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Pólo Agro-Industrial de Capanda Capítulo 7 POTENCIAL DO AGRONEGÓCIO NO PAC

Pólo Agro-Industrial de Capanda

Capítulo 7

POTENCIAL DO AGRONEGÓCIO NO PAC

ÍNDICE 7. O POTENCIAL DO AG RONEGÓCIO NO PAC 591 7.1. CONCEPÇÃO DE DESENVOL VIMENTO

ÍNDICE

7. O POTENCIAL DO AGRONEGÓCIO NO PAC

591

7.1. CONCEPÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DO PAC

593

7.2. CONCEITO DE CADEIAS PRODUTIVAS

595

7.3. MERCADO

600

7.3.1. Projecções

600

7.3.2. Projecções da Sondotécnica

602

7.3.3. Analises efectuadas – Projecções de oferta/ actual

604

7.3.4. Projecções de consumo interno de alimentos

613

7.3.5. Mercado e importação de alimentos

622

 

7.3.5.1.

Importação de alimentos e segurança alimentar

623

7.4.

MODELO DE EXPLORAÇÃO DO PAC

626

7.4.1. Culturas

627

7.4.2. Cadeias produtivas agro-industriais

631

7.4.3. Parâmetros da avaliação económica

637

 

7.4.3.1. Horizonte de análise dos projectos

637

7.4.3.2. Investimentos

638

7.4.3.3. Depreciação e valor residual

641

7.4.3.4. Manutenção e seguros

641

7.4.3.5. Reinvestimentos

642

7.4.3.6. Custos de produção dos cultivos, dos equipamentos de irrigação e frutícolas

642

7.4.3.7. Financiamento para os investimentos

644

7.4.3.8. Valor pela concessão do direito de exploração e uso das terras

644

7.4.3.9. Impostos

646

7.4.3.10. Produtividade e preços de venda das culturas

646

7.4.3.11. Orçamentos de custos e receitas

648

7.4.3.12. Fluxos de caixa

649

7.4.3.13. Indicadores da viabilidade económica

649

7.5.

AVALIAÇÃO ECONÓMICA DOS MÓDULOS TIPO DE PRODUÇÃO

652

7.5.1.

Módulo de Produção Tipo I

652

7.5.1.1. Investimentos

652

7.5.1.2. Programação dos cultivos

655

7.5.1.3. Custos de produção anuais

656

7.5.1.4. Pr odução 657 7.5.1.5. Fluxos de caixa 659 7.5.1.6. Indicadores da viabilidade ec onómica

7.5.1.4. Produção

657

7.5.1.5. Fluxos de caixa

659

7.5.1.6. Indicadores da viabilidade económica

661

7.5.2.

Módulo de Produção Tipo II

662

7.5.2.1. Investimentos

662

7.5.2.2. Programação dos cultivos

665

7.5.2.3. Custos de produção anuais

666

7.5.2.4. Produção

667

7.5.2.5. Fluxos de caixa

669

7.5.2.6. Indicadores da viabilidade económica

671

7.5.3.

Módulo de Produção Tipo III

672

7.5.3.1. Investimentos

672

7.5.3.2. Programação dos cultivos

675

7.5.3.3. Custos de produção anuais

676

7.5.3.4. Produção

676

7.5.3.5. Fluxos de caixa

679

7.5.3.6. Indicadores da viabilidade económica

681

7.5.4.

Módulo de Produção Tipo IV

682

7.5.4.1. Investimentos

682

7.5.4.2. Programação da sementeira, recuperação e melhoramento da pastagem

685

7.5.4.3. Custos de produção anuais

686

7.5.4.4. Produção

686

7.5.4.5. Fluxos de caixa

688

7.5.4.6. Indicadores da viabilidade económica

690

7.5.5. Resultados das projecções dos Módulos Tipo - Conclusões e Recomendações

 

690

7.5.6. Áreas de Produção de Hortaliças, Fruticultura e Mandioca

691

7.5.6.1. Investimentos

691

7.5.6.2. Custos de produção anuais

694

7.5.6.3. Produção

695

7.5.6.4. Fluxos de caixa – Hortícolas

697

7.5.6.5. Fluxos de caixa – Frutícolas

701

7.5.6.6. Fluxos de caixa – Mandioca

705

7.5.6.7. Indicadores da viabilidade económica

709

7.6. CAPACIDADE DE PRODUÇÃO DO PAC – CENÁRIOS DE EXPLORAÇÃO 711 7.7. AVALIAÇÃO DAS EMPR

7.6. CAPACIDADE DE PRODUÇÃO DO PAC – CENÁRIOS DE EXPLORAÇÃO

711

7.7. AVALIAÇÃO DAS EMPRESAS ÂNCORA

718

7.7.1.

Empresa Âncora de Grãos

722

7.7.1.1. Mercado de óleo de soja e grãos

723

7.7.1.2. Produção de grãos

724

7.7.1.3. Armazenagem

725

7.7.1.4. Esmagadora/refinadora

727

7.7.1.5. Avaliação económica – Empresa Âncora de Grãos

730

7.7.2.

Empresa Âncora Avícola

733

7.7.2.1. Mercado avícola

734

7.7.2.2. Produção de grãos

735

7.7.2.3. Armazenagem

736

7.7.2.4. Extrusora de soja

738

7.7.2.5. Fábrica de ração

741

7.7.2.6. Incubadora

743

7.7.2.7. Produção aves de corte

744

7.7.2.8. Matadouro de aves

746

7.7.2.9. Avaliação económica – Empresa Âncora Avícola

749

7.7.3.

Empresa Âncora Bovina

751

7.7.3.1. Mercado da carne bovina

753

7.7.3.2. Integração Lavoura-Pecuária

754

7.7.3.3. Matadouro de bovinos

756

7.7.3.4. Avaliação económica – Empresa Âncora de Bovinos

759

7.7.4.

Empresa Âncora Florestal

762

7.7.4.1. Produção de madeira

765

7.7.4.2. Autoclave

766

7.7.4.3. Serração

768

7.7.4.4. Avaliação económica – Empresa Âncora Florestal

770

7.7.5.

Cadeia Produtiva – Mandioca – Fecularia

773

7.7.5.1.

Avaliação económica

778

7.7.6.

Empresa Âncora Frutícola

781

7.7.6.1. Produção de Frutícolas

782

7.7.6.2. Packing House para frutícolas

784

7.7.6.3. Processamento das frutas

785

7.7.6.4. Avaliação económica – Empresa Âncora Frutícola 788 7.8. AVALIAÇÃO DAS EMPRESAS AGRO-INDUSTRIAIS E

7.7.6.4. Avaliação económica – Empresa Âncora Frutícola

788

7.8. AVALIAÇÃO DAS EMPRESAS AGRO-INDUSTRIAIS E PRESTADORAS DE SERVIÇOS

CORRELACIONADAS

791

7.8.1.

Moinho de Calcário

791

7.8.1.1.

Avaliação Económica – Moinho de Calcário

794

7.8.2.

Unidade de Beneficiamento de Sementes – UBS

796

7.8.2.1.

Avaliação Económica - UBS

799

7.8.3.

Unidade de Processamento de Arroz

801

7.8.3.1.

Avaliação Económica – Processamento de Arroz

805

7.8.4.

Packing House para Hortaliças

807

7.8.4.1.

Avaliação Económica – Packing House de hortaliças

809

7.8.5. Misturadora de Fertilizantes

812

7.8.6. Fábrica de Ração e Misturadora de sal mineral e sal proteinado

814

7.8.7. Empresas de Mecanização Agrícola

817

7.8.8. Empresa de Transporte

822

7.8.8.1.

Avaliação Económica – Empresa de Transporte

822

7.9. CRONOGRAMAS DE IMPLANTAÇÃO E AVANÇO DAS EMPRESAS ÂNCORA E EMPRESAS CORRELACIONADAS PROJECTADAS PARA O PAC

825

7.10. RESULTADOS DAS PROJECÇÕES DAS EMPRESAS ÂNCORA E DAS EMPRESAS DAS

ACTIVIDADES CORRELACIONADAS

831

ANEXOS

835

FIGURAS

857

FOTOS

858

GRÁFICOS

860

QUADROS

862

BIBLIOGRAFIA

870

ABREVIAÇÕES ASS África Subsariana ANGOP Agência Angola Press ANIP Agência Nacional para o

ABREVIAÇÕES

ASS

África Subsariana

ANGOP

Agência Angola Press

ANIP

Agência Nacional para o Investimento Privado

ASS

África Subsariana

BDA

Banco de Desenvolvimento

BIOCOM

Companhia de Bioenergia de Angola, Ltda

CAM

Companhia de Alimentos de Malanje

CCA

Arsénio de Cobre Cromado

CNC

Conselho Nacional de Carregadores

CODEVASF

Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco do Parnaíba

CRIP

Certificado de Registo do Investidor Privado

CV

Cavalo Vapor

ENSAN

Estratégia Nacional de Segurança Alimentar

FAO

Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura

FAOSTAT

Divisão de Estatística da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura

ILP

Integração Lavoura Pecuária

ILPF

Integração Lavoura Pecuária Floresta

KpK

Kulunga pala Kukula (Educar para Desenvolver na língua local kimbundu)

NFC

Não Produzido a Partir de Sumo Concentrado

NPK

Nitrogénio (Azoto) – Fósforo – Potássio

PAC

Pólo Agro-industrial de Capanda

PASAN

Plano de Acção de Segurança Alimentar

PAYBACK

Tempo de Retorno do Capital Investido ou Ponto de Equilíbrio

PDPAC

Plano do Desenvolvimento do Pólo Agro-Industrial de Capanda

PEDLP

Plano de Desenvolvimento a Médio Prazo

PENSA

Centro de Conhecimento do Agronegócio

PIB

Produto Interno Bruto

PRNT

Poder Relativo de Neutralização Total

SC

Sementeira Convencional (Plantio Convencional)

SEDIAC

Sociedade de Estudo e Desenvolvimento Industrial, Agrícola e Comercial

SD

Sementeira Directa (Plantio Direto)

SODEPAC Sociedade de Desenvolvimento do Pólo Agro-industrial de Capanda TIR Taxa Interna de Rentabilidade

SODEPAC

Sociedade de Desenvolvimento do Pólo Agro-industrial de Capanda

TIR

Taxa Interna de Rentabilidade

UBS

Unidade de Beneficiamento de Sementes

UA

Unidade Animal (1 UA = peso do animal vivo de 450kg)

UEA

Unidade Educacional Agrária

UN

Unidade de Negócio

USP

Universidade de São Paulo

VAL

Valor Actual Líquido

7. O POTENCIAL DO AGRONEGÓCIO NO PAC Neste capítulo apresenta-se a caracterização e as oportunidades

7. O POTENCIAL DO AGRONEGÓCIO NO PAC

Neste capítulo apresenta-se a caracterização e as oportunidades de investimento no PAC,

assim como, os cenários de exploração com as respectivas capacidades de produção.

Os trabalhos que hora são apresentados, foram desenvolvidos com base nos diagnósticos e

estudos elaborados por uma equipa multidisciplinar de técnicos, onde se consideraram os aspectos

sociais, ambientais e económicos do local, da Província e do País, tratados nos capítulos anteriores e

complementados neste. Integram portanto todo o ciclo de implantação de um negócio, desde a sua

concepção e marcos legais incluindo todos os elos das cadeias produtivas e chegada ao mercado.

Com base nessas informações, foram elaborados perfis de projectos agro-silvo-pastoris e

agro-industriais que mais se adequam às necessidades de mercado e das condições edafo-climáticas,

de altitude e relevo do PAC, bem como as políticas do Executivo em promover a Segurança Alimentar

do País e o bem-estar da população angolana.

Estes perfis são modelos produtivos que foram detalhadamente estudados visando apresentar

projectos com grande tendência ao sucesso para os empreendedores que pretendem investir no

agronegócio de Angola.

Os potenciais investidores no PAC podem adoptar outros tipos ou modelos de exploração

agro-produtivos, mas para efeito deste estudo, após análise técnica económica e financeira, foram

definidos os modelos mais apropriados para a actual conjuntura e da área apta para o

desenvolvimento agro-silvo-pastoril.

591

O Pólo Agro-industrial de Capanda detém condições privilegiadas que permitem uma

expectativa de produção em bases tecnológicas avançadas e sustentáveis, tendo como pontos

positivos:

Disponibilidade de terra e de água;

Energia eléctrica;

A rede de vias de transporte;

Jazidas de calcário no PAC, de fósforo e de potássio no País;

A existência de empreendimentos agro-produtivos;

O Projecto de Agricultura familiar e desenvolvimento social;

 Instituições de Investigação, de Extensão Rural e Ensino de Agro, bem como a futura

Instituições de Investigação, de Extensão Rural e Ensino de Agro, bem como a futura Unidade Educacional Agrária (UEA);

Institucionalidade da SODEPAC.

A vocação para cultivos e criações de animais, a capacidade de produção de alimentos e agro- industrialização no Pólo Agro-industrial de Capanda foi apurada de forma sistemática desde a avaliação da disponibilidade e caracterização dos solos e clima até ao mercado consumidor final dos produtos para consumo “in natura” e industrializados. Esquematicamente, esta etapa do trabalho foi desenvolvida da seguinte forma:

Figura 7.1. Esquematização da metodologia de elaboração e avaliação do Potencial do Agronegócio do PAC

592
592

FONTE: Elaboração CAMPO.

Os Temas de Condições edafo-c limáticas, atributos ambientais e de quantificação das áreas aptas para

Os Temas de Condições edafo-climáticas, atributos ambientais e de quantificação das áreas

aptas para a agricultura, assim como as directrizes das Boas Práticas Agrícolas (BPA) são

apresentados nos Capítulos 4, 5 e 6 deste documento. A Avaliação do Impacto Macroeconómico do

PAC está apresentada no Capítulo 8. Os demais temas serão desenvolvidos neste capítulo.

A metodologia considerada para definir a área útil do PAC utilizou dados oriundos do mapa de

Capacidade de Uso das Terras (ver Capítulo 5. e Anexo 5.5.) e do mapa Áreas para

Conservação Ambiental (ver os Capítulos 4 a 5, e Anexo 5.9). De posse dos dois mapas e com o

uso do geoprocessamento realizou-se o cruzamento das informações e descontaram-se todas as

áreas de protecção sobrepostas às de capacidade de uso. Além da sobreposição, também exclui-se

da somatória da área útil a área da BIOCOM – Companhia de Bioenergia de Angola, Lda. que se

destina exclusivamente ao cultivo da cana-de-açúcar.

7.1. Concepção de desenvolvimento do PAC

Conforme descrito no Capítulo 1. Contextualização – Angola Hoje, o processo histórico vivido

por Angola resultou na desestruturação organizacional e na fragmentação da sua base produtiva.

Com o advento da Paz em 2003, o Governo Federal, que já vinha tomando decisões pontuais ainda

no decurso dos conflitos, acentuou de forma considerável o processo de reconstrução do país,

notadamente na definição de um novo marco legal, da reestruturação administrativa e, também, da

recuperação, modernização e ampliação das infra-estruturas.

A despeito do bom grau de funcionalidade alcançado, alguns aspectos ainda carecem de

recomposição, principalmente aqueles que não dependem exclusivamente do Executivo, mas também

da participação dos agentes privados, tanto empresariais quanto individuais. Ou seja, a recomposição

593

do tecido produtivo depende não só do ordenamento jurídico e estímulos governamentais, mas

também – e principalmente – da mudança de hábitos e comportamentos, superando as incertezas

arraigadas durante longo período e iniciando uma nova era de confiança e participação, individual e

empresarial.

Neste aspecto, particular importância assume a desarticulação do sistema logístico,

principalmente do agronegócio. Este é aqui mencionado na sua acepção mais ampla – a produção de

inputs (insumos), o tratamento primário da produção agrícola (limpeza, secagem, classificação),

circulação, preparação para a comercialização através do processamento, armazenagem e

embalagem, comercialização, etc. A destruição das vias de comunicação e das estruturas de

produção associada às incertezas de circulação de mercadorias levaram a uma postura, por parte dos

produção associada às incertezas de circulação de mercadorias levaram a uma postura, por parte dos produtores rurais, de simples produção para consumo próprio, eventualmente com pequenos excedentes comercializáveis (frequentemente através de escambo) apenas nas redondezas da região de produção.

Acrescente-se a estes aspectos a desarticulação ocorrida na formação dos recursos humanos, notadamente nos níveis intermediários de produção – técnicos agrícolas e pecuários, operadores e pessoal de manutenção de máquinas, etc., tornando difícil a obtenção dos recursos humanos nas quantidades e níveis apropriados de qualificação para proceder à produção.

A visão estratégica para a implantação do PAC parte exactamente do esforço de superação desse “status quo”: o Plano propõe uma postura de integração da produção desde a área de produção até à prateleira do retalhista ou mesmo o consumidor final, contemplando tanto a produção, com acesso aos inputs (insumos) indispensáveis a uma agro-pecuária moderna, quanto o processamento e distribuição do produto. Note-se que o principal obstáculo à criação de um processo doméstico de suprimentos – ou seja, segurança alimentar – é a falta de escala na produção dos inputs (insumos) para a agro-indústria (principalmente as matérias primas agrícolas), criando o paradoxo tradicional: não há processamento por falta de matérias-primas e não há matérias-primas por falta de unidades de processamento demandantes. O desafio está na ruptura desse ciclo vicioso a partir de um ataque simultâneo às carências e incertezas.

Especificamente na área do PAC, há que se registar a realidade encontrada no trabalho conduzido com a Diagonal 1 nos seus bairros rurais: a percepção e a vontade de desenvolvimento

expressada pela população, notadamente no que tange a oportunidades de emprego, perspectivas de educação e qualificação, alternativas de mercado e inclusão social, todos aspectos necessários de

consideração na estratégia a ser adoptada.

594

Assim sendo, dado que a tradição local reside na produção esparsa e de subsistência, há que procurar instrumentos de modernização para permitir uma produção em escala suficiente para alterar esse perfil, gerando excedentes capazes de alimentar as cadeias produtivas. Ou seja, conceber um

“Projecto Integral”, que contemple a produção, o processamento, a logística e agregue “know how”

(conhecimentos) a este tipo de empreendimento, sem descuidar da consideração das políticas governamentais – locais e nacionais – e dos aspectos socioculturais, da região e do País. Optou-se assim pela proposição de implantação de projectos estruturantes, através de uma estratégia de Cadeias Produtivas e Empresas Âncora, que têm como finalidade assegurar a integridade de todas as

1 Cf. Diagonal, op. cit.

etapas da produção até ao mercado, produzir abas tecimento e garantir a ocorrência dos benefícios

etapas da produção até ao mercado, produzir abastecimento e garantir a ocorrência dos benefícios

sociais e económicos desejados com a integração da produção familiar local.

Note-se que a estratégia aqui proposta permite o ataque simultâneo em várias frentes que,

estando desarticulados na actualidade, geram a situação descrita: as produções individuais não

ocorrem pela inexistência de um mercado consumidor assegurado – no caso, a unidade de

processamento industrial; o não investimento em unidades industriais decorre da incerteza de

disponibilidade de matérias-primas. A simultaneidade proposta para implantação dos vários

segmentos da cadeia produtiva romperá o mencionado ciclo vicioso, propiciando a emergência de um

processo de desenvolvimento económico e social equilibrado e sustentável.

Como resultado, esperam-se do PAC impactos significativos em aspectos estratégicos tais

como a segurança alimentar, a substituição de importações, a qualificação da mão-de-obra, o

surgimento de uma nova classe empreendedora rural, a geração de renda, emprego e o atendimento

às prioridades definidas pelas instâncias governamentais através de um ordenamento jurídico e

estratégias de desenvolvimento, económico e social.

7.2. Conceito de Cadeias Produtivas 2

Cadeia Produtiva é uma sequência de operações que conduzem à produção de bens. A sua

articulação é influenciada pelas possibilidades ditadas pela tecnologia e é definida pelas estratégias

dos agentes que apontam à obtenção de lucros. As relações entre os agentes são de

interdependência ou complementaridade e são determinadas por forças hierárquicas. Ou seja, é a

visão sistémica do agronegócio, que vislumbra o todo, as suas partes relevantes e os seus inter-

relacionamentos. É a substituição do enfoque segmentado (produção agrícola, agro-indústria,

595

mercado) para o enfoque que permita visualizar o agronegócio de forma completa. Nesse sentido, há

que considerar o sistema agro-industrial como um todo sequencial e integrado, harmonizando as suas

etapas em termos de temporalidade, quantidade e competitividade.

Neste contexto, assume posição estratégica a Empresa Âncora para cumprir a função de

propiciar uma coordenação eficiente e minimizadora dos custos de transacção no estabelecimento de

pólos de produção.

2 Fonte: CAMPO, Companhia de Promoção Agrícola: Plano Negócios para Fruticultura Irrigada no Município de Patos de Minas – MG. Prefeitura Municipal de Patos de Minas, Estado de Minas Gerais, Brasília. 2002.

No geral, a natureza da Empresa Âncora pode ser adequadamente caracterizada como “um conjunto de

No geral, a natureza da Empresa Âncora pode ser adequadamente caracterizada como “um

conjunto de contratos”. Estes determinam as suas relações bilaterais com os demais agentes da

Cadeia Produtiva: produtores, fornecedores e compradores, onde as diversas transacções ou

agronegócio da Empresa Âncora na cadeia produtiva são realizados maioritariamente em “mercados

contratuais”, nos quais as decisões não são necessariamente determinadas pelos preços (e custos de

produção), tal como ocorre nos “mercados abertos”, mas pelos “custos de transacção” envolvidos.

Da discussão desse modelo conceptual deduz-se que, independentemente do funcionamento

dos mecanismos de mercado, a transparência na identificação das vantagens e dos riscos comerciais

das partes contratantes, a equidade na sua divisão contratual, bem como a gestão eficaz dos

contratos parecem ser, entre outros, requisitos indispensáveis para assegurar a estabilidade destes. A

Empresa Âncora, por sua vez, precisa manter a estabilidade dos diversos contratos para poder atingir

a necessária eficácia na gestão e coordenação do sistema de agronegócio da respectiva cadeia

produtiva e a sua própria sustentabilidade.

As peculiaridades do agronegócio em Angola, como comentado no tópico anterior, requerem,

pela sua desarticulação actual, de um agente coordenador do sistema de agronegócio, no nível da

respectiva cadeia produtiva, que possa gerir com eficiência a logística de inputs (insumos) e da

distribuição dos produtos desde as fazendas (áreas de produção) até aos mercados, racionalizar o

uso dos recursos ambientais e hídricos, introduzir e difundir a tecnologia mais adequada e adoptar

um rigoroso sistema de controlo de qualidade.

Assim, as transacções características da Empresa Âncora são, de algum modo, similares às de

uma empresa montadora de automóveis, que coordena uma complexa cadeia industrial de

fornecedores de peças e acessórios e de distribuidores dos produtos finais, as quais são realizadas

em diversos “mercados contratuais”. Nesses mercados, as transacções, os respectivos contratos e o

596

comportamento dos agentes não são determinados exclusivamente pelos custos de produção dos

respectivos produtos e serviços, mas também, e prioritariamente, pelos seus “custos de transacção”

(de organização, supervisão e gerência; de controlo de qualidade; de administração do conjunto de

transacções com os produtores; de assistência técnica; de gestão de produtos e matérias-primas em

processo; de transportes; de compra e fornecimento de inputs (insumos), entre outros).

A partir disso deduz-se que, independentemente do funcionamento dos mecanismos de

mercado, a transparência na identificação das vantagens e dos riscos comerciais das partes

contratantes, a equidade na sua repartição contratual e a gestão eficaz dos contratos parecem ser

condições “ sine qua non” para que a Empresa Âncora possa atingir a almejada eficácia

condições “sine qua non” para que a Empresa Âncora possa atingir a almejada eficácia na gestão e coordenação do sistema de agronegócio na respectiva cadeia produtiva.

São frequentes os casos de sucesso dessa modalidade em todo o mundo, inclusivamente no Brasil. Aí, talvez o contexto mais importante onde essa modalidade de organização da produção se aplicou é a avicultura que, por sua vez, expandiu-se para outros sectores como a suinicultura, tabaco e outros. Esses são sistemas fortemente baseados no sistema de integração e fomento agro- pecuário, onde o controlo quantitativo, qualitativo e financeiro é monitorizado pelas empresas, que estabelecem um regime de parceria junto aos produtores rurais. 3

No caso de criação de animas, o sistema de integração funciona, em geral, da seguinte maneira: o produtor fornece a matéria-prima, parte do investimento (instalações, mão-de-obra operacional, manutenção) e o seu know-how (conhecimento prático). Já a indústria fornece a tecnologia que deve ser empregada na produção, os animais de alto valor genético, o alimento específico e a assistência técnica necessária ao produtor. O sistema de integração implantado no Brasil nos anos 1960 viabilizou a consolidação da produção em cadeia, harmonizando a actividade dos criadores com a dos matadouros. Estima-se que 90% da avicultura industrial brasileira esteja sob o sistema integrado entre produtores e frigoríficos 4 . Como resultado, o Brasil é hoje o fornecedor de 40% do mercado mundial de galináceos.

Afirma ainda Rodrigues: “O crescimento do mercado foi, também, baseado em outro importante factor: o desenvolvimento de um processo de produção integrado. Sob esse sistema, os produtores são responsáveis pelo desenvolvimento das aves, que somente vão para as processadoras no momento certo para abate e processamento da carne. Em contrapartida, as empresas provêem os produtores de animais de um dia e completam a assistência técnica fornecendo desde rações a

remédios. A integração é, assim, um tipo de sistema cooperativo aperfeiçoado, representando a união

597

entre o capital das companhias e a força de trabalho do produtor. Graças ao processo de produção integrado, o produtor goza de garantia de mercado para as suas aves. O sistema integrado permite uma produção em larga escala”.

A evolução das exportações de carne de frangos do Brasil é apresentada no Gráfico 7.1. a

seguir.

3 O mercado de cooperativas no sul do Brasil. Boletim Infosuínos Fev 2012 N o . 7. http://br.merial.com/suinos/infosuinos/2012/janeiro/mercado/mercado.asp, acessado em 10/05/2012. 4 RODRIGUES, João Carlos: The roots of success: Quality, sanitary control and a competitive product explain why brazil is the world’s largest chicken meat exporter. http://www.brazilianchicken.com.br/publicacoes/br-chicken-01.pdf, acessado em 10/05/2012.

Gráfico 7.1. Brasil – Evolução da exportação de carne de frango FONTE: Rodrigues, op. cit.

Gráfico 7.1. Brasil – Evolução da exportação de carne de frango

Brasil – Evolução da exportação de carne de frango FONTE: Rodrigues, op. cit. As principais características

FONTE: Rodrigues, op. cit.

As principais características do modelo são descritas por análise de Guerreiro para o Desenbahia 5 :

Vantagens dos Produtores/Integrados

Terciarização de parte do processo produtivo em que o integrado não é produtor, mas um prestador de serviços (os animais são propriedade da empresa e o integrado é responsável pelo seu trato);

Parceria regida por contrato que especifica normas técnicas e jurídicas;

Criação de uma fonte de renda estável para o produtor; e

Viabilização de um fluxo contínuo e padronizado de matéria-prima para a indústria.

Responsabilidades

598

a)

Empresa:

Fornecer pintos de um dia, rações e medicamentos;

Prestar assistência técnica;

Transportar aves e rações; e

Remunerar o integrado conforme o resultado técnico.

b)

Produtor/Integrado:

Investir em instalações e equipamentos;

Fornecer mão-de-obra para cuidados dos aviários e para carga e descarga das aves;

5 GUERREIRO, Luis Fernando, MATTA, J.P.R e MACÊDO, W: Agro-indústria na Bahia. Diagnóstico e Perspectivas da Cadeia Produtiva. Agência de Fomento do Estado da Bahia – Desenbahia, Estudo Sectorial 03/02, Ago. 2002.

 Fornecer água, gás e energia eléctrica;  Seguir orientações técnicas e sistemas de controlo

Fornecer água, gás e energia eléctrica;

Seguir orientações técnicas e sistemas de controlo indicados pela empresa;

Permitir livre acesso dos técnicos aos aviários; e

Aderir a um sistema de retenção de fundo de igualização das prestações.

Assim sendo e à luz da tendência de industrialização da agricultura, das modernas teorias da firma e dos custos de transacção, parece legítimo e conveniente conceituar o modelo de Empresa Âncora como “um conjunto interconectado de contratos” (nexus of contracts), cujo objectivo central é a coordenação eficaz do sistema de agronegócio numa determinada cadeia produtiva agro-industrial.

No caso de Angola e do PAC em particular e, tendo em vista a desagregação actual dos elos que compõem as cadeias, uma Empresa Âncora precisa assegurar o fluxo continuo entre os inputs, a produção agrícola e as plantas de processamento industrial.

Por mais que a tendência actual seja a de uma agricultura industrial, o conceito de Empresa Âncora, também se pode aplicar para a organização da produção da agricultura familiar a partir da sua estabilidade e do desenvolvimento das condições de mercado.

599

7.3. Mercado 7.3.1. Projecções Por mais simples que seja um projecto, há um aspecto que

7.3.

Mercado

7.3.1. Projecções

Por mais simples que seja um projecto, há um aspecto que a literatura especializada omite

com frequência: a sua elaboração é, essencialmente, uma prospecção sobre “o que vai ocorrer no

futuro”, ou seja, envolve um grande padrão de incertezas. A evolução das variáveis

macroeconómicas, em especial no actual mundo globalizado e com várias das economias centrais em

crise, agrega um grande componente de aleatoriedade às análises. A isso acrescente-se o

comportamento humano, variável essencial e pouco previsível com as transformações sociais

(principalmente fruto das facilidades de comunicação) por que passa a humanidade neste início de

novo milénio.

Esses aspectos, conjuntamente com a complexidade do PAC, geram, como consequência,

dificuldades na projecção das variáveis económicas de seu interesse. Mais ainda, a trajectória de

longo prazo de algumas dessas variáveis não se deve reproduzir no futuro: o PAC é ele mesmo um

esforço de alterar a tendência histórica do desenvolvimento social e da evolução económica da região

e

do País, resgatando sucessos anteriores e agregando modernidade e eficiência, ou seja, rompendo

o

“status quo”.

Assim, somente se podem neutralizar tais incertezas partindo de premissas conservadoras e

operando com hipóteses de trabalho que, tanto quanto possível, apresentem resultados confiáveis

mesmo que nem todas as expectativas se concretizem. Este é o ponto de partida desta análise:

“desviar o erro” para a segurança na tomada de decisão.

No caso específico de Angola, três componentes contribuem para as dificuldades naturais

desse procedimento, principalmente quando se trata de projectar as variáveis económicas e sociais

necessárias à avaliação da viabilidade macroeconómica e financeira do PAC.

600

O primeiro remete à recente estabilidade política, com a decorrente ruptura de tendências

passadas de desorganização social. A esse período segue-se o esforço, ao longo de não mais de uma

década, de reconstrução do tecido legal, administrativo, económico e social de Angola, ou seja, uma

forte ruptura com a tendência histórica de longo prazo das variáveis sociais e económicas do país. A

consequência imediata é a dificuldade ao utilizar a mais comum das técnicas de projecção – a série

de tempo de longo prazo, onde, a partir da trajectória passada (de longo prazo) de uma dada

variável (por exemplo, o PIB), projecta-se o seu comportamento futuro. O fim das hostilidades e das

incertezas delas decorrentes é por si só uma alteração significativa de qualquer perspectiva de

tendência de longo prazo, o que aliado ao processo de reconstrução do País, torna discutível

tendência de longo prazo, o que aliado ao processo de reconstrução do País, torna discutível a

premissa básica da técnica: a hipótese de que o futuro reproduzirá o passado.

O segundo componente diz respeito à própria disponibilidade de dados que retratem o

passado de forma confiável. Como comentado no Capítulo 1, os dados estatísticos disponíveis são

esparsos e não raras vezes conflituantes, tornando sem sentido a utilização de quaisquer métodos

estatísticos ou econométricos mais sofisticados: qualquer modelo matemático alimentado com dados

frágeis apresenta resultados igualmente pouco confiáveis.

O terceiro e mais preocupante aspecto ligado às previsões ou antevisões de futuro é a forte

dependência do PIB angolano do petróleo. A rubrica “petróleo e refinados” corresponde a quase

metade do PIB e mais de 90% das exportações, o que significa que variações no preço internacional

do óleo – variável de comportamento extremamente volátil e completamente fora do raio de acção do

Executivo de Angola – afectam significativamente as contas nacionais do país.

Dadas as dificuldades de utilização de séries de tempo, procurou-se uma análise utilizando

cross section 6 , tentando encontrar uma associação entre a renda per capita e o consumo per capita

dos produtos de interesse com a utilização dos dados de vários países. Note-se que a principal

limitação dessa técnica é ignorar as diferenças culturais, considerando que o consumo se dá

exclusivamente em função do nível de renda per capita e desconsiderando aspectos exógenos à

renda, como tradições culturais, condições edafo-morfológicas e climatológicas da região, aspectos

conjunturais no momento da colecta dos dados e demais variáveis que, com frequência, são

importantes condicionantes dos usos e gostos das populações.

O outro problema dessa técnica é que, para as projecções, tem-se que projectar

individualmente as duas variáveis exógenas do modelo, ou seja, o PIB e a população, não fugindo,

601

pois, das dificuldades de bases de dados e nas características específicas de Angola já mencionadas

(dependência do preço do petróleo e mudança de trajectória de longo prazo).

Nos tópicos a seguir descrevem-se as alternativas tentadas para estimar o potencial de

demanda e consumo dos produtos a serem produzidos no PAC.

6 Cross section Cruzamento de dados para uma ou mais variáveis estáticas no tempo.

7.3.2. Projecções da Sondotécnica A versão original do PAC de 2006 7 que este documento

7.3.2. Projecções da Sondotécnica

A versão original do PAC de 2006 7 que este documento tem por objectivo actualizar, adoptou a metodologia tradicional, projectando separadamente a procura e a oferta futura de Angola para os produtos de interesse. Nas projecções de consideraram duas cross sections internacionais, seleccionando-as para alguns produtos. Foram, segundo o Relatório da Sondotécnica, dois os modelos utilizados, um considerando 14 países, inclusive Angola, em 2002 e 2003 segundo o seu consumo médio per capita, e o segundo considerou 23 países, também incluindo Angola em 2002 e 2003, derivando daí as elasticidades da renda da demanda por esses produtos.

Em seguida, foi projectada a renda per capita de Angola para o horizonte do planeamento, estimando o consumo médio per capita para os anos da projecção a partir do consumo médio per capita de cada produto, em 2002/3. Essa base de dados permitiu estimar a demanda futura de cada um dos produtos estudados.

As projecções de oferta foram realizadas a partir da regressão linear por série de tempo da oferta desses produtos na década anterior ao estudo, e a comparação das duas séries – oferta e demanda – permitiu a elaboração do balanço alimentar do país. Esse saldo se constituiria, então, no mercado futuro para os produtos do Pólo.

Os resultados obtidos foram os apresentados no Quadro 7.1. a seguir.

7 Cf. SONDOTÉCNICA, op. cit.

602

Quadro 7.1. Angola – Projecções de oferta, demanda e excedente (Sondotécnica) Produtos   Oferta em

Quadro 7.1. Angola – Projecções de oferta, demanda e excedente (Sondotécnica)

Produtos

 

Oferta em Toneladas

   

Demanda em Toneladas

 

Demanda exedente em Toneladas

2003

2010

2015

2020

2003

2010

2015

2020

2003

 

2010

 

2015

 

2020

Milho

545,2

699,0

834,2

969,4

845,2

837,4

958,0

1.095,7

300,0

 

138,4

 

123,8

 

126,2

Mandioca

5.669,3

8.437,0

10.501,6

12.566,3

5.699,3

5.382,1

5.843,7

6.265,8

30,0

-

3.054,9

-

4.658,0

-

6.300,4

Feijão

66,1

71,2

71,9

72,6

66,1

150,7

183,0

223,5

-

 

79,5

 

111,1

 

150,9

Batata-doce

438,5

604,4

755,9

907,3

438,5

389,2

384,8

359,6

-

-

215,2

-

371,1

-

547,7

Batata

27,0

26,2

26,3

26,4

27,0

25,6

27,9

29,9

-

-

0,5

 

1,6

 

3,5

Açúcar

360,0

436,8

484,5

532,3

613,8

657,7

698,7

880,0

253,8

 

220,9

 

214,2

 

347,7

Tomate

13,0

12,0

11,3

10,7

13,0

15,5

20,3

26,7

-

 

3,5

 

9,0

 

16,0

Citrus

78,0

75,6

74,1

72,6

79,0

108,9

126,7

147,8

3,4

 

33,3

 

52,6

 

75,1

Abacaxi

40,0

43,6

46,4

49,2

40,0

78,8

109,9

152,0

-

 

35,1

 

63,5

 

102,8

Arroz

16,0

11,7

8,8

5,9

59,9

89,4

102,2

120,2

43,9

 

77,7

 

93,4

 

114,3

Gergelim

1,7

1,6

1,5

1,4

1,7

1,7

1,8

1,7

-

 

0,1

 

0,3

 

0,3

Óleos vegetais

74,0

79,7

83,6

87,6

160,0

223,3

273,6

342,9

85,9

 

143,6

 

190,0

 

255,3

Óleos de soja

-

-

-

-

81,3

111,8

143,4

184,6

81,2

 

111,8

 

143,4

 

184,6

Óleos de palma

58,3

63,9

67,9

71,9

67,2

77,7

100,0

129,1

9,0

 

13,8

 

32,1

 

57,2

O. o. vegetais

13,5

13,8

14,1

14,3

13,5

33,8

30,3

29,2

-

 

20,0

 

16,2

 

14,9

Carne bovina

85,0

103,2

114,0

124,8

104,6

183,0

240,0

313,6

19,6

 

79,8

 

126,0

 

188,8

Carne de frango

7,7

8,1

8,4

8,7

106,6

177,3

263,2

382,3

98,8

 

169,2

 

254,8

 

373,6

Carne suína

27,9

29,9

30,8

31,8

30,3

53,0

69,3

90,8

2,4

 

2,4

 

38,5

 

59,0

Carne caprina

10,5

14,6

17,1

14,9

10,5

22,6

29,5

38,7

-

 

7,9

 

12,4

 

23,8

Leite

195,0

238,6

265,1

291,5

217,5

501,3

701,5

972,5

22,5

 

262,7

 

436,4

 

681,0

Ovos

4,3

4,5

4,6

4,7

12,4

44,5

56,4

90,2

8,1

 

40,0

 

51,8

 

85,5

Banana

300,0

315,3

321,9

328,5

300,0

421,6

491,9

575,4

-

 

106,3

 

170,0

 

246,9

Amendoim

30,0

34,8

38,2

41,7

30,0

41,0

46,9

53,6

-

 

6,2

 

8,7

 

11,9

FONTE: Sondotécnica, op. cit.

7.3.3. Analises efectuadas – Proje cções de oferta/ actual Para preservar a metodologia anterior, tentou-se

7.3.3. Analises efectuadas – Projecções de oferta/ actual

Para preservar a metodologia anterior, tentou-se realizar cross sections utilizando estatísticas

mais recentes, através dos dados de consumo aparente per capita disponíveis no site da FAO 8 e do

PIB per capita disponíveis no site do FMI 9 . A utilização de dados per capita apresenta a vantagem de

eliminar distorções decorrentes de variações muito grandes oriundas do porte dos países,

neutralizando os efeitos de distorção estatística causada por grandes variações de contingentes

populacionais e renda.

Procedeu-se a vários ensaios, partindo inicialmente de todos os países africanos e americanos

(Américas Central e do Sul) localizados entre os trópicos de Câncer e Capricórnio – ou seja, com

influência cultural africana a partir das migrações dos séculos passados, bem como de condições

climáticas gerais próximas, o que seria um potencial indicador, mesmo que grosseiro, de possibilidade

de produção agro-pecuária e hábitos alimentares similares. A análise considerou um total de 41

países.

O ensaio frustrou-se: para nenhum dos produtos estudados foi obtido R 2 (coeficiente de

correlação) superior a 0,3, ou seja, menos de 30% do consumo per capita do produto era explicado

pela renda per capita do país. Foram ainda realizados vários outros ensaios utilizando a mesma

metodologia, eliminando ora países com renda per capita ou muito maior ou muito menor que a de

Angola, ora países com pequeno contingente de afrodescendentes, todas com igual fracasso.

Apenas como exemplo, apresentam-se a seguir as cross sections elaboradas para o consumo

de arroz e de mandioca para os países considerados. A escolha é bastante representativa por tratar-

se de produtos de consumo fartamente disseminado na maioria dos países da região e de estatísticas

distintas: as de arroz são razoavelmente confiáveis, na medida em que para o seu consumo há que

passar por processamento – donde a captura de informações primárias tendem a ser mais completas,

enquanto as de mandioca são, em vários casos, menos fidedignas, pelo auto-consumo principalmente

entre as populações mais carentes.

604

8 http://faostat.fao.org/default.aspx

9 http://www.fmi.org/

Gráfico 7.2. Exemplo - Cross section para o consumo de arroz Gráfico 7.3. Exemplo -

Gráfico 7.2. Exemplo - Cross section para o consumo de arroz

7.2. Exemplo - Cross section para o consumo de arroz Gráfico 7.3. Exemplo - Cross section

Gráfico 7.3. Exemplo - Cross section para o consumo de mandioca

7.3. Exemplo - Cross section para o consumo de mandioca 605 Note-se que os R 2

605

Note-se que os R 2 de 0,0055 e de 0,0002 sinalizam que, ao contrário do que se esperava encontrar, o consumo não é associado à renda per capita 10 . É ainda de se mencionar que uma alteração de especificação do ajustamento para, por exemplo, uma curva exponencial ou potencial em nada contribuiria para um incremento dos resultados: os R 2 obtidos devem-se a uma quase perfeita aleatoriedade dos valores. Visualiza-se pelo gráfico que não há qualquer correspondência

10 O fator R² ou também chamado Coeficiente de determinação.

entre a renda per capita e o consumo per capita , ou seja, qualquer outra

entre a renda per capita e o consumo per capita, ou seja, qualquer outra especificação de curva

nada agregaria à solução do problema.

Optou-se, então, por abandonar o esforço de projecções individuais dos produtos, passando-

se a trabalhar com 7 grupos de alimentos: cereais, raízes, açúcar e adoçantes, óleos vegetais,

vegetais, frutas e carnes, ou seja, conjuntos de produtos substitutos entre si. A premissa – de uso

frequente em estudos desse tipo – é que, com números mais agregados relativos a produtos que se

substituem em termos de hábitos e/ou benefícios alimentares, erros individuais se compensem

estatisticamente, diminuindo o erro total.

A despeito de pequenas melhorias nos R 2 , os resultados foram igualmente frustrantes, tanto

para o universo dos 41 países quanto para os subconjuntos anteriormente tentados.

Abandonou-se, então, esta linha de análise, passando-se a estudar directamente os dados de

séries temporais disponíveis para Angola, buscando alternativas de relação de causalidade para o

consumo dos vários produtos, com melhor sucesso. Deve-se levar em conta, entretanto, que tal

análise não permitiu a utilização de séries estatísticas na extensão temporal adequada recomendável

– pelo menos duas vezes o período de tempo da projecção desejada – devido à já mencionada

ruptura de tendência histórica verificada na última década.

Note-se que esse procedimento justifica-se mais ainda nas condições específicas de Angola: a

desestruturação dos canais de comercialização, cuja recomposição somente se acelerou

recentemente, levou – como já comentado neste documento – a que as trocas se dessem em grande

parte em pequenas feiras ou mesmo por escambo, práticas que não raras vezes fazem com que a

produção efectiva – ou seja, aquela que incorpora essas pequenas produções – não seja capturada

pelas estatísticas básicas.

606

Trabalhou-se, assim, com os dados da FAOSTAT (op. cit.) numa série dos últimos 10 anos

disponíveis, obtendo-se os resultados exibidos no Quadro 7.2. a seguir. As regressões entre consumo

aparente e população apresentaram, de um modo geral, resultados satisfatórios, à excepção do

grupo “frutas”, conforme visualizado nos Gráficos 7.4. a 7.17. que se seguem.

Outro ensaio tentado limitou-se a examinar a mera série de tempo do consumo aparente,

igualmente conseguindo resultados satisfatórios – excepção, novamente, ao consumo aparente de

frutas, único exercício que apresentou R 2 inferior a 0,80. Os números obtidos são apresentados na

sequência.

Quadro 7.2. Angola – Consumo aparente e produção doméstica de grupos de produtos e população

Quadro 7.2. Angola – Consumo aparente e produção doméstica de grupos de produtos e população

Consumo aparente 1000t

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

2000

1999

1998

Cereais

1.728

1.686

1.372

1.564

1.492

1.347

1.257

1.203

1.169

1.021

Raízes

10.191

10.110

9.593

9.280

7.563

7.140

5.918

4.694

3.345

3.360

Açúcar

295

293

288

285

284

221

185

156

204

172

Óleos vegetais

230

219

201

182

167

146

129

123

117

116

Vegetais

355

388

384

382

335

328

317

306

265

284

Frutas

467

465

465

461

461

470

457

453

431

473

Carne

355

326

303

268

282

258

204

219

189

194

Produção doméstica 1000t

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

2000

1999

1998

Cereais

728

721

868

665

713

715

584

508

539

606

Raízes

10.165

10.088

9.573

9.458

7.705

7.125

5.916

4.684

3.331

3.426

Açúcar

73

68

54

53

55

55

55

53

55

54

Óleos vegetais

77

75

75

71

70

67

66

65

64

68

Vegetais

275

273

273

271

271

271

271

266

241

263

Frutas

450

450

450

450

450

450

451

447

423

461

Carnes

139

139

140

127

139

139

140

140

139

138

POPULAÇÃO

17.555

17.089

16.618

16.135

15.647

15.164

14.704

14.280

13.896

13.547

FONTE: FAOSTAT, op. cit.

Gráfico 7.4. Consumo cereais vrs população Gráfico 7.6. Consumo adoçantes vrs população Gráfico 7.5. Consumo

Gráfico 7.4. Consumo cereais vrs população

Gráfico 7.4. Consumo cereais vrs população Gráfico 7.6. Consumo adoçantes vrs população Gráfico 7.5. Consumo

Gráfico 7.6. Consumo adoçantes vrs população

população Gráfico 7.6. Consumo adoçantes vrs população Gráfico 7.5. Consumo raízes vrs população Gráfico 7.7.

Gráfico 7.5. Consumo raízes vrs população

vrs população Gráfico 7.5. Consumo raízes vrs população Gráfico 7.7. Consumo óleos vegetais vrs população 608

Gráfico 7.7. Consumo óleos vegetais vrs população

vrs população Gráfico 7.5. Consumo raízes vrs população Gráfico 7.7. Consumo óleos vegetais vrs população 608
Gráfico 7.8. Consumo vegetais vrs população Gráfico 7.9. Consumo frutas vrs população Gráfico 7.10. Consumo

Gráfico 7.8. Consumo vegetais vrs população

Gráfico 7.8. Consumo vegetais vrs população Gráfico 7.9. Consumo frutas vrs população Gráfico 7.10. Consumo carne

Gráfico 7.9. Consumo frutas vrs população

vegetais vrs população Gráfico 7.9. Consumo frutas vrs população Gráfico 7.10. Consumo carne vrs população 609

Gráfico 7.10. Consumo carne vrs população

vegetais vrs população Gráfico 7.9. Consumo frutas vrs população Gráfico 7.10. Consumo carne vrs população 609
Gráfico 7.11. Consumo aparente cereais / anos Gráfico 7.13. Consumo aparente açúcar / anos Gráfico

Gráfico 7.11. Consumo aparente cereais / anos

Gráfico 7.11. Consumo aparente cereais / anos Gráfico 7.13. Consumo aparente açúcar / anos Gráfico 7.12.

Gráfico 7.13. Consumo aparente açúcar / anos

/ anos Gráfico 7.13. Consumo aparente açúcar / anos Gráfico 7.12. Consumo aparente raízes / anos

Gráfico 7.12. Consumo aparente raízes / anos

açúcar / anos Gráfico 7.12. Consumo aparente raízes / anos Gráfico 7.14. Consumo aparente óleos vegetais

Gráfico 7.14. Consumo aparente óleos vegetais / anos

açúcar / anos Gráfico 7.12. Consumo aparente raízes / anos Gráfico 7.14. Consumo aparente óleos vegetais
Gráfico 7.15. Consumo aparente vegetais / anos Gráfico 7.16. Consumo aparente carne / anos Gráfico

Gráfico 7.15. Consumo aparente vegetais / anos

Gráfico 7.15. Consumo aparente vegetais / anos Gráfico 7.16. Consumo aparente carne / anos Gráfico 7.17.

Gráfico 7.16. Consumo aparente carne / anos

aparente vegetais / anos Gráfico 7.16. Consumo aparente carne / anos Gráfico 7.17. Consumo aparente frutas

Gráfico 7.17. Consumo aparente frutas / anos

aparente vegetais / anos Gráfico 7.16. Consumo aparente carne / anos Gráfico 7.17. Consumo aparente frutas
Ainda outra possibilidade seria utilizar os dado s do site FAO Countrystat, apresentados nos Quadros

Ainda outra possibilidade seria utilizar os dados do site FAO Countrystat, apresentados nos Quadros 1.11. e 1.12. do Capítulo 1. O inconveniente daquela fonte é a não disponibilidade tanto de vários produtos de interesse quanto de séries decenais completas, o que prejudica significativamente o tratamento matemático envolvido nas regressões. Alguns dados, entretanto, são de interesse dessa análise, tais como o milho, mandioca e tubérculos (batatas-rena e doce), cujas regressões individuais são apresentadas na sequência.

Gráfico 7.18. Produção agrícola – produtos seleccionados

7.18. Produção agrícola – produtos seleccionados 612 Note-se que, à excepção do exercício elaborado para
7.18. Produção agrícola – produtos seleccionados 612 Note-se que, à excepção do exercício elaborado para
7.18. Produção agrícola – produtos seleccionados 612 Note-se que, à excepção do exercício elaborado para

612

Note-se que, à excepção do exercício elaborado para tubérculos, os resultados são bem inferiores aos da outra simulação.

7.3.4. Projecções de consumo interno de alimentos Dada a similaridade dos resultados das regressões elaboradas,

7.3.4. Projecções de consumo interno de alimentos

Dada a similaridade dos resultados das regressões elaboradas, bem como a frustração dos

resultados alcançados a partir de outras metodologias, elegeu-se para as projecções de produção

deste Master Plan (Plano Director) a simples série de tempo. Por outro lado, dadas as dificuldades

estatísticas encontradas nas produções individuais, optou-se pela adopção das taxas de crescimento

por categorias de produtos, melhores resultados das regressões apresentadas no tópico anterior.

Já para o consumo aparente, tendo em vista as dificuldades de projectar as variáveis

independentes da regressão que associava o consumo aparente à população, renda, elasticidade-

renda, etc. em função das imprecisões dos dados mais recentes e das oscilações da economia

mundial nos últimos anos – inclusivamente do preço do petróleo – admitiu-se como válidas as taxas

encontradas pela versão anterior do Master Plan (Plano Director), elaboradas a partir de dados

prévios a estes fenómenos.

Cabe aqui uma observação de ordem prática. Observa-se, a olho nu, que a produção esperada

do Pólo Agro-industrial de Capanda contribui, de forma significativa, para a segurança alimentar de

Angola, para o processo de substituição da importação de alimentos e os outros aspectos económicos

e sociais anteriormente mencionados, porém per se, não é a solução global do problema: constitui-

se, sim, em mais um componente da constelação de providências tomadas pelo Executivo para

equacionar o tema.

Assim sendo, as projecções da produção e do consumo dos produtos objecto de análise

servem apenas como referência, no sentido de demonstrar que, independentemente da imprecisão

das suas projecções, existe espaço pleno de mercado para os seus excedentes. Igualmente, o

impacto do PAC em aspectos sociais, como na segurança alimentar, na melhoria da dieta da

população, no balanço de pagamentos entre outros serve como importante indicativo da

oportunidade da implantação do empreendimento, a despeito das imprecisões salientadas.

613

Isso posto, fez-se a comparação entre as taxas de crescimento encontradas no PDPAC 11 com

aquelas obtidas nos exercícios acima. Os resultados são apresentados nos Quadros 7.3. e 7.4. a

seguir.

11 MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E DO DESENVOLVIMENTO RURAL - MINADER: Plano de Desenvolvimento do Pólo Agro-industrial de Capanda - PDPAC. Odebrecht/Minader, 2006.

Quadro 7.3. Angola – Taxas de crescimento da produção, produtos seleccionados     Taxas de

Quadro 7.3. Angola – Taxas de crescimento da produção, produtos seleccionados

   

Taxas de Crescimento Anual (% a.a.)

 

Produtos

 

MASTER PLAN

 

MASTER PLAN

 

Versão actual

Versão anterior

1998-2003

2003-2007

1998-2007

2003-2010

2010-2015

2015-2020

2003-2020

Cereais

3,31

0,52

2,06

3,44

3,46

2,95

3,30

Raízes

17,60

7,17

12,84

5,67

4,39

3,73

4,72

Açúcar

0,37

7,33

3,41

2,81

2,11

1,87

2,32

Óleos Vegetais

0,58

2,41

1,39

1,12

0,98

0,93

1,02

Vegetais

0,60

0,37

0,50

-1,14

-1,73

0,00

-0,98

Frutas

-0,48

0,00

0,00

0,57

0,32

0,36

0,43

Carnes

0,14

0,00

0,08

2,53

1,73

1,15

1,89

FONTE: Elaboração CAMPO.

Quadro 7.4. Angola – Taxas de crescimento do consumo aparente, produtos seleccionados

   

Taxas de Crescimento Anual (% a.a.)

 
 

MASTER PLAN

 

MASTER PLAN

 

PRODUTOS

Versão actual

Versão anterior

1998-2003

2003-2007

1998-2007

2003-2010

2010-2015

2015-2020

2003-2020

Cereais

7,88

3,74

6,02

0,34

2,74

2,78

1,76

Raízes

17,62

7,74

13,12

-0,88

1,54

1,24

0,45

Açúcar

10,55

0,95

6,18

0,99

1,22

4,71

2,14

Óleos Vegetais

7,56

8,33

7,90

4,84

4,12

4,63

4,57

Vegetais

3,36

1,46

2,51

11,19

4,11

4,25

7,01

Frutas

-0,51

0,32

-0,14

5,51

3,63

3,72

4,43

Carnes

7,77

5,92

6,94

8,21

6,67

6,53

7,26

FONTE: Elaboração CAMPO.

Como se observa dos Quadros 7.3. e 7.4. acima, as taxas obtidas pelas duas metodologias

divergem significativamente, não só pela diferença de procedimentos adoptados como também pelos

períodos de base considerados nas projecções. Outros aspectos, tais como fontes de informação e

grau de agregação dos produtos podem ainda ser causas acessórias das divergências verificadas.

614

Apenas como exemplificação da diversidade de dados, tomem-se os quantitativos de produção

referentes a 2003. Nesse ano, a produção angolana de milho, segundo a FAO e apresentada no

Quadro 1.12. do Capítulo 1, seria de 618,7 mil toneladas, enquanto no trabalho da Sondotécnica o

número disponível é de 545,2 mil. Outro exemplo é o arroz, que pela Sondotécnica teria uma

produção de 16,0 mil toneladas, enquanto segundo a FAO esse dado seria de 6,9. Ainda no tema, a

produção de batata-doce, em 2003, teria sido de 543,3 toneladas segundo a FAO e de 438,5 segundo

a Sondotécnica, diferenças todas superiores a 15%. Note-se que essas diferenças potencializam-se

quando da elaboração das projecções, que se constituem em progressões geométricas – ou seja, as

diferenças também crescem a taxas geométricas.

No que diz respeito às fontes de dados utiliz adas, uma consideração é importante: durante

No que diz respeito às fontes de dados utilizadas, uma consideração é importante: durante as entrevistas realizadas junto a autoridades do Executivo de Angola para a elaboração deste Master Plan (Plano Director) foi recomendado aos consultores, pelos representantes do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas 12 , a utilização dos dados da FAO, pois os mesmos são actualizados e alimentados periodicamente pelo próprio Ministério.

Dado o forte grau de imprecisão em relação ao comportamento da produção decorrente da série de análises desenvolvidas, onde os dados são por vezes conflituantes e os resultados de fiabilidade apenas relativa, optou-se por uma solução “ad hoc.

Para a produção, adoptou-se, como procedimento básico, a projecção de cada produto para o período 2003-2020 pela taxa de crescimento observada pela tipificação do produto (grupos de produtos), partindo-se, entretanto, da produção apontada para 2010 pela FAO Countrystat, Quadro 1.11. para a produção agrícola, e Quadro.1.15. para a evolução do rebanho, (ambos do Capítulo 1).

As estatísticas de produção de carne apresentam taxas de crescimento que podem ser consideradas incompatíveis com as taxas de crescimento dos respectivos rebanhos, como pode ser visualizado no Quadro 7.5. a seguir.

Quadro 7.5. Angola – Rebanho animal e produção de carne em 2010: taxas de crescimento anual 2005 – 2010

Discirminação Bovinos Caprinos Ovinos Suínos Galináceos Taxas de Crescimento Anual do Rebanho 1,30% 1,70% 1,70%

Discirminação

Bovinos

Caprinos

Ovinos

Suínos

Galináceos

Taxas de Crescimento Anual

Taxas de Crescimento Anual

do Rebanho