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Sociologia Geral

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Campus Poços de Caldas

Curso de Direito – Segundo Período

Sociologia Jurídica

Professor: Alexandre Dantas

Aluno: Moisés Pinho

Sociologia Geral
Sociologia é uma ciência que lida com as sociedades humanas e os
relacionamentos entre os indivíduos em sociedades na suas
associações, grupos e instituições. A Sociologia estuda os fenômenos
que ocorrem quando vários indivíduos se encontram em grupos de
tamanhos diversos, e interagem no interior desses grupos.
Na Idade Antiga, a Família tinha certas características, tais como a
patriarcal extensa, que era um grupo que produzia para si, em busca
de sua própria sobrevivência. A Idade Média é marcada pela divisão
do poder entre o clero e a nobreza. As regras de convívio social eram
estabelecidas em nome de Deus. Na Idade Moderna, o indivíduo sai
da família para produzir nas fábricas. A partir do século XVII, com o
surgimento dos racionalistas, começa a valorização do uso da razão,
passando pelo século XVIII, com o Iluminismo, que culminou na
Revolução Francesa na França e na Revolução Industrial na
Inglaterra. Com a repentina mudança da forma de produção,
passando do campo para a fábrica, passando da produção de
subsistência para a produção em larga escala, a Revolução Industrial
promoveu profundas modificações e inovações nas relações e nas
condições de existência humana. Todas essas situações radicalmente
novas, advindas do modelo capitalista de produção, trouxeram
consigo uma série de problemas nas sociedades. A partir dos
acontecimentos provocados por essas revoluções, surge a Sociologia,
ciência que estuda as mudanças no comportamento do Homem na
sociedade. O estudo científico dos fatos humanos começou a se
formar em meados do século XIX, quando se iniciou o vitorioso
método das ciências naturais. Enquanto que o conhecimento dos
fenômenos naturais é um conhecimento de algo externo ao próprio
homem, as ciências sociais procuram conhecer a própria experiência
humana.
Em uma escola, em um partido político ou em um movimento de
greve, por exemplo, podemos observar, comum a todos eles, a
interação entre indivíduos. Os indivíduos interagem entre si devido à
necessidade básica reunir elementos que garantam sua

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sobrevivência. A relação social conduz a processos sociais, nos quais
temos grupos que produzem forças unificadoras e grupos que
produzem forças divisoras, que com isso equilibram as forças
existentes nas relações sociais.
Um processo social básico é o de cooperação, onde temos indivíduos
com funções idênticas. Nesse tipo de processo social temos também
o trabalho associado e o labor suplementar. A competição é uma
forma fundamental de luta social. Temos a competição pura e simples
e a competição personalizada. Nesta última, cria-se uma rivalidade
que poderá chegar ao grau de hostilidade. Nossa sociedade moderna
é caracterizada pela competitividade, em que os indivíduos, para
obterem o sucesso, procuram chegar ao posto mais elevado possível
do seu ramo profissional, que lhe garantirá recursos financeiros
necessários para a obtenção de status social, tudo dentro do modelo
capitalista do sucesso, implantado por meio da globalização e do
neoliberalismo.
No modelo atual da nossa sociedade, os indivíduos estão em
constante competição. Essa situação geral tensão entre os indivíduos
e conseqüentemente conflito. Esses são fatores que acentuam a
formação de classes abertas, a busca pelo status e sua manutenção,
além da necessidade da busca pela democracia. O conflito tem a
característica de se ajustar, dando-lhe caráter de ser intermitente, o
que quer dizer que ele se inicia e certamente terá um final. O que faz
com que um conflito termine são:
• A variação do nível de força dos conflitantes;
• O peso da consciência dos conflitantes; e
• A necessidade e a busca pela paz.
Outra característica do conflito é a acomodação, porém com a
possibilidade de vir à tona novamente. Isso reflete o caráter dinâmico
da interação social. As formas de acomodação do conflito são várias.
Um conflito pode terminar, ser tido como acabado, quando um dos
antagonistas vence o outro de forma definitivamente, sob duas
formas, pelo ajustamento ou pelo aniquilamento.
A assimilação é o processo através do qual diferentes grupos tornam-
se similares, mudando sua identidade, através da aculturação, da
adoção de criança ou da conversão religiosa.
A relação social ocorre quando indivíduos ou grupos de indivíduos
têm expectativas recíprocas, no que se refere ao comportamento uns
dos outros, de modo que ajam de maneira padronizada. Relação
social consiste, também, em um padrão de interação humana, sendo
que há pequenas variações motivadas pela cultura. A cultura é
importante por que ela oferece conhecimento para o homem
controlar o mundo do qual faz parte. Também, ao mesmo tempo em
que o homem incorpora a cultura, ele automaticamente passa para os
outros indivíduos de sua comunidade essa cultura, que é passada de
geração a geração.

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A partir do momento em que um indivíduo torna-se dependente de
outros indivíduos, ele terá que se relacionar com os demais, numa
interação social, num constante processo de socialização, que
proporciona a inserção do indivíduo dentro da sociedade, na qual ele
terá que se submeter às regras e aos valores dessa sua nova
sociedade.
Regras Sociais
• Folkways: prática convencional aceita como apropriada em
relação a qual não se insiste;
• Mores: são normas moralmente sancionadas com vigor,
consideradas essenciais ao bem estar da sociedade.
No processo de socialização do indivíduo, as instituições sociais têm
um papel fundamental. As principais instituições são a família, a
escola, a religião, o Estado. Há indivíduos que não se socializam.
Então, a sociedade reage através do controle social, formalmente
praticado pelo Estado, e coloca esse indivíduo à margem da
sociedade.
Módulo 01 – Escolas Jurídicas
Escola jurídica se configura em um conjunto de autores, pensadores,
os quais, a partir de interpretações singulares, vão procurar
responder três questões principais:
• 1ª questão: O que é Direito?
• 2ª questão: Como funciona o Direito?
• 3ª questão: Como deve ser estruturado o Direito?
Existem dois grandes grupos dentro das escolas jurídicas, as escolas
moralistas e as escolas juspositivistas. As escolas moralistas se
dividem em Jusnaturalismo Grego, Escola Medieval Teologia e Escola
do Direito Natural Racional.
Jusnaturalismo Grego
Os gregos foram os primeiros principais desenvolvedores do
pensamento filosófico e político, tornando-se os grandes filósofos do
Direito, apesar de não praticarem a escrita do Direito. A prática da
democracia que garantia a manutenção do Direito.
Os filósofos gregos analisavam o mundo, a sociedade e sua
organização política, e desenvolveram várias linhas filosóficas de
pensamento do jusnaturalismo grego, cujo a base comum é a
natureza organizada, chamada de Fysis, que funciona de forma
organizada, estabelecendo uma ordem, regras de direito natural, que
apesar de não estarem escritas, elas existem e sob a quais todos os
seres se submetem. Dessa forma, o Direito Natural é o conjunto de
normas invariáveis, que vão atuar independentemente da vontade
dos indivíduos.
O Direito Natural possui duas características principais. Ele é anterior
à criação das instituições políticas, que são criadas pelos homens e é

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superior ao Direito escrito. Um exemplo é a explicação dos filósofos
gregos, que justificavam juridicamente a posição inferior da mulher
em relação ao homem na sociedade antiga. Para eles, a questão física
era o fundamento para que a mulher não pudesse exercer todos os
direitos exercidos pelos homens. Uma vez que a mulher era
considerada fisicamente inferior ao homem, e isso é uma condição
natural, e conseqüentemente não conseguiriam exercer algumas
atividades ou tarefas sociais que os homens exercem, também elas
eram desprovidas de direitos que somente aos homens eram
permitidos. Essa natural incapacidade da mulher irá justificar, então,
uma série de restrições dos direitos da mulher na sociedade antiga,
fazendo a mulher ser obrigada a se submeter ao controle do homem.
Portanto, o que acontece na vida jurídica é reflexo da posição natural
das coisas.
Direito natural, portanto, configura-se em um conjunto de princípios e
idéias considerados superiores, imutáveis, estáveis e permanentes,
possuindo uma autoridade que vem da natureza.
Escola Medieval Teológica
Essa idéia do Direito Natural vai adentrar na Idade Média, fazendo
com que a Escola Medieval Teológica considere que o Direito Natural
seja superior, estável e imutável, e que a diferença entre essas
escolas está na fonte do Direito. Enquanto que na Escola
Jusnaturalista Grega a fonte do Direito está na Natureza, na Escola
Medieval Teológica, a fonte é divina, está em Deus, o Direito Natural
é um produto, um resultado da decisão divina.
Escola do Direito Natural Racional
Com a Escola do Direito Natural Racional, pela primeira vez, o Direito
vai ser baseado na razão. Do século XVI ao XVIII, temos a valorização
da razão humana, a capacidade de pensar, ponderar, refletir sobre as
regras. Entre os principais pensadores dessa escola, temos Kant, que
desenvolveu todas sua idéias baseadas no Iluminismo, que foi um
movimento político e intelectual, uma revolução intelectual ocorrida
basicamente durante o século XVIII, na Europa, particularmente na
Inglaterra, na Holanda e na França, quando se deu a separação da
religião da razão, e que a partir daí o homem modificou seu modo de
agir, de ser e de pensar, e sua grande preocupação foi descobrir o
funcionamento de todas as coisas, tendo como fundamento e
instrumento a razão.
Para o Iluminismo, o Direito se caracterizava na liberdade do
indivíduo, que só poderia ser justificado se permitisse a realização do
bem comum entre as pessoas. A partir dessas idéias, Kant
desenvolveu suas idéias, pois para ele o Direito deve garantir a
liberdade dos indivíduos; o Direito deve ser composto por normas
gerais. Temos, então, um viés inovador para o modelo do Direito,
porém, ainda as escolas são consideradas moralistas, pois existe uma
manutenção das idéias do discurso grego, em que a definição do
Direito passa pela idéia de que a razão tem como base as raízes

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naturais, em que a razão é baseada na natureza. O rompimento
definitivo da razão com a natureza vai se dar com as Escolas
Positivistas.
Escolas Positivistas do Direito
O Direito é um sistema de normas que regula o comportamento
social, influenciando as ações dos indivíduos. O Direito seria um
instrumento para a ação de governar. Por de traz do Governo existe
uma vontade política, que constitui na fonte do Direito.
Nessas escolas, temos os teóricos positivistas que centram suas
idéias na legislação e os teóricos positivistas que centram suas idéias
na aplicação.
Para Thomas Hobbes, o estado natural do homem é um estado de
guerra, em que o homem é levado a um processo destrutivo. Para se
evitar que se chegue a esse estado, necessário se faz criar leis,
direito positivo, que deve ser firmado no “Contrato Social”. Segundo
ele, no Contrato Social, os indivíduos devem abandonar suas armas,
entregar seus direitos a uma autoridade central, que terá o poder
absoluto, tomará decisões em nome de todos, irá impor uma ordem
com o objetivo de pacificar. Aqui, observamos que o Direito Positivo
se sobrepõem ao Direito Natural.
Jean-Jacques Rousseau foi um dos mais considerados pensadores
europeus no século XVIII. Ele nasceu em Genebra, na Suíça, em 28 de
junho de 1712, e faleceu em Ermenonville, nordeste de Paris, França,
em 2 de julho de 1778. Foi filho de Isaac Rousseau, relojoeiro de
profissão.
Para Rousseau, o homem é naturalmente bom, porém a civilização é
a responsável pelos desvios morais do homem. O progresso e a
civilização é que transformam o indivíduo bom em um indivíduo mau.
Para ele, a corrupção se inicia com o direito da propriedade. Para se
evitar que o homem se torne um indivíduo mau para sua própria
espécie, deve-se realizar um Contrato Social, diferente, em alguns
aspectos do Contrato Social de Thomas Hobbes, pois Rousseau é um
autor mais democrático, e assim, para ele, o Direito deve emanar do
povo e não se originar de um líder dominante. Com isso, a lei é uma
declaração pública da vontade do povo.
Hans Kelsen, jurista filósofo, de origem austríaca, no início do século
XX, através de sua obra ‘Teoria pura do direito', apresentou uma nova
concepção de ciência jurídica, segundo a qual o Direito faria um corte
epistemológico relativamente à moral e qualquer outra disciplina,
visando torná-lo num saber objetivo e exato e alcançar a pureza do
Direito. Kelsen desconsiderava qualquer questão sobre as forças
sociais que criam o Direito. A partir daí, ele se consolidou no expoente
maior da corrente filosófica denominada de Positivismo Jurídico. Para
os adeptos do Positivismo Jurídico, existem apenas as normas, ou
seja, o Direito se configura no conjunto das normas em vigor.
Também, para Kelsen, a análise das normas de Direito deve ser feita
sem a interferência de outras ciências, pois existem valores internos

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no discurso do Direito, os quais não podem ser substituídos por outras
ciências. Temos, assim, uma concepção puramente jurídica do
Direito. Embora seja essa a defesa de Kelsen, ele não nega que
existem classes sociais que estão em constantes conflitos sociais,
porém para ele, esses são estudos que não são temas do Direito,
então, não cabe ao jurista estudar o comportamento do homem.
Teorias Positivistas Centradas na Aplicação do Direito
Para os teóricos positivistas, o que vale mais é o processo de
interpretação do direito, e essa interpretação cabem aos tribunais e à
Administração Pública fazê-la. Esses teóricos elaboraram uma análise
antiformalista do Direito, pois eles consideram que os teóricos da
aplicação cometeram um erro básico e significativo, que é o de
centralizar o pensamento na aplicação pura e simples do Direito.
Jurisprudência dos Interesses
O termo Jurisprudência dos Interesses é uma expressão inventada na
Alemanha por Philipp Heck (1858-1943). Junto com o Direito Livre,
concepção teleológica e pragmática do Direito, que quer dizer
ordenamento e garantia dos interesses dos membros da sociedade,
contrapõe à jurisprudência dos conceitos, expressão pejorativa e
também criada por Heck. Jurisprudência dos Interesses é um método
para a interpretação e aplicação do direito.
Heck é um positivista filosófico, que se opõe ao positivismo jurídico.
Para o positivismo filosófico interessam os fatos positivos e históricos,
não os valores de ordem metafísica. Em um caso jurídico, em que
existam conflitos de interesses, a decisão deve ser baseada na
ponderação dos interesses. A lei deve ser obedecida, porém, essa
obediência deverá ser de forma inteligente, levando em consideração
a situação social dos conflitantes, no momento da decisão. Temos,
então, uma escolha de caráter sociológico.
Realismo Jurídico
Essa linha de pensamento começa a se desenvolver no final do século
XIX, nos Estados Unidos da América e na Escandinava. Seus
pensadores são bem mais radicais que os anteriores, pois para eles
as normas não têm muita relevância, pois eles têm como pressuposto
que não é possível aplicar o Direito da forma como ele está previsto
na lei. O modo de aplicação da norma é que é efetivamente
importante, considerando cada momento social. O importante é o
Direito em ação. Temos, portanto, uma corrente realista, que se
preocupa com a realidade social, em contraposição aos que aplicam o
direito tão somente. Para eles os tribunais detêm o direito.
Escolas Positivistas de Caráter Sociológico
Os adeptos dessas escolas procuram responder questões de extrema
importância, que são: quem cria o Direito e por quê; por que uma
norma é aplicada ou deixa de ser; e qual é a relação entre o direito e
a realidade.

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Dentre essas escolas temos três mais importantes:
• Escola Histórica do Direito;
• Escola Marxista;
• Durkheim.
Escola Histórica do Direito
A Escola Histórica do Direito vai surgir no século XIX, na Alemanha.
Seus doutrinadores consideram que a evolução histórica da sociedade
é marcada pela presença de um espírito particular, denominado
Volksgeist, que quer dizer o espírito do povo, que vai determinar toda
e qualquer manifestação de uma ação, inclusive a origem do sistema
jurídico. O Direito é entendido com o um produto histórico relacionado
com a idéia de nacionalidade, ou seja, existem particularidades,
especificidades que são a fonte do Direito. As tradições populares são
a fonte do Direito.
Escola Marxista
A Escola Marxista é uma escola em que a existência do Direito
pressupõe a existência do Estado. O Direito só vai existir com a
existência do Estado. Karl Marx considera que o Direito na sociedade
capitalista estabelece normas universais para sujeitos desiguais, o
mesmo direito vale tanto para os detentores dos meios de produção
quanto para o proletariado. Esse direito é criado para que se perpetue
a dominação dos detentores do poder econômico.
Durkheim

Émile Durkheim é um dos principais precursores da sociologia. Suas


idéias são de grande importância para a compreensão da realidade
moderna do mundo social. Durkheim foi um destaque ao dar à
sociologia um método de investigação apropriado e inequívoco. A
sociologia de Durkheim tornou-se uma disciplina independente,
caracterizada por seu forte rigor científico e metodológico.

Sociólogo francês, nascido no século XIX, considerado o precursor da


Sociologia Jurídica. Para ele, direito é um fenômeno social. Na
sociedade humana é que o Direito surge e se desenvolve. Nela é que
temos uma estrutura de relações sociais. Durkheim parte do princípio
de que os fatos sociais são coisas, e toma a sociedade como um
organismo, com vida própria, não dependente dos indivíduos que a
constitui, mas dos fatos sociais acontecidos nela. Ele ainda tem como
fato social toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer
sobre o indivíduo uma coerção exterior (Durkheim, 1999-a, pp. 13,
105, 124).
Dessa forma, temos o direito como fato social, que impõe aos
indivíduos comportamentos que garantem uma coesão social. A
estrutura da sociedade é caracterizada por relações recíprocas
denominadas de solidariedade. O Direito, como regulador de ações,
garante a existência de uma consciência coletiva, que trará

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estabilidade social. Para Durkheim existem dois tipos de
solidariedade, uma chamada de mecânica outra chamada de
orgânica. A solidariedade mecânica ou por semelhança é encontrada
nas sociedades antigas, nas quais uma autoridade impõe as regras e
o indivíduo tem o dever de cumpri-las, caso contrário, sofrerá
sanções. Os valores dessas regras vêm das tradições e da religião,
baseadas na uniformidade dos comportamentos. A solidariedade
orgânica ou por dessemelhança é criada a partir da necessidade dos
indivíduos de se encaixar no processo de desenvolvimento social,
organizado de determinada forma que o indivíduo se dará bem nela
somente se atuar conforme regras nela pré-estabelecidas.
Módulo 2 – Abordagem Sociológica do Sistema Jurídico
Émile Durkheim e Max Weber são os principais teóricos da sociologia,
juntamente com Karl Marx, que no final do século XIX começaram a
realizar estudos do Direito. Com eles, o Direito foi colocado ao lado
das outras ciências sociais. A contribuição deles para o
desenvolvimento da Sociologia Jurídica é bastante importante, que
sem eles essa ciência não vingaria como vingou e é hoje. A Sociologia
Jurídica surgiu como uma disciplina específica no início do século XX,
quando passou a analisar os fenômenos jurídicos, a partir dos
métodos da sociologia geral.
A primeira obra que teve como nome Sociologia Jurídica foi do
sociólogo italiano Carlo Nardi-Grego, em 1907. Já em 1913, temos a
segunda obra importante em Sociologia Jurídica, que se trata da obra
‘Fundamentos da Sociologia do Direito’, de autoria do alemão Enrlich.
A partir disso, a Sociologia Jurídica passou a ser uma ciência própria,
quando os estudos referentes à Sociologia Jurídica têm o Direito como
um Fato Social, como uma realidade encontrada na sociedade.
A criação, evolução e a aplicação do Direito somente poderão ser
explicadas a partir da análise dos fatores sociais. Existem duas
abordagens da Sociologia Jurídica, que são a Sociologia do Direito e a
Sociologia no Direito.
A primeira, Sociologia do Direito, também chamada de Abordagem
Positivista, opta por fazer uma abordagem procedente de um estudo
sociológico, colocando-se em uma perspectiva externa em relação ao
sistema jurídico. Essa abordagem, também, considera que a
Sociologia do Direito é um ramo da Sociologia Geral e que por isso a
Sociologia Jurídica faz parte das ciências sociais. Contudo, temos uma
questão importante a resolver, que vai diferenciar da abordagem
seguinte. O direito deve utilizar-se do seu método tradicional, que lhe
oferece uma posição autônoma em relação às outras ciências.
Kelsen busca a pureza da Ciência Jurídica. Para essa corrente, a
Sociologia Jurídica ao poder ter uma participação ativa dentro do
direito, pode estudar ou criticar o Direito, porém não pode ser parte
integrando dele, não poderá interferir na aplicação do Direito. Dessa
forma, a postura do cientista da Sociologia do Direito será a de um
observador neutro do Sistema Jurídico. Ele recorre ao Direito para

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tirar algum proveito, mas não interferirá na formação do Direito. Para
os positivistas, o juiz deve ser neutro na aplicação da lei. Se for
admitida a contribuição de outras ciências para a aplicação do Direito,
vai existir a interferência na aplicação desse direito.
A segunda abordagem é a da Sociologia no Direito, que também é
chamada de Abordagem Evolucionista, na qual temos uma
perspectiva interna ao Sistema Jurídico, devendo a Sociologia Jurídica
interferir na criação, na evolução e na aplicação do Direito. Não existe
uma ciência jurídica autônoma, por que o Direito emprega os
métodos das ciências sociais. Nessa perspectiva, a postura de
neutralidade do juiz é colocada em dúvida, devendo o juiz aplicar a
lei, apegando-se aos juízos de valor, aos costumes e à sua própria
visão de mundo. O magistrado não pode aplicar a lei de forma pura e
simples, deve ponderar de acordo com a realidade da sociedade atual
em que vive.
A Sociologia Jurídica se define como ciência que examina a influência
dos fatores sociais sobre o Direito e as incidências dele na sociedade,
ou seja, os elementos de interdependência entre o social e o jurídico,
realizando uma leitura externa do Sistema Jurídico. A partir dessa
definição, temos que a Sociologia Jurídica examina as causas sociais e
os efeitos sociais dessa norma, sendo que o objeto central de estudo
da Sociologia Jurídica é a realidade jurídica. Ao analisar essa realidade
jurídica, a Sociologia Jurídica vai buscar responder a duas questões
principais:
• Por que se cria uma norma ou um sistema jurídico, e
• Quais são as conseqüências do Direito para a vida social.
A partir da definição acima, o jurista sociólogo observa o Direito de
fora, fazendo uma leitura externa e buscando analisar as relações
entre o Direito e a sociedade, o que quer dizer que o sociólogo jurista
abandona a ótica do jurista e vai se colocar em uma perspectiva
social, política, econômica, filosófica, etc, para se ter uma análise
mais adequada do quadro social jurídico em estudo.
O Direito sempre vai nascer no meio social. Ele é criado, interpretado
e aplicado pelos membros e uma sociedade. Esse Direito tem como
objetivo controlar o comportamento dos indivíduos. O Direito,
portanto, é parte e produto do meio social.
Módulo 3 – A Função da Sociologia Jurídica e Eficácia do
Direito
Diante de uma situação em que haja o cometimento de um crime, o
sociólogo jurista procura fazer uma pesquisa para constatar qual é o
limite da aplicação do artigo que define como crime o ato praticado e
qual a pena a ser aplicada, e também irá fazer uma análise da
relação do Direito com a evolução da sociedade, não podendo ele
expressar juízos de valor, e ainda terá função de compreender o
comportamento do legislador, do autor da lei e também do cidadão,
praticando, assim, a Sociologia Compreensiva de Max Weber.

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De acordo com a Filosofia do Direito, os sociólogos do Direito afirmam
que o Direito tem três dimensões, a saber, a Justiça, a Validade e a
Eficácia, sendo que a Justiça interessa aos filósofos do Direito, que
examinam as relações existentes entre o Direito e a Moral. A Validade
interessa ao intérprete do Direito, ao qual cabe procurar analisar e
identificar as normas. A Eficácia é que vai interessar ao jurista
sociólogo, que ira procurar examinar a realidade social do Direito.
Como a Sociologia Jurídica considera o Direito como Fato Social, a
visão de Direito do sociólogo do Direito diferencia da visão do filósofo.
Apenas a Sociologia Jurídica é que vai examinar a eficácia do Direito,
de forma criteriosa e cuidadosa.
Sobre as leis sobre família, que se encontram no código civil, o
dogmático intérprete vai procurar mostrar quais as condições para se
contrair matrimônio segundo o Código Civil. Já o filósofo do Direito irá
examinar as conseqüências morais do matrimônio, e o sociólogo
jurista analisará o impacto social das normas referentes ao
casamento.
Efeitos Sociais, Eficácia e Adequação Interna das Normas
Como sabemos, a partir de que uma norma é criada, ela gera uma
repercussão na sociedade, que poderá ser analisada sobre as três
formas acima, que são os efeitos sociais, a eficácia e a adequação
interna das normas.
Uma norma será eficaz se a população respeitar a norma e uma vez
não respeitando, o Estado punir quem a desrespeitar. A primeira
situação se configura na eficácia do preceito, e a segunda na eficácia
da sanção. Se uma norma é respeitada por 80 % dos indivíduos
espontaneamente e o Estado identifica em sua totalidade os 20% que
a desrespeitaram e os pune, essa norma é 100% eficaz.
Geiger, alemão, criou a chamada quota de eficácia, que implica a
relação entre a eficácia e a ineficácia da norma. Por exemplo, se uma
norma é desrespeita por 50% dos indivíduos de uma sociedade, e
dentre esses 40% são identificados e punidos, o que quer dizer 20%
do total, teremos, assim, uma norma 70% eficaz. A quota da eficácia
indica a distância entre o Direito escrito e o Direito em ação.
Adequação Interna da Norma
Adequação interna da norma é a capacidade da norma de atingir a
finalidade social proposta pelo legislador. Uma norma pode estar
sendo cumprida sem atingir sua finalidade social. O efeito social da
norma diz respeito à reação da sociedade de formas diversas, tais
como organizando debates, e outras formas de reunir a população
para discutir a norma e seus efeitos. A eficácia diz respeito ao grau de
cumprimento, à adequação interna da norma.
Fatores de Eficácia ou Ineficácia da Norma
Temos conjuntos de fatores que irão controlar para a menor ou maior
eficácia da norma. O primeiro fator instrumental é a divulgação do
conteúdo da norma para a população, através da propaganda; o

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segundo é o conhecimento efetivo da norma por quem a elabora e
cria; o terceiro é a perfeição técnica da norma, que é a redação clara
com um conteúdo preciso; o quarto fator instrumental é a elaboração
de estudos preparatórios do tema que se deseja legislar, com análise
de estatística, custo para o controle de infra-estrutura, para se
garantir maior eficácia na aplicação da norma. Tudo isso para
assegurar que a norma será ao máximo eficaz. Quanto mais
minuciosos forem estes estudos, mais eficaz a norma será. O quinto
fator instrumental diz respeito aos operadores do Direito, que são as
pessoas responsáveis pela aplicação da norma. Por fim, o sexto fator
instrumental é a expectativa de conseqüências negativas.
Temos um segundo grupo de fatores que contribuem para a eficácia
da norma. O primeiro é referente à situação social, na qual temos:
• Participação dos cidadãos no processo de elaboração e
aplicação das normas;
• Coesão social, que se refere à incidência do menor número de
conflitos e maior consenso, que dará um maior grau de eficácia
das normas;
• Adequação da norma à situação social, econômica e política de
uma determinada sociedade;
• Contemporaneidade da norma com a sociedade, que significa
que a norma deve estar em sintonia com as condições sociais e
culturais da sociedade.
Módulo 4 – Conflito, Integração e Mudança Social
A sociologia se configura, em modos gerais, como a ciência da
sociedade. Em termos específicos, ela vai examinar o comportamento
humano na sociedade, ou seja, ela terá um interesse específico nos
modelo de comportamento encontrado nas sociedades.
Esses modelos, em primeiro lugar, resultam do processo de
construção social da realidade; em segundo lugar, esses modelos vão
padronizar as relações entre os indivíduos, que são as relações
sociais. Se a Sociologia tem esse objetivo, significa que ela irá
examinar as regras que dirigem as relações sociais, e que a
Sociologia estuda a interação entre indivíduos e grupos de indivíduos,
o que significa analisar principalmente as regras sociais, os conflitos
sociais e também as mudanças sociais.
Tudo isso faz parta das regras que os indivíduos estabelecem para a
sociedade. Qual é o comportamento dos indivíduos que detém o
poder? Eles tentam influenciar os demais indivíduos, afim de que
esses últimos compartilhem o padrão de comportamento dominante,
ou seja, a sociedade como um todo acaba incorporando um
comportamento padrão dominante, viabilizando a dominação total
que as elites exercem aos demais, através de uma imposição de uma
ordem social.

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A partir do momento que temos a imposição de uma ordem social,
podemos ter conflitos sociais, principalmente em relações às regras
da sociedade, surgindo, então, mudanças sociais.
O objetivo principal do Direito é criar regras que controle o
comportamento dos indivíduos. Porém, as regras não são fixas, pelo
contrário, elas devem mudar, sofrer alterações de acordo com a
necessidade social. Seguindo esse raciocínio, concluímos que a
Sociologia Jurídica se depara com os fenômenos do conflito social, da
integração social e com o fenômeno da mudança social.
Teorias Funcionalistas e Teorias do Conflito Social
Para entendermos essas teorias, partimos do pressuposto de que as
teorias da Sociologia moderna são macro-sociológicas, que elas não
são relevantes ao estudo, à análise do indivíduo, dos pequenos
grupos sociais, mas sim, essas teorias buscam analisar a sociedade
enquanto um sistema composto por vários indivíduos e grupos de
indivíduos.
As teorias funcionalistas consideram a sociedade como sendo uma
grande máquina, que distribui papéis sociais e recursos aos membros
da sociedade, que são identificados com peças dessa grande
máquina. Considerando isso, a finalidade da sociedade é a sua
própria reprodução, que ocorre mediante o funcionamento perfeito de
suas peças, que são os indivíduos, e para isso é necessário que esses
indivíduos aceitem as regras sociais. Portanto, para essas teorias,
uma situação de conflito social é entendida como uma disfunção, e
para se evitar isso, a sociedade deve reagir, buscando controlar os
elementos da contestação, que são os indivíduos que estão
contestando as regras.
Essa teoria vê a sociedade como um sistema harmônico, sem
divergência e conflitos, que não consegue acompanhar a dinâmica da
sociedade.
Teorias do Conflito Social
Chamadas de Teorias Marxistas, para elas, as sociedades são
formadas pro grupos com interesses opostos que têm como objetivo o
poder, um quer se manter no poder, o outro quer chegar no poder.
Para essas teorias, o ponto principal da sociedade é o
condicionamento ideológico que os grupos dominantes exercem
sobre os outros grupos. Isso pode ser causa das crises sociais
provocadoras das mudanças sociais, que são tidas como fator
normalíssimo, isso é, algo natural.
O fundamento, a base das teorias do Conflito Social é que a história
de todas as sociedades até hoje é a história de lutas de classes.
Anomia e Regras Sociais
Anomia significa ausência de regras. Primeiramente, temos que
considerar três significados especiais do conceito de anomia. O
primeiro tem a ver com a ilegalidade, que significa que se um

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indivíduo vive numa situação de ilegalidade, transgressão das regras,
das normas, não existindo qualquer vínculo dele com as regras, esse
indivíduo vive em uma situação de anomia. O segundo significado de
anomia é o conflito de normas. Quando existem exigências
contraditórias, que torna difícil a adequação do indivíduo em relação
à norma, como a regra em que o indivíduo que deverá prestar serviço
militar e que também, por força de religião, não permite que ele
toque em armas. O terceiro significado de anomia é no caso de falta
de normas, que vinculam o indivíduo com ao contexto social. Como
nos anos 60 tivemos a contra cultura Hippie, na qual os valores
estiveram em crise e levou a vários questionamentos das normas até
então existentes. No Iluminismo também tivemos vários
questionamentos de ordens diversas, quando tivemos uma perda do
referencial de guerra, onde não há nenhum respeito a regras.
Devemos, a partir desses três exemplos, entender a anomia como
uma crise de normas, de referência na sociedade. Essa crise é
provocada basicamente por duas causas, uma pela perda de valores,
ou seja, pela crise de valores; em segundo lugar, essa crise de norma
também se relaciona com a crise de legitimidade do poder político e
do sistema jurídico.
Durkheim
Émile Durkheim contribuiu de forma significativa para que a
Sociologia adquirisse o status de ciência, ao estudar a sociedade e
separar os fenômenos sociais da Psicologia, construindo, assim, um
Objeto e um Método.
Durkheim começou seus estudos com a obra chamada ‘O Suicídio', de
1987, através da qual ele faz uma análise sobre o conceito de
anomia. Essa obra é de extrema importância, pois até no final do
século XIX, considerava-se o suicídio relacionado com quatro fatores
principais, sendo que o primeiro fator relacionado ao suicídio são as
doenças psíquicas; o segundo é o fator geográfico; o terceiro é o fator
clima; e o quarto fator é o da raça do indivíduo.
Porém, Durkheim considerou que o suicídio se relaciona, ou está
associado a fatores sociais e não a fatores extra-sociais. Em seus
estudos, ele chega à conclusão de que são cinco fatores que estão
estritamente relacionados à causa do suicídio. O primeiro fator
apontado por Durkheim é o da religião; o segundo é o estado civil do
cidadão; o terceiro é a profissão; o quarto é o nível educacional; e o
quinto fator é o lugar onde o indivíduo vive, o meio onde se vive.
Estabelecidos esses fatores, Durkheim conclui que as taxas de
suicídio eram maiores entre os protestantes, os solteiros, os
profissionais liberais, os que possuíam um grau superior de educação
e entre os moradores em cidades urbanas.
Não bastando apenas apontar esses fatores, Durkheim procurou
saber os motivos causadores da prática do suicídio, suas razões. Com
isso, foram detectados alguns pontos em comum, que são a falta ou o
excesso de integração social e também uma situação de crise social

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geral, uma anomia. A partir desse quadro, Durkheim cria uma
tripologia para o suicídio, que são os três tipos de suicídios apontados
por ele.
O primeiro tipo de suicídio apontado por Durkheim é o causado pelo
egoísmo do indivíduo, que se encontra desvinculado da sociedade,
isolado socialmente. Esse egoísmo marginaliza o indivíduo. Um
exemplo é o de uma pessoa que não tendo outros parentes, além do
cônjuge, venha a ser viúvo, perdendo seu único vínculo com a
sociedade. O segundo tipo de suicídio para Durkheim é o causado
pelo excesso de vínculo que o indivíduo estabelece com a sociedade,
passando esse a ser extremamente vinculado ao grupo social em que
vive, desvalorizando sua própria vida em função do grupo. É o caso
do indivíduo altruísta. O terceiro tipo de suicido é o suicídio anômico,
que o caracterizado pelo indivíduo que vive em situações de completa
falta de regras. Quando há perturbações da ordem coletiva, alguns
indivíduos podem se desorientar, ficando desequilibrados nos seus
desejos, os quais passam a não serem possíveis de realização. Por
exemplo, em uma grande crise econômica, um indivíduo rico perde
todos seus bens, e com isso, perde também todas sua referências
anteriores que o ligava à sociedade, podendo a se matar por causa
dessa desorientação.
Robert Merton
A primeira idéia de Merton é a de que na sociedade existe um
desenvolvimento de que ele chama de metas culturais, que vão
expressar os valores que orientam a vida dos indivíduos em
sociedade. Então, existem metas que os indivíduos têm de buscar, e
eles as buscam através de meios que são dados pela própria
sociedade em que vivem, e esses meios são os recursos legítimos
prescritos socialmente. Porém, existem meios que não são prescritos
pela sociedade, porém que servem também para se alcançar as
metas estabelecidas pelas sociedades, metas essas que devem ser
alcançadas pelos indivíduos.
Robert Merton, norte americano, estudou a sociedade dos Estados
Unidos da América, da qual a meta principal é o sucesso envolvendo
a riqueza e o prestígio. A sociedade cobra do indivíduo, desde o seu
nascimento, o atingimento de metas, porém, naturalmente, nem
todos conseguem atingir essas metas, por que é impossível que todos
alcancem as mesmas metas, uma vez que os meios para alcançá-las
são escassos, e assim os meios socialmente aceitos não estão
disponíveis para todos. Desta forma, muitos indivíduos procuram
meios ilegítimos para alcançar as metas, configurando uma situação
de anomia, que para Merton é a manifestação de um comportamento
no qual as regras sociais são abandonadas, contornadas, gerando um
comportamento desviante.
A partir dessa primeira idéia, podemos considerar que existe um
conflito entre as metas e os meios. Então, Merton estabelece uma
classificação dos tipos de comportamento dos indivíduos, em relação

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às regras sociais para se atingir as metas, os quais ele chamou de
modos de adaptação.
Merton aponta os tipos de comportamento, em que o primeiro é o da
conformidade, no qual o indivíduo busca atingir as metas de acordo
com os meios socialmente aceitos, sem o uso do comportamento
desviante. O segundo tipo de comportamento é o da inovação, no
qual consideremos dois momentos. No primeiro, o indivíduo busca
atingir suas metas através dos meios legais, porém, quando ele não
consegue, através de meios legítimos alcançar as metas, ele irá
inovar seu comportamento, usando de meios socialmente reprovados
para atingir as metas. Merton chama de comportamento de inovação
essa utilização dos meios socialmente reprovados, sendo que seu
uso, em muitos casos, pode ajudar a sociedade a se modernizar. O
terceiro tipo de comportamento é o ritualista, em que neste caso
alguns indivíduos têm o desinteresse em atingir as metas, pois eles
são tomados por um medo de fracasso, de não obter o sucesso, e isso
gera um desestímulo, que faz da pessoa um incrédulo, passando a
não acreditar mais que é capaz de alcançar as metas. Um exemplo é
o da classe média baixa, na qual alguns de seus indivíduos têm a
consciência da sua condição sócio-econômica e se apega a ritualidade
do seu dia a dia, do seu cotidiano, daí o nome Ritualista. O quarto tipo
de comportamento é o de evasão, que é o caracterizado pelo
abandono das metas e dos meios socialmente aceitos para alcançá-
las pelo indivíduo, que vive do meio social, porém, não se adere a
esse meio, não faz parte efetivamente dele. Esse tipo de conduta é
individual e minoritária. O quinto tipo de comportamento é o da
rebelião, caracterizado pela revolta. Em uma sociedade em que
existem regras, porém também existem grupos que se opõem as
essas regras, propondo estabelecer novas regras, novos meios, novas
metas, na tentativa de reformular os valores da sociedade, buscando
uma nova configuração de uma nova ordem social.
A partir dessas formas de comportamento, Merton definiu a sociedade
anômica, que é a sociedade que ressalta a relevância de
determinadas metas em oferecer à maioria de sues membros os
meios para se alcançá-las, o que favorece o surgimento do
comportamento desviante.

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