas de questões de diversas naturezas, como o gosto, o conhecimento, os eventos da história. O melhor e
mais influente exemplo deste posicionamento apoiado na filosofia é sem dúvida as três Críticas de
Kant: a da razão pura (1781), a da razão prática (1788) e a da faculdade de julgar (1790).
Assim, a crítica, fortalecida na centúria iluminista,
aos poucos liberta-se da tutela normativa exercida pela Retórica e Poética para, no século XIX, com o advento do Romantismo propagador do conceito de
que a arte literária, como fruto da atividade intelectual do gênio, é viva, dinâmica e original.
O MÉTODO DE SAINTE-BEUVE
O método de Sainte-Beuve marca o início da crítica moderna,
por inaugurar crítica de jornal e propor um método mais
próximo da ciência. Ele partia do conhecimento da vida dos
autores para entender a obra. Acreditando poder traçar
"retratos" destes através de suas análises biográficas, procura
assumir diante da obra literária uma postura isenta, desprovida de qualquer sistema ou norma. No ensaio "De la méthode en Critique", de 1847, Sainte-Beuve explica, a partir da teoria natural dos grupos, os autores e as obras literárias. Ele faz uma espécie de sistematização de comportamentos
com caráter científico, mas fundamentado em uma "essência
da ordem psicológica do autor" (AGUIAR E SILVA, 1973).
Seja como for, estabeleceu um liame entre a crítica
subjetivista (romântica) e a objetivista (científica).
Crítica Científica
Hipolite Taine é o principal pensador da chamada crítica
científica. Defensor do racionalismo, Taine não aceitava que o fundamento de qualquer criação artística se restringisse à área da psicologia, para ele, abrangia outras áreas do saber, principalmente a da sociologia. Assim, o método crítico defendido por ele, de penhor positivista, rejeitava qualquer
subjetivismo e partia de uma concepção sociológica da
literatura: determinismo mecanicista, segundo o qual a criação
artística é um composto determinado pela grandeza e direção
das forças que produzem a sociedade: a raça, o meio e o
momento.
A vasta produção crítica de Sílvio Romero, no Brasil, segue o método de abordagem da crítica científica defendida por Taine.
Crítica Impressionista
Modalidade de apreciação baseada nas emoções
provocadas pelo texto. Nessa prática, as análises são feitas a partir de todas as impressões percebidas, no contato do receptor ou leitor com um objeto do
mundo exterior. Foi assim denominada pela sua proximidade com o advento do Impressionismo na
pintura, surgido na França nos fins do século XIX.
Esse método inspirado na espontaneidade romântica exigia uma sólida cultura do crítico.
Segundo declara Nunes (2012), "coetâneo da crítica impressionista, encontramos o pensamento valorativo de Benedetto Croce que em sua Estética (1902), procurava uma
forma intermediária entre a análise individual ou subjetivista
de Anatole France e o rigor do cientificismo de Taine".
O pensador italiano desaprovava a classificação dos gêneros literários, bem como as classificações universalizantes, defendendo que as análises deviam se ater à obra em si, rejeitando qualquer tentativa de normatização ou
generalização, devendo o trabalho da crítica tratar da
linguagem única de cada obra, o que justifica a sua Estética,
em que demonstra suas concepções sobre a interpretação
literária.
No início do século XX, a crítica impressionista gozava de prestígio nos grandes centros de cultura estrangeira, e
em especial na França. No Brasil, porém, as reações de
estudiosos como Mário de Andrade e Tristão de Athayde
direcionaram a crítica à novos caminhos, opondo-se ao
amadorismo de opiniões e seguindo para a valorização da
análise estética mais objetiva. Importa salientar que o
amadorismo de alguns comentadores erroneamente
chamados de críticos tendia a se esconder sob o rótulo da
crítica impressionista, passando-se a identificar de
maneira imprópria algumas abordagens críticas baseadas
no "achismo" sem fundamentação.
Infelizmente, porém, esse compromisso estético do
crítico com o texto literário e com a crítica objetiva não sepultou por completo o trânsito das subjetividades no ato de julgar, especialmente nos
meios de comunicação como veremos no texto selecionado para o portfólio deste tópico.
Atividade de Portfólio
LEIA ATENTAMENTE
O ARTIGO
" CRÍTICA
ATUALIDADE ", DE ROBERTO ACÍZELO
S UA ATIVIDADE RES UMO CRÍTICO,
DE S OUZA.
UM
DUAS
DE PORTFÓLIO É FAZER
DE APROXIMADA MENTE
PÁGINAS , EM QUE VOCÊ COMENTE AS
E IDEIAS
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