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Direito Ambiental (Prof Paulo Régis Rosa da Silva) 1

05.08.2008

Bibliografia
- Machado, Paulo Affonso Leme
Direito Ambiental Brasileiro, São Paulo: Malheiros.
- Milaré, Edis
Direito do Ambiente, São Paulo: RT.
- Antunes, Paulo de Bessa
Direito Ambiental, Rio de Janeiro: Lúmen Júris.
- Revista de Direito Ambiental – RT

Legislação
- Coletânea de Legislação Ambiental – RT
- Constituição Federal, Legislação Administrativa e Legislação Ambiental –
Verbo Jurídico
- Legislação de Direito Ambiental – Saraiva
- Sites: Câmara dos Deputados, Senado, Assembléia Legislativa, Ministério do
Meio Ambiente, Secretaria Estadual do Meio Ambiente, FEPAM.

12.08.2008

Princípios de Direito Ambiental


Não há unidade em relação aos princípios. Cada autor elenca aqueles princípios
que acredita ser os mais importantes.
A importância dos princípios está em dar sustentabilidade ao Direito Ambiental,
ou seja, são as colunas de sustentação, os pilares-mestres.

1° - Princípio do Desenvolvimento Sustentável


CF, Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras
gerações.
a) Quem é o titular do meio ambiente? Somente o homem é titular do meio
ambiente, pois só ele é titular de direitos uma vez que é o único ser vivo capaz de contrair
obrigações. Contudo isso não significa que o direito não proteja animais, vegetais e
minerais, mas estes não são titulares de direito, apenas são protegidos por este.
Ambiente equilibrado: ocorre quando se causa uma degradação que é
compensada por uma reposição ou por uma auto-reposição.
b) Natureza jurídica: bem de uso comum do povo, ou seja, aquilo que é de
todos, aquilo que possui interesse difuso (interesse que não se consegue particularizar).
Não é individual.
c) O que é qualidade de vida? É um aspecto subjetivo e pode ser mensurado por
vários fatores. Um deles é o sugerido pela Organização Mundial de Saúde e que atrela a
qualidade de vida a três indicadores: níveis de saúde, níveis de educação e PIB.
d) A quem cabe a defesa do meio ambiente? Ao poder público e à coletividade.

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Declaração de Estocolmo sobre o meio ambiente humano – 1972


O direito ao meio ambiente sadio e equilibrado é um direito fundamental,
mesmo não estando no rol dos Direitos Fundamentais da Constituição Federal, e, ainda
por cima, é um dos principais direitos fundamentais pois protege a vida do ser humano, e
esta é o bem de maior valor do homem.

19.08.2008

Exibição do filme “Uma verdade inconveniente” – All Gore

26.08.2008

Constituição Federal – Dos direitos e garantias fundamentais


“Art. 5°. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:
XXII - é garantido o direito de propriedade;
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;”
Apesar de não estar contido no capítulo específico e sim no Art. 225, CF, o
direito ao ambiente sadio e equilibrado é, por excelência, um direito fundamental.
O proprietário terá direito a usar e usufruir de sua propriedade desde que não
afete o meio ambiente, em afronta direta a leis infra-constitucionais e a própria
Constituição Federal.

Constituição Federal – Da ordem econômica


“Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e
na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames
da justiça social, observados os seguintes princípios:
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado
conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de
elaboração e prestação;
Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade
econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos
previstos em lei.”
A atividade econômica no Brasil é livre, desde que feita em consonância com a
defesa do meio ambiente, pois a defesa do meio ambiente é um princípio, e o parágrafo
único estabelece que a atividade econômica é livre, salvo nos casos previstos em lei (ex.:
licenciamento conferido pelo IBAMA).

Código Civil
“Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e
o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.
§ 1o O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas
finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de conformidade
com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio
ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das

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águas – em relação à propriedade, este parágrafo é todo imbuído da preservação ao meio


ambiente.”

Desenvolvimento sustentável
- Atender as necessidades presentes, sem comprometer as necessidades futuras.
- Melhorar a qualidade de vida com limites.

2° - Princípio da prevenção
Devemos agir evitando que ocorra a degradação do meio ambiente, pois muitos
recursos naturais não são renováveis, ou seja, uma vez destruídos, não há como voltar ao
“status quo”.

Diferença entre prevenção e precaução


Precaução: ocorre quando não se tem certeza científica sobre os efeitos que tal
ato pode causar.
Prevenção: ocorre quando há uma certeza de que aquele ato irá causar um mal,
ou seja, o dano pode ser detectado antecipadamente.

Diferença entre perigo e risco


Perigo: é uma condição da essência do ser (objeto). É inerente ao ser.
Risco: é a probabilidade de causar acidente.
Ex.: uma faca afiada na mão, na bainha ou em um cofre, é perigosa em igual
intensidade; mas a mesma faca afiada na mão tem um alto risco de causar um acidente,
na bainha tem um risco menor do que na mão, e dentro do cofre o risco cai para próximo
de zero.

3° - Princípio do poluidor-pagador
“CF, Art. 225, § 3°. As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio
ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e
administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados” –
responsabilização penal, administrativa e civil (reparar os danos causados).
A poluição não precisa ser efetiva, pode ser punida apenas a possibilidade.
Usuário-pagador: é aquele que deve pagar pela utilização do recurso ambiental.
Ex.: arrozeiro que utiliza a água do rio para irrigar a lavoura.
Edis Milaré: informa que devemos lutar para que a despoluição seja embutida
nos custos do produto, com intuito de forçar o fabricante a investir na despoluição, ou
seja, internalizar a despoluição nos custos de produção.

Lei n° 6.938/81 – Política Nacional do Meio Ambiente


“Art. 4° A Política Nacional do Meio Ambiente visará:
VII - à imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou
indenizar os danos causados, e ao usuário, de contribuição pela utilização de recursos
ambientais com fins econômicos;

Art. 14, § 1°. Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é
o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar
os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O

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Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de
responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente” – define a
teoria objetiva (aquela que independe de culpa) como aplicável nos casos de dano ao
meio ambiente.

02.09.2008

4° - Princípio da participação
Informa que devemos levar às autoridades constituídas os nossos anseios.
Devemos ter um processo em que todas as pessoas participem na defesa do meio
ambiente, isso se depreende do “caput” do Art. 225, CF.

Constituição Federal – Dos princípios fundamentais


Art. 4°. A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações
internacionais pelos seguintes princípios:
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade.

5° - Princípio da informação
Levar o fato ao conhecimento do outro. Já que o povo é o titular do meio
ambiente, deve-se manter o povo informado sobre seu direito a um ambiente sadio, ou
seja, o poder público tem o dever de disponibilizar a informação e o povo tem o direito
de ser informado.
O mecanismo que faz com que o Estado informe o povo é a publicidade dos
atos administrativos, pois é através da publicidade que o ato administrativo se torna
eficaz (CF, Art. 37). A publicidade é a regra, o segredo é a exceção (ex.: uma fábrica
pode requerer ao órgão ambiental que resguarde a forma como produz determinado
químico, mas não pode esconder sua instalação em uma localidade).

6° - Princípio da educação ambiental


A educação ambiental deve ser realizada, em nível formal, da pré-escola até o
pós-doutorado, mas a educação que tem mais eficácia é a informal, ou seja, a
conscientização de que o meio ambiente deve ser preservado.
CF, Art. 225, § 1°. Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao
Poder Público: IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio
de impacto ambiental, a que se dará publicidade.
Lei n° 6.938/81, Art. 2°. A Política Nacional do Meio Ambiente tem por
objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida,
visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento sócioeconômico, aos
interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos
os seguintes princípios: educação ambiental a todos os níveis do ensino, inclusive a
educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do
meio ambiente.
Contudo, não adianta levar a educação ambiental às pessoas se ela não é
palpável, ou seja, aplicável ao meio em que se quer prega-la. Ex.: falar sobre separação
do lixo em uma comunidade em que não há água potável, esgoto encanado, etc.

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A comunicação precisa ser feita de uma forma adequada, ajustada ao ambiente


no qual nos encontramos. Quem não conhece o perigo, não sabe como se proteger (ex.:
Césio 137).

7° - Princípio da ubiqüidade
Ubiqüidade significa que o meio ambiente está em toda parte e, portanto,
relacionado com a onipresença. Assim sendo, tudo o que quisermos fazer passa pelo meio
ambiente.

Meio ambiente
É assim dividido: natural, artificial, cultural e laboral. Qual é o espaço do estudo
do meio ambiente? O meio ambiente é amplo, portanto seu espaço de estudo são todas as
suas quatro divisões. Meio ambiente:
1) natural: fauna, flora, árvores, animais, águas, etc.
2) cultural: são as relações que temos e que envolvem a nossa herança. Tudo
aquilo que envolve nossa cultura. Ex.: Festival de Parintins, Círio de Nazaré, Procissão
de Nossa Senhora dos Navegantes, etc.
3) artificial: é o local onde o homem vive hoje. São as cidades e tudo aquilo que é
criado em função delas, até mesmo o paisagismo.
4) laboral: é o local onde exercemos o trabalho. É importante salientar que o
direito ambiental não perquire as relações de trabalho, assunto afeto ao direito do
trabalho, e sim as causas de periculosidade e de insalubridade.

Política Nacional do Meio Ambiente (Lei n° 6.938/81)


Art. 3°. Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:
I - meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de
ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas
formas – quando menciona “lei”, refere-se às leis da natureza e não aquelas criadas pelos
órgãos legislativos humanos. É uma boa definição do meio ambiente, mas não é
completa, pois trata o meio ambiente mais sob um caráter biológico, esquecendo-se do
meio ambiente cultural, laboral e artificial;
II - degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das
características do meio ambiente – “adversa” significa contrária. Ex.: pegar água no rio a
18° C para refrigerar uma máquina da fábrica e devolvê-la ao rio a 22° C. Isso é uma
degradação do meio ambiente.
III - poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades
que direta ou indiretamente: – poluição direta (ex.: abatedouro de aves que lança as
víceras e o sangue dentro do rio) e poluição indireta (ex.: o poder público que não proíbe
o lançamento dessas víceras e sangue no rio). Poluidor direto é aquele que faz; poluidor
indireto é aquele que permite que a poluição seja feita. Como a responsabilidade no
direito ambiental é objetiva, não se perquire se é direta ou indireta, ambos tem
responsabilidade sobre a poluição produzida.
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população – saúde é
o que diz respeito ao organismo do homem; segurança é o que diz respeito à integridade
física do homem; e bem-estar não pode ser um simples critério subjetivo, por isso são
estabelecidos certos limites para medir o bem-estar (ex.: níveis de ruído);

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09.09.2008

Política Nacional do Meio Ambiente (Lei n° 6.938/81) – Cont.


Art. 3°. (...)
III – (...)
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas – atividades
sociais (ex.: não pode utilizar a praia) e atividades econômicas (ex.: não poder pescar no
rio);
c) afetem desfavoravelmente a biota – biota: conjunto de seres vivos que
habitam a biosfera (tanto acima quanto abaixo da terra);
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente – aspectos
estéticos (envolvem o paisagismo. Ex.: a pedreira do Morro da Polícia em Porto Alegre)
e aspectos sanitários (ex.: esgoto lançado no Rio Guaíba);
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais
estabelecidos – lançar energia (ex.: água retirada a 18° C e devolvida a 22° C ao rio);
padrão ambiental é igual a limite ambiental.
Há dois tipos de padrão: padrão de emissão (quantidade de poluente que uma
fonte pode lançar no meio ambiente) e padrão de qualidade (o estado que o ambiente se
encontra em determinado dia, hora, mês e ano). O padrão de qualidade está diretamente
associado às políticas públicas de controle ambiental, e para atingir um bom padrão de
qualidade deve-se arrochar o padrão de emissão, tornando-o mais rígido.
O estabelecimento dos padrões nada mais é do que uma questão política.

Observações:
1) Cassação: ato administrativo válido, mas o administrado não o cumpre.
2) Anulação: quanto o ato administrativo possui algum vício.

IV - poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado,


responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental
– qualquer pessoa, física ou jurídica, pública ou privada, pode ser poluidor, ou seja, até
mesmo o ente público pode ser poluidor.
V - recursos ambientais: a atmosfera, as águas interiores, superficiais e
subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera,
a fauna e a flora.

Art. 9º - São Instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente:


II - o zoneamento ambiental;
III - a avaliação de impactos ambientais;
IV - o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente
poluidoras;
IX - as penalidades disciplinares ou compensatórias não cumprimento das
medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental.

Evolução histórica legislativa


Muitos pensam que a questão ambiental só começou a ter importância a partir
da Revolução Industrial e a conseqüente poluição em larga escala, mas o controle do
meio ambiente surgiu muito antes disso. O Brasil, por ser colônia de Portugal, teve os

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primeiros ditames com respeito à proteção ao meio ambiente nas Ordenações do Rei
(Manuelinas, Filipinas, etc)

Ordenações Afonsinas – 1446


- O furto de aves era equiparado a qualquer furto.

Ordenações Manoelinas – 1521


- Proibida a caça que cause dor e sofrimento aos animais;
- Caça liberada em alguns locais e proibidas em outros;
- Cortar árvores frutíferas tinha severa penalidade e pagamento de multa.
Esses tópicos servem para demonstrar que muitas das disposições da Lei n°
9.605/98 (Lei dos Crimes Ambientais) não são inovadoras, já existiam há muito tempo.

Ordenações Filipinas – 1595


- Proteção ao Pau-brasil

Normas ambientais no Brasil

Antes da SEMA – 1973 Depois da SEMA – 1973


- Normas de repercussão ambiental - Normas ambientais
- O bem juridicamente tutelado - O bem juridicamente tutelado é
não era o meio ambiente o meio ambiente
As normas no Brasil passam a ter maior envergadura, em termos ambientais, a
partir de 1973 com a criação da SEMA (Secretaria do Meio Ambiente), uma vez que o
Brasil havia participado, em 1972, da Conferência do Meio Ambiente, e comprometeu-se
em adotar políticas de proteção ao meio ambiente.

23.09.2008

Repartição constitucional de competências ambientais


A competência para legislar em matéria penal é privativa da União, por isso a
Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul não pode votar uma lei sobre crime
ambiental contra animais, por exemplo.
No que tange aos limites de ruído, a competência é local, por isso pode o
município legislar sobre o assunto.
Sendo assim, nesse capítulo estudaremos as competências de cada ente da
federação.

Competências legislativas
CF, Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo,
aeronáutico, espacial e do trabalho;
IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão.

CF, Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre:

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VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e


dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição;
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e
paisagístico;
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e
direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico.

Com base nos artigos acima mencionados, há uma interpretação legislativa que
estabelece que, exceto água, que está no Art. 22, CF, todos os demais recursos naturais
são concorrentes. Outra corrente, a qual o professor se filia, estabelece que água é assunto
de competência concorrente quando se tratar de defesa dos recursos hídricos. Entendem
que a água do Art. 22, CF, deve ser interpretada como recurso econômico (mover
moinho, para revender, etc) e a água do Art. 24, CC, deve ser entendida como defesa do
recurso hídrico no sentido quali-quantitativo, como bem natural.
O papel da União na competência concorrente é dispor sobre normas gerais, e o
Estado tem a competência de complementar as normas gerais. Não existindo norma geral,
o Estado tem competência ampla, e caso venha a existir a norma geral posteriormente, o
Estado deverá adequar-se a ela (CF, Art. 24, §§ 1° ao 4°)

Observação:
1) Supletivo: é agir no lugar de outro; é competência administrativa;
2) Suplementar: é preencher, completar; é competência legislativa.

Normas gerais são os grandes princípios, aqueles que se aplicam sobre todo o
território nacional. Por isso a Constituição Federal estabelece que não cabe à União
legislar sobre normas específicas de cada Estado. Da mesma forma, em sentido inverso,
não podem os Estados se insurgirem contra essas normas gerais, sob pena de
inconstitucionalidade.

30.09.2008

Competências
As competências podem ser divididas em:
1) Competência legislativa: a qual pode ser subdividida em:
a. Competência legislativa privativa: é privativa da União. Ex.: Art. 22, CF;
b. Competência legislativa concorrente: nesse caso a União concorre com os
Estados e o Distrito Federal. Ex.: Art. 24, CF.
 Conforme o que estabelece os §§ 1º ao 4º do Art. 24, CF.
 § 4º - suspende a eficácia da lei estadual e não revoga. Suspende
pois, se a norma geral for modificada, pode a norma estadual voltar a vigir.
c. Competência legislativa local: Ex..: Art. 30, I, CF;
d. Competência suplementar: Ex.: Art. 30, II, CF.
 No que diz respeito às competências local e suplementar,
dizemos que ambas são competências do município. A competência local é só do
município, como se privativa fosse. A competência suplementar vai completar as normas
naquilo que couber e for possível.

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2) Competência material (ou administrativa): a qual se subdivide em:


a. Competência exclusiva: Ex. Art. 21, CF (e o ente político é somente a
União); não há presença de matéria ambiental nessa competência;
b. Competência administrativa comum: Ex.: Art. 23, CF (abrange todos os
entes políticos, ou seja, a União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios).

Obs.: o ente político externo e a Federação. A União é quem representa a


federação externamente (CF, Art. 1º, c/c Art. 18 e Art. 21).

Competência comum
É uma competência de aplicação da norma, e não de legislar sobre a matéria.
Todos os entes políticos são detentores dessa competência.

CF, Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios:
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico,
artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios
arqueológicos;
IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de
outros bens de valor histórico, artístico ou cultural;
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas
formas;
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e
exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios;
 Contém verbos de ação que nos levam a entender tratarem-se de
ações pro-ativas, ações de polícia ambiental.
Ao contrário da competência legislativa, o constituinte não definiu, entre os
entes políticos, a competência administrativa ou material. Simplesmente colocou todos
no mesmo patamar, estabelecendo, no parágrafo único do Art. 23, CF, que leis
complementares fixarão normas de cooperação entre os entes. Contudo, até hoje não foi
editada uma única lei complementar que discipline a matéria ambiental. Assim sendo, a
competência ambiental é uma questão aberta em termos constitucionais.
Em 1997 o CONAMA entende a necessidade de se estabelecer competências
entre os entes e edita a Resolução nº 237/97. Contudo essa resolução só diz respeito ao
licenciamento ambiental.

Resolução nº 237/97
Art. 4º. Compete ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis - IBAMA, órgão executor do SISNAMA, o licenciamento ambiental,
a que se refere o artigo 10 da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, de
empreendimentos e atividades com significativo impacto ambiental de âmbito nacional
ou regional, a saber:
I - localizadas ou desenvolvidas conjuntamente no Brasil e em país limítrofe; no
mar territorial; na plataforma continental; na zona econômica exclusiva; em terras
indígenas ou em unidades de conservação do domínio da União.
II - localizadas ou desenvolvidas em dois ou mais Estados;

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III - cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais do País ou


de um ou mais Estados;
IV - destinados a pesquisar, lavrar, produzir, beneficiar, transportar, armazenar e
dispor material radioativo, em qualquer estágio, ou que utilizem energia nuclear em
qualquer de suas formas e aplicações, mediante parecer da Comissão Nacional de
Energia Nuclear - CNEN;
V- bases ou empreendimentos militares, quando couber, observada a legislação
específica.

Art. 5º. Compete ao órgão ambiental estadual ou do Distrito Federal o


licenciamento ambiental dos empreendimentos e atividades:
I - localizados ou desenvolvidos em mais de um Município ou em unidades de
conservação de domínio estadual ou do Distrito Federal;
II - localizados ou desenvolvidos nas florestas e demais formas de vegetação
natural de preservação permanente relacionadas no artigo 2º da Lei nº 4.771, de 15 de
setembro de 1965, e em todas as que assim forem consideradas por normas federais,
estaduais ou municipais;
III - cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais de um ou
mais Municípios;
IV - delegados pela União aos Estados ou ao Distrito Federal, por instrumento
legal ou convênio.

Art. 6º. Compete ao órgão ambiental municipal, ouvidos os órgãos competentes


da União, dos Estados e do Distrito Federal, quando couber, o licenciamento ambiental
de empreendimentos e atividades de impacto ambiental local e daquelas que lhe forem
delegadas pelo Estado por instrumento legal ou convênio.
 Impacto local: Lei nº 11.520/07, Art. 69. Caberá aos municípios
o licenciamento ambiental dos empreendimentos e atividades consideradas como de
impacto local, bem como aquelas que lhe forem delegadas pelo Estado por instrumento
legal ou convênio. Parágrafo único. O órgão ambiental competente proporá, em razão
da natureza, característica e complexidade, a lista de tipologias dos empreendimentos
ou atividades consideradas como de impacto local, ou quais deverão ser aprovados pelo
Conselho Estadual do Meio Ambiente (Código Estadual do Meio Ambiente)
Para sabermos, no Rio Grande do Sul, qual a competência estadual e qual a
competência municipal, devemos observar a Resolução nº 102 do Conselho Estadual do
Meio Ambiente.

07.10.2008

Não houve aula. Palestra do eixo sobre os 20 anos da Constituição Federal.

14.10.2008

Estudo de impacto ambiental (EIA)


O exercício do poder de polícia ambiental é realizado através do procedimento
de licenciamento ambiental e das sanções/execução. Dentro do procedimento de
licenciamento ambiental está o estudo de impacto ambiental.

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Direito Ambiental (Prof Paulo Régis Rosa da Silva) 11

Quando uma fábrica, por exemplo, deseja instalar-se, antes de dar início ao
procedimento de licenciamento ambiental, deve ser realizado um estudo de impacto
ambiental. Esse estudo está previsto na CF, Art. 225, § 1°. Para assegurar a efetividade
desse direito, incumbe ao Poder Público: IV - exigir, na forma da lei, para instalação de
obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio
ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade, na
Constituição do Estado do Rio Grande do Sul e nas Leis Orgânicas Municipais.
Não é um instrumento aplicado em toda e qualquer situação e as hipóteses de
sua aplicação serão vistas a seguir.
- Impacto = choque;
- Impacto positivo ou benéfico;
- Impacto negativo ou adverso.
Muitas vezes o impacto ambiental é negativo, mas constitui-se em um mal
necessário. Sendo assim, será preciso ponderar ações de modo a minimizar danos.
O EIA tem por escopo prevenir a ocorrência de danos significativos ao meio
ambiente, ou seja, aquele dano que tem capacidade de causar grande impacto.
Entretanto, muitas vezes se faz necessário pagarmos um preço maior em razão
da preservação que se pretende. Em outros, precisamos realizar modificações necessárias,
mas devemos procurar causar o menor trauma possível.

Resolução CONAMA n° 001, de 23.01.86

Artigo 1º - Para efeito desta Resolução, considera-se impacto ambiental


qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente,
causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas
que, direta ou indiretamente, afetam:
I - a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
II - as atividades sociais e econômicas;
III - a biota;
IV - as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;
V - a qualidade dos recursos ambientais.

O Art. 1° define o que é impacto ambiental, mas puxa muito para o lado da
poluição, não conseguindo retratar o impacto positivo, direcionando-se mais para os
impactos negativos.
Isso ocorre como um todo na legislação ambiental, não havendo uma clara
distinção do que é impacto positivo. Apesar disso o EIA deve trazer o impacto negativo e
o impacto positivo de cada obra.

Evolução legislativa
- Lei n° 6.803/80 – primeira legislação e nem trazia referência ao EIA – Art. 10,
§ 3°. Além dos estudos normalmente exigíveis para o estabelecimento de zoneamento
urbano, a aprovação das zonas a que se refere o parágrafo anterior, será precedida de
estudos especiais de alternativas e de avaliações de impacto, que permitam estabelecer a
confiabilidade da solução a ser adotada.

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- Lei n° 6.938/81 – já trazia o EIA, mas não explicava como aplica-lo – Art. 9°.
São Instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente: IV - o licenciamento e a
revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras.
- Resolução CONAMA n° 001/86 – explica como é a aplicação do EIA –
EIA/RIMA.
- Resolução CONAMA n° 006/87 – obras relacionadas à geração de energia.
- Resolução CONAMA n° 009/87 – audiência pública.
- CF, Art. 225, § 1°, IV.
- CE/RS, Art. 251, § 1°. Para assegurar a efetividade desse direito, o Estado
desenvolverá ações permanentes de proteção, restauração e fiscalização do meio
ambiente, incumbindo-lhe, primordialmente: V - exigir estudo de impacto ambiental com
alternativas de localização, para a operação de obras ou atividades públicas ou
privadas que possam causar degradação ou transformação no meio ambiente, dando a
esse estudo a indispensável publicidade.
- Decreto Federal n° 99.274/90.
- Lei Estadual n° 11.520/00.
- Leis Orgânicas Municipais.

EPIA como instrumento de prevenção/precaução


O Estudo Prévio de Impacto Ambiental é, por excelência, um instrumento de
prevenção, pois consegue antecipar a ocorrência de um dano, e de precaução, pois
consegue identificar o perigo que está por vir.

Diferença entre EIA e RIMA


O EIA é o conjunto de estudos científicos realizados sobre as prováveis
modificações nas características do meio ambiente, que podem decorrer de um projeto,
enquanto que o RIMA é a síntese do EIA, em uma linguagem acessível, ou seja,
possibilita que qualquer pessoa possa compreender as vantagens e desvantagens do
projeto.
O RIMA não é a conclusão do EIA, ele contém a conclusão do EIA. Ambos são
completos, ambos tem cabeça, tronco e membros, o que difere é a linguagem
apresentada.

RIMA
• Apresentado de forma objetiva;
• Informações devem ser traduzidas;
• Ilustrado por mapas, cartas, quadros, gráficos, etc;
• Objetivando o entendimento das vantagens e desvantagens do projeto, bem
como todas as conseqüências.

21.10.2008

EIA/RIMA
Por ser um procedimento caro e que demanda tempo para ser confeccionado,
não são todos os casos em que se exigirá o EIA/RIMA.

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Direito Ambiental (Prof Paulo Régis Rosa da Silva) 13

Situações em que é exigido o EIA/RIMA


Para sabermos se o EIA/RIMA deve ou não ser exigido, devemos seguir os
seguintes passos:
1° - Resolução CONAMA n° 001/86
Em seu Art. 2° traz uma lista, que não é taxativa e sim exemplificativa, de casos
em que há a necessidade de elaboração do EIA/RIMA.
Para Sílvia Cappeli as hipóteses que estão previstas na norma não podem
dispensar o EIA/RIMA.

2° - Constituição Federal, Art. 225, § 1°, IV


O EIA/RIMA sempre será necessário quando a obra poder causar “significativa
degradação ambiental”, ou seja, potencialidade de causar degradação ambiental.
Nesse sentido surge nova corrente interpretativa que estabelece que não são
todas as obras que necessitam de EIA/RIMA, somente aquelas que tem possibilidade de
causar grande impacto ambiental.
A “significativa degradação ambiental” será estipulada pelo órgão ambiental
competente, o qual se baseará em um parecer com motivação consistente para definir a
exigência do EIA/RIMA.
Caso o administrado não se contente com a exigência do EIA/RIMA, caberá a
ele provar que sua obra não tem potencialidade de causar significativa degradação
ambiental.

3° - Resolução CONAMA n° 237/97


Complementa a Resolução CONAMA n° 001/86 e está mais em conformidade
com a disposição constitucional.

Partes envolvidas no EIA/RIMA


- Proponente do projeto (empreendedor)
- Administração ambiental competente – o órgão competente para licenciar o
empreendimento (competência material), é o mesmo órgão competente para avaliar o
EIA/RIMA.
- Equipe multidisciplinar habilitada – envolve profissionais de várias áreas do
saber, devidamente habilitados em seus órgãos fiscalizadores da profissão. Ex.: biólogo,
geólogo, historiador, engenheiro, etc.
- Povo – representado pelas ONGs, clubes de serviço , autarquias profissionais,
etc.
- Ministério Público.

Custos do EIA/RIMA
Conforme dispõe o Art. 8° da Resolução CONAMA n° 001/86 é o próprio
proponente quem paga, seja ele ente público ou privado.

Publicidade/sigilo
- Princípio Internacional do Direito à Informação.
- Princípio Constitucional – Art. 37.
- Art. 11 da Resolução CONAMA n° 001/86.
- Sigilo: a fim de evitar a concorrência desleal.

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Direito Ambiental (Prof Paulo Régis Rosa da Silva) 14

Audiência Pública
A finalidade da audiência pública está expressa no Art. 1° da Resolução
CONAMA n° 009/87.
Os legitimados para requererem a realização de uma audiência pública estão
estabelecidos no Art. 2°, da mesma resolução. Caso algum legitimado requeira e o órgão
ambiental não realize a audiência pública, o ato é nulo, daquele momento em diante (“ex
tunc”).
O prazo para requerer a audiência está previsto no § 1°, Art. 2°, da Resolução
CONAMA n° 009/87, e o prazo para realizar a audiência é, no mínimo, 30 dias após a
publicação do edital.
Em qual local será realizada a audiência pública? Em um local amplo e que
comporte, se não a totalidade, o maior número de pessoas possíveis envolvidas com o
caso.
Qual o número de audiências públicas possíveis? Está previsto no § 5°, Art. 2°,
Resolução CONAMA n° 009/87, e refere-se a complexidade do tema.

Decisão da administração ambiental


- Deverá ser motivada (CF, Art. 37)
- Não poderá conter conclusões vagas: deve ser incisiva, atacar os pontos
cruciais, não deixando margens para questionamentos.
- A administração ambiental toma decisão como se fosse um corpo de
magistratura.
- A decisão poderá ser de:
a) aprovação do empreendimento ou atividade;
b) indeferimento do empreendimento ou atividade: neste caso não significa que
a obra nunca será realizada, basta apresentar um novo EIA/RIMA corrigindo possíveis
erros ou equívocos.

04.11.2008

Licenciamento ambiental
1. Definição
É um mecanismo de controle que a administração exerce para que as atividades
não tragam significativa degradação ao meio ambiente. Sendo assim, o poder de polícia
não é exercido somente quando a administração pública fiscaliza, mas também quando
ela licencia uma atividade.
Isso significa que, por este procedimento, a autoridade ambiental estará
verificando se aquela atividade está de acordo com a legislação ambiental vigente.
Resolução CONAMA n° 237/97, Art. 1°. Para efeito desta Resolução são
adotadas as seguintes definições: I - Licenciamento Ambiental: procedimento
administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização,
instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de
recursos ambientais , consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas
que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as
disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.
Quando da realização deste procedimento é que se verificará a necessidade de
exigência do EIA/RIMA, para após ser emitida a licença ambiental.

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Direito Ambiental (Prof Paulo Régis Rosa da Silva) 15

Resolução CONAMA n° 237/97, Art. 1°. Para efeito desta Resolução são
adotadas as seguintes definições: II - Licença Ambiental: ato administrativo pelo qual o
órgão ambiental competente, estabelece as condições, restrições e medidas de controle
ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica,
para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utilizadoras
dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas
que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental.

Obs.:
1) Processo: sucessão ordenada de atos. Estes atos serão processados segundo um
procedimento;
2) Procedimento: é a forma de ordenar os atos. Também chamado de rito. É a
forma de fazer alguma coisa.

2. Base legal
- CF, Art. 23, II, III, IV, VI, VII, IX, XI c/c Art. 225, “caput” e § 1°;
- Lei n° 6.938/81, Art. 9°, IV e X;
- Decreto n° 99.274/90, Art. 17 ao Art. 22;
- Resolução CONAMA n° 237/97;
- Constituição do Estado do RS, Art. 251;
- XXXXXXXXXXXX
- XXXXXXXXXXXX
De acordo com o que se estiver licenciando, deveremos consultar a legislação
específica sobre o assunto. Ex.: para construir um prédio de apartamentos, devemos
verificar, além da legislação ambiental, o plano diretor do município, a legislação que
trata dos condomínios, etc.

3. Natureza jurídica da licença ambiental


Autorização é o ato administrativo discricionário e precário, mediante o qual a
autoridade competente faculta ao administrado, em casos concretos, o exercício ou a
aquisição de um direito, em outras circunstâncias, sem tal pronunciamento, proibido.

Obs.: alvará é gênero, do qual são espécies a licença e a autorização. A


diferença é que a primeira é definitiva e a segunda é precária. Sendo assim, apesar de
denominarmos, por um cochilo legislativo, “licença ambiental”, estamos tratando de um
ato administrativo com natureza jurídica autorizatória, ou seja, uma autorização.
É autorizatório pois o meio ambiente é um bem disponível de toda humanidade,
de caráter difuso e, assim sendo, não podemos entregar o meio ambiente, de maneira
definitiva, para alguém. O que o Estado faz é apenas emprestar o meio ambiente para ser
utilizado. Contudo, havendo o descumprimento da licença ou seu desajustamento em
conformidade com novos padrões ambientais, a administração poderá revogar a licença.

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Direito Ambiental (Prof Paulo Régis Rosa da Silva) 16

11.11.2008

Competência para licenciar – Resolução CONAMA n° 237/97


IBAMA - Art. 4°, I a IV
SEMA - Art. 5°, I a IV
Município - Art. 6°

Licenciamento ambiental como instrumento de precaução


É considerado um instrumento de precaução porque, através do licenciamento
ambiental, poderemos verificar a capacidade de degradação do meio ambiente com
relação á atividade que se quer licenciar. É através do licenciamento ambiental que se vai
policiar, fiscalizar, restringir uma atividade, ou seja, é uma medida de controle que impõe
restrições, limitações, obrigações, etc. Por isso é considerado, por essência, um
instrumento de prevenção/precaução, pois vai verificar se a atividade pode ser exercida e
sob que condições pode ser.

Partes envolvidas no licenciamento ambiental


- Empreendedor (pode ser ente público, pessoa jurídica ou pessoa física);
- Órgão ambiental competente: definido, primeiro, pela Constituição Federal e
depois pelo disposto na Resolução CONAMA n° 237/97;
- Consultores ambientais: são aqueles profissionais responsáveis pelo aporte
técnico no que se refere às necessidades ambientais;
 Lei n° 9.605/98, Art. 69-A. Elaborar ou apresentar, no
licenciamento, concessão florestal ou qualquer outro procedimento administrativo,
estudo, laudo ou relatório ambiental total ou parcialmente falso ou enganoso, inclusive
por omissão.
 Ou seja, esses profissionais podem ser responsabilizados penal,
civil e administrativamente por seus atos. Esse artigo somente se aplica aos consultores
ambientais.
- Povo;
- ONG’s;
- Ministério Público.

Lei n° 9.605/98
Art. 67. Conceder o funcionário público licença, autorização ou permissão em
desacordo com as normas ambientais, para as atividades, obras ou serviços cuja
realização depende de ato autorizativo do Poder Público – funcionário público é todo
aquele que empresta sua atividade laboral ao poder público.

Hipóteses de incidência do licenciamento ambiental (Resolução CONAMA n°


237/97, Art. 2°, §§ 1° e 2°)
Se a atividade está relacionada no Anexo I da referida resolução, precisa de
licenciamento ambiental. Se não estiver, o órgão ambiental competente é quem vai
determinar a necessidade ou não do licenciamento ambiental.

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Direito Ambiental (Prof Paulo Régis Rosa da Silva) 17

Espécies de licença
- Licença prévia: vem antes do empreendimento. Não autoriza a execução de
obra, apenas estuda a viabilidade do meio ambiente em receber a atividade (viabilidade
do empreendimento);
- Licença de instalação: essa sim autoriza a execução da obra, mas não o
desenvolvimento da atividade;
- Licença de operação: concluída a obra, somente se desenvolverá a atividade
após a expedição dessa licença;
- Resolução CONAMA n° 237/97, Art. 8°, Inc I, II e III.

Publicidade
- CF, Art. 37;
- Resolução CONAMA n° 06/86
Tanto o empreendedor como o órgão público tem o dever de tornar público o
licenciamento ambiental, em conformidade com os ditames da lei. Esse dispositivo está
contido no princípio da informação.

Custos
- Resolução CONAMA n° 237/97, Art. 13. O custo de análise para a obtenção da
licença ambiental deverá ser estabelecido por dispositivo legal, visando o ressarcimento,
pelo empreendedor, das despesas realizadas pelo órgão ambiental competente – é o
empreendedor quem paga os custos do licenciamento ambiental.

Prazo de validade (Resolução CONAMA n° 237/97)


Espécie de licença Base legal Prazo mínimo Prazo máximo
LP Art. 18, I Cronograma da obra 5 anos
LI Art. 18, II Cronograma da obra 6 anos
LO Art. 18, III 4 anos 10 anos
No RS o prazo máximo da licença de operação (LO) é de 4 anos, ou seja,
precisa ser renovada de 4 em 4 anos, e essa renovação precisa ser requerida 120 dias
antes de expirar o prazo da atual licença. Caso não seja respeitado o prazo de 120 dias, se
o órgão ambiental não conseguir expedir nova licença antes de expirar a atual, a empresa
corre o risco de interdição. Requerida dentro do prazo legal, se o órgão ambiental não
expedir nova licença antes de expirar o prazo da atual, considerar-se-á prorrogada a
licença.

Invalidação das licenças ambientais


- Anulação: a licença ambiental é ilegal. Ela foi concedida contrariando
disposições legais;
- Cassação: a licença ambiental é legal, porém o administrado descumpre suas
exigências e padrões;
- Revogação: o ato é válido e o administrado está cumprindo o disposto na
licença, mas esta se tornou inconveniente, pois não está mais protegendo o meio
ambiente.

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18.11.2008

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