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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Transcrição integral da Audiência Pública realizada em 27

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Transcrição integral da Audiência Pública realizada em 27 de junho de 2012, no auditório da Faculdade do Vale do Gorutuba, em Nova Porteirinha, com o objetivo de discutir ações de proteção do entorno da barragem Bico da Pedra, nos municípios de Janaúba e Nova Porteirinha-MG.

CERIMONIALISTA: O Ministério Público do Estado de Minas Gerais, através das

Promotorias de Justiça das Comarcas de Janaúba e Porteirinha, da Coordenaria

Regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente das Bacias dos Rios Verde,

Grande e Pardo, e da Coordenaria de Inclusão e Mobilização Sociais, Cimos, dão as

boas-vindas a todos os participantes dessa Audiência Pública. O objetivo da

audiência é discutir as ações de proteção do entorno da Barragem Bico da Pedra; a

participação da sociedade contribui de forma significativa para a maior efetividade e

legitimidade da atuação do Ministério Público do Estado de Minas Gerais.

Convidamos, para compor a mesa de abertura, o promotor de Justiça Paulo Cesar

Vicente de Lima, coordenador da Cimos.

[palmas].

CERIMONIALISTA: Promotor

[palmas].

CERIMONIALISTA:

Mendes.

[palmas].

Promotor

de Justiça

de

Justiça

de Janaúba, Fabrício Costa Lopo.

de

Janaúba,

Márrisson

Maurício

CERIMONIALISTA: Promotora de Justiça de Janaúba, Vanessa do Carmo Diniz.

[palmas].

CERIMONIALISTA: Promotor de Justiça de Porteirinha, Ali Mahmoud Fayez

Ayoub.

[palmas].

CERIMONIALISTA: Major da Polícia Militar de Minas Gerais, Clevison Pires.

[palmas].

CERIMONIALISTA: Prefeito de Janaúba, José Benedito Nunes Neto.

Audiência Pública – 22/06/2012 – Janaúba-MG

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS [palmas]. CERIMONIALISTA: Professor César Vinicius Nery. [palmas].

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

[palmas].

CERIMONIALISTA: Professor César Vinicius Nery.

[palmas].

CERIMONIALISTA: Atadeu Ferreira da Silva, Assessor do Presidente da Codevasf, Elmo Vaz.

[palmas].

CERIMONIALISTA: E Kelly Tatiane Souza Oliveira, do Codema.

[palmas].

CERIMONIALISTA: Fará a abertura dessa audiência pública o promotor de Justiça da Comarca da Janaúba, Fabrício Costa Lopo.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Boa tarde a todos. Iniciando essa audiência pública, eu gostaria de primeiramente cumprimentar e saudar a todos, inicialmente aos colegas hora caríssimo Paulo Cesar Vicente Lima, que se deslocou de Belo Horizonte, até esse norte de Minas, difícil norte de Minas, que tanto demanda a nossa atenção. E eu gostaria de profundamente agradecer a Cimos, por ter acolhido essa necessidade de realização desse evento, que a barragem, ela tem uma grande importância para toda a região e a economia, e eu gostaria profundamente de agradecê-lo, colega Paulo Cesar. Gostaria de cumprimentar e agradecer também a presença dos colegas Vanessa, Márrisson, Ali, e gostaria de cumprimentar o Sr. Prefeito José Benedito Nunes, é uma grande honra tê-lo à mesa. Gostaria de cumprimentar o Major Clevison, prof. Vinicius, Kelly Tatiane, os representantes da Codevasf aqui presentes, demais membros da Polícia Militar, empresários, lideranças da região, e demais interessados. Bem, essa audiência pública, ela já chega em um momento em que os trabalhos do Ministério Público têm chegado a um maior amadurecimento, muitos podem se questionar a respeito do momento e eu acho interessante até antes de começarmos explicar um pouco por que agora, que talvez seja o questionamento de vários. Eu assumi a 3ª Promotoria de Justiça de Janaúba em novembro de 2010. Essa Promotoria, ela detém atribuições perante o Juizado Especial Criminal, Patrimônio Público, Habitação e Urbanismo, e Meio Ambiente. E como é natural,

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS essas áreas de atuação que até então eram

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essas áreas de atuação que até então eram divididas entre os colegas Márrison e Vanessa, dentre as inúmeras outras atribuições que lhes competem, faltava-lhes,

como natural, tempo para dedicar naturalmente a essas áreas. Então, com a minha chegada, tornou-se possível os desenvolvimentos desses trabalhos, mas não que esses

trabalhos não estivessem sendo desenvolvidos. Com

dificuldade, em razão do tempo e de outros compromissos, os colegas Márrison e Vanessa, e mesmo o colega Ali, em Porteirinha, já vinham desenvolvendo alguns trabalhos. E o Paulo Cesar, como Coordenador da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, em Montes Claros, também já vinha desenvolvendo esses trabalhos. Na

verdade, o inquérito civil que origina todo esse trabalho, ele data de 1993, ou seja, o Ministério Público já vem trabalhando e lapidando a questão da barragem desde 1993, então não é algo que surgiu ontem, ou que surgiu apenas com a minha chegada, apenas foi intensificado com o meu início no cargo, para que isso fique bem claro. Além disso, todo o nosso trabalho não seria possível sem a participação do Prof. César Vinicius Néri, que tem nos dados um suporte muito grande, porque a Promotoria de Justiça, ela não conta com um corpo técnico próprio, nós não contamos com engenheiros do Ministério Público, e dependemos do auxílio de outras entidades para nos auxiliar nessa questão técnica. Então a Faculdade Santo

Vai ser

Agostinho tem nos auxiliado, através do Prof. César Vinicius Néri, e

explicado, na sua fala, como são os trabalhos desenvolvidos por ele, mas sem o trabalho do professor e da Faculdade Santo Agostinho nós pouco poderíamos fazer. E então é em razão dessa união de esforço, juntamente com a Codevasf, e com a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta, não é? Em que a Codevasf

assumiu algumas obrigações, algumas das responsabilidades que são de todos nós, e

não apenas dela

Polícia Militar já vem, já tem iniciado um trabalho que talvez seja do conhecimento de alguns, um trabalho in loco, que também vai ser explicado. Pois bem, então essa Audiência Pública, ela vai ter como finalidade não somente expor o passado, o presente, e dar algumas informações daqui que virá, como também será um importante mecanismo para ouvi-los, e saber o que a sociedade civil em geral empresários, políticos, e liderança têm a se manifestar sobre o tema. É complexo, não

A duras penas e com grande

E contamos também com a participação da Polícia Militar, que a

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS é algo que pode se resolver da noite

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é algo que pode se resolver da noite para o dia, e a proteção do entorno da barragem vai se estender, certamente, e inclusive após o meu trabalho, ou seja, é natural a alternância entre Promotores, então mesmo que hoje eu esteja aqui, no futuro, caso eu venha a sair, esse trabalho vai ser continuado, da mesma forma como eu sucedi o colega Márrison e a colega Vanessa, que isso fique bem claro. Então nós vamos contar esse histórico, vamos detalhar o momento presente, e no final vamos contar também com a participação de todos, para que todos façam questionamentos, façam observações. Já adianto e vou pedir àqueles interessados, que já procurem os membros das Asscom, da Assessoria de Comunicação do Ministério Público, para fazerem a inscrição, e ao final da apresentação dos trabalhos será dada a palavra àqueles inscritos, na ordem em que forem feitas as inscrições, certo? Muito obrigado.

[palmas].

CERIMONIALISTA: Ouviremos o coordenador da Coordenadoria de Inclusão e Mobilização Sociais, Cimos, Paulo Cesar Vicente de Lima.

PAULO CESAR VICENTE DE LIMA: Boa tarde a todos. Somente eu gostaria de agradecer ao colega Fabrício, e aos demais colegas aqui da Janaúba, ao Ali, de Porteirinha, pela possibilidade de estar aqui hoje. Gostaria de cumprimentar, na pessoa do Prefeito José Benedito, os integrantes da Mesa, a pessoa do Prefeito de

Nova Porteirinha, Dr. Vilmar, que chegou, a cadeira já está chegando ali, e eu queria inclusive convidá-lo para se assentar aqui à mesa com a gente, e também cumprimentá-lo, e na pessoa dele cumprimentar a todos os presentes. E a minha fala aqui vai ser rápida, no sentido de agradecer essa oportunidade, e é sempre um prazer para mim estar no norte de Minas, eu vou chegando ali a Bocaiúva, quando eu estou vindo para cá, o meu astral já melhora, realmente eu me sinto um cidadão norte- mineiro; eu morei 10 anos aqui, os meus filhos são nascidos aqui na região, então eu tenho o maior prazer de estar aqui. E assim, é minha responsabilidade também,

de estar participando lá, de estar coordenando a Coordenaria de

através de

Inclusão e Mobilização Social e a Coordenadoria Geral das Promotorias das Bacias Hidrográficas também, de estar acompanhando um processo dessa magnitude e dessa importância para a região, a gente sabe da importância da Barragem de Bico da Pedra

da

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS para o povo daqui, para vocês que moram

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para o povo daqui, para vocês que moram aqui. Então eu trago aqui um abraço do nosso procurador-geral de Justiça, Dr. Alceu José Torres Marques, do nosso coordenador do CAOMA, Dr. Luciano Badini. E a minha fala é exatamente no sentido de emprestar aqui, e sinalizar para o nosso colega, Dr. Fabrício, todo o nosso apoio, da Coordenadoria Geral, do CAOMA e da Procuradoria-Geral, no sentido de melhorar essa situação da estrutura aqui, principalmente através da equipe jurídica, e da equipe técnica da Coordenadoria Regional de Meio Ambiente, em Montes Claros, para que essas ações, esses processos, e essas tratativas possam ocorrer com mais celeridade. Como o Fabrício bem disse, isso tudo é um processo, que iniciou em 93, não é? Quando eu cheguei à Coordenaria Regional, em 2005, início de 2006, tinha esse processo, eu já vim aqui em várias reuniões. Nós fizemos várias tratativas, inclusive com universidades, com o Codema, então é um processo que está sendo construído. E o que eu sinto é que nós chegamos num momento de maturação muito interessante, que talvez nós possamos construir juntos, com a participação de todos, em razão das informações técnicas que a Codevasf já produziu, que o Codema já produziu, que a Polícia já produziu, que a universidade já produziu, e da partir dessas informações tomar uma medida que seja a melhor para todos, que seja a medida da sustentabilidade. E assim, é fundamental essa audiência, hoje, audiência no sentido de ouvir, não é? O Ministério Público não pode tomar nenhum tipo de atitude sem pelo menos ouvir as pessoas que eventualmente vão ser afetadas por essa atitude, as comunidades que vivem e bebem dessa água, as pessoas que eventualmente têm algum interesse lá. Então, a ideia na audiência é exatamente nesse sentido, de que vocês possam contribuir para a formação e aperfeiçoamento da convicção ministerial, para, a partir daí, que nós possamos manejar os instrumentos que nós temos, sejam eventuais TACs, eventuais recomendações, ou mesmo deflagração de eventual ação no Judiciário, para que a gente chegue a um ponto, não é? Avance nesse processo de busca da sustentabilidade e da preservação desses recursos naturais, tão importantes para as pessoas da região. Gostaria mesmo de agradecer a oportunidade, e dizer que é um prazer estar aqui debatendo a bela Barragem de Bico da Pedra, a importante Barragem do Bico da Pedra, e esperamos poder contribuir. Muito obrigado.

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS [palmas]. CERIMONIALISTA: Daremos início agora aos trabalhos, que

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[palmas].

CERIMONIALISTA: Daremos início agora aos trabalhos, que serão conduzidos pelo Presidente da Mesa, Promotor de Justiça Fabrício Costa Lopo.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Iniciando a apresentação eu gostaria de convidar o integrante da Codevasf, não é? Para iniciar a apresentação, seguindo o cronograma proposto, o roteiro proposto.

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Pessoal, boa tarde. O meu nome é Atadeu Ferreira da Silva, eu sou Assessor Técnico da Presidência da Codevasf. Eu estou aqui acompanhado de um contingente técnico da Codevasf, exatamente para dar suporte e

subsídio a essa importante discussão, que vai ser feita aqui hoje. Estão presentes aqui

Jurídica da Codevasf em Minas

Gerais; o Dr. Ronaldo Rodrigues, que é Assessor Jurídico, então a mesma área; o Dr. Fernando Sena, que é Assessor do Superintendente Aldimar Dimas; o Dr. Carlos

Eugênio, que é responsável, ele é representante da Codevasf no distrito de irrigação; o Dr. Alex Demier, que é chefe da parte de APLs, Arranjos Produtivos Locais; e está aqui presente também o Dr. Dirceu Vilela que é responsável pela parte da engenharia

da Codevasf. O Sr. Aldimar Dimas, Superintendente Regional, inclusive foi Prefeito

Ele não pôde

comparecer aqui, no momento, porque ele está numa reunião do DENIT e da CEMIG, lá em Belo Horizonte, tratando de assuntos de interesse do desenvolvimento

regional aqui da superintendência, precisamente a ponte lá de São Francisco, do Rio São Francisco, e também a parte da energia elétrica, pertinente ao Projeto Jequitaí. O chefe da parte ambiental da Codevasf, que é o Dr. Silvano Ferreira, também se encontra presente. Eu cumprimento aqui os doutores, os dois Prefeitos, os anfitriões,

o

[ininteligível], eu errei

Apesar do tremendo peso,

aqui na região, muito conhecido o Aldimar Dimas. Ele está

a Dra. Tatiane Carvalho, que é chefe da Assessoria

Dr. José

Benedito

o Sr. Ronaldo

e Nossa! O Sr. Gilmar

Gilmar

[risos].

ATADEU FERREIRA DA SILVA: E na pessoa do Sr. Promotor Fabrício Costa Lopo, eu cumprimento as demais autoridades jurídicas aqui presentes,

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS particularmente o Dr. Paulo Cesar, que, como ele

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particularmente o Dr. Paulo Cesar, que, como ele comentou, ele foi a pessoa

Eu não sei o nome

correto, mas da Defensoria Pública do São Francisco, que assim eu o melhor

Como o rumo a ser seguido a

Dra. Luciana Cury, da Bahia, que ela começou esse trabalho já há um certo tempo. Eu quero cumprimentar também o prof. Vinicius Nery, da Faculdade Santo Agostinho, que eu não conhecia. E dizer aos senhores que esse trabalho é um trabalho muito importante. É um trabalho de política pública, então ele não se restringe hoje só a um segmento, mas a toda a sociedade, e tem que ser discutido o interesse primaz, o interesse de vida, que é a preservação ambiental, da qualidade e quantidade de água da Barragem de Bico da Pedra, a única fonte hídrica que tem

embrionária desse processo. E hoje ele é

Representa, é chefe

conheço, e que tem como madrinha, e tem assim a

aqui na região, segura. Essa barragem, ela foi fechada, ela foi concluída 78/79, e ela foi, lá no ano de 79, ela sangrou, houve precipitação pluviométrica atípica na região,

e ela sangrou

Eu

queria pedir ao Silvano também

Clevison Pires, que é comandante, é isso? Do 51º Batalhão de Polícia Militar, que é

uma boa ideia, 51

um número X, um número potencial de distritos. O senhor desculpe, eu não tinha

Pode

Antes de entrar nesse processo, eu vou fazer

alguns comentários. Eu fui

exatamente quando estava começando, estava concluindo a obra, e paralelamente já

A

propósito, nós temos até aqui o Sr. Danúbio, que ele participou, ele é um cidadão, é um empresário aqui na região, ele tinha uma empresa de topografia, não é? Hein, Sr. Danúbio? E ele foi um das pessoas que fez levantamento topográfico, então ele conhece muito bem o que eu estou comentando

passar, por favor. Bom, essa barragem

feito referência ao senhor. Mas voltando à questão da barragem, esse podia

Eu me esqueci de fazer referência ao Major

Ela é uma barragem muito importante, é ela que garante a seguridade

hídrica da região; ela, para os senhores terem uma ideia, ela tem

Ela tem

Aqui de toda a região da Serra do Geral, quinze municípios, e

Eu vim aqui, para Janaúba, em 1978, ou 79, foi

vinha se fazendo o processo de desapropriação, levantamento topográfico, etc

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Qual recurso?

ATADEU FERREIRA DA SILVA: O montante da represa.

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [pronunciamento fora do microfone]. ATADEU

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [pronunciamento fora do microfone].

ATADEU FERREIRA DA SILVA: E também outra pessoa que conhece muito

bem aqui, é o Sr. ex-Prefeito, que é o Ivonei, ele, na época, ele pertencia aos quaDros

da

Andrade Gutierrez, e a Andrade Gutierrez foi quem implantou a obra, o projeto

foi

elaborado pela Tecnisolo, do Rio, ela implantou a barragem, e implantou também

o

projeto de irrigação, que a gente vai comentar sobre isso. O decreto de

desapropriação, que foi que legalizou essa questão, e declarou a área de interesse

público, é o 71.179/1972; a área prevista a ser desapropriada era de 39.700 hectares, sendo 10 mil hectares para a implantação da barragem, e 29 mil hectares para a implantação do perímetro de irrigação de Janaúba. A responsabilidade técnica desse processo, de 72 a 76, era do Dnocs, aqui pertencia a Salvador; a partir de 74 a Codevasf passou a trabalhar na região, mas ela assumiu o projeto mesmo em 77. Pode passar. A Barragem de Bico da Pedra, ela foi construída com o objetivo de garantia da seguridade hídrica e desenvolvimento econômico e social, em caráter de uso múltiplo; abastecimento humano, que é a prioridade nº. 1, cidade de Janaúba, e

Da cidade da Porteirinha;

Nova Porteirinha, à época, porque aqui era um bairro de

perenização do Rio Gorutuba, que vai da jusante, da barragem, da tomada, até a encontrar o Rio Verde Grande. O objetivo disso, na verdade, é atender as populações ribeirinhas, para dar água para os animais e para a própria população beber; implantação de perímetro de irrigação, margem esquerda e margem direita; estação

Não passa ainda não, deixa eu

de piscicultura do Gorutuba, recreação e lazer

mostrar alguma coisa aqui. Para a cidade de Janaúba foram destinados, à época, 200 litros por segundo; a água que todo mundo, que o pessoal lembra, era uma água calcária, e a Copasa estava aqui na época, então foram destinados 200 litros por segundo, e essa água é da melhor qualidade que se tem aí. Foi tirada também uma

vazão para atender a estação de piscicultura, e em torno de 12 litros por segundo, 12

m cúbicos por segundo, para atender os dois lados, margem direita e margem

esquerda do Gorutuba. À margem direita do Gorutuba foi implantado esse projeto

que vocês conhecem aí, onde o nascedouro dele, a base de discussão aqui foi a 740, a

colonização do mosquito

Eu não sei o nome, o pessoal aí conhece, em frente à Vila

das Poções, ao povoado de Vila das Poções. E à margem esquerda é o projeto que foi

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS elaborado, ia ser implantado, aí naquela administração do

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

elaborado, ia ser implantado, aí naquela administração

do Sr. Vivi ou Joaquim Maurício que estava começando, eu não lembro se era, foi feito o Plano Diretor da cidade de Janaúba, e a cidade de Janaúba tinha aí 20 e poucos mil habitantes talvez, eu acho que não passava disso. E com o advento do desenvolvimento da economia, que foi gerando, esse Plano Diretor praticamente ele extrapolou, dentro de cinco anos ele já estava ultrapassado, e com isso houve uma

discussão de não implantar o canal da margem esquerda, que teria irrigação, porque a cidade avançou para dentro dessas outras áreas. Então ficou a margem direita, que é esse projeto que vocês conhecem, e em seguida discutiu-se implantar a Lagoa Grande, que a água que sai de dentro do rio, e é captada lá embaixo, então esse foi

esse cenário

Bico da Pedra, os dados básicos, eram previstos, no decreto, 10.700 hectares na barragem; área desapropriada 8.307 hectares; área da inundação efetiva, 5.306

hectares. Esse foi o levantamento mais

tem. E a construção do barramento foi em 78/79, a inundação, o primeiro

sangramento em 1979, e a definição da área, desapropriação, e inundação tem

resultado

colocado, equacionar, buscar o equacionamento dessa questão. Algumas coisas que

são importantes ser colocadas nesse momento ainda: As desapropriações da barragem, à época, o planejamento, o que naquela época usou foi margem de

fotografia área, você não tinha geoprocessamento, as transferências de cota eram

feitas por

marco, etc., coisas que hoje é

trabalhosa. O pessoal da topografia aí sabe como sofria. Hoje a coisa eu diria que está mais moderna, está mais prática. E hipótese em que teve alguns ajustes para quer feito, quando houve a inundação também, é a água que indica, de fato, aonde vai, e aonde não vai, e percebeu-se que tinha algumas coisas para ser ajustadas, que é a questão desse trabalho que está sendo feito, cujo levantamento já foi sinalizado. Pode passar, por favor. Bom, antes de entrar esse item, aqui nós temos poucas lâminas, para não tomar tempo, mas esse é o debate, antes de entrar nesses itens eu queria aqui, como cidadão, como técnico da Codevasf, como responsabilidade social que

A situação é mais assim, tranquila, na época era bem

Buscando da linha ferroviária, para ter a altitude real, até um ponto ou

O trabalho da Promotoria é que vai daqui para frente, conforme foi

Essa é a informação mais atualizada que

Você pode continuar, por favor. Voltando à questão da Barragem de

Eu não lembro se era do

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS nós temos, informar que o trabalho, todo esse

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nós temos, informar que o trabalho, todo esse trabalho que está se fazendo hoje,

inclusive o planejamento que foi feito, da bacia, ele seguiu o contexto acadêmico, o

contexto que é praticado é da

aqui que chama Vale do Gorutuba, então você tem os espigões e o divisor de água, nada mais é que o processo da bacia hidrográfica. E que hoje todo o planejamento tem que fazer dentro da bacia hidrográfica. O planejamento feito, de uma bacia hidrográfica, ele tem que estar preso num plano de recurso hídrico. O plano de

recurso hídrico é que vai indicar quais as prioridades que você pode usar para a água, que exatamente está na lei, e é aquilo que a gente sinalizou lá, é uma barragem de uso múltiplo. Essa barragem tem uma outra peculiaridade: Esse Rio Gorutuba, ele é

intermitente, podendo até

fenômeno do El Niño que já existe há muito, todo mundo já conhecia isso, só que, de uns tempos para cá passou a divulgar mais, o fenômeno do El Niño, a cada cinco anos, você pode ter uma estiagem prolongada, que pode chegar até 18 meses o registro existente, e dá aquela seca violenta, que todo mundo conhece. E pode, em outros anos, até chover muito, conforme foi um ano que a barragem previa encher em dois anos, e encheu no primeiro ano, foi quase uma tromba d'água que caiu aqui, só que a água cai concentrada, e pela evaporação que tem, estrutura de solo etc. e

etc., você não consegue reter essa água no solo, para depois ela permear e sair dentro dos rios para perenizar, e daí o motivo da barragem. Essa barragem também, quando ela foi construída, já prevendo esse problema aqui, de seca, e baseada naquela prioridade que foi citada, ela tem uma cota do maior volume morto de barragem que se conhece, então você chega num estágio, se essa estiagem prolongar, para de irrigar, e a água passa a ser bombeada em carro-pipa para atender as cidades adjacentes, eu me refiro a Espinosa, Mato Verde, e povoados, e etc., e a própria Porteirinha, que já está buscando outros caminhos, mas o objetivo dela é isso. Essa

barragem, ela é a única, e aí vem outra questão, como ela não

A água que entra na

barragem é corrida, quer dizer, chama fio d'água, a depuração e a renaturação dela

são complicadas. Então, para você fazer a gestão hídrica, você tem que ter a água mais pura possível, você não pode poluir essa água, daí a questão das APPs, que se discute, e aí muito mais. Aí é diferente da Barragem Três Marias, aí é uma coisa

Ele e tributários, podendo até, a cada cinco anos que, é o

É de trabalhar dentro de um contexto de bacia, tanto

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS totalmente peculiar. A água daí é que garante

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

totalmente peculiar. A água daí é que garante a economia dessa região toda. Essa água é uma água muito importante, daí o zelo com que nós temos que discutir essas

questões que estão sendo tratadas aqui. A gente já vem tratando disso, Sr. Promotor, a gente já trabalha disso desde o dia em que a barragem encheu. Acontece que nós

estávamos num regime de exceção, que não teve

eu diria, a facilidade dos processos fluírem, nunca se parou de fazer isso, isso aí

consta em projeto. Com o avanço da gestão hídrica da

A parte de gestão hídrica, e começou-se a

discussão como resolver essa questão do entorno. E essa discussão, ela não pode ser

açodada, ela é de responsabilidade dela, e de todo mundo que está aqui dentro, inclusive o pessoal que depende dessa água para viver, e as autoridades, que foram

postadas nesses patamares, para tomar uma decisão equilibrada. Só que é uma decisão equilibrada, que ela tem de privilegiar a maioria, isso tem que ser pensado também. Você não pode, de maneira nenhuma, não, secar esse essa barragem. Eu estou dizendo isso aqui por conhecimento de causa, eu trabalho já, para informação

Eu sou

Coordenador

Francisco, por seis anos, participei da elaboração do Plano Decenal de Recursos

Hídricos; sou representante do Ministério de Integração, onde eu trabalho no Comitê

de Bacias. Esse trabalho, que a Defensoria do

Pública, está montando aqui, é um

trabalho importantíssimo, trabalho com gente da bacia, da nascente a foz, e é um

O processo

tem que chamar todos os entes, a Polícia Militar, o Poder Judiciário, a sociedade

E

todo esse aparato vai para uma instância maior, aí cai na Promotoria Pública para

No

Não é bem

assim, hoje tem lei, tem coisa para ser discutido, mas também nós temos a questão da

Nós

civil, para tomarem uma decisão equilibrada, só que nós temos que ter também

trabalho que busca exatamente equilibrar a situação. A vantagem de

Fui Coordenador do Programa de Revitalização da Bacia do São

dos senhores, desde 82 com gestão hídrica, comecei aqui, e eu fui

criação da ANA, os programas de

Que foi em 96, 97, aí veio a

A maior dificuldade

Não teve,

tomar uma batida de martelo consensuada. Foi muito discutido aí que vai

primeiro momento, teve gente que falou que ia arrancar a casa, jogar

água, vocês viram aí na Rio+20 o que está sendo discutido? Água, água, água

temos que discutir o negócio da água, água é vida, sem água ninguém vive; água dá guerra. Faz tudo e nós não vamos ter isso aqui. Então isso é política pública, não é

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS responsabilidade, sozinha, da Codevasf, não é responsabilidade do

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

responsabilidade, sozinha, da Codevasf, não é responsabilidade do governo de Minas, das Prefeituras, não é responsabilidade direta dos indicados, é

responsabilidade da sociedade, é política pública. O que está se fazendo, aqui já na

Eu vou apresentar alguma coisa da revitalização

O intróito que eu fiz, eu cai nessa

questão, a revitalização do São Francisco, ela nada mais é do que a recuperação do passivo ambiental, qual é o foco? É você ter água em qualidade, e em quantidade,

Então

nós temos dois momentos, o Plano de Recursos Hídricos que foi feito, que é importante, é ele que dá toda a orientação, ele indicou que muitos empreendimentos, que estão feitos no São Francisco, que vêm desde 1500, quando o Martin Afonso de Souza entrou lá, na nascente do São Francisco, desbravando, criando coivaras, esses povoados e etc., começou esse processo degradativo, e a interiorização foi nesse

sentido. Então o que nós, hoje, para nos manter, nós temos que fazer isso, nós temos que intervir no ambiente para a gente sobreviver, buscar alimento e etc. e etc., daí a discussão da economia verde, como a gente manter, a gente usar o ambiente para nos sustentar sem acabar com o planeta, essa é a discussão, a água passando por eles. Então, o programa recomendou que tinha que primeiro combater a poluição do Rio São Francisco, a poluição da Bacia do São Francisco, polos poluidores, esgoto doméstico e industrial, resíduos sólidos, que é o lixo, e processo erosivo, terra que cai para dentro do rio, por falta de manejo adequado de solo no plano de cultivo. O

Por isso que tem

APP, você vai assorear o rio. Água não se produz, água existe, e o que acontece é que as nascentes existentes nada mais são que um porre(F) de uma caixa d'água, que a água sai para fora, então nós temos que cuidar disso. Se você entupir ali, ela sai em outro lugar, só que ali seca, mas não acabou a água do mundo, ela vai sair em outro lugar. E dentro desse processo foi encaminhado, tinha que se fazer o quê? Perímetro de irrigação da Codevasf, em muitos deles, por exemplo, não tinha área de reserva, está sendo, com toda a dificuldade existente, está sendo, junto com o IEF, aqui na região mesmo já vai ter uma área de reserva a montante da barragem, não é, DR. Sena? Para fazer a compensação ambiental. Na época não tinha isso. O Jaíba idem, aí

plano de cultivo, se estiver beirando o rio, e se não for bem feito

para fazer gestão de uso múltiplo, que já foi explicado o que é. Os elementos

Podia passar, por favor. Bom, a

revitalização do São Francisco, aí eu vou

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS você tem naquele período não se fazia, e

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

você tem

naquele período não se fazia, e está sendo discutido. E vêm aí as questões da parte

de

Aspecto de

poluição, esgoto, lixo e resíduos soídos, e o processo erosivo. Processo erosivo, então nós temos esse convênio com o IEF, de R$ 844 mil, foi a implantação de 233 quilômetros de cerca em áreas ciliares, degradadas, sub-bacia do Rio Verde Grande.

Fez parceria, e foi recurso repassado. Tem um

convênio Codevasf com a Emater, dois milhões, 697, implantação de 287 mil bacias

de captação de água de chuva, 205 quilômetros de terraços, 43 nascentes cercadas,

entre oito cercas

e Pacuí. Pode passar, por favor. Tem convênio com o IGAM, que é o monitoramento

Foram feitos, se não me engano, dois ou três

convênios com o IGAM, eu não vou ficar lendo tudo aqui não, depois isso aí vai ficar disponível, mas esse convênio foi feito com o IGAM, aqui na região, é um

paliteiro de poço tubular, poço artesiano. E aí não tinha noção do lençol freático, a quantidade de água que tinha, então está furando, furando, e passou a ter um controle, então o IGAM, no processo, apresentou esse processo para fazer esse monitoramento, ele está caminhando com isso, para você chegar a um ponto para discutir a questão de se pode furar no poço ou não pode, como é que é outorga, coisa nesse sentido, senão seca tudo. Tem esse projeto aqui, que é lá na nascente do Alto

São Francisco, que é lá na região de Divinópolis

Pode passar, por favor. Deixa eu

ver se tem mais

Em suma, nós vamos continuar

Pode passar, por favor. Aqui na região, Porteirinha,

quando foi feita a Dragagem do Rio Gorutuba, na discussão que nós tivemos, a

primeira discussão do processo, limpou o rio, por que limpou o rio? Porque a água

Até na Ponte

que saía na barragem não estava chegando lá embaixo lá no

da qualidade da água. O IGAM

O Governo do Estado de Minas foi

E assim sucessivamente. Tem a parte de agrotóxicos também, que

O que é que nós passamos a atacar, de imediato? Então o programa definiu que

a Codevasf ia fazer o controle de poluição, de imediato. O programa

Para áreas ciliares degradadas sob as bacias do Rio Verde Grande

Tem aí do Grande Sertão, Estudos do Grande Sertão de Veredas

Na

Sudário, na estrada de Jaíba a Monte Azul. Por que a água não estava chegando? Não estava chegando porque encheu de taboa dentro do rio, e a taboa, a evaporação dela é muito grande, é muito alta, então ela tem mais de três milímetros por dia, e além da água que evaporava, tinha infiltração. Então, na alocação de água que tem aqui a

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS barragem, tem um Conselho Gestor tem um do

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

barragem, tem um Conselho Gestor

tem um do Conselho Gestor

água, e se definiu quanto de água ia para cada um, quanto que soltava para o rio, o

Críticos, da barragem. E nessa

reunião ficou acertado que não poderia soltar mais água para o rio, além do que já estava previsto em função do balanço hidrológico, mas, para água correr, tinha que

fazer uma

depois fez um convênio com a Prefeitura de Porteirinha para fazer a manutenção. Tem aqui um convênio, tem uma outra ação, outro convênio que foi feito, foi com a

Pode passar. Codevasf/Emater, outro convênio, de

R$ 30 milhões, implantação de 40.336 bacias de captação de água de chuva, e tem esses dados, que vocês estão vendo aqui. Ações de Convênio da Sub-Bacia do Gorutuba em Janaúba, implantação de 400 bacias de captação de água, implantação

Cáritas de Janaúba, diocesana

Limpar as taboas. Então foi feito um convênio, aí desassoreou o rio, e

quanto que ia para a irrigação, nos momentos de

Tem alguém do Conselho Gestor aí? Ah! Tá,

E que foi feita uma reunião, foi feita a alocação de

de 20 quilômetros de terraço, implantação de meio quilômetro de cercas para matas

Melhor dizendo, de seis quilômetros de

estradas vicinais. O objetivo dessas bacias de captação eu acho que todo mundo sabe, não precisa a gente discutir sobre isso, e ela é muito importante no contexto de

Protetor de areia é de outra Eles estão avisando aqui que

faltam cinco minutos, eu vou correr. Resumo geral: Total de recurso executados R$ 7

região. Pode passar

infiltração de água de solo. Pode passar, por favor

ciliares, readequação de cinco quilômetros

Você pode dar sequência no ‘F’

milhões; total de recursos em execução, R$ 59 milhões, isso em Minas Gerais, e

2.082

nascentes, 2.708 quilômetros de cerca; 70 mil bacias de captação de água;

3.600

quilômetros de terraço; 485 quilômetros de adequação de estradas. Pode

passar

Pode passar, por favor. Sistema de tratamento de esgoto, que é aquele outro

item, em Minas Gerais está fazendo em 52 cidades, sendo que em 21 já está concluído. Esse esgoto é o sistema de esgoto na questão universalizada, captação, condução elevatória, tratamento e o emissário, soltando o efluente na classe 2 do Conama, a classe 2 do Conama é aquela com tratamento primário, você pode beber a

água. Obras em processo de licitação tem nove, aproximadamente R$ 76 milhões; obras de licitação, termos de cooperação Codevasf/Copasa, 15 municípios, não vamos entrar nesse detalhe. Cidades com tratamento de esgoto da Bacia do Verde

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Grande, que é aqui: Bocaiúva, Capitão Enéas, Catuti,

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Grande, que é aqui: Bocaiúva, Capitão Enéas, Catuti, Espinosa, Francisco Sá, Jaíba, Martins Cardoso, Riacho do Machado, São João da Ponte, Varzelândia, Verdelândia; Janaúba não está com a gente, porque nós trabalhamos com cidades até 50 mil habitantes, Janaúba eu acho que tem 80 mil habitantes, então aqui é do Ministério

das Cidades. Pode passar, por favor. Aterro sanitário de Janaúba, consórcio Serra do

O aterro é

dentro do consórcio, como tinha o processo, o processo tinha começado, no início foi feito um convênio aqui, com a cidade de Janaúba, para implantar esse aterro sanitário, só que a política recomenda que você tenha um consórcio, o consórcio que

dá sustentabilidade. O consórcio, o objetivo dessa metodologia é de você ter triagem, ter compostagem, reciclagem, e vai para o aterro simplificado o minimo minimorum. Aí envolve, foi feito um arranjo, quem faz o arranjo de gestão é o Ministério de Meio Ambiente, e a quem compete isso, a execução das obras, é a Codevasf. Tudo o que eu comentei aqui foi previamente discutido com o Governo do Estado de Minas, Secretaria de Meio Ambiente. Todas as obras que aparecem, que eu citei, elas foram levantadas com um negócio chamado NAP, Núcleo de Articulação de Projetos, que trabalhou em 2003 e 2004 com o advento do Plano de Recurso Hídricos. O que

acontece, que às vezes

Com o andamento do tempo, alguém que assume, vamos

Geral, R$ 2.581.000,00, e tem o de Curvelo. O que é esse aterro? Não

supor, o poder e tal, não tinha conhecimento desse processo. Isso daí demandou da sociedade, tem tudo conversado nesse contexto. Eu queria agradecer a oportunidade que foi nos dada aqui, e a gente

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Você podia ter explicado isso daqui

Sr. ATADEU FERREIRA DA SILVA: Ah! Tá, você desculpe aí de água, comunidades rurais. Tem os poços tubulares que já vêm de

tem tradição na região, seja de emenda parlamentar, ou de outra natureza, e tem também o Programa Água para Todos, que é de cisternas individuais, cisternas instaladas, são 7.391 cisternas, aquelas cisternas de placa; cisternas instaladas, 244; pequenas barragens de acumulação são 30 unidades. Pode passar desenvolvimento

Abastecimento A Codevasf já

regional; atividades desenvolvidas: Estudo e monitoramento da qualidade da água da barragem, que já foi comentado; produção de alevinos e a estação de piscicultura;

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS realização de pesquisa Pode dar sequência? Pode passar.

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

realização de pesquisa

Pode dar

sequência? Pode passar. Essa parte

Parte de avicultura, nas

Pode passar, por

favor. Tem o Projeto Amanhã, que trata da população de baixa renda, a gente está

atendendo essa região toda

Eu vou parar por aqui, porque eu

acho que o tempo está esgotado, qualquer coisa a gente conversa mais. Eu agradeço a oportunidade, e a nossa equipe, que eu mencionei, vai estar à disposição, assim como eu também estarei à disposição para tentar colaborar nas eventuais perguntas que forem a nós endereçadas. Muito obrigado.

Pode passar, por favor. Irrigação, o

sistema de irrigação que vocês têm. Eu não vou

regiões tem ao longo aí da

desenvolvimento econômico e social, pode ir passando

Isso é uma parte de APLs, que é o

Pode passar, que o pessoal conhece bem isso aí, pode passar

Pode passar, por favor

Aqui é a estação, pode passar

Você pode

Desses 17 municípios, pode passar

Pode passar

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Gostaria de agradecer o representante da Codevasf, o Sr. Atadeu, pela apresentação. E aproveitar, Sr. Atadeu, e fazer alguns questionamentos, e também a toda a equipe da Codevasf. Primeiro, dentro do roteiro proposto, o senhor já explicou o histórico da barragem, disse um pouco sobre os motivos da criação, mas eu gostaria de saber do senhor e da equipe da Codevasf se agora, nesse momento, vocês possuem informações a respeito dos valores de investimento que o Governo Federal efetivamente aplicou para criar a barragem, ou seja, nos idos lá da década de 70, para sua criação, e toda a estruturação, e inclusive com os processos de desapropriação também.

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Você responde ou eu respondo? Bom, esse

acervo que

foi colocado aqui. O que nós e

valores, mas você tem que buscar a atualização. Nós não temos isso aqui, em números redondos, para te colocar aqui, agora, nós podemos verificar para providenciar isso daí numa outra oportunidade, e analisar. Seria um chute, você chegar você tem chegar, que atualizar valores, e também a questão dos processos teve muita mudança, inclusive cartoriais, aqui da região, que foi trabalhado muito

Em números macro, poderíamos chegar a alguns

Quer dizer, esse histórico todo, ele vem da década de 70, conforme já

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS aqui, eu fui ao Cartório de Nova Porteirinha,

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

aqui, eu fui ao Cartório de Nova Porteirinha, eu lembro, uma época, sobre isso. Mas é um assunto que tem que ser garimpado, não é tão simples assim, você colocar um

Podendo cometer uma falha.

número, um valor, hoje, atualizado, e a gente estaria

O que a gente pode aqui compromissar é de, numa outra oportunidade, apresentar

esse valor.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Só para complementar a parte da desapropriação, nós fornecemos ao Ministério Público a relação nominal, área e valor da desapropriação. Quanto à obra, é isso o que Atadeu falou, nós temos que atualizar valor, está certo? Mas toda a desapropriação, a preços da época, foi fornecida ao Ministério Público.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Só uma pergunta também, porque eu lembro

que, conversando há um tempo atrás, eu acho que eu ainda estava em Montes Claros,

E

também uma reunião que a gente teve na Coordenadoria do Patrimônio Público, com

o Dr. Paulo Márcio, para tratar da questão da

Público Federal também, porque tem áreas que foram desapropriadas, então áreas

A

gente quer informação do que está sendo feito atualmente para ter esse controle, para

que a União, através da Codevasf, tenha esse controle. Parece que na época havia a sinalização da contratação de uma equipe, eu queria saber se essa equipe foi

contratada, se está trabalhando

que pertenciam, em tese, à União, para a implantação da barragem. E foi o que

a gente fez lá umas reuniões para tratar dessa reserva legal, que está sendo

Acho que o MPE e o Ministério

Como é que está essa situação?

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Esse assunto está em discussão, para ser incluído no trabalho a ser desenvolvido pela Fundação Santo Agostinho, nós estamos

em fase

para a celebração de um TAC, para que seja feito esse trabalho, não através de uma contratação da Codevasf, mas talvez da fundação, através de um TAC com o Ministério Público.

Já foi feito o planilhamento dos custos desse trabalho, e estamos evoluindo

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu queria saber se já tem alguma por exemplo, fiscalizando a área que é de propriedade da União.

Guardas,

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS TATIANE A. ALMEIDA DE CARVALHO: Já, já tem.

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

TATIANE A. ALMEIDA DE CARVALHO: Já, já tem. Isso contratação, no final do ano passado foi licitado, e os guardas

os guardas já estão fazendo a fiscalização do entorno, só com o intuito de detectar novas ocupações, eventuais novas intervenções, para noticiar tudo isso para o Ministério Público, entendeu?

Nós já fizemos uma Já está implantado, e

FABRÍCIO COSTA LOPO: Dentro desse questionamento, Sra. Tatiane, Sr. Atadeu e membros da equipe, eu gostaria que vocês pontuassem um pouquinho mais a respeito das providências que a Codevasf tem adotado, dentro da proteção do entorno da barragem, não é? Você já acabou de dizer da contratação da equipe de vigilância, para diagnosticar novos focos de construções. E eu gostaria que vocês tecessem um pouco mais de consideração a respeito das outras providências, medida que a Codevasf também já vem adotando, e com relação também àquelas construções que porventura estiverem situadas em áreas que são da Codevasf.

TATIANE A. ALMEIDA DE CARVALHO: Bem, em relação a essa questão, a gente pode complementar com o repasse de recursos que foi feito para a APM, para o

Para auxiliar no desenvolvimento do trabalho de cadastramento

das ocupações já detectadas, que é um trabalho que está sendo desenvolvido, e que coube a nós, através de um TAC celebrado com o Ministério Público, o repasse dos recursos para garantir o suporte logístico para o desenvolvimento desse trabalho.

Além disso, é

desenvolvimento

Nós estamos

Qual que é a outra?

FABRÍCIO COSTA LOPO: Nas hipóteses de construções situadas em áreas que são da Codevasf?

TATIANE A. ALMEIDA DE CARVALHO: Nessas hipóteses, nós temos algum

Algum

componentes: Nós temos a obrigação de alienar imóveis só mediante licitação, em princípio, e temos também a questão ambiental, nós não podemos alienar áreas de APP. Então, primeiro nós teremos que fazer esse trabalho de diagnóstico, que é um

passo

Uma dificuldade maior de atuação, porque temos os seguintes

O próximo passo do que está sendo discutido, dessas ações capitaneadas pelo

Ministério Público, e que a Codevasf está com essa parceria para desenvolver. O primeiro passo é o diagnóstico efetivo dessas áreas, e a partir do momento em que

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS houver o diagnóstico, a Codevasf vai ter que

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

houver o diagnóstico, a Codevasf vai ter que adotar as posturas que a legislação determina. No caso da área de APP, em princípio nós não podemos fazer alienação e aí, se for detectado que a área é de propriedade da Codevasf, a gente vai ter que adotar as medidas judiciais para a correção da situação, para a retirada do pessoal.

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Eu queria completar, caso possível. Nós já

vimos labutando nessa questão há muito tempo, para tentar resolver isso, nós

Não é fácil arrumar recurso da União, parece

E com o

advento dos programas de revitalização, a gente conseguiu alocar algum orçamento

para fazer o cadastro de uso do solo da bacia, foi feito isso. Esse material foi mostrado ao Ministério Público, o Ministério Público entendeu que esse trabalho

arrumamos um recurso que foi feito

que é simples, principalmente esse dinheiro, que é um dinheiro de corrente

deveria ser mais qualificado, aí nós arrumamos um orçamento para isso; esse orçamento foi uma tentativa de fazer um convênio com a Unimontes, na época, foi o

primeiro contrato, e esse contrato teve que ser

do

não conseguiu fechar naquilo que era necessário para fazer o trabalho. Então, a ideia

Era de fazer a licitação direta, mas houve por

bem fazer um convênio com a Unimontes, e a coisa não avançou, ato contínuo, e

esse dinheiro

orçamento, que não foi fácil arrumar esse orçamento, nós conseguimos alocar esse orçamento do programa de revitalização, 2011 a 2014, e esse dinheiro foi destinado

para cá, aí a Codevasf ia tocar esse assunto direto, e o Ministério Público entendeu

que seria melhor fazer uma parceria com

que a gente tinha na época, quando

Ele não foi avante por questão

Do objetivo da ação. O que é o objetivo da ação? Em termos de referência,

Foi

De

E então perdeu esse recurso. Aí nós conseguimos um outro

Eu não sei com quem

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Com a Santo Agostinho, a fundação

Com a fundação que o

senhor chegou, nós temos que fazer esse trabalho primeiro, nós temos que ter um mapa de solo, um mapa de uso do terreno, totalmente identificado, valoração, etc., é

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Exatamente. E nós

a primeira etapa. Fazendo isso, o Ministério Público vai dar uma analisada, se precisar aprimorar mais, vai ser aprimorado. Outras demandas que foram solicitadas,

que também

Que a gente buscou orçamento, foi para a segurança, que está sendo

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS colocada aqui dentro, teve questões quem faz e

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

colocada aqui dentro, teve questões quem faz e quem não faz, ajustou. Só que a

Codevasf, ela não tem poder de polícia, então ela buscou os elementos, o que foi

Então, Promotor, o estágio, hoje, depende de a gente

solicitado ela buscou. Então

fechar esse diagnóstico; a partir do diagnóstico, aquilo que é de responsabilidade de

A e de B vai ter que ser tomada, mas sem o diagnóstico já não pode.

MÁRRISSON MAURÍCIO MENDES: O que

pergunta aqui é o seguinte, quando fez o projeto da barragem, estabeleceu-se a sua linha máxima, a área de preservação permanente, que foram objeto da desapropriação. O que se pergunta é o seguinte: Essa quantidade de construção, que existe em torno da barragem, está dentro da área da preservação permanente, então essa área é da Codevasf, ou não é da Codevasf? Houve desapropriação, ou não

A curiosidade geral, e o que se

houve? E como é que houve essa ocupação tão Codevasf?

De forma tão passiva, para a

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Primeiro, não foi passiva, não é? Como nós vivemos num país que tem Plano Diretor, a pessoa invade, monta favela em morro,

Morro do Bumba é isso, aquilo

é administração particular

acontece isso. Então isso aí aconteceu mesmo, é um fato que é verdade, o senhor está

comentando, tem áreas

fiscalização, ninguém está dizendo que é o contrário, do mesmo jeito que os Planos

Diretores da cidade explodiram. Nós temos, lá em Brasília, que o senhor deve

conhecer em torno do lago, o pessoal invadiu o lago, e eu quero ver quem tira lá na

marra

Mas o fato é isso que o

seguinte, nós temos que fazer uma análise, mais

Fatalmente,

Tem que discutir, é isso que nós estamos propondo aqui. Então a coisa é o

O pessoal invadiu essa área, faltou fiscalização, faltou

O senhor chega lá, o senhor prega fogo em tudo? Não

O senhor sabe que a Administração Pública, ela não

Mais

senhor levantou, aquilo que for área da Codevasf, porque não

conforme a doutora comentou, a partir desse diagnóstico, discussões jurídicas,

Não faz no canhão, e vai ser ajustado, inclusive No Código Florestal que está vindo aí, tem que

porque hoje você não faz mais no

com ótica no plano de discutir isso.

No plano

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS MÁRRISSON MAURÍCIO MENDES: Eu estou perguntando o seguinte,

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

MÁRRISSON MAURÍCIO MENDES: Eu estou perguntando o seguinte, na verdade

É porque a audiência

está sendo gravada, e vai ser degravada depois, então eu só pediria que você se

identificasse, para constar que a fala é sua, por favor. Obrigado.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Oh Marrison, só um minutinho

MÁRRISSON MAURÍCIO MENDES: Perfeitamente. O meu nome é Márrison, eu sou Promotor de Justiça da Comarca de Janaúba, também. Então a curiosidade para a

população, e para mim, me causou assombro, de certa forma, quando eu comecei a atuar nesse procedimento junto com a Dra. Vanessa, a pergunta que nós fazíamos era

a seguinte

Onde que é a área da Codevasf está? Porque, para todo mundo aqui, é ocupador, possuidor de boa fé, eles entraram de forma legítima, segundo a maioria; se entraram de forma legítima de forma passiva, sob os olhos da Codevasf, da Administração Pública Municipal, do Estado de Minas Gerais, e agora vão dizer a eles, “Não, essa área não é de vocês, essa área é da Codevasf”, que limite é esse? E onde ele foi estabelecido, e a partir de quando, é a pergunta que se faz.

Mas espera aí! Então hoje está todo mundo aqui, incrédulo, sem saber.

[palmas].

Eu não vou entrar no

mérito jurídico, porque eu não sou advogado, eu vou entrar no mérito administrativo

e técnico que eu conheço. Primeiro, houve invasão na área, até independente de a

área ser ou não ser da Codevasf, como é APP, não podia ter invadido, então para isso nós temos todas as forças do Estado que cuidam disso. Nós temos o IEF, tem o Ibama, todo mundo tem conhecimento disso. É o governo que está trabalhando, é o

Agora vamos

Governo Federal, Governo Estadual, e o Governo Municipal, eu não

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Bom, algumas coisas

dar um outro salto: Nós temos duas discussões, uma é a questão de APP, a outra é a

Para mim foi invasão, até

questão das invasões, que o senhor está dizendo que

prova em contrário, o senhor está dizendo que eles entraram de forma legítima,

então

MÁRRISSON MAURÍCIO MENDES: Não, são eles que dizem lá

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS ATADEU FERREIRA DA SILVA: Então, mas o senhor

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Então, mas o senhor está assumindo o que eles falaram, então

MÁRRISSON MAURÍCIO MENDES: O senhor veja bem, eu mesmo já os chamei à satisfação, e mais de mil vezes [ininteligível], chamando a Codevasf para uma ação, chamando a Codevasf para a responsabilidade, e ninguém aqui veio! Inúmeras vezes! Até chegarmos a propor de irmos nós dois atrás do Ministério Público Federal, para trazê-los para o problema, porque a Codevasf, sim, deveria estar atuando no polo ativo e foi omissa ao longo desses anos todos. Com a permissa vênia, essa a palavra chave que eu achei, porque nós não tínhamos sequer o limite que poderia ser referência, da Codevasf, que pudesse legitimar a nossa atuação.

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Nós temos um mapa, Sr. Promotor, nós temos um mapa que foi levantado, e esse mapa é de conhecimento inclusive do Ministério Público, o que aconteceu com o mapa foi o seguinte, no ano de 2007 nós produzimos esse mapa, esse mapa tem o levantamento total da área, então tem os limites. Aí que o aconteceu? O Ministério Público solicitou, para Codevasf, que fizesse, que

melhorasse o arranjo interno a partir desse mapa, a partir desse mapa, que é o marco regulatório que a gente tem, nós temos esse mapa, a gente sabe que o limite é ali,

talvez o senhor

mais, ou a menos, que eventualmente

Que, por exemplo, a inundação e os fatos que

Não conheceu o mapa, mas esse mapa existe. Agora, um ajuste ou a

eu cometi lá atrás podem ter causado algum distúrbio, tem que fazer um ajuste, mas

não quer dizer que não sabe onde é o marco regulatório, o marco existe, sim.

VANESSA DO CARMO DINIZ: Dá licença? Bom dia a todos. O meu nome é

Vanessa, eu sou Promotora aqui da

Atadeu, e todo o corpo técnico da Codevasf, eu acredito que alguns até chegando, não é? Muito depois da barragem, o questionamento nosso, e a indignação do DR. Márrison é, na verdade o seguinte: Eu cheguei em Janaúba no ano de 2002; por coincidência ou ironia do destino, a primeira reunião que eu participei em Janaúba foi uma reunião do Codema, onde já se questionava a questão da barragem, e eu fui me deparar com um procedimento aberto na Promotoria de Justiça, que foi o

procedimento que o Dr. Fabrício citou aqui. E como ele

Ele esclareceu, na época

Da Comarca de Janaúba. Na verdade, Sr.

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS não havia um Promotor específico do meio ambiente,

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

não havia um Promotor específico do meio ambiente, e eu atuava na Promotoria de

Através de cooperação. Então assim, não é? A gente não

está aqui para justificar a falta da estrutura, a dificuldade humana, enfim, mas, naquela ocasião, uma das primeiras coisas que nós fizemos, que o DR. Márrison colocou aqui, Sr. Atadeu, foi um ofício à Codevasf, solicitando esse diagnóstico de

identificar qual a área desapropriada, porque só a Codevasf pode fazer isso para nós, qual a área desapropriada, qual a área da preservação permanente? E isso tem dez anos! E hoje, quando o Dr. Fabrício questionou sobre essa área, vocês não souberam responder, dizendo que esse diagnóstico ainda está sendo feito. Então, a nossa preocupação e a nossa indignação, talvez nesse sentido, sejam porque dez anos, dez anos que eu estou aqui, não é? Mas o senhor está colocando aí que o tempo que isso está sendo discutido, cada um fazendo o seu trabalho, dentro das possibilidades, mas o nosso questionamento aqui, hoje, é o seguinte, por que dez anos para fazer esse diagnóstico? E eu sou testemunha disso, porque no dia em que eu cheguei, esse procedimento já existia, e uma solicitação que a gente fez, à Codevasf, foi que apresentasse, o Paulo Cesar também já era da época, que apresentasse esse diagnóstico para nós. E hoje, passados mais de dez anos, a gente questiona sobre o

Ainda está sendo contratada a empresa ou

diagnóstico, e ele ainda tá sendo feito

convênio, enfim o quê, para poder fazer. Então o nosso questionamento é mais nesse sentido, por que dessa demora?

Meio Ambiente de forma

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Primeiro, eu lembro, eu participei da primeira reunião com a senhora, eu me lembro disso aqui, a senhora estava chegando, eu inclusive te subsidiei de informações, eu te mandei informação, você se lembra disso, não é? Pois é. Bom, então vamos voltar à questão. O caso é o seguinte, nós fizemos aquele levantamento, sim, nós temos o levantamento, eu já comentei com a senhora, o que faltou foram detalhes que o próprio Ministério Público analisou, e pediu para melhorar o enriquecimento. E isso foi feito, nós arrumamos orçamento, expliquei como é que perdeu o dinheiro, e agora nós temos um outro orçamento que foi alocado, foi passado esse orçamento para o Ministério Público para contratar, para conduzir o processo.

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS VANESSA DO CARMO DINIZ: Então vocês sabem identificar

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

VANESSA DO CARMO DINIZ: Então vocês sabem identificar as áreas desapropriadas, e dizer quem é que está em área desapropriada

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Não, nós temos

VANESSA DO CARMO DINIZ: e quem não está?

ATADEU FERREIRA DA SILVA: A primeira coisa

VANESSA DO CARMO DINIZ: É isso o que a gente quer! É concreto!

Deixa eu

falar, a primeira coisa que a senhora perguntou é o limite, quem estiver dentro do limite, está na área invadida! O que nós temos que fazer agora, o que o processo vai fazer é identificar o imóvel, verificar a valoração desse imóvel aí, para tomar uma

decisão. O limite, a poligonal foi feita, o Ministério Público pediu, achou que o que estava ali dentro faltava uma informação, para tomada de decisão, e é esse o processo. Então àquela época em que a senhora pediu, que foi encaminhado, foi feito, só que o produto apresentado, com a análise de tomar a decisão, entendeu-se, o Ministério Público, que ele era frágil. Agora, quem estiver dentro daquela poligonal,

aí é outra questão, está

ATADEU FERREIRA DA SILVA: A primeira coisa que perguntou

Tem que ter toda a discussão.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Se todo mundo estiver de acordo, eu acho a gente

poderia fazer a seguinte estratégia, eu acho que os outros

fazer as apresentações também, e eu acho que as apresentações são complementares,

e até

Essa questão que o Atadeu está falando, salvo engano, eu que era Coordenador

Regional na época, esse inquérito civil aqui de Janaúba estava lá em Montes Claros,

a gente estava cooperando, e nós fizemos várias reuniões com a Codevasf

fizemos várias reuniões com a Codevasf acerca dessa questão, que a gente chamava,

à época, de Plano Diretor, mas não era bem isso tecnicamente, mas que se deu o

nome, não é? Que desde aquela época que a gente estava discutindo. A Codevasf realmente apresentou para a gente um documento com imagens de satélite,

georreferenciado

para a Prefeitura, para o Codema, fizemos inclusive combinações conjuntas, não é?

Tem outras pessoas para

Aí depois a gente abre para as perguntas, que pode ter mais esclarecimento.

Nós

Esse documento, a gente solicitou que a Codevasf encaminhasse

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Acho que foi antes disso porque a área

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Acho que foi antes disso porque a área era de

Vanessa. Mas, de fato, que realmente aí nós já tínhamos essa parceria com a Fundação Santo Agostinho, e diversos projetos envolvendo imagens de satélite, e a

Fundação Santo Agostinho, através do Prof. Vinícius, analisou essas imagens para a

gente, e acho

necessidade de algumas complementações. Mas eu me lembro de que nas imagens, eu acho que o Prof. Vinícius pode falar isso melhor, já é possível a gente identificar o que é APP, o que é cota de inundação, e o que é que foi desapropriado. Tinha uma planta que não estava georreferenciada, parece que a Santo Agostinho estava tentando fazer um trabalho técnico, para pegar essa planta, que a Codevasf tinha, em papel ainda, antiga, e jogar isso nessa imagem de satélite, para a gente ter uma noção. Então por isso que está sendo possível a Santo Agostinho fazer esses relatórios, hoje, que estão subsidiando, podem subsidiar eventualmente a atuação do Ministério Público. Eu acho que seria interessante se os outros fizessem as apresentações para a gente ter essa visão geral, e depois ir para o debate

Agora, depois a Ana entrou no meu lugar, e parece que houve

E havia o risco de loteamentos em áreas públicas, eu e

Nós dois, não é? Falando que nós tínhamos dúvidas,

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Só para concluir aqui, esse levantamento,

primeiro, ele tem

Nós temos, todo o trabalho tem marcos georreferenciados. O que está ali dentro, o que o senhor está levantando o que está dentro da área é que tem necessidade, de

fato, de qualificar. Esse

que qualificar a propriedade

ele vai chegar nisso, ele já tem o limite de preço, nós partimos da cota de

inundação

por segurança da cota de inundação, que é a dobreira da barragem, que é você chegar onde inunda, e chegar na APP, então foi feito o marco regulatório, sim, nós temos esse material.

A cota de desapropriação e a cota de inundação. Só que nós partimos,

Você tem até localidade de propriedades, tal e tal, mas tem

Foram colocados marcos georreferenciados lá na barragem, foi

Então, esse mapeamento que está sendo feito agora,

FABRÍCIO COSTA LOPO: Pessoal, eu vou pedir licença para vocês, eu vou convidar o Prof. Vinícius para integrar a Mesa. E agradecer a Codevasf a apresentação nesse momento; no final a gente pode retornar ao tema, para que a

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS gente possa seguir o roteiro, e temos trabalhos.

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gente possa seguir o roteiro, e temos

trabalhos. Muito obrigado. Prof. Vinicius, por favor.

E tenhamos uma sistematização aqui dos

RONALDO RODRIGUES: Só um minutinho

ficou em aberto aqui, para que não deixe transparecer uma

Só porque tem uma questão que

FABRÍCIO COSTA LOPO: Você se identificar e

RONALDO RODRIGUES: Ah, o meu nome é Ronaldo Rodrigues, eu sou Assessor Jurídico lá da Codevasf. E uma preocupação nesse momento aqui, agora, é deixar as coisas avançarem com uma impressão de uma situação que não existe, certo? Quando colocou a questão deste primeiro trabalho, que foi questionado pela Dra. Vanessa, “Cadê, aonde é que está”, e tal, parece-me que foi por uma solicitação até do próprio Ministério Público, que achou, entendeu, naquele momento, que não fosse interessante a contratação direta pela Codevasf, isso já está até me corrijam, eu vou pedir auxílio da doutora, que acompanhou melhor essa situação, e é importante que não avance a audiência sem esclarecer essa situação.

TATIANE A. ALMEIDA DE CARVALHO: Só para esclarecer esse ponto aqui, a questão técnica de

FABRÍCIO

COSTA

LOPO:

por

gentileza,

se

identificar,

Tatiane

Se

identificar.

TATIANE A. ALMEIDA DE CARVALHO: O meu nome é Tatiane de Carvalho, eu sou Assessora Jurídica da Codevasf, eu venho participando dessas discussões já há algum tempo. Esse levantamento técnico da cota de inundação, lançamento de marcos em campo, e consequentemente projeção de APP, isso foi feito já em 2007, atendendo à demanda que foi feita, e foi tudo repassado ao Ministério Público. A partir daquele momento chegou-se à conclusão de que seria necessário maior detalhamento, inclusive com a identificação da área que foi efetivamente

desapropriada, isso

Em princípio, a Codevasf fez um termo de referência para fazer

uma licitação, e contratar. Contudo, como o pessoal da Fundação Santo Agostinho,

através do Prof. Vinícius, já estava enfronhado nesse processo a título de colaboração

com o Ministério Público, a

O encaminhamento foi no sentido de que ao invés de

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS que a gente lançasse uma licitação na praça

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que a gente lançasse uma licitação na praça para contratar uma empresa para fazer, que fosse feita uma parceria com a fundação, que já tem conhecimento desses fatos para, através do Ministério Público, para dar continuidade à nesse trabalho. Nesse momento, a fundação já foi feito o termo, a Codevasf já fez todo o termo de referência, a fundação já fez o planilhamento, e nós estamos aguardando a proposta do TAC do Ministério Público que, em princípio, esse trabalho está orçado em cerca de R$ 600 a R$ 700 mil. Já foi feita a dotação orçamentária para isso, inclusive a gente está com a situação em aberto lá, junto ao Comitê Gestor, que isso foi recurso do PAC, foi priorizado para fazer essa ação. Ela só não foi desenvolvida ainda, até o momento, porque a gente não chegou à fase da finalização, de minuta de TAC, e de planilhamento dos trabalhos, para que a Codevasf possa fazer o efetivo repasse dos recursos, entendeu? Então, o que foi demandado até o momento, no que se refere à Codevasf, está dependendo de outras atividades, que são alheias a nós, para que seja dada continuidade.

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Atadeu. Só concluindo, a Codevasf ia contratar direto, porque nós hoje temos que fazer licitação pública, nós não podemos

Questão de notório saber, para esse serviço, não existe mais. O Ministério Público entendeu, fez o encaminhamento de que deveria fazer uma parceria, e citou o que é a parceria. Com o Ministério Público como respaldo, quem somos nós para dizer que

a Se não podia ser feito. Então é isso que está acontecendo. Nós já providenciamos

o orçamento, providenciamos, aí o que está faltando é justo o termo de referência,

A Codevasf entrou para ajudar a montar o termo de referência, porque

que foi

estava tendo dificuldade de ser montado. Então nós estamos na verdade, aguardando

até ordem de serviço.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Bem, eu agradeço a Codevasf pela apresentação, pela fala. Precisamos prosseguir, inclusive o Comando da Polícia Militar, que esteve presente, tem horário, então nós vamos seguir o cronograma, e ao final nós vamos abrir novamente para o questionamento. Bem Prof. Vinícius, por favor, integre a

Mesa, que todos clamam pelo senhor

Claro, fique à vontade, o senhor e sua equipe.

Com a palavra agora o Prof. César Vinicius Néri, professor doutor da Faculdade

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Santo Agostinho, especialista no levantamento georreferenciado, e perito

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Santo Agostinho, especialista no levantamento georreferenciado, e perito da

Promotoria, da 3ª Promotoria de Justiça, e da Coordenadoria de Meio Ambiente. Não é preciso dizer para todos, por favor, desligarem o celular, ou colocarem no

silencioso

Obrigado.

CÉSAR VINÍCIUS MENDES NERY: Boa tarde a todos. Em nome do Presidente da Mesa, Dr. Fabrício, eu cumprimento a todos. Vamos apresentar aqui como a gente tem feito o monitoramento ambiental da represa do Bico da Pedra. Na verdade, nós

fomos, em 2009, procurados como peritos do Ministério Público para ajudar, com uma orientação técnica, na instauração de procedimentos aqui na barragem, certo? Aí se formou um grupo interinstitucional que teve a Codevasf, o Ministério Público, o IEF, Codema, uma série de órgãos que participaram desse grupo de trabalho inicialmente, certo? Na verdade, a minha parte ali, àquele momento, era a necessidade que eles tinham de espacialização das informações, igual vocês estão falando aí, planta-desapropriação; existe a planta-desapropriação, mas onde é que está? Qual a localização dos imóveis? Quais são os imóveis? Essa era uma das questões. Bom, vamos fazer um breve histórico aqui. Em 2009, com a Dra. Vanessa

e o Dr. Paulo Cesar a gente formou esse grupo de trabalho, e começamos a solicitar algumas informações da Codevasf; essas informações foram fornecidas, e nós montamos um banco de dados geográfico, um projeto em SIG, não é? Sistema de Informações Geográficas. Em 2010 eu tive acesso a um levantamento do Codema, uma pesquisa que o Codema fez, e naquele momento tinha 110 propriedades no

entorno da barragem. Ah, eu não sei se foi feito em 2010

Acho que em 2009 esse

trabalho. Daí, em 2010, a Codevasf, por meio de um ajustamento de conduta, eu

acho, adquiriu imagens de alta resolução, da barragem, certo? Para a gente fazer um estudo sobre essa ocupação. Daí começou a elaboração de alguns laudos técnicos, estudos exploratórios e o IEF local também andou fazendo algumas periciais pontuais ali, naquele ano. Em 2011 nós realizamos um trabalho já com essa imagem,

E da cota da inundação, APP e

e identificamos 296 imóveis dentro da área APP

cota de inundação. Elaboramos também nesse ano laudos técnicos, e teve a primeira portaria. Em 2012, que é o ano corrente, nós já temos aí essa menção do termo de referência, certo? Que é para fazer um levantamento mais minucioso dessa ocupação,

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS e iniciaram também alguns levantamentos da Polícia de

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

e

iniciaram também alguns levantamentos da Polícia de Meio Ambiente. Na verdade,

o

que a gente está fazendo, o nosso trabalho é a criação da um banco de dados com

as informações espaciais. O que é esse banco de dados? Nós temos o banco de dados, ele pode ser dividido em planos de imagem, planos vetoriais, e planos temáticos. Nos planos de imagem, os planos Raster, são as imagens de satélite; nós temos, por exemplo, nesse plano as imagens de satélite com meio metro de resolução espacial, porque, na verdade, a gente consegue identificar, nessa imagem, objetos maiores do que meio metro, certo? É uma imagem de alta resolução da área, foi com essa imagem que a gente identificou as casas que estão dentro da área de APP. Bom, temos também a imagem de foto área da Codevasf foi fornecida pela Codevasf, foi feita num tempo anterior, temos também imagens do satélite Landsat, que é um

satélite americano, que foi o primeiro, um dos

tem, essa imagem é de antes da construção da barragem, certo? Então nós temos aí

margeamento também antes da construção da barragem. Nos planos vetoriais, nós temos um cadastro da região, é um trabalho também que foi fornecido pela Codevasf,

um cadastro não dos imóveis, individualizados

época lá, uma plana da Dnocs, certo? Mas um cadastro das cercas, das estradas, tudo, foi feito um levantamento, temos a planta de desapropriação. Essa planta de desapropriação, ela foi fornecida pela Codevasf, é uma planta não sei se levantada pela própria Codevasf ou pelo Dnocs, que começou o processo. Essa planta a Codevasf vetorizou, certo? Era uma planta em papel, em meio analógico, ela foi vetorizada, e foi-nos repassada, a gente tem essa planta no banco de dados. E temos também a linha da cota de operação, a cota de inundação, certo? Essa cota de inundação, ela foi demarcada em campo, são aqueles marcos que tem lá, ali tem uma linha, que é a cota de operação, certo? A cota de inundação que está lá. Segundo Todas essas informações, elas nos foram repassadas pela própria Codevasf, certo? Então existe lá um banco de informações, livros, CDs, e se alguns estão dizendo, se é ou não a cota de operação, a Codevasf afirma que aquela linha, aqueles marcos que estão lá são a cota de operação, certo? E daí nós trabalhamos também com alguns planos temáticos, que é a área antropizada, a APP, e essa área de cota de inundação. Bom, os planos, eles foram criados em coordenadas, todas essas informações estão

Temos esse também dos imóveis da

Das primeiras imagens que a gente

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS em coordenadas, certo? Latitude e longitude, na época

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em coordenadas, certo? Latitude e longitude, na época nós utilizamos o Datum SAD 69, daí houve uma migração desse referencial geodésico para SIRGAS, e nós estamos providenciando essa migração do banco de dados da barragem para esse novo referencial. Mas isso não muda nada, certo? Se eu tenho aqui, em cima dessa mesa, esse notebook, nessa posição, só vai mudar a mesa de lugar, que o está em cima não muda nada, certo? Se você tem cinco hectares em áreas de APP, você continua tendo cinco hectares em áreas de APP, é uma questão só de localização do plano. Bom, essa aí é uma vista parcial da barragem, certo? A cota de operação, na verdade, foi determinada pela empresa operadora da barragem, no caso a Codevasf, certo? Ela é determinada na cota 574, tomando como base o Sistema Geodésico Brasileiro, e também na 553, quando o referencial é o marco do IBGE, certo? Essa

Essa, segundo a Codevasf, isso aqui é à mesma coisa, certo? 574 e 553 são nomes diferentes para a mesma coisa, certo? Aquela cota que está lá, porque mudou também

o referencial de mapeamento altimétrico. Bom, aí nós temos uma vista parcial

verdade, a determinação de APP, ela parte da cota de operação, baseada na Conama 302/2002, que diz que são cem metros para reservatórios artificiais, em áreas rurais. Para ser área urbana, tem que atender esses requisitos: Definição legal do Poder Público; existência de, no mínimo, quatro desses itens, certo? Malha viária, rede de abastecimento, rede de esgoto, energia elétrica, recolhimento de resíduos sólidos urbanos, tratamento de resíduos sólidos urbanos, e, além disso, uma densidade demográfica superior a cinco mil habitantes por quilômetro quadrado, certo? Essa cota então foi definida como cem metros. Daí, nós temos números diferentes aqui, aos da Codevasf: Sob a área inundada nós achamos 3.642 hectares; um perímetro de 170 quilômetros; e uma área de preservação de 1768,89 hectares. Atualmente nós temos lá, segundo os levantamentos, 296 residências, 79 delas encontram-se dentro da área da cota de inundação, e outras 217 entre a cota de inundação e a área da preservação, de APP, dentro de APP, não é? Um outro estudo que a gente fez também, foi sobre a qualidade da cobertura do solo, como que está a cobertura do solo dentro dessa faixa dos 1.700 hectares; nós podemos notar, aqui, que 15% dessa área já são de solo exposto, certo? Então 15% da área de APP, ela já não cumpre mais uma das funções, por quê? Porque o solo é exposto. Outros 32% têm vegetação,

Na

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Têm sido feitos alguns trabalhos de levantamento desses

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Têm sido feitos alguns trabalhos de

levantamento desses imóveis; esses imóveis, aqui nós temos o levantamento, eles são colocados aqui sobre a imagem, certo? Aí é definida a área que tem dentro de APP. Nesse caso, aqui, esse imóvel aqui tem essa área aqui dentro de APP, e essa área aqui, dentro da cota de inundação. A gente tem feito também a mensuração da área

antropizada, essa aqui é a área que foi desmatada, do imóvel, certo? E aqui nós temos uma vegetação, na verdade, aqui tem 1,3 hectares. Valoração desses danos, dos danos ambientais. Na verdade, aqui a gente não inventou nada, o dado que a gente pega é um dado utilizado pelo Ministério Público, que é proposto pelo Ibama, onde a recomposição, valor do dano ambiental adotado é de 55.473 por hectare, certo? Esse é o dado do Ministério Público, utilizando um critério do Ibama. Esse é o critério do Ibama, depois a gente pode passar isso aí para vocês. Outra situação é valorar o dano ambiental das construções irregulares, lá era do desmatamento, aqui, das construções. Foi feito um estudo pelo próprio Ministério Público, através do Centro de Apoio Técnico, Ceat, e chegaram a um valor de compensação de R$ 45,15 por metro quadrado de construção, certo? A questão da regularização fundiária. Na regularização fundiária nós temos o mapeamento da área desapropriada pela Codevasf, através de uma planta do Dnocs. A Codevasf forneceu também alguns documentos, esses documentos, as informações foram inseridas nesse banco de dados, e temos esse banco de dados com as glebas desapropriadas. Esta aqui é a tal da planta de desapropriação, certo? Que foi fornecida, e a gente fez um trabalho,

Por fim, nós temos que destacar que o

georreferenciou, e colocou em cima, aí

conhecimento científico sobre esses aspectos ambientais de APP ainda é um pouco desconhecido, e quando é conhecido, por muitas vezes é desprezado. Nós temos ali a

interferência do homem alterando a paisagem, interferência nos fluxos de matéria, de energia, e essas pequenas intervenções podem, dependendo do contexto, apresentar uma grande relevância, porque de uma casa o impacto pode ser pequeno, ou duas

Eram, não é? Não sei, já tem um

tempo

Mas já são 296 dentro da área de APP

uma outra questão que eu falei é o efeito cumulativo dessas pequenas

intervenções, que vão se acumulando, não é? As pequenas intervenções, como desmatamento e implantação de barreira física podem prejudicar os corredores

mas uma vegetação esparsa, na é? Bom, é feito

Bom,

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS ecológicos, fluxo gênico, e a manutenção da população

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ecológicos, fluxo gênico, e a manutenção da população de fauna, de flora; problema também que a gente vai ver na qualidade da água, qualidade física, química, e

biológica da água consumida no município, e a diminuição da vida útil do lago, com

o aumento do assoreamento causado pela perda da vegetação ciliar. Então esses são alguns pontos que a gente queria apresentar aí para vocês.

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Bem, Prof. Vinícius

apresentação e pelo trabalho. Eu convido o senhor a integrar a Mesa e participar, até para continuarmos o desenvolvimento dos trabalhos, e ao final podermos estabelecer um diálogo produtivo com os demais participantes. Eu gostaria de convidar a integrar

Prof. Vinícius, agradeço pela

a Mesa o Major Clevison e sua equipe, para apresentação do trabalho da Polícia Militar Ambiental.

CLEVISON PIRES: Boa tarde a todos. O meu nome é Clevison, eu sou o Comandante do 51º Batalhão de Polícia Militar, sediado em Janaúba, sob o qual encontra-se a responsabilidade de 15 municípios, 19 distritos, 295 povoados, perfazendo uma população de 300 mil habitantes. Bem, diz o art. 144 da Constituição Federal que segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, e a Polícia Militar nada mais é do que um integrante do sistema de defesa social, e recebemos o chamamento do Ministério Público para participarmos de um processo de melhoramento da qualidade de vida de todos os

cidadãos que fazem a utilização desta região tão bonita, e que é nossa, que é a Serra Geral. Aqui ao meu lado encontram-se três militares que integram a investida, o acompanhamento, o monitoramento in loco deste levantamento apresentado pelo Dr. César Vinicius. Na verdade, nós tivemos aqui uma construção, e o desencadeamento do roteiro da Audiência Pública foi apresentado primeiramente pelo Dr. Atadeu, por parte da Codevasf, que fez a identificação inicial dos imóveis ali instalados construídos. Num segundo momento, o Dr. César fez a apresentação do seu georreferenciamento, identificando, através do Sistema de Posicionamento Global, um instrumento utilizado pelo GPS; identificados esses imóveis, eles foram plotados

e passados à Polícia de Meio Ambiente para visitação in loco desta realidade

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS apresentadas pelo sistema virtual. E a Polícia Militar

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apresentadas pelo sistema virtual. E a Polícia Militar esteve presente nestes locais, eu vou pedir ao Ten. Felipe para exibir ali os slides, esteve presente nesses locais, que são inicialmente 110 imóveis, no ano de 2009, 2010, e passados aí 365 dias, este

número aumentou para 396

neste mês de junho, Rio+20, nós estamos diante de um cenário mundial que cobra providências por parte das autoridades constituídas, para uma perpetuação até mesmo da espécie humana, onde aí um dos temas centrais de discussão foi exatamente a sustentabilidade. A Polícia Militar comparece a esses locais plotados, identificados pelo GPS, fazendo a visita rasteira, na superfície, convida o cidadão a identificar-se como residente, ou como proprietário do imóvel, ali ainda a Polícia Militar registra a

área física construída, com mensurações inclusive da área ocupada, a estrutura física, ou a estrutura não física, coberta pelos muros, e também percebe-se ali, através de fotografias, algumas práticas de degradação do meio ambiente, que podem comprometer o nosso futuro, porquanto nós também bebemos desta água, em resumo. O Ten. Felipe vai exibir ali o mapeamento inicial com os 296 imóveis plotados, no entorno da barragem, ok? Esta aí é a área, de forma mais detalhada, o trabalho realizado, ok? Nós temos ali, obviamente foram omitidas as identificações visuais das pessoas, para não constranger ninguém aqui, mas nós estamos observando ali as imagens, que são parte integrante do Termo de Ajustamento de Conduta que foi assinado pela Polícia Militar e pela Codevasf, como uma das atribuições da Polícia Militar, fornecer elementos ao Ministério Público tais como identificação do proprietário, área construída, localização, endereço, in loco, na superfície, bem como fotografias. Aliado a esse aparato técnico que nós possuímos, nós ainda fornecemos ao Ministério Público essas fotografias, ok? Esses flashes, estas fotografias estão dentro, guardadas as suas devidas proporções, em muito dos

imóveis ocupando as áreas de APP, ok? Ok

Bem, foi uma apresentação bem

rápida, para não causarmos aqui nenhum impacto visual, mas o que nós temos verificado ali, in loco, são exatamente degradações ambientais como poda, cortes de

E isso aí tudo encerra-se com a

árvores, má utilização das questões de esgotos

lavramento de um boletim de ocorrência, e isso aí tem um gravame maior, esse gravame maior é com aplicações de multas. Nós hoje, temos, ali na área, fazendo

296 imóveis. Pegando um gancho no que aconteceu

Ok

é

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS esse levantamento, dos 296 imóveis, alcançamos 89 imóveis

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esse levantamento, dos 296 imóveis, alcançamos 89 imóveis verificados, relatados,

Não estou dizendo aqui que os 296 tão pouco os 89 imóveis estão

praticando degradação ambiental, mas nós temos alguns casos isolados, que têm causado preocupação. Esse é o trabalho da Polícia Militar, de verificar in loco, e fornecer elementos ao Ministério Público, para posteriores providências nesta Audiência Pública. Acho de extrema importância a iniciativa do Dr. Fabrício como responsável, como guardião do meio ambiente de nossa região; na verdade, o Ministério Público, constitucionalmente, ele é o guardião dos interesses da cidadania e da sociedade como um todo, e todos nós aqui devemos nos fortalecer para um empreendimento de melhoria da qualidade de vida, para nós e nossos descendentes. Aqui eu encerro as minhas palavras, Dr. Fabrício com o agradecimento por incluir Polícia Militar nesse projeto. Muito obrigado.

registrados

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Major Clevison, eu que agradeço enormemente ao Comando e à Polícia Militar por ter nos auxiliado, estar nos auxiliando nos trabalhos de levantamento. É um trabalho árduo, nós sabemos disso, e sabemos das inúmeras outras atribuições que a Constituição acomete a Polícia Militar. Sabemos da necessidade, cada vez mais, de policiamento ostensivo nas cidades, nas ruas, e sabemos o quão importante está sendo esse trabalho da Polícia Militar para todos nós. E, por conta disso, eu agradeço em nome dos demais Promotores e do Ministério Público, todo o auxílio, toda a atenção, e todo o trabalho que o senhor e sua equipe têm desenvolvido. Eu gostaria, apenas para finalizar, que o senhor pudesse passar cada um militares, o Ten. Felipe e os demais, para que os presentes conheçam

CLEVISON PIRES: Peço

FABRÍCIO COSTA LOPO: e, assim que alguns de vocês receberem esses militares, em suas residências, ou no entorno da Barragem Bico da PeDra, que o recebam com atenção, com cordialidade, e que sejam atenciosos, pois eles estão cumprindo essa missão que o Ministério Público delegou à Polícia Militar.

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS CLEVISON PIRES: Eu peço aos militares que estão

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CLEVISON PIRES: Eu peço aos militares que estão envolvidos, o Ten. Felipe, Sargento Edmilson, Soldado Jessé, são profissionais que estão atuando no levantamento destas informações, na coleta de dados, no registro de ocorrências, na elaboração de fotografias que são repassadas ao Ministério Público. Quero dizer que, dos 89 imóveis visitados, Excelência, apenas um destes se mostrou extremamente resistente, em momento algum ele facilitou o trabalho da Polícia Militar. Na verdade, sequer o seu imóvel foi visitado, ou seja, ele estava em pleno descumprimento de uma ordem, de uma lei, de uma determinação do Ministério Público. E os 89 outros proprietários visitados recepcionaram muito bem a Polícia Militar e entenderam esta medida como de forma positiva, percebendo que tanto a Polícia Militar como o Ministério Público estão aqui como parceiros da cidadania e da sociedade. Em nome de toda a corporação da Polícia Militar, eu agradeço aos cidadãos de bem, ao Ministério Público, por estarem recepcionando os militares, quando ali fazem os seus levantamentos. Saúdo e cumprimento, na oportunidade, a todos os integrantes do Ministério Público aqui presentes, Judiciário, Prefeitos, sociedade civil organizada como um todo. Obrigado.

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Muito obrigado. Seguindo o roteiro de apresentação, eu convido a Sra. Kelly Tatiane, Presidente do Codema, para integrar a Mesa, e apresentar um pouco dos trabalhos que o Codema vem desempenhando, e o diálogo sempre permanente com essa Promotoria. Por favor, Kelly.

KELLY TATIANE SOUZA OLIVEIRA: Eu cumprimento a todos na pessoa do Dr. Fabrício, que é o Presidente da Mesa. A minha fala é curta, não é? Não tem

Nós começamos o trabalho, eu fiz parte da equipe,

não é? Com a Dra. Vanessa, o Prof. Vinicius, sobre a questão da Barragem Bico da Pedra. Por o Conselho não ter equipe técnica, não é? Por ser um conselho deliberativo, a nossa contribuição com o Ministério Público, e nesse trabalho foi

acatar todas as recomendações que nos foram

Ministério Público, não estar libertando licença, dentre outras ações. Em função

disso, nós fomos questionados, às vezes, por estar

Que nos foram recomendadas pelo

apresentação. Desde o começo

Como é que fala a palavra? Por

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS estar sendo contra o desenvolvimento turístico do município,

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estar sendo contra o desenvolvimento turístico do município, e a minha fala simplesmente é essa: A contribuição nossa foi nós acatarmos todas as recomendações do Ministério Público, por nós não termos a equipe necessária para estar realizando os trabalhos necessários.

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Muito obrigado, Kelly. Eu gostaria de convidar a integrar a Mesa os meus colegas Paulo Cesar Vicente Lima, Ali Mahmoud Fayez, Márrison Maurício Mendes, e Vanessa do Carmo Diniz, pois chegou o momento de o Ministério Público tecer algumas considerações. Bem, nesse momento eu vou pontuar um pouco mais sobre como tem sido a rotina dos trabalhos da Promotoria, o que nós temos, e o que tem sido feito. Bem, o Município de Janaúba, ele editou uma lei municipal criando, no entorno da Barragem Bico da Pedra, que é uma área da zona rural, como área urbana. A partir daí, essa lei municipal trouxe ao arcabouço

jurídico de normas aqui do Município, a possibilidade de se construir no entorno da

barragem. Todavia a Lei de Uso e Ocupação de Solo, ela exige algumas

regras, e alguma observância de infraestrutura mínima, básica, para se considerar a área como área urbana. E juntando-se essa circunstância prevista na Lei de Uso e Ocupação do Solo, legitima a atuação do Ministério Público também o fato de essas construções estarem situadas, a maior parte delas, em área da preservação permanente, e algumas delas inclusive dentro da cota de inundação. Eu sei que deve ser de conhecimento de todos, mas talvez para alguns, não, a cota de inundação, ela é aquela faixa em que se deve impedir toda e qualquer construção humana, pois em algum momento pode-se chegar a que aquele curso d'água ocupe aquele espaço. Então a cota de inundação, ela, além da proteção do meio ambiente, ela vem também à questão da segurança: Construir dentro da cota de inundação implica em assumir o risco futuro. É pouco provável, mas pode ocorrer, diante do nosso sertão, e diante da seca que nós sempre presenciamos aqui, no norte de Minas, mas pode acontecer de, em algum momento, haver uma cheia e haver uma enchente. E, se isso ocorrer, até que se chegue dentro do limite de sangradouro da barragem, o curso d'água, ele pode subir, e essas construções que estiverem dentro da cota de inundação vão ser

Algumas

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS naturalmente alagadas, daí uma preocupação, a maior. Acredito

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naturalmente alagadas, daí uma preocupação, a maior. Acredito que tenha sido no

Imagino que tenha sido no ano de 2010, todos

acompanharam, pela televisão, aquele desastre que ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro. Todas aquelas construções estavam situadas dentro da área de preservação permanente. E muitos se questionam, e questionaram àquela época: Por que nada foi feito? Por que as autoridades competentes não tomaram uma postura para impedir que aquelas pessoas construíssem naquele local? E o questionamento que foi feito, em todos os meios jornalísticos e televisivos, foi: Se uma providência fosse tomada, ainda que mais Drástica, para retirada daquelas pessoas que construíram em encostas, em topos de morros, se algo coisa tivesse sido feito para

retirar aquelas pessoas dali, teria se impedido a tragédia? Poderíamos pensar que sim.

E essa postura traria um risco, traria um prejuízo econômico àquelas pessoas? Traria,

pois elas estariam privadas das suas casas, ainda que irregularmente construídas. Mas

teriam trazido maiores benefícios? Certamente. Então esse é um questionamento que ficou bem marcado, com toda aquela tragédia ocorrida na região serrana do Rio, e com aquela outra tragédia ocorrida no Morro do Bumba, salvo engano, onde as

pessoas construíram em um local que antigamente era um aterro sanitário, era um antigo lixão. E a lei, e o Código Florestal impedem qualquer tipo de construção, até por conta da precariedade daquele solo, é um solo que pode vir a ser desnaturado em suas características físicas, e pode trazer a ruína daquelas construções, e não foi diferente o que aconteceu. Pois bem, então, diante desse histórico, que vem acometido o nosso país, e são frequentes as tragédias que vêm acontecendo, por construções situadas em área de preservação permanente, que, assim que eu assumi a Promotoria, a 3ª Promotoria, que é a Promotoria de Meio Ambiente, eu coloquei a questão da barragem e da proteção do seu entorno como uma questão de ordem, ou seja, uma questão de primeiro momento. Então, a partir daí foi instaurada, na minha Promotoria, uma notícia de fato; essa notícia de fato, ela foi instaurada com os pontos das coordenadas geográficas das 296 construções existentes no entorno da barragem. A partir desse levantamento georreferenciado, foi chamada a Codevasf, foi chamada a Polícia Militar, e celebrou-se um Termo de Ajustamento de Conduta, com

a finalidade de a Codevasf auxiliar financeiramente, ainda que em parte, os custos

ano de 2010, ou no ano de

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS que a Polícia Militar teria com o levantamento

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

que a Polícia Militar teria com o levantamento dessas informações, e em seguida foram passadas, à Polícia Militar, as coordenadas geográficas desses pontos. A partir daí, os membros da equipe da Polícia Militar, que foi apresentada, irão a cada um dos pontos, e farão o levantamento dos dados, com as coordenadas geográficas de onde

se situam as construções, piscina, garagem, fossa séptica, tudo, todo e qualquer tipo de intervenção nessas coordenadas geográficas, que estão situadas no entorno da

Esse levantamento, esse trabalho da Polícia

Militar, vai ser, em seguida, passado ao Prof. César Vinícius Nery; a partir daí o prof. César Vinícius vai elaborar o laudo ambiental para identificar, como ele apresentou, se essas construções, que estão dentro da cota de inundação, se estão dentro da área da preservação permanente, ou se tão fora da área da preservação permanente. Àquelas construções e intervenções que estiverem situadas dentro da área da preservação permanente e da cota de inundação, será instaurado um respectivo inquérito civil. A partir daí, será formalizado um objeto de investigação do Ministério Público e, em seguida, nós vamos requisitar, do Cartório de Registro de Imóveis, informações a respeito da propriedade, ou seja, se aquela pessoa possui o registro imobiliário de sua construção, que, em alguns casos, foi construído, inclusive, sem a pessoa ter ao menos o registro imobiliário de sua propriedade, e todos nós sabemos que a propriedade só se adquire com registro imobiliário. E daí uma informação que, se porventura alguém não tiver, esse contrato de compra e venda de bem imóvel, ele só é válido se houver o registro imobiliário. Se não houver o registro imobiliário, ele não é válido, é o chamado contrato de gaveta traz mais uma insegurança jurídica às pessoas. Ou seja, esse problema, ele está se tornando, ele está iniciando como um problema ambiental, e ele tá se tornando um problema também urbanístico, e daí toda a nossa preocupação. A partir daí, àquelas construções, casas que estiverem situadas dentro dessa área de proteção, serão tomadas as devidas providências; aquelas construções que estiverem situadas dentro da área que foi desapropriada da Codevasf, passarão a ser competência do Ministério Público Federal, pois a construção está situada dentro de uma área que é de bem e interesse da União. E a partir daí competirá ao Ministério Público Federal propor as ações, e em alguns casos até mesmo a Codevasf propor ações reintegratórias de

barragem. Esse é um levantamento

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS posse, ou seja, para reaver a posse daquele

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posse, ou seja, para reaver a posse daquele bem imóvel, que foi esbulhado. Então daí todo o cuidado para que, quem se interessar em adquirir algum bem imóvel no entorno da barragem, tenha essa preocupação de dirigir primeiramente ao Cartório de Registro de Imóveis, e obter informações de quem é o proprietário daquele imóvel, e, pedindo ao oficial do Cartório de Registro de Imóveis uma certidão de inteiro teor, será possível identificar toda a cadeia de transferência daquele bem. E pelo que eu tenho percebido, a maior parte dessas construções está situadas em uma gleba maior,

ou seja, é uma fazenda, e o próprio Cartório de Registro de Imóveis não vai fazer o registro individualizado daquela construção, porque, primeiro, tem que ser registrado

o desmembramento e o loteamento daquela área, ou seja, é complexo

quer fazer um investimento, um investimento alto, como a construção de uma casa, de uma chácara, algo de lazer pessoal ou de sua família, eu recomendo toda a cautela e toda a prudência antes de se fazer o investimento, consultar um advogado, consultar, antes, o Cartório de Registro de Imóveis e, se for o caso, pode buscar informações na Promotoria. E para aqueles que já têm uma construção, e que estão desejando fazer a ligação da energia elétrica, nós passamos, encaminhamos uma recomendação à CEMIG, para impedir toda e qualquer ligação de energia elétrica no entorno da barragem. Por quê? Primeiro é preciso antes definir, para aquele que está

E para quem

construindo, ou que irá construir, se o local onde ele pretende construir não é área de preservação permanente porque, se ele estiver construindo dentro da área de preservação permanente, a CEMIG, ela não pode efetuar a ligação de energia elétrica, se não ela vai estar permitindo o alastramento dessas construções, e daí a finalidade dessa recomendação do Ministério Público. Bem, e depois que essa rotina de instauração de procedimentos e de encaminhamentos, for celebrada da Promotoria de Justiça, serão deflagradas as respectivas ações. E muitos podem se questionar:

“Bem, o Ministério Público está tomando providências agora”, está propondo ação

agora, mas eu tive de boa-fé, eu fiz

Nessa ação será possível, a essas pessoas, fazerem essa defesa, e dentro dessa ação

haverá um provimento jurisdicional, a bem ou mal haverá uma segurança jurídica. Então, independentemente do resultado dessas ações, essa será a nossa postura. Eu penso que, em algum momento, aquele que se sentir atingido por essa providência,

“Eu fiz aquela construção de boa-fé”, enfim.

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS pode pensar, “Bem, o Ministério Público está tentando

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pode pensar, “Bem, o Ministério Público está tentando contra o meu direito”

primeiro momento a pessoa pode pensar assim, mas a nossa missão constitucional não é preservar o meio ambiente apenas para as atuais gerações, mas para as futuras também. Esse é um comando constitucional. E como foi pontuado na apresentação do Sr. Atadeu, uma das finalidades, um dos objetivos de construção da Barragem Bico da Pedra foi, primeiro, o abastecimento de água; segundo, a irrigação e, por último, o lazer. O Município de Janaúba possui muito espaço para construir, muito espaço. Agora, na beira da água não se pode fazer, respeitem ao menos a cota de inundação e a área de preservação permanente; aquilo que for respeitado da cota de inundação e da área da preservação permanente, não haverá problema. Então não vejam e não enxerguem o Ministério Público como um empecilho, como um entrave

à satisfação dos interesses pessoais e particulares, e alguns podem pensar até mesmo ao crescimento da região. Não, esse não é o nosso papel, esse não está sendo o nosso trabalho. O nosso trabalho está sendo, primeiro, resguardar um bem cujo valor é inestimável, eu questionei a Codevasf, mas, pelas minhas contas, muito por alto, eu posso ser até interrompido nesse momento, pelos membros da Codevasf, se for o caso, mas eu estimo que devam ter alcançado uma cifra próxima de R$ 1 bilhão a

construção dessa barragem, e todo o dinheiro dela

é muito mais do que isso, ou seja, que é um valor inestimável, para uma construção de R$ 100 mil, R$ 200 mil, R$ 300 mil atentarem contra algo que vai beneficiar a todos, e que movimenta toda a economia. Então essa é a nossa preocupação, ainda que venhamos a incomodar alguns poucos. Então, essas serão as providências que serão adotadas pelo Ministério Público, o nosso trabalho, ele continua; algumas ações já estão prontas; alguns inquéritos civis já estão finalizados, mas o objetivo de ter se marcado essa Audiência Pública também é para que, antes de darmos início a esse trabalho, propriamente ao trabalho judicial, é que possamos ouvir vocês também. Ouvir os representantes políticos aqui presentes, a sociedade civil, os proprietários de imóveis, e todas as considerações vão ser observadas, vão ser anotadas, a audiência está sendo gravada, e aquilo que tiver pertinência, aquilo que tiver fundamento jurídico nós certamente vamos observar. Eu vou abrir a palavra agora para os colegas, aqueles que desejarem se manifestar, fiquem à vontade.

Aqui, a Tatiane está dizendo que

A um

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS VANESSA DO CARMO DINIZ: Mais uma vez, boa

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VANESSA DO CARMO DINIZ: Mais uma vez, boa tarde a todos. Eu queria, Fabrício, fazer só uma consideração a respeito das construções porque é muito importante a gente esclarecer o seguinte: Como você já esclareceu desde o início, esse procedimento ele é de 1993; eu, especificamente, cheguei em 2002, e desde quando eu atuei no procedimento, várias recomendações foram feitas à população, inclusive com a divulgação em rádio, jornais, instruindo a população que o

entendimento jurídico do Ministério Público, junto com os demais órgãos de atuação, era no sentido de que a área de preservação permanente era de cem metros acima da

cota máxima de inundação. E que, portanto, a população

Havia uma recomendação

do Ministério Público, de que não construísse naquela margem, e isso quando a gente não tinha nem cem construções lá. Então eu queria dizer que as pessoas também têm que por a mão na consciência, que a maioria, eu não vou dizer todos, mas, a maioria das pessoas que construiu no entorno, dentro dessa área, construiu assumindo um risco.

[palmas].

VANESSA DO CARMO DINIZ: Obrigada. E na verdade, por esse motivo, eu gostaria de fazer esse esclarecimento, que hoje está sendo feito uma Audiência Pública, com o chamamento da população, e é muito importante que a população participe disso, mas a grande maioria das pessoas já tinha conhecimento disso, inclusive algumas me procuraram, e todas as que me procuraram eu orientei nesse sentido. Não sei até, especificamente, das que me procuraram, se chegaram a construir ou não, mas a orientação sempre foi nesse sentido, e ela nunca foi diferente, não é? O Paulo Cesar já me ajudou a fazer recomendações nesse sentido, e de muito tempo elas já vinham sendo feitas. E eu acho que o mais importante de tudo é o seguinte, é Janaúba tem 80 mil habitantes, aproximadamente, não é? O meio ambiente é direito de todos, e nós, por mais que as diferenças econômicas, elas fazem parte da nossa sociedade, mas nós não podemos entender que 296 famílias utilizem um bem que pertence a 80 mil pessoas, que é a água que abastece a nossa cidade e a nossa região. Então, é muito importante que a gente faça esse esclarecimento e esse entendimento, e foi muito bem esclarecido pelo Dr. Fabrício que as medidas vão ter

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS tomadas dentro da nossa obrigação constitucional, e dentro

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tomadas dentro da nossa obrigação constitucional, e dentro de um procedimento com garantia de toda a ampla defesa possível, das pessoas que se sentirem prejudicadas, e afinal nós vamos ter um provimento jurisdicional. E a gente espera realmente que o provimento que venha a ter, ele atenda de forma satisfatória à população, no sentido da garantia do meio ambiente saudável a toda a população de Janaúba e região. Muito obrigada.

[palmas].

MÁRRISSON MAURÍCIO MENDES: Inicialmente eu quero parabenizar o colega Dr. Fabrício Costa Lopo pela grandiosidade do trabalho, desempenhado juntamente com o colega Dr. Paulo Cesar, Dr. Ali, Dra. Vanessa também, que atua de certa forma como coadjuvante, mas tem participação decisiva também neste evento; apenas eu fiquei à margem, exatamente porque minha atuação fora de forma anterior. Eu quero aqui também dar o meu testemunho da qualidade técnica dos trabalhos apresentados, principalmente pelo Prof. Vinícius, o major também, a qualidade do trabalho excelente. Eu até abro um parêntese aqui, major, para dizer aqui que eu estava comentando, há pouco tempo, com o Dr. Paulo Cesar, quando a gente estava

no início desse trabalho, com toda a dificuldade que nós tínhamos, eu pedia, à época, ao Comandante da Polícia Ambiental na época, que tinha frações diferentes, e ele me disse, certa vez, que não tinha sequer um carro e nem um barco; se eu pudesse levá-lo, ou ceder o carro, que ele iria fazer as inspeções. Posteriormente, com o auxílio do Dr. Paulo Cesar e atuações junto a Belo Horizonte, conseguimos uma caminhonete Mitsubishi, e daí até um barco, são dificuldades que foram

ultrapassadas. Eu quero perguntar ao professor aqui, depois, por que excessos

pior de tudo são os excessos, em todo e qualquer tipo de excesso, ele é sempre

O

deplorável e sempre condenável. Acabamos de ver as discussões, lá na Rio+20, na Rio 2002? Me parece que grande parte das nações ficou reticente, os maiores

agressores do meio ambiente, do mundo, ficaram à margem

vezes, aqui, nós estamos dando a nossa participação, mas, no cenário nacional, eu

pergunto, será que é justo o que estamos fazendo com a sociedade brasileira? As exigências, de tal forma que está sendo cobrado do povo brasileiro, enquanto os

E que o vale muitas

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS demais assistem, ou vão se beneficiar do sacrifício

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demais assistem, ou vão se beneficiar do sacrifício nosso? Então, os excessos são sempre deploráveis. E eu me lembro de que muitos desses excessos e dessas agressões se fazem, às vezes, com a bandeira da defesa do meio ambiente, ou do bem-estar da população, no futuro. E muitas vezes nós testemunhamos, aqui no Brasil, uma das mais censuráveis agressões ao meio ambiente, patrocinada pelo Governo Federal, que é a transposição das águas do Rio São Francisco!

[palmas].

MÁRRISSON MAURÍCIO MENDES: E isso se faz de forma questionável, lamentável, que inclusive levantou vozes de vários setores do Brasil, que foram, de certa forma, acomodadas e amordaçadas pela situação. Então os excessos são sempre deploráveis, sim. É necessário adequar-se, mas será que muitas vezes, diante de uma situação consolidada, não poderíamos fazer termos de adequação, para não chegarmos ao extremo? Porque, se assim for, nós também deveremos arrancar o aterro do Flamengo, deveremos também destruir a marginal Pinheiros, a Marginal Tietê, que estão construídas dentro da área de preservação permanente. Então, situações consolidadas foram muito bem debatidas e discutidas agora, na votação do nosso atual Código Florestal, quando se incumbia, quando se queria varrer, das faces de Minas Gerais, as plantações de café, as plantações de laranja, acabar com a estrutura social em nome de um futuro bem-estar da população! E esses excessos foram diminuídos, foram rejeitados no Congresso Nacional, o que causou repúdio e irresignação naqueles que gostam dos excessos! Por isso que eu peço, há sempre que haver, sim, adequar, proteger o meio ambiente, sim, mas devemos fazê-lo também com a mão na consciência, e lembrar que todo excesso é deplorável. E sempre que houver a oportunidade de um ajustamento de conduta, adequar o nosso procedimento, evitar a agressão ao meio ambiente, de forma degradante, de forma irrecuperável, deverá ser punido. Muito obrigado a todos, parabéns a vocês.

[palmas].

PAULO CESAR VICENTE DE LIMA: É Paulo Cesar, da Cimos. Eu gostaria de agradecer aos colegas mais uma vez, e dizer da minha satisfação, não é? Mais uma vez, de estar aqui. E como o Márrison disse, a Vanessa, o Ali, eu trabalhei com todos

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS aqui ao longo desses anos sobre essa situação,

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aqui ao longo desses anos sobre essa situação, e a preocupação do Ministério Público, desde o início, era com a segurança jurídica, e eu acho que nós chegamos

num ponto, hoje, em que nós temos já algumas informações técnicas bastante precisas, que nos dão essa segurança jurídica. Então hoje nós já temos condição de saber, a partir de todo esse processo, já temos condição de saber o que é cota de inundação, o que é que está dentro cota de inundação, o que é que está dentro de

APP, o que está dentro

hoje, novas construções em APP, em cota de inundação, em áreas desapropriadas pelo Codevasf são inadmissíveis, não se justificam sob fundamento nenhum. Nós temos as informações técnicas na Codevasf, na prefeitura, na Fundação Santo Agostinho, então hoje eu acho que o cidadão de bem, que queira investir em algum empreendimento nessa região, tem essa segurança. Nós vivemos, o Márrison disse bem, essa questão do Código Florestal, nós vivemos um momento também de transição, acerca do Código Florestal, da aplicação do código, que houve uma mudança grande, agora, o Ministério Público de Minas, através do Centro de Apoio ao Meio Ambiente, está participando de um grupo de trabalho nacional para ver o alcance dessas medidas; algumas medidas são consideradas, pelo Ministério Público, inconstitucionais. Mas nós estamos dentro de um grupo de estudos, então provavelmente é possível que algumas alterações que ocorreram, tenha alguma na região, então nós estamos avaliando isso também. Vamos, já tinha conversado com o Fabrício antes também, que antes de eventualmente tomar qualquer medida, que nós nos reunamos em Belo Horizonte com esse pessoal, desse grupo, para traçar uma estratégia de atuação do Ministério Público, a partir desse caso, e quem sabe, se for possível eventualmente, dentro da legalidade, eventualmente chamar algum empreendedor para que fechar algum Termo de Ajustamento de Conduta, se for possível. Mas destacar que a nossa preocupação, eu saio daqui hoje assim, preocupado ainda, que nós temos muito trabalho para fazer, mas com a consciência tranquila, que a partir de um tempo, e de um trabalho de longo tempo, foi possível estabelecer essa segurança para a comunidade de Janaúba e região, Nova Porteirinha e Porteirinha, e Riacho Machado. Hoje já é possível saber o que é que é APP, o que é cota de inundação, e o que é área desapropriada, então, que construam, que venham a

O que é que foi área desapropriada pela Codevasf. Então,

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS construir e fazer os seus empreendimentos fora dessa

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construir e fazer os seus empreendimentos fora dessa área. E já vou me despedindo do Fabrício, infelizmente eu não vou ter oportunidade de ouvir as pessoas que estão

aí, eu tenho que me direcionar para Belo Horizonte, mas eu não poderia deixar de vir aqui, e colocando o CAO, o Centro de Apoio ao Meio Ambiente, na pessoa, através do Dr. Luciano Badini, a Coordenadoria de Inclusão e Mobilização Social, com toda

a sua equipe, o CAO com a equipe

Ambiente, para apoiá-los, os colegas da região, para que tenhamos uma solução rápida e breve com relação a essa situação, para que possamos dar segurança, para que vocês possam tocar suas vidas com tranquilidade. Muito obrigado, e até outra oportunidade.

A equipe da Coordenadoria Regional do Meio

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Eu convido a integrar a Mesa, e a participar e tecer algumas considerações também, o Sr. prefeito José Benedito Nunes, por favor.

JOSÉ BENEDITO NUNES NETO: Boa tarde a todos e a todas! Eu quero cumprimentar aqui os Promotores, o Dr. Fabrício, que preside esta mesa, esta

audiência pública; Dra. Vanessa, Dr. Ali, Dr. Márrison, e o Dr. Atadeu, engenheiro da Codevasf; os advogados da Codevasf, os técnicos, o Major Clevison e seus comandados; autoridades civis, militares, empresários, povo em geral, Codema, representantes dos municípios. Eu, há algum tempo atrás, naquela utopia que move as pessoas para entrar na vida política, eu achava que era importante se criar uma reserva ambiental em todo o entorno da Barragem do Bico da Pedra. Eu pensei e

defendi que era possível a gente cercar uma grande área, e deixar como

Uma área

reservada, intocável, para guardar a nossa caixa d´água, o maior patrimônio do norte

Onde está inserida

de Minas, especialmente desses quatro municípios que estão

esta barragem, que é o maior patrimônio. Mas quando a gente vai vivenciando, na

política, e percebe os interesses dos mais diversos grupos sociais, a gente amadurece

e precisa encontrar um outro caminho. Deixa de defender algumas coisas, que você

vê que não têm sentido de ser, não faz

Não tem condições de realizar, não tem

condições de isolar toda aquela área, retirar todas as pessoas, botar cerca no entorno,

polícia lá dentro e dizer, “Aqui é uma reserva em que ninguém pode entrar”, isso é

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS impossível. Então eu retiro, de maneira pública, aquilo

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impossível. Então eu retiro, de maneira pública, aquilo que defendi num passado recente. Agora, que sugestão

[palmas].

JOSÉ BENEDITO NUNES NETO: Eu creio que é maturidade, não é? Agora, que sugestão a gente tem para aquilo ali? Eu penso que, conforme disso o Dr. Paulo, que

acabou de sair, que já começam a ser delineadas possibilidades de solução. Já se sabe as cotas, e a própria Promotoria, Dr. Fabrício, quando procurei uma instituição, querendo montar ali um clube, ele passou uma lista para que a pessoa, para que os interessados cumprissem as condições e montassem o seu empreendimento. Resumindo, eu creio que é possível sim conviver com a nossa barragem preservada, e com os objetivos para os quais ela foi proposta, ela foi construída, multiuso, abastecimento humano e de animais, em primeiro lugar; irrigação, em segundo lugar; turismo, lazer e turismo em terceiro lugar. Nós não podemos nos dar ao luxo de não aproveitar esse potencial, e usá-lo de maneira racional, de maneira inteligente, sem essa agressão, sem essas fossas que contaminam, porque existem tecnologias que

Até a reutilização dos dejetos, quanto mais a não agressão ali àquele

lago. Portanto, como Prefeito de Janaúba, município mais interessado na preservação dessa barragem, e aproveito para fazer um apelo aqui às autoridades, que nos ajudem

também a lembrar, com essa mesma intensidade, da barragem para baixo, não é? Porque tem tanta coisa para ser feita nesse rio, e é tão caro o que é para ser feito E eu queria muito que a Codevasf nos ajudasse até para limpar o lago, nos ajudasse a Drenar as areias, a areia que tem chegado nesse rio e, quem sabe, jogar no leito, e recompor, pelo menos, o trecho que passa por nossas cidades, Janaúba e Nova Porteirinha, já que a barragem morre com o tempo, e ela está assoreando, e tem muita areia ali dentro, e essa é uma solução que eu vejo possível, cara, como é cara a conservação da barragem. Mas não podemos nos esquecer de que existe um rio que está morrendo, e por mais que a gente discuta o uso racional da barragem e seu entorno, isso é interessante, é necessário, mas nós não podemos de deixar de considerar da barragem para baixo, e essa conta fica muito acima dos municípios,

O município não tem condição de revitalizar um

achando que o município pode

permitem essa

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS hectare, um quilômetro de rio, não tem, não

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hectare, um quilômetro de rio, não tem, não tem dinheiro para isso, não é? A gente acha que a Codevasf, quem sabe os fundos de multas que o Ministério Público

componha, os ambientalistas fazerem um bom projeto, e a gente tirar com

Essas Dragas, a palavra é essa, e com as Dragas

sugar essa areia dali, de maneira que não óleo e tem que olhar muitos critérios, e joga ela novamente no leito do rio, ela vai descendo bonita aí, e vai recompondo esse rio, que a minha geração conheceu bonito. Quem é mais novo do que eu, não conheceu esse rio na beleza que ele apresentava para a nossa população, e está aí essa feiúra, degradado, sem areia, e tão necessário para todos nós. Então, encerrando a minha fala, eu parabenizo o Ministério Público pela coragem de colocar isso na ordem do dia, na pauta, e parabenizo a todos aqueles que, de maneira insistente, têm lutado para que essas coisas se resolvam. Acho até que é possível a gente ter, sim, perímetro urbano ali, mas precisamos de um grupo de trabalho que elabore um projeto com uma fiscalização eficiente, e que os serviços públicos ali cheguem, não é? A coleta de lixo, a iluminação, que parece que já é realidade em quase toda a margem, mas os serviços públicos essenciais, inclusive com o transporte. Mas, nesse primeiro momento, fazer quem estiver querendo empreender, ou já empreendeu ali, fazer as correções de rumo, para que as coisas não piorem, não é? O Dr. Luciano eu vi entrar

Com bombas, com essas sucçoras

Com

aqui, não sei se está aqui ainda, ele chefiou uma caravana que saiu da nascente do nosso rio, e foi até a sua foz, e ele me fez um relato triste, ele me disse que, de doze nascentes, mapeadas em 2010, pela Unimontes, só existem duas nascentes, em dois anos dez delas estão secas. É claro que o fenômeno El Niño, aqui mencionado, interviu nisso, interfere nesse negócio, e essa fonte que secou, chovendo bem, volta a jorrar água, mas é esse o quadro, a barragem está num nível poucas vezes visto, talvez uma vez visto, depois da sua construção, o tanto que ela baixou, e isso nos preocupa porque, se secar essa barragem, a vida por aqui se vai, não é? Então, temos que nos lembrar do nosso lazer, ali, que eu visito os sítios dos amigos, nas casas,

É desse rio, desse manancial, dessa barragem que nós

procuro nunca agredir, mas é

todos dependemos para a nossa atividade econômica, para o nosso viver, para o nosso lazer, para todos nós dependemos desse manancial, e é preciso usá-lo com inteligência, e muito mais, com sabedoria. Muito obrigado.

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS [palmas]. FABRÍCIO COSTA LOPO: Eu agradeço as palavras

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Eu agradeço as palavras ao Sr. José Benedito Nunes.

Seguindo a ordem das inscrições, eu vou chamar nominalmente, e cada um daqueles que eu chamar terá três minutos, ou para falar, ou para questionar. Se for questionar, dizer a quem questiona, a qual daqueles que falaram, que apresentaram, que deseja

questionar. E observar esse prazo, que temos, ao todo, 16 inscrições

Então, o primeiro é o Dr. Erick Patrick Lopes de Almeida, você tem a palavra por

três minutos. O microfone passa a falar apenas quando estiver com o microfone na mão. Quer ser o próximo? Qual é o nome? Sim, Sr. Danúbio Hudson Caloni dos

Santos, o senhor tem três minutos

Fique

Antes de perguntar ou questionar, Sr. Danúbio,

dizer a quem o senhor dirige o questionamento, para que ele possa responder à vontade.

Dezessete

DANÚBIO HUDSON CALONI DOS SANTOS: Boa tarde a todos, às autoridades

presentes. Eu gostaria aqui de fazer alguns esclarecimentos, eu vou me identificar, o

meu nome é Danúbio Hudson Caloni dos Santos, eu sou

engenheiro agrimensor, sou tecnólogo em administração rural também, sou proprietário do Balneário Bico da Pedra, sócio do Balneário Bico da Pedra e também sou representante, sou venerável da Loja Maçônica Deus, Paz e Liberdade. Eu só gostaria de fazer uma colocação principal aqui: Tudo que se conversou aqui, baseou- se na cota da demarcação, até eu gostaria que o DR. Paulo Cesar tivesse escutado isso aí, porque aquela cota que foi demarcada, na minha maneira de entender, está equivocada, a cota de desapropriação, e o que consta dos documentos da Codevasf ali é a cota 553, uma cota arbitraria, a 553, cota do vertedouro, onde aconteceu a desapropriação. Então, a cota que foi demarcada, são quatro metros acima, só para a gente ter uma noção, quatro quilômetros metros acima, num terreno plano, isso invade, tem hora, mais de 300 metros de distância, sobre terras particulares. Eu li Ninguém falou aqui sobre o novo Código Florestal, o novo Código Florestal, ele é muito claro, quer dizer, o projeto do Bico da Pedra, eu até defendo aqui o Atadeu e a equipe da Codevasf, porque eles não tiveram culpa de algum engano, que pode ter acontecido durante a desapropriação da bacia de inundação da represa Bico da

De profissão, eu sou

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS PeDra. Porque a Codevasf já pegou isso aí,

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PeDra. Porque a Codevasf já pegou isso aí, a represa já estava cheia, já tinha até vazado a primeira vez, e a Codevasf não teve essa culpa. O Dnocs é que desapropriou, e vejam bem, houve um erro irreparável, o povoado de São José do Gorutuba foi desapropriado; a água, quando a represa vazou a um metro e quarenta e poucos, me parece, somou a vazão, ficou a mais de três quilômetros do povoado. Quer dizer, a sociedade local, regional, perdeu um patrimônio histórico, foi desapropriado a troco de nada! Quer dizer, é um erro, e nós não podemos nos basear

nesse erro para fazer nosso ponto de partida. O novo Código Florestal está aí, a Lei

A cota de referência é a cota de operação, tem

um papel da Codevasf que está dizendo, inclusive disponível na internet, o Fabrício

tem ali, eu acho que é a cota 553, então tudo que fizer tem que basear nessa cota 553, que é a que realmente foi desapropriada. O nosso Prefeito José Benedito usou a palavra, eu pensei até que ele fosse falar de algumas outras coisas, e o seguinte,

durante a desapropriação do

Dar um exemplo, para o reservatório, da área onde foi

instalado o reservatório de Bico da Pedra, muita gente foi sacrificada, muita gente pobre, que hoje reside na periferia de Janaúba. E talvez o Prefeito deve estar passando pelas agruras das pessoas que foram instaladas na periferia, sem a mínima chance de concorrer com o homem da cidade; foram retiradas das terras férteis, que estavam lá, na beira do Gorutuba, e sequer foram contempladas com aquelas áreas da jusante, destinadas à irrigação, duvido! Se teve, foram pouquíssimas famílias, e que

estão aí na periferia da cidade, engrossando aí a periferia, sem chance de dignidade, e por isso é que a violência avançou sobre a cidade. Eu vi aqui o Major Clevison falando, nós somos parceiros no combate à violência, temos nos reunidos constantemente para ver o que é que nós fazemos, e tudo o que fazemos parece que ainda está sendo insuficiente para conter o avanço da violência, e isso porque talvez

uma injustiça social, que foi cometida há 30 anos atrás

Então, aquelas cidades que

tiveram, Janaúba, por exemplo, teve, Janaúba, Porteirinha, que parece que Nova Porteirinha nem limita com a represa, que teve suas terras férteis na beira do Gorutuba, que foram prejudicadas com aquela lavoura de subsistência, a lavoura familiar, que mantinha o homem no campo, essas cidades foram prejudicadas. E será que não é possível fazer um aproveitamento dessa faixa da represa, para devolver ali

12.615, no seu art. 62 que fala, é que

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS uma outra atividade, que é tida como atividade

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

uma outra atividade, que é tida como atividade terciária, que gera emprego e renda,

Nós somos pessoas inteligentes, nós

temos

Mas então eu acho que nós temos que aproveitar disso aí. E sobre o GPS, que o Maj.

Clevison utilizou com os policiais dele, eu sou um profissional da área, GPS de navegação não oferece precisão nenhuma, ainda mais para um negócio que vai

examinar uma faixa de quinze metros

ser geodésico, com programa de pós-processamento. Obrigado.

Não tem precisão nenhuma, o GPS teria que

que gera tributo? Eu acho que nós temos

Nós temos condição de

De

Tem duas vezes, tinha de uma cota, e outra

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: O próximo

você receber o microfone, você tem a palavra por três minutos; caso faça pergunta,

dizer a quem dirige a pergunta. Areobaldo

Areobaldo Gomes Martins não se

Assim que

Argobaldo Gomes Martins

encontra? Então vamos para o próximo, Cristiano Guimarães Viana Dias

não? Jerry Franz Bertoli

Almir Rogério Silva? Almir?

Também

ALMIR ROGÉRIO SILVA: Boa tarde! Eu gostaria de perguntar para o pessoal da

Codevasf qual que é o órgão, o setor que rege como construir à beira da barragem

hoje? Porque uma vez

órgão, ou entidade que norteie a forma correta de construir. Às vezes, a pessoa até

construiu, pode até falar que foi do

não tem um lugar onde é que informa a cota, uma vez que os piquetes foram

colocados em 2007. Eu queria saber como, onde achar essas informações, já que se

preza muita essa modernização virar uma favela

Para quem quer construir não existe nenhum setor, hoje, ou

Praticamente sem conhecimento algum, porque

Que aquilo hoje já virou uma favela, o futuro é

FABRÍCIO COSTA LOPO: A Codevasf tem três minutos para responder.

ATADEU FERREIRA DA SILVA: É

Por favor

FABRÍCIO COSTA LOPO: O que ele quer saber é para quem cota, e onde é que ele pode construir.

Onde é que tem a

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Bom, com respeito ao que

que foram mostradas aqui dentro, nós já colocamos qual foi a cota, que foi

Às informações

Foi

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS mostrada aqui dentro, que inclusive o Danúbio até

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

mostrada aqui dentro, que inclusive o Danúbio até fez o questionamento, e a informação que nós temos é essa. A questão de concordar, ou não concordar, é outra

discussão, então, conforme já foi colocado aqui inclusive pela Promotoria Pública, e também o próprio também Prefeito fez uma discussão, tudo vai ser conduzido dentro do aspecto da legalidade. E informações eventuais, que não ficaram claras aqui,

podem nos procurar, que a gente vai tentar ver o que é que

Agora, não tem como mostrar outros fatos em cima da realidade técnica que foi

mostrada aqui dentro. Nós temos que pautar em cima de parâmetros técnicos. Então

O comandante comentou, o Danúbio

tem bem o conhecimento nisso, outras pessoas também, que falaram, você tem uma margem de discussão que é a margem técnica, defasagem de tempo, aperfeiçoamento tecnológico, uma série de fatores, mas a cota é conhecida.

foi mostrado que pode, até como o próprio

O que é que ajusta.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Sr. Atadeu, eu vou insistir na pergunta do Almir, porque eu achei ela bem pertinente. Eu gostaria que o senhor respondesse de uma forma objetiva: Aquele que deseja construir no entorno da barragem, qual setor ou pessoa, na Codevasf, ele deve procurar, para obter a informação se ele pode, ou não, construir?

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Conforme foi conversado aqui, para construir na beira da barragem tem que ter propriedade do terreno, você tem que saber a procedência, de onde você conseguiu esse terreno, porque foi encaminhado aqui,

acho que ficou muito claro o que o Promotor orientou, as orientações são aquelas. Lá

na Codevasf você pode ir lá na

discutir, mas em termos

Na área de engenharia da empresa, se quiser

Tem que ver, para construir, você tem que ter posse do

terreno, o primeiro passo é isso aí; se você tem posse do terreno, tem como discutir.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Só para complementar, a Promotoria quer saber qual o setor da Codevasf que pode ser procurado em caso de dúvida sobre a cota.

RONALDO RODRIGUES: Tem um monte de coisa demarcada, da gente, certo? A Codevasf pode dizer onde eu posso construir lá!

FABRÍCIO COSTA LOPO: Sim, está marcado

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS ALMIR ROGÉRIO SILVA: O sujeito nunca vai chegar

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

ALMIR ROGÉRIO SILVA: O sujeito nunca vai chegar para mim e vai falar que

FABRÍCIO COSTA LOPO: Está demarcado.

ALMIR ROGÉRIO SILVA: Está cheio. Eu acho que

RONALDO RODRIGUES: Desde 2007 os marcos estão lá, desde 2007. Para trás, nós tínhamos a dúvida, mas a cota estava estabelecida! Vocês entraram sabendo da cota, ela sempre foi publicada!

ALMIR ROGÉRIO SILVA: Em 95, se não me engano

RONALDO RODRIGUES: O Danúbio acabou de falar! Ela está disponível na internet, em tudo quanto é lugar.

ALMIR ROGÉRIO SILVA: O homem simples quer saber a quem ele recorre, se

ele deve

indeferimento, de algum órgão da Codevasf, para que

Se ele pode preencher um requerimento, solicitando o deferimento, ou

RONALDO RODRIGUES: A Codevasf tem a demarcação. Se vocês quiseram consultar, os setores são: Unidade de Meio Ambiente, e Unidade de Administração Fundiária, que cuida das terras de propriedade da Codevasf.

ALMIR ROGÉRIO SILVA: Quer dizer

FABRÍCIO COSTA LOPO: A pergunta não foi se

Sobre a cota

RONALDO RODRIGUES: Qual setor! Esses são os dois setores, dentro da Codevasf, que qualquer dúvida, que qualquer construtor ou proprietário tenham, pode ser esclarecida nesses dois setores da Unidade de Meio Ambiente e Unidade de Administração Fundiária

FABRÍCIO COSTA LOPO: Relativo ao

RONALDO RODRIGUES: Que vai contar também com a Assessoria Jurídica para poder definir.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Relativa a toda documentação?

RONALDO RODRIGUES: Como?

FABRÍCIO COSTA LOPO: Relativa à documentação, fossa séptica

Distância

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS RONALDO RODRIGUES: Não, isso aí tem os órgãos

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RONALDO RODRIGUES: Não, isso aí tem os órgãos ambientais que cuidam. A Codevasf é com relação à posição e à propriedade da terra, e aonde você pode fazer.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Mas vocês

RONALDO RODRIGUES: Quanto à parte ambiental, não é conosco.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Mas a Codevasf, como gestora da barragem, ela teria que ter um setor específico

VANESSA DO CARMO DINIZ: Talvez vocês estejam com dificuldade de

comunicação, deixa eu tentar fazer a intermediação. É que talvez

para a Codevasf, mas a tem a responsabilidade de delimitar a área, e de prestar as

informações sobre a delimitação da área, não é? Então ela delimitou o máximo da Da área de inundação, e a partir dali nós temos que contar cem metros, que é o entendimento jurídico do Ministério Público, aliado à legislação em vigor, não é? Que entende que, no caso da barragem, pelas características dela, são cem metros.

Isso está delimitado no local, lá tem a delimitação do máximo da área de inundação, você tem que contar cem metros dali para cima. As informações com respeito à responsabilidade da Codevasf, ele indicou os dois órgãos responsáveis, que vão te dar as informações técnicas nesse sentido. Quem quiser construir no entorno da barragem, ele pode procurar o órgão ambiental do Município, que é o Codema. O que a população precisa de antemão entender, é que o Codema, junto com o

A

recomendação é a de que dentro da cota de inundação, e cem metros acima, não pode construir de forma nenhuma. Se você quiser construir, se a pessoa quiser construir acima disso, você vai fazer uma construção normal, você vai procurar o próprio Você vai ter primeiro a propriedade do lote, você vai procurar os órgãos normais para a construção, o próprio Codema, se mesmo acima dos cem metros, você precisar de alguma medida que vá degradar o meio ambiente, então a construção é normal. Agora, dos cem metros para baixo, a recomendação nossa é de que não pode

construir de forma nenhuma

Ministério Público, não é? Até por recomendação nossa, de Dr. Fabrício, é que

Você perguntou

Você quer

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS FABRÍCIO COSTA LOPO: Almir, ainda para definir, um

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FABRÍCIO COSTA LOPO: Almir, ainda para definir, um pouco mais, para que a

todos fique claro, não adianta procurar o Codema e pressionar o Codema para o dizer se o local onde vocês pretendem construir está na área de preservação permanente, ou na cota de inundação, ou não. Obtenham essa informação da Codevasf, tá? Agora, o que o Codema pode dizer a vocês é a respeito daquilo que é necessário para

o sistema de tratamento de efluentes, para a fossa séptica e demais.

ALMIR ROGÉRIO SILVA: Numa construção normal, vai um fiscal até lá, para

poder

que aprove essa planta!

Você leva uma planta para poder aprovar. Nesse caso aí não existe ninguém

VANESSA DO CARMO DINIZ: Abaixo dos cem metros não tem mesmo, não, porque não pode construir!

ALMIR ROGÉRIO SILVA: Não, não falo abaixo dos cem metros, eu falo dentro

da cota

assine, dando

Fora da cota! Não existe ninguém que aprove e que

Da

Dentro da

VANESSA DO CARMO DINIZ: Mas ninguém tem que aprovar, porque você vai fazer uma construção normal ali! Você vai procurar os órgãos normais da Prefeitura, para fazer uma construção normal. A questão é abaixo dos cem metros.

ALMIR ROGÉRIO SILVA: Ah, então

VANESSA DO CARMO DINIZ: Abaixo dos cem metros! Agora, na questão ambiental o senhor pode procurar o Codema, que eu tenho certeza que eles vão dar a

orientação necessária, não é assim, Kelly? Ah, ela não escutou

gente! A gente está fazendo uma Audiência Pública para expor o entendimento do Ministério Público, e as ações que nós estamos fazendo junto com outros órgãos.

Ninguém é obrigado a concordar e aceitar, ninguém é obrigado a concordar e aceitar

a cota colocada pela Codevasf. Os meios jurídicos para isso são advogado e Justiça,

em última instância, o juiz vai definir quem está certo ou quem está errado. Agora, o que é mais importante que as pessoas entendam é que nós, Promotores de Justiça,

nós temos uma obrigação legal a cumprir, gostando ou não gostando, achando bonito ou feio, ruim ou bom, é obrigação legal, e nós somos pagos para isso, com o dinheiro

Só esclarecendo,

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS da população, porque é o governo que nos

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

da população, porque é o governo que nos paga, e nós vamos cumprir a nossa

obrigação! Aqui é para a gente esclarecer às pessoas, de uma forma clara, o que é

É um artigo da Constituição Federal e

é um direito fundamental do ser humano, a inafastabilidade do poder Judiciário, todo mundo tem o direito de contratar um advogado e questionar aquilo que ele não concorda. Essas aqui são as colocações nossas. Ninguém é obrigado a concordar, está certo? Agora, existem os meios jurídicos para isso. A informação que a gente tem a dar é essa: Até os cem metros a gente entende que não pode construir; e acima deles, uma construção normal. Eu vou pedir ao senhor que faça inscrição, porque nós estamos seguindo a ordem das perguntas, está certo?

possível e o que não é possível. Todo mundo

FABRÍCIO COSTA LOPO: É o próximo o Sr. Ivonei Abade Brito

Fabrício Luciano de Oliveira Brito, com a palavra por três minutos, Sr. Fabrício; caso deseje fazer algum questionamento, favor dirigir-se a quem o senhor quer questionar.

Próximo, Sr.

FABRÍCIO LUCIANO DE OLIVEIRA BRITO: Eu quero fazer uso da palavra.

Primeiro, aliás,

parabenizar pela atitude da Promotoria, porque sem essa atitude a gente não estaria aqui, questionando nosso maior patrimônio, o que está acontecendo com ele, e o que

é que vai ser dele para as gerações futuras. Eu vim aqui primeiro como técnico, como

Da Faculdade Santo Agostinho, onde

ele fala sobre áreas urbanas, como arquiteto, como urbanista. Ele se baseou em

resolução do Conama, a 302/2002, e essa resolução, ela já foi até questionada pelo

De Luciano de Faria Brasil, onde

contesta

Um dos itens que é até hilário, esquisito, é onde se fala de cinco mil habitantes por quilometro quadrado. É tão hilário que nós temos 27 capitais no Brasil, e apenas cinco capitais, apenas cinco, Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e mais uma, não sei qual, não lembro aqui, que satisfazem o pedido do Conama. Então

próprio Ministério Público, na pessoa do senhor

urbanista, questionar a palavra do professor

Primeiro, eu quero me apresentar, meu nome é Fabrício Luciano

E também pela

Pela Dra. Janaína Juliana Maria Carneiro da Silva. Ela

ele já foi questionado, inclusive há uma nova lei, que é a lei que o nobre Prefeito conhece muito bem, que é o Estatuto das Cidades, não é? E também a nova lei

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS também que é do Minha Casa, Nova Vida,

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também que é do Minha Casa, Nova Vida, que é pela Justiça, aí já é área judicial,

sabe que uma lei nova derruba a outra, então pela lei nova passa, a Federação passou essa bola, que seria o que é urbano, ou não, para o Município: É responsabilidade, sim, do nosso Prefeito Municipal e da nossa Câmara Municipal, ela é que deve definir o que é área urbana consolidada, ou não, e área de expansão urbana. Agora,

Há uma briga de entidades quanto ao termo, mas a

Codevasf fala que é uma, a outra fala que é outra

entrei um pouco na internet, hoje, com a facilidade que a gente tem, de entrar na internet, conhecer, eu vi que a nova lei, no art. 62 do Código Florestal, ou seja, a lei que vai vir, que já passou pelo primeiro trâmite, que a nossa Presidenta, inclusive, apoiou esse termo que é o art. 62 dessa nova lei, eu quero apresentar a vocês um novo termo técnico, que chama nível maximo maximorum, e é sobre ele é que se determina a APP, a nova APP, segundo o novo Código Florestal. O que fala no novo Código Florestal? A lei antiga fala: Para áreas urbanas consolidadas, ou expansões urbanas, são 30 metros de distância da APP, para áreas rurais, cem metros. Para o novo código, aí o nível máximo operacional, que aí vem a discussão sobre a Codevasf, onde ela coloca o nível como nível de inundação. Nível de inundação, gente, eu sou gorutubano, há 44 anos moro aqui, quando a barragem sangrou, com um metro e meio, ela lambeu a nossa ponte! Se ela sangrar com três metros de altura, que é aos quarto metros e meio de nível de inundação, simplesmente a nossa cidade não vai existir! É simplesmente um cálculo mal feito, como foi feito também a inundação do nosso patrimônio histórico, que seria o São José do Gorutuba, onde minha família nasceu. Então, como gorutubano, eu fico preocupado, tanto por causa

Dessa falta de linha, de ótica, ou meta, ou de rumo dos órgãos que deveriam

Mas eu base ei em leis e estudos,

quando se fala em cotas, fala

dessa

orientar as pessoas que estão ocupando, porque, pelo meu modo de ver, pelo que eu li, que eu vi, o nível operacional normal é o nível do sangradouro, e essa nova lei vem falar que o nível maximorum, ou seja, o nível máximo que a barragem pode atingir, é área de APP, é área de proteção permanente. Outrossim, vejam bem, para uma barragem igual à nossa, que é a barragem madura, vamos dizer assim, e isso já é o caso da Codevasf, ela sabe disso, que é uma barragem que já passou de trinta anos, ela foi pensada exatamente para existir durante esse período, e graças a Deus ela está

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS passando disso, então Então, nesse nível maximo maximorum

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

passando disso, então

Então, nesse nível maximo maximorum para represas, segundo estudos,

baseados em outras pessoas, em outros estudiosos, para barragens acima de 30 anos, ela seria o nível máximo que a barragem atingiu. Ou seja, nossa barragem, nesses 33 anos de existência, subiu um metro e meio, então essa seria a área delimitada, tanto para inundação, pelo novo código, como para a APP. Então, eu fico triste, por um

lado, onde não existe linha, não é? Eu fico feliz pelo outro, onde as autoridades estão puxando a sociedade para uma discussão. E essa discussão, ela só torna válida onde toda a sociedade entra nesse acordo, e eu estou aqui para propor, baseado em estudos, vou entregar aqui ao promotor, estou falando aqui em nome agora da associação. A Árvore, que é a Associação dos Residentes e Visitantes da Orla da Represa, e Entorno. Em nome da associação eu quero propor a Pacuera. O que é a Pacuera? É um plano, não é? Que já existe em várias represas do nosso Brasil, que é

o Plano Ambiental de Conservação e de Uso do Entorno de Reservatórios Artificiais.

Baseada no que fala da

Quem que é a Pacuera? A Pacuera é simplesmente

sustentabilidade, na Rio+20, e também alicerçada no conceito de conservação do

Snuc, certo? Que é ter o nosso patrimônio para sempre, não é? É passar o nosso patrimônio para as próximas gerações. Mas a sustentabilidade, a economia verde, ela

não pode

A gente não pode ser tão radical, Lula é um exemplo disso, ele já foi

radical demais, e não podemos ser liberais demais; o excesso, falado pelo Digníssimo

promotor, é o que nos prejudica. Não vamos ser radicais, nem tão conservacionistas,

e também não tão irresponsáveis nos nossos empreendimentos. O que é que é o Pacuera? O Pacuera é

eternidade

E por sonho nosso, por dever nosso que ela fique para toda

Vou interrompê-lo por um

minuto, por dizer que o tempo destinado ao senhor encerrou. Nós vamos passar a responder a pergunta que o senhor fez, e recebermos o documento que o senhor fez. Com relação ao Pacuera, o que senhor tem razão com relação ao Pacuera, nós vamos examiná-lo, e dialogar, num instante posterior com a Codevasf, com órgãos, e com o

FABRÍCIO COSTA LOPO: Sr. Fabrício, eu vou pedir

poder público municipal, estadual e federal, se for o caso, tá? Com relação à primeira

Se ele me

pergunta que o senhor fez, eu vou tomar a palavra do Prof. Vinícius, para

permite responder em seu nome. Com relação à citação que o Prof. Vinícius fez, da

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS resolução do Conama, ele pontuou aquilo que, no

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

resolução do Conama, ele pontuou aquilo que, no entender dele, ele entende como aplicável. Mas a própria Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Meio Ambiente está discutindo ainda o alcance do novo Código Florestal, e há um outro problema, porque a legislação federal pode criar normas gerais em direito ambiental; porém, a legislação estadual e municipal pode ampliar, no sentido de aumentar a proteção, não de diminuir a proteção ao meio ambiente. E há uma lei estadual que define, que traz outro regramento, então nós estamos estudando ainda essa matéria, não chegamos a uma conclusão, mas o questionamento do senhor tem fundamento em relação à resolução do Conama, e nós vamos avaliá-lo, tá? Prof. Vinícius, o senhor deseja fazer mais uma consideração? Então, vou pedir para o senhor, Sr. Fabrício, a gentileza, para a gente continuar.

CÉSAR VINÍCIUS MENDES NERY: Com relação à cota, a cota de inundação, nós estamos baseados num documento da Codevasf, informando qual é a cota, e foi baseado nisso que foi feito todo o trabalho, um documento da Codevasf, que mostra quais são as localizações dos marcos, e qual é a cota.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Apenas só para

Pública, ela ficou marcada, até por conta da própria disposição do auditório, para ocorrer até às cinco horas. As inscrições vão continuar, mas nós temos uma lista aqui ainda, de pessoas que fizeram questionamento, mas quando chegar o horário limite nós vamos ter que interromper.

Um minuto, gente: A Audiência

FABRÍCIO LUCIANO DE OLIVEIRA BRITO: O nosso patrimônio não é [ininteligível] da Codevasf, não é? Só que ela não considerou isso, entendeu? Que é o máximo dos máximos a que pode chegar, o máximo dos máximos, com ocorrência centenária! Imagina se a Codevasf fosse delimitar por aí? Quanto de áreas nós teríamos que comprar, que não seriam utilizadas, de cem em cem anos? Essa é a razão da outra cota ser utilizada, maximo maximorum é isso!

CÉSAR VINÍCIUS MENDES NERY: Não é isso o que diz

FABRÍCIO LUCIANO DE OLIVEIRA BRITO: Maximo maximorum!

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS CÉSAR VINÍCIUS MENDES NERY: -- a Universidade Federal

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CÉSAR VINÍCIUS MENDES NERY: -- a Universidade Federal de Viçosa não

fala sobre

Fala de forma diferente.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Então obrigado, Sr. Fabrício.

FABRÍCIO LUCIANO DE OLIVEIRA BRITO: Muito obrigado!

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Vamos passar para o próximo, tá?

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: O próximo, o Sr. Arcendino Arnoni

Viana

dirigir-se a quem o senhor deseja.

Ou Arnani

O senhor tem a palavra por três minutos; caso deseje fazer alguma pergunta,

ARCENDINO ARNONI VIANA: Eu quero sugerir uma medida de tratamento de

Fazer a água da barragem ficar limpa, nós queremos a

água limpa! Então eu queria que cada casa construísse uma fossa

Impermeabilizada, de cimento, de concreto, não é? De forma que não infiltrasse esgoto nenhum, não é? Quando ela enchesse, a pessoa chamava o caminhão pipa, e

Do tratamento de

esgoto da Copasa, aqui de Janaúba. E as fossas antigas que tem lá, que fosse feita a limpeza delas, limpar, tirar tudo, trazer, jogar na estação de esgoto, e fazer um tratamento, jogar um cal dentro da fossa velha, e encher de terra. E o lixo também, que seja cada morador lá, carregar seu lixo e trazer, e jogar no aterro sanitário.

mandava transportar o esgoto, trazia, e jogava dentro da

esgoto, para manter a água

Da

FABRÍCIO COSTA LOPO: Eu vou pedir a todos o respeito, enquanto ele estiver

falando enquanto

Pode continuar, Sr. Arcendino.

ARCENDINO ARNONI VIANA: É só isso que eu queria

FABRÍCIO COSTA LOPO: Certo. Eu agradeço a palavra.

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Sua observação foi registrada, Sr. Arcendino, e ela é inclusive objetivo de apuração, em cada um dos procedimentos que serão

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS instaurados. A Polícia Militar, quando ela visita a

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

instaurados. A Polícia Militar, quando ela visita a residência, ela avalia se a residência possui fossa séptica, ou não, tira fotografia, como o Maj. Clevison mostrou; num segundo momento, ela vai ser questionada se ela possui o sistema de tratamento de efluentes, que é exigido. Próximo, a Sra. Maria de Lourdes de Souza Nascimento tem a palavra por três minutos.

MARIA DE LOURDES DE SOUZA NASCIMENTO: Boa tarde à Mesa, boa tarde à Plenária. Eu queria falar o seguinte, que é gente falando de sustentabilidade, e nós estivemos na Rio+20, numa comissão de 39 mulheres, representando 14 municípios, para discutir sustentabilidade. E a questão em que a gente mais protestava lá era a seguinte, não adianta a gente querer a sustentabilidade se a gente não parar com a destruição. E aí, para se falar na destruição, a minha pergunta é um problema que eu tenho, eu não sei para quem eu dirigir vou ela, mas vou deixar em aberto o seguinte: Como é que está sendo pensado o monitoramento dessa barragem, com os grandes que estão sendo construídos acima dela? Quem vai fazer esse monitoramento, para ter certeza de que, no futuro, a gente não vai ter uma catástrofe acontecendo aqui na nossa região? Então, eu não sei para quem dirigir essa pergunta, mas é uma coisa para se pensar, quem vai monitorar, não é? Nossa barragem no futuro, com os grandes que estão sendo construídos acima dela?

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Sra. Maria de Lourdes, muito pertinente a sua indagação. Em cada um dos processos de licença ambiental, das mineradoras que estão vindo para o norte de Minas, está sendo avaliada, no bojo desses processos de licenciamento ambiental, a observância de algumas regras, para que não ocorra um desastre semelhante ao que ocorreu em outro local, acho que, salvo engano, na represa de Miraí, dentre tantas outras. E está se adotando um cuidado, até dentro da própria reunião do Copam, que é o órgão autorizador da concessão de licença ambiental em nível estadual, da observância das normas mitigadoras dos impactos ambientais, tanto da licença de instalação, como da licença prévia, da licença de instalação e, enfim, da licença de operação. Acho que, salvo engano, as mineradoras que vão se aqui no norte de Minas já estão na fase de licença de instalação. A

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Meio Ambiente

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Meio Ambiente do Rio São Francisco é

que está acompanhando esses trabalhos, a Dra. Ana Heloísa Marcondes Silveira, ela fica em Montes Claros. Hoje ela está de licença-maternidade, mas assim que ela

Do

retornar, ela vai continuar os trabalhos. E o nosso CAO, na pessoa do professor

Promotor de Justiça Paulo Cesar Vicente de Lima, também tem acompanhado esses trabalhos, essa é uma preocupação nossa.

Essa

barragem já consta no processo de monitoramento que o IGAM vem fazendo, a própria Copasa, e também a estação de piscicultura aqui da Codevasf. A apuração desses dados lá, quer dizer, o nível de detalhe, se vai aprofundar, ou não, tem essa Tem o acompanhamento do Conama, e agora, conforme a Defensoria do São Francisco está postada a região, aqui rebatida pelo Promotor Lopo, esse assunto vai ficar sob guarda, e isso aí vai ser, inclusive, uma resposta de providência a ser tomada, isso aí já está sendo tratado já há certo tempo.

ATADEU FERREIRA DA SILVA: Sra. Maria de Lourdes, existe o

FABRÍCIO COSTA LOPO: Próximo é Luís Carlos C. Santos

técnico? Sim, pode

Só um minuto, Sr. Luís.

O

senhor é

ALEX DEMIER: Bom, meu nome é Alex. Com relação ao monitoramento, como o Atadeu falou, a Codevasf já vem realizando esse projeto de monitoramento, tanto com relação à qualidade de água, mas também com relação aos peixes que tem na barragem. E a partir desses empreendimentos, a Codevasf já adquiriu alguns equipamentos para monitorar também metais pesado e defensivos agrícolas. Então, a partir desse ano nós vamos poder também detectar poluição difusa, vindo tanto de questão de metal pesado, quanto também de defensivos, tanto na água, como também nos peixes, e também no fundo, onde a gente vai fazer coleta também. Mas já está sendo feito, já há mais de quatro anos, duas a três vezes por ano a gente faz esse monitoramento.

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Com a palavra o Sr. Luís, por três minutos.

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS LUÍS CARLOS C. SANTOS: Boa tarde a todos!

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

LUÍS CARLOS C. SANTOS: Boa tarde a todos! Na pessoa do DR. Fabrício eu gostaria de cumprimentar a Mesa, e aos demais presentes. Bem, antes de mais nada,

eu gostaria de parabenizar o Ministério Público por essa iniciativa, iniciativa essa que é louvável, porque estamos tratando de um bem que é de todos, como bem diz a lei, a legislação ambiental. A pergunta eu gostaria de dirigir, tanto à Promotoria, ao Dr. Fabrício, e aos demais Promotores, quanto à Codevasf, que é a gestora da Barragem de Bico da PeDra. Eu gostaria de saber o seguinte, se esse monitoramento, em relação à qualidade, à qualidade da água, ele está sendo feito de forma frequente, e

ultimamente qual é a

Porque nós participamos de uma

De uma expedição recentemente, e podemos ver,

De que forma, como se encontra a qualidade dessa água?

durante uma visita in loco, várias plantas aquáticas no leito do rio e também da barragem, e isso traz uma preocupação muito grande para todos nós, cidadãos, principalmente às pessoas que tomam essa água aqui, abaixo da barragem. Então a minha pergunta diz respeito a essa qualidade da água, a essa questão da análise, se está sendo feita, ou não.

[palmas].

ALEX DEMIER: Bom, há algum tempo atrás, talvez há um ano ou dois anos atrás, foi feito um grande alarde aqui em Janaúba com relação ás cianobactérias na barragem, não é? A população ficou muito preocupada com relação a isso, é uma bactéria que dá em corpos d’água, mas é uma bactéria normal em qualquer corpo d’água; só acima de alguns limites é que essa bactéria é problemática, principalmente quando, dentro dessas espécies de bactérias, tem algumas cepas tóxicas. Aqui na barragem não foi encontrada nenhuma cepa tóxica, e a quantidade de cianobactérias está normal. A qualidade da água da barragem também não tem problema nenhum, inclusive nós encaminhamos um relatório para você, Luís, e que lá mostra muito

claramente que os níveis de nutrientes e das demais características da barragem estão dentro da normalidade, por enquanto sem nenhuma preocupação com relação a essa

questão. Com relação às plantas, é uma

não

Até agora nós não identificamos nenhuma correlação entre a presença dessas

É uma questão normal da proliferação,

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS plantas com a quantidade de poluição da barragem,

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

plantas com a quantidade de poluição da barragem, até porque hoje o nível de qualidade da água da barragem ainda é muito bom, ok?

FABRÍCIO COSTA LOPO: Obrigado.

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Sr. José Benedito Nunes Neto se inscreveu para fazer

um questionamento, deseja Marcos, por três minutos.

Com a palavra o Sr.

Sr. Marcos Benício Barbosa

MARCOS BENÍCIO BARBOSA: Boa tarde! Meu nome é Marcos, eu sou Oficial de Justiça aqui na Comarca de Janaúba. Primeiramente Dr. Fabrício, Dr. Ali, Dra.

Vanessa, Dr. Márrison, eu gostaria de parabenizá-los pela iniciativa, não é? Mais uma vez a Promotoria vindo dar uma satisfação à sociedade, porque para muita gente, infelizmente tem muita gente que diz, existe essa ideia de que não vai acontecer nada com aquelas casas que estão lá, quase que dentro da barragem. Eu tenho pessoas, conheço pessoas que já falaram que vão continuar construindo, continuar mexendo e fazendo, porque nada vai acontecer, porque muitas reuniões já

foram feitas e feitas, e nada vai acontecer

E muita gente acredita que nada, nunca,

vai acontecer. Eu tenho duas perguntas, uma para o senhor, e a outra para a Dra.

Vanessa: Sem esses dados que o

Atadeu

Como é o nome do senhor, da Codevasf?

Que ainda faltam passar, por questões da licitação ainda, não é? Que faltam

passar para o Ministério Público, se as ações do Ministério Público, sem esses dados,

não é? Se elas têm o curso normal, se elas podem continuar, ou se não. E um dos

dois

Legalmente o que é que acontece com aquelas pessoas que desmatam lá no

entorno da barragem? Que a gente vê lá que tem muita área lá, pé de morro, que não poderiam ser desmatadas, e foram desmatadas. Legalmente é apenas aplicação de multa ou existe alguma lei que obrigue essas pessoas a revegetar, a replantar essas áreas?

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Primeiro, Marcos, o termo de referência, que foi encomendado, que a Codevasf encomendou à Faculdade Santo Agostinho, ele não

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS impede o desenvolvimento dos nossos trabalhos. Na verdade,

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

impede o desenvolvimento dos nossos trabalhos. Na verdade, o termo de referência é para a gente ter, apenas para a gente ter uma precisão daquilo que foi efetivamente

desapropriado, daquilo que é área da União, e propriamente da Codevasf. Então, isso vai transbordar para uma outra esfera, que não a da proteção do meio ambiente, ou seja, para uma esfera de reivindicação de direito de propriedade, compreendeu? Com relação àquele que pratica um crime ambiental, a Codevasf já fez a contratação de uma empresa de vigilância, essa empresa de vigilância está trabalhando, e a cada

novo foco de

comunica à Promotoria, a Promotoria requisita o comparecimento da Polícia Militar

até o local. A Polícia Militar lavra o Boletim de Ocorrência, e nós requisitamos a de um termo circunstanciado de ocorrência. Esse termo circunstanciado vai ser conduzido pela Delegacia de Polícia, vão ser ouvidos os envolvidos, e será remitido à Justiça. A partir daí haverá responsabilização criminal, e no curso desse procedimento nós iremos cobrar também a reparação do meio ambiente, ou seja, vai haver a dupla responsabilização que nós chamamos, tanto cível, de recomposição do meio ambiente, como pela prática do crime ambiental. Mas todo aquele que tiver conhecimento da prática de degradação do meio ambiente, um novo foco, seja de queimada, seja de corte raso de plantas, deve provocar a ação da Polícia Militar. O

próximo, Sr. Allison

representante da Acijan, com a palavra por três minutos.

Ou de construção, ou de alguma intervenção que ela diagnostica, ela

Ailton

Souto

Montanha

Sr. Geraldo Miguel Soares,

GERALDO MIGUEL SOARES: Boa tarde a todos, meu nome é Geraldo. Eu

quero cumprimentar e parabenizar a iniciativa, e são duas perguntas, eu vou ser,

acho, que repetitivo

propriedade que tem acesso ao lago, e em 2008, quando eu fui construir, estava na

mídia, não é? Que estava proibido construir no entorno do lago e tudo mais. Mas eu procurei a Prefeitura na época, e o Codema, na pessoa da Kelly, e não tinha um

código de postura, não tinha orientações

E eu quero saber se hoje já existe isso,

qual que é a forma para o leigo, eu, que não sou advogado, não conheço muito

Mas eu gostaria que ficasse

Apesar de que isso não é desculpa, não é? Das leis

mais esclarecido, com mais facilidade, de a pessoa que tem propriedade, que dá

Onde

acesso ao lago, não é o caso, eu não construí dentro da área de APP, dentro

É exatamente para esclarecer. Eu tenho uma

Mas eu

É

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS inunda, mas, mesmo querendo fazer de maneira correta,

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

inunda, mas, mesmo querendo fazer de maneira correta, eu não encontrei estas informações de maneira clara, não é? O quê, de que forma, orientações para que eu

pudesse fazer de maneira correta. Eu tive que buscar informações fora. Eu acredito que, se na Prefeitura houvesse já um plano, não é? Eu até anotei aqui, um código de postura do entorno do lago, para que a gente pudesse orientar de forma mais clara, não é?Eu não sei também, é uma outra questão, se o Ministério Público também está

Esse é

pensando nas culturas que tem no entorno no lago, ou é só nas construções meu questionamento.

[palmas].

Eu posso dizer para o

senhor que o Codema, ele não tem condições de aparato, seja ele tecnológico, seja

humano, para informar se aquela construção que a pessoa deseja fazer, ela está, ou

A área de preservação

permanente, ela varia não somente em relação aos cem metros da cota de inundação, mas ela varia em relação também a topo de morro, quando o terreno é inclinado Então há uma série de variações e de outros regramentos previstos, que colocam aquilo que é de área de preservação permanente. Nós temos em mãos uma fotografia via satélite, em que é possível dizer onde é a área de preservação permanente; então para que a pessoa tenha uma informação precisa e segura, se aquela construção que ela pretende está, ou não, dentro da área de preservação permanente, nós encaminhamos para a CEMIG um ofício colocando a série de requisitos técnicos que devem ser obtidos através de um engenheiro, um engenheiro que possua notação de responsabilidade técnica, para ele obter informações para o levantamento georreferenciado. Essas informações podem ser passadas para o perito da

não, dentro da área de preservação permanente. Essa

FABRÍCIO COSTA LOPO: Bem, Sr. Geraldo, para o

É

Essa

Promotoria, e ele vai se aquela construção que pretende ser feita está dentro da APP, ou não. Por depender dessa questão técnica, ainda que o Codema estivesse melhor

Dessa capacitação técnica, tá? Então a gente

precisa contar com o auxílio de outro profissional, essa é a única forma de nós darmos segurança jurídica àquele que deseja construir. Ele relação ao código de postura, pode ser pensado de legis ferenda, ou seja, de legislação futura estabelecer

estruturado, mas ele dependeria dessa

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS um regramento de proteção do entorno da barragem,

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

um regramento de proteção do entorno da barragem, de requisitos mínimos que as

construções, que estiverem situadas fora dessas áreas de preservação permanente,

devem possuir, para preservar a infiltração de cursos de

sanitários e lançamentos de efluentes, e infiltrar pelo solo, por aí vai. Com relação à

piscicultura, isso

atuar se ela for provocada, tá? Então, de uma forma preventiva, de um critério macro, é a FEAM que atua, e não a Promotoria. Respondeu? Próximo, o Sr. José Netício

Cardoso de Oliveira

Ele parte de um uma fiscalização da Feam, a Promotoria só vai

De dejetos

De

É

Com a palavra por três minutos.

JOSÉ NETÍCIO CARDOSO DE OLIVEIRA: Boa tarde a todos. Eu gostaria de dizer, a essa plateia e ao Ministério Público, de que fico muito feliz quando vejo o Ministério Público, conclamando a uma Audiência Pública, uma vez que, no entendimento da legislação do país democrático, o Ministério Público é o curador da vida, do meio ambiente, é o guardião, como foi dito aí, anteriormente. Eu só queria fazer uma observação, para que o povo dessa região, tão penalizado, como foi dito à Codevasf, anteriormente, que fez essa barragem para viabilizar a vida nesse sertão. Nós atuamos ali junto à Secretaria de Meio Ambiente e o Codema de Nova

Porteirinha, e sabemos as mazelas dessa região, a luta que é para sobreviver, e o povo dessa região tem direito tanto ao uso consultivo e não consultivo, como foi dito anteriormente. É um direito do povo beber água limpa, de qualidade, dessedentar seus animais, irrigar suas propriedades, que aqui é inviável, culturas anuais, sem irrigação, e o lazer e turismo, e a navegação, que é uso não consultivo. Portanto,

Para baixo de Janaúba tem

deixo a minha observação, o meu apelo, porque Janaúba

gás natural; na montante, para cima, nós temos ouro, minério de ferro, e talvez até

diamante; E temos inclusive uma mineradora com 28 mil hectares no seu domínio,

que está burlando a legislação, apresentando uma licença ad referendum

[palmas].

JOSÉ NETÍCIO CARDOSO DE OLIVEIRA: Pelo Secretário de Meio Ambiente do Estado de Minas Gerais

[palmas].

JOSÉ NETÍCIO CARDOSO DE OLIVEIRA: Onde o Prefeito de Janaúba e o Prefeito de Nova Porteirinha fizeram um ofício, por ocasião da reunião do Copam

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS em 28/10/2011, repudiando essa licença ad referendum ,

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em 28/10/2011, repudiando essa licença ad referendum, e protelaram até dia 09 de novembro a liberação dessa licença, e arrumaram mais 46 condicionantes para a mineradora. Eu sei que eu tenho apenas três minutos, mas não posso deixar de colocar que a barragem de rejeito, de 120 hectares, da Gold Carpation, a empresa canadense que vai instalar, já está instalando, em Riacho dos Machados, ela vai tratar com arsênio, ela vai tratar o ouro não é com mercúrio, não, é com arsênio! E o Córrego Olaria, um tributário direto do Rio Gorutuba, em que a barragem estará terminantemente comprometida. Eu agradeço, e deixo a minha observação. Muito obrigado.

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Sr. José Netício, foi registrado, e a demanda do senhor

será encaminhada para a Coordenadoria de Meio Ambiente, que é ela que acompanha o processo de licenciamento ambiental, e não o Promotor de Justiça aqui da Comarca. O Sr. Américo Soares fez uma pergunta: “Há cerca de seis anos

procurei o IEF local, para me orientar sobre” a contratação

uma casa, assim como o plantio de frutíferas e nativas, formas de adubação, bem

como distâncias exigidas. Deixei lá croquis, levantamento topográfico, e sugestões de plantio. Nunca recebi qualquer informação para tal, a não ser uma multa do

CREA, por deixado lá uma”

de saber qual o órgão verdadeiramente que o proprietário de terra que margeou”

“Que margeou o CAD”

Bem, Sr. Américo, se o senhor desejar, o senhor pode protocolar, lá na Promotoria, o requerimento do senhor, com os documentos do senhor, nós vamos avaliar e

encaminhar para o órgão competente, se o senhor desejar. Sra. Marcília Alves Sales,

Sra. Eliana Maria de Almeida

Lacerda fez a seguinte indagação: “Diante do exposto nessa audiência, foi entendido que as 296 casas foram construídas em uma área antes desapropriada. Hoje, muitas das famílias desapropriadas estão passando necessidades básicas, inclusive falta de

com a palavra por três minutos, Sra. Marcília

“Deve procurar para adequar a construção e o plantio”.

“Um croqui, apenas explicativo, do terreno. Gostaria

“Sobre a construção de

moradia. Não é justo tão pouco que os proprietários atuais utilizem desta área para fazer lazer, enquanto os retirados da área estão morrendo à míngua, concordam?”. O

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS argumento da senhora é totalmente pertinente, e nós

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argumento da senhora é totalmente pertinente, e nós sabemos disso, e não é à toa que

o Ministério Público vai adotar providência. Sra. Jaqueline Alves Pereira

Está presente? Questionou as medidas que serão tomadas, a partir de agora, com as casas já construídas em APP, já que grande parte está. Enfim, assim que concluirmos os inquéritos civis, serão propostas ações questionando esse dano ambiental. Algum mais inscrito, dentro do tempo? Pode trazer, por favor. Sr. Geraldo Magela de Rezende, o senhor tem a palavra por três minutos.

Deseja

GERALDO MAGELA DE REZENDE: Meus senhores, minhas senhoras, boa

Sou Geraldo Magela de Rezende, sou engenheiro agrônomo,

trabalho numa empresa pública, a Emater MG, e sou pequeno produtor no município de Riacho dos Machados, na cabeceira, num dos afluentes da cabeceira do Rio Gorutuba. Eu gostaria de esclarecer que aqui eu não advogo em causa própria, porque eu não tenho interesses a defender, e a minha posição aqui, ela não é nem interrogativa e nem polêmica, talvez mais é uma questão de encaminhamento. No calor do Código Florestal, que se arrastou por dois anos no Congresso Nacional, e no frescor da Rio+20, eu parabenizaria o Ministério Público por essa audiência, porque ela está sendo bastante oportuna. E falando o que eu realmente gostaria de falar, a grande questão aqui está sendo a questão da cota de inundação. Pelo que nós vimos aí, nas imagens de satélite, a gente viu que a barragem de Gorutuba, ela é cheia de meandros, então foi colocada aqui a questão dos marcos. O Atadeu disse aí, que conheço o Atadeu de longa data, desde a época em que foi implantado o projeto aqui, não é, Atadeu? Eu gostaria assim, de colocar: Esses marcos existem? Estão visíveis? Tem como demarcar realmente a cota, não a área de APP, não a cota de inundação,

tarde. Eu devo

mas, sim, a área de APP? Porque facilitaria o trabalho da Polícia Ambiental, que foi colocada aqui; o Danúbio colocou a questão técnica, que é a questão do GPS, que não é preciso, e eu trabalho também com ele no campo; e o Prefeito aqui, o José Benedito, aqui a questão até de isolamento da APP. Eu não consigo, são 170 quilômetros de perímetro, eu não consigo visualizar uma APP não antropizada se não houver um isolamento, se não houver uma cerca. Talvez não fosse a possibilidade de

estar isolando pelo menos essa linha vermelha, que

Porque, na verdade, isso facilitaria o trabalho da polícia, evitaria a ação de gatunos,

Onde há mais polêmica?

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS porque tem muita gente que vai agora, com

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porque tem muita gente que vai agora, com a pressão do Ministério Público, vai

começar a vender lote a preço de banana, com contrato de gaveta, igual foi colocado aí pela doutora, não é? E de outro lado, defendendo as populações ribeirinhas remanescentes, existem, às vezes, várias linhas de crédito que poderiam ser acessadas por esses produtores tradicionais, e às vezes eles não têm lá uma demarcação, falando aonde realmente terminam os cem metros. Então eu acho válido avivar os marcos, demarcar, se for caso, quem sabe até isolar, através de cerca. E

finalizando, é

escrituras foram registradas no Cartório de Grão Mogol, que foi a 4ª Comarca de Minas Gerais, então talvez aqui em Porteirinha, que foi Comarca antes de Janaúba, e mesmo no Cartório de Registros de Janaúba, não existam registros bastante claros a respeito dessas áreas. Então eu acho que facilitaria, com a demarcação, com o avivamento, com o isolamento da APP, o trabalho, a atuação, que eu sei que muita gente, que está dentro do entorno, dentro da área de APP, não está se sentindo confortável com essa situação, mas, às vezes, não sabe como proceder. E finalmente eu gostaria de deixar aqui a minha posição, baseada no art. 226 da Constituição Brasileira, que fala que todo brasileiro tem direito a um meio ambiente estável e equilibrado, então, o que me move aqui, nesse momento, é essa preocupação. Muito obrigado, e fique aqui a sugestão.

Pela tradição histórica e secular de São José do Gorutuba, muitas

[palmas].

ALEX DEMIER: Com relação à demarcação da linha de APP, eu estou

respondendo aqui

termo, nesse termo de referência, a demarcação, porque essa que vai dar um marco

definitivo à situação. A Codevasf também sugeriu a colocação de placas, delimitando

Com esse termo de referência, seria demarcar a APP, a linha, e a

colocação de placas indicativas, não é? Dessa APP. Com relação ao levantamento por GPS, na verdade, esse GPS ele serve de orientação. Na verdade, a gente está fazendo um ajuste das informações sobre a imagem georreferenciada, certo? Então o erro do GPS, ele ultrapassa, mas essa imagem ela é ajustada, essas informações são ajustadas sobre a imagem de satélite, certo? Era isso.

a área APP, então

Por sugestão minha, eu sugeri a Codevasf que incluísse no

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS FABRÍCIO COSTA LOPO: Com relação ao cartório de

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FABRÍCIO COSTA LOPO: Com relação ao cartório de Grão Mogol o senhor tem razão, e um dos objetos que vai ajudar nessa conclusão será o termo de referência,

ele vai ajudar a esclarecer bastante essa questão dos registros anteriores, e é um estudo que vai ser feito, e que vai ter resultado no sentido de identificar o título da

Codevasf deseja fazer algum apontamento,

esclarecimento? Não? Então vamos avançar. Sr. Wallace Geraldo de Almeida, o senhor tem a palavra por três minutos.

propriedade.

A

Codevasf

WALLACE GERALDO DE ALMEIDA: Boa tarde a todos. Cumprimento o Dr. Fabrício, em nome da Mesa, e todos os órgãos que o assessoram nessa empreitada. Eu faço um questionamento a nosso Prefeito, e também à Codevasf, que eu fui informado pelo Superintendente da Codevasf, o Sr. Edimar RoDrigues, que recentemente conseguiu, através de emenda de um Deputado Federal, recursos para asfaltamento que, na verdade, não é uma estrada, é uma rua, que dá acesso ao Hotel Resort Pedro do Sonho, orçada em R$ 400 mil. A Codevasf estava para fazer a contratação dessa obra e, segundo o Superintendente, ele me informou que por recomendação do Ministério Público, que essa obra não poderia ser realizada, e que talvez teria que ser executada pela Prefeitura Municipal. Com referência a essa rua, que eu chamo de rua, porque ela tem iluminação pública permanente, ali também eu tenho imóvel que paga IPTU já há vários anos, e por conhecimento do entorno da represa, ela não está em área de preservação permanente, eu queria saber da veracidade dessa recomendação do Ministério Público, se essa recomendação é transitória, passageira, ou se ela é de forma definitiva, por não construir nessa rua, a proibição de mais pessoas chegarem ao entorno do lago. Se é esse o propósito, eu não sei. E se a Prefeitura tem conhecimento desses recursos, que eu já fiquei sabendo que foram alocados, e se tem uma disposição da Prefeitura para a execução dessa obra. Obrigado.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Sr. Wallace, em nenhum momento a Promotoria de Justiça foi procurada a respeito desse assunto, em nenhum momento o Ministério Público foi questionado, ou foi solicitado algum esclarecimento.

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS TATIANE A. ALMEIDA DE CARVALHO: Só para esclarecer

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TATIANE A. ALMEIDA DE CARVALHO: Só para esclarecer esse ponto, eu sou Assessora da Codevasf, e realmente foi feita a disponibilização desses recursos para que se fizesse o asfaltamento do acesso a uma área dentro do balneário. Só que essa área, pelo levantamento técnico que a gente já tem, ela fica dentro da APP, e quando esse processo chegou para o parecer, a gente deu o parecer falando que não poderia ser feito, em decorrência não só da questão legal, mas de todas as tratativas que a gente já estava mantendo com o Ministério Público, no sentido de que a gente ajudasse a preservar, e não que perpetrássemos essa situação de intervenções lá.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Então, respondendo, Sr. Wallace, não houve nenhuma recomendação direta do Ministério Público para que não fosse feita a construção, mas, sim, a Codevasf concluiu esse estudo, e verificou que a área se encontra em preservação permanente.

REINALDO RODRIGUES: Com relação a essa emenda, o Superintendente

Aldimar Rodrigues solicitou do seu Deputado, do seu aliado político Saraiva Felipe, que mandou o número, chama ‘Oficial Programática’ de uma emenda orçamentária, nessa ordem mesmo, e mandou para o Município cadastrar. É a via crucis da emenda parlamentar, ela começou, ela deu o primeiro passo, é fornecido ao Município um número; a equipe técnica cadastra, foi feito e agora começa o processo de aprovação desse recurso, não é? Às vezes cai na caminhada, às vezes ele é garantido, a Caixa

pede o projeto e vai

esse projeto, mas não foi pedido, só está cadastrada a emenda que, em média, para virar realidade, uma emenda parlamentar é um ano e meio, dois anos.

Nesse momento, nem foi pedido o projeto ainda, nós já temos

FABRÍCIO COSTA LOPO: Próximo, Sr. Ney Marques de Melo, o senhor tem a palavra por três minutos.

NEY MARQUES DE MELO: Sr. Prefeito, representantes do Ministério Público, boa tarde. Boa tarde a todos. A minha preocupação inicial é a respeito daquilo que o engenheiro ambiental falou, sobre essa implantação de uma mineradora à montante da barragem, que pode usar metais pesados, como o mercúrio, e vai usar o arsênico (sic), que é veneno. Então a preocupação maior de nós, moradores, à jusante da barragem, é essa, inclusive eu fui o portador do documento assinado pelo Sr. José

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Benedito e o Sr. Gilmar Soares de Oliveira,

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Benedito e o Sr. Gilmar Soares de Oliveira, na reunião da Copam, onde fui empurrado, goela abaixo, um ad referendum para que essa mineradora tenha êxito em seus intentos ali em Riacho dos Machados. Mas a questão que eu quis pronunciar ali é a respeito da pergunta que o moço falou, sobre a quem ele deve se dirigir para pedir um alvará de licença para a construção, que não tem, chega à Prefeitura, não é zona urbana, ela não tem competência. Então essa área, essa faixa logo, após a APP, ela tem que ter uma normatização, e essa normatização, ou um Plano Diretor onde se crie um plano, um código de postura e de obras, e aí o departamento da Prefeitura Ela vai estar hábil a chegar lá e dizer, “Olha aqui é APP, não pode construir. Acolá você pode construir”. Agora, tem que dizer que tipo de construção, quantos pavimentos podem ser construídos, que tipo de coleta de esgoto que vai ser feito, então é um trabalho árduo, tem que trabalhar nisso aí, e normatizar, e colocar um código de postura e de obras, pertinente àquela faixa lá, que é sui generis. Era isso que eu tinha que dizer.

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Sr. Ney, com relação

mineradoras, como eu já disse, elas competem, a avaliação das licenças, à participação das Coordenadorias, então nós, Promotores de Justiça, aqui, de Janaúba e de Porteirinha, não temos conhecimento desse processo de licenciamento; a gente só vai atuar quando, depois que ela estiver em funcionamento, surgirem questões pontuais, surgirem problemas pontuais. Até então, quem tem a competência para definir é o Copam. O código de posturas a que o senhor fez menção, ou esse Plano Diretor, ele é interessante e deve ser buscado, mas eu vejo que antes até de o Município se engajar nessa nova frente de trabalho, nessa lei, é preciso que a Codevasf conclua o termo de referência.

A instalação dessas

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Só com esse termo de referência é que nós teremos condições de saber aquilo que é propriedade privada; e aquilo que não é propriedade, aqui que é propriedade da União, e por consequência da Codevasf, porque o Município não pode permitir construir onde é de propriedade da Codevasf e,

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS consequentemente, da União, o senhor entendeu, o senhor

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

consequentemente, da União, o senhor entendeu, o senhor compreendeu a toda a dificuldade. Concluindo, claro, podem ter a palavra

Essa é

TATIANE A. ALMEIDA DE CARVALHO: Só em relação ao termo de referência, que é bom que a gente esclareça, o termo de referência foi concluído, planilhas foram feitas pela Santo Agostinho e foi repassado. O que foi ajustado, na nossa última reunião, é que a gente aguardaria a minuta de TAC e as planilhas, e a partir daí é que a gente teria o prazo para a disponibilização do recurso. O recurso já está aportado, o Atadeu me cobra diuturnamente, porque ele é cobrado no Comitê Gestor do PAC, porque esses recursos foram, em um primeiro momento, previstos para fazer esse trabalho, e a gente está como se tivesse em atraso em relação a isso, em relação à utilização do recurso. Então a gente está dependendo agora da minuta do TAC, para podermos estudar, e dar seguimento, o andamento dessas questões.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Me parece que ficou pendente a aprovação das planilhas, elas foram aprovadas?

TATIANE A. ALMEIDA DE CARVALHO: As planilhas, elas foram estudadas, eu pedi, tem só alguns itens que estão acima dos preços do Sinapi, que é o parâmetro legal que a gente segue para considerar o preço como preço de mercado. Eu já pedi à área técnica para que elaborasse esse detalhamento, para fazer um contato com o senhor, para poder adequar esses últimos dados.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Tá, a gente está aguardando.

TATIANE A. ALMEIDA DE CARVALHO: Então está faltando isso e a minuta, para a gente poder fechar.

FABRÍCIO COSTA LOPO: Então você nos deu notícias boas, não é, Tatiane? Então em breve vamos reunir para mais um Termo de Ajustamento de Conduta, e avançar e em seguida o Município vai ser comunicado, e aí, sim, a partir do momento em que ele tiver conhecimento, poderá se pensar em uma legislação que estabeleça um Plano Diretor. Encerrando os trabalhos, eu gostaria de questionar alguém mais deseja a palavra? Sr. Atadeu?

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS A Codevasf, ela não se furta aos seus

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

A Codevasf, ela não se furta aos

seus compromissos. A gente já vem batalhando aqui, há bem tempo, para tentar resolver essa questão. Isso aí data, sim, logo do primeiro enchimento da barragem, como eu coloquei. Nós, e a dificuldade que tem, todo mundo que trabalha no setor público sabe, é a alocação orçamentária. Essa alocação orçamentária, para esse

trabalho, ela já foi feita duas vezes. Inclusive no ano passado, esse orçamento que está sendo discutido aqui, no termo de referência, no ano passado era para ter sido

Ele não foi fechado e aconteceu o seguinte, quase que a

gente perde dinheiro, porque esse orçamento é o orçamento do PAC, se ele não for

aplicado aqui, ele vai ser deslocado para outra região, e isso é cobrado

diuturnamente. Nós temos perdido projetos por falta de ter condição de fechar

projeto

coisa, não é

tempo, conheço o processo desde o início, e falo aqui, de coração, a gente tem lutado muito para conseguir esse orçamento por aqui, para regularizar essas questões. Outra

coisa que eu acho, senhor

assunto tem que ser mais divagado (sic) na cidade. Pelo que eu estou percebendo,

Outras

representações, para a gente ter uma coisa bem imparcial na discussão, mesmo

porque tem

colocado pelo

até por um plebiscito, o que a sociedade quer? Vai chegar num momento em que

pode acontecer isso, ela quer que a

acha que deve ser corrigido? São coisas que têm que ser analisadas. Tudo foi dito aqui, dentro do direito, o que foi colocado, todo mundo vai ter condição de questionar o que foi falado aqui dentro. Agora, nós temos que partir de alguma coisa, o que nós não vamos permitir é que foi feito, tudo o que nós baseamos até hoje foi em cima de um projeto técnico que foi aprovado à época, com orçamento público, passou em todas as instâncias, então ele é legal. Agora tem que fazer ajuste, o tempo indica isso, conforme até o Prefeito mudou o posicionamento dele antes, aqui; ele, pelo jeito, ele era xiita, e ele não é mais, ele acha que tem que fazer um

Ela quer manter o status que está lá, hoje, ou

Como chama o Sr. Promotor? Márrison, não é? Isso aí pode passar

Você chega até no estágio que foi discutido aqui dentro, foi muito bem

teria que ter outras participações, inclusive da sociedade, que não

Sr. promotor, e também a própria Plenária, que esse

Perdido orçamento, melhor dizendo. Vocês podem ficar cientes de uma

lançado esse edital, não

ATADEU FERREIRA DA SILVA: A Codevasf

Isso não é coisa até pessoal, minha, não, eu morei aqui na região muito

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS equacionamento. Na Rio+20, isso foi muito colocado. Eu

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equacionamento. Na Rio+20, isso foi muito colocado. Eu fui delegado brasileiro, fui da delegação brasileira participar das discussões, em todos os fóruns. Eu estive também no Fórum Mundial da Água, em Marselha, foi em março. As mesmas

É complicado. Então ela tem que

ser, ela tem que atender os interesses da sociedade, como alguns disseram aqui, ela tem que atender a maioria, mas você também não pode desprezar outros encaminhamentos que a sociedade, de uma maneira ou de outra, fez. A sociedade, a que eu me refiro, envolve todo mundo. Encerrando a nossa participação, Sr. Promotor, eu achei muito lúcida, muito convergente o posicionamento do senhor e da senhora no que diz respeito aos encaminhamentos que foram dados, a postura eu acho que é essa mesmo. E a Codevasf está cumprindo, de um certo momento para cá, TACs; antes, nós que chamamos para a discussão, o pessoal deve se lembrar disso, que aconteceu naquela reunião na Pedra do Sonho, fomos nós que convocamos a

reunião. Outro lado, a partir de então o Ministério Público foi

Foi envolvido

questões foram postadas, a questão água. Água é

Foi

no processo, e hoje ele está dirigindo o processo com muita galhardia. Nós respeitamos a lei, aquilo que o Ministério Público nos orientar, nós estaremos cumprindo, e continuaremos assim, a Codevasf, ela é obediente.

ALI MAHMOUD FAYEZ AYOUB: Boa tarde. Bom, até agora eu não falei nada,

então eu vou

Ali, sou Promotor de Porteirinha, queria parabenizar a iniciativa do Fabrício, e

cumprimentar os demais membros da mesa. O problema existe, hoje nós tivemos a

oportunidade de verificar que as posições e as opiniões estão ligadas aos interesses do meio ambiente e aos interesses econômicos, cada um puxa a sardinha para a sua brasa, com os seus argumentos. A nós, do Ministério Público, incumbe a observância da lei, pouco importando se ela vai trazer prejuízos econômicos ou políticos a quem quer que seja; somos pagos pela população para observar a lei, e tentar, e tentar resguardar o meio ambiente para as próximas gerações. Se estamos fazendo algo que não está agradando, ou que não agrada parte da população, nós não temos culpa, e Dra. Vanessa colocou isso, mas nós precisamos defender o meio ambiente, nós não temos outra saída, não é? E no que se refere ao Ministério Público de Porteirinha,

com relação

Tinha duas questões que se ventilou aqui, ou duas questões foram

O Fabrício está aqui me obrigando a falar alguma coisa. Meu nome é

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS ventiladas aqui ao longo dos trabalhos, a primeira

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ventiladas aqui ao longo dos trabalhos, a primeira diz respeito à mineradora, então é importante esclarecer que essa questão, que envolve a mineradora, ela está sendo decidida em Montes Claros e Belo Horizonte, não está na alçada do Promotor de Porteirinha dizer se vai, ou não, dar licença para esta ou para aquela mineradora se

É necessário ficar isso aí bem esclarecido, não é?

Porque em terra pequena fofoca é o que mais cresce, não é? Mais do que praga é a

fofoca. Então fica aquela ideia de que “Ah, a mineradora está vindo, o Ministério

Público não está fazendo nada, está deixando de fazer”

nível estadual, Procuradoria-Geral de Justiça, Coordenadorias de Meio Ambiente estão fazendo o seu papel com relação a essa instalação dessa mineradora, e exigindo o que está na lei. Vamos pedir a Deus que todas as exigências, que estão na lei, sejam suficientes para resguardar a nossa água, está certo? Com relação à barragem, que toca ao município de Porteirinha, o que eu preciso deixar claro é o seguinte, o Ministério Público, nós temos um acordo aqui, entre Márrison, eu, Dra. Vanessa, Dr. Fabrício, de que as providências que foram tomadas, serão tomadas de forma unânime, ou seja, o que for feito para o lado da barragem de Janaúba será feito de igual forma para o lado da barragem de Porteirinha. Estou explicando isso porque vocês não sabem, mas dentro do Ministério Público nós temos um instituto, um princípio que é a independência funcional, portanto, o modo de atuar do DR. Fabrício pode não ser o modo de atuar do DR. Ali, eu não tenho que, em regra, atuar da mesma forma que ele. Nós dois temos algo em comum, temos que observar a legislação, mas a ordem e a forma como as coisas serão resolvidas, a lei determina que o Promotor tem independência funcional para atuar da forma que entender correta. Porém, para evitar polêmica, e para evitar confusão, e para evitar conversa, e para evitar fofoca, e para evitar tudo o que o povo aqui adora, nós tomamos a seguinte deliberação, eu já falei isso, é do conhecimento de Vanessa, Dr. Márrison, e Dr. Fabrício, as providências que serão tomadas pelo lado da barragem que toca à Janaúba serão as mesmas a serem tomadas do lado que toca à Porteirinha. Não haverá diferenciação, não haverá procedimento diferente, não haverá dois procedimentos, não existirão dois procedimentos distintos, as mesmas providências que servirão para Janaúba servirão para Porteirinha, de forma a dar uma

instalar na região. Então é preciso

O Ministério Público, em

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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS uniformidade à questão que envolve a barragem, está

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uniformidade à questão que envolve a barragem, está certo? E, no demais, realmente agradecer os demais órgãos, a Codevasf, ao Sr. Prefeito e às demais autoridades que estiveram, que compareceram, ao major, que nos dá segurança, não é? Pelo evento, acho que foi extremamente proveitoso, e não tenham dúvidas, as providências do

Ministério Público não vão agradar, mas nós estamos aqui para cumprir a lei, porque

é a nossa função e a nossa obrigação. A gente não tem margem de discricionariedade

em torno da lei, a lei existe e deve ser cumprida, ponto final. Agora, se ela agrada a ala política, se ela agrada a ala ruralista, se ela agrada a área ambiental, isso vai ficar para um segundo momento, o primeiro momento é nós cumprirmos a nossa obrigação, de darmos cumprimento à legislação. A legislação é essa. Se vier uma melhor, uma mais permissiva, uma mais conciliadora, uma mais rígida, uma mais flexível, certamente o Ministério Público vai cumprir a legislação que estiver vigente.

[palmas].

FABRÍCIO COSTA LOPO: Bem, eu encerro a Audiência Pública agradecendo a presença de todos, agradecendo a presença dos membros da Codevasf, do Sr. Prefeito

Sr. José Benedito, do prof. César Vinícius, que já foi, o Paulo Cesar, demais membros da sociedade civil, da Polícia Militar, na pessoa do Major Clevison, Kelly, do Codema, aos colegas Dra. Vanessa, Dr. Márrison, Dr. Ali, e em especial à Cimos

e à Assessoria de Comunicação o meu muito obrigado. Boa tarde.

[palmas].

Legenda

(F) palavra escrita através da fonética, podendo ter a grafia incorreta -- interrupção da fala

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