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E de repente foi o cordel

pelejas e narrativas nordestinas, em verso

Por Laura Benitez Brickmann

Resumo:

O milenar ofício de contar histórias sempre teve um lugar de destaque nas

culturas que valorizam os ancestrais e seus ensinamentos; no entanto, no Nordeste

brasileiro, cordel, repente, e xilogravura estão precisando do incentivo estatal e

privado para não cair no esquecimento e para continuar a expressar a alma e a

idiossincrasia desse povo. Embora muitos estudiosos considerem que esse tipo de

literatura e atividades anexas nada têm a ver com as expressões populares da

Península Ibérica, é possível reconhecer elementos comuns que vão além dos temas e

do tratamento que deles se faz na cultura nordestina. Porquanto a memória coletiva é

constituída em grande medida pela prática desses saberes, eles merecem ser

registrados como Patrimônio Cultural do Brasil, como primeiro passo na proteção que

lhes é devida.

Palavras-chave:

Cordel; Repente; Xilogravura; Patrimônio Imaterial; Poesia popular.

Abstract:

In cultures which value their ancestors' teachings, storytelling has always enjoyed high prestige. Nowadays, however, in Northeast Brazil, “cordel” (chapbooks), “repente” (sung improvisation) and xylography definitely need private and governmental support to continue expressing this people's soul and idiosyncrasy. While many experts consider this type of literature was born in Brazil and they find no relation to Iberian literary pamphlets, a number of similarities can actually be identified, irrespective of differences in topics or approaches. Since these cultural practices significantly contribute to collective memory, their registration as Brazil’s “Patrimônio Cultural Imaterial” (Non-material Cultural Heritage) is certainly the first step to be taken in order to protect them as they deserve.

Key words:

Cordel; Repente; Xylography; Non-material Heritage; Popular poetry

2 Oxente! Se chegue, freguesia! Veja só que maravilha! Dessa história da cultura, entremos já

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Oxente! Se chegue, freguesia!

Veja só que maravilha!

Dessa história da cultura,

entremos já na sustância:

será que o cordel perdura

e produz conhecimento?

Ele vem do descobrimento

e é mesmo Literatura!

“O cordel continua resistindo porque ele realmente é novo.”

Antônio Queiroz

Presidente da Associação de Poetas da Literatura de Cordel da Bahia Entrevista - 2006

ra-se uma vez um cego que ao cair da tarde, parado numa esquina de

E Lisboa, cantava uma narrativa em verso ante uma plateia que o ouvia

hipnotizada. Todo mundo a conhecia: tratava-se da história de Pedro Malasartes. Um

dia de domingo, não muito longe daí, no interior, um vendedor de rua percorria a feira

oferecendo uns livrinhos coloridos. O cordel, jornal e literatura, encantava os fregueses

desde antes de ser escrito.

Embora culturas tão antigas como a anglo-saxã, a fenícia, a cartaginesa, a grega

e a romana já conhecessem o cordel, acredita-se que os primeiros romances chegaram à

Península Ibérica por volta do século XVI. Sá de Miranda foi quem introduziu em

Portugal a sextilha com rimas cruzadas, derivadas da oitava, de Ariosto. Essa inovação

possibilitou a Camões escrever “Os Lusíadas”.

Três séculos mais tarde, logo após a hora da novena, do outro lado do oceano,

no Brasil, podia-se assistir a uma cena semelhante, rostos também surpresos: uma avó

ensinava aos netos os mistérios de Nossa Senhora. O cordel chegara para ficar. A

prática tinha sido trazida pelos colonizadores, e por muito tempo, foi somente oral,

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fixando-se em livrinhos de folhas frágeis e às vezes mal impressas, apenas a partir de fins do século XIX.

Vindos da península, os relatos de Carlos Magno, do rei Arturo, de João Grilo e das vidas dos santos juntaram-se às lendas indígenas, às obras literárias clássicas, às matérias noticiárias do Brasil e do mundo e com o advento da TVaté à novela das sete, para conformar uma miríade de histórias que habitaram primeiro o interior nordestino e com a migração, chegaram ao Rio, a São Paulo, a Brasília, a Goiás, enfurnaram-se em Mato Grosso e desembarcaram em Belém e Manaus.

O cordel é conhecido sob o nome de livrinho de feira, estória do meu padrinho, folheto, romance (mais longo), ABC (no qual cada verso inicia com uma letra do abecedário), livro de Ataíde e arrecife (derivados estes últimos da fama dos cordéis impressos por João Martins de Ataíde, em Recife, na segunda metade do século XX).

Littérature de colportage (na França), pliegos sueltos (na Espanha), chapbooks (na Inglaterra), volksbücher (na Alemanha) e folhas volantes (em Portugal) foram os nomes dados à literatura popular em verso escrita em algumas partes da Europa. Por outros lugares da América, também se espalharam, vindas da península, formas de imprimir e de cantar essas narrativas em verso. Por exemplo, na Argentina, existem pelejas de estilo semelhante ao brasileiro chamadas payadas, e o desafio mexicano é o corrido ou contrapunteo. Contudo, muitos pesquisadores de prestígio acreditam que o cordel nordestino nada tem a ver com a poesia popular europeia, baseando-se em que tanto os temas como o tratamento que deles se faz no Nordeste não se corresponde com aquela.

Para quem acredita na origem europeia, os longos poemas heroicos, que sofreram refundições (reduções) junto aos causos e lendas autóctones, foram a primeira substância do cordel brasileiro. Não pode se esquecer, no entanto, a contribuição da Igreja Católica que sempre usou o cordel entre outras formas literáriaspara doutrinar seus fiéis. Nos albores, foi também a principal forma em que se publicavam histórias infantis, porque as folhas volantes eram mais baratas e não precisavam de autorização para ser publicadas.

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O modo de venda continua sendo o mesmo: cantar um pouco da história e fazer

com que o freguês compre o livrinho para ler em casa, pendurá-los de um cordel ou barbante, ou simplesmente colocá-los em tabuleiros classificados geralmente levando em conta o gosto do comprador que frequenta a feira ou a praça na procura desse título que estava-lhe faltando. Antigamente, os cegos que ganharam o privilégio de ser vendedores desse tipo de literatura por ordem do Rei Dom João V, em 1789também carregavam esses tabuleiros pendurados ao pescoço como alguns dos camelôs de hoje.

pendurados ao pescoço como alguns dos camelôs de hoje. Banca de cordel. Carnaval na Bahia, 2004

Banca de cordel. Carnaval na Bahia, 2004 (Foto: LB)

O poeta-trovador compõe os versos que ele mesmo ou um repentista cantará

acompanhado da sua viola (dez cordas). Como acontecia na antiguidade, nem sempre esses jograis repetem a história completa, não precisam decorar tudo. Lembram a essência e a rima. Vale dizer que muitos poemas surgiram do próprio repente e só depois foram fixados em folhetos de cordel.

Os repentistas bem podem musicar histórias deles mesmos ou alheias. Esse ofício não existe apenas na América ou na Europa. Na África, as negras velhas contadoras, chamadas akpalô, perto da fogueira, passam para os mais novos, através dos versos, a sabedoria de seus ancestrais, as lendas e a história de sua cultura.

Nos começos, quase nenhum cantador se preocupava com a medida dos versos, mas pelo menos uma incipiente rima era mantida pelos repentistas. As possibilidades quanto à medida dos versos vão do menor já esquecidode quatro sílabas (chamado de Parcela) até a Meia Quadra, de quinze. As estrofes podem ser quartilhas, sextilhas,

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septilhas, oitavas, décimas e ainda o longo alexandrino; mas a preferida, segundo Rodolfo Coelho Cavalcante, é sem dúvida a sextilha.

Alguns dos poetas de cordel mais conhecidos e prolíferos são: O Cego Aderaldo, Franklin Maxado Nordestino, Leandro Gomes de Barros, João Martins de Ataíde, Cuíca de Santo Amaro, Rodolfo Coelho Cavalcante, Patativa do Assaré. Mas seria injusto tentar fazer uma listagem representativa, pois hoje existem numerosos poetas e cantadores que espalham com diverso método e sucesso a prática cordeliana e a cultura nordestina, pelo mundo. Também não deve se esquecer que o cordel é objeto de pesquisa até na Europa, onde a cultura chamada popular é valorizada e estudada com grande interesse.

Dentre os gravuristas alguns deles também poetaspoderiamos salientar: José Francisco Borges, José Costa Leite, José Stênio Silva Diniz, Erivaldo Ferreira da Silva e muitos outros.

1. Tentativa de classificação:

À hora de tentar fazer uma classificação, é fundamental considerar tanto a intenção estética, quanto a informativa e a apelativa. São muitas as categorias propostas para diferenciar as narrativas populares em verso. No entanto, pareceria apropriado partir da base que estabeleceu o paraibano Ariano Suassuna (1986):

Repente (poesia improvisada)

Literatura de cordel

O repente, como poesia improvisada, pode versar sobre um acontecimento que surja de alguma coisa que o cantador está vendo: um pai ensinando alguma coisa para a filha, um homem paquerando uma moça, e acaba no dizer de dom Antônio Queirozquando “o destino desencalha” (2006). Se for um desafio, pode ser combinado para acabar segundo um plano previsto com antecipação. É claro que os repentes mais bonitos são os políticos ou aqueles de sátira social.

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6 Senhor Antônio Queiroz,Presidente da Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel, Salvador, Bahia, janeiro,

Senhor Antônio Queiroz,Presidente da Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel,

Salvador, Bahia, janeiro, 2006 (Foto: LB)

Sem o intuito de cair numa taxonomia rígida, podemos dizer que é possível falar de folhetos de cordel de vários tipos.

Noticiários ou de acontecido (circunstanciais): narrativas histórico-informativas do acontecer brasileiro ou internacional que mereceram a atenção popular. Ex. O grande incêndio da Feira de Água dos Meninos, de Rodolfo Coelho Cavalcante (Bahia). Eis aqui algumas estrofes:

Dia cinco de setembro Na capital da Bahia Às 15 horas de sábado Foi um doloroso dia Nos mais tristes desatinos Feira de “ÁGUA DE MENINOS Numa fogueira se ardia.

RIMA

Cinqüenta e tantas pessoas Ali foram vitimadas Umas pelo “ruge-rugeDo povo foram pisadas Outras por vítimas da chamas Envolvidas pelas flamas Porém logo medicadas.

“ÁGUA DE MENINOS”, era Da cidade a maior feira

Feira de “ÁGUA DE MENINOS” tinha a sua tradição A Meca dos Folcloristas Perdeu a sua atração Cobriu-se de luto a cidade Na grande fatalidade Que não há explicação.

E

aos sábados, justamente,

A

população inteira

Ia

ali se abastecer

Para poder obter Seus cereais de primeira.

Históricos: tratam de temas da História Antiga. Ex. Os últimos dias de Pompéia, de Antônio Alves da Silva.

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Anti-heroicos: falam em anti-heróis do sertão e do mundo, adivinhões ou tapeadores, mestres nas artes de sobreviver. João Grilo, Pedro Malasartes, Canção de Fogo, etc.

Propagandísticos: saúde e política principalmente, veem-se beneficiadas deste veículo de inegável prestígio. Ex. Pela Reforma Agrária no Brasil, de Rodolfo Coelho Cavalcante (1986), Bahia, eterna Bahia, de João Sabino Nascimento JOSAN(1990).

Maravilhosos (ou de fadas): trata-se, frequentemente, de histórias orientais, como por exemplo A lâmpada de Aladim, na antiga versão que respeita o conto tradicionale ainda na moderna em que o herói até assiste à TV. Mesmo que as histórias de metamorfoses sejam de teor maravilhoso, seria bom analisar a intencionalidade do autor, pois geralmente essas poderiam se juntar à categoria de exemplares. Cabe salientar que a maioria destas narrativas (Ex. Chapeuzinho vermelho) foram escritas para adultos, e só depois de muitas transformações acabaram sendo a delícia da meninada do sertão.

Exemplares: podem ou não ser histórias maravilhosas. São narrações que ensinam o que não deve ser feito. Ex. A moça que bateu na mãe e virou cachorra, de Rodolfo Coelho Cavalcante (1976).

Romances peninsulares: segundo Diegues Júnior (1958), poderiam-se classificar em Históricos (Ex. Carlos Magno) e Populares, como a História da Imperatriz Porcina ou A Donzela Teodora.

Histórias de animais: bois e cavalos, entre outros, são os personagens de uma série muito popular de folhetos de cordel. Ex. A glorificação do Boi Misterioso.

Pelejas: chamadas também conversas ou desafios entre dois personagens sabidos em algum tema. Em se tratando de repente, o assunto e o final podem ter surgido na hora ou ter sido concertados entre os colegas da dupla. Na realidade, ainda que alguns possam ser escritos, esse tipo particular de romances é mesmo para ser cantados, mais do que lido.

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8 Banca dos Trovadores - Antônio Queiroz e colega cantando no Mercado Modelo, Salvador, Bahia, 2003

Banca dos Trovadores - Antônio Queiroz e colega cantando no Mercado Modelo, Salvador, Bahia, 2003 (Foto: LB)

“Literatura culta” –reelaboraçõese lendas tradicionais: o povo que não tem acesso à “grande literatura” ou mesmo aqueles que desconfiam, que precisam ver tudo sob a ótica do poeta de cordel para entender e acreditar, pode tomar contato com a obra dos eruditos ou saber de lendas indígenas de comunidades muito distantes através dos folhetos.

De putaria: trata-se de enredos safados, muitas vezes proibidos, mas que continuam sendo vendidos.

Educativos: praticamente esquecidos com o avanço do ensino público estatal. Antigamente funcionavam como cartilhas. Ex. A gramática em cordel, de José Maria Fortaleza (2001).

Religiosos: episódios bíblicos, antigos romances peninsulares que relatavam a vida dos santos, histórias de milagres no novo mundo, exemplos piedosos e martírios. Milagres de São Francisco das Chagas de Canindé (Ceará), Senhor do Bonfim (Bahia).

Heroicos: todos aqueles personagens de outras categorias de literatura de cordel que sejam modelo de valentia, coragem, trabalho, poderiam se re-agrupar nesta classe. Por exemplo, os folhetos que glorificam a figura de Getúlio Vargas, de quem se escreveram segundo entendidosmilhões de folhetos. Antônio Conselheiro herói de Canudos, Lampião e Maria Bonita, todos eles são belos exemplos dos romances heroicos.

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Segundo Mark Curram (1973), o verdadeiro herói devia vencer ao velho (coronel) sem

o matar e casar-se com a filha do mesmo. O final de O auto da compadecida, de Ariano

Suassuna, sem ser literatura de cordel, mas por estar por ela constituída, tem um final semelhante. Chicô casa-se com a filha do major Antônio Morais, depois de inúmeras complicações e de que João Grilo amigo de Chicôvença o fazendeiro num teste tipicamente cordeliano, de perguntas e respostas no qual a sua própria vida está em jogo.

Se levarmos em conta o formato, poder-se-iam distinguir, seguindo mais uma vez Ariano Suassuna (1986), entre romances (longos), canções, pelejas e abecês. Contudo, essa simples classificação não é mais do que um instrumento para aproximar- nos do cordel e tentar, depois, estudá-lo mais profundamente, consultando arquivos que ainda esperam por uma definitiva catalogação.

A pesquisa neste campo é mais uma atividade que precisa do apoio firme e concreto tanto estatal quanto privado, para construir de vez a História do cordel e

sistematizar a teoria dessa querida poesia popular nordestina. É necessário que pesquisadores universitários tentem novamente coletar registros fonográficos do repente

e que poetas, músicos e artesãos possam se dedicar a contar a história do povo que

amam num marco de profissionalismo que garanta para eles e para sua família um sustento e segurança dignos de qualquer trabalhador. Ser poeta, cantador ou gravador são mesmo ofícios que precisam ser resgatados e elevados definitivamente à categoria de Patrimônio Imaterial do Brasil. É por isso que foi pedido no início de 2009 o tão almejado registro como saber cultural imaterial. Tomara que o IPHAN, através da Superintendência Regional da Bahia julgue chegado o momento de conceder esse privilégio à arte do povo nordestino que tão amorosamente guardou na memória a ventura e desventuras do povo brasileiro.

2. Oxente! Se chegue, freguesia

Infelizmente, tanto o cordel e o repente quanto a arte de estampar o gravado nas capas dos cordéis hoje estão em perigo de esquecimento. As capas de papéis coloridos

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deixaram passo a versões feitas em ofsete que mostram desenhos realizados com a ajuda dos avanços tecnológicos. Mesmo assim, o entendido, o colecionador, o eterno amante do cordel, continua preferindo a feitura tradicional. Os carimbos que servem para realizar essas belas ilustrações são verdadeiras peças de arte e não passaram despercebidos para os garimpeiros da cultura popular. Muitas dessas matrizes perderam- se para sempre, nas mãos de sujeitos sem escrúpulos que as compraram por moedas. É por isso que os clássicos muitas vezes têm de ser impressos em fotocopias para publicar os folhetos com as capas tal como apareceram na época das primeiras tiragens. Também nessa arte houve inovações: matrizes feitas de zinco ou borracha substituem, muitas vezes, as tradicionais em madeira de cajá, pinho, cedro ou alguma outra que estiver disponível.

Muitas histórias rolaram em palcos improvisados ou de grande porte, muitas foram também as notícias passadas pelos rádios em formato de cordel, mas ainda assim, apesar da poesia popular ter alcançado a hierarquia de literatura que exprime o sentir do povo sertanejo, estamos perante o perigo destas práticas desaparecerem. O governo deveria se envolver ainda mais nos problemas do setor e incentivar tanto as produções e apresentações, quanto a pesquisa especializada em cordel e atividades anexas. Chegou a hora de que esses saberes sejam registrados, preservados e difundidos para que o imaginário do povo nordestino não se veja diminuído ou empobrecido em sua riqueza e particularidade.

A literatura de cordel é ainda considerada, por muitos, uma literatura menor. A

alma do homem não é mensurável e desde que o cordel possa exprimir a história, a ideologia e os sentimentos de qualquer homemvai ser sempre o gênero literário preferido de quem procura apreender o espírito nordestino. Os costumes, a língua, os sonhos, os medos e as alegrias do povo estão no cordel.

A autoria foi, durante séculos, apenas uma questão de subsistência. Vendiam-se

os direitos por pouco dinheiro ou até roubavam-se. Atualmente, ainda que a luta pelo reconhecimento continue, o mercado editorial mais reduzidopareceria estar melhor controlado. Hoje em dia, muitas associações trabalham para resguardar os direitos dos poetas, cantadores e gravadores: Ordem brasileira de poetas da literatura de cordel (Salvador, Bahia), Clube Baiano de Trovas (Salvador), Academia Brasileira de

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Literatura de Cordel (Rio de Janeiro), A Casa da Xilogravura (São Paulo), União Brasileira de Trovadores, Clube dos Trovadores Capixabas (Município da Serra ES), Academia Brasileira da Trova, etc.

Na nossa época, apesar dos jornais e da TV que poderiam ter feito diminuir o interesse neste tipo de literaturae da falta de apoio econômico, o cordel continua vivo no interior e em cenáculos acadêmicos. No entanto, todas as impressões de folhetos e as apresentações de repentistas são feitas à custa de muito esforço. Até caberia cobrar dos estudiosos locais a atenção que os profissionais do exterior lhe dispensam. Mas qual culpa poderia pesar sobre eles, se o próprio Estado ainda deve um olhar minucioso e compreensivo a tão digna expressão da idiossincrasia nordestina? A Feira de Caruaru, o samba de roda e o acarajé, por exemplo, já receberam o registro. É chegado o momento de proteger o cordel e as atividades anexas, como o repente e a xilogravura registrando- os como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Muitos são os personagens envolvidos nessas atividades e muitas vidas dependem dessas práticas. A literatura de cordel, as xilogravuras e o repente não foram apenas um divertimento do povo. Cordéis e cantorias foram o professor que ensinava as primeiras letras e o médico que falava para inculcar comportamentos sanitários. O cordel e o repente fazem, muitas vezes, de um candidato o ganhador da banca de deputado. E assim, lendo e ouvindo, foi-se formando a memória coletiva desse povo alegre e trabalhador, que embora calmo, enfrenta o mar e o sertão com a mesma valentia.

Por isso, precisa-se do incentivo estatal e também privado para que esses artistas possam continuar com tão importante labor de educar, informar, divertir e passar a essência da alma nordestina para a posteridade.

O cadastramento dos artistas, a promoção do ensino dessas práticas, a profissionalização destes ofícios com direito aos benefícios sociaise finalmente, o desenho de políticas culturais que favoreçam a publicação, expansão e difusão do cordel e as atividades anexas, são ações que se deveriam implementar num futuro próximo, se queremos preservar como diz Júlio Bragaa identidade de um povo.

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© Todas as fotografias: Laura Benitez Brickmann.

Referências bibliográficas:

ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL www.ablc.com.br. Acesso em: 1 de abril de 2008.

BENITEZ, Laura. E de repente, foi o cordel. Buenos Aires, 2006. 32 f. Trabajo final para el Programa de

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CURRAN, Mark. História do Brasil em cordel. São Pulo: Edusp (Editora da Universidade de São Paulo),

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DIÉGUES JÚNIOR, Manuel. LITERATURA DE CORDEL. Cadernos de folclore 2. Rio de Janeiro:

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Disponível em: http://www.secrel.com.br/jpoesia/rmarcelo13.html. Acesso em: 5 de abril de 2008.

LEOPOLDIANUM Revista de Estudos e Comunicações da Universidade Católica de Santos Ano 35, Janeiro - Abril/ 2009, n. 95 Editora Universitária Leopoldianum Santos, 2009 www.unisantos.br/edul leopoldianum@unisantos.br

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Título: REVISTA LEOPOLDIANUM Nº 95 Autor: Prof. Dr. Gilberto Rodrigues (org) Número de páginas: 138 páginas Formato: 180 X 270 cm ISSN 0101-9635

http://www.unisantos.br/edul/detalhes.php?ckset=ok&tipo_material=R&categoria=4&cod=116

Novos dados - agosto 2010

IPHAM (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) Superintendente da Bahia: Carlos Antônio Pereira Amorim Tel. 3321 - 0133 Fax 3322 - 3306 Site: ipham.bov.br E-mail: 7sr@ipham.gov.br

PROTOCOLO Nº 01502.00 0008/2010-68 Documento: Solicitação

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Assunto: Pedido de registro do cordel Data: 05/01/2010

Rua Visconde de Itaparica, 8 Centro - Barroquinha

SSA/BA

CEP 40.024-080

Banca do Mercado Modelo Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel Banca dos Trovadores Antônio Tenôrio Cassiano (Paraíba da Viola) Presidente atual 71 91 28 7746 / 71 99 48 7510 Praça Cairu, Salvador (Mercado Modelo)

LEI Nº 12.198, DE 14 DE JANEIRO DE 2010.

Dispõe sobre o exercício da profissão de Repentista.

O

PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e

eu

sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Fica reconhecida a atividade de Repentista como profissão artística.

Art. 2o Repentista é o profissional que utiliza o improviso rimado como meio de expressão artística cantada, falada ou escrita, compondo de imediato ou recolhendo composições de origem anônima ou da tradição popular.

Art. 3o Consideram-se repentistas, além de outros que as entidades de classe possam reconhecer, os seguintes profissionais:

I - cantadores e violeiros improvisadores;

II - os emboladores e cantadores de Coco;

III - poetas repentistas e os contadores e declamadores de causos da cultura popular;

IV - escritores da literatura de cordel.

Art. 4o Aos repentistas são aplicadas, conforme as especifidades da atividade, as disposições previstas nos arts. 41 a 48 da Lei no 3.857, de 22 de dezembro de 1960, que dispõem sobre a duração do trabalho dos músicos.

Art. 5o A profissão de Repentista passa a integrar o quadro de atividades a que se refere o art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943.

Art. 6o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

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Brasília, 14 de janeiro de 2010; 189o da Independência e 122o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Carlos Lupi

Este texto não substitui o publicado no DOU de 15.1.2010