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As Formas Elementares da Vida Religiosa de Emile Durkheim e o mundo

contemporâneo.

Introdução

A questão religiosa é assunto inesgotável (dada sua amplitude) e se conecta a distintas áreas
de conhecimento. Compreender o homem religioso e seu universo espiritual abarca toda a
história da humanidade. O movimento histórico implica numa constante mutabilidade da
figura do religioso, presente em diversas sociedades contemporâneas. Independentemente do
tempo histórico e do espaço social estudado constata-se que o homem religioso reconhece a
existência de uma realidade absoluta, o sagrado, que transcende este mundo e se manifesta
nele, tornando-o real. Toda a vida em geral possui uma origem sagrada e a vida humana a
partir do momento que adota posturas religiosas potencializa essa existência; imitando ou
cultuando aquilo que possui caráter divino o homem se aproxima do âmbito sagrado.
Aquele que pratica a sua religião tem nela um auxilio na vida. O culto para o fiel é uma prova
experimental de sua fé, sendo através deste que ela se recria, pois aquele que entra em contato
com seu deus é aquele que pode mais, detentor de uma maior força para ultrapassar as
dificuldades mundanas.
O substrato da vida religiosa trata-se de uma sociedade perfeita onde se reina a justiça e a
verdade. Os homens sobrepõem ao seu mundo outro que idealizam entre si, retratando aquilo
que seria o ideal e servindo de parâmetro para criar e recriar o real: o mal é totalmente ausente
deste plano sagrado sendo ele uma particularidade do mundo dos homens, devendo ser
eliminado ou reduzido. A figura da sociedade ideal encontra-se em nossas religiões
contemporâneas, a vida coletiva desperta o pensamento moral e a exaltação de concepções de
tipos ideais.
Com o desenvolvimento da ciência, a função especulativa sobre a natureza encontra-se
afastada da religião; esta, por sua vez, torna-se um objeto de investigações cientificas,
contudo, a fé e o culto providos pela religião tendem a conservar-se. A contemporaneidade é
marcada pela presença das denominadas “pequenas religiões”, onde podem ser encontrados
comportamentos religiosos mesmo em movimentos que se auto caracterizam como laicos: o
nudismo ou os movimentos de liberdade sexual podem ser vistos como detentores do
sentimento de “nostalgia do Paraíso” (ELIADE, 2010). O motivo pelo qual as religiões
sobrevivem em todas as sociedades circunscreve o fato da necessidade de revigoramento dos
sentimentos e das ideias coletivas, e essa restauração é possível através da aproximação dos
indivíduos nas cerimonias religiosas para reafirmarem seus sentimentos comuns.

A Religião e o mundo contemporâneo

Até aos últimos anos do século XX, existiram nas sociedades ocidentais várias teorias
diferentes de secularização que previram um desaparecimento da religião nas sociedades
modernas. E mesmo hoje em dia existe, por vezes, uma convicção científica que remove o
lugar da religião simplesmente para a esfera privada do indivíduo. Desta maneira, a religião
foi, e ainda é compreendida como um fenômeno anacrônico ou marginal que já não pode
despertar muito interesse no quotidiano ou influenciar a vida pública numa sociedade
moderna.
Porém, especialmente nos tempos contemporâneos podemos testemunhar nas sociedades
modernas ocidentais um reaparecimento das religiões, ou, pelo menos, de alguns assuntos
religiosos. A religião “voltou” de fato para a esfera pública, e este ressurgimento provoca
muitas vezes conclusões precipitadas e impacientes, tais como a discussão sobre um provável
“reencantamento do mundo”.
Novos movimentos religiosos, extremismos religiosos de diferentes formas,
sincretismo e ecumenismos, laços estreitos entre religiões, identidades
étnicas e políticas em grande número de países, religiosidades seculares,
fronteiras móveis entre religião e terapêutica, evoluções em crenças flexíveis
e pragmáticas (religiões à la carte), são alguns dos diversos fenômenos que,
hoje, se apresentam, particularmente, à observação do sociólogo das
religiões, mesmo que o religioso contemporâneo não se reduza a esses temas
(WILLAIME, 2012).

As questões que giram em torno do religioso contemporâneo são tratadas mediante conceitos
como: novos movimentos religiosos, integralismo católico, fundamentalismo protestante,
judaísmo integral, movimento islamita. Apresentadas como formas de radicalismos religiosos,
são colocadas diante do espelho da sociologia juntamente com religião e política; ligadas por
laços tão fortes de modo que unidade política e unidade religiosa foram e continuam sendo
confundidas, o que demanda estudos sobre o Paquistão muçulmano, a Europa soviética, a
China no crepúsculo comunista, as Teologias da Libertação na América Latina. A importância
da variável confessional no comportamento eleitoral, influenciados pelos sincretismos e
ecumenismos como garantias do pluralismo religioso, é visto como mutações contemporâneas
do crer nas sociedades ocidentais.
Podemos distinguir algumas características importantes desses novos movimentos religiosos.
Eles são frequentemente muito modernos no que diz respeito à sua organização e técnicas de
divulgação. A experiência ali valorizada: os indivíduos são convidados a aderir a um corpo de
doutrinas, e não a experimentar uma forma de sabedoria que lhes traria supostamente certo
bem-estar. O poder religioso se exerce, nesses movimentos, de um modo sutil, pois o
indivíduo sempre é remetido à sua própria visão das coisas, mesmo se as práticas aplicadas
são codificadas.
Para Durkheim, a religião teria a função de fortalecer os laços de coesão social, e contribuir
para a solidariedade dos membros do grupo. Por isso, as cerimônias e os rituais ganham uma
grande importância, uma vez que são estes momentos que possibilitam o encontro dos fiéis e
a reafirmação de suas crenças. Durkheim iniciou e baseou suas análises em uma pesquisa
realizada com os povos aborígenes australianos, na qual abordava a prática do totemismo. Um
totem é um objeto sagrado, um símbolo do grupo, venerado nas cerimônias ritualísticas. Pode
ser uma planta, um animal, ou objeto, que por possuir, em sua origem, um significado especial
para o grupo, adquire o caráter de sagrado.
A utilização do termo “totem” está restrito às religiões chamadas “elementares” ou simples.
Reafirmando, podemos concluir que para Durkheim, a religião possui unicamente a função de
conservar e fortalecer a ordem estabelecida. De forma alguma pode ser associada a questões
de poder político ou ideológico. A forma funcional de encarar os assuntos religiosos,
destacando o papel estrutural da religião na vida individual ou social, tornou-se bastante
influente, nomeadamente dentro dos estudos da Antropologia e Sociologia da Religião. Esta
forma se baseia na crítica da religião protagonizada pelo Iluminismo, e tenta perceber até que
ponto os fenômenos religiosos podem influenciar ou estruturar um indivíduo ou uma
sociedade, sublinhando que a religião significa um dos laços mais relevantes para assegurar a
coesão de um coletivo.
Quanto a Durkheim ressalta-se que ele enfatizou o poder de expressão e de fortalecimento dos
laços sociais do religioso e chamou a atenção para uma importante função do religioso: a de
integração social, de pacificação da ordem social. No entanto, os limites de sua abordagem
impõem-se pelo fato de Durkheim não considerar o aspecto antagônico da religião, isto é, não
a considera como meio de desintegração social, como meio de protesto, como contestadora do
mundo real, como possibilidade de luta ativa contra o estado atual das coisas, como propõe
Weber ao situar seu interesse na religião como uma fonte de dinâmica da mudança social.
Émile Durkheim, representante clássico ou “fundador” desta forma funcional, partindo de
uma investigação sobre o sistema totêmico na Austrália, entendeu a religião em 1912 como
um sistema solidário de convicções e práticas dentro de uma comunidade que reúnem
socialmente todos os indivíduos dessa mesma comunidade: “Uma religião é um sistema
solidário de crenças e de práticas relativas a coisas sagradas, quer dizer separadas, interditas,
crenças e práticas que unem numa mesma comunidade moral, chamada igreja, todos os que a
elas aderem” (Durkheim, 2002).
Neste sentido, a religião está marcada principalmente por três aspectos: a) as
convicções/crenças religiosas; b) as práticas religiosas (os ritos); c) a sociedade que
corresponde a estas convicções e práticas. Este ponto de vista permite que algumas
especificidades individuais ou coletivas possam ser explicadas através do sistema de crenças,
práticas ou símbolos religiosos. Ao contrário da forma substancial, o funcionalismo não tenta
perceber propriamente em que as pessoas acreditam, mas sim como opera a fé de uma pessoa
religiosa dentro de um coletivo. Emile Durkheim defende a tese da universalidade do sagrado,
formalizando, assim, a seguinte noção:
As coisas sagradas são aquelas isoladas e protegidas pela proibição; as coisas
profanas são aquelas ás quais essas proibições se aplicam e que devem ficar
distantes das primeiras. As crenças religiosas são representações que
expressam a natureza das coisas sagradas e as relações que essas implicam
uma as outras ou entre elas e as coisas profanas. E, enfim, os ritos são regras
de comportamento que determinam como o homem deve se comportar com
as coisas sagradas. (Durkheim, 2002).

Em vez de definir o sagrado de modo substantivo, Durkheim caracteriza-o por sua oposição
ao profano. Percebemos, então, que “não é o sagrado em si que designa a religião, mas sua
oposição ao profano, oposição que pode ser qualificada de estrutural”. A religião seria o que,
de um modo ou de outro, introduz uma distancia com relação às coisas ordinárias, à vida
cotidiana; ela não somente denota outra realidade – uma manifestação do além, de um
elemento supra ou metaempirico. Durkheim se recusa, com razão, em definir a religião pelo
seu aspecto “sobrenatural” ou por uma ideia de “deus”.
Na experiência do sagrado, a religião é também inseparável da experiência comunitária; como
a religião engendra grupos, deve ser imediatamente considerada pelo seu aspecto coletivo.
Para Durkheim “uma religião é um sistema solidário de crenças e de práticas relativas às
coisas sagradas, ou seja, isoladas ou proibidas, crenças e práticas que reúnem todos àqueles
que aderem a tal sistema em uma mesma comunidade moral chamada Igreja”.
A religião na modernidade é voltada para a vida aqui na Terra. Neste sentido,
a ordem social existente é confirmada, pois esses grupos se socializam em
harmonia com os valores dominantes, ao mesmo tempo, que expressam certo
estranhamento com relação à sociedade abrangente. Em alguns casos, um
grande espaço é dado à expressão das emoções ou, ao contrário ao seu
controle racional (WILLAIME, 2012).
Por outro lado, como é que cada religião é um produto histórico e cultural (ou uma construção
social), a mesma nunca pode ser examinada fora do seu contexto histórico, cultural e
linguístico. E, finalmente é essencial relembrar mais uma vez que existe uma diferença entre o
fenômeno e o conceito da religião, ou seja, uma interação dialética entre a crença e a ciência.
Isso implica uma revisão contínua da ligação entre objetivação científica e semântica
religiosa. Assim, o estudo das religiões tem de ser reflexivo, reconhecendo que a pesquisa
científica também tem uma base histórica e é muitas vezes impulsionada por um resultado
esperado antecipadamente.
Somos confrontados com uma discussão interminável sobre a secularização e modernização
do mundo contemporâneo e com a confirmação empírica de um declínio galopante das
práticas religiosas. E, de fato, os bancos vazios nos edifícios das religiões tradicionalmente
institucionalizadas, pelo menos no Ocidente, parecem demonstrar que estas mesmas são os
grandes vencidos no processo da modernização. A partir desta situação, poder-se-ia concluir
que um estudo das religiões não ultrapassa certo luxo acadêmico sem a mínima relevância
para a vida prática de uma sociedade moderna.
Todavia, esta conclusão seria um exagero se repararmos que os jornais diários ou a televisão
falam regularmente sobre fenômenos ou acontecimentos religiosos, onde pequenos grupos
religiosos se multiplicam de uma forma célere. As cidades modernas estão cheias de lojas com
produtos para todas as preleções esotéricas, e que o apetite popular por livros com conteúdos
místicos ou semirreligiosos parece inesgotável.
Para, além disso, nas sociedades modernas, a persistência dos acontecimentos religiosos tem
principalmente dois efeitos para o estudo das religiões. Em primeiro, a ciência das religiões
não é um fenômeno de moda que recebe o direito de existir apenas em períodos propícios aos
fenômenos religiosos. Sobretudo no que concerne a religião, existe um cruzamento entre
história e modernidade que obriga a seguir o estudo das religiões com certa continuidade.
Em segundo, como outros fenômenos sociais, as formas contemporâneas da religião não
podem ser entendidas sem uma retrospectiva histórica das suas fontes sociológicas ou
antropológicas. Não há dúvidas de que houve, à luz das condições da modernidade, enormes
mudanças ou alterações em termos da individualização religiosa. Um indivíduo moderno
torna-se inevitavelmente arquiteto da sua própria vida, e tem, contemporaneamente,
capacidades e liberdades de escolher uma ou várias orientações religiosas favoráveis.
Por outro lado, existe uma tendência permanente das religiões tradicionais em deixarem o seu
espaço enquanto mera instituição eclesiástica, para entrarem na comunicação pública a partir
da qual conseguem continuar a influenciar a vida social de uma comunidade. Assim, também
as sociedades mais modernas permanecem numa situação onde muitos assuntos públicos são
discutidos direta ou indiretamente sob a influência da própria tradição religiosa. Como as
dimensões estruturais, culturais, institucionais e também religiosas diferem entre si, esta
influência é marcada em todas as sociedades modernas por uma grande variedade.
Isso significa também que não há sociedades puramente modernas; todas as sociedades
representam uma mistura diferente entre modernidade e tradição que não permite defender um
desaparecimento absoluto da religião. Assim, as dificuldades em perceber a modernidade de
uma sociedade baseiam-se muitas vezes numa analogia: nas sociedades modernas existe
paralelamente certa continuidade e descontinuidade. Por outras palavras, a modernização não
faz desaparecer a religião, mas muda necessariamente as manifestações da religião tal como a
reação pessoal do indivíduo perante a religião, ou seja, o pensamento religioso do indivíduo.
O grande desafio contemporâneo da ciência das religiões consiste na reação adequada a estas
mudanças.
Temos a obrigação de reconhecer que há também interdependências entre a evolução do
sentido religioso e o discurso da ciência. Por outras palavras, como todas as tradições
religiosas são ao mesmo tempo um processo e um produto humano, as mesmas não podem ser
estudadas apenas através dos textos sagrados e sem conhecimentos das motivações dos
crentes. O desafio atual da ciência das religiões seria então a tentativa de tornar legíveis as
atividades ou os atos religiosos, o que só pode acontecer através de um ponto de vista
interdisciplinar. E, finalmente, existem as necessidades em reagir aos processos da crescente
pluralização religiosa dentro dos contextos nacionais.
Dentro de uma sociedade plural já não há grupos religiosos fechados, e a tarefa da ciência das
religiões seria, neste contexto, a descrição dos processos de interação ou de influência entre os
diferentes grupos religiosos. Ou seja, a ciência das religiões tem de ser capaz de explicar, por
exemplo, como se transforma ou como reage uma tradição nacional em confronto com os
atuais processos de migração e pluralização.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É nesse ponto da obra, que estão às questões nomeadas como cruciais para a sociologia das
religiões e que são características da modernidade, difíceis de contestar: a reflexividade
sistemática, a diferenciação funcional, a globalização, a individualização, a racionalização e o
pluralismo que nas sociedades ocidentais diminuíram o “poder social” da religião. Mas,
considerando-se que a modernidade evolui, tem-se outra fase da modernidade que
acompanhando Anthony Giddens e Marc Augé pode classificar-se como ultramoderna. A
busca de uma definição sociológica da religião leva em conta que não existe definição de
religião que seja consenso entre os pesquisadores.
Essas definições dão lugar à concepção da religião como ação social e como poder
carismático apoiada nas referências de Weber. A ação social então caracterizada como “[...]
uma comunicação simbólica regular por meio de ritos e crenças que se encontra no centro de
todo sistema religioso”, emprega um carisma fundador e engendra um “laço social”. Nessa
instância final de sua exposição, Willaime (2012, p.198), ao avaliar a “irredutibilidade
específica do laço social criado pela religião”, recorre ao paradigma do dom e propõe que a
religião seja considerada sociologicamente como “um vínculo social articulado ao dom”,
discussão que tem continuidade em outras obras suas.
Em “As formas elementares da vida religiosa”, Émile Durkheim, mesmo não sendo
especialista na matéria, fez-nos ver a importância das categorias religiosas para a
compreensão da vida social. Atualmente, ao haver-se desenvolvido, em numerosos âmbitos, a
religiosidade, as referências a estas categorias resulta pertinente e se faz inclusive cada vez
mais necessária. Não em tanto “sociologia da religião” (toda fronteira disciplinar que atesta
uma mentalidade responsável, de “proprietário”), senão lato sensu aporta como ponto de vista
do desenvolvimento societal. Concretamente, nesse processo de “participação mágica” de
uma entidade mais vasta, essa transcendência imanente que favorece a união ao outro, a
comunhão da alteridade, a integração em si mesmo do estrangeiro, a incorporação da
estrangeridade que aponta à realização de um Si mesmo coletivo.
É nesse sentido que pode falar-se “corpo místico” ou inclusive, retomando a terminologia
católica, de “comunhão dos santos”. Ou seja, uma conexão espiritual, podia dizer-se virtual,
que transcende o espaço, que sobrepassa o cercamento identitário. [...] E assim, como em
certos momentos do ano, como no cômputo de um calendário litúrgico, observamos
aglomerações em “altos lugares” específicos (lugares “de onda” para empregar um jargão
atual).
Em “As Formas Elementares da Vida Religiosa”, o objetivo do autor é elaborar uma teoria
geral da religião, com base na análise das religiões mais simples e primitivas. A ciência
detém, nas sociedades modernas individualistas e racionalistas, a autoridade intelectual e
moral suprema. É possível ir além da ciência, não permanecer atrás e recusar os seus
ensinamentos. Mas a sociedade moderna, como todas as sociedades têm necessidade de
crenças comuns.
A ciência da religião, revela a possibilidade de reconstruir as crenças necessárias ao consenso,
não porque seja suficiente para fazer surgir a uma fé coletiva, mas porque deixa a esperança
de que a sociedade do futuro ainda seja capaz de fabricar deuses, uma vez que todos os deuses
do passado não foram senão a transfiguração da própria sociedade. A ciência não recria uma
religião, mas dá confiança na capacidade que têm as sociedades de produzir em cada época os
deuses que necessitam. Os interesses simbólicos não passam da forma simbólica de interesses
sociais e morais.
Durkheim afirma com relação à ciência da religião que depois de matar os deuses
transcendentes a humanidade amaria a si mesma, ou seja, aquilo que ela tinha de melhor.
(Aron, 2002). Durkheim acredita que a essência da religião é a divisão do mundo em
fenômenos sagrados e profanos. Não é a crença numa divindade transcendente, pois existem
religiões, mesmos superiores, sem Deus. O Budismo é um exemplo. A religião também não
pode ser definida pelas noções de mistério ou sobrenatural. Só se concebe o sobrenatural por
oposição ao natural, que só é possível de maneira positiva e através da ciência. O sagrado se
compõe de um conjunto de coisas, de crenças e de ritos. A religião pressupõe o sagrado, em
seguida a organização das crenças relativas ao sagrado e, por fim, ritos ou práticas derivados
das crenças.
Durkheim acredita poder explicar a realidade do fenômeno religioso. Se o homem adora a
sociedade transfigurada, adora de fato uma realidade autêntica. A religião é uma experiência
por demais permanente e profunda para não corresponder a uma realidade autêntica. Se esta
realidade autêntica não é Deus, é preciso que seja o que está situado, por assim dizer,
imediatamente abaixo de Deus, a sociedade. O objetivo da teoria da religião de Durkheim é
fundamentar o objeto da fé, sem admitir o conteúdo intelectual das religiões tradicionais,
condenadas pelo desenvolvimento do racionalismo científico; este permite salvar o que parece
destruir, demonstrando que os homens nunca adoram senão a sua própria sociedade. A
sociedade desperta o sentimento do divino responsável pelo respeito, devotamento e a
adoração.
A sociedade favorece também o surgimento de crenças, porque os indivíduos vivem em
comunhão uns com os outros e, na efervescência da festa, adquirem a capacidade de criar o
divino. A sociedade é uma máquina de criar deuses, acredita Durkheim. Mas para que este
esforço de criação tenha êxito, é preciso que os indivíduos escapem da vida cotidiana, saiam
de si mesmos, sejam possuídos pelo fervor de que a exaltação da vida coletiva é causa e
expressão. As sociedades são levadas a criar deuses ou religiões quando entram em estado de
exaltação que resulta da intensificação extrema da própria vida coletiva.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DURKHEIM, E. As Formas Elementares da Vida Religiosa, tradução de M. Serras Pereira,


Oeiras: Celta Editora.
WILLAIME, J.-P. Sociologia das religiões. São Paulo: Ed. da UNESP, 2012.