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LICENCIATURA EM LÍNGUA PORTUGUESA Teoria da Literatura II

LICENCIATURA EM LÍNGUA PORTUGUESA Teoria da Literatura II P R OF. COOR D EN A D

P R OF. COOR D EN A D O R :

P R OFª A D IS TÂN C IA:

M AR CELO

P ELOGGI O

S AN D R A

M AR A ALVES

CON TATO:

/

Aula 01: A Abordagem do Texto Literário da Antiguidade ao Século XIX

Aula 01: A Abordagem do Texto Literário – da Antiguidade ao Século XIX
Aula 01: A Abordagem do Texto Literário – da Antiguidade ao Século XIX
Aula 01: A Abordagem do Texto Literário – da Antiguidade ao Século XIX

Aula 01 Tópico 01: Poética e

Retórica na Linha do Tempo

Aula 01 – Tópico 01: Poética e Retórica na Linha do Tempo

A Teoria da Literatura I

A Teoria da Literatura I Na disciplina Teoria da Literatura I , foram estudados conceitos básicos

Na disciplina Teoria da Literatura I, foram estudados conceitos básicos sobre a literatura: a

linguagem figurada ou conotativa, a metalinguagem,

a intertextualidade, a divisão em gêneros e

subgêneros, suas espécies e elementos característicos. Também discutimos as

possibilidades de conceituação da literatura e as

dificuldades de se chegar a uma só resposta

conclusiva sobre o que é a arte da linguagem, visto

que a arte, de uma maneira geral, sempre escapa,

extravaza, às delimitações ou simplificações.

O Estudo da Literatura

O Estudo da Literatura Como somente podemos estudar a literatura a partir de uma concepção sobre

Como somente podemos estudar a literatura a partir de uma concepção sobre ela, a problemática se

estende à tomada de posição ou escolha de

perspectiva para a análise literária de uma dada

obra. Ou seja, o modo de abordagem que escolhemos

para estudar a literatura depende de pressupostos

como o que se valoriza em uma obra literária, como

são percebidas as funções desempenhadas pelos

personagens e narrador, pelo autor e pelo leitor,

como é considerada a relação entre literatura e

história, ou literatura e realidade, ou literatura e sociedade etc.

A Escolha das Abordagens Literárias

A Escolha das Abordagens Literárias Como não há consenso entre as maneiras de se estudar a

Como não há consenso entre as maneiras de se estudar a literatura e a escolha ou recusa de qualquer uma das abordagens depende das opções que se faz ao longo dos estudos dos estudos literários , esta disciplina objetiva apresentar as formas de abordagem mais conhecidas, apontar suas diferenças e discutir os motivos de sua existência. Mesmo porque acreditamos que essa riqueza de

possibilidades favorece nosso campo de estudo uma vez

que essa diversidade de perspectivas se coaduna com o

encanto proporcionado pela literatura: o de oferecer

sempre um novo significado à gama já existente, nunca

fechando, ao contrário, alargando os horizontes.

Introdução Não há consenso também sobre quando a Teoria da literatura teve início. Alguns teóricos
Introdução
Não há consenso também sobre
quando a Teoria da literatura
teve início. Alguns teóricos
(AGUIAR e SILVA, 1973)
consideram que Platão e
Aristóteles já teorizavam sobre
a literatura embora sob a égide
de abordagens nomeadas como
Retórica e Poética. Outros
pesquisadores do assunto,
porém, como Compagnon
(2001), não consideram que os
filósofos fizessem teoria da
literatura porque não tinham a
intenção de codificação do
estudo literário.

Platão

Platão Platão (428/348 a.C.) não sistematizou uma filosofia sobre a literatura (poesia), mas como filósofo se

Platão (428/348 a.C.) não sistematizou uma filosofia sobre a literatura (poesia), mas como filósofo se manifestou sobre ela; no livro X de A República faz uma objeção de natureza epistemológica à poesia: a verdadeira realidade consiste na ideia da coisa, o objeto é apenas a imitação dessa realidade, portanto, a poesia imitam uma imitação da imitação. Por outro lado, Platão admitia a existência da poesia no Estado ideal, condicionando-a à a unir o belo ao útil ao Estado e à existência humana. Essa concepção utilitarista prevaleceu entre os romanos, servindo de base a Horácio (64/8 aC.), Longino (213/273 dC.) e teóricos posteriores.

prevaleceu entre os romanos, servindo de base a Horácio (64/8 aC.), Longino (213/273 dC.) e teóricos
Em suma, é inegável, pois, que as reflexões feitas em A República , por Platão,

Em suma, é inegável, pois, que as reflexões feitas

em A República, por Platão, e a classificação dos gêneros literários efetuada na Poética, de Aristóteles constituem o início de uma teorização,

um ponto de partida para a Teoria da Literatura.

Histórico Da Questão

Histórico Da Questão As ideias de Platão e Aristóteles demonstram como a filosofia constitui a origem

As ideias de Platão e Aristóteles demonstram como a

filosofia constitui a origem das duas disciplinas importantes para a Teoria da Literatura: a Estética e a

Retórica.

A Poética, enquanto disciplina tem uma clara relação com as reflexões de Aristóteles, dessa forma, autores e obras que seguiram a preocupação de refletir sobre as

características da arte literária, especialmente sobre os

problemas dos três gêneros deram origem a ela. A

tradição latina, privilegiando o aspecto normativo desses

estudos, foi responsável pelo advento das chamadas Artes Poéticas, que influenciaram toda a cultura

ocidental até o Iluminismo.

 
   
 

Assim como no caso da Poética, uma outra obra de Aristóteles teve grande influência na origem desta disciplina: Arte Retórica (1998), na qual se propunha a dar um tratamento filosófico a arte de organizar um discurso persuasivo, de instrumentalização de técnicas oratórias destinadas a munir o falante da arte do convencimento.

Segundo

Reboul

(2004,

p.44),

a

Retórica

compõe-se de cinco

procedimentos:

invenção ou descoberta do que dizer (assunto);

a

 

disposição ou ordenação favoráveis das partes;

a

a elocução é a ornamentação dos vocábulos e das figuras de linguagem

a

serem utilizadas;

memória exige que o texto seja memorizado e a ação ou pronunciação

a

é

formada pelos gestos e a dicção do orador como se este fosse um ator.

Poética e Retórica eram considerados estudos independentes até o século I d.C., mas, no decorrer

Poética e Retórica eram considerados estudos

independentes até o século I d.C., mas, no decorrer dos

tempos os estudos retóricos foram se atendo cada vez mais aos aspectos linguísticos, isto é, na elocução o que a

direcionou para os limites da Poética, unindo-se a ela

como campo de estudo durante a Idade Média.

Oliveira (2004) esclarece que a Retórica medieval caracterizou-se pela diminuição do acompanhamento

filosófico e pela ênfase na tendência mais ornamental;

nesta época predominou o texto poético e houve uma

retomada de Homero e Virgílio como autoridades na arte

retórica.

nesta época predominou o texto poético e houve uma retomada de Homero e Virgílio como autoridades
 
 

No século XII, Dominicus Gundisalvi (Gundissalinus), na obra De Divisione Philosophiae, priorizou a Gramática e a Retórica e acrescentou a Poética a esta última. A escola e a Igreja apoiavam o ensino da poesia latina, suas formas métricas, seus gêneros e ornatos, enfim, uma Poética.

Em

fins

do

século

XV,

redescobre-se

a

Poética

de

Aristóteles.

Traduzida,

interpretada

e

comentada,

ganha

tal

prestígio

que

o

Classicismo concederá a ela um caráter francamente normativo.

 

A

retórica renascentista, segundo Moisés (2000), privilegiou a

elocução, diferentemente do período medieval que se preocupava, além

da

elocução, com a invenção e a disposição. Dois complexos assuntos

passam a ser privilegiados nesse momento: as figuras de linguagem (como construir o pensamento) e os tropos (como mudar o sentido das

palavras).

 
Dessa forma, Retórica e Poética voltam a ser tomadas independentemente, distinção que persistirá até o

Dessa forma, Retórica e Poética voltam a ser

tomadas independentemente, distinção que persistirá até o século XVIII, quando cai a influência de ambas, por conta da sedução da emergente

estética romântica. Rosenfeld (s.d.) salienta que a Retórica, por seu caráter mais pragmático, esteve mais ligada a processos de educação formal; a

Poética, por sua natureza mais especulativa, era objeto de interesse de pensadores.

No século XIX, com a revolução deflagrada pelo espírito romântico, que valorizava a inspiração do

No século XIX, com a revolução deflagrada pelo espírito romântico, que valorizava a inspiração do

poeta, o termo "retórica" passa a ser compreendido com um sentido pejorativo, que prevalece nossos dias,

como discurso vazio de sentido, mas rebuscado,

enfeitado e prolixo. A Retórica foi reduzida, assim, ao

simples estudo das figuras de linguagem utilizadas para dar maior expressividade ao texto. Já o

termo "poética", apesar de ganhar outros

significados, manteve uma proximidade do

original:"tratado de versificação", que implica na reflexão e na prática da poesia, incluindo a prosa

também.

"tratado de versificação" , que implica na reflexão e na prática da poesia, incluindo a prosa
 

Fórum

  Fórum AP Ó S L E R O S C AP ÍTU L O S

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( 2 0 0 6 )

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F O I

Aula 01 Tópico 02: POÉTICA E

RETÓRICA HOJE

Aula 01 – Tópico 02: P OÉTICA E R ETÓRICA H OJE
A relação íntima entre poética e retórica tem como um dos fundamentos o fato de

A relação íntima entre poética e retórica tem como um dos fundamentos o fato de as artes retóricas reconhecerem as produções poéticas como

modelares das quais extraíam exemplos ilustrativos

de criação ornamentada da linguagem, por outro lado, o conhecimento das técnicas retóricas fornecia

aos poetas amplo conhecimento para trabalhar a linguagem objetivando a beleza e expressividade polissêmica da língua. Assim, após um declínio no

século XIX, a Retórica, sob a perspectiva da linguística e da estilística passa a ser revalorizada.

O dicionário de termos literários, de Carlos Ceia (2012), esclarece que os formalistas Eikhenbaum e

O dicionário de termos literários, de Carlos Ceia

(2012), esclarece que os formalistas Eikhenbaum e Jakobson destacam o par metáfora/metonímia como as figuras retóricas mais importantes no processo de

produção de sentidos da linguagem literária, as quais funcionam por semelhança e por contiguidade respectivamente. Os formalistas salientam uma

questão fundamental: o estudo das figuras retóricas, isto é, das chamadas figuras de linguagem e de

pensamento, é importantíssimo para análise do texto poético.

De modo semelhante, na perspectiva da Estilística, a análise tem por objetivo o estudo dos

De modo semelhante, na perspectiva da Estilística, a análise tem por objetivo o estudo dos elementos

significativos presentes na linguagem, especialmente o

imagístico, isto é, o uso das figuras que constroem o

significado conotativo do texto e proporcionam a

plurissignificância poética.

Dessa forma, ao longo do século XX, Poética e Retórica, passam a ser revalorizadas no contexto dos estudos

linguísticos. A primeira sob a perspectiva dos estudos

expressivos da linguagem - Poética linguística, Estilística - e

a segunda por meio da Neo-Retórica que não se restringe a oratória ou ao discurso persuasivo, mas busca examinar todos os tipos de discurso.

Neo-Retórica que não se restringe a oratória ou ao discurso persuasivo, mas busca examinar todos os

HISTÓRICO DAS FIGURAS RETÓRICAS

H ISTÓRICO DAS FIGURAS RETÓRICAS Até praticamente o século XIX, as figuras e os tropos faziam

Até praticamente o século XIX, as figuras e os tropos

faziam parte da Retórica, disciplina cujo âmbito era por demais complexo e extenso. Constituíam as "flore rhetoricales", que mereceram dos antigos

particular atenção. Aristóteles na "Poética", Cícero no "De Oratore", Quitiliano em "Institutio Oratoria", dentre outros, cuidaram do assunto com especial

interesse, mormente esse último que chegou mesmo a estabelecer o sistema então tradicional e fixo.

 Daí a natural reação operada no século XIX, coincidente com o eclodir da estética

Daí a natural reação operada no século XIX, coincidente

com o eclodir da estética romântica, que se consubstanciava

na liberdade da forma e inspiração, favorecendo os

processos de ampla pesquisa e renovação. As figuras

consideradas como "adornornos voluntários" mereceram de artistas e estudiosos franca repulsa, como se fossem

meros artifícios que tornavam falsas e inautênticas as

pretensas obras de arte. Isso foi o que levou o romântico Coleridge a dizer:

"Figurer and metaphors converted into mere artífices of connection na ornament constitute the caracteristic falsity in the poetic style of the moderns".

Pelo entender do passado, o brilho ou valor literários, – um repto de eloquência, por

Pelo entender do passado, o brilho ou valor

literários, um repto de eloquência, por exemplo, assentava-se tão somente no uso dos chamados adornos, e as análises e críticas concentravam-se

apenas no apontar a presença de tais elementos. É o que nos lembra um René Radouant, quando escreve sobre Pierre La Ramée, célebre filosófo e gramático

francês do século XVI, mas conhecido como "Ramus".

Hoje em dia não se permitem tais excessos. A moderna estilística, já no entender de

Hoje em dia não se permitem tais excessos. A moderna estilística, já no entender de um Charles Bally, veio substituir a retórica não para aboli-la de vez, como quiseram alguns radicais iconoclastas, mas para coloca-la em seu devido lugar, aproveitando, outrossim, aquilo que

de útil legou à sistemática da teoria literária, atualizando-

lhe e arejando-lhe os métodos. Se a retórica é a estilística

dos antigos, como afirma Pierre Guiraud ("La Estilística", p.

29), seu campo delimitou-se à elocução e ao emprego

expressivo da palavra articulada (v. g. a eloquência),

tendo, não obstante, assumido para muitos espíritos mal informados uma significação depreciativa, conforme adverte Afrânio Coutinho:

"Outra palavras que corre mundo inteiramente deformada pelo sentido pejorativo é "retórica". A cada momento

"Outra palavras que corre mundo inteiramente deformada pelo sentido pejorativo é "retórica". A cada momento surge ela usada para designar estilo empolado, abusivamente ornado, ou vazio de ideias, prejudicadas pelo excesso formal. Há quem chegue, com esse critério, a distinguir os escritores em retóricos e não retóricos. Mal nos ocorre que sem retórica não há literatura, pois a retórica é uma parte inseparável da realização das grandes obras-primas, e não é possível compreender Shakespeare, Cervantes, Swift, sem a devida formulação do que deveram, eles e todos os grandes escritores, à retórica, entendida, não daquela maneira simplista que a identifica ao formalismo, porém como o conjunto de regras que conduzem à boa realização de uma obra de arte, graças ao domínio dos recursos que a tornaram artisticamente eficiente na conquista e persuasão do público." (In "Da Crítica e da Nova Crítica", p. 116-117.) (TAVARES, 2002, p.

323-4).

As Figuras de Linguagem

As Figuras de Linguagem
As Figuras de Linguagem
As Figuras de Linguagem

METÁFORA

METÁFORA É uma comparação subentendida, que consiste na transferência da significação própria de uma palavra para

É uma comparação subentendida, que consiste na

transferência da significação própria de uma palavra para outra significação.

Exemplos:

a) "Mas vejo aquela cujo olhar são perilampos," (Antônio Nobre)

b) "E o Universo Bíblia imensa Que Deus no espaço descreveu?" (Castro Alvez, in "Adeus, meu canto")

METONÍMIA

METONÍMIA  é a substituição do sentido de uma palavra pelo de outra que com ela

é a substituição do sentido de uma palavra pelo de

outra que com ela apresenta uma relação constante. Há uma relação de correspondência ou contiguidade.

a) Exemplo literário:

"iam-se as sombras lentas desfazendo Sobre as flores da terra frio orvalho," (L. II, 92)

b) O autor é empregado pela obra.

Exemplo: Leio Rui Barbosa.

"Lia Alexandre e Homero;" (L V, 96)

ANÁFORA

ANÁFORA Repetição da mesma palavra ou expressão no início de frases, períodos ou versos. Exemplos: "Qual

Repetição da mesma palavra ou expressão no início

de frases, períodos ou versos. Exemplos:

"Qual do cavalo voa, que não desce;

Qual, co'o cavalo em terra dando, geme;

Qual vermelhas as armas faz de brancas; Qual co'os penachos do elmo açoita as ancas." (

Camões, L VI, 64)

AMPLIFICAÇÃO

AMPLIFICAÇÃO Consiste esta figura em explanar as particularidades do assunto, desenvolvendo-o pormenorizadamente. Entre

Consiste esta figura em explanar as particularidades

do assunto, desenvolvendo-o pormenorizadamente. Entre os vários processos podemos lembrar: o desenvolvimento da definição, o emprego dos

exemplos, o uso das comparações e contrastes, o auxílio das provas e razões, a glosa (especialmente no verso) etc. A amplificação é também estudada na

técnica redacional como um dos tipos de composição.

Exemplo:

"A vida é o dia de hoje, A vida é ai que mal soa, A

"A vida é o dia de hoje,

A vida é ai que mal soa,

A vida é sombra que foge,

A vida é nuvem que voa.

A vida é sonho tão leve,

Que se desfaz como a neve

E como o fumo se esvai;

A vida dura um momento,

Mais leve que o pensamento,

A vida leva-a o vento,

A vida é folha que vai!"

(João de Deus, in "A Vida", do Campo de Flôres, v.1)

A vida leva-a o vento, A vida é folha que vai!" (João de Deus, in "A

ANTÍTESE

ANTÍTESE Também chamada de "contraste". É a oposição entre duas ou mais ideias, ou dois pensamentos.

Também chamada de "contraste". É a oposição entre duas ou mais ideias, ou dois pensamentos. Segundo La Bruyère é a "oposição de duas verdades uma dando vida à outra". Figura basilar do pensamento e sentir: nascimento x morte;

amor x ódio; dia x noite; alegria x dor.

Exemplos:

"Abaixo via a terra abismo em treva! Acima o firmamento abismo em luz!" (Castro Alves, in "O vôo de gênio")

"E no perpétuo ideal que te devora, Residem juntamente no teu peito Um demônio que ruge e um deus que chora." (Bilac, in

"Dualismo")

ALEGORIA

ALEGORIA É uma sequência de metáfora, ou seja, a exposição do pensamento ou emoção sob ampla

É uma sequência de metáfora, ou seja, a exposição do

pensamento ou emoção sob ampla forma tropológica e

indireta, pela qual se representa um objeto para significar outro. A alegoria, segundo Quitiliano, pode ser

"pura" (quase confundindo-se com o enigma) e "mista",

quando propicia indicações que possibilitem a associação

do que foi figurado com o que está subentendido. Na

pintura, na escultura, enfim nas artes plásticas é a

alegoria bastante empregada com o valor de símbolo. Uma figura de mulher, com uma balança numa das mãos

e uma espada na outra, é a alegoria de Têmis, ou seja, a Justiça.

AINDA SOBRE ALEGORIA

AINDA SOBRE ALEGORIA Em literatura a alegoria compreende determinadas espécies como a fábula, o apólogo e

Em literatura a alegoria compreende determinadas

espécies como a fábula, o apólogo e a parábola, nas quais

as coisas abstratas ou inanimadas personificam-se.

Exemplo de narração alegórica:

"A morte tem duas portas: uma de vidro, por onde se sai da vida; outra de diamante, por onde se entra à

eternidade. Entre estas duas portas se acha subitamente

um homem no instante da morte, sem poder tornar atrás, nem parar, nem fugir, nem dilatar, senão entrar por onde

não sabe, e para sempre. Oh, que transe tão apertado! Oh, que passo tão estreito! Oh, que momento tão

terrível!" (Pe. Vieira)

sempre. Oh, que transe tão apertado! Oh, que passo tão estreito! Oh, que momento tão terrível!"

Atividade de Fixação

Atividade de Fixação NES TA ATIVIDADE VOCÊ DEVERÁ L ER OS L OCAL IZAR POEMAS A

NES TA

ATIVIDADE

VOCÊ DEVERÁ L ER OS

L OCAL IZAR

POEMAS A S EGUIR PROCURANDO

FIGURAS E TROPOS PRES ENTES . DEPOIS REDIJA

AS

PEQUENOS COMENTÁRIOS

QUE EXPL IQUEM OS

EFEITOS DE S ENTIDO BEM COMO S UA

COMPREENS ÃO DE CADA

UM DOS POEMAS .

Aula 01 Tópico 03: A CRÍTICA

NO SÉCULO XIX

Aula 01 – Tópico 03: A C RÍTICA NO S ÉCULO XIX
A partir do século XVIII, a prática da crítica modifica-se em relação à sua matriz

A partir do século XVIII, a prática da crítica

modifica-se em relação à sua matriz antiga que se pautava nas convenções tradicionalmente aceitas sem questionamento, passa a considerar a análise

livre e racional não apenas de textos, mas de questões de diversas naturezas, como o gosto, o conhecimento, os eventos da história. O melhor e

mais influente exemplo deste posicionamento apoiado na filosofia é sem dúvida as três Críticas de

Kant: a da razão pura (1781), a da razão prática (1788) e a da faculdade de julgar (1790).

Assim, a crítica, fortalecida na centúria iluminista, aos poucos liberta-se da tutela normativa exercida pela

Assim, a crítica, fortalecida na centúria iluminista,

aos poucos liberta-se da tutela normativa exercida pela Retórica e Poética para, no século XIX, com o advento do Romantismo propagador do conceito de

que a arte literária, como fruto da atividade intelectual do gênio, é viva, dinâmica e original.

O MÉTODO DE SAINTE-BEUVE

O MÉTODO DE S AINTE -B EUVE O método de Sainte-Beuve marca o início da crítica

O método de Sainte-Beuve marca o início da crítica moderna,

por inaugurar crítica de jornal e propor um método mais

próximo da ciência. Ele partia do conhecimento da vida dos

autores para entender a obra. Acreditando poder traçar

"retratos" destes através de suas análises biográficas, procura

assumir diante da obra literária uma postura isenta, desprovida de qualquer sistema ou norma. No ensaio "De la méthode en Critique", de 1847, Sainte-Beuve explica, a partir da teoria natural dos grupos, os autores e as obras literárias. Ele faz uma espécie de sistematização de comportamentos

com caráter científico, mas fundamentado em uma "essência

da ordem psicológica do autor" (AGUIAR E SILVA, 1973).

Seja como for, estabeleceu um liame entre a crítica

subjetivista (romântica) e a objetivista (científica).

1973). Seja como for, estabeleceu um liame entre a crítica subjetivista (romântica) e a objetivista (científica).

Crítica Científica

Crítica Científica Hipolite Taine é o principal pensador da chamada crítica científica. Defensor do racionalismo,

Hipolite Taine é o principal pensador da chamada crítica

científica. Defensor do racionalismo, Taine não aceitava que o fundamento de qualquer criação artística se restringisse à área da psicologia, para ele, abrangia outras áreas do saber, principalmente a da sociologia. Assim, o método crítico defendido por ele, de penhor positivista, rejeitava qualquer

subjetivismo e partia de uma concepção sociológica da

literatura: determinismo mecanicista, segundo o qual a criação

artística é um composto determinado pela grandeza e direção

das forças que produzem a sociedade: a raça, o meio e o

momento.

A vasta produção crítica de Sílvio Romero, no Brasil, segue o método de abordagem da crítica científica defendida por Taine.

crítica de Sílvio Romero, no Brasil, segue o método de abordagem da crítica científica defendida por

Crítica Impressionista

Crítica Impressionista Modalidade de apreciação baseada nas emoções provocadas pelo texto. Nessa prática, as

Modalidade de apreciação baseada nas emoções

provocadas pelo texto. Nessa prática, as análises são feitas a partir de todas as impressões percebidas, no contato do receptor ou leitor com um objeto do

mundo exterior. Foi assim denominada pela sua proximidade com o advento do Impressionismo na

pintura, surgido na França nos fins do século XIX.

Esse método inspirado na espontaneidade romântica exigia uma sólida cultura do crítico.

Segundo declara Nunes (2012), "coetâneo da crítica impressionista, encontramos o pensamento valorativo de Benedetto

Segundo declara Nunes (2012), "coetâneo da crítica impressionista, encontramos o pensamento valorativo de Benedetto Croce que em sua Estética (1902), procurava uma

forma intermediária entre a análise individual ou subjetivista

de Anatole France e o rigor do cientificismo de Taine".

O pensador italiano desaprovava a classificação dos gêneros literários, bem como as classificações universalizantes, defendendo que as análises deviam se ater à obra em si, rejeitando qualquer tentativa de normatização ou

generalização, devendo o trabalho da crítica tratar da

linguagem única de cada obra, o que justifica a sua Estética,

em que demonstra suas concepções sobre a interpretação

literária.

No início do século XX, a crítica impressionista gozava de prestígio nos grandes centros de

No início do século XX, a crítica impressionista gozava de prestígio nos grandes centros de cultura estrangeira, e

em especial na França. No Brasil, porém, as reações de

estudiosos como Mário de Andrade e Tristão de Athayde

direcionaram a crítica à novos caminhos, opondo-se ao

amadorismo de opiniões e seguindo para a valorização da

análise estética mais objetiva. Importa salientar que o

amadorismo de alguns comentadores erroneamente

chamados de críticos tendia a se esconder sob o rótulo da

crítica impressionista, passando-se a identificar de

maneira imprópria algumas abordagens críticas baseadas

no "achismo" sem fundamentação.

a identificar de maneira imprópria algumas abordagens críticas baseadas no "achismo" sem fundamentação.
Infelizmente, porém, esse compromisso estético do crítico com o texto literário e com a crítica

Infelizmente, porém, esse compromisso estético do

crítico com o texto literário e com a crítica objetiva não sepultou por completo o trânsito das subjetividades no ato de julgar, especialmente nos

meios de comunicação como veremos no texto selecionado para o portfólio deste tópico.

Atividade de Portfólio

Atividade de Portfólio LEIA ATENTAMENTE O ARTIGO " CRÍTICA LITERÁRIA: S EU PERCURS O E S

LEIA ATENTAMENTE

O ARTIGO

ATUALIDADE ", DE ROBERTO ACÍZELO

S UA ATIVIDADE RES UMO CRÍTICO,

DE S OUZA.

UM

DUAS

DE PORTFÓLIO É FAZER

DE APROXIMADA MENTE

PÁGINAS , EM QUE VOCÊ COMENTE AS

E IDEIAS

PRINCIPAIS

INFORMAÇÕES

E, AO FINAL

FAZ UMA AVALIAÇÃO

S OBRE O PERCURS O DA

CRÍTICA NO BRAS IL. ENVIE O RES UMO PARA S EU

PORTFÓLIO INDIVIDU AL.