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Analógica, o trabalho da atriz sobre si mesma

Teatro Intimo. Biodrama. Teatro latino-americano. Teatro brasileiro. Teatro político-feminista.

História e Referências

Há aproximadamente seis anos a atriz e estudante de teatro Juliana Krause, desenvolve uma
ideia teatral que leva o nome de Analógica. A ideia consiste em uma personagem feita de
recortes de discursos (textos narrativos e poéticos), imagens e expressões coletados em um
campo de referências simbólicas e políticas da atriz para fins de realizar seu trabalho:
representar(-se).

Em 2016 inicia-se o processo de preparação de atriz e montagem do espetáculo, com Vinicius


Silva Pereira na direção, desenvolvendo uma pesquisa poético-pedagógica para o processo
como encenador. Quais contribuições um diretor transgênero não-binário pode trazer a uma
mulher atriz? As inquietações e provocações a respeito da relação atriz-personagem em seu
processo de criação surgem instantaneamente quando adentra-se a trama de Analógica, a arte
imita a vida ou a vida imita a arte? Vertigem ou linguagem? Será arte?

O conceito/técnica de “O trabalho do ator sobre si mesmo”, de Stanislavski, aparece no processo


como tema-título de uma indagação estrutural da peça, ressignificada para o contexto feminino,
a partir da referência das construções de personagens femininas da atuadora Tânia Farias da
tribo de atuadores Ói Nois Aqui Traveiz, de Porto Alegre, contidas na desmontagem “Evocando
os Mortos – Poéticas da Experiência”.

Outra referência importante para o processo de criação de Analógica são as produções do Teatro
de Cama, instalado no quarto da atriz e produtora Juliana Krause, no Morro do Vidigal, Rio de
Janeiro. A participação do Coletivo Mundé com o Teatro de Cama, a montagem “Dama in Vitro”
é também uma referência próxima.

Contam como referência também a Cie Dos a Deux, com os trabalhos “Ausência” e “Gritos”. A
atriz Grace Passô, com o espetáculo “Vaga Carne”. E o camaleônico trabalho cênico de Juliana
Galdino, do Club Noir, com os espetáculos “Comunicação para uma Academia”, de Franz Kafka,
e “Leite Derramado”, de Chico Buarque, ambos com direção de Roberto Alvim.

A vida e obra do multi artista Sérgio Ricardo atravessa a obra como uma trilha sonora de
inspiração, resistência e brasilidade.

Outras obras que influenciam o processo de Analógica: “Tempos de Cléo”, atuação de Márcia
Costa, direção de Gabriela Fregoneis. “A Tecelã” da Companhia Caixa do Elefante, direção de
Paulo Balardim. Vida e obra de Maria Bethânia e Elis Regina. Vida e obra de Arthur Bispo do
Rosário. Vida e documentário de Estamira, com direção de Marcos Prado. Os parangolés e outras
artes plásticas de Hélio Oiticica. “Rosa Cuchillo” e “La Rebelión de los Objetos”, ambos atuados
por Ana Correa, do grupo Yuyachkani, de Lima, Peru.
Eixo teórico: embasamento e justificativa.

Inicialmente, Analógica nasce como um senso sutil de criatividade em relação à ideias sobre
teatro e sociedade. A partir de dois textos de autores latino-americanos, espano-falantes:
Eduardo Galeano e Marciano Duran; fundam-se os terrenos necessários para o início de uma
construção de dramaturgia, que não se conclui ante a montagem, mas que é talhado em
conjunto com o jogo de preparação de atriz e consequentemente, com a cena.

Quando em laboratório, ou sala de ensaio/sala de aula, sob direção e proposta pedagógica de


Vinicius Silva Pereira, o processo de montagem inicia trabalhos rumo ao encontro de forças
iniciáticas para o trabalho cênico. “O Teatro e o seu Duplo”, de Antonin Artaud, é a maior
referência teórica sobre o que entendemos como teatro e como ritual. Com “Dramáticas do
Transumano”, de Roberto Alvim, (re)pensamos sobre a visão incendiária de Artaud, a partir de
um autor brasileiro que pensa a cultura e a arte contemporânea, por polêmicas, e com ressalvas,
interseciona dramaturgos e teatrólogos importantes do teatro moderno e contemporâneo,
como mediadores na obra.

Temos como referência próxima textos sobre a história, pensamento e prática da Tribo de
Atuadores Ói Nois Aqui Traveiz, onde podemos nos apoiar no sólido e vasto conjunto
composições de poéticas-politicas de procedimentos cênicos usados pelo grupo desde os anos
setenta até os dias de hoje. Grupo que se consolida no cenário teatral nacional, com duas
vertentes importantes de pesquisa, o Teatro de Vivência e o Teatro de Rua, ambas pesquisas de
metodologia e linguagem originais e características originais da produção cênica do grupo.

Fazem parte das referências teóricas complementares: “A arte do ator” e “A linguagem da


encenação teatral”, de Jean-Jacques Roubine, obras onde o autor compila as características
principais e mais difusas da arte teatral no contexto eurocêntrico histórico e moderno.

Como uma colcha de retalhos, uma boneca de pano.

A dramaturgia nunca se finaliza, mas concretiza-se. Assumimos a necessidade de enxertamos


vários textos, de vários autores e autoras, inclusive textos autorais, para compor todo o discurso
cênico de Analógica.

Os textos de Eduardo Galeano, Marciano Duran, José Mujica, Elis Regina, Ferreira Gullar,
Fernando Pessoa, .... fazem parte da colcha de retalhos que é a dramaturgia da peça. Este
procedimento de composição se replicou em vários aspectos da composição da encenação, seja
na concepção de cenário e figurino, seja na iluminação, na preparação de atriz e/ou na atuação.
Sempre um pouco de cada referência em todos os pedaços da montagem.

Este aspecto retalhado dá à Analógica um discurso universalizado, em relação, ao discurso


interno e subjetivo criado pela atriz junto a proposta pedagógica, apropriando-se de temas
gerais dos estudos biográficos, pertencentes a diversas correntes esotéricas, e ao Biodrama, de
Vivi Tellas, diretora argentina, que tenciona os caminhos entre vida e representação, com
importantes contribuições para o Teatro Documental, deslocando a noção de individualidade,
no discurso pessoal, (auto)biográfico, para o que podemos considerar mais antropológico, uma
teatralidade comum do discurso biográfico, como em uma contação de história, um “caso”.

A personagem ganha importância e representatividade ao dialogar e flertar com temas como


sociedade, política, trabalho, gênero sexual, feminismo, socialismo...
TEXTOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO DA DRAMATURGIA

Eduardo Galeano: “Porque todavia no compre um dvd” e “O direito ao delírio”

Fernando Pessoa: “Há metafísica bastante em não pensar em nada” e “Poema em linha reta”

Marciano Duran: “Desechando lo Desenchable”

REFERÊNCIAS

ARTAUD, Antonin. O Teatro e seu Duplo. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

Ói nóis aqui traveiz: a história através da crítica/organizado por Rosyane Trotta. Porto Alegre:
Terreira da Tribo Produções Artísticas, 2012.

BRITTO, Beatriz. Uma Tribo Nômade: a ação do Ói Nóis Aqui Traveiz como Espaço de
Resistência/Beatriz Britto; coordenação Terreira da Tribo. Porto Alegre: 2009, segunda edição.
(Ói Nóis na Memória)

FLORES, Paulo. Ói Nois Aqui Traveiz: um cavalo louco no sul do Brasil.